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O incrível bondinho de Telêmaco Borba


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O bondinho de Telêmaco Borba é um raríssimo exemplo de meio de transporte que foi criado por uma empresa privada para o transporte de seus funcionários e que continua em atividade no Brasil. Mas o mais importante é a oportunidade de qualquer pessoa fazer este passeio, já que é aberto ao público por um valor simbólico e ainda permite conhecer um pouco da estrutura gigante da empresa caminhando por sua área até a portaria da mesma. É um belo passeio de mais de 1.300 metros atravessando o Rio Tibagi, descortinando a cidade e a fábrica. Mas atente para os horários fixados junto ao terminal, pois em dias úteis a última saída da manhã é as 11 mas a volta somente às 12:40.

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    • Por naja.trip
      Olá!
      Somos Diana, Polly e Naira. Depois de muitos planos, viagens adiadas e canceladas, em junho realizaremos um viagem curta on the road pelo sul do Brasil. Um sonho compartilhado.
      Vcs nos acompanham?
      Nos sigam no IG: @naja.trip
      "Nosso destino nunca é um lugar, mas uma nova maneira de olhar para as coisas."  (Henry Miller)

    • Por Jonas Silva ForadaTribo
      Num dia qualquer eu navegava na rede quando em uma postagem alguém comentou: "que saudade dessa terra, ... avistar o horizonte do Morro dos Ventos". O nome do morro atiçou na hora minha curiosidade, já fiz um insight com "O Morro dos Ventos Uivantes".  Pesquisei sobre qual terra o comentário se referia: era bem próximo de onde moramos. O morro fica em Nova Tebas no Paraná.
      Revirei, na internet, com conhecidos, a fim de localizar as coordenadas do morro, mas encontrei apenas fotos e alguns relatos escassos sobre o lugar. Peguei uma carta topográfica da região a fim de localizar uma montanha imponente onde possivelmente seria o Morro. Fiz anotações, marquei alguns pontos, e decidi ir com a cara e a coragem, se não encontrar acampo em alguma fazenda e no outro dia voltamos.
      Tudo acertado, sairíamos de Águas de Jurema uns 20 Km do distrito de Poema minha referência para encontrar o Morro. Escolhemos fazer o percurso a pé, já que a carta desenhava inúmeros vales e montanhas, queríamos aproveitar a caminhada.
      Curiosamente, no penúltimo dia antes da partida um dos contatos que havia encontrado na internet e pedido informações à semanas já, me deu retorno, e então começou uma corrente de uma pessoa me indicar  outra que poderia saber me orientar a chegar no morro. Depois de passar por 5 indicações diferentes, cheguei ao nome de um morador. Este indicou outro morador que autorizaria a entrada na propriedade, já que, o objetivo fica dentro de uma área de pastagem, e claro não queríamos que lá pelas tantas da noite alguns cães famintos aparecessem.
      Saímos, eu, Bruna e o Anderson às 12:45 de Águas de Jurema, pegamos uma estrada, continuação da Rua H. Seguimos em frente por essa estrada, os primeiros quilômetros foram em estradas comuns - com exceção das laranjas, a cada km tinha uma laranjeira carregada, sempre seguimos à esquerda nos cruzamentos. Após 2 h de caminhada a paisagem começa a deslumbrar, o primeiro vale que avistamos tirava o fôlego.
      Sabíamos que atravessá-lo não seria moleza, apenas queríamos ir por ele e descobrir onde ia dar. Mais algumas horas e cruzamos em meio a duas colinas, num lado da estrada pitorescas moradias - nos causam uma pequena inveja - como queria morar lá.  Assim que contornamos a colina, mais um vale, dessa vez menor, mas não, menos incrível. Neste paramos em uma das casas pedir água - já que recusamos beber um trago, kkk. Dois senhores embriagados dormiam na estrada e quando foram acordados por nós convidaram para participar da bebedeira, kkkk. Na casa uma senhora simpática ofereceu água da bica, pura água da fonte. Sede controlada, cantis cheios, pegamos mais algumas mexericas na beira da estrada e partimos, já se iam quase 3 h na estrada.

      Quando chegamos em Poema já se passavam das 16:30, mais água e seguimos rumo a uma região conhecida como 400 alqueires, mais vales traçavam linhas tênues no horizonte. O sol já se ia, mais 1 h na estrada e avistamos a igreja uma referência que tínhamos. Levamos mais 40 min para contornar a colina e então chegarmos na casa que nos autorizaria entrar no Morro. O morador nos forneceu autorização e disse que poderíamos dormir ali, e apontou do outro lado da estrada um morro, que parecia modesto, visto tão de perto. Esperávamos um Morro imponente, que necessitasse de escalar e tudo, kkkk. Até ficamos surpresos com a sua modéstia. Após a porteira começamos uma subida de 10 min. Chegamos lá com o breu, vigiados pela lua lá no infinito.
      Fogueira feita, no meio de pedras para não ter perigo, entramos noite adentro contando histórias. Se tem recompensa maior que ouvir as pessoas ao redor de um fogueira, desconheço. Dormimos curiosos pelo visual da manhã seguinte. Confesso que desconfiados do tímido morro onde paramos.

      Foi só bater 5 h, levantei avivar a fogueira, e ... quase esqueço o fogo, fico de queixo caído. Além do vento que cortava a relva, um vale imensurável, com a minha barraca de frente. Fiquei mais tarde sabendo que se chama Vale das Mortes, não sei a origem do nome.

      Não demorou muito até todos acordarem. A foto daquele momento saiu com caras e dentes, e muitos cabelos rebelados.

      Recompensados pelo caminho do dia anterior, mais que recompensados, após apagar a fogueira, 8:00 começamos o caminho de volta. Tiramos uma foto do Morro dos Ventos, visto da estrada, nem parece o que é, só olhando para o Vale das Mortes dá de entender por que tem esse nome místico. Mais 5 h de caminhada, tênis do Anderson rasgado e amarrado com o cordão para não perder a sola, uma parada no Rio Muquilão para relaxar a musculatura e dar descanso para as mochilas. Estávamos nós novamente em Águas de Jurema, com mais uma história, não mais uma, mas a história da jornada ao Morro dos Ventos.



    • Por Paulonishi
      Depois de uma série de viagens fantásticas pela Serra Gaúcha, resolvi tirar um tempo e compartilhar a experiência em duas cidades que adoro: Gramado e Canela! Para muitos, até pensam se tratar de um único destino, mas ambas tem um charme muito especial e sempre são um destino maravilhoso.

      A Serra Gaúcha é uma região mágica, cheia de encantos que ganha ares europeus na época de inverno onde a neve tem presença cada vez mais garantida... 
      Em setembro, vira a Hollywood brasileira, com o festival de Cinema de Gramado! Vários artistas, tapete vermelho, muito glamour...

      Outra época especial para se conhecer a região é no mês de dezembro, onde ganha ares de Terra do Papai Noel!


      Mas se você quer se aventurar nessas épocas… É bom preparar o bolso e ter muita paciência com as filas em restaurantes, atrações lotadas, trânsito intenso e congestionamentos… 
      De junho a julho e de novembro a janeiro, é a altíssima temporada na região… Se você quer conhecer a cidade com mais calma, e com preços bem mais em conta, procure fugir desses períodos. Mas, se você ainda assim quer curtir o agito da Serra…Faça as suas reservas de hospedagem com pelo menos 6 meses de antecedência e fique atento a essas próximas dicas:
      Não importa a época, a grande sacada é acessar os sites de cupons, onde é muito comum conseguir comprar passeios, descontos em restaurantes e hospedagem… E funciona muito bem! E olha que não é propaganda… não sou nem patrocinado…. só quero compartilhar o que eu já testei e achei muito bom.
      A dica de ouro são os sites Laçador de Ofertas e Tchê Ofertas, que trazem cupons de restaurantes, hospedagem e das diversas atrações da região. Sempre quando vou à Gramado, faço a minha busca e vou comprando as ofertas, chegando a ter a mais de 30% de desconto e alguns combos grátis! Tipo, almoce com desconto e ganhe um passeio… É bom demais!!! 
      Na grande maioria, basta fazer a compra e nem precisa imprimir o voucher… apenas apresentar o código no estabelecimento.
      Mas atenção, tem que ficar atento à validade da oferta e já ter um período definido pro resgate! Feito isso e tendo um bom planejamento, é só desfrutar a viagem...
      FRIO

      Uma das grandes atrações da Serra Gaúcha é o frio… Principalmente com a possibilidade de neve! Só pra você ter uma idéia, nos últimos 4 anos nevou 5 vezes em Gramado! 
      E o mês mais certo para se ver neve é o mês de JULHO:
      17 de julho de 2016
      21 de agosto de 2016
      17 de julho de 2017
      10 de agosto de 2018
      6 de julho de 2019
      Mas, mesmo que você não tenha a sorte ou a oportunidade de ver a neve caindo em Gramado, tem parques temáticos onde o frio é garantido com temperaturas que podem chegar a 20 graus negativos!
      SNOWLAND
      Imagine poder curtir neve o ano inteiro… praticar ski, snowboard, patinação no gelo… inclusive no verão!
      Sim, esse lugar existe e é um parque de diversões, chamado Snowland!

      É uma atração com neve artificial e com temperaturas que podem chegar a 10 graus negativos!
      O ingresso dá direito a um conjunto de roupas de frio e o acesso à montanha de gelo, além de outras atrações para todas as idades…



      Tá localizado às margens da rodovia  RS235, na altura da linha Carazal, e funciona todos os dias das 10h às 17h. 
      MUNDO GELADO DO CAPITÃO
      Uma outra alternativa para quem quiser conhecer mais um parque temático de gelo, é o Mundo Gelado do Capitão, que tem como atração principal uma caverna de gelo com temperatura que chega à 20 graus negativos durante todo o ano! Também fornece roupas de frio e funciona todos os dias das 9h às 18h.


      CULINÁRIA
      Outra coisa que a Serra Gaúcha é campeã, sem dúvida nenhuma é na culinária! São vários sabores que vão desde as comidas típicas italiana, alemã e suíça, até culinária japonesa!
      Mas, indo pra lá, não deixe de provar a Sequência de Fondue e o Café Colonial… dois verdadeiros ícones da culinária local.
      SEQUÊNCIA DE FONDUE
      São vários restaurantes que oferecem a Sequência de Fondue, mas o funcionamento é o mesmo:
      Primeiro, uma entrada com o fondue de queijo, com acompanhamentos…
      Depois, o fondue de carne… Eles trazem uma pedra aquecida e vários tipos de carnes e molhos. Aí a gente vai fritando a carne e passando nos molhos… Nossa… delícia...
      E, por último, o fondue de chocolate, acompanhado de frutas e biscoitos.

      Todos os os fondues e acompanhamentos podem ser repetidos livremente!
      Você pode encontrar a sequência de fondues a partir de R$ 29,90 com os cupons! 
      CAFÉ COLONIAL
      Outra grande pedida gastronômica imperdível é o Café Colonial…
      Esse é o seguinte… Pegue praticamente todos os tipos de bolos, pães, tortas, salgadinhos, geléias, sucos, cafés, chocolate quente.. junte queijos, presuntos, frango frito, vinho… com direito a livre repetição… e aí temos o famoso café colonial! Um verdadeiro banquete destruidor de qualquer dieta… mas que vale muito a pena conhecer e saborear pelo menos na sua próxima viagem!

      PASSEIOS
      A Serra Gaúcha é um lugar de grandes belezas naturais… São montanhas, cânions, rios, cachoeiras e muito verde, que podem ser visitados durante todo o ano…
      E a própria cidade, com suas construções típicas e ar europeu, é uma atração à parte… 

      Andar pela principal avenida de Gramado, a Borges de Medeiros, e conhecer suas vitrines e atrações, já é um passeio imperdível, principalmente à noite, quando ganha cores ainda mais especiais.
      Vá ainda ao Lago Negro, fazer uma caminhada por entre as hortênsias e pinheiros e dar uma volta de pedalinho no mais famoso lago de toda a Serra!

      Visite também duas igrejas maravilhosas todas feitas em pedra e que são símbolos da Serra.
      A igreja Matriz são Pedro em Gramado é uma obra prima da arquitetura em estilo romano, tendo sido inaugurada em 1942. É toda construída em pedra basáltica e tem 44 metros de altura.

      Já a Igreja Matriz de Nossa Senhora de Lourdes, a Catedral de Pedra em Canela, uma das maiores e mais belas do Brasil, com uma torre de 65 metros de altura, 12 sinos de bronze e com um verdadeiro show de luzes todas as noites projetadas em sua fachada de pedra basáltica.

      Cascata do Caracol em Canela
      De todos os diversos parques existentes, uma atração imperdível é o Parque da Cascata do Caracol… Um dos cartões postais da Serra Gaúcha!

      Lá, não deixe de fazer o passeio nos bondinhos aéreos, que dão um visual ainda mais incrível de toda a beleza da Cascata do Caracol e da reserva natural repleta de araucárias seculares!

      Cânions
      Ainda, partindo das cidades de Gramado e Canela, tem passeios para os cânions em Cambará do Sul… 

      Um passeio repleto de descobertas e uma visão inesquecível de um dos cânions mais bonitos do país!
      Trem do Vinho
      Se você foi direto para Gramado e ainda não conhece a região do vinho gaúcho, tem passeios saindo nos finais de semana e indo para conhecer as vinícolas e o trem do vinho, que percorre as cidades de Bento Gonçalves, Garibaldi e Carlos Barbosa. Se estiver de carro, pode fazer o passeio por conta e conhecer ainda mais detalhes das cidades ao redor.

      Bom, espero que tenha gostado das dicas e se quiser conferir o vídeo, tenho o canal Trips & Flicks no youtube, que tem como objetivo compartilhas as informações das viagens que tenho feito, sempre com o lema de gastar pouco para viajar mais... 
      Dicas de Gramado - Trips & Flicks
       













    • Por Ligia Karina Filgueira
      O Caniôn do Guartelá fica localizado no Parque Estadual do Guartelá, em Tibagi-PR.
        A visita foi uma saída de campo do curso de Turismo-Unicentro de Prudentópolis.
       Saímos de Prude umas 7:30 e chegamos no parque às 09:30. Ao chegar no Parque, recebemos as instruções do pessoal que trabalha no Parque, e nos aconselhou a fazer a trilha com a menor quantidade de peso possível. O parque tem duas trilhas, uma de 5km até o cânion, panelões e outra maior, que tem acesso a parte com pinturas rupestres, que só pode ser falta contratando um guia local. Nós fizemos a de 5km, o que já valeu muito a pena!
        Aconselho a se longar bem antes rss! Iniciando o percurso com um calçamento bem ingrime(ja desci imaginando a volta kk) podemos observar  a vegetação presente e a formação rochosa do local.
       A trilha possui algumas partes coberta com mata e chão de terra e outras feitas de arvores para não causar tanto impacto ao solo.
      O primeiro ponto de parada, são os Panelões do Sumidouro, que são verdadeiras piscinas naturais relaxantes! (aconselho muuito a se banhar).
      Em seguida fomos em direção ao mirante do tão desejo Cânion do Guartelá! Ele possui uma vista incrível! O legal é que dá pra ficar em baixo do mirante, deitar na pedra, beber uma água e agradecer muito!! E o ultimo local que visitamos, foi uma "laje" de formação rochosa, que dava para ver de longe a Cachoeira da Ponte de Pedra, que não é liberado acesso e banho.
       Valeu muito a pena esse campo.
      Se você, como eu, ficou assustado na descida,calma.... eles possuem uma Kombi Resgate rs que está sempre de prontidão, para atender aqueles que não conseguirem subir o calçamento.

        Este é o meu primeiro relato neste site, espero que tenham gostado e VISITEM!
      0800 a entrada! Verificar no site sobre os dias de funcionamento.
      Possui estacionamento gratuito!


    • Por Jonas Silva ForadaTribo
      Nos últimos dias de 2019 tive o prazer de fazer um dos trechos da Travessia Entre Ilhas, que é mais conhecido como Lagamar. O trecho entre Cananéia/SP e Paranaguá/PR. Na verdade Lagamar é o nome do estuário menos degradado e mais produtivo do mundo situado na região que compreende os estuários do Rio Ribeira, Iguapê e o Estuário de Paranaguá. É uma região de manguesal que abriga uma grande diversidade da flora e principalmente fauna terrestre e marinha. O Lagamar está num trecho de preservação da Mata Atlântica que, explica e chama ainda mais atenção pela sua riqueza.
      Apesar da preparação em grupo acabei fazendo o percurso no estilo "solo". Quando chegamos em Cananéia do grupo que já era reduzido, uma das pessoas não compareceu, e  a outra preferiu ficar na cidadezinha. Como aquecimento, depois de passar boas horas na espera em Registro/SP, aguardando um ônibus para a Ilha, chegamos em Cananéia. Logo tratamos de fazer um tour pela pacata cidade histórica que se orgulha de brigar (ser) considerada a primeira "cidade" brasileira. Fato é que em  1531 Martin Afonso de Souza aportou na Ilha de Cananéia, segundo documentos históricos. Visitamos o museu municipal que também guarda uma preciosidade: o maior tubarão branco em exposição, embalsamado, do mundo. A fêmea, capturada em águas brasileiras da região têm 5,5 m de comprimento e nada menos que 3,5 toneladas.
      Como aquecimento da jornada eminente, subimos (na verdade subi) o Morro São João Batista para conferir a vista do Mar Pequeno e tem uma pequena ideia da dimensão do projeto. Nessa ascensão que acabei ficando sozinho, minha parceria desistiu, melhor que foi ali e não em meio à praia deserta.

      No geral Cananéia é uma daquelas cidades que faz voltarmos no tempo e fazer uma reflexão sobre nós homens, nossa sociedade e nosso progresso. As ruas foram projetadas para o Séc. XVI ou XVII e hoje precisam conviver com carros do séc. XXI, isso não é um problema, quando a população e o fluxo não é muito grande. As marinas e mercados de peixe estão por todo lugar, a pesca é a principal atividade da cidade. Pra quem gosta de curtir um final de tarde num barzinho, vai encontrar na Ilha algumas opções bem aconchegantes, e diversificadas. A sensação de segurança também traz um certo conforto.
      PRIMEIRO DIA DE TRAVESSIA (NA VERDADE PREPARAÇÃO)
      Neste dia acordei às 06:00 na esperança de chegar à Praia do Cambriú antes das 09:00. Na realidade como estava sozinho, mesmo tendo esperado até às 09:30 no pier não consegui nenhuma voadeira rumo ao Cambriú. Para garantir fui para o Marujá, depois faria o trecho de 12 km até o Cambriú caminhando.

      O trajeto até a Comunidade Marujá já foi emocionante, cruzamos com golfinhos, guarás vermelhos e nossa voadeira deu uma pane ficando uns 40 min à deriva no meio do canal.

      Do Marujá até o Cambriú a viagem foi angustiante: cruzar a Praia da Lage se revelou o principal teste emocional da viagem. São cerca de 6 km apenas, mas o fato de conseguirmos enxergar a outra ponta torna essa praia deserta um "inferno".

      Parece não ter mais fim, some-se o fato de ser o início da travessia, então eu queria olhar o relógio a todo instante para saber do meu desempenho, ilusão, nada mudaria. Levei mais que 1h e 30min  de caminhada, tive de fazer algumas paradas e lutar constantemente com os pensamentos negativos. Alguns urubus sobrevoavam meu esqueleto trambaleante fazendo troça.

      Com muita luta cheguei no outro lado e depois na Praia do Fole, alcançando o Cambriú já depois das 15:00. Assustado, e preocupado devido à experiencia na Laje, resolvi dormir por ali mesmo. No finalzinho da tarde, conversando com moradores descobri que o seu Toninho (barqueiro) fez duas travessias de barco vindo de Cananeia naquele mesmo dia. No final eu tinha chegado também.

      SEGUNDO DIA - MAR IMPLACÁVEL ESPERA INFINDÁVEL
      Madruguei. Às 06:15 já me punha a caminhar, na esperança de ver o sol nascendo na Praia do Fole, de frente para a Ilha do Cambriú, nada mais que expectativa. O Astro só apareceu já alto umas 06:50 devido a quantidade de nuvens. Transpor a pequena Praia de Fole Pequeno é simples, a Praia do Fole também foi fácil, ou a ansiedade de chegar na aterradora Praia da Laje novamente fez com que as duas ficassem mais fáceis.

      De peito aberto me pus a caminhar e em menos de 1h cruzei aquela vastidão de areia liza. É curioso como ela parecia ainda maior, apesar de psicologicamente ter sido bem mais fácil. A faixa de areia estava com mais de 50 m de largura, a maré tinha recuado bastante.

      No trecho de pedras entre a Laje e o Marujá, fiz uma pausa para comer e beber água na bica que tem por ali.

      Logo que começa o costão um visual deslumbrante, a Praia do Marujá sumindo no horizonte como um traço reto entre a água azul e a mata verde. Depois de sair no Marujá e caminhar uns 2 km encontrei as primeiras pessoas desse trecho. Era um pequeno grupo, aproximadamente 15 pessoas tomando banho de mar. Pelos demais 14 km daquele dia não vi mais ninguém, apesar de ter encontrado até uma placa indicando um restaurante.


      Caminhei, caminhei, até tentei parar para descansar, mas além de não me sentir cansado, o sol de rachar e a falta de qualquer sombra desencorajam a pausa. Incrível que nesse dia, apesar de a praia ser bem mais extensa, quando me dei conta estava na antiga Vila da Baleia e já eram 12:00.
      A Vila, agora destruída, mostra o quão implacável as águas podem ser. Hoje nenhuma residência permanece no local. O mar cortou um braço de uns 500m por ali, e continua avançando. As pessoas saíram deixando tudo para trás. Inclusive muito lixo (roupas, plástico, fios, canos, etc.) que provavelmente vai acabar no Atlântico, que diga-se de passagem já tem muito lixo. Uma vergonha. Ainda mais sabendo que se trata de uma comunidade que vive do Mar.
      A parte boa é que no canal que se forma atrás da antiga Vila as águas além de limpas são muito calmas. Não resisti, tirei a roupa e dei alguns mergulhos. Arrumei minhas coisas como um travesseiro e tirei um bom cochilo, imaginando a pernada de volta até a nova Vila da Baleia ou Marujá pra conseguir um barco que me deixasse em Ararapira.

      Acordei com o ruído de um barco parando ali pertinho, fui logo perguntar sobre chegar do outro lado. O barqueiro, Pedro, se ofereceu me deixar na agora Vila da Baleia, aceitei. Na Vila consegui um transporte para o final da tarde. Precisei ficar 4h esperando, sentado ao pé de uma árvore, sendo paparicado por uma cachorra que apareceu ali.
      Cheguei em Ararapira quase noite. Lá fui informado que se tivesse parado na Pontal do Sul/SP poderia também chegar no Superagui caminhando: o antigo canal não existe mais, está todo assoreado pela areia e fica exposto, exceto em maré cheia.
      TERCEIRO DIA - A PÉ OU DE CAVALO
      Comecei cedo, e como não podia ser diferente larguei a tralha na ponta do Superagui e fui até o meio do antigo canal, marcar a divisa dos estados.

      Caminhando no Paraná, logo avistei o improvável; no meio do nada um cavalo branco observando o Oceano, cheguei pensar que fosse loucura da solidão na minha cabeça. No entanto, pude confirmar era um cavalo mesmo. Resisti a tentação de cavalgar até a Vila de Superagui.

      Caminhei, passei por alguns riachos, boias, quando encontrei gente, fui saber que já estava chegando na Vila. Eram 11:00 e meus planos de wild camping ficariam para outra oportunidade. Pleno, cheguei na Vila de Superagui. No entanto, um erro crasso me deixou preocupado, e não era o cansaço dos 20km e tanto. Em um dos riacho eu optei por não tirar a bota, resultado foi que era mais fundo que o planejado e entrou água nela, caminhei o resto do trecho, uns 10km, com o pé encharcado. Rendeu muita dor na sola do pé e o medo de aparecerem bolhas me obrigando a desistir no último trecho.

      Achei um camping, muito da hora, e fiz uma coisa improvável que tive vontade lá pelas 09:00 da manhã, comprei uma coca-cola. Pensa num refrigerante gostoso. O marido da dona do camping, ao conversarmos se dispôs a me deixar na Ilha das Peças no outro dia.
      Fiquei algumas horas sentado no píer da Vila esperando o pôr do Sol, durante esse tempo vários grupos de botos desfilaram a poucos metros de mim.

      QUARTO DIA - UMA TRAPAÇA, MUITA ESPERA
      Desarmei acampamento antes de o Sol nascer, mas tive de esperar o barqueiro, kkkk. À 06:40 me deixava na Ilha das Peças, e não quis me cobrar nada ainda. Nesse dia foi muito tranquilo, aquela sensação de tempo e espaço relativa, devido nas Peças eu saber que seriam apenas 16km para completar a trilha tornou tudo psicologicamente muito leve. A areia firme, a companhia da Ilha do Mel a poucos metros tudo preparado para um final incrível.

      Depois do antigo farol, hoje caído, avistei a Vila das Peças. Inocente, mesmo percebendo um trecho que aparentava "mangue" resolvi cruzar por ali mesmo, próximo do mar, para não contornar pela margem da várzea. Foi o trecho mais cansativo, e olha que desisti logo do meio e fui para a margem da mata. A cada pisada o pé afundava alguns centímetros na areia fina, acabando com minha panturrilha (lembrei dos tempos de treino na areia para disputar campeonatos de futebol).

      Chegando na Vila, 10:00, fui procurar alguém que me deixasse em Paranaguá. Não fui bem tratado pelos barqueiros, foram meio rudes - mochileiro acho que eles pensam que nós mendigamos carona. Fiquei chateado, mas paciência. Para piorar um do puto ainda me trapaceou, me disse que eu teria que esperar a escuna regular as 16h, mas se quisesse, por 70 reais me levaria às 15h, já que ele ia buscar mais gente em Paranaguá.

      Achei um camping, armei a barraca para terminar de secar e dormi um sono. Eram 14:30 quando desmontei tudo e fui encontrar o indivíduo. O pilantra apareceu umas 15:20, eu com cara de bobo, fui no barco. A única coisa que o @#$& me disse é que ia para Supergui e não podia me levar (sacanagem, devido ao nosso combinado nem fui atrás de outros barcos).


      Resumindo fiquei torrando no píer até às 16:30 quando a escuna me levou para Paranaguá. Foi um travessia incrível, que e ensinou muito. O fato de eu estar sozinho proporcionou perspectivas únicas. Saí de lá mais experiente, e agora que venha o Cassino.





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