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TheBigSpire

4 dias em Paraty + 5 dias em Ubatuba?

Posts Recomendados

Prezados Mochileiros,

 

Não conheço praticamente nada naquela região entre o norte de SP e o sul do RJ. Pretendo ir pra lá em dois meses e, como terei apenas 9 dias, pensei em ficar 4 dias em Paraty + 5 dias em Ubatuba.

 

O que me dizem? Está de bom tamanho? Os lugares valem mesmo a visita?

 

Muito obrigado!

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Dá pra se virar bem de ônibus por lá.

Esse tempo em Paraty vai depender do que vc quer fazer por lá. A região é grande e é um lugar mais bonito que o outro sim.

O Centro histórico de Paraty é de uma beleza ímpar, muito bem preservado e possui uma vida noturna interessante com ótimos restaurantes e bares, mas as praias próximas do centro não são "paradisíacas", se quiser ir para praias melhores terá de fazer os passeios de barco, no link abaixo tem alguns:
http://www.paraty.com.br/passeio/praia.asp

 Não sei se vc gosta de trilha ou não, mas tem a a Praia do Sono que dá pra fazer por trilha e de barco também, você encontra mais informações nesse link aqui:
https://www.mochileiros.com/topic/1862-praia-do-sono/?page=12

Tem o Saco do Mamanguá e a reserva da Joatinga:
https://www.mochileiros.com/topic/61610-paraty-saco-do-mamanguá-e-reserva-ecológica-da-juatinga-com-mochilão-sabático/

Trindade:
https://www.mochileiros.com/tags/trindade/

Em Ubatuba tem a vila de Picinguaba, dá pra pegar ônibus do centro até lá, é a última praia, é meio longe do centro mas vale passar um dia inteiro na praia lá, é uma prainha bem pequena com água quase transparente,  rodeada de mato...

Tem Prumirim, que tem um camping bem estruturado e Praia é bem legal, mas não esqueça de levar um bom repelente:
https://www.mochileiros.com/topic/17839-praiacachoeirailha-do-prumirim-ubatuba-0709-a-0907/

Dê uma vasculhada nos tópicos desse link:
https://www.mochileiros.com/tags/ubatuba/

Não sei exatamente o que vc tá procurando, se é natureza e trilha ou praia badalada.

De qualquer forma 9 dias dá pra se divertir bem na região e dá pra se deslocar de ônibus de linha mesmo pela BR 101.  No centro de Paraty os ônibus de linham saem da rodoviária.  Já em Ubatuba tem o terminal de ônibus de linha, cada linha vai até uma praia, a linha que vai até Picinguaba passa por todas as praias no caminho e tem também a linha de ônibus que vai até a divisa dos 2 Estados, o mesmo em Paraty.

 

 

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    • Por Mari D'Angelo
      Post original com fotos e mapas aqui: http://www.queroirla.com.br/paraty-roteiro-pelo-centro/
       
      Fundada em 1667, a cidade de Paraty no Rio de Janeiro teve seus momentos de glória com os engenhos de cana-de-açucar, sendo grande produtora de aguardente (e até hoje sinônimo de boa cachaça) e principalmente como rota de transporte de ouro e pedras preciosas de Minas Gerais para Portugal. Porém com a construção de um caminho da Estrada Real direto para o Rio de Janeiro, a cidade perdeu sua importância econômica e caiu no esquecimento até a década de 70, quando foi “redescoberta” e começou a se tornar o importante centro turístico que é hoje.
       
      Comece o dia visitando o Forte Defensor Perpétuo, é necessário encarar uma subidinha, mas a mata acompanha e sombreia todo o caminho, o que deixa um ar fresquinho e agradável mesmo debaixo de muito sol. Além disso o percurso é premiado com algumas vistas da cidade e da Praia do Pontal. A construção onde antigamente abrigava o forte data de 1793, porém foi reconstruída e reformada após o período de declínio da cidade de Paraty. Hoje o lugar funciona como museu, mas é bom checar os horários para visitação das mostras. Do lado de fora há alguns canhões originais, projetados por ingleses e portugueses e um gostoso espaço verde com vista para o mar.
       
      Depois dessa caminhada aproveite para conhecer a Praia do Pontal. Se for da pegada mais esportista pode alugar caiaque ali mesmo na beira da água, senão escolha um dos quiosques pra relaxar um pouco e dar um mergulho. A praia não é ruim, mas se quiser algo muito mais aconchegante sugiro a Prainha da Praia grande, a aproximadamente 10 km do centro.
      Os próximos pontos já são dentro do labirinto de ruas de pedra chamadas “pé-de-moleque”. É impossível não se sentir em outra época com aquelas sequências de casinhas de portas e janelas coloridas em estilo colonial, com seus charmosos lampiões à moda antiga e toda uma atmosfera que a transforma em uma das cidades mais charmosas do Brasil!
       
      Atravesse a ponte principal sobre o Rio Perequê-Açu, separe um sapato confortável e vamos lá!
       
      A primeira dica é a Azulejos Eternos, como o nome sugere, eles são especializados em pintura artesanal em azulejos, desde os tradicionais números de casas até padronagens portuguesas, marroquinas, indianas… verdadeiras obras de arte! A loja é comandada pela brasileira Cris Pires e o francês Elie Audoux, ela também pinta quadros além de imprimir seu estilo urbano e feminino nos ladrilhos. Os valores não são exorbitantes, mas se quiser só uma lembrancinha eles vendem imãs de geladeira simulando azulejos também!
       
      A próxima parada é no Armazém Paraty, uma incrível loja especializada em artigos indígenas como adereços, peças de decoração e artesanato, feitos pelas próprias comunidades. Cada conjunto de produtos tem uma placa identificando de qual tribo eles provém, qual sua história, região e outras informações. Além disso eles contam com uma grande variedade de livros e DVDs sobre o assunto e são engajados nos problemas atuais dos povos indígenas.
       
      Um pouco mais para frente na mesma rua fica o Empório da Cachaça, um paraíso para os apreciadores do destilado brasileiro. As bebidas são expostas por região com destaque para as de Paraty, é claro! Algumas marcas aprovadas por quem gosta da bebida (não é meu caso rs) são a Maria Izabel e a Paratiana. A loja também agrada outros públicos vendendo cervejas especiais, doces em compota, pimentas e outras iguarias como a trufa de cachaça (dessa eu gostei!). Os preços não são tão convidativos, mas vale a pena entrar nem que seja só para conhecer.
       
      Saindo um pouco da rota das compras, temos a Casa da Cultura de Paraty, um espaço multi-cultural onde normalmente rolam exposições de graça como a “Mitos e Lendas”, com coloridas esculturas em papel machê e paineis contando algumas histórias populares que tem Paraty como cenário, em cartaz até dia 09/11. O lugar também recebe peças de teatro, sessões de cinema de graça para adultos e crianças, cursos, e outras atividades. Lá dentro o simpático Café Cultural oferece algumas opções para beliscar entre um evento e outro.
       
      Assim como em vários outros casarões da cidade, a fachada da Casa da Cultura foi decorada com símbolos geométricos que simbolizariam a presença de um proprietário maçônico. Existem diversas histórias como essa sobre a maçonaria em Paraty.
       
      Quer fazer uma pausa para um café? Sugiro o Café do Cais, um cantinho aconchegante comandado pela Tássia e o Rafael, super simpáticos e atenciosos. Segundo eles, a produção é 98% mineira, cafés, bolos e salgados são produzidos com ingredientes trazidos de lá. Experimente o bolo de pão de mel, é delicioso!
       
      Uma curiosidade, repare na casa em frente ao café, ela é toda de tijolos aparentes, a única no centro histórico que foge do padrão.
       
      A próxima parada é na rua mais fofa da cidade, a Rua do Fogo! É uma pequena viela entre a Rua Santa Rita e a Rua da Lapa, uma das únicas sem comércio nem restaurantes e que poucos turistas dão atenção. Há uma lenda de que a rua passou a ter esse nome (que não consta nos mapas) pois era onde as mulheres tinham seus encontros “fogosos”, mas uma placa em uma das casas desmente dizendo que era porque o pessoal da roça ia até lá com latões onde faziam fogo para cozinhar. De qualquer forma, é uma graça e vale a visita (especialmente a noite)!
       
      Bem ali ao lado fica a Igreja de Santa Rita, cartão postal de Paraty e hoje a mais antiga da cidade! Ela foi erguida em 1722, destinada aos pardos (naquela época havia distinção por cor da pele e classe social, cada igreja se destinava a um grupo diferente). A fachada foi construída no estilo da arquitetura jesuítica porém a parte interna é um misto mais simplificado de Barroco, com detalhes dourados e colunas retorcidas e Rococó, percebido pelo uso de cores em tons pastéis como verde e rosa e elementos decorativos em formatos de concha por exemplo.
       
      Depois de alguns anos fechado para reforma, o lugar reabriu recentemente e funciona como Museu de Arte Sacra. A entrada é gratuita e o funcionamento é de quarta a domingo, das 09h às 12h e das 14h às 17h.
       
      Paraty tem inúmeros restaurantes, a grande maioria oferecendo pratos de peixes e frutos do mar ou pizzarias. Mas tem um lugar escondidinho que quero apresentar à vocês, é o Le Castellet, uma creperie autenticamente francesa! (falou em França, já me apaixonei!). A decoração é perfeita, com referências a Marseille, cidade natal do Chef Yves Lepide, dono e cozinheiro, e a comida é uma delícia! O crepe não é no modelo brasileiro, ele vem aberto, quase como uma pizza, acompanhado de umas batatinhas fantásticas! É bem grande, se não estiver com muita fome dá até pra dividir. Eles também fazem uns azeites artesanais bem diferentes como de manga ou banana. Ah, só tem um ponto negativo, eles não aceitam cartão, então vá preparado!
       
      E pra sobremesa? O Finlandês Sorvetes é uma boa opção. O que mais me agrada ali na verdade é a decoração, com um ar meio retrô. O sorvete é bom, tem bastante opções mas não gosto muito de não poder pegar eu mesma o quanto quero, você tem que pedir para as funcionárias e elas colocam as bolas de sorvete no pote, depois pode arrematar com as coberturas.
       
      O Café Pingado também é uma boa saída, o ambiente é acolhedor e eles tem algumas sobremesas com sabores mais exóticos. Além disso há os tradicionais carrinhos de doces espalhados por algumas das esquinas mais movimentadas da cidade.
       
      Pra fechar a noite sugiro uma passadinha na Cervejaria Caborê, é um pouco afastada do centro histórico mas nada que não dê pra ir a pé. A cerveja é produção própria, e pra quem quer experimentar de tudo um pouco eles oferecem por R$20,00 um kit degustação com as três opções (cerveja de trigo, pilsen e escura) em copos de 200ml. Achei um bom custo-benefício e tirando a escura que eu pessoalmente não gosto do estilo, as outras são uma maravilhosas!
       
      A comida também é muito boa e o cardápio bem variado, com carnes, massas, sanduíches, porções e entradas como a deliciosa bruscheta. Mas os valores não são tão atrativos.
       
      Eles também fazem visitas guiadas na fábrica (ao lado do bar/restaurante) para conhecer o processo de fabricação da cerveja. As visitas acontecem de 4ª a sábado e é necessário reservar.
       
      Ah, e ali pertinho fica o Café do Canal, uma pizzaria deliciosa onde toca o melhor músico de Paraty! Claro que não digo isso só porque é meu pai rsrsrs!
    • Por Cyndell Floresta
      Queridos mochileiros, 
      Esse relato é da minha primeira travessia, já havia feito trilhas difíceis e longas, mas uma trilha de dias de duração, foi a primeira. No ano novo de 2012/2013 fui de Trindade até Ponta Negra, acampando na Praia do Sono. Foi então que, encantada com a paisagem selvagem da região inserida em uma Unidade de Conservação, em 2015 eu e mais duas amigas resolvemos ir de Trindade até Pouso da Cajaíba. Gostaria de aproveitar e agradecer os relatos que li aqui no fórum, nos ajudaram muito nessa travessia, posso garantir que não nos perdemos nenhuma vez. Obrigada a todos que colaboram nessa rede. 
      Saímos de São Paulo bem cedo no dia 26/12/2015  de ônibus, rumo a Paraty-RJ. Pedimos ao motorista para nos deixar na entrada da Vila de Trindade, lá esperamos o ônibus Municipal de Paraty para descer até a vila. 
       

      Ponto de ônibus na beira da Rio-Santos, entrada da Vila de Trindade.
      Na foto da esquerda para a direita: Eu, ainda estudante na graduação de Engenharia Florestal, Angela, chilena, na de medicina e a Nara também na florestal.  
      Pegamos o ônibus e descemos no último ponto, a Vila do Oratório. É lá que inicia-se a trilha para a Praia do Sono. Um sol forte, mesmo já tendo passado das 14:00, nos deixou bastante ofegantes, mas a trilha é bem demarcada e fácil. Chegando lá, nos aconchegamos num camping mais ao fim da praia, a fim de ficarmos próximas da trilha para a Praia dos Antigos, seguiríamos bem cedo no dia seguinte
      .  
      Nem começou e já deu uma canseira kkkk.

      Na praia do Sono, depois de desarmar nosso camping.
      De manhã, como combinado, fomos rumo a Praia da Ponta Negra. A primeira parada foi na Praia dos Antigos, lá tem uma pequena queda d'água que desemboca na praia, ficamos lá um bom tempo, estava extremamente quente e o mar era um convite irrecusável nesse paraíso.

      Subida íngrime entre a Praia do Sono e a Praia de Antigos, já de manhã o sol castigava nossas cabeças!
       

      Como podem ver, a Angela resolveu levar seu violão para a viagem!
        
      No cantinho com sombra na praia, passamos um bom tempo curtindo a Praia dos Antigos.

      Paraíso, sem mais.
      Chegando a Praia de Ponta Negra, acampamos no Camping da Branca, resolvemos dormir cedo, pois no dia seguinte faríamos a trilha para a Cachoeira do Saco Bravo, a ideia era passar o dia lá e dormir novamente em Ponta Negra, para só então no outro dia seguir em frente na travessia para a Praia de Cairuçu das Pedras.

      A caminho da Cachoeira do Saco Bravo

      Ponta Negra vista de cima.

      Vista linda da trilha.

      Suando muito, mas tudo muito bem compensado com essa vista verde a perder-se no horizonte. É uma satisfação enorme ver a Mata Atlântica assim S2.

      Minhas queridas!

      Curtindo muito fazer a trilha sem o peso dos mochilões!

      A cachoeira do Saco Bravo é incrível, fiquei realmente impressionada com o lugar. A cachoeira fica no costão rochoso, desaguando portanto no mar. A única forma de acesso é por trilha, não há como ir de barco.

      Reparem na proporção, o tamanho da pessoa lá embaixo.

      Mais uma desse pico incrível. 


      Na volta da trilha, nos deparamos com flores lindas na mata.


      Chegamos no fim da tarde em Ponta Negra, tomamos um banho, jantamos e fomos dar uma volta para se despedir do pico.

      Bateu uma saudade essa foto! Vista linda da Praia da Ponta Negra.
      Partimos pela manhã para Cairuçu das Pedras, a trilha é longa, mas escolhemos ir devagar e parando para curtir a trilha, demoramos cerca de quase 5 horas, com toda certeza dá pra fazer em menos tempo. Porém paramos para comer, curtir algum curso d'água que estivesse pelo caminho e cantar muito com o violão!

      Nessa foto, estamos ainda em Ponta Negra com mochilão e violão!

      Flor extraterrestre.

      Pelo caminho, só as belezas da Mata Atlântica. Reparem nessa bromélia!
      Chegamos em Cairuçu das Pedras ainda de dia. A praia é lindíssima e as águas límpidas. Acampamos no quintal dos caiçaras que nos receberam super bem, o camping fica no alto. De lá, a vista da praia com o céu estrelado é um show e serviu de palco para muitas canções com o violão na única noite que passamos por lá. 

      Uma das fotos mais lindas da viagem!!

      No deck em frente a Cairuçu.

      Mais uma nessa praia maravilhosa.

      Nos munimos de banana para seguir viagem, agora, rumo a Martim de Sá para passar a virada de ano!

      Olhem a vista de Cairuçu!!!
      Bem cedinho, partimos para Martim de Sá, nosso objetivo era passar a virada de ano lá e também ficar alguns dias (mas acabamos estendendo até o dia 12 de janeiro). A trilha foi tranquila,  quando chegamos lá, nos deparamos com o camping bem lotado. Depois de dar várias voltas, conseguimos achar um cantinho legal para armarmos nosso acampamento. Martim de Sá tem uma vibe e energia únicas, é fácil fazer amizades e logo todo mundo vira uma grande família. Nossa estada lá foi i-nes-que-cí-vel, é um verdadeiro paraíso na Terra. 

      Parada para refrescar a caminho de Martim de Sá.

      Impossível não parar a trilha para curtir essa água doce transparente no meio da mata! A trilha também é atração principal, tanto quanto o destino final!
      Martim de Sá tem muita coisa pra fazer, não dá pra ficar entendiado! Tem o Encontro dos Rios, a cachoeiras, além de estar num local estratégico para ir até Cairuçu, Praia da Sumaca e Pouso da Cajaíba num tempo de trilha relativamente curto.
      O ano novo foi demais, foi feita uma fogueira na praia e todo mundo do camping se reuniu para celebrar a passagem do ano, vibe indescritível da galera, o céu "estralando" de estrelas, o clima perfeito!


      Curtindo a praia de Martim de Sá antes da grande virada.

      Um pouco do clima de Martim de Sá!

      Goró na mão pra não passar em branco! kkkk

      Feliz, feliz, feliz.....

      É disso que to falando! S2!

      Fogueira e música.
      Os dias transcorreram com muita alegria e aventura, como disse, acabamos ficando até o dia 12 de janeiro. Nesses dias fomos conhecer a Praia da Sumaca, voltamos a Cairuçu e íamos frequentemente para Pouso da Cajaíba para pegar mais comida e bebidas e dar um alô para nossa família. O camping, assim como em Cairuçu, é bem roots, o que pra mim não é problema algum, lá não tem energia elétrica e nem sinal de celular, é uma experiência única ficar REALMENTE desconectado do mundo moderno, posso afirmar que você curte sua viagem de maneira diferente e com certeza mais intensa. A conexão com a natureza nesse lugar é muito forte e logo começa a transparecer no nosso corpo físico. Eu me sentia extremamente bem lá, sempre disposta e com muita energia! Nosso mental/emocional fica muito ZEN e você se vê sendo gentil, amável e sociável com todas as pessoas. Lugar mágico!

      Cachu em Martim de Sá.


      Em dia de chuva em Martim, era comer e tocar violão.

      Camping esvaziando após a virada de ano.

      Um pouco mais do camping.

      Sossego em Martim.

      Eu no canto direito de Martim de Sá, por onde parte a trilha até o Encontro dos Rios.


      Bica no meio da praia Martim de Sá.

      Cachoeira do escorrega, mais conhecido como escorreguinha. 10 minutos de trilha.

      A caminho da Sumaca.

      Trilha para a Praia da Sumaca, já estávamos próximas.

      Na descida para finalmente chegar a Praia da Sumaca

      Morrendo de calor, mas estamos aí!
      Praia da Sumaca



      A Praia da Sumaca é ma-ra-vi-lho-sa. Dá para acampar também. Assim como em Martim, mora apenas uma família caiçara no local que dispõe de uma área para camping, também sem energia elétrica e sinal de celular: Roots!

      Eu e a praia da Sumaca S2
      Outra grande atração de Martim de Sá é o Encontro dos rios. Um grande curso d'água que deságua direto no mar, para chegar até lá, basta pegar uma trilha rápida no canto direito da praia.

      Angela no Encontro dos Rios.

      Pescaria.

      Na dúvida de pular ou não!
       
      Vai que vai!

      Vários protelando o momento do salto!
      Com tantos dias em Martim, aproveitamos e retornamos num bate-volta até Cairuçu das Pedras com toda a turma do camping!

      Turma reunida para a foto, que lembrança! 
      Após o bate volta para Cairuçu, começava a chegar a hora de partir de Martim de Sá. Aproveitamos nossos últimos dias no paraíso para então levantar acampamento até Pouso da Cajaíba, onde pegaríamos o barco para Paraty.

      Eu e minha irmãzinha Nara aproveitando os últimos dias em Martim.

      Hang Loose!

      Angela, mandando bem nos malabares.

      Abacaxi!

      Em Pouso da Cajaíba, aguardando a saída do barco até Paraty.

      Depois de muitos dias, tomando um guaraná geladíssimo!

      Pouso é uma delícia também, na próxima, pretendo acampar um dia lá antes de ir para Martim de Sá.
      Chegando em Paraty descobrimos que só tinha passagem para dali 2 dias, então aproveitamos duas noites super agitadas na cidade. O bom é que a despedida foi gradual, seria muito abrupto sair daquele lugar tão isolado, rodeado pela natureza, e já ir direto para São Paulo!
      Espero que tenham gostado do relato dessa odisseia. Recomendo muito esta aventura, estou a disposição para tirar dúvidas! Aliás, foi ótimo relembrar a viagem através desse breve relato, é o meu primeiro, então pode não estar bem estruturado, mas tentei passar um pouco da minha experiência com as fotos e os textos breves!
      No inicio deste ano (2019), fiz uma viagem de uma semana para a Praia do Puruba em Ubatuba, lugar mágico! Em breve farei o relato dessa trip! 
      Abraços, mochileiros! 
       
       
       



    • Por Tadeu Pereira
      Trilha das Sete Praias - Ubatuba - SP 
      Praias: Lagoinha, Oeste, Peres, Bonete, Grande do Bonete, Deserta, Cedro, Fortaleza.
      Dificuldade: Fácil
      Distância: 8,9 km
      Salve salve mochileiros!
      Segue o relato desta trilha fantástica situada na região de Ubatuba, litoral Norte de São Paulo onde iniciamos na Praia da Lagoinha que fica a aproximadamente 29 Km do centro da cidade e finalizamos na praia da Fortaleza 27 Km do centro de Ubatuba. A trilha é de nível fácil com poucos lugares de subida e com belas paisagens. Todas as praias contém água potável em nascentes que ficam no início das praias e existem alguns bares nas praias porém como fomos em baixa temporadas a maioria estava fechada.
       
      Partida - 06/06/19 - Ida 12:30pm - São Paulo x Caraguatatuba -> BlablaCar R$38,00 - Caraguatatuba x  Praia da Lagoinha-> Ônibus R$3,80
           Partimos do terminal rodoviário do Tietê em São Paulo Capital de onde combinamos com o motorista do aplicativo BlablaCar para sairmos ao 12:30pm. Saímos no horário marcado e fomos em 5 pessoas no carro, pois já havia uma pessoa fazendo o trajeto também. Viagem tranquila e segura de duas horas e meia de duração até chegarmos a Caraguatatuba já no litoral onde descemos na rodoviária e lá mesmo pegamos um ônibus do transporte público com sentido a Ubatuba e depois de aproximadamente 35 minutos descemos no ponto próximo ao supermercado Garotão. O ponto de ônibus fica na praia da Lagoinha e é onde se inicia a trilha das sete praias. Após descer no ponto é só caminhar poucos metros até a entrada do condomínio mais a frente e se informar com algum dos seguranças da entrada do condomínio onde fica a entrada da trilha que eles já estão acostumados a informar as pessoas que querem fazer a trilha.    

           A trilha fica do lado esquerdo da praia da Lagoinha logo após um rio que corta a praia desaguando no mar, mas como chegamos com a maré já alta não conseguimos caminhar pela praia e atravessar o rio para começar a trilha. Com ajuda de um haitiano que encontramos na praia, o simpático Jean Pierre, nos informou onde seria o começo da trilha dando a volta para iniciar na entrada de um condomínio. Nos informou também onde teria um mercado mais próximo, o Mercado Garotão. Como entramos na praia não sabíamos da situação da maré cheia impossibilitando a travessia, então com a ajuda do haitiano conseguimos voltar e passar no mercado  para comprarmos algumas coisas para passar a primeira noite e começar a trilha.
        
            Iniciamos a trilha já quase anoitecendo por volta de umas 17:00pm. Saímos do mercado e bem de frente atravessando a rodovia já se vê a entrada do condomínio Recanto da Lagoinha onde caminhamos poucos metros e logo após a guarita da entrada viramos na primeira rua a direita, a Rua Sabiá e caminhamos até uma outra guarita onde se inicia a trilha em uma entrada a esquerda que contém uma placa de área de preservação ambiental ao lado de uma cerca do próprio condomínio. 



           Como a claridade estava ficando cada vez menor, passamos pela Praia do Oeste no escuro e caminhamos até a segunda praia, a Praia do Peres onde foi o nosso primeiro camping. Armamos acampamento já no escuro em um pier de pescadores que contém um gramado e um grande barracão de frente para o mar. Conversando com alguns pescadores que ali estavam fomos informados que logo de manhã um senhor que cuidava do local iria nos expulsar dali. Pensamos em caminhar mais adiante na terceira praia mas decidimos ficar e acampar por ali mesmo e apostar que o senhor não nos dê uma bronca muito grande de manhã por termos acampado ali rs. 




        
          

            Acordamos por volta das 8:00am e quando estava saindo da barraca para lavar o rosto em uma queda de água doce próximo dali lá estava o senhorzinho que nos informaram que iria ficar zangado por causa das nossas barracas. Resolvi dar bom dia pra quebrar o gelo mas não obtive sucesso. Então acordamos fizemos um café rápido no fogareiro a gás desmontamos nossas barracas e seguimos para a próxima praia da trilha, a Praia do Bonete ou Bonetinho como é chamada pelos locais.






       


       
         
           Ficamos um dia na Praia do Bonete, havia uma bica com água potável geladinha localizada no começo da praia. A praia do Bonete tem areias claras e águas cristalinas muito convidativa a um belo banho de mar. Armamos nossas barracas bem no meio da praia em um banco de areia mais alta debaixo de algumas árvores. Nesta praia havia algumas placas proibindo a entrada e camping pois a área seria propriedade particular. Decidimos acampar na praia mesmo e não entramos mais a dentro da mata.


            Acordamos por volta das 8:00am e desmontamos rápido as barracas, tomamos um belo café da manhã a beira mar e ficamos um tempo contemplando a praia até partirmos para a próxima praia, a Praia Grande do Bonete. Caminhamos até a ponta da praia onde existe uma placa amarela com informações aos turistas. Iniciamos a trilha e alguns minutos depois já tínhamos um lindo visual da Praia Grande do Bonete. A trilha levou uns 15 a 20 minutos e logo estávamos na Praia Grande do Bonete. 
        




           Chegamos e logo vimos que bem no começo da praia havia uma bica de água potável geladinha. Caminhamos um pouco e decidimos acampar quase que no começo da praia mesmo, do lado que não tem casas na beira da praia. Armamos nossas barracas na praia debaixo de algumas árvores e de frente para o mar. Fizemos uma fogueira para o almoço e janta e ficamos neste local por três dias.
       


            No primeiro dia conseguimos finalmente entrar no mar, conseguimos também tomar banho em um bolsão de água doce que tem atrás das pedras no começo da trilha e fizemos um belo jantar vegano pra fechar o dia com chave de ouro.  

           No segunda dia acordamos um pouco mais tarde, colocamos as barracas pra tomar um pouco de sol, tomamos um belo café e fomos caminhar até a outra ponta da praia que olhando de longe parecia que tinha um movimento de pessoas por la. Caminhamos até lá e descobrimos que havia alguns bares abertos onde tomamos uma bela de uma gelada e carregamos nossos telefones. Retornamos ao camping e pegamos duas mochilas vazias e dois de nós retornamos a trilha até o Mercado Garotão para comprar umas geladas e alguns petiscos. Fomos e voltamos em menos de duas horas e passamos o dia neste paraíso. 

       


           No terceiro dia na Praia Grande do Bonete acordamos por volta das 9:00am, tomamos café, entramos nas águas geladas daquele mar lindo de águas cristalinas iluminado por um lindo sol que contrastava com o céu inteiramente azul. Logo depois, dois de nós como combinado anteriormente, retornaram a trilha até o ponto de ônibus para aguardar mais um integrante da nossa trupe. E como iríamos passar perto do mercado já aproveitamos e compramos algumas bebidinhas, petiscos, um bom repelente, que foi para não faltar mais nada até o final da trilha. Recomendo o repelente de creme, pois o de spray não faz efeito nenhum para os mosquitos de lá hahahaha. Compramos um óleo ou essência de citronela que seria de colocar em lampiões para espantar o mosquito, mas ao invés de colocarmos em lampiões nós colocamos no nosso próprio corpo e deu muito certo ahuahauha!  
       

           Este dia foi um dos mais divertidos, com mais um integrante fizemos um grande rango, bebemos algumas cervejas, bebemos algumas biritas e tomamos também o único, o verdadeiro, o legítimo, o melhor de todos, the best, o Drink do Gato. Um drink elaborado por um dos integrantes da trupe e que se tornou o sucesso durante toda trilha ahahuahuauah inclusive para alguns caiçaras. Mais informações só chamar que posso passar os ingredientes e a forma secreta de se fazer. Poucos conseguem tomar! Drink do gato! Pra vocÊ aprender! kkkkkkkkkkkkkkkkkk Não conseguimos imagens do drink pois as condições não eram favoráveis no momento após a ingestão do mesmo kkkkkkk. Ha alguns rumores de que alguns dos integrantes corriam loucamente na noite em direção do mar tentando loucamente se banhar nas águas "quentes" da praia hahauahuahua iluminado por uma lua fantástica. O integrante ainda tentava persuadir os outros a entrarem no mar com dizeres: "Gente vemmmm, ta quentinha, a água ta quentinha! Vemmmm gente! Uhuuuullll!" Hauhauhuhuah Foi sensacional!     --> Drink do gato! Pra você aprender! kkkk 


           Acordamos e mantemos o protocolo. Barracas ao sol, acender a fogueira, café forte pra acordar, ficamos algumas horas por ali aproveitando o lindo sol que fazia no dia, tomamos um belo banho de mar e logo partimos para próxima praia. A trilha fica no final da praia em um muro de pedras com algumas placas indicando o lado correto. Foi umas das partes um pouco pesadas desta trilha, talvez por causa do peso que estávamos levando, em alguns lugares a trilha se tornava um pouco ingrime dificultando um pouco nosso ritmo. Em alguns trechos também se abriam clareiras mostrando um lindo visual.  
       

        
       
       
       
          A próxima praia que nos aguardava na verdade seriam duas em uma.  A Praia Deserta fica junto com a Praia do Cedro e são divididas por algumas pedras, mas muito fácil de se atravessar por elas. Ou pra quem não gosta de se aventurar em pedras, existe uma trilha que passa por de trás delas muito rápida e segura também. 











       



            Armamos nossas barracas na primeira praia, a Praia Deserta. Ficamos bem de frente para o mar do lado da placa da trilha das sete praias. O lugar é cheio de árvores e tem ótimas áreas para camping selvagem e proibido, como diz nas placas que encontramos novamente na praia. Acredito que não tivemos problemas com isso por causa da baixa temporada, pois a trilha é muito movimentada na alta temporada e a fiscalização talvez seja mais rigorosa. 
          










           Ficamos por dois dias nestas praias, a segunda praia, a Praia do Cedro contém uma área de camping e um bar que ambos estavam fechados por causa da baixa temporada. Existe também uma bica d'água encanada bastante gelada que tanto usamos para tomar banho quanto para beber. A praia é pequena mas encantadora pela beleza.  



           Após dois dias fantásticos nessas praias infelizmente com muita tristeza que caminhamos para a última praia da trilha. Desmontamos nossas barracas, retiramos todo o lixo, fizemos um café forte, arrumamos as mochilas e partimos para Praia da Fortaleza. Mas antes ainda tinha mais um lugar muito lindo pra conhecer, o Pontão da Fortaleza. Um lugar surreal e único que fica um pouco antes de chegar na praia da Fortaleza virando a esquerda na própria trilha.


          












           Chegamos por volta das 16:00am no Pontão da Fortaleza com um tempo de trilha de aproximadamente uma hora por causa do peso das mochilas, pois em alguns trechos da trilha o caminho se torna um pouco mais ingrime dificultando um pouco a trilha. Ficamos no Pontão por quase duas horas contemplando a beleza do lugar. Até cogitamos acampar por la mesmo, mas acabamos decidindo retornar a trilha e finalizar a Trilha das Sete Praias na Praia da Fortaleza.
       
           Andamos por alguns minutos nas areias da praia até entrarmos em umas das ruas onde se vê uma igreja. Caminhamos nesta rua e na bifurcação viramos a esquerda e caminhamos até o bar do Zé Mineiro onde fechamos nossa trilha e nosso dia com uma bela cerveja gelada.
      Retorno - 12/06/19 - Retorno 13:30pm - São Paulo x Caraguatatuba -> BlablaCar R$40,00 - Praia da Fortaleza x Praia da Sununga-> Ônibus R$3,80
           Na própria praia da Fortaleza existe um ponto de ônibus indo tanto para Ubatuba quanto para Caraguatatuba. Aguardamos por alguns minutos e pegamos um ônibus sentido Ubatuba pelo valor de R$3,80 e descemos no ponto dos postos de gasolina. Este é o ponto mais próximo da praia da Sununga e da Praia do Lázaro. Ficamos por lá mais quatro dias no Camping Sununga e depois encontramos um BlablaCar por R$40,00 pra cada que nos levou até São Paulo e finalizamos assim mais um Mochilão pelo litoral norte de São Paulo. 
      Vlw Mochileiros! Gratidão.  ❤️ 
       
       
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    • Por eitagu
      Fala, galera!
       
      Esse é meu primeiro post aqui no site e eu quis escrevê-lo como forma de retribuir tudo o que li aqui que me foi MUITO útil pra montar esse roteiro. Inicialmente seríamos dois amigos fazendo essa viagem, mas chamamos mais umas pessoas e acabamos viajando em quatro. Nossa meta era gastar em torno de R$1k cada e ficar dez dias de rolê pela costa verde - região do RJ que engloba Paraty, Angra e suas particularidades.
       
      Se alguém tiver lendo isso e tiver meio perdidão sobre como montar um roteiro, assim como eu tava no início, vou deixar aqui mais ou menos como a gente começou a planejar. Antes de mais nada: o Excel (ou, no meu caso, o Google Sheets) é seu melhor amigo! Lá tu pode lançar todos os links úteis de relatos de outras pessoas, dicas, lugares pra ficar, visitar, etc. A gente fez uma planilha que tinha uma relação de transportes e hospedagens e os preços. Aí ficava até mais fácil comparar. Botamos lá uma coluna de observações também que era bem útil. A gente deixava já na ordem dos dias também pra ficar mais fácil pra gente se guiar. 
       
      Se alguém quiser ver como a planilha ficou no final, só dar uma ideia aí que eu mando o link!
      No mais, bora lá! Viagem feita dos dias 15/07 ao dia 24/07 (de 2019).
       
      Dia 1. Paraty
      Viajamos de BH pro RJ de Buser e como a gente tinha distribuído nosso código, conseguimos salvar essa ida e volta. Chegamos no RJ por volta de 5h30 e pegamos o primeiro ônibus direto pra Paraty. O busão sai da rodoviária Novo Rio mesmo, às 7hs (mas costuma atrasar muito!), e custa R$83 pela Costa Verde. Ficamos hospedados no Chill Inn Hostel e, sinceramente, recomendo demais! Staff muito atencioso e café da manhã na praia. Almoçamos por lá mesmo, paramos pra tomar umas brejas e fazer umas compras pros próximos dias. Não sei se era pq a cidade ainda tava cheia de gringos pós-flip, mas tava rolando um forró na praça em frente à Matriz pela noite e o comércio ficou aberto até bem tarde no centro histórico. Ficamos apaixonados pelo lugar e pegamos nosso carimbo do passaporte da Estrada Real. O preço das coisas é normal fora do centro histórico (almoço em torno de R$20,00) e bem alto dentro do centro histórico.
      R$83 busão
      R$18 lanches pra viagem e café da manhã
      R$34 almoço e brejas
      R$20 de rolezin a noite durante o forró
      R$44 a diária
      R$28 compras pros dias seguintes

       
      Dias 2 - 3. Ponta Negra (comunidade tradicional caiçara)
      Tínhamos planejado ir pra Cachoeira do Saco Bravo pegando uma trilha de dois dias saindo de Paraty, mas o tempo não colaborou. Além disso, tava rolando uma manifestação na estrada, o que fez a gente sair de Paraty só por volta de 14hs. Pegamos o busão que vai até a Vila Oratório, descemos no ponto final e começamos a caminhada. É bem sinalizada e tranquila, mas tem muitas descidas e subidas. Se cê tiver na dúvida, só usar o Wikiloc que lá tem aos montes. Por volta de 16hs chegamos na Praia do Sono e pretendíamos seguir caminhada até a Ponta Negra pra acampar lá, mas o tempo tava muito fechado e a gente teria que passar correndo pelas praias e cachoeiras no caminho, então acampamos nessa mesmo. Encontramos um caiçara gente finíssima - salve Abraão! - que deixou a gente acampar no quintal dele por R$15 e deu umas dicas pra gente de como seguir. Aproveitamos pra conhecer a comunidade tbm, recomendo esse passeio e trocar ideia com os nativos da região. Na manhã seguinte partimos assim que acordamos rumo à cachoeira, mas o tempo tava MUITO fechado e o mar muito bravo, então acabamos parando em Ponta Negra pra curtir a praia nos minutinhos de sol que abriram (a cachoeira do Saco Bravo é na beira do mar, então é perigoso de se ficar em dias de ressaca). No caminho paramos na praia dos Antigos e na cachoeira da Galheta, os dois lugares MUITO BONITOS! Chegamos de volta na vila do Oratório de volta umas 16h e pegamos o primeiro busão de volta pra Paraty.
      R$10 busão (ida e volta, saindo da rodoviária de Paraty)
      R$15 camping do Abraão
      R$4 miojo que compramos na vila pra dar um gás a noite, pq a comida acabou rápido kkkkk

       
      Dias 3 - 4. Paraty
      De volta a Paraty no fim da tarde do terceiro dia, comemos num restaurante perto da rodoviária e compramos uns vinhos e pães pra fazer uma social à noite no hostel. A galera da recepção ficou trocando ideia com a gente e uma das hóspedes apresentou pra gente a Gabriela, cachaça típica de Paraty. Gostamos tanto que fomos no centro histórico no dia seguinte comprar algumas. Dia seguinte, na hora do almoço, comemos o resto do rango que tínhamos e partimos pra Trindade.
      R$44 a diária
      R$20 rango no restaurante
      R$16 vinhos + paradas de fazer hotdog
      R$45 cachaças (compramos Gabriela e umas outras também)
       
       
      Dias 4 - 6. Trindade
      Chegamos em Trindade na tarde de quinta-feira, largamos as paradas no hostel sem nem explorar direito e fomos direto conhecer as praias mais próximas - praia do Forte e praia do Meio. Pegamos o sol se pondo nas pedras, lugar maneirasso e de energia incrível! No início da noite comemos no Laranja's Bar por indicação da gerente do Hostel - salve, Heidi! - e ficamos APAIXONADOS no lugar. Achamos os rangos em Trindade muito mais baratos que em Paraty e nesse lugar, além de rolar umas cachaças pra degustação, a ambientação faz tudo ficar mais gostoso. E é open feijão e open pirão! Fizemos umas compras e voltamos pro Hostel Kaissara à noite. Lugar simplesmente maravilhoso! É um pouco mais afastado da rua principal e fica no meio das árvores, com um riacho percorrendo por baixo. Fizemos amizade com um argentino que trabalhava por lá - grande Matias - e ficamos trocando ideia até o fim da noite. Dia seguinte fomos pras piscinas naturais do Caxadaço e visitamos algumas praias ali pela região, mas quando a gente decidiu ir na Pedra Que Engole eu me machuquei feio e precisei voltar pra Paraty pra ir na UPA. Voltei pra Trindade só à noite, bati um rango e no dia seguinte a gente já ia partir pra Ilha Grande.
      R$70 duas diárias no Hostel Kaissara
      R$46 rangos no Laranja's (dos dois dias)
      R$7,50 lanches e frutas pra comer na praia
      R$20 busão Paraty x Trindade (duas idas e duas voltas)

       
      Dias 6 - 10. Ilha Grande
      Saímos de Trindade às 10h, fomos pra Paraty e fizemos compras pra levar pra Ilha Grande. Tinha lido aqui no fórum que lá quase não existiam mercados e os poucos que tinham eram muito caros e não aceitavam cartão - balela! kkkk TODOS os lugares que passamos aceitam cartão e os preços eram um pouco mais altos que em Paraty, mas nada que tivesse valido a pena levar as sacolas de macarrão e legumes que levamos. Esperávamos chegar em Angra a tempo de pegar a barca que saía as 13h30 (é uma ao dia e custa $17, saindo nesse horário por ser um sábado), mas com as compras e o trânsito acabamos atrasando e chegando às 15h. Pegamos um flex boat até Ilha Grande, que sai de hora em hora, e chegamos lá antes das 17h. Ficamos hospedados no Biergarten, na rua principal. O hostel é bonito e bem cuidado, mas tem uma vibe muito diferente dos últimos que ficamos - que eram bem menores e menos "comerciais". O Biergarten tem um restaurante e um bar que ficam abertos até tarde e tem várias opções, porém todas bem caras.
       
      No dia em que chegamos tava rolando uma festa junina na ilha, então compramos um vinho e ficamos lá dançando um forrózinho à beira-mar até o fim da noite. No dia seguinte, de manhã, fomos empolgados atrás de um passeio de barco e tivemos a triste notícia: os passeios estavam interrompidos até o mar voltar a ficar calmo. Tivemos que optar pelas trilhas, mas eu tava meio ferido ainda então fizemos só as mais próximas (fizemos a T01, que é o circuito do Abraão, e fomos até a praia do Abraãozinho). Todas as trilhas em ilha grande são enumeradas e as que fizemos eram bem sinalizadas também. A T01 passa pela Praia Preta, pelas ruínas do Lazareto e por um aqueduto. Se você faz nessa ordem, quando você sai do poço e começa a volta tem uma pedra que dá pra tomar um sol e ficar curtindo a vista. Muito foda! A trilha até o Abraãozinho é um pouco mais puxada, a volta foi meio tensa porque a maré ja tava meio alta no horário (~16h30) e tem que passar por umas faixas de areia com pedra, mas vale a pena. À noite tomamos uma caipirinha no bar do Hostel e ficamos conversando por lá mesmo.

       
      No dia seguinte, oitavo dia de viagem, conseguimos fazer o passeio da meia-volta! Foram os R$80 mais bem gastos da viagem. Fomos de flex boat e visitamos a lagoa azul, lagoa verde, umas praias e o saco do céu. Maravilhoso, rola até de nadar com os peixinhos com o macarrão e o óculos de mergulho que a agência oferece. Entretanto, os almoços são muito caros e tivemos que nos saciar com os lanches que havíamos comprado e deixar pra comer direito na vila, mais à noite. A gente tava na onda do crepe, mas todas as creperias estavam fechadas exceto a da rua da praia (que era MUITO cara!), então comemos umas iscas de peixe e um macarrão. No dia seguinte, último dia na ilha, estávamos determinados a caminhar até Lopes Mendes ou Dois Rios, mas o passeio de Ilhas Paradisíacas estava disponível (e de lancha!). Tiramos onda demais e visitamos umas ilhas de Angra que são do caralho! Sem dúvidas o lugar mais bonito que já vi. Os dois passeios duraram o dia inteiro, o da meia volta terminando umas 17hs e o de Ilhas Paradisíacas até umas 18hs. Nesse dia, comemos uns Shawarmas lá na ruazinha principal e arrumamos as malas pra voltar no dia seguinte.
      R$166 as quatro diárias no Biergarten Hostel
      R$77 pra chegar na ilha (17 paraty x angra, 60 angra x ilha grande)
      R$60 álcool nos passeios (de barco e pela vila)
      R$170 os dois passeios (80 meia volta, 90 ilhas paradisiacas)
      R$130 comidas p/ todos os dias (comer em restaurantes na ilha é bem caro, mas se cê procurar consegue achar uns pratos entre R$20 e R$30)
      R$76 pra chegar no Rio (17 ilha grande x angra, 3.50 do cais até a rodoviária, 56 angra x rj)

       
      Dia 10. Rio de Janeiro
      Nosso busão saía às 22h30 do centro do RJ e a barca saía de Ilha Grande rumo à Angra às 10hs (uma por dia), então ficamos um bom tempo de bobeira na Cidade Maravilhosa. Aproveitamos pra comer e tomar uma cervejinha ali na Rua do Ouvidor. Deixamos as mochilas no guarda-volumes da rodoviária, pra não ficar muito incômodo pra dar rolê, mas nem andamos muito porque em Ilha Grande quase todos saímos com algum machucado no corpo... histórias pra se contar hehe
      R$7,00 lanche pra viagem
      R$12,50 guarda-volumes da rodoviária (tínhamos 1 mochila por pessoa e 1 sacola compartilhada com as paradas que compramos)
      R$15 fast food da massa
      R$8 transporte rodoviária - centro, centro - rodoviária
      R$13 cerveja pré-busão

       
      No mais, achei que valeu muito a pena o role! Gastamos um pouco mais que o previsto, por volta de R$1.2k, mas a gente já esperava por não ter muitas informações sobre quanto gastaríamos em Ilha Grande e tudo lá depende muito de como o mar vai estar. Achei o role em Trindade melhor pra quem gosta mais de natureza, então se eu fosse repetir teria ficado mais tempo lá e menos tempo na ilha. Achei IG turístico demais pra mim (juro que cê quase não encontra brasileiros por lá) e por conta disso não consegui me conectar direito com a galera que mora ou trabalha por lá. Já Paraty é linda e boa pra todos os gostos - quem quer curtir praia, quem quer caminhar, quem quer ver passeio histórico. Ponto indispensável. Não é à toa que recebeu título de Patrimônio Mundial da UNESCO. 
       
      Espero que curtam o relato e que ele possa ser útil pra alguém aí!
      Qualquer dúvida, só mandar msgs!


    • Por divanei
      TRAVESSIA: PICINGUABA x PURUBA
               
        .....................Olhos ao mar e uma esperança que parece nunca ter fim. Espectadores somos nós, numa noite agradável à beira da praia de PICINGUABA, simples ouvintes de uma tragédia soluçada por uma mãe e uma esposa que ainda aguarda a volta do filho e do marido que o mar tragou para sempre num longínquo dia de Páscoa. Aquela senhora que cambaleia de bêbada pelos dias que ali estivemos e que às vezes nos fez desdenharmos da sua condição, acabara por nos apunhalar o coração com  sua história de vida. A sua narrativa vai nos desconcertando e aos poucos vamos nos tornando passageiros da sua história, sendo levados juntos à embarcação que ao colidir nos arredores da Ilha das Couves, naufragou e vitimou seu marido e seu filho de 7 anos de idade. E lá está ela, mesmo depois de mais de uma década, ainda a olhar para o mar na esperança de ver seu marido e seu filho voltar, e lá estamos nós, com um nó na garganta e eu já com um véu nos olhos capaz de inundar mais de um oceano. Quem nunca leu ou ouviu falar das histórias contadas de naufrágios e famílias destroçados pelas agruras trazidas pelo mar, mas quantos tiverem a oportunidade de poder escutar da boca daqueles que por isso passaram? Essa história ouvida numa noite escura à beira da praia, num acaso inesperado, vai compondo as memórias guardadas num canto das nossas cabeças, as memórias de viagens, as histórias guardadas numa vida de descobertas, aventuras e encantos.................

         ( A equipe )
                Depois de quase dez dias desfrutando das praias e ilhas incríveis no norte de Ubatuba, na divisa com Parati-RJ e ser abastecido por uma infinidade de histórias, não aguentava mais escutar piadinhas da Aline e da minha filha Julia, sobre eu ainda não ter inventado uma trilha naquele recesso de fim de ano. A gente quer sossegar, ficar quieto no nosso canto, mas essas pessoas insistem em ficar nos cutucando, em ficar nos desafiando, então passei a mão no mapa e de última hora resolvi montar uma travessia pelas praias que nos cercavam.
                A caminhada que tracei começaria ali mesmo pela praia de Picinguaba e na minha cabeça poderia ser finalizada na Baia de Ubatumirim, um percurso longo, mas tranquilo, passando por praias selvagens e urbanas, um apanhado geral do que o Litoral Norte Paulista tem de mais sensacional. O dia estava lindo, sem nenhuma nuvem no céu e o sol reinava soberano e não havia motivos para carregarmos muita coisa, poderíamos comer pelas praias que passássemos e era certeza que no final da tarde já estaríamos de volta para o churrasco em família que nos propusemos a fazer. Mesmo assim, apanhei uma mochilinha e dentro dela joguei meu estojo de primeiros socorros, uma capa de chuva e 2 sacos grandes de lixo, agasalho e uma comida reserva, mas claro, era só um exagero sem fundamento de montanhista já meio cabreiro com grandes travessias e grandes expedições. A travessia ia ser um divertimento só, tanto que eu ia de sandália, mas aconselhei as meninas a colocarem um tênis na mochilinha delas porque a previsão era de atravessar uma meia hora de trilha entre duas praias.

          (PRAIA PICINGUABA)
                Além da minha filha Julia e da amiga Aline, o outro que comporia o grupo seria nada menos que meu amigo de infância, Rogério, esse sim, companheiro de uma infinidade de perrengues e roubadas memoráveis, mas que nos últimos anos estava afastado do mundo da aventura. Nos despedimos da família e descemos os degraus da casa onde estávamos abrigados e ganhamos logo o minúsculo centro da tradicional vila de pescadores da PRAIA DE PICINGUABA, um lugar pacato e tranquilo e que só agora parece ter ganhado mais notoriedade porque serve de partida para quem quer ir conhecer a Ilha das Couves. Tomamos, portanto, a rua principal, na verdade a única do vilarejo e vamos seguindo em direção à Rio-Santos, deixando as águas transparentes da praia para trás e ganhando a subida do asfalto carcomido e 15 minutos depois somos obrigados a parar no mirante de onde se descortina uma das mais incríveis vistas do litoral de São Paulo. Aos nossos pés a foz do Rio da Fazenda que ao se encontrar com o Rio Picinguaba, desagua no mar em tons de vermelho, num cenário impressionante e como bônus, nosso olhar pode se deleitar com os 3,7 km da selvagem praia da Fazenda.

          (MIRANTE FOZ DO RIO DA FAZENDA)
                Nossa caminhada pelo asfalto vai seguir por não mais que 15 minutos, talvez um pouco menos, porque aí deixaremos a estrada pavimentada em favor de um caminho de terra que pegamos para esquerda, acompanhando o próprio Rio Picinguaba por dentro da floresta sombreada até que o mundo se abre à nossa frente nos apresentando agora de perto o encontro com o Rio da Fazenda já devidamente abastecido pelo Picinguaba e ambos acabando seu ciclo no oceano Atlântico. Do outro lado do rio está a Grande Praia da Fazenda, eleita uma vez por um jornal inglês como uma das 10 praias mais bonitas do Brasil.

          ( TRAVESSIA DO RIO DA FAZENDA)
                O Rio da Fazenda ali na sua foz terá que ser atravessado com a água pelo peito, o que pode assustar alguns que não sabem nadar, mas com a maré mais baixa, passamos de boa, apenas cuidando para que as mochilas não molhassem. Aliás, dos 4 caminhantes, somente a Aline não sabe nadar e é com ela que tomamos mais cuidado, mas a travessia acabou por ser tranquila e logo adentramos definitivamente na PRAIA DA FAZENDA e fomos chapinhando em suas águas calmas e transparentes, batendo papo e vez por outra brincando de catar conchinhas, que logo iam sendo abandonadas porque ali é uma praia que pertence ao Parque Estadual da Serra do Mar e não se pode levar nada, nem uma mísera pedrinha. Uns 2 km de caminhada na areia da praia já nos levam perto da saída de acesso para a sede do Núcleo Picinguaba e é por ali que chegam os turistas de carro, mas felizmente, enquanto outras praias ficam entupidas de gente, essa praia não conta com mais de uma dúzia de gatos pingados porque aqui não existem bares, lanchonetes, quiosques e nem quaisquer outras comodidades, é ambiente bruto e selvagem a serviço da paz e do sossego.

         (PRAIA DA FAZENDA)
                Ainda na Fazenda, temos à nossa frente mais 1,5 km de pernadas até interceptarmos mais um rio, mas dessa vez bem menos que o anterior, que faz a alegria dos meninos pequenos por ser raso e inofensivo e logo que o cruzamos, paramos no final da praia para um breve descanso e gole de água numa bica providencial, antes de encararmos o nosso próximo desafio, agora mato à dentro.

         (PRAIA DA FAZENDA)

                A trilha vai subindo aos poucos, é um caminho aberto e desimpedido que muito provavelmente recebe manutenção por parte do Parque Estadual e é surpreendente que se possa seguir essa trilha sem ser molestado pelo excesso de burocracias e regras do próprio parque e isso é algo raro em se tratando desse tipo de unidade de conservação. É uma caminhada gostosa e eu apenas de sandálias, consigo evoluir tranquilamente mesmo tendo que cruzar por alguns pequenos atoleiros e não demora muito, talvez uns 20 minutos já damos de cara com uma saída a esquerda de onde já escutamos o barulho do mar e em 5 minutos estamos na beira da água. Não sei nem se podemos chamar aquilo de praia por conter apenas alguns metros quadrados de areia, mas não se engane, a PRAINHA DO CIRILO, nome me soprado pelos nativos, tem como principal atração uma grande piscina natural com fundo de areia e para aplacar o calor, corri para dentro dela enquanto os outros caminhantes faziam uma pausa para morder uns salgadinhos. O mar estava quente, como jamais havia visto nesse pedaço de litoral e foi difícil largar aquela água maravilhosa, mas quando achamos que era hora de partir, não tive problemas de correr para o riozinho de agua doce que ali desagua e tirar todo o sal do carpo naquele dia quente de verão.

       ( PRAINHA DO CIRILO)
                De volta à trilha, vamos subindo lentamente até que ela atingi seu cume, que nem é tão elevada assim e começa a descer suavemente em direção a nossa próxima praia, passa por uma construção em ruína e logo estamos com os pés na areia da deslumbrante e quase selvagem PRAIA BRAVA DA ALMADA.
       

           ( PRAIA BRAVA DA ALMADA)
                É incrível a belezura dessa praia, uma praia de uns 700 metros de comprimento com muita sombra e muitas amendoeiras e o melhor de tudo é ver que não mais de uma dúzia de pessoa por lá estavam, contando com o que estavam no mar. A Praia Brava da amada é mais uma que pertence a unidade de conservação e mesmo estando próxima à vila da Almada, ainda se mantém totalmente vazia e a vontade que dá é de sentar ali e nunca mais sair, mesmo porque, da última vez que aqui passei, vindo pelo outro lado, encontrei um mar revolto num dia chuvoso e agora o mar estava um espelho, um lago tranquilo e sereno, um convite para nadar ou simplesmente para se deleitar com a paisagem deslumbrante. Eu quero nadar novamente, mas as meninas e o Rogério querem caminhar, então atravessamos toda a areia da praia até o riozinho que desagua do seu lado direito e interceptamos a trilha.
                O caminho que liga uma praia à outra não  é surpreendentemente largo, quase uma estrada e a surpresa é saber que meros 15 minutos separam a fascinante e deserta praia Brava da PRAIA DO ENGENHO (300 m) e até que essa outra praia ainda se mantinha tranquila se comparada a da Almada. A praia do Engenho também é uma praia bonita, aliás não veremos praias feias nessa parte do litoral, o que diferencia cada uma é o número de gente que vamos encontrar nelas. Encontramos muita gente no Engenho, mas a atração principal é uma tartaruga enorme que o pessoal do Projeto Tamar estava soltando naquele exato momento.

          (PRAIA DO ENGENHO)

                Assim que a Tartaruga se foi, picamos a mula para a outra praia que se separa do Engenho apenas por uma língua de rochas e não mais que 5 minutos somos apresentados à uma praia lotada, onde havia fila até para entrar no mar. As pessoas se entulham na PRAIA DA ALMADA (400 m ) simplesmente pela comodidade de poder chegar com o carro quase na areia e se esbaldar nos quiosques e nas facilidades oferecidas. Nosso objetivo naquela praia muvucada era descobrir um meio de cair fora dela, já que no canto direito não havia passagem para lugar nenhum, aí com uma conversa com os locais, descobrimos que teríamos que subir a estradinha de asfalto até um mirante e de lá interceptar a trilha que nos levaria para a próxima praia do nosso roteiro. Fugimos de lá por dentro do estacionamento totalmente lotado, de onde novos banhistas tentavam entrar quase se pegando no tapa com os flanelinhas, era mais gente querendo se juntar ao caos enquanto a gente estava livre, sem nenhuma preocupação, apenas curtindo nosso roteiro levado pela maior máquina de locomoção já inventada em todos os tempos, nossas pernas.
       
         (PRAIA DA ALMADA)
                Ganhamos, portanto, a estradinha de asfalto e vamos subindo para valer em meio ao sol escaldante do início de tarde. O caminho não tem erro, é a própria estrada que liga a praia da Almada à Rio-Santos e vamos subindo lentamente, tentando aproveitar a sombra que por vezes se precipita para dentro do asfalto quente. Nesse caminho, as meninas já dão sinal de cansaço e é nessa hora que a gente aproveita para dar uma zuada nas novinhas dizendo que quem não aguentar pode simplesmente esperar passar o ônibus e voltar para casa, mas as meninas são tinhosas e não querem entregar os pontos para velha guarda. Falando em velha guarda, e põe velha guarda nisso (rsrsrs), Rogério ligou o turbo e nos deixou para trás e quando pensei que a Julia iria sucumbir de vez, ela também acelerou o passo e 40 minutos depois da Almada, chegamos ao MIRANTE DE UBATUMIRIM, na verdade uma das vistas mais belas de todo o litoral Paulista. A baia de Ubatumirim composta pela praia de mesmo nome e da praia do Estaleiro do Padre é daqueles lugares para se sentar e apreciar a beleza, num mar que se abre em cores e tons de azul e verde, com a Serra do Mar protegendo o cenário num cartão postal impressionante. Junto ao Mirante, uma lanchonete com o nome de Chica serve de referência e foi construída mesmo em um lugar estratégico e ali paramos para um gole de água e um refrigerante gelado.

       
          (MIRANTE UBATUMIRIM)   
          (MIRANTE BAHIA DE UBATUMIRIM)
                Com a cabeça mais fresca e já tendo perguntado para os caiçaras de onde partia a trilha que nos levaria à próxima praia, tiramos uma última foto do mirante e voltamos para nossa pernada e não andamos nem 100 metros, já interceptamos a trilha de acesso do lado esquerdo da estrada, logo após uma jaqueira. É um caminho largo que vai descendo para valer e é preciso tomar cuidado para não escorregar. Uns 200 metros abaixo damos de cara com uma construção que deverá se transformar em mais um quiosque com vistas excepcionais para praia do Estaleiro e toda a baia. A trilha contorna o terreno carpido, passa por uma cerca de arame e desce até um amontoado de casa até desembocarmos de vez no canto esquerdo da PRAIA DO ESTALEIRO DO PADRE.

         (PRAIA DO ESTALEIRO DO PADRE)
                A praia do Estaleiro tem 1800 m de comprimento, o mar calmo feito um lago e com uma característica diferente de quase todas as praias do litoral de São Paulo. Num primeiro momento é estranho ver os carros na areia, espalhados de qualquer jeito, sem uma organização distinta, mas prestando bem atenção, isso acaba nos remetendo às décadas passadas quando era comum esse tipo de atitude com as famílias acampando com suas enormes barracas na areia. Acampar hoje não é mais possível, mas ficou o estilo quase único, a diferença é que hoje os carros são de novas gerações e a música vinda dos seus potentes alto-falante, uma porcaria inaudível.
                Sem nenhum compromisso com o tempo, vamos chapinhando nas águas rasas da baia, olhando o movimento dos banhistas e como o estômago já anda roncando, procurando um lugar para comer algo mais consistente, mas as passadas vão rendendo e quando chegamos à beira o rio Ubatumirim, que divide a praia do Estaleiro com a própria PRAIA DE UBATUMIRIM, resolvemos deixar para forrar o estômago só no final. Minha grande preocupação quando rascunhei esse roteiro era a passagem pelo Rio Ubatumirim, já que na minha única passagem por aqui, num dia de chuvas torrenciais, peguei o rio com a maré alta e pensei não ser possível atravessá-lo sem que se conseguisse um barco, uma canoa, mas ao chegarmos na foz, encontramos um rio raso e o cruzamos com a água pela cintura e adentramos de vez na Praia de Ubatumirim.

         (TRAVESSIA RIO UBATUMIRIM)
                A praia de Ubatumirim não difere muita da praia do Estaleiro, só que os carros ficam confinados na parte superior da areia da praia devido a instalação de mourões de madeira. É uma praia evidentemente com muita gente, mas por conter mais de 2km de areia não é difícil encontrar sossego no canto direito é para lá que nos dirigimos com a brisa da tarde batendo no rosto. É uma caminhada gostosa, um ar de amplitude com aquele mar lindo, cheio de ilhas que se descortina à nossa frente e quando chegamos ao seu final, o Rogério e as meninas já colam em um carrinho de sorvete, enquanto eu vou escalar a encosta rochosa para tentar uma foto com as duas praias de quase 4 km a nos encher a vista. A minha intenção era só chegar até o final dessa praia , mas quando estávamos no mirante, ainda no alto da serrinha, nos chamou a atenção a possibilidade de acrescentar mais  uma praia no nosso roteiro e como a maré estava baixa, a passagem para praia da Justa estava sendo possível ser feita por dentro do mar , beirando o costão.

          (PRAIA DE UBATUMIRIM)
                Existe um caminho que liga Ubatumirim à PRAIA DA JUSTA, mas nem chegamos a investigar, botamos as mochilinhas nas costas e nos enfiamos mar adentro, tendo ao nosso lado a Ilhota do Maracujá e menos de 10 minutos depois estávamos novamente pisando na areia. A Justa é uma praia pequena se comparada às anteriores ( 300 m) e nos chama a atenção o fato de ser um lugar vazio, onde duas ou três lanchas estavam estacionadas. Aqui temos um clássico exemplo da preguiça humana, que prefere se acotovelar em praias lotadas enquanto praias como essa, apenas por ser preciso míseros minutos de caminhada, ficam jogadas às traças.

         (ILHA DO MARACUJÁ)
                Mais de 20 km de andanças sob um sol de rachar coco, nos deixou exaustos e ao chegar ao final da nossa jornada, nos sentamos em um quiosque que serve comida para abastados e de frente para praia, ficamos a comtemplar aquele mar e seus barquinhos num vai e vem hipnotizante. Nossa missão estava cumprida, realizamos o trajeto do qual nos propusemos a fazer e como prêmio, sonhamos ser ricos apenas uma vez na vida e pedimos logo uma porção de camarão e de cação e enquanto a iguaria banhada a fios de ouro era preparada, corremos para o mar e fingimos ser donos de uma lancha chiquetosa que por ali boiava e a fizemos companhia, boiando ao seu lado até que a Aline nos chamou avisando que o chefe já iria trazer a comida.

         (PRAIA DA JUSTA)
                Comemos devagar, saboreando cada perna de camarão, até que resolvo perguntar à um nativo a direção do caminho que poderia nos levar de volta para Rio-Santos no intuito de pegarmos um ônibus de volta para Vila de Picinguaba. O caiçara se espanta quando descobre que estávamos vindo a pé da vila distante e sem nos dar chance de defesa já diz logo na cara: “ Seis veio andando de Picinguaba, porque não vão até Puruba”.  Pronto, foi a deixa para o diabinho da comichão pular para o meu ombro e ficar infernizando minha cabeça: “ Vai lá Divanei, quem fez 9 praias faz 10, vai lá, o que são só mais uma hora de caminhada numa trilha subindo esse morrinho de nada? ”

         (PRAIA DA JUSTA)
                Dando ouvidos aos conselhos do diabinho, arrastei a Julia, a Aline e o Rogério comigo e com a barriga cheia, mas a alma transbordando de más intenções, caminhamos pelos quase 300 m da Praia da Justa, cruzamos um riacho pela canela e junto a uma casinha, perguntamos a um nativo pela trilha, que estava ali justamente no final da praia. Antes de subir a trilha, calçaram os tênis e eu não tinha outra opção a não ser a de seguir de sandálias mesmo. A trilha é larga, mas em certos momentos o mato acabou por tomar conta, mas nada que atrapalhasse nossa caminhada, que seguia firme e decidida com o objetivo de pôr fim aquela travessia definitivamente. Vamos cruzando por baixo de uma floresta exuberante às vezes vendo o mundo distante através de algumas janelas que iam surgindo para os vales e montanhas. Meia hora depois, talvez menos, cruzamos por um grande atoleiro e vários pequenos riachos são cruzados e em outros 15 minutos saímos  no aberto, uma antiga plantação de mandioca, com uma placa indicando uma pequena trilha num aceiro ( corte no mato em forma de estradinha para proteger uma certa área contra fogo), então adentramos nesse caminho que logo voltou a ficar largo e de passagem desobstruída , mas 10 minutos depois esse caminho se perdeu no meio da floresta, nos deixando sem pai e sem mãe , sem saber para onde seguir.

                Procuramos a trilha, vasculhamos cada canto ao redor e nada. Voltamos para ver se não a havíamos perdido um pouco antes, mas nada encontramos, pode ser mesmo que não tenhamos procurado o suficiente, o certo é que agora teríamos que tomar uma decisão: Quando a gente é jovem, costumamos tocar o foda-se, fazer umas porra-louquisses inconsequente. A gente acaba por tomar decisões sem pensar muito nas consequências, vai meio que por impulso, é da nossa idade fazer estupidez, mas aí quando a idade chega e a maturidade já toma conta do nosso bom senso, a gente descobre que isso não tem nada a ver com nada e que quem viveu tomando decisões cretinas, nunca vai aprender mesmo, então, reuni o grupo todo e com o aval do Rogério, decidimos tocar o pau no mato, arrastar aquela floresta no peito e que os deuses tenham pena da nossa alma . (rsrrsrsrsrsrsrr)
                Liguei o gps do celular e fizemos um estudo prévio do terreno. Estávamos quase no alto do morro e nos pareceu que o melhor caminho seria passar pelo topo, então foi para lá que nos dirigimos, inicialmente tentando nos livrar dos cipós e arbustos parecidos com palmeiras. A cada metro avançado era um corte que ganhávamos, afinal de contas estávamos todos apenas com roupas próprias para banho. No começo até fui iludido pela vegetação e cheguei a pensar que passaríamos fácil, mas conforme fomos avançando os gritos de murmúrios e ranger de dente foram aumentando, era as meninas que gritavam a cada espinho e a cada corte que a vegetação lhes presenteava, a cada mosquito, a cada borrachudo, era um xingamento novo que eu recebia por tê-las colocado naquela enrascada. O avanço era lento e o Rogério já estava falando para apressarmos o passo para não termos que dormir no mato e aí foi que dei graças por ter pego alguns equipos de emergência. Já fazia mais de uma hora que a gente tentava nos livrar da vegetação e parecia que não saíamos do lugar, a não ser quando tentávamos descer um barranco liso e a força da gravidade nos dava uma forcinha, nos empurrando morro à baixo em escorregões memoráveis.
                 Meus pés não tinham mais lugar para furar e para cortar e as pernas das meninas já estavam todas retalhadas, quando tomamos a decisão de descer por dentro de um rio seco, uma calha da montanha que logo brotou água e matou nossa sede. As meninas já estavam emputecidas de tanta raiva, mas era preciso seguir em frente. Contornamos um desnível com uma pequena cachoeirinha e perdemos altitude rapidamente e aí conseguimos nos deslocar um pouco mais rápido por dentro do riacho até darmos de cara com umas mangueiras pretas, bem na capitação de água do vilarejo de Puruba, onde ao lado interceptamos uma trilha mais carpida e descemos até o Rio Quiririm.

                Chegar às margens do Rio Quiririm poderia até ser um alívio se não fosse o fato do rio ser extremamente fundo e largo e como a Aline não sabe nadar, o jeito foi tentar margeá-lo até que ele se encontre com o Rio Puruba e ganhe o mar, onde fica largo e raso, dando passagem para a praia, mas como por infelicidade fomos sair numa área de mangue, estava quase impossível passar andando pela margem e aí não tivemos outra alternativa senão tentar chegar a sua foz andando por dentro do rio. Fui guiando o grupo, inicialmente com a água na cintura, nos segurando nos galhos da margem e tomando cuidado com as pedras infestadas de cracas e ostras que cortam feito navalha.
                O avanço era lento, as meninas o tempo todo resmungando porque diziam que a qualquer momento poderiam ser comidas por uma sucuri ou outra cobra comedora de gente e não adiantava nada falar que esse não era o perigo porque eu e o Rogério já não gozávamos mais de nenhuma credibilidade com elas. A margem foi ficando cada vez mais funda e quando chegou ao meu pescoço, me veio a cabeça que nosso avanço pelo rio tinha chegado ao seu final e que não haveria outro jeito senão eu tentar atravessar o rio a nado e ir procurar um pescador com alguma canoa para nos tirar da enrascada em havíamos nos metido. Aliás , já fazia tempo que as meninas imploravam pra gente gritar e chamar atenção de umas jangadas que já estavam nas nossas vistas, mas nós não queríamos dar o braço a torcer, só iríamos pedir arrego quando não tivesse mais jeito. Acontece que quando a água bateu no pescoço, a Aline já deu uma baqueada e o Rogério cortou a perna numa craca e o “sangue véio” desceu, aí a menina resolveu acabar com a brincadeira e ao ver uma canoa fazendo a curva vindo do rio Puruba, que se encontra com o Quiririm, levantou os braços e acenou para o pescador que vem em nosso auxilio.
                O pescador, sem entender nada, sem saber de onde havíamos surgido, já foi perguntando e quando soube que vínhamos da praia da Justa, já foi dizendo que essa trilha não é mais usada pelos caiçaras e que aquele lugar era infestado de cobras bravas. Paciência, as meninas eram mais, ( rsrsrrsrr) . Rapidamente nos jogou para dentro da canoa e nos deixou do outro lado do rio e não quis nem receber pelo trabalho, já lhe bastava a satisfação de contar para toda a comunidade que havia resgatado 4 sem noção que foram dar com os burros n’água depois de varar aquele mato dos infernos.

       
       
       

           (FOZ DO RIO PURUBA COM O QUIRIRIM)
                Estando em terra firme, já que ali estávamos, aproveitei para mostrar a PRAIA DO PURUBA para eles, já que eu a conhecia de outros carnavais. Primeiro para chegar à praia é preciso atravessar o rio Puruba com a água pela cintura que corre paralelo ao mar. Essa é uma das joias do litoral de Ubatuba, uma praia enorme onde é possível tomar banho de mar e de rio ao mesmo tempo e no seu canto direito é praticamente deserta e selvagem. O sal do mar serviu para lavar as feridas de um grupo esfarrapado e retalhado pela floresta e quando todo mundo já estava mais ou menos apresentável, viramos as costas para o oceano e botamos o pé na estrada novamente, mais 40 minutos de caminhada até a Rio-Santos e por lá ficamos por quase 3 horas até que um ônibus tivesse dó da gente e nos desovasse novamente no vilarejo caiçara de Picinguaba, já depois das 11 horas da noite.

          (PICINGUABA)
                Não é preciso nem dizer que os nossos familiares estavam arrancando os cabelos de preocupação e mesmo assim, debaixo de uma saraivada de críticas pela nossa irresponsabilidade, fomos cumprir o prometido que era o de fazer o churrasco, mesmo sendo depois da meia noite. A Julia coitada, a mesma que de manhã fazia coro nos chamando de velhos, tomou banho e foi morrer num canto qualquer, indo dormir sem forças nem para jantar. Em volta da churrasqueira, eu e o Rogério demos muitas risadas do acontecido porque fazia tempo que não nos metíamos juntos numas enrascadas dessas, relembrando os velhos tempos em que saíamos sem rumo mundo à fora a procura de aventuras memoráveis e mostramos que em se tratando de arrumar encrencas, ainda estamos em plena forma.

                                                        Divanei Goes de Paula- dezembro/2018
       


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