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O relato que passo agora a narrar é uma história única na minha vida, não foi a minha viagem mais emocionante, a melhor, a mais bonita, a que mais gostei ou a que mais planejei. Mas foi a viagem que por um momento na minha vida achei que nunca mais fosse fazer.

 

Para entender o que estou falando é preciso voltar à 15 e 16 de agosto de 2009. Nessa data fiz meu ultimo trekking, juntamente com meus amigos Haole e DaniloDassi, lá no famigerado Pico Paraná - PR.

 

Depois disso havia marcado com o haole a travessia Petrópolis-Teresópolis, na Serra dos Orgãos , o que de fato nunca ocorreu pois após essa viagem com meus amigos tive problemas de saúde na minha familia o que me fez cancelar a travessia e qualquer outra viagem/trekking no ano de 2009.

 

2010 prometia ser um ótimo ano, ja no final de 2009 havia planejado uma viagem de volta as Patagonias, fazendo trekking em Torres del Paine e El Chaltén, iria com Haole, DaniloDassi e com minha grande amiga Mi_GR, pouco antes do final do ano eu ja estava com as passagens compradas para Santiago do Chile para o final de fevereiro, mas a Milena teve que desistir da viagem, sobraríamos eu e os meninos.

 

Mas o destino nos prega algumas peças e logo após o reveillon de 2009/2010, mais precisamente no dia 4 de janeiro de 2010, sofri um sério acidente de moto, tive uma fratura exposta na perna esquerda, rompi ligamentos, tendões e nervos, corri o risco de perder o pé, passei um mês no hospital, saindo de lá com uma placa e seis parfusos no meu pé e um belo conjunto de cicatrizes.

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Nesse mês de hospital pensei que nunca mais andaria de moto, que nunca mais faria um trekking, que nunca mais correria e por alguns momentos duvidei que voltaria a andar. Mas tive o apoio de pessoas maravilhosas da minha família, dos meus amigos e dos meus amigos mochileiros. Recebi de membros da "família" mochileiros.com inúmeras ligações, e-mails, recados em redes sociais, e até algumas visitas no hospital. Todo esse apoio de todo mundo me ajudou a não desistir e acreditar que teria um final feliz.

 

O resultado imediato foi que minha viagem para a Patagonia foi cancelada, por ironia do destino eu chegaria em Santiago no dia 26 de fevereiro de 2010, sendo que no dia 27 de fevereiro o chile foi devastado por um terrível terremoto. Hoje pensando é até engraçado, mas esse viagem não ocorreu só para mim, mas para todo mundo, sendo que somente eu chegaria antes do terremoto, Haole, Danilo e Milena chegariam depois do terremoto, talvez para me retirarem dos escombros.....

 

Passei o ano de 2010 inteiro e parte de 2011 fazendo fisioterapia e aprimorando a forma física, as vezes olhava para as minhas mochilas (inclusive uma arc'terys novinha que não tinha tido a oportunidade de usá-la ainda) e me vinha o seguinte questionamento: "quando vou colocá-las nas costas novamente e encarrar uma trilha? mas será que um dia vou conseguir fazer isso novamente?". A resposta viria exatos 1 ano e 7 meses após o meu acidente.

 

No dia 4 de agosto de 2011(quinta-feira) comecei a preparar minha mochila, separei minha barraca que ja me acompanhou por tantos lugares no brasil e até fora dele, e que injustamente descansava em meu armário fazia dois longos anos - o mesmo destino que teve toda a minha "tralha" de trekking, eu já não sabia mais arrumar uma mochila decentemente devido ao longo hiato no estaleiro, mas já tinha um destino e uma idéia na cabeça - Pedra do Sino na Serra dos Orgãos, curioso que este seria o destino do meu "próximo trekking" depois daquele no Pico Paraná em 2009, a minha tão sonhada volta as trilhas depois de 2 anos, mtas incertezas, dor e dúvidas tinha que ser em um lugar especial, com pessoas especias e graças a Deus minha vida é cercada delas (não vou fazer aqui nenhuma menção a estas pessoas especiais que me convidaram, acolheram, caminharam e dividiram estes momentos mais que especiais comigo, todas elas sabem quem são e o quanto foram importantes para mim nesse retorno).

 

No dia 5 de agosto fui trabalhar ansioso, confesso que fazia tempo q não ficava assim antes de uma viagem, sai do trabalho vim para casa, "joguei" a mochila na caçamba e peguei meu caminho para o Rio, mas a cidade de São Paulo é louca e demorei quase 3 horas para atravessá-la, após uma cansativa viagem cheguei à Cidade Maravilhosa ja no inicio da madrugada, cochilei e acordei logo cedo para encontrar os outros "trekkers", mas não antes de ser abençoada por uma belissima vista do sol nascendo na Baia da Gauanabara.

 

Cheguei em Teresópolis na sede do Parque Nacional Serra dos Órgãos por volta das 10 da manhã, amarrei o cadarço da minha bota, enchi meu cantil, afivelei a mochila nas costas e as 10:40 do dia 6 de agosto de 2011 finalmente DEPOIS DE 2 ANOS, muita dor, sofrimento, medo, incerteza, perseverança, coloquei meu pé esquerdo na trilha! Fiz questão de começar essa caminhada com meu pé esquerdo, para pisotear nesse último fantasma que me assolava desde meu acidente. Que coisa boa é voltar para o mato, ao contato com a natureza, romper desafios, ganhar terreno, passo a passo ia me sentindo uma criança novamente dando os meus primeiros passos morro acima.

 

A trilha é muito bonita e o tempo estava bom, ideal para quem estava "começando" novamente. Após 1 hora e 40 minutos cheguei a cachoeira Veu da noiva que estava praticamente seca, ali fiz a primeira "avaliação" do meu estado, meu pé estava muito bem, mas eu senti um pouco o peso que ganhei ::hahaha:: o meu fisico estilo Ronaldo Fenomeno não estava me ajudando em nada, apos uns minutos de descanso e algumas fotos, sigo morro acima. Fui caminhando lentamente no meu ritmo, parando para descansar, beber agua, conversar e agradecer por estar ali.

 

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Após umas 6 horas de trilha cheguei no abrigo 4 onde 90% do meu grupo iria pernoitar, mas para mim dormir no abrigo não bastava, 2 anos esperando para esticar o isolante no chão de uma cabana? Eu precisa acampar, sentir o vento bater na barraca, ter o prazer de dormir num terreno irregular, lutando contra as intempéries do tempo, mas acampar no camping do abrigo 4 também era pouco para mim e decidi subir até o cume da Pedra do Sino e acampar por lá.

 

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Sai do abrigo 4 ja cansado e subi ate o cume em pouco menos de 1 hora, montei a barraca ja no escuro num pequeno platô abaixo do cume, fui preparar minah janta um "delicioso" miojo. Depois de jantar fiquei apreciando a bela vista da baixada fluminense jogando conversa fora com amigos e principalmente com Deus.

 

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Após uma noite de pouco frio (acredito que a temperatura estava na casa de 6ºC na madruga) acordei as 5 da manhã para ver sol nascer. Um espetáculo impressionante, daqueles que só trekkers e montanhistas tem o privilégio de ver e digo isso com propriedade, pois em 2 anos afastado nunca mais tinha visto um espetaculo como presenciei naquela manha de domingo (7/8/2011). Ao ver cenas como essa a qual eu vi na bela serra dos orgãos posso afirmar que o Brasil é um pais lindo demais, e que somos abençoados por Deus que nos deu tamanha beleza.

 

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Após o show da natureza era hora de levantar acampamento e iniciar a descida, feita em pouco mais de 4 horas, almoçamos e ainda demos uma paradinha no mirante para ver o Dedo de Deus.

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Fiquei surpreso com meu desempenho nas trilha, para quem estava a 2 anos parados acho q fui mto bem, terminei o trekking muito feliz, voltei para São Paulo com a sensação de que esta foi só a primeira de muitas e querendo mais. Caminhar na natureza é uma das melhores coisas que existe para se fazer, é uma terapia, uma hobby fantástico e algo que realmente eu preciso fazer sempre e graças a Deus posso dizer que EU VOLTEI!!!

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ae Marcao.... Bem Vindo de Volta!!! show de bola ver mais um relato depois de 2 anos....parabens pela perseveranca! e como dizem no teatro..quebre a per......nao..melhor nao!!!..kkkkkk

 

abs

 

leo

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Xará!!

 

welcome back!!!

 

que seu pé esquerdo enfrente muito mato, terra, barro, rios, cachoeiras, desertos e tornados!!! Nada paga a sensação de voltar as trilhas após um periodo tão tenso!!

Parabens pela superação e força de vontade!!!

 

Abraço!

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Grande Marcão!!!!!! Parabéns pelo seu retorno às atividades mochileiras, velho!!!!! Esse teu pé esquerdo ainda vai te dar mais alegrias que o pé do Neto aos corintianos!!!! ::lol4::::lol4::::lol4::

Cara, teu relato transmite bem a emoção de voltar a fazer algo que te satisfaz, te dá prazer e alegria. Muito bom!!!!

 

Como disse o Léo em relação ao teatro, só uma palavra (que significa sorte entre os atores): MERDA!!!!!!!!!!!

 

Grande abraço!!!

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Parabéns pelo retorno!!! Que ele seja duradouro e intenso!!! ::cool:::'>

Eu passei por algo parecido; após 10 anos sem trilhas por motivos familiares, de trabalho (falta de tempo e companhia) tive um problema sério na coluna, e fiquei um ano e meio sem fazer nenhuma atividade física.

Nesse período de molho conheci o mochileiros.com e ficava lendo os relatos (seus, do Haole, Danilo...) pensando que nunca mais iria subir uma montanha, descer uma cachoeira, colocar uma mochila nas costas nem pensar.

Mas graças a Deus minha coluna melhorou, conheci a AMC e voltei pro mato. E como você já sabe, É MUITO BOM!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! ::otemo::::otemo::

E já começou botando pra quebrar hein, Pedra do Sino direto, nem tentou um ataquezinho antes pra testar o pé?

Seja bem vindo de volta... :wink:

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Parabéns véio! essas coisas que me fazem pensar que vale a pena viver de uma forma alternativa... ou seja viver para nós não para os outros como muitas pessoas fazem!

Pode ter certeza que tu já inspirou e vai inspirar muitas pessoas a fazer algo parecido e sentir o que é respirar por conta própria e ainda com adrenalina!

Superação é tudo!

Abraço!

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Aeeee Marcão!

Fiquei muito feliz de ler seu relato!

Isso é mais do que clichê, mas é a mais pura verdade que tudo que acontece na vida serve de lição, porque se não fosse esse tempo parado a sensação da volta não seria tão boa

E se prepara porque temos muito mais pela frente!

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    • Por Jonas Silva ForadaTribo
      Preparação
      Mais uma vez começamos um planejamento para uma trip em grupo, e acabamos terminando em dois só, kkkk.
      Levantamos muita informação, dados, e dicas. Não é segredo algum que minhas viagens geralmente não contam com guia contratado, eu mesmo navego e planejo tudo. De posse das informações, havíamos levado dois meses aprendendo sobre a Serra dos Órgãos, talvez por isso as pessoas desistiram. Tiveram tempo de pensar no que fariam. Encarar uma grande aventura exige mesmo espírito livre.
      A Grande Jornada
      Em 19/07/19 saímos de Campo Mourão às 00:00, foram 1.100 km de estrada, cerca de 17h de viagem. Ainda bem que um dos passageiros que me acompanhou (BlaBlaBla Car) se dispôs a dirigir entre São Paulo e o Nova Iguaçú. Foi um dia todo na estrada. Chegamos em Terezópolis já se passavam das 17:50; o primeiro furo da viagem. Eu havia estimado chegar em Tere dia 20/07 antes das 17h e conseguir viajar até Petrópolis no mesmo dia ainda, dormindo próximo da portaria lá. Doce ilusão, já era noite e tive de procurar um camping ainda, mas tudo certo os Óreas (deuses da montanha) sempre fazem certo.
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      Às 10:15 começamos a trilha, foram 7h de subidas sem fim, mas com um visual de tirar o fôlego, até o desgaste físico passa desapercebido diante da exuberância da mão verde.
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      Dia 2, sobe e desce, sobe e desce...
      O segundo dia é o mais intenso de toda a travessia, e provavelmente um dos mais belos dias que você pode passar na vida. Toda a cadeia da montanhas da Pedra do Sino ficam de frente para nós. A navegação também é mais complicada, presenciamos alguns grupos perdidos (geralmente pessoas sem experiencia ou fanfarrões).
      A cada descida uma subida maior esperava do outro lado, mas tinha-mos a certeza que o visual depois da ascensão e durante a próxima descida seriam ainda mais incríveis. Foram cerca de 8 km, caminhamos por 6 morros (Morro do Açú, Morro do Marco, Morro da Luva, Morro do Dinossauro, Pedra da Baleia e Pedra do Sino), é nesse trecho também que ficam os obstáculos mais difíceis (Elevador, Lajão, Grotão e Cavalinho). Eu particularmente me apaixonei pela pedra conhecida como Garrafão, talvez seja a lembrança que ela me traz que tenha me conquistado. Foi um dia realmente incrível e às 17h novamente chegamos no Abrigo. Ainda tive tempo de tomar um banho frio numa tarde de 4º C. Leia mais aqui



       
      Dia 3, uma corridinha para encerrar a travessia.🏃‍♂️
      Levantei com o escuro e subi novamente na Pedra do Sino contemplar a sinfonia de Apolo ao empurrar seu Astro sobre as montanhas.
      Saímos do abrigo às 07:15, a partir daí só descida praticamente uma trilha bem relax, com a oportunidade de avistar Teresópolis de cima, o Morro da Caledônia e os Três Picos no horizonte. De brinde uma vista por entre as montanhas da Granja Comari, onde um dia já treinou uma seleção de dar medo. Chegamos na barragem às 11:00 fizemos a trilha suspensa e conhecemos o encanto (Cachoeira Peri e Ceci) onde nasceu uma obra prima nacional: "O Guarani". Deixei a tralha no carro e tomei a trilha para o mirante do cartão postal, logo na entrada li que tinha 1.200 m, e eu com pressa; ainda tinha 1.110 km de rodovia até a casa. Não deixei me abalar, liguei a Go Pro e saí em disparada, em 15 min estava de frente para a formação que encantou os portugueses. Mais 15 min estava novamente no carro, exausto agora.




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    • Por Humbertodown
      Olá pessoal, resolvi criar esse post desde já com intuito de obter muitas informações que possa agregar e me ajudar a começar a me preparar para a primeira travessia de 32 km da Petro - Terê, eu já fiz Pedra do Sino 3 vezes, mas nunca a travessia, estou ansioso, querendo levar o mínimo de peso, mas sabemos sempre que isso é quase impossível, então irei montar a lista dos equipos que provavelmente irei levar já com algumas imagens. Quem quiser deixar dicas eu agradeço. A data da minha travessia será nos dias 06, 07 e 08 de Julho de 2019, alguns amigos que iram comigo farão a travessia em 2 dias (Sábado e Domingo) eu e uma amiga ficaremos até na segunda feira. Ficaremos no Bivaque do Abrigo Açu e no Bivaque do Abrigo 4 (Pedra do Sino) onde já dormi duas vezes no Bivaque e uma no Camping. Ainda preciso comprar uma bota de trilha porque a minha da The North Face esta com o solado gasto, mas acredito que ainda vá dar tempo porque temos alguns meses pela frente, e preciso também de uma calça resistente pra trilha. 
      Vamos a lista de Equipos que já tenho e pretendo levar na mochila e no corpo
      Mochila Trilhas e Rumos 68 litros. 
      Camisetas de Mangas e sem mangas The North Face, Nike, Adidas, Puma todas respiráveis 
      Jaqueta de Plumas de Ganso MacPac Modelo Equinox Alpine Series
      Casaco de Fleece The North Face 
      Saco de dormir Western Mountaineering modelo Versalite -12ºC
      Isolante Térmico EVA Quechua 
      Tripe para máquina fotográfica ou celular e Bastão de Selfie 
      Bastão de Trilha Quechua 
      Lanterna Led de Cabeça 
      Calça Forclaz da Decathlon que vira bermuda
      Bota Quechua da Decatlhon
       
      Ao longo das semanas eu irei postando o que for lembrando e o que a turma recomendar, grato por algum comentário nesse tópico, abraços em todos. 
      No vídeo a seguir esta alguns dos equipamentos pela qual estarei levando para minha travessia.. Jaqueta MACPAC e o saco de dormir WM.
       
       
       
       


       

       



    • Por Andrevertical
      Quando uma pessoa numa simples conversa fala para outra que vai fazer uma trilha, é comum passar pela cabeça a seguinte informação: Trilha – Mato – bichos – andar muito e ter preparo físico e o porquê de tudo isso?
      Se você é uma pessoa sedentária que usa esta lógica poderá mudar de conceito após ler este texto...
      Sou um cara que curte esportes que estimulam minha adrenalina ( bungee jump, paraquedismo entre outros), meu preparo físico não é de um atleta, simplesmente caminho e corro um pouco durante a semana. Só que tem um problema. Quando me apresentaram essa tal de adrenalina não me disseram que viciava e isso é um incômodo pois da hora que você acorda até a hora de dormir, fica um bichinho na sua mente dizendo: Sai dessa sala e vai fazer alguma coisa! Parece coisa de maluco né? Porém já consegui me acostumar com isso e posso administrar...( eu acho ).
      Recebi um e-mail de uma pessoa muito, mais muito firmeza convocando um brother de Minas que não conseguiu ir e eu, para fazer uma trilha na Pedra do Sino em Terê. Meu instinto de aventura acionou na hora e falei que sim antes mesmo de saber se iria chegar lá...rs e tinha apenas uma semana para me organizar. Olhei a previsão do tempo, estava pra chuva fraca... mas mesmo assim não desanimei e pra minha sorte, previsão do tempo é igual mulher de TPM, não dá para saber o que vais acontecer, ( palavras de André Taka) no dia da subida o tempo estava perfeito.
      Não quis arriscar ir de carro pois não sabia como era a trilha, voltar sozinho no domingo não seria a melhor opção. Resolvi pegar o ônibus São Paulo Terê e me dei bem pois saí de São Paulo às 22:30h e fui dormindo até a hora da chagada 7:30h. Tomei um café reforçado e uma hora depois a galera chegou e fomos apresentados, não conhecia todos do grupo. Saímos em direção a Serra dos Órgãos em busca do topo de um pico de 2.200m. E agora vem a pergunta para que isso?
      Antes preciso falar algo muito sério! Não tentem colocar açúcar num copo de café com o carro em movimento! Tentaram fazer isso e adivinha? Roupa, estofado e corpos cheios de café...rs
      Início da trilha.
      Logo no começo o grupo se dividiu, as pessoas com um desempenho melhor em subida, seguiram na frente, fiquei no segundo grupo por motivos que vou explicar mais tarde. Foi aí que comecei a reparar em pequenos detalhes que só quem está lá para saber. Vi que a idade era meramente um detalhe, havia pessoas de todas as idades umas aparentando entre 45 e 55 anos fumando cigarro e subindo de boa sem pressa ( sem preconceito mas não é a primeira imagem que vem na cabeça quando falamos de uma pessoa fazendo trilha).
      No começo parece que é meio longa mas depois de uma hora subindo tive a certeza que era muito longa...rs! Nada que uma conversa com a galera não aliviasse. Minha amiga me disse que sempre chegava por última e que eu poderia subir com o pessoal e chegar antes. Pensei comigo, vou subir na maior velocidade olhando para o chão, que é a tendência para quem imprime um ritmo mais forte, e chegar lá mais cedo pra quê? Será que não seria melhor acompanhar este grupo e curtir o visual... Foi o que eu fiz. A cada parada olhava para a vegetação me sentindo um biólogo, com a diferença que um biólogo sabe o que está olhando e eu só admirava a beleza. Trilha vai e trilha vem e nossa amiga saca uma bombinha para asma. Como assim? Vejam bem, já tinha visto pessoas com uns 50 anos fumando e subindo, agora uma pessoa com asma também subindo e sem falar de todas as outras, como por exemplo o Marcão. ( ver depoimento eu-voltei-t58905.html ) Enfim tinha pessoas com pino no pé bursite, tendinite e outras coisas mais... O motivo de falar disso é que vejo todos os dias meus amigos com todas as condições de realizar um “passeio” deste nível e quando convido ouço dizer: Não dá! Não consigo! Não... não... Não! Tudo bem cada um na sua, mas quando mostro algumas fotos do local aí a conversa muda e a mesma galera fala: Cara que lugar maravilhoso! Na próxima você me chama? Tudo bem, não estou julgando quem não quer ir, mas tentando explicar que se realmente deseja alcançar um objetivo, vá em frente e não desista! Eu mesmo estava com a canela estourada de um jogo de futebol e fui assim mesmo. Olhava para minha amiga com a bombinha de asma e via no rosto dela a expressão suave de “essa trilha é minha, vai ser moleza”.
      Pensei comigo: Que galera firmeza! Ainda bem que estou aqui...
      Continuando a subida notei que o tempo de uma trilha é diferente, tudo está vinculado com o objetivo. Essa trilha, conforme relatos, pode durar 4 horas e até 10 horas, essa diferença de 6 horas representa os momentos de superação. Paramos algumas vezes para repor energia hidratar e óbvio, descansar um pouco sendo que as duas principais foram nas cachoeiras que infelizmente por falta de chuva estava com pouquíssima água.

      Sabíamos que seria interessante fazer o percurso em até 6h, para chegar com o dia claro e poder ver o pôr do Sol. Na minha mente nós já estávamos muito próximos mas encontramos pessoas descendo e perguntamos se faltava muito e nos informaram que faltava só mais uma horinha...rs O jeito é respirar e seguir em frete. Uma horinha passou e aí sim, consegui avistar o famoso abrigo 4 mas depois de quase 6 horas é angustiante olhar um lugar tão próximo mas precisando dar mais uma volta porque a trilha é um tremendo zig zag do começo ao fim e o perto às vezes fica muito longe...
      Chegando no Abrigo encontrando a galera, percebi que havia conseguido completar uma parte da missão. Meus amigos resolveram subir até o pico para ver o pôr do Sol e eu mesmo cansado tentei acompanhar, afinal, era só mais uns 30 minutinhos. Infelizmente não consegui acompanhá-los. O meu pé estava escorregando na bota e preferi não arriscar, poderia estragar tudo, então voltei para o abrigo fui jantar e arrumar um cantinho para dormir e esperar para subir na madrugada. Tudo bem que um rádio tipo ht começou a fazer barulho na madrugada e a pessoa aqui, achou que escutou a seguinte frase: A mata está pegando fogo! Sei lá se era verdade, com o cansaço dormi do mesmo jeito.
      Acordamos cedo 4:20h para não correr o risco de perder o nascer do Sol. A temperatura estava amena por volta de 8°C e com pouco vento, não era aquele pânico que estávamos esperando ou seja 0°C. Perguntei para o cara do Abrigo e ele disse que em 20 minutos estaríamos lá... melhor não arriscar, foi o que eu pensei, isso era quase um “ lógo alí, de mineiro” Saímos em quatro pessoas e nos separamos pois tinha uma trilha curta porém com maior dificuldade e outra mais sinistra pois é meio confusa e mais longa. Eu e minha amiga subimos na calma pela trilha mais longa, demoramos 40 minutos... foi suave. Quem saiu depois também gastou este tempo mais por outro motivo, erraram o caminho mas faz parte.
      Missão dada é missão cumprida! Chegamos ao cume!
       
      Agora infelizmente não dá para expressar tudo que senti olhando aquele visual maravilhoso mas os ingredientes foram estes: Horizonte a perder de vista, vento soprando no rosto, O Sol nascendo e revelando toda aquela paisagem. Misture tudo isso e coloque na sua mente e acrescente uma pitada de amigos ao redor. Pronto! Agora é só curtir com moderação...rs
      Neste momento refleti e descobri aquele por que de enfrentar várias dificuldades somente para ver um horizonte com o Sol nascendo. Posso dizer sem medo de ser feliz: Vale a pena!
      Queria que todos pudessem sentir ao menos uma vez essa emoção.

      Ficamos mais ou menos 1 hora lá em cima após o nascer do Sol, descemos rumo ao abrigo 4 para arrumar nossas coisas.
      A descida foi muito fácil! Demoramos 3 horas e meia, foi muito suave! Tirando uma pedra do mau que me fez escorregar e cai de bunda...rs E o mico de achar que passamos direto na trilha e havíamos saído no estacionamento, só porque a porteira estava fechada ( existia uma porteira e eu só vi no final) o resto foi tranquilo...
      Almoçamos e daí foi cada um para sua casa mas com um detalhe a mais, aquela imagem na cabeça e a satisfação de ter vivido um momento único...
      Peguei carona até o Rio e depois consegui pegar o ônibus de volta para São Paulo às 15:00 com previsão de chegada para 23:00h. Tudo certo mas aventura é aventura...rs o motorista erra o caminho e atrasa 40 minutos! Só comigo mesmo. No final deu tudo certo!
      Valeu galera! (galera firmeza, sem palavras!)
      Reparem que não citei muitos nomes por falta de memória mesmo...rs
      Agradeço ao mochileiros.com... muda a vida de qualquer pessoa...
      Segue o link com o restante das fotos
      https://picasaweb.google.com/114864162100247945750/PedraDoSino?authuser=0&feat=directlink
       

    • Por .Mariana.
      Com um grupo de 5 pessoas, subí no dia 30/07/2005 à Pedra do Sino, ponto mais alto da Serra dos Órgãos, com 2263 metros de altitude...
       
      A trilha foi muito subestimada por mim... Achei ela é bem pesada (pra quem nunca tinha feito nada parecido), cheia de pedras no começo e muita lama do meio pra cima...
       
      Nossa "aventura" começou Muito tarde, pq saí­mos de Rocha Miranda umas 9h, ainda passamos num mercado pra comprar o que faltava (Magrão e Alan não estavam levando nada de casa pra comer), ainda passamos na minha casa em Guapimirim pra organizar as mochilas, pegar as barracas, esqueci minha máquina digital quando já tinhamos subido uns 5 km da serra (e é lógico que voltei pra pega-la), e começamos a subir a trilha às 13:45...
       
      Chegamos no Véu da Noiva aproximadamente 1:20 depois de iniciarmos nossa caminhada... Subida difícil, pois tem muita pedra (que na descida, virou um exercício de paciência pra descer)... Os sedentários da expedição (eu e Renato) ficaram pra trás, mas os outros 3 chegaram lá uns 5 minutos antes da gente...
       
      A partir daí, o bicho começou a pegar... Quando fiquei sabendo que até alí havíamos feito aproximadamente 1/4 da trilha, me bateu um medo de não conseguir chegar lá em cima a tempo (como realmente aconteceu)...
       
      A nossa falta de planejamento, logística e esperteza foi um ponto mito importante, pra transformar uma simples trilha em uma aventura... Enquanto eu e Renato ficavamos pra trás por sermos os mais sedentário da "expedição", os outros 3 foram subindo, literalmente cagando nas nossas cabeças... Sabe como é homem, né... Viram uns rabos de saia mais a frente, e sairam seguindo... Só que num determinado momento, Magrão, nosso burrinho de carga (ele levava a mochila mais confortável, e consequentemente a mais pesada) começou a passarmal de fome... Na arrumação das mochilas, a comida de todo mundo ficou na mochila que o Renato carregava, por ser a mochila mais leve e ele ter uma porrada de problemas no ombro... como eles estavam a dias na nossa frente, eles comeram uns pedaços de bolo de banana que a mãe do Renato colocou na nossa mochila, e ele por sorte carregava na mochila...
       
      Perto das 17:30, quando o sol já tinha sumido, e começavamos a ficar na penumbra, bateu o desespero... Eu tinha certeza que na mochila que o Alan levava estavam 2 lanternas com pilhas novas, e a essa altura, ele já deveria ter chegado no abrigo 4... Eu e Renato acabávamos de deixar pra trás o abrigo 3, e subí correndo pra ver se encontrava alguém... As 2 lanternas estavam comigo o tempo todo, assim como uma lanterna daquelas que tem lâmpada fria, lanterna e sirene, mas as pilhas dessa lanterna estavam na mochila do Magrão (planejamento excelente)... Só quando chegamos no abrigo 4 fui lembrar que as 2 lanternas que eu jurava que estavam com o Alan, estavam na mochila que o Renato levava...
       
      Acabamos encontrando Alessandro e Magrão (que já havia parado milhares de vezes pra comer bolo) quase no escuro... coloquei as pilhas na lanterna da lâmpada fria e continuamos subindo, precariamente... Foi até bom encontrar Magrão e Alessandro no caminho, pq já tava todo mundo cansado e desanimado, e um foi dando apoio moral pro outro no resto do caminho... Acabou que um trecho que deveríamos ter feito normalmente em uns 30 minutos, fizemos em 1 hora, no escuro, terminando a trilha 5 horas e meia depois de adentrarmos no caminho de pedras no começo da trilha...
       
      Pra piorar toda a minha situação, além da dor nas costas (meu trapézio estava me matando) por causa da péssima mochila e de estar morto de tanto andar, quando estávamos quase chegando enfiei o pé numa poça de lama eterna, conhecido por quem frequenta a trilha como Poço das Antas (serviu bem o nome à minha pessoa), ou tbm "cemitério maldito"... Mas enfiei o pé com gosto... Até quase o joelho...
       
      Chegamos no abrigo 4 exatamente às 19:15, cansados, morrendo de frio, mortos de fome, com luz de lanterna e ainda tinhamos que montar a barraca, que NINGUÉM HAVIA MONTADO NA VIDA... Eu peguei emprestada no dia anterior, uma de 4 e uma de 2 lugares, achando que a de 4 caberiam nós 5 lá dentro... Nem é complicada de montar, mas eu nem sabia o que fazer pra começar a montar... O Alan disse que quando me viu lendo as instruções de montagem da barraca, ele ficou desesperado, achando que agora sim estávamos f...didos... Sorte nossa que um casal que estava acampando lá nos ajudou a montar, pois ele tinha um lampião, o que ajudava muito...
       
      Acabavamos de montar a barraca de 4 lugares, tudo pronto pros 5 dormirem lá dentro. e o Alessandro começa a passar mal e vomitar (fora da barraca, graças a Deus)... Foi a nossa "sorte", pq se tivessemos que ficar mais 10 minutos montando a outra barraca de 2 lugares, hj eu não teria mais 10 dedos nos pés, que estavam encharcados pela lama do "cemitério maldito" e gelados... Falamos com os guardas do abrigo 4 pra deixar nosso amigo ficar lá, pq ele tava passando muito mal, e eles liberaram de o Alessandro cair por lá... Ainda conseguimos uns 3 sacos de dormir no abrigo (eles alugam cada saco de dormir por R$ 5,00) pro resto da galera que só tinham a roupa do corpo pra dormir)... Ou seja, eu tinha levado 2 sacos de dormir, nenhum isolante térmico, pouquíssimo jornal pra forrar o chão da barraca (acreditando ser um ótimo isolante), eramos 5 pessoas pra dormir numa barraca de 4 (era o que dizia o fabricante da barraca... cabiam 3 mais as mochilas, e um pouco apertado mesmo assim)... excelente planejamento... Iniciante é uma b....osta mesmo...
       
      Ainda ficamos conversado, comendo, zoando, cantado, até umas 23h, quando todo o acampamento estava calado, e resolvemos "tentar" dormir, pra encarar o dia seguinte... Algum tempo depois, todos os 4 acordam, achando que deveria ser umas 4:30, 5:00 da manhã... AINDA ERAM 2:00... A NOITE NÃO ACABA NESSE LUGAR...
       
      Mais ou menos umas 5:30, o Alessandro, todo garotão depois de ter dormido numa cama do alojamento com aquecimento, chega na barraca dizendo que o pessoal do acampamento começa a se arrumar pra subir para a Pedra do Sino, pra assistir o nascer do sol, nos recrutando pra ir tbm...
       
      Eu e o Renato, os que estavam em pior estado depois da subida, não aguentamos e ficamos na barraca dormindo o resto do que a gente não conseguiu dormir... Além do sono, minhas costas estavam doendo muito por causa da mochila e da posição que dormí na barraca, e meu tênis estava encharcado e GELADO (ainda por causa da lama do Cemitério Maldito)... Se eu tivesse um outro par de tenis e pelo menos mais um par de meias, acho que até encarava... Mas acordei na m....erda, e quando pensei no tênis, desistí de ir... AZAR O MEU, pq quando ví as fotos que eles haviam tirado com minha câmera em casa, me deu vontade de subir tudo de novo...
       
      Balanço de tudo até então: os dois manés que tinham planejado essa subida a 4 anos, e sempre acontecia algo que os impediam de ir, quando foram perderam o ponto alto da aventura e ficaram dormindo... Conversando com meu primo Diego (quando cheguei em casa), que já tinha subido, ele disse que a trilha até o pico (no bom sentido) era fácil, curta e que ele quando foi subiu e desceu de lá no mínimo umas 3 vezes a noite, e umas 2 de manhã... Se eu tivesse falado com ele ANTES de subir, eu teria tido ânimo de ia com dor nas costas e tudo... Mas achei que ainda tinha uns 3 Km de trilha do acampamento até lá... Alessandro, Magrão e Alan subiram, tiraram foto com a bandeira brasileira, como se tivessem subido o Aconcagua ou o K-2 e morreram de frio lá em cima... Se tivessemos tempo pra ficar mais um pouco lá, até teria ido na Pedra do Sino depois que acordei, mas o Alessandro ainda ia trabalhar naquele dia lá pras 18 h, e teríamos uma trilha de 4 horas de descida no mínimo (levamos 4 horas e meia) e ainda tinhamos que voltar pra Rocha Miranda...
       
      O caminho de volta parece pior do que o de ida, mesmo sendo pelo mesmo caminho... as pedras do começo da trilha são insuportáveis quando vc está descendo... Meu pé ainda molhado, com 2 sacos de plástico no lugar das meias e 11 km de descida... Adeus joelhos...
       
      2 fatos fizeram com que eu me sentisse mal no final:
       
      1- Ainda lá em cima, quando estávamos desarrumando tudo pra descer, ví umas 5 crianças de uns 5 ou 6 anos, numa boa, brincando no acampamento... enquanto eu e os outros estávamos arrazados, cheios de sono e dores pelo corpo...
       
      2- Durante a subida e a descida, vimos algumas pessoas que passavam por nós correndo... Pensei comigo mesmo: é o pessoal que faz enduro, isso deve ser só um treino... Já fiquei mal de saber que enquanto eu me peidava todo pra subir, tinha gente subindo e descendo correndo... Mas quando estávamos chegando na parte final da trilha, um dos guardas do Abrigo 4 desceu correndo por nós, com uma mochila e UM BUJÃO DE GÁS DE 13 LITRO... vazio, mas é um bujão de gás de 13 litros... Já me sentia um m...erda por isso, e me sentí ainda mais quando lembrei que se ele leva o bujão vazio, ele sobe com ele CHEIO!!! Tipo, "vou lá comprar um bujão de gás e já volto"...
       
      Crianças, não façam o mesmo que fizemos... Procure saber direitinho onde vc vai, a temperatura que costuma fazer lá, o equipamento mínimo apropriado pra ir, andem sempre juntos, e arrumem suas mochilas com sabedoria... nada de deixar um levar a comida, outro levar a lanterna, um terceiro levar as pilhas da lanterna, etc...
       
      Enfim, COMO NÃO SUBIR A TRILHA DA PEDRA DO SINO é assim... Boas trilhas e bons acampamentos para todos...


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