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Huaraz (Cordillera Blanca) - Peru - 12 dias de trekking e tours


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Oi pessoal!

 

Do dia 15 a 26 de julho estivemos num dos lugares mais famosos para trekking no mundo, a Cordillera Blanca no Peru, ao norte de Lima.

Depois de voltar dos trekkings em El Chalten (Argentina) e Torres Del Paine (Chile) que fizemos em janeiro de 2011, queríamos aproveitar nossa forma física e disposição e encarar mais alguns trekkings. Encontrei o blog Natureza Adentro na net e me apaixonei pela Cordillera Blanca e decidimos que seria nosso primeiro destino no Peru. Infelizmente, por causa da altitude, o cardiologista do meu pai achou melhor ele dessa vez não nos acompanhar na aventura... Ele ficou chateado, mas temos que respeitar o limite de nossos corpos, não é verdade? Eu mesmo antes de encarar os mais de 5.000m de altitude fui a um cardiologista ver se meu coração e pressão estavam em bom estado, só para garantir...

Aqui no mochileiros.com os tópicos Huaraz – Perguntas e Respostas e Huaraz – Verdades e Mentiras e os amigos Peter Tofte e Bruno Albuquerque me ajudaram muito. Obrigada!

 

 

Dia 1 – 15/07/2011

Chegamos no Aeroporto de Guarulhos as 6h da manhã, pois nosso vôo seria as 8:25h e a empresa TAM nos presenteou com uma Contigência Operacional... Tentamos argumentar de todas as formas, mas não teve jeito, embarcaríamos apenas no vôo do dia seguinte. Mesmo a TAM nos levando a um hotel com todas as refeições pagas até o dia seguinte, nos sentimos lesados, pois toda a programação com a agência de turismo em Huaraz já estava programada a dias e perderíamos um dia de trekking. A vantagem é que conseguimos mudar a data de retorno para 26 de julho...

 

 

Dia 2 – 16/07/2011 - Lima

Conseguimos embarcar, mas o vôo 8066 da TAM saiu com 1 hora de atraso. Infelizmente ao chegarmos em Lima não conseguimos pegar o ônibus para Huaraz das 13:30h e o jeito foi conhecer um pouquinho da cidade.

Trocamos alguns dólares por Soles no próprio aeroporto, antes mesmo de sair da sala de desembarque. Cotação de U$ 1,00 por S$ 2,65.

Atrasamos nossos relógios em duas horas e começamos a tomar o remédio Diamox, para diminuir os problemas com soroche (mal da altitude) para quem sobe acima dos 3.000 m de altitude.

Ao sair do aeroporto pegamos um 'Taxi Gren' até a Paseo de la República no Terminal da Movil Tours para comprarmos nossas passagens para Huaraz. A corrida deu S$ 55,00, dentro do esperado que tínhamos pesquisado na net (de S$ 45,00 a S$ 60,00). Gente, quase batemos umas 30 vezes... Como eles andam mal nas ruas... E sem contar que buzinam pra tudo!!!

No Terminal da Movil Tours compramos o acento semi-cama (equivale ao semi-leito nosso) por S$ 50,00 das 10:30 da noite.

Depois pegamos outro taxi na rua e pedimos para o motorista nos levar até o Shopping Larcomar em Miraflores, por S$ 15,00. Que lugar lindo! De frente ao Oceano Pacífico, com a praia de pedras escuras que ao quebrar as ondas fazem um barulho estranho e você fica olhando tudo por cima das 'falésias' de mais ou menos 100 m de altura. Ainda aparecem voando pelo céu alguns malucos de Parapente que quase batem nos paredões. E o céu, como já tinha lido em outros relatos, sempre nublado

Almoçamos no shopping bem na hora do jogo do Peru x Colômbia. Como eles vibram! Não vou mentir que comecei a torcer pelo Peru e me emocionei quando eles ganharam... Depois foi só festa...

Outra coisa que achei lindo foi o patriotismo deles. As ruas repletas de bandeiras do Peru. Perguntei a um peruano e ele disse que é por causa da semana pátria (sua independência foi em 28 de julho de 1821). Fiquei mais admirada ainda, até que ele me confessou que se as empresas e casas não fizerem isso, pagam multa!!!!!! Daí não dá, né?

Depois fomos andando até o Parque Central de Miraflores a 7 quadras do Shopping. Que região LINDA! Quem for ficar em Lima deve se hospedar mesmo em Miraflores, tem de tudo, ótimos restaurantes e a vida noturna também ferve.

Fizemos um passeio com o ônibus de dois andares da Mirabus por Miraflores e passamos pelo Sítio Arqueológico de Huanca Pucllana, igrejas, parte residencial do Bairro e avenida costaneira. Pagamos S$ 10,00 por pessoa.

Saindo dalí fomos em uma rua que só tem restaurantes e depois de muito escolher fomos comer pizza. Mas não gostamos da pizza deles... Pouco recheio...

Voltamos ao Terminal da Movil Tours de taxi (por S$ 10,00) e embarcamos no ônibus das 10:30h, para encarar 8 horas de viagem e a subida do nível 0 a 3.200 m de altitude de Huaraz para dali sim começar uma aventura de verdade!

 

 

Dia 3 – 17/07/2011 – Chavin de Huantar

Chegamos em Huaraz as 6:45 da manhã. A viagem no ônibus foi boa, deu pra dormir bastante. Sofri um pouco com dor de cabeça, mas tomei um remedinho e logo passou.

Assim que desembarcamos na rodoviária de Huaraz, a Rut da agência de Trekking Artizon Adventure estava nos esperando com uma placa 'CARLA'. Nos apresentamos e fomos de taxi até o Albergue Churup, nossa pousada nesta cidade. Da rodoviária até o Albergue deu S$ 4,00. O Albergue Churup é lindo, uma decoração para gringo, mas a localização não é das melhores (Bairro La Soledad). Fizemos nosso check-in e fomos tomar café da manhã, super simples, com pães (muito gostoso), café com leite, chá, sucos, manteiga e geléia de morango. Ao esperarmos na recepção nosso transfer para Chavin, uma gringa entrou aos prantos, tinha acabado de ser assaltada... Bem que falei que a localização não era das melhores... Mas a vista do terraço é linda!

As 9:00h chegou o micro-ônibus que nos levaria a Chavin, nosso guia foi o Atilho, professor aposentado de história, então nem preciso dizer que ele nos deu uma bela aula sobre o Peru, as civilizações Pré-Incas e Incas. Foi ótimo! São 4 horas de estrada zigue-zagueando a Cordillera Blanca. No caminho paramos na maravilhosa Laguna Querococha, aos pés de um pico nevado muito belo que nos rendeu várias fotos...

O ponto de maior altitude que chegamos foi 4.500 m ao cruzar um túnel (Kaihuish) que passa para o outro lado da cordilheira. Depois é só descida, também em zigue-zague, com vista no fundo do vale a cidade de Chavin.

Paramos para almoçar em um restaurante super simples. Comemos uma truta frita com arroz e batatas maravilhosa, por S$ 15,00 por pessoa. O interessante foi tomar Coca-Cola quase sem gás, uma vez que estávamos a 0,6 atm e como o gás nos refrigerantes ficam em equilíbrio com a pressão atmosférica ao abrirmos a garrafa ela perde quase todo o gás em alguns segundos. Viu como foi bom prestar atenção nas aulas de física?

Depois de saciada a fome fomos ao Museu Arqueológico da Cultura Chavin. É interessante visitá-lo antes de ir ao sítio arqueológico para você entender melhor o que verá ao vivo, uma vez que uma avalanche em 1945 destruiu 80% do sítio e ainda não conseguiram restaurar tudo.

Depois fomos ao Sítio Arqueológico de Chavin de Huantar, uma civilização Pré-Inca de 1000 anos antes de Cristo. Visitamos suas praças de adoração ao deus Sol, Lua e onde os sacerdotes moravam. Impressiona a inteligência da arquitetura, execução das obras sem nenhum maquinário e o seu conhecimento da astronomia para definirem as épocas do ano. Eram apaixonados pelo número 7 e seus múltiplos e eram também muito ricos. Mas, assim como as demais civilizações antigas também faziam sacrifício humano, o lado triste da história.

Saímos de Chavin e regressamos a Huaraz, chegando às 8 horas da noite.

O nosso guia Atílio nos deixou na porta do Albergue Churup.

Mais tarde a Rut da Agência Artizon Adventure foi nos dar a programação de todos os trekkings e tours da semana e nos apresentou o Ivan, nosso guia que nos guiaria nos próximos 8 dias. Isso mesmo: um guia só pra gente! Incrível não? Por isso alguns amigos do mochileiros.com me escreveram e disseram que eu tinha negociado caro demais pelos passeios... É que eles foram com agências que levam de 15 a 20 pessoas e se você sente dificuldade pelo meio do caminho é largado pra trás... Com essa agência é guia particular...

 

 

Dia 4 – 18/07/2011 – Laguna Churup

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Saímos às 8 horas da manhã do hostel e seguimos para a Laguna Churup... Huaraz está a 3100m de altitude e fomos de carro até 3800m no povoado de Pitec. Dalí em diante é a pé mesmo... São só 4 km mas uma subidona que sai do 3800m e chega a 4540m. Desnível de 740m em 4 km é bem puxado... Nosso guia Ivan nos acompanhou devagar desde o início, mas quando cheguei a 4154m de altitude, comecei a passar muito mal: eu não conseguia respirar direito e o ar que entrava doía no peito, a cabeça doía bem perto da nuca, meu coração estava com uns 120 batimentos por minuto e estava começando a ficar enjoada...

Sentei em uma pedra e verbalizei minha desistência... Eu amo andar na natureza, mas preciso respeitar os limites do meu corpo. Pedi pro Elio e o guia continuarem que eu ia ficar por ali mesmo esperando eles... Eles prosseguiram!

Tomei meu remédio para dor de cabeça, bebi água, deitei na pedra e fechei os olhos... Fiquei uns 15 minutos me recuperando e quando abri os olhos eu já estava melhor! Resolvi ir andando devagarinho e tirar umas fotos pelo caminho (já que amo flores de altitude).

Então fui devagar, devagarinho, parando a cada 50 passos e sentando para descansar... Os outros trekkings foram me passando, passando... E eu só curtindo a natureza! Foi o trecho que mais tirei fotos e curti por estar alí, no meio daqueles nevados!

De repente dou de frente com o temido paredão que se tem que 'escalar' para chegar na Laguna Churup. Quando lí na internet que esse paredão era f... e que muitas pessoas desistiam alí eu tomei por mim que o meu final do trekking seria ali mesmo... E foi isso que fiz. Sentei e esperei os meninos descerem. Logo em seguida meu esposo e o guia chegaram e olhei no GPS que marcava 4380m de altitude. Faltava apenas 60m para a laguna. Mesmo assim não arrisquei!

Tomamos um lanche preparado pelo nosso guia, ví as fotos na máquina do Elio e comprovei que realmente essa laguna é linda!

Meu esposo disse que na subida do paredão tem 3 fases com cabo de aço. Na net vimos que a maioria das pessoas acham a terceira fase a mais difícil, mas o Elio disse que para subir ele achou a segunda fase mais complicada e para descer a primeira fase pior...

A descida foi light, fizemos em 1h30min.

O motorista do taxi estava nos esperando e voltamos a Huaraz em 1h.

Eles nos levaram a agência da Movil Tours para comprarmos nossas passagens de Huaraz para Lima no dia 25 de julho. Pagamos o super cama por S$ 65,00 por pessoa (equivalente ao leito nosso).

Voltamos a pousada, tomamos banho e saímos para jantar. Comemos um mignon maravilhoso no 'Encuentro' e pagamos S$ 28,00 por pessoa.

Depois a Rut e o Ivan da Artizon Adventure foram até a pousada para nos falar do passeio do dia seguinte. Nos mostraram o mapa do caminho que vamos fazer e disseram que sairíamos às 6 da manhã para ganharmos tempo (na verdade eu sei, eles querem ganhar tempo pois eu sou muito lenta para subir, mas eles são super educados e não vão me dizer isso....).

 

Continua...

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Continuando...

 

Dia 5 – 19/07/2011 – Laguna 69

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Acordamos super cedo, pois os meninos (Ivan – guia e Jerônimo – motorista) vieram nos buscar 6:00 da manhã. Foram super pontuais...

Saímos de Huaraz e andamos 55 km até chegar em Yungai, cidade devastada pela avalanche que aconteceu após um terremoto em 1970. Depois, andamos cerca de 2 horas em estrada de terra dentro do Parque Nacional Huascaran. Passamos pelas lagunas Llaguanuco (Chinancocha e Orcococha).

Depois seguimos até o Campamento Cebollapampa (3900m de altitude). A partir daí começa a caminhada de 3 a 3,5 horas até a Laguna 69. O começo é light com uma reta em leve inclinação e como muitas vacas e touros para enfeitar a paisagem (cuidados com os touros pela trilha, não dê as costas para eles...).

Depois vem os primeiros zigue-zagues, subida mais acentuada, mas também fácil de fazer.

A segunda fase do trekking retorna a mais uma parte praticamente plana e por último o segundo zigue-zague um pouco mais pesado que o primeiro, mas como já estamos numa altitude acima 4500m, fica bem puxado para quem ainda não está tão bem aclimatado (como eu...). Como sempre, fui bem devagar, pois ainda estou com dificuldade para respirar em altitude e meu coração ainda dispara por pouco...

Na parte final do segundo zigue-zague minhas mãos começaram a formigar incrivelmente (digo 'incrivelmente' pois estão formigando sempre, mas dessa vez foi de doer... Ainda meu nariz começou a sangrar... Fiz uma parada mais longa e assim que melhorei avistei os maravilhosos picos nevados de Chacraraju (6162m) e Pisco (5752m). Quando ví a água da laguna me arrepiei... É de um azul com tons esverdeados nos locais mais rasos lindo! Lá em cima fizemos nosso lanche preparado por nosso guia Ivan (comemos sem reclamar pão com recheio de abacate!!!)

Depois de meia hora começamos a descer. E como diz o provérbio: 'descer todo Santo ajuda!' descemos em 2 horas, média normal das pessoa que fazem esse trekking. No meio da descida, no segundo zigue-zague, começou a nevar pequenos flocos. Muito legal ver a neve caindo... Mas tal evento durou apenas uns 30 segundos...

Pegamos o taxi em Cebollapampa e voltamos até Huaraz (em tediosas 3 horas...).

Jantamos no Encuentro de novo (strogonof e Lomo Salteado - divinos) por S$23,00 por pessoa...

Voltamos ao Albergue Churup, tomamos um merecido banho e fomos dormir...

Amanhã o passeio será mais tipo tour que trekking (Laguna Llaca), para descansarmos, pois depois de amanhã será o trekking Quilcayhuanca de 3 dias e 2 noites!!!!

 

Dia 6 – 20/07/2011 – Laguna Llaca

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Os meninos da Artizon Adventure (Ivan – guia e Jerônimo – motorista) passaram no nosso hotel as 8h para começar mais um dia de aventura. Logo na saída da cidade um motorista de taxi bêbado bateu na lateral do carro de Jerônimo... Fiquei tão chateada... Mas eles são espertos, Jerônimo pegou a licença de dirigir do taxista e só vai devolver depois que ele pagar o estrago... A estrada que leva a Laguna Llaca é igual a todas por aqui: precipício de um lado e um paredão do outro. Nem fico mais olhando pela janela para ver o carro quase caindo morro abaixo... Depois de longas 3h de estrada chega-se a entrada do Parque. Lembro a todos que o pessoal da Artizon Adventure comprou o ingresso válido por 1 mês (S$65,00). Como na noite anterior havia chovido em Huaraz, aqui estava tudo coberto de neve... E haja paciência do guia em esperar a gente tira fotos...

A laguna é linda. Para evitar futuras avalanches, a maioria das lagunas por aqui possuem uma barragem na sua saída. Claro que se houver um terremoto muito forte elas não suportarão a descida de neve e pedras das encostas, mas mesmo assim, ajudarão a conter a fúria da avalanche. A região sofreu com dois terremotos fortes no último século: em 1945 e 1970.

Depois demos uma volta em torno da laguna e na parte mais próxima a geleira a laguna estava completamente congelada. Dava para jogar uma pedra e ela não afundava...Tomamos nosso lanche aos pés dos nevados e regressamos a Huaraz em longas 3 horas.

Em Huaraz fomos almoçar no El Horno, talharins com molhos superespeciais por S$25,00 por pessoa.

Passamos em um supermercado e compramos algumas coisinhas para levar ao trekking de 3 dias de Quilcayhuanca (lenços umedecidos, lenços de papel e bebidas. Demos uma volta pelo centro de Huaraz. Voltamos a pousada. As 19h o Ivan e a Rut da Artizon Adventure vieram para acertarmos os detalhes finais para o trekking de 3 dias. Acaram nosso saco de dormir muito fino e nos emprestarão mantas.

Fomos dormir cedo, pois sei que serão duas noites mal dormidas em barraca nos próximos dias...

 

Dia 7 - 21/07/2011 – Quebrada de Quilcayhuanca

PRIMEIRO DIA: trekking até o campamento Cayeshpampa

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Acordamos 7h e depois do café da manhã fomos de taxi até a entrada do Parque Huascaran para a Quebrada de Quilcayhuanca. Conhecemos nosso cozinheiro desses 3 dias de trekking, o sr. Marcos.

Fiquei com vergonha de ver a quantidade de coisas que o nosso guia Ivan e o Marcos estavam levando em suas mochilas cargueiras... Comida para os 3 dias, panelas, bules, barraca, plásticos... Nem pude reclamar de carregar minhas roupas e meu colchonete pelas 4 horas de trilha que teríamos pela frente, adentrando a Quebrada Quilcayhuanca. O nosso guia Ivan disse que desde 2008 não levava ninguém nessa trilha, pois é pouco procurada, não por falta de belezas naturais (que de passagem são deslumbrantes) e sim porque há tantas quebradas para se fazer em Huaraz que esta é uma das últimas a serem escolhidas. Confessei que a escolhi por ser rápida (apenas 3 dias) e que queria ver como me comportaria em um trekking desse nível para quem sabe o ano que vem encarar os 11 dias de trekking dos Cedros (Santa Cruz e arredores). O Elio disse que quer voltar aqui nos próximos anos e fazer todas as Quebradas possíveis de serem feitas... Eu se tiver fôlego e coração, com certeza acompanharei...

As 4 horas se passaram rapidamente, e quanto mais adentrávamos no vale, mais frio ficava. No local de acampamento (Campamento Cayeshpampa a 4100m de altitude) o vento começou a soprar e a temperatura caiu. Tomamos um lanche e depois jantamos uma sopa de entrada, prato principal um frango ao molho e arroz que só por Deus... Que delícia! E tudo feito alí, no meio do nada... Marcos é um cozinheiro de mão cheia. E de sobremesa um creme de abacaxi muito bom...

As 6:30h da tarde começou a escurecer e esfriar, então entramos nas barracas e fomos dormir...

Nessa noite dormi muito mal, primeiro porque fiquei pensando se acontecesse uma avalanche pra onde eu iria fugir (só eu mesmo pra pensar nisso numa hora dessas) e o que eu iria salvar... E em segundo lugar meus pés por nada do planeta queriam se aquecer, mesmo com 2 meias de lã, uma blusa polar enrolada nos pés, o saco de dormir e mais ainda uma manta emprestada pelo pessoal da Artizon Adventure (pois eles acharam nossos sacos de dormir finos...). De madrugada o vento começou e se estendeu até o final da manhã do dia seguinte...

De madrugada também fui fazer xixi e ví o céu estrelado mais lindo que já ví nesta vida... Até esqueci do frio e fiquei encantada pelos astros por alguns segundos...

Mesmo passando frio e tendo pesadelos acordada sobre terremotos e avalanches iminentes a acontecer, essa foi a primeira noite de uma das melhores aventuras realizadas por mim...

 

Dia 8 – 22/07/2011 – Quebrada de Quilcayhuanca

SEGUNDO DIA: trekking as Lagunas Tullpacocha e Cuchillacocha

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Acordamos as 8h, depois de uma noite mal dormida por causa do congelamento dos meus pés, saímos da barraca e o nosso café da manhã estava lá, melhor que do Albergue Churup: ovos mexidos, café, achocolatado, leite e chá, pão, geléia de morango e manteiga. Nosso cozinheiro Marcos é ótimo... Depois do café começamos nossa jornada de hoje, as lagunas Tullpacocha (4.300m de altitude) e Cuchillacocha (4.625m de altitude).

O caminho é lindo, com os nevados ao redor. Fomos devagar e chegamos na Laguna Tullpacocha depois de 2 horas de caminhada. LINDA! Seguimos rumo a Laguna Cuchillacocha por uma trilha alternativa e que se misturava com o caminho de pasto das vacas.

Depois de mais 2 horas de subida avistamos a Laguna de cores verde amareladas por causa do cobre presente nas rochas do local. Fizemos o pick nick lá mesmo e depois começamos a descer até o Campamento em aproximadamente 3 horas.

Ao chegarmos no acampamento o nosso cozinheiro Marcos nos esperava com um tira gosto: chá com pipoca. É muito estranho ter tanta mordomia em pleno nada... E para nossa diversão (já que não havia entretenimento eletrônico as mãos) presenciamos um show de vaqueiros arrebanhando as vacas e bezerros espalhados pelo vale.

Lá pelas 6h da tarde jantamos uma maravilhosa sopa, seguida de uma macarronada e um creme de pêssego, muito bons...

Fomos nos deitar e desta vez passei um produto a base de cânfora nos pés para aquecê-los e resolveu. Meus pés se aqueceram e dormi a noite inteirinha com os pés quentinhos...

E essa noite descansei de verdade!!!

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Dia 9 – 23/07/2011 – Quebrada Quilcayhuanca

TERCEIRO DIA dia de trekking

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Acordamos as 8h da manhã, depois de uma noite bem dormida... Começamos a arrumar nossas coisas e como estava ventando muito os meninos levaram nosso café da manhã na barraca. Tinha iogurte com granola, chá, pão, geléia e manteiga.

Depois de tudo arrumado saímos caminhando retornando a entrada do parque. Os meninos iriam sair depois de desarmarem as barracas e arrumarem tudo.

A caminhada de retorno demorou 3h e ao chegarmos na entrada do parque o motorista de taxi já estava a nossa espera.

Retornamos a Huaraz e nos deixaram no Albergue Churup. Fizemos novo check in e saímos para almoçarno Encuentro de novo.

Demos uma volta pelo centro de Huaraz e voltamos ao hostel. As 19h Rut e Ivan estavam lá no hostel para combinarmos o dia seguinte.

Cansados fomos dormir em nossa cama quentinha e confortável...

 

Dia 10 - 24/07/11 – Laguna Wilcacocha

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Após tomarmos café da manhã no Albergue Churup, o nosso guia Ivan e o motorista Jerônimo nos levaram até a parte sul de Huaraz e entraram em uma quebrada no lado da Cordillera Negra. Subimos de carro dos 3100m de altitude até 3700m. A Laguna Wilcacocha em si não é tão bela, mas a vista da Cordillera Blanca lá de cima é linda! Muitos tours levam você até lá, ficam uns 10 minutos e retornam a cidade, mas a gente retornou a cidade via 'trekking', muito mais radical!

A cada encosta que descíamos ou que andávamos em nível formavam as vistas mais lindas da Cordillera Blanca e do Nevado de Huascaran, imponente e majestoso!

Levamos cerca de 5 horas para descer até Huaraz e a trilha não é bem demarcada, passa por áreas de pastos e propriedades privadas, mas nosso guia sempre tomava o cuidado para não invadirmos qualquer uma delas. Descemos umas encostas bem íngremes, de dar medo, mas com paisagens ímpares!

A Cordillera Negra tem essa nomeação não só porque não possui neve e sim por causa de suas rochas de formação. São de origem vulcânica, basáltica com a coloração mais escura que a Cordillera Blanca que possui mais em sua formação granitos, feldspatos, quartzos de coloração mais clara. Outra coisa que dá para notar diferença é que as rochas da Cordillera Blanca possuem em sua maioria um brilho oriundo das partículas de mica, que tornam as rochas brilhantes ao toque do sol.

Nesse trecho vimos de tudo: animais pastando, flores ainda não conhecidas pelas nossas lentes, penhascos, lama, casas humildes, camponeses batendo o trigo, trigais amarelos de doer a vista e crianças nos pedindo caramelos...

Já bem no final da trilha, ao passar por um povoado, uma moça nos ofereceu sua filha para levarmos em troca de dinheiro... Pensei que fosse brincadeira, mas era verdade! Fiquei chocada!

Depois de 5 horas de caminhada chegamos a estrada de acesso a Huaraz, pegamos um taxi e voltamos ao Albergue Churup. Ao sair do taxi nos despedimos do nosso grande amigo (guia) Ivan, pois no passeio de amanhã será um tour e ele não nos acompanhará. Agradeci de coração pela paciência que ele teve conosco (mais comigo) e pelo ótimo profissional que ele é. Sua retribuição de elogios foi uma emocionante frase: "Obrigado por escolherem HUARAZ como a primeira cidade a visitarem no Peru e por terem deixado direta e indiretamente alguns Soles para o nosso povo..."

Achei lindo essa demonstração de carinho e orgulho por sua cidade, coisa que muitas vezes a gente não cultiva por aqui...

Saímos para fazer nossa refeição no Encuentro (viramos amigos dos garçons!) e de volta ao hostel fomos nos preparar para o nosso último dia dessa aventura...

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Dia 11 - 25/07/2011 – Nevado Pastoruri

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Depois do café fizemos o check-out do Albergue Churup, mas pedimos para nossas mochilas ficarem no guarda volumes deles para pegarmos a noite, pois nosso ônibus saía as 23h. O pessoal do albergue é 10, até liberaram uma ducha no retorno caso necessitássemos. O Elio passou mal a noite inteira, com problemas intestinais e não entendemos o que foi que aconteceu, pois nós dois comemos tudo igual e eu não estava mal. Mesmo assim, as 9h fomos para o último tour em Huaraz.

No ônibus conhecemos um casal de Curitiba (Francine e Luiz) super gente boa e trocamos muitas informações. O Elio estava mal mesmo e quase nem falava com niguém. Nem conseguia tirar fotos...

Não gostei do tour, também, depois de 7 dias de trekking fazer um passeiozinho de ônibus de 3 horas é estressante...

Já dentro do Parque passamos pela Laguna de 7 cores (que só tem uma cor), conhecemos a Puya Raymondi (planta que só tem naquele região e com um histórico muito interessante: ela cresce quanto mais tempo a semente ficar latente e cresce milimetros por ano...) e uma fonte de água gaseificada naturalmente (que me neguei a tomar, uma vez que já tínhamos um membro com alguma infecção intestinal...).

Para subir até o ponto mais alto do Nevado Pastoruri deve-se caminhar uns 2 km, mas na altitude de 4800m até os 5000m. Fiz sozinha esse trajeto, pois o Elio estava muito mal e ia no banheiro de hora em hora. Não passei mal com a altitude, apenas muito cansaço...

Infelizmente o Glaciar está regredindo e não se tem nada para ver lá em cima, a não ser um pouco de gelo... E imaginar que a 10 anos atrás havia uma estação de esqui ali...

Regressei ao ônibus e o Elio ainda estava mal. Comprei refrigerantes para ele se hidratar e muita água.

No retorno a Huaraz o ônibus para em um restaurante e não comemos lá. Comprei umas frutas e comemos elas mesmo.

Chegando a Huaraz fomos almoçar/jantar no Encuentro. O casal de Curitiba foi junto.

Passei em uma farmácia, comprei soro e alguns remédios para estômago e intestino e voltamos para o Albergue Churup as 19h.

O Elio ainda estava mal e as 20h a Rut da Artizon Adventure chegou lá para nos acompanhar até o terminal da Movil Tours. Ela viu que o Elio estava mal e saímos com ela para comprar um antibiótico para ele. Ela nos levou numa farmácia grande no centro de Huaraz e a farmacêutica receitou um antibiótico maravilhoso pro Elio, para ele não passar mal na viagem de volta a Lima.

Depois fomos ao Terminal e as 22h chegou o Scheler da Artizon Adventure com um grupo que estava com ele por 11 dias no trekking Cedros. Vimos algumas fotos e amei. Com certeza voltaremos para fazê-lo!

Às 23h nosso ônibus saiu e o Elio não passou mais mal, ainda bem...

 

Dia 12 - 26/07/11 - Lima

 

Amanheceu e já estávamos em Lima. A viagem de volta é muito mais rápida, pois descemos de 3.800m de altitude até o nível do mar, em 6 horas (na ida a viagem do mesmo trecho ficou em 8 horas). E de volta a altitude 'normal' pensei que não fosse mais ter problemas... O Elio melhorou do intestino e precisava só se hidratar bastante. Fizemos uma hora no Terminal da Movil Tours até as 9 da manhã, quando a área de guarda volumes abriu. Pedimos para guardarem nossas mochilas até as 14h e eles gentilmente fizeram isso, mesmo sabendo que não iríamos viajar com a Movil Tours depois. Fomos de taxi até o Shopping Larcomar em Miraflores (por S$10,00) e lá compramos um passeio de 3 horas pela Turibus até a Catedral+Centro Histórico que saía às 10h do Shopping Larcomar (por S$55,00).

O passeio é bem CVC, mas para quem tem pouco tempo em Lima é ideal, pois passa pelos pontos mais turísticos da cidade, inclusive ao meio-dia pode-se ver a troca de guarda no Palácio do Governo.

Lá pelas 13h o passeio terminou e fomos de taxi ao terminal da Movil Tour pegar nossa mochilas e com o mesmo taxi fomos até o aeroporto. A corrida toda deu S$65,00.

No aeroporto fomos direto na fila da LAN (eu com meu coração na mão, com medo de outro overbooking ou de algum outro erro por termos trocado o dia de retorno ao Brasil), mas deu tudo certinho...

Almoçamos no Aeroporto e as 18h já estávamos embarcados no avião de retorno ao Brasil.

Chegamos em São Paulo a meia-noite e depois de pegarmos nosso carro no estacionamento (Airport Park) chegamos em casa (Iguape) as 4h da manhã...

Ao acordar no dia seguinte me deparei com uma estranha no espelho! O mal da altitude me pegou no retorno ao Brasil!

Deixa eu explicar melhor!

Eu não sabia, mas descer da altitude 5.039m até o nível do mar em menos de 15 horas também pode causar edemas de altitude nas pessoas... E como eu não estava preparada para isso (tinha já parado de tomar o Diamox) sofri por três dias... Os sintomas que apareceram em mim foram:

- inchaço matinal no rosto (principalmente nas pálpebras e lábios)

- inchaço nas pernas e pés pelo dia inteiro

- hematomas vermelhos e arroxeados nas pernas e peito

- fadiga excessiva

- pouca urina

No segundo dia a altitude ao nível do mar, já aqui em Iguape, fui ao médico e ele acreditava que era alergia a alguma coisa. É difícil confessar, mas infelizmente nossos médicos não sabem lidar com o mal de altitude ou edema de altitude, pois são raros os casos por aqui.

Em um site na net encontrei que:

A doença da altitude elevada aguda manifesta-se em muitas pessoas que vivem ao nível do mar quando elas ascendem a uma altitude moderada (2.400 metros) em 1 ou 2 dias. Elas apresentam falta de ar, aumento da freqüência cardíaca e cansaço fácil. Aproximadamente 20% delas também apresentam cefaléia (dor de cabeça), náusea ou vômito e distúrbios do sono. A maioria melhora em poucos dias. Este distúrbio benigno, que raramente não passa de uma sensação desagradável, é mais comum em pessoas jovens que entre as mais velhas.

O edema da altitude (inchaço das mãos e pés e, ao despertar, da face) freqüentemente ocorre em excursionistas, alpinistas e esquiadores. Em parte, o edema da altitude é causado pela alteração da distribuição dos sais que ocorre no organismo em altitudes elevadas, mas o esforço extenuante produz alterações na distribuição dos sais e água mesmo ao nível do mar.

No fórum SOROCHE, MAL DE ALTURA OU MAL DE ALTITUDE no mochileiros.com algumas pessoas acostumadas com viagens de montanha me deram algumas dicas do que poderia ser, mas mesmo assim nada definidamente conclusivo.

Então, conclui que errei! Deveria permanecer mais um dia depois que retornei da altitude de 5.039m em Huaraz (3.100m) e no dia seguinte retornar a Lima (nível do mar). Mas planejei errado o passeio do último dia e retornei em menos de 15 horas a altitude zero.

Mas gradativamente fui melhorando no passar dos dias e depois de três dias já estava bem melhor...

A gente precisa aprender a respeitar nosso corpo e a respeitar os efeitos da natureza nele! Sempre procurar médicos antes de viajar para altitude para ver como anda nosso coração e se prevenir. Ninguém será privado a ir a lugar algum se tomar os devidos cuidados e precauções!

Eu vacilei no meu retorno, espero que depois de você ler isso respeite seus limites ao subir nessas altitudes! Cada um é cada um, mas todos somos reféns da boa saúde!

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  • Membros de Honra

Parabéns Carla!

 

Ótimo relato, lindos postais produzidos por vc e que viagem!

 

Menina esperta: escolheu uma boa agência e adotou um bom planejamento / boa estratégia para minimizar os efeitos do mal de altitude!

 

Bonita a pequena quebrada que escolheram. Praticamente só de vcs.

 

Da próxima vez vc já terá mais experiência e lidará ainda mais facilmente com a altitude.

 

Seu relato me deu saudades da Cordilheira Branca. Quem sabe volte lá dentro dos próximos 2 anos para fazer Huayuash.

 

Seu pé gelado me fez lembrar do meu, quando resolvi andar rapidinho de havaianas na neve, acampado em Nahuel Huapi (Bariloche). Também levei um tempão para esquentar o pé!!! Da próxima vez levo canfora!

 

Abraços, peter

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  • Colaboradores

Carla,

 

legal o seu relato, mas eu fiquei cansado só em ler sobre as suas caminhadas, imagina se eu for lá... rsss... acho que não tenho disposição para encarar não... hehehe.... minha esposa então, nem pensar, se eu falo pra ela que quero ir a Huaraz e mostro o seu relato ela larga de mim... rsss... tadinha, já passou mal em Cusco... rsss

Mas muito legal mesmo, Peru é show de bola....

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  • Membros de Honra

Oi Gustavo!

 

Verdade! Andei muito, mas vale a pena, viu? As paisagens que a gente vê por lá, dentro dos vales, são lindas e ficar entre as montanhas nevadas faz você se sentir tão pequeno, tão frágil... Mas para quem não gosta de caminhar é mesmo dureza... Se quiser ver mais fotos, acesse:

https://picasaweb.google.com/114426632506026793441

Ainda estou postando as fotos, mas em breve terei todas as melhores por lá...

Obrigada pelo carinho!

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  • Membros de Honra

Obrigada Frida!!!!

Cansativo mesmo... Eu tenho 1,75m de altura e 95kg, então sou considerada gordinha, principalmente se me colocarem do lado de uma gringa européia (normalmente esqueléticas) e mesmo assim fui até o fim... No meio do caminho muitos trekkings que me 'ultrapassavam' sempre me incentivavam 'vamos lá', 'falta pouco', 'você consegue' e isso dá uma força danada! Foi assim também em El Chalten e TDP em janeiro/11... Mas sempre respeitando o limite de meu corpo! Saúde em primeiro lugar!

Bjs e Obrigada pelo carinho!

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    • Por Natália C. Santos
      Eu estou devendo esse relato a anos por aqui (3 anos para ser mais exata), pois foi graças a vários relatos que li que eu pude criar o meu roteiro, conferir o dinheiro necessário e quais lugares poderiam me interessar mais ou menos
       
      Eu quero dizer que viajar ao Peru era um sonho de infância. Não sei dizer exatamente quando isso começou, mas era o meu sonho de anos e anos.
      Até chegar ao roteiro de fato, por anos criei vários roteiros, onde a maioria incluía não só o Peru, mas como a Bolívia também e depois Chile... mas quanto mais eu pesquisava, mais adicionava lugares e/ou passeios e menos tempo dava de fazer tudo, então resolver dividir por países.
      Primeiro foi ao Chile, por achar mais seguro para a minha primeira viagem internacional sozinha e só incluía duas cidades, Santiago e Atacama e menos tempo também – Relato: Viagem Chile - Santiago e Atacama - 10 dias
      Cada pessoa tem um estilo de viajar e suas preferência.. essa época eu buscava paisagens incríveis, história, amizades, hostel animados e um pouco de diversão. Então fiz um roteiro extenso e intenso, pois queria poder conseguir fazer tudo e sem correria, com dias livres para acordar sem compromisso. Resumidamente ficou assim:
      2 dias inteiros em Lima
      2 dias inteiros em ICA
      5 dias inteiros em Arequipa
      10 dias em Cusco / Machu Picchu (água calientes) / Ollantaytambo
      3 dias inteiros + 1 manhã em Huaraz
      1 noite e 1 dia em Lima – Volta para casa
       
      Cronograma:
      Cheguei no Peru as 9:30 da manhã de 04/05/2018 – Sexta-feira e saí de Lima as 21h do dia 27/05/2019 num domingo. Ou seja, conseguimos aproveitar bem todos os dias, incluindo os de chegada e saída.
      04/05 – Chegada em Lima e passeio por Miraflores e Parque das águas
      05/05 – Passeio em Lima, fiz minha primeira tatuagem, participei de uma festa no hostel e partir para ICA (Huacachina)
      06/05 – Chegada em Huacachina, Bug e Sandboard nas dunas do Oásis
      07/05 – Passeio pelas Ilhas Ballestas e Reserva Nacional – Ônibus noturno para Arequipa
      08/05 – Chegada em Arequipa, conhecer a cidade e fechar passeios (e minha amiga perdeu o celular) 🤦‍♀️
      09/05 – Passeio City Tour e comprar um celular novo para ela 🤷🏼‍♀️
      10/05 – Canions del Colca, tirolesa e águas termais com pernoite no vale
      11/05 – Valle dos condores + volta para Arequipa, reencontrar amigos + PICANTERIA e festa no hostel!
      12/05 – O MELHOR RAFFITING DA VIDA + ônibus para Cusco
      13/05 – Chegada em Cusco, Circuito I - Museu qorikancha, Saqsaywaman, Qenqo, Pukara e Tambomanchay
      14/05 – Maras, Moray e Salineiras
      15/05 – Van + trilha para águas clientes - Aja estômago e perna
      16/05 – Enfim MachuPicchu + Pernoite em Ollanta
      17/05 – Dia em Ollanta e volara para Cusco - hostel sem água e descanso para laguna Humantay
      18/05 – Laguna Humantay + primeira balada de Cusco fora de hostel
      19/05 – Descansoe City Tour pelo centro e arredores de Cusco + Competição de shot de bebida no hostel
      20/05 – Montanhas coloridas – Winicunca
      21/05 – Passeio pela cidade, compras, despedida da Babi e última balada em Cusco
      22/05 - Mais um dia de ressaca + vôo para Lima com ônibus noturno para Huaraz
      23/05 – Chegada em Huaraz, café da manhã e partiu ver Glaciar - Altitude não é brincadeira não, galera
      24/05 – Laguna Paron - Uma das coisas mais bonitas que já vi a olhos nus
      25/05 – Quase desisti, mas enfim cheguei a maravilhosa laguna 69 😍 e valeu cada ar que faltou
      26/05 – Volta para Lima e passeio pela cidade a noite
      27/05 – Mais uma tatuagem (sim, fiz uma segunda 🤣), museu das catacumbas e voo de volta!
       
      Usamos avião somente de Cusco para Lima (para ganhar tempo), pois o restante foi de ônibus. Comprei somente o de Lima para Ica do Brasil, o restante compramos durante a viagem.
      O de Ica para Arequipa comprei numa agência de turismo (o ônibus foi da Cruz de Sul). O de Arequipa para Cusco comprei na rodoviária de Arequipa assim que chegamos e compramos pela Excluciva. O de Lima para Huaraz fomos de Cruz del Sur, compradas por nossos amigos que chegaram antes em Lima.
      Segue o mapa do nosso trajeto:

       
      Fiz dessa maneira pois estava muito preocupada com a altitude dos passeios em Cusco (Laguna Humantay e Montanhas coloridas) e em Huaraz. Então, fui subindo aos poucos para aclimar, fiquei bastantes dias em Cusco e deixei os passeios de altitude para os últimos dias e a última cidade foi Huaraz. Eu não teria aguentado fazer a laguna 69 se não estivesse aclimada, pois foi muito difícil, mesmo a tanto tempo acima do nível do mar...
      CUSTOS: 
      Infelizmente não tenho mais os custos detalhados durante a viagem, acho que perdi meu caderno. Como guardei vários recibos e anotei muita coisa nas minhas planilhas eu consigo dar uma boa ideia dos meus custos.
      Antes da viagem eu contratei o seguro da Mondial por R$ 150,00
      Custos pagos ainda no Brasil com vôos, trem, ônibus e Machu Picchu (MP + montanha)
      ·         Vôo Rio – Lima – Rio pela Avianca= R$ 1.299,21
      ·         Ônibus Lima – Ica pela Cruz del Sur (único ônibus que comprei antecipado) = S/ 33,00 = R$ 35,00
      ·         Trem Água Calientes – Ollantaytambo pelo Peru Rail = US$ 70,00 (facada) = R$ 255,00
      ·         Vôo Cusco – Lima pela Peruvian = US$ 69,15 = R$ 255,00
      ·         Machu Picchu + Montaña = S/ 208,06 = R$ 230,00
       
      Eu levei 1.250,00 dólares com câmbio médio de 3,46 dólares e gastei tudo, até os últimos centavos hahahaha
      Não me arrependo em nada de ter levado dólar, pois o Brasil teve uma crise durante a viagem e o valor do real despencou, enquanto o dólar ficou o mesmo.
      O câmbio em soles teve a seguinte média em maio de 2018:
      1 dólar = 3,25 soles
      1 real = 0,85 soles
      Vamos aos cálculos para exemplificar:
      US$ 1.250,00 * 3,46 = R$ 4.325,00 reais
      US$ 1.250,00 = 1250 * 3,25 = S/ 4062,50
      R$ 4.325,00 * 0,85 =  S/ 3.676,25
      O Câmbio do real para sol levando dólar ficou de aproximadamente 1 real = 0,94 sol
      Dessa forma, levando dólares eu tive 386,25 soles a mais com a mesmo quantia se tivesse levado em real
       
      Hospedagens com custos
      Cidade
      Noites
      Hostel
      Valor R$
      Valor S/
      Informações
      Lima
      1
      Pariwana
      R$ 67,00
      63,00
      Boa localização e estrutura ótima, reservado no Rio e pago na hospedagem - Recomendo
      Ica
      1
      Mayo
      R$ 32,00
      30,00
      Suíte privativa para 2 pessoa com banheiro por 60$ - 30 CADA
      Arequipa
      4
      Wild Rover
      R$171,00
      160,00
      Quarto compartilhado com 4 camas - banh externo
      Cusco
      2
      Loki
      R$125,00
      112,50
      Suíte privativa para 4 – Pago do Brasil
      Águas Calientes
      1
      Machupicchu Guest house
      R$40,00
        Suíte privativa para 4 – Reservado pelo Airbnb pago no Brasil
      Ollantaytambo
      1
      Panay Valle
      R$17,00
        Suíte privativa para 2 – Reservado pelo Airbnb e pago no Brasil - Super recomendo
      Cusco
      5
      Milhouse Hostel
      R$250,00
      65 USD
      Quarto compartilhado 6 camas – reservado e pago ainda no Brasil
      Huaraz
      3
      Scheler
      R$80,00
      75,00
      Suite privativa para 2 – Reservado, mas pago na hospedagem
      Lima
      1
      The Point
      R$49,50
      45,00
      Quarto privativo para 2 – HORRÍVEL NÃO RECOMENDO
       Total hospedagem: R$ 835,00 
      Custo Passeios:
      Infelizmente não lembro dos custos dos passeios em Huacachina, mas lembro que andei bastante e fui pesquisando preço. Comprei na mesma agência que comprei minha passagem de ônibus para Arequipa pela Cruz Del sur. Mas lembro que foi bem barato.
      ·         Arequipa – Agência Sol Naciente Travel - Na praça de Arequipa
      Ônibus turismo pela cidade e arredores (City Tour) – S/ 15 
      Canion del Colca 2 dias -  incluso 2 almoços buffet, hospedagem em suíte dupla e café da manhã – S/ 120
      Raffiting (suuuper recomendo) – S/ 50 + S/10 (fotos e vídeos)
       
      ·         Cusco – Fechei com o Fermin pelo whatsapp – quem quiser, passo o contato, é só pedir
      Maras, Moray e Salineras -  S/ 35,00
      Laguna Humantay – S/ 70,00
      Montanhas Coloridas – S/ 70,00 + ingresso S/ 10
      Van para MP – S/ 45
      Circuito I – S/ 30
      Guia privado em português em MP – 30 soles para cada
       
      ·         Huaraz – Sheller
      Glaciar – s/ 35,00
      Laguna Paron – S/ 35,00
      Laguna 69 – S/ 60,00
       
      Todos os preços são por pessoa!
       
      Depois vou fazer postagens detalhando melhor a viagem e experiências, esse poste introdutório foi mais técnico sobre roteiro e custos!
      Deus me ajude a escrever isso tudo! hahahaha
       
    • Por Juliana Dassoler
      Pessoal, alguem ficou hospedado dentro do parque nacional huascaran no Peru ao inves de ficar em Huaraz? 
      Vale a pena? 
      Abs, 
    • Por Albatti
      Nossa viagem teve início em julho de 2019 e terminou 41 dias depois, em agosto de 2019.
      Viajamos, eu e minha esposa, de forma relativamente barata, ficando em hostels, airbnb e pequenos hotéis. A maior parte dos trajetos fizemos de ônibus, mas alguns trechos optamos por voos baratos, o que ajudou a cumprir o extenso roteiro que fizemos. Inclusive a ida de São Paulo a Jujuy compramos as passagens de ida e volta com milhas aéreas numa promoção da Gol com a aerolineas argentinas. O lado ruim do passeio foi que acabou "rápido". Apesar de ser nossas mais longas férias, por incrível que pareça ficou a sensação de que "passou rápido".
      Vou sintetizar o que fizemos de forma a dar uma ideia de cada local. Se alguém quiser alguma informação que possa ajudar no planejamento de viagem, é só entrar em contato.
      . São Paulo - Jujuy - o voo foi tranquilo e, inclusive, pudemos ver o eclipse parcial do sol. Fizemos escala em Buenos Aires, assistimos ao jogo entre Brasil e Argentina no porto Madero e, no dia seguinte logo cedo, partimos para Jujuy;
      . Jujuy - Quebrada de Humahuaca - chegamos no aeroporto e dividimos um taxi até o terminal de ônibus. De lá tomamos um ônibus pra Purmamarca, onde ficamos hospedados por duas noites no excelente La Valentina Hostal (R$ 125 o casal). Conhecemos o Cerro de los Siete Colores, caminhamos pelo paseo de los colorados, ficamos à toa no pequeno, belo e tranquilo vilarejo. Também fomos a cidade de Tilcara e as ruínas de Pucará de Tilcara (recomendo muito fazer o passeio com o guia local incluído no valor da entrada). Por fim, conhecemos Humahuaca e as Serranias del Hornocal. O NOA (Noroeste Argentino) tem paisagens maravilhosas e grandiosas. Aliás, o que não faltou nessa viagem foram grandes paisagens, daquelas onde o horizonte parece bem distante. Nossa intenção era conhecer Salta e Cafayate na volta, pois, em 38 dias nosso voo sairia da mesma Jujuy. No fim das contas, Salta e Cafayate ficaram para outra viagem, pois ficamos mais tempo em alguns lugares e voltamos a Jujuy no mesmo dia em que nosso voo retornaria ao Brasil.

      . Purmamarca - San Pedro de Atacama - tomamos o ônibus da empresa Andesmar as 03:40 hs da madrugada, na entrada de Purmamarca (atrasou meia hora, o que fez a gente pensar que seríamos deixados pra trás,,, mas não hehe, ainda bem). A viagem foi tranquila e cruzamos a fronteira com o Chile no Paso de Jama. O ônibus chegou antes e ficamos cerca de 1 hora esperando para fazer os trâmites de entrada. Mas foi bem tranquilo e logo estávamos descendo em direção a San Pedro. Esse trecho da viagem é fantástico. Chegamos as 11hs da manhã. Ficamos 4 noites nessa pequena cidade de adobe, num airbnb que não recomendo (La Estancia - R$ 150 o casal), pois era um pouco afastado do centro e faltou água quente. Na verdade, nos receberam na chegada e depois nunca mais apareceram (no último dia deixamos as chaves com um bilhete e fomos embora).

      . San Pedro de Atacama - já havia estado na cidade algumas vezes. Local bem legal, com aquele clima gostoso de aventura. Fizemos vários passeios maravilhosos: Laguna Cejar, Lagunas Altiplânicas, Salar de Atacama, Geisers del Tatio, Valle de la Luna, Tour astronômico, mas o que mais gostamos foi o passeio de bike pela Garganta del Diablo. Fizemos uma breve pesquisa e contratamos tudo lá mesmo,,, Alugamos duas bikes, compramos águas e empanadas e partimos em direção a Pukará de Quitor. Pagamos a entrada na estradinha que leva a garganta del diablo, ouvimos as explicações do que havia no local e fizemos a volta completa pela garganta até a igreja de San Isidro. Passeio gostoso e bem divertido. Depois voltamos pela estradinha até Pukara de Quitor. Subimos até o ponto mais alto com uma vista incrível do pôr do sol. O tour astronômico também foi sensacional. Valeu a pena. Uma dica é comprar empanadas, pois são gigantes e muito gostosas (e baratas). O melhor de San Pedro foi ter conhecido uma bonita família da Alemanha na gélida laguna Cejar,,, as amizades improváveis que surgem nessas viagens são um verdadeiro tesouro. 


       



      . San Pedro - Arica - Tacna - Lima - esse foi um dia lonnnngo, mas, ao mesmo tempo, tranquilo. Saímos as 22 horas de San Pedro e chegamos as 06:00 hs da manhã em Arica. Queríamos conhecer as cuevas de Anzota, mas o receio de demorar na imigração e perder o voo fez com que deixássemos pra outra vez. De lá, tomamos um taxi compartilhado de uma espécie de empresa que fica ao lado do terminal de ônibus e cruzamos a fronteira com o Peru (desde que tomamos o taxi em Arica, mais os trâmites de fronteira e a chegada na rodoviária de Tacna levamos cerca de 1 hora no total). Tinha uma baita fila na imigração, mas andou rápido. Era nossa terceira fronteira. Chegamos em Tacna, tomamos um café da manhã próximo ao terminal de ônibus, trocamos algum dinheiro e fomos pro aeroporto. Lá ficamos algumas horas esperando até a partida para Lima. O voo foi pela Viva Air Peru, custou 65 dólares por pessoa (com as bagagens incluídas). Pela distância enorme entre as duas cidades achamos o valor bastante bom. Saímos pontualmente as 14:45 hs e chegamos as 16:30hs no aeroporto de Lima. De lá fomos pro bairro Miraflores, onde havíamos reservado o airbnb da Diana. Vou comentar aqui porque foi o melhor airbnb da viagem: um quarto enorme, com banheiro, tv a cabo, wifi e etc. A localização é excelente (Calle Porta 264 en Miraflores - R$ 98 o casal) e a Diana gente finíssima. Muito amável e prestativa. Acabei deixando pra avaliar ela depois da viagem e descobri que não podia porque o airbnb dá o prazo de 15 dias pra avaliações. Daí resolvemos deixar a dica aqui, pra quem for a Lima.
      . Lima - foram 2 noites em Lima, adoramos o bairro de Miraflores. A cidade está sobre uma espécie de falésia, sendo que se vê a praia lá do alto. É uma região bem bonita com área pra caminhada, recreação e belos jardins, acompanhados da vista do mar, que fica uns 65 metros abaixo. Essa região é conhecida como Malecón. Fizemos diversas vezes a caminhada desde o shopping Larcomar até o farol e também nas imediações da Praça Kennedy. Em um dos dias acordamos cedo e saímos em direção ao centro histórico e catacumbas do convento de São Francisco, as quais recomendo como um passeio "diferente". A noite fomos até o Parque la Reserva (também conhecido como parque das águas - uma curiosidade é que choveu um pouco neste dia, coisa rara em Lima). Um passeio bem legal e que gostamos bastante. O parque é meio afastado e tomamos um taxi. Na volta tivemos que pechinchar porque os valores variavam muito e já era tarde. Queríamos muito conhecer o museu de arqueologia, mas estava em reforma por 2 anos. Desta forma, fomos ao Museu Larco. Pra quem curte arqueologia esse é um museu imperdível, pois além de estar em uma propriedade linda, o acervo é incrível. Vale a pena o passeio guiado, pois é barato e nos deu informações bem legais. O restaurante do museu também vale a pena (não é barato, mas também não é um valor abusivo). Além deste museu conhecemos o Museu de Arte de Lima, o sítio arqueológico de Huaca Pucllana e o bairro Barranco. Lima foi uma grata surpresa, em especial o museu Larco, a comida muito boa (lomo saltado, papa a la huacachina, frutos do mar, etc...), e a beleza do Malecón. Depois de dias muitos bons partimos em direção ao terminal de ônibus da empresa Oltursa, em direção a Huaraz.



      . Huaraz - a cidade mudou bastante desde a última vez (em 2003) que estive lá. Ficou um pouco mais feia e bem maior do que era. Chegamos e fomos pra um airbnb que havíamos reservado (El Alamo Amuk - R$ 55 o casal). O local era razoável, um quarto enorme com banheiro dentro, porém um pouco inferior as fotos que vimos. O problema foi que ficamos 2 (dos 4 dias) sem água, devido a manutenção da prefeitura naquela rua (baita azar,,,, não foi culpa do local, mas mesmo assim não foi nada agradável... ). Havia combinado os possíveis passeios uns meses antes com a agência Scheler (whatsapp +51 943 397 706 - site: http://www.schelerhuayhuashtrek.com/) e nos demos bem. O cara (o Scheler) foi totalmente solícito, gente finíssima (ajudou em tudo), e os passeios ocorreram de forma excelente. Nos arrependemos de não ter ficado na pousada dele. Fizemos os seguintes passeios: Llanganuco (imperdível,, no caminho conhecemos outras cidadezinhas da região, inclusive a histórica cidade de Yungay - soterrada em segundos, por uma avalanche em 1970 - tomamos sorvetes típicos, doces de leite tradicionais da região e queijos), Glaciar Pastoruri (chega-se a cerca de 5050 metros de altitude - cansativo mas gostamos bastante), Sítio Arqueológico Chavín (quem gosta de arqueologia esse é o lugar - na pirâmide principal é possível entrar nas galerias subterrâneas,,, um local incrível). Tínhamos a intenção de ir até a laguna 69 e laguna Parón, mas o tempo não ajudou e ficará para uma próxima viagem. Uma dica é conhecer o excelente museu arqueológico de Ancash e tomar um suco de limão com ervas na creperia do Patrick (na avenida principal). Na noite do último dia fomos ao terminal da empresa Linea Bus, onde viajamos para a cidade de Trujillo.

           



      . Trujillo - chegamos na cidade umas 06:30hs da manhã. Tomamos um taxi até o hotel Strenua Las Quintanas (R$ 81 o casal). Excelente local (banheiro, frigobar, microondas, cafeteira, tv a cabo, café da manhã excelente no quarto e muita simpatia). Não fica tão próximo ao centro mas fizemos a pé o trajeto numa boa. O próprio hotel ofereceu o tour que fizemos. Visitamos as Huacas Esmeralda e Arco Íris, depois fomos a cidade de barro de Chan Chan (centro da cultura Chimú). O tour nos levou para almoçar na praia em Huanchaco. Poderíamos comer em qualquer restaurante. Escolhemos um com vista. Provamos o famoso ceviche da região. Tivemos ainda tempo de dar uma voltinha pela praia e caminhar até o pier. Depois o passeio seguiu em direção a Huaca de la Luna (cultura moche,,,, local imperdível). A noite curtimos a belíssima praça central de Trujillo. Uma cidade com um centro histórico bem preservado e multicolorido. No dia seguinte tomamos um tour para conhecer o complexo El Brujo. Depois de cerca de 1 hora chegamos ao complexo. Visitamos o sítio arqueológico e depois o museu. Pela forma como foram encontrados seus restos mortais, a Dama de Cao foi alguém muito importante,,, provavelmente uma governante. A huaca (como eles chamam os templos) é impressionante. O interessante é observar que se pode ver dezenas dessas huacas pelas redondezas. Há centenas delas na região. Foram culturas muito organizadas e poderosas, que persistiram por séculos. A quantidade de objetos de arte, inclusive feitos de ouro, é muito grande. Uma curiosidade é que em quase todos os sítios arqueológicos da região é possível ver o Viringo (o cachorro sem pelos que era comum na época das antigas culturas da região). Após visitar o museu voltamos pra Trujillo, descansamos e tomamos um ônibus para Chiclayo (3:30 hs de viagem). Nos sentimos os "indianas jones" nessa viagem.






      . Chiclayo e Lambayeque - Chiclayo é uma cidade enorme,,, achamos Trujillo bem mais bonita. Nos alojamos no Hostal Satélite (55 reais o casal). É um alojamento bemmmm simples e fica numa avenida afastada do centro. A dona é muito simpática e o "coronel" (o cachorrinho super amável) deu as boas vindas. Mas o local é muito simples mesmo. Contratamos um tour que nos levou para Huaca Rajada, onde visitamos o sítio arqueológico (onde foi encontrada a tumba do Sr. de Sipán), bem como o pequeno mas interessante museu local. Foi um passeio que valeu a pena. Logo depois o tour seguiu para a vizinha Lambayeque. Primeiro paramos para um almoço e compra de um doce típico local (o alfajor King Kong,,,, não curtimos o doce não hehe). Fomos para o museu arqueológico Bruning e, logo depois, a cereja do bolo, o museu Tumbas Reales de Sipán. Sensacional !!! (pena que não permite fotos internas). Faltou conhecer o "estranho" parque Yortuque, um local com estátuas bem loucas,,, e a cidade praiana vizinha de Pimentel (precisaria ficar cerca de 3 dias para conhecer com calma o local). Uma dica pra comer são os cafés/restaurantes que ficam na praça da catedral de Santa Maria (praça chamada parque principal). Bom preço e comida excelente. A noite tomamos um mega super ultra confortável ônibus da empresa Movil em direção a cidade de Chachapoyas.




      . Chachapoyas - está aí uma região com muito a oferecer. Chegamos logo cedo na pequena e bela cidade,,, um ar de interior com um centro bem preservado e com casas em tom marrom e bege. Nossa hospedagem foi em um airbnb na Jirón Junin, n° 731 (R$ 89 reais o casal) . Gostamos do local, um quarto separado (com banheiro e tv) na casa da Sra. Ritha. Muito simpática e receptiva. Há poucas quadras do centro e de frente para uma pizzaria familiar muito boa. Ficamos 4 dias na região e contratamos alguns passeios na praça principal. Conhecemos os seguintes lugares:
       -> Kuélap - imperdível,,, partimos na van em direção ao povoado de Nuevo Tingo. Pra chegar na cidade murada dos Chachapoyas, a mais de 3.000 metros de altitude, tomamos um teleférico que por si só é uma atração (são 4 km percorridos em cerca de 20 minutos). A cidade é toda murada, possui apenas três entradas e tem construções circulares. Foi um passeio excelente, apenas o guia era meia boca,,, um cara muito ruinzinho (no passeio seguinte trocamos de agência e o outro guia foi muito bom). Neste local também fizemos amizade com um casal de viajantes da Austrália. No caminho para Kuélap estão as ruínas de Macro, as quais é possível acessar passando por uma espécie de gôndola com cabos de aço para cruzar o rio. Não conseguimos ir pela falta de tempo, mas pareceu interessante.




        -> Catarata Gocta - fizemos por conta própria. Tomamos uma van - transporte público - até um ponto na estrada onde há tuc-tucs. Um deles nos levou 5 km acima até Cocachimba, o vilarejo onde tem início a trilha para a parte baixa da catarata. Ficamos fãs dos tuc-tucs,,, são baratos e estão por todos os lados. Compramos as entradas e partimos pela trilha (6 km em cerca de 2:45hs). A trilha é tranquila, bem marcada e não necessita guia. É mais tranquilo (fisicamente) ir do que voltar . Chegamos na frente da catarata (na verdade são duas quedas somando 771 metros). É claro que entrei na água gelada,,,, nadei até o outro lado do laguinho e fiquei curtindo a paisagem por um tempo (não vimos ninguém mais se aventurar a nadar ali). Uma sensação incrível de leveza. É um passeio muito bonito e agradável. Na volta, quase no final da trilha, havia uma casinha onde o morador local vendia café (que ele mesmo cultivava), variedades de cachaça (produzidas por ele) e a bebida chamada "arapa" (ou algo assim,,, derivada do bagaço de cana e muito apreciada localmente por ser barata e ter algo de álcool). Pra adoçar eles usam a "panela", um adoçante que acho que é rapadura moída. Ainda almoçamos em Cocachimba e voltamos a Chachapoyas via tuc-tuc + van na estrada.



       -> Pueblo de los muertos - caminhamos até a rodoviária da cidade e tomamos uma van em direção a cidade de Lamud. Passamos por Luya e poucos quilômetros depois descemos na praça principal de Lamud (creio que 1:30hs de viagem). Perguntando aqui e ali nos indicaram um local próximo (1 quadra e meia descendo a praça). Trata-se um pequeno galpão com algumas múmias e artefatos arqueológicos repleto de botas de plástico (estilo galochas) e roupas para quem vai explorar a Caverna Quiocta. Uma moça nos recebeu e deu informações sobre o "pueblo de los muertos", disse que era domingo e que estava sem as chaves do sítio arqueológico. Pediu para esperarmos um pouco e se foi. Ficamos ali observando os folders colocados nas paredes e vimos que há muitos lugares para explorar a partir de Lamud. Havia opções para a Caverna Quiocta, para os Sarcófagos Karajia e para outros locais com sarcófagos menos conhecidos. Depois de um tempo ela nos cobrou dois tíquetes (um valor simbólico) e deu as chaves pra gente. Perguntamos como podíamos fazer para chegar lá. Ela ficou surpresa e perguntou se não estávamos de carro. Dissemos que não,,,,, daí ela indicou os tuc-tucs da esquina. Combinamos o preço com o motorista e ele nos levou. São cerca de 9 km até o início da trilha. Haja bunda,,,,  Começamos a descer até a encosta onde fica o local onde ficavam depositadas as urnas funerárias. A trilha é uma descidona boa,,, mas em uns 40 minutos estávamos no portão de entrada. Abrimos com as chaves que a moça nos deu e ficamos ali por cerca de 1 hora. No caminho é possível ver, bem ao longe, a catarata Gocta. O local é impressionante, com vistas alucinantes do penhasco e um tanto quanto perigoso quanto à quedas. Tem que ir com muito cuidado e não abusar. Ainda há alguns sarcófagos inacessíveis que se vê na encosta, mas as "casinhas" onde ficavam a maioria deles estavam vazias e semi destruídas. Com certeza caçadores de tesouros retiraram quase tudo dali. O fato de estarmos sós neste lugar foi algo diferente. Fechamos o portão com as chaves e retornamos pela trilha morro acima. O tuc-tuc estava lá esperando e nos levou de volta a Lamud. O local onde pagamos os tickets estava fechado, assim que (conforme combinado), deixamos as chaves na farmácia chamada "Botica Sanchez". Almoçamos e retornamos de van para Chachapoyas, felizes e cansados.
       






        -> Revash e Museu de Leymebamba - saímos num tour em direção a pequena vila de San Bartolo. Depois de umas 2 horas chegamos na pracinha de onde sai a tranquila caminhada (uma meia hora) até os mausoléus de Revash. Impressionante as casinhas pintadas de vermelho e branco. Muito bem conservadas. Na região há diversas delas, mas essas são as mais acessíveis. Dá pra chegar bem pertinho mesmo. Tiramos algumas fotos, curtimos a paisagem e retornamos à van. Logo em seguida seguimos para a cidadezinha de Leymebamba, onde almoçamos e fomos ao interessantíssimo museu (que fica meio afastado do povoado). Um museu muito bem organizado com um acervo único: mais de 200 múmias e objetos encontrados nas encostas da laguna de los condores (3 dias o passeio até o local - não fizemos), além de explicação da cultura Chachapoyas, maquetes, animais mumificados, instrumento feito de concha marinha chamado "pututu" (inclusive se pode soprar para escutar o som), etc. O bom é que se pode tirar fotos sem restrições. Logo após a rica visita guiada regressamos para Chachapoyas. Foi um grande dia !




      O potencial turístico da região é muito grande,,, não conhecemos vários lugares: cânion de Sonche, ruínas de Macro, sarcófagos de Karajía, caverna Quiocta, trekking gran Vilaya, etc). Além disso, cada ano se descobrem novos sítios arqueológicos. Há passeios mais "nervosos" como o trekking até a laguna de los condores (3 dias no total) e o "nervosíssimo" e absolutamente incrível Gran Pajatén. Recomendamos muito o norte do Peru, repleto de belezas naturais, sítios arqueológicos, museus, boa comida, etc. Os preços são mais baratos que a região de Cusco e há poucos turistas e muito o que ver. Como curiosidade, não encontramos brasileiros em Huaraz, Trujillo, Chiclayo e Chachapoyas. Também não deu pra conhecer a região de Cajamarca e as praias do norte do país... quem sabe um dia...
      Na madrugada, seguimos viagem numa van turística em direção ao aeroporto da cidade de Jaén, a 220 km (umas 4 horas), onde saiu nosso voo para Cusco (com escala em Lima).
      Pequeno aeroporto em Jaen:

      De dentro do Tuc-Tuc próximo ao aeroporto de Lima (demos uma voltinha até chegar a hora do voo para Cusco):
      . Cusco - chegamos mais uma vez na espetacular cidade de Cusco. Vendo as pedras que formam a base das construções não há como não tentar imaginar como era a cidade no auge do império Inca. Chegamos no aeroporto e já negociamos um taxi até o lúdico e pitoresco Hostal Royal Frankenstein (R$ 75 o casal), do alemão Ludwig, uma cara gente boa e muito bem humorado que dá todas as dicas que precisar. O hostal é simples, limpo e com excelente localização (em cada canto tem algo inusitado). Recomendamos ! Como em outras viagens já havíamos conhecido Machu Picchu, o Vale Sagrado dos Incas e uma boa parte de lugares da região, nos concentramos onde ainda não havíamos estado. Curtimos a cidade em si,,, caminhamos sem rumo pelas ruas, almoçamos um almoço bem fraquinho no mercado municipal, assistimos a uma apresentação de dança folclórica e deitamos no gramado em frente a Qoricancha (centro religioso Inca). No dia seguinte tomamos um tour para o sítio arqueológico de Moray (enormes círculos em terraços, com vários níveis, que devem ter servido de adaptação para cultivo de milho e batatas). Um local muito bonito! Fizemos paradas em alguns lugares onde há apresentações de como os antigos tingiam os tecidos para fazer roupas e de como era a produção de cerâmica; venda de chocolates com sal de Maras; e etc. Finalizamos o dia nas salinas de Maras,,, outro local bastante peculiar. Valeu a pena conhecer. No dia seguinte fizemos uma caminhada da plaza de armas em direção a Saqsaywaman. Visitamos o sítio arqueológico e fomos ao nosso objetivo principal: brincar no escorregador natural de pedra, chamado "suchuna" (garantimos que a descida é veloz ). Depois caminhamos até o sítio arqueológico de Qenqo e regressamos a pé até Cusco. Fomos dormir cedo porque, conforme havíamos combinado com a guia Suzana, as 3 hs da madrugada sairíamos em direção a Waqrapukara, uma joia da região.
      Hostal Royal Frankenstein - Cusco:

      A tinta na mão da moça vem de um bichinho que fica num cactus da região:









      . Waqrapukara ("waqra": chifres; "pukara": fortaleza) - esse é um daqueles lugares únicos,,, uma rocha gigante na beira do cânion do rio Apurímac, com duas saliências (como se fossem orelhas ou chifres), com um platô plano no alto. Acredita-se que o local foi construído pela cultura Kana e que era usado como local cerimonial, posteriormente foi dominado pelos Incas que agregaram construções ao local e agregaram a função de fortaleza ao local. É como se fosse uma pequena Machu Picchu. As 4 hs da manhã a Suzana apareceu com o motorista (um primo dela) e saímos em direção a rota que passa por Sangarará. Paramos para tomar café da manhã em um vilarejo a beira da estrada. Depois, cruzamos uma lagoa muito grande e teve início uma estradinha de terra bem estreita e cheia de curva pela encosta (uns 9 km), até que a única forma de seguir era a pé. O carro nos deixou ao lado de uma pequena lagoa de águas escuras onde havia uma casinha de um criador de ovelhas e alpacas. De lá subimos pela trilha na lateral direita da lagoa e logo tomamos uma parte mais plana e alta. A trilha é super bem marcada e tranquila, mas a falta de fôlego nos fez lembrar que estávamos a 4.500 metros de altitude. Depois de um tempo começamos a descer suavemente e, umas 2 hs depois, chegamos a Waqrapukara (cerca de 8 km de trilha). O céu estava muito azul,,, um dia maravilhoso. O local é impressionante, repleto de escadarias de pedra e construções. Não pagamos nada para entrar, apenas anotamos os nomes no livro do guarda parque. Ficamos um tempo por lá e a Suzana realizou uma espécie de agradecimento a Pacha Mama. Havia apenas alguns gatos pingados por lá. Pouquíssima gente. Depois de um tempo começamos a regressar. A volta é uma subida suave, mas que cobra seu preço. Levamos um pouco mais de 3 horas para chegar ao carro, com direito a várias paradas para beber água. Regressamos a Cusco cansados e muito felizes. Obs.: há outras rotas para conhecer Waqrapukara: pelo vilarejo de Huayqui (penso que essa deva ser a rota mais bonita, pois segue a encosta do cânion - também acredito que deva ser a mais fácil de se fazer por conta própria, pois há transporte de Cusco até Acomayo, e de lá até Huayqui), e por Santa Lucía.




      . Yauri/Espinar - saímos cedo do hostal Frankenstein e um taxi nos deixou num terminal de ônibus na rua Huayruru Pata (terminal Sicuani - empresa Coliseo), de onde saem coletivos para Sicuani. Depois de uns 140 km e 2 horas e pouco de viagem, fomos deixados na garagem da empresa (Av. Cesar Alvarez). Perguntamos e, próximo dali, saíam os ônibus para Yauri. Mais 70 km e quase 2 horinhas e chegamos na cidade (que é bem grandinha). Tomamos nosso tradicional tuc-tuc e descemos na praça principal, onde lemos que haviam vários pequenos hotéis. Ficamos no excelente e frio Real Apart Hotel (R$ 60 reais o casal). Foi uma positiva surpresa, por isso recomendamos. Na manhã seguinte um tuc-tuc nos deixou onde saíam os ônibus para os Três Cañones de Suykutambo. É preciso chegar antes das 8 hs, pois só há um único ônibus no dia, saindo cedo e regressando de tardezinha. Quase não conseguimos um lugar. Em pouco tempo havia muita gente do campo (com muitas crianças pequenas) e ônibus saiu mega lotado, com gente em cima uns dos outros (literalmente). Depois de uns 30 km descemos numa parada que fica bem no encontro dos três cânions. O motorista advertiu para não perdermos o horário da volta, que seria as 15:30hs. Descrevo o local como surpreendente, com sítios arqueológicos da cultura Cana e paisagens absurdamente belas. Cruzamos o rio Apurímac (um rio maravilhoso) e pegamos uma trilha até o alto de um dos paredões. A subida é boa (vale lembrar toda a região está acima dos 4.000 metros,,, ufaaa!). Tiramos umas fotos e apreciamos a vista. Depois retornamos por um caminho que tem inicio próximo da parada do ônibus e que nos levou até um sítio arqueológico chamado T'aqrachullo (ou Maria Fortaleza). O local é turístico e tem indicações. Subimos até o alto de outro paredão onde a vista dos três canions é fantástica (essas subidas são de cerca de 100 metros de desnível). Lá no alto tem muitas ruínas do sítio arqueológico, com construções circulares (típicas da cultura Cana). Descemos pelo mesmo caminho e seguimos as indicações até outras ruínas fantásticas (de onde já se pode observar a presença da arquitetura Inca). Depois retornamos a estrada e fomos caminhando (7 km) até as ruínas de Mauk'allaqta. Cruzamos novamente o rio por uma ponte de metal antiga e pegamos a trilha até o sítio arqueológico. Este era ainda mais incrível que os demais, com dezenas e dezenas de construções circulares, inclusive uma "chulpa" (urna funerária) com a cúpula de pedra. Ficamos um tempo aí e voltamos a estrada para esperar o ônibus que nos levaria de volta a Yauri. Por sorte, um casal muito gente boa (de Arequipa) estava passando de caminhonete e ofereceu carona. Era um casal que havíamos visto no início do dia próximo aos três cânions. Voltamos e nos deixaram na praça onde ficava nosso hotel. Quando descemos do carro vimos que eles também estavam hospedados no mesmo local. Coincidência boa. Depois jantamos juntos num restaurante típico local e acabamos por fazer amizade com eles. No dia seguinte pegamos o ônibus de volta a Sicuani e, de lá, uma van até Puno, onde dormimos uma noite e depois seguimos viagem até La Paz, via desaguadero. Não deu tempo de conhecer K'anamarka e outras atrações da região (termas, vilarejos e etc). São necessários pelo menos 2 dias livres (sem contar a chegada e a saída) para conhecer bem o local.










      . La Paz - chegamos em La Paz pela manhã, a viagem e a passagem pela fronteira foram tranquilas pra gente, porém não podemos deixar de registrar que algumas pessoas levavam chocolates (comprados em Cusco) e (absurdamente a nosso ver) ficaram retidos. Bem,,, da rodoviária seguimos a pé em direção ao Loki Boutique La Paz (R$ 112 o quarto de casal - um pouco acima do que vínhamos pagando em hospedagem até então). O quarto e o banheiro são excelentes. O único probleminha é que, durante a noite, ouvíamos ratos dentro das paredes do antigo casarão (mais especificamente numa das tomadas do quarto). Gravei e mostrei para a administração do hostal, mas não tinham outro quarto,,, assim que ficamos ali mesmo. Muito estranho dormir com os ratos fazendo ruídos a noite toda. Já estivemos muitas vezes em La Paz, uma cidade única,,, ainda mais agora, com o sistema de teleféricos cruzando a cidade de cima a baixo. É uma mescla de caos urbano com um ar de aventura. Muitos mochileiros de todo o mundo cruzando as ruas agitadas e, ao fundo, a paisagem maravilhosa do nevado Illimani. Nosso objetivo inicial era descansar na cidade e fazer alguma trekking/montanhismo. Desistimos do Sajama pelo alto custo que implicaria e acabamos não indo desta vez ao Parque Condoriri, onde pretendíamos conseguir algum transporte até a trilha que leva ao Pico Áustria (um mirante maravilhoso). Acabou que aproveitamos pra curtir a cidade em si e descansar uns dias. Andamos muito a pé e de teleférico. Visitamos: Calle Jaén (artesanatos), Mirador Killi Killi, Parque Urbano Central, Mirador Laikakota (o escorregador de cimento liso vale muito a pena), Zona Sul da cidade, inclusive fomos ao Valle de la Luna. Na volta paramos em outro escorregador (altíssimo) de cimento. Ficamos ali brincando por um tempo até retornar ao centro da cidade de teleférico. Um lugar bem legal é o café chamado Kuchen Stube (rua Rosendo Gutierrez - próximo a praça Eduardo Avaroa). Nos dias em que ficamos em La Paz houve desfiles por toda a cidade. Foi muito legal ver o pessoal ensaiando nas praças à noite e desfilando nos dias seguintes. Teve até uma espécie de desfile de carnaval (um megaevento da cidade). Fomos convidados pelo Juan, pela Miroslávia e por seu filho Nils (amigos de longa data e donos da agência de turismo http://hikingbolivia.com/ - aproveito para indicar a agência pela competência e honestidade deles) para um jantar e depois para participar de uma cerimônia tradicional local para pedir um ano bom a Pacha Mama. A cerimônia foi bastante diferente de tudo que havia participado. Um momento interessantíssimo da viagem e expressão da cultura local. Na noite seguinte viajaríamos de ônibus até Cochabamba, entretanto, conseguimos um voo pela BOA (https://www.boa.bo/) por incríveis 99 reais. Partimos logo cedo para Cochabamba.









      . Torotoro - chegando no aeroporto de Cochabamba tomamos um taxi até a Av. República, onde saem as vans para Torotoro. Esperamos uns 40 minutos até lotar e saímos. Foram 137 km em cerca de 3:40hs (35 bolivianos por pessoa - uns 19 reais). Estão construindo uma rodovia nova entre Sucre e Cochabamba, mas quando fomos a estrada estava bem judiada. Antes de chegar, há vários zigue zags na estrada. Torotoro é mais uma pequena vila que uma cidade,,, tem muitos hostals, duas pizzarias e poucos restaurantes. Está a 2.700 metros de altitude. Ficamos no Hostal Torotoro (R$ 75 o casal), onde há uma entrada imitando caverna e quartos razoáveis, entretanto é bem mal administrado por duas adolescentes. Para ter água quente era necessário pedir e esperar. A pequena vila é base para passeios incríveis. Tem uma pracinha e vários edifícios com réplicas de dinossauros. Para fazer os passeios é necessário contratar um guia da cooperativa de moradores da região. Pessoas super bem treinadas e educadas. Gostamos muito da organização. O primeiro a fazer é passar no escritório de registro do Parque Nacional Tororo. A entrada custa 100 bolivianos (uns 60 reais) e vale por 4 dias. Cada tour tem um custo adicional e pode ser dividido em até 6 pessoas. Chegamos no local onde saem os guias e já montamos um grupo com 6 pessoas para conhecer o El Verguel + Cânion de Torotoro. O valor foi cerca de 160 bolivianos, que dividimos em 6. Fizemos o trajeto a pé mesmo, pois achamos mais interessante (cerca de 10 km ida e volta, contando a entrada no cânion). O guia era muito gente boa. Logo na saída da cidade há uma encosta com incríveis pegadas de dinossauros de vários tipos. Depois seguimos por uma estradinha de pedras até chegar a uma trilha que segue por uma espécie de leito seco de um rio. Neste caminho há formações rochosas bem legais e pegadas de vários períodos (Triássico, Jurássico e Cretácio) de 4 famílias de dinossauros (Anquilossáurios - quadrúpedes herbívoros; Terópodos - carnívoros; Ornitópodos - herbívoros de quatro patas que também caminham em duas; Saurópodos - os de pescoços longos). Algumas são do tamanho de uma pessoa. Chegamos num mirante de metal, de onde se vê o cânion de cima. Um lugar único! Depois de um tempo ali iniciamos a descida até o rio Verguel,,, cerca de 850 degraus de pedra. Seguimos por dentro do cânion até chegar num laguinho de água bem fria. Do outro lado uma cachoeira que o guia jurava que era de água morna. Fomos os únicos que arriscamos ir. E não é que o guia não mentiu. Uma água cristalina e morninha. O duro foi voltar pela água gelada do laguinho hehe. Regressamos lentamente, subindo os degraus e fazendo a trilha de volta até a cidade. Um dia espetacular!  Na manhã seguinte formamos um grupo com dois casais de espanhóis e o mesmo guia do dia anterior. Pagamos cerca de 600 bolivianos (100 para cada pessoa) e saímos num carro em direção a Ciudad de Itas + Caverna Umajalanta. O primeiro destino foi a Ciudad de Itas (uns 20 km de Torotoro e 1.000 metros mais alto). É uma trilha bem tranquila, passando por formações rochosas que lembram vários animais. Há inúmeras grutas e passagens entre as rochas, formadas pela erosão das chuvas. Algumas formam galerias enormes. Uma curiosidade é que foram encontrados artefatos da cultura Guarani na região ("Ita" = pedra em Guarani). Disseram que é o local mais alto (cerca de 3.700 metros) com registro dos Guaranis. Também passamos por pinturas rupestres. Foram cerca de 4 km (ida e volta). A próxima parada foi o almoço num local com uma vista sensacional. O almoço (pago a parte do passeio) foi excelente. Seguimos para o local onde fica a caverna de Umajalanta. O carro nos deixou a 1 km da boca da caverna e seguimos por uma trilha bem gostosa de se fazer e com pegadas de dinossauros pelo caminho. Antes de entrar há uma parada para colocar os capacetes com lanternas e deixar as mochilas. A caverna é magnífica e um tanto quanto "aventureira". Descemos diversas vezes em cordas com nós,,, cruzamos passagens muito estreitas e nos arrastamos entre o teto e o chão. No final há um laguinho com peixinhos sem olhos (típicos de cavernas). Outro dia incrível para não esquecer...      Regressamos a Torotoro e saímos pra comer uma pizza. Uma dica: Torotoro está entre Cochabamba e Sucre e há possibilidade de "transfer" de Torotoro para Sucre. São 6 horas de viagem de carro e só não usamos porque já havíamos comprado as passagens aéreas. Os espanhóis conseguiram fechar um carro e partiram até Sucre. No dia seguinte nós tivemos que regressar, numa épica e muito empoeirada viagem de van, a Cochabamba, pois de lá tomamos um desses voos econômicos para Sucre. Por conta de um tiozinho (muito sem noção) que atrasou a van em quase 1 hora, chegamos no aeroporto cerca de 20 minutos antes da saída do voo. Foi um desespero, pois despachamos as bagagens e embarcamos de forma imediata, mas deu tudo certo.




















      Torotoro vista no voo Cochabamba a Sucre:

      . Sucre - chegamos ao aeroporto e achamos tudo muito organizado. Pegamos uma van até o centro de Sucre por um valor muito bom (se fôssemos de táxi sairia umas 8 vezes mais). Caminhamos até o hostal La Casa Verde (R$ 150 reais o casal - foi a hospedagem mais cara de toda a viagem), bem localizado (poucas quadras da praça central) e com um excelente café da manhã. A cidade foi uma grata surpresa. O centro histórico é muito bonito, todo em estilo colonial e muito bem preservado, com muitas opções de restaurantes, cafés e lojas de chocolate e artesanato. Na praça, em frente a Catedral Metropolitana de Sucre, pegamos o ônibus do "Parque Cretácico" (horários: 9:30, 11:00, 12:00, 14:00 y 15:00 hs - de terça a domingo), uns 5 km de distância (15 minutinhos). A área pertence a fábrica de cimento "Fancesa" e, além do parque (que é interessantíssimo, muito educativo, com réplicas de dinossauros, museu e muita informação), também tem o sítio paleontológico chamado "Cal Orcko", um dos mais importantes já descobertos. Trata-se de um paredão (cerca de 110 metros de altura x 1500 metros de comprimento, inclinado em 73º), em camadas, onde estão expostas 5055 pegadas individuais de dinossauros de, pelo menos, 8 espécies. Há 462 trilhas de caminhada contínuas. Dá pra ver o paredão desde o parque (uns 300 metros de distância), mas fizemos o tour guiado (ocorre apenas das 12 as 13hs - horário de almoço da empresa de cimento), caminhando ao longo da parede. Foi sensacional ficar ali ao lado das pegadas,,, vale muito a pena!
      Planejamos conhecer Maragua, um local creca de 25 km de Sucre, com trekkings, pegadas de dinos (uma das maiores pegadas de carnívoros do mundo pode ser vista aí) e pinturas rupestres, mas pela falta de tempo deixamos para uma outra oportunidade.
      De noite, tomamos um ônibus da empresa "6 de octubre" na rodoviária de Sucre em direção à Villazón (cidade na fronteira Bolívia/Argentina), uns 420 Km de distância. Estávamos um pouquinho preocupados porque, na noite do dia seguinte, tínhamos um voo de Jujuy para Buenos Aires, e depois para o Brasil. Tinha muito chão ainda até chegar em Jujuy.









      . Villazón/La Quiaca - Jujuy - Brasil - depois de uma longa, porém tranquila viagem (cerca de 9 horas), chegamos na gélida rodoviária de Villazón (3.450 metros de altitude e -8ºC de temperatura). De lá tomamos um taxi até a fronteira (2,6 km dali) onde havia uma pequena fila,,, mas andou rápido. Ninguém revistou nada! Pegamos as mochilas e fomos caminhando 1km até a rodoviária de La Quiaca (já na Argentina). Esperamos um pouco até que achamos um ônibus para Jujuy (260 km em cerca de 5 horas). Acabou que deu tudo certo, pois tínhamos toda a tarde em Jujuy até a hora de nosso voo as 21:40hs. Deixamos as malas no novo terminal de ônibus de Jujuy e fomos até o centro pro tempo passar. Aproveitamos para almoçar, tomar um café num shopping, caminhar um pouco pelas ruas próximas e o principal: comprar algumas garrafas de vinho no supermercado! Voltamos para o terminal e esperamos passar um ônibus que nos deixaria no aeroporto.
      O mais engraçado é que, depois de fazer o check-in do voo, ouvi nossos nomes sendo anunciados no aeroporto. Fomos até o balcão da empresa e, para nossa grata surpresa, o voo estava lotado e nos mudaram para a 1ª classe. Hahaha,,, tá certo que era um avião pequeno e a 1ª classe não era algo assim fantástico, mas minhas pernas agradeceram o espaço cômodo até Buenos Aires. De lá pegamos o ônibus da empresa Tienda León (que faz o transfer gratuito de quem compra passagens da aerolineas argentinas) e fomos do aeroparque até o aeroporto de Ezeiza. Tomamos mais um chá de cadeira (umas 4 horas) e embarcamos as 06:40hs da manhã pro Brasil.


      Foi uma viagem épica , que na verdade foram muitas viagens em uma. Focamos em lugares menos conhecidos como Waqrapukara, Suykutambo, Parque Torotoro, Chachapoyas e o norte do Peru. Mas também vivenciamos grandes cidades como Cusco, Lima, La Paz, Huaraz, Trujillo, Chiclayo, Puno, Sucre e Jujuy. E ainda as pequenas e únicas Purmamarca, Tilcara, San Pedro de Atacama, Huanchaco, Lamud, Leymebamba, Yauri e Torotoro. Visitamos museus, sítios arqueológicos dos mais variados, desertos, cidades de antigas civilizações, montanhas, geleiras, mar e neve, águas termais, geisers, lagos de cor turquesa e cachoeiras,,, andamos de avião, ônibus, bicicleta, teleférico, carro, tuc-tuc,,, caminhamos trocentos quilômetros (ainda vamos fazer esta conta) entre cidades e trekkings em lugares maravilhosos e repletos de história e aventura,,, fomos do mar até 5.050 metros,,, comemos comidas típicas e deliciosas (viva o Peru),,, dormimos cinco noites dentro de ônibus, uma num aeroporto, muitas em pequenos e simples hotéis e até mesmo uma num hospital. Conhecemos muitas pessoas legais de muitas nacionalidades (chilenos, bolivianos, peruanos, argentinos, brasileiros, espanhóis, ingleses, alemães, australianos, e muitos outros),,, sendo que algumas boas amizades tiveram início. Celebramos a amizade com Juan, Miroslávia e Nils, participamos da cerimônia da Pacha Mama em La Paz e em Waqrapukara e desfrutamos da hospitalidade do maluco do Ludwig em Cusco. Por fim, brincamos muito, como deve ser, deslizamos em escorregadores de Saqsaywaman e em La Paz, nos perdemos de bicicleta na Garganta del Diablo, nadamos em lagoas geladas e, principalmente, compartilhamos um com o outro, juntos, pequenos e grandes momentos que ficarão eternizados em nossos corações. Infindáveis pequenos fragmentos de coisas boas,,, de cumplicidade,,, de entender um ao outro. O maior tesouro da viagem foi estar na melhor companhia.
    • Por Matheus Buono
      Oi gente, tudo bem? Eu me chamo Matheus e faço umas trilhas de vez em quando, pretendo fazer minha primeira viagem/mochilão, e resolvi conhecer boa parte do Peru, ao invés de dividir entre Bolívia, Chile e Peru.
      Gostaria da opinião de vocês, o que pode ser alterado e o que não pode, o que posso adicionar, ou simplesmente o que acham kkk 😁 Aceito dicas do levar daqui também!
      Lembrando que EU SEI que isso não vai sair perfeito na hora H e que coisas podem mudar... E Ayacucho eu quase não acho na internet, vi que quase ninguém passa por lá, mas vi uma moça postando no face e me apaixonei e achei uma bela parada de Cusco para Huacachina.
      ROTEIRO PERU
      Dia 1 -->São Paulo/Cusco
      • Se aclimatar
      • Comprar chip de celular
      • Comprar Boleto Turístico
      Dia 2 --> Cusco
      • Plaza de Armas
      • Sítios Arqueológicos (circuito I)
      Dia 3 -->  Cusco
      • Centro histórico e Valle Sur (Circuito II)
      Dia 4 --> Cusco
      • Vale Sagrado ( Circuito III)
      Dia 5 ---> Águas Calientes
      •Van até hidrelétrica e depois trilha
      Dia 6 ---> Machu Picchu ❤️
      • Tentar Voltar direto pra Cusco
      Dia 7 --> Cusco
      •Laguna Humantay
      Dia 8 --> Cusco
      • Andar atoa e descansar
      Dia 9 --> Cusco
      • Montanhas Coloridas ❤️
      ** Tentar ir pra Arequipa
      Dia 10 e 11 --> Arequipa
      • Conhecer Cidade
      • Vale Del Colca
      (TALVEZ FICAR MAIS UM DIA)
      Dia 12 --> Cusco
      • Ir para Ayacucho
      Dia 13 --> Ayacucho
      • Piscinas de Milpu ❤️
      (TALVEZ FICAR MAIS UM DIA)
      ** Tenta Ir para Huacachina
      Dia 14 --> Huacachina
      • Passeio de buggy
      • Andar nas dunas
      ** Tentar ir pra Lima
      Dia 15 --> Lima
      • Museu Larco
      • Andar atoa ( sei la )
      Dia 16 --> Lima
      • Tour gratuito
      Dia 17 --> Huaraz
      • Ver hostel e marcar os passeios
      - Talvez já fazer passeio
      Dia 18 --> Huaraz
      • Laguna Paron
      Dia 19 --> Huaraz
      • Glaciar Pastouri
      Dia 20 --> Huaraz
      • Laguna Llanganuco e Yungai
      Dia 21 --> Huaraz
      • Laguna 69 ❤️
      Dias 22, 23 e 24 (FICA DE SOBRA PRA ENCAIXAR OU FAZER ALGO FORA DO PLANO)
      Dia 25 - Lima
      • Voltar pra São Paulo
      ** Lugares que faltaram: Chachapoyas, Trujillo, Paracas, *Canyon Huatuscalle* (Ayacucho), Puno...
      E ai o que acharam?? 😊
      Aceito dicas do levar daqui também!
      MUITO OBRIGADO DESDE JÁ, UM BEIJO E UM ABRAÇO VOCÊS SÃO INSPIRAÇÃO ❤️❤️
    • Por divanei
      LAGUNA 69

       
                Ir ao Peru pôde ser uma das experiências mais incríveis que um Brasileiro poderá ter na vida e se você desembarcar em Huaraz, capital da província de Ancash, cidade de 140 mil habitantes situada a quase 400 km da capital Lima e imersa no meio da Cordilheira Branca, uma extensão da Cordilheira dos Andes, não espere nada menos que o surpreendente, um mundo tão diferente do nosso que irá fazer com que você perca o chão , sua cabeça vai rodar e talvez sentirá até náuseas , tanto pela diferença cultural, tanto pela altitude acima dos 3.000 metros . Eu já havia passado pelo Peru muito rapidamente em 2007, numa viagem alucinante até as ruínas de Machu Picchu, mas foi uma passagem tão rápida e tão conturbada que mal tive tempo de me deixar entrar na cultura peruana, mas desta vez havia separado muito tempo para me perder no país e agora arrastando minha mulher atrás de mim, o que para ela seria ainda mais devastador, já que era sua primeira vez.

         ( LIMA - PERU  )
                A Cordilheira Branca é algo realmente surpreendente, uma espécie de Patagônia Peruana, com uma centena de picos acima de 6.000 metros, geleiras, lagunas coloridas, glaciares, templos Pré –Inca, ruínas históricas, animais exóticos e uma infinidade de diferenças culturais e comidas diversas, trilhas e travessias de montanhas geladas são em números incontáveis e o melhor de tudo isso é que os preços são tão baixos que um brasileiro em economia de guerra vai se sentir rico lá.
                Na praça central de Huaraz , a Praça de Armas, meu pensamento voa longe enquanto nos deslumbramos com a magnitude de duas lhamas e as suas donas trajadas de chollas, que por algumas moedas, emprestam seus bichinhos para uma foto típica, mas meus pensamentos se elevam às montanhas gigantes cobertas de gelo e me imagino no topo delas, mas logo sou trazido a realidade e me lembro que desta vez a única coisa que poderei fazer é me portar como mero turista e não como aventureiro atrás de encrencas geladas e ser turista em Huaraz já é algo magnífico e me sinto feliz de poder compartilhar esse  momento incrível com minha companheira de 30 anos.

                Mesmo como turista é possível passar meses na cidade sem repetir passeio e todos são grandiosos e espetaculares, alguns sem exigência física nenhuma, outros serão apenas para poucos ou pelo menos para quem não é totalmente sedentário, porque além de ter que pôr o pé na trilha ainda vai ter que superar o fator altitude, alguns passeios vão chegar a 5.100 metros e alguns acabam por ficar pelo caminho, mas outros passeio deixarão o turista já no local sem que ele precise dar um passo se não quiser. Geralmente quem vem à Huaraz acaba por separar uma semana ou pouco mais que isso e já vem com os passeios tradicionais muito bem definidos, não é regra, mas conhecer as atrações principais acaba por se tornar quase uma obrigação, isso claro para quem não vai com o intuito de fazer caminhada de alta montanha ou escalar, aí essa regra não vale nada e nem vou expor isso aqui porque seria necessário escrever uma bíblia para falar de tudo que se pode fazer na Cordilheira Branca e mais ao sul dela.

                Dos passeios mais tradicionais, talvez a LAGUNA 69 seja a principal atração, não só por ter uma paisagem grandiosa, mas porque também é preciso de uma superação tão grandiosa quanto a beleza da paisagem, porque de todos os passeios tradicionais, esse é o que requer um esforço físico para ser alcançado. Não que a trilha seja assim algo quase que para super-homens, mas com certeza é o fator altitude que vai determinar quem pode ou não subir ou quem aguenta ou não se expor nos 15 km de caminhada com o pulmão querendo explodir procurando um pouco de ar para respirar e esse seria o desafio que eu havia programado para tentar arrastar minha mulher atrás de mim, mesmo porque eu já sabia que meu organismo se adapta muito bem a altitude e com um condicionamento físico mais ou menos em dia para minha idade, tiraria de letra, mas minha mulher , quase que uma sedentária contumaz , teria que se preparar muito bem para aquela aventura e o principal a fazer, era não fazer absolutamente quase nada, dar tempo ao tempo e esperar que o organismo se adaptasse a altitude, então programei um roteiro de passeios com esse fim, deixando a LAGUNA 69 com mais de 4.600 metros de altitude para o final da viagem, seria a cartada derradeira, uma tentativa de fazê-la conquistar essa atração, talvez uma das mais belas da AMÉRICA DO SUL.

               Huaraz não é uma cidade grande, mas mesmo assim é bem movimentada, com um trânsito intenso e barulhento, onde quem buzina mais tem prioridade, mas essa característica é do país inteiro. No centro, perto da sua praça principal ou mais precisamente na avenida que passa em frente dela e uma abaixo é onde tudo se concentra, desde bancos, órgãos oficiais, lojas de equipamentos, casa de câmbio e as agências de turismo que fazem todo tipo de passeio, que eles chamam de tours. Infelizmente quando desembarcamos em uma das inúmeras rodoviárias, porque cada empresa de ônibus tem a sua, acabamos por entrar meio numa furada de aceitar uma oferta de hostel ou alojamento e com isso acabamos sendo levados a fechar todos os passeios com eles. Acontece que a oferta era tão barata, mas tão barata que ficamos deslumbrados com a possibilidade de gastar uma merreca comparada a nossa realidade no Brasil. Os caras nos ofereceram no pacote uma diária que acabou saindo 25 reais por dia, claro, numa hospedagem meia boca, mas com um quarto de casal com uma cozinha disponível, mas um pouco longe do centro. Depois descobrimos que poderíamos ter pago o mesmo valor para ficar mais bem localizados e no fim acabamos pagando mais caro pelos passeios, mas era tão barato que a gente pouco se importou, fica então a dica de não fechar nenhum pacote com hotel nenhum e negociar os preços direto nas agências e conseguir aquele desconto maneiro.
                Organizei um roteiro que pudesse então fazer com que a gente fosse se aclimatando para enfrentar as altitudes da Laguna 69 e no primeiro dia que chegamos, embarcamos para CHAVIN DE HUASCARAN, uma viagem de um dia inteiro, ida e volta cruzando por cima da Cordilheira até as ruínas Pré-Inca , com uma paisagem deslumbrante no caminho, subindo a mais de 4.600 metros de altitude, passando pela Laguna Querococha, uma introdução as maravilhas da Cordilheira. A viagem é meio cansativa, principalmente para quem chegou de Lima numa viagem noturna de quase 8 horas, mas vai ajudar muito o organismo a ir se adaptando e na volta ainda tivemos a sorte de pegar uma nevasca que cobriu toda a rodovia de neve, mesmo no início do outono.

               
                No dia seguinte tiramos para descansar e para perambular pela cidade, nos enfiarmos nos guetos e bocadas e tentar compreender aquela cultura deslumbrante com um povo tão diferente do que estamos acostumados. Tudo nos faz cair o queixo, as mulheres com suas roupas coloridas e que vendem de tudo que se possa imaginar. Vemos uma pobreza gritante, mas também um povo trabalhador ao extremo e que gosta de comer muito bem. Aliás, a culinária peruana faz jus aos prêmios internacionais que vem ganhando ao longo dos tempos, uma diversidade gastronômica impressionante e o melhor de tudo, com preços baixíssimos, tanto que se podia comer até não aguentar mais por míseros 6 ou 7 reais nas dezenas de pequenos restaurantes espalhados ao redor do Mercado Central. Um dos pratos mais típicos do Peru é o CUY, uma espécie de porquinho da índia e o Ceviche Peruano, esse último eu comia quase todos os dias, mas o porquinho ficaria somente para outra oportunidade, já que minha mulher se recusava a dividir a mesa comigo para degustar essa iguaria local.

                No terceiro dia marcamos para ir a outra grande atração local, o GLACIAR PASTORURI, uma geleira que fica ao sul de Huaraz. A agência nos pegou no hotel às 8:30 com uma van coletiva com gente de toda parte do mundo. Subimos de novo a Cordilheira em pouco mais de 3 horas de viagem, com uma pequena pausa no caminho para um chá de folha de coca para ajudar na aclimatação. Esse é mais um passeio que leva o dia inteiro e vai custar pouco mais de 30 reais por pessoa e mais uns 30 pelo ingresso no Parque Nacional de Huascarán , pode sair bem mais barato se comprar já 3 ingressos , saindo pouco mais de 60 reais, já que iríamos usar para outros dias, fizemos isso. A van deixou a gente a 2 km da geleira. O tempo estava meio embaçado e ameaçava nevar, mas o grande problema ali é a altitude que beira os 5.100 metros e vai desafiar o organismo sem piedade. A caminhada tem pouco aclive, mesmo assim muita gente opta por alugar umas mulas por míseros 7 reais para subir por uns 15 ou 20 minutos, mesmo sendo algo para turista, quem é sedentário de carteirinha vai botar a língua de fora e minha mulher não fugiu à regra, dava um passo e já apoiava as mãos no joelho tentando procurar ar sabe-se lá de onde. Vendo o estado dela tentando vencer esses míseros 2 km, comecei a desconfiar da sua capacidade de conseguir fazer a trilha até a Laguna 69, mas enfim, era preciso deixar o tempo passar para ver como seu corpo reagiria nos próximos dias, se conseguiria se adaptar a altitude. No caminho para o glaciar o tempo virou de vez e a chuva que ameaçava cair desabou em forma de neve, o que foi muito bonito de se ver, mas também acabou por congelar nossas mãos antes de nos valermos de uma luva e um gorro quentinho. Devagarzinho e sendo quase que empurrada por mim, o Rose chegou, com a língua colando no chão, mas chegou e realmente valeu muito o esforço e a oportunidade de poder se postar de frente daquela montanha de gelo, num cenário sem igual. A volta sempre é mais tranquila, tanto a caminhada, quanto a viagem para a cidade, mas foi mais um dia desgastante, agora era hora de descansar e deixar o organismo trabalhar e ir se adaptando porque a regra é clara: Suba alto e durma baixo.

                
                No outro dia a gente queria descansar, mas como já havíamos comprado o pacote, tivemos que encarar o tour para a LAGUNA PÁRON. É uma viagem longa e interminável por mais de 3 horas, onde a van desafia a cordilheira e ascende a mais de 4.200 metros, numa paisagem espetacular, em meio à montanhas geladas. A Laguna tem uma cor azul escuro que chega a hipnotizar a gente e no fundo dela um pico em forma de pirâmide ( NEVADO PIRÂMIDE-5.885) faz a gente não se arrepender de ter ido, aliás, dizem que esse cenário magnifico com a composição laguna mais pico, serviu de palco para a empresa cinematográfica Paramount Picture gravar sua vinheta de abertura antes dos filmes. A van nos deixa as margens da laguna, mas quem quiser pode subir por mais uns 500 metros até um mirante do lado direito. Eu encarei essa subida, mas a Rose ficou lá embaixo contemplando a laguna, mas a subida não é tão puxada quanto pintavam, mas caminhar na altitude nunca é mole, mesmo assim subi correndo e desci também, tentando testar um pouco dos meus limites para a Laguna 69. Chegando lá embaixo fomos dar uma volta de canoa na laguna, uma água absurdamente limpa, tanto que bebemos dela. Voltamos para Huaraz e por causa de algumas obras acabamos por chegar bem tarde da noite, cansados, mas já tendo que nos organizar para o outro dia, quando iríamos enfrentar a caminhada turística mais temida da Cordilheira Branca.


                
          ( Laguna Parón)
                Os dias amanhecem sempre frios na Cordilheira dos Andes, mas por sorte naquele dia não havia uma nuvem no céu e isso por si só já me alegrou. Antes das 6 da manhã a van que nos levaria para a Laguna 69 nos apanhou na hospedagem. Ainda estávamos atordoados e cansados por causa do dia anterior, mas confesso que estava um pouco apreensivo, havia chegado a hora de saber se realmente o meu planejamento quanto a deixar minha mulher em condições de fazer a trilha iria dar certo. No transporte coletivo, mais uma vez se juntavam gente de diferentes países do mundo, a maioria não falava espanhol e como pouco aranhávamos no inglês, praticamente ficamos isolados e trocávamos algumas palavras com uns peruanos e com um belga que havia morado um tempo em Portugal e falava bem a nossa língua. Ao olhar o grupo já vi que o negócio iria mais complicado do que eu pensava, porque era composto na sua maioria quase que total de pessoas jovens, sendo eu e a minha esposa de longe os mais velhos, beirando quase os 50 anos e também o belga que parecia nos acompanhar na idade e esse foi um fato que fez logo a Rose ficar desconfiada dessa caminhada, mas eu desconversei, dei umas risadas e mudei de assunto antes que ela desistisse mesmo antes de começar.
                A Van segue sempre para nordeste, deslizando entre a Cordilheira Branca e a Cordilheira Negra, sendo do nosso lado direito as paisagens encantadoras das grandes geleiras e seus picos acima de seis mil metros e quando chegamos à Carhuaz, saltamos em frente a sua igreja principal para um café da manhã e experimentar os sabores exóticos de uma sorveteria local e para comprarmos água e algum lanche de trilha. Seguimos , mas agora tendo como companhia o monstruoso HUASCÁRAN , simplesmente a maior montanha do Peru e uma das mais altas do nosso continente com 6.789 metros de altitude e foi justamente a encosta desse pico que veio a baixo no terremoto de 1970 que devastou a região de Huaraz, fazendo que a cidade de YUNGAI  quase fosse varrida do mapa, dizem que ao todo foram mais de 50 mil mortes, uma catástrofe quase sem precedente se levarmos em conta que isso se deu há quase 50 anos atrás quando a população era bem reduzida.
                Chegando em Yungai, viramos para nordeste e começamos a subir a Cordilheira Branca, uma viagem interminável, mas plasticamente encantadora, passando por pequenos amontoados de casas e construções rurais, gente que sobrevive a quase 4.000 metros em meio ao ar rarefeito e as agruras da altitude. Vamos subindo pra valer, mas ainda nos valendo de uma crista com um vale do nosso lado direito e quando chega a hora de deixar a crista e entrar de vez no vale que vai nos levar para o coração da Cordilheira, é hora de dar uma parada na ENTRADA DO PARQUE NACIONAL HUASCARÁN para nos identificarmos e comprarmos nosso ingressos (30 soles). Resolvidos os problemas burocráticos, nos lançamos para dentro dos paredões e fomos singrando de um lado para o outro sem tirar os olhos da janela e por vezes tendo que limpar a baba que escorria de nossas bocas do qual o queixo não conseguia se fechar, querendo cair diante da explosão de belezas sem igual.
                Seis ou sete quilômetros depois da entrada do Parque somos apresentados à LAGUNA LHANGANUCO a mais de 3.800 m de altitude, um azul hipnotizante, num cenário de sonhos. Nos detivemos ali por uma meia hora, o suficiente para prever que hoje nos faltariam adjetivos para narrar as belezas que estavam por vir. Mais à frente a LAGUNA ORCONCOCHA desmonta nossa capacidade de avaliar o que é mais belo e apenas ficamos a admirar àqueles cenários que vão surgindo no nosso caminho até que o nosso transporte motorizado para de vez, é chegado a hora de botar o pé na trilha, o coração já vai disparando e aquela ansiedade toma conta da gente, a aventura vai começar, voltar já não é mais possível e agora sou eu contra a altitude, minha missão : Levar minha mulher a uma das grandes paisagens da América do Sul, fazendo com que ela, mesmo um pessoa sedentária, consiga caminhar por 15 km no ar rarefeito montanha acima, numa altitude superior a 4.600 metros.
                
                O guia dá as explicações finais, mas todos nós sabemos que ali guia não serve para muita coisa, a não ser para encher o saco de quem não se mantiver no tempo estipulados por eles para retornar, inclusive para barrar os que não tiverem condições físicas de seguir, fazendo-os desistir. E o tempo estipulado é cruel para os que não tem experiência em longas caminhadas em altitude e muitos ficarão mesmo pelo caminho se não tiverem condições de fazer o percurso até a LAGUNA em no máximo 3 horas para ir e 2 horas para o retorno, então sempre acaba caindo sobre os ombros de todo mundo a responsabilidade de se manterem no tempo previsto.
                Rapidamente apanho as duas mochilinhas com alimentos, água, agasalho e outros equipamentos de segurança e somos os primeiros a nos lançarmos floresta a dentro, perdendo altitude até um riacho cor de leite. Mas não passa apenas de uma língua de mata que é cruzada em pouco mais de 5 minutos até atingirmos o vale plano, que iremos acompanhar por um bom tempo cercado por uma paisagem estonteante. A minha estratégia é fazer com que a Rose só se preocupe em caminhar e poupar energia, tanto que as 2 mochilas são carregadas por mim, deixando tranquila para que possa andar livre, respirando a maior quantidade de ar possível, mesmo numa altitude superior a 4.000 metros.

                O cenário inicial é algo que impressiona, vamos bordejando um rio que corre à nossa esquerda, aguas do degelo de picos gigantes que já podemos observar no horizonte. Vou pedindo para que a Rosa respire fundo e se concentre em colocar um pé à frente do outro, numa estratégia de ganhar terreno nessa parte plana e tomar bastante distância do pelotão principal que é composto pelo guia, porque enquanto tivermos à frente deles, é a garantia de podermos ter uma tranquilidade para irmos mais devagar quando a parte íngreme se apresentar e bicho pegar de vez.
                Me concentro em falar palavras de incentivo e em abastecer de água minha esposa e em dar-lhe algo para repor as energias, mas já vejo logo que ela começou a ferver o radiador e já me parece que começa a diminuir o ritmo e quando uma placa me indica que não andamos nem 2 km, trato logo de desviar sua atenção para que não veja que até agora não andou absolutamente nada. Um pouco mais à frente, umas construções parecendo umas casinhas de duendes nos chama a atenção, mas quando retornamos nossos olhares para o vale de onde viemos é que nos damos conta de onde estamos e do tamanho da paisagem que nos cerca: sobre nossas cabeças se eleva o monumental HUSCARÁN , na verdade com 2 cumes distintos com 6.786 metros a nos assombrar, mostrando que ali naquela cordilheira ele é quem manda , senhor soberano das altitudes, não só da Cordilheira Branca, mas o teto do próprio Peru e do seu lado esquerdo o Nevado Chopicalqui ( 6.354) fecha a parede e nos deixa boquiabertos , nos impedindo de prosseguir sem que desgrudemos os olhares destes monstros feito de rocha e de gelo, um cenário para guardar na memória por uma vida inteira.

         (Huascarán - o teto do Peru)
                Tudo era lindo, mas ainda na minha cabeça eu tinha a esperança de conseguir levar minha esposa até a laguna e a todo momento, mesmo sem tirar o olho das grandes paisagens, ia atrás dela dando uma de personal trainer, dando aquele incentivo, contando umas lorotas, inventando que faltava pouco e quando cruzamos uma pontinha sobre um afluente do rio principal, vi que começamos a nos aproximar de uma grande cachoeira de onde suas águas saltavam dos degelos das montanhas gigantes do nosso lado esquerdo,  que ao fazermos a curva que iria nos fazer começar a ganhar altitude, seria a hora de botar a prova toda minha capacidade de convencimento, se ela vencesse aquele trecho crucial, pensei que poderíamos ter êxito.

                Havíamos vencidos cerca de um terço do caminho, mas até então foi uma caminhada apenas no plano, o que poderia parecer praticamente nada, mas estamos falando de altitude, onde você puxa o ar e não encontra nada, onde o pulmão parece que vai explodir a qualquer momento. Eu me sentia muito bem, mas já sabia que meu organismo de adapta bem e rápido na altitude, mas entendia muito bem o que minha esposa estava passando. Agora o caminhar é lento, um passo e logo as mãos vão para as pernas, tentando se segurar para não cair. O terreno, a trilha, vai ziguezagueando montanha acima e cada metro vencido é uma conquista. Ela sofre, é um sofrimento que acaba sendo compartilhado por mim, que tento mentalmente empurra-la para cima: “ Vamos só mais um pouco, outro passo, respira, bebe água, não está longe o próximo patamar, vamos “.

                O sofrimento nos olhos dela é visível, começa a diminuir o ritmo consideravelmente e vamos sendo ultrapassados por todo mundo e é nessa hora que tenho medo de que o guia comece a pegar no nosso pé e ela desista de vez. Por sorte o próprio guia se deteve por um instante para auxiliar uma jovem que parece ainda estar pior que a Rose e foi a deixa para eu arrasta-la até que atingíssemos o grande patamar, estava vencido mais uma etapa, pelo menos por enquanto teríamos um refresco e poderíamos caminhar por mais algum tempo no plano. Aliás, a entrada desse novo vale é marcada por uma pequena e bonita lagoa que alguém me sopra ser a LAGUNA 68, mas parece ter outro nome também.

          (Laguna 68)
                Fizemos uma breve parada ali na laguna de não mais de 5 minutos, só o tempo básico para uma respirada mais profunda e para engolir alguma coisa energética. Nosso caminho segue agora em nível, numa paisagem incrível de onde a nossa frente desponta o não menos incrível PICO CHACRARAJU ( 6.108) e é com essa companhia que nossos passos vão deslizando pelo vale florido e 600 metros depois da pequena lagoa, nos deparamos com uma placa que indica uma trilha para outra laguna à direita, mas infelizmente não será dessa vez que nossos pés tocaram a Laguna Brogui, é preciso nos concentrarmos no objetivo principal porque estamos no tempo limite e ao trombarmos com uma placa onde dizia que a Laguna 69 estava a míseros 1000 metros, comemorei pensando que daqui para frente seria moleza e o sucesso estava garantido, ledo engano.
                Nesse 1 km final é onde o nosso organismo vai ser testado de verdade. Para quem já vinha buscando ar para os pulmões, esse pequeno trecho de subidas intensas poderá marcar definitivamente o final da caminhada, porque é aqui que muita gente passa mal e em alguns casos tem de ser ajudada a voltar para baixo, esse é o trecho que separa quem vai vencer e quem vai fracassar, pelo menos para os turistas ou até para montanhistas que não conseguem se adaptar as altitudes e já vinha capengando nas etapas anteriores. A Rose agora se arrasta de vez e só não anda de quatro pé para não passar vergonha e mesmo com o vento gelado acima dos 4.500 metros, sua em bicas. Enquanto ela vive seu calvário pessoal, caminhando feito uma tartaruga paraplégica, me contento em incentivar e também em apreciar a grandiosidade da paisagem que vai se descortinando enquanto vamos ganhando altura naquele ziguezague derradeiro.
                A cada passo, a cada metro ganho, nossa ansiedade vai aumentando. Sobre nossas cabeças agora localizo o que imagino ser a ponta do Nevado Pisco, montanha que já foi eleita a mais bonita do mundo, mas é um ângulo diferente e me concentro em botar meus olhos mesmo é na laguna, na esperança de vê-la ao longe. Nessa hora eu nem sei mais para onde foi parar o tal guia e pouco me importo em saber, já tenho a certeza que vamos chegar, muito porque o terreno se estabiliza e o sofrimento da subida já ficou para trás e é hora de encher os pulmões de ar ou o que conseguir, obviamente, e bater continência para uma das maiores atrações da América do Sul.
                
                O paredão gelado já está no nosso raio de visão, a geleira derretendo e deixando cair uma cachoeira e logo o azul, ainda uma pequena pontinha da laguna, desponta à nossa frente e a magia vai crescendo num dos cenários mais surpreendentes do mundo. O cérebro demora a processar o que olhos vão captando e nessa hora nem mesmo sei para onde foi parar minha mulher, só me lembro de ter sido arrastado pelo deslumbramento, quase hipnotizado pelo azul celeste.

                Gastamos menos do que as 3 horas limites para chegar. A Rose quase desmaia de cansada e senta-se à beira da Laguna 69 (4.604 m) e por lá fica comemorando em silêncio essa vitória pessoal, mas eu ainda estou pilhado e enquanto todo mundo, umas 50 pessoas, ficam aos pés da laguna só na contemplação, tomo o rumo do morro a nossa direita e sozinho vou ganhando altitude, galgando esse ombro rochoso até que atinjo o topo de onde se descortina uma visão inteira e completa de toda a Laguna, a mais de 4.650 metros de altitude.


                A grandiosidade da paisagem ao redor é coisa que me emociona e talvez esse tenha sido o lugar mais longe de casa que já estive na vida. Fico ali entregue a minha própria solidão e me esqueço completamente do tempo e da vida, apenas inerte, parado, estático, captando aquela cena do qual guardarei para o resto da vida, mas logo descubro que não é possível ser feliz para sempre e começo a descer e  no final da descida  surpreendo-me com uma vaca querendo chifrar, vejam só, um grupo de brasileiros, na  verdade a vaquinha queria apenas matar sua curiosidade, mas os brazucas não estavam a fim de pagar para ver , então correram bem para longe dela. Quando cheguei perto, todo mundo do nosso grupo já havia partido, inclusive minha esposa, então só me restou fazer um carinho na vaquinha e desembestar montanha à baixo na tentativa de acompanhar o grupo.

                Às bordas de completar 50 anos, ainda me surpreendo com a facilidade que tenho de adaptação às altitudes e como carrego apenas 2 mochilinhas leves, é correndo que desço esse km inclinado, tomando cuidado para não derrapar nas curvas e despencar morro à baixo e rapidamente alcanço minha esposa e o guia, que é um dos últimos e logo quando voltamos ao plano, vamos ultrapassando boa parte dos integrantes do nosso grupo e antes mesmo de voltar ao laguinho intermediário, nos encontramos novamente com o Belga que fala português e numa conversa informal, descobrimos que o cara tinha apenas 40 anos, muito menos do que os mais de 50 que pensávamos ter e ai nos demos conta de que eu e minha esposa éramos os anciões daquele grupo multe estrangeiro, verdade mesmo que não havia ninguém mais velhos do que nós naquela caminhada e naquela montanha.

                O próximo lance de descida é a rampa inclinada, de frente para a grande cachoeira, mas agora a descida é constante e sem maiores pausas, apenas para uma ou outra foto da paisagem ao nosso redor e não demora muito atingimos o vale final, o ultimo estirão, agora totalmente plano, ás margens do rio do degelo das montanhas e vamos aos poucos nos despedindo do próprio Huascarán e o teto do Peru vai ficando para trás e duas hora e meia depois de abandonarmos a Laguna, emergimos da matinha e finalizamos junto à estrada, onde nossa Van foi estacionada e ali nos atiramos ao chão para um demorado descanso até que todo o grupo se juntasse e partíssemos novamente para Huaraz, onde chegamos já tarde da noite.
                Ainda inebriados pela caminhada do dia anterior, acordamos tarde e fomos perambular por Huaraz, nos perdemos em tudo quanto é beco e já que havíamos decidido ficar por lá mais uns dois ou três dias, resolvemos nos mudar para um hotel no centro, o que não nos custou mais que 30 reais. O choque de cultura é tão grande que ás vezes nos faz até perdermos o rumo e já que era para perder o norte, decidi que aquele seria o dia de experimentar uma das maiores iguarias da cozinha Peruana. Entramos em um restaurante popular e enquanto minha esposa experimentava mais um Ceviche, pedi logo um PORQUINHO DA INDIA, havia chegado a hora de provar o tal do CUY, mas antes mesmo que a iguaria tocasse nossa mesa, fui expulso a pontapés pela minha esposa que aos gritos disse logo: “VAI COMER ESSA MERDA LONGE DE MIM” (rsrsrsrrsrsr).
                Lá estava ele, nosso mascote, bonitinho e peludo, mas agora ali jaz, duro e à pururuca. Num primeiro momento não foi agradável ver aquele cadáver parecendo um rato seco sobre a mesa, mas o ser aventureiro que habita o meu corpo me dizia que aquela era talvez a única chance de experimentar um prato típico inusitado. O estômago deu um embrulhada, principalmente quando os dentes saltaram aos olhos, mas o demônio na minha cabeça insistia: “ Come aí, num dá nada, vai lá, só um pedacinho miseraviiii” Fechei os olhos, peguei um pedacinho, enfiei na boca. Minhas papilas gustativas foram se abrindo e o sabor do coitado do porquinho foi adentrando no meu corpo, tomando conta do meu ser e o animal carnívoro veio à tona e me portei como o diabo das Tasmânia, não deixei sobrar nem os ossos, só os dentes permaneceram no prato, melhor o do porquinho do que os meus.

             
                Os dias passaram e foi preciso deixar aquele lugar de sonhos para trás e a nossa volta para Lima foi como a ida, tranquila e sem nenhum percalço porque a maioria das viagens são à noite. De volta à capital do Peru embarcamos imediatamente para o sul do país, era chegada a hora de respirar o ar em abundancia do litoral e como minha proposta era a de conhecer paisagens diferentes, fomos nos perder no grande Deserto de Ica, lá onde o vento faz a curva, lá para as bandas do oásis de HUACACHINA, onde as maiores dunas do continente reinam absolutas, mas isso é uma outra história, de um outro capítulo de um livro chamado : AS HISTÓRIAS QUE AINDA NÃO CONTEI SOBRE O PERU , mas que um dia vou contar, num momento oportuno.


         (Huacachima)
      (Paracas)         
                Essa não foi só uma história de uma caminhada por uma das maiores paisagens do continente, essa foi a narrativa de uma superação, onde o principal objetivo foi mostrar que uma pessoa sedentáriapode vencer aquilo que num primeiro momento pode parecer impossível. Me lembro que anos atrás, na subida do Vulcão Vilarica no Chile, minha esposa me fez prometer que nunca mais a faria enfrentar tais desafios. Daquela vez ela fracassou, desistiu antes do cume, mas desta vez consegui trabalhar bem a parte psicológica dela, provando que as vezes um desafio é vencido com a cabeça e não só com as pernas. Voltamos do Peru simplesmente maravilhados, um tanto chocado com a cultura totalmente diferente da nossa, mas assim mesmo, trazendo na bagagem a certeza de ter vivido o bastante para conhecer um dos países mais espetaculares do mundo, um aprendizado para uma vida inteira.

                                                                                           Divanei-Abril/2019
                
               
               
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