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Serra Fina Julho/19 - bate/volta nos picos: Mina, Capim Amarelo e 3 Estados

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CAPÍTULO 2:  PERDIDOS NO INÍCIO DA TRILHA PARA PEDRA DA MINA

Antes de começar o relato é bom enfatizar a razão de termos perdido no início da trilha duas vezes(depois conversei com outras pessoas que se perderam também, justamente neste local).

Da fazenda ao topo da subida DEUS ME LIVRE...ESSE É O ROTEIRO QUE PEGUEI NA INTERNET 

Screenshot_2019-06-20-07-45-58.png

Bandeira verde e duas amarelas - Fazenda serra fina início da trilha 1574msnm 0 metro OK
Primeira bandeira amarela depois da verde e duas amarelas,  vira à direita 1619msnm  640mts OK
A segunda amarela vira à direita 1628msnm. +-740mts
A terceira amarela vira à esquerda 1643msnm 1,03 kms (DEVE SER ESSA,  ACONTECE QUE NÃO TINHA ANTES NENHUMA ENTRADA À DIREITA, ATÉ PENSEI QUE FOSSE SER ESSA, MAS PERDIDO É PERDIDO MESMO, ACHO QUE FALTOU EXPERIÊNCIA EM TRILHA PARA NÓS, SOU JOVEM UM DIA APRENDO)
A quarta/quinta e sexta(CACHOEIRA) 1603msnm 1810mts
A séxtima amarela água 1698msnm 2880mts
A oitava amarela vira à direita 1718msnm 3100mts
A nona amarela primeiro mirante 1974msnm 4050mts
A décima amarela Clareira pré subida Deus me livre com agua perto  2860mts 4400mts
A décima primeira amarela último ponto de água (pegar água aqui) 4430mts
A décima segunda amarela camping pré Deus me livre 4580mts
A décima terceira início subida Deus me livre 4700mts
A décima quarta amarela cume do Deus me livre 2514msnm (é a última bandeira amarela no canto inferior da foto acima quase escondida). 5600mts

 

Gravei essa foto do roteiro que peguei na Internet, fiz um resumo bem detalhado de cada bandeira  (neste relato a pessoa informava o que tinha),  ou seja, chegar na primeira bandeira amarela(depois da verde e duas amarelas) e VIRAR À DIREITA, ok simples assim....MAS NÃO FOI. Obs: tinha tanto confiança que nem me informei com o Zé sobre os possíveis lugares que poderiamos ter dúvida ou mesmo,  se perder.

Saímos bem cedo, 04 da manhã,  sabíamos que era para virar à direita a uns 640 metros adiante,  fácil né!  Não foi!

Geralmente aquela subida nosso ritmo é  de +-2 kms por hora, calculamos que chegaríamos nesta primeira bandeira no máximo em 25 minutos....acontece que parei para fazer um 2. Ou seja, demorariamos mais um pouco. Continuamos a subir, seguindo as marcas fluorescente nas árvores, mas de repente essas marcas desapareceram, logo a seguir entramos num labirinto de caminhos(várias trilhas que iam para todo lado kkkk) até achei que ali era área de camping kkkkk.  Procuramos essa tal de "virar à direita" uns 40 minutos(entrava num caminho a direira e ele terminava num matagal,  ACHO QUE MUITA GENTE MESMO SE PERDEU POR AQUI), e nada(olhava a bússola do meu relógio, o Googlemaps....a lua...kkkkkkkk). Mas uma coisa que acontece conosco, nestas ocasiões nos unimos e ficamos calmos,  se desesperar nesses momentos só vai piorar a situação. Sabíamos que sairíamos dali. 

De repente achamos um caminho à esquerda  com sinalização florescentes nas árvores,  pronto! ACHAMOS O CAMINHO CERTO UFA.....kkkkk descemos tranquilos, aninados e felizes kkkkkk pouco tempo depois, chegamos na fazenda Serra Fina(ainda escuro) de volta. ...LEVAMOS UM SUSTO, mas depois divertimos muito com a situação. .kkkkkkk como assim. ..

Decidimos voltar até o local onde nos perdemos, pois um tempo depois estaria claro e ficaria "mais fácil" achar o caminho certo. Subimos rápido,  ainda era noite, entramos em todas bifurcações,  sempre virando à direita. Um tempo depois entramos numa  trilha e logo à esquerda tinha uma espécie de barreira feita de galhos de árvore,  alguem fez aquilo para o pessoal não seguir aquela trilha. Resolvemos voltar a fazenda Serra Fina e esperar por um Salvador, como estava frio, ficamos dentro do carro! 

Continua......

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CAPÍTULO 3:  De perdidos na trilha, ao encontro do SALVADOR!

Primeiro trecho de subida da PEDRA DA MINA:

17° - dia 14.07.2019 - Domingo


Saída da casa do Zé,  ida de carro até fazenda Serra Fina. Subida/descida Pedra da Mina e retorno à casa do Zé(hospedagem).
+-16 kms em aprox. 10:20hrs
Acumulado total: 180 Kms

Ontem dormimos às 19:30hrs,  nossa intenção era sair o mais cedo possível,  caminhar na madrugada rende muito mais.
Acordamos às 02:40hrs, rapidamente tomamos nosso café da manhã(nossas mochilas já estavam arrumadas), pegamos o carro e +-4kms e 15 minutos já estávamos na fazenda Serra Fina,  início da trilha para a pedra da minha. Ontem estivemos com a dona Maria(aos domingos ela não dorme na fazenda,  e não tem ninguém para recepcionar o pessoal), acertamos com ela que deixaríamos o dinheiro do estacionamento($20 por veículo) na casa dela, a uns 3 kms da fazenda,  no Paiolinho ou debaixo da porta da casa da fazenda, mas não foi preciso.

Da casa do Zé até fazenda Serra Fina 00:20hrs - 3,8kms de carro.

DOIS PERDIDOS NA TRILHA:
Chegamos de carro na fazenda Serra Fina por volta das 03:45hrs  e  deixamos o carro no estacionamento. No dia anterior a dona Maria disse que a trilha estava muito bem sinalizada, pois na semana passada teve uma prova de corrida nela. Subimos tranquilos (estava com um mapa detalhado  com distância e onde virar) de repente a sinalização reflexiva sumiu justamente antes de várias bifurcações,  e o que aconteceu: achávamos que estávamos num lugar,  mas não,  ao invés de virar a esquerda(MAS O MAPA FALAVA PRA VIRAR À DIREITA NÉ), seguimos reto e  entramos num LABIRINTO de trilhas, e começamos a procurar a "tal" virada à DIREITA, e todas elas não chegavam a lugar algum(tinha pra todo lado kkk...), perdidos literalmente(ficamos UNS 40 MIN procurando a saída kkkk), entramos numa trilha que achávamos que era a certa. ..kkk....só que não. .kk depois de 15 minutos, chegamos onde?????
Na fazenda Serra Fina, no início da trilha kkkkk, até assustei a hora que vi as placas kkkkk isso já passava das 05 da manhã. .kkk


Nessas ocasiões, em vez de discutirmos ou brigar, nós se unimos e vamos ver onde erramos, pior não dava pra ver onde estava o erro.  Aí decidimos subir mais 1 km e tentar achar a trilha certa.....fizemos isso, e nada de achar...... quase 1 hora procurando. Resolvemos voltar pro carro,  vai que aparece alguém que vai fazer a trilha(difícil alguém subir num domingo) ou o pessoal que estava acampado no final do retorno e deveriam chegar até às 08 horas(difícil também), mas mesmo assim ficamos lá, esperando alguém chegar. ..


Lá pelas 08 da manhã chega um rapaz em cima de um cavalo branco, pronto chegou a salvação. ..
O rapaz era o ODAIR filho da dona Maria da fazenda Serra Fina, batemos um papo com ele, e expliquei a nossa saga,  ele tentava dar as dicas e nós não entendíamos. kkk
Aí ele disse: VOU LEVAR VCS ATÉ O INÍCIO DA TRILHA. Aceitamos prontamente ....aí voltamos ao jogo..
Subimos rapidamente com ele  (eu sempre na frente dele ditando o ritmo). Ele mostrou o início da trilha.kkk...inexplicável. .passamos do lado dela umas 100 vezes kkk, inclusive quando estávamos perdidos, caminhei nela uns 100 metros e vi os marcos reflexivos, e achava que era o caminho de retorno à fazenda Serra Fina kkk para vcs terem idéia,  inclusive fiz uma seta no chão e coloquei uns galhos pra marcar a trilha de retorno kkk como perdido é perdido. .kkk

MAS SINCERAMENTE,  ACHO QUE FIZERAM AQUILO LÁ PARA O PESSOAL SE PERDER MESMO.
Segundo umas pessoas, já teve vários resgates de pessoas perdidas nesse trecho. Quando estávamos indo pra a pedra da mina no caminho certo kk, encontramos umas 60 pessoas retornando para fazenda Serra Fina, e muitos deles disseram que se perderam lá também kk, então não foi só nós os PERDIDOS NA TRILHA kk isso não é desculpa de perdido kk
k

Depois que o ODAIR mostrou o "início" da trilha, perguntei pra ele: no ritmo que subimos com você, quanto tempo gastaríamos até o topo da pedra da mina?
Ele respondeu rápido, sem pensar: nesse ritmo que subiram e, se não pararem muito pelo caminho,  devem fazer em, no máximo 5 horas.
Aí ponderamos e vimos que dava pra ir, pagamos um cafezinho e, aproveitamos e já acertamos o estacionamento  $20.



A escuridão que nos esperava

20190714_053355.jpg

Depois de subir 3 vezes, a trilha certa começa em frente a essa "árvore"...

20190714_065308.jpg

Na foto aparece o ODAIR, tentando fechar essa trilha. Quando chegamos aqui não tinha esses galhos no chão e nem esse pau de lado,  nós que colocamos para outros não entrarem reto. Pois a trilha certa começa a alguns passos antes desse lugar da foto.

20190714_083254.jpg

 

OBS IMPORTANTE: A trilha inicial da pedra da mina não tem nenhuma entrada à direita. Somente quando atravessa o riacho que pega mais à direita. Na panela velha tem que seguir à direita.

Não sei o local que esse casal se perdeu, mas é bem comum isso por lá:

https://www.google.com.br/amp/s/www.em.com.br/app/noticia/gerais/2019/08/05/interna_gerais,1074847/amp.html

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Realmente foi uma decisão difícil a ser tomada, tínhamos "gastado" boas calorias na "perdida". O sol tinha dado as caras, sinalizando que, apesar de ser inverno, ele seria muito forte, o que diminui o ritmo de caminhada. Troquei idéia com minha parceira, ela assegurou que dava para fazer, então de comum acordo, decidimos que iamos fazer. Respiramos um pouco e partimos num ritmo acelerado, apesar de levarmos comida pra 2 dias e muita roupa de frio extremo,  NÃO QUERÍAMOS DORMIR NA MONTANHA,  pois não tínhamos barraca e nem saco de dormir, pois a previsão do tempo para aquele período era de temperaturas negativas. Obs.: é super importante esse tipo de decisão ser tomada pelo casal ou grupo, não pode ser tomada unilateralmente,  pois se der algo errado as responsabilidades serão divididas. 

Tivemos que acelerar o ritmo na subida, o que cobrou seu preço na descida,  pois chegamos cansadissimos no final  (sem sombra dúvida, foi o trekking mais difícil que fizemos até hoje). Esse bate/volta mostrou que tomamos a decisão acertada de deixar ele para o final da viagem, se tivéssemos feito no início da viagem, teríamos sérios problemas.

CAPÍTULO 4: Na ida,  só alegria!

.....Depois de virarmos à esquerda, seguimos descendo no meio de uma mata, após poucos minutos(OLHA COMO ESTÁVAMOS PERTO, mas no resumo não tinha um rio) atravessamos pequeno riacho, mais 2 minutos  atravessamos riacho mais largo, e chegamos num descampado  (pequeno ) e viramos à direita  (panela velha) 00:50hrs - 1685msnm.(aqui na panela velha  tem um caminho seguindo mais à esquerda(inclusive colocaram galhos de árvores bloqueando essa trilha), cuidado, mas o caminho à direita e mais óbvio)).

Começamos a subir em lugares com pedras soltas, até mirante do lado direito 01:20hrs - 1 895msnm +- 4km
Sempre subindo,  sem refresco até ponto de água do lado esquerdo, antes do "Deus me livre"(aqui tem uma pequena cachoeira com água bem gelada, PARECE QUE ÉO ÚLTIMO PONTO DE ÁGUA) 01:43hrs - 2030msnm - +- 4,43km
Começa subida fortes em pedras e logo a seguir entra numa área de capim alto com pedras e charco.
Depois começa a parte mais forte, o  famoso "Deus me livre", subimos muitas pedras até o topo: 02:55hrs - 2455msnm

Depois do "Deus me livre" entramos numa região de subidas e descidas em alguns morros e,  depois de uma descida chegamos num bambuzal  (parece que é área de camping). Começamos a forte subida do famoso "misericórdia", até que conseguimos subir sem grandes problemas,  na verdade esperava que era muito pior essas duas subidas famosas (mas estávamos mais bem preparados do que pensávamos, mas a descida...)
Até topo misericordia: 04:19hrs - 2645msnm

Aí pensamos : "acabaram as subidas/descidas fortes" UFA, só alegria! , mas não,  ainda tinha umas rebarbas,  e o ataque ao cume da pedra da Mina.
Até aqui foi "até" tranquilo". Mas a descida.....
Até o topo da pedra da mina  (no caderno) 05:12hrs - 2760msnm - 7,85 kms (segundo um relato)
Tiramos algumas fotos,  curtimos excepcional visual proporcionado(serra fina,  pn do Itatiaia,  MUITO SHOW),
  mas o vento forte/frio nos expulsaram do topo, sem contar que teríamos que retornar tudo de novo.....como foi doído viu...

Na ida, após um certo tempo, encontramos muita gente voltando,  isso amenizava um pouco, pois parávamos um pouco para conversar e divertir, obs.: como as pessoas na montanha são divertidas e procuram ajudar uns aos outros!

Obs.: como era domingo,  encontramos com muita gente durante o trekking(eles voltando e nós indo), tinha muitos paulistas, mineiros, cariocas, paranaenses e um paraibano (que encontrei novamente quando fizemos o pico o Capim Amarelo uns dias depois, como esse mundo é pequeno).

Continua....
 

Início da trilha depois das "perdidas", notem que o sol já se fazia presente

20190714_084126.jpg

Algumas valas e pedras soltas que foi complicado, principalmente na descida

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Aqui começa as subidas fortes depois do último ponto de água, observem que o céu não tinha nenhuma nuvem. 

20190714_101143.jpg

Esse é uma parte da subida  "Deus me livre", não encontramos tantas dificuldades na subida, estávamos esperando coisa muito pior...mas a descida 

20190714_102029.jpg

É aí mesmo, tem que desbravar o capim alto e encarar a subida 

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Aqui começou subida em pedras 

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Lindo visual do topo do "Deus me livre"

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Te apresento a subida "misericórdia"

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Agora era só subir a pedra da mina,  mas não é "logo ali"

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Outro visual estonteante. .

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Mais outra subida 

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Mais outra subida, já no ataque final 

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Ainda falta um "cadinho" que visual viu

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Sem comentários 

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Pico da mina,  ao fundo pn do itatiaia parte alta - Mg

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No topo da PEDRA DA MINA, que pode ser chamada de pica da mina

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Outra singela homenagem ao MOCHILEIROS.COM

20190714_135045.jpg

Mais outra foto minha,  mas a alegria era muita mesmo!

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ÚLTIMO CAPÍTULO:  Correndo contra a noite!

Saída do topo da Pedra da Mina, retorno à fazenda Serra Fina, ida de carro a uns 4 kms na casa do Zé  (onde pernoitamos)


...no topo da Pedra da Mina,   comemos bastante castanhas/nozes, frutas secas e doce de amendoim com rapadura,  nossa reserva energética estava baixa,  isso deu um up enorme.
Achávamos que faríamos em menos de 04:30 até a fazenda Serra Fina(a idéia era chegar durante o dia), mas o desgaste de termos subido rápido(para nós) mais as descidas fortes por pedras soltas, aliadas ao sol forte,  quase gastamos mais tempo na descida do que na subida. ..
Na descida não encontramos ninguém na trilha, era somente nós, se desse alguma coisa errada, ia complicar a nossa vida, mas correu tudo bem. Minha parceira arrumou um galho de árvore para auxiliar na descida. Nosso tempo na descida foi de 05:08hrs,  muito próximo do tempo da subida.

Conseguimos chegar na fazenda Serra Fina por volta das 19 horas,  cansados mas felizes por, apesar de tudo, conseguir fazer esse dificílimo trekking. Pegamos nosso carro, e depois de alguns minutos chegamos na casa do Zé, onde pernoitamos(foi muito importante dormir na casa do Zé).
A família do Zé, num ato gentil, esperaram nós para jantarmos juntos(era domingo), explicamos que estávamos tão cansados que não dava para ir até a casa deles jantar. Gentilmente eles levaram a comida para nós, jantamos e dormimos que nem uma pedra. UM AGRADECIMENTO A ESSA FAMÍLIA ESPECIAL, QUE NOS ACOLHEU IGUAIS MEMBROS DA FAMÍLIA. Super recomendo ficar aqui! TUDO MUITO BOM MESMO!

RESUMO:
A trilha  têm muitas subidas/descidas  fortíssimas, fortes mesmo, algumas regiões de charcos/valas/pedras pequenas, médias e grandes/capim alto/bosques/expostas ao sol e vento. portanto é uma trilha para todos os gostos. Ela exige muito de quem faz o bate/volta no mesmo dia. Apesar de termos levado mochilas de +-9 kgs cada um, o esforço foi muito grande. Ela realmente nos maltratou muito kk

MARCOS E SINALIZAÇÃO: essa trilha tem marcos reflexivos nas árvores, mas durante o dia não tem marcos/setas. .. , mas ela é bem óbvia  (só no início que complicou mesmo), isso pq uma parte não tinha esses marcos reflexivos. 
A trilha tem somente 3 pontos complicados:
Depois de 1 km da fazenda Serra Fina, é o mais complicado. É que no final se não virar à esquerda no local certo, entrará num imenso LABIRINTO de trilhas para todo lado, segundo o pessoal essas trilhas não levam a lugar algum  (MUITA GENTE SE PERDEU AQUI, alguns tiveram que ser resgatados), acontece que a sinalização reflexiva antes da virada à esquerda foi retirada. Então, depois de +- 1 km é VIRAR À ESQUERDA, só vire à DIREITA depois do rio. OBS.: ENTATIZANDO BEM PARA NÃO SE PERDER: DEPOIS DE 800 A 1000 METROS DE CAMINHADA DESDE A FAZENDA SERRA FINA, SE PORVENTURA PASSAR RETO DA "VIRADA À ESQUERDA", ENTRARÁ NUM LABIRINTO DE TRILHAS,  SINAL QUE ESTÁ ERRADO. VOLTE E SIGA À ESQUERDA. PARA NÃO TER ERRO: Logo depois da "virada à esquerda" uns poucos metros à esquerda tem uma bifurcação  (à esquerda vc volta), o certo é seguir reto. Qualquer coisa volte a fazenda Serra Fina e peça ajuda. CUIDADO MESMO, MUITA GENTE JÁ SE PERDEU AQUI. 


Depois da subida da "misericórdia" tem algumas trilhas, mas é só seguir rumo ao pico  (morro mais alto).

Antes do ataque final,  tem uma região com algumas trilhas siga sempre em direção ao pico.

No ataque final ao pico da mina a subida é em laje de pedra, aqui a sinalização é feita com totens. 


O outro problema é depois da descida do MISERICÓRDIA(na volta), no topo de um dos  morros tem uma trilha à esquerda descendo. NÃO É ESSA, a certa é a que segue reto passando no topo, depois vc entra num capim alto e logo à frente tem outra subida.

Obs.: o que eu faço: Sempre olho para trás tentando memorizar o caminho de volta. Outra coisa que funciona bem é ir tirando foto do retorno  (ficou em dúvida, é só ver a foto). Como faço o meu relato no trekking, na dúvida recorro a ele para tirar a dúvida.

PONTOS DE ÁGUA: tem alguns, pra quem faz bate/volta, suba com no minimo 3 litros de água para cada pessoa, principalmente se tiver calor, pois exige muita água na subida e ainda tem que sobrar, pois no retorno têm várias subidas também e o ponto de coleta de água fica distante(uns 1600 metros do topo da pedra da mina) e o sol na volta é muito forte, se o tempo estiver aberto.

Valeu? Se valeu!   Faria de novo? Claro

Ué,  mas a volta tem subida também?  Claro! E muitas. ..descidas também aí aí 

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Que visual

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Tínhamos que chegar lá embaixo

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Subidas e descidas, até parece o misericórdia 

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Descendo na laje de pedra num calor infernal,  apesar do inverno

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Piso escorregadio,  descidas fortes em valas e o sol se pondo. Mas no final deu tudo certo!

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AGRADECIMENTOS:

.Ao Odair, filho da dona Maria da fazenda Serra Fina, que largou seu trabalho naquele dia, para nos ensinar o caminho certo. NOSSA ETERNA GRATIDÃO 

.Ao Zé e toda a sua família, que nos acolheu como membros da sua família. NOSSA ETERNA GRATIDÃO. 

.A todos montanhistas que encontramos pelo caminho que nos incentivavam e davam um novo ânimo a nós, naquele terrível trekking. NOSSA ETERNA GRATIDÃO 

.💖💗💚💜💓💟💞💝💛💛

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TRAVESSIA SERRA FINA - BATE/VOLTA AO PICO CAPIM AMARELO - PASSA QUATRO-MG

29° dia - 26.07.2019 - Sexta-feira
Saída pousada de carro até estacionamento próximo toca do lobo, subida/descida pico capim santo.
+-12 kms em aprox. 06:43hrs
Acumulado total: 288 kms

Nossa intenção ontem, era dormir no Pinheirinho em Passa Quatro-Mg e, hoje acordar bem cedo e ir até a base do Pico do Itaguaré, subir o pico e depois terminar nossa viagem.
Mas chegando no hostel Serra Fina, o Felipe dono do hostel estava dizendo que um grupo ia começar a travessia da Serra Fina no dia seguinte.  Perguntei pra ele se não era complicado fazer um bate/volta no mesmo dia no Pico Capim Amarelo,  ele disse, se vcs conseguiram fazer bate/volta na Pedra da Mina,  com certeza nós não teríamos nenhuma dificuldade na subida do capim amarelo, então resolvemos mudar nossos planos.
Na noite anterior chegou o grupo de Botucatu - SP,  para fazer a travessia da Serra Fina. Conversamos com o pessoal,  e gentilmente fomos "incorporados" ao grupo, entre os montanhista reina a amizade e companheirismo,  o NOSSO MUITO OBRIGADO A TODOS DO GRUPO DE BOTUCATU-SP(eles contrataram uma kombi para levá-los até próximo a toca do lobo e, acertamos com eles que iríamos com nosso carro, seguindo a kombi).

Tomamos café da manhã bem cedo, acompanhamos kombi( por uma estrada de terra com muitas pedras, pontes de madeira), que foi levar o grupo de Botucatu-Sp até o estacionamento antes da toca do lobo (9 kms da rodovia asfaltada).
Deixamos o carro no estacionamento e seguimos à pé com o grupo de Botucatu-Sp  (pessoal jovem com astral maravilhoso) até a toca do lobo, uns 2 kms  (onde começa a trilha).

Pegamos água no rio, atravessamos ele(aqui fomos na frente do pessoal pois estávamos bem mais leves do que eles),  começa subida bem forte,  no início dentro dum bosque,  depois entramos num descampado, mais à frente outro trecho dentro dum pequeno bosque, entramos novamente numa área de pedras soltas, até um outro topo.  Pegamos descida forte na crista da montanha(vento forte, alguns abismos) até um trecho com árvores e capim alto.

Entramos na verdadeira subida ao pico, no início com muito capim alto,  depois em  mata com árvores baixas,  alguns trechos com pedras soltas. 
Chegando próximo ao topo subidas bem fortes em pedras, inclusive alguns trechos têm cordas para auxiliar a subida, tinha gelo numa pedra. Contornamos a montanha do lado esquerdo e chegamos no topo do Capim amarelo  (têm muito capim alto, onde tem área camping).
Assinamos o livro, conversamos com várias pessoas que estavam acampados lá e descemos rapidamente(como tinha trechos com pedras soltas, fomos bem devagar). Como estávamos bem mais leve que o grupo de Botucatu, chegamos primeiro no topo, na descida  encontramos eles no meio da subida verdadeira, conversamos e brincamos muito e continuamos nossa descida e eles iam pernoitar no pico acima.

Chegamos na toca do lobo, atravessamos o rio, e pouco depois ao estacionamento.

Fomos no Centro de Passa Quatro-Mg,  comprar mantimentos pra fazer o almoço no hostel e ir ao banco.  

SUBIDA
Até o início das cordas 03:02hrs - 2305msnm
Até o topo pico do capim amarelo- 03:26hrs - 2395msnm


DESCIDA
Aqui é mais ou menos igual a Pedra da Mina,  a descida é complicada, pois tem muitos trechos com pedras soltas o que torna perigoso acelerar muito o passo.
Do topo do Pico do Capim Amarelo até o estacionamento 03:17hrs - 1450msnm


Hospedagem: hostel e pizzaria Serra Fina, fone: 035 99720-3939, bairro Pinheirinhos - Passa Quatro-Mg  casa antiga, rústica mas extremamente limpa e confortável.  Camas ótimas, wifi, sala TV a cabo, cozinha completa, água, banheiro compartilhado, estaoionamento, churrasqueira,  tanque lavar roupa. Felipe é super atencioso. RECOMENDADO

Cama compartilhado: $60 com café
Casal privativo: $70 com café
Camping: $35 sem café

Faz traslado:
Para toco do lobo: $150 até 3 pessoas
Para itaguaré:  $200 até 3 pessoas
Travessia Serra Fina:  $350 (leva para toca do lobo e busca Pierre)
Travessia Marins/itaguaré: $400 levar e buscar  


Dia nascendo, aqui primeiro descampado

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Na nossa frente o incrível Pico do Capim Amarelo reina absoluto, talvez um dos caminhos mais bonito que já fizemos SIMPLESMENTE LINDO ISSO AQUI

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Trecho complicado com pedras soltas

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Próximo ao topo têm alguns trechos com cordas para auxiliar as subidas mais complicadas 

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Topo do Pico do Capim Amarelo, o famoso caderno de assinatura à direita do pé da parceira. QUE VISUAL,  à esquerda o caminho que fizemos e íamos fazer na descer

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Uma simples homenagem ao nosso site Mochileiros.com

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Descidas fortes, aprendemos a descer alguns trechos de costas,  facilita muito, sempre aprendendo coisas novas. 

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Descendo através de cordas

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Não adianta pensar muito,  tem que encarar aquela subidinha sem reclamar..QUE VISUAL 

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Outro ângulo da região  (do lado direito os picos do Itaguare, Marinzinho e Marins),  UM DOS LUGARES MAIS BONITO QUE JÁ PASSEI

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Outro angulo

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Subida forte. ..

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Não me canso de ver essas fotos

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Idem

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Chegando ao topo 

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Olhamos para trás e vimos isso aí.  DEMAIS E DEMAIS!

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OUTRO ÂNGULO,  S E N S A C I O N A L

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Outra descida,  e o visual. 

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Falta pouco

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Mais um pouco

20190726_121311.jpg

Pronto chegamos a toca do lobo

20190726_124645.jpg

Toca do Lobo,  tinha esquecido que ainda faltavam uns 2 quilômetros,  estava achando que o carro estava aqui......coisa da montanha,  é muito sofrimento bom!

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PICO 3 ESTADOS VIA PIERRE - PREPARAÇÃO

30° dia - 27.07.2019 - Sábado
Saída de carro Hostel Serra fina Passa Quatro-Mg e pernoite fazenda do Pierre, 3 kms antes da garganta do registro, base do pico 3 estados.

Dormimos até mais tarde, batemos um longo papo com o Felipe, e o Milton, guia da região  (já administrou o Camping da base do Pico dos Marins), eles me perguntaram se não íamos subir o Pico dos 3 estados.
Respondemos que esse Pico (segundo um relato que tinha lido algum tempo antes), a sinalização era meio confusa, o Milton disse que era de boa fazer esse bate/volta, desde a fazenda do Pierre. Como era sábado,  e no domingo, sabíamos que alguns grupos iam terminar a travessia da Serra Fina, na fazenda do Pierre,  animamos e mudamos nossos planos (que até então era ir para São Paulo).

Despedimos do pessoal, retornamos de novo para Passa Quatro e passamos em Itamonte para consertar o carro(a grade de proteção do motor soltou de novo), foi só apertar uns parafusos), almoçamos selfservice  $12 à vontade na saída de Itamonte para o Rio de Janeiro(nesta região tem comida bem barata devido a concorrência).

Passamos no Hostel Picus mas estava lotada, depois de uns 2 kms(numa curva à direita (cuidado) tem um estacionamento e um portão)  viramos à direita numa estradinha de terra até a entrada da fazenda do Pierre (parece que ele vendeu a fazenda para outra pessoa ) conversei com o responsável(Luciano) e ele me mostrou uma casinha desativada mais acima, uns 2 kms numa estradinha de terra com muitas pedras e buracos,  mas devagar chegamos sem problema(no início da trilha para o pico dos 3 estados)(o problema que não tem energia elétrica na casa, e estava abandonada mesmo).
Nós fizemos uma faxina na casa e resolvemos passar a noite neste local. A casinha fica no meio de pinheiros, na casa principal (que também está abandonada) que foi do Sargentelli  (antigo apresentador de televisão), tem um lindo visual de montanha e um belo pôr -do-sol.

Hospedagem: casa abandonada  no início da trilha para pico 3 estados,  contatar o Luciano na casa na entrada da fazenda, verificar se ainda está alugando.
A casinha tem um fogão a lenha, uma cama de casal com colchao bom, banheiro privativo, não tem energia elétrica. Preço: $30 por pessoa sem café da manhã + $20 do estacionamento do carro.
   Apesar de nao ter energia elétrica, dá pra ficar numa boa, fica no início da trilha a uns 3 kms da rodovia asfaltada. Ou seja, iríamos começar a trilha mais acima. 

Casa principal que também está abandonada. 

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Outra visão do lugar 

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Visual do pico Picus próximo dali 

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Entardecer, no alto parte da Serra Fina

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Idem

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Casinha abandonada num lindo bosque de pinheiros 

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Fizemos uma grande faxina para ficar assim. Detalhe: a cortina da porta do banheiro era tão velha que estava desintegrando,  vc colocava a mão nela e ficava com os plásticos nas mãos. 

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Depois de muita dificuldade,  conseguimos acender o fogo, por sorte tínhamos óleo e um saco de pipoca,  acedemos umas velas e curtimos uma linda noite estrelada comendo pipoca quentinha. 

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PICO 3 ESTADOS BATE/VOLTA - ITAMONTE - MG

31° dia - 28.07.2019 - Domingo
Saída da casinha fazenda do Pierre, ida até pico dos 3 estados
+-18 kms em aprox. 10:08hrs
Acumulado total: 306 kms

IDA
Acordamos bem cedo, arrumamos as coisas rapidamente e começamos a trilha à esquerda da casinha,  no inicio subida leve em trilha bem larga, dentro dum bosque, a noite estava bem escura.

Depois de 30 minutos chegamos na primeira bifurcação e viramos à direita(como estava escuro dava para ver as plaquinhas reflexivas nas árvores à partir dali).

NOTA IMPORTANTE: Cuidado na subida, principalmente nas regioes que tem bambus, pois foram cortados e ficam virados para quem sobe,  são pontiagudos, alguns na altura do rosto, quase entrou um no meu olho, poderia perder um, se ele entrasse um centímetro abaixo. Alguns relatos asseguram que não existem bambus desse jeito, mas realmente tem, PORTANTO CUIDADO NOS TRECHOS COM BAMBUS. Na volta os bambus servem de apoio para descer os lugares íngremes.

Depois de 01:30hrs chegamos num descampado e seguimos à direita com lindo visual de montanha - 2085msnm,  logo a seguir começa subida forte em pedras e terra com mais bambus e capim elefante
Após 15 minutos chegamos numa bifurcação e viramos à direita subindo ...mais 2 minutos outra bifurcação viramos à esquerda
Mais alguns metros chegamos num mirante e começamos a descer, pouco tempo depois começa outra subida com muitos bambu e capim alto, trecho de  trilha com difícil marcação. Obs.: esse trecho tem algumas bifurcações que podem facilmente se perder, siga a trilha mais batida.

Chegamos, 02:23hrs - 2160msnm,   na base de um Pequeno pico com capim(com uma trilha bem nítida subindo esse pico), seguimos essa trilha e chegamos ao topo. Obs.: apesar da trilha ser bem demarcada, não é essa que leva ao pico dos 3 estados. Funciona assim: Assim que chegar na base desse pico,  tem uma trilha que começa à esquerda(tem um pequena árvore do lado direito, é em frente a ela) e logo a seguir tem uma pequena clareira e depois pega trilha com descida forte e muito capim elefante e depois bambus até o vale, começa outra subida e mais a frente uma descida leve, chegamos numa pedra preta, seguimos reto (têm 2 caminhos a esquerda e a direita).
Começa outra subida forte, mais descida e subida até o picos dos Ivos (03:45hrs - 2410msnm), começa descida forte escorregadia e capim elefante até vale chegamos numa área de campina e pegamos trilha à esquerda e começa outra subida forte. ..e mais à frente descida forte....aí começa outra subida forte...mais uma descida forte até vale em 04:55hrs - 2370msnm.
Aqui começa a última subida até o pico dos 3 estados ...achávamos que era....kk
Mais em cima começa outra descida leve e curta, aí sim a ataque final ao pico dos 3 estados.
05:51hrs  - 2575msnm.

RETORNO
O retorno foi bem mais tranquilo, pois diferentemente da Pedra da mina, aqui não tinha piso com pedras soltas, o que facilitou muito. Sem dúvida o visual na volta é muito mais bonito, pois ficamos de frente com as montanhas e o Pn do Itatiaia bem em frente. Chegamos no Ivos com 01:48hrs de caminhada. Continuamos descendo, como já conhecíamos bem o trecho chegamos rapidamente à casinha onde dormimos na fazenda do Pierre  04:17hrs - 1780msnm, pegamos nosso carro que estava embaixo das árvores, descemos pela mesma estrada toda esburacada e logo chegamos a casa do Luciano, onde efetuamos o pagamento, ali resolvemos dormir novamente no Hostel Serra Fina. Passamos num supermercado em Itanhandu  e compramos nossa janta.

Hospedagem: Hostel Serra Fina, Passa Quatro-mg, ver descrição dias anteriores

Na ida não deu pra tirar fotos pois estava muito escuro, aqui uma das inúmeras subidas fortes 

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Esse é o lugar que erramos e muita gente também,  pela quantidade de trilhas existentes no topo desse pequeno pico, se notarem bem tem uma trilha subindo,  bem batida,  aqui sim tem risco de se perder mesmo

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O céu sem nenhuma nuvem e alguns picos para subir

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Trecho com muitas pedras e um visual maravilhoso, depois desse topo tem uma descida bem complicada numa laje de pedras 

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Lindo visual da parte alta do PN do Itatiaia 

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Agora é bem fácil, era só descer e subir aqueles picos, logo ali...mas para chegar ali foi bem.complicado mesmo, e o sol batente forte apesar de ser inverno. Aqui já começamos a encontrar o pessoal que estava terminando a serra fins,  muitos deles com pouca ou nenhuma água 

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Essa foto não está errada e nem foi tirada na subida da "Misericordia" no Pico da Mina,  esse é mais um pico dos inúmeros que subimos para chegarmos ao topo do pico dos 3 estados

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Alguns trechos complicados em pedras,  como calma subimos sem grandes problemas

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Outro "misericórdia" para subir

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Agora é "só" descer e subir aqueles morrinhos ali e pronto chegaremos...mas não foi "tão" fácil chegar até lá no topo

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Chegando ao topo do pico dos 3 estados, e o céu ainda sem nuvens. 

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Outra simples homenagem ao nosso site, ao fundo a parte alta do PN do Itatiaia,  com destaque ao pico das agulhas negras

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Agora voltar tudo de  novo, aqui início da descida desde o topo 

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Terminando uma grande subida

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Esse lugar é simplesmente maravilhoso 

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Agora é só descer 

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Reta final.....

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Trecho bem arborizado na chegada à Fazenda do Pierre 

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THE END

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Entrei em contato com o Luciano, que administra a fazenda do Pierre, segundo ele, o proprietário da fazenda não autorizou o pernoite na fazenda, nem na casa abandonada e nem para acampar. 

Portanto, o local mais próximo para hospedar e fazer o bate/volta ao pico dos 3 estados é o hostel Picus,  uns dois kms da fazenda.

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    • Por rafael_santiago
      Everest e Nuptse vistos do Kala Pattar
      Início: Namche Bazar
      Final: Pheriche
      Duração: 9 dias
      Maior altitude: 5643m no cume do Kala Pattar
      Menor altitude: 3313m na vila de Phunki Thenga
      Dificuldade: alta. Muita subida e muita descida quase todos os dias, com desníveis de 600m a 800m diários, sempre acima dos 3300m, o que exige aclimatação. O Passo Kongma La, de 5530m, impõe uma dificuldade a mais.
      Permissões: entrada do Parque Nacional Sagarmatha  (Rs 3000 = US$ 26,04) e permissão local que substituiu o TIMS card para a região do Everest (Rs 2000 = US$17,36).
      Obs.: antes de ler este relato sugiro a leitura do meu "Pequeno guia de trekking independente no Nepal" para ter as informações básicas para as caminhadas naquele país.
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      Mirante próximo ao Hotel Everest View (da esq para a dir): Cholatse, Taboche, Nuptse (20º mais alto do mundo), Everest, Lhotse (4º mais alto do mundo), Lhotse Shar e o magnífico Ama Dablam
      8º DIA - 31/10/18 - de Namche Bazar a Khumjung e Khunde (aclimatação)
      Duração: 5h30 (descontadas as paradas)
      Maior altitude: 4050m
      Menor altitude: 3430m
      Resumo: como havia ultrapassado os 3000m de altitude, segui a recomendação de fazer caminhadas de aclimatação a partir de Namche Bazar. Nesse dia subi até o Hotel Everest View para fotos do Everest e outras montanhas em 360º, depois percorri as vilas de Khumjung e Khunde, e ainda subi ao mirante Gong Ri View Point (ou Hillary Memorial View Point). Voltei para dormir novamente em Namche.
      Saí do lodge às 7h03 e subi pela escadaria central da vila, passando à direita do Khumbu Resort. Mais acima a escada de pedra termina, o caminho quebra para a direita e se transforma numa ladeira com degraus espaçados. Na bifurcação sem placa fui à esquerda subindo. Mais acima fui à esquerda numa bifurcação com placa apontando Tyangbuche à esquerda e hotéis (e um museu) à direita. Cerca de 90m acima fui à esquerda na placa apontando Khumjung Khunde à esquerda e Tengboche Gokyo à direita (meu destino no dia seguinte). A subida continua por trilha estreita e em zigue-zague. Segui pela trilha principal até um hotel no alto, o Everest Sherpa Resort. Contornei-o pela direita e subi a um morrote às 7h59. Ali está a primeira visão do Everest para quem inicia a caminhada em Lukla (para mim a primeira visão do Everest foi em Phurtyang, no 4º dia de caminhada). Desse mirante se avistam muitas outras montanhas. Na sequência da esquerda para a direita a nordeste estão: Cholatse, Taboche, Nuptse (20º mais alto do mundo), Everest, Lhotse (4º mais alto do mundo), Lhotse Shar e o magnífico Ama Dablam. A leste estão o Kangtega e o Thamserku, a sudeste o Kusumkangaru (Kusum Kanguru) e ao norte o Khumbila. 
      Dali poderia seguir pela trilha mais batida mas o Christopher (o austríaco) me sugeriu subir um pouco mais e caminhar por uma crista que dava visão para o outro lado, para a vila de Khumjung aos pés do Pico Khumbila. E foi o que fiz, saindo às 8h27. A trilha é estreita e pouco usada, mas se funde à principal ao descer da crista. Com mais 300m já estava no Hotel Everest View, às 9h05. Não se deve entrar no hotel pela escadaria (como eu fiz) para tentar acessar a frente dele e ter a melhor visão das montanhas, mas sim subir à sua direita até algumas antenas, onde a panorâmica de 360º é bastante parecida com a do mirante anterior. Porém a vista na direção do Everest é mais desimpedida e pode-se enxergar a vila de Phortse, por onde eu passaria no 17º dia, e a vila de Tengboche na crista de uma serrinha a 4,5km dali, com o caminho subindo até ela (passaria por ela no dia seguinte). Desse mirante das antenas, a 3886m de altitude, se avista também a Ponte Larja, a ponte dupla por onde havia passado no dia anterior. Parei para contemplar a paisagem mas quando começou a encher muito e ficar muito ruidoso o lugar, saí em direção a Khumjung, às 10h33. Os pousos e decolagens de helicópteros de voos panorâmicos ali são constantes (ou serão hóspedes vip chegando e saindo do hotel?). 
      Caminhei de volta ao hotel, desci a escadaria por onde cheguei e entrei na trilha sinalizada com "way to Khumjung" à direita. A trilha atravessa uma pequena mata e na descida para Khumjung desviei à direita até uma stupa para mais fotos. Essa stupa tem uma placa de dedicatória a sir Edmund Hillary, primeiro homem (junto com Tenzing Norgay) a atingir o cume do Everest, em 1953, e que dedicou sua vida a ajudar o povo sherpa através da organização Himalayan Trust, que ele fundou em 1960. Retomei a trilha principal mais abaixo e desci à vila de Khumjung. Atravessei-a toda e ao chegar a uma praça central com mais stupas entrei à direita seguindo a placa "Khumjung Gomba". Segui pelos caminhos cercados por muros de pedras e alcancei a gomba (monastério) Samten Choling às 11h46. Tirei fotos externas apenas pois havia uma taxa para entrar e eu já havia entrado em vários monastérios budistas. Havia duas rodas mani enormes ao lado. Sentei por ali para comer alguma coisa que trazia de lanche e às 12h02 me encaminhei à vila de Khunde. Voltei apenas 70m pelo mesmo caminho e na primeira bifurcação entrei à direita seguindo a placa. Esse é um caminho secundário de ligação entre as duas vilas, o caminho principal sai da praça central das stupas. 
      Alcancei a vila de Khunde às 12h23 e passei perto do Hospital Hillary, o único hospital do Khumbu (não espere um grande hospital, por fora parece mais um posto de saúde). Avistei o monastério de Khunde no alto, entre as árvores de uma colina, e fui na sua direção. Ao chegar ao pé da colina havia uma placa: Khunde Gomba (monastério) à direita e Gong Ri View Point à esquerda. Fui primeiro ao monastério e é linda a vista das duas vilas com seus telhados verdes e extensos muros de pedras contra as montanhas nevadas ao fundo. Desci de volta à placa e às 12h47 segui à direita para conhecer o Gong Ri View Point (ou Hillary Memorial View Point). Subi dos 3886m dessa placa até os 4050m do mirante em 24 minutos. Ao atingir a crista fui para a esquerda na bifurcação e cheguei a um mirante murado com vista para Namche Bazar bem abaixo, as vilas de Khunde e Khumjung a nordeste e o vale do Rio Bhote Koshi a oeste. As nuvens da tarde já estavam atrapalhando um pouco a visão das montanhas mais distantes, mas ainda estavam visíveis o Khumbila ao norte, o Ama Dablam a nordeste, o Kangtega e o Thamserku a leste, o Kusumkangaru (Kusum Kanguru) a sudeste. O Everest seria visível desse mirante também, não fossem as nuvens.
      Depois voltei à bifurcação e fui para o lado oposto, onde estão as três stupas brancas de pedra em homenagem a Sir Edmund Hillary, sua primeira esposa Louise e a filha do casal Belinda, ambas falecidas num acidente aéreo em Kathmandu em 1975. Ele faleceu em 2008 em Auckland, Nova Zelândia, sua cidade natal. O local para prestar essa homenagem a Edmund Hillary e família não poderia ser mais espetacular.
      Iniciei a descida de volta pelo mesmo caminho às 14h06 e em 17 minutos estava na placa próxima ao monastério. Dali voltei mais 130m pelo caminho da chegada e fui à direita na primeira bifurcação, depois caminhei na direção do portal da vila, ao sul. Na saída passei por uma grande stupa em reforma, atravessei o portal budista às 14h41, subi uma escadaria de pedras e iniciei a descida de volta a Namche Bazar. Às 15h06 entroncou à esquerda o caminho largo que vem da praça central de Khumjung. Passei pelo vilarejo de Syangboche (com uma pista de pouso de terra) e às 15h13 fui à esquerda numa bifurcação com placa apontando Thame e Thamo à direita. 
      Às 15h28 tive uma bonita visão de Namche Bazar do alto, em forma de anfiteatro. Desci mais, passei pelo monastério (gompa) de Namche e às 15h49 estava de volta à vila. Tratei logo de encontrar outro lodge para ficar já que fui "expulso" do Shangri La esta manhã. Procurei algum outro em que o quarto saísse de graça também, mas não encontrei. Resolvi ficar no Valley View Lodge por Rs100 (US$0,87) o quarto. O banheiro ficava dentro do lodge e tinha vaso sanitário com descarga acoplada. Para escovar os dentes havia um lavatório no corredor. 
      Saí para conhecer mais de Namche e comprar algumas coisas. Comprei por Rs1000 (US$8,68) um par de microspikes (pequenos crampons) para ter mais segurança na passagem pela geleira do Passo Cho La, no caminho entre o EBC (Campo Base do Everest) e Gokyo. Numa padaria tomei um chá de gengibre (Rs 150 = US$1,30) enquanto esperava recarregar o celular (de graça para quem consome alguma coisa). 
      De volta ao lodge tomei um delicioso banho quente na ducha aquecida a gás por Rs300 (US$2,60). No refeitório fiz amizade com um francês e uma americana que falava um pouco de português por ter amigos no Brasil. Ambos muito simpáticos. Ao contrário do Lodge Shangri La, este tem mais trilheiros independentes e é mais fácil fazer amizade. A comida e o banho são mais baratos também.
      Continuo na minha rotina noturna diária de filtrar pelo menos 1,5 litro de água com o filtro Sawyer e depois ferver com o meu fogareiro para beber no dia seguinte.
      Altitude em Namche Bazar: 3430m
      Preço do dal bhat: Rs 490
      Preço do veg chowmein: Rs 450

      Monastério de Tengboche
      9º DIA - 01/11/18 - de Namche Bazar a Pangboche    
      Duração: 5h30 (descontadas as paradas)
      Maior altitude: 3943m
      Menor altitude: 3313m
      Resumo: nesse dia percorri a vertente da margem oeste do Rio Dudh Koshi, cruzei esse rio para subir a Tengboche e em seguida passei a caminhar pelo vale do Rio Imja até a vila de Pangboche. 
      Saí do lodge às 7h25 pelo mesmo caminho do dia anterior subindo a escadaria central e indo à esquerda na placa Tyangbuche, porém logo acima fui à direita na placa Tengboche Gokyo. Logo encontrei com grupos e mais grupos indo na mesma direção. O caminho pela encosta da margem oeste do Rio Dudh Koshi é bem largo para comportar tanta gente. O Rio Dudh Koshi é um dos principais rios da região. Venho acompanhando seu curso desde o 5º dia de caminhada, vou segui-lo nesse dia até o povoado de Phunki Thenga e depois no trajeto de Phortse a Gokyo, onde estão suas nascentes.
      Já era possível avistar a vila de Tengboche 4km à frente (em linha reta). Às 8h53 passei pelos lodges de Kyangjuma. Às 9h duas trilhas saem para a esquerda, mas em direções opostas. A da frente (nordeste) vai para Gokyo, subindo. A de trás (sudoeste) vai para Khumjung, também subindo. Eu fui em frente à direita, seguindo a placa de Tengboche.  
      Às 9h04 passei pela vila de Sanasa e às 9h25 pelo povoado de Tashinga (Lawishasa, Laushasa). Às 9h50, ao cruzar a ponte suspensa após a vila de Phunki Thenga (Fungithang, Phungitanga), encontrei quem voltando? o Christopher, o austríaco ligeirinho. Porém não estava bem, seu joelho inchou e ele não podia seguir mais. Contratou um carregador para a sua mochila e ia voltar para casa. Uma pena... um amigo a menos para encontrar e reencontrar no caminho para o Everest. Atravessei a ponte (sobre o Rio Dudh Koshi) e tive uma surpresa não muito agradável: uma guarita ao lado da trilha onde se devia pagar a hospedagem nas próximas vilas (Tyangboche, Debuche e Pangboche) e no valor padrão de Rs500 (US$4,34). Ou seja, foi por água abaixo a negociação do quarto de graça se as refeições fossem feitas no próprio lodge, como tinha sido de Shivalaya até aqui (e foi no Langtang também).
      Após a ponte há mais lodges e restaurantes da vila de Phunki Thenga (Fungithang, Phungitanga). A altitude é a mais baixa do dia: 3313m. Parei ali na chautara (descanso dos carregadores) às 10h03 para comer alguma coisa que trazia na mochila. Ao sair sou logo parado no checkpoint na saída da vila para mostrar as permissões pagas em Monjo (permissão local e entrada do Parque Nacional Sagarmatha). Ali começa uma longa subida em direção a Tengboche, em parte à sombra da mata de rododendros e pinheiros. Às 10h23 desprezei uma trilha subindo à esquerda e continuei em frente, mas parece que as duas trilhas se encontram mais acima. Nos trechos fora da mata era possível ter uma bonita visão dos picos Kangtega e Thamserku a sudeste. Alcancei Tengboche às 11h35 depois de um desnível de 533m desde a ponte do Rio Dudh Koshi. Ali visitei o maior monastério do Khumbu, caprichosamente decorado desde seu belo portal. Da grande praça central de Tengboche se avistam Ama Dablam, Khumbila, Taboche, entre muitos outros picos nevados. Também seria possível ver o Everest se as nuvens já não o tivessem encoberto.
      Parei para almoçar um veg fried rice e às 12h51 prossegui descendo pela mata de pinheiros e rododendros. Passei pela vila de Debuche às 13h05 (não visitei o convento) e Milinggo às 13h25. Às 13h37 cruzei a ponte suspensa sobre o Rio Imja e continuei acompanhando esse rio subindo pela margem direita verdadeira. O Rio Imja será meu companheiro pelos próximos dias. Após um portal budista (kani), fui à direita na bifurcação descendo (a esquerda leva à parte alta de Pangboche, onde está o monastério). Alcancei Pangboche às 14h18 e me instalei no Himalayan Lodge. Entreguei uma via do recibo de pagamento do quarto. O banheiro ficava dentro da casa, tinha vaso sanitário mas a descarga era com balde. Havia uma pia no corredor para escovar os dentes e se lavar. Tentei sinal da NCell e consegui apenas um sinal fraco perto da Hermann Bakery. Mais tarde no refeitório conheci um casal muito simpático que seria minha companhia por muitos dias ainda: Lando e Rosanne, holandeses. Na chegada a Pangboche à tarde havia conhecido três amigos russos muito legais também (e com um deles eu cruzaria várias vezes ainda).
      Altitude em Pangboche: 3943m
      Preço do dal bhat: Rs 600
      Preço do veg chowmein: Rs 450

      Campo Base do Ama Dablam
      10º DIA - 02/11/18 - de Pangboche a Dingboche
      Duração (descontadas as paradas): 2h (subida ao Campo Base do Ama Dablam), 1h20 (descida do Campo Base do Ama Dablam), 2h (de Pangboche a Dingboche)
      Maior altitude: 4596m no Campo Base do Ama Dablam
      Menor altitude: 3910m na ponte do Rio Imja
      Resumo: de manhã fiz uma espetacular caminhada de aclimatação até o Campo Base do Ama Dablam com um desnível de 680m de altitude e à tarde segui pelo vale do Rio Imja até Dingboche
      A temperatura mínima durante a noite dentro do quarto foi 7,2ºC.
      Saí do lodge às 6h52 na direção nordeste, cruzei uma ponte metálica, subi as escadarias e na trifurcação seguinte desci em frente junto ao muro de pedra de um lodge. Cruzei a ponte de ferro sobre o Rio Imja às 7h16 e comecei a longa subida em direção ao Campo Base do Ama Dablam. O caminho é bem marcado e fácil de navegar, sempre subindo em direção às duas incríveis montanhas que formam o Ama Dablam. Parei muitas vezes para fotos e para curtir o incrível visual das montanhas ao redor (antes que as nuvens chegassem): Karyolung, Khatang e Numbur a sudoeste; Taboche a noroeste; Khangri Shar e Pumori ao norte; Nuptse, Everest, Lhotse e Lhotse Shar a nordeste. A nordeste também se viam a vila de Dingboche e a subida para o mirante Nangkartshang. 
      Cheguei ao campo base às 9h33. Altitude de 4596m. No caminho o casal holandês (Lando e Rosanne) havia me alcançado e ficamos um bom tempo ali curtindo o lugar. Foi a primeira vez que pisei num campo base com as barracas das expedições ali montadas, é muito bonito de se ver. Escaladores esperando o melhor tempo para subir e outros já se preparando para ir embora. Uns brincando de boulder, outros simplesmente tomando sol. Entre tantos escaladores encontrei dois brasileiros, ele de Campinas e ela de São Paulo. Conversando com eles e com outros por ali me contaram que apesar do dia lindo e sem nuvens os ventos no alto da montanha estavam muito fortes para tentar uma escalada. Dali se destacam na paisagem, além do próprio Ama Dablam a leste, o Kangtega ao sul, o Khumbila a oeste e o Taboche a noroeste.
      Às 11h22 iniciei o retorno pelo mesmo caminho porém ao cruzar a ponte sobre o Rio Imja tomei a trilha à esquerda que subiu e terminou na escadaria de pedra próxima à ponte metálica. Na ida não percebi que havia uma trilha ali saindo à direita no meio da escadaria. Às 12h43 estava de volta ao lodge para almoçar e pegar minha mochila. As nuvens chegaram por volta de 13h e até o fim do dia a neblina tomaria conta de tudo. Nessa altitude é bastante comum isso, sol e céu limpo de manhã, muitas nuvens e até neblina à tarde. Por isso é bom sair para caminhar e fotografar as montanhas bem cedo. 
      Às 13h19 saí do lodge em direção a Dingboche. O caminho é o mesmo pela ponte metálica e a escadaria na direção nordeste porém na trifurcação toma-se a esquerda para percorrer a trilha na encosta da margem oeste do Rio Imja. Subindo passei pela vila de Somare às 14h e ali já fui parado numa guarita para pagar a hospedagem da próxima vila. De novo foram Rs500 (US$4,34) e a impossibilidade de negociar o valor do quarto diretamente com o dono/dona do lodge. Acredito que em breve toda a região do Khumbu (de Namche Bazar para o norte) deverá estar usando esse sistema de pagamento. 
      A partir desse povoado, a 4056m de altitude, as árvores desaparecem e fica só a vegetação rasteira. Com a ausência de lenha os moradores passam a recolher, secar e estocar esterco de iaque para usar nos aquecedores.
      Às 14h34 cheguei a uma bifurcação bastante importante porém sem nenhuma placa. É pra isso que a gente paga Rs 3000 (US$ 26,04) de ingresso... para caminhar num parque sem sinalização. À direita é o caminho que leva a Dingboche e Chukhung, mais utilizado pelos trilheiros que vão fazer o trekking dos 3 Passos; à esquerda o início da subida para Pheriche e Lobuche para quem vai diretamente ao EBC. Meu caminho seria para a direita. Ali eu estava a 4172m de altitude e havia já um trilheiro vomitando muito e outro andando feito um zumbi apesar da mochila pequena. Consequências da falta de aclimatação!
      Desci até a ponte de ferro sobre o Rio Khumbu (ou Rio Lobuche), afluente do Rio Imja, e a cruzei às 14h45. Dali encarei a subida final pela encosta da margem oeste do Rio Imja até Dingboche, aonde cheguei às 15h17 com neblina. Como já havia pago a hospedagem podia escolher o lodge que quisesse, somente prestando atenção aos preços do menu. Escolhi o Moon Light Lodge e o atendimento era razoável (podia ser bem melhor). Um aviso no quarto alertava para fazer as refeições ali mesmo, caso contrário o quarto custaria Rs1000 (US$8,68). O banheiro ficava dentro da casa e era no estilo oriental, uma peça de louça no chão com um buraco no meio e lugares para colocar os pés nas laterais. Para escovar os dentes havia uma pia no corredor e sobre ela um tambor com torneira (e uma água bastante suspeita).
      Altitude em Dingboche: 4294m
      Preço do dal bhat: Rs 550
      Preço do veg chowmein: Rs 500

      Pico Taboche (dir) visto da montanha Nangkartshang
      11º DIA - 03/11/18 - de Dingboche a Chukhung
      Duração (descontadas as paradas): 2h (subida ao Nangkartshang), 1h25 (descida do Nangkartshang), 2h (de Dingboche a Chukhung)
      Maior altitude: 5076m no Nangkartshang
      Menor altitude: 4294m
      Resumo: de manhã fiz uma bonita caminhada de aclimatação subindo a montanha Nangkartshang com um desnível de 780m de altitude e à tarde subi à vila de Chukhung pelo vale do Rio Imja 
      A temperatura mínima durante a noite dentro do quarto foi -1,2ºC. Às 5h50 da manhã estava 5,3ºC.
      De manhã com o céu limpo é que pude ver as montanhas ao redor de Dingboche: Lhotse, Lhotse Shar e Island Peak (Imja Tse) a nordeste, Ama Dablam a sudeste, Kangtega e Thamserku ao sul, Taboche e Cholatse a oeste.
      Depois de tomar o café servido com o maior mau humor por causa do horário (6h) saí do lodge às 6h42. Voltei 120m na direção da entrada da vila e peguei a trilha à direita que leva a uma stupa, logo iniciando a subida à montanha Nangkartshang. Inicialmente aparecem várias trilhas pois é possível começar essa subida pela outra extremidade da vila (ao norte), mas é só subir e subir que não há erro. Alcancei o cume, de 5076m, às 9h09 e só havia mais uma pessoa, um australiano. Logo começaram a chegar mais montanhistas e bem depois apareceram Lando e Rosanne, que haviam dormido esta noite em Pangboche. Do cume se avistam: Taboche e Cholatse e o Lago Chola Tsho (Cholatse Tsho) a oeste; Cho Oyu (6º mais alto do mundo) a noroeste; Island Peak e Makalu (5º mais alto) a leste; Ama Dablam a sudeste; Kyashar, Kangtega e Thamserku ao sul; Karyolung, Khatang e Numbur a sudoeste. Logo abaixo a sudoeste estão as vilas de Pheriche e Dingboche.
      Iniciei a descida às 11h09 e às 12h38 já estava de volta ao lodge para almoçar e pegar a mochila. Parti às 13h19 em direção a Chukhung ainda pela margem direita verdadeira do Rio Imja. Passei por 4 pontos de água limpa, mas que ainda assim deve ser tratada (mais detalhes no "Pequeno guia"). Parei nesse trecho por 19 minutos para um lanche. Por volta de 15h o Rio Imja se afasta para leste e eu passo a acompanhar um afluente seu que tem origem no Glaciar Lhotse.
      Após cruzar duas pontes, uma de troncos e outra de madeira com gelo nas laterais do rio, cheguei às 15h39 a Chukhung. Na entrada da vila passei por uma barraca de camping montada onde seria feito o pagamento do quarto, como nas duas vilas anteriores, mas estava com o zíper fechado e não havia ninguém. Percorri todos os 5 ou 6 lodges da vila e resolvi ficar num grande desta vez para ver como é. Escolhi o Chukhung Resort, o maior de todos. Os banheiros ficavam dentro do lodge, todos no estilo oriental. Para escovar os dentes havia uma pia no corredor com um balde e uma torneira adaptada, mas eu preferia escovar os dentes com a água que eu pedia na cozinha.
      A cobrança das Rs500 (US$4,34) do quarto foi feita na hora da janta por uma pessoa da comunidade, não do lodge.
      Altitude em Chukhung: 4720m
      Preço do dal bhat: Rs 595
      Preço do veg chowmein: Rs 595

      Campo Base do Island Peak
      12º DIA - 04/11/18 - de Chukhung ao Campo Base do Island Peak (aclimatação)
      Duração: 2h40 na ida e 2h25 na volta (descontadas as paradas)
      Maior altitude: 5105m
      Menor altitude: 4720m
      Resumo: nesse dia fiz uma caminhada de aclimatação subindo ao Campo Base do Island Peak (Imja Tse) com um desnível de 385m de altitude. 
      A temperatura mínima durante a noite dentro do quarto foi -1,1ºC. Às 6h25 da manhã estava -0,4ºC.
      As montanhas que se vê da vila de Chukhung: Karyolung, Khatang e Numbur a sudoeste; Taboche a oeste; Nuptse, Lhotse e Lhotse Shar a nordeste; Ama Dablam ao sul. 
      Saí do lodge às 6h57 tomando uma trilha na direção sudeste que em 4 minutos me levou a cruzar um riacho por uma ponte de madeira. Subi e passei a caminhar pela crista da moraina lateral sul do Glaciar Lhotse, mas não uma geleira branquinha de gelo puro e sim um vale cinzento coberto de pedras. Mais à frente, já na direção leste, desço pela vertente da moraina e reencontro o vale do Rio Imja, que acompanho de perto até uma bifurcação com placa, às 9h13. À direita o Passo Amphu Laptsa e à esquerda o Island Peak, para onde segui. O Lhotse, 4ª montanha mais alta do mundo, me acompanha o tempo todo, à minha esquerda.
      Numa curva para a direita já avisto as barracas do campo base, 1,6km distante ainda. Agora à minha esquerda deixo de ter o Glaciar Lhotse e passo a ter a encosta do Island Peak (Imja Tse). Alcancei o primeiro acampamento às 10h30. Demorei assim porque parei muitas vezes para fotos. O segundo acampamento estava 340m à frente, com altitude de 5105m. Ainda caminhei mais 300m para fotos do incrível Lago Imja Tsho, formado pela fusão de vários glaciares e que dá origem ao Rio Imja. A água não é tão bonita por ser leitosa e não cristalina, mas o lugar todo é impressionante pela grandiosidade. A montanha que se ergue ao norte é o próprio Island Peak (Imja Tse), os campos base estão exatamente aos seus pés. Parei para comer alguma coisa e ver o movimento de escaladores e carregadores chegando e saindo. Iniciei o retorno às 13h18 pelo mesmo caminho. Como sempre as nuvens vieram à tarde e nesse dia se formou de novo uma forte neblina. Cheguei ao lodge às 16h07.

      Cume do Chukhung Ri com o Cho Oyu (6º mais alto do mundo) à esquerda e Nuptse à direita
      13º DIA - 05/11/18 - de Chukhung ao Pico Chukhung Ri (aclimatação)
      Duração: 2h20 para subir e 1h25 para descer (descontadas as paradas)
      Maior altitude: 5558m
      Menor altitude: 4720m
      Resumo: nesse dia fiz uma caminhada de aclimatação subindo a montanha Chukhung Ri com um desnível de 840m de altitude. 
      A temperatura mínima durante a noite dentro do quarto foi -3,4ºC. Às 7h10 da manhã estava -1,9ºC. Havia gelo no vidro da janela, coloquei o termômetro lá fora e estava -6,4ºC às 7h25, pouco antes de eu sair para a caminhada do dia.
      Não dormi quase nada essa noite... insônia é um dos sintomas do Mal da Montanha (AMS, em inglês). Saí do lodge às 7h44, atravessei toda a vila e continuei pela trilha na direção nordeste. Cruzei uma ponte de madeira e comecei a subir a vertente leste da montanha Chukhung Ri. O caminho é bem batido. Ao atingir um primeiro platô é magnífica a vista para o conjunto Nuptse, Lhotse e Lhotse Shar a nordeste. Às 9h48 atingi um falso cume com dezenas de totens a 5375m de altitude. Continuei subindo, agora pela crista, e aos 5433m a trilha virou um trepa-pedras um pouco chato. Cruzei com o russo que conheci em Pangboche e ele me recomendou caminhar pela crista dessa montanha de pedras e não cair para a direita pois o caminho iria piorar mais à frente. Assim cheguei às 10h42 ao cume de 5558m de altitude do Chukhung Ri e a panorâmica era de cair o queixo: Nuptse ao norte; Lhotse e Lhotse Shar a nordeste; Island Peak e Makalu a leste; Ama Dablam ao sul; Thamserku a sul-sudoeste; Karyolung, Khatang e Numbur a sudoeste; Taboche, Cholatse e o Passo Kongma La a oeste; Kongma Tse (Mehra Peak), Cho Oyu, Chumbu, Khangri Shar e Pumori a noroeste.
      Havia só mais um trilheiro solitário quando cheguei mas logo apareceram outros. Novamente chegaram mais tarde Lando e Rosanne, acompanhados de um americano. Todos desceram e eu fiquei um pouco mais ainda. Estava difícil aguentar o vento gelado lá em cima mesmo com roupas impermeáveis (que servem como ótimo corta-vento), luvas, gorro, capuz e pescoceira de fleece cobrindo o nariz e a boca. Todo esse ar gelado teve consequências: à noite comecei a sentir a garganta estranha, depois veio a famosa Tosse do Khumbu (que durou até o final de dezembro!) e para piorar tive uma infecção na garganta que teve de ser tratada com antibiótico em Kathmandu.
      Iniciei a descida às 13h12 e parei por 20 minutos no falso cume para mais fotos. Às 15h04 estava de volta à vila de Chukhung. Mais tarde fui ao lodge Yak Land conversar com o casal holandês e combinamos de cruzar juntos o Passo Kongma La no dia seguinte.

      Lago visto do Passo Kongma La com o pico Makalu (5º mais alto do mundo) à esquerda
      14º DIA - 06/11/18 - de Chukhung a Lobuche pelo Passo Kongma La
      Duração: 6h50 (descontadas as paradas)
      Maior altitude: 5530m
      Menor altitude: 4720m
      Resumo: nesse dia encarei o primeiro dos 3 Passos, o Kongma La, com 5530m de altitude, para descer em seguida à vila de Lobuche cruzando o Glaciar Khumbu, uma geleira coberta de pedras um pouco complicada.
      A temperatura mínima durante a noite dentro do quarto foi -1,3ºC. Às 7h da manhã estava 0ºC dentro do quarto e -4ºC fora, pouco antes de sair do lodge.
      De novo não dormi quase nada essa noite... apesar das muitas caminhadas de aclimatação meu organismo ainda não se adaptou completamente à altitude. 
      Logo cedo fui ao lodge Yak Land para encontrar Lando, Rosanne e o americano para irmos juntos para o Passo Kongma La. Saímos às 7h24 na direção norte e logo cruzamos uma ponte de madeira, tomando aos poucos a direção oeste. Havia sinalização. Deu logo para perceber que nossos ritmos eram bem diferentes, eu caminho mais devagar e paro muitas vezes para fotos e registros no gps. Eles andavam mais rápido e tinham que parar para me esperar. Tentei acompanhar o ritmo deles durante a subida e consegui por bastante tempo, mas isso me desgastou muito (principalmente por estar já há duas noites sem dormir) e às 10h50, aos 5429m, tive de parar para descansar por meia hora. Não adianta, cada um tem seu ritmo e não dá para acompanhar o ritmo do outro, seja para mais ou para menos. 
      Retomei a caminhada e em apenas 60m me deparei com um maravilhoso lago de águas verdes... se soubesse teria parado um pouquinho mais acima. Contornei-o pela direita e veio a subida final até o Passo Kongma La, de 5530m, aonde cheguei às 12h04. Os três ainda estavam me esperando lá, mas desceram logo. O passo é uma crista bem extensa e repleta de pedras soltas, onde não faltam totens, bandeirinhas de oração budistas e lenços cerimoniais, como nas outras montanhas que subi. Dali se avistam Nuptse, Lhotse e Lhotse Shar a nordeste, Island Peak e Makalu a leste, Ama Dablam ao sul-sudeste, Taboche e Cholatse a oeste, Cho Oyu e Chumbu a noroeste.
      Comi alguma coisa (importante levar lanche e água por causa da distância entre as vilas), tirei ainda muitas fotos e iniciei a descida às 12h55 primeiro por um caminho de pedras soltas, mais abaixo é que volta a ser trilha. Passei por uma cachoeira congelada à direita e logo o gelo estava tomando conta da trilha também, mas havia lugares seguros para pisar fora dele. Já desde o passo podia avistar a vila de Lobuche e o Glaciar Khumbu, um mar de pedras que teria que cruzar para chegar lá, e isso parece que me causava mais cansaço ainda. Parei para descansar e comer alguma coisa. 
      Terminei a descida do passo e subi em seguida a moraina lateral da geleira. Ao chegar ao topo da moraina às 15h22 e ver de perto o que teria de enfrentar sentei para descansar um pouco mais. Dali em diante segui pegadas, parei para estudar o caminho em alguns pontos e segui na direção de outros trilheiros que já estavam mais à frente para vencer o enorme glaciar. Foi um sobe-e-desce terrível por pedras soltas e sem um caminho marcado, com pegadas para vários lados. Lembrando que esse tipo de formação tem a aparência de um "mar" de pedras soltas mas embaixo de tudo aquilo é puro gelo, então é preciso ter cuidado onde pisa e para que lado ir. Pelo movimento e derretimento do gelo não é possível existir um caminho fixo e bem definido. O local é impressionante mas ao mesmo tempo aterrador. Às 15h58 tive de cruzar o rio principal que corre no meio da geleira e fiz isso exatamente onde duas pessoas já estavam fazendo. O lago formado abaixo do rio estava com a superfície congelada e era uma camada tão grossa que resistia a pedradas. Depois de mais sobe-e-desce consegui chegar a Lobuche às 16h44 mais morto que vivo. 
      Felizmente meus três amigos estavam me esperando e não precisei procurar hospedagem, eles já haviam feito isso e estavam instalados no Sherpa Lodge. Dividi o quarto com o americano. Não havia cobertor no quarto, tive de pedir mas não foi cobrado. O valor do quarto, que aqui é de Rs700 (US$6,08), o mais caro de todo o trekking, novamente foi cobrado mais tarde por uma pessoa da comunidade e não do lodge. Os banheiros ficavam dentro da casa e era um no estilo oriental e outro com vaso sanitário. Para escovar os dentes havia uma pia no corredor com um balde e uma torneira adaptada.
      Altitude em Lobuche: 4916m
      Preço do dal bhat: Rs 850
      Preço do veg chowmein: Rs 700

      Everest e Nuptse vistos do Kala Pattar
      15º DIA - 07/11/18 - de Lobuche a Gorak Shep e Kala Pattar
      Duração (descontadas as paradas): 2h (de Lobuche a Gorak Shep), 1h10 (subida ao Kala Pattar), 1h05 (descida do Kala Pattar)
      Maior altitude: 5643m
      Menor altitude: 4916m
      Resumo: esse foi o grande e esperado dia de ver o Everest o mais próximo possível e em seu melhor ângulo, que é a partir da montanha Kala Pattar. De Lobuche a Gorak Shep o desnível foi de 245m e de Gorak Shep ao Kala Pattar de 480m. Dormi em Gorak Shep para ir ao Campo Base do Everest no dia seguinte.
      Às 7h da manhã a temperatura dentro do quarto era 3ºC.
      Não dormi quase nada pela terceira noite seguida, mas como não tinha nenhum outro sintoma de Mal da Montanha segui meu roteiro. Saí do lodge às 7h31 na direção nordeste e segui por trilha paralela ao Glaciar Khumbu. A visão dos picos Pumori, Lingtren, Khumbutse e Nuptse à frente é muito inspiradora e nos prepara para o grande momento que está chegando. Às 8h48 tive que cruzar o Glaciar Changri repleto de pedras também mas sem as dificuldades da geleira do dia anterior pois nessa pelo menos há um caminho bem marcado. Depois de algum sobe e desce por essa geleira alcancei Gorak Shep às 9h42 e de cara encontrei a guarita de cobrança do valor do quarto de Rs500 (US$4,34). Pago o quarto, fui percorrer os lodges da vila para escolher em qual ficar. Optei pelo Buddha Lodge. Fiz uma mochila de ataque rapidamente com roupa de frio e de chuva (nunca se sabe...) e saí para subir o Kala Pattar e ver o Everest de seu melhor mirante.
      Na saída encontrei Lando, Rosanne e o americano chegando. Eles continuavam hospedados em Lobuche e vieram somente para subir o Kala Pattar, não iam ao Campo Base. Precisavam abastecer as garrafas de água mas os lodges da vila não fornecem água da torneira por causa da escassez, é preciso coletar a água na base do Kala Pattar, que é o que eles fazem para abastecer o lodge. E foi o que nós fizemos, porém a água fica em poças, então tratá-la é primordial. Iniciei a subida na direção norte às 10h54 e não fiz nenhuma parada até o topo pois queria tirar fotos do Everest e seus vizinhos sem nenhuma nuvem, céu completamente azul. Alcancei o cume do Kala Pattar às 12h02 e tratei de tirar todas as fotos possíveis antes de as nuvens chegarem. A altitude é de 5643m, que passou a ser o meu recorde de altitude já atingida. O mirante Kala Pattar está numa crista que culmina no Pico Pumori. Dali se avista, entre outras montanhas: Ama Dablam, Kongma Tse (Mehra Peak), Kyashar, Kangtega e Thamserku ao sul; Taboche e Cholatse a sudoeste; Chumbu a noroeste; Khangri Shar e Pumori ao norte; Lingtren, Khumbutse, Changtse a nordeste; Everest e Nuptse a leste. 
      Meus três amigos desceram primeiro pois não estavam aguentando o vento gelado mesmo se abrigando atrás das pedras. Eu ainda fiquei um tempo para ter uma boa conversa com as montanhas. Esse era o momento mais esperado da viagem de dois meses no Nepal e um dos momentos mais esperados de toda a minha vida. A emoção foi bastante grande.
      Iniciei a descida às 14h06 e via no rosto das pessoas que subiam o mesmo esforço e a mesma expectativa que eu tive minutos antes. Todos querem coroar sua longa jornada ao Himalaia com esse instante sublime de estar diante da maior montanha de todas. Às 15h14 estava de volta a Gorak Shep. 
      No Buddha Lodge os banheiros ficavam dentro da casa e havia um no estilo oriental e outro com vaso sanitário, mas a descarga sempre com balde (com a água congelada de manhã). Para escovar os dentes havia uma pia no corredor com um balde e uma torneira adaptada. Nesse lodge havia quartos de solteiro, com apenas uma cama, porém claustrofóbicos de tão pequenos. Havia um só cobertor para cada hóspede e o extra custava Rs300 (US$2,60). Tive de usar o meu saco de dormir (Marmot Helium, temperatura limite -9ºC).
      Às 20h15 a temperatura dentro do quarto era 1,6ºC e fora era -8,6ºC.
      Altitude em Gorak Shep: 5160m
      Preço do dal bhat: Rs 850
      Preço do veg chowmein: Rs 700

      Picos Changtse, Nuptse e no meio só a pontinha do Everest
      16º DIA - 08/11/18 - de Gorak Shep ao Campo Base do Everest e descida a Pheriche
      Duração (descontadas as paradas): 1h10 (ida ao EBC), 1h15 (volta do EBC), 4h15 (de Gorak Shep a Pheriche)
      Maior altitude: 5264m a caminho do EBC
      Menor altitude: 4265m
      Resumo: de manhã subi até o Campo Base do Everest e à tarde desci o máximo que pude (até Pheriche) para poder dormir novamente e descansar, abortando com muita dor no coração o Passo Cho La.
      A temperatura mínima durante a noite dentro do quarto foi -8,6ºC, a mais baixa que registrei. Às 6h da manhã estava 0ºC.
      Não dormi quase nada pela quarta noite seguida e decidi baixar de altitude para poder dormir e me recuperar. Com isso estava tomando a difícil decisão de abortar o Passo Cho La, o segundo dos 3 Passos, pois seguir para ele significava ficar mais algumas noites sem dormir. Mas não poderia deixar de conhecer Gokyo e seus incríveis lagos sagrados, por isso iria fazer um contorno enorme pelo sul, descendo muito para depois subir tudo de novo até Gokyo. Pelo menos nas duas noites em altitude mais baixa durante esse contorno eu poderia dormir e descansar para enfrentar possíveis novas noites de insônia. Se eu tivesse Diamox teria tomado para ver se me ajudaria na aclimatação e eu voltaria a dormir. Eu tinha Dramin mas não é nada recomendável tomar remédio que induz ao sono nessa situação de insônia por altitude.
      Saí do lodge às 7h48 na direção nordeste e a caminhada foi com pouco desnível até o Campo Base do Everest, de 5257m de altitude, aonde cheguei às 9h. Esse lugar eu só visitei por seu valor simbólico mas é um "ponto turístico" meio fake. O verdadeiro campo base se estende por uma área bem maior e não é fixo, muda de lugar a cada ano em consequência da movimentação da geleira que vem da Cascata do Khumbu. Outra: dali praticamente não se vê o Everest, apenas uma pontinha dele, o que frustra muita gente. Não havia nenhuma barraca pois a temporada de escalada da maior montanha do mundo ocorre em abril/maio.
      Iniciei o retorno às 9h47 pelo mesmo caminho e às 11h estava de volta ao lodge. Às 11h41 comecei a descer na direção de Lobuche e além. Cruzei todo o Glaciar Changri, parei no final dele por 22 minutos para comer e tentar sinal da NCell - consegui mandar algumas mensagens. Passei por Lobuche às 13h56 e às 14h16, logo antes de uma ponte, fui à esquerda na bifurcação em que à direita se vai ao Passo Cho La. Subi e passei por um conjunto de stupas que são memoriais aos que morreram nas montanhas da região. Dali seguiu-se uma longa descida pela moraina terminal que limita ao sul o Glaciar Khumbu. 
      Alcancei a minúscula vila de Thukla às 15h15 e tive de perguntar pelo caminho para Pheriche pois não era evidente. Desci uma rampa à esquerda e 35m adiante entrei numa trilha à direita, descendo. Ao chegar à margem do rio formado pelo Glaciar Khumbu tive de subir pelas pedras até uma ponte precária de madeira uns 140m rio acima. Cruzei-a às 15h27 e segui primeiro pela margem esquerda pedregosa, depois por uma trilha batida na encosta. Às 15h34 fui à direita numa bifurcação com placa em que a trilha da esquerda vai para Dingboche. Desci bastante em direção ao vale do Rio Khumbu (ou Rio Lobuche) e passei por três pontos de água. 
      Às 16h35 alcancei a vila de Pheriche e arrisquei dar uma olhada no primeiro lodge, de nome Thamserku. Negociei o preço de Rs300 (US$2,60) com as refeições ali mesmo. Estava cansado (quatro noites sem dormir...) e com muito frio para ir a outros lodges procurar por melhor preço. O banheiro ficava dentro da casa e era no estilo oriental. Nesta noite os hóspedes desse lodge eram apenas eu e um grupo de alemães com guias e carregadores, dois dos carregadores com 15 e 16 anos. 
      Altitude em Pheriche: 4265m
      Preço do dal bhat: Rs 700
      Preço do veg chowmein: Rs 450
      Às 20h35 a temperatura dentro do quarto era 2,2ºC. A mínima durante a noite dentro do quarto foi -3,4ºC. Às 7h30 da manhã estava -1,4ºC.
      CONTINUA EM: www.mochileiros.com/topic/83278-campo-base-do-everest-etapa-33-de-pheriche-a-lukla-nepal-nov18
      Informações adicionais:
      Melhor mapa: Jiri to Everest Base Camp, 1:50.000, editora Himalayan MapHouse/Nepa Maps, código NE521, encontrado facilmente nas livrarias de Kathmandu (Rs500 = US$4,34). Site: himalayan-maphouse.com.
       
      Rafael Santiago
      novembro/2018
      https://trekkingnamontanha.blogspot.com.br
       
    • Por rafael_santiago
      Ponte Larja e o lindo Rio Dudh Koshi
      Início: Shivalaya
      Final: Namche Bazar
      Duração: 7 dias
      Maior altitude: 3536m no Passo Lamjura La
      Menor altitude: 1504m na ponte junto à confluência dos rios Dudh Koshi e Deku
      Dificuldade: alta. Muita subida e muita descida quase todos os dias, com desníveis de 600m a 1000m diários, ultrapassando os 3000m de altitude.
      Permissões: entrada do Gaurishankar Conservation Area Project (Rs 3000 = US$ 26,04), entrada do Parque Nacional Sagarmatha  (Rs 3000 = US$ 26,04) e permissão local que substituiu o TIMS card para a região do Everest (Rs 2000 = US$17,36).
      Obs.: antes de ler este relato sugiro a leitura do meu "Pequeno guia de trekking independente no Nepal" para ter as informações básicas para as caminhadas naquele país.
      O trekking Shivalaya-Namche Bazar é a primeira parte de uma caminhada de 23 dias que foi de Shivalaya até o Campo Base do Everest e percorreu dois dos três passos de montanha que levam a Gokyo. A segunda parte está descrita aqui e a terceira parte aqui. A escolha de Shivalaya como ponto inicial teve vários motivos: 1. é o percurso histórico de conquista do Everest pelo neozelandês Edmund Hillary (1919-2008) e o nepalês Tenzing Norgay (1914-1986) em 1953, 2. para evitar o caro e arriscado voo Kathmandu-Lukla (além disso um voo que é cancelado frequentemente por causa do tempo instável em Lukla) 3. conhecer o lado menos turístico e mais autêntico do trekking do Everest.
      Ao longo do relato colocarei o nome das vilas com as variações de escrita mais frequentes e também pelos diferentes nomes que constam nos mapas e nas placas.
      No percurso desse trekking há muitas fontes de água, como riachos no meio da trilha e torneiras ou bicas nas vilas. Não cito todas no relato porque são muitas. A água deve sempre ser tratada, conforme explico no "Pequeno guia de trekking independente no Nepal".
      As operadoras de celular que funcionam em alguns dos povoados ao longo deste trekking são:
      . Shivalaya: NTC
      . Bhandar: NTC, NCell
      . Sete: NTC, NCell
      . Junbesi: NTC
      . Nunthala: NTC
      . Bupsa: NTC
      . Cheplung: NCell
      . Namche Bazar: NCell
      O cartão pré-pago de wifi Nepal Airlink funciona de Junbesi a Kharte, e em Phaplu. O cartão pré-pago Everest Link promete funcionar em toda a região do Everest desde Lukla até o Campo Base. Não testei nenhum dos dois porque não sabia da existência e já havia comprado o chip da operadora NCell em Kathmandu. Mais informações no "Pequeno guia". 
      Todos os preços abaixo estão na moeda do Nepal (rupia nepalesa) e convertidos para dólar pela média dos câmbios que encontrei em Kathmandu entre outubro e dezembro de 2018 (US$ 1 = Rs 115,20).
      Para mostrar a variação de preços das refeições em cada povoado ao longo dos trekkings vou colocar ao final de cada dia o preço do dal bhat e do veg chowmein, dois pratos bastante pedidos. Como referência esses pratos em Kathmandu custam por volta de Rs 250 (US$2,17) e Rs 160 (US$1,39), respectivamente. 

      Monastério Pema Namding, em Kharikhola
      23/10/18 - ônibus de Kathmandu a Shivalaya
      No dia anterior (22/10) eu havia ido ao horrível e sujo terminal de ônibus do Ratna Park para comprar a passagem para Shivalaya. Na verdade havia tentado comprar com mais antecedência ainda mas não quiseram me vender, somente no dia anterior mesmo. 
      Nesse dia o ônibus partiu às 8h com vários lugares vagos mas nas paradas seguintes já começou a encher e durante a longa viagem lotou e esvaziou muitas vezes. Por volta de 10h50 houve uma parada para almoço e a partir daí a estrada passou a ser de terra com muitos buracos, pedras e poeira. Felizmente a estrada não era tão estreita e com abismos como na viagem entre Kathmandu e Syabrubesi (relato aqui), mas o ônibus pulava do mesmo jeito e era preciso tomar cuidado para não bater a cabeça no teto. Foi uma viagem horrível também, muito cansativa pelas condições da "estrada" e pelo tempo muito longo chacoalhando dentro do ônibus: 11h20 para percorrer apenas 215km!!! 
      O ônibus é pequeno e não tem banheiro. São feitas algumas paradas para todos se aliviarem, às vezes no mato da beira da estrada mesmo.
      Os únicos estrangeiros no ônibus além de mim foram um casal francês que subiu numa cidade do caminho e desceu em Jiri. Ele colocou tampões no ouvido para não escutar a trilha sonora nepalesa no último volume. Às 18h10 passamos por Jiri, já de noite (anoiteceu por volta de 17h40), e ainda rodamos mais 1h10 até Shivalaya no escuro, o que foi ainda mais emocionante pois o ônibus pulava o tempo todo e não era possível ver as ribanceiras onde a minha viagem poderia terminar. 
      Às 19h20 saltei desse ônibus em Shivalaya, recoloquei minha coluna e minha bacia no lugar e saí procurando uma hospedagem. No Amadablam Lodge, um dos primeiros da vila, o dono estava na frente e me chamou. Pelo cansaço que eu estava aceitei os Rs200 (US$1,73) que ele pediu sem pensar em negociar o quarto de graça. 
      Recomendo esse lodge pois toda a família era muito simpática. Conversei bastante com o dono (que fala bem inglês), que me disse que a vila foi arrasada nos terremotos de 2015 e eles tiveram de morar por 3 meses em barracas até a reconstrução do lugar. Quase todas as casas que eu estava vendo ali eram novas e todas reconstruídas em madeira.
      O banheiro ficava fora da casa e era no estilo oriental: uma peça de louça no chão com um buraco no meio e lugares para colocar os pés nas laterais. Um tambor com água e uma caneca servem para dar a descarga e para a higiene deles já que não usam papel higiênico. 
      Altitude em Shivalaya: 1782m
      Preço do dal bhat: Rs 300

      Vila de Shivalaya, início do trekking
      1º DIA - 24/10/18 - de Shivalaya a Bhandar
      Duração: 4h50 (descontadas as paradas)
      Maior altitude: 2709m
      Menor altitude: 1782m
      Resumo: nesse dia subi por uma serra alongada na direção leste-oeste, inicialmente pela crista e em seguida pela vertente sul até a cabeceira do vale na vila de Deurali (2709m). Em seguida desci a encosta oposta, a leste, até o povoado de Bhandar, a caminho do vale do Rio Likhu.
      Quando amanheceu é que pude ver melhor como era simpática a vila de Shivalaya. O lodge estava localizado num largo cercado de sobradinhos de madeira coloridos e com sacada.
      Saí do lodge às 8h56 subindo a rua de volta até a entrada do vilarejo. Ali continuei em frente (esquerda) pois à direita está a estrada por onde cheguei de ônibus na noite anterior. Porém dei poucos passos e fui parado pelo guarda do checkpoint do Gaurishankar Conservation Area Project. Eu não havia ido ao Tourist Service Center em Kathmandu para obter a permissão desse parque, então paguei ali na hora, aparentemente pelo mesmo preço (Rs 3000, US$ 26,04). Só mostrei o passaporte, não necessita foto. 
      Às 9h10 continuei pela mesma rua, que fez uma curva para a esquerda. Logo após a ponte segui para a direita, mas poucos passos depois abandonei essa rua e entrei num beco à esquerda. Logo estava caminhando por uma trilha e iniciando meu longo percurso em direção ao Everest. E também já surgiram as primeiras escadarias. Parei alguns minutos para tirar a blusa e passar protetor solar. À medida que subia ia se ampliando a visão da vila de Shivalaya encaixada no vale do Rio Khimti e cercada de morros bem verdes. Às 10h13 a trilha cruzou uma estrada e segui a placa de Deurali, subindo mais degraus. Comecei a notar fitas cor-de-laranja sinalizando a trilha. Isso me ajudou bastante em alguns pontos de dúvida mas depois soube que eram para uma competição, não eram mantidas permanentemente. Ou seja, a gente paga US$26 para caminhar por um parque que só existe no papel e que praticamente não tem sinalização...
      Às 10h19 cruzei a estrada de novo com uma placa de Deurali apontando a trilha que subiu até uma antena. Logo cruzei a mesma estrada e continuei seguindo as fitas laranja e a placa de Deurali. Às 10h34 quis cruzar a estrada novamente e subir a trilha na encosta mas estava errado - dessa vez deveria tomar a estrada mesmo, subindo à direita por 215m para em seguida entrar numa outra trilha na encosta à esquerda. Mais acima segui as fitas e subi a trilha à direita na direção de uma casa no alto. Passei pelo Sushila Lodge e às 10h54 pela escola de Sangbadanda. Cruzei a mesma estrada mas 45m depois passei a caminhar por ela para a direita, com placa e fita sinalizando. Nesse momento estava deixando a crista dessa serra e passando a percorrer a vertente sul dela.
      Caminhei pela estrada por 745m e antes que ela fizesse uma curva fechada para a esquerda abandonei-a em favor de uma trilha descendo à direita junto a uma casa, às 11h13. Dali iria caminhar por trilha até Deurali, na cabeceira do vale, passando por cinco pontos de água (parei em um deles para comer alguma coisa). Na única bifurcação, às 11h48, fui à esquerda seguindo a fita laranja. Subi até cruzar uma estrada às 13h05 e cair nessa mesma estrada 4 minutos depois, indo para a esquerda e chegando à vila de Deurali (2709m). Fui à direita na bifurcação e passei pelas extensos muros de pedras mani no centro do vilarejo. Há três lodges ali e um deles anuncia "edifício resistente a terremoto". O Lama Guest House vende queijo de iaque: 100g por Rs 150 (US$1,30), o melhor preço que encontrei (o mesmo de Ringmo, três dias depois). Havia já muitas nuvens nessa hora, mas com céu limpo seria possível ver o Passo Lamjura La, 16km a leste (onde passaria no 3º dia).
      Cruzei a vila sem fazer nenhuma parada e imediatamente comecei a descer a encosta oposta, a leste, em direção ao povoado de Bhandar. A parte mais alta dessa encosta está toda rasgada por uma sinuosa e poeirenta estrada de terra, mas felizmente há uma trilha que desce mais diretamente. Nos primeiros 4 minutos de descida a partir da vila não notei uma trilha abaixo à esquerda e continuei em frente, mas vi que as fitas haviam sumido e na dúvida voltei. Só então vi que a outra trilha abaixo tinha fitas e a tomei. Pelos próximos 34 minutos cruzei a estrada sinuosa e caminhei por ela o mínimo possível, tomando todas as trilhas/atalhos que encontrei. Depois continuei descendo pela trilha, que passou por diversas casas aqui e ali.
      Às 14h39 cruzei duas vezes uma estrada que fazia uma curva fechada à minha esquerda. Às 14h45 a trilha terminou num final de estrada com um monastério à esquerda que parei para fotografar. Na estrada fui para a esquerda e passei pelo primeiro lodge de Bhandar, o Shobha Lodge, às 14h54. Ainda desci mais por uma trilha para ver se havia outras opções de hospedagem mas não encontrei. No caminho de volta ao primeiro lodge conheci um casal da Hungria, Zita e Daniel, e eles estavam indo procurar outro lodge ainda mais abaixo ou talvez seguir para a próxima vila (distante ainda 3h, onde deveriam chegar no começo da noite). 
      Eu voltei ao Shobha Lodge e negociei com a dona o valor do quarto: acertamos por Rs100 (US$0,87) se eu fizesse as refeições ali mesmo. O banheiro ficava dentro da casa e era no estilo oriental. Havia uma torneira fora da casa para escovar os dentes e se lavar. No quarto havia tomada para carregar as baterias (as tomadas no Nepal costumam ter interruptor!?). Nessa noite comecei a minha rotina noturna diária de filtrar pelo menos 1,5 litro de água com o filtro Sawyer e depois ferver com o meu fogareiro para beber no dia seguinte.
      Nessa noite se hospedaram dois casais franceses muito simpáticos com seu guia, carregadores e até um professor de ioga. Eles não iam para o Everest, iam na verdade subir o Pikey Peak, uma montanha de 4065m de altitude de onde se avistam Everest, Lhotse, Thamserku, Kangtega e muitas outras montanhas.
      Essa vila de Bhandar é o ponto final de um ônibus que sai diariamente do terminal do Ratna Park em Kathmandu às 5h30.
      Altitude em Bhandar: 2204m
      Preço do dal bhat: Rs 400
      Preço do veg chowmein: Rs 260

      Um agricultor no meio da plantação de cardamomo
      2º DIA - 25/10/18 - de Bhandar a Sete
      Duração: 5h45 (descontadas as paradas)
      Maior altitude: 2516m
      Menor altitude: 1576m
      Resumo: nesse dia continuo a descida até o vale do Rio Likhu e inicio a subida pela vertente sul de uma serra alongada na direção leste-oeste que me levará ao Passo Lamjura La no dia seguinte. Minha direção foi basicamente leste.
      Depois da aula de ioga dos simpáticos franceses, saímos juntos do lodge às 8h45. Porém eles iam subir o Pikey Peak, então iríamos caminhar apenas algum tempo juntos. Mas valeu a pena pois eles eram muito curiosos e interessados em tudo o que viam, e perguntavam tudo ao guia. Eu aproveitei a oportunidade para aprender mais sobre plantas, construções budistas, etc. 
      Saímos do lodge descendo na direção leste e cruzamos uma estrada de terra. Passamos por várias pequenas plantações, inclusive de chá, e por um muro de pedras mani. A tradição budista manda que se caminhe no lado esquerdo dos muros de pedras mani, assim como deve-se circundar as stupas e rodar as rodas mani sempre no sentido horário. Os muros de pedras mani são arranjos feitos com pedras planas em que foi esculpido o mantra "Om Mani Padme Hum".
      Cruzamos outra estrada, passamos pelas casas da parte baixa de Bhandar e fomos à direita numa bifurcação com placa apontando Kinza (Kinja). Descemos até uma ponte e a cruzamos às 9h20. Passamos a caminhar por uma encosta íngreme com o grande vale do Rio Likhu à nossa direita cada vez mais profundo. Às 9h54 passamos por uma pequena cachoeira à esquerda e 13 minutos depois paramos para fotos numa cachoeira ainda maior e mais bonita. Apenas 100m depois abandonamos o caminho mais largo e entramos numa trilha à direita, ainda sinalizada com as fitas laranja que havia seguido no dia anterior. Descemos bastante e às 10h39, numa outra bifurcação com placa apontando Kinza à esquerda, os franceses desceram à direita para ir ao Pikey Peak e eu fui à esquerda, seguindo as fitas laranja ainda.
      Passei por mais alguns pontos de água e às 11h43 a trilha terminou numa estrada de terra, onde fui para a esquerda (nordeste). Passei por um grupo de casas junto ao Rio Chari (menor altitude do dia: 1576m), atravessei esse rio e cruzei à direita a ponte suspensa sobre o Rio Likhu. Após essa ponte segui à esquerda acompanhando o rio e atravessei uma segunda ponte suspensa para a esquerda, mas desta vez sobre o Rio Kinja, um afluente do Likhu. Subi à direita e passei às 12h13 pelo portal de pedra da vila de Kinza (Kinja), com vários lodges. Parei no New Everest Guest House para almoçar. Às 13h retomei a caminhada, passei por mais alguns lodges e na bifurcação fui à esquerda. A trilha subiu bastante em zigue-zague com escadarias rústicas de pedra. Aqui inicio uma longa subida por uma serra alongada na direção leste-oeste que me levará ao Passo Lamjura La no dia seguinte.
      Às 13h44 subi à esquerda numa bifurcação sem fita (perguntei na casa para confirmar). Às 14h19 parei para descansar num gramado à esquerda da trilha e ao lado de uma casa, mas fui surpreendido por uma inusitada chuva, a única de todo esse trekking. E não foi fraca, tive que me abrigar junto à casa e esperar. Às 15h18 prossegui e a 70m dali fui à direita numa bifurcação sem fita laranja. Às 15h32 passei pela escola de Chimbu. Mais acima passei por algumas casas e uma mulher me ofereceu haxixe! Em Kathmandu isso é bem comum mas na trilha foi a única vez. Às 16h25 a trilha terminou numa estrada de terra e fui para a direita. Caminhei apenas 100m e parei no primeiro lodge da minúscula vila de Sete, chamado Sun Rise. A simpática garota (de nome Chhotin) concordou que eu pagasse apenas as refeições e me instalei ali.
      Saí para conhecer um pouco mais do lugar e encontrei o casal húngaro que conheci em Bhandar (Zita e Daniel) no outro lodge, Solukhumbu Sherpa Guide. Só dois lodges estavam funcionando no vilarejo. Nessa noite fui o único hóspede da Chhotin e sua mãe e elas fizeram questão que eu jantasse na cozinha com elas. Conversamos bastante e fiquei surpreso como a garota aprendeu inglês sem ter aulas, apenas conversando com os hóspedes. 
      O banheiro ficava dentro da casa, tinha vaso sanitário mas a descarga era com caneca. Havia uma torneira fora da casa para escovar os dentes e se lavar.
      Altitude em Sete: 2516m
      Preço do dal bhat: Rs 495
      Preço do veg chowmein: Rs 380

      Casas acima da vila de Goyam
      3º DIA - 26/10/18 - de Sete a Junbesi
      Duração: 7h15 (descontadas as paradas)
      Maior altitude: 3536m
      Menor altitude: 2516m
      Resumo: nesse dia continuei a subida pela vertente sul de uma serra alongada na direção leste-oeste que me levou ao Passo Lamjura La, de 3536m de altitude, o qual cruzei para descer à vila de Junbesi no vale do rio homônimo. Minha direção foi basicamente leste.
      Saí do lodge às 8h40 continuando para leste. Passei pelo lodge Solukhumbu Sherpa Guide e em seguida subi à esquerda (à direita está o lodge Sherpa Guide). Subi bastante e às 10h cruzei uma estrada e continuei subindo pela trilha entre casas e plantações. Ali fui alcançado pelo Christopher, um austríaco que planejava fazer o mesmo roteiro que eu: Campo Base do Everest e Três Passos. Conversamos um pouco mas ele era bem mais rápido e logo sumiu na frente. Na bifurcação logo após as primeiras casas fui à direita seguindo a placa "way to Junbesi" e atravessei a vila de Dakchu. Havia atingido a crista dessa serra e agora a visão se ampliava para o norte também. Ao fim da vila a trilha sai numa estrada, na qual segui para a esquerda, mas apenas por 40m e entrei no caminho à esquerda que virou uma estrada também. Quando ela fez uma curva para a direita e outra para a esquerda, não notei mas havia uma trilha subindo a encosta à esquerda. Ia passando direto mas alguém me alertou. Subi a trilha e entrei na mata. Subindo, cruzei uma estrada. Com mais 50m a trilha desembocou na estrada, onde fui para a direita. Com 100m subi uma trilha na encosta à esquerda.
      Às 10h51 passei pelas primeiras casas de Goyam, com dois lodges. Cruzei a estrada mais três vezes, depois caminhei por ela por 50m e entrei em outra trilha à direita que subiu a mais casas da vila de Goyam, às 11h29, onde há um lugar que vende queijo. Na estrada acima fui à direita. Mais uma vez subi a trilha à esquerda na encosta (com fita verde dessa vez). De novo saí na estrada e segui por ela à esquerda. Mais 55m e subi na trilha à esquerda na encosta. Cruzei a estrada mais três vezes e parei por meia hora para comer alguma coisa que tinha na mochila. Passei pelas ruínas de um lodge às 12h45 e 80m depois caí de novo na estrada, indo para a direita. Na curva da estrada entrei na trilha à esquerda. Na bifurcação fui à esquerda pois à direita havia uma árvore caída, mas acho que foi o pior caminho para alcançar a estrada acima, aonde fui para a esquerda. Nesse trajeto desde Dakchu entrei e saí da mata diversas vezes.
      Às 13h11 finalmente a estrada terminou de vez, virou uma trilha e 500m depois cruzei um vilarejo com lodges. Subi passando por uma stupa e às 13h54 cheguei ao Passo Lamjura La, de 3536m de altitude, com muitas bandeirinhas de oração budistas. Era possível ver a vila de Deurali a oeste, onde passei no 1º dia, a 16km dali. Ao lado há um restaurante. Este é o ponto mais alto desse trekking de Shivalaya a Namche Bazar e os muitos aviões com destino a/partindo de Lukla passam numa altitude pouco acima.
      Às 14h15 iniciei a descida e em 6 minutos estava entrando numa floresta de rododendros que deve ficar repleta de flores nos meses de março e abril, num lindo espetáculo. O rododendro é a flor nacional do Nepal e aparece até como marca-d'água das cédulas de rupia. Na descida alternaram-se trechos com algumas casas e trechos de mata (com alguns pontos de água) ao percorrer o vale do Rio Taktor, afluente do Rio Junbesi. Passei por um monastério com stupa na vila de Taktor e a trilha virou uma estrada novamente às 16h16.
      Numa curva fechada da estrada para a esquerda entrei numa trilha à direita e desci, seguindo à esquerda na bifurcação 50m depois. A trilha acompanhou a curva da encosta para a esquerda e às 16h38 avistei Junbesi abaixo num bonito vale coberto de árvores com o Pico Numbur ao norte, na direção da cabeceira do vale. Nas bifurcações a seguir fui à direita e à esquerda. Desci por escadarias de pedra, passei por um primeiro lodge ainda na descida e parei no Sherpa Guide Lodge, o primeiro na entrada do vilarejo, às 17h10. Parei ali por sugestão da sra Maya, do Lodge Sun Rise da vila de Sete. Ela disse que esse lodge era da sua irmã, mas eles costumam falar isso e nem sempre é verdade. Conversei com as donas e aceitaram que eu pagasse apenas as refeições, mas "eu não devia contar isso pra ninguém". O banheiro ficava dentro da casa e tinha todos os confortos ocidentais: vaso sanitário com descarga acoplada e até lavatório, coisa muito rara!
      Em Junbesi é que soube da existência do cartão pré-pago Nepal Airlink, que dá acesso ao wifi dos lodges ali e em muitos outros vilarejos (mais informações no meu "Pequeno guia de trekking independente no Nepal").
      Altitude em Junbesi: 2704m
      Preço do dal bhat: Rs 400
      Preço do veg chowmein: Rs 360

      Stupa em Junbesi
      4º DIA - 27/10/18 - de Junbesi a Nunthala
      Duração: 7h25 (descontadas as paradas)
      Maior altitude: 3058m
      Menor altitude: 2206m
      Resumo: nesse dia percorri, subindo e descendo de maneira mais suave, a extremidade sul de uma serra que se alonga na direção norte-sul. Após cruzar o Rio Dudhkund veio uma subida mais íngreme até o Passo Taksindu La (3058m) e depois a descida interminável até a vila de Nunthala.
      Junbesi foi talvez o vilarejo mais bonito e simpático desse trajeto de 7 dias até Namche Bazar. Sua localização no verdejante vale do Rio Junbesi é privilegiada. Há uma grande e bonita stupa na praça central que rende muito boas fotos. Para quem está com tempo sobrando há diversos monastérios para visitar nas redondezas. Se houver necessidade de saída pode-se fretar um jipe ($$$) na vila para ir a Phaplu ou Salleri, onde se pode tomar outro jipe, ônibus ou mesmo avião de volta a Kathmandu.
      Da porta do lodge via o cume do Pico Numbur ao norte, na direção da cabeceira do vale. Saí às 8h37 e enquanto fotografava a stupa no centro da vila apareceu o Christopher acompanhado do casal húngaro Zita e Daniel. Começamos a caminhar juntos mas na ponte metálica sobre o Rio Junbesi já nos distanciamos pois parei para tirar mais fotos. Ao cruzar a ponte, adornada com bandeirinhas de oração budistas, caminhei 60m à direita pela estrada e entrei na trilha subindo à esquerda, entrando na floresta de pinheiros. Com 50m cruzei uma estrada. Estava iniciando a subida pela vertente oeste de uma serra que se estende na direção norte-sul.
      Continuei subindo, saí da mata, passei por algumas casas e reentrei na mata de pinheiros. Às 9h45 saí da mata e logo era possível ver o Passo Lamjura La a oeste, bem longe, além do bonito vale do Rio Junbesi bem abaixo. Às 10h46 alcancei a crista dessa serra. Ali uma surpresa: a primeira visão do Everest na extremidade esquerda de uma linda cadeia de montanhas que incluía também Thamserku, Kangtega, Kusumkangaru (Kusum Kanguru), Kyashar e Mera Peak. Porém todos muito distantes ainda (o Everest estava a cerca de 58km em linha reta). Reencontrei meus três amigos e gastamos um tempo tirando fotos. O local se chama Phurtyang (Phurteng) e o lodge ali não poderia ter outro nome: Everest View. A senhora vendia queijo de iaque. Às 11h09 retomei sozinho a caminhada porque os apressados já haviam ido embora. Até ali já havia passado por três pontos de água, mas dali até Ringmo passaria por mais de dez - água não faltou nesse dia! 
      Caminhando agora pela vertente leste da serra, às 11h28 alcancei uma stupa que me proporcionou uma visão ainda melhor do Everest. Ao sul era possível ver também a pista do aeroporto de Phaplu, além do bonito vale do Rio Solu. Passei pela vila de Salung às 11h56 e continuei descendo. Às 12h54, junto a uma ponte, parei para comer alguma coisa que trazia na mochila. Tive a sorte de avistar e fotografar alguns macacos próximos da trilha. Na ponte seguinte começaram a aparecer as pedras mani coloridas e até embaixo da ponte suspensa que veio a seguir havia várias pedras desse tipo ao lado do Rio Dudhkund.
      A partir do Rio Dudhkund (13h25) inicia a subida em direção ao Passo Taksindu La. A minha primeira parada nessa subida foi na vila de Ringmo, às 13h43, onde há uma fábrica de queijo de iaque com loja. O preço foi o melhor que encontrei (o mesmo de Deurali): Rs 150 (US$ 1,30) por 100g. Ali reencontrei Zita e Daniel. Há também um posto de saúde gratuito patrocinado por entidades da França e da Alemanha, informação importante a quem possa estar com algum problema de saúde durante o trekking.
      A trilha, que até então era vazia e tranquila, passou a ter um número crescente de pessoas. Muita gente chega de ônibus, jipe ou mesmo avião a Phaplu ou Salleri e inicia a caminhada por ali. 
      Retomei a caminhada às 13h58 e na subida ao Passo Taksindu La cruzei seis vezes uma estrada em zigue-zague, subindo por um caminho calçado de pedras à sombra da mata. O passo tem uma stupa, um lodge e um portal de pedras com rodas mani no interior. Altitude de 3058m. Passei por ele às 15h rapidamente porque ainda queria visitar o monastério que há na descida para Nunthala. Desci 190m e caí numa estrada, onde fui para a direita, mas andei nela apenas 40m e entrei na trilha à direita. Cheguei às primeiras casas da vila de Taksindu, onde a trilha deu uma guinada de 90º para a direita, e às 15h15 cheguei ao Monastério Takgon Seddrub Tharling. O lugar é bem grande e bonito, numa posição privilegiada com vista para as montanhas. Havia muitos monges, todos muito jovens, com suas roupas cor de vinho.
      Retomei a caminhada às 15h31 saindo pelo mesmo portão por onde entrei (parece que há outras saídas). Na bifurcação fui à direita para descer por trilha (à esquerda caminharia pela estrada). Na bifurcação em T abaixo fui à direita e já pude ver Nunthala, porém muito abaixo ainda. Essa descida pareceu não ter fim, com pedras soltas e um pouco de lama, e havia bastante gente nela, inclusive três russos com quem conversei um pouco. Passei por três pontos de água e apareceu outra estrada, que primeiro tangenciei e depois cruzei, sempre procurando pelos caminhos por trilha e evitando andar na estrada. Às 16h40 cruzei uma ponte suspensa bem alta com vale bem estreito, quase um cânion, no fundo. Às 16h58 saí numa estrada, fui para a esquerda, fiz a curva para a direita e entrei noutra trilha à direita na próxima curva. Às 17h07 a trilha terminou numa estrada já na vila de Nunthala - fui para a direita e depois esquerda na bifurcação logo em seguida, descendo (havia placa de posto de saúde à direita). Para minha decepção havia carros trafegando ali.
      Parei num dos primeiros lodges pois meus três amigos estavam lá, mas era bem pequeno e parecia já estar lotado. E devia haver opções bem melhores no centro da vila, mais abaixo. E havia muitas, todas vazias. Escolhi um dos últimos, o Danfe Lodge, e dei sorte pois a família era muito simpática e por ser o único hóspede jantei com eles. Eles aceitaram que eu pagasse apenas as refeições, o quarto saiu de graça. O banheiro era no estilo oriental e ficava fora da casa, um problema para ir no meio da noite. Para escovar os dentes e se lavar não havia uma torneira fora da casa, como de costume, então era preciso usar a torneira do banheiro mesmo. Havia tomada (com interruptor) no quarto para carregar as baterias pela última vez nessa caminhada.
      Altitude em Nunthala: 2206m
      Preço do dal bhat: Rs 350
      Preço do veg chowmein: Rs 350

      Campos cultivados em Kharikhola
      5º DIA - 28/10/18 - de Nunthala a Bupsa
      Duração: 5h (descontadas as paradas)
      Maior altitude: 2328m
      Menor altitude: 1504m
      Resumo: nesse dia a descida do Passo Taksindu La continua até o profundo vale do Rio Dudh Koshi, em seguida vem uma subida bastante desgastante até Kharikhola, uma descida bem suave até o Rio Khari e para encerrar uma subida dura até a vila de Bupsa.
      Logo cedo apareceram alguns personagens que iriam ser companhia constante (e irritante) nos próximos dias durante o trekking: as tropas de mulas, que podiam chegar a grupos de 20 ou 30, para desespero dos trilheiros. Elas ocupam todo o espaço da trilha e é difícil ultrapassar o grupo todo, enquanto isso você é obrigado a respirar a poeira que elas levantam e o próprio mau cheiro delas. O tropeiro que as conduz dá gritos muito estranhos. Por mais cedo que se comece a caminhar não se consegue escapar de tê-las à frente. Ao cruzar uma tropa a recomendação é sempre ficar do lado da encosta e não da ribanceira já que uma topada com a carga de uma mula pode jogar o caminhante morro abaixo.
      Com o céu limpo da manhã pude avistar da frente do lodge o Pico Kusumkangaru (Kusum Kanguru), muito bonito e imponente, a nordeste.
      Saí do lodge às 8h46 inicialmente na direção nordeste e continuei minha descida. Às 9h03 fui à esquerda na bifurcação em frente a uma casa, descendo. Às 9h19 fui à esquerda em outra bifurcação pois havia uma fita verde mas tanto faz. Cruzei três pontes de concreto e depois uma estrada junto a um lodge. Saí na mesma estrada, mas andei apenas 20m por ela para a direita e entrei na trilha à esquerda. Novamente cruzei a estrada. Às 10h23 entrei na mata e desci por ela até a ponte suspensa sobre o Rio Dudh Koshi, com a vila de Chhirdi cerca de 100m antes.
      A essa altura eu já havia reencontrado os três russos com quem conversara no dia anterior, mas caminhamos pouco tempo juntos. Tivemos que esperar as mulas passarem pela ponte para atravessá-la, às 11h01. Dela se avista a confluência dos rios Dudh Koshi e Deku do lado esquerdo. Esse foi meu primeiro contato com o Rio Dudh Koshi, um dos principais rios da região, que acompanharei durante todo o trekking a Namche Bazar e depois a Gokyo, onde ele se origina. A altitude aqui é a mais baixa de todo esse percurso de Shivalaya a Namche Bazar, 1504m. E logo em seguida inicia a longa e cansativa subida até Kharikhola e seu monastério.
      Nessa subida, às 11h19 alcancei a pequena vila de Juving, com vários lodges. Subi mais e logo após o Quiet View Lodge, num local chamado Chyokha, subi uma escadaria à direita seguindo a fita verde. Subi rápido tentando escapar das mulas que já se aproximavam. Mas ao cruzar com outra tropa, uma mula desembestada e desgarrada da fila esbarrou na minha mochila, sem eu ter por onde escapar, quase me jogando ao chão. Às 12h33 finalmente cheguei ao alto, ao pé da escadaria para o monastério Pema Namding. Ali estavam Zita e Daniel. Deixei a mochila no chautaara (local de descanso dos carregadores) e subi até a stupa e mais um pouco até o monastério. Dali se avista a vila de Kharikhola a leste. O casal húngaro preparou uma sopinha rápida com o fogareiro, eu preferi comer algo mais substancioso no Hill Top Guest House ali ao lado. 
      Às 13h45, quando estava de saída, chegaram os três russos bastante cansados. Atravessei a vila de Kharikhola, bem extensa e com bastante comércio, com casas espalhadas desde o monastério até próximo da ponte suspensa sobre o Rio Khari. O Lodge Namaste oferece aulas de culinária e línguas (nepalês e sherpa). Fiquei interessado nas aulas de culinária... Cruzei a ponte suspensa do Rio Khari às 14h22 e veio a subida final até Bupsa, aonde cheguei às 15h18. Encontrei Zita e Daniel em frente ao Hotel Yellow Top e entrei para negociar o preço do quarto, que ficou de graça, só pagando as refeições.
      O banheiro ficava dentro da casa e tinha vaso sanitário com descarga acoplada. Para escovar os dentes havia uma torneira no quintal da frente. Já deu para perceber que escovar os dentes e se lavar é um ato público e não privado no Nepal.
      Saí para conhecer a vila e visitar a gompa (monastério) de 1892. Mais tarde, já anoitecendo, chegaram os três russos e se hospedaram ali também. Nessa noite Daniel tratou a minha água do dia seguinte com o Steripen dele - apenas 90 segundos para purificar 1 litro de água!
      Altitude em Bupsa: 2328m
      Preço do dal bhat: Rs 400
      Preço do veg chowmein: Rs 330

      Vale do Rio Dudh Koshi com Lukla à direita e o Pico Khumbila ao fundo
      6º DIA - 29/10/18 - de Bupsa a Cheplung
      Duração: 7h20 (descontadas as paradas)
      Maior altitude: 2876m
      Menor altitude: 2301m
      Resumo: nesse dia tomo finalmente a direção norte que me levará a Namche Bazar (no dia seguinte) pelo vale do Rio Dudh Koshi. Nesse dia caminho somente pela margem leste do vale (no dia seguinte cruzaria o rio quatro vezes), subindo até 2876m, descendo em seguida até 2301m na ponte de Surkhe e subindo novamente à vila de Cheplung (2687m).
      Saí do lodge às 7h inicialmente na direção nordeste seguindo o caminho pisoteado pelas mulas. Às 7h28 cruzei uma ponte de madeira sobre o Rio Kanre e às 7h41 alcancei a vila de Kanre (Kare), com lodges. Subindo mais, após o Sonam Lodge há bandeirinhas e lenços marcando o Passo Khari La, porém a medição do ponto mais alto do dia pelo meu gps foi quase 1km à frente, após a vila de Thamdada. Passei por Thamdada às 8h37 e pelo ponto mais alto, de 2876m, às 8h46. Dali a visão é espetacular nas direções noroeste e norte, onde estão diversas montanhas nevadas, entre elas o Karyolung (esq) e o Cho Oyu (dir).
      Às 9h30 cruzei uma ponte de madeira, em seguida uma ponte metálica sobre o Rio Paiya e logo cheguei à vila de Paiya (Puiya, Puyan, Poyan), com lodges e posto de saúde. Às 10h37 passei pela vila de Chhaubas, também com lodges, onde o Pico Karyolung domina a paisagem a noroeste. A visão do profundo vale do Rio Dudh Koshi à esquerda (sudoeste) vai ficando cada vez mais impressionante. Às 10h56, num mirante espetacular para a parte norte do Rio Dudh Koshi, tive a primeira visão de Lukla, com aviõezinhos pousando e decolando sem parar. Ao fundo, na direção de Namche Bazar, surge o imponente Pico Khumbila. A noroeste está o Karyolung e a nordeste se destaca o Kusumkangaru (Kusum Kanguru).
      Desci bastante e às 12h22 cruzei uma ponte de ferro sobre o azulado Rio Surkhe, chegando à vila de Surkhe, onde parei para almoçar. Às 13h12 retomei a caminhada e às 13h28 cheguei a uma bifurcação com um muro de pedras mani e placa: à direita a escadaria que sobe para Lukla, à esquerda o caminho para Namche Bazar, para onde segui, cruzando a ponte. Às 13h46 cruzei uma ponte suspensa muito alta com cachoeiras formadas pelo Rio Handi à direita. Às 14h04 cruzei outra ponte de ferro com várias pedras mani bem grandes. Nesse momento estava exatamente abaixo da pista do aeroporto de Lukla. Às 14h24, na pequena vila de Musey (Mushe) conheci os muros de pedras mani com uma cobertura de cor vermelha em forma de telhadinho.
      Às 14h41 alcancei a vila de Chaurikharka, com vários lodges, muitos muros de pedras mani e três grandes stupas. Ali comecei a notar construções mais bonitas e bem acabadas, sinal de que estava entrando numa zona mais "turística". Parei para descansar e às 15h03 voltei a caminhar. Ali havia sinal da NCell, depois de 3 dias tentando sem sucesso, e pude mandar notícias para casa. Às 15h28 alcancei enfim a vila de Cheplung e a trilha principal que vai de Lukla a Namche Bazar. E já me espantei com o intenso trânsito de trilheiros para cima e para baixo.
      Termina aqui a primeira etapa dessa caminhada. Fiz em seis dias o que 99% dos trilheiros faz em 30 minutos de avião, mas valeu a pena cada paisagem, cada ladeira, cada família nepalesa que conheci e cada amigo novo que fiz, mesmo sendo passageiro. A partir daqui entraria no comboio de caminhantes, mulas e iaques em direção a Namche Bazar e depois o Everest. Porém, para manter os relatos de forma mais organizada, vou relatar ainda aqui a chegada até Namche Bazar e aos 3000m de altitude. 
      Exatamente na confluência das duas trilhas (a trilha pela qual cheguei e a trilha que vai de Lukla a Namche) simpatizei com o Lodge Sherpa Home & Kitchen. Conversei com a simpática garota e o quarto sairia de graça, bem como a carga das baterias. O banheiro era no estilo oriental, mas dentro da casa. Para escovar os dentes usava uma mangueira no quintal do fundo.
      Aproveitei ainda as duas horas de luz e fui conhecer o monastério da vila, bem no alto, incrustado no paredão de pedra. Saí do lodge na direção de Namche e logo após a ponte de concreto subi a escadaria de pedras à direita. Subi bastante e a trilha foi estreitando e sendo tomada pela vegetação, mas estava no caminho certo. Alcancei uma trilha mais larga acima e fui à direita na bifurcação já vendo o monastério logo acima. É impressionante a construção embutida numa enorme cavidade do grande paredão rochoso. Há ainda uma stupa, uma grande roda mani, todos os elementos de um monastério budista, além de uma bonita vista do vilarejo. Levei 14 minutos para subir a ele a partir do lodge e voltei por outro caminho, indo à direita na bifurcação logo abaixo, mas a trilha é mais confusa e mais longa. 
      Mais tarde no lodge apareceram Zita e Daniel e resolveram se hospedar ali também. Só nós três de hóspedes nessa noite e pudemos conversar com a garota sobre muitos assuntos do cotidiano deles ali. Ela nos mostrou seus livros e cadernos escolares. Morava com a sua tia nesse lodge e nos contou histórias terríveis de rejeição e comércio de meninas pela família, além do problema sério do alcoolismo.
      Altitude em Cheplung: 2687m
      Preço do dal bhat: Rs 400
      Preço do veg chowmein: Rs 300

      Vila de Benkar com o Pico Thamserku ao fundo
      7º DIA - 30/10/18 - de Cheplung a Namche Bazar
      Duração: 6h20 (descontadas as paradas)
      Maior altitude: 3430m
      Menor altitude: 2551m
      Resumo: nesse dia continuei percorrendo o vale do Rio Dudh Koshi sem grandes desníveis, mas após atravessar a famosa Ponte Larja (onde o vale desse rio vira um cânion) a subida final até Namche Bazar é longa e cansativa.
      Saí do lodge às 7h12 no sentido nordeste e continuei no caminho principal após a ponte de concreto (à direita a trilha/escadaria sobe para o monastério). De cara já percebi duas coisas bem diferentes do trekking que vinha fazendo até aqui: o grande fluxo de pessoas (como já disse) e o caminho bem mais largo (para comportar o número de pessoas que passam).
      Cruzei uma ponte suspensa sobre um deslizamento enorme, a ponte metálica sobre o Rio Thado Koshi (menor altitude do dia:  2551m) e cheguei às 7h51 à vila de Thadokoshi. Às 8h05 passei pela vila de Ghat (Yulning) com um bonito monastério de paredes vermelhas (como a maioria deles) e várias pedras mani. Às 8h22 passei pela vila de Chhuthawa. Às 8h37 ignorei uma ponte suspensa à esquerda e continuei em frente, entrando na vila de Phakding 3 minutos depois. Às 8h52 cruzei a ponte suspensa sobre o Rio Dudh Koshi, que divide a vila de Phakding, contornei os lodges pela esquerda e fui à direita na bifurcação em T. Estava agora na margem oeste desse rio.
      Às 9h14 passei por Zamphute, com lodges. Em seguida cruzei uma ponte de concreto sobre o Rio Ghatte (ou Rio Nagbuwa) e às 9h26 passei pela vila de Toktok. Uns 5 minutos depois passei por uma cachoeira à esquerda com três quedas sucessivas. Às 9h39 subi à esquerda na bifurcação e logo avistava a vila de Benkar com o Pico Thamserku ao fundo, numa paisagem de cartão-postal. Às 9h55 cruzei uma ponte de concreto com uma cachoeira de duas quedas sucessivas à esquerda onde alguns iaques carregados queriam parar para beber água. Subi um pouco e na descida já estava entrando na vila de Benkar. Às 10h12 cruzei uma ponte suspensa sobre o Rio Dudh Koshi retornando à margem leste, onde volto a visualizar o Pico Khumbila ao norte. Às 10h30 passei pela vila de Chumoa. 
      Cruzei a ponte de ferro do transparente Rio Monjo e subi cerca de 130m até um checkpoint na entrada da vila de Monjo. Parei ali às 10h40 para pagar a permissão local (substituto do TIMS card para o Everest) no valor de Rs 2000 (US$17,36). Cerca de 400m à frente, depois de cruzar toda a vila de Monjo (com diversos lodges), parei às 11h03 na entrada do Parque Nacional Sagarmatha para pagar a permissão. Entrei na fila demorada e paguei os Rs3000 (US$26,04). Essa permissão pode ser obtida no Tourist Service Center, em Kathmandu, e somente apresentada aqui, num procedimento bem mais rápido. Às 11h32 me livrei dos pagamentos e, ao cruzar um portal budista, pude enfim pôr os pés nesse lugar tão aguardado: o parque nacional que abriga as maiores montanhas do mundo!
      No horizonte ainda se destaca o Pico Khumbila. Desci bastante e às 11h42 cruzei uma ponte suspensa sobre o Rio Dudh Koshi, para a margem oeste de novo, e fui para a direita. Às 11h52 passei pela vila de Jorsale com os restaurantes todos lotados pois é o último vilarejo antes da longa subida a Namche Bazar. Mais à frente todos tivemos de esperar os iaques cruzarem a ponte suspensa Tawa sobre o Rio Dudh Koshi para poder atravessá-la. De volta à margem leste parei numa escadaria para comer alguma coisa que tinha na mochila e às 12h13 segui à esquerda pela trilha, acompanhando o rio, não subindo a escadaria.
      Às 12h47 parei próximo à confluência dos rios Dudh Koshi e Bhote Koshi, junto com muitas outras pessoas, para tirar fotos da famosa Ponte Larja, uma ponte dupla que aparece no filme Everest (de 2015). A ponte de baixo está desativada, todos passam pela ponte de cima, repleta de bandeirinhas de oração budistas. Ambas se estendem sobre o Rio Dudh Koshi, de águas azuladas. A linda cor do rio completava o cenário quase irreal das duas pontes muito altas na entrada do cânion. Um dos momentos mais emocionantes dessa caminhada!
      Dali da margem foi uma boa subida até a ponte de cima. Mas depois de cruzá-la, às 13h02, é que vem o aclive de verdade, saindo dos 2970m e subindo sem trégua até os 3430m do centro de Namche Bazar.  No caminho há banheiros e um checkpoint pelo qual passei direto. Felizmente toda a subida é feita na sombra da floresta. Quando cruzei a Ponte Larja voltei à margem oeste do Rio Dudh Koshi e oficialmente entrei na região conhecida como Khumbu. Na chegada a Namche, às 14h03, me deparei com uma grande escadaria subindo à direita e a trilha continuando à esquerda. Na dúvida fui para a esquerda (cada caminho aqui leva a uma parte diferente da vila). Fiz uma curva para a direita e lá estava diante dos meus olhos um lugar quase mítico para mim: Namche Bazar, com suas casas de 3 ou 4 andares dispostas em forma de ferradura ao longo da encosta da montanha. Visão inacreditável, principalmente depois de 7 dias de caminhada. Parei para contemplar aquela visão, descansar um pouco e me emocionar com aquele momento.
      Passei pelo portal budista e comecei a subir pela ladeira de acesso ao centro, com várias rodas mani bem grandes à direita movidas a água. Uma vez no centro comecei a subir as ladeiras de pedra pensando para que lado procurar hospedagem quando ouvi alguém me chamar: era o Christopher, o austríaco. Ele me indicou o lodge onde estava, de nome Shangri La Guest House, e fui para lá. A dona aceitou que eu pagasse somente as refeições, o lugar era bom, mas depois não gostei de algumas coisas e não recomendo esse lodge. O banheiro ficava dentro da casa e tinha vaso sanitário com descarga acoplada, ainda lavatório com espelho, era muito luxo! Mas houve algumas decepções como: é um lodge que trabalha com grupos grandes e no refeitório só dão atenção para esses grupos; foi o único lugar no Nepal onde acrescentaram 13% de imposto à conta final. Para completar, somente no café da manhã do dia seguinte é que a dona me falou que eu não poderia dormir mais uma noite ali porque havia reservas de grupos. Tive de arrumar a mochila correndo e deixar guardada para procurar outro lugar para ficar quando voltasse da caminhada de aclimatação no final do dia. 
      Altitude em Namche Bazar: 3430m
      Preço do dal bhat: Rs 650
      Preço do veg chowmein: Rs 500

      Cachoeira na entrada da vila de Benkar
      CONTINUA EM: www.mochileiros.com/topic/82889-campo-base-do-everest-etapa-23-de-namche-bazar-ao-campo-base-do-everest-e-pheriche-nepal-nov18
      Informações adicionais:
      Eu sempre faço o possível para conseguir as informações mais precisas sobre horários, preços, etc, porém no Nepal isso é bastante complicado pelo problema da comunicação e da falta de organização geral das coisas. Assim, coloco aqui as informações obtidas mas com essa ressalva.
      Horários de ônibus:
      . Kathmandu-Jiri-Shivalaya: 6h e 8h 
      São 10h10 de viagem (para 197km) até Jiri e 11h20 de viagem (para 215km) até Shivalaya
      Em Kathmandu os ônibus saem do imundo terminal do Ratna Park
      Preço: Rs760 (US$6,60) até Shivalaya
      . Kathmandu-Bhandar: 5h30 (único horário)
      Em Kathmandu os ônibus saem também do horroroso terminal do Ratna Park
      Melhor mapa: Jiri to Everest Base Camp, 1:50.000, editora Himalayan MapHouse/Nepa Maps, código NE521, encontrado facilmente nas livrarias de Kathmandu (Rs500 = US$4,34). Site: himalayan-maphouse.com.
       
      Rafael Santiago
      novembro/2018
      https://trekkingnamontanha.blogspot.com.br
    • Por rafael_santiago
      Gokyo e o o terceiro lago, Gokyo Tso
      Início: Pheriche
      Final: Lukla
      Duração: 7 dias
      Maior altitude: 5409m no Passo Renjo La
      Menor altitude: 2545m em Thadokoshi
      Dificuldade: alta. Muita subida e muita descida todos os dias, com desníveis de 380m a 1030m diários, sempre acima dos 3300m, o que exige aclimatação. O Passo Renjo La, de 5409m, impõe uma dificuldade a mais.
      Permissões: entrada do Parque Nacional Sagarmatha  (Rs 3000 = US$ 26,04) e permissão local que substituiu o TIMS card para a região do Everest (Rs 2000 = US$ 17,36).
      Obs.: antes de ler este relato sugiro a leitura do meu "Pequeno guia de trekking independente no Nepal" para ter as informações básicas para as caminhadas naquele país.
      O trekking Pheriche-Lukla é a terceira parte de uma caminhada de 23 dias que foi de Shivalaya até o Campo Base e percorreu dois dos três passos de montanha que levam a Gokyo. A primeira parte está descrita aqui e a segunda parte aqui. Como esta etapa do trekking ocorre acima dos 3000m de altitude, foi preciso fazer previamente um processo de aclimatação. Para saber mais sobre a importância da aclimatação e os riscos de não fazê-la sugiro ler este tópico no "Pequeno guia".
      Ao longo do relato colocarei o nome das vilas com as variações de escrita mais frequentes e também pelos diferentes nomes que constam nos mapas e nas placas.
      No percurso desse trekking há muitas fontes de água, como riachos no meio da trilha e torneiras ou bicas nas vilas. Não cito todas no relato porque são muitas. A água deve sempre ser tratada, conforme explico no "Pequeno guia de trekking independente no Nepal".
      As operadoras de celular que funcionam em alguns dos povoados ao longo deste trekking são:
      . Pheriche: só Everest Link
      . Pangboche: NCell (somente em alguns lugares da vila)
      . Phortse: NCell
      . Gokyo: só Everest Link
      . Namche Bazar: NCell
      . Lukla: NCell
      O cartão pré-pago de wifi Everest Link promete funcionar em toda a região do Everest desde Lukla até o Campo Base. Não o testei porque não sabia da existência e já havia comprado o chip da operadora NCell em Kathmandu. Mais informações no "Pequeno guia".
      Todos os preços abaixo estão na moeda do Nepal (rupia nepalesa) e convertidos para dólar pela média dos câmbios que encontrei em Kathmandu entre outubro e dezembro de 2018 (US$ 1 = Rs 115,20).
      Para mostrar a variação de preços das refeições em cada povoado ao longo dos trekkings vou colocar ao final de cada dia o preço do dal bhat e do veg chowmein, dois pratos bastante pedidos. Como referência esses pratos em Kathmandu custam por volta de Rs 250 (US$2,17) e Rs 160 (US$1,39), respectivamente.

      Pangboche com o Ama Dablam ao fundo
      17º DIA - 09/11/18 - de Pheriche a Phortse
      Duração: 4h30 (descontadas as paradas)
      Maior altitude: 4293m
      Menor altitude: 3795m
      Resumo: nesse dia percorri os vales dos rios Khumbu (ou Lobuche) e depois Imja até a confluência deste com o Rio Dudh Koshi e a vila de Phortse
      A mínima durante a noite dentro do quarto em Pheriche foi -3,4ºC. Às 7h30 da manhã estava -1,4ºC.
      Por causa da insônia que me deixou quatro noites seguidas sem dormir (efeito do Mal da Montanha, AMS em inglês), em Gorak Shep tomei a decisão de abortar o Passo Cho La e baixar de altitude para poder dormir e me recuperar. Por outro lado, não poderia deixar de conhecer os belos lagos sagrados de Gokyo, então faria um contorno bem grande descendo para o sul para em seguida subir até Gokyo, aonde chegaria no 19º dia de caminhada.
      De manhã com o céu limpo, da frente do lodge Thamserku podia avistar as montanhas na cabeceira do vale do Rio Khumbu (ou Lobuche) e também o Taboche e o Cholatse a noroeste. A sudeste o Ama Dablam e ao sul estavam Kangtega e Thamserku.
      Saí do lodge às 10h08 na direção sul ainda pela margem esquerda do Rio Khumbu (ou Rio Lobuche). Cerca de 600m após as últimas casas de Pheriche passei para a outra margem desse rio atravessando uma ponte de ferro e seguindo para a esquerda. Subi até um memorial a escaladores às 10h55 (4293m, maior altitude do dia) e logo desci até aquela bifurcação sem placa do 10º dia. Naquele dia fui para a direita (que agora é esquerda) na direção de Dingboche, hoje vou para a direita, voltando a percorrer o vale do Rio Imja. Desse ponto até Pangboche refaço o caminho da ida ao contrário, na direção sul, e volto a caminhar abaixo do limite das árvores. Passei por Somare às 11h51 e parei em Pangboche às 12h42 para almoçar no Himalayan Lodge, onde me hospedei no 9º dia. Ali conheci um polonês que estava bem perdido, dei umas informações pra ele e ele me deu boas dicas sobre as montanhas Tatras, na fronteira do seu país com a República Tcheca.
      Voltei a caminhar às 14h13 e subi à direita na bifurcação bem ao lado do lodge, na direção do monastério (gomba). Duas coisas me detiveram por algum tempo para fotos nessa subida: a linda vista de Pangboche com o Ama Dablam ao fundo e o longo muro de pedras mani na trilha. Cheguei ao monastério às 14h40 e o visitei só por fora (entrada de Rs250 = US$2,17). Ele é do século 17 e é o mais antigo monastério do Khumbu. Continuei pela trilha na direção sudoeste, fui à direita na primeira bifurcação (com placa indicando um posto de saúde à esquerda) e à esquerda na trifurcação (sem placa) logo a seguir. Nesse ponto um cachorro estressado não parava de me perseguir e ameaçava me morder, mesmo atirando pedras na sua direção. Por fim me livrei dele. Passei por mais um longo muro de pedras mani na saída da vila. Deixei para trás o vilarejo de Pangboche Alto e continuei pela trilha na encosta da margem direita do Rio Imja. Passei por três bicas de água e subi até os 4084m, onde, às 15h48, avistei a vila de Tengboche e seu grande monastério. Depois de várias subidas e descidas, até com escadarias de pedra, cheguei a Phortse às 16h58 com neblina.
      Nessa vila não há o esquema de cobrança de preço único do quarto, como já vigora de Tengboche a Gorak Shep, então volta o método anterior de negociar o quarto desde que se façam as refeições ali mesmo. Perguntei em alguns lodges e fiquei no Namaste Lodge, onde o dono me fez o quarto de graça. O banheiro foi o mais esquisito de todos: uma casinha com um buraco no piso de madeira (sem a peça de louça) e uma montanha de folhas ao lado para jogar um pouco no buraco depois de fazer o número dois. Para escovar os dentes havia uma pia no corredor dentro da casa. Havia tomada no quarto mas a recarga de baterias era paga. Barganhei o máximo que pude e chegamos a Rs500 (US$4,34) para recarregar todas as baterias durante a noite inteira. Pedi um cobertor pois não havia no quarto (não foi cobrado), mas não era tão grosso e achei melhor usar o meu saco de dormir (Marmot Helium, temperatura limite -9ºC). Nesta noite nesse lodge havia apenas um grupo de alemães, mas era um grupo tão grande que lotava o refeitório.
      Continuo na minha rotina noturna diária de filtrar pelo menos 1,5 litro de água com o filtro Sawyer e depois ferver com o meu fogareiro para beber no dia seguinte.
      Altitude em Phortse: 3795m
      Preço do dal bhat: Rs 500
      Preço do veg chowmein: Rs 450

      Vila de Machermo
      18º DIA - 10/11/18 - de Phortse a Machermo
      Duração: 4h (descontadas as paradas)
      Maior altitude: 4446m
      Menor altitude: 3603m
      Resumo: nesse dia saio do vale do Rio Imja e volto ao vale do Rio Dudh Koshi iniciando a longa subida (de dois dias) a Gokyo pela margem direita verdadeira deste rio
      A mínima durante a noite dentro do quarto foi 5,2ºC, não tão frio quanto eu esperava. Como na noite anterior, meu sono foi bom, conseguindo me refazer do cansaço dos dias anteriores quando fiquei quatro noites seguidas sem dormir por causa da altitude.
      A partir de Phortse os mapas indicam dois caminhos a Gokyo, um pela margem direita do Rio Dudh Koshi e outro pela margem esquerda. O guia Lonely Planet sugere ir a Gokyo pela margem direita e voltar pela margem esquerda. Porém conversei com várias pessoas nos últimos dias e todos desaconselhavam tomar o caminho da margem esquerda pois nele há deslizamentos e pedras que caem. O caminho da margem direita é mais seguro e muito mais usado pelos trilheiros.
      O Rio Dudh Koshi é um dos principais rios da região. Acompanhei seu curso do 5º dia de caminhada, em Chhirdi, até o 9º dia em Phunki Thenga e agora vou segui-lo até Gokyo, onde estão suas nascentes.
      Saí do lodge às 9h22 descendo as escadarias da vila na direção sudoeste e quebrando à direita na direção do Everest Lodge. Ao lado desse lodge uma grande stupa com placa indica o caminho para Dole descendo a trilha para o norte, na direção do Rio Dudh Koshi. Cruzei uma matinha e desci bastante, atravessando a ponte metálica sobre o azulado Rio Dudh Koshi às 9h56 (3603m, menor altitude do dia). Seguiu-se uma subida por um bosque com a trilha bem mais estreita até que alcancei a principal mais acima, onde fui para a direita (noroeste). Daqui até próximo de Gokyo vou caminhar pelas encostas da margem direita verdadeira do Rio Dudh Koshi.
      Às 10h21 fui parado num checkpoint para mostrar as permissões pagas em Monjo no 7º dia (permissão local e entrada do Parque Nacional Sagarmatha) e a surpresa foi encontrar o casal húngaro Zita e Daniel, ele visivelmente mais magro. Eles já estavam descendo de volta a Namche, não tiveram problema com a altitude, passaram pelos passos Kongma La e Cho La mas não quiseram encarar o terceiro passo, o Renjo La.
      Continuei subindo e às 10h29 cruzei uma ponte de ferro com uma cachoeira congelada à esquerda. Mas essa foi só a primeira delas pois em seguida cruzei mais três pontes com cachoeiras congeladas ao lado. Esse foi o primeiro dia cinzento do trekking desde Shivalaya, sem nenhum sinal de sol, o que fazia o dia ficar muito frio. Essas águas congeladas só aumentavam a sensação de frio. As nuvens estavam bem baixas e caíram cristais de neve quase o dia todo.
      Às 11h51, depois de subir 445m desde a ponte do Rio Dudh Koshi, alcancei a vila de Dole e parei para almoçar um dal bhat no Namaste Lodge. Dole está a 4049m e as árvores já começam a desaparecer acima dessa altitude. Às 12h56 continuei na direção oeste e logo desci para cruzar o Rio Phule por uma ponte de troncos precária. Subi novamente e passei por um lodge em Lhafarma às 13h44. As nuvens baixaram de vez e a neblina tirava a visão do caminho. Às 14h27 cruzei um riacho e passei por um lodge no vilarejo de Luza. Na bifurcação 90m depois do lodge fui à direita, cruzei outro riacho e atravessei alguns cercados de pedra.
      Subi até os 4446m (maior altitude do dia) e desci à vila de Machermo, aonde cheguei às 15h com neblina. Me hospedei no Himalayan Lodge, um lodge menor e mais modesto que os outros. O primeiro em que perguntei, o Tashi Dele, estava lotado, apesar de bem grande, ao passo que o Himalayan Lodge só tinha carregadores, apenas eu de estrangeiro. Pude novamente negociar o preço do quarto e o dono fez de graça, só cobrando as refeições. O banheiro ficava dentro da casa e era no estilo oriental. Para escovar os dentes tinha que ser no quintal com uma caneca. A energia era solar e não havia luz nos quartos, banheiro e corredores, necessitando usar a lanterna.
      Altitude em Machermo: 4393m
      Preço do dal bhat: Rs 500
      Preço do veg chowmein: Rs 400

      Longpunga Tso, primeiro lago de Gokyo
      19º DIA - 11/11/18 - de Machermo a Gokyo
      Duração: 3h (descontadas as paradas)
      Maior altitude: 4754m
      Menor altitude: 4377m
      Resumo: nesse dia continuei a subida pela margem direita do Rio Dudh Koshi até a vila de Gokyo e seus incríveis lagos sagrados
      A mínima durante a noite dentro do quarto foi -4,1ºC. Às 6h30 da manhã estava -3ºC. A minha água amanheceu congelada dentro da garrafa.
      Como não costumam acender o aquecedor do refeitório de manhã para economizar esterco de iaque, o dono do lodge foi muito gentil e serviu o meu café numa mesa do lado de fora, onde já batia o sol da manhã (mas ainda fazia muito frio).
      A vila de Machermo se espalha ao longo do vale do Rio Machermo, afluente da margem direita do Rio Dudh Koshi.
      Saí do lodge às 9h na direção noroeste e logo cruzei uma ponte de ferro sobre o Rio Machermo (4377m, menor altitude do dia). A partir dela há duas trilhas mais ou menos paralelas em direção a Gokyo: a da direita sobe menos, a da esquerda sobe mais e depois desce para encontrar a primeira. A da esquerda deve até ter uma vista mais panorâmica mas eu optei pela da direita. Ela sobe pela encosta, faz uma curva de mais de 90º para a esquerda e toma a direção noroeste, junto ao Rio Dudh Koshi, até se fundir com a outra trilha, que percorre até ali um nível mais alto na encosta. O Cho Oyu, 6ª montanha mais alta do mundo, já fica visível na cabeceira do vale.
      Ao me aproximar do povoado de Phanga tomei as trilhas da esquerda mas pode-se ir pela direita também. Cruzei essa vila às 9h53 e é muito bonita a visão das casas e muros de pedra com os picos Cholatse e Taboche ao fundo (leste). Após Phanga me aproximei um pouco mais do Rio Dudh Koshi e parei para fotos. Já podia avistar dali a longa subida que teria de encarar em seguida.
      Às 10h57 venci essa subida (cheia de gente) e cruzei a ponte de ferro sobre o rio que verte do primeiro dos lagos sagrados de Gokyo. Ufa, parece que estava quase no fim essa subida interminável desde o dia anterior, com desnível de mais de 1000m desde a ponte do Rio Dudh Koshi até aqui. Daqui até Gokyo à minha direita tenho a moraina lateral do Glaciar Ngozumba, que vem das montanhas Cho Oyu, Ngozumba Kang e Gyachung Kang. Parei no primeiro lago, Longpunga Tso, às 11h03 para fotos com o Cho Oyu ao fundo e segui com o riacho que faz a ligação entre os lagos à minha esquerda. Cerca de 970m depois parei no segundo lago, Taujung Tso, muito maior que o primeiro, para descansar e comer o lanche que tinha na mochila. Continuei às 12h e em 45 minutos (com paradas) alcancei o terceiro lago, Gokyo Tso, ainda maior e mais bonito. Tirei algumas fotos e segui, chegando a Gokyo às 13h10. O lugar é tão bonito que parece uma pintura! O vilarejo ao lado do lago de águas esverdeadas brilhantes e cercado de montanhas e picos nevados - nem parece real! Ao fundo, ao norte, está o Pico Cho Oyu, 6º mais alto do mundo.
      Os lagos de Gokyo são sagrados para budistas e hindus. Durante o festival Janai Purnima, em agosto, centenas de nepaleses vão em peregrinação a Gokyo para banhar-se em suas águas geladas. Os lagos também contribuem na formação do importante Rio Dudh Koshi, que conheci no 5º dia de caminhada, em Chhirdi.
      Percorri alguns lodges e optei pelo Ngawang Friendship. Negociei o quarto e ficou de graça novamente, mas se o lodge lotasse eu teria que dividir o quarto com outra pessoa pois me deram (na primeira noite apenas) um quarto com duas camas. Os banheiros ficavam dentro da casa e era um no estilo oriental e outro com vaso sanitário, descarga com caneca. Como em Machermo, a energia era solar e não havia luz nos quartos, banheiros e corredores. Perguntei por curiosidade o preço da água mineral de 1 litro e custava a bagatela de Rs450 (US$3,90)!
      Almocei no lodge e o passeio da tarde foi abortado pois as nuvens tomaram conta do lugar. A visão das nuvens sobre o lago era bonita também, mas a minha intenção de subir até os lagos mais acima (4º e 5º) foi adiada.
      Altitude em Gokyo: 4754m
      Preço do dal bhat: Rs 700
      Preço do veg chowmein: Rs 700

      Everest visto da montanha Gokyo Ri
      20º DIA - 12/11/18 - de Gokyo a Gokyo Ri
      Duração (descontadas as paradas): 1h25 (subida ao Gokyo Ri), 1h05 (descida do Gokyo Ri), 48 min (de Gokyo ao 4º lago)
      Maior altitude: 5356m
      Menor altitude: 4754m
      Resumo: nesse dia subi a montanha Gokyo Ri num desnível de 600m desde a vila de Gokyo e visitei o Thonak Tso, o 4º lago
      A mínima durante a noite dentro do quarto foi -1,9ºC. Às 6h30 da manhã estava 0,3ºC. Meu sono foi bem ruim de novo. Por causa da altitude passei a maior parte da noite acordado.
      Saí do lodge às 7h42 na direção noroeste, cruzei pela "ponte" de pedras o riacho que se abre antes de desaguar no Lago Gokyo Tso e comecei a subir o Gokyo Ri por trilha bem marcada e muito pisada. Alcancei o cume de 5356m às 9h12 e a paisagem é espetacular. Dali se avistam Cho Oyu (6º mais alto do mundo), Ngozumba Kang e Gyachung Kang ao norte; Chumbu, Pumori e Changtse a nordeste; Everest, Nuptse (20º mais alto), Lhotse (4º mais alto) e Makalu (5º mais alto) a leste; Cholatse e Taboche a sudeste; Kangtega, Kyashar, Thamserku e Kusumkangaru (Kusum Kanguru) a sul-sudeste; Khumbila ao sul; Passo Renjo La a sudoeste. A visão de Gokyo com os lagos sagrados é uma das paisagens mais bonitas de todo esse trekking - realmente vale todo o esforço para chegar a esse lugar!
      Às 11h18 iniciei a descida e estava de volta à vila às 12h32. Saí 20 minutos depois para conhecer os lagos mais acima antes que as nuvens tomassem conta de tudo novamente. Caminhei pela trilha bem marcada até o 4º lago, Thonak Tso, aonde cheguei em 48 minutos, mas parei por ali pois o 5º lago estava 3,7km à frente por um caminho de pedras e se fosse "comum" como o 4º lago eu ia me arrepender de ter caminhado tanto. Se o 5º lago era bonito? Até hoje não sei. Talvez dependa da posição do sol para eles ficarem mais bonitos. Ali a altitude era de 4876m e eu tinha uma visão incrível do Cho Oyu, Ngozumba Kang e Gyachung Kang ao norte, na cabeceira do vale. Continuando ainda além do 5º lago estariam o 6º lago e o campo base do Cho Oyu. Voltei tomando uma trilha na crista da moraina do Glaciar Ngozumba, que passa bem ao lado da vila de Gokyo e é o último obstáculo para quem vem de Lobuche pelo Passo Cho La. O "mar" de pedras do glaciar é impressionante e quem já passou por um sabe a dificuldade que é.
      Descobri onde ficava o posto de saúde e fui lá pegar alguma informação mais confiável sobre como resolver o problema da minha insônia na altitude. Conversei com a médica sem ter que pagar a consulta e ela me disse que o Diamox é indicado para quem acorda no meio da noite com falta de ar. Não sei bem se era o meu caso, acordava espontaneamente, não necessariamente com falta de ar. Continua a dúvida se o Diamox me teria feito dormir.

      Passo Renjo La (5409m de altitude)
      21º DIA - 13/11/18 - de Gokyo a Lungden
      Duração: 6h (descontadas as paradas)
      Maior altitude: 5409m
      Menor altitude: 4378m
      Resumo: nesse dia encarei o terceiro passo (para mim foi o segundo), o Renjo La, com 5409m de altitude e desnível de 655m desde a vila de Gokyo, para descer em seguida ao vilarejo de Lungden
      A mínima durante a noite dentro do quarto foi -0,5ºC. Às 6h10 da manhã estava 3,6ºC. Tive uma noite razoável de sono, não fiquei tantas horas acordado e consegui descansar para enfrentar esse dia bem puxado.
      Saí do lodge às 7h56 e tomei o mesmo caminho do dia anterior (noroeste), porém aos pés do Gokyo Ri peguei a trilha da esquerda (com placa apontando Renjo Pass), subindo suavemente a encosta e percorrendo a margem norte do Lago Gokyo Tso. Às 8h16 fui à direita numa bifurcação (a trilha da esquerda aparentemente vai até o final do lago). Às 9h cruzei um riacho e a subida se tornou bastante íngreme, em zigue-zague, com muitas pedras. Nessa ladeira havia pequenas quedas-d'água congeladas.
      Às 9h48 atingi um grande platô e olhando para trás vi que a neblina estava chegando bem mais cedo nesse dia. Numa bifurcação a 5261m fui à direita. Subi mais e alcancei o Passo Renjo La às 10h56, com muitas bandeirinhas de oração budistas e lenços cerimoniais. A altitude ali é 5409m e pode-se avistar as montanhas: Gyachung Kang a norte-nordeste; Chumbu, Pumori e Changtse a nordeste; vila de Gokyo, Everest, Nuptse, Lhotse e Makalu a leste; Cholatse e Taboche a sudeste.
      A neblina não foi tão forte quanto eu imaginava. Aos poucos foram chegando mais e mais trilheiros e reencontrei o russo que conheci em Pangboche. É muito legal reencontrar as pessoas depois de vários dias de caminhada e ver que continuamos "juntos", no mesmo ritmo. Comi alguma coisa (importante levar lanche e água por causa da distância entre as vilas - há uma pequena padaria em Gokyo) e às 13h38, quando quase todos já haviam saído, iniciei a descida para a vertente oeste do passo, em direção a Lungden.
      A trilha de descida do passo tem muitas pedras soltas e até escadas de pedra. Às 14h21 passei pelo Lago Angladumba Tso que já avistava desde o passo. A partir daí a neblina veio forte e começou a tirar a visão do caminho. Continuei descendo e às 14h57 passei à direita do Lago Relama Tso. Às 15h13 cometi um erro. Numa bifurcação sem placa e em meio à neblina olhei no gps e ele indicou o caminho da direita. A trilha era bem marcada e eu, acreditando que estava no caminho certo, não olhei mais o gps. Atrás de mim vinha um casal russo (Marina e Andrei). Eles confiaram na minha burrada e tomaram a direita também. Depois de descer muito por trilha marcada, começamos a ver que havia alguma coisa errada pois ela estava ficando indefinida, embora houvesse muitos totens (só para nos confundir). Vimos que o erro estava lá atrás e não quisemos subir tudo de novo. A neblina não deixava visualizar se aquele caminho também levaria a Lungden, talvez sim mas por um trajeto muito mais longo e difícil. Eles decidiram sair dessa trilha para a esquerda e caminhar pelas encostas sem trilha até reencontrar o trajeto correto. Dessa vez eu é que fui atrás deles para ver no que ia dar. O caminho foi bem ruim por deslizamentos cheios de pedras soltas e descidas muito íngremes. Conseguimos voltar à rota certa cerca de 800m antes da vila de Lungden, aonde chegamos às 16h51.
      Marina era quem espiava os lodges e conversava com os donos para decidir em qual ficar. Eles resolveram ficar no Lungden View Lodge e eu também pois o quarto não seria cobrado. Os banheiros desse lodge ficavam dentro da casa e era um no estilo oriental e outro com vaso sanitário. Descarga em ambos com caneca. Havia um grupo de franceses sem guia também e conversamos bastante no refeitório esperando pela janta. Perguntei a eles e ao dono do lodge sobre uma trilha alternativa a Lukla que sai de Thame e não passa em Namche Bazar, mas não recomendaram fazê-la porque há bem pouca hospedagem pelo caminho e um dos lodges é muito caro, sem outra opção próxima, segundo disseram.
      Marina também tinha pego a maldita tosse do Khumbu, como eu. Nós dois fazíamos uma sinfonia de tosses, principalmente à noite com o frio apertando.
      Altitude em Lungden: 4378m
      Preço do dal bhat: Rs 550
      Preço do veg chowmein: Rs 450
      Às 18h15 a temperatura fora do lodge era -3ºC.

      Stupa e roda mani na entrada da vila de Thameteng
      22º DIA - 14/11/18 - de Lungden a Namche Bazar
      Duração: 6h20 (descontadas as paradas)
      Maior altitude: 4378m
      Menor altitude: 3415m
      Resumo: nesse dia percorri o vale do Rio Bhote Koshi baixando 948m de altitude de Lungden a Namche Bazar
      A mínima durante a noite dentro do quarto foi -0,3ºC. Às 7h50 da manhã estava 0,4ºC.
      Em Lungden tive meu primeiro contato maior com o Rio Bhote Koshi já que a vila fica em seu vale, na margem esquerda. Saí do lodge às 8h28 na direção sul percorrendo o restante do vilarejo. Cruzei um riacho congelado pelas pedras e às 9h11 passei pela vila de Maralung. Às 9h22 cruzei uma ponte metálica sobre o Rio Bhote Koshi, passando para sua margem direita. Fui à esquerda na bifurcação ao final da ponte. Ali fui alcançado por Marina e Andrei, que saíram depois de mim. A vila de Maralung continua depois da ponte e a trilha passa a percorrer a encosta da margem direita do Rio Bhote Koshi. Às 10h02 passei pelo povoado de Tarnga e seus inúmeros cercados de pedra. Cruzei às 10h29 a ponte de ferro sobre o Rio Langmuche. Às 10h53 fui à esquerda na bifurcação e logo cruzei um riacho pelas pedras. Cruzei mais dois riachos pelas pedras e no quarto riacho saía uma trilha à esquerda para o povoado de Yila Jung (essa bifurcação, apesar da placa, pode causar dúvida a quem está fazendo o percurso ao contrário). Às 11h20 passei por uma stupa com uma roda mani na entrada da vila de Thameteng. Ao final dessa vila há uma grande stupa à direita e uma infinidade de pedras mani à esquerda.
      Às 11h45 eu, Marina e Andrei chegamos a um mirante no alto da vila de Thame e resolvemos parar para almoçar. Descemos para procurar um lugar mas o vilarejo parecia fantasma, quase tudo fechado e deserto. Conseguimos almoço num lodge às 12h05. O banheiro desse lodge era diferente, era no estilo oriental mas com descarga.
      Nesse povoado de Thame, a 3792m, começam a reaparecer timidamente as árvores, mas elas voltam a ser mais frequentes mesmo só abaixo dos 3500m.
      Ao final do almoço o sol já havia sumido, encoberto pelas nuvens baixas. Saímos às 12h59 na direção sudeste pela encosta da margem esquerda do Rio Thame e descemos até uma ponte de ferro sobre um cânion formado pelo estreitamento do Rio Bhote Koshi. Após a ponte, no paredão rochoso há imagens pintadas de Tara Verde, Guru Rinpoche e Thangtong Gyalpo. Após essa ponte voltamos a caminhar pela encosta da margem esquerda do Rio Bhote Koshi e às 13h46 passamos pela vila de Samde. Na bifurcação ao final da vila fomos à direita, descendo. Às 14h11 alcançamos o monastério de Thamo, com o vilarejo logo abaixo. Bancas de artesanato demonstram que estamos voltando à zona mais "turística" do trekking.
      Passamos pelo povoado de Theso às 14h43 e cruzamos uma ponte de ferro sobre o Rio Thesebu (3415m, menor altitude do dia). Às 15h passamos pelo vilarejo de Samsing onde há uma imagem do Guru Rinpoche pintada numa grande rocha. A seguir cruzamos um bosque. Às 15h10 passamos pela vila de Phurte e paramos para descanso na stupa logo acima. Entramos na mata de pinheiros e às 15h36 fomos à direita numa bifurcação com placa indicando Khumjung e Khunde à esquerda. Cruzamos a mata e na descida já avistamos Namche Bazar e seu formato de anfiteatro mais abaixo. Passamos pelo monastério e chegamos a Namche às 16h10.
      Segui o casal russo de novo e fomos para o Family Lodge, que eles já conheciam. Na negociação, o quarto saiu por Rs100 (US$0,87). O banheiro ficava dentro da casa e tinha vaso sanitário com descarga acoplada e lavatório com espelho - muito luxo! O russo de Pangboche estava hospedado ali também com seus amigos.
      Eu precisava trocar mensagens com o dono da agência que me vendeu a passagem aérea Lukla-Kathmandu para adiantar a data do voo, mas a NCell não estava funcionando. Tive de ir a uma padaria consumir alguma coisa e usar o wifi gratuito. Consegui trocar a data para dia 16, às 9h, um pouco tarde (por causa das nuvens que costumam fechar o aeroporto) mas não havia horário vago mais cedo.
      Altitude em Namche Bazar: 3430m
      Preço do dal bhat: Rs 500
      Preço do veg chowmein: Rs 500

      Ponte Larja, a mais fotografada
      23º DIA - 15/11/18 - de Namche Bazar a Lukla
      Duração: 6h25 (descontadas as paradas)
      Maior altitude: 3430m
      Menor altitude: 2545m
      Resumo: nesse dia refiz ao contrário o percurso do 7º dia, percorrendo no sentido sul o vale do Rio Dudh Koshi e baixando 586m de altitude de Namche Bazar a Lukla, encerrando assim essa caminhada de 23 dias
      A mínima durante a noite dentro do quarto foi 2,2ºC. Às 7h30 da manhã estava 2,7ºC.
      Marina e Andrei resolveram ficar mais um dia em Namche. Saí do lodge às 8h50 na direção sul e parei na entrada de Namche para fotos da bonita stupa. Passei (sem parar) pelo checkpoint às 9h18 e 100m adiante entrei numa trilha à esquerda da principal. Essa trilha corre paralela à principal mas é bem mais estreita e mais vazia. Às 9h34 as duas se fundiram de novo e 240m depois passei pelos banheiros que há ao lado desse caminho. Às 9h58 cheguei à Ponte Larja, sobre o Rio Dudh Koshi. Parei um bom tempo para fotos. Continuei às 10h23 e tomei a direita na primeira bifurcação, descendo por uma trilha mais estreita com escadarias (o caminho em frente também serve mas aparentemente sobe para depois descer tudo de novo). Descendo na trilha à direita cheguei à margem do Rio Dudh Koshi e parei para mais fotos da Ponte Larja.
      Continuei descendo pela margem esquerda do Rio Dudh Koshi, cruzei a ponte suspensa Tawa sobre ele e passei por Jorsale às 11h19. Já era bem visível como a trilha estava mais vazia em relação ao dia em que passei na ida. Cruzei outra ponte suspensa voltando para a margem esquerda do Rio Dudh Koshi. Subi bastante e às 11h38 passei pela entrada do Parque Nacional Sagarmatha, onde tive de mostrar as permissões para registro da minha saída. Cruzando a vila de Monjo resolvi parar às 11h51 para almoçar no Mountain View Lodge. Atendimento muito simpático. Retomei a caminhada às 12h18 e parei no checkpoint da permissão local para carimbar a saída. Esses dois checkpoints estavam completamente vazios, ao contrário do dia em que passei na ida.
      Descendo cruzei a ponte de ferro sobre o transparente Rio Monjo e passei às 12h30 pela vila de Chumoa. Às 12h43 cruzei outra ponte suspensa sobre o Rio Dudh Koshi e passei pela vila de Benkar. Cruzei a ponte de concreto com a cachoeira dupla à direita. Às 13h22 passei pela cachoeira tripla e 230m à frente cruzei a vila de Toktok. Atravessei uma ponte de concreto sobre o Rio Ghatte (ou Rio Nagbuwa) e passei por Zamphute às 13h37. Cheguei à vila de Phakding e aqui é fácil errar se não estiver atento: deve-se tomar o caminho que sai em 90º à esquerda passando no meio dos lodges, e não seguir em frente (como fizeram Marina e Andrei). Indo à esquerda se cruza mais uma ponte suspensa sobre o Rio Dudh Koshi para em seguida passar pelo "centro" de Phakding. Uns 3 minutos após as últimas casas, deve-se desprezar uma nova ponte suspensa que vai para a direita e seguir em frente.
      Às 14h24 passei pela vila de Chhuthawa e 290m depois pelo povoado de Ghat (Yulning) com um bonito monastério de paredes vermelhas. Às 14h51 passei por Thadokoshi e cruzei a ponte metálica sobre o Rio Thado Koshi (2545m, menor altitude do dia). Estava difícil ultrapassar um grupo de iaques e aproveitei para parar e descansar um pouco. Às 15h15 passei por uma ponte suspensa sobre um deslizamento enorme. Às 15h46 cruzei uma ponte de concreto e passei pela vila de Cheplung, onde dormi na 6ª noite. Em seguida veio a longa e dura subida até Lukla, aonde cheguei às 16h36 com chuva fina. Cruzei toda a vila e fui diretamente ao aeroporto tentar adiantar o horário do voo do dia seguinte, mas os balcões estavam todos fechados (pura ingenuidade minha, mal sabia eu o caos que enfrentaria no dia seguinte).
      Voltei ao centro de Lukla e comecei a procurar hospedagem - todos os lodges estavam lotados por causa do mau tempo que obrigava muita gente a esperar o dia seguinte para embarcar. Finalmente consegui um quarto no Monte K2 Lodge por Rs200 (US$1,74). O banheiro ficava dentro da casa e era no estilo oriental, e não era um primor de limpeza.
      Altitude em Lukla: 2844m
      Preço do dal bhat: Rs 650
      Preço do veg chowmein: Rs 400
      A mínima durante a noite dentro do quarto foi 7,5ºC. Às 7h15 da manhã estava 7,8ºC.

      Pista curtinha do aeroporto de Lukla
      16/11/18 - tentativa de embarque no voo Lukla-Kathmandu
      Meu voo estava marcado para 9h. Tomei o café da manhã e cheguei ao aeroporto às 7h50. O saguão do check in parecia o fim do mundo. A multidão se acumulava na frente dos pequenos guichês das companhias aéreas, que são Nepal Airlines, Tara Air (a minha), Sita Air e Summit Air. Porém os guichês não têm funcionário o tempo todo como nos outros aeroportos, eles só vêm quando vai ser aberto o check in do próximo voo, e nessa hora a confusão é total, com a multidão estendendo papéis e celulares mostrando a reserva, na esperança de embarcar no próximo voo pois todos já estão atrasados. O funcionário pega só algumas das reservas dos passageiros desesperados, confere numa listagem (não há computador), manda pesar a bagagem e em seguida desaparece. Mais meia hora ou uma hora ele reaparece e começa toda a balbúrdia de novo. Um espanhol com quem conversei no meio desse caos tinha passagem com a Tara Air também às 9h, como eu. Ele foi chamado, embarcou e eu fiquei. No entanto, duas garotas estavam nesse sufoco de não conseguir embarcar desde o dia anterior às 7h da manhã. Eles não seguem a ordem cronológica das reservas, é tudo aleatório. A cada vinda do funcionário para o guichê o tumulto e a correria se instalavam, isso em todos os guichês pois nas outras companhias era a mesma coisa. Conclusão: não fui chamado para os voos seguintes e por volta de 13h os funcionários não voltaram mais ao guichê, nem para avisar se haveria outros voos ou não naquele dia. Total falta de respeito! A essa altura já tinha feito amizade com algumas outras pessoas na mesma situação que eu. Concluímos que os voos haviam sido cancelados por causa da mudança do tempo. Descobrimos onde era o escritório da Tara Air (dentro do aeroporto mesmo, no corredor à esquerda de quem entra) e fomos confirmar isso e remarcar o voo para o dia seguinte. Voltei ao mesmo lodge, almocei um dal bhat e enrolei a tarde toda.
      A mínima durante a noite dentro do quarto foi 6,9ºC. Às 7h20 da manhã estava 7,4ºC.

      Himalaia visto do avião entre Lukla e Kathmandu
      17/11/18 - finalmente sucesso no embarque no voo Lukla-Kathmandu
      Meu voo estava marcado para 9h. Cheguei ao aeroporto às 8h30. Mas nesse dia foi diferente pois na confusão do dia anterior eu e os parceiros na mesma situação aprendemos algumas coisas que vão como dica importante aqui para não passar por tanto sufoco. Pelo menos para a Tara Air isso é válido. Ao chegar ao aeroporto é importante ir ao escritório da companhia e pedir (ou mesmo exigir) que eles informem o número do voo em que está previsto o seu embarque. Não é o número do voo dado na hora da reserva, é um número sequencial que eles criam no dia do embarque. Sim, a coisa é pra lá de confusa! Com esse número na mão não é preciso correr para o guichê e se matar junto com os outros passageiros toda vez que o funcionário aparecer para fazer um check in. Basta perguntar a ele: qual é o número desse voo? Se for o seu, basta entregar a reserva e o passaporte, se não for espere a próxima aparição dele. Isso aprendemos a duras penas! E sempre torcer para as nuvens não chegarem e os voos serem todos cancelados.
      Nesse dia fiz o check in às 10h e consegui decolar de Lukla às 13h, chegando ao aeroporto de Kathmandu às 13h29. Algumas pessoas no avião estavam passando mal de tão nervosas mas o voo foi ótimo, sem nenhuma turbulência. O que assusta é o tamanho da aeronave, um Dornier 228 de apenas 12 lugares, e a pista curta e inclinada de Lukla que termina num precipício.
      Um alerta a quem pensa em comprar a passagem Lukla-Kathmandu com a empresa Summit Air: muitos voos dessa empresa não chegam a Kathmandu, embora os passageiros paguem o mesmo valor (ou mais) que os outros que desembarcam em Kathmandu. O avião pousa em algum aeroporto menor no caminho e o restante da viagem é feito de ônibus. Como as estradas no Nepal são péssimas soube de viagens que estavam levando de 4h a 7h!!! Quer dizer, você paga US$179 por uma passagem aérea para viajar 15 minutos num avião e depois 7h num ônibus!
      Informações adicionais:
      . Somente essas quatro companhias aéreas fazem o trajeto entre Kathmandu e Lukla:
      .. Nepal Airlines: www.nepalairlines.com.np (clique em Domestic Flight)
      .. Tara Air: www.yetiairlines.com
      .. Sita Air: sitaair.com.np
      .. Summit Air: www.summitair.com.np
      . O posto de saúde de Gokyo tem palestras diárias e gratuitas sobre aclimatação e Mal da Montanha às 15h
      . Melhor mapa: Jiri to Everest Base Camp, 1:50.000, editora Himalayan MapHouse/Nepa Maps, código NE521, encontrado facilmente nas livrarias de Kathmandu (Rs500 = US$4,34). Site: himalayan-maphouse.com.

      Rafael Santiago
      novembro/2018
      https://trekkingnamontanha.blogspot.com.br
    • Por Mayki Pole
      Bom dia pessoal !   Estamos indo para serra fina dia 16 de março de 2020!   Se alguém conseguir ajustar as datas pra ir junto seria legal, por enquanto vamos em três pessoas, eu e minha namorada e  mais um amigo nosso! 
      Faremos no formato clássico de 4 dias, podemos nos encontrar em Passa Quatro-MG.
      Se alguém quiser embarcar conosco nessa aventura, será muito bem vindo!!
      Meu número é 45 99961-3741    Mayki 🙏
    • Por Mayki Pole
      Bom dia pessoal !   Estamos indo para serra fina dia 16 de março de 2020!   Se alguém conseguir ajustar as datas pra ir junto seria legal, por enquanto vamos em três pessoas, eu e minha namorada e  mais um amigo nosso! 
      Faremos no formato clássico de 4 dias, podemos nos encontrar em Passa Quatro-MG.
      Se alguém quiser embarcar conosco nessa aventura, será muito bem vindo!!
      Meu número é 45 99961-3741    Mayki 🙏


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