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Mari D'Angelo

Estocolmo, um guia para explorar as ilhas da capital sueca

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ūüď∑¬†Texto original com fotos aqui:¬†http://www.queroirla.com.br/guia-viagem-estocolmo/

Estocolmo é daquelas cidades que parecem ilustração de lata de biscoito, sabe? Um skyline de prédios baixinhos preenchendo as ilhotas formadas entre os canais que cortam a capital. Pelas janelas avistam-se apartamentos aconchegantes e escritórios bem decorados.

As ruas, seguras e limpas, s√£o ocupadas por pessoas praticando atividade f√≠sica (mesmo no frio congelante do inverno) e muitas fam√≠lias com crian√ßas. Tr√Ęnsito? Quase que s√≥ o de bicicletas na hora de sa√≠da do trabalho. Tamb√©m n√£o h√° superlota√ß√£o de habitantes ou turistas, o que torna a cidade muito agrad√°vel de conhecer.

A¬†Su√©cia, terra de gigantes como IKEA, H&M e Spotfy, j√° figura h√° um tempo no topo da tabela do IDH (√ćndice de Desenvolvimento Humano) mundial, e n√£o √© dif√≠cil perceber o porqu√™. O pa√≠s tem pol√≠ticas muito avan√ßadas em rela√ß√£o a temas como licen√ßa parental, igualdade de g√™nero e diversidade sexual. E embora cobre impostos alt√≠ssimos de seus habitantes, isso tudo √© refletido de forma muito positiva no bem estar e na qualidade de vida dos suecos.

Claro que, como em qualquer lugar do mundo, tem tamb√©m seus pontos negativos. Embora o sal√°rio dos suecos seja em m√©dia muito bom, para turistas¬†Estocolmo¬†√© uma cidade bastante cara. Al√©m disso, o clima frio e o fato de ter poucas horas de luz nos meses de inverno (em Janeiro por exemplo o sol se p√Ķe em por voltas das 15h30) pode n√£o agradar a muita gente

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Informa√ß√Ķes b√°sicas

Moeda:¬†Coroa sueca (1‚ā¨ = 10SEK aproximadamente). Prefira levar cart√£o de cr√©dito ou cart√Ķes multimoedas como o¬†Revolut¬†pois √© o meio de pagamento mais comum. Muitos estabelecimentos inclusive nem aceitam notas e moedas, estando identificados como ‚ÄúCash Free Zone‚Äú.

Língua: Sueco, mas a maioria da população fala inglês fluentemente.

Fuso horário: A Suécia está 4 horas adiantada em relação ao horário de Brasília (+1h no horário de verão sueco) e 1 hora adiantada em relação à Portugal continental.

Pol√≠tica:¬†O regime sueco √© o de monarquia constitucional. O rei Carl XVI Gustaf √© o atual chefe de estado para fun√ß√Ķes cerimoniais.

 

Como chegar do aeroporto ao centro de Estocolmo

Para ir do¬†Aeroporto de Arlanda¬†ao centro da cidade h√° algumas op√ß√Ķes dispon√≠ves, sendo essas as principais:

Arlanda Express:¬†A op√ß√£o mais r√°pida, pois √© um trem expresso que liga o aeroporto ao centro da cidade. O valor √© aproximadamente 30‚ā¨ e a viagem dura 20 minutos.¬†Confira aqui o site oficial com mais informa√ß√Ķes.

Trem Convencional:¬†Parte dos terminais 4/5 (√© poss√≠vel chegar a p√©, por dentro do aeroporto mesmo) e custa por volta 18‚ā¨. O trajeto at√© a Esta√ß√£o Central √© de aproximadamente 40 minutos. Como √© um transporte convencional, os trens t√™m diferentes destinos, por isso √© preciso ter aten√ß√£o √† plataforma e o hor√°rio de partida.

√Ēnibus:¬†O √īnibus √© a op√ß√£o mais barata e tamb√©m a mais demorada. O custo √© de aproximadamente 9‚ā¨ e o tempo em m√©dia 50 minutos.

Taxi:¬†A op√ß√£o mais confort√°vel mas tamb√©m a mais cara. O valor √© em m√©dia 60‚ā¨ e o tempo aproximadamente 40 minutos.

Para informa√ß√Ķes mais detalhadas consulte o site do Aeroporto.

 

O que fazer em Estocolmo?

A capital sueca é na verdade um arquipélago composto por 14 ilhas banhadas pelas águas do mar Báltico e ligadas entre si através de pontes.

Vou deixar aqui sugest√Ķes de coisas para fazer em algumas delas e um mapa para entender melhor as divis√Ķes. Muitas empresas tamb√©m oferecem passeios de barco prometendo mostrar a cidade por outro √Ęngulo.

Considero 3 dias um bom tempo para conhecer o principal, mas se tiver oportunidade de ficar mais um pouco, é definitivamente um daqueles lugares onde vale se perder sem pressa!

Eu fiz tudo a p√©, mas se o tempo for curto pode apelar pelo transporte p√ļblico, que √© bastante eficiente, ou alugar uma bike, j√° que a maior parte da cidade √© plana.

Se a ideia for entrar em muitas das atra√ß√Ķes tur√≠sticas pode valer a pena comprar o¬†Stockholm Pass.

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‚Ėł¬†Norrmalm e √Ėstermalm

Norrmalm é o centro comercial de Estocolmo, aquela parte da cidade mais cosmopolita, com lojas de redes internacionais e a movimentação dos turistas.

Kungsträdgården, a praça central da cidade, é rodeada por cafés, lojas, restaurantes e hotéis e é palco para eventos ao ar livre no verão e pista de patinação no gelo no inverno, além de dar um show na primavera, com a floração das cerejeiras.

As vias próximas à Estação Central também são bastante movimentadas, como a Drottninggatan, famosa rua de pedestres cheia de lojas e restaurantes, e a praça Hötorget, onde rola uma feira bem eclética, que vende desde apetitosas frutas e legumes até flores e antiguidades.

O bairro vizinho,¬†√Ėstermalm, j√° √© bem mais sofisticado, destino de quem pretende fazer compras em lojas de luxo. Mas mesmo para os pobres mortais √© uma √°rea bem agrad√°vel de conhecer, e dois bons motivos s√£o o parque¬†Humleg√•rden¬†e o mercado¬†√Ėstermalms Saluhall, parada perfeita para quem quer experimentar os sabores locais.

 

‚Ėł¬†Gamla Stan

√Č o centro velho de¬†Estocolmo, uma das partes mais interessantes da cidade. Entre as atra√ß√Ķes est√£o o¬†Pal√°cio Real, o¬†Museu do Pr√™mio Nobel¬†e a¬†Catedral de S√£o Nicolau. A encantadora¬†Pra√ßa¬†Stortorget, um dos cart√Ķes postais de¬†Estocolmo, √© o cora√ß√£o da regi√£o.

A maior del√≠cia de¬†Gamla Stan¬†√© se perder por suas ruelas medievais, que durante o dia s√£o cheias de vida e √† noite calmas e silenciosas. √Č s√≥ entrar em qualquer loja de¬†souvenir¬†para notar algumas figuras que fazem parte da cultura sueca e da mitologia n√≥rdica, como o delicado¬†Dala Horse¬†e as r√©plicas de pedras r√ļnicas escandinavas. Tudo isso tem hist√≥rias interessant√≠ssimas que s√≥ d√£o mais vontade ainda de explorar a¬†Su√©cia!

Gamla Stan¬†tamb√©m √© um bom lugar para comer. Entre as muitas op√ß√Ķes de restaurantes, minha sugest√£o para quem quer conhecer a culin√°ria tradicional sueca √© o¬†Aifur, que tem todo um ar medieval ornando perfeitamente com a regi√£o!

Para mais dicas de restaurantes em Estocolmo e comidas típicas da Suécia veja este post!

 

‚Ėł¬†Djurg√•rden

Essa √© a ilha dos museus e parques tem√°ticos. Para os f√£s de Abba, h√° um¬†museu¬†interativo todo dedicado √† banda. J√° o¬†Skansen Museum¬†√© um espa√ßo √† c√©u aberto que recria a vida na¬†Su√©cia¬†atrav√©s de casas t√≠picas e encena√ß√Ķes. Um zool√≥gico tamb√©m faz parte dessa atra√ß√£o, por isso n√£o visitei.

Ainda em Djurg√•rden fica o incr√≠vel¬†Vasa Museum, dedicado √† embarca√ß√£o do s√©culo XVII que naufragou em sua primeira viagem e ficou 300 anos no fundo do mar. O navio foi resgatado, restaurado e colocado em exposi√ß√£o para que o p√ļblico conhe√ßa em detalhes sua fascinante hist√≥ria.

Quem tem crian√ßas ou tempo de sobra, ainda pode explorar o¬†Gr√∂na Lund, parque de divers√Ķes mais antigo da¬†Su√©cia.

 

‚Ėł¬†S√∂dermalm

Esse é o pedaço mais hipster de Estocolmo! Andando pela rua Götgatan e arredores dá pra sentir essa vibe nos suecos e gringos estilosos que frequentam os muitos cafés, galerias e brechós espalhados por lá (aliás, se é do time das roupas de segunda mão, Estocolmo é o paraíso!).

Há também alguns museus interessantes como o Fotografiska, para os apaixonados por fotografia e o Stockholm City Museum, que é grátis, e conta de forma bem didática um pouco da história da cidade.

Mas talvez o mais impactante dessa ilha seja a vista absurdamente incr√≠vel que se tem a partir do¬†Monteliusv√§gen, uma trilha quase escondida com alguns mirantes espalhados pelo caminho. Pode n√£o ser t√£o central ou pr√≥ximo das atra√ß√Ķes tur√≠sticas, mas garanto que vale muito a pena!

Outros dois lugares para ver¬†Estocolmo¬†do alto s√£o o terra√ßo do¬†S√∂dra Teatern¬†e o topo do¬†Katarinahissen, um elevador que liga a parte baixa a alta da cidade e onde funciona o restaurante panor√Ęmico¬†Eriks Gondolen.

 

‚Ėł¬†Kungsholmen

A maior atra√ß√£o dessa ilha √© o¬†Stadshus, o pr√©dio da prefeitura, que al√©m da sua fun√ß√£o governamental √© importante por ser o local do jantar de cerim√īnia dos Pr√™mios Nobel.

Mesmo que não faça a visita interna, é possível conhecer sem custos a parte externa, que tem um jardim lindo e vistas interessantes para as outras ilhas.

 

‚Ėł¬†Skeppsholmen¬†e Kastellholmen¬†

A pequena¬†Skeppsholmen¬†√© acessada pela¬†Skeppsholmsbron, a ponte-cart√£o-postal de¬†Estocolmo¬†famosa por suas coroas douradas. Embora n√£o tenha muitas atra√ß√Ķes al√©m do¬†Museu de Arte Moderna, a ilha e sua adjacente,¬†Kastellholmen, s√£o lugares perfeitos para uma caminhada tranquila a beira-mar!¬†

 

‚Ėł¬†B√īnus: Arte no metr√ī¬†de Estocolmo

N√£o √© s√≥ na superf√≠cie que a capital sueca encanta e surpreende. Seu subterr√Ęneo tamb√©m atrai curiosos para conhecer a exposi√ß√£o de arte mais longa do mundo, o metr√ī de¬†Estocolmo!

As cem esta√ß√Ķes vem sendo decoradas por artistas desde 1957, seja com pinturas, esculturas ou instala√ß√Ķes. Como n√£o usamos o metr√ī para o transporte, compramos um bilhete unit√°rio, v√°lido por 75 minutos, s√≥ para explorar as interven√ß√Ķes. Apesar de ter feito um roteiro maior, houve uma interrup√ß√£o por tempo indeterminado na terceira esta√ß√£o e acabamos n√£o conhecendo o resto, mas destaco a T-Centralen (linha azul) e a Stadion (linha vermelha).

O site¬†Visit Stockholm¬†tem informa√ß√Ķes mais completas sobre as obras. Para informa√ß√Ķes oficiais sobre os bilhetes,¬†clique aqui.

 

O que comer em Estocolmo?

Provavelmente as alm√īndegas sejam a iguaria mais famosa do pa√≠s, assim como as salsichas e carnes ex√≥ticas (para n√≥s), como a de alce. Mas a gastronomia sueca tamb√©m √© muito baseada no mar, com pratos de peixe como salm√£o e bacalhau fresco. Os acompanhamentos costumam ser pur√™ de batata, a t√≠pica gel√©ia de¬†lingonberries, legumes e vegetais.

Talvez ainda mais importante que as refei√ß√Ķes seja a hora do caf√©zinho, que tem at√© nome ‚Äď Fika! Os p√£es geralmente tem vers√Ķes saud√°veis como integrais ou com sementes ou o¬†kn√§ckebr√∂d, prefer√™ncia nacional, que √© bem fininho e pode ser consumido no caf√© da manh√£ ou como entrada. J√° os doces n√£o s√£o l√° muito fitness, as vitrines apresentam uma enorme variedade de op√ß√Ķes como o bolo da princesa ou o rolinho de canela com cardamomo.

Veja aqui¬†um post especial sobre a comida t√≠pica da Su√©cia e sugest√Ķes de restaurantes em Estocolmo.

ūüď∑¬†Texto original com fotos aqui:¬†http://www.queroirla.com.br/guia-viagem-estocolmo/

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      Cada viajante faz seu pr√≥prio caminho. √Č o que se diz a respeito dos peregrinos. Oficialmente esse caminho inicia em Lisboa. Segundo muitos relatos n√£o h√° muitos albergues peregrinos municipais entre o trecho Lisboa e Porto, por isso a grande maioria das pessoas opta por iniciar no Porto e foi o que decidi fazer tamb√©m. Mas com certeza em outra oportunidade com mais tempo dispon√≠vel gostaria de fazer esse Caminho iniciando em Lisboa.
      Partindo da Catedral da Sé no Porto até alcançar a Catedral de Santiago de Compostela foram 245 km de caminhada em 11 dias.

       Antes de detalhar cada etapa da minha peregrinação quero descrever um pouco os dias de viagem em Portugal que antecederam o seu inicio. Infelizmente não tenho uma planilha de gastos, pois sou péssima com isso. Em todas as viagens anoto os gastos nos primeiros dias e depois acabo deixando isso pra lá quando percebo que o dinheiro vai ser suficiente. (RS) Não vou detalhar muito essa parte da viagem, mas sim eu gostei bastante dessa etapa. Encantei-me com a hospitalidade dos portugueses desde o primeiro momento, a maioria com quem conversei demonstrou gostar dos brasileiros. Em Portugal tem muitos brasileiros também, nos restaurantes, hostel e em toda parte. A maioria bastante solicita com a recém chegada que era eu.
       
       
      Chegada em Portugal
      Não é toda hora que a gente pode fazer uma viagem à Europa em tempos de real tão desvalorizado, então antes de rumar a Santiago de Compostela a idéia era conhecer um pouco de Lisboa e Coimbra a ultima cidade a ser inclusa no roteiro.
      Cheguei a Lisboa no dia 13 de agosto no per√≠odo da manh√£. V√īos noturnos pra mim s√£o bem cansativos, pois raramente consigo dormir, mas o v√īo foi bem tranq√ľilo. V√īo da Cia a√©rea Azul, que saiu por um pre√ßo razo√°vel ap√≥s muitos dias de pesquisa (R$ 2850,00 aproximadamente ida e volta saindo de Viracopos para Lisboa e a volta do Porto para Lisboa). Ter comprado um v√īo multitrip ( quando a ida e a volta s√£o rotas diferentes, como nesse caso) foi √≥timo para a log√≠stica da viagem, assim pude conhecer duas importantes cidades antes de fazer o caminho e no final n√£o precisei voltar at√© Lisboa.
      A imigração em Lisboa foi bem tranquila, a funcionaria que me atendeu não perguntou nada sobre dinheiro ou seguro (embora o seguro seja obrigatório) me perguntou quanto tempo eu ficaria por lá e eu expliquei que faria o caminho e a moça me pareceu bem curiosa sobre isso.
      Em Lisboa √© muito f√°cil se locomover com o transporte p√ļblico, fui de metr√ī at√© o Brothers Hostel ¬†que j√° estava reservado. ¬†O hostel fica a poucos minutos de caminhada do centro e da Avenida Liberdade.¬† Cheguei ao hostel por volta das 10 horas da manh√£, o check-in seria somente √†s 15 horas, por√©m o local cobrava um valor por hora para deixar a mochila l√° antes do check-in... Achei aquela recep√ß√£o bem frustrante e claro, n√£o paguei, fui dar uma volta pelas redondezas com meu mochil√£o nas costas. Fora isso a recep√ß√£o do hostel nem sempre tinha pessoas que falassem portugu√™s, apenas ingl√™s, o quarto era um pouco apertado, o caf√© da manh√£ era muito bom, tinha uma cozinha para esquentar comida e os banheiros estavam sempre limpos. Bom custo benef√≠cio.
      Apesar de bastante cansada, já nesse primeiro dia foi possível ver e me encantar com muita coisa. A famosa Praça do Comercio, os Arcos da Rua Augusta, o rio Tejo, que tanto me lembrou dos antigos poetas.  A região central mais antiga é repleta de monumentos históricos e estatuas que homenageiem personagens importantes portugueses.
      Em agosto o ver√£o europeu est√° no auge, nesses dias que passei por l√° fez bastante calor, por√©m no fim da tarde sempre batia um vento gelado. √Č a alta temporada de f√©rias dos europeus ent√£o havia turistas para todos os lados, pessoas com diferentes idiomas pelas ruas, restaurantes e pra√ßas.¬† Apesar da cidade parecer bem cheia como a minha inten√ß√£o n√£o era pular de um ponto tur√≠stico a outro isso n√£o foi um problema, mas a fila era not√°vel em alguns locais.
      No segundo dia fui conhecer o bairro do Bel√©m. Foi um dos lugares que mais gostei em Lisboa. Novamente usando o transporte p√ļblico, metro e comboio (trem). N√£o fui a nenhuma atra√ß√£o paga e foi um dos dias mais proveitosos. Conheci o Padr√£o dos Descobrimentos, que com sua impon√™ncia homenageia os navegadores portugueses que desbravaram os mares ao longo da hist√≥ria. A famosa Torre de Bel√©m que eu queria muito ver, em frente √† torre tem um parque cujo nome n√£o me lembro e seguindo em frente fica o museu do combatente.
      ¬†Ap√≥s almo√ßo no Caf√© do Forte bem pr√≥ximo a Torre de Bel√©m, atravessando a avenida e caminhando um pouco fica o Centro Cultural do Bel√©m e logo depois o Mosteiro dos Jer√īnimos, onde havia visita√ß√£o gratuita, uma igreja imensa e muito bonita por dentro e por fora. Depois segui para um lugar bem tradicional onde foi inevit√°vel pegar uma fila grande, Past√©is de Bel√©m, o verdadeiro √© feito nessa pastelaria, em todos os outros locais chamam de pastel de nata. N√£o √© um lugar caro, cada pastel custa 1,15 euros. Comprei alguns e fui comer em outro parque bem pertinho dali com bastante sombra para descansar daquele calor√£o.
      Ainda no fim da tarde mais uma caminhada até o MAAT, Museu de arte, arquitetura e tecnologia, onde na área externa tem-se uma bonita vista do rio Tejo. Passei ainda pela Ponte 25 de Abril que liga a cidade de Lisboa com a cidade de Almada. Na ponte há uma visita guiada que eu queria ter feito, mas devido ao horário não foi possível.
      No dia seguinte fui conhecer outros bairros em Lisboa. Bairro Alto, Alto Chiado e Santa Maria Maior, no Bairro alto você pode chegar usando o elevador de Santa Justa, o tradicional bonde (eléctricos) ou apenas subir a ladeira que foi o que eu fiz.
      ¬†O almo√ßo foi na Fabrica da Nata, uma pastelaria tradicional com pre√ßos acess√≠veis, al√©m dos past√©is de nata que custa um euro, h√° diversas op√ß√Ķes de sandu√≠ches quentes ou frios e vinhos.
      Foi mais um dia batendo perna pela cidade. Encantei-me pelas paisagens na freguesia de Santa Maria Maior, onde fica o Castelo de S√£o Jorge, √Ä tarde, novamente na Baixa de Lisboa, resolvi provar o gelato na Amorino¬īs, na casquinha o gelato √© servido em formato de flor.
      Dia seguinte parti para a cidade de Coimbra. Viagem de √īnibus de quase duas horas que custou 14,50 euros (comprei a passagem no terminal de √īnibus, mas comprando antecipadamente provavelmente sairia mais barato).
      Em Coimbra fiquei hospedada no NX Hostel que eu recomendo muito pela minha experi√™ncia l√°. Todos os funcion√°rios foram atenciosos e simp√°ticos. O hostel funciona em um antigo casar√£o reformado e as instala√ß√Ķes n√£o deixam a desejar em nada. O caf√© da manh√£ tem muitas op√ß√Ķes e √© servido em uma √°rea externa, local bem agrad√°vel para come√ßar o dia. Fiquei em um quarto misto para 4 pessoas. O hostel fica na Pra√ßa da Republica e bem perto da Universidade.
      A famosa Universidade de Coimbra √© a alma da cidade, uma das universidades mais importantes de Portugal e at√© do mundo √© impens√°vel ir a Coimbra e n√£o visitar a Universidade. A visita √© gratuita e pode-se circular por quase todos os complexos. Bem pr√≥ximo dali fica o Jardim Bot√Ęnico, um lugar enorme com in√ļmeras esp√©cies de arvores e plantas.
      Coimbra é uma cidade grande com certo charme de cidade pequena. O centro histórico com suas ruas estreitas, a Catedral da Sé, O Seminário Maior onde se tem uma vista do alto da cidade e com certeza um passeio pela margem do rio Mondego não pode faltar.
      Coimbra foi a ultima cidade a ser incluída em meu roteiro. Não gosto da idéia de ficar pulando de cidade em cidade sem conhecer nada direito. Gosto de ter tempo para apreciar as coisas sem correria, andar e gastar mais tempo onde achar interessante. Por isso não parei em muitas cidades nesses dias antes do caminho e não me arrependo. Coimbra foi inclusa também por ser uma das mais importantes cidades no caminho entre Lisboa e a cidade do Porto, e a idéia era fazer um roteiro seguindo nessa direção.
      Foram dois dias ali e mais uma vez mochila nas costas, hora de partir para o Porto.¬† A viagem de √īnibus durou cerca de uma hora e custou 12,50 euros.¬† Nessa primeira passagem pela cidade me hospedei no Alma Porto hostel, que fica a poucos minutos de caminhada do terminal de √īnibus o que facilitou bastante a minha chegada. Afinal quem viaja de forma independente sempre tem aquela estranha sensa√ß√£o de chegar a um lugar novo e pensar ‚Äúe agora pra onde vou?‚ÄĚ.¬† Nesse caso foi s√≥ caminhar algumas ruas.
      O hostel era também um grande e antigo casarão, com paredes de pedra, quartos grandes e espaçosos. Apenas o café da manhã era fraco, mas no geral um bom custo beneficio.
      E desde a chegada à cidade onde iniciaria minha peregrinação um misto de felicidade e ansiedade ia tomando conta de mim.
      ¬†Fiz o check-in no hostel me acomodei e fui em dire√ß√£o a Rua de Santa Catarina almo√ßar no Fabrica da Nata, al√©m de j√° conhecer e gostar de l√° n√£o queria perder tempo procurando um lugar para comer.¬† A¬† Rua de Santa Catarina √© uma importante regi√£o comercial, tem lojas, restaurantes shoppings e camel√īs por toda sua extens√£o.
      Lembro que quando sa√≠ de Lisboa pensei em passar os pr√≥ximos dias antes do caminho fazendo passeios mais pontuais, mas por mais que eu quisesse passar um tempo desacelerando antes de come√ßar a peregrinar eu n√£o conseguia. N√£o consegui n√£o andar pra cima e pra baixo em Coimbra e tampouco consegui no Porto. Eu n√£o esperava ver tudo em poucos dias, mas de qualquer forma era a minha primeira vez no velho continente, e em todos esses lugares por onde passei tinha a sensa√ß√£o de ter muita coisa para ser vista, muita coisa que valia a pena ser vista. Sempre gostei muito de hist√≥ria e em Portugal a hist√≥ria se mostra em toda parte, tudo √© bastante antigo √© um pa√≠s que valoriza muito a sua hist√≥ria e como brasileira me identificava muito com essa hist√≥ria da qual estava conhecendo um pouco mais nessa viagem. Ent√£o tudo bem eu n√£o desacelerei aproveitei o que foi poss√≠vel desses dias no Porto enquanto tratava dos √ļltimos preparativos para a minha grande jornada rumo a Gal√≠cia.
      Antes da viagem me disseram que o Porto tem uma atmosfera um pouco mágica e é verdade. No bairro da Ribeira às margens do Rio Douro, sentindo a brisa gelada do final de tarde eu tive essa mesma sensação sobre a cidade. Caminhei pelas estreitas ruas de paralelepípedo, algumas abarrotadas de turistas, fique impressionada com a estação São Bento, que de fora nem parecia uma estação de trem, visitei a torre dos Clérigos e o mercado Bolhão.
      Um dia antes do inicio do meu caminho era a hora dos √ļltimos preparativos. Passei em um mercado perto do hostel e comprei algumas coisinhas pra comer durante o dia seguinte. Passei tamb√©m em uma loja de produtos eletr√īnicos onde pedi pra darem uma olhada no meu celular que n√£o estava carregando direito. Disseram-me que o problema era o cabo, ent√£o comprei outro cabo para carregar o celular e achei que o problema estava resolvido. Voltei ao hostel, deixei l√° as coisas que havia comprado e parti em dire√ß√£o a Catedral da S√©.
      Tinha algumas d√ļvidas sobre o inicio do caminho ent√£o pretendia ir at√© o Centro de Acolhimento a Peregrinos do Caminho de Santiago, na Capela Nossa Senhora das Verdades que fica numa rua logo abaixo a Catedral, por√©m o local estava fechado. Fui ent√£o ao centro de informa√ß√Ķes tur√≠sticas onde uma funcion√°ria muito solicita me deu um mapa do percurso do caminho na cidade do Porto e me explicou a diferen√ßa entre as setas que indicam o caminho central e as setas que indicam o caminho da Costa. Na verdade n√£o teria como confundir os dois caminhos, mas s√≥ percebi depois.
      O caminho de Santiago √© todo sinalizado por setas amarelas, ent√£o basicamente √© s√≥ seguir na dire√ß√£o das setas at√© o pr√≥ximo ponto de parada. Mas eu ainda n√£o estava muito segura se seria realmente t√£o simples e se o caminho principalmente nessa regi√£o t√£o urbana seria bem sinalizado ent√£o com o mapa na m√£o resolvi seguir as primeiras setas do caminho para ‚Äúestudar‚ÄĚ esse inicio do percurso e confesso que me atrapalhei um pouco, num certo ponto a seta apontava para uma rua que teria que atravessar e depois eu n√£o achava a outra seta. Claro, eu tinha o mapa, mas queria entender a l√≥gica das setas. N√£o era mesmo dif√≠cil segui-las e fui treinando o percurso at√© chegar numa rua n√£o muito longe da Catedral e que seguiria numa reta quase intermin√°vel e claro vi pelo mapa que dali era muito simples seguir.
       Em lugares que não conheço muito bem eu tenho a grande tendência de me perder e não tenho muito senso de direção, então um dos maiores medos que eu tinha era de me perder e acabar perdendo tempo indo na direção errada, mas verificando essa pequeno trecho do caminho eu me senti mais preparada para não cometer erros desse tipo.
      Faltava apenas comprar uma vieira de Santiago, uma concha com a cruz de Santiago que me disseram que eu encontraria na Torre dos Clérigos. Na verdade encontrei a vieira em uma loja de artigos religiosos quase em frente à torre que custou muito mais caro do que custa em qualquer outro lugar...  Enfim, erros que a gente acaba cometendo em viagem, mas não pague mais do que 1 ou 1,50 euros por uma vieira.  A vieira é um dos mais conhecidos  símbolos do caminho de Santiago e eu queria sim tê-la na minha mochila  no dia seguinte.
      Voltei cedo para o hostel naquela noite, deixei tudo o mais organizado possível para o dia seguinte e separei a roupa que ia usar.  Eu raramente consigo dormir cedo, mas queria ao menos deitar cedo e descansar um pouco o corpo.
      Caminhando
      1¬į dia. Do Porto at√© Vilarinho, 26,9km

      Acordei por volta das cinco e meia da manhã. Nunca fui fã de acordar cedo então já estava começando a superar um grande desafio. Como tinha deixado tudo organizado me arrumei bem rápido, tentando não fazer barulho e apenas com a luz de uma lanterna para não incomodar as outras pessoas do quarto. Em poucos minutos já estava na rua ainda com céu escuro, caminhando em direção a Catedral da Sé.
      Do hostel até a Catedral teria que caminhar mais ou menos 25 minutos e como queria ir por um caminho mais curto e diferente dos que tinha feito antes, pedi informação a um senhor na rua e o mesmo me disse que para ir a pé a catedral estava muito longe, mas me indicou o caminho de qualquer forma. Já que distancia não era um problema pra mim segui para o ponto zero da minha caminhada já com o dia amanhecendo.

      A imensa Catedral da Sé no Porto parece ainda mais imponente nas primeiras horas da manhã. Sem a multidão de turistas, o céu ainda adquirindo as cores daquele novo dia e naquele grande pátio em frente à catedral apenas algumas pessoas de mochila nas costas que tinham com certeza o mesmo destino que eu. Fiz ali uma oração, pedi a Deus para guiar meus passos no caminho. Sentei em um degrau, comi alguma coisa e tomei um suco. Logo em seguida comecei a seguir as setas amarelas.
      Como havia estudado esse primeiro trecho do caminho, n√£o tive dificuldade. Caminhei firmemente, sem pressa, no meu ritmo. ¬†Quando o caminho chega √† Rua de Cedofeita se estende numa reta quase sem fim e foi seguindo por ali que escutei o primeiro ‚ÄúBuen Camino‚ÄĚ do meu caminho e aquilo encheu meu cora√ß√£o de alegria. Mais a frente, parei em um mercado para comprar √°gua e me atrapalhei para voltar ao caminho certo...
      Nesse primeiro dia a paisagem é predominantemente urbana. Muitos carros, apenas ruas de asfalto e bairros industriais. Em alguns pontos mal havia acostamento para caminhar e era preciso tomar bastante cuidado com os carros. Ainda estava tudo bem diferente do caminho que imaginei.  Apenas chegando a Moreira da Maia a paisagem urbana vai se distanciando dando lugar ao verde do interior.  O calor era intenso, não havia muita sombra.
      No munic√≠pio de Ara√ļjo comecei a caminhar com o Ricardo, que √© portugu√™s e com quem conversei muito sobre muitas coisas. Fomos at√© a cidade de Vilarinho, onde nos hospedamos no albergue particular Casa de Laura por 12 euros (valor normalmente cobrado nos albergues particulares). O lugar era bem confort√°vel e n√£o havia muitas pessoas hospedadas l√°. Ap√≥s tomar um banho e lavar as roupas sa√≠mos para comer perto dali.
      Vilarinho é uma cidade bem pequena, não havia nada para fazer por ali. Como não estávamos cansados Ricardo e eu fomos até a praia de uber a poucos minutos dali.  Um passeio bem inusitado e bem agradável.
      2¬į dia. De Vilarinho a Barcelos 28,1km


      Acordei bem disposta, me alonguei como caf√© da manh√£, comi bolinhos que ainda tinha na mochila e p√© na estrada novamente.¬† A paisagem era completamente diferente do dia anterior e o caminho tomou outra forma. Muito verde, ruas de paralelep√≠pedo, um rio bem tranq√ľilo que refletia a ponte sobre ele. O cen√°rio ideal para caminhar e se conectar com o caminho e com voc√™ mesmo.
      Voc√™ pode escolher caminhar sozinho, mas sempre haver√° no seu caminho boas companhias. A conversa sempre come√ßa com um ‚Äúbuen camino‚ÄĚ, a sauda√ß√£o oficial no caminho de Santiago e logo se tem um novo companheiro de jornada, ainda que seja apenas por algumas horas ou alguns quil√īmetros.¬†

      Nessa manh√£ conheci um grupo de mulheres que estavam caminhando juntas ¬†desde a sa√≠da de seu albergue e me convidaram a caminhar junto com elas e claro, eu aceitei.¬† Eram elas, Maria, de Portugal, Cecilie, uma jovem indon√©sia que mora na Fran√ßa e Katerine, uma senhora canadense. ¬†Conhecer pessoas t√£o diferentes de mim √© certamente um dos presentes que o caminho nos oferece. Juntas n√≥s quatro caminhamos alguns bons quil√īmetros naquele dia de baixo de um sol muito forte que parecia s√≥ piorar com o passar do dia.

      Cecilie eu na verdade já tinha visto no dia anterior em um café, andava rápido, estava sempre um pouco à frente, Maria foi com quem eu mais conversei, foi uma grande companheira nesse dia. Katerine, uma inspiração pra mim, estava fazendo o caminho aos 65 anos de idade, infelizmente não pode seguir conosco até o final naquele dia, pois estava bem cansada e precisou parar antes.
      Seguimos em frente, passando por planta√ß√Ķes de milho, bosques, ruas de terra, ruas de asfalto, muitas igrejas e para minha felicidade v√°rios campos de girass√≥is. Foram longos trechos sem sombra alguma, poucos lugares com √°gua pot√°vel e depois do almo√ßo foi ainda mais cansativo.¬† Maria e eu paramos varias vezes para descansar. Cecilie sempre na frente at√© que a perdemos de vista. ¬†Levamos muitas horas at√© chegar a Barcelos.
      A cidade é bem turística, logo na entrada tem um enorme galo, um dos símbolos de Portugal. Infelizmente estava tão cansada que não consegui ver muita coisa da cidade.
      Chegando ao albergue Cidade de Barcelos, ap√≥s um penoso dia o lugar estava lotado. A senhora respons√°vel pelo local nos disse que s√≥ havia um pequeno quarto onde poder√≠amos dormir em colch√Ķes se n√£o nos import√°ssemos em dividir o lugar com uma garota que j√° estava l√°. N√£o nos importamos e a garota era Cecilie que havia chegado um pouco antes. Nesse albergue n√£o havia um valor espec√≠fico para pagar, era s√≥ fazer uma doa√ß√£o com valor que pudesse pagar colocando o dinheiro em uma caixinha.
      Foi nesse dia que fiquei sem celular, pois meu aparelho quebrou. N√£o havia o que fazer sobre isso al√©m de me conformar. Felizmente para tirar fotos tinha levado uma c√Ęmera e tinha um tablet ent√£o n√£o fiquei completamente incomunic√°vel.
      Maria teve muitas bolhas nos p√©s, teve que ir ao centro m√©dico e infelizmente n√£o iria seguir no caminho. O quartinho onde est√°vamos no albergue era bem abafado ent√£o para n√£o passar tanto calor √† noite pegamos nossos colch√Ķes e nossas coisas e aceitamos a sugest√£o da dona do local e dormimos na recep√ß√£o do albergue. Simples assim, sem frescura, grata por mais um dia na jornada que eu havia escolhido. Na simplicidade voc√™ percebe que tem tudo √†quilo que precisa.
      3¬įdia De Barcelos at√© Portela de Tamel 10 km

      No caminho de Santiago nenhum dia é igual ao outro. A paisagem muda constantemente, o tipo de solo muda quase que a cada curva. Algumas pessoas você encontra varias vezes ao longo dos dias, outras caras novas vão surgindo. Com o passar dos dias o corpo vai sentindo o esforço prolongado também. Doem os pés, as pernas as costas... Às vezes alguma dor vai incomodar bastante. Tem dias em que é mais fácil se manter em movimento, em outros, você quer parar a todo instante.
      A √ļnica rotina consistia em acordar bem cedo, me arrumar, arrumar a mochila e partir. E ao chegar ao pr√≥ximo local de descanso, tomar um banho, lavar a roupa e comer. N√£o dava pra fugir disso.¬†
      Nesse terceiro dia Cecilie e eu seguimos juntas. Devido ao cansa√ßo do dia anterior, fizemos uma das etapas em duas partes, caso contrario seria um percurso de quase 34 km e o calor estava fort√≠ssimo. N√£o havia muitas op√ß√Ķes de albergues antes de chegar a Ponte de Lima, ent√£o nesse dia o trajeto foi de apenas 10 km at√© Portela de Tamel, uma vila min√ļscula onde al√©m do albergue havia uma igreja, um restaurante e mais nada.
      Por ter feito um trajeto mais curto que os outros dias foi relativamente mais fácil. Cecilie e eu conversamos bastante apesar do meu inglês não ser dos melhores. Nesse dia encontrei um casal de brasileiros, até então não havia encontrado ninguém do Brasil.
      Chegamos ao albergue por volta das 10 horas da manhã e o local só abria às 14 horas. Ficamos esperando abrir no restaurante em frente onde tomamos algumas cervejas. Não havia nada para fazer por ali então foi um dia de descanso.
      4¬į Dia De Portela de Tamel at√© Ponte de Lima 23,7 km


      Mais um dia de lindas paisagens. O caminho te leva por bosques, trilhas, videiras. Provavelmente um dos dias mais bonitos em relação ao visual em todo o trajeto. A paisagem jamais te deixa entediado.
      Comecei o dia sozinha novamente. Em paz com meus pensamentos. Apreciando a minha companhia, com um longo caminho ainda pela frente, mas firme em cada passo.
      Ainda nas primeiras horas do dia conheci o Alberto, um italiano que me fez companhia durante todo esse dia. Alberto não falava muito bem inglês e eu também não, mas quando duas pessoas querem se comunicar elas dão um jeito de se entender e assim passamos o dia. Às vezes ele não me entendia e eu tinha que repetir alguma frase ou eu não o entendia e ele se esforçava pra me falar com outras palavras.
      Com o passar dos dias as suas pernas vão se acostumando com o esforço, mesmo assim ainda doem, principalmente quando você para por alguns minutos. Alberto às vezes caminhava junto comigo e às vezes eu acabava ficando para trás.
       Seguindo tranquilamente num percurso bastante agradável, com bastante sombra, cruzando pequenas vilas, trilhas em meio à natureza e nisso um sentimento de gratidão vai se intensificando. Gratidão por estar ali no caminho e tudo dar tão certo. Naquele dia já havia me acostumado bem a acordar tão cedo, pular da cama e em pouco tempo estar no meu caminho. Para muitas pessoas isso é simples, mas eu definitivamente não sou uma pessoa matinal, há anos trabalho no período da tarde, sempre tive o costume de dormir tarde, mas nessa jornada consegui transpor mais essa dificuldade e sim eu estava orgulhosa de cada pequena conquista durante todo o meu caminho.
      Eu que sempre me considerei muito distraída e avoada, aprendi a estar atenta. Por muitas vezes eu me perguntava se estava no caminho certo e quase sempre quando pensava isso logo via outra seta amarela para tirar minhas incertezas. Então logo eu pensava. Ok está tudo certo é só continuar seguindo, você está indo bem.
       Em muitos momentos eu sentia que o caminho é uma metáfora da vida. Na vida a gente às vezes fica confusa sem saber se está no lugar certo, no emprego certo, com as pessoas certas, a gente quase implora por um sinal, mas a falta de um sinal também pode indicar que estamos tomando o rumo errado. No caminho e na vida também.
      Nesse dia cheguei a Ponte de Lima por volta do meio dia. Quase n√£o senti a caminhada, n√£o senti o cansa√ßo que geralmente sentia na chegada. Reencontrei o Alberto na ponte principal da cidade, ele j√° havia ido at√© o albergue p√ļblico e como s√≥ abriria √†s 15 horas, procuramos um lugar para almo√ßar e tomar cerveja, porque aquele calor pedia uma cerveja gelada.
      Ponte de Lima √© uma das cidades mais encantadoras desse caminho. Com certo ar medieval, constru√ß√Ķes muito antigas em paredes de pedra, banhada pelo rio Lima. Muitos peregrinos iniciam ali o seu caminho e a cidade estava tamb√©m cheia de turistas.
      O albergue p√ļblico ficava logo depois da ponte, em um edif√≠cio muito antigo como quase todos da cidade. No quarto onde fiquei havia uma varanda com uma linda vista da cidade e principalmente da ponte e do rio. O quarto era enorme com aproximadamente 30 camas, o √ļnico que n√£o eram camas beliche e tinha um arm√°rio enorme para cada pessoa, um luxo para um albergue p√ļblico.
      Foi ótimo ter chegado cedo à cidade, acabou sendo um dos dias mais proveitosos. Alberto e eu fomos passear no rio, tentei tomar sol, enquanto ele entrou na água que parecia gelada.
      √Č engra√ßado como em t√£o pouco tempo a gente se aproxima das pessoas que conhecemos em viagens a ponte de ter conversas t√£o sinceras e reflexivas sobre a vida, os planos, o futuro...¬† Alberto √© muito inteligente, mesmo sem falar ingl√™s t√£o bem falava pelos cotovelos e naquela vibe boa praticamos um pouco de y√≥ga.
      Saímos dali, novamente para sentar em um bar e tomar uma super bock, uma das cervejas mais tradicionais em Portugal. À noite jantamos junto com outros italianos e Alberto ia traduzindo a conversa toda para mim.
      5¬į Dia de Ponte de Lima at√© Rubi√£es 17,9 km

      O caminho vai nos surpreendendo todo o tempo. No caminho português central não há muita dificuldade técnica, no geral basta ter disposição para caminhar bastante. Porém essa etapa foge bastante à regra.
      Nessa etapa temos muitas subidas por trilhas em meio à mata e muitas pedras nessas subidas. Foi de grande ajuda nesse trecho ter um bastão de caminhada. Mesmo onde só havia trilhas de pedras as setas amarelas estavam lá, mas é preciso ter mais atenção. Houve um momento em que quase segui errado e fui chamada de volta ao rumo certo pela Carie, australiana que conheci no primeiro dia e vira e mexe reencontrava.
      E esse foi o primeiro dia caminhando sozinha. No caminho nunca se está completamente só e nessa altura já havia muitas caras conhecidas com quem reencontrava frequentemente. Eu também já me tornara um rosto conhecido para muitos deles. Ainda que não pudesse me comunicar tão bem com todos devido principalmente as diferenças de idiomas, era como fazer parte de um grupo, andávamos quase no mesmo ritmo, parávamos nas mesmas cidades, dormíamos nos mesmos albergues e até no mesmo quarto que era sempre coletivo.
      Como mulher que frequentemente viaja sozinha, a minha principal preocupa√ß√£o √© a seguran√ßa. Em nenhum momento em todo o caminho me senti insegura ou com medo. Obviamente estava sempre atenta, como brasileira, infelizmente a gente se acostuma com a sensa√ß√£o de que pode estar em risco em certos lugares ou situa√ß√Ķes, mas em todo meu percurso n√£o houve nenhum momento que tivesse sentido algo assim, mesmo caminhando sozinha por muitos quil√īmetros. Havia muitas mulheres de todas as idades, tamb√©m fazendo o caminho sozinhas.
      No Brasil ainda existe um grande tabu com relação a mulheres que viajam sozinhas. Entre europeus e em muitos países do mundo isso é completamente normal.  Muita gente reage com estranheza quando digo que faço esse tipo de viagem sozinha, mas para mim isso já se tornou algo normal.
      Para mim é inconcebível não apreciar a minha própria companhia. Então estar ali caminhando sozinha, em paz, me parecia tão natural quanto respirar.
      Uma manhã de caminhada bem intensa, mesmo com calor e as subidas pesadas, o percurso praticamente todo teve a sombra dos bosques, o que no verão europeu é uma verdadeira benção.
      Chegando ao albergue de Rubiães faltava quase uma hora para o local abrir.  Era um lugar no meio do nada. Bem em frente ao albergue havia um restaurante fechado. Cheguei a pensar que não haveria onde comer ali. Felizmente seguindo pela rodovia havia um restaurante e um pouco mais adiante um pequeno mercado.
      O albergue era bem agradável, com salas bem arejadas e até uma área externa com espreguiçadeiras e vista para as montanhas. Foi uma tarde tranquila com tempo de sobra para descansar.
      6¬į Dia De Rubi√£es a Tu√≠ 20 km



      Mais um dia cheio de grandes novidades nessa longa jornada. Deixando Rubiães para trás, caminhando entre bosques e trilhas, antes de encontrar um lugar para tomar o café da manhã encontrei com um peregrino alemão muito disposto a conversar e que me fez um milhão de perguntas. Felizmente ele parecia não se importar muito com meu inglês ainda mais travado devido à fome e o sono.
      A pergunta que um peregrino mais ouve √© ‚ÄúPor que est√° fazendo o caminho?‚ÄĚ E claro, o alem√£o me fez essa pergunta. N√£o h√° uma resposta √ļnica e exata para essa pergunta. Geralmente eu tentava simplificar a conversa dizendo que eu sempre quis faz√™-lo. Mas havia muito mais do que isso.
       Aquele era o momento perfeito para fazer o caminho. Havia passado por algumas mudanças na vida, saí de um trabalho que já não me deixava feliz, me decepcionei com algumas pessoas. Não estava triste, deprimida, nem nada disso. Muito pelo contrario, eu me sentia leve, sentia que tinha tirado um peso das costas. Sentia-me rompendo com o que já não fazia sentido e fazer o caminho iria celebrar tudo isso. Era um momento para mim. Um momento de reflexão, e autoconhecimento. Uma forma de me afastar de tantas coisas e me aproximar de mim mesma.
      Desde o momento em que comprei as passagens uma semana depois de ser demitida eu me senti em paz. N√£o queria provar nada pra ningu√©m, era apenas eu sendo eu mesma, aquela que vai at√© o fim quando quer realizar algo. Eu queria apenas me re-conectar comigo mesma, restaurar a f√© que eu sempre tive em mim, a minha coragem e a minha for√ßa pra continuar seguindo em frente. Quando contei que a viagem estava confirmada uma amiga me disse ‚Äúessa viagem vai te re-equilibrar‚ÄĚ.¬† N√£o poderia estar mais certa.
      Não falei nada disso com o alemão, mas falei sobre planos para o futuro e desejos de mudança até chegarmos num local chamado São Bento da Porta Aberta, onde paramos para o café da manhã.
      Segui caminho envolta em meus pensamentos e me dei conta que naquele dia eu chegaria a Espanha e aquilo me deu um novo g√°s para caminhar. O clima estava mais ameno e isso sempre ajuda no caminhar.
      ¬† Estava t√£o animada que parecia que eu estava flutuando, principalmente depois que comecei a ouvir m√ļsica. Mas n√£o qualquer m√ļsica, s√≥ as que me trouxessem energias positivas. N√£o era nada pr√°tico ouvir m√ļsica com um tablet, mas era o que eu tinha depois que fiquei sem celular.
      Em algum ponto antes de chegar a Valen√ßa, um casal que estava passando de carro parou ao meu lado e me fez muitas perguntas sobre o caminho, quantos dias eu j√° havia caminhado, quantos quil√īmetros e coisas do tipo. Pareciam bastante interessados e curiosos. Me ofereceram uma garrafa de √°gua e me desejaram felicidades no caminho.
      J√° em Valen√ßa do Minho, ultima cidade portuguesa no caminho portugu√™s, encontrei dois dos mais simp√°ticos amigos desta jornada, Paolo e seu pai Roberto ambos da Guatemala. Foi uma companhia muito agrad√°vel, sobretudo em um trecho t√£o emblem√°tico no caminho, afinal adentrar√≠amos em pouco tempo na sonhada regi√£o da Gal√≠cia na Espanha. Caminhamos sem pressa por Valen√ßa cuja parte hist√≥rica estava bem movimentada, havia muito com√©rcio voltado ao turismo e um forte de onde se via o Rio Minho e a Ponte Internacional Tu√≠-Valen√ßa¬† que separam os dois pa√≠ses. Vale √† pena desviar-se um pouco do caminho para conhecer essa regi√£o de Valen√ßa. Paramos para uma cerveja no Fronteira, ‚Äúultimo bar portugu√™s do Caminho de Santiago‚ÄĚ.¬†
      Atravessamos a Ponte Internacional Tuí-Valença e iniciamos uma nova etapa do caminho. Não mudava apenas a cidade dessa vez, agora seria outro idioma, já no país de destino, o fuso horário com uma hora a mais com relação ao horário de Portugal.
      Tuí é a ultima cidade para se iniciar o Caminho de Santiago nessa rota, já que para obter a compostela, o documento emitido na oficina de peregrinos que comprova que a pessoa percorreu o Caminho de Santiago, é preciso caminhar pelo menos 100 km (para quem faz o caminho de bicicleta é necessário ao menos 200 km).

      Em Tu√≠ me senti na idade m√©dia. Com uma catedral rom√Ęnica, constru√ß√Ķes de muitos s√©culos atr√°s, ruas estreitas de pedra e suas ladeiras que desembocavam perto das margens do rio. Me senti privilegiada mais uma vez por estar no caminho e assim ter a chance de conhecer lugares t√£o peculiares que dificilmente eu visitaria se n√£o o estivesse percorrendo.
      Era um domingo. Os dias de ver√£o na Europa s√£o longos, pois o sol se p√Ķe por volta das 21 horas. Ent√£o para quem est√° disposto a enfrentar as altas temperaturas √© uma √≥tima √©poca para fazer o caminho. D√° tempo de fazer o percurso do dia, descansar e conhecer as cidades antes de cair √† noite.
      Após o almoço descansei em um parque na margem do rio, perambulei pelas ruazinhas da cidade, mandei mensagem para a família informando que já estava na Espanha. Sentei numa praça para tomar sorvete e pensar no quanto já havia percorrido do caminho e o quanto ainda faltava percorrer.
      7¬į Dia De Tu√≠ a O Porri√Īo 15,6 km

      Acordei √†s 6 horas, dormi de novo e acordei uma hora depois, ainda confusa com o fuso hor√°rio diferente. Olhei em volta e vi que era a √ļnica pessoa ainda na cama. Tratei de pular de l√° e me arrumar. Roberto quando me viu pronta para sair ficou impressionado com a minha rapidez. Encontrei um lugar para tomar caf√© da manh√£ ainda antes de sair da regi√£o central da cidade. Logo depois encontrei com Franziska, uma jovem alem√£ que estava fazendo o caminho com a m√£e e a tia e quase sempre nos encontr√°vamos-nos mesmos albergues. Nessa ultima etapa elas haviam pernoitado em Valen√ßa ao inv√©s de Tu√≠.
      Nessa etapa j√° se observa um n√ļmero muito maior de peregrinos, principalmente nos primeiros quil√īmetros, aos poucos com cada um no seu ritmo a pequena multid√£o vai se dispersando.
      Em Portugal o caminho sempre adentra em bosques, trilhas em meio à mata, estradas de terra ou de pedra. Quando havia alguma avenida ou rodovia, quase sempre você devia cruzá-la ou andar apenas alguns metros e já estaria novamente em meio à natureza. Mas essa primeira etapa já em solo espanhol se diferenciava bastante nesse sentido. Havia muitos trechos para percorrer em ruas de asfalto, ao lado de grandes veículos e nesses trechos em específico o caminho se torna um pouco maçante.
      Foi um percurso bem cansativo para mim. Al√©m de caminhar em uma paisagem n√£o t√£o convidativa em boa parte do trajeto, o calor estava cada vez mais intenso e eu senti nesse dia muita dor nas costas, provavelmente n√£o havia arrumado as coisas muito bem na mochila. Sentia vontade de parar o tempo todo. Sentia certa inveja de algumas pessoas que carregavam mochilas min√ļsculas e pareciam estar passeando no bosque. Mas estas pessoas certamente haviam contratado o servi√ßo que transporta bagagens at√© o pr√≥ximo destino.
      O roteiro que eu estava seguindo no aplicativo Buen Camino indicava como pr√≥ximo local de parada uma cidade chamada Mos, por√©m vi que seria outro lugar sem muita coisa para se ver ou fazer. Resolvi ent√£o adaptar essa parte do roteiro e decidi encerrar essa etapa um pouco antes de chegar a Mos, na cidade de O Porri√Īo, al√©m de aliviar um pouco o cansa√ßo que foi grande nesse dia, simpatizei com a cidade assim que cheguei por l√°.
      À tarde acabei encontrando novamente com Franziska, na avenida principal da cidade. Junto com sua mãe e sua tia tomamos uma cerveja ao estilo alemão. 
       
      8¬į Dia De O Porri√Īo a Pontevedra 34,9 km

      A maior etapa desse meu caminho. E ficou ainda mais longa devido a ter encurtado a etapa do dia anterior. Poderia ter dividido essa etapa em duas parando em Redondela, mas isso renderia um dia a mais para chegar a Santiago.  Além disso, o clima no período da manhã estava bem diferente dos dias anteriores, o céu muito cinza, temperatura ligeiramente mais baixa amenizando o calor. Não imaginei que seria tão difícil chegar a Pontevedra.
      Acordei √†s 7 horas, o que √© bem tarde para quem teria tantos quil√īmetros pela frente. Me arrumei voltei ao caminho, parei num caf√© na avenida principal da cidade e quando me pus novamente em marcha j√° eram 8 horas. Acabei perdendo muito tempo nessas primeiras horas da manh√£. Claro, n√£o poderia deixar de tomar caf√© da manh√£. Na maior parte do caminho se voc√™ n√£o aproveitar e parar no primeiro caf√© aberto para tomar caf√© da manh√£ ou matar a fome durante o dia pode levar muito tempo e muitos quil√īmetros at√© encontrar outro lugar para comer ou comprar algo.
      At√© chegar a Redondela foi razoavelmente tranq√ľilo, apesar das muitas descidas para testar os joelhos. No per√≠odo da tarde ainda com muito ch√£o pela frente viriam muitas subidas. Mas o caminho √© bem interessante nesse trajeto, bosques, cidades, pontes, rios, trilhas de pedras, mata mais fechada, outro bosque, outra cidade, rodovias. Um caminho longo, mas, nada ma√ßante como no dia anterior.
      Parei para almoçar em um local simples, porem com uma vista linda e um pouco escondida ao fundo e ao sair de lá o calor já era intenso. Estava aliviada, pois tinha andado um tempão com outro peregrino que parecia não desgrudar de mim, como demorei no almoço ele resolveu seguir na frente sozinho. Mais a frente, parei um pouco conversando com algumas garotas muito animadas, uma portuguesa e outra espanhola, essa ultima contou que havia caminhado 5 km a mais porque se perdeu...
      ¬†Como elas iriam ainda demorar por ali segui meu rumo novamente. Passei por uma auto-estrada onde tive que andar ao lado de enormes caminh√Ķes. Logo depois passei pela linda cidade de Pontesampaio, que parecia ter congelado no tempo. Ali, uma senhora estava em seu quintal enquanto eu passava em frente a sua casa, com muita vontade de conversar me falou sobre ter percorrido o caminho muitas vezes e contou da sua vida, perguntou se podia ajudar em algo.

      Andei depois por um bom tempo sem avistar mais ninguém e a animação foi se esvaindo. Ao menos tinha certeza do caminho, pois era bem demarcado e cheio de sobe e desce. Quando achei que já estava bem perto o mapa mostrava uma bifurcação onde entraria em um bosque ou iria pela auto-estrada. Fui pelo bosque, que mais parecia um labirinto sem fim. Embora o aplicativo indicasse que estava indo na direção certa a impressão que eu tinha era de andar em círculos. Ia margeando um pequeno fluxo de água quando encontrei um morador local que me disse que até o final daquele bosque seriam 2 km e pela auto-estrada seria mais rápido porem não havia acostamento. Eu não queria acreditar que ainda andaria tanto para sair daquele bosque infinito, mas não tinha o que fazer.
      No albergue publico em Pontevedra n√£o havia mais vagas. Fui at√© outro albergue, o Aloxa Hostel que tamb√©m n√£o tinha mais vagas e o senhor na recep√ß√£o me ajudou entrando em contato com outros dois albergues na cidade que tamb√©m j√° estavam cheios. Ele me pediu para esperar e depois de atender outras pessoas que tinham feito reserva me disse que tinha uma cama, e perguntou se eu n√£o me importaria de ficar no quarto junto com um grupo grande. Eu estava desde o inicio dormindo em albergues p√ļblicos ent√£o porque me importaria?¬† Fiquei sim muito aliviada por ter um lugar para descansar, depois de tantas horas ‚Äúna estrada‚ÄĚ.
      ¬† Com certeza o senhor Pedro que me atendeu na recep√ß√£o n√£o tem id√©ia do quanto me ajudou naquele dia. Aquele foi o √ļnico momento em todo o caminho em que fiquei realmente preocupada. Se n√£o tivesse conseguido ajuda l√° talvez tivesse que ir a muitos outros lugares at√© conseguir um local para passar a noite ou gastar muito ficando em algum hotel. Ele me recomendou que eu fizesse reserva no meu pr√≥ximo destino para n√£o correr o risco de ter dificuldades com a hospedagem novamente, verifiquei as op√ß√Ķes e ele ligou para mim e reservou.
       Me senti abençoada por ter encontrado tamanha ajuda no momento em que mais precisei. Senti naquilo tudo a magia do caminho. Eu não estaria abandonada no fim daquela jornada, eu teria um lugar para descansar, tomar um banho, lavar minhas roupas, enfim, cumprir meu ritual diário sempre que finalizava outra etapa. Eu senti o meu coração cheio de gratidão e a certeza de estar onde devia estar.
      Essa magia do caminho se manifesta das mais diferentes maneiras. Como nesse mesmo dia, quando eu caminhei quase 35 km e achei que não teria energia para mais nada além de dormir. Mas depois de tomar um banho e me alimentar eu me sentia renovada, eu me sentia leve novamente. E ainda fui presenteada naquele longo dia com outra cidade das mais encantadoras do caminho. Era como se todo o meu esforço fosse recompensado. Era mais uma vez o caminho como uma metáfora da vida. Naquele dia eu senti o caminho me ensinado que eu sempre tinha força para seguir em frente, por maiores que fossem as dificuldades. E os problemas que surgissem eu poderia contornar e eu precisava ter fé.
      Foi uma pena não ter tido muito tempo de conhecer direito a cidade de Pontevedra, pois a cidade é realmente encantadora. Com ruas de pedra, edifícios medievais, monumentos, praças e estreitas vielas, além da lindíssima Igreja da Virgem Peregrina À noite a cidade se torna ainda mais agradável. Muitos restaurantes, bares com mesas ao ar livre, uma combinação interessante entre a história tão viva em cada detalhe do centro histórico e a modernidade de uma pequena cidade turística.

      Andando por aquelas ruazinhas, já nem parecia que tinha caminhado mais do que nunca na minha vida. Me sentia relaxada, absorta por aquela cidade. Antes de voltar ao hostel, comprei um pedaço de pizza e um chá gelado, sentei na escada de uma igreja para comer e apreciar um pouco mais daquela noite.
      9¬į Dia De Pontevedra a Caldas de Reis 21 km


      Saindo de Pontevedra, passando pela ultima vez por seu centro hist√≥rico, ainda dominada pelo sentimento de encantamento e gratid√£o por aquela cidade. Nos primeiros quil√īmetros o caminho me lembrava uma prociss√£o, tamanha a quantidade de pessoas.
      Não foi uma etapa tão longa, mas para mim foi com certeza a mais sofrida. Talvez pelo esforço do dia anterior, meus pés doeram muito durante quase todo o trajeto. Cheguei a pensar que acabaria com bolhas, tão temidas por todos os peregrinos. Nunca senti tanto a sola dos meus pés. Para piorar a minha situação durante esse trajeto o caminho era em sua maior parte em estradas de terra com muitas pedras, grandes, pequenas, de todos os tipos, mas muitas pedras sob meus pés já cansados.
      Usei no caminho botas de trilha intensiva, que eram um tamanho maior que o meu e também meias específicas para trilhas e até aquele dia não tive problema algum com os pés. Por iisso acho que o problema não foi o calçado e sim o cansaço acumulado que não combinou com as pedras do meu caminho. Pela primeira vez eu tive que parar, sentar em um lugar qualquer, descalçar as botas e as meias e examinar a situação dos meus doloridos pés. Felizmente nenhum sinal de bolha e não houve bolha até o fim, mas aquela dor seguiu comigo.
      Em meio a esse sofrimento, me consolava o fato de ter feito uma reserva em um albergue particular, afinal seria uma preocupa√ß√£o a menos. Nas cidades mais pr√≥ximas a Santiago era de se esperar que os albergues p√ļblicos ficassem logo sem vagas. Geralmente custam entre cinco e seis euros e os particulares custam normalmente o dobro disso, mas √†s vezes vale a pena gastar um pouco mais.
      Em Caldas de Reis fiquei no Albergue Timonel, que custou 10 euros. Fica logo na entrada da cidade próximo a ponte. Um lugar simples, porem do qual não tive do que reclamar. Dividi o quarto com apenas duas pessoas, uma jovem garota com sua mãe, que também eram peregrinas. Uma companhia bem tranquila.
      A cidade de Caldas de Reis é bem pequena e tranquila. Provavelmente se não fosse o fluxo constante de peregrinos, seria uma cidade muito pacata. Com uma ponte logo na entrada da cidade, como em quase todas as cidades da região, a cidade tem uma Fonte de água termal. Uma senhora que atendia em um restaurante em frente ao albergue me deu uma maçã e me recomendou que eu fosse até a fonte e ficasse com os pés na água por uns 30 minutos, disse que ajudaria a diminuir as dores das quais eu havia lhe falado. E lá fui eu meter os pés na água quente.
      Apesar de não haver muito a se fazer ou ver na cidade, dei umas voltas à tarde. O clima estava agradável. Voltei cedo para o albergue. Aproveitei que dessa vez teria um pouco mais de privacidade para descansar.  
       
      10¬į Dia De Caldas de Reis a Padr√≥n 19,2 km


      Com os p√©s praticamente recuperados do dia anterior segui meu rumo. Sempre no meu ritmo, sem press√£o, firme e forte. Ap√≥s 10 dias a mochila nas costas j√° fazia parte de mim. Me acostumei a acordar bem cedo dia ap√≥s dia e continuar em frente. Cada dia era √ļnico, cheio de surpresas. Cada dia trazia uma infinidade de paisagens que mudavam a cada curva. Queria ter fotografado tudo, cada vez que me deparava com algo novo, cada vez que a natureza me brindava com sua beleza de maneira diferente. Mas era importante manter-me caminhando. E foi o que eu fiz. E tentei guardar tudo aquilo em fotografias mentais, aquelas imagens que vem a cabe√ßa e te trazem um sorriso ao rosto. Aquelas mem√≥rias que vem junto com a sensa√ß√£o de liberdade, sonho realizado e f√©.
      Em determinado ponto daquela etapa parei em uma igreja, onde havia na parte de tr√°s um cemit√©rio vertical. Ali conheci uma simp√°tica fam√≠lia de portugueses, mais adiante conheci alguns peregrinos que viviam nas Ilhas Tenerife. Eram pessoas de muitos lugares diferentes, historias e motiva√ß√Ķes diferentes e todos com um objetivo comum ali.
      Em Padr√≥n parecia ser o meu dia de sorte. N√£o fiz reserva em albergue ent√£o fui direto ao albergue municipal. Chegando l√° j√° havia uma fila grande, inclusive havia alguns brasileiros que eu tinha conhecido v√°rios dias antes. Fiquei com a pen√ļltima vaga do albergue para aquele dia, e como fui uma das ultimas a conseguir vaga, fiquei em um quarto menor, com apenas quatro camas e um banheiro exclusivo. N√£o parecia nada com um quarto de albergue publico, onde normalmente s√£o dezenas de pessoas no mesmo ambiente. Mais uma vez tive sorte tamb√©m com as companheiras de quarto, que nesse caso eram duas garotas portuguesas peregrinando juntas e no fim da tarde para minha surpresa depois de muitos dias Cecilie chegou para ficar com a ultima vaga no albergue.


      Quando saí para conhecer a cidade a mesma já estava em plena siesta ( horário no período da tarde em que os espanhóis tiram para descansar). Havia poucas pessoas na rua, alguns turistas ou peregrinos perdidos como eu.
      Padr√≥n foi uma interessante surpresa ap√≥s a tediosa Caldas de Reis. Com quase tudo fechado relaxei por um tempo no jardim bot√Ęnico da cidade, visitei a igreja de Santiago de Padr√≥n e descansei um pouco mais sob a sombra das arvores na margem do rio em mais um longu√≠ssimo dia de ver√£o espanhol. No fim da tarde a cidade pareceu se encher de vida novamente. Diversas ruas exclusivas para pedestres com mesas ao ar livre, muitos bares e restaurantes onde era servido o prato t√≠pico da cidade, Pimentos de padr√≥n.¬† A impress√£o que eu tive √© que a cidade inspira certo entusiasmo ao peregrino, afinal chegar at√© ali significa ter superado muitos quil√īmetros, dificuldades, dores no corpo e todo tipo de imprevisto que possa ter surgido.
      Esse clima de ansiedade e animação era bem perceptível no albergue. Bastante gente reunida na cozinha até tarde, diferente do que costuma acontecer nos albergues, onde a ordem é o silencio e o respeito ao descanso de todos.  Mas naquela noite observei uma agitação alegre e contagiante compartilhada por todos. Não poderia ser diferente afinal, estávamos muito perto do sonhado destino.
      11¬į Dia de Padr√≥n a Santiago de Compostela 24,5 km

      Acordei às 5 da manhã para iniciar a minha ultima etapa deste cainho. Acho que ninguém consegue dormir muito no ultimo dia. Tomei café da manhã bem perto do albergue, no café de D. Pepe que se despedia com abraços calorosos de cada peregrino que passava por lá.
      Saindo dali, caminhando pela primeira vez antes do sol nascer, conheci a Marta, uma portuguesa, muito querida que me fez companhia nesse dia. Eu estava há muitos dias sem falar muito português e quando comecei a conversar com a Marta parecia que estava falando sem parar. Falamos sobre viagens, sobre a vida e sobre o caminho.
      Ter a certeza da chegada mudou bastante o meu caminhar naquela manhã. Não sentia dores nas pernas ou nos pés. Não sentia o peso da mochila e não me incomodava com o calor. O dia foi amanhecendo calmamente enquanto seguia sem ver a hora passar. Mas ainda que anestesiada pela certeza da chegada, foi uma longa etapa.
      Eu me perguntava durante aqueles dias como seria a minha chegada e tive a sorte de ter nesse dia pessoas do bem e com boas energias dividindo comigo aquele momento.  Em certo ponto da caminhada reencontrei a Márcia que fazia a peregrinação junto com seus pais e mora em Viana do Castelo, cidade próxima ao Porto.  Estavam no mesmo albergue que eu no dia anterior. Contei a eles um pouco da minha história, de sair sozinha do Brasil e ir a Europa fazer o caminho de Santiago, que era um desejo antigo. Lembro que me disseram o quanto eu era corajosa por ter feito isso.
      Acho que realmente é preciso muita coragem para realizar um sonho. Não é fácil estar em um país estranho, percorrendo um caminho solitário durante tantos dias. Não é fácil tomar a decisão de fazer algo audacioso quando você está num momento de incertezas na vida. Então acho que fui bem corajosa.  Foi pensando em tudo isso que as lágrimas vieram aos meus olhos quando já na cidade de Santiago de Compostela nos aproximávamos da catedral.
      A Pra√ßa do Obradoiro onde est√° situada a Catedral de Santiago de Compostela √© certamente um lugar que re√ļne muitas emo√ß√Ķes. Finalmente eu estava l√° entre risos e lagrimas. Transbordando de alegria, f√© e gratid√£o.
      √Č dif√≠cil descrever a sensa√ß√£o que tive naquela chegada, sem dizer muitas frases que seriam puro clich√™ ou que at√© parecessem obvias demais. Eu posso dizer que foi uma felicidade e uma realiza√ß√£o imensa estar em Santiago de Compostela ap√≥s um longo caminho. Estar ali era a recompensa pela minha coragem, pela minha determina√ß√£o, por cada passo dado, cada dor que eu senti no meu corpo. Era a certeza de que Deus e o ap√≥stolo Tiago me guiaram durante todo o meu caminho. A certeza de que a minha f√© nos meus passos me levou at√© ali.
      Depois de curtir a chegada fomos at√© a oficina de aten√ß√£o ao peregrino onde a espera era de pelo menos duas horas para apresentar a credencial com os devidos carimbos e receber a Compostela, atestando que a peregrina√ß√£o foi conclu√≠da. S√£o emitidos dois documentos, um deles com as informa√ß√Ķes de onde foi o inicio da peregrina√ß√£o, qual rota foi feita e a quantidade de quil√īmetros e o outro documento que √© opcional e de car√°ter religioso e todo escrito em latim.¬† A Compostela custa 1,50 euros e ali tamb√©m se pode comprar a vieira de Santiago e outras recorda√ß√Ķes da chegada.
      Em Santiago de Compostela
      No dia anterior havia feito reserva no albergue Sixtos no Caminho que para minha surpresa era de uma fam√≠lia de brasileiros. O albergue era excelente. Ambiente acolhedor, muito limpo e arejado. Cama bem confort√°vel, tomada e l√Ęmpada individual, al√©m de uma cortininha para que cada um tenha um pouco de privacidade. A poucos minutos de caminhada da regi√£o central e tamb√©m muito perto do terminal de √īnibus, foi uma √≥tima escolha.
      Resolvi ficar dois dias na cidade. Depois de tantos dias eu merecia uma pequena pausa para conhecer um pouco da capital da Galícia. Uma das coisas interessantes nesses dois dias é que enquanto passeava pela cidade ia encontrando o tempo todo algum velho conhecido do caminho.
      Para todos os peregrinos, em especial aos cat√≥licos, um evento bem especial √© assistir a missa do peregrino. O caminho todo √© um at√© de f√© e aquele era para mim um momento de agradecer por tantas b√™n√ß√£os no meu caminho e na minha vida. ¬†A missa na √©poca da minha peregrina√ß√£o estava ocorrendo na igreja de S√£o Francisco, que fica bem pr√≥xima a Pra√ßa de Obradoiro, devido √†s obras na catedral. Outro importante ritual √© o abra√ßo ao Ap√≥stolo, a est√°tua rom√Ęnica que recebe os peregrinos est√° sobre a cripta que cont√©m a urna com as rel√≠quias do Ap√≥stolo, este ritual simboliza o am√°vel acolhimento do ap√≥stolo ap√≥s o esfor√ßo da peregrina√ß√£o.
      Um lugar imperd√≠vel em minha opini√£o √© o Museu das peregrina√ß√Ķes e de Santiago, que conta com riqueza de detalhes a historia do caminho de Santiago atrav√©s dos s√©culos, sua origem e as mudan√ßas e transforma√ß√Ķes nos costumes dos peregrinos ao longo do tempo. √Č poss√≠vel conhecer tamb√©m a origem e o significado de cada um dos muitos s√≠mbolos do caminho. O museu apresenta tamb√©m outras importantes rotas de peregrina√ß√£o pelo mundo, Roma e Jerusal√©m, que junto com Santiago de Compostela formam as tr√™s grandes peregrina√ß√Ķes Crist√£s mais conhecidas. O museu √© gratuito aos s√°bados √† tarde, para minha sorte justamente quando eu estava l√° e tamb√©m aos domingos durante todo o dia.
      Outro ponto interessante na cidade, recomendado por uma moradora local, é o mercado de abastos, a segunda atração mais visitada na cidade, onde é possível comprar diversas iguarias da região e também se deliciar com a culinária local.
      A cidade √© repleta de atra√ß√Ķes para todos os gostos, igrejas, mosteiros, parques e museus. Acho que mais interessante do que ir de um ponto tur√≠stico a outro √© se permitir explorar livremente a cidade, bater perna pelo centro hist√≥rico, relaxar sem compromisso. Sentar em um caf√© ou em uma pra√ßa e observar o movimento da cidade.
      Escolhi fazer isso na t√£o emblem√°tica Pra√ßa de Obradoiro, observar os grupos animados, tirando as mais criativas fotos, muitos peregrinos cansados tirando as mochilas das costas e descal√ßando as botas, algumas pessoas cantando e outras fazendo suas ora√ß√Ķes. A pra√ßa estava sempre cheia de gente durante todo o dia, formando uma egr√©gora de paz.
      Ao menos para mim o compromisso era cumprir a minha jornada. Feito isso, a idéia era apenas curtir os próximos dias, tanto em Santiago, quanto nas cidades que viriam depois. Inicialmente  havia pensado em fazer a prolongação do caminho caminhando mais três dias até chegar a Finisterre e depois caminhar até Muxia, outra prolongação do caminho. Devido principalmente ao fato de ter poucos dias até a data da minha volta ao Brasil, resolvi manter os dois locais no roteiro, porém a prolongação do caminho ficaria para uma próxima ocasião.
      Finisterre

      A viagem de √īnibus de Santiago at√© Finisterre dura pouco mais de uma hora. A cidade fica na regi√£o conhecida como Costa da Morte, na regi√£o costeira da Gal√≠cia. A regi√£o recebeu esse nome por causa dos muitos naufr√°gios ocorridos ao longo da costa rochosa e trai√ßoeira.
      Em Finisterre me hospedei no albergue Arasolis, que fica na rua com o mesmo nome. A cidade n√£o tem terminal de √īnibus, os mesmos param na rua principal onde fica tamb√©m o guich√™ de venda de passagens. Ap√≥s sair do √īnibus √© s√≥ entrar √† direita e em poucos minutos encontrar√° o albergue. ¬†O propriet√°rio do local recebe a todos de maneira muito am√°vel e alegre, contando suas historias de vida e presenteando a todos com uma concha e um cart√£o postal da cidade e as meninas ganham tamb√©m uma pulseira. Al√©m disso, me deu √≥timas dicas sobre o que fazer na cidade. O lugar tem uma cozinha de uso coletivo. Fica bem pr√≥ximo √° praia tamb√©m.
      Fiquei dois dias na cidade, queria aproveitar a proximidade com o mar e relaxar. ¬†A principal atra√ß√£o da cidade √© o Faro de Finisterre, o farol, onde termina o caminho para quem faz a prolonga√ß√£o do mesmo at√© a cidade de Finisterre.¬† Ali fica o totem indicando o quilometro 0,0 para os peregrinos. O farol fica a tr√™s quil√īmetros do centro da cidade e para chegar √© s√≥ seguir as indica√ß√Ķes na cidade e depois seguir a estrada. Uma subida bem peculiar e bonita em minha opini√£o, do lado esquerdo avista-se o mar e em certo ponto do caminho tem uma est√°tua de um peregrino. L√° em cima tem tamb√©m uma loja de suvenires e um restaurante que parecia ser bem caro.¬†
      O farol do Cabo Finisterra, ainda ativo nos dias de hoje, √© o farol localizado mais no oeste da Europa e tem grande import√Ęncia para a navega√ß√£o na regi√£o da Costa da Morte.¬† H√° uma tradi√ß√£o entre os peregrinos de prolongar o caminho at√© ali e queimar pe√ßas de roupa antes de regressarem as suas casas. Conforme me recomendou El gato, no albergue deixei para ir at√© l√° ao anoitecer para poder ver o por do sol na encosta do Cabo e valeu muito √† pena. Daquele ponto ver o¬† sol se pondo no mar foi um espet√°culo lind√≠ssimo e at√© mesmo um privil√©gio para quem tem a chance de conhecer a cidade. √Č bom levar uma lanterna, pois na volta para a cidade, descendo a estrada a √ļnica luz vem dos poucos carros que passam por ali.

       
      No dia seguinte pela manh√£ caminhei at√© a praia de Langosteira, no outro extremo da cidade. Naquela manh√£ o vento era t√£o forte como eu s√≥ havia visto na Patag√īnia. Mesmo com a ventania a praia era muito bonita, as areias cheias de conchinhas e quase deserta a n√£o ser pelos peregrinos que ali chegavam.
      À tarde, para minha surpresa, o tempo esquentou bastante, não havia nenhum sinal da ventania de algumas horas antes. Então aproveitei o clima favorável para tomar sol na pequena praia da Riveira.  Conheci também o Museu da Pesca, bem próximo da praia, um museu pequeno, mas bem interessante que conta a história da pesca e da navegação na Costa da Morte.
      A cidade tem alguns caf√©s e restaurantes, e alguns destes especializados em peixes e frutos do mar. Um restaurante que eu gostei muito foi o Baleas, fui l√° duas vezes, a especialidade s√£o as massas, muito saborosas e os pre√ßos eram razo√°veis. Outro restaurante muito bom e com atendimento acolhedor, o Frontera, em frente √† parada de onibus, os dois locais tinham muitas op√ß√Ķes vegetarianas, o que n√£o era muito comum em algumas cidades por onde passei.

      Outro lugar com um visual incrível para apreciar o por do sol é a praia Mar de Fora. Cerca de quarenta minutos de caminhada do centro da cidade até lá, mas vale muito à pena.
      Muxia

      Outra cidade na Costa da Morte onde a f√© e as tradi√ß√Ķes religiosas¬† se ligam aos caminhos de Santiago √© Muxia. H√° cerca de 30 minutos de onibus saindo de Finistere, num caminho que deixou meu estomago embrulhado. Uma cidade pequena, por√©m muito simp√°tica. O ultimo destino dessa empreitada pela Europa.
      Em Muxia me hospedei no albergue/hostel Bela Muxia. Mais uma vez a recep√ß√£o foi excelente. Quando cheguei ao local ainda faltava uma hora para o hor√°rio de check-in, poderia esperar claro, mas comentei com o senhor na recep√ß√£o que tinha ficado um pouco enjoada pela viagem de √īnibus e o mesmo foi muito solicito comigo e me deixou ir para o quarto naquele mesmo instante. Al√©m da √≥tima recep√ß√£o o lugar era muito agrad√°vel, tinha uma cozinha bem grande e um lindo terra√ßo com vista da cidade onde era poss√≠vel avistar tamb√©m o mar. Uma pena que fiquei somente um dia na cidade.
      A praia de A Cruz, indicação de um morador da cidade tem águas claras, mar calmo e um visual muito bonito. Passei horas ali aproveitando um dia lindo de muito sol.
      O principal ponto de interesse na cidade √© o Santu√°rio Virxe de La barca (Virgem da Barca) Segundo a lenda o ap√≥stolo Tiago foi at√© Muxia, implorar a Deus que seus serm√Ķes tocassem as pessoas. Nesse momento ent√£o, a virgem teria aparecido a ele num barco de pedra puxado por anjos e lhe disse que voltasse a Jerusal√©m, pois a sua miss√£o naquela terra havia terminado, Tiago retornou conforme a virgem lhe havia dito, porem havia plantado ali a semente da f√© crist√£ que viria a florescer futuramente.
      Há também lendas sobre as pedras localizadas no rochedo de Muxia. As pedras teriam relação com o barco da virgem em sua aparição e também lendas sobre propriedades curativas.
      Ainda ali no rochedo, complementando de forma peculiar a paisagem o monumento ‚ÄúA Ferida‚ÄĚ, dedicado aos volunt√°rios que durante meses limparam as praias da Costa da Morte ap√≥s um desastre que provocou o derramamento de √≥leo combust√≠vel naquela regi√£o. √ą uma das maiores esculturas de toda a Espanha, com mais de 11 metros de altura, √© dividido em duas partes e simboliza a ruptura e o impacto que esse desastre causou a costa Galega. A obra pode ser vista de muito longe pelos bascos que se aproximam da costa.
      Ali no rochedo a vista do por do sol é belíssima. Infelizmente não fiquei para ver. Ainda faltava pelo menos duas horas para o sol se por quando voltei ao centro da cidade para meu ultimo jantar no meu restaurante favorito por ali.
       
       
       
       
       
       
       
       
    • Por Mari D'Angelo
      ūüď∑¬†Texto original com fotos aqui:¬†http://www.queroirla.com.br/viagem-pela-croacia/
      Com paisagens paradisíacas, baladas famosas e cidades históricas a um custo relativamente baixo, a multifacetada Croácia, de onde vieram os dálmatas e as gravatas, vem cada vez mais chamando a atenção do Brasil e do mundo!
      O pa√≠s, que faz parte da regi√£o dos balc√£s, dividia at√© pouco tempo atr√°s espa√ßo com Eslov√™nia, S√©rvia, B√≥snia e Herzegovina, Maced√īnia e Montenegro sob o nome de Iugosl√°via. A¬†Cro√°cia¬†se tornou independente em 1991, mas as guerras por territ√≥rios ainda se estenderam por mais alguns anos, deixando marcas at√© hoje vis√≠veis nas fachadas das casas de seus habitantes.
      A¬†Cro√°cia¬†foi incorporada a Uni√£o Europ√©ia em 2013, se tornando o 28¬ļ membro do bloco. O pa√≠s ainda n√£o aderiu ao euro, a moeda oficial continua sendo o Kuna croata e os valores praticados s√£o em geral mais baratos do que outros pa√≠ses da¬†Europa.
      O idioma oficial é o croata, mas a língua não chega a ser um problema para os turistas. Embora a maioria das palavras seja impronunciável, muitos locais falam inglês, ou se esforçam para serem entendidos de alguma outra maneira, já que são um povo simpático e acolhedor.
      Gastronomicamente falando, a¬†Cro√°cia¬†√© um deleite! Uma cozinha mediterr√Ęnea com particularidades em cada regi√£o e forte influ√™ncia italiana, como nas deliciosas pizzas! Pratos com carne de porco s√£o comuns em muitos restaurantes, al√©m √© claro de peixes e frutos do mar na regi√£o costeira. Para os vegetarianos tamb√©m n√£o faltam op√ß√Ķes, queijo, cogumelos e trufas, por exemplo, s√£o estrelas em algumas receitas!
      A cerveja e vinho nacional não deixam nada a desejar. Nos dias de calor é prática comum beber vinho branco misturado com água gaseificada naturalmente. Parece estranho, mas é bom!
      Ao incluir a Croácia no roteiro, muita gente se limita a conhecer Dubrovnik, a chamada Pérola do Adriático, e Split, de onde saem barcos para as paradisíacas ilhas. Mas se o interesse não for apenas as famosas baladas, a Croácia tem muito mais a oferecer! Uma boa maneira de desbravar um pouco mais a fundo esse pedaço tão fantástico do globo é alugando um carro. Pode não ser a opção mais barata, mas além da liberdade, as paisagens nas estradas são motivos bem convincentes para optar por esse meio de transporte entre as cidades.
      Arquitetura e história na capital Zagreb
      A capital¬†Zagreb¬†√© um pouco contrastante, enquanto na regi√£o mais tur√≠stica segue um padr√£o bem t√≠pico de cidade hist√≥rica europ√©ia, em suas regi√Ķes mais perif√©ricas a arquitetura comunista √© bastante presente. Embora n√£o seja muito agrad√°vel aos olhos, esses pr√©dios remetem a um per√≠odo que alguns croatas viam com bons olhos, sendo que o l√≠der da √©poca, Marechal Tito √© ainda uma figura bastante popular.
      A cidade √© dividida entre a parte alta e baixa e √© perfeitamente poss√≠vel conhecer a maior parte das atra√ß√Ķes a p√©. Entre os destaques da chamada Cidade Alta, est√° a Igreja de S√£o Marcos, famosa por seu telhado de mosaicos, o curioso Museu das rela√ß√Ķes partidas, com objetos que contam inusitadas hist√≥rias o sobre fim de relacionamentos amorosos, e a Torre¬†LotrŇ°ńćak, constru√ß√£o medieval de onde todos os dias ao meio dia estoura-se um tiro de canh√£o.
      Ainda nesse lado da cidade, fica a Catedral da Assun√ß√£o da Virgem Maria, a Porta de Pedra, passagem medieval que foi transformada em local de ora√ß√Ķes e agradecimentos e a¬†Tkalńćińáeva, uma agrad√°vel rua de pedestres com bares e restaurantes. Na parte baixa da cidade ficam o Mercado¬†Dolac, colorido conjunto de bancas com alimentos, flores e artesanato e a principal pra√ßa de Zagreb. O cemit√©rio de Mirogoj √© um pouco mais afastado, mas vale a visita pela arquitetura da entrada.¬†
      H√° poucos quil√īmetros de carro ainda √© poss√≠vel conhecer fant√°sticos castelos medievais e pequenas vilas que nos transportam ao passado.
      Uma das maiores preciosidade da¬†Cro√°cia¬†√© o¬†Parque Nacional de Lagos de Plitvice, um surreal conjunto de lagos em tons de azul e verde ligados por cascatas. H√° algumas op√ß√Ķes de trilhas por√©m √© preciso ter cuidado, as placas n√£o s√£o muito informativas e h√° uma grande possibilidade de se ver perdido em meio √†s florestas e passarelas sobre as √°guas.
      √Č Poss√≠vel se hospedar dentro do parque ou apenas fazer uma day-trip partindo de¬†Zagreb, o imposs√≠vel √© deixar de passar por esse lugar t√£o fant√°stico que se tornou inclusive patrim√īnio da UNESCO!
      Paisagens paradisíacas pela costa da Croácia
      Já na costa da Dalmácia, mais ao sul do território croata, fica a pequena Split. A parte turística da cidade concentra-se dentro do Palácio do imperador romano Diocleciano, que é a atração principal junto com a procura pelos passeios às ilhas.
      Por ter estado sob domínio veneziano durante 377 anos, a arquitetura nessa região é fortemente influenciada pelo estilo italiano.
      Subir na torre da Catedral de São Domnius para apreciar a vista, passear pelo calçadão e se perder pelas muitas ruelas de pedras brancas são alguns dos meios de conhecer essa charmosa cidade. Assim como Split, Dubrovnik é parada certa de quem vai à Croácia. A cidade, que já foi cenário da série Game of Thrones, sofreu num passado recente com conflitos violentos, mas hoje o que se vê é só beleza e história.
      A old town é cercada pela muralha conservada do período medieval, de onde se vê o impressionante azul do mar adriático! As ruas dessa pequena cidade são um convite para passar algumas horas agradáveis, parando para uma refeição, um drink ou um sorvete em alguma das muitas vielas com ares italianos.
      Os passeios de barco at√© as ilhas s√£o muito procurados. A Ilha de¬†Lokrum¬†√© uma das mais pr√≥ximas e uma √≥tima op√ß√£o para passar o dia rodeado por pav√Ķes, os simp√°ticos habitantes locais.
      O país ainda guarda alguns segredos como as paradisíacas praias de pedra de Brela e Baska Voda, um órgão marítimo que emite sons com o movimento das ondas do mar, pontes para ursos e outras curiosidades interessantes!
      E com essa diversidade cultural e histórica e exuberantes belezas naturais, a Croácia começa a ser descoberta como um dos países mais incríveis do Leste Europeu!
      Sugest√£o de roteiro pela Cro√°cia
      Nosso roteiro de 7 dias de carro pela Cro√°cia come√ßou por Zagreb e acabou em Dubrovnik. As dist√Ęncias s√£o curtas e as estradas s√£o boas, com vistas espetaculares da costa. Para fazer o √ļltimo trecho √© preciso passar pela fronteira com a B√≥snia. A carta de motorista brasileira √© aceita no pa√≠s.
      Se a ideia é contratar uma agência para ajudar na viagem, recomendo muito a Kamauf Tours, da simpática Marilia do blog Uma brasileira na Croácia.
      Dia 1¬†‚Äď Zagreb
      Dia 2¬†‚Äď Zagreb
      Dia 3¬†‚Äď Zagreb (Bate volta ao Parque Nacional dos Lagos de Plitvice)
      Dia 4¬†‚ÄstSplit¬†(Parada em Zadar para conhecer o √≥rg√£o mar√≠timo)
      Dia 5¬†‚ÄstBrela e Baska Voda
      Sugestão de hospedagem em Baska Voda: House Bilic
      Dia 6¬†‚Äď Dubrovnik
      Dia 7¬†‚Äď Dubrovnik (Bate volta a ilha de Lockrum)
      Sugestão de hospedagem em Dubrovnik: Hotel Vis
      ūüď∑¬†Texto original com fotos aqui:¬†http://www.queroirla.com.br/viagem-pela-croacia/
    • Por Kassiano Severino
      Oi galera!!
      ¬†Sempre peguei dicas aqui do f√≥rum, agora √© minha vez de retribuir rsrsrs. Em Setembro de 2019 estava realizando meu interc√Ęmbio em Londres (Minha primeira experi√™ncia no exterior), a√≠ decidi passar um final de semana em Edimburgo, na Esc√≥cia.
      1¬į Comprei uma passagem de ida pela Ryanair por 15 euros, gostei do pre√ßo, saindo do Stansted Airport.¬†
      2¬į Como estava em Bethnal Green precisava ir para o aeroporto, ent√£o comprei um transfer para o aeroporto por 4 libras. Meu v√īo era por volta das 08:00 da manh√£. Ent√£o sairia de Londres por volta das 05:00 e estaria em Stansted √†s 06:00. S√≥ que teve um acidente no come√ßo da via, eu e outras pessoas ficamos esperando o √īnibus e nada at√© uma senhora passar e nos avisar ūüė≤ūüė≤ūüė≤ūüė≤. Isso j√° era por volta das 05:45, sai correndo para a Central Line rumo a Liverpool Street, chegando l√° compro uma passagem de trem (Stansted Express) por 19 libras. Nessa altura estava com medo de perder o v√īo, at√© pq eu sabia que precisava passar no balc√£o da Ryanair para confer√™ncia de visto. Chegando no aeroporto j√° por volta de 07:20 vejo a fila GIGANTESCA para o balc√£o da Ryanair. Penso comigo, ferrou, perdi meu v√īo. A√≠ nessa hora vejo um funcion√°rio da companhia a√©rea, ele estava atendendo pessoas sem bagagens e conferindo os passaportes, fui at√© l√° e bingo visto conferido!!! ūüėÉūüėÉūüėÉūüėÉūüėÉūüėÉ
      3¬į Hora da seguran√ßa e outra fila quilom√©trica, ap√≥s uma espera grande chego na √°rea de embarque faltando 20 minutos para o hor√°rio limite.¬†
      Isso foi uma grande aula de como se adaptar, contornar uma adversidade e que compensou bastante. Pois, foi o melhor fim de semana da minha estadia no Reino Unido.
      __________14 de Setembro________
      Edimburgo - Cheguei no aeroporto e j√° sinto uma diferen√ßa enorme na temperatura, sou de Recife, ent√£o 8 graus √© frio!!! ūü•∂ūü•∂ūü•∂ūü•∂, Mas gosto dessa temperatura rsrsrs.¬†
      Vou at√© o terminal e pego um √īnibus at√© o centro da cidade, no caminho sinto como estivesse entrando no mundo medieval, pr√©dios, ruas, pra√ßas e claro o castelo de Edimburgo!!




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