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casal100

Caminho da fé a pé - fev /16 ( caminho inverso: De Aparecida a São Carlos -SP) + Todos Ramais em Julho/2016

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Realizamos no período de 31.01 a 19.02.2016 o caminho da fé invertido (de Aparecida a São Carlos a pé ), foram aproximadamente 540 kms

Breve relato completo!

 

No nosso relato focaremos em informações sobre pessoas, pousadas, dificuldades, histórias e estórias.

 

Para aquelas pessoas que querem informações mais detalhadas melhor ler o excepcional relato do Augusto abaixo.

Disparado o melhor relato sobre o MELHOR caminho do Brasil :

caminho-da-fe-429-km-em-15-dias-de-caminhada-relato-dic-t29158.html

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1° dia - 31.01.2016 - Domingo

 

Terminamos no dia anterior o CRER, foram +- 820 kms em 31 dias.

Num relato o Augusto, daqui do MOCHILEIROS, me atiçou a fazer o CF desde Tambau - SP até Aparecida, e isso ficou na minha cabeça.

Como tínhamos mais alguns dias livres, lembrei dessa "cobrança ", pensamos ir até Tambau e voltar a Aparecida, acontece que isso demandaria tempo e dinheiro, portanto decidimos fazer o CF invertido.

Enfrentamos algumas dificuldades pois o caminho, diferentemente da ER, não foi projetado para fazê -lo ao contrário.

Apesar disso, podemos considerar que foi "até " tranquilo (erramos umas 3 ou 4 vezes sem prejuízo, pois o Googlemaps nos ajudou bastante a achar o caminho certo).

 

Saída de Aparecida e chegada em Pindamonhangaba - SP

+- 24 Kms em aprox. 5 horas.

Acumulado : 24 kms

 

Neste dia enfrentamos o primeiro problema :

A administração do CF alterou o caminho, agora o oficial não passa dentro da cidade de Pindamonhangaba , é realizado passando por fora, saindo da parte crítica devido a assaltos neste trecho, desviando também da rodovia asfaltada com muito movimento de veículos e sem sombras.

 

 

Gentilmente o hotel que dormimos em Aparecida serviu café da manhã às 05:15 horas.

Estava previsto tempo quente, portanto saímos bem cedo.

O trecho é praticamente reto em estrada asfaltada com acostamento e faixa para ciclistas na chegada a pinda.

Não tivemos uma experiência agradável na pousada fortaleza em pinda na nossa primeira viagem.

Priorizamos ficar em um hotel bom, para repor as energias dos dias anteriores.

Estávamos acostumados a refeições a no máximo $32 o kg, em Pinda tinha somente 2 restaurantes abertos no domingo assim mesmo cobrando acima de $45 o kg

Compramos nosso almoço /jantar no supermercado  $60

Tomamos açai 500 ml  $8 cada

Doces e biscoitos: $10

 

Altitude em Pindamonhangaba: 600 msnm

 

Hospedagem :  Flat hotel Carioca, centro de Pinda, novo, camas ótimas, tv, wifi ruim, cozinha completa mas sem utensílios,  ar condicionado, preço : $ 190 casal com café da manhã.

Não tem filtro d'agua .

Este hotel não está na relação do CF.

Acumulado geral :  835 kms

 

Algumas fotos:

Foto tirada no dia anterior....chegada do caminho religioso da estrada real..

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Nascer do dia....pelo caminho

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Árvore no caminho...

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Chegada em Guaratinguetá-SP, muitooo calor

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2° dia - 01.02.2016 - Segunda-feira

 

Saída de pindamonhangaba e chegada a pousada serra da Mantiqueira  (distrito de Piracuama) - SP

+- 20 Kms em aprox. 04:10 horas

Acumulado CF: 44 kms

 

O hotel disponibilizou ótimo café da manhã às 05:15 horas.

Saímos rapidamente da cidade, chegamos na estrada velha de acesso à Campos do Jordão,  com muitas curvas acentuadas e poucas subidas/descidas fortes, com acostamento estreito.

Lindo visual de montanha.

Depois de cruzar a linha do trem de ferro tem uma entrada à direita que leva a Piracuama.

Massagem quick: $35

 

Altitude: 650 msnm

 

Hospedagem: pousada serra da Mantiqueira  (12)3648-8432, camas boas, ventilador,  tv grande na sala, piscina, campo futebol, limpo,  ótimo atendimento dos donos.

Preço : $ 160 casal com almoço e café da manhã.  RECOMENDO.

Obs.: em feriados prolongados essa pousada é alugada para famílias, não recebem peregrinos. A opção é seguir até próximo de Pinda.

Ligue antes pra confirmar.

 

Acumulado: 855 kms

 

Algumas fotos:

Café da manhã na pousada...

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3° dia - 02.02.2016 - Terça -feira

 

Saída pousada serra da Mantiqueira e chegada a Campos do Jordão  - SP

+- 24 Kms em aprox. 05:30 horas.

Acumulado CF: 68 kms

 

Pousada disponibilizou café as 06 da manhã, como somos alérgicos a leite e Glutén, dona Iolanda cozinhou uma batatas doces e serviu pra nós. Duro foram os rojões no caminho

 

Pegamos estrada de asfalto logo a frente começa a de terra, mais a frente entramos nos trilhos da estrada de ferro até estação pinhal.

Paramos e tomamos um espresso, um bolinho de bacalhau do tamanho duma bolacha custava $7,50 cada (caríssimo ) essa eu passei!

Seguimos novamente os trilhos sempre subindo até uns 1750 msnm. Mais à frente entramos à direita numa estrada estreita de asfalto sempre subindo com lindos mirantes. Vimos de longe a pedra do baú.

Finalmente começou uma descida forte até avenida principal,  com grande movimento de veículos e um sol forte. Uns 2 kms à frente viramos à direita e novamente a esquerda e chegamos a pousada.

Almoçamos numa churrascaria Self-service a $39,90 kg próximo à pousada.

Compras supermercado  $23

 

Altitude Campos do Jordão : 1570 msnm

 

Hospedagem: Pousada refúgio dos peregrinos  (12) 3664-1983 e 99614- 4401,  quarto e banheiro coletivos, camas beliches Boas,  wifi, serve refeições e pode lavar roupa com uma taxa de $15 por pessoa,  tem bebidas,doces, camisetas pra vender. Preço  $65 por pessoa com café da manhã.

Obs.: o que me impressionou bastante, foi que vc mesmo fecha a sua conta e deixa o dinheiro numa caixa na sala. IMPRESSIONANTE, até parece que não estamos no Brasil.

 

 

Acumulado CRER + CF :  879 kms

 

Algumas fotos:

Estrada de terra após pousada, lindo visual de montanha.

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Subindo pela estrada do bondinho

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Passando por cima rodovia.

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Lindo visual de montanha, após trilhos

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Mirante para Pedra do Baú

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Estrada asfaltada antes de Campos do Jordão.

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4° dia - 03.02.2016 - Quarta -feira

 

Saída de Campos do Jordão e chegada na pousada Barão Montês (São Bento do Sapucai) SP

+- 21 kms em aprox. 04:50 horas.

Acumulado CF: 89 kms

 

Nossa previsão era sair as 06 horas, pedimos a Marilza e ao seu esposo Edson que deixassem o café da manhã pronto. Tomamos o café nisso apareceu o Edson e ficamos conversando até às 07:30hrs. Tivemos que alterar nosso percurso, programamos de dormir em Luminosa, pelo calor que estava fazendo ficamos no barão montês.

 

Como estávamos fazendo o caminho inverso enfrentamos algumas dificuldades para achar o caminho certo, principalmente nos entroncamentos,  mas no final deu tudo certo.

Trecho inicial dentro do perímetro urbano com subidas médias e algumas retas.

No topo pequena reta até entrar numa estradinha de terra até campista,  com algumas subidas leves e descidas fortes.

Chegamos na estrada asfaltada e num bar comemos salsicha e tomamos refrigerante e compramos petiscos para hoje.

Viramos à esquerda e pegamos uma subida forte de uns 5 kms com muita sombra,  com linda  vista de montanha.

Comemos um PF na pousada $15 por pessoa

Caldo à noite: $15 por pessoa

Compras petiscos e refri $15

 

Altitude: 1690 msnm

 

Hospedagem :  Pousada Barão Montês,  lindo lugar, quarto e banheiro compartilhado,  camas boas, sem wifi e TV,  lindo lugar, preço : $50  por pessoa com café da manhã.

Tem restaurante(PF $15 e à vontade $25) e tanque.

 

Acumulado CRER + CF :  900 kms

 

Algumas fotos:

Lindos Jardins dentro de Campos de Jordão

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Pequena parte pelo asfalto

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Lindas flores.

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Chegada pousada Barão Montês

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5° dia - 04.02.2016 - Quinta -feira

 

Saída pousada Barão Montês e chegada a Paraisopolis - MG

+- 41 Kms em aprox.  09:30hrs

Acumulado CF: 130 kms

 

Gentilmente preparam o café da manhã às 05 horas,  como o papo com os proprietários da pousada estava ótimo, saímos as 06 horas.

Gentilmente fizeram mandioca cozida/omelete e frutas no café da manhã.

 

Aqui lembrei do nosso companheiro Augusto que fez Paraisopolis x Barão Montês uns anos atrás.

 

No início pequeno trecho de asfalto com subida e descida forte até entrada estrada terra à direita.

Aí pensamos : agora é só descida até  Luminosa,  ledo engano. Até a divisa entre São Paulo e Minas Gerais tem subidas /descidas médias,  mas após a divisa eh praticamente descida forte, com muita pedra escorregadias e buracos, com lindos mirantes, pena que o Augusto passou aqui à noite e não viu o visual. Paramos na dona Inês pra tomar um cafezinho,comer banana e prosear.

Seguimos morro abaixo até Luminosa, o sol já começava a queimar.

Pegamos subida forte depois de Luminosa com lindo visual e muito calor (Subida forte). No topo encontramos uma senhora de São Paulo que estava vindo em sentido contrário desde sertaozinho.

Paramos na vó Maria em Cantagalo mas não tinha ninguém, queríamos comer os excepcionais doces que ela fabrica

Compramos água mineral de 1,5 litro $4 e seguimos.

Pegamos descidas/subidas fortes e algumas retas até estrada asfaltada, entramos à esquerda e caminhamos nela um pequeno trecho até virar à direita.

Dentro da cidade pegamos 2 subidas fortes. Sol forte no final, tivemos que parar numa casa pra pedir água gelada o que amenizou a situação.

 

Tomamos açai 700mls  $10

Compramos água, frutas, presunto, legumes  $20 e Almoçamos, pois chegamos tarde e os restaurantes estavam fechados.

Jantamos na praça(em frente a pousada, do outro lado da praça)um comercial  $15 cada.

 

ALTITUDES:

Topo divisa sp/mg +- 1700 msnm

Cidade Luminosa : 870 msnm

Topo subida após Luminosa : 1230 msnm

Paraisopolis : 950 msnm

 

Hospedagem: pousada da praça  (35)3651-2458, camas boas, tv, wifi,  ventilador, frigobar, bolo à tarde, sacada. Preço: $66 por pessoa com café da manhã a qualquer hora.

Tem filtro d'agua.

 

Acumulado CRER + CF: 941 kms

 

Algumas fotos:

Pequeno trecho em asfalto, com lindo amanhecer

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Divisa SP x MG, aqui começam as descidas fortes

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Lindo visual de Luminosa-MG

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Lindo visual

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Chegando em Luminosa

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Subidona depois de Luminosa

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Próximo a Parisópolis mais uma subida forte.

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6° dia - 05.02.2016 - Sexta-feira

 

Saída de Paraisopolis e chegada a Consolação.

+- 25 kms em aprox. 06:10 hrs

(4 kms andamos a mais pois erramos o caminho)

Acumulado CF: 155 kms

 

Como programamos caminhar somente até Consolação saímos às 06 horas.

Pegamos uma subida forte na saída da cidade, foram quase 1 hora de subida, com linda vista das montanhas, contrastando com o nascer do dia. Vimos a pedra do baú de um ângulo diferente (seguindo a dica do Augusto). SIMPLESMENTE LINDO.

 

O percurso continuou com subidas e descidas fortes e algumas retas, num entroncamento entramos errado e seguimos reto, atravessamos uma ponte e percebi que estava errado, consultei o googlemaps e ratifiquei.

Resolvemos não retornar e seguir o maps,  que foi perfeito.

Atravessamos várias fazendas e algumas trilhas, vimos cachoeiras, visuais belíssimos de vales verdes e de pedras.

Apesar de andar uns 4 kms à mais, valeu a pena ter se "perdido".

 

Chegamos no asfalto bem próximo da cidade, pelo menos o sofrimento foi menor, pois caminhar no asfalto com sol forte é complicado.

Já chegamos na pousada da dona Elza e encomendamos nosso almoço,  comemos e dormimos a tarde toda.

 

Altitude Consolação: 1040 msnm

 

Hospedagem: Pousada da dona Elza, camas boas, wifi, tv coletiva,  banheiro privado, ventilador. Preço: $55 por pessoa com almoço e café da manhã.

Obs.: Prefiram os quartos do andar de cima, tem um quarto com banheiro privado. Opte pelos quartos do fundo porque o sino da igreja, em frente, acho que toca a noite toda..a  cada hora.

 

Acumulado CRER + CF: 966 kms

 

Algumas fotos:

Lindo amanhecer depois de Paraisópolis, vale com várias montanhas. Um dos ponto altos do CF.

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Neste vale sobrepoem a Pedra do Baú.

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Vale completo

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Chegando ao topo, Consolação ao fundo...até aqui estávamos certos, logo abaixo erramos o caminho, passando direto num entroncamento

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Caminho errado, mas com subidas fortes e lindo lugares

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idem, mais subidas

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Pequeno trecho em asfalto, ao fundo Matriz de Consolação

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7° dia - 06.02.2016 - Sábado

 

Saída de Consolação e chegada a Estiva - MG

+- 26 kms em aprox. 06:20 horas.

Acumulado CF: 181 kms

 

Saímos às 06 horas, ainda escuro,

por um descuido passamos direto da entrada para caminho da fé.

Uns 5 kms à frente, como não vi nenhuma seta atrás dos postes,  resolvi consultar o Googlemaps que sinalizou que estávamos uns 8 kms de cambui. Resolvemos voltar e pegar um atalho para entrar no caminho certo. Depois de uns 10 kms entramos nela.

O trecho foi mais tranquilo do que o de ontem. Algumas subidas /descidas médias e retas.

Atravessamos a Fernão Dias por uma passarela.

Almoçamos na praça da matriz Self-service a $20 por pessoa à vontade.

Compras de supermercado : $30

Açai 500 ml $8

 

Altitude Estiva: 900 msnm

 

Hospedagem :  pousada Poka, praça matriz, em cima padaria. Camas ótimas,  tv, wifi, ventilador, máquina de lavar  ($15 por pessoa), varal para secar roupa, preço : $60 por pessoa com café da manhã.

Tem filtro de água e cede geladeira pra

água.

Obs.: quando chegamos ao hotel quase não conseguimos vaga, muita gente fazendo o CF de bike, por um descuido esquecemos que em feriado prolongado o pessoal faz alguns trechos e que os hotéis ficam lotados . UFA CONSEGUIMOS!

E amanhã, como foi?

 

Acumulado CRER + CF:  992 kms.

 

Algumas fotos

Até aqui estávamos certos, mas quase chegamos a Cambuí, tivemos que retornar uns 5 kms

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Muitas subidas no atalho a principal

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Muitas subidas/descidas com lindo visual de montanha no horizonte

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Passando por cima BR, e chegando a Estiva-MG

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8° dia - 07.02.2016 - Domingo

 

Saída de Estiva e chegada a Borda da Mata - MG

+- 37 Kms em aprox. 09:20 horas

Acumulado CF : 218 kms

 

Gentilmente a pousada serviu café às 05:30hrs.

1° trecho: Estiva x Tocas do Mogi

+- 21 kms em aprox. 05:00hrs

Descida leve no início, num entroncamento viramos à esquerda e começamos uma forte subida; no topo lindo visual de montanha parecia que estávamos em cima das nuvens.

Caminhamos no topo um pouco,  até começar uma forte descida e logo a seguir forte subida. Depois começou descida leve e reta até próximo a Tocos onde começou uma forte descida até a cidade.

As pousadas estavam lotadas, decidimos tocar até Borda da Mata.

Obs.: se por acaso forem fazer o caminho da fé em feriados prolongados, sugiro que façam reserva antecipadamente nas pousadas.

Outra opção é pegar um ônibus e dormir em cidades próximas e, no outro dia continuar.

 

2° Trecho: Tocos do Mogi x Borda da Mata.

+- 26 kms em aprox. 04:20 hrs.

No início forte subida, após descidas leves. Depois dum vilarejo começa outra forte subida após outra forte descida até cruzamento asfalto.

Depois do asfalto tem 2 fortes subidas.

Calor fortíssimo.

Tomamos Açai 700mls $ 10 e 500 ml $8

Compra padaria : $20

Remédios: $34

 

Altitude borda da mata :  900 msnm

 

Hospedagem: Hotel Village,  camas ruins, tv, ventilador, wifi. Preço  $60 por pessoa com café da manhã. Café da manhã somente após 06:30 horas. NÃO RECOMENDO. muita reclamação dos peregrinos.

Tem filtro d'agua .

Obs.: não servem café da manhã antes das 06:30hrs.

 

Acumulado CRER + CF:  1.029 kms

 

Algumas fotos :

Depois de uma subidona, a neblina atrapalhou o lindo visual do topo.

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Depois de uma descidona, tivemos que subir aquilo lá...lindo aquilo lá

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Oba, chegamos a Tócos do Moji....ledo engano.....tivemos que caminhar mais um montão..

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Depois de tocos, subida fortíssima e após descida idem...lindo visual

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Lindo visual

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9° dia - 08.02.2016 - Segunda-feira

 

Saída de borda da mata é chegada a Inconfidentes  - MG

+- 21 kms em aprox. 04:30 horas.

Acumulado CF: 239 kms

 

Hotel infelizmente não disponibilizou café da manhã.

Passei uma noite terrível devido o forte calor e ventilador barulhento, aliado a sujeira da cama. Realmente uma lástima esse hotel.

 

Por isso resolvemos andar somente até inconfidentes (21 kms).

Trecho com algumas subidas e descidas médias,  no final estrada de terra e asfalto praticamente retas. No início forte neblina e tempo frio depois de 2 horas de caminhada o tempo abriu e fez forte calor.

Lindo visual de montanhas,  alguns trechos com bastante sombra.

Nesses últimos 3 dias encontramos no caminho vários ciclistas e uns 10 peregrinos.

Almoçamos no restaurante do hotel $29,90 o kg.

Açai 500 ml  $9

Compras frutas /água  $25

Num frutaria vi umas espigas de milho e perguntei o preço e a dona se ofereceu para cozinhar pra nós  $10 oito espigas. Eta povo mineiro!

Ainda por cima entregou no hotel!

 

Altitude inconfidentes :  870 msnm

 

Hospedagem: Pousada Martinelli, próximo à matriz,  cama boa, tv, wifi,  ventilador, quarto pequeno mas limpissimo. Preço: $50 por pessoa com café da manhã.

O hotel tem restaurante Self-service a $29,90 o kg. RECOMENDO.

Não tem filtro d'agua.

 

Acumulado CRER + CF: 1050 kms

 

Algumas fotos :

Muita neblina

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Saudando nossa chegada

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    • Por Ronaldo Paixão
      Caminho da Fé – Pedra do Baú – Travessia da Serra Fina – Agulhas Negras e Prateleiras (PNI).
      Estou escrevendo este relato um ano depois que fiz esse passeio. Talvez eu esqueça alguma coisa.
      Eu estava precisando me desligar da vida que eu vinha levando. Estava precisando fazer o que eu mais gostava, caminhar bastante, travessias em trilhas, subir montanhas, me isolar do mundo “civilizado”.
      Tinha decidido que eu iria “largar tudo” e sair, sem saber até onde eu iria ou quando voltaria. Tinha uma grana guardada (cinco mil) e deveria ser suficiente para eu viver por pelo menos uns 3 meses.
      Falei com meu irmão que ele teria que se virar sozinho em nosso comércio. Falei com minha família que eu estava indo por não sei quanto tempo, mas que eu voltaria qualquer dia.
      Trabalhei até 31 de agosto, quase meia-noite. No dia 01 de setembro fui para um apartamento onde fiquei por 4 dias planejando lugares que queria conhecer, vendo preço de ônibus, tracklogs, etc. Na manhã de 4 de setembro parti para São Paulo e naquela noite para águas da Prata, onde minha jornada começaria.
      Como eu iria para vários lugares, diferentes um do outro, tive que levar muita coisa na mochila. Coisas que usaria em algum passeio, mas que seriam dispensáveis  em outro. Ainda assim tentei levar o mínimo possível.
      Ítens que levei:
      -    Mochila Osprey Kestrel 48 litros com Camel Back de 2 litros
      -    Dois cantis de 900 ml. Um com caneca de alumínio.
      -    Rede Amazon e tarp Amazon da Guepardo.
      -    Saco de dormir Deuter 0º
      -    4 camisas dry fit
      -    2 blusas finas de fleece.
      -    2 calças quechua de secagem rápida
      -    6 cuecas
      -    3 pares de meia
      -    1 boné
      -    1 touca
      -    1 par de luvas (daquelas de pedreiro)
      -    1 par de sandálias Quechua
      -    1 par de botas La Sportiva
      -    Kit Fogareiro + panela pequena
      -    2 isqueiros
      -    1 canivete
      -    1 colher plástica
      -    1 botija de gás Nautika pequena
      -    GPS
      -    Celular (para fotografias)
      -    Caderneta e caneta
      -    1 Anorak
      -    Corda e cordelete
      -    Bolsa de nylon (para transportar a mochila no ônibus)
       
      Caminho da Fé. Águas da Prata até Aparecida.
      Caminho da Fé – 1º dia. 30Km
      05-09-2018
      Águas da Prata (SP) até Andradas (MG).
      Início 05:15 horas e chegada 12:55 horas
      Almoço : Pavilhão hamburgueria
      Jantar: bolachas e sanduba no hotel.
      Pernoite: Palace Hotel.
      Seguindo o conselho de um cara que desceu comigo e iria fazer o caminho de bike eu iniciei cedo para evitar o sol. Só que por esse motivo fui sem comida. Só comi uns pedacinhos de rapadura que ele me deu e uma banana que ganhei de um ciclista.
      Pelo longo tempo inativo, eu senti um pouco o peso dos 17Kg que estava levando na mochila.
      Caminho da Fé – 2º dia. 36 Km
       06-09-2018.
      Andradas (MG) até Crisólia (MG).
      Partida às 08:00 horas e chegada às 17:40 horas.
      Almoço: salgadinho no Bar Constantino, comunidade da Barra.
      Jantar: miojo num banco ao lado da rede.
      Pernoite: rede 
      Subidas cavernosas. Serra dos Lima, Barra, Taguá e Crisólia. 
      Cheguei tarde, fui numa pousada carimbar a credencial e depois procurei duas árvores para esticar a rede, fazer o rango e dormir. Nesse dia não teve banho.
      Caminho da Fé – 3º dia. 38 Km
      07-09-2018
      Crisólia (MG) até Borda da Mata(MG). 
      Partida às 07:30 e chegada às 18:00 horas.
      Almoço: pastel no Bar do Maurão em Inconfidentes
      Jantar: x-salada em lanchonete perto do hotel.
      Pernoite: Hotel Virgínia.
      Feriado da Independência. Fui acordado às 6 da manhã com queima de fogos e hinos. Passagem por Ouro Fino e Inconfidentes. Desfile cívico em todas as cidades.
      No hotel em borda da mata conheci um casal de cicloturistas que estava com um carro de apoio. Consegui que levassem um pouco das minhas coisas até Estiva. Foram 6 Kg a menos para carregar.
       
      Caminho da Fé – 4º dia. 17,5 Km.
      08-09-2018.
      Borda da Mata(MG) até Tocos do Mogi (MG).
      Início às 08:00 horas e chegada às 12:40 horas.
      Almoço: um pouco de morangos colhidos no caminho.
      Jantar: Lanche na festa da padroeira.
      Pernoite: Pousada do Zé Dito. (muito boa e barata)
      Dia mais curto. A pousada ficava no calçadão principal, onde estava acontecendo a festa da padroeira. Estava difícil dormir. O jeito foi sair para a festa e tomar umas, apesar do frio que fazia de noite.
        
      Caminho da Fé – 5º dia. 21,5 Km
      09-09-2018
      Tocos do Mogi (MG) até Estiva (MG).
      Início às 09:00 horas e chegada às 14:20 horas.
      Almoço: moranguinhos (quase 1 Kg) e queijo fresco com caldo de cana.
      Jantar: Restaurante perto da pousada.
      Pernoite: Pousada Poka.
      Trecho muito bonito. Muitas plantações de morango. Muitos pássaros.
      Na pousada eu recuperei minhas coisas que haviam sido deixadas ali e já consegui ajeitar um novo transporte delas até Potim, já pertinho de Aparecida.
      Caminho da Fé – 6º dia. 20 Km
      10-09-2018
      Estiva (MG) até Consolação (MG).
      Partida às 07:30 e chegada às 12:45 horas.
      Almoço, jantar e pernoite: Pousada Casarão
      Destaques deste dia. Cervejinha gelada num bar onde um piá gordinho queria tirar uma selfie comigo. E também queria meu bastão de selfie de qualquer jeito.
      Também destaque para o canto da seriema, triste e ao mesmo tempo bonito, que se fez presente muitas vezes. Também tem a subida da serra do Caçador, cavernosa.
      Além disso, nesse trajeto é comum vermos carros de boi e também “canteiros”onde os agricultores esparramam o polvilho para secar.


      Caminho da Fé -  7ºdia. 22,5 Km
      11-09-2018.
      Consolação (MG) até Paraisópolis (MG).
      Início às 07:00 e chegada às 12:30 horas.
      Almoço: Restaurante Sabor de Minas. Muito bom e barato. Comi pra danar.
      Janta: coxinha na praça.
      Pernoite: Hotel Central
      Foi um dia especialmente marcado pela presença dos pássaros ao longo do caminho, canários, sabiás, pássaros pretos, coleirinhas, gralhas, joões-de-barro, tucanos, maritacas. E aves maiores, como gaviões, seriemas e garças brancas.
      Também vale destacar a grande quantidade de flores, principalmente nos portões das casas dos sítios.
      Caminho da Fé – 8º dia. 28,5 Km.
      12-09-2018
      Paraisópolis (MG) até A pousada da Dona Inês, que fica 4 Km depois do distrito de Luminosa, município de  Brazópolis.
      Início às 07:55 e chegada às 15:15 horas.
      Almoço: Salgadinho e coca numa mercearia em Brazópolis.
      Jantar e Pernoite: Pousada da Dona Inês.
      Foi o dia mais quente desde o início do caminho. Era meu aniversário de 52 anos e ficou marcado porque depois do jantar na Pousada, uma amiga de caminho, a Fabiana, puxou um parabéns a você, junto com as outras cerca de 20 pessoas que estavam ali. Fiquei bem emocionado.
       
      Caminho da Fé – 9º dia. 33 Km
      13-09-2018
      Pousada Dona Inês (Luminosa-MG) até Campos do Jordão (SP).
      Início às 05:45 e chegada às 18:45 horas.
      Almoço: Restaurante Araucária. Fica perto da placa que indica a entrada para a pousada da Dona Rose e da madeireira Marmelo. Comida muito boa.
      Jantar: Caldo de Mandioca com carne. NIX Caldos e lanches.
      Pernoite: Refúgio dos Peregrinos
      Na verdade, a quilometragem total desse dia foi de 51 Km porque no meio do caminho decidi que iria subir a Pedra do Baú. Isso me custou várias horas e me fez chegar em Campos do Jordão já de noite. Mas valeu muito a pena.
      O dia amanheceu lindo. Logo de cara a temida subida da Luminosa, mas que não é nada de tão difícil.
      Depois é asfalto até o fim do dia.
      A pousada Refúgio dos Peregrinos é bem diferente. Tem uma tabela de preços na parede. Você anota o que consumiu, faz as contas, paga e faz o troco. Tudo na base da confiança.

      Caminho da Fé - 10º dia. 52 Km
      14-09-2018
      Campos do Jordão(SP) até Pindamonhangaba(SP).
      Início às 06:00 horas e chegada às 17:45 horas.
      Almoço: Sanduíche em Piracuama.
      Jantar e pernoite: Pousada Chácara Dois Leões.
      Nesse dia todos os que estavam no refúgio dos peregrinos foram por Guaratinguetá, menos eu que fui por Pindamonhangaba. Descida pela linha do trem até próximo a Piracuama, com uma garoa fininha que de vez em quando virava um chuvisco.
      De tarde foi só asfalto e chuva. Cheguei na pousada já escurecendo. Foi o dia mais cansativo, pela quilometragem, pela chuva e principalmente pelo asfalto.

      Caminho da Fé - 11º dia. 24 Km.
      15-09-2018.
      Pindamonhangaba(SP) até Aparecida(SP).
      Início às 09:00 horas e chegada às 15:15 horas.
      Almoço: Pesqueiro Potim. Comida muito boa. Comi feito um louco. Aqui eu recuperei o restante de minhas coisas que tinham vindo no carro de apoio de amigos.
      Pernoite: Hotel em Aparecida.
      Esse era o último dia no caminho. Um misto de ansiedade por chegar e de nostalgia antecipada das experiências vividas e das paisagens do caminho.
      A chegada na basílica é emocionante, não importa em que você acredita, ou se acredita em algo.
      Fica a saudade dos lugares. Dos amigos. Dos passarinhos.


      Fiquei em Aparecida até segunda-feira, quando fui ao correio e despachei para casa algumas lembrancinhas que tinha comprado e coisas que tinha levado e que vi que não ia usar. A calça jeans e a camisa de passeio. Umas cordas. Um dos fleeces e a bolsa de transporte.
       
      A Vida e o Caminho da Fé.
      Durante esse derradeiro dia de caminhada me veio à mente uma analogia entre a vida e o  “caminho da fé”.
      O caminho da fé cada um começa de onde quiser, mas todos com o mesmo destino. No caminho o destino é a basílica de Aparecida, na vida a gente sabe o destino.
      No caminho as pessoas vão chegando, amizades vão sendo feitas. Uns mais lentos outros mais apressados. Uns madrugadores outros nem tanto. Uns alegres e comunicativos, outros mais quietos e introspectivos. Muitos de bike, passam pela gente voando, só dá tempo para um “bom dia”. Assim também é a vida e os amigos que vamos fazendo. Uns continuam por perto, outros se distanciam, mas continuam amigos
      No caminho não importa sua classe social, sua cor, opção sexual, grau de instrução ou idade. O destino é o mesmo para todos. Assim também é na vida.
      No caminho a jornada é longa, alguns dias são mais difíceis, parecendo que não vão terminar. Outros passam leves e agradáveis, a gente nem queria que terminassem. Igualzinho a nossa vida
      Temos que superar o cansaço, as bolhas, os pés inchados, joelhos e tornozelos doendo, a mochila pesada que nos deixa com os ombros marcados. Enfrentar as subidas, as descidas, os buracos, as pedras, a fome e a sede em alguns momentos.
      Por mais difíceis que sejam esses obstáculos, eles são superados. Ficam para trás. Igualzinho na vida.
      O caminho também nos oferece muitas coisas boas. Simples, mas inesquecíveis. Os pássaros cantando ao lado da estrada. A beleza e o perfume das flores. Os riachos que nos permitem um banho refrescante depois de uma subida cansativa. As conversas com os amigos. O pôr do sol por trás das montanhas. A janta e a cama quente que nos restabelecem para o dia seguinte. O nascer do sol de um novo dia, nos lembrando que sempre nos é dada uma nova chance de sermos felizes. Assim também acontece na nossa vida.
      Seja no caminho da fé, ou na vida, o destino a gente sabe qual é. O importante é deixar para trás o que para trás ficou. E aproveitar ao máximo a jornada.
       
      Pedra do Baú.
      Eu sempre gosto de planejar meus passeios, travessias. Mas sobre a Pedra do Baú eu não sabia nada. Só de ouvir falar, de ler alguma coisa de relance. Mesmo assim era uma coisa que eu tinha vontade de fazer algum dia, se desse certo.
      Era o dia 13-09-2018, meu nono dia no caminho da Fé. Era de manhã e eu caminhava pela rodovia, junto com um peregrino de nome Donizete, que eu conhecera na pousada da Dona Inez. Passamos por uma placa que indicava a entrada para o Parque Estadual da Pedra do Baú.
      Eu falei para ele: - Donizete, vai em frente que eu vou subir a Pedra do Baú.
      Ele disse: - Cara, isso vai demorar. Você só vai chegar em Campos do Jordão de noite. Isso se der tudo certo.
      Daí eu disse:- Tem que ser hoje. Não sei se vou ter outra chance. Quem sabe eu nunca mais passe por aqui.
      Me despedi dele e entrei na estradinha que levava ao parque. Escondi minha mochila e fui só de ataque, levando água, uma rapadura, uma paçoca, o GPS e o celular para tirar as fotografias.
      Depois de uns 4 Km cheguei onde começavam as trilhas e entrei na que indicava Pedra do Baú, face norte. Passei por uns caras que eram guias e estavam levando equipamentos de escalada. Depois de um tempo cheguei num local que tinha uma escada amarela grande, fixada na parede de pedra. Não pensei duas vezes. Subi aquela escada e depois continuei uma escalaminhada, com misto de escalada em alguns pontos, até que já estava bem alto e não tinha mais para onde subir. Estava pensando até em desistir e voltar embora, quando avistei uns caras no cume de um morro que eu julguei ser o Baú, mas acho que era o Bauzinho.

      Gritei para eles e eles responderam de volta. Perguntei como chegava na Pedra do Baú e eles me disseram para descer de novo e seguir mais em frente.
      Desci e estava chegando ao ponto em que tinha começado a subida quando vi eles vindo. Esperei por eles. Conversamos por um tempo e eles me deram as informações sobre como chegar até onde a subida começava realmente.
      Segui em frente pela trilha e pouco depois eu chegava na base da Pedra do Baú, onde um guia estava terminando os preparativos para iniciar a subida com um casal de clientes. Capacetes, corda, mosquetões, etc.
      Eu estava ali de bermuda, boné e botina.
      Eu vi aquela parede enorme e aquela sequência de grampos na pedra que eu não sabia onde terminaria. Pensei: - vou esperar ele começar a subida e assim pego uma carona. Se o negócio apertar eu peço arrego para ele.
      Foi quando ele virou pra mim e perguntou: - Vai subir?
      Falei que sim e ele disse:- Pode ir na frente então. A gente ainda vai demorar uns minutos.
      Eu pensei:- já era minha carona. 
      Era uma parede de pedra quase vertical e muito exposta, que devia ter mais de 300 metros de altura.
      O jeito foi encher o peito de ar, mirar para cima e começar a subida.
      Subi meio que com medo no começo, mas também com muita confiança Parei algumas vezes no meio para tirar fotos. Passei por mais dois guias com clientes antes de chegar ao cume. Um deles foi bem legal e me deu umas dicas sobre o percurso que faltava.
      Muitos trechos com vento forte e eu pensava: - se eu parar agora eu travo. E ia em frente. Os últimos grampos, quando se está chegando no cume são especialmente complicados, porque você tem que abandonar a “segurança” que os grampos te dão para poder chegar no cume.
      Mas depois de uns 20 minutos de subida, lá estava eu no cume da Pedra do Baú. 
      Foi um momento mágico. Bem mais do que eu esperava. O visual era incrível. Tirei foto de tudo que é jeito. Deitado sobre a beira do abismo, em pé, etc.

      Aqui vou abrir um parênteses. Apesar de estar no caminho da Fé, um caminho católico, onde se passa por muitas igrejas, as únicas vezes na vida que eu senti realmente uma presença muito forte, do que alguns podem chamar de Deus, foi quando estive no cume de alguma montanha ou embaixo de uma cachoeira. Nunca em uma igreja. Deixei de frequentá-las faz muito tempo. 
      Me lembro de ter me encontrado com “Deus”, no cume do Alcobaça (2013), em Petrópolis. Embaixo da cachoeira do Tabuleiro, literalmente, em 2013 (e agora em 2019 de novo). Nos Portais de Hércules, Travessia Petro-Tere, em 2014. No cume do Pico Paraná em 2015 (não encontrei quando retornei em 2017). Na base das Torres  e no Mirante Francês, no Parque Nacional Torres del Paine, em 2016. E agora, na Pedra do Baú.
      É uma sensação difícil de explicar. É como se você se sentisse realmente parte de um todo, de uma coisa muito maior. Se sentisse nada e tudo ao mesmo tempo. Uma paz muito grande torna conta da gente. E em todas essas vezes eu senti a presença do meu pai, já falecido.
      Restava agora a descida, que metia mais medo que a subida. Principalmente os primeiros grampos, onde tinha que se virar de costas para o abismo para alcançar os grampos. A
      Mesmo assim a  descida foi rápida e durou cerca de 15 minutos.
      Cheguei na base e peguei o caminho de volta pela trilha. Pouco tempo depois quase pisei em uma jararaca de cerca de um metro de comprimento. Ela estava junto a uma pedra onde eu iria colocar meu pé. Ela se mexeu e eu a vi. Consegui dar um pulinho e evitei pisar nela. Foi por muito pouco.
      Segui rápido pela trilha e tempo depois eu já estava de volta à rodovia, rumo a Campos do Jordão.
      A Pedra do Baú foi muito gratificante. Mais do que eu esperava. Mais do que eu merecia.
       
       
      Serra Fina.
      Fiquei em Aparecida até na segunda-feira, 17-09-2018 e daí fui para Passa Quatro (MG), onde cheguei já escuro na rodoviária local. Peguei um ônibus circular e fui para o hostel Serra Fina, do Felipe, onde fiquei até na sexta-feira quando comecei a travessia. Choveu na terça, quarta e quinta, mas na sexta a previsão era de tempo limpo que duraria tempo mais que suficiente para a travessia e por isso decidi esperar e aproveitar para descansar e ler. Mesmo assim fui até a toca do lobo, pra passear e conhecer o Ingazeiro gigante. Também fui conhecer o centro da cidade.
      A região estava em alvoroço. Dois rapazes cariocas estavam perdidos em algum ponto da travessia e vários bombeiros, guias e montanhistas estavam à procura deles. Por sorte conseguiram um ponto onde tinha sinal de celular e conseguiram passar a localização e foram resgatados. Se bem que já estavam próximos de uma propriedade rural.
      Passa Quatro é uma cidadezinha linda e é um lugar onde eu moraria tranquilamente.
      O Hostel Serra Fina também é muito bom e o Felipe é um cara nota dez. Eu me senti em casa.
      Todas as travessias que eu faço eu vou sozinho. Não que não goste de pessoas. É que eu gosto de ir no meu rítmo. Gosto de ficar sozinho. Andar sozinho. Pensar na vida, etc. A intenção era fazer essa travessia também de modo solitário.
      Mas na quinta-feira de noite chegou ao hostel uma gaúcha baixinha, menor que eu até, que iria começar a travessia na sexta também, então decidimos começar juntos. A mochila dela era enorme e certamente tinha coisa que não precisava.
       
      Começamos o primeiro dia da travessia, 21-09-2018, uma sexta-feira, mais tarde do que eu queria. Saímos da toca do lobo já era meio-dia.
      Logo no começo da travessia, primeira subida, eu percebi que ela iria me atrasar, mas já que estávamos juntos, seguiríamos juntos. Foi quando ele me disse:- Vai na frente, você anda mais rápido. Eu disse que não, mas ela insistiu. Disse que ficaria bem. Eu então dei um até logo e disse que a reencontraria no Capim Amarelo..A subida é intensa e o ganho de altitude é rápido.
      Talvez pelo “treino” feito no Caminho da Fé eu não senti muito e passei por mais gente no caminho. Primeiro por 3 mineiros (que depois se tornariam grandes amigos) e depois por outros dois caras que pareciam ser militares.
      Cheguei ao cume do Capim Amarelo eram 15:15 horas. Praticamente 3 horas só de subida. Montei minha “barraca”, que era na verdade a minha rede estendida sob a lona que tinha sido disposta como se fosse uma barraca canadense. Fiz um rango e fiquei apreciando a paisagem. Como sabia da falta de água eu decidi que não levaria comida que precisasse de água no preparo, então comi basicamente tapioca de queijo, ou de nutella, ou de salaminho, paçoca, geléia de Mocotó e castanhas, durante toda a travessia.
      Os mineiros chegaram um pouco mais tarde e armaram suas tendas. Os militares chegaram quando já estava começando a escurecer. Eles não traziam barracas, dormiram de bivaque.
      Quando já estava quase escuro chegou um grupo que iria passar direto pelo Capim Amarelo e acampar no Maracanã. Perguntei pela gauchinha e me disseram que ela tinha montado acampamento em algum local no meio do caminho. Depois disso fiquei sabendo que ela desistiu e retornou para Passa Quatro. E que depois reiniciou a travessia na segunda-feira, tendo que ser resgatada de helicóptero no cume dos 3 Estados. E que depois disso voltou mais uma vez, acompanhada de um escoteiro, só que mais uma vez desistiram, abortando a travessia na Pedra da Mina, via Paiolinho.
      Estávamos a 2490 m de altitude e o pôr do sol e a noite foram lindos e gelados. Meu termômetro marcou a mínima de 3,5ºC.

       
      O dia 22-09-2018 era o segundo dia da travessia. A intenção era dormir no cume da Pedra da Mina.
      Depois do café da manhã, junto com os mineiros, desarmei e guardei toda a tralha e deixei o Capim Amarelo para trás às 10:20 horas.
      Logo no começo encontrei uma garrafa de uísque que tinha sido esquecida pelos militares. Voltei até onde os mineiros estavam e depois de bebermos uns goles eu retornei para a trilha, levando a garrafa para devolvê-la assim que encontrasse os rapazes. Não demorou muito para encontrá-los porque eles tinham pegado uma trilha errada logo na saída do Capim Amarelo.
      Depois de muito sobe e desce, mata fechada, bambuzal, escalaminhada, trepa pedra, cheguei na cachoeira vermelha e no ponto de abastecimento de água. Estava cedo e daria para pernoitar no cume. Foi o que fiz e cheguei ao cume eram 16:40 horas.
      Chegando ao cume estendi a minha lona fazendo um teto que ligava uma parede de pedras empilhadas até o chão Estendi ali embaixo o isolante e joguei o saco de dormir por cima. Essa noite não teria o mosquiteiro. Deixei a rede guardada.
      Comi meu jantar, assinei o livro de cume e fui apreciar o fim da tarde, o pôr do sol e as estrelas aparecendo. A noite estava bem fria.
      Os 3 mineiros chegaram quando a noite já tinha caído. Ajudei eles a montarem as barracas e depois ficamos conversando até altas horas. Os militares chegaram ainda mais tarde e no dia seguinte abandonariam a travessia, descendo pelo Paioloinho.
      Essa noite teve como temperatura mínima 3,7º C, mas a sensação foi de que era uma noite muito mais fria que a anterior. Talvez pela exposição ao vento, o que não tinha acontecido pela proteção que o capim elefante fornecera na noite anterior.
      A noite foi linda, repleta de estrelas e prometia um amanhecer incrível, fato que aconteceu. O único porém foi a grande quantidade de pessoas que estavam na Mina, quase todos fazendo bate-volta, o que trouxe muito barulho até algumas horas da noite. Apesar disso dormi muito bem e acordei bem disposto. A água até aqui não tinha sido problema.

      O dia 23-09-2018 era o terceiro dia da travessia e amanheceu espetacular, apesar de muito frio. Acordei antes do sol nascer e escolhi um bom lugar para apreciar o espetáculo. Depois disso o café da manhã (sem café) e desmontar acampamento. A surpresa foi quando levantei o saco de dormir e vi que uma aranha bem grande tinha vindo se aquecer embaixo dele. Peguei a bichinha com cuidado e a levei para perto de uma moitinha de capim.
      A travessia começou mesmo já eram 10:50 horas da manhã e daí para frente decidi caminhar junto com os 3 mineiros, afinal a gente combinava bastante. E assim saímos nós 4 da Pedra da Mina, eu , o Vinícius (Vini), o Daniel (boy) e o Nelson (Bozó). E assim passamos pelo Vale do Ruah, onde abastecemos os cantis pela última vez, com água que deveria ser suficiente até as 16 horas do dia seguinte. Daí foi uma grande sequência de morros até chegarmos ao Pico dos Três Estados às 17:20 horas.
      Mais uma vez montei a lona no estilo canadense, dispus a rede com mosquiteiro dentro e esparramei minhas coisas. De noite nos reunimos junto ao triângulo de ferro que representa a divisa dos 3 estados para a janta.
      Os caras já tinham pouca água. Eu ainda tinha meus dois cantis cheios e mais um bom tanto no camelback. Dessa maneira cedi um cantil para que eles fizessem a janta e bebessem o que sobrasse. Essa noite foi a mais fria, com o termômetro marcando 2,7º C, mas o capim elefante nos protegeu bem dos ventos e deu para dormir muito bem.


      No dia seguinte pela manhã, o Bozó sugeriu que fizéssemos café. Lá se foram mais 500 ml de água. Mas foi muito bom aquele cafezinho e aquela vista que se tinha lá de cima. De lá dava para ver Prateleiras e Agulhas Negras, minha próxima empreitada.
      Era o dia 24-09-2018, nosso quarto e último dia de travessia.
      Deixamos o 3 Estados às 09:40 da manhã. 
      Esse foi um dia bem sofrido. Uma sequência de morros. Sobe e desce. Muitos trechos de mata, e bambuzal. Mas o principal obstáculo era a falta de água. Minha água era para dar tranquilamente, mas depois da janta, café e dividir com os amigos, eu tinha deixado o 3 Estados somente com a água que restava no camelback, que era pouco mais de meio litro.
      Fomos racionando, mas quando chegamos no Alto dos Ivos, todos bebemos o que nos restava de água. Foram mais 3 horas até encontrarmos água de novo.
      A falta de água aliada ao esforço físico fez com que o Vini começasse a passar mal. Mesmo assim tocamos em frente.Chegamos inclusive a beber água acumulada nas bromélias.
      Eu e o Bozó, que estávamos melhor, seguimos mais rápido enquanto Daniel ficou para trás acompanhando o Vini. Chegamos ao ponto de água e enchemos os cantis e o Bozó voltou correndo para encontrá-los e matar a sede dos amigos.
      Já eram 16:50 horas quando chegamos na rodovia BR-354, onde o resgate que eles tinham combinado estava esperando. A Patrícia, que era a dona da caminhonete de resgate me deu uma carona até Itamonte, onde seria meu pernoite. 
      Por coincidência, a Patrícia era o resgate dos rapazes que estavam perdidos quando cheguei em Passa Quatro. Como eles não chegaram no ponto de resgate no dia combinado, ela entrou em contato com os bombeiros e com a família dos rapazes.
      Era o fim da travessia. Uma das mais puxadas e mais bonitas que já fiz. Foi também a última vez que vi os amigos Daniel e Vinícius. O Bozó eu encontrei de novo em Belo Horizonte agora em maio de 2019.

      Foi uma travessia que exigiu muito, mas que ofereceu muito mais em troca. Alvoradas e crepúsculos inesquecíveis. Paisagens sem igual, amizade, companheirismo. E que deixou uma vontade enorme de retornar e fazê-la novamente.

       
      Parque Nacional de Itatiaia.
      Agulhas Negras e Prateleiras.
      Desde que eu estava no hostel em Passa Quatro, eu já estava procurando um guia para o Parque Nacional de Itatiaia. Sabia que se tudo desse certo eu terminaria a travessia na segunda-feira 24-09 e na terça-feira 25-09 queria ir para o PNI, para subir o Agulhas Negras e o Prateleiras. Durante os telefonemas para casa, eu vi que teria que voltar logo. Dessa maneira, eu teria que fazer os dois cumes no mesmo dia.
      Entrei em contato com vários guias, mas ninguém queria fazer os dois cumes em um único dia. Uns disseram que não dava. Outros disseram que não era permitido. Até que encontrei um cara. Tudo isso pela internet e pelo tal de whats app, que eu nunca tinha usado antes disso.
      Deixamos mais ou menos combinado. Ele me cobraria 300 reais pela guiada. Eu sabia que o PNI exigia equipamentos para a subida aos cumes. Eu não tinha esses equipamentos. Após o PNI eu teria que voltar para casa, minha jornada terminaria ali, portanto não precisaria mais ficar regulando a grana.
      Durante a travessia da Serra Fina a gente ficou sem contato.
      No final da travessia, o resgate dos mineiros me deu uma carona. Eu tinha planejado ficar no Hostel Picus, ou no Yellow House, mas ambos estavam fechados. Dessa forma fui com eles até Itamonte, onde me deixaram e seguiram rumo a Passa Quatro. Saí procurando hotel ou pousada e acabei ficando no Hotel Thomaz. O Hotel era bom e tinha um restaurante onde eu jantei. Só que fica bem na rodovia e eu peguei um quarto de frente para a rodovia e o barulho dos caminhões e carros freando durante toda a noite incomodou um pouco e prejudicou o sono.
      Na manhã do dia 25-09-2018, terça-feira, acordei bem cedo, tomei banho, preparei as coisas que levaria para o Parque, entrei em contato com o guia e desci para tomar o café da manhã no Hotel. Por volta das 7 horas o guia chegava de carro para me pegar e seguirmos para o parque. Durante o caminho fomos conversando e falei pra ele sobre a travessia e sobre o caminho da fé e pedra do Baú, que tinha feito recentemente. Ele também é guia na travessia da Serra Fina.
      Chegamos ao parque fizemos os procedimentos de entrada, onde um guarda-parque alertou que caso não começássemos a subida do Prateleiras até as 14 horas, não deveríamos continuar. Desse modo, às 08:45 da manhã iniciamos nossa caminhada rumo a base do Agulhas Negras. Ele apertou o passo, acho que querendo me testar. Eu fui acompanhando de boa. Paramos num riozinho para abastecer a água e fazer um lanchinho, já próximo da base.  A conversa ia progredindo e ele me falou que achava que eu era um cara que parecia estar preparado e que normalmente ele guiava por uma via conhecida como Via Normal ou Via Pontão, mas que se eu quisesse a gente poderia tentar uma via diferente, pra se divertir um pouco. Falei pra ele que ele é quem estava guiando e que por mim tudo bem. Dessa maneira subimos por uma via menos utilizada, que passa por dentro de uma espécie de chaminé que é conhecida como útero. Na verdade quando você emerge dessa “chaminé” é como se você estivesse nascendo. Não levamos capacete, nem cadeirinha, apenas uma corda e uma fita. Usamos a corda somente duas vezes, uma delas para rapelar e depois subir um lance de rocha que fica entre o falso cume e o cume verdadeiro onde fica o livro de cume. Atingimos o cume verdadeiro às 10:40 horas.


      Comemos, descansamos um pouco, apreciamos a paisagem, tiramos várias fotos e depois iniciamos a descida. Dessa vez por uma via diferente, a Via Bira.
      No início da descida um rapel de uns 40 metros por uma descida bem íngreme junto a uma fenda e uma parede. Bem legal. Foi uma descida bem bacana. Uma via bem mais interessante que a tradicional.
      Eram 12:40 quando chegamos de volta ao ponto onde tínhamos iniciado a caminhada. Fizemos um lanche rápido e às 13:00 horas partimos em direção ao Prateleiras. Desta vez sem mochila, sem corda, sem água. Só levamos uma fita de escalada, que foi usada uma única vez. Achei bem mais tenso que o Agulhas, apesar de mais rápido. Muita fenda, muito lance exposto, muito salto de uma pedra para outra com abismos logo embaixo.
      No ataque final, nos últimos 15 minutos, o cara me salvou por duas vezes. A primeira em um lance de escalada livre onde se tem que fazer uma força contrária. Como não tem "pega", a gente sobe com os pés numa face da fenda, empurrando a outra face para baixo. Complicado. Eu tava a abrindo o bico de cansaço aí ele me deu a mão e a puxada final. Depois disso, num paredão bem inclinado, tinha que começar a subir quase correndo agarrando na pedra para conseguir chegar ao fim. Faltando um meio metro para o fim dessa rampa minha bota começou a escorregar na pedra e eu fiquei sem força. Gritei ele e novamente me deu a mão ajudando a chegar. Muito tenso.
      Atingimos o cume às 13:50 e depois de alguns minutos começamos a descida. Paramos para comer uma bananinha e paçoca e descemos mais tranquilos. Às 14:58 estávamos de volta ao local onde tinha ficado o carro.
      Daí o cara olha pra mim e fala: - Agulhas e Prateleiras em 6 horas. Nada mal.
      E rachamos o bico de dar risada.

      Tinha acabado de subir dois cumes que sempre tinha sonhado. Agulhas Negras e Prateleiras. Os dois em cerca de 6 horas. Eu estava muito feliz. 
      O visual de cima dessas montanhas é incrível. Mas a experiência da subida é demais. A adrenalina a mil. Saber que um escorregão e já era. Isso não tem preço que pague.
      Acabei ficando amigo do guia e ele me deu uma carona para Itanhandu no dia seguinte, onde pegaria o ônibus de volta pra minha terra.
      Dormi mais uma noite no mesmo hotel, dessa vez num quarto de fundos e o sono foi muito melhor. Desci para comer um sanduíche de pernil numa lanchonete próxima e bebi uma coca-cola de 1 litro. Depois de todo aquele esforço eu merecia.
       

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      Na manhã da quarta-feira, 26-09, eu parti de volta para Maringá, com uma parada longa em São Paulo, de onde saí de noite e cheguei em casa na manhã de 27-09-2018.
      Decidi ir pra casa a pé. Pra caminhar um pouco. rsrsrs.
      Logo depois do almoço eu estava em casa e na manhã do dia seguinte tudo voltaria à mesma rotina de antes.
      Mas eu não era o mesmo cara que tinha saído 23 dias antes. 
      Eu tinha caminhado mais de 420 Km. Tinha estado em 3 dos dez pontos mais altos do país. Tinha visto o sol nascer e se por proporcionando espetáculos inesquecíveis. Tinha conhecido gente da melhor qualidade, o povo bom e humilde do interior de Minas Gerais.
      Dá para aguentar essa rotina por mais um tempo, numa boa.
       
    • Por casal100
      Resolvemos, dessa vez, fazer alguns roteiros distintos: beira-Mar, trilhas em montanhas e travessia.
      Começamos por Ubatuba, foram 10 dias de caminhada, por algumas das principais praias; depois pegamos nosso veículo e fomos fazer alguns roteiros em Extrema-MG e, por último,  a grata surpresa: TRAVESSIA DA SERRA DA CANASTRA-MG, que lugar maravilhoso: belas cachoeiras, trilhas fortes, flora e fauna exuberante, povo amigável, queijos deliciosos(alguns entre os melhores do mundo na sua categoria) sem contar a culinária mineira. Tudo de bom.
    • Por casal100
      Fizemos a maioria dos caminhos que passam pela Serra da Mantiqueira(Estrada Real, Caminho da Fé, Crer....), alguns mais de 1 vez.
      É quase unanimidade entre os caminhantes que, indiscutivelmente, a Serra da Mantiqueira têm as mais bonitas paisagens e, nós concordamos integralmente. São caminhos que proporcionam lindas fotos,  clima agradabilíssimo, povo acolhedor e simpático, ingredientes que definiram esse roteiro.
      Foram quase 50 dias e mais de 1.100 quilômetros de muitas alegrias, felicidade e paz,  poucas tristezas e decepções.
      Começamos e terminamos na MAGNÍFICA cidade de Campos do Jordão-SP, depois de rever vários lugares (passei alguns invernos nesta bela cidade, quando eu era "bacana"). A cidade se transformou,  criaram vários roteiros turísticos, belas e caras casas dos novos e velhos "bacanas", ótimos restaurantes, atrações mil,  pousadas e hotéis de todo tipo e preço, tem até o refúgio do peregrino, comércio bom, povo hospitaleiro, clima perfeito e, ainda por cima fomos no verão,  baixa temporada,  onde com facilidade encontramos boa hospedagem com preços menores que muitas hospedagem em cidades pequenas.

      Outra coisa que pesou em escolher fazer essa travessia é que a região se assemelha muito com um projeto que temos em mente, que é a travessia entre Punta Arenas x Arica no Chile,  então serviu como treinamento.
    • Por casal100
      ROTEIRO À PÉ:
       
      RIO GRANDE DO SUL:
      Portão
      Bom Princípio
      Carlos Barbosa
      Garibaldi
      Bento Gonçalves - Vale dos vinhedos
      Bento Gonçalves - Pinto Bandeira
      Bento Gonçalves - pela cidade
      Bento Gonçalves - caminho de Pedras
      Caxias do Sul - flores da Cunha
      Caxias do Sul - estrada dos imigrantes
      Nova Petropolis
      Gramado - Natal de Luz
      Canela - Cachoeira do Caracol
      Gramado - pela cidade (parques, centro)
      Santa Maria Herval
      Picada Café
      Ivoti
      Sapiranga
      Três Coroas
      São Francisco de Paula
      São Francisco de Paula  (parques, lagos e pela cidade)
      Tainhas
      Cambará do Sul
      Cambará do Sul - Canyon Itambezinho
      Cambará do sul - canyon Fortaleza
      Torres - praia
       
      SANTA CATARINA:
      Praia Grande - descida Serra do faxinal
      Balneário Gaivota - Praia
      Balneário arroio do Silva - Praia
      Balneário Rincão - Praia
      Balneário corrente - Praia
      Farol de Santa Marta - Praia
      Laguna - cidade histórica + Praia
      Orleans
      Guatá  (distrito de Lauro Muller) pé da serra do Rio do Rastro
      Bom Jardim da Serra
      ROTEIRO DE ÔNIBUS :
      São Joaquim
      Urubici
      Bom Retiro
      Lages
      Fraiburgo
      CONTINUAÇÃO À PÉ SANTA CATARINA:
      Videira
      Treze Tílias
      Água Doce
      Jaborá
      Concórdia
      Seara
      Chapecó
       
      PARANÁ (ÔNIBUS):
      Curitiba
      Paranagua
      Morretes
       
      QUILÔMETROS /DIAS: +- 1.300 kms em 53 dias
       
      PESSOAS:
      No planejamento da viagem nossa preocupação era de como seríamos recebidos nas pequenas cidades, visto que algumas delas não tinham vocação turística, e "mochileiros"poderiam ser "novidade". Mas, essa preocupação foi rapidamente deixada de lado.
      Fomos recebidos muito bem em todos os lugares (exceto dois episódios, que não afetou em nada nossa caminhada).
      Ficamos impressionados com a educação e o acolhimento da população do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina, sempre solícitos às nossas demandas.
      Poxa, que saudade de tudo aquilo, em breve voltaremos.
       
      CIDADES:
      Praticamente todas as cidades desse roteiro tinham pousada ou hotel, somente o distrito de tainhas-SC não tem, somente restaurante (mas esse trecho tem serviço de ônibus intermunicipal).
       
      ESTRADAS:
      Optamos em fazer pelas estradas asfaltadas(alguns trechos fizemos em estrada de terra), pois não conseguimos informações sobre estradas secundárias nesta região.
       
      COBRAS:
      Nunca vimos tantas cobras como na serra Gaúcha, teve dia que vimos umas 5, quase minha esposa pisou numa em uma rodovia asfaltada.
      Elas ficam enroladas na pista de rolamento, é normal vê-las todas esmagadas por veículos, ficam parecendo um desenho no chão (pois vários veículos passam por cima).
       
      ANIMAIS SELVAGENS:
      Outra coisa que nos chamou atenção, vimos muitas espécies(raposa, cobras, tatu, macacos, roedores, porco espinho etc) passando lentamente perto de nós.
       
      PRECONCEITO:
      Tivemos um fato lamentável num hotel fazenda.
      O gerente nos recebeu num descaso tremendo, nem respondia nossas perguntas, foi preciso a intervenção de uma funcionária para resolver a situação (quase mandei o cara a pqp), o infeliz está no lugar errado.
      O outro caso foi mais leve, mas fiquei puto.
      Tirando isso, foi muito tranquilo ser mochileiro naquela região, muito tranquilo mesmo.
       
      PREÇOS HOTÉIS:
      Variou de $25 a 95 por pessoa (mas a crise pegou todo mundo ), em alguns lugares priorizamos ficar em lugares melhores,
      Sempre pechinchamos os preços, na maioria dos casos conseguimos descontos, principalmente à vista.
      Não fizemos nenhuma reserva, foi muito tranquilo.
       
      PREÇOS REFEIÇÕES:
      variou de $10 a $35 por pessoa à vontade.
      Peso : de $20 a $44 o quilo.
      Obs.: em média coloque $22 por refeição sem bebidas.
       
      ABUSO CONTRA TURISTA:
      Só tivemos alguns casos de abuso, mas nada gritante:
      Você chega em duas pessoas e pede somente um cafezinho pequeno, o cara trás dois grandes (claro, mais caro) e na maior cara de pau diz que pedimos dois.
      Isso aconteceu nuns 5 lugares na serra gaúcha, lamentável!
      Obs.: para nos proteger disso, fazíamos assim: chegávamos nos caixas do estabelecimento e pagava antecipadamente, acabou o problema.
       
      CARONA: precisamos pegar carona em algumas oportunidades, e foi até tranquilo conseguir.
      .fomos ao canyon Itambezinho e no Fortaleza à pé, e voltamos de carona, foi tranquilo.
      .quando visitamos uma cachoeira em Cambará do sul, fomos à pé e voltamos de carona ( neste dia pegamos três, cada um nos levou num pequeno trecho).
      .dividimos o trecho entre Seara e Chapecó-SC em dois, como o ônibus demoraria muito, resolvemos ir de carona, demorou uns 40 minutos para aparecer.
       
      SEGURANÇA:
      Em momento algum tivemos problema, somente em Porto Alegre (visita ao mercado central que nos orientaram a ter cuidado), mas os moradores de PA estão preocupados.
      .na saída de Caxias do Sul, saída para estrada dos imigrantes tem um lugar que me pareceu inseguro, mas nada complicado.
       
      NEGOCIAÇÃO HOSPEDAGEM:
      Sempre negocie, em alguns casos conseguimos descontos de 10% abaixo dos sites de hospedagem. Principmente nesta crise, em alguns casos somente nós dois estavam hospedados no hotel.
    • Por casal100
      Realizamos no período de 19 a 28 de julho de 2015, o circuito completo do Vale europeu em Santa Catarina. Foram 10 dias contemplando e vivienciando lugares, pessoas maravilhosas.
      Destaco alguns locais incriveis: Pomerode, blumemau, fazenda campo do zinco e sua maravilhosa cachoeira, lindos mirantes, estradas encantadoras, pessoas hospitaleiras e cordiais. Nāo tivemos nenhum incidente.
       
      Começamos antes do circuito, fazendo o caminho entre blumenau e pomerode a pé, e no final fizemos do mesmo modo a rota enxaimel em Pomerode, por isso o roteiro foi concluido em 10 dias.
       
      Brevemente relato completo.


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