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Érica Martins

Cataratas (Foz, Puerto Iguazu e Cidade do Leste) + Assunção, uma deliciosa surpresa + As surreais Missões Jesuíticas (Paraguai e Argentina): 12 Dias com custos

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Farei um relato dividido entre as 3 etapas da viagem: 1. cataratas e as cidades da tríplice fronteira (Foz, Puerto Iguazu e Ciudad del Este); 2. Assunção, capital do Paraguai; e 3. Missões Jesuíticas do Paraguai e Argentina.

Informações e Custos:

  • DATA DA VIAGEM: FERIADO DE 15 DE NOVEMBRO de 2017 (08 a 19/11/2017)
  • Transporte: ônibus e Carro alugado (Kia Picanto, 1.0)
  • Grupo: 5 Mulheres
  • Passagem aérea Recife/Foz: R$ 415,00
  • Aluguel do carro em Cidade do Leste, 8 diárias: 300 dólares com entrega em casa, 2.000 km disponíveis, seguro e Carta Verde Internacional ou R$ 975 total (R$ 195/Pessoa); Vip Rent Car Paraguay, Contato: John (+595 974 19 7485)
  • Gasolina e Pedágios no Paraguai: 600.000 Guaranis ou R$ 428 (R$ 86/Pessoa)
  • Hospedagem em Foz do Iguaçu: casa de amigos, grátis
  • Hospedagem em Assunção (Paraguai): Albergue Panambi, 2 quartos sem café, 3 diárias por 123 dólares total ou R$ 402 (~ R$ 26/pessoa/dia)
  • Hospedagens em Encarnação (Paraguai): Hostel Dona Manuela, 1 quarto coletivo, 1 diária por 300.000 guaranis total ou R$ 176 (R$ 35/pessoa); e Casa de uma moradora local, 1 diária por 250.000 guaranis ou R$ 147 (R$ 30/pessoa)
  • Ingresso Parque Nacional do Iguaçu (Brasil): R$ 39,00 (conseguimos grátis porque uma amiga trabalha na área)
  • Estacionamento Parque Nacional do Iguaçu (Brasil): R$ 22 (R$ 4,40/pessoa)
  • Ingresso Marco das Três Fronteiras (Brasil): R$ 18
  • Ingresso Parque Nacional del Iguazu (Argentina): 480 pesos, R$ 89/pessoa
  • Estacionamento Parque Nacional del Iguazu (Argentina): 100 pesos, R$ 19 (R$ 3,70/pessoa)
  • Ingresso único Missões Jesuíticas do Paraguai: 25.000 Guaranis, R$ 15/pessoa
  • Ingresso único Missões Jesuíticas da Argentina: 170 pesos, R$ 32/pessoa
  • Ingresso Circuito Especial de Itaipu: R$ 78/pessoa
  • Câmbio Real x Dólar = 3,25 x 1,00
  • Câmbio Real x Peso Argentino = 5,40 x 1,00
  • Câmbio Real x Guarani Paraguaio: 1.400x1,00 (Foz) e 1.700x1,00 (Assunção) 

Sobre as Cataratas: visite os dois lados dos parques nacionais (2/3 das Cataratas ficam na Argentina e 1/3 no Brasil). Do lado argentino você fica “sobre” e “dentro” das quedas d’água. Do lado brasileiro você fica de “frente”. É super interessante ir aos dois e analisar as perspectivas e sensações que cada ângulo de vista proporciona.

Adicionamos à nossa viagem uma imersão pelo Paraguai, saindo de Cidade do Leste rumo a capital, Assunção, depois em direção ao extremo sul do país (Encarnação) na divisa com a cidade argentina de Posadas.

Achamos o Paraguai um país incrível, muito melhor do que se pinta. Aquilo que se vê nas primeiras ruas de Cidade do Leste, uma espécie de Rua 25 de Março, não representa em nada a realidade do país. Boa parte das pessoas que dizem conhecer o Paraguai só conhece esse pedaço e por isso tem opiniões negativas.

O país surpreende com estrutura de estradas razoáveis (variando de ótimas a não tão boas). Lembra muito viajar pelo brasil central (Goiás, Tocantins, Mato Grosso) com extensas planícies agrícolas, plantações a perder de vista, silos, montanhas ao longo na paisagem e cidades pequeninas entre os grandes eixos urbanos.

O povo é muito simples, gentil e hospitaleiro. Sempre disposto a ajudar, explicar pausadamente para se fazer entender. Muito conscientes sobre sua origem indígena e de seus problemas políticos e sociais atuais. Dê uma chance ao Paraguay e se surpreenderá. O país é muito mais do que compras de quinquilharia.

E para completar com a cereja do bolo, visitamos 6 sítios arqueológicos que compõem o complexo das Missões (ou Reduções ou Ruínas) Jesuíticas, sendo 3 no sul do Paraguai e 3 na província argentina de Misiones.

São vestígios de civilizações inteiras que chegaram a ter mais de 4 mil indígenas guaranis sob a dominação de alguns poucos evangelizadores jesuítas. Um pedaço único da história mundial que foi lindamente restaurado e tombado pela Unesco como patrimônios da humanidade. É imperdível.

Antes de visitá-las recomendo assistir ao filme “A Missão” com o Jeremy Irons para ter uma noção da grandiosidade, importância e impacto das missões jesuíticas em toda a vida indígena dos povos Guarani e a guerra com os Bandeirantes. Disponível no youtube.

O nosso percurso foi o seguinte:

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CONTINUA...

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PARTE 1 – CATARATAS E TRÍPLICE FRONTEIRA BRASIL, ARGENTINA E PARAGUAY

DIA 1 – CHEGADA, CÂMBIO E COMPRAS

Chegamos em Foz 10:30h. Ganhamos carona do aeroporto até a casa, situada no bairro Jardim Florença, muito fora de mão para quem estiver sem carro, mas próximo à Unila e Itaipu.

Recomendo a hospedagem na região do centro, próxima ao terminal de ônibus porque a cidade é toda conectada e bem-servida de ônibus, incluindo ônibus para as cidades de Puerto Iguazu na Argentina e Cidade do Leste no Paraguai.

Fizemos compras de comida e cambiamos todo o peso argentino e uma parte do guarani na Scapinni Câmbio dentro do Supermercado Big, rua David Muffato, 103. 

DIA 2 – CATARATAS LADO ARGENTINO + PUERTO IGUAZU + MARCO DAS TRÊS FRONTEIRAS NA ARGENTINA

Dicas para conhecer as Cataratas do lado argentino: Sair cedo de Foz; Levar lanches e água porque lá é caro; visitar a Garganta do Diabo por último, de manhã fica muito cheio de gente e a tarde vazio; fazer as trilhas do Circuito Inferior e do Circuito Superior; um dia inteiro é suficiente para tudo.

O John, da Vip Rent Car nos entregou o carro em casa cedo. O pagamento foi feito integralmente em real (considerando a cotação do dólar no dia) na hora da entrega.

Optamos por alugar carro no Paraguai porque a maior parte da nossa viagem seria por lá. Analisamos a relação custo x benefício, fizemos contas e verifiquei vários relatos aqui sobre o tal Seguro Carta Verde que já estaria incluído na locação.

Saímos por volta de 9h. Do centro de Foz até o posto fronteiriço da Argentina são ~ 12km. Não tinha fila. Apresentamos e carimbamos passaportes, os documentos do carro, o Seguro Carta Verde e fomos autorizadas a entrar (o Seguro Carta Verde funcionou tranquilamente na fronteira Foz-Puerto Iguazu).

Da fronteira seguimos por ~ 30km pela RN101 e chegamos ao Parque Nacional del Iguazu. O estacionamento é bem demarcado e a portaria está logo em frente.

O Parque possui infraestrutura e limpeza impecável, atendimento em diversos idiomas e turistas de todas as partes do mundo. Dentro tem o Trem Ecológico da Selva para circulação dos turistas entre as diversas áreas do parque.

O trem faz 3 conexões: Estação Central (situada logo na entrada), Estação Cataratas (intermediária de onde saem diversas atrações e trilhas) e Estação Garganta do Diabo (ponto final). A circulação pelo trem ao longo do dia é livre com o ingresso. Não tem como fazer a viagem da estação central até a garganta direto. É obrigatório descer na estação cataratas e fazer a troca. Pelo que percebi isso é para controlar o fluxo de turistas na Garganta.

Como não sabíamos a distância entre a estação Central e a Cataratas esperamos o trem por ~ 15 minutos na recepção. Mas depois vimos que a distância era ridícula e não havia necessidade de esperar; para poupar tempo indico ir caminhando da portaria até a Estação Cataratas e dali pegar o trem para a Estação Garganta do Diabo.

Na Estação Cataratas havia uma MULTIDÃO de pessoas e entrega de senhas. Estava bem sinalizado e organizado, apesar da quantidade (desanimadora) de gente. Pegamos senha e só conseguimos sair dali rumo à Estação Garganta do Diabo depois de mais de 1h.

Mapa – Circuitos e Trilhas – Parque Nacional del Iguazu (Cataratas lado Argentino)

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Cataratas Lado Argentino – Estação Cataratas à espera do trem

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Cataratas Lado Argentino – Trem Ecológico da Selva

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 Nosso objetivo era a sequência: Garganta do Diabo, Circuito Inferior e Circuito Superior.

Descemos na Estação Garganta ~ 11:30h com sol a pino e calor. Lá tem infraestrutura de banheiros, lanchonete e a trilha suspensa de ~ 1,2km, nível fácil, sobre vários braços e canais do Rio Iguaçu até a Garganta do Diabo, a principal queda de água das Cataratas.

A trilha é belíssima e acessível para pessoas com mobilidade reduzida, crianças e idosos. Chegar em cima da Garganta é de tirar o fôlego. É uma força da natureza, impactante.

Nesse horário estava muito cheio de gente. É respirar fundo e seguir o fluxo que todo mundo consegue ver o espetáculo calmamente.

A nuvem de água e respingo por todo lado ajuda a refrescar e é uma delícia. É só ficar lá contemplando sem pressa porque a nuvem dispersa e se forma com muita rapidez. Vimos arco-íris e revoada de pássaros.

 Cataratas Lado Argentino – Trilha suspensa para Garganta do Diabo

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Cataratas Lado Argentino – Trilha suspensa – portal de entrada p/ Garganta do Diabo

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Cataratas Lado Argentino – Garganta do Diabo por cima

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Retornamos pela trilha suspensa e pegamos o trem de volta até a Estação Cataratas; 500m da estação fica o farol a partir do qual saem as trilhas do Circuito Inferior (1,4km, fácil, s/ acessibilidade) e as trilhas do Circuito Superior (1,7km, fácil, c/ acessibilidade).

Seguimos para o circuito inferior que adentra a parte baixa do enorme paredão e floresta tropical; são escadarias e mirantes que oferecem vistas de frente, lateral e bem próximas dos diversos saltos que formam o conjunto das Cataratas. Em alguns lugares dá para literalmente tomar banho devido à proximidade. Aqui dá para sentir como se estivéssemos dentro das cataratas. Para mim, foi a melhor parte, considerando todos os circuitos, tanto do lado argentino como no Brasil.

A partir do circuito inferior saem os botes que vão até próximo da garganta do diabo e/ou até a Ilha de São Martin. Uma das meninas fez o passeio do bote até a garganta e disse que vale muito a pena, mas é caro (não sei o preço).

Outra dica é fazer tudo com bastante calma porque todos os mirantes e plataformas lotam de gente e esvaziam com muita rapidez. Se você esperar a multidão desaparece em 5 minutos. Chega a ser engraçado. A estrutura montada no parque é muito grande, o que acaba contribuindo para a dispersão das pessoas.

Cataratas Lado Argentino: Farol – Saída para as trilhas do Circuito Inferior e Superior

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Cataratas Lado Argentino: Circuito Inferior – Salto Alvar Nuñez (Homenagem ao “Descobridor” das cataratas, primeiro conquistador espanhol a descrevê-la)

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Cataratas Lado Argentino: Circuito Inferior – vista da Ilha de San Martin e saída dos botes

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Cataratas Lado Argentino: Circuito Inferior – Salto Lanusse

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Cataratas Lado Argentino: Circuito Inferior – Salto Bosseti – Mais próxima da água – Hora do banho

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O Circuito Superior tem 1,7km, muito fácil; é formado por um conjunto de plataformas e mirantes que vão por cima dos braços do rio e das diversas quedas d’água. A partir dele vê-se o fundo da Ilha de São Martin.

Igualmente belíssimo e sem sobe-desce de escadas, possui acessibilidade todo o percurso.

Cataratas Lado Argentino: Circuito Superior – Plataformas sobre a água

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Cataratas Lado Argentino: Circuito Superior – Mirador do Salto São Martin

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Cataratas Lado Argentino: Circuito Superior – Mirador do Salto São Martin

Cataratas Lado Argentino: Circuito Superior – Vista do Circuito Inferior

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Cataratas Lado Argentino: Circuito Superior – Sequência de quedas d’água

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Finalizado o Circuito Superior, retornamos caminhando até a Estação Cataratas e pegamos o trem até a Estação Garganta do Diabo e fizemos novamente a trilha suspensa até a Garganta do Diabo.

Vimos novamente a Garganta sem praticamente ninguém. A fumaça estava mais consistente e a passarada mais animada. UM ESPETÁCULO. Com direito a lanchinho na sombra da trilha suspensa.

 Cataratas Lado Argentino: Trilha para Garganta do Diabo sem ninguém à tarde

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Cataratas Lado Argentino: Trilha para Garganta do Diabo – Visitinha

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Conclusão do passeio: os argentinos dão um show de organização e administração de suas Unidades de Conservação. A infraestrutura e cuidado é impecável.

Retornamos até a estação, pegamos o trem até a entrada do parque e seguimos até o marco de 3 fronteiras da cidade de Puerto Iguazu, na Argentina. É uma pracinha aberta, com uma fonte, monumento com as bandeiras dos três países, feirinha, vista linda do entardecer no encontro do rio Iguaçu com o rio Paraná e vista das cidades de Presidente Franco (Paraguai) e de Foz do Iguaçu (Brasil). Dali seguimos para um lanche e uma cerva nas ruas do comércio de Puerto Iguazu e dali de volta para casa em Foz.

DIA 3 – CIDADO DO LESTE + MARCO DAS FRONTEIRAS NO BRASIL

Saímos de manhã rumo a Cidade do Leste para visitar as lojas do comércio popular da Cidade do Leste. Para quem tem paciência e gosta deste tipo de passeio, é aproveitável. Eu particularmente não gosto. Não achei barato, mas também não procurei muita coisa. Consegui comprar um vinho e um kit de garfo e faca para camping, apenas.

Deixamos o carro estacionado na primeira rua à esquerda após o posto fronteiriço. Caminhamos pela confusão das diversas ruas do comércio e fomos adentrando pela cidade que vai ficando legal à medida que você vai se afastando do comércio. É uma cidade interessante, depois de ~2 km de caminhada. Tem parque, lago e bons restaurantes.

Almoçamos tranquilamente no delicioso Gugu’s Cocina China, caminhamos de volta até o carro e retornamos à Foz do Iguaçu para o Marco das 3 Fronteiras, por volta de 16h.

Duas das amigas pagaram e entraram na estrutura fechada do Marco das 3 Fronteiras, uma construção que homenageia as Missões Jesuíticas nas margens do encontro do rio Iguaçu com o rio Paraná com vista das cidades de Presidente Franco (Paraguai) e de Puerto Iguazu (Argentina). Dentro tem museu, fotografias, uma fonte, placas e acontece apresentações de música e dança típica da região. Eu e mais duas amigas ficamos de fora, sobre um platô alto próximo ao estacionamento e apreciamos o belíssimo pôr-do-sol no rio. 

Marco das 3 Fronteiras Brasileiro

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Marco das 3 Fronteiras Brasileiro

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DIA 4 – TEMPLO BUDISTA + CATARATAS LADO BRASILEIRO

O templo Budista estava situado a pouco mais de 2km da nossa casa. Fica afastado do centro da cidade mas têm ônibus que passam na porta. Fomos de carro.

Compreende um enorme jardim, um templo e têm mais de 120 estátuas de diversos tamanhos e 1 estátua do Buda com 7m. É um local silencioso, de muito respeito às pessoas que manifestam sua religiosidade e ótimo para passar umas 2h entre caminhada, relaxamento e silêncio. 

Templo Budista Chen Tien - Foz do Iguaçu

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Templo Budista Chen Tien - Foz do Iguaçu

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Do templo seguimos por ~25km até o Parque Nacional do Iguaçu. Na portaria, após pegar os ingressos, pega-se um ônibus panorâmico que desce por ~10km por uma estrada asfaltada no interior do parque, com exuberante mata atlântica preservada. O ônibus para em um acesso para a trilha de ~1km ou direto na descida para o ponto principal, onde fica um elevador para vista panorâmica.

Infelizmente, tivemos o azar de ir no #CataratasDay, um evento em que a Itaipu abre o parque para milhares de pessoas como forma de compensação social do empreendimento (o que é maravilhoso que façam; não é mais do que a obrigação; mas azar o nosso porque o evento era totalmente desorganizado sem nenhum respeito à capacidade de suporte da trilha).

A trilha é super fácil, em tablados de madeira. Mas não tinham monitores organizando a multidão e tudo estava uma enorme desordem, sujeira, pessoas dando comida aos quatis, criança saindo da trilha e quase caindo na água, uma mulher dando pauladas num quati, empurra-empurra. Em vários momentos me senti descendo as ladeiras de Olinda no carnaval..rsrs. Se o parque não tem estrutura para organizar um evento deste porte, não deveria fazê-lo. É uma falta de respeito com os visitantes e com a natureza.

Descemos no acesso da trilha de 1km e seguimos vendo as cataratas de frente. A paisagem é belíssima. Daqui vemos os diversos saltos e a Ilha de São Martín dos quais estivemos bem próximos ao visitar o parque do lado argentino. 

Cataratas Lado Brasileiro: Início da trilha, vista de frente dos saltos e Ilha São Martín

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Cataratas Lado Brasileiro: lotado no “CataratasDay”, sem respeito a capacidade de suporte da trilha

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Ao fim da trilha começa a parte suspensa sobre braços do rio onde se chega bem próximo das quedas d’água. Aqui o banho é certo e refrescante. Aqui também fica o elevador para a parte alta da estrutura de apoio onde se tem uma vista panorâmica da região.

Cataratas Lado Brasileiro: trilha suspensa

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Cataratas Lado Brasileiro: vista panorâmica do elevador, final da trilha

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Cataratas Lado Brasileiro: força bruta da água

 Fizemos um piquenique num gramado próximo ao fim da trilha com os lanches que levamos. Dentro do parque tudo é caro.

Regressamos no ônibus panorâmico à portaria e de lá de volta para Foz do Iguaçu para nos preparar para a estrada dia seguinte.

Sugiro para quem puder, fazer o passeio do Parque das Aves no mesmo dia das Cataratas do lado brasileiro. Ele fica bem em frente à portaria, mas como o ingresso custava acho que R$ 50 optamos por não ir.

CONTINUA...

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Acompanhando o relato, em janeiro fui até o norte da Argentina e resolvi ir pelo Paraguay. Também gostei muito, a viagem de Cidade de Leste a Assunção foi tranquila e fomos sempre bem recebidos nos lugares. 

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DIA 8 – VIAGEM ASSUNÇÃO–ENCARNAÇÃO + MISSÃO JESUÍTICA PARAGUAIA DE SAN COSME Y DAMIAN

Saímos de Assunção ~ 9h e seguimos pela Rodovia nº 1 sentido sul, rumo à Encarnação. Depois de ~300km pegamos o acesso à esquerda para o povoado de San Cosme y San Damián por mais ~ 30km. Todo o percurso é asfaltado e tem alguns pedágios. Alguns trechos não estavam bons e outros eram melhores, mas nenhum era duplicado, exceto na região metropolitana de Assunção.

Chegamos ao povoado de San Cosme y San Damián ~15h. O povoado é bem arrumadinho e o percurso até lá, a partir da rodovia é bem verde, com mata alta e de longe, em alguns pontos, avista-se pequenos pedaços do grande Rio Paraná.

Tomamos um sorvete próximo da portaria e compramos o ingresso válido para as 3 missões restauradas (San Cosme y San Damián, Santissima Trinidad e Jesus de Tavarangüe). No entorno tem sorveteria, lanchonete, restaurante e hospedagens.

A Missão Jesuítica de San Cosme y San Damián foi fundada em 1632 pelo padre italiano Adriano Formoso. A missão está literalmente misturada ao vilarejo, com algumas estruturas antigas ainda ocupadas. Também faz parte do conjunto preservado da Missão, o maravilhoso Centro de Interpretação Astronômica Buenaventura Suárez, inaugurado em 2010.

Suárez foi um missionário jesuíta e astrônomo da Companhia de Jesus conhecido como o primeiro astrônomo no hemisfério sul da história.

Com estrutura improvisada e montada por ele próprio, Suárez montou seu observatório em plena selva gerando trabalhos como mapas celestes e o livro Lunario de um Siglo no ano de 1720, onde fixava as fases da lua e os eclipses solares e lunares para cem anos (de 1740 a 1841).

Seus cálculos e medições permitiram elaborar tábuas com posição exata das trinta missões jesuíticas do Paraguai e formar o primeiro mapa da região. Todo o acervo e desdobramentos deste trabalho estão disponíveis para visitação guiada de excelente qualidade.

 Livro Lunario de um Siglo – Centro de Interpretação Astronômica Buenaventura Suárez – Missão Jesuítica de San Cosme y San Damián – Paraguay

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Telescópio – Centro de Interpretação Astronômica Buenaventura Suárez – Missão Jesuítica de San Cosme y San Damián – Paraguay

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Centro de Interpretação Astronômica Buenaventura Suárez – Missão Jesuítica de San Cosme y San Damián – Paraguay

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Após a visita guiada ao centro astronômico, seguimos com outro guia para conhecimento e detalhamento das ruínas e estruturas restauradas da Missão Jesuítica.

É tudo de uma organização impressionante.

Bibliosueños – Casa Restaurada na Missão Jesuítica de San Cosme y San Damián – Paraguay

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Parte do Conjunto arquitetônico restaurado – Missão Jesuítica de San Cosme y San Damián – Paraguay

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Interior da igreja – Missão Jesuítica de San Cosme y San Damián – Paraguay

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 Uma peculiaridade desta missão é que ela ainda é utilizada pela comunidade religiosa local. A igreja está ativa, salas de apoio e de ensino catequético para crianças também funcionam na estrutura. Junto a isso, tem-se salas inteiros com material antigo sendo restaurado e outros se deteriorando.

Pelo que percebi, é a missão menos visitada das que restaram no Paraguai, devido à localização mais isolada e por ainda estar em processo não finalizado para se tornar Patrimônio da Humanidade.

 Material original das ruínas – Missão Jesuítica de San Cosme y San Damián – Paraguay

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Missão Jesuítica de San Cosme y San Damián – Paraguay

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Retornamos 30km pela estrada local até a Rota 1 e por mais ~60km até a cidade de Encarnação. Reservamos na Posada Doña Manuela, próxima a Playa San José, às margens do Rio Paraná. Não recomendo sob hipótese alguma ficar nessa pousada/hostel. Apesar de bem localizada estava imunda, toalhas sujas, banheiro vazando água e ar condicionado fedido. Sem café e sem internet. E pra completar, cheia de percevejos.

Tínhamos reservado 2 noites e fizemos o pagamento inteiro antes de ver os quartos. Como já era tarde não tinha muito o que fazer. Dormimos nela, mas saímos logo cedo, todo mundo se coçando e sem ter dormido direito.

Depois de acomodar as malas no cafofo/pousada por volta de 21h, descemos para a orla da Playa San José. É super arrumada, com calçadão, bons restaurantes (não baratos), equipamentos de lazer e várias pessoas praticando esportes ou se divertindo nos bares e restaurantes.

Ao conversar com locais entendi que boa parte do país e vizinhos argentinos e brasileiros descem pra cá no réveillon, no carnaval, feriados e veraneio, tornando a cidade atípica e cara (alimentação e hospedagem) em relação à média paraguaia.

Jantamos pizzas e cervejas no Lemon Beach e retornamos para o cafofo. Segui para uma pizzaria próxima para pegar wi-fi e expliquei a situação para a proprietária que já não estava na pousada. Ela retornou logo cedo e nos devolveu o dinheiro da segunda diária sem reclamar.

Orla da Playa San José - Encarnação – Paraguay

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DIA 9 – MISSÕES JESUÍTICAS ARGENTINAS: SAN IGNACIO MINI, NUESTRA SEÑORA DE LORETO E SANTA ANA

Antes de iniciar o dia vale destacar que a Argentina possui 4 missões jesuíticas tombadas pela Unesco como patrimônio da humanidade: San Ignacio Miní, Nuestra Señora de Loreto, Santa Ana e Santa María La Mayor. As três primeiras são de fácil acesso ao longo da Rodovia RN12 que liga Posadas a Foz do Iguaçu. Já a missão de Santa María La Mayor é a única mais afastada, próxima da fronteira com o Rio Grande do Sul, há 120km de Posadas, por isso não a visitamos.

Esse foi o grande dia dos contratempos da viagem que hoje rimos mas no dia foi só desespero.

Saímos bem cedo da Posada Doña Manuela sem rumo para tomar café. Visitamos a Catedral de Encarnación, muito bonita por sinal, e vimos que os hotéis do entorno eram todos muito caros. Os hostels de preço razoável eram iguais ou piores que o Doña Manuela (ressalto que não tenho frescura alguma, mas dormir entre percevejos não dá).

 Catedral de Encarnación – Encarnação – Paraguay

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 Por sorte a moça que nos atendeu na lanchonete onde tomamos café, super simpática, nos informou que sua avó alugava a casa para turistas, num bairro afastado, pelo preço do Doña Manuela. Ela nos passou a localização e seguimos para lá. É uma prática comum os moradores alugarem suas casas já que a rede hoteleira da cidade não consegue comportar os turistas que lotam a cidade.

A casa era bem antiga, mas ok. Deixamos as coisas lá e seguimos para o propósito do dia:  visitar as três missões jesuíticas da Argentina já por volta de 10h.

A ponte que liga as cidades de Encarnação/PY e Posadas/AR estava super engarrafada e só chegamos na imigração argentina quase 12:00h depois de muito para/arranca. Além disso o tempo não contribuiu e amanheceu chovendo muito.

É uma fronteira bastante confusa onde a polícia argentina controla rigorosamente a entrada de carros e pessoas vindos do Paraguay.

Ponte sobre o Rio Paraná – Fronteira Encarnação/Paraguay – Posadas/Argentina

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Detalhe da bandeira na Imigração argentina – Fronteira Encarnação/Paraguay – Posadas/Argentina

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Carimbamos os passaportes de saída do Paraguay e seguimos para a imigração argentina, onde carimbamos os passaportes para entrada no país. Porém, o agente da imigração não aceitou a documentação do carro e não nos autorizou a entrar com ele (nós, enquanto cidadãs do Mercosul, poderíamos entrar, mas o carro não).

Após longa tentativa de conversa, onde explicamos que foi permitida a entrada na fronteira Foz/Puerto Iguazu, eles continuaram a negativa e nos mandaram retornar ou estacionar no fundo do posto da imigração e pegar um ônibus ou ir a pé até o centro tentar autorização com o chefe superior. Optamos por estacionar no fundo e ver o que fazer. Não chegamos até aqui para desistir e a documentação estava correta conforme conferi no site deles.

Quando fomos estacionar percebemos que todo aquele controle era ilegal e que não haveria forma de reverter a situação; só tínhamos aquele resto de dia para conhecer as missões e não íamos desistir. Assim sendo, aproveitamos que caía uma chuva torrencial e seguimos viagem Argentina adentro.

Fomos por ~ 60km na RN 12, com parada para almoço e por causa da chuva, até o sitio arqueológico mais distante que era a Missão Jesuítica de San Ignacio Mini, no povoado de San Ignacio. Chegamos lá já umas 14:30h. Adquirimos o bilhete único para visitação de todas as missões argentinas.

Cada missão tem sua peculiaridade e forma diferente de restauração. San Ignacio Mini é a missão jesuítica mais famosa e mais visitada de todas, de fácil acesso pela rodovia. Tão imponente que à primeira vista é de cair o queixo. Patrimônio da Humanidade, foi fundada em território brasileiro pelos jesuítas em 1610 e depois de disputas com os bandeirantes foi refundada na atual localização em 1630. As primeiras expedições de descoberta e estudo de suas ruínas datam de 1903, mas a sua restauração só começou na década de 40.

Construída com o estilo denominado “barroco guarani”, foi restaurada ao nível de detalhe e tombada como patrimônio em 1984 pela Unesco. O complexo que conta com as missões e com um fabuloso museu é impecável. Possui visita guiada de altíssima qualidade incluída no bilhete que dura umas ~2h e espetáculo noturno de sons e luzes que não assistimos. A chuva forte deu trégua, mas fizemos parte da visita sob chuviscos.

Destaque para a exuberante floresta ombrófila da região. As fotos não captam a grandiosidade desse lugar incrível. E uma surpresa desagradável na saída foi ver indígenas guaranis em situação de mendicância, desagregados de seus territórios e costumes desde a evangelização das missões por um lado e da caça e escravização promovida pelos bandeirantes de outro lado. Situação lamentável.

Visita Guiada – Missão Jesuítica de San Ignacio Mini – Província de Misiones – Argentina

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Missão Jesuítica de San Ignacio Mini – Província de Misiones – Argentina

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Missão Jesuítica de San Ignacio Mini – Província de Misiones – Argentina (detalhe aqui de uma das colunas mantida como quando foram descobertas, cobertas pela floresta densa e as demais recuperadas)

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Museu da Missão Jesuítica de San Ignacio Mini – Província de Misiones – Argentina

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Saímos correndo de San Ignacio Mini e retornamos pela RN 12, sentido Posadas, por ~10km até o acesso e por mais ~2,5km até as Ruínas Jesuíticas de Nuestra Señora de Loreto. Cuidado para não perder a entrada porque as placas são ruins.

Nessa missão a recuperação foi feita de uma forma diferente. Mantiveram a forma estrutural que ela foi encontrada em meio à floresta, construíram acessos entre as ruínas e fazem controle da vegetação. Não houve reconstrução, apenas limpeza. Ela está em sua forma original (ruína) e também conta com museu. É muito interessante; diferente. A floresta é exuberante.

A missão de Nuestra Señora de Loreto foi fundada em 1610 pelos jesuítas no Norte do Paraná de onde foram expulsos pelos bandeirantes em 1629 e foi recriada no início da década de 1630 na Argentina na atual localização.

Foi um dos povoados jesuíticos mais importantes pela sua grande produção de erva-mate e por contar com a primeira imprensa da américa e uma importante biblioteca. Depois da expulsão dos jesuítas sucederam-se saques e incêndios, o que provocou a migração dos seus habitantes. Foi declarada Patrimônio Mundial em 1983.

Para visitação também possui acesso fácil desde a Rodovia, bilhete único com as demais missões e visita guiada de excelente qualidade.

Acesso – Ruínas da Missão Jesuítica de Nuestra Señora de Loreto – Província de Misiones – Argentina

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Visita Guiada – Ruínas da Missão Jesuítica de Nuestra Señora de Loreto – Província de Misiones – Argentina

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Ruínas da Missão Jesuítica de Nuestra Señora de Loreto – Província de Misiones – Argentina

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Não conseguimos fazer mais do que 30 minutos da visita guiada por causa da chuva torrencial e trovoadas que caiu. O sítio arqueológico é gigante e a visita é longa. Merece pelo menos um turno de dedicação (uma manhã ou uma tarde).

Com muito pesar por não conseguir ver pelo menos o principal, retornamos pela Rodovia RN12 sentido Posadas por ~10km e por mais ~1km até o portão de acesso da Missão Jesuítica Nuestra Señora de Santa Ana. Também tem que ter cuidado para não perder o acesso porque as placas são ruins (nem lembro se tem placa).

A Missão Santa Ana foi reconstruída em partes e uma outra parte foi mantida como a original, em ruínas. A especificidade dela é que várias pessoas chegaram a viver em suas construções e ruínas pós expulsão dos jesuítas, formando uma vila/povoado até próximo de 1920, misturando-se vestígios antigos com recentes e um cemitério.

A primeira fundação do povoado jesuítico guarani de Santa Ana data de 1633 em território brasileiro. Também foram expulsos pelos bandeirantes e se fixaram novamente e em definitivo no atual território em 1660. Conserva um dos mais volumosos vestígios arquitetônicos e foi tombada como patrimônio da humanidade em 1984.

A chuva torrencial parou, mas continuou chovendo e trovejando. Conseguimos visitar a parte central em ~1h, mas sem o guia que não quis nos acompanhar na chuva.

 Mapa da Missão Jesuítica Nuestra Señora de Santa Ana – Província de Misiones – Argentina

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Ruínas da Missão Jesuítica Nuestra Señora de Santa Ana – Província de Misiones – Argentina

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Entrada do Museu da Missão Jesuítica Nuestra Señora de Santa Ana – Província de Misiones – Argentina

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Jazigo do Cemitério Recente – Missão Jesuítica Nuestra Señora de Santa Ana – Província de Misiones – Argentina

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A chuva forte recomeçou e seguimos de volta a Posadas já mais de 18:30, por ~45km. Rodamos pela orla da cidade, centro histórico e paramos no Café Martínez que era bem caro, mas o único café aberto. Gastamos o resto dos pesos com lanche, chocolates e café. Demos tempo até umas 22h para que a equipe da fronteira fosse trocada e seguimos de volta para Encarnação.

Carimbamos saída da Argentina sem nenhum problema, apesar de ter sido barradas de manhã, e novamente demos entrada no Paraguai, sem nenhum problema. Chegamos tarde e molhadas em casa.

DIA 10 – MISSÕES JESUÍTICAS PARAGUAIAS: LA SANTISSIMA TRINIDAD DE PARANÁ E JESÚS DE TAVARANGUE + VIAGEM ENCARNAÇÃO-FOZ

Dia que pegamos a estrada de Encarnação rumo a Foz do Iguaçu, por dentro do Paraguai para conhecer suas duas missões tombadas pela Unesco: La Santíssima Trinidad de Paraná, quase nas margens da rodovia que liga Encarnação a Cidade do Leste; e Jesús de Tauvarangue, um pouco mais afastada.

Seguimos pela Rodovia 6 por ~35km de Encarnação até a cidadezinha de Trinidad e entrando uns 600m pela cidade está o portão de acesso da mais preservada missão jesuítica do Paraguai, La Santíssima Trinidad de Paraná.

O bilhete adquirido dois dias antes na Missão de San Cosme y San Damián dá acesso às duas missões que visitamos hoje.

A Missão Jesuítica de La Santissima Trinidad de Paraná foi a última construída pelos jesuítas no Paraguai, fundada em 1706. É patrimônio mundial da Unesco desde 1993.

É a mais visitada de todas as missões e mais preservada, com acervo melhor restaurado. Conta com uma imponente praça, uma igreja maior, colégio, oficinas, casas de índios, cemitério, horta, uma torre singular e museu. Chegou a ter mais de 3 mil indígenas vivendo nela.

Pegamos um belo dia de sol rachando e fizemos a excelente visita guiada logo cedo.

 Arquitetura em Arcos Preservada – Missão Jesuítica de La Santissima Trinidad de Paraná – Província de Itapúa – Paraguai

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Púlpito Preservado – Missão Jesuítica de La Santissima Trinidad de Paraná – Província de Itapúa – Paraguai

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Torre – Missão Jesuítica de La Santissima Trinidad de Paraná – Província de Itapúa – Paraguai

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Detalhes, porta e paredes preservados – Missão Jesuítica de La Santissima Trinidad de Paraná – Província de Itapúa – Paraguai

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A visita guiada mais um cafezinho durou ~2:00. Dali seguimos por ~12km a partir da Rota 6, em estrada local pavimentada até a Missão Jesuítica Jesús de Tavarangue.

Esta missão foi fundada em 1685 pelo Padre Jesuíta Jerônimo Delfín às margens do Rio Monday. Em 1748 o jesuíta se muda para o povoado atual de Jesús e em 1748 inicia a construção da atual missão, cuja obra foi interrompida devido à expulsão dos jesuítas pela coroa em 1768. Portanto, ainda tem partes inacabadas.

É a mais representativa de todas as missões jesuíticas por ser a única que leva claramente o nome da Companhia de Jesus.

Apresenta atualmente uma igreja restaurada, oficinas e casas de Guaranis, também em restauração. A arquitetura desta missão era completamente diferente das outras. Em estilo mourisco, único em todas as reduções, as três portas de acesso ao templo são excepcionalmente belas. O teto não seria de madeira ou de pedra como em outras, e sim de estilo misto com muros de apoio e grandes pilares centrais.

Por não ter teto (a igreja não chegou a ser acabada devido à expulsão dos jesuítas), Jesús de Tavarangue escapou ilesa aos saqueadores, pois não possuía ouro ou imagens valiosas no altar.

O esquema de visitação é o mesmo das outras: bilhete unificado, visita guiada de excelente qualidade inclusa e museu. Ao redor, lojinhas e café.

 Missão Jesuítica Jesús de Tavarangue – Província de Itapúa – Paraguai

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Excelente Visita Guiada – Missão Jesuítica Jesús de Tavarangue – Província de Itapúa – Paraguai

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Assinando o caderno do museu (brincadeira sobre o dia anterior) – Missão Jesuítica Jesús de Tavarangue – Província de Itapúa – Paraguai

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Entrada – Missão Jesuítica Jesús de Tavarangue – Província de Itapúa – Paraguai

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Retornamos por ~12km até a Rota 6 e almoçamos num restaurante na beira da rodovia na cidade de Trinidad.

A tarde voltou a chover torrencialmente e seguimos viagem por 245km até Cidade do Leste e de lá para Foz do Iguaçu. Tem pedágios no caminho e a rodovia está em condição boa a razoável. Há uns 60km de CDE começa fluxo intenso de caminhões e carretas.

 DIA 11 – CIDADE DO LESTE + ITAIPU + CENTRO DE FOZ

Devolvemos o carro de manhã em Cidade do Leste, atravessamos a Ponte da Amizade a pé e de volta a Foz do Iguaçu seguimos rumo a Itaipu para fazer o passeio Circuito Especial na parte da tarde.

Compramos os ingressos antecipado pela internet a R$ 68. É muito legal porque faz visita guiada por dentro da Usina de Itaipu Binacional, pelos maquinários, sobre a construção, como funciona, etc. Além disso, o ônibus passa por cima da barragem e para em dois mirantes. Recomendo muito esse passeio.

Levar lanche ou almoçar antes porque as lojinhas e lanchonetes são muito caras. Levar um casaquinho por causa do ar condicionado.

Travessia a pé – Ponte da Amizade – Brasil/Paraguai: Nascemos de muitas mães mas aqui só tem irmãos

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Circuito Especial – Usina Itaipu Binacional

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Circuito Especial – “Cérebro” da Usina Itaipu Binacional

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Circuito Especial – Mirante da Usina Itaipu Binacional

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Circuito Especial – Vista de cima da Barragem da Usina Itaipu Binacional

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Ao fim do passeio, pegamos ônibus para o centro e fomos aproveitar os barzinhos e conhecer a zona central da cidade. Gostei bastante. É uma opção para hospedagem, com vários hotéis, o terminal de ônibus urbanos, bares e restaurante.

DIA 12 – RETORNO

O voo de regresso para Recife saía mais ou menos na hora do almoço. Saímos cedo de casa, pegamos dois ônibus até o aeroporto e chegamos com quase 2h de antecedência porque os ônibus foram rápido. Porém, tivemos a infeliz surpresa de encontrar uma confusão generalizada e fila saindo na rua.

A alfândega do aeroporto tem apenas uma esteira e um raio-x e resolveu trabalhar neste dia. A Gol e Avianca passando vários grupos para dentro e a Tam, que era nosso voo, não. Quase perdemos o voo, fomos o último grupo a embarcar.

Sugiro para todos que forem embarcar, para não passarem pelo mesmo, cheguem com pelo menos 2:30 a 3h de antecedência porque o aeroporto é uma verdadeira zona.

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    • Por Ana Caroline Cunha
      Olá gente!
      Nem acredito que chegou a minha hora de deixar um relato de viagem haha eu pesquisei muito aqui nesse fórum e uma das grandes razões da viagem ter saído do papel e eu ter feito o meu primeiro mochilão sozinha foi as informações que encontrei por aqui. 
      Primeiramente, a base da minha viagem foi o relato da @appriim que está completinho nesse link aqui. Encontrei ela aqui no Mochileiros e no fim somos da mesma cidade e temos vários amigos em comum (e em breve espero que saia o encontro pessoalmente né Ana? haha)
      Fiz algumas alterações porque eu tinha alguns dias a mais que ela, então segue abaixo uma visão geral do meu roteiro e depois nos comentários vou escrevendo dia a dia.
      17/12/2019 - Florianópolis > Ushuaia
      18/12/2019 - Ushuaia - Carimbei o passaporte, comprei o ônibus para Punta Arenas e fiquei andando na cidade sem rumo
      19/12/2019 - Ushuaia - Passeio na Pinguinera + Canal Beagle e trilha no Glaciar Martial 
      20/12/2019 - Ushuaia - Laguna Esmeralda
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      22/12/2019 - Ushuaia deslocamento > Punta Arenas - 12h de ônibus durante o dia
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      24/12/2019 - Puerto Natales - Aluguei um carro com o pessoal do hostel e fomos até o Parque Torres del Paine, fazendo o "Full Day" que vende em agências de forma privada
      25/12/2019 - Puerto Natales - Descanso
      26/12/2019 - Puerto Natales - Trilha Base de Torres del Paine 
      27/12/2019 - Puerto Natales deslocamento > El Calafate - 7h de ônibus durante o dia 
      28/12/2019 - El Calafate - Laguna Niemez, Lago Argentino e andei pela cidade
      29/12/2019 - El Calafate - Mini Trekking no Glaciar Perito Moreno
      30/12/2019 - El Calafate deslocamento > El Chalten - 3h de ônibus saindo as 8h
      31/12/2019 - El Chalten - Laguna de los Três / Fitz Roy 
      01/01/2020 - El Chalten - Descanso 
      02/01/2020 - El Chalten - Chorrillo Del Salto 
      03/01/2020 - El Chalten - Mirador de Los Condores e Las Aguilas 
      04/01/2020 - El Chalten - Laguna Torres / Cerro Torre
      05/01/2020 - El Chalten - Madre e Hija
      06/01/2020 - El Chalten - Descanso
      07/01/2020 - El Chalten deslocamento > El Calafate - 3h de ônibus, saindo as 8h, andei sem rumo pela cidade
      08/01/2020 - El Calafate - Lago Argentino, andei pela cidade e meu voo saiu as 19:30h para Buenos Aires > Florianópolis
      09/01/2020 - Chegada em Florianópolis 
      Gastos aproximados: 
      DESLOCAMENTO: R$ 3.000,00
      R$ 2.139,00 passagem aérea Aerolíneas Argentinas | Ida: Floripa > Buenos Aires > Ushuaia | Volta: El Calafate > Buenos Aires > Floripa R$ 180,00 entre taxi, uber, transfer aos lugares R$ 530,00 deslocamentos de ônibus R$ 135,00 aluguel de carro por 1 dia em Puerto Natales (o carro foi dividido em 4 pessoas) HOSPEDAGEM: R$ 1.280,00
      Ushuaia: ANTARCTICA HOSTEL Punta Arenas: HOSTEL ENTRE VIENTOS Puerto Natales: WE ARE PATAGONIA BACKPACKERS (pagamento em dólar estamos isentos de 19% do imposto) El Calafate: FOLK HOSTEL El Chalten: LO DE TRIVI El Calafate: FOLK SUITS Reservas feitas pelo Booking e HostelWorld
      PASSEIOS: R$ 1.650,00
      Mini Trekking Perito Moreno - R$ 700,00 - comprado no Brasil valor com cartão de crédito e IOF Pinguinera + Canal Beagle - R$ 742,00 - pago no Brasil valor com cartão de crédito e IOF | observação importante: se fazer a caminhada com os Pinguins em Punta Arenas é metade do preço e rola reservar lá mesmo no próprio hostel pro dia seguinte. Entrada Parque Torres del Paine - R$ 185,00 (paguei o preço de 2019 ainda) ALIMENTAÇÃO: R$ 1.200,00 (tem mercado, cerveja, vinho e alfajor nessa conta haha)
      BAR: R$ 200,00 (isso são os extras dos dias que fui pro bar e só consumi álcool)
      SEGURO VIAGEM: R$ 215,00
      TOTAL GASTO R$ 8.000,00 (contando souvenir, extras que eu possa ter esquecido de anotar e etc)
      Conversões realizadas: 
      1 real > 13,60 pesos argentinos (Aeroporto Ezeiza de Buenos Aires)
      1 real > 185 pesos chilenos (Casa de Câmbio em Punta Arenas)
      1 real > 16 pesos argentinos (Restaurante Casimiro em El Calafate)
      Fiz umas outras conversões zoadas porque tive perrengue de dinheiro que conto depois hahah mas essas três foram as principais que acho que vale citar. 
      TOTAL QUE GASTEI EFETIVAMENTE: R$ 8.900,00 (perdi R$ 900,00 por um golpe na conversão do câmbio no Banco do Aeroporto Ezeiza, eu dei R$ 3.200,00 e eles me converteram como se eu tivesse trocando R$ 2.300,00, fui perceber só agora que já estava no Brasil, foi falta de atenção minha como recém mochileira que achava que tinha pensado em todos os detalhes, só que não... 💔💔)
       
      Aos poucos vou contando aqui sobre a viagem dia-a-dia, ah eu também fui postando tudo no meu Instagram (@anavoando), os stories estão salvos no destaques e fui escrevendo no feed também.
      Ah, leiam o post da Ana que citei lá no começo, eu li e reli um milhão de vezes e ela dá várias dias ótimas!! 
       




       
      Espero que gostem! 
      Continuarei aos poucos,
      Ana Caroline
    • Por Adenilsonhipp
      Mochilao rootz, carona, desapego total ao q é  material. Sentido descendo pro Sul, Uruguai, Argentina e vai.
      Estou aberto a opções, roteiros, mindsets, só que temos de partir sem grana. Totalmente legalize. Temos de trocar ideia pra q tudo ocorra da forma mais natural e orgânica possível, demoro?
       
      VAMO ai
       
      11 958090689
       
      Eh isso Tmj rapaziada
    • Por alanpetersonlopes
      Julho/2019 - A rota do Lítio - Argentina, Chile e Bolívia

       
       
      Introdução: Os preparativos - 1º semestre de 2019
       
      Viajar de carro sempre foi algo que amei desde criança, as horas passadas observando a estrada pela janela daquele Fiat Prêmio do meu pai, quando íamos ao litoral norte de São Paulo, eram sempre encantadoras. Com certeza, essas experiências na bela rodovia Rio-Santos me instigaram a planejar as viagens que realizo hoje em dia.
      A ideia de percorrer a Cordilheira dos Andes de carro era um desejo antigo, muito inspirado no filme Diários de Motocicleta. Subir os Andes, percorrer o altiplano andino, dormir nos vilarejos de mineradores, explorar os vulcões, salares e lagos eram os objetivos de 2019.
      Para isso, precisávamos de um carro ideal e em 2018 trocamos nosso Renault Sandero em uma Pajero Sport 4x4. Esta foi nossa primeira experiência com carro 4x4 e logo em janeiro fomos testar nossas habilidades em Visconde de Mauá-RJ, atrás de estradas de barro e lama. 
      Muito satisfeitos com a performance do carro em estrada de terra, não poderíamos pensar o mesmo quanto ao consumo de combustível. Infelizmente nossa Pajero era à gasolina e bebia um posto de combustível por mês, o que começou a ser um problemão quando iniciamos o planejamento da viagem e descobrimos longos trajetos sem postos de abastecimento.
      Precisávamos resolver esse empecilho, a solução era trocar de carro ou carregar vários galões de combustível, o que poderia ser muito perigoso. Decididos, faltando um mês para a viagem, tivemos uma grande sorte de encontrar o carro perfeito para o desafio, uma L200 Triton, equipada Savana e que era carro de suporte da Mit Cup. Sabíamos que este carro não nos deixaria na mão e, mesmo sem as revisões, colocamos-o na estrada sem medo.
      O trajeto não era fechado, o planejamento do percurso contava com alguns pontos de parada estratégicos, que na verdade, nem foram seguidos. No caminho, todo o trajeto foi redesenhado, dando o título desta aventura off-road: A rota do Lítio.

       
      Dia 06/07/2019 - A ansiedade do pré-viagem
       
      O dia anterior à viagem era de pura ansiedade, eu e a Carol esperávamos ansiosamente o casal de amigos que iriam nos acompanhar neste trajeto, Jeferson e Patrícia. Compramos umas carnes e faríamos um churrasco para comemorar o início da grande jornada.
      Já sabíamos que não seria fácil o que estava por vir, ainda mais para mim, que não estava 100% bem de saúde, afinal tive pedra no rim uma semana antes e tive que colocar um duplo jota (cateter entre o rim e bexiga) para preparar para um procedimento cirúrgico que se realizaria depois de um mês. Sim, eu teria que viajar com isto, para lugares onde o atendimento hospitalar inexiste, mas isso não me impediria de tal aventura.
      Atrás dos últimos preparativos, fomos à loja da Decathlon comprar umas últimas peças de roupas para nossos amigos que tinham acabado de chegar do interior de São Paulo e tinham mais dificuldades de encontrar equipamentos adequados à viagem.
      Quando voltamos das compras, começamos a preparar a caçamba da L200, era tanta coisa, que achávamos que não caberia, desde dos equipamentos de camping, galões de água e combustível, mantimentos e malas grandes de roupas por conta do frio. Tudo coube milimetricamente. Em cima do rack de teto, colocamos mais um pneu para  evitarmos qualquer tipo de perrengue que poderia nos aparecer.
      E assim, fomos dormir, ou pelo menos tentar, pois a cabeça não parava, o estômago sofria com a ansiedade e nossos cachorros não paravam quietos, parecem que sabiam que ficariam um tempo longe da gente (de fato, esta é a pior parte destas viagens, ficar longe do Marx e do Nietzsche).

       
      Dia 07/07/2019 - O início infinito: A  longa e entediante rota de São Paulo a Foz do Iguaçu
       
      Acordamos cedo, dormimos mal, mas parecia que tínhamos descansado um ano inteiro, pois energia não faltava. Tomamos um café reforçado, arrumamos as últimas coisas e bora pegar a estrada. 

      Saindo de casa - carro preparado.
       
      O trajeto deste primeiro dia era longo, cerca de 1.070 quilômetros até Foz do Iguaçu, passaríamos o dia inteiro na estrada e com o mínimo de paradas possível. A Paty trouxe um tupperware com um torta de atum excelente que foi nossa refeição durante vários dias onde priorizamos a quilometragem percorrida em vez das paisagens e lugares.
      Assim foi o primeiro dia, que teve 60 quilômetros extras, pois tivemos que voltar para casa, já quando estávamos na Régis Bittencourt, pois havia esquecido minha carteira.
      Voltamos e saímos de casa efetivamente às 8 horas da manhã, seguimos pela Régis até Curitiba e depois atravessamos as estradas de pista simples abarrotadas de caminhões do Paraná até a cidade de Foz do Iguaçu.
      Chegando próximo à cidade, entramos no booking e escolhemos uma pousada barata. De longe e por incrível que pareça, foi a pior estadia da viagem. O termômetro das ruas marcava 10º C, mas parecia que nosso quarto estava -15 ºC e obviamente o chuveiro era pífio e só esquentava quando caía um fio de água.

       
      Dia 08/07/2019 - Percorrendo Missiones: De Foz do Iguaçu a Corrientes (ARG)
       
      Logo que levantei da cama já pensei no café da manhã que deveria aproveitar, pois nas minhas últimas experiências fora do Brasil, o café nunca era grande coisa. Após uma noite terrível de frio, nada melhor que um pão na chapa e um café com leite.
      Arrumamos as coisas e fomos em direção ao Paraguai, a ideia era comprar um mini fogão de camping e uns outros equipamentos para a viagem, porém perdemos tempo à toa, voltamos para Foz do Iguaçú sem comprar nada e ainda precisávamos trocar nosso dinheiro.
      Depois de uma ampla pesquisa nas casas de câmbio e encontrar a melhor cotação, seguimos à fronteira da Argentina, rumo a Puerto Iguazú. Uma espera de uma hora na fila e passamos tranquilamente. Tinha todos os documentos em ordem e olha que as exigências não são poucas, seguro Carta Verde, dois triângulos, colete refletivo, cambão e selo de velocidade máxima na traseira do carro (que adquiri em um posto de combustível já na Argentina).

      Esperando para atravessar a fronteira.
       
      A ideia era chegar até Corrientes, na entrada do Chaco, iríamos percorrer a rota das Missiones, porém sem nenhuma parada, pois teríamos que vencer mais de 700 quilômetros. 
      Estradas de pista simples e muitas colinas suaves que seguem paralelamente ao leito do rio Paraná. As margens são tomadas pelo pasto com cabeças de gado espalhadas pelos imensos latifúndios. Sabíamos que estávamos deixando de lado o belo roteiro cultural das Missiones, mas nosso objetivo era a Cordilheira.
      Após cruzar Missiones e entrar na província de Corrientes já ficamos mais espertos, já tinha lido que ali a polícia era extremamente corrupta e fariam de tudo para tirar uns trocados. Dito e feito, logo que avistamos a primeira blitz, já fomos parados. Aquele guarda com cara de poucos amigos já me pediu para descer do carro, abrir a caçamba e por aí foi, várias coisas verificadas até que ele me pede o “apagador de fuego”, vulgo extintor de incêndio. Naquela hora gelei, tinha pensado em tudo, mas esqueci de verificar a validade do extintor de incêndio, tentei dar uma enrolada, mas não deu certo. Com um sorriso maroto ele me informou que me daria uma multa. Tentei desconversar e falar que não sabia disso, pois no Brasil já não era mais necessário e conversa vai e conversa vem, até que ele me pede para entrar no carro e separar 1.000 pesos (100 reais). Pegou meus documentos, foi até a cabine policial e retornou ao carro, e em questão de milissegundos colocou a mão para dentro da janela e tomou os mil pesos da minha mão, liberando-nos.
      Agora era o momento mais crítico, precisávamos comprar um extintor de incêndio antes de sermos parados novamente pela polícia. Passamos por mais dois comboios, mas não fomos parados, coração a mil. Até que avistamos a entrada da cidade de Ituzaingó, que na verdade mais parece um vilarejo, rodamos e demoramos cerca de uma hora para encontrar uma loja que trabalhasse com extintores. Chegando lá, obviamente ele não tinha o modelo do nosso extintor e disse que demoraria cerca de 3 horas para recarregá-lo, o que nos deixou apreensivos, pois queríamos chegar em Corrientes ainda neste dia. Ele ofereceu um outro modelo de extintor, acabamos aceitando e pagamos mais cerca de 100 reais por ele com validade de 6 meses! Mas pelo menos estávamos liberados.
      Seguimos viagem e logo antes de chegar em Corrientes paramos para abastecer e percebemos que o combustível era bem mais caro que no Brasil, o litro do diesel comum era cerca de R$4,50 e do diesel S10, R$ 5,20. Mas tudo bem, se tá na chuva é para se molhar, enchemos o tanque e partimos, chegando em Corrientes por volta das 21h. 
      Agora a saga era achar um hotel para ficar e estacionar o carro. Queríamos ficar no centro, pois precisávamos jantar ainda e tinha esperança de encontrar um parceiro meu que conheci em um mochilão para o Atacama em 2015 e que morava em Corrientes, mas sem sucesso. 
      O Hotel era bem ruim, com um banheiro bem peculiar. A descarga era literalmente um buraco na parede. Jeferson e Patrícia ficaram perdidos e não sabiam utilizar o vaso, pediram ajuda para o senhor da recepção, pedindo que desse uma olhada na descarga do vaso sanitário, porém “vaso” em espanhol significa “copo”, e daí começou a confusão. Tudo se resolveu quando o recepcionista perguntou “estás cagando?” e aí caíram todos na gargalhada, mas o problema foi sanado.

       
      Dia 09/07/2019 - A travessia do Chaco: Corrientes a San Fernando del Valle de Catamarca
       
      Acordamos bem cedo, o trajeto a ser enfrentado seria o mais cansativo, cruzar a planície do Chaco, a ideia inicial era ir até San Miguel de Tucumán. 
      Durante o café da manhã, que praticamente não tivemos, pois o hotel disse que não tinha pão e nem nada, afinal era feriado de independência e nada abriria, entrei na internet para baixar as fotos de satélite dos lugares que iríamos percorrer (esta foi a estratégia utilizada em toda a viagem, baixávamos os mapas e com o sinal do GPS ligado íamos nos orientando). Enquanto o download ia se realizando, aproveitava para estudar um pouco sobre o lugar que visitaríamos, e, quase sempre, estes estudos mudavam nossa rota, ou seja, não iríamos mais para Tucumán e sim para Catamarca. O objetivo seria percorrer a Rota 60 (Ruta de los Seis Miles).
      Este dia foi só de estradas retilíneas e planas, a paisagem do Chaco era o melhor exemplo do que o agronegócio produz, campos imensos de soja ou pasto, vilarejos super pobres lojas de luxo na beira da pista. Concessionárias da John Deere, Case II, Cartepillar contrastavam com casas mal acabadas de no máximo dois cômodos e que abrigavam famílias grandes. Os postos de gasolina eram lotados de crianças que trocavam suas tardes de brincadeiras pela disputa em lavar os parabrisas dos carros em troca de algumas poucas moedas. 
      Esse era o melhor exemplo daquilo que Denise Elias chama de Cidades do Agronegócio, onde a pobreza é generalizada e contrastante com algumas ruas que concentravam o comércio de luxo para satisfazer uma pequena elite de latifundiários.
      Depois de cerca de 13 horas de estrada, chegamos em San Fernando del Valle de Catamarca, uma cidade no sopé andino com uma arquitetura muito bonita no estilo neocolonial. Resolvemos ficar em um hotel também próximo ao centro, mas foi difícil achar vaga, pois havia um festival na cidade e a maioria dos quartos já estavam lotados.
      Saímos para passear na cidade, mas já era mais de 22h, tudo estava fechado, porém não impediu que aproveitássemos um pouco do local, visitamos a Plaza 25 de Mayo e nos deslumbramos com a linda Catedral Basílica de Nossa Señora del Valle.

      A Catedral de Nossa Señora del Valle.

       
      Dia 10/10/2019: Rota 60 - A Ruta de los Seismiles
       
      A partir deste dia pode-se dizer que a aventura realmente começa. Tomamos um belo café da manhã, andamos pela cidade para comprar uns últimos equipamentos, antes de desbravar os Andes.
      Saímos em direção à Ruta 60, mas ainda demoramos cerca de 2 a 3 horas para realmente começar a subir a cordilheira, o interessante é que tudo ali era diferente, a noção de tempo e espaço era outra, e conforme mais próximo dos Andes, mais encantador e misterioso o ambiente era.
      Ao cruzarmos a primeira cordilheira, chamada de Cordilheira Oriental, uma linha de montanhas mais baixas no sentido norte-sul, vimos a diferença climática. A Cordilheira Oriental barrava os ventos úmidos que vinham de leste, enquantos os Andes barravam os que vinham de oeste, ou seja, estávamos em um vale no sotavento das cordilheiras com clima árido e paisagem arbustiva. As montanhas areníticas ao redor contrastavam com o azul do céu e com as nuvens, desenhando um cenário de tirar o fôlego.

      Vista da Cordilheira Oriental, as nuvens indicam a direção do vento no sentido sudeste-noroeste.
       
      Ao iniciarmos a subida da cordilheira, deixávamos a paisagem de estepes de lado para entrar nas punas altiplânicas, uma formação vegetal herbácea típica das altitudes andinas. A Ruta de los Seismiles tem esse nome pois margeia 19 cumes com altitudes superiores aos 6.000 metros em relação ao nível do mar. Entre eles, o cume mais alto chama-se Ojos del Salar, seguido do Monte Pissis. Ambos são estratovulcões e recebem o título dos vulcões mais elevados do mundo.
       
      Ruta 60 e as punas altiplânicas.
       

      No canto direito temos o Ojos del Salado, vulcão mais elevado do mundo, ao meio o Incahuasi e no canto esquerdo o San Francisco. Atrás deste monte de areia já é território chileno.
       
      A nossa vontade era chegar no sopé destes vulcões, porém eles estão localizados no lado chileno e para nosso azar chegamos 30 minutos depois que a fronteira havia fechado, então sacamos o celular e tiramos fotos de onde podíamos.
      Apesar do céu limpo, o frio era forte, sobretudo por conta dos ventos que não davam trégua em nenhum minuto. Essa é uma característica do altiplano andino, onde instala-se uma zona de alta pressão que gera ventos que facilmente ultrapassam os 80 km/h.
      Este dia encerrou-se no vilarejo de Tinogasta, que fica no meio do caminho entre Catamarca e o Paso San Francisco (fronteira Chile-Argentina). Lá, conseguimos um hostel e fomos dormir extasiados com o dia em que passamos.

       
      Dia 11/07/2019 - Tinogasta a Antofagasta de la Sierra: O improvável resgate e o sinistro Campo de Pedra Pomes
       
      Este dia começou com uma forte indecisão: qual rota seguir?; voltaremos à rota original para Tucumán?; faríamos a linda Ruta 40?; ou “metemos o louco” e vamos ao Campo de Piedra Pomez?
      Tomamos o café da manhã e seguimos, decidimos pela Ruta 40, por ser a mais turística e com paisagens lindas de tirar o fôlego. Seguimos viagem, passamos por Belén, onde almoçamos um belo frango assado no conforto da calçada e com a caçamba da L200 como mesa (essa refeição foi uma das melhores da viagem). Belén é uma pequena cidade da província de Catamarca com cerca de 12 mil habitantes, mas que serve como base para os turistas que pretendem percorrer a Ruta 40 até San Antonio de Los Cobres.
      Após o almoço e mais chão pela frente, minha mente não parava, quase não conseguia prestar atenção na estrada, não sabia se estava feliz em percorrer a Ruta 40 e deixar de lado o Campo de Piedra Pomez. Até que passamos por um povoado chamado Las Juntas, sabia que o caminho que levava ao campo era logo após esse vilarejo. Não pensei duas vezes, ao avistar a bifurcação parei imediatamente fora da pista e desliguei o carro. Assustados, a Carol, o Jé e a Paty perguntaram prontamente o que havia acontecido e eu só respondi com o silêncio. Fiquei uns minutos mentalizando e tomei a decisão de enfrentar a Ruta 43, aquela que nos levaria ao Campo de Piedra Pomez. Todos acataram a minha decisão arbitrária e assim seguimos pela péssima estrada de chão que ia em direção às montanhas.
      Paisagens diversas seriam descobertas neste dia, uma mais incrível que a outra. Dos cactos gigantes a dunas de mais de 400 metros de altura em altitudes que nunca pensei que encontraria tais formações.
       

      As dunas invadindo a estrada.
       

      Dunas gigantes na beira da Ruta 43, encontradas acima dos 3.500 metros de altitude.
       
      Após as incríveis dunas, estávamos percorrendo novamente as punas altiplânicas, um cenário misterioso tomava conta da estrada, ninguém cruzava nosso caminho e os ventos castigavam a lataria do carro, nem abrir uma fresta do vidro era possível, pois fazia um barulho enorme e ainda desestabilizava o carro.
      Alguns quilômetros à frente e avistamos uma placa com a seguinte inscrição: Salar Laguna Blanca a 18 km. Como iríamos ao Salar de Uyuni, prontamente pensamos em não perder o foco e seguir adiante, mas algo me despertava curiosidade e, mesmo não querendo perder tempo, decidi fazer um desvio e seguir para a Laguna.
      Alguns minutos depois, avistamos um carro vindo em nossa direção piscando os faróis e acenando incessantemente. Eram duas mulheres desesperadas, dizendo que a caminhonete delas havia atolado no salar. Já fiquei empolgado em ajudar, finalmente testaria os limites do 4x4.
      Chegando no salar, já percebi que não seria tão fácil como havia pensado. A Nissan Frontier deles estava bem atolada e já havia marcas no chão de outra pessoa que havia tentado ajudar e não conseguiu. Prontamente, coloquei a Triton na frente da Frontier, sacamos o cambão, conectamos em ambos os carros, engatei a reduzida e acelerei, nada! Tentei mais duas vezes, sem sucesso e como resultado, havia atolado também. Enquanto isso, a Carol e a Paty se divertiam tirando fotos na laguna, ainda não tinhamos percebido a gravidade da situação. 
      Foi uma luta para desengatar o cambão para poder desatolar a Triton, mas conseguimos, com a reduzida engatada e uma ajuda para empurrar saímos do atoleiro sem maiores problemas. Todavia, havia muito trabalho pela frente ainda para tirarmos a Frontier daquela situação. Víamos no rosto do motorista o cansaço e o desespero, ele e a família com crianças pequenas já estavam lá havia 4 horas e só uma pessoa tinha aparecido e foi embora sem conseguir ajudá-los. Neste momento já era umas 15h e provavelmente ninguém mais apareceria. Lutávamos contra os fortes ventos altiplânicos e a altitude já nos castigava. 

      Primeira tentativa de resgate no salar.
       
      O jeito seria utilizar as pranchas de desatolagem, pela primeira vez elas íam sair do rack de teto. Obviamente os parafusos oxidados deram mais trabalho que o comum, mas conseguimos soltá-las. Agora precisávamos erguer o carro, colocamos o macaco embaixo apoiado em alguns tocos de madeira que a família havia conseguido e levantamos a traseira da Frontier para encaixar a prancha, repetimos do outro lado e pronto. Tudo certo, o motorista acelerou, o carro andou um metro e atolou de novo. Tivemos que repetir este procedimento três vezes até que enfim eles estavam libertos daquele momento terrível. 
      Quando saíram, a alegria deles e a nossa foi tão grande, que posso dizer que este foi o melhor momento da viagem. A família chorou de emoção e nos agradeceu de todas as formas possíveis. 
      Satisfeitos, cumprimentamos-os e seguimos nossa rota e neste momento passou pela nossa cabeça: Qual era a chance que eles tinham de encontrar alguém como nós com duas pranchas de desatolagem no meio do nada? Foi pura sorte ou será o destino.
      Ainda conseguimos chegar no tão esperado Campo de Piedra Pomez antes de anoitecer, algumas dezenas de quilômetros para frente do Salar Laguna Blanca, avistamos uma placa que dizia solo 4x4 e bem ao horizonte era possível observar uma paisagem diferente, com formas pitorescas e uma cor clara em meio aquela areia escura, típico material vulcânico depositado.
      Após quase uma hora percorrendo um caminho não demarcado, cheio de costelas de vaca, muita areia e pedras, chegamos nos monumentos de pedra pomes. Esta área natural e protegida é uma bela paisagem  originada pela erosão eólica de rochas vulcânicas piroclásticas (pumicita ou pedra pomes.) Sobre mais de 25 Km de extensão, se destacam milhares de facetas ruiniformes, algumas com mais de 50 metros de altura, dando ideia da espessura do depósito. Esta rocha é um produto da atividade dos aproximadamente 200 vulcões que existem na região de Antofagasta de la Sierra, entre os quais se destaca a Caldera del Galán, cuja última erupção ocorreu no final do Plioceno. Este vulcão tem uma das maiores crateras conhecidas no mundo, com 34 Km de norte a sul e 24 Km de leste a oeste.

      A incrível paisagem do Campo de Piedra Pomez, ao fundo vários vulcões que são os responsáveis pela formação desta paisagem única.

      Nem o frio intenso e nem a altitude nos impediram de escalar estes incríveis monumentos.
       
      Ficamos tão extasiados com este lugar que assistimos ao pôr do sol de lá e encararíamos o trecho final até Antofagasta de la Sierra à noite. E realmente, dirigimos no meio dos Andes, em um lugar nada turístico à noite e a sensação foi um mistura de apreensão e liberdade. E enfim, por volta das 22h horas, chegamos em Antofagasta de la Sierra e rapidamente encontramos uma casa para dormir, típica parada de mineradores da região.
      Ainda antes de dormir, fomos jantar e experimentamos um pouco da culinária local, o famoso prato Locro, uma espécie de sopa com milho, feijão, batatas andinas e carne de lhama. Não foi muito apetitoso, mas valeu a experiência.

      Locro, típico prato andino.

       
      Dia 12/07/2019 - O ponto austral do Triângulo do Lítio - O Salar de Hombre Muerto
       
      Depois de uma noite literalmente congelante, levantamos para encarar mais um trajeto pouco conhecido. E logo nos primeiros momentos do dia já vem a primeira surpresa, não muito boa. Um frio intenso, entrei no carro e dei a partida e nada, mais uma vez e nada, outra vez e nada. Parei, respirei, raciocinei e já sabia o problema, o diesel havia congelado. As garrafas dentro do carro estavam todas com os líquidos congelados. Mas ainda bem que os carros de hoje tem uma válvula de pré-aquecimento do combustível antes de injetá-lo nos cilindros. Deixei a parte elétrica ligada um tempo, dei a partida e finalmente o carro pegou.
      Segui rapidamente para o único posto de combustível da cidade e logo descobri que lá só vendia diesel aditivado com anticongelante, e bem caro, diga-se de passagem. Coloquei meio tanque e partimos.
      Mais uma surpresa, agora engraçada, tivemos ao jogar água no parabrisa. Com os vidros muito sujos, jogamos água para limpar e instantaneamente congelou. Fiquei preocupado com a possibilidade de trincar o parabrisa, pois estava muito frio, tudo congelado, ligamos o ar quente e seguimos viagem no forno do interior da Triton.
      Este dia rodamos cerca de 400 km inteiramente acima dos 4 mil metros de altitude, colinas suaves desenhavam o horizonte da paisagem recheadas de salares que contrastavam com imensos vulcões, ainda ativos. Alguns lagos congelados beiravam a pista e se mostravam como as poucas fontes de água na paisagem árida do altiplano andino. Em alguns locais, nem mesmo era possível observar as punas, pois o ambiente era tão extremo que não havia nenhuma forma de vida.

      Lagos congelados na beira da Ruta 43.
       
      Algumas horas depois chegamos no Salar de Hombre Muerto, o ponto mais ao sul do Triângulo do Lítio. Localizado ainda na província de Catamarca-ARG, o salar é uma das regiões mais ricas em lítio do mundo, a área em que se localiza o Triângulo do Lítio contém mais de 85% das reservas conhecidas do planeta e vale a pena dizer que tal recurso é extremamente estratégico, alguns especialistas até o consideram o novo petróleo, pois o lítio é o recurso chave para a produção de baterias, desde celulares a veículos.
      No Salar de Hombre Muerto há uma mineradora estadunidense que explora o recurso e o envia até o porto de Antofagasta, no Chile, onde é exportado in natura para a Ásia e Estados Unidos. Na região não há nenhuma indústria que utiliza o lítio, ou seja, ele representa, apesar de muito cobiçado, mais um produto de baixo valor agregado na pauta de exportações latinoamericanas.

      O Salar de Hombre Muerto - uma das mais importante reservas de lítio do planeta,
       
      Após umas paradas para fotos e estudos, seguimos viagem, o objetivo era chegar em San Antonio de los Cobres. Pelo meio do nosso caminho alguns pequenos vilarejos de mineradores se apresentavam no caminho. 
      Ao final da Ruta Provincial 17 (continuação da Ruta 43), pegamos a Ruta 51 que vem do Paso Sico (fronteira Chile-Argentina) e seguimos à San Antonio, e este foi um dos trechos ruins de estrada e um dos pontos mais elevados que passamos por toda a viagem.

      Ruta 51 - 4560 metros de altitude.
       

      A Ruta 51, bastante sinuosa com trecho íngremes e muitas pedras.
       
      Com o combustível na reserva e aquele clima de apreensão, enfim chegamos no final da tarde ao nosso destino. Arrumamos uma pousada na hora e enfim fomos lanchar depois de um dia inteiro sem comer absolutamente nada e sem cruzar com uma alma viva na estrada.
      Aproveitamos também para tomar os vinhos que ganhamos da família que resgatamos no salar e após uns goles notamos o poder da altitude, estávamos todos bêbados em questão de minutos. Foi uma bela noite de sono.

       
      Dia 13/07/2019 - As montanhas coloridas de Pumamarca e as sinclinais da Quebrada Humahuaca
       
      Acordamos cedo e de ressaca, a Carol não aguentava de dor de cabeça. Realmente não era mito que beber na altitude não é muito bom, descobrimos do pior jeito.
      Seguimos viagem pela Ruta 40 até a Ruta 52 para descer os Andes em direção ao vilarejo de Pumamarca, um local bem turístico e muito procurado pelas suas belas montanhas coloridas e sua famosa feira de artigos andinos.
      A Ruta 52 é uma bela estrada, bem sinuosa, porém asfaltada que liga o Paso Jama a Pumamarca. A descida das montanhas requer muito cuidado pois as curvas são bem fechadas e algumas ainda tem buracos no asfalto. Além disso é um trajeto onde circulam muitos caminhões cegonha que precisam invadem a pista contrária quando fazem as curvas.

      A bela Ruta 51 em direção a Pumamarca.
       
        Após a bela descida dos Andes, chegamos finalmente em Pumarmarca, conhecida como “Tierra de Colores”. Já havia estado aqui em 2015 e tinha me apaixonado pelo lugar, a geologia desta região é encantadora, sobretudo, quando avistamos o famoso ”Cerro de Siete Colores”, cartão-postal da cidade.
      O Cerro de Siete Colores é uma cadeia de montanhas que possui sete diferentes horizontes, cada um com uma cor específica, datada de um período geológico distinto. Resultado da interação de grandes forças de agentes internos de modelação do relevo em contraste com os agentes externos de intemperismo, a variedade de cores resulta da acumulação de sedimentos de origem marinha, lacustre e continental. As cores acinzentadas, verdes escuras e violeta corresponde ao tempo mais antigo, o período Pré-cambriano (600 milhões de anos atrás). Já as cores rosa escuro e branco são do período cambriano (540 milhões de anos atrás), cujos estratos carregam vestígios fósseis da fauna marinha daquele tempo. Já as cores cinza claro ao amarelo são de afloramentos areníticos do período Ordoviciano (505 milhões de anos atrás). 
      Após um longo período de interrupção da sedimentação, no Cretáceo (144-65 milhões de anos atrás) são depositados cascalhos avermelhados e arenitos e finalmente os tons avermelhados e rosa claro são mais recentes, datados do Terciário (65-2,1 milhões de anos atrás), onde o local já se constitui como uma bacia continental e não mais o fundo de mares e lagos.

      O Cerro de Siete Colores, com os seus diferentes horizontes geológicos.
       

      Vista da trilha que contorna o Cerro de Siete Colores.
       
      Após nossa parada em Pumamarca, já era hora de seguir a estrada, nosso próximo ponto seria o sítio arqueológico de Tilcara, com vistas ao Jardim Botânico de Cactos e às ruínas de Pukará.
      Tilcara é o povoado mais turístico da província de Jujuy, o que nos desanimou um pouco pela quantidade de vans turísticas e pessoas na cidade. Contudo ainda é um belo lugar e não pode faltar no roteiro do noroeste argentino. 
      As ruínas de Pukará datam de cerca de mil anos atrás e nos contam muito sobre a vida dos povos pré-colombianos que habitaram a região. Pukará significa fortaleza e pela localização de sua construção, no alto de um morro é possível perceber que se tratava de um local bastante protegido. Grande parte das ruínas foram reconstruídas recentemente para demonstrar como viviam os habitantes daquela época.

      Os belos dobramentos às margens da Ruta 9, em Maimara, caminho para Tilcara.
       

      As ruínas de Pukará em meio a paisagem árida formada pelos belos cactos gigantes.
       

      O templo de Pukará reconstruído.
       
      Após esta bela parada, seguimos viagem pela Ruta 9 e Quebrada de Humahuaca. Tal local ganhou em 2003 o título de Patrimônio da Humanidade pela UNESCO e trata-se, realmente, de um belíssimo lugar, com uma cultura ímpar e uma paisagem natural maravilhosa. Já no fim de tarde, a caminho da fronteira Bolívia-Argentina, avistamos as incríveis sinclinais de Humahuaca, formadas pela combinação de diferentes ambientes de sedimentação dobrados pelo choque das placas tectônicas sulamericana e pacífica.

      Às margens da Ruta 9, a bela paisagem das sinclinais de Humahuaca.
       
      Já era noite quando chegamos na cidade argentina fronteiriça, La Quiaca. O pior é que ainda precisávamos achar um lugar que fizesse impressão, pois o Jé e a Paty não haviam conseguido imprimir o certificado internacional de vacinação contra a febre amarelo, um documento obrigatório para a entrada na Bolívia, Percorremos alguns locais e por sorte achamos um escritório aberto, muita sorte por se tratar de um sábado à noite.

       
      14/07/2019 - A rota solitária no sul da Bolívia - La Quiaca a Uyuni.
       
      Acordamos com uma primeira missão, precisávamos comprar uma lâmpada para o farol da Triton que havia queimado na noite anterior.
      Fomos direto à fronteira, fizemos toda a documentação, inclusive a Declaracion Jurada, o documento mais importante para se entrar de carro na Bolívia, se você não o tiver, a polícia pode apreender seu carro e ele se torna propriedade do governo boliviano e, realmente, você perde seu veículo. Diante disto, além de fazer o documento ainda tiramos umas três cópias com medo de entregar a original para um oficial e “sem querer” ele perdê-la.
      Adentramos Vilazón, a primeira cidade do sul boliviano lembra o cotidiano de Ciudad del Este, ruas abarrotadas de lojas que vendem eletrônicos a preços mais baixos que no Brasil ou Argentina. Fizemos o câmbio e saímos à procura das lâmpadas. Almoçamos um prato bem suspeito numa feira local, custou cerca de cinco reais a refeição e todos sobrevivemos.
      Após tudo em ordem, seguimos viagem pela rota em direção ao vilarejo de Tupiza, uma rota bem alternativa que praticamente não existiam relatos. A rota mais tradicional é aquela que segue para Potosí e depois para Uyuni, mas é muito mais longa. De fato a rota por Tupiza era meio estranha, apesar de estar passando por um processo de asfaltamento, diversas vezes saímos do trajeto original e avistávamos a estrada asfaltada no horizonte. Seguíamos em direção a ela e logo o asfalto sumia de novo e saíamos da rota, isto se repetiu umas cinco ou seis vezes e não havia ninguém a perguntar também, nessa hora as fotos de satélite nos auxiliavam.
      Apesar das dificuldades, o trajeto é magnífico, com montanhas belíssimas margeando o caminho que seguia os leitos dos rios.

      Vista do caminho para Tupiza.
       

      Um dos trechos que entrávamos por engano e saímos da rota principal.
       
      Ainda na estrada, alguns estupendos inselbergs apareciam em nosso trajeto, demonstrando a força da erosão eólica sobre os monumentos geológicos da região.

      Um belo inselberg no caminho a Tupiza.
       
      Depois de uns 80 quilômetros rodados conseguimos nos manter sempre no caminho correto, pois grande parte da estrada já estava asfaltada, ainda bem, pois as serras que tivemos que vencer eram muito íngremes e exigiram bastante da Triton que não passava dos 40 km/h.

      Apesar de íngreme a estrada, a Triton aguentou bem e nos fez avistar as belas paisagens montanhosas do sul da Bolívia.
       
      No fim de tarde chegamos a Uyuni, já bem cansados e famintos. Imediatamente fomos abastecer o carro e comprovamos aquilo que tínhamos lido sobre a Bolívia, o combustível para estrangeiros é o dobro do preço. Mas fizemos um esquema com o frentista do posto e ele nos vendeu a 1,5 a mais que o preço normal nos vendendo como estivessemos com o carro boliviano. A grana a mais ele embolsou, justo, afinal o salário deles é estupidamente baixo.
      A noite, eu e Jé nos separamos das nossas esposas afinal queríamos comer especiarias locais, enquanto elas queriam uma refeição mais confiável. Apesar de muito pobre o lugar, não nos preocupamos com a segurança, nada é pior que São Paulo ou Rio de Janeiro.

       
      Dia 15/07/2019 - Desbravando o Salar de Uyuni
       
      Estávamos ansiosos para este dia, enfim iríamos conhecer o tão famoso Salar de Uyuni, e o melho,r faríamos isto com o nosso próprio carro, sem depender de agências de turismo.
      Logo cedo fomos em direção a Colchani, o vilarejo de entrada do Salar, observamos o caminho que algumas Toyotas faziam para não termos nenhuma má surpresa e atolarmos em algum lugar. Foi bem tranquilo, como era época de seca, não havia tantos atoleiros na entrada do salar.
      Seguimos umas vans até a praça das bandeiras, um ponto bem turístico com as bandeiras de diversos países e até mesmo, de times como Corinthians, Palmeiras e Grêmio. Aproveitamos para conhecer o Hotel de Sal ao lado da praça e tirarmos fotos no monumento do Rally Dakar.

      O monumento do Rally Dakar no meio do Salar de Uyuni.
      Após isso seguimos algumas marcas de pneu no chão até a ilha Incahuasi, uma ilha de cactos em meio ao Salar de Uyuni. Tal ilha forma uma magnífica paisagem e localiza-se bem próximo ao centro do Salar, tanto que dirigimos mais uns 40 minutos da praça até a ilha. 

      A Ilha Incahuasi próximo ao centro do salar.
      A formação do salar de Uyuni é explicada pelo soerguimento da plataforma continental no momento de formação da cordilheira andina. A região era um imenso mar que ascendeu e transformou-se com o tempo em uma imenso lago, por conta da elevada evaporação da água. Enquanto a água evaporava, depositava-se em seu fundo imensas quantidades de sais. Ao passo que mais evaporação ocorria o lago foi sumindo e uma imensidão branca de sal tomou conta de uma área de aproximadamente 10.500 km².
      Tal formação também fez do salar uma importante reserva de lítio, configurando-o como o ponto setentrional do Triângulo do Lítio, região já mencionada anteriormente. Diferentemente da Argentina e Chile, a Bolívia tinha outros planos para tal recurso, Evo Morales havia investido fortemente em indústrias que processariam tal recurso e que, em vez de exportar um produto de baixo valor agregado, poderiam no futuro exportar até mesmo carros elétricos.
      Dirigir em meio ao salar pode ser uma aventura perigosa, apesar de muitos locais terem marcas de pneu, nem sempre estas te levam a algum lugar, seguimos algumas, dirigimos por horas e não achávamos nada. Por isso é bom ter uma bússola e contar com um gps com as imagens de satélite baixadas para não se perder em meio à imensidão branca.

      Alguns trechos do Salar não tem marcação, por isso é importante uma bússola e um gps para se guiar.
       
      Saímos em busca do espelho d’água. Sabíamos que não era época de encontrá-lo, pois estávamos no período de secas, mas alguns locais nos disseram que na base do vulcão Tunupa era mais fácil de encontrar. Abrimos as imagens de satélite, observamos a localização do vulcão e seguindo a bússola, partimos em direção à sua base.
      Enfim encontramos água e o famoso espelho que nas fotos dá a sensação de estarmos flutuando em um céu infinito. Esta seria uma das mais belas paisagens que veríamos no roteiro inteiro.

      O céu infinito no Salar de Uyuni.
       
      Ainda tentamos subir de Triton no vulcão Tunupa, mas percebemos que seria inútil a tentativa, pois a estrada acabava bem longe da cratera e não haveria tempo suficiente para escalá-lo durante o dia. Portanto voltamos a Colchani, no mesmo esquema, traçamos a rota nas imagens de satélite e seguimos a bússola. Desta vez iríamos passar a noite em um hotel de sal na entrada do salar.
      Este hotel de sal era novo e ainda não estava recebendo reservas, mas na noite anterior durante uma conversa com os guias, eles nos ofereceram a estadia neste lugar por um preço bem bacana, então resolvemos arriscar.
      De fato era um hotel bem bonito, mas com uma estrutura muito aquém do esperado. Tomei uma das piores decisões da vida, quando resolvi encarar um banho. Achei que o frio do salar seria compensado com um banho quente, porém o chuveiro esquentou nos primeiros segundos e depois ficou geladasso. Neste momento a temperatura no próprio quarto já era negativa e nunca passei tanto frio na vida. Até a Carol ficou assustada, ao final do banho, tremia tanto que nem quatro cobertores eram capazes de me esquentar. Necessitei do calor humano dela para parar de tremer, mas isto ocorreu uns 15 minutos depois.
      Reconstituído, fomos observar o pôr do sol no salar, um espetáculo, apesar do frio congelante.

      O pôr do sol visto da janela do nosso quarto no hotel de sal.
       
        
      Dia 16/07/2019 - A travessia Bolívia e Chile pela rota do vulcão Ollague
       
      Antes de seguirmos viagem neste dia, necessitamos trocar o óleo da Triton, pois já havíamos andado mais de 5 mil quilômetros, e ainda realizar uma lavagem completa para tirar o sal do carro, com o intuito de não estragar as peças por corrosão.
      Conseguimos deixar Uyuni na hora do almoço e seguimos viagem. Infelizmente o roteiro que gostaríamos de percorrer não seria possível (a rota direta para San pedro de Atacama, passando pelos Gêyseres Sol de la Mañana e Laguna Colorada), pois os guias locais haviam nos informado que o caminho estava praticamente intransitável pela quantidade de neve que havia no local. Decidimos não arriscar e mudar o trajeto, seguiríamos pelo Paso Avaroa, que nos levaria até Calama, capital do deserto do Atacama no Chile.
      Tal roteiro é menos turístico e pouco movimentado, mas de igual beleza. Nele passamos por várias formações rochosas vulcânicas, grandes afloramentos de basaltos e diabásios, sendo o mais famoso o Valle de las Rocas.

      Valle de las Rocas - Ruta 701 - Bolívia.
       
      O caminho através da Ruta 701 é lindo, inteiramente na altitude e rodeado por grandes e inúmeros vulcões. O maior deles e ativo era próximo a fronteira, o Ollague. Quando chegamos próximo a ele, vimos pequenas fumarolas saindo de dentro de sua cratera, o que me deixou muito empolgado, torcendo para avistar uma erupção, o que não ocorreu. Olhando pelo lado positivo, pelo menos estou vivo.

      Os vulcões foram nossos únicos companheiros neste dia. Não cruzamos com ninguém nesta estrada.
       
      Chegando na fronteira, iniciamos os longos trâmites para ingressar no Chile. A polícia aduaneira do Chile é uma das mais exigentes da América do Sul e mesmo estando numa fronteira pouco movimentada, fizeram-nos esvaziar o caçamba inteira da Triton e abrir as caixas da caçamba, o que foi muito difícil por conta do frio que emperrou as trancas.
      Depois de cerca de uma hora e meia de trâmite, já era noite. Seguimos a Calama e, infelizmente, perdemos várias lindas paisagens do trajeto. Porém, como era noite de lua cheia, as lagunas altiplânicas espelhavam-a elaborando uma misteriosa e harmoniosa paisagem. Minha vontade era de parar e acampar ali mesmo, porém o frio e os ventos impediram-nos de realizar mais esta aventura.
      Chegamos por volta das 22h em Calama e resolvemos ficar em um bom hotel depois da trágica e congelante estadia no hotel de sal, precisávamos de um banho decente, pois havia uns três dias que não desfrutávamos deste conforto. E por esta cidade ser bastante turística, demos sorte porque conseguimos fechar um hotel com desconto do IVA para estrangeiros.

       
      Dia 17/07/2019 - A aridez do Atacama e a nostalgia do reencontro
       
      Depois de tantos dias acima dos 3.500 metros de altitude, descer para 2.500 pareceu que ganhávamos um novo gás. As coisas aparentavam mais leves, o carro também respondia melhor, parecia que tudo seria mais tranquilo agora.
      De Calama até San Pedro de Atacama ainda é um bom percurso. Demoramos cerca de 2 horas para chegar no nosso destino turístico. Próximo de lá já avistávamos dos mirantes as cordilheiras de sal presentes no Valle de la Luna. Tais cordilheiras delimitavam os limites do salar de atacama, o ponto mais ocidental do Triângulo do Lítio e o ponto mais longe da nossa casa. Até então o odômetro já registrava mais de seis mil quilômetros percorridos e ainda havia toda a volta para encararmos.
      Ao entrar em San Pedro, a nostalgia tomou conta de mim, afinal havia estado lá em 2015 em uma das minhas maiores aventuras, um mochilão com meu camarada Jonas Risovas, sem destino certo e sem nada fechado. Procurando aproveitar mais este momento nostálgico fui atrás do mesmo hostel que havia me hospedado quatro anos atrás e, rapidamente, encontrei-o logo após o cemitério municipal.
      O Hostel Lackuntur é um pouco mais afastado da principal rua do vilarejo, a Caracoles que  concentra as agências de turismo e as lojas de artesanatos para o consumo turístico. Chegando lá, prontamente me apresentei dizendo que já havia me hospedado lá e, por isso, gostaria de um bom desconto. A resposta foi positiva e então fechamos mais duas noites por lá, afinal queríamos aproveitar mais os atrativos do deserto.
      Fizemos nosso almoço no próprio hostel e saímos em busca da Laguna Escondida, um circuito de sete lagunas com alta concentração de sal, que impedem seu corpo de afundar. Uma bela experiência na hora, mas terrível quando você sai da água pela quantidade de sal impregnada no seu corpo.

      A primeira das sete lagunas escondidas. Somente duas são abertas para o banho, o restante é fechado por conta da preservação do frágil ecossistema.
       
      Após a escaldante trilha nas lagunas seguimos para o Valle de la Muerte para assistir o pôr do sol. Tal lugar recebe esse nome por conta de um erro de tradução. O local aparenta muito a superfície de marte, o que levou pesquisadores a chamarem de Vale de Marte, porém, num típico telefone sem fio, com o passar do tempo, o lugar ficou conhecido como Valle de la Muerte.

      A bela vista do Valle de la Muerte. Ao fundo sobressai-se na paisagem o cartão-postal de San Pedro de Atacama: o vulcão Licacanbur.

       
      Dia 18/07/2019 - A beleza imensurável das Lagunas Altiplânicas
       
      A cordilheira andina é show de beleza natural, sobretudo, quando nos caminhos percorridos, tornam-se visíveis suas lagunas formadas pelo degelo dos cumes elevados.
      Este foi o objetivo deste dia. Percorremos a rota 23 até quase a fronteira da Argentina no Paso Sico, e, posso dizer com tranquildade, que é o caminho mais lindo do deserto do atacama.
      Nossa primeira parada foram as Lagunas Miñique e Miscanti, que levam o mesmo nome dos vulcões que as margeiam. Formadas pelo degelo, apresentam diferentes tons de azul, demonstrando a diferença de suas profundidades e da alcalinidade da água que recarregam seus reservatório.

      A bela Laguna Miñiques e seu vulcão ao lado esquerdo.
       
      Seguindo a diante na rota 23, o próximo ponto de parada é a Laguna Salar de Talar e as Piedras Rojas. Infelizmente este local não é mais aberto para visitação. Na primeira vez em que estive aqui, em 2015, eu e Jonas tivemos a oportunidade de caminhar pela laguna congelada e encarar o declive das Piedras Rojas, um grande campo de material piroclástico provindo da erupção do vulcão Miscanti.
      De qualquer forma, não deixa de ser bela a paisagem na beira da estrada. Momentos espetaculares e inesquecíveis vivenciamos ao longo deste incrível trajeto.

      A bela laguna do Salar de Tara. Antigamente era possível caminhar sobre suas águas congeladas.
       
      O mirante do Salar de Tara costuma ser o último ponto turístico visitado pelas agências de San Pedro de Atacama nesta rota. Uma pena, pois alguns quilômetros a frente é possível observar a imponente Laguna Tuyajto. Também formada pelo degelo das montanhas, suas águas apresentam um tom azul turquesa que contrasta com o amarelado das punas altiplânicas e o cinzento do solo árido.

      Laguna Tuyajto, parece uma pintura com suas águas azul turquesa.
       
      Após esta última parada era hora de voltar para San Pedro de Atacama. Planejamos dar uma volta pelo centro da cidade, a rua Caracoles à noite e fazer uma boa refeição, pois o dia seguinte seria um dos mais puxados da viagem.

       
      Dia 19/07/2019 - O poder das forças endógenas: A bacia geotérmica El Tatio
       
      Era por volta das 4h30 da manhã, ou melhor da madrugada, quando nosso despertador tocou. Sentimos aquele ímpeto desespero, porque tínhamos que levantar, deixando o calor de nossas cobertas para encarar o frio congelante do deserto.
      A ideia era ir até um famoso ponto turístico, os Gêyseres del Tatio. Localizado na bacia geotérmica de mesmo nome, esta área contém uma série de fissuras que são preenchidas com a água do degelo e que entra em contato com o magma em subsuperfície, alcançando uma temperatura próxima aos 85ºC e com colunas que podem chegar a alguns metros de altura.
      O El Tatio é o maior campo de gêiseres do hemisfério sul e terceiro maior do mundo, atrás do Parque Nacional de Yellowstone nos Estados Unidos e do Vale dos Gêyseres na Península de Kamtchaka na Rússia. 
      O local apresenta uma altitude superior aos 4.200 metros em relação ao nível do mar e quase sempre as temperaturas são negativas. Ao nascer do sol, facilmente, as temperaturas podem chegar abaixo dos 15 graus celsius negativos. Contudo, apesar de ser a hora mais fria do dia, também é a mais recomendada para a visitação.
      Chegamos bem na hora do nascer do sol e, realmente, a temperatura estava muito baixa. As luvas não davam conta e nem nossas botas. Tentamos, inutilmente, acender nosso fogão de camping para fazer um café e não conseguimos sequer uma chama. Acreditamos que seja por conta da combinação do frio com o oxigênio rarefeito no local.
      Mas o frio não nos venceu, fizemos umas trilhas para ver de perto os gêyseres, um espetáculo à parte. A águas jorravam ao alto e quando caíam no chão, congelavam instantaneamente.

      A bela paisagem formada pela combinação dos raios solares atravessando as fumarolas dos gêyseres.
       

      O campo dos Gêyseres del Tatio tem um boa infraestrutura de visitação com muros que limitam a zona de segurança de observação dos fenômenos.
       
      Após a visitação a este magnífico lugar, seguimos a rota para a Reserva Nacional dos Flamencos. Acabamos errando o caminho e percorremos um longo trajeto em meio ao Salar de Atacama.
      O Salar de Atacama é bem diferente dos demais salares que visitamos ao longo de nossa viagem. Ele não apresenta aquela imensidão lisa e branca, pois o sal está misturado com o barro proveniente das escassas chuvas torrenciais que atingem a região em alguns dias do ano.
      Neste erro de trajeto, podemos adentrar uma área de uma mineradora que atua no salar, provavelmente retirando lítio, arsênio e outros recursos.Rapidamente, o guarda nos repreendeu dizendo que estávamos um uma zona privada e que a Reservas dos Flamencos era muito antes. Demos meia volta e seguimos a estrada, ou melhor o caminho que corta o Slar pelo meio.
      Enfim chegamos na tão procurada Reserva, um local de descanso e reprodução de flamingos. Alguns deles estavam próximo à área de observação o que nos rendeu um belo cenário. Contudo, é possível perceber os impactos da atividade mineradora no local, em 2015 eu já tinha visitado a região e a minha percepção era outra. As águas apresentavam um aspecto turvo, muito diferente do espelho cristalino que observei alguns anos atrás.

      Os flamingos se alimentam dos microorganismos que se desenvolvem nas áreas alagadas do salar.
       

      A bela cordilheira andina refletida no Salar de Atacama.
       
      E após esta última parada, estávamos praticamente finalizando nossa viagem. Agora era descansar para iniciar o caminho de retorno a nossa casa.
       
      Dia 20/07/2019 - A travessia dos Andes pela Rota 52 (Paso Jama)
       
      Com o sentimento de dever cumprido, arrumamos nossas malas e nos despedimos do Atacama. Percorreríamos a linda ruta 52, que atravessa os Andes do Chile à Argentina pelo Paso Jama.
      Assim que deixamos o vilarejo de San Pedro de Atacama uma longa subida , praticamente em linha reta, precisou ser vencida. Sem muitas dificuldades para a Triton, o caminho que se abre é um ponto alto da viagem. Logo alguns quilômetros estrada acima, nos aproximamos dos vulcões Licacanbur e Sairecabur.

      Os estratovulcões Licacanbur e Sairecabur vistos da janela da Triton.
       
      São vários incríveis minutos margeando estes vulcões. A paisagem é espetacular, em meio à aridez do Atacama, o Licacanbur destaca-se com o típico formato cônico recoberto com neve próximo à sua cratera. Seu cume supera os 6 mil metros de altitude, porém ele é só mais um dos vários vulcões que fazem parte do chamado Círculo de Fogo do Pacífico, que compreende a Cordilheira dos Andes, a América Central, a Sierra Madre mexicana, a falha de San Andreas, as montanhas de leste do Canadá e o Alaska no continente americano.
      O Círculo de Fogo do Pacífico tem esse nome, pois trata-se de uma região com intensa atividade vulcânica e sísmica. Mais de 80% dos terremotos e erupções no mundo ocorrem nesta região. Isto deve-se ao contato convergente de placas tectônicas, sejam do tipo continental com oceânica, no que diz respeito à América, ou oceânica com oceânica, quando ocorre na Ásia ou Oceania.
      Alguns quilômetros a frente e deixamos a linha de vulcões para trás e entramos no altiplano andino, uma área com cerca de 4 mil metros de altitude em média. Percorrendo a Ruta 52 não são poucos os salares, lagos congelados ou montanhas que margeiam a estrada, contrastando a bela paisagem com as condições extremas do local.

      O Salar de Tara, localizado à beira da Rota 52 é um excelente ponto de parada para apreciar a paisagem.
       

      Salar de Loyoques, outra bela parada às margens da Rota 52,
       
      Algumas horas à frente e já avistamos as Salinas Grandes, outro salar no caminho da Rota 52. Quando a avistamos, já sabíamos que estávamos perto da bela descida para Pumamarca, que havíamos realizado uma semana atrás. Porém desta vez não seguiríamos ao norte e sim iríamos a Salta, pousar e encarar os longos trechos de volta para casa.
       
       
      Dia 21/07/2019 - A travessia do Chaco: pela estrada ou pelo acostamento?
       
      Antes de seguirmos viagem, resolvemos aproveitar um pouco a linda cidade de Salta. O meu maior desejo era comer novamente um pancho, o cachorro-quente salteño. Em 2015, eu e Jonas ficamos alguns dias em Salta e todas as nossas refeições foram panchos, pois era a opção de comida mais barata, já que não tínhamos grana. Comi logo três panchos, uma delícia, pois o que o diferencia do nosso cachorro-quente são os molhos, eles oferecem cerca de 15 diferentes tipos de molho, alguns como Salame, Pizza, Roquefort etc. 
      Ainda aproveitamos para ir no mercado comprar vinhos, afinal estávamos na Argentina e voltar ao Brasil sem nenhuma garrafa não era uma opção.
      Compras realizadas, seguimos viagem, o trajeto era longo, cerca de 700 km iríamos percorrer, mas achávamos que seria rápido, pois a Rota 16 é um reta infinita. Grande engano nosso, depois de umas duas horas de estrada, começou um longo trecho de buracos, ou melhor de crateras. Eram tantos que nossa velocidade média era de 20 km/h. O desespero começou a bater, naquele ritmo demoraríamos muito tempo para chegar. Diante dessa situação, resolvi agir, botei o carro fora da estrada, engatei o 4x4 e segui atravessando as vezes o pasto e plantações de soja. E dessa maneira conseguimos vencer este trecho que tinha uns longos 50 km.
      Como havíamos saído mais tarde de Salta, não iríamos conseguir chegar em uma hora adequada em Corrientes, por isso resolvemos pousar em uma cidade do Chaco mesmo. Escolhemos Saenz Roque Peña para procurarmos um hotel e demos muita sorte. Depois de pesquisar preços em pousadas e hotéis péssimos, resolvemos nos dar o luxo e ir dar uma olhada no hotel mais luxuoso da cidade o Gualok. E por incrível que pareça, ele tinha o preço parecido com as espeluncas que tínhamos visto antes, isto porque como somos estrangeiros, eles não cobram o IVA.
       

      A bela piscina do Hotel Spa Cassino Gualok. Recomendamos a estadia a todos que foram atravessar o Chaco.
       
      Ficamos muito animados, afinal o Gualok não era um hotel qualquer, era também um Spa e um Cassino. Logo fomos aos nossos aposentos, tomamos o melhor banho da viagem e já estávamos no saguão cobrando nossos drinks de cortesia. Sentados à beira da piscina, bebemos um pouco e tomamos coragem de ir ao cassino.
      Ao entrar no cassino, já fomos avisados que não era permitido tirar fotos, infelizmente. Mas o cenário era uma típica cena de filme de Las Vegas, aquelas mesas cheias de velhos apostando e perdendo dinheiro. Tentamos a sorte em umas máquinas caça-níqueis, mas obviamente, perdemos mais do que ganhamos. Mas tudo bem, gastamos menos que vinte reais e nos divertimos um pouco.

       
      Dia 22/07/2019 - Mais e mais asfalto - de Saens Roque Peña a Foz do Iguaçu
       
      Não tenho muito o que escrever sobre este dia, acordamos cedo e dirigimos até a noite, quando finalmente cruzamos a fronteira argentina e voltamos às terras tupiniquins.
      O único causo do dia foi que na província de Corrientes e exatamente no mesmo posto policial que havíamos pago propina uma semana atrás, eles nos pararam novamente. Fiquei muito irritado, nem cumprimentei o guarda e já fui falando que tudo estava em ordem e que já tínhamos sido parados aqui alguns dias atrás.
      Ele me observou com cara de poucos amigos, pediu para eu descer do carro e abri a caçamba. Fiz o que ele mandou e, prontamente, já comecei a tirar as malas sem ele pedir. Ele deve ter percebido minha irritação e falou para eu colocar tudo de volta e nos liberou. Assim, seguimos nosso longo trajeto.
      Ao chegar em Foz, optamos em ficar em um hotel próximo da fronteira, pois queríamos aproveitar e fazer umas compras no Paraguai. 
       
      Dia 23/07/2019 - Ciudad del Este - O dilema da oportunidade versus o consumismo
       
      Não me alongarei muito sobre este dia, pois o resumo foram compras e mais compras. A Carol super empolgada para comprar apetrechos para nossa casa e o Jé e a Paty ansiosos pelo primeiro dia deles no mais famoso centro de compras da América do Sul.
      Obviamente aproveitamos algumas oportunidades e compramos o que mais vale a pena, os eletrônicos, lustres para casa, perfumes e bebidas.
      Todavia, voltamos ao Paraguai mais duas vezes ao longo do dia e resolvemos dormir mais uma noite em Foz para realizar todas as compras possíveis.

      Algumas das compras do Paraguai, a dificuldade seria caber tudo no carro.

       
      Dia 24/07/2019 - A volta é sempre mais demorada. Enfim em casa.
       
      Acordamos bem cedo, e a ainda fomos mais uma última vez para o Paraguai, pois a Carol havia esquecido de comprar o perfume para sua prima, a qual ela tinha prometido.
      De volta ao hotel, o maior desafio foi colocar tudo de volta no carro, além das dezenas de novas compras. Não sei como coube tudo, até dentro do pneu que estava no rack de teto colocamos coisas e assim partimos, torcendo para não sermos parados pela Receita Federal.
      O caminho de volta foi o pior de todos, muita obra na estrada, muitos caminhões no Paraná. Chegamos em Curitiba já era de noite, mas resolvemos encarar a volta completa sem parar. 
      Chegamos em São Paulo já eram quase 2 horas da manhã e tivemos a melhor recepção de todas. Marx e Nietzsche com seus rabos abanando pareciam dois foguetes indo de uma lado para o outro quando ouviram o barulho do carro. Nos lamberam de ponta a ponta e quase que não deixaram nós descarregarmos o carro.
      Jeferson e Patrícia ainda encarariam mais duas horas de estrada até a casa deles em São Pedro-SP. Por isso, descarregamos o carro inteiro, arrumamos o porta-malas da Duster e eles seguiram. Nos despedimos com aquele sentimento mesclado de cansaço, dever cumprido e tristeza por ter acabado.
      E agora era voltar a vida normal com mais uma aventura pela frente.
       
       
      Mapa da rota percorrida



    • Por cassizanon
      Fala Galera, finalmente to tomando coragem pra fazer minha primeira viagem sozinho. Sempre fiquei dependendo de ter alguém pra viajar comigo mas datas, orçamentos e disposição nunca bateram, e nunca consegui viajar. ACHO QUE AGORA VAI, tenho um certo receio de estar por conta própria, mas acho que faz parte da experiência.
      Sempre quis viajar pra Argentina e há anos tenho pesquisado e feito vááários roteiros que nunca se concretizaram. 
      Agora, pesquisando preços de passagens, achei valores que achei incrivelmente baixos e antes de reservar, queria confirmar com vocês se meu (pouco) planejamento até agora está nos conformes e se os valores realmente valem a pena.
      Bem, moro em Florinópolis/SC, mas achei as seguinte passagens:
      Porto Alegre para Buenos Aires
      FLYBONDI
      Ida: 14/04 (19:25 - 20:10)
      Volta: 30/04 (17:05 - 18:40)
      Total: R$426,91
      A Flybondi não tem bagagem incluída, porém eles mencionam isto: A piece of hand luggage of up to 6kg is included. If you are flying to or from Brasil, 10kg are included for hand and cabin luggaged combined.
      Então eu teria 10kg para levar na cabine. Vocês acham que é possivel passar 16 dias (no possível frio de Bariloche) com 10kg de bagagem só? Eu teria que pagar 110 reais por trecho pra levar mala de 20kg.
       
      Buenos Aires para Bariloche
      AEROLINEAS ARGENTINAS
       
      Ida: 17/04 (13:00)
      Volta: 29/04 (15:25)
      Total: R$316,43*
      *Aqui que pega, esse voo não inclui nenhuma bagagem, apenas "mochila que caiba embaixo do assento", não achei peso nem nada, porém para poder levar bagagem adicional, que também não sei ao certo o peso, pelo site da Cia, seria cerca de R$50 por trecho, então o total poderia ficar em R$ 416 +-. O que acham?
       
      HOSPEDAGEM:
       
      No Booking.com, encontrei o Hostel HOPA-Home Patagonia Hostel & Bar, a 1,1km do centro (no site deles diz 700m).
      12 dias - R$371 + R$78 de ISS (Quarto compartilhado com 8 camas)
       
      Alguém já se hospedou neste hostel? Parece ser bom e bem completo, porém queria opiniões da galera daqui. O preço está ok também?
       
      O QUE FAZER:
      Bem, aqui eu teria que com tempo reler meus guias, comprar guias novos (o que tenho é de 2013), e meus roteiros antigos, porém tenho uma boa noção do que quero conhecer, até locais mais distantes, como El Bosón, Ventisquero Negro, Rota dos 7 Lagos, etc.
      O problema é que dessa vez meu planejamento vai ser sem carro, e estou 100% desatualizado em como tá a situação lá pra usar Uber, 99, Bla bla car, etc, qualquer tecnologia que facilite transporte. Ou se ainda devo me focar em tours, passeios contratados pra conhecer certos lugares, tipo fazer o circuito chico, grande, rota dos 7 lagos, e idas pra lugares mais longe. E até mesmo transporte dentro da cidade. Vocês poderiam me dar um help nisso? Eu queria muito conhecer alguém lá e fazer esses passeios juntos.
       
      Mas enfim, para conhecer bem Bariloche e região, vocês acham que 11, 12 dias dá com tranquilidade? Não sei que tipo de viajante sou, mas sei que quero apreciar muito o lugar.
      E também, coloquei uns 3 dias para Buenos Aires, acho que vai ser meio corrido, mas como meu foco é Bariloche mesmo, acham que é suave deixar esse tempo pra capital?
       
       
      Eu queria muito incluir Mendoza e o Aconcágua nessa viagem, mas acho que encareceria muito, mas fazia parte do meu roteiro dos sonhos, mas acho que fica pra uma próxima.
      Desculpem o post longo, mas tentei organizar o máximo possível!
      Valeu galera!
       
    • Por Roberto Bessa
      Olá pessoal, estou planejando fazer uma viagem com meu Chevette 1981 saindo de Petrópolis RJ indo até a cidade de Quevedo no Equador em Abril de 2020, alguém já fez esse trajeto sabe informar quais documentações preciso para o carro circular nos países que vou passar? (Argentina, Chile, Peru, Equador e talvez Bolívia)
      Obrigado!
       



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