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Fala galera,

 

Na semana que vem, um amigo e eu vamos subir ao PP e eu gostaria de algumas informações:

[*]Como está a condição da trilha? (Sujeira, sinalização e conservação);

[*]Álguem possui um croqui ou mapa esquemático que mostra principamente o lugar dos acampamentos e pontos dàgua?

 

Valeu pessoal!

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A trilha está bem limpa e definida, difícil se perder. Nas duas principais bifurcações tem placas (Caratuva e Itapiroca).

Água tem na bica cimentada, 10 minutos depois da placa do Caratuva, nos três rios que tem antes do acampamento A1 (+/- 40 minutos depois da bica cimentada e uns 20 minutos antes da área de acamapmento, a melhor água é a do 2° rio) e depois no acampamento A2, numa trilha bem curta que começa atrás da casa de pedra. Esta é a última água, e em épocas de seca (que não é o caso deste ano) pode secar.

Para acampar: A1, umas 2~3 horas da fazenda e o mesmo tanto do PP, A2, na encosta do PP, 1~2 horas do cume e no cume. No cume cabem umas 10 barracas, e como é concorrido é bom subir na frente da galera ou perguntar na fazenda quantos tem indo pra lá.

Os locais de acampamento, você vai saber na hora que chegar, são os únicos lugares pra acampar... :mrgreen:

AH! Logo depois que você passa pelos rios, saindo da mata sentido A1 tem uma clareira que cabem umas duas barracas, mas o A1 fica uns 20 minutos adiante.

PS: os rios são na verdade córregos, sendo que o primeiro as vezes seca... PP é uma trilha muito frequentada, bom levar clorin ou outro método de purificação d'água. Tirando a bica cimentada, nas outras fontes é bom tratar a água.

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Obrigado pelas respostas mcparadinha e Otávio.

 

Isso me dá uma tranquilidade maior para a trip. Além disso, consegui um mapa esquemático legal...

Como vamos durante a semana, vamos tentar acampar no cume. Vocês saberiam me dizer se o acampamento do cume é bem protegido do vento? Minha barraca não é lá essas coisas (Nautika Falcon 3).

 

Abraços, Felipe

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Quando chegar no cume os acampamentos ficam pra direita. É protegido por uma mata baixa (na altura da cintura), pero no mucho...

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Fala galera... alguem de Curitiba/Ponta Grossa indo pra fazenda do Dilson nesse fds? Na minha última ida acabei largando minhas botas por lá e agradeceria bastante se alguem pudesse trazê-las de lá pra mim. Não moro na capital mas estarei por lá na semana que vem e poderia retirar em qualquer lugar. Se alguem puder ajudar me procurem no facebook por favor (daniel sborgi) ou mandem mensagem inbox aqui no fórum mesmo. As botas estão com o Dilson, consegui falar com ele no mesmo dia que as esqueci por lá e ele guardou.

 

Obrigado, abraços.

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E aí galera! Meu primeiro post aqui!!! Estive semana passada no PP! Na verdade estive no primeiro dia em que colocaram os avisos na fazenda do Dílson informando que a cobrança pela passagem está proibida! Eu paguei para acessar a trilha pois deixei o carro lá no estacionamento. A trilha está bem sinalizada, e a acesso ao A2 está com uma corda que ajuda bastante, pelo menos para mim (não tenho conhecimento técnico de escalada)....estive ano passado no pp e além de não ter a corda tinham tirado uns "grampos" o que dificultou a subida, fora que nesse dia estava chovendo muito então foi hard mesmo!!! Passeio incrível, inesquecível mesmo. Quem quiser ver a corda e a trip, segue o vídeo:

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Fala galera.

Esta será minha primeira trip deste estilo. Pretendo fazer no final do ano, sem data definida ainda, vai mais das condições climáticas. Vou com mais um amigo.

 

Queria saber se dá para atacar o cume e descer o PP no mesmo dia. Sair logo ao amanhecer, indo com o mínimo de peso, somos atletas, físico não será o pior dos problemas. Hahaha.

Ou é maluquice e é melhor acampar mesmo?

 

Desde já agradeço.

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Estive por lá à duas semanas, e a estiagem secou os riachos e a bica do A2, e as fontes de água entre o Caratuva e o Ferraria estavam secas. No Caratuva tinha água, subindo a trilha uns 15 min. No Tucum a bica também estava seca...

Não sei se a chuva da semana passada foi suficiente, é bom perguntar na fazenda se tem água, ou para os outros caminhantes.

Na bica cimentada tem água, ali acho que nunca seca.

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    • Por Renato37
      Trilha feita entre dias 25 a 27/06/2016.
       
      Todas as fotos estão em:
      https://photos.app.goo.gl/KW1dFw1v57i7oVhq8
       
      Fazia anos que o Pico Paraná estava em meus planos, mas pela distancia e falta de tempo habil, fui deixando de lado até que nesse ano, decidi que estava na hora de sair um pouco da região Sudeste e ir trilhar em algum pico na Região sul. E nada melhor que começar pelo pico mais alto e mais conhecido da região, o Pico Paraná. Em Março, lancei um evento no face para a primeira quinzena de Maio afim de encontrar outros interessados em me acompanhar (além de facilitar a logistica de transporte), indo no esquema de racha de caronas.
       
      Pois bem, não tive sorte nas 2 primeiras tentativas, por conta de ter chovido muito na região. Então, após ter adiado 2 vezes o evento no mês de Maio, resolvo tentar mais uma vez, mas dessa vez resolvo empurrar a data para o periodo mais seco do ano, ou seja, o Inverno. Não que isso faça muita diferença na região sul, já que o regime de chuvas durante o ano é bem distribuida e não há um periodo seco ou chuvoso definidos, como nas regiões Sudeste e Centro-Oeste.
       
      Mas depois de saber que o inverno é o periodo onde mais tem janelas de tempo firme na região do Paraná, não pensei 2 vezes e marquei para o último fds de Junho. Nesse eu iria de qualquer forma, sozinho ou em grupo. 10 pessoas toparam ir comigo nessa empreitada, na qual dividi em 2 carros. Porém, com desavenças passadas entre alguns deles, outros abortaram de ultima hora e para piorar, um dos motoristas ficou doente, deixando todas as suas caronas sem carona.
       
      Com isso, havia caronas de sobra e carro de menos. E ai, a pernada que iria ser em grupo, acabou sendo solo mesmo, como inicialmente havia previsto e era um plano B, inclusive.
       
      1º Dia
       
      Com a previsão meteorologica totalmente favorável para todos os dias que iria permanecer na região, lá estava eu, saltando do metrô na estação Tietê as 9h30 da manhã, rumo a ala de embarque da rodoviária de mesmo nome, para embarcar no ônibus das 10:00hs da viação Kaissara, com destino a Curitiba.
       
      A viagem foi tranquila e ao passar pela placa de divisa de SP com o Paraná, fico atento a quilometragem na rodovia (que a partir da divisa ela zera e começa a contar novamente). Peço para o motorista parar no Km 46, logo após passar pela ponte do Rio Tucum.
       
      Nesse ponto, é onde fica o acesso a estradinha de terra que leva a fazenda Pico Paraná. Chego nela pouco antes das 16h00hs e após ajeitar a cargueira, dou inicio a caminhada pela estradinha de terra em direção a fazenda numa bela tarde de sol, mas com o frio típico da região se fazendo presente.
       

      A placa indicando o Pico Paraná a direita
       

      O acesso fica logo a frente dessa placa no sentido São Paulo.
       

      Não tem erro. Desceu do busão, atravessa a rodovia para o outro lado e pega o acesso
       
      A temperatura estava agradável naquela tarde (em torno de 16ºC) que ajudou bastante na caminhada nesse trecho inicial, que segue tranquila, ótima para aquecer os músculos. Após descer um pequeno trecho da estrada e ao virar a esquerda e depois a direita, começa a aparecer as primeiras vistas para alguns picos, com o Caratuva parecendo estar perto, mas ainda com uma longa caminhada até lá.
       
      Passo por algumas bifurcações, mas o caminho a seguir é obvio: Sempre pela estrada principal, mais batida e bem fácil de identificar, seguindo em direção aos picos que são visíveis a maior parte do tempo a sua frente.
       

      começando a caminhada
       

      As primeiras vistas
       
      Cruzo com alguns pontos de água pelo caminho na estradinha, mas que não são confiáveis, pois vejo casas próximas. Não encontrei nenhum ponto de água confiável durante todo o trajeto da rodovia até a fazenda, chegando a conclusão que não dá para contar com água nesse trajeto. Por isso, traga água na mochila, pois só haverá agua confiável qdo chegar na fazenda.
       
      40 minutos de caminhada desde a rodovia, passo por um bar a esquerda que estava aberto e aproveito para ver o que tinha de bom e confirmar o caminho mapeado. Era um bar e uma pequena mercearia, onde havia miojo, sucos, etc. É uma opção para o caso de você estar sem água ou quiser comprar alguma coisa a mais para levar.
       

      Ainda falta 3,5km
       
      Retomo a pernada e logo que saio do bar, vejo uma bifurcação onde o caminho a seguir é o da esquerda (o Bar é a referência). A partir da bifurcação, a estrada inicia uma sequencia de subidas constantes serra acima e com alguns trechos mais íngremes que durou até quase o final. Por isso, acabo ficando mais lento, sendo obrigado a parar algumas vezes para retomar o fôlego.
       
      Durante a caminhada, encontro algumas placas indicando o caminho para a Fazenda Pico Paraná. No caminho, passo por uma casa, onde um minúsculo cãozinho solitário, do tamanho de um gato late durante a minha passagem.
       

      Algumas janelas na mata, revelavam alguns picos do entorno....
       
      As 17:10 hs, com pouco mais de 1 hora de caminhada desde a rodovia, chego ao trecho final, onde visualizo uma placa indicando "Fazenda Rio das pedras a 1 Km". Termino a longa e exaustiva subida e logo chego ao alto de um morro, onde visualizo o vale e a fazenda lá embaixo.
       

      Falta pouco
       

      Trecho de descida final
       
      A partir desse trecho, a estrada desce até um grande vale, onde passo por uma ponte sobre um rio. E após cruzar a ponte, com 1 hora e 25 minutos de caminhada desde a rodovia, finalmente chego a sede da Fazenda Pico Paraná, onde um garoto de aproximadamente 12 anos aparece perguntando se eu iria seguir direto ou iria pernoitar na Fazenda. A sede da fazenda é bem simples, mas seu camping é bastante espaçoso, com grama bem aparada e plana, água perto e de quebra, chuveiro quente e fogão a gás para cozinhar tb.
       

      Chegando na entrada da fazenda
       

      Casa de apoio ao montanhista
       
      Não havia ninguém no local e nem no camping e após deixar meus dados na ficha e pagar R$ 10 pelo pernoite no camping, monto minha barraca, preparo a janta e logo vou dormir, pois os próximos 2 dias seriam mais puxados.
       
      2º dia - Da Sede da Fazenda ao A2 (Acampamento base 2) e cume do Pico Paraná.
       
      O Sábado amanheceu com uma nevoa baixa e temperatura amena de 07ºC. Acordei por volta das 6h30 com a movimentação da turistada chegando para subir o pico...
       
      Fui até o ponto de apoio da fazenda para tomar café e durante esse período, mais gente foi chegando e logo o estacionamento da fazenda já estava lotado. Fiquei sabendo que alguns grupos já haviam começado a subida, o que me fez pensar que precisaria ter começado a trilha mais cedo afim de chegar antes e pegar os melhores lugares nas areas de acampamento.
       

      Turistada chegando em massa
       
      Após tomar um belo café reforçado com 2 pães de queijo suculentos na fazenda, as 7h20 já estava desmontando a barraca. Antes de iniciar a subida, peguei algumas coordenadas da trilha e as 8h00 em ponto, inicio a caminhada em direção ao Pico Paraná.
       

      Arredores da fazenda
       
      A trilha começa com uma subidona logo de cara, o que deve assustar muita gente, principalmente iniciantes, mas também dá uma ideia que não seria uma trilha facil. Segundo infos da fazenda, o tempo de caminhada médio da Sede até o A2 (Acampamento base 2) é de 6 horas, pelo menos. Então, estimei chegar lá por volta das 14h00hs.
       

      Acabou a mamata do pedágio....
       

      Iniciando a caminhada
       
      O trecho inicial começa com uma subidona constante e a 1º hora é quase toda assim, o que deixou muitos dos grupos bem devagar. Vou subindo em ritmo forte e aproveito para ultrapassar alguns grupos que estavam mais lentos, pois havia bastante pessoas na minha frente.
       
      1 hora de subida desde a fazenda, chego ao alto de um morro e a subida dá uma trégua. A trilha passa a seguir quase que no plano, em linha reta, mas que não dura muito tempo e logo a subida recomeça em um trecho em largos zig-zag, onde ganho altitude rapidamente.
       

      No trecho inicial - abaixo das nuvens e tempo fechado.
       

      Próximo ao morro do getúlio, acima das nuvens, tempo aberto
       
      As primeiras vistas começam a aparecer e as 9:15, chego ao alto de um morro conhecido como Getúlio, onde havia alguns grupos descançando e tirando fotos. Desse ponto, se tem uma bonita vista do vale lá embaixo, com a represa do Capivari em primeiro plano a oeste e a sudeste, os Picos do Caratuva a esquerda e Itapiroca a direita bem imponentes. As nuvens haviam ficado embaixo e o sol já brilhava forte na lá em cima.
       

      Caratuva a esquerda, Itapiroca a direita
       

      Seguindo pela crista, em direção a base do Caratuva
       
      Como havia muita gente no local, faço uma breve parada ali apenas apenas para molhar a goela e mastigar uma barra de cereal. A partir desse trecho, a subida dá uma tregua e a caminhada segue no plano por um trecho de gramídeas e vegetação baixa no alto de uma crista.
       
      Retomo a caminhada e 15 minutos desde o morro do getúlio e 1 hora e meia desde a fazenda, chego a bifurcação onde há uma placa indicando Pico Paraná a direita e Caratuva a esquerda. Nesse ponto, havia um grupo de 4 pessoas parado tirando fotos, a qual cumprimento cordialmente e sigo na trilha a direita, sentido Pico Paraná.
       

      Na bifurcação....
       
      As 9:40, chego ao 1º ponto de água desde a fazenda, conhecida como "Bica" e sem saber direito qtos pontos de agua confiável iria encontrar pela frente, encho metade do cantil aqui e aproveito para fazer uma parada para descanço, já que no alto do morro do getúlio não foi possivel, devido ao excesso de pessoas ocupando o local. No trecho entre a fazenda e o Morro do Getúlio até passei por um ponto de água, mas era um poção represado e não confiável. Por isso, deixe para pegar água na bica ou traga da fazenda.
       
      Após a bica, a trilha inicia um longo e exaustivo trecho de subida forte com muitos galhos caídos e trechos eroditos, além de alguns trechos técnicos, onde o auxilio das mãos foram constantemente exigidos para impulsos nos troncos e pedras. Esse trecho perdura até próximo do A1, por isso, é preciso estar 100% para passar aqui, caso contrário, terá problemas, pois é um trecho que exige muito das panturrilhas, coxas, musculos e joelhos.
       

      1ºponto de água desde a fazenda
       
      30 minutos desde a Bica, a subida dá uma tregua e as 10:10 chego a placa que indica a bifurcação para o Itapiroca a direita. Seguindo em frente vai para o Pico paraná. A partir desse ponto, a trilha segue por um vale entre o Caratuva e Itapiroca.
       
      Com tantos galhos, troncos, arvores e trechos eroditos, fiquei bastante lento, pois era preciso passar por cada ponto com muita cautela, afim de evitar acidentes como escorregões ou de torcer os pés em alguma das dezenas de fendas entre os troncos em um trecho carcomido pelo tempo e o excesso de uso. A trilha estava bem marcada, mas parecia que estava mesmo é varando mato de tantos obstáculos no caminho.
       
      A trilha vai seguindo pelo vale e logo que atravessou para o outro lado, aparece a primeira vista do imponente Pico Paraná meio distante, envolvida em nuvens baixas. Passo por uma enorme rocha a esquerda e chego a um outro trecho de rocha lisa onde encontro uma corda estratégicamente instalada para auxilio de descida/subida.
       

      Trecho de corda....
       
      As 10:38, com cerca de 10 minutos após o trecho da corda na rocha, passo por mais 2 pontos de água, mas ambos de filete pequeno. Imagino que, em epoca de estiagem longa não é bom contar com esses pontos de agua, pois as fontes podem estar secas. Da placa até o A1, contei 4 pontos de agua, mas somente o da bica é o mais confiável e por ter mais agua corrente. Portanto, pegue água no 1º ponto na Bica ou deixe para reabastecer no A2.
       
      A trilha segue descendo discretamente o vale e dando a volta pela base do Caratuva. Após o último ponto de agua, saio da mata fechada e passo a caminhar por um trecho de bambuzinho baixo e capim ralo, que é parte de um trecho de transição para os campos de altitude. Nesse ponto visualizo bem a frente, o conjunto rochoso do imponente Pico Paraná bem a frente, parecendo estar perto, mas que ainda restava a descida de um grande vale até lá.
       
      As 10:55, saio do trecho da mata fechada e entro definitivamente no trecho de campos de altitude onde visualizo logo abaixo, os pequenos descampados do A1 a frente. Mais alguns minutos e chego a um mirante com uma bela vista do percurso. A partir desse ponto, o Itapiroca e Caratuva estão atrás e a minha frente, visualizo todo o trecho de crista que ainda iria passar. E o conjunto rochoso do Pico Paraná bem a frente o tempo todo.
       

      um dos descampados do A1 lmais abaixo
       

      Litoral paranaense tomado pelas nuvens
       

      Pico Paraná
       
      Passo por alguns pequenos descampados para 1 ou 2 barracas que podem ser usados em caso de emergência ou se as areas de acampamento do A1 e A2 estiverem lotados. Mais 15 minutos e 3 horas de caminhada desde a Fazenda, chego a primeira grande área de acampamento denonimado A1, onde aproveito para fazer um pitstop afim de relaxar os músculos do logo trecho de troncos e galhos que foi de matar.
       

      Itapiroca a esquerda
       

      Um dos vários descampados do Acampamento Base 1 (A1) a mais ou menos 3 horas de caminhada do cume.
       
      Nesse ponto, parte uma trilha que sobe até o cume do Caratuva e que pode ser uma opção para aqueles que quiserem conhecer o Pico do Caratuva na volta. Após o breve descanço, retomo a pernada, agora pronto para encarar o trecho mais dificil da trilha, que é a escalada da base do PP.
       
      A trilha continua agora pelo alto de uma fina crista, que liga os picos do Caratuva e Itapiroca com o conjunto rochoso do Pico Paraná, com enormes vales dos lados esquerdo e direito que foram merecedores de vários clicks, é claro.
       

      Descendo em direção ao enorme paredão rochoso que compõe a base do PP.
       
      Gigantescos vales a esquerda e direita

       
      Após a descida de crista, chego a primeira de uma série de trechos técnicos, onde há grampos de ferros estrategicamentes instalados para auxilio na descida e subida. No 1º trecho de acesso ao pequeno vale, se desce até a base para depois iniciar uma forte subida em direção ao A2 e ao cume do PP.
       
      Ao pé dessa rocha, se tem uma ampla vista do enorme paredão gigante rochoso do Pico Paraná (que aparece com todo o seu explendor e imponencia), o que vale uma parada de alguns minutos para contempla-lo.
       

      Pico Paraná todo imponente a frente
       
      Nesse mesmo ponto, visualizo o enorme encosta exposta íngreme por onde a trilha sobe, mas é o caminho a seguir e é para lá que eu sigo.
       

      O paredão rochoso e a trilha subindo por ela
       
      Após a curta caminhada pelo vale, chego a base do PP e vejo mais grampos de ferros para auxílio da subida. Começo a escalaminhada do paredão praticamente na vertical e só de olhar a pirambeira acima, cansou até a vista. Com mochila cargueira, não foi nada facil vencer esse trecho.
       

      Trecho técnico
       

      Descer foi pior que subir....
       
      É preciso passar com bastante cautela por ali, afim de evitar acidentes. Ganho altitude rapidamente e após o 1ºtrecho, passo por outros 2 com grampos de ferro e após o trecho tenso, chego ao alto da crista para um merecido descanço.
       

      Do alto, da para ver todo o trecho de crista que vem lá do Caratuva e a marcação da trilha pelo alto crista
       

      O trecho de crista por onde a trilha vem (com o Itapiroca a esquerda e o Caratuva a direita) bem a frente....
       
      As 12:10, após vencer os trechos de grampos, entro no trecho final da crista antes do A2. E assim, pouco antes das 13:00hs e com quase 5 horas de caminhada desde a fazenda, finalmente chego a area de acampamento denonimada A2 para literalmente, desabar ali.
       

      Um dos vários descampados do A2
       
      O Acampamento Base 2 (mais conhecida como A2) é bem amplo, com vários descampados (alguns muito bem protegidos pela vegetação) com espaço para pelo menos umas 15 barracas. Não havia ninguém no local ainda, com isso, pude escolher o melhor lugar para montar a barraca.
       
      Até pensei em tentar a sorte e ir acampar no cume, mas sabendo que no topo em relação ao A2 tem pouco espaço e que tinha gente que havia subido no dia anterior, acabo desencanando da ideia e resolvo ficar no A2 mesmo.
       

      Uma das belas vistas do A2
       

      Pico Paraná visto do A2
       

       
      A distancia do A2 para o cume é de aproximadamente 1 hora de caminhada com mochila cargueira. Após montada a barraca, as 13:45 parto para o ataque ao cume munido apenas de um lanche, suco e máquina fotografica.
       

      Morro do camelo visto do A2
       
      A partir do A2, a subida continua e passa por mais alguns trechos técnicos, onde alguns grampos de ferro ajudam na subida. Em alguns pontos, tive que saltar de uma pedra para a outra. É preciso passar com cautela, pois em alguns trechos, a trilha some por alguns instantes e deve-se olhar bem para encontrar a continuação dela.
       
      20 minutos desde o A2, a subida fica mais ingreme e a trilha entra em uma fina crista, onde visualizo de ambos os lados, enormes precipicios com um colchão de nuvens embaixo. É uma visão que impressiona, mas só de olhar no vazio lá embaixo, chega até a dar medo.
       

      Crista (a esquerda) onde está o A2 e por onde a trilha sobe. Ao fundo a esquerda e direita, Itapiroca e Caratuva
       
      Por conta de sucessivos trechos de escalaminhada, vou parando em alguns momentos para retomar o fôlego. O trecho de subida final ao cume é de matar e os músculos das pernas já estão esgotados, já que toda a força é dirigida a eles. Mais 20 minutos de escalaminhada, chego ao alto de fina crista, onde a subida da uma tregua e visualizo bem a minha frente, o cume final do PP.
       

      Face oposta do PP visto durante a subida
       

      Um dos precipicios gigantescos bem ao lado da trilha
       

      O Topo visto do ultimo trecho de crista
       
      Passo por um descampado protegido (para umas 2 ou 3 barracas na base) que estava vazio e que é uma otima opção para o caso do topo estar lotado, mas sem água perto. A partir desse descampado, acesso o trecho final da subida ao cume.
       
      E finalmente, após 45 minutos de caminhada desde o A2, finalmente chego ao topo do Pico Paraná, na cota dos 1.877 metros de altitude as 14:35, para o merecido descanço. Do Topo se avista todos os Picos da Serra de Ibitiraquire, com os Picos do Itapiroca e Caratuva bem a frente, em destaque. É uma visão em tanto e que valeu todo esforço para chegar.
       

      Enfim, no cume do Pico Paraná
       
      Como eu já imaginava, todos os lugares protegidos no cume estavam ocupados e só havia 2 lugares livres, mas totalmente expostos aos ventos. A subida do A2 até o cume foi bem cansativa devido aos trechos técnicos e imaginei como seria se estivesse com mochila cargueira nas costas. Por isso, se quiser acampar no cume, a melhor opção é sair um dia antes ou na madrugada de sabado. Caso contrário, fique no A2 que tem mais espaço e com água próxima.
       

      A fina crista vista do topo, por onde sobe a trilha e com o pequeno descampado
       

      Vista de tirar o fôlego
       
      Após vários clicks e contemplação do visual, com a tarde caindo, os ventos começam a ficar mais fortes. A temperatura tb estava caíndo, por isso, nem fico muito tempo lá e logo pego o caminho de volta para o A2, apenas para constatar que o local estava lotado e quem chegasse depois, teria que tentar a sorte no cume ou voltar para o A1. Sorte que eu cheguei bem antes e já garanti meu lugar.
       

      Barracas no topo
       

      A vista durante o retorno do cume ao A2
       
      De volta ao acampamento, encontrei com parte da galera do grupo trilhadeiros do face e que foi uma grata surpresa para mim. Estavam o Henrique, Jéssica, Ana Paula e mais 2 figuras que não me lembro o nome e é claro que após as apresentações de praxe, fiquei conversando com eles contando meus causos e pq estava sozinho.
       
      Com o por do sol, a temperatura diminuiu bastante e com o cair da noite, voltei para a barraca onde preparei minha janta e fui dormir cedo, por volta das 20h00.
       
      Continua logo abaixo.....
    • Por Fabio Pra
      Era pra ser uma aventura incrível... E foi!
       
      Aviso: este relato trata-se de uma visita guiada ao Pico Paraná e não constitui qualquer tipo de propaganda, apenas um relato sincero dos acontecimentos.
      Após assistir/ler dezenas de vídeos e relatos sobre o Pico Paraná, finalmente tive a oportunidade de subir a montanha mais alta do Sul do Brasil. Apesar de possui experiência em camping e trilhas, tratava-se de minha primeira montanha de verdade em um local que nunca havia estado, por isso optei por uma visita guiada pelo Gente de Montanha. Dadas essas condições, eu estava certo em fazê-lo, como ficará mais evidente adiante.
      No fim de semana de 6 e 7 de julho de 2019 a previsão do tempo indicava temperatura mínima de 6 °C em Antonina, então estávamos esperando algo em torno de -5 °C no acampamento, no alto do Itapiroca. A estratégia era simples e eficiente: fazer uma aproximação acampando no alto do Itapiroca e no dia seguindo fazer o cume só com mochilas de ataque. 

      Mapa do local
      No dia 6 pela manhã o grupo se reuniu para um café da manhã reforçado em um hotel de Curitiba, conferência de equipamentos, distribuição de comidas nas mochilas e logo estávamos na estrada rumo à Fazenda Pico Paraná, o local de início da subida. O grupo era de aproximadamente 10 pessoas, quase todas desconhecidas, mas é incrível como um objetivo em comum é capaz de criar empatia imediata. Éramos todos só sorrisos. Além dos participantes, haviam 4 guias e mais duas pessoas responsáveis pelo jantar no acampamento (mãe e filho montanhistas, incrível).
      O tempo colaborou com um frio gostoso de caminhar e a subida do Getúlio fizemos todos bem rápido. Eu, empolgado, já fui no grupo da frente, zero de cansaço. Se tem algo que já aprendi é a de levar o menor peso possível, viaje leve e viaje fácil. Já do alto de Getúlio foi possível ter uma ideia da beleza do local. Deste ponto já é possível ver o Itapiroca e o Caratuva bem de perto e os olhos já se enchem de gostosura. 

      Panorâmica do alto do Getúlio
      Após um bom lanche de trilha no Getúlio, já nos encaminhamos mata adentro, em uma trilha bastante fechada, com raízes, pedras e muito sobe e desce. Nenhum relato que li tinha me dado a exata percepção de como é essa parte da trilha, e eu achei cansativo. Adiante, passamos a bifurcação do Caratuva e logo após há um excelente ponto de água, de onde nos abastecemos para o acampamento. E em seguida já estavamos na bifurcação para o Itapiroca, com um trecho final mais inclinado. Mais uns pulos e após 5h de caminhada estávamos todos no alto do Itapiroca, às 15h30min. 

      Chegada ao Itapiroca, Pico Paraná ao fundo
      Em meia hora o frio já começou a apertar, então é hora de montar as barracas e se agasalhar. Mas é tão difícil se concentrar com tanta beleza ao redor. O por do Sol é I N C R Í V E L. 

      Por do Sol
      A noite foi difícil pra mim, às 22h já formava gelo no sobreteto das barracas. Apesar de levar isolante e saco de dormir adequados, passei frio. Preciso esclarecer: foi a primeira vez que peguei negativo em acampamento, então eu já sabia que algum aperto eu iria passar, pois o objetivo era principalmente o de aprender a lidar com o clima e frio de montanha (muito diferente de um frio intenso urbano). Mesmo com um liner e uma meia quente, meus pés ficaram muito gelados à noite. Pés gelados implicam em constrição dos vasos e naturalmente dificuldade de dormir. Acordei às 4h da madrugava e não preguei mais o olho. Às 6h fui o primeiro a sair da barraca, pois a natureza estava chamando (e claro tinha que ser o mais difícil). Usamos shit tube.

      As brumas do Pico Paraná
      Apos poucos todos foram levantando e curtindo o nascer do Sol. Aquele café reforçado, barracas desmontadas, e às 9h (um pouco tarde) estávamos em direção ao cume com mochilas de ataque. Voltamos à bifurcação do dia anterior e seguimos ao Pico Paraná, em uma descida com muitas raízes e pedras novamente. Aqui vem o aprendizado: o frio da noite me debilitou e as pernas não descansaram. Um pouco antes do A1 há um bom ponto de água, nos abastecemos. Mas eu fui ficando pra trás. 
      Ao final da descida começam os paredões com grampos, se me recordo são dois grandes lances. A ajuda dos guias foi fundamental para transpor com segurança essa parte, pois eu tinha nenhuma experiência nesse tipo de obstáculo. Uma queda nesse local e a pessoa tem que retirada por maca, helicóptero não pousa ali perto. Após os grampos as minhas pernas cansaram de vez e fiquei por último, sendo conduzido por uma das guias até o cume, chegando meia hora depois do grupo, às 14h (tarde). Poderia ter parado antes, talvez fosse o melhor a ser feito, mas continuei porque estava ali tão pertinho. Estava tão cansado que quase esqueci de assinar o livro do cume.

      Assinando o livro do cume
      Não é bem assim que morro abaixo todo santo ajuda. A volta do cume até a Fazenda Pico Paraná são 8 kilômetros que são percorridos geralmente em 5-6h em um ritmo confortável, e inclui a subida até a sela entre Itapiroca e Caratuva. Eu precisei de 9h pra conseguir retornar, sendo fundamental o auxílio dos guias, que tiveram paciência e profissionalismo em me conduzir em segurança, chegando às 23h30min na fazenda. Apesar da exaustão nas pernas, não tive qualquer tipo de lesão, queda ou outro empecilho. Foi passinho de montanha, mas na descida. Cheguei 1h30min após o grupo e não pude me despedir da galera. Tive que passar mais uma noite em Curitiba antes de retornar à Florianópolis, onde resido. 
      Dos erros e acertos, é obvio que o maior acerto foi ter feito a visita guiada, pois não tinha qualquer experiência real em montanha. O erro foi subestimar o frio nos pés, nunca havia sentido dor de frio. Já providenciei meias quentes, mas aceito sugestões. Não importa o quanto se estude, na teoria é uma coisa mas na montanha é outra. Vá para a montanha.  
      Meus sinceros agradecimentos à equipe do Gente de Montanha e aos amigos que fiz durante a expedição. Em especial aos guias Irys e ao Gustavo, que passaram o perrengue comigo até o fim, e à Camila, que fez algumas das fotos que estão neste relato. Foi uma baita experiência e pretendo voltar.
    • Por Jonas Silva ForadaTribo
      Já era hora de tirar do papel a conquista do PP, ponto culminante do meu estado. Desde janeiro no radar, foram mais de 4 ajustes com as pessoas que pretendiam me acompanhar, e finalmente fiquei sozinho. Bom pra falar a verdade eu já esperava, em várias trips as pessoas desistem na última hora.
      Dia 20 de junho, às 06:00 larguei de Campo Mourão rumo à Serra do Ibitiraque. Passei antes em Guarapuava pegar uns passageiros do BlaBlaBla - app de caronas -, bom eu precisava dividir os custos do transporte, hshshs.
      Eram 15:40 quando parei no estacionamento da Fazenda PP, rapidinho fiz o cadastro - enquanto eu ajustava os detalhes da mala e colocava a bota o moço da recepção ia perguntando e anotando. Em 10 min eu já estava na trilha, precisava ter pressa se quisesse chegar antes de escurecer no Caratuva, meu objetivo primeiro. Morro acima, em 25 min eu já estava na bifurcação das trilhas para Caratuva e PP, escorrendo suor.

      Peguei à esquerda, por uma trilha bem ruim. Nos primeiros 300 m haviam muitas árvores caídas, foi preciso fazer várias manobras para passar sobre e sob os troncos. Mas, tudo corria bem, só o fôlego estava apertando devido a pressa. Logo à frente, +- 500 m começa a verdadeira subida, por os outros, acredito, 1.500 m a subida é constante, íngreme com muitas pedras, raízes e barrancos. A pesar de tudo, às 17:15 pela primeira vez depois do Morro do Getúlio eu enxerguei o firmamento no horizonte, e ainda pude ver um resto de Sol que se punha. Já eram 17:40 quando avistei as primeiras barracas armadas no Caratuva. Caramba eu subi o Caratuva em 2 h com cargueira e tudo.

      Arrumei meu cantinho, estava cheio de gente no pico. Logo outro campista veio me ajudar com a montagem da tralha e bater um papo, logo fizemos amizade e já ficamos combinando de no futuro trilharmos juntos, eles estavam em um grupo que no dia seguinte iriam também ao PP, acabei fazendo amizade e trocando figurinhas com todos eles.
      À noite tinha momentos que a neblina tomava conta, então o frio era terrível. No dia 21 amanheceu fechado de dar medo, algumas vezes era possível avistar o cume do PP ou do Ibitiraque, do mais somente nuvens e uma neblina que parecia monção. No entanto, a alvorada foi esplendorosa, de encantar qualquer um.


      Ao explorar o cume, percebi que do outro lado do Caratuva, o lado do Ibipiroca, o russo não estava castigando tanto e pude avistar com o binóculo os acampamentos e as pessoas no Ibipiroca e no Cerro Verde.

      Às 08:25 estava de cargueira pronta e lá se fui para o PP por uma trilha alternativa que vai do Caratuva até o A1. Minha nossa, pensa num banho dentro da trilha fechada, fiquei encharcado; pior que isso, só fui perceber no outro dia: a trilha passa no limite de um desfiladeiro mas devido à neblina não vi nada, somente branco. Ia pegar água perto da trilha, mas devido as condições preferi seguir até o A1 e voltar pela outra trilha, menos densa (bem menos), até uma fonte principal.

      Logo que cheguei na bica encontrei um grupo que ia do Ibipiroca em ataque ao PP, um pessoal de Palmital/SP. Trocamos algumas ideias e acabei seguindo com eles até passar o elevador, pessoal gente fina. O elevador é um caso a parte, antes dele já é preciso dar aquela tremida (e não é de frio) para descer uns 15 m de parede, nada comparado aos aproximadamente 25 m do elevador.


      Depois do elevador o grupo parou para dar um fôlego, eu parti. Comecei a encontrar grupos descendo que me relatavam estar aberto o tempo no cume, eu ansioso para chegar. Depois de muitos obstáculos (passar no limite de penhascos, subir pedras enormes na unha, passar entre rochas apertadíssimas) cheguei no A2, ainda havia mais uma pernada, kkkk. Mas nada me abalava, e lá fui. Cheguei no cume às 12:00, fui o primeiro a montar acampamento naquele dia, alguns nem tinham desmontado do dia anterior ainda. Os Óreas não estavam muito colaborativos deixando o tempo fechado, tão fechado que mal dava para ver o próprio PP. Em alguns momentos pequenas aberturas nos mostravam o cume do Pico Itibiraque, e como um bando de loucos os trekkers de lá gritavam para os trekkers de cá, kkkk. Passamos o resto da tarde conversando, o grupo que conheci no Caratuva havia chegado, e o tempo não abriu de verdade, apenas deu uma baixadinha na camada branca no final do dia possibilitando enxergar o alaranjado do crepúsculo.


      A medida que a noite ia caindo o firmamento revelava o espetáculo e as nuvens foram dispersando. Um espetáculo memorável no céu.
      No dia 22/7 às 05:00 estava acordado, e no horizonte muitas nuvens ainda ofuscavam a paisagem, mas numa manobra que só os deuses sabem dar, em 15 min o tempo se abriu deixando toda a cadeia de montanhas da região exposta. Às 07:05 começava novamente o maior espetáculo da terra, a alvorada. Foram momentos emocionantes até que o astro preenchesse todo o leste com seu dourado inconfundível.


      Depois de um generoso café, muitos cliques e histórias contadas entre os montanhistas era hora de desmontar tudo e partir, fiz isso às 10:00, abortando o combinado inicial de descer junto com o grupo que fizemos amizades, eu precisava estar na base às 15:00 para as 16:00 pegar outros caronas em Curitiba, e eles iam começar a decida lá pelas 11:00.



      Montanha abaixo e logo começo a cruzar com os grupos que subiam de ataque, pelo caminho onde havia área de camping, tinha barraca armada, incrível até o A2 muita gente dormindo pelo caminho. Pouco antes do A2 alcancei outro quarteto que ia descendo, fizemos amizade rapidamente. Logo fiquei sabendo que um dos integrantes morava no meio do caminho meu para casa, então já combinamos a carona – ela estava de carona com o grupo que era de outro lado de Curitiba. Passado o elevador, pensei que tudo estaria tranquilo, que nada. O trecho entre o A1 e cruzo para o Caratuva (que eu havia contornado no primeiro dia) é um dos piores trechos de toda a trilha, são milhares de raízes e pequenas elevações que precisam ser transpostas por cima delas, exige muita calma e técnica para andar mais rápido.
      Acabei avançando mais rápido que meu novo grupo, perdemos contato. Quando cheguei na Pedra do Grito resolvi esperá-los, larguei tudo de lado e sentei. Um grito de guerra na trilha chamou a atenção, pensei serem escoteiros, mas em alguns minutos quem chega foi um grupo de noviças 38 segundo a madre que as conduzia, todas de saias longuíssimas de um vermelho incrível e camisas brancas de freiras, disseram que iam até o Morro do Getúlio. Confesso que eu duvido que foram, mas garanto que aquela não era a melhor roupa e que com certeza não voltou como tinha ido, kkkkkk. Nesse alvoroço todo nem percebi que parte do grupo tinha descido e as 15:10 um dos integrantes passava por mim, ele me disse que a moço que ia de carona comigo já tinha descido, duvidei pois, não a vi passar. Descemos juntos o último trecho, e lá estava ela esperando e gritando desesperada por mim no estacionamento, kkkkkk.
      Depois de um banho de gato, despedimo-nos dos novos amigos e lá fomos nós de volta à vida comum. Já se passavam das 23:00 quando cheguei em casa, onde uma bela pizza portuguesa esperava.
      Não é só a experiência que a montanha no dá, são, principalmente as amizades que cultivamos. Cada estrela no firmamento representa a amizade entre alguém, mesmo escondida pelas nuvens vão estar lá.


    • Por lucband
      Eu, Lúcio, e minha esposa Marlene, 61 e 55 anos respectivamente, havíamos feito muuuuitos acampamentos (eu já fazia camping selvagem na década de sessenta, acompanhado de meu pai, usando barracas do exército, porque não existiam barracas de camping no Brasil) e algumas trilhas, mas a mais exigente até então havia sido a Ferrovia do Trigo, de nível fácil a moderado, além de pequenos trechos de montanha, mas tínhamos o sonho de chegar ao topo do Pico Paraná (PP), a montanha mais alta do Sul do país, com 1.877 metros. Sabíamos que seria muito difícil, então nem nos preocupamos em fazer preparação física especial, somente o que fazemos normalmente: eu jogo Tênis competitivo, minha esposa caminha e corre na esteira, caminhamos seis a oito quilômetros, andamos de bicicleta. Quase todo dia fazemos uma dessas atividades.  Meu planejamento inicial seria chegar com as cargueiras até o Caratuva (com possibilidade de acampar no cume do morro do Getúlio caso estivéssemos muito cansados) acampar e seguir no dia seguinte para o Pico Paraná, percorrendo a Trilha da Conquista até o acampamento 1 (A1). Escolhi pernoitar no Caratuva porque pensei que, se não conseguisse chegar ao Pico Paraná, pelo menos teria o prazer de ver o nascer e o pôr do sol no segundo mais alto pico da região Sul. Fiz um planejamento minucioso, para evitar aperto, e troquei alguns equipamentos para deixar as mochilas mais leves. A troca mais importante foi da barraca Naturehike Alumínio 2 que eu tinha pela excelente Naturehike Cloud Up 2 Ultralight (de cor cinza, que é mais leve): de 2,2 quilos para somente 1,5 quilos! No final das trocas, minha mochila pesava 13 quilos e a da Marle 11 quilos (sem considerar água). Ficamos então esperando um final de semana com tempo bom, até que finalmente chegou o grande dia, o feriado de Tiradentes, com uma previsão de tempo perfeito.
      Nos acompanharam na aventura a Tânia, uma amiga com a nossa faixa etária, seus dois filhos Guilherme e Riana, os três com experiência em trilhas, pois fizeram a Ferrovia do Trigo conosco, mas sem experiencia em montanha, e um casal de jovens amigos, Diego e Marina, que não tinham feito nenhuma trilha ainda. Saímos de Chapecó na quinta, dia 19/04/18, à tardinha e pernoitamos em uma Pousada em Quatro Barras, a 30 quilômetros do PP. Na sexta cedinho rumamos para a Fazenda Pico Paraná, onde conversamos com o proprietário, Dilson, e comentamos sobre nosso planejamento. Ele nos recomendou não acampar no Caratuva, porque a trilha da Conquista não era muito usada e era muito fácil de se perder, e falou que era melhor acamparmos no Itapiroca, fazendo a trilha normal para chegar ao PP. Aceitamos a sugestão, afinal o bom planejamento é aquele que é flexível, colocamos as cargueiras, tiramos uma foto e partimos.

      A tradicional foto da partida: Riana, Marina, Diego, Marlene, Lúcio, Guilherme e Tânia.
       
      Com o corpo ainda frio, quase morremos ao subir o íngreme gramado inicial na fazenda kkk (lembrei do filme Por Aqui e Por Ali - A Walk in the Woods, imperdível). Tocamos em frente, sem pressa, parando para apreciar a paisagem e tirar muitas fotos. Perto de uma da tarde chegamos na bica, depois da bifurcação do Caratuva, onde paramos para almoçar um delicioso Cup Nodles turbinado com sopa Vono e meio pacote de queijo ralado para cada um.

      Riana almoçando na bica.
       
      Depois de quase uma hora de descanso, abastecemos de água para o acampamento e tocamos em frente. Com dois quilos a mais em cada mochila o cansaço logo aumentou, e chegamos estropiados ao Itapiroca em torno de quinze e trinta, a tempo de montar acampamento, subir o pequeno trecho até o cume, deixar uma mensagem no livro e apreciar um belo pôr do sol.

      Na chegada ao Pico Itapiroca, eu e Marle dividindo o sabor da conquista.
       

      Deitado na barraca, namorando o Pico Paraná e imaginando como era longe...
       
      À noite deve ter feito menos de zero grau, porque estava ventando muito e mesmo assim formou gelo nas barracas. Estávamos bem agasalhados e com bons sacos de dormir, mas mesmo assim passamos frio...

      Na primeira noite formou gelo nas botas, isso que estavam no avanço da barraca...
       
      No dia seguinte bem cedo acordamos para ver o nascer do sol, e ás oito horas estávamos prontos para partir para o PP.

      Nascer do sol com o Pico Paraná ao fundo. Parece uma pessoa deitada, onde o PP é o nariz...

      Nossas barracas com o PP ao fundo. Em primeiro plano o saco para lixo (traga sempre de volta todo seu lixo, e mais um pouco como colaboração).
      Escondi nossa comida no mato (porque na trilha do Pontal de Tapes nos roubaram algumas coisas a noite, inclusive toda nossa comida, nos deixando em situação de risco, fiz um relato aqui: mochileiros.com/topic/71954-pontal-de-tapes-uma-roubada-literalmente/), deixamos nas barracas somente os isolantes, os sacos de dormir e alguns itens menos valiosos e saímos com três a quatro quilos em cada cargueira. Tudo na expectativa de não passar muito aperto caso furtassem nossas barracas enquanto estivéssemos na trilha... E fomos subindo, descendo, pulando, escalando, curtindo a paisagem, tirando fotos, bebendo água geladinha de cada fonte que tinha no caminho, até chegar no Acampamento 2 (A2), em torno de onze e meia, onde Tânia e Marina disseram que ficariam ali nos esperando, porque estavam cansadas.

      Marle, Marina e Diego escalando o paredão.
       
      Fomos atrás da bica de água para reabastecer, pegamos somente uma mochila, com água, kit remédios e kit de emergência, e partimos os cinco restantes para o ataque ao PP. Depois de pouco mais de meia hora, parecia que estávamos chegando ao cume, ficamos felizes, mas... não era o cume, avistamos mais um caminho por dentro da mata, e um paredão ameaçador no final, e o cume nos chamando lá em cima. Diego, Riana e Guilherme desanimaram e disseram que não iriam continuar... olhei para a Marle, para ver se ela estava bem, ela me olhou firme e disse: vamos! Não pensei duas vezes, peguei duas garrafas de água, coloquei uma em cada bolso da calça e saímos quase correndo em direção ao pico, com a adrenalina a mil. Chegamos lá em menos de quinze minutos, ainda gritamos para nossos amigos, dizendo que o último trecho era fácil, que era para eles tentarem subir, mas eles não entenderam, acharam que estávamos acenando para eles e voltaram para o A2.

      Eu e a Marle na pedra, ao lado do livro do cume do Pico Paraná.
      Nos abraçamos, rimos que nem crianças, sem acreditar que conseguimos chegar lá, tiramos muitas fotos, curtimos a paisagem, deixamos uma mensagem no livro do cume, sentamos um pouco e iniciamos a caminhada de volta, porque não tínhamos muito tempo, eram mais quatro horas até o acampamento base no Itapiroca, já era mais de duas da tarde e não queríamos pegar noite na trilha. Ao chegar no A2, onde o resto da galera nos esperava, um susto: Guilherme estava com câimbras, eu fiquei com medo de que ele não conseguisse retornar e tivesse que ficar no A2, sem abrigo. Demos para ele um coquetel energético (Capuccino com leite em pó adicional, Carb up, mandolate e Snickers, que mistura!), o que fez com que ele melhorasse (pelo menos das câimbras, porquê o estomago foi detonado kkkk) e ficasse em condições de iniciar a jornada de volta. No caminho abastecemos de água novamente, no último filete que tinha na trilha, ficamos com as mochilas mais pesadas, o que aumentou o cansaço, e acabamos chegando no Itapiroca já quase de noite, as dezoito horas, exaustos. Uma janta quente e uma unica cumbuca cheia de sopa, passada de mão em mão como em um ritual indígena, nos reanimou, o frio estava menor (ou o cansaço maior?) daí pudemos dormir melhor.
      No dia seguinte, acordamos cedo, a tempo de ver mais uma vez o belo nascer do sol, arrumamos as cargueiras e iniciamos a descida em um bom ritmo, às oito horas. Fazendo as tradicionais paradas para descansar, tirar fotos e apreciar a paisagem, às onze e meia chegamos na Fazenda Pico Paraná e fomos correndo encontrar uma churrascaria para tirar o atraso... que ótimo sabor tem a comida e bebida depois da trilha!
      Não poderia encerrar o relato sem enaltecer nosso grupo, unido em todos os momentos como uma família, com uma sinergia que transmitia força e segurança a todos e que nos permitiu fazer a jornada sem nenhum percalço. Obrigado, galera, vocês são incríveis!
       

      A chegada na fazenda Pico Paraná
       
      Acho que alguns montanhistas contumazes vão rir da nossa história, achando muito fácil chegar ao cume do PP, mas na nossa idade acredito que poucas pessoas teriam a preparação física e principalmente mental para sequer conseguir chegar com as cargueiras até o Itapiroca, o que dirá sair do Itapiroca no dia seguinte, com algum peso na mochila, ir ao PP e voltar. Ficamos muito felizes em poder provar que a velhice está somente na cabeça das pessoas, e que nunca é tarde para realizar seus sonhos, por mais malucos que possam parecer. O pior é que descobri o que muitos falavam e eu não imaginava o estrago que fazia: o bicho da montanha nos picou e contaminou, ficamos viciados e já estamos preparando nova jornada, agora para conhecer o Pico Caratuva... A montanha é o paraíso na Terra!
       

      No mirante próximo ao A2... nossa sinergia nos faz mais fortes!
    • Por Raphael Lettrari
      Boa tarde, 
      Irei subir o Pico Paraná sábado dia 15/12/2018 pela primeira vez, a ideia é subir e descer no mesmo dia! alguém se anima nessa jornada?


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