Ir para conteúdo
  • Faça parte da nossa comunidade! 

    Encontre companhia para viajar, compartilhe dicas e relatos, faça perguntas e ajude outros viajantes! 

Walterpa

Paraguai no feriado de 21/04: um breve relato

Posts Recomendados

[EDITADO EM 22/04]

 

Dando retorno de minha viagem ao Paraguai, pois me sinto na obrigação moral de retribuir as preciosas informações que retirei daqui.

 

Como surgiu a ideia de ir ao Paraguai: vontade de conhecer a América Latina, começando pelos paises mais próximos e depois estendendo as distancias. Além, é claro, de ter apenas quatro dias do feriado.

 

Objetivos: melhorar a compreensão e fluência de espanhol; conhecer a cultura local; testar meios de baratear as viagens; fazer contato com outros mochileiros.

 

Roteiro programado: chegar sexta à tarde, recorrer um pouco do centro de Asunción, dormir no hostel, ir a Tobati sábado de manha, praticar a aventura Tobati com a agência AventuraXtrema, dormir em San Bernardino, ir a Paraguari domingo pela manha, ir na Eco Reserva Mbatovi, voltar a Asunción domingo à tardinha para ficar até terça pela manhã. Ufa!

 

1° dia: chegada as 14:15 (hora local).

 

Maior temporal que já houve na história. Achei que o avião não pousaria. Cambiei R$ 40 para o caso de ter que pegar um táxi, mas a ideia era ir de ônibus. Cambio de valor semelhante aos demais pontos de cambio, por incrível que pareça. Fui até o guichê de informações turísticas, onde fui muito bem atendido e recebi dois panfletos super completos: um livreto apenas sobre a capital e um caderninho sobre todo o país. E aí começa a loucura...

 

Na saída do guichê turístico vi dois brasileiros pagando quase R$ 100 por uma corrida de 15km sem reclamar. Resolvi manter a ideia de pegar o bus, visto que a parada fica a 200m da porta do aeroporto e a passagem custa cerca de R$ 1,50.

 

Fiquei esperando a chuva diminuir para sair do aero, então puxei papo com um tiozinho que estava na mesma situação. Foi assim que descobri como é falado o guarani... devo ter entendido umas três palavras de cada dez. Conversamos, ele começou a falar espanhol e então disse enfaticamente que a língua deles era o PARAGUAIO. Quem chamou de língua guarani foram os espanhóis e tal e coisa... Quando o temporal deu uma leve trégua, corri os primeiros 100m até as cancelas de entrada e saída de carros, e foi o tempo da tormenta voltar com tudo. Quando estava aguardando, passou um maluco em uma camionete, se apiedou da minha situação e ofereceu uma carona. Aceitei, é claro. Começamos a papear, o cara muito gente boa. Passamos em frente à sede da Conmebol, em Luque, então entramos no assunto futebol. O cara era Cerrista fanático, eu Gremista nem tão fanático, então falamos muito tempo sobre jogadores, ídolos, jogos de Libertadores e por aí afora. Expliquei em que hostel ficaria e qual seria meu planejamento para sábado, na cidade de Tobati. Ele argumentou que seria uma contramão, mais pela tempestade do que pela distância, então me convidou para dormir em sua casa. Cara, que loucuuura!! Couchsurfing sem convite prévio? Hehe! Morava com toda familia: pais e três irmas mais novas. Me apresentou a todos, a exceção do pai que estava viajando a trabalho. Me levou na casa de sua namorada, talvez o lugar mais humilde que já freqüentei. Pobreza, honestidade e humanidade na mesma medida. Da mesma forma, me levou a uma casa que está em fase final de construção, que será a sede da empresa que quer abrir em parceria com o sogro. Que gente interessante! Recebem um estranho em sua casa com a maior hospitalidade e bondade, ainda que se tratasse de um lugar muitíssimo humilde. Aliás, só depois de estar lá descobri que nem agua encanada havia. Periodicamente os caminhoes do governo abastecem uma fonte a partir da qual os moradores podem retirar agua em baldes ou toneis. Isso a 30km de Asunción!!

 

Como estava muito cansado, jantamos e pelas 22:30 já estava dormindo.

 

Continua...

  • Gostei! 1

Compartilhar este post


Link para o post
Compartilhar em outros sites

[EDITADO EM 22/04]

 

Bem, esqueci de mencionar algumas coisas no primeiro post, visto que escrevi no celular ainda no hostel em Asuncion, em uma manhâ chuvosa. A partir do momento em que aceitei ficar na casa do amigo paraguaio, de modo que não era necessário ir até Asunción, ele sugeriu fazermos um pequeno tour pelas cercanias. Passamos por Areguá sem entrar na cidade; vimos o lago Ypacaray a partir de um balneário na cidade homônima; passamos por Luque onde são fanáticos por um clube de futebol local, que tem as mesmas cores do Boca Juniors (e também pintam as paredes de amarelo e azul); fomos até a catedral de Caacupe onde todos os anos ocorre uma grande procissão católica e passamos por outros locais que já nem lembro o nome. Tudo é tão próximo e mal sinalizado que fica difícil distinguir uma cidade da outra.

 

2° dia: plano furado e algumas surpresas

 

Acordei cedo com o canto dos galos e o mugido das vacas solicitando serem ordenhadas. Sim, o Paraguay é um pais predominantemente rural. Levantei só pelas 8h. Meu anfitrião desculpou-se por acordar tarde, visto que levanta todos os dias entre 5 e 6h. Que loucuuuura!! Fomos tomar cafe da manha, o qual consistia em cerca de uma dezena de tipos de pães: gordos, finos, bolinhas, fatias, massinhas... Aliás, no Paraguay qualquer refeição é servida com pão. Resolvemos ir até o centro da cidade fazer cambio (o banco estava aberto sábado!) e depois ir até a Cantera de Ypacaray. Trata-se de um pequeno lago entre rochas onde uma empresa de turismo de aventuras (Aventura Xtrema) costuma oferecer mergulhos guiados e também solo para os mais experientes. E.... primeira surpresa! Uma pessoa havia se afogado no local e um policial não nos deixou entrar. Concordamos, agradecemos, demos uma volta, ele falou em guarani com alguns conhecidos que estavam por ali e entramos pelo outro lado. Surpresa maior ainda ao ver que o local é feio e está sendo rapidamente devastado por 'artesãos' que quebram as rochas para depois entalha-las grosseiramente. Nesse meio tempo alguem gritou algo em guarani e meu guia fez sinal para corrermos. Era um aviso de que outro carro da policia estava chegando no local. Partimos dali.

 

Voltamos para casa para almoçar, o que fizemos rapidamente pois às 13h teríamos que estar na cidade de Tobati. Despedi-me daquela linda familia muito agradecido pela hospitalidade, por receber tão bem um estranho em sua casa. São muito amáveis os paraguaios, sem dúvida. Chegamos ao ponto de encontro na cidade de Tobati, um posto de gasolina. Após uns 10min de espera, liguei para a empresa e então... segunda surpresa! Devido ao temporal do dia anterior, onde de fato choveu rios de água, as pessoas desistiram da aventura. Tentaram me avisar no hostel onde ficariia hospedado, mas por razões óbvias não me encontraram. Combinamos de nos encontrar em San Bernardino, cidade sede da empresa.

 

Fomos até o local combinado, onde o famoso Lolo (dono da empresa) estava à nossa espera. Me despedi de Carlos e segui no carro de Lolo, onde seus cães me fizeram uma calorosíssima recepção, se jogando sobre mim, lambendo, latindo, soltando um cobertor de pêlos na minha roupa e etc. A sede da empresa está localizada a umas duas quadras do lago Ypacaray e se encontra na peatonal (calçadão) da cidade, bastante pequena mas bem bonitinha. Pratiquei arvorismo (circuito sobre a copa das árvores + tirolesa + mini-rapel) e depois fui dar uma volta de bike pela cidade. Me acompanhou na pedalada um colombiano que está dando um tempo em San Bernardino para juntar $$$, visando seguir sua jornada pela America do Sul. Começou em Bogotá, seguiu pela costa do Equador, foi até Lima, subiu até Cusco, rumou para a Bolivia e agora deu uma parada no Paraguay para depois seguir rumo à Argentina. Show!! Quando voltamos, estava pensando em oonde dormiria quando Lolo me ofereceu ficar em sua 'vivienda'. Uma casa grande e muito confortável, onde ele mora com a namorada e eventualmente recebe pessoal de outros países para passar alguns períodos. Aceitei. Passada básica no mercado, cozinhei um grude qualquer para comer e depois ficamos conversando. Quando falei do inicidente na cantera ele comentou com um ar de completa normalidade que só ele já havia retirado 24 mortos do local!! :shock::shock: Não contente com isto, me mostrou os vídeos do resgate de pelo menos cinco afogados, desde aqueles com causas simples (não sabiam nadar, estavam com roupas inadequadas, etc) até um louco que saltou amarrado a uma moto para ver se conseguia executar um backflip e sair do outro lado... ::quilpish:: Logo se vê que a manobra não restou bem-sucedida... Conversamos mais um tempo depois fui dormir.

  • Gostei! 1

Compartilhar este post


Link para o post
Compartilhar em outros sites

3°dia: plano novamente furado e Asuncion

 

Acordei cedo, fui falar com a rapaziada da AX e comentaram que não havia um grupo sufciente para fazer a aventura em Tobati naquele dia. Com a negativa, liguei novamente para os proprietários da Eco Reserva Mbatovi, na cidade de Paraguari, os quais talvez tenham sido os menos amigáveis da minha estada no país. Todas as três vezes me 'sugeriram' usar um automóvel para chegar à reserva e usaram respostas protocolares, maquinais. As três vezes tive que lhes reinformar que estava de turista, usando transporte coletivo e não tinha carro, então só faltou dizerem que não tinham o que fazer. Devem estar lotados de turistas, pelo jeito... Pena, pois a Eco Reserva parece bastante bonita. Avaliei as opções, dei mais uma volta pela agradabilissima San Ber, tirei umas fotos no Hotel do Lago - o mais antigo do país em funcionamento - e resolvi partir para Asuncion. O sistema de transporte coletivo apresenta uma grande variedade de opções, no entanto os ônibus são extremamente velhos, poluentes, inseguros, barulhentos e frequentados por toda a sorte de figuras. O que mais tem são vendedores de tudo o que se possa imaginar que entram e saem a todo momento. Chipas, frutas embaladas e a granel, doces de amendoim, rapaduras, refrigerantes, pastéis deixam um cheiro agradabilíssimo no interior das conduções, como se pode imaginar. Desci em San Lorenzo, uma das maiores cidades nas cercanias de Asuncion, esperei alguns minutos e já veio outro onibus com destino ao centro de Asuncion. Confesso que me assustei ao entrar na cidade desta forma, pois me pareceu um caos completo. Fumaça, sujeira, lixo, barulho, concreto por todos os lados, nada de sinalização... Me deu a impressão de estar ingressando em uma cidade da África Subsaariana, e não em uma das capitais do Mercosul.

 

Rumei meio perdido no ônibus, tentando me localizar em uns mapinhas de bolso, até que passamos pela rua do hostel e saltei ali mesmo. Um calor abafado, meio sufocante, e as ruas quase desertas. Estranho... Fui a caminho do hostel, até que o encontrei em um lugar agradável, considerando a situação. Consegui uma cama em um quarto coletivo para seis pessoas. Saí corrrendo para o mercado comprar comida, pois não tinha almoçado e já eram umas 15h. Cozinhei algo, comi e fiquei atirado numa rede, visto que nesse momento o tempo já estava nublado e o hostel estava uma calmaria total. Entrei no clima, hehe. Gostei da hopsitalidade dos donos, do ambiente agradável e da tranquilidade. Estranhei duas coisas: os viajantes não pareciam muito interessados em manter contato com outros viajantes, mas o que mais me espantou foi o uso absurdo dos tablets, notebooks e celulares de forma obsessiva. Ninguém conversava, nem mesmo os conhecidos, apenas teclavam em seus equipamentos. Tentei entabular uma conversa, sem muito sucesso, então fui ler um pouco. Haviam franceses, alemães, norteamericanos, sulamericanos e coreanas naquela noite. Jantei e uma paraguaia que estava por lá sugeriu irmos à Loma San Jeronimo, um lugar parecido com uma favela que dizem ser turístico. Dei um jeito de sair rapidinho daquele lugar terrível. Voltando ao hostel, fui assistir um filme, para o qual uma colombiana resolveu acompanhar a sessão. Incrível como as mulheres estão encarando viagens sozinhas, ao passo que os homens parecem na maioria estar acompanhados de pelo menos um outro amigo. A noite foi meio conturbada, visto que dividir quarto com mais cinco pessoas é uma tarefa que exige um tanto de desapego e relax. Um brasileiro, pra variar, resolveu acordar as 5h30 e teclar no celular com as teclas fazendo barulhinhos insuportáves a cada toque. Parecia uma máquina de escrever, ainda mais naquele silêncio que estava... Imaginem se ele parou, mesmo após os pedidos de silêncio.

 

Continua...

  • Gostei! 1

Compartilhar este post


Link para o post
Compartilhar em outros sites

4º dia: Asunción, a feia

A segunda-feira, véspera de feriado no BR, amanheceu nublada e chuvosa. Depois de um café da manhã bem servido, para os padrões dos hostels, o pessoal resolveu ficar (adivinhem!) teclando em seus equipos eletrônicos. A dona do hostel, muito simpática, me comentou que era comum chover durante um período do dia e abrir sol no outro. Ou seja, muito provavelmente o sol apareceria à tarde. Resolvi pegar os mapas e dicas de viagem para traçar um roteiro para a tarde, começando pelo centro histórico, dando uma volta de barco pelo Rio Paraguay e, se desse tempo, visitando o Parque da Saúde ou até mesmo o Parque Nu Guazu. Depois disso, tomei uma térmica de mate, li um pouco mais uns livros que levei junto e almocei pelas 12h30.

 

Dito e feito: após as 13h cessou a chuva e me toquei a pé para o centro. De início já estranhei por estar tão próximo ao centro de uma capital e haver uma infinidade de casas abandonadas, terrenos semi-baldios, construções mal-cuidadas e pequenas oficinas. Resolvi começar pela tal Escalinata Antequera, uma escadinha que fica na rua de mesmo nome. E... nada! Só uma escadinha que une uma rua superior à rua de baixo. No centro de Porto Alegre tem uma muito semelhante, até mais bonita. Mal e mal se pode ver um fiapo do rio por sobre uns telhados. Haviam ali uns estudantes matando aula e algumas pessoas nos bancos mateando e mexendo no celular. Cinco minutos, umas duas fotos e continuei.

 

Chegando finalmente ao início do recorrido, me surpreendi negativamente com a sujeira do local e com o barulho e incrível poluição que a frota antiguissima dos onibus consegue produzir. Paira uma névoa cinzenta, fedorenta horrível, sobre nossa cabeças. Cheguei à Plaza Uruguaya e me deparei com uma pracinha modesta, cercada, com uma pequena livraria (caríssima!) e um monumento no centro. Pensei tratar-se de uma praça imponente, mas não é maior do que as pracinhas de meio quadra da cidade de interior onde resido atualmente. Segunda decepção. No outro lado da praça avistei o prédio da antiga Estação Central do Ferrocarril, até onde fui. A funcionária da portaria estava ouvindo Roberto Carlos cantando em espanhol em um radinho de pilhas ::bruuu:: e comendo algo que parecia ser um sonho, toda lambuzada de açucar por todo o rosto. Nem me viu chegar. Entrei no museu, muito mal conservado e sem explicações lógicas que unam as partes da história, apenas uma pilha de livros e outros objetos expostos em quatro salinhas. Saindo das salinhas, há dois vagões da época estacionados na estação. Em um deles, antigo comedor (isso mesmo), se pode ingressar e tirar umas fotos. O outro estava trancado. Grande museu... ::bruuu:: 15 minutos e fui embora.

 

Saindo do museu à direita, andando uma quadra se chega à principal rua do centro, a Calle Palma.

 

[CONTINUA]

  • Gostei! 1

Compartilhar este post


Link para o post
Compartilhar em outros sites

Rumei pela Calle Palma, que apesar a principal rua do centro da cidade é até bem modesta, pequena. Passei pelos pontos principais e alguns outros não tão movimentados. Queria ir ao Cabildo, mas bem em frente fica uma favela e tinha uma galerinha sinistra circulando por ali de olho nos turistas distraídos. Desisti. Uma das quadras da Plaza Independencia, que dá acesso ao Cabildo e Catedral, apesar de ser um dos pontos principais da cidade estava com várias malocas erguidas bem no seu centro. Um horror. Muito artesanato sendo vendido pot todos os cantos, predominantemente por indígenas que ficam jogados em qualquer lugar das calçadas, no chão mesmo. Até no aeroporto acontece a venda de artesanias, no chão do saguão! :shock::o

 

Resolvi parar para tomar um café, comer algo e depois ir em direção ao porto para dar uma volta pelo Rio Paraguay. O barco que faz o trajeto recém havia saído para levar pessoas ao outro lado. O pessoal que estava por ali informou que em no máximo 15 minutos ele estaria de volta para outra saída. Aguardei 40 minutos e o barco não fez menção de sair para fazer o caminho de volta. Fui embora. O pessoal continuou lá, meio que achando normal o atraso. Essa foi uma das coisas que reparei em Asuncion: horários definitivamente existem para NÃO ser cumpridos por lá, ainda que seja um serviço da municipalidade ou federal, muitas coisas abrem e fecham ao prazer de quem se encontra no local. No Museu da Conmebol ocorreu o mesmo - cheguei às 11h e o guarda informou que estava fechado para o almoço. Argumentei que era um pouco cedo para almoçar e perguntei quais os horários de funcionamento, no que ele respondeu que abriam e fechavam de acordo com o movimento, ou a falta dele. Perguntei se poderia visitar à tarde, e ele disse que SE o funcionário responsável viesse seria lá pelas 16h, mas não tinha muita certeza disso.

 

Esse tipo de coisa foi minando cada vez mais a má impressão que já havia tido da cidade. Resolvi caminhar um pouco pela Costanera, que está revitalizada e é até que bonita, mas logo voltei ao centro e depois ao hostel - depois de passar no supermercado. Os moradores e lá advertem para que se dê toda uma volta para sair ou ingressar da Costanera por locais específicos, pois se cortar caminho vai sair dentro da favela que ja mencionei anteriormente, portanto pode ser um atalho que custa caro.

 

Esta noite foi a que realmente valeu a pena ter ficado na cidade, pois agora havia uma galera mais aberta a conversar e fazer novas amizades. Me dei muito bem com um argentino que está morando lá há algum tempo e também um libiano de Tripoli, cuja língua-mãe é o árabe, porém fala italiano devido À colonização do país e o inglês por ser um viajante inveterado. Conheceu 65 países já! ::hãã2:: Falamos em espanhol, inglês e até um pouco de italiano, e esse foi um ponto muito positivo da viagem: não ter falado uma palavra em português durante toda a estadia no país. Se pode ficar afiado em poucos dias! Muitas risadas, conversa e troca de experiências incrível. Valeu a pena, realmente.

 

5º dia: Conmebol frustrada e retorno ao RS

 

Após o café da manhã, me despedi do pessoal e rumei com o ônibus linha 30 para Luque, cidade onde fica o aeroporto, a sede da Conmebol e o parque Nu Guazu. Como relatei acima, não possível entrar no museu do futebol, e não havia tempo suficiente para caminhar pelo gigantesco parque Nu Guazu. Vi uma placa em frente, dizendo que ali se enconttrava o centro de treinamento do time de futebol Guarani. Fui conferir. Tratava-se de uma base aérea e centro militar, cujas instalações essa equipe usa para treinar suas equipes juvenis. É uma ampla área verde, falei com o guardinha e ele me deixou circular por ali numa boa. Caminhei um pouco, tirei fotos de aviões em exposição, deitei na grama e fiz um tempinho até chegar a hora de rumar para o aeroporto. Fui a pé, 15 min de caminhada, e daí de volta ao BR.

 

Impressões gerais:

 

Já havia lido relatos de que os paraguaios eram um povo amável, mas é mais que isso>: eles são absurdamente hospitaleiros, gentis, cordiais e abertos a informar e receber os estrangeiros. Evidente que é uma via de mão dupla, é preciso ser gentil para que a gentileza retorne a você. O turismo ainda é bastante incipiente e a capital está sendo preparada para tal, mas no momento é bastante precário ainda. Não há a grandeza de Buenos Aires, o charme de Montevidéu ou a beleza de Santiago, longe disso. O maravilhoso relato da (do?) colega MCM retrata bem como pode ser uma divertida viagem com amigos à Asunción, a qual pode ser muito legal - como seria qualquer viagem com amigos para qualquer lugar do mundo. No entanto, se pretende fazer uma trip solo, pode ser bastante decepcionante, ao contrário das capitais que citei acima. Se nas capitais da AR, UR e CH se pode ficar tranquilamente visitando lugares diferente durantte uma semana ou mais, em Asuncion não necessita mais do que dois dias.

 

O ponto negativo é o descumprimento ou ausência de horários de funcionamennto dos pontos turísticos. Nunca se sabe a que horas os lugares abrem, fecham ou mesmo se vão estar abertos naquele dia. Isso parece ser determinado pelo humor e vontade de quem está ali naquele dia, o que é péssimo para o turismo. Ademais, fora a Costanera, não há uma revitalização/valorização dos locais de interesse, apenas alguém atirado em uma mesa na porta permitindo o ingresso sem muito desejo de explicar do que se trata aquela atração, etc.

 

Vale a pena para conhecer, como qualquer viagem é válida, mas não pretendo retornar a Asuncion - pelo menos não tão cedo.

  • Gostei! 1

Compartilhar este post


Link para o post
Compartilhar em outros sites

Participe da conversa!

Você pode ajudar esse viajante agora e se cadastrar depois. Se você tem uma conta,clique aqui para fazer o login.

Visitante
Responder

×   Você colou conteúdo com formatação.   Remover formatação

  Apenas 75 emoticons no total são permitidos.

×   Seu link foi automaticamente incorporado.   Mostrar como link

×   Seu conteúdo anterior foi restaurado.   Limpar o editor

×   Não é possível colar imagens diretamente. Carregar ou inserir imagens do URL.


  • Conteúdo Similar

    • Por xmday
      Olá amigos
      Nesse curto post, vou resumir a dica de como fazer a visita à usina de Itaipu pelo lado paraguaio a custo zero, já que eles não cobram absolutamente nada.
      Eu já fiz a visita à Itaipu do lado brasileiro em 2012 (na época 20 e poucos reais) e em 2019 retornei à Foz do Iguaçu. Me assustei com o aumento do preço (42 reais) e resolvi pesquisar como ir na Itaipu paraguaia, já que ia passar um dia em Ciudad del Este.
      É muito fácil ir à Itaipu paraguaia, mas antes pesquise os horários das visitas no site:
      https://cti.itaipu.gov.py/es/node/20
      1. pegue o ônibus internacional que faz Foz do Iguaçu x Ciudad del Este. Desça próximo do ponto final e vá ao micro terminal de ônibus urbano de Ciudad del Este
      O terminal é pequeno e há muitos ambulantes dentro vendendo de tudo, rs.
      https://www.google.com/maps/place/Terminal+Bus+Urbano/@-25.5101438,-54.6162558,16z/data=!4m8!1m2!2m1!1sterminal+ciudad+del+este!3m4!1s0x0:0xd2de0bcc4d38d8f4!8m2!3d-25.5101438!4d-54.6162558
       
      2. pegue um ônibus para Hernandarias. O boleto custa 3000 Gs (cerca de 2 reais). O ônibus vai fazer +/- o percurso abaixo. Calcule pelo uns 45min de deslocamento (ônibus + caminhada) + o tempo de espera do ônibus para Hernandarias.
      Desça no ponto de ônibus do lado oposto ao posto de gasolina da Petropar (o ponto de ônibus da volta fica colado ao posto). Aguardamos uns 10min apenas para pegar o ônibus e o deslocamento durou menos de 30min.
      Ponto onde vc vai saltar:

      E o ônibus segue para Hernandarias....

      3. caminhe 650m até chegar no centro de recepção de visitantes da Itaipu paraguaia
      Só seguir as placas

      Chegamos

      4. Para voltar, pegue o mesmo ônibus no ponto colado ao posto de gasolina Petropar

       
      Aproveito para protestar sobre o alto custo da visita à Itaipu brasileira rssss
    • Por luizbellotti
      Gostaria de saber se alguém recentemente fez esse percurso saindo de Santa Cruz para Assunção, Paraguai.
      Pretendo voltar do Peru passando pela Bolívia e Paraguai para chegar em Foz de Iguaçu.
      Estou na dúvida da existência de ônibus no trajeto, preço, entre outras coisas. Há pouca informação e não confiei muito na que conta no Rome2Rio.
      Se alguém puder dar alguma dica ou informação mais atualizada eu agradeço.
    • Por Gabriel Santus
      "Vou mostrando como sou e vou sendo como posso. Jogando meu corpo no mundo, andando por todos os cantos. E pela lei natural dos encontros, eu deixo e recebo um tanto. E passo aos olhos nus ou vestidos de lunetas." - (Novos Baianos)
       
      Um novo olhar sobre o Mundo.
       
      Olá viajantes,
       
      Compartilharei com vocês meu mochilão que deu início em Dez/18. Irei compartilhar um pouco de como me organizei nos aproximadamente 45 dias antes do início da Trip, bem como, eu defini "roteiros", datas e claro, financeiramente a jornada. Já li diversos relatos, muitos serviram de inspiração, e um 'algo' que sempre tive em mente é fazer um mochilão roots - até também porque, no meu caso, a grana é curta.
       
      Pois bem, no final de Outubro de 2018 eu estava completamente saturado  (como a maioria dos Brasileiros, penso.) Sempre busquei acampar e estar em contato com a natureza, afinal, faz longos 13 anos que sou escoteiro. E sempre a mesma coisa: "Eu saía total do clima tenso da cidade e do trabalho, passava dias perfeitos acampando e quando voltava, em menos de 1 dia na cidade já me saturava novamente." Após ler diversos relatos e de me senti, de certa forma, "preso" neste ciclo, decidi que realizaria um mochilão, sem data de retorno, sem destino final, somente uma bela ida e vivida pelo o tempo que for. Um dia, um semana, um mês, quiçá, em ano? Estava ansioso para descobrir.
       
      Por onde começar? - Questionei nas primeiras horas. - Até que comecei a levantar uma lista de possíveis lugares da América do sul e passei a linkar rotas, ver preços de deslocamentos, me joguei de cabeça na cultura Latino-americana. Foi aí que reparei como tudo hoje em dia é demasiadamente comercial, principalmente os valores. - Não posso procurar como se fosse um turista querendo férias, afinal, não sou um turista querendo férias. - Então a partir deste instante passei de fato a me portar e pensar como um Mochileiro. Passei a pesquisar as rotas de carona, pensar em acampar em qualquer lugar, maneiras de "salvar' dinheiro e como viajar sem grana. Resultado, Primeira semana de Novembro e eu já tinha todo um pré-roteiro definido: Sair do Brasil por foz, adentrar a Ruta 12 no início, caronar até chegar na Ruta 14, a rota que leva até Buenos Aires, tentaria levantar uma grana em Buenos Aires e continuar seguindo para o Sul sentido Patagonia, pois afinal, para voltar é só ir sentido Norte, subir pelo o Chile, cortando todo o País e continuar, Peru, Bolívia, Colômbia e por onde mais tiver de ser. Exatamente esse era meu ‘Pré-roteiro’ e confesso que não teve grandes alterações, pois ir caronando proporciona viver o local e a cultura, conhecer entre uma cidade e outra as histórias que há, bem como as belezas além - escondida do turismo comercial - e claro, salvar o máximo de dinheiro.
       
      Irei detalhar mais para vocês meu roteiro e planejamentos, principalmente a parte financeira, antes gostaria de deixar aqui um lembrete: 'Essa tem sido minha experiência na Trip e há diversas maneiras de mochilar, isso não diminui ou engrandece nenhum mochileiro. Somos da mesma família, portanto, iguais. Acredito que cada um viaja como pode e como o satisfaz, afinal, viajar é se conectar com pessoas e lugares, é viver experiências únicas e incríveis, além de fazer do viajante cada vez mais, um cidadão do Mundo, rompendo fronteiras, preconceitos e expandindo nossos ser.
      Respeito e Gratidão para todos Vocês!
       
      Dito isso. Valores! No pouco tempo que me restava até Dezembro, capitalizei para levar cerca de 1,2k. Sim, isso mesmo, Somente R$1.200,00. Não incluso nesse valor, eu gastei cerca de R$260,00 com uma passagem de ônibus da linha 'São Paulo - Foz do Iguaçu' e cerca de R$150,00 em Equipamentos que vou listar para vocês. Ou seja, sai do país com apenas R$1.200,00 e tive um custo total de R$1.610,00.
       
      Segunda semana de Novembro e eu ainda estava trabalhando, não havia comentado nada com ninguém, ninguém mesmo. Planejava e organizava que acabei não comentando com familiares e amigos com exceção do meu Brother de mesmo Nome, Gabriel, pois morávamos na mesma casa. Foi na última semana de novembro que sai do trabalho feliz da vida, afinal, estava agora indo terminar de arrumar a mochila e começar a viagem para me encontrar, pois é desse modo que visualizei tudo, preciso me encontrar e aqui vou, seja lá onde isso for. Após comunicar familiares e os amigos mais próximos sentia que de fato minha bagagem estava completa, com todas boas energias e incentivos, embora um ou outro tentou se opor à minha decisão, no final, nada puderam fazer e hoje gozo com felicidade.
       
      Mochila e Meus itens  
      1 Isolante Térmico
      2 Calça corta vento
      1 Calça Jeans
      1 Blusa de lã top (homemade)
      1 Blusa qualquer
      5 Camisetas
      1 Camisa
      2 Regatas
      3 Shorts
      1 Touca
      4 Meias (descobrir que pode ser pouca)
      1 Par de Luvas
      1 Par de Chinelo
      1 Par de Tênis (Um para usar fora da estrada ou trekking, tênis comum)
      1 Bota Caterpillar Preta (propaganda gratuita, mas é a bota de minha preferência e dinheiro.)
      1 Toalha
      1 Kit de higiene pessoal
      1 Kit primeiro socorros ( faixa, antialérgico, anti-inflamatório, dor de cabeça, dor muscular, gripe, anticéptico e itens para curativo)
      1 Canivete 12cm de Lamina
      1 Prato e kit de talheres para acampamento
      1 Garrafa de 1Lt para Aguá
      1 Fogareiro boca unica
      2 Lanterna
      15M de corda para camping
      2 Livros pequenos
      Meus materiais de trabalhos* ( Faço artesanato e algumas artes, vou descrever melhor no decorrer)
      Meus Trabalhos**
      1 Pen-drive com documentos, arquivos pessoais, etc.
      2 cadeados (2 mochilas)
      Tudo está dividido em 2 mochilas, sendo uma de 60 Lts + 5 e outra mochila de 15 Lts, as duas totalizavam 14 kg (atualmente até menos). Confesso que eu estava sempre com a sensação de estar esquecendo algo, mas no meu caso foi só a sensação mesmo, descobri que carreguei bagagem demais, e aos poucos me desfaço de algumas coisas deixando a mochila cada vez mais leve e apenas com o essencial. Aos poucos vou desapegando das coisas, tudo vem e tudo vai, e na maioria das vezes foi preciso algo ir para que pudesse vir um novo em seu lugar. Como um dos livros, que virou presente para uma simpática mulher enquanto conversávamos sobre literatura. Senti que ela precisava de ler, mas não tinha tempo de emprestar e pegar de volta, então eu simplesmente deixei o livro seguir seu caminho e fazer parte, agora, da história dela também. Ela nem ao menos falava português (nem eu o Espanhol) e foi numa conversa em Portunhol que tudo aconteceu, ela ficou muito feliz com o presente inesperado. Maravilhosa mulher, maravilhoso ser.
       
      Sai de São Paulo e depois de 17 horas estava em Foz do Iguaçu, a cidade é realmente linda, o Sul do Brasil é lindo, repleto de campos e montes. Fiquei por Foz mesmo pois já era quase 18:00 horas.
       
      No primeiro dia, acordei e fui para o Paraguai, lá terminei de adquirir alguns equipamentos que faltavam bem como:
      1 Cobertor Camping (nunca fui chegado à saco de dormir, choices)
      1 Tenda
      1 Isolante Térmico
      1 Cobertor Térmico  (passar frio nunca, Paulista passa é calor)
       
      DICA: Tem muita coisa que é realmente muito barato no paraguai - a grande maioria de equipamentos, eletrônicos, bebidas e roupas - Se por acaso forem mochilar e porventura o Paraguai tiver em sua rota, vale a pena comprar alguns equipamentos lá, visto que o custo é menor dá pra economizar bem. Mas claro, só digo isso se o Paraguai estiver em seu roteiro, pois a grana que poderá economizar é incrível, como no meu caso. Pois comprei todos os itens acima, uma garrafa de vodka boa e uma bag 15Lts Waterproof, com apenas R$100,00.  
       
      Aproveitei e deu uma bela andada pela cidade, no entanto Punta Del Este é uma cidade comercial e tem todo tipo de lojas e comerciantes possíveis, a mesma pessoa que te oferece 10 par de meias por R$10 também irá te oferecer drogas e armas. Pior que a 25 de Março em SP, cidade donde veio. Loucura aquele lugar.
       
      De volta a Foz ainda no primeiro dia, estive em um Hostel onde conheci uma Sul Coreana que marcou o início da viagem demonstrando ser uma pessoa incrível, com um Carioca doideira e, junto Tiago, um Brother BR (Ele merece um artigo só pra ele para contar brevemente algumas de nossas histórias roots). Passamos a noite tomando Caipirinha após um jantar Inteiramente BR, com feijão, arroz e farofa (primeira vez que a Sky Lee comia e bebia como brasileira) foi maravilhoso e ao mesmo tempo um tanto emocionante, pois aquela foi de fato minha última noite no Brasil.
       
      Segundo dia em Foz, Me levantei cedo e realizei o Check-out antes mesmo da hora. Precisava pegar a estrada o quanto antes. Peguei um ônibus para Puerto Iguazú (Na Argentina, cidade fronteira com Foz) por R$4,80 no lado de fora do terminal urbano de ônibus, esse ônibus para na imigração e aguarda enquanto você dá a entrada no país. Uma vez dentro da fronteira ele te leva até a rodoviária de Puerto Iguazu que fica logo no centro da cidade. Dei uma andada na cidade, mas já sabia que por ela eu só passaria, então fui para o outro lado da cidade onde se inicia a Ruta 12, rota onde começou as caronas. Foram 2h parado esperando carona com a plaquinha e o dedão um pouco adiante da saída de um posto da YPF, nada aconteceu, então fui andando no acostamento até que entrei na Reserva Nacional Argentina - era disso que eu estava falando - Oláaa natureza sua linda! Não foi muito tempo andando até que parei novamente e tentei a carona, cidade Wanda. Dessa vez em poucos minutos funcionou, primeira carona uhuuul. No entanto ele não iria para a cidade e me deixou mais a frente próximo à um posto policial onde disse ser mais fácil e melhor para caronar. Foi tão rápido que mal conversamos, mas agradeço novamente ao Senhor Érico! E não é que ele estava certo, menos de 10 minutos parou um caro com 2 garotos, homens jovens, e ofereceu a carona até Wanda. Foi maravilhoso a carona, e ainda iam contando histórias de como é acampar na reserva, inclusive pararam o carro na barragem da reserva para tirar foto, um deles disse: " faz 10 anos que passo por aqui sempre e nunca parei 2 minutos se quer para admirar a beleza, agora com você, é um prazer enorme fazer isso e contemplar essa beleza". Isso foi maravilhoso. Chegamos em Wanda, Gratidão total Hernan e Rafael. Wow, o dia está para acabar e não dá mais para pedir carona (por política pessoal, não pego carona de noite pois de longe é o melhor momento para isso) vou acampar na beira da estrada! Sim meu amigos, caros Viajantes. Acampei na beira da estrada, vendo a lua brilhar e ouvindo um silêncio maravilhoso que era quebrado apenas pelo som dos poucos carros que às vezes passavam, estava amando a experiência, de repente um cara, do nada, no escuro apareceu. Me deu um baita susto, mas era apenas um comerciante que viu minha chegada do outro lado da Ruta e queria saber se eu queria algo, um Mate, Chipas ou até mesmo Marijuana, pois ele teria ali. Sim, fiquei pasmo com o que ele falou e claro que ajudei o pobre comerciante, que por educação me convidou para desayunar com ele na manhã seguinte. . . Passei a noite feliz, dormir bem e acordei Pleno!
       
      Tudo isso apenas no primeiro Dia de Estrada. Nem imaginava as aventuras adiante, estava me sentindo livre, totalmente liberto das correntes do consumismo e da sociedade, estava livre dos estigmas alheios e finalmente me sentia no caminho para me encontrar, porque 1 dia na estrada nos ensina muita coisa, os dias são de fato aulas intensivas de viver.
       
      Dia seguinte, acordo na estrada, com o sol torrando a barraca logo cedo - Hora de começar o dia! - Cafe da manha com um panetone de chocolate que comprei com 15 pesos no dia anterior e não havia comido tudo. Bastante água, pois o nordeste argentino é bastante quente e úmido. Bora para estrada pois a próxima cidade é Eldorado. Foram longas horas debaixo do sol quente até conseguir. Mas valeu a pena, pois era 13h da tarde e já estava em Eldorado, foram mais de 100 Km tranquilos.
      Em Eldorado fiquei por 3 dias, fiquei na casa de um Senhorzinho que acolheu com muito carinho e foi muito hospitaleiro. Dale Sr. José, dono do cachorro Chiquitin muito fofo.
       
      A Cidade de Eldorado é maravilhosa! Uma cidade pequena, totalmente em meio à natureza (posteriormente fui saber que ela fica ainda na Reserva Nacional, e que essa se estende por muitos KM). Por volta das 18h as pessoas vão para a praça central da cidade tomar Mate e ficar de bobeira até umas 20h, ver aquela cena foi incrível, pois a cidade que até então era vazia e pacata se tornara por 2 horas uma cidade extremamente viva e movimentada. Como não tem muito o que fazer lá, os habitantes vão descontrair na praça, formando rodas de mate e deixando as crianças se divertirem. Conheci 2 Skatistas e destes não me recordo os nomes, pois foi uma conversa rápida mas muito rica, eles mostraram lugares para acampar e para ficar tranquilos na cidade, que o ponto forte deles é a natureza e calmaria. De fato, me rendeu 3 dias de pura paz. E assim passei o Natal, a data mais família do ano, Sozinho numa cidade pequena, sem a extravagância de fogos de artifícios ou um jantar farto e rico, e não senti falta disso. Foi maravilhoso sentir que eu estava finalmente entrando em sincronismo com o universo, sentindo a paz e vivendo o presente sem pensar no futuro ou passado.
       
      Estar na estrada mexeu comigo, pois até então eu sempre estive em um turbilhão de coisas e supostos deveres, no entanto, meu único dever passou a ser viver o momento. E a cada segundo uma nova descoberta, a prática da paciência e o autoconhecimento, guia a energia vital por todo o corpo, como resultado, um vigor infinito. Tudo passa a ser possível!  
       
      Okay, depois de muito meditar e renovar as forças, hora de pegar a estrada, Gratidão Eldorado por ter me tocado a alma e por me fazer amar ainda mais a vida! Passei no mercado, comprei pão, doce de leite e uma proteína, e umas coisinhas pensando em 2 dias, não gastei quase nada, foi barato. 60 pesos tudo. (irei compilar algumas dicas úteis para alimentação na estrada)
       
      Agora na estrada sentido Oberá, porém, são 300 km de Eldorado até Oberá, então decidi fazer em 2 partes, Carona até Jardim America, trocar de rota e ir para a Ruta 7 (pois um moço disse ser mais viável para carona até Oberá). Foram umas 2 horas até pegar a primeira carona, José. Novamente um moço gentil ele falava muito rápido, não pude compreender muito do que falava, mas ele tbm não me entendia, então estava tudo bem, em meio as palavras tinha sempre nossos risos e sorrisos felizes de estar sob a companhia um do outro. Em questão de uns 50 minutos estávamos em Jardim America, pequena cidade. Caminhei até a Ruta 7, fica apenas uns 100m, e novamente na frente de um posto policial em poucos minutos a segunda carona, infelizmente não foi até oberá pois o Sr. Maurício não iria até lá. No entanto fiquei em apenas 1 cidade antes de oberá e faltava apenas 40 KM, insistir em caronar ainda pela Ruta 7 e logo veio a terceira carona do dia, desta vez, até oberá. Foi com o Daniel, um brother muito doido, fumava um cigarro atrás do outro, mas era incrível conversar com ele, durante 5 anos ele mochilou pela argentina e sempre dá carona para mochileiros. contou um pouco da história dele e quando chegamos no destino ele simplesmente me deu o maço de cigarro dele. Sem mais nem menos, tentei negar, mas foi um insulto, logo aceitei e partiu acampar, passar mais uma bela noite sob as luzes das estrelas e o lindo olhar do, quase vazio, Luar. Dessa vez, na cidade de Oberá!
       
       
      Até então tudo vem sendo muito simples, aprendendo um bocado sobre as coisas, e ainda mais sobre mim. Aprendendo a lidar com a saudade e aprendendo a se reinventar, pois somos cada dia versões melhores de nós mesmo, basta acreditar e querer evoluir.


       
      Antes de continuar a compartilhar, quero falar sobre meu sentimento em meio à tantas transformações, minhas influências e contar um pouco de como foi o processo de mudança e adaptação, afinal, eu estava em meio á outra(s) cultura(s) e vale lembrar que eu adentrei sem saber o Idioma.
       
      Começarei pelo idioma, eu pensava - Português e Espanhol são línguas parecidas - e por isso basta falar devagar que vamos nos entender e assim pouco a pouco vou aprendendo o idioma e sua variações. Certo? - Completamente errado! Eles simplesmente não me entendiam! Não importa o quão devagar eu falasse e quão parecido fosse algumas palavras, eles não entendiam! Foi necessário criar ‘regras’ de lógica linguística baseada nas que eu sei de Português, para começar a pensar mais claro em Espanhol, como por exemplo prático: Palavras no Português com ‘São’  como, Comissão; Televisão; Versão; Expressão, entre outras, eu substitui por ‘Sion’, como Comisión; Television; Version; Expression. Vou ser franco, para pegar a base e começar a se virar no idioma é muito útil fazer isso, costuma funcionar, como isso não é nenhuma regra de gramática não é aplicável em 100% dos casos, mas é aplicável suficiente para poder desenvolver o idioma e expandir o vocabulário. Logo pessoas começam a corrigir e com isso, tendo humildade para receber a informação, muito aprendizado se adquire, mas é fato que sempre faço comparação com o português para fixar as diferenças, criando diversas regras doidas que acaba sendo incrivelmente funcional pela sua simplicidade. Um outro exemplo são os ditongos, a grande maioria dos ditongos em Português que tem ‘o’ em Espanhol é ‘ue’ Como: Novo - Nuevo; Porto - Puerto; Conto - Cuento, e por aí vai. Isso tem dado muito certo, pois para uma pessoa que não tinha base nenhuma em Espanhol entender completamente diálogos e poder criar conversas com nativos, é maravilhoso!
       
      A estrada é divertido! Se no dia-a-dia são haver risos e sorrisos, a vida é difícil para qualquer um. Então estar em harmonia com o espírito ajuda a mente a manter-se alegre, a melhor maneira de isso acontecer é se divertindo. Deste modo, o dia-a-dia fica ainda mais leve ainda que seja passando algum perrengue. E por falar em perrengue, todo problema tem ao menos duas boas soluções, então manter-se leve e positivo é necessário, para que tudo flua da melhor maneira possível. “Nunca entre em pânico”
       
      Vamos falar de Saudade? - Neste caso, vou dizer como aprendi a lidar com meus sentimentos - Não foi fácil, e desde quando decidir sair de mochilão evitei pensar nisso, porque sabia que uma hora eu sentiria saudade de algumas pessoas, e teria que lidar com isso. Além disso, eu deveria aprender a me conectar mais com meus sentimentos, me ouvir, me conhecer e entender o que eu sinto, ao menos, um de meus objetivos é encontrar meu lugar em mim mesmo. Então antes de começar a entender onde fica esse lugar, tive que aprender a organizar onde fica o lugar de cada saudade, Mãe, Irmã, Irmão, Amigo que é mais que Irmão e as poucas pessoas que tenho conexão. Entender que por mais que seja grande a saudade é natural e deve ser sentida, não devemos sentir saudade como se fosse algo dolorido, temos sentir com orgulho de ter essas pessoas e poder contar com o amor delas, pois a maior virtude da vida é amar e ser amado. Aprendi isso na estrada somente, pois até então eu sentia um vazio quando sentia saudade, pois era a falta de algo que eu sentia, hoje, sinto saudade e sinto um preenchimento completo, pois vejo todos os motivos maravilhosos que tenho para sentir esse sentimento tão especial.

       
      Estrada vai, estrada vou.
       
      Oberá é uma das grandes cidades do nordeste Argentino. Conta com a presença do parque nacional Oberá, tornando-a ainda mais bela. No entanto não passei muito tempo pela cidade, estava já com a plaqueta feita e novamente seria L. N. Além, uns 120 Km de Oberá.
       
      Foram longas horas debaixo de um sol escaldante, quase não havia movimento na estrada sentido a próxima cidade, pois os poucos carros que passavam e fazia algum sinal de resposta diziam que entrar-ir-iam antes. Fazia muito calor, e como a cidade é bem arborizada e úmida, a sensação térmica estava a mil. Decidi que comeria algo e ficaria um pouco na sombra.

      Após comer e beber bastante água, voltei onde estava e o cenário não havia mudado, estava ainda com pouca movimentação de carros. Enquanto comia próximo ao terminal, não distante da Ruta 14, ouvi uma mulher falando que tem um ônibus para a cidade de São José muito barato, é basicamente um coletivo. Sendo ainda mais preciso, como um desses ônibus que vai de São Paulo até Diadema. Dei uma olhada no mapa para ver onde ficava essa cidade e achei interessante, pois seria mais de 40 km de coletivo, tranquilo. 60 Pesos e ainda tinha água quente no ônibus, pude encher a termo e toma mate.
       
      Agora começa ficar doida a coisa. Cheguei na cidade de São José. Chorei. A cidade é distante demais da Ruta 14, porém, não havia movimentação nenhuma. Só tinha um estabelecimento aberto além da rodoviária e da Polícia, uma Sorveteria. O restante fechado, pessoas em suas casas, ninguém na rua, um ou outro cachorro que passava, mas só. Não achei posto de Serviço próximo, afinal, era uma cidade de campos, aquele era apenas o centro minúsculo e que tudo se resumia em campos. O posto mais perto fica certa de 7 - 8 Km da cidade, ao menos é na intersecção de 2 Rutas, uma Ruta X que mal posso me lembrar e a Ruta 14, minha Ruta.
       
      Andar por uma estrada reta e no calor é péssimo, pior ainda é ficar sem água. Isso estava quase se tornando realidade, entre o posto e o ponto onde eu estava na estrada era mais ou menos uns 6 Km e havia apenas mais uma rua cruzando a rota até que seja apenas campos e estrada e por sua vez o posto, ou seja, eu precisava conseguir água naquela rua! Para minha sorte, em uma das casa no início da rua havia uma família tomando Tererê em frente ao portão. Fui com minha garrafa D'água vazia até eles. - boa tarde, tudo bem? Sou mochileiro e estou passando pela sua cidade, não achei nenhum estabelecimento ou posto de serviço próximo e estou sem água, vocês podem me ajudar com um pouco de água por favor? - Fui o mais educado, embora havia progredido bastante no Idioma, era claro meu acento e as diversas vezes que falava em Português pensando estar falando Espanhol, então eu entenderia se eles pedissem para repetir ou não tivessem entendido. Ao princípio ninguém falou nada, depois de ver que eu estava esperando alguma resposta, ou qualquer coisa, uma senhora simplesmente falou - Não. - eu olhei para os outros como quem diz “ Não, o que?”. Eles entenderam, afirmaram, não temos água. O garoto que melhor fez e colocou cerca de 200 ML da termo dele na garrafa. No entanto, nada disse, nada disseram, só existiram. Eu não entendi foi é nada. Preferir não pensar sobre e agradeci com um belo sorriso, embora pouco, eu tinha um pouco mais do que momentos antes, já é algo.
       
      Caminhei o restante da estrada focado, refletindo em todo momento. A paisagem se tornou uma parceria incrível, pois sempre se transforma em quadros belos de arte natural. Desta vez não foi diferente, não era nenhuma plantação ou campos agrícolas, era somente mato em um espaço loteado vazio, um não, dezenas. Depois de 4 km andando, a água definitivamente acabou. Até que durou - Pensei e gargalhei - Continuei cerca de 500m e pude ver ao meio dos campos próximo à estrada,uma casa pequena, na medida que aproximava passei a ver que tinha uma pessoa sentada, também tomando Tererê. Quando Cheguei na frente da casa, disse o mesmo que disse para a última família, nem foi preciso dizer mais nada, a senhora rapidamente entrou em casa e em alguns minutos voltou com 2 Jarras de água gelada perguntando se eu só tinha aquela garrafa ou tinha mais para encher. Ela encheu a termo e outra garrafa de um litro e ainda tomei uns ‘goles’ lá mesmo. Ela não falou muito, e claramente não era normal aparecer alguém por aquela parte da cidade andando na estrada. Agradeci a gentil senhora, que salvou lindamente minha vida, continuei o restante até o posto de serviço feliz da vida, como sempre.
       
      Devido à circunstância isolada da cidade, o pessoal do posto de serviço aconselhou a esperar um coletivo e ir para alguma outra cidade além, pois ali nada teria e que as pessoas trabalham em campos portanto, pouco circulam pela cidade, conversei também com alguns caminhoneiros que estavam lá, e todos estavam vindo de Buenos Aires indo para O extremo Nordeste quase Brasil, fazendo todo o caminho que até então eu havia feito.
       
      Segui o conselho do funcionário do posto e aguardei um coletivo. Foram 65 Pesos até a cidade de Santo Tomé, Fronteira com o Brasil.
       
      Nessa cidade tudo aconteceu!
       
      Info: Irei postar a continuação e compartilhar todo o relato com vocês, incluindo Fotos, apenas não tenho datas e prazos, pois já estamos em Maio e Muuuuita coisa aconteceu. Escrever é algo que sempre que dá eu faço, tenho muito material desta jornada, afinal, já passei até por Buenos Aires e além. Mas dependo das condições favoráveis e tempo livre na Internet - O que confesso não ter muita prioridade e disponibilidade, visto que tenho um mundo a descobrir - Darei meu melhor, cedo ou tarde postarei mais, espero que em breve. Gratidão por ler e de algum modo fazer parte da minha história.   
    • Por Junior Jr (@rafildiss)
      Eae pessoal.
      "Oia nois aqui traveis " 
      Em Novembro de 2019, pegarei a estrada para fazer meu segundo mochilão.
      Desta vez o roteiro escolhido é Uruguai, Argentina e Paraguai, no máximo 20 dias e claro, todo terrestre. ( saindo de Floripa ).
      Se alguém for fazer esse mesmo roteiro e na mesma data que eu e quiser se juntar a essa maravilhosa aventura, será muito bem vindo.
      Deixem mensagem lá no insta e vamos  ajustando os detalhes desta viagem.
      Grande abraço à todos e sigam me os bons. @rafildiss 
       
       
    • Por VidaSemParedes
      Visitei Foz do Iguaçu, na Tríplice Fronteira com o Paraguai e a Argentina e fiz um bate-volta rápido para fazer compras no Paraguai. Vale a pena comprar perfumes, roupas, cosméticos e eletrônicos, desde que em lojas confiáveis.
       
      Listei abaixo algumas dicas para quem também pretende fazer compras no Paraguai:
      1. Não troque dinheiro no Paraguai. Prefira as casas de câmbio da Av. das Cataratas em Foz do Iguaçu.
      2. Visite apenas as lojas renomadas e as dos grandes shoppings, evite as lojas de "calçada" e os ambulantes.
      3. Algumas lojas fecham cedo, então programe sua ida para a parte da manhã, por garantia.
      4. É possível pagar em reais, dólares, cartões de débito e crédito....
      5. Não manuseie dinheiro na rua.
      6. Existem várias formas de chegar em Ciudad del Este, mas recomendo pegar um ônibus até perto da Ponte da Amizade, e atravessá-la a pé. É legal, e durante o dia, não tem problema.
      Mais dicas eu escrevi nesse artigo sobre compras no Paraguai.


×
×
  • Criar Novo...