Depois de 8 meses finalmente estou encontrando coragem pra escrever o relato do mochilao pela América do Sul, espero conseguir lembrar de tudo hahaha
Eu nunca havia feito uma viagem internacional, nem viajado sozinho, mas o desejo de percorrer a América do Sul já estava dentro de mim há um bom tempo. Lembro na época de faculdade, quando estava vendo uma matéria sobre Machu Picchu na casa da minha namorada e disse: Um dia eu irei, nem que seja sozinho!
Um segundo depois eu me arrependi, pela cara dela de brava e a frase: Ah bonitão, então vai me deixar e viajar sozinho é? (HAHAHA)
Anos depois, foi o que acabei fazendo... Mesmo sem querer.
Comecei a me planejar pra ir e a correr atrás de companhia, a princípio de amigos, depois de pessoas aqui no mochileiros ou em grupos de viagem do Facebook. Porém, o medo de ir sozinho me fez correr atrás de TUDO, me organizar e querer saber todos detalhes. Com o tempo passando, as frustrações de encontrar alguém e a coragem crescendo, defini que queria e precisava trilhar esse caminho sozinho.
Vamos deixar o blá-blá-blá de lado e efetivamente começar a falar dos preparativos.
Usei três roteiros como base para o meu, porém eram todos antigos, mas completos. O principal foi o do Rodrigo @rodrigovix, que inclusive foi base para o da Mari (@vidamochileira usei a planilha dela pra criar a minha) e o de uma terceira menina que esqueci o nome 😅.
Comecei a anotar as dicas sobre roupa, calçado, onde ir assim que chegar, onde trocar dinheiro... Foi de uma ajuda absurda.
BAGAGEM
Levei duas mochilas, a de 50l Forclaz da Quechua e uma de ataque que tenho desde o ensino médio.
Tentei levar coisas suficientes para uma semana de uso, foi mais ou menos assim:
08 camisetas
02 shorts
01 conjunto segunda pele (usei MUITO)
01 calça jeans (usei pouco)
01 calça de trilha que vira shorts (usei muito)
01 calça moletom
01 blusa fleece
01 blusa corta vento
01 blusa moletom
01 touca
01 bota (timberland basica, peguei na promo por 100 reais e deu conta)
01 toalha de microfibra (decathlon)
01 par de chinelo
08 cuecas
06 pares de meia
01 bastão da caminhada (não usei pq sou burro)
Medicamentos
Necessaire
Pelo que eu me lembre, foi basicamente isso e algumas coisas pequenas como documentos, cadeado, hidratante, bandana, kindle (nem li) e afins.
ROTEIRO
Mudei milhares de vezes antes do início e esse era o roteiro original, PORÉM ocorreram mudanças forçadas hahaha
Tive que passar dia 03 em Sucre e tirar Paracas do roteiro, ou seja, até dia 12 é preciso jogar tudo um dia pra frente, o resto continuou igual.
DICAS
APP:
Google Maps Offline - Baixem o mapa de TODOS lugares que irão e deixem salvo no google maps, salvou minha vida mais de uma vez! (atenção pro prazo de armazenamento)
Uber - Usei em cidades que possuiam pra saber o preço justo e negociava com os taxis.
Moeda - Mostra a cotação atual da moeda (valor comercial, não o de compra)
Booking - Reservas de hostel com cancelamento grátis (atenção no prazo para cancelar)
COMPRAS PRÉ VIAGEM:
Vôo SP - Santa Cruz de la Sierra
Vôo Santa Cruz - Sucre
Ônibus Sucre x Uyuni
Vôo Lima - Cusco
O resto deixei TUDO pra fechar na hora. Mas aconselho a reservar pelo Booking locais com cancelamento grátis só por segurança, passei um perregue por conta disso.
DIA 1 - O SUSTO ANTES DO COMEÇO
Três dias antes da viagem (30/12), descubro que meu voo de Santa Cruz para Sucre seria ADIANTADO. Assim, eu não conseguiria embarcar, visto que ele estaria saindo a hora que eu estivesse pousando do voo Guarulhos-Santa Cruz. Tive que adiar esse voo pra Sucre, o que me fez perder o ônibus noturno de Sucre pra Uyuni.
Ou seja, mal começou e os planos indo pro ralo, mas eu estava consciente que poderia dar ruim esse primeiro dia, era um risco calculado.
E como dizem, há males que vem para o bem.
Eu iria viajar dia 2 de janeiro e fui passar a virada de ano na casa da minha Madrinha. De lá, meu pai daria carona até o aeroporto. Tudo pronto, me despedi de todos e partiu!
Quando estou na fila pra pegar a passagem, procuro minha doleira, onde estavam meu passaporte e toda grana da viagem, e... TCHARAM: NADA! O desespero foi tanto que joguei o mochilao no chão e saí abrindo tudo ali mesmo. Liguei pros meus pais, pedi pra olharem no carro, mas não acharam. Liguei pra minha madrinha e nada na casa... Não era possível, eu não tinha mexido e tinha certeza que havia levado a doleira.
Estava explicando a situação pra moça do guichê pra tentar não perder o vôo, até que recebo o telefonema salvador, meu pai achou DEBAIXO do banco e estava voltando. Porém, não daria tempo pra retirar a passagem e fazer o check-in.
Tive que usar toda minha lábia e desenrolar com a atendente. Consegui que ela deixasse tudo adiantado pra retirar sem fila e burocracia só precisando apresentar o passaporte. No fim, foi correria mas deu certo! Inclusive, a primeira coincidência ocorreu na hora do embarque.
Lembram que eu havia entrado em contato com diversas pessoas pra companhia? Um deles era o Kaique. E não é que ele manda msg no whats falando que está me vendo na fila do embarque?! Combinamos de nos encontrar em Santa Cruz de la Sierra. Também era a primeira viagem solo e internacional dele, ainda usou umas partes do meu roteiro como base.
O voo foi tranquilo, o primeiro contato com o espanhol foi meio assustador, as aeromoças falavam bem rápido e eu não entendia muita coisa dos avisos no alto falante.
Desci na Bolívia e fui passar pela alfândega. Estou lá, suave, vendo o Policial passar por todo mundo e parar em quem? Eu, óbvio.
Fiquei todo atrapalhado pra achar passaporte e responder. Ele ainda me olha o passaporte, minha cara, passaporte, minha cara... Eu já tava quase baixando as calças e indo pra salinha, até que ele resolveu me liberar.
Encontrei o Kaique e fomos dar um pulo no centro de Santa Cruz pra trocar dinheiro, visto que havia lido que em Sucre não há locais pra troca perto do aeroporto. Lembrei das recomendações sobre táxi e tentamos negociar a ida pro centro, tava caro... Perguntei pra uma tia da limpeza do aeroporto e descobri que tinha busao pro centro por menos de 5 reais, enquanto o taxi sairia por 40 reais!
Na plaza central, o Kaique comprou um chip e fomos fazer o câmbio. Demoramos muito e começamos a correr pra voltar a tempo. Não teria como pegar o ônibus, então fomos até a avenida principal atrás de táxi. Perguntei em um local se tinha algum lugar pra pedir e o valor médio.
Foi ali que tive o primeiro contato com os táxis ilegais da Bolívia. O cara deu sinal pra um carro bem velho e perguntou o preço pro aeroporto. Ficou em 60 bols e deu tempo de embarcar no "teco teco" da Amaszonas rumo a Sucre.
Na hora de retirar as mochilas, eu comentei com o Kaique sobre dois mochiloes enormes e que apostava que estavam indo fazer a mesma trip. Fui ao banheiro e, ao voltar, o destino prepara outra surpresa: o Kaique conversando com o casal das mochilas... Era o Cleverson, um cara que eu havia conversado nos preparativos da viagem tbm! Estava acompanhado da Cintia, na real eles nos salvaram, pois já era noite e eu e o Kaique teríamos que achar onde dormir pra pegar o bus na noite seguinte.
Dividimos o táxi, fomos onde eles estavam hospedados e conseguimos vaga! Logo tentamos ir até a rodoviária trocar as passagens do ônibus que são bem concorridas, porém já estava fechada. Voltamos a pé, curtindo um pouco de Sucre e caçando um lugar pra comer. Achamos uma lanchonete, comemos hambúrguer com soda (ruim, parecia sem gás) e rodamos por algumas praças. Fomos dormir depois de um primeiro dia louco, a empolgação era contagiante.
INTRO
Depois de 8 meses finalmente estou encontrando coragem pra escrever o relato do mochilao pela América do Sul, espero conseguir lembrar de tudo hahaha
Eu nunca havia feito uma viagem internacional, nem viajado sozinho, mas o desejo de percorrer a América do Sul já estava dentro de mim há um bom tempo. Lembro na época de faculdade, quando estava vendo uma matéria sobre Machu Picchu na casa da minha namorada e disse: Um dia eu irei, nem que seja sozinho!
Um segundo depois eu me arrependi, pela cara dela de brava e a frase: Ah bonitão, então vai me deixar e viajar sozinho é? (HAHAHA)
Anos depois, foi o que acabei fazendo... Mesmo sem querer.
Comecei a me planejar pra ir e a correr atrás de companhia, a princípio de amigos, depois de pessoas aqui no mochileiros ou em grupos de viagem do Facebook. Porém, o medo de ir sozinho me fez correr atrás de TUDO, me organizar e querer saber todos detalhes. Com o tempo passando, as frustrações de encontrar alguém e a coragem crescendo, defini que queria e precisava trilhar esse caminho sozinho.
Vamos deixar o blá-blá-blá de lado e efetivamente começar a falar dos preparativos.
Usei três roteiros como base para o meu, porém eram todos antigos, mas completos. O principal foi o do Rodrigo @rodrigovix, que inclusive foi base para o da Mari (@vidamochileira usei a planilha dela pra criar a minha) e o de uma terceira menina que esqueci o nome 😅.
Comecei a anotar as dicas sobre roupa, calçado, onde ir assim que chegar, onde trocar dinheiro... Foi de uma ajuda absurda.
BAGAGEM
Levei duas mochilas, a de 50l Forclaz da Quechua e uma de ataque que tenho desde o ensino médio.
Tentei levar coisas suficientes para uma semana de uso, foi mais ou menos assim:
Pelo que eu me lembre, foi basicamente isso e algumas coisas pequenas como documentos, cadeado, hidratante, bandana, kindle (nem li) e afins.
ROTEIRO
Mudei milhares de vezes antes do início e esse era o roteiro original, PORÉM ocorreram mudanças forçadas hahaha
Tive que passar dia 03 em Sucre e tirar Paracas do roteiro, ou seja, até dia 12 é preciso jogar tudo um dia pra frente, o resto continuou igual.
DICAS
APP:
COMPRAS PRÉ VIAGEM:
O resto deixei TUDO pra fechar na hora. Mas aconselho a reservar pelo Booking locais com cancelamento grátis só por segurança, passei um perregue por conta disso.
DIA 1 - O SUSTO ANTES DO COMEÇO
Três dias antes da viagem (30/12), descubro que meu voo de Santa Cruz para Sucre seria ADIANTADO. Assim, eu não conseguiria embarcar, visto que ele estaria saindo a hora que eu estivesse pousando do voo Guarulhos-Santa Cruz. Tive que adiar esse voo pra Sucre, o que me fez perder o ônibus noturno de Sucre pra Uyuni.
Ou seja, mal começou e os planos indo pro ralo, mas eu estava consciente que poderia dar ruim esse primeiro dia, era um risco calculado.
E como dizem, há males que vem para o bem.
Eu iria viajar dia 2 de janeiro e fui passar a virada de ano na casa da minha Madrinha. De lá, meu pai daria carona até o aeroporto. Tudo pronto, me despedi de todos e partiu!
Quando estou na fila pra pegar a passagem, procuro minha doleira, onde estavam meu passaporte e toda grana da viagem, e... TCHARAM: NADA! O desespero foi tanto que joguei o mochilao no chão e saí abrindo tudo ali mesmo. Liguei pros meus pais, pedi pra olharem no carro, mas não acharam. Liguei pra minha madrinha e nada na casa... Não era possível, eu não tinha mexido e tinha certeza que havia levado a doleira.
Estava explicando a situação pra moça do guichê pra tentar não perder o vôo, até que recebo o telefonema salvador, meu pai achou DEBAIXO do banco e estava voltando. Porém, não daria tempo pra retirar a passagem e fazer o check-in.
Tive que usar toda minha lábia e desenrolar com a atendente. Consegui que ela deixasse tudo adiantado pra retirar sem fila e burocracia só precisando apresentar o passaporte. No fim, foi correria mas deu certo! Inclusive, a primeira coincidência ocorreu na hora do embarque.
Lembram que eu havia entrado em contato com diversas pessoas pra companhia? Um deles era o Kaique. E não é que ele manda msg no whats falando que está me vendo na fila do embarque?! Combinamos de nos encontrar em Santa Cruz de la Sierra. Também era a primeira viagem solo e internacional dele, ainda usou umas partes do meu roteiro como base.
O voo foi tranquilo, o primeiro contato com o espanhol foi meio assustador, as aeromoças falavam bem rápido e eu não entendia muita coisa dos avisos no alto falante.
Desci na Bolívia e fui passar pela alfândega. Estou lá, suave, vendo o Policial passar por todo mundo e parar em quem? Eu, óbvio.
Fiquei todo atrapalhado pra achar passaporte e responder. Ele ainda me olha o passaporte, minha cara, passaporte, minha cara... Eu já tava quase baixando as calças e indo pra salinha, até que ele resolveu me liberar.
Encontrei o Kaique e fomos dar um pulo no centro de Santa Cruz pra trocar dinheiro, visto que havia lido que em Sucre não há locais pra troca perto do aeroporto. Lembrei das recomendações sobre táxi e tentamos negociar a ida pro centro, tava caro... Perguntei pra uma tia da limpeza do aeroporto e descobri que tinha busao pro centro por menos de 5 reais, enquanto o taxi sairia por 40 reais!
Na plaza central, o Kaique comprou um chip e fomos fazer o câmbio. Demoramos muito e começamos a correr pra voltar a tempo. Não teria como pegar o ônibus, então fomos até a avenida principal atrás de táxi. Perguntei em um local se tinha algum lugar pra pedir e o valor médio.
Foi ali que tive o primeiro contato com os táxis ilegais da Bolívia. O cara deu sinal pra um carro bem velho e perguntou o preço pro aeroporto. Ficou em 60 bols e deu tempo de embarcar no "teco teco" da Amaszonas rumo a Sucre.
Na hora de retirar as mochilas, eu comentei com o Kaique sobre dois mochiloes enormes e que apostava que estavam indo fazer a mesma trip. Fui ao banheiro e, ao voltar, o destino prepara outra surpresa: o Kaique conversando com o casal das mochilas... Era o Cleverson, um cara que eu havia conversado nos preparativos da viagem tbm! Estava acompanhado da Cintia, na real eles nos salvaram, pois já era noite e eu e o Kaique teríamos que achar onde dormir pra pegar o bus na noite seguinte.
Dividimos o táxi, fomos onde eles estavam hospedados e conseguimos vaga! Logo tentamos ir até a rodoviária trocar as passagens do ônibus que são bem concorridas, porém já estava fechada. Voltamos a pé, curtindo um pouco de Sucre e caçando um lugar pra comer. Achamos uma lanchonete, comemos hambúrguer com soda (ruim, parecia sem gás) e rodamos por algumas praças. Fomos dormir depois de um primeiro dia louco, a empolgação era contagiante.