Ir para conteúdo
  • Cadastre-se
Entre para seguir isso  
bruno.bortoloto-do-carmo

[Chile e Bolívia] Atacama, Potosí, Sajama e Arica (15 dias)

Posts Recomendados

Olá pessoal!

 

Seguindo a tradição de sempre devolver um pouco que esse fórum lindo ajuda a gente nos nossos roteiros, aqui vai a nossa mochila(dinha) de 15 dias desse ano.

Regina (minha namorada) e eu tivemos de férias, juntos,  os dias 15-07 a 30-07.

------------- Caso queiram complementar esse roteiro, vejam o dela nesse link, como ela fala em valores, eu vou focar em outros aspectos, bele? --------------

Decidindo aproveitar o máximo, fizemos um roteiro que passamos pelas seguintes cidades:

  • San Pedro de Atacama (3 dias)
  • Uyuni (apenas passagem)
  • Potosí (2 dias)
  • Uyuni (1 dia)
  • Oruro (apenas passagem)
  • Patacamaya (apenas passagem)
  • Sajama (5 dias)
  • Arica (1 dia)

 

Foi mais ou menos assim:

 

[aereo] São Paulo  - Santiago (15/07)

Saímos daqui de São Paulo de noite, pra pegar aquela maratona de aéreos na madrugada. Nosso voô saiu à meia noite com destino a Santiago e a expectativa era ficar 1 ou 2 horinhas no aeroporto no Chile e já pegar o seguinte pra Calama.

[aereo] Santiago - Calama (15/07)

Nunca tínhamos pego vôos assim, foi bem cansativo. Além disso, esquecemos de pensar no fuso horário que adicionou uma hora a mais na brincadeira. Mas aguentamos firme, nos ferramos nas comidas de aeroporto que são uns 30% mais caras, mas enfim chegamos em Calama.

Calama (15/07)

Chegamos em Calama de manhãzinha, lá pelas 7h. Uma das vantagens de viajar nesses horários malucos é pegar o nascer do sol no avião🤩

 IMG_20180715_090746734_HDR.thumb.jpg.d982918615dbb6438ac6cb934ae1d944.jpg

                                   Vista do avião logo quando chegávamos em Calama

 

[transfer] Calama - San Pedro de Atacama (15/07)

Chegamos em Calama exaustos. Não conseguimos pensar me muita coisa além de ir no banheiro e buscar um transfer pra San Pedro. Na saída do aeroporto tem vários e, até onde saiba, todos confiáveis saindo a cada 15-20min.

[transfer] Calama - San Pedro de Atacama (15/07)

O transfer dura mais ou menos 1h (100km) numa estrada lindássa que já da pra ter uma ideia do que se vai encontrar pela frente. Obviamente dormimos metade, mas a outra metade apreciamos o rolê rs

San Pedro de Atacama (15/07 a 18/07, 3 dias)

Dia 1 (15/07)

Chegando em San Pedro, pedimos para o motorista nos deixar no Ayllu de Larache. Tínhamos reservado no Airbnb do Jorge, que a indicação era nesse local. Aparentemente era um local facilimo de chegar, seguindo a calle Tocopilla um pouco depois de sair do centro do povoado. Tivemos uma pequena dor de cabeça pra encontrar um lugar que era mais fácil do que parecia. Andamos, andamos, andamos, andamos... Pensamos que Ayllu de Larache era uma espécie de rua ou viela que chegávamos da carretera; TODAVIA, CONTUDO, ENTRETANTO Ayllu é como eles chamam os pueblos que foram a cidade de San Pedro (tem o Ayllu de Larache, tem o Ayllu de Quitor, o Ayllu de Sequitor, etc. etc.).

Resumindo: era só a gente ter saído da carretera que estávamos na frente da pousada deles. 😑😑😑

Chegando finalmente lá, fomos recebidos pelo Jorge, é um cara muito simpático. Ele e o pai dele, o Don Antonio, construíram as cabanas e administram o lugar. Quando chegamos nosso quarto ainda não tava liberado. Eles nos receberam na propria casa deles, fizeram café/chá e assistimos a final da copa.

Quando nosso quarto foi liberado fomos descarregar as coisas, tomar um banho e descansar um pouco. O banheiro é fora do quarto, mas super limpo, grande e confortável; água SUPER quente, o que conta bastante quando se vai tomar banho no fim da tarde (lá faz muito frio tarda pra noite).

 

IMG_20180717_112741983.thumb.jpg.267482f67dc94b4b81f42354ef9699da.jpg

                                                            Nosso humilde jardim de frente na pousada do Jorge ❤️

Mais a noite com as bateria carregadas, fomos pra cidade pra jantar e olhar preços de passeios. O Jorge sempre que está livre, se oferece pra dar caronas pra cidade no carro dele; mas é super perto, da uns 10-15min a pé, e mesmo a noite (apesar de escuro e precisar de uma lanterna) é bem tranquilo o caminho.

Como boa parte do dia as pessoas estão fazendo os roteiros, a cidade começa a funcionar mesmo no meio da tarde e todas as agencias ficam abertas até umas 20h.

Depois  de almoçar e fazer cambio na calle Caraoles (ali tem uma loja atrás da outra pra comparar a cotação), começamos a pesquisar preços de passeios. Fechamos com umas brasileiras no Janaj Pacha o roteiro das Lagunas Altiplanicas e o passeio Astronomico para o dia seguinte.  

 

Dia 2 (16/07)

No dia seguinte acordamos cedinho e saímos às 6 da matina pra nos arruar pro roteiro que tínhamos programado. Eles saem cedinho pra aproveitar bastante a manhã. O roteiro, além das Lagunas Aliplanicas, ainda passaríamos no Chaxa (aquele dos flamingos!) e nos povoados de Socaire e Toconao. Acho que de todos os rolês, é o que passa por mais lugares.

Nossa van chegou britanicamente no horário e, como descobrimos ao longo do caminho, o motorista era competentíssimo e nos fez chegar em todas as atrações antes de um grande volume de turistas/vans se acumularem; ponto de ouro nesses rolês! Pegamos quase todas as atrações vazias e com pouquíssimas pessoas. 

Apenas uma coisa: podemos até postar várias fotos aqui e vocês podem ver tantas outras: mas na real o bagulho é muito mais doido. Foto raramente da pra se ter escala das coisas, e no Atacama tudo é monumental, principalmente as Lagunas!

IMG_20180716_095653377_HDR.thumb.jpg.d1a9dcb153d8885328b77a00d0900448.jpg

                                                    Vista das Lagunas (não lembro se essa era a Miscanti ou a Miñiques rs)

Ah bom lembrar ::hahaha::: as Lagunas ficam em local que bate 4.000m+ de altitude, então leve suas ojas de coca. Nesse rolê eu já descobri que meu organismo não se da muito bem quando passa dos 3.500m e comecei a experimentar dores de cabeça bem desagradáveis, principalmente depois da descida. A partir daqui, meu amigo de todos os dias (e noites!) foi uma boa cartela de paracetamol.::sos::

 

Na volta nos deixaram na cidade lá pelas 13h. Almoçamos nos famosos trailers do centro da ciadade, melhor local pra conseguir uma comida simples e relativamente barata por San Pedro (infelizmente se gasta muito com comida). Daí passeamos um pouco pelo centro, mas logo voltamos pras cabanas porque minha dor de cabeça estava insuportável.

Voltando, o Jorge nos indicou um mercadinho nas cercanias, onde fomos várias vezes fazer compras e economizamos MUITO. No nosso quarto ainda tinha uma mini-cozinha, então pudemos variar entre lanches e umas comidinhas rápidas. Recomendamos! ;)

Mais a noite, voltamos pro centro da cidade pra jantar e fechamos o roteiro astronômico com o proprio Janaj Pacha; importante ressaltar que, apesar de termos fechado com eles, por ser um roteiro bastante específico, eles repassam pra outra pessoa

IMG_20180716_193508560_LL.thumb.jpg.69a1ee327126cb859bd6881b62708862.jpg

Comemos uma pizza de palta/abacate com palmito e azeitonas + cerveja cusqueña no Pachacutec, recomendamos!

Dia 3 (17/07)

No dia seguinte acordamos bem devagar, sem olhar no relógio e sem despertador. Passamos pela manhã novamente no mercado pra estocar água e comprar mais coisinhas pra viagem.

Info importante pra quem quer ir à Uyuni sem ser pelo Salar: Também aproveitamos esse dia pra irmos até o centro novamente pra comprar a passagem de ônibus até Uyuni na Rodoviária.Existem três empresas que fazem o trajeto, mas apenas uma sai de San Pedro de Atacama: a Cruz del Norte, com saídas diárias às 3AM. As outras duas (Atacama 2000 e outra que não me lembro o nome) vendem em San Pedro mas só saem de Calama com saídas diárias às 5 e 6 da manhã, fazendo com que a pessoa vá pra lá um dia antes e pernoite por lá, já que o primeiro busão pra Calama é muito tarde pra conseguir pegar esse vai até Uyuni.

Na dúvida, se forem fazer esse trajeto, vão de Cruz del Norte que é bem mais cômodo!

De noite fomos para o roteiro Astronômico. Combinamos com as meninas do Janaj Pacha de nos encontrar umas 20:30 pra que elas nos apresentasse a galera que nos levaria. Como tínhamos jantado em caso nesse dia, buscamos um lugar pra tomar um café; mas um café CAFÉ. Toda pessoa que toma café diariamente tem um baque em San Pedro, porque lá eles só servem café instantaneo. Nossa busca nessa noite foi por isso! rs Único lugar que encontramos um foi no Barros Cafe e, olha, recomendamos!

O roteiro em si foi ótimo e também recomendamos! Eles nos levam pra uma casa num local afastado da cidade onde estudantes de astronomia fazem essa atividade. Consiste basicamente em aprender a ler o céu estrelado (que em Atacama é BEM visível) e depois focalizar em estrelas, nebulosas, e planetas. Pra quem gosta, é prato cheio!

[busão] Uyuni - Potosí (18/07)

Jorge novamente foi MUITO solícito e nos ajudou a chegar ao centro da cidade às 3 da madrugada. Não pediu nada em troca da carona, mas fizemos questão de pagá-lo.

Chegando lá tinham várias pessoas esperando (cerca de 10-15); o ônibus foi quase cheio. Seu caminho também passa por Calama, fazendo uma pausa longa pra encher o ônibus. A viagem em si é linda e sugiro que façam nesse horário, pois aproveitam a estrada do amanhecer até a tarde, vendo todas as mudanças de vegetação! É lindão! Você acaba nem percebendo as 10 horas de viagem rs

IMG_20180718_090207443_HDR.thumb.jpg.f2929b8bbdc108437fb23e4b6260c158.jpg

                                                                                Vista da parada na migra -- que frio!! ::Cold::

 

[busão] Uyuni - Potosí (18/07)

Chegando a Uyuni, como tínhamos desistido da ideia de ir ao Salar por que$$tões de ordem financeira, usamos a passagem só como pulo pra conhecer Potosí, um sonho antigo de historiador (o/). Chegando por lá, também não tinhamos boletos, mas não foi difícil de conseguir. Tem várias companhias que fazem a cada 15-30 min o caminho pra Potosí. Foram mais 4 horas de viagem, chegando já num limite de corpo/mente hehe

Potosí (18/07 - 20/07, 2 dias) 

Dia 1 (18/07)

Chegamos no fim da tarde em Potosí. Alugamos o apartamento do Luís/Anita inteiro pelo Airbnb bem no centro, local perfeito. Mas melhor que a localização é o próprio apê: é um sobradinho antigo, onde eles moram na parte de cima e o apartamento dos fundos fica independente. Tem sala, cozinha equipada, banheir(ão!) e uma cama confortabilisisma. Depois de uma viagem laaaaaaaaarga como fizemos, foi um porto seguro chegar no apartamento deles!

No dia saímos só pra jantar e dar uma breve reconhecida no quarteirão. Como estava tarde, não queríamos arriscar, mas pareceu bem tranquilo à noite.

Além disso, Potosí fica a quase 4.100m acima do nível do mar, uma das cidades mais altas do mundo. Tive já na chegada problemas com a altitude e não tinha como ficar arriscando. O destino depois do jantar foi paracetamol, chá de coca e cobertor!

IMG_20180718_202334831_BURST001_LL.thumb.jpg.b7101af4ce0c84059f52f6d81ee74e90.jpg

                 Nossa peatonal charmosa na noite que chegamos, linda demais!

Dia 2 (19/07)

Não tínhamos muitos planos pra Potosí. Sabia só que não queria fazer o tour antropologico de conhecer as minas (ainda em funcionamento) nem a praça onde os mineiros vão pra trocar cigarro. Mas Potosí é uma cidade colonial. E o que cidades coloniais tem de melhor? I-gre-jas!

Primeiro fomos na base de turismo, que já fica numa antiga Torre de la Compañia de Jesus que os jesuítas construíram no séc. XVIII. Ali você pode já ver suas primeiras vistas panorâmicas da cidade, do alto da torre.
Depois rumamos pro Convento de la Iglesia de San Francisco, onde você pode visitar os quartos dos antigos padres residentes, mas o prato principal é o mirador e as criptas! O mirador foi o melhor que visitamos, pois se pode percorrer por uma boa parte do telhado (e se não se segurar bem, o vento te leva!).

IMG_20180719_115602867_BURST000_COVER_TOP.thumb.jpg.1081492fe2bff5cb001116ca5acc1599.jpg

                          Vista do mirador da iglesia de San Francisco -- quem aí conhecia a versão Assassins' Creed Bolívia?

A parte chata de Potosí, pelo menos pra mim? Dei game over no primeiro rolê. Dor de cabeça constante, não aguentei a altitude de lá. Fomos de lá direto pro apê e recolhemos os hominhos do campo. Sorte que uma baita chuva armou e, de fato, não íamos conseguir aproveitar muito mais. Nisso, valeu muito a pena mais uma vez a escolha do apê do Luís e da Anita! ;)

 

 

Dia 2 (20/07)

 

No segundo e último dia em Potosí, tínhamos três missões: conhecer mais alguma igreja, trocar dinheiro e voltar a tempo do almoço para partirmos pra Uyuni novamente. Primeiro fomos na Iglesia Catedral que fica bem no centro do centro da cidade. É lindíssima e também possui um mirador do alto de uma das torres. Como Potosí é uma cidade bem alta e o centro não tem quase predio, os mirantes são sempre passeios bem legais rs

IMG_20180720_104712180.thumb.jpg.24efa7d57170b1f9d6b91b207d3a0553.jpg

                                                Mais um mirador pra conta, mais uma vista linda!

Agora a missão trocar dinheiro: onde? Nos indicaram a Casa Fernandes, tradicional e segura, mas não vimos nenhum dos dias aberta. Daí indicaram o mercado em uma galeria perto do mercado municipal, que fica em uma praça na parte de trás da calle Junin. É uma galeria bem simples com boxes pequenos e, pelo que entendemos, todas fazem cambio!

 

Missões cumpridas, voltamos pro apê pra almoçar e pegar nossas coisas e ir de volta pra Rodoviaria.

 

[busão] Potosí - Uyuni (20/07)

 

No caminho de volta, nenhuma surpresa. Vários ônibus diários de Potosí a Uyuni e super fácil de comprar. Chegando uma hora antes, é suficiente.

Dica: Todos os terminais da Bolívia cobram taxa de embarque separadamente da passagem (alguém sobre no ônibus antes dele sair e vai cobrando). É coisa pouca, 1bob, mas é bom guardar moedas pra isso! Nós não guardamos e passamos vergonha haha

 

Uyuni (20/07 a 21/07, 1 dia)

 

Chegando a Uyuni já no fim da tarde, fomos pro nosso hostel. Alugamos um quarto privativo no Hostal Oro Blanco (https://www.hostaloroblancouyuni.com/). A cidade é bem pequena, e a área turística, então, ocupa uma dúzia de quarteirões no máximo.

 

A cidade em si só existe como dormitório e suporte para os turistas que vão ao Salar. Como nossa intenção principal era chegar no parque Sajama, apenas dormimos no hostel para pegarmos o trem no dia seguinte a Oruro. E realmente, meio dia foi mais que suficiente pra uma cidade que não tem absolutamente nada haha

 

Único destaque, caso passem por aqui, é o restaurante Pachamama. Ele fica logo virando a esquina à direita na peatonal em sentido contrário à estação ferrocarril. É um restaurante muito simples, que só uma vozinha boliviana atende; tenha paciência, pois ela anota os pedidos e faz a comida (e quando dizemos faz, ela FAZ, do começo ao fim). Muita gente entrou e saiu nervosa porque não foi atendido; nós não tínhamos pressa e fomos recompensados com a melhor comida de vó ❤️

IMG_20180721_184837956_LL.thumb.jpg.e628b0318719523bd7927f925170815a.jpg

                  Além de comida de vó, tem chazinho de coca vó! Aquece o coração ❤️ 

 

[trem] Uyuni - Oruro (21/07)

Pegamos o trem noturno. Coloco aqui dia 21 pois compramos o da meia noite. São algo como 4 saídas semanais a Oruro, por duas companhias diferentes.

Dica: O valor é muito barato, portanto, não economizem se forem no inverno e no noturno. A classe econômica é um FRIO da porra! Ainda mais o dia que fomos, que nevou. Aí já viu, viramos pinguim no trem haha

 

[van] Oruro - Patacamaya (22/07)

 

Aqui começou a parte incerta do roteiro. De Oruro até Sajama tínhamos apenas indícios de como chegar. Mas no fim é bem simples!

Primeiro que a estação de trem não é próxima a de ônibus. Não parece ser tão distante, também, mas no horário que chegamos (7h) o ideal era pegar um táxi.

Já no táxi perguntamos como faríamos para chegar até Patacamaya, o ponto médio até Sajama. Na rodoviária o taxista gentilmente nos deixou perto das vans e nos apontou quais pegar.

Aparentemente as vans saem com bastante recorrência; chegamos lá e tinha uma pronta pra sair. Esperamos algo como 15-20 min para encher o carro e partimos.

A viagem durou cerca de 1h30, no máximo, num caminho bastante tranquilo.

 

[van] Patacamaya - Sajama (22/07)

 

Chegamos a Patacamaya estourando 9 da manhã. Sabíamos, segundo relatos, que uma van saía daqui às 13h.

Chegando lá, uma confusão do cacete na rua que servia como terminal de ônibus, vans, mercado e tudo mais (além da lama da neve que tinha caído e tava secando rs), fomos procurar onde saía a tal da van pra Sajama.

“Ahí!”, “Allá”, “Más adelante!”, “En frente del mercadito”... nossa referencia era que as vans saíam em frente ao “Restaurante Capitol”; não encontramos o tal restaurante, mas encontramos as vans. Haha

 

Não sei se a quantidade de vans e horários aumentaram, mas quando chegamos já estavam enchendo uma pra partir. Estávamos em dois (Regina e eu) e mais três franceses. Esperamos algo como 30-45 min ali; como não vinha ninguém, o cara da van decidiu partir com 5 mesmo e bem mais cedo que o esperado, às 10h.

 

Dois parêntesis aqui:

  1. Tudo na nossa viagem deu certo, tudo. Mas conversando com os franceses, vimos que tivemos foi sorte e estávamos certos em esperar algum contratempo. Eles tiveram. Vieram de Oruro a Patacamaya um dia antes que nós, mas ficaram presos na cidade por conta da nevasca que fez as estradas até a divisa com o Chile fechar.
  2. A Regina foi até o banheiro em Patacamaya. Era um dos “baños publicos”, porém dentro da casa de uma pessoa. Ela entrou, a porta trancou e quando foi sair a pessoa estava longe e ela ficou um bom tempo pra conseguir sair; se forem aproveitar a parada pra ir no banheiro, vão em dois rs

Chegamos a Sajama depois de umas 3 horas de viagem e, quanto mais avançávamos na estrada mais neve víamos. Parece que a nevasca tinha sido das brabas mesmo; sorte pra nós!

IMG_20180722_105905632_BURST001.thumb.jpg.3f419b60b40d44779eec75577010ff81.jpg

                                                       Essa era nossa visão na estrada. Achávamos que tínhamos nos ferrado...

IMG_20180722_144652381.thumb.jpg.1892946912fb815037222d82de73fe78.jpg

        ...masss nossa sinhora da boa viage ajuda bastante nois, e deu um céu bonito, neve e muitas lhaminhas num cenário pra lá de bucólico!
 

Sajama (22/07 a 27/07, 5 dias)


Chegamos exaustos de 7h de viagem de trem + 5 de van, sem contar as paradas. Então a única coisa que queríamos era chegar no hostel. Ficamos no Hostal Osasis (http://hostal-oasis.com/) que fica bem na entrada da cidade.

IMG_20180722_150739456.thumb.jpg.7346cb1ba15efde3eab0b1c359cd701b.jpg

                                                               Vista da praça central e igreja ❤️ 

Sobre hospedagem, importante abrir pequeno-grande um parêntesis: Sajama é uma vila indígena aymara que vive basicamente do turismo de montanhismo de gringos e galera, igual a gente, que quer conhecer um local diferente e ficar entocado na montanha. Apesar das atrações ser bem parecidas às do Atacama (contando com geisers, lagunas altiplanicas, etc., etc., apesar de proporções modestas) é um local bem menos badalado.

Quando saímos para a viagem, gostamos de deixar tudo certinho, principalmente as reservas pra não termos surpresa. Os dois únicos hostals  que tem site em Sajama são: Oasis e Sajama.

Entretanto, cada uma das famílias da cidade tem seu próprio alojamento, muitos inclusive sem nenhuma propaganda, já que o acesso a internet já é bem limitado.

Então, podem ir sem medo de não ter reserva, pois além de contribuírem com a uma maior rotatividade da economia local, vocês podem ajudar essas famílias que acabam perdendo clientes pros dois maiores hotéis da vila.

Caso ainda sim queiram ir com a estadia garantida e agendada, vou deixar aqui o contato de whatsapp da Reina: +591 74840766. Nós conhecemos por meio da sua mãe, que tem tienda America em uma das praças da cidade. A hospedagem dela é um pouco mais pra dentro na cidade, cabaninhas muito simpáticas e recém-construídas, além de terem um preço mais em conta.

Um alerta: se vocês, assim como eu, tiveram problemas de adaptação com a altitude, peguem leve em Sajama! Aqui é ainda mais alto que Potosí, já que a região fica a 4.200+ de altitude. Isso influenciou bastante no nosso ritmo e foi muito bom termos ficado bastante tempo! Quase todos os passeios são longe, não existe um complexo de transporte e roteiros turísticos aqui. A prática é você fechar com moradores que tem carro, e eles em geral apenas levam; dificilmente ficam com você para trazer de volta.

Levando em conta que boa parte das atrações ficam a, pelo menos, 6-8km de distância, precisa-se estar bem adaptado à altitude e com bastante preparo! 

Nossos passeios fora basicamente dois nesses dias:

  • Mirador de Sajama, que fica bem próximo à vila. Por um sendero que começa por uma das ruas do povoado, você segue em direção ao monte mais próximo. É bem fácil de encontrar, apesar de tudo estar bem nevado e ter sido difícil de encontrar o caminho. Pelo mesmo motivo, foi difícil chegar ao topo (além da falta de ar haha ::sos::), mas conseguimos ir até a metade do caminho e valeu super a pena! Com o local mais seco, tenho certeza que vocês vão conseguir ir até o topo, não é muito íngreme e até a Regina que tem problemas de joelho foi traquilamente.

IMG_20180723_120402783.thumb.jpg.63b614504e0ee3fb6b6bd423a4ad1cf1.jpg

                                                               Mirador a meia altura!

  • Laguna Huañacota, que fica a mais ou menos uns 9km do povoado. Como dissemos, é possível ir de carro e voltar a pé, é o que geralmente as pessoas fazem. No nosso caso, fizemos os mais de 18km de ida-volta à pé, beeem devagar. Foi cansativo mas valeu a pena, tendo inclusive uma companheira por boa parte do caminho, uma perrita chamada Luna que foi nos mordendo o calcanhar até a laguna! rs No mesmo caminho dessa laguna existe algumas termais; a principal fica entrando por uma bifurcação da estrada principal, mais ou menos ha uns 2-3km da cidade. Acabamos não indo, mas vale a pena!

IMG_20180724_141315377.thumb.jpg.9cd5987819838bec0c37d72cfaf61781.jpg

                                 Panorâmica da Laguna Huñacota (Luna pode ser vista pro canto direito da foto haha)

Os dois passeios são coisa pra metade de um dia; mesmo a laguna e seus muitos km a ser percorridos podem ser feitos em 6 horas tranquilamente. Caso pensem em passar nas termais, saiam mais cedo que conseguem fazer tudo em 8-10h tranquilo.

Apesar de ainda existirem outras muitas atrações (pelo menos mais uma laguna e geiseres, além de pueblos próximos) acabamos por optar por descansar e viver um pouco o vilarejo. O esquema é muito familiar e não existem restaurantes; para você almoçar ou jantar, precisa falar em alguma das tiendas com as cholas e marcar um horário que passarão para comer. Fazendo isso em um lugar a cada dia, você conhece diversas famílias e conversa com muitas pessoas.

Com isso aprendemos muito sobre o funcionamento da cidade. É literalmente uma comunidade indígena que se urbanizou e semi-modernizou; aqui, todos tem responsabilidade para com o bem público. Todos os meses, no dia 28, as pessoas da cidade se reúnem pra conversar sobre o que tem acontecido, os problemas e as soluções, construções que precisam ser feitas, etc. Também são os proprios moradores que fazem a limpeza das ruas e, pelo que nos foi dito, fazem uma coleta seletiva e o que podem vendem/reciclam em La Paz.

IMG_20180723_134251991_BURST001.thumb.jpg.7fc3e00ab8bff3a8f2a8cda068beee85.jpg

        Fiz questão de tirar foto da placa de uma das pontes da cidade, por constar essa parada do trabalho popular.

O parque, como sabem, tem uma entrada que custa 100bobs por pessoa; infelizmente, pelo que nos foi dito, esse dinheiro não é revertido para a comunidade, apesar do governo entrar com uma parte das obras estruturais, mas ao que parece boa parte é feita pelos próprios moradores. Acho que conhecer mais sobre o pueblo e seus moradores, pra mim, foi um dos pontos altos do rolê e valeu mais que qualquer laguna, geiser ou mirador. Se forem até lá, façam isso!

IMG_20180724_101432899.thumb.jpg.c873b0877446900543fe8db8e1676b22.jpg

  Vista da Tienda America, lugar onde almoçamos algumas boas vezes com a dueña Benigna e conhecemos bastante da cidade.

 

[van] Sajama - Tambo Quemado  e [busão] Tambo Quemado - Arica (28/07)

Essa foi uma das dificuldades que encontramos, principalmente de encontrar relatos precisos sobre como chegar no Chile a partir de Sajama. Como o lugar é um pueblo e não tem rodoviária nem serviço de transporte que não seja até Patacamaya, o caminho mais fácil e lógico é o de Oruro-La Paz. Se o roteiro de vocês for esse, vão sem medo.

Se tiverem como objetivo chegar em Arica, vocês precisam conseguir uma van até Tambo Quemado, que é uma parada de caminhões próxima à divisa Bolivia-Chile. Logo que chegarem na cidade, conversem com alguém da trans-sajama.  Demos sorte de conhecer o David, um senhor muito gentil que, por coincidência, iria à Tambo no dia que partiríamos (calhou de ser o dia que tem uma feira de artesanato que eles vão rs). De qualquer forma, não é nada difícil de conseguir uma carona até lá. É preciso chegar cedinho, lá pelas 8h, pois o primeiro busão de La Paz pro Chile começa a passar por ali la pelas 9h30-10h. Pelo que nos disseram são um total de 5 ônibus e, com certeza, um deles vai ter lugar.

No nosso caso, o primeiro que passou já tinha exatamente dois lugares vagos e fomos nele mesmo! Por ser internacional, eles aceitam tanto bolivianos quando pesos chilenos; pagamos 100 bolivianos por passagem, se não me engano.

Mas é basicamente isso; sem muitos problemas conseguimos chegar no Chile.

Ah, importante! 🧐 na fronteira nos pediram a carteirinha de vacinação internacional de febre amarela; não esqueçam de levar!

A viagem dura umas 5h e, logo no começo, passa-se pelo parque Lauca (parque irmão do Sajama do lado Chileno); se tiverem o interesse, vale descer e conhecer e depois pegar outro ônibus, apesar de ser um rolê caro, visto que se paga o preço cheio da viagem duas vezes. Pela janela já é uma ótima visão! ❤️ 

IMG_20180727_114715974.thumb.jpg.4eca53685f785d9fe764af1f48cff825.jpg

                                                                                       Vista da janela do busão do Parque Lauca ❤️         

Enfim, a viagem envolve a descida dos Andes de 4.200m até o nível do mar. Pode se preparar pra bastante sono e vertigem; mas é lindo também e foto nenhuma consegue captar o que se vê com os olhos ali, sem dúvida algo que vale a pena ser feito!

 

Arica (28/07 a 29/07, 1 dia)

Chegamos em Arica no meio da tarde. A cidade costaneira do lado do Pacífico fica muito, mas MUITO próxima do Peru. Já no terminal é possível ver ônibus que partem para Tacna, que fica algo como 50km de Arica. Infelizmente não tínhamos tempo, mas nossos planos era ter subido até Cusco, passando por Arequipa, como muitas pessoas fazem.

Saímos da rodoviária e estranhamos o asfalto e o trânsito, depois de tanto tempo em Sajama. 

Ficamos no aribnb do Sebástian e Ricardo, que fica bem pertinho da praia.

IMG_20180728_102356766.thumb.jpg.0426664a42732dd2e45be9a2d1630cb6.jpg

                                                             Coisas que aderimos à dieta quando voltamos: pão com palta (abacate)

Arica foi apenas um local pra que a gente voltasse pro Brasil, então nem pensamos muito onde ir ou o que aproveitar. Chegamos de Sajama e só pensamos em cair na cama e dormir.

No dia seguinte, arrumamos nossa mala e deixamos tudo pronto pra sairmos à noitinha.

Saímos pra explorar a cidade. Arica é uma cidade bem pequena e, ficando onde ficamos, da pra ir e voltar a pé ao centrinho que tem a maior parte das atrações.

IMG_20180728_160118061_HDR.thumb.jpg.02c9ed96298e5f7c387a08ad2f92dc03.jpg

                                                                        Dia nublado e na praia, vendo o Pacífico! ::hahaha::

No fim da noite, combinamos com Sebastian um Uber que nos levaria ao aeroporto e partimos.

[aereo] Arica - Santiago (29/07) e Santiago São - Paulo (30/07)

De novo passamos a noite no aereo, dessa vez mais cansados ainda. Mas, apesar de tudo isso, voltamos pro Brasil revigorados!

 

 

IMG_20180717_181526032.jpg

  • Gostei! 4

Compartilhar este post


Link para o post
Compartilhar em outros sites

Crie uma conta ou entre para comentar

Você precisar ser um membro para fazer um comentário

Criar uma conta

Crie uma nova conta em nossa comunidade. É fácil!

Crie uma nova conta

Entrar

Já tem uma conta? Faça o login.

Entrar Agora
Entre para seguir isso  

  • Conteúdo Similar

    • Por Aullyanna02
      Planejo fazer uma viagem com destino ao Chile em julho/2019, e desejo visitar os dois destinos que estão no título do post. Gostaria de saber se há possibilidade de comprar as passagens para a Ilha de Páscoa no aeroporto de Santiago, pois aqui no Brasil elas são absurdamente caras - leia-se R$5.000 em alguns sites - e não cabem no meu orçamento inicial. Por favor, me ajudem! Desde já, agradeço!!!
    • Por Taynã Tagliati
      Olá! 
      Alguém poderia me informar se existem ônibus de Santa Cruz para Jujuy ou Salta direto?
      Não encontrei nenhuma informação sobre isso na internet, só vi trajetos até La Quiaca/Villazon ou Yacuiba, e mesmo esses trajetos não estão muito claros. Aparentemente há pouco transporte entre a Bolívia e Argentina. Se alguém souber de qualquer informação relacionada ajudaria bastante.
       
      Obrigada!
    • Por matheusinacioca
      E aí, tudo bem
      Estou terminando de organizar minha viagem e preciso de algumas dicas...
      Meu voo de ida chega em Buenos Aires dia 19.01.19 (onde já tenho reservado no HOSTAL MILLHOUSE AVENUE até dia 22.01.19) e meu voo de volta sai de Ushuaia dia 23.02.19; concluindo assim 36 dias de roteiro.
      Meu segundo destino depois de BNA é Bariloche (vou de ônibus, empresa: VIA BARILOCHE). A partir de Bariloche a ideia é ir para el Bolsón, el Calafate-el Chaltén, Puerto Natales (parque Torres del Paine), e por fim, Ushuaia. Pretendo fazer todos esses trajetos de bus... 
       
      Minhas duvidas são em relação da quantidade de dias que reservo para cada cidade... Pensei da seguinte maneira:
       
      BUENOS AIRES: 3-5 dias
      BARILOCHE: 4 dias (até pensei em ficar mais, mas devido ao preço da cidade não sei se convêm)
      EL BOLSON: 4 dias
      EL CALAFATE: 3 dias
      EL CHALTEN: 5 dias
      PUERTO NATALES (P.TOR.PAINE): 6 dias
      USHUAIA: 5-7 dias.
       
      *Outras duvidas:
      1.devo agregar no trajeto: Villa la Angostura??... vi que tem bastante coisa legal por lá.
      2. de el Calafate vou para Puerto Natales, onde o objetivo é fazer o Parque Torres del Paine, acho que vou acabar optando pelo W, alguém tem alguma dica sobre??
      3. posterior ao Parque Torres del Paine, tenho que voltar para el Calafate pra descer até Ushuaia, trajeto que pretendo fazer de ônibus, vi que tenho que ir primeiro para Rio Gallegos... seria interessante reservar 1-2 dias para conhecer está cidade? ou melhor sigo direto para Ushuaia?
      4. en el Calafate, no glaciar Perito Moreno... minitrekking vs. big ice... já li tanto sobre isso que ainda não consegui decidir... alguém que fez, tendo em conta os valores, vale a pena o Big Ice?
      5. el Chaltén, pode fazer camping no Fitz Roy??
      6. Estendo para 5 dias em Buenos Aires antes de descer para Bariloche, ou 3 já está de bom tamanho?? quero conhecer Tigre tb...
       
      Desde já muito obrigado galera
    • Por matheusinacioca
      E aí, tudo bem
      Estou terminando de organizar minha viagem e preciso de algumas dicas...
      Meu voo de ida chega em Buenos Aires dia 19.01.19 (onde já tenho reservado no HOSTAL MILLHOUSE AVENUE até dia 22.01.19) e meu voo de volta sai de Ushuaia dia 23.02.19; concluindo assim 36 dias de roteiro.
      Meu segundo destino depois de BNA é Bariloche (vou de ônibus, empresa: VIA BARILOCHE). A partir de Bariloche a ideia é ir para el Bolsón, el Calafate-el Chaltén, Puerto Natales (parque Torres del Paine), e por fim, Ushuaia. Pretendo fazer todos esses trajetos de bus... 
       
      Minhas duvidas são em relação da quantidade de dias que reservo para cada cidade... Pensei da seguinte maneira:
       
      BUENOS AIRES: 3-5 dias
      BARILOCHE: 4 dias (até pensei em ficar mais, mas devido ao preço da cidade não sei se convêm)
      EL BOLSON: 4 dias
      EL CALAFATE: 3 dias
      EL CHALTEN: 5 dias
      PUERTO NATALES (P.TOR.PAINE): 6 dias
      USHUAIA: 5-7 dias.
       
      *Outras duvidas:
      1.devo agregar no trajeto: Villa la Angostura??... vi que tem bastante coisa legal por lá.
      2. de el Calafate vou para Puerto Natales, onde o objetivo é fazer o Parque Torres del Paine, acho que vou acabar optando pelo W, alguém tem alguma dica sobre??
      3. posterior ao Parque Torres del Paine, tenho que voltar para el Calafate pra descer até Ushuaia, trajeto que pretendo fazer de ônibus, vi que tenho que ir primeiro para Rio Gallegos... seria interessante reservar 1-2 dias para conhecer está cidade? ou melhor sigo direto para Ushuaia?
      4. en el Calafate, no glaciar Perito Moreno... minitrekking vs. big ice... já li tanto sobre isso que ainda não consegui decidir... alguém que fez, tendo em conta os valores, vale a pena o Big Ice?
      5. el Chaltén, pode fazer camping no Fitz Roy??
      6. Estendo para 5 dias em Buenos Aires antes de descer para Bariloche, ou 3 já está de bom tamanho?? quero conhecer Tigre tb...
       
      Desde já muito obrigado galera
    • Por janicehartmann
      Como tenho me socorrido dos relatos que aparecem nesta página há anos para a realização de minhas andanças por aí, resolvi também começar a fazer os meus para que, talvez, sejam de auxílio aos demais.
      Meu primeiro relato é do trekking de um dia até o Refúgio Plantat, primeiro acampamento para ascensão ao Vulcão San José, que faz fronteira com a Argentina, cujo acesso se dá pelo Cajón de Maipo, na localidade de Lo Valdés, distante apenas 104 km de Santiago.

      - Foto tirada no caminho para Lo Valdez, alguns quilometros após San Gabriel.
      Como a localidade não é muito distante de Santiago, se estiver de carro ou tiver um bom transfer, até é possível fazer um bate e volta, mas não recomendo, pois ainda que a estrada agora esteja asfaltada, são cerca de 2:30 horas de viagem, pois em razão da subida, curvas e estrada estreita o trajeto se torna lento.
      Além disso Lo Valdés é um daqueles lugares ainda bem primitivos, sem rede de luz elétrica, onde a energia ainda vem de geradores particulares e com uma vista muito linda do vale e das montanhas Morado, Arenas e San José, além de ser ponto de partida de para vários outros trekkings, inclusive das ascensões ao San José e ao Marmolejo.
      Recomendo hospedagem no Refúgio Alemán, também conhecido como Refúgio Lo valdés, cujo acesso está a cerca de 300 metros antes da mineradora, no lado direito. O Refúgio no momento está sob responsabilidade de Fritz Kobel, um amante das montanhas que já foi guia e conhece tudo da região e tem dicas valiosas para todos os tipos de caminhada.

      - Mapinha desenhado pelo Fritz Kobel para localizar o Refúgio Alemán.

      - Foto do Refúgio Alemán, com vista para o Vulcão San José.
      Para iniciar o trekking, desde Los Valdés é necessário seguir, pela direita, passando pela mineradora, no sentido das termas de Baños del Colina, uma estrada de rípio, em estado bem razoável (estávamos num carro 1.0), pois a mineradora zela por sua conservação. Seque-se por cerca de 6,5 a 7 km, onde haverá uma bifurcação. À direita segue-se para Baños del Colina e à esquerda, embora a indicação esteja apagada, segue-se no sentido das obras da Hidrelétrica Alto Maipo.  Ainda na bifurcação já se enxerga uma confusão de construções junto à rocha, local conhecido como “cabrerio”, pois ali há um curral para cabras e um alojamento de verão para os donos das cabras. O “cabrerio” fica à direita da estrada e à esquerda, praticamente em frente, há um estacionamento onde se pode deixar o carro. Como foi fortemente recomendado não deixar nada no carro, pelo risco de arrombamento, retiramos tudo de valor. Parece que no verão o dono do "cabrerio" cobra um pequeno valor pelo acesso à trilha e estacionamento, mas ninguém nos cobrou nada.
      Seguindo a estrada, por cerca de 50 a 100 metros se encontra, à direita, o início da trilha, marcado por vários azimunts (aqueles amontoados de pedras que indicam o caminho).

      - Mapa do caminho.
      A caminhada já começa numa subida relativamente íngreme que contorna o Morro Negro. O caminho é bem marcado, pois é também o trilho seguido pelas cabras que vão pastar nos vales acima. Além disso, nesta primeira parte, há algumas setas amarelas pintadas nas pedras, indicando o sentido.
      Seguimos subindo, creio que por cerca 1,5 km, com a vista do Vale de Maipo atrás de nós cada vez mais bonito.

      - Foto da vista do Cajón del Maipo - Lo Valdez e a Mineradora abaixo.
      Ao término desta primeira subida se tem a primeira vista do Vulcão San José e  se chega a um bonito Vale, chamado de “Valle de La Engorda”, pois ali se desenvolve uma vegetação bem verde, porém espinhenta, apreciada pelas cabras, que em mais de uma centena, nos acompanharam nesta primeira parte do trekking.
      Olhando em frente, se divisam dois vales, um à esquerda (quebrada sur) e outro à direita (quebrada norte), no meio dos vales se divisa em toda sua beleza o Vulcão San José. Deve se atravessar o “Valle de La Engorda” tendo como objetivo o sentido do Vale que está mais à esquerda (quebrada sur) que é o Vale por onde se segue se quiser fazer a ascensão ao Marmolejo, mas sem adentrar no vale,  pois é perto dali que reinicia a subida. São cerca de 2 km sem rota muito definida, pois há muitos caminhos pisados pelas cabras, mas se encontram vários azimunts pelo caminho. Quando fizemos o caminho tivemos que atravessar alguns riachinhos e um riacho mais largo já perto do reinício da subida, mas sem necessidade de tirar as botas, pois sempre se encontra algum caminho mais estreito pelas pedras. Creio que em época de maior degelo a travessia possa ser um pouco mais complicada.

      - Foto do Valle de La Engorda, mas com a perspectiva do caminho de volta.

      - Foto do Valle de La Engorda, com o Vulcão San José ao fundo.
      Após atravessar o Vale se vê uma área em que descem pequenos riachinhos. É nesta altura que se deve reencontrar a trilha, que a partir daqui somente é marcada por azimuts. Por ali existem várias marcações, mas ao final todas se unem na mesma trilha, à esquerda do riachinho. A partir deste ponto a subida vai se tornando muito íngreme, com bastante pedras soltas, o que requer mais atenção para não correr o risco de cair. Nesta parte se ascende rapidamente e a vista do vale que fica para trás, embora não vendo mais o vulcão San José, fica cada vez mais bonita. Seguindo esta subida por cerca de 40 minutos a 01 hora, um pouco depois de atravessar o riacho, se chega a uma área um pouco mais aberta e plana.
      Dali se segue por mais uns dois quilômetros, sempre seguindo a trilha bem marcada até o refúgio que fica localizado nas encostas mesmo do vulcão, escondido atrás de uma pequena elevação no vale.

      - Foto do Cero Morado e Arenas.
      O Refúgio Plantat fica sempre aberto e tem dois cômodos com três beliches com estrado de arame, onde se pode dormir confortavelmente protegido das intempéries, se tiver levado um isolante e saco de dormir. Além disso, há um espaço usado com cozinha, com uma mesa, alguns bancos, prateleiras e espaço para colocar o fogareiro para cozinhar. Além disso, logo em frente ao refúgio foi represada a água de um pequeno riacho que desce da montanha, o que facilita o acesso à água limpa. Como ali o vento é menos impiedoso, é um ótimo lugar para acampar.
      O refúgio foi construído, de forma privada, pela família Plantat em 1937. Reza a história local, que após ter encontrado em frente à porta do refúgio um alpinista que morreu de frio em dia de tempestade, não podendo entrar na habitação por estar cadeada, a família entristecida decidiu deixar o refúgio sem chaves e acessível a quem o quiser utilizar, solicitando apenas que deixe tudo no estado que encontrou.
       Ali comemos nosso lanche com vista para os Ceros Arenas e Morado, bem como a encosta do San José e tiramos uma sonequinha de meia hora, curtindo o sol já que ali estava bem frio e depois descemos pela mesma trilha.
      Ao todo levamos cerca de 4:30 para realizar a subida em 2:30 para descer. São cerca de 14 km de trekking (ida e volta) e mais de 800 metros de desnível. Caminho feito com muita tranquilidade e com várias paradas para fotos.

      - Foto do Refúgio Plantat.

      - Foto do laguinho em frente ao refúgio e da vista dos Ceros Morado e Arenas.
      Chegando ao estacionamento decidimos seguir até as termas de Baños del Colina, pois distam apenas 4 km. Seguimos em uma estrada de rípio  que adentra no vale. Cerca de um quilometro após a estrada se bifurca, sendo que à esquerda é de acesso exclusivo da mineradora e à direita segue até as termas. O visual é quase lunar, com bonitas montanhas coloridas. Chegando as termas não entramos, pois elas fecham cedo, as 17 horas e não teríamos muito tempo para ficar ali. Além disso, o cheiro forte de enxofre, embora saiba que é saudável para a pele, não foi um bom atrativo.

      - Montanha colorida no caminho para Baños del Colina.
      Assim, voltamos ao Refúgio Alemán, onde após um bom banho, curtimos o final da tarde com vista do vale e das montanhas.
      - Foto do Vulcão San José a partir do Refúgio Alemán.
      Dicas importantes:
      a) não faça uma trilha sem GPS ou guia se não tiver certeza que o caminho é bem marcado;
      b) trilha de montanha sempre exige roupas e equipamentos adequados (protetor solar, botas, corta vento ou anorak, bastão, água e lanche de trilha); e
      c) mesmo que o dia esteja quente, use calças compridas, pois a vegetação é muito espinhenta e vai machucar.
       


×