Esse é um relato da primeira travessia que fiz no Parque Nacional do Itatiaia (PNI) em setembro de 2014, mas que permanecia nos meus planos há muitos anos. A ideia inicial era fazer as travessias do Parque antes das mais pesadas, como Marins x Itaguaré e Serra fina. Porém, acabei fazendo elas primeiro, e até outras e a do PNI acabaram ficando para depois.
Era minha primeira incursão nessa parte da Serra da Mantiqueira e ao contrário da maioria, que visita o parque apenas para conhecer os batidos picos da Agulhas negras e prateleiras e logo voltar, eu fui com o objetivo de fazer logo de cara uma das 3 travessias do parque + os picos que fosse possível conhecer pelo caminho.
Para essa empreitada, convidei várias pessoas, mas por questão de logística, disponibilidade de dias e a distancia, só 4 puderam ir: Aline, Letícia, Clóvis e o Rogério (que esteve comigo na Serra fina).
Escolhemos a Rebouças x Mauá por conta do número de atrativos pela qual a trilha passa e para conhecer melhor esse belo trecho do famoso e mais antigo parque nacional do país. Embora as outras 2 travessias reservam muitos outros atrativos que eu pretendo conferir in loco numa próxima incursão, escolher 1 das 3 era preciso.
Eram 16h40 de uma bela tarde de Sexta feira, qdo lá estava eu no metrô com minha cargueira, rumo a Estação Tamanduateí da linha 2 do metrô, local do encontro, onde iria encontrar os demais. O metrô já estava relativamente cheio, anunciando que o horário de pico estava apenas no inicio e em meio a milhares de trabalhadores cansados e retornando de mais um dia de trabalho, um "doido" com uma mochila tamanho família nas costas e ocupando espaço de 2 pessoas foi a deixa para atrair olhares curiosos das pessoas presentes no interior daquele vagão lotado.....
Provavelmente estavam se perguntando: como um cara magrinho como ele consegue ficar de pé com aquele chumbo nas costas?
Cheguei na estação de Tamanduateí por volta das 17h10, a Aline já se encontrava a minha espera e ficamos aguardando a Letícia que ainda não havia chegado. Assim que ela chegou, descemos até o ponto de saída em frente ao Shopping Central Plaza onde ficamos esperando o Clóvis chegar.
Não demorou muito e logo ele chegou, foi avisando que o Rogério iria atrasar, devido a um problema na linha de trem em que ele estava vindo. Combinamos de pega-lo na Estação Tatuapé, que já era caminho para a Marginal e a Ayrton Senna e ele só foi chegar quase 1 hora depois, as 18h30, por conta do atraso do trem e a lotação do rush no metrô. Com toda a trupe reunida e feitas as apresentações de praxe, pouco depois das 19h00, partimos em direção a Itamonte, cidade mineira no sul de Minas, próximo a divisa com SP, no alto da Serra da Mantiqueira.
A viagem foi tranquila e chegamos a cidade mineira de Itamonte já tarde da noite, por volta das 22h30. Fizemos uma parada para Jantar na cidade e logo nos dirigimos ao "refúgio", onde iriámos passar a primeira noite. O refúgio do Clóvis é uma rústica cabana que ele construiu em um terreno que comprou anos atrás. É muito boa e ainda fica em um dos morros mais altos da cidade a 1.300 metros de altitude (quase a mesma altitude da Pedra Grande de Atibaia) no meio da mata e sua construção lembra muito aquelas cabanas no meio do nada que a gente vê nos filmes americanos.
Na cabana do Clóvis, na manhã seguinte
Já havia ficado nela em trips anteriores, qdo retornei a Pedra da Mina via Paiolinho para um batevolta treino. Como teríamos pouco tempo de sono nessa primeira noite, tratamos de ir dormir logo.
Combinamos com o resgate de nos levar até a entrada da parte alta do Parque no centro da cidade as 6h30. Para isso, combinamos de todos acordar as 4h, mas o pessoal só começou a levantar mesmo depois das 4h30, por conta do pouco tempo de sono da noite passada. A temperatura do lado de fora estava por volta dos 05ºC com uma bela lua e um céu bem limpo. Com um pouco de atraso, partimos as 5h50 em direção ao encontro com o resgate previamente combinado, que iria nos levar até a entrada do Parque e nos resgatar no final, na Vila de Maromba. E vamos que vamos!
1º dia - Do abrigo Rebouças ao Rancho caído.
Os primeiros raios de sol já coloriam a parte mais alta dos morros e uma fina camada de gelo cobria os vales, indicando que a temperatura na madrugada em alguns pontos de baixada, deve ter caído abaixo de 0ºC. De fato, ao passar por esses trechos, o frio era mais intenso e a névoa baixa chegou até a embaçar o vidro do carro. Chegamos no centro da cidade por volta das 6h20 com os primeiros raios de sol atingindo alguns pontos das ruas.
A temperatura do termômetro do carro do Clóvis marcava 04ºC e aquele inicio de manhã de sábado estava estupidamente gelado mesmo, o que deu uma ideia do que nos esperava na noite seguinte lá nas altitudes acima de 2.300 metros.
Após nosso resgate chegar, partimos em direção a Garganta do Registro, onde fica o acesso a estrada de terra que sobe até a parte alta do Parque. A sinuosa subida inicia-se na altitude de 1.660 metros e inicialmente segue em meio a floresta de mata atlântica, que logo dá lugar aos campos de altitude. A estrada estava bem esburacada, o que fez a Van do Amarildo andar em velocidade bem reduzida.
São 14 km de subida quase constante de estradinha até a entrada do Parque, passando pela entrada da antiga pousada Alsene (hoje desativada, pois foi embargada pela justiça por despejar esgoto sem nenhum tratamento em um riacho ao lado) e o acesso ao Pico da Pedra furada (Altitude: 2.580m), acessível por trilha e que fica fora dos limites do parque.
Garganta do Registro
Foto by caco
A subida levou em torno de 40 minutos e a medida que subia, a paisagem da mata ia mudando. Logo, as subidas mais íngremes terminam e a partir dai começa a aparecer as primeiras paisagens dos campos de altitude, sinalizando que já estávamos acima dos 2.000 metros de altitude. Aberturas em meio da mata, revelavam belíssimas vistas do vale do Paraíba totalmente tomada por um colchão de nuvens, o que deixou todos bem ansiosos. Tempo fechado mesmo, só lá embaixo, pois na serra, o astro-rei brilhava forte em um céu estupidamente limpo. A tediosa subida era compensado pelas belas vistas e as paisagens dos campos de altitude.
Serra fina vista do trecho final da subida
Após muito chacoalhar, enfim, chegamos a entrada do Posto Marcão, na parte alta do Parque, na cota dos 2.450 metros de altitude por volta das 8h10. Tivemos um atraso na liberação de nossa entrada, porque o Clóvis descobriu na hora que esqueceu de trazer o formulário de autorização impresso (e que contem o nº de protocolo da reserva). Para piorar, estavam sem sinal lá. E agora, José?
Enquanto esperava, aproveitei para tirar várias fotos do entorno, pois mesmo na entrada do parque, a vista estrada abaixo era de tirar o fôlego.
Ele resolveu ligar aqui em SP para obter o nº e entregar ao guarda do parque (Nisso, tivemos um atraso de quase 1 hora), mas ele conseguiu com um parente o número, entregou pro guarda e com isso, tivemos nossa entrada liberada.
Eu no posto Marcão, entrada da parte alta do Parque
Mapa com as principais trilhas e as travessias do Parque
De lá, era possível avistar toda cadeia montanhosa da Serra fina, além do Pico da Pedra Furada e parte do traçado sinuoso da estradinha de terra. Mas pudera, estávamos a mais de 2.400 metros de altitude!!!!
Trecho final da estrada de terra com o Pico da Pedra furada bem ao fundo
Para compensar o atraso, nosso resgate nos poupou 3 km de pernada nos levando até o Abrigo Rebouças, um abrigo chalé que dispõe de quartos com cama, sala, banheiros e cozinha para o uso dos montanhistas durante sua estadia na montanha. Do lado de fora, um amplo descampado para umas 15 barracas estava a disposição para quem quiser acampar. O abrigo atualmente está passando por uma reforma, então pernoite ali só na área de camping.
O Abrigo Rebouças é como se fosse um "marco zero" do Parque, pois é a partir dali que partem diversas trilhas para vários atrativos do parque, como Pedra do Altar, Asa de Hermes, Prateleiras, Agulhas negras, Cachoeira do Aiuruoca, das Flores, Pedra do Sino, além das 3 clássicas travessias do Parque: Ruy Braga, Serra Negra e Rebouças x Mauá, entre outras....
Abrigo Rebouças (Em Setembro de 2014 estava em reforma, não sei se já terminaram)
Placa informativa do lado do abrigo com a altitude do local onde eu estava, e várias informações úteis...
Chegamos no abrigo por volta das 9h15 e após ajeitarmos as cargueiras, fizemos uma votação para ver se iríamos fazer um ataque até o Prateleiras ou iniciamos a trilha da travessia diretamente, sem ir até lá. Por conta do atraso da liberação de nossa entrada lá na portaria, e a Aline ser iniciante em travessia de montanha (e consequentemente tendo um ritmo menor que o dos demais), Ela, Letícia e Clóvis resolveram abortar o ataque até as Prateleiras e iniciar a trilha da travessia diretamente, indo na frente, enquanto que eu e o Rogério decidimos ir primeiro no Prateleiras.
Falei que poderiam seguir na frente sem nos esperar, embora disseram que iriam ficar um tempo lá no Abrigo e depois começariam a travessia.
Pico das Agulhas negras, vista do abrigo Rebouças
Entorno do Abrigo Rebouças
O Rogério estava decidido a ir até o Prateleiras e eu também, ainda mais por conta do belo dia de sol e o céu livre de qualquer vestígio de nuvens. Eu não estava disposto a abrir mão do Prateleiras de jeito algum, ainda mais por ser minha 1ºvez ali. Fui decidido que faria ali e se tivesse que chegar no Rancho caído a noite, não teria problema, já que estava munido de 2 boas lanternas.
Deixamos as cargueiras próximo do Abrigo e as 9h30, partimos em direção a base das Prateleiras, onde chegamos as 10h00. O Trecho inicial em direção a Prateleiras continua a direita, pela antiga BR-485, a rodovia federal mais alta do Brasil que foi desativada e hoje virou uma estrada de terra. Em alguns trechos, ainda há vestígios do asfalto, mostrando o absurdo e a irresponsabilidade de se construir uma rodovia em um lugar como esse.
Seguindo pela antiga BR-485, foto by caco
Ao final dela, inicia-se a trilha que leva a Prateleiras, como também as Pedras da Tartaruga, Assentada e Maçã sendo que só no trecho final em direção a base da Prateleiras que tem uma leve subida, com um calçamento de pedras. Não havia ninguém lá e fomos donos absolutos do lugar. Ainda no trecho da BR-485 no caminho, passamos por um grupo relativamente grande de turistas, que pelo ritmo que iam, só iriam chegar lá qdo já estivéssemos voltando.
Prateleiras vista da trilha
Trilha com calçamento (esse trecho e também o calçamento é novo, pois o antigo foi fechado por conta da erosão)
O acesso ao cume do Prateleiras, de acordo com as normas de segurança do parque, só é permitido com guia ou se o grupo tiver equipamentos de escalada que são obrigatórios. Para quem não quer pagar guia (nem quer saber de ficar carregando equipamentos de escalada, que significa mais peso), exigidos pelo parque para ter acesso ao o cume do Prateleiras, existem boas opções de picos ao lado, onde se pode ter vistas ainda melhores que o do Prateleiras.
A direita da trilha principal, há uma trilha bem batida que sobe até o cume do morro do Couto, com altitude de 2.680 metros, mais alto que o Prateleiras. Pouco tempo atrás, li uma noticia no site do Parque que eles abriram uma nova trilha que interliga o morro do Couto com o prateleiras, numa caminhada pela crista que leva em torno de 1 hora. Já a esquerda, bem próximo a base, parte outra trilha que dá acesso as Pedras da Tartaruga, Maçã e Assentada, seguindo por mais 480 metros. Em todas elas, o acesso é livre e não é necessário guia, nem equipamentos obrigatórios de escalada.
Eu e o Rogério não trouxemos nada disso por conta que nosso objetivo era fazer a travessia. Então, nos limitamos a ir somente até a base e deixamos para explorar os demais picos e a trilha que segue até o Couto numa próxima oportunidade. Ainda mais porque eu tinha a intenção de subir até o cume da Pedra do Altar e Sino durante o caminho.
Placa com informações básicas da trilha
Passando pela bifurcação a Travessia Ruy Braga. Quem inicia essa travessia pela parte baixa do Parque em Itatiaia, termina exatamente nesse ponto
algumas infos básicas da Travessia Ruy Braga
Mesmo na base do prateleiras (situado na cota dos 2.430 metros de altitude), a vista é de encher os olhos. De um lado, a estonteante visão do Vale do Paraíba a perder de vista. Do outro, a cadeia montanhosa da Serra fina em destaque, onde é possível avistar a Pedra da Mina (2.797m), Cupim do Boi (2.530m) e 3 estados (2.665m), além de várias vistas para outros picos da parte alta do Parque.
Serra fina vista da base do Prateleiras
Pedra da mina a esquerda e 3 estados a direita
Após vários cliques, aproveitei a parada para fazer um lanche rápido, afim de forrar o estômago e ficamos um tempo ali. Só resolvemos descer, qdo avistamos um grupo grande de turistas se aproximando (aqueles mesmos que ultrapassamos na ida). As 10:30 já estávamos de volta a trilha e passamos batido pela bifurcação da trilha que leva as Pedra da Maçã, Assentada, Tartaruga e a Cachu das flores, que assim como o Couto, ficaram para uma outra ocasião.
Cachu das flores
As 11:00h eu e o Rogério estávamos de volta ao Abrigo Rebouças, onde encontramos alguns montanhistas que iam fazer as travessias da Serra Negra e Ruy Braga e turistas de fim de semana que estavam acampados ali. Trocamos ideia rapidamente e após um breve pausa para coletar um pouco de água, pegamos as cargueiras e finalmente demos inicio as 11:10h, a travessia propriamente dito.
Pico das Agulhas negras
Nesse trecho inicial, a trilha da travessia é a mesma que leva ao Agulhas negras. Passa pelo leito do Rio Campo Belo e passa a seguir em leve ascensão em direção ao Pico das Agulhas negras, com a mesma bem visível a frente o tempo todo, toda imponente. 15 minutos de caminhada desde o Rebouças, chego ao trecho onde fica a famosa ponte pênsil, onde eu e o Rogério paramos rapidamente para alguns cliques, é claro. Mais alguns minutos e chego a primeira bifurcação da trilha, onde uma placa sugere que o caminho é a esquerda.
Chegando na Ponte pênsil
A ponte
1ºBifurcação - Travessia Serra negra e Rancho caído, virar à esquerda
Com isso, abandono a trilha principal (seguindo reto, vai para o Pico das Agulhas negras) em favor da trilha a esquerda. Mais 5 minutos e dou de cara com outra bifurcação onde há mais uma placa. Fiquei em dúvida nesse trecho e resolvi espiar a trilha a direita, até que caiu a ficha e parei para consultar o mapa para ver se estava no caminho correto. Foi ai que percebi que estava no caminho errado e que a trilha correta da travessia é virando a esquerda, na placa que indica o caminho para a Pedra do Altar e cachoeira do Aiuruoca.
Em frente, irá sair na Asa de Hermes sem passar pela Pedra do Altar. Portanto, se for sua primeira vez aqui e estiver fazendo as travessias Rebouças x Mauá ou a Serra Negra, muita atenção nas 2 bifurcações depois que passar pela ponte pênsil: O caminho correto é virar a esquerda nas 2, seguindo a placa que indica o caminho para a cachoeira do Aiuruoca e Pedra do Altar. Felizmente, andei apenas alguns poucos metros pela trilha da direita e logo voltei.
2º bifurcação - Virar a esquerda novamente
As 11:45, após passar pelas 2 bifurcações, a trilha inicia uma subidão íngreme com vários trechos de cascalho em direção a base da Pedra do Altar, dando voltas em formato de "S" para diminuir o desnível da subida. Porém, olhando para cima, vejo que não será tão fácil assim, pois o sol já estava castigando e com isso, acabei parando algumas vezes para poupar energia e recuperar o fôlego. Felizmente, ela não dura muito e logo o terreno nivela, para o nosso alívio.
A partir dai, a trilha passa a contornar pela direita e logo em seguida dobra a esquerda, evitando um grande morro ao lado esquerdo. E olhando para trás, se via o paredão imponente do maciço das Agulhas negras em destaque.
Trilha bem demarcada
Atrás, o Maciço das agulhas negras
As 12:12, chego a bifurcação da trilha da travessia com a da Pedra do Altar, onde há uma placa que indica a mesma virando a direita. Seguindo reto na trilha principal, continua a travessia em direção a cachoeira do Aiuruoca. Resolvo virar na trilha a direita e ao passar por um monte de pedras logo a frente, escondo a cargueira e sigo só com a máquina digital para o ataque ao cume. A caminhada não dura nem 10 minutos e as 12:20, chego ao cume da Pedra do Altar, a 2.665 metros de altitude e ponto culminante da minha travessia.
Chegando na bifurcação
Trilha subindo à Pedra do Altar
Vale do Rio Aiuruoca vista do topo da Pedra do Altar.
Nem preciso dizer que a vista do topo é literalmente FANTÁSTICA. Uma visão de 360 graus de toda a parte alta do Parque com o pico das prateleiras mais baixo, sendo possível ver parte do vale do Paraíba por cima dele, o abrigo Rebouças, a portaria do posto Marcão, os contrafortes serranos da Serra fina, além de praticamente todos os imponentes picos do Parque ao redor, como a Pedra preta, Sino, Asa de Hermes, couto, entre outros, além de todo o caminho da travessia por onde ainda iria passar.
É como se fosse uma torre de observação, pois a Pedra do Altar fica no centro da parte alta do parque. Uma visão em tanto e vale muito a pena conhecer!
Agulhas negras vista do cume da Pedra do Altar
Serra negra e bem ao fundo, Pico do Papagaio
Bem ao fundo no centro, Prateleiras
A esquerda: Pedra do Sino, a direita: Asa de Hermes
Olhando mais a leste, bem ao fundão, se avista o Pico do Papagaio. O vale do Rio Aiuruoca, assim como a parte alta da cachoeira e ovos da galinha também são vistas dali e parecem estar bem perto, mas ainda estão a pelo menos 2 horas de caminhada. Permaneci por um tempo ali e pouco antes das 13:00hs, desci de volta para a bifurcação da travessia, peguei a cargueira e voltei para a trilha principal, continuando a caminhada por trilha bem demarcada em direção as nascentes do Rio Aiuruoca.
Descendo em direção ao vale do Rio Aiuruoca
A partir desse ponto, não há mais subidas e a trilha passa a contornar a pedra do altar, na direção do vale do Rio Aiuruoca, tendendo para direita e descendo discretamente. Água não é problema nessa travessia, já que segundo as infos que dispunha, há vários pontos de água pelo caminho e a trilha passa por várias delas, o que eu constatei de fato. Então, nem me preocupei em encher os cantis. Tanto é que fiz a travessia toda carregando apenas 1 litro de água e fui renovando a medida que ia acabando, economizando assim, no peso na cargueira.
Campos de altitude
Após terminar o contorno da Pedra do Altar, cheguei ao vale das nascentes do Rio Aiuruoca, trecho esse que fica a cachoeira de mesmo nome e também a bifurcação onde as travessias da Serra Negra e Rebouças/Mauá se separam. As 13:30, paro em um ponto d´agua para descansar e recarregar os cantis, aproveitando uma sombra que havia ali. Nessa travessia, quase não há trechos de sombra, por isso um chapéu ou boné são indispensáveis se não quiser sofrer com o sol forte....Após o breve pit-stop, retomo a pernada e 15 minutos depois, as 13:45, mais de 2 horas de caminhada desde o Abrigo Rebouças (já descontado as paradas e a ida até a Pedra do Altar), chego na bifurcação onde as 2 travessias se separam.
Nessa bifurcação, seguindo a esquerda, você está na travessia da Serra Negra. Indo pela direita, na Rebouças x Mauá, que passa pelo Rancho caído. Também estou próximo da cachoeira do Aiuruoca. Como meu destino era o Rancho caído, segui pela trilha a direita e após passar por um trecho de charco e o Rio Aiuruoca, encontro outra bifurcação com uma placa indicando a cachoeira a esquerda e a continuação da travessia a Direita.
Segui pela esquerda e cheguei na cachoeira as 13:50h, onde reencontrei os demais do meu grupo e mais 2 montanhistas, a qual cumprimentei cordialmente e trocamos algumas ideias. Se não me falha a memória, eles estavam fazendo a travessia da Serra Negra e iriam descer pela bifurcação a esquerda.
Aproveitei para fazer um pit stop ali para contemplar uma das cachoeiras mais altas do Brasil, afinal, a cachoeira do Aiuruoca fica a mais de 2.300 metros de altitude. E não é em qualquer lugar que se encontra uma cachoeira nessa altitude, embora na Travessia da Serra fina, há uma pequena cachoeira no Vale do Ruah, onde fica o Rio Verde que está numa altitude maior que o do Aiuruoca. Porém, a cachoeira do Aiuruoca é bem maior e ainda dispõe de uma bela piscina natural. Nem preciso dizer que a cachu foi palco para vários cliques e contemplação, é claro.
Rio Aiuruoca
Na cachoeira, comentei com os demais sobre o visual muito louco do cume da Pedra do Altar. E nisso, o Rogério se arrependeu de não ter subido a Pedra e então decidiu esconder a cargueira e voltar até lá para ver o visual....que doido, mas para quem fez a travessia da Serra fina, aquilo não era nada perto do que ele iria deixar passar batido...E sem perder tempo se despediu da gente e se mandou, pois não queria deixar passar batido...Enquanto isso, Aline, Letícia e Clóvis me avisaram que iriam indo na frente e como eu tinha chegado a poucos minutos, decidi ficar descansando mais um pouco na cachoeira....depois os alcançaria....
Cachoeira do Aiuruoca
Mas com o horário avançando (eram 14h) e sem saber qto tempo ainda iria gastar até o Rancho, retomar a pernada é preciso. As 14:15, descansado e revigorado, retomei a caminhada, agora em direção aos Ovos da Galinha. Visualizei os demais bem na frente e tratei de seguir em ritmo forte para alcança-los antes de chegarmos aos ovos....A trilha vai seguindo bem batida e em nível pelo belíssimo vale do Aiuruoca, com a face oposta da Pedra do Altar ficando para trás, pedra do Sino ao lado direito e logo a frente, o conjunto rochoso denominado Ovos da galinha no alto a minha frente.
Pedra do Sino
Ovos da galinha
A partir desse ponto, a caminhada fica bem mais suave e 20 minutos desde a cachoeira, chego nos ovos da Galinha, alcançando inclusive, os demais. E mais paradas para cliques, claro!
Um fato curioso nessa formação rochosa em formato de um dedo, é que ele parece saber exatamente a direção onde devemos seguir, que é exatamente aonde a trilha segue.....Desse ponto, há uma bifurcação que segue até a Pedra do sino, segundo li em outros relatos. Mas nem lembrei de procura-la e só me dei conta que esqueci disso qdo estava chegando no Rancho caído, infelizmente.
Pessoal descendo
Também já li em outros relatos sobre uma trilha que sai do alto da Pedra do Altar e vai até a do Sino, o que seria bem interessante, já que corta um belo caminho e poderia ser uma alternativa para reduzir o tempo de caminhada e chegar em menos tempo ao Rancho caído. Mas assim como a Pedra do Sino, também não me lembrei de verificar qdo estava lá....
Pedra do Sino a esquerda
As 15h00, os ventos de altitude já sopravam fortes e na sombra, o frio se fazia presente, anunciando que o fim da tarde estava próximo e a temperatura estava baixando. Já era hora de retomar a pernada, pois ainda tínhamos a subida de um pequeno morro e uma descidona meio pirambeira até o vale dos dinossauros. Por conta do ritmo diferente do grupo, acabei disparando na frente, enquanto que o Clóvis e a Letícia foram ficando para trás, pois estavam acompanhando o ritmo da Aline.
Depois que sai dos ovos da galinha, a trilha começa a subir um pequeno morro logo a frente até chegar ao topo, para então virar a esquerda e vai seguindo pelo alto de sua crista. Logo em seguida, inicia-se uma longa descida em largos zig-zags em direção ao vale dos dinossauros. Lá do alto do morro (que pela carta indicava altitude de 2.500 metros, sendo o ponto mais alto que se passa durante a travessia), se bem uma bela vista do vale dos dinossauros lá embaixo, além dos Picos do Maromba e Marombinha em destaque a frente.
Caminhada pela crista
Vale dos dinossauros
Também dá para ver o local onde fica o Rancho caído que parecia estar perto, mas ainda restava a descida e a travessia de 2 grandes vales até lá. Comecei a sinuosa descida e cerca de 40 minutos desde os ovos da galinha, termino a descida e agora novamente no plano, me vejo caminhando ao lado do misterioso e belíssimo vale dos dinossauros, com a face oposta do imponente Pico das Agulhas negras ao meu lado direito.
Vale dos Dinossauros
Face oposta do Pico das Agulhas negras
Aproveito para fazer uma pequena parada qdo passo ao lado de uma curiosa formação rochosa em formato de 2 seres pré históricos, na qual rendeu alguns cliques....No meio do silêncio absoluto daquele vale, ouço vozes e ao olhar para cima, em direção ao morro que desci, vejo o Clóvis, Aline e Letícia bem distantes, descendo....incrível como dava para ouvir eles conversando, por conta do eco proporcionado pelo vale. Voltei a caminhada e fui seguindo em frente por trilha bem demarcada, que vai seguindo ao lado do vale e depois virando a direita, contornando-o. Passei por uma pequena bifurcação, mas nem cheguei a entrar nela para ver para onde ia.
Curiosas formações rochosas que dão o nome ao vale...
As 16:05, passo por um descampado plano e protegido, onde encontro vestígios de acampamento recente e com espaço para pelo menos umas 4 barracas, que é uma boa opção para o caso de você estar chegando aqui no escuro. O problema é essa área não é o local de camping permitido pelo parque e ainda tem o problema de não haver água próxima (pelo menos eu não vi nenhuma). Tenho lá minhas dúvidas se há fiscalização nessa parte do parque a noite, ainda mais pela distancia da Portaria. Descontando as paradas e dependendo do ritmo, leva-se entre 3 a 4 horas de caminhada (só de ida) do Abrigo Rebouças até aqui.
Mais 20 minutos desde o descampado lá atrás, cheguei ao alto do morro, onde visualizei a última descida de vale e o local do Rancho lá embaixo a esquerda, numa pequena área de mata atlântica e algumas rochas. Comecei a íngreme descida e após atravessar 2 pequenos riachos, cheguei finalmente ao local denominado "Rancho caído" as 16:40, com pouco mais de 5 horas de caminhada desde o abrigo Rebouças só para constatar que não havia rancho algum ali..
Trecho final do primeiro dia.
Como não havia ninguém, pude escolher o melhor lugar para montar a barraca. A área de camping é bem plano e protegido, fica no interior da mata fechada e ainda no meio de um vale. Não poderia haver melhor proteção contra os fortes ventos. E de quebra, com um riacho passando bem ao lado...
Após montada a barraca, exploro o entorno para ver por onde seguia a trilha que iria percorrer no dia seguinte. Clóvis, Letícia e Aline chegaram meia hora depois de mim, mas nada do Rogério chegar. Ele só chegou qdo já estava escurecendo. Com toda a trupe reunida novamente, preparamos a janta e ficamos só apreciando a bela noite estrelada naquele belo vale em meio as montanhas, a 2.300 metros de altitude.
A temperatura já havia diminuído bastante após o pôr do sol e o inicio da noite estava bem gelado (estando abaixo de 05ºC), obrigando a todos a vestir jaquetas, toucas e cachicol.Tudo indicava que a madrugada seria bem gelada. Após a janta, entrei na barraca, me enfiei dentro do saco de dormir e logo peguei no sono. A noite foi tranquila e como vim bem preparado para isso, não tive problemas com o frio, mas foi difícil sair de dentro do saco de dormir de madrugada, qdo acordei com vontade de ir ao banheiro.....
Travessia realizada entre dias 06 e 07/09/2014.
Álbum completo com todas as fotos da travessia estão em:
https://picasaweb.google.com/110430413978813571480/TravessiaReboucasXMauaViaRanchoCaido?authuser=0&feat=directlink
Esse é um relato da primeira travessia que fiz no Parque Nacional do Itatiaia (PNI) em setembro de 2014, mas que permanecia nos meus planos há muitos anos. A ideia inicial era fazer as travessias do Parque antes das mais pesadas, como Marins x Itaguaré e Serra fina. Porém, acabei fazendo elas primeiro, e até outras e a do PNI acabaram ficando para depois.
Era minha primeira incursão nessa parte da Serra da Mantiqueira e ao contrário da maioria, que visita o parque apenas para conhecer os batidos picos da Agulhas negras e prateleiras e logo voltar, eu fui com o objetivo de fazer logo de cara uma das 3 travessias do parque + os picos que fosse possível conhecer pelo caminho.
Para essa empreitada, convidei várias pessoas, mas por questão de logística, disponibilidade de dias e a distancia, só 4 puderam ir: Aline, Letícia, Clóvis e o Rogério (que esteve comigo na Serra fina).
Escolhemos a Rebouças x Mauá por conta do número de atrativos pela qual a trilha passa e para conhecer melhor esse belo trecho do famoso e mais antigo parque nacional do país. Embora as outras 2 travessias reservam muitos outros atrativos que eu pretendo conferir in loco numa próxima incursão, escolher 1 das 3 era preciso.
Eram 16h40 de uma bela tarde de Sexta feira, qdo lá estava eu no metrô com minha cargueira, rumo a Estação Tamanduateí da linha 2 do metrô, local do encontro, onde iria encontrar os demais. O metrô já estava relativamente cheio, anunciando que o horário de pico estava apenas no inicio e em meio a milhares de trabalhadores cansados e retornando de mais um dia de trabalho, um "doido" com uma mochila tamanho família nas costas e ocupando espaço de 2 pessoas foi a deixa para atrair olhares curiosos das pessoas presentes no interior daquele vagão lotado.....
Provavelmente estavam se perguntando: como um cara magrinho como ele consegue ficar de pé com aquele chumbo nas costas?
Cheguei na estação de Tamanduateí por volta das 17h10, a Aline já se encontrava a minha espera e ficamos aguardando a Letícia que ainda não havia chegado. Assim que ela chegou, descemos até o ponto de saída em frente ao Shopping Central Plaza onde ficamos esperando o Clóvis chegar.
Não demorou muito e logo ele chegou, foi avisando que o Rogério iria atrasar, devido a um problema na linha de trem em que ele estava vindo. Combinamos de pega-lo na Estação Tatuapé, que já era caminho para a Marginal e a Ayrton Senna e ele só foi chegar quase 1 hora depois, as 18h30, por conta do atraso do trem e a lotação do rush no metrô. Com toda a trupe reunida e feitas as apresentações de praxe, pouco depois das 19h00, partimos em direção a Itamonte, cidade mineira no sul de Minas, próximo a divisa com SP, no alto da Serra da Mantiqueira.
A viagem foi tranquila e chegamos a cidade mineira de Itamonte já tarde da noite, por volta das 22h30. Fizemos uma parada para Jantar na cidade e logo nos dirigimos ao "refúgio", onde iriámos passar a primeira noite. O refúgio do Clóvis é uma rústica cabana que ele construiu em um terreno que comprou anos atrás. É muito boa e ainda fica em um dos morros mais altos da cidade a 1.300 metros de altitude (quase a mesma altitude da Pedra Grande de Atibaia) no meio da mata e sua construção lembra muito aquelas cabanas no meio do nada que a gente vê nos filmes americanos.
Na cabana do Clóvis, na manhã seguinte
Já havia ficado nela em trips anteriores, qdo retornei a Pedra da Mina via Paiolinho para um batevolta treino. Como teríamos pouco tempo de sono nessa primeira noite, tratamos de ir dormir logo.
Combinamos com o resgate de nos levar até a entrada da parte alta do Parque no centro da cidade as 6h30. Para isso, combinamos de todos acordar as 4h, mas o pessoal só começou a levantar mesmo depois das 4h30, por conta do pouco tempo de sono da noite passada. A temperatura do lado de fora estava por volta dos 05ºC com uma bela lua e um céu bem limpo. Com um pouco de atraso, partimos as 5h50 em direção ao encontro com o resgate previamente combinado, que iria nos levar até a entrada do Parque e nos resgatar no final, na Vila de Maromba. E vamos que vamos!
1º dia - Do abrigo Rebouças ao Rancho caído.
Os primeiros raios de sol já coloriam a parte mais alta dos morros e uma fina camada de gelo cobria os vales, indicando que a temperatura na madrugada em alguns pontos de baixada, deve ter caído abaixo de 0ºC. De fato, ao passar por esses trechos, o frio era mais intenso e a névoa baixa chegou até a embaçar o vidro do carro. Chegamos no centro da cidade por volta das 6h20 com os primeiros raios de sol atingindo alguns pontos das ruas.
A temperatura do termômetro do carro do Clóvis marcava 04ºC e aquele inicio de manhã de sábado estava estupidamente gelado mesmo, o que deu uma ideia do que nos esperava na noite seguinte lá nas altitudes acima de 2.300 metros.
Após nosso resgate chegar, partimos em direção a Garganta do Registro, onde fica o acesso a estrada de terra que sobe até a parte alta do Parque. A sinuosa subida inicia-se na altitude de 1.660 metros e inicialmente segue em meio a floresta de mata atlântica, que logo dá lugar aos campos de altitude. A estrada estava bem esburacada, o que fez a Van do Amarildo andar em velocidade bem reduzida.
São 14 km de subida quase constante de estradinha até a entrada do Parque, passando pela entrada da antiga pousada Alsene (hoje desativada, pois foi embargada pela justiça por despejar esgoto sem nenhum tratamento em um riacho ao lado) e o acesso ao Pico da Pedra furada (Altitude: 2.580m), acessível por trilha e que fica fora dos limites do parque.
Garganta do Registro
Foto by caco
A subida levou em torno de 40 minutos e a medida que subia, a paisagem da mata ia mudando. Logo, as subidas mais íngremes terminam e a partir dai começa a aparecer as primeiras paisagens dos campos de altitude, sinalizando que já estávamos acima dos 2.000 metros de altitude. Aberturas em meio da mata, revelavam belíssimas vistas do vale do Paraíba totalmente tomada por um colchão de nuvens, o que deixou todos bem ansiosos. Tempo fechado mesmo, só lá embaixo, pois na serra, o astro-rei brilhava forte em um céu estupidamente limpo. A tediosa subida era compensado pelas belas vistas e as paisagens dos campos de altitude.
Serra fina vista do trecho final da subida
Após muito chacoalhar, enfim, chegamos a entrada do Posto Marcão, na parte alta do Parque, na cota dos 2.450 metros de altitude por volta das 8h10. Tivemos um atraso na liberação de nossa entrada, porque o Clóvis descobriu na hora que esqueceu de trazer o formulário de autorização impresso (e que contem o nº de protocolo da reserva). Para piorar, estavam sem sinal lá. E agora, José?
Enquanto esperava, aproveitei para tirar várias fotos do entorno, pois mesmo na entrada do parque, a vista estrada abaixo era de tirar o fôlego.
Ele resolveu ligar aqui em SP para obter o nº e entregar ao guarda do parque (Nisso, tivemos um atraso de quase 1 hora), mas ele conseguiu com um parente o número, entregou pro guarda e com isso, tivemos nossa entrada liberada.
Eu no posto Marcão, entrada da parte alta do Parque
Mapa com as principais trilhas e as travessias do Parque
De lá, era possível avistar toda cadeia montanhosa da Serra fina, além do Pico da Pedra Furada e parte do traçado sinuoso da estradinha de terra. Mas pudera, estávamos a mais de 2.400 metros de altitude!!!!
Trecho final da estrada de terra com o Pico da Pedra furada bem ao fundo
Para compensar o atraso, nosso resgate nos poupou 3 km de pernada nos levando até o Abrigo Rebouças, um abrigo chalé que dispõe de quartos com cama, sala, banheiros e cozinha para o uso dos montanhistas durante sua estadia na montanha. Do lado de fora, um amplo descampado para umas 15 barracas estava a disposição para quem quiser acampar. O abrigo atualmente está passando por uma reforma, então pernoite ali só na área de camping.
O Abrigo Rebouças é como se fosse um "marco zero" do Parque, pois é a partir dali que partem diversas trilhas para vários atrativos do parque, como Pedra do Altar, Asa de Hermes, Prateleiras, Agulhas negras, Cachoeira do Aiuruoca, das Flores, Pedra do Sino, além das 3 clássicas travessias do Parque: Ruy Braga, Serra Negra e Rebouças x Mauá, entre outras....
Abrigo Rebouças (Em Setembro de 2014 estava em reforma, não sei se já terminaram)
Placa informativa do lado do abrigo com a altitude do local onde eu estava, e várias informações úteis...
Chegamos no abrigo por volta das 9h15 e após ajeitarmos as cargueiras, fizemos uma votação para ver se iríamos fazer um ataque até o Prateleiras ou iniciamos a trilha da travessia diretamente, sem ir até lá. Por conta do atraso da liberação de nossa entrada lá na portaria, e a Aline ser iniciante em travessia de montanha (e consequentemente tendo um ritmo menor que o dos demais), Ela, Letícia e Clóvis resolveram abortar o ataque até as Prateleiras e iniciar a trilha da travessia diretamente, indo na frente, enquanto que eu e o Rogério decidimos ir primeiro no Prateleiras.
Falei que poderiam seguir na frente sem nos esperar, embora disseram que iriam ficar um tempo lá no Abrigo e depois começariam a travessia.
Pico das Agulhas negras, vista do abrigo Rebouças
Entorno do Abrigo Rebouças
O Rogério estava decidido a ir até o Prateleiras e eu também, ainda mais por conta do belo dia de sol e o céu livre de qualquer vestígio de nuvens. Eu não estava disposto a abrir mão do Prateleiras de jeito algum, ainda mais por ser minha 1ºvez ali. Fui decidido que faria ali e se tivesse que chegar no Rancho caído a noite, não teria problema, já que estava munido de 2 boas lanternas.
Deixamos as cargueiras próximo do Abrigo e as 9h30, partimos em direção a base das Prateleiras, onde chegamos as 10h00. O Trecho inicial em direção a Prateleiras continua a direita, pela antiga BR-485, a rodovia federal mais alta do Brasil que foi desativada e hoje virou uma estrada de terra. Em alguns trechos, ainda há vestígios do asfalto, mostrando o absurdo e a irresponsabilidade de se construir uma rodovia em um lugar como esse.
Seguindo pela antiga BR-485, foto by caco
Ao final dela, inicia-se a trilha que leva a Prateleiras, como também as Pedras da Tartaruga, Assentada e Maçã sendo que só no trecho final em direção a base da Prateleiras que tem uma leve subida, com um calçamento de pedras. Não havia ninguém lá e fomos donos absolutos do lugar. Ainda no trecho da BR-485 no caminho, passamos por um grupo relativamente grande de turistas, que pelo ritmo que iam, só iriam chegar lá qdo já estivéssemos voltando.
Prateleiras vista da trilha
Trilha com calçamento (esse trecho e também o calçamento é novo, pois o antigo foi fechado por conta da erosão)
O acesso ao cume do Prateleiras, de acordo com as normas de segurança do parque, só é permitido com guia ou se o grupo tiver equipamentos de escalada que são obrigatórios. Para quem não quer pagar guia (nem quer saber de ficar carregando equipamentos de escalada, que significa mais peso), exigidos pelo parque para ter acesso ao o cume do Prateleiras, existem boas opções de picos ao lado, onde se pode ter vistas ainda melhores que o do Prateleiras.
A direita da trilha principal, há uma trilha bem batida que sobe até o cume do morro do Couto, com altitude de 2.680 metros, mais alto que o Prateleiras. Pouco tempo atrás, li uma noticia no site do Parque que eles abriram uma nova trilha que interliga o morro do Couto com o prateleiras, numa caminhada pela crista que leva em torno de 1 hora. Já a esquerda, bem próximo a base, parte outra trilha que dá acesso as Pedras da Tartaruga, Maçã e Assentada, seguindo por mais 480 metros. Em todas elas, o acesso é livre e não é necessário guia, nem equipamentos obrigatórios de escalada.
Eu e o Rogério não trouxemos nada disso por conta que nosso objetivo era fazer a travessia. Então, nos limitamos a ir somente até a base e deixamos para explorar os demais picos e a trilha que segue até o Couto numa próxima oportunidade. Ainda mais porque eu tinha a intenção de subir até o cume da Pedra do Altar e Sino durante o caminho.
Placa com informações básicas da trilha
Passando pela bifurcação a Travessia Ruy Braga. Quem inicia essa travessia pela parte baixa do Parque em Itatiaia, termina exatamente nesse ponto
algumas infos básicas da Travessia Ruy Braga
Mesmo na base do prateleiras (situado na cota dos 2.430 metros de altitude), a vista é de encher os olhos. De um lado, a estonteante visão do Vale do Paraíba a perder de vista. Do outro, a cadeia montanhosa da Serra fina em destaque, onde é possível avistar a Pedra da Mina (2.797m), Cupim do Boi (2.530m) e 3 estados (2.665m), além de várias vistas para outros picos da parte alta do Parque.
Serra fina vista da base do Prateleiras
Pedra da mina a esquerda e 3 estados a direita
Após vários cliques, aproveitei a parada para fazer um lanche rápido, afim de forrar o estômago e ficamos um tempo ali. Só resolvemos descer, qdo avistamos um grupo grande de turistas se aproximando (aqueles mesmos que ultrapassamos na ida). As 10:30 já estávamos de volta a trilha e passamos batido pela bifurcação da trilha que leva as Pedra da Maçã, Assentada, Tartaruga e a Cachu das flores, que assim como o Couto, ficaram para uma outra ocasião.
Cachu das flores
As 11:00h eu e o Rogério estávamos de volta ao Abrigo Rebouças, onde encontramos alguns montanhistas que iam fazer as travessias da Serra Negra e Ruy Braga e turistas de fim de semana que estavam acampados ali. Trocamos ideia rapidamente e após um breve pausa para coletar um pouco de água, pegamos as cargueiras e finalmente demos inicio as 11:10h, a travessia propriamente dito.
Pico das Agulhas negras
Nesse trecho inicial, a trilha da travessia é a mesma que leva ao Agulhas negras. Passa pelo leito do Rio Campo Belo e passa a seguir em leve ascensão em direção ao Pico das Agulhas negras, com a mesma bem visível a frente o tempo todo, toda imponente. 15 minutos de caminhada desde o Rebouças, chego ao trecho onde fica a famosa ponte pênsil, onde eu e o Rogério paramos rapidamente para alguns cliques, é claro. Mais alguns minutos e chego a primeira bifurcação da trilha, onde uma placa sugere que o caminho é a esquerda.
Chegando na Ponte pênsil
A ponte
1ºBifurcação - Travessia Serra negra e Rancho caído, virar à esquerda
Com isso, abandono a trilha principal (seguindo reto, vai para o Pico das Agulhas negras) em favor da trilha a esquerda. Mais 5 minutos e dou de cara com outra bifurcação onde há mais uma placa. Fiquei em dúvida nesse trecho e resolvi espiar a trilha a direita, até que caiu a ficha e parei para consultar o mapa para ver se estava no caminho correto. Foi ai que percebi que estava no caminho errado e que a trilha correta da travessia é virando a esquerda, na placa que indica o caminho para a Pedra do Altar e cachoeira do Aiuruoca.
Em frente, irá sair na Asa de Hermes sem passar pela Pedra do Altar. Portanto, se for sua primeira vez aqui e estiver fazendo as travessias Rebouças x Mauá ou a Serra Negra, muita atenção nas 2 bifurcações depois que passar pela ponte pênsil: O caminho correto é virar a esquerda nas 2, seguindo a placa que indica o caminho para a cachoeira do Aiuruoca e Pedra do Altar. Felizmente, andei apenas alguns poucos metros pela trilha da direita e logo voltei.
2º bifurcação - Virar a esquerda novamente
As 11:45, após passar pelas 2 bifurcações, a trilha inicia uma subidão íngreme com vários trechos de cascalho em direção a base da Pedra do Altar, dando voltas em formato de "S" para diminuir o desnível da subida. Porém, olhando para cima, vejo que não será tão fácil assim, pois o sol já estava castigando e com isso, acabei parando algumas vezes para poupar energia e recuperar o fôlego. Felizmente, ela não dura muito e logo o terreno nivela, para o nosso alívio.
A partir dai, a trilha passa a contornar pela direita e logo em seguida dobra a esquerda, evitando um grande morro ao lado esquerdo. E olhando para trás, se via o paredão imponente do maciço das Agulhas negras em destaque.
Trilha bem demarcada
Atrás, o Maciço das agulhas negras
As 12:12, chego a bifurcação da trilha da travessia com a da Pedra do Altar, onde há uma placa que indica a mesma virando a direita. Seguindo reto na trilha principal, continua a travessia em direção a cachoeira do Aiuruoca. Resolvo virar na trilha a direita e ao passar por um monte de pedras logo a frente, escondo a cargueira e sigo só com a máquina digital para o ataque ao cume. A caminhada não dura nem 10 minutos e as 12:20, chego ao cume da Pedra do Altar, a 2.665 metros de altitude e ponto culminante da minha travessia.
Chegando na bifurcação
Trilha subindo à Pedra do Altar
Vale do Rio Aiuruoca vista do topo da Pedra do Altar.
Nem preciso dizer que a vista do topo é literalmente FANTÁSTICA. Uma visão de 360 graus de toda a parte alta do Parque com o pico das prateleiras mais baixo, sendo possível ver parte do vale do Paraíba por cima dele, o abrigo Rebouças, a portaria do posto Marcão, os contrafortes serranos da Serra fina, além de praticamente todos os imponentes picos do Parque ao redor, como a Pedra preta, Sino, Asa de Hermes, couto, entre outros, além de todo o caminho da travessia por onde ainda iria passar.
É como se fosse uma torre de observação, pois a Pedra do Altar fica no centro da parte alta do parque. Uma visão em tanto e vale muito a pena conhecer!
Agulhas negras vista do cume da Pedra do Altar
Serra negra e bem ao fundo, Pico do Papagaio
Bem ao fundo no centro, Prateleiras
A esquerda: Pedra do Sino, a direita: Asa de Hermes
Olhando mais a leste, bem ao fundão, se avista o Pico do Papagaio. O vale do Rio Aiuruoca, assim como a parte alta da cachoeira e ovos da galinha também são vistas dali e parecem estar bem perto, mas ainda estão a pelo menos 2 horas de caminhada. Permaneci por um tempo ali e pouco antes das 13:00hs, desci de volta para a bifurcação da travessia, peguei a cargueira e voltei para a trilha principal, continuando a caminhada por trilha bem demarcada em direção as nascentes do Rio Aiuruoca.
Descendo em direção ao vale do Rio Aiuruoca
A partir desse ponto, não há mais subidas e a trilha passa a contornar a pedra do altar, na direção do vale do Rio Aiuruoca, tendendo para direita e descendo discretamente. Água não é problema nessa travessia, já que segundo as infos que dispunha, há vários pontos de água pelo caminho e a trilha passa por várias delas, o que eu constatei de fato. Então, nem me preocupei em encher os cantis. Tanto é que fiz a travessia toda carregando apenas 1 litro de água e fui renovando a medida que ia acabando, economizando assim, no peso na cargueira.
Campos de altitude
Após terminar o contorno da Pedra do Altar, cheguei ao vale das nascentes do Rio Aiuruoca, trecho esse que fica a cachoeira de mesmo nome e também a bifurcação onde as travessias da Serra Negra e Rebouças/Mauá se separam. As 13:30, paro em um ponto d´agua para descansar e recarregar os cantis, aproveitando uma sombra que havia ali. Nessa travessia, quase não há trechos de sombra, por isso um chapéu ou boné são indispensáveis se não quiser sofrer com o sol forte....Após o breve pit-stop, retomo a pernada e 15 minutos depois, as 13:45, mais de 2 horas de caminhada desde o Abrigo Rebouças (já descontado as paradas e a ida até a Pedra do Altar), chego na bifurcação onde as 2 travessias se separam.
Nessa bifurcação, seguindo a esquerda, você está na travessia da Serra Negra. Indo pela direita, na Rebouças x Mauá, que passa pelo Rancho caído. Também estou próximo da cachoeira do Aiuruoca. Como meu destino era o Rancho caído, segui pela trilha a direita e após passar por um trecho de charco e o Rio Aiuruoca, encontro outra bifurcação com uma placa indicando a cachoeira a esquerda e a continuação da travessia a Direita.
Segui pela esquerda e cheguei na cachoeira as 13:50h, onde reencontrei os demais do meu grupo e mais 2 montanhistas, a qual cumprimentei cordialmente e trocamos algumas ideias. Se não me falha a memória, eles estavam fazendo a travessia da Serra Negra e iriam descer pela bifurcação a esquerda.
Aproveitei para fazer um pit stop ali para contemplar uma das cachoeiras mais altas do Brasil, afinal, a cachoeira do Aiuruoca fica a mais de 2.300 metros de altitude. E não é em qualquer lugar que se encontra uma cachoeira nessa altitude, embora na Travessia da Serra fina, há uma pequena cachoeira no Vale do Ruah, onde fica o Rio Verde que está numa altitude maior que o do Aiuruoca. Porém, a cachoeira do Aiuruoca é bem maior e ainda dispõe de uma bela piscina natural. Nem preciso dizer que a cachu foi palco para vários cliques e contemplação, é claro.
Rio Aiuruoca
Na cachoeira, comentei com os demais sobre o visual muito louco do cume da Pedra do Altar. E nisso, o Rogério se arrependeu de não ter subido a Pedra e então decidiu esconder a cargueira e voltar até lá para ver o visual....que doido, mas para quem fez a travessia da Serra fina, aquilo não era nada perto do que ele iria deixar passar batido...E sem perder tempo se despediu da gente e se mandou, pois não queria deixar passar batido...Enquanto isso, Aline, Letícia e Clóvis me avisaram que iriam indo na frente e como eu tinha chegado a poucos minutos, decidi ficar descansando mais um pouco na cachoeira....depois os alcançaria....
Cachoeira do Aiuruoca
Mas com o horário avançando (eram 14h) e sem saber qto tempo ainda iria gastar até o Rancho, retomar a pernada é preciso. As 14:15, descansado e revigorado, retomei a caminhada, agora em direção aos Ovos da Galinha. Visualizei os demais bem na frente e tratei de seguir em ritmo forte para alcança-los antes de chegarmos aos ovos....A trilha vai seguindo bem batida e em nível pelo belíssimo vale do Aiuruoca, com a face oposta da Pedra do Altar ficando para trás, pedra do Sino ao lado direito e logo a frente, o conjunto rochoso denominado Ovos da galinha no alto a minha frente.
Pedra do Sino
Ovos da galinha
A partir desse ponto, a caminhada fica bem mais suave e 20 minutos desde a cachoeira, chego nos ovos da Galinha, alcançando inclusive, os demais. E mais paradas para cliques, claro!
Um fato curioso nessa formação rochosa em formato de um dedo, é que ele parece saber exatamente a direção onde devemos seguir, que é exatamente aonde a trilha segue.....Desse ponto, há uma bifurcação que segue até a Pedra do sino, segundo li em outros relatos. Mas nem lembrei de procura-la e só me dei conta que esqueci disso qdo estava chegando no Rancho caído, infelizmente.
Pessoal descendo
Também já li em outros relatos sobre uma trilha que sai do alto da Pedra do Altar e vai até a do Sino, o que seria bem interessante, já que corta um belo caminho e poderia ser uma alternativa para reduzir o tempo de caminhada e chegar em menos tempo ao Rancho caído. Mas assim como a Pedra do Sino, também não me lembrei de verificar qdo estava lá....
Pedra do Sino a esquerda
As 15h00, os ventos de altitude já sopravam fortes e na sombra, o frio se fazia presente, anunciando que o fim da tarde estava próximo e a temperatura estava baixando. Já era hora de retomar a pernada, pois ainda tínhamos a subida de um pequeno morro e uma descidona meio pirambeira até o vale dos dinossauros. Por conta do ritmo diferente do grupo, acabei disparando na frente, enquanto que o Clóvis e a Letícia foram ficando para trás, pois estavam acompanhando o ritmo da Aline.
Depois que sai dos ovos da galinha, a trilha começa a subir um pequeno morro logo a frente até chegar ao topo, para então virar a esquerda e vai seguindo pelo alto de sua crista. Logo em seguida, inicia-se uma longa descida em largos zig-zags em direção ao vale dos dinossauros. Lá do alto do morro (que pela carta indicava altitude de 2.500 metros, sendo o ponto mais alto que se passa durante a travessia), se bem uma bela vista do vale dos dinossauros lá embaixo, além dos Picos do Maromba e Marombinha em destaque a frente.
Caminhada pela crista
Vale dos dinossauros
Também dá para ver o local onde fica o Rancho caído que parecia estar perto, mas ainda restava a descida e a travessia de 2 grandes vales até lá. Comecei a sinuosa descida e cerca de 40 minutos desde os ovos da galinha, termino a descida e agora novamente no plano, me vejo caminhando ao lado do misterioso e belíssimo vale dos dinossauros, com a face oposta do imponente Pico das Agulhas negras ao meu lado direito.
Vale dos Dinossauros
Face oposta do Pico das Agulhas negras
Aproveito para fazer uma pequena parada qdo passo ao lado de uma curiosa formação rochosa em formato de 2 seres pré históricos, na qual rendeu alguns cliques....No meio do silêncio absoluto daquele vale, ouço vozes e ao olhar para cima, em direção ao morro que desci, vejo o Clóvis, Aline e Letícia bem distantes, descendo....incrível como dava para ouvir eles conversando, por conta do eco proporcionado pelo vale. Voltei a caminhada e fui seguindo em frente por trilha bem demarcada, que vai seguindo ao lado do vale e depois virando a direita, contornando-o. Passei por uma pequena bifurcação, mas nem cheguei a entrar nela para ver para onde ia.
Curiosas formações rochosas que dão o nome ao vale...
As 16:05, passo por um descampado plano e protegido, onde encontro vestígios de acampamento recente e com espaço para pelo menos umas 4 barracas, que é uma boa opção para o caso de você estar chegando aqui no escuro. O problema é essa área não é o local de camping permitido pelo parque e ainda tem o problema de não haver água próxima (pelo menos eu não vi nenhuma). Tenho lá minhas dúvidas se há fiscalização nessa parte do parque a noite, ainda mais pela distancia da Portaria. Descontando as paradas e dependendo do ritmo, leva-se entre 3 a 4 horas de caminhada (só de ida) do Abrigo Rebouças até aqui.
Mais 20 minutos desde o descampado lá atrás, cheguei ao alto do morro, onde visualizei a última descida de vale e o local do Rancho lá embaixo a esquerda, numa pequena área de mata atlântica e algumas rochas. Comecei a íngreme descida e após atravessar 2 pequenos riachos, cheguei finalmente ao local denominado "Rancho caído" as 16:40, com pouco mais de 5 horas de caminhada desde o abrigo Rebouças só para constatar que não havia rancho algum ali..
Trecho final do primeiro dia.
Como não havia ninguém, pude escolher o melhor lugar para montar a barraca. A área de camping é bem plano e protegido, fica no interior da mata fechada e ainda no meio de um vale. Não poderia haver melhor proteção contra os fortes ventos. E de quebra, com um riacho passando bem ao lado...
Após montada a barraca, exploro o entorno para ver por onde seguia a trilha que iria percorrer no dia seguinte. Clóvis, Letícia e Aline chegaram meia hora depois de mim, mas nada do Rogério chegar. Ele só chegou qdo já estava escurecendo. Com toda a trupe reunida novamente, preparamos a janta e ficamos só apreciando a bela noite estrelada naquele belo vale em meio as montanhas, a 2.300 metros de altitude.
A temperatura já havia diminuído bastante após o pôr do sol e o inicio da noite estava bem gelado (estando abaixo de 05ºC), obrigando a todos a vestir jaquetas, toucas e cachicol.Tudo indicava que a madrugada seria bem gelada. Após a janta, entrei na barraca, me enfiei dentro do saco de dormir e logo peguei no sono. A noite foi tranquila e como vim bem preparado para isso, não tive problemas com o frio, mas foi difícil sair de dentro do saco de dormir de madrugada, qdo acordei com vontade de ir ao banheiro.....
Continua no post abaixo...