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rafael_santiago

Trekking Langtang-Gosainkund-Helambu (Nepal) - out/18

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Vale do Rio Langtang com as montanhas Penthang Karpo Ri, Langshisha Ri e Gangchenpo

Início: Syabrubesi
Final: Sundarijal
Duração: 13 dias
Maior altitude: 4651m no Passo Laurebina La (se não considerarmos o pico Tsergo Ri, que é uma caminhada opcional)
Menor altitude: 1377m em Sundarijal
Dificuldade: alta. Muita subida e muita descida quase todos os dias, com desníveis de até 1100m diários. Por ultrapassar os 3000m de altitude é necessário fazer aclimatação. O Passo Laurebina La, de 4651m, impõe uma dificuldade a mais.
Permissões: TIMS Card (Rs 2000 = US$ 17,36), entrada do Parque Nacional Langtang (Rs 3400 = US$ 29,51) e entrada do Parque Nacional Shivapuri Nagarjun (Rs 1035 = US$ 8,98)

Obs.: antes de ler este relato sugiro a leitura do meu "Pequeno guia de trekking independente no Nepal" para ter as informações básicas para as caminhadas naquele país.

Os trekkings Langtang, Gosainkund e Helambu podem ser feitos separadamente com duração de 7, 8 e 6 dias, respectivamente, variando esse tempo de acordo com o ritmo e as caminhadas de bate-volta que se queira agregar à trilha principal. Porém, para quem dispõe de mais tempo, o melhor mesmo é combinar os três num único roteiro já que estão naturalmente interligados. E foi o que eu fiz na minha primeira experiência em trilhas no Nepal. Com as trilhas de bate-volta que fiz o roteiro totalizou 13 dias.

Ao longo do relato colocarei o nome das vilas com as variações de escrita mais frequentes e também pelos diferentes nomes que constam nos mapas e nas placas.

No percurso desse trekking há muitas fontes de água, como riachos no meio da trilha e torneiras ou bicas nas vilas. Não cito todas no relato porque são muitas. A água deve sempre ser tratada, conforme explico no "Pequeno guia de trekking independente no Nepal".

As operadoras de celular que funcionam em alguns dos povoados durante os três trekkings são:
. de Syabrubesi a Lama Hotel: NCell
. de Lama Hotel a Kyanjin Gompa: Sky
. Sing Gompa: NCell, NTC/Namaste
. Gosainkund: nenhuma funciona
. Ghopte: NCell, NTC/Namaste
. Tharepati: NCell, NTC/Namaste
Essas informações obtive com os moradores, eu mesmo não testei nenhuma operadora.

Todos os preços abaixo estão na moeda do Nepal (rupia nepalesa) e convertidos para dólar pela média dos câmbios que encontrei em Kathmandu entre outubro e dezembro de 2018 (US$ 1 = Rs 115,20).

Para mostrar a variação de preço das refeições em cada povoado ao longo do trekking coloco ao final de cada dia o preço do dal bhat e do veg chowmein, dois pratos bastante pedidos. Como referência esses pratos em Kathmandu custam por volta de Rs 250 (US$2,17) e Rs 160 (US$1,39), respectivamente.

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Rio Langtang e as montanhas Tsergo Ri e Gangchenpo ao fundo

Trekking Langtang

Início: Syabrubesi
Final: entre Pairo e Domen eu saí da rota Langtang e passei para o trekking Gosainkund
Duração: 8 dias
Maior altitude: 3856m em Kyanjin Gompa (se não considerarmos as trilhas opcionais a partir de Kyanjin Gompa)
Menor altitude: 1417m na ponte suspensa sobre o Rio Bhote Koshi
Dificuldade: média (para quem está acostumado a caminhadas longas com mochila cargueira)
Permissões: TIMS Card e entrada do Parque Nacional Langtang

O trekking Langtang percorre em três dias o trajeto entre Syabrubesi (Syafrubesi) e Kyanjin Gompa (Kyanjin Gumba), saindo dos 1445m e chegando aos 3856m de altitude. Todo o percurso é feito pelo vale do Rio Langtang, que corre no sentido nordeste-sudoeste entre altas montanhas. No primeiro dia e meio a caminhada se dá por dentro de uma linda e exuberante floresta, depois segue a céu aberto com bonito visual por mais um dia e meio até Kyanjin Gompa. A vila de Langtang, no meio do caminho, foi quase toda destruída durante o terremoto de abril de 2015 por uma avalanche causada pelo desprendimento de uma geleira do pico Langtang Lirung, mas a parte mais alta da vila continua existindo e os familiares das vítimas seguem tocando a vida.

06/10/18 - ônibus de Kathmandu a Syabrubesi (Syafrubesi)

No dia anterior (05/10) eu havia tentado ir a um local chamado Macha Pokhari em Kathmandu para saber horários e preços de ônibus para Syabrubesi, mas não tinha conseguido encontrar o tal lugar. Essa parada de ônibus fica junto ao anel viário da cidade, um lugar mais caótico, sujo e empoeirado que o padrão do resto da cidade. Perguntei para algumas pessoas mas ninguém me entendia. Depois descobri que era mais longe do que eu pensava, já próximo do Terminal Gongabu.

Nesse dia resolvi pegar um táxi às 6h da manhã e o motorista ia se virar para encontrar o lugar de saída do ônibus. Ele também perguntou para algumas pessoas e finalmente entrei no ônibus para Syabrubesi, que partiu em seguida, às 6h25. Não existe um terminal em Macha Pokhari, o ônibus que tomei estava parado na rua mesmo (coordenadas 27.73568ºN 85.30517ºL). Havia alguns poucos estrangeiros (dois espanhóis e um indiano) e o ônibus, apesar de pequeno, não saiu lotado. Porém durante a longa viagem até Syabrubesi ele lotou e esvaziou diversas vezes. Mas uma coisa eu preciso enfatizar: essa viagem é HORRÍVEL. Assim, em maiúsculas mesmo. São apenas 126km que o ônibus faz em 8 horas e 45 minutos (!!!) pois a "estrada" (eles chamam aquilo de estrada) é um caminho de buracos, pedras e muita poeira, com lama às vezes. O caminho é estreito e beira abismos em muitos trechos, o que garante a emoção já que a qualquer momento a sua viagem pelo Nepal pode terminar no fundo de um rio centenas de metros abaixo. São quase 9 horas pulando e chacoalhando dentro desse ônibus, às vezes batendo a cabeça no teto e o ombro no vidro. Mas a "linda" trilha sonora nepalesa está garantida e no último volume.

O ônibus é pequeno e não tem banheiro. São feitas algumas paradas para todos se aliviarem, às vezes no mato da beira da estrada mesmo. A parada para almoço foi às 10h e mais tarde houve outra parada para comer.

Em dois checkpoints em Dhunche (por volta de 14h15) eu e os outros estrangeiros tivemos que descer para mostrar as permissões. O indiano não as tinha e teve que pagar ali na hora. No primeiro checkpoint também quiseram revistar as mochilas, mas no meu caso não pediram para tirar tudo de dentro, apenas algumas coisas, examinaram e liberaram. Procedimento ridículo sem a menor eficácia, só para cumprir ordens mesmo. No segundo checkpoint só anotaram os nossos dados num livro.

Às 15h14 saltei desse ônibus em Syabrubesi remontando meu esqueleto e jurando nunca mais entrar nele. A volta não poderia ser por ali em hipótese alguma.

A vila de Syabrubesi tem diversas hospedagens, perguntei o preço em algumas e optei pelo Hotel Lhasa, onde paguei Rs300 (US$2,60) pelo quarto com banheiro compartilhado. Ainda não foi possível entrar no esquema "quarto de graça se jantar e tomar café no local". Não recomendo esse hotel pois a dona não foi nada simpática e quase me deixou sem janta. O banheiro já era no estilo oriental: uma peça de louça no chão com um buraco no meio e lugares para colocar os pés nas laterais. Esse pelo menos tinha descarga de caixa acoplada, não era preciso usar a caneca com água. Havia lavatório para escovar os dentes.

A vila tem como atrativo uma fonte de águas termais junto ao Rio Bhote Koshi, fui conhecer mas só havia água em um dos tanques (de cimento) e estava ocupado por várias pessoas naquele momento. O lugar é um pouco sujo também.

Altitude em Syabrubesi: 1445m
Preço do dal bhat: Rs 300
Preço do veg chowmein: Rs 250

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Rio Langtang encachoeirado

1º DIA - 07/10/18 - de Syabrubesi a Lama Hotel (Changdam)

Duração: 6h (descontada a parada)
Maior altitude: 2473m
Menor altitude: 1417m
Resumo: nesse dia iniciei a caminhada pelo vale do Rio Langtang ainda num trecho rico em vegetação e matas. Apesar de caminhar sempre junto ao rio, sem subir pelas encostas, o desnível foi bastante grande (1056m de subida).

Finalmente chegou o grande dia de colocar o pé numa trilha no Nepal. Fiquei até emocionado pois foi um momento muito esperado e planejado em todos os detalhes.

Saí do lodge às 8h14 e continuei pela rua principal no sentido norte (mesmo sentido da chegada no dia anterior). Ao passar pelo checkpoint tive de mostrar as permissões. Passei direto pela trilha que desce para as águas termais e na bifurcação na saída da vila desci à direita. Não cruzei a primeira ponte, continuei em frente e entrei na trilha à direita seguindo a placa de Langtang. Atravessei a ponte suspensa sobre o Rio Bhote Koshi, adornada com bandeirinhas de oração budista, e fui para a esquerda e logo em seguida direita. Ao cruzar a vila seguinte (Old Syabrubesi) entro no vale do Rio Langtang (Langtang Khola), o qual seguirei até Kyanjin Gompa (e depois ainda até o campo-base Langshisha Kharka).

Não cruzei a ponte à direita logo após a vila de Old Syabrubesi, segui em frente. Uma placa ali indica um caminho mais curto para Thulo Syafru à direita, cruzando a ponte. Thulo Syafru é a vila pela qual eu passaria 7 dias depois já no trekking Gosainkund.

Seguindo pelo vale verdejante do Rio Langtang passei às 9h42 pela vila de Tibetan Camp (Tiwari) com ao menos dois lodges. A trilha terminou numa ponte suspensa que cruzei para chegar a uma estrada de terra do outro lado do Rio Langtang. Fui para a esquerda (a direita estava interditada por obras) e na bifurcação seguinte, 700m após a ponte, continuei pela estrada à esquerda, desprezando a trilha à direita. Porém estava errado e cheguei ao fim da estrada, num local sem saída. Voltei e peguei a trilha, agora à esquerda. Aí começaram as subidas, inclusive com escadarias rústicas de pedra.

Às 10h33 cheguei à minúscula Domen, cuja ponte metálica de acesso estava parcialmente destruída, causando alguma tensão na travessia. O lugar se resume a 4 ou 5 casas e tem um lodge. Logo após, a subida continua. Às 10h48 cheguei a um local estratégico, a bifurcação entre os trekkings Langtang e Gosainkund, marcado por um mapa amarelo pintado num muro de concreto. Nesse momento segui para a esquerda, descendo, mas na volta, no oitavo dia de caminhada, tomaria o outro lado da bifurcação, numa subida bem longa para Thulo Syafru.

A trilha desce bastante e se aproxima do Rio Langtang. Se aproxima tanto que é preciso andar por um caminho estreito construído com pedras entre a encosta íngreme e o rio. Dali se avista logo acima a vila de Pairo (ou Landslide ou Hot Spring), pela qual passei às 11h07. Há opções de refeição e hospedagem. A trilha continua pela sombra deliciosa da floresta com muitas fontes de água (parei por 15 minutos numa delas para um lanche) e alcança a vila de Bamboo às 12h25, também com lodges e refeição. Ao cruzar a vila é melhor tomar a trilha da direita na bifurcação para se manter na trilha principal ao entrar na mata que segue. Cruzei uma ponte de troncos e pedras e às 13h18 uma grande ponte suspensa à esquerda sobre o Rio Langtang. O rio neste ponto é encachoeirado e tem blocos enormes de pedra. Uma casa ao lado da ponte suspensa vende artesanato e algumas guloseimas.

Passei pela vila de Rimche às 14h12 e ali entronca um caminho alternativo que vem de Syabrubesi via Sherpagaon. Rimche tem três lodges com restaurantes. Porém Lama Hotel (Changdam) está a apenas 20 minutos e tem muito mais opções. Cheguei a Lama Hotel às 14h32 e parei para almoçar no Tibet Guest House. Pretendia continuar a caminhada, mas o tempo mudou, começou a chover fraco e a temperatura despencou. Conversei com a simpática garota do lodge e ela me convenceu a dormir ali, principalmente porque seria de graça desde que eu fizesse as refeições.

O banheiro era no estilo oriental e ao lado dos quartos. Um tambor com água e uma caneca servem para dar a descarga e para a higiene deles já que não usam papel higiênico. A ducha era com energia solar (pediam para deixar uma gorjeta pelo uso da ducha). Assim como em todos os outros lodges desse trekking, o refeitório tinha um aquecedor que é aceso no finalzinho da tarde. Ali todos se reúnem para jantar, conversar e trocar informações. Nessa noite fiz amizade com um casal francês que já havia viajado bastante pela Índia e conhecia inclusive o Himalaia indiano, um lugar onde eu nunca havia pensado em trilhar mas que me despertou a curiosidade.

Altitude em Lama Hotel: 2473m
Preço do dal bhat: Rs 600 (o dobro do preço de Syabrubesi já no primeiro povoado)
Preço do veg chowmein: Rs 450

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Vale do Rio Langtang

2º DIA - 08/10/18 - de Lama Hotel (Changdam) a Langtang

Duração: 5h25 (descontadas as paradas)
Maior altitude: 3483m
Menor altitude: 2473m
Resumo: nesse dia continuei a caminhada pelo vale do Rio Langtang ainda por dentro da floresta para em seguida sair a céu aberto com visão dos nevados na cabeceira do vale. Apesar de caminhar sempre junto ao rio, sem subir pelas encostas, o desnível foi bastante grande (1010m de subida).

Saí do lodge às 8h40 e continuei subindo pela trilha principal no sentido nordeste. A trilha se aproximou bastante do Rio Langtang novamente e às 10h04 passei pela vila de River Side (Gumnachowk) com um lodge de frente para o rio. Mais 10 minutos e passei pelo lodge de Woodland (Chunama). Às 10h43 uma ponte metálica à direita da trilha causou alguma dúvida mas o caminho era em frente mesmo, não pela ponte. Atravessei uma encosta com um grande deslizamento bem junto ao Rio Langtang, cruzei uma pequena ponte metálica e saí definitivamente da floresta às 11h24, tendo de agora em diante o belo visual dos picos nevados à frente. A nota triste foi ver a destruição em Ghoda Tabela causada pelos terremotos de 2015. Às 11h38 cheguei aos dois lodges que restaram no vilarejo e parei por 40 minutos para descansar, ver o movimento de trilheiros e carregadores e comer alguma coisa. Já se avista também a marca deixada na encosta da montanha pela enorme avalanche que destruiu a vila de Langtang.

A altitude aqui já ultrapassa os 3000m e é preciso seguir a recomendação de não dormir mais que 500m acima da noite anterior e se possível fazer caminhadas de bate-volta a um local mais alto para ajudar na aclimatação.

Às 13h04 alcancei a vila de Thangsyap (com lodges) e às 14h17 o povoado de Langtang Gumba, também com hospedagem e almoço. E às 14h38 cheguei ao local da enorme avalanche, uma paisagem aterradora por saber que há uma grande parte da vila de Langtang embaixo de todas aquelas pedras, com muitas pessoas soterradas. O que restou da vila de Langtang está logo depois. Cheguei a ela às 15h e enquanto fotografava a stupa na entrada do lugar o casal francês que conheci em Lama Hotel apareceu com uma moradora. Ela era dona de um lodge na parte mais alta e tinha ido esperá-los na trilha para oferecer hospedagem. É bastante comum os donos de lodges fazerem isso, oferecerem hospedagem, almoço, chá para os trilheiros que passam. Acabei indo para o mesmo lugar, Friendly Family Guest House. A dona, Sra Dawa, quase não falava nada de inglês mas era muito simpática e atenciosa. O quarto, com banheiro privativo (foi o único com banheiro privativo de todos os trekkings que fiz no Nepal), saiu de graça com as refeições feitas ali. A ducha quente também não teve custo adicional.

Altitude em Langtang: 3483m
Preço do dal bhat: Rs 600
Preço do veg chowmein: Rs 450

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Muro de pedras mani na trilha e ao fundo o pico Gangchenpo

3º DIA - 09/10/18 - de Langtang a Kyanjin Gompa (Kyanjin Gumba)

Duração: 2h40
Maior altitude: 3856m
Menor altitude: 3483m
Resumo: nesse dia continuei a caminhada pelo vale do Rio Langtang já acima dos 3000m de altitude subindo até a vila de Kyanjin Gompa, que usarei como base para três caminhadas de um dia

Logo cedo desci ao centro da vila para tirar mais fotos e vi que atrás da stupa um mural tem gravados os nomes dos 175 moradores e dos 41 trilheiros que morreram em Langtang pelo terremoto e avalanche de abril de 2015.

Deixei a vila às 9h48 continuando pelo caminho principal no sentido leste. O caminho se divide em dois por 300m (!!!) com um impressionante muro de pedras mani no meio. A tradição budista manda que se caminhe no lado esquerdo dos muros de pedras mani, assim como deve-se circundar as stupas sempre no sentido horário. Os muros de pedras mani são arranjos feitos com pedras planas em que foi esculpido o mantra "Om Mani Padme Hum". Encontrei muitos muros como esse em minhas caminhadas pelo Nepal mas esse de Langtang foi sem dúvida o maior e mais marcante.

No conjunto de montanhas nevadas à frente (leste), no fundo do vale, já se avistam o Tsergo Ri à esquerda e o Gangchenpo à direita. Alcancei a vila de Mundu às 10h11 e depois Sindhum às 10h26, com seus lodges e restaurantes. E mais muros de pedras mani na sequência. Me aproximo do Rio Langtang novamente e às 11h48 chego a um grande bloco de pedra com uma stupa em cima. À direita há uma ponte mas uma placa aponta Kyanjin Gompa 30 minutos à esquerda. Porém o caminho mais curto é à direita pela ponte mesmo, isso eu só descobri na volta. Subi à esquerda, passei pela stupa maior para fotografar, pelas casas de uma usina hidrelétrica e em seguida uma grande ponte suspensa. Alcancei a vila de Kyanjin Gompa às 12h38 e me surpreendi com a arquitetura de prédios de 3 ou 4 andares.

Já tinha uma indicação de onde me hospedar pois de manhã conheci um parente da Sra Dawa, um rapaz chamado Nawang, que me ofereceu hospedagem e me ensinou como chegar ao seu lodge em Kyanjin Gompa. A vila é até grande em comparação com as outras e as ruas são um emaranhado de becos, mas consegui encontrar o Lodge Ghangchempo mesmo sem placa (é um dos últimos, na saída para Tsergo Ri). Negociei com o Nawang a estadia de quatro noites sem pagamento do quarto, apenas das refeições.

Depois do almoço, por volta de 14h, fui conhecer os lagos Tsona, que ficam do outro lado do Rio Langtang. Tomei uma trilha saindo para o sul da vila, bem na direção do rio, que corre bem abaixo. Cruzei-o por uma ponte metálica e fui encontrando os lagos um a um. São cinco pequenos lagos que refletem as montanhas nevadas, um lugar singelo e bonito. Na volta à vila fui comprar um pedaço de queijo de iaque diretamente na "loja da fábrica". Esse queijo não é muito barato (Rs 1700 o quilo = US$ 14,76) e lembra bastante um queijo parmesão de Minas Gerais pouco curado.

Em Kyanjin Gompa, assim como nos outros vilarejos, cada morador tem um pedaço de terra onde cultiva alguns legumes para suprir a demanda do restaurante. Porém itens como ovos têm que vir de Syabrubesi nas costas de carregadores por dois dias (as galinhas não sobrevivem ao inverno).

O lodge tinha um banheiro em cada andar e todos no estilo oriental, mas novos e limpíssimos. A ducha quente ficava no 1º andar e era gratuita. O quarto tinha tomada (as tomadas no Nepal costumam ter interruptor!?) para recarregar as baterias.

Altitude em Kyanjin Gompa: 3856m
Temperatura mínima durante a noite dentro do quarto: 2ºC
Preço do dal bhat: Rs 650
Preço do veg chowmein: Rs 450

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Bandeirinhas de oração budistas em Langshisha Kharka e as montanhas Urkinmang e Gangchenpo

4º DIA - 10/10/18 - de Kyanjin Gompa a Langshisha Kharka

Duração: 4h50 (ida) e 3h40 (volta bem mais rápida sem tantas paradas para fotos)
Maior altitude: 4138m
Menor altitude: 3823m
Resumo: nesse dia fiz uma subida suave e de pouco desnível (242m) pelo vale do Rio Langtang até o campo-base Langshisha Kharka

Esse foi o primeiro dia de "passeio" a partir de Kyanjin Gompa, quer dizer, o primeiro dia em que troquei a cargueira por uma mochila de ataque. Como eu já estava a 3856m de altitude iniciei a série de caminhadas com uma de altitude mais moderada, que seria o campo-base chamado Langshisha Kharka, local de acampamento para escaladas à montanha Langshisha Ri. Esse lugar é mais isolado, não há vilarejos ou lodges em todo o percurso e se não houver expedições o campo-base deverá estar completamente deserto pois poucos trilheiros vão até lá. Deve-se levar lanche e água (ou tratar a água encontrada no caminho).

Saí do lodge às 7h40 e tomei a direção sudeste. Em 6 minutos fui à direita na bifurcação com placa apontando Langshisa Kharka (à esquerda apontava Chergori, outra forma de escrever Tsergo Ri, que seria o meu destino dois dias depois). Às 8h22 tive de cruzar um deslizamento de pedras que vem das montanhas ao norte (esquerda) e também o ribeirão que desce junto. Para não tirar as botas gastei algum tempo procurando um local mais acima onde pudesse saltar pelas pedras. Logo após esse deslizamento há uma trilha que sobe a encosta à esquerda mas essa leva ao pico Tsergo Ri também. Em lugar de subir eu desci por uma trilha junto ao deslizamento até alcançar uma outra trilha bem marcada. Dali em diante bastou seguir essa trilha junto ao Rio Langtang com bela paisagem de campos e vales onde pastam muitos iaques. Limitando esse grande vale altas montanhas nevadas ao sul e ao norte. Para trás se destaca o grande Langtang Lirung, de 7230m de altitude, responsável pela destruição da vila de Langtang. À sua direita o Kimshung, de 6781m.

Às 9h33 a visão dos picos nevados à frente (leste) se amplia e já visualizo o Langshisha Ri, uma montanha de dois cumes à esquerda do pico Gangchenpo. Às 10h55 encontro um grande deslizamento e fico em dúvida se devo caminhar junto ao rio ou acima do monte de pedras. Um grupo vindo no sentido contrário me dá a resposta: pelo alto. Às 11h42 cruzo uma ponte de troncos e a trilha sobe até um mirante incrível de onde se avista o campo-base Langshisha Kharka 1km à frente, bem ao lado do Rio Langtang. Ali a maior altitude do dia: 4138m. Na descida cruzei com os últimos integrantes de um grande grupo de escaladores que estava deixando o campo-base. Assim, encontrei-o completamente vazio às 12h30. Altitude de 4098m. Dali se avistam os picos Langshisha Ri a leste, Pemthang Karpo Ri a nordeste, Lingshing e Urkinmang a sudeste e Gangchenpo ao sul.

Às 13h18 iniciei o retorno exatamente pelo mesmo caminho e às 17h já estava de volta a Kyanjin Gompa (anoitece por volta de 17h45 nessa época).

Temperatura mínima durante a noite dentro do quarto: 4,1ºC

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Pico Naya Kanga visto do Kyanjin Ri

5º DIA - 11/10/18 - de Kyanjin Gompa a Kyanjin Ri

Duração: 2h (subida) e 1h40 (descida)
Maior altitude: 4610m
Menor altitude: 3856m
Resumo: nesse dia subi a montanha Kyanjin Ri num desnível de 754m

Nesse segundo dia de explorações a partir da vila de Kyanjin Gompa foi a vez de subir a montanha Kyanjin Ri, de 4610m de altitude. Saí do lodge às 7h10 no sentido norte, onde alguns trilheiros já subiam a íngreme encosta bem junto ao vilarejo. Na primeira bifurcação logo no início da subida preferi tomar a direita e subir no sentido leste. Na segunda bifurcação, já nos 3985m de altitude, fui para a esquerda (a direita também é possível, é um outro caminho de subida). Na bifurcação seguinte, a 4096m, fui para a esquerda de novo (a direita encontra o outro caminho de subida).

Aos poucos fui alcançando e ultrapassando diversos grupos mais lentos e às 8h20 atingi um primeiro cume com bandeirinhas de oração budista a 4300m de altitude. Mas a subida continua pela crista até os 4610m, aonde cheguei às 9h07. A visão é espetacular, de 360º, e se destacam as seguintes montanhas: ao norte Yubra e Kimshung, a nordeste Dagpache, a leste Yala Peak e Langshisha Ri, a sudeste Tsergo Ri e Gangchenpo, a sudoeste Naya Kanga, a noroeste Langtang Lirung. Dali foi possível avistar também diversas barracas no campo-base do Langtang Lirung.

Às 11h30 deixei o cume e iniciei a descida por outro caminho, uma trilha bem marcada que se avista lá do alto e que percorre ainda por algum tempo a crista da montanha para leste para em seguida descer diretamente para o sul e sudoeste na direção de Kyanjin Gompa. Às 12h41 cruzei a trilha que percorri na subida exatamente naquela bifurcação dos 4096m de altitude e continuei para oeste. Nos 3967m aproveitei um desvio à direita para ir até uma pequena stupa a 120m da trilha principal. Fiquei 10 minutos ali e às 13h23 estava de volta ao vilarejo. Após o almoço caminhei pelo lugar e fui conhecer o monastério budista, que estava fechado (o gompa do nome da vila significa monastério).

Temperatura mínima durante a noite dentro do quarto: 9,2ºC

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No cume do Tsergo Ri, de 4989m de altitude

6º DIA - 12/10/18 - de Kyanjin Gompa a Tsergo Ri

Duração: 4h de subida normalmente (consegui fazer em 2h54) e 3h15 de descida por um caminho mais longo
Maior altitude: 4989m
Menor altitude: 3856m
Resumo: nesse dia subi a montanha Tsergo Ri num desnível de 1133m

Nesse terceiro dia de explorações a partir da vila de Kyanjin Gompa foi a vez de encarar a montanha Tsergo Ri, de 4989m de altitude. Pela dificuldade da subida, prevista para levar cerca de 4 horas, saí do lodge bem cedo, às 5h48, no sentido sudeste como se fosse para Langshisha Kharka. Levava lanche e água, como sempre faço. Em 6 minutos fui à esquerda na bifurcação seguindo a placa que aponta Chergori (Tsergo Ri). Cruzei aquele grande deslizamento e o ribeirão pelas pedras e tomei a trilha bem marcada que sobe a encosta. Já havia um outro grupo iniciando a subida mas eles ficaram bem para trás e chegaram ao cume mais de uma hora depois de mim. Às 6h52, na cota dos 4098m, fui à esquerda numa bifurcação com as placas Yala Kharka (Yala Peak) à direita e Chergori à esquerda. A subida continuou forte e cruzei com algumas pessoas já descendo! Iniciaram a subida ainda no escuro. Cruzei um trecho mais chato de pula-pedras e veio a subida final ao cume, aonde cheguei às 8h42. Só havia três pessoas nesse momento. Levei pouco menos de 3h para subir, o que pode ser considerado bem rápido.

O cume tem vários mastros com bandeiras grandes e muitas bandeirinhas de oração budista. Dali a visão consegue ser ainda mais privilegiada do que no Kyanjin Ri. Destacam-se: Langtang Lirung a noroeste; Kimshung, Yubra e Dagpache ao norte; Yala Peak a nordeste; Pemthang Karpo Ri, Langshisha Ri, Loenpo Gang e Dorje Lhakpa a leste; Gangchenpo a sudeste; Naya Kanga a sudoeste.

Aos poucos os aventureiros foram chegando e às 12h22 iniciei a descida por um outro caminho, uma trilha bem visível no sentido sudeste por onde vi algumas pessoas descerem. O caminho é bem marcado também mas é muito mais longo. Começa com uma inclinação moderada mas depois se torna bem mais íngreme. Volta a ser menos inclinado quando percorre a encosta do Tsergo Ri, porém há várias trilhas paralelas em níveis diferentes da encosta - tentei escolher a mais larga e batida. Às 13h32 continuei a descida por uma crista bem inclinada e cheguei a uma bifurcação em T, onde a trilha é mais larga, e fui para a direita (a esquerda é o caminho para o Yala Peak). Às 14h03 passei por um conjunto de 6 ou 7 casas em ruínas dispostas em degraus na encosta da montanha que lembram um pouco uma paisagem dos Andes. Com mais 15 minutos passei por dois pontos de água, os únicos do dia. Às 14h38 fui à esquerda na bifurcação e em 15 minutos reencontrei o caminho que fiz na subida junto às placas Yala Kharka e Chergori. Às 15h39 estava de volta a Kyanjin Gompa.

Temperatura mínima durante a noite dentro do quarto: 9,5ºC

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Vila de Kyanjin Gompa e os picos Tsergo Ri e Gangchenpo

7º DIA - 13/10/18 - de Kyanjin Gompa a Lama Hotel (Changdam)

Duração: 7h (descontada a parada)
Maior altitude: 3856m
Menor altitude: 2473m
Resumo: nesse dia deixei a vila de Kyanjin Gompa e iniciei o retorno, descendo pelo vale do Rio Langtang, em direção à bifurcação entre Pairo e Domen que me levará (no dia seguinte) para o trekking Gosainkund. Nesse dia consegui chegar a Lama Hotel.

Depois de me despedir do Nawang, seus familiares e dos amigos que conheci nestes quatro ótimos dias que passei no lodge, saí às 9h tomando a mesma trilha da chegada. Logo após o morrote que marca a entrada da vila peguei na descida a trilha da esquerda para alcançar o grande bloco de pedra com uma stupa em cima através da ponte que evitei no terceiro dia. Com isso não passei pela usina hidrelétrica pela qual passei naquele dia e fiz um caminho mais curto. Não resistia à tentação de olhar a todo momento para trás para contemplar e fotografar os picos por onde caminhei nesses lindos últimos dias.

Passei por Langtang às 11h14, atravessei a grande avalanche de pedras, Thangsyap às 12h46, parei em Ghoda Tabela para comer das 13h25 às 14h10, reentrei na floresta às 14h26, passei por Woodland às 15h17, por River Side às 15h27 e Lama Hotel às 16h42. Fui até Rimche para tentar dormir lá e adiantar mais alguns minutos de caminhada porém os três lodges estavam lotados. Tive de voltar a Lama Hotel pois há bem mais opções e ali consegui um quarto no Friendly Guest House (negociei com o dono e só paguei as refeições). O banheiro ficava dentro da casa (ao lado dos quartos) e era no estilo oriental, porém velho e encardido. Para escovar os dentes e se lavar havia uma torneira no quintal.

Altitude em Lama Hotel: 2473m
Preço do dal bhat: Rs 550
Preço do veg chowmein: Rs 450

8º DIA - 14/10/18 - de Lama Hotel (Changdam) a Sing Gompa (Sing Gumba, Chandanbari)

Duração: 8h (descontadas as paradas)
Maior altitude: 3290m
Menor altitude: 1678m
Resumo: nesse dia retornei mais um pouco pelo vale do Rio Langtang para alcançar a bifurcação entre Pairo e Domen onde iniciei o trekking Gosainkund. Mas foi um dia bastante pesado que eu deveria ter quebrado em dois pois há muita descida (798m de desnível) e muita subida (1612m).

Deixei Lama Hotel às 7h24, cruzei a ponte suspensa sobre o Rio Langtang às 8h20, passei por Bamboo às 8h46, por Pairo às 9h39 (parei por 15 minutos) e cheguei à bifurcação para Thulo Syafru às 10h09, marcada como já disse por um mapa amarelo pintado num muro de concreto. Altitude de 1730m. Nesse momento segui para a esquerda, subindo, e passando do trekking Langtang para o trekking Gosainkund.

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Lago Gosain Kund

Trekking Gosainkund

Início: entre Pairo e Domen eu saí da rota Langtang e passei para o trekking Gosainkund
Final: em Tharepati eu finalizei a rota Gosainkund e passei para o trekking Helambu
Duração: 4 dias
Maior altitude: 4651m no Passo Laurebina La
Menor altitude: 1730m (considerando o início deste trekking na bifurcação entre Pairo e Domen)
Dificuldade: alta. Muita subida, com desníveis de até 1100m por dia. Por ultrapassar os 3000m de altitude é necessário fazer aclimatação. O Passo Laurebina La, de 4651m, impõe uma dificuldade a mais.
Permissões: TIMS Card e entrada do Parque Nacional Langtang

O trekking Gosainkund percorre altitudes bem mais elevadas que o trekking Langtang (sem considerar os picos opcionais de Kyanjin Gompa). Por isso os grandes atrativos dessa caminhada são a visão espetacular do Himalaia e os belos lagos de montanha da vila de Gosainkund. Os lagos são sagrados para hindus e budistas e atraem milhares de peregrinos durante o festival Janai Purnima em agosto.

8º DIA (cont.) - 14/10/18 - de Lama Hotel (Changdam) a Sing Gompa (Sing Gumba, Chandanbari)

Foi uma longa e constante subida do Rio Langtang até Thulo Syafru, somente quebrada pela descida até a ponte suspensa sobre o Rio Chopche (Chopche Khola). Essa ponte é longa, muito alta e não está nas melhores condições, o que causou um friozinho na barriga. Cruzei-a às 11h15 e parei por 35 minutos para descansar e tirar a roupa mais quente. Logo após a ponte uma trilha à esquerda parece ser o caminho mais óbvio, mas está errado. As setas vermelhas mandam descer à esquerda para passar por baixo da ponte, esse é o caminho. E a subida volta com tudo. Alcancei os primeiros lodges de Thulo Syafru às 12h32, mas a vila é bastante extensa e cercada de plantações em forma de terraço. Todos me ofereciam almoço e até hospedagem, mas eu passei direto. Subi até o final da vila e cheguei a uma estradinha de terra, onde fui para a esquerda. Apenas 60m depois duas placas brancas mal colocadas apontam Gosaikund à esquerda e Dhunche à direita. Pela posição em que estava a placa de Gosaikund fiquei em dúvida se era para seguir pela estrada à esquerda ou subir a escadaria de concreto com uma stupa no alto. A resposta estava na parede da casa logo acima, onde estava pintado "way to Gosainkund" apontando para o alto da escadaria. Subi, passei pela stupa e vi que logo acima ficava a clínica do povoado, informação importante a quem possa estar com algum problema de saúde durante o trekking. Logo após a stupa inicia a trilha que segue pela mata sempre subindo. Em tempo: a placa que aponta Dhunche à direita indica um caminho que retorna à estrada principal pela qual cheguei de ônibus a Syabrubesi - essa pode ser uma rota de fuga.

Passei por uma casa em construção às 13h23 e parei por 25 minutos para comer alguma coisa que levava na mochila. A trilha continua à esquerda e atrás da casa. Continuei subindo, passei por uma bica e às 14h02 uma bifurcação importante. Pintadas num muro branco de concreto duas setas indicam: à direita Sing Gompa e Dursagang, à esquerda Cholang Pati. Os dois caminhos levam às vilas de Cholang Pati e Gosainkund, então dois fatores devem ser levados em conta na escolha do trajeto: a rota à direita por Dursagang, Forpang Danda e Sing Gompa (Chandanbari) é 3,5km mais longa que a outra, mas tem muitas opções de lodges pelo caminho; a rota direta para Cholang Pati (esquerda) é bem mais curta, no entanto tem bem menos opções de hospedagem (segundo me disseram).

Eu segui as sugestões que me deram e fui para a direita, sempre subindo. Saí da mata, passei às 14h43 pela minúscula Dursagang, aparentemente com apenas dois lodges, e alcancei um grupo de três espanhóis e uma francesa (que também falava espanhol). A trilha entrou na floresta e subiu muito.

A francesa tinha pernas fortes e eu nunca conseguia alcançá-la. Às 15h20 passei por conjuntos de pedras mani muito antigas e cobertas de musgo no meio da mata e às 15h56 alcancei o único lodge de Forpang Danda, já fora da floresta e com visual magnífico das montanhas Langtang Lirung (nordeste) e Cordilheira Ganesh Himal (noroeste), porém um pouco prejudicado pelas nuvens que já se acumulavam naquele horário. Ali, numa parada de 20 minutos, pude conversar um pouco com os espanhóis e a francesa.

A partir de Forpang Danda a inclinação passa a ser menor. Segui no sentido sudoeste e sul por dentro de uma linda e extensa mata de rododendros que deve ficar repleta de flores nos meses de março e abril, um lindo espetáculo deve ser. O rododendro é a flor nacional do Nepal e aparece até como marca-d'água das cédulas de rupia. Passei por três pontos de água. Alcancei finalmente o povoado de Sing Gompa (Chandanbari) às 17h, bastante cansado pelo grande desnível que enfrentei desde o Rio Langtang (1612m). Hospedei-me no Sherpa Hotel com quarto gratuito, só pagando as refeições. Havia um grupo de 9 nepaleses passando o final de semana ali e fazendo barulho por 50. Tentei um banho (gratuito) mas como era final de tarde e o aquecimento era solar a água estava de morna a fria, o que foi um sofrimento. O banheiro ficava fora da casa e tinha vaso sanitário e lavatório, mas este não funcionava. Para escovar os dentes e se lavar era necessário usar uma torneira no quintal, bem na saída do esgoto da cozinha...

A partir de Sing Gompa há um caminho para Dhunche bem mais curto do que aquele de Thulo Syafru que pode servir como rota de fuga se necessário ou uma via de entrada para o trekking Gosainkund sem passar por Syabrubesi ou Thulo Syafru.

Altitude em Sing Gompa: 3290m
Preço do dal bhat: Rs 480
Preço do veg chowmein: Rs 400

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Lago Bhairab Kund

9º DIA - 15/10/18 - de Sing Gompa (Sing Gumba, Chandanbari) a Gosainkund

Duração: 4h25 (descontadas as paradas)
Maior altitude: 4428m
Menor altitude: 3290m
Resumo: nesse dia ultrapassei a linha das árvores e entrei novamente em um ambiente de alta montanha ao alcançar a vila de Gosainkund, num desnível positivo de 1138m

A temperatura mínima da noite foi abaixo de zero (não medi) pois o campo ao lado do lodge amanheceu coberto de gelo. Depois do café da manhã tentei comprar queijo de iaque na fábrica mas não consegui encontrar ninguém para me atender. Visitei o monastério budista (o gompa do nome da vila significa monastério) e às 8h57 deixei o povoado caminhando na direção de Cholang Pati (leste e sudeste). Já estava novamente acima dos 3000m de altitude, mas a aclimatação feita em Kyanjin Gompa me ajudou a não ter nenhum sintoma da altitude mesmo enfrentando um desnível de mais de 1100m num só dia (não recomendável).

A trilha sai da vila e sobe ampliando a visão dos picos nevados para trás e do enorme e profundo vale à direita. Atravesso dois trechos de florestas de rododendros e pinheiros e ao sair no aberto novamente a visão dos nevados é ainda mais ampla e espetacular. Passo pelos dois lodges da minúscula Cholang Pati às 10h30 (onde entronca a outra trilha que vem de Thulo Syafru) e continuo subindo. Aqui estou caminhando por uma crista de montanha acima dos 3600m e já vou deixando para trás a linha das árvores. Às 11h22 me deparo com gelo na trilha (mesmo sob o sol), o que não surpreende pois já estou de novo nos 3900m de altitude, chegando ao povoado de Laurebina ou Lauribina Yak (ainda não é o Passo Laurebina La, ao qual eu chegaria só no dia seguinte). Os três lodges ali devem ter de suas janelas a vista mais bonita de todo esse trekking! Aproveitei para descansar um pouco e curtir o esplêndido visual do Himalaia. Destacam-se na paisagem a montanha Langtang Lirung a nordeste e a Cordilheira Ganesh Himal a noroeste. Ainda subi um pouco mais até a estátua do Buda sentado em posição de lótus esculpido em pedra negra (basalto?) na altitude de 4228m, aonde cheguei às 12h40. Parece que havia um templo ali mas agora só há escombros ao redor da estátua. Parei para comer o lanche que trazia na mochila (comer lanche em alguns dias em vez de almoçar foi uma opção minha, quase sempre há um lodge no caminho para comer comida de verdade).

O caminho para Gosainkund continua e ainda sobe mais, porém agora deixa a crista e percorre a vertente sul da montanha, tão íngreme que em alguns trechos instalaram alambrados para evitar quedas e acidentes. Às 13h37 avisto o primeiro dos lagos, abaixo à direita, de nome Saraswati Kund, ainda pequeno em relação aos próximos mas com uma bonita cachoeira se formando a partir do seu vertedouro. Às 14h03 passo ao largo do segundo lago, este bem maior, de nome Bhairab Kund, e com mais 7 minutos chego ao povoado e ao terceiro lago, o próprio Gosain Kund. Percorri os 4 ou 5 lodges dali e optei pelo último (Hotel Lake Side) na esperança de ser um lodge mais vazio e silencioso e não ter de dividir o minúsculo quarto com outra pessoa, mas mesmo assim o dono me avisou que eu teria que dividir caso o lodge enchesse. Felizmente isso não aconteceu pois apenas uma alemã (com guia) e um francês (sozinho) se hospedaram ali. Por causa dessa condição acertamos o quarto sem custo, pagando apenas as refeições. O banheiro era no estilo oriental (havia um dentro da casa para a noite e outro fora da casa com cheiro horrível) e para escovar os dentes e se lavar havia uma torneira no quintal.

Aproveitei a tarde para circundar o lago Gosain Kund por uma trilha e depois subir aos mirantes adornados por bandeirinhas budistas atrás do povoado. A subida levou 28 minutos e a altitude do mirante mais alto é de 4635m, quase a altura do Passo Laurebina La que eu cruzaria no dia seguinte. Dali avistei diversos lagos menores encaixados em vários níveis acima dos lagos maiores. Na descida assisti a um belo pôr-do-sol (às 17h35).

Altitude em Gosainkund: 4428m
Temperatura mínima durante a noite dentro do quarto: 3ºC
Preço do dal bhat: Rs 650
Preço do veg chowmein: Rs 430

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Passo Laurebina La, de 4651m de altitude

10º DIA - 16/10/18 - de Gosainkund a Phedi

Duração: 4h
Maior altitude: 4651m
Menor altitude: 3771m
Resumo: nesse dia cruzei o Passo Laurebina La, de 4651m de altitude, ponto mais elevado dos três trekkings (sem considerar o pico Tsergo Ri, que é uma caminhada opcional), para em seguida iniciar a descida para a região de Helambu.

Saí do lodge às 8h40 e li numa placa na saída do povoado que há 17 lagos com nome nas proximidades, alguns bem pequenos, e outros 4 sem nome. Bem perto estava o pequeno santuário do deus Shiva. Continuei no sentido leste margeando o lago Gosain Kund e logo iniciei a subida. Havia gelo entre as pedras na subida, o que exigiu bastante cuidado. Passei por um primeiro lago à esquerda sem nome no mapa, depois pelo lago Ganesh Kund também à esquerda e alcancei o Passo Laurebina La às 10h22, com o lago Surya Kund à direita da trilha. Dos seus 4651m de altitude se avistam as cordilheiras Ganesh Himal, Manaslu e Annapurna a noroeste (mas a visão é até melhor na altura do lago Ganesh Kund). Já em dezembro deve haver neve nesse passo. Iniciei a descida às 10h33 e encontrei mais um pouco de gelo na trilha. Tentei visualizar algum caminho que subisse a montanha Surya Peak mas não encontrei. O dono do lodge me disse que não há trilha marcada e que é preciso caminhar por encostas de pedras soltas, sendo mais seguro ir com alguém que conheça.

Às 11h39 passei por uma casa de pedra isolada e na bifurcação 70m depois desci à direita. Aos poucos fui reencontrando a vegetação arbustiva de novo, para cima desse ponto havia no máximo vegetação rasteira.

Mas a neblina, que costuma dar as caras somente à tarde, hoje chegou antes do meio-dia para estragar todo o visual. E eu não fui até lá para caminhar sem curtir a paisagem. Somado a isso a descida íngreme de pedras estava me desgastando bastante. Ao chegar ao primeiro lodge de Phedi às 12h40 (há apenas dois lodges, mais nada) parei para resolver o que ia fazer. A francesa que falava espanhol havia parado ali pelo mesmo motivo, a falta de visual. Dei um tempo e a neblina não dava sinais de que ia embora. Resolvi ficar pois deu pra perceber que a paisagem dali era muito bonita e eu ia passar sem ver nada. Como não tinha nenhuma pressa podia deixar para prosseguir no dia seguinte. Negociei o preço do quarto ali no Hotel Dawababy e o dono fez por Rs100 (US$0,87). O restante do dia foi para descansar, conversar com a francesa (que estava viajando havia 8 meses, vindo do Sudeste Asiático) e aguardar tempo melhor no dia seguinte. Mais tarde chegou um grupo de seis franceses barulhentos e dois ingleses.

Na frente desse lodge uma placa de mármore homenageia os mortos num acidente aéreo da empresa Thai ocorrido em 1992 nas proximidades.

O banheiro ficava fora da casa, ou seja, era preciso encarar o frio para ir ao banheiro durante a noite. Era no estilo oriental. Para escovar os dentes e se lavar havia uma torneira no quintal.

Altitude em Phedi: 3771m
Preço do dal bhat: Rs 600
Preço do veg chowmein: Rs 450

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Lodge em Tharepati e alguns nevados da região de Kyanjin Gompa ao fundo

11º DIA - 17/10/18 - de Phedi a Tharepati

Duração: 5h (descontadas as paradas)
Maior altitude: 3771m
Menor altitude: 3310m
Resumo: nesse dia deixei o ambiente de alta montanha e voltei a caminhar abaixo da linha das árvores, descendo (e depois subindo) até a vila de Tharepati, com um ótimo mirante para as montanhas já percorridas

Felizmente valeu a pena a parada meio forçada em Phedi pois o dia amanheceu muito bonito. Só então pude ver a beleza e grandiosidade do lugar onde estava. Dali já é possível avistar os dois lodges de Tharepati e, mais próximo, o lodge isolado de Dhupi Chaur.

Saí do lodge às 8h03 seguindo as placas de Ghopte e o caminho era pela encosta íngreme da montanha com pouco desnível. Pinheiros baixos foram aparecendo a partir dos 3700m para me lembrar que eu estava reentrando no limite das árvores. Cruzei 4 pontos de água. Passei pelo Himalay Sherpa Hotel, isolado num local chamado Dhupi Chaur (Dupcheswor), às 10h32 e cheguei a Ghopte com neblina às 11h24. Há dois lodges ali. Descansei um pouco e segui. Durante a passagem por uma floresta de rododendros parei para comer uns biscoitos que trazia na mochila. Ao final dessa mata, às 12h26, encontrei uma casa em ruínas. Logo cruzo outra floresta de rododendros e pinheiros.

Às 13h22 avistei no alto à frente os dois lodges de Tharepati. Às 13h41 alcancei o povoado e me deparei com uma placa: à direita Kutumsang e Mangin Goth, à esquerda Melamchighyang e Helambu (porém não há um vilarejo com o nome Helambu, mas sim toda essa região onde eu estava entrando). Ambos os lados constam dos mapas como sendo do trekking Helambu, o qual descreve um grande arco com as extremidades voltadas para o sul. Se eu quisesse encerrar essa caminhada logo, tomaria a esquerda e desceria mais de 1000m (de desnível) em direção a Melamchighyang (Melanchigaon), onde poderia encontrar um ônibus para sair (ou talvez só em Timbu, 2000m abaixo). Mas o meu plano era fazer o trekking Helambu na sua maior extensão possível e por trilhas (não estradas), então o meu caminho seria para a direita.

Porém uma coisa me atrapalhava de novo: a neblina. Tharepati fica no alto de uma crista e possui um dos mais bonitos visuais de montanha de todo o meu percurso. E eu não estava vendo nada, de novo... O jeito era dormir ali e torcer para a neblina dissipar na manhã seguinte. Escolhi o Sumcho Top Lodge para me hospedar pela posição mais alta e panorâmica, mas a negociação do quarto foi um pouco tensa. O dono parecia estar embriagado e se irritou com o meu pedido de pagar somente pela alimentação. Ele pediu Rs500 (US$4,34) pelo quarto e não queria ceder. Eu agradeci e saí para ir para o outro lodge. Aí ele mandou o menino me chamar dizendo que aceitava. Mas não falou mais comigo e a sua esposa, antes muito "simpática", também passou a me tratar muito mal. Me arrependi de ter ficado. Se era para me tratar desse jeito não deveria ter aceitado a minha proposta.

Havia um grupo de 5 alemães e um casal francês ali, todos com seus guias e carregadores. Para nossa surpresa depois das 16h o tempo começou a abrir e pudemos tirar boas fotos das montanhas próximas e dos nevados da região de Kyanjin Gompa a nordeste: Gangchenpo, Urkinmang, Loenpo Gang e Dorje Lhakpa. Dali era possível avistar também os dois lodges de Phedi, o lodge isolado de Dhupi Chaur e ainda o Passo Laurebina La.

O banheiro aqui também era no estilo oriental e fora da casa, muito frio à noite.

Altitude em Tharepati: 3646m
Temperatura mínima durante a noite dentro do quarto: 2,2ºC
Preço do dal bhat: Rs 600
Preço do veg chowmein: Rs 450

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Passo Laurebina La à direita da cadeia de montanhas vista de Tharepati

Trekking Helambu

Início: em Tharepati eu finalizei a rota Gosainkund e passei para o trekking Helambu
Final: Sundarijal
Duração: 2 dias
Maior altitude: 3646m em Tharepati
Menor altitude: 1377m em Sundarijal
Dificuldade: média a difícil pois há muita subida e descida por degraus de pedra na passagem pelo Parque Nacional Shivapuri Nagarjun
Permissões: TIMS Card e entrada do Parque Nacional Shivapuri Nagarjun

O trekking Helambu, ao contrário dos outros dois, não é uma caminhada de alta montanha. A altitude é bem menor e a paisagem é basicamente de florestas nas partes mais altas e plantações em terraços nas partes mais baixas. A caminhada percorre muitos vilarejos e tem a desvantagem de ter muitos trechos em estrada. A travessia do Parque Nacional Shivapuri Nagarjun exige o pagamento da entrada (Rs 1035 = US$ 8,98) e a trilha que cruza o parque tem uma infinidade de escadarias de pedra tanto subindo quanto descendo. Por causa dessas escadarias meu joelho esquerdo começou a doer e para o trekking seguinte (Everest) tive que comprar e começar a usar um bastão de caminhada.

12º DIA - 18/10/18 - de Tharepati a Golphu Bhanjyang

Duração: 6h30 (descontadas as paradas)
Maior altitude: 3646m
Menor altitude: 2135m
Resumo: nesse primeiro dia do trekking Helambu desci um grande desnível (1511m) em direção sul para encontrar vilarejos ao longo de poeirentas estradas de terra

Felizmente o dia amanheceu lindo novamente e pude apreciar e tirar muitas fotos de toda a incrível paisagem de Tharepati.

Como eu era persona non grata naquele lodge tratei de tomar meu café e sair logo. Às 7h40 peguei a trilha bem em frente no sentido sul. Não é a mesma trilha por onde cheguei no dia anterior a partir da placa, é uma outra que entroncaria na principal uns 300m depois. Uma vez na trilha principal segui para a esquerda, no sentido sul que eu manteria o dia todo (com poucas variações). Mas fiquei ainda um bom tempo fotografando e só iniciei a caminhada realmente às 8h45. Às 9h53, num lugar chamado Dhobato, alcancei uma bifurcação com placas e segui à direita descendo na direção de Kutumsang. À esquerda iria para Timbu, onde provavelmente haveria ônibus, ou seja, é mais uma rota de fuga se houver necessidade. Às 10h31 passei por dois lodges em Magingoth/Mangin Goth (um parecia estar desativado) e subi até um terceiro lodge, 1km à frente, onde peguei água da torneira e tratei com Micropur. Na descida que se seguiu parei alguns minutos para comer alguma coisa que tinha na mochila. Às 11h50 tomei uma trilha à direita da principal e fui até um bonito mirante. Mas o que impressionou ali foi ver os escombros de uma grande casa de pedra que no gps consta como Red Panda Hotel.

Atravessei outra floresta de rododendros e às 12h10 a visão se amplia, já podendo visualizar a vila de Kutumsang na encosta de uma montanha ao sul. A descida se torna mais inclinada, com troncos de contenção e trechos de pedras soltas. Mas antes de chegar a Kutumsang fui parado às 13h26 em um checkpoint (Kutumsang Army Camp) para mostrar as permissões. Quiseram revistar a mochila... foi um transtorno porque tive de tirar tudo de dentro para eles examinarem e apalparem. Depois tive que refazer a mochila inteira. Esse local é um final de estrada, mas caminhei apenas 50m por ela e retomei a trilha sinalizada por uma placa. Às 13h46 passei por uma stupa grande logo abaixo à direita mas não fui até ela. Na bifurcação seguinte tanto faz o lado, mas parece que o esquerdo é mais usado. Às 14h alcancei a vila de Kutumsang e seus primeiros lodges, reencontrando a estrada de terra que abandonara 23 minutos antes. Ali fotografei outra stupa ainda mais bonita que a anterior. Uma grande placa verde logo abaixo apontava os caminhos: Chanawate à esquerda, Dupchugyang à direita e Golphu Bhanjyang em frente, este último o meu destino nesse dia. Após a placa subi pela estrada de terra cruzando a vila e tendo o primeiro contato com carros e motos depois de 12 dias.

Quando a estrada deixou a vila e começou a descer em direção a outro povoado achei que havia algo errado. Graças ao caminho gravado no gps encontrei a trilha para Golphu Bhanjyang saindo à esquerda da estrada, num local sem nenhuma placa ou indicação, exatamente na entrada do Hotel Mountain View. Entrei nela às 14h18 e parei num mirante à esquerda para comer alguma coisa. Às 15h18, junto a algumas ruínas, vou à esquerda numa bifurcação sem placa por ser a trilha mais larga. Com mais 7 minutos visualizo muito abaixo a vila de Golphu Bhanjyang. A trilha desembocou numa estrada de terra (continuação da anterior) às 15h51 onde há uma placa muito velha apontando os vilarejos próximos. Fui para a esquerda e Golphu Bhanjyang ainda estava bem abaixo. Numa curva da estrada tomei um atalho à esquerda e saí de novo nela já perto do povoado, onde efetivamente cheguei às 16h19. Ali mais carros e motos para minha decepção... não sabia que haveria tanta estrada nesse trajeto (algumas são bem recentes e não constam em nenhum mapa).

Dei uma olhada num lodge ali e a senhora pediu Rs300 (US$2,60) pelo quarto. O outro lodge (Himalaya New Lodge) parecia fechado. Resolvi tentar alguns lodges mais à frente, já além do povoado, para adiantar a caminhada e quem sabe terminar a travessia no dia seguinte. Mas me arrependi muito pois os lodges indicados no gps não existiam, fui me afastando cada vez mais e por uma subida muito cansativa. Quando finalmente encontrei um lodge funcionando, o Thodong Top, ele estava lotado. Voltei 1,9km até a vila de Golphu Bhanjyang e encontrei o Himalaya New Lodge aberto. Fui atendido por um simpático casal e o preço do quarto era o mesmo, Rs300 (US$2,60). Havia tomada (com interruptor) no quarto e pude recarregar as baterias. Banheiro novamente no estilo oriental e fora da casa, mas aqui já não fazia tanto frio à noite. Para escovar os dentes e se lavar havia uma torneira no quintal. Não havia ducha, o banho era de balde e custava Rs200 (US$1,74). Esse foi o primeiro lodge em que fui o único hóspede.

Altitude em Golphu Bhanjyang: 2135m
Preço do dal bhat: Rs 350
Preço do veg chowmein: Rs 250

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Stupa perto de Golphu Bhanjyang

13º DIA - 19/10/18 - de Golphu Bhanjyang a Sundarijal

Duração: 9h20 (descontadas as paradas)
Maior altitude: 2464m
Menor altitude: 1377m
Resumo: nesse dia percorri muitas estradas na direção sul (sempre que possível fugindo delas pelas trilhas que encontrava), atravessei o Parque Nacional Shivapuri Nagarjun (com grande subida e depois descida por escadarias) e encerrei o trekking em Sundarijal

A intenção era me aproximar o máximo possível de Sundarijal para no dia seguinte finalizar a caminhada e tomar o ônibus de volta a Kathmandu. Mas acelerei bastante o passo e consegui alcançar Sundarijal nesse mesmo dia. Finalizei o trekking mas Kathmandu ficou para o dia seguinte, como contarei abaixo.

Também foi um dia bem diferente dos anteriores pois caminhei bastante por estradas e passei por muitos vilarejos com suas plantações em terraços. Alternaram-se trechos de estrada e trilha, com as trilhas sendo basicamente atalhos para poupar as muitas curvas das estradas. Em vários pontos tive de perguntar pelo melhor caminho aos moradores e aqui a descrição vai ficar bastante "carregada" por causa das inúmeras bifurcações.

Saí do lodge às 7h50 ainda na direção sul pela estrada, subi e fui à direita na bifurcação no alto, subindo mais. A parte alta de Golphu Bhanjyang tem casas bem humildes feitas inteiramente com folhas metálicas. O panorama foi se alargando e gastei um bom tempo tirando fotos das montanhas na direção do Passo Laurebina La (norte).

Mais acima, à esquerda, aparece uma casa de muro alto que deveria ser um lodge mas estava fechado. Passei junto ao muro do lado esquerdo dela e fui fotografar uma linda stupa que fica atrás. Às 8h38 subi à direita na bifurcação com placa seguindo a indicação de Chisopani (segundo a placa esse povoado se chama Thodong). Passei novamente pelo Hotel Thodong Top e, desprezando uma trilha à esquerda, continuei pela estrada, que ia ficando cada vez mais precária.

Às 9h37 surge uma trilha subindo à esquerda com uma placa quebrada no chão onde mal se consegue ler Chipling. Entrei nela mas é somente um atalho (maior altitude do dia: 2464m) que tem no percurso uma stupa, uma casa e uma escadaria que desce e reencontra a estrada, onde fui para a esquerda (sul). Alguns metros antes das primeiras casas de Chipling um deslizamento na estrada interrompe o tráfego para carros, apenas motos conseguem passar. Alcanço o centro do povoado às 10h19 e a partir dali as plantações em terraços passam a ser comuns ao longo do caminho, o que garante uma paisagem bastante verde.

Cruzei as poucas casas do lugar evitando os caminhos à direita e indo sempre para a esquerda. Caminhei cerca de 110m mais pela estradinha e fui à direita numa bifurcação, subindo. Nessa hora contei com a ajuda dos simpáticos moradores para encontrar o caminho por trilha pois não havia placa e as trilhas não eram evidentes. Se eu me mantivesse na estrada obviamente iria caminhar muito mais. Apenas 90m após a última bifurcação entrei numa trilha entre casas à esquerda (meio estranho pois parecia que eu ia entrar numa das casas), desci, tomei a esquerda numa rua com mais casas e apenas 30m depois tomei a trilha escondida descendo à direita, por indicação do pessoal local. Dali foi só descer bastante por entre plantações em terraços e trechos de mata. Encontrei alguns trilheiros subindo - fazer esse trekking ao contrário deve ser bastante cansativo por conta de tanta subida quase sem sombra. Nas bifurcações tomei a direita e depois a esquerda, caí na estrada de novo, fui para a esquerda fazendo a curva e logo entrei noutro atalho à esquerda que desembocou na mesma estrada numa trifurcação, num vilarejo chamado Thankuni Bhanjyang, onde há o lodge Lama Guest House. Na trifurcação, às 11h21, fui para a direita caminhando pela estrada.

Parei por 20 minutos para comer um lanche que levava na mochila e às 12h17 tomei um atalho por trilha à direita da estrada. Mas logo caí na estrada de novo e fui para a direita, cruzando a vila de Patibhanjyang. Ali vi várias pessoas com uma "massinha" vermelha na testa e não sabia o que era, depois descobri que estavam comemorando o festival Dasain (pronuncia-se dasái), o maior festival do Nepal, e que aquela massinha vermelha feita com grãos de arroz se chama tika. Após a vila, na bifurcação, tomei a estrada da esquerda, subindo. Com mais 130m entrei num caminho largo à esquerda que serve como atalho. Caminhei só 70m e subi na trilha bem íngreme à direita. Reencontrei a estrada numa curva fechada e fui para a esquerda, passando por algumas casas. Subi apenas 100m e entrei numa trilha à direita com uma escadaria de pedras. Subi pela sombra da mata e quando saí no aberto a paisagem era bem mais ampla e bonita.

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Plantação em terraços na vila de Chipling

Subi até cruzar a estrada de novo e continuei pela trilha em frente subindo. Passei por uma casa às 13h06 e a trilha continuava à direita dela. Reencontro a estrada e a tomo para a esquerda, porém a abandono de novo em favor de uma trilha à esquerda ao alcançar uma matinha de pinheiros (poucos metros à frente pela estrada fica o Hotel Everest View Tower). Reencontro a estrada numa curva bem fechada e vou para a direita. Desprezo uma outra entrada para o hotel à direita (com placa) e subo a escadaria 20m à frente também à direita. A trilha dá uma guinada de 90º para a direita (oeste) e cruza a mesma estrada. Acabo saindo nela 90m à frente e vou para a esquerda. Essa estrada encontra outra mais larga numa curva fechada e subo à esquerda.

Alcanço a vila de Chisopani às 13h50 e após passar pelos dois primeiros lodges vou à esquerda na bifurcação. Após o lodge Dorje Lakpa vou à esquerda onde um prédio de 3 andares inclinado lembra a destruição causada pelos terremotos de 2015. Mais dois lodges, mais casas em ruínas e às 14h08 chego à portaria do Parque Nacional Shivapuri Nagarjun, onde sou recebido pelo guarda-parque e pago a taxa de entrada de Rs 1035 (US$8,98). Não acho esse valor exorbitante mas não me conformo em pagar uma taxa de entrada como essa e encontrar um parque sujo, com lixo por toda parte, sem sinalização, com quiosques abandonados, etc. Aliás o governo nepalês é craque em cobrar taxas altas dos visitantes e oferecer muito pouco em troca, e isso vale para todos os parques por onde caminhei.

Ao sair da portaria às 14h23 abandonei a estrada (por um bom tempo, felizmente) e entrei no caminho descendo à direita que logo virou uma trilha. Fui à esquerda nas duas bifurcações e estava contente por voltar a caminhar por trilha e por pensar que agora seria só descida até Sundarijal. Porém havia me esquecido do passo em Borlang! Logo essa trilha começou a subir, subir... e por escadarias de pedra bastante cansativas. Por fim subi dos 2137m aos 2410m, tudo por escadarias, mas isso não significou uma bela paisagem para fotografar pois há muita vegetação obstruindo. O topo, aonde cheguei às 15h20, é marcado por bandeirinhas de oração budista. Cerca de 80m antes há uma bifurcação com uma placa indicando que ali é Borlang, com Sundarijal à esquerda, e à direita Shivapuri Peak (a 6,3km dali), Tinchule e Baghdwar (com um santuário).

Ali eu já estava fazendo cálculos de distância e tempo para saber se conseguiria chegar com luz do dia ao ponto final do ônibus em Sundarijal. A descida por infindáveis escadarias foi tão cansativa quanto a subida e foi aí que comecei a sentir o joelho esquerdo. Na volta a Kathmandu tive que comprar um bastão de caminhada para poupar os joelhos nas caminhadas seguintes. Às 16h15 passei por uma "fortaleza" à direita, que devia ser do exército, com arames farpados, torre de vigilância, etc. e um portal com uma placa escrita somente em nepalês. Mais 7 minutos e chego às primeiras casas de Mulkharka, num final de estrada, e o ponto do ônibus estava ainda 3,6km à frente. Acelerei o passo.

Às 16h30, onde há uma placa de Lumo Karmo, saio da estrada e desço pela escadaria à direita que serve como atalho. Ao reencontrar a estrada, cruzo-a e desço ainda por escadaria. Saindo na mesma estrada mais abaixo sigo por ela à esquerda e entro na primeira trilha à direita, 65m abaixo. Passo por uma escola, desço uma escadaria à direita e cruzo de novo a estrada junto ao Karma Guest House (onde perguntei sobre o melhor caminho). Continuando por trilha desci até uma barragem, aonde cheguei às 17h04. Cerca de 8 minutos depois passei por um posto do Parque Nacional Shivapuri Nagarjun mas não fui parado para mostrar o tíquete de entrada.

Passei por uma cachoeira bem alta do lado direito com quedas menores do lado esquerdo. Ainda descendo, passei a acompanhar uma tubulação à minha esquerda. Às 17h28 passei por uma guarita e pelo portal do parque nacional, mas não havia ninguém naquele horário. Alcancei enfim o largo de onde saem os ônibus às 17h39, perguntei sobre o ônibus para Kathmandu mas não me respondiam. Um vendedor de frutas é que me disse que o último sai às 17h. Como um táxi ficaria caro o jeito era dormir ali e ele me ajudou a encontrar um lugar. Parece que havia uma só opção, o Side View Hotel. Deve ter sido o pior lugar que fiquei no Nepal: quarto sujo, com restos do hóspede anterior, banheiro privativo porém sem água. Reclamei duas vezes sobre a água mas mesmo assim só tive por um curto período. Preço do muquifo: Rs900 chorado para Rs800 (US$6,94)! Se soubesse do horário do ônibus teria escolhido um lodge decente para ficar no caminho.

E assim encerrei essa caminhada incrível de 13 dias. No dia seguinte tomei às 6h45 o ônibus para Kathmandu. Os trekkings Langtang e Gosainkund na minha opinião foram muito mais bonitos e recompensadores que o Helambu, mas há quem faça somente este último.

Altitude em Sundarijal: 1377m

Informações adicionais:

Eu sempre faço o possível para conseguir as informações mais precisas sobre horários, preços, etc, porém no Nepal isso é bastante complicado pelo problema da comunicação e da falta de organização geral das coisas. Assim, coloco aqui as informações obtidas mas com essa ressalva.

Horários de ônibus:

. Kathmandu-Syabrubesi: 6h30, 7h30 e 8h (9h de viagem para apenas 126km)
Em Kathmandu os ônibus saem de um local chamado Macha Pokhari, uma rua próxima ao Terminal Gongabu, no anel viário da cidade
Preço: Rs600 (US$5,21)
Táxi do Thamel até Macha Pokhari: Rs350 (US$3,04)

. Sundarijal-Kathmandu:
roda entre 6h e 17h, não consegui saber a frequência (cerca de 1h de viagem)
Em Kathmandu desci próximo ao terminal do Ratna Park
Preço: Rs25 (US$0,22)

 

Rafael Santiago
outubro/2018
https://trekkingnamontanha.blogspot.com.br

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    • Por fernandobalm
      Resumo:
      Itinerário: Joanesburgo (África do Sul) – Katmandu (Nepal) – Bhaktapur - Pokhara – Zhangmu (Tibet) – Tingri – Xigatse – Lhasa - Zhangmu – Katmandu (Nepal) - Janakpur - Lumbini – Katmandu - Caminhada até o Lago Gosaikund (Chisapani – Kutumsang - Ghopte - Gosaikund – Thulo Syabru - Syapru Besi - Dhunche) - Katmandu
      Período: 08/09/2003 a 09/11/2003
      Ida: Voo de São Paulo (Guarulhos) a Joanesburgo na África do Sul pela South Africa Airways. Após parada de 4 dias, voo para Mumbai na Índia pela South Africa Airways. De lá voo para Nova Déli pela Air India. De lá voo para Katmandu no Nepal pela Indian Airlines.
      Volta: Era para ser voo da Royal Nepal Airlines até Nova Déli na ïndia e depois pela Jet Airways até Mumbai. Porém o avião teve problemas antes da decolagem, o que me fez permanecer por 6 dias em Katmandu até conseguir um voo direto pela Royal Nepal Airlines até Mumbai na Índia. De lá voo pela South Africa Airways até Joanesburgo na África do Sul e depois até São Paulo.
      Considerações Gerais:
      Depois de tanto tempo não pretendo nem consigo fazer um relato detalhado, pois nesta época eu ainda não registrava detalhadamente as informações, mas vou tentar descrever a viagem com as informações de que lembrar e que considerar mais relevantes para quem pretende fazer um roteiro semelhante ou ter uma base para pesquisar detalhes, principalmente o trajeto, tipos de acomodações, meios de transporte e informações adicionais que eu achar relevantes. Os preços que eu citar serão somente para referência e análise da relação entre eles, pois já devem ter mudado muito.
      Acho que o relato principalmente serve para ideias de roteiros a quem se interessar e também como um relato das experiências vividas.
      Sobre os locais a visitar, só vou citar os de que mais gostei ou que estiverem fora dos roteiros tradicionais. Os outros pode-se ver facilmente nos roteiros disponíveis na internet. Os meus itens preferidos geralmente relacionam-se à Natureza e à Espiritualidade.
      Informações Gerais:
      Em toda a viagem houve todo tipo de clima. Em Joanesburgo fez sol quase todo tempo, com temperaturas amenas, levemente frias de manhã e à noite e esquentando ao longo do dia. No Nepal houve bastante sol, mas também alguma chuva, principalmente em Pokhara. Houve neve no Lago Gosaikund. No Tibet fez sol quase sempre, porém as temperaturas foram um pouco frias ao amanhecer a anoitecer, às vezes esquentando ao longo do dia, mas não muito.
      A população de uma maneira geral foi muito cordial e gentil 👍. Houve vários mal-entendidos devido à língua, ao alfabeto e aos costumes no Nepal e no Tibet, onde quase ninguém falava inglês. Em Joanesburgo houve um episódio em que senti olharem-me com ódio, talvez por minha pele ser branca. Muitos disseram-me para não ir por conta própria para vários lugares, pois poderia ser morto.
      As paisagens ao longo da viagem agradaram-me muito, passando por áreas de florestas, rios, cachoeiras, montanhas e outros . Achei deslumbrantes especialmente as montanhas nevadas, em particular os Himalaias.
      Alguns trajetos de ônibus no Nepal e no Tibet passaram na beira de precipícios bem altos, o que foi um teste para os nervos 😟. Houve muitos problemas com pneus furados. Houve pontos em que os veículos atolaram e vários congestionamentos devido a deslizamentos de terra. Como havia uma guerrilha tentando tomar o poder no Nepal, houve muitas paradas para checagem pelo exército. As viagens foram muito lentas devido a tudo isso. Para entrar no Tibet foi necessário ir em uma excursão até Lhasa, por exigência do governo chinês. Em Joanesburgo recomendaram-me não usar transporte público, sob pena de sofrer violência.
      A viagem no geral foi tranquila. Não tive nenhum problema direto de segurança, mas houve uma decretação de paralisação geral pela guerrilha no Nepal que o exército respondeu decretando toque de recolher. Em Joanesburgo contaram-me a respeito de muitos episódios de violência.
      Quase ninguém aceitou cartão de crédito. Mas consegui fazer saques nas moedas locais usando o cartão de débito Visa Electron. Levei cerca de US$ 1,300.00 em espécie, mas gastei bem menos. Na África do Sul saquei R$ 511,75 e paguei R$ 24,81 de tarifas. Gastei mais R$ 28,05 com cartão de crédito. No Nepal saquei R$ 178,97 e paguei R$ 10,86 de tarifas. Troquei mais uns poucos dólares também. No Tibet saquei R$ 431,68 e paguei R$ 15,97 de tarifas. Acho que troquei alguns poucos dólares lá também. Paguei US$ 129.00 pela excursão para ir ao Tibet. Acho que ao todo gastei cerca de US$ 530.00 a US$ 630.00 na viagem sem contar a passagem aérea. A passagem aérea custou pouco menos de US$ 1,500.00 obtida através da agência Via Aérea (http://viaaerea.tur.br).
      No Nepal achei a comida com muitas especiarias, ardida como pimenta. Como não gosto, tive alguma dificuldade.
      A Viagem:
      Fui de SP (Guarulhos) a Joanesburgo na 2.a feira 08/09/2003 pela South Africa Airways (https://www.flysaa.com). A saída estava prevista para as 18:15. Cheguei em Joanesburgo pela manhã na 3.a feira 09/09. Tive alguma dificuldade de comunicação com alguns atendentes do aeroporto provavelmente devido ao sotaque e ao meu nível de inglês precário. Obtive informações no balcão correspondente do aeroporto e confirmei as informações que tinha lido de que a cidade poderia ser perigosa. No próprio aeroporto encontrei um rapaz e uma moça do hostel Africa Centre (http://www.cheaphotelsandhostels.com/hostel/h-3170/Africa-Center-Airport-Hostel) fazendo propaganda e, analisando as outras opções, resolvi aceitar a oferta deles. Disseram que o hostel ficava numa área muito segura perto do aeroporto. O rapaz comentou que seria perigoso visitar os pontos de interesse por conta própria. Contou relatos de pessoas que haviam sido mortas. Achei que poderia ser exagero para me levar à compra de pacotes.
      Chegando ao hostel, após acomodar-me, fui dar uma volta pelos arredores. Foi possível perceber que havia preocupação com segurança nas várias residências, com placas de resposta armada de empresas de segurança. Um pouco cansado, com um pouco de sono após uma noite no avião e sem ter almoçado, não fui muito longe e depois de andar um pouco, parei numa praça para descansar. Lá um homem pediu-me dinheiro, dizendo que estava com fome, pois não havia almoçado. Como ele me pareceu em bom estado, como não havia nenhum local que eu conhecesse para comprar alimentos por perto e como tenho certa reserva em dar dinheiro, pois nunca se sabe para onde vai, acabei desejando-lhe boa sorte, mas não lhe dei nada. Notei que várias vezes pessoas negras mudavam de calçada quando iriam cruzar comigo. Achei coincidência num primeiro momento. À noite no hostel conheci a dinamarquesa Liz, recém-formada ou acabando a formação na área de negócios, e a inglesa Emma e seu namorado, que pretendiam ir ao Parque Kruger. Consultei também os preços para visitar alguns pontos que desejava.
      Para as atrações de Joanesburgo veja https://guia.melhoresdestinos.com.br/pontos-turisticos-de-joanesburgo-141-1467-p.html, https://www.planetware.com/tourist-attractions-/johannesburg-saf-gp-jo.htm e https://www.lonelyplanet.com/south-africa/johannesburg/attractions/a/poi-sig/355617 . Os pontos de que mais gostei foram os itens históricos, os típicos da África, a mina de ouro e o Museu do Apartheid .
      No dia seguinte, 4.a feira 10/09, bem mais descansado, fui dar uma grande volta pelos arredores para tentar descobrir se seria possível ir por conta própria para o centro e os demais pontos de interesse. Perguntei a cerca de 20 pessoas brancas se seria seguro e unanimemente elas me disseram que não, sendo que boa parte delas disse-me que eu poderia morrer. Achei que poderia ser algum tipo de discriminação e ideia deformada por parte dos brancos. Tentei então procurar pessoas negras para ver a sua opinião. Falei também com cerca de 20 e, para minha surpresa, a opinião deles foi a mesma dos brancos, porém não me lembro de terem me falado que eu poderia morrer. Só disseram para eu não ir, pois não seria seguro. Só houve uma exceção, que foi o vendedor de bilhetes da estação de trem, que disse que eu poderia ir sem problemas. Mas eu resolvi não ir e, apesar dos valores bem mais altos, resolvi ir em excursões coletivas privadas nos dias seguintes. No meio da tarde, quando pedia informações às pessoas sobre caminhos, conversei com uma mulher branca de uns 50 ou 60 anos em sua oficina e ela me disse que não dava para ir a pé ao centro, porque havia muitas pistas só para carros e porque passaria por áreas perigosas. Acho que o marido dela ficou com ciúmes da atenção que ela me deu (pareceu com um enfoque maternal). Falei também com um vigilante negro, que num primeiro momento mostrou-se na defensiva, mas conforme que a conversa foi evoluindo informalmente, tornou-se bastante amistoso e, no fim, estendeu a mão num cumprimento típico. Paralelamente um outro vigia atravessou a rua e veio cumprimentar-me. Desejaram-me longa vida sorrindo. Fiquei bestificado 😲. Este episódio de um branco conversar com um negro sem ser por alguma questão de serviço pareceu-me ser algo raro por ali, um evento. Isso me fez achar aquele estado de coisas infeliz ☹️. Lembrei-me do Brasil, que apesar de toda a questão do preconceito, é um lugar em que sempre tinha convivido com muitos negros e mestiços de maneira amigável, em ambiente de trabalho, escola, esportes, cultura, família etc. Neste dia nadei na piscina do hostel, apesar da água um pouco fria do fim de inverno. Um dos atendentes até me perguntou sobre a temperatura da água. À noite ainda conversei com um dinamarquês amigo de Liz, que me recomendou cautela se fosse tentar ir a algum local por conta própria.
      Na 5.a feira 11/09 fui numa excursão pela manhã, junto com outros estrangeiros, conhecer o centro da cidade, incluindo museu, lojas típicas, praças, prisão em que ativistas anti-apartheid estiveram (incluindo Nelson Mandela) e outros itens. Lembro-me de um alemão, um australiano e talvez algumas alemãs. As pessoas estavam muito temerosas de sair para andar em áreas públicas, especialmente o alemão. Quando fomos ao Parque Joubert (https://en.wikipedia.org/wiki/Joubert_Park), perguntei se poderia dar uma volta, o guia autorizou e eu fui. Só havia negros. Pelos olhos achei que cerca de 20% pareceram muito surpresos e felizes com minha presença, como que a me convidar a ficar à vontade e desfrutar do ambiente. Cerca de 40% pareciam indiferentes e evitavam o contato visual. Outros 20% pareciam não gostar e alguns até pareciam esperar alguma oportunidade de algum delito (até aí nada diferente do que em alguns locais de SP). Porém, o que me assustou foi que havia cerca de 20% que pareciam fazer questão de me olhar fixamente com aparente ódio, sem nunca me terem visto antes. Seu olhar parecia exprimir raiva e, se tivessem oportunidade, acho que cometeriam violência contra mim. Nunca tinha passado por isso. Mesmo em locais onde há crime ou algum tipo de rivalidade no Brasil, nunca tinha sentido alguém olhar-me assim. Fiquei tristemente espantado ☹️. Não entramos na Galeria de Arte porque o tempo era curto e a galeria muito grande. Apenas vi as obras da sala de recepção. Fomos para lojas típicas e para áreas centrais. Andamos um pouco por lá e depois fomos para outra excursão à tarde, com destino ao Soweto. No caminho o alemão, que parecia não querer se aventurar a andar muito longe do guia e em locais públicos, contou a seguinte história, que foi narrada por jornais alemães, alguns dos quais sensacionalistas. Um casal de alemães saiu para assistir um espetáculo de música no centro da cidade à noite. Beberam e depois saíram andando pelas ruas, dispensando o táxi. O homem tinha um relógio no pulso, a mulher tinha anéis nos dedos e um colar. Ele deu uma pausa na história, olhou pela janela, tomou fôlego e continuou. Quando acharam o homem ele não tinha a mão. Quando acharam a mulher ela não tinha nenhum dos dedos e nem a cabeça. Ambos morreram e alguns jornais sensacionalistas publicaram fotos na primeira página. Aí eu entendi porque ele estava tão cauteloso.
      Juntaram-se a nós mais algumas pessoas para o passeio, incluindo um belga e talvez mais uma ou duas alemãs. Começamos o passeio pelo Soweto parando no início do bairro e entrando numa espécie de tenda ou bar de madeira onde se vendia comida típica, um tipo de churrasco, e cerveja. O australiano comprou uma e gostou. Depois fomos conhecer locais históricos, casa de Desmond Tutu, de Mandela, Steve Biko, locais de manifestações, uma ocupação (o que chamaríamos aqui de uma favela em área não autorizada) e uma favela. Na ocupação chamou-nos atenção uma placa do KFC que eles penduraram em uma das casas. Chamou a atenção do belga o fato deles conhecerem David Beckham. Na favela eu perguntei se seria perigoso entrarmos nas vielas e o guia disse que dependia de até onde eu quisesse ir. Achei melhor não ir para não expor o grupo e porque não sabia se havia algo relacionado a algum tipo de crime ali, como narcotráfico. Quando estávamos indo embora, um homem da favela com que eu havia conversado pediu-me comida. Eu não tinha nada na mão e fui ao grupo perguntar se alguém tinha algo. Mas o guia não gostou e falou para irmos embora. Disse: “Não podemos (temos capacidade para) alimentar todos”. Chegamos de volta ao hostel à noite.
      Na 6.a feira 12/09 fui com o transporte da excursão a Golden Reef (https://en.wikipedia.org/wiki/Gold_Reef_City), onde havia uma enorme e típica mina de ouro. Mas fui fazer o passeio só, pois os outros iriam para outros passeios. Havia uma espécie de parque de diversões no mesmo local e, achando que teria bastante tempo, decidi conhecer um pouco dele antes e depois da visita à mina. Foi um grande erro, pois perdi tempo precioso, que poderia ter usado na visita ao Museu do Apartheid. Achei as atrações do parque interessantes, mas parecidas com os parques de diversão que conhecia em São Paulo. Achei a visita à mina espetacular . Nunca tinha visitado uma mina de ouro subterrânea. Achei impressionantes as estruturas, o modo de trabalho, todo o local e o processo. Por não ver, liguei a lanterna na cara de um trabalhador da mina de apoio à excursão enquanto a guia dava explicações e ela logo me chamou a atenção, mostrando o trabalhador, que eu não havia visto porque estava numa área escura dentro de uma estrutura da mina. Após a visita à mina, enquanto passeava pelo parque, vi um prédio grande não muito distante e descobri tratar-se do Museu do Apartheid (https://www.apartheidmuseum.org). Apesar de já ser tarde, apenas 1 hora a 1 hora e meia antes do que havia combinado com o motorista da excursão para me pegar de volta, decidi ir visitá-lo. Gostei muito. Havia muitos ambientes, contando a história da segregação racial no país, desde as guerras entre holandeses Boer e ingleses, do convívio com os zulus, da passagem de Gandhi por lá, até os dias mais recentes (não consegui ver o fim, então não sei exatamente até onde ia). Havia um trecho em que brancos passavam por uma área e negros por outra, de modo que os brancos vissem como eram tratados os negros e como eram os ambientes em que viviam e os negros vissem como eram tratados os brancos e como eram os ambientes em que viviam. Na área dos atentados, torturas e assassinatos promovidos pelo governo, chamou-me a atenção o número de explicações claramente (parecia que até propositalmente, com intuito de intimidar) falsas a respeito de prisioneiros mortos, a maioria enquanto tomava banho (tomava banho, escorregou, bateu a cabeça e morreu, caiu no banheiro e morreu etc). Lembrou-me algumas das explicações da ditadura militar no Brasil referentes a atropelamentos por caminhões, além da dada no caso de Vladimir Herzog. Infelizmente o horário que havia combinado com o motorista da excursão estava chegando e parei na seção de atentados, nos anos 1980. Até tentei propor ao motorista que me pegasse no fim da tarde, mas ele estava levando o pessoal da excursão de volta e não tinha previsão de nova excursão à tarde. Aí disse que não seria possível, a menos que eu pagasse pela gasolina como táxi individual. Eu acabei não querendo e voltei com eles. De volta ao hostel conversei com um espanhol e outro viajante (acho que também era espanhol). Perguntaram-me como ia indo o Lula em seu primeiro ano de governo, conversamos sobre o mundo e sobre os perigos da viagem ao Nepal, que tinha uma guerrilha maoísta.
      No sábado 13/09, perto da hora do almoço, peguei uma transferência, junto com um dos dois espanhóis. Eu estava indo para o aeroporto e ele, se bem me lembro, para o shopping. Na sala de espera para o embarque, vi que havia um grupo de brasileiros indo para a Índia, que perceberam que eu era brasileiro. Eram Fábio, dono de uma empresa de aço e seu irmão ou cunhado. Fomos conversando uma parte do voo e eles, principalmente o Fábio, tinha interesse em esoterismo. Falou-me de sua experiência com vários locais de estudos de filosofia e esoterismo que eu também conhecia. Por coincidência ele era formado na mesma escola que eu, só que em engenharia metalúrgica. Ele me falou que eu era a primeira pessoa que ele conhecia que de fato fazia uma viagem ao Tibet, pois muitos falavam, sonhavam, mas não faziam. Falou-me ainda que era só assistir televisão e ver como era o mundo para se esquecer tudo de que se falava sobre esoterismo nos locais de estudo ou encontro. Achou um pouco forte o tempero da comida e eu lhe disse sorrindo que ele não tinha visto nada ainda 😀. Depois de ter voltado ao Brasil fui jantar na casa dele, conheci sua mulher e filhos e conversamos sobre minha viagem a passeio e a dele de negócios. Chegamos a Mumbai de madrugada, ele lá ficou e eu fui pegar conexão para Nova Déli pela Air India (http://www.airindia.in), morto de sono. Cheguei em Nova Déli no amanhecer. Tive que ficar numa área restrita, pois precisava de um atendente da Indian Airlines (https://en.wikipedia.org/wiki/Indian_Airlines) para me liberar para o novo embarque. Foi uma espera de algumas horas (cerca de 3) não muito agradável. Ainda tive que pagar uma taxa de US$ 5.00, se bem me lembro. Após a liberação fui para a sala de embarque para Katmandu. Conheci uma médica de Médicos Sem Fronteiras, que me deu 3 sugestões de ouro, apesar de algumas óbvias, sobre como enfrentar a altitude. Primeiramente, respirar fundo (inspirando e expirando longamente), depois dormir com a cabeça bem elevada do corpo, não em linha reta e por fim, beber muita água. Estes 3 procedimentos simples ajudaram-me muito e tive muito menos problemas do que em uma ida anterior a regiões altas. Embarquei no domingo no fim da manhã, morto de sono. Havia 3 lugares na fileira em que eu estava, comigo, um russo e um indiano. Eu ri e comentei com eles que era um retrato do mundo. Fomos conversando sobre Moscou, a questão dos atritos entre Islamismo e Ocidente, a Índia e a situação política no Nepal. O indiano disse-me que as montanhas eram seguras, mas para eu não ir ao Terai (https://pt.wikipedia.org/wiki/Terai). Ao longo da viagem perguntei a várias pessoas sobre a situação política e todos disseram-me que a situação estava sobre controle.
      Chegando em Katmandu, no domingo 14/09 no meio da tarde, tirei o visto de entrada no aeroporto. Precisava de uma foto, que a atendente da embaixada da Índia no Brasil (que representava o Nepal) havia me dito. Levei comigo e poupei o preço de tirar a foto no aeroporto. Paguei uma taxa pelo visto (algo como US$ 50.00). Peguei um táxi e fui para a área conhecida como Thamel (https://en.wikipedia.org/wiki/Thamel), onde ficavam os estrangeiros geralmente. Dadas as notícias que havia ouvido, achei a situação até bem tranquila. Um guia recomendou-me um hotel por US$ 6.00 a diária, em que acabei ficando nos primeiros dias, até descobrir que havia outros muito mais baratos. Após instalar-me, resolvi deitar um pouco para depois ir jantar, pois não consigo dormir em aviões e estava bem cansado. Fui acordar de madrugada e acabei decidindo dormir até o dia seguinte 😴.
      Para as atrações de Katmandu veja https://wikitravel.org/en/Kathmandu, https://www.lonelyplanet.com/nepal/kathmandu e https://thingstodoeverywhere.com/visit-kathmandu-attractions.html. Os pontos de que mais gostei foram as stupas, os templos, os prédios e monumentos históricos, as vistas a partir de locais altos e a população local .
      Conversei com um agente de turismo local e ele me deu informações sobre os locais a conhecer no Nepal, os preços, as formas de transporte e as condições gerais do país. Disse-me para não ir para a região de Lumbini, pois havia muitos pontos de checagem do exército nas estradas, o que tornaria a viagem cansativa, além de ser área com muitos guerrilheiros, que não costumavam atacar os turistas, mas pediam dinheiro para que pudessem prosseguir. E tudo poderia acontecer, nada era garantido.
      Na 2.a, 3.a e 4.a feira fui visitar as 3 principais stupas de Katmandu, que eram Swayambhunath (https://www.swayambhunathstupa.org/), Boudha (https://boudhanathstupa.org) e acho que a última era em Patan. Achei as estupas espetaculares , principalmente as 2 primeiras. Gostei mais de Swayambhunath, mas Boudha também pareceu-me muito boa. Além de todo o clima espiritual, a vista lá de cima também era muito boa e ampla. Passei também por templos, monumentos, parques e palácios nas áreas centrais e no caminho para as estupas. Achei que havia um certo clima de tensão devido à guerrilha e à possibilidade de atentados ou talvez eu estivesse precondicionado. A cidade em si parecia-me com trânsito um pouco caótico e com estrutura simples, mas sem extremos de pobreza, apesar de haver mendigos. Acho que uma visão ocidental materialista diria que era bem pobre. Aproveitei também estes dias para obter informações detalhadas sobre a ida ao Tibet, algo que não tinha conseguido no Brasil. Fui ao consulado chinês e obtive as informações necessárias. Se bem me lembro obtive um visto de 15 dias, que era o que o governo chinês oferecia para quem entrava por ali. Fui também a agências de turismo obter informações sobre excursões ao Tibet, posto que o governo chinês não permitia viagens de estrangeiros sem ser vinculadas a excursões.
      Na 4.a feira à tarde correu um boato de que a guerrilha decretaria uma paralisação geral. Quando cheguei ao hotel informaram-me que o rei havia decretado toque de recolher naquele dia e provavelmente nos outros também. Fui jantar e quase me perdi na volta ao hotel. O toque de recolher era as 23 horas e já eram 22 horas e as pessoas andavam rapidamente, num clima de desespero. A atendente de uma agência de turismo em que eu havia ido disse-me que se estivesse na rua após o horário as forças armadas tinham ordem de atirar. Enquanto procurava pelo caminho para o hotel, que era meio escondido, em meio às pessoas correndo, dei de cara com um carro de combate com soldados . Levei um susto, cruzei com eles, mas nada aconteceu. Tentei perguntar para os habitantes locais, mas naquele clima tudo era difícil, além da língua, que eu não sabia falar. Mas achei o caminho e voltei para o hotel aliviado. Esta situação lembrou-me a cena com o desespero da população na invasão da China no filme “O Império do Sol”.
      Na 5.a feira 18/09 perguntei aos atendentes do hotel se poderia visitar pontos de interesse e eles me disseram para não ir longe. Acabei não atendendo o que disseram. Primeiramente fui até a parte antiga da cidade, que achei espetacular . Não tinha ideia da existência daquele conjunto histórico razoavelmente preservado. Depois fui a Bhaktapur (https://en.wikipedia.org/wiki/Bhaktapur) andando. Fui conhecendo os vários pontos de interesse pelo caminho. Gostei também bastante de lá. Novamente achei grandioso o conjunto histórico e arquitetônico . Parecia mais calmo, pois era uma área turística, mas novamente pareceu-me tenso o clima. Um nepalês, que veio conversar comigo, perguntou-me como eu havia chegado lá e quando disse que tinha vindo só e andando, ele ficou admirado e disse que eu devia ser muito inteligente para conseguir chegar (talvez ele devesse ter dito muito louco).
      Na 6.a feira 19/09 fui à última grande stupa que haviam recomendado em Katmandu. Cada uma delas era em direção a um ponto cardeal em relação ao Thamel e esta, se bem me lembro, era para Norte ou Nordeste (talvez fosse Budhanilkantha - https://en.wikipedia.org/wiki/Budhanilkantha). Fui andando. Gostei. Achei-a menor e mais simples que as outras, mas ainda assim achei-a interessante. Passei por templos próximos e fui visitando os pontos de interesse no caminho.
      No sábado e domingo mudei para um hotel mais barato, cerca de US$ 2.00 a diária e fui tentar visitar os templos de Pashupatinath (http://pashupatinathtemple.org) e Guhyeshwari (https://en.wikipedia.org/wiki/Guhyeshwari_Temple). Mas não eram permitidos para não hindus. Na porta de Pashupatinath havia estátuas de deuses e uma placa enorme dizendo que só era permitido para hindus. Mas como eu estava apreciando as estátuas não vi a placa. Olhei para os guardas e eles não falaram nada. Acho que imaginaram que eu era hindu. Alguns minutos após entrar, quando observava uma estátua de Ganesha, um sacerdote brâmane veio até mim e rispidamente perguntou o que eu estava fazendo ali, pois não era permitido para não hindus. Eu fiquei surpreso e disse que não sabia. Ele me conduziu parte do caminho até a porta. Lá, vi a enorme placa e fiquei constrangido 😳. Um outro brâmane passou indo embora e eu lhe falei que era leitor do Bhagavad Gita e gostava do hinduísmo. Ele me disse que isso era bom, mas que eu não poderia entrar. Aparentemente esta norma mudou nos dias atuais. Nos outros templos fiquei mais atento antes de entrar. Em vários pude entrar, sem problemas.
      Apreciei o Dal Bhat, que era um prato típico do Nepal, com arroz, lentilha e legumes (poderia ser também com carne, mas eu sou vegetariano). Parecia nosso arroz com feijão, porém alguns vinham com muitas especiarias, o que os fazia ardidos. Descobri também uma doceria que tinha uma promoção de 50% de desconto no fim da noite, o que me pareceu tornar atraente os preços dos bolos e tortas .
      Perguntei a um judeu onde poderia encontrar um mapa gratuito da região e ele me disse sorrindo “em seus sonhos”, mas completou dizendo que os mapas não eram caros.
      Conheci um outro judeu que também procurava ir ao Tibet. Procuramos juntos por agências de turismo e conseguimos fechar com a mais barata por US$ 129.00 uma excursão de 4 dias, saindo de Katmandu e chegando a Lhasa, com transporte, hospedagem e café da manhã do primeiro dia incluídos. A excursão mais próxima sairia dia 28/09. Ele pareceu um pouco incomodado com o fato de eu pedir informações a qualquer pessoa. Provavelmente em Israel esta prática era perigosa. Ele era agricultor e conversamos sobre a situação de guerra existente em Israel.
      Conheci um outro turista (acho que era europeu) que comentou sobre sua viagem e disse que estava agendado para ir ao Tibet também e me disse que sua chegada estava prevista para 01/10. Comentei com ele que minha previsão era a mesma e imaginei que iríamos na mesma excursão.
      Dada a data da excursão, decidi ir conhecer Pokhara enquanto esperava. Peguei um ônibus na manhã da 2.a feira 22/09 e cheguei no fim da tarde. As viagens costumavam demorar muito porque as estradas eram precárias, havia deslizamentos de terra e havia checagens de segurança feita pelas forças armadas. Nesta primeira, se bem me lembro, não houve muitos incômodos. Fiquei numa espécie de casa de família que tinha alguns cômodos para hóspedes. Alguns turistas estrangeiros que estavam na cidade disseram-me que nem se notava o toque de recolher por ali e que a situação era muito mais calma do que em Katmandu.
      Para as atrações de Pokhara veja https://myownwaytotravel.com/tourist-destination-pokhara-tour-guide/, https://www.lonelyplanet.com/nepal/pokhara e https://wikitravel.org/en/Pokhara. Os pontos de que mais gostei foram as montanhas, os templos, o lago, a vegetação e as vistas a partir de locais altos .
      Fiquei lá até 6.a feira 26/09. Foi difícil ter uma vista limpa das montanhas, pois lá chovia muito e havia muita nebulosidade. Se bem me lembro as informações diziam que o tempo ficava chuvoso mais de 200 dias por ano. Mas em alguns dias houve algumas aberturas das nuvens e no último, principalmente, foi possível uma razoável vista dos picos e das montanhas.
      Num dos dias fui até um templo que ficava no topo de uma montanha e que havia visto lá de baixo. Fui intuitivamente por uma trilha na montanha no meio do mato . Fui perguntando para as pessoas que encontrava pelo caminho, muitas coletando algum tipo de produto agrícola ou fazendo extrativismo vegetal ou mineral. Perguntava por “Buda” e eles (em boa parte mulheres) apontavam-me o caminho. Cheguei a fazer uma marca no chão numa encruzilhada para não me perder na volta. Chegando lá um vendedor ambulante perguntou-me se eu havia vindo pela floresta e me disse que poderia ser perigoso, narrando o caso de um japonês que havia sido morto por estrangulamento ou enforcamento há um tempo atrás. Disse que sozinho era problemático, mas em dois ou mais não havia problemas. Gostei muito deste templo que era a World Peace Pagoda (https://en.wikipedia.org/wiki/Shanti_Stupa,_Pokhara). Gostei muito também da paisagem vista lá de cima e da vegetação ao longo da trilha. Depois de ficar um bom tempo lá, desci por um outro caminho, que passava no meio de uma comunidade local. Um habitante local acompanhou-me parte do caminho, até pegar um atalho para sua casa. Não havia a vegetação espetacular da mata, mas a vista era bela. Nem precisei usar a marca que havia feito no chão.
      Num outro dia fui até um templo que havia no meio do lago. Acho que era o Templo Tal Barahi (https://en.wikipedia.org/wiki/Tal_Barahi_Temple). Fui nadando, o que surpreendeu alguns habitantes locais, pois havia barcos pagos. Deixei minha carteira e passaporte no local em que estava hospedado e fui com calção de banho e camisa. Era próximo, talvez cerca de 100 a 200 metros. Achei bem interessante, simples, mas típico. Ocupava a ilha toda.
      Numa ocasião, perguntando a um rapaz por informações, ele alertou-me sobre ficar andando por lugares desertos, dizendo que havia uma “discussão”, referindo-se à disputa entre o governo e a guerrilha maoísta.
      Num dos dias à noite, fui visitar uma loja de tapetes. Era de muçulmanos e, pelo meu interesse em questões religiosas, para começar uma conversa amistosa, perguntei referente à questão da Guerra Santa não ter sido criada por Maomé. Acho que não foi uma boa ideia, pois eles se empolgaram com a conversa e começaram a falar sobre os muçulmanos, sobre a discriminação que estavam sofrendo após o 11 de Setembro (que estava fazendo 2 anos), chegando a me perguntar se eu achava que tinham 6 dedos por serem muçulmanos. Como eu disse que não era cristão, apesar de ter sido criado numa cultura cristã, creio que quiseram converter-me. Tanto que disseram que iriam chamar um estudioso que teria muito mais argumentos. Mas aí entraram algumas pessoas interessadas nos tapetes e desviaram sua atenção. Eu aproveitei a ocasião, agradeci pela conversa, despedi-me e fui embora.
      Numa noite conheci um japonês num restaurante enquanto jantávamos e conversamos sobre nossas viagens. Comentamos como eram baratos os produtos e serviços no Nepal. Interessante como havia reposição gratuita de alimentos (arroz, lentilhas, vegetais).
      Por várias vezes caminhei por trilhas e estradas com vegetação natural. A vista do lagos, dos cursos de água, das montanhas e da vegetação agradou-me muito. Se bem me recordo foi nesta região que atravessei uma ponte parecida com aquelas que se vê em filmes de aventura, geralmente na África, sobre um desfiladeiro ou uma garganta, feita de cordas e com piso vegetal. Imaginei como seria aquela ponte num dia com ventania.
      Na 6.a feira, quando disse ao dono da casa em que estava hospedado que iria embora no dia seguinte para o Tibet, ele disse que ali era a minha casa e que o Tibet seria caro. Eu sorri, mas prossegui com meus planos.
      No sábado 27/09 voltei para Katmandu para poder pegar a excursão no domingo. A viagem foi lenta e cheguei já de noite. Mesmo assim fui ao local da agência de turismo para confirmar o local e horário de embarque e combinamos que um dos atendentes fosse ao hotel e me acordasse caso eu não aparecesse, pois a saída era cerca de 5h da manhã. Fiquei num outro hotel, com preço semelhante ao anterior ou um pouco mais baixo, se bem me lembro.
      A viagem de ida ao Tibet de 28/09 a 01/10 teve a paisagem que achei mais espetacular em toda a viagem e talvez a mais espetacular que vi na vida , talvez por não estar acostumado a este tipo de vista.
      No domingo 28/09, eu acordei na hora, pois tinha ficado com o horário na cabeça, o guarda do hotel ajudou-me a acordar para não haver perigo de eu voltar a dormir e logo em seguida chegou o atendente da agência de turismo, para não haver nenhum perigo de perder a hora mesmo. Ele esperou por mim e fomos até o ponto onde estavam os veículos. Os agentes de turismo disseram que todos eram geralmente muito gentis, menos o exército chinês. Creio que esperamos ali por cerca de 1 hora ou mais até todos chegarem e podermos partir. Fomos em comboio, creio que também por questões de segurança. Paramos num hotel restaurante cerca de 1 hora depois da partida para tomar café da manhã. O café estava muito bom, pareciam produtos rurais da própria área. A paisagem durante a viagem pareceu-me bonita, com vistas rurais e montanhas. Katmandu tinha cerca de 1.300 metros de altitude e estávamos subindo.
      Após andar mais um pouco chegamos em Kodari, na fronteira com a China. Fomos fazer os procedimentos de entrada. Havia uma diferença horária de 02h15, com a China tendo o horário à frente. Aí entendi porque tínhamos saído tão cedo. Naquele ponto havia uma usina hidrelétrica do lado nepalês e a Ponte da Amizade, que separava os dois países, sobre uma enorme garganta de rio, o que tornava a vista grandiosa. Ficamos algum tempo esperando e depois fomos para uma fila no sol para passar pela ponte. Conheci uma guia turística húngara que sabia falar “Bom dia”, pois já havia estado no Brasil. Quando algumas mulheres mais idosas foram tirar fotos a partir da ponte, um soldado chinês saiu da cabine em que estava e veio dizer que era proibido.
      Ao passar para o outro lado, havia um micro-ônibus e vários outros veículos Land Rover antigos. Eu fui no micro-ônibus com o guia (acho que o nome era Tashi ou semelhante), um casal de amigos canadenses (acha que a moça chamava Hanna), um outro canadense chamado Greg, duas amigas francesas, uma americana chamada Shirley e uma holandesa. Pensei que os procedimentos de imigração haviam acabado, mas estava totalmente enganado. Ficamos esperando em pé ou sentados no chão numa fila para passar por alguns funcionários, que iriam verificar os papéis e provavelmente nos autorizar a entrada. Demorou bastante e o atendimento de alguns não era muito cortês. Numa situação, um deles esmurrou a mesa e gritou com uma turista (acho que europeia) perguntando porque não tinha um determinado papel. Ela respondeu que um funcionário anterior havia provavelmente pego por engano, localizaram o papel e tudo prosseguiu bem. Vi alguns soldados baterem nas costas com uma vara (e acho que era batida de fato, não era brincadeira cordial) em prováveis nepaleses que estavam atravessando a fronteira de volta carregando madeiras ou algo semelhante nas costas, provavelmente por terem descumprido alguma norma, como horário etc. Bateram neles na frente de todos, sem o mínimo constrangimento. Após o demorado procedimento e passar por todos os funcionários, fomos liberados. O guia encaminhou-nos para o hotel. Estávamos em Zhangmu, a cerca de 2.300 metros de altitude. Fomos separados em 2 ou mais quartos, sendo que um tinha vários homens e outro várias mulheres. No nosso quarto havia inúmeros insetos do lado de dentro tentando sair e estava um pouco quente. Mas quando entrei 2 alemães que já estavam lá alertaram-me que não poderíamos abrir a janela, apontando para a quantidade muito maior de insetos do lado de fora, tentando entrar 🦟. Jantei e dormi, morto de sono 😴.
      Na 2.a feira 29/09 tomamos café e partimos para Xigatse. Achei a subida deste dia espetacular , com sua vista das montanhas do Himalaia, várias cachoeiras de degelo, a paisagem dos vales profundos ao longe etc. No meio do caminho houve um deslizamento de terra e a estrada estava interrompida. Tivemos que parar e esperar por algumas horas. Aproveitei para dar uma volta na área. Quando conseguimos prosseguir estávamos bastante atrasados. Passamos por um ponto que permitia ver o Everest, mas o tempo estava encoberto e não pudemos vê-lo. Devido ao horário tivemos que ficar num pequeno povoado chamado Tingri, perto do campo base do Everest. O hotel talvez estivesse em construção, pois não tinha energia elétrica nem água potável. E não tinha quartos cobertos para todos. Os alemães se dispuseram a dormir nos quartos em construção, pois tinham sacos de dormir e disseram que gostavam de acampar. Disseram não falar bem inglês por serem da parte Oriental. Pelo menos jantar tinha. Pedi comida sem carne (sou vegetariano), mas não me entenderam e comi o que veio, que foi sopa com carne. Conheci um casal de brasileiros (acho que eram Marcelo e sua namorada, que acho que se chamava Vanessa). Ele me reconheceu como brasileiro pelo sotaque e pela camisa do Santos que viu quando tirei o agasalho. Falou que tinham feito uma extensão extraoficial para o campo base do Everest, de que tinham gostado, mas que tinha deixado Vanessa indisposta pela altitude (ele ou ela tinham posto o pé num curso de água gelado). Tinha havido algum atrito com um outro turista alemão que estava no mesmo Land Rover, pois aparentemente aquela extensão não era totalmente legal, mas o voto dos 2 e de mais um guatemalteco venceu a disputa para irem. Antes de dormir fui ao banheiro, que era uma casa de madeira fora da construção principal, com uma fossa. Não tinha luz e eu não tinha lanterna. Foi um pouco problemático, mas consegui fazer xixi. Eu segui as recomendações preciosas da médica do aeroporto e senti muito pouco impacto com a altitude, mas percebi que vários outros, incluindo Greg, sofreram bastante 😒. O rapaz canadense passou mal e Hanna parecia aflita procurando pelo guia. Fui tentar ajudá-la a encontrá-lo e conseguimos. No dia seguinte ele parecia bem melhor. Havíamos cruzado uma passagem de montanha de cerca de 5.250 metros e estávamos dormindo a cerca de 4.400 metros.
      Devido ao atraso, chegaram a considerar a hipótese de viajar à noite, mas foi logo descartada pelos riscos. Marcelo comentou comigo também que estava achando aquela paisagem a mais bonita que já tinha visto e que não desejava viajar à noite e perdê-la.
      Na 3.a feira 29/09, com várias pessoas tendo passado dificuldades durante a noite, mas já bem melhores, partimos rumo a Xigatse. Hanna parecia agradecida por tê-la ajudado a encontrar o guia na noite anterior. Ela passava boa parte dos deslocamentos lendo um livro. Posteriormente o rapaz canadense agradeceu muito ao guia por tê-lo ajudado. Passamos por alguns templos, visitamos seu interior, visitamos vilas, pontos típicos, houve até uma praça em que estavam tocando “Lambada”, que me lembrou do Brasil, depois de quase 1 mês distante. Cantei alegremente, embora não fosse meu gênero preferido. Eu continuava deslumbrado pela paisagem, embora agora houvesse mais trechos urbanos. No fim da tarde chegamos a Xigatse. Porém o hotel parecia não ter energia elétrica. Eu e Shirley ficamos conversando com o motorista enquanto esperávamos a definição do hotel, perguntando sobre como se dizia algumas expressões em tibetano. Acho que conseguiram trocar de hotel e tudo ficou bem. Dividi o quarto com um israelense que tinha conhecido no primeiro dia da excursão. Ele estava indo num Land Rover, com um casal de sulafricanos. Um casal de ingleses que tinha ficado muito irritado com as condições de habitação do dia anterior, ficou satisfeito com o novo hotel. Acho que os agentes de turismo não tinham muito controle da situação e não sabiam quem tinha pago por que tipo de hospedagem e serviços. Saí para dar uma volta e quase fui atropelado por uma bicicleta . A ciclovia era enorme e bem larga e havia nas 2 laterais da pista de carros. Eu achei que elas eram mão única e seguiam o sentido dos carros, mas estava enganado e elas eram mão dupla. Não vi que vinha vindo uma bicicleta e o condutor desviou bem em cima de mim 🚲. Depois acho que me xingou em chinês, mesmo comigo pedindo desculpas várias vezes. Fui jantar com o israelense e tivemos alguma dificuldade para pedir, pois as atendentes falavam pouco inglês e os cardápios não tinham descrições detalhadas em inglês. Mas conseguimos comer dumplings momos (bolos de massa recheados). Na volta, quando comentávamos sobre a melhor organização da China em relação ao Nepal e a não existência de pedintes, apareceram várias garotas dizendo repetidamente “I love you” e rimos da ironia do que tínhamos acabado de dizer. Ele me contou dos seus planos de viajar pela China, mas com um guia, pois seria mais confortável, visto a experiência de dificuldade de comunicação que tínhamos acabado de ter no restaurante. Falou-me também de achar as viagens pela Europa interessantes, porém caras.
      Na 4.a feira 01/10 partimos para Gyantse. O motorista, que havíamos visto entrar num hospital, pediu-me comida antes da partida. Eu não tinha nada no momento, mas perguntei aos outros e conseguimos vários biscoitos e outros itens para ele. Não sei se ele gostou, pois acho que não estava acostumado àquele tipo de comida ocidental. Achei estranho, pois imaginei que suas refeições fossem pagas pelos agentes de turismo da excursão. Seguimos e passamos por templos e locais típicos. Eu continuava apreciando muito a paisagem. Chegamos no fim do dia em Lhasa. Lá todos se reencontraram. Foi uma festa. Cada qual seguiu para um hotel. Eu procurei por um barato e paguei cerca de 25 yuans (acho que eram uns US$ 3.00). Reencontrei o judeu com que havia procurado por excursões em Katmandu. Ele acabou ficando em um hotel com o outro judeu que eu havia conhecido na viagem. Marcelo e Vanessa ficaram no mesmo hotel que eu, só que em quarto privativo, enquanto eu fiquei em quarto compartilhado. O casal de canadenses ficou assustado com a possibilidade dos hotéis estarem cheios e rapidamente encontraram um hotel para ficar. Shirley pediu par tirarmos uma foto do grupo. Despedi-me deles e fui para o hotel. Excetuando Marcelo e Vanessa, não voltei a ver os outros mais ao longo da viagem. Ao longo da estadia pessoas de várias nacionalidades compartilharam o quarto comigo, incluindo uma francesa, uma ou mais japonesas e outros europeus.
      Numa ocasião, logo nos primeiros quilômetros em território chinês, um funcionário do governo estava colocando uma espécie de leitor de código de barras na testa das pessoas que passavam, imagino que para medir a temperatura, pois pouco tempo antes havia ocorrido a crise de SARS (Síndrome Respiratória Aguda Grave). Ele apontou para o meu boné, eu não entendi bem, ele deu um tapa no boné, mediu e me mandou seguir rispidamente. Eu fui pegar o boné que tinha caído.
      Num dos dias, durante uma parada saí para comprar pães e vi algo parecido com queijo sendo vendido. Perguntei para a vendedora, que parecia ser chinesa, se era queijo (cheese), mas acho que ela não entendeu, pensou que eu estava rindo e repetiu a palavra cheese. Falei várias vezes e ela repetiu. Resolvi comprar para misturar com o pão. Quando dei uma mordida para experimentar o suposto queijo descobri que era manteiga. Acabei dando para uma pessoa, pois se comece toda aquela manteiga provavelmente teria problemas intestinais.
      Passamos pelo Monte Kailash (https://pt.wikipedia.org/wiki/Monte_Kailash - uma montanha que ficava sempre coberta de gelo – não sei agora com o aquecimento global como está). Paramos e Shirley pediu-me para ficar junto a um iaque para tirar fotos, mas apareceu um menino e pediu dinheiro para ela fotografar e então ela desistiu.
      Houve muitas paisagens de montanhas, cruzamos com um grande rio perto de sua nascente (já estava bem largo), acho que era o Rio Brahmaputra. Passamos também por muitas áreas com as bandeiras típicas do Tibet e os totens xamânicos feitos de pedras empilhadas. Houve alguns trechos em que havia camponeses e iaques, mas o número de pessoas fora dos núcleos urbanos era muito pequeno. Houve pontos de passagens bem altos, com belas vistas. Passamos também pelo grande lago Yamdrok, cuja vista foi espetacular .
      Conversando com Shirley durante a viagem descobri que ela estava se formando em engenharia de computação, mesma formação minha 10 anos antes, e conversamos sobre o assunto e plataformas usadas no trabalho. Ela disse que desejava entrar para a Marinha. Eu perguntei se não achava perigoso, se não teria melhores oportunidades na iniciativa privada (se bem me lembro ela era da Califórnia, perto do Vale do Silício). Mas ela estava decidida. As francesas conheciam bem a América do Sul, falaram sobre a semelhança de alguns locais com Cochabamba e se dispuseram a me ajudar a aprender francês. Caçoaram de mim porque eu sempre conseguia achar lugares onde se vendia pães frescos. A holandesa teve algum tipo de desarranjo intestinal e precisou pedir para o ônibus parar várias vezes para ir ao banheiro. Sempre pedia desculpas e algumas vezes criticava a sujeira dos banheiros.
      Conversando com o casal de sulafricanos sobre os problemas das caminhadas referentes à guerrilha, disseram-me que haviam pedido dinheiro a eles para que pudessem prosseguir em uma caminhada que tinham feito nas montanhas. O homem disse-me rindo que não sabia se eles poderiam matar quem não desse dinheiro, pois ele havia pago. A mulher disse que basicamente era uma extorsão.
      Depois que entendi que o guia não sabia exatamente quem tinha pago o que, como eu me lembrava de ter comprado o pacote mais barato, sem guia, passei a não acompanhá-lo mais nas explicações e fazer as visitas por conta própria. O israelense até comentou comigo numa das ocasiões que eu estava circundando um monumento no sentido errado, e que isso não era educado.
      Marcelo contou-me que perto da chegada à Lhasa, as pessoas do Land Rover em que estavam desentenderam-se. Disse que o alemão o havia ofendido. Disse que ele era radical e que o guatemalteco era folgado e isso tornava a situação difícil. Ele e Vanessa tinham levado um filtro para a viagem o que os fez economizar bastante dinheiro com água.
      Para as atrações do Tibet e Lhasa veja https://www.tibettravel.org/top-attractions/, https://www.greattibettour.com/tibet-attractions, https://www.tibetdiscovery.com/lhasa-travel/things-to-do-in-lhasa/ e https://www.lonelyplanet.com/china/lhasa/attractions/a/poi-sig/356124. Os itens de que mais gostei foram os mosteiros não turísticos, a arte religiosa, os locais originais da cidade e a Natureza .
      Na 5.a feira 02/10 comecei a explorar Lhasa. Tinha acabado a vinculação à excursão exigida pelo governo chinês e eu estava livre para conhecer a área. Pontos fora da área de Lhasa precisavam de autorizações especiais do governo e excursões específicas com guias credenciados pelo governo. Fiquei hospedado lá até aproximadamente dia 13/10. Inicialmente fui aos guias de turismo (um chinês e um tibetano) que trabalhavam no hotel perguntar por sugestões de pontos a conhecer. Deram-me várias, indicando quais eram livres e quais precisavam de motoristas, guias e excursões. Alertaram-me que se fosse pego pelo exército em áreas não permitidas teria grandes problemas. O guia chinês até me disse que se realmente quisesse ir numa área não permitida era só pagar uma determinada quantia, algo que o tibetano imediatamente desaconselhou e disse que não era possível. Como eu não suborno ninguém, nem considerei esta proposta.
      Fui ao Palácio de Potala (100 yuans, aproximadamente US$ 12.50 de entrada), ao Templo Jokhang, ao Museu Tibetano, a vários outros templos e áreas naturais da cidade. Depois e paralelamente também, fui a templos e locais próximos, como Tsurpu, o Mosteiro de Tar e vários outros mosteiros. Tentei ir a um lago com um casal de europeus, mas não deu certo. Achei vários dos mosteiros indicados muito orientados ao turismo e, por isso, tentei conhecer outros não tão famosos, porém mais autênticos no tocante à vida espiritual. Na maioria destes fui junto com peregrinos.
      No dia em que fui ao Mosteiro de Tar em Dolma Lhakang, pedi informações para vários chineses e não consegui. Um tibetano ouviu-me e disse que sabia onde era e poderia dar-me uma carona até lá. E realmente, deixou-me na porta. Não sei se ele estava indo até lá ou fez aquilo por cortesia. Passei o dia inteiro lá cantando mantras. Fui muito bem recebido pelos monges. Acostumado ao ambiente mercantil dos mosteiros turísticos, gostei muito da diferença. Ajudaram-me na pronúncia dos mantras. Recusei educadamente a refeição e os adornos que me ofereceram, agradeci por toda a hospitalidade. Quando já havia atravessado a rodovia para tentar pedir carona, um monge mais jovem perguntou-me se não daria dinheiro. Achei que destoou de todo o ambiente, mas resolvi ignorar. Depois de tentar algum tempo, um caminhoneiro parou e me ofereceu carona. Fui na cabine com ele e seu ajudante. No meio do caminho furou um pneu, mas ele não quis que eu ajudasse na troca. No fim, ofereci-lhe pagar pela carona, mais de uma vez, mas ele não quis de jeito nenhum, repetindo na última oferta, já com a voz um pouco mais alta “No money”.
      Perto do fim da minha estadia, conversando com uma alemã que havia conhecido dias antes, sabendo que ela poderia ir ao Mosteiro de Tar, pedi que ela fizesse uma doação, pois havia gostado muito da espontaneidade espiritual de lá. Ela pegou o dinheiro, mas devolveu-me um ou mais dias depois por ter decidido não ir.
      Em alguns deslocamentos para mosteiros ou atrações passamos por subidas e descidas íngremes na beira de precipícios em ônibus algumas vezes superlotados. Lembro-me de um em que o ônibus estava lotado e eu fiquei ao lado (quase em cima) do câmbio. Havia uma mulher com um nenê de colo perto. Achei a situação bem delicada 😟. Mas chegamos lá embaixo de volta sem problemas. Abstraindo-se a preocupação, a paisagem pareceu-me espetacular .
      As visitas quando eram com peregrinos precisavam acompanhar o ritmo deles. Eu geralmente gosto de ficar lendo e observando tudo, mas os peregrinos geralmente iam fazer oferendas num altar e depois seguiam para outros. Perdi a visita a um templo numa das primeiras vezes, mas depois adaptei-me ao ritmo. Muitas vezes os guias dos mosteiros não pareciam muito corteses, talvez por não estarem acostumados a estrangeiros na visita ou não gostarem da ideia de visita de pessoas que não fossem peregrinas associadas à religião. Num mosteiro de monjas lembro-me de ter conversado com uma delas, que me ofereceu uma laranja, dizendo que aquele dia era feriado (ou domingo)
      Achei as paisagens espetaculares nos vários deslocamentos de ônibus e mesmo quando andei a pé por Lhasa. As montanhas nevadas, os vales e as vistas encantaram-me .
      Achei um pouco frio, principalmente à noite, de manhã e nos lugares mais altos, onde às vezes chegávamos cedo. Mas geralmente à tarde, quando abria o sol, a temperatura ficava bem mais razoável (em torno de 20 C).
      Na visita ao Templo Jokhang, uma oriental (acho que era coreana) fez um gesto que me pareceu querer espaço livre para tirar a foto de um dos monges. Mas quando eu saí de cena, ela pediu para eu voltar, pois queria tirar a foto de um ocidental também. Talvez nunca tivesse visto um 😀.
      Numa das noites Marcelo foi conhecer o quarto compartilhado em que eu estava (acho que ele não estava acostumado a hostels) e achou interessante. Falou-me num dos dias que ele e Vanessa tinham ido ao Mosteiro de Samye sem ser numa excursão e que na volta ninguém lhes dava transporte. Passaram ônibus que não os aceitaram. Ele ficou apreensivo com a situação. Aí apareceu uma excursão de europeus (acho que eram alemães) e eles conseguiram integrar-se a ela para voltar. Ele me alertou para o caso de eu ir visitar Samye. Falou-me também que tinham pedido para tirar uma foto dele e, quando comentei sobre o ocorrido com a coreana comigo, ele comentou “Será que somos tão feios assim?!”.
      Muitas vezes o preço das passagens de ônibus não era claro (uma chinesa ou oriental comentou isso comigo), ainda mais para mim que não entendia a língua. Creio que paguei a mais numa das vezes. Neste dia, enquanto esperava a partida do ônibus, reencontrei uma mocinha francesa que havia conhecido no hostel. Ela ficou surpresa por eu estar pegando o mesmo ônibus que ela. Mas quando chegamos ela foi com seu grupo fazer uma caminhada pelas montanhas e eu fui visitar os mosteiros e locais de peregrinação.
      Eu tive vários problemas de comunicação. Numa das primeiras noites, entrei num restaurante chinês, fui até uma samambaia e peguei em uma de suas folhas para explicar que não comia carne. Pelo menos desta vez entenderam e me trouxeram macarrão com legumes. Porém trouxeram palitos, que eu não sei usar. Não tinham garfo e faca e me trouxeram uma colher. Depois de muito tentar eu usei a colher como um bastão e enrolei o macarrão nela. Quando levantei a cabeça para levá-lo a boca, percebi que havia várias pessoas ao meu redor, rindo da minha falta de habilidade com o assunto 😀.
      Num fim de tarde em Lhasa, quando eu procurava por algo para jantar, houve um mal-entendido com uma ambulante vendedora de comida. Eu perguntei se ela tinha pizza e ela não sabia o que era pizza. Pensei que pizza fosse um nome universal. Tentei explicar fazendo gestos, mas ela não entendeu. Aí procurei ser mais enfático e fazer um círculo pequeno com as mãos no formato de uma pizza. Eu acho que ela entendeu que eu estava interessado em alguma experiência sexual. Pegou a espumadeira ou algo semelhante que estava usando para cozinhar e fez gestos ríspidos para mim, falando palavras em voz alta. Eu me retirei e fui comprar outra coisa 😀.
      Numa visita a um mosteiro, os monges estavam meditando e eu estava de tênis. Para participar da meditação precisei tirar o tênis, mas depois de andar por vários dias em locais com terra e neve, acho que estava com enorme chulé . Um dos monges fez um gesto com a mão no nariz, típico de mau cheiro. Eu me retirei meio constrangido e recoloquei o tênis 😳.
      Os viajantes e comerciantes chineses pareceram-me muito gentis, diferentes do exército. Alguns turistas sabiam falar inglês e tinham curiosidade sobre o Ocidente. Porém não conheciam atrações religiosas nem históricas do Tibet.
      Numa ocasião eu não pude conhecer uma determinada atração (acho que era um templo ou mosteiro) devido ao horário. Voltei no outro dia e falei com o atendente, que depois de me perguntar se eu estava falando a verdade, ainda que meio desconfiado, permitiu-me entrar sem pagar novamente.
      Eu paguei por uma pequena extensão de 3 ou 5 dias para poder ficar um pouco mais, pois o Tibet era meu principal destino nesta viagem. Mas acabei não aproveitando muito devido às dificuldades de conseguir transporte de volta. Acho que foi devido a isto que fui ao banco fazer um pagamento de taxa e o atendente chinês caçoou da minha foto risonha no passaporte.
      O ônibus da agência de turismo que nos havia trazido estava previsto para sair dia 3 e acho que havia outro no dia 10 (não me lembro exatamente, acho que os ônibus saíam às 6.as feiras). Porém eu queria ver mais atrações e não quis pegá-lo. Com isso precisei procurar um outro transporte, o que não foi nada fácil.
      Como não havia ônibus disponíveis, tentei pegar carona com caminhoneiros provavelmente no domingo 12/10. Fiquei mais de 1 hora tentando, mas nenhum aceitou. Eu não sabia que era proibido levar estrangeiros. Alguns guias haviam dito que era possível. Tentei então falar com pessoas com Land Rover, mas não obtive sucesso.
      Procurei por vários agentes de turismo para ver se havia algum transporte saindo naqueles dias. Num hotel uma recepcionista indicou-me para um que disse saber de transporte para voltar, ligou para ele e me colocou na linha. Ele disse que seria possível eu ir. Eu não entendia direito o que ele falava, as informações pareciam desconexas e eu me irritei e até elevei um pouco a voz. Ele disse que viria falar comigo e em poucos instantes chegou. Aparentava estar alcoolizado. Começou a me explicar sobre a viagem e a certa altura explicou que seria à noite. Achei muito estranho e perguntei porque. Aí ele disse que era porque era ilegal e teríamos que sair do veículo perto dos pontos de checagem do exército, ir pela montanha até o outro lado e depois voltar ao veículo. Aí eu entendi o que ele estava propondo. Disse-lhe então que não tinha nenhum interesse. Antes de ir embora fui pedir desculpas para recepcionista do hotel por ter elevado a voz na recepção do hotel.
      Descobri então que precisava de uma permissão de viagem para poder fazer aquele trajeto. Agora entendi porque os caminhoneiros não tinham parado nem os veículos Land Rover aceitavam-me como passageiro. No dia seguinte fui até o escritório do governo obter a permissão de viagem, através do pagamento de uma taxa. E quem era o sub-encarregado que chegou durante a emissão da permissão de viagem? O mesmo agente que no dia anterior havia proposto para mim a viagem ilegal. Aí eu entendi como ele sabia todos os procedimentos para escapar dos pontos de controle ao longo do trajeto. Ele ainda riu e me cumprimentou. Eu lembrei da corrupção existente no Brasil ☹️.
      De posse da permissão de viagem, acho que na 2.a feira 13/10 fui até a rodoviária ver se encontrava algum transporte e havia uma van 🚐 que me indicaram. Mas na frente da van só havia letreiro em chinês. Eu estava sem caneta nem papel. Fui até o painel central da rodoviária e decorei cada caractere escrito e fui confirmar no letreiro da van. Fui do painel da rodoviária até a plataforma de embarque da van tantas vezes quanto o número de caracteres da palavra, uma ida para cada caractere, de modo a não ocorrer nenhum erro. Ainda fui mais algumas para confirmar e garantir. Com grande dificuldade, consegui comunicar-me com o motorista chinês e entender destino, preço, horário e condições de viagem. Ele chegou a tirar minha mala da van por achar que eu estava pedindo algo incompatível com a viagem. Fomos apertados por boa parte da viagem, até algumas pessoas desembarcarem. Devido aos mal-entendidos de comunicação o motorista e sua mulher estavam irritados comigo no início, mas ao longo da viagem, depois que ofereci biscoitos a todos e convivemos um pouco, a irritação passou. Consegui ver o Everest 🏔️, pois desta vez o céu estava limpo. Eles não pararam, pois a viagem não era turística, mas deu para ter uma boa ideia da montanha, embora meio apertado e sem jeito na van. Em um posto de controle, um guarda parou o carro, fez um monte de perguntas a todos, olhou suas bagagens e quando chegou a minha vez e lhe perguntei mansamente em inglês em que poderia ajudá-lo, ele se assustou por eu ser estrangeiro e não me revistou. Os outros pareceram falar rindo que o melhor seria dar para mim suas bagagens, pois os guardas tinham receio de fazer qualquer procedimento. Já perto do anoitecer furou um pneu e o motorista trocou. Até me ofereci para ajudar, mas ele não quis. A parte final do percurso foi à noite, justamente a descida mais íngreme, o que me pareceu um pouco assustador em meio àqueles precipícios. Deixaram-me em hotel de uma conhecida ou parente, que custava 100 yuans. Ela fez o sinal de 1 e eu pensei que fosse 1 yuan, mas estava enganado. Mesmo com ela aceitando negociar, fui procurar outro e acho que paguei 25 yuans. Um guarda pediu-me a permissão de viagem no fim do trajeto. Foi a única vez que foi pedido. Dormi em Zhangmu.
      Acho que na 3.a feira 14/10, fora do prazo do visto inicial, mas dentro da extensão que havia conseguido, fiz a viagem de volta para o Nepal. Saí de manhã e fui a pé. Os taxistas passavam por mim caçoando por eu estar indo a pé. No meio do trajeto parei para descansar um pouco e admirar a paisagem e esqueci o boné. Depois de já ter andando bastante (cerca de meia hora) sentia a falta do boné e voltei para pegar. Cheguei em Kodari, no Nepal, perto do meio dia (agora o fuso horário estava a meu favor). Peguei um ônibus que acho que iria até um ponto intermediário para pegar outro ônibus para Katmandu. Estava havendo uma discussão entre os passageiros e os donos do ônibus sobre o preço da passagem. Fiquei feliz que riram e pareceram entender-se e perguntei a um dos passageiros a meu lado o que tinha ocorrido. Aí ele me explicou que haviam concordado no preço da passagem e que de mim (o estrangeiro) seria cobrado bem mais 😠. Não gostei muito da ideia, levantei-me e disse que pegaria outro ônibus para outro lugar. Num primeiro momento não concordaram em que eu pagasse o mesmo dos outros, mas quando levantei em direção à porta mudaram de ideia e paguei o preço regular da passagem. Viajamos a tarde toda. Furou o pneu uma ou mais vezes (acho que foram 3 vezes, uma vez cada pneu). Cheguei em Katmandu à noite.
      Na 4.a feira 15/10 acho que fui para Janakpur. Havia deslizamento de terra e ficamos parados por muito tempo. Num dos locais de parada, quando desci, o motorista do ônibus pediu-me para voltar para o ônibus e partimos. Pareceu estar com medo de um estrangeiro chamar a atenção de pessoas que faziam parte da disputa política. Lembrei-me da frase do indiano, quando conversávamos sobre a situação política, dizendo para eu não ir ao Terai, e do agente de turismo dizendo para eu não ir à região de Lumbini. Mas eu queria conhecer Lumbini, cidade natal de Sidarta (Buda) e resolvi arriscar. Acabei não conseguindo chegar ao destino, devido ao enorme atraso e precisei pernoitar numa cidade no meio do caminho. Conheci um oficial do exército israelense de férias, após terminar o serviço militar obrigatório. Acabamos dividindo o quarto para pagarmos menos. Eu ainda fui tentar sair para jantar, mas naquela área havia toque de recolher às 20h. Perguntei até a um soldado como faria para jantar se o toque de recolher era tão cedo e ele me disse, com um certo tom de deboche, mostrando-me um pacote de biscoitos, que eu poderia comer biscoitos. Voltei ao hotel e resolvi jantar lá mesmo. Depois fiquei conversando com o israelense. Ficamos olhando da sacada do quarto e ele comentou que estava ouvindo tiros ao longe, que eu não ouvi. Ele disse que talvez fosse só impressão, mas que ele conseguia distingui-los por estar acostumado. Disse que era estranha para ele aquela experiência, pois várias vezes já tinha tido que comandar toques de recolher e agora ele tinha que obedecer um. Eu nada disse, mas pensei “Está vendo como os palestinos sofrem!”. Eu me falou de uma caminhada que havia feito pelas montanhas, até o Lago Gosaikund. Ao perguntar sobre problemas com guerrilheiros, ele me disse que algumas pessoas disseram que eles cobrariam dinheiro em vários pontos, mas que não havia aparecido ninguém durante sua caminhada. Disse que a trilha era tão clara no chão que nem era necessário mapa. Eu achei muito interessante, e como ainda teria tempo, considerei a possibilidade de fazê-la. Ele me ofereceu o mapa, eu educadamente recusei, mas ele disse que não usaria mais e não haveria problema em me dar. Disse que havia sido muito bem tratado em vários locais por brasileiros e argentinos e esperava pela oportunidade de retribuir. No dia seguinte, quando acordei ele já tinha partido e tinha deixado o mapa para mim.
      Fui então para Janakpur. A cidade em si parecia tranquila, longe daquele clima tenso do trajeto e de Katmandu. Havia muitos templos e edificações religiosas. Gostei bastante de lá . Mostrava uma outra face do Nepal, hindu, simples, como um povoado interiorano. Numa tarde fiquei contemplando a paisagem sentado numa praça, após ter visitado vários locais.
      Para as atrações de Janakpur veja https://www.holidify.com/places/janakpur/sightseeing-and-things-to-do.html e https://www.lonelyplanet.com/nepal/the-terai-and-mahabharat-range/janakpur. Os itens de que mais gostei foram os templos, alguns integrados com atrativos naturais .
      Acho que foi no sábado 18/10 que fui para Lumbini. Viajei durante todo o dia e cheguei lá no fim da tarde. Desta vez o tempo gasto com deslizamentos foi um pouco menor e a viagem pode ser concluída no mesmo dia. Procurei um hotel para ficar e um dos recepcionistas de um deles foi muito afoito, querendo que eu ficasse a qualquer custo. Resolvi então ficar em outro. Saí para dar uma volta e quando voltei o recepcionista havia me mudado de quarto sem me consultar, pois tinha chegado uma família (acho que era de judeus) e ele cedeu meu quarto para eles. Apesar de não ter gostado de não ter sido consultado, eu aceitei sem problemas. Fiquei no mesmo quarto com o motorista da família. Ele era indiano e conversamos bastante sobre a Índia e a situação geopolítica na região.
      Para as atrações de Lumbini veja https://nepalecoadventure.com/lumbini-attractions-in-lubmini/, https://www.lonelyplanet.com/nepal/lumbini/attractions/a/poi-sig/357154 e https://www.welcomenepal.com/places-to-see/lumbini-nepal-birthplace-of-buddha.html. Os itens de que mais gostei foram os templos budistas reunidos, cada qual de uma origem ou linha .
      Havia uma espécie de parque onde cada linha do budismo tinha um templo. Achei maravilhosa a ideia. Foi bastante interessante notar como as imagens de Buda eram diferentes e parecidas com as características da população de onde era o templo. No templo chinês Buda parecia um chinês, no templo japonês Buda parecia um japonês, o mesmo no tailandês, no indiano, no tibetano e assim por diante. As pessoas projetavam-se fisicamente no seu líder (ou na sua divindade para alguns). Gostei também de conhecer o sítio histórico onde Sidarta nasceu e cresceu. Havia também um templo que achei maravilhoso, a World Peace Pagoda. O motorista da família pareceu ter ficado deslumbrado com este templo.
      No dia de vir embora, o recepcionista do hotel falou-me que eu tinha que pagar uma taxa adicional de serviço que ele não havia dito. Queixei-me por ele não ter falado no início, paguei e me arrependi de não ter ficado no outro hotel.
      Acho que na 3.a feira 21/10 peguei o ônibus de volta para Katmandu. Novamente a viagem foi longa e com várias checagens de segurança por parte do exército. Cheguei em Katmandu no fim do dia.
      Numa das viagens paramos num local na estrada para comer, eu pedi uma espécie de salgado bem pequeno, pois não me dava bem com toda aquelas especiarias e pimenta. O atendente vendo que eu era estrangeiro e querendo agradar-me colocou por conta própria um pouco de recheio apimentado. Eu sorri e agradeci. Numa outra ocasião um jovem soldado (quase um menino) que entrou no ônibus para fazer uma inspeção perguntou-me algo em nepalês. Eu respondi em inglês que não falava a língua dele, ele não entendeu, os outros passageiros explicaram e ele se foi. Em outro trecho veio um camponês bem simples a meu lado. Acabou dormindo no meu ombro. Numa das paradas bebeu a água oferecida no restaurante na própria jarra. Parecia não estar acostumado a áreas urbanas.
      Fiquei no mesmo hotel em Katmandu. Quiseram até me cobrar mais, mas quando disse que então daria uma volta para procurar por outras opções, voltaram ao preço anterior. Numa das minhas passagens por lá um menino que lá trabalhava perguntou se eu não queria que lavassem minhas roupas, pois estavam sujas. Como ainda tinha uma semana e meia antes da volta, decidi fazer a caminhada pelas montanhas. Pedi ao gerente ou dono que guardasse o dinheiro em espécie que tinha comigo, pois muitos haviam relatado que nas montanhas poderiam haver guerrilheiros que iriam pedir dinheiro. E como eu tinha errado na conta, estava com bem mais dinheiro do que precisava. Ele guardou US$ 800.00 em seu cofre, sem cobrar taxa nenhuma e me deu um recibo. Um dos atendentes ofereceu-me um gorro, pois achou que eu não estava adequadamente preparado para ir às montanhas.
      Para informações sobre a caminhada para o Lago Gosaikund veja https://en.wikipedia.org/wiki/Gosaikunda e https://www.nepalsanctuarytreks.com/gosaikunda-best-time-to-visit-cost-and-weather.
      Na 4.a feira 22/10 peguei um ônibus para perto do Parque Chisapani para começar a caminhada. Eu estava começando pelo lado contrário ao da maioria, mas optei por fazê-lo porque o ponto de início era bem mais próximo de Katmandu. Paguei a entrada e comecei a caminhada. Parei no povoado de Chisapani (acho que o nome era o mesmo do parque) antes do anoitecer. O mapa que o israelense havia me dado estava sendo bem útil. Lá conheci vários outros caminhantes, mas acho que todos pretendiam ir para outros destinos, a maioria para Langtang. Conversei bastante com um irlandês, que trabalhava nos Emirados Árabes. Falamos sobre a caminhada e temas gerais. Ao falar da minha preocupação com possíveis problemas com a guerrilha ele me disse para ter cuidado, posto que eu estava indo só e sem guia. Falou que não queria ver-me nos noticiários. Se bem me lembro foi aqui que conheci um grupo de alemães (acho que eram 2 mulheres e 2 homens, provavelmente 2 casais), que iriam fazer parte da caminhada comigo. Um dos alemães caçoou de mim ao longo da caminhada, dizendo que eu era um viajante profissional, pois minha mala era muito menor do que a deles e eu ia mais rápido. Falaram até em viajarmos juntos, mas eu lhes disse que nos encontraríamos ao longo do caminho. O dono do hotel em que eu tinha ficado falou que naquelas áreas era costume comer onde se dormia, mas eu acabei saindo para comer em outro restaurante. Acho que a altitude era por volta de 2.215 metros.
      Na 5.a feira 23/10 não sabia bem onde deveria planejar chegar. Logo na saída de Chisapani perguntei a alguns viajantes que chegavam e eles disseram que haviam dormido em Kutumsang, que era um povoado maoísta e que não tinham tido nenhum problema e ninguém lhes havia pedido dinheiro como pedágio. Encontrei alguns outros grupos com guias no princípio da caminhada. Um pouco a frente havia um homem, com cerca de 60 anos, e seu ajudante, bem mais jovem, ao lado de uma mesa, bem no meio do caminho. Ao me aproximar ele cordialmente falou para eu sentar. Se bem me lembro fiquei em pé e começamos a conversar. Ele tentava explicar quem era e eu, imaginando do que se tratava, tentava desconversar, até falando às vezes em português, que ele não entendia. Até que, percebendo que não sairíamos daquela situação e que era importante continuar a caminhada logo para não ter problemas com o anoitecer mais adiante, resolvi ir direto ao assunto. Perguntei então “Quanto?”. Aí ele abriu um largo sorriso e disse que semelhantemente ao que havia pago na entrada do parque para o governo, deveria pagar para eles a mesma tarifa. Eu disse para ele esperar e voltei para trás para reencontrar o grupo com os guias. Expliquei a eles o que havia ocorrido e eles se mostraram preocupados. Falei com um deles para conversar com o homem e explicar que eu era de um país pobre, não era americano nem europeu. O guia foi lá, eles conversaram, não sei se pagou algo a ele para seu grupo, mas o homem disse que eu podia passar sem nada pagar. Fiquei meio desconfiado, mas segui em frente.
      Comecei a subida de uma colina e lá no alto havia um homem de uns 30 anos, com traços orientais e com fisionomia séria e fechada. Achei que poderia estar associado aos que pediram dinheiro lá embaixo. Achei que não era uma boa ideia cruzar com ele olhando para o chão, pois era interessante saber se desejava algo. Quando se fecha o diálogo resta a violência. Ele me olhou sério, com a testa franzida, eu fiz um levíssimo aceno de cumprimento, quase imperceptível, e prossegui. Ele nada disse. Mais para frente reencontrei os alemães, que haviam saído antes. Perguntei-lhes se não haviam encontrado o homem na mesa e uma das mulheres me disse que havia visto um homem que havia lhe dito para sentar e ela o ignorou, pois não iria sentar com um desconhecido num lugar deserto 😀. Quando lhes disse que provavelmente era um representante da guerrilha, surpreendeu-se e ficou um pouco assustada. Um dos homens então me disse para viajarmos juntos, pois esta era uma razão ainda mais forte. Eu até que concordei, mas deixei-os fazendo sua refeição e prossegui só.
      Estava meio preocupado com o ocorrido e como à frente havia uma zona maoista, não sabia bem pelo que esperar. Não sabia o quanto o não pagamento poderia gerar de repercussões. Já depois do meio da tarde, perto de 16h30, avistei o povoado de Kutumsang e vi a bandeira maoísta tremulando 😱. Aquilo trouxe-me receio do que poderia vir. Havia também mensagens escritas em paredes dizendo “Abaixo ao exército real americano”, numa alusão ao possível apoio dos EUA ao rei do Nepal contra os maoístas. Cruzei boa parte do povoado e decidi tentar ficar ali mesmo. Procurei por uma hospedagem e um rapaz do povoado, provavelmente algum tipo de sentinela informal, ajudou-me. Levou-me a um tipo de hotel simples. Fiquei hospedado lá, sem ir procurar por outros para não gerar nenhum tipo de problema. Pedi para a dona cobertor e lençol e ela pareceu surpresa, esperando que eu tivesse comigo. Quando pedi ainda uma toalha ela falou irritada “Você não tem nada!?” 😀. Enquanto me organizava no quarto ouvi ao fundo o rapaz que me havia trazido àquele hotel conversando com alguém, talvez o responsável da guerrilha na área, sobre quem eram os hóspedes que haviam chegado, europeus, israelenses e quando o responsável perguntou quem era eu, ao me ver de costas de longe, sua voz ficou bem mais descontraída e ele disse “Ah, esse rapaz é do Brasil!”, num tom que me pareceu bem amistoso.
      A noite conheci pai e filho de Israel que estavam fazendo a caminhada. Logo de início perguntei ao filho de onde eles eram e ele pareceu desconfortável com isso, dizendo “Esta a primeira pergunta que você me faz?!”. Mas depois, conforme conversamos durante o jantar, o tom ficou amistoso e compartilhamos experiências da viagem. Falamos também sobre a situação de Israel e ele me desaconselhou viagens para lá naquele momento, falando também que o custo de vida estava muito caro. Falou que para ele era um feito ir com seu pai que já estava na casa de 50 anos para uma caminhada daquelas nas montanhas. Acho que a altitude era por volta de 2.470 metros.
      Na 6.a feira 24/10 de manhã fui em direção a Gopte. Inicialmente Procurei um local para tomar café da manhã. Vi um homem cozinhando batatas. Propus para ele comprar várias batatas e ele aceitou. Foram meu café da manhã e almoço. Não consegui nada para tomar por perto e resolvi seguir assim mesmo e tentar encontrar ao longo do caminho. Neste trecho a caminhada ficou mais íngreme. Cruzei com um casal que voltava do Langtang eu acho e me disseram que não havia maoístas por lá. Acho que foi neste trecho que vi um menino sentado no alto de uma colina enquanto eu comia pães de forma de um saco. Como é costume no Brasil, ofereci para ele e ele aceitou. Depois de lhe dar prossegui. Haviam algumas possibilidades de trilha e eu estava pegando uma que achei ser a certa. Mas o menino disse-me com gestos para não pegá-la e pegar outra. Acho que ele evitou que eu cometesse um erro. Provavelmente fez aquilo por ter simpatizado com meu gesto de lhe oferecer pão. Cruzei também com uma europeia ou americana com um guia e ela me disse para tomar cuidado, pois haviam visto vários guerrilheiros no meio de mata nas montanhas. Disse-me que nada havia pago mais talvez devesse ter pago. Num determinado ponto havia uma bifurcação possível, por uma floresta de bambus, onde o mapa dizia poderem existir tigres, ou por uma área em que seria mais provável a presença de guerrilheiros. Achei improvável a presença de tigres, ainda mais durante o dia. Acho que o mapa provavelmente se referia a uma época muito anterior ou a animais menores. Fui pela floresta, um pouco preocupado e prestando bastante atenção, mas não tive nenhum problema. Cheguei em Gopte no fim da tarde. Estava com a barriga começando a doer. Pela minha completa ignorância em ciências biológicas não fiz a associação clara da dor com a ausência de hidratação . Como não estava quente não sentia muita sede, mas certamente o rim e outros órgãos estavam reclamando da falta de água. Ali era bem mais alto e a vista dos locais mais baixos e das montanhas pareceu-me espetacular. Conheci um casal de turistas, um judeu e outros peregrinos. A dor piorou bastante 😒. A moça ofereceu-me comprimidos para desarranjo intestinal, mas eu lhe disse que era o oposto disso. Comecei a desconfiar que o problema era falta de água. Pedi uma sopa para o jantar e isso resolveu tudo. Em alguns instantes a dor diminuiu bastante. Aí, percebendo o que tinha ocorrido, resolvi tomar muito líquido. Foi ótimo para o problema, porém fez-me ter que acordar durante a noite para fazer xixi. Ao ver que tinha melhorado, o judeu falou-me que indisposições estomacais ou intestinais aconteciam em viagens o tempo todo. Acho que foi aqui ou em Kutumsang que conversando com um dos guias falei que não sabia se iria a Langtang ou ao Gosaikund. Ele me disse que se pretendia ir a Langtang deveria ter pego outro ramal da trilha bem antes, pois agora o caminho ficaria bem maior. Decidi definitivamente então ir ao Gosaikund. O hotel ficava no alto de uma colina e fui até a ponta observar o céu noturno e a vista. Achei muito belos, apesar da escuridão. Durante a noite, devido à enorme quantidade de líquido ingerido, precisei sair para ir ao banheiro. Mas estava tudo escuro, as luzes apagadas e eu não tinha lanterna. Não consegui achar o banheiro e fui até a ponta da colina, que era arredondada, e fiz xixi lá mesmo. Acho que foi um pouco arriscado, porque eu não enxergava nada e fui tateando o chão, para ver até onde poderia ir 😀. Mas como a colina era arredondada e não com queda abrupta, achei que o risco não era tão grande, apesar da altura. Consegui sem problemas e voltei a dormir. Acho que a altitude era por volta de 3.440 metros.
      No sábado 25/10 fui para o Lago Gosaikund. Inicialmente tomei café da manhã, agora bem mais atento à questão da água. Depois, conversando com o judeu, ele disse que apesar de ser sábado, talvez fizessem um pequeno deslocamento para outro povoado próximo. Ele havia me dito que não estava muito bem (não me lembro se era por causa da altitude ou algum problema devido à caminhada). Após andar um pouco arrotei, mais alto do que imaginava, devido ao monte de líquido que tinha tomado. Poucos minutos depois cruzei com a mulher do judeu e seu filho pequeno, que acho que estavam vindo encontrar o pai. Percebi sua fisionomia tensa, talvez por eu ser um desconhecido numa área deserta, talvez tivesse ouvido o arroto e pensado que eu poderia ser árabe e contra judeus. Vendo isso, para tranquilizá-la, cumprimentei-a falando “Shalom”. A fisionomia dela mudou completamente, ela sorriu levemente e pareceu ficar tranquila. Caminhei mais um pouco satisfeito pelo terreno ser quase todo plano, com poucas subidas e descidas. Uma das alças da minha mala havia quebrado e eu estava tendo que carregá-la nas mãos, em vez de pendurá-la nos ombros, o que tornava a situação um pouco desconfortável. Um pouco mais à frente vi uma subida, que não imaginava ser tão grande. Era a subida para a Passagem Laurebina. Acho que demorei de 2 a 3 horas nesta subida. A passagem no topo ficava a cerca de 4.610 metros. Aí eu entendi porque a ampla maioria fazia o caminho contrário, começando por Dhunche. Cruzei com amigos belgas descendo, que quiseram me animar e disseram que eu estava quase chegando e que poderia conseguir alguma forma de consertar a mala quando chegasse no hotel. O clima ia mudando conforme eu subia e o ventou ia ficando mais frio e mais forte. Começou uma leve neve 🌨️. Quando cheguei lá em cima estava totalmente sem forças 😫. Tanto foi assim que precisei sentar numa pedra para me recuperar. Fiquei uns 5 minutos sem conseguir ver nada. Depois percebi a paisagem magnífica (). Como a subida havia sido íngreme era possível apreciar uma ampla vista sem obstáculos das partes mais baixas. Do outro lado havia a vista das montanhas com mais de 5 ou 6 mil metros de altitude. Havia também a vista do lago principal e de pequenos lagos anexas. Fiquei ali cerca de meia hora deliciando-me com a paisagem . Se bem me lembro cheguei a meditar um pouco também. Depois segui para a sede do povoado, que não era longe. Apesar disso eu estava bem cansado e fui vagarosamente. Fiquei num hotel sem chuveiro quente (acho que só havia um com chuveiro quente naquela época). Não tomei banho nos dias em que lá fiquei. Procurei ficar num hotel não turístico, de habitantes locais ou tibetanos. Depois de me acomodar dei uma pequena volta nas proximidades. Achei linda a vista do lago e das montanhas. Pedi um cobertor adicional para a noite. No meu quarto havia 2 camas e entrava vento pelas frestas da parede. Acho que a altitude era por volta de 4.300 ou 4.400 metros.
      No domingo 26/10 fui explorar os arredores e apreciar a paisagem. Subi numa das montanhas laterais, a menor delas, que tinha vista para as montanhas de Langtang. Fiquei lá apreciando a paisagem e meditando. Inicialmente o tempo estava coberto, mas depois abriu em boa parte e foi possível admirar o esplendor das altas montanhas cobertas de neve. Achei a vista a partir dali maravilhosa . Fiquei lá mais de uma hora e depois desci e fui tentar subir a montanha do outro lado. Esta era bem maior e subi só até a metade, pois a partir dali pareceu-me que começava a ficar perigoso e exigir equipamentos, experiência e conhecimento, sendo que eu não tinha nenhum deles. A vista também agradou-me bastante. Fiquei lá algum tempo, mas menos do que na montanha anterior. Desci e já estávamos no meio da tarde. Fui então dar uma volta no lago. Até que me deu vontade de nadar, pois abriu um pouco de sol. Mas eu não tinha levado roupa de banho e a água estava com a temperatura muito baixa. Mais tarde o dono do hotel diria que eu poderia ter nadado nu, o que me fez rir. Já perto do fim da tarde voltei para o hotel. Haviam chegado 2 viajantes israelenses e 1 americana chamada Alisson com seu guia local. Um pouco mais tarde começou a nevar 🌨️. Os judeus mostraram-se entusiasmados, pois provavelmente não estavam acostumados à neve. Eu também achei a cena bela. A americana não deu muita importância, provavelmente via neve com frequência. A neve acentuou-se e cobriu parte da paisagem de branco. Eles começaram a jogar cartas e eu preferi ficar apreciando a paisagem e descansando. Conversamos sobre a viagem, jantamos e fomos dormir. Eu mudei de cama durante a noite, pois com o vento que entrava pelas frestas, mesmo com os cobertores e agasalhos, eu estava com frio .
      No meio da noite acho que o telhado não aguentou e caiu um pouco de neve e gelo na cama em que eu não estava e em que tinha dormido no dia anterior. No meio da noite eu precisei ir ao banheiro. Saí de pijama e com um agasalho para o peito. O banheiro era externo. Fui até ele, que era logo do lado do hotel, fiz xixi e apreciei a paisagem do lago, que tinha ficado ainda mais bela após a neve. Parte das pedras estavam cobertas de neve e o céu estava claro, fazendo uma cena que achei linda. O céu estralado também estava maravilhoso, talvez o mais espetacular que já tenha visto . Voltei rapidamente para o hotel, pois estava muito frio, talvez abaixo de zero. Porém o vento havia batido a porta e ela estava trancada. Acho que de algum modo, quando bateu girou o trinco. Eu estava preso do lado de fora. E o banheiro era num local de difícil acesso sem ser pelo hotel. Havia uma montanha atrás dele, o hotel na outra face, um precipício ao lado e o lago. Ou seja, a saída por qualquer opção não era simples. Resolvi tentar abrir a porta, mas não consegui. Admirei mais um pouco a linda paisagem e depois, já com bastante frio, resolvi bater na porta. Mas ninguém ouvia, provavelmente por causa do vento. Cheguei a pensar em tentar arrombar a porta ou escalar o telhado, mas aí pensei em chamar pela americana. Imaginava que estava dormindo no quarto em frente. Chamei-a pelo nome e ela estava acordada e me ouviu. Foi até a porta e perguntou “Fernando, o que você está fazendo aí?”. Eu respondi que tinha ido ao banheiro e perguntei se ela poderia abrir a porta. Ela pediu para eu esperar e foi chamar o seu guia. Enquanto isso eu aproveitei para apreciar mais um pouco a maravilhosa paisagem noturna e o lindo céu. Poucos instantes depois chegou o gia com uma lanterna e abriu a porta. Eu agradeci bastante e entrei. Ela ficou bestificada (e o guia também, mas um pouco menos) por eu estar de pijama, quase sem agasalho lá fora 😀. Fomos dormir.
      Na 2.a feira 27/10 quando eu acordei todos já estavam tomando café e já sabiam do ocorrido. Receberam-me rindo e o dono do hotel disse “Se você não tivesse sido escutado certamente teria arrombado a porta”. Eu disse que tinha ficado com medo de arrombar e depois ficar entrando vento e neve na casa. Eles riram um bocado e tomamos café. A dona riu pelo fato de eu ter oferecido o pagamento enquanto eles estavam com as mãos ocupadas fazendo o café pedido pelos outros. Durante a estadia o jovem dono disse-me que a situação era delicada. O exército vinha recrutar os moradores para fazer parte dele. Se a pessoa entrasse os maoístas a matavam. Se a pessoa se unisse aos maoístas o exército a matava. Então não havia saída. Pareceu-me uma triste realidade ☹️. Perguntou-me sobre procedimentos para conseguir viver no Brasil. Eu não sabia exatamente quais eram, mas lhe disse que achava que seria bem complicado para ele, pois era outra língua, outro alfabeto, outra cultura, outra religião da maioria da população e várias outras diferenças para a vida que ele estava acostumado a levar. Além do que estaria sem seus familiares e conhecidos e muito longe da sua terra natal. Achei a situação do país delicada, mas não me pareceu que naquele local ele estivesse em alto risco. Ele me falou também que achava que Buda era o Deus deles, mesmo após eu questionar se de fato era Deus ou um mestre.
      Após despedir-me de todos saí para descer. Antes apreciei a paisagem do local, principalmente do lago, que com a neve tinha ficado muito bela . Foi bem mais fácil descer do que subir 😀. As paisagens pareceram-me muito belas, embora devido à nevasca do dia anterior, os trechos mais altos estivessem nublados. O chão tinha ficado coberto de neve nos primeiros trechos. Não tive nenhum problema durante a descida e cheguei até Thulo Syabru, a cerca de 2.250 metros de altitude. Foi a parte mais íngreme. Achei que ainda dava para ir adiante e fui até Syapru Besi, a cerca de 1.460 metros de altitude. Já estava perto do fim da tarde e eu decidi ficar ali. Era um povoado bem maior do que os outros das montanhas. Havia muitas opções de hospedagem, eu fui a várias, mas acabei voltando a um dos primeiros (acho que foi o primeiro) em que havia passado. Era a casa de uma família. Todos pareciam muito simpáticos 👍. As crianças eram bem curiosas para conhecer um estrangeiro ocidental. Trataram-me muito bem. Ofereceram-me até um copo de leite ou semelhante no dia seguinte por cortesia, posto que eu não quis comprar o café da manhã, uma vez que em locais comerciais era mais barato. O clima estava muito menos frio.
      Na 3.a feira 28/09 fui andando até Dhunche e de lá peguei um ônibus para Katmandu. Na saída havia um posto de controle e tive que pagar pelo ingresso de visita, que ninguém tinha cobrado, que achei que não existia naquele sentido da caminhada e do qual imaginava ter escapado. Encontrei com vários franceses que estavam fazendo algum tipo de excursão ou trabalho voluntário. Uma das mulheres comentou comigo que seu marido cirurgião tinha ido fazer uma cirurgia num hospital local e tinha achado as condições deficientes. Ao longo do percurso de ônibus tivemos que parar várias vezes devido a checagens do exército. Os franceses pareciam bastante incomodados. Houve uma ocasião em que entrou um habitante local com uma galinha viva 🐔 e a colocou numa sacola na plataforma de bagagem acima das cabeças. Uma das francesas ficou bastante tocada com a situação, achando que a galinha estava morrendo e o nepalês pareceu não entender muito bem porque ela tinha ficado tocada. Chegamos em Katmandu já à noite. Alguns franceses que tinha conhecido antes conversaram comigo sobre a nevasca, a caminhada, despedimo-nos e voltei para o mesmo hotel. O dono devolveu-me a quantia que tinha guardado e eu devolvi o gorro ao atendente sem tê-lo usado.
      De 4.a feira 29/10 a 6.a feira 31/10 fui conhecer alguns projetos sociais em Katmandu e alguns pontos da cidade que não tinha visto. Fui conhecer projetos referentes a pessoas tentando livrar-se da dependência química, creches e educação de crianças e apoio a mulheres (https://www.etc-nepal.org). Neste último ofereceram-me uma refeição. Eu comi um pouco para não gerar aborrecimentos, apesar de ter carne (se bem me lembro era frango) e especiarias. Mas conhecendo ocidentais, eles me disseram para não comer se percebesse que meu organismo não assimilaria bem. Nestes dias aproveitei para jantar Dal Bhats, que estavam um pouco apimentados, e algumas comidas locais.
      Conheci uma inglesa que parecia muito ingênua. Tinha pago preços bem superiores por água mineral e estava prestes a contratar uma excursão também por preços mais altos. Porém percebi que ela não conseguia se virar sozinha com itens básicos. Então achei melhor deixá-la ser tutelada pelo pessoal do hotel, pois nas opções mais baratas a pessoa geralmente precisa fazer muitos procedimentos por conta própria, algo para que talvez ela não estivesse preparada. Aí provavelmente não valeria a pena a economia e faria com que a viagem dela não fosse agradável.
      No sábado 01/11 fui a Swayambhunath, que havia sido a stupa de que mais tinha gostado. Lembro-me de alemães indo visitá-la enquanto eu descansava no início da escadaria. Uma vendedora começou a acompanhar os alemães e um deles ficou para trás, deu dinheiro para ela e pediu cordialmente que os deixasse fazer a visita sem importunação. Meditei, apreciei a paisagem e me despedi de Katmandu.
      No domingo 02/11 saí no fim da manhã rumo ao aeroporto. Fui caminhando. Passei por um restaurante simples e comi momos, que estavam muito bons. Comprei também queijo de iaque, que achei maravilhoso 🧀. Cheguei ao aeroporto antes do horário e estava pronto para embarcar. Porém, parecia haver algum problema. Eu precisava sair na hora, pois tinha uma conexão em Nova Déli e outra em Mumbai. O avião deveria sair no fim da tarde e não tinha saído até o início da noite. Minha conexão provavelmente já estava perdida. Então fomos embarcados, porém somente jantamos e voltamos à sala de embarque. Foi bem confuso e houve bastante reclamação no aeroporto por parte dos passageiros. Por volta de 23h foi chamado novo embarque. Porém aí eu já havia perdido a conexão. Falei com o pessoal da Companhia Royal Nepal Airlines e me disseram que se não tinha um visto indiano era melhor não embarcar. Disseram que me dariam hospedagem e tentaríamos outro voo nos dias seguintes. Aceitei e fui para o Hotel Annapurna (https://annapurna-hotel.com) que indicaram. Eram um dos mais luxuosos de Katmandu, onde ficavam políticos. Fiquei até com medo de atentados, dada a situação política. Chegamos lá no começo da madrugada e fui dormir.
      Na semana de 03/11 a 08/11 fiquei tentando pegar um voo de volta. Inicialmente fui ao escritório da companhia aérea para tentar remarcar minha passagem. Disseram que estavam com problemas para fazê-lo, pois minha passagem não era remarcável, provavelmente devido ao baixo preço que havia pago. Fomos ao aeroporto em dois ou três dias durante a semana e ocorreu exatamente o mesmo problema, o avião atrasou e eu não fui. Um gerente disse-me que estavam com problemas no flap de um dos aviões, o que estava acarretando aquela situação. Precisei voltar ao escritório da Cia todas as vezes que perdi o voo. A atendente já parecia bem constrangida e nem sabia mais como me pedir desculpas. Havia também outros passageiros com o mesmo problema, mas acho que depois de algumas vezes eu passei a ser o mais antigo. Ficou clara para mim a precariedade da companhia, apesar da boa vontade das pessoas. Eu fiquei no hotel assistindo televisão, pois não podia me ausentar, posto que poderiam a qualquer momento pedir para eu ir ao aeroporto ou ao escritório. Tinha direito a todas as refeições gratuitamente. Apesar do clima já estar um pouco frio, lembro-me de ter nadado em pelo menos um dos dias. Quando sabia que num determinado horário não tinha possibilidade de voo às vezes saía um pouco para dar uma volta. Cometi o erro de deixar o queijo de iaque fora da geladeira, o que não o estragou, mas fez com que começasse a exalar um forte cheiro.
      No sábado 08/11 o gerente veio buscar-me para tentarmos novamente um lugar no avião, mas já me avisou que provavelmente teríamos o mesmo problema. Desta vez porém, quando chegamos ao aeroporto, descobri que existia um voo direto para Mumbai, que já deveria ter saído, mas estava atrasado. Isso me deu esperança, pois se me recordo meu voo de Mumbai para Joanesburgo saía por volta de 2 horas da manhã. Conversei com o gerente da Royal Nepal Airlines e ele me disse que precisaria ser verificada a questão financeira, pois um bilhete para Mumbai era mais caro do que para Nova Déli. Ponderei para ele o tempo que já estava esperando, as tentativas infrutíferas que tínhamos tido e o custo da hospedagem que estavam pagando para mim. Novamente houve grande confusão entre os passageiros devido ao atraso. Vários passageiros que já estavam esperando há dias para embarcar fizeram um bloqueio e impediram que houvesse outros embarques antes que o voo para Mumbai fosse autorizado. Chegaram a lutar fisicamente com os funcionários do aeroporto 👊. Eu estava na sala de espera da Cia e não vi, mas um outro turista estrangeiro que havia conhecido contou-me o ocorrido. Quando tudo parecia encaminhado para eu finalmente conseguir voltar para o Brasil, apareceu um russo e sugeriu que fosse invertida a ordem dos voos, indo o avião primeiro para Nova Déli, que era mais perto, e depois regressando e indo para Mumbai. Isso me faria perder a conexão em Mumbai. Porém havia tantas pessoas já esperando há horas no aeroporto e talvez dias na cidade, que a proposta não foi bem recebida pelos passageiros e a ordem dos voos foi mantida. Enquanto esperava na sala da Cia repentinamente desapareceram os funcionários. A seguir chegaram pessoas da segurança e da imprensa. Talvez tivesse havido alguma reclamação mais fundamentada e tivessem vindo para responsabilizar ou até prender algum responsável. Mas não acharam ninguém. Quando eu encontrava alguém mais exaltado no corredor sempre dizia “Eu sou passageiro”. Num dado momento tirei a carteira do bolso para mostrar ao gerente meu cartão de membro da Star Alliance, através da Varig, argumentando com isso que tinha direito a embarque prioritário nas companhias parceiras. Mas acho que da primeira vez ele achou que eu estava tentando suborná-lo e acenou negativamente com a cabeça, antes de eu mostrar o cartão. Mais adiante, depois que percebi a interpretação que ele tinha feito, tirei novamente a carteira do bolso, mostrei-lhe o cartão e expliquei sobre a Star Alliance e embarque em parceiras. Mas ele disse que naquelas circunstâncias não era válido, além do que eles não faziam parte da Star Alliance. Já perto das 8 horas da noite, quando eu já estava ficando preocupado e achando que não chegaria a tempo a Mumbai, chegou o seu auxiliar e me disse afoitamente “Ok, ok, cadê seu passaporte, sua bagagem, vamos embarcar”, como se eu já soubesse que tinham me autorizado a ir. Eu nem acreditei 😀. Será que desta vez conseguiria? Consegui. Embarquei no voo para Mumbai, o voo decolou por volta de 9 horas e chegou antes da meia noite. Realmente a Cia parecia precária. No pouso, pareceu que o comandante socou o avião no chão, tanto que um passageiro francês comentou sarcasticamente, quando ele ia falar aos passageiros pelo alto-falante após o pouso, “Antes de mais nada desculpe pelo pouso”. Mas o comandante não falou isso 😀. Quando disse em Mumbai que tinha vindo pela Royal Nepal Airlines, uma funcionária do aeroporto fez gesto de reprovação com a cabeça como quem diz “Sai dessa amigo!”. Esperei pela conexão, dei meu número de membro da Star Alliance para o atendente, que o marcou erradamente, tentei descansar um pouco e embarquei sem problemas pela South Africa Airways (SAS) para Joanesburgo.
      No domingo 09/11 pela manhã desembarquei em Joanesburgo. Tudo parecia resolvido e bastava esperar pelo embarque para São Paulo. Quando fui passar pelo balcão para fazer a conexão, o atendente me disse que havia sido feito uma atualização na passagem não permitida e eu teria que pagar aproximadamente US$ 720.00. Isso significava pagar quase a metade do valor da passagem por uma remarcação para um trecho de menos de ¼ (25%) da distância 💲. Eu achei inaceitável. Argumentei com o atendente que a responsabilidade pela remarcação não era minha, pois o avião não tinha decolado por várias vezes. Mas ele me disse que a SAS não era responsável por outras cias aéreas. Eu repliquei que tinha sido a SAS que tinha emitido o bilhete e portanto alguma responsabilidade ela tinha. Como a conversa estava se prolongando e esquentando, ele mudou totalmente de postura e disse que não queria me onerar e eu estava liberado da taxa. Eu agradeci, fui para o embarque e voltei para São Paulo. Após desembarcar decidi passar no controle de itens a declarar devido ao queijo de iaque que havia comprado. O atendente pediu para eu esperar e foi chamar o fiscal, que ao ver o queijo disse que eu não poderia entrar com ele, embora tenha permitido que eu comece um pouco ali. Talvez o cheiro que ele estava exalando tenha ajudado na decisão. Eu fiquei decepcionado e perguntei se iria ser jogado fora mesmo, pensando no desperdício ☹️, O fiscal perguntou se eu estava insinuando algo e me falou rispidamente que era melhor eu ir embora. Eu fui, mas o queijo foi apreendido por razões sanitárias (não era permitido entrar no Brasil com comidas não industrializadas).
    • Por maizanara
      Este post é um relato sobre o auge de nossa viagem pela Patagônia: o Parque Nacional Torres del Paine (TDP),  símbolo da beleza exuberante da Patagônia Chilena e o destino dos sonhos dos amantes da natureza de todo o mundo. Vamos contar como foram os 5 dias de trekking, o famoso Circuito W.
      Tem muitas outras informações no meu blog: www.mawaybr.com.br
      Tem um post com os custos desta viagem AQUI e outro sobre como fazer as reservas AQUI.
      Acompanhe nossas aventuras no Facebook ou Instagram
        Relato de Viagem">Relato do trekking realizado de 12 a 16 de Janeiro de 2017. Dia 1 - atento às regras
      Caminhamos desde o nosso hostel em Puerto Natales até a rodoviária. Compramos a passagem no próprio hostel. Existem várias empresas que fazem este percurso e não há diferença significativa no valor.
      A rodoviária fica lotada de trilheiros com suas mochilas enormes! Todos muito animados para a trilha de suas vidas. Durante o percurso até a entrada do parque é possível ver os guanacos pulando as cercas e a linda cadeia de montanhas ao fundo.
      Na Portería Laguna Amarga enfrentamos uma longa fila para preenchermos o termo de compromisso e pagarmos a taxa de entrada.
      É necessário assistir um pequeno vídeo com informações gerais e as regras do parque. Uma das mais importantes: não é permitido fazer fogo fora das áreas delimitadas(!!!). Entramos em outro ônibus (valor já incluso) que nos levou até a Portería Pudeto.
      CRIAMOS UMA COLEÇÃO DE CAMISETAS INSPIRADA NO CIRCUITO W, VEJA AQUI.

      Fomos os últimos a pegar o catamarã que cruzou o Lago Pehoe. A viagem não poderia iniciar de melhor maneira, à nossa direita, o imponente Los Cuernos! Compramos o bilhete do catamarã durante o trajeto.   Chegamos ao Refugio Paine Grande sem reservas e por sermos os últimos a chegar no camping, as meninas da recepção nos deixaram ficar. Muito obrigada, meninas! (AVISO: aconselho fortemente que você não faça isso!! )
      Armamos a barraca, deixamos nossas mochilas e fomos apenas com a mochila de ataque até o mirante Grey. Muito cuidado com as comidas deixadas nas barracas, a raposa-colorada (Lycalopex culpaeus) adora lanchinhos fora de hora. Infelizmente, o que mais me impressionou neste percurso não foi a linda paisagem ao meu redor, mas o resultado do maior incêndio florestal do Chile em 2012: 18 000 hectares  queimados. Uma tristeza  ver as marcas desta grande tragédia e por isso repito: siga as regras do parque, não faça fogo nem use seu fogareiro fora das áreas destinadas. Precisamos cuidar e respeitar a natureza. Aquele lugar é espetacular e todos têm o direito de visitá-lo e apreciá-lo. Depois de quase 3 horas de caminhada e muito vento no caminho, chegamos ao Mirador Grey. O tempo estava bem fechado. A geleira Grey se misturava com o céu e não dava para saber onde terminava a geleira e começava o céu. A geleira é um local impressionante! Dia 2 -  café com montanha
      Após uma noite de muito vento (dica: monte muito bem sua barraca!), tomamos café na cozinha do acampamento com uma vista incrível, arrumamos tudo e saímos.
      Logo no início da trilha, na Portería Lago Pehoe, o guarda-parque pediu para ver nossa reserva impressa do acampamentoItaliano, reservas confirmadas, pé na trilha! A cadeia de montanhas Los Cuernos estava bem escondida, mas conforme nos aproximávamos dela, mais ela aparecia, e uma caminhada de 2,5 horas, fizemos em incríveis 4,5 horas. Haja foto!
      A alegre chegada ao acampamento Italiano é anunciada pela ponte que temos que atravessar e deu um medinho! Como venta muito, ela parece bem instável. Fizemos o check-in no acampamento, conversamos com os guardas e fomos preparar nosso jantar.
      Decidimos não fazer nenhuma outra trilha neste dia pois a trilha para o Mirador Britanico fecha às 17h e a do Mirador Frances às 19h. E quando digo que a trilha fecha, ela fecha mesmo, pois um dos guardas percorre a trilha até o final para garantir que não há mais ninguém na trilha (todos os dias, imagina!).
      Dia 3 - doce ilusão
      O vento faz parte da Patagônia, aceite! Eu acordei assustada a noite, pois dormíamos debaixo da copa das árvores e o vento balançava seus galhos com força. E o medo daqueles galhos caírem sobre nós?
      Não, nenhum galho caiu, ufa! Deixamos nossos pertences no acampamento e seguimos em direção ao Mirador Britanico com nossas mochilas de ataque. Todo mundo larga suas mochilas no acampamento, isso é bem normal (também algo que tive que aceitar me acostumar). Quando chegamos ao Mirador Frances o tempo já estava muito fechado, andamos mais um pouco e decidimos voltar, afinal não conseguiríamos ver nada mesmo. Ficamos sentados um tempo esperando por uma avalanche no topo das montanhas, que também não aconteceu...
      Mesmo assim estávamos só felicidade, afinal estávamos a caminho do Refugio Los Cuernos, onde passaríamos a noite em uma linda cabana de madeira na beira do lago.   Sim, foi puro luxo! Não temos dinheiro para Não ligamos para luxo quando o assunto é hospedagem, mas há anos atrás vimos uma foto no Facebook de um casal em um ofurô com uma paisagem de tirar o fôlego ao fundo. Escrevemos para a pessoa que postou a tal foto perguntando onde era: Refugio Los Cuernos.
      Deste dia em diante, não tiramos mais aquela imagem da cabeça e estava decidido: iríamos naquele ofurô e ponto final. Não era nossa intenção ficar na cabana, mas no site estava bem claro: somente hóspedes das cabanas tinham acesso ao ofurô. Bem, com muita, mas muita dor, reservamos a tal cabana e sonhamos com este dia desde então. Parte deste valor eu havia ganho de presente de aniversário, muito obrigada Celzinha!
      Na trilha para o Refugio Los Cuernos, o sol finalmente resolveu aparecer de forma muito marcante, acentuando ainda mais a cor da lagoa. Para quem está fazendo o W invertido é descida na maior parte. Eu senti por quem estava subindo... Na minha opinião o trecho de trilha mais lindo! O vento intenso levantava a água da lagoa e até DOIS arcos-íris se formavam na nossa frente ao mesmo tempo, arrancando gargalhadas dos dois bobos incansáveis ao admirar tamanha beleza.
      Então, finalmente chegamos às cabanas e, ansiosos, vimos de longe o tal ofurô. Corremos para checar o tão sonhado ofurô de perto. Mas o que encontramos foi uma placa: MANUTENÇÃO!     CRIAMOS UMA COLEÇÃO DE CAMISETAS INSPIRADA NO CIRCUITO W, VEJA AQUI.   Mas que #@$%&! Ficamos muito putos, bravos, arrasados tristes com a notícia, afinal estávamos esperando há anos por aquele dia, mas não tinha nada que pudéssemos fazer. A cabana era linda, tinha uma lareira, toalha limpinha, cama fofinha e chuveiro gostoso!
      Fomos conhecer o refúgio, admirar o Los Cuernos e conversar com nossos amigos e quando retornamos encontramos uma garrafa de vinho chileno e alguns docinhos. A princípio, tive a certeza que havia sido o Antonio quem preparou aquela linda surpresa (tipo cena de filme mesmo! Imaginem que romântico: uma cabana de madeira, um vinho, lareira e aquela vista incrível). Ele perdeu a chance de ganhar muitos pontos (e na sequência perder muitos mais, é claro) ao não confirmar que havia sido ele - não foi, acreditamos que foi a forma do refúgio se desculpar por destruir nossos sonhospelo inconveniente. Após muitas risadas e desapontamento (nunca vou esquecer da cara do Antonio não conseguindo confirmar que havia sido ele o autor da ideia romântica) aproveitamos o delicioso vinho. Dia 4 - meu querido saco de dormir
      A noite na cabana não foi tão tranquila quanto imaginávamos, o vento era tão forte que parecia que a cabana se desmontaria. Não sobrou dinheiro para queríamos comprar a pensão completa no refúgio, fizemos nossa comida na mesma cozinha reservada para o pessoal do camping.
      Seguimos rumo ao acampamento El Chileno. Neste dia enfrentamos as 4 estações do ano, inclusive chuva. Existe um cruzamento, e você pode optar por ir para o Hotel Las Torres ou um atalho para o acampamento - é claro que optamos pelo atalho!
      No caminho vimos os bombeiros resgatando alguém em uma maca, ficamos muito assustados (depois ouvimos boatos de que a menina havia torcido o tornozelo - o que a impossibilitou de terminar a trilha, por isso todo cuidado é pouco).
      Chegando no refúgio, fizemos o check-in e fomos procurar uma plataforma para colocar nossa barraca. Dica: chegue o mais cedo que puder e coloque sua barraca, as plataformas estão colocadas num barranco, e se estiver chovendo (como estava) o chão molhado quase te impedirá de chegar em sua barraca sem cair alguns tombos.
      O jantar no refúgio foi extremamente agradável, nada de macarrão com vina, ou salsinha como vocês dizem. Entrada, prato principal e sobremesa, tudo com raio gourmetizador ativado! Não havia opção de reservar o local de camping sem todas as refeições inclusas (sim, eles são bem espertinhos).
      Ficamos na área de convivência do refúgio até tarde conversando, quando nossa amiga Tânia chega desesperada dizendo que estava entrando água dentro da barraca dela. Conseguimos alguns sacos de lixo e o Antonio foi ajudar o Beto com o "pequeno" problema. Logo em seguida entra outro trilheiro com seu saco de dormir completamente encharcado, eu entrei em desespero! Já imaginei meu saco de dormir molhado, seria o fim (que exagerada!). Pedi ao Antonio que conferisse se nossa barraca estava molhada, e para minha alegria, tudo estava completamente seco. Dia 5 - sonho realizado
      Antonio nunca havia visto neve e sempre falou que se fosse para ver neve, que fosse na montanha. Estávamos tomando café no refúgio quando vejo um ser saindo correndo gritando "Está nevando, está nevando". Parecia uma criança vendo neve pela primeira vez - e na montanha, como ele havia sonhado!
      Eu não fiquei assim tão feliz, afinal isso significava que o tempo estaria fechado nas Torres - e como eu queria ver aquelas meninas!  Tomamos um café super reforçado (incluído em nosso pacote) e seguimos a trilha até às Torres. Ao contrário dos outros dias, neste caminhamos muito rápido e os joelhos reclamaram um tanto (DICA: se puderem fazer a trilha no seu tempo, sem correr, é melhor. Fizemos isso todos os outros dias e não sentimos dor alguma).
      A trilha é pesadinha, mas isso não impede que jovens, crianças e idosos a façam, cada um no seu ritmo, no seu tempo. Eu não sabia quem eu admirava mais, se as famílias com crianças ou o grupo dos mais experientes. Quando fomos chegando pertinho da lagoa o coração foi acelerando. O Antonio foi na frente e lá do alto chamou minha atenção ao gritar uma linda declaração <3.
      Quando finalmente meus olhos encontraram as meninas (as Torres) não pude me conter de emoção - me faltam adjetivos para descrever a beleza deste local. Encontramos nossos amigos Daniel, Daniela, Beto e Tânia lá no topo, foi uma delícia compartilhar aquele momento com nossos novos amigos.
      Mas foi o tempo de contemplarmos a paisagem, tirar algumas fotos (nossa e da Maiza, coitado do Antonio) que o tempo virou completamente. As nuvens encobriram o céu azul e as Torres, e a neve começou a cair - "não era neve que você queria Antonio?"
      Muita neve! O vale também ficou completamente encoberto. A emoção de completar o circuito W, nossa primeira travessia, foi indescritível. Sensação de superação e eterna gratidão.

       
      CRIAMOS UMA COLEÇÃO DE CAMISETAS INSPIRADA NO CIRCUITO W, VEJA AQUI.
      Escrevi um post com os custos desta viagem AQUI.
      Bons ventos!
       
       
    • Por Tadeu Pereira
      Salve salve mochileiros!
      Segue o relato da trilha feita no Réveillon rumo ao Pico do Corcovado situado no município de Ubatuba no litoral norte de São Paulo.
      --> 24km ida e volta 
      --> Nível de dificuldade: DIFÍCIL (trilha extensa com várias bifurcações no início e muita mas muita subida rss)
       
      Partida - 30/12/19 - Partida 18:00pm - São Paulo x Caraguatatuba x Praia da Lagoinha x Praia do Bonetinho - Ônibus R$65,00 - Transporte público R$5,50
           Dia 30 de Dezembro geralmente costumo me organizar com antecedência o que vou fazer na virada pra não passar apuros nas correrias de final de ano. Mas ao contrário deste ano de 2019 eu não segui o protocolo e resolvi tudo na última hora, e lá estávamos nós, eu Tadeu e meu amigo Léo no dia 30 de Dezembro partindo de São Paulo capital sentido Caraguatatuba no litoral norte de São Paulo pelo empresa de ônibus Litorânea onde compramos as passagens por R$65,00. Em meio a milhares de pessoas correndo pra lá e pra cá no Terminal Rodoviário Tietê, nós conseguimos as passagens para às 18:00 com previsão de chegada para às 20:35. Chegamos por volta das 21:30 em Caraguatatuba por causa do trânsito intenso na rodovia de final de ano.

      Terminal Rodoviário Tietê 
           Em Caragua o clima estava abafado mas sem nenhum sinal aparente de chuva. A previsão mostrava clima aberto pro dia 30 e 31 com 20% de chuvas isoladas. Aguardamos por um tempo no terminal para aguardar nosso proximo ônibus e neste tempo aproveitamos e caminhamos por uns 5 minutos até o supermercado Shibata que fica próximo ao terminal rodoviário para comprar comida e água para passar a primeira noite no camping. Compras feitas, retornamos ao terminal e então pegamos um ônibus de transporte público na rodoviária de Caraguatatuba com sentido a Ubatuba por R$5,50 e depois de 1 hora descemos no ponto da praia da Lagoinha próximo ao Mercado Garotão e ao Condomínio SARELA - Recanto da Lagoinha onde caminhamos até sua entrada na 1ª guarita e continuamos por dentro do condomínio até a 2ª guarita que é onde fica o início da Trilha da Sete Praias. Caminhamos por 40 minutos passando pela Praia do Oeste e Praia do Peres caminhando totalmente no escuro iluminando com lanternas até chegar na Praia do Bonete ou Bonetinho onde passamos a primeira noite em camping selvagem ou seja, camping sem estrutura nenhuma, mas com o essencial, mar aberto e uma fonte de água potável. Ai foi só montar as barracas!   

      Camping Praia do Bonetinho

           O camping na Praia do Bonete além de selvagem é um camping proibido, na praia existe uma enorme placa lembrando os visitantes que aquele local ou aquela praia é uma propriedade particular. Então como chegamos já a noite, nós acampamos e desmontamos nossas barracas bem cedinho para ninguém ver e causar maiores problemas. Camping concluído com sucesso!  
      Subida - 31/12/19 - Partida 9:00am - Praia do Bonetinho x Pico do Corcovado - Transporte público R$5,50 

      ;
           Acordamos por volta das 6:00 da manhã e desmontamos rápido nossas barracas. Fizemos um bom café da manhã, tomamos o último banho de mar de 2019, arrumamos nossas mochilas e caminhamos de volta para o começo da trilha das Sete Praias, pois teríamos que pegar um ônibus sentido Ubatuba para descer no ponto da Praia Dura que ficava a 4,7 km de onde estávamos. Então fizemos a trilha da Praia do Bonetinho de volta para o condomínio Recanto da Lagoinha, fomos para a 1ª guarita na entrada do condomínio e caminhamos para a direita na rodovia sentido Ubatuba por uns cinco minutos até chegar em um ponto de ônibus. Até tentamos pegar carona mas os carros pareciam estar todos lotados ou com bagagens ou de pessoas chegando para passar a virada de ano no litoral. Por sorte o ônibus não demorou muito e pegamos rápido um ônibus por R$5,50 sentido Ubatuba e alguns minutos depois descemos no ponto da Praia Dura em frente ao Supermercado Praia Dura que fica também no começo da estrada do Corcovado que seria o começo da nosso caminho rumo ao imponente Pico do Corcovado. Aproveitamos e compramos no supermercado alguns mantimentos e água. Levamos 2 garrafas de água de 1 litro e 1 litro e meio cada um.
       
      (Caminho até o início da trilha)
       Supermercado Praia dura x Casa do Sr. Tozaki - Guarita do Parque Estadual Serra do Mar
      --------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------

      (Todo caminho percorrido) 
      Wikiloc: https://pt.wikiloc.com/wikiloc/spatialArtifacts.do?event=setCurrentSpatialArtifact&id=45109332
       Supermercado Praia dura x Casa do Sr. Tozaki - Guarita do Parque Estadual Serra do Mar x Pico Do Corcovado
           Começamos nossa caminhada para o pico por volta das 11:00 da manhã. Nosso ponto de partida foi do Supermercado Praia Dura, dali caminhamos por 1 hora os 4 Km da Estrada do Corcovado até a casa do famoso Sr. Tozaki (que infelizmente não tive a oportunidade de encontrar) onde fica situado a guarita do Parque Estadual da Serra do Mar PESM - Núcleo Picinguaba e início da Trilha do Pico do Corcovado.

      Casa Sr. Tozaki
       
      Guarita do Parque Estadual Serra do Mar - Núcleo Picinguaba
           Para subida e pernoitar no Pico do Corcovado é preciso realizar o agendamento com o Núcleo Picinguaba enviando um e-mail para [email protected] ou para [email protected] Nós até fizemos nossa parte e enviamos três e-mails para solicitar o agendamento em três emails diferentes, porém recebemos a resposta de que dois deles estavam desativados. O único e-mail que nos respondeu foi o [email protected] e disse assim: 
      ___________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________
      31 de dez de 2019 às 13:59
      "Bom dia!
      Informamos que a Associação Coaquira de Guia de Turismo, Monitor e Condutor de Ubatuba é responsável pelo ecoturismo realizando o controle de acesso, monitoramento e manutenção do atrativo do atrativo Pico do Corcovado por meio do Termo de Autorização de Uso (TAU /FF/CORCOVADO nº 01/2018 - Processo FF nº 726/2018 - NIS 2096616) assinado pela Fundação Florestal no ano de 2018.   O atrativo Pico do Corcovado se encontra em área do Parque Estadual da Serra do Mar, Núcleo Picinguaba, Unidade de Conservação de Proteção Integral, instituída através do Decreto Estadual 13.313/79 e o principal objetivo da associação e a preservação, conservação e prática do Ecoturismo e Montanhismo de mínimo impacto no atrativo. A trilha para o Pico do Corcovado é monitorada, ou seja, há a necessidade de contratação de um Guia de Turismo ou Monitor Ambiental da Associação Coaquira para acessar o mesmo e realizar o procedimento de agendamento.   É necessário realizar o agendamento com antecedência, dessa forma poderemos indicar um condutor para acompanhar o grupo, o procedimento será confirmado após a confirmação da disponibilidade da data solicitada, preenchimento do Ofício de Solicitação de Reserva, Termo de Isenção de riscos, Termo de Responsabilidade e Ficha Médica.    Quanto a pernoite, é permitida seguindo as informações acima, agendamento e contratação de um Guia de Turismo ou Monitor Ambiental que disponibilizamos pela associação e respeitando a capacidade de carga do atrativo de 15 pessoas. As datas propícias e permitidas para atividade de camping são entre os meses de abril a outubro.  Informamos que o atrativo estará fechado para pernoite de 19/11/2019 até 19/03/2020 pois durante esse período as chuvas no local são muito intensas, com a possibilidade de ocorrência de descargas elétricas, erosões e deslizamento do solo, causando graves riscos aos usuários. O trajeto bate e volta permanece liberado, desde que as condições climáticas estejam favoráveis e após feito todo o procedimento.   Feliz 2020!   Qualquer dúvida estamos a disposição.   Att.   Diretoria do Departamento Executivo do Atrativo Trilha do Pico do Corcovado da Associação Coaquira de Guia de Turismo Monitor e Condutor de Ubatuba ______________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________   --> https://www.infraestruturameioambiente.sp.gov.br/pesm/nucleos/picinguaba/contato/?filter=agendar        Como não tínhamos recebido nenhuma resposta dos e-mails enviados com a autorização e o agendamento quando começamos o caminho para o início da trilha por volta das 11:00 da manhã do dia 31 de Dezembro, decidimos ir sem agendamento mesmo. Pensamos em talvez conversar na guarita sobre os emails enviados para solicitar agendamento e que não tínhamos recebido nenhuma resposta, massss não foi necessário nada disso hehehehe. Quando nos aproximamos da guarita percebemos que não havia ninguém, nem mesmo o Sr. Tozaki estava em sua residência que fica no mesmo lugar da guarita do parque. Então decidimos começar a trilha sem falar com ninguém. Sabíamos do risco de encontrar algum guarda do parque que poderia nos multar por ter feito a trilha sem autorização e agendamento, mas estávamos decididos a subir e seguimos em frente.
           Seguimos em frente depois de uma corrente na estrada em frente a guarita e começamos realmente a trilha. A trilha se inicia em um bambuzal ao lado de uma cerca e é neste ponto que a trilha traz a maior dificuldade pois têm algumas bifurcações que levam a alguns lugares diferentes. Realizamos esta trilha com Wikiloc e mesmo assim demos umas vaciladas que foram corrigidas a tempo. Recomendo que façam esta trilha ou com guia ou com gps Wikiloc pois a trilha é muito cansativa, extensa e contém algumas bifurcações principalmente no seu começo. 
           Os primeiros minutos da trilha são tranquilos, passamos por três vezes em riachos de águas geladas e potáveis, ótimas para se refrescar e beber, já que o clima com a mata fechada se torna muito quente e úmido em dias de sol forte nos fazendo suar muito. 
      -->WIKILOC:  https://pt.wikiloc.com/wikiloc/spatialArtifacts.do?event=setCurrentSpatialArtifact&id=45109332
        
       

           A trilha no começo é tranquila, caminhamos por 1 hora aproximadamente passando por 2 pontos de água até chegar na primeira placa da trilha (PESM) e também no terceiro ponto de água. Deste ponto em diante sentimos o que realmente é a trilha do Pico do Corcovado hauhauhua. Tomamos bastante água no riacho, enchemos nossas garrafas e bora começar a subir o morro que nos aguardava ahuhaua. Estávamos em 206 metros de altitude e a partir dali iriamos subir até 460 metros para o primeiro mirante da trilha.  
         
        
      Placa PESM - Parque Estadual Serra do Mar e 3º ponto de água
           Caminhamos por algumas horas e passamos pelo primeiro ponto de corda em 382 metros de altitude. Neste ponto temos um vista muito linda pois é um dos poucos pontos abertos na trilha. A subida até o primeiro mirante foi bem desgastante, mas quando chegamos, vimos o quão lindo é a vista, isso só nos deu mais ânimo para subir. Este ponto também chamado de Igrejinha nos mostrou só uma prévia do que nos aguardava no cume. Diz a lenda que à meia-noite próximo da Igrejinha seria possível ver a imagem do Frei Bartolomeu andando por lá. É claro que não ficamos lá pra ver isso kkkkkk. Neste mirante conseguimos ver o Pico do Corcovado pela primeira vez da trilha e um belo visual de algumas praias do litoral de Ubatuba. Ficamos por alguns bons minutos contemplando aquele visual e logo seguimos em frente. Neste trecho encontramos somente duas pessoas descendo a trilha, eram dois sul africanos que estavam fazendo um bate e volta. Conversando com eles descobrimos que não havia mais ninguém na trilha e nem no cume, isso significaria que não corríamos o risco de algum guarda nos ver e nos multar e também de ter a possibilidade de passar a virada de ano somente nós no cume! Yeahhhh!!! 




      Mirante ou Igrejinha
           Depois deste ponto a trilha vai ficando cada vez mais íngreme e inclinada nos castigando bastante. Caminhamos bem lentamente até chegarmos até o último ponto de água que fica a 767 metros de altitude. Paramos um pouco para mais um descanso, fizemos um lanche, tomamos bastante água, enchemos novamente nossas garrafas pois aquele seria o último ponto de água até o cume. Então levamos água o bastante pra beber no restante da trilha e para pernoitar no cume do pico sem precisar voltar para buscar mais água.

       3 km de trilha percorridos e ainda faltavam 5 km kkkkk
       
      Último ponto de água em 767 metros de altitude

      Neblina surgindo no meio da mata. Estávamos nas nuvens!
           Continuamos caminhando sempre subindo até chegarmos ao Camping 1 em 1000 metros de altitude. A subida mais uma vez nos castigou muito e paramos por diversas vezes para descanso e recuperar o fôlego. Chegamos no Camping 1 e ficamos um bom tempo descansando antes de enfrentar a última e mais difícil subida do percurso.  


      Camping 1


      O camping 1 tem espaço para aproximadamente umas 7 barracas. 
           Após este ponto, no Camping 1, a trilha deu uma trégua na subida e começamos a caminhar olhando alguns momentos para o Pico do Corcovado em uma trilha mais plana e com poucos declives. Afinal já estávamos na crista da Serra do Mar e a mais de 1000 metros de altitude. Esta parte da trilha é simplesmente incrível, havia desfiladeiros dos dois lados que conseguíamos ver por entre as árvores, mas como a visibilidade estava baixa por causa da neblina, fomos ver realmente a dimensão do lugar que estávamos trilhando somente na volta com o tempo aberto. 
       
           Caminhando por aproximadamente mais 40 minutos pela crista da Serra do Mar e chegamos em duas placas informando qual a direção que se deveria seguir. A placa da direita subindo dizia que o caminho estava em recuperação e que o acesso estava restrito, já a placa da esquerda era uma seta informando a direção a se seguir para chegar ao cume. Como estávamos seguindo a trilha com o Wikiloc resolvemos fazer a trilha de acesso restrito que era o que o nosso GPS estava guiando, mas esta trilha foi um das partes mais difíceis do caminho com uma subida quase que impossível e perigosa, mas nós conseguimos! Já a trilha da esquerda é um pouco maior com uma grande descida até um ponto de água que fica ainda mais próximo do cume e depois uma última subida mais tranquila até o cume do Pico do Corcovado, mas isso só ficamos sabendo na volta quando retornamos por este lado da trilha pois subimos pela trilha restrita.    

      Placas direcionando a trilha correta e mais fácil a se seguir
           Após alguns minutos subindo os últimos 100 metros finais e os últimos 60 metros de altitude, onde o corpo já está a ponto de explodir com a mistura de tanta ansiedade, de cansaço, de adrenalina, sede e de todo o esforço feito pra chegar até ali, nós conseguimos vencer com muita superação a última e mais difícil parte da trilha. Uma "escalaminhada" que necessita de pés e mãos livres para subir pelas raízes das árvores que nos custou muito esforço com as mochilas nas costas depois de quase 6 horas de trilha para ai sim conquistar a 1160 metros de altitude o cume do imponente PICO DO CORCOVADO em Ubatuba na Serra do Mar. Foi surreal a primeira vista de lá de cima e as lágrimas simplesmente rolaram pela minha cara suada ahauhauh! Foi incrível! 
          







           Os primeiros minutos em cima do Pico do Corcovado foram simplesmente mágicos. O tempo que estava fechado até então começou a se abrir e nos presenteou com um por do sol fantástico que nos deixou anestesiados pela beleza que estávamos contemplando. Gratidão era a palavra que mais me vinha a cabeça neste momento. Gratidão por estar ali, por ter condições e saúde pra chegar até ali, gratidão por todas as pessoas que estão comigo ou junto comigo de alguma forma, gratidão pela minha família, minha mãe, meu pai, meu irmão e minhas avós, pelos meus amigos e o mais importante grato pela VIDA! Obrigado Obrigado Obrigado... 


       






           E lá se foi o último por do sol de 2019. Após esta fantástica exibição da natureza, nós assinamos os nossos nomes no livro do cume para registrar nossa subida e fomos armar nossas barracas pois de noite faria um pouco de frio com os ventos cortantes no cume. Existem duas áreas de camping no cume do pico, uma fica próxima ao livro do cume com um espaço menor, cabendo aproximadamente umas 4 barracas (camping 3), já o outro com um espaço maior cabendo aproximadamente umas 7 barracas e não tão exposto aos ventos (camping 2). Montamos as barracas na área de camping 2 que tinha um espaço maior e menos exposto ao vento. Camping concluído com sucesso!   
           Acampamento armado, tratamos de fazer a nossa ceia de final de ano kkkk. Fizemos um ensopado de legumes e macarrão para recuperar nossas energias que perdemos nas quase 7 horas de subida intensa até o cume. Tivemos um problema com o nosso gás do fogareiro mas nada que impediu de fazer nosso rango. Barriga cheia ficamos esperando a meia-noite chegar pra ver a queima de fogos nas diversas praias que se consegue ver de cima do pico. Foi fantástico ver por 15 minutos a queima de fogos de quase 17 praias de cima do Pico do Corcovado. Foi uma visão única e surreal e que decidimos não filmar nada para ficar somente nas nossas memórias ahuahuahua. Foi fodástico! 
      Descida - 01/01/2020 - Partida 11:00am - Pico do Corcovado x Praia Dura
           Dormimos por volta de 1:00 da madrugada. Conseguimos descansar um pouco e ainda acordamos por volta das 5:00 horas da manhã para ver o primeiro nascer do sol de 2020. Coloquei o despertador e quando deu o horário sai da barraca e o céu já estava com uma coloração laranja que avisava que o sol estava a caminho. 







      Primeiro nascer do sol de 2020
                Contemplamos o nascer do sol por uns 40 minutos e voltamos a dormir e descansar pois ainda tínhamos a descida pra fazer e tínhamos que ter pernas pra descer tudo que subimos ahuahuha. Consegui ficar na barraca até umas 10:00, pois a partir desse horário o sol começa a esquentar deixando a barraca muito quente. Acordamos tomamos um pequeno café da manhã e ficamos algumas horas contemplando aquela linda paisagem com um dia maravilhoso que a natureza nos presenteou. Gratidão.




       

       
      nam-myoho-rengue-kyo
           Após desmontar nossas barracas e montar novamente as mochilas, iniciamos nossa descida pelo outro caminho. Decidimos fazer o caminho que as placas estavam indicando quando estávamos subindo na trilha e não descemos pela trilha que estava de acesso restrito. A descida começa seguindo pelo camping 2 onde acampamos. Descemos por mais ou menos uns 30 minutos e já começamos a ouvir o barulho das águas. Chegamos em um ponto de água que não sabíamos que havia ali. Descemos a 1066 metros de altitude e encontramos água ainda mais perto do cume em um riacho com águas geladas e da mais pura que já havia bebido antes. Ficamos um bom tempo neste riacho onde fizemos um bom rango, aproveitamos para tomar um bom banho nas águas geladas e seguimos em frente. 
       
       
           A trilha que se deve seguir esta antes do riacho e não seguir a diante atravessando o riacho. Fizemos este caminho e chegamos em um lugar sem saída, então retornamos e começamos a subir novamente até que vimos um trilha a direita e continuamos nela até chegarmos até as duas placas que informava o caminho. Pra quem esta descendo, a trilha correta a se seguir fica um pouco antes do riacho virando a esquerda. Como passamos direto não reparamos nesta entrada. Então retornamos entramos na trilha correta e caminhamos por uns 30 minutos até que depois de uma subida intensa chegamos nas placas que tínhamos visto antes na subida e a partir dai foi só seguir o Wikiloc novamente e seguir a trilha para descer sem se perder. 

      Placas informando o caminho correto para o cume
           Depois das placas a trilha continua por um bom tempo com terreno plano com alguns declives caminhando sobre a crista da Serra do Mar e como comentei anteriormente o visual deste lugar que não conseguimos ver na subida por causa da neblina se mostrou o quanto é mágico e surreal. Dos dois lados haviam precipícios enormes com um visual fantástico e único das cadeias de montanhas de um lado e do outro a serra do Mar contrastando com as praias. Cada vez que parávamos para descansar ficávamos um bom tempo contemplando a natureza. 









           A decida nos cansou mais que o esperado. Fizemos um bastão de trekking improvisado para ajudar na pressão que os joelhos sofrem na descida, isso nos ajudou muito. Gastamos por volta de 6 horas de descida, contando o tempo que ficamos no riacho e o tempo que perdemos na trilha. Chegamos por volta das 18:00 na guarita do PESM e ainda não havia ninguém la, nem mesmo o Sr. Tozaki estava em sua residência. Descansamos por alguns minutos em frente a guarita e seguimos rumo a rodovia para procurar um local para acampar aquela noite. No meio do caminho encontramos um mercado onde paramos para comer, ir ao banheiro, carregar nossos aparelhos de celular, comprar alguns alimentos para o próximo camping e brindar a nossa subida ao Pico do Corcovado com uma bela e gelada cerveja. Yeahhhh!!!

           Conversamos com alguns locais, e conversa vai conversa vem, resolvi perguntar se havia algum local para acampar por ali. O dono do supermercado ouvindo minha pergunta nos informou que na Praia Dura, a praia mais próxima de nós naquele momento, teria uma forma de acampar debaixo de duas pontes que passam sobre o Rio Escuro que deságua na praia. Seguindo esta informação caminhamos até a rodovia e seguimos a esquerda até as tais pontes. Chegamos nelas com pouco tempo de caminhada e logo vimos os caminhos para se chegar debaixo delas e vimos também que havia um enorme banco de areia. Ficamos um pouco receosos e com medo do local mas acampamos por ali mesmo. Camping concluído com sucesso! 
       

      Praia - 02/01/2020 - Partida 9:00am - Praia Dura x Praia da Sununga - Camping R$25,00 
           Acordamos e vimos que a praia fazia parte de um grande condomínio e que a divisa se fazia até as pontes, então estávamos acampando em um lugar que não causaria problema pra ninguém. Isto quem nos disse foi o próprio guarda que ficava rondando a praia. Acordamos tomamos um bom café da manhã, tomamos um banho de rio, desmontamos nossas barracas e fomos ao encontro de alguns amigos na praia da Sununga que ficava a uns 6 km da Praia Dura.

      Pontes sobre o Rio Escuro na Praia Dura 
           Como o trânsito ainda estava carregado na rodovia, optamos em ir a pé para a Praia da Sununga. Caminhamos pela rodovia por quase uma hora, entramos pelo Condomínio Pedra Verde na Paia Domingas Dias e atravessamos a Praia do Lázaro até chegarmos na Praia da Sununga onde encontramos mais dois amigos para finalizar nossa jornada ao Pico do Corcovado com chave de ouro. Pronto! Agora vamos dar um mergulho neste marzão prq nóiz merece! Yeahhhhhhhhhh Gratidão!!! 


      Retorno - 03/01/2020 - Partida 8:00am - Praia da Sununga x Caraguatatuba x São Paulo - Transporte público R$9,00 - Van R$70,00
         Dormimos este dia na Praia da Sununga no Camping Guarani pagando R$25,00 para dormir com chuveiro quente e cozinha compartilhada. Acordamos bem cedo e fomos para o ponto de ônibus na rodovia pegar um ônibus para Caraguatatuba. Pagamos R$9,00 até Caraguá e demoramos umas 2 horas para chegar por causa do trânsito. Na rua ao lado do Terminal Rodoviário de Caraguatatuba haviam várias vans com transportes alternativos para São Paulo. Conseguimos uma por R$70,00 e fomos direto e mais rápido para o Terminal Rodoviário do Tietê em São Paulo finalizando nossa aventura de final e começo de ano hauhauhaua! Valeu! Feliz 2020...

      Paparazzi nos fotografou no ponto de ônibus kkk
       
       
      Gratidão!
       
       
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    • Por rafael_santiago
      Lago Nesbøvatnet
      Início: Finse
      Final: Vassbygdi
      Duração: 3 dias
      Maior altitude: 1643m
      Menor altitude: 89m em Vassbygdi
      Dificuldade: média para quem está acostumado a longas travessias com mochila cargueira. A maior subida tem desnível de 419m.
      O Parque Nacional Hallingsskarvet é um parque pequeno ao norte do platô Hardangervidda, maior platô de montanha do norte da Europa. Ele se situa ao norte da famosa estrada de ferro Oslo-Bergen, próximo à estação de Finse, a cerca de 190km de Oslo e 120km de Bergen (em linha reta). 
      Nesse trekking eu percorri de sul a norte o parque e emendei com a caminhada do Cânion Aurlandsdalen, bastante famoso por lá pela incrível beleza.
      Para saber sobre trekking na Noruega sugiro a leitura da introdução do relato www.mochileiros.com/topic/89222-travessia-do-parque-nacional-hardangervidda-noruega-jul19.
      O problema do trekking na Noruega e na Escandinávia em geral é o alto índice de chuva. Eu tive três dias seguidos de sol nessa caminhada e isso foi uma grande sorte.
      Não há problema de escassez de água nesse percurso e nem todos os riachos e fontes estão descritos no texto pois são muitos.

      Lagos parcialmente congelados mesmo no verão
      1º DIA - 01/08/19 - de Finse ao Refúgio Geiterygghytta
      Duração: 5h20 (descontadas as paradas)
      Maior altitude: 1643m
      Menor altitude: 1219m
      Resumo: esse dia tem um desnível considerável de 419m de subida e depois de 424m de descida mas não é cansativo pois é bastante gradual
      No dia 29/07 eu interrompi a longa travessia do Parque Nacional Hardangervidda ao Parque Nacional Hallingsskarvet no 7º dia do percurso (relato em www.mochileiros.com/topic/89222-travessia-do-parque-nacional-hardangervidda-noruega-jul19) por causa da chuva que chegou e ainda duraria mais dois dias. Fui de trem para a cidade de Geilo, me hospedei no Hostel HI e esperei a melhora no tempo prevista no yr.no.
      Nesse dia, 01/08, voltei de trem a Finse e retomei a caminhada com tempo bom. Finalizada a etapa do Parque Nacional Hardangervidda, agora ia entrar no Parque Nacional Hallingsskarvet.
      Embarquei em Geilo às 13h e desci na estação de Finse às 13h38. Altitude de 1228m. Cruzei a estrada de ferro e segui a placa de Geiteryggen após o portão de madeira. Subi pela rua principal de cascalho e segui a sinalização do T vermelho entrando numa trilha à direita, cerca de 300m depois da linha férrea. Subi a colina ao norte, passei pelo local onde acampei no dia 29 e parei por 13 minutos para contemplar a magnífica Geleira Hardangerjøkulen, a sexta maior da Noruega. Ao cruzar o primeiro riacho, às 14h20, estava entrando nos limites do Parque Nacional Hallingsskarvet. Continuei no rumo norte, cruzei uma ponte suspensa e em seguida outro riacho pelas pedras às 14h43. Voltei a subir e a vegetação, que era só rasteira, some de vez, ficando só o terreno de pedras, mas sem dificuldade para caminhar. Às 15h32 começam a aparecer as manchas de neve que tenho de cruzar, com largura de 30m a 70m, mas sem problema de escorregar. A bota impermeável é importante nessa hora também.

      Cruzando campos de neve
      Às 15h57 alcancei o Refúgio Klemsbu, particular e trancado. Fiz uma pausa ali. Algumas pessoas que caminhavam sem mochila (e até com cachorro) tomaram ali uma trilha para o norte e subiram o Pico Sankt Pål. Eu continuei às 16h39 para nordeste (direita na bifurcação) e subi cruzando mais duas manchas de neve até atingir a maior altitude do dia (1643m, desnível positivo de 419m desde Finse). Ali há um campo de neve muito extenso mas felizmente não foi preciso cruzá-lo, está à esquerda do caminho. À direita surge um bonito lago com placas de gelo flutuando como icebergs. Inicia a descida. Cruzo mais uma mancha de neve e depois um riacho pelas pedras. Às 17h52 avisto o Lago Omnsvatnet. A trilha desce, cruza um riacho e se aproxima do lago, voltando a ter vegetação rasteira e depois capim, pasto para as ovelhas. Às 18h23 atravesso mais uma mancha de neve de uns 40m e às 19h outra de cerca de 60m.
      Às 19h21 alcanço um conjunto de lagos e passo a caminhar pelo seu lado direito. Cruzo pelas pedras um riacho que vem de uma bonita cachoeira despencando do paredão à direita. Às 19h55 avisto o refúgio na outra ponta do lago. Cruzo outro riacho às 20h14 e saio dos limites do Parque Nacional Hallingsskarvet. Alcanço o Refúgio Geiterygghytta às 20h32, numa altitude de 1230m. Esse refúgio é da DNT e do tipo staffed (com funcionários), não se pode cozinhar, não há comida para vender (só chocolates e biscoitos) e o anfitrião não me deixou nem usar o banheiro se não consumisse algo ou acampasse na área designada pagando NOK 100 (US$ 12,09)! Perguntei de acampamento livre (selvagem) e ele me mandou acampar longe, fora da visão do refúgio. Pelo que pude ver era um lugar muito bem arrumado, parecendo um hotel, e a presença de barracas espalhadas podia desagradar àquele público sofisticado. 
      Em frente a esse refúgio passa uma estrada de cascalho que começa na rodovia 50 muito próximo de um túnel. Como passa um ônibus nessa rodovia essa estradinha pode ser uma rota de fuga ou um início/final alternativo à caminhada. São 3,6km dali até a rodovia. Porém há pouquíssimos horários: um ônibus por dia (às 13h10) em direção a Flåm (oeste) e um ônibus por dia (às 9h40) em direção a Ål (leste) (horários de julho e agosto de 2019).
      Saí do refúgio às 20h42 e caminhei pela estrada de cascalho para a esquerda (noroeste) até sair da visão do refúgio. Começaram a aparecer as barracas dos alternativos, dos que preferem a liberdade ao conforto. Os melhores lugares, que eram perto da cachoeira à esquerda da estradinha, já estavam ocupados, então entrei na trilha de Østerbø, com placa, à direita, e subi até encontrar um lugar plano e um pouco afastado do caminho. Havia água corrente por perto. Altitude de 1252m.

      Lagos de montanha
      2º DIA - 02/08/19 - do Refúgio Geiterygghytta a Østerbø (ou quase)
      Duração: 5h30 (descontadas as paradas)
      Maior altitude: 1395m
      Menor altitude: 1050m no acampamento do fim do dia
      Resumo: dia de vários sobe-e-desce mas sem desníveis significativos, sendo o maior deles de 320m de descida da maior altitude do dia (1395m) aos 1075m do Refúgio Steinbergdalen
      Deixei o local de acampamento às 11h41 e segui a trilha no rumo norte. Em 4 minutos cruzei um riacho pelas pedras. Às 12h11 o mapa do gps mostrava que eu estaria cruzando a rodovia 50 porém não havia rodovia nenhuma - havia sim, estava muitos metros abaixo de mim na forma de um extenso túnel! E com mais 9 minutos avistei a tal rodovia 50 bem abaixo à esquerda margeando um lago. Infelizmente a trilha vai se aproximar dela e esse dia não será dos mais bonitos e agradáveis. Às 12h40 sigo à esquerda numa bifurcação com placa apontando para o Refúgio Steinbergdalen; à direita se vai a Kongshelleren (refúgio) e Iungsdalshytta (refúgio). Cerca de 6 minutos depois cruzo um riacho mais largo pelas pedras e paro por 18 minutos.
      Às 13h16 atravesso uma ponte metálica sobre um bonito rio com pedras e, subindo, cruzo uma porteira feita de ripas de madeira. Subo mais e atinjo um mirante chamado Bollhoud às 13h37. Passo por bonitos e tranquilos lagos de montanha e às 13h57 cruzo um riacho. Às 14h26 atravesso outra ponte metálica e encontro uma placa com o nome do local: Breibakkao. O riacho que cruzei forma uma bonita cachoeira à minha esquerda. Às 14h44 parei por 30 minutos num bonito mirante chamado Driftaskar, de onde avisto o Refúgio Steinbergdalen (ou Steinbergdalshytta) perto do lago Vetlebotnvatnet e da famigerada rodovia 50. 
      Na descida cruzei um riacho por uma ponte de tábuas às 15h39. No portão na chegada ao refúgio há uma bifurcação em que à direita se vai também a Kongshelleren (refúgio) e Iungsdalen (refúgio). Entrei no Refúgio Steinbergdalen às 15h49 e ele é particular (não é da DNT), mas a anfitriã me deixou usar o banheiro sem pagar pois eu estava só de passagem. É uma casa bem típica norueguesa, de madeira com vegetação sobre o telhado para manter o isolamento térmico e a estabilidade da casa. É recomendável (ou obrigatório em alguns casos) tirar o calçado antes de entrar, a menos que o anfitrião diga o contrário. A rodovia 50 está a apenas 450m e é possível tomar o mesmo ônibus que liga Ål a Flåm se for necessário.
      Saí às 16h04 pelo lado direito do refúgio e tomei uma trilha que subia a encosta à direita com placa de Østerbø. E como subiu!!! Não era uma subida íngreme, mas tinha muitas pedras e parecia não ter mais fim. A visão da rodovia 50 logo abaixo à esquerda tirava todo o clima de montanha e fez daquele trecho longo de subida um tédio. Na descida, ainda pela encosta, parei num riacho às 17h18. Às 18h05 atravessei a ponte de tábuas sobre outro riacho que despencava do paredão à direita em bonitas quedas. Começo a avistar a vila de Østerbø bem abaixo no vale. Desço mais e às 18h40 alcanço um grande campo com uma cachoeira grande ao fundo. Ali já comecei a pensar se valeria a pena ir até Østerbø (ainda 3,8km à frente) pois o local parecia mais urbanizado e eu poderia ter dificuldade para encontrar um lugar para camping selvagem. Cheguei a perguntar sobre isso a uma garota que vinha (sozinha) atrás de mim, mas ela não sabia como era Østerbø. Vi que ela e um casal pararam ali para acampar e resolvi parar também, apesar de muito cedo ainda. Havia água bem próximo dali, no Rio Grøna. Altitude de 1050m.

      Cânion Aurlandsdalen
      3º DIA - 03/08/19 - de Østerbø a Vassbygdi
      Duração: 6h50 (descontadas as paradas)
      Maior altitude: 1074m próximo ao acampamento
      Menor altitude: 89m em Vassbygdi
      Resumo: longa descida de 985m percorrendo o interior do Cânion Aurlandsdalen, famoso na Noruega pela grande beleza
      O trekking de hoje pode ser feito em forma de bate-e-volta de um dia a partir das cidades de Flåm ou Aurland, onde há campings e hotéis. Tomando o ônibus às 8h15 em Flåm ou 8h25 em Aurland se chega às 9h15 a Østerbø, um bom horário para iniciar a caminhada pois há ônibus à tarde para retornar a Flåm e Aurland (veja os horários nas informações adicionais).
      Comecei a caminhar às 8h21, cruzei a ponte de madeira sobre o Rio Grøna, desci até o vale do Rio Grøndalagrovi e o segui para a esquerda (oeste). Descendo, passei por uma casa vazia à minha direita e cruzei um portão de ferro. Atravessei uma mata e às 9h12 cheguei a uma estradinha de terra, onde fui para a direita. Aparecem as primeiras casas. Às 9h18 alcanço uma estrada de asfalto após uma cancela e sigo para a direita, continuando pela esquerda na bifurcação. A rodovia 50 está a apenas 120m à esquerda da cancela e é possível tomar o mesmo ônibus que liga Ål a Flåm se for necessário. Me mantive na estrada principal e cheguei aos refúgios de Østerbø às 9h28. São dois, um ao lado do outro. O primeiro é o Østerbø Fjellstove, particular, e o segundo é o Aurlandsdalen Turisthytte, pertencente à DNT e do tipo staffed. A tão esperada trilha do Cânion Aurlandsdalen começa no meio dos dois.
      Por ser um sábado havia dezenas de pessoas iniciando a trilha, e até um grupo de voluntários (?) dando orientações. O caminho aponta para o norte ainda como uma estradinha de cascalho, que tomei às 9h50. Altitude de 833m. Numa curva de 180º para a esquerda cruzei a ponte sobre o Rio Langedøla e havia uma sinalização um pouco confusa. Não entrei na primeira trilha à direita com T vermelho pintado na pedra, continuei descendo a estradinha e entrei na trilha seguinte à direita também com T vermelho pintado, mas muito mais estreita que a primeira (aqui aparentemente os dois caminhos servem, o importante é se aproximar do lago e evitar as outras trilhas). Passei por mais uma casa à minha esquerda e comecei a contornar o bonito Lago Aurdalsvatnet pela margem norte e depois oeste. Aparece a primeira placa de marcação de distância, 18km para a frente (até Vassbygdi) e 1km para trás (desde os refúgios de Østerbø).

      Cânion Aurlandsdalen
      Quando deixo as margens do Lago Aurdalsvatnet no sentido oeste aparece um espaço plano e gramado ótimo para acampar. Até aí não havia visto nenhum lugar adequado para acampar e daí em diante apareceram bem poucos também pois o solo muitas vezes era de turfeira (?), fofo e úmido. A trilha percorre a mata exuberante, numa mudança significativa de ambiente em relação aos dois dias anteriores no alto da montanha. A placa de 17km se encontra sobre um portão de ferro e na descida seguinte a beleza de Aurlandsdalen começa a se mostrar. Um lindo lago bem abaixo espelha as montanhas verdejantes. A descida até a margem leste desse lago (Nesbøvatnet) foi por uma trilha íngreme beirando a ribanceira. 
      Aurlandsdalen é também uma trilha histórico-cultural e às 10h32 aparece a primeira placa com texto sobre a história e fotos antigas do lugar. Às 10h36 cruzei uma ponte de tábuas sobre um riacho e 2 minutos depois alcancei a casa Nesbø, às margens do Lago Nesbøvatnet, sede de uma fazenda do século 17. A trilha continua margeando o lago e às 10h49 alcanço uma bifurcação num local chamado Tirtesva. A trilha íngreme à direita sobe para outro caminho: Vassbygdi via Bjønnstigen, e uma placa alerta para o risco dessa rota já que cruza uma área de avalanches. Me mantive na trilha mais usada, que segue à esquerda, e uns 520m depois de Tirtesva cheguei a um bonito lago (uma extensão do Lago Nesbøvatnet). Parei para curtir o lugar e tomar água fresca do riacho ao lado. O gramado ali daria um bom local de acampamento também.
      Continuei às 11h19 e o lago se afunila num rio, que seguirei pela margem direita até o final do dia. Agora a sensação é de caminhar no fundo de um cânion mesmo, com a altas paredes se erguendo em ambos os lados. O rio e a vegetação das encostas ficam cada vez mais bonitos. Às 11h43 a trilha é um caminho estreito escavado no paredão de pura rocha. Um corrimão dá segurança nas partes mais estreitas (principalmente se houver neve). Às 11h52 surge abaixo o bonito Lago Vetiavatnet, o último grande lago dessa caminhada. 
      Às 12h05 alcancei uma bifurcação num lugar chamado Heimrebø. À esquerda se vai a Berdalen, que é um local a 370m dali na rodovia 50 onde passa o mesmo ônibus de Ål a Flåm. Segui à direita e a trilha faz uma grande curva embicando para o norte e se afastando muito da rodovia 50 (felizmente não mais visível após Østerbø). Às 12h47 vem da direita a rota Vassbygdi via Bjønnstigen, aquela iniciada em Tirtesva e que vem pelo alto. 
      Às 12h55 cheguei a um local com uma trilha saindo para a esquerda e uma movimentação de pessoas indo e vindo de lá - fui ver o que era. Caminhando cerca de 100m chega-se a Vetlahelvete, ou little hell cave, uma reentrância no paredão rochoso com um pequeno lago dentro e iluminação vindo da abertura no alto. Há um bonito mirante nas pedras mais altas do outro lado. Voltei à bifurcação, tomei um lanche e continuei descendo às 13h16. A marcação ali mostra que estou bem no meio do caminho: já percorri 9km e faltam 10km. Em 5 minutos tenho uma visão espetacular do cânion com o rio correndo lá embaixo e pessoas minúsculas ao longo da trilha bem ao lado do rio, ou seja, tinha uma descida bem grande pela frente. Às 13h24 parei para beber a água fresca de uma quedinha ao lado da trilha. Desci pela trilha em zigue-zague e às 13h46 já estava às margens do rio, onde algumas pessoas mergulhavam e logo saíam pois a água devia estar bem fria. 

      Fazenda Sinjarheim
      Às 14h08 uma nova bifurcação. À esquerda se vai a Stondalen, que é outro local na rodovia 50 onde passa o ônibus de Ål a Flåm, outra rota de fuga, porém essa bem longa (7km). Vou à direita e em 5 minutos avisto, pendurada na enorme encosta, a Fazenda Sinjarheim, principal ponto de parada nesse trekking. Cruzo uma ponte de madeira sobre o riacho que vem de uma imensa cachoeira despencando do paredão e às 14h30 chego à fazenda. Casas de madeira com vegetação sobre o telhado e anunciado apenas em norueguês (demonstrando que poucos estrangeiros passam por ali): "sal av kaffi og mjelkekaker - kom inn", "venda de café e bolo de leite - entre". Muita gente ali descansando e se recuperando do calor pois já estávamos a 591m de altitude e a temperatura havia aumentado com a descida e por causa do horário. Muito calor para os noruegueses pois para mim estava bem agradável. Saindo da fazenda às 14h51, a descida se tornou bastante íngreme e às 15h10 já estava próximo ao rio de novo. Após duas casas de madeira, num local chamado Almen, olhei para trás e o cenário era espetacular, com duas grandes cachoeiras brotando dos paredões, último cenário de tirar o fôlego desse trekking.
      Quando vi os horários de ônibus em Østerbø pensei em tomar o das 19h para Flåm, o último. Mas pelo avanço rápido que vinha fazendo após entrar na mata resolvi apertar um pouco o passo e ver se conseguia pegar o das 16h40. A descida terminou numa clareira às 16h03 e 8 minutos depois alcancei um final de estrada de cascalho, continuando em frente, sempre pela margem direita do rio. Estava apressado por causa do horário do ônibus mas não resistia a comer as framboesas próximas à cerca à direita da estradinha. Para trás me despeço dos grandes paredões do Cânion Aurlandsdalen. Continuando sempre em frente me aproximo das primeiras casas de Vassbygdi e finalmente chego ao ponto de ônibus, em frente a uma lanchonete, às 16h27, e estava lotado. Altitude de 89m. O ônibus apareceu no horário e somente uma parte daquele povo todo o tomou pois a maioria esperava o ônibus de volta a Østerbø, onde deixaram seus carros. A viagem a Flåm durou 30 minutos e percorreu o maravilhoso fiorde Aurlandsfjorden. Em Flåm acampei no Camping e Hostel HI.

      Cânion Aurlandsdalen
      Informações adicionais:
      . para saber os preços de hospedagem e refeições nos refúgios da DNT consulte os valores atualizados em english.dnt.no/routes-and-cabins. Para se tornar membro da DNT e ter descontos o valor da anuidade é NOK 695 (US$ 84), valor de 2019 para adultos de 27 a 67 anos.
      . Camping e Hostel HI em Flåm: NOK 160 (US$ 19,34) para uma barraca com uma pessoa. A ducha quente custa NOK 20 (US$ 2,42) a cada 6 minutos (funciona com moeda ou ficha comprada na recepção). O hostel estava lotado no início de agosto. Site www.hihostels.com.
      . mapa do parque com as trilhas e refúgios: ut.no/kart
      . a temperatura mínima durante a noite fora da barraca foi 7ºC
      . para planejar qualquer viagem de ônibus, trem ou barco na Noruega: en-tur.no (clique em Meny e selecione English)
      . ônibus de Vassbygdi a Aurland e Flåm: 10h20 (sáb e dom), 14h10 (diário), 16h25 (sáb e dom), 16h40 (diário), 19h (diário) (horários de julho e agosto de 2019)
      . trens na Noruega: www.vy.no/en
      . não há supermercado nem em Finse, nem em Vassbygdi e em nenhum lugar desse percurso. Só há mercado em Aurland e Flåm, alcançadas de ônibus a partir de Vassbygdi. Só há refúgios do tipo staffed (da DNT) e particulares nesse caminho e eles não vendem comida para preparar (apenas guloseimas), mas servem café da manhã e jantar.
      . roteiro adaptado a partir das informações do guia Walking in Norway, de Connie Roos, Editora Cicerone
      Rafael Santiago
      agosto/2019
      https://trekkingnamontanha.blogspot.com.br
    • Por Filomena Almeida
      Meu nome é Filomena (Filó), sou Técnica em Eletrônica, trabalho nesta área, adoro viajar e fazer trilhas. Tenho desgaste da cartilagem dos joelhos. Na época do trekking, eu tinha 52 anos (janeiro de 2018).
      Eber trabalha na mesma empresa que eu, é meu amigo e companheiro de trilhas. Difícil encontrar alguém pra te acompanhar nessas aventuras rsrsrs. 
      Não aconselho quem é totalmente sedentário a fazer o circuito. É PUXADO! Principalmente, a última parte da trilha até a base das torres.
      Mas, é possível para quem pratica alguma atividade física.
      Encontramos várias pessoas com idade na faixa de 60 e 70 anos fazendo o Circuito W com facilidade. Carregando aquelas cargueiras enormes!!!
       
      E assim começa a nossa aventura…
       Saímos de São Paulo às 22:30(vôo era às 21:40).
      Voamos bem até Santiago, onde chegamos à 01:10 do dia 06/01. Demoramos um tempão para estacionar e depois imigração.
      Saímos do Aeroporto 02:30 da manhã em direção à casa do Ângelo(fomos pela Transvip) Chegamos lá às 03:30. Ele estava acordado nos esperando. (Agradeço demais). Ele chamou um carro pra gente voltar para o aeroporto. Às 08:00 o carro estava lá nos aguardando.
      Gastos até aqui.
      Eber: 53,50 Uber da casa dele até aeroporto.
      Filó: 13,57, Uber até Tatuapé e ônibus até aeroporto.
      Lanche no aeroporto: Las Baguetes: 92,00😱😱😱( duas baguetes, um pão de queijo e dois chocolates quentes)
      Transporte aeroporto casa do Ângelo (ida e volta): 20 dólares cada um.
      Como não tínhamos tempo, fizemos câmbio no Aeroporto mesmo( paga -se uma taxa maior).
      Saímos às 11:10. Vôo tranquilo até o pequeno aeroporto de Puerto Natales. Chegamos as 14:10. Chegamos com chuva e frio.
       
      Pegamos um micro ônibus para o centro ( 2000 pesos cada um). Ele nos deixou na porta do hostel Danicar.
      Fizemos check in e fomos procurar um lugar para almoçar. Por indicação da Bete Doriana😁😁😁 fomos no El Bote(bom restaurante e com preço justo).
      Passamos no supermercado e compramos nossa refeição para um dia, na trilha (pão integral, salaminho, todinho, biscoitos, água).
      E chovendo….
      Voltamos pro hostel, descansamos um pouco e fomos até a rodoviária para conhecer o caminho é marcar o tempo que gastaríamos.
      Voltamos pro hostel, organizamos nossa mochila e fomos dormir…
       
      Dia 07/01
       
      Acordamos às 05:30, tomamos café e cadê as pessoas do hostel??? Elas iam guardar as nossas coisas. A gente levou o mínimo possível para Torres Del Paine.
      Bati na porta do quarto da dona do hostel e apareceu uma moça, na recepção em cima da hora. Guardou o que não levaríamos e saímos correndo para a rodoviária.
       
       
       Pegamos o ônibus para TDP ( comprei a passagem pela internet na Bussur).

       
      Depois de uma hora e meia chegamos em Laguna Amarga, entrada do Parque Torres Del Paine. Todos têm que passar por aqui. Aqui compramos o ingresso para o Parque (21000 pesos), preenchemos um formulário onde concordamos com as regras do parque, principalmente em relação a questão do fogo.
      Assistimos um vídeo, onde fala da preservação e das multas e penalidades que sofrerão quem causar um incêndio no parque.
      Às 09:10 saímos de Laguna Amarga em direção a Pudeto ( mesmo ônibus). Chegamos lá 10:20. Gostaríamos de ter pegado o catamarã das 09:00, mas impossível. ( Demora-se muito na entrada do Parque.
      Pegamos o das 11:00 que saiu às 11:20😐😐😐
              
       
      Depois de uma pequena viagem pelo maravilhoso
      Lago Pehoe, chegamos em Paine Grande.
      Que lugar maravilhoso! A localização é incrível e o abrigo é muito bom!
      Estávamos muito eufóricos! Queríamos ir logo para o acampamento Grey…
      Fizemos check in, deixamos nossas mochilas no quarto e fomos direto para trilha.

       
      Uma trilha linda! Cheia de flores diversas, pássaros e cachoeiras, lagos...uma visão triste são as árvores queimadas em boa parte da trilha... são sinais incêndio que aconteceu e que quase devastou o Parque 😞😞😞
                       
       
       Primeiro,  chegamos ao Mirador Grey, melhor lugar para contemplar o Glaciar Grey, várias placas de gelo se desprendem dele e vão descendo lago abaixo
      Apesar da previsão ser de chuva, estava um dia lindo, sol brilhando! Fomos com tempo bom até quase o Acampamento Grey
      Quase chegando lá começou a chover.
      Toda a nossa volta foi debaixo de chuva.
      Saída de Paine Grande: 12:20
      Acampamento Grey:16:20
      Saída do acampamento Grey: 16:40
      Chegada em Paine Grande: 19:00
      Andamos 22 km.
      Nossos companheiros de quarto era um casal, ela: carioca,  ele: mineiro de Juiz de Fora
      Eles fizeram de Las Torres para Paine Grande, contrário da gente.
       
      Dia 08/01/18
       
      A noite foi boa. Cama boa e quente.
      Acordamos as 06:00, nos arrumamos e fomos tomar café. Comi bastante 😊😊😊
      Pegamos o nosso lanche de trilha e em baixo de chuva saímos em direção au acampamento Italianos. Isso era 08:15.
      Choveu praticamente todo o trajeto. Muita lama pelo caminho.  Mochila pesada(12 kg, a minha) e a minha jaqueta da Decathlon que dizia ser impermeável….nada tinha de impermeabilidade.
      Chegamos ao acampamento Italianos às 11:00. Muita chuva!!🌧🌧🌧🌧
       Este acampamento é simples, ruim mesmo!
      Não vi chuveiros. O banheiro é fossa. Fedido pra caramba ( ainda bem que não achamos vaga nele! Ele é grátis, administrado pelo Conaf).
      Deixamos nossas mochilas em frente a casinha do guarda e fomos para o Mirador Frances. Aqui, estamos na parte central do W. O final dessa trilha seria o Mirador Britânico, mas por causa das chuvas, este Mirador estava fechado. Teríamos que atravessar um rio e estava muito perigoso.
      Fomos até o Mirador Frances (muito chuva! Parte que eu fiquei desanimada. Minha jaqueta não me protegia(JAQUETA QUECHUA QUE NÃO SEGUROU A CHUVA, A DECATHLON TROCOU A MESMA, QUANDO VOLTEI), muito frio!
      Deste ponto a gente vê as avalanches do Glacial Frances. Mesmo com chuva, um monte de gente fica lá sentados...de repente você escuta um barulho de trovão e lá vem a avalanche…
      Fizemos nosso lanchinho e iniciamos a descida.
      De volta ao Italianos. Pegamos nossas mochilas e caminhamos mais dois quilômetros até o Frances. Chegamos às 14:10. Na recepção do acampamento (um quartinho) tinha uma placa dizendo: (volto em poucos minutos)...e lá se foi mais de uma hora esperando 😞😞😞
      Tudo que eu queria era um banho quente, tirar as roupas molhadas…
      A pessoa responsável chegou, e nos indicou quais seriam as nossas barracas. O banheiro ficava muito longe de onde estávamos!!!
      Peguei minhas coisas e lá fui eu... comecei o banho e água estava morninha, no final estava congelando ⛄⛄⛄⛄
      Lembram do banho quente que eu queria????
      Pois é.
      Depois vimos uma placa, onde dizia: banho quente das 18:00 às 22:00😡😡😡
      Primeira noite acampada. Não foi fácil.
      O acampamento fica no meio de árvores, em baixo de uma montanha com neve nos picos.
      Não tinha como medir a temperatura, mas com certeza estava na casa do zero grau! E o vento?
      Parecia que as árvores cairiam sobre a barraca e outras vezes parecia que a barraca sairia voando….
      Aqui não tinha refeições. Então levamos lanches de Puerto Natales. Nossa janta, café da manhã e almoço foram lanches.
       
      Dia 09/01/18
      Acordamos cedinho, tomamos nosso café e lá fomos nós em direção ao Acampamento das Torres Central.
      Saímos às 08:45 do acampamento Frances.
      O trajeto entre Frances e Torres Central é um dos mais bonitos do circuito W.
      Quatro quilômetros depois do Frances a gente chega no Refúgio e acampamento Los Cuernos. Lugar bem bacana!! Do lado direito você tem o magnífico Lago Nordenskjöid e do lado esquerdo a imponente formação rochosa de Los Cuernos. Ao passar pela praia de pedras na beira do Lago vimos uns russos e holandeses tomando banho nas águas geladas ⛄⛄⛄⛄⛄😱😱😱😱😱que coragem!!!!
       
       
      Depois de duas horas estávamos no Abrigo Los Cuernos, fomos ao banheiro, descansamos um pouquinho e seguimos. Muitos trechos de subida e com a mochila pesada, sentimos bastante cansaço…( neste dia meu ombro ficou inchado). Às 12:15 paramos em um lugar maravilhoso para almoçar ( aqui acabamos com os nossos suprimentos que havíamos comprado em Puerto Natales). Subimos em uma pedra bem alta e lá a visão era maravilhosa!!! Via-se todo o lago e ficamos ali um bom tempo olhando aquela maravilha…
       
       
      Los Cuernos

      A visão mais linda do Lago Nordenskjöid
       
       Chega de moleza! Mochila nas costas e vamos seguir…
      Passamos por desfiladeiros, pontes cinematográficas, flores e vegetação típica do lugar e a gente dizia: será que falta muito?
      Tinha uns americanos mais ou menos juntos com a gente, ele nos perguntaram a mesma coisa…
      Faltava mais ou menos 4 km. Andamos mais um pouco e lá estava o complexo Las Torres 🙏🙏🙏👏👏👏👏
      Durou pouco nossa animação!!!😞😞😞😞
      A gente via o complexo, mas realmente a distância até lá era de 4km… 
      Fazer o quê???!!!
      Vamos embora, tá perto.
      Então às 16:15 chegamos no nosso acampamento... MORTOS!!!
      O moço levou a gente até as nossas barracas e nos instalamos. Tomamos um bom banho e descansamos até a hora do jantar. Nosso horário era de 20:30 às 21:30. Estávamos com bastante fome!!! Não gostamos dos serviços da Fantástico Sur. Eles colocam você em alguma mesa que já tem outras pessoas( fazem isso até completar toda os lugares da mesa). Saladas, pães e sucos são de uso comum e quando você chega, às vezes já acabou e então você precisa ficar pedindo. Com tanta fome! O jantar era purê de abóbora com uns cubinhos de carne. Foi pouco!!!!😠😠😠😠
      Bora dormir, no dia seguinte será o ÁPICE da nossa trilha…
       
      Dia 10/01/2018
      Acordamos cedo. Nosso horário de café era das 08:00 às 09:00. Tomamos café, pegamos nosso lanche de trilha e às 09:10 saímos em direção às Torres. Muita gente no trajeto. Muitas pessoas que vão, somente, até elas. Primeira subida já dava uma pequenina amostra do que seria este dia!!!
      Passamos por um grupo guiado que tinha um casal de brasileiros, depois encontramos um outro casal da zona sul de São Paulo e ele disse que não aguentaria e que a primeira coisa que faria quando voltasse pra São Paulo era procurar uma academia. Ele tem 58 anos.
      Disse a ele que a gente se via lá em cima…
      Continuamos nossa subida. Logo depois veio uma descida, desfiladeiro com rolamentos de pedras!!!

       Depois desse lugar a gente chega no Acampamento Los Chilenos. Parada pro banheiro, água e vamos que vamos, pois faltam 4km até as Torres…
      A partir desse ponto a gente tem praticamente só subida 😱😱😱😱
      Uma boa parte é entre árvores, bosques lindos, cachoeiras...
                         
       
       E continua subindo…
      O último 1,5km é o mais difícil! A subida é bem ingrime e de pedras. É uma parte que dá medo, pois o vento é forte.
      Tinha um casal com bebezinho bem pertinho da chegada nas Torres!!! Aliás, vimos muitas crianças neste trajeto. Crianças e idosos! Pessoal PORRETA! Todo o meu respeito.

       
      Com passinhos curtos... chegamos na base das Torres 👏👏👏👏😁😁😁😁
      Que felicidade! Objetivo alcançado! Obrigada meu Deus!!!

       
      Vamos almoçar e depois fotos...o vento era tão forte que nos enchia a boca de areia...
      Estava muuuuuuuiiiiiito frio e ventava muito forte!
      Falei pro Eber: vamos tirar nossas fotos e voltar.
      Tiramos fotos e não nos aventuramos a saltar ou explorar as pedras, pois o vento poderia nos derrubar.

      Hora de começar a descida... muita gente subindo, outras descendo.
      O último 1,5km foi difícil pra subir. Certo? Também é difícil pra descer. Você tem a sensação que vai rolar pirambeira abaixo…
      Não tem onde se agarrar, caso caia. E os joelhos são bastante exigidos.
      Lembram do casal da zona sul de São Paulo?
      Encontramos com ele na descida. Faltava uns 40 minutos pra eles chegarem nas Torres.
      Fizemos a descida de forma tranquila…
      Gente, banheiro é um problema, principalmente, pra nós mulheres...a trilha é muito movimentada e a maior parte do trajeto não tem árvores grandes, ou seja, você passa um aperto danado 😬😬😬
      Chegamos no acampamento por volta das 17:30 e de lá a gente podia ver as Torres com toda aquela imponência… E nossa sensação era difícil explicar: conquista, superação, realização, em fim... CONSEGUIMOS!!!!!!
      Banho e jantar reconfortantes, última noite em TDP.
      Atenção para essa DICA: programe-se para sair de TDP no fim do dia. Tem um ônibus para Puerto Natales às 13:00 e ou às 19:00.
      A gente não pesquisou os horários de saída de ônibus, do Parque. Então ficamos mais uma noite lá, ou seja, mais gastos com essa noite, jantar e café da manhã! É o pior: esperar até às 13:00 para voltar a Puerto Natales.
      Mas, a gente conseguiu uma carona até às entrada do Parque e de lá pegamos um ônibus.
      Chegamos cedo em Puerto Natales, conseguimos lavar nossas roupas ( tem várias lavanderias, combram por quilo de roupas), passeamos, almoçamos na famosa pizzaria Mesita Grande...
      Dormimos e no dia seguinte partimos em direção a El Cháten e El Calafate...mais trilhas e mais aventuras vem por aí…
       
      Informações importantes:
      Duas empresas particulares administram a maior parte dos acampamentos e abrigos:
      www.verticepatagonia.cl e www.fantasticosur.com.
      Você também pode reservar alguns acampamentos gratuitos no CONAF.
      http://www.parquetorresdelpaine.cl
      A Vertice é complicada. Você não consegue fazer reserva online. Você manda um e-mail e fica esperando eles confirmarem a reserva e te mandar um link para fazer o pagamento. Eles demoram muito pra responder e enquanto isso você vai perdendo as vagas nos outros abrigos e acampamentos. Eu enviei o primeiro e-mail no dia 23/08/17. Queríamos a reserva para 07/01/18. O meu amigo já tinha enviado no início de agosto…
      Era triste 😢😢😢as vagas da Fanstaticosur iam se acabando e nada deles responderem…
      Mandei vários e-mails, em espanhol, inglês, português e finalmente, quando já pensávamos em outro destino, eles me responderam: dia 07/09/17. Confirmaram nossa reserva e aí fomos reservar os outros lugares com a Fantasticosur. Não encontramos mais vagas nos abrigos. Então ficamos acampampados. Alugamos as barracas. Não queríamos carregar peso.
      A gente já encontra a barraca montada. Muito prático!
      Não tem sinal de celular. Nos abrigos tem wi-fi, mas não compensa pagar seis dólares por hora. Conexão ruim e muita gente usando.
       
      Ah! Parei de colocar os valores gastos…
       Mas, eu gastei R$6000,00 ao todo: passagem, hospedagem, comida...este valor foi o total da viagem que incluiu El Cháten e El Calafate.
      Isso foi a dois anos atrás, mas espero que ajudem quem quer fazer essa linda e maravilhosa viagem...
      NENHUMA CÂMERA PODE CAPTURAR A BELEZA QUE NOSSOS OLHOS PODEM



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