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Rumo ao camp 3 (Cólera)

Com toda a situação, atrasamos muito pra sair. Já eram 14:30 quando começamos a subir. Mas o clima estava ótimo, e o trecho até o acampamento Cólera não era o mais longo. Os meninos dividiram a barraca entre eles, e deixei pra trás alguns itens que achava que seriam importantes, como a garrafa térmica, mas preferi reduzir o peso, com medo de ter o problema do dia anterior. Andre foi na frente, eu e Philipp atrás. Ele mais devagar hoje, porque estava com mais peso que eu. Esse caminho era o mais bonito até então, com vista pra uma imensidão de picos nevados.

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Um passo de cada vez, fomos subindo devagar, deixando o corpo aclimatar àquela altitude. Em algum ponto desse trecho alcancei a maior altitude em que já havia pisado, que até então era o cume do Nevado Pisco (5.752 m). Fiquei empolgada por estar me sentindo ótima :D . O caminho ia ficando mais íngreme, e com partes de gelo duro. Fiquei aliviada de estar calçando os crampons, embora fosse possível vencer esse trecho sem eles.

Avistamos o acampamento Berlim, que fica uns 50 metros verticais (ou menos) abaixo do Cólera. Lá há alguns refúgios de madeira semidestruídos. O acampamento é hoje pouco utilizado para ataque ao cume, principalmente por dificuldades para coletar neve limpa pra derreter, devido ao acúmulo de dejetos no passado. O acampamento Cólera, a 5.970 metros de altitude, é maior e mais plano que Berlim, porém um pouco mais exposto aos fortes ventos. Depois de vê-lo, me pareceu mesmo a melhor opção.

No final, talvez a uns vinte metros de chegar a Cólera, há uma corda de aço fixa pra evitar acidentes devido à inclinação, ao gelo, e às pedras soltas. Imagino que foi colocada principalmente por causa dos porteadores, que fazem constantemente esse trajeto com cargas quase absurdas nas costas.

 

Chegamos por volta de 17:30. Andre já tinha escolhido um lugar e estava começando a derreter neve. Montamos a barraca e fui encher o saco de neve pra continuar o processo. Fim de tarde lindo. A vista do outro lado da montanha, que pela primeira vez podíamos ver, revelava um mar de montanhas coloridas em tons de marrom, rosa e avermelhado. Valia a pena ir ao “banheiro” só pra ver a vista por trás das pedras que garantiam a privacidade. Falando em banheiro, acho que esse era o mais exposto a ventos... nada divertido.

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Nesse acampamento fica o Refúgio Elena, doado pela mãe da italiana de mesmo nome, que faleceu na tragédia de 2009. O refúgio deve ser utilizado apenas em casos de emergência, de acordo com regras estabelecidas pelo parque. O espaço interno é divido em dois compartimentos, sendo o primeiro dotado de um rádio para contato com os guarda-parques (frequência VHF 142.800 mhz). Após contato e avaliação da situação, é dada ou não a autorização para abrir a porta trancada do segundo compartimento. Se o refúgio for usado sem ser confirmada a situação de emergência, uma multa será cobrada. A partir do momento em que se utiliza o refúgio, se entende e se aceita que a tentativa de cume está cancelada, mesmo que sua situação melhore depois. O custo de conserto e reposição de itens utilizados no refúgio será cobrado da pessoa que fez uso. Parece que o primeiro compartimento tem sido utilizado também por porteadores e guarda-parques para manter alguns equipamentos.

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Algumas nuvens “baixas” passando, e a preocupação batendo... Nossa janela pra tentar o cume era de um único dia, já que a previsão era de começar a nevar por volta das 16 hs e de aumentarem os ventos, iniciando mais uma possível semana inteira de tempo ruim. Por volta das 22 hs, com muita ansiedade, tentamos dormir, com o despertador marcado pra 02:45. O plano era sair às 04:30. Demorei pra pegar no sono... mais por euforia do que pelos efeitos da altitude. Estava muito perto do objetivo e muito curiosa sobre como seria. Como seria respirar naquele trecho, como seria olhar pra baixo lá de cima, como seria a sensação de conseguir chegar lá... Eu conseguiria mesmo? As roupas seriam suficientes pro frio? Eu saberia identificar algum sintoma sério do mal da altitude? Teria coragem de decidir voltar se fosse necessário? Provavelmente os meninos iriam mais rápido que eu... quão mais lenta eu poderia ser sem atrapalhar nosso horário de retorno ao acampamento base? E se a previsão do tempo mudasse???

O vento estava forte. E não parava. A barraca sacolejando e o horário de acordar chegando. Não tenho certeza se eu tinha dormido por uma ou duas horas... ou menos, ou mais... E o despertador tocou. O vento continuava forte, mas começamos devagar a nos preparar. Parece que a previsão do tempo estava mesmo errada, pois era pra estar praticamente sem vento nessa madrugada... :| Com essa preocupação ficamos ainda mais devagar, já entendendo que talvez tivéssemos que adiar o horário de saída. Peguei meu miojo pra preparar, mas o Andre insistiu que eu precisava de mais calorias e me deu um dos seus pratos liofilizados. Era um macarrão com bacon e um caldo gorduroso delicioso. Lembro bem da sensação de mastigar e sentir o gosto bom de bacon a 6 mil metros de altitude depois de tantos dias na montanha. Eterna gratidão! Nos hidratamos, enchemos as garrafas com água morna, preparamos as mochilas (água, barrinhas de cereal, sachês de gel de carboidrato, biscoito recheado, lanterna reserva, remédios pra altitude...). Os liners das botas duplas dormiram comigo no saco de dormir pro calor secar o suor do dia anterior. Mas ao conferir vi que em vez de secar tinha congelado. Raspei com as unhas a camada de gelo que tinha se formado por dentro, mas não adiantou muito. Se pudesse voltar atrás, teria colocado um saco plástico por cima das meias durante o percurso Nido - Cólera pra não passar umidade pro liner nesse dia crucial. Colocamos aquecedores químicos nos pés e nas mãos. Vestimos todas aquelas camadas de roupa. E as botas duplas, gaiters e crampons. Manteiga de cacau na boca e no nariz. Balaclava, gorro, óculos e câmera. Olhei no relógio: 05:25. O céu ainda negro, bastante estrelado, mas as cores começavam a aparecer no horizonte leste.

Tirei umas fotos e coloquei as mittens. Malditas mittens. Não consigo fazer nada com aquilo nas mãos. Até pegar o bastão fica difícil... Imagina pra comer, beber água, ajeitar a balaclava... Não vai ser fácil, pensei...

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05:25 am. Dia 29 de dezembro de 2016.

Ataque ao cume

Comecei a subir na frente, me sentindo bem, e Andre logo me alcançou. Como já tínhamos combinado, ele subiria mais rápido porque estava  preocupado com o risco de frostbite, pois vinha sentindo muito frio nos pés. Confirmou se eu iria esperar o Philipp, que vinha mais atrás, e eu disse que sim. “Lembrem de comer de hora em hora, marca no relógio, de hora em hora! espero vocês no cume!” e sumiu montanha acima naquela velocidade absurda dele.

O vento tinha finalmente acalmado e, apesar de estar fazendo entre -25 e -30 graus ::Cold:: , não parecia tão frio assim. Acho que as roupas estavam funcionando bem. Mas eu estava sentindo o frio nas mãos e nos pés... Em uma das mãos o aquecedor químico funcionou, conforme eu fazia o movimento de abrir e fechar os dedos, sentia o calorzinho. A mão que segurava o bastão ficava mais fria, então eu revezava. Nos pés os aquecedores não funcionaram...

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Às 6 hs o sol começou a clarear o cenário. Lindo demais. A partir daí, já não sei dizer de qual ponto a vista era mais espetacular. Não dá pra afirmar que a vista no cume é mais bonita que a de qualquer momento em que eu olhava ao redor nesse trajeto. As sombras, as cores, o jogo de luzes no céu, os reflexos do sol dourando os picos no horizonte. Difícil saber o que tirava mais o fôlego, a altitude ou a beleza daquilo. Se eu não conseguisse chegar ao cume, toda a empreitada já teria valido (e muito) a pena pra estar ali. E a cada passo eu estava mais perto do cume, mais feliz... e sentindo mais o frio. ::Cold::::Cold::::Cold::

Pra tirar fotos, comer ou beber água, eu precisava parar e tirar as mittens. Quando tirava, mesmo com as outras camadas de luvas, as mãos gelavam rápido. Então fazia uma coisa de cada vez. Bebia água, colocava as mittens de volta e andava mais um pouco até as mãos reaquecerem. Parava. Tirava as mittens e pegava algo pra comer. E assim por diante. Nessas pequenas paradas, os pés gelavam também. Sentia o frio na parte de cima dos pés como se estivesse ventando neles, embora isso fosse impossível com a carcaça da bota dupla e ainda os gaiters por cima.

Ainda na primeira parte do trajeto, por volta das 06:30, o momento mais mágico: olho pra trás e vejo um triângulo se desenhando no céu, crescendo de cima pra baixo próximo à linha que separava a faixa azul do laranja cor de fogo no horizonte. Era a sombra do Gigante projetada a oeste por centenas de quilômetros, cruzando a fronteira com o Chile e se estendendo sobre o Pacífico. Um jeito interessante de se ter noção da imensidão do Sentinela. E aí a gente se sente tão pequenininho... e o coração bate mais forte com a adrenalina de estar ali fazendo parte daquela montanha, fazendo parte daquela imensidão. Nos minutos seguintes, a sombra foi ficando maior e mais nítida. Naquela hora, lembro de ter a sensação de que não havia vento, nem frio. Mas sei que a sensação era falsa e na verdade tava ventando bastante, porque a capinha da minha câmera caiu e o vento levou embora antes que eu conseguisse alcançá-la..

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Quanto mais subia, mais frio ficava. Mesmo depois que o sol nasce, continuamos na sombra gelada por horas, porque a rota normal leva ao cume por trás da crista da montanha, a noroeste. Saindo de Cólera às 05:30, só peguei sol em dois pequenos trechos onde se passa pelo topo da crista: às 6:40, apenas por alguns metros, e depois no Refúgio Independência, onde cheguei às 08:20. Depois disso, só alcancei o sol quando cheguei ao ponto chamado de “La Cueva”.

Quando parava pra esperar o Philipp, eu ficava batendo os pés no chão pra esquentar. Ele disse que estava com os pés quentinhos! (mas a bota dele era do tipo recomendado pra montanhas de 8 mil metros).

Passamos por alguns grupos guiados descendo de volta. Depois fomos saber que eles haviam desistido do cume porque “estava frio demais”. Tinham saído do acampamento às 4 horas e chegado até perto do início da Travessia, de onde decidiram retornar. Perto de chegar ao Refúgio Independência, me encontrei com os mexicanos que havíamos conhecido em Plaza de Mulas, Gustavo e Javier. Gustavo conseguiu fazer o cume no dia 19, e Javier não. Mas esperaram passar a semana de nevasca e subiram juntos novamente pra essa segunda e última tentativa de chegarem juntos ao cume. Novamente Javier não estava bem o suficiente, e principalmente por causa do frio e do risco de frostbite decidiram voltar. Tem uma subidinha íngreme ali, logo antes de chegar ao platô onde fica o refúgio, e pelo visto eu escolhi o caminho mais difícil... Quando o Gustavo me avistou subindo fez sinal pra eu contornar à direita, mas pra não ter que voltar uns metros eu segui por ali mesmo. Obrigada crampons! (porque sem eles não daria).

Nessa hora o Philipp estava ficando bem atrás, mas terminei de subir até o platô. Chegando lá, sol! Por trás de umas rochas na beira do penhasco, mais um daqueles xixis com vista extraordinária! :lol: Esperei o Philipp chegar lá. Enquanto isso, fotos, hidratar, comer...

O pequeno refúgio de madeira está bastante destruído, não serve muito pra proteger dos ventos mais. Quando se chega aí, dá impressão de já termos passado da metade do caminho, mas ainda estamos a 6.370 m (400 metros verticais vencidos, do total de 992 m a vencer nesse dia).

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Philipp chegou muito cansado, disse que não estava se sentindo bem. Não queria comer, estômago ruim. Insisti que comesse e descansamos mais uns 10 minutos. Tínhamos à frente um pequeno trecho de subida antes de passar pelo local conhecido como "Portezuelo del viento" e iniciar “la travesía del Gran Acarreo”. Eu estava me sentindo melhor que em qualquer dos trechos mais baixos da montanha, por incrível que pareça, e achava que a sensação de frio nos pés estava dentro do normal. Seguimos, Philipp dizendo pra eu não esperá-lo porque ele achava que não ia conseguir chegar, e que se eu ficasse esperando não ia conseguir também. Mas depois dele ter me esperado e ajudado muito na última subida a Nido, eu não pretendia deixá-lo pra trás.

Durante todo o trecho da travessia, o vento estava mais forte, constante, e muito gelado. Esse trecho é muito exposto. Se pisar errado, pode rolar até o acampamento base (exageros à parte rs). Em alguns pontos a neve estava bem escorregadia. Mais uma vez os crampons sendo importantes. Foi o trecho onde mais senti o frio. Bem mais que antes do sol nascer. Meu pé, debaixo das camadas de meias, bota interna, carcaça da bota dupla e gaiters, estavam gelando de uma forma incômoda. Falei pro Philipp que ia esperá-lo na próxima rocha, onde parecia estar batendo sol, mas foi só impressão, nada de sol... Esperei por ele batendo os pés no chão pra tentar esquentar. Não adiantou muito, ou eu não teria tido o problema de princípio de congelamento que tive...

Comecei a sentir que meu nariz estava ficando dormente, puxei a balaclava para cobri-lo, mas me atrapalhava a respirar, então segui tentando cobrir o nariz com a mão livre. Já podíamos avistar “La Cueva”, último ponto de descanso antes de subir a Canaleta rumo ao cume. Também costuma ser o último ponto de desistência, pois, quem não está bem ao chegar lá, não encontra uma visão muito motivadora ao olhar pro resto do caminho acima. Lá já estava batendo sol, finalmente! Avisei ao Philipp que esperaria lá no sol. E segui, tentando acelerar pra esquentar, e com isso quase levei uns tombos perigosos pisando de mau jeito com aqueles trambolhos de botas duplas e crampons nos pés.

O sol começou a passar por cima da crista e me alcançou um pouco antes de chegar à La Cueva. Chegando lá, escolhi uma pedra ao sol pra sentar e fiquei um tempinho com o rosto virado pro sol esfregando o nariz. (Depois fui saber que uma menina teve frostbite no nariz nesse mesmo dia). Passei filtro solar, bebi água, comi umas barrinhas... A vista era incrível. Bem à minha frente estava o imponente Cerro Mercedário. Uns 20 minutos depois, Philipp chegou. Descansamos por mais uns 15, enquanto eu tentei convencê-lo a continuar, mas ele estava com dor no estômago e se sentindo fraco... com medo de seguir e não estar bem o suficiente pro caminho de volta. Nós dois preocupados também com o tempo que íamos gastar a partir dali até o cume, pois tínhamos que voltar até Plaza de Mulas nesse mesmo dia ainda, plano um tanto quanto audacioso. Andre provavelmente já estava no cume. A gente não sabia por quanto tempo ele ficaria lá esperando. Nessa hora alguém nos falou que faltavam mais umas três horas até lá em cima. Philipp insistiu que não daria tempo dele chegar, considerando o jeito que ele estava se sentindo. Eu também imaginei que eu não chegaria a tempo, mas queria tentar. Philipp decidiu que realmente iria voltar dali. Iria descendo devagar e parando pra descansar e nos aguardaria em Cólera. E eu seguiria até encontrar com Andre, que provavelmente estaria descendo na próxima hora. Encontrando com ele eu desceria junto, perdendo o cume, pra não arriscar o nosso retorno. Mas as coisas acabaram acontecendo um pouco diferentes...

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Era entre 11:15 e 11:20 quando comecei a subir a canaleta. Às 13 hs eu chegaria ao cume, só 1h45m depois, em vez das 3 hs que haviam nos informado... E pra minha surpresa, Andre ainda estaria lá esperando.

A canaleta realmente é íngreme como dizem, mas creio que fica mais fácil com neve como estava, em vez de terra com pedras soltas. Um dos problemas ali foi o “engarrafamento”. Dois grupos guiados estavam à minha frente, em fila indiana, muuuuito lentos. Pra ultrapassar tem que ter muito cuidado, pra não desequilibrar ninguém, e pra não cair por pisar em pontos ruins fora da “trilha”. Uma pessoa de um desses grupos deitou no chão de repente, e parecia estar tentando ajustar seus crampons, mas estava balbuciando coisas sem nexo e não dava espaço pras pessoas passarem. Alguns ofereceram ajuda mas ele não deixava. A fila ficou parada até que o guia o alcançou pra prestar auxílio. Desceram com ele, e, pelo visto, estava com sintomas de edema cerebral, mas depois de descer ficou bem. Pouco depois encontrei com os russos (letonianos) descendo do cume. Nunca vou esquecer do sotaque engraçado do Alex me dizendo: “Andrew your friend is waiting for you on the summit, for TWO HOURS!” rss E ainda gastei 1h20m depois disso... Ele tinha chegado ao cume em incríveis quatro horas e pouco :-o , e esperou no cume por quase três horas e meia!

Depois que consegui ultrapassar esses grupos, sentei exausta numa pedra, sentindo os batimentos a mil. Tinha passado dos 6.700 m, altitude apontada por muitos como onde começa o grande desafio do Aconcágua em relação à falta de oxigênio (como se já não fosse um desafio desde o começo). E realmente, cada passo ficou mais penoso. Eu já estava me aproximando do Filo del Guanaco, crista que conecta o cume sul ao cume norte. Dali já avistava o cume e todo o percurso até lá, e podia ver que o Andre não estava descendo ainda. Tentei ir o mais rápido que pude, porque ia ser devastador ter que virar as costas pro cume estando tão perto! Acelerava cinco ou dez passos e parava pra não deixar o coração saltar pra fora. Não ouvia nada ao redor, e não pensava em nada também. Uma paz absurda e todo o meu universo focado em dar mais cinco passos. E batia aquela ansiedade de estar chegando lá. E eu já não sabia mais se o coração batia tão rápido por causa da altitude ou por causa da adrenalina ::love:: . Comecei a sentir calor, (calor!!) e guardei umas camadas de blusas na mochila, e as mittens. Mais cinco passos. Respira. Mais cinco passos. E de repente olho pra cima e vejo o Andre lá na ponta balançando os braços. Subi os últimos dez minutos o mais rápido que pude, enquanto o Andre tirava fotos do meu esforço . ::lol3::

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Olhei pra trás e vi o amontoado de nuvens cobrindo a face sul e girando em torno dela. “Temos que descer!” pensei. Dei os últimos passos, subindo por algumas rochas, e estava pisando no cume! Alegria total. Sensação de euforia e pressa. Porque a gente tinha que descer logo. E enquanto o Andre me abraçava parabenizando pelo cume eu já dizia “eu sei, temos que descer”. Andei um pouco em cima do platô, tentando aproveitar bem aqueles minutos e já tava angustiada por não poder ficar muito lá em cima kkk... Procurei o ponto mais bonito pra fazer o que tinha prometido ao Carlo e fiquei muito feliz por ter conseguido cumprir o favor.

Nessa hora percebi uma leve dorzinha de cabeça... lembrei que tinha bebido pouca água na reta final. Então bebi suco e comi umas bolachas antes de descermos. A altitude, era como se eu não sentisse mais... esqueci. Frio? Também não, não ventava quase nada nesse momento. O que eu senti lá em cima? Um grande nada e um grande tudo. Sensação de completude e de esvaziamento. Nada na mente, absolutamente nada além da felicidade de estar ali e da leve preocupação em ter que voltar. E aquela coisa da gente se sentir pequeno e grande, eu senti em outros momentos na montanha, mas não ali. Aquela sensação de liberdade e de ser invencível? Sim, um pouco... Mas predominava uma sensação de gratidão. Gratidão a seja lá quais foram as forças do universo que me permitiram ser capaz de chegar ali e de viver tudo aquilo, e gratidão gigantesca aos parceiros que foram comigo até o final (Philipp e Andre), e aos que estavam no início (Carlo, Greison e Zaney). Essa sensação de gratidão foi muito forte.

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E depois de dezoito dias na montanha pra chegar até ali, e ficar só por quinze minutos, não dá pra dizer que o cume é o mais importante, porque não é.

 

... E começamos a descer. Olhando a canaleta de cima pra baixo, parece ainda mais íngreme, e cansa bastante pra descer, com as pernas tremendo tentando firmar a cada passo. Ainda tinha gente subindo, que tinha começado mais tarde, o que pareceu boa ideia já que a previsão do tempo, no fim das contas, estava meio errada, e não nevou a partir das 16 hs como previsto. Pra nós de qualquer forma não havia essa opção, pois não daria tempo de voltar ao acampamento base se não tivéssemos começado a subir de madrugada.

Meus olhos estavam ardendo. Acho que os óculos não estavam suficientes. Coloquei o boné por cima do gorro pra ajudar a bloquear a claridade. Nessa hora já estava ventando mais, e algumas vezes tive que correr atrás do boné que voou da minha cabeça. Meus crampons, que na subida funcionaram perfeitamente, começaram a acumular neve embaixo, pois estava mais pegajosa, virando quase uma segunda bota. Péssimo de andar e perigoso, porque ele perde a função de agarrar ao chão. Alcançamos os russos uma meia hora antes de chegarmos em Cólera. Estavam bem cansados.

Quando chegamos no acampamento Cólera, minhas pernas já quase não estavam respondendo mais. Philipp estava na barraca descansando, e já se sentia melhor. Acabou descendo muito devagar e fazia pouco tempo que tinha chegado também. Tirei os crampons, abrimos a porta da barraca e deitamos com as pernas pra fora pra não precisar tirar as botas. A gente precisava comer. Andre comeu meu miojo que tinha sobrado. Comi o resto das barrinhas, bananinhas e sachês de açúcar. Andre queria mudar o plano e dormir ali essa noite, mas a gente não podia, do contrário o Philipp perderia o voo. Com um pouquinho de insistência, decidimos descansar uma meia hora e descer. Andre conseguiu um pouco de água com um grupo que iria ficar, pra gente não ter que gastar tempo derretendo neve. Desmontamos acampamento e descemos. Os russos, que tinham decidido dormir em Cólera, mudaram de ideia e desceriam em seguida também. Vimos mais três pessoas descendo à nossa frente depois que passamos de Nido. Todos os outros grupos ficariam em Cólera descansando aquela noite.

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As nuvens estavam subindo e tudo ficando encoberto ao redor. Não dava pra enxergar mais que 15 metros à frente. Mas a gente sabia a direção. Entre tombos e escorregões, chegamos a Nido. Enquanto o Philipp desmontou sua barraca, guardei como pude as coisas que tinha deixado ali, ficando muitas coisas penduradas pra fora da mochila. Separei as coisas que íamos tentar deixar com os guarda-parques pra não ter que carregar (principalmente comida e gás que tinham sobrado). Aceitaram tudo e nos parabenizaram pelo cume. Verificamos com eles a previsão do tempo e realmente tinha mudado. Só ia nevar no outro dia. Nos alertaram pra tomar cuidado na descida pelo caminho direto porque o gelo estava duro e liso. Os guarda-parques também nos deram notícias do Zaney, que estava bem e que por precaução tinha sido evacuado de helicóptero até a entrada do parque.

Quando saímos de Nido já eram quase 19:20 (eu só sei todos esses horários porque ficaram registrados nas fotos rs). Essa próxima parte da descida inicia com pouca inclinação, mas depois fica bem íngreme. A mochila agora tava muito pesada, e eu muito cansada, mas lembro de comentar que estava tranquilo. As nuvens tinham ficado acima de nós, e pra baixo estava limpo, visibilidade total.

O bom das nuvens acima foi que amenizou o reflexo do sol na neve... depois desse longo dia, meus olhos já estavam castigados. Deveria ter investido em óculos melhores. A temperatura estava ok, e tínhamos claridade até quase 22:00 (2,5 hs pra chegar até Plaza de Mulas então).

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Quando o caminho começou a ficar mais íngreme e os passos mais lentos pra não escorregar no gelo, o cansaço bateu de vez. Cada passo era uma tortura, e o sol baixando... Maior mistura de felicidade e exaustão que já senti. O peso da mochila e a inclinação faziam muita pressão sobre as pontas dos pés, principalmente por causa das botas duplas duras. Tudo que eu queria era arrancar aquilo, mas teria que carregá-las, e gastaria um tempo pra conseguir prendê-las na mochila. Além disso, nessa hora meus pés tavam molhados de suor, e ficariam gelados nas botas normais. Quanto mais descia, mais doía, e mais longe parecia. E eu ainda não fazia a menor ideia de que tinha pré-congelado os dedos naquele dia. O trecho entre o acampamento Canadá e Mulas estava péssimo, levei vários tombos de bunda deslizando no gelo. No fim tava tão exausta e com dor que tava prestes a sentar e chorar, mas não ia resolver nada né... Já tava praticamente escuro quando chegamos no trecho dos penitentes, e ainda caí uma última vez com o isolante térmico agarrando entre dois deles. Mais uns cinco ou dez minutos e chegamos à barraca, já totalmente no escuro. Suponho, então, que era pouco antes das 22:00.

Arranquei fora as botas duplas e calcei um par de meias secas confortáveis e os meus chinelos. Passei o resto da noite mancando de dor. Fui até a tenda da Lanko pra avisar que íamos embora no dia seguinte e pra ver como tinha ficado a situação da mula que a gente tinha contratado, se o Zaney tinha usado metade ou não... No helicóptero só podem ser levados seis quilos de pertences com a pessoa. Ele tinha deixado a bolsa com as coisas dele na tenda da Lanko pra eu levar pra ele. O problema que surgiu foi que a gente tinha que ter avisado até as 17 hs pra garantir a mula pro dia seguinte. Como não avisamos, só dava pra ter certeza se teria a mula no outro dia de manhã quando os muleiros chegassem :| .

Enquanto o Philipp estancava o sangue do seu nariz, que tinha começado a sangrar nessa hora, tomei um “banho” de lenço umedecido e troquei parcialmente de roupa pra me sentir no clima de comemoração kkk, e fomos pra tenda verde comer a pizza prometida pelo Andre. Deliciosa, mas a melhor parte da noite foi voltar pra barraca e entrar no saco de dormir pras merecidas e insuficientes horas de sono, já que a gente planejou levantar cedo pra organizar tudo pra partida. Dormi torcendo que aquela dor nos dedos melhorasse até de manhã.

A noite passou num piscar de olhos. Acordamos e começamos a desmontar acampamento e organizar as coisas. Levamos os sacos com lixo para a Lanko, e confirmamos que poderíamos usar a mula. Em seguida fomos aos guarda-parques entregar os sacos vermelhos com os cocôs ::lol4:: e fazer o check out. Eles carimbam nosso permiso, indicam um tonel onde devemos jogar os sacos, e nos perguntam se fizemos cume, creio que para as estatísticas extraoficiais.

As comidas, gás e outros itens que tinham sobrado no acampamento base, doamos à APA (Asociación Porteadores Aconcagua), como uma pequena forma de retribuir pela festa de natal. Aceitaram inclusive a panela toda entortada que eu tinha usado pra quebrar neve/gelo pra derreter.

Como o Carlo e o Greison tiveram que levar suas coisas quando decidiram ir embora, a mula que contratamos para dividir por quatro estava com espaço/peso sobrando, e deu pra colocar quase todas as coisas do Philipp e Andre também, pra podermos acelerar o passo no caminho de volta. O que não coube dividimos entre nós três.

Aqueles últimos 28 quilômetros

Sexta-feira, 30 de dezembro de 2016. Nosso último dia no Aconcágua. Saímos de Plaza de Mulas por volta das 11:50. Tempo aberto, vento razoável. Quase sem peso, seguimos rápido, mas as pequenas subidas ainda roubavam o fôlego. Meus pés estavam doendo menos, tranquilo pra andar. O objetivo era chegar até as 18 hs na saída do parque. Passamos a Playa Chica com facilidade, e a Playa Ancha foi tão interminável quanto na ida. Com o vento soprando contra nós e eu com alguns vários quilos perdidos, tava tendo que fazer mais força que o normal pra andar pra frente. Mas o caminho tava lindo. Sem os quase 20 kg da ida nas costas, dá pra olhar mais ao redor e admirar a grandiosidade daquelas montanhas negras, marrons e coloridas.

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Atravessar o rio tava mais complicado, o nível da água tinha subido bastante com as nevascas das semanas anteriores. Em um dos trechos, já no fim da Playa Ancha, tive que tirar as botas e entrar na água barrenta do rio Horcones pra passar. Molhar os pés não foi a melhor coisa nessa hora, favoreceu as bolhas que não tinham surgido até então.

Antes de chegar a Confluência tem a descida pra atravessar a ponte, e depois a subida até o acampamento. Que subidinha malvada naquele momento de fim de forças. Chegamos ao acampamento e paramos por uns dez minutos pra comer, ir ao banheiro e encher as garrafas de água pro resto do caminho.

No trecho entre Confluência e Horcones, passamos por vários grupos que iam fazer o trekking até Plaza Francia ou Plaza de Mulas e alguns iniciando a expedição ao cume. Num clima bastante diferente de quando entramos, eles vestiam roupas de verão. Os dias que vinham adiante prometiam ser bem mais amenos que os da nossa longa aventura. Olhando pra trás agora, eu não trocaria o que passamos por uma opção menos sofrida e com menos desafios, porque talvez seria também menos incrível e recompensadora. No fim, foi tudo perfeito, e eu não trocaria nada. Na verdade, queria ter passado um pouco mais de frio, saindo mais vezes da barraca de madrugada pra olhar o céu. Queria ter sofrido um pouco mais saindo do saco de dormir antes do sol nascer pra ver a montanha amanhecer. Na próxima, vou me esforçar pra “sofrer” um pouco mais.

Chegando a Horcones, encontramos com Ravi, e soubemos porque não o vimos no dia do cume. Ele havia saído de Cólera antes das 4 hs, e abortou a subida por causa do frio, voltando pouco antes de nós começarmos a subir..

Era pouco depois de 18 hs. Com algumas informações divergentes, ficamos em dúvida se a portaria principal, que fica mais abaixo, estava ou não aberta. Então apresentamos o papel do check out ali mesmo, destacaram o canhoto e nos liberaram, sem nenhuma formalidade. Teoricamente, o permiso vale por 20 dias. O do Philipp já havia expirado dois dias antes, mas nem olharam isso. Entraram em contato com a Lanko para avisar que a gente estava ali, e em uma meia hora chegaram pra nos buscar. Ravi foi com a gente. Paramos em Puente del Inca, onde corri até o hostel/refúgio El Nico para pegar a mochilinha que eu tinha deixado guardada lá. Queria dar as boas notícias ao Cesar e agradecer pelos conselhos, mas ele não estava. Seguimos para Los Penitentes, onde pegamos nossas coisas trazidas pelas mulas. Ali pegaríamos o ônibus Buttini para Mendoza às 20 hs. Da oficina da Lanko até o ponto de ônibus tínhamos que andar uns 300 ou 400 metros e atravessar a rodovia. Tivemos que fazer duas viagens cada pra levar toda a bagagem, incluindo a do Zaney. Quando pegamos esse ônibus na vinda, como embarcamos na rodoviária em Mendoza, pediram “propina” (gorjeta) por causa do excesso de peso no bagageiro do ônibus. Na volta, na pressa pra embarcar todo mundo rápido e não demorar parados na estrada, não pediram nada. Pagamos pelo ônibus ali mesmo ao entrar, não é necessário comprar passagem antes.

Já sentada no ônibus, aquela sensação de alívio. Agora podia dormir naquelas próximas quatro horas de viagem, mas quem diz que eu conseguia com tanta coisa passando na cabeça? O ônibus fez uma parada pra lanche, onde comprei uma merecida coca-cola pra repor a glicose gasta no dia. E o resto do caminho foi cheio de flashs dos últimos 19 dias passando na memória...

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Guria, nem sei o que falar desse relato... e dessa viagem... To aqui arrepiada! Show, show, show!

parabens pela tua força!

Déia

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    • Por Marcos A
      Fala galera, estou colocando aqui a nossa experiência fazendo trilhando o vulcão Illiniza Norte, em Quito no Equador. Se quiser dar uma força nosso trabalho, passa lá no nosso site que tem mais posts sobre o Equador e também se cadastrando na nossa newsletter, a gente oferece o livreto "Rumo ao Cume do Illiniza Norte - O Guia Completo", onde a gente responde todas as perguntas sobre como chegar ao cume do vulcão à 5126 metros (custo, como chegar, o que levar, melhor época pra fazer, etc.)
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      O dia começou bem cedo para nós. O motorista nos buscou às 8h da manhã e o nosso primeiro destino seria Machachi, uma cidadezinha a alguns quilômetros de Quito. Lá, nos encontraríamos com o nosso guia e acertaríamos os últimos detalhes para o Illiniza Norte. Não esperava nenhum grande esforço no primeiro dia. Seria um hiking de umas 4h até o refúgio Nuevos Horizontes (4700 metros de altura). Seria muito parecido ao do Rucu Pichincha que havíamos feito no dia anterior. De lá, no dia seguinte, faríamos o ataque ao cume do Illiniza Norte, com seus 5126 metros de altitude.
      Chegamos na entrada da reserva ecológica por volta das 10h30 e lá pelas 11h, começamos a subida até o refúgio. Estávamos um pouco cansados do dia anterior. Deu pra sentir o desgaste. Pra piorar, tivemos que levar muito mais peso do que o esperado, o que dificultou ainda mais a subida.

      O começo lembrava muito a trilha do Rucu Pichincha. Era praticamente a mesma paisagem. Vegetação rasteira, cor verde musgo e muita poeira. Alguns quilômetros depois, a neblina veio com força e a inclinação da trilha aumentou consideravelmente. Tínhamos que fazer zigue-zagues constantes. Não via a hora de chegar, mas parecia que era interminável.

      A parte final seria uma grande montanha de areia cinza e pedras soltas. 1h de subida desgastante. Após vencer o último obstáculo, vimos uma casinha amarela bem distante. Era o refúgio Nuevos Horizontes, o primeiro refúgio construído no Equador. Estava envolto em neblina. Também deu pra sentir que a temperatura havia caído drasticamente naquele ponto.
      O REFÚGIO NUEVOS HORIZONTES
      Enfim estávamos no refúgio. Fomos os primeiros a chegar por incrível que pareça. O refúgio era bem pequeno. Tinha uma pequena mesa e dois banquinhos de madeira bem na entrada. Vários beliches encostados uns nos outros, bem apertado e uma pequena cozinha, onde o administrador do lugar, “Gato”, fazia a coisa funcionar. Não deu tempo nem de colocar as mochilas na cama e já tinha uma sopinha e um chá quentinho nos esperando. O guia aproveitou o momento e disse que o refúgio aceitaria mais pessoas do que o normal e teríamos que dormir nós 3 juntos em uma cama para 2. “Sem problemas”, pensei sem refletir muito.


      Terminamos a sopa e logo fomos tirar uma soneca. Isso era por volta das 14h da tarde. O silêncio estava maravilhoso. Dava pra ouvir o coração batendo tentando levar oxigênio pra todo o corpo a mais de 4700 metros de altitude. Isso tem seu preço. O corpo usa muito mais rápido o líquido que entra e por conta disso, a vontade de fazer xixi é quase instantânea. E não é qualquer xixi, é muitoooooo xixi.

      Bom, uma hora depois, outros grupos foram chegando. O silêncio deu espaço ao barulho. Conversa pra lá e pra cá, e nós ali deitados, tentando descansar ao máximo para o dia seguinte. Foi então que a vontade de ir ao banheiro veio. O banheiro ficava no lado de fora. Eram duas cabines bem rústicas, sem luz e bem sujas. O que esperar, além disso? Vamo que vamo. A aventura de usar o banheiro nessas condições poderia render um post separado, mas vou deixar a sua imaginação fazer o resto.
      Voltando ao refúgio, era hora do jantar. Nos sentamos na mesa com um grupo de mexicanos e começamos a comilança. Uma das meninas virou pra mim e disse “ça va?”. Fiquei meio confuso. Sei falar francês, mas esperava um “¿Como estás?”. Olhei com cara de bunda pra ela e logo veio a pergunta “De onde vocês são?”. Prontamente disse que era brasileiro e todos os mexicanos falaram “HA! Eu disse, ou eram brasileiros, ou franceses!”. Foi a deixa para muita conversa e troca de experiências.
      Voltando ao jantar, uma sopa veio como entrada. Era uma sopa de legumes neutra. Tinha pedido um cardápio sem lactose. Gato virou para mim e perguntou, pode ter um pouquinho de leite? Ou aceitava, ou não comeria nada naquela noite, então disse que não tinha problema. O prato principal foi frango cozido, arroz quentinho e abacate maduro. Uma delícia! Pra finalizar, pêssegos em calda. Tudo acompanhado com chazinho quentinho. O jantar elevou a nossa moral em todos os sentidos.
      Voltamos para a cama e tentamos descansar até as 4h do dia seguinte. Não deu nem 1h depois do jantar e já estava com vontade de ir ao banheiro de novo. E lá vamos nós novamente. Sair do saco de dormir, calçar e encarar o frio do lado de fora pela vontade de fazer xixi que era interminável. Era quase 1 minuto de xixi, coisa que nunca tinha visto na vida. O corpo parecia está em seu modo de sobrevivência, produzindo xixi em uma taxa acelerada para se manter em funcionamento.
      Essa teria sido a última ida ao banheiro antes do ataque ao cume. De volta a cama, coloquei novamente o saco de dormir e dessa vez o guia se juntou a nós. Lembra que dormiríamos 3 em um lugar de 2? Pois, tive que ficar no meio, entre o guia e a Gabriela, por motivos óbvios. Só não contava que seria espremido durante horas, noite adentro. Resolvi dormir do lado contrário e foi assim que consegui recarregar minhas energias até as 4 horas da manhã, quando acordamos para atacar o cume do Illiniza Norte.
      ATAQUE AO CUME DO ILLINIZA NORTE
      Era hora do ataque ao cume do Illiniza Norte. 4h da manhã e começamos os preparativos. Colocamos as roupas, camada por camada, capacetes, lanternas e tudo que era necessário e nos sentamos na mesa para tomar café da manhã. O café foi básico, mas bem potente. Aveia com iogurte, pão e café bem forte. Saímos bem alimentados e prontos para as próximas 6 horas de subida até o cume, à 5126 metros de altitude!

      Saímos e ainda era noite. Fazia menos frio do que o dia anterior, mas ainda sim, incomodava. Ligamos a lanternas pregadas aos capacetes e iniciamos a trilha. Começamos a subida por uma parte arenosa na lateral da montanha, repleta de rochas soltas. Passamos o grupo que saiu minutos antes da gente e continuamos em frente.

      Em determinado momento, o sol começou a aparecer. Minha expectativa era que pudéssemos ver o nascer do sol lá de cima, com vista privilegiada aos vulcões acima das nuvens, principalmente o Cotopaxi. Tinha visto vários vídeos incríveis e mentalizei aquele momento. Entretanto, a neblina tinha estragado meus planos. Não dava pra ver quase nada, somente um pequeno pedaço do caminho que devíamos percorrer. O vento e o frio foram aumentando e as pedras que antes estavam negras e um pouco úmidas, agora estavam cobertas por gelo e neve.
      Isso tornaria a subida mais cuidadosa e consequentemente mais perigosa. Pra completar, ventava forte, muito forte, cada vez mais forte. O nosso guia estava focado e tudo que mandava fazer, executávamos sem hesitar.
      Horas de subida e de pequenas escaladas, havíamos chegado ao famoso Paso de la Muerte, o ponto mais perigoso antes do cume do Illiniza Norte. Era um paredão de rochas que para ser transposto, deveríamos descer um pouco e passar por um desfiladeiro e depois subir novamente. O cume ficava algumas centenas de metros dali. Hesitamos um pouco, mas o guia manteve o foco e nos encorajou. Fui o primeiro a descer. O guia se posicionou mais acima, segurando a corda, me ajudando a descer lentamente, pedra por pedra. Em alguns momentos eu não tinha nada além do meu corpo pra usar como apoio. Tinha que usar as mãos, descer o máximo possível e confiar que haveria outra pedra ali embaixo pra me acudir. Funcionou…


      Passamos a parte mais complicada e depois de alguns minutos, em uma última escalada, chegamos ao cume. Diferente do Rucu Pichincha, a emoção não veio como esperado. Nenhuma lágrima, nenhum grito, nada. Um sorriso foi a única coisa que veio. De alívio acho. Tinha sido uma subida complicada. O vento batia forte e não perdoava. Minhas mãos já estavam quase sem movimento devido ao frio. Dava pra ver a cruz congelada atrás do guia, mas devido às condições climáticas, ele não deixou ir mais adiante para tocá-la. O terreno estava instável e o vento estava forte. Tiramos fotos com o celular, já que a maquina congelou de tanto frio. Essas são as únicas fotos que temos. Depois de alguns rápidos minutos, começamos a descida.
      A rota de descida seria outra. Não voltamos pelo refúgio, mas sim por uma rota alternativa, mais rápida pela lateral da montanha. Era um desfiladeiro de rochas e terra. Tínhamos somente que descer, descer e descer. A inclinação era tanta que mal dava pra estabilizar o corpo e a velocidade de descida. Caímos várias vezes pra resumir. Durante uma boa parte decidimos somente descer como um tobogã. Ajudou um pouco, mas não por muito tempo. Tínhamos que sair rápido dali, pois, o grupo que vinha logo atrás poderia jogar pedras sobre nós.
      Passado o sufoco, a trilha foi se nivelado novamente e alguns minutos depois já estávamos novamente na trilha principal, indo em direção ao estacionamento. Estava com a garganta bem ruim e ficando cada vez mais resfriado. Não pensava muito sobre isso. A cabeça só pensava em chegar logo pra descansar. Teria que me cuidar e descansar bastante se quisesse ter chance de subir o Cotopaxi. Esse sim seria difícil, exigiria de nós muito mais esforço e preparo. Tiramos os próximos dias para descansar e torcer para que o corpo suportasse o último grande desafio.
    • Por MMarttins
      Em maio deste ano fizemos uma viagem de 13 dias para o Peru, sendo 04 noites em Lima, incluindo um bate e volta a Paracas e Ica, 07 noites em Cusco e 02 em Águas Calientes.
      Na parte de Cusco, a cronologia do roteiro é muito importante. Montamos o nosso, pensando na aclimatação a altitude, e evitar passeios muito pesados em dias seguidos.
      Nosso gasto total por casal, incluindo todas as despesas, até mesmo estacionamento no aeroporto no Brasil, foi de pouco menos de R$7.000,00 mais 72.000 milhas Múltiplos com passagens.
      Abaixo iremos resumir cada dia de nossa viagem, e tentar deixar algumas dicas úteis de cada lugar.
      Para isto, é importante deixar claro nosso estilo de viagem. Sempre viajamos mais no estilo “mochilão”, nos hospedamos em lugares simples, procuramos comer em lugares em que os locais comem e tentamos vivenciar ao máximo a cultura do lugar. Também gostamos bastante de aventuras, principalmente trilhas, em muitos locais para nós o percurso é tão importante quanto conhecer o lugar.
      ·         Dia 01 – Lima – Huaca Pucllana e Parque de La Reserva:
      Nosso voo chegou em Lima as 0:30, e como já havíamos reservado transfer pelo hostel devido ao horário de chegada, antes das 02:00 estávamos na hospedagem. Na manhã seguinte, em Miraflores, fizemos cambio, compramos chip de celular (vide dicas gerais) e fomos ao sítio arqueológico Huaca Pucllana.
      Huaca Pucllana é um sítio arqueológico pré-inca localizada bem no meio da cidade. A parte principal é uma pirâmide gigantesca, construída com tijolos de barro, estima-se que sua construção se iniciou por volta de 200 DC. A entrada no sítio com visita guiada custa 15 soles (estudante paga meia). Vale muito a visita, o sítio é bem diferente dos tantos outros que fomos no decorrer da viagem. (Info: http://huacapucllanamiraflores.pe/

      Saindo do sítio fomos almoçar no restaurante Punto Azul em Miraflores, onde comemos nosso primeiro ceviche maravilhoso a um preço razoável. Após o almoço, fomos a praça no entorno no shopping Lacomar onde curtimos o pôr-do-sol na deslumbrante paisagem à beira-mar deste local.
      Deste mesmo local pegamos um Uber e fomos ao Parque de La Reserva (Circuito Mágico das águas). Se trata de um parque muito grande com inúmeras fontes de água. Este local certamente foi umas das melhores surpresas de Lima, ultrapassando nossas expectativas. Dentre as várias atrações do local, a principal e mais bela é a apresentação que é realizada em 03 horários: 19:15, 20:15 e 21:30. É um espetáculo de luz e imagens refletidas na cortina de água que dura 15 minutos e mostra um resumo da história peruana. Vale a pena chegar ao local com antecedência para garantir um bom local. A entrada para o parque custa apenas 4 soles. (https://www.circuitomagicodelagua.com.pe/)
       
      Dicas e Infos:
      1)     Hospedagem: Nos hospedamos em Miraflores, entre o parque Kenedy e o shopping Lacomar. Excelente local para ficar. Nossa hospedagem foi o Miraflores Guest House, local simples, porém com ótimo custo benefício. Tenha em mente que em Miraflores, apesar de ser o lugar mais recomendado para se hospedar, por lá tudo é mais caro (restaurantes, supermercados, etc).
      2)     O percurso do aeroporto a Miraflores dura em torno de 50 minutos sem transito. O translado por lá é relativamente barato, pagamos 50 soles reservando com antecedência. Porém com Uber sai ainda mais em conta.
      3)     Cambio: A maioria das casas de câmbio fica na Av. José Larco, av. que liga o parque Kenedy ao Lacomar. Além das casas de câmbio, há várias pessoas na rua que fazem cambio. Apesar de ser estranho fazer cambio com alguém na rua, estas pessoas são devidamente identificadas com colete e são legalizados, cada um tem um número de identificação, para que possa reclamar caso tenha qualquer problema. Cuidado para não pegar nota rasgada, mesmo que seja mínimo. Em Cusco não aceitaram uma nota minha devido a um rasgado de milímetro, e não faltava nenhum pedaço.
      4)     Celular: Comprei um chip na loja da Claro na Av. José Larco. O Chip com plano de 3GB para 30 dias custou 35 Soles, e funcionou muito bem em todos os lugares durante a viagem.
      5)     Taxi: Em Lima o que não falta é taxi. Basta sair caminhando na calçada que algum taxista já vai buzinar perto de você oferecendo corrida. Nos taxis não existe taxímetro e tem que negociar o preço antes da corrida. Devido a isto, preferimos usar o UBER, o que funcionou muito bem. Para economizar, utilizamos algumas vezes o UBER compartilhado (Uberpool), e não tivemos problemas.
      6)     Trânsito: O transito no Peru é um caos, em Lima, ainda pior que em outros lugares. Então alugar carro definitivamente não é uma boa opção
       
      ·         Dia 2 - Paracas e Ica:
      Queríamos muito conhecer esta região, porém como o tempo estava curto, pensamos que não seria não seria possível, até que descobrimos a opção de fazer o passeio bate e volta de Lima. O ponto de partida do passeio foi em frente ao Shopping Lacomar as 05:00. De lá viajamos de micro-ônibus até Paracas (3 a 4 horas) para fazer o tour das Ilhas Ballestas. Este tour é feito em barco de 40 pessoas, passa pelo famoso candelabro, um geoglifo a beira-mar muito misterioso de 40 metros feito a cerca de 2500 anos, algo diferente e bem interessante, principalmente para quem não vai visitar as linhas Nazcas.

      Após a parada para apreciar o candelabro seguimos para as Ilhas Ballestas, estas ilhas são um santuário ecológico, com muitos leões marinhos, pinguins e milhares de pássaros. O passeio é apenas panorâmico, por ser área de proteção não pode descer ou nadar no local. Por cerca de 40 minutos, o barco circunda as ilhas, com vistas de milhares de pássaros e centenas de leões marinhos. Belas paisagens.

      Após o retorno das ilhas, tem um tempo livre para almoço na própria vila onde se desembarca. O almoço não está incluso no passeio, e há vários restaurantes no local para escolha.
      Finalizado o almoço retornamos ao ônibus para mais aproximadamente 30 minutos de viagem até Huacachina. O Oasis de Huacachina é um mini vilarejo pertencente a cidade de Ica. Porém o grande destaque deste lugar é que ele tem um grande lago central cercado por vegetação, e isto bem em meio do deserto, formando realmente um verdadeiro Oasis entre dunas. Chegando ao local, conhecemos a vila e fomos fazer o passeio com os tubulares nas dunas. Este passeio é bem radical. Cada carro leva em torno de 12 pessoas, e o mesmo vai em alta velocidade nos sobe e desce das dunas, é praticamente uma montanha russa nas areias. No meio do passeio, o carro para fazer o sandboarding. Sandbording é a descida nas dunas escorregando deitado sobre uma prancha. Pode se fazer duas descidas (2 dunas), e após isto o carro pega as pessoas no final da segunda descida, para mais um pouco de adrenalina no retorno ao Oasis.
      Este passeio (incluso no Tour) foi certamente um dos pontos altos do dia.
       
      O último destino do tour, foi em uma vinícola, para provarmos os vinhos e vários tipos de Piscos. Sinceramente não gostei muito das bebidas deste local, mas valeu a experiência.
      Em resumo, este tour vale a pena para quem está em Lima e não tem tempo suficiente para passar mais de um dia na região de Ica. Certamente este dia foi o ponto alto dos 04 dias que permanecemos em Lima.
      Dicas e Infos:
      1) Agência Picaflor Viajes, foi a que encontrei melhor custo benefício para o Tour, pagamos 165 soles na opção completa do passeio. Site: http://www.viajespicaflorperu.net/. Caso fechar com esta agência, o pagamento deve ser antecipado, então a maneira mais fácil e barata de transferir a grana, é via Wetern Union. Caso não conheça este sistema, a agência passa todas as informações por whatsapp.
      2) Não saia sem um bom café da manhã. O Box Lunch prometido no tour não passa de um pacote de biscoito similar a um Club Social e uma caixinha de suco de 200 ml, e a única parada no caminho é rápida e em local caro.
      3) Para o passeio das Ilhas Balestas, tente pegar lugar do lado esquerdo do barco. Neste lado terão as melhores vistas
       
      ·         Dia 03: Centro Histórico e Barrancos:
      Neste dia fomos conhecer o centro histórico de Lima. Iniciamos nosso passeio na Plaza San Martin. Desta praça há um calçadão de uns 900 metros até a Plaza de Armas que é  coração do centro histórico de Lima. No meio do trajeto há uma igreja bonitinha (Igresia de la Merced).
      A Plaza de Armas é bem bonita, contornada com seus charmosos casarões amarelos com as tradicionais sacadas de madeira, em frente fica a bela catedral de Lima e a esquerda o prédio do Palácio do Governo. No dia que visitamos a praça estava fechada devido a ter protestos previstos para este dia, os turistas podiam entrar na praça, somente para passar, se parasse algum guarda já chamava atenção. Por um lado, foi até legal, que conseguimos algumas fotos com a praça quase vazia.

      Depois fomos até a igreja São Francisco, que fica junto ao convento São Francisco. Nós visitamos apenas a igreja, porém é bem famosa a visita ao museu do convento e as catatumbas que ficam no subsolo da igreja, onde tem cerca de 70.000 ossadas de pessoas sepultadas lá. Na própria igreja há algumas grades no piso que se tem a visão dos tuneis subterrâneos e destas ossadas, o que já é bem sinistro. Para quem quiser informações da visita, segue site oficial: www.museocatacumbas.com.
      Pretendíamos visitar e almoçar no Mercado Central, porém o mesmo estava fechado, então pedimos dicas para um morador de local para almoçar. Esta pessoa nos indicou uma quadra onde teria vários restaurantes. Chegando lá havia realmente vários restaurantes, porém, todos muito simples. Como gostamos de provar a comida dos locais escolhemos um restaurante e fizemos o pedido. O preço era em torno de 12,00 soles com entrada, prato principal e bebida. Para nossa surpresa quando recebemos os pratos, os mesmos eram muito bem produzidos e a comida muuiiito boa, não perdeu em nada para o almoço do primeiro dia no restaurante em Miraflores que custou 3x mais.
      Após almoçar fomos até o famoso bairro de Barrancos. É o bairro mais boêmio de Lima.
      Após andar pelo bairro, descemos até a praia, que ao invés de areias tem pedras, porém com um bonito visual dos barrancos margeando as praias. De lá avistamos o Lacomar que parecia estar perto, então resolvemos voltar caminhando pela praia. Somente “parecia” estar perto, foi bem mais de uma hora de caminhada até chegarmos, mas valeu a pena.

      Algo que nos impressionou em Lima foi a quantidade de cassinos, em algumas partes de Miraflores tem praticamente um a cada quadra. Como nunca havíamos ido em Cassino, decidimos fazer isto neste dia a noite.
      A experiência no cassino foi bem diferente do que esperávamos. Escolhemos um dos maiores e mais bonitos, chamado Atlantic City.  No interior a princípio ficamos admirados com o tamanho e estrutura do local, comparamos 10 soles de fichas e brincamos um pouco. Após isto, fomos caminhar pelo cassino, o qual era composto na maioria do espaço por caça niqueis. Começamos a observar o semblante das pessoas nestas maquinas, o que não era de diversão, mas sim pareciam robotizadas em frente as mesmas, muitas inclusive jantando sobre estas e jogando ao mesmo tempo, ou seja, vício total. Percebendo este ambiente, sentimos o lugar realmente muito pesado e procuramos sair de lá o mais rápido possível. Valeu muito pela experiência, e após está espero que nunca liberem os cassinos em nosso país.
      Dia 04: Miraflores e viagem a Cusco.
      Neste dia como tínhamos voo à tarde deixamos a manhã para passear por Miraflores. O Malecon, é um calçadão que margeia a falésia a à beira mar.  Caminhando por ele você segue uma sequência de vários parques abertos sendo mais famoso destes o Parque Del Amor. Estes parques são muito bonitos e bem cuidados e tem maravilhosas vistas do mar.  Fomos de manhã, porém imagino que no pôr do sol deva ser ainda mais bonito.

      Após a caminhada do malecón continuamos caminhando pelo bairro e fomos até dois pequenos mercados perto do Parque Kennedy, Inka Market e Índia Market, onde compramos alguns souvenirs. Após isto almoçamos e fomos para o aeroporto, pois as 16:00 tínhamos voo para Cusco. O UBER de Miraflores ao aeroporto custou 38 soles.
      No avião já começamos nossos preparativos para enfrentar o temido Soroche (mal da altitude). Ainda em Lima compramos as Soroche Pills, um remédio vendido em farmácia para combater o mal da atitude, e assim que embarcamos já tomamos uma pílula. Vendo pela composição, não passa de vários remédios para dor de cabeça juntos e cafeína, porém não recomendo irem sem ele, me salvou no mínimo em uma ocasião.
      Em Cusco, ainda na área de desembarque, já há um pote de folhas de coca para pegar e mascar, o que ajuda muito com os efeitos da altitude. Podem mascar sem medo (ou esperança, rs), pois a folha de coca não tem nenhum efeito alucinógeno.
      Do aeroporto fomos direto ao hostel, e depois saímos para jantar, e demos uma passada na maravilhosa Plaza de Armas de Cusco. Neste dia sempre procurando andar o mais devagar possível, e para o jantar pedimos apenas 02 entradas, tudo isto para mitigar os efeitos do soroche. Referente a altitude, neste primeiro dia sentimos apenas uma leve tontura, nada demais.
        Dicas e Infos:
      1 – No voo de Lima a Cusco vale a pena pegar janela, pois tem belas paisagens das montanhas dos Andes;
      2 – Para ir do aeroporto de Cusco ao centro, terá dezenas de taxistas oferendo corridas no desembarque. Vão pedir em torno de 25 soles, negociem que o preço chega fácil a 10 soles. Neste caso o UBER era mais caro;
      3 – Para evitar o Soroche, recomenda-se no primeiro dia evitar qualquer esforço físico e comida pesada;
      4 – Sobre local para hospedagem em Cusco, quanto mais próximo da Plaza de melhor, consequentemente mais caro. O ideal é encontrar um meio termo, de acordo com o que pretende gastar. Nos hospedamos no Sumayaq Hostel, que é um casarão bem antigo, com estrutura simples e antiga também, porém bom atendimento e limpeza. A localização foi muito boa, pois ficava a uns 500 metros da Plaza de Aramas e próximo ao Mercado San Pedro, e sem nenhuma subida forte para chegar;
      5 – Tudo próximo da Plaza de Armas é bem mais caro, então caso for comprar qualquer coisa, não compre nesta região. Afastando poucas quadras você encontrara preços bem mais baixos.
       
      Dia 05 – City Tour Cusco
       Nosso primeiro dia inteiro em Cusco, procuramos programar algo mais leve pela questão da aclimatação na altitude. Neste dia levantamos e fomos a Plaza de Armas, compramos nosso boleto turístico e fomos visitar o Museu Histórico Regional. Este museu é bem interessante, pois mostra um resumo da história peruana desde a pré-história até a época atual, e como é de se esperar o maior foco é na era dos Incas e da “colonização” espanhola.
      Após isso fomos procurar uma agencia para fechar nossos passeios (mais detalhes vide dicas).
      Já agendamos para esse mesmo dia no período da tarde o City Tour. Este passeio leva aos principais sítios arqueológicos ao redor da cidade. Visitamos Qoriqancha, Sacsayhuaman, Qenqo, Tambomachay e Pukapukara. O destaque é Sacsayhuaman, um sítio arqueológico bem interessante. Na visita, após as explicações do local, a guia nos deu 30 minutos livres e sugeriu o seguinte: se quiséssemos uma foto panorâmica do local subisse o morro do lado esquerdo, ou se quisesse visitar os principais pontos do sítio subir morro a direita. Como eu sempre quero ir em todos os lugares fui nos dois, subi bem rápido as escadas, o que creio que foi a causa de uma dor de cabeça terrível que tive a noite, fui salvo pela Soroche Pills. Este tour é melhor maneira de conhecer todos esses lugares em meio período.  A parte ruim fica por conta de tempo livre limitado em cada local, problema comum em Tours.
      Por volta das 18:30 estávamos de volta na cidade. Para quem tem pouco tempo na cidade é possível conciliar este tour com algum outro passeio, exemplo, Maras y Moray ou Vale der Sur.

       Dicas e infos:
      1 - Boleto turístico: Certamente em Cusco você vai necessitar comprar o boleto turístico. O completo custa 130 soles e dá direito a entrada em 16 lugares com validade de 10 dias. Há versões de 70 soles com acesso a apenas alguns lugares e válido por menos tempo. Caso vá ficar pouco tempo na cidade vale a pena avaliar qual é mais viável.
      2 - Todos os passeios em Cusco (exceto Machu Picchu) são bem baratos e tem dezenas de agências no local que oferece as mesmas opções. Então vale a pena deixar para fechar quando chegar lá, não há risco de ficar sem vagas. Antes de ir, seguindo dica do pessoal do www.uaivambora.com.br, conversei com a Luz da agência Surco Peru Adventure’s. Porém somente quando estava lá negociamos os valores e fechei todo o pacote passeios por um bom preço. A Luz nos prestou excelente atendimento, nos auxiliando com tudo que necessitamos antes e durante nossa viagem. Para quem se interessar o contato dela é o seguinte: +51 984848674 (WhatsApp).
      Dia 06 – Maras Y Moray.
       Seguindo a estratégia de fazer os passeios mais leves nos primeiros dias para uma boa alimentação, nesse dia fomos a Maras y Morais. Este tour sai da Plaza de Armas às 8:30 e aproximadamente às 15:00 já está de volta em Cusco.  
      A primeira parada Tour é no povoado de Chinchero. Nesse local visitamos uma associação de moradores que produzem diversos produtos artesanais para comercialização, principalmente de tecelagem com lã de Alpaca. Uma pessoa faz apresentação mostrando como são feitos os principais produtos, utilizando técnicas da época dos Incas.
      O próximo destino é o sitio arqueológico de Moray, que segundo historiadores era um laboratório agrícola dos Incas. O sitio tem uma série de plataformas circulares que parecem anfiteatros. Como há uma diferença de temperatura em cada nível, os Incas poderiam fazer experimentos e definir os melhores locais para produção de cada tipo de plantação.

       Em seguida fomos a salineira de Maras. Esta salineira é composta por mais de 3000 poças para produção de sal utilizando a água de uma fonte da montanha que, segundo nosso guia, tem 7 vezes mais sal que a agua do mar. A Salineira é localizada numa grande ladeira e compõe uma paisagem espetacular. As poças são divididas por mais 300 famílias e é passada de geração em geração não podendo ser vendidas. Os métodos utilizados para produção do sal são totalmente artesanais. O lugar é único diferente de qualquer outra coisa que já que já tinha visto.

       Retornamos para Cusco as 15:00, almoçamos e visitamos o Museu de Koricancha e Museo de Arte Popular, ambos bem menores e mais simples que o visitado no dia anterior.
       Dicas e Infos:
      1 – Neste Tour, leve algo para comer, pois o retorno é as 15:00 e não há parada para almoço.
      2 – A entrada em Moray esta inclusa no boleto turísticos, porém em Maras é necessário pagar 10 soles.
      3 – Vale a pena pegar lugar na janela no ônibus, pois no caminho há espetaculares paisagens das plantações com as montanhas nevadas ao fundo, principalmente nas proximidades de Maras.
       
      Dia 07 – Pisac:
      Nesse dia optamos por fazer o passeio por conta, sem Tour.  Pisac é uma cidade nas proximidades de Cusco que fica a 2800 m de altitude, porém o sítio arqueológico de Pisac fica em uma montanha ao lado a 3400 m. Para nós, com exceção de Machu Picchu, este foi o mais lindo Sítio Arqueológico da região.
      De manhã, passamos um pequeno susto. Minha esposa acordou mal, muita falta de ar, tonturas, dor de cabeça e sangramento pelo nariz. Eu já estava ligando para o seguro para encontrar o hospital mais próximo, mas uma funcionária do hostel procurou nos aclamar afirmando que tudo aquilo era apenas efeito do soroche. Decidimos ir para o passeio e observar até a tarde para avaliar a necessidade de ir em um hospital. Ela estava certa, minha esposa foi melhorando no decorrer do dia, e se tivéssemos ido ao hospital teria grandes chances de estragar o restante da viagem.
      Seguimos com a programação do dia, do nosso Hostel caminhamos pouco mais de meia hora até o ponto onde saem as vans para Pisac, que fica a 35 km de Cusco. Chegando na cidade pegamos um táxi para o sítio arqueológico as 11:30 já estávamos na portaria do mesmo. O taxista já queria combinar o horário para nos buscar, preferimos não combinar para ficar com tempo livre no local, e foi a melhor escolha possível. O sítio arqueológico de Pisac é muito grande e os tours visitam apenas uma pequena parte dele, onde estão os principais monumentos. Porém partindo dessa parte há uma trilha que segue pela crista da montanha até o final do sítio arqueológico. A trilha a conta com várias sobe e desce, normalmente por escadarias bem rusticas, então deve estar minimamente preparado fisicamente. Mas fazendo devagar é tranquilo, e as paradas são obrigatórias pois sempre há uma paisagem maravilhosa, com vistas do Vale Sagrado, escadas incas, tuneis, etc. Quase no final da trilha você se depara com o Templo do Sol, para mim a parte mais linda do sítio. Até aí já havíamos caminhado por mais 3 horas, com as idas e vindas e vários pontos, e teríamos que retornar a entrada do parque para chamar o táxi e voltar para a cidade. Porém sabíamos que havia uma trilha que descia pela montanha até a cidade, então perguntamos para um guia no local qual o tempo para chegar na cidade por essa trilha, o qual nos informou que era cerca de 40 minutos. Não restou dúvidas seguimos pela trilha. Lógico que gastamos bem mais de 40 minutos pois além do cansaço a cada a poucos metros parávamos para tirar lindas fotos. A Trilha desce a montanha em meio a mais ruínas e lindas vistas das montanhas. Chegamos na cidade de Pisac por volta das 17:00 horas. Almoçamos e pegamos a van de volta Cusco. Foi um dia espetacular e foi uma excelente escolha ir por conta deste lugar.

       Dicas e infos:
      1 – A van de Cusco a Pisac custa 4 soles, e o ponto de saída fica a cerca de 15/20 minutos da Plaza de Armas. Se preferir ir de Uber/táxi pagará no máximo 5 soles.
      2 – De Pisac ao sitio dá para subir pela trilha ou de táxi, porem subir e descer pela montanha pode ser bem cansativo. Se for para escolher apenas um trecho melhor subir de táxi e descer pela montanha. O táxi lá é bem caro, 30 soles, uma sugestão para economizar é esperar alguém para dividir.
       
      Dia 08 – Laguna Humantay
      Este era realmente nosso primeiro desafio físico da viagem. Subir até a Laguna com altitude superior a 4200 metros, pela trilha com aproximadamente 7 km (ida e volta), sendo destes, uns 2 km em subida bem íngreme.
      Esta lagoa fica aos pés do Nevado de Salkantay, e está no início da famosa trilha de Salkantay que leva até Machu Picchu. A lagoa é formada pelo desgelo desta montanha, e tem águas cristalinas com tons azulados e esverdeados (dependendo do sol) e suas águas espelham o nevado atrás, formando uma paisagem surreal.
      Primeiro vamos falar do passeio. Pagamos 55 soles incluindo transporte, guia, café da manhã e almoço, e mais 10 soles de taxa de entrada na Laguna. Valor muito baixo pelo que é oferecido.
      A van nos pegou no hostel as 4:30, viajamos por cerca de 2 horas até a parada para o café. O café da manhã é simples, porém muito bom. Depois seguimos por pouco mais de uma hora em estrada de terra e muitas curvas.
      Em torno das 09:00 chegamos ao ponto inicial da caminhada. Os primeiros 1,5 km são por uma estrada praticamente plana. Após este trecho começa realmente a subida.
      Há a opção de alugar cavalos para subir, para nós esta não era uma opção, pois tínhamos nos preparados muitos para estes desafios. Fomos subindo em nosso ritmo, devagar e sempre. Na trilha você não verá ninguém com expressão tranquila, exceto os locais, a altitude realmente pega todos. Compramos uma lata de oxigênio (vide dicas) por precaução, pois minha esposa tem bronquite. Não sei se foi devido a estarmos com o oxigênio, mas um menino que aluga os cavalos nos seguiu até mais da metade da trilha, ele acreditava que iriamos desistir, se deu mal. Apesar de cada grupo ter um guia, cada pessoa sobe no seu ritmo, então durante a trilha é por conta própria. Uma ressalva especial a nosso guia deste dia, o nome era Denis, e o cara era sensacional, muito simpático e sempre motivando a todos para conseguir.
      Após pouco menos de 2 horas do início da caminhada chegamos a Laguna, e neste momento qualquer cansaço simplesmente desaparece. Não queríamos perder nenhum segundo daquela vista surreal. Tínhamos 40 minutos de tempo lá em cima, mas ficamos por mais de uma hora, foi difícil o guia conseguir tirar todos daquele lugar.
      Durante a subida o tempo estava totalmente encoberto, imaginamos não íamos pegar sol na Laguna. Porem quando chegamos o tempo abriu parcialmente permitindo aproveitarmos os efeitos de cores da agua com o reflexo do sol. Assim que saímos o tempo fechou novamente, “Valeu São Pedro”.

       
      Em seguida descemos até as vans, e voltamos ao mesmo local do café da manhã para almoçarmos.
      Chegamos de volta em Cusco por volta das 18:30 da tarde.
      Dicas e infos:
      1 – Procure não fazer este passeio nos primeiros dias de estadia em Cusco, faça boa aclimatação antes. Se se sentir melhor, leve uma lata de oxigênio que vendem em farmácias em Cusco. Para comprar o oxigênio, va a um apequena farmácia na calle Zetas, depois do templo de Qorinkancha, é a metade dos preços das farmácias mais próximas da Plaza de Armas.
      2 – Leve água, 1 litro por pessoa é suficiente, e alimentos energéticos (chocolates, doces, etc.).
       
      Dia 09 – Viagem de Cusco a Aguas Calientes.
      Para visitar a Machu Picchu é necessário ir até Aguas Calientes, que é uma cidade criada apenas devido ao turismo neste local. Porém como não há estradas, o acesso a este local é somente por trem ou a pé. Sendo assim para fazer o percurso de Cusco a Aguas Calientes, se resume a 03 opções;
      -Trem, opção fácil, porém muito cara;
      -Trilhas, (cerca de 05 dias), opção também cara e necessário reserva com muita antecedência;
      -Van/caminhada, opção barata e com aventura.
      Quando inicie a pesquisa me assustei com os preços dos trens, que cobravam em torno de 70 dólares por trecho, cerca de 2 horas de viagem. Pesquisando outras opções encontrei as opções de van, que cobram em torno de 35 soles por trecho. Também recebi excelentes dicas do pessoal do blog www.uaivambora.com.br a respeito desta opção de transporte. No final de contas encontrei uma passagem promocional para o dia da volta de trem por 44 dólares, e para poder ganhar um dia no roteiro, visto que a opção da van toma praticamente um dia, optei por ir de van e voltar de trem.
      A van nos pegou no hostel as 07:30 da manhã, e saímos de Cusco umas 08:30, daí fomos até Ollantaytambo onde faz uma parada de uns 20 minutos para quem necessitar comprar algo ou comer. Neste momento estava tempo ruim e começou a chover, nos deixando um pouco preocupados, afinal teríamos que caminhar 15 km, o que com chuva poderia ser bem mais difícil. A partir deste ponto realmente começa a aventura, o próximo trecho é uma subida que parte de 2.800 até 4.400 metros em cerca de 40 KMs, (nem precisa dizer que é só curvas, né). Porém a paisagem na parte alta da montanha é muito bela, vale a pena pegar lugar na janela nesta viagem. Após isto desce pela montanha até nível de pouco mais de 1.000 metros, com mais curvas ainda, e mais paisagens lindas.

      Esta é a parte tranquila da viagem, porque após o vilarejo de Santa Maria, o caminho segue por estrada de terra estreita o tempo todo a beira de um precipício. O motorista da van vai buzinando nas curvas com o intuito de alertar caso venha algum carro na direção oposta. Este trecho tem por volta de 30 KM.
      Perto das 15:00, chegamos ao ponto final da Van, que é um restaurante que quem tinha o almoço incluso no translado iria almoçar. Próximo ao restaurante, uns 05 minutos de caminhada, tem uma cachoeira espetacular, bem alta, vale a pena ir.
      Neste momento a chuva havia parado (obrigado São Pedro 2), e já iniciamos nossa caminhada, pois estávamos preocupados em chegar antes de anoitecer. Chegando a estação de trem, vimos que muitas vans levavam os passageiros até lá, e no nosso caso já tínhamos caminhado quase 3 KM, incluindo a ida a cachoeira, por este motivo que nosso percurso deu 15 km, enquanto li vários relatos eram 12 km. Neste momento a fome apertou e percebemos que ir sem almoçar não seria boa ideia. Havia na estação alguns restaurantes bem simples, onde comemos um bom PF por 10 soles.
      A partir da estação deve caminhar por alguns metros na linha do trem e pega uma saída a direita com uma subida inclinada, mas com cerca de 300 metros apenas. Depois sai em nova linha de trem e segue pela mesma. A trilha não tem erro, é somente seguir a linha, e você nunca estará sozinho, muita gente faz este percurso. Chegando a Aguas Calientes, há uma saída a direita, caso chegue em um túnel, não atravesse, volte alguns metros porque você passou a saída. O percurso todo é entre montanhas muito íngremes de todo os lados, observando a geografia do local fica fácil perceber que os Incas queriam realmente esconder Machu Picchu. O trecho todo é quase plano, tranquilo de fazer. O que nos cansou no final da trilha foi o peso da mochila, pois por mais que reduzimos, iriamos passar 02 noites, como a previsão do tempo estava ruim tivemos que levar roupas para frio, e para caminhar mais de 03 horas cada quilo conta muito no final. O final da trilha foi a noite, mas como havia várias pessoas caminhando foi tranquilo.
      Chegando na cidade já compramos passagem do ônibus a Machu Picchu para próximo dia e fomos direto ao hostel para descansar, estávamos exaustos.
      Resumindo valeu muito a pena escolher esta opção. Para quem curte aventuras e considera que o percurso faz parte do passeio, esta com certeza será a melhor opção, e não é somente pela economia. As paisagens do percurso do trem são bonitas, mas nem se comparam com o percurso da van/trilha, e podemos afirmar isto, pois utilizamos as 2 opções.
       
      Dicas e infos:
      1 – Leve alguns alimentos, pois somente poderá almoçar quando chegar ao ponto final da van, cerca de 15:00.
      2 – Caso goste de emoção, sente na janela do lado esquerdo van, ficara no lado do precipício na última etapa do caminho, foi minha opção;
      3 – Reforçando, leve o mínimo de peso possível na mochila para facilitar na trilha.
       
      Dia 10 – Machu Pichu
      Eis que chega um dos 2 dias mais esperados da viagem, (o outro é o da  Rainbown Montain), a visita a Machu Picchu, uma das 7 maravilhas do mundo.
      Havíamos comprado trem para voltar até Ollantaytambo neste mesmo dia a noite, mas 2 dias antes ficamos sabendo de uma paralização geral que ocorreria na região neste dia e iria fechar todas as ferrovias e rodovias. Fomos até a Inca Rail e troquei as passagens para o próximo dia pela manhã, sendo então necessário passar 2 noites em Aguas Calientes. Este fato acabou sendo até melhor devido ao cansaço do dia.
      De acordo com informações de pessoas que conhecemos na viagem, os dois dias anteriores foram só chuva e nuvens em Machu Picchu, e a previsão para nosso dia era ainda mais chuva. A noite sonhei algumas vezes com as condições climáticas do dia, tamanha era a ansiedade. Quando acordamos a primeira coisa que ouvimos foi o barulho da chuva. Porém “para nossa alegria”, ao abrir a janela vimos que o barulho era das quedas das corredeiras do rio que corta Aguas Calientes. Apesar de nublado não chovia.
       Para ir de Aguas Calientes a Machu Picchu há 2 opções:
      - Ônibus: 20 minutos, pelo “precinho” de 12 dólares o trecho.
      - Trilha: Em torno de 3 km, sendo que 1,5 km é subida forte, praticamente toda em uma escadaria de pedras.
      Optamos por subir de ônibus, pois queríamos estar bem fisicamente para aproveitar o máximo, e a volta decidiríamos na hora.
      Uma pausa no relato para um breve resumo das regras de visitação do sitio:
      As entradas são com hora marcada, estando lá dentro ninguém ira controlar seu horário de saída, porém você deve manter o percurso sempre no sentido indicado, ou seja, há segurança em alguns pontos, os quais não permitem que ninguém retorne. Há opção de comprar ao ingresso somente para o sítio, ou incluir uma das 02 montanhas, Wayna Picchu ou Machu Picchu, as quais também tem hora marcada para subir, e no caso de quem for subir a montanha tem o direito de entrar 02 vezes no sítio.
      No nosso caso eu iria subir a Wayna Picchu e minha esposa não, então estávamos meio perdidos para definir a logística do passeio. Nossa entrada era as 08:00 e eu teria que subir a montanha as 10:00.
      Quando chegamos no hostel na véspera, a pessoa que nos atendeu já se ofereceu para auxiliar com o passeio e nos deu excelente sugestões. Sugeriu que entrássemos juntos e fossemos até um local chamado a casa do guardião, onde se tira as melhores fotos panorâmicas, e de lá eu fosse direto para a montanha, enquanto eu estivesse na Wayna Picchu minha esposa visitaria a ponte Inca ou porta do sol, e quando descesse já saísse direto entrasse novamente no sitio e encontraria minha esposa no mesmo lugar onde separamos e seguiríamos com a visita. Um pouco confuso, né? Também achamos quando recebemos a explicação, mas fizemos desta forma e foi perfeito.
      Entramos no sítio umas 8:30, ficamos juntos na primeira parte até 9 e pouco, e eu segui para a montanha.
       
       A subida da Wayna Picchu é por uma escadaria da época Inca, bem inclinada e estreita, e sempre a beira do precipício. E é o mesmo caminho para quem sobe e quem desce, então ao cruzar com pessoas, é necessário parar em algum ponto com mais espaço e esperar passar. Mas subindo com calma e usando sempre o bom senso pode ir tranquilamente.
       As 9:40 já liberaram o acesso do grupo das 10:00, e como eu já estava na entrada da montanha fui o primeiro a subir. A partir do meio da subida começa e ter excelentes vistas de Machu Picchu. Quando cheguei ao topo da montanha, contrariando todas as previsões climáticas, não havia mais nem nuvens, tempo lindo, e como o local estava vazio pois eu fui o primeiro a subir, então foi possível tirar excelentes fotos. No topo tem muito pouco espaço, então caso tenha muita gente creio que fica bem complicado, porém se isto ocorrer não se preocupe, a vista um pouco para baixo do topo é igual ou ainda melhor. Subi e desci num bom ritmo e fiz tudo com 1:40.

      Após descer me dirigi direto para a saída, fechei com uma guia para termos todas as explicações do sitio, pagamos 30 soles por pessoa em um grupo de 4 pessoas. Entrei novamente no sitio, encontramos minha esposa no local combinado, e fizemos o tour completo.
      O sitio arqueológico de Machu Picchu realmente é fantástico, não dá para chamar de ruinas, porque devido ao mesmo não ter sido encontrado pelos espanhóis, as construções estão em perfeitas condições. Seguimos no tour, e quando chegamos próximo a última parte do sítio, a guia nos perguntou se já iriamos sair ou queríamos permanecer mais tempo no local, pois se quisemos sair seguiríamos com ela na parte final e sairíamos, e caso quisemos ficar mais, ela daria ali as explicações da última parte e ficaríamos livres naquela região o quanto quiséssemos, pois se seguimos mais passaríamos por um dos pontos que ficam os seguranças e não pode retornar. Optamos pela segunda opção, e ficamos mais um bom tempo nesta parte do sítio, curtindo o lugar e tirando fotos com as llamas. Falando das llamas, estas são uma atração à parte em Machu Picchu estão espalhadas por todo o sitio, e realmente é fácil entender porque tem tantas fotos legais com llamas, realmente parece que o bicho faz pose para as câmeras. Muito legal a interação com elas.
      Após isto visitamos parte faltante do sitio com bastante calma e saímos.
      Outro ponto que demos sorte também, foi que devido paralisação citada no início do texto, Machu Picchu estava bem mais vazio que o normal para a época do ano.
      Saímos do sítio próximo das 16:00. A decisão da volta, como já era esperado, foi pela trilha. Logo ao iniciarmos a descido começou a chover, São Pedro foi realmente muito generoso conosco mais uma vez. Gastamos pouco mais de uma hora do sitio até o hostel, caminhando tranquilamente.
      Ao chegar confirmamos como realmente foi melhor a mudança do dia do trem, pois como estava ante teríamos que esperar até as 21:00 cansados e sem banho para pegar o trem e chegar as 23:00 em Ollantaytambo.
      Foi um dia mágico Machu Picchu correspondeu a nossas expectativas, fazendo jus a ser uma das 7 maravilhas do mundo.
       Dicas e infos:
      1 – Compre ingressos para Machu Picchu com antecedência, pois o número de visitantes é limitado. Se for subir na Wayna Picchu, compre com muita antecedência. Eu comprei com 3 meses de antecedência. Um mês depois minha esposa mudou de ideia e queira ir na montanha também, verificamos e não tinha mais ingressos.
       
       Dia 11 – Ollantaytambo
       Neste dia, como tivemos que dormir mais uma noite em Águas Calientes, acordamos cedo, descansados, tomamos o café e pegamos o trem as 08:00 para Ollantaytambo.
      A viagem de trem durou cerca de 1:40, a linha acompanha o rio Urubamba. As paisagens durante o percurso são bonitas, mas como citado anteriormente nem se comparam com o caminho da opção de van/caminhada.
      Chegamos na estação guardamos as malas, as empresas de trem têm serviços de armazenamento de bagagem grátis para cliente, e já fomos para o Sitio Arqueológico de Ollantaytambo.
      Fizemos a visita sem guia e no nosso ritmo. Este sitio também é muito bonito, a maioria das pessoas o considerem o mais belo depois de Machu Picchu, mas para nós Pisac esta na frente, desde que faça a visita completa no mesmo. Em Ollantaytambo fizemos o segundo maior circuito, que passa em praticamente todo o sitio. Na parte da manhã o local fica bem mais vazio, pois os tours normalmente chegam no período da tarde, o que proporcionou ainda mais tranquilidade na visita. Com 2 horas é possível visitar todo o local sem pressa. Mesmo com vários pontos importantes para se conhecer no sítio; como o templo do sol, o rosto na montanha, etc; o que mais me encantou foi uma charmosa casinha encravada na parede da montanha, que aparece na foto a seguir (porque? Será que já morei lá? rs).

      Saímos do Sitio em torno de 13:30 e fomos para o centro da cidade almoçar, onde comemos o melhor aji de galiña da viagem. Ollantaytambo é uma cidadezinha muito aconchegante, te faz realmente sentir alguns séculos atrás no tempo. Afinal a cidade nunca ficou inabitada, desde a época inca, e dentro da cidade ainda há varias restos de construções incas.
      As ruas da cidade estão cheias dos famosos tuk-tuk , e é claro que não iriamos perder a oportunidade de andar em um destes charmosos carrinhos. Da praça central, por 4 soles, pegamos um Tuk-tuk táxi até a estação para pegar nossa mala e a van para Cusco.
      As vans para Cusco saem da estação de trem de acordo com que forem lotando, o preço não lembro exato, mas é em torno de 10 soles.
      Por volta das 18:00 já estávamos em Cusco.
       
      Dia 12 – Rainbown Montain / Montaña de las 7 colores
      Este era o segundo dos dias mais esperados da viagem. Os motivos para isto eram a paisagem única do local e o desafio de fazer a trilha, chegando a 5.200 metros de altitude. Havíamos nos preparado bem para isto, desde da parte do condicionamento físico no Brasil, como também da aclimatação nos dias anteriores. Mas ainda estávamos preocupados, ainda mais pelo fato de minha esposa ter bronquite, o que neste nível de altitude podia aumentar as dificuldades.
       A Rainbow Montain é uma montanha formada por várias faixas coloridas que parecem ter sido pintadas a mão. O turismo no local se iniciou recentemente, segundo os locais a mesma antes permanecia quase o tempo todo coberto de neve. Interessante que esta montanha era para ter sido destruída, uma empresa de mineração canadense iria explorar o local, porém os locais perceberam o potencial turístico da mesma e com muita luta/protesto conseguiram vencer a batalha, em 2018 a empresa abdicou da exploração de minério no local. Segue um site caso queiram conhecer um pouco mais da história desta atração: https://www.bbc.com/portuguese/geral-44620957.
       Para chegar até a montanha é necessária fazer uma trilha de pouco mais de 3 km (só ida), você irá encontrar vários relatos que dizer ser 7/8 km, mas recentemente mudaram o ponto final dos transportes o que facilitou a o acesso diminuindo a distância. Há também a opção de visitar o Vale Rojo (Vale vermelho), o que desvia a trilha na volta aumentando o tempo em uns 40 minutos. Porém o grande problema são os mais de 5.000 metros de altitude, é normal no caminho encontrar pessoas passando mal e desistindo. Outro ponto também é a temperatura, na época que fomos, segundo o guia varia entre -5 a -10 ºC. Então deve ir muito bem agasalhado.
      Referente ao passeio, o mesmo é muito similar ao da Laguna Humantay, pagamos também 55 soles incluindo transporte, guia, café da manhã e almoço e mais 10 soles de taxa de entrada. A van nos pegou no hostel as 4:30, viajamos por cerca de 2 horas até a parada para o café. O café da manhã. Depois seguimos por mais uma hora e pouco em estrada de terra e já com lindas paisagens dos campos a beira das montanhas com seus rebanhos de llamas
       Aqui também é necessário contar com a sorte, pois muitos dias a montanha fica coberta de neve impedindo logicamente que você veja o efeito de cores, e isto havia acontecido na véspera. E novamente São Pedro estava do nosso lado, fez um dia lindo e sem neve.
      Iniciamos a caminhada por volta da 09:00 da manhã. A paisagem durante todo o percurso é fantástica. Assim como na Laguna, há cavalo para locação, e como para nós o desafio é sempre parte do passeio, era opção era totalmente desconsiderada. A subida começa tranquila e vai ficando mais íngreme quando mais próxima do final. Na parte final a paisagem já começa a ficar colorida.
      Ao finalizar a última subida você chega bem no pé da montanha colorida, que estará a sua direita, e a esquerda há outra subida, formando um V com a montanha, que chamam de mirante. Muita gente se contenta de chegar no pé do mirante e devido ao cansaço não sobe.  Recomendo que se tiver condições, vá até o topo do mirante, pois quanto mais sobe mais vivas ficam as cores da montanha. Além disto a Rainbown Mountain é só uma parte da extraordinária paisagem. Há o Nevado de Aunsgate, lindos vales de ambos os lados, e a Raiwnbow Montain com o Vale Rojo ao fundo, ou seja, é 360º de maravilhas.
      Quando chegamos ao topo foi um sentimento indescritível, um mix de alegria, admiração com a paisagem e sentimento de superação por termos chego ali. E alias chegamos muito bem fisicamente.

      Depois de admirar o local, decidíamos que iriamos também ao Vale Rojo. Encontramos nosso guia lá em cima, e dissemos que iríamos ao Vale Rojo, o mesmo não gostou muito, pois disse que ninguém do grupo iria e poderia atrasar o retorno. Afirmamos que estávamos bem e conseguiríamos cumprir o horário, e então partimos para lá. Descendo o primeiro morro abaixo da montanha, pega a esquerda e segue por outra subida. No meio do caminho descobrimos que teríamos que pagar mais 10 soles, o que não era nenhum problema. O interessante é que não tem nenhuma portaria, ou qualquer estrutura, somente 02 pessoas no meio do nada que recebe das pessoas na trilha.
      No final da subida, chega-se a um mirante com vista para o vale praticamente todo vermelho, mais uma linda paisagem.
       
      Após curtir o local tivemos que descer praticamente correndo para não atrasar o tour, e chegamos no ônibus em cima da hora.
      Em seguida retornamos, paramos para o almoço e chegamos em Cusco perto das 18:00.
       Dicas e infos:
      1 – Va bem agasalhado, com roupas apropriadas para trilha.
      2 – Leve alimentos para repor energia (chocolate é uma ótima opção) e agua.
      3 – Suba no seu ritmo, sem se apressar.
       
      Dia 13 – Valle del Sur
      Nosso último dia em Cusco, nosso voo sairia as 19:00. Tínhamos planejado deixar este dia para curtir a cidade, comprar algo, etc.
      Mas mudamos de ideia e resolvemos “aproveitar até a última gota”, falei com a agencia se teriam algum tour que retornasse antes das 15:00. Me indicaram Valle del Sur.
      O passeio é aquele mesmo estilão dos tours “padrão”, micronibus, guia dando explicações no ônibus, tempo limitado, etc.
      O passeio se iniciou quase 09:00, depois de uma certa confusão para identificarmos nosso grupo, e fomos visitar os seguintes lugares:
      -Tipón: É mais um sitio arqueológico Inca, que tem várias terrassas, e um complexo sistema de irrigação ainda em funcionamento até hoje. O Lugar é mais simples e muito menor se comparamos com os sitios de Pisac ou Ollantaytambo, porém é bastante bonito.

      - Pikillaqta: É sitio arqueológico de uma civilização pré-inca chamada Wari, que viveram entre os séculos VI a IX. Então a arquitetura é bem diferente, e as construções também estão bem destruídas. O destaque é a organização urbanística da cidade, com ruas e avenidas perfeitamente alinhadas.
      Depois do sitio paramos em uma cidadezinha para provar um pão famoso por la, chamado “Chutas”, o interessante é que o guia disse que praticamente 100% das famílias da cidade sobrevive com a renda de fabricação e comercialização destes pães.
      -Andahuaylillas: A visita a esta cidade é especificamente para visitar a Igreja de São Pedro de Andahuaylillas. É uma igreja bem pequena e de fachada simples no exterior, porém devido a suas pinturas e decoração em ouro em todo o interior é conhecida como a Capela Sistina das Américas. A visita é rápida, pois a igreja é bem pequena. A entrada não esta inclusa no boleto turístico e custa 15 soles. Quem não quiser entrar na igreja há a opção de visitar um pequeno museu chamado Museu Ritos Andinos por 5 soles. Eu e minha esposa nos dividimos, eu fui na igreja e ela no museu.
      Na volta faz parada para almoço, não incluso no tour, em outro vilarejo que é especializado em chicharrones (carne de porco).
      Chegamos em Cusco as 15:00, tempo suficiente para tomarmos uma última Cusqueña (cerveja tradicional do Peru), pegar as malas no hostel e partir para o aeroporto.
      Resumo final:
      O Peru sempre esteve em minha lista dos lugares que eu queria conhecer, principalmente devido a Machupicchu. Porém este país superou muito nossas expectativas. Nos impressionou muito a riqueza cultural, histórica, natural e gastronômica do país.  E também o país está investindo muito no turismo, é a receptividade dos locais com os turistas é ótima. Além disto se encontra preços ótimos para os passeios, alimentação e hospedagens, bem abaixo do praticado nas principais regiões turística brasileiras.
      Certamente irei retornar ao país, até mesmo porque ficou vários lugares que quero muito conhecer, como Huaraz, Puno e Arequipa.
      Espero que este relato possa auxiliar em algo quem estiver planejando ir para este fantástico país. Caso tenha qualquer dúvida fique à vontade para perguntar.
    • Por VoandoAltoFH
      Pessoal,
      Vou fazer um relato detalhado do Mochilão que fiz no comecinho deste ano, mas que lembrei só agora de postar aqui neste site.
      O legal de tudo isso é que registrei em videos, então estará bem fácil entender o passo a passo da viagem.
      Foram no total 32 dias de viagem e gastei R$ 13.560,00 para 2 pessoas, incluindo TUDO (hospedagem, comida, passagem aérea, passagem de ônibus, seguro viagem, passeios, transporte, taxi, mercado, museu, gorjeta, entrada de parques, etc)!!! Considerando que a cotação do dólar na época beiravam os R$ 3,85 posso dizer que em moeda americana saiu por US$ 3.522,00.
      Ressalto que se dividir o valor por pessoa, acabou saindo então por R$ 6.780,00 ou US$ 1.761,00 por pessoa aproximadamente. 
      Então, acredito que saiu bem barato e aproveitei muito a viagem.
      Todos os episódios estão registrados no meu canal do Youtube, mas postarei um pouco mais detalhado aqui, já que o conteúdo é escrito.
      Mas quem tiver curiosidades, poderá assistir por lá.
       
      Canal Voando Alto
       
      Abs!
    • Por VoandoAltoFH
      Assista em Video no Youtube - Mendoza
       
      Vou comentar sobre dicas, curiosidades e os pontos turísticos visitados aqui na cidade de Mendoza, na Argentina.
      Como tinha somente 1 dia pra visitar o local, decidi focar somente no centro da cidade. Mas caso queira conhecer bem a localidade, acredito que sejam necessários pelo menos 3 a 4 dias.
      Mas o que fazer em Mendoza? 
      Além do centro da cidade, o principal é realizar os passeios como, 
      Tour de Vinhos, visita ao Aconcágua, a Cordilheira dos Andes, Termas e o resourt de Ski, se estiver no inverno.
      Existem outros tipos de passeios que não recomendo, pois você conseguiria fazer em qualquer outro lugar, como rafting, tirolesa, passeios à cavalo ou de bicicleta. Não vale a pena gastar dinheiro com isso, fora que estará pagando alto, por ser um ponto turístico.
      E aqui temos as ruas de Mendoza, tome cuidado ao caminhar, pois terá um monte de buracos na calçada, se você estiver descuidado ou utilizando o celular, com certeza vai tomar um belo tombo ou se machucar.
      Esses buracos ou caminhos, foram feito para irrigar as árvores da cidade, com a água que vem do degelo das montanhas. Então verá um monte de árvores ao lado desses buracos e o bom de tudo isso é ver que a cidade é bem arborizada.
      Estamos aqui na Plaza Carlos Pellegrini, que é o ponto de encontro do Walking Tour da Vivimza, que seriam passeios à pé, em troco de gorjetas. 
      Não gostei muito desse grupo, pois achei um pouco tediante, já que passava muito mais informações técnicas da cidade, achei que estava mais numa sala de aula e por pouco não fugi no 
      meio do trajeto.
      Outro ponto que não gostei, foi que ao invés de falar que o valor de contribuição das gorjetas sejam livres, meio que estipulava um teto mínimo que deveria receber, por exemplo: "O mínimo que geralmente as pessoas me dão é de US$ 5,00 ou US$ 10,00". 
      Desculpe, mas eu dou o quanto eu achar necessário, se o serviço for bom.
      Bom! Voltando, posso dizer que tinha uma espectativa da cidade, talvez seja por isso que a minha decepção foi grande. 
      Para quem já visitou a cidade de Gramado e suas vinícolas, lá no Rio Grande do Sul, que foi o meu caso, talvez se decepcione um pouco. Já que esperava algo próximo ou semelhante, mas não 
      foi o caso.
      Já que a cidade era um pouco pacato, as construções eram bem simples, bem de cidades do interior e não estou desmerecendo isso. 
      Não tinha muito policiamento na cidade, haviam alguns problemas sociais como mendigos e moradores de rua. E não era muito recomendado caminhar longe do centro da cidade ou quando 
      anoitecer, isso era a dica da própria guia.
      Essa é um das 5 pracas principais da cidades, no fundo o Edificio Da Vinci, que tem 22 andares.
      E a Plaza Independencia que é a maior e a principal da cidade. Tive o azar porque quase toda a cidade estava em reformas, tudo fechado.
      E o porque eu mostrei um prédio de 22 andares aquela hora? Não é grande coisa, mas lembre-se que em Mendoza temos terremotos, já que fica na região próxima das placas tectônicas ou o círculo de fogo do Pacífico. Não é para espantar, mas fiquem cientes disso.
      Outra curiosidade em Mendoza, temos a famosa "Siesta" que é o famoso cochilo que o pessoal tem no horário da tarde geralmente vai das 13:30 até as 16:30. A grande maioria das lojas fecham todos os dias, menos Mc Donalds, alguns restaurantes, supermercados e vinícolas. Praticamente as ruas ficam desertas.
      Em relação à casa de câmbio, posso recomendar o Cambio Santiago, que fica na esquina entre as Av. San Martin e a Rua Catamarca. 
      Recomendo lá porque era um estabelecimento seguro e confiável. Evite efetuar o câmbio diretamente com pessoas na rua, você pode até ter uma pequena vantagem na cotação, mas pode ter 
      problemas com dinheiro falso, evite este risco. 

      * Links
      - Walking Tour Vivimza ou Tours for Tips (Existem outros melhores)
      https://vivimza.com/
      - Cambio Santiago em Mendoza
      Av. San Martín 1199, M5500 Mendoza, Argentina
      http://www.cambiosantiago.com.ar/
    • Por hmarinioficial
      Beleza??
      Em Fevereiro/Março vou mochilar pela famosa Ruta 40! Vou chegar de sp em bus até Mendoza e de lá descer pela 40 até a Patagonia! Gostaria de saber se alguem já fez essa viagem e se tem algum povoado ou lugar que não posso deixar de conhecer!(Fora os já famosos!)...vou em uma viagem sem data marcada de volta...mas tenho que levar em consideração os 3 meses de visto que vão me dar...já que por essas cidades não vou ter extrenjeria para pedir mais 90 dias....(tenho como saída cruzar até o Chile e voltar)
      Aguardo opniões e dicas! Valeu!!! E espero que todos viagem muito em suas vidas!!


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