Ir para conteúdo
  • Cadastre-se
Raisa Karigyo

"Weather changes moods" - Pico Paraná

Posts Recomendados


Trekking no Pico Paraná – 28 e 29 de Dezembro de 2017

"Pode ser difícil admitir que passar o tempo em remotas paisagens preservadas em seu estado natural signifique, o mais das vezes, passar o tempo confinado nas paredes de uma cela de náilon molhado, sem poder sair da barraca." 

Jon Krakauer, em 1990, Sobre Homens e Montanhas

Com a citação do escritor e montanhista Jon Krakauer, inicio o relato da viagem feita em 28 de dezembro de 2017, para o trekking e acampamento no Pico Paraná. A serra Ibitiraquire é o local onde está inserido o P.P. (Pico Paraná), que é a maior montanha da região Sul do Brasil, contabilizando 1.877 metros de altura. A trilha para alcançar o cume demanda entre seis e oito horas em ritmo de caminhada. A ideia aqui era ir de Maringá a Curitiba (427 Km) dividindo o carro em quatro ocupantes: Leila, João Milton, João Paulo (meu namorado) e eu, subir a montanha, pernoitar em acampamento, fazer o ataque ao cume e descer rumo ao litoral. Vale dizer que todos os meus companheiros possuem grande afinidade com atividades físicas ao ar livre e nesse caso eu era a exceção.

Quem sou eu? Arquiteta, quase balzaquiana, mais sedentária do que ativa, cuja experiência em aventura se resume, ou no caso resumia, a inúmeros episódios de ‘Man vs. Wild’ e ‘Largados e Pelados’. Para minha preparação, li relatos de outros viajantes e assisti a vídeos de outras pessoas que se aventuraram a subir o P.P., na esperança de antever o tipo de dificuldades que iria encontrar, além de visualizar partes do trajeto e tornar toda a aventura mais palpável. Resolvi correr, mas com a frequência de atleta de final de semana. Fora isso, havia iniciado a leitura de “Sobre Homens e Montanhas”, o que se fez bastante útil, principalmente o capítulo “Sem poder sair da barraca”.

Em várias conversas com o João Paulo, fui alertada que além de ter condicionamento físico eu teria que prestar atenção ao estado psicológico, uma vez que uma eventual mudança de humor poderia afetar negativamente o restante do grupo e tornar a jornada - que já é cansativa – uma experiência de exaustão. Entretanto, minha principal preocupação continuou a ser o meu condicionamento físico, pois em minha primeira experiência em montanha, feita um mês antes no Pico Agudo – Sapopema, Paraná, trilha considerada de dificuldade fácil, eu havia sentido um esforço físico significativo. Com essa lembrança em mente e sabendo que enfrentaria uma longa “escalaminhada” (uma mistura de trajetos em terreno plano, mas também subida e descida por meio de pedras e troncos caídos, muitas vezes com auxílio de cordas ou grampos de metal fixados permanentemente em pedras), preparei a mochila e topei a viagem, mais por impulso e desejo de variar os ares do que por consciência.

O objetivo principal da trilha no P.P. era servir como treinamento para o longo trekking (longo mesmo, com duração de sete a nove dias) percorrendo o circuito “O” em Torres del Paine, na Patagônia Chilena, do qual os meus companheiros participarão em Março de 2018. Por esse motivo, ficou decidido que faríamos a trilha e acamparíamos no chamado "falso cume" da montanha, pois seria uma ótima oportunidade de testar os equipamentos que eles pretendem levar para o Chile.

Não tínhamos muitas opções de datas para a subida da montanha, por isso acompanhamos diariamente a previsão do tempo especificamente no Pico Paraná e na noite anterior à nossa partida, a previsão constava de tempo aberto com pancadas de chuvas de 1 mm durante a tarde do dia 28, o que parecia bastante bom. Partimos de Maringá a bordo de um Fiesta Sedan, após constatar que o porta-malas de um Gol não daria conta de transportar quatro mochilas cargueiras. Chegamos a Curitiba e nosso primeiro destino foi a Decathlon Barigui, aproveitamos para comprar equipamentos que faltavam, não era o meu objetivo, mas foi o conjunto de calça e jaqueta impermeável que me salvou de um grande perrengue! Descansados da viagem, deixamos Curitiba às 6h00 da manhã do dia 28 rumo à Fazenda Pico Paraná (58 Km), paramos pra tomar café em um posto e chegamos um pouco depois das 8h00.

Todos que vão subir as montanhas a partir da Fazenda Pico Paraná devem deixar seus dados na sede, incluindo a data de retorno e telefone de emergência, bem como pagar uma taxa para o acesso (R$10,00) que dá direito a estacionar o carro e utilizar o banheiro da sede. Mochilas nas costas! Seguem os itens:

  • Barraca Azteq Nepal;
  • Saco de dormir;
  • Isolante térmico;
  • Quatro litros de água;
  • Alimentos (salame, chocolate, miojo carboidrato em gel);
  • Fogareiro e talheres;
  • Roupas impermeáveis;
  • Toalha;
  • Lanternas de mão e de cabeça;
  • Canivete;
  • Apito;
  • Fleece (precaução para baixas temperaturas);
  • Roupas secas;
  • Kit primeiros socorros;
  • Kit higiene;
  • Travesseiro inflável;
  • Capa de chuva (poncho e capa para a mochila)

Estávamos prontos! Em meio a uma garoa fininha e temperatura quente iniciamos a trilha às 8h50. A primeira parte, um trajeto de terra batida e pedras cercado por um tipo de vegetação que lembrava samambaias, durou cerca de uma hora e teve um ganho de altitude significativo, fizemos uma pequena pausa para hidratação e continuamos. Como sabia que a subida inicial era a pior parte, fiquei animada com o que estava por vir! Passamos pela bifurcação das trilhas que seguem para o Pico Paraná, sinalizado por fitas brancas e Caratuva, sinalizado por fitas amarelas, seguimos em direção às fitas brancas!

Seguimos nosso destino, a trilha varia entre trechos de mata fechada e caminhos ao ar livre, chão de lama, troncos e galhos retorcidos, pedras grandes e cheias de limo que demandavam o uso das mãos para subir e descer. Permanecemos secos durante umas duas horas de trilha, quando começou a garoar, então colocamos as capas de proteção nas mochilas. Nas primeiras poças de lama, encharquei os dois pés! Caminhamos mais um pouco entre pedras, paramos na bica d’água para abastecer as garrafas, sempre por subidas e descidas. Em uma dessas descidas, escorreguei e caí de lado em uma pedra, o que me rendeu um roxo maior que a palma da minha mão aberta e que até hoje (08/01) permanece na minha perna. Mesmo após a queda eu estava realmente me divertindo e me sentindo muito bem, curtindo a paisagem que é espetacular!

Em uma pequena clareira, quando terminávamos uma subida, vimos um montinho gordinho e branquinho. Era um cachorro deitado. Chegamos perto e chamamos o cachorro que parecia não querer sair do lugar. No primeiro momento pensamos que poderia ser de alguém e que essa pessoa havia deixado o cachorro ali para poder fazer o restante da caminhada e encontrar com o bichinho na volta. Voltamos para a trilha e o cachorro levantou, era uma fêmea e parecia bem alimentada. A cadelinha decidiu ir conosco e foi avançando sem a menor dificuldade por entre galhos e pedras, fazendo caminhos alternativos. Em certo ponto, penso que ela se cansou do nosso ritmo devagar e se mandou na nossa frente.

Atingimos outra clareira no topo de uma montanha menor e decidimos parar para comer e beber água, eram cerca de 13h00, foi o primeiro momento em que tiramos as mochilas das costas para relaxar um pouco. O tempo continuava ruim, além de garoa havia muita neblina e não conseguimos ter uma visão ao certo do que estava ao nosso redor. Assim que tirei a mochila, resolvi bater o grosso da sujeira que estava em mim após os tombos (que foram uns dois na ida), senti que havia alguma coisa errada com a traseira da minha calça... Um buraco enorme! Para a minha salvação, a calça impermeável, aquela da Decathlon, estava dentro da mochila. Troquei de roupa atrás de uma moitinha e resgatei a dignidade. Alimentados e hidratados voltamos ao caminho, mais mata fechada e a chuva começou a ficar mais forte.

Em certo ponto da trilha, chegamos a uma montanha que dá visão ao P.P. e toda a sua imponência. Nesse momento paramos para admirar, apesar de toda a neblina, é uma paisagem de tirar o fôlego! Você se sente muito pequeno diante de uma porção de terra tão desafiadora. Estava tudo certo até aí, sentia cansaço, mas nada que me impedisse de continuar, os chocolates e o gel de carboidrato cumpriam seus papéis. Foi quando o João Paulo apontou para um lado da parede de pedra e observando com calma ele disse: “É por ali que nós vamos ter que subir” e foi aí que comecei a ficar realmente apreensiva. Entramos por mais uma porção de trilha com mata fechada e saímos diante do paredão de escalada. A chuva engrossou e confesso que nesse momento todo o meu bem estar psicológico escorreu parede abaixo.

Eu e J.P. estávamos na frente e fomos os primeiros a começar a escalada. O J.P. subiu com facilidade (mesmo com uma mochila de mais de 15 Kg nas costas) e com tranquilidade me chamou pra começar a subida. Coloquei o pé e me apoiei no primeiro grampo, minhas pernas tremiam visivelmente, meu rosto era puro desespero. A Leila que estava logo atrás de mim percebeu que eu não estava bem e avisou todo mundo. Tenho medo de altura, aquele medo que faz a planta do pé doer só de me aproximar de uma varanda no terceiro andar de um edifício. Sentei na pedra mais próxima a pedidos do grupo, nesse momento, um pouco de melodrama: ”Não tem vista que compense isso que a gente está fazendo! O que a gente está fazendo é burrice!”. Então, com toda a paciência do mundo, o J.P. subiu, deixou sua mochila no final da parede de grampos, desceu, colocou minha mochila nas costas e subiu junto comigo, sempre me animando e me dando incentivo!

Nessa hora eu não sabia mais o que eu sentia, era uma angústia muito grande misturada com a vergonha de ter tido um surto enquanto meus companheiros pareciam bastante tranquilos. Nem preciso dizer que subi cada um desses grampos pensando realmente que a minha vida dependia apenas das minhas mãos, tremendo da cabeça aos pés e amaldiçoando mentalmente a minha decisão de ter encarado esse trekking. Coloquei o título desse relato com uma frase de In Bloom do Nirvana porque o tempo de fato muda o humor das pessoas, ainda mais em situações de stress. Acredito que se tivéssemos pego um tempo estável, sem chuva, a dificuldade de subir ainda existiria, mas eu talvez não surtasse.

Após a subida dos grampos, mais trilha por caminhos de pedra e argila que agora pareciam pequenas cachoeiras. Estávamos em meio a uma chuva torrencial que com certeza passou muito além do 1 mm previsto! Levamos sete horas pra chegar ao chamado “falso cume” e a partir dali fomos procurar um local para montarmos acampamento. Os melhores locais, planos e protegidos estavam ocupados por outras barracas de forma que tivemos que acampar em terreno inclinado.  Depois percebemos ter sido uma boa escolha, visto que onde era plano ficou completamente alagado. Encontramos nesse momento, 16h00, dois caras que estavam voltando do cume, eles passaram pelo nosso grupo durante a trilha e chegaram muito tempo antes de nós ao acampamento. Eles acharam um pedaço de lona preta gigante e se ofereceram para estendê-la e nos deixar montar as barracas protegidos da chuva. Acampamos em uma descida, exposta ao vento e a dez passos do limite da montanha. Tudo pronto! Eu e o J.P. em uma barraca e João Milton e Leila ao nosso lado. Apesar de termos abrigo senti que estava apavorada, nunca havia acampado e logo na primeira experiência peguei chuva sem parar... Por dezoito horas seguidas!

Eu entendo que para a maioria das pessoas a experiência que estou relatando não é o perrengue todo que eu descrevo, mas venho aqui humildemente explicar que eu sou o tipo de pessoa que raramente sai de sua zona de conforto. Estava tentando colocar a cabeça no lugar, mas a única coisa que conseguia pensar era em como descer a parede de grampos na pedra inclinada com chuva forte. Mesmo que novamente o J.P. descesse com a minha mochila, eu ainda considerava perigoso demais para qualquer pessoa que fosse, encarar esse trecho com o mau tempo. Eu tinha medo por ele, por mim, pelo J.M. e pela Leila. Passaram-se horas, comemos nosso macarrão instantâneo com sopa em pó e salame, tiramos as roupas e os coturnos encharcados de água e lama, abrimos os sacos de dormir e tentamos descansar. Eu deitei, mas demorou muito tempo até que eu conseguisse desligar minha cabeça da preocupação com o retorno. Nesse ponto eu nem pensava em subir até o cume, pensava apenas na sensação maravilhosa que seria estar na base da fazenda.

Dia 29 de dezembro, acordamos perto das 8h00, a chuva continuava sem dar trégua, entre gritos de barraca a barraca, estabelecemos um horário para desarmar o acampamento e começar a descida. Abrimos um pouquinho da lona da barraca e quem estava ali? Nossa dog trekkera! Toda molhada de chuva, porém plácida, sentada ao lado da barraca de nossos amigos (descobrimos mais tarde que a cadela vive na fazenda e faz o percurso várias vezes ao dia). Não tentamos subir ao cume, muita chuva, vento e neblina (nenhuma visibilidade do entorno da montanha), somados ao meu maravilhoso estado de espírito, nos levaram a decidir que a melhor coisa a se fazer seria voltar para a base. Os rapazes que nos ajudaram também estavam se preparando para descer, aproveitamos para irmos juntos (fica aqui registrada a minha distração de não ter ao menos perguntado o nome deles, que mancada!). Segui na frente do grupo, pois a minha mochila era a mais leve de todas e fui seguindo os rapazes, o cara de chapéu de duende e seu amigo. Eles me esperaram nas partes de escalada nos grampos para descer com a minha mochila e foram muito pacientes. Fica aqui meu agradecimento pela ajuda muito importante de vocês ao nosso grupo!

A descida foi mais tranquila, ainda que com muita chuva, fui me acalmando, mas ainda me sentia responsável pela frustração de todos em não ter subido até o cume. Encontramos um grupo que subiu até o cume em um bate e volta de cinco horas, enfrentando chuva grossa e neblina e mesmo assim encararam até o final! Nessa momento eu senti o ‘L’ de loser se desenhando na minha testa. Levamos cerca de cinco horas para fazer a volta, a lama estava por todos os lados, desistimos de desviar das poças. Cansados e escorregando o trajeto final inteiro, chegamos à base. Lá, sentamos, pedimos três cervejas (mantendo o motorista sóbrio, sempre!) e pastel de carne (R$5,00 a latinha de Budweiser e R$7,00 por pastel, feito na hora por sinal), mochilas para o lado e finalmente a alegria de termos chegado ao fim. Banho tomado, arrumamos nossas mochilas no porta-malas, limpamos o que pudemos da sujeira dos coturnos e seguimos rumo ao litoral para passar o Réveillon. Não chegamos ao cume, mas a sensação de ter encarado esse desafio (ainda que pequeno aos olhos dos mais treinados) foi de orgulho, algo completamente fora da minha rotina, que eu jamais planejaria por conta própria e que deu uma sensação de superação que eu ainda não tinha sentido.

Não vou recomendar a qualquer um que encare esse trekking só porque eu saí inteira, seria muita irresponsabilidade. Fui acompanhada de pessoas que sabiam o que estavam fazendo e que se prepararam com antecedência, cuidadosamente e só por esse motivo consegui acompanhar. Em vários relatos, as pessoas começam alertando que: “O Pico Paraná não é passeio!” e essa frase nunca esteve tão certa! Passado o frenesi e esse misto de sensações, agradeço de coração ao João Milton e a Leila por toda a compreensão e paciência e em especial ao J.P. por todo carinho, incentivo e dedicação para me ajudar em todos os momentos! Depois que as dores nas pernas e ombros foram embora, começamos a pensar no retorno, com tempo estável, outra estratégia de ataque à montanha, preparo físico melhorado, fotos do entorno, assinatura no livro e comemoração no cume!

Bifurcação Caratuva e P.P..jpeg

Pegada boot guerreirinho.jpeg

P.P. neblina.jpeg

Dog trekkera.jpg

Descida pela parede de grampos.JPG

Final.jpeg

  • Gostei! 4

Compartilhar este post


Link para o post
Compartilhar em outros sites

Parabéns pelo relato!! Incrível os detalhes de cada momento, você foi muito bem preparada, não tenho ainda  metade dos equipamentos, hahaha. 

 

Abraço

  • Gostei! 1

Compartilhar este post


Link para o post
Compartilhar em outros sites

Muito bom!
Você mesma reconhece que não sai da zona de conforto então já uma grande conquista ter feito um pedaço do PP.

  • Gostei! 1

Compartilhar este post


Link para o post
Compartilhar em outros sites

Parabéns pelo relato, acabo levando sempre pessoas que nunca fizeram nenhum tipo de atividade fisica e nem trilhas rs, algumas gostam muito e não param e outras falam que nunca mais farão nada do tipo,

 

Este trecho que vc citou :

teria que prestar atenção ao estado psicológico, uma vez que uma eventual mudança de humor poderia afetar negativamente o restante do grupo e tornar a jornada - que já é cansativa – uma experiência de exaustão.

 

Eu concordo plenamente com ele pois vivenciei isso algumas vezes e a pessoa chega em um ponto em que só pensa na dor e cansaço, não aproveitando nada e tendo uma experiencia que acaba desanimando e traumatizando

 

  • Gostei! 1

Compartilhar este post


Link para o post
Compartilhar em outros sites

Parabéns pelo relato Raisa, realmente fazer o Pico Paraná com chuva não deve ser nada fácil, ainda mais no seu caso que era a primeira vez na montanha. A união do grupo e a experiência de alguns membros faz toda a diferença nesses momentos. Saiu total da zona de conforto.

  • Gostei! 1

Compartilhar este post


Link para o post
Compartilhar em outros sites

@Diogenez M Realmente, o estado psicológico de uma pessoa acaba afetando negativamente o grupo. Por isso é bom sempre ter o máximo de informações antes de fazer qualquer tipo de atividade do tipo.

  • Gostei! 1

Compartilhar este post


Link para o post
Compartilhar em outros sites
19 minutos atrás, Raisa Karigyo disse:

@Diogenez M Realmente, o estado psicológico de uma pessoa acaba afetando negativamente o grupo. Por isso é bom sempre ter o máximo de informações antes de fazer qualquer tipo de atividade do tipo.

Minha primeira subido ao pico parana, foi totalmente sem informação, subi com chuva, sem outra roupa, dormi molhado e sem algo para forrar a barraca, passei frio e fome rsrs, mas nem isso abalou, mas foi para aprender, depois nunca mais passei apuros kkkk

  • Gostei! 1

Compartilhar este post


Link para o post
Compartilhar em outros sites

Crie uma conta ou entre para comentar

Você precisar ser um membro para fazer um comentário

Criar uma conta

Crie uma nova conta em nossa comunidade. É fácil!

Crie uma nova conta

Entrar

Já tem uma conta? Faça o login.

Entrar Agora

  • Conteúdo Similar

    • Por beatrizz
      É com imensa satisfação que escrevo esse relato sobre a segunda e sucedida tentativa de subida ao Pico Paraná. Fiz um relato aqui no mês passado pra contar uma trip maravilhosa de ida ao PP. Porém naquela ocasião o clima não foi tão amigo assim. E o destino foi o A2, o segundo acampamento do Pico Paraná. 
      Dessa vez pegamos um fim de semana com previsão de sol, o que se cumpriu. Tempo ótimo, não muito frio e com um sol sensacional. 
      A trilha de subida ao PP é bem desafiante, mas é daquelas coisas que te fazem crescer, é como começar tomar café sem açúcar. Depois do PP você fica exigente pra trilha, e qualquer coisa não te satisfaz, precisa ser desse nível e além. 
      Uma dica pra quem teve medo dos grampos a primeira vez é que na segunda fica bem mais fácil hehe. 
      Relato aqui então a parte do A2 até o cume! 
      O acampamento foi no A2, e o por do sol é lindo, uns 20 minutos de subida do A2 já da pra ter uma vista maravilhosa. 
      A noite deu pra ver a Via Láctea! 
      A subida ao cume começou as 05:30 da manhã com lanternas, e em torno de 1 hora chega-se ao Cume. Comparado com o restante da trilha essa última etapa é bastante íngreme, então tome um bom café antes de começar. E o espetáculo do nascer do sol é uma coisa de outro mundo. 
      Então, eu só tenho cada vez mais admiração e carinho pelo Pico Paraná, sou fã, meio suspeita a falar, porque nesse ano já é a terceira vez que fui pra fazenda. E ta a uns 600 km de distância de casa, e todo esforço vale a pena pra quem já foi picado pelo bicho da montanha. 
      Obs. No A2 não está tendo água nesses tempos, se abastece nos pontos de subida! 
      VID-20180717-WA0009.mp4








    • Por lucband
      Eu, Lúcio, e minha esposa Marlene, 61 e 55 anos respectivamente, havíamos feito muuuuitos acampamentos (eu já fazia camping selvagem na década de sessenta, acompanhado de meu pai, usando barracas do exército, porque não existiam barracas de camping no Brasil) e algumas trilhas, mas a mais exigente até então havia sido a Ferrovia do Trigo, de nível fácil a moderado, além de pequenos trechos de montanha, mas tínhamos o sonho de chegar ao topo do Pico Paraná (PP), a montanha mais alta do Sul do país, com 1.877 metros. Sabíamos que seria muito difícil, então nem nos preocupamos em fazer preparação física especial, somente o que fazemos normalmente: eu jogo Tênis competitivo, minha esposa caminha e corre na esteira, caminhamos seis a oito quilômetros, andamos de bicicleta. Quase todo dia fazemos uma dessas atividades.  Meu planejamento inicial seria chegar com as cargueiras até o Caratuva (com possibilidade de acampar no cume do morro do Getúlio caso estivéssemos muito cansados) acampar e seguir no dia seguinte para o Pico Paraná, percorrendo a Trilha da Conquista até o acampamento 1 (A1). Escolhi pernoitar no Caratuva porque pensei que, se não conseguisse chegar ao Pico Paraná, pelo menos teria o prazer de ver o nascer e o pôr do sol no segundo mais alto pico da região Sul. Fiz um planejamento minucioso, para evitar aperto, e troquei alguns equipamentos para deixar as mochilas mais leves. A troca mais importante foi da barraca Naturehike Alumínio 2 que eu tinha pela excelente Naturehike Cloud Up 2 Ultralight (de cor cinza, que é mais leve): de 2,2 quilos para somente 1,5 quilos! No final das trocas, minha mochila pesava 13 quilos e a da Marle 11 quilos (sem considerar água). Ficamos então esperando um final de semana com tempo bom, até que finalmente chegou o grande dia, o feriado de Tiradentes, com uma previsão de tempo perfeito.
      Nos acompanharam na aventura a Tânia, uma amiga com a nossa faixa etária, seus dois filhos Guilherme e Riana, os três com experiência em trilhas, pois fizeram a Ferrovia do Trigo conosco, mas sem experiencia em montanha, e um casal de jovens amigos, Diego e Marina, que não tinham feito nenhuma trilha ainda. Saímos de Chapecó na quinta, dia 19/04/18, à tardinha e pernoitamos em uma Pousada em Quatro Barras, a 30 quilômetros do PP. Na sexta cedinho rumamos para a Fazenda Pico Paraná, onde conversamos com o proprietário, Dilson, e comentamos sobre nosso planejamento. Ele nos recomendou não acampar no Caratuva, porque a trilha da Conquista não era muito usada e era muito fácil de se perder, e falou que era melhor acamparmos no Itapiroca, fazendo a trilha normal para chegar ao PP. Aceitamos a sugestão, afinal o bom planejamento é aquele que é flexível, colocamos as cargueiras, tiramos uma foto e partimos.

      A tradicional foto da partida: Riana, Marina, Diego, Marlene, Lúcio, Guilherme e Tânia.
       
      Com o corpo ainda frio, quase morremos ao subir o íngreme gramado inicial na fazenda kkk (lembrei do filme Por Aqui e Por Ali - A Walk in the Woods, imperdível). Tocamos em frente, sem pressa, parando para apreciar a paisagem e tirar muitas fotos. Perto de uma da tarde chegamos na bica, depois da bifurcação do Caratuva, onde paramos para almoçar um delicioso Cup Nodles turbinado com sopa Vono e meio pacote de queijo ralado para cada um.

      Riana almoçando na bica.
       
      Depois de quase uma hora de descanso, abastecemos de água para o acampamento e tocamos em frente. Com dois quilos a mais em cada mochila o cansaço logo aumentou, e chegamos estropiados ao Itapiroca em torno de quinze e trinta, a tempo de montar acampamento, subir o pequeno trecho até o cume, deixar uma mensagem no livro e apreciar um belo pôr do sol.

      Na chegada ao Pico Itapiroca, eu e Marle dividindo o sabor da conquista.
       

      Deitado na barraca, namorando o Pico Paraná e imaginando como era longe...
       
      À noite deve ter feito menos de zero grau, porque estava ventando muito e mesmo assim formou gelo nas barracas. Estávamos bem agasalhados e com bons sacos de dormir, mas mesmo assim passamos frio...

      Na primeira noite formou gelo nas botas, isso que estavam no avanço da barraca...
       
      No dia seguinte bem cedo acordamos para ver o nascer do sol, e ás oito horas estávamos prontos para partir para o PP.

      Nascer do sol com o Pico Paraná ao fundo. Parece uma pessoa deitada, onde o PP é o nariz...

      Nossas barracas com o PP ao fundo. Em primeiro plano o saco para lixo (traga sempre de volta todo seu lixo, e mais um pouco como colaboração).
      Escondi nossa comida no mato (porque na trilha do Pontal de Tapes nos roubaram algumas coisas a noite, inclusive toda nossa comida, nos deixando em situação de risco, fiz um relato aqui: mochileiros.com/topic/71954-pontal-de-tapes-uma-roubada-literalmente/), deixamos nas barracas somente os isolantes, os sacos de dormir e alguns itens menos valiosos e saímos com três a quatro quilos em cada cargueira. Tudo na expectativa de não passar muito aperto caso furtassem nossas barracas enquanto estivéssemos na trilha... E fomos subindo, descendo, pulando, escalando, curtindo a paisagem, tirando fotos, bebendo água geladinha de cada fonte que tinha no caminho, até chegar no Acampamento 2 (A2), em torno de onze e meia, onde Tânia e Marina disseram que ficariam ali nos esperando, porque estavam cansadas.

      Marle, Marina e Diego escalando o paredão.
       
      Fomos atrás da bica de água para reabastecer, pegamos somente uma mochila, com água, kit remédios e kit de emergência, e partimos os cinco restantes para o ataque ao PP. Depois de pouco mais de meia hora, parecia que estávamos chegando ao cume, ficamos felizes, mas... não era o cume, avistamos mais um caminho por dentro da mata, e um paredão ameaçador no final, e o cume nos chamando lá em cima. Diego, Riana e Guilherme desanimaram e disseram que não iriam continuar... olhei para a Marle, para ver se ela estava bem, ela me olhou firme e disse: vamos! Não pensei duas vezes, peguei duas garrafas de água, coloquei uma em cada bolso da calça e saímos quase correndo em direção ao pico, com a adrenalina a mil. Chegamos lá em menos de quinze minutos, ainda gritamos para nossos amigos, dizendo que o último trecho era fácil, que era para eles tentarem subir, mas eles não entenderam, acharam que estávamos acenando para eles e voltaram para o A2.

      Eu e a Marle na pedra, ao lado do livro do cume do Pico Paraná.
      Nos abraçamos, rimos que nem crianças, sem acreditar que conseguimos chegar lá, tiramos muitas fotos, curtimos a paisagem, deixamos uma mensagem no livro do cume, sentamos um pouco e iniciamos a caminhada de volta, porque não tínhamos muito tempo, eram mais quatro horas até o acampamento base no Itapiroca, já era mais de duas da tarde e não queríamos pegar noite na trilha. Ao chegar no A2, onde o resto da galera nos esperava, um susto: Guilherme estava com câimbras, eu fiquei com medo de que ele não conseguisse retornar e tivesse que ficar no A2, sem abrigo. Demos para ele um coquetel energético (Capuccino com leite em pó adicional, Carb up, mandolate e Snickers, que mistura!), o que fez com que ele melhorasse (pelo menos das câimbras, porquê o estomago foi detonado kkkk) e ficasse em condições de iniciar a jornada de volta. No caminho abastecemos de água novamente, no último filete que tinha na trilha, ficamos com as mochilas mais pesadas, o que aumentou o cansaço, e acabamos chegando no Itapiroca já quase de noite, as dezoito horas, exaustos. Uma janta quente e uma unica cumbuca cheia de sopa, passada de mão em mão como em um ritual indígena, nos reanimou, o frio estava menor (ou o cansaço maior?) daí pudemos dormir melhor.
      No dia seguinte, acordamos cedo, a tempo de ver mais uma vez o belo nascer do sol, arrumamos as cargueiras e iniciamos a descida em um bom ritmo, às oito horas. Fazendo as tradicionais paradas para descansar, tirar fotos e apreciar a paisagem, às onze e meia chegamos na Fazenda Pico Paraná e fomos correndo encontrar uma churrascaria para tirar o atraso... que ótimo sabor tem a comida e bebida depois da trilha!
      Não poderia encerrar o relato sem enaltecer nosso grupo, unido em todos os momentos como uma família, com uma sinergia que transmitia força e segurança a todos e que nos permitiu fazer a jornada sem nenhum percalço. Obrigado, galera, vocês são incríveis!
       

      A chegada na fazenda Pico Paraná
       
      Acho que alguns montanhistas contumazes vão rir da nossa história, achando muito fácil chegar ao cume do PP, mas na nossa idade acredito que poucas pessoas teriam a preparação física e principalmente mental para sequer conseguir chegar com as cargueiras até o Itapiroca, o que dirá sair do Itapiroca no dia seguinte, com algum peso na mochila, ir ao PP e voltar. Ficamos muito felizes em poder provar que a velhice está somente na cabeça das pessoas, e que nunca é tarde para realizar seus sonhos, por mais malucos que possam parecer. O pior é que descobri o que muitos falavam e eu não imaginava o estrago que fazia: o bicho da montanha nos picou e contaminou, ficamos viciados e já estamos preparando nova jornada, agora para conhecer o Pico Caratuva... A montanha é o paraíso na Terra!
       

      No mirante próximo ao A2... nossa sinergia nos faz mais fortes!
    • Por MauroBrandão
      Copiei este relato do augusto por que são informações consistentes do Pico do Paraná necessárias neste tópico. Ela foi editada em relatos de viagem o qual ele é editor.
       
       
       
      E aí galera.
      Estou disponibilizando mais um outro relato da subida de mais um Pico.
      É bem hard, mas pelo menos a trilha está bem demarcada. Não tem erro. Nessa subida passei por alguns apertos, então recomendo p/ quem for lá que veja se o tempo estiver bom.
       
       
       
      Boa leitura.
       
      Não conhecia a trilha e só tinha duvidas quanto aos perigos de assaltos nela, mas procurei informação c/ o pessoal de Curitiba (CPM) e me disseram que na trilha não ocorriam roubos.
      Os assaltos que ocorriam nas montanhas do PR eram no Anhangava, então estava tranqüilo (na verdade não ocorrem mais também). Só tinha receio das torrenciais chuvas que estavam ocorrendo na região sul naquela semana e como já tinha marcado alguns dias de folga, não tinha como mudar as datas e o jeito era ir assim mesmo.
       
      Saí de São Paulo em direção a Curitiba no dia 04/Abril, em um Domingo planejando retornar no dia 07 ou 08 (Quarta ou Quinta-feira). Levei um relato do Beck que estava na Revista dele e algumas outras dicas que encontrei na net.
       
      Sai do Terminal Tiete, em Sampa no ônibus das 07:00 hrs e já quase na divisa de SP/PR peguei chuva forte, o que era um mau presságio.
      No posto do Tio Doca (Shell), no Km 48 já no PR, cheguei por volta das 12:00 hrs com tempo bom. O posto é bem fácil de encontrar, pois fica logo após a Represa de Capivari. Descendo no Posto tive que retornar 2 Km até o Km 46 onde se inicia a estrada de terra à direita em direção à Fazenda Pico do Paraná.
       
      Uns 15 minutos depois de iniciada a caminhada pela estrada, passei ao lado de vários pés de caquis, que estavam abarrotados e ao longo da estrada. Uma pena era que os caquis estavam moles demais, o que inviabilizava levar alguns para a trilha. Mais 15 minutos de caminhada existe uma bifurcação à esquerda que leva a alguns sítios e chácaras, mas a trilha é sempre seguindo em frente, se orientando pela placa "BRUNO" ou Fazenda Pico do Paraná. Logo à frente passa-se ao lado de uma Igreja da Assembléia de Deus à esquerda e mais à frente haverá uma outra bifurcação, onde se deve seguir pela esquerda (Placa BRUNO).
       
      Daqui para frente o trecho começa a ficar mais íngreme e será assim até a porteira de entrada da Fazenda Pico do Paraná, onde termina a estrada, cerca de 1 hora e 30 minutos desde a Rodovia. Cheguei aqui pouco depois das 14:00 hrs.
       
      Assim que se passa a porteira existe uma descida forte até a sede da Fazenda e a direita já é possível ver uma pequena crista por onde passa a trilha e com alguns picos ao fundo (Caratuva e Itapiroca). Após passar o riacho (pegue água aqui) há uma pequena casa à esquerda onde se deve pagar uma taxa de R$3,00/pessoa e R$5,00 pelo estacionamento.
       
      O Dílson, que é o responsável pela Fazenda diz que o dinheiro é para a manutenção da trilha e que a Fazenda ainda disponibiliza banheiro e chuveiro quente para os montanhistas (uma mão na roda p/ quem tá voltando do pico). No dia que passei aqui o estacionamento tinha aproximadamente uns 10 carros, então eu iria cruzar c/ muita gente voltando do Pico.
       
      A trilha se inicia ao lado do estacionamento, no lado direito, onde a trilha entra na mata. Com um trecho muito forte de subida durante uns 40 minutos e vistas de toda a Fazenda, a Rodovia e a Represa ao fundo. Há também alguns mirantes naturais, onde encontrei vários montanhistas descansando. Logo a trilha se estabiliza e segue para a esquerda, passando por um lago de água parada (água não-potável) à esquerda e algumas clareiras onde podem ser montadas barracas.
       
      Após cerca de 2 horas desde a Fazenda, a trilha emerge numa área de vegetação bem baixa com o Pico do Caratuva bem à frente com suas antenas de rádio localizadas no topo e o Pico do Itapiroca do lado direito, um pouco escondido. Até esse ponto devem ter passado por mim cerca de 15 pessoas, entre grupos e alguns solitários voltando do pico. Assim que a trilha volta a entrar em mata fechada novamente, existe uma clareira do lado direito, onde cabem umas 5 barracas e onde montei a minha e passei a 1ª noite. Já era por volta das 16:00 hrs e ainda vários montanhistas passaram por ali e perguntando para eles como estava a trilha do PP, diziam que estava muito escorregadia e o Pico do Paraná e seu entorno estava a maior parte do tempo encoberto. Como não tinha trazido muita água lá da Fazenda, agora era buscar em bicas que se localizavam um pouco à frente, cerca de 15 minutos de onde eu estava. Peguei cerca de 2 litros de água e fiz o meu jantar. A noite chegou e rapidamente tudo ficou encoberto.
       
      No dia seguinte sai em direção ao PP por volta das 07:30 hrs com o tempo totalmente fechado e andando uns 20 mts há uma bifurcação, à esquerda que leva ao Pico do Caratuva e ao um pequeno riacho onde se pode pegar água. Não recomendo subir por essa trilha, já que é bem íngreme. Segui pela bifurcação da direita, que vai contornando o Caratuva. A trilha agora é quase toda por trechos de raízes expostas, onde o caminhar se torna mais lento. Cerca de 15 minutos depois da bifurcação há uma bica à esquerda da trilha e depois de quase 1 hora há uma outra bifurcação para a direita que leva ao Pico do Itapiroca, onde se chega no topo uns 30 minutos depois.
       
      Procurei um lugar p/ esconder minha mochila e subi até o topo somente com a máquina fotográfica. Chega-se primeiro a uma parte plana bem abaixo do topo e daqui sai uma outra trilha que entra por uma mata fechada e depois emerge quase próximo do topo. Aqui em cima de uma rocha há uma caixinha que contém o livro do cume. Assinei e deixei uma mensagem. Daqui até o topo ainda são uns 3 minutos, onde pode ver em dias claros toda a crista do PP. Cheguei aqui por volta das 09:30 hrs. No dia que passei por aqui não dava p/ se ver nada. Totalmente encoberto. A descida é bem rápida e voltei para a trilha em direção ao PP.
       
      Passei ainda por mais uns 2 riachos e como nos dias anteriores tinha chovido bastante encontrei varias poças de água e um lamaçal só. Pelo menos a bota estava agüentando o tranco. A trilha sempre vai contornando o Pico do Caratuva pela direita e logo se estabiliza. Agora a trilha é feita por uma vegetação baixa e logo passa por uma grande clareira bem no meio da trilha. Aqui chamam de Abrigo 1. Dessa clareira sai uma trilha à esquerda para o Pico do Caratuva. Não chega a ser difícil encontrá-la. Há também uma outra clareira uns 20 mts à frente. Cheguei aqui por volta das 11:00 hrs com o tempo totalmente encoberto e se o tempo estivesse bom daria p/ ver perfeitamente o maciço do PP e todo o percurso da crista para se chegar nele. Passando as clareiras, onde cabem umas 10 barracas, mas sem água, a trilha se inicia por uma pequena crista, mas a partir desse ponto, sempre descendo por uns 20 minutos até chegar à base do PP, onde tem início a pior parte da trilha.
       
      Chegando na base, inicia-se uma longa subida íngreme, sendo que no 1º momento há um enorme paredão não muito inclinado a ser ultrapassado, mas que alguns grampos fixados na rocha ajudam. E tome subida. Passado cerca de 40 minutos desde a base do PP chega-se ao Abrigo 2 com algumas pequenas clareiras muitos boas para montar barracas e onde existe um Refúgio semi-destruído na borda à esquerda. Somente suas paredes estão de pé, não havendo teto. Aqui também é o ultimo ponto p/ se pegar água, que se localiza seguindo por uma trilha que passa ao lado do Refúgio e segue pela encosta à esquerda. A bica é bem pequena.
       
      Saindo das clareiras para a direita, há uma trilha que vai p/ o Pico do Camelo, visível daqui, mas bem abaixo do PP onde se chega em uns 20 minutos.
      De vez em quando o tempo abria e dava p/ se ver toda a crista restante de subida do PP, distante ainda cerca de 1 hora. Continuando a subida em direção ao topo, a trilha vai se tornando mais lenta e difícil, com lances de escalada em rocha que são um pouco perigoso. É necessário tomar muito cuidado para não sofrer algum acidente. Cerca de 2 minutos antes do topo existe uma pequena clareira à direita, suficiente para umas 2 ou 3 barracas. Junto dessa clareira também há uma trilha para esquerda que leva a um pico do Ibitirati mais abaixo. Chega-se no cume do PP pelo lado direito sem maiores dificuldades.
       
      O topo é plano e possui algumas clareiras (3 ou 4) suficiente para umas 10 barracas ou mais. A visão daqui alcança o litoral, uma parte da cidade de Curitiba e todos os picos ao redor. Cheguei aqui por volta das 15:00 hrs. Há também um livro do cume que fica dentro de uma caixinha fixada em uma rocha. Pelo teor das mensagens dava para notar que a maioria que sobe até o topo retorna no mesmo dia, por isso lixo inexistia aqui. Um problema de se acampar aqui é que o topo é um local muito exposto, mas prendendo bem a barraca não haverá dificuldades.
       
      Devido às chuvas dos dias anteriores, o solo estava bem encharcado e quando chegou a noite a chuva voltou com força total, continuando até a madrugada. Foi um Deus nos acuda porque onde estava começou a se formar poças de água embaixo da barraca e não deu outra. Logo estariam entrando pelos micro-furos no piso. Se eu não estivesse com o isolante, o saco de dormir estaria já estaria molhado. Por volta das 03:00 hrs da madrugada a chuva cessou e notei que a temperatura não estava tão baixa (cerca de 4°C).
       
      Voltei para a barraca e dormi por mais algumas horas. Por volta das 08:00 hrs da manha (06/04 - Terça-feira) acordei, tomei um belo café da manhã e passei boa parte do tempo tentando limpar embaixo da barraca, o que foi tempo perdido, pois algo de pior ainda me aguardava.
       
      Sai por volta das 09:30 hrs em direção ao Pico do Caratuva. O tempo estava todo encoberto e a vegetação toda molhada, então já imaginava que chegaria uma sopa lá no topo. Foi pior. Qdo estava chegando no Abrigo 2 a chuva retornou e com intensidade. Como estava com parte da roupa toda molhada, a chuva resolveu fazer o restante do serviço.
      Pelo menos estava com uma capa para a mochila, evitando que a mesma também se molhasse. Resolvi nem pegar água na bica, pois já nem contava subir o Caratuva. A água da chuva ia formando um verdadeiro riacho pela trilha que ia descendo, mas depois de 1 hora, quase chegando no Abrigo 1 a chuva cessou e o tempo abria de vez em quando dando para ver toda a crista do PP.
       
      No abrigo 1 torci algumas peças de roupas para secar um pouco da água e fiquei por um tempo ali pensando se subiria o Caratuva ou não. A alternativa que eu tinha era subir o Caratuva e acampar no topo descendo no dia seguinte pelo outro lado, mas havia um problema de eu não ter água. E se na subida da trilha, eu passar por algum riacho? A outra alternativa era voltar pela mesma trilha p/ a sede da Fazenda e acampar por lá, para no dia seguinte ir embora. Fiquei alguns minutos pensando no que fazer e resolvi seguir a 1ª alternativa.
       
      Em vez de tomar a trilha que vai seguindo para à esquerda, contornando o Caratuva, para subir até o topo deve tomar uma trilha que sobe em linha reta, saindo das clareiras do Abrigo 1. Na subida não existem bifurcações o que facilita um pouco, mas logo a chuva retornou e tomei outro caldo e p/ piorar, nada de encontrar o riacho p/ se pegar água. A subida vai alternando por vegetação de capim baixo e árvores pequenas, porém sem escaladas por rochas. O solo estava bastante encharcado, então várias vezes enfiei o pé na lama.
       
      No topo do Caratuva cheguei cerca de 1 hora depois, com o tempo fechado e vento muito forte. Já eram por volta das 13:00 hrs e não encontrei riacho nenhum mesmo, o que era um problema, pois estava sem uma gota de água. Até tentei procurar alguma bica de água, mas nada. Então não me restou alternativa senão descer pelo outro lado e acampar lá embaixo. O topo desse pico é marcado pela colocação de antenas de retransmissão de rádio. Existem boas clareiras onde dá p/ montar barracas sendo algumas protegidas do vento. Há até um livro do cume, que fica dentro de um cano de PVC, preso em uma das antenas.
       
      A trilha de descida é bem fácil de encontrar, porém é ainda mais íngreme que a do PP, por isso todo cuidado é pouco. Fiquei imaginando alguém subindo por essa trilha. Deve ser bem difícil e não vale a pena. A vantagem é que a trilha é feita em mata fechada e as raízes expostas e os galhos ajudam muito na descida.
      Existe uma pequena bifurcação à direita depois de uns 30 minutos, que provavelmente leva a outros picos, mas a trilha correta é sempre descendo. Logo cheguei a um pequeno riacho, onde peguei alguma água e continuei descendo. Mais à frente a trilha passa por um outro riacho e logo chega na bifurcação, que p/ à direita leva à sede da Fazenda e à esquerda ao PP (no dia anterior tinha passado por aqui).
       
      Daqui p/ frente já conhecia a trilha e o tempo já estava bom (tinha até um sol bem forte). Passei ao lado da clareira, onde tinha acampado a 1ª noite e segui em frente, chegando logo na trilha de campo aberto. Do topo do Caratuva até ali tinha levado quase 1 hora. Resolvi então procurar um local plano junto à trilha e colocar p/ secar o que tinha molhado (mochila, isolante, barraca, bota, parte do saco de dormir.........).
       
      Desse ponto dava p/ se ver que o topo do Caratuva e os picos ao redor o tempo estava muito bom, mas só foi anoitecer que o tempo se fechou novamente. A noite foi tranqüila e não choveu. Pelo menos isso, né?
       
      No dia seguinte (07/04 - Quarta-feira) acordei cedo, procurei organizar bem a mochila e desci em direção à sede da Fazenda. Foi um percurso bem rápido e fiz algumas paradas. Cheguei na sede por volta das 10:00 hrs. Um funcionário da Fazenda estava próximo do início da trilha e aí pedi a ele p/ tomar um banho de chuveiro quente (os $3,00 tinham que servir para alguma coisa, né?), pois meus banhos na trilha tinham sido "bem nas coxas".
      Fiquei por um bom tempo no banho (que delicia!) e sai em direção à Rodovia por volta das 11:00 hrs, mas como tinha a informação de que o ônibus para Curitiba passava entre 15:00 e 16:00 hrs, por isso fui numa caminhada bem lenta e sem pressa.
       
      Passei ainda na plantação de caquis que estavam ao longo da estrada, peguei alguns e fui comendo até a Rodovia, aonde cheguei por volta das 14:00 hrs.
      Existe um ponto de ônibus na Rodovia que fica ao lado do final da estrada, mas resolvi ir até o Posto do Tio Doca, onde fiquei aguardando o ônibus até quase as 16:00 hrs, chegando em Curitiba pouco antes das 17:00 hrs e em São Paulo pouco minutos antes 00:00 hrs, a tempo de pegar o Metrô e voltar p/ casa.
       
       
      DICAS
       
      # Existe um Hotel no Posto Tio Doca, para quem quiser ir de noite e ficar até o amanhecer para iniciar a trilha bem descansado. Só não sei os valores
       
      # O telefone do responsável pela Fazenda Pico do Paraná (onde se inicia a trilha) é: Sr. Dílson
      (041) 9906-5574
      (041) 272-6959
       
      # Água potável na estrada de acesso até a Fazenda não existe. Até têm alguns pequenos riachos, mas a água não é confiável, já que passa por algumas residências. Água somente na sede da Fazenda a poucos mts do inicio da trilha, na base do Caratuva, onde existe uma bifurcação (nas duas trilhas é só caminhar uns 10 minutos e encontrará um riachinho) e no Abrigo 2, a cerca de 1 hora do cume do PP.
       
      # A água do Abrigo 2 fornece água em pequena quantidade. Talvez no inverno, quando chove menos, a qualidade da água pode não ser boa (é melhor perguntar p/ o Dílson).
       
      # Sinal de celular da operadora Vivo se consegue na crista e no topo dos picos. Me disseram que celulares da Tim também possuem sinal na região.
       
      # Existem varias clareiras na trilha para montar barracas, antes de se chegar nos Abrigos 1 e 2. Elas estão localizadas a cerca de 40 minutos do início da trilha e outra a cerca 50 minutos, onde existe um lago de água parada. A ultima clareira antes do abrigo 1 está junto à base do Pico do Caratuva.
       
      # Se vier de carro economizará uma boa caminhada desde a Rodovia e estacionamento não é problema, porque ao lado do inicio da trilha há um imenso gramado usado como estacionamento, mas que é cobrado $5,00. Eu não perguntei, mas acho que é por dia.
       
      # O valor da passagem em ônibus convencional, saindo de São Paulo é de cerca de $40,00 (referencia - mês de Abril/2004) pela Viação Cometa ou Itapemirim. Já o valor da passagem de ônibus do início da estrada até Curitiba está em pouco mais de $4,00.
       
      # A região, por estar próxima do litoral, apresenta chuvas constantes, por isso é quase obrigatório levar uma capa de mochila.
       
      # A menos que vc esteja treinando para uma corrida de aventura, não recomendo fazer o PP em 1 dia, pois o trecho de subida da crista do PP é bem íngreme e extremamente perigoso e vale ficar alguns minutos contemplando a vista porque é uma região muito bonita.
       
      Breve estarei colocando as fotos no meu album virtual e passarei o endereço.
       
      Abcs.
       
       
      Augusto
    • Por Dionathan Biazus
      Primeiramente gostaria de agradecer ao altíssimo arquiteto do universo pelas oportunidades e tornar o ser humano melhor para si e para o mundo!!!
      Agradeço também a parceria dos meus irmãos @darlyn, @beatrizz e Reges por terem decolado junto para mais essa aventura, dando assim inicio ao meu relato do majestoso PICO PARANÁ: Saímos de Chapecó-SC no dia 31/05/18, não lembro exatamente a hora pois a ansiedade de deixar a civilização era grande. Viajamos a noite toda com a nossa motora faca na bota Beatriz, chegamos em Campo Grande onde fica a fazenda do PP e descansamos até amanhecer ali mesmo dentro do carro, ao clarear o dia sai do carro para contemplar o amanhecer onde já dava pra ver os primeiros raios de sol nos morros em volta do Camping, foi onde conheci o Luan, filho do casal que cuida da fazenda a mais de 20 anos, pessoal super gente fina, onde nos deu algumas instruções e nos ofereceu café e pães de queijo (deliciosos), depois de tomar nosso café, fizemos nosso cadastro e demos inicio a trilha por volta das 9:00h do dia 01/06/18, logo de inicio já mostrou que não seria fácil, subida ingrime e com o peso da cargueira dificultava um pouco mais, minha primeira experiência em montanha. 
      Chegamos ao morro Getúlio onde ali paramos para apreciar o visual e dar uma recuperada nas energias, seguimos então a trilha e chegamos no primeiro ponto de água, a "bica", e que água meus amigos!! Reabastecemos nossas garrafas e demos sequencia até chegarmos na bifurcação que vai pro Morro Caratuva ou Pico Paraná.
      Durante a trilha encontrávamos algumas pessoas voltando do PP falando que o amanhecer tinha sido coisa de outro mundo, isso só aumentava nossa vontade de continuar, depois de passar o segundo ponto de água a trilha começa a ficar mais difícil com muitas raízes, pedras e alguns pontos com cordas e grampos, isso faz com que o ritmo diminui e o esforço aumenta gradativamente. 
      Depois de 4 horas e meia caminhando na maioria das partes de mata fechada chegamos ao A1(Primeiro ponto onde é possível acampar) e se deparar com a grandiosa montanha do PP, essas horas vc esquece de todas as dores, do peso que vc esta carregando, de qualquer outro pensamento e a emoção toma conta, realmente é de encher os olhos e o coração, ficamos ali um tempo sem saber se aquilo era verdade ou um sonho, o silencio tomou conta. Depois de nos recuperar emocionalmente paramos para almoçar o nosso precioso miojão com vista para o PP, ow coisa boa, melhor miojo da vida!! 
      Recuperamos as energias e seguimos a diante, onde encontramos um pessoal falando que ainda o pior estava por vir, e realmente estava, a parede de grampo do PP, vento forte, o visual em volta lindo demais, a adrenalina a flor da pele, passamos pelos grampos com um pouco de dificuldade e com muito cuidado até chegarmos finalmente ao A2(Segundo ponto onde é possível acampar), largamos as cargueiras de lado e ficamos apreciando tudo aquilo que nos cercava, montamos nossas barracas pois já estava anoitecendo e o frio aumentando junto com as rajadas de vento que eram fortes demais, ficamos com medo de que nossas barracas voassem morro a baixo, encaminhamos tudo e fizemos nossa janta, daale miojo dnvo hahaha essas horas vc não se importa com nada, só agradece por estar vivendo ali aquele momento. Bebemos um vinhote do Seu Armelindo Biazus (meu nono) e fomos descansar pois estávamos precisando depois de quase 7 horas de trilha.
      A noite não foi tão fácil assim também, as rajadas de vento era de assustar e fazia com que a gente acordasse de tempo em tempo.
      No dia seguinte a intenção era de chegar ao cume do PP, levantamos fizemos nosso café e contemplamos um nascer do sol magnifico, de um lado a neblina cercando as montanhas, os raios de sol dando vida e iluminando o dia, até q a chuva deu as caras, tivemos que voltar para as barracas e esperar a chuva diminuir, assim que ela acalmou desmontamos o acampamento e achamos melhor não subir no cume, pois o vento estava realmente forte e a neblina tinha tapado toda a montanha, já não conseguíamos ver o horizonte. No caminho de volta pegamos chuva quase o tempo todo, a vegetação molhada fazia com que a gente se molhasse ainda mais, a trilha mudou completamente sua forma, precisávamos ter mais atenção onde pisávamos pois as pedras eram escorregadias. Fui me distanciando dos meus colegas pois cada um tinha seu ritmo e não podíamos parar pois se não o corpo quente esfriava e a sensação era de estar congelando. Paço a paço voltamos para o ponto de inicio na fazenda do PP, não paramos para almoçar, descemos direto num ritmo um pouco mais rápido pois já não parávamos para apreciar os lugares. 
      Cheguei ao ponto de partida por volta de 12:30 exausto, com os pés, joelhos e quase todas as juntas doloridas, mas com o coração transbordando felicidade e a alma renovada por saber que tinha completado a missão. Larguei a cargueira no chão e deitei ao lado dela com os olhos lacrimejando de tanta emoção, não conseguia falar nada apenas refletir. Fui me recuperando até que o Darlyn também chegou e na sequência a Bea e o Reges, já estava preocupado com eles pois estavam demorando um pouco. Após todos se recuperarem almoçamos na base, comemos tanto e mesmo assim a fome parece que não passava kkkkk.
      Subir uma montanha exige mais que força física, é força psicológica, pode parecer loucura, talvez seja, mas é assim que a gente consegue realmente dar valor para as coisas mais simples da vida, nos superarmos, saímos da zona de conforto, buscamos aquele algo a mais, nosso universo é lindo e vc não precisa ir mto longe para perceber isso, a beleza das coisas está no espirito de quem as contempla, se desapegue do bem material e você enxergará a vida com outros olhos. Vida longa pra todos nós!!!!
      Thanks god. Surprised me again!!
       
       
       




      XXVP1850.mp4
    • Por beatrizz
      VID-20180603-WA0046.mp4
      Saudações mochileiros/aventureiros!
      Fico sempre muito feliz quando começo um novo relato. Porque é o registro e uma forma de reviver cada momento de uma trip. E graças a Deus, todas as que tenho feito, me trazem as melhores lembranças e vivências possíveis. 
      A bastante tempo eu tinha o anseio de fazer a trilha do PP. A maior montanha do Sul do Brasil. A primeira pessoa (de acordo com relatos) a conquistar o pico Paraná foi o Reinhard Maack, em julho de 1946, o que dá a trilha (de grosso modo) seus 72 aninhos. Fico imaginando quantas pessoas já tiveram o privilégio de passar pela trilha do PP e agradecendo aos que facilitaram o caminho. 
      Enfim, nossa missão começou na quinta, dia 31 de Maio, quando saímos de carro de Chapecó /SC, e fomos até Campina Grande do Sul, na Fazenda Pico Paraná. 
      Chegamos na fazenda perto das 7 da manhã do dia 01, e começamos a trilha perto das 09. Logo no começo já deu pra entender o desafio, pois nunca antes tinha feito uma montanha com cargueira. E o peso mostrou sua presença. Fomos parando nos vários pontos, apreciando a vista e pegando fôlego. Tivemos muita sorte com o tempo, o céu estava azul e o sol brilhando. 
      Paramos no primeiro pico, o Morro do Getúlio, onde a vista já mostra uma pontinha do que viria pela frente. Depois de passar pela bifurcação que separa a trilha do Caratuva (que já fiz um relato aqui no final do ano) seguimos rumo ao PP. Ali a trilha começa a ficar um pouco mais difícil com muitas raízes, pedras e alguns pontos com cordas e grampos. Seguimos até chegar no A1, que é um ponto onde é possível acampar. Ali foi nosso primeiro contato com a vista do PP, e a emoção nos chegou. Todos ficaram abismados com a majestade da montanha e nos deu um up pra continuar o caminho. Que como os colegas que encontramos no caminho nos disseram, o pior estava a frente. 
      Decidimos que iríamos acampar no A2. Depois do A1, a trilha desce e chega a parte que pra mim foi a mais desafiante, as paredes de grampos! 
      Com a mochila então, foi bem tenso, que bom que estava com companheiros tão legais que içaram minha mochila com cordas até lá em cima haha. Isso foi decisivo pra que eu tivesse coragem pra subir. Depois dessa parte mais o cansaço físico mesmo.. Chegamos finalmente ao A2, querendo jogar as mochilas de lado e apenas contemplar. Arrumamos nossa casinha e fizemos o merecido miojo. Nesse ponto o vento já estava forte e o frio chegando. Quando estávamos de boa já era noite e o céu nublado. Infelizmente não pegamos o por do sol, mas a  vista tava linda mesmo assim. 
      A noite ficamos com medo de voar por causa do vento forte que vinha da montanha. As rajadas! 
      No outro dia iríamos subir até o cume as 6 da manhã, pra ver o sol nascendo, mas logo cedo veio a chuva e o vento, e não conseguimos. Ali do A2 mesmo deu pra curtir um nascer do sol pra lá de especial! 
      Tivemos que voltar pras barracas porque a chuva chegou com tudo, e esperamos acalmar. Colocamos as capas na preparação pra descida. E depois de organizar tudo, começou a missão da volta. Pegamos quase todo o caminho com chuva, a trilha estava escorregadia e alguns pontos alagando. Mesmo assim encontramos muitas pessoas indo e voltando. Que bom! Isso mostra que por mais desafiante que sejam as condições, a vontade de estar em contato com a Montanha é sempre maior. 
      Chegamos de volta cerca de 14 horas, super cansados, com as costas, joelhos, braços e pés doendo haha. Mas com o coração ♥ leve e a alma revitalizada. 
      Estar na Fazenda do PP já te leva pra outro mundo. Ou seria o mundo real? 
      Começar uma trilha, mexe com o psicológico, tira da zona de conforto, traz mil aprendizados, desapegos, te conecta com algo maior. Não tem explicação nem preço. Vocês sabem do que eu estou falando né?! 
      Logo estaremos de volta, com a esperança de um dia cheio de sol, pra conseguirmos ficar mais tempo no PP e estar no cume. Quando a gente sai, já da vontade de voltar. 
      Video relato feito pelo nosso querido @darlyn
      Montains are calling! 
      @darlyn
      @Dionathan Biazus


      VID-20180603-WA0046.mp4
  • Seja [email protected] ao Mochileiros.com

    Faça parte da maior comunidade de mochileiros e viajantes independentes do Brasil! O cadastro é fácil e rápido! 😉 

×