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4 horas atrás, [email protected] disse:

Fantastico ler isso na minha pre estreia de estrada, começando na India, com muito medo de largar mas coragem suficiente para fazer. Gratidão! PRABHU AAP JAGO

Tuas palavras me tocam profundamente, irmã! 

Que a Ganga Ma te guie. Diz pra ela que eu tô indo! Hihihi

 

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Em 23/11/2017 em 14:38, Viviana Ciclobeijaflorismo disse:

Uau... sempre gostei de ler e escrever mas 'em todos estes anos nessa indústria vital, essa é a primeira vez que isso me acontece' rsrs olho para a tela em branco mas as palavras não saem. Várias foram as vezes em que esta cena se repetiu nas últimas semanas e noto uma resistência interna em ordenar as palavras e externizá-las, permanecendo em silêncio degustando-as. Conheço bem essa resistência: é apego! Comumente remetemos o apego aos bens materiais mas quase sempre ignoramos que eles não passam de um símbolo. O real apego é sempre a ideia por trás do símbolo. Venho apegada à ideia da vida que vivi nos últimos dois anos e meio e soltar essa ideia é assumir que ela agora faz parte do passado. No entanto, o novo só vem quando soltamos o velho. E para isso se faz necessário ter coragem...

As palavras que se seguem são um ato de coragem.

CO.RA.GEM. substantivo feminino: 1.força ou energia moral diante do perigo; 2.sentimento de segurança para enfrentar situação de dificuldade moral; 3.atributo de quem tem determinação para realizar atividades que exigem firmeza. (Dicionário Michaelis)

Ou, como uma irmã me ensinou um dia: do prefixo cor (coração) e do sufixo agem (do verbo agir): coragem é agir com o coração. E foi totalmente seguindo o meu coração que ao completar 26 anos em janeiro de 2015 escolhi ir viver as coisas nas quais acreditava. Contexto: na época uma angústia muito forte me acompanhava no dia a dia de faculdade, trabalho e nas pequenas efemeridades que caracterizam o cotidiano. No fundo, a angústia podia ser descrita como um sentimento de não pertencimento e até mesmo uma profunda incompreensão generalizada, não entendia o sentido de fazer as coisas que fazia pois enxergava uma sociedade doente e me apoiava em discursos de liberdade contra um "sistema opressor". No meu aniversário de 26 anos cansei de falar (lê-se: pregar) no facebook sobre as coisas nas quais acreditava e resolvi ir viver as coisas nas quais acreditava.

Foi num ato repentino da mais profunda coragem num misto com a mais profunda inconsequência que parti. Com cinquenta e cinco reais no bolso, uma tampa de caixa de pizza escrito 'Alto Paraíso' e uma mochila extremamente pesada contendo 75% de inutilidades, fui para a BR. A única experiência que tinha era de ter pego carona com uma amiga até a cidade vizinha (interior de São Paulo, coisa de 100km de distância) poucas semanas antes, mas desde então sabia que se havia conseguido uma carona, conseguiria quantas precisasse. Afinal, muitos podem passar mas só preciso que 1 pare! E foi com essa confiança que, acompanhada de outra amiga que nunca havia viajado de carona, fui rumo a Chapada dos Veadeiros. Não olhei no Google, não tinha mapa, referências ou distâncias. Tudo o que sabia era que queria chegar na tal da Chapada e que pediria carona para isso.

Há pouco tempo ouvi a seguinte frase sobre cair na estrada: "não tem como se preparar para isso". Essa é a mais pura verdade, e esse foi o primeiro grande aprendizado.

Também é verdade que um único dia de BR te ensina muito mais do que toda a literatura que possa já ter lido, sobre todos os assuntos. Aprendi sobre política vendo a histórica desigualdade social na vida fora dos grandes centros urbanos e fora dos telejornais; aprendi sobre geografia percorrendo as estradas que cortam as paisagens entre serras e planaltos; aprendi sobre língua portuguesa e sobre licença poética nas placas pintadas à mão oferecendo os mais diversos trabalhos Brasil adentro; aprendi sobre matemática com os preços dos postos de combustível e suas lojas de [in]conveniência; aprendi sobre a biologia do corpo que, como um camelo, cobre distâncias incríveis sem uma única gota d'água; aprendi sobre a química da arte de cada estado em misturar água quente, pó de café e açúcar de maneira tão única (e gratuita!); e, sobretudo, aprendi a física envolvida no equilibrar de uma mochila nas costas de forma que ela (como um motor de Kombi que vem atrás) ainda assim te impulsione para frente. Sempre para frente.

A BR é uma exigente professora muito dinâmica, com metodologia autodidata e tudo conta como matéria dada. E é justamente este nível de exigência da entrega total ao momento que nos permite absorver todo o seu conteúdo tão eficazmente. Afinal, não dá para estar na BR pensando no boleto que vai vencer ou na ração do gato. A BR te exige por inteiro. Mas essa exigência não é a toa, pois a todo aquele que se entregar plenamente, nada faltará. Nem a carona impossível do último raio de sol do dia, nem o alimento ora como cortesia, ora como oferta da natureza, nem o cantinho maroto para montar a barraca ou o banho, seja num rio, cachoeira ou nos oito minutos mais deliciosos de sua vida num chuveiro de posto de gasolina. Nada faltará! Esse foi o segundo grande aprendizado. 

Portanto, é um fato que a BR supre a todas as necessidades daquele que se entrega à ela, mas isso não quer dizer que nossas necessidades serão atendidas como gostaríamos ou quando gostaríamos, mas certamente sempre que realmente precisarmos. Aceitar essa falta de controle sobre as situações e ainda assim confiar que nada nos faltará é um desafio proporcional à magnitude do milagre de ser atendido. Porque a verdade é que nós não controlamos absolutamente nada. Abrir mão da ilusão de controle foi o terceiro grande aprendizado.

Depois de aprender que não há como se preparar para isso, que são necessárias confiança e entrega e de ter aberto mão da ilusão de controle, algumas virtudes certamente já se apresentam desenvolvidas das quais destaco duas: a paciência e a gratidão. Estas duas virtudes são os maiores presentes que a BR me deu. A paciência de esperar o dia in-tei-ro por aquela carona naquela estrada de terra que não passa nem vento ou naquele trecho urbano em que milhares passam mas não param por medo. A gratidão de receber o dia chuvoso como se recebe o ensolarado, de ser grata pelo jejum assim como se agradece  o banquete de coração ofertado.

Tendo desenvolvido a duras penas a paciência e a gratidão, aprendi que a verdade é que tudo está em nossas mãos. Com paciência e gratidão criamos o que quisermos. Esse foi o quarto grande aprendizado. Esse é um dos mais belos paradoxos humanos: não temos o controle de nada  e criamos tudo o que quisermos. As palavras nem ao menos tangenciam os processos dessas compreensões e permanecem assim no campo das inefabilidades. Mas afirmo: é real. No entanto, não acredite em mim. Duvide e tenha sua própria experiência. :)

Além dos impulsos de buscar viver as coisas nas quais acreditava, também ansiava por ser maior do que meus medos. No angustiante período que antecedeu a partida, já havia compreendido que a crença em nossos medos é o que nos limita. Na época, havia feito uma lista com todos os meus medos dos mais esdrúxulos aos nunca antes pronunciados. Levei algo próximo de três meses para terminá-la, e esta lista finalizada lembrava em muito um pergaminho dado comprimento. Em seguida os analisei. Considerei medos-meus aqueles que havia tido uma experiência direta, real e empírica e considerei medos-não-meus aqueles adquiridos por indução social e inconscientemente reproduzidos. Fiz isso pois compreendia que poderia lidar com os meus medos e os demais devia apenas soltá-los, afinal não eram meus e gastava muita energia com eles...

E de todo o pergaminho, a lista se reduziu a poucos ítens contados nos dedos das mãos. Esses eram os que me interessavam vencer, os demais , como disse, abandonei. Simples assim. Junte a angústia existencial gerada por uma sociedade de consumo com a vontade de vencer os medos limitantes e algumas sessões de 'into the wild' e você tem uma pessoa disposta a rasgar documentos, dinheiro, diplomas, desapegar-se de bens materiais e referências psicoemocionais, além de cometer um "socialcídio" nas redes sociais. Toda a viagem à Chapada dos Veadeiros durou entorno de duas semanas e, ao retornar, abri mão de todos os ítens acima citados. Quando voltei para a estrada possuía apenas o meu corpo, meus conhecimentos e uma mochila com algumas roupas e alguns poucos apegos que ainda permaneciam.

Queria ver o mundo como ele era sem referências. Queria ver como eu era sem referências. Compreendia que o dinheiro era uma forma de energia mas não era a única e me propus a viver da troca de conhecimentos e da força braçal, bem como do voluntariado. Mas num bom e honesto português o que me motivou foi querer ver se o mundo era mesmo como o Datena falava que era, rsrsrs É com alegria e gratidão que posso afirmar que ele possui uma visão muito limitada (e triste) do que é o mundo...

Nesse período de viagens de carona que se sucedeu com trocas e voluntariado, regado à paciência e gratidão, aprendi que quanto mais a gente se doa mais a gente recebe. Esse foi o quinto grande aprendizado. Também foi um período em que muitos valores morais e crenças caíram por terra. Descobri, como diria um professor que tive, que sou o extrato-do-pó-do-peido-da-pulga no universo! Rsrs

E viajei, e viajei e viajei. Curiosamente, curtos foram os momentos em que viajei sozinha. Já viajei em dupla, em trio, com criança e em quarteto. Viajar bem acompanhada é delicioso! Comunhão, cumplicidade, respeito, reciprocidade, apoio e alguém que olhe sua mochila para ir ao banheiro! Rsrsrs No entanto, só quem já viajou mal acompanhado sabe o valor de se andar só. Uma vez li em algum lugar que a solidão só pode ser realmente sentida em meio a outras pessoas. Hoje compreendo isso. E foi ao escolher  passar a viajar exclusivamente sozinha que compreendi a diferença entre solitude e solidão. A solitude é sobre estar só e não sentir solidão. A solidão é sobre estar acompanhado e se sentir só. Esse foi o sexto grande aprendizado.

E ao aprender a apreciar a minha companhia e a ouvir tudo o que o silêncio tinha para me falar, a vida de caronas passou a ser incompatível com minhas novas necessidades introspectivas pois bem sabemos que o pegar caronas implica em conversar e interagir (além de responder várias vezes no dia as mesmas perguntas clássicas "de onde você é?", "para onde você está indo?", "você não tem medo?", "o que sua família acha disso?", Etc rsrsrs). As trocas me garantiam apenas o mínimo ao mesmo tempo em que recebia muitas doações, e foi quando passei a me sentir sustentada ao invés de me sustentar. Essa nunca foi a proposta. Concluí que estava na hora de ser autossuficiente, decidi investir em artesanatos e passar a viajar de bicicleta para ter mais independência.

Viajar de bicicleta é outro universo...!

Viajando de carona o mundo já é solícito, mas de bicicleta ele é escancarado! Minha bicicleta (Kali- A Negra) é dessas padrão, sem marca, aro 26 e 21 marchas onde os maiores investimentos que fiz foi instalar bar ends de deiz real, um selim mais largo e o bagageiro no qual amarrei dois baldes como alforges, com uma garrafa pet de paralama. Junte a cara de pau de uma bicicleta dessas circulando por aí como se fosse uma Specialized, o fato de eu ser mulher e estar viajando sozinha e você terá a trinca de ouro das portas abertas na sociedade.

 Tenho plena consciência da sociedade patriarcal em que vivemos e de como é nascer mulher em meio a isso, mas nunca havia experienciado isso de forma tão latente pois não se admiravam por ser uma pessoa viajando de bicicleta, mas por ser uma mulher sozinha, o que claramente indica a noção do inconsciente coletivo de que o mundo é sim um lugar hostil para mulheres, já que a mesma admiração não é comum aos homens viajantes solos. Também sinto que a hiperbólica solicitude que a bicicleta proporciona vem do próprio símbolo de liberdade atrelado à ela, afinal todos temos alguma memória afetiva de infância relacionada à sensação de liberdade com alguma bicicleta.

Uma metáfora não-tão-metáfora-assim que a bicicleta me ensinou nos primeiros 10 minutos de viagem foi que não importa o peso que se carrega, mas sim como o equilibramos...

E pedalei, e pedalei, e pedalei. Tomei chuva, me queimei no sol, atolei na lama, empurrei serra acima e senti a "mão de Deus no guidão" ladeira abaixo a 56km/h. Fui abordada diversas vezes pela própria curiosidade das pessoas, fui recebida e convidada à hospedagens e banquetes, ganhei dinheiro e presentes, orações, abraços cheios de ternura e querer bem e, por mais delicioso que tudo isso seja, estava looonge da intenção inicial de passar despercebida... Ao mesmo tempo isso ajudou com a venda de artesanatos (mandalas de papel com beija-flores, logo, Ciclobeijaflorismo) e pude experienciar o sucesso na autossuficiência plena  com dinheiro suficiente para me hospedar em campings e realizar os desejos mais supérfluos de meu ego. É nesse ápice entre a plena autossuficiência profissional e a crescente necessidade de introspecção e silêncio não compatíveis com a imprevisível vida na BR que, com a Graça Divina, tive o maior dos aprendizados. Tudo o que fizera até então era em busca da liberdade, de acordo com os conceitos que possuía de liberdade. No entanto, em dado momento pude compreender que sempre fui livre. E pela primeira vez compreendi o que Renato Russo quis dizer quando afirmou que 'disciplina é liberdade'.

Todos somos livres, sempre fomos e sempre seremos. Inclusive para nos prendermos ao que desejarmos. Esse foi o sétimo e maior aprendizado de todos nesses dois anos e meio de vida nômade.

 

Faz aproximadamente quatro meses que parei de viajar e isso se deu por uma série de fatores, compreensões e necessidades do momento. Tudo o que materialmente ainda possuo é a bicicleta e os baldes alforges (tá, e documentos. Tenho todos novamente, rsrsrs), no entanto a bagagem que estes dois anos e meio me gerou eu ainda mal consigo mensurar (e nem tenho tal pretensão!). A proposta do momento é encerrar pendências diversas que a impulsividade de outrora deixou e, tendo renovado inclusive a CNH, dar início ao projeto da casa própria sobre rodas, afinal sou uma jovem senhora de quase 30 anos que busca alguns confortos que viver de mochila não oferece, rsrs. No entanto, como ou quando isso acontecerá não me pertence mas sei que assim como a estrada me chamou uma vez, quando houver de retornar não será diferente. Coração cigano só bate na poeira da estrada!

E o que ficou disso tudo?

O brilho dos primeiros raios de sol pela manhã refletidos na superfície de um rio; 

O aroma da primeira chuva que cai e toca a terra encerrando a seca. Uma verdadeira oração silenciosa de alívio e gratidão onde não se ouve nada além das gotas;

A suculência da fruta madura saboreada direto do pé;

O farfalhar das folhas com o vento no dossel;

O toque da pele em cada rosto que se toca em um abraço ou das mãos que se apertam. E os sorrisos! Ah, os sorrisos... As donas Marias e os seus Zés... 

 

 

Esse foi meu relato de dois anos e meio de viagens conhecendo um pedacinho de cada uma das cinco regiões do Brasil, de carona, a pé e de bike com muito pouco ou nenhum dinheiro vivendo a base de trocas e voluntariado, posteriormente com a venda de artesanatos. Este relato não envolve descrição de lugares, roteiros, valores, dicas ou distâncias. Aliás, quando me perguntam sobre a maior distância que já percorri digo que foi entre querer viajar e colocar a mochila nas costas. Esta certamente foi a maior distância. Este relato apenas compartilha outros aspectos de um mochilão. E embora eu tenha dito que este é o meu relato, estou ciente de que também é ou pode ser o seu, afinal, Eu Sou o Outro Você.

 

Dedico a todas e todos que abraçaram e abraçam o desconhecido, escolhendo ir além dos próprios medos. Agradeço a todos e todas que compartilham seus relatos de viagem. Agradeço a todas e todos que compartilham. Agradeço.

 

:) Trilha sonora da escrita:

*Quinteto Armorial - do Romance ao galope (1974)

*Alceu Valença e Orquestra Ouro Preto

 

PRABHU AAP JAGO

Uau mulheeeeer! Que texto incrível, cheguei a me arrepiar com seu relato. Parabéns! Que orgulho de você viu. Obrigada por compartilhar sua experiência.

Sucesso nos seus projetos!

Abraços!

  • Obrigad@! 1

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Viviana

Obrigado pelo seu texto, vc escreve maravilhosamente bem. Parabéns pela sua coragem e perseverança. Tenho uma página no facebook e eu gostaria de compartilhar seu texto lá. Caso vc concorde, por favor me avise. Informarei a página qdo vc responder.

Obrigado

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A vontade que eu tinha de botar a mochila nas costas e os pés no pedal, triplicou dps do seu relato. Li do inicio ao fim e admito q chorei em algumas partes. Voce conseguiu transmitir sua mensagem de uma forma tão profunda que n tem nem como eu expressar toda minha gratidão em palavra. Mas pode ter ctz q tu mudou minha vida. Agora tenho duas certezas: 1- EU VOU MORRER UM DIA; 2- MÊS QUE VEM TO NA ESTRADA

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    • Por Mari D'Angelo
      Texto original com fotos e mapa aqui: http://www.queroirla.com.br/arraial-do-cabo-o-caribe-brasileiro/
       
      Quem seria louco de decidir em cima da hora, no feriado, sair de São Paulo e ir até Arraial do Cabo? Bom, olhando as fotos daquele paraíso de águas azul-caribe, acho que muita gente além de nós! É claro que a experiência deve ser infinitamente melhor sem a multidão de gente nas praias, mas ainda assim valeu cada minuto!
       
      Arraial do Cabo fica na região dos lagos, há aproximadamente 2 horas do Rio de janeiro e 8 de São Paulo (de carro), logo na chegada da cidade a vista da Prainha já encanta, mas pode se preparar que o melhor vem depois, e fica mais escondidinho. Não espere muito da parte urbana, não é uma cidadezinha agradável e aconchegante como Búzios ou Paraty, o forte são mesmo as praias e a prática de mergulho!
       
      Nós ficamos na Pousada Casa Verde, na Praia dos Anjos, aprovei e recomendo! Ela é bem simples mas limpa e agradável, tem piscina, churrasqueira e cozinha para quem quiser economizar e fazer as próprias refeições (inclusive o café da manhã, que não está disponível). O proprietário, Carlos, é super receptivo e nos ajudou bastante com dicas do que fazer por lá. A localização também é boa, depois de ter andado um pouco pela cidade achei aquele um dos melhores lugares, é tranquilo, perto do porto e da trilha para a Praia do Forno e próximo a um centrinho com alguns (poucos) bares e restaurantes. A praia é bem próxima mas não muito indicada para banho pois é onde ficam os barcos.
       
      Começamos pela Praia do Forno, para chegar até lá é preciso encarar uma trilhazinha de uns 10 minutos, é bem simples, apesar de um pouco cansativa. Mirantes e pontos estratégicos para fotos são constantes no caminho repleto de mandacarus (mais conhecidos como cactos) e a vista é recompensadora! A praia, de um tamanho razoável, conta com certa infra-estrutura além de vários ambulantes. Achei um pouco desnecessário o som alto vindo dos restaurantes, mas nada que pudesse estragar a beleza caribenha daquele lugar!
       
      Seguimos para a Prainha, essa já de fácil acesso mas em compensação não tão bonita quanto a primeira e bem mais cheia. Ficamos pouco tempo por lá pra poder conferir o pôr-do-sol em um lugar fantástico onde quase ninguém vai, é preciso subir as escadas da ponta esquerda da Praia Grande (olhando para o mar) e continuar mais um pouco para cima, assim que passar o posto policial é só estender a canga e curtir a vista. O lugar “oficial” para ver o pôr-do-sol por lá é o Pontal do Atalaia, onde dizem ser melhor ir de carro pois é bem afastado, não tivemos a oportunidade de conhecer pois apesar de tempo bom, todos os dias terminaram parcialmente nublados.
       
      À noite, no centrinho da Praia dos Anjos jantamos no restaurante Saint Tropez, achei o mais aconchegante de lá, com mesinhas na varanda e um clima legal. Comemos um camarão com catupiry delicioso! Não é super barato mas o prato dá pra duas pessoas, vale a pena se a ideia for uma jantinha gostosa. Se quiser algo mais em conta não faltam opções, há pizzarias, restaurantes por quilo, casas de lanche e a maravilhosa tapioca da Sabor em Pedaços, um lugar pequenininho mas cheio de amor e delícias doces e salgadas, tudo bem baratinho. Só não vá em busca de baladas, a vida noturna ali se resume a uma praça com barraquinhas de caipirinha (e cuidado ao pedir caipifruta, queria uma de manga mas o que recebi foi uma batida… estava muito boa, mas não era uma caipirinha!).
       
      No dia seguinte fomos conhecer Búzios, recomendo muito fazer um bate-volta pois é pertinho de Arraial do Cabo, cerca de uma hora de viagem e se estiver de carro dá pra conhecer as praias mais afastadas, que eu particularmente gostei mais do que as próximas ao centro. Mas esse vai ser assunto para um próximo texto!
       
      No terceiro e último dia fechamos o tradicional passeio de escuna. Todas as agências (são muitas) oferecem esse passeio e atualmente o valor cobrado é R$60,00 por pessoa, incluso água e refrigerante durante todo o tempo no barco (churrasco, caipirinha e cerveja são vendidos a parte), mas a agência Tubarão Rio costuma cobrar R$30,00! Ficamos meio desconfiados mas como foi indicação acabamos indo e foi tudo certo (exceto o péssimo atendimento na loja), metade do dinheiro economizado! No barco eles oferecem aluguel snorkel por R$10,00, nós pegamos um mas não recomendo! O tempo é muito curto nas praias e não há tantos pontos para ver os peixes.
       
      Dica: Fique o mais longe possível do churrasco, é impossível respirar naquela região do barco!
       
      Os passeios saem por volta das 11h e duram aproximadamente 3 horas, é preciso pagar uma taxa portuária de R$5,00, isso é feito diretamente nas cabines no porto e em seguida é só encontrar seu barco no meio da zona de gente e música alta que conturba o ambiente. Ah, fique de olho nas cordas que amarram as embarcações, muitas tartarugas costumam aparecer ali.
       
      Antes de fazer as paradas, a escuna passa por alguns pontos como o Boqueirão, que é o estreito que separa o continente da Ilha do Farol, a Pedra do Perfil do Macaco, a maravilhosa Gruta azul e a Fenda de Nossa Senhora da Conceição, onde há uma estátua da Santa, tudo com a devida explicação do guia. Passar por essas paisagens rochosas é tão diferente que nos faz sentir em outro lugar, algo como a Escócia ou Nova Zelândia, imagino.
       
      Quando o barco começa a se aproximar da primeira parada, a Praia do Farol, já dá pra perceber a mudança na tonalidade da água de um azul mais escuro para um turquesa hipnotizante! Essa praia é considerada pela Marinha a mais perfeita do Brasil, é super restrita, sendo possível desembarcar nela uma quantidade limitada de gente e por apenas 40 minutos, além disso não é permitido levar alimentos e outras coisas que possam gerar sujeira na praia. Não há restaurantes nem ambulantes, o tempo é todo para apreciar aquela areia branca bem fininha e o mar tão transparente que dá pra enxergar nitidamente os dedos dos pés, é tudo tão perfeito que dá até dó de não poder aproveitá-la mais um pouquinho.
       
      A segunda e última parada é em uma das duas Prainhas do Pontal do Atalaia, assim como a anterior é paradisíaca, mas além de não ser restrita, tem acesso por terra também, então fica bem mais cheia. Nessa e em todas as outras praias de Arraial do Cabo, a água é muito gelada, mesmo no calor!
       
      O passeio acabou por volta das 15h e passamos para conhecer a Igreja Nossa Senhora dos Remédios, padroeira de Arraial do Cabo. Ela fica no caminho da saída do porto e é daquelas bem simples, com teto de madeira, branquinha e azul, uma graça!
       
      Terminamos o dia na Praia Grande, que apesar do nome, não lembra nem de longe a homônima paulista e é realmente enorme! Os restaurantes cobram R$10,00 pela mesa e guarda-sol caso não haja consumo de comida. Ficamos lá aproveitando o último dia no paraíso até o sol se pôr entre as nuvens.
       
      Pra quem é de São Paulo, se não quiser passar pelo Rio pra voltar, a dica é ir por Magé, o tempo é o mesmo. Aproveite para fazer uma pausa na Parada do Bubi, na Dutra, o restaurante beira de estrada mais aconchegante que já vi!
       
      Texto original com fotos e mapa aqui: http://www.queroirla.com.br/arraial-do-cabo-o-caribe-brasileiro/
    • Por Mari D'Angelo
      Leia aqui o texto original com fotos e gráficos!
       
      Quem tem um bichinho de estimação sabe, dói viajar sem eles! Mesmo deixando com alguém de confiança ou em um hotelzinho, ficamos sempre preocupados, querendo saber como estão e sofrendo por estar longe.
      Viajar de avião com animais de estimação requer um processo geralmente demorado, trabalhoso e não exatamente barato. Mas garanto que todo o esforço vale a pena!
      O ideal é começar o processo com uns 5 meses de antecedência. Muitos passos são os mesmos para diferentes destinos, mas a documentação e as vacinas necessárias podem mudar de país para país e de acordo com o animal. Vou relatar detalhadamente aqui o nosso caso, viajando com um cão, de Lisboa para São Paulo (ida e volta) com a TAP. Ou seja, fizemos todo o processo em Portugal, podem haver diferenças caso o processo seja feito no Brasil.
      Espero que esse relato te ajude a também viajar com seu bichinho, pois achei bem difícil conseguir informações concretas nos sites das cias aéreas e órgãos responsáveis!
       
      Passo a passo para viajar de avião com animais:
       
      1. Colocar o chip no animal
      O primeiro passo de todos é fazer a implantação do chip. Atualmente isso é obrigatório para todos os animais com viagens de/para a Europa. É lá que vão constar todos os seus dados e dos dados dele/a caso aconteça alguma coisa.
      Quando adotei o meu, na Casa dos Animais de Lisboa, ele já tinha o chip. Caso o seu não tenha, procure um veterinário de confiança para te orientar e fazer a aplicação.
       
      2. Dar a vacina da raiva
      Em alguns países, como Portugal, a raiva está erradicada, mas para viagens à países com risco, como o Brasil, a vacina é obrigatória! Em Lisboa, a Câmara Municipal tem um programa de vacinação que leva uma base móvel cada semana a um bairro. O custo é de 5 euros, veja aqui a programação.
      A vacina também pode ser dada no veterinário, e é importante fazer isso depois da colocação do chip, caso contrário será preciso aplicar a vacina novamente depois desse passo.
      Verifique atentamente se a data e outros dados inseridos na carteira de vacinação do animal estão certas, e peça sempre o selo comprovante
       
      3. Exame de sorologia (titulação de anticorpos contra o vírus da raiva)
      Depois de vacinado contra a raiva, é preciso submeter o animal ao exame de sorologia. É como um exame de sangue, que servirá para verificar se a vacina está fazendo efeito.
      Para isso vá ao seu veterinário de confiança e avise que o motivo é uma viagem para o Brasil, pois o exame só será válido se feito em laboratórios certificados para este fim. É muito importante que o laudo final seja algo como este da imagem. No nosso caso havíamos recebido um outro mais simples e não era válido oficialmente.
      A sorologia pode demorar até 3 meses para ficar pronta. Nós recebemos o resultado muito rápido, mas é melhor contar com esse prazo para programar a viagem.
      Uma observação importante: O resultado do exame deve ser igual ou superior à 0,5 U.I./ml. Caso o valor seja menor, vai ser preciso vacinar novamente e submeter o animal à sorologia outra vez, ou seja, mais possíveis 3 meses.
      Em Lisboa pagamos € 150,00 nesse exame. Ele é válido por toda a vida desde que as vacinas estejam sempre em dia.
       
      4.Comprar a passagem
      É claro que esse passo pode ser feito a qualquer momento, mas recomendo que já comece a pensar nisso assim que marcar a sorologia. É importante ser feito com antecedência pois nem todas as cias aéreas aceitam animais e as que aceitam podem ter uma limitação de no máximo 3 por voo. Vamos combinar que já é difícil achar um voo que se encaixe no nosso orçamento e planejamento, né? Melhor não arriscar.
      Assim que comprar a sua passagem, é preciso ligar na cia aérea para comprar a passagem do animal. Depois há um tempo até a transação ser aprovada e você recebe o comprovante por email.
      Pela TAP nós pagamos, só a parte dele, 400 euros ida e volta (são 200 por trecho). Isso varia muito se o cão ou gato vai na cabine ou porão e o peso total dele + a caixa de transporte. Veja aqui uma tabela com esses valores e outras informações da cia aérea sobre viagens com animais.
      Geralmente o peso máximo limite para que o bichinho possa ir na cabine é de 8kl (animal + caixa de transporte). O Banoffe foi no porão pois além de ele pesar mais que isso, é muito alto e não caberia na caixa de transporte de cabine (vou explicar sobre isso mais pra frente).
       
      5. Comprar a caixa de transporte
      Algumas cias aéreas aceitam animais de pequeno porte ou cães-guia na cabine. Nesse caso, uma caixa de transporte maleável é suficiente. Se o seu pet for no porão, terá que ir em uma caixa de transporte rígida e compatível com os padrões da IATA, que basicamente são:
      O animal tem que caber na caixa em pé e sentado, sem encostar a cabeça no teto; Ele tem que conseguir dar uma volta completa em torno de si mesmo; A caixa tem que ser rígida, com uma porta de metal e aberturas para ventilação em pelo menos 3 lados, A caixa não pode conter rodinhas. Caso tenha, vai ser preciso retirá-las antes de embarcar. Nós compramos o modelo Skudo da marca Trixie. Como não estava muito fácil encontrar uma que se encaixasse no tamanho dele, não tivemos tantas opções, mas ela atendeu perfeitamente às nossas necessidades. Pagamos € 101,99 na loja Fish Planet.
      O ideal é comprar a caixa o quanto antes depois de comprar a passagem, assim você já vai acostumando seu pet com ela e ele vai ficar menos tenso no dia da viagem.
      No nosso caso o Banoffe se acostumou super rápido, colocamos a caminha dele dentro da caixa e no segundo dia já entrava sozinho para dormir lá. Com o tempo colocamos também a porta e de vez em quando fechávamos com ele dentro e ficávamos interagindo com ele.
      No dia da viagem, forre a caixa com tapetes higiênicos, coloque a caminha dele ou o cobertor onde ele esteja acostumado a dormir, os bichinhos ou brinquedos que ele goste (se a cia aérea permitir) e uma peça de roupa sua, para que ele fique com o seu cheiro durante o vôo.
      Para os compartimentos de água e comida, não encontramos nada pronto a um preço acessível, então o elaboramos uma solução com um suporte de shampoos de banheiro + tupperwares, deu super certo! Não tivemos problema em ser algo adaptado, mas é importante se certificar que não esteja oferecendo nenhum risco de machucar o animal.
      Certifique-se de que as travas estão todas bem presas, e se necessário coloque parafusos nos espaços livres para isso (em algumas cias isso é obrigatório). Veja também se não tem cantos pontudos ou algo que possa machucar o animal duante o vôo, se for preciso lixe ou cubra essas partes.
       
      6. Fazer o passaporte
      Sim, eles também tem passaporte! Você pode fazer esse passo quase a qualquer momento, mas recomendo ser o quanto antes, só por precaução. É na própria clínica veterinária e geralmente sai na hora.
      Pagamos € 20,00 euros pelo dele. Vai ser preciso constar lá todas as comprovações de vacinas, exames etc, pois isso será checado no aeroporto.
       
      7. Desparasitação interna e externa
      Com no máximo 15 dias antes da viagem, é preciso fazer a desparasitação interna e externa do animal. Mesmo que você vá fazer isso em casa, é preciso ir ao veterinário pois ele deve apontar qual foi o desparasitante e a data de aplicação no passaporte! Atenção, é preciso fazer os dois! Tínhamos feito só o interno e tivemos que voltar para fazer o externo também, que é obrigatório para o Brasil.
      Pagamos € 2,50 pelo interno e € 23,50 pelo externo (esse valor é para 3 meses, mas há uma opção mais barata para apenas mês).
       
      8. Atestado de saúde do veterinário
      Com no máximo 10 dias antes da viagem é preciso levar o cão ou gato ao veterinário para que seja examinado e pegar o atestado dizendo que está apto para viajar.
      Atenção: Em Portugal o atestado deve ser como esse da foto. Ao solicitar esse documento ao veterinário, lembre-se de dizer que é para uma viagem intercontinental, caso contrário pode ser que receba um atestado comum, que não é válido para viagens.
       
       9. Entregar a documentação na DGAV
      Estamos chegando na fase final! Caso esteja viajando de Portugal para o Brasil, vai ser preciso reunir todos esses documentos acima e entregar na DGAV (Direção geral de Alimentação e Veterinária). Recomendo fazer isso assim que tiver o atestado do veterinário (ou seja, entre 9 e no máximo 3 dias antes da viagem), só pra garantir caso tenha que refazer alguma coisa.
      Na unidade de Lisboa não é preciso marcar horário, normalmente funcionam de segunda à sexta, das 9h-12h30 e das 14h-17h30. Clique aqui para mais informações.
      Os documentos necessários são:
      Passaporte do animal Atestado do veterinário Resultado da sorologia Carteira de vacinação Formulário que vão te entregar lá mesmo preenchido (com dados do voo, endereço de origem e destino e etc). Com isso eles vão te fornecer o Certificado Veterinário Internacional (CVI), um papel que vai juntar toda essa informação para que você entregue quando chegar no destino.
      O custo foi de 25 euros e ficou pronto no dia seguinte (mas isso não é uma regra).
      Se o seu pet tiver um passaporte europeu (que substitui o CVI na volta para a Europa) ou se for voltar em menos de um mês, o prazo não importa muito. Caso contrário é preciso ficar atento pois no Brasil o CVI tem validade de 30 dias.
       
      10. Check-in
      No dia da viagem, chegue com pelo menos 3 horas de antecedencia para garantir um embarque tranquilo. No nosso caso, fomos pela TAP e era só se dirigir ao balcão normal de check-in. Além das malas, o animal será pesado, assim como a caixa de transporte. Você receberá um termo de responsabilidade para ler e assinar.
      Pudemos ficar com ele até 1h antes do embarque, achei melhor assim para que ele ficasse menos tempo sozinho.
      Tente deixá-lo o máximo alimentado e hidratado possível, e leve sempre com você alguns tapetes higiênicos, saquinhos e panos para limpar as possíveis necessidades que eles farão dentro do aeroporto!
      Conversei bastante com a veterinária sobre como deixar ele mais tranquilo na viagem e ela me recomendou o Sileo, um calmante leve em forma de gel para darmos um pouco antes da viagem.
      Verifique se a sua cia aérea permite tranquilizantes e não dê algo muito forte, pois ou eles podem perder muito a consciência e não conseguir reagir caso precisem, ou, dependendo do calmante, eles relaxam por fora, mas o cérebro continua muito ativo por dentro, o que pode deixá-los angustiados! Fale com seu veterinário para chegar à melhor solução!
       
      11. Embarque
      Agora vem a hora mais tensa de todas, entregar o bichinho! Primeiro a funcionária da TAP nos leva para passar a caixa em um Raio X, em seguida vamos até o setor de cargas onde colocaremos o animal na caixa. É nessa hora que você coloca água e comida. Segundo eles, ninguém vai lá checar durante o vôo, então é bom colocar uma boa quantidade, só tomando cuidado para não correr o risco de cair com as manobras do avião.
      Lembrando que a caixa deve estar forrada com tapetes higiênicos e é ideal deixar o espaço o mais confortável e conhecido para ele. Deixe lá uma peça de roupa com o seu cheirinho!
      Também coloquei plaquinhas com a foto, o nome dele, origem, destino e número do vôo e nossos contatos em Portugal e no Brasil. Precaução nunca é demais, né?!
      Ps. Mães, agora entendo o que vocês sentem quando deixam os filhos na escola no primeiro dia de aula ou os vêem passando pela porta de embarque para um intercâmbio, que angústia!
       
      12. Desembarque
      Ao chegar no Brasil, é preciso se dirigir à esteira de bagagens especiais (que fica parada, não é como as de bagagens convencionais, claro!). Quando chegamos ele estava lá sozinho! Achei isso meio absurdo, mas Ok.
      Seguimos então para a Vigiagro, que fica logo após a polícia federal. Lá recolheram o certificado internacional e verificaram o passaporte, informando que para a volta deveríamos checar a legislação de Portugal.
      Ele parecia bastante tranquilo quando o pegamos. Um pouco assustado, mas logo que saiu da caixa já abanava o rabinho e caminhava normalmente!
       
      13. Volta
      Na volta a coisa já foi um pouco mais complicada.
      No caso de voltar para Portugal, é preciso entrar em contato por escrito com o Ponto de Entrada dos Viajantes pelo menos 48 antes da chegada, informando os dados do voo (confira aqui a lista de emails de acordo com a cidade de destino). Por segurança enviamos também todos os documentos do cão para conferir se estava Ok e se precisava de mais alguma coisa. A resposta foi que estava tudo correto e só seria necessário apresentar o passaporte dele no check-in.
      Só que chegamos lá e pediram também o CVI, alegando então que ele não poderia embarcar pois o documento estava datado com mais de 30 dias. Como era regresso à Portugal, o passaporte europeu é válido em substituição ao certificado sanitário (essa informação constava inclusive no folheto que nos deram na chegada ao Brasil para saber como proceder na volta).
      Depois de muita troca de informação entre a funcionária do balcão (muito atenciosa) e o superior dela (que deu de ombros para o nosso caso), conseguimos embarcar graças ao email da DGAV confirmando que estava tudo Ok.
      No Brasil as regras são um pouco diferentes. O animal não pode estar de roupa nem coleira e não podem ter brinquedos ou outros itens que possam ferí-lo durante a viagem. É preciso preencher diversos formulários e colar na caixa os adesivos que eles fornecem.
      Depois é como em Portugal, a caixa de transporte passa pelo raio-X, você coloca água e comida para o bichinho e entrega ele.
      Ao chegar no Aeroporto de Lisboa, há uma porta perto da esteira 9 onde ele vai ser entregue. A hora que ele chegar, um funcionário vem avisar e confere a passagem.
      A última coisa é passar pela consulta do veterinário lá dentro do aeroporto mesmo. Eles verificam o chip, conferem os documentos e pronto! Essa consulta é obrigatória e custa 40 euros.
       
      Custo total em euros baseado na nossa experiência: Lisboa – São Paulo (ida e volta)
      Vacina da raiva: 5,00 Sorologia: 150,00 Passagem (do cão): 400,00 Passaporte: 20,00 Caixa de transporte: 101,99 Desparasitação externa (Bravecto): 23,50 Desparasitação interna (Caniquantel Plus): 2,50 Consulta para pegar o atestado do veterinário: 30,00 Certificado veterinário na DGAV: 25,00 Tranquilizante (Sileo): 10,00 aproximadamente  Exame pericial veterinário no aeroporto de Lisboa: 40,00 TOTAL: € 807,99
      (não esqueça de contar outros gastos como os tapetes higiênicos, saquinhos de recolher o cocô etc)
       
      Links úteis:
      DGAV (Direção Geral de Alimentação e Veterinária) Vigiagro (Vigilância Agropecuária Internacional) Consulado Brasileiro em Portugal Consulado Português no Brasil TAP Aeroporto de Lisboa Viajar com animais (blog com muita informação / E-book)  
      O ideal é ter sempre o acompanhamento do seu veterinário de confiança. Em Lisboa recomendo o Hospital Veterinário Arco do Cego. É 24h e a equipe sempre foi muito atenciosa com o Banoffe!
      Como eu disse, tudo pode mudar de caso para caso, então certifique-se sempre de toda a documentação necessária com a cia aérea e os órgãos responsáveis dos dois países.
      Peço desculpas pelo texto tão longo, mas senti muita falta de explicações detalhadas e centralizadas quando foi minha vez, então espero que isso ajude você que também quer levar seu bichinho para outro país! 
       
      Leia aqui o texto original com fotos e gráficos!
    • Por Hi.Loren
      Olá, galera!
      Vou sair de mochilão pelo BR e América do Sul (roteiro incerto), pretendo ir esse ano sem data para voltar, estou com pouco dinheiro mas dinheiro não é o mais importante, podemos fazer grana pelo caminho, pedir caronas, dormir em albergues, acampar, etc. Sem mordomias.
      Quero mesmo é aventurar em todas as adrenalinas que puder, me divertir muito, amo cachoeiras, praias, natureza no geral.
      Sou de Minas Gerais, será meu primeiro mochilão roots. Adoraria companhia de pessoas dispostas a viver uma experiência apaixonante.
      Sempre com respeito e responsabilidade.
      Bora?
    • Por HugoNuary
      Então galera, pretendo sair agora día 4 ou 5 de outubro, e fazer a rota: SP rumo a Campo Grande ou Corumba - MS (a rota que ficar mais em conta) seguir para Puerto Quijarro depois tomando o trem da morte rumo a Santa Cruz de la Sierra. Sendo meu destino final Lima. Tenho 30 dias para seguir essa rota, e tentando gastar o mínimo possível durante toda viagem. Meu maior temor é quanto aos valores dos transportes da Bolivia rumo ao Perú, onde se hospedar por la num preço legal. E onde consigo fazer câmbio de Real para BOB e para SOL. 
    • Por Damarens Santos
      Faaaaaaala viajantes e mochileiros, to aqui pra mais um relato com valores  (do jeito que a gente gosta!) 🤩
      Desta vez o destino escolhido foi BOM JARDIM/MT.
       
      Local ainda desconhecido por muitos e que só foi mais explorado depois que apareceu em uma reportagem na Ana Maria Braga em 2010.
      Devido a sua recente "descoberta" ainda existe alguns "impasses" para sua exploração.    
       
      Um de seus empecilho para exploração é a maneira de se locomover...
      Existe um ônibus que sai de Cuiabá/Várzia Grande as 06:00 todos os dias com destino Nobres, de Nobres para Bom Jardim apenas 3x na semana.
      Por este motivo optamos pela locação de um carro já que para acesso aos passeios não existe o serviço de transfer (não existe nenhuma agência que faça este serviço no vilarejo, tentamos de todas as formas e localizamos uma pessoa que nos cobrou 1200,00 golpes para nos locomover por 4 dias 😅) então locamos um carro da categoria econômica, utilizamos os 4 dias de viagem e gastamos apenas um tanque de combustível pra todos dias ou seja metade do valor acima.
       
      Nos hospedamos na Pousada Cantinho de Casa que fica no vilarejo de Bom Jardim, fica próximo a mercado, restaurante, lanchonete e etc... (vale lembrar que Bom Jardim é um vilarejo beeeem pequeno então tudo é próximo) estávamos em 2  pessoas, então saiu  225,00 para cada (os 4 dias)!
      A agência escolhida para os passeios foi: GUARÁ TUR ([email protected]), fizemos 2 passeios por dia (todos os passeios tem a durabilidade de 2/3 horas).
       
       
      Boraaaa  laááááá!!!!
       
      02/08 SAÍDA DE CAMPINAS
      Saímos de Campinas com destino a Guarulhos com a Lirabus as 19:30 (por 💰 40,66) nosso voou tinha saída de SP as 23:45 com chegada em MT as 01:10 do dia 03.
       03/08 – PRIMEIRO DIA DE VIAGEM
      Sem perrengue não é viagem nénom? 🤣🤣 então vamos lá
      Desembarcamos em Cuiabá e fomos na Localiza pegar o carro reservado, poréééééém tivemos um imprevistos na liberação... e depois de 1:30 conseguimos pegar o carro 
      (depois de ter se desesperado, pensado em pedir carona, ir caminhando... enfim, Deus foi bondoso conosco e nos abençoou haha). 
      Saímos de Cuiabá as 03:40 e partimos para Bom Jardim (155 KM) com chegada 05:15.
      Chegamos na pousada já corremos descansar para acordar as 08:00 e começar os passeios.
      Primeiro passeio: Flutuação no Vale das Águas  que fica 23km de onde nos hospedamos, pagamos por este passeio  💰 80,00.
      O passeio dura cerca de 2/3 horas, com guia, vestimentas para a flutuação. Eles tbm fazem fotos e filmagem por 💰 50,00 (dividimos e ficou 25 cada). Tivemos mta sorte de sermos os únicos no horário que fomos então fechamos as fotos e tivemos um book só nosso 🤣🤩 LUGAR MARAVILHOSO E ENCANTADOR ❤️
      Vale das Águas:

      Saímos de lá e fomos para o Rancho do Chapolin almoçar (fechamos com a agencia por 💰 35,00 q fica do lado da nossa pousada). O Chapolin é pura simpatia e fica vestido a caráter o tempo todo kkkk. Lugar super rustico e simples, comida caseira e equipe simpática, ah, não se assuste... você mesmo quem cobra o valores do seus gastos rs fica uma maleta com dinheiro no balcão, ele te fala o valor e vc paga, pega seu troco e vai embora 😅 (consumo no local 💰8,00)
      Depois voltamos pra pousada para descansar pois iriamos ver o pôr do sol no mirante no final do dia.
      As 16:00 saímos para fazer a Trilha de Quadriciclo no Mirante Recanto da Natureza pagamos 💰 120,00 golpes e foi mtttttttt massssssa, voltamos as 18:00.
      Mirante Recanto da Natureza:

      Saímos do passeio e fomos tomar uma ceva ☺️ e comer algo, local escolhido Lukinhas. (ceva e lanche 💰28,00).
       
       
      04/08 - SEGUNDO DIA
      Saímos as 08:00 para encontrar nosso guia no vilarejo e seguirmos para a famosinha de Bom Jardim: Cachoeira da Serra Azul 🥰 ela fica dentro do SESC de MT e fica a 22 km no vilarejo, o caminho é 95% em estrada de terra.
      Chegando lá fizemos uma caminhadinha de 80 metros +- e subimos/descemos cerca de 470 degraus até a preciosa ♥ (o parque possui tirolesa, ciclismo e arvorismo... não fizemos nenhum) pagamos pelo banho na cachoeira 💰 125,00 já equipamento para flutuação incluso + almoço completo no restaurante do SESC (o melhor almoço que tivemos la, mtt bom).
      Sobre a cachoeira? SEM COMENTARIO né. PERFEITA e gelaaaaaaaaaada kkk
      Cachoeirada Serra Azul:

      Após o almoço saímos em direção ao Rio Triste para mais uma flutuação, pagamos  💰 90,00 com o equipamento incluso. Locamos outra câmera pra atualizar na flutuação (rachamos em 3, paguei 15,00).
      Rio Triste:

      Depois voltamos ao vilarejo e ficamos no balneário que possui na rua principal tomando uma cerveja ate dar o horário de seguirmos para a lagoa das araras.
      Saímos as 16:00 para a visitação na Lagoa das Araras, 💰 25,00 a entrada, a lagoa fica no próprio vilarejo e trás uma paz fantástica.
      Lagoa das Araras:

      Saímos de lá e fomos pro Espetinho da Marina jantar (espetinho gostoso e acompanhamentos caseiro, recomendo) 💰 19,00 total no jantar.
       
      05/08 TERCEIRO DIA
      Acorda as 09:00 tomamos café e partimos para fazer a  Flutuação no Reino Encantado que fica a 10 km da pousada onde estávamos fechamos o pacote  com Almoço por 💰 120,00, chegamos la nos preparamos com os equipamentos, alugamos uma câmera (50,00 dividimos em 2) e fomos ao passeio. Retornamos e almoçamos la mesmo (gastos 13,00).
      Reino Encantado:

      Logo apos o almoço andamos mais 21 km ate o Bóia Cross Duto do Quebó o passeio durou cerca de 1:30 e pagamos 💰 85,00. 
      O rio é bem calmo, beeeeeeeeem calmo mesmo, a emoção fica por conta da gruta que passamos por dentro, ele é completamente escura, sem iluminação e cheia de morcegos kkkkkk essa parte foi massa, do resto, eu esperava mais (fomos em baixa temporada então o rio não estava mtt cheio para ter mais adrenalina).
      Duto do Quebó:

       
      Ao retornarmos para a Vila paramos no Lukinhas para beber 😅 e jantar  (comemos uma pizza, tomei açaí)  gastei 40,00.
       
      06/08 Quarto Dia
       
       Acordamos as 08:00 ja deixamos nossas malas arrumadas pois serio o último dia de viagem, tomamos café e fomos para a  Flutuação no Aquário Encantado e no Rio Salobra  que fica no mesmo lugar do dia anterior (11 km da pousada), mas é mtttttt  diferente o local 😍 fechamos o pacote com Almoço por 💰 125,00  (gastei 8,00 com bebidas e 50/2 da câmera).
      Aquário Encantado:
       
       
      Depois do almoço andamos mais 5 km até o Balneário Refúgio da Água Azul para passarmos a tarde, pagamos 💰 30,00. 
      É um balneário simples apenas para banho mesmo, não curti mtt rs mas é bonito o local.

       
       
      Retornamos para a pousada as 15:00 pois iriamos para o aeroporto as 16:00 demos carona para os gringos que estava na nossa pousada, gastamos 120,00 para encher o tanque novamente e devolvermos a locadora. E partimos para SP, chegamos em  Guarulhos as 23:30 pegamos um bus para Campinas 00:30 e chegamos por volta as 2:00 em caaaaaaaaasa 🙏
      Bom Jardim é um lugar incrível com pessoas encantadoras, ainda falta um pouco na infra estrutura porém quanto mais rustico mais eu gosto. EU AMEI tudo, os guias, a recepção, os lugares e os preços hahaha.
       
      Total da viagem: 2.106,00
      Passagens Aéreas: 480,00 Transporte (bus + carro + combustível): 323,00 Hospedagem: 225,00 Passeios: 855,00 Alimentação e cevaaaaa: 135,00 Fotos e filmagens: 88,00  


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