No último dia 08 de novembro encontrei-me com um grande amigo que não via há mais de um ano, desde o trekking em Huayhuash, em setembro de 2013. Peter Tofte veio à Brasília a trabalho e resolvemos fazer uma trilha pra jogar um pouco de conversa fora. Peter sugeriu que repetíssemos a Travessia Sete Quedas no Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros, trilha que eu tinha percorrido em janeiro de 2013 e Peter em junho do mesmo ano. Como a travessia é meio curta sugeri que ligássemos a Travessia Sete Quedas à Travessia do Buracão, aumentando assim o percurso e sua dificuldade. O Fábio tinha me chamado pra fazer a Travessia do Buracão há alguns anos, mas como não pude ir tinha ficado com a idéia de fazer essa curta pernada um dia, aproveitei a oportunidade pra fazer as duas travessias em uma só. Resolvi levar meu sobrinho Alexandre, de 12 anos, para que ele vá se familiarizando com o esporte (ou seria um certo modo de vida?). Como combinado encontramo-nos às 08:30 no Rancho do Valdomiro, onde deixamos o carro e seguimos para a portaria do parque no taxi que trouxe Peter de Alto Paraíso.
Começamos a caminhar às 09:30 e em pouco tempo Chegamos à Cachoeira Cariocas, onde paramos para um bom banho e pra comer um pouco. Dali até a travessia das Fiandeiras, a primeira travessia do Rio Preto é uma caminhada tranqüila e rápida, pouco mais de 4km por uma trilha bem sinalizada e plana. Às margens do Rio Preto fizemos nossa parada pra almoço e mais uma vez aproveitamos pra tomar um banho, dessa vez com o bônus de ter um tratamento nos pés feito gratuitamente pelos peixinhos famintos do Rio Preto. Durante essa parada começou uma tempestade elétrica à frente e logo depois uma quantidade considerável de fumaça denunciava o fogo na outra margem do rio.
Cachoeira Cariocas
As primeiras reclamações de cansaço do Alexandre vieram durante os 8km de pernada que separam a travessia das Fiandeiras até o acampamento das Sete Quedas, onde presenciamos uma novidade; a implantação de um banheiro seco, que estava extremamente limpo e bem cuidado. Aproveitamos o final da tarde pra montarmos nossas tendas (a do Peter não era bem uma tenda), tomar um bom banho de rio e conhecer nossos colegas que já estavam acampados quando chegamos. Iniciamos uma boa conversa com o Jordano, a Cecília, o Henrique, o André e a Camilla nossos vizinhos de acampamento que tinham se conhecido pelo Trekking Brasília e estavam realizando a primeira trilha juntos, todos muito agradáveis e bons de prosa. A noite continuou com bastante conversa e trocas de receita de comida de trilha e com a escuridão pudemos confirmar que o incêndio que consumia o parque tinha aumentado bastante.
Depois de uma ótima noite de sono acordei antes das 07:00 e fui dar uma olhada na cachoeira ao raiar do sol. Estava bonita, com pouquíssima água, bem diferente de quando acampei ali há quase dois anos. Nossos amigos partiram cedo, pois voltariam naquele mesmo dia para Brasília, depois do café, desarmamos nossas tendas e já partimos pra cachoeiras com as mochilas prontas, pois de lá seguiríamos nossa caminhada. Após um bom tempo curtindo o lugar ás 11:00 horas partimos rumo ao final das Sete Quedas e ao início do Buracão. Logo após cruzar o Rio Preto acima da cachoeira Sete Quedas, a trilha inicia uma subida e depois um longo caminho plano até a GO-232, que liga Alto Paraíso à Colinas do Sul, durante todo esse trajeto presenciamos o estrago resultante do fogo que ainda estava intenso em direção ao sul do parque. Ao final da Travessia Sete Quedas, margeamos a rodovia por dois quilômetros no sentido de Alto Paraíso até cruzarmos um córrego quando entramos à direita e pegamos uma estradinha que passou pela casa do Sr. José, que nos disse que não conhecia nenhuma trilha que atravessasse o Buracão, e por uns chalés abandonados e, pouco mais de 2km após a GO-232 estávamos na base do Morro do Buracão, o sexto pico de maior altitude de Goiás, com 1510m. A subida foi dura, em terreno inclinado e sujo, logo no início o Alexandre reclamou de bolha no pé e ao indagá-lo se queria desistir, disse que não, se combinamos de acampar no cume ele iria até lá. Senti muito orgulho da atitude de dureza do menininho. Peter remendou o calcanhar do Alexandre com fita e continuamos a subida. Foi só vara mato e trepa pedra até um primeiro colo, onde a vegetação raleou e ficou melhor de caminhar. Uma chuva rápida abrandou o calor e pudemos beber água que ficou armazenada nas pedras. Encontramos alguns pés de gabiroba e aproveitamos para saborear as frutinhas. Encontramos um local plano pra montar o acampamento, mas que não tinha nada a ver com as fotos do Fábio e do André, que eu tinha visto um tempo atrás. Montamos acampamento e fomos buscar água num poço que encontrei ao ir verificar o terreno à frente, próximo a esse poço haviam dezenas de papagaios e mulatas. Do alto do Buracão a vista é incrível e tivemos um pôr do sol espetacular. Infelizmente constatamos que o incêndio tinha crescido muito e atingia boa parte do parque. Com o cair da noite preparamos nossa janta e emendamos uma boa conversa até o sono pegar. Aproveitamos que pegava celular ali e entramos em contato com as respectivas famílias. Acordei às 01:50 da madrugada com o barulho do vento e da chuva que castigavam a barraca, tinha esfriado um bocado e como só levei o saco de dormir pro Alexandre tive que vestir o anorak para me aquecer um pouco. Falei com Peter e depois dele dizer que estava tudo bem, caí no sono novamente, mas acordei mais algumas vezes durante a madrugada.
O amanhecer nas Sete Quedas com o Buracão ao fundo
Da esquerda pra direita: Jordano, eu, Alexandre, André, Camila, Cecília, Henrique e Peter
O Morro da Baleia à esquerda e o Buracão, nosso destino do dia, à direita. Acampamos no segundo colo, próximo ao cume.
Alexandre remendado pelo Peter.
O entardecer espetacular do alto do Buracão.
Incêndio consumindo o Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros.
O dia amanheceu tomado pela névoa e continuamos a travessia enquanto o vento e o sol tratavam de limpar o tempo. Encontramos o marco do IBGE e um pouco abaixo a área de camping do alto do Buracão, bem mais ampla e abrigada do que o local onde acampamos, mas com uma vista pior. Dali em diante há uma trilha pouco batida que vai seguindo a crista até o Rancho do Valdomiro, passa por um poço que dá até pra tomar banho e proporciona bons ângulos do morro da Balei e do Jardim de Maytrea. Seguimos por essa trilha e já quase no fim, o Peter ia à frente e olhando pra trás viu um pouco acima, veado próximo à mim e ao Alexandre, mas não conseguimos ver. Uns 5 minutos depois, encontrei outro veado deitado ao lado da trilha, ao chamar pelos garotos pra verem o bichinho ele correu por pouco mais de 15 metros e parou novamente, como era uma fêmea, imaginamos que pudesse estar parida e o filhote poderia estar ali por perto, pois o animal não se afastava daquele local. Tratamos de sair logo dali pra não importunar o bichinho e nem tentamos fotografá-lo. Uns 20 minutos depois chegamos ao Valdomiro, onde comemos uma deliciosa matula. Depois do almoço deixei o Peter em Alto Paraíso e rumei pra Uruaçu, já combinando um próxima pernada. Ausangate que nos aguarde!
No último dia 08 de novembro encontrei-me com um grande amigo que não via há mais de um ano, desde o trekking em Huayhuash, em setembro de 2013. Peter Tofte veio à Brasília a trabalho e resolvemos fazer uma trilha pra jogar um pouco de conversa fora. Peter sugeriu que repetíssemos a Travessia Sete Quedas no Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros, trilha que eu tinha percorrido em janeiro de 2013 e Peter em junho do mesmo ano. Como a travessia é meio curta sugeri que ligássemos a Travessia Sete Quedas à Travessia do Buracão, aumentando assim o percurso e sua dificuldade. O Fábio tinha me chamado pra fazer a Travessia do Buracão há alguns anos, mas como não pude ir tinha ficado com a idéia de fazer essa curta pernada um dia, aproveitei a oportunidade pra fazer as duas travessias em uma só. Resolvi levar meu sobrinho Alexandre, de 12 anos, para que ele vá se familiarizando com o esporte (ou seria um certo modo de vida?). Como combinado encontramo-nos às 08:30 no Rancho do Valdomiro, onde deixamos o carro e seguimos para a portaria do parque no taxi que trouxe Peter de Alto Paraíso.
Começamos a caminhar às 09:30 e em pouco tempo Chegamos à Cachoeira Cariocas, onde paramos para um bom banho e pra comer um pouco. Dali até a travessia das Fiandeiras, a primeira travessia do Rio Preto é uma caminhada tranqüila e rápida, pouco mais de 4km por uma trilha bem sinalizada e plana. Às margens do Rio Preto fizemos nossa parada pra almoço e mais uma vez aproveitamos pra tomar um banho, dessa vez com o bônus de ter um tratamento nos pés feito gratuitamente pelos peixinhos famintos do Rio Preto. Durante essa parada começou uma tempestade elétrica à frente e logo depois uma quantidade considerável de fumaça denunciava o fogo na outra margem do rio.
Cachoeira Cariocas
As primeiras reclamações de cansaço do Alexandre vieram durante os 8km de pernada que separam a travessia das Fiandeiras até o acampamento das Sete Quedas, onde presenciamos uma novidade; a implantação de um banheiro seco, que estava extremamente limpo e bem cuidado. Aproveitamos o final da tarde pra montarmos nossas tendas (a do Peter não era bem uma tenda), tomar um bom banho de rio e conhecer nossos colegas que já estavam acampados quando chegamos. Iniciamos uma boa conversa com o Jordano, a Cecília, o Henrique, o André e a Camilla nossos vizinhos de acampamento que tinham se conhecido pelo Trekking Brasília e estavam realizando a primeira trilha juntos, todos muito agradáveis e bons de prosa. A noite continuou com bastante conversa e trocas de receita de comida de trilha e com a escuridão pudemos confirmar que o incêndio que consumia o parque tinha aumentado bastante.
Depois de uma ótima noite de sono acordei antes das 07:00 e fui dar uma olhada na cachoeira ao raiar do sol. Estava bonita, com pouquíssima água, bem diferente de quando acampei ali há quase dois anos. Nossos amigos partiram cedo, pois voltariam naquele mesmo dia para Brasília, depois do café, desarmamos nossas tendas e já partimos pra cachoeiras com as mochilas prontas, pois de lá seguiríamos nossa caminhada. Após um bom tempo curtindo o lugar ás 11:00 horas partimos rumo ao final das Sete Quedas e ao início do Buracão. Logo após cruzar o Rio Preto acima da cachoeira Sete Quedas, a trilha inicia uma subida e depois um longo caminho plano até a GO-232, que liga Alto Paraíso à Colinas do Sul, durante todo esse trajeto presenciamos o estrago resultante do fogo que ainda estava intenso em direção ao sul do parque. Ao final da Travessia Sete Quedas, margeamos a rodovia por dois quilômetros no sentido de Alto Paraíso até cruzarmos um córrego quando entramos à direita e pegamos uma estradinha que passou pela casa do Sr. José, que nos disse que não conhecia nenhuma trilha que atravessasse o Buracão, e por uns chalés abandonados e, pouco mais de 2km após a GO-232 estávamos na base do Morro do Buracão, o sexto pico de maior altitude de Goiás, com 1510m. A subida foi dura, em terreno inclinado e sujo, logo no início o Alexandre reclamou de bolha no pé e ao indagá-lo se queria desistir, disse que não, se combinamos de acampar no cume ele iria até lá. Senti muito orgulho da atitude de dureza do menininho. Peter remendou o calcanhar do Alexandre com fita e continuamos a subida. Foi só vara mato e trepa pedra até um primeiro colo, onde a vegetação raleou e ficou melhor de caminhar. Uma chuva rápida abrandou o calor e pudemos beber água que ficou armazenada nas pedras. Encontramos alguns pés de gabiroba e aproveitamos para saborear as frutinhas. Encontramos um local plano pra montar o acampamento, mas que não tinha nada a ver com as fotos do Fábio e do André, que eu tinha visto um tempo atrás. Montamos acampamento e fomos buscar água num poço que encontrei ao ir verificar o terreno à frente, próximo a esse poço haviam dezenas de papagaios e mulatas. Do alto do Buracão a vista é incrível e tivemos um pôr do sol espetacular. Infelizmente constatamos que o incêndio tinha crescido muito e atingia boa parte do parque. Com o cair da noite preparamos nossa janta e emendamos uma boa conversa até o sono pegar. Aproveitamos que pegava celular ali e entramos em contato com as respectivas famílias. Acordei às 01:50 da madrugada com o barulho do vento e da chuva que castigavam a barraca, tinha esfriado um bocado e como só levei o saco de dormir pro Alexandre tive que vestir o anorak para me aquecer um pouco. Falei com Peter e depois dele dizer que estava tudo bem, caí no sono novamente, mas acordei mais algumas vezes durante a madrugada.
O amanhecer nas Sete Quedas com o Buracão ao fundo
Da esquerda pra direita: Jordano, eu, Alexandre, André, Camila, Cecília, Henrique e Peter
O Morro da Baleia à esquerda e o Buracão, nosso destino do dia, à direita. Acampamos no segundo colo, próximo ao cume.
Alexandre remendado pelo Peter.
O entardecer espetacular do alto do Buracão.
Incêndio consumindo o Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros.
O dia amanheceu tomado pela névoa e continuamos a travessia enquanto o vento e o sol tratavam de limpar o tempo. Encontramos o marco do IBGE e um pouco abaixo a área de camping do alto do Buracão, bem mais ampla e abrigada do que o local onde acampamos, mas com uma vista pior. Dali em diante há uma trilha pouco batida que vai seguindo a crista até o Rancho do Valdomiro, passa por um poço que dá até pra tomar banho e proporciona bons ângulos do morro da Balei e do Jardim de Maytrea. Seguimos por essa trilha e já quase no fim, o Peter ia à frente e olhando pra trás viu um pouco acima, veado próximo à mim e ao Alexandre, mas não conseguimos ver. Uns 5 minutos depois, encontrei outro veado deitado ao lado da trilha, ao chamar pelos garotos pra verem o bichinho ele correu por pouco mais de 15 metros e parou novamente, como era uma fêmea, imaginamos que pudesse estar parida e o filhote poderia estar ali por perto, pois o animal não se afastava daquele local. Tratamos de sair logo dali pra não importunar o bichinho e nem tentamos fotografá-lo. Uns 20 minutos depois chegamos ao Valdomiro, onde comemos uma deliciosa matula. Depois do almoço deixei o Peter em Alto Paraíso e rumei pra Uruaçu, já combinando um próxima pernada. Ausangate que nos aguarde!
Editado por Visitante