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luiz.junyor

Travessia Ferrovia do Trigo - Muçum a Guaporé

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Massa cara! Tem um tempinho que não rola um relato atualizado da travessia, é um sonho de consumo meu =D

Muito bonito o percurso com neblina, e parabéns pela determinação e riqueza de detalhes. Ah, a foto do céu estrelado ficou SHOW!!!!!

 

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Obrigado pelo comentário amigo, sem dúvidas o lugar é muito bonito, vale muito a pena fazer essa travessia, a tempos que eu gostaria de fazer ela, sempre tinha dúvidas, pois vi muitos relatos da galera falando sobre a proibição de passar pelo V13 e tal, também não achava relatos recentes de quem foi, mas podemos descobrir que está totalmente liberado, é muito bom poder relatar sobre a travessia para que muitos que tem vontade de ir possam faze-la sem medo. 

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Massa piazada!

Bela travessia. Não é todo mundo que curte andar em trilhos, exige paciência, mas as paisagens e a história pelo caminho compensam.

Bons ventos!

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    • Por mcm
      Como de hábito, se tem promoção pra Porto Alegre, não recusamos. Viajamos para lá com certa assiduidade desde o começo da década, salvo engano ao menos uma vez por ano. Nos últimos anos temos alternado sucessivamente entre Porto Alegre, Gramado e arredores, e, nossa opção preferencial, Vale dos Vinhedos. Com mais uma passagem comprada para um fim de semana, era questão de escolher. Mas deu coceira de conhecer lugares novos pelo RS.
      Um lugar que está no meu radar há tempos para conhecer é Mostardas, mas Katia sempre recusa. Então bolei uma rota alternativa que cabia num fim de semana, no nosso esquema. Montei um roteiro para conhecer algumas atrações em Lajeado, Lagoa da Harmonia (em Teutônia), e onde fosse possível chegar na Ferrovia do Trigo, sobretudo nos viadutos (V13, Dois Lajeados, Pesseguinho, Mula Preta), Serafina Corrêa e sua Via Gênova, e alguma coisa de Cotiporã. De lá, retornaríamos a Porto Alegre por Bento Gonçalves, velha conhecida de tantas idas. Onde quer que parássemos num dia, dali seguiríamos o roteiro no dia seguinte.
      Seria muito tempo de carro, sim, estava no radar. Meu foco maior era conhecer a ferrovia do trigo e aquelas pontes vazadas que parecem flutuantes. Era o ápice. Mas curtiríamos também o barato dos visuais das estradas rurais por onde certamente passaríamos.
      Há vários e ótimos relatos da famosa travessia sobre a ferrovia do trigo aqui no mochileiros.com, que a galera geralmente faz em 3 dias. Foi inspirador ler, mas nosso foco era chegar mesmo de carro. Esquema conforto, em virtude (também) da premência de tempo.
      Acompanhando a previsão de tempo na semana anterior, o plano ficou por um fio de ser abortado. Num determinado momento havia previsão de chuva forte em todo o fim de semana. Se fosse assim, ativaríamos o plano B, que seria novamente Vale dos Vinhedos, que cuja curtição independe de tempo bom.
      Dica: acompanhar os relatos do @fernandos que vem explorando esses cantinhos menos badalados do RS. Inspirador!

      Chegamos na sexta de noite, dormimos em Canoas, e deixamos para escolher qual plano seguir no sábado de manhã. Previsão para sábado era sem chuva. Plano A mantido. Amem! 
      Mas o roteiro acabou quebrado, porque choveu bastante na manhã de domingo, nos forçando a praticar um plano B parcial (Caminhos de Pedra, em Bento – sempre muito agradável!) naquele dia. No sábado conseguimos seguir até a Ferrovia do Trigo, especificamente Viaduto 13 e Pesseguinho (acabamos pulado o Dois Lajeados), e ainda esticamos até Serafina Corrêa, onde pernoitamos. Ficou faltando conhecer outros dois viadutos e Cotiporã, além de toda a paisagem rural que nos leva a esses cantinhos.
      Seguem abaixo os lugares que conhecemos:
      Jardim Botânico de Lajeado: pequeno, bonito, bem tratado.
       
      Parque dos Dick: com laguinho bacana e letreiro da cidade para curtir.
      Parque Histórico Municipal. Construções em estilo da época da imigração; muito bem transado, mas não muito cuidado.
       
      Lagoa da Harmonia: lindíssima. Propriedade privada, pagamos 15 pratas (os dois, acho que é por carro) para entrar. Tem chalés por lá, tem restaurante. Galera vai para curtir o lugar, fica no chimarrão e/ou no churrasco. Muito bacana. Curtimos um bom momento por lá. E ainda tem um mirante, que não dá vista para a Lagoa, mas para o vale na parte de trás. Vista panorâmica, aliás.
       
      Viaduto Brochado da Rocha: Imponente, uma prévia do que estava por vir.

      Viaduto 13: o mais alto das Américas, e segundo mais alto do mundo. Grande ponto turístico da região, com restaurante e camping na base lá embaixo. Chega-se facilmente de carro, tanto na parte baixa quanto na alta. Parte alta = onde efetivamente está a ferrovia. Tem o viaduto para vc curtir o visual. E tem tuneis para curtir também. Percorri três deles, fui até a cascata subterrânea (garganta do diabo), e voltei. Andando rápido dá uma meia hora de ida, mas levei mais tempo porque o visual das janelas e o barato do escuro absoluto dentro do túnel requer maior contemplação. Estava calor (era Março), mas dentro dos tuneis fazia até algum friozinho.
       
       
      O viaduto é facilmente caminhável, não é vazado, “flutuante” como os outros.
      Viaduto Pesseguinho: esse é vazado, um dos que chamo de “flutuantes”. Vc caminha sobre os trilhos ou sobre os dormentes. Se vc olha para baixo, enxerga o abismo a dezenas de metros abaixo sobre seus pés, entre os dormentes. Achei melhor prestar a atenção aos dormentes e onde eu pisava, enquanto andava. Sensação de olhar para baixo era bacana, mas aterrorizava também. Não tem parapeito, mureta ou qualquer tipo de proteção lateral. Há escapes laterais para vc se abrigar se por acaso passar algum trem. Mas somente de um lado que esses escapes têm base para vc se abrigar, do outro já não existe mais, a base já se foi. E há de se confiar naquela estrutura!
      Achei esses viadutos, essa ferrovia, tudo sublime. Gostei demais. Voltarei.

      Ao longo do caminho (rural) para chegar até o 13 é possível observar, além de belas paisagens rurais (belas para pessoas urbanas, como nós), os viadutos 11 e 12. Ou melhor, os viadutos que presumo que sejam o 11 e o 12. Podem ser vistos ao longe. Importante dizer que o google maps não mapeia todas as estradas rurais da região. Necessário ter algum senso de direção e apostar que aquela estrada em que vc está terá um fim!
      Serafina Corrêa: cidade pequena e bacana, onde jantamos e pernoitamos. Tem a Via Gênova, com réplicas de monumentos italianos, e tem um belo e simpático (e muito bem cuidado) centrinho com praça + igreja.

       
    • Por fernandos
      Saímos de Caxias do Sul as 11 horas rumo ao famoso Viaduto 13 (V13), na cidade de Vespasiano Corrêa, o mais alto Viaduto Férreo da América Latina, com 143 metros de altura. No caminho cruzamos por Bento Gonçalves, sentido Veranópolis, pegamos a estrada para localidade de Farias Lemos.    1ª Parada. Balneário do Rio das Antas. Cotiporã.RS: Certa altura vejo uma placa indicando o acesso secundário para a cidade de Cotiporã, não dei muita bola, ao passar avistei uma ponte, um rio, com suas margens repletas de pedras. Meia volta! Vamos ver do que se trata. Era o Balneário do Rio das Antas, já em Cotiporã, a uns 10 km do centro da cidade. Era quase meio dia, o sol estava forte, mas o lugar é bonito, uma ponte antiga, o rio caudaloso, algumas pessoas fazendo churrasco, outras nadando, um lugar tranquilo para se refrescar num dia de sol forte. O curioso que as margens rio nesse ponto, são cobertas por pequenas pedras, ao invés de terra como é mais comum em outros balneários. Pra mim o nome mais apropriado para o lugar seria "Praia de Pedras", enfim... O lugar rende belas fotos. Como não estava preparado para tomar banho, seguimos viagem.    2ª Parada. Vespasiano Corrêa.RS: O plano era almoçar em Vespasiano Corrêa, mas era domingo, e a cidade bem pequena, com seus 2.000 habitantes, e após darmos algumas voltas pelo centro não encontramos nada aberto. Ainda bem que havíamos tomado um café reforçado, e rumar ao V13. Já no centro de Vespasiano, existem placas indicando o caminho, são uns 13 km, de estrada de terra, estreita, morro abaixo, com pedras soltas, tem que se ter muito cuidado. E no caminho somos brindados com a visão dos viadutos V11 e V12. Chegando ao local  onde fica o V13, já na chegada avistamos muitos carros, estava havendo uma festa de alguma comunidade rural. Um grande aglomerados de pessoas, maioria mais velhas. Debaixo V13 impressiona por sua grandiosidade. E rumo ao dito cujo, são 1, 3 km morro a cima, mas da para fazer de carro, deixamos o carango, na via de entrada, junto com os muitos que estavam lá. Dia de casa cheia na Ferrovia do Trigo. Primeiro tratamos de explorar os Tuneis Férreos, muito legal, os tuneis são extensos, e a medida que se adentra, a escuridão toma conta, aqui uma dica: TEM QUE LEVAR LANTERNA! (É completamente escuro lá dentro). Legal ver apenas as luzes das lanternas das pessoas dentro do Túnel. Não foi muito fácil tirar fotos, pelo completo breu, e por estar muito movimentado esse dia. mas mesmo assim a experiência é muito interessante, vale a pena. Fomos até o final do túnel que deve ter uns 600 metros, sentamos e fizemos um lanche, já que o almoço não rolou. Retornamos pelo túnel, rumo ao V13. Chato foi nos depararmos com muitos turistas bêbados, e sem educação no local. Gente riscando as paredes dos tuneis com pedras, e por aí vai. Lá de cima a vista encanta, de um lado da para ver o Rio onde bote descem de rafting e do outros algumas belas cachoeiras. dessa vez o trem não passou (graças a Deus!),  o que seria bem tenso, mas no local tem alguns refúgios, caso isso ocorro. É um passeio bem divertido passar por cima do viaduto, da para tirar boas fotografias. Ficamos ali um bom tempo curtindo o visual. Depois descemos e fomos em direção as cascatas, seguindo as placas. Tem um balneáriozinho no local, e novamente muita gente bêbada, e sem noção. Um bando de velhos, borrachos, tomando long neck, e atirando as tampas na cachoeira. É o Fim da Picada!  Esse foi o unico porém da viagem, a falta da educação de nosso povo. Acho que não deve ser sempre assim, com certeza pegamos um dia ruim, mas mesmo assim o lugar é lindo. E infelizmente não pude tomar banho na cachoeira, pois, não levei roupa, pois, em Caxias estava friozinho quando saímos, no V13 bem calor. Então via das duvidas leve roupa de banho. 


        3ª Parada. Muçum: Para voltar e escapar da subida ingrime de volta, decidi ir em direção a cidade de Muçum, 14 km diz a placa, mas se anda uns 20 até o centro da cidade. Muçum intitulada a Capital das Pontes, destino já visitado. Possui uma bonita ponte de Brochado Rocha, e o Chafariz de Pedra da Praça Central. A cidade é impressionou pelo desenvolvimento, para seus ditos 5000 hab. Possui até prédio, e no entorno da praça, em frente a igreja, existem duas ruas cobertas, e diversos quiosques e estabelecimentos para lanche. Acabamos no Don Fulano, onde comemos um bom pastel, uma soda italiana, e uma Taça de Sorvete, tudo ótimo, e a bom preço. O ambiente é bem legal também. Muçum encantou pela  beleza, e limpeza da cidade. Mais uma atração de nosso RS visitado, e um ótimo passeio para recarregar as baterias. 

      Mais Fotos:
                    https://rotasetrips.blogspot.com.br/?view=magazine
    • Por AdrienSchmitz
      *No final há as dicas importantes para esta trilha

      Saímos de Tramandaí na sexta-feira, dia 28/04/2018, logo depois do serviço. Meu Brother Machado (crossfiteiro e responsável pela maior parte da água do grupo), meu brother Tailan (crosfiteiro e que levava a maior parte da comida) e eu, Adrien (sedentário e com a maior parte dos remédios e responsável pela navegação ). Dois dias antes nós já tínhamos reservado Hotel Marchetti, com o seu proprietário Tiago.
      Fomos dormir por volta da 1h, com alarmes setados para as 6h. Pela manhã levantamos, fizemos os últimos ajustes nos equipamentos, acertamos o hotel e nos dirigimos para a parte dos trilhos que passam no meio da cidade. Não sem antes tomar um último café no posto que fica bem próximo a entrada para trilha.
      Começamos a caminhar sobre os trilhos por volta das 7h40. Todo mundo animado e curioso pelo o que nos esperava. Logo encontramos uma laranjeira, e os frutos dela seriam preciosos alguns quilômetros além, naquele final de abril, mas que fazia 28C. A primeira estrutura que encontramos foi a estação abandonada. Prédio antigo, pichado, com poucos atrativos e ficamos pensando na gurizada que devia se reunir ali, sem a menor possibilidade de serem incomodados. A não mais de um quilômetro depois chegamos na primeira ponte. Um lindo vale com o nascer do sol entre os morros, e do outro lado ainda resquícios da cidade. Ficamos deslumbrados.
      Lá pelas 11h30 resolvemos que poderíamos descansar e já preparar nosso almoço. Catamos pedras, lenha , preparamos a panela e nosso cara das águas, o Machado, decidiu que deveríamos racionar água sempre. O resultado foi uma massa onde embaixo virou um mingau e em cima estava parcialmente crua. Mas nada que molho de tomate por cima e uma lata de atum não tornasse relativamente tragável. Foi pior massa que já comi, me arrepio só de lembrar. Nesta hora também notei o primeiro rasgo na lateral do meu velho tênis de guerra. A silver tape entrou em ação.
      Não perdemos muito tempo depois do almoço, pois estávamos com medo de não alcançar algum acampamento antes de escurecer. Na saída de um túnel nos deparamos com tres caras com aparência bastante exausta. Notamos que tinham poucos equipamentos. Eles nos contaram que estavam andando desde as 4h da manhã, pois queriam fazer os 50 quilômetros entre Guaporé e Muçum em um dia. Também nos contaram que não aguentavam mais e passamos a informação de que ainda faltavam 13 quilômetros para o seu destino. Ali estava a cara do desânimo.
      Seguimos em frente, nos deparamos com a parte mais crítica da expedição. O primeiro viaduto vazado, o V11. Nas fotos e olhando a distância, parece barbada. Mas se aproximando logo se nota que os dormentes não são tão próximos como pensávamos e a altura é nauseante. Eu, que era o cara destemido, sem medo de altura e que ria dos meus companheiros, fui logo a frente. Péssima ideia, pois depois de poucos metros: vertigem. A visão periférica parecia que passava mais rápido do que a visão central, a garrafa d’água chacoalhava na mão, pernas molengas quando eu mais precisava delas… Bem devagar, pouco a pouco, fomos avançando. Então finalmente alívio! E o pensamento: “Quantos desses mais será que tem pela frente?”
      Mais alguns quilômetros adiante, noto que o quilômetro 15,77 nunca termina. Nosso GPS se perdeu e já não sabiamos a quanto tempo estava parado. Sol escaldante, calor emanado das pedras do chão, o único alívio estava no ar gelado dos túneis que começaram a ficar cada vez mais numerosos.
      Já havia passado do meio da tarde e sem o GPS não sabíamos se já havíamos completado a meta de distância do dia, que era de 20km. Pernas doloridas, ombros esmigalhados, cansaço e desânimo. Não podíamos parar pois encontrar um lugar pra acampar era a nossa única meta. Nesse meio tempo, o Tailan que ainda tinha forças, desceu um barranco pra encher as garrafas de água e estreamos os Clor-in, ainda com bastante desconfiança da eficácia. Somente na hora de levantar, notamos a primeira aranha armadeira da trilha nos espreitando.
      Mais um túnel. Esse alem de longo, tinha uma atmosfera pesada. O facho da lanterna mostrava que ele estava cheio de poeira. Parecia que sugava nossas últimas energias. Além disso o receio de finalmente encontrarmos o trem dentro dele, já que o dia começava a findar e até agora nenhuma aparição. Quase não se falava mais. Quando acontecia, era alguma queixa.
      Finalmente o Machado, que andava mais a frente liderando a busca, berra que havia encontrou um lugar para nos instalarmos. Era uma estrada lateral, a uns 8 metros do trilho. Na saída de uma curva havia uma área de concreto. Enquanto os guris montavam o acampamento, eu fui em busca de lenha. De repente me chamam. Era pra dizer que não cabia a minha barraca sobre o concreto e que talvez deveríamos monta-la na estrada. Até porque já era muito tarde e nós sairíamos muito cedo, então não deveria haver problemas. Depois de muita discussão, resolvemos reajustar e colocar as barracas todas juntas, e isso evitaria uma possível tragédia mais adiante. O Machado resolveu jantar Clube Social e se recolher o mais rápido possível, eu e o Tailan comemos os raviollis prontos. Mais um tempo aproveitando a fogueira e me recolhi enquanto o Tailan ficou brisando, curtindo a noite. Aquele piso duro foi mais confortável da vida.
      Lá por uma 0h20 somos acordados por um barulho terrível. Alguns bugs gaiolas estavam a toda velocidade fazendo exatamente aquela curva onde estávamos acampando. E passaram bem onde havíamos planejado pôr a última barraca. Mais algumas horas de sono pesado e no meio da madruga um novo barulho ensurdecedor. Finalmente o trem nos encontrou. Algumas risadas depois do susto e voltamos a dormir, tamanho era o nosso cansaço.
      Pelas 6h30 da manhã, já recolhidos havia 10 horas seguidas, começamos a nos mexer. Consegui descobrir o nosso avanço do dia anterior. 22km. Então ainda teríamos 18km pra percorrer mesmo sentindo todas aquelas dores.
      Sem muita demora desarmamos o acampamento e começamos a caminhar. O café da manhã foram barrinhas de cereal, para não perdermos tempo. Agora, um pouco mais experientes com a trilha, e sem querer passar tanto trabalho como no dia anterior, descobrimos que apertar bem a barrigueira da mochila aliviava muito os ombros. E se ainda colocasse a garrafa d’água ali, daria ainda mais suporte e alívio. Somado a grande redução do peso da água que já havíamos consumido, conseguimos sair com um passo firme e rápido.
      Chegando perto do almoço e nós decididos a acabar com aquilo logo, estávamos dando o melhor possível. Mas veio o destino com mais algumas das suas. O Machado estava com um dos tornozelos inchado e piorava se ele deixava esfriar. Por por outro lado, o Tailan estava com uma forte fisgada na panturrilha e precisava parar por 10 minutos a um intervalo cada vez menor. Aos trancos e barrancos nos íamos avançando.
      Mais alguns túneis e chegamos no tal O Viaduto 13, com seus 143 metros de altura e 509 de comprimento, o 2º viaduto de trem mais alto do mundo e o mais alto da América Latina. E sim, ele é vazado e dividido em duas partes. Aflição geral e a galera relutando. Mas a vontade de ir embora logo era mais forte. E outra, não tinha pra onde correr. Fomos em uma nova configuração agora. O Machado, já bem mais seguro, puxou o pessoal. Eu fui no meio pra garantir que não ficaria muito para trás e por último foi o Tailan. A travessia foi muito mais tranquila que a primeira. E a felicidade foi geral ao perceber que a segunda parte dele não era vazada.
      Um quilômetro depois encontramos um tiozinho que parou pra conversar. Ele perguntou como estávamos indo, comentou que bem mais a frente teria o tal túnel de 2 quilômetros de extensão e mais um viaduto vazado. Minha aflição ficou estampada na cara e dei um pulo. Não estava acreditando que passaria por aquilo uma terceira vez. O ânimo de estar quase indo pra casa desapareceu de mim e do Tailan.
      Continuamos seguindo em frente. O sol já estava forte e a série de túneis que passamos, além de termos nos acostumado a andar dentro deles, era um momento de se refrescar. Perdemos as contas de quantos já tinham se ido.
      Finalmente nos deparamos com o último viaduto. O tal de Mula Preta. 98 metros no pilar central e 360 metros de comprimento. De novo desânimo, o Machado só pensando no almoço e eu e o Tailan procurando rota alternativa, nem que tivesse que descer todo o vale e escalar de volta lá no outro lado. Mas essa trilha não existia. A gurizada comeu seu atum e raviolli e eu preferi me abster. Estava com tanto medo que não conseguiria almoçar nem se quisesse. Só queria me livrar daquela situação.
      Então chegou a hora de enfrentar. O machado já tomou a frente. Com seu caminhar tranquilo, já bem a vontade logo se distanciou. Atras vinha eu, lembrando da dica do tiozinho: “para tirar o foco do cerebro quanto a altura, conte os dormentes”. O Mula Preta tem 719 dormentes, contados um a um. Após terminar minha longa caminhada, olho pra trás e lá estava o Tailan bem a vontade, parado no meio do viaduto tirando fotos, fazendo selfie e gravando vídeo. Ele tinha superado um de seus maiores medos.
      Seguimos em frente aguardando o último desafio. O tal túnel de 2 quilômetros de extensão. Cansaço, desânimo, as dores dos meus colegas estavam dominando e minha força de vontade se esgotando. Olho o GPS e ele estava novamente sem sinal, indicando que faltavam 7 quilômetros. Não sabíamos onde estávamos, nada mudava na paisagem e também não sabíamos qual era a hora de sair da ferrovia para ir até a rodovia pegar o ônibus.
      Depois de muito caminhar encontramos uma ponte que cruzava por cima da ferrovia. Eu lembrava dos relatos de que deveríamos escalar a lateral dela. Louco para ir embora, começei a estudar como subir ali, sobre os protestos do Machado. Tendo uma visão mais ampla, ele resolve caminhar um pouco mais e ver o que havia depois da curva. E foi uma surpresa descobrir que era uma uma rampa a esquerda que levava exatamente pra cima da ponte que eu insistia que teríamos que escalar.
      Estavamos finalmente chegando ao final daquela trilha que tanto tinha exigido de nós e nos mostrado até onde aguentavamos. Morro acima e sobre queixas de exaustão fomos seguindo em frente. A satisfação desse momento era apenas de que já tínhamos nos livrados dos trilhos e das britas.
      Finalmente, quase um quilômetro depois, conseguimos ver a rodovia. Apertamos o passo.
      Na parada, aguardávamos sem muita paciência que aparece algum onibus. Se é que tinha algum naquele dia de domingo. Depois de muito pedirmos carona, e finalmente pegarmos informação, esperaríamos o tal ônibus das 16h Guaporé- Lajeado.
      Eram ainda 15h35 e resolvi atravessar a rodovia apenas para tentar encontrar uma sombra. E, virando a curva já vinha o nosso tão esperado ônibus. Berro para a gurizada pra virem logo pra ali e trazerem minha mochila. o Machado, que tinha ido buscar água, arruma forças não sei de onde pra correr e trazer junto as duas bagagens.
      Finalmente estavamos voltando. Já deixo a aqui o pedido de desculpa daqueles passageiros que por 25 minutos aguentaram aqueles três caras fedendo a azedo, depois de dois dias sem tomar banho.
      Aqui encerra meu relato. Valeu a pena? Sim, valeu muito a pena. Faria de novo? Bem capaz!

       
      Dicas:
      1. Em Muçum recomendamos ficar no Hotel Marchetti (51) 3755-1253. O nome do Proprietário é Tiago. A entrada da trilha é a 200 metros deste hotel.
      2. Tem uma loja de conveniência em um posto bem perto da entrada para os trilhos, bom para um ultimo café. Comece a trilha bem cedo, pois terá que fazer pelo menos 22 quilômetros no primeiro dia, e sobre pedras e trilhos e com equipamento para acampar e água, o avanço é mais lento.
      3. Dependendo do teu consumo, 4 litros de água por pessoa dá, mesmo que pegue dois dias a quase 30C. Mas se levar Clor-in, há contato com uns poucos rios para coleta. Para as principais refeições, leve alimentos que consumam pouca água no preparo.
      4. Andando nesse sentido, os lugares interessantes pra acampar começam a aparecer pelo quilometro 22. Se aguentar caminhar mais uns 4 quilômetros, terá que passar por mais um viaduto vazado, mas depois dele terá um camping.
      5. Para passar sobre os viadutos vazados, caso comece a ter vertigem, não olhe diretamente por entre os vão dos dormentes e vá contando quanto dormentes tem, pra tirar o foco do cérebro.
      6. Dentro dos tuneis cuidado com dormentes quebrados ou com limo, com buracos naqueles recém trocados, com esporoes de aço soltando dos trilhos e sempre procure pelos salva vidas caso o trem resolva aparecer. De qualquer forma, ele vai apitar antes de entrar no túnel.
      7. Cuidado com aranhas, pois elas adoram os trilhos e estão em toda a parte, mesmo tu não vendo.
      8. Lá pelo quilometro 40, já é a ponte pra Colombo que passa por sobre os trilhos. Diferente de outros relatos, não precisa escalar a lateral dela. Caminhe mais uns 50 metros e a esquerda terá uma subida pra essa ponte. Depois dela terá uns 500 metros só de subida e mais uns 500 metros de descida até a rodovia.
      9. No domingo o ônibus Guaporé - Lajeado passa algumas vezes e te deixa na frente do hotel, onde deve estar teu carro. Fique do lado da rodovia que não tem a parada. Nós pegamos ele as 15h35 
       







    • Por marcos_RS
      Bem, resolvi escrever este relato depois que li o relato do Cacius, que está sempre ajudando o pessoal. Fiquei apenas um pouco triste com o desfecho de seu relato. Espero que me lembre de tudo, afinal, já faz 2 anos que fizemos esta travessia e me arrependi de não te-lo escrito antes, pois com certeza seria bem mais rico em detalhes do que este relato que escrevo hoje. Atualizarei-o quando lembrar de mais detalhes.
       
      Bom, tudo começou quando eu e mais três colegas de trabalho(Darcio, Jonas e Tom) resolvemos fazer esta travessia, após algumas pesquisas e um planejamento utilizando o Google-Earth, decidimos a data para esta aventura: 02 e 03/11/07. Sim é feriado de finados, mas era um feriadão, pois o feriado era na sexta-feira e assim teríamos o domingo para descansar em nossas casas antes de voltar ao trabalho na segunda-feira.
       
      Na quinta-feira dia 01/11/07, já com as mochilas devidamente prontas e com o hotel reservado, tomamos um onibus às 18:30 na rodoviária de Porto Alegre com destido à Muçum. Depois de 3 horas de viagem, desembarcamos bem em frente ao hotel reservado. O hotel é confortável e bem barato. Deixamos as mochilas no hotel e fomos comer um "chis" e tomar uma gelada. Logo depois, voltamos ao hotel, dividimos melhor os pesos das mochilas e fomos dormir.
       
      No dia seguinte, acordamos bem cedo e tomamos um simples mas generoso café da manhã e tomamos um mate com o simpático sr. Marchetti, dono do hotel. Aqui vale lembrar que se quiseres dar uma olhada mais de perto nas fotos, basta clicar nela para ampliá-la.
       

      Café da manhã do hotel.
       
      Conversamos mais um pouco com o sr. Marchetti e saímos do hotel por volta das 8:00 da manhã, mas não sem antes tirar uma foto com o proprietário em frente ao seu estabelecimento.
       

      Hotel Marchetti. Ponto de partida da caminhada. À esquerda, de branco o Sr. Marchetti.
       
      Iniciamos a caminhada, com uma temperatura muito agradável(cerca de 15º) e um céu nublado. O que nos ajudou e nos motivou bastante, pois sabíamos que teríamos uma boa caminhada pela frente.
       

      Saindo de Muçum.
       
      Caminhamos por cerca de 4 horas até chegar ao tão famoso viaduto V13. Imponente obra da engenharia do exército brasileiro, com 254m de comprimento e 146m de altura, sendo o mais alto das américas e o segundo mais alto do mundo.
      Durante o trajeto, fazíamos paradas a cada hora para descansarmos um pouco, tirar as mochilas das costas e apreciar a paisagem.
       

      Nunca pensei que britas pudesssem ser tão macias!!!!!!!
       
      Ao chegar no viaduto, encontramos o pessoal da ALL fazendo reparo nos trilhos. Perguntamos e descobrimos que não circularia nenhum trem até o final da tarde.
      Caminhamos mais 15 minutos e aproveitamos para almoçar já que a chuva fina que nos acompanhava por boa parte do trajeto engrossara. Paramos na entrada de um túnel e optamos por uma refeição leve, já que tínhamos tomado um reforçado café da manhã no hotel e deixamos a refeição mais "pesada" para o jantar no acampamento. Tínhamos previsto duas refeições quentes, um carreteiro de charque e uma massa com calabresa e creme de leite. Belo cardápio, que exigia apenas uma panela e nenhuma refrigeração,exigem um pouco mais de água para cozinhar, mas como tinha chovido uns dias antes, tínhamos água em abundância no trajeto. Depois da pausa, para o almoço, a chuva aliviara e retomamos a caminhada. No segundo túnel depois do V13(em direção à Guaporé), existe uma homenagem dos trabalhadores a um colega que morreu na construção do túnel durante a retirada das pedras em uma explosão de um dinamite que falhara durante a explosão principal.
       

      Homenagem póstuma.
       
      Cerca de uma hora de caminhada encontramos um grupo de escoteiros da região do vale dos sinos. Eles nos disseram que acampam todos os anos perto do viaduto V13. eles estavam em um grupo de umas 20 pessoas.
       

      Grupo de escoteiros. Encontro um pouco antes do acampamento.
       
      Caminhamos mais 3 horas e paramos por volta das 16:30 para montar o acampamento e cozinhar antes que escurecesse.
       

      Inspecionando o local do acampamento.
       

      Organizando o acampamento.
       

      Acampamento montado, carreteiro no fogo e um mate bem cevado para espantar o cansaço de um longo dia de caminhada.
       
      Enquanto montávamos o acampamento, tivemos nosso primeiro encontro com um trem. Fomos até o trilho, acenamos ao maquinista e apreciamos sua passagem. Nosso segundo encontro seria um pouco diferente.
       
      Após o jantar, fomos até um viaduto perto do nosso acampamento. Lá, fizemos uma roda de chimarrão enquanto conversávamos e apreciávamos um belo por do sol entre os vales. Quando a água acabou, já era escuro, voltamos ao acampamento e fomos dormir. Ao amanhecer do dia seguinte, acordamos, tomamos um café da manhã, levantamos o acampamento e recolhemos tudo o que levamos para lá(inclusive o lixo que é o mais importante!!!).
       
      Como tínhamos acampado na entrada de um grande túnel, os primeiros 40 ou 50 minutos da caminhada seriam no escuro. Após cerca de 10 minutos de caminhada, quando estávamos quase na metade do túnel, começamos a ouvir o ruído do trem. Em princípio ele era praticamente imperceptível e nem todos o ouviram, o que foi motivo de risadas entre os que não tinham ouvido, e acusação de paranóicos aos que tinham ouvido. Porém com o passar do tempo, o som ficou cada vez mais perceptível e dentro de alguns instantes o encontro com o trem seria realidade. A tensão aumentou, afinal, não é todos os dias que estamos dentro de um túnel estreito e com mais de 2 km de comprimento e cruzamos por um trem enorme e barulhento. Entramos em um dos inúmeros refúgios que existem nos túneis e viadutos e esperamos o trem passar. Após o barulho ensurdecedor, ainda agitados com o encontro, retomamos nossa caminhada. Aproximadamente meia hora depois, saímos do túnel.
       
       

      Saída de túnel no caminho.
       
      Logo após sair do túnel, encontramos dois casais de amigos que haviam passado a noite próximo a entrada oposta do túnel onde tínhamos passado a noite. Pausa para mais uma foto.
       

      Logo ao amanhecer do segundo dia, encontramos os dois casais que tinham acampado bem próximo ao local onde acampamos.
       
      A caminhada neste dia foi um pouco mais difícil. O dia amanhecera com neblina e como diz o ditado popular: "Cerração que baixa, sol que racha". Conforme o tempo ia passando, o calor ia aumentando, e aumentando muito! O calor, somando ao cansaço da caminhada do dia anterior e ao peso das mochilas, tornava a caminhada bem mais difícil do que no dia anterior. Entretando, a paisagem nos proporcionava belos visuais.
       

      Como era primavera, não poderiam faltar as flores.
       
      Mais cerca de uma hora de caminhada e nos deparamos com o também famoso viaduto da mula preta. O mais alto dos viadutos de ferro que se cruza pelo caminho. Ele não possui nada entre os dormentes e nenhuma mureta em sua lateral. Dá vertigem atravessá-lo.
       

      Viaduto da mula preta, um dos vários viadutos de aço, só com dormentes.
       
      Não muito depois de cruzar o viaduto da mula preta, passamos por uma casa que fica bem na beira da estrada e encontramos seu proprietário. Paramos para conversar com ele. Sujeito muito simpático e cujo nome, infelizmente não me recordo. Conversamos por uns 10 minutos com ele, ele nos ofereceu água, que nós aceitamos com prazer. Tiramos outra foto, nos despedimos e seguimos nossa caminhada.
       

      Parada para trocar uma idéia com os moradores do local.
       
      Durante a caminhada, principalmente dentro dos túneis, onde é completamente escuro, convém tomar cuidado com uma espécie de farpa que se forma nos trilhos com o passar dos trens. Irás te deparar com eles com relativa frequência e são bem afiados. Eles foram muito úteis na construção dos fogões para cozinhar.
       

      Cuidado com as lascas de aço presas aos trilhos.
       
      Já era perto do meio dia, o sol estava castigando e a fome apertando. Resolvemos parar para cozinhar a segunda refeição quente de nossa caminhada. Uma saborosa massa com calabresa ao molho de creme de leite.
       

      Almoço do segundo dia.
       

      Mesa do banquete.
       
      Enquanto cozinhávamos, uma vagoneta que percorre os trilhos verificando se não há problema e é utilizada para carregar pessoal e materail para realizar reparos, parou e nos ofereceu carona até Guaporé. Indagamos o condutor sobre a distância que nos faltava para o fim de nossa empreitada. A resposta foi: "faltam 10 km!". Após uma breve reflexão, optamos por seguir a pé. Claro que queríamos a carona, mas achamos que seria um "atalho" muito grande. É óbvio que, durante a tarde, com o sol escaldante, nos arrependemos diversas vezes da nossa decisão. Mas foi nossa escolha e a aceitamos com tranquilidade.
       

      Vagoneta oferecendo carona.
       
      Após refeitos e bem alimentados, foi a hora de tomar um bom banho de cascata(gelado e revigorante) e pegar a estrada novamente. A tarde foi muito quente e tranquila, sem nenhuma novidade ou percauço e depois de cerca de 4 horas, avistamos uma placa que nos avisava que nossa caminhada estava chegando ao fim.
       

      Última foto ainda nos trilhos do trem. Para que conheçam os personagens desta trilha: Eu, Tom, Darcio e Jonas.
       
      Mais um pouco de caminhada e avistamos o trevo de acesso de Guaporé, saímos dos trilhos e caminhamos pela estrada. Deixando para trás os trilhos e o som de nossos passos nas britas que insistia em querer nos acompanhar. Entramos na cidade e perguntamos aos moradores pela Estação Rodoviária. Eles nos indicaram o caminho. Cada um tomou um ônibus para sua casa já sentindo saudades do tempo em que passamos juntos.
       

      Fim da caminhada.
       
      Algo que nos foi bastante útil, mas não indispensável, foi o mapa que fizemos e que nos aciompanhou. Marcamos todos os túneis e pontes, desta forma podíamos acompanhar muito bem a evolução de nossa caminhada e que guardamos até hoje meio amassado e sujo.
       

      Ponto de partida.
       

      Destino.
       
      Espero ter aguçado a curiosidade de vários e espero também que este relato sirva de "empurrãozinho" pra as pessoas saírem de casa. Viaje, conheça pessoas, experimente novas sensações! E principalmente leve apenas fotografias e deixe apenas pegadas. Preserve a natureza!!! Dê aos outros o direito de encontrar o mesmo que encontraste na tua viagem!
       
      Forte abraço a todos!
    • Por Roberta Andersson
      Ferrovia do Trigo/ Guaporé à Muçum
      Olá! Depois do mochilão Bolívia/ Peru 23 dias (4-gauchos-23-dias-bolivia-peru-t83067.html) havíamos feito mais dois acampamentos em Tapes, com duração de 2 dias, mas nada comparado com essa trip pela ferrovia do trigo.
      A vontade de conhecer o Viaduto 13 sempre foi do Rafael e cogitamos em ir lá de carro, tirar umas fotos e voltar.. Então comecei a pesquisar alguns relatos (não há muitos pq realmente o lugar é bem inóspito e depois se vê que não é qualquer um pra fazer todo esse trajeto). Mas o desafio de fazer 50 Km e os mais de 20 túneis e viadutos que tinham pelo caminho me motivou a convencer o Rafael..
      E ele aceitou! Aproveitamos o feriadão do dia do trabalhador (de quinta a domingo) pra nos organizar!
      Cogitamos ir de carro, deixar o carro em Muçum, pegar ônibus até Guaporé, fazer a trilha de cima pra baixo e pegar o carro pra voltar pra Porto Alegre.. Mas o primeiro ônibus pra Guaporé era as 07:50h, onde teríamos que sair de POA de madrugada e mesmo assim chegaríamos em Guaporé quase 10h e cansados!
      Melhor das alternativas foi ir de ônibus mesmo.
      Saímos quinta feira de POA no ônibus das 18:30h e dormimos em um hotel em Guaporé, pra iniciar a trilha na sexta bem cedo e acabar sábado e voltar no sábado mesmo pra POA...tendo o domingo de folga em casa para descansar. E realmente foi a melhor opção: financeiramente de carro economizaríamos um pouco, mas o fator cansaço contou muito e ir descansando no ônibus (principalmente na volta foi crucial).
      R$ 42,95 por pessoa POA-Guaporé, compramos na hora, e o ônibus da empresa Bento estava bem vazio e era bem espaçoso. Parou apenas na rodoviária de Lajeado e seguiu pra Guaporé. Em 3h estávamos lá... Eu havia ligado pra 3 hotéis de Guaporé pra saber qual era mais em conta: Hotel Rocenzi= R$ 100,00 CASAL/SEM AR ... Hotel Topo Giggio= R$ R$ 110,00 CASAL/ SEM AR ...Hotel JC Borsatto= R$ 80,00 CASAL/ SEM AR.
      PRONTO! Seria o tal Borsatto.. Não queria gastar com hotel, e por mim poderia ser o quarto mais 'chumbrega' só pra passar a noite e iniciar cedo a trip.. dentre as pesquisas esse foi o mais barato (Obs. Dá pra dar uma choradinha..o Hotel Rocenzi era 130,00 e o cara queria fazer por R$ 110,00 no telefone)..
      Chegamos cerca de 21:40h em Guaporé e na rodoviária tinha um mapa da cidade, eu tinha o endereço do hotel e conseguimos nos achar..cerca de 5 quadras de lá. Pagamos a diária, largamos as coisas e fomos dar uma voltinha no centro...estava 13° e um ar muito gelado.. Comemos uma pizza (não lembro o nome do lugar) mas era bem próximo a Igreja. R$ 30,00.estava muito boa. Caminhamos, tiramos fotos no centro e voltamos pro quarto.Hotel muito bom, agua quente nas torneiras e chuveiro. As 7h tomamos café da manhã do hotel, que era bem reforçado por sinal, e lá pelas 8h saímos em direção a Ferrovia.
      Na entrada da cidade tu já acha um viaduto com acesso pela rua lateral a linha do trem.. e lá começou nossa jornada. O fato que mais cansa na trip é o chão. Tu não pisa em um lugar estável. São pedras(cascalhos) com dormentes, fazendo com que tu tenha que olhar muito pro chão pra não torcer o pé, devido algumas pedras serem soltas, dormentes quebrados, molhados, além do fato de bichos (cobras e aranhas)... Eu e o Rafael fomos muito disciplinados e acredito que por isso conseguimos fazer 33Km em 1 dia! Mesmo com mochila nas costas, calor e cansaço..nos disciplinamos em:
      -Manter um ritmo: não corremos, nem parávamos. Colocamos um ritmo de caminhada moderado e seguimos nele até o final. Não da pra caminhar muito rápido pq como eu falei, o chão é muito perigoso, e o risco de torção é muito grande, mas também não dá pra ficar parando pq o caminho é longo;
      -A cada 1h descanso de 10 minutos: Nos guiávamos pelo relógio e a cada 1h paravamos obrigatóriamente 10 minutos. As vezes nem estávamos tão cansados..dava pra continuar, e mesmo assim fazíamos essa parada obrigatória, nela bebiamos água, comiamos lanche e xixi. Sentávamos, tirávamos a mochila, e alongamento.. Fechou 10 minutos? Levantava e seguia..
      -Evitar paradas desnecessárias: claro que parávamos para tirar fotos, fazer filmagens ou paradas emergenciais.. Mas não usar isso toda hora, se não tu perde muito tempo parando. Use o descanso de 10 minutos pra beber agua, xixi e tudo mais..para não ter paradas extras e tempo perdido. O caminho foi longo e muitas vezes desmotivador, pelo calor, cansaço e principalmente pedras..mas a vista vale muito a pena. Há muitos tuneis e viadutos, a floresta é bem fechada e há muitos animais.. Inclusive vimos macacos nas árvores! Foi muito lindo, Uma dica importante é a lanterna: ECONOMIZE! no início e fim dos túneis (onde ainda tem claridade da rua) desligue e tente não usar as lanternas. Serão 22 túneis e alguns deles tem 2km de extensão, fazendo com que seja muito escuro, claustrofóbico e a mente vai bem longe imaginando coisas na escuridão . Voce precisará de lanternas, há túneis que tu fica mais de 20 minutos caminhando dentro dele com lanterna acessa e isso faz consumir muito rápido. Leve pilhas reservas, Cuide também os recuos. É muito importante ver onde tem recuo, principalmente nos viadutos e tuneis. Por que caso um trem passe(ainda bem que não passou pq deve ser um inferno estar dentro do túnel quando ele passa), pra que não haja correria nas pedras e vc se machuque, ao caminhar passe a lanterna nas laterais e veja onde há recuo próximo.
      Nos dois dias de trip, apenas 02 trens da manutenção passaram durante o dia. O trem mesmo passou na madrugada(a um metro da nossa barraca é uma cena que não dá pra esquecer, aquela névoa e o trem gigantesco passando por nós). Um perto da meia-noite e outro as 2:30h da madrugada. E acredite: ele é GIGANTE! Sorte mesmo que não passou um desses quando caminhávamos pelo túnel ou viaduto...
      Não sou muito medrosa, mas passar pelo túneis foi assustador, pq os morcegos fazem barulhos estranhos, o ar fica diferente, a escuridão toma conta, e há muitas partes molhadas de água de escorre nos morros, fazendo barulhos e estralos assustadores, sensação bem ruim.
      Apesar disso, nada supera o horror de passar pelos viadutos sem chão! os que contém apenas os dormentes! Achei que ia passar de boa..mas foi aterrorizante! Principalmente o mula-preta. E ele foi um dos primeiros viadutos que passamos! Ele é gigante e tu precisa prestar atenção nos dormentes, pra não pisar no vão..pelo vão tu enxerga o chão e isso dá muito medo de altura! Além do fato de tu ter que cuidar o trem! Nos viadutos tem um trilho extra dentro do principal, fazendo com que o espaço pra pisada seja mais estreito, então tem q ter cuidado. Além disso, há vigas que são muito espaçadas, onde tu enxerga beeeem o chão. Desespero total! Fiquei muito nervosa e meu coração parecia que ia sair pela boca, então o Rafael me acalmou e combinamos de caminhar com cuidado e parar somente onde tinha recuo. Mas não nele em si (pq é bem sinistro), paravamos no dormente parelelo a ele. Respirávamos, víamos se vinha trem e continuávamos até o próximo recuo. E assim foi até o final ... Além do mula preta há mais 2 viadutos assim sem chão: o Pesseguinho e após o Viaduto 17. Depois desses todos tem chão e aí não é nada aterrorizante atravessá-los.
      Era cerca de 16h quando passamos pelo Pesseguinho e alguns moradores dali nos informaram que pra chegar no V13 levaria mais umas 2h...2h e 30min.. Então resolvemos apressar e tentar chegar lá antes de anoitecer. Íamos ter feito boa parte da trip no primeiro dia, deixando o 2° bem mais light.. No viaduto pesseguinho havia 2 homens com 2 gurizinhos tentando passar pelo viaduto, mas o medo era tanto que não conseguiram passar.. pelo fato de ver o chão mesmo.. mas como eu já tinha passado pelo mula-preta, esse até que foi tranquilo (hehe). Havia urubus nos recuos deste.
      Caminhávamos, caminhávamos, caminhávamos... estávamos decididos em chegar no V13 e montar acampamento por lá (que dizem que tem lugar bom pra acampar).. Mas não chegava nunca! E o cansaço estava forte.. Mas não paramos (exceto nos 10 min de descanso a cada 1h). Um morador passou por nós e falou que pra chegar até o V13 passaríamos por mais 6 túneis, então apressamos! Foi desanimador quando encaramos os 2 primeiros túneis (dos 6) que tinham mais de 1km de extensão.. Poxa! teria mais 4!! E se fossem todos longos assim?! Chegaríamos lá a noite..sem contar que era um túnel atrás do outro, não tinha opçõa de acampar ali entre um e outro, pois era muito úmido e a mata fechada.. apressamos.. Pra nossa sorte os últimos túneis não foram tão longos e o último deles tinha as famosas 'janelas'.. Saímos dele e caímos direto no V13! Que felicidade!
      Mas...e cade o lugar bom pra acampar?? Já eram quase 18h..o sol já tinha ido embora e uns caras faziam base jump no V13(muito legal mas estávamos sem tempo para parar e dar uma olhada nos saltos)..perguntamos ''onde o pessoal costuma acampar'' e eles apontaram pro chão.. teríamos que descer o morro (cerca de 1,5km) pra chegar num tal de camping.. não tínhamos mais tempo! Já estava tarde. Passamos o V13 e começamos a procurar lugar pra acampar..
      Achamos um lugar 'menos pior' passando o V13.. Comecei a limpar o terreno e tirar as pedras..com o mato que limpei forramos o chão, já que não levamos colchão inflável devido ao peso, apenas lonas pra forrar a barraca.. Comecei a catar lenha pra fogueira, estava escuro e não queria gastar a lanterna por causa dos túneis que ainda teria no outro dia.. Mas tinha pouca lenha..as que tinha era pedaços dos dormentes quebrados do trilho..e apesar de saber que é tóxico e não seria bom pra usar, foi a unica opção...o ar estava úmido e logo a barraca estava enxarcada. Esticamos mais uma lona por cima dela.. Tínhamos pouco mais de 2l d'água e não queríamos gastar mto dela em comida. Fizemos uma sopa de miojo (sopa vono e miojo) pra aproveitar a mesma agua e já cozinhar o macarrão. Botamos tudo pra dentro da barraca apagamos o fogo e era 21h ja estávamos deitados.
      Loucos de cansados...o Rafael pegou logo no sono, eu só dormi depois que o primeiro trem passou, próximo da meia noite(muito tenso)..até lá estava preocupada.. com o lugar, com o trem..meus pés latejavam, minhas costas doíam, estava exausta..mas a cabeça a mil...acho que entrei no modo 'survivor' e foi difícil desligar.. Do meu lado esquerdo ouvi um bicho farejando a barraca. Acredito que era graxaim, ou lobo.. estava em no meu ouvido, como um cachorro cheirando a gente. Me apavorei, fiquei bem quietinha. Depois daquela máquina de 2km passar a todo vapor do lado da barraca e ela não ter voado consegui dormir..mas só 2h..pq logo passou outro trem, sentido contrário, a luz bem em direção a barraca, parecia um avião aterrisando na nossa frente. O silencio da floresta acabou e aquela barulheira nos acordou quando vinha de longe... Abrimos o ziper da barraca novamente pra ver a maquina passar.. esquecemos de filmar.. também ne..nós dormindo e acordar com aquela barulheira de repente foi mega assustador..a ultima coisa que pensamos foi em filmar!Acordamos perto das 7h e estava tudo cinza, muita cerração. Não pude esquentar água pro café pois a unica panelinha que levei estava suja da sopa miojo de ontem. Então comemos laranja (pra matar a sede e dar energia). Comemos bisnaguinha com requeijão , desmontamos o acampamento e seguimos era bem dizer 9h, Viadutos, viadutos, alguns túneis (poucos, pois a maioria fica antes do V13) e aí já estávamos bem baixo em comparação com antes.. Linhas retas infinitas, muitas pedras soltas e encontramos um grupo de mochileiros vindo da direção contrária (Muçum à Guaporé). Estavam em cerca de 6 pessoas, conversamos um pouco, nos disseram que estávamos próximos de Muçum, que em no máximo 2h chegaríamos. Alívio! Eles disseram que iam acampar na estação antiga e não quisemos desanimar eles, só dissemos ''é uma pernadinha'', mas certo que não chegariam lá até antes de anoitecer. A estação é umas 3h de Guaporé..e eles estavam muito longe e já era meio-dia! Carregavam muitas mochilas e pouca água..falamos que estava ruim de pegar água e ficaram meio apavorados. Até tem umas pedras que escorrem agua, mas escorre gotas de água. Se colocar um cantil embaixo levará tempo pra encher..sem contar que não se sabe a procedencia da água. Pode ter um rato morto e a agua escorrendo em cima.. Havia umas grutas em barrancos com agua (tipo cascatinha) mas era bem inacessível por causa das pedras..era muito arriscado pegar água nesses lugares. Então é imprescindível levar bastante água.Estávamos com cerca de 700ml racionando água, quando vimos a placa Muçum deu uma alegria!! Chegamos!! Até aqui 49 km!! Porém da entrada de Muçum até a cidade é uma pernadinha.. passamos pela antiga estação de Muçum pra tirar fotos e pra nossa alegria vimos um morador abrindo uma torneira que estava lá no cantinho.. água potável e bem geladinha!! Não tinhamos escovado os dentes até agora e estavamos racionando água. Então esperamos ele sair e lavamos a égua! Escovamos dentes, lavamos as mãos com sabão..enchemos as garrafas e tomamos muuuita água! O sol estava muito forte. Lavei o rosto e reforcei o protetor solar(MUITO IMPORTANTE).
      De longe vimos o tal 'Viaduto Princesa' de Muçum e perguntamos a um morador como saíamos dele e descíamos pra cidade. Ele falou que tinha 2 escadas de concreto e que poderíamos descer na segunda que já daria na rodoviária, mas não encontramos as tais escadas(to procurando até hoje as tais escadas)... Passamos todo o viaduto Princesa, e havia apenas os recuos..lá no final havia um túnel e ao lado umas vilas. Perguntamos pra uns guris(muito suspeitos por sinal) que estavam ali como descíamos eles apontaram pra um matagal..fomos descendo e não tinha escada de concreto nenhuma! Eram pedras e bem perigosas..tem que descer com bastante calma..não há sinalização nem nada. Parece que a própria população abriu aquela trilhazinha e empilhou as pedras.. Bom conseguimos! estávamos na cidade e seguindo pro centro.
      Perguntamos a alguns moradores onde ficava a rodoviária de Muçum e seguimos pra lá.. caminhamos bastante no olho do sol, rapidamente tiramos fotos na igreja, pois não sabíamos o próximo horário do bus pra POA.. corremos pra rodoviária e o próximo ôNibus era 14:30h e era 14:15h!! Demos muita sorte. Compramos rápido as passagens R$ 32,95 cada usamos o banheiro e trocamos a roupa. Colocamos um short e uma camiseta (estávamos fedendo hehe). A senhora da rodoviária viu nossas mochials e perguntou se vínhamos do V13, pois havia saído uma reportagem na ZH de hoje mesmo (sábado/domingo). Corremos pro ônibus, ele parou em algumas cidades (Arroi do Meio, Lajeado,Encantado e Estrela). Em 3h estávamos em POA!
       
      (A ordem correta das fotos é de baixo para cima, coloquei tudo certo mas na hora de postar o site inverteu tudo)
       
       
      EQUIPAMENTOS:
       
      RAFAEL -
      01 MOCHILA LONA VERDE(bem leve tenho uma de 60L,mas com aquela armação de metal por dentro só fez aumentar o peso, portanto foi a verdinha que meu pai acampava)
      01 LONA 2X2 NAUTIKA (forro debaixo da barraca, por dentro, por causa da umidade, foi junto com os capins a nossa cama -conforto +carga reduzida)
      01LONA 2X2 PRETA(forro externo da barraca, sorte ter levado pois ficou encharcada com a umidade)
      01 BARRACA 2 LUGARES (tinhamos a de 4 mas a carga tem q ser bem reduzida, por isso levamos essa)
      01 FACÃO
      01 COBERTA MICROFIBRA
      2L DE ÁGUA
      500ML GATORADE
      10 MTS CORDELETE
      03 MTS CABO SOLTEIRO
      01 LANTERNA DE CABEÇA (levei 5 pilhas, deveria ter levado mais)
      01 LANTERNA PEQUENA IMPERMEÁVEL
      ROUPAS 01 CALÇA 01 BERMUDA 01CAMISA ML 01 REGATA 03CUECAS 03 PARES DE MEIAS(sendo uma delas térmica muito útil p/conforto) 01 BONÉ 01 ÓCULOS 01 TÊNIS(Asics de corrida, tem muitos solados de botinhas no caminho, use calçado que vc conheça, não invente nada) 01 CASACO (parte externa do parkha klima da nautika, uso ele sempre pra tudo, custa R$ 500 mas é perfeito e logo comprarei outro)
      01 RELÓGIO
      01 CINTO ELÁSTICO C/ PORTA OBJETOS(dá pra carregar as coisas que mais se usa na cintura e elas ficam bem fixas)
      01 CANIVETE MULTIFUNÇÕES PEQUENO(tramontina inox)
      01 KIT MÉDICO (tubinho tipo lata de nescau com itens críticos)
      01 KIT FOGO (pouco de palha, tubo c/ álcool,isqueiro,fósforo)
      01 REPELENTE
      01 PROTETOR SOLAR
      01 CEL MOTO G (lanterna muito boa)
      01 CÂMERA SONY CYBERSHOT 12MP
       
      ROBERTA -
       
      01 MOCHILA TRILHAS E RUMOS CRAMPOM 44L
      01 TOALHA PEQUENA (no fim não usamos, não tomamos banho)
      01 KIT HIGIENE (escovas de dente, sabão, desodorantes, lenço umedecido, 01 rolo de papel higiênico)
      01 PANELA PEQUENA
      02 CANECAS DE PLASTICO(serviram de prato)
      TALHERES
      2L DE ÁGUA
      500ML GATORADE
      COMIDAS (3 miojos, 4 sopas vono, 01cx feijão pronto, 06 sanduíches prontos,01 pct bisnaguinha, 1/2 pote de requeijão,03 maçãs, 02 laranjas, 03 bananas, 04 barrinhas chocolate,02 rapaduras, 02 pct castanhas, 01 pct mariola, 01 pastelina, 01 pct bibs, 01 cocada)
      ROUPAS 01 bermuda, 01 legging, 01 camiseta ML, 01 camiseta MC, 01 casaco(igual o do Rafael),roupas íntimas,tênis (igual Rafael)meias (idem Rafael)
      01 CEL MOTO G(lanterna)
      01 ÓCULOS (perdido na trilha)
      01 BONÉ






















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