Ir para conteúdo
  • Faça parte da nossa comunidade! 

    Encontre companhia para viajar, compartilhe dicas e relatos, faça perguntas e ajude outros viajantes! 

Renato37

Pico Paraná + Itapiroca e Caratuva - Mais do que apenas um simples batevolta

Posts Recomendados

Trilha feita entre dias 25 a 27/06/2016.

 

Todas as fotos estão em:

https://photos.app.goo.gl/KW1dFw1v57i7oVhq8
 

Fazia anos que o Pico Paraná estava em meus planos, mas pela distancia e falta de tempo habil, fui deixando de lado até que nesse ano, decidi que estava na hora de sair um pouco da região Sudeste e ir trilhar em algum pico na Região sul. E nada melhor que começar pelo pico mais alto e mais conhecido da região, o Pico Paraná. Em Março, lancei um evento no face para a primeira quinzena de Maio afim de encontrar outros interessados em me acompanhar (além de facilitar a logistica de transporte), indo no esquema de racha de caronas.

 

Pois bem, não tive sorte nas 2 primeiras tentativas, por conta de ter chovido muito na região. Então, após ter adiado 2 vezes o evento no mês de Maio, resolvo tentar mais uma vez, mas dessa vez resolvo empurrar a data para o periodo mais seco do ano, ou seja, o Inverno. Não que isso faça muita diferença na região sul, já que o regime de chuvas durante o ano é bem distribuida e não há um periodo seco ou chuvoso definidos, como nas regiões Sudeste e Centro-Oeste.

 

Mas depois de saber que o inverno é o periodo onde mais tem janelas de tempo firme na região do Paraná, não pensei 2 vezes e marquei para o último fds de Junho. Nesse eu iria de qualquer forma, sozinho ou em grupo. 10 pessoas toparam ir comigo nessa empreitada, na qual dividi em 2 carros. Porém, com desavenças passadas entre alguns deles, outros abortaram de ultima hora e para piorar, um dos motoristas ficou doente, deixando todas as suas caronas sem carona.

 

Com isso, havia caronas de sobra e carro de menos. E ai, a pernada que iria ser em grupo, acabou sendo solo mesmo, como inicialmente havia previsto e era um plano B, inclusive.

 

1º Dia

 

Com a previsão meteorologica totalmente favorável para todos os dias que iria permanecer na região, lá estava eu, saltando do metrô na estação Tietê as 9h30 da manhã, rumo a ala de embarque da rodoviária de mesmo nome, para embarcar no ônibus das 10:00hs da viação Kaissara, com destino a Curitiba.

 

A viagem foi tranquila e ao passar pela placa de divisa de SP com o Paraná, fico atento a quilometragem na rodovia (que a partir da divisa ela zera e começa a contar novamente). Peço para o motorista parar no Km 46, logo após passar pela ponte do Rio Tucum.

 

Nesse ponto, é onde fica o acesso a estradinha de terra que leva a fazenda Pico Paraná. Chego nela pouco antes das 16h00hs e após ajeitar a cargueira, dou inicio a caminhada pela estradinha de terra em direção a fazenda numa bela tarde de sol, mas com o frio típico da região se fazendo presente.

 

CIMG5255.JPG

A placa indicando o Pico Paraná a direita

 

CIMG5258.JPG

O acesso fica logo a frente dessa placa no sentido São Paulo.

 

CIMG5259.JPG

Não tem erro. Desceu do busão, atravessa a rodovia para o outro lado e pega o acesso

 

A temperatura estava agradável naquela tarde (em torno de 16ºC) que ajudou bastante na caminhada nesse trecho inicial, que segue tranquila, ótima para aquecer os músculos. Após descer um pequeno trecho da estrada e ao virar a esquerda e depois a direita, começa a aparecer as primeiras vistas para alguns picos, com o Caratuva parecendo estar perto, mas ainda com uma longa caminhada até lá.

 

Passo por algumas bifurcações, mas o caminho a seguir é obvio: Sempre pela estrada principal, mais batida e bem fácil de identificar, seguindo em direção aos picos que são visíveis a maior parte do tempo a sua frente.

 

CIMG5260.JPG

começando a caminhada

 

CIMG5261.JPG

As primeiras vistas ::otemo::

 

Cruzo com alguns pontos de água pelo caminho na estradinha, mas que não são confiáveis, pois vejo casas próximas. Não encontrei nenhum ponto de água confiável durante todo o trajeto da rodovia até a fazenda, chegando a conclusão que não dá para contar com água nesse trajeto. Por isso, traga água na mochila, pois só haverá agua confiável qdo chegar na fazenda.

 

40 minutos de caminhada desde a rodovia, passo por um bar a esquerda que estava aberto e aproveito para ver o que tinha de bom e confirmar o caminho mapeado. Era um bar e uma pequena mercearia, onde havia miojo, sucos, etc. É uma opção para o caso de você estar sem água ou quiser comprar alguma coisa a mais para levar.

 

CIMG5263.JPG

Ainda falta 3,5km ::mmm:

 

Retomo a pernada e logo que saio do bar, vejo uma bifurcação onde o caminho a seguir é o da esquerda (o Bar é a referência). A partir da bifurcação, a estrada inicia uma sequencia de subidas constantes serra acima e com alguns trechos mais íngremes que durou até quase o final. Por isso, acabo ficando mais lento, sendo obrigado a parar algumas vezes para retomar o fôlego.

 

Durante a caminhada, encontro algumas placas indicando o caminho para a Fazenda Pico Paraná. No caminho, passo por uma casa, onde um minúsculo cãozinho solitário, do tamanho de um gato late durante a minha passagem.

 

CIMG5266.JPG

Algumas janelas na mata, revelavam alguns picos do entorno....

 

As 17:10 hs, com pouco mais de 1 hora de caminhada desde a rodovia, chego ao trecho final, onde visualizo uma placa indicando "Fazenda Rio das pedras a 1 Km". Termino a longa e exaustiva subida e logo chego ao alto de um morro, onde visualizo o vale e a fazenda lá embaixo.

 

CIMG5269.JPG

Falta pouco ::mmm:

 

CIMG5270.JPG

Trecho de descida final

 

A partir desse trecho, a estrada desce até um grande vale, onde passo por uma ponte sobre um rio. E após cruzar a ponte, com 1 hora e 25 minutos de caminhada desde a rodovia, finalmente chego a sede da Fazenda Pico Paraná, onde um garoto de aproximadamente 12 anos aparece perguntando se eu iria seguir direto ou iria pernoitar na Fazenda. A sede da fazenda é bem simples, mas seu camping é bastante espaçoso, com grama bem aparada e plana, água perto e de quebra, chuveiro quente e fogão a gás para cozinhar tb.

 

CIMG5271.JPG

Chegando na entrada da fazenda

 

CIMG5272.JPG

Casa de apoio ao montanhista

 

Não havia ninguém no local e nem no camping e após deixar meus dados na ficha e pagar R$ 10 pelo pernoite no camping, monto minha barraca, preparo a janta e logo vou dormir, pois os próximos 2 dias seriam mais puxados.

 

2º dia - Da Sede da Fazenda ao A2 (Acampamento base 2) e cume do Pico Paraná.

 

O Sábado amanheceu com uma nevoa baixa e temperatura amena de 07ºC. Acordei por volta das 6h30 com a movimentação da turistada chegando para subir o pico...

 

Fui até o ponto de apoio da fazenda para tomar café e durante esse período, mais gente foi chegando e logo o estacionamento da fazenda já estava lotado. Fiquei sabendo que alguns grupos já haviam começado a subida, o que me fez pensar que precisaria ter começado a trilha mais cedo afim de chegar antes e pegar os melhores lugares nas areas de acampamento.

 

CIMG5284.JPG

Turistada chegando em massa ::mmm:

 

Após tomar um belo café reforçado com 2 pães de queijo suculentos na fazenda, as 7h20 já estava desmontando a barraca. Antes de iniciar a subida, peguei algumas coordenadas da trilha e as 8h00 em ponto, inicio a caminhada em direção ao Pico Paraná.

 

CIMG5283.JPG

Arredores da fazenda

 

A trilha começa com uma subidona logo de cara, o que deve assustar muita gente, principalmente iniciantes, mas também dá uma ideia que não seria uma trilha facil. Segundo infos da fazenda, o tempo de caminhada médio da Sede até o A2 (Acampamento base 2) é de 6 horas, pelo menos. Então, estimei chegar lá por volta das 14h00hs.

 

CIMG5277.JPG

Acabou a mamata do pedágio.... ::lol4::

 

CIMG5285.JPG

Iniciando a caminhada ::otemo::

 

O trecho inicial começa com uma subidona constante e a 1º hora é quase toda assim, o que deixou muitos dos grupos bem devagar. Vou subindo em ritmo forte e aproveito para ultrapassar alguns grupos que estavam mais lentos, pois havia bastante pessoas na minha frente.

 

1 hora de subida desde a fazenda, chego ao alto de um morro e a subida dá uma trégua. A trilha passa a seguir quase que no plano, em linha reta, mas que não dura muito tempo e logo a subida recomeça em um trecho em largos zig-zag, onde ganho altitude rapidamente.

 

CIMG5288.JPG

No trecho inicial - abaixo das nuvens e tempo fechado.

 

CIMG5291.JPG

Próximo ao morro do getúlio, acima das nuvens, tempo aberto ::otemo::

 

As primeiras vistas começam a aparecer e as 9:15, chego ao alto de um morro conhecido como Getúlio, onde havia alguns grupos descançando e tirando fotos. Desse ponto, se tem uma bonita vista do vale lá embaixo, com a represa do Capivari em primeiro plano a oeste e a sudeste, os Picos do Caratuva a esquerda e Itapiroca a direita bem imponentes. As nuvens haviam ficado embaixo e o sol já brilhava forte na lá em cima.

 

CIMG5300.JPG

Caratuva a esquerda, Itapiroca a direita

 

CIMG5301.JPG

Seguindo pela crista, em direção a base do Caratuva

 

Como havia muita gente no local, faço uma breve parada ali apenas apenas para molhar a goela e mastigar uma barra de cereal. A partir desse trecho, a subida dá uma tregua e a caminhada segue no plano por um trecho de gramídeas e vegetação baixa no alto de uma crista.

 

Retomo a caminhada e 15 minutos desde o morro do getúlio e 1 hora e meia desde a fazenda, chego a bifurcação onde há uma placa indicando Pico Paraná a direita e Caratuva a esquerda. Nesse ponto, havia um grupo de 4 pessoas parado tirando fotos, a qual cumprimento cordialmente e sigo na trilha a direita, sentido Pico Paraná.

 

CIMG5527.JPG

Na bifurcação....

 

As 9:40, chego ao 1º ponto de água desde a fazenda, conhecida como "Bica" e sem saber direito qtos pontos de agua confiável iria encontrar pela frente, encho metade do cantil aqui e aproveito para fazer uma parada para descanço, já que no alto do morro do getúlio não foi possivel, devido ao excesso de pessoas ocupando o local. No trecho entre a fazenda e o Morro do Getúlio até passei por um ponto de água, mas era um poção represado e não confiável. Por isso, deixe para pegar água na bica ou traga da fazenda.

 

Após a bica, a trilha inicia um longo e exaustivo trecho de subida forte com muitos galhos caídos e trechos eroditos, além de alguns trechos técnicos, onde o auxilio das mãos foram constantemente exigidos para impulsos nos troncos e pedras. Esse trecho perdura até próximo do A1, por isso, é preciso estar 100% para passar aqui, caso contrário, terá problemas, pois é um trecho que exige muito das panturrilhas, coxas, musculos e joelhos.

 

CIMG5304.JPG

1ºponto de água desde a fazenda

 

30 minutos desde a Bica, a subida dá uma tregua e as 10:10 chego a placa que indica a bifurcação para o Itapiroca a direita. Seguindo em frente vai para o Pico paraná. A partir desse ponto, a trilha segue por um vale entre o Caratuva e Itapiroca.

 

Com tantos galhos, troncos, arvores e trechos eroditos, fiquei bastante lento, pois era preciso passar por cada ponto com muita cautela, afim de evitar acidentes como escorregões ou de torcer os pés em alguma das dezenas de fendas entre os troncos em um trecho carcomido pelo tempo e o excesso de uso. A trilha estava bem marcada, mas parecia que estava mesmo é varando mato de tantos obstáculos no caminho. ::essa::

 

A trilha vai seguindo pelo vale e logo que atravessou para o outro lado, aparece a primeira vista do imponente Pico Paraná meio distante, envolvida em nuvens baixas. Passo por uma enorme rocha a esquerda e chego a um outro trecho de rocha lisa onde encontro uma corda estratégicamente instalada para auxilio de descida/subida.

 

CIMG5312.JPG

Trecho de corda....

 

As 10:38, com cerca de 10 minutos após o trecho da corda na rocha, passo por mais 2 pontos de água, mas ambos de filete pequeno. Imagino que, em epoca de estiagem longa não é bom contar com esses pontos de agua, pois as fontes podem estar secas. Da placa até o A1, contei 4 pontos de agua, mas somente o da bica é o mais confiável e por ter mais agua corrente. Portanto, pegue água no 1º ponto na Bica ou deixe para reabastecer no A2.

 

A trilha segue descendo discretamente o vale e dando a volta pela base do Caratuva. Após o último ponto de agua, saio da mata fechada e passo a caminhar por um trecho de bambuzinho baixo e capim ralo, que é parte de um trecho de transição para os campos de altitude. Nesse ponto visualizo bem a frente, o conjunto rochoso do imponente Pico Paraná bem a frente, parecendo estar perto, mas que ainda restava a descida de um grande vale até lá.

 

As 10:55, saio do trecho da mata fechada e entro definitivamente no trecho de campos de altitude onde visualizo logo abaixo, os pequenos descampados do A1 a frente. Mais alguns minutos e chego a um mirante com uma bela vista do percurso. A partir desse ponto, o Itapiroca e Caratuva estão atrás e a minha frente, visualizo todo o trecho de crista que ainda iria passar. E o conjunto rochoso do Pico Paraná bem a frente o tempo todo.

 

CIMG5323.JPG

um dos descampados do A1 lmais abaixo

 

CIMG5319.JPG

Litoral paranaense tomado pelas nuvens

 

CIMG5318.JPG

Pico Paraná

 

Passo por alguns pequenos descampados para 1 ou 2 barracas que podem ser usados em caso de emergência ou se as areas de acampamento do A1 e A2 estiverem lotados. Mais 15 minutos e 3 horas de caminhada desde a Fazenda, chego a primeira grande área de acampamento denonimado A1, onde aproveito para fazer um pitstop afim de relaxar os músculos do logo trecho de troncos e galhos que foi de matar.

 

CIMG5320.JPG

Itapiroca a esquerda

 

CIMG5325.JPG

Um dos vários descampados do Acampamento Base 1 (A1) a mais ou menos 3 horas de caminhada do cume.

 

Nesse ponto, parte uma trilha que sobe até o cume do Caratuva e que pode ser uma opção para aqueles que quiserem conhecer o Pico do Caratuva na volta. Após o breve descanço, retomo a pernada, agora pronto para encarar o trecho mais dificil da trilha, que é a escalada da base do PP.

 

A trilha continua agora pelo alto de uma fina crista, que liga os picos do Caratuva e Itapiroca com o conjunto rochoso do Pico Paraná, com enormes vales dos lados esquerdo e direito que foram merecedores de vários clicks, é claro.

 

CIMG5336.JPG

Descendo em direção ao enorme paredão rochoso que compõe a base do PP.

 

Gigantescos vales a esquerda e direita

CIMG5338.JPG

 

Após a descida de crista, chego a primeira de uma série de trechos técnicos, onde há grampos de ferros estrategicamentes instalados para auxilio na descida e subida. No 1º trecho de acesso ao pequeno vale, se desce até a base para depois iniciar uma forte subida em direção ao A2 e ao cume do PP.

 

Ao pé dessa rocha, se tem uma ampla vista do enorme paredão gigante rochoso do Pico Paraná (que aparece com todo o seu explendor e imponencia), o que vale uma parada de alguns minutos para contempla-lo.

 

CIMG5327.JPG

Pico Paraná todo imponente a frente

 

Nesse mesmo ponto, visualizo o enorme encosta exposta íngreme por onde a trilha sobe, mas é o caminho a seguir e é para lá que eu sigo.

 

CIMG5334.JPG

O paredão rochoso e a trilha subindo por ela

 

Após a curta caminhada pelo vale, chego a base do PP e vejo mais grampos de ferros para auxílio da subida. Começo a escalaminhada do paredão praticamente na vertical e só de olhar a pirambeira acima, cansou até a vista. Com mochila cargueira, não foi nada facil vencer esse trecho.

 

CIMG5344.JPG

Trecho técnico

 

CIMG5342.JPG

Descer foi pior que subir....

 

É preciso passar com bastante cautela por ali, afim de evitar acidentes. Ganho altitude rapidamente e após o 1ºtrecho, passo por outros 2 com grampos de ferro e após o trecho tenso, chego ao alto da crista para um merecido descanço.

 

CIMG5340.JPG

Do alto, da para ver todo o trecho de crista que vem lá do Caratuva e a marcação da trilha pelo alto crista

 

CIMG5350.JPG

O trecho de crista por onde a trilha vem (com o Itapiroca a esquerda e o Caratuva a direita) bem a frente....

 

As 12:10, após vencer os trechos de grampos, entro no trecho final da crista antes do A2. E assim, pouco antes das 13:00hs e com quase 5 horas de caminhada desde a fazenda, finalmente chego a area de acampamento denonimada A2 para literalmente, desabar ali.

 

CIMG5365.JPG

Um dos vários descampados do A2

 

O Acampamento Base 2 (mais conhecida como A2) é bem amplo, com vários descampados (alguns muito bem protegidos pela vegetação) com espaço para pelo menos umas 15 barracas. Não havia ninguém no local ainda, com isso, pude escolher o melhor lugar para montar a barraca.

 

Até pensei em tentar a sorte e ir acampar no cume, mas sabendo que no topo em relação ao A2 tem pouco espaço e que tinha gente que havia subido no dia anterior, acabo desencanando da ideia e resolvo ficar no A2 mesmo.

 

CIMG5368.JPG

Uma das belas vistas do A2

 

CIMG5353.JPG

Pico Paraná visto do A2

 

CIMG5371.JPG

 

A distancia do A2 para o cume é de aproximadamente 1 hora de caminhada com mochila cargueira. Após montada a barraca, as 13:45 parto para o ataque ao cume munido apenas de um lanche, suco e máquina fotografica.

 

CIMG5369.JPG

Morro do camelo visto do A2

 

A partir do A2, a subida continua e passa por mais alguns trechos técnicos, onde alguns grampos de ferro ajudam na subida. Em alguns pontos, tive que saltar de uma pedra para a outra. É preciso passar com cautela, pois em alguns trechos, a trilha some por alguns instantes e deve-se olhar bem para encontrar a continuação dela.

 

20 minutos desde o A2, a subida fica mais ingreme e a trilha entra em uma fina crista, onde visualizo de ambos os lados, enormes precipicios com um colchão de nuvens embaixo. É uma visão que impressiona, mas só de olhar no vazio lá embaixo, chega até a dar medo.

 

CIMG5380.JPG

Crista (a esquerda) onde está o A2 e por onde a trilha sobe. Ao fundo a esquerda e direita, Itapiroca e Caratuva

 

Por conta de sucessivos trechos de escalaminhada, vou parando em alguns momentos para retomar o fôlego. O trecho de subida final ao cume é de matar e os músculos das pernas já estão esgotados, já que toda a força é dirigida a eles. Mais 20 minutos de escalaminhada, chego ao alto de fina crista, onde a subida da uma tregua e visualizo bem a minha frente, o cume final do PP.

 

CIMG5381.JPG

Face oposta do PP visto durante a subida

 

CIMG5376.JPG

Um dos precipicios gigantescos bem ao lado da trilha

 

CIMG5391.JPG

O Topo visto do ultimo trecho de crista

 

Passo por um descampado protegido (para umas 2 ou 3 barracas na base) que estava vazio e que é uma otima opção para o caso do topo estar lotado, mas sem água perto. A partir desse descampado, acesso o trecho final da subida ao cume.

 

E finalmente, após 45 minutos de caminhada desde o A2, finalmente chego ao topo do Pico Paraná, na cota dos 1.877 metros de altitude as 14:35, para o merecido descanço. Do Topo se avista todos os Picos da Serra de Ibitiraquire, com os Picos do Itapiroca e Caratuva bem a frente, em destaque. É uma visão em tanto e que valeu todo esforço para chegar.

 

CIMG5415.JPG

Enfim, no cume do Pico Paraná

 

Como eu já imaginava, todos os lugares protegidos no cume estavam ocupados e só havia 2 lugares livres, mas totalmente expostos aos ventos. A subida do A2 até o cume foi bem cansativa devido aos trechos técnicos e imaginei como seria se estivesse com mochila cargueira nas costas. Por isso, se quiser acampar no cume, a melhor opção é sair um dia antes ou na madrugada de sabado. Caso contrário, fique no A2 que tem mais espaço e com água próxima.

 

CIMG5421.JPG

A fina crista vista do topo, por onde sobe a trilha e com o pequeno descampado

 

CIMG5393.JPG

Vista de tirar o fôlego

 

Após vários clicks e contemplação do visual, com a tarde caindo, os ventos começam a ficar mais fortes. A temperatura tb estava caíndo, por isso, nem fico muito tempo lá e logo pego o caminho de volta para o A2, apenas para constatar que o local estava lotado e quem chegasse depois, teria que tentar a sorte no cume ou voltar para o A1. Sorte que eu cheguei bem antes e já garanti meu lugar. :D

 

CIMG5395.JPG

Barracas no topo

 

CIMG5431.JPG

A vista durante o retorno do cume ao A2

 

De volta ao acampamento, encontrei com parte da galera do grupo trilhadeiros do face e que foi uma grata surpresa para mim. Estavam o Henrique, Jéssica, Ana Paula e mais 2 figuras que não me lembro o nome e é claro que após as apresentações de praxe, fiquei conversando com eles contando meus causos e pq estava sozinho.

 

Com o por do sol, a temperatura diminuiu bastante e com o cair da noite, voltei para a barraca onde preparei minha janta e fui dormir cedo, por volta das 20h00.

 

Continua logo abaixo.....

  • Gostei! 4

Compartilhar este post


Link para o post
Compartilhar em outros sites

CIMG5463.JPG

Nascer do sol no A2

 

A noite foi bem tranquila e o amanhecer do domingo foi com temperatura amena por volta dos 07ºC. Acordei por volta das 5h00 da manhã com a movimentação do pessoal no camping que iria subir para o cume para ver o nascer do sol. Como eu já havia estado lá na noite anterior e o fato de que eu ainda iria passar no Itapiroca e acampar a 2ºnoite no Caratuva, nem subi e voltei a dormir.

 

Barraca desmontada e mochila nas costas, pouco antes das 9h00, inicio a caminhada de retorno. O acampamento A2 estava lotado e como ainda tinha o pessoal que foi ver o nascer do sol lá no topo e estavam descendo, resolvi apressar um pouco o passo afim de evitar a "fila indiana" nos trechos de descidas que tem os grampos, na base.

 

CIMG5482.JPG

Após uma noite bem dormida, pronto para iniciar a caminhada em direção aos picos do Itapiroca e Caratuva

 

CIMG5485.JPG

Iniciando a caminhada

 

O céu estava livre de qualquer vestígio de nuvens e o sol brilhava forte. Apenas embaixo, um tapetão de nuvens cobria o litoral e boa parte das areas mais baixas da Serra, formando um espetáculo único e visível somente a aqueles que se dispõem a subir ao alto das montanhas.

 

CIMG5464.JPG

Primeiros raios de sol sobre o Itapiroca e Caratuva

 

CIMG5465.JPG

Picos da Serra de Ibitiraquire

 

CIMG5486.JPG

Pico Paraná ficando para trás

 

20 minutos de descida desde o A2, estou novamente passando pelo trecho pirambeiro e tenso dos grampos da ida, na qual tive que descer com bastante cautela. Em alguns trechos, dependendo, é recomendável até retirar a cargueira e descer elas com uma corda, se caso não se sentir seguro com elas nas costas. Isso pq, o peso te puxa bastante para trás e qualquer pisada em falso pode resultar em um grave acidente. Por isso, muita cautela nesse trecho, principalmente em dias de chuva.

 

CIMG5487.JPG

Descer foi mais tenso do que subir. Não é a toa que a maioria dos acidentes ocorrem justamente nas descidas, pois o pessoal acha que é mais facil e não se previne da mesma forma que na subida

 

Vencido o trecho, atravesso o pequeno vale e logo estou escalaminhando a crista que segue em direção ao A1. Após subir o último trecho de grampos e ganhar a crista, continuo a subida pela mesma e ao olhar para trás, vejo uma "multidão" descendo o enorme paredão ingreme em fila indiana. Vendo a cena, pensei: ainda bem que consegui sair antes, senão teria que esperar o povo ir descendo ali um a um e iria acabar chegando só no dia seguinte ao Caratuva ::mmm:

 

CIMG5497.JPG

galera desescalaminhando o enorme paredão

 

CIMG5494.JPG

Mar de nuvens

 

As 10:11, com pouco mais de 1 hora desde o A2, estou de volta ao A1, onde faço uma parada para mastigar umas barras de cereais e me abastecer de sais mineirais. Desse ponto, parte a trilha que sobe direto para o Caratuva, mas como eu iria passar no Itapiroca, mas acampar no Caratuva, deixo para terminar no Caratuva.

 

CIMG5496.JPG

Uma bela visão das escarpas rochosas do Pico Paraná

 

30 minutos desde o A1, entro definitivamente na mata fechada e novamente tenho que encarar o trecho complicado de troncos e galhos caídos, que faz meu avanço ficar lento. As 11:10, com cerca de 2 horas desde o A2, chego a placa que indica a bifurcação entre as trilhas do PP e Itapiroca e a partir dai, viro a esquerda, na trilha que sobe em direção ao Pico Itapiroca.

 

Após uma rápida caminhada no plano, logo a trilha inicia uma subida bem forte, com alguns lances de escalaminhada, mas que felizmente não dura muito e 20 minutos depois, saio da mata fechada e estou chegando as primeiras áreas de acampamento do Itapiroca onde não havia ninguém.

 

CIMG5507.JPG

Chegando a um ombro

 

A vista das areas de acampamento é sensacional, com o Pico Caratuva bem ao lado, a esquerda, o Paraná a frente em destaque e atrás, as vistas da fazenda, com outros picos ao redor. Também dá para ver boa parte do trecho da trilha que vem do PP, os descampados do A1 e a imponência de seu vizinho, o Caratuva. Mas resolvo continuar mais a frente em direção ao cume.

 

CIMG5509.JPG

Pico Caratuva visto do Itapiroca

 

CIMG5510.JPG

Uma das belas vistas do topo do Irapiroca

 

O Pico Itapiroca tem 1.805 metros de altitude é a 5º montanha mais alta da região, com fácil acesso. Ela é uma boa e rápida opção de pernoite em caso de vc começar muito tarde a trilha lá na fazenda ou quiser evitar a muvuca dos acampamentos da base e do cume do Pico Paraná. E é claro que o local foi palco para vários clicks.

 

CIMG5517.JPG

Em um dos cumes do Itapiroca e a "caixinha" do livro de cume, que não tinha livro algum... ::quilpish::

 

CIMG5505.JPG

Pico Paraná visto do Itapiroca

 

CIMG5518.JPG

Caratuva a frente e logo abaixo, as areas de acampamento do Itapiroca

 

Aproveito para forrar o estomago com um belo lanche e permaneço no local por cerca de 1 hora. Depois da contemplação do cume, retomo a caminhada, agora em direção ao Caratuva. A descida de volta a base foi rápida e as 14:03, passo pela outra placa que indica a subida para o Caratuva. Sabendo que teria pela frente mais uma subida pirambeira, faço uma breve pausa no local, aproveitando o silêncio e a calmaria da mata, pois toda a multidão do PP já haviam passado por ali.

 

CIMG5527.JPG

Na bifurcação entre o Caratuva e Pico Paraná

 

Após o breve descanço, inicio a caminhada em direção ao Caratuva. 10 minutos desde a placa, passo pelo 1ºponto de água corrente que é uma ótima opção para quem quer ir no Caratuva sem precisar ir até a Bica ou trazer da fazenda. Após o primeiro ponto, a trilha inicia uma forte subida pirambeira serra acima e logo de cara, passo por um trecho técnico com cordas.

 

Foi preciso tirar a cargueira e iça-la afim de conseguir ganhar os patamares superiores desse trecho que considerei um pouco tenso, mas nada do outro mundo. Mais um trecho de subida e passo pelo 2º e último ponto de água, na qual aproveito para reabastecer para a janta e café da manhã do dia seguinte.

 

Não passei por mais nenhum ponto de agua no restante da subida e no topo tb não há agua, por isso, pegue toda a água que for precisar nesse ponto. As 14:33, passo por uma gruta a esquerda que de tão funda e escura que era, apelidei de entrada para o inferno, pois era de assustar, mas que não deixa de ser interessante. Porém, muito cuidado ali, pois se escorregar e cair lá dentro...já era!

 

CIMG5528.JPG

A fenda

 

Após a gruta, a subida começou a ficar mais íngreme e com vários trechos de escalaminhada, acabo parando algumas vezes para retomar o fôlego. Os músculos das pernas já estão esgotados e pediam arrego, mas continuar era preciso....

 

A cargueira parecia pesar mais do que no dia anterior e após 1 hora de subida pirambeira, saio da mata fechada e entro definitivamente no trecho de bambuzinho baixo e campos de altitude, na qual avisto uma enorme rocha a frente. O topo parecia estar próximo e finalmente as 15:25, com quase 1 hora e meia de subida pirambeira desde a placa lá embaixo, chego ao topo dos 1.850 metros de altitude do Caratuva para o então merecido descanço....

 

CIMG5530.JPG

Vista deslumbrante do trecho final da subida ao Caratuva

 

CIMG5531.JPG

Vistas de tirar o fôlego

 

Não havia ninguém no cume e com isso, pude escolher o melhor lugar para montar a minha barraca. A vista do cume do Caratuva é de 360º, amplo e de tirar o fôlego. Abrange toda a cadeia de montanhas da Serra de Ibitiraquire. Há bastante espaço para barracas por conta de vários descampados e deve caber pelo menos umas 15 barracas no local.

 

A Sudeste está o Pico Paraná bem a frente em destaque, o morro do camelo logo abaixo, o Itapiroca a direita a sudoeste, entre outros picos. Do outro lado, se avista o morro do getúlio bem abaixo, a Rodovia Regis, a fazenda e a represa do Capivari que no dia, por conta do tapete de nuvens, não foi possível visualizar. Ao fundão, as cidades de Curitiba e outras.

 

CIMG5554.JPG

Pico Paraná visto do Caratuva. Desse ponto, encontrei uma trilha bem marcada que vai encontrar com a principal lá no A1

 

CIMG5541.JPG

Alguns dos vários descampados no cume

 

CIMG5548.JPG

Litoral paranaense tomado pelas nuvens

 

CIMG5561.JPG

Vale qualquer esforço!

 

CIMG5535.JPG

A caixinha do cume....será que dessa vez encontro o livro?

 

CIMG5539.JPG

Agora sim! ::otemo::

 

Após a contemplação do local e de vários clicks, monto a barraca e aproveito para explorar o entorno do cume. Depois, escolho um bom ponto para aguardar o por-do-sol solitário no silêncio total do cume da montanha. Depois de ver o Astro-rei repousando no horizonte branco de nuvens, volto para a barraca e preparo minha janta.

 

CIMG5558.JPG

Aguardando o por-do-sol

 

CIMG5571.JPG

Por-do-sol no topo do Caratuva!

 

CIMG5572.JPG

Não tem preço! ::otemo::

 

A temperatura diminuiu bastante a noite e após a janta, fui deitar e logo peguei no sono....

 

 

4º e último dia - Do cume do Caratuva a sede da fazenda e retorno para SP.

 

CIMG5588.JPG

Nascer do sol no Topo do Caratuva

 

A segunda feira amanheceu com frio em torno de 04ºC e diferentemente do dia anterior (no A2) onde acordei com a movimentação do pessoal, nesse foi o despertador do relógio de pulso que me acordou, afim de presenciar o nascer do sol no cume. Saio da barraca e enquanto aguardo o amanhecer, aproveito para preparar meu café da manhã. O céu estava bem limpo e nuvens mesmo, só embaixo....

 

Pouco antes das 7h00, fui ver o nascer do sol (que foi um espetáculo) e após terminar meu café, logo começo a desmontar a barraca, pois apesar da caminhada desse último dia ser bem curta em relação aos 2 dias anteriores, a volta para SP sem carro iria ser uma peregrinação.

 

CIMG5580.JPG

Amanhecendo

 

CIMG5593.JPG

 

CIMG5605.JPG

Esse local era do lado do descampado onde montei a barraca, na qual pude me presentear com um belo espetáculo

 

CIMG5602.JPG

 

Barraca desmontada e mochila nas costas, pouco antes das 9:00hs, inicio a descida na trilha de volta para a Fazenda, onde chego por volta do meio dia. Após dar baixa na minha saída com um funcionário da fazenda, pego o último trecho de caminhada pela estrada de terra até a rodovia, mas que felizmente, não precisei caminhar até o fim.

 

20 minutos depois que sai da fazenda, passou um carro de um morador oferecendo carona e é claro que aceitei. Ele me deixou próximo ao ponto de ônibus na rodovia, onde peguei um circular até uma cidadezinha próxima e de lá, outro até a rodoviaria de curitiba. Na rodoviaria, peguei o ônibus das 17h00 direto para SP onde cheguei pouco antes das 23:00hs, cansado, mas feliz pelo sucesso de mais uma empreitada solo.

 

----------------

 

Dicas e infos:

 

--> A trilha do Pico Paraná não é uma trilha fácil, pelo contrário. É uma trilha longa, exigente e com muitos trechos técnicos. Leva-se pelo menos umas 5 horas em ritmo forte e se estiver de mochila cargueira, dependendo do seu ritmo, pode levar mais de 6 horas. Por isso, é uma trilha indicada somente para pessoas com alguma experiencia e bom preparo fisico.

 

--> Não recomendo levar iniciantes nessa trilha de jeito algum. Ela possui muitos trechos técnicos e alguns trechos complicados, onde é preciso ter sangue frio para passar por eles. Com muitos lances de rochas, pode ser bem dificil conseguir chegar ao final em caso de neblina, chuva ou se não estiver bem preparado fisica e psicologicamente.

 

--> Se quiser ter mais chances de conseguir acampar em um bom local no cume, o ideal é sair o mais cedo possível da fazenda, de preferência logo que clarear ou ainda de madrugada. Isso pq, aos sábados, chega muitas pessoas de vários cantos e boa parte vai para acampar. O cume tem pouco espaço e protegido apenas para umas 2 ou 3 barracas no máximo, sendo bem disputado. Na dúvida, pergunte para o Dilson ou algum funcionário da fazenda qtas pessoas subiram antes de vc e se programe.

 

--> O Acampamento base 2 (conhecido como A2) é o mais próximo do topo e fica a umas 4 a 5 horas de caminhada da fazenda em ritmo forte. Tem espaço para umas 15 barracas, sendo metade em locais protegidos dos ventos e a vantagem de ter agua perto. A maioria das pessoas acampam lá e sobem para o cume apenas de mochila de ataque.

 

Eu sai da fazenda por volta das 8h e cheguei no A2 pouco antes das 13h00 e não havia ninguém ainda. E mesmo começando bem cedo, passei alguns grupos grandes com mochila cargueira nas costas, que estavam mais lentos. Só isso já da para ter uma ideia de como esses locais são disputados. Se sair muito tarde, corre o risco de não encontrar lugar, (tendo que voltar) ou só encontrar descampados expostos ao ventos.

 

--> Água tem na sede da Fazenda, a 2 horas de caminhada na Bica e no A2. Até há uma pequena poção no meio da subida para o morro do getúlio, mas de água não confiável. Por isso, traga um pouco de agua da fazenda e deixe para carregar o restante que precisar na bica, a 15 minutos depois que passa da placa que indica a bifurcação entre as trilhas do Caratuva e Pico Paraná. Assim, vc economiza no peso da cargueira.

 

--> Apesar de ter dado uma volta inútil indo direto pela trilha ao Pico Paraná ao invés de seguir primeiro para o Caratuva, se tiver 1 dia a mais de disponibilidade, não deixe de visitar os Picos do Itapiroca e Caratuva. Até dá para passar por ambos os picos no batevolta, mas ai você corre o risco de chegar tarde no A2 e não conseguir lugar.

 

--> Uma opção para batevolta de 2 dias passando pelo Caratuva é seguir a esquerda pela trilha logo que chegar na placa que indica a bifurcação entre o PP e o Caratuva, passando pelo cume e descendo pela crista do topo até o A1, onde encontra com a trilha que vai para o Pico Paraná. Você não passa pela bica, mas na subida do Caratuva há outros 2 pontos de agua corrente e de boa qualidade, onde é possível coletar água.

 

--> Qdo estiver retornando pela trilha do PP na volta, não deixe de passar para conhecer o Itapiroca. A trilha é bem curta e não leva mais do que 30 minutos para chegar ao topo. Uma opção para ir leve e mais rapido ainda, é esconder a cargueira e subir apenas com a maquina fotografica e agua, pegando a mochila na volta.

 

--> Logistica para o Pico Paraná não é ruim, dá para ir tanto de ônibus, qto de carro no esquema de racha de caronas.

 

--> Se for de ônibus, peça para o motorista parar no Km 46, logo após passar pela represa do Capivari e a ponte sobre o Rio Tucum. Lembre-se de não deixar a mochila cargueira no bagageiro e esteja com ela dentro do ônibus, pois alguns motoristas podem não querer parar ali, alegando questões de segurança. Estando com a mochila, é só pedir para parar e descer sem problemas.

 

Só para voltar que é um pouco ruim, pois tem que pegar 1 circular até uma cidade próxima e outra até a rodoviaria de Curitiba, onde é possível encontrar ônibus direto para Sampa.

 

--> O Acesso para a estradinha que leva para a fazenda está do outro lado da rodovia, sentido São Paulo. A caminhada leva em torno de 1 hora e meia da Rodovia até a sede. Se for durante o dia, há 2 bares no caminho onde pode-se pedir água ou comprar suco, refri entre outros.

 

--> Uma boa logística para começar a subida no dia seguinte descançado é chegar lá no final do dia anterior e pernoitar no camping da fazenda. É cobrado R$ 10 e tem direito a uso da cozinha e banheiro com chuveiro quente na ida e na volta. De manhã cedo tem café da manhã reforçado com pães de queijo e bolo, entre outros. Vale a pena e recomendo bastante!

 

--> Ao lado da area de camping, há uma pequena trilha que leva a uma bela cachoeira em um rio próximo. Se tiver tempo, vale muito a pena passar para conhecer a cachoeira.

 

--> Procure trazer todo o seu lixo de volta e deixe nas lixeiras na fazenda-sede.

  • Gostei! 2

Compartilhar este post


Link para o post
Compartilhar em outros sites

Belo relato.

 

Pico Paraná é mesmo muito bonito.

 

Fiz esse mesmo trajeto ano passado. Quase o mesmo. Cheguei na fazenda às 7 e meia e comecei a subida. Tinha viajado de carro a noite inteira. Subi primeiro ao Itapiroca e depois fui até o A2, onde montei a barraca e subi para ver o por do sol no PP. Retornei para o A2, dormi e no dia seguinte acordei de madrugada para ver o sol nascer, de novo no PP. Depois na descida subi, só de ataque, até o Caratuva. Cheguei de volta na fazenda quase com o sol se pondo e depois de um banho, umas cervas e um papo com o Dilson e outro cara, peguei o carro e voltei para minha cidade dirigindo de novo a noite inteira, com algumas paradas para umas sonecas.

 

Se valeu a pena?

Estou louco prá fazer isso de novo. Só está me faltando uma oportunidade.

 

Eu peguei a montanha praticamente vazia.

 

Abraços.

Compartilhar este post


Link para o post
Compartilhar em outros sites

Parabéns pela conquista e pelo relato! ::otemo::

Só cuidado com a água do A2, em tempos de estiagem (no inverno) ela seca. Estive lá 1° de maio e estava gotejando, ainda bem que levamos água do riacho antes do A1.

Água garantida mesmo só da bica cimentada. O riacho antes do A1 e a da subida do Caratuva são confiáveis também, mas podem secar numa estiagem mais prolongada.

Compartilhar este post


Link para o post
Compartilhar em outros sites
Belo relato.

 

Pico Paraná é mesmo muito bonito.

 

Fiz esse mesmo trajeto ano passado. Quase o mesmo. Cheguei na fazenda às 7 e meia e comecei a subida. Tinha viajado de carro a noite inteira. Subi primeiro ao Itapiroca e depois fui até o A2, onde montei a barraca e subi para ver o por do sol no PP. Retornei para o A2, dormi e no dia seguinte acordei de madrugada para ver o sol nascer, de novo no PP. Depois na descida subi, só de ataque, até o Caratuva. Cheguei de volta na fazenda quase com o sol se pondo e depois de um banho, umas cervas e um papo com o Dilson e outro cara, peguei o carro e voltei para minha cidade dirigindo de novo a noite inteira, com algumas paradas para umas sonecas.

 

Se valeu a pena?

Estou louco prá fazer isso de novo. Só está me faltando uma oportunidade.

 

Eu peguei a montanha praticamente vazia.

 

Abraços.

 

Pois é, fazer os 3 picos nesse esquema fica um pouco corrido, mas estando de carro, é bem mais facil para voltar para Sampa ou alguma outra cidade de 5 ou mais horas de distancia. A principio, eu iria vir com um grupo, mas o povo tava muito enrolado e como ocorre em vários grupos, sempre tem aqueles que dão para trás na ultima hora.

 

E para piorar, uma das pessoas que deram para trás, era um dos carros, sobrando só o outro. E esse que sobrou, o motorista ficou doente faltando alguns dias para a trip, tendo que abortar, deixando todo mundo sem carona, inclusive eu. Obviamente que isso não seria um problema para mim, pois eu já tinha o plano B, que era vir de ônibus.

 

Chamei os demais para vir comigo, mas ninguém queria encarar a caminhada de 1 hora e meia na estradinha e nem sair um dia antes para isso, por motivos de trabalho (justo). Embora tivesse pelo menos 3 pessoas que tinham flexibilidade, mas que não quiseram. Então, paciencia né. ::mmm:

 

Eu até poderia ter ido no Itapiroca primeiro e depois no A2, mas com um monte de gente com cargueira logo atrás de mim, corria o risco de chegar no A2 e não encontrar lugar. Então, não me restou alternativa senão ir direto ao A2, deixando para passar no Itapiroca e acampar no Caratuva depois. Até peguei algumas infos sobre qual ir primeiro, mas não me explicaram muito bem sobre o esquema do Caratuva e o PP, e sequer me falaram que havia uma trilha que interligava o Caratuva ao A1.

 

Eu só fiquei sabendo dessa trilha depois com a galera lá no A2. Se soubesse antes, com certeza teria acampado primeiro no Caratuva. Dai no dia seguinte (já descançado), desceria pela crista até o A1, seguindo direto para o PP (que estaria vazio por ser domingo a tarde), acampando no cume. Na volta passaria no Itapiroca para conhecer e depois, desceria o resto até a fazenda.

 

Mas depois, pela distancia do Topo do PP até a fazenda ser maior, corria o risco de chegar muito tarde em Curitiba e não conseguir pegar o onibus em um horário que chegue em SP antes do metrô fechar. Então, vejo que mesmo com a volta inutil, deixar para acampar no Caratuva no ultimo dia foi uma decisão bem acertada, pois a distancia do cume até a fazenda foi de 3 horas, dando tempo de pegar o circular para Curitba e o ônibus das 17h00h para Sampa, chegando 1 hora antes do metrô fechar.

 

Abs

 

Parabéns pela conquista e pelo relato! ::otemo::

Só cuidado com a água do A2, em tempos de estiagem (no inverno) ela seca. Estive lá 1° de maio e estava gotejando, ainda bem que levamos água do riacho antes do A1.

Água garantida mesmo só da bica cimentada. O riacho antes do A1 e a da subida do Caratuva são confiáveis também, mas podem secar numa estiagem mais prolongada.

 

Hum, me falaram sobre isso tb. Dai eu disse: então é arriscado? me disseram que chove muito na região e que muita gente vai lá e sempre tem agua....talvez se referiam a maior parte do ano, esquecendo do detalhe do inverno. Tudo bem que a região sul não tem epoca de seca prolongada como no Sudeste, mas se o filete não for muito grande, sempre haverá um risco de estar seco mesmo, de fato.

 

Qdo passei lá, a vazão tava boa até....maior do que as 2 outros filetes de agua menores.....

 

Valeu pela dica!

 

Abs

Compartilhar este post


Link para o post
Compartilhar em outros sites

Pessoal ,estou pensando em fazer este roteiro em julho. Peço que opinem sobre ele.

 

Dia 1

Saída de BH e chegada à Curitiba.De avião. Deslocamento via busão de Curitiba até o início da estrada de terra. Caminhada de 6 km até a sede da Fazenda, onde será o pernoite. Visita À Cachoeira Arco íris. Parece que fica a 10 minutos da sede.

 

Dia 2

Subida ao Pico Itapiroca, retorno em 1,5 km na trilha para subida ao Pico Caratuva pela face noroeste. 8 km neste percurso. E eu poderia continuar a caminhada e pernoitar no Acampamento 1, mas depois que vi este vídeo do amanhecer no Caratuva, mudei de ideia. O que acham?

 

Dia 3

Descida do Caratuva pela face sudeste e chegada ao Acampamento 2. Dependendo do trânsito, pernoite no A2, com um pulo até o Morro dos Camelo. A preferência, entretanto, é pelo pernoite no Paraná. Daria uns 5 Km.

 

Dia 21 - Sexta

Dúvida: ou desço direto para a sede ou passo no Pico Ibirati, que fica há uns 700 metros, depois do Pico Paraná. Alguém já foi lá. Vale a pena?

Compartilhar este post


Link para o post
Compartilhar em outros sites

Pessoal ,estou pensando em fazer este roteiro em julho. Peço que opinem sobre ele.

 

Dia 1

Saída de BH e chegada à Curitiba.De avião. Deslocamento via busão de Curitiba até o início da estrada de terra. Caminhada de 6 km até a sede da Fazenda, onde será o pernoite. Visita À Cachoeira Arco íris. Parece que fica a 10 minutos da sede.

 

Dia 2

Subida ao Pico Itapiroca, retorno em 1,5 km na trilha para subida ao Pico Caratuva pela face noroeste. 8 km neste percurso. E eu poderia continuar a caminhada e pernoitar no Acampamento 1, mas depois que vi este vídeo do amanhecer no Caratuva, mudei de ideia. O que acham?

 

Dia 3

Descida do Caratuva pela face sudeste e chegada ao Acampamento 2. Dependendo do trânsito, pernoite no A2, com um pulo até o Morro dos Camelo. A preferência, entretanto, é pelo pernoite no Paraná. Daria uns 5 Km.

 

Dia 4

Dúvida: ou desço direto para a sede ou passo no Pico Ibirati, que fica há uns 700 metros, depois do Pico Paraná. Alguém já foi lá. Vale a pena?

Compartilhar este post


Link para o post
Compartilhar em outros sites

Pessoal ,estou pensando em fazer este roteiro em julho. Peço que opinem sobre ele.

 

Dia 1

Saída de BH e chegada à Curitiba.De avião. Deslocamento via busão de Curitiba até o início da estrada de terra. Caminhada de 6 km até a sede da Fazenda, onde será o pernoite. Visita À Cachoeira Arco íris. Parece que fica a 10 minutos da sede.

 

Dia 2

Subida ao Pico Itapiroca, retorno em 1,5 km na trilha para subida ao Pico Caratuva pela face noroeste. 8 km neste percurso. E eu poderia continuar a caminhada e pernoitar no Acampamento 1, mas depois que vi este vídeo do amanhecer no Caratuva, mudei de ideia. O que acham?

 

Dia 3

Descida do Caratuva pela face sudeste e chegada ao Acampamento 2. Dependendo do trânsito, pernoite no A2, com um pulo até o Morro dos Camelo. A preferência, entretanto, é pelo pernoite no Paraná. Daria uns 5 Km.

 

Dia 4

Vejo duas opções: descer direto para a sede da fazenda ou passar antes pelo Pico Ibirati, que fica uns 700 metros depois do Pico Paraná. Alguém já foi lá? Vale a pena?

Compartilhar este post


Link para o post
Compartilhar em outros sites

Bem legal o roteiro.

Já tentei ir duas vezes ao Ibitirati de ataque, nas duas abortei no cume do PP (cansaço e tempo fechado). Eu acho que vale a pena, mas a trilha não é muito usada, apesar de ser bem óbvia.

Compartilhar este post


Link para o post
Compartilhar em outros sites

Participe da conversa!

Você pode ajudar esse viajante agora e se cadastrar depois. Se você tem uma conta,clique aqui para fazer o login.

Visitante
Responder

×   Você colou conteúdo com formatação.   Remover formatação

  Apenas 75 emoticons no total são permitidos.

×   Seu link foi automaticamente incorporado.   Mostrar como link

×   Seu conteúdo anterior foi restaurado.   Limpar o editor

×   Não é possível colar imagens diretamente. Carregar ou inserir imagens do URL.


  • Conteúdo Similar

    • Por Fabio Pra
      Era pra ser uma aventura incrível... E foi!
       
      Aviso: este relato trata-se de uma visita guiada ao Pico Paraná e não constitui qualquer tipo de propaganda, apenas um relato sincero dos acontecimentos.
      Após assistir/ler dezenas de vídeos e relatos sobre o Pico Paraná, finalmente tive a oportunidade de subir a montanha mais alta do Sul do Brasil. Apesar de possui experiência em camping e trilhas, tratava-se de minha primeira montanha de verdade em um local que nunca havia estado, por isso optei por uma visita guiada pelo Gente de Montanha. Dadas essas condições, eu estava certo em fazê-lo, como ficará mais evidente adiante.
      No fim de semana de 6 e 7 de julho de 2019 a previsão do tempo indicava temperatura mínima de 6 °C em Antonina, então estávamos esperando algo em torno de -5 °C no acampamento, no alto do Itapiroca. A estratégia era simples e eficiente: fazer uma aproximação acampando no alto do Itapiroca e no dia seguindo fazer o cume só com mochilas de ataque. 

      Mapa do local
      No dia 6 pela manhã o grupo se reuniu para um café da manhã reforçado em um hotel de Curitiba, conferência de equipamentos, distribuição de comidas nas mochilas e logo estávamos na estrada rumo à Fazenda Pico Paraná, o local de início da subida. O grupo era de aproximadamente 10 pessoas, quase todas desconhecidas, mas é incrível como um objetivo em comum é capaz de criar empatia imediata. Éramos todos só sorrisos. Além dos participantes, haviam 4 guias e mais duas pessoas responsáveis pelo jantar no acampamento (mãe e filho montanhistas, incrível).
      O tempo colaborou com um frio gostoso de caminhar e a subida do Getúlio fizemos todos bem rápido. Eu, empolgado, já fui no grupo da frente, zero de cansaço. Se tem algo que já aprendi é a de levar o menor peso possível, viaje leve e viaje fácil. Já do alto de Getúlio foi possível ter uma ideia da beleza do local. Deste ponto já é possível ver o Itapiroca e o Caratuva bem de perto e os olhos já se enchem de gostosura. 

      Panorâmica do alto do Getúlio
      Após um bom lanche de trilha no Getúlio, já nos encaminhamos mata adentro, em uma trilha bastante fechada, com raízes, pedras e muito sobe e desce. Nenhum relato que li tinha me dado a exata percepção de como é essa parte da trilha, e eu achei cansativo. Adiante, passamos a bifurcação do Caratuva e logo após há um excelente ponto de água, de onde nos abastecemos para o acampamento. E em seguida já estavamos na bifurcação para o Itapiroca, com um trecho final mais inclinado. Mais uns pulos e após 5h de caminhada estávamos todos no alto do Itapiroca, às 15h30min. 

      Chegada ao Itapiroca, Pico Paraná ao fundo
      Em meia hora o frio já começou a apertar, então é hora de montar as barracas e se agasalhar. Mas é tão difícil se concentrar com tanta beleza ao redor. O por do Sol é I N C R Í V E L. 

      Por do Sol
      A noite foi difícil pra mim, às 22h já formava gelo no sobreteto das barracas. Apesar de levar isolante e saco de dormir adequados, passei frio. Preciso esclarecer: foi a primeira vez que peguei negativo em acampamento, então eu já sabia que algum aperto eu iria passar, pois o objetivo era principalmente o de aprender a lidar com o clima e frio de montanha (muito diferente de um frio intenso urbano). Mesmo com um liner e uma meia quente, meus pés ficaram muito gelados à noite. Pés gelados implicam em constrição dos vasos e naturalmente dificuldade de dormir. Acordei às 4h da madrugava e não preguei mais o olho. Às 6h fui o primeiro a sair da barraca, pois a natureza estava chamando (e claro tinha que ser o mais difícil). Usamos shit tube.

      As brumas do Pico Paraná
      Apos poucos todos foram levantando e curtindo o nascer do Sol. Aquele café reforçado, barracas desmontadas, e às 9h (um pouco tarde) estávamos em direção ao cume com mochilas de ataque. Voltamos à bifurcação do dia anterior e seguimos ao Pico Paraná, em uma descida com muitas raízes e pedras novamente. Aqui vem o aprendizado: o frio da noite me debilitou e as pernas não descansaram. Um pouco antes do A1 há um bom ponto de água, nos abastecemos. Mas eu fui ficando pra trás. 
      Ao final da descida começam os paredões com grampos, se me recordo são dois grandes lances. A ajuda dos guias foi fundamental para transpor com segurança essa parte, pois eu tinha nenhuma experiência nesse tipo de obstáculo. Uma queda nesse local e a pessoa tem que retirada por maca, helicóptero não pousa ali perto. Após os grampos as minhas pernas cansaram de vez e fiquei por último, sendo conduzido por uma das guias até o cume, chegando meia hora depois do grupo, às 14h (tarde). Poderia ter parado antes, talvez fosse o melhor a ser feito, mas continuei porque estava ali tão pertinho. Estava tão cansado que quase esqueci de assinar o livro do cume.

      Assinando o livro do cume
      Não é bem assim que morro abaixo todo santo ajuda. A volta do cume até a Fazenda Pico Paraná são 8 kilômetros que são percorridos geralmente em 5-6h em um ritmo confortável, e inclui a subida até a sela entre Itapiroca e Caratuva. Eu precisei de 9h pra conseguir retornar, sendo fundamental o auxílio dos guias, que tiveram paciência e profissionalismo em me conduzir em segurança, chegando às 23h30min na fazenda. Apesar da exaustão nas pernas, não tive qualquer tipo de lesão, queda ou outro empecilho. Foi passinho de montanha, mas na descida. Cheguei 1h30min após o grupo e não pude me despedir da galera. Tive que passar mais uma noite em Curitiba antes de retornar à Florianópolis, onde resido. 
      Dos erros e acertos, é obvio que o maior acerto foi ter feito a visita guiada, pois não tinha qualquer experiência real em montanha. O erro foi subestimar o frio nos pés, nunca havia sentido dor de frio. Já providenciei meias quentes, mas aceito sugestões. Não importa o quanto se estude, na teoria é uma coisa mas na montanha é outra. Vá para a montanha.  
      Meus sinceros agradecimentos à equipe do Gente de Montanha e aos amigos que fiz durante a expedição. Em especial aos guias Irys e ao Gustavo, que passaram o perrengue comigo até o fim, e à Camila, que fez algumas das fotos que estão neste relato. Foi uma baita experiência e pretendo voltar.
    • Por Jonas Silva ForadaTribo
      Já era hora de tirar do papel a conquista do PP, ponto culminante do meu estado. Desde janeiro no radar, foram mais de 4 ajustes com as pessoas que pretendiam me acompanhar, e finalmente fiquei sozinho. Bom pra falar a verdade eu já esperava, em várias trips as pessoas desistem na última hora.
      Dia 20 de junho, às 06:00 larguei de Campo Mourão rumo à Serra do Ibitiraque. Passei antes em Guarapuava pegar uns passageiros do BlaBlaBla - app de caronas -, bom eu precisava dividir os custos do transporte, hshshs.
      Eram 15:40 quando parei no estacionamento da Fazenda PP, rapidinho fiz o cadastro - enquanto eu ajustava os detalhes da mala e colocava a bota o moço da recepção ia perguntando e anotando. Em 10 min eu já estava na trilha, precisava ter pressa se quisesse chegar antes de escurecer no Caratuva, meu objetivo primeiro. Morro acima, em 25 min eu já estava na bifurcação das trilhas para Caratuva e PP, escorrendo suor.

      Peguei à esquerda, por uma trilha bem ruim. Nos primeiros 300 m haviam muitas árvores caídas, foi preciso fazer várias manobras para passar sobre e sob os troncos. Mas, tudo corria bem, só o fôlego estava apertando devido a pressa. Logo à frente, +- 500 m começa a verdadeira subida, por os outros, acredito, 1.500 m a subida é constante, íngreme com muitas pedras, raízes e barrancos. A pesar de tudo, às 17:15 pela primeira vez depois do Morro do Getúlio eu enxerguei o firmamento no horizonte, e ainda pude ver um resto de Sol que se punha. Já eram 17:40 quando avistei as primeiras barracas armadas no Caratuva. Caramba eu subi o Caratuva em 2 h com cargueira e tudo.

      Arrumei meu cantinho, estava cheio de gente no pico. Logo outro campista veio me ajudar com a montagem da tralha e bater um papo, logo fizemos amizade e já ficamos combinando de no futuro trilharmos juntos, eles estavam em um grupo que no dia seguinte iriam também ao PP, acabei fazendo amizade e trocando figurinhas com todos eles.
      À noite tinha momentos que a neblina tomava conta, então o frio era terrível. No dia 21 amanheceu fechado de dar medo, algumas vezes era possível avistar o cume do PP ou do Ibitiraque, do mais somente nuvens e uma neblina que parecia monção. No entanto, a alvorada foi esplendorosa, de encantar qualquer um.


      Ao explorar o cume, percebi que do outro lado do Caratuva, o lado do Ibipiroca, o russo não estava castigando tanto e pude avistar com o binóculo os acampamentos e as pessoas no Ibipiroca e no Cerro Verde.

      Às 08:25 estava de cargueira pronta e lá se fui para o PP por uma trilha alternativa que vai do Caratuva até o A1. Minha nossa, pensa num banho dentro da trilha fechada, fiquei encharcado; pior que isso, só fui perceber no outro dia: a trilha passa no limite de um desfiladeiro mas devido à neblina não vi nada, somente branco. Ia pegar água perto da trilha, mas devido as condições preferi seguir até o A1 e voltar pela outra trilha, menos densa (bem menos), até uma fonte principal.

      Logo que cheguei na bica encontrei um grupo que ia do Ibipiroca em ataque ao PP, um pessoal de Palmital/SP. Trocamos algumas ideias e acabei seguindo com eles até passar o elevador, pessoal gente fina. O elevador é um caso a parte, antes dele já é preciso dar aquela tremida (e não é de frio) para descer uns 15 m de parede, nada comparado aos aproximadamente 25 m do elevador.


      Depois do elevador o grupo parou para dar um fôlego, eu parti. Comecei a encontrar grupos descendo que me relatavam estar aberto o tempo no cume, eu ansioso para chegar. Depois de muitos obstáculos (passar no limite de penhascos, subir pedras enormes na unha, passar entre rochas apertadíssimas) cheguei no A2, ainda havia mais uma pernada, kkkk. Mas nada me abalava, e lá fui. Cheguei no cume às 12:00, fui o primeiro a montar acampamento naquele dia, alguns nem tinham desmontado do dia anterior ainda. Os Óreas não estavam muito colaborativos deixando o tempo fechado, tão fechado que mal dava para ver o próprio PP. Em alguns momentos pequenas aberturas nos mostravam o cume do Pico Itibiraque, e como um bando de loucos os trekkers de lá gritavam para os trekkers de cá, kkkk. Passamos o resto da tarde conversando, o grupo que conheci no Caratuva havia chegado, e o tempo não abriu de verdade, apenas deu uma baixadinha na camada branca no final do dia possibilitando enxergar o alaranjado do crepúsculo.


      A medida que a noite ia caindo o firmamento revelava o espetáculo e as nuvens foram dispersando. Um espetáculo memorável no céu.
      No dia 22/7 às 05:00 estava acordado, e no horizonte muitas nuvens ainda ofuscavam a paisagem, mas numa manobra que só os deuses sabem dar, em 15 min o tempo se abriu deixando toda a cadeia de montanhas da região exposta. Às 07:05 começava novamente o maior espetáculo da terra, a alvorada. Foram momentos emocionantes até que o astro preenchesse todo o leste com seu dourado inconfundível.


      Depois de um generoso café, muitos cliques e histórias contadas entre os montanhistas era hora de desmontar tudo e partir, fiz isso às 10:00, abortando o combinado inicial de descer junto com o grupo que fizemos amizades, eu precisava estar na base às 15:00 para as 16:00 pegar outros caronas em Curitiba, e eles iam começar a decida lá pelas 11:00.



      Montanha abaixo e logo começo a cruzar com os grupos que subiam de ataque, pelo caminho onde havia área de camping, tinha barraca armada, incrível até o A2 muita gente dormindo pelo caminho. Pouco antes do A2 alcancei outro quarteto que ia descendo, fizemos amizade rapidamente. Logo fiquei sabendo que um dos integrantes morava no meio do caminho meu para casa, então já combinamos a carona – ela estava de carona com o grupo que era de outro lado de Curitiba. Passado o elevador, pensei que tudo estaria tranquilo, que nada. O trecho entre o A1 e cruzo para o Caratuva (que eu havia contornado no primeiro dia) é um dos piores trechos de toda a trilha, são milhares de raízes e pequenas elevações que precisam ser transpostas por cima delas, exige muita calma e técnica para andar mais rápido.
      Acabei avançando mais rápido que meu novo grupo, perdemos contato. Quando cheguei na Pedra do Grito resolvi esperá-los, larguei tudo de lado e sentei. Um grito de guerra na trilha chamou a atenção, pensei serem escoteiros, mas em alguns minutos quem chega foi um grupo de noviças 38 segundo a madre que as conduzia, todas de saias longuíssimas de um vermelho incrível e camisas brancas de freiras, disseram que iam até o Morro do Getúlio. Confesso que eu duvido que foram, mas garanto que aquela não era a melhor roupa e que com certeza não voltou como tinha ido, kkkkkk. Nesse alvoroço todo nem percebi que parte do grupo tinha descido e as 15:10 um dos integrantes passava por mim, ele me disse que a moço que ia de carona comigo já tinha descido, duvidei pois, não a vi passar. Descemos juntos o último trecho, e lá estava ela esperando e gritando desesperada por mim no estacionamento, kkkkkk.
      Depois de um banho de gato, despedimo-nos dos novos amigos e lá fomos nós de volta à vida comum. Já se passavam das 23:00 quando cheguei em casa, onde uma bela pizza portuguesa esperava.
      Não é só a experiência que a montanha no dá, são, principalmente as amizades que cultivamos. Cada estrela no firmamento representa a amizade entre alguém, mesmo escondida pelas nuvens vão estar lá.


    • Por lucband
      Eu, Lúcio, e minha esposa Marlene, 61 e 55 anos respectivamente, havíamos feito muuuuitos acampamentos (eu já fazia camping selvagem na década de sessenta, acompanhado de meu pai, usando barracas do exército, porque não existiam barracas de camping no Brasil) e algumas trilhas, mas a mais exigente até então havia sido a Ferrovia do Trigo, de nível fácil a moderado, além de pequenos trechos de montanha, mas tínhamos o sonho de chegar ao topo do Pico Paraná (PP), a montanha mais alta do Sul do país, com 1.877 metros. Sabíamos que seria muito difícil, então nem nos preocupamos em fazer preparação física especial, somente o que fazemos normalmente: eu jogo Tênis competitivo, minha esposa caminha e corre na esteira, caminhamos seis a oito quilômetros, andamos de bicicleta. Quase todo dia fazemos uma dessas atividades.  Meu planejamento inicial seria chegar com as cargueiras até o Caratuva (com possibilidade de acampar no cume do morro do Getúlio caso estivéssemos muito cansados) acampar e seguir no dia seguinte para o Pico Paraná, percorrendo a Trilha da Conquista até o acampamento 1 (A1). Escolhi pernoitar no Caratuva porque pensei que, se não conseguisse chegar ao Pico Paraná, pelo menos teria o prazer de ver o nascer e o pôr do sol no segundo mais alto pico da região Sul. Fiz um planejamento minucioso, para evitar aperto, e troquei alguns equipamentos para deixar as mochilas mais leves. A troca mais importante foi da barraca Naturehike Alumínio 2 que eu tinha pela excelente Naturehike Cloud Up 2 Ultralight (de cor cinza, que é mais leve): de 2,2 quilos para somente 1,5 quilos! No final das trocas, minha mochila pesava 13 quilos e a da Marle 11 quilos (sem considerar água). Ficamos então esperando um final de semana com tempo bom, até que finalmente chegou o grande dia, o feriado de Tiradentes, com uma previsão de tempo perfeito.
      Nos acompanharam na aventura a Tânia, uma amiga com a nossa faixa etária, seus dois filhos Guilherme e Riana, os três com experiência em trilhas, pois fizeram a Ferrovia do Trigo conosco, mas sem experiencia em montanha, e um casal de jovens amigos, Diego e Marina, que não tinham feito nenhuma trilha ainda. Saímos de Chapecó na quinta, dia 19/04/18, à tardinha e pernoitamos em uma Pousada em Quatro Barras, a 30 quilômetros do PP. Na sexta cedinho rumamos para a Fazenda Pico Paraná, onde conversamos com o proprietário, Dilson, e comentamos sobre nosso planejamento. Ele nos recomendou não acampar no Caratuva, porque a trilha da Conquista não era muito usada e era muito fácil de se perder, e falou que era melhor acamparmos no Itapiroca, fazendo a trilha normal para chegar ao PP. Aceitamos a sugestão, afinal o bom planejamento é aquele que é flexível, colocamos as cargueiras, tiramos uma foto e partimos.

      A tradicional foto da partida: Riana, Marina, Diego, Marlene, Lúcio, Guilherme e Tânia.
       
      Com o corpo ainda frio, quase morremos ao subir o íngreme gramado inicial na fazenda kkk (lembrei do filme Por Aqui e Por Ali - A Walk in the Woods, imperdível). Tocamos em frente, sem pressa, parando para apreciar a paisagem e tirar muitas fotos. Perto de uma da tarde chegamos na bica, depois da bifurcação do Caratuva, onde paramos para almoçar um delicioso Cup Nodles turbinado com sopa Vono e meio pacote de queijo ralado para cada um.

      Riana almoçando na bica.
       
      Depois de quase uma hora de descanso, abastecemos de água para o acampamento e tocamos em frente. Com dois quilos a mais em cada mochila o cansaço logo aumentou, e chegamos estropiados ao Itapiroca em torno de quinze e trinta, a tempo de montar acampamento, subir o pequeno trecho até o cume, deixar uma mensagem no livro e apreciar um belo pôr do sol.

      Na chegada ao Pico Itapiroca, eu e Marle dividindo o sabor da conquista.
       

      Deitado na barraca, namorando o Pico Paraná e imaginando como era longe...
       
      À noite deve ter feito menos de zero grau, porque estava ventando muito e mesmo assim formou gelo nas barracas. Estávamos bem agasalhados e com bons sacos de dormir, mas mesmo assim passamos frio...

      Na primeira noite formou gelo nas botas, isso que estavam no avanço da barraca...
       
      No dia seguinte bem cedo acordamos para ver o nascer do sol, e ás oito horas estávamos prontos para partir para o PP.

      Nascer do sol com o Pico Paraná ao fundo. Parece uma pessoa deitada, onde o PP é o nariz...

      Nossas barracas com o PP ao fundo. Em primeiro plano o saco para lixo (traga sempre de volta todo seu lixo, e mais um pouco como colaboração).
      Escondi nossa comida no mato (porque na trilha do Pontal de Tapes nos roubaram algumas coisas a noite, inclusive toda nossa comida, nos deixando em situação de risco, fiz um relato aqui: mochileiros.com/topic/71954-pontal-de-tapes-uma-roubada-literalmente/), deixamos nas barracas somente os isolantes, os sacos de dormir e alguns itens menos valiosos e saímos com três a quatro quilos em cada cargueira. Tudo na expectativa de não passar muito aperto caso furtassem nossas barracas enquanto estivéssemos na trilha... E fomos subindo, descendo, pulando, escalando, curtindo a paisagem, tirando fotos, bebendo água geladinha de cada fonte que tinha no caminho, até chegar no Acampamento 2 (A2), em torno de onze e meia, onde Tânia e Marina disseram que ficariam ali nos esperando, porque estavam cansadas.

      Marle, Marina e Diego escalando o paredão.
       
      Fomos atrás da bica de água para reabastecer, pegamos somente uma mochila, com água, kit remédios e kit de emergência, e partimos os cinco restantes para o ataque ao PP. Depois de pouco mais de meia hora, parecia que estávamos chegando ao cume, ficamos felizes, mas... não era o cume, avistamos mais um caminho por dentro da mata, e um paredão ameaçador no final, e o cume nos chamando lá em cima. Diego, Riana e Guilherme desanimaram e disseram que não iriam continuar... olhei para a Marle, para ver se ela estava bem, ela me olhou firme e disse: vamos! Não pensei duas vezes, peguei duas garrafas de água, coloquei uma em cada bolso da calça e saímos quase correndo em direção ao pico, com a adrenalina a mil. Chegamos lá em menos de quinze minutos, ainda gritamos para nossos amigos, dizendo que o último trecho era fácil, que era para eles tentarem subir, mas eles não entenderam, acharam que estávamos acenando para eles e voltaram para o A2.

      Eu e a Marle na pedra, ao lado do livro do cume do Pico Paraná.
      Nos abraçamos, rimos que nem crianças, sem acreditar que conseguimos chegar lá, tiramos muitas fotos, curtimos a paisagem, deixamos uma mensagem no livro do cume, sentamos um pouco e iniciamos a caminhada de volta, porque não tínhamos muito tempo, eram mais quatro horas até o acampamento base no Itapiroca, já era mais de duas da tarde e não queríamos pegar noite na trilha. Ao chegar no A2, onde o resto da galera nos esperava, um susto: Guilherme estava com câimbras, eu fiquei com medo de que ele não conseguisse retornar e tivesse que ficar no A2, sem abrigo. Demos para ele um coquetel energético (Capuccino com leite em pó adicional, Carb up, mandolate e Snickers, que mistura!), o que fez com que ele melhorasse (pelo menos das câimbras, porquê o estomago foi detonado kkkk) e ficasse em condições de iniciar a jornada de volta. No caminho abastecemos de água novamente, no último filete que tinha na trilha, ficamos com as mochilas mais pesadas, o que aumentou o cansaço, e acabamos chegando no Itapiroca já quase de noite, as dezoito horas, exaustos. Uma janta quente e uma unica cumbuca cheia de sopa, passada de mão em mão como em um ritual indígena, nos reanimou, o frio estava menor (ou o cansaço maior?) daí pudemos dormir melhor.
      No dia seguinte, acordamos cedo, a tempo de ver mais uma vez o belo nascer do sol, arrumamos as cargueiras e iniciamos a descida em um bom ritmo, às oito horas. Fazendo as tradicionais paradas para descansar, tirar fotos e apreciar a paisagem, às onze e meia chegamos na Fazenda Pico Paraná e fomos correndo encontrar uma churrascaria para tirar o atraso... que ótimo sabor tem a comida e bebida depois da trilha!
      Não poderia encerrar o relato sem enaltecer nosso grupo, unido em todos os momentos como uma família, com uma sinergia que transmitia força e segurança a todos e que nos permitiu fazer a jornada sem nenhum percalço. Obrigado, galera, vocês são incríveis!
       

      A chegada na fazenda Pico Paraná
       
      Acho que alguns montanhistas contumazes vão rir da nossa história, achando muito fácil chegar ao cume do PP, mas na nossa idade acredito que poucas pessoas teriam a preparação física e principalmente mental para sequer conseguir chegar com as cargueiras até o Itapiroca, o que dirá sair do Itapiroca no dia seguinte, com algum peso na mochila, ir ao PP e voltar. Ficamos muito felizes em poder provar que a velhice está somente na cabeça das pessoas, e que nunca é tarde para realizar seus sonhos, por mais malucos que possam parecer. O pior é que descobri o que muitos falavam e eu não imaginava o estrago que fazia: o bicho da montanha nos picou e contaminou, ficamos viciados e já estamos preparando nova jornada, agora para conhecer o Pico Caratuva... A montanha é o paraíso na Terra!
       

      No mirante próximo ao A2... nossa sinergia nos faz mais fortes!
    • Por Raphael Lettrari
      Boa tarde, 
      Irei subir o Pico Paraná sábado dia 15/12/2018 pela primeira vez, a ideia é subir e descer no mesmo dia! alguém se anima nessa jornada?


×
×
  • Criar Novo...