Postado Maio 22, 2015 10 anos Membros Na língua Mapuche, Huerquehue significa lugar de mensageiros. É um dos parques nacionais mais antigos do Chile e da América do Sul, sua história data de 1912, com a criação do Parque Nacional Vicuña Mackena, que englobava a área atual do parque e posteriormente, em 1967 foi criado oficialmente o Parque Nacional Huerquehue. O Parque Nacional Huerquehue foi uma grata surpresa! Inicialmente a ideia era fazer a Villarrica Traverse, mas devido à erupção do vulcão Villarrica, parte dessa travessia foi fechada e como não queria fazer só a metade dessa trilha, tive que partir para o plano B, e deixar a Villarrica Traverse para outra oportunidade. No hostel em Pucón, conheci o Bruno, brasileiro que estava no mesmo dormitório que eu. Ao mostrar meu trajeto em Huerquehue, ele disse que iria fazer uma parte das trilhas também e combinamos de irmos juntos no outro dia. O acesso ao parque é bem simples. A partir de Pucón, há ônibus diários pela Buses Caburgua, que saem da garagem dessa empresa, em frente à garagem da JAC Buses. Fomos no ônibus de 08:30 e levamos uma hora para percorrer os cerca de 35 quilômetros até o Parque Nacional Huerquehue. Assim que chegamos ao parque fomos nos identificar, indicar as trilhas que faríamos e pagar a taxa. Eu faria o Cerro San Sebastian mais a trilha das Termas Rio Blanco, pelo acampamento Renahue. O Bruno faria o Cerro San Sebastian. Informaram-nos que somente o Camping Olga estava aberto às margens do Lago Tinquilco. A guarda que nos atendeu ainda nos disse que com o clima daquele jeito não era bom irmos ao San Sebastian, pois estava muito nublado e não teríamos vista nenhuma. O Bruno disse a ela que a previsão indicava que o tempo abriria, e que mesmo com nuvens, subiríamos. Os guardas não nos deixaram subir o Cerro San Sebastian com as cargueiras, alegando que era perigoso e tivemos que deixá-las na guarderia. Eles nem imaginavam que a insistência em subirmos com as cargueiras era porque nossa intenção era subir com toda a tralha, pois se encontrássemos um lugar legal no topo, pretendíamos acampar lá. Mas como não conseguimos dissuadir os guardas, deixamos as cargueiras e subimos apenas com as mochilas de ataque com água e um lanche. Toda a trilha até o topo do San Sebastian é uma subida só, não há nenhum trecho plano, mas é relativamente tranquila, a maior parte por bosques de coigues, lengas e araucárias. O trecho final é por uma crista exposta, que às vezes fica estreita e com algumas pedras, exigindo um pouquinho de atenção, mas nada demais. A vista lá do alto é fantástica. Visualiza-se vários lagos, o Caburgua, o Tinquilco, o Chico, o Verde, o Toro e a linda Laguna San Manuel, com seu azul intenso. Além dos inúmeros vulcões. Ao norte os vulcões Sollipulli, Llaima, Sierra Nevada, Tolhuaca e Lonquimay, que eu tinha acabado de circundar. Ao sul o Lanin, Quinquilil, Quetrupillan, Mocho-Choshuenco e Villarrica. Depois de um bom tempo no topo, descemos tranquilamente, fazendo várias paradas para saborear as amoras silvestres. Pegamos nossas mochilas na guarderia e fomos até o Camping Olga, dois quilômetros à frente, no final do Lago Tinquilco. No camping havia um lugar para ascender uma fogueira e depois de jantar resolvemos fazer um foguinho pra aplacar um pouco do frio que começava a aumentar. Uma galera que estava acampada foi curtir o fogo, além de nós dois, duas alemãs e um grupo de chilenos que fizeram um churrasco ao lado da fogueira e ofereceram comida e cerveja pra todos nós. Ficamos até tarde comendo, bebendo e jogando conversa fora. Essa foi a noite mais fria em Huerquehue. Nas primeiras horas da manhã já estávamos com as mochilas nas costas e iniciando a trilha em direção aos lagos que havíamos visto do alto do Cerro San Sebastian. A tilha segue num bonito bosque, por uma subida longa, mas leve. Sempre em zig e zag e antes de chegar aos lagos, passa por um posto de controle dos guarda parques, e depois por duas cachoeiras que estavam quase secas nessa época do ano. Dali continua subindo até chegar ao primeiro lago, o Lago Chico, margeia esse lago e mais à frente chega à bifurcação que à esquerda vai para o lago Verde e á direita para o lago Toro. Fomos até o Toro e encontramos um francês, o Arthur, descansando às margens desse bonito lago. Aproveitei que o sol estava forte e dei um mergulho nas águas geladas do lago. Bruno e Arthur me acompanharam e também caíram na água. Depois do impacto inicial da água gelada, o banho ficou uma delícia. Devo ter ficado quase uma hora ali e depois de um lanche, voltei à trilha. Ali despedi-me de meu companheiro de trilha Bruno, que voltaria pra Pucón enquanto eu seguiria pro Renahue. A trilha segue margeando o Lago Toro e proporciona bonitas vistas tanto do lago, quanto das montanhas atrás dele. Alguns quilômetros à frente há a placa que sinaliza o caminho para a Laguna Huerquehue, bem menor e menos bonita que os outros lagos. Aqui também é o último trecho quem faz o Circuito Los Lagos, retornando pela Laguna Huerquehue, Laguna Los Patos e Lago Verde. A partir desse trecho a trilha é bem menos batida, o que mostra que a grande maioria faz apenas o circuito dos lagos, mas a trilha continua bem sinalizada. Uns vinte minutos à frente, logo após a Laguna Avutardas, alcancei o mirador Renahue, que dá uma bonita vista do vale do Estero Renahue até o Lago Caburgua à oeste e do cerro Araucano à leste e diversos morros ao norte. Identifiquei o domo que fica no Renahue e desse ponto em diante é só descida até o local de camping. Como cheguei muito cedo, armei minha tenda e tirei o resto da tarde pra curtir o lugar e preparar minha comida. O local de acampamento é bem bonito, mas havia bastante lixo em alguns cantos e o “banheiro” estava fechado por algum motivo. Vi que minha bota estava começando a abrir o bico e fiz uns remendos com silver tape pra bichinha aguentar o restante da pernada. Logo depois que armei a tenda, mais um trekker chegou ao acampamento, um alemão chamado Stephan, um cara de conversa tranquila e bem solícito, disse-me que era a 17ª vez que passava as férias no Chile e a 4ª vez que visitava Huerquehue. Conversamos bastante (com meu péssimo portunhol) sobre trilhas e ele me deu bastante dicas e informações sobre os trekkings que havia feito no Chile. Ainda recebemos a visita de cavalos e vacas. Dormi cedo e não acordei nenhuma vez. O vale é bem abrigado e nem ventou, nem fez tanto frio durante a noite. Após o café, decidi deixar a tenda armada e ir até as termas sem mochila. Conversei mais um pouco com Stephan e saí antes dele arrumar as coisas em direção ás termas. Existem dois caminhos até as termas a partir do Renahue, fui pela direita, passando próximo à Laguna Pehuen e voltei pelo outro lado. O caminho que passa pela Laguna Pehuen é um pouquinho maior e bem mais íngreme. As termas são legais, mas longe de toda a beleza que algumas pessoas me falaram lá em Pucón. O Stephan chegou bem depois de mim e ainda conversamos um pouco mais. Ele acamparia ali, eu voltaria pro acampamento da noite anterior, e depois de curtir o lugar por umas 3 horas, voltei pro Renahue. Durante o retorno, tive que refazer o remendo na bota. Outra tarde com direito a visita de cavalos e vacas e mais uma noite bastante tranquila, dessa vez só eu estava acampado ali. No dia seguinte, acordei e após arrumar minhas coisas segui em direção ao Lago Caburgua. Inicialmente a sinalização continua até uma casa onde vende alguns suprimentos, mas estava fechada. Após essa casa, a trilha não é mais sinalizada e pode ser confundida por inúmeras trilhas de animais que às vezes cruzam, outras vezes seguem em paralelo à trilha certa. Para não cometerem erros como cometi, tem uma dica importante. Logo após essa casa, há uma porteira e a trilha cruza o Estero Renahue para a margem esquerda verdadeira. A partir dessa travessia a trilha segue sempre pela margem esquerda verdadeira do Renahue, qualquer outra trilha que cruze o estero está errada. Passei por alguns pomares antigos, onde apanhei maçãs e ameixas pra comer no caminho, além de parar várias vezes pra comer amoras. Nessa parte da trilha é onde há mais amoras. Após uma longa cerca de madeira, há uma bifurcação onde errei o caminho. A trilha à direita é muito mais marcada, e tem inclusive uma pequena ponte pra cruzarmos o riacho, mas leva somente até uma casa, uns 2 ou 3 quilômetros à frente. À esquerda, ela sobe em direção sul e depois faz uma curva de 90º entrando num bosque e indo até o Lago Caburgua. Nas margens do Lago há uma pequenina estação energética e a partir daí são 13 quilômetros margeando o lago por uma estradinha de terra até a cidade de Caburgua. Só encontrei dois locais que davam acesso ao lago e suas águas limpíssimas, de um azul intenso. O restante é propriedade privada, algumas só o terreno, outras com bonitas casas de veraneio. Durante o trajeto tive que remendar a bota mais uma vez, e não sei se por estar pisando um pouco diferente do habitual, acabei ganhando uma enorme bolha de sangue na lateral do calcanhar do pé esquerdo. Assim que alcancei o asfalto, um carro se aproximava, levantei o dedo e o rapaz parou e me deu uma carona até Pucón. Era um topógrafo que disse estar medindo lotes nas margens do lago. Cheguei em Pucón cansado, fui até o Hostel onde tinha deixado boa parte das minhas coisas, tomei um banho e fui tomar uma cerveja gelada pra relaxar as pernas dessa magnífica caminhada. Editado Dezembro 23, 2015 10 anos por Visitante
Postado Junho 10, 2015 10 anos Membros Parabéns Renato! Lindas fotos! Lugar lindíssimo! E só pegou tempo bom. Que beleza ter amoras e ameixas a beira da trilha. Parece que o trekking não é difícil. Vc só se bateu para encontrar a trilha uma vez por falta de sinalização. A primeira foto é do vulcão Lanin? E dentro da água tomando banho é um boto cor-de-rosa? Já tá no caderninho. Da próxima vez que for para Púcon é roteiro imperdível. Abraços, peter
Postado Junho 26, 2015 10 anos Autor Membros Grande, Peter! Huerquehue é lindo! Lagos de variadas tonalidades, bosques fantásticos e bonitas montanhas. Mas quem vai até lá não pode deixar de subir o Cerro San Sebastian, de onde se tem as melhores vistas do parque. A descrição do trekking no Lonet Planet não faz referência a essa subida. Também não menciona essa saída alternativa pelo Lago Caburgua. A foto é do Lanin sim. Realmente o trekking não é difícil. A subida para o Cerro San Sebastian tem trechos íngremes, mas como a maior parte é feita por um bosque, fica sempre fresco e agradável. O resto é bastante tranquilo. As trilhas dentro do parque são muito bem sinalizadas. Como decidi sair do parque por um caminho alternativo, a partir do acampamento Renahue tive que caminhar por uma trilha utilizada por moradores e animais e nessa trilha não há nenhuma sinalização. As vezes há algumas bifurcações que confundem um pouco, mas também é um caminho relativamente fácil. Dentro da água não era um boto, era um hipopótamo. Fiquei surpreso ao ver esse bicho na Patagônia. hehehehe Abração!
Postado Agosto 12, 2015 10 anos Membros Muito legal! Vou pra Pucón em outubro e irei fazer o San Sebastian e o Los Lagos! Realmente são muito lindos, principalmente pra mim que sou encantado por estas paisagens de bosques e lagos. Qual dos dois você aconselha a fazer primeiro? pra deixar a "cereja do bolo" pro final.
Postado Agosto 15, 2015 10 anos Autor Membros Do San Sebastian vc terá vistas fantásticas, ainda mais nessa época do ano que as montanhas em volta estarão cobertas de neve.
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