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Travessia Lençóis Maranhenses: Canto de Atins - Santo Amaro


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Quando decidi viajar para os Lençóis não imaginava que era possível atravessar todo o parque nacional caminhando. Uma porque ele é gigante, com mais de 150 mil hectares de área, outra porque caminhar em meio a dunas não parece uma tarefa lá muito fácil.

No início de abril, achei uma boa promoção de passagem aérea – R$ 340 pela Gol, comecei a pesquisar para definir os passeios que gostaria de fazer e aí então me deparei com relatos de viajantes que atravessaram o parque a pé. Como meu estilo não é “consumidora de turismo”, gosto mais de conhecer os lugares tentando fugir dos pontos mais turísticos e vivenciar mais a realidade local, além de curtir e ter alguma experiência em trekkings, pensei: o jeito perfeito de conhecer os lençóis será este, caminhando.

Achei importante fazer o relato desta viagem pois as contribuições dos mochileiros sempre me ajudaram muito no planejamento das minhas viagens e gostaria de retribuir a ajuda com informações atuais deste trekking maravilhoso.

 

13/06/2013

Peguei o vôo por volta das 0h, chegando à São Luis às 3h. Esperei no aeroporto o horário da van que me levaria até Barreirinhas, agendada para as 5h. Essa parte foi bem chata, estava morrendo de sono e fiquei dormindo nos bancos do aeroporto para esperar o horário, mas transporte às 3h somente privado, e aí acho que sairia um pouco caro. Então de São Paulo mesmo já havia feito a reserva das vans que saem em horários regulares, às 5h e às 7h, através da agência São Paulo Ecoturismo. A van chegou às 5h30, e eu já estava um pouco aflita pois tinha efetuado o depósito da reserva da van no dia anterior depois das 19h, pensei que a empresa pudesse não ter visto. Mas depois a funcionária me informou que eles acompanham depósitos e emails mesmo à noite.

O trajeto São Luis-Barreirinhas dura cerca de 4h. Paramos às 7h para o café da manhã e chegamos em Barreirinhas às 9h20.

Logo fui encontrar o guia Carlos Queimada, com quem eu tinha fechado a travessia. Passamos no mercado para comprar água e snacks, eu já estava levando frutas, castanhas, barrinhas de cereais e sanduíches (queijo provolone, que não estraga fora da geladeira). Em seguida fomos encontrar o carro que nos levou até Canto do Atins, ponto de partida da caminhada. Os carros que fazem este trajeto são em geral caminhonetes Toyota com a caçamba adaptada com bancos. O motorista levava pessoas e mercadorias que ele foi entregando no caminho, encomendas de moradores de Atins e adjacências. Esperamos cerca de 1h até o carro ser carregado com as mercadorias e os passageiros chegarem. O percurso leva umas 2h.

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Chegamos em Canto do Atins, na pousada da Luzia às 13h. Querendo aproveitar o restante da tarde pra conhecer um pouco do entorno, decidi não almoçar, fomos até a praia e depois uma lagoa próxima. O Carlos brincou que eu era a mulher-camelo, que só come uma vez ao dia, pois eu preferia comer qualquer coisa no horário do almoço para aproveitar mais o tempo nas lagoas, e aí refeições somente à noite. No jantar, comemos o famoso camarão desta pousada, que sem exagero foi um dos melhores que já comi na vida.

O banho na pousada é uma ducha fria (como nos outros lugares que fiquei, até porque faz bastante calor no Maranhão, rs) na parte externa. Tomei banho de biquíni, mas valeu a pena porque eu tava querendo uma viagem com maior contato com a natureza, e não me importo com lugares rústicos.

Neste primeiro dia já vi um pouco do que conheceria melhor nos próximos dias, lindas dunas e lagoas de água doce, no meio do nada, sem ninguém por perto, o pôr do sol belíssimo. Perto desta beleza, a praia de lá ficou até meio sem graça.

 

Custos do dia

Van: R$40

Café da manhã buffet livre: R$10

Toyota: R$20

Pousada da Luzia: diária R$25, camarão à moda da casa R$25, água garrafa pequena R$3

 

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14/06/2013 – 1º dia

Com a mochila preparada e o reservatório do camelbak abastecido, acordamos e 3h30 partimos para o primeiro dia de caminhada. Como o primeiro e o terceiro dia do trekking são os mais longos, com cerca de 8 horas de caminhada, o ideal é sair ainda de madrugada para diminuir o tempo de exposição ao sol forte. Lembre-se de levar lanterna, ajuda nesta parte da caminhada. A lua estava crescente, mas imagino que deve ser incrível caminhar em noite de lua cheia.

A primeira parte da caminhada foi ao longo da praia, alternei andando descalça e com havaianas. Depois de umas 2 horas adentramos as dunas e paramos às 7h para tomar o café da manhã. Bananas, maça, um bolo de fubá que eu tinha trazido de São Paulo, pão. Alguns minutos para apreciar o nascer do sol.

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Após o desjejum ao nascer do sol, continuamos a caminhada pelas dunas, passando por lagoas e áreas alagadas, por isso que se caminha boa parte do tempo descalço ou de chinelos. Para minha surpresa, caminhar nas dunas não é tão difícil quanto eu imaginava, pois pensei que a areia era fofa e quente, e que os pés afundariam a cada passo. Pelo contrário, as areias são bem firmes na maior parte do percurso, e as areias bem claras não absorvem o calor do sol forte. E o calor é bem suportável, pelo menos para mim que gosto muito de sol. Fundamental é levar muito protetor solar, boné e óculos de sol, que protege do vento e do reflexo do sol na areia clara.

O caminho dispensa muitos comentários, as fotos mostram um pouco da grande beleza natural e paisagens belíssimas que encontramos no caminho.

Fizemos 2 paradas nas lagoas, de cerca de 1 hora cada, com direito a banhos e cochilo, rs.

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O tempo de caminhada neste primeiro dia foi em torno de 9 horas, incluindo o tempo das paradas. Chegamos à Baixa Grande, o primeiro oásis do percurso, na hora do almoço, por volta das 12h30.

Baixa Grande é um povoado bem pequeno, com cerca de 8 famílias vivendo em casas dispersas. Ficamos na casa do seu Moacir, tio do Carlos, sua filha Rosa cozinhou para nós e almoçamos logo após chegar: arroz, feijão de corda, macarrão e peixe frito. A traíra, peixe de água doce pescado no rio que passa atrás da casa é bem saborosa. Para beber, guaraná Jesus, um refrigerante que só vende no Maranhão. Não gosto de refri mas este eu tinha que experimentar.

Depois do almoço fiquei proseando com Rosa, que é bem conversadeira, e brincando com seu filho Israel, de 2 anos. Seguindo o costume local, fui dormir na rede após o almoço.

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Dormi até o final da tarde, estava bem cansada da caminhada e meus pés doíam muito. Na verdade, a dificuldade da caminhada em dunas foi outra, pois andar descalça forçou muito meus pés, e quando chegamos no primeiro oásis eles estavam bem cansados e doloridos.

Depois da soneca da tarde, fomos para as dunas ver o pôr do sol.

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Na volta, banho (sem biquíni, rs), jantar, prosa... tudo muito agradável e tranquilo. Dormi um pouco mais tarde que o dia anterior pois não teríamos que sair tão cedo no dia seguinte. A dormida foi em rede, a noite estava bem fresca e choveu durante a madrugada.

 

Custos do dia

Casa do Seu Moacir: dormida, almoço, jantar, café da manhã, 2 garrafas grandes de água – total R$72

 

15/06/2013 – 2º dia

Acordei bem descansada às 6h, arrumei a mochila e fomos tomar café da manhã: tapioca com manteiga, ovos mexidos, café com leite. Partimos às 7h para um dia de caminhada que seria à princípio bem tranquilo. A previsão é que o trecho entre os dois oásis Baixa Grande – Queimada dos Britos seja feito em 3 horas. Mas logo no início percebi que seria mais difícil que isso, meus pés doíam mais que o dia anterior e eu andava mancando. Depois de 30 minutos de caminhada, o Carlos sugeriu que eu colocasse o tênis, o que não adiantou à princípio, eu dava 5 passos e parava de dor. Nesse momento bateu um desespero, até o próximo oásis tava relativamente perto, mas comecei a pensar em como seria o dia seguinte, como um longo trecho de caminhada, será que eu conseguiria? E se não conseguisse, o que faria, ia ter que ficar ali até melhorar? O Carlos já havia brincado antes que ia me fazer chorar por conta do cansaço, e naquele momento quase rolou isso mesmo. Decidi continuar, mesmo andando devagar e parando muito. Trocamos de mochilas, o Carlos passou a carregar a minha, que tava bem mais pesada (7kg), e eu a dele, bem mais leve, o que ajudou muito. Depois de algum tempo, como o pé foi aquecendo, a caminhada ficou muito mais tranqüila. Tanto que optei em não parar para banho de lagoa durante o percurso, pois temia que o pé esfriasse e eu voltasse a caminhar mancando. Com isso o humor melhora demais também, deu para aproveitar a vista, tirar muitas fotos, conversar com o guia sobre o modo de vida no meio daquele enorme deserto.

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Chegamos às 11h em Queimada dos Britos, na casa do Seu Raimundo e Dona Joana, pais de Carlos. A recepção foi muito boa, tanto pela Rosa de Baixa Grande quanto no Seu Raimundo, povo simples e simpático que gosta de conversar. Queimadas dos Britos é um pouco maior que o outro oásis, possui 13 famílias em casa mais próximas, formando um pequeno povoado. Após um café com bolachas e um dedo de prosa com Seu Raimundo, de novo escolhi não almoçar para aproveitar as lagoas da região.

Há 15 minutos da casa tinha uma lagoa lindíssima e escolhi passar a tarde nela. De uma duna próximo vi também o pôr do sol, belo como os outros.

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Na volta, banho, jantar com carne de cabrito, e mais prosa com Seu Raimundo e Dona Joana. Mostraram as fotos que colecionam na parede da casa, contaram as histórias das pessoas nas fotos, em especial a história da gravação do filme Casa de Areia, com Fernanda Montenegro, Fernanda Torres, Seu Jorge e outros bambas. Satisfeito por ter nascido e morar ali, apesar de ter passado um bom tempo em Santo Amaro do Maranhão, Seu Raimundo diz que não quer viver na cidade, porque lá tem muita zoada, muito barulho... quer mesmo o sossego, que é o que encontrei de sobra ali.

 

Custos do dia

Casa do Seu Raimundo: dormida, jantar, café da manhã, água de coco, garrafa grande de água – total R$50

 

16/06/2013 – 3º dia

Dia de acordar cedo e caminhar muito, rs. Depois do café da manhã preparado pela Dona Joana, partimos às 4h30. Neste dia, caminhei a maior parte do tempo de tênis, para amenizar o impacto nos pés. A programação era semelhante a do 1º dia, sair cedo, paradas breves para chegar em Santo Amaro do Maranhão na hora do almoço. Mas soube que não havia lagoas próximas à Santo Amaro e eu queria aproveitar ao máximo as lagoas, então pedi pro Carlos para fazermos diferente, ficando mais tempo nas lagoas durante o sol forte e partindo pra Santo Amaro no final da tarde. Ele topou, mesmo me alertando que a caminhada seria mais cansativa desta forma.

A primeira parada foi às 7h, para lanche, descanso e apreciar a vista.

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A segunda às 8h30, ficamos durante 1 hora tomando banho de lagoa, próximo à Lagoa das Emendadas, umas das mais bonitas que vi por lá.

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A terceira parada foi por volta das 10h, ficamos por mais 1 hora na beira da lagoa. Perguntei pro Carlos se estava longe, e ele me respondia “Tá mais longe que perto”, o que virou uma piada no resto da caminhada, pois eu estava bem cansada neste ponto e perguntei a ele muitas vezes o quanto faltava.

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Caminhamos por mais 2 horas e eu já estava exausta, pedindo para acharmos uma boa lagoa pra parar, ele disse que logo chegaríamos em uma das melhores lagoas; avistando uma bem rasa perguntei “É aqui? Não. Agora é”. Depois de um banho rápido, caminhamos mais 15 minutos e chegamos na Lagoa das Andorinhas, maravilhosa, a que mais gostei! Foi super cansativo este trecho mas valeu a pena, tirei a roupa rápido e mergulhei, nadei, me refestelei naquela água azul clara e fresca. Eram 13h e nesta parada tive bastante tempo pra ficar na água, tomar sol, dormir, comer... Ficamos mais de 2 horas e depois partimos para chegar em Santo Amaro antes de anoitecer.

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15h, hora de continuar a caminhada. Um pouco depois da Lagoa das Andorinhas, passamos pela Lagoa das Gaivotas, que é bastante visitada por turistas hospedados em Santo Amaro. O acesso à carros a este ponto é permitido, avançar mais que isso já é proibido, mas vimos 2 carros circulando irregularmente no parque. Me explicaram que a circulação de carros é proibida dentro do parque, exceto para os nativos que moram e precisam ir até as cidades ou casos com autorização do IBAMA. Mas as agências de turismo burlam e circulam, a despeito da multa ser bem cara, parece que em torno de R$ 5000. Os nativos se indignam mas não denunciam, pois precisam manter uma boa convivência por viverem do turismo.

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O restante da caminhada durou mais 3 horas, sem paradas, até a pousada em Santo Amaro do Maranhão. Este trecho final foi bastante cansativo também, apesar de já não haver mais sol. Aí não era o pé que doía, era desgaste físico mesmo aliado à sensação de que nunca chegaríamos. Ao entrar no vilarejo, a areia fica fofa e a caminhada mais difícil. Paramos para beber uma água gelada. Cheguei à Hospedaria São José às 18h completamente exausta, no limite do cansaço mesmo, e a recepção da dona Marineide foi muito boa, água de coco, suco, quarto pronto... descansei de pernas pro ar (literalmente) e fui tomar um banho. Alguns minutos de soneca e fomos jantar na pousada Água Doce. Camarões gigantes na chapa, mas sinceramente não tava muito boa a comida, apesar de tamanha fome que sentia. No dia seguinte almoçamos lá, peixe frito e arroz de cuxá, aí sim a comida estava gostosa.

Depois do jantar, voltei pra hospedaria e caí na cama, não consegui nem dar uma voltinha na cidade, apesar do irmão de Carlos telefonar convidando para as festas que estavam acontecendo.

 

Custos do dia

Pousada Água Doce: camarão na chapa, prato pra 2 pessoas R$ 70, cerveja R$ 6

Hospedaria São José: diária do quarto com ventilador com café da manhã R$ 30, água de coco R$2

 

17/06/2013

Ótima noite de sono, acordei às 8h30. Café da manhã servido na varanda: café, bolo, frutas, suco natural. Tinha a manhã para aproveitar em Santo Amaro, Carlos tinha agendado o carro de volta a São Luis para às 13h. Passamos na pousada Água Doce para reservar o almoço para às 12h e fomos para a praia do rio Alegre. Passei o resto da manhã entre o banho de rio e o banho de sol na faixa de areia. O rio estava vazio, algumas mulheres lavando roupa, crianças brincando e um grupo de senhores muito simpáticos bebendo cerveja na beira.

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Depois do almoço, voltei correndo pra hospedaria, tomei banho, arrumei a mala... o carro avisou que iria chegar só 13h30... mas só chegou às 14h, então deu pra dar uma relaxada na rede da varanda.

O trajeto Santo Amaro-Sangue levou 2 horas, cheguei às 16h e esperamos até às 17h a van que me levou pra São Luís, onde chegamos às 20h. Pedi ao motorista que me indicasse algum hotel próximo do aeroporto, pois meu vôo sairia às 3h e queria dormir um pouco pois teria que trabalhar no dia seguinte. O hotel era bem ruim, mas há 10 minutos a pé do aeroporto. Como era madrugada, peguei um taxi, achei um roubo R$15 pra andar 5 minutos, mas beleza. Afinal, depois das paisagens estonteantes que conheci nessa viagem, tava tão renovada que nem ligava pros detalhes.

 

Custos do dia

Almoço pousada Água Doce: R$ 40 prato pra 2 pessoas.

Jardineira Santo Amaro-Sangue: R$20

Van Sangue-São Luís: R$30

Hotel São Luis: R$50

Taxi aeroporto: R$15

 

Além dos custos que relacionei acima, teve também as diárias do guia. Regra geral, todos os guias cobram o valor de R$150 pela diária. Como eu fiz o trekking sozinha, chorei um desconto e Carlos topou negociar, R$400 o pacote.

E o Carlos Queimada eu super recomendo, gente fina, atencioso, cuidou de tudo que era necessário, além de experiente, nasceu no meio dos lençóis e conhece tudo e todos por lá.

Taí o contato dele: Carlos Henrique Malheiros Gárcia

 

Como últimas dicas, queria falar do peso da mochila. Eu super me esforcei para levar o mínimo de coisas possíveis, mas como não sabia se faria frio à noite, acabei levando um casaco, e mais uma muda de roupa que não usei. Numa caminhada na areia, com sol forte, mais que em qualquer outro trekking, o peso da mochila influencia muito o desgaste físico. À noite não chega a fazer frio, pelo menos pra uma paulista, então uma calça leve e blusa de manga comprida dão super conta. Mais um shorts e regata pro dia e outra muda de roupa pra pegar o avião seriam suficientes. O que pesa bastante também é comida, mas aí não tem como, só ao final que se livra desse volume. Já o tênis, que achei que não ia usar, me salvou no 2º e 3º dia de caminhada. Pra quem faz o trekking mas segue viagem depois e precisa de bagagem, parece que tem um esquema de despachar o resto da bagagem.

 

Bom, o relato foi longo mas espero que ajude quem estiver planejando fazer este rolê. Apesar dos momentos de cansaço, posso dizer que super valeu e que penso em fazer novamente no fututro, pois é uma forma muito legal de visitar os lençóis. Na próxima, espero ter mais tempo pra fazer em uns 5 dias, aí dá pra passar mais tempo nas queimadas e até acampar na beira de lagoas. Quis detalhar para saberem da dificuldade, como Carlos disse não fui a única a cansar desse jeito, mas quero dizer também que não é nada impossível de ser feito, quem tem vontade e curte caminhar, deve experimentar.

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Olá, Caru!

 

Estou indo fazer a mesma travessia agora no final do mês, com o Carlos Queimada!

Seu post ajudou muito na programação, muito obrigada!

 

Queria te perguntar uma coisa, que mesmo eu tendo perguntado pro Carlos, fiquei na dúvida: nas paradas para dormir é cobrado almoço e jantar em separado? 25 reais cada? Ou os 25 reais da dormida + 25 alimentação já pressupões almoço e janta?

 

Bjs e mais uma vez obrigada

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Oi Carolvleone,

 

Fico feliz que o relato tenha ajudado.

Na travessia, vc vai andar bastante durante a manhã e vai chegar nas vilas na hora do almoço.

É legal levar lanches e snacks pra caminhada... frutas, uns sanduíches, bolachinhas, o que puder levar, só cuidado com o peso da mochila (cuidado mesmo, pq peso faz muita diferença numa caminhada como esta).

Nas vilas, o valor da dormida é R$25, e o que consumir é pago à parte (café da manhã, refeições, água, refri, água de coco).

Para ter uma idéia, em Baixa Grande eu paguei R$72 pela dormida + almoço + jantar + café da manhã + 2 garrafas grandes de água. Então se calcular, não chega a ser R$25 a refeição.

 

Se precisar de mais informação, é só perguntar.

Beijos

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  • Membros

Saquei, então ótimo, estava preocupada com os preços.

A dormida tá 30 reais agora, e Carlos cobrou mais 30 de alimentação (que pelo q entendi eram as 3 refeições, mas não ficou claro, nem perguntando pelo telefone)

 

Tenho mais uma perguntinha sim: a altura das dunas! e a dificuldade...

Não tenho problema nenhum em caminhar por muitos kilômetros, só nunca caminhei tanto nessa combinação areia+dunas+sol, e tô um tantinho preocupada. Tenho bom preparo, mas sem nenhuma noção se é ou não suficiente....

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