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Com muito espirito de aventura eu Eliseu Francisco e meu amigo Daniel Douglas finalmente decidimos subir uma montanha pela primeira vez e escolhemos o Pico Paraná. Antes de irmos procuramos por vários relatos a fim de nos preparar, e encontramos ótimos relatos que foram de grande ajuda, mas quando chegamos lá sentimos que faltaram informações, então escrevo esse relato com a intenção de agregar mais informações para quem deseja realizar essa incrível aventura de subir o pico mais alto do sul do Brasil.

Nós só temos disponibilidade durante as férias, sendo assim teríamos que optar por janeiro (verão) ou julho (inverno). Os relatos diziam que ir durante o verão não é uma boa opção devido á instabilidade do tempo, o que faz com que possamos pegar chuva a qualquer momento e ficar impossibilitados de subir o pico ou pelo menos ter mais dificuldades, mas nós ficamos receosos quanto ao frio do inverno, pois a chuva é uma possibilidade, mas o frio no inverno é uma certeza, então optamos por ir em Janeiro.

Eu moro em Três Corações-MG, meu amigo mora em Florianópolis-SC. Decidimos nos encontrar em Curitiba para organizar nossas coisas e então partir para o pico. Passamos no supermercado para comprar suprimentos (água, frutas, sanduíches, bolacha) e depois fomos até a rodoviária de Curitiba para comprar as passagens para o pico. O pico, aparentemente não é um destino muito comum para quem vai de ônibus porque ninguém na viação sabia me informar ao certo qual ônibus eu deveria pegar, mas como eu havia pesquisado antes, descobri que a melhor opção seria comprar com a empresa Princesa dos Campos, com destino a Barra do Turvo **Não é possível encontrar esse destino no site da empresa, somente no guichê**, a  passagem em Janeiro de 2020 custava R$34,47, e um dos problemas é que esse é um destino muito além da estrada que leva ao pico, que fica á 48km de Curitiba, enquanto Barra do Turvo fica á 153km de Curitiba, ou seja pagamos muito para andar pouco, mas como não tínhamos outra opção... Outro empecilho é que só existem 3 horários por dia nessa rota, sendo ás 7:00h, 12:00h e 17:20h. Optamos por partir em um sábado ás 7:00h. O ônibus possui um cobrador, então pedimos pra ele nos avisar quando tivéssemos chegando próximo ao posto Mahle no km 46, que são os pontos na rodovia mais próximos a estrada que leva ao pico, por via das dúvidas eu acompanhei toda a rota pelo google maps e quando percebi que estávamos chegando próximo me levantei pra arrumar as coisas **Lembre-se de que você precisa levar seus equipamentos com você, pois o motorista não abre o bagageiro fora das rodoviárias**. O cobrador nos lembrou do local e nos avisou que o ponto seria ali, e também nos mostrou que havia outro ponto de ônibus do outro lado da rodovia, onde poderíamos pegar o ônibus para voltar pra Curitiba. **Na volta a passagem fica mais barata, pois o cobrador vai cobrar a passagem a partir daquele ponto**. Ao descer encontramos com um pequeno bar na beira da rodovia onde pedimos informações sobre onde fica a bendita estrada, fomos informados que ela fica á 2km seguindo a frente, ter que andar esse trecho no acostamento da rodovia foi inevitável, já que certamente o motorista não iria querer parar mais a frente por não ser seguro. Dois quilômetros depois nos deparamos com uma estradinha de terra á direita, havia um casal saindo de lá e perguntamos se aquela era a estrada que levava a fazenda Pico Paraná **Essa fazenda á a base de apoio na entrada da trilha que leva ao pico, é ela que você deve citar quando pedir informações**. Do início da estrada até a fazenda são cerca de 10km, eu sei, é muito, mas somos aventureiros e sabíamos que teríamos que fazer esse trecho, estávamos contando com alguma carona, e por sorte foi o que aconteceu, depois de andar cerca de 2km um motorista em uma caminhonete nos ofereceu carona, aceitamos sem relutar é óbvio, e foi realmente sorte, pois esse trecho tem muitas subidas, chegaríamos a fazenda já bem desgastados. Quando chegamos a fazenda fomos recepcionados por um dos proprietários que nos deu ótimas dicas e meio que nos assustou, é que como ele entende do clima local, ele nos disse que não seria uma boa ideia a gente ir até o Pico Paraná ou acampar lá em cima, pois o risco de chuvas, ventos e até raios é muito alto, ele então nos recomendou ir até o Pico Itapiroca ou Caratuva, não me lembro ao certo qual deles, a questão é que essa segunda opção é bem mais perto, tem cerca de somente 10m a menos que o Pico Paraná, a visão geralmente é mais limpa (sem nuvens), a trilha é menos intensa e daria pra subir e descer no mesmo dia para então acampar na base, onde é mais seguro. Obviamente ficamos meio preocupados, mas não pensamos duas vezes, nós fomos lá pra chegar até o topo do Pico Paraná e é isso que iríamos fazer independente do que tivéssemos que enfrentar, então avisamos ele da nossa decisão, assinamos uma folha de controle, deixamos na fazenda aquilo que não usaríamos na trilha e partimos. **É necessário pagar uma taxa de R$10(das 07 ás 18 horas) ou R$15(das 18 ás 07 horas) por pessoa na fazenda, esse valor te dá direito a usar os banheiros, chuveiro e camping. Também é necessário informar corretamente á qual pico você pretende chegar, pois caso se passe tempo demais do tempo comum de chegada, eles montam uma equipe de busca**

Depois de tudo decidido, começamos então a trilha, eu não vou me apegar aos detalhes do caminho, já que a trilha é bem sinalizada, existem fitas brancas amarradas ás árvores que indicam o caminho para o Pico Paraná e fitas de outras cores para outros picos, além disso se você for em um final de semana provavelmente vai encontrar muitas pessoas na trilha, muitas mesmo, então quase sempre vai ter alguém á quem pedir informações. Quanto ás condições da trilha, quase todo o percurso é em meio ás árvores, então o sol não atrapalha tanto, o começo é uma trilha de chão batido com leves inclinações, depois de mais de uma hora de caminhada começam a aparecer algumas pedras no chão e aumentar a inclinação, logo depois nos deparamos com trilhas bem complicadas, com muitas raízes gigantes que dificultam a movimentação, existem muitas subidas e descidas todo momento, algumas dessas possuem cordas ou grampos para ajudar a escalar, por que fomos no verão e deve ter chovido nos dias anteriores nos deparamos com muita lama na trilha, o que foi péssimo porque os tênis ficaram imundos e as meias então, nem se fale, o chão fica muito escorregadio então a atenção teve que ser dobrada. Mais de quatro horas de caminhada e nos deparamos com uma das partes mais complicadas, pelo menos pra mim, tenho pavor de altura e a escalada nesse ponto é tensa, grampos e uma corda em pedras na vertical onde se você escorregar e não se agarrar a nada, a queda pode ser fatal, subir essa parte com uma mochila pesada e uma barraca nas costas foi muito complicado. **Escolha bons equipamentos, a mochila deve ser confortável e bem fixa ao corpo, se realmente optar por acampar fora da base, escolha a barraca mais leve o possível** Depois de passar por esse trecho tenebroso chegamos ao último acampamento antes do topo, decidimos montar a barraca ali e deixar nossos equipamentos para subir ao topo sem peso, desse ponto até o topo ainda leva cerca de uma hora de escalaminhada. Cerca de 6 horas depois de sairmos da base chegamos finalmente ao topo do Pico Paraná, infelizmente a visão não foi a das melhores, estávamos em meio ás nuvens, mas isso pouco importou, a sensação de poder dizer “nós chegamos, nós conseguimos” é indescritível e foi o que nos deixou satisfeitos. Havia umas 10 pessoas no topo e muitas outras no acampamento ou seja se você pretende ficar mais isolado sugiro ir no meio da semana. Depois de descansarmos por um tempo no topo, decidimos voltar para a nossa barraca e quando chegamos nos demos conta de algo ruim, estávamos quase sem água, levamos dois litros para cada um, erramos achando que seria suficiente **Pouco depois da metade do caminho da base até o topo do Pico há uma bica de água potável, encha o máximo de garrafas que puder** Era cerca de 16:00h, esperar até o amanhecer do dia seguinte não parecia mais uma boa ideia, quase sem água e como já tínhamos completado o nosso objetivo e não queríamos ter que voltar ao topo de novo, decidimos então por descer e acampar na base mesmo, então desmontamos a barraca, juntamos nossas coisas e começamos todo o trajeto de volta, que foi muito mais exaustivo, pois já estávamos arrebentados por ter subido carregando todo aquele peso, com o anoitecer tudo piorou **Leve aquelas lanternas que ficam na sua testa, vai fazer toda a diferença** Como não planejamos fazer trilha a noite não levamos lanternas, somente aquelas luzes de emergência, que usaríamos para iluminar a barraca, o problema é que em grande parte da trilha você precisa das duas mãos, então ficar segurando essas luzes foi um empecilho e tanto. Em certo ponto já estávamos sem água, com sede, alguns arranhões e quase exaustos e nada de chegar na bica que tinha água potável, somente outras bicas **Alguns montanhistas nos falaram sobre a tal pastilha de cloro que você usa para tornar a água potável, se eu soubesse disso antes... Pesquise e compre antes de ir** Depois de finalmente chegar á tão esperada e abençoada água potável nos saciamos, enchemos as garrafas e seguimos em frente, já era cerca de 21:00h quando decidimos que era melhor achar um lugar para acampar por ali mesmo, queríamos ter a experiência de acampar em lugar isolado e estávamos realmente quase sem forças para continuar, depois de andar mais um pouco achamos um lugar excelente, alto, limpo e plano, montamos a barraca e nos desmontamos no chão com ao alívio de que finalmente poderíamos dormir em paz depois de ter feito doze horas de trilha, mas nos esquecemos do frio, só levamos uma manta para forrar o chão da barraca e uma blusa de frio para nos agasalhar, foi outro grande erro, quanto mais tarde ficava mais ventava e a temperatura caía, foi um frio tremendo, eu não consegui dormir nem por um minuto, tremendo de frio, decidimos então acender o fogareiro dentro da barraca para cozinhar um macarrão instantâneo e nos aquecer, óbvio que não ajudou em muita coisa, meu amigo ainda conseguiu dormir apesar do frio, mas ele deve ter algum problema, se fechar os olhos por mais de um minuto, dorme. Com o nascer do sol os ventos param e o calor aumenta muito rápido, dormi por cerca de uma hora para então descermos, cerca de duas horas de trilha com o corpo todo doendo chegamos então a base.

Foi a nossa primeira montanha, erramos bastante mais aprendemos muito mais. Não recomendo ir sozinho, nós nos apoiamos e zuamos bastante o que tornou tudo mais suportável. Pesquise bem antes de ir, leia o máximo de relatos que puder, se prepare e não se deixe intimidar, é uma aventura para se guardar pelo resto da sua vida, pelo menos eu nunca vou esquecer que eu subi a maior montanha do sul do Brasil.

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Ótimo relato amigo, e parabéns pela conquista! Acredito que agora essa atividade pode virar uma rotina, não? Pico da bandeira tá bem pertinho daí, rs.

 

As fotos ficaram MUITO boas, eu não sei se me perdi e passei batido no seu relato, mas qual câmera vc usou para esses lindos registros? 

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Em 21/02/2020 em 12:54, StanlleySantos disse:

Ótimo relato amigo, e parabéns pela conquista! Acredito que agora essa atividade pode virar uma rotina, não? Pico da bandeira tá bem pertinho daí, rs.

 

As fotos ficaram MUITO boas, eu não sei se me perdi e passei batido no seu relato, mas qual câmera vc usou para esses lindos registros? 

Obrigado mano, também espero conquistar o Pico da Bandeira ano que vem kkk. Tirei as fotos com meu celular mesmo. Xiaomi Mi8 lite.

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Em 07/03/2020 em 21:49, Eliseu Francisco disse:

Obrigado mano, também espero conquistar o Pico da Bandeira ano que vem kkk. Tirei as fotos com meu celular mesmo. Xiaomi Mi8 lite.

Já tinha uma idéia da reputação dos Xiaomi, mas não imaginava que a potência das suas câmeras chegava a tanto! Impressionante 👏

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      Mas depois de saber que o inverno é o periodo onde mais tem janelas de tempo firme na região do Paraná, não pensei 2 vezes e marquei para o último fds de Junho. Nesse eu iria de qualquer forma, sozinho ou em grupo. 10 pessoas toparam ir comigo nessa empreitada, na qual dividi em 2 carros. Porém, com desavenças passadas entre alguns deles, outros abortaram de ultima hora e para piorar, um dos motoristas ficou doente, deixando todas as suas caronas sem carona.
       
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      1º Dia
       
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      A viagem foi tranquila e ao passar pela placa de divisa de SP com o Paraná, fico atento a quilometragem na rodovia (que a partir da divisa ela zera e começa a contar novamente). Peço para o motorista parar no Km 46, logo após passar pela ponte do Rio Tucum.
       
      Nesse ponto, é onde fica o acesso a estradinha de terra que leva a fazenda Pico Paraná. Chego nela pouco antes das 16h00hs e após ajeitar a cargueira, dou inicio a caminhada pela estradinha de terra em direção a fazenda numa bela tarde de sol, mas com o frio típico da região se fazendo presente.
       

      A placa indicando o Pico Paraná a direita
       

      O acesso fica logo a frente dessa placa no sentido São Paulo.
       

      Não tem erro. Desceu do busão, atravessa a rodovia para o outro lado e pega o acesso
       
      A temperatura estava agradável naquela tarde (em torno de 16ºC) que ajudou bastante na caminhada nesse trecho inicial, que segue tranquila, ótima para aquecer os músculos. Após descer um pequeno trecho da estrada e ao virar a esquerda e depois a direita, começa a aparecer as primeiras vistas para alguns picos, com o Caratuva parecendo estar perto, mas ainda com uma longa caminhada até lá.
       
      Passo por algumas bifurcações, mas o caminho a seguir é obvio: Sempre pela estrada principal, mais batida e bem fácil de identificar, seguindo em direção aos picos que são visíveis a maior parte do tempo a sua frente.
       

      começando a caminhada
       

      As primeiras vistas
       
      Cruzo com alguns pontos de água pelo caminho na estradinha, mas que não são confiáveis, pois vejo casas próximas. Não encontrei nenhum ponto de água confiável durante todo o trajeto da rodovia até a fazenda, chegando a conclusão que não dá para contar com água nesse trajeto. Por isso, traga água na mochila, pois só haverá agua confiável qdo chegar na fazenda.
       
      40 minutos de caminhada desde a rodovia, passo por um bar a esquerda que estava aberto e aproveito para ver o que tinha de bom e confirmar o caminho mapeado. Era um bar e uma pequena mercearia, onde havia miojo, sucos, etc. É uma opção para o caso de você estar sem água ou quiser comprar alguma coisa a mais para levar.
       

      Ainda falta 3,5km
       
      Retomo a pernada e logo que saio do bar, vejo uma bifurcação onde o caminho a seguir é o da esquerda (o Bar é a referência). A partir da bifurcação, a estrada inicia uma sequencia de subidas constantes serra acima e com alguns trechos mais íngremes que durou até quase o final. Por isso, acabo ficando mais lento, sendo obrigado a parar algumas vezes para retomar o fôlego.
       
      Durante a caminhada, encontro algumas placas indicando o caminho para a Fazenda Pico Paraná. No caminho, passo por uma casa, onde um minúsculo cãozinho solitário, do tamanho de um gato late durante a minha passagem.
       

      Algumas janelas na mata, revelavam alguns picos do entorno....
       
      As 17:10 hs, com pouco mais de 1 hora de caminhada desde a rodovia, chego ao trecho final, onde visualizo uma placa indicando "Fazenda Rio das pedras a 1 Km". Termino a longa e exaustiva subida e logo chego ao alto de um morro, onde visualizo o vale e a fazenda lá embaixo.
       

      Falta pouco
       

      Trecho de descida final
       
      A partir desse trecho, a estrada desce até um grande vale, onde passo por uma ponte sobre um rio. E após cruzar a ponte, com 1 hora e 25 minutos de caminhada desde a rodovia, finalmente chego a sede da Fazenda Pico Paraná, onde um garoto de aproximadamente 12 anos aparece perguntando se eu iria seguir direto ou iria pernoitar na Fazenda. A sede da fazenda é bem simples, mas seu camping é bastante espaçoso, com grama bem aparada e plana, água perto e de quebra, chuveiro quente e fogão a gás para cozinhar tb.
       

      Chegando na entrada da fazenda
       

      Casa de apoio ao montanhista
       
      Não havia ninguém no local e nem no camping e após deixar meus dados na ficha e pagar R$ 10 pelo pernoite no camping, monto minha barraca, preparo a janta e logo vou dormir, pois os próximos 2 dias seriam mais puxados.
       
      2º dia - Da Sede da Fazenda ao A2 (Acampamento base 2) e cume do Pico Paraná.
       
      O Sábado amanheceu com uma nevoa baixa e temperatura amena de 07ºC. Acordei por volta das 6h30 com a movimentação da turistada chegando para subir o pico...
       
      Fui até o ponto de apoio da fazenda para tomar café e durante esse período, mais gente foi chegando e logo o estacionamento da fazenda já estava lotado. Fiquei sabendo que alguns grupos já haviam começado a subida, o que me fez pensar que precisaria ter começado a trilha mais cedo afim de chegar antes e pegar os melhores lugares nas areas de acampamento.
       

      Turistada chegando em massa
       
      Após tomar um belo café reforçado com 2 pães de queijo suculentos na fazenda, as 7h20 já estava desmontando a barraca. Antes de iniciar a subida, peguei algumas coordenadas da trilha e as 8h00 em ponto, inicio a caminhada em direção ao Pico Paraná.
       

      Arredores da fazenda
       
      A trilha começa com uma subidona logo de cara, o que deve assustar muita gente, principalmente iniciantes, mas também dá uma ideia que não seria uma trilha facil. Segundo infos da fazenda, o tempo de caminhada médio da Sede até o A2 (Acampamento base 2) é de 6 horas, pelo menos. Então, estimei chegar lá por volta das 14h00hs.
       

      Acabou a mamata do pedágio....
       

      Iniciando a caminhada
       
      O trecho inicial começa com uma subidona constante e a 1º hora é quase toda assim, o que deixou muitos dos grupos bem devagar. Vou subindo em ritmo forte e aproveito para ultrapassar alguns grupos que estavam mais lentos, pois havia bastante pessoas na minha frente.
       
      1 hora de subida desde a fazenda, chego ao alto de um morro e a subida dá uma trégua. A trilha passa a seguir quase que no plano, em linha reta, mas que não dura muito tempo e logo a subida recomeça em um trecho em largos zig-zag, onde ganho altitude rapidamente.
       

      No trecho inicial - abaixo das nuvens e tempo fechado.
       

      Próximo ao morro do getúlio, acima das nuvens, tempo aberto
       
      As primeiras vistas começam a aparecer e as 9:15, chego ao alto de um morro conhecido como Getúlio, onde havia alguns grupos descançando e tirando fotos. Desse ponto, se tem uma bonita vista do vale lá embaixo, com a represa do Capivari em primeiro plano a oeste e a sudeste, os Picos do Caratuva a esquerda e Itapiroca a direita bem imponentes. As nuvens haviam ficado embaixo e o sol já brilhava forte na lá em cima.
       

      Caratuva a esquerda, Itapiroca a direita
       

      Seguindo pela crista, em direção a base do Caratuva
       
      Como havia muita gente no local, faço uma breve parada ali apenas apenas para molhar a goela e mastigar uma barra de cereal. A partir desse trecho, a subida dá uma tregua e a caminhada segue no plano por um trecho de gramídeas e vegetação baixa no alto de uma crista.
       
      Retomo a caminhada e 15 minutos desde o morro do getúlio e 1 hora e meia desde a fazenda, chego a bifurcação onde há uma placa indicando Pico Paraná a direita e Caratuva a esquerda. Nesse ponto, havia um grupo de 4 pessoas parado tirando fotos, a qual cumprimento cordialmente e sigo na trilha a direita, sentido Pico Paraná.
       

      Na bifurcação....
       
      As 9:40, chego ao 1º ponto de água desde a fazenda, conhecida como "Bica" e sem saber direito qtos pontos de agua confiável iria encontrar pela frente, encho metade do cantil aqui e aproveito para fazer uma parada para descanço, já que no alto do morro do getúlio não foi possivel, devido ao excesso de pessoas ocupando o local. No trecho entre a fazenda e o Morro do Getúlio até passei por um ponto de água, mas era um poção represado e não confiável. Por isso, deixe para pegar água na bica ou traga da fazenda.
       
      Após a bica, a trilha inicia um longo e exaustivo trecho de subida forte com muitos galhos caídos e trechos eroditos, além de alguns trechos técnicos, onde o auxilio das mãos foram constantemente exigidos para impulsos nos troncos e pedras. Esse trecho perdura até próximo do A1, por isso, é preciso estar 100% para passar aqui, caso contrário, terá problemas, pois é um trecho que exige muito das panturrilhas, coxas, musculos e joelhos.
       

      1ºponto de água desde a fazenda
       
      30 minutos desde a Bica, a subida dá uma tregua e as 10:10 chego a placa que indica a bifurcação para o Itapiroca a direita. Seguindo em frente vai para o Pico paraná. A partir desse ponto, a trilha segue por um vale entre o Caratuva e Itapiroca.
       
      Com tantos galhos, troncos, arvores e trechos eroditos, fiquei bastante lento, pois era preciso passar por cada ponto com muita cautela, afim de evitar acidentes como escorregões ou de torcer os pés em alguma das dezenas de fendas entre os troncos em um trecho carcomido pelo tempo e o excesso de uso. A trilha estava bem marcada, mas parecia que estava mesmo é varando mato de tantos obstáculos no caminho.
       
      A trilha vai seguindo pelo vale e logo que atravessou para o outro lado, aparece a primeira vista do imponente Pico Paraná meio distante, envolvida em nuvens baixas. Passo por uma enorme rocha a esquerda e chego a um outro trecho de rocha lisa onde encontro uma corda estratégicamente instalada para auxilio de descida/subida.
       

      Trecho de corda....
       
      As 10:38, com cerca de 10 minutos após o trecho da corda na rocha, passo por mais 2 pontos de água, mas ambos de filete pequeno. Imagino que, em epoca de estiagem longa não é bom contar com esses pontos de agua, pois as fontes podem estar secas. Da placa até o A1, contei 4 pontos de agua, mas somente o da bica é o mais confiável e por ter mais agua corrente. Portanto, pegue água no 1º ponto na Bica ou deixe para reabastecer no A2.
       
      A trilha segue descendo discretamente o vale e dando a volta pela base do Caratuva. Após o último ponto de agua, saio da mata fechada e passo a caminhar por um trecho de bambuzinho baixo e capim ralo, que é parte de um trecho de transição para os campos de altitude. Nesse ponto visualizo bem a frente, o conjunto rochoso do imponente Pico Paraná bem a frente, parecendo estar perto, mas que ainda restava a descida de um grande vale até lá.
       
      As 10:55, saio do trecho da mata fechada e entro definitivamente no trecho de campos de altitude onde visualizo logo abaixo, os pequenos descampados do A1 a frente. Mais alguns minutos e chego a um mirante com uma bela vista do percurso. A partir desse ponto, o Itapiroca e Caratuva estão atrás e a minha frente, visualizo todo o trecho de crista que ainda iria passar. E o conjunto rochoso do Pico Paraná bem a frente o tempo todo.
       

      um dos descampados do A1 lmais abaixo
       

      Litoral paranaense tomado pelas nuvens
       

      Pico Paraná
       
      Passo por alguns pequenos descampados para 1 ou 2 barracas que podem ser usados em caso de emergência ou se as areas de acampamento do A1 e A2 estiverem lotados. Mais 15 minutos e 3 horas de caminhada desde a Fazenda, chego a primeira grande área de acampamento denonimado A1, onde aproveito para fazer um pitstop afim de relaxar os músculos do logo trecho de troncos e galhos que foi de matar.
       

      Itapiroca a esquerda
       

      Um dos vários descampados do Acampamento Base 1 (A1) a mais ou menos 3 horas de caminhada do cume.
       
      Nesse ponto, parte uma trilha que sobe até o cume do Caratuva e que pode ser uma opção para aqueles que quiserem conhecer o Pico do Caratuva na volta. Após o breve descanço, retomo a pernada, agora pronto para encarar o trecho mais dificil da trilha, que é a escalada da base do PP.
       
      A trilha continua agora pelo alto de uma fina crista, que liga os picos do Caratuva e Itapiroca com o conjunto rochoso do Pico Paraná, com enormes vales dos lados esquerdo e direito que foram merecedores de vários clicks, é claro.
       

      Descendo em direção ao enorme paredão rochoso que compõe a base do PP.
       
      Gigantescos vales a esquerda e direita

       
      Após a descida de crista, chego a primeira de uma série de trechos técnicos, onde há grampos de ferros estrategicamentes instalados para auxilio na descida e subida. No 1º trecho de acesso ao pequeno vale, se desce até a base para depois iniciar uma forte subida em direção ao A2 e ao cume do PP.
       
      Ao pé dessa rocha, se tem uma ampla vista do enorme paredão gigante rochoso do Pico Paraná (que aparece com todo o seu explendor e imponencia), o que vale uma parada de alguns minutos para contempla-lo.
       

      Pico Paraná todo imponente a frente
       
      Nesse mesmo ponto, visualizo o enorme encosta exposta íngreme por onde a trilha sobe, mas é o caminho a seguir e é para lá que eu sigo.
       

      O paredão rochoso e a trilha subindo por ela
       
      Após a curta caminhada pelo vale, chego a base do PP e vejo mais grampos de ferros para auxílio da subida. Começo a escalaminhada do paredão praticamente na vertical e só de olhar a pirambeira acima, cansou até a vista. Com mochila cargueira, não foi nada facil vencer esse trecho.
       

      Trecho técnico
       

      Descer foi pior que subir....
       
      É preciso passar com bastante cautela por ali, afim de evitar acidentes. Ganho altitude rapidamente e após o 1ºtrecho, passo por outros 2 com grampos de ferro e após o trecho tenso, chego ao alto da crista para um merecido descanço.
       

      Do alto, da para ver todo o trecho de crista que vem lá do Caratuva e a marcação da trilha pelo alto crista
       

      O trecho de crista por onde a trilha vem (com o Itapiroca a esquerda e o Caratuva a direita) bem a frente....
       
      As 12:10, após vencer os trechos de grampos, entro no trecho final da crista antes do A2. E assim, pouco antes das 13:00hs e com quase 5 horas de caminhada desde a fazenda, finalmente chego a area de acampamento denonimada A2 para literalmente, desabar ali.
       

      Um dos vários descampados do A2
       
      O Acampamento Base 2 (mais conhecida como A2) é bem amplo, com vários descampados (alguns muito bem protegidos pela vegetação) com espaço para pelo menos umas 15 barracas. Não havia ninguém no local ainda, com isso, pude escolher o melhor lugar para montar a barraca.
       
      Até pensei em tentar a sorte e ir acampar no cume, mas sabendo que no topo em relação ao A2 tem pouco espaço e que tinha gente que havia subido no dia anterior, acabo desencanando da ideia e resolvo ficar no A2 mesmo.
       

      Uma das belas vistas do A2
       

      Pico Paraná visto do A2
       

       
      A distancia do A2 para o cume é de aproximadamente 1 hora de caminhada com mochila cargueira. Após montada a barraca, as 13:45 parto para o ataque ao cume munido apenas de um lanche, suco e máquina fotografica.
       

      Morro do camelo visto do A2
       
      A partir do A2, a subida continua e passa por mais alguns trechos técnicos, onde alguns grampos de ferro ajudam na subida. Em alguns pontos, tive que saltar de uma pedra para a outra. É preciso passar com cautela, pois em alguns trechos, a trilha some por alguns instantes e deve-se olhar bem para encontrar a continuação dela.
       
      20 minutos desde o A2, a subida fica mais ingreme e a trilha entra em uma fina crista, onde visualizo de ambos os lados, enormes precipicios com um colchão de nuvens embaixo. É uma visão que impressiona, mas só de olhar no vazio lá embaixo, chega até a dar medo.
       

      Crista (a esquerda) onde está o A2 e por onde a trilha sobe. Ao fundo a esquerda e direita, Itapiroca e Caratuva
       
      Por conta de sucessivos trechos de escalaminhada, vou parando em alguns momentos para retomar o fôlego. O trecho de subida final ao cume é de matar e os músculos das pernas já estão esgotados, já que toda a força é dirigida a eles. Mais 20 minutos de escalaminhada, chego ao alto de fina crista, onde a subida da uma tregua e visualizo bem a minha frente, o cume final do PP.
       

      Face oposta do PP visto durante a subida
       

      Um dos precipicios gigantescos bem ao lado da trilha
       

      O Topo visto do ultimo trecho de crista
       
      Passo por um descampado protegido (para umas 2 ou 3 barracas na base) que estava vazio e que é uma otima opção para o caso do topo estar lotado, mas sem água perto. A partir desse descampado, acesso o trecho final da subida ao cume.
       
      E finalmente, após 45 minutos de caminhada desde o A2, finalmente chego ao topo do Pico Paraná, na cota dos 1.877 metros de altitude as 14:35, para o merecido descanço. Do Topo se avista todos os Picos da Serra de Ibitiraquire, com os Picos do Itapiroca e Caratuva bem a frente, em destaque. É uma visão em tanto e que valeu todo esforço para chegar.
       

      Enfim, no cume do Pico Paraná
       
      Como eu já imaginava, todos os lugares protegidos no cume estavam ocupados e só havia 2 lugares livres, mas totalmente expostos aos ventos. A subida do A2 até o cume foi bem cansativa devido aos trechos técnicos e imaginei como seria se estivesse com mochila cargueira nas costas. Por isso, se quiser acampar no cume, a melhor opção é sair um dia antes ou na madrugada de sabado. Caso contrário, fique no A2 que tem mais espaço e com água próxima.
       

      A fina crista vista do topo, por onde sobe a trilha e com o pequeno descampado
       

      Vista de tirar o fôlego
       
      Após vários clicks e contemplação do visual, com a tarde caindo, os ventos começam a ficar mais fortes. A temperatura tb estava caíndo, por isso, nem fico muito tempo lá e logo pego o caminho de volta para o A2, apenas para constatar que o local estava lotado e quem chegasse depois, teria que tentar a sorte no cume ou voltar para o A1. Sorte que eu cheguei bem antes e já garanti meu lugar.
       

      Barracas no topo
       

      A vista durante o retorno do cume ao A2
       
      De volta ao acampamento, encontrei com parte da galera do grupo trilhadeiros do face e que foi uma grata surpresa para mim. Estavam o Henrique, Jéssica, Ana Paula e mais 2 figuras que não me lembro o nome e é claro que após as apresentações de praxe, fiquei conversando com eles contando meus causos e pq estava sozinho.
       
      Com o por do sol, a temperatura diminuiu bastante e com o cair da noite, voltei para a barraca onde preparei minha janta e fui dormir cedo, por volta das 20h00.
       
      Continua logo abaixo.....


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