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DEZENOVE dias no Peru!!! Lima, Trujillo, Huaraz, Arequipa, Puno, Cusco e Machu Picchu

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[align=justify]Relato de viagem de um mochilão pelo Peru. Foi minha terceira viagem para fora do Brasil e, como nas outras anteriores, fui sozinho. Passei 19 dias em território peruano e, pela primeira vez, não alterei o tempo de viagem! Valeu muito a pena, mas só não voltei alguns dias antes porque a TAM complicou um pouco para trocar as passagens.

 

Para a viagem, fui com tudo planejado. Planejei quais atrações e locais que iria visitar na viagem, quantos dias passar em cada um, onde me hospedar, quanto gastar com alimentação, passeios e transporte e uma pequena margem para alterar uma coisas ou outra durante a viagem. Isso teria funcionado melhor se tivesse começado a viagem por Machu Picchu, mas devido a falta de vagas pra fazer a trilha alguns dias antes, não foi possível.

 

Todos os valores estão expressos em nuevos soles, salvo quando houver o R, de reais, na frente do cifrão ou US, significando dólares norte-americanos. Na época da viagem, UM real equivalia a cerca de 1,62 nuevos soles e cerca de 0,59 dólares norte-americanos.

 

Agradeço aos amigos e conhecidos que ajudaram, principalmente à galera aqui do Mochileiros![/align]

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Roteiro

Rio de Janeiro – Lima – Trujillo – Huaraz – Lima – Paracas – Nasca – Arequipa – Puno – Cusco – Machu Picchu – Cusco – Lima – Rio de Janeiro

 

Duração

19 dias

 

Gastos

Gasto total de R$ 2.100,00

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[align=justify]Lima

(dois dias – 19 e 20/08)

 

Minha primeira parada do meu mochilão pelo Peru foi em sua capital Lima. A cidade tem de tudo um pouco. É considerada uma das 50 cidades mais importantes economicamente do mundo, a frente de Brasília, por exemplo. Apesar de sua economia estar crescendo, o que significa investimentos sérios na cidade (seu centro está tomado por obras), é uma capital antagônica - em uma esquina mostra riqueza e na seguinte pobreza. Uma cidade de eternos contrastes.

 

Cheguei do Rio em Lima pela TAM por volta de meio-dia, depois de 5h30 de viagem. A passagem que tinha achado mais barata na época tinha sido por R$ 722 pela Copa, mas voei de milhas com a TAM. Voei em poltrona de janela e pude apreciar mais uma vez a bela Cordilheira dos Andes, mas dessa vez a paisagem era bem diferente, pois a neve nesta região é mais escassa e os lagos, como o Titicaca tomam conta da vista. Renderam algumas boas fotos...

 

Para ir do aeroporto Jorge Chávez até a cidade de Lima, a melhor opção é pegar um táxi. Como minha amiga peruana Lourdes havia agendado com um taxista conhecido para me buscar, não me esquentei muito com a chegada na cidade. Acontece que esperei vinte e cinco minutos e o cara não apareceu! Acabei pegando um táxi do aeroporto por s/ 35 até Miraflores, mais barato até do que iria pagar para o outro taxista.

 

Catedral de Miraflores - Leonardo Caetano[picturethis=http://a2.sphotos.ak.fbcdn.net/hphotos-ak-snc6/66478_448503951483_541286483_5187533_4515444_n.jpg 240 320 Catedral de Miraflores]Fiquei hospedado no albergue Red Psycho Llama, que fica em Miraflores, próximo ao Parque Central e a diária custa s/ 29. Foi o único lugar que reservei pagando com antecedência, o que, aliás, aconselho fazer em Lima, pois foi difícil achar um com vaga em cima da hora. Ele é muito bem localizado, próximo à área central de Miraflores. Porém, achei de cara o albergue um pouco sujo (o que não se comprovou), mas com um staff muito bom! O café da manhã é fraquíssimo e a conexão com a internet não era tão boa (como em todos os albergues e hotéis que passei pelo Peru). Outra coisa bacana é que eles possuem um taxista à disposição, então numa emergência ou pra fazer trajetos com o mochilão é muito bem-vindo, apesar do preço mais elevado. E o cara é gente boa pra caramba, se amarra em brasileiros! Tem vários CDs da nossa terrinha.

 

Como cheguei no meio do dia, deu para passear por Miraflores. Andei pelo Parque Central, conheci a Catedral de Miraflores, passeei pelas ruas para me ambientar e fui na excelente Huaca Pucllana. Se trata de ruínas que estão constantemente em recuperação de um antigo centro cerimonial da cultura lima, pré-incaica, que viveu na região até por volta do ano 700. Fica a algumas quadras da área central do bairro. Lá conheci três brasileiros – Paul, Deusaiane e Lícia – que me acompanharam numa pequena refeição no restaurante Huaca Pucllana. Experimentamos calzas, lomo saltado, pastel de choclo peruano e a yuca, acompanhados de uma boa Cusqueña, cerveja de Cusco. Saiu por s/ 28 para cada um, ou seja, não muito barato, mas a comida estava excelente![/picturethis][/align]

[align=center]20110531235502.jpg

Huaca Pucllana - Leonardo Caetano[/align]

[align=justify]Depois fomos no Mercado Inka ver artesanato peruano. Tem muita coisa legal e com preços muito melhores que em Cusco. Não comprei nada, mas foi bom para ter uma base. Depois dessa tarde gostosa, nos separamos e voltei para o albergue. Logo mais à noite, fui com Lourdes e seus pais ao restaurante Pardo’s Chiken, localizado no Shopping Larcomar. Foi ótimo o jantar e uma bela recepção! Me falaram muito da cultura e da cozinha peruana, aprendi muito. Fizeram eu provar quase todo o cardápio do restaurante. Entre outras coisas que não lembro, comi muito aticucho de corazón, brochetas de pollo, chicharrón de pollo, mollejitas, palta e choclo, além de pedaços de tortas como almendrado de lúcuma e tres leches – doces tradicionais da região. E claro, acompanhados de uma boa Inca Kola, algumas deliciosas pisco sour – achei melhor que a chilena – e chicha morada, da qual não virei um fã. Depois de todo o banquete, ainda rolou uma aula de como negociar com os taxistas. Porém, é difícil para nós turistas... Podemos conseguir um preço melhor, mas um peruano sempre conseguirá mais![/align]

[align=right]Larcomar - Leonardo Caetano[/align][align=justify][picturethis2=http://a7.sphotos.ak.fbcdn.net/hphotos-ak-ash2/44269_448506296483_541286483_5187632_5428355_n.jpg 320 240 Larcomar]Dia seguinte fui ao centro da cidade. Fui andando a partir de Miraflores, mas desisti depois de andar por quase meia hora. Realmente é muito longe! Peguei um ônibus e fiz o restante do caminho em pelo menos mais 45 minutos, contando com o trânsito pesado. As principais vias do centro são muito movimentadas e aparenta um caos total! Parece uma feira gigantesca de gente gritando e tentando vender de tudo, todo mundo com pressa, pouco espaço na calçada etc. Saindo um pouco destas avenidas em direção à Plaza de Armas, a aparência muda completamente, mostrando ruas tranquilas, bem cuidadas e seguras. A praça é linda! Ali estão o Palacio de Gobierno, onde todos os dias às 11h45 rola a troca da guarda, e a Catedral de Lima. Passeei um pouco por ali, conhecendo a Casa Aliaga, as igrejas La Merced, San Francisco e Santo Domingo, juntamente com seu convento, e o Parque La Muralla, onde almocei no restaurante de mesmo nome um delicioso arroz chaufa!

 

À tarde, depois de descansar um pouco, conheci o Palacio de Torre Tagle, a Iglesia de San Pedro e o pequeno Museo del Banco Central de Reserva del Perú. Tudo muito normal. Finalizei meu tour pelo Centro Histórico percorrendo o clássico Museo de La Inquisición, que tem um clima pesado devido à veracidade com que mostra o que acontecia em um processo da Inquisição, mas vale a visita. Depois de uma longa jornada de volta até Miraflores, voltei novamente ao Larcomar para fazer alguns registros fotográficos. Vale ressaltar que existe um metrô de superfície (leia-se ônibus por vias expressas) em Lima que está em expansão que passa por Miraflores e promete ser bem mais rápido o deslocamento. Descobri isso um pouco tarde. Quando estive lá, ainda estavam adaptando as ruas do centro da cidade para a passagem dele. Acredito que quem for pra lá em meados de 2011 já vai conseguir andar na boa com ele.

 

Relaxei um pouco, arrumei minhas coisas e parti para pegar meu ônibus com destino a meu próximo destino – Trujillo![/picturethis2][/align]

 

GASTOS PRINCIPAIS:

 

Transporte:

Ônibus (Oltursa), Lima - Trujillo: s/ 85

Táxi, Aeroporto - Miraflores: s/ 35

Táxi, Miraflores - Rodoviária Oltursa: s/ 15

 

Passeios:

Museus e outros: s/ 35

 

Hospedagem:

Red Psycho Llama: s/ 29

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[align=justify]Trujillo

(dois dias – 21 e 22/08)

 

Depois de dois dias em Lima, parti para Trujillo, cidade no litoral norte do Peru e que foi uma importante região da civilização chimu. Cheguei na rodoviária da cidade por volta de 8h e, pouco depois, já estava no Hostal Colonial. Gostei do lugar, que está mais para um hotel do que hostal – wi-fi liberado, bom quarto com bom banheiro e uma agência que faz descontos para quem está hospedado por lá.

 

Huaca del Sol - Leonardo Caetano[picturethis=http://a5.sphotos.ak.fbcdn.net/hphotos-ak-snc6/63433_488964906483_541286483_5799810_2822138_n.jpg 320 240 Huaca del Sol]Deixei acertado logo meu passeio para Chan Chan e para as Huacas del Sol y de La Luna, e caminhei um pouco pela cidade enquanto esperava a hora de saída. Conheci um pouco da Plaza de Armas e visitei a Casa de La Emancipación, onde estava rolando uma exposição sobre algumas primeiras-damas peruanas. Bacaninha. Voltei para o hostal, onde me esperavam para partir.

 

Visitamos pela manhã a Huaca de La Luna que é um imenso templo, originalmente em forma piramidal, muito importante para a cultura chimu (também chamada de moche ou mochica). Ainda está em restauração, mas atualmente podem ser encontradas várias paredes pintadas com iconografias originais de rituais, divindades e do deus ao qual foi construído – Ayapec, o deus decapitador. As partes visitadas que estão quase totalmente recuperadas são a praça cerimonial, o altar principal e o pátio cerimonial.

 

A Huaca de La Luna fica em frente à Huaca del Sol que ainda não começou a ser recuperada, mas de onde se pode avistá-la. Entre as duas ficava localizada a cidade, da qual apenas há pequenas marcas no chão. De lá, seguimos para o Museo Huacas de Moche, onde há estátuas representativas desta antiga civilização, assim como objetos achados durante a escavação da huaca.[/picturethis]

Esse passeio da manhã poderia ter sido feito sem dificuldades de ônibus, mas como meu tempo era curto pela cidade, achei melhor fazer o tour e não arriscar não chegar a tempo em Chan Chan à tarde. Apenas o museu, que não acrescenta tanto, seria mais difícil de chegar.[/align]

[align=right]Marinara - Leonardo Caetano[/align][align=justify][picturethis2=http://a4.sphotos.ak.fbcdn.net/hphotos-ak-snc6/165019_488965991483_541286483_5799843_6769985_n.jpg 320 240 Marinara]Almoçamos no restaurante turístico El Sombrero para ver danças típicas, pois Trujillo é muito famosa no país por abrigar seus melhores dançarinos – a cidade constantemente é campeã em concursos culturais de dança no país e na América Latina. Assistimos a apresentações de marinara e cumbia. Na hora da cumbia, a dançarina me escolheu para dançar com ela. Fiquei muito sem graça, ainda mais quando o apresentador descobriu que eu era brasileiro e gritou um “samba”. A dança consiste em o homem tentar acender com uma vela um papel que fica preso na saia da mulher. Ficam os dois dançando e determinado momento da dança, o homem tenta colocar fogo no papel. Foi engraçado, ainda mais que não conseguia de jeito nenhum colocar fogo no papel! Até que a menina me ajudou, acendi, ganhei aplausos e um brinde e voltei a comer meu ceviche. Na hora de ir embora, todo mundo queria me cumprimentar. Foi engraçado...

 

A tarde foi mais proveitosa. Fomos à Huaca Arco Iris que é um templo no distrito pobre de La Esperanza onde toda sua iconografia é dedicada ao arco-íris, símbolo da fertilidade e da chuva. Aqui eram feitos vários sacrifícios, facilmente imaginados com as 14 tumbas que circundam o altar. Depois fomos ao Museo de Chan Chan, bem fraco, e, finalmente, a maior atração da cidade - Chan Chan.[/picturethis2]

Chan Chan - Leonardo Caetano[picturethis=http://a7.sphotos.ak.fbcdn.net/hphotos-ak-snc6/165313_488968551483_541286483_5799902_1548025_n.jpg 320 240 Chan Chan]Chan Chan era a capital político-administrativa de toda a civilização chimu, onde viviam cerca de 50 mil habitantes. Atualmente é a maior cidade do mundo feita inteiramente de barro. Muito legal o trabalho de restauração do espaço, que pode ser visto facilmente a qualquer hora. Ainda não está todo recuperado, de modo que se alguém visita o local agora e volta daqui a 5 anos, nada mais estará igual. Detalhe também para a forma como cresciam o templo, construindo um novo patamar da estrutura por cima da estrutura antiga então há paredes que consegue-se ver os cinco patamares construídos em épocas diferentes.

 

Após o templo, fomos à praia de Huanchaco conferir o pôr do sol, que quase não apareceu, e os caballitos de totora, que são uma espécie caiaque de palha, onde seus condutores vão em pé remando levando a rede vazia e trazendo cheia de peixes. Às vezes até aproveitam para pegar uma onda com eles. O caballito é feito de junco e é considerada uma das primeiras pranchas do mundo. Vi o esquema para alugar uma destas no dia seguinte e praticar um surfe com a Mama (o nome da senhora é Mama alguma coisa, é uma das últimas descentes dos antigos chimus vivas) – s/ 10 por um dia inteiro ou s/ 20 com professor por 1 ou 2 horas.[/picturethis][/align]

[align=right]Catedral - Leonardo Caetano[/align][align=justify][picturethis2=http://a8.sphotos.ak.fbcdn.net/hphotos-ak-snc6/166558_488971981483_541286483_5799992_417538_n.jpg 320 240 Catedral]Voltamos à cidade, tomei uma ducha e saí para comer algo com Sophie, uma francesa que conheci neste dia e encontrei no salão do hostal. Procurando onde comer, conhecemos Gustavo, um peruano gente finíssima que nos acompanhou num drinque e, logo depois, em uma pizza no Pizza a la Piedra ou algo do gênero – uma excelente pizzaria um pouco distante do centrinho (cerca de 6 quarteirões), pertinho do El Sombrero, mas só conhecida por locais mesmo.

 

O dia seguinte amanheceu nublado – segundo Gustavo isso atualmente é super comum – e com uma festa no meio da Plaza de Armas. Era o tradicional desfile de Trujillo, onde se apresentam diversos grupos vencedores de concursos culturais de dança, música e teatro. Nada demais, mas interessante! Rodei pela cidade e visitei a bela Catedral, a Casa Urquiaga que estava fechada para obras, a Casa Orbegoso que foi casa do único presidente da república nascido em Trujillo, o Palacio Ituregui que já foi considerada a mais bela casa da América do Sul, o fraco Museo del Juguete e a Casa del Mayorazgo de Facala. Todas as casas do centro da cidade são muito bem conservadas e de estilo arquitetônico neocolonial muito belo. É fácil se encantar pelas imensas janelas e pelas cores vibrantes das mesmas.[/picturethis2]

Como o tempo não melhorou para poder ir à praia como planejava, fiz reserva para ir a El Brujo que fui logo após almoçar no restaurante Santo Domingo. É um pouco escondido, não é turístico, mas comi bem uma boa carne de carneiro e paguei só s/ 5,50.

 

El Brujo[picturethis=http://a1.sphotos.ak.fbcdn.net/hphotos-ak-snc6/166173_488974161483_541286483_5800051_5466014_n.jpg 320 240 El Brujo]O caminho para El Brujo é longo, acho que não há como ir para lá sem ser de agência ou táxi. Fica a 60km da cidade, em Magdalena de Cao. A parte visitada é a Huaca Cao Viejo, mas há outras duas próximas que ainda estão em fase de estudo que são a Huaca Cortada e a Huaca Prieta. As três juntas formam o complexo El Brujo. A Huaca Cao era a principal área cerimonial do complexo e foi utilizado pela cultura moche por 450 anos. Foi abandonado e teve continuidade com a cultura lambayeque que usou o local como um cemitério. Quando foi dominado pelos espanhóis, estes tentaram construir uma igreja no local, mas um grande terremoto impediu isto e a população foi deslocada para a área onde é hoje o “centrinho” de Magdalena de Cao.

 

A huaca é muito bacana, com grandes áreas já recuperadas, mas ainda bem inferior a Chan Chan. Há muitos muros recuperados onde pode-se ver as iconografias da época – muita coisa ligada ao mar, que fica em frente – e o deus decapitador faz presença na praça principal para os sacrifícios. É um passeio interessante, mas o destaque da huaca está onde foi sepultada a Señora de Cao. Ali se encontram outros sepulcros, tanto de uma criança – que era sacrificada para acompanhar a governante no vale dos mortos – quanto soldados, que deveriam protegê-la nessa caminhada entre os mortos. Ao que indicam os estudos, foi a mulher mais importante desta cultura, sendo a única pessoa a ser mumificada pelos chimu. Foi também a única mulher na história do Peru a governar o país – ou parte, considerando o governo só da região dominada pelos chimu, que era todo o norte do país.

 

O Museo de Cao, que está na entrada para a huaca, conta a história desse templo e de sua senhora, exibindo diversos artefatos achados em sua tumba como sua coroa e seus bastões de ouro, inclusive seu corpo mumificado. O melhor museu de Trujillo, sem dúvidas.

 

Voltei para a cidade, tomei um banho, peguei minhas coisas e continuei minha aventura pelo Peru. O destino agora seria o que meus amigos peruanos mais me indicavam conhecer – Huaraz![/picturethis]

 

GASTOS PRINCIPAIS:

 

Transporte:

Ônibus (Línea), Trujillo - Huaraz: s/ 35

Táxi, Rodoviária - Centro: s/ 5

 

Passeios:

Museus e outros: s/ 20

Huaca del Sol, de La Luna e Arco Iris + Chan Chan e Huanchaco (Colonial): s/ 25

Huaca El Brujo (Colonial): s/ 25

 

Hospedagem:

Hostal Colonial: s/ 50[/align]

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[align=justify]Huaraz

(três dias – 23 a 25/08)

 

Cheguei em Huaraz por volta de 8h. A uma primeira vista, a cidade é feia e não parece muito segura – impressão essa que passou depois de quase dois dias na cidade. Essa cara da cidade é fruto do rápido crescimento desenfreado que ocorreu após terremotos destruírem cidades na região como a outrora maior delas Yungay. Dando os primeiros passos na cidade já se sente o corpo combatendo a altitude, andar os seis quarteirões da rodoviária até o albergue causou uma leve dor de cabeça e pausa para pegar fôlego a cada quarteirão.

 

Huaraz é a capital da região de Ancash e é a principal base para conhecer as cordilheiras branca e negra. Fiquei hospedado no Benckawasi, um albergue bonzinho. Esperei um bom tempo junto com uma paulista para conseguir entrar no albergue e, depois de mais cerca de 20 minutos, finalmente alguém veio nos atender. Tirando esse contratempo, o maior problema de lá é que só dá para ter um banho quente de cada vez em cada “setor” do albergue. Tive até que tomar banho em um banheiro em outro quarto. Porém, por outro lado, cada quarto tem seu banheiro e o Bencko, dono do albergue, é gente boa e tem um bar animado para o qual está sempre convidando todos.

 

Plaza de Armas de Caraz - Leonardo Caetano[picturethis=http://a2.sphotos.ak.fbcdn.net/hphotos-ak-ash2/149007_464933546483_541286483_5469231_8384129_n.jpg 240 320 Plaza de Armas de Caraz]Com essa demora toda, acabei chegando tarde para pegar o passeio a Chavín de Huántar ou ao Glaciar Pastoruri. Peguei informações sobre as trilhas por lá, mas também já estava tarde para fazer qualquer uma delas. Só restou a opção de fazer o passeio à Lagoa Llanganuco e esquecer o trekking que tinha programado por lá... O passeio até é bacana, passa-se pelas cidades da Cordilheira Negra e do Callejón de Huaylas, que não é um cânion por definição porque não tem um rio cortando o vale, mas parece! Passamos em Carhuaz, Caraz e Yungay. A agência que fiz os passeios em Huaraz foi a QuechuAndes. Tive um bom atendimento e os guias eram grandes conhecedores de todos os locais onde passamos e não passamos.

 

Carhuaz é conhecida pelos seus excelentes sorvetes de frutas da região e de sua praça principal se tem uma bela vista da Cordilheira Branca, onde pode ser visto o Cerro Hualcán. É conhecida também por suas tradicionais festas bem regadas a álcool, por isso recebeu o apelido de “Carhuaz Borrachera”.

 

Já em Caraz, uma pequena e bonita cidade andina, apreciamos a gostosa Plaza de Armas e um belo pôr-do-sol na cordilheira. Provamos também o manjar blanco, tradicional doce da região. Desses deliciosos doces surgiu seu apelido de “Caraz Dulzura”. Caraz é ainda usada como cidade base para fazer o famoso trekking de Santa Cruz.[/picturethis][/align]

[align=right]Cerro Huascarán - Leonardo Caetano[/align][align=justify][picturethis2=http://a3.sphotos.ak.fbcdn.net/hphotos-ak-ash2/149947_464934751483_541286483_5469243_4821943_n.jpg 320 240 Cerro Huascarán]Yungay foi a cidade que com certeza mais me marcou neste passeio. A cidade, apelidada de “Yungay Hermosura”, foi destruída por três tragédias naturais simultâneas. No meio de uma tempestade que já começava a alagar a cidade, ocorreu um terremoto que ocasionou o desmoronamento de 1/3 de uma das faces do Cerro Huascarán. O acontecimento gerou uma terrível avalanche com muita terra, água, plantas e neve juntas, soterrando uma cidade inteira com cerca de 25.000 habitantes. Poucos foram os que sobreviveram, alguns destes porque estavam no cemitério, que era o ponto da cidade mais alto distante da montanha. A tragédia foi toda filmada por alguns escaladores que lá estavam e haviam acabado de desistir de subir a montanha. Seus companheiros que continuaram a jornada estão até hoje soterrados, juntos com a imensa maioria dos falecidos. Onde era a cidade agora é conhecido como Campo Santo de Yungay e caminhar sobre ela é triste demais. A filmagem virou um documentário recentemente e foi exibido em Cannes.[/picturethis2]

[align=justify]Laguna de Llanganuco - Leonardo Caetano[picturethis=http://a4.sphotos.ak.fbcdn.net/hphotos-ak-snc6/149785_464932611483_541286483_5469211_2630330_n.jpg 320 240 Laguna de Llanganuco]O ponto alto e mais aguardado do dia, com certeza, foi a Laguna de Llanganuco, dentro do Parque Huascarán. Minha ideia era ter ido até lá de ônibus para fazer o trekking que sai da lagoa, mas infelizmente não deu. Para quem vai fazer o trekking de Santa Cruz, ele termina na lagoa. A lagoa é linda, cercada por picos negros e nevados, com a cor da água de um azul esverdeado lindo, formada pelo derretimento da neve nos picos. Fiz um pequeno passeio pela lagoa de barquinho a remo, andei um pouco pelas trilhas e só. Um pouco frustrante, mas pelo menos consegui ir até ali. Na volta da lagoa, paramos para almoçar numa casa de uma família que habita o parque e provei o cuy, espécie de preá ou porquinho da Índia. O gosto até é bom, mas o bichinho aberto inteiro no prato não é das visões mais agradáveis...

 

Dia seguinte foi dia de pegar o passeio a Chavín de Huántar, a cidade sagrada para o povo chavín. No caminho até lá, parada na Laguna Querococha para apreciar a paisagem fria com um té de coca com mel. O chá de coca não é tão gostoso, mas com mel fica delicioso! O caminho até Chavín passa por altitude de até 4.700 metros, por isso a parada estratégica para o chá, para evitar o mal de altitude. Cerca de 2 horas depois, estávamos em Chavín.[/picturethis][/align]

[align=right]Chavín de Huántar - Leonardo Caetano[/align][align=justify][picturethis2=http://a1.sphotos.ak.fbcdn.net/hphotos-ak-snc4/148756_464937871483_541286483_5469289_3026785_n.jpg 320 240 Chavín de Huántar]A antiga cidade foi capital religiosa da cultura chavín por alguns séculos. É diferente das construções de Trujillo, com muros pintados, mas mesmo sem cores possui uma arquitetura mais bonita e complexa. É feita por imensos blocos de pedra e em seu entorno era populada por cabezas clavas, cabeças de pedra com traços felinos para espantar o mal e não deixá-lo entrar no templo. Hoje só há uma em seu local original. Caminhando por Chavín é possível ver instrumentos para medição de tempo, acompanhamento astrológico, pedras circulares, labirintos e um ídolo, entre outras coisas. Depois de explorarmos Chavín, fomos almoçar próximo ao local e seguimos para o Museo Nacional de Chavín, onde apreciamos objetos encontrados no lugar, inclusive outras 7 ou 8 cabezas clavas.

 

Na noite deste dia, conheci alguns norte-americanos que estavam no albergue também. Estavam em Huaraz para fazer um projeto social com as tribos mapuches da região. Trocamos uma ideia boa e, como partiriam no dia seguinte para ficar 4 meses consecutivos sem conforto algum, fizeram um grande banquete de café da manhã no dia seguinte para o qual fui convidado e comi com muito prazer. Pena que saí correndo para poder ir ao Glaciar Pastoruri... Prometeram entrar em contato lá pela Páscoa quando viriam visitar o Brasil.[/picturethis2]

O Pastoruri fica a cerca de duas horas e meia da cidade, novamente dentro do Parque Huascarán, só que em outro setor. No caminho se vê a puya raimondi ou titanca, espécie de bromélia gigante que vive cerca de 40 anos. Se bebe também as águas sulfurosas e gaseificadas de uma fonte natural, em frente a Laguna de Siete Colores. É um caminho muito bonito.

 

Trilha para o Pastoruri[picturethis=http://a7.sphotos.ak.fbcdn.net/hphotos-ak-snc4/74041_464940406483_541286483_5469306_4696814_n.jpg 320 240 Trilha para o Pastoruri]Depois dessas paradas, seguimos finalmente para o glaciar. A caminhada começa mais ou menos em uma altitude de 3.400 metros e vai até 5.220 metros, trecho que pode ser percorrido em cerca de 40 minutos a pé, ou um pouco mais rápido com a ajuda de burros que sobem até um pouco além da metade do caminho. A caminhada é bem cansativa devido à altitude. Não dei nem 10 passos e já estava bufando. Mais outros 10 e comecei a sofrer um pouco do mal de altitude... Chupei bala de coca, masquei da folha também, mas nada deu muito jeito. Fui no sofrimento até lá em cima, parando várias vezes para beber água e curtir a linda paisagem cercada de montanhas negras e nevadas, mas tocar na neve mesmo só quando se chega na base do glaciar. Da base, é uma bela vista, mas devido à enorme diminuição do glaciar nos últimos anos (cerca de 1km em 5 anos), não se pode mais caminhar ou esquiar sobre o glaciar.

 

Voltando para o local onde pegaríamos novamente a van para voltar a Huaraz, conheci um casal peruano muito bacana – Roberto Carlos (seu pai era fã do nosso rei) e Maria. Eles voltariam para Lima neste mesmo dia. Eu tinha pelo menos mais um dia em Huaraz, mas como meu mal estar só piorava, desisti e resolvi voltar com eles. A Cruz del Sur não tinha vaga para o mesmo dia, então segui seus conselhos e fui com eles na mais barata Cial. Que furada! Foi uma aventura só!!! Primeiro, não por culpa da companhia, mas um ônibus tinha acabado de explodir na saída da cidade. Já estava uma confusão terrível, com o trânsito parado por mais de uma hora, quando começaram a surgir boatos da origem do incêndio – assalto a ônibus, início de greve e até atentado do Sendero Luminoso. Enfim, depois de um tempo liberaram a estrada e não vi nada sobre o assunto no jornal do dia seguinte. Deve ter sido algum incidente de menores proporções...[/picturethis]

A segunda furada foi o ônibus ter enguiçado a cerca de uma hora e meia de Lima. Paramos na estrada, no meio de uma paisagem semidesértica, entre duas grandes favelas e não fomos avisados de nada. O ar desligou e, de repente, depois de quase 15 minutos parados, entra a “rodomoça”, pega sua sacola e vai embora! Todo mundo começou a descer do ônibus preocupado. Discutimos com o motorista que nos avisou que logo passaria outro ônibus para nos levar. 30 minutos e passa um ônibus, mas apenas com 9 lugares! Os peruanos mais malandros e acostumados com isso logo pegaram essas vagas. Havia quatro israelenses revoltados que quase agrediram o motorista, tivemos que apartar a confusão. Mais 20 minutos e passou um ônibus com 3 lugares! Foi essa novela por quase uma hora e meia quando consegui entrar em outro ônibus com o casal peruano e mais alguns. Fiquei aliviado, pois dava um certo medo ainda mais com o motorista assustado e querendo se mandar também. Enfim, estávamos de volta a Lima!

 

 

GASTOS PRINCIPAIS:

 

Transporte:

Ônibus (Cial), Huaraz - Lima: s/ 40

 

Passeios:

Chavín de Huántar (QuechuAndes): s/ 45

Laguna de Llanganuco (QuechuAndes): s/ 30

Glaciar de Pastoruri (QuechuAndes): s/ 35

 

Hospedagem:

Benckawasi: s/ 40[/align]

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[align=justify]Lima

(dois dias – 26 e 27/08)

 

Após uma viagem confusa, estava novamente em Lima. Seguindo o casal peruano, descemos no meio do caminho para a rodoviária, em San Isidro. Fomos tomar alguns sucos peruanos. Experimentei lúcuma con leche e surtido. Alguns dos sucos são bem pesados e misturam ovos, doces e carnes, entre outros. É como se fosse um café da manhã líquido.

 

Roberto parou um táxi e negociou o preço para mim. Nunca conseguiria o mesmo preço que ele – dos s /12 iniciais saiu por s /7! Logo estava em Miraflores no Red Psycho Llama novamente. Toda essa confusão do ônibus acabou atrapalhando essa nova estadia em Lima, pois ainda tinha que procurar a TAM para tentar trocar a data da minha volta. Tinha planejado ir a Barranco e ao Parque das Águas, que não tinha conseguido ir na minha primeira passagem na cidade. Ainda tinha que resolver minha passagem para Nasca e comprar coisas no Mercado Inka... Acabou que não deu tempo de fazer tudo e fiquei passeando só em Miraflores mesmo.

 

À noite, havia combinado de encontrar meus amigos peruanos Lourdes, Cecília e Jorge. Me apresentaram o litoral de Miraflores a Barranco, bebemos uns tragos no restaurante La Rosa Náutica e passeamos nas ruas de Barranco, atravessando a famosa Puente de Los Suspiros, onde, diz a tradição, deve-se prender a respiração na primeira vez que passar por ela, fazer um pedido e só dar o primeiro suspiro quando chegar do outro lado, assim seu desejo irá se realizar.

 

Barranco é um bairro boêmio, similar à região da Lapa no Rio de Janeiro, com a presença de muitos artistas de rua e escritores nos bares menos agitados. Para quem curte uma boa noitada, de quinta a sábado as casas noturnas por aqui ficam lotadas, onde também podem ser encontradas as melhores peñas, onde rolam as músicas locais para dançar bem! Como meu negócio não era esse, jantamos algumas entradas peruanas no El Tío Mario para fechar a noite. Já estava tarde e já era hora de tirar um pequeno descanso, pois iria para Paracas logo mais às 3h30 da madrugada...

 

 

GASTOS PRINCIPAIS:

 

Transporte:

Ônibus (Cruz del Sur), Lima - Paracas: s/ 17

Táxi, Rodoviária Cial - Miraflores: s/ 7

Táxi, Miraflores - Rodoviária Cruz del Sur: s/ 12

 

Hospedagem:

Red Psycho Llama: s/ 29[/align]

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[align=justify]Paracas e Nasca

(1 dia – 27/08)

 

Meu roteiro planejado no Peru não incluía passar em Paracas, mas, conversando com um operador de uma agência em Lima, me convenci de que era possível conhecer Paracas e Nasca em um mesmo dia, mesmo de forma corrida. Saí de Lima às 3h30 e cheguei em Paracas quatro horas depois. Paguei s/ 25 pelo tour pelas Islas Ballestas na agência da Cruz del Sur, na própria “rodoviária” de Paracas. O bom de fazer tudo com eles – ônibus e passeio – é a facilidade de não ter que se preocupar com o horário, pois eles anotam o nome de quem está no passeio e garantem que o ônibus vai esperar os que possuem passagem voltar para seguir viagem.

 

Islas Ballestas - Leonardo Caetano[picturethis=http://a1.sphotos.ak.fbcdn.net/hphotos-ak-snc6/164607_488895626483_541286483_5798767_777864_n.jpg 320 240 Islas Ballestas]Pegamos a lancha para cerca de 30 pessoas e seguimos pelo mar em direção ao candelabro. O candelabro é um grande ícone feito pela civilização paracas em uma duna. Foi meu primeiro encontro com algo do tipo na viagem. Eles faziam os desenhos cavando a areia e envolvendo-a de pedras da região, de forma a impedir o desgaste do desenho por chuvas e ventos. A sombra do sol dá o relevo e contorno necessário para sua aparência mágica. Uma bela técnica. Neste local já é possível ver um pouco da fauna marinha local – pássaros e pinguins. Depois partimos em direção ao alto mar para finalmente chegar à Reserva Nacional de Paracas.

 

No trajeto até a reserva, fomos algumas vezes acompanhados por pássaros, pinguins e lobos marinhos. A jornada dura em torno de 25 minutos. A reserva é composta por algumas ilhas que se circunda de lancha. Por lá podem ser vistos milhares de pássaros, entre eles o pelicano, muitos pinguins e muitíssimos encantadores lobos marinhos, que já havia visto em outra ocasião, mas aqui eles são especiais – fica-se muito perto deles! Podemos vê-los dormindo, namorando, brincando, pulando, nadando... Enfim, muito bom! Voltamos para terra firme e segui meu rumo para Nasca.

 

A viagem até Nasca durou cerca de 3 horas e meia. Já eram 14h45 quando cheguei na rodoviária da cidade. Vários guias e taxistas, muitos sem licença, ficam urubuzando todo mundo que chega. Bateu um desespero, mas aí vi uma van da Aeroparacas e corri ao seu encontro. Só assim cheguei tranquilo ao aeroporto.[/picturethis][/align]

[align=right]Geóglifo do Astronauta[/align][align=justify][picturethis2=http://a2.sphotos.ak.fbcdn.net/hphotos-ak-snc4/164565_488954616483_541286483_5799643_333344_n.jpg 320 240 Geóglifo do Astronauta]O aeroporto de Nasca é bem pequeno, mas é bacana, pois tem uma decoração bem explorer, no estilo dos filmes do Indiana Jones. Os preços do sobrevoo variam pouco entre as empresas, mas com certeza a Aeroparacas é uma das mais bem preparadas. Os peruanos que conheci até então, me indicaram ir nas maiores, pois as pequenas têm muito histórico de acidente. De qualquer forma, mesmo fechando com uma dessas pequenas, você corre o risco de voar em uma das maiores por não fechar as 4 pessoas necessárias em um avião e aí vai se dar bem se conseguiu pagar menos. Enquanto se espera, pode-se assistir vídeos com a história de Nasca. Estava morrendo de fome, mas a única coisa que me atrevi a comer foi uma barra de cereal. Não coma muito nem nada pesado quando for fazer esse passeio, de preferência, faça como eu fiz. Já vou explicar o porquê... Paguei US$ 55 pelo sobrevoo – ganhei um desconto porque era sul-americano!

 

Enfim decolamos em um teco-teco da Aeroparacas, eu, um alemão fedorento (o cara estava fazendo a América do Sul de moto) e um casal equatoriano. Começamos a ver alguns dos geóglifos, mas para vê-los, o piloto vira o avião de um lado e depois para o outro, assim ambos os lados do avião podem apreciar as figuras. No começo é tranquilo. Vi a baleia e os desenhos geométricos na boa, mas depois do astronauta (ou xamã), bateu uma tontura muito forte, um enjoo terrível e senti o calor dentro do avião piorar essa sensação. O alemão, cheio de lentes para sua linda câmera, registrando todos os momentos, apagou! Não viu mais nada! Eu consegui ver, meio mal, o macaco, o cachorro (ou raposa) e o beija-flor. O piloto começou a abrir a janela quando o avião estava plano, mas o cara estava mal, tinha comido muito! Minha sensação melhorou um pouco até ver a aranha, foi quando aprendi que o melhor é olhar para o horizonte do piloto quando o avião está plano e só olhar as figuras quando o avião estiver de lado. Isso passou meu mal estar e me permitiu curtir, na medida do possível, o resto do passeio – o condor, o flamingo, o papagaio, a mão, a árvore e o lagarto. Valeu pela experiência, mas não a repetirei![/picturethis2]

 

Aqueduto de Cantallo - Leonardo Caetano[picturethis=http://a3.sphotos.ak.fbcdn.net/hphotos-ak-snc6/67144_488956031483_541286483_5799678_3620122_n.jpg 240 320 Aqueduto de Cantallo]Saindo do voo, fiquei aguardando por cerca de 15 minutos um italiano voltar de seu voo pois iríamos fazer um passeio pela região. Nessa espera, conheci um peruano funcionário do aeroporto que era apaixonado pelas músicas do Roberto Carlos. Sabendo que eu era brasileiro, colocou um CD para tocar no aeroporto só de músicas brasileiras em versão espanhola do Roberto Carlos, Xitãozinho e Xororó, entre outras. Foi engraçado ver o cara cantando todas as músicas e comentando... Giovanni chegou e fomos fazer o tour com um guia taxista que o motorista da van arrumou para gente. Pelo horário não poderíamos mais fazer o que gostaríamos, então fomos em um pequeno mirante onde pudemos ver de perto como eram construídas as linhas. Depois fomos conhecer os Aquedutos de Cantallo – projeto elaborado da civilização nasca para distribuir água por toda a região. Um projeto incrível, prevendo pouca ou muita água, inundações, poços, entupimento, filtragem da água e até desnível do solo. Para finalizar, conhecemos uma oficina de produção de ouro e outra de cerâmicas, onde produzem novas peças, réplicas e restauram antigas cerâmicas.

 

Após esse passeio, jantei um merecido lomo saltado e ainda consegui dar umas voltas pela cidade. Exausto, já era hora de partir para meu próximo destino...[/picturethis]

 

GASTOS PRINCIPAIS:

 

Transporte:

Ônibus (Cruz del Sur), Paracas - Nasca: s/ 18

Ônibus (Cruz del Sur), Nasca - Arequipa: s/ 82

 

Passeios:

Islas Ballestas (Cruz del Sur): s/ 25

Líneas de Nasca (Aeroparacas): US$ 55

Aquedutos de Cantallo: s/ 20[/align]

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[align=justify]Arequipa e Cañón del Colca

(3 dias – 28 a 30/08)

 

Cheguei em Arequipa de manhã cedo, um pouco antes das 7h. Meia hora depois já estava tomando café da manhã no albergue Home Sweet Home.

 

Catedral e as montanhas ao fundo - Leonardo Caetano[picturethis=http://a3.sphotos.ak.fbcdn.net/hphotos-ak-snc6/167511_10150096525186484_541286483_6138405_7754391_n.jpg 240 320 Catedral e as montanhas ao fundo]O albergue é bom, foi o melhor que fiquei no Peru e foi o melhor café da manhã que já tive em albergue, considerando qualquer viagem que já tenha feito! De resto, é tudo organizado, limpo, com uma área de lazer onde o barulho não incomoda quem quer dormir e uma equipe atenciosa – quebraram vários galhos para mim. Além de tudo isso, o albergue ainda possui uma agência, permitindo comprar passagens e contratar passeios. Foi com eles que fechei o trekking de dois dias pelo Cañón del Colca. A diária custou s/ 20.

 

Parti para as ruas conhecer a cidade que me surpreendeu bastante, pois é linda demais! Justifica seu apelido de “Cidade Branca”, pois possui uma arquitetura colonial a base de uma pedra branca típica da região, lembrando muito a Andaluzia espanhola. Sua Plaza de Armas é linda que se completa com uma imensa Catedral que ocupa um quarteirão inteiro. Atrás de cada uma de suas duas torres principais se vê um vulcão – oras o El Misti, oras o Chachani. Visual mágico e às vezes até assustador!

 

Segui para os principais pontos da cidade – a Iglesia de San Francisco e o gigantesco Monasterio de Santa Catalina. A igreja é um complexo que está numa bela praça que me encantou profundamente. Dentro dela se visita algumas salas do convento, claustros e a igreja.[/picturethis][/align]

[align=right]Monastério de Santa Catalina - Leonardo Caetano[/align][align=justify][picturethis2=http://a3.sphotos.ak.fbcdn.net/hphotos-ak-snc6/179855_10150096530216484_541286483_6138514_2397290_n.jpg 240 320 Monastério de Santa Catalina]Santa Catalina é quase uma cidade de tão grande! Lá se tem acesso a diversas salas, quartos e capelas, onde se pode ver como funcionava o convento. Tudo está montado fielmente a como era nos tempos áureos do lugar, em uma época em que era o principal convento da América do Sul espanhola. Do convento também de tem boas vistas da cidade e das montanhas ao seu redor. É cansativo, mas imperdível!

 

Almocei e depois fui conhecer: as igrejas La Compañía, La Merced, Tercera Orden, San Agustín e Santo Domingo; e os museus e casas históricas La Casa del Moral, Casa Tristan del Pozo, Casa Goyeneche e o Museo Histórico. Há bons museus arqueológicos na cidade, mas todos eles fecham sábados à tarde e domingos. Acabei não conseguindo ir a nenhum destes. Fui ainda ao Mercado Central onde paguei muito barato por frutas para a viagem do dia seguinte pelo Cañón del Colca...

 

Dia seguinte, acordei às 3h da manhã, tomei meu banho, guardei o mochilão e me juntei aos outros que iriam ao Cañón del Colca. São três os passeios mais comuns ao Colca, com duração de um dia ou dois sem trekking e dois ou três dias com trekking. Optei pela opção de dois dias de trekking, pois passa pelos mesmos lugares do de três dias, porém sem muito tempo para descanso. Paguei s/ 125 com a agência do Home Sweet Home.[/picturethis2]

Condor - Leonardo Caetano[picturethis=http://a4.sphotos.ak.fbcdn.net/hphotos-ak-snc6/179219_10150096538336484_541286483_6138694_7813143_n.jpg 320 240 Condor]A van que nos buscaria se atrasou um pouco, passando no albergue cerca de 3h50, mas não prejudicou o passeio. A estrada que leva e circula o cânion é tão fria que apresenta neve em alguns trechos. Tomamos um belo café da manhã por volta das 6h15 em uma cidadezinha e seguimos para a a Cruz del Cóndor, sendo uma das primeiras vans a chegar por lá. No belo local, se observam os condores dos Andes voando, pousando e até namorando! São tantos que se perde a conta de quantos são vistos! É para começar a visita ao cânion bem! Após isso, seguimos de van novamente para um ponto na estrada onde os grupos foram separados – o pessoal do trekking de dois dias desse primeiro aqui, que é uma área de controle onde se pode iniciar a trilha. O resto do grupo segue para Chivay, onde só iríamos chegar no dia seguinte.

 

A trilha começa em um ponto que possui uma bela paisagem do Cañón del Colca, a mais ou menos 3.700 metros de altitude. Leva-se entre 2h30 e 4h para se percorrer a primeira parte da trilha. 1/4 do caminho é plano e a outra parte é só descida. A cada curva uma nova paisagem fantástica! É possível inclusive ver o Cerro Mismi, onde nasce o Rio Amazonas. Quanto à descida, foi a pior que já fiz – são muitas pedrinhas em uma terra muito seca, ou seja, as pedras rolam o tempo inteiro! Cansa bastante, tem que estar com a coxa e os joelhos preparados.[/picturethis][/align]

[align=right]Cañón del Colca - Leonardo Caetano[/align][align=justify][picturethis2=http://a6.sphotos.ak.fbcdn.net/hphotos-ak-snc6/179355_10150096541441484_541286483_6138765_7130759_n.jpg 320 240 Cañón del Colca]A descida termina no fundo do cânion, no Río Colca, onde a água não é potável. Pausa para um descanso e mais 30min a 1h de subida até uma pequena vila onde almoçamos uma gostosa comida caseira na casa de um local. Uma garrafa d'água que custava menos de s/ 2, aqui já custa s/ 5. Mesmo assim é melhor reabastecer aqui do que depois. Quem faz o trekking de 3 dias passa uma noite aqui.

 

Após o almoço, começa a pior parte do dia em uma caminhada que leva cerca de 3h a 4h30, onde boa parte do caminho é subida. É cansativo porque logo bate o cansaço do primeiro trecho. No caminho encontramos três grupos perdidos, sem guia. Um deles já estava perdido havia duas horas! Apesar da trilha parecer fácil em sua maior parte, não aconselho fazer sozinho.[/picturethis2]

Oásis - Leonardo Caetano[picturethis=http://a8.sphotos.ak.fbcdn.net/hphotos-ak-snc6/180191_10150096542571484_541286483_6138787_849287_n.jpg 240 320 Oásis]Depois de quase 3h, avistamos nosso destino final – o Oásis! É uma confortante vista após toda essa caminhada – um vale verde, cheio de águas fluviais, cachoeiras e piscinas com pequenas cabanas. Mais quase 40 minutos de caminhada e lá estávamos! O lugar é lindo, pena que a esta hora o clima estava mais frio e o sol já estava nas suas últimas horas de brilho... Essa foi minha decepção – não curtir o lugar como deveria. Quem faz o trekking de 3 dias, dorme a primeira noite aqui e tem bem mais tempo para aproveitar o lugar. Acho que vale a pena só por isso. Detalhe – o lugar não tem luz, é tudo a base de vela! E a garrafa d'água custa s/ 10!

 

Sem eletricidade, o jantar é servido cedo e não há muito o que fazer depois a não ser dormir. O bom é que isso força todo mundo a dormir cedo, o que é importante, pois às 5h começa a caminhada de volta ao alto do cânion. A subida dura entre 3h30 e 4h30 e pode ser auxiliada por burros, seja para carregar a mochila ou você mesmo! Me recusei a isso, não fazia sentido não andar do começo ao fim do trekking. Essa subida é a pior parte de caminhada – andei bem até a hora em que o sol começou a esquentar, cerca de 1h30 depois do início, então o cansaço do dia anterior começou a bater. Foi necessário muita força de vontade...

 

Lá em cima, mais uma linda visão do cânion! A água aqui já é novamente menos cara, s/ 5. A partir deste ponto, são mais 20 minutos até a cidade de Chivay, onde tomamos um farto café da manhã.[/picturethis][/align]

[align=right]Ponto mais baixo do Cañón del Colca - Leonardo Caetano[/align][align=justify][picturethis2=http://a8.sphotos.ak.fbcdn.net/hphotos-ak-ash1/180247_10150096545951484_541286483_6138848_2049899_n.jpg 320 240 Ponto mais baixo do Cañón del Colca]Passeei um pouco pela cidade, mas logo embarcamos para outros pontos do cânion. Passamos pela pequena cidade de Cabanaconde onde provei um suco salgado, feito a partir de uma fruta de um cacto da região – a tuna. A fruta parece um limão e é boa! Aqui pode-se tirar foto com falcões, lhamas e cholas.

 

Depois da cidade, visitamos pelo alto a parte mais baixa e larga do cânion, bem no seu início. É um belo vale! Continuando a jornada, relaxamos um pouco nas águas termais de Lahuar. Daqui parti de volta para a Arequipa com a certeza de ter feito um passeio mágico, apesar de cansativo. Recomendo!

 

 

GASTOS PRINCIPAIS:

 

Transporte:

Ônibus (Julsa), Arequipa - Puno: s/ 30

Táxi, Rodoviária - Centro: s/ 5

Táxi, Centro - Rodoviária: s/ 6

 

Passeios:

Museus e outros: s/ 40

Trekking no Cañón del Colca (Home Sweet Home): s/ 125

 

Hospedagem:

Home Sweet Home: s/ 20[/picturethis2][/align]

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[align=justify]Puno

(1 dia – 31/08)

 

Sair de Arequipa e chegar em Puno foi complicado. Primeiro que era um dos trechos rodoviários que não tinha certeza nenhuma sobre horários. Segundo porque era feriadão em Arequipa e as passagens já estavam escassas. Consegui comprar passagem para um ônibus extra às 23h pela Julsa, porém perdi s/ 50 na brincadeira. Paguei a passagem e, em vez da funcionária devolver na minha mão o troco, disse que deixou em cima do balcão. Peguei a passagem, mas simplesmente esqueci do dinheiro. Não sei se a mulher realmente me deu o dinheiro, mas quando voltei para reclamar meu troco, foi o que ela me disse. Ninguém no balcão se ofereceu a devolver o dinheiro, então deixei para lá...

 

Depois da confusão, parti para Puno. Puno é a maior cidade peruana que dá acesso ao Lago Titicaca, o lago navegável (por navios, claro) mais alto do mundo. O lago está na fronteira com a Bolívia e é vital para esta região da Cordilheira dos Andes. Quando se chega a Lima vindo de São Paulo de avião, é possível se maravilhar com o imenso lago azul no meio de uma paisagem seca e amarelada, cercada por picos, alguns até nevados. Realmente é gigantesco!

 

Islas Flotantes de Uros - Leonardo Caetano[picturethis=http://a5.sphotos.ak.fbcdn.net/hphotos-ak-snc6/182736_10150104011316484_541286483_6242047_1333005_n.jpg 320 240 Islas Flotantes de Uros]Mofei por quase 4 horas na rodoviária de Puno esperando amanhecer para pegar meu passeio às Islas Flotantes de Uros e Taquile. Fechei o passeio com a agência Inka Tours por s/ 40 na própria rodoviária. Achei melhor do que contratar no porto, pois assim consegui deixar minha mochila na rodoviária, na própria agência. Estava cansado do trekking ao Colca ainda, pois ainda não tinha conseguido dormir direito, e carregar a mochila pesada como estava não seria muito agradável. Quando deu 7h, uma van me buscou e me deixou no porto. O ziguezague buscando as pessoas foi meu primeiro contato com a cidade a luz do dia. A impressão que tive foi de que é muito desorganizada, mas isso parece ser comum na maioria das cidades peruanas que passei. Esperava muito pior pelo que tinha lido a respeito de Puno.

 

Navegamos por cerca de 20 minutos até ver as primeiras ilhas flutuantes. À distância, as ilhas parecem um aglomerado de mato, mas ao se aproximar consegue-se ver as casas e as típicas pessoas com roupas de várias cores. Descemos em uma das ilhas para passear e aprender um pouco da cultura local. Cada família mora em uma ilha e seu líder é o chefe da família. Quando a família cresce muito, uma nova ilha deve ser construída pelo futuro chefe desta nova família, atividade que dura cerca de 2 meses. As ilhas são construídas de totora, uma planta típica da região, amarradas em blocos de um tipo de terra que parece barro. Essa é uma tradição pré-colombiana que eles mantêm até hoje.[/picturethis][/align]

[align=right]Isla Taquile - Leonardo Caetano[/align][align=justify][picturethis2=http://a5.sphotos.ak.fbcdn.net/hphotos-ak-ash1/181561_10150104013191484_541286483_6242058_1844081_n.jpg 320 240 Isla Taquile]Assistimos uma palestra do chefe onde explicou como viviam, como moravam, sua cultura e sua organização social. Conhecemos a casa de um de seus filhos, com um cômodo apenas, e assistimos ao show das mulheres da família, que cantaram e dançaram. Não fui no passeio de barco de totora típico de Uros com duração de meia hora pelo lago, mas quem foi gostou. Na verdade, estava incomodado com tanta oportunidade de nos tirar dinheiro, porém é um mal necessário já que o auxílio do governo não é suficiente para viverem. Eles sobrevivem do turismo, da pesca e de uma bolsa-auxílio do governo por família.

 

Saímos da pequena ilha e seguimos em direção a Taquile. Depois de viajar pelo lago que em alguns momentos parece não ter fim, com a cor da água se juntando com a cor do céu e escondendo a linha do horizonte, chegamos à bela ilha de terra. A população daqui parece que parou no tempo, usando seus trajes padrão, fazendo seus tecidos, cuidando da lavoura e dos animais, uma calmaria só. Cansa um pouco andar pela ilha devido à altitude de cerca de 4.000m. Aqui conheci um casal capixaba gente finíssima que estava um pouco mal com a altitude e que a partir de então encontraria outras três vezes no resto da viagem. Taquile é um lugar diferente e bonito. Andamos um pouco pela ilha, vimos artesanato local, apreciamos a vista e o microcentro, almoçamos na casa de um local e embarcamos de volta a Puno.[/picturethis2]

Mototáxi - Leonardo Caetano[picturethis=http://a3.sphotos.ak.fbcdn.net/hphotos-ak-ash4/184399_10150104014506484_541286483_6242071_1169047_n.jpg 320 240 Mototáxi]De volta à cidade, fui passear um pouco no centro da cidade. Fui ao Museo Carlos Dreyer, à Catedral e passeei por algumas ruas debaixo de chuva. Foi o primeiro dia que peguei chuva forte. Isso me preocupou – “vai chover logo agora que estou indo para Cusco?”. A pergunta martelou mais um pouco durante o trajeto na estrada para Cusco debaixo de chuva...[/picturethis]

 

GASTOS PRINCIPAIS:

 

Transporte:

Ônibus (Tour Peru), Puno - Cusco: s/ 35

 

Passeios:

Museus e outros: s/ 5

Islas de Uros e Taquile (Inka Tours): s/ 40[/align]

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[align=justify]Cusco e Machu Picchu

(6 dias – 1 a 6/09)

 

Depois da tensa noite no ônibus, cheguei na rodoviária de Cusco por volta de 3h30 da manhã. A rodoviária estava deserta, nenhuma alma viva além das pessoas que desembarcavam do mesmo ônibus que estava. Na porta, desesperadas pessoas gritavam oferecendo onde dormir e táxi ou carona até o local. Passei na única venda que estava aberta para tentar comer alguma coisa, mas não havia muitas opções. Pedi para a senhora para usar uma de suas tomadas para dar uma pequena carga no telefone e pegar o endereço do albergue e, enquanto esperava, conversamos um pouco. A senhora tentou me amedrontar, falando que era perigoso ficar ali e para eu me mandar em um táxi da rodoviária assim que ela fechasse a tenda, o que aconteceria em 15 minutos. Mais tenso do que já estava, terminei meu café logo, peguei o endereço e fui atrás de um dos táxis. O taxista malandro me cobrou o dobro do preço por ser madrugada, um roubo, mas não discuti e fui logo ao Marlon's House, albergue que havia reservado por e-mail.

 

Chegando ao Marlon's, depois de bater bastante na porta, fui atendido por um funcionário que me disse que não havia vaga e não me deixou entrar. Argumentei que tinha reserva, mas me respondeu que só valeria depois das 10h e mesmo assim não deveria haver vaga, mesmo com reserva. Fiquei revoltado pela hora que era e por não me deixarem nem esperar até as 10h na área de espera! Me recomendou tentar em outro albergue que havia no mesmo quarteirão.

 

Algumas portas depois, bati na porta do albergue que não recordo o nome. O atendente foi bem mais atencioso, tentou dar um jeito, mas não tinha vagas também. Sugeriu que tentasse o próximo albergue no mesmo quarteirão. Fui até ele e voltei quando vi uma bandeira, que para mim, era a do movimento gay. Bati na porta de novo e perguntei se era para o público gay e tal por causa da bandeira e, acreditando nele, tentei o albergue.

 

O albergue, que também não sei o nome mas era um nome israelense, inicialmente me pareceu razoável. Paguei s/ 15 e fiquei em um quarto privativo. Estava muito necessitado de um banho, apesar do relógio marcar mais de 4h da manhã. Fui ao banheiro e... surpresa! Não tinha água quente. A atendente me deu uma desculpa e pediu para ir ao outro banheiro onde a água demorava a esquentar, mas alguma hora estaria morna. Neste banheiro, reparei que o vaso sanitário não tinha tampa, o que me assustou. Ao ligar o chuveiro, além da água nunca esquentar, ela caía metade dentro do vaso! Com nojo, comecei a reparar em volta e vi que tudo estava um pouco sujo e, pior, alguns cogumelos habitavam o banheiro, numa quantidade possível de dar uma bela refeição para uma pequena família. Era bizarro demais, acabei desistindo de tomar banho e com a ideia fixa na cabeça que dia seguinte não estaria mais ali.

 

Não dormi nem 3 horas no quarto mofado, comi algumas coisas que tinha na mochila e parti para a rua procurar onde ficar nas próximas noites, ali não haveria como! Na Calle Suecia achei boas opções por um bom preço, mas acabei ficando em um hotel econômico, o Incawasi, onde paguei s/ 45 a diária com direito ao melhor café da manhã que tive no Peru e TV a cabo, além da limpeza e dos serviços que qualquer hotel razoável oferece. Excelente! Fica na Plaza de Armas, ou seja, melhor localização não há! Não é um preço de albergue, mas é um ótimo custo benefício.

 

Catedral - Leonardo Caetano[picturethis=http://a7.sphotos.ak.fbcdn.net/hphotos-ak-snc6/217673_10150168944066484_541286483_6706948_199952_n.jpg 320 240 Catedral]Assim que me instalei, fui conhecer as atrações em volta da praça – a Catedral, Compañía de Jesús e Museo de Historia Natural. A Catedral estava fechada, tive que voltar outro dia, mas a igreja da Compañía de Jesús é bem bacana. Passei no escritório de turismo ali perto e foram super atenciosos, me explicaram direitinho como conhecer as ruínas próximas de Cusco de ônibus e a melhor forma de comprar o boleto turístico de Cusco. Peguei o mapa do escritório e fui conhecendo mais alguns pontos nesta região.

 

Cusco é linda! Uma cidade encantadora, totalmente diferente do que havia imaginado. As pessoas são simpáticas, os restaurantes são excelentes e a arquitetura colonial hispânica é belíssima! A única coisa ruim é o preço, pois tudo aqui é mais caro que em todo o Peru. Quem quer comprar tecidos típicos da região, melhor comprar em Lima – vai ter a mesma qualidade, porém por quase a metade do preço.[/picturethis][/align]

[align=right]Iglesia de Santo Domingo e Qorikancha[/align][align=justify][picturethis2=http://a1.sphotos.ak.fbcdn.net/hphotos-ak-snc6/205758_10150168943881484_541286483_6706942_1935310_n.jpg 320 240 Iglesia de Santo Domingo e Qorikancha]Com o mapa em mãos, primeiramente fui a Qorikancha, onde está a Iglesia de Santo Domingo e seu sítio arqueológico. Aqui funcionaram quatro templos incas que foram parcialmente destruídos pelos espanhóis e sobre suas bases foi construída a igreja. O sítio na verdade é apenas um jardim, mas simboliza a ambição, arrogância, exploração e destruição da colonização espanhola. Neste sítio, na época inca, se localizavam diversas estátuas e objetos de ouro construindo o que deveria ser um lindo sítio dourado, assim como os quatro templos que eram rodeados de ouro. Depois de Qorikancha, segui para o Monasterio de Santa Catalina que possui várias obras de arte do estilo cusquenho, o melhor museu sobre o assunto no mundo! Além desses, visitei a Pedra dos 12 Ângulos, o Museo Inka e o excelente Museo de Arte Precolombino, que mostra de forma cronológica artefatos desde a época pré-inca até os primeiros anos de colonização espanhola. Muito interessante!

 

Passei na agência com a qual havia reservado conhecer Machu Picchu e acertei tudo que faltava para fazer a trilha dois dias depois. Almocei no Bembo's, excelente hamburgueria em Cusco, sabores bem originais do país! Pela hora, esse almoço foi quase um jantar, então acabei comendo somente um sanduíche depois.[/picturethis2]

Pisac - Leonardo Caetano[picturethis=http://a4.sphotos.ak.fbcdn.net/hphotos-ak-ash4/206475_10150168926966484_541286483_6706585_1766616_n.jpg 320 240 Pisac]No dia seguinte fui ao Valle Sagrado de Los Incas com a Puma's Trek pelo valor de s/ 30. É um passeio bonito pelo vale do Río Urubamba, a 2.800 metros de altitude, que conta com interessantes ruínas. O passeio é circular e tem início em Pisac, pequena cidade onde acontece uma popular feira indígena. Destaque para os pães de uma cantina da senhora que fica na parada do ônibus. A feira tem muita coisa interessante onde tudo é passível de negociação, como em todo o Peru, mas é uma parada que agrada mais os turistas ansiosos por compras. Não era o meu caso.

 

A segunda parada foi no Parque Arqueológico de Pisac. Nesta região dividida em quatro setores, estão presentes ruínas de edificações do período inca onde a principal é Intihuatana. No local também está presente o maior cemitério pré-colonização espanhola. Após essas excursões, parada para almoçar em Urubamba, cidade que funciona como uma espécie de capital do Valle Sagrado. Paramos em um restaurante onde queriam nos cobrar s/ 25 para almoçar em um buffet self-service. Eu e uma trupe brasileira logo reclamamos do preço e vieram com uma história de que irmãos sul-americanos pagavam s/ 20. Era um absurdo ainda e, ao pensarmos em dar meia volta, ofereceram por s/ 10, menos da metade do preço inicial! Aceitamos na hora![/picturethis][/align]

[align=right]Ollantaytambo - Leonardo Caetano[/align][align=justify][picturethis2=http://a7.sphotos.ak.fbcdn.net/hphotos-ak-snc6/207194_10150168927916484_541286483_6706597_5495011_n.jpg 320 240 Ollantaytambo]Após o almoço, seguimos para Ollantaytambo, onde muita gente fica para pegar o último trem do dia a Machu Picchu. A cidade foi um importante complexo militar, religioso, administrativo e agrícola do período inca onde atualmente antigas casas se misturam com novas casas, muitas construídas sobre a base de antigas. Na região mais alta, está um antigo templo inca, o Templo Principal, que é a principal atração, de onde esse tem uma vista privilegiada de todo o complexo. Algumas das construções são quase que mágicas pela sua forma e localização, às vezes em locais de difícil acesso.

 

A última parada do dia foi em Chinchero, uma cidade de aparência pobre, mas rodeada de uma belíssima paisagem montanhosa e nevada. É habitada por 10 comunidades indígenas. O principal ponto de visitação é a Iglesia de Nuestra Señora de Monserrat de Chinchero, de estilo colonial e repleta de obras de arte do estilo cusquenho. É uma igreja bem diferente! Em frente à igreja, está a Plaza Mayor onde acontece o Mercado de Chinchero constituído por índios locais que ali vendem seus produtos típicos. Logo retornamos a Cusco e me preparei para o grande dia seguinte...[/picturethis2]

Vista do trem - Leonardo Caetano[picturethis=http://a6.sphotos.ak.fbcdn.net/hphotos-ak-snc6/222034_10150168929256484_541286483_6706614_3749063_n.jpg 320 240 Vista do trem]Machu Picchu era um sonho a ser realizado e, depois de tantos dias no Peru, finalmente chegaria a meu último destino... Acordei bem cedo e arrumei a mochila de ataque. Estava tão ansioso que mal havia dormido. Deixei as coisas no hotel em Cusco e me encontrei com a guia que me levaria até local de onde sairia o ônibus até a estação de trem. O ônibus demorou bastante a sair de Cusco, esperando os retardatários. O atraso acabou afetando a mim e mais três gringos, pois fomos os únicos a descer na primeira estação de trem que leva a Machu Picchu – Poroy. A outra estação é Ollantaytambo que vale mais a pena quando se quer sair no final do dia para dormir em Aguas Calientes. Fui o último a entrar no meu vagão e só não o perdi por 3 minutos! Fiquei bem chateado com isso.

 

O trem da Peru Rail é o maior barato! Foi construído de forma que seus passageiros pudessem admirar a bela paisagem verde cercada de montanhas também verdes, porém algumas nevadas. Fui na categoria Backpacker que não é a das mais confortáveis, mas a mais barata. A viagem seguiu por cerca de 1h30 por belos campos e cortando a cada vez mais densa mata até chegar no quilômetro 104, onde começa o Camino Inca de dois dias. Um pouco antes de descer, me solicitaram um papel com a autorização devida para descer neste local e foi o maior desespero porque a agência não tinha me entregue tal papel. No fim, acabaram me deixando descer, mas ficaram de notificar a agência do ocorrido para não acontecer novamente.

 

A trilha de 2 dias vale a pena para quem não tem o pique de enfrentar os 4 dias da trilha tradicional ou para quem não está com muito tempo para a viagem, mas faz questão em fazer a trilha – esse foi o meu caso e não me arrependi! O preço é só um pouco menor, mas acho que se tira muito mais proveito do passeio do que apenas chegar em Aguas Calientes de trem, ver Machu Picchu e voltar para Cusco. Fiz a trilha também com a Puma's Trek que só me deu o susto com a autorização para descer do trem. Foi o melhor preço entre todas as agências, US$ 250 – as refeições foram boas e o guia foi muito bom![/picturethis][/align]

[align=right]Chachabamba - Leonardo Caetano[/align][align=justify][picturethis2=http://a1.sphotos.ak.fbcdn.net/hphotos-ak-snc6/215963_10150168929596484_541286483_6706619_1690403_n.jpg 320 240 Chachabamba]Saindo do trem, ao descer no meio dos trilhos, logo avistei Roger, o guia que me conduziria pela trilha até Machu Picchu. Roger se revelou um excelente guia que tem prazer no que faz e conhece tudo na região. Poucos metros da descida do trem se encontra um posto de controle que checa se está tudo OK para ingressar na trilha. Percebi que há um posto desses em cada uma das entradas para a trilha e em locais próximos a onde são realizados os pernoites da trilha de 4 dias. Aproveitei a infraestrutura do local para trocar de roupa, pois já começava a esquentar depois de um dia anterior chuvoso.

 

Passamos pelo posto e seguimos por alguns metros até Chachabamba, ruínas do local onde se hospedava a família inca, na última parada antes de Machu Picchu. Acredita-se que funcionava como posto de guarda, mas já pode ter sido usado como templo. Deste ponto, se iniciava a caminhada de purificação espiritual do inca e sacerdotes até a cidade sagrada. São ruínas interessantes. Diz-se que foi o local mais próximo que os colonizadores espanhóis chegaram da cidade sagrada. Este é o único ponto da trilha de dois dias que não é acessado por quem faz a trilha maior de três ou quatro dias.[/picturethis2]

Wiñaywayna - Leonardo Caetano[picturethis=http://a5.sphotos.ak.fbcdn.net/hphotos-ak-snc6/215253_10150168932186484_541286483_6706659_5424683_n.jpg 320 240 Wiñaywayna]Finalmente começou a caminhada de verdade. Havia apenas mais dois grupos na trilha, um deles passei neste primeiro trecho. Era um grupo de idosos, achei muito bacana eles fazerem a trilha. Depois os encontraria em Aguas Calientes, cheios de gás ainda. A vista do caminho fica cada vez mais maravilhosa proporcionalmente ao quanto se afasta dos trilhos do trem. É um belo vale verde e a caminhada parece ter algo mágico. Cerca de duas horas depois, passando por cachoeiras e mais algumas bonitas paisagens, chegamos à segunda parada, Wiñaywayna. Wiñaywayna significa “para sempre jovem” em quéchua e foi um centro urbano com templos religiosos e um grande centro agrícola que abastecia a região. A vista desse ponto é linda demais! Sentei por alguns minutos admirando aquele cenário de mata, o Urubamba, as ruínas de Wiñaywayna e as costas de Machu Picchu. Neste local encontramos o outro grupo de espanholas que estava na frente com quem pude trocar e viver essa experiência.

 

Daqui seguimos novamente sozinhos por mais cerca de 30 minutos até o abrigo e restaurante que existe antes de chegar a Machu Picchu, onde fizemos nossa pausa para o almoço. Não sabia que o saco da agência que estava carregando há tempos era meu almoço! Comi com vontade uma empanada, um sanduíche, uma banana, um suco e alguns chocolates! O resto guardei ou dei para o Roger, era muita coisa! Não havia prestado atenção nesse detalhe da agência “dar” o almoço. O grupo das espanholas que havíamos ultrapassado chegou no abrigo e não havia comida à venda. Segundo Roger, não é sempre que possuem alimentos disponíveis. Só havia uma sopa, mas não havia cozinheira no momento. Preste atenção nisso quando for fazer essa trilha!

 

Seguimos em frente pela trilha por mais duas horas até chegar à subida final até a Puerta del Sol que é o ponto onde finalmente se vê a cidade de Machu Picchu. A vista é magnífica e emocionante, finalmente havia chegado! Fiquei por ali bastante tempo apreciando aquela vista e tentando gravar na memória todos os ângulos e sentimentos. Todo mundo que chegava ali tinha o mesmo olhar embasbacado e, depois de uns minutos, puxava um papo elogiando aquele belo cenário enquanto o sol se escondia aos poucos atrás das montanhas. A Puerta del Sol pode ser alcançada também a partir de Machu Picchu, em quase meia hora de caminhada. Vale a pena![/picturethis][/align]

[align=right]Machu Picchu - Leonardo Caetano[/align][align=justify][picturethis2=http://a7.sphotos.ak.fbcdn.net/hphotos-ak-snc6/207280_10150168934741484_541286483_6706721_1242672_n.jpg 320 240 Machu Picchu]Descemos até o entorno da cidadela e tirei diversas fotos, muitas delas sem ninguém no fundo! É uma das melhores horas para tirar fotos onde parece que apenas você estava em Machu Picchu. Não entramos nas construções da cidade sagrada, pois o dia seguinte seria destinado a isso. Finalmente bateu a sensação de “missão cumprida, agora é aproveitar o dia seguinte”.

 

Descemos por cerca de 40 minutos as escadas que levam até Machu Picchu Pueblo ou mais conhecida como Aguas Calientes. Já estava tão escuro que tivemos que usar lanternas no trecho final até o povoado. Tomei aquele banho e jantei em um restaurante que estava incluído nos serviços da agência. A comida estava maravilhosa! Andei um pouco pela cidade, mas logo voltei para o hotel Inti Punku, que como todo hotel econômico de Aguas Calientes é fraquíssimo. Dormi logo porque dia seguinte seria dia de madrugar novamente...

 

Acordei às 3h e logo já estava na rua. Roger demorou um pouco, mas comprovou que já havia quase 200 pessoas na fila do ônibus, então o jeito seria realmente vencer o cansaço e subir as escadas até Machu Picchu. Andar até as escadas e depois subi-las parece alguma forma de peregrinação, saem alguns bocados no escuro e aos poucos vão se juntando outros que foram ficando para trás no caminho. Há também um certo ar de competição, pois cada pessoa ultrapassada é uma pessoa a menos em sua frente na fila para pegar a senha para subir Huayna Picchu, então o ritmo é forte.

 

A subida pelas escadas, normalmente em um bom ritmo, dura aproximadamente 50 minutos. Acabei demorando pouco mais de 1h devido ao alemão que havia conhecido no trem e tinha reencontrado no hotel, pois o convenci a ir de escada quando Roger falou da fila do ônibus. O ritmo dele era um pouco mais lento e só decidi seguir na frente deixando ele um pouco para trás nos últimos 10 minutos, hora em que o primeiro ônibus já tinha nos ultrapassado na estrada e já se ouvia o barulho do segundo. Por sorte cheguei junto com este e garanti a senha 262, sendo 200 por horário (8h e 10h). Ir às 10h há mais chances de se pegar o céu limpo de cerração.[/picturethis2][/align]

[align=center]20110601021909.jpg

Machu Picchu ao amanhecer - Leonardo Caetano[/align]

 

[align=justify]Machu Picchu é mágica! Com um guia ao seu lado então, nem se fala. Entende-se o que era a cidade sagrada inca, as construções, cada um dos quatro templos e muito mais. Apesar de parecer pequena, leva-se um bom tempo para percorrer a cidade de um canto ao outro. Chegar cedo possibilita também a vantagem de pegar o lugar vazio ainda, mais uma oportunidade que tive de tirar fotos exclusivas!

 

Templo Principal - Leonardo Caetano[picturethis=http://a1.sphotos.ak.fbcdn.net/hphotos-ak-snc6/206231_10150168935746484_541286483_6706741_6136271_n.jpg 240 320 Templo Principal]Machu Picchu também é conhecida como a cidade perdida dos incas por ser bem conservada. Na verdade, apenas 30% do local é original ainda, o restante vem de reformas para conservação do local. A cidade servia como refúgio ao Inca e sua família, principalmente em caso de ataque, e como centro administrativo da região. A cidade passou a ser conhecida pelos povos colonizadores só em 1911 quando o Peru não era nem mais colônia espanhola. O local era conhecido apenas pelos habitantes das regiões próximas e era frequentado raramente por ladrões de tesouros. O americano Hiram Binghanm, que foi oficialmente o primeiro explorador a comprovar ter chegado em Mavhu Picchu, chegou à cidade após conversar com pastores locais que o guiaram até o local. Diz a lenda local que ele foi o primeiro a perguntar como se chegar lá.

 

A cidade é formada basicamente por duas grandes áreas – uma agrícola e outra urbana. A parte agrícola é percorrida entre o posto de controle e as escadas de acesso a Machu Picchu. Já a parte urbana é a que todos querem frequentar. O passeio por lá consiste em visitar o Templo del Sol, a Tumba e o Palacio Real, onde pode ter havido múmias e jóias, mas parece ter sido saqueado e destruído em um grande incêndio. Próximo, se encontram o Templo Principal, Templo das Tres Ventanas e a Casa del Sacerdote, que foram as construções que achei mais interessantes mesmo estando incompletas. No local também se encontra a Intihuatana, a pedra do sol que ligava os astros às montanhas locais. Outras partes interessantes mais dispersas também são visitadas, como a Roca Sagrada e Las Tres Portadas. As construções são imponentes e ricas de detalhes. É impressionante também a forma como faziam circular a água na cidade utilizando o relevo do local como força motriz.[/picturethis][/align]

[align=right]No topo do Huayna Picchu - Leonardo Caetano[/align][align=justify][picturethis2=http://a7.sphotos.ak.fbcdn.net/hphotos-ak-snc6/207414_10150168938136484_541286483_6706796_4332537_n.jpg 320 240 No topo do Huayna Picchu]Depois de rodar toda a cidadela, descansei um pouco curtindo aquele visual magico até o relógio bater 10h, hora que comecei a subir o Huayna Picchu, mas não sem antes pegar mais uma fila... Para quem está de passaporte, é nesse posto de controle que se ganha o carimbo simbólico de Machu Picchu. A subida para o Huayna é um pouco cansativa, se leva quase 50 minutos para chegar ao topo, a 2.700 metros de altitude. No topo, há várias pedras que formavam a casa do sumo sacerdote que todo dia ia ao Templo de La Luna, na mesma montanha. Já no topo, deve-se ter cuidado, pois um passo em falso ou uma trombada em alguém e se rola Huayna Picchu a baixo. Recebi essa dica aqui no Mochileiros e de meus amigos peruanos, que afirmam ser perigosíssimo. Quando estava no topo, teve um argentino que foi segurado e por muito pouco ele não caiu! É impressionante ver as construções nesta montanha, voltadas para a agricultura e postos de vigilância. São feitos em espaços muito pequenos e de difícil acesso – loucura imaginar como transportaram essas imensas pedras até ali!

 

A vista de cima do Huayna estava totalmente dominada pela serração. Mais de cinquenta pessoas estavam na espera por abrir o tempo, entre eles cerca de 7 brasileiros. Depois de quase 40 minutos, o tempo começou a abrir e pudemos ver aquela imagem maravilhosa de Machu Picchu vista de cima! Depois de um tempo, desci a trilha pelos degraus que só cabem um pé de lado por vez, surreal! Descendo e apreciando a vista da cidade, cheguei a Machu Picchu novamente, de onde, depois de mais uma volta pela cidade, peguei o ônibus de volta a Aguas Calientes.[/picturethis2]

Em Aguas Calientes, almocei um bom menu del día. Só assim para comer a um preço um pouco mais justo por lá! Só dão essa opção se perguntar e se o restaurante estiver um pouco vazio. Afastado das ruas principais também se come um pouco mais barato. Parti para os Baños Termales, onde paguei s/ 10 para entrar e relaxar um pouco nas águas quentes. Esperava bem mais do lugar, achei um pouco fraco. Logo mais, parti de trem de volta a Cusco, satisfeito com um belo dia de viagem!

 

Tambomachay - Leonardo Caetano[picturethis=http://a2.sphotos.ak.fbcdn.net/hphotos-ak-snc6/207095_10150168939191484_541286483_6706822_8268028_n.jpg 320 240 Tambomachay]Descansei bem depois das noites mal dormidas nos dias que fui a Machu Picchu. Acordaria cedo, mas a preguiça me deixou na cama mais um pouco. Depois de duas tentativas frustradas, finalmente neste dia consegui conhecer o interior da imensa e bela Catedral de Cusco. Depois parti para o local de onde saem os ônibus para Pisac por s/ 2,40 e desci em Tambomachay, último dos quatro sítios arqueológicos próximos a Cusco, a cerca de 7 km. Como a estrada é uma subida, o melhor para conhecer esses sítios é descer aqui e depois percorrer a estrada no sentido para Cusco que é uma descida.

 

Tambomachay se encontra a 3.700 metros de altitude e foi um importante templo de adoração à agua. É um local muito bonito formado por muros, janelas e diversos canais de água. Talvez sejam as ruínas incas mais conservadas na região. Aqui conheci um casal de médicos brasileiros que estavam viajando por todo o Peru de carro e estavam empolgadíssimos com a abertura da estrada transamazônica que permitiriam-lhes futuramente retornar ao Peru de carro, porém desde sua casa, em Roraima. Pena que essa estrada, agora inaugurada, está permitindo saquearem muito mais árvores amazônicas do que antes...[/picturethis][/align]

[align=right]Saqsayhuaman - Leonardo Caetano[/align][align=justify][picturethis2=http://a2.sphotos.ak.fbcdn.net/hphotos-ak-snc6/216177_10150168940556484_541286483_6706857_3229037_n.jpg 320 240 Saqsayhuaman]O segundo sítio, Puka Pukara, fica a pouquíssimos metros do primeiro. Possui uma bela vista do vale, com uma vegetação rica em cores de verde e terra. O local funcionou como posto de vigilância da cidade de Cusco, de onde se conseguia avistar as principais entradas no vale. Um guia do local explicou rapidamente sua história, mas para continua-la queria um dinheiro. Como já estava satisfeito com o que tinha falado e o que tinha lido, agradeci e deixei para uma próxima vez.

 

A próxima parada é Q'Enqo que é alcançada depois de uma caminhada de quase 4 km. O sítio era um labirinto subterrâneo onde havia um centro cerimonial e anfiteatro. Na verdade, passei ao largo destas construções, pois o local estava em manutenção. Um pouco depois está a ultima ruína inca no caminho, essa a mais próxima de Cusco – Saqsayhuaman. É o maior de todos estes sítios, formado por muitas grandes pedras e por grandes praças. Era chamado de Casa del Sol, um local onde invocavam Inti Raymi (festa do sol). Aos domingos, dia em que estive lá, uma parte do sítio arqueológico vira uma grande área de lazer, com pessoas jogando bola e fazendo churrasco ou piquenique. Há um bom mirante de Cusco no local.[/picturethis2]

Cusco vista do Cristo Blanco - Leonardo Caetano[picturethis=http://a1.sphotos.ak.fbcdn.net/hphotos-ak-snc6/208713_10150168942161484_541286483_6706900_7321003_n.jpg 320 240 Cusco vista do Cristo Blanco]De lá se pode seguir ao Cristo, que não é igual ao do meu Rio de Janeiro, mas é bacana. De lá se tem também uma bonita vista da cidade de Cusco, que vista de cima é toda vermelha. A partir do Cristo, é só descer um pouco pela estrada novamente que logo irá surgir uma pequena passagem que desce através de ruas e escadas de volta ao centro da cidade. A entrada é difícil de se ver, passei por ela duas vezes até encontrá-la.

 

Nesse caminho de volta está o grande Templo de San Cristóbal, que é o patrono de Cusco. A área da igreja é um gostoso local para descansar e tomar um café. Depois, fui à Iglesia de Santa Teresa e voltei ao hotel, onde descansei um pouco. Mais tarde, jantei um delicioso lomo saltado com uma gostosa Cusqueña para me despedir bem da cidade. Dia seguinte estaria de volta ao Rio de Janeiro...[/picturethis]

 

GASTOS PRINCIPAIS:

 

Transporte:

Avião (LAN), Cusco - Lima: R$ 379

Táxi, Rodoviária - Centro: s/ 10

Táxi, Centro - Aeroporto: s/ 7

 

Passeios:

Museus e outros: s/ 65

Valle Sagrado (Puma’s Trek): s/ 30

Boleto Turístico: s/ 130

Camino Inca (Puma’s Trek): US$ 250

 

Hospedagem:

Incawasi: s/ 135[/align]

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          Postado há 1 hour ago por Sant' Anna  
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      Olá galera mochileira, quando resolvemos (eu e meu companheiro de vida Junior), ir para Africa do sul, logo pensei na Suazilândia e Botswana, por estarem próximos, porém diferente dos demais, pensei nesse roteiro de carro, e tive dificuldade em encontrar informações. Depois de muita  cabeçada e alguns perrengues ter conseguido conhecer esses 3 países foi algo sensacional... e vou contar um pouco dessa história para vcs. Os preços vou colocar em reais para ajudar, mas tudo foi pago em Rands (Africa do Sul e Suazilândia) ou Pula (moeda de Botswana).
      Passagem de BH x Joanesburgo 2300,00 (ida com a Latam e volta com a South Africa)
      Embarcamos no dia 16 de maio e chegamos em Joanesburgo no dia 17, duas horas depois do esperado devido a um atraso de mais de duas horas em São Paulo. Chegamos por volta das 11:00 da manhã. Trocamos alguns dólares no aeroporto, depois do desembarque a algumas casas de câmbio.. o dólar havia dado uma disparada nessa época então as cotações não eram tão legais como havia lido em alguns relatos aqui. Na Africa do Sul, eles cobram taxas para realizarem o câmbio, então o valor nunca é aquele anunciado... 1 dólar nos rendeu menos de 11 rands.
      Fizemos reserva  do carro aqui do Brasil para ser retirado no próprio aeroporto de Joanesburgo pela Europcar, alugamos um carro manual, visto que os automáticos são bem mais caros, mesmo sabendo da mão inglesa resolvemos arriscar e deu tudo certo, em questões de horas já estávamos dirigindo normalmente. O valor em reais foi cerca de 800,00 por 9 dias de aluguel, porém ai vai a primeira dica: PARA SAIR DO PAÍS COM O CARRO ALUGADO ELES COBRAM UMA TAXA E NÃO NOS COMUNICARAM, ESSA TAXA CHEGA A SER MAIOR QUE O VALOR DO ALUGUEL. Como em toda locadora de veículos, e feito uma cobrança calção no cartão de crédito, só vimos esse ROMBO, após alguns dias da devolução do mesmo. Então esse detalhe merece cuidado. Não deixe de mencionar que irá sair do país se realmente o for, pois sem uma autorização por escrito da locadora vc não cruza nenhuma fronteira. 
      Papeis na mão e chave do carro, saímos de Joanesburgo por volta de 13:00 e já rodamos cerca de 500 km até Phalaborwa, onde havia feito uma reserva pelo booking em uma Guesthouse (seria como nossas pousadas). Porque escolhemos Phalaborwa, porque nessa cidade tem uma portaria do Kruger Park e queríamos fazer nosso proprio safari até o camping que havíamos reservado dentro do Kruger. Chegamos em Phalaborwa já de noite e bem esgotados, o carro arriou a bateria no meio da estrada e por sorte contamos com a ajuda de algums pessoas que estavam trabalhando em uma reforma na estrada. Ficamos no Lalamo Guesthouse e super indico. O preço foi cerca de 150,00 reais quarto privado com banheiro para duas pessoas com café da manhã ou 540 rands, quarto simples mas completinho, inclusive com uma garrafa de vinho como cortesia de boas vindas e alguns snacks tbm de cortesia. Tomamos um banho e fomos comer em um restaurante próximo. No dia seguinte cedo, o café da manhã me surpreendeu, o mais gostoso de toda a viagem, além da simpatia dos funcionários com seu belos sorrisos.Por volta das 08:30 estavamos entrando no Kruger... agora falo um pouco desse park.
      Depois de uma boa pesquisada sobre o Kruger nacional park (aqui no mochileiros vcs encontram muita info), optamos por ficar duas noites em dois diferentes acampamentos, o Pretoriuskop e Lower Sabien, as reservas foram feitas com cerca de 3 meses de antecedência, por ser alta temporada (inverno) e para não arriscar chegar e ter apenas acomodações caras (reservas diretamente no site www.sanparks.org). Optamos ficar em Hut, uma casinha com duas camas de solteiro, ar condicionado e geladeira, com banho compartilhado, pagamos cerca de 50 dólares a diária. Tbm se paga uma taxa por dia por pessoa para estar no kruger, que chega a ser quase 100,00 reais por dia por pessoa. O parque é bem organizado e logo na entrada mostramos as reservas e recebemos tipo um folder com um recibo da nossa entrada, a tal taxa por dia foi paga diretamente nos acampamentos. Existe outros tipos de acomodações nos acampamentos, mais baratos e mais caros, aí vai do gosto e bolço de cada um.
      Da portaria de Phalaborwa até nosso primeiro acampamento rodamos cerca de 280 km dentro do parque, daí dá para imaginar como ele é grande. Vc já começa fazendo seu próprio safari e confesso que tivemos muita sorte, porque de cara nesse primeiro dia já vimos 3 dos Big fives, elefante, búfalo e leão. Big Five se refere aos cinco mamíferos selvagens de grande porte mais difíceis de serem caçados pelo homem. Chegamos no Pretoriuskop já no final da tarde, pois além da velocidade permitida dentro do Kruger ser 50 km, toda hora se para para admirar uma imensidão de animais e aves. Os acampamentos são bem estruturados, com mini supermercado, restaurante e até posto de gasolina. Optamos por fazer um game drive pago que saía as 05:00 da manhã e foi graças a ele que vimos nosso quarto big five, o leopardo, um dos mais difíceis de serem vistos.  Alguns preços: gasolina cerca de 5,00 reais, café da amanhã cerca de 35,00 reais para 2 pessoas, uma coca cola de um litro cerca de 7 reais. Existe tbm  suvenir para comprar mas o preço é bem salgado e a maioria das coisas que tem dentro do Kruger, vc encontra em lojas em Cape Town e em Joanesburgo. Mas é claro que se vc quiser algo com o nome do Kruger, vc deve comprar lá.
      Depois de dois dias incríveis e inesquecíveis dentro do Kruger, partimos para Suazilândia, aqui vai mais uma dica importante: baixe no celular o aplicativo Here, foi ele que nos ajudou com GPS off line e foi nosso salvador.
      Saímos do Kruger pela portaria do Crocodile bridge e fomos em direção a Jeppe's Reef - Matsamo fronteira na Suazilândia. A imigração foi tranquila, documentação ok e fomos para a região Ezulwini Valley.  Agora algumas considerações sobre a Suazilândia: o rand é bem aceito em todo o país e não foi necessário câmbio para a moeda deles. O país é pequeno e bem acolhedor, pessoas sempre alegres. Ficamos em um hostel  de nome Sondzela Backpackers que fica dentro de uma reserva natural a Mlilwane Wildlife Sanctuary, e foi bem difícil conseguir chegar devido a obras na estrada de acesso, mas o lugar é incrível, mas só indico para quem estiver de carro, pois é longe de tudo, não dá para fazer nada a pé. . O jantar do hostel (pago a parte) é imperdível, cerca de 23,00 reais por pessoa. A diária do hostel foi cerca de 130,00 reais sem café da manhã, quarto privativo com banheiro compartilhado. Vc já acorda nesse lugar vendo animais envolta da cerca e dentro da área do hostel, até javalís rsrsrs. Acordamos e fomos conhecer um pouco da região e tomamos um café da manhã no Malandelas tourist information e internet café, uma parada meio obrigatória para pegar mapas e tirar dúvidas em relação a passeios. Internet na Suazilândia não é algo fácil, nesse lugar por exemplo, mesmo tendo internet no nome, não estava funcionando esse dia. No hostel era vendido 200mb por 50 rands, cerca de 15,00 reais e não dava pra nada rsrs. Como ficaríamos apenas duas noites nesse país incrível, optamos por visitar uma aldeia Suázi no Mantenga Nature Reserve .
      Foi emocionante ver de perto um pouco da cultura e costumes desse povo tão hospitaleiro.
      No outro dia cedo partimos rumo ao Soweto, foram cerca de 5 horas de viagem e chegamos por volta das 13:00. Soweto é a sigla para South Western Townships, um dos bairros no subúrbio de Joanesburgo, cenário de importantes lutas políticas durante o regime do apartheid. O bairro nasceu sob a base do regime de segregação racial, onde os negros deveriam, por lei, viver em regiões afastadas dos brancos. O local é sinônimo de resistência e luta contra o regime opressor que os negros sofreram na Africa do Sul nesse período. Existe várias coisas para se ver e ouvir nessa região... a rua Vilakazi, a única do mundo onde dois ganhadores do Prêmio Nobel moraram. Nelson Mandela e o arcebispo Desmond Tutu dividiram muito mais do que a mesma vizinhança, eles compartilharam o sonho de viver em um país mais tolerante e com mais oportunidades para todos.                                                                                                
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      Esse dia dormimos em Melville, bairro em Joanesburgo onde existe um bom comércio e restaurantes próximos. Ficamos no Grand View B&B , cerca de 160,00 reais a diária em quarto privado com banheiro com uma linda vista da cidade, com um delicioso café da manhã.
      No dia seguinte, fomos rumo a Botswana. O trajeto até a fronteira foi um pouco tenso, pois faltando cerca de 100 km para chegar, passamos em uma região que havia algum tipo de conflito, não ficamos sabendo ao certo do que se tratava, apenas encontramos estradas bloqueadas com pneus pegando fogo e muita brasa no chão, e o pior é que estávamos sozinhos, não tinha mais ninguém transitando nessa estrada, foi o único momento nessa viagem que ficamos com medo, maaaaaaas tudo de certo e chegamos na fronteira Pionner. De Joanesburgo até a fronteira foram uns 370 km. Para atravessar para Botswana tivemos que pagar 120 pulas, mas no local tem como fazer câmbio. Um dólar equivale a mais ou menos 10 pulas. Eles ficaram surpresos em ver nossos passaportes brasucas, não se vê brasileiros nessa região de Botswana, por isso tive dificuldade em achar infos, os brasileiros quando vão para Bots acabam ficando no norte do país, principalmente quando vão a Zimbábue ou Zambia. Ficamos em um hostel a cerca de 10 km da capital Gaborone no Mokolodi Backpackers, gostei muito do lugar, super indico. Pagamos cerca de 200,00 reais a diária... simmmm, Botswana é mais cara, como dizem, é um destino exclusivo rsrsrs mas valeu cada centavo. Esse hostel fica perto do Mokolodi Nature Reserve, onde fizemos um safári incrível por 150 pulas por pessoa que seria mais ou menos 60,00 reais por pessoa. É claro que nem dá para comparar com o Kruger park, pois são bem diferentes, em tamanho e estrutura mas ver aqueles animais em seu habitat natural é sempre uma aventura. Como estávamos de carro, era fácil ir até Gaborone comprar comida e artesanatos (meu fraco rs). O hostel tinha cozinha completa e fizemos nossa própria comida...  ficamos 2 noites naquele lugar e amamos, queremos voltar para conhecer as outras regiões.
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      Saímos de Botswana em direção a Pretória, a estrada tem muitos pedágios, mas na hora de alugar o carro fomos informados que o veículo possui um equipamento que passa pelos pedágios e depois na hora da devolução eles calculam quantos pedágios foram e vc paga juntamente com o valor do aluguel. Pretória realmente não tem nada demais, e se vc estiver com o tempo contado pode abrir mão desse destino facilmente. Mas já dentro da cidade fomos parados pela polícia que alegou que havíamos passado encima de uma faixa amarela que era proibido... oi??? isso mesmo, ai rolou aquela treta que li em vários relatos aqui no site, propina era o que queriam... masssss resistimos bravamente e acabamos saindo sem pagar os 500 rands que pediram. A dica é a seguinte: sempre diga que não tem dinheiro, só cartão de crédito, assim fica mais difícil deles levarem seus rands. Durante nossa viagem fomos parados várias vezes por policiais, principalmente em Botswana, mas a única vez que pediram propina foi essa. 
      Novamente dormimos em Joanesburgo no 84 on 4th Guest House tbm em Melville, quarto privado com banheiro e café da manhã, por 200,00 reais a diária. Excelente localização e atendimento. Gostamos muito do lugar. No dia seguinte deixamos o carro no aeroporto e pegamos um voo da Kulula para Cape Town (compramos no Brasil pela Decolar) e ficou 1.000,00 reais ida e volta para duas pessoas. Em Cape Town ficamos no The Verge Aparthotel em Sea Point, pagamos cerca de 830,00 reais por 5 diárias pelo booking. Atenção, esse lugar é perfeito... um apart hotel mega bem localizado, pertinho da praia, com muitos bares e restaurantes próximos, supermercados... além do apartamento ser completo e bem decorado (é só entrar no booking e dá uma olhada), amamos o lugar e tbm super indicamos.  Fizemos um passeio pelas vinículas que vale muito a pena... foi caro, cerca de 300,00 reais por pessoa, mas o passeio dura o dia todo e foram 4 degustações em diferentes vinícolas  com vinhos e queijos, com direito a passeio de trem tbm degustando vinho. Dica: os vinhos na África do Sul são muito bons e baratos, custa praticamente o preço de um imã de geladeira rsrsr paguei em um bom vinho premiado cerca de 20,00 reais.
       

      Do Brasil tínhamos comprado o passeio para Robben Island, mas no dia programado o tempo não tava legal e foi cancelado, algo bem comum de acontecer por lá, vc pode trocar por outro dia ou pedir a devolução do dinheiro. Aproveitamos esse dia e fomos até a Green Market Square onde rola uma feirinha livre de artesanatos onde compramos algumas lembrancinhas. Depois passamos no supermercado e compramos comida. Não se vende bebidas alcoolicas nos supermercados, apenas em lojas próprias e por sorte havia uma bem perto do apart.
      No dia seguinte pegamos o Bus vermelho (City Sightseeing Cape Town), tbm perto do apart, na avenida da praia para o Cabo da Boa Esperança (cerca de 70 km de Cape Town), com o custo de mais ou menos 170,00 reais por pessoa, o passeio dura o dia todo e primeiro eles param em Boulders Beach, praia cheia de pinguins, mas a entrada é paga separadamente, custou cerca de 15,00 reais mais ou menos, não lembro direito mas não era caro,  a praia é linda e vale o preço.

      De lá fomos para Cape Point, onde fica o Cabo da Boa Esperança. A entrada do parque está incluida no preço do passeio. Vc pode subir a pé ou de bondinho e é claaaaro que fomos a pé, uma subida bem interessante com uma vista incrível do mar.

       
      Nesse passeio vc tbm faz uma trilha com uma vista de deixar qualquer um de queixo caído... voltamos no final do dia e aproveitamos para dar um rolezinho no Water Front , onde tem inúmeros restaurantes e lojas, se vc garimpar, consegue comprar lembrancinhas por um bom preço no local.
      No dia seguinte fomos rumo a Table Montan fazer a trilha tradicional a Plattew Klip Gorge, cerca de 3 horas de subida para pessoas como nós rsrsrs longe de sermos atletas... pegamos um Uber até o Cable Way onde na mesma rua se inicia a trila... não se paga nada para subir, só se vc for de teleférico. O frio tava de lascar e o tempo ameaçava chuva a todo o momento, mas é algo que não dá para perder.

      Cape Town é uma cidade muito bonita e com vários atrativos. Andar de Uber por lá é uma boa pedida. É bem econômico e foi nosso principal modo de transporte.
      Depois de Cape Town, voltamos para Joanesburgo onde ficamos no Saffron Guest House, quarto privado com banheiro e café da manhã por cerca de 200,00 reais o casal, tbm foi um excelente lugar e super indico, perto de tudo e bem seguro. Fomos conhecer o museu do Apartheid e despedir desse lugar tão fabuloso pois no dia seguinte íamos voltar para o Brasil. Foram 16 dias no total, bem aproveitados...
      E foi isso galera, até a próxima!!!!
       
    • Por milamguerra
      Olá, mochileiros!
      Passei dezoito dias de muita movimentação, chuva e bacalhau em Portugal. País lindo e seguro. 😍
      Usamos quase todos os tipos de transporte disponíveis no país, experimentamos algumas comidas típicas e nos enrolamos quase todos os dias com as diferenças do idioma. Curiosamente, nem sempre o idioma que temos em comum facilita as coisas. Às vezes dificulta a comunicação e nos proporciona bons rolos e boas risadas. Apesar de não termos tido sorte com o tempo (choveu praticamente 14 dos 18 dias que passamos por lá) adorei conhecer Portugal e deixo aqui minha experiência para quem planeja visitar a terrinha. Vou postando em etapas porque o relato ficou um pouco extenso, mas fiquem à vontade para ler, comentar e perguntar entre os posts.
      DIA 1: Lisboa - Oceanário, Telecabina e Parque Eduardo VII de metrô
      Depois de meses esperando uma promoção, voamos de TAP direto para Lisboa e chegamos lá às 5h da manhã. O check-in no estúdio que alugamos pelo Booking era só ás 15h e então aproveitamos o dia e a localização próxima do aeroporto para conhecer o Oceanário e a região do Parque das Nações. O voo foi muito cansativo, com direito a neném chorando o tempo todo, e o cansaço nos impediu de aproveitar melhor as visitas desse dia. 😴 Mesmo assim, valeu muito.

      Obs: optei por reservar estúdios em 3 das sete cidades pelas quais passamos para ter liberdade de cozinhar algo rápido, preparar nossos cafés da manhã, lavar e passar roupa, tudo isso pagando menos que em um hotel normal. Isso nos permitiu viajar com uma mala menor e economizar um pouco nas refeições. Dica: fiz minhas reservas com quatro meses de antecedência e peguei ótimos preços em lugares excelentes. Se puder, não deixe para a última hora.
      Continuando: esperamos um pouco no próprio aeroporto e lá mesmo compramos um chip da Vodafone com o plano turístico para ligações e internet (€ 10 com cerca de 4MB e do meu celular eu roteava para o do marido), que funcionou maravilhosamente bem em toda a viagem. Compramos também o Lisboa Card (de 3 dias, € 40 por pessoa) no balcão de informações turísticas do aeroporto Esse cartãozinho permite visitar várias atrações “gratuitamente” e dá desconto em outras tantas, além da gratuidade nos transportes da cidade como metrô, trem, bonde, elevadores. Já começamos a usar o cartão ali mesmo no aeroporto quando pegamos o metrô para a estação do Oriente. Sair do aeroporto de metrô é fácil, fácil. E barato!
      Na estação de trem Oriente, deixamos nossas malas no que eles chamam de cacifos (ou lockers), que são armários/cofres automáticos. Você deposita um valor em moedas de acordo com o tamanho do armário que escolher, recebe uma senha e paga o restante no retorno para retirar a bagagem. Se usar os cacifos, não perca a senha. Só com ela você consegue reaver as malas. Outra coisa que achei legal é que há no local uma máquina para trocar dinheiro, para o caso de você não ter moedas na hora. Você deposita uma nota e recebe tudo em moedas. Muito prático e fácil de usar. Também é possível guardar malas no aeroporto.

      Recomendo muito a visita ao Oceanário. Não é à toa que ele é considerado dos mais bonitos da Europa. Reserve um bom tempo para essa visita, especialmente se você for fã de vida marinha. Ao redor do imenso tanque principal há banquinhos para você observar com calma a movimentação de peixes, tubarões, arraias etc. Lindo!
      Há também lontras❤️, pinguins, patos, águas-vivas etc etc etc.

      Nós visitamos as duas exposições: a permanente (os aquários em si) e a exposição de florestas aquáticas, também interessante. Pagamos € 15,30 por pessoa já com o desconto do Lisboa Card. Sem ele ficaria em € 18 pp.
      Já cansados e com fome depois de não dormir à noite e bater perna pra lá e pra cá, pegamos a telecabina ali pertinho e fomos almoçar um bacalhau, melhor dizendo, quatro bacalhaus, pra começar bem a viagem: bacalhau a brás, posta de bacalhau grelhado, bacalhau com broa e bacalhau com natas no restaurante D’Bacalhau, ali mesmo no Parque das Nações.

      O passeio na telecabina é bacaninha, mas nada excepcional. Também tem desconto com o Lisboa Card.

      Depois dessa odisseia já estávamos mortos de cansaço e ainda não eram 14h. Não tínhamos gás pra mais nada, então liguei para o proprietário do estúdio que alugamos, que foi super gentil e nos deixou fazer o check-in um pouco mais cedo. Por falar nisso, o horário de check-in em Portugal é quase sempre às 15h e o check-out às 11h ou 12h.
      De volta à estação Oriente, reavemos nossa bagagem e pegamos o metrô até a estação Alamedas e lá mudamos para a linha verde até a Baixa-Chiado. Molezinha. O único porém é quem nem todas as estações estão equipadas com escada rolante/elevadores e isso pode dificultar a vida de quem viaja com malas grandes ou muitas malas. A nossa era pequena e não tivemos problemas.
      Descansamos um pouco no estúdio e saímos para conhecer a região.

      Ficamos hospedados no estúdio Chiado InSuites 100, na Baixa, pertinho de tudo. Recomendo. O estúdio é uma graça e muito prático. A área é muito bem servida de bares, restaurantes, farmácias, mercado, lojas, metrôs, trens, ônibus etc.
      Passamos no mercado Pingo Doce para comprar produtos para o café da manhã e, apesar de a água da torneira ser própria para beber em todo o país, não gostei do gosto dela e preferi comprar a mineral no mercado mesmo. Mas fica a dica para quem quiser economizar uns euros em água.
      Aproveitando que nessa época escurece por volta das 21:30 e, apesar do tempo feio, passeamos pela rua Augusta, conhecemos o Arco da Rua Augusta, a Praça do Comércio, o Parque Eduardo VII (que estava hospedando a Feira do Livro de Lisboa e não rendeu boas fotos).



      Jantamos uma massa deliciosa com vinho da casa no Prima Pasta, um dos inúmeros restaurantes da Baixa, e desmaiamos até o dia seguinte. Vale comentar que os vinhos da casa nos restaurantes portugueses são geralmente muito bons e baratos. Eles servem uma taça, meia garrafa ou garrafa inteira. Peça sem medo de ser feliz.
      DIA 2: Lisboa – São Pedro colaborou com a minha preguiça
      Conforme anunciado por vários aplicativos de previsão do tempo, o dia amanheceu frio e muito chuvoso. 😒 Aproveitamos para descansar e tentar espantar a desgraça do jetlag. O marido precisava trabalhar e passei a manhã de preguiça no estúdio. A chuva parou pela hora do almoço e resolvemos conhecer o Timeout Market, com a intenção de almoçar por lá. Não mesmo, de jeito nenhum. Muita gente, muita fila, muita confusão. O local é muito legal e há restaurantes de todos os tipos de cozinhas, mas estava insuportavelmente cheio. Desistimos e acabamos almoçando na Pastelaria Brasília ali pertinho. Bem simples, mas com bom preço, boa comida e bom vinho da casa.

      Dali pegamos o metrô e fomos visitar alguns clientes em Lisboa mesmo. Chovia bem e voltamos para o estúdio para o marido continuar o trabalho pendente. De novo fiquei de preguiça dando uma folguinha para os meus pés e esperando a chuva passar.
      À noite fomos bater perna pela região e experimentamos o bolinho de bacalhau da Casa Portuguesa do Pastel de Bacalhau. Apesar de famoso e de vir recheado com queijo da Serra da Estrela, achei que não vale a grana pagar tanto por uma massa de batatas. Enfim, gosto é gosto.

      Nesse dia experimentamos também os famosos e aclamados pastéis de nata. Gostamos, mas não achamos nada assim tão fenomenal neles. Enfim, questão de gosto mesmo.
      Mas o mais decepcionante em Portugal, para mim, foi o café. Passamos por uma sofrida peregrinação em busca de um café, no mínimo, mais ou menos. Sempre que pedíamos café, serviam um expresso MUITO FORTE ou alguma outra coisa muito ruim. A gente fazia cara feia e tomava por questão de honra, mas só mesmo em Cascais descobrimos o nome do café que gostamos e que normalmente tomamos aqui no Brasil. Fique de olho nos próximos capítulos para saber e fugir das roubadas. Hehe... 🤪

      Estava chovendo, então pegamos o metrô e fomos conhecer o shopping Colombo. São mais de 400 lojas de marcas conhecidas como Timberland, Chilli Beans, Toys "R" Us, C&A, Nike, Lacoste etc. Há também um mercado Continental e uma ótima praça de alimentação por lá. O acesso ao metrô é super fácil, feito por dentro do shopping mesmo. Não achei os preços lá essas coisas, mas vale a visita...

      Caminhar tranquilamente por Lisboa à noite com uma câmera a tira colo e mochila nas costas foi algo surreal pra mim. Mesmo morando em uma cidade relativamente pequena aqui no Brasil, não tenho coragem de sair à noite de câmera na mão. Essa é, sem dúvida, uma das grandes vantagens de Portugal.
      DIA 3: Lisboa – Belém e Castelo de São Jorge de elétrico (bonde)
      Um dia que eu não repetiria.
      Ainda com um pouco de jetlag, pegamos o elétrico 15E (o moderno, com wi-fi gratuito e tudo) na Praça da Figueira e desembarcamos em Belém. Detalhe: esse elétrico tem Wi-Fi gratuito. É tanto turista em Belém que achei que estava entrando em um formigueiro.
      - Padrão dos Descobrimentos: monumento interessante e imponente. Subimos de elevador até a cobertura, de onde se tem uma boa vista da Torre de Belém, do Mosteiro dos Jerônimos e de toda a região. Tem também um pátio muito bonito contando a história dos descobrimentos e das conquistas portuguesas, onde as escolas levam seus alunos para conhecer um pouco sobre as antigas glórias do país.


      - Torre de Belém: do Padrão fomos caminhando até a Torre (Cerca de 10 minutinhos) e depois de quase desistir, decidimos enfrentar aquela fila enooorme para entrar no monumento. Valeu, mas eu não faria de novo. Perdemos tempo demais ali.

      A intenção era visitar o Mosteiro dos Jerônimos logo em seguida, especialmente porque ele fica gratuito com o Lisboa Card, mas não tivemos coragem. A fila estava quase chegando no Japão e não tínhamos mais muito saco sobrando pra elas.
      Visitamos rapidamente a igreja (grátis para todos) e partimos para tentar experimentar os famosos pastéis de Belém. Doce ilusão. Como eu já tinha usado toda a minha cota de paciência na fila da Torre, nem pensei em enfrentar a quilométrica fila para saborear os pastéis. Entramos então em busca de uma mesa, na esperança de que seria mais fácil comer ali mesmo, mas a coisa estava séria demais para o meu gosto. Saímos dali correndo e, a mando do estômago, entramos no primeiro restaurante com mesas disponíveis na área. Era uma hamburgueria e nesse dia eu comecei a confirmar o que eu já vinha suspeitando desde o primeiro dia: a comida portuguesa é mesmo muito boa e muito farta, mas carece de sal. Durante toda a viagem fiquei com a sensação de que faltava alguma coisa.

      Pegamos o mesmo bonde de volta, saltamos na Praça da Figueira e fomos ao estúdio descansar um pouco.
      Com as energias meio renovadas e o tempo um pouco melhor, partimos para o Castelo de São Jorge no elétrico 12E, na mesma Praça da Figueira. Esse elétrico nos deixou em frente ao miradouro das Portas do Sol, ao lado do miradouro de Santa Luzia. O elétrico 28 vai mais próximo do castelo, mas a diferença não é grande. Depois de algumas fotos ali, fomos caminhando para o Castelo. É fácil chegar seguindo as indicações, não se preocupe.

      Adoramos o castelo, especialmente agraciado com uma linda vista da cidade e do Tejo, ótimo local para assistir ao pôr do sol.


      Descemos o bairro de Alfama caminhando, com a noite em nosso encalço, e nos enfiamos no estúdio, exaustos. Ô dia cansativo!
      Sobre alimentação, os preços dos pratos ali na Baixa variam entre € 7 e € 11. Nem passei perto de restaurantes mais caros. 😬
      Veja mais abaixo:
      - Sintra de trem e taxi: Quinta da regaleira, Palácio da Pena, Castelo dos Mouros e Travesseiros da Periquita
    • Por Murilo Andrade
      BELO HORIZONTE:
      02 – 01 – 2017:
      Saí de Vitória da Conquista na noite anterior, chegando a tarde em Belo Horizonte. Fui de “carona” conseguida através do aplicativo Blablacar, o motorista dirigia muito bem e a viagem ficou bem em conta, recomendo demais.
      Chegando em BH, fui para um hotel (Hotel Madrid – somente para passar uma noite é razoável) próximo a rodoviária, pois no outro dia viajaria para Brumadinho. Aproveitei a tarde para passear pelo Centro de BH, saindo da praça Rio Branco em direção ao Mercado Central de Belo Horizonte. Cidade excelente para uma boa caminhada, tanto pela qualidade das ruas, quanto pela sensação de segurança.
      O mercado é um local com muita variedade de produtos, especialmente de comidas (rs). Destaco o restaurante Casa Cheia, com uma vista do alto de todo o interior do mercado, oferece um cardápio excelente, ao começar pelas deliciosas almôndegas exóticas:
        
      Continuei batendo perna pelo centro de BH, a cada esquina um prédio, igreja, casa com arquitetura interessante. Cidade muito boa de percorrer a pé.
      Fiquei impressionado com Igreja de São José:

      A noite retornei ao hotel para descansar.
      BRUMADINHO:
      03 – 01 – 2017:
      No dia anterior já havia comprado minha passagem de ida e volta para Brumadinho, com chegada e partida no estacionamento do Instituto Inhotim, centro de arte contemporânea de renome mundial. Já estava com ingresso a postos, comprado antes da viagem.
      Fui para a rodoviária bem cedo, chegando em Inhotim por volta das 09:30h, onde descemos no estacionamento da própria instituição. Deixei minha mochila na recepção do local, desde o início percebi a excepcional estrutura do local.
      Digo desde já que não entendo nada de arte, apenas gosto de admirar o que instiga à reflexão e (nem sempre rs) é belo.
      O lugar é impressionante, para todo lado que você olha enxerga alguma coisa impressionante, sejam as representantes da flora brasileira e mundial (o Instituto possui a maior coleção de palmeiras do mundo) sejam, claro, as esplêndidas obras de arte contemporânea espalhadas por todo o local.

      O Instituto é imenso, devendo ser feito um planejamento prévio sobre por onde vai se iniciar o passeio, recomendo começar pelo lado esquerdo do instituto, especialmente por causa da enorme ladeira no circuito laranja. O mapa fornecido na entrada é de imensa ajuda e sua utilização é bem intuitiva, ademais o parque é bem sinalizado e possui funcionários muito prestativos.
      Destaco algumas obras que mais me interessaram no Instituto Inhotim.
      Galeria Adriana Varejão, um conjunto imenso de obras em azulejos em uma estrutura impressionante, visceras  e órgãos humanos substituem cimento e tijolos nessa parede:


      Essa obra, bastante interativa (viewing machine), oferece um panorama incrível e uma nova forma de ver não só do parque, mas de todo o seu entorno servindo como um gigantesco monóculo com caleidoscopio:

      Esta obra achei muito interessante ao propor demonstrar o poder do acaso (beam drop inhotim), no qual o artista, usando um guindaste, deixou cair sobre um poço de concreto uma série de vigas de aço:

      Árvore de metal interagindo com árvores de verdade (Elevazione):

      Galeria Cosmococas, um lugar incrivel e de grande interatividade. Piscina onde podemos mergulhar os pés, redes onde podemos deitar, chão inesperado..são diversas as propostas. Foi o lugar que mais gostei nesse primeiro dia de visitas:

      Ao final das visita, beeem cansado, fui aguardar o transfer do Hostel70. Ali já conheci pessoas que estavam hospedadas no local. A própria dona do hostel foi-nos buscar, Nathi, uma pessoa excepcional.
      O hostel, um local simples e muito bem localizado, superou as minhas expectativas especialmente pelo atendimento, todas as pessoas que ali trabalham se mostraram super atenciosas e prestativas. Naquela mesma tarde fomos a um morro local em busca do por do sol, mas em razão do tempo nublado não podemos ver, em compensação apresentou-se uma paisagem deslumbrante e o belo momento no qual as brumas (névoa) tomam conta das serras de Brumadinho, serpenteando por entre os morros:

      De volta ao Hostel, fiquei por ali mesmo, após o jantar, hora de bater papo até tarde da noite com os outros hóspedes. Dei sorte de encontrar uma galera super gente boa, desde fotografo e professores de São Paulo até estudantes “black blocks” de Brasília, passando uma adolescente que tinha “fugido” de casa, para quem acabei dando consulta jurídica a mesma e ao pai que estava na França rs
       
      04 – 01 – 2017
      Acordei cedo, após um bom café da manhã no Hostel70, partimos para mais um dia de desbravamento do Inhotim. Já levei minha mochila, pois de lá mesmo voltaria para Belo Horizonte.
      Dessa vez fiz o percurso mais longo (roteiro rosa) e com uma ladeira gigante (rs).
      Como era o dia de gratuidade, o local estava lotado. Por isso fui direto para a última obra, no fim do percurso, Som da Terra, uma cúpula na qual encontra-se um poço com 202m de profundidade com microfones que captam os sons emitidos pelo terra. Não sou nem um pouco místico, mas ali é um lugar mágico sem sombra de dúvidas. Fiquei por um bom tempo, refletindo ao som das profundezas da terra e descansando após a longa caminhada kkk:

      Saindo dali fui até a uma galeria, uma impressionante cúpula espelhada no meio da mata, que guarda a obra Lama a Lâmina – que resgara o confronto entre os orixás que representam o ferro e a fauna. Apesar de, na minha humilde opinião, expor a destruição da natureza que tanto assola o nosso país e, em especial, aquela região de minas amplamente atingida pela exploração mineral:


      Dirige-me depois a galerias que expõe uma série de obras de áudio, vídeo e imagens:
      Na galeria Claudia Andujar estava acontecendo uma exposição fotográfica com a temática de índios do Brasil:

      Na galeria Miguel Rio Branco haviam expostas imagens e vídeos projetados em tecidos com a temática de nudez, muito interessante ao nos dar uma visão leve e reflexiva sobre o tema:

      Ainda passei no complexo do Instituto no qual se localiza biblioteca, lanchonete e uma enorme coleção taxonômica de borboletas.
      Fui para o estacionamento, onde o ônibus da Viação Pássaro Verde já aguardava para retornarmos para Belo Horizonte.
       
      Algumas considerações sobre Inhotim:
      - O acesso à Inhotim por ônibus é bem tranquilo, com ônibus saindo diariamente da rodoviária de Belo Horizonte, com destino tanto ao próprio instituto quanto a cidade de Brumadinho.
      - A caminhada é nível médio, é bom ter disposição, caso não, vale a pena contratar o uso dos carrinhos para se deslocar pelo complexo.
      - Em todo o instituo encontram-se banheiros e bebedouros, muito bem cuidados. Quanto a água, vale a pena levar uma garrafinha em razão das distâncias a serem percorridas. Existem restaurantes e lanchonetes, com preços condizentes com o local, vale a pena levar umas barras de cereais ou lanches mais práticos rs.
      - O uso do mapa é fundamental, mas os funcionários e uma excelente sinalização dá segurança para se deslocar pelo parque.
      - Recomendo ao menos dois dias de visitação, tempo suficiente para ver todo o parque. Ver, não conhecer, pois ai seriam necessárias algumas semanas rs. Fiz o circuito amarelo e laranja no primeiro dia e o rosa no segundo, mas no pique e com bastante disposição...mas, não contratei os carrinhos kkkk
      - Por fim, destaco que, por mais que não entenda-se nada de arte contemporânea, o Inhotim é um local impressionante tanto pela estrutura quanto, especialmente, pela natureza e pelas obras ali existentes.
       
      OURO PRETO
      04/01/2017
      Cheguei na rodoviária de Belo Horizonte e imediatamente comprei minha passagem para Ouro Preto, viagem bem tranquila, cheguei em Ouro Preto por volta das 20:00h, fui andando até o hostel (Brumas Hostel – uma enorme casa colonial no alto da cidade, com uma estrutura simples, compensada pela disposição dos proprietários do local e pelo excelente café da manhã rs, e a 1 minuto de caminhada da praça principal da cidade).
      Fui procurar um local para comer, sai do hostel, passei por uma igreja e me deparei com a seguinte imagem, que deixou-me impactado pela impressionante arquitetura colonial na noite de Ouro Preto:

      Senti naquele momento o que as fotos nos livros e internet não conseguem traduzir, ver mais de três séculos de história ao vivo e a cores é outra coisa rs.
      Fui até uma hamburgueria na praça principal da cidade, hambúrguer muito bom. Voltei ao hostel para descansar, mas lá encontrei um fotografo de Montes Claros, muito gente boa, e voltamos até a famosa Rua Conde de Bobadela para tomar a famosa cachaça mineira.
       
      05/01/2017
      Acordei cedo, afinal era dia de conhecer a Ouro Preto.
      Meu café da manhã, o tradicional colonial mineiro, foi com essas vistas:


       
      A mesma imagem da noite anterior, mais ampla e tão bela quanto a cidade no período noturno, com o pico do Itacolomi ao fundo:

      A praça Tiradentes, principal da cidade, onde se localiza o Museu da Inconfidência, que vale a pena demais a visita e de onde tirei a foto seguinte, e antiga Escola de Minas de Ouro Preto, ao fundo na imagem:

      Após visitar o Museu da Inconfidência, saí dali e iniciei um périplo pelo lado oeste da cidade, visitando primeiro a Igreja de Nossa Senhora do Carmo, onde conheci uma sanfoneira de São Paulo, excelente musicista e fã de Elomar rs. Deu boas dicas sobre a cidade. Foto da igreja:

      Fui até o Teatro Municipal de Ouro Preto, o mais antigo do Brasil. Depois passando por um beco, saí na Rua Conde da Bobadela dos bares (Porão), restaurantes e botecos (Satélite) da cidade:

      Dei uma volta pelos fundos da Igreja do Carmo, passando pela Escola de Odontologia de Ouro Preto, após uma boa caminhada, já saí na lateral da Igreja de São Francisco de Assis, cujo largo se localiza uma feirinha de artesanato, com muita coisa feita de cristais e outros minerais:

      Por fim, voltei para almoçar no restaurante Forno de Barro, na praça da Inconfidência, onde serve a tradicional e deliciosa comida mineira. Reencontrei também almoçando lá a sanfoneira paulistana e o fotógrafo de Montes Claros, além de conhecer um estudante alemão de intercambio que estava hospedado no Brumas Hostel também.
      Após o almoço, saímos nós três para um passeio pelo lado leste da cidade, começando por uma visita pelo interior da Igreja de São Francisco de Assis. Depois seguimos até as Igrejas Nossa Senhora da Conceição (segunda foto a partir do pátio da Mercês) e Nossa Senhora das Mercês (na primeira foto a partir da frente da Conceição):

       
      Fomos até uma uma antiga mina de ouro, não entramos, apenas tomamos um belo açaí para recuperar as forças e enfrentar novamente as ladeiras no retorno ao hostel. A noite fomos, eu, o estudante alemão e um professor de história para O Porão novamente, um bom papo acompanhado por uma cerveja estupidamente gelada.
      06/01/2017
      Madruguei para assistir o nascer do sol, ao lado da igreja de São Francisco de Assis:

       
      Igreja de Santa Efigênia no topo ao lado do sol nascente:

      Inicialmente, tinha previsto que nesse dia iria até Mariana. Mas, acabei decido-me por ir, juntamente com o intercambista alemão, até o Pico do Itacolomy (1.772m) pela trilha de 7 Km no parque de mesmo nome. Fomos de ônibus até a entrada do parque e dali a pé em direção ao centro de visitantes (5km), mas demos sorte de pegar uma carona após 2km rsrs
      A trilha é mediana, mas conta com pontos íngremes, locais nos quais inclusive precisa-se de apoio das mãos na subida, mas as paisagens são surpreendentemente belas a cada passo dado.
      Vista de Ouro Preto:

      Após uma longa e sinuosa trilha, chegamos ao Pico do Itacolomy, local de onde dá para visualizar a cidade de Mariana:


      Saindo do local do pico, após subir uma trilha apertada em meio as pedras chega-se ao topo da serra do Itacolomy, uma bela visão de 360º na qual se vê a imensidão das terras mineiras:

      Tivemos que descer a trilha meio que na pressa rs, uma vez que começou a se formar uma forte tempestade com fortíssimos trovões, para nossa sorte pegamos chuva apenas próximo do centro de visitantes:


      Após a longa e sedenta trilha de volta (levem muita água rs) até o centro de visitantes, voltamos de carona até a cidade.
      Lá após um pesado almoço mineiro, pegamos carona com o fotografo de Montes Claros para Belo Horizonte, sem tempo nem para tomar um banho kkk.
       
      Algumas considerações sobre Ouro Preto:
      - Ouro Preto tem uma boa estrutura turística, com diversas opções de turismo histórico-cultural e bares/restaurantes.
      - Andar pela cidade é uma excelente opção para turistar, mas é importante ter folego para enfrentar as ladeiras da cidade rsrs.
      - A visita das igrejas é imperdível, mas diante dos custos vale a pena selecionar umas duas para conhecer (a Igreja de São Francisco é fundamental).
      - Mariana é visita “obrigatória” para quem vai para Ouro Preto, mas diante do meu tempo exíguo preferi fazer a trilha do Pico do Itacolomy.
      - Por fim, vale a pena demais conhecer trezentos anos de história do Brasil, passando pelos períodos do Brasil colônia e sua mineração, a inconfidência, as escolas de minas e odontologia, além da impressionante arquitetura das igrejas e palacetes.
       
      BELO HORIZONTE:
      06 – 01 – 2017:
      Chegamos em BH já a noite, fui para o apartamento no qual havia reservado um quarto através do Airbnb. Fui muito bem recebido pelos proprietários, pessoas super hospitaleiras, além de estar localizado em um excelente local, próximo a estação de trem de Belo Horizonte.
      A noite fui para ao famoso Edificio Maletta com o pessoal que conheci em Ouro Preto, lá tomamos uma no Objetoria, depois saímos para o Sindicato do Choppe:

      07 – 01 – 2017:
      Tirei a manhã para conhecer o complexo cultural da Praça da Liberdade, um complexo de museus e centros culturais no entorno de uma belíssima praça, na imagem com o Edíficio Niemeyer ao fundo:

      Fui primeiro ao Centro Cultural Banco do Brasil, no qual ocorria uma exposição de arte denominada ComCiência, que trazia uma interessante proposta sobre a perspectiva da vida humana e animal em um futuro distópico:

      Agora, o Memorial Minas Gerais Vale, focado na história do estado de Minas e do seu povo com interessante acervo de mídia sobre a formação do povo mineiro:


      Saindo dali fui até o Museu das Minas e dos Metais, focado na metalurgia e mineração, atividade de forte importância econômica em Minas a ponto de inclusive oferecer o primeiro nome ao Estado. Lá encontra-se farto acervo audiovisual e interativo, além de grande coleção de minérios, inclusive um meteorito no qual todos os visitantes podem tocar. Na imagem, o Museu de Minas e dos Metais e ao fundo o Espaço de Conhecimento da UFMG, dedicado as ciências:

       
      Enquanto esperava a abertura do planetário do Espaço do Conhecimento da UFMG fui até a famosa Sorveteria São Domingos, sem dúvida o sorvete mais delicioso que já tomei. No Espaço pude assistir a uma representação de uma noite nos céus da Inglaterra que inspirou Shakespeare em seus escritos.
      Na volta para o apartamento onde estava hospedado passei no Parque Municipal Américo Gianetti, uma bela peça de interação entre arquitetura e a natureza no centro de uma metrópole, e além de parar na interseção da Avenida Bahia com a Álvares Cabral (a “quando cruza Ipiranga a Avenida São João” de BH), afinal nada mais beozontino que subir Bahia e descer Floresta:

      No período da tarde fui até a Praça do Papa, no alto da cidade de Belo Horizonte, emoldurada pela Serra do Curral ao fundo. Além de ter um dos mais belos por-sol, acompanhado por centenas de pessoas:


      No mais, sem dúvida, a melhor vista de Belo Horizonte também está aqui:

       
      Voltei para o apartamento por volta das 21:00hs, pois no outro dia teria que acordar cedo para não perder o trem para Governador Valadares.
       
      Algumas considerações sobre Belo Horizonte:
      - Ouro Preto tem uma excelente estrutura urbana (transporte público, opções de lazer noturno, etc), com diversas opções de turismo histórico-cultural e bares/restaurantes.
      - Andar pela cidade é uma excelente opção para turistar, ruas amplas e praticamente sem ladeiras e onde qualquer um pode facilmente se localizar em razão da organização bem racional e planejada das vias públicas.
      - Fiquei muito pouco tempo na cidade, pequei por não ter conhecido todos os lugares mais interessantes da cidade, mas isso serve como desculpa para voltar em outra oportunidade rsrs
       
      08 – 01 – 2017:
      Acordei cedo, pois o trem sairia as 07:00 (sem atrasos rs) da estação central de Belo Horizonte, ainda bem que fiquei hospedado bem próximo de lá. Vagões confortáveis, com televisores e tomada individual, além de vagão restaurante e serviço de bordo (almoço incluso):


      O melhor dessa viagem de mais de 600km sem dúvida foram as belas paisagens vistas pela janela do trem, minas gigantescas, pontes que desafiam grandes distâncias, bucólicas cidadezinhas a beira da ferrovia, florestas e fazendas:


       
      GOVERNADOR VALADARES:
      08 – 01 – 2017:
      Cheguei em Governado Valadares por volta das 15:00hs, Célio Nobre já me aguardava nas proximidades da estação de trem. Próximo destino - Pico da Ibituruna. Objetivo – voo livre de parapente:

      Lá de cima além de avistarmos a cidade de Governador Valadares, ainda se tem uma vista em 360º da imensidão dos Gerais, que dão o segundo nome desse tão belo Estado:

      Simplesmente incrível a sensação de liberdade e paz, nenhum resquício de medo ou temor, apenas admiração naquele momento:

       
      Após esse incrível voo, fui ao shopping dar tempo até o horário de ir a rodoviária pegar meu ônibus com destino a Bahia rs
       
      Algumas considerações sobre a viagem de trem e Governador Valadares:
      - Viagem de trem foi uma das partes mais surpreendentes deste meu périplo mineiro, já que nunca tinha viajado assim, experiência que valeu demais a pena a um custo menor até mesmo que viagem de ônibus. Recomendo demais. Vale a pena ficar algum tempo no último vagão, vista incrível.
      - O voo de parapente em Gov. Valadares não tenho palavras para descrever, apenas isso.
       
       
       
       
    • Por Patricia Senatore Grillo
      Olá mochileiros e mochileiras!  
      Voltamos e dessa vez com uma viagem bem caprichada! Se você têm acompanhado nossos relatos por aqui, sabe que já tivemos alguns finais de semana e alguns bate-e-volta a partir de Invercargill (Catlins e Peninsula Otago; Te Anau e Milford Sound; Queenstown). Pois bem… dessa vez partimos para uma semana inteira de descobertas em terras maoris.
      O fato é que Diego soube que teria duas semanas de férias da pós (break de meio de semestre) e decidimos antecipar alguns de nossos planos para o último mês de Nova Zelândia. Como voltaremos para o Brasil em agosto, a idéia inicial era aproveitar julho – após as aulas – para conhecer os lugares mais distantes de IVC. Porém, julho significa inverno que por sua vez significa restrição em alguns dos nossos pontos de interesse devido neve, condições climáticas e riscos de avalanche. Assim sendo, lá fomos nós planejar uma semana viajando pela Ilha Sul. O roteiro original tinha 8 dias/7 noites, mas em nome da economia consegui apertar e fazer nosso roteiro caber em 7 dias/6 noites. Partimos para a viagem com o seguinte cronograma:
      1º dia: Twizel e Pukaki (noite em Twizel) 2º dia: Mount Cook: Hooker Valley e Kea Point Track (noite em Mount Cook Village) 3º dia: Mount Cook: Blue Lakes; Tasman Glacier e Red Tarns Track (noite em Twizel) 4º dia: Tekapo (noite em Twizel) 5º dia: Mount Aspiring National Park: Rob Roy Track (noite em Wanaka) 6º dia: Roys Peak Track (noite em Wanaka) 7º dia: Blue Pools; Arrowtown e volta para casa. No meio da viagem mudamos os planos (conto por quê ao longo do relato!) e o roteiro feito foi:
      1º dia: Twizel, Pukaki e Tekapo (noite em Twizel) 2º dia: Mount Cook: Hooker Valley; Kea Point e Red Tarns Track (noite em Mount Cook Village) 3º dia: Mount Cook: Blue Lakes; Tasman Glacier View e Twizel: Twizel Walkway (noite em Twizel) 4º dia: Mount Aspiring National Park: Matukituki Valley; Diamond Lake e Lake Wanaka (noite em Wanaka) 5º dia: Roys Peak Track (noite em Wanaka) 6º dia: Blue Pools; Arrowtown e Lake Hayes (noite em Shotover River) 7º dia: Glenorchy e volta para casa.  
      1º dia: TWIZEL, PUKAKI e TEKAPO
      Saímos pouco depois das 7h embaixo de uma friaca e tendo que tirar o gelo do parabrisa do carro.  O fato é que nos dias que antecederam a viagem tivemos uma frente fria que derrubou a temperatura em diversos pontos do país e, inclusive, causou estragos com os temporais em Auckland. Mas como não tem tempo ruim que tire a vontade de viajar, lá fomos nós! 
      O destino era Twizel e isso nos daria cerca de 4 horas e meia de estrada pela frente. O frio havia coberto de gelo os gramados e pastos pelos caminho, mas a estrada felizmente estava de boa. Bem, já devo ter falado isso nos outros relatos: se tem uma verdade sobre viajar na Nova Zelândia é que as estradas são lindas – sempre.  Por esse motivo acredito que a melhor opção de transporte seja alugar um carro para poder parar em todos os lookouts pelo caminho e que as viagens devam ser feitas sempre durante o dia (além de ser uma precaução para evitar possível gelo no asfalto e de ser mais seguro, visto que todas as estradas que pegamos até agora são mão dupla e com alguns pontos mais estreitos).
      No caminho, destaque para o Lake Dustan, The Bruce Jackson Lookout (em Cromwell) e Lindis Pass Viewpoint (o lookout mais anunciado de todos: 15km de distância já tinha placa! Mas o lookout em si não é tããão lookout assim... ). Lindis Pass liga as regiões de Mackenzie Basin com Central Otago, em uma altitude de 971m acima do nível do mar.


      Chegando em Twizel fomos recepcionados pelo Lake Ruataniwha e provalvemente não encontrarei palavras para descrever o quão azul é esse lago. Eu havia visto algumas fotos na internet, mas tinha certeza que o Photoshop rolava solto… até vê-lo pessoalmente. 

      Algumas fotos depois seguimos viagem em direção à Pukaki. Havia lido sobre uma trilhazinha de 10 minutos chamada Pukaki Boulders e fomos direto para lá. Essa trilha começa na estrada que vai para o Mount Cook e achá-la não foi tãããão simples: o Google Maps não a localiza e a placa não está na beira da rodovia, portanto passa facilmente despercebida. Pukaki Boulders foi o primeiro “ponto de interesse” da NZ que não tinha estacionamento – e como as estradas daqui não têm acostamento, precisamos parar o carro meio de banda no gramado. 5 minutinhos de caminhada e chegamos em umas pedras – fim de linha. As pedras eram as “boulders”, que foram parar ali na era glacial. Nada de mais. Nadica mesmo. Economizem esses 10 minutos e façam qualquer outra coisa mais legal! 

      De lá voltamos para a SH8 (a rodovia de Twizel) e seguimos em frente rumo ao Lake Pukaki, também de um incrível azul. O I-Site (centro de informações ao turista) fica na beira do lago e obviamente estava cheeeeeio de turistas. Uma dica é seguir para qualquer outro estacionamento (existem vários ao longo do lago!) e fugir da galera.

      Ainda eram umas 14h e como o dia estava ensolarado (contrariando as previsões), decidimos esticar até Tekapo, 30 minutos de distância. Bem no começo da cidade você já encontra o lugar mais famoso por ali, a Church of the Good Shepherd. A igrejinha de pedra fica na beira do lago, com as montanhas nevadas ao fundo e é a coisa mais linda e pitoresca  – e cheia de turista. Muuuuuitos. Saímos para desbravar a orla do lago e na volta consegui uns 5 segundos sem ninguém na frente da igreja. Hahahaha! 


      Seguindo com o carro, contornando o lago, paramos na Old Homestead Picnic Area e o lugar era tão gostoso (e ver o lago era tão lindo) que ficamos algum tempo por ali. Estávamos esperando o sol baixar um pouco para seguir para o topo do Mt. John Observatory. Wanaka faz parte da Aoraki Mackenzie International Dark Sky Reserve e seu céu é considerado um dos melhores do mundo para ver as estrelas. O observatório oferece tours (o mais barato sai $140), mas nossa viagem era low budget e o tour não cabia no nosso bolso, hehehe.  A idéia era apenas subir até o observatório para ver Tekapo lá de cima, mas chegando lá a estrada estava fechada (tem uma cancela no início da subida) e não entendemos se isso é recorrente ou se demos azar. Enfim, não subimos.
      Voltamos para Pukaki e paramos novamente no lago para ver o pôr-do-sol. As nuvens que estavam no topo das montanhas durante à tarde haviam diminuído e conseguíamos ver o Mount Cook. O sol foi embora, o frio tomou conta e fomos pro hostel.


      O High Country Lodge, em Twizel, é um hostel bem simples e o maior ponto a seu favor é a localização (tudo bem que Twizel deva ter umas 6 ruas… ). Ao lado dele tem uma Liquor Store (loja que vende bebidas – aqui na NZ não são todos os mercados que podem vender bebida alcoólica), um mercado e um mall que na verdade é todo o centrinho da cidade. Tem uns barzinhos boitinhos também, mas como nossa viagem foi na base do economizar o que for possível, comemos no hostel mesmo! A cozinha do hostel tinha tudo que precisávamos, mas dava uma deslizada na limpeza (aliás, esse é um ponto interessante: grande parte das pessoas por aqui não têm toda aquela dedicação para lavar louça e muitas vezes nem bucha você encontra – saudades, detergente Ypê e Scotch-Brite! ). Ficamos em um quarto compartilhado com 2 beliches bem barulhentas, mas na primeira noite não tinha mais ninguém no quarto conosco. $35/noite por cabeça.
       
      2º dia: MOUNT COOK NATIONAL PARK
      Partimos cedo sentido Mount Cook National Park, cerca de 40min de distância – e sim, a estrada mais uma vez é linda e sim, você consegue ver o Mount Cook lindão à sua frente. Contrariando a previsão do tempo, não choveu o dia toooooodo e conseguimos fazer a primeira trilha no seco. A primeira escolha foi a mais famosa por ali, a Hooker Valley Track. É uma trilha de 10km bastante tranquila, com 3 pontes suspensas pelo caminho. Você começa apreciando o Mueller Lake e termina com a visão incrível do Hooker Lake/Glacier e Mount Cook – que nesse momento estava praticamente todo descoberto . As placas sinalizam 3h return para essa trilha, mas levamos 1h10 cada trecho, apenas. O caminho todo é bem bonito e com certeza é um must-do. No início do caminho você encontra uma indicação para a Freda’s Rock: Freda du Faur, australiana, foi a primeira mulher a escalar o Mount Cook/Aoraki e essa pedra é onde ela tirou a foto para registrar o feito – isso foi em 1910 e a foto está reproduzida no local. Palmas para Freda!  Também tem um memorial construído em 1922 em homenagem a alpinistas que foram atingidos por uma avalanche em 1914 e somadas à homenagem inicial você encontra diversas outras plaquinhas de outros montanhistas vítimas de quedas ou avalanches por ali .



      Ao voltarmos para o estacionamento o tempo já estava nublado e havia começado uma chuva fina (se você está na NZ, principalmente em áreas montanhosas – ou em Invercargill, hahaha  – nuuuuunca esqueça sua jaqueta e calça impermeáveis). Seguimos para Kea Point Track, apenas 2.8 km. Essa trilha, também tranquila, termina em um mirante para o Mueller Lake e, se o tempo colaborar, parece que você vê o Mt. Cook dali também – não sabemos.

      A chuva apertou e fomos para o hostel fazer o check-in. Como ainda eram umas 15h30, decidimos encarar o clima inóspito e fazer a Red Tarns Track, uma trilha que começa no meio da vilazinha, com previsão de 2h return. Prestem atenção na descrição: você caminha uns 100m, atravessa uma pontezinha e encontra uma escada – e a escada nunca mais vai acabar.  É 1h subindo degrau, 300m de ganho de altitude. Lembra que tava chovendo? Pois é. No meio do caminho era só neblina e não vimos nadica de nada ao redor. No final da trilha tem um laguinho com umas plantinhas que deixam ele meio avermelhado e, por conta do tempo, tinha um pouco de neve também. Voltamos encharcados e sem joelhos.  Talvez em climas mais amigáveis a vista lá de cima impressione!

      O hostel em Mount Cook Village foi o primeiro a ser reservado da viagem. A vila é minúscula e só encontrei 2 opções de hostel fora as opções de chalés e hotéis mais caros, o que faz a disponibilidade ficar bastante restrita. Ficamos no YHA, uma rede presente em toda a NZ e filiada ao Hostelling International. Nosso dormitório tinha 4 beliches, mas era todo bem estruturadinho e bastante confortável e o hostel tinha diversas facilidades e uma cozinha bem bacana. $39/noite por cabeça. Ah, importante: não tem mercado por lá, organize-se!
      Foi à noite, olhando o mapa na parede do hostel, que veio a idéia de mudar os planos da viagem. Como já havíamos antecipado à ida a Tekapo (que no roteiro original seria no 4º dia, mas que fizemos no 1º), por quê não tentar antecipar nossas diárias em Wanaka e seguir para Glenorchy no último dia? A idéia original foi do Diego e eu achei uma boa. Perderíamos umas das diárias de Twizel, mas por outro lado conheceríamos um lugar a mais, já que não sabemos quando teremos oportunidade de alugar o carro de novo. Fizemos contato com nossos anfitriões do AirBnb em Wanaka, que foram super disponíveis e disseram que não haveria problema algum e procuramos um lugar para passar a última noite perto de Queenstown. Como já falei no outro relato, Queenstown é extremamente turística e as coisas por lá podem ter um preço maior do que em outras cidades da NZ. A melhor opção custo-benefício que encontramos foi um quarto, também pelo AirBnb, em Shotover River – 10 minutinhos de Queenstown.
      (P.S.: fui descobrir só depois que o Diego trapaceou e olhou a previsão do tempo em Wanaka e por isso veio com a idéia de adaptar o roteiro! Que espertinho!!! ).
       
      3º dia: MOUNT COOK NATIONAL PARK e TWIZEL
      O terceiro dia amanheceu chovendo e enevoado. Mesmo assim saímos em direção a Blue Lakes e Tasman Glacier, ainda em Mount Cook National Park. Fizemos uma horinha dentro do carro esperando a chuva dar uma maneirada e lá fomos nós.
      Do estacionamento e ponto de início das trilhas você encontra duas opções: uma das trilhas leva ao Blue Lakes e Tasman Glacier View e a outra ao Tasman Lake, beirando as Blue Lakes (spoiler: na verdade elas são verdes ). Como a chuva parou por uns instantes, fizemos o viewpoint primeiro. É uma trilha curta (de uns 15-20 minutos), mas com uma subidinha.
      O Tasman Glacier é o maior da NZ, com 27km de extensão. Nossa visão não foi a melhor possível devido ao tempo, mas algo que percebi é que ele é coberto por uma espécie de resíduo, que não vou saber dizer o que é (rocha?). Ou seja, não espere aquele glaciar branquinho, por vezes até azulado, como é o Perito Moreno na Patagônia argentina, por exemplo. É diferente – e ainda assim bonito. Enquanto estávamos lá um arco-íris bonitão estava dando o toque especial no vale (outra característica da NZ: devido às mudanças rotineiras no clima, os arco-íris são bem normais por aqui… Em 3 meses de NZ com certeza vi mais deles do que havia visto nos meus 31 anos de Brasil!).

      Do viewpoint partimos para a outra trilha, que chegaria pertinho do Tasman Lake. Chegaria – o tempo verbal é esse mesmo . Essa trilha é estimada em 1h e o terreno é mais acidentado e com mais pedras. Neste ponto a chuva já havia recomeçado. Demos a volta nos Blue (”Green”) Lakes (bonitões, mesmo com o céu cinza!) até chegar em um ponto onde a trilha “acabava”: na realidade, a trilha neste pedaço era bem estreita e pedregosa entre a vegetação e estava completamente alagada. É bastante comum nas regiões montanhosas da NZ uma planta espinhuda e tentar abrir um caminho alternativo, além de não ser ambientalmente correto, ainda nos deixaria algumas marquinhas pelo corpo. A única opção seria tirar a bota e meter o pézão ali, com a água entre canela e joelho. Não estávamos nesse pique todo e o frio também não estava convidativo para isso – demos meia volta e paciência . Ainda deu tempo da chuva apertar mais no caminho de volta pro carro!


      Tínhamos cogitado fazer a Sealy Tarns antes de sair de Mount Cook, uma trilha de aproximadamente 4h return e, dizem, um pouco mais íngreme. Com o andar da carruagem e o tanto de chuva na cabeça desde o final da tarde do dia anterior, abortamos a missão e pegamos estrada sentido Twizel.
      Se nas montanhas o tempo estava horrível, na planície do lago estava a coisa mais linda! Tínhamos o resto do dia tranquilo, pois seguiríamos para Wanaka somente na manhã seguinte. Tocamos direto para o Lake Ohau, um lago distante uns 20 minutos de Twizel. De lá, voltamos para o Lake Ruataniwha (aquele primeiro, da chegada!) e fizemos parte da Twizel Walkway ao redor do lago. Ficamos por ali o resto do dia, bem delicinha.


      A noite foi no High Country Lodge outra vez.
       
      4º dia: MOUNT ASPIRING NATIONAL PARK e WANAKA
      Logo cedo deixamos Twizel e no caminho fizemos um desvio de 30 minutos para ver as Clay Cliffs, uma formação rochosa na região de Omarama. Seguimos então sentido Wanaka, mais precisamente sentido Rob Roy Glacier, a quase 3h de distância.

      Basicamente, as informações que eu tinha sobre o Rob Roy Track é que era uma trilha de 10km no Mount Aspiring National Park, estimada em 4h return, com acesso restrito de Maio a Novembro devido risco de avalanche e que era uma trilha fácil, inclusive possível para crianças um pouco mais velhas. Ok. 
      Cruzamos a cidade de Wanaka e seguimos na estrada em direção ao parque. O dia estava ensolarado desde nossa partida de Twizel, mas claro que quanto mais perto das montanhas do Mt. Aspiring National Park maiores eram as nuvens e a chuvinha começava. Bem, a primeira descoberta foi que para chegar até o estacionamento e ponto de partida da trilha seriam 30km de estrada de terra – beleza, a gente encara. A segunda descoberta foi um pouco mais, digamos, desafiadora: chega um momento em que a estrada começa a ser cortada por “fords”: riachos.  Ficamos receosos com o primeiro, mas cruzamos e a partir dali a estrada tinha uns trechos bem estreitos. O grande problema é que eles eram muitos e, além de serem muitos, a profundidade aumentava: chegamos em um bem grandinho e ficamos com cagaço de continuar – além do nosso carro ser alugado, ele era um modelo de Hyundai bem pequenininho e baixinho e a chance de “dar ruim” era alta. O da foto foi um dos primeiros, quando ainda eram rasinhos.  

      Decidimos voltar um pedaço e parar em uma outra trilha que vimos pelo caminho, a East Matukituki Valley. O problema era que ela é apenas um trecho de uma travessia maior e demoraria cerca de 3h para te levar para um abrigo, mas ainda assim decidimos fazer parte dela só para não perder o dia e o investimento psíquico de chegar até ali, hahaha.  Andamos por cerca de 2h no vale e embora o lugar fosse bonito também, a verdade é que estávamos bem frustrados.

      Voltamos pro carro e Diego decidiu que iria tentar continuar para Rob Roy mais uma vez. Cruzamos mais uma vez alguns fords até chegar no mesmo lugar que havíamos retornado. Desci para tentar analisar o melhor caminho, mas não dava pra ter idéia de quão profundo era. Alguns minutos de análise e indecisão e Diego mais uma vez chegou à conclusão de que seria muito arriscado. Enquanto manobrávamos para retornar, chegaram outros dois carros e os motoristas também desceram para avaliar. Decidimos esperar e ver como eles fariam – depois de um tempo de indecisão eles cruzaram, mas de fato era bem fundo e a água atingia a parte de cima do parachoque. Em menos de 50 metros eles pararam e desceram novamente, provalvemente porque deveria ter outro ford maior. Realmente arregamos e lamentamos não ter um Jeep. Foi o fim da linha. 
      No caminho de volta para Wanaka, sem nada planejado, paramos no Diamond Lake Conservation Area. Dali você pode seguir 10 minutinhos até o lago, 40 minutos até o Lake Wanaka viewpoint ou 1h30 até o topo da Rocky Mountain. Fomos até o viewpoint.

      A parada seguinte foi em Glendhu Bay Lookout, de onde teoricamente você enxerga o Mt. Aspiring e de lá, fomos para o centro de Wanaka ver a famosa Wanaka Tree, a árvore que nasceu no meio do lago. A paisagem é curiosa e bonita, mas o mais bizarro é quando você chega: você dá de cara com um amontoado de pessoas, eu diria que 99% asiáticos, com tripés e câmeras fotográficas gigantes pra fotografar a árvore.  Engraçado e estranho.


      A cidade de Wanaka é bem gostosa e para nós lembrou muuuuito Queenstown. Tem uns bares e restaurantes que parecem ser legais e todo um movimento turístico.

      Ficamos em um AirBnb, hospedados pela Erica e pelo Pete. A casa deles fica a 20 minutos de Wanaka, no caminho para o Lake Hawea. O preço era similar aos quartos compartilhados de hostel na cidade, mas como não tínhamos planos de gastar com restaurante ou bares à noite, optamos pelo conforto de um quarto e banheiro só pra gente. A casa é linda, espaçosa e aconchegante!
       
      5º dia: WANAKA: O ROYS PEAK
      Esse foi um dos dias mais esperados da viagem e, sem dúvidas, um dos meus favoritos! O projeto era ousado: fazer o Roys Peak Track. O tempo estava lindo (ou seja, foi ótimo mudarmos os dias da viagem!) e antes de seguir para a trilha, ainda aproveitamos o céu azul para passar rapidamente (de novo) na Wanaka Tree.

      Sobre o Roys Peak: a trilha de 16km de extensão te leva primeiro até o viewpoint (a foto que provavelmente vai aparecer se você fizer uma busca por Roys Peak) e de lá até o topo, a 1578m de altura. A previsão é de 6h return e para o nosso ritmo deu exatamente isso. A trilha é inteeeeeira de subida, na qual você ganha uma elevação de 1.228m e, embora não exija nenhuma habilidade técnica, exige muito pulmão. 
      Quando começar a trilha procure por uma antena beeeeeem no alto: é lá que você vai chegar.  Levamos 2h20 até o viewpoint e até chegar nesse ponto você não vê grandes mudanças de paisagem, exceto que as ovelhas e os arbustos ficam pelo caminho conforme você sobe – é apenas um grande zigue-zague montanha acima. A característica do Roys Peak viewpoint é que você está na crista da montanha e tem uma visão incrível da crista das montanhas menores, à frente. São montanhas nevadas, lagos menores e o grande Lake Wanaka, lindão. Mesmo com céu aberto, como toda montanha, o vento é congelante. Do viewpoint até o topo foi umas das coisas mais incríveis que já vi na vida e, para aumentar a beleza, próximo do topo a trilha estava com neve.  Claro que isso aumentava a beleza, mas aumentava o desafio também, hahaha.  A neve deixava o caminho extremamente escorregadio e principalmente no finalzinho, o negócio ficava tenso. Para subir, ok. Para descer, era uma pista de patinação! Vimos um capote e vários escorregões e boa parte descia meio que sentado, hehehehehe. 
      A trilha pro Roys Peak fecha somente de outubro a novembro por conta da época de reprodução das ovelhas (lambing season), mas no inverno você precisa portar (e estar hábil a usar) equipamento de gelo (crampons e aqueles machadinhos de gelo), além de atentar para o risco de avalanche. Ah, nós levamos nossos bastões de trekking e, embora eles não sejam indispensáveis, acho que eles foram bastante úteis (principalmente na parte final).
      Se na subida você precisa de fôlego, na descida você precisa de joelho. Parece que quanto mais você desce, mais longe está o estacionamento. O que eu gosto de descidas é que geralmente é o momento que você mais se dá conta do quanto subiu.





      Terminamos a trilha destruídos e fomos recuperar a vida fazendo hora embaixo de uma árvore no Lake Wanaka e depois fomos para Bremner Bay ver o sol se por atrás das montanhas.
      (Ah, lembra dos fords do dia anterior? Conversando com a Erica, nossa anfitriã, ela contou que eles estão lá independente da época do ano e que é muito comum os carros de passeio terem problemas ao atravessá-los. Inclusive, disse que não é raro que os fords carreguem troncos pelo caminho e, por não vê-los, os carros se arrebentarem.  Isso diminuiu um pouco a nossa frustração do Rob Roy!)
       
      6º dia: LAKE HAWEA; BLUE POOLS; ARROWTOWN e LAKE HAYES
      Ainda sob o efeito do Roys Peak e relembrando cada músculo que existe em nossas pernas , deixamos Wanaka sentido Makarora com destino definido: as Blue Pools. Pelo caminho, destaque para o Lake Hawea lookout.

      As Blue Pools fazem parte do Mount Aspiring National Park, mas o acesso (dessa vez asfaltado!) é de um lado diferente do Rob Roy, fica mais ao leste, mais ou menos 1 hora de distância de Wanaka. Do estacionamento até as pontes suspensas são 10-15 minutos. Como o dia estava nublado, estavámos na expectativa se elas seriam tão azuis assim. Bem, vejam vocês mesmos na foto. 

      De lá pegamos estrada sentido Arrowtown, mais quase 2h de viagem. A estrada de Wanaka para Arrowtown passa por Cardrona, uma cidade que foi fundada na época da corrida ao ouro, e pouco depois atinge o Crown Range Summit, no topo da serra – com um visual beeeeeeem bonito. Outro destaque no caminho, mas aí já descendo, é o Arrow Junction Lookout Point. Dependendo do clima redobre o cuidado nessas estradas: a serra tem umas curvas bem caprichadas e, na época do inverno, pode ser necessário botar corrente no pneu.


      Deste último lookout até Arrowtown é um pulinho. A cidade é bem pequenininha, mas a fama de seu outono é grande e chegando lá não foi difícil saber o porquê. Acho que o melhor jeito de descrever Arrowtown é dizer que ela é uma cidade dourada, do tanto que o amarelo das árvores prevalescem na paisagem. A colina na entrada cidade é uma escala de cores entre amarelo e vermelho e a cidade tem um quê altamente aconchegante.  Fora os restaurantes e as lojas que vendem jóias feitas de jade, não tem tanta coisa assim pra se fazer por lá, mas vale a pena a visita. Fizemos duas trilhas de 1h cada, mais ou menos, a Arrow River Trail e a Arrowtown Millennium Walk. A primeira é mais legal porque você vê a paisagem mais aberta, mas o que eu não gostei foi o fato de que ela acompanha um grande cano de água da cidade. Desnecessário.


      Saindo de Arrowtown fizemos uma parada rápida no Lake Hayes e demos uma esticada até a Old Lower Shotover River. Uma curiosidade é que o Shotover River foi um dos rios mais ricos em ouro do mundo.


      A nossa hospedagem foi na casa da AJ. Dependendo do que você procura, a localização pode não ser tão boa por ser um bairro que não tem nenhum comércio perto, mas a casa era confortável e para nós foi uma ótima opção.
       
      7º dia: GLENORCHY
      Saímos de Shotover River direto para Glenorchy e decidimos que faríamos as paradas na estrada durante a volta. Glenorchy fica no final do Lake Wakatipu e a estrada de Queenstown até lá margeia o lago o tempo todo e é considerada também uma das estradas mais bonitas da NZ.
      Glenorchy é um pequeno vilarejo próximo a dois grandes parques, o Mt. Aspiring National Park (que se estende de Wanaka até lá) e o Fiordland National Park (o de Milford Sound) e é ponto de partida de uma das grande travessias da NZ, a Routeburn Track – chegamos a cogitar fazer o bate e volta da primeira perninha da Routeburn, mas seria uma caminhada longa para quem iria precisar pegar a estrada de volta para Invercargill.  Glenorchy também é conhecida por ter sido cenário de filmes como Senhor dos Anéis, Nárnia e X-Men e várias empresas vendem passeios guiados para esses lugares, além da famosa estrada para Paradise. Na realidade nossa ida para lá foi mais despretensiosa e demos uma circulada pelo píer, vimos as famosas Willow Trees e seguimos somente até o Isengard Lookout. O tempo não estava lá aquela coisa e logo pegamos o caminho de casa.



      Nossa primeira parada na volta para Queenstown foi em Bennetts Bluff Lookout, um mirante na parte alta da estrada. Não tem placa indicando o local, embora tenha um painel informativo depois que você desce do carro – você pode achar a localização certinha no Google Maps. Paramos ali e ao descer quase perdemos a porta do carro, literalmente. O vento estava muito muito muito muito forte e segurar a porta, na hora de entrar de volta no carro, foi uma missão e tanto. 

      Seguimos mais uns 5 minutos de estrada até Bob’s Cove Track, uma trilhazinha de meia hora que passa por um píer e sobe para o um lookout do Wakatipu. De lá você também tem a opção de seguir para a Twelve Mile Delta ou para a Bridle Track, ambas com estimativa de 2h. A última parada foi em Wilson Bay, já bem perto de Queenstown. Depois, 2h30 de estrada até chegar em casa.


      A viagem foi linda e mesmo com o tempo oscilando, tivemos dias muito bem aproveitados! Não consigo escolher uma parte favorita, mas os lagos todos (Pukaki, Tekapo e Ruataniwha), Mt. Cook, Roys Peak e Blue Pools são imperdíveis, em minha opinião. 
      Para esse trajeto todo gastamos cerca de $275 de gasolina, mas rodamos mais de 1500km.
      Ah, e pra quem queira acompanhar as fotos no Instagram: @paty.grillo 
       
       
       
       
       
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