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De volta a Mendoza e a surpresa do frostnip... Chegamos a Mendoza meia noite. Um último esforço pra carregar toda a tralha até o ponto de táxi do outro lado da rodoviária. Nos despedimos do Phili

(Alerta de relato gigante! rss Se não estiver com saco pra ler esse textão, fique à vontade pra me fazer perguntas específicas sobre a expedição ) Ainda em 2015 decidi que tentaria chegar

Em uma montanha dessas, dizem que 80% da força que você precisa é mental, e só 20% é força física (não leve tão ao pé da letra). Pra parte da força mental, experiência prévia conta.. bastante. Eu já t

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Camp 2 – Nido de Cóndores

No dia 20 levantamos acampamento e subimos para Nido de Condores, eu, Zaney, Philipp e Andre. Andre era o mais rápido e logo estava bem distante à frente, seguido por Zaney e Philipp, e eu fiquei mais atrás. O trajeto foi tranquilo, bastante frio e ventando um pouco, mas não foi muito sofrido. No trecho final Zaney começou a sentir muita fraqueza e eu o alcancei. Entreguei um chocolate pra ele recobrar as forças e seguimos devagar. Quando enfim chegamos, Andre e Philipp já tinham encontrado um local para suas barracas, que eram menores e menos resistentes aos ventos, então precisavam de um local mais protegido. Nido de Condores é um acampamento muito exposto, então eles tiveram que descer até um lugar um pouco afastado. Como a gente ia deixar a barraca lá montada quando fôssemos descer de volta a Plaza de Mulas, também precisávamos de um local seguro. A previsão para os próximos dias de tempo ruim era de ventos de até 100 km/h em Nido de Condores, e 150 km/h no cume ::ahhhh:: .

Armamos a barraca um pouco abaixo da tenda dos guarda-parques, ao lado de duas grandes rochas, em um espaço estreito cercado dos outros lados por uma descida íngreme e por uma pequena parede de neve. Tivemos que escavar um pouco essa parede de neve pra caber a barraca. Saí à procura de pedras grandes pra fixar a barraca. Não foi fácil descer com as pedras. Maldita falta de oxigênio. Assim que terminamos, Zaney entrou na barraca e disse que não queria mais se mexer :lol: . Eu precisava beber água, então fui iniciar o trabalho de pegar neve pra derreter, antes que o frio aumentasse demais. Já estava aumentando. O frio e o vento ::Cold::

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Ao fim do processo já estava escurecendo. Mais um espetáculo no céu. Esses pores do sol não vão sair fácil das minhas lembranças.

Essa noite não foi das melhores. Muito difícil de respirar, extremamente frio (uns -20°C), e o vento sacudindo a barraca a noite inteira.

Pela manhã (dia 21) o vento ainda ficou mais forte. Por volta das onze horas criei coragem de subir até os guarda-parques para checar o prognóstico do tempo para os próximos dias. Havia piorado. “Vocês podem dormir mais uma noite aqui, mas amanhã todos descem pra Plaza de Mulas. Muito perigoso. Reforcem mais a barraca, coloquem pedras grandes do lado de dentro. Os ventos serão muito fortes”. Passamos o dia praticamente sem sair da barraca, a não ser pra pegar neve pra fazer água. Ventania o dia todo.

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E na manhã seguinte nos preparamos pra descer os quase 1.200 m verticais que havíamos subido desde o acampamento base.

Saímos por volta das 11:00, com frio e vento piores que no dia anterior. Optamos por deixar as pesadas botas duplas lá em cima, e desci com minhas botas de trekking normais e os gaiters. Tínhamos que descer rápido, nos manter em movimento pra circulação do sangue manter os pés e mãos quentes. Logo no começo da descida veio uma rajada mais forte de vento e me jogou de bunda no chão. Poderia ter sido engraçado de ver. Mas a sensação foi de muita impotência e fragilidade.. fiquei lá no chão uns segundos indignada por ter sido derrubada por um “ventinho” ::lol4:: . Levantei e acelerei pra alcançar o Zaney. Tínhamos que passar pelo acampamento Canadá pra pegar umas coisas que a gente tinha deixado lá, inclusive os saquinhos de cocô. Aproximando de lá, veio um vento branco jogando um monte de neve e gelo com muita força em cima de nós. Era um trecho meio íngreme e tivemos que deitar no chão pra firmar. Frio, frio, frio. Continuamos. Chegando no acampamento Canadá os pés do Zaney estavam começando a congelar. Ele teve que tirar as botas e esfregar os dedos pra fazer a circulação voltar. Enquanto isso as minhas mãos estavam doendo muito de frio e eu tentava pegar algo pra comer e não conseguia. “Pára vento, pára um pouco! pára vento...” era o meu único pensamento. Acho que eu repetia isso em voz alta também, como se o vento fosse me ouvir. E ouviu. Mas só por uns dois minutos, suficientes pra gente conseguir colocar as coisas nas mochilas. Tentei beber água. Estava quase completamente congelada, só saiu um gole. Forcei pra dentro uma barrinha de cereal congelada e voltamos à descida.

O vento começou a amenizar nesse segundo trecho. Zaney quis pegar um atalho que na verdade não dava em nenhuma trilha. Pra não ter que voltar atrás, optamos por atravessar uma parte de gelo liso pra alcançar um outro caminho mais à frente. Escorregamos sentados por uns seis metros. Também poderia ter sido divertido, se eu não tivesse cortado a mão tentando frear no gelo. Mas voltamos ao caminho e seguimos. Ali os ventos já estavam mais calmos :)

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Dia 26 de dezembro acordamos ainda com neve e vento. Mas a previsão dizia que melhoraria no período da tarde. Então fomos nos preparando pra subir. Aguardamos, e o tempo não melhorava. Por volta de 13 hs decidimos iniciar a subida mesmo assim. Comecei na frente e lentamente fomos seguindo com a neve na cara. Assim que saímos da área do acampamento e começamos a subir, já não dava pra enxergar nada poucos metros à frente, tudo branco. O vento estava constante e a neve fina não parecia que iria parar. Avançamos no máximo 300 metros e parei, virei pra trás e falei que não parecia uma boa ideia continuar subindo naquelas condições. Esperei parada pelas reações. Atrás de mim estava o Philipp, depois o Zaney, e o Andre ainda estava no acampamento, mas nos alcançaria em minutos. Philipp e Zaney concordaram e na mesma hora começamos os três a descer de volta. Andre ficou indignado: “c’mon guys! we can get there, tomorrow is gonna be the same!” Eu também não queria abortar a subida depois de tudo preparado, passar mais uma noite ali e correr o risco do clima estar igual ou pior no dia seguinte. Mas a falta de visibilidade me preocupava. No começo estaríamos juntos, mas depois seria cada um no seu ritmo e eu não queria ficar sozinha montanha acima naquela nevasca sem enxergar nada à frente e sem enxergar o caminho (todo coberto de neve fresca). Mas falei então que toparia o que eles decidissem. Zaney e Philipp disseram que preferiam ficar. E voltamos cabisbaixos pra tenda comunitária. No misto de sentimentos, fiquei também um pouco aliviada de não enfrentar a subida naquela nevasca, confesso... E Andre fechou a discussão com “vocês sabem que amanhã não vai estar melhor, certo? Vai estar assim ou pior, e não teremos escolha senão subir, ok?”. Ele estava um pouco bravo. Todos estavam, claro, mas Andre era o mais preparado de nós e acho que teria chegado em Nido com certa tranquilidade. É compreensível que tenha ficado mais chateado...

Foi uma boa decisão no fim das contas. Quase todos que haviam começado a subida antes de nós desceram em seguida. Um grupo que estava no camp 1 passou maus bocados e uma pessoa sofreu hipotermia no começo da tarde. Nossos colegas russos subiram, com exceção da menina, que desistiu do cume e ficou aguardando eles em Mulas.

Chegando à tenda comunitária, quebrei nossos cinco minutos de silêncio sugerindo um jogo, já que nosso humor não estava dos melhores pra conversar. E jogamos por umas 3 horas, revezando pra buscar água e pra fechar a porta que teimava em abrir com o vento e jogar quilos de neve pra dentro. No fim da tarde, com atraso em relação à previsão, o tempo melhorou. Parou de nevar e começaram a surgir pequenos pedaços de azul em meio ao branco-cinza que cobria o céu. Saímos pra montar de volta a barraca do Andre e fiquei mesmerizada com a paisagem ao redor. Sem o vento, um grande silêncio e paz. E uma beleza única até onde a vista podia alcançar.

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Na madrugada, novamente muito frio e muita condensação. Amanheceu com vento e outra vez a rotina de gelo caindo sobre todas as coisas e deixando meu saco de dormir mais molhado. Já estava úmido por dentro também, porque tive que comprimi-lo pra guardar no dia anterior sem tempo pra secar antes, na nossa tentativa falha de subida. Iniciamos novamente a preparação para a subida: guardar as coisas na mochila, comer, usar o banheiro pela última vez, esquentar água parcialmente congelada e encher as garrafas, colocar os gaiters, separar snacks de fácil acesso para o percurso... Pendurei o saco de dormir ao vento pra ver se secava um pouco, mas em vez disso congelou :lol::roll: . Enquanto isso, tentei em vão derreter meu protetor solar que estava duro igual pedra. O vento começou a acalmar. Céu azul. Sem neve. Perfeito. Agradeci mentalmente ao universo, à Pachamama e ao Apu do Aconcágua por poder dizer: “ainda bem que esperamos pra subir hoje :D ”. E é claro que o Andre respondeu: “você sabe que teríamos conseguido ontem sem problemas”. Na verdade eu não confiava nisso não rs.

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    • Por TardoAventura
      Este video é uma amostra das nossas caminhadas. Esperamos que gostem.
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      Sigam a Tardo Aventura em https://pt.wikiloc.com/wikiloc/user.do?id=4716837

    • Por GuilhermeMN
      RELATO OBJETIVO SOBRE A BOLIVIA E PARQUE SAJAMA EM MARÇO 2020.
      Roteiro:  Belo Horizonte>> La Paz >> Parque Sajama>>La Paz >> BH
      Sai de  BH dia 05\03 18 hs de voo com conexão em SP e Chile.
      Havia reservado o hostel Wild Rover- hostel agitado, muitos gringos ( só eu de brasileiro)com bar bem movimentado, muito bom para curtir a noite. Restaurante bom, banho quente, No entanto se pretende descansar não é um a boa escolha.
      LA PAZ
      Em LA PAZ  não há muito o que fazer. Dei uma volta na cidade. Muito comercio de rua. Mais do que lojas oficiais. Fui lá nas ruas de equipamentos esportivos, realmente o preco é melhor que no brasil, além das marcas que não temos. Por eemplo uma bota merrel 800 bolivianos. Preço melhor que na amazon com a taxa de importação, mas ainda assim caro.
      Muita roupa falsa de marcas de montanha.
      Melhores coisas de LA PAZ. comida de rua e o teleferico, as tia gorda vende de tudo na rua, Pasteis, bolos, empanadas muito melhores que nos restaurante. Sanduiches de pernil, frutas e vários tipos e formas de milho, comi de tudo. não tive um desarranjo intestinal.
      Teleférico, melhor atração de LA PAZ, porque nele você verá toda a cidade e os majestosos nevados no entorno.  São várias as linhas, tem a linha celeste que fica no centro prto do mercado camacho. No final dele tem conexão com os outros, tem um que chama mirador, é o mais alto da cidade.. 
       
                                            No dia 08\3 partir para Parque Sajama.
      Peguei ônibus no terminal de Buses de La Paz, com destino a Arica no Chile.  Ônibus de viagem bem confortável.  Passagem 75 bolivianos.
      Pedir para descer no Parque Sajama, umas 3 hs de viagem.  Desci na entrada do parque. Minutos depois apareceu um van, que deixou 2 mochileiros da rodovia.
      Esta mesma van me levou a Vila.( 10 bolivianos). Estas Vans fazem este serviço de forma regular. Então não esquenta em descer e não ter carona para a vila. Além dos diversos  carros que passam e oferecem carona. 
      Hospedagem na Vila Sajama foi um suplicio. Fiquei no Hostel Sajama, péssimo, caro, sem agua quente, sem refeições, inclusive para comprar. 100 bolivianos a diária em quarto individual e 60 em quarto compartilhado.
      Andando pela mini Vila para encontrar um lugar para jantar,  encontrei o Hostel Parinacota, bem organizado. Lá eles servem jantar e café da manha,( para não hospedes), O jantar estava  ótimo com chá e sobremesa.
                 
      Lá fiz contato com um dos donos o Gregorio , que também é 'guia' de montanha.  Combinei com ele em ir ao Acotango. Apenas o transporte sem Guia. 1000 bolivianos. Ele me buscou na pousada as 04 hs e chegamos na base do Acotango antes das 06 hs.
                   09\03
      Vestir os equipamentos e partir sozinho. ( ele ficou em baixo dentro do carro esperando).  
      Tem uma subida pesada logo após o primeiro Vale. Esta é a única subida mais difícil. Depois e caminhar na neve até o cume. A descida realizou por outro lado. Como se voce continuasse a caminhar após o cume. Bem tranquilo so neve fofa. Fiz alguns trecho de esqui bunda. - LEMBRENTE : 6000 metros mexe muito com a fisiologia, tive dor de cabeça, mas foi auto limitada. O sol amplificado pela neve queima demais. enato muito cuidado. Sempre de óculos bem escuros preferencialmente balacrava ou duas bandanas.
      Agora começa a loucura...
      Após a ascensão do Acotango, resolvi subir ficar no campo base do Parinacota. Por lá, aos 5200 metros de altitude fiquei 4 noites. Sozinho.
      Novamente paguei 1000 bolivianos. Para o Gregorio me deixar no campo base. Ele me deixou com 6 litros de agua da torneira do hostel.
      No campo base tem um abrigo grande de pedras, com  5 beliches, com  colchoes novos, cobertas grossas boas.
      NÃO TEM AGUA!! como o solo é de por de rocha vulcânica, não tem agua escorrendo do topo do vulcão. O nível da neve é bem alto 1 hora de caminhada. 
      Neste primeiro dia optei por dormir na barraca. Pois minha barrca nunca tinha enfrentado frio verdadeiro.  A minha Naturehike  cloud up 2, passou bem pelo teste. Nevou a noite toda. O vento não incomodou.
      Acordei com neve até o 1\4 inferior da barraca. A noite ouvia o excesso de neve escorrer pela barraca. 
      No entorno havia 30 cm de neve em todo lugar. Logo fiquei feliz, acabou meu problema com água !! Só que não é tão simples derreter neve. Exige-se um volume grande de neve e muito FOGO.  Como eu levei apenas um botijão pequeno para o fogareiro. Optei por não derreter a neve no fogo.
      Enchi um saco plástico transparente e deixei a radiação solar fazer sua parte, depois de 2 dias eu tinha 4 litros de neve derretida e com processo de produção mantido. Resolvido o problema de agua. Agora era apenas torna-la potável.  Já havia gasto 8 pastilhas de clorin na agua que o guia me deu. Joguei no galão 2 litros de neve derretida, e minha ultimas 2 pastilhas de clorin, deu certo so tiver um episodio de diarreia no primeiro dia e não tive mais.
      Comida não era um problema, havia levado 4 refeições liofilizadas, muita castanha do Pará,  frutas secas e barras de proteína e chocolate. Levei uns saches de chá e alguns de leite em pó. Tinha também  soro de reidratação e tomava um litro por dia. Resumindo não passei fome nem sede.
      Banho! apenas paninho com álcool nas partes e creme antibacteriano que eu levei.
      Nevou dia e noite sem parar. Minha barraca ficou enterrada na neve.
          A  segunda noite ... 
      Seria a noite de ataque ao cume. Optei por dormir no abrigo, pois iria acordar de madrugada e vestir a roupa de alta montanha no abrigo.
      Seria....
      Acordei as 23 horas com uma dor de cabeça, falta de ar pior da vida. Tomei ibuprofeno e paracetamol. So melhorou pela manha. Quando conseguir dormir um pouco.
      Tomei ibuprofeno 8\8 hs e melhorou durante o dia. Dei umas voltas pelo entorno, neve fofa e alta pra todo lado. Almocei, tomei cha e leite. Li meu livro( Transpatagonia, pulmas não comem ciclistas, Guilherme cavallari). Algo indispensável nestes momentos de solidão. Tinha até medo de terminar de ler rápido.
      DIA DE CUME!!! 10\03\2020
      Dormir no abrigo,  jantei um frango liofilizado. Tomei um chá e mais copo de leite. Fui dormir. 
      Não conseguir acordar as 01 horas como previsto. Acordei as 04 hs!! muito tarde.
      Resolvi ir assim mesmo. Tempo bom. Tomei café, comi um biscoito, castanhas e barra de proteína. tomei um leite e preparei um chá para levar. Aqueci agua e enchi a garrafa.
      04:30 partir do abrigo.
                 Lua cheia escondida por nuvens, mas deixava  passar claridade. Não precisava de lanterna.  Estava quente, fui com a jaqueta de plumas e um fleece. Logo logo, retirei a pluma e fiquei só com o fleece.
      Como nevou muito não vi os famosos penitentes. Peguei um subida a direita neve fofa entre algumas grandes pedras negras. Subida íngreme. Pesada. 
      Continuei subindo em direção a direita. Coloquei os crampons logo após a ultima pedra negra.  Logo estava em uma parede de 50graus de neve fofa -+30 cm.
      Para minha infelicidade o sol já havia nascido e estava em brilho total, céu de poucas nuvens. Pouco vento e muito calor.
      Em uma rajada de vento, foi-se meu boné...
      As 10 horas parei,  fiz um lanche e  tomei um chá.  Sol a pino, neve refletindo o sol direto no rosto!
      Continuei em um diagonal para a direita, alternando com alguns períodos de subida reta. 
      11 horas e agora e um paredão de gelo e neve 20 cm 60graus de inclinação a menos de 300 metros do cume. Continuo na subida, com muito sol que ficava ainda pior refletido na neve. Tinha dois sois a me fritar. 
      A insolação minou minhas forças, comia neve para hidratar, a boca estava seca e quente.  Tomei toda minha água. 
      continou por mais uma hora. olhei do GPS 12:17 horas, altitude 6210 metros , 480 millibar. cansado, desidratado, sozinho faltando MISEROS 170 METROS ATÉ O CUME. 
      Desisto!

      Iniciei uma descida rápida. com alguns tombos.

      Neve fofa devido ao sol. Atolando ate o joelho. Descia quase paralelo ao paredão de gelo e neve. Comendo neve com muita frequência, já estava desidratado. Sentia um calor, um vapor sair do rosto, nem imaginava que eram as queimaduras solares. Bati algumas vezes os crampons na minha bota, perigo total. Assim que além de estragar a bota, ocorrem os ferimentos na perna.

      Finalmente cheguei a a região onde iniciava as pedras pretas. Retirei os crampons, não foi uma boa ideia. Estava muito escorregadio, o pe afundava na neve e iniciava escorregão, como um patins.  Em um desses  tiver que utilizar o piolet para minha retenção.

      Finalmente cheguei a base da montanha, agora era  apenas uma caminhada na neve ate o abrigo. Andava muito rápido, devido ao calor insuportável que sentia no rosto. Esfregava neve e comi sem parar.

      Cheguei ao abrigo em menos de 2 horas !!

      Joguei muita agua gelada no rosto. Bebi um litro de agua de uma vez.  Tirei a roupa, esquentei agua, fiz um chá e comi uma  canja de galinha liofilizada.

      Fui cuidar do estrago das queimaduras no rosto. Passei um camada generosa de bepantol e protetor solar. Morto, destruído fui dormir. Devia ser umas  14 horas.

      Acordei poucas vezes para tomar agua e  fiquei feliz, quando deu vontade de urinar, sinal de boa hidratação e perfusão. Dormir a noite toda. Senti um pouco de frio, talvez pela falta de calorias.
      12\ 3 Dia do resgate 
      Acordei, tomei um leite, comi umas barras de chocolate e castanhas. Desmontei a barraca , juntei meu lixo guardei a agua e agora era so esperar o resgate.
      Fui deitar ainda estava muito cansado. 
      Algumas horas depois, entra o motorista, falando que o 4x4 não conseguiu subir ate o abrigo. Descemos caminhando 30 minutos e pegamos o carro. Rumamos para Vila Sajama. 
         VILA SAJAMA>>LA PAZ
       Ele disse que me deixaria em Tambo Quemado, porque lá possui mais opções de transporte a La Paz. Tambo Quemado é uma cidade fronteiriça com o chile. 
      Fiquei encostado no controle alfandegário, um portico azul. Ao lado tem um patio grande onde tem vários caminhões parados e  vans.  O motorista disse que eu posso pegar uma van para Patacamaya ou Oruro e de lá outra para La Paz. Havia muitas vans inclusive uma que iria sair em 30 minutos para Patacamaya.
      Como eu fui de ônibus da Nordic que vai ate Arica na costa Chilena e sabia que ele retornava e passava ali entre 15:30 e 17 horas.
      Este lugar lembra uma parada de caminhoneiros, com vários restaurantes e pequenos comércios em volta. Optei por comer algo descente e aguardar o ônibus direto para La Paz.
      Pra variar comi pollo(frango) com arroz.  Foi o melhor frango frito da viagem. Também dias comendo só liofilizados.
      Logo passou o ônibus, antes das 17 horas. Várias pessoas o pegaram. Mas ele ainda estava vazio, passagem 40 bolivianos. Fui tranquilo, com espaço e segurança até  La Paz umas 4 horas de viagem. 
      No terminal de Bus estavam medindo temperatura de todos que desciam dos ônibus.
      Peguei um taxi, 40 bolivianos, ate o meu hostel, o mesmo Wild Rover, no  centro de La Paz. No hostel fiquei em um quarto com 6 beliches, que fica onde era o sotão da casa, chama quarto D. Péssimo sem ventilação. como peguei um resfriado na montanha estava tossindo muito, piorou ainda mais naquele quarto abafado.
      Eu tinha a pretensão de ir ao Huyana Potosi no dia 13. Mas todo queimado e com resfriado abortei a ideia.  Fiquei um dia besuntando a cara de bepantol e protetor solar, curti um pouco a noite no bar do Hostel. No outro dia fui ao LAGO TITICACA .
       
      LA PAZ >> COPACABANA ( LAGO TITICACA) 
      Resolvi fazer um bate e volta a Copacabana, local mais conhecido a beira do lago. No próprio hostel tem uma agencia de viagens. Perguntei sobre o ônibus Bolívia HOP. Fui informado que era 40 DOLARES  ate Copacabana, voce pode descer onde quiser e pegar o ônibus quando quiser também. Caro demais 200 reais. 
      O barman do hostel me falou  que havia vários ônibus de saiam de Cementerio com destino a Copabana. Peguei uma van perto do mercado camacho 2 bolivianos. Pedi para descer no cementerio que iria pegar o ônibus para Copacabana.
      Este Cementerio é um bairro na parte alta de La Paz.  A van para perto de uma praça com vários ônibus e vans paradas. Tipo um rodoviária informal. Lá havia varias pessoas oferecendo passagens para Copacabana. 
      Comprei em um ônibus grande de viagem, 20 bolivianos.  São umas 3 horas de viagem.
      Quando chega no lago tem que passar de balsa. Todos descem o ônibus vai vazio. Voce descer vai a bilheteria compra a passagem do barco de passageiros 2 bolivianos. Atravessa e espera o ônibus nom outro lado na praça da cidade. -decora o nome e placa de seu ônibus!
      Chegando a Copacabana é um vila pequena, bem bonita, com mirantes no entorno, uma linda igreja logo no inicio da vila. Vários restaurantes que servem o prato principal da cidade- trucha do lago Titicaca.
      Descia rua principal, com sol forte vindo do lago, eu igual um tuareg com o rosto protegido com bandanas. Fui a beira do lago de aguas cristalinas e geladas, tirei umas fotos.
      No entorno do lago tem vários quiosques, que vendem passeios para as ilhas do lago. Como cheguei tarde não havia mais passeios. Existem muitos hostels a beira do algo e a maioria possui um restaurante com um térreo, com cadeiras e guarda sol. Lugar perfeito para curtir a vista do lago, comer uma trucha tomar uma pacena gelada. Fui no ultimo restaurante ao lado esquerdo da rua principal tem uns  sofas no terraço, muito confortável.
      Sobre Copacabana, é um vila que vale pena ficar alguns dias. La os hostel é mais barato, percebi muita gente mais alternativa. Pode-se inclusive partir de lá para o Peru. tem vários ônibus que fazem este trajeto.  È mais perto que LA PAZ. 
        COPACABANA>> LA PAZ
        Teem vários horários de ônibus de volta a LA PAZ , eu peguei o de 18:30 hs , mas vi que o ultimo sai 22 horas. A volta é o mesmo esquema de balsa e barco em Tiquina.
      o ônibus te deixa no terminal de BUS de LA PAZ, no centro. 
      DICA: banheiro só na hora de pegar o barco, 1 boliviano. levar uma blusa de frio.
       
      LA PAZ >>> BH 
      Meu voo seria dia 15 as 8:45  hs. Sai do hostel as 7 horas. Estava chovendo e não conseguir chegar a tempo-perdi o voo! 
      Tentei sem êxito ao menos chegar a Santiago que era minha conexão de 14 hs para Guarulhos. Não tinha um voo para o chile neste dia.
      Então tentei um para Guarulhos para pegar minha conexão para Confins , nada não tinha um voo também.
      Conseguir um voo para Guarulhos pela BOA , Saindo as 6:30 chegando em Guarulhos as 12:30 horas . Com troca de aeronave em Santa cruz de la Sierra. 1600 REAIS, com bagagem.
      De Guarulhos para confins comprei voo da gol 360 reais com bagagem. 
      CORONAVIRUS
      Em LA PAZ alguma pessoas com mascaras, a maioria com mascaras de panos estilizadas. No hostel aquela muvuca de 15 pessoas em um quarto, tossindo e espirando( provavelmente resfriado), claro que sem mascaras. 
      Nos aeroportos principalmente em Santiago e Guarulhos a grande maioria de mascara.  Varios tipos, alguns usando no queixo, outros com uso intermitente. Casais um com mascra outro sem. 
      Na volta em gaurulhos e Confins, haviam mais pessoas usando mascaras. Pouco depois que cheguem vi as  noticias de fechamento de fronteiras na Bolivia e grande parte da America latina.
      Como cheguei resfriado e passei por aeroportos e principalmente por Sao Paulo onde há transmissao comunitaria. Institui auto quarentena domiciliar de 7 dias. Como profissional de saúde nao posso trabalhar com sintomas gripais.
       
      DICAS GERAIS:
      TRANPORTE PUBLICO TELEFERICO E VANS, SÃO BARATOS E EFICIENTES. NAO TEM UBER. TAXI NÃO É MUITO CARO. EXEMPLO PARA O AERORPORTE, QUE LONGE OUTRA CIDADE 70 BOLIVIANOS. 
      COMIDA COMPRA NOS MERCADOS OU NA BANCAS DE RUA, NOS HOSTELS SÃO MUITO CAROS. COMPRA MUITA AGUA BEBA 4 LITROS POR DIA.
      O SOL É MUITO FORTE, DEVIDO A ALTITUDE , USE MUITO PROTETOR SOLAR, BONE  E OCULOS ESCUROS E BANDANA (BUFF).
      FAZ FRIO TODO DIA, SEMPRE SAIA COM UM CORTA VENTO UM ANORAK TODO DIA.
      DA UMA VONTADE DANADA DE URINAR TODA HORA. TEM MUITOS BANHEIROS PUBLICOS, 1 BOLIVIANOS. OS BANHEIROS SÃO USAVEIS.
      SEGURANÇA, NÃO VI UM FURTO OU ROUBO, NÃO FUI ABORDADO POR NINGUEM. TEM MUITA POLICIA NA RUA.
      PASSEIOS:
       LAGO TITICACA -COPACABANA VALE UMA PERNOITE
      ALTA MONTANHA; PRA  MIM FOI O MOTIVO PRINCIPAL DA VIAGEM. TEM MUITAS AGENCIAS PROXIMO A IGREJA SAO FRANSCISCO RUA MURILO, ILAMPU. ISAAC TAMAYO, SARNAGA. MEDIA DE PREÇO PARA HUAYANA POTOSI 800 BOLIVIANOS COM EQUIPAMENTOS DELES. EU LEVEI MEUS EQUIPAMENTOS, MAS O ALUGUEL NAO E CARO. UMA BOTA 30 BOLIVIANOS POR DIA . OS OUTROS PASSEIOS , DE BIKE, TREKKING ETC... NÃO FIZ MAS VALE MUITO A PENA FAZER.
      GASTOS: PASSAGEM 1600 REAIS BELO HORIZONTE -LA PAZ.
      HOSTEL 40 BOLIVIANOS\DIA
      CERVEJA 24 BOLIVIANOS
      AGUA 2 LITROS 8 BOLIVIANOS
      PASTEL DA TIA GORDA 4 BOLIVIANOS.
       
       































    • Por rafaelmarques91
      Filme - South America, eyes on the mountains
      Gostaria de partilhar com vocês a nossa última grande viagem. Durante 1 mês, percorremos grande parte da cordilheira dos Andes, de mochila às costas. Desde o extremo  Sul do continente Americano, passamos pelo frio da Patagónia Argentina e Chilena, pela terra árida da Bolívia e pela Selva do Peru. 4 países onde a cultura Andina está sempre presente e onde varia a cada quilómetro. Sentimos que foi uma viagem enriquecedora e inspiradora. Foi difícil, marcante e inesquecível e decidimos reportar em vídeo, em modo locução. Espero que sirva para relembrar muitos de vocês ou até servir de inspiração para embarcar nesta viagem. 
      "percorrer a América do Sul mudou-me mais do que queria, eu já não sou eu, pelo menos já não sou o mesmo eu interior "Diário de uma motocicleta, Che Guevara 




    • Por Mayki Pole
      Bom dia pessoal !   Estamos indo para serra fina dia 16 de março de 2020!   Se alguém conseguir ajustar as datas pra ir junto seria legal, por enquanto vamos em três pessoas, eu e minha namorada e  mais um amigo nosso! 
      Faremos no formato clássico de 4 dias, podemos nos encontrar em Passa Quatro-MG.
      Se alguém quiser embarcar conosco nessa aventura, será muito bem vindo!!
      Meu número é 45 99961-3741    Mayki 🙏
    • Por Mayki Pole
      Bom dia pessoal !   Estamos indo para serra fina dia 16 de março de 2020!   Se alguém conseguir ajustar as datas pra ir junto seria legal, por enquanto vamos em três pessoas, eu e minha namorada e  mais um amigo nosso! 
      Faremos no formato clássico de 4 dias, podemos nos encontrar em Passa Quatro-MG.
      Se alguém quiser embarcar conosco nessa aventura, será muito bem vindo!!
      Meu número é 45 99961-3741    Mayki 🙏

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