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luiz.junyor

Travessia Ferrovia do Trigo - Muçum a Guaporé

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Massa cara! Tem um tempinho que não rola um relato atualizado da travessia, é um sonho de consumo meu =D

Muito bonito o percurso com neblina, e parabéns pela determinação e riqueza de detalhes. Ah, a foto do céu estrelado ficou SHOW!!!!!

 

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Obrigado pelo comentário amigo, sem dúvidas o lugar é muito bonito, vale muito a pena fazer essa travessia, a tempos que eu gostaria de fazer ela, sempre tinha dúvidas, pois vi muitos relatos da galera falando sobre a proibição de passar pelo V13 e tal, também não achava relatos recentes de quem foi, mas podemos descobrir que está totalmente liberado, é muito bom poder relatar sobre a travessia para que muitos que tem vontade de ir possam faze-la sem medo. 

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    • Por fernandos
      Saímos de Caxias do Sul as 11 horas rumo ao famoso Viaduto 13 (V13), na cidade de Vespasiano Corrêa, o mais alto Viaduto Férreo da América Latina, com 143 metros de altura. No caminho cruzamos por Bento Gonçalves, sentido Veranópolis, pegamos a estrada para localidade de Farias Lemos.    1ª Parada. Balneário do Rio das Antas. Cotiporã.RS: Certa altura vejo uma placa indicando o acesso secundário para a cidade de Cotiporã, não dei muita bola, ao passar avistei uma ponte, um rio, com suas margens repletas de pedras. Meia volta! Vamos ver do que se trata. Era o Balneário do Rio das Antas, já em Cotiporã, a uns 10 km do centro da cidade. Era quase meio dia, o sol estava forte, mas o lugar é bonito, uma ponte antiga, o rio caudaloso, algumas pessoas fazendo churrasco, outras nadando, um lugar tranquilo para se refrescar num dia de sol forte. O curioso que as margens rio nesse ponto, são cobertas por pequenas pedras, ao invés de terra como é mais comum em outros balneários. Pra mim o nome mais apropriado para o lugar seria "Praia de Pedras", enfim... O lugar rende belas fotos. Como não estava preparado para tomar banho, seguimos viagem.    2ª Parada. Vespasiano Corrêa.RS: O plano era almoçar em Vespasiano Corrêa, mas era domingo, e a cidade bem pequena, com seus 2.000 habitantes, e após darmos algumas voltas pelo centro não encontramos nada aberto. Ainda bem que havíamos tomado um café reforçado, e rumar ao V13. Já no centro de Vespasiano, existem placas indicando o caminho, são uns 13 km, de estrada de terra, estreita, morro abaixo, com pedras soltas, tem que se ter muito cuidado. E no caminho somos brindados com a visão dos viadutos V11 e V12. Chegando ao local  onde fica o V13, já na chegada avistamos muitos carros, estava havendo uma festa de alguma comunidade rural. Um grande aglomerados de pessoas, maioria mais velhas. Debaixo V13 impressiona por sua grandiosidade. E rumo ao dito cujo, são 1, 3 km morro a cima, mas da para fazer de carro, deixamos o carango, na via de entrada, junto com os muitos que estavam lá. Dia de casa cheia na Ferrovia do Trigo. Primeiro tratamos de explorar os Tuneis Férreos, muito legal, os tuneis são extensos, e a medida que se adentra, a escuridão toma conta, aqui uma dica: TEM QUE LEVAR LANTERNA! (É completamente escuro lá dentro). Legal ver apenas as luzes das lanternas das pessoas dentro do Túnel. Não foi muito fácil tirar fotos, pelo completo breu, e por estar muito movimentado esse dia. mas mesmo assim a experiência é muito interessante, vale a pena. Fomos até o final do túnel que deve ter uns 600 metros, sentamos e fizemos um lanche, já que o almoço não rolou. Retornamos pelo túnel, rumo ao V13. Chato foi nos depararmos com muitos turistas bêbados, e sem educação no local. Gente riscando as paredes dos tuneis com pedras, e por aí vai. Lá de cima a vista encanta, de um lado da para ver o Rio onde bote descem de rafting e do outros algumas belas cachoeiras. dessa vez o trem não passou (graças a Deus!),  o que seria bem tenso, mas no local tem alguns refúgios, caso isso ocorro. É um passeio bem divertido passar por cima do viaduto, da para tirar boas fotografias. Ficamos ali um bom tempo curtindo o visual. Depois descemos e fomos em direção as cascatas, seguindo as placas. Tem um balneáriozinho no local, e novamente muita gente bêbada, e sem noção. Um bando de velhos, borrachos, tomando long neck, e atirando as tampas na cachoeira. É o Fim da Picada!  Esse foi o unico porém da viagem, a falta da educação de nosso povo. Acho que não deve ser sempre assim, com certeza pegamos um dia ruim, mas mesmo assim o lugar é lindo. E infelizmente não pude tomar banho na cachoeira, pois, não levei roupa, pois, em Caxias estava friozinho quando saímos, no V13 bem calor. Então via das duvidas leve roupa de banho. 


        3ª Parada. Muçum: Para voltar e escapar da subida ingrime de volta, decidi ir em direção a cidade de Muçum, 14 km diz a placa, mas se anda uns 20 até o centro da cidade. Muçum intitulada a Capital das Pontes, destino já visitado. Possui uma bonita ponte de Brochado Rocha, e o Chafariz de Pedra da Praça Central. A cidade é impressionou pelo desenvolvimento, para seus ditos 5000 hab. Possui até prédio, e no entorno da praça, em frente a igreja, existem duas ruas cobertas, e diversos quiosques e estabelecimentos para lanche. Acabamos no Don Fulano, onde comemos um bom pastel, uma soda italiana, e uma Taça de Sorvete, tudo ótimo, e a bom preço. O ambiente é bem legal também. Muçum encantou pela  beleza, e limpeza da cidade. Mais uma atração de nosso RS visitado, e um ótimo passeio para recarregar as baterias. 

      Mais Fotos:
                    https://rotasetrips.blogspot.com.br/?view=magazine
    • Por AdrienSchmitz
      *No final há as dicas importantes para esta trilha

      Saímos de Tramandaí na sexta-feira, dia 28/04/2018, logo depois do serviço. Meu Brother Machado (crossfiteiro e responsável pela maior parte da água do grupo), meu brother Tailan (crosfiteiro e que levava a maior parte da comida) e eu, Adrien (sedentário e com a maior parte dos remédios e responsável pela navegação ). Dois dias antes nós já tínhamos reservado Hotel Marchetti, com o seu proprietário Tiago.
      Fomos dormir por volta da 1h, com alarmes setados para as 6h. Pela manhã levantamos, fizemos os últimos ajustes nos equipamentos, acertamos o hotel e nos dirigimos para a parte dos trilhos que passam no meio da cidade. Não sem antes tomar um último café no posto que fica bem próximo a entrada para trilha.
      Começamos a caminhar sobre os trilhos por volta das 7h40. Todo mundo animado e curioso pelo o que nos esperava. Logo encontramos uma laranjeira, e os frutos dela seriam preciosos alguns quilômetros além, naquele final de abril, mas que fazia 28C. A primeira estrutura que encontramos foi a estação abandonada. Prédio antigo, pichado, com poucos atrativos e ficamos pensando na gurizada que devia se reunir ali, sem a menor possibilidade de serem incomodados. A não mais de um quilômetro depois chegamos na primeira ponte. Um lindo vale com o nascer do sol entre os morros, e do outro lado ainda resquícios da cidade. Ficamos deslumbrados.
      Lá pelas 11h30 resolvemos que poderíamos descansar e já preparar nosso almoço. Catamos pedras, lenha , preparamos a panela e nosso cara das águas, o Machado, decidiu que deveríamos racionar água sempre. O resultado foi uma massa onde embaixo virou um mingau e em cima estava parcialmente crua. Mas nada que molho de tomate por cima e uma lata de atum não tornasse relativamente tragável. Foi pior massa que já comi, me arrepio só de lembrar. Nesta hora também notei o primeiro rasgo na lateral do meu velho tênis de guerra. A silver tape entrou em ação.
      Não perdemos muito tempo depois do almoço, pois estávamos com medo de não alcançar algum acampamento antes de escurecer. Na saída de um túnel nos deparamos com tres caras com aparência bastante exausta. Notamos que tinham poucos equipamentos. Eles nos contaram que estavam andando desde as 4h da manhã, pois queriam fazer os 50 quilômetros entre Guaporé e Muçum em um dia. Também nos contaram que não aguentavam mais e passamos a informação de que ainda faltavam 13 quilômetros para o seu destino. Ali estava a cara do desânimo.
      Seguimos em frente, nos deparamos com a parte mais crítica da expedição. O primeiro viaduto vazado, o V11. Nas fotos e olhando a distância, parece barbada. Mas se aproximando logo se nota que os dormentes não são tão próximos como pensávamos e a altura é nauseante. Eu, que era o cara destemido, sem medo de altura e que ria dos meus companheiros, fui logo a frente. Péssima ideia, pois depois de poucos metros: vertigem. A visão periférica parecia que passava mais rápido do que a visão central, a garrafa d’água chacoalhava na mão, pernas molengas quando eu mais precisava delas… Bem devagar, pouco a pouco, fomos avançando. Então finalmente alívio! E o pensamento: “Quantos desses mais será que tem pela frente?”
      Mais alguns quilômetros adiante, noto que o quilômetro 15,77 nunca termina. Nosso GPS se perdeu e já não sabiamos a quanto tempo estava parado. Sol escaldante, calor emanado das pedras do chão, o único alívio estava no ar gelado dos túneis que começaram a ficar cada vez mais numerosos.
      Já havia passado do meio da tarde e sem o GPS não sabíamos se já havíamos completado a meta de distância do dia, que era de 20km. Pernas doloridas, ombros esmigalhados, cansaço e desânimo. Não podíamos parar pois encontrar um lugar pra acampar era a nossa única meta. Nesse meio tempo, o Tailan que ainda tinha forças, desceu um barranco pra encher as garrafas de água e estreamos os Clor-in, ainda com bastante desconfiança da eficácia. Somente na hora de levantar, notamos a primeira aranha armadeira da trilha nos espreitando.
      Mais um túnel. Esse alem de longo, tinha uma atmosfera pesada. O facho da lanterna mostrava que ele estava cheio de poeira. Parecia que sugava nossas últimas energias. Além disso o receio de finalmente encontrarmos o trem dentro dele, já que o dia começava a findar e até agora nenhuma aparição. Quase não se falava mais. Quando acontecia, era alguma queixa.
      Finalmente o Machado, que andava mais a frente liderando a busca, berra que havia encontrou um lugar para nos instalarmos. Era uma estrada lateral, a uns 8 metros do trilho. Na saída de uma curva havia uma área de concreto. Enquanto os guris montavam o acampamento, eu fui em busca de lenha. De repente me chamam. Era pra dizer que não cabia a minha barraca sobre o concreto e que talvez deveríamos monta-la na estrada. Até porque já era muito tarde e nós sairíamos muito cedo, então não deveria haver problemas. Depois de muita discussão, resolvemos reajustar e colocar as barracas todas juntas, e isso evitaria uma possível tragédia mais adiante. O Machado resolveu jantar Clube Social e se recolher o mais rápido possível, eu e o Tailan comemos os raviollis prontos. Mais um tempo aproveitando a fogueira e me recolhi enquanto o Tailan ficou brisando, curtindo a noite. Aquele piso duro foi mais confortável da vida.
      Lá por uma 0h20 somos acordados por um barulho terrível. Alguns bugs gaiolas estavam a toda velocidade fazendo exatamente aquela curva onde estávamos acampando. E passaram bem onde havíamos planejado pôr a última barraca. Mais algumas horas de sono pesado e no meio da madruga um novo barulho ensurdecedor. Finalmente o trem nos encontrou. Algumas risadas depois do susto e voltamos a dormir, tamanho era o nosso cansaço.
      Pelas 6h30 da manhã, já recolhidos havia 10 horas seguidas, começamos a nos mexer. Consegui descobrir o nosso avanço do dia anterior. 22km. Então ainda teríamos 18km pra percorrer mesmo sentindo todas aquelas dores.
      Sem muita demora desarmamos o acampamento e começamos a caminhar. O café da manhã foram barrinhas de cereal, para não perdermos tempo. Agora, um pouco mais experientes com a trilha, e sem querer passar tanto trabalho como no dia anterior, descobrimos que apertar bem a barrigueira da mochila aliviava muito os ombros. E se ainda colocasse a garrafa d’água ali, daria ainda mais suporte e alívio. Somado a grande redução do peso da água que já havíamos consumido, conseguimos sair com um passo firme e rápido.
      Chegando perto do almoço e nós decididos a acabar com aquilo logo, estávamos dando o melhor possível. Mas veio o destino com mais algumas das suas. O Machado estava com um dos tornozelos inchado e piorava se ele deixava esfriar. Por por outro lado, o Tailan estava com uma forte fisgada na panturrilha e precisava parar por 10 minutos a um intervalo cada vez menor. Aos trancos e barrancos nos íamos avançando.
      Mais alguns túneis e chegamos no tal O Viaduto 13, com seus 143 metros de altura e 509 de comprimento, o 2º viaduto de trem mais alto do mundo e o mais alto da América Latina. E sim, ele é vazado e dividido em duas partes. Aflição geral e a galera relutando. Mas a vontade de ir embora logo era mais forte. E outra, não tinha pra onde correr. Fomos em uma nova configuração agora. O Machado, já bem mais seguro, puxou o pessoal. Eu fui no meio pra garantir que não ficaria muito para trás e por último foi o Tailan. A travessia foi muito mais tranquila que a primeira. E a felicidade foi geral ao perceber que a segunda parte dele não era vazada.
      Um quilômetro depois encontramos um tiozinho que parou pra conversar. Ele perguntou como estávamos indo, comentou que bem mais a frente teria o tal túnel de 2 quilômetros de extensão e mais um viaduto vazado. Minha aflição ficou estampada na cara e dei um pulo. Não estava acreditando que passaria por aquilo uma terceira vez. O ânimo de estar quase indo pra casa desapareceu de mim e do Tailan.
      Continuamos seguindo em frente. O sol já estava forte e a série de túneis que passamos, além de termos nos acostumado a andar dentro deles, era um momento de se refrescar. Perdemos as contas de quantos já tinham se ido.
      Finalmente nos deparamos com o último viaduto. O tal de Mula Preta. 98 metros no pilar central e 360 metros de comprimento. De novo desânimo, o Machado só pensando no almoço e eu e o Tailan procurando rota alternativa, nem que tivesse que descer todo o vale e escalar de volta lá no outro lado. Mas essa trilha não existia. A gurizada comeu seu atum e raviolli e eu preferi me abster. Estava com tanto medo que não conseguiria almoçar nem se quisesse. Só queria me livrar daquela situação.
      Então chegou a hora de enfrentar. O machado já tomou a frente. Com seu caminhar tranquilo, já bem a vontade logo se distanciou. Atras vinha eu, lembrando da dica do tiozinho: “para tirar o foco do cerebro quanto a altura, conte os dormentes”. O Mula Preta tem 719 dormentes, contados um a um. Após terminar minha longa caminhada, olho pra trás e lá estava o Tailan bem a vontade, parado no meio do viaduto tirando fotos, fazendo selfie e gravando vídeo. Ele tinha superado um de seus maiores medos.
      Seguimos em frente aguardando o último desafio. O tal túnel de 2 quilômetros de extensão. Cansaço, desânimo, as dores dos meus colegas estavam dominando e minha força de vontade se esgotando. Olho o GPS e ele estava novamente sem sinal, indicando que faltavam 7 quilômetros. Não sabíamos onde estávamos, nada mudava na paisagem e também não sabíamos qual era a hora de sair da ferrovia para ir até a rodovia pegar o ônibus.
      Depois de muito caminhar encontramos uma ponte que cruzava por cima da ferrovia. Eu lembrava dos relatos de que deveríamos escalar a lateral dela. Louco para ir embora, começei a estudar como subir ali, sobre os protestos do Machado. Tendo uma visão mais ampla, ele resolve caminhar um pouco mais e ver o que havia depois da curva. E foi uma surpresa descobrir que era uma uma rampa a esquerda que levava exatamente pra cima da ponte que eu insistia que teríamos que escalar.
      Estavamos finalmente chegando ao final daquela trilha que tanto tinha exigido de nós e nos mostrado até onde aguentavamos. Morro acima e sobre queixas de exaustão fomos seguindo em frente. A satisfação desse momento era apenas de que já tínhamos nos livrados dos trilhos e das britas.
      Finalmente, quase um quilômetro depois, conseguimos ver a rodovia. Apertamos o passo.
      Na parada, aguardávamos sem muita paciência que aparece algum onibus. Se é que tinha algum naquele dia de domingo. Depois de muito pedirmos carona, e finalmente pegarmos informação, esperaríamos o tal ônibus das 16h Guaporé- Lajeado.
      Eram ainda 15h35 e resolvi atravessar a rodovia apenas para tentar encontrar uma sombra. E, virando a curva já vinha o nosso tão esperado ônibus. Berro para a gurizada pra virem logo pra ali e trazerem minha mochila. o Machado, que tinha ido buscar água, arruma forças não sei de onde pra correr e trazer junto as duas bagagens.
      Finalmente estavamos voltando. Já deixo a aqui o pedido de desculpa daqueles passageiros que por 25 minutos aguentaram aqueles três caras fedendo a azedo, depois de dois dias sem tomar banho.
      Aqui encerra meu relato. Valeu a pena? Sim, valeu muito a pena. Faria de novo? Bem capaz!

       
      Dicas:
      1. Em Muçum recomendamos ficar no Hotel Marchetti (51) 3755-1253. O nome do Proprietário é Tiago. A entrada da trilha é a 200 metros deste hotel.
      2. Tem uma loja de conveniência em um posto bem perto da entrada para os trilhos, bom para um ultimo café. Comece a trilha bem cedo, pois terá que fazer pelo menos 22 quilômetros no primeiro dia, e sobre pedras e trilhos e com equipamento para acampar e água, o avanço é mais lento.
      3. Dependendo do teu consumo, 4 litros de água por pessoa dá, mesmo que pegue dois dias a quase 30C. Mas se levar Clor-in, há contato com uns poucos rios para coleta. Para as principais refeições, leve alimentos que consumam pouca água no preparo.
      4. Andando nesse sentido, os lugares interessantes pra acampar começam a aparecer pelo quilometro 22. Se aguentar caminhar mais uns 4 quilômetros, terá que passar por mais um viaduto vazado, mas depois dele terá um camping.
      5. Para passar sobre os viadutos vazados, caso comece a ter vertigem, não olhe diretamente por entre os vão dos dormentes e vá contando quanto dormentes tem, pra tirar o foco do cérebro.
      6. Dentro dos tuneis cuidado com dormentes quebrados ou com limo, com buracos naqueles recém trocados, com esporoes de aço soltando dos trilhos e sempre procure pelos salva vidas caso o trem resolva aparecer. De qualquer forma, ele vai apitar antes de entrar no túnel.
      7. Cuidado com aranhas, pois elas adoram os trilhos e estão em toda a parte, mesmo tu não vendo.
      8. Lá pelo quilometro 40, já é a ponte pra Colombo que passa por sobre os trilhos. Diferente de outros relatos, não precisa escalar a lateral dela. Caminhe mais uns 50 metros e a esquerda terá uma subida pra essa ponte. Depois dela terá uns 500 metros só de subida e mais uns 500 metros de descida até a rodovia.
      9. No domingo o ônibus Guaporé - Lajeado passa algumas vezes e te deixa na frente do hotel, onde deve estar teu carro. Fique do lado da rodovia que não tem a parada. Nós pegamos ele as 15h35 
       







    • Por Marco A. Costa
      Oi, Galera!
      Há tempos, havia lido alguma coisa aqui na comunidade sobre a travessia Guaporé-Muçum, e fiquei louco quando, pesquisando mais sobre o assunto, assisti uns vídeos sobre o V13, maior viaduto ferroviário das Américas.
      Decidi realizar a travessia e comecei a convidar os amigos e coletar informações para um roteiro.
      Dois amigos toparam a aventura, Lairton e Zé. Resolvemos fazer a travessia em sentido contrário iniciando em Muçum e terminando em Guaporé, pois seria mais fácil conseguirmos carona na estrada de ida até Muçum e voltarmos de ônibus de Guaporé, já que estaríamos cansados, sujos e fedidos demais para esperar carona na estrada.
      Acabamos fazendo o contrário, pegamos ônibus na ida e voltamos caronando para Santa Maria.
       
      Vamos ao relato...
       
      Chegamos à cidade de Muçum depois do meio-dia e enquanto esperávamos o comércio local reabrir as 13:30h para comprarmos mais mantimentos para a travessia, resolvemos dar uma conferida na cidade. Muçum é bem pequena mesmo, estimo que a população urbana não ultrapasse duas mil pessoas. É cercada pelos contrafortes da Serra Gaúcha e cortada ao meio pela Ferrovia do trigo, que emerge de um túnel num dos montes ao Sul e atravessa a cidade sobre um viaduto. A cidade nos pareceu bem precária, apesar do PNUD de 2000 ter apontado um IDH elevado. Depois de compradas e acomodadas as provisões, iniciamos a travessia as 14:30h

      Subimos até os trilhos da ferrovia e partimos rumo ao Norte. À medida que caminhávamos em direção a Serra Gaúcha, a paisagem ia se revelando.

      A ferrovia corta os morros e a água exfiltra dos paredões dos dois lados dos trilhos. A região tem muita água mesmo, um burburinho de água corrente é ouvido sempre. De sede ninguém morre nessa travessia, e como fazia uns 27 graus bebemos muita água.
      Passamos o segundo viaduto e logo em seguida o primeiro túnel, com uns 300m de extensão. Os túneis possuem cavidades de segurança nas paredes a cada 15m alternadamente, corra pra elas caso passe um trem. :'>



      Isso é o que acontece com quem não percebe o trem chegando.

      Na saída do túnel ouvimos o barulho de uma cachoeira e resolvemos dar uma explorada na área, descemos por um paredão de pedra no lado esquerdo da ferrovia e seguimos o córrego morro acima, encontrando duas cachoeiras muito bonitas, mas perdendo muito tempo. Retomamos o trajeto pelos trilhos e chegamos a um bom local para acampar logo em seguida. Dos 15km de ferrovia que planejáramos para aquela tarde, havíamos percorrido apenas nove.
       
      Ao longo da ferrovia há muita lenha seca, já que os dormentes trocados são atirados ao lado dela pela empresa que faz a manutenção da ferrovia. Fizemos um fogo bonito e tomamos um bom mate pura-folha enquanto esperávamos a janta. Proseamos bastante até as 22:00, quando o sono chegou e fomos para as barracas.
      Acordei de um sono profundo, sem saber onde estava, com uma luz intensa e um tremor de terra que fazia bater as panelas dentro da barraca. Era o trem. Aliás, O Trem, mais de 70 vagões com duas máquinas C30-7. O Susto foi tão grande que quase abro uma segunda porta na minha barraca. Mais um trem passou antes que o fim da noite chegasse, mas dessa vez sem grandes sustos.
      A barraca foi outra parte importante da aventura. Eu levei a Bivak da T&R, o chão era plano mas cheio de pedras, de modo que os espeques não entravam de jeito nenhum, tive que prendê-los com pedras soltas. Como ela não é uma barraca autoportante, ficou toda frouxa, com o sobre-teto encostando no cômodo e a condensação fez o seu serviço, acordei todo úmido.
       
      Então, fica a dica: leve barraca autoportante nesta travessia e procure armá-la uns 10 metros longe do trilho. :'>
       
      Na quarta-feira pela manhã, fizemos um calórico desjejum enquanto minhas coisas ventilavam, e em seguida nos lançamos ao trilho de novo. A manhã estava belíssima e uma névoa espessa que cobria o vale do rio Guaporé ia aos poucos se dissipando.

      Demos mais uma explorada em algumas gargantas e procuramos alguns mirantes nos morros. Passamos por uma seqüência de túneis e viadutos, até que chegamos ao primeiro viaduto metálico da travessia. O primeiro viaduto metálico ninguém esquece.

      Eu e o Lairton somos quase acrofóbicos, então imaginem a nossa coragem e o esforço para realizar cada passo. Atravessamos o viaduto com uma baixa no estoque de fraldas, mas conseguimos.
       

      Enquanto isso, nosso amigo Zé corria a nossa volta pendurava-se no viaduto e fazia de tudo para exibir sua desenvoltura nas alturas.
       
      Vencemos mais alguns túneis e viadutos até chegarmos ao famoso Viaduto 13, que nas placas é o V11. O bicho é grande mesmo, 143m de altura e 509m de extensão com um túnel em uma das extremidades.


      Apreciando a vista sobre o viaduto, encontramos Carlos e Henrique, dois funcionários da prefeitura de Dois Lajeados, que haviam descido a ferrovia a partir de Guaporé, verificando a denúncia de morcegos hematófagos nos túneis. Informaram-nos sobre os túneis longos e viadutos metálicos que ainda iríamos passar, incluindo o temível Mula Preta e um túnel de aproximadamente 2km.
       
      Deixamos os dois para trás e entramos no túnel no final do Viaduto 13, esse túnel tem uma abertura em arco com pilares em concreto. Essa janela permite que você passeie na face oeste da montanha, do alto despenca uma linda cachoeira. Um lugar realmente fantástico. Soltamos as mochilas e exploramos muito essa face, tiramos muitas fotos da cascata, tentamos descer até o vale pela queda d’água, encontramos até uma pequena caverna.


       
      Notei que o bico do pé direito da minha trilogia estava começando a descolar.
       
      Retornando a janela, fizemos um almoço rápido, que foi interrompido pela passagem de um trem com mais de 100 vagões, muito grande mesmo.Descobrimos que o trem empurra uma grande massa de ar pra fora do túnel quando entra, deixa um cheiro forte da queima de diesel e desloca muita fuligem. Começamos a pensar se em um túnel extenso e fechado, a passagem de um trem desse porte não deixaria o ar irrespirável por alguns instantes.

      Seguimos viagem, passando por alguns túneis de variados tamanhos até entrarmos no tal túnel de dois quilômetros. São aproximadamente 500m em curva para a esquerda e depois uns 1500m em linha reta. Nós só víamos uma luzinha brilhando lá no fim do túnel. De repente começamos a ouvir uma vibração crescente, mas a abertura do túnel continuava brilhando lá na frente. Olhamos pra trás e descobrimos que vinha um trem pertinho, foi aquele desespero tirando mochilas para cabermos os três em uma das cavidades de segurança na parede. Tapamos a boca com a camisa, mas felizmente o trem possuía apenas 4 vagões e passou bem rápido. Ficamos vendo ele sumir no escuro e depois reaparecer enquanto passava pela abertura do final.
       
      A dica é: fique atento e corra para as cavidades ao primeiro sinal de trem chegando, e, a propósito, os trens não buzinam antes de entrar nos túneis ou viadutos ao contrário do que muita gente diz. Nos túneis sem placa, você pode descobrir se são longos pelo cheiro de mofo que vem dele.
       
      Estávamos com um atraso no nosso cronograma, pois perdêramos muito tempo explorando os locais, e já tínhamos medo de não cumprir todo o trajeto até a noite da quinta-feira, por isso resolvemos continuar caminhando mesmo depois que a noite chegou. Percorremos em torno de 8km no escuro. A caminhada pelos pedregulhos da ferrovia é muito desgastante, e devido aos tropeços da caminhada no escuro, a sola da minha bota descolou até a altura dos dedos.Como não tinha SilverTape, atei com um cordão laranja o solado. Estou muito descontente com a Snake por isso, andei mais de 20km desse jeito.

       
      Passamos por vários locais que devem ser lindos, inclusive uma curva de rio em torno de um morro, que, no escuro me lembrou o Vale-da-Ferradura em Canela, mas não enxergávamos muita coisa. Percorremos um túnel de uns 800m com muitas exfiltrações e um cheiro de carniça insuportável até que, na saída dele, encontramos outro viaduto metálico. Lairton e eu achamos que seria muito perigoso atravessá-lo no escuro, mas havia uma casa muito próxima e os cachorros estavam malucos com a gente. Assim, combinamos que o Zé, que é mais desenvolto nas alturas, atravessaria o viaduto procurando local para acampar do outro lado e faria sinal de lanterna caso encontrasse.
      Vinte minutos depois, Zé retorna com a notícia, do outro lado só paredões. Acampamos ali mesmo sem cruzar o viaduto, ao lado do trilho, os 3 espremidos em uma barraca pra duas pessoas. Fizemos miojo nas espiriteiras e as pedras eram uma cama macia.
      Essa noite, passaram mais dois trens, mas o cansaço era tanto que nem abrimos a barraca, e o segundo só me lembro da luz. Estávamos a dois metros do trilho.
       
      Pela manhã da quinta-feira, levantamos acampamento e atravessamos o viaduto metálico.

      Abaixo dele, uma névoa tornava o cenário maravilhoso.

       
      Seguindo a caminhada, passamos por mais túneis e viadutos, bergamotas, canas-de-açúcar, até chegarmos ao temível viaduto número 17, sobre o arroio Mula Preta.

      Possui em torno de 110m de altura, 365m de extensão com plataformas de segurança a cada 35m. Mais um detalhe, nesse dia ventava um pouco demais pra o meu gosto. Quando cheguei ao outro lado, percebi que estava com as mãos e os dedos espichadinhos e caminhado como o Robocop. Não sabia que eu tinha tanto medo de altura.

       
      Continuamos a caminhada, e resolvemos parar e almoçar depois de um viaduto de concreto, onde uma estradinha cortava o caminho. Descansamos bastante, tomando mate e esperando o arroz com carne de soja ficar cozido. De sobremesa, comemos mais de 30 laranjas que catamos em um pé próximo, deixando uma pilha de cascas empilhadas ao lado do trilho como um troféu da comilança.
       
      Continuamos a caminhada, bem alimentados. Aquele era o último viaduto antes do final da nossa travessia. Passamos por um local incrível onde os engenheiros desviaram um córrego por baixo da ferrovia.

      Dinamitaram abrindo um túnel que lança a água do córrego uns 70 metros abaixo, passando por baixo da ferrovia e saindo no pé do morro.
       
      Percorremos mais alguns quilômetros de túneis e aterros até chegarmos à estação de Guaporé. Guaporé é muito perfeitinha. Acampamos no pátio do quartel da BM, e fomos pra estrada, na manhã seguinte, tentar carona de volta pra casa.
       
      Recomendo a caminhada, a região é realmente incrível, pretendo voltar lá um dia, pois fiquei com a sensação de que deixei de explorar mais alguns lugares.
       
      É isso aí pessoal, desculpem falar tanto.
       
      Um abraço e boas aventuras pra todos.
    • Por Boschi33
      Fala Mochileiros!
       
      Esta faz um boooom tempo que fiquei de fazer o relato..
       
      Nos dias 29 e 30 de Março/13 fizemos o famoso Trekking na Ferrovia do Trigo, saindo da estação de Muçum até o Cristo em Guaporé.
       
      Saímos em torno de umas 06:30 com bastante neblina, onde nos primeiros 3km encontramos alguns moradores fazendo a famosa colheita da marcela.

       
      Com a ausência do sol, a caminhada se tornava mais fácil, porém escondia muito da bela paisagem.

       
      Com o tempo a neblina foi se dissipando, mostrando melhor os vales..

       
      Como era o primeiro trekking neste trecho, estávamos bastante impressionados com os viadutos e túneis, onde dentro de um deles, resolvemos tirar algumas fotos.
      O que não esperávamos era ver um "fantasma" ( pelo menos é o que parece)

       
       
      Na metade da manhã já era possível sentir o peso da mochila incomodando um pouco os ombros, mas logo era esquecida ao ver às imagens que tínhamos pela frente


       
      Viaduto 11

       
      Já próximo ao meio dia chegamos ao gigante Viaduto 13

       
      Por fim acabamos almoçando nas incríveis janelas do túnel, e por ser sexta-feira santa só nos restou ficar no atum.

       
      Dae pra frente o sol já castigava, e a dor nos ombros já fazia companhia para a dor nos pés! hehehhe!

       
      Durante a sexta encontramos vários outros grupos de caminhada, porém estes no sentido Guaporé - Muçum.
      Ao final da tarde chegamos ao Viaduto Pesseguinho, onde conhecemos o Clair,proprietário do camping que ae se encontra, grande figura.

       
      Após escutarmos algumas de suas histórias e projetos voltados ao turismo, seguimos por mais uns 2km até chegarmos na estação abandonada de Dois Lajeados.

       
      Montamos o acampamento e acendemos o fogo. Após uns 40 minutos escutamos um barulho que parecia ser o trem, nosso amigo Felipe Boito correu para a frente da estação, onde recebeu um banho de aguá do trem de manutenção da ALL
       
      Próximo às 23:30 o trem passou em direção à Muçum e às 03:00 passou novamente no sentido de Guaporé, o que nas duas passagens ocasionou euforia no pessoal.
       
      Como o cansaço era grande, sequer vimos a noite passar, e 06:30 já estávamos tomando o café para retomar a caminhada.
      Logo nos primeiros quilômetros passamos pelo Aqueduto e após um túnel de aprox. 2,5km.

       
      Então sim a recompensa.. Viaduto da Mula Preta!
      Visto pessoalmente, é algo fantástico.


       
      Após várias e várias fotos na Mula Preta, seguimos caminho rumo à Guaporé. Nosso almoço foi mais um lanche, uma vez que nossa carona estaria nos aguardando em torno dás 14h.
      Mais alguns túneis e viadutos pelo caminho, enfim chegamos à cidade de Guaporé até antes do esperado, com tempo de sobra para tomar uma Coca Cola com muito gelo!!


    • Por Boschi33
      Fala galera!
      Depois de um ano desde o último trekking na ferrovia, no dia 12/07 matamos a saudade..
      Fizemos apenas um trecho de aprox. 24km, saindo de Guaporé até o Viaduto 13.
       
      Partimos da linha Colombo (8km de Guaporé), onde acessamos os trilhos junto à um viaduto rodoviário.
      Nos primeiros Kms, ainda escuro, nos acompanhava uma bela lua cheia.

       
      Após o primeiro túnel, já tínhamos os primeiros raios sol.

       
      Apesar da luminosidade, muito da paisagem estava escondida devido à forte neblina.



       
      Na maioria dos túneis, haviam grande presença de água, principalmente nas laterais e entradas, isso devido às semanas anteriores de muita chuva.

       
      Dois dos nossos amigos ainda não conheciam o trecho, então, cada km impressionava.

       
      Como o tempo ajudou, acabamos nos adiantando em quase 1h, chegando ao viaduto Pesseguinho em torno dás 10:30. Tempo suficiente para uma conversa com o Clair

       
      Com uma parada rápida para o almoço, seguimos por mais alguns kms até avistar o ponto final de nossa caminhada.. Viaduto 13!


       
      Apesar do trecho curto, vale muito a pena fazer, principalmente pelo fato de ser possível terminar em apenas um dia. Dispensando assim a necessidade de levar tanta coisa e principalmente barraca.
      É possível passar pelos principais viadutos e os túneis mais longos.
       
      Trekking muito recomendado, principalmente para quem está iniciando.
       
      Abraço!


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