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Schumacher

Relato de 38 dias em São Tomé e Príncipe, Gabão e Angola entre junho e julho de 2018

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Esse Schumacher É mais doido que eu.kkkk

Seguinte,você precisou do visto no aeroporto de Luanda só para fazer a conexão

Vi essas promoções do melhores destinos, não comprei devido a esta conexão, mas pelo visto o problema também está em Santo Thomé. 

Português deve entrar com maior facilidade, há várias agências de turismo que vendem pacotes para esse lugar.  

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Hahah. Sobre o visto, não precisei para a conexão, por isso que tive que ficar no aeroporto o dia todo.

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Cara tu é doido kkkk, mais doido que eu . Adorei o relato,em relação a segurança desses países qual foi sua percepção? 

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Mais um me chamando de doido, vou considerar uma visita ao sanatório hahah. Valeu, cara. Sobre a segurança, São Tomé e Príncipe é um dos mais seguros em que já estive. Já a capital do Gabão e da Angola são meio perigosos, mas quase todo o interior é tranquilo, ao menos durante o dia. Apesar de todo mundo ver que eu era gringo, não tive problema em lugar algum.

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@Schumacher muito obrigada pelo relato! Estou planejando uma viagem por terra na Angola de Luanda até a fronteira com a Namíbia em Santa Clara. Em contato com alguns angolanos eles me disseram que é impossível fazer essa viagem de ônibus pois as estradas são péssimas! Qual a sua experiencia? Qual a condição atual da estrada entre Luanda e Benguela e Benguela e Lubango? Obrigada!

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@AmandaAzevedo disponha! Que legal! Impossível é exagero, só vai precisar de um pouco mais de paciência, ainda mais se for durante ou após o período de chuvas, que é quando as estradas se acabam. De Luanda até Cabo Ledo está boa, depois disso fica precária até Lobito, que é a cidade vizinha de Benguela. De lá até Lubango a estrada está melhor, bem como de Lubango a Namibe, que apesar de estar fora da rota até a fronteira, recomendo bastante pela paisagem.

1 hora atrás, AmandaAzevedo disse:

 

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@Schumacher Como é a segurança lá? Você fala no final que haviam muitos policias, outras partes que não tinha e uma fala em polícia corrupto.No Gabão não são agradáveis, certo?

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@D FABIANO depende do lugar, cada um tem um nível de segurança diferente. A Ilha de Príncipe foi o mais seguro, seguido pela Ilha de São Tomé e o interior da Angola e do Gabão. Insegurança mesmo só senti nas capitais da Angola e do Gabão.

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    • Por Roberto Tonellotto
      No mês de maio de 2018 viajei para a Itália com o objetivo de assistir a duas etapas do Giro d’Italia, uma das competições de ciclismo mais importante do mundo ao lado do Tour de France. Ao todo são 21 etapas. Nessa edição as três primeiras etapas foram em Israel antes de chegar na Sicília, já na Itália, e subir até o Norte e depois retornar ao Sul para a última disputa em Roma.
      Meu objetivo era assistir a 14ª etapa, com partida de San Vito Al Tagliamento com chegada no Monte Zoncolan. Assistir de perto uma final de etapa sobre o mítico Zoncolan na região do Friuli é o sonho de qualquer ciclista ou apreciador do esporte.  Considerada a montanha mais dura da Europa, com 10,2km e com ganho de elevação de 1.225 metros, torcedores do mundo todo disputam espaço ao longo de toda subida para ver de perto o sofrimento e a garra dos melhores ciclistas de estrada do mundo. Na tarde do dia 19 de maio eu e o amigo Tacio Puntel, que mora no país há 13 anos, estávamos estrategicamente colocados sobre a Montanha para assistir à chegada. Milhares de pessoas chegaram cedo ou até acamparam no local, onde a temperatura mínima naquela madrugada tinha ficado abaixo de zero. Mas tudo é festa. Ali ficou evidente para mim como a cultura do ciclismo é tão importante para a sociedade italiana e europeia. Mas para a alegria de alguns e a tristeza de outros quem ganha a etapa é o britânico Chris Froome (que se tornaria o campeão do Giro) seguido de perto por Simon Yates e em terceiro colocado o italiano Domenico Pozzovivo.
      No outro dia fomos até Villa Santina para assistir a passagem da 15ª etapa com 176km, que teve início em Tolmezzo e chegada em Sappada, também na região do Friuli. A passagem dos ciclistas ocorreu dentro da cidade. Sentados em um bar ao lado rua, podemos ver toda a estrutura envolvida para dar suporte as 22 equipes que somam quase 180 ciclistas. Ônibus, Vans, Carros de abastecimentos, motos, equipes de televisão, ambulâncias. Uma grande logística para um negócio milionário que percorreu mais de 3.571 mil quilômetros em terras israelenses e italianas.
      Mas nem só de assistir ao Giro se resumiu essa viagem. Após passar alguns meses planejando roteiros para pedalar na Itália, Áustria e Eslovênia, chegava a hora de pôr em prática. Narro a partir de agora alguns trechos de cicloturismo que realizei nos três países.
      Cleulis (Itália) –  Passo Monte Croce - Dellach (Áustria) – 70km.
      Acordei decidido que iria almoçar na Áustria. Para chegar até lá teria que enfrentar o Passo do Monte Croce Carnico, ao qual já tinha subido e tinha noção que não era muito difícil. O retorno porém, era uma incógnita. O dia estava bonito, a minha frente a espetacular Creta de Timau, a montanha de 2218m, me mostrava o caminho. Uma parada rápida para foto na capela de Santo Osvaldo e cruzo Timau, a última frazione antes de chegar à fronteira. A partir dali, só subida e curvas. Muitas curvas. Eram incontáveis os grupos de motociclistas, trailers e cicloturistas que desciam a montanha. A cada curva um novo panorama se abria. Placas indicavam a altitude, 900m, 1000m, 1200m, até alcançar os 1375m na fronteira Itália/Áustria. Depois, só alegria... Descida de 12km até Mauthen.
      Parada em Kotschach para foto e planejar o próximo passo. Viro à direita na 110 e o vale que se abre a minha frente (e que se estende por quase 80km até Villach) me faz recordar da Áustria dos cartões postais e filmes. Campos verdes infinitos e montanhas que ainda conservavam a neve do inverno. O que mais me impressionou foi o aroma. Um frescor no ar. Uma mistura de terra molhada com lenha verde recém cortada. Segui por esse vale até encontrar a primeira cidade, a segunda, a terceira. Resolvi que era hora de voltar. Encontro a Karnischer Radweg R3, uma ciclovia que acompanha um belo Rio de águas cristalinas. Chego novamente em Mauthen, compro um lanche reforçado e quando vejo já estou subindo os 12km em direção a Itália. Começa a chover faltando poucos quilômetros para a fronteira.
      Parada obrigatória no Gasthaus Plockenhaus. Tempo depois a chuva diminui e começo o último trato até a fronteira. Mais um túnel congelante. Pedalo forte para esquentar o corpo. Na fronteira, já aquecido, vou beber um café no Al Valico, no lado italiano. Como ainda tinha algum tempo até anoitecer e querendo aproveitar ao máximo a viagem, deixo a bicicleta no restaurante e parto rumo a um trekking montanha acima, rumo ao Pal Piccolo. O local foi cenário de um dos episódios mais sangrentos da Primeira Guerra Mundial e hoje abriga um museu a céu aberto, onde mantém em perfeito estado as trincheiras e equipamentos utilizados nas batalhas entre o Império Austro-Húngaro e Itália. Seria uma caminhada de 2km com quase 600m de subida. Logo comecei a ver alguns animais selvagens e neve.
      Nenhuma palavra pode descrever o que eu senti lá. É emocionante estar em um local de Guerra tão bem preservado a quase 2 mil metros de altitude. Ali as trincheiras ficam a menos de 30 metros umas das outras. A bateria da Gopro e do celular já tinha acabado. A minha também. Apenas uma foto registrou a chegada. Não demorei muito e comecei a descer. Depois de 40 minutos de descida até a fronteira, pego a bicicleta e desço em direção a Cleulis, sob chuva e vento forte.
      Grossglokner Alpine Road – Áustria – 30km
      O corpo cobrava o preço do esforço dos últimos pedais e do cansaço da longa viagem. O sábado amanheceu bonito na região da Carnia na Itália e fazia calor quando partimos rumo a Heiligenblut na Áustria. O contraste do verde das montanhas com alguns pontos de neve com o céu azul e a brisa leve nos lembravam que a primavera havia chegado e não iria demorar muito para o verão dar as caras. Por volta do meio dia chegamos a Heiligenblut. A partir dali eu seguiria pedalando. Rapidamente preparo a Mountain Bike, me visto, respiro fundo e começo a “escalar” os 15 quilômetros até o mirante do Grossglockner, a maior montanha da Áustria e a segunda da Europa, com 3797m de altitude. Os primeiros metros, com uma inclinação de 15% já demonstravam que o desafio seria vencido com paciência e força. O calor me surpreende, o Garmin marca 33 graus e uma altitude de 1295m, o que só aumenta o desconforto, que iria diminuir conforme ganharia altura. Pra quem já subiu a linha São Pedro, Cortado, Cerro Branco, Lajeado Sobradinho, Linha das Pedras ou Linha dos Pomeranos pode ter uma pequena ideia do que foi. Chegava na marca dos 11km de subida, na altitude de 2000 mil metros. Pausa para hidratação e para admirar a paisagem. Picos nevados, cachoeiras, mirantes, campos verdes. Impossível não ficar hipnotizado com tamanha beleza de uma das estradas alpinas mais bonitas do mundo. Depois de 2 horas e 15 minutos e algumas paradas para hidratação chegava a 2.369m com uma visão espetacular do Glaciar Pasterze com 8,5km de comprimento e do imponente Grossglockner. Depois de comprar alguns souvenires e comer um pouco, iniciei a descida que em alguns pontos era possível ultrapassar facilmente os 80km/h.
      Triglav - Kranjska Gora (Eslovênia) Tarvisio - Pontebba - Chiusaforte - Moggio Udinese (Itália)
      Parque Nacional Triglav, Eslovênia. Passava do meio dia quando inicio mais uma pedalada. O trajeto do dia seria quase todo em ciclovias através de vales. Segui até a fronteira em Ratece e dali até Tarvisio na Itália onde encontrei a ciclovia Alpe Adria que inicia em Salsburgo na Áustria e vai até Grado no litoral do mar Adriático. Feita sobre uma antiga ferrovia, asfaltada e bem sinalizada é considerada uma das mais bonitas da Europa. Diversos túneis, pontes, áreas para descanso e pontos para manutenção das bikes com ferramentas a disposição. Durante o dia cruzei por centenas de ciclistas e fui cumprimentado por japoneses, espanhóis, alemães, holandeses e claro, italianos.
      É um parque de diversão só para ciclistas. Um ponto de encontro de apaixonados por bicicleta de diferentes nacionalidades. Ali famílias pedalam tranquilamente, sem pressa. Mais do que uma atividade física, percorrer a Alpe Adria é uma viagem na história e nos valores culturais e ambientais do Friuli.
      A paisagem mudava constantemente, ao fim de cada túnel se abriam bosques selvagens, montanhas rochosas e rios com água em tons de azul. Parei na antiga estação de Chiusaforte que foi transformada em um bar para cicloturistas. Dessa cidade as famílias Linassi, De Bernardi e Pesamosca emigraram para a Quarta Colônia na década de 1880. Recarreguei as energias com café e cornetto e segui em frente encantado com a beleza do Rio Fella. Após alguns quilômetros, ao lado do Rio Tagliamento encontrei a cidade medieval fortificada de Venzone. Próximas paradas: Buia terra das famílias Tondo e Comoretto e a cidade de Gemona Del Friuli das famílias Copetti, Forgiarini, Baldissera, Londero, Brondani, Papis, Rizzi, Patat e tantas outras que dali saíram para colonizarem a região central do nosso Estado.
      Nos últimos quilômetros encontrei a belíssima planície friulana e Údine, Palmanova e Aquileia, a antiga cidade romana fundada em 181 a.C. que conserva vestígios arquitetônicos do Forum, do porto fluvial e os 760 metros quadrados de mosaico do século III na Basílica de Santa Maria Assunta.
      Já era tarde da noite quando cheguei em Grado. Degustei uma pizza e um bom vinho tocai friulano e adormeci ao som do Mar Adriático.
      Pendenze Pericolose
      Pendenze Pericolose é um hotel para ciclistas de estrada em Arta Terme. Estrategicamente localizado próximo das subidas mais desafiadoras da Europa como o Zoncolan e o Monte Crostis é também cenário para diversas competições esportivas. Foi ali que conheci seu idealizador, o romano Emiliano Cantagallo que deixou o emprego de Guarda do Papa para se dedicar inteiramente ao ciclismo e a hotelaria na região da Cárnia.
      Eu já acompanhava seus vídeos na internet com ciclistas profissionais em lugares incríveis onde ele demonstrava a paixão que sentia por aquela terra. Estando tão perto eu não poderia perder a oportunidade de ter essa experiência. Através dos amigos Tácio e Marindia Puntel o encontro foi marcado. No outro dia já estávamos na estrada, eu, Emiliano e Alessandra que também veio de Roma e estava hospedada no hotel. Fiquei espantado com seus níveis de condicionamento físico. Normal para quem faz por volta de 150km todos os dias. Nesse dia aliviaram para mim, seriam 100km e “apenas” duas montanhas.
      Foi um dia inesquecível, apesar do ritmo forte, conversamos muito. Emiliano contava sobre cada lugar: Sella Nevea, Tarvisio, Montasio... Falamos sobre o acaso da vida. Dois romanos e um brasileiro nas montanhas da Cárnia unidos por um esporte e com visões de mundo semelhantes. No meio do caminho, fizemos uma parada no Lago del Predil. Contemplamos o lago cercado por montanhas e nos abraçamos como velhos amigos.
      Foram mais de 500 quilômetros pedalados entre Áustria, Itália e Eslovênia durante a primavera do hemisfério norte. Foram 15 dias de imersão cultural, descobrindo e aprendendo. Permaneci a maior parte do tempo entre Arta Terme e Paluzza. Sentia-me em casa convivendo com pessoas que possuem uma ligação genealógica e afetiva com nossa região. Daquela área saíram as famílias Anater, Prodorutti, Puntel, Maieron, Dassi, Muser e Unfer. Se não fosse pela língua e pelas montanhas, diria que estava na Linha dos Pomeranos ou na Serraria Scheidt.  Na fração de Cleulis, em Paluzza, conheci as casas que foram de alguns emigrantes. Construções em sua maioria de dois pavimentos e que ainda se mantem intactas e bem cuidadas.
      Foi de Cleulis que iniciei mais uma pedalada, agora até o Lago Avostanis. Não fazia ideia do que ia encontrar quando parti às 7 horas de um domingo ensolarado e frio. Logo comecei a subir por uma estrada de terra que serpenteava a Floresta de Pramosio. Muitas curvas. Seriam mais de cinquenta nos dez quilômetros até o topo. A inclinação era absurda. A mata fechada permitia que apenas alguns raios de sol atingissem a estrada. Quanto mais alto, mais a temperatura diminuía e a paisagem se transformava. Parei em uma placa indicativa que mostrava em detalhes como a vegetação se dividia conforme a altitude. Assustei-me quando percebi que havia percorrido apenas um terço do caminho. O silêncio era quase total, ouvia apenas a minha respiração e o barulho do atrito dos pneus com o cascalho.  O ambiente, muito bem preservado, é lar de cervos e coelhos selvagens que saltavam de um lado para o outro. Na altitude de 1500 metros está a Malga Pramosio. Malga é uma espécie de estabelecimento alpino de verão, geralmente um restaurante ou bar com produtos típicos. Segui em frente. O caminho a parti dali só é possível ser feito a pé ou de bicicleta. Ainda havia muita neve em alguns pontos, o que exigia colocar a bicicleta nas costas e caminhar sobre o gelo ao lado de um precipício. Foi assim que cheguei a quase 2 mil metros de altitude no Lago Avostanis que ainda estava congelado. Foi o lugar mais bonito de toda a viagem, uma beleza que só se revela para aqueles dispostos a enfrentar a si mesmos e a respeitar o poder da natureza em sua forma bruta.
      Durante esse tempo pedalando por antigas estradas romanas, cidades medievais, atravessando fronteiras e exposto a uma diversidade de culturas e tentando me adaptar a cada uma delas, percebi uma coisa que mais me chamou atenção: o respeito. O respeito não só com o ciclista, mas com o ser humano em si. E o respeito se transformava em solidariedade, em empatia. Por diversas vezes, em bares e restaurantes principalmente no Friuli, recusavam-se que eu pagasse a conta. Não sofri qualquer tipo de preconceito por ser brasileiro ou por não ter sangue “puro” italiano. Havia apenas curiosidade e fascínio de ambas as partes.
      Foram tantos os detalhes que me chamaram atenção durante esses dias que são difíceis de enumerá-los. Desde beber água direto das fontes à beira da estrada até a generosidade daquele povo. É poder conhecer coisas assim quer torna o ciclismo tão especial. Não é apenas o lugar em si. Mas o modo que você o visita. As pessoas e as histórias que conheceu. O que você precisou fazer para chegar até ele e o quanto dele ficou em você quando foi embora.
       
      Roberto Tonellotto
      Vice presidente do Fogolar Friulano de Sobradinho - RS - Brasil
































    • Por GuhSurfer
      Alguém planejando uma viagem de bicicleta de Buenos Aires para o Chile querendo parceria (Durante o mês de Novembro)? De preferência para dormir acampando ou em hostels, mas de preferência em barraca de camping.
    • Por raquelmorgado
      No nosso caso, fomos a partir de Luanda. O voo não é muito longo, apenas cerca de 2 horas de viagem, mas ter parte do avião sem ar condicionado não abonou muito a favor do conforto. Mas o Tiago não se pôde queixar: nas datas que queríamos só conseguíamos um lugar em económica, tendo o outro “desgraçado” de ir em executiva. Como o Tiago tinha mais milhas na TAAG, lá foi ele em executiva, sem autorização para trocarmos de lugares e partilharmos as regalias (um na ida e outro no regresso).
      Já vos dissemos que tínhamos tudo organizado a partir de Luanda, algo que foi fácil, a partir da internet, onde encontrámos os Serviços Turísticos de São Tomé e a Marta Freitas. A Marta fez um trabalho excelente, foi paciente na nossa procura pelo pacote ideal, e acabamos por contratar um serviço com carro e motorista/guia durante os dias que necessitávamos. Foi através dela que conhecemos o Arcelino, o guia que nos acompanhou durante toda a viagem, exceto no Ilhéu das Rolas. Todas as manhãs, ia buscar-nos à guesthouse e guiava-nos pelo percurso planeado para o dia, sempre com paragens para almoço, conhecer roças, descansar nas praias, etc.. Temos sugerido a Marta a todas as pessoas que nos dizem que vão a São Tomé porque ela é incansável, tendo ido receber-nos ao aeroporto (e nós chegámos bem depois do previsto) e explicado como seriam os nossos dias seguintes. Um dos dias, até nos foi levar e buscar ao restaurante onde fomos jantar. A Marta é portuguesa, apaixonada por São Tomé, e é por existirem pessoas como ela que achamos que não é necessário que se vá para este belo país num pacote tudo incluído de agência de viagens, como é tão comum para quem viaja a partir de Portugal.
      Também é possível alugar só o carro, mas nós recomendamos que inclua o guia. Uma pessoa local consegue resolver qualquer problema muito mais facilmente, e os caminhos e carros de São Tomé têm tendência para dar problemas. Portanto, se querem uma estadia ao bom ritmo são tomense “leve-leve“, se querem conhecer aquela cascata que está num terreno privado com segurança, se querem visitar os fornos onde se torrava o cacau, mas que estão fechados, ou se não querem pagar gorjetas acima do “suposto”, então optem por ter um guia.
      Atenção: como sempre, esta é uma opinião pessoal, se preferem ir em pacotes tudo incluído, mesmo sabendo que vos vai custar muito mais, ou não ter um guia, não criticamos, são opções perfeitamente válidas.

      De Lisboa, pela TAP, a viagem dura cerca de 8 horas, com escala em Accra. No entanto, com base nas nossas pesquisas recentes, o percurso mais barato é Lisboa-Luanda-São Tomé-Luanda-Lisboa, pela TAAG (cerca de 17h de viagem). A STP Airways tem dois voos semanais diretos, mas costumam ser caros (apenas 6h de viagem). O ideal é recorrer ao Skyscanner para escolherem a vossa melhor opção. À data de hoje, uma reserva de ida e volta a partir de Lisboa, com escalas, de 20 a 27 de outubro, custaria 293€ (um achado).
      E como partir de São Tomé?
      São Tomé e Príncipe cobra uma taxa turística diária e uma outra aeroportuária. São 75.000 dobras/dia (aproximadamente 3€) pela primeira, cobrada pelos hotéis, navios cruzeiro ou agências de viagem, e 20€ pela segunda, incluída no pacote das agências de turismo. Na altura em que fomos, a cobrança era feita à saída. No momento em que se dirigiam à entrada do aeroporto eram desviados para a fila de liquidação dessa taxa, só sendo depois autorizados a entrar no terminal. Ainda não voltámos desde 2016, mas na altura o aeroporto era rudimentar, com pesagem “manual” das malas. Sabemos que o aeroporto está nesta altura em obras.
      Como chegar ao Príncipe:
      Já vos dissemos que não fomos, mas ainda pesquisámos os voos. A companhia que faz as viagens diárias é STP Airways e cada percurso custa cerca de 100€. Já vos explicámos o nosso plano financeiro da altura, e acabámos por não conseguir encaixar este extra. Numa visita mais longa e com um orçamento maior, sabemos que ir ao Príncipe é obrigatório. Afinal, é reserva da biosfera. A oferta de alojamentos também está a aumentar.
      Dobra:
      A moeda são-tomense é o Dobra (STD), que tem um câmbio para o Euro nada simpático (1€ = 24.470 STD), o que pode dificultar a noção dos preços. Uma boa referência é: 100.000 STD = 4€. Nós não levámos kwanzas, mas na altura era relativamente fácil trocar kwanzas por dobras no mercado informal, o que teria sido uma vantagem para nós. Só percebemos ao notar que os são-tomenses residentes em Angola apenas traziam kwanzas. Pagámos o possível com os nossos cartões de crédito, como os alojamentos, pagámos os tours através de transferência bancária e trocámos alguns euros. Em São Tomé não existem caixas multibanco que aceitem cartões internacionais.
      Vacinação:
      Países como Angola e Brasil (endémicos de febre amarela) obrigam a que os seus cidadãos ou residentes entrem com o boletim internacional de vacinação e a vacina da febre amarela em dia. Recomenda-se também a profilaxia da malária. Nós, por residirmos em Angola na altura, não precisámos.
      Vistos:
      Países do espaço Schengen, EUA e Canadá, não precisam de visto, mas têm de apresentar um passaporte válido com duração superior a seis meses. Visitantes de outros países, mas com visto para um dos países indicados acima, também não precisam de visto. Isto  é válido para estadias turísticas até 15 dias. Se necessitarem de visto, pede-se aqui.
      Deambular à noite pela cidade de São Tomé:
      Nós chegámos a andar a pé pela cidade, de noite, para regressar de um jantar. Não nos sentimos confortáveis, não por nos sentirmos inseguros, mas pela falta de iluminação, pouco movimento na rua, e por andarmos meio à deriva. Durante o dia, exceto em destinos específicos, como o Ilhéu das Rolas ou Praia Inhame, andámos sempre com o nosso guia.
       
      Ir ao Ilhéu das Rolas
       
      São Tomé e Príncipe tem uma ilha mais pequena, atravessada pela linha do Equador, o Ilhéu das Rolas. Habitado por locais, mas um destino de turistas que se hospedam no  único hotel da ilha, do grupo Pestana, o que a torna quase um resort. Toda a nossa estadia foi organizada por nós, com sugestões da Marta, uma portuguesa que vive em São Tomé, ligada ao turismo, a pessoa ideal para sugerir um plano para a estadia. Decidimos dormir uma noite no Pestana do ilhéu, numa estadia que incluía as três refeições. Não é económico, mas podemos dizer que vale o preço. Devemos salientar que, apesar de ser um Pestana, não apresenta a mesma qualidade que outros hotéis do grupo em geografias diferentes.
      O Ilhéu é pequeno e é fácil dar a volta a pé completa, coisa que o hotel incentiva, com as suas walking tours acompanhadas por funcionários. Vêem-se as praias acessíveis só de barco, a floresta onde a Raquel foi atacada fortemente pelos mosquitos, apesar de ter repelente, bebe-se água de coco pelo caminho, passa-se pela aldeia onde vivem cerca de 200 pessoas, e vai-se até ao Marco do Equador. O marco é uma atracção local onde se tira a típica fotografia com um pé em cada hemisfério. Lamentavelmente, este está já bastante degradado, merecendo um restauro.

      Chegámos à ilha ao final da manhã e fomos brindados com um simpático upgrade ao quarto. O quarto era espaçoso e agradável, com vista para a piscina. O hotel está junto à costa voltada para São Tomé, com uma extensa praia e uma piscina infinita de água salgada. Nota-se que o hotel já sofreu com o passar dos anos e começa a precisar de uma manutenção/refresh mais pesada. A estadia inclui, como já dissemos, as três refeições, em regime buffet, mas com uma variedade de pratos mais reduzido que o habitual para um hotel de 4*. Nota-se que tentam agradar aos turistas, tentando oferecer uma culinária europeia, mas estamos num local onde o peixe deveria ser rei. Oferecem também um ou dois pratos típicos e uma zona onde podemos pedir massas ao nosso gosto. Algo que também não falha é a simpatia dos funcionários. Não estava muita gente hospedada durante a nossa estadia (daí o upgrade), o que acrescentou romantismo à estadia, talvez até demais, porque nem beber um copo no bar era fácil, os funcionários só lá iam quando chamados. O hotel tem também um centro de mergulho, onde se pode, além de agendar mergulhos com garrafa, levantar material de snorkeling e alugar canoas.
      Nós fizemos logo a primeira coisa que nos foi aconselhada a não fazer pelo hotel: comer na praia um almoço preparado por locais, que já tínhamos reservado com o nosso capitão do bote. O rececionista falou em intoxicações alimentares, de não estar garantida a higiene na confeção dos alimentos, e nós ouvimos, mas ignorámos (os nossos estômagos já têm calo), e ainda bem. Esperámos na praia pelo nosso almoço, mergulhando e vendo como carregam os cocos em sacos, para envio para Angola. Aproveitámos para conhecer as nossas colegas de mesa, também portuguesas, que regressavam a São Tomé depois de almoço. Para quem se quiser aventurar: saindo do hotel, é só seguir pela praia para o lado esquerdo, que alguém vos irá abordar para o almoço.
      As praias do ilhéu são muito bonitas, verdadeiramente paradisíacas, podendo mesmo ser partilhadas com os ninhos eleitos pelas tartarugas para a desova. Tenham apenas algum cuidado, porque algumas têm rochas. Algumas praias são inacessíveis a pé e exclusivas para quem chega de barco. A praia a não perder é a praia Café, tanto pela envolvente natural, como por ter uma aldeia perto, sendo fácil encontrar porcos e galinhas a deambularem junto à praia.

      Como ir:
      O meio de transporte oficial sai de Ponta Baleia, o ancoradouro em Porto Alegre. Pelas fotos, o barco é confortável.
      Nós preferimos o formato mais local (e económico). Fomos ver as praias do sul e fomos de bote pela praia Inhame. A viagem foi atribulada no regresso, com uma chuvada torrencial tipicamente tropical e um mar agitado a animar a malta.
      Onde comer:
      A estadia de uma noite incluiu três refeições, portanto, o jantar do dia de chegada e o pequeno-almoço e almoço do dia da partida. Deixamos a opção de ir mais cedo e almoçar na praia ao critério de cada um. Nós fomos e gostámos muito, mas percebemos quem nos diga que acha um risco.
      O almoço na praia foi servido à mesa, uma refeição completa de bifes de atum grelhados, com acompanhamentos e fruta, direito a toalha de mesa, loiça e bebidas. Há simpatia e  podem aproveitar para conhecer outras pessoas.
      Como reservar:
      Fizemos a reserva directamente no site do Grupo Pestana. Os preços rondam sempre os 200€, às vezes um bocadinho mais.



       
      https://365diasnomundo.com/2018/08/17/como-chegar-e-viajar-por-sao-tome/
      https://365diasnomundo.com/2018/08/08/ilheu-rolas/
      https://365diasnomundo.com/2018/07/29/sao-tome/
       
    • Por ivan2209
      E ae galera! Recentemente cheguei de uma viagem de bicicleta pela Asia, foram mais de 10,000 km em 1 ano e meio. Este relato é referente a primeira parte da viagem que foi no sudeste asiático. Quem quiser pode ver mais fotos no meu Instagram: @ivangousseff
      Tailândia:
      A viagem começou em Bangkok, logo que cheguei fui atras de uma bicicleta, pois nao tinha uma e então preferi comprar lá, por aproximadamente U$ 100 comprei uma bike usada. Em Bangkok há muitas lojas Decathlon então pude comprar os acessórios ainda mais barato que no Brasil. Meu gasto total foi de U$ 135.

      Comecei a pedalar em direção ao sul da Tailândia, meu objetivo era chegar até Phuket. Logo no primeiro dia tive um pneu furado, parei em um posto de gasolina e ninguém falava inglês, nesse dia vi pela primeira vez como o povo tailandês é gentil, muitas pessoas tentaram me ajudar e como nao foi possivel consertar o pneu no mesmo dia, acampei no posto e no dia seguinte um funcionário veio de caminhonete para me lever até uma bicicletraria, tudo isso sem falar uma palavra em inglês e sem esperar nada em troca.

      Acampando no posto de gasolina
       

      A partir do segundo dia não houve mais problemas, pedalar na Tailãndia é muito tranquilo, as estradas são boas e tem muitos postos com restaurantes e lojas de conveniência no caminho, existem também umas maquinas para comprar água mineral, 1 litro custa entre 5 e 10 Baths, ou seja, menos de R$ 0,10.
      Na segunda noite na estrada dormi pela primeira vez em um templo budista, os monges saão muito recipitivos, além de autorizar a dormir muitas vezes me davam frutas e comida.

      Logo cheguei nas praias do sul do país, pedalava entre 80 e 100 km por dia, a única parada de mais de um dia foi na praia de TapSakhae, enquanto estava parado na frente de um lago comendo umas bananas, um senhor passou de moto e ao me ver me convidou pra passar uns dias em seu hostel de graça, para retribuir eu ajudava sua mãe na cozinha e com serviços de limpeza.







      No único dia que não achei um templo para dormir, parei em um posto da polícia e me deixaram acampar lá.

      Depois de 16 dias cheguei em Phuket, consegui um couchsurfing na casa de um casal, um espanhol e uma francesa que vieram de carro desde a Espanha até a Tailândia 
      https://perromochilero.com/
      Passei uns 10 dias entre Phuket e as Ilhas Ko Phi Phi aonde comemorei meu 34º aniversário

      CouchSurfing em Phuket

       
      Depois de Phuket voltei pra Bangkok pelo mesmo caminho, levei 15 dias para chegar, ainda em Phuket fiz a grande aquisição da viagem, um fogareiro a gás, a partir daí ficou muito mais facil comer bem e barato, principalmente para mim que não como carne

      Parada pro almoço

      Carona em dia de chuva!!!!

      Chegando em Bangkok descansei por 3 dias no Hostel OverStay, sem dúvida a opção mais barata e mais roots da cidade, recomendo!
      Agora vou começar a pedalar em direção ao norte do país, o caminho também foi super tranquilo, consegui alguns couchsurfings no caminho, chegando em Chiang Mai fiquei 2 semanas e mais 10 dias em um monastério praticando meditação Vipassana, depois fui ao extremo norte próximo a fronteira com Laos e Myanmar, ao final dos 3 meses de visto cruzei a fronteira para o Laos.






      Monastério Budista


      Fronteira Tailândia e Laos.

    • Por Viviana Ciclobeijaflorismo
      Uau... sempre gostei de ler e escrever mas 'em todos estes anos nessa indústria vital, essa é a primeira vez que isso me acontece' rsrs olho para a tela em branco mas as palavras não saem. Várias foram as vezes em que esta cena se repetiu nas últimas semanas e noto uma resistência interna em ordenar as palavras e externizá-las, permanecendo em silêncio degustando-as. Conheço bem essa resistência: é apego! Comumente remetemos o apego aos bens materiais mas quase sempre ignoramos que eles não passam de um símbolo. O real apego é sempre a ideia por trás do símbolo. Venho apegada à ideia da vida que vivi nos últimos dois anos e meio e soltar essa ideia é assumir que ela agora faz parte do passado. No entanto, o novo só vem quando soltamos o velho. E para isso se faz necessário ter coragem...
      As palavras que se seguem são um ato de coragem.
      CO.RA.GEM. substantivo feminino: 1.força ou energia moral diante do perigo; 2.sentimento de segurança para enfrentar situação de dificuldade moral; 3.atributo de quem tem determinação para realizar atividades que exigem firmeza. (Dicionário Michaelis)
      Ou, como uma irmã me ensinou um dia: do prefixo cor (coração) e do sufixo agem (do verbo agir): coragem é agir com o coração. E foi totalmente seguindo o meu coração que ao completar 26 anos em janeiro de 2015 escolhi ir viver as coisas nas quais acreditava. Contexto: na época uma angústia muito forte me acompanhava no dia a dia de faculdade, trabalho e nas pequenas efemeridades que caracterizam o cotidiano. No fundo, a angústia podia ser descrita como um sentimento de não pertencimento e até mesmo uma profunda incompreensão generalizada, não entendia o sentido de fazer as coisas que fazia pois enxergava uma sociedade doente e me apoiava em discursos de liberdade contra um "sistema opressor". No meu aniversário de 26 anos cansei de falar (lê-se: pregar) no facebook sobre as coisas nas quais acreditava e resolvi ir viver as coisas nas quais acreditava.
      Foi num ato repentino da mais profunda coragem num misto com a mais profunda inconsequência que parti. Com cinquenta e cinco reais no bolso, uma tampa de caixa de pizza escrito 'Alto Paraíso' e uma mochila extremamente pesada contendo 75% de inutilidades, fui para a BR. A única experiência que tinha era de ter pego carona com uma amiga até a cidade vizinha (interior de São Paulo, coisa de 100km de distância) poucas semanas antes, mas desde então sabia que se havia conseguido uma carona, conseguiria quantas precisasse. Afinal, muitos podem passar mas só preciso que 1 pare! E foi com essa confiança que, acompanhada de outra amiga que nunca havia viajado de carona, fui rumo a Chapada dos Veadeiros. Não olhei no Google, não tinha mapa, referências ou distâncias. Tudo o que sabia era que queria chegar na tal da Chapada e que pediria carona para isso.
      Há pouco tempo ouvi a seguinte frase sobre cair na estrada: "não tem como se preparar para isso". Essa é a mais pura verdade, e esse foi o primeiro grande aprendizado.
      Também é verdade que um único dia de BR te ensina muito mais do que toda a literatura que possa já ter lido, sobre todos os assuntos. Aprendi sobre política vendo a histórica desigualdade social na vida fora dos grandes centros urbanos e fora dos telejornais; aprendi sobre geografia percorrendo as estradas que cortam as paisagens entre serras e planaltos; aprendi sobre língua portuguesa e sobre licença poética nas placas pintadas à mão oferecendo os mais diversos trabalhos Brasil adentro; aprendi sobre matemática com os preços dos postos de combustível e suas lojas de [in]conveniência; aprendi sobre a biologia do corpo que, como um camelo, cobre distâncias incríveis sem uma única gota d'água; aprendi sobre a química da arte de cada estado em misturar água quente, pó de café e açúcar de maneira tão única (e gratuita!); e, sobretudo, aprendi a física envolvida no equilibrar de uma mochila nas costas de forma que ela (como um motor de Kombi que vem atrás) ainda assim te impulsione para frente. Sempre para frente.
      A BR é uma exigente professora muito dinâmica, com metodologia autodidata e tudo conta como matéria dada. E é justamente este nível de exigência da entrega total ao momento que nos permite absorver todo o seu conteúdo tão eficazmente. Afinal, não dá para estar na BR pensando no boleto que vai vencer ou na ração do gato. A BR te exige por inteiro. Mas essa exigência não é a toa, pois a todo aquele que se entregar plenamente, nada faltará. Nem a carona impossível do último raio de sol do dia, nem o alimento ora como cortesia, ora como oferta da natureza, nem o cantinho maroto para montar a barraca ou o banho, seja num rio, cachoeira ou nos oito minutos mais deliciosos de sua vida num chuveiro de posto de gasolina. Nada faltará! Esse foi o segundo grande aprendizado. 
      Portanto, é um fato que a BR supre a todas as necessidades daquele que se entrega à ela, mas isso não quer dizer que nossas necessidades serão atendidas como gostaríamos ou quando gostaríamos, mas certamente sempre que realmente precisarmos. Aceitar essa falta de controle sobre as situações e ainda assim confiar que nada nos faltará é um desafio proporcional à magnitude do milagre de ser atendido. Porque a verdade é que nós não controlamos absolutamente nada. Abrir mão da ilusão de controle foi o terceiro grande aprendizado.
      Depois de aprender que não há como se preparar para isso, que são necessárias confiança e entrega e de ter aberto mão da ilusão de controle, algumas virtudes certamente já se apresentam desenvolvidas das quais destaco duas: a paciência e a gratidão. Estas duas virtudes são os maiores presentes que a BR me deu. A paciência de esperar o dia in-tei-ro por aquela carona naquela estrada de terra que não passa nem vento ou naquele trecho urbano em que milhares passam mas não param por medo. A gratidão de receber o dia chuvoso como se recebe o ensolarado, de ser grata pelo jejum assim como se agradece  o banquete de coração ofertado.
      Tendo desenvolvido a duras penas a paciência e a gratidão, aprendi que a verdade é que tudo está em nossas mãos. Com paciência e gratidão criamos o que quisermos. Esse foi o quarto grande aprendizado. Esse é um dos mais belos paradoxos humanos: não temos o controle de nada  e criamos tudo o que quisermos. As palavras nem ao menos tangenciam os processos dessas compreensões e permanecem assim no campo das inefabilidades. Mas afirmo: é real. No entanto, não acredite em mim. Duvide e tenha sua própria experiência.
      Além dos impulsos de buscar viver as coisas nas quais acreditava, também ansiava por ser maior do que meus medos. No angustiante período que antecedeu a partida, já havia compreendido que a crença em nossos medos é o que nos limita. Na época, havia feito uma lista com todos os meus medos dos mais esdrúxulos aos nunca antes pronunciados. Levei algo próximo de três meses para terminá-la, e esta lista finalizada lembrava em muito um pergaminho dado comprimento. Em seguida os analisei. Considerei medos-meus aqueles que havia tido uma experiência direta, real e empírica e considerei medos-não-meus aqueles adquiridos por indução social e inconscientemente reproduzidos. Fiz isso pois compreendia que poderia lidar com os meus medos e os demais devia apenas soltá-los, afinal não eram meus e gastava muita energia com eles...
      E de todo o pergaminho, a lista se reduziu a poucos ítens contados nos dedos das mãos. Esses eram os que me interessavam vencer, os demais , como disse, abandonei. Simples assim. Junte a angústia existencial gerada por uma sociedade de consumo com a vontade de vencer os medos limitantes e algumas sessões de 'into the wild' e você tem uma pessoa disposta a rasgar documentos, dinheiro, diplomas, desapegar-se de bens materiais e referências psicoemocionais, além de cometer um "socialcídio" nas redes sociais. Toda a viagem à Chapada dos Veadeiros durou entorno de duas semanas e, ao retornar, abri mão de todos os ítens acima citados. Quando voltei para a estrada possuía apenas o meu corpo, meus conhecimentos e uma mochila com algumas roupas e alguns poucos apegos que ainda permaneciam.
      Queria ver o mundo como ele era sem referências. Queria ver como eu era sem referências. Compreendia que o dinheiro era uma forma de energia mas não era a única e me propus a viver da troca de conhecimentos e da força braçal, bem como do voluntariado. Mas num bom e honesto português o que me motivou foi querer ver se o mundo era mesmo como o Datena falava que era, rsrsrs É com alegria e gratidão que posso afirmar que ele possui uma visão muito limitada (e triste) do que é o mundo...
      Nesse período de viagens de carona que se sucedeu com trocas e voluntariado, regado à paciência e gratidão, aprendi que quanto mais a gente se doa mais a gente recebe. Esse foi o quinto grande aprendizado. Também foi um período em que muitos valores morais e crenças caíram por terra. Descobri, como diria um professor que tive, que sou o extrato-do-pó-do-peido-da-pulga no universo! Rsrs
      E viajei, e viajei e viajei. Curiosamente, curtos foram os momentos em que viajei sozinha. Já viajei em dupla, em trio, com criança e em quarteto. Viajar bem acompanhada é delicioso! Comunhão, cumplicidade, respeito, reciprocidade, apoio e alguém que olhe sua mochila para ir ao banheiro! Rsrsrs No entanto, só quem já viajou mal acompanhado sabe o valor de se andar só. Uma vez li em algum lugar que a solidão só pode ser realmente sentida em meio a outras pessoas. Hoje compreendo isso. E foi ao escolher  passar a viajar exclusivamente sozinha que compreendi a diferença entre solitude e solidão. A solitude é sobre estar só e não sentir solidão. A solidão é sobre estar acompanhado e se sentir só. Esse foi o sexto grande aprendizado.
      E ao aprender a apreciar a minha companhia e a ouvir tudo o que o silêncio tinha para me falar, a vida de caronas passou a ser incompatível com minhas novas necessidades introspectivas pois bem sabemos que o pegar caronas implica em conversar e interagir (além de responder várias vezes no dia as mesmas perguntas clássicas "de onde você é?", "para onde você está indo?", "você não tem medo?", "o que sua família acha disso?", Etc rsrsrs). As trocas me garantiam apenas o mínimo ao mesmo tempo em que recebia muitas doações, e foi quando passei a me sentir sustentada ao invés de me sustentar. Essa nunca foi a proposta. Concluí que estava na hora de ser autossuficiente, decidi investir em artesanatos e passar a viajar de bicicleta para ter mais independência.
      Viajar de bicicleta é outro universo...!
      Viajando de carona o mundo já é solícito, mas de bicicleta ele é escancarado! Minha bicicleta (Kali- A Negra) é dessas padrão, sem marca, aro 26 e 21 marchas onde os maiores investimentos que fiz foi instalar bar ends de deiz real, um selim mais largo e o bagageiro no qual amarrei dois baldes como alforges, com uma garrafa pet de paralama. Junte a cara de pau de uma bicicleta dessas circulando por aí como se fosse uma Specialized, o fato de eu ser mulher e estar viajando sozinha e você terá a trinca de ouro das portas abertas na sociedade.
       Tenho plena consciência da sociedade patriarcal em que vivemos e de como é nascer mulher em meio a isso, mas nunca havia experienciado isso de forma tão latente pois não se admiravam por ser uma pessoa viajando de bicicleta, mas por ser uma mulher sozinha, o que claramente indica a noção do inconsciente coletivo de que o mundo é sim um lugar hostil para mulheres, já que a mesma admiração não é comum aos homens viajantes solos. Também sinto que a hiperbólica solicitude que a bicicleta proporciona vem do próprio símbolo de liberdade atrelado à ela, afinal todos temos alguma memória afetiva de infância relacionada à sensação de liberdade com alguma bicicleta.
      Uma metáfora não-tão-metáfora-assim que a bicicleta me ensinou nos primeiros 10 minutos de viagem foi que não importa o peso que se carrega, mas sim como o equilibramos...
      E pedalei, e pedalei, e pedalei. Tomei chuva, me queimei no sol, atolei na lama, empurrei serra acima e senti a "mão de Deus no guidão" ladeira abaixo a 56km/h. Fui abordada diversas vezes pela própria curiosidade das pessoas, fui recebida e convidada à hospedagens e banquetes, ganhei dinheiro e presentes, orações, abraços cheios de ternura e querer bem e, por mais delicioso que tudo isso seja, estava looonge da intenção inicial de passar despercebida... Ao mesmo tempo isso ajudou com a venda de artesanatos (mandalas de papel com beija-flores, logo, Ciclobeijaflorismo) e pude experienciar o sucesso na autossuficiência plena  com dinheiro suficiente para me hospedar em campings e realizar os desejos mais supérfluos de meu ego. É nesse ápice entre a plena autossuficiência profissional e a crescente necessidade de introspecção e silêncio não compatíveis com a imprevisível vida na BR que, com a Graça Divina, tive o maior dos aprendizados. Tudo o que fizera até então era em busca da liberdade, de acordo com os conceitos que possuía de liberdade. No entanto, em dado momento pude compreender que sempre fui livre. E pela primeira vez compreendi o que Renato Russo quis dizer quando afirmou que 'disciplina é liberdade'.
      Todos somos livres, sempre fomos e sempre seremos. Inclusive para nos prendermos ao que desejarmos. Esse foi o sétimo e maior aprendizado de todos nesses dois anos e meio de vida nômade.
       
      Faz aproximadamente quatro meses que parei de viajar e isso se deu por uma série de fatores, compreensões e necessidades do momento. Tudo o que materialmente ainda possuo é a bicicleta e os baldes alforges (tá, e documentos. Tenho todos novamente, rsrsrs), no entanto a bagagem que estes dois anos e meio me gerou eu ainda mal consigo mensurar (e nem tenho tal pretensão!). A proposta do momento é encerrar pendências diversas que a impulsividade de outrora deixou e, tendo renovado inclusive a CNH, dar início ao projeto da casa própria sobre rodas, afinal sou uma jovem senhora de quase 30 anos que busca alguns confortos que viver de mochila não oferece, rsrs. No entanto, como ou quando isso acontecerá não me pertence mas sei que assim como a estrada me chamou uma vez, quando houver de retornar não será diferente. Coração cigano só bate na poeira da estrada!
      E o que ficou disso tudo?
      O brilho dos primeiros raios de sol pela manhã refletidos na superfície de um rio; 
      O aroma da primeira chuva que cai e toca a terra encerrando a seca. Uma verdadeira oração silenciosa de alívio e gratidão onde não se ouve nada além das gotas;
      A suculência da fruta madura saboreada direto do pé;
      O farfalhar das folhas com o vento no dossel;
      O toque da pele em cada rosto que se toca em um abraço ou das mãos que se apertam. E os sorrisos! Ah, os sorrisos... As donas Marias e os seus Zés... 
       
       
      Esse foi meu relato de dois anos e meio de viagens conhecendo um pedacinho de cada uma das cinco regiões do Brasil, de carona, a pé e de bike com muito pouco ou nenhum dinheiro vivendo a base de trocas e voluntariado, posteriormente com a venda de artesanatos. Este relato não envolve descrição de lugares, roteiros, valores, dicas ou distâncias. Aliás, quando me perguntam sobre a maior distância que já percorri digo que foi entre querer viajar e colocar a mochila nas costas. Esta certamente foi a maior distância. Este relato apenas compartilha outros aspectos de um mochilão. E embora eu tenha dito que este é o meu relato, estou ciente de que também é ou pode ser o seu, afinal, Eu Sou o Outro Você.
       
      Dedico a todas e todos que abraçaram e abraçam o desconhecido, escolhendo ir além dos próprios medos. Agradeço a todos e todas que compartilham seus relatos de viagem. Agradeço a todas e todos que compartilham. Agradeço.
       
       Trilha sonora da escrita:
      *Quinteto Armorial - do Romance ao galope (1974)
      *Alceu Valença e Orquestra Ouro Preto
       
      PRABHU AAP JAGO


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