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--> Leia o post original em nosso blog: http://casalnamontanha.com.br/2018/11/10/trekking-santa-cruz/

 

 

Após o Trekking de Huayhuash e a tentativa frustada de escalar o Nevado Pisco, tiramos um dia de descanso e  já estávamos planejando a nossa próxima aventura nos andes peruanos. Desta vez iriamos totalmente auto-suficientes, somente Renan e eu (Vanessa) com os mochilões em meio as montanhas nevadas sem nenhum apoio no trajeto em um dos circuitos mais clássicos e conhecidos da Cordilheira Branca:

O Trekking de Santa Cruz

Trata-se de um trekking que leva em média 4  a 6 dias e tem uma distância em torno dos 60km, com um ascenso acumulado de quase 5 mil metros totalmente dentro de um Parque Nacional, chamado HUASCARÁN. As altitudes variam de 3.000m a até 4.700m no passo Punta Union, altitude máxima atingida nessa travessia.

O inicio da caminhada se dá pelos povoados de Cashapampa ou Vaqueria. Geralmente a rota mais usada pelas expedições de agencias é Vaqueria –> Cashapampa, mas resolvemos fazer “do contra” , iniciando no “Pueblo” de Cashapampa caminhando pelos vales das montanhas até Vaqueria.

Seguindo esta rota teríamos os 3 primeiros dias de subida leve e um passo de montanha mais difícil no último dia.

ITENS  QUE LEVAMOS NA MOCHILA

Mochilas prontas para partir de Huaraz, rumo a Cashapampa e iniciar o trekking! Já com ideia do que nos esperava, montamos as mochilas com os nossos equipamentos de trekking e partimos ao mercado central de Huaraz em busca de adquirir os mantimentos para esta expedição.

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Gostamos bastante das comidas para acampamentos encontradas em alguns mercados em Huaraz, itens com embalagens pequena e delicias como o queijo fundido, leite em pó em embalagem de 200g, o pão clássico deles, redondo e achatado ( que dura mais de 1 semana e não amassa na mochila) doce de leite, doce de morango… hmmmm e o melhor é que se encontra facilmente e com ótimo preço!

DSC03182.jpg?resize=640%2C427 Nossa alimentação para 5 dias de trekking

Mas você deve estar pensando que carregamos muito peso e na verdade  NÃO! Quem é montanhista sabe que é muito importante estar leve na montanha carregando apenas o essencial para poder ir mais longe. Equipamentos bons e leves fazem a diferença, tornando a caminhada mais fácil e prazerosa. Além da barraca, saco de dormir, isolante e comidas, levamos um bom peso  com câmeras, baterias extras, drone e alguns outros eletrônicos, o que resultou em 2 mochilas bem cheias! 😮

O lado bom de fazer este trekking de forma autônoma é que estávamos livres naquele ambiente, acampávamos onde queríamos e fazíamos o ritmo da nossa caminhada sem horários ou  itinerário a seguir. Liberdade!

Camping: Barraca aztec nepal 2p, 2 sacos de dormir deuter orbit -5c conforto,  isolante inflável forclaz air quechua e 2 travesseiros infláveis. ( este kit nos proporcionou ótimas noites de sono com conforto, porém os sacos de dormir sintéticos pesam um pouco )

Além disso o kit básico de vestimentas contendo: 2 camisetas dryfit, 1 segunda pele térmica, 1 casaco de pluma, 1 corta vento impermeável, 4 meias, botas da snake andina extreme, bandana,  óculos de sol, bastão de caminhada, lanternas de cabeça, gorro, luva, chapéu, bloqueador solar e repelente.

Kit higiene compacto

Kit primeiro socorros

GPS, baterias, drone, câmera fotográfica, celular, pilhas extras.

Kit cozinha, com 2 copos, panelas e frigideiras compacta sea to summit, esponja, garrafa térmica pequena, fogareiro e gás.

Não é necessário nenhum equipamento especifico para neve nesta travessia, as temperaturas são agradáveis, até quente durante o dia ( sol a pino, sem muitos pontos de sombra ) e frio durante a noite, a temperatura miníma que pegamos durante a madrugada foi de -7c°.

O LUGAR

Cordilheira Branca, Huaraz, Peru

DSC03277.jpg?resize=640%2C448 Apachetas com vista para o imponente nevado Artesonranju

O Parque Nacional Huascarán é um paraíso de montanhas nevadas, com 60 cumes acima dos 5 mil metros de altitude, 27  com mais de 6 mil metros de altitude, 663 glaciares, 269 lagos de cor esmeralda e 41 rios. Ainda conta com 33 sítios arqueológicos. Um desafio com muitas opções. O tempo todo os nevados estão ao nosso lado!

O Nevado Huascarán ( montanha simbolo do parque e da cidade de Huaraz ) é uma montanha da Cordilheira Branca, parte dos Andes peruanos. Com 6.768 m, o mais meridional de seus picos (Huascarán Sur) é o mais alto do Peru  e um dos mais altos da América do Sul após o Aconcágua, e o Ojos del Salado.

É a montanha mais alta de toda a zona tropical da Terra, além de seu cume ser o segundo ponto da superfície terrestre mais afastado do centro do Planeta (depois do Chimborazo, no Equador) e o ponto terrestre com a menor atração gravitacional. O pico é formado pelos remanescentes erodidos de um estratovulcão ainda mais elevado que a montanha que hoje existe.

A montanha recebeu o seu nome de Huáscar, um chefe inca do século XVI que era um líder do Império na época.

O Huascarán está tombado dentro de um parque nacional com o mesmo nome.

No caminho encontramos diversos picos Nevados e entre eles, o famoso Alpamayo – 5.947m – que foi eleita em um concurso na Alemanha em 1966, a montanha mais bonita do mundo e o Artesonraju – 6.025m que é ícone dos filmes  da Paramount Pictures.

paramount-studios-logo.jpg?resize=640%2C O nevado Artesonranju é a montanha ícone que vimos nos filmes da Paramount. apesar de não ser a mais alta, é uma das montanhas mais técnicas da Cordilheira Branca.

Durante o trajeto fizemos um caminho extra de 8km ( ida e volta) para ir acampar a 4,300m na base do nevado Alpamayo, na sua face NW. Sem dúvidas um dos pontos altos da viajem.

DSC03275.jpg?resize=640%2C427 Apacheta e o Nevado Artesonranju, se destaca a direita, montanha ícone dos cinemas

Junto do Artesonranju,o Alpamayo também é uma montanha muito técnica. Conversamos com uns escaladores que encontramos no campo base, que nos contaram que a parte final antes do cume é uma parede vertical de gelo com 400m para ser escalada.

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O TREKKING

DIA 1  – Subindo o vale montanhoso

Segunda feira – 27 de agosto de 2018.

Acordamos mais tarde nesse dia e saímos do hostel as 10h, caminhamos até o centro para tomar um colectivo que nos levasse do centro de Huaraz até Caraz, uma pequena cidade ao norte, para lá pegar outra van até Cashapampa, um “pueblo” muito pequeno, onde termina ou inicia a trilha.

Lá, o ponto de inicio da caminhada é a quitanda do Seu Aquiles, local onde eles criam Trutas e Cuís (porquinho da índia)  e  quando chegamos, não havia ninguém em casa. Pensamos em esperar,  já era 13hrs e a intenção de inicio era pernoitar por ali mesmo para começar a trilha no outro dia cedo, o sol estava escaldante e não tinha como tirar a camisa de manga longa e a calça devido a grande quantidade de insetos naquele lugar quente e empoeirado.

A jornada de transporte saindo de Huaraz até o ponto de inicio da trilha levou em torno de 5 horas e pegamos 2 vans, não foi difícil de se achar, há várias vans saindo durante o dia, é só saber para onde quer ir e perguntar aos motoristas das vans.

01.jpg?resize=640%2C529 Marco de inicio do Trekking de Santa Cruz

Havia uma placa de um jovem americano que havia desaparecido por aquela região. Isso nos deixou um pouco apreensivos. Segundo o povo  local, o rapaz se perdeu durante a tentativa de escalada a um cume nevado.

DSC03168.jpg?resize=640%2C877 Esse aviso estava espalhado por vários pontos de Huaraz

Logo chegou um taxista trazendo a esposa de seu Aquiles, que nos recebeu e confirmou que poderíamos acampar ali. Por volta das 16hrs o clima ficou mais ameno e acabamos por mudar de ideia, ficamos ansiosos para começar a trilha naquela hora mesmo e decidimos nos adiantar para ganhar tempo. Seguir caminhando e acampar no primeiro lugar bom que achássemos antes de escurecer.

DSC03170.jpg?resize=640%2C427 Bar do sr Aquiles, ( estava fechado) ponto de inicio da nossa caminhada. ao fundo o pequeno povoado de Cashapampa

Sua esposa muito atenciosa nos ofereceu lugar para ficar e nos informou que também preparava comida, poderíamos pescar trutas do seu tanque e limpar na hora! Deu vontade, mas recusamos e as 16h colocamos o pé na trilha!

DSC03169.jpg?resize=640%2C427 As águas geladas que vem das montanhas são ideais para a criação de trutas, peixe que é abundante nesta região.

De inicio, subidas mais fortes, sempre seguindo ao lado do leito do rio Santa.  Com o final de tarde chegando a temperatura diminuiu e ficou  mais agradável de caminhar. Seguimos por 3 horas até onde terminava o primeiro trecho de subida e começava um descampado mais plano. O vale das montanhas nevadas mais altas já estava visível, de longe no horizonte dali em diante. Logo que começou a escurecer encontramos um local perfeito para acampar, um belo gramado plano e bem reservado ao lado do riacho!

Era tudo que queríamos naquele final de tarde!

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O Local é perfeito com um visual de montanhas rochosas, pedras que pareciam ser moldadas para sentar e um rio de águas gélidas e cristalinas. Mesmo com toda transparência da água, lembramos das dicas nos relatos lidos e assim não dispensamos o uso de nosso filtro de água, também sempre ferver a água da comida antes, já que por ali havia muito gado e a água poderia estar contaminada.  Caminhamos nesse dia cerca de 7km com as mochilas carregadas e chegamos às 18:30h no ponto onde acampamos. Saímos de 2.980m e chegamos à 3.300m de altitude neste primeiro dia.

DSC03180.jpg?resize=640%2C427 Noite linda, descobrindo um lugar incrível!

Nessa noite comemoramos a véspera do meu aniversário, conectados apenas com a natureza.
Um pedaço do paraíso nas inóspitas montanhas do Peru. Para fechar com chave de ouro, a lua cheia se revelou por de trás das montanhas. A janta essa noite foi por conta do Renan, que preparou um delicioso espaguete com creme de cogumelos, acompanhado de um bom vinho.

DIA 2 – Aniversário da Vanessa, descobrindo montanhas

28 de agosto de 2018

Acordei e me dei conta que estava completando os meus 24 anos. Confesso que foi um aniversário bem diferente, mas com certeza  um dos dias mais incríveis e que jamais esquecerei na minha vida!

Renan cantou Parabéns, assim que acordou às 7h.  Levantou-se fez um delicioso café reforçado enquanto eu descansava um pouco mais. Depois do café, levantamos acampamento para iniciar o nosso segundo dia de caminhada na travessia de Santa Cruz.
Amanheceu friozinho e um dia lindo e seco. aproveitamos o friozinho da manhã para caminhar, pois no meio do dia o sol era muito forte e preferíamos parar para descansar.

DSC03181.jpg?resize=640%2C427 Aquele café da manha do aniversário na montanha! (Não reparem minha cara, de quem acabou de acordar! rs)

Esperamos os primeiros raios de sol tocarem a nossa barraca, e colocamos os equipamentos rapidamente para secar e assim guarda-los na mochila e seguir a pernada.

DSC03184.jpg?resize=640%2C427 Acordando com 24 anos e desmontando acampamento de manhãzinha! Assim que eu gosto!

Pé na trilha, costeando montanhas e o riacho, sempre com uma quase imperceptível subida continua, passamos pelo Acampamento LLamacorral à 3760m por volta das 9:30h.

DSC03190.jpg?resize=640%2C427 Área de Camping Llamacorral

Este lugar geralmente é o primeiro ( ou ultimo) camping. Este seria nosso local de pernoite caso tivéssemos saído mais cedo no dia anterior, mas confesso que o lugar que achamos na sorte foi muito melhor, acampar ao lado de um riacho tranquilo que nos proporcionou uma ótima noite de sono!

Conforme íamos subindo a vegetação mudava. Logo abaixo dos 3.000m era muito seco e só havia vegetação onde tinha irrigação, conforme subíamos até os 3.500m a vegetação aumentava, e acima dos 3.700m começava a diminuir novamente. A paisagem não tinha muito verde e sim muita rocha, areia e gelo nos picos mais altos. A altitude e a falta de chuvas na região tornavam a paisagem completamente diferente de tudo que conhecemos no Brasil.

O sol começava a ficar forte e a temperatura aumentava, já estávamos apressando o passo em busca de um bom local com sombra ( raro por ali ) para descanso e almoçar. Começou a ventar forte após as 11h, o que amenizou a sensação de calor. Conforme subíamos a temperatura ficava mais agradável.

DSC03191.jpg?resize=640%2C427 Parada para lanche abrigados do vento e do sol!

Encontramos um pinheiro imenso, que nos serviu de sombra e nos protegeu do vento. Ficamos cerca de 1h descansando, fizemos um lanche e seguimos o caminho. A principal dificuldade era o sol forte, muito protetor solar e chapéu grande, após o lanche seguimos a caminhada, pois precisávamos fazer pelo menos 15km neste dia.

Depois de cerca de 4 km passamos ao lado da impressionante Laguna Jatuncocha de água azul turqueza, estas lagunas são literalmente uma reserva de água importante para os moradores locais.

Em alguns trechos havia uma espécie de barragem pequena, feita para as lagunas não “estourarem” no período de chuvas evitando estragos montanha abaixo.

Seguimos caminhando pela sua borda subindo o belo vale de montanhas.

DSC03213.jpg?resize=640%2C427 Laguna Jatuncocha! Surreal!

Durante quase toda travessia havia trilha demarcada, o rio corria ao lado esquerdo e com duas cordilheiras de montanha uma de um lado e outra de outro que formavam um caminho mágico.

Conforme subíamos o rio ia ficando mais fraco, até quase sumir, restando apenas os veios de água que em alguns pontos era possível ver eles escorrendo da neve das montanhas. No local não há nascentes de água, toda a água vem direto do degelo das montanhas nevadas escorrendo montanha abaixo.

DSC03201.jpg?resize=640%2C960 Veios de água que correm da montanha

Seguimos subindo o vale e aos poucos as montanhas nevadas iam ficando mais perto de nós e a vista cada vez mais impressionante!

DSC03198.jpg?resize=640%2C427 Se aproximando das montanhas nevadas

Em um trecho já acima da laguna, passamos por um terreno com grandes rachaduras, uma antiga lagoa que secou. Parecia que naquela região não chovia a tempo.

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Mais um trecho vale acima e chegamos no acampamento Jatunquisuar, com uma bifurcação, de onde se subia para a base do Alpamayo ou para o Passo Punta Union.

A travessia de 4 dias não faz esta parte extra que fizemos. Ao ver a topografia das montanhas que estávamos, ficamos fascinados, subir por este vale rodeado quase 360° por montanhas parecia surreal e incrível, não poderíamos deixar de conhecer.

Já era quase 6 horas e estávamos cansados, tínhamos que decidir se no próximo dia iriamos somente fazer um ataque, bate-volta no mesmo dia até o campo base do Alpamayo, deixando a barraca e pertences escondidos na mata, ou se iriamos subir com tudo e acampar lá em cima. Resolvemos  subir de mochilão e acampar na base do Alpamayo.

Captura-de-Tela-20.jpg?resize=640%2C521 Mapa topográfico com nosso trajeto, estávamos literalmente rodeados de montanhas para todos os lados!

Decidimos ficar 1 dia a mais na travessia e precisávamos racionar a comida para se manter nesse dia extra. ( sorte que levamos 1kg de tapioca do Brasil )

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2° acampamento, à 4.175m – Jatunquisuar – bifurcação entre o Alpamayo e Passo punto Union.

Cansada, após um dia inteiro de caminhada, gravei este vídeo no final da tarde:

Estávamos bem cansados, pois fizemos mais de 17km neste dia, jantamos e logo capotamos na barraca, ansiosos pelo próximo dia que prometia visuais incríveis, cerca de 10 minutos depois da gente entrar na barraca começou a chover, hora água, hora um granizo fino e passou tão rápido quanto chegou.

P_20180829_073111_vHDR_Auto_HP.jpg?resiz Segundo acampamento

A orientação neste local é cuidar com as vacas, que são curiosas e podem vasculhar sua barraca em busca de comida num momento de distração.

DIA 3 – Subindo até base do Nevado Alpamayo, 360° de montanhas

29 de agosto de 2018

Acordamos as 7:30h para preparar o café da manhã e começar a organizar as tralhas, enquanto isso notamos que estávamos sendo observados…

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Alguns pássaros se aproximavam da gente enquanto comíamos bolachas, ai descobrimos o seu interesse, quando saímos ele atacou as migalhas!

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Pegamos a trilha à esquerda, e subimos mais 500m de altura para acampar aos pés do Alpamayo, Quitaraju e Puscahirca sur,  para no próximo dia retornar ao trajeto da travessia e seguir o caminho rumo ao passo punta Union.

No caminho:

No caminho encontramos flores lindas típicas da região: Lupínios azuis que exalam um perfume forte e agradável. No trajeto, nos sentíamos bem com a beleza do lugar. Há mais verde, campos largos com grama, flores e florestas que nos presenteavam com adoráveis sombras!

P_20180829_094800_vHDR_Auto-1.jpg?resize Luípios em destaque e ao fundo, Nevado Alpamayo.

Alguns mochileiros passavam por nós, que estavam bem equipados para alta montanha e tinham intenção de escalar o Alpamayo. ” Buena suerte!”

Avistamos os nevados Jancarurish, Quitaraju, (6040 m.), Pucahirca, Rinrihirca, e aos poucos foi se revelando uma enooorme barreira de montanhas.

Conforme nos aproximando dos nevados reparamos que havia pontos pretos na neve, que se moviam de lugar.

Zoom máximo na câmera e conseguimos observar alpinistas subindo o nevado Alpamayo, na rota Quitaraju Trek.

Comentamos sobre a dificuldade, a coragem e a determinação de fazer uma aventura dessas. Subir estas montanhas nevadas deve ser incrível, porém não são nada fáceis, exigem muita força e técnica. Descobrimos o quão sofrido é fazer alta montanha, pois na tentativa anterior ao nevado pisco e o Cume do Diablo Mudo em Huayhuash,  que fizemos não foi nada fácil. Sem dúvidas o Alpamayo e as montanhas nevadas desse local é nível hard.

DSC03234.jpg?resize=640%2C552 Alpinistas escalando o nevado Alpamayo! Foi um belo registro.

Depois da subida havia uma parte plana, onde paramos para contemplar a estonteante paisagem. De um lado se via Artesonraju – e do outro o imponente Alpamayo junto de uma extensa escarpa de montanhas nevadas IMPRESSIONANTES!

Este local “secreto” sem dúvidas foi o ponto mais emocionante destes dias em Santa Cruz.

DSC03251.jpg?resize=640%2C427 Nevado Artesonranju, a montanha piramide.

Impressionantes formações rochosas, confesso que ficamos na vontade em tentar subir um destes nevados!

Porém só de olhar a inclinação das subidas já nos cansava!

DSC03331.jpg?resize=640%2C427 Á direita: Quitaraju e à esquerda Alpamayo.

Continuamos a caminhada até ponto de acampamento, próximo dali também havia um refúgio, onde geralmente ficam os grupos alpinistas que tentam ascensão a montanha.

Fomos conhecer e havia um peruano que estava esperando uma equipe de 3 alpinistas contando com 1 guia que tinham subido ao Alpamayo de madrugada, eram os “pontos” que avistamos na neve durante a manhã ( registrado na foto acima) .
Em baixo de uma árvore, um pequena parada para descanso. Montamos a barraca numa área mais reservada e partimos para outra caminhada, desta vez sem o peso das mochilas até uma laguna que ficava aos 4.420m, próximo dali.

P_20180829_154405_vHDR_Auto_HP.jpg?resiz Nosso acampamento, e o base camp Alpamayo (ao fundo)

Encontramos uma enorme pedra, onde havia fotos e homenagens dos escaladores que faleceram tentando escalar esse nevado.

GOPR1465.jpg?resize=640%2C348 Lembranças dos escaladores que perderam a vista nestas montanhas

Ficamos imaginando a rica e antiga história de montanhismo deste lugar e a experiência dos tantos aventureiros que  passaram por aqui.

Nesse dia caminhamos 4 km e tivemos 500m de subida para chegar ao Camping por volta das 12h. Após o lanche, subimos sem mochila a Laguna Arhuaycocha, que levou em torno de 3 horas ida e volta num ritmo bem tranquilo e com bastante tempo para fotos e videos.

Esta Laguna é de uma beleza extrema com o glaciar vindo do Pucajirca Sur (6040m) e do Ririjirca(5810m) que seguiam a formar a laguna de degelo, onde o gelo realmente tocava a água.

DSC03280.jpg?resize=640%2C427 Valeu a pena chegar aqui!

Decidimos explorar um pouco mais e antes vimos nos mapas que havia um mirador à direita, seguimos o aclive e contemplamos a melhor vista para as montanhas nevadas e a laguna. Um dos dias mais bonitos da travessia.

DJI_0257.jpg?resize=640%2C359 Laguna arhuaycocha e nevado Taulliraju

Visual impressionante,o vento soprava forte final de tarde.

DSC03313.jpg?resize=640%2C427 No mirador da Laguna Arhuaycocha, locais incríveis!

Na chegada fizemos um café para espantar o frio que chegava com o pôr do sol! Logo fizemos o jantar e fomos deitar um pouco com o avanço da barraca aberto para desfrutar da bela noite estrelada. A noite foi extremamente fria, chegamos aos -7 graus, mas nossa barraca, isolante e saco de dormir aguentaram bem e nos mantiveram aquecidos e confortáveis.

DSC03322.jpg?resize=640%2C427 Nossa sala de jantar!

Enquanto jantávamos vimos a lua saindo por trás da montanha, cena mágica que ficou gravada em nossa memória!

Dia 4 – Rumo ao passo Punta Union

30 de agosto de 2018

Saímos da barraca de madrugada para ir ao “baño” e vimos que havia com uma camada de gelo no sobreteto. Ficar fora com pouca roupa era impossível, as mãos e pés doíam de frio sem luvas ou proteção extra ( não queria colocar, luvas, jaquetas e bota para sair rapidinho) , o jeito era ficar na barraca quentinha até o sol sair e “desencarangar” para poder começar a o café da manhã e desmontar acampamento.

DSC03330.jpg?resize=640%2C427 Nossa barraca num amanhecer gelado na cordillera blanca

Base camp Alpamayo e o brilho do gelo em nossa barraca.Valeu a pena sair cedo só para ver o sol tocando as montanhas!

Nesse dia por conta do frio, voltamos para barraca e ficamos até pouco mais tarde, tomando um café da manhã, admirando a paisagem, e se preparando para o dia que viria.

DSC03342.jpg?resize=640%2C427 Pucahirca sur, visto de nossa barraca no amanhecer

Saímos um pouco tarde, por volta das 9h estávamos prontos com a mochila montada para baixar, e depois subir. Nosso objetivo neste dia foi atravessar o passo Punta Union. Descendo de 4.400m aos. 4.000m e depois subir novamente até os 4.700m. Este dia prometia ser o mais difícil da travessia.

DSC03260.jpg?resize=640%2C434 Rota de colisão 😮

Devido a altitude da montanha o som dos aviões era bastante perceptível.

Seguimos baixando e pegamos um atalho que nos fez evitar uns 100m de subida, e seguimos pelo ultimo grande platô, descampado, antes do grande passo de montanha.

DSC03350.jpg?resize=640%2C427 Vista para o vale em que viemos subindo nos últimos dias, o passo fica atrás.

Durante a primeira baixada uma grande butuca nos seguia. Comemos bolachas e doces durante o caminho. Por causa dos restos que ainda colavam levemente entre os dedos da mãos, a espertinha nos incomodou por um longo trajeto com seu zunidos e seus ataques surpresa em volta de nosso chapéu.

A subida que era quase plana, se tornava mais ingrime. Com quase nenhuma fonte de água ou sombra, já estávamos exaustos por conta do calor e sol forte. Baixamos a cabeça e seguimos devagar e sempre, rumo ao passo Punta Union, o gatorade de 750ml que guardamos para este dia foi realmente muito útil! Nessas condições é importante ter muito liquido a disposição para beber, e só água não saciava a sede, precisávamos de açúcar no sangue.

DSC03346.jpg?resize=640%2C427 No inicio da subida ao Passo Santa Cruz, esta foi a única “sombra” que achamos.

Seguimos subindo a montanha e aos poucos a paisagem ia mudando, ficando cada vez mais bonita conforme ganhávamos altitude.

Na metade do caminho era possível avistar a laguna Taullicocha, água azul turquesa do degelo das montanhas nevadas ao redor.

DSC03360.jpg?resize=640%2C427 Parada para descanso admirando a Laguna Taullicocha

Subindo o Passo Punta Union:

Depois de uma intensa subida, acima dos 4.500m o soroche começou a aparecer mais forte, a mochila parecia que pesava mais, o único jeito era continuar numa passada bem lenta, um passo de cada vez!

DSC03378.jpg?resize=640%2C997 Subindo…

Este foi o dia em que encontramos mais pessoas na trilha, os dias anteriores vimos  poucas pessoas, mas no caminho ao punta Union encontramos vários grupos, todos com guias e arrieiros levando suas bagagens.  Encontramos apenas outro casal de mochileiros descendo e também uma senhora de 74 anos, que nos surpreendeu pela sua força e resistência!

DSC03372.jpg?resize=640%2C427 Subindo o passo Punta Union!

Também encontramos um “guia” estrangeiro, desesperado, que estava procurando 2 pessoas que desapareceram de seu grupo, esperamos que tenham sido encontradas!
Apesar do caminho ser bem marcado, boa visibilidade e até sinalizado, as pessoas que não estão acostumadas a se orientar na montanha podem se perder facilmente aqui.

DSC03373-1.jpg?resize=640%2C427 Finalmente! Alcançamos o passo punta Union as 17:04hrs! visual incrível!

Não pudemos ficar muito tempo no passo, pois já estava tarde e ainda tínhamos que descer, e encontrar um lugar para acampar, e o gps marcava que o prox. acampamento estava a cerca de 7km dali, então começamos a baixar do outro lado do passo, apenas descidas, muito mais fácil agora!

DSC03383.jpg?resize=640%2C990 Baixando, já no outro lado do passo! baixar é só alegria 

Gostaríamos de ter tido mais tempo para explorar este local, seguindo por esta crista até onde começa o glaciar, quem sabe numa próxima…

DJI_0294.jpg?resize=640%2C359 Imagem aérea do caminho que fizemos, viemos da esquerda, subimos e descemos a esquerda

Na imagem abaixo a passagem para o outro lado do Passo Punta Union.

DJI_0276.jpg?resize=640%2C359 Chegada ao Passo Punta Union!

O caminho ficou cada vez mais longe e já estava ficando noite, descemos o máximo que conseguimos, até o anoitecer.  Descemos 5km, até os 4.000 metros onde finalmente encontramos um gramado plano que serviria de acampamento. Decidimos ficar por ali mesmo próximo à um riacho, dormir com o barulhinho da água e tendo água próxima para nosso uso.

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Quando montamos a barraca começou a aparecer vários mosquitos. Mal deixei a porta da barraca aberta já tinha vários dentro também. Tivemos que fazer um fogo para poder espanta-los e  fazer o jantar ali fora. Fomos dormir defumados.

À noite, já deitados, vimos uma luz vindo em nossa direção,  ficamos um pouco apreensivos, mas ficamos dentro da barraca camuflada com árvores ao lado da trilha. Mais tarde quando estava mais tranquilo, olhamos em volta e havia algumas vaquinhas que pastavam e mais abaixo uma barraca. A luz eram de outros mochileiros que também resolveram acampar próximos dali.

Combinamos de acordar cedo no próximo dia, para caminhar até Vaqueria, local onde conseguiríamos o transporte para retornar a civilização!

Dia 5 – Passo Punta Union – Vaqueria

31 de agosto de 2018

No outro dia acordamos super cedo e assim que tomamos café e desmontamos rapidamente o acampamento, continuamos na trilha morro abaixo, sempre descendo, apressando o passo.

P_20180831_091400_vHDR_Auto_HP.jpg?resiz As 9:14h chegamos no ponto de acampamento oficial, onde deveríamos ter chego ontem.

Chegando no posto de controle tivemos que apresentar os tickets de acesso, que havíamos comprado préviamente em Huaraz, caso não tivesse poderia ser adquirido na hora, pelo valor de 60 soles p/ pessoa.

GOPR1922.jpg?resize=640%2C333 As 9:30h chegamos ao posto de controle

Ai fomos informados que faltavam mais 7km para chegar a Vaqueria, e que teria onibus até as 15Hrs.

Os primeiros indícios de civilização começaram a aparecer quando chegamos ao pequeno pueblo de Huaripampa, um local bem simples de casas feitas com tijolos de barro.

P_20180831_101340_vHDR_Auto_HP.jpg?resiz Chegada ao Pueblo Huaripampa!

Algumas crianças que estavam por ali vieram correndo em nossa direção, falando  ”galletas, galletas!” Já estavam acostumados a ganhar um lanchinho dos mochileiros que passavam por ali.

Logo após um senhor de idade avançada, com o rosto marcado por uma vida sofrida nos pede algo para comer ou beber porque estava com muita” hambre e sede”. A unica coisa que tínhamos na mochila era uma ”marmelada de frutijja” (geleia de morango) e  ”ojas de coca”’e pouca água, doamos toda a comida que tinha sobrada da travessia ao senhor. Era um local precário e com muita pobreza.

GOPR1925.jpg?resize=640%2C346 Em muitas regiões do peru as casas são feitas com tijolos artesanais

Seguimos até uma quitanda,  tomamos uma cerveja quente e comemos bananas.  Conversamos com 2 campesinas que nos informou que poderia chamar um taxi para nos levar até Vaqueria por 60 soles. Valor para ”’gringo”.

P_20180831_102514_vHDR_Auto_HP-1.jpg?res Quitanda, em Huaripampa

A proposta foi tentadora mas seguimos caminhando debaixo do sol forte.

Eu Vanesssa já estava com dor no pé, pois havia aparecido bolhas que estavam me incomodando, porém isso não podia me afetar pois tinha que continuar, caso contrário, não iriamos conseguir pegar o colectivo a tempo. No caminho  ainda fomos surpreendidos com uma forte subida, talvez porque estávamos cansados, ela parecia muito maior! Nossa sorte é que tinha bastante arvores e sombras no caminho!

Depois de uma longa subida, finalmente em Vaqueria, esperávamos um pequeno pueblo, mas na verdade era quase como um ponto de ônibus, a beira da estrada com algumas vendas.

P_20180831_131700_vHDR_Auto.jpg?resize=6 Pueblo de Yanama – Vaqueria

Chegando em Vaqueria, paramos em uma tenda simples e uma campesina estava lavando roupa em uma bacia. Parou para nos atender e perguntei se não havia sopa e ela prontamente disse que sim e que iria fazer para mim por 5 soles, pedimos uma cerveja para comemorar a chegada!

P_20180831_114935_vHDR_Auto.jpg?resize=6 Final da caminhada

Ótimo, chegamos próximo do meio dia, com muita fome e o primeiro colectivo só chegaria às 14h. Durante o almoço a campesina também se sentou com a gente para almoçar e nos contou sobre a sua pousada que ficava a uns 100 m dali. Conversamos com algumas crianças que estavam ali também esperando o colectivo. Passaram 3 vans lotadas de gente, e não teria condições de irmos junto por falta de espaço para nós e as mochilas, e ficamos por ali matando tempo à espera no ônibus.

Quando já estávamos ficando preocupados, finalmente por volta das 16hrs apareceu um ônibus grande, que nos levaria diretamente até Huaraz ( 140km) por meros 50 soles para nós 2, valeu a pena esperar por este busão!

E quando achamos que a aventura acabou, o trajeto que fizemos com esse busão foi sensacional e deu até medo!

P_20180831_150214_vHDR_Auto.jpg?resize=6 Descendo a montanha

Passamos pelas estradas ao lado de penhascos e curvas fechadas, só passava um veiculo por vez. Relaxamos na cadeira tendo as melhores vistas pela janela de todas as montanhas nevadas imponentes  na Cordilheira Branca. Subimos um passo de ônibus e descemos do outro lado, passamos em frente ao mesmo local onde entramos para o nevado pisco e laguna 69.

P_20180831_151954_PN.jpg?resize=640%2C20 Vista da Janela do onibus. Huascarán a esquerda e Huandoy a direita

Pense numa estrada insana! Tudo que queríamos naquele momento era uma mountain bike para descer esta serra!

<iframe width=”560″ height=”315″ src=”https://www.youtube-nocookie.com/embed/chAmG-bzJt4?rel=0&amp;controls=0&amp;showinfo=0″ frameborder=”0″ allow=”accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture” allowfullscreen></iframe>

Do alto do passo, o ônibus fez uma parada, estávamos cara a cara com o nevado Huascarán, o mais alto do Peru e o impressionante macico do Huandoy.

P_20180831_151517_vHDR_Auto.jpg?resize=6 Os 2 picos do Nevado Huascarán, Norte e Sul

Sensação de desafio completado com sucesso! Saímos estasiados de mais uma espetacular travessia na imersão dos Andes Peruanos. Gratidão a Pachamama!

Chegamos a Huaraz por volta das 20hrs, fizemos um lanche no primeiro lugar que encontramos  e pegamos um taxi até o hostel para o nosso merecido descanso!


Confira o post Original no blog: http://casalnamontanha.com.br/2018/11/10/trekking-santa-cruz/

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  • 1 mês depois...

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Olá, Renan 

A princípio parabéns pelo seu relato! Acho muito legal quando as pessoas tem a paciência de retornar ao Mochileiros com o intuito de realmente informar as outras pessoas, e não somente postar as fotos. 

Bem, irei para Lima em dezembro e passarei 25 dias viajando pelo Peru. Como já fui outra vez pro país, estou tranquilo em relação a ficar levantando informação de absolutamente tudo. Como o foco principal da viagem é Huaraz, gostaria de tirar algumas dúvidas contigo:

1 - Em Huaraz eu consigo alugar todos os equipamentos necessários para os dias no parque (barraca, saco de dormir, isolante, fogareiro, etc)? Nesse caso, saberia me dizer o custo médio disso?
2 - Pagando o valor de entrada no parque, quantos dias posso ficar por lá fazendo os trekkings?
3 - Há a necessidade de contratação de guias para os dias no parque? Gostaria de fazer algo independente, do mesmo modo que fiz em Torres del Paine (organizei as informações dessa viagem num blog cujo endereço é esse: http://patagoniademochila.blogspot.com/).

A princípio seria isso! Ficarei muito grato se puder me ajudar nessa, pois a maioria das informações daqui do fórum são muito antigas.


Um abraço.

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  • 3 meses depois...
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@André Argentino  Olá meu amigo! Fico feliz que nosso relato te ajudou!

Vamos lá:
1 - Em huaraz há grande oferta de equipamentos tanto para comprar quanto para alugar. No aluguel o valor é por dia, cada item tem seu custo individual, funciona assim: Faça uma lista com os equipamentos que precisa alugar, e vá no centro para pesquisar os valores ( e verificar o estado dos equipos) nas agencias.
 

2 - No parque nacional Huascaran há 3 tipos de taxa de acesso: 1 dia = 30 soles, 3 dias = 60 soles, 30 dias = 150 soles

3 - Somente você precisa guia para alta montanha, se já tiver experiencia prévia, os trekkings voce pode fazer por conta própria tranquilamente, os caminhos são bem marcados, é facil achar transporte para ir e voltar. Na cordillera blanca os mais legais são Santa Cruz, Cedros x Alpamayo. 
Huayhuash recomendo fazer com guias, pois é um local muito remoto e inseguro.

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    • Por Tadeu Pereira
      Trilha Saco das Bananas ou Trilha das 10 Praias Desertas - Caraguatatuba x Ubatuba - SP 
      Praias: Praia da Tabatinga, Praia da Figueira, Praia da Ponta Aguda, Praia da Lagoa, Praia do Simão, Praia Saco das Bananas, Praia da Raposa, Praia da Caçandoquinha, Quilombo Caçandoca, Praia do Pulso, Praia da Maranduba e Praia do Sape.
      Dificuldade: Moderado
      Distância: 28 km
      Salve salve mochileiros!
           Segue o relato desta trilha fantástica situada entre Caraguatatuba e Ubatuba no litoral Norte de São Paulo, iniciada na Praia da Tabatinga a aproximadamente 20 Km da cidade de Caraguatatuba e finalizada na praia do Sape. A trilha é de nível médio com subidas e descidas mostrando belas paisagens e diversas praias. A maioria das praias são quase que desertas com pontos de água potável.  
      Partida - 17/11/20 - Ida 7:30am - São Paulo x Caraguatatuba -> BlablaCar R$45,00 - Caraguatatuba x  Praia da Tabatinga -> Ônibus R$4,65
           Partimos do bairro do Butantã em São Paulo capital onde combinamos com o motorista do aplicativo BlablaCar para sair às 7:30am. Saímos no horário marcado e fomos em 4 pessoas no carro. A viagem foi tranquila, segura, todos de máscaras pela pandemia e com duração de duas horas e meia até chegarmos ao Terminal Rodoviário de Caraguatatuba onde pegamos um ônibus do transporte público com sentido a cidade de Ubatuba. Depois de aproximadamente 35 minutos descemos no último ponto da praia da Tabatinga próximo ao Mercado Prime onde fica o início da trilha pela rua à direita do mercado. Compramos mais alguns mantimentos e água e iniciamos por volta das 11:00am a Trilha do Saco das Bananas ou Trilha das 10 praias desertas.   
       
           A trilha teve início na rua ao lado direito do Supermercado Prime pela Rua Onze onde seguimos por ruas com um terreno muito acidentado com muitos buracos e lama até chegar na entrada para a Praia da Figueira. Resolvemos não entrar nesta praia pois o tempo não estava ajudando muito e então seguimos em frente. Alguns metros a frente chegamos no Mirante da Praia da Ponta Aguda de onde se tem uma bela vista da Praia da Figueira e da Praia da Ponta Aguda.
         
                                                 (Entrada Praia da Figueira)                                                        (Estrada)
       

      (Mirante da Praia Ponta Aguda) - (Praia da Figueira)

      (Praia da Figueira)

      (Praia da Figueira)
           Passando o mirante a trilha começa a adentrar a mata mais fechada passando por diversos pontos d'água. Andamos por mais ou menos mais 1 hora e chegamos em um casarão abandonado com várias bananeiras ao redor. Não sei a história desta casa mas parecia ser bem antiga. Neste ponta a trilha se divide em duas, para a esquerda se segue a trilha para a Praia do Simão, e para a direita se chega na Praia da Ponta Aguda. Descemos uns 15 minutos de trilha passando por um descampado até chegar na Praia da Ponta Aguda. 
       

       (Praia da Ponta Aguda) 

       (Praia da Ponta Aguda) 
            Ficamos pouco tempo na Praia da Ponta Aguda pois estávamos correndo contra o tempo que a todo momento mostrava que podia desabar com muita chuva. Retornamos pela mesma trilha que chegamos na praia e continuamos a trilha seguindo as placas rumo a Praia da Lagoa. 
       

          (Praia da Lagoa) 
           A Praia da Lagoa que faz jus ao nome contém uma lagoa que desagua no mar situada do lado esquerdo da praia. Retornamos pela mesma trilha e seguimos as placas para a Praia do Simão que a princípio iríamos pernoitar e seguir no dia seguinte.  
       
           Apesar da placa de proibido resolvemos seguir em frente e caminhamos por mais ou menos umas 2 horas neste trecho. A trilha estava muito molhada pela chuvas do dia anterior tornando o trecho escorregadio e muito difícil de render a caminhada. O tempo até que estava colaborado pois só tínhamos pego chuviscos durante o caminho, até que chegando próximo da Praia do Simão o tempo simplesmente resolveu dizer qual seria o nosso destino pelos próximos 3 dias ahahauhauhauha. 
       
           Começando com um chuva bem fina, toda aquela água que estava acumulada durante o dia resolveu cair bem na hora que estávamos chegando na Praia do Simão ahuahuah e não parou mais. Depois de vários escorregões e tombos passando por alguns trechos que sem chuva até seriam fáceis, mas com toda aquela água caindo do céu com a trilha encharcada e muito escorregadia ficaram bem complicadas. E depois de algumas horas chegamos na Praia do Simão ou Praia Brava do Frade.

      (Praia do Simão ou Brava do Frade)

      (Praia do Simão ou Brava do Frade)


      (Praia do Simão ou Brava do Frade)

      (Praia do Simão ou Brava do Frade)
           Segundo moradores a Praia Brava do Frade possui este nome pois a um tempo atrás morou um frade na praia por muitos anos, razão do nome original. A praia é bastante procurada também por surfistas que buscam tranquilidade em uma praia deserta longe da badalação, mas neste dia não tinha ninguém na praia. 
           Chegamos e já montamos acampamento no meio das inúmeras árvores pensando em obter alguma sombra pra caso no dia seguinte o sol desse as caras ahuahuah. A praia tem mais ou menos 1 km de extensão com mar de águas agitadas, areia clara, praia de tombo, aparentemente com muitas correntes de retorno. Também ficamos próximos ao um ponto de água potável que fica no meio da praia formando uma pequena lagoa que com a forte chuva virou uma grande cachoeira que corria até o mar. A pernoite estava garantida, mas a chuva não parou mais aquela noite e nem no outro dia. Choveu forte, com trovoadas e muito vento o tempo todo.

      (Praia do Simão ou Brava do Frade)
       
       

      (Praia do Simão ou Brava do Frade)

      (Praia do Simão ou Brava do Frade)

      (Acampamento)

      (Praia do Simão ou Brava do Frade)
       
      (Bica d'água)
           Acordar em uma praia deserta certamente é um desejo de muitas pessoas, mas acordar com a praia deserta e com muita chuva também foi uma experiência muito boa com sentimento de frustração e agradecimento. Ficamos por três dias nesta praia por causa da chuva, as barracas viraram nossos lares naquele paraíso por alguns dias ahuahua. A chuva não deu trégua no segundo dia, choveu por várias horas de manhã até o meio da tarde. Tivemos que esperar por horas pra sair da barraca pra poder conhecer aquele paraíso, mas quando a chuva deu uma trégua nós saímos para desbravar e conhecer a praia. 

            Do lado direito andando pela praia existe um paredão de pedra que dependendo do volume d'água é um bom ponto para um banho de cachoeira, mas neste dia apesar de toda a chuva estava com volume baixo.  
       
      (Cachoeira)
            A chuva começou novamente e retornamos para o camping e por ali ficamos. Fizemos toda nossa comida dentro da barraca. Uso o modelo QuickHiker 2 Quechua que tem duas portas e dois grandes avanços possibilitando usar o fogareiro sem nenhum problema. Choveu o resto do dia e toda a noite. 

       
            Dormimos cedo com muita água ainda caindo, e por volta das 4:30am da madrugada a chuva resolveu finalmente parar. Resolvi sai da barraca assim que amanhecesse para ir ao banheiro e me deparei com um nascer do sol sensacional saindo lá longe no horizonte do mar. E depois de tanta chuva tive uma sensação de euforia, alegria, minhas energias se renovaram e todo aquele cenário de frustração por causa de toda aquela chuva mudou imediatamente ao ver os primeiros raios de sol naquele dia ahuahua, foi muito emocionante. Bom Diaaaaaaaaaaa!


       




      (Praia do Simão ou Brava do Frade)
           Com toda aquela animação já preparei um belo café da manhã e comecei a desmontar acampamento para seguir em frente pois além de toda aquela chuva que estava caindo antes, o mar também estava um pouco revolto e impossibilitou a travessia pela praia para poder continuar a trilha. E naquela manhã tudo isso estava ao nosso favor para poder continuar a travessia, então tomamos um café reforçado, desmontamos todo acampamento e seguimos para o lado esquerdo no final da praia onde fica a continuação da trilha. 

           No final da praia havia um acampamento fixo montado com barracas, panelas, talheres, pia, agua encanada hauahuahua. Depois de todo o perrengue que passamos com a chuva, aquele acampamento iria ser muito útil pra nós. Mas como não tivemos muito tempo de desbravar a praia, só encontramos esse acampamento quando estava saindo do Simão. Um morador local que encontramos na trilha nos disse que são de surfistas que se juntam e passam alguns dias neste local.  

       
           A continuação da trilha fica atrás deste acampamento. Neste trecho existe uma subida até chegar em um mirante que se vê toda Praia do Simão. E é neste trecho da trilha que se faz jus ao nome Saco das Bananas. Caminha-se por diversas plantações de bananas revelando belas paisagem. 


      (Mirante - Praia do Simão ou Brava do Frade)

             A caminhada neste trecho foi um pouco cansativa pois existem algumas subidas e descidas que desgastam um pouco por causa do peso da mochila. Caminhamos por uma hora e meia mais ou menos até chegarmos nas ruinas de uma escola abandonada, a Escola do Saco das Bananas construída em 1973 que atendia por volta de 25 crianças fechando em 1993 por falta de alunos. Ao lado esquerdo da escola segue a trilha para praia da Raposa e para o lado direito fica a trilha que chega na próxima praia da travessia, a Praia do Saco das Bananas. 

      (Escola E. P. G. Saco das Bananas)

           Seguindo a trilha da escola até a Praia do Saco das Bananas começamos a perceber o quanto ela é histórica com a frequente presença da Comunidade Quilombola existentes em algumas ruinas da época da escravidão. Levaram 10 minutos de descida até a praia e chegando encontramos um casarão de frente para o mar, que provavelmente seria dos donos de toda aquela plantação de bananas, encontramos uma praia pequena de aproximadamente 55 metros de largura, areias amareladas, águas cristalinas, com algumas pedras enterradas nas areias e cercada pela Mata Atlântica.

      (Praia Saco das Bananas)

      (Praia Saco das Bananas)

            Na Praia Saco das Bananas encontramos com alguns moradores que nos informaram que a praia era como um porto para os barcos levarem os produtos que os moradores cultivavam e que na sua maioria eram e é até hoje as bananas. Chegamos bem na hora que eles tinham colhido vários cachos. Nos contaram também que a trilha Saco das Bananas em alguns trechos, foram estradas construídas de pedra com intuito de facilitar o transporte de mercadorias cultivadas no roçado como: cana, mandioca, banana e outras especiarias. A praia guarda muitas histórias e muitos mistérios de sofrimento do período escravocrata e ainda sofrem até hoje com a especulação imobiliária. 

      (Praia Saco das Bananas)
           Ficamos por uma hora nesta praia contemplando e logo seguimos para a próxima praia que seria a Praia da Raposa. Retornamos até a escola e na bifurcação da trilha principal fomos para a esquerda. Neste trecho existem algumas subidas de tirar o fôlego, mas que nos proporcionaram vistas fantásticas das praias. 
       




       



           Caminhamos por uma hora e meia neste trecho até que chegarmos na entrada da Praia da Raposa, mas por causa do tempo ruim decidimos seguir em frente e não passar por esta praia. A entrada pra praia fica em uma trilha pequena onde existe uma corda para ajudar na descida ingrime. A entrada é bem pequena e fica à direita pra quem vem da Praia Saco das Bananas. Caminhamos mais alguns minutos e chegamos na Praia de Caçandoquinha. 

      (Praia da Caçandoquinha)

      (Praia da Caçandoquinha)
       
      (Rio de água doce)
           Chegando na Praia da Caçandoquinha se vê um casarão de fazenda do período escravagista mas que, por ser privada, não é aberta ao público. É uma praia de mar calmo, areias claras, muitos borrachudos, do lado direito da praia existe um riacho de água doce e contém algumas árvores centenárias propiciando ótimas sombras para ficar a beira mar. Hoje a Caçandoquinha guarda uma história de riqueza branca e sofrimento escravo, amenizado com o reconhecimento e regularização do Primeiro Reduto Quilombola do litoral norte do Estado de São Paulo.
        
      (Praia da Caçandoquinha)
           Ficamos um tempo nesta praia para descanso e aproveitamos para fazer um lanche embaixo das sombras de umas das grandes árvores centenárias que têm de frente para o mar. Ao contrario da sua vizinha, Caçandoca, esta praia é muito tranquila, não existe nenhuma estrutura para o turismo, não se chega de carro, e é pouco frequentada. Do lado esquerdo da praia existe uma trilha que leva ao Quilombo Caçandoca, nosso próximo destino. 
           Caminhando por uns 10 minutos já se chega no costão onde existe uma corda para a descida até a Praia da Caçandoca. A praia é fantástica, um paraíso quase que intocado sem construções e com uma enorme história.  De areias claras, mar calmo o lugar tem um deslumbrante vista da baía do Mar Virado, Maranduba e algumas ilhas. Esta praia por ter acesso de carros pelo km77,5 da rodovia Rio-Santos já tem um pouco mais de estrutura como alguns campings e alguns quiosques a beira mar, mas tudo bem simples.
            A região do Quilombo Caçandoca tem muita história, faz parte de uma área legalizada como pertencente aos Quilombolas remanescentes das comunidades da época do período de escravidão contando com 890 hectares.  O Quilombo Caçandoca é o mais antigo do litoral norte de São Paulo e encontra - se em um dos lugares mais belos do Brasil. A escravidão só teve um "fim" em 1888 através da Lei Áurea, mas muito tempo antes os negro já lutavam por sua liberdade. A história como a dos remanescente de Quilombos, como a da antiga Fazenda Caçandoca, mostra que a luta foi árdua, mas foi vencida, e esta parte da história é passada de pai para filho, netos e bisnetos, mantendo sempre acesa a memória da Comunidade Quilombola. 
       
      (Praia da Caçandoca)
       
           Assim que chegamos já fomos atrás de um camping pois o tempo estava fechando novamente mostrando que iria chover novamente. Sentamos no Quiosque Pastel da Vó e conversando com alguns locais, nos recomendaram o Camping do Jango que fica do outra lado da praia no canto esquerdo. Fomos até lá e fechamos por R$25,00 Reais pra cada por uma noite com banho quente. Montamos a barraca e retornamos para o quiosque Pastel da Vó para curtir o resto do dia com sol enquanto tinha.
       
         (Quiosque Pastel da Vó)
           Retornamos ao camping onde tomamos um bom banho quente, fizemos um rango reforçado e dormimos pois a chuva não deu trégua no começo da noite. No dia seguinte o sol prevaleceu no céu o dia todo, o que nos proporcionou ver o quanto aquele lugar é maravilhoso mostrando belas paisagens. Decidimos ficar mais um dia e seguir para próxima praia somente no dia seguinte.
       
      (Camping do Jango)

      (Igreja)

      (Praia da Caçandoca)

      (Praia da Caçandoca)

           (Praia da Caçandoca)

           Passamos quase que o dia todo no Quiosque Pastel da Vó, pois além do tratamento maravilhoso, a cerveja tava muito gelada e ainda nos deram o valioso repelente que os locais usam para parar os borrachudos. Uma mistura de óleo de cozinha com vinagre de álcool. A mistura funcionou e lambuzamos o corpo. Bye bye Borrachudos! huahauhau 

       (Praia da Caçandoca)

       
           Foi o dia mais quente da travessia com uma temperatura de quase 30 graus. Almoçamos pela praia mesmo, comemos porções e pasteis da Vó e tomando uma merecida gelada. Até que os preços estavam de boa, nada abusivo. Retornamos ao camping por volta das 19:00pm horas, fizemos mais um rango reforçado e descansamos para poder seguir bem cedinho para as próximas praias. 

      (Praia Quilombo Caçandoca)
                  Desmontamos acampamento por volta das 6:00am horas da manhã com um nascer do sol sensacional que fomos presenteados naquela linda manhã de Domingo.

      (Praia Quilombo Caçandoca)
           Tomamos um café da manhã reforçado, contemplamos por mais alguns minutos aquele momento e aquele lindo lugar e logo seguimos para a próxima praia, a Praia do Pulso. A trilha fica no canto esquerda da praia da Caçandoca muito próximo do camping que ficamos. .

           Caminhamos por uns 15 minutos até que chegamos em uma guarita com um guarda que nos informou como passar pela Praia do Pulso. A praia de acesso restrito tem na sua maioria acesso por condôminos. Descemos mais alguns minutos e chegamos em uma praia com um extenso gramado comunitário, areias fofas amarelas, enormes árvores proporcionando uma grande sombra em dias ensolarados, mar calmo de águas claras, porém o que chamou mais atenção foram as enormes casas chegando quase que nas areias da praia.  Não existe nenhuma estrutura para turismo, ambulantes, quiosques.

      (Praia do Pulso)

      (Praia do Pulso)

      (Praia do Pulso)

      (Praia do Pulso)

      (Praia do Pulso)

      (Praia do Pulso)

      (Praia do Pulso)
           Comtemplamos por alguns minutos e seguimos até o canto esquerdo da praia onde fica a continuação da trilha. Neste trecho a trilha foi um pouco cansativa pois o sol estava bastante quente e as subidas deste trecho nos castigaram bastante. Durante a trilha vimos diversos mirantes com vistas espetaculares passando pelos fundos das casas até chegarmos aos fundos da famosa Igreja de Nossa Senhor de Fátima ou também conhecido como o Castelo dos Arautos. Uma fantástica construção de 9 mil m² parecido com castelos medievais com obras de Aleijadinho e com uma vista fantástica da Ilha do Pontal, Ilha e Praia de Maranduba e ao longe uma parte da Trilha das Sete Praias.

      (Praia do Pulso)
       


           Após passar pelo Castelo dos Arautos caminhamos por uma estrada chamada Estrada da Caçandoca até a rodovia BR101 Rio-Santos, onde seguimos por alguns quilômetros até a praia de Maranduba.

           Procuramos logo por um camping e encontramos o Camping Toa Toa que fica entre as Praias de Maranduba e Praia do Sapé. Fechamos por R$35,00 Reais e ficamos por uma noite. O Camping Toa Toa é bastante estruturado com banheiros amplos, com chuveiro quente, uma grande área gramada com vários pontos de energia, churrasqueiras, cozinha comunitária e com entrada tanto para praia quanto para rodovia Rio-Santos BR101. Montamos acampamento e saímos logo para procurar algum lugar pra almoçar e depois conhecer o local.   


      (Praia do Sapé - Ilha do Pontal)
           A Praia de Maranduba e do Sape são praias mais voltadas para banho, crianças, família. Tem uma ampla estrutura comercial e turística como quiosques, pousadas, hotéis, mercados e restaurantes. Como estávamos passando por praias quase que desertas sem ninguém a alguns dias já, esta praia foi meio que um choque pois estávamos voltando para a cidade.

      (Camping Toa Toa)

      (Praia de Maranduba)
           Desmontamos acampamento e mais uma vez o sol nos presenteou com mais um lindo nascer. Mochila feita e café tomado fomos para a rodovia Rio-Santo aguardar o ônibus para retornar a Caraguatatuba. Aguardamos por alguns minutos até prgar o ônibus sentido Caraguatatuba por R$4,65 e em 40 minutos chegamos na rodoviária. Almoçamos em um restaurante ali próximo do terminal e fechamos com um BlablaCar pra algumas horas depois por R$48,00 Reais de Caraguatatuba até São Paulo. E assim acaba mais uma trip e eu só tenho a agradecer! 
      GRATIDÃO  
      Retorno - 23/11/20 - Volta 9:00am  - Maranduba x Caraguatatuba -> Ônibus R$4,65- Caraguatatuba x São Paulo ->BlablaCar R$40,00
       
       
       
      Facebook: https://www.facebook.com/tadeuasp
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    • Por Jonas Silva ForadaTribo
      2020 ano imprevisível. Ficamos a deriva desde fevereiro. Toda a temporada de montanha foi se embora, as viagens minguaram. Precisamos recorrer a destinos não antes planejados.
      Foi assim que topamos com a Ferrovia do Trigo, como descrevi em relato anterior, conseguimos fazer um circuito pelo Campo dos Padres em setembro e cinco dias antes de sairmos para a Serra Geral catarinense, recebemos um convite para fazer o trekking Guaporé Muçum. É claro que já havíamos ouvido falar e lido algum relato, mas não estávamos muito iterados sobre. Não gosto de perder oportunidades, então, após uma lida rápida em um relato e olhadela no wikiloc aceitei a proposta. O trekking não tem muito segredo é autoguiado, e a logística também é tranquila.
      Chegando ao Início
      De Urubici descemos por Lages, Vacaria até Muçum. A viagem já foi um charme, depois de Vacaria, entrei em uma área  de vinhedos e colonização italiana (Ipê, Antônio Prado, Nova Prata etc.) com muitas capelas, colinas e construções majestosas. Acredito que faça parte de alguma rota turística, mas como não conheço muito do RS né. Resumindo, estou pensando em voltar para lá fazer um tour bem longo.

      Saímos em Guaporé e fomos dormir em Muçum, no Hotel Marchetti, talvez seja o único da cidade. Fizemos um acordo com o proprietário que permitiu deixarmos o carro por ali, sob supervisão dele. E diga se de passagem o rapaz foi nota mil, além de zelar pelos carros, o hotel é fantástico, dá show em muito Ibis por aí. Excelente atendimento, limpeza impecável e o café da manhã top.
      No dia seguinte pegamos o ônibus suicida para Guaporé. A viagem foi uma história. Começou quando perdi a passagem, e tive de entrar no ônibus sem ela, ainda bem que o motorista não encrencou. Durante o trajeto nos contou muitas de suas peripécias, quando dirigia carretas, vários golpes em danceterias e restaurantes (talvez ele estivesse achando que eu estava dando o balão na passagem). De repente, a 90 km/h ele vira para a esquerda num portal dentro do vale, o coração quase sai pela boca. A conversa acabou até Guaporé (acabou o fôlego ou rezávamos para que não houvesse outro drift). Descemos na entrada de Guaporé, e a poucos metros já podíamos ver os trilhos.
      A Trilha
      Começamos a trilha, meio desconfiados com alguns carros de fiscalização parados ali na estação. Mas logo estávamos todos no ritmo dos dormentes. Os primeiros 6 km são monótonos, os passos ainda teimam em ser descompassados (é cada bicuda no trilho/dormente). Então começam os viadutos, e a direita o vale começa se exibir.

      Lá pelo terceiro/quarto viaduto já é possível ver o majestoso Rio Guaporé a bailar no vale. Surgem os primeiros túneis. Uns curtos, outros alongados, mas nada muito incrível. Topamos com a equipe de manutenção logo cedo, foi o teste que precisamos para ter certeza que não seríamos proibidos de passar por ali, afinal andar nos trilhos não é tão "legal" assim. Batemos um papo, tudo ok, seguimos.
      Já eram 14:00 quando chegamos no primeiro grande viaduto, vazado, muito alto e comprido. Cautelosamente passamos. Só fomos saber no dia seguinte que era o Mula-preta.

      Ali do lado tinha um sinal de acampamento, mas como era cedo e os destroços indicava fluxo de pessoas considerável, resolvemos seguir. Pouco tempo depois entramos num túnel infinito. Foram 40 min no meio do breu. Apenas os pontos de luz das lanternas indicava a existência de vida naquele buraco. Saímos do túnel de 2000 m já num local ideal para o pernoite. Uma estrada de caça ao lado da ferrovia, com sinal de acampamento, a poucos metros de um córrego de água limpa. Armamos as barracas, e só fomos acordados às 02:45 quando o gigante de aço rasgou a escuridão com seus olhos de fogo e silvo de dragão.
      No dia dois, começamos a caminhada era idos 07:00. Mais alguns túneis e chegamos no Viaduto Pesseguinho (esse possui placa de identificação), de posse dessa informação já suspeitamos que aquele do dia anterior era o Mula-preta.

      Quando estávamos parados para tirar algumas fotos e recuperar o fôlego fomos surpreendidos por um senhor vestidos de militar. A abordagem foi bem categórica:
      - Os senhores sabem que é proibido andar nos trilhos? - Indagou o militar.
      - Sim senhor, está escrito em letras garrafais na placa ali da entrada do viaduto. - Respondo em tom bagual, hshs.
      - Então o que fazem aí em cima? - Retrucou o homem.
      - Estamos a fazer a travessia. - Mudei o tom, para não criar problemas.
      Logo de início tinha percebido que o 'militar' era proprietário do camping ali embaixo. Ele frustrado com o movimento veio desabafar. Tentou aplicar um sermão, falando que a polícia estava prendendo e que haviam câmeras na entrada, saída e no camping dele, que iria passar para a polícia e estaríamos encrencados. Ouvi pacientemente. Ele acalmou e depois esclareceu algumas dúvidas, contou alguns acontecimentos da travessia recentes, passamos quase 1h conversando (no final do dia fomo saber que esse proprietário costuma causar alguns problemas por ali, inclusive já foi preso por abordar trekkers armado).
      Passado essa lorota seguimos. Atravessando viadutos, mergulhando em túneis, eles estão por toda a parte. O Rio Guaporé a cada curva é mais bonito.

      Depois de passar pela Cachoeira da Garganta com muita gente, na altura dos 35 km paramos para almoçar. Como o maps.ME indica um cachoeira ali perto, não tive dúvidas, achei uma trilha e fui procurá-la com um dos parceiro. Andamos 2 km morro adentro até sair nas margens do Guaporé, lindo de águas turquesas. Mas nada da cachoeira, o pequeno resquício de água nem chegava no Guaporé. Desistimos de fazer a incursão pelo leito seco até a base da queda.


      De volta aos trilhos, passamos mais um viaduto e na entrada do seguinte, saindo para à esquerda tem uma cascata. Paramos para reabastecer e curtir um pouco.
      Cruzamos mais um túnel longo, com uma seção vazada, para sair no viaduto V13. Ao longo desse dia tínhamos passado por mais dois tuneis de aproximadamente 1km cada. No V13 dei razão para o milico, algumas centenas de pessoas desfilavam sobre os trilhos e dentro do túnel, tinham crianças, pessoas de mobilidade reduzida, bêbados, drogados, pessoas com caixas de bebidas e caixas de som, uma verdadeira zona. Imagina o perigo se o guarda trilhos ou até mesmo o trem se aproxima (há relatos recentes de situações bastante tensas envolvendo trens e pessoas irresponsáveis nos pontos de acesso fácil ao longo da travessia).
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      Nesse dia nós descemos os 1200 m até a base do V13 para dormir em um camping (Paraíso V13). Diga-se de passagem fomos muito bem recebidos, ate travesseiro teve gente que emprestou dos proprietários. No camping, além da área coberta para a barraca (acertamos em cheio) tem uma cachoeira nos fundos muito legal que vale a visita.

      Nosso terceiro dia amanheceu debaixo de água. Desmontamos o equipamento, cobrimos com capa de chuva e seguimos morro acima. A chuva não deu trégua. Era tanta água que não se podia ver de uma ponta a outra do V13.

      Com todo cuidado do mundo, os dormentes agora estavam liso, seguimos caminhando. Mais uma série de túneis, todos curtos. Outra série de viadutos, nenhum vazado. A paisagem estava perfeita, a umidade deixa as cores mais intensas, das encostas despencavam dezenas de cachoeiras sazonais, fruto da chuva impiedosa.
      Não demorou muito para se formarem grandes alagados nas margens do trilhos. Local para descanso e refeição somente dentro dos túneis quando não estavam alagados. Em um deles, paramos e de repente um ronco ensurdecedor entrou na escuridão, luzes seguiam nosso sentido contrário. Paramos no recuo, coração na mão, uma das luzes (tive a impressão) saiu dos trilho e veio pra cima, foram longos segundos, um filme passou na cabeça, pensei em tudo que perderia, quando então, a luz vira novamente para o outro lado e escuto gritos e buzinas. Eram duas motos de trilha. Não sabia eu se chorava, xingava ou agradecia.
      Adiante em outro túnel estávamos almoçando quando o limpa trilhos passou, fui uma correria só para as áreas de escape, não gosto de arriscar a canaleta, vi nesse ano um vagão (na serra do cadeado) arrastando um pedaço de madeira por dentro da canaleta.
      Seguimos adiante, o relevo muda, passamos por alguns cortes de rocha imponentes. E no último grande viaduto ainda avistamos um bando de macacos pretos (não consegui identificar a espécie), estavam todos agitados nas copas das árvores.

      A caminhada voltou a ficar monótona nos últimos 6 km. Apenas grandes poças de água, o Guaporé some no meio da vegetação e a única surpresa foi a reformada estação ferroviária de muçum. Muita gente termina por aí, chamando um táxi ou seguindo pelo asfalto.

      Nós optamos por caminhar pelos trilhos até o centro de Muçum, descendo logo depois do primeiro viaduto sobre a rodovia. No total foram 60 km, 22 túneis e 16 viadutos.
      Depois de um banho merecido, melhor de se secar, o banho já havia sido o dia todo, fomos fazer o desjejum na lanchonete principal da praça de Muçum para no dia seguinte retornar às terras paranaenses.
      No Youtube coloquei um vídeo que mostra um pouco mais do trajeto, https://youtu.be/-Odmah6b8rU
       
      Dados que podem interessar
      A ferrovia EF491 também conhecida como ferrovia do Trigo percorre entre os municípios de Roca Sales e Passo Fundo. Comercialmente pouco explorada, hoje serve apenas para transporte de combustíveis por escassas locomotivas, e a partir de 2020 passou a receber uma rota turística. Entre os municípios de Muçum e Guaporé, que engloba também Vespasiano Correa e Dois Lageados a estrada acompanha o Rio Guaporé, percorrendo uma série de túneis, vales e encostas. Nesse pequeno trecho de pouco mais de 60 km se concentram 22 túneis dos 34 da ferrovia e 16 viadutos dos 26.
      As principais atrações do trecho, que podem ser acessadas durante a travessia ou em caminhadas curtas ou ainda chegando de carro pelas estradas de manutenção da ferrovia, são:  
      Viaduto Mula-preta em Guaporé, possui 94 metros de altura, 360m de extensão e dormentes vazados, um desafio para quem tem ou não medo de altura; Viaduto Pesseguinho, também vazado, possui mais de 80m de altura e 368 de comprimento; Viaduto V13 com 143m de altura é o mais alto viaduto das Américas; Cascata da Garganta adaptação da engenharia onde um riacho mergulha para dentro da terra em uma cachoeira que flui abaixo dos trilhos. Está situada entre os viadutos Pesseguinho e V13; Túnel de 2km perfuração dentro do morro que percorres 2000 m entre os viadutos Mula-preta e Pesseguinho; Túnel vazado com cerca de 1300 m está na chegada do V13. A 300 m da entrada dele estão algumas aberturas (janelões) de frente para o vale do Rio Guaporé; Cascatinha ao lado da entrada do terceiro túnel segundo túnel depois da Garganta (sentido Guaporé Muçum), de águas límpidas e queda macia ideal para descanso; Cascata Bem Estar situada anexa ao Pesseguinho é acessível a partir do camping na base desse viaduto; Rio Guaporé visível em mais de metade da travessia. Um dos locais de acesso à suas margens fica entre o terceiro e quarto túneis a partir do V13. Existem ainda muitos outros locais interessantes para se visitar pela região, cascatas, rochas, vales e passeios. Só pegar a mochila estudar os roteiros e se jogar.
    • Por Jonas Silva ForadaTribo
      Num dia qualquer eu navegava na rede quando em uma postagem alguém comentou: "que saudade dessa terra, ... avistar o horizonte do Morro dos Ventos". O nome do morro atiçou na hora minha curiosidade, já fiz um insight com "O Morro dos Ventos Uivantes".  Pesquisei sobre qual terra o comentário se referia: era bem próximo de onde moramos. O morro fica em Nova Tebas no Paraná.
      Revirei, na internet, com conhecidos, a fim de localizar as coordenadas do morro, mas encontrei apenas fotos e alguns relatos escassos sobre o lugar. Peguei uma carta topográfica da região a fim de localizar uma montanha imponente onde possivelmente seria o Morro. Fiz anotações, marquei alguns pontos, e decidi ir com a cara e a coragem, se não encontrar acampo em alguma fazenda e no outro dia voltamos.
      Tudo acertado, sairíamos de Águas de Jurema uns 20 Km do distrito de Poema minha referência para encontrar o Morro. Escolhemos fazer o percurso a pé, já que a carta desenhava inúmeros vales e montanhas, queríamos aproveitar a caminhada.
      Curiosamente, no penúltimo dia antes da partida um dos contatos que havia encontrado na internet e pedido informações à semanas já, me deu retorno, e então começou uma corrente de uma pessoa me indicar  outra que poderia saber me orientar a chegar no morro. Depois de passar por 5 indicações diferentes, cheguei ao nome de um morador. Este indicou outro morador que autorizaria a entrada na propriedade, já que, o objetivo fica dentro de uma área de pastagem, e claro não queríamos que lá pelas tantas da noite alguns cães famintos aparecessem.
      Saímos, eu, Bruna e o Anderson às 12:45 de Águas de Jurema, pegamos uma estrada, continuação da Rua H. Seguimos em frente por essa estrada, os primeiros quilômetros foram em estradas comuns - com exceção das laranjas, a cada km tinha uma laranjeira carregada, sempre seguimos à esquerda nos cruzamentos. Após 2 h de caminhada a paisagem começa a deslumbrar, o primeiro vale que avistamos tirava o fôlego.
      Sabíamos que atravessá-lo não seria moleza, apenas queríamos ir por ele e descobrir onde ia dar. Mais algumas horas e cruzamos em meio a duas colinas, num lado da estrada pitorescas moradias - nos causam uma pequena inveja - como queria morar lá.  Assim que contornamos a colina, mais um vale, dessa vez menor, mas não, menos incrível. Neste paramos em uma das casas pedir água - já que recusamos beber um trago, kkk. Dois senhores embriagados dormiam na estrada e quando foram acordados por nós convidaram para participar da bebedeira, kkkk. Na casa uma senhora simpática ofereceu água da bica, pura água da fonte. Sede controlada, cantis cheios, pegamos mais algumas mexericas na beira da estrada e partimos, já se iam quase 3 h na estrada.

      Quando chegamos em Poema já se passavam das 16:30, mais água e seguimos rumo a uma região conhecida como 400 alqueires, mais vales traçavam linhas tênues no horizonte. O sol já se ia, mais 1 h na estrada e avistamos a igreja uma referência que tínhamos. Levamos mais 40 min para contornar a colina e então chegarmos na casa que nos autorizaria entrar no Morro. O morador nos forneceu autorização e disse que poderíamos dormir ali, e apontou do outro lado da estrada um morro, que parecia modesto, visto tão de perto. Esperávamos um Morro imponente, que necessitasse de escalar e tudo, kkkk. Até ficamos surpresos com a sua modéstia. Após a porteira começamos uma subida de 10 min. Chegamos lá com o breu, vigiados pela lua lá no infinito.
      Fogueira feita, no meio de pedras para não ter perigo, entramos noite adentro contando histórias. Se tem recompensa maior que ouvir as pessoas ao redor de um fogueira, desconheço. Dormimos curiosos pelo visual da manhã seguinte. Confesso que desconfiados do tímido morro onde paramos.

      Foi só bater 5 h, levantei avivar a fogueira, e ... quase esqueço o fogo, fico de queixo caído. Além do vento que cortava a relva, um vale imensurável, com a minha barraca de frente. Fiquei mais tarde sabendo que se chama Vale das Mortes, não sei a origem do nome.

      Não demorou muito até todos acordarem. A foto daquele momento saiu com caras e dentes, e muitos cabelos rebelados.

      Recompensados pelo caminho do dia anterior, mais que recompensados, após apagar a fogueira, 8:00 começamos o caminho de volta. Tiramos uma foto do Morro dos Ventos, visto da estrada, nem parece o que é, só olhando para o Vale das Mortes dá de entender por que tem esse nome místico. Mais 5 h de caminhada, tênis do Anderson rasgado e amarrado com o cordão para não perder a sola, uma parada no Rio Muquilão para relaxar a musculatura e dar descanso para as mochilas. Estávamos nós novamente em Águas de Jurema, com mais uma história, não mais uma, mas a história da jornada ao Morro dos Ventos.



    • Por Marlon Escoteiro
      Travessia do Campo dos Padres – SC – julho de 2020 – 80 km em 5 dias – Do Cânion Espraiado, Morro da Boa Vista até o Morro das Pedras Brancas

      *INFORMAÇÃO*: Essa travessia é realizada em área particular é OBRIGATÓRIO solicitar AUTORIZAÇÃO para passar nas propriedades do Campo dos Padres. Vamos respeitar os proprietários e manter o local aberto para que possamos continuar com nossas travessias e trekking.
      Entrar em contato com a Fazenda Búfalo da Neve.
      Instagram: @fazendabufalodaneve  via direct
      Fone: 48-99617 7552 Arno Philippi – 48-99152 1277 Lucas Philippi
      *IMPORTANTE*
      -NÃO FAÇA FOGO NUNCA – Use fogareiro
      -LEVE TODO O SEU LIXO EMBORA
      -TUBOSTÃO (Vamos todos começar a usar esse banheiro) nesta região estão muitas nascentes importantes de SC, é necessário mantermos o meio ambiente em equilíbrio e limpo. Temos outras áreas de montanha do Brasil como o Pico Paraná e Pedra da Mina que já estamos tendo problemas sérios de contaminação por conta das fezes, papel higiênico e dos lenços umedecidos deixados nos “banheiros” ao redor das áreas de acampamento. O TUBOSTÃO serve para vc levar tudo isso de volta para a sua casa e descartar no lixo.
       
      Vamos a Travessia
      Essa travessia eu tinha combinado com meu parceiro Bernhard que já havia ido comigo em Itatiaia, porém tive um imprevisto na empresa e acabamos não indo. Sorte nossa, pois foi bem na semana do tal ciclone bomba que destruiu muita coisa em Santa Catarina e no Campo dos Padres não foi diferente, tem áreas de mata lá que parece que passou um trator derrubando tudo. Neste interim entrou em contato comigo o Rafael @dinklerafa perguntando sobre a travessia solo que eu havia feito entre Urubici e Bom Jardim da Serra pelo PNSJ. E que ele estava programando vir para a serra catarinense fazer uma travessia, eu disse que ainda estava em aberto ir para lá e assim combinamos a parceria para a travessia. Marcamos então nos encontrar em Urubici na Pedra da Águia no vale do Rio Canoas no domingo a noite. O meu amigo Bernhard começou a trabalhar naquela semana infelizmente mas por sorte minha foi em Lages, e aproveitei a carona com ele saindo de Itajaí.
      1° Dia – Pedra da Águia
      Este dia já começou de noite. Kkkkkkk cheguei no ponto de encontro quase as 20h, garoava um pouco naquele momento quando o Bernhard me deixou no Vale do Rio Canoas junto a propriedade Pedra da Águia que serve como base para camping e estacionamento para aqueles que vão para o Cânion Espraiado. Chamei na casa e ninguém atendeu apesar de as luzes estarem acesas e ter carro ali estacionado, tão pouco sinal do meu parceiro Rafa que a esse momento já deveria estar por ali, dei uma olhada ao redor para ver se já não estava acampado, mas não encontrei. Aproveitei o ultimo facho de luz do farol do carro e montei próximo ao rio minha barraca. Quando estava ajeitando minhas coisas o Rafa aparece do meio do nada! Ele disse que o taxista deixou ele uns 5 km adiante já em direção ao Cânion Espraiado e ele teve que voltar andando pela estrada na chuva. Ali nos conhecemos e fomos conversando, um cara muito bacana. Enquanto preparávamos nosso rango o papo fluía. Acertamos alguns detalhes referente a travessia como um todo e do próximo dia também, o qual ao invés de seguir o caminho tradicional pela estrada para alcançar o Cânion Espraiado, sugeri então contornar a Pedra da Águia e passar por trás dela e seguir até a borda da Serra Geral próximo ao Corvo Branco e então seguir sentido norte bordeando os peraus até chegar ao Cânion Espraiado. Logo em seguida fomos dormir para descansar.

      2° Dia – Pedra da Águia até o Cânion Espraiado – 12km de trilha

      Acordamos cedo, ainda estava meio nublado mas entre as nuvens já víamos que iriamos ter um dia limpo pela frente. Enquanto a água ia fervendo para o café íamos desmontando o campo e arrumando a mochila. O vale do Rio Canoas nessa região é muito bonito com a vista da Pedra da Águia de fundo as araucárias na extensão do vale e o rio descendo suavemente entre as pedras. Após tudo pronto começamos nossa caminhada as 8h, os cachorros vieram nos seguindo uma parte da estrada e foram dispersando um a um, mas sobrou um pretinho que nos acompanhou toda a trilha. Logo quando contornamos a pedra da Águia passamos pela casa do Candimiro e ficamos ali um tempo de prosa com ele que nos autorizou passar pela propriedade e assim seguimos nosso rumo. Uma subida suave por uma antiga estrada que já não passa mais carro.



      Depois de uma hora e pouco de trilha chegamos a borda da Serra Geral ao sul estava a estrada da Serra do Corvo Branco na direção norte o Cânion Espraiado, paramos para curtir o visual e tirar fotos, naquele momento nos preocupamos um pouco com o cachorro pretinho que vinha nos seguindo. O caminho todo foi bordeando a serra seguindo a estradinha abandonada na margem direita do Espraiado. Em um certo ponto chegamos em uma depressão onde formava um pequeno Cânion afluente do rio Canoas em direção oposta a borda da serra geral ali tinha uma pequena faixa de mata para cruzar e adiante seguimos andando pelos campos, banhados e turfeiras que seriam uma constante em toda a travessia e também curtindo o visual do Cânion. 


      Passado das 13h paramos de frente para a cachoeira do Adão para almoçar. Tinha sobrado um macarrão com linguiça Blumenau da noite anterior e já pus na panela, ainda fervi água para um bom chá de hortelã com gengibre e ali ficamos contemplando aquele visual. Quando retornamos a caminhada vimos logo acima do vértice do Cânion que havia um objeto retangular e ficamos imaginando o que poderia ser, o Rafa falou que poderia ser uma placa informativa eu já pensei que fosse tipo um deposito/armário de madeira para guardar o material do pendulo.  Quando chegamos lá a nossa surpresa foi que era uma geladeira da Cervejaria Patagônia, eles estavam fazendo um comercial publicitário. Ali encontramos também a Carol proprietária da Fazenda Espraiado e ela nos indicou ir na cachoeira e avisou que a outra parte da borda do Cânion estava proibido passar por problemas de vizinhos e uso da área. Descemos até a cachoeira, que na realidade são 2 uma primeira menor que forma um baita poço para banho e a queda principal que desagua por 86m Cânion abaixo. Neste momento flagramos o pretinho abocanhando alguma coisa no mato e quando vimos era um tipo de roedor que em seguida ele soltou no chão.



      Logo fomos em direção a sede da fazenda onde é o camping e hostel do Cânion Espraiado. Ali conversamos com o Jacaré do Cânion que trabalha na fazenda, acertamos com ele o valor de R$ 40 pelo pernoite em camping, comemos um pastel muito bom e montamos nossa barraca, depois ficamos no galpão crioulo ao redor do fogo de chão proseando e tomando uma cerveja Patagônia com o Jacaré. Aproveitei para secar minhas meias, com os furos que minha bota tinha e os banhados no caminho esse seria um problema que eu enfrentaria todos os dias com os pés molhados. Também recarregamos o celular e aproveitamos para mandar as últimas mensagens pois a partir dali não teria mais sinal pelos próximos 4 dias. Preparei minha janta uma bela polenta com bacon e conversando com o pessoal, falaram que a partir dos 2 próximos dias viria uma frente fria muito forte. Pegamos umas dicas da trilha para o próximo dia cedo em direção ao Morro da Antena (agora montanha infinita) para ver o nascer do Sol e em seguida fomos dormir.




       


       
      3° Dia – Cânion Espraiado – Campo dos Padres – parte alta do Rio Canoas - 18km de trilha

      Acordamos as 4h30 pois queríamos estar as 7h para o nascer do sol. Já fomos desmontando a barraca e o frio já era forte na escuridão da madrugada, havia um pouco de gelo no sobreteto da barraca. Após tudo desmontado tomamos um café passado pelo Jacaré dentro do galpão e comi meu pão sírio com polengui, queijo e salame, além do meu super brownie com malto e dextrose além de algumas castanhas (esse seria meu cardápio de café da manhã de todos os dias). As 6h horas seguimos pela trilha por entre a mata até o topo do morro da Antena e já no chapadão do cume presenciamos várias poças de água congeladas.


       
      As 7h05 foi o alvorada sobre um mar de nuvens aos nossos pés e um céu limpo sobre nossas cabeças, a vista do Cânion espraiado lá de cima é linda e ainda é possível ver toda a extensão da Serra Geral com destaque para as Pirâmides Sagradas e o Morro da Igreja. Estive nesse morro em 2001 subimos eu e o meu amigo BIG Daniel Casagrande de Toyota Bandeirante, na época ainda havia a Antena em pé, hoje ela foi derrubada, lembro que nós curtimos o visual por ali e quando decidimos ir embora atolamos a Toyota e quem disse que conseguimos tirar.... foi uma longa história e uma grande aventura. Voltando a 2020, nossa ideia original era seguir bordeando até chegar no rio canoas, pois pela carta teria somente 2 faixas de mata pra cruzar morro acima. Mas ai o Jacaré nos indicou seguir pela estrada e lá adiante passando a porteira entrar na antiga estradinha, eu sabia que havia essa trilha, mas tinha receio de seguir pois era uma mata grande, e imaginava ter vários caminhos por conta do gado.





      Mas enfim mudamos nosso plano inicial e seguimos então pelo caminho sugerido. Logo que passamos a porteira eu vi uma estradinha seguindo adiante e outra descendo, supus que essa seria a estrada, ledo engano..... descemos o morro e cortamos a estradinha para lá embaixo tentar encontrar ela de novo, havia um morro bem grande de mata a frente que se estendia a leste até a borda da serra e para o lado oposto a oeste entre esse morro havia uma encosta suave de mata e a borda do profundo Cânion do rio canoas, a trilha só podia ser nesta encosta suave e fomos descendo mas não encontrei a estrada. Seguimos adiante pela mata até chegar ao rio que já formava um pequeno desnível, pensei que já fosse o começo do Cânion afluente do Cânion principal do rio canoas. Demos uma volta enorme em círculo e voltamos para o mesmo lugar. Seguimos acompanhando a estrada e tentamos mais uma vez descer na direção daquela encosta, mas a mato tava muito fechado voltamos mais uma vez para a estrada e então decidimos seguir a estrada, logo adiante vimos uma casa e antes de chegar nela uma entrada a direita com cara de estrada abandonada. Só podia ser essa. Bingo! Já era 12h passado e então paramos ali na estradinha e fizemos nosso almoço o meu seguiu o mesmo cardápio do café da manhã sendo pão sírio, polengui, queijo e salame e chá de hortelã com gengibre, e assim foi todos os dias. Depois de 40min de pausa retornamos a trilha. A trilha é em uma antiga estrada abandonada que não é mais possível transitar de carro nem de 4x4, somente a pé ou a cavalo, uma descida suave por entre a mata de araucárias até chegar em um pequeno rio que corria sentido Cânion do rio canoas. Esse era o ponto mais baixo e após o rio a trilha começava a subir. “A algumas horas atrás chegamos bem perto deste rio porem a mata estava muito fechada e o rio afunilava em um brete e não conseguimos achar um caminho para passar e acabamos voltando”.



      Lá adiante na trilha encontramos um barraco destruído e depois cruzamos com um pequeno rio onde fomos seguindo ele rio acima até a trilhar sumir no mato, ali percebemos que em algum lugar lá atrás teríamos que ter contornado o morro. Resolvemos então subir aquela encosta de mata bem fechada com muitos xaxins, bambus e mata nebular. Foi um momento um pouco tenso pois já eram umas 17h sabíamos que estávamos no rumo certo, mas não na trilha e onde estávamos não tinha como acampar. Fomos mirando o topo tendo as copas das araucárias ainda iluminados pelo sol. Quando alcançamos então a parte mais alta abriu um pequeno descampado sujo com vassouras, porem plano e com condições de acampar. Decidimos seguir ainda um pouco mais adiante até as margens do Rio Canoas, mas de qualquer forma não fomos muito longe e acampamos por ali mesmo. Aquela noite prometia muito frio, tratamos de montar nossas barracas e a escuridão já tomou conta e o frio veio junto. Arrumei minhas coisas e tratei de ferver uma água para o chá e picar o bacon, quando comecei a fritar o Rafa já sentiu o cheiro maravilhoso do bacon, e ele com aquela comida liofilizada dele. Prometo que vou tentar de novo, nem que seja levar para uma noite a liofilizada, confesso que ainda venho tentando uma comida boa e leve sem abrir mão de certos luxos que conquistei nesses 30 anos de acampamentos, mas que agora com a idade e falta de tempo para treinar a boa forma já não posso mais carregar tanta coisa, sei que tenho que diminuir peso. Nesta travessia eu pesei item por item antes de sair de casa, desde celular, meia, cueca, itens de primeiros socorros, comida, enfim tudo grama por grama e encontrei que eu carregava no corpo 3kg contanto botas, roupas, bastão...; na mochila mais 24kg contando 4 litros de água que me dispus a levar mesmo com a fartura de água da região somente para testar meu consumo e uso em cozinha. É muito interessante pesar pois sempre imaginamos o quanto levamos, mas só anotando tudo e fazendo um verdadeiro checklist é que sabemos o quanto de peso realmente carregamos e não sabemos.

       
       
      Depois da janta ainda era cedo e não conseguiria dormir, então decidi sair da barraca para ver o céu estrelado, minha saída noturna não demorou mais que o suficiente para ir ao banheiro e voltar correndo para a barraca de tanto frio que fazia. Nessa noite os termômetros bateram negativos os - 8ºC dormi no limite do frio essa noite.
       
      4° Dia – Parte alta do Rio Canoas – Cemitério – Borda da Trilha dos Índios – Morro do Campo dos Padres – Morro da Boa Vista - 15 km de trilha

      Acordamos pelas 6h mas o frio era tanto que não deu vontade de sair do saco de dormir, o sobreteto da barraca do Rafa congelou a condensação, neste quesito estava muito satisfeito com a minha Naturehike Cirrus pois o layout dela permite uma boa ventilação e evita o acumulo de condensação, mas vi que tinha que fazer alguns ajustes no sobreteto para incluir mais 2 pontos de cada lado para fixar mais espeques e poder abaixar mais a lona para o vento não entrar tanto em dias frios. Também tive minhas meias congeladas e a água nas garrafas estavam congeladas. Já pus a água para ferver e fazer meu café na Pressca e ao mesmo tempo já ir guardando minhas coisas. Mas foi difícil desmontar a barraca, os dedos doíam de tanto frio. Eram 7h30 e saímos, vimos que 1h30 era o tempo que precisávamos para começar o dia. Logo adiante avistamos uma cabana bem bonita de madeira que é a sede da Fazenda Búfalo da Neve, passamos ao lado e seguimos adiante descendo a encosta do vale do rio canoas até atingir suas margens, havia muita geada no pasto e as poças d´água no caminho estavam congeladas e também partes do rio onde a água estava parada.







      Aproveitamos para repor nossos cantis e tirar fotos com os pedaços de gelo. Essa parte é muito linda, o vale com os morros de mata de araucárias, o rio e suas curvas e os campos formavam uma bela paisagem. Fomos subindo o rio e logo alcançamos uma pequena cachoeira e uma taipa de pedra logo acima formando um caminho de tropeiros e por ali seguimos dando uma grande volta para desviar a várzea do rio que formava um banhado e suas turfeiras. Logo adiante vimos 1 casa azul e 1 galpão passamos por ela e logo a frente no vale havia um morro isolado, pelas minhas contas ali deveria ser o cemitério. Uma subida íngreme e logo no topo já vimos um quadrado de taipa e ali estava o cemitério, haviam 3 túmulos com cruz, uma lapide que não conseguimos ler e ao que parecia algumas covas abertas. Interessante imaginar um lugar inóspito daquele que outrora pessoas moravam ali em um passado não muito distante, mas longe da civilização. E tinham que ali mesmo enterrar seus entes queridos, escolheram um belo lugar para ser os Campos Elíseos destas pessoas.





      Logo descemos a encosta em direção ao rio canoas e dali iremos a leste para alcançar as bordas da Serra Geral. Naquela altura quando atravessamos o rio canoas ele era tão límpido e cheio de plantas aquáticas, uma pintura natural. Subimos uma pequena encosta e por acaso encontramos a trilha dos índios que liga a Anitápolis, dali subimos uma pequena mata e já no topo paramos para almoçar e contemplar a vista. O dia estava lindo e podia ver o horizonte bem longe, sendo possível ver a serra do tabuleiro e o contraste do mar mais a sudeste. Depois do almoço fomos bordeando os peraus tendo o Morro do Campo dos Padres na nossa direção e mais a noroeste o Morro da Boa Vista que é o ponto mais alto de Santa Catarina onde iriamos acampar. Para alcançar o morro do Campo dos Padres tivemos que dar uma volta para contornar a mata e depois seguir por uma subida bem íngreme. Bem ao longe no colo onde ligava esse morro com o morro da Boa Vista avistamos 2 capatazes campeando o gado. Alcançamos o topo do morro e ficamos um tempo ali contemplando uma das vistas mais bonitas da trilha. Depois seguimos em curva de nível até o colo e em seguida partimos para cima do Morro da Boa Vista, neste momento o Rafa começou a ficar sem água e chegou até a coletar um pouco nas turfas, eu ainda tinha água dentro do meu teste de consumo e cozinha, e ofereci para ele um pouco caso precisasse.
       





       
      Já no topo vibramos pois éramos as pessoas mais “altas” em solo catarinense, localizamos o marco geodésico e ali ao lado acampamos com a porta das barracas virada para o nascer do sol, porem naquele momento presenciamos um lindo pôr do sol, tiramos muitas fotos e vídeos e ficamos curtindo aquele momento. Já dentro da barraca tratei de fazer meu ritual de limpar e secar os pés úmidos dos charcos e passar vick vaporub, um santo remédio para o montanhista já que serve para muitas coisas. Pela primeira vez na vida levei lenço umedecido e tomei meu banho de gato, gostei do resultado melhor que toalha úmida. Tratei logo de me vestir pois fazia muito frio aos 1827m de altitude. Nesta noite cozinhei uma invenção que fiz com sopão+arroz+bacon, porem o arroz não cozinhou o suficiente e o sopão já começou a empelotar, não gostei nada. Ainda bem que sempre levo como emergência 2 pacotes de miojo e tive que atacar um com linguiça frita e queijo ralado. Durante a noite sai para ver o céu, estava menos frio que a noite anterior, mas ainda sim muito frio, consegui ficar um bom tempo ali observando as constelações e algumas estrelas cadentes, também vi ao longe a luminosidade das cidades como da grande Floripa que formava um grande clarão a leste e a oeste uma área menor porem mais luminosa a cidade de Lages. Me recolhi ao aconchego da minha barraca e dormi. Acordei com o vento batendo forte na barraca, chegando até a entortar as varetas, mas a barraca segurou bem. Não dormi muito bem pois volte e meia acordava com o vento.




       
      5° Dia – Morro da Boa Vista – Arranha Céu – Morro da Bela Vista do Guizoni – Campos de Caratuva - 17km de trilha

      O vento batia forte na barraca, o céu estava bem nublado predizendo que o tempo estava mudando. Como montei a barraca a sotavento, pude deixar a porta aberta e curtir o nascer do sol no horizonte enquanto preparava meu café foi um alvorada fantástico mesmo com o céu nebuloso. Tomei meu delicioso café com brownie e pão sírio/queijo/salame a combinação perfeita e rápida para o desjejum.



      Logo em seguida desmontamos todo o acampamento. Nesse dia pude testar melhor uma pratica que encontrei para usar o banheiro de forma confortável e privativo (uma dica para as mulheres). A minha barraca Cirrus tem como desmontar o tapete e o mosquiteiro interno sem desmontar a lona do sobreteto e assim deixar o chão somente na grama. Desta forma com toda a mochila arrumada ficando somente o sobreteto e a armação por último, pude dentro da barraca mesmo pôr o meu jornal no chão com cal e dar uma cagada tranquila, depois só por mais cal em cima, embrulhar o jornal, por numa sacola plástica e aí dentro do tubostão. Usei um cano de pvc de 100mm com 2 caps nas extremidades e vedou muito bem, sem cheiro nenhum ou vazamento, tem na internet como fazer. Porem só achei um pouco pesado. Da próxima vez vou testar um pote de tampa larga e de rosca de 1l que tenho em casa, pois é bem mais leve e o volume é o suficiente para uns 4 dias de trilha.
      Saímos as 8h40 para a trilha o vento era muito forte e o sol já raiava, inclusive quando fui desmontar a lona ela quase sai voando. Nos protegemos bem e começamos a descida pelo colo do Boa Vista com o Morro do Campo dos Padres que é o divisor de águas do rio Canoas e do rio Itajaí, paramos numa pequena nascente e enchemos nossos cantis e seguimos bordeando a Serra Geral. Lá pelas 11h passamos pelo rio Campo Novo do Sul que corre aos pés do Morro Bela Vista do Ghizoni e demos uma parada para um banho rápido e gelado além de aproveitar que paramos fomos almoçar. Nesse momento o tempo voltou a nublar e esfriar. Depois deste descanso subimos até a rampa que dá acesso ao Ghizoni e deixamos nossas mochilas ali e demos uma esticada até o pico do Arranha Céu que estava na borda do Cânion que na outra ponta estava os Soldados do Sebold. Voltamos as mochilas e subimos mais uma rampa e deixamos a mochila novamente e caminhamos por 2h ida e volta no chapadão do Ghizoni por um grande charco de turfeira até subir os matacões do topo onde havia o marco geodésico, ali era o terceiro ponto mais alto de SC e o Morro da Igreja é o segundo.




      O tempo já estava piorando e voltamos até a mochila já passava das 16h e vimos que não alcançaríamos o objetivo do dia, pois quando olhamos ao longe vimos que iriamos cruzar a parte mais estreita do campo dos padres onde havia perau e Cânion para os dois lados, e tínhamos pelo menos 2 morros com mata para subir e cruzar. Conseguimos somente cruzar o primeiro que tinha uma trilha bem fechada com muitos caminhos de gado até chegar num ponto bem estreito com perau e uma antiga taipa utilizada para cercear o caminho do gado e não cair precipício abaixo. Chegamos em um campo que vimos lá do Ghizoni que tinha uma vegetação diferente, a princípio eu imaginava ser de vassourão, mas a tonalidade era outra, quando chegamos lá me surpreendi em constatar que eram o bambuzinho caratuva bem comum na região do Pico Paraná e que eu nunca tinha visto por essas bandas. Ali a cerração começou a fechar então decidimos já achar um lugar plano para acampar. Montamos nossa barraca bem ao lado da trilha que era bem demarcada e única. Não deu nem uma hora e caiu um temporal, era tanta chuva e vento que tínhamos que manter tudo bem fechado. Fizemos nossa janta nessa condição, uma das escolhas que fiz pela barraca cirrus foi o avanço um pouco maior para que me possibilitasse cozinhar em condições de chuva e vento e também espaço para 2 pessoas para que a cargueira ficasse dentro da barraca. Acabamos dormindo cedo nesse dia. Apesar que durante a noite levantei algumas vezes para conferir se estava tudo em ordem e seco na barraca, pois foi a primeira chuva torrencial que ela pegava, choveu a noite toda, e tudo se manteve seco. Passou no teste.
      6° Dia – Campos de Caratuva - Morro das Pedras Brancas – Localidade das Pedras Brancas -  BR 282 - 18km de trilha

      Lá pelas 7h a chuva parou, levantamos e já fomos tomando nosso café e desmontando as coisas. A trilha a nossa frente era um rio de tanta água, fomos secando o que dava na barraca para guardar na mochila e as 8h30 saímos e logo entramos na mata que estava muito molhada e fomos subindo o aclive em diagonal, era uma trilha bem batida na encosta que descia ao Cânion do Rio Campo Novo do Sul, havia muitas árvores caídas e quebradas por conta do ciclone bomba que havia atingido a região a uma semana atrás. Quando saímos no topo o sol já despontava meio tímido, mas a chuva já havia ido embora. Tinha uma bela vista do Morro do Ghizoni e do Cânion logo abaixo.


      E fomos seguindo pelos campos e cruzando algumas faixas de mata, banhados e turfeiras até chegar ao istmo como uma “ponte” de 5m de largura que ligava o campo dos padres até o Morro das Pedras Brancas, ultimo resquício de planalto ligado a Serra Geral. Já era 12h30 atrasamos meia hora pelas nossas contas, mas ainda sim estávamos muito longe do nosso destino final que era a BR 282 onde tínhamos combinado com nosso amigo Bernhard de o encontrar as 17h. Descemos a trilha íngreme aproximadamente 500m de desnível, nesse ponto o estrago do ciclone foi bem maior, a destruição era grande por toda a trilha. Alcançamos a estrada e fomos seguindo tendo o vale do rio Santa Barbara como caminho. Passamos pela comunidade das Pedras Brancas e precisávamos de sinal de celular e internet para avisar a todos que tudo estava bem e comunicar o Bernhard que estávamos ainda 1h atrasados. Aí passamos por uma propriedade que indicava “informações pousada do vô Chico” paramos ali e conhecemos o vô um senhor nascido ali e bem gente boa que nos emprestou a internet e nos deu uma carona até a estrada. Sorte nossa pois ainda havia uns 7 km a frente com subidas e descidas, mas uma estrada rural muito linda tendo sempre as Pedras Brancas ao fundo como destaque e o vale do Rio que vinha esculpindo um bonito Cânion. Chegamos a BR e encontramos nosso amigo e assim termina nossa pernada. Somamos 80 km de trilha no total





       


























    • Por Fora da Zona de Conforto
      Recentemente eu fui para Long Island (New York) passear e acabei testando um novo modelo de tênis que tinha acabado de receber. Queria testar se ele era tão confortável como muitos dos tênis hoje em dia, mas principalmente….se ele era à prova d’água! E sim, passou no teste. Além dele ser bem bacana e combinar com tudo, é super leve, confortável, e agarra super bem para trekkings de nível médio!
      Mas que tênis seria esse? Eu estou falando do Loom!
       

       
      A empresa tem sede em Hong Kong e é composta por designers, engenheiros, especialistas em ergonomia, cientistas e aventureiros (como nós ). Todos se juntaram para construir um sapato que tivesse todas as melhores características dos sapatos favoritos da equipe em um pacote todo-o-terreno para todo o ano, e pronto, assim o Loom “nasceu”. E segundo eles, o Loom é um calçado/tênis ecológico mais versátil do planeta. Isso porque o Loom é vegano! 
       
      Continue lendo: Conheça o Tênis Impermeável Loom: Ótimo p/ Dias Chuvosos e Trekking
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