Ir para conteúdo
  • Faça parte da nossa comunidade! 

    Encontre companhia para viajar, compartilhe dicas e relatos, faça perguntas e ajude outros viajantes! 

Renato37

Pico Pedra da Mina (2.797metros de altitude)

Posts Recomendados

Trilha feita em 30/08/2013.

 

Álbum com todas as fotos:

https://picasaweb.google.com/110430413978813571480/PicoPedraDaMina2797MetrosDeAltitude?authuser=0&feat=directlink

 

Sem nenhuma trip marcada para o último fds de agosto e com a previsão meteorológica indicando sol e tempo seco, resolvo buscar no google earth e outras anotações pessoais, as trilhas, cachus e picos que deixei pendentes para explorar. Aproveitando ainda a temporada de montanha e já tendo pisado em vários outros picos na Serra da Mantiqueira, mais uma vez me vejo retornando a região, dessa vez para subir e conhecer o pico mais alto da Mantiqueira: A famosa Pedra da mina.

 

Ao contrário do Marins, onde fui com um grupo, nesse eu resolvi que iria solo mesmo, já que por ter decidido muito em cima da hora, não haveria tempo habil para chamar alguém para ir comigo na empreitada. Então, comecei a buscar infos, como relatos, fotos, localização, etc. O percurso inicial pela rodovia, é a mesma para o pico do Itaguaré...segue-se até passa quatro, depois estrada de terra até o inicio da trilha. Coinscidência ou não, ambos os percursos possuem praticamente a mesma distancia: 14 a 15km de estrada de terra. O mesmo para quem vai para o Marins via fazenda saiqui.

 

Com tudo em mãos, e já tendo lido outros relatos sobre a travessia da Serra fina e as opções de acesso ao Pico da Pedra da Mina, es que pelas infos coletadas, fico sabendo que há 3 caminhos de se chegar na Pedra da Mina: Uma pela travessia tradicional, com entrada pela Fazenda toca do Lobo por Passa Quatro; do outro lado por Itamonte; ou pelo tradicional bairro do Paiolinho também em Passa Quatro, via fazenda serra fina, caminho mais curto e para quem deseja a principio, apenas conhecer o Pico, em um trajeto que requer um batevolta com 1 pernoite.

 

Obviamente que gostaria mesmo é de chegar lá pela travessia da Serra fina, mas sozinho e lendo relatos que sem equipamentos básicos e bons conhecimentos em navegação, as chances de se perder por ali é muito alta, então a principio, deixei para voltar lá com um grupo em uma outra ocasião.

 

Roteiro decidido, no dia seguinte, salto da cama as 2 da manhã e após um rápido e mirrado café da manhã, as 3:40 me vejo ganhando a Dutra em direção a cidade de Cruzeiro, distante cerca de 217 km de SP, cidade que já estive outras 2 vezes, na investida ao Pico do Itaguaré. A rodovia, como era de se esperar, estava vazia e a lua minguante foi a minha compania durante boa parte da viagem até dar lugar ao astro-rei, na altura de Guaratinguetá, onde fiz uma parada em uma lanchonete e restaurante as margens da Dutra para um café da manhã reforçado.

 

Após pegar a saída 34 para a cidade de Cruzeiro, segui direto até Passa Quatro, onde cheguei pontualmente as 8:00. Com as infos na mãos, segui por mais alguns quilômetros em busca do acesso para o IBAMA num trevo a direita, trecho inclusive asfaltado. Encontrado o acesso, entrei nele e segui por cerca de 1,6km. Após passar uma ponte, uma estradinha a esquerda com uma placa indicando "Paiolinho 12km" e Serra fina (pedra da mina) sugeria que o caminho a seguir era por ali.

 

CIMG3816.JPG

Após entrar a direita para o IBAMA, pouco antes de chegar a uma porteira, passará por aqui.

 

CIMG3817.JPG

 

Então, abandonei o asfalto em favor da estrada de terra a esquerda, por onde segui chacoalhando por cerca de 14 km até a fazenda Serra fina. Até o bairro Paiolinho, são 12 km. Nos 3 primeiros quilômetros, só sobe....a estrada de terra é boa e vou seguindo sem nenhuma dificuldade, cruzando com alguns carros no sentido contrário que me fizeram comer poeira. Depois de uma longa subida até atingir o vale no topo da serra, ela nivela e passa a contornar os morros a direita, num sobe e desce discretos. Nesse ponto, a estrada parecia asfalto de terra de tão bem batida que tava, o que permitiu seguir até de 3º e 4º marchas em alguns trechos retos.

 

CIMG3813.JPG

Estrada via paiolinho

 

CIMG3814.JPG

Ao fundo, Pico dos 3 Estados

 

Algumas bifurcações aparecem pelo caminho, mas o sentido é obvio: Sempre pela principal e mais batida (a grande maioria das bifurcações levam somente a entrada dos sitios/fazendas). Após os 12 km, chego no acanhado bairro do paiolinho que tem algumas casas em volta da estrada. Após passar pelas casas, chega-se a uma bifurcação onde a estrada se dividia em 2 lados que não estava nas infos e relatos que trazia comigo. Então, perguntando para alguns moradores, me indicaram para seguir a direita.

 

Após pegar a bifurcação a direita, segui por mais 2,5km em uma estrada de terra secundária, um pouco precária, mas tb bem batida, o que minha motoca de baixa cilindrada (XLR de 125 cc) venceu sem nenhuma dificuldade as subidas mais íngremes, que são curtas e a estrada, mesmo secundária, está bem batida. Creio que em dias de chuva carros com tração dianteira possam ter dificuldades para subir no trecho final. Mas em dias secos, sobe numa boa.

 

Enfim, após quase 1 hora cachoalhando, es que as 8:48 finalmente cheguei a fazenda serra fina, após 15km desde a rodovia. Só para comparar, a distancia até o acampamento base Itaguaré é de 14km, e eu levei mais de 1 hora para chegar lá, por conta da estrada de terra não ser tão boa qto a da Serra fina. E segundo relatos, estava indo preparado para encontrar uma estrada de terra toda detonada e acessivel somente para motos de trilha ou veiculos 4x4. Que nada, na fazenda havia pelo menos uns 3 carros baixos estacionados.

 

CIMG3629.JPG

 

CIMG3631.JPG

Na fazenda serra fina

 

Após tirar a cargueira do bagageiro, uma senhora da fazenda veio me dar as boas vindas, me perguntou se eu ia subir a Pedra da mina e tão logo disse que sim, foi buscar o livro de presença para eu assinar, para fins estatísticos e também para saber quem estava na trilha. Após assinar o livro e pagar R$ 10 a ela para deixar a motoca em sua propriedade, es que finalmente as 9:20, adentro a trilha, onde uma placa logo no inicio me dá as boas-vindas com algumas recomendações e indicativos das altitudes tempo de caminhada e pontos d´agua. Incluindo o trecho da travessia da Serra fina.

 

CIMG3632.JPG

A placa

 

Mapa%2520ilustrativo%2520da%2520Travessia%2520da%2520Serra%2520fina.JPG

Mapa ilustrativo da placa....

 

Iniciei a trilha que logo mergulha no frescor da mata e segue em nível. Passei por 2 porteiras e uma plantação a direita. A trilha nesse trecho inicial, segue dando voltas na serra enquanto nas frestas da mata, se avistava os picos da serra fina que de tão altos, pareciam estar espetando os céus. Cruzei com algumas bifurcações, mas o sentido é óbvio.....seguir sempre pela trilha mais batida. Minutos depois, cheguei em uma trifurcação, com birfurcação em ambos os lados sendo menores e menos batidas que a principal.

 

Optei por seguir reto pela do meio, que era a que estava mais batida. Na dúvida, antes de iniciar a trilha, pergunte para os moradores da fazenda sobre as tais bifurcações do trecho inicial.

 

CIMG3634.JPG

Trecho inicial da trilha

 

As 9:45, cruzei com um riachinho pequeno, que segundo infos, seria o 1º ponto de água da trilha. Sabendo que haveria outros mais a frente, optei por pegar água somente mais a frente, afim de economizar no peso na cargueira. Cerca de 8 minutos depois, cruzei com o 2º ponto de água, essa bem maior, de um rio pequeno e com alguns poções de água de cor azul cristal que me impressionou pela coloração diferenciada.

 

Como nem tudo é perfeito, antes de cruzar o rio, um cidadão nada consciente fez suas necessidades fisiológicas numa das pedras bem no meio da trilha, ao lado do rio. Então, por precaução (e p/ evitar qualquer risco de contaminação por "coliformes fecais (merda))", é só pegar água alguns metros acima da trilha.

 

CIMG3635.JPG

Um dos 4 pontos de água, esse é o 2º ponto, fica a cerca de 30 minutos após o inicio da trilha.

 

Sabendo que haveria mais 2 pontos de água até a metade do caminho, não me preocupo e me limitei a encher apenas parte do cantil, mas no geral, pegue somente o necessário para beber naquele momento, pois os 3 primeiros pontos de água são bem próximos uns dos outros. Então, a 1º hora de caminhada, da para andar só com 500ml, no máximo 1 litro de água, caso não esteja trazendo nada de SP. Eu vinha com 1 litro de gatorade, então só enchi metade do cantil que é de 2 litros com água. As 10:17, cheguei ao terceiro ponto d´agua, onde aproveitei para lavar o rosto e me refrescar, pois sabia que a partir dali, a coisa começaria a complicar.

 

CIMG3637.JPG

3º ponto de água.

 

Depois que passa o 3º ponto de água, a trilha que seguia tranquilamente, como reles passeio de bosque, leve e em nível, começa sua longa subida serra acima, mas o trecho inicial da subida não dura muito e es que as 10:25, chego ao primeiro ponto de acampamento com a famosa panela vermelha pendurada nas árvores. Nesse ponto, cabem umas 2 ou 3 barracas do tipo "Iglu". A continuação da trilha segue a direita, onde uma fita vermelha amarrada nas árvores sugere que o caminho a seguir era por ali.

 

CIMG3639.JPG

1º ponto de camping

 

CIMG3642.JPG

A tal panela vermelha

 

Aproveitei para fazer um pit stop nesse ponto para forrar o estomago e molhar a goela seca com um belo gatorade geladão, afim de reduzir o peso da cargueira até chegar ao 4º e último ponto de água, onde de fato iria me abastecer para o final do dia e o seguinte.

Lembrei de um relato que li que nesse ponto, uma outra bifurcação a esquerda (que estava mais fechada), seguiria até uma cachoeira e para o Pico dos 3 estados, mas não fui nela pra conferir.

 

Após o lanche, retomei a pernada e após alguns minutos, a trilha começou a ficar mais íngreme, o que me deixou mais lento. Mais 30 minutos e passo por alguns trechos abertos, onde pude ter as primeiras visões do trecho percorrido e também do enorme paredão do "Deus que me livre" bem a frente, já próximo. A subida aperta mais um pouco e a trilha fica mais erodita, com muito cascalho, o que me obriga a redobrar a atenção....o sol já começa a castigar e percebo que vai ser bem complicado encarar o grande subidona do "Deus que me livre"com o sol a pino....

 

CIMG3644.JPG

As primeiras vistas durante a subida

 

CIMG3808.JPG

Trecho erodito da trilha...subida apertando cada vez mais.... ::mmm:

 

As 11:32 cheguei a um dos pontos do mapa, o acampamento base na cota dos 2.100 metros de altitude, onde resolvo parar para descançar um pouco. Ponto esse que segundo infos, seria a metade do caminho. Haviam 2 mochileiros descançando qdo cheguei lá, na qual trocamos algumas ideias e aproveitei para perguntar das condições da trilha a frente. Eles tinham subido no dia anterior, estavam descendo e me disseram que na minha frente havia um grupo grande de pelo menos 10 pessoas.

 

Qto a trilha, e me disseram que o pior trecho estava logo a frente, mas tirando a pirambeira dos infernos, achei tranquilo até até o topo do pico da ASA por conta da trilha estar bem demarcada em todo o trecho. Só a partir do topo da ASA que complica um pouco, pois a trilha dá lugar a enormes costões rochosos e como é de praxe em campos de altitude a navegação passaria a ser pelos totens.

 

CIMG3806.JPG

Acampamento base.

 

CIMG3648.JPG

Clareira próxima ao acampamento base, ambas próximas do 4º ponto de agua.

 

Próximo dali, há um ponto d´agua, o 4º e último até o topo. Para economizar no peso, deixe para abastecer toda a água que precisar a partir desse ponto. Leve pelo menos 2 a 3 litros de água, principalmente se for daqueles que costuma consumir muito líquido. Mas não extrapole no peso, senão terá uma dificuldade ainda maior para vencer os 2 trechos de subida extremos a frente. Não se preocupe qto a isso, pois embora seja o último ponto de água da subida, próximo a base da Pedra da Mina, há água no vale do Ruah, a cerca de 20 minutos de caminhada de um dos acampamentos na base. O Vale fica do sentido leste e é possível avistar o pequeno rio no meio dele.

 

Me despedi dos 2 mochileiros e após caminhar pelos últimos minutos pelo frescor da mata fechada, passo por mais um descampado a direita onde cabe umas 2 ou 3 barracas, mas tem o problema de ser exposto ao ventos. Se for acampar, fique na base no meio da mata fechada, que é protegida e livre dos ventos.

Após passar pelo descampado, alcanço o 4º e último ponto de água a esquerda, depois a trilha vira a direita e adentra de vez no meio de enormes tufos de capim elefante.

 

Embora a trilha continue bem marcada, muita atenção aqui, pois ela se bifurca em algumas ramificações menores que podem enganar. Siga sempre pela mais batida. Uma boa referência é um trecho ruim que está bem enlameado e com várias pedras em cima (provavelmente colocadas por outros para facilitar a passagem pelo lamaçal). Nesse ponto, já é possivel ver o que me espera logo a frente: a enorme subida pirambeira do "Deus que me livre".

 

CIMG3652.JPG

Trecho de capim elefante

 

CIMG3650.JPG

Subidona pirambeira do "Deus que me livre" logo a frente

 

Ao olhar para cima, vi o grupo mencionado pelos 2 mochileiros terminando a subida, já no topo, o que me deu um certo desânimo na hora.... As 12:00h comecei a subida e senti que agora sim, o bicho iria pegar de verdade. A mesma é puxada e muito íngreme, o que me fez parar várias vezes para recuperar o fôlego e descançar. O sol castiga e durante a subida pela trilha quase não há sombras, o que aumentou ainda mais o desgaste. Nesse ponto, se sobe pelo menos 400 metros de uma só vez numa subidona que parece interminável.

 

Durante a escalaminhada, olhava para cima e não via o final dela. Não é a toa que é conhecida como "Deus que me livre". É pernas para que te quero! ::mmm:

 

CIMG3656.JPG

Vista que lembra a subida do Castelo do Açu na Serra dos Orgãos. Em destaque, Pico dos 3 Estados a direita

 

A trilha seguia bem aberta e o auxílio das mãos para impulso nos troncos, rochas entre outros nunca foram tão exigidos qto antes. Estava ganhando altitude rapidamente e meu consolo é que embora o sol estivesse castigando, pelo menos a medida que ia subindo, mais fresco ia ficando o ar, principalmente nas poucos trechos de sombra que ia encontrando pelo caminho.

 

CIMG3653.JPG

Iniciando o subidão pirambeiro do "Deus que me livre"

 

1 hora e 10 minutos desde o descampado lá embaixo, chego no primeiro topo dela, onde havia uma clareira e nela aproveitei para descançar e relaxar os músculos das pernas. Mas ao olhar para frente, vejo que era só um colo serrano, não o topo propriamente dito, pois ainda havia mais um paredão a ser vencido. Pelo menos desse ponto, já era possível avistar o topo.

 

CIMG3658.JPG

Vista da fazenda e das plantações da fazenda serra fina, onde começa a trilha

 

CIMG3657.JPG

A clareira vista do topo do Deus que me livre (foto com zoom)

 

CIMG3662.JPG

Pequena clareira no primeiro colo serrano, onde da para descançar

 

CIMG3659.JPG

Trecho de trepa-pedra

 

Mais 20 minutos de escalaminhada árdua e finalmente as 13:30, alcanço o topo do "Deus que me livre" já na cota dos 2.400 metros de altitude. E Logo encontrei uma pequena clareira para um merecido descanço. Do alto, pude me presentear com a visão de todo o trecho percorrido, com a fazenda e as plantações lá embaixo, a clareira onde fica o último ponto d´agua, a estradinha de terra, a pequena cidade de Passa quatro e o trecho que ainda iria percorrer. Nesse ponto, o grupo que havia visto lá embaixão estava no topo do terceiro cocuruto de altura semelhante a que eu estava, já descendo para um vale.

 

A trilha vira a direita e passa a seguir pela crista dos 2 topos, com 2 pequenos trechos de subidas e descidas.

 

CIMG3667.JPG

Do topo do "Deus que me livre", a trilha segue pela crista dos cocurutos logo a frente

 

CIMG3668.JPG

A vista dava uma boa animada e um fôlego extra....

 

CIMG3672.JPG

Subidão da misericórdia logo a frente.... ::essa::

 

Dos cocurutos, passei por algumas clareiras protegidas e outras expostas que podem ser usadas em caso de emergência, mas não há água próxima. Logo a frente se avistava a 2º grande subida, que segundo infos, seria a subidão da "misericórdia" até o topo do pico da ASA. Só de olhar cansava até a vista. Após passar pela crista do 3º morro, ainda iria descer até um pequeno vale na base do Pico da ASA, para então começar a subir. Nesse vale, há várias clareiras planas, protegidas do sol e do vento, mas assim como as pequenas clareiras do topo dos morrinhos, não há água próxima.

 

CIMG3666.JPG

Caminhada pela crista

 

CIMG3802.JPG

Ponto de acampamento no vale entre os cocurutos e o pico da ASA, na base.

 

Após descer o trecho do pequeno vale, na base do pico da ASA, aproveitei a sombra e o frescor da mata ali para descançar e preparar os músculos para a subida da misericórdia. Misericórdia que faz juz ao nome, pois após vencer a árdua subida do "Deus que me livre", vc passa por ali já bem cansado, e ver que ainda tem um novo subidão pirambeiro logo a frente não é brinquedo não. Esses 2 trechos faz a temivel subida do ISABELOCA da Travessia Petro-Terê parecer uma subidinha de morro qualquer. Paguei todas as minhas promessas ali, literalmente!

 

CIMG3673.JPG

O Grupo que iria alcançar durante a subidona....

 

Durante a subida, alcanço o grupo com cerca de 10 pessoas que havia visto lá embaixão, qdo ia iniciar o trecho do "Deus que me livre". Como eles estavam mais lentos e a trilha era um pouco estreita, acabei tendo que ir no ritmo deles até chegar no topo, pois não consegui ultrapassar todos afim de continuar em frente. E eles estavam parando mais vezes do que eu. Então aproveitei para trocar idéia com alguns deles e fiquei sabendo que era de uma turma vindo por agencia de ecoturismo, sendo que estavam acompanhados de 2 guias. Alguns ficaram surpresos qdo eu disse que estava subindo sozinho, rs

 

CIMG3682.JPG

Topo do Pico da ASA e fim do subidão da misericórdia

 

Enfim, após muita escalaminhada, trepa-pedra e até tendo que subir de costas em alguns trechos, finalmente depois de quase 3 horas (desde o último ponto d´agua), termino as 2 terríveis subidas e chego ao topo do Pico da ASA, na cota dos 2.600 metros de altitude, onde pude ter a primeira visão da imponente Pedra da mina bem a minha frente. Pausa para cliques e apreciação dos vários picos da cadeia montanhosa da serra fina, é claro. Do topo, a trilha vira a esquerda e passa a descer pela crista do pico da ASA até chegar em um vale, onde passo por lages de pedras. Nisso começam a aparecer vários totens que sugeriam que o caminho a seguir era em frente, sentido Leste.

 

CIMG3675.JPG

Ao fundão, Marins e Itaguaré. Um pouco abaixo, Pico do Capim Amarelo

 

CIMG3677.JPG

Pico do Tartarugão

 

CIMG3684.JPG

Os cocorutos por onde a trilha passa

 

A Paisagem a partir daqui já é exclusivamente de campos de altitude. Estando próximo, resolvo fazer uma parada mais longa para relaxar os músculos e apreciar a paisagem, já que havia vencido um desnível muito grande em pouco tempo, o que deu certo e pude prosseguir direto até as areas de camping na base da Pedra da mina..

 

CIMG3694.JPG

Seguindo os totens pela crista

 

CIMG3681.JPG

enfim, a imponente Pedra da Mina logo a frente ::otemo::

 

Do topo do pico da ASA até a 1º grande area de acampamento, dá em torno de 20 minutos, seguindo os totens pelo alto das cristas a sua esquerda. Alguns trechos de trilha eram vistas entre os tufos de capim elefante nos pequenos vales, e nos trechos de rochas, me guiei pelos totens. Algumas bifurcações a direita surgem, mas o sentido correto a seguir é pela trilha a esquerda, que sobe um pequeno colo serrano e vai seguindo pela crista dos morrinhos a esquerda.

 

CIMG3683.JPG

Descendo o Pico da ASA

 

Tive alguns perdidos nesse trecho por ser minha 1ºvez ali, mas fui seguindo os totens e logo encontrei o caminho. Minha maior surpresa foi saber que os guias que estavam levando o grupo não sabiam o caminho ou então estavam testando o grupo, depois fiquei sabendo que estavam dando é um curso de montanhismo aos seus integrantes....será?

 

De qualquer forma, já havia passado na frente deles, então apertei o passo afim de chegar nas areas de acampamento antes e ter tempo de escolher o melhor lugar, para não ficar com o pior ou ter que procurar outras clareiras.

 

Cheguei a uma grande area de acampamento na base da Pedra as 15:45h, seguido do grupo que chegou minutos depois. Qdo cheguei, não havia ninguém ali e logo encontrei um local bem protegido, onde armei a barraca. Mas qdo eles chegaram, vi que iria me arrepender de ter montado minha barraca ali. Estava cansado da exaustiva subida, com sede e só pensava em preparar um bom almoço e ficar de boa ali, já que ainda havia mais de 2 horas de claridade ainda. Montada a barraca, preparei meu almoço, bebi quase 1 litro de gatorade e após forrar o estomago, entrei na barraca e fiquei relaxando.

 

CIMG3690.JPG

enfim, após 6 horas de caminhada, na area de acampamento, na base-1 da Pedra da Mina.

 

CIMG3685.JPG

 

O grupo que chegou logo depois tb já haviam montado suas barracas e seus integrantes estavam reunidos com o guia. A area de camping onde eu estava, cabe pelo menos umas 7 a 8 barracas de pequeno/médio porte com folga. Ou 5 a 6 das grandes.

 

Livro%2520do%2520Cume.JPG

Livro do cume

 

Um%2520dos%2520acampamentos%2520na%2520base%252C%2520visto%2520do%2520alto%2520da%2520pedra%2520da%2520mina.JPG

Area de camping na base-1, vista do topo

 

A leste das clareiras, se avista o belíssimo vale do Ruah e o rio verde no meio dele. Caso esteja com pouca água, ali é um dos pontos de água da travessia, mas precisa descer até o vale para alcançar o rio, coisa de uns 20 a 30 minutos de caminhada em média, bastando seguir os totens e vestígios de trilha.

 

Após o breve cochilo e mais descançado, com menos de 1 hora de claridade ainda, subi ao topo para ver o por-do-sol e deixar minha contribuição no livro do cume. A visão do alto dos 2.797 metros de altitude da Pedra da mina é de arrancar o folego de qualquer um. De um lado, se avista os picos das Agulhas negras e prateleiras a leste, do outro, os picos do Marins, Marinzinho e Itaguaré, várias cidades do vale do paraíba, e as cidades do sul de MG, como Itamonte, Passa Quatro e outras.

 

CIMG3699.JPG

Subindo para o topo, seguindo os totens

 

Vale%2520do%2520Ruah%2520-%2520O%2520vale%2520mais%2520alto%2520do%2520Brasil.JPG

O Belíssimo vale do Ruah, o vale mais alto do Brasil

 

Mega%2520totem.JPG

Mega totem no topo da Pedra da mina. Simboliza o fim do 2º dia de caminhada para quem chega ali vindo da travessia da Serra fina. Dá para ver esse totem de longe

 

Trecho%2520da%2520Travessia%2520da%2520Serra%2520fina%2520pelo%2520vale%2520do%2520Ruah.JPG

A travessia da Serra fina continua por ali, virando a esquerda, seguindo o Rio verde.

 

Durante a subida ao cume, que não leva nem 20 minutos, passa-se por uma outra "base" em um valezinho, em formado de cratera, onde existem outros descampados para 2 ou 3 barracas pequenas. No cume, só havia uma barraca de um casal de Itamonte que haviam chegado as 11 da manhã no topo. Curiosamente, os 2 rapazes que encontrei no acampamento base, haviam encontrado com esse casal de madrugada, e me disseram que eles começaram a subir as 4 da manhã.

 

CIMG3707.JPG

Ao fundo, (no centro) Pico das agulhas negras e Prateleiras a direita

 

CIMG3717.JPG

Por-do-sol no cume

 

Após contemplar o astro-rei repousando no horizonte, deixei meu nome no livro do cume e fiquei conversando com o casal até que escureceu completamente e pude ver todas as cidades iluminadas lá no topo. O inicio da noite foi tranquila, sem ventos, só com um leve sereno, raridade em se tratanto de picos. Eles eram os unicos acampados no topo. Na "cratera" havia outras 2 barracas e o grupo maior ficou justamente onde eu estava, infelizmente.

 

CIMG3713.JPG

Topo da Pedra da Mina

 

CIMG3708.JPG

 

CIMG3767.JPG

Vista que vale qualquer esforço

 

CIMG3726.JPG

Belíssima vista das cidades iluminadas a noite lá do topo

 

As 20:00h, retornei para a barraca e como já havia jantado a tarde, belisquei uns doces com suco e fiquei fazendo mais um pouco de hora. O termômetro marcava em torno de 04ºC, a noite foi tranquila e sem vento algum.

Porém, só fui consegui dormir mesmo depois das 22:00hs, qdo a galera do grupo com os guias finalmente fecharam a matraca...rsrs ::quilpish::

 

Termometro%2520marcando%2520-01%25C2%25BAC.JPG

A noite fez muito frio.

 

As 5:30, acordei com o dia começando a clarear, e subi novamente ao cume para ver o sol nascer por trás das prateleiras do Parque nacional do Itatiaia.

Dei uma volta no entorno, fiquei observando o trajeto inicial de quem vem da travessia pela Toca do Lobo e o belíssimo vale do Ruah. 1 hora depois desci e fiquei fazendo um pouco de hora na barraca, antes de iniciar a descida de volta.

 

CIMG3737.JPG

Nascer do sol

 

CIMG3788.JPG

A cratera na base-2 da Pedra da Mina

 

As 9h50, barraca desmontada e mochila pronta, iniciei a descida de volta para a fazenda serra fina, onde cheguei por volta das 13:30. Mesmo descendo, tive que redobrar a atenção nos trechos da misericórdia e deus que me livre, fui descendo e tendo que me segurar em galhos, troncos,rochas e toda vegetação disponivel várias vezes para não escorregar ou cair durante a descida....Nesse ponto, quem tem problema de joelho sofre um bocado, o que não é meu caso, felizmente. Mesmo assim, é bom fazer uns alongamentos para joelho e coxas, afim de mante-los relaxados durante o enorme esforço que será exigido deles na descida.

 

CIMG3794.JPG

Trecho de caminhada pela crista

 

CIMG3766.JPG

Trecho da travessia para quem vem da Toca do Lobo e Pico do Capim amarelo

 

Já na fazenda, após ajeitar tudo no bagageiro da motoca, inicio a viagem de volta a SP, onde chego por volta das 19h30.

 

-------------------------

 

Como chegar a Pedra da Mina:

 

Para quem vem de SP ou RJ, pegue a saida 34 na rodovia Dutra para Cruzeiro e siga reto em direção a Passa Quatro / Itanhandu. Após a subida da serra, passar por uma placa de divisa de estados e um posto BR a esquerda, siga até passa quatro e entre na estrada do IBAMA a direita, cujo acesso fica em um trevo asfaltado. Siga por 1,5km e prestando atenção em uma estrada de terra onde há uma placa indicando: Paiolinho 12 km - Serra fina (pedra da mina). Entre nela e siga em frente até chegar ao bairro do Paiolinho.

 

Lá, a estrada passará no meio de algumas casas do bairro e ao chegar ao fim, ela se dividirá em 2. Pegue a da direita e siga-a até o fim por mais 2,5km. Não tem erro. Vai cair na fazenda serra fina e o inicio da trilha é logo do lado de uma placa verde com algumas recomendações básicas,e um mapa dos locais de acampamentos, picos, pontos d´agua e outros. Na duvida, é só perguntar para moradores locais.

 

É isso. ::otemo::

  • Gostei! 1

Compartilhar este post


Link para o post
Compartilhar em outros sites

Eu fiz essa trilha em maio deste ano e apesar do sofrimento, que é um sofrimento essa subido, estou doido para voltar.

Essa trilha é muito linda!!!!

Parabéns.

Compartilhar este post


Link para o post
Compartilhar em outros sites

Bom dia Renato tudo bem?

 

Meu nome é Zaney Mattos ( instagram Zaney Mattos ) sou de SP também ( Osasco ) e vi que é bem experiente no assunto trekking.

To precisando de umas dicas, tenho interesses em varios locais que vc já visitou, como faço pra ter contato direto contigo?

 

Meu e-mail é [email protected] ou se quiser whatsapp 1194890-8007.

 

Aguardo um retorno teu.

 

Abraços

 

Zaney

Compartilhar este post


Link para o post
Compartilhar em outros sites

Da hora hein brother, vc acha muito facil se perder por lá, to querendo subir sozinho também, abraço

 

Olá Peter, dá para subir sozinho numa boa, pois a trilha é bem demarcada, sem problemas de navegação. Tendo experiência em trilhas e navegação por totens, não tem erro.

 

Boa pernada!

Compartilhar este post


Link para o post
Compartilhar em outros sites

E aí, parabéns pelo rico relato, fiz a travessia solo pela Toca do Lobo até sítio do Pierre em agosto e é uma viagem que vale a mesmo a pena repetir mas realmente o ideal é ir em grupo de 3 a no máximo 5 pessoas.

Compartilhar este post


Link para o post
Compartilhar em outros sites

Participe da conversa!

Você pode ajudar esse viajante agora e se cadastrar depois. Se você tem uma conta,clique aqui para fazer o login.

Visitante
Responder

×   Você colou conteúdo com formatação.   Remover formatação

  Apenas 75 emoticons no total são permitidos.

×   Seu link foi automaticamente incorporado.   Mostrar como link

×   Seu conteúdo anterior foi restaurado.   Limpar o editor

×   Não é possível colar imagens diretamente. Carregar ou inserir imagens do URL.


  • Conteúdo Similar

    • Por casal100
      Em julho de 2.019, realizamos bate/volta nos 3 Picos mais importantes da Serra Fina (Mina, Capim Amarelo, 3 estados)
      A NOVELA: PEDRA DA MINA
      Para muitos o bate/volta na Pedra da Mina é um dos trekkings mais difíceis de se fazer em um dia, devido a quantidade de subidas e descidas fortes,  tem dois lugares complicado, até pelos nomes já dá para preocupar: o "Deus me livre" e o "Misericórdia". Sem contar os relatos de pessoas que se perderam e tiveram que ser resgatados pelo corpo de bombeiros.Diante disso, esse trekking me consumiu muito tempo e estudo (coisa que geralmente não faço). Apesar de se preparar adequadamente,  ainda assim, se perdemos justamente no início da trilha. Faz parte da aventura.
      Farei um relato diferente,  é muito difícil pessoal que se perdeu em determinado lugar, explicar o que aconteceu depois. Vou procurar descrever o máximo possível para outras pessoas não errem o início da trilha para o Pico da Mina. Apesar de ser bate/volta no mesmo dia,  tivemos que levar muita roupa de frio (na semana no pn itatiaia pegamos -4°), muita água  (3 litros cada) e comida para 2 dias (se perdemos na trilha teríamos mantimentos até o resgate), nossas mochilas ficaram com +-10 kgs.
       
      CAPÍTULO 1:  PEDRA DA MINA - Conhecendo o caminho até a fazenda Serra Fina,  início da trilha.

      16° dia - 13.07.2019 - Sábado

      1° dia - Saída de Santana do Capivari-Mg de carro, ida até a cidade de Passa Quatro comprar lanternas (1 se cabeça a $9,90 e 1 de mão  $12), luva de moto $10, pilhas, comida para  subida da Pedra da Mina. Fomos até o Paiolinho/fazenda Serra Fina  conhecer o caminho e ver se tinha onde ficar, descobrimos a casa do Zé, dono dum restaurante antes do paiolinho..

      Para não se perder durante a madrugada de carro, na subida entre Passa Quatro e a fazenda Serra Fina(na nossa previsão iríamos dormir em PASSA QUATRO, acordaríamos as 02:30 da manhã e subiríamos até o início da trilha de carro).
      Tiramos o sábado para ir de carro até lá para gravar bem esse roteiro,  quando se faz bate/volta longo e difícil, como a PEDRA DA MINA,  tem que começar bem cedo, pois pode acontecer de se perder(FOI O QUE ACONTECEU).

      Saímos do centro de Passa Quatro-Mg e chegamos no trevo da rodovia asfaltada, atravessamos e pegamos estrada que começa neste local, não pega a Br(tem um restaurante do lado esquerdo da estrada asfaltada que vai para a fazenda Serra Fina, essa estrada começa  do lado direito desse restaurante). Dirigimos +- 1 km, asfalto com muitos buracos, chegamos numa bifurcação  (tem uma placa informando que são 12 kms até o Paiolinho) viramos à esquerda e pegamos estrada de terra em boas condições, mas subida forte, depois de uns 6 kms pegamos um pequeno trecho com pedras médias(devagar, passa tranquilo), após uns 100 metros chegamos numa bifurcação  (do lado esquerdo tem uma casa amarela com piscina) seguimos reto - 1125msmm
      OBS.: Já fizemos esse trecho à pé várias vezes, no caminho dos anjos(2 vezes), na Estrada Real  (4 vezes) e no CRER (1 vez), até essa bifurcação não teríamos problema na madrugada.

      Logo depois da bifurcação tem um pequeno trecho com muitas pedras. Continuamos sempre subindo, alguns trechos com algumas pedras(tem algumas entradas de fazenda) e quebra mola. Após um tempo chegamos numa bifurcação(tem uma casinha branca em cima dum morrinho à esquerda),  SEGUE À ESQUERDA  (tem uma plaquinha branca no início desse trecho) - 1185msnm.
      Começa trecho de descida e logo à frente subidas fortes,  chegamos num entrocamento(tem um grupo escolar do lado esquerdo) continuamos reto, logo a seguir chegamos numa bifurcação que tem uma árvore bem alta, seguimos reto (NÃO vire à esquerda) (depois de umas casas - bairro PAIOLINHO) - 13 Kms desde Passa Quatro-MG - 1305msnm .
      A subida ficou mais forte,  tem um quebra mola (CUIDADO) tem duas entradas à esquerda,  CONTINUE RETO, chegamos numa virada e logo a seguir uma PONTE COM VÃO NO CENTRO (CUIDADO), depois de poucos metros chegamos na fazenda Serra Fina (muitos carros estacionados).
      Dona Maria, de Segunda-feira a sexta fica o dia todo.
      No sábado ela fica até meio dia, sai e fica no Paiolinho +- 3km(casa branca com um pé de maracujá,  em frente a escola) até domingo no final da noite. Estacionamento  $20. Se por acaso chegar na fazenda e não tiver ninguém,  deixe o carro no estacionamento e na volta paga para dona Maria,  sem problema ok
      Esporadicamente pode armar barraca no estacionamento da fazenda Serra Fina (não cobra,  mas não tem banho nem refeição).
      Obs.: acredito que se tiver chovido nos dias anteriores, dificilmente carro sem tração nas 4 rodas conseguem subir até lá.

      No restaurante do Zé, +-4kms antes da fazenda Serra Fina:
      Tem camping: $20 por pessoa por dia

       (refeição +-$25 por pessoa, frango caipira $60 só o frango inteiro) porções à parte).
      Arroz  $9
      Feijão  $9
      Salada $8 (alface tomate cebola)
      Linguiça  $15
      Boi $10
      Truta $30 porção
      Porções servem 4 pessoas.

      Tem hospedagem(na casa do Zé e da mãe) a uns 500 metros antes do restaurante:
      Casa pequena: $80 casal
      Casa grande: $80 casal
      Por pessoa: $40 por dia
      Só o banho: $10 cada
      Cozinha completa sem microondas tem fogão à lenha.
      Zé: 35 99934-6593 sem whattsap
      O sinal da operadora vivo não é constante na casa do Zé.
      Do restaurante a fazenda Serra Fina são aproximadamente 4 kms
      Se for chegar à noite tem que pedir para deixar refeição pronta para quem ficar hospedado na casa(eles deixam a comida pronta e você esquenta quando chegar, tem fogão à gás na casa que alugam).
      Negociamos com o Zé e pernoitamos na casa dele, e já deixamos encomendada a comida para o outro dia, pois chegaríamos tarde na volta do pico da Mina. Preço: $80 o casal sem caféda manhã. Jantar $25 por pessoa.
    • Por Ronaldo Paixão
      Caminho da Fé – Pedra do Baú – Travessia da Serra Fina – Agulhas Negras e Prateleiras (PNI).
      Estou escrevendo este relato um ano depois que fiz esse passeio. Talvez eu esqueça alguma coisa.
      Eu estava precisando me desligar da vida que eu vinha levando. Estava precisando fazer o que eu mais gostava, caminhar bastante, travessias em trilhas, subir montanhas, me isolar do mundo “civilizado”.
      Tinha decidido que eu iria “largar tudo” e sair, sem saber até onde eu iria ou quando voltaria. Tinha uma grana guardada (cinco mil) e deveria ser suficiente para eu viver por pelo menos uns 3 meses.
      Falei com meu irmão que ele teria que se virar sozinho em nosso comércio. Falei com minha família que eu estava indo por não sei quanto tempo, mas que eu voltaria qualquer dia.
      Trabalhei até 31 de agosto, quase meia-noite. No dia 01 de setembro fui para um apartamento onde fiquei por 4 dias planejando lugares que queria conhecer, vendo preço de ônibus, tracklogs, etc. Na manhã de 4 de setembro parti para São Paulo e naquela noite para águas da Prata, onde minha jornada começaria.
      Como eu iria para vários lugares, diferentes um do outro, tive que levar muita coisa na mochila. Coisas que usaria em algum passeio, mas que seriam dispensáveis  em outro. Ainda assim tentei levar o mínimo possível.
      Ítens que levei:
      -    Mochila Osprey Kestrel 48 litros com Camel Back de 2 litros
      -    Dois cantis de 900 ml. Um com caneca de alumínio.
      -    Rede Amazon e tarp Amazon da Guepardo.
      -    Saco de dormir Deuter 0º
      -    4 camisas dry fit
      -    2 blusas finas de fleece.
      -    2 calças quechua de secagem rápida
      -    6 cuecas
      -    3 pares de meia
      -    1 boné
      -    1 touca
      -    1 par de luvas (daquelas de pedreiro)
      -    1 par de sandálias Quechua
      -    1 par de botas La Sportiva
      -    Kit Fogareiro + panela pequena
      -    2 isqueiros
      -    1 canivete
      -    1 colher plástica
      -    1 botija de gás Nautika pequena
      -    GPS
      -    Celular (para fotografias)
      -    Caderneta e caneta
      -    1 Anorak
      -    Corda e cordelete
      -    Bolsa de nylon (para transportar a mochila no ônibus)
       
      Caminho da Fé. Águas da Prata até Aparecida.
      Caminho da Fé – 1º dia. 30Km
      05-09-2018
      Águas da Prata (SP) até Andradas (MG).
      Início 05:15 horas e chegada 12:55 horas
      Almoço : Pavilhão hamburgueria
      Jantar: bolachas e sanduba no hotel.
      Pernoite: Palace Hotel.
      Seguindo o conselho de um cara que desceu comigo e iria fazer o caminho de bike eu iniciei cedo para evitar o sol. Só que por esse motivo fui sem comida. Só comi uns pedacinhos de rapadura que ele me deu e uma banana que ganhei de um ciclista.
      Pelo longo tempo inativo, eu senti um pouco o peso dos 17Kg que estava levando na mochila.
      Caminho da Fé – 2º dia. 36 Km
       06-09-2018.
      Andradas (MG) até Crisólia (MG).
      Partida às 08:00 horas e chegada às 17:40 horas.
      Almoço: salgadinho no Bar Constantino, comunidade da Barra.
      Jantar: miojo num banco ao lado da rede.
      Pernoite: rede 
      Subidas cavernosas. Serra dos Lima, Barra, Taguá e Crisólia. 
      Cheguei tarde, fui numa pousada carimbar a credencial e depois procurei duas árvores para esticar a rede, fazer o rango e dormir. Nesse dia não teve banho.
      Caminho da Fé – 3º dia. 38 Km
      07-09-2018
      Crisólia (MG) até Borda da Mata(MG). 
      Partida às 07:30 e chegada às 18:00 horas.
      Almoço: pastel no Bar do Maurão em Inconfidentes
      Jantar: x-salada em lanchonete perto do hotel.
      Pernoite: Hotel Virgínia.
      Feriado da Independência. Fui acordado às 6 da manhã com queima de fogos e hinos. Passagem por Ouro Fino e Inconfidentes. Desfile cívico em todas as cidades.
      No hotel em borda da mata conheci um casal de cicloturistas que estava com um carro de apoio. Consegui que levassem um pouco das minhas coisas até Estiva. Foram 6 Kg a menos para carregar.
       
      Caminho da Fé – 4º dia. 17,5 Km.
      08-09-2018.
      Borda da Mata(MG) até Tocos do Mogi (MG).
      Início às 08:00 horas e chegada às 12:40 horas.
      Almoço: um pouco de morangos colhidos no caminho.
      Jantar: Lanche na festa da padroeira.
      Pernoite: Pousada do Zé Dito. (muito boa e barata)
      Dia mais curto. A pousada ficava no calçadão principal, onde estava acontecendo a festa da padroeira. Estava difícil dormir. O jeito foi sair para a festa e tomar umas, apesar do frio que fazia de noite.
        
      Caminho da Fé – 5º dia. 21,5 Km
      09-09-2018
      Tocos do Mogi (MG) até Estiva (MG).
      Início às 09:00 horas e chegada às 14:20 horas.
      Almoço: moranguinhos (quase 1 Kg) e queijo fresco com caldo de cana.
      Jantar: Restaurante perto da pousada.
      Pernoite: Pousada Poka.
      Trecho muito bonito. Muitas plantações de morango. Muitos pássaros.
      Na pousada eu recuperei minhas coisas que haviam sido deixadas ali e já consegui ajeitar um novo transporte delas até Potim, já pertinho de Aparecida.
      Caminho da Fé – 6º dia. 20 Km
      10-09-2018
      Estiva (MG) até Consolação (MG).
      Partida às 07:30 e chegada às 12:45 horas.
      Almoço, jantar e pernoite: Pousada Casarão
      Destaques deste dia. Cervejinha gelada num bar onde um piá gordinho queria tirar uma selfie comigo. E também queria meu bastão de selfie de qualquer jeito.
      Também destaque para o canto da seriema, triste e ao mesmo tempo bonito, que se fez presente muitas vezes. Também tem a subida da serra do Caçador, cavernosa.
      Além disso, nesse trajeto é comum vermos carros de boi e também “canteiros”onde os agricultores esparramam o polvilho para secar.


      Caminho da Fé -  7ºdia. 22,5 Km
      11-09-2018.
      Consolação (MG) até Paraisópolis (MG).
      Início às 07:00 e chegada às 12:30 horas.
      Almoço: Restaurante Sabor de Minas. Muito bom e barato. Comi pra danar.
      Janta: coxinha na praça.
      Pernoite: Hotel Central
      Foi um dia especialmente marcado pela presença dos pássaros ao longo do caminho, canários, sabiás, pássaros pretos, coleirinhas, gralhas, joões-de-barro, tucanos, maritacas. E aves maiores, como gaviões, seriemas e garças brancas.
      Também vale destacar a grande quantidade de flores, principalmente nos portões das casas dos sítios.
      Caminho da Fé – 8º dia. 28,5 Km.
      12-09-2018
      Paraisópolis (MG) até A pousada da Dona Inês, que fica 4 Km depois do distrito de Luminosa, município de  Brazópolis.
      Início às 07:55 e chegada às 15:15 horas.
      Almoço: Salgadinho e coca numa mercearia em Brazópolis.
      Jantar e Pernoite: Pousada da Dona Inês.
      Foi o dia mais quente desde o início do caminho. Era meu aniversário de 52 anos e ficou marcado porque depois do jantar na Pousada, uma amiga de caminho, a Fabiana, puxou um parabéns a você, junto com as outras cerca de 20 pessoas que estavam ali. Fiquei bem emocionado.
       
      Caminho da Fé – 9º dia. 33 Km
      13-09-2018
      Pousada Dona Inês (Luminosa-MG) até Campos do Jordão (SP).
      Início às 05:45 e chegada às 18:45 horas.
      Almoço: Restaurante Araucária. Fica perto da placa que indica a entrada para a pousada da Dona Rose e da madeireira Marmelo. Comida muito boa.
      Jantar: Caldo de Mandioca com carne. NIX Caldos e lanches.
      Pernoite: Refúgio dos Peregrinos
      Na verdade, a quilometragem total desse dia foi de 51 Km porque no meio do caminho decidi que iria subir a Pedra do Baú. Isso me custou várias horas e me fez chegar em Campos do Jordão já de noite. Mas valeu muito a pena.
      O dia amanheceu lindo. Logo de cara a temida subida da Luminosa, mas que não é nada de tão difícil.
      Depois é asfalto até o fim do dia.
      A pousada Refúgio dos Peregrinos é bem diferente. Tem uma tabela de preços na parede. Você anota o que consumiu, faz as contas, paga e faz o troco. Tudo na base da confiança.

      Caminho da Fé - 10º dia. 52 Km
      14-09-2018
      Campos do Jordão(SP) até Pindamonhangaba(SP).
      Início às 06:00 horas e chegada às 17:45 horas.
      Almoço: Sanduíche em Piracuama.
      Jantar e pernoite: Pousada Chácara Dois Leões.
      Nesse dia todos os que estavam no refúgio dos peregrinos foram por Guaratinguetá, menos eu que fui por Pindamonhangaba. Descida pela linha do trem até próximo a Piracuama, com uma garoa fininha que de vez em quando virava um chuvisco.
      De tarde foi só asfalto e chuva. Cheguei na pousada já escurecendo. Foi o dia mais cansativo, pela quilometragem, pela chuva e principalmente pelo asfalto.

      Caminho da Fé - 11º dia. 24 Km.
      15-09-2018.
      Pindamonhangaba(SP) até Aparecida(SP).
      Início às 09:00 horas e chegada às 15:15 horas.
      Almoço: Pesqueiro Potim. Comida muito boa. Comi feito um louco. Aqui eu recuperei o restante de minhas coisas que tinham vindo no carro de apoio de amigos.
      Pernoite: Hotel em Aparecida.
      Esse era o último dia no caminho. Um misto de ansiedade por chegar e de nostalgia antecipada das experiências vividas e das paisagens do caminho.
      A chegada na basílica é emocionante, não importa em que você acredita, ou se acredita em algo.
      Fica a saudade dos lugares. Dos amigos. Dos passarinhos.


      Fiquei em Aparecida até segunda-feira, quando fui ao correio e despachei para casa algumas lembrancinhas que tinha comprado e coisas que tinha levado e que vi que não ia usar. A calça jeans e a camisa de passeio. Umas cordas. Um dos fleeces e a bolsa de transporte.
       
      A Vida e o Caminho da Fé.
      Durante esse derradeiro dia de caminhada me veio à mente uma analogia entre a vida e o  “caminho da fé”.
      O caminho da fé cada um começa de onde quiser, mas todos com o mesmo destino. No caminho o destino é a basílica de Aparecida, na vida a gente sabe o destino.
      No caminho as pessoas vão chegando, amizades vão sendo feitas. Uns mais lentos outros mais apressados. Uns madrugadores outros nem tanto. Uns alegres e comunicativos, outros mais quietos e introspectivos. Muitos de bike, passam pela gente voando, só dá tempo para um “bom dia”. Assim também é a vida e os amigos que vamos fazendo. Uns continuam por perto, outros se distanciam, mas continuam amigos
      No caminho não importa sua classe social, sua cor, opção sexual, grau de instrução ou idade. O destino é o mesmo para todos. Assim também é na vida.
      No caminho a jornada é longa, alguns dias são mais difíceis, parecendo que não vão terminar. Outros passam leves e agradáveis, a gente nem queria que terminassem. Igualzinho a nossa vida
      Temos que superar o cansaço, as bolhas, os pés inchados, joelhos e tornozelos doendo, a mochila pesada que nos deixa com os ombros marcados. Enfrentar as subidas, as descidas, os buracos, as pedras, a fome e a sede em alguns momentos.
      Por mais difíceis que sejam esses obstáculos, eles são superados. Ficam para trás. Igualzinho na vida.
      O caminho também nos oferece muitas coisas boas. Simples, mas inesquecíveis. Os pássaros cantando ao lado da estrada. A beleza e o perfume das flores. Os riachos que nos permitem um banho refrescante depois de uma subida cansativa. As conversas com os amigos. O pôr do sol por trás das montanhas. A janta e a cama quente que nos restabelecem para o dia seguinte. O nascer do sol de um novo dia, nos lembrando que sempre nos é dada uma nova chance de sermos felizes. Assim também acontece na nossa vida.
      Seja no caminho da fé, ou na vida, o destino a gente sabe qual é. O importante é deixar para trás o que para trás ficou. E aproveitar ao máximo a jornada.
       
      Pedra do Baú.
      Eu sempre gosto de planejar meus passeios, travessias. Mas sobre a Pedra do Baú eu não sabia nada. Só de ouvir falar, de ler alguma coisa de relance. Mesmo assim era uma coisa que eu tinha vontade de fazer algum dia, se desse certo.
      Era o dia 13-09-2018, meu nono dia no caminho da Fé. Era de manhã e eu caminhava pela rodovia, junto com um peregrino de nome Donizete, que eu conhecera na pousada da Dona Inez. Passamos por uma placa que indicava a entrada para o Parque Estadual da Pedra do Baú.
      Eu falei para ele: - Donizete, vai em frente que eu vou subir a Pedra do Baú.
      Ele disse: - Cara, isso vai demorar. Você só vai chegar em Campos do Jordão de noite. Isso se der tudo certo.
      Daí eu disse:- Tem que ser hoje. Não sei se vou ter outra chance. Quem sabe eu nunca mais passe por aqui.
      Me despedi dele e entrei na estradinha que levava ao parque. Escondi minha mochila e fui só de ataque, levando água, uma rapadura, uma paçoca, o GPS e o celular para tirar as fotografias.
      Depois de uns 4 Km cheguei onde começavam as trilhas e entrei na que indicava Pedra do Baú, face norte. Passei por uns caras que eram guias e estavam levando equipamentos de escalada. Depois de um tempo cheguei num local que tinha uma escada amarela grande, fixada na parede de pedra. Não pensei duas vezes. Subi aquela escada e depois continuei uma escalaminhada, com misto de escalada em alguns pontos, até que já estava bem alto e não tinha mais para onde subir. Estava pensando até em desistir e voltar embora, quando avistei uns caras no cume de um morro que eu julguei ser o Baú, mas acho que era o Bauzinho.

      Gritei para eles e eles responderam de volta. Perguntei como chegava na Pedra do Baú e eles me disseram para descer de novo e seguir mais em frente.
      Desci e estava chegando ao ponto em que tinha começado a subida quando vi eles vindo. Esperei por eles. Conversamos por um tempo e eles me deram as informações sobre como chegar até onde a subida começava realmente.
      Segui em frente pela trilha e pouco depois eu chegava na base da Pedra do Baú, onde um guia estava terminando os preparativos para iniciar a subida com um casal de clientes. Capacetes, corda, mosquetões, etc.
      Eu estava ali de bermuda, boné e botina.
      Eu vi aquela parede enorme e aquela sequência de grampos na pedra que eu não sabia onde terminaria. Pensei: - vou esperar ele começar a subida e assim pego uma carona. Se o negócio apertar eu peço arrego para ele.
      Foi quando ele virou pra mim e perguntou: - Vai subir?
      Falei que sim e ele disse:- Pode ir na frente então. A gente ainda vai demorar uns minutos.
      Eu pensei:- já era minha carona. 
      Era uma parede de pedra quase vertical e muito exposta, que devia ter mais de 300 metros de altura.
      O jeito foi encher o peito de ar, mirar para cima e começar a subida.
      Subi meio que com medo no começo, mas também com muita confiança Parei algumas vezes no meio para tirar fotos. Passei por mais dois guias com clientes antes de chegar ao cume. Um deles foi bem legal e me deu umas dicas sobre o percurso que faltava.
      Muitos trechos com vento forte e eu pensava: - se eu parar agora eu travo. E ia em frente. Os últimos grampos, quando se está chegando no cume são especialmente complicados, porque você tem que abandonar a “segurança” que os grampos te dão para poder chegar no cume.
      Mas depois de uns 20 minutos de subida, lá estava eu no cume da Pedra do Baú. 
      Foi um momento mágico. Bem mais do que eu esperava. O visual era incrível. Tirei foto de tudo que é jeito. Deitado sobre a beira do abismo, em pé, etc.

      Aqui vou abrir um parênteses. Apesar de estar no caminho da Fé, um caminho católico, onde se passa por muitas igrejas, as únicas vezes na vida que eu senti realmente uma presença muito forte, do que alguns podem chamar de Deus, foi quando estive no cume de alguma montanha ou embaixo de uma cachoeira. Nunca em uma igreja. Deixei de frequentá-las faz muito tempo. 
      Me lembro de ter me encontrado com “Deus”, no cume do Alcobaça (2013), em Petrópolis. Embaixo da cachoeira do Tabuleiro, literalmente, em 2013 (e agora em 2019 de novo). Nos Portais de Hércules, Travessia Petro-Tere, em 2014. No cume do Pico Paraná em 2015 (não encontrei quando retornei em 2017). Na base das Torres  e no Mirante Francês, no Parque Nacional Torres del Paine, em 2016. E agora, na Pedra do Baú.
      É uma sensação difícil de explicar. É como se você se sentisse realmente parte de um todo, de uma coisa muito maior. Se sentisse nada e tudo ao mesmo tempo. Uma paz muito grande torna conta da gente. E em todas essas vezes eu senti a presença do meu pai, já falecido.
      Restava agora a descida, que metia mais medo que a subida. Principalmente os primeiros grampos, onde tinha que se virar de costas para o abismo para alcançar os grampos. A
      Mesmo assim a  descida foi rápida e durou cerca de 15 minutos.
      Cheguei na base e peguei o caminho de volta pela trilha. Pouco tempo depois quase pisei em uma jararaca de cerca de um metro de comprimento. Ela estava junto a uma pedra onde eu iria colocar meu pé. Ela se mexeu e eu a vi. Consegui dar um pulinho e evitei pisar nela. Foi por muito pouco.
      Segui rápido pela trilha e tempo depois eu já estava de volta à rodovia, rumo a Campos do Jordão.
      A Pedra do Baú foi muito gratificante. Mais do que eu esperava. Mais do que eu merecia.
       
       
      Serra Fina.
      Fiquei em Aparecida até na segunda-feira, 17-09-2018 e daí fui para Passa Quatro (MG), onde cheguei já escuro na rodoviária local. Peguei um ônibus circular e fui para o hostel Serra Fina, do Felipe, onde fiquei até na sexta-feira quando comecei a travessia. Choveu na terça, quarta e quinta, mas na sexta a previsão era de tempo limpo que duraria tempo mais que suficiente para a travessia e por isso decidi esperar e aproveitar para descansar e ler. Mesmo assim fui até a toca do lobo, pra passear e conhecer o Ingazeiro gigante. Também fui conhecer o centro da cidade.
      A região estava em alvoroço. Dois rapazes cariocas estavam perdidos em algum ponto da travessia e vários bombeiros, guias e montanhistas estavam à procura deles. Por sorte conseguiram um ponto onde tinha sinal de celular e conseguiram passar a localização e foram resgatados. Se bem que já estavam próximos de uma propriedade rural.
      Passa Quatro é uma cidadezinha linda e é um lugar onde eu moraria tranquilamente.
      O Hostel Serra Fina também é muito bom e o Felipe é um cara nota dez. Eu me senti em casa.
      Todas as travessias que eu faço eu vou sozinho. Não que não goste de pessoas. É que eu gosto de ir no meu rítmo. Gosto de ficar sozinho. Andar sozinho. Pensar na vida, etc. A intenção era fazer essa travessia também de modo solitário.
      Mas na quinta-feira de noite chegou ao hostel uma gaúcha baixinha, menor que eu até, que iria começar a travessia na sexta também, então decidimos começar juntos. A mochila dela era enorme e certamente tinha coisa que não precisava.
       
      Começamos o primeiro dia da travessia, 21-09-2018, uma sexta-feira, mais tarde do que eu queria. Saímos da toca do lobo já era meio-dia.
      Logo no começo da travessia, primeira subida, eu percebi que ela iria me atrasar, mas já que estávamos juntos, seguiríamos juntos. Foi quando ele me disse:- Vai na frente, você anda mais rápido. Eu disse que não, mas ela insistiu. Disse que ficaria bem. Eu então dei um até logo e disse que a reencontraria no Capim Amarelo..A subida é intensa e o ganho de altitude é rápido.
      Talvez pelo “treino” feito no Caminho da Fé eu não senti muito e passei por mais gente no caminho. Primeiro por 3 mineiros (que depois se tornariam grandes amigos) e depois por outros dois caras que pareciam ser militares.
      Cheguei ao cume do Capim Amarelo eram 15:15 horas. Praticamente 3 horas só de subida. Montei minha “barraca”, que era na verdade a minha rede estendida sob a lona que tinha sido disposta como se fosse uma barraca canadense. Fiz um rango e fiquei apreciando a paisagem. Como sabia da falta de água eu decidi que não levaria comida que precisasse de água no preparo, então comi basicamente tapioca de queijo, ou de nutella, ou de salaminho, paçoca, geléia de Mocotó e castanhas, durante toda a travessia.
      Os mineiros chegaram um pouco mais tarde e armaram suas tendas. Os militares chegaram quando já estava começando a escurecer. Eles não traziam barracas, dormiram de bivaque.
      Quando já estava quase escuro chegou um grupo que iria passar direto pelo Capim Amarelo e acampar no Maracanã. Perguntei pela gauchinha e me disseram que ela tinha montado acampamento em algum local no meio do caminho. Depois disso fiquei sabendo que ela desistiu e retornou para Passa Quatro. E que depois reiniciou a travessia na segunda-feira, tendo que ser resgatada de helicóptero no cume dos 3 Estados. E que depois disso voltou mais uma vez, acompanhada de um escoteiro, só que mais uma vez desistiram, abortando a travessia na Pedra da Mina, via Paiolinho.
      Estávamos a 2490 m de altitude e o pôr do sol e a noite foram lindos e gelados. Meu termômetro marcou a mínima de 3,5ºC.

       
      O dia 22-09-2018 era o segundo dia da travessia. A intenção era dormir no cume da Pedra da Mina.
      Depois do café da manhã, junto com os mineiros, desarmei e guardei toda a tralha e deixei o Capim Amarelo para trás às 10:20 horas.
      Logo no começo encontrei uma garrafa de uísque que tinha sido esquecida pelos militares. Voltei até onde os mineiros estavam e depois de bebermos uns goles eu retornei para a trilha, levando a garrafa para devolvê-la assim que encontrasse os rapazes. Não demorou muito para encontrá-los porque eles tinham pegado uma trilha errada logo na saída do Capim Amarelo.
      Depois de muito sobe e desce, mata fechada, bambuzal, escalaminhada, trepa pedra, cheguei na cachoeira vermelha e no ponto de abastecimento de água. Estava cedo e daria para pernoitar no cume. Foi o que fiz e cheguei ao cume eram 16:40 horas.
      Chegando ao cume estendi a minha lona fazendo um teto que ligava uma parede de pedras empilhadas até o chão Estendi ali embaixo o isolante e joguei o saco de dormir por cima. Essa noite não teria o mosquiteiro. Deixei a rede guardada.
      Comi meu jantar, assinei o livro de cume e fui apreciar o fim da tarde, o pôr do sol e as estrelas aparecendo. A noite estava bem fria.
      Os 3 mineiros chegaram quando a noite já tinha caído. Ajudei eles a montarem as barracas e depois ficamos conversando até altas horas. Os militares chegaram ainda mais tarde e no dia seguinte abandonariam a travessia, descendo pelo Paioloinho.
      Essa noite teve como temperatura mínima 3,7º C, mas a sensação foi de que era uma noite muito mais fria que a anterior. Talvez pela exposição ao vento, o que não tinha acontecido pela proteção que o capim elefante fornecera na noite anterior.
      A noite foi linda, repleta de estrelas e prometia um amanhecer incrível, fato que aconteceu. O único porém foi a grande quantidade de pessoas que estavam na Mina, quase todos fazendo bate-volta, o que trouxe muito barulho até algumas horas da noite. Apesar disso dormi muito bem e acordei bem disposto. A água até aqui não tinha sido problema.

      O dia 23-09-2018 era o terceiro dia da travessia e amanheceu espetacular, apesar de muito frio. Acordei antes do sol nascer e escolhi um bom lugar para apreciar o espetáculo. Depois disso o café da manhã (sem café) e desmontar acampamento. A surpresa foi quando levantei o saco de dormir e vi que uma aranha bem grande tinha vindo se aquecer embaixo dele. Peguei a bichinha com cuidado e a levei para perto de uma moitinha de capim.
      A travessia começou mesmo já eram 10:50 horas da manhã e daí para frente decidi caminhar junto com os 3 mineiros, afinal a gente combinava bastante. E assim saímos nós 4 da Pedra da Mina, eu , o Vinícius (Vini), o Daniel (boy) e o Nelson (Bozó). E assim passamos pelo Vale do Ruah, onde abastecemos os cantis pela última vez, com água que deveria ser suficiente até as 16 horas do dia seguinte. Daí foi uma grande sequência de morros até chegarmos ao Pico dos Três Estados às 17:20 horas.
      Mais uma vez montei a lona no estilo canadense, dispus a rede com mosquiteiro dentro e esparramei minhas coisas. De noite nos reunimos junto ao triângulo de ferro que representa a divisa dos 3 estados para a janta.
      Os caras já tinham pouca água. Eu ainda tinha meus dois cantis cheios e mais um bom tanto no camelback. Dessa maneira cedi um cantil para que eles fizessem a janta e bebessem o que sobrasse. Essa noite foi a mais fria, com o termômetro marcando 2,7º C, mas o capim elefante nos protegeu bem dos ventos e deu para dormir muito bem.


      No dia seguinte pela manhã, o Bozó sugeriu que fizéssemos café. Lá se foram mais 500 ml de água. Mas foi muito bom aquele cafezinho e aquela vista que se tinha lá de cima. De lá dava para ver Prateleiras e Agulhas Negras, minha próxima empreitada.
      Era o dia 24-09-2018, nosso quarto e último dia de travessia.
      Deixamos o 3 Estados às 09:40 da manhã. 
      Esse foi um dia bem sofrido. Uma sequência de morros. Sobe e desce. Muitos trechos de mata, e bambuzal. Mas o principal obstáculo era a falta de água. Minha água era para dar tranquilamente, mas depois da janta, café e dividir com os amigos, eu tinha deixado o 3 Estados somente com a água que restava no camelback, que era pouco mais de meio litro.
      Fomos racionando, mas quando chegamos no Alto dos Ivos, todos bebemos o que nos restava de água. Foram mais 3 horas até encontrarmos água de novo.
      A falta de água aliada ao esforço físico fez com que o Vini começasse a passar mal. Mesmo assim tocamos em frente.Chegamos inclusive a beber água acumulada nas bromélias.
      Eu e o Bozó, que estávamos melhor, seguimos mais rápido enquanto Daniel ficou para trás acompanhando o Vini. Chegamos ao ponto de água e enchemos os cantis e o Bozó voltou correndo para encontrá-los e matar a sede dos amigos.
      Já eram 16:50 horas quando chegamos na rodovia BR-354, onde o resgate que eles tinham combinado estava esperando. A Patrícia, que era a dona da caminhonete de resgate me deu uma carona até Itamonte, onde seria meu pernoite. 
      Por coincidência, a Patrícia era o resgate dos rapazes que estavam perdidos quando cheguei em Passa Quatro. Como eles não chegaram no ponto de resgate no dia combinado, ela entrou em contato com os bombeiros e com a família dos rapazes.
      Era o fim da travessia. Uma das mais puxadas e mais bonitas que já fiz. Foi também a última vez que vi os amigos Daniel e Vinícius. O Bozó eu encontrei de novo em Belo Horizonte agora em maio de 2019.

      Foi uma travessia que exigiu muito, mas que ofereceu muito mais em troca. Alvoradas e crepúsculos inesquecíveis. Paisagens sem igual, amizade, companheirismo. E que deixou uma vontade enorme de retornar e fazê-la novamente.

       
      Parque Nacional de Itatiaia.
      Agulhas Negras e Prateleiras.
      Desde que eu estava no hostel em Passa Quatro, eu já estava procurando um guia para o Parque Nacional de Itatiaia. Sabia que se tudo desse certo eu terminaria a travessia na segunda-feira 24-09 e na terça-feira 25-09 queria ir para o PNI, para subir o Agulhas Negras e o Prateleiras. Durante os telefonemas para casa, eu vi que teria que voltar logo. Dessa maneira, eu teria que fazer os dois cumes no mesmo dia.
      Entrei em contato com vários guias, mas ninguém queria fazer os dois cumes em um único dia. Uns disseram que não dava. Outros disseram que não era permitido. Até que encontrei um cara. Tudo isso pela internet e pelo tal de whats app, que eu nunca tinha usado antes disso.
      Deixamos mais ou menos combinado. Ele me cobraria 300 reais pela guiada. Eu sabia que o PNI exigia equipamentos para a subida aos cumes. Eu não tinha esses equipamentos. Após o PNI eu teria que voltar para casa, minha jornada terminaria ali, portanto não precisaria mais ficar regulando a grana.
      Durante a travessia da Serra Fina a gente ficou sem contato.
      No final da travessia, o resgate dos mineiros me deu uma carona. Eu tinha planejado ficar no Hostel Picus, ou no Yellow House, mas ambos estavam fechados. Dessa forma fui com eles até Itamonte, onde me deixaram e seguiram rumo a Passa Quatro. Saí procurando hotel ou pousada e acabei ficando no Hotel Thomaz. O Hotel era bom e tinha um restaurante onde eu jantei. Só que fica bem na rodovia e eu peguei um quarto de frente para a rodovia e o barulho dos caminhões e carros freando durante toda a noite incomodou um pouco e prejudicou o sono.
      Na manhã do dia 25-09-2018, terça-feira, acordei bem cedo, tomei banho, preparei as coisas que levaria para o Parque, entrei em contato com o guia e desci para tomar o café da manhã no Hotel. Por volta das 7 horas o guia chegava de carro para me pegar e seguirmos para o parque. Durante o caminho fomos conversando e falei pra ele sobre a travessia e sobre o caminho da fé e pedra do Baú, que tinha feito recentemente. Ele também é guia na travessia da Serra Fina.
      Chegamos ao parque fizemos os procedimentos de entrada, onde um guarda-parque alertou que caso não começássemos a subida do Prateleiras até as 14 horas, não deveríamos continuar. Desse modo, às 08:45 da manhã iniciamos nossa caminhada rumo a base do Agulhas Negras. Ele apertou o passo, acho que querendo me testar. Eu fui acompanhando de boa. Paramos num riozinho para abastecer a água e fazer um lanchinho, já próximo da base.  A conversa ia progredindo e ele me falou que achava que eu era um cara que parecia estar preparado e que normalmente ele guiava por uma via conhecida como Via Normal ou Via Pontão, mas que se eu quisesse a gente poderia tentar uma via diferente, pra se divertir um pouco. Falei pra ele que ele é quem estava guiando e que por mim tudo bem. Dessa maneira subimos por uma via menos utilizada, que passa por dentro de uma espécie de chaminé que é conhecida como útero. Na verdade quando você emerge dessa “chaminé” é como se você estivesse nascendo. Não levamos capacete, nem cadeirinha, apenas uma corda e uma fita. Usamos a corda somente duas vezes, uma delas para rapelar e depois subir um lance de rocha que fica entre o falso cume e o cume verdadeiro onde fica o livro de cume. Atingimos o cume verdadeiro às 10:40 horas.


      Comemos, descansamos um pouco, apreciamos a paisagem, tiramos várias fotos e depois iniciamos a descida. Dessa vez por uma via diferente, a Via Bira.
      No início da descida um rapel de uns 40 metros por uma descida bem íngreme junto a uma fenda e uma parede. Bem legal. Foi uma descida bem bacana. Uma via bem mais interessante que a tradicional.
      Eram 12:40 quando chegamos de volta ao ponto onde tínhamos iniciado a caminhada. Fizemos um lanche rápido e às 13:00 horas partimos em direção ao Prateleiras. Desta vez sem mochila, sem corda, sem água. Só levamos uma fita de escalada, que foi usada uma única vez. Achei bem mais tenso que o Agulhas, apesar de mais rápido. Muita fenda, muito lance exposto, muito salto de uma pedra para outra com abismos logo embaixo.
      No ataque final, nos últimos 15 minutos, o cara me salvou por duas vezes. A primeira em um lance de escalada livre onde se tem que fazer uma força contrária. Como não tem "pega", a gente sobe com os pés numa face da fenda, empurrando a outra face para baixo. Complicado. Eu tava a abrindo o bico de cansaço aí ele me deu a mão e a puxada final. Depois disso, num paredão bem inclinado, tinha que começar a subir quase correndo agarrando na pedra para conseguir chegar ao fim. Faltando um meio metro para o fim dessa rampa minha bota começou a escorregar na pedra e eu fiquei sem força. Gritei ele e novamente me deu a mão ajudando a chegar. Muito tenso.
      Atingimos o cume às 13:50 e depois de alguns minutos começamos a descida. Paramos para comer uma bananinha e paçoca e descemos mais tranquilos. Às 14:58 estávamos de volta ao local onde tinha ficado o carro.
      Daí o cara olha pra mim e fala: - Agulhas e Prateleiras em 6 horas. Nada mal.
      E rachamos o bico de dar risada.

      Tinha acabado de subir dois cumes que sempre tinha sonhado. Agulhas Negras e Prateleiras. Os dois em cerca de 6 horas. Eu estava muito feliz. 
      O visual de cima dessas montanhas é incrível. Mas a experiência da subida é demais. A adrenalina a mil. Saber que um escorregão e já era. Isso não tem preço que pague.
      Acabei ficando amigo do guia e ele me deu uma carona para Itanhandu no dia seguinte, onde pegaria o ônibus de volta pra minha terra.
      Dormi mais uma noite no mesmo hotel, dessa vez num quarto de fundos e o sono foi muito melhor. Desci para comer um sanduíche de pernil numa lanchonete próxima e bebi uma coca-cola de 1 litro. Depois de todo aquele esforço eu merecia.
       

      VID-20180925-WA0004.mp4 VID-20180928-WA0014.mp4 VID-20180928-WA0014.mp4 vidoutput.mp4  
      Na manhã da quarta-feira, 26-09, eu parti de volta para Maringá, com uma parada longa em São Paulo, de onde saí de noite e cheguei em casa na manhã de 27-09-2018.
      Decidi ir pra casa a pé. Pra caminhar um pouco. rsrsrs.
      Logo depois do almoço eu estava em casa e na manhã do dia seguinte tudo voltaria à mesma rotina de antes.
      Mas eu não era o mesmo cara que tinha saído 23 dias antes. 
      Eu tinha caminhado mais de 420 Km. Tinha estado em 3 dos dez pontos mais altos do país. Tinha visto o sol nascer e se por proporcionando espetáculos inesquecíveis. Tinha conhecido gente da melhor qualidade, o povo bom e humilde do interior de Minas Gerais.
      Dá para aguentar essa rotina por mais um tempo, numa boa.
       
    • Por Nathan Messias
      Boa noite galera, tudo bem? 
      Dia 18 de Maio estarei indo para Pedra da Mina, pela fazenda serra fina!
      Li alguns relatos por aqui mas alguém te mais alguma dica algo pra agregar? 
      Alguém estará indo pra lá também nessa mesma data?
       
      Abraços!! 
    • Por RaulConte
      Com o feriado de 7 de Setembro se aproximando, eu e mais 3 amigos começamos a nos preparar para fazer a subida à Pedra da Mina via Fazenda Serra Fina, não fazendo ideia do que nos esperava. Moramos em Barbacena, e a viagem de carro até o pacato município de Passa Quatro (MG) demora em torno de 4 horas, mas o acesso à fazenda é por uma estrada de terra que nos toma mais 1h15min...enfim, saímos de Barbacena por voltas das 3h50 minutos, enfrentamos as precárias estradas do sul de MG, paramos em Pouso Alegre para tomar um café da manhã reforçado e seguimos para enfrentar a mais precária ainda estrada de terra que dava acesso à Fazenda Serra Fina. A estrada é bem sinalizada, então não houve grandes dificuldades para chegar até a fazenda, principalmente usando o GPS. Chegando lá por volta das 9h30, pagamos R$20,00 à senhorinha que mora na fazenda, assinamos um livro que é para controle de quem entra e sai da trilha, nos arrumamos e iniciamos a trilha por volta das 10h. A placa que marca o início do caminho passa uma ilusão gigantesca de que a subida até o pico leva 5h, o que nós realmente acreditamos veementemente e achamos inclusive que dava para abaixar esse tempo (iludidos 😓).
      A primeira parte da trilha é muito tranquila, basicamente um caminho por mata fechada (bem fechada, alguns pontos é até difícil ver a trilha), com alguns pontos de lamaçal e riachos, mas todos com algumas pedras que auxiliam na passagem. Após 30 min de caminhada tranquila, chegamos à cascata, com uma água cristalina e um visual sensacional. Após atravessar pelas pedras, bem escondido no canto esquerdo da outra margem do rio, tem um acesso à uma cachoeirinha que nos brinda com esse visual SENSACIONAL. Perdemos uns 20 minutos ali descansando, tirando fotos, hidratando e checando a trilha no WikiLoc (app que recomendo muito, inclusive, baixamos a trilha antes de sairmos de casa e nos ajudou muito). Na cascata também existem muitas abelhas pretas, que não têm ferrão, mas grudam no cabelo e tem uma mordida muito doída.

      A trilha a partir daí começa a exigir muito mais do físico, já que começa uma subida já com traços de escalaminhada, muito íngreme e muito longa (realmente parece que nunca mais acabar). É válido lembrar para levar um calçado adequado, pois a terra e o capim tornam a trilha muito escorregadia. Após esse primeiro "susto" com a necessidade física da trilha, chegamos num primeiro local de acampamento, onde paramos para almoçar e abastecer nossos recipientes de água numa bica que tem por lá (a água é geladinha e tem um gosto sensacional, a vontade era encher algumas garrafas para levar para casa), já que segundo o WikiLoc e alguns relatos, ali é o último ponto de água antes do cume (e a informação realmente procede, a travessia toda se destaca pela escassez de pontos de água). Ali tinham alguns grupos de trilheiros que almoçavam e conversavam, e todos eles nos disseram que a pior parte da trilha estava logo a frente (o que muitos relatos também confirmavam).

      Após uma parada de mais ou menos 1h para almoço, descanso e abastecimento de água, seguimos viagem já preparando o psicológico para enfrentar o temido "Paredão do Deus Que Me Livre", e o paredão faz jus ao nome ! Estávamos animados com o horário, já que segundo o WikiLoc, fizemos praticamente metade da trilha em questão de distância em 2 horas, mas ao observar o que nos esperava, vimos que a trilha mal havia começado. O subidão é praticamente do começo ao fim uma escalaminhada muito pesada, em alguns momentos exigindo inclusive uma certa experiência com escalada. É bom sempre ficar atento aos totens e às marcações reflexivas, pois alguns pontos da subida possuem várias bifurcações e é realmente muito fácil se perder. Sempre que possível, parávamos em algum lugar para descansar e hidratar, mas o cansaço bateu forte do começo ao fim, pensamos em desistir algumas (muitas) vezes.

      Terminando o subidão da Deus Que Me Livre, demos de cara com o Morro da Misericórdia, que era igual ou pior ao anterior. A essa altura, o psicológico bate forte, muitas pessoas montam equipamento ali mesmo, ou um pouco mais a frente, dentro da mata no vale, aonde tem uma área de acampamento em uma área de mata fechada; mas resolvemos continuar. Após chegar ao fim do Morro da Misericórdia, com as pernas e os ombros pedindo arrego, nos deparamos com mais uma caminhada considerável até chegar no pé do morro da Pedra da Mina, aonde montaríamos acampamento. Andamos devagar, ainda nos recuperando das duas subidas absurdas que havíamos acabado de vencer, mas chegamos à área de acampamento por volta das 17:10, montamos acampamento rapidamente e subimos ao morro sem mochila para acompanhar o por do sol, o que com certeza valeu muito a pena. Lá de cima é possível ver claramente o belo Vale do Rhua, o Pico das Agulhas Negras e alguns vários municípios da região, a vista é DESLUMBRANTE, por um instante até se esquece o esforço feito para chegar até ali.

       
      Após ver o por do sol, descemos para nos alimentar e ir dormir. Colocamos algumas roupas secas, já que as da trilha estavam encharcadas de suor e o frio já estava começando a dar as boas-vindas, fizemos um macarrão com frango desfiado usando o fogareiro a álcool, apreciamos o belíssimo céu estrelado com direito até a chuva de meteoros e fomos dormir.
      Nosso "rango", que deu uma sustância muito boa e ficou pronto rápido
       
      Acordamos por volta das 5:30, desmontamos acampamento e andamos um pouco até o pico do Morro da Misericórdia, para afastar-nos um pouco do frio. Lá no pico, tomamos café com uma vista deslumbrante do vale, e por volta das 7:00 começamos a descida da trilha, que é tão doída quanto a subida. O joelho dói muito na descida, já que boa parte da trilha é escalaminhada e descidas muitos íngremes, um bastão de caminhada é ESSENCIAL para a volta. Chegamos até a área em que almoçamos na subida, descansamos por mais ou menos 1h e repusemos a água na bica para continuar a descida. Chegamos à fazenda exaustos por volta das 11:30 e embarcamos no carro para a volta para casa e o merecido descanso.
      Nossa vista do vale durante o café da manhã 
      A trilha exige MUITO preparo físico, equipamento bom (principalmente calçado, bastão de caminhada,barraca, isolante térmico e saco de dormir para -10ºC) e exige também muito preparo psicológico, mas com certeza valeu muito a pena. A vista durante toda a trilha é sensacional, o céu noturno no alto do pico é inexplicável e a experiência como um todo é sensacional. Da próxima vez, pretendemos fazer a travessia de 4 dia da Serra Fina, começando pela Toca dos Lobos, mas até lá ainda vamos nos recuperar por um bom tempo 😅😅😅.

      O frio castigou durante a noite ! ❄️❄️
       
       
       
    • Por SaraPereira
      Conforme prometido aqui vai meu relato sobre nossa subida a Pedra da Mina. De início já digo o que a maioria já sabe ou ouviu falar, foi a trilha mais difícil que já fizemos...rs. Além do problema da água, as subidas são fortes e tem trechos com escalaminhadas que contando o cansaço e o peso da mochila, podemos considerar até perigosos.
      Primeiro algumas dicas:
       
      - Levem água, o máximo que conseguirem, não economizamos ao levar, mas penso que deveria ter carregado mais. Chegou horas que senti muita sede e ficar só dando golinhos não ajudava. Não sei se foi por conta do sol, os dias nem foram tão quentes assim, ou por ter ficado um pouco mais úmido, mas transpirei bastante e ao final do primeiro dia de caminhada me senti "seca". E mesmo pegando água no segundo dia e bebendo bastante no riacho mesmo, cheguei ao terceiro dia com a impressão de estar desidratada. A sorte que dormimos no hotel serra azul, e bem em frente a ele, tinha uma mina de água. Acordei de madrugada várias vezes pra beber água.
       
      - Vá de blusa com mangas longas, as várias passagens pelos campos de capins e também pelo meio da mata, podem e vão te cortar. Veja a foto..haha

       
      - Pegamos uma semana sem chuva e quase nenhuma neblina, mas se chover antes ou tiver neblina, redobrem a atenção, tem muitas lajes de pedras e subidas com locais escorregadios. E Algumas vezes só conseguimos nos orientar por ver totens ao longe.
       
      Bom ai vai.
       
      1° Dia - Toca do Lobo ao Avançado (acho que foi lá mesmo que acampamos)
       
      Saímos da pousada um pouco antes das 8h da manhã, e fomos começar a trilha por volta das 9h. A estrada é bem complicada, está até bem conservada, mas para chegar lá de carro comum não se pode ter apego ao carro. Contratamos uma "empresa" para nos levar até o início da trilha (depois explico as aspas na empresa).
      O início da trilha é tranquilo, uma estrada pouco frequentada e de fácil caminhada, depois que chegamos ao rio, ao qual temos que atravessar, é que começa realmente a trilha e a subida.
      É uma subida forte, porém fácil de levar mesmo com as mochilas pesadas (eu levei 5L entre água e gatorade e o André levou 6L de água). Depois dessa primeira subida chegamos ao Quartizito e é ai que começa a parte mais bonita da caminhada, é legal de ver sua trilha lá na frente, sempre por cima das cristas.
       
       

       
       
      Só que também começa um sobe e desce infernal...haha. Chegamos ao Capim Amarelo e decidimos andar um pouco mais, apesar do cansaço. Iamos tentar acampar no Maracanã. Erramos na saída do capim Amarelo, onde todo mundo fala pra prestar atenção..haha, tinha uma fita "xterra" e uma vermelha descemos e chegamos a um amontoado de bambu impedindo a passagem, tivemos que subir tudo e seguir por uma trilha mais a esquerda. Vale ressaltar que nessa primeira parte existem fitas amarelas marcando o caminho e totens, foi até fácil de se orientar, a partir desse momento é que complica um pouco. As fitas amarelas somem e aparecem pequenos durex amarelos ou brancos, é sempre importante olhar pra frente, pro alto e pra baixo, uma hora você acaba vendo os sinais.
      Chegamos até onde achamos ser o Avançado, e como o cansaço bateu forte resolvemos acampar ali mesmo. Achamos o melhor local e colocamos nossa barraca. Por ser um local bem abrigado não tivemos nenhum problema com vento ou frio.
      Para todo esse trajeto levamos por volta de 6h e meia, fomos bem tranquilo parando para tirar foto e tudo mais.
      Descansamos e nos alimentamos para enfrentar o segundo dia.
       
      2° Dia - Avançado - Pedra da Mina
       

       
      Começamos a caminhar tarde nesse dia um pouco antes das 10h, houve muita formação de geada nossa barraca estava congelada e com o sol ficou molhada. Colocamos tudo no sol para secar e só depois começamos a caminhar.
      Foi um dia de difícil caminhada, mais sobe e desce e pouca água. Estava sentindo o peso da mochila e como fomos no meu ritmo demoramos bastante. Na verdade só lembro disso mesmo nesse dia...haha...A orientação nesse dia foi feito praticamente só por totens e um app muito bom chamado EveryTrail, pra quem tem Android compensa baixar, nos ajudou bem em vários momentos que achei que estávamos perdidos.
      Praticamente nem tem foto desse dia, porque a moral estava muito baixa pra tirar fotos...haha.
       

       
       
      Quando chegamos ao Rio Claro, por volta das 15h, melhorou um pouco, podemos beber água e tomamos um banho de gato naquela água congelante..haha. Isso Ajudou um pouco com o cansaço, deu uma revigorada. Ficamos quase uma hora no riacho e retomamos a caminhada.
       
       

       
       
      Nessa parte tem muitos totens e como é uma trilha mais aberta a orientação fica bem mais fácil. Olhávamos a Pedra da Mina logo a frente e pensávamos "estamos quase lá", mas esse quase lá demorou mais uma hora e meia, chegamos ao cume bem a tempo de subir acampamento e ver um rápido pôr do sol.
      Nessa hora que a gente pensa "só mais um passo, só mais um passo"
       
       

       
       
      Assim que entramos na barraca, começou uma ventania das boas, achei que íamos ter problemas. Mas com o cansaço acabei dormindo e acordei por volta da uma da manhã, numa calmaria só, sem vento algum. Saímos da barraca e fizemos algumas fotos (estão na câmera do André, ainda nem vi se ficaram boas). Depois de uma lanche voltamos a dormir para descermos no dia seguinte.
       
       
      3° Dia - Pedra da Mina - Fazenda Serra Fina (ou era lá que deveríamos chegar..haha)
       
       
      Ahhh...a descida, chegamos ao objetivo, aquela sensação boa de missão cumprida, pensando em voltar pra uma cama, ter água a vontade...é a melhor parte #not hahaha
       
       

       
       
      Ô descidinha "dus inferno" é pior que a subida (isso é normal, mas essa é muito pior), que isso tem partes que só desescalando mesmo, sem condições de ir de frente. E vale dizer, é IMPOSSÍVEL, descer da Pedra da Mina a Fazenda Serra Fina em 3h30min, como diz os mapas, de mochila então é algo mais que impossível.
       

       
      E ai começou nossa "aventura", primeiro erramos a trilha, quase chegando ao Base, pegamos a trilha da direita, um pouco mais aberta e acabamos saindo abaixo da Fazenda Serra Fina.
      A "empresa" contratada para o resgaste disse que o normal era o resgate por volta das 16h, falei que íamos acordar cedo e descer, tentando chegar o mais cedo possível. Ela me disse "ok, não sou eu que vou fazer o resgate e sim meu funcionário, ele tem que levar umas pessoas na fazenda por volta das 11h e ele vai esperar vocês. Mas o normal é por volta das 16h, essa descida é difícil."
      Ainda chegamos uma hora antes do previsto por ela, chegamos na estrada por volta das 15h. Como estava muito cansada e com um pouco de medo (achei que estávamos perdidos) sentei e chorei...brincadeira...haha, sentamos pra descasar. Ficamos uns 20 min sentados e não passou uma alma viva, resolvemos deixar a mochila e subir até a Fazenda (vi pelo everytrail que ela estava um pouco acima de onde estávamos). Encontramos dois trabalhadores que confirmaram que a Fazenda era um pouco mais acima e perguntamos se eles viram alguém, eles disseram que não viram ninguém e que ninguém perguntou sobre a gente. Fomos até a Fazenda e não encontramos nada nem ninguém.
      Como falaram que o normal era chegar as 16h, voltamos para onde deixamos as mochilas e aguardamos, ficamos de 15h até as 17h esperando e nada. Passou outro trabalhador e disse que se fossemos até o Paiolinho conseguiríamos alguém para nos levar a Passa Quatro. Descemos e conversamos com uma senhora chamada Silvana, ela nos cobrou 100 reais para levar até a pousada. Aceitamos no ato (outro tinha nos cobrado 200 reais). Achei um absurdo, pois eles simplesmente nos abandonaram lá. Se tivéssemos machucado ou precisando de ajuda íamos estar lá até hoje. Não vou reclamar muito, porque a raiva já passou e também porque foi muito divertida a viajem com seu Sérgio, uma das melhores parte da viagem...haha.
       
      Bom é isso...quero agradecer ao pessoal que ajudou com as dicas, foram muito úteis. E espero que sirva pra alguém que pretenda fazer esse cume. É cansativo, é difícil, mas compensa é uma trilha linda com paisagens de tirar o folêgo.
       

       

       

       



×
×
  • Criar Novo...