As fotos dessas caminhadas estão aqui:
http://agsts.multiply.com/photos/album/94/

Há muito tempo tentava arranjar uma forma de voltar a Paraty, para refazer a trilha do Corisco (que dá acesso ao Pico do Cuscuzeiro), que liga Paraty a Ubatuba, pela serra do mar e tentar subir esse pico. Surgiu a oportunidade quando o Jorge também quis participar da empreitada e com isso resolvi também fazer a trilha da Pedra da Macela entrando por Cunha e em seguida algumas explorações pelas trilhas da região do Saco do Mamanguá e para finalizar, conhecer uma pouco das praias da Enseada da Cajaíba onde se localiza a Praia do Pouso.
Saímos de Sampa eu, a Márcia e o Jorge de ônibus em direção a Guaratinguetá no horário das 11:00 hrs do dia 02 de janeiro a tempo de pegar o ônibus das 14:00 hrs que saia de Guará para Cunha.
Como o inicio da trilha para a Pedra da Macela está a + - 30 km de Cunha tínhamos que arranjar algum transporte quando chegássemos nessa cidade, pois caminhar seria muito desgastante já que seriam aproximadamente 25 km de asfalto e + - 5 km de terra até chegar na porteira que dá acesso a Pedra da Macela.

Chegamos em Cunha pouco depois das 15:00 hrs e agora era conseguir algum tipo de táxi e perguntando aqui e ali encontramos uma van que nos deixaria no inicio da estrada de terra por $40,00 reais (que dividindo por 3, saiu por uns $13,00/pessoa).
A van fez o percurso rápido e próximo ao Km 65 e as 16:00 hrs ele nos deixou no inicio da estrada de terra que leva a Pedra da Macela. Até tentamos falar para o motorista nos levar pela estrada de terra, mas ele disse que ela estava muito ruim para ser feita pela van.
Mochilas nas costas, a caminhada segue agora por um vale com um rio sempre a esquerda, passando por algumas chácaras e pequenos sitios e pouco depois de 1 hora chegamos na porteira que dá acesso a Pedra da Macela (cerca de 100 mts antes de chegar nessa porteira existe uma outra, à direita, que marca o início da trilha que iríamos fazer no dia seguinte – Trilha dos Sete Degraus ou Caminho do Café).
Logo que cruzamos a porteira, a estrada passa a ser de concreto com alguns trechos de asfalto e subida bastante íngreme. Junto à porteira passa um pequeno riacho onde é possível pegar água (se abasteça, pois daqui para frente não tem mais). A partir daqui estávamos na propriedade de FURNAS que instalou as torres no alto da Pedra.
A estrada segue em zigue-zagues com bastante inclinação e tivemos que ir parando em vários momentos para descansar, com o Jorge indo à frente e eu e a Márcia ficando para trás. Como tínhamos iniciado a subida as 17:20 hrs, a neblina tomava conta de toda região e não conseguíamos ver muita coisa ao redor.
De vez em quando o tempo abria e já víamos as torres lá no alto e até ameaçou vir uma garoa, mas que só ficou na ameaça mesmo.
E as 18:35 hrs chegamos no final da estrada, marcada por uma porteira de arame que dá acesso às torres. Aqui é proibida a entrada e existem algumas setas apontando para a direita, para contornar a área das torres.
Seguimos para a direita, contornando as torres e descemos alguns metros até encontramos um lugar plano onde montamos as barracas. O local é bem aberto, mas protegido por algumas rochas. A neblina cobria tudo ao redor e depois de montadas as barracas, ainda fomos conhecer a área do topo.
Nesse momento encontramos o Seu Lourival, que trabalha como vigia das torres e nos pediu para que assinássemos o livro de visitas (tivemos sorte porque pensávamos em pular a cerca de arame em volta das torres).
Ele disse que cuidava dos equipamentos para que não apresentassem problemas e no livro percebemos que outras pessoas acampavam por aqui regularmente e que éramos as primeiras 3 pessoas por aqui em 2008.
Depois isso voltamos para as barracas e eu coloquei o celular para despertar pouco depois das 5 horas da manhã para pegar o nascer do Sol.
Quando acordei encontrei o tempo totalmente aberto, mas um pouco escuro ainda. Ao sul, as luzes de Paraty e alguns outros bairros ao longo da Rio-Santos estavam acesas. As 06:10 hrs o Sol começou a aparecer no horizonte, entre as águas do mar e já se conseguia visualizar toda a serra do mar, com o Pico do Frade a esquerda (onde nós três já estivemos) e a direita aparecia o Pico do Cuscuzeiro que seria nosso objetivo para o dia seguinte.
Desmontadas as barracas, ainda fomos tirar algumas fotos ao redor das torres e as 07:30 hrs iniciamos a descida em direção a porteira, aonde chegamos as 08:00 hrs e paramos para tomar o café da manhã.
Logo que cruzamos a porteira voltamos ainda uns 100 mts pela estrada até encontrar uma outra porteira de madeira a esquerda onde se inicia a Trilha dos 7 Degraus ou Caminho do Café.
Estávamos com um croqui da trilha, mas um pouco desatualizado, pois não encontramos algumas das porteiras anotadas, mas para quem quiser fazer essa trilha faça o seguinte: depois de uns 40 minutos de trilha, vai aparecer uma casa abandonada do lado direito e logo em seguida a trilha entra numa área de brejo e chega numa porteira de madeira que dá acesso a um pasto onde estão alguns eucaliptos. Cruzando essa porteira, é seguir a cerca de arame do lado direito até o topo. E a continuação da trilha esta lá no alto junto ao final do pasto quando a trilha entra na mata fechada.
Como não encontramos todas as porteiras descritas no croqui que levamos, acabou da gente passar direto por esse ponto e seguimos por um caminho de vacas e fomos chegar na casa do seu Tinho (a segunda casa que encontramos) e lá ele falou para retornarmos e pegar a trilha correta.

Quando a trilha entra na mata fechada, ela segue ainda morro acima por cerca de 20 min até chegar no topo. A partir daqui aparecem algumas bifurcações a direita e a esquerda, mas a trilha principal é sempre seguindo em frente, lembrando muito uma antiga estrada que foi tomada pelo mato.
A partir do topo, a trilha tem um pequeno trecho no plano e depois começa a tomar um rumo descendente seguindo em linha reta e aparecendo antigos vestígios do antigo caminho do café, como o calçamento de pedras e alguns muros de arrimo que ficaram intactos mesmo após 200 anos. Em alguns trechos a mata tomou conta, mas o antigo caminho está lá. Passamos também por trechos em que a trilha está semelhante a uma estrada, de tão aberta que está.
Depois de pouco mais de 2 horas desde o topo chegamos a um pequeno riacho do lado esquerdo junto da trilha e aqui paramos para comer alguma coisa e descansar um pouco. A trilha continua descendo e logo cruza o mesmo riacho seguindo para a esquerda, aparecendo algumas bifurcações e logo a trilha sai da mata fechada, mas por pouco tempo e as 14:30 hrs chegamos a uma pequena ponte de madeira, onde dois rios se encontram.
Aqui termina a trilha e se inicia a estrada que ainda segue descendo em direção ao bairro da Pedra Branca. Ainda passamos pela cachoeira da Pedra Branca e alguns poções rio abaixo e pouco antes da 17:00 hrs passamos pela Fazenda Murycana e as 17:15 hrs chegamos na estrada que liga Paraty a Cunha onde existe um marco de concreto da Estrada Real.
Seguindo para a esquerda, atravessamos uma ponte e paramos em um bar, onde ficamos aguardando o ônibus que ia para a Rodoviária de Paraty e lá iríamos pegar o ônibus que nos levaria para o Bairro do Corisco, onde se inicia a trilha para o Pico do Cuscuzeiro, nosso objetivo no dia seguinte.
Continua..................














Resumo