Olá viajante!
Bora viajar?
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Primeiro, vou explicar o título do tópico.
Pratico montanhismo a algum tempo, comecei frequentando a região do Marumbi e Itupava. Ali era meu quintal de casa, quase todo fds estava por lá.
Depois de algum tempo descobrimos o Pico Paraná, e mudamos o roteiro. Neste tempo o Dilson não estava na fazenda ainda, e fomos conhecendo a região aos poucos.
Mas eu já não ia com tanta frequencia, os compromissos familiares e de trabalho cada vez me tomavam mais tempo...
Nestas incursões pela serra do Ibitiraquire sempre fiquei intrigado com uma certa montanha que tinha duas "antenas" no topo. Montanha distante, que não eu sabia nem o caminho.
Com o tempo fui descobrindo coisas sobre esta montanha, seu nome, o porque das "antenas" (que na verdade são placas refletivas de sinal de microondas) e relatos do povo que ia até lá. Minha vontade aumentava cada vez mais. Como só sabia o caminho p/ o PP, cada vez que ia pra lá ficava admirando aquela montanha distante, pensando quando finalmente iria conhecê-la.
O tempo passou e acabei deixando de lado as montanhas, por pura falta de tempo e compania. Até conhecer os Montanhistas de Cristo (AMC).
Comecei a frequentar as reuniões e fazer ataques a montanhas próximas, até que fomos p/ o Tucum. Eu já sabia que o caminho p/ o Ciririca era o mesmo p/ o Tucum até uma parte, ou seja, eu irira conhecer a chacara da Bolinha, o ponto de saída p/ Camapuã, Tucum, Serro Verde e Ciririca!!!
Na subida do Tucum o que mais fiz foi tirar foto do Ciririca, e perguntar pra galera como era a trilha, as dificuldades, água, etc... eu estava ficando cada vez mais perto da montanha tão sonhada...
Ciririca visto do Camapuã
Ciri e Agudo Cotia vistos do Tucum
Então finalmente chegou minha grande chance: a AMC faz todo ano o "Projeto 5 cumes" que consiste em criar cinco equipes e subir no mesmo dia os cinco maiores cumes do Ibitiraquire (PP, Caratuva, Itapiroca, Ferraria e Ciririca). Na mesma hora me escalei p/ a eqipe do Ciririca. Finalmente iria conhecer A montanha...
Mas por causa de compromissos das outras equipes, o projeto 5 cumes não saiu. Mas não me dei por vencido, nossa equipe foi ponta firme e fomos assim mesmo.
O tempo não poderia ter sido melhor, estávamos em pleno inverno e fazia um bom tempo que não chovia. Isso nos ajudou bastante, graças ao tempo extremamente seco pegamos uma trilha bem aberta, com pouco bambuzal p/ atravessar. Aliás este é uma das dificuldades desta trilha, os bambuzais. Levamos sorte...
A trilha começa na chacára da Bolinha, que não é o nome da dona da mesma, e sim de uma de suas cachorras que sempre acompanhava os montanhistas.
Para chegar lá é preciso pegar uma estradinha logo após o primeiro posto de gasolina, depois do posto da Polícia Rodoviária Federal. Este posto da PRF fica logo após a entrada da Estrada da Graciosa, na BR116 sentido PR->SP. Ficou confuso? É assim, passa a Graciosa, a PRF, o posto e logo após tem a estradinha. Aí é só ir até o final, sempre pela principal.
Chácara da Bolinha
Da chácara a trilha começa subindo suavemente em direção do Camapuã, atravesando riachos e embrenhando no mato.
Quando a subida aperta um pouco chegamos na bifurcação da trilha Tucum - Ciririca. Até aqui subimos a encosta do Camapuã, agora começamos a descer e direção do Poço das Fadas.
Bifurcação Tucum - Ciririca
Poço das Fadas
Bambus no caminho
No Poço das Fadas fizemos uma parada p/ um lanche e descanso. Da bifurcação até aqui descemos, isto quer dizer que agora vamos subir! A esquerda do poço a trilha segue pelo rio, hora pela esquerda, hora pela direita, hora por dentro, sempre subindo. O rio acaba, mas continuamos subindo pelo vale. Depois de um certo tempo (desculpe, mas não marquei os tempos de cada trecho) a subida termina e começamos a descer.
Neste trecho a descida é mais forte, as raizes formam uma escada natural. Vale lembrar que toda trilha é feita por dentro da mata, apenas em algumas janelas é possível ver os contrafortes do Camapuã e Tucum.
Janela na mata
E continua a descida... neste trecho tem uma corda p/ ajudar numa descida mais radical, mas nada demais. Estamos descendo pela encosta do Camapuã/Tucum, e no final desta descida chegamos na Cachoeira do Professor.
Cachoeira do Professor
Nova pausa p/ descanso e lanche, e depois das fotos e algumas mastigadas voltamos a pernada. Agora começamos a subir novamente. Neste trecho, na volta, demos um perdida. Tem uma bifurcação que p/ quem está indo p/ o Ciri passa desapercebida, mas na volta gera confusão, e agora não lembro se é direita ou esquerda...
Trilha
A propósito, a trilha é bem definida e tem até algumas fitas de marcação. São poucas bifurcações p/ confundir, mas em alguns trechos é preciso ter um certo conhecimento de trilha p/ achar o caminho. Nas travessias do rio da Cach. do Professor e do Última Chance fique de olho nas fitas.
Voltamos p/ a trilha e encaramos mais uma subida, depois uma descida, sobe de novo e chegamos no Última Chance. Neste ponto se unem as duas trihas que dão acesso ao Ciri, a de baixo (esta que você está acompanhando) e a de cima, que vai pelo cume Do Serro Verde, Luar e Cirizinho. A trilha de cima é acessada tanto pelo Tucum como pelo Itapiroca.
Ultima Chance
No Última Chance descansamos, almoçamos e pegamos toda a água que iriamos usar no cume. Em época de seca esta é a última água, caso não esteja na seca logo após o Última Chance tem um pequeno rio. Mas a água do Última Chance me parece melhor, e a distância entre as duas é pequena. Aliás água até aqui não é problema, e não usamos nenhum método de esterelização.
Agora é que o bicho pega!!! Começa a subida do Ciri propriamente dita. Depois de colocar 4 kg a mais na mochila, de subir e descer montanhas por cinco horas chegamos na derradeira subida, e o pior, sem a proteção das árvores e com sol a pino...


Subindo o Ciririca
O cume láááá em cima
Neste trecho descubri a cãibra itinerante: começou na perna direita, depois passou p/ a perna esquerda, votando p/ a perna direita passando pelas costas...
Mas com determinação e sem pressa chegamos!!! 10 anos depois pude ver as placas ao vivo. Levamos 8:00 horas p/ chegar e descobrir pelo GPS do Wilson que a trilha tem quase 7 km, andamos a 1 km/h...
A vista do cume é maravilhosa, o PP a esquerda, a baía de Antonina em frente, os Agudos Lontra/Cotia/Cuíca a direira... mais ao sul a Serra da Graciosa e logo após o Conjunto Marumbi.
Chegamos!!!
PP visto do cume
Agudos
Acampamento
As placas
A noite foi de tempo aberto e muitas estrelas. Sem chuva e sem frio, perfeita.
Por do sol
No dia seguinte foi acordar, tomar café e arrumar as coisa p/ voltar. Fizemos a volta em 6:30 hs
Agradeço aos colegas de caminhada Wilson, Sérginho, Demian e Leandro, galera da AMC nota milhão!!!!!!!!!!!!!
Pronto p/ a volta
Ah, tivemos também a compania de Tobi, o dog!!! Um simpático cachorro da chácara que nos acompanhou até o cume e pernoitou lá conosco. Ele deve ter ficado muito feliz com a caminhada, pois ganhou várias guloseimas...
Tobi
Foi uma grande caminhada, em todos os sentidos. Minha mais longa e difícil trilha tinha sido a do PP, mas o Ciri é mais longe e cansativo.
E o que ficou foi a vontade de voltar lá, mas agora com mais tempo p/ pernoitar duas noites no cume e fazer um ataque ao Agudo Da Cotia, minha nova meta...
Próxima meta, Agudo da Cotia