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Olá viajante!

Bora viajar?

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(Alerta de relato gigante! (rss) Se vc não tiver saco pra ler o textão, pode me fazer perguntas específicas sobre a expedição e vou tentar responder :wink: )

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Ainda em 2015 decidi que tentaria chegar ao cume do Aconcágua, e que seria em dezembro de 2016. Queria fazê-lo da forma mais independente possível, sem contratar porteadores, guias e expedições pagas. O primeiro desafio foi encontrar companhia, porque a maioria dos meus amigos nem considera a possibilidade de entrar num projeto desses. Mas quando um amigo me surpreendeu dizendo que animava, o plano começou a tomar rumo. Ainda queríamos encontrar mais uma ou duas pessoas pra formar um grupo, e encontramos aqui no mochileiros! Estava formada a equipe: eu, meu amigo Carlo, o Zaney e o Greison. ::otemo::

O Aconcágua, com 6.962 m de altitude, é a montanha mais alta do mundo fora da Ásia. É também a segunda montanha mais proeminente do mundo, atrás apenas do Everest. Mesmo assim, por não exigir escalada técnica, alguns se referem à sua ascensão como um "trekking de altitude". Desde que seu cume foi alcançado pela primeira vez em 1897, mais de 130 pessoas morreram tentando chegar lá em cima. A temperatura no cume é geralmente por volta de -25° a -30° C, mas a sensação térmica cai facilmente abaixo de -50° C em dias de clima ruim, principalmente entre abril e novembro ::Cold:: . Por isso, a ascensão é permitida nos meses próximos ao verão argentino, de meados de novembro até o começo de março, sendo a alta temporada centrada em janeiro. Nas últimas temporadas a taxa de cume tem sido entre 20% e 40% das tentativas. Mas com ou sem cume, é um lugar incrível. Em média, são necessários de 12 a 15 dias para alcançar o cume e descer (se vc tiver mais sorte que eu rs). As principais dificuldades desta montanha são o clima muito instável, com frio e vento extremos (principalmente no começo e fim de temporada) e, é claro, a altitude. Com a redução da pressão parcial de oxigênio no ar, podemos sentir não só fadiga e dificuldade pra respirar, mas também dores de cabeça, dor no estômago, tonturas, dificuldade pra comer e dormir, hemorragia nasal, inchaço nas extremidades e no rosto e diarreia. O metabolismo acelera muito, assim como os batimentos cardíacos. A desidratação é facilitada pela maior taxa de vapor de água perdida dos pulmões. Dependendo da pessoa, do ganho de altitude e da aclimatação, os sintomas podem evoluir para um edema pulmonar ou cerebral de alta altitude (HAPE ou HACE), situações mais graves que devem percebidas e tratadas logo.

Planejei começar o treinamento no primeiro dia de 2016. Porém, um dia antes, lesionei meu joelho esquerdo em uma trilha. Precisava recuperar o joelho e também os tendões de aquiles dos dois pés, outro problema que já vinha de um tempo antes. O treinamento pro Aconcágua teve que esperar... e quando começou foi em ritmo lento. Comecei a fazer academia, mas pegando leve, quase uma fisioterapia... Os pés melhoraram com alguns meses, o joelho não. Fiz um raio-x e o médico pediu uma ressonância pra ver se precisava fazer cirurgia ou apenas repouso. Ignorei (digo, posterguei a ressonância e o repouso pra depois do Aconcágua). Tentei fortalecer os músculos das pernas pra poder começar o treinamento aeróbico sem piorar muito a lesão. Só faltando quatro meses pra viagem que deu pra começar a correr, 5 km, uma ou duas vezes na semana, quando conseguia. Sabia que deveria ter treinado com peso nas costas e com inclinação... mas tinha que poupar o joelho. E a inclinação forçava os tendões dos pés, que ainda não estavam 100%. Então continuei fazendo o que dava.

Não pensei em desistir, mas tinha consciência de que com esses probleminhas a mais estaria assumindo riscos e dificuldades maiores. Somaram-se a isso os inúmeros desincentivos do tipo: “você deveria fazer várias montanhas acima de 6 mil antes de querer tentar o Aconcágua”; “sem guia?; “você devia pensar melhor antes de ir, gastar dinheiro e ter que desistir”; “Sem querer te desanimar, mas isso de ir sem guia me parece uma utopia”; “uma pessoa deveria tentar o Aconcágua depois de fazer, pelo menos, o Kilimanjaro e o Denali, necessariamente nesta ordem, pra ter chance de sucesso”; etc. ::essa:: Claro que esses "conselhos" nem sempre são pra desanimar, às vezes são pra te alertar, mas... às vezes o melhor é fingir que não ouviu/leu.

E continuei adquirindo equipamento, planejando a alimentação, estudando a montanha e montando o cronograma.

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Editado por vanessa.miranda

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  • vanessa.miranda
    vanessa.miranda

    De volta a Mendoza e a surpresa do frostnip... Chegamos a Mendoza meia noite. Um último esforço pra carregar toda a tralha até o ponto de táxi do outro lado da rodoviária. Nos despedimos do Phili

  • vanessa.miranda
    vanessa.miranda

    Em uma montanha dessas, dizem que 80% da força que você precisa é mental, e só 20% é força física (não leve tão ao pé da letra). Pra parte da força mental, experiência prévia conta.. bastante. Eu já t

  • vanessa.miranda
    vanessa.miranda

    No dia 12 de dezembro, aproveitamos a manhã pra nos alimentar bem e hidratar bastante, e tomar o último banho. Jose nos buscou às 11 hs pra nos levar ao parque, como combinado, e às 11:30 já havíamos

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Eo Chopi? Como foi? Fez cume?

A gente desistiu porque os guias falaram que tinha caido uma ponte de gelo e tava todo mundo voltando desde 6200.... Dai fomos para a Quebrada Ischinca e foi top...

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isso, nosso "cume" foi ali nos 6200 mesmo, bem quando chega no "ombro" da crista pro cume. A greta tinha uns 2 metros de largura pra saltar, e uns 40 de profundidade. Um grupo levou escada, mas imagina carregar uma escada até lá! Achei a montanha bem mais técnica do que eu imaginava, tinha uma parede com mais de 70°...subir aquilo carregando escada é só pros mais malucos mesmo. E dava também pra passar rapelando até um ponto mais abaixo e subindo pelo outro lado, mas o gelo tava bem ruim ali, umas partes com rocha quase exposta e tal... Possível, mas arriscado. A gente até pensou em tentar, mas tinha o problema do horário tbm. Chegamos lá às 6hs. Pra atravessar a greta ia gastar pelo menos 1:30 com todas as ancoragens... mais 1h pro cume. Chegando ao cume depois das 8:30 já tá batendo muito sol em todo o caminho da descida, e aí fica perigoso com aquele tanto de seracs e gretas ...

No Huascarán meu amigo teve uma dor de barriga cabulosa na noite do ataque ao cume, e aí tivemos que descer...

Vou ter que voltar pra chegar nos dois cumes!

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Concordo com a Helen, um dos melhores relatos que já li por aqui.

Vanessa, parabéns pelo relato e claro, pela conquista!

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Que relato, que imagens, que trip! Top demais! Comecei a ler e não parei mais. Um dos melhores relatos do Mochileiros!

Parabens! Mandou muito bem na trip e no relato!!

Show!!

  • 1 mês depois...
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Ola Vanessa.Miranda


Primeiramente parabéns pelo relato. Varei a noite de domingo lendo e coletando dicas.
Estou avaliando ir com um grupo contratado. Provavelmente o Marcelo Delvaux  (que inclusive me mandou um email da Vila de Penitentes hj) ou o Pedro Hauck.
Os cálculos são assustadores: Algo em torno de 5 mil a 5,5 mil DOLARES pelos 20 dias e somando desde passagem até aluguel de equipamento.
A pergunta é a seguinte:
1) Quais as desvantagens no seu ponto de vista? (é grupo de 8 pessoas)
2) Avalio que eu poderia montar um grupo pequeno mas nunca passei mais de 5 dias seguidos ao relento e acima de 5500m. Vc tem alguma estimativa dos seus gastos totais?

Obrigado e mais uma vez parabéns  

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Oi @caiorsd !

Respondendo suas perguntas:

1) Eu considero que o grau de aventura/desafio muda bastante, mas isso é abstrato. Não levando em conta opiniões pessoais e custos, acho que a maior desvantagem é a falta de flexibilidade. Vc pode perder o cume pq a janela de tempo bom vai ser um dia depois do fim do prazo contratado (aconteceu com vários grupos quando eu estava lá)... Ou pode ter que desistir pq está se sentindo mal e seu grupo está bem e vai continuar subindo, sendo que se vc pudesse fazer seu próprio cronograma bastava descansar/aclimatar mais um dia e continuar depois, por exemplo.

2) Gastei uns 2000 reais e uns 400 dólares, sem incluir equipamento:

Voos, ônibus, taxis: R$1480
Gás (comprei em santiago) + comida que levei: uns R$150 - R$170
Comida fora do parque (restaurantes, etc..) uns R$200
Permissão: US$291
Serviço básico de mulas ida e volta dividido para 4 pessoas: US$100 ou US$110
Hostel em mendoza antes e depois (4 noites total) + 1 noite em puente del inca - uns R$150 ou menos.

Quanto ao equipamento, eu acabei comprando antes quase tudo o que eu ainda não tinha... Então só tive que alugar botas duplas e mittens. Não lembro certo quanto foi, mas é fácil conseguir orçamento de alugueis, eles mandam por email. Acho que deu uns R$350 - 400 no total.

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Em 04/12/2017 em 20:57, vanessa.miranda disse:

Oi @caiorsd !

Respondendo suas perguntas:

1) Eu considero que o grau de aventura/desafio muda bastante, mas isso é abstrato. Não levando em conta opiniões pessoais e custos, acho que a maior desvantagem é a falta de flexibilidade. Vc pode perder o cume pq a janela de tempo bom vai ser um dia depois do fim do prazo contratado (aconteceu com vários grupos quando eu estava lá)... Ou pode ter que desistir pq está se sentindo mal e seu grupo está bem e vai continuar subindo, sendo que se vc pudesse fazer seu próprio cronograma bastava descansar/aclimatar mais um dia e continuar depois, por exemplo.

2) Gastei uns 2000 reais e uns 400 dólares, sem incluir equipamento:

Voos, ônibus, taxis: R$1480
Gás (comprei em santiago) + comida que levei: uns R$150 - R$170
Comida fora do parque (restaurantes, etc..) uns R$200
Permissão: US$291
Serviço básico de mulas ida e volta dividido para 4 pessoas: US$100 ou US$110
Hostel em mendoza antes e depois (4 noites total) + 1 noite em puente del inca - uns R$150 ou menos.

Quanto ao equipamento, eu acabei comprando antes quase tudo o que eu ainda não tinha... Então só tive que alugar botas duplas e mittens. Não lembro certo quanto foi, mas é fácil conseguir orçamento de alugueis, eles mandam por email. Acho que deu uns R$350 - 400 no total.

Fica muito mais barato e flexível. Vale muito a pena.
Vi que vc não tinha experiencia em alta montanha. Quais foram suas fontes de consulta para realizar o planejamento, saber referencias dos equipamentos para adquirir, treinamento e logística/alimentação?
Vou deixar meu email caso queira mandar algum arquivo.
Quem estiver estudando essa ascensão tb pode entrar em contato comigo.

Estudo a possibilidade de passar 10 dias na Bolívia em jul aprendendo sobre alta montanha antes de seguir para o Aconcágua.

caiorsd@hotmail.com

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