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Cinco motivos para você fazer a incrível travessia de Petrópolis Teresópolis - Informações e custos

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Cinco motivos para você fazer a incrível travessia de Petrópolis Teresópolis

1) O pôr do sol do Castelos do Açu é incrível;

2) A vista para Serra dos Órgãos é incrível;    

3) O nascer do sol da Pedra do Sino é incrível; 

4) A realização ao completar essa travessia difícil é incrível;

5) A história que você contará para o seus netos sobre ela, será incrível (esta foto ainda não temos).

Quer ver TODAS as fotos desta travessia para se inspirar? Clique AQUI

Quanto tempo leva?
A travessia da maneira tradicional é feita em 3 dias, sendo:
  • DIA 1: da portaria do Bonfim até os Castelos do Açu. Duração: 7 a 8 horas;

  • DIA 2: dos Castelos do Açu até o Abrigo 4 (próximo à Pedra do Sino). Duração: 7 a 8 horas;

  • DIA 3: do Abrigo 4 até a portaria em Teresópolis. Duração: 4 a 5 horas.

Qual a melhor época?

Época com menor ocorrência de chuvas, maio a setembro. As chuvas podem tornar a travessia bem perigosa.

Preciso contratar um guia?

Se você está na dúvida, a resposta com certeza é sim! Se você está pensando em ir sem, saiba que a trilha exige experiência em navegação, muito preparo físico e técnicas com corda. 

Nós fomos sem guia, mas aconselhamos você a não fazer o mesmo. ☺

Nossas indicações: 

  • Janio de Oliveira -  (24) 98812-5782 - [email protected];

  • Daniel Miller (Sherpa Adventure) - (21) 97222-7745 www.sherpaadventure.com.br

  • Lista dos condutores cadastrados no PARNASO (Parque Nacional da Serra dos Órgãos);

Quanto custa?

Custos do Parque: consulte o site do Parque, pois os preços costumam variar de acordo com a data. 

Guia: os custos podem variar entre R$ 200,00 e R$ 400,00 por pessoa, variando de acordo com o guia e a quantidade de pessoas. Atente-se para a quantidade de pessoas por guia, não é indicado mais do que 10 por guia.

Alimentação: é preciso levar toda a comida para os 3 dias. São 3 cafés da manhã, 3 almoços, 2 jantares e lanche de trilha para 3 dias, tudo ao gosto do freguês.

Transporte:

     Ida (Petrópolis):

        -  A partir da sua cidade até Petrópolis - RJ. Em nosso caso, saímos de SP (rodoviária do Tietê) de ônibus e custou R$ 125,00 por pessoa; 

        - Rodoviária  até a sede em Bonfim (Petrópolis): ônibus para o terminal Corrêas + ônibus até a Escola Rural do Bonfim (número 616 - Pinheiral), R$ 4,00  

      Volta (Teresópolis):

       -  Nós voltamos para Petrópolis, para aproveitar o restante do feriado. Ônibus coletivo até a rodoviária R$ 4,00 e ônibus da Viação Teresópolis saiu da rodoviária e custou R$ 20,37. 

       - De Petrópolis - RJ para SP (rodoviária Tietê), R$ 125,00.

Nossos gastos (por pessoa):

   • Entrada do parque + taxa + camping no Açu + Camping no Abrigo 4 + 1 Banho Quente + Taxa de Conveniência = R$ 80,96

   • Alimentação = R$ 80,00

   • Transporte =  R$ 278,37

   ► Total = R$ 439,33

O que levar?

Aqui, você pode encontrar a nossa checklist. Caso você contrate algum guia, confirme quais itens você não precisa levar.

! Leve os comprovantes dos pagamentos e reservas  do Parque impressos.

 Quanta água é preciso carregar? 

Durante a trilha existem vários pontos de água, com um reservatório de 2 a 3 litros por pessoa foi o suficiente. Para todos os pontos de água precisamos purificá-la (Clorin, Água Sanitária, Hidrosteril, etc).

Quer ver mais fotos desta travessia para se inspirar? Clique AQUI

Vem acompanhar a gente no Facebook, Instagram ou nosso blog

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  • Conteúdo Similar

    • Por nathanpaiva
      Já havíamos feito outras travessias antes. Eu (Nathan) e Diogo decidimos fazer algo diferente dessa vez por estarmos ambos desempregados e termos bastante tempo livre.
      A decisão de irmos só nós 2 (Inicialmente éramos 3, mas o Walker não pôde ir por um imprevisto, o que mais tarde se
      mostrou a melhor alternativa, pois uma terceira pessoa dificultar ainda mais arrumar carona) nessa travessia veio do
      fato de que em Outubro iríamos com toda a equipe fazê-la (cerca de 15 pessoas), mas não era uma área mapeada, o
      percurso não havia sido feito por ninguém. Então fomos no peito e na raça mapear nós mesmos para obter informações
      e garantir a segurança de toda a turma quando eles fossem.
       
       
      1º dia
      Faríamos a Travessia + Mochilão raiz. Chegamos á beira da rodovia em Contagem-MG para pedir carona ás 6:30hrs da
      manhã de segunda-feira 23/07/2018, com placas de Diamantina e Curvelo em mãos. Mas só conseguimos carona por
      volta de 10:30hrs, quando um Professor de Português de Curvelo, enquanto voltava pra casa, nos confundiu com
      estudantes e por empatia resolveu nos dar carona. Chegamos á Curvelo por volta de 12:30hrs, onde almoçamos num
      ótimo restaurante de comida caseira. Conseguimos outra carona rumo a Diamantina por volta de 14:00hrs, com outro
      cara que também nos confundiu com estudantes. Paramos um pouco antes, no trevo que vira pra Serro. Nessa região as
      estradas são mais desertas e as pessoas mais desconfiadas, portanto foi mais complicado conseguir carona. Mas
      conseguimos mais uma até o trevo que vira para Presidente Kubitschek, cerca de 20km de Serro, ás 16:20hrs.
      A partir desse horário, por estar anoitecendo e como já disse, as pessoas são mais desconfiadas, não conseguimos mais
      carona, tivemos de subir uma colina na beira da rodovia e montar acampamento por lá mesmo, enquanto
      presenciávamos um lindo pôr-do-sol.

       
      2º dia
      Às 7:00hrs da manhã, estávamos de volta à beira da rodovia pedindo carona novamente e um pouco depois chegamos
      em Serro, onde decidimos ir pra Milho Verde de ônibus para agilizar. Por só ter ônibus depois às 11hrs, até dar o
      horário fomos andar pelo centro histórico, que apesar de pequeno é bem bonito.
      Cerca de meio dia já estávamos em Milho Verde, onde almoçamos e tomamos uma cerveja enquanto usávamos o Wi-fi
      para dar notícia aos parentes e tentar mandar um e-mail de ultima hora de pedido de permissão de entrada no Parque
      Estadual do Rio Preto, mas não deu tempo de obter resposta, então só rezamos para o Diretor do parque nos autorizar e
      saímos em direção ao inicio da travessia. Mas não antes de deixar um adesivo da DNA TREKKING colado no mural de
      equipes de vários esportes que passaram por aquele local da Estrada Real. Estamos fazendo história!
      E finalmente às 15:00hrs começamos nossa jornada rumo ao desconhecido.
      Estávamos usando várias trilhas para diferentes destinos na região, como um quebra-cabeça que juntas serviriam de
      base o nosso caminho. A primeira era de Milho Verde para Capivari, passando pelo Pico do Raio.
      No início planejamos seguir até uma cachoeira perto de Milho Verde, porém no sentido contrário do Parque do Rio
      Preto, para tomar banho, dormir e começar a caminhada de fato na manhã seguinte subindo o rio. Andamos cerca e
      2,5km rumo à cachoeira quando mudamos de idéia, não iríamos mais tomar banho, demos meia volta e partimos para o
      ponto inicial, novamente, encontrar com trilha para Capivari. Em resumo, andamos quase 5 km atoa.
      Entramos na trilha às 16:00hrs, estávamos num vale bonito, vegetação baixa e seca que lembrava muito uma savana
      africana. O chão de areia branca bem característico da região era difícil de caminhar. Atravessamos o vale até uma placade propriedade privada e uma casa abandonada, onde finalmente viramos para o norte e seguimos um cano de água
      que subia a serra. Era impossível não olhar para trás a todo momento para admirar a bela paisagem do vale.
      O sol sumiu às 17:30hrs, a lua cheia já estava no alto. Nesse momento já havíamos subido a serra e começamos a
      procurar um lugar adequado para montar acampamento, de preferência perto da água para finalmente tomarmos
      banho, mas não foi possível. Procuramos até o limite possível de luz que tínhamos, mas acabamos ficando numa área
      plana ao pé do Pico do Raio. Noite fria, com muita geada e muita ventania, mas a lua cheia imponente iluminando tudo.
      É sempre uma sensação única se sentar na porta da barraca e admirar o céu estrelado que poucos nas cidades tem a
      oportunidade de ver.





       

       
       
      3º dia
      Combinamos de acordar às 5hrs, mas estava frio e havia muita geada ainda, então só levantamos umas 6:30hrs. Tivemos
      o privilégio de ver o sol nascer atrás do Pico Itambé, o mais alto da região. Tomamos café da manhã enquanto
      encontrávamos pegadas na areia perto das barracas do que acreditamos ser de Tamanduá e Onça.
      Começamos a caminhar cerca de 8:00hrs da manhã rumo ao Pico do Raio.
      Às 9:00hrs chegamos no pico, apesar da brisa refrescante, o sol estava muito quente. Lá de cima dava pra ver à oeste
      São Gonçalo do Rio das Pedras e ao norte visualizar no horizonte distante a cadeia de montanhas para onde deveríamos
      ir. Contornamos o pico, ainda no caminho para Capivari, mas perdemos a trilha que é demarcada com setas amarelas.
      Tendo que descer pelas pedras no meio do mato baixo. Mais para baixo reecontramos a trilha e nela seguimos até a
      fazenda de um casal de idosos, tendo que passar por dentro. Pedimos licença, conversamos um pouco. Pessoal
      simpático, encheram nossas garrafas de água e dali seguimos viagem.
      Finalmente encontramos um rio, um lugar adequado para enfim tomar banho após 3 dias! Nada como se sentir limpo de
      novo.
      Às 11:40 seguimos viagem. Quase chegando em Capivari, por volta de 12:30, era hora de sair da trilha pois ela seguia
      para o sul, e nosso destino era o norte. Ali, começaríamos caminhar às cegas, seguindo apenas a bússola e o instinto. O
      objetivo era a Cachoeira do Tempo Perdido, onde entraríamos em outra trilha.
      Já havíamos andado uns 8km nesse dia, sol fervendo, quando começamos subir uma colina com cerca de 1,5km, o
      desgaste ficou evidente. As coxas estavam cansadas, as costas e ombros doendo pelo peso da mochila, o desgaste do
      calor e a sede não acabava nunca, não importa quanta água bebia (embora estivesse racionando). Eis que no alto da
      colina, surge a primeira bolha no pé causada pelo material da meia que coloquei após tomar banho. Paramos para fazer
      o curativo. Curativo feito, rumamos para a cachoeira. Mais 4 km e chegamos, às 15:00hrs. Finalmente hora de almoçar e
      o merecido descanso na sombra!
      Retomamos a caminhada por volta de 16:00hrs. Acabei esquecendo o canivete do Walker e minha meia no alto de uma
      pedra.
      Acabamos nos perdendo e seguimos assim mesmo, fazendo nosso próprio caminho. Descendo o rio, subindo e
      descendo barrancos e paredões de pedra, calculando os melhores locais pra passar, onde não ficaríamos sem saída. As
      vezes um ia na frente para verificar se havia como passar enquanto o outro ficava, sempre nos comunicando pelo rádio.
      E assim encontramos o que parecia ser uma trilha naquele lugar aparentemente inóspito, pois haviam pegadas de
      alguém descalço. Seguimos até encontrar uma estrada de carro, atravessando um rio. Conversamos se não era uma boa
      idéia acampar ali perto da água, tínhamos pouco tempo de luz do dia. Decidimos subir a colina e procurar outro lugar
      mais pra cima e longe da estrada, pra evitar surpresas com “visitas indesejadas”. O corpo totalmente desgastado. O
      psicológico abalado pelo cansaço. Eu já estava esgotado, andando por pura força de vontade. Já havíamos batido a meta
      de 20km do dia, mas não aparecia um lugar adequado para montar acampamento. Quando pensamos ter achado o local
      perfeito, o solo era rochoso e não dava pra fincar os grampos no chão, além de ser desconfortável. Voltamos pra
      estrada, andando igual zumbis.
      Quando finalmente encontramos um lugar arenoso, já não havia mais luz, montamos acampamento de noite logo
      depois de arrumar as varetas quebradas da barraca. Jantamos e tomamos uma lata de cerveja que levamos. Aquele dia foi penoso, e eu já estava com 3 bolhas em cada pé. Mais uma noite fria e molhada. Mas naquele cansaço, foi um alívio
      sem igual.

       








      4º dia
      Como no dia anterior, acordamos cerca de 5hrs da manhã, porém pelo frio e geada forte, só levantamos por volta de
      6:30Hrs. Pelo desgaste do dia anterior, o corpo ainda doía e as pernas ainda estavam desgastadas, e claro, as bolhas.
      Ainda estávamos fora da trilha que pretendíamos seguir rumo ao Parque do Rio Preto, então continuamos
      improvisando. A trilha estava ao a leste seguindo paralelamente a nós, portanto, seguiríamos para nordeste pra pega-la
      mais à frente.
      Não havia mais trilhas nem estradas, seguíamos pelo mato, pedras, trilhos de vacas, e por isso nos perdemos algumas
      vezes, vários ‘becos sem saída’ onde tínhamos que dar meia volta. Após um tempo encontramos pegadas, e as seguimos
      até encontrar o que parecia um trilho. Finalmente encontramos um riacho onde poderíamos escovar os dentes e lavar o
      rosto. Ali, começamos a descer a serra novamente. Avistamos uma casa ao longe, e rumamos à ela para pedir
      informação.
      Quando chegamos havia um menino na horta, demos bom dia, mas quando ele nos viu saiu correndo em direção à casa.
      Sem entender nada, o seguimos. Era uma casa simples de pau a pique e estava aberta, mas além de um porco de
      estimação que estava na sala, estava vazia. Nem o menino encontramos, seja lá pra onde ele tenha corrido. Esperamos
      um tempo, chamamos e nada.
      Continuamos a caminhada, seguindo um trilho nos fundos por alguns minutos até que chegamos em outra casa,
      igualmente simples. Mas nessa havia um casal e 2 crianças, que nos ofereceu café, batemos um papo e conseguimos
      nossas informações para prosseguir na aventura.
      A partir dali começamos a subir uma serra de mata fechada e abafada. Uma subida difícil, parecia uma eternidade, tive
      que parar para descansar algumas vezes. Alcançar uma área plana no alto da colina foi igualmente ruim, pois o cerrado
      era predominante e o sol estava forte, junto ao cansaço e a sede. Mais uma vez nos perdemos, não havia mais trilha pra
      seguir, e a essa altura qualquer desgaste inútil de energia era um problemão. Após um tempo procurando separados,
      encontramos um trilho de vaca e fomos por ele. O local era preocupante, várias pessoas haviam nos alertado sobre o
      risco de queimadas na região, e o lugar onde estávamos passando tinha sido queimado há pouco tempo.
      A caminhada já estava penosa. Qualquer 5 minutos de descanso nas poucas sombras que encontrávamos já era
      revigorante. Não agüentava mais subir morro.
      O alívio veio quando chegamos ao ponto mais alto, sentir a brisa refrescante, finalmente ver o horizonte a nossa frente
      e claro, começar a descer!
      Mas mais uma vez nos perdemos, andamos atoa até encontrar um lugar pra conseguir descer a serra. E o melhor lugar
      era um paredão alto de pedra. Descemos com certa dificuldade, apoiando com as mãos, mas conseguimos chegar lá em
      baixo, e o próximo desafio seria descer por uma cachoeira sem água rumo ao mato alto fechado, com milhares de
      carrapatos e espinhos.
      Chegamos à uma casa, mas não havia ninguém, então pegamos umas mexericas, água e partimos. Mais alguns minutos
      andando e finalmente chegamos à trilha! Era uma estrada de carro, e ali, começamos a subir novamente. Eu já estava
      beirando a exaustão, as coxas queimavam, parava pra descansar toda hora.
      Passamos por mais casas, pastos, uma cachoeira, um rio que corria uns 4 metros abaixo de gigantescas rochas que
      rolaram serra abaixo. A esse ponto, o sol já estava sumindo, já havíamos batido a meta dos 20km no dia e nós ainda não
      tínhamos conseguido um bom lugar pra acampar. A esperança era conseguir um lugar no alto da serra, mas pra isso,
      teríamos que subir 3km de mata atlântica em cerca de 30 minutos. Fomos o mais rápido possível. Quando lá no alto,
      pouca luz decidimos cortar caminho pelo meio de uma fazenda, onde havia um senhor . O cumprimentamos, e durante
      uma rápida conversa, ele nos ofereceu para que passássemos a noite me sua humilde casa. Foi a salvação!
       
      Tomamos banho de mangueira no quintal, já quase sem luz, água geladíssima. Mas novamente, aquela sensação de
      limpeza, roupas limpas e uma janta maravilhosa nos esperando. Feijão, arroz, bacon e uma limonada. Muito melhor que
      qualquer restaurante fino. E claro, um papo bacana na beira do fogão à lenha. O que mais poderia querer? Uma cama
      macia quem sabe? Tinha isso também!
      É incrível como quanto mais pobres, mais gentis. Uma casa de pau a pique no meio do nada, sem eletricidade ou nem
      mesmo um banheiro. E foi justamente lá que fomos melhor acolhidos. Uma das várias lições que essa aventura nos
      proporcionou.




       
      5ª dia
      O combinado era sair às 5:30hrs da manhã pois o senhor dono da casa precisava pegar o transporte para Diamantina.
      Mas ele acabou nos acordando acordando as 3hrs. Às 5hrs ainda era noite mas já estávamos na estrada, o senhorzinho
      estava nos acompanhando para mostrar o caminho até o Parque do Rio Preto. Em certo ponto onde ele teria que virar
      em outra direção, então nos passou as ultimas instruções, nos despedimos e cada um seguiu seu rumo. Faltava cerca de
      30km para o destino final, pretendíamos andar mais 20, acampar mais uma noite e terminar de chegar no dia seguinte.
      Graças a ajuda ajuda que recebemos do simpático casal, havíamos economizado comida para mais 1 dia, portanto, não
      tínhamos pressa .
      O dia foi amanhecendo conforme subíamos, mas por causa da altitude estávamos cobertos por nuvens e ventava muito.
      A roupa molhada junto com vento forte e frio estava dificultando bastante nossa vida. Mas nas poucas brechas que as
      nuvens davam conseguíamos ver a paisagem magnífica a nossa volta, dava pra ver bem ao longe quase sumindo o Pico
      do Raio, onde passamos no segundo dia. Perceber o quanto andamos atravessando toda aquela cadeia de montanhas e
      os mais variados terrenos, causou alegria e orgulho.
      As bolhas nos meus pés estavam piores, estava dando bolha em cima de bolha, nos dedos, na sola do pé, no calcanhar.
      E pela dor eu estava com o pé torto, o que só piorava a situação causando mais bolhas e forçando de demais tornozelo e
      joelho, fazendo os tendões doerem também. Em resumo, eu já estava um caco. Paramos pelo menos 4 vezes para
      refazer os curativos nas bolhas afim de achar um modo que amenizasse a dor, para que parasse de mancar e render
      melhor a caminhada. As tentativas foram inúteis.
      Já havíamos andando cerca de 10km às 9:20hrs da manhã quando chegamos à fronteira do parque, onde paramos para
      apreciar a vista, já com menos nuvens, e fazer um lanche.
      Andamos mais uns minutos até encontrarmos uma casa que era usada como base de pesquisas climáticas e um certo
      tipo de portaria onde ficam os funcionários do parque, para verificar a autorização de quem entra. Mentimos sobre a
      nossa e ele nos deixou passar. Começamos a descer a serra para atravessar o parque rumo a outra portaria, que era o
      nosso destino final.
      Trilha bem demarcada, cerrado era vegetação predominante, ou seja, pouca sombra. O sol já estava quente novamente,
      mas como era maior parte descida, estava mais tranqüilo.
      O chão bastante pedroso, estava fazendo com que as bolhas doessem mais. Estava difícil ignorar. Paramos num riacho
      novamente para refazer os curativos, trocar a meia e almoçar. Retomamos a caminhada, por causa calor intenso, a exaustão chegou mais rápido que nos dias anteriores. Não via a hora de chegar a acabar com o sofrimento logo. Ainda
      faltava cerca de 15km.
      Num ponto mais a frente, um dos guias do parque à cavalo nos encontrou e deu um esporro, dizendo que não fomos
      autorizados e não poderíamos ter descido naquele horário pois não daria tempo de chegar na outra portaria até às
      17hrs, quando o parque fecha. Ele fez questão de nos escoltar, com o cavalo logo atrás da gente para que
      caminhássemos num ritmo bem acelerado. O que foi um quase insuportável para quem já estava bem debilitado da
      travessia até ali.
      Às 14:30 passamos umas rochas altas, onde paramos para descansar um pouco na sombra. Eis a imensa surpresa
      quando ao olhar pra cima, nos deparamos com pinturas rupestres!
      Depois de mais 7 dolorosos quilômetros onde pensei 1 milhão de vezes em desistir e pedir o carro de resgate do
      parque, chegamos à portaria do parque! Neste dia batemos os 30km de caminhada.
      Mais uma vez pudemos contar com a bondade das pessoas, e recebemos um desconto para ficar na área de camping
      pois não tínhamos mais dinheiro. Finalmente, após 3 longos dias caminhando, exaustos, sujos, desidratados e
      desnutridos, teríamos nosso merecido banho quente e descanso! Conseguimos usar o wi-fi para mandar notícias para a
      família e amigos que já estavam achando que tínhamos morrido e ainda tivemos o prazer de fazer bons amigos no
      camping que nos deram churrasco e até comida japonesa, fora a sensacional troca de experiências numa ótima
      conversa.
      Para finalizar com chave de ouro, ainda fomos premiados com um eclipse lunar e lua de sangue.




       
      6º dia
      Acordamos cerca de 8 da manhã, levantamos acampamento, tomamos café da manhã e começamos a nos preocupar
      com como faríamos para ir embora. Já que a cidade ficava há 20km do Parque. Conseguimos carona até Diamantina com
      um bondoso casal que conhecemos na noite anterior no camping. Chegamos à Diamantina por volta de 14hrs.
      Voltamos para a rodovia pra pedir carona de volta à BH mas não conseguimos. Tentamos até o sol se pôr.
      Não tínhamos mais comida nem lugar para acampar, então resolvemos caminhar até a rodoviária e voltar de ônibus
      mesmo.
      E pela milésima vez nessa semana, sorte nos encontrou. Só havia ônibus para as 23hrs, ainda era 19hrs. Então na
      rodoviária mesmo conhecemos um casal de amigos que não tinham para onde ir, então fomos todos para um bar ao
      lado da vesperata no centro de Diamantina, onde enchemos a cara e nos divertimos bastante até a hora de partida do
      ônibus.

       
       
      Por todas as experiências únicas que vivemos, os aprendizados que tivemos e todos os amigos que fizemos, só tenho a
      agradecer. É difícil, é sofrido, enquanto estou lá sempre penso que nunca mais farei outra loucura assim. Mas sempre
      voltamos e fazemos tudo novamente. Momentos que levarei para a vida e contarei aos meus filhos.
       
       
      Curtiu a trilha e deseja faze-la? Siga pelo Wikiloc:
      https://pt.wikiloc.com/trilhas-trekking/travassia-milho-verde-ao-pq-est-rio-preto-dna-trekking-27025115
      Siga também a DNA TREKKING no instagram e facebook para mais fotos de outras trilhas:
      @dnatrekking
    • Por Marcos Nakayama
      RELATO TEXTÃO 😜 da minha travessia pelos lençóis maranhenses, com o grande "tchan" de ser a ideal para sedentários (que tenham disposição, claro)!
      (Mais fotos e outras viagens no Insta: @marcos.nak 😉)
       
      Você é do tipo que fica esbaforido ao subir uma duna? Eu sou, quase todo mundo é. Mas, se ao chegar ao topo e ver as lagoas, seu cansaço se transforma em encantamento e vontade de fazer de novo, então você consegue fazer este trekking! Todos os relatos que eu havia encontrado mostravam uma travessia longa de 3 dias de duração, saindo de Atins, mas eu tinha receio de ficar muito cansativo e acabar perdendo o objetivo, que era curtir, e não "sofrer"😎! Então, dado que eu só tinha 2 dias e estava em Santo Amaro, e depois de conversar com o guia, decidi fazer como ele indicou. Não me arrependo de jeito nenhum! Ficou assim: 
      .
      1) Fomos de Santo Amaro até a lagoa de Emendadas de quadriciclo, e lá vimos o sol nascer (14 km).
      A cena foi linda, e a escolha da lagoa se deu pela duna imensa, de onde se tem a vista mais panorâmica. É sério, debaixo da duna você já fica maravilhado, pela imponência. Lá de cima, não fosse o vento muito forte, poderia passar horas. Depois do belo nascer do sol, começamos a caminhada.

       
      2) Andamos até Betânia, passando pela incrível lagoa do Junco (18 km).
      Eu sei, falar em andar 18 km na areia, subindo e descendo, sem sombra, parece loucura, mas eu fiz numa boa e não sei explicar por quê. É um misto de encantamento e empolgação que faz a caminhada ser fácil. Além disso, cara, cansou? É só deitar na areia e rolar, que logo vc cai numa lagoa 😂😂😂! A lagoa do Junco só é acessível a pé, e por isso a maior beleza do parque está exclusiva aos poucos corajosos que encaram a caminhada. No caso, eu tive ela e infinitas outras só pra mim! No caminho, encontramos ninhos de gaivotas e rastros de vários animais. Um fato interessante é que a lagoa do Junco é nova. Eu havia lido vários relatos de que a lagoa das cabras era a mais linda de todas, e o guia prometeu me levar até ela. Aí, num momento em que cruzávamos uma areia molhada com plantas, ele disse: "Você está em cima de onde já houve a lagoa das cabras!" 😮
       

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      3) No horário do almoço, chegamos a Betânia, onde passei a tarde e a noite.
      Na verdade eu nem conheci o vilarejo de Betânia, pois fiquei hospedado num restaurante isolado entre uma mata e um rio. É o mesmo restaurante onde os turistas do passeio a Betânia almoçam. Chegamos e já almoçamos. O guia disse que eu teria a tarde livre para descansar na rede e curtir o rio, mas eu não quis saber, pedi pra ir pra alguma lagoa (como se eu já não tivesse tomado muito banho de lagoa hehe). Aí (ele tinha um acordo de pegar caiaque gratuitamente no restaurante), atravessamos o rio de caiaque e ele me deixou numa lagoa incrível, onde uns turistas inconvenientes faziam algazarra 🙄. Aproveitei pra fazer uma caminhada pelas dunas ao redor, e assim que eles partiram eu tive a lagoa inteira só pra mim, onde fiquei horas curtindo, até o sol começar a descer. Foi delicioso! O guia chegou para me acompanhar no pôr do sol, subimos uma duna e ficamos até escurecer, e passamos um tempão apreciando o céu mais estrelado que já vi na vida! 🤩Ele tem um celular foda e é um excelente fotógrafo, e tirou fotos incríveis e me mostrou os planetas e as constelações num aplicativo que vc aponta pro céu e reconhece as estrelas. Depois, voltamos de caiaque pelo rio, num breu quase absoluto, pois a lua também havia se posto. Paramos um pouco de remar pra curtir o silêncio e o céu, e foi sensacional. Ao chegarmos ao restaurante, acredite!, havia uma belga e uma alemã (muçulmana, todo coberta), que também estavam em travessia e passariam a noite lá. Nosso "quarto" era uma palhoça com redes onde os clientes descansam após o almoço. Não tem paredes, o que fez as gringas passarem trezentos tipos de repelentes, mas a dona garantiu que, sabe-se lá por quê, não há pernilongos ali, e de fato nenhum inseto nos incomodou. Foi muito engraçado quando a belga subiu na rede e descobriu que a rede balança. Logo ela e a alemã estavam tomando impulso e se chocando uma na outra! É claro que eu filmei e coloquei no vídeo! 😂😂😂 
       

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      4) De manhã, passeamos pela região (8 km)
      Depois de uma noite mal dormida na rede (não tenho costume e sou fresco pra dormir), acordei às 4h para ver o sol nascer. Mais uma vez atravessamos o rio a caiaque e subimos uma duna para apreciar o espetáculo, que infelizmente mais uma vez foi prejudicado pelas nuvens. Percebi que o dia amanhece meio nublado e as nuvens se dissipam durante a manhã. Outra coisa impressionante é a variação térmica da água, que amanhece gelada e anoitece morninha. Depois de clareado o dia, andamos 8 km pela região curtindo novas lagoas. Voltamos à hora do almoço (caiaque) e dei uma relaxada na rede e curti um pouco o rio. 😎
      5) Voltamos a Santo Amaro (9 km)
      Partimos às 15h30. A volta foi bem tranquila, mas como meu pé começava a reclamar, eu preferi fazer mais paradas e ficar menos tempo em cada lagoa (não se assuste, é só um pequeno cansaço). O guia me levou a uma duna alta já no fim da tarde, para curtirmos o pôr do sol. Depois que escureceu e curtimos um pouco o céu estrelado, caminhamos alguns minutos no breu total e chegou um amigo dele pra nos dar carona até a cidade.
       

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      Foi uma experiência inesquecível. Cada parte teve uma importância imensa pra mim: o dia, a noite, o cansaço, o descanso, a companhia das meninas e do guia, os momentos a sós (confesso que temi sentir solidão, levei vários ebooks e filmes no celular, e nem encostei nele. Simplesmente eu consegui amar ficar horas sem pensar em nada nem ninguém, só curtindo o momento). 
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      Os lençóis maranhenses são uma beleza única no MUNDO e mesmo assim poucos conhecem. E o que mais impressiona é a abundância de belezas, por isso quando me peguei pensando: "Ah, a lagoa X eu não gostei muito!" eu lembrei: "Isso porque são infinitas lagoas pra eu poder escolher minha favorita. Se fosse só areia e houvesse só essa lagoa X, eu diria que é incrível! Aliás, se fosse só o rio que eu pouco aproveitei já valia o passeio!" 😂
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      O melhor de fazer a travessia em vez dos passeios coletivos é poder ter o contato exclusivo com a natureza, seja a areia, as lagoas, o céu, o rio, o sol... tudo está lá pra você, e sem pressa de ir embora como nos coletivos porque "temos um monte de lugar pra ir e tirar foto e aquele turista inconveniente do grupo tem que voltar mais cedo pra não perder a van"... Sabe? 
    • Por Faael Pimentel
      Parque Nacional Serra dos Órgãos - PARNASO
      Travessia: Teresópolis/RJ x Petrópolis/RJ
      Ano: 2016.
       
      24.03.2016 | Dia 01: Sede Teresópolis/RJ x Mirante do Cartão Postal x Barragem x Cachoeira Véu de Noiva x Abrigo 4;
       
      25.03.2016 | Dia 02: Pedra do Sino x Cavalinho x Mergulho x Pedra da Baleia x Morro do Dinossauro x Elevador x Morro da Luva x Morro do Marco x Abrigo do Açu;
       
      26.03.2016 | Dia 03: Castelo do Açu x Isabeloca x Ajax x Pedra do Queijo x Cachoeira Véu de Noiva x Sede Petrópolis/RJ.
       
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      Olá! Leitor (a). Nesse relato será apresentada a trilha, feita por Fael e Graziela, no Parque Nacional da Serra dos Órgãos - PARNASO, localizado no Estado do Rio de Janeiro. Sua travessia só pode ser realizada a partir da compra de ingresso no site ou na portaria sede. O percurso tradicional é iniciado no município de Petrópolis/RJ, passando pelo município de Guapimirim/RJ e finalizando na cidade de Teresópolis/RJ. Contudo, devido a não encontrar ingressos para a trilha tradicional, Fael e Graziela arriscaram em comprar os ingressos no sentido inverso, iniciando a trilha na cidade de Teresópolis/RJ e finalizando na cidade de Petrópolis/RJ. Todos os detalhes da travessia realizada no Parque Nacional da Serra dos Órgãos (sentindo inverso) serão descritos no relato abaixo.
       
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      # - Planejamento da rota.
       
      Era manhã de sábado, por volta das 09:00. Fael e Graziela estavam dialogando sobre possíveis viagens no decorrer dos feriados do ano de 2016. Para isso os dois agendaram destinos para cada feriado.
       
      Fazendo uma pesquisa no site melhores destinos, Graziela percebeu que havia uma promoção de passagens aéreas, entre as cidades de Salvador/BA e o Rio de Janeiro/RJ, nas datas coincidentes com o feriado da páscoa. Sem pensar muito, os dois fizeram a compra e se articularam a se encontrar e reunir com o intuito em planejar uma trilha e executá-la. No dialogo foi decidido a travessia da Serra dos Órgãos. Na reunião, Fael e Graziela acessaram o site do Parque Nacional Serra dos Órgãos - PARNASO, onde o visitante deve se cadastrar e fazer a compra do ingresso para ter acesso ao parque.
       
      Sabendo que o parque tem um número limite de visitantes, Fael e Graziela resolveram comprar os ingressos, de forma antecipada, para ter acesso a trilha. Contudo, na hora da realização da compra do circuito tradicional, com inicio na cidade de Petrópolis/RJ e finalizando na Cidade de Teresópolis/RJ, o site avisava que em um dos abrigos não tinha mais vagas, impossibilitando a realização da compra. Como as passagens estavam pagas, e não poderia cancelar, Fael e Graziela buscaram alternativas para ter acesso ao parque. Para isso foi pesquisado outras rotas dentro do Parque Nacional Serra dos Órgãos - PARNASO. A rota que mais agradou foi a “trilha inversa”, que tem o seu inicio em Teresópolis/RJ e o final em Petrópolis/RJ.
       
      Entrando em acordo, Graziela fez a compra e imprimiu o comprovante, que está disponível no próprio site. Existe uma nota de rodapé recomendando a apresentação do documento que comprove o pagamento ao guarda do parque (quem comprou pela internet), onde tem a responsabilidade de liberar o acesso ao visitante.
      Outro documento que o trilheiro deve ter acesso e levar-lo para ser entregue a portaria, é o Termo de Reconhecimento de Risco e Normas, onde o indivíduo se responsabiliza na condução do grupo e dele mesmo, arcando com a responsabilidade de qualquer eventualidade feita por ele e pelo grupo.
       
      Após a garantia dos ingressos de acesso a trilha da Serra dos Órgãos, Fael e Graziela foram à busca de um local para serem acolhidos ao final da trilha, pois os dois já imaginaram estarem sujos e necessitarem de um uma “base” para organizar os equipamentos, tomar banho, entre outros. Recorrendo ao site do couchsurfing (http://www.couchsurfing.com), Fael enviou alguns pedidos solicitando uma hospedagem por algumas horas. Com poucos minutos de espera, um dos convites foi aceito por uma garota, de nome Maristela, que reside no município de Petrópolis/RJ, dizendo que ia acolher-los em sua casa. Sendo assim, Fael pegou o seu endereço e o telefone.
       
      Os detalhes de valores pagos por Fael e Graziela, dês as passagens aéreas, transporte coletivo, ônibus intermunicipal e taxas de acesso ao Parque Nacional da Serra dos Órgãos - PARNASO estará nas imagens abaixo (NA IMAGEM 01. Onde se lê “Bigen”, leia-se “Bingen”).
       
       

       

       
      - Salvador, 23 de março de 2016. Quarta-feira.
       
       
      # - Salvador/BA (SSA) x Rio de Janeiro/RJ (GIG).
       
      Dia da viagem, Fael ligou para Graziela avisando que o local de encontro dos dois será no salão de embarque do Aeroporto Internacional 2 de Julho. O destino dos trilheiros é o Aeroporto Internacional Tom Jobim (Galeão), localizado no município do Rio de Janeiro/RJ. O embarque está previsto as 20:30, no vôo JJ3197 da empresa TAM, linha SSA x GIG, com previsão de duas horas. Esperando no salão de embarque, Fael encontrou com Graziela, as 18:30 e aproveitaram o restante do tempo para fazer os últimos ajustes nos equipamentos e a logística quando chegar até a cidade do Rio de Janeiro/RJ. As 20:30, no horário previsto, Fael e Graziela embarcaram no avião da TAM, em um vôo direto, com previsão em chegar as 22:30 no Galeão.
       
      No Estado do Rio de Janeiro, próximo ao Aeroporto, o avião que Fael e Graziela estavam pegou uma forte turbulência, devido ao temporal. Inclusive, a chuva foi tão forte que virou manchete nacional. Fael passou mal, tendo náuseas e chegando a vomitar, devido as quedas de altitude que o avião tinha por conta do mal tempo. Os passageiros foram comunicados que não seria realizado o pouso no horário, devido a forte chuva. A tripulação estava cogitando em realizar o pouso no Estado de Minas Gerais, precisamente o Aeroporto Tancredo Neves (CNF), localizado na cidade de Confins/MG, mas não foi necessário. Após 30 minutos sobrevoando as cidades de Petrópolis/RJ e do Rio de Janeiro/RJ, o avião pousou debaixo de uma forte chuva, para a alegria dos passageiros.
       

       
      As 23:15, Fael e Graziela conseguiram pegar as mochilas no salão de desembarque e seguiram até o ponto de ônibus executivo do Galeão (conhecido como frescão), a espera do ônibus da linha 2018 da empresa autobus, que faz a linha: Aeroporto Internacional x Alvorada, com o valor da passagem de R$ 14,00. A perspectiva dos dois era chegar antes da meia noite no terminal rodoviário Novo Rio, para comprar a passagem até o município de Teresópolis/RJ, que está disponível até as 00:00, seu ultimo horário.
       
      A espera pelo frescão foi grande, Fael e Graziela só conseguiram embarcar as 23:55, sem esperanças em conseguir embarcar no intermunicipal até a cidade de Teresópolis/RJ. As 00:25, os dois desembarcam na Rodoviária, encontrando o guinche da empresa Viação Teresópolis (única empresa que eles observaram que faz a linha) fechada.
       
      Sendo assim, Fael e Graziela caminharam na grande rodoviária do Novo Rio até encontrar um local, seguro, para que possam se acomodar e descansar, esperando o dia amanhecer e seguir viagem até o município de Teresópolis/RJ.
       

       
      Rio de Janeiro, 24 de março de 2016. Quinta-feira.
       
      # - Teresópolis/RJ.
       
      À noite na Rodoviária Novo Rio foi tranqüila, poucas pessoas descansando, a maioria nos bancos, enquanto Fael e Graziela estavam deitados em um isolante térmico e usando o saco de dormir para se proteger do forte ar-condicionado do terminal.
       
      As 03:30 da manhã, o guinche da empresa Costa verde abre, atraindo a maioria das pessoas que estavam cochilando nos assentos de espera. Essa empresa faz linha para os municípios de Paraty/RJ e Angra dos Reis/Rj, destinos bem conhecidos mundialmente, gerando a grande procura por passagens. A organização ocasionou barulho, despertando Fael e Graziela que não conseguiram dormir. Sem muitas alternativas, os dois ficaram sentados esperando o horário das 05:20 para comprar a passagem até a cidade de Teresópolis/RJ.
       
      As 05:25, da manhã, o guinche da empresa Viação Teresópolis/RJ abre, onde Fael estava na fila para comprar as passagens. O mesmo adquiriu duas passagens da linha: Rio de Janeiro/RJ x Teresópolis/RJ (direito), embarcando no primeiro horário das 06:00 da manhã.
       

       
      A viagem foi no ônibus, modelo G7, da Viação Teresópolis, e durou uma hora e meia, no belo e revitalizado trecho da BR 116, região serrana do Estado do Rio de Janeiro. As belíssimas paisagens atraem os passageiros a observarem as serras que margeiam a rodovia federal, tirando até o sono de quem viaja. Contudo, Fael e Graziela estavam muito cansados e acabaram dormindo até a cidade de Teresópolis/RJ. No trevo da cidade, Fael e Graziela pediram ao motorista e desembarcaram na portaria do Parque Nacional da Serra dos Órgãos - PARNASO, que está na Av. Rotariana, na entrada da cidade. Agradecendo ao motorista, os dois seguiram em direção a sede da PARNASO Teresópolis/RJ.
       

       
      # - P.N. Serra dos Órgãos. Sede Teresópolis/RJ.
       
      Na portaria do Parque Nacional Serra dos Órgãos - PARNASO, Fael e Graziela apresentaram o termo de conduta / responsabilidade e o comprovante de pagamento ao vigilante. Após, os dois tiveram o acesso liberado.
       
      O inicio é pavimentado de cimento moldurado, com passagem de veículos pelos três quilômetros iniciais da trilha. A maioria desses veículos que Fael e Graziela observaram era de funcionários que trabalhavam no parque. Mas o visitante que tiver veículo pode seguir até o estacionamento da barragem, localizado a 3 km após da portaria.
       
      Caminhando por alguns metros, Fael e Graziela se acomodaram em um ponto de apoio ao visitante, onde oferece uma estrutura básica ao trilheiro que chega de viagem e precisa de alguns ajustes antes de seguir na caminhada .
       
      Aproveitando o apoio, Fael e Graziela trocaram a roupa da viagem pela roupa de trilha, dividiram o peso dos equipamentos, roupas, alimentos, prepararam as maquinas digital, encheram as garrafas de águas e iniciaram a caminhada em direção ao abrigo 4 da Serra dos Órgãos.
       
       

       
      Próximo a bifurcação, Fael e Graziela foram “abordados” por um grupo de Quatis (Nasua-Nasua), que bastante curiosos se aproximaram dos trilheiros e começaram a cheirar. A curiosidade foi tanta que Fael deixou a mochila cargueira no chão e imediatamente um dos quatis foi até a sua mochila e tentou abrir com a pata, atraído pelo cheiro das variedades de comida que estava na cargueira. Aproveitando esse momento, Fael fez uns registros fotográficos do grupo e seguiu a trilha.
       
       

       
       
      # - Mirante do Cartão Postal.
       
      No km 02, aproximadamente, Fael e Graziela começaram a observar pequenas trilhas alternativas, ideais para quem está iniciando a prática de trekking (para serem futuros trilheiros), além de quem queira se distrair em um passeio alternativo. Contudo, o que chamara atenção dos dois, que estava previsto no roteiro, foi uma placa sinalizando uma trilha chamada mirante do Cartão Postal.
       
      Segundo a informação da placa instalada no inicio da trilha, o mirante possibilita a melhor vista para a formação rochosa batizada de “Dedo de Deus”, além de visualizar os demais cumes da serra (inclusive o dedo de Deus). Previsto na caminhada, Fael e Graziela seguiram, a esquerda da bifurcação, conforme a orientação da placa, em direção ao mirante.
       

       
      A trilha do mirante do Dedo de Deus é toda “batida”, ou seja, caminho definido e sinalizado, onde há trechos que passaram por manutenção a fim em facilitar a caminhada. Um exemplo dos reparos na trilha é a inclusão de madeiras nos trechos íngremes e com desníveis, possibilitando a criação de degraus com o intuito em da mais “segurança” a caminhada do visitante.
       
      Além disso, as madeiras evita o deslize do solo e da vegetação quando o visitante caminha nos trechos íngremes. Por exemplo, em épocas de chuva o solo fica encharcado, aumentado a probabilidade de um deslize após uma pisada do trilheiro.
       
      Nos primeiros 300 metros são de subidas, em antigos trechos íngremes que hoje são “degraus”, além de um pequeno trecho plano, de solo encharcado, margeada da mata atlântica densa, que impossibilita a intensidade da luz solar. Após, surge mais trechos de subidas.
       

       
      Depois dos 300 metros a trilha continua com as mesmas características citadas acima, contudo com menos luz natural, devido a altas espécies da flora que margear o percurso. No momento em que Fael e Graziela estavam caminhando, em torno das 09:00 da manhã, a trilha estava com muita neblina, aumentando a atenção dos mesmos.
      Após 800m, próximo ao fim da trilha, existe uma pequena construção, em forma de ponte, colocada acima de um córrego, com o intuito de auxiliar o trilheiro na caminhada. Entretanto, as madeiras estavam quebradas e a construção com sinal de abandono. Os administradores colocaram um papel plastificado com o aviso “ponte quebrada, passar ao lado”, sendo que o caminho do lado estava com muita lama e escorregadio. Para Fael e Graziela o trecho é tranqüilo, mas para uma família que não é acostumada a caminhada e leva seu filho para a trilha, pagando para ter acesso a essas trilhas? As 09:20, Fael e Graziela chegaram no mirante do cartão postal, após 55 minutos de caminhada.
       
      O Mirante do cartão postal é um local seguro, com uma proteção de madeira feita próxima a uma escarpa, isolando. Existe uma placa com a identificação dos cumes e a altitude de cada um, além de umas rochas que serve de “banco”. O ponto negativo é que o local está todo pinchado (inclusive a placa de identificação), devido a ignorância de alguns visitante que não respeita e se quer tem a consciência em preservar o local.
       

       
      Para a surpresa de Fael e Graziela, o mirante não tinha nenhum visitante, além de está com muita neblina, cobrindo a vista dos picos. Obviamente os dois ficaram decepcionados, estavam ansiosos para observar a cadeia de morros e visualizar o principal deles: o Dedo de Deus. Entretanto, Fael e Graziela decidiram esperar mais um pouco, com a esperança da neblina dispersar e o tempo abrir.
       
      Após 25 de espera, por volta das 09:45 da manhã, uma parte da neblina dispersa e a cadeia de morros começa a ser visualizada por Fael e Graziela. Apesar de não está nitidamente, dava para observar a beleza paisagística dos paredões rochosos. Mas a visão só durou alguns minutos, pois a neblina voltou a cobrir as rochas deixando o tempo fechado e sem visibilidade das formas da paisagem em redor do mirante Cartão Postal.
       

       
      As 10:05, Fael e Graziela iniciaram o caminho da volta, trilhando no caminho inverso. Como na ida era mais subida, a volta foi mais descida. Próximo a 600m de caminhada, Graziela escorrega e cai, colocando a mão como apoio. Porém, essa ação resultou em uma patologia de risco, o seu dedo médio, da mão direita, ficou torto, com suspeita de fratura (posteriormente foi confirmado em um exame de raios-X realizado no município de Feira de Santana/BA), informando que estava sentindo muita dor. Fael fez um paliativo para que amenizar-se a dor e que a mesma pudesse continuar a trilha. Seu dedo foi imobilizado, de forma reta. Para isso foi utilizado um pedaço de galho e esparadrapo.
       
      Por volta das 10:40, Fael e Graziela chegaram na bifurcação e seguiram na estrada principal até a porteira de acesso a trilha do abrigo 4 / Pedra do Sino.
       

       
      # - Barragem.
       
      Na estrada da barragem, Fael e Graziela caminharam, por mais 1 km, até o estacionamento. No caminho foi observado um hotel, que serve de apoio aos visitantes que buscam conforto e mais comodidade (pós- viagem), além das casas de estudo onde os pesquisadores produzem pesquisas e monitoramento na região do parque.
       
      Alguns córregos passam por baixo da estrada da barragem, pavimentada de paralelepípedos. As águas são limpas e geladas, com gosto de “água mineral”, Fael e Graziela fizeram uma parada no local para saborear a deliciosa água da Serra dos Órgãos. A barragem é importante, pelo fato de ser o local de capacitação de água para todo o município de Teresópolis/RJ. Por tanto, o parque sempre monitora o local. As 11:18 da manhã, Fael e Graziela chegaram na barragem .
       

       

       
      # - Cachoeira do Véu da Noiva (Teresópolis/RJ).
       
      Ao lado esquerdo do estacionamento da barragem, Fael e Graziela observaram mais um placa de sinalização, indicando a direção da Trilha do Sino e a trilha alternativa. Como o destino é o abrigo 4, eles seguiram até o inicio da trilha da Pedra do Sino .
       
      A referência da trilha é uma porteira e uma placa do Parque Nacional da Serra dos Órgãos - PARNASO, com detalhes do percurso a ser realizado, através de um mapa. O trilheiro pode abrir a porteira e seguir sem avisar, como fizeram Fael e Graziela.
       
      O caminho inicial é bem batido, definido e tranqüilo em se fazer. Possui umas pequenas subidas íngremes, mais nada que assuste. Contudo, Fael e Graziela estavam muito cansados, devido a longa viagem que fizeram. Para eles as pequenas subidas pareciam longas e intermináveis.
       

       
      A subida prosseguia, em forma de zig, zag. Segundo alguns relatos que Fael leu, a trilha é dessa forma até o abrigo 4. O PARNASO diz que a distância, entre a portaria até o cume da Pedra do Sino, é de 11 km. Nos primeiros quilômetros não existem “atrativos paisagísticos de características serranas” que atraem o indivíduo, pois as margens das trilhas estão compostas por matas arbóreas que sombreiam e “cobre” as cadeias de serras do PARNASO.
       
      Contudo, existem algumas plantas e animais que atrai o trilheiro. O que atraiu Fael e Graziela foi um beija-flor cinza, manso, que não se incomodava e nem se assustava com a presença deles. Os mesmos tentaram registrar uma foto nítida da ave, mas o animal estava acomodado em uma grande árvore, alta, onde a maquina não conseguia focalizar-lo. Sendo assim, Fael e Graziela caminharam, com algumas paradas, até um dos atrativos que compõe esse trecho de 9 km, aproximadamente, até o abrigo 4, atrativo denominado como Cachoeira Véu de Noiva de Teresópolis.
       
      Aproximadamente com 15m de altura, a Cachoeira Véu de Noiva de Teresópolis possui um pequeno poço de águas transparentes e de tons amarelados. O banho é gelado, espantando a sensação de calor. Além disso, as suas águas servem como um “relaxante” muscular, devido a temperatura baixa. Fael classificou o banho da Cachoeira como “espanta cansaço”.
       
      No local possui um pequeno corrimão, que serve de apoio ao trilheiro caminhar sobre o córrego que as águas do véu de noiva forma no trecho da trilha (nada que assuste). A parada no atrativo é obrigatória, pela simplicidade e beleza dessa bela paisagem natural.
       
      Graziela até tentou se banhar nas águas geladas da Cachoeira Véu de Noiva, sem sucesso. A mesma sentiu a sensação de câimbra e quase se acidentava ao caminhar no poço.
       

       
      # - Abrigo 4
       
      Depois do banho na Cachoeira Véu de Noiva, Fael e Graziela caminharam na “extensa” trilha, em formato de zig zag, parecia que nunca iria acabar. Exaustos, devido a viagem e a noite que passaram na rodoviária, com poucas horas de sono, Fael e Graziela faziam algumas paradas que atrasava a caminhada.
       
      Em alguns trechos é possível observar belas paisagens serranas, como a vista do município de Teresópolis/RJ “abaixo das nuvens”, Fael e Graziela aproveitaram o fenômeno a fim em observar. Segundo o GPS que Fael possuía, os dois estavam a 1950m de altitude.
       

       
      A caminhada continuou em trechos sinuosos, até chegar a uma trilha mais batida, contudo o solo estava encharcado e escorregadio em alguns trechos. A trilha seguiu reta e em seguida em direção a esquerda, sentido a Pedra do Sino. Próximo ao abrigo 4 existe uma formação rochosa (que parece ser natural) de uma “mini-caverna” que atraiu os olhares de Fael e Graziela. Após 06:18 minutos de caminhada, precisamente as 16:56, Fael e Graziela chegam ao Abrigo 4.
       
      Na Pedra do Sino, a cerca de 2.200m de altitude, está localizado o Abrigo 4, um chalé de montanha destinado a receber visitantes e controlar o uso das áreas de montanha. A construção foi projetada pelo Laboratório de Produtos Florestais do IBAMA, contando com energia solar e tratamento biológico de afluentes. O atual Abrigo 4 foi erguido sobre as ruínas das fundações do antigo abrigo, que fazia parte da rede de abrigos da trilha da Pedra do Sino. Com capacidade para 30 visitantes (12 beliches e 18 bivaque), dispõe ainda de cozinha e banho quente. A casa foi toda construída de madeira simples e rústica, atraindo o visitante a explorar todos os seus cômodos. Aos arredores do abrigo estão 3 (três) áreas para camping, sendo que o terceiro está um pouco abaixo do abrigo. A superfície é plana e coberta por gramas. No momento que Fael e Graziela chegaram não tinha nenhum visitante acampado, deixando-o os dois com algumas duvidas. A certeza era de encontrar o local movimentado, devido aos poucos ingressos que restavam no site.
       

       
      Dois rapazes estavam no abrigo e abordaram Fael e Graziela. Os mesmo se apresentaram como Charlie e Rolan, funcionários do Parque Nacional da Serra dos Órgãos - PARNASO. A função deles é cuidar do abrigo e da o apoio ao visitante.
       
      Fael e Graziela já sabiam que eles estavam a espera, pois o vigilante da sede de Teresópolis/RJ havia comunicado, através do rádio, que um casal teve acesso ao parque e que irá dormir no abrigo 4. Esse papel é um dos poucos pontos positivos que merecem ser citados na administração do PARNASO.
       
      As 19:00, Fael tomou um banho que o congelava, Graziela ficou com medo, quase não tomava banho. A noite estava muito fria e o banho de água quente não está incluso no ingresso do camping. Para tomar banho de água quente deve ser pago um valor de R$ 20,00, sendo que tem um tempo limite ao banho. Como os dois não estavam com muito dinheiro, encararam esse grande desafio em se banhar, a noite, na água fria da região serrana.
       
      As 21:00, a temperatura estava em 4°, obrigando a Fael e Graziela se recolherem nas barracas. As 22:20 os dois foram descansar para no dia seguinte continuar a caminhada na travessia Teresópolis/RJ x Petrópolis /RJ.
       

       
      - Teresópolis, 25 de março de 2016. Sexta-feira.
       
      # - Cume da Pedra do Sino.
       
      Manhã fria, com muita neblina e ventos fortes. As 07:00 da manhã, Fael e Graziela estavam preparando o café e estipulando o tempo do roteiro do dia 2. No dialogo apareceram os funcionários do parque, que logo se juntaram a conversa. Os mesmos passaram algumas experiências vividas no abrigo e deram dicas do percurso até o Abrigo do Açu, próxima base onde Fael e Graziela montarão acampamento.
       
      Alimentados, Fael e Graziela desarmaram acampamento, se despediram dos funcionários e seguiram em direção ao cume da Pedra do Sino, iniciando a caminhada as 09:30 da manhã.
       
      O caminho segue em frente a trilha que vai em direção a cidade de Teresópolis/RJ, logo no inicio da área principal do camping do abrigo 4. Trecho batido e delimitado, Fael e Graziela caminharam acompanhados de uma forte neblina que atrapalhava a visibilidade dos dois, até uma bifurcação identificada com uma placa, apontando o destino de cada trilha. O trecho durou em torno de 10 minutos, em uma superfície pouco íngreme, de leve subida.
       

       
      A Placa de sinalização é toda confeccionada de madeira e implementado pela administração em uma das bifurcações da trilha Teresópolis/RJ x Petrópolis/RJ (vice-versa), do Parque Nacional da Serra dos Órgãos - PARNASO. Existem três indicações orientado o destino das trilhas. A Primeira, a esquerda, que vem do abrigo 4, aponta que a trilha leva em direção ao cume da Pedra do Sino, ponto mais alto da Serra dos Órgãos; a segunda, a frente, indica que o caminho é para que está sentido a sede da PARNASO em Petrópolis/RJ, passando pelo abrigo do Açu; e a ultima, atrás (a frente para quem inicia a caminhada do município de Petrópolis/RJ), leva o trilheiro até o abrigo 4.
       

       
      O destino de Fael e Graziela é o abrigo do Açu, contudo os dois resolveram atacar o cume do sino, mesmo sobre uma forte neblina. Sendo assim, caminharam, à esquerda, iniciando o curto caminho até o ponto mais alto da Serra dos Órgãos.
       
      A trilha é batida e sinalizada com riscos nas rochas, onde facilita o trilheiro. Entretanto, Fael e Graziela caminhavam sobre uma forte neblina, onde atrapalhava a visibilidade do trecho. Em alguns momentos os dois caminhavam próximos e olhando para o chão, devido há alguns trechos íngremes no trecho da trilha.
       

       
      O vento cada vez mais forte e a sensação da temperatura caindo. Fael e Graziela tinham esperança de que quando estivesse no cume o tempo ia de melhorar. Mas, a neblina cada vez ficava mais forte, atrapalhando a visualização da trilha. Nos pequenos trechos, em lajedo, Fael pausava a fim em se orientar.
       
      As 10:10, Fael e Graziela chegaram ao cume do Pedra do Sino, o ponto mais alto está representado por um objeto de cimento em forma de “viga”. Com 2.275m de altitude, aproximadamente, a Pedra do Sino é o ponto mais alto da Serra dos Órgãos .
       
      Como o tempo estava fechado, coberto pela forte neblina, Fael e Graziela não puderam observar a paisagem da Serra dos Órgãos no ponto mais alto do Parque Nacional, o máximo que observaram foi à vegetação úmida e o céu branco e cinzento.
       

       
      Devido ao tempo, Fael e Graziela passaram pouco tempo na Pedra do Sino, decidindo voltar para a bifurcação e seguir em direção ao Castelo do Açu. O Percurso da volta foi mais rápido que da ida, durando 15 minutos de caminhada. As 10:35 os dois chegaram na placa de sinalização.
       
      # - Cavalinho.
       
      A partir da placa a trilha se caracteriza por uma leve descida, em alguns trechos íngremes. Devido a forte neblina que estava no momento, Fael e Graziela andava com cautela para não se acidentar.
       
      Caminhando alguns metros os dois encontraram uma escada de ferro, soldada a uma barra que está “chumbada” na rocha. Essa escada serve de apoio para “descer o paredão” e prosseguir na trilha abaixo.
       
      Bastante segura e de fácil descida, a escada serve de apoio para facilitar a trilha e seguir em direção ao Castelo do Açu. No circuito tradicional, que é o inverso, o objeto serve de apoio para subir e prosseguir ao cume do sino. Como Fael e Graziela estavam fazendo a trilha “inversa”, os dois desceram e seguiu na batida trilha, em direção ao cavalinho.
       

       
      Descendo a um trecho bastante acidentado, ao lado de um grande paredão na margem esquerda, e um penhasco ao lado direito, Fael e Graziela caminharam alguns metros até uma rocha inclinada, ali é o ponto denominado Cavalinho.
       

       
      Um trecho bastante íngreme, com duas rochas sobreposta, que dificulta a passagem do trilheiro, o cavalinho foi denominado esse nome devido ao indivíduo “montar” na rocha a fim de se apoiar e conseguir impulso para continuar a caminhada acima. Algumas pessoas se arrastam e abraçam a rocha superior até a trilha acima, outras colocam uma corda nas bases presas no paredão e “escalam”. Como Fael e Graziela iam descer, os dois foram “sentados” na base da rocha inclinada até a trilha abaixo.
       
      Na margem direita (para quem está descendo), existe uma falésia, tornando a descida perigosa, onde Fael e Graziela tiveram muita atenção. Caso se desequilibre e se direcione a margem direita, a queda pode se tornar fatal. Contudo, apesar do trecho merecer um rápido estudo em como passar-lo, o cavalinho não é difícil, basta se concentrar e “escalaminhar”.
       

       
      Descido o cavalinho, Fael e Graziela continuaram a caminhada na trilha batida, com pequenas subidas e descidas íngremes. A neblina continuava com a mesma intensidade, dificultando os dois em alguns trechos devido a baixa visibilidade. Nesse percurso, Fael e Graziela encontraram um rapaz, que estava trilhando sozinho, o mesmo ia fazer Petrópolis/RJ x Teresópolis/RJ em um único dia, muita disposição.
       
      # - Mergulho.
       
      As 12:25, Fael e Graziela estavam na base de uma grande rocha chamada Mergulho. O nome se dá devido o trilheiro (que faz a trilha Petrópolis/RJ x Teresópolis/RJ) passar rápido e pular, devido a declividade da rocha, como se fosse mergulhar. Existem uns ganchos para amarrar a corda, fixados na rocha, que auxiliar na descida ou subida do indivíduo.
       
      O objetivo de Fael e Graziela é subir o “mergulho”, devido está seguindo até o Castelo do Açu. Sendo assim, Fael subiu primeiro e pegou uma corda que estava na sua mochila, onde jogou para Graziela, que estava abaixo do mergulho, a mesma amarrou nas mochilas cargueiras para que Fael puxasse até o topo da rocha.
       
      Com as duas cargueiras acima, Fael amarrou a corda em dois ganchos para que Graziela pudesse subir. A corda serviu como um “corrimão”, dando um pouco mais de segurança e tranqüilidade a Graziela. Após 30 minutos, aproximadamente, Fael e Graziela estavam no topo do mergulho.
       

       
      # - Pedra da Baleia | Morro do Dinossauro.
       
      Terminado o lanche no cume da rocha “mergulho”, Fael e Graziela iniciaram a caminhada na Pedra da Baleia, em uma trilha plana e de vegetação rasteira. Em direção sudoeste está localizado o Vale das antas e o sul está à belíssima rocha chamada de Garrafão .
       
      Nesse trecho a neblina tinha diminuído a sua intensidade, possibilitando maiores detalhes paisagístico da Serra dos Órgãos, além de uma melhor visibilidade para Fael e Graziela na caminhada até o Castelo do Açu.
       

       
      # - Elevador.
       
      Finalizando a Pedra da Baleia, Fael e Graziela se depararam com um trecho de forte subida, com um ângulo próximo de 140°, praticamente pode se considerar uma parede. Nesse trecho existem uns totens que orienta o trilheiro na forte subida.
       
      E questão de segundos a forte neblina volta a cobrir a paisagem da Serra dos Órgãos. Fael e Graziela estavam até animados da neblina ter dispersado mais cedo, quando estavam na Pedra da Baleia. Os dois ficaram surpresos pela rapidez do fenômeno, “alegria de pobre dura pouco”.
       
      No inicio da subida do grande lajedo, Graziela pediu a ajuda de Fael. Pois a mesma estava com dificuldade em subir, devido ao peso da cargueira, o forte vento e a neblina, que estava voltando a atrapalhar a visibilidade dos dois.
       
      Ao auxiliar Graziela, Fael seguiu mais a frente a fim em se orientar e seguir na trilha correta. Em percursos de lajedo é muito fácil do indivíduo se perder. No percurso existem vários totens que auxilia o trilheiro a se orientar, o único fator que atrapalhava a identificação de alguns totens era a neblina, que deixou a visão de Fael e Graziela embasada.
       

       
      Por volta das 14:00, Fael e Graziela chegaram ao ponto mais esperado da Serra dos Órgãos: O Elevador. Com vários “grampos” de ferro, feito por vergalhões chumbados na parede, o Elevador auxilia o trilheiro a subir ou descer no trecho localizado em uma escarpa na travessia Petrópolis/Teresópolis/RJ e vice-versa.
       
      Como Fael e Graziela estavam fazendo a travessia Teresópolis/RJ x Petrópolis/RJ, os dois iniciaram a descida ao elevador. A neblina continuava com intensidade, deixando o percurso com mais emoção. Subindo o elevador deve ser mais fácil que descer (e de fato é), pois quem está la em cima percebe a altura da Escarpa, quem não é acostumado toma um susto.
       
      Sendo assim, Fael iniciou a descida com a sua mochila cargueira, se apoiando nos “grampos” úmidos. Falando em umidade, o elevador parecia que tinha tomado “um banho”, pois as margens estavam encharcadas e escorregadias. Com muita atenção e tranqüilidade, Fael desceu o elevador, enquanto Graziela aguardava acima. Nos “grampos” finais (para quem desce) requer muita atenção, devido alguns vergalhões estar partidos, ficando “frouxos” e inseguros, sem nenhuma resistência.
       
      Percebendo essa falha, Fael memorizou quais grampos estariam danificados e chegou até a base do elevador, deixando a mochila cargueira ao chão. Em seguida, o mesmo subiu o elevador para carregar a mochila cargueira de Graziela e descer. Na terceira vez, Fael auxiliou a Graziela a descer, já que a mesma não se sentia segura e estava ansiosa.
       
      Fael aproveitou o auxilio a Graziela e gravou o momento da descida, para integrar com o vídeo de apresentação que foi feito antes da descida. A descida do Elevador apesar de ter sido demorada foi executada com bastante tranquilidade, devido a prioridade dos trilheiros ser a integridade física dos mesmos.
       
      Chegando a base do elevador os dois começaram a rir dos momentos que aconteceram na descida. Graziela percebeu que sua calça rasgou, já que a mesma se acomodava na margem do elevador (mata e rocha) para se apoiar e descer. A calça de cinza ficou preta, mas nada que não fizesse perder a graça. Após, os dois passaram por uma pequena “ponte” de madeira, fazendo uma parada no córrego chamado de Cachoeirinha.
       

       
      Com uma fina queda que escorre sobre um lajedo acidentado, a Cachoeirinha serve como ponto de descanso para quem desce do Elevador. Á água serve para repor os reservatórios e dependendo da intensidade da queda possibilita o banho. Um corrimão de ferro foi implementado na trilha pelos administradores do parque, a fim em facilitar a travessia do córrego e evitando acidentes, já que existe um desnível próximo.
       
      Fael e Graziela resolveram repousar alguns minutos na Cachoeirinha, aproveitando o momento para lanchar e fazer registros fotográficos. As garrafas d água estavam quase vazias e os mesmos encheram com as águas geladas da Cascata. Fael tentou explorar a queda acima, mas não deu para ir muito longe.
       
      A neblina não diminuía a intensidade, deixando Fael e Graziela bastante frustrados. Afinal, as belas paisagens da Serra dos Órgãos ficaram “encoberta” pelas neblinas.
       

       
      # - Morro da Luva & Morro do Marco.
       
      As 15:43, Fael e Graziela iniciaram o trecho sobre o Morro da luva, com 2.263m de altitude, é o segundo ponto mais alto da Serra dos Órgãos. A trilha se caracterizava por ser um percurso de lajedos e pequenos trechos de solo encharcado, margeada pela vegetação de pequeno porte.
       
      A subida é plana, contudo com bifurcações. A neblina começa a diminuir a intensidade, possibilitando a vista de algumas cadeias da serra. Ao fundo já era possível observar o elevador por completo.
       

       
      No lajedo, Fael passou junto a uma serpente, que por sorte não a pisou. Graziela, que estava mais atrás, viu o animal e o avisou para ver se sabia de qual era a espécie. Ao observar percebeu que era um filhote, mas a espécie não dava para identificar. O máximo que Fael fez foi um registro fotográfico, já que o animal estava assustado e ao mesmo tempo não ficava quieto, sendo que os dois estavam se incomodando por “perturbar” o animal.
       

       
      A frente está o Vale da luva, um trecho de mata nebular e vegetação de médio porte, mudando a característica tradicional da Serra dos Órgãos. A descida é íngreme e úmida, exigindo bastante a atenção do trilheiro. Ao final da descida do vale existe um pequeno riacho, onde Fael e Graziela fizeram uma parada a fim em encher as garrafas que estavam vazias. Em seguida, iniciaram a subida ao Morro do Marco.
       

       
      Já passava das 17:00, quando Fael e Graziela iniciaram a subida do Morro do Marco. Um fato importante aconteceu na trilha foi à dispersão da neblina, “limpando” a paisagem e mostrando a beleza da Serra dos Órgãos. Animados, os dois estavam ansiosos para chegar ao ponto mais alto e fazer registros fotográficos. Sendo assim, aceleraram nos passos.
       
      O cansaço era visível, Fael e Graziela fizeram algumas pausas para respirar, o dia estava despedindo e a noite chegando para ficar, sendo que o abrigo do Açu está alguns quilômetros ao sudoeste. As 17:47, Fael e Graziela chegaram no ponto, que segundo o GPS, estava a 2.258m de altitude, deixando em duvida se é o ponto mais alto do Marco ou não. O que foi mais legal para eles é que a neblina tinha se dispersado, possibilitando em fazer as fotos com a paisagem descoberta.
       

       
      # - Abrigo do Açu.
       
      Após os registros, Fael e Graziela continuaram a caminhada com cautela, pois começava a escurecer. Os mesmos desceram um trecho íngreme e em seguida subiram, em direção ao Abrigo do Açu. Graziela fez algumas paradas, pois estava esgotada. Próximo ao abrigo, os dois já observaram algumas barracas fora da área de camping, sinal de que o local está cheio.
       
      Na área de camping improvisada, Fael e Graziela abordaram um grupo que era dono das barracas, perguntando sobre o abrigo. Os dois foram informados que a área estava lotada e que não haveria vaga. Cismados, Fael e Graziela foram procurar o responsável pelo Abrigo do Açu.
       
      As 18:36, Fael e Graziela chegaram no Abrigo do Açu. Na casa foram abordados por dois rapazes que prestam serviço ao Parque Nacional da Serra dos Órgãos - PARNASO e os mesmo argumentaram que são os responsáveis pelo local.
       
      Questionado sobre a área de acampamento, um dos rapazes explicou que não tinha área de camping disponível, que Fael e Graziela teriam que encontrar um local improvisado e armar barraca. Chateados, Fael e Graziela começaram a questionar os dois, já que a PARNASO impõe uma forte burocracia para ter acesso a trilha.
       
      Sabendo que não iriam mudar muita coisa através do dialogo e que o horário se estendia, Fael e Graziela resolveram encontrar um local improvisado para acampar. Por sorte, os dois montaram acampamento em um mirante, próximo ao cume do Castelo do Açu, com direito a uma bela vista da cidade, a duvida é se é o município de Petrópolis/RJ ou Guapimirim/RJ. Posteriormente foram encarar as águas do chuveiro gelado do Açu.
       
      Tomar banho no Castelo do Açu é um grande desafio, a água gelada “paralisa” seu corpo. A sensação é de tortura, mas ao mesmo tempo é um “remédio” que alivia o cansaço e as dores musculares pós- caminhada. Graziela utilizou o fogareiro e esquentou água em uma panela, Fael tomou “banho de gato”, demorando poucos minutos no banheiro.
       
      As 20:00, Fael e Graziela prepararam o almoço junto da casa de madeira, pois o Abrigo do Açu está em reforma e o acesso interno está proibido, temporariamente. Depois da Janta, Fael e Graziela ficaram conversando no mirante por alguns minutos e foram dormir.
       

       
      - Guapimirim, 26 de março de 2016. Sábado.
       
      # - Castelo do Açu.
       
      Madrugada fria, com ventos fortes que dispersava o sono de Fael e Graziela, devido ao barulho da barraca. As 03:00 da manhã o vento foi tão forte que a Nepal Azteq ficou torta. Felizmente a vareta da barraca não quebrou. Vozes se ouviam dos visitantes de outras barracas, que estavam atentos com o forte vento e com a chuva. As 04:25 começa a garoar, mas não passou disso. O sol, escondido na neblina, surge as 05:40 da manhã, contudo não deu para observar com nitidez o seu “nascimento”.
      Sem esperança de melhoras no tempo, Fael voltou a barraca e foi descansar, até os grupos acordarem e fazerem bastante barulho, atrapalhando o sono dele e de Graziela. As 07:20 os dois levantaram, debaixo de uma forte neblina, com a sensação da temperatura de 0° graus, a fim em preparar o café na varanda do Abrigo do Açu.
       

       
      Pós-café, Fael e Graziela foram desmontar as barracas. Para a surpresa dos mesmos, a capa de chuva da mochila cargueira de Fael, da marca Curtlo, havia sumido. Antes de dormir, Fael guardou a capa de chuva, junto com a de Graziela, (que é da marca Deuter) debaixo da barraca. Preocupado, Fael cismou e começou a procurar aos arredores com a esperança em encontrá-la. Contudo, sem sucesso, já que se o vento tivesse levado a capa dele, levaria a capa de Graziela, já que as duas estavam juntas. Sendo assim, Fael suspeitou de que tenham furtado a capa, já que é capaz de se adequar em mochilas de 40-70l, ao contrário de Graziela, que só pega em um único modelo. Sem expectativas, Fael desarmou o camping e seguiu, junto com Graziela, até o Castelo do Açu, que fica alguns metros do camping, localizado no Morro do Açu, a 2.232m de altitude.
       
      Uma formação com várias rochas “agrupadas”, que de longe se parece um abrigo, o Castelo do Açu impressiona pela localização e posicionamento de cada rocha, onde possibilita a criação de “cômodos” em sua parte interna. O local serve de abrigo provisório quando o PARNASO perde o controle de visitantes, superlotando a área de camping. Fael e Graziela ficaram impressionados pelo local, onde passaram alguns minutos explorando a parte interna do Castelo do Açu.
       

       
      # - Isabeloca.
       
      Despendido do Castelo do Açu, Fael e Graziela continuaram a trilha em trecho batido e úmido, onde em alguns trechos estavam alagados, exigindo a atenção do trilheiro. O solo escuro, de coloração preta, chamou a atenção de Fael, onde o mesmo levou uma pequena amostra na garrafinha pet.
       
      A neblina intensa atrapalhava a visão de Fael e Graziela, além dos fortes ventos. Uma fina garoa iniciou, agravando a situação. Após 40 minutos de caminhada, aproximadamente, Fael e Graziela chegaram a um grande mirante (Chapadão?), onde possibilita a visualização da descida íngreme no trecho da trilha que leva em direção a Isabeloca.
      Como era inicio do dia, por volta das 10:00 da manhã, Fael e Graziela resolveram fazer uma pausa para lanchar e observar a neblina que cobria a Serra dos Órgãos. Os mesmos tinham esperança do tempo melhorar e a neblina dispersar. Contudo o tempo piorou e a garoa virou um forte chuvisco. Sem muitas expectativas, os dois continuaram a observar a paisagem, acompanhados de um forte vento e chuvisco, fazendo-os passar frio e ficarem úmidos.
       

       
      No meio da forte neblina aparece um indivíduo solitário, que veio fazendo o mesmo percurso que Fael e Graziela fez, iniciando a caminhada no município de Teresópolis/RJ. Meio desorientado e com dificuldade em visualizar a trilha, devido ao nevoeiro, o mesmo veio em direção a Fael e Graziela perguntando onde continuava a caminhada. Orientado em como continuar a trilha o rapaz se despediu e seguiu, deixando os dois para trás. Sabendo que não teria mais esperança de melhoras no tempo, Fael e Graziela resolveram seguir, prosseguindo na trilha íngreme, descendo, ao lado direito do mirante.
       
      Apesar de ser íngreme, a trilha não possui muitas dificuldades, devido a manutenção que o PARNASO fez no trecho de Petrópolis/RJ até o Castelo do Açu. Bem batida, e tranqüila, Fael e Graziela desceram até um trecho menos íngreme, até visualizarem uns “degraus” feitos de madeira. Esse ponto é chamado de Isabeloca.
       

       
      # - Ajax.
       
      A Isabeloca é uma referência para o indivíduo saber a proximidade da base do Castelo do Açu. O lugar é a continuação da grande descida entre o Chapadão e a Pedra do Queijo. Entre esses dois limites existem um ponto fundamental para o trtilheiro captar água e abastecer os seus cantis, garrafas, etc., esse ponto da trilha se chama Ajax.
       
      O único local de captação de água, entre a Pedra do Queijo e o Castelo do Açu, o Ajax é um ponto de parada obrigatória dos trilheiros. O pequeno córrego que passa na margem da trilha, com águas transparentes, além de geladas, atrai o indivíduo para descansar e se hidratar.
       
      Fael e Graziela fizeram uma parada de 20 minutos para abastecer as garrafas, lavar o rosto e observar a paisagem. A água é gelada, parece que saiu da geladeira (risos). O surgimento do córrego não deu para ser observado, já que as margens são caracterizadas por uma vegetação de médio porte.
       

       
      # - Pedra do Queijo.
       
      Partindo do Ajax, Fael e Graziela começaram a caminhar na descida que parecia interminável. Em um dos trechos da trilha é possível observar o Vale do Bomfim e a direção do Castelo do Açu. A neblina começava a dispersar e o Vale mostrava a sua beleza. Abaixo estava o bairro do Bomfim, que pertence ao município de Petrópolis/RJ.
       
      Chegando a um trecho mais plano, Fael e Graziela observaram uma grande rocha, arredondada, em formato de um “bolo” ou “torta”. Essa rocha se chama Pedra do Queijo.
       
      Composta por duas rochas: uma Rocha maior e outra menor acima, a Pedra do Queijo é um ponto onde o trilheiro descansa após iniciar a subida de Petrópolis/RJ. Como Fael e Graziela estavam fazendo o trecho inverso, os mesmos desceram e não estavam tão cansados. O local é famoso e os dois queriam fazer alguns registros. Entretanto, tinha um casal que estavam descansando na Rocha e pareciam estar sem pressa em deixar o local.
       
      Fael e Graziela aguardaram por cerca de 30 minutos, sendo que o casal continuou lá, sem se incomodar ou perceber que os mesmos queriam fazer, apenas, o registro da rocha e a paisagem em volta, sem a presença de pessoas.
      Como não foi possível, Fael e Graziela fizeram algumas observações e perceberam um ponto negativo da Pedra do Queixo: as pichações. No monumento há vários nomes escritos, manchando a paisagem e horrorizando o monumento natural.
       
      O registro fotográfico não pode ser feito devido ao fato do casal está “descansando” na rocha. Mesmo se Fael e Graziela fizessem a foto com eles, ia sair, apenas, a rocha debaixo, Que está bastante riscada.
       
      # - Cachoeira do Véu da Noiva (Petrópolis/RJ).
       
      Despedindo-se da Pedra do Queijo, Fael e Graziela continuaram a triha, descendo serra abaixo, em direção a portaria de Petrópolis/RJ. Nesse trecho a trilha é batida, contudo é um grande declive, aonde a altitude vai diminuindo gradativamente. No percurso os dois encontravam alguns grupos perguntando: - a Pedra do Queijo está longe? - Falta muito para o Castelo do Açu? - Vocês estão caminhando dês de Teresópolis/RJ? Enfim, natural de um percurso bastante conhecido e freqüentado em todas as temporadas.
       
      O percurso da trilha abaixo durou em torno de uma hora, devido a alguns zig-zag da trilha (nada se comparando a de Teresópolis/RJ). No trecho mais plano, Fael e Graziela chegaram até uma bifurcação, onde está inserida uma placa orientando os destinos de cada uma das trilhas.
       
      Como o percurso da trilha foi invertido, Fael e Graziela se direcionaram a trilha, da direita, iniciando a caminhada a Cachoeira do Véu de Noiva de Petrópolis, com o tempo bastante nublado e alguns trovões, avisando que chuva forte está por vim.
       

       
      Trilha batida e bem sinalizada, Fael e Graziela não tiveram muita dificuldade em fazer a caminhada nos trechos iniciais. Alguns metros os mesmos encontraram um rio, onde deve ser atravessado para seguir na trilha no outro lado da margem. Existe uma placa alertando aos visitantes a precaução em atravessar-lo, devido as rochas serem bastante escorregadias.
       
      Fael atravessou o rio com sua cargueira e voltou para auxiliar a Graziela atravessar-lo, já que a mesma não estava confiante e cismada em escorregar na rocha no momento da travessia.
       

       
      No outro Lado da margem da para observar a trilha batida, um pouco a frente, onde o caminho segue, na margem esquerda do rio. Caminhando por mais alguns metros, Fael e Graziela reencontram o rio, onde deve atravessar-lo novamente até o outro lado da margem, onde continua a trilha até a base da Cachoeira.
       
      Esse trecho teve um pouco de tensão, por parte de Graziela, devido a travessia necessitar que o trilheiro pule, entre uma rocha e outra. As rochas no leito estavam bastante escorregadias e sendo que algumas não estavam firmes. O cansaço mais o peso a cargueira, que se juntava com a fome, fez com que os dois tivessem atenção nesse trecho.
       
      Fael foi o primeiro atravessar com sua cargueira e chegou ao outro lado da margem sem nenhum problema. Sabendo do macete e as rochas certas para atravessar, o mesmo voltou e pegou a cargueira de Graziela e atravessou novamente. Voltando pelo mesmo percurso, Fael auxiliou Graziela e veio, calmamente, auxiliando a mesma e orientando onde deve pular e pisar firme, já que a mesma não estava confiante e já tinha sofrido um acidente em Teresópolis/RJ, que gerou uma fratura no dedo médio. Já na margem direita, Fael e Graziela andaram por alguns metros e visualizaram a bonita Cachoeira Véu de noiva de Petrópolis.
       

       
      Com 32m, de águas geladas e cristalinas, a Cachoeira Véu de Noiva de Petrópolis é propicio ao banho em seu poço e na queda. Além disso, a Cachoeira é adequada para pratica de esportes radicais, como: Escalada, Rappel.
       
      No atrativo natural, Fael e Graziela encontrou uma família e um casal. Os dois pensaram em tomar um banho. Porém, na hora que colocaram as mãos e os pés na água, acabaram desistindo, devido a temperatura da água que estava fria, afastando-os. A família que estava no local não encarou o banho, provavelmente pelo mesmo motivo; o casal estava se banhando, sem se incomodar com o frio, deveria ser moradores da cidade e estão adaptados ao clima e o tempo (suposição).
       

       
      # - Sede Petrópolis/RJ.
       
      Fael e Graziela permaneceram no local por quase 30 minutos, observando a paisagem e tirando fotografias. Os mesmos observaram ao redor para ver se havia a possibilidade em chegar ao topo da Cachoeira, sem sucesso. As 15:28, começa a chuviscar e trovejar forte, deixando os dois preocupado. As 15:31 Fael e Graziela resolveram voltar até a bifurcação para continuar a caminhada, na trilha principal, até a portaria da PARNASO.
       
      A trilha batida continuou com seu declive, contudo sem trechos íngremes. O rio acompanha a trilha na margem direita, a vegetação mudava de característica a todo o estante. O que chamou mais a atenção de Fael e Graziela foi um trecho da trilha, margeado por bambus, formando um túnel natural.
       

       
      Após 35 minutos de caminhada, na trilha principal, Fael e Graziela visualizaram umas casas, chegando à portaria de Petrópolis. Uma das residências chamou a atenção dos dois por ter, em sua varanda, uma maquete das trilhas principais do Parque Nacional da Serra dos Órgãos - PARNASO.
       
      Um funcionário do parque aproximou e os cumprimentaram, perguntando se os dois vieram de Teresópolis/RJ. Após a confirmação, Fael foi ajustar a mochila e Graziela foi se hidratar. Nesse período, Fael interrompeu um casal e um segurança do parque que estavam dialogando e perguntou onde pega o ônibus em direção ao Centro da cidade. Adiantando a conversa, o casal perguntou se o mesmo não queria uma carona, pois eles iam passar por lá. Sem recusar a gentileza, Fael chamou Graziela e os dois seguiram com um casal, em um Renaut Sandero, em direção ao centro do município de Petrópolis/RJ.
       

       
      # - O imprevisto do Couchsurfing e a Salvação em Bingen.
       
      Saindo do bairro do Bomfim começa a chover com forte intensidade. Fael e Graziela resenharam com o casal, que fazem trilhas também. Inclusive o rapaz morou alguns anos no Estado da Bahia, precisamente no município de Lençóis/BA.
       
      As 17:50, Fael e Graziela chegaram ao centro de Petrópolis/RJ, debaixo de uma forte chuva. Despedindo do casal, Fael tentou entrar em contato com uma moça, que ia hospedar Graziela e ele em sua residência, após ter feito o pedido no site do Couchsurfing (http://www.couchsurfing.com), porém as mensagens não eram visualizadas pela garota. Sem muitas alternativas, Fael resolveu ligar para a garota e caía na caixa de mensagem. Anoitecendo, Fael e Graziela foram até um terminal central, decidindo seguir até a rodoviária do município. As 18:40 os dois embarcaram no ônibus da linha 100: Rodoviária (Bingen).
       
      A passagem custou um valor de R$ 3,50 (por pessoa) e o percurso foi por quase 30 minutos. Por volta das 19:10, Fael e Graziela chegaram ao terminal Bingen ou Rodoviária de Petrópolis.
       
      Administrada pela Sinart, a mesma empresa do município de Salvador/BA, a rodoviária parece ser bastante organizada. No local há um espaço para banho, que custa o valor de R$ 7,00 (por pessoa). Fael e Graziela estavam muito sujos de terra e lama, devido a chuva no final da trilha, algumas pessoas os observaram, achando estranho.
      Pós-banho, Fael e Graziela foram até o guinche da empresa Única /Fácil, que faz a linha Petrópolis/RJ x Rio de janeiro/RJ. Os dois compraram a passagem para o horário das 20:20, cada uma custou o valor de R$ 23,65.
       
      Nesse mesmo momento Fael recebe uma mensagem da moça do Couchsurfing, pedindo desculpas e argumentando que um familiar sofreu uma grave complicação em sua saúde e precisou se internar em um hospital, necessitando de apoio familiar. Fael e Graziela agradeceram pela atenção da moça e respondeu dizendo que estava tudo bem, que a trilha foi ótima e que estavam na rodoviária esperando o ônibus para embarcar. Despedindo da moça os mesmo foram em direção a cidade do Rio de Janeiro/RJ, com o percurso feito em uma hora, partindo do município de Petrópolis/RJ.
       

       
      # - Terminal Novo Rio x Aeroporto do Galeão (GIG).
       
      No terminal do Novo Rio, Fael e Graziela almoçaram e em seguida foi até a frente da rodoviária para pegar o ônibus. Por sorte o ônibus da empresa Autobus, conhecido como frescão, não demorou e os dois embarcaram, pagando o valor de R$ 14,00 (por pessoa). As 22:10 Fael e Graziela chegaram no Galeão, aproveitaram para fazer o check in e se acomodaram nas cadeiras, a espera do amanhecer para embarcar para o município de Salvador/BA (SSA-BA). No final os dois se “deitaram” nas cadeiras e acordaram no inicio da manhã. Fael tomou algumas quedas quando mudava a posição enquanto dormia.
       

       
      - Rio de Janeiro, 27 de março de 2016. Domingo.
       
      # - Terminal Novo Rio x Aeroporto do Galeão (GIG) x Aeroporto 2 de Julho (SSA).
       
      O avião, da empresa TAM, decolou as 08:00 da manhã, pousando no Aeroporto Dois de Julho (SSA) por volta das 10:10, em uma viagem tranquila e confortável.
       

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