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As Trilhas do Vale do Capão - Chapada Diamantina-BA.


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Olá Mochileiros!

 

Bom, vou fazer alguns relatos/descrições/dicas, além de algumas experiências vividas nas trilhas localizadas em Caeté Açu, distrito de Palmeiras- Bahia, mais conhecido como Vale do Capão, local que frequento há mais de 10 anos.

 

 

Serra do Candombá e Poço do Gavião ::love::

 

Sempre quis ir para esta trilha, as pessoas falavam num “nascer do sol” maravilhoso e tal.... Eu não sabia o caminho, então tinha esta dificuldade de contratar um guia, a dificuldade era mesmo a grana curta, pois guia é o que não falta!! tem um a cada metro quadrado!!! rsrsrs Já me perdi uma vez tentando achar o Poço do Gavião, inclusive este relato começa com este fato, uma imprudência de minha parte, na verdade, eu acreditei num amigo que dizia conhecer a trilha.... e me ferrei!! Depois de subir Serra do Candombá, não conseguíamos encontrar a entrada para o mirante da pedra, o erro consistiu em seguir direto, quando avistei bem de perto o Morro Branco, fiquei desesperada porque já estava quase próximo à Vila do Bomba!!! andamos mais de 10 km!!! perdidos na Serra do Candombá, depois de toda a água e lanches ter acabado, tivemos que voltar debaixo de um sol escaldante, sem água, sem comida, cansados.... meu rosto estava doendo e ardendo das queimaduras do sol. Bom, eu bebi uma água que minava em uma parte de charco, estava morta de sede e só fiz tirar alguns girinos e beber a água (eca!!!!! q nojo!!!) mas como dizia meu querido pai: “pior é na guerra”. Este fato me fez excluir a trilha até o Poço do Gavião, das idas e vindas ao Vale do Capão. Mas depois alguns anos o trauma passou... Lá no Capão, há uma lenda contada pelos moradores mais antigos de que existem “encantamentos” nesta trilha que costumam desorientar o andarilho (seriam duendes e fadas?).

 

Bom, todos os guias que consultei me indicaram fazer esta trilha e dormir lá, segundo eles não valia a pena o “bate e volta”. De fato, eles tinham razão... mas não havia possibilidades então foi “bate e volta” mesmo. Arrumei as tralhas na mochila, saí cedo do camping para tomar café e encontrar o guia. Saímos por volta de 08:30 da manhã em direção ao Poço do Gavião. A trilha começa passando pela entrada da Cachoeira de Rodas, segue-se direto, logo em frente há uma cancela e este é o ponto de referência, entramos na subida da Serra do Candombá. Chegamos até o mirante da pedra, de onde se tem uma vista fantástica de todo a Vale do Capão, do Morro do Pai Inácio, Morrão e dá para ver também a Serra da Larguinha (onde fica a Cachoeira da Fumaça), inclusive vê-se ao longe a cidade de Palmeiras.

 

Descansamos um pouco para continuar a caminhada. Seguimos adiante por mais uns 30 minutos por uma parte mais plana, com vegetação exuberante, com muitas flores, muitas espécies de bromélias, orquídeas e cactos, algumas eu nunca tinha visto na região. As formações rochosas desta trilha são uma atração à parte, pois elas tem formas diversas, eu consegui identificar algumas e foi muito interessante: a cabeça de um camelo e o rosto de Michel Focault (eu estava no meu estado normal de consciência!!! rsrsrs)

 

Bom, depois de quase torcer o pé e trombar num pé de sempre viva, seguimos... Aliás se eu não pisasse na plantinha com certeza meu tornozelo iria ficar mal, o guia não gostou, ficou lá com aquele discurso de ambientalista chato, até tentou uma grosseria comigo mas meu amigo Adson deu logo uma “queimada” nele (as flores sempre viva quase foram extintas, por isso o cuidado do guia) mas ou era meu tornozelo ou era a plantinha, poxa!!! Bom, depois deste “momento show” do guia seguimos, agora por uma parte de descida, com algumas pedras grandes que necessitava uma descida mais técnica, como eu não tenho técnica, sento na pedra e pulo lá embaixo (seria esta a técnica?) isso me rendeu uma calça rasgada. Desta parte de descida, já dá para avistar as águas do Poço do Gavião, tirei várias fotos!!! continuamos andando por mais alguns 10 minutos até chegar no Poço do Gavião. Realmente é um dos lugares mais lindos que já vi, talvez seja o meu preferido... o poço é enorme, a visão é fantástica do lugar, aquela lagoa enorme (mais de 100 metros) no meio das montanhas... é algo incrível!!!! a água é gelada, mais gelada que o normal. Fiquei com medo de entrar pois a água é muito escura, porque eu não conhecia.. mas o guia se jogou na água, depois que ele foi eu me joguei também hehehe, só depois que ele me disse que é cheio de cágados (tartarugas)... Inclusive tinha uma delas que sempre aparecia ao meio dia. Quando estava próximo do meio dia, o guia nos chamou para ficar no local onde a tartaruga aparece, eu achei meio doido isso mas fiquei lá parada, olhando, olhando..... pois não é que a danada aparece mesmo!!! rsrsrs que fantástico!!! e ainda faz pose para foto!!!

 

No percurso das águas há alguns poços mais rasos e pequenas quedas d'água. Fiquei nadando nas águas geladas, desci o percurso do rio, a vegetação é muito exuberante, várias espécies de insetos, fiquei observando umas formigas listradas, as borboletas são multi coloridas e lindas!! Depois quando retornei “o povo” estava tirando fotos de uma cobra verde. Ficamos lá por mais algum tempo e às 15:00 horas retornamos, me deu o maior arrependimento de não ter ficado para dormir, mas como falei antes a grana estava curta e não dava para pagar duas diárias para o guia. A volta me pareceu mais rápida, na descida todo santo ajuda! Como chegamos relativamente cedo, resolvi tomar um banho e curtir o pôr do sol na Cachoeira de Rodas que é bem pertinho, segui com os amigos por uns 10 minutos e para nossa surpresa quando chegamos tinha várias pessoas peladas!!! Homens, mulheres, crianças, idosos... Era o encontro de uma comunidade alternativa. Eu fiquei um pouco assustada no início, depois acostumei... rs! Após o banho naturista, seguimos para o Bar de Medinho pra tomar uma gelada!

 

PS: Esta trilha é super necessário que se use calça.

 

 

Rodas e Rio Preto ::otemo::

 

Logo no início da trilha a pessoa é presenteada com a vista da Serra do Candombá, segue-se pela encosta acompanhando um muro de pedras construído por escravos nos tempos do garimpo. Acho legal nesta trilha inverter a ordem, primeiro ir ao Rio Preto e depois, no final da tarde, ir para Rodas. O pôr do sol em Rodas é muito lindo!! Dos pequenos poços de água gelada da Corredeira de Rodas (legal para crianças pois são rasos) se tem vista panorâmica de todo o local, além de servir de “camarote” para apreciar um pôr do sol fantástico!!!! Isso porque os raios de sol (amarelados) cobrem os paredões de rocha que cercam a Corredeira de Rodas, e formam um espetáculo de cores. A encosta fica toda alaranjada, um espetáculo!!! lembra a música “trem das cores” de Caetano Veloso. Rodas começa com alguns poços bons para banho, porém com muitas pedras, em um determinado trecho forma-se uma corredeira, por isso que eu sempre me refiro ao local como “Corredeira de Rodas”. Legal é descer cuidadosamente, corredeira abaixo para apreciar o poço que tem lá no final, uma pedra enorme separa a corredeira desse poço maior.

 

Rio Preto – O rio Preto percorre toda a encosta da Serra do Candombá, a trilha é bem fácil, antigamente existia uma espécie de batismo para os iniciantes que era “se perder no Rio Preto”, mas hoje em dia, dá para chegar até de olho fechado!!! rsrsr, pois a trilha é bem fácil e demarcada. Após 30 minutos de caminhada, a descida é bem íngreme e escorregadia mas dá para se agarrar nas pedras e nos troncos das árvores, e ser uma descida super segura. Há um poço com a água escura e também algumas quedas d'águas, uma delas é mais baixa e menor e forma um pocinho bem legal para crianças, pois é raso e a queda d'água por ser mais baixa não é forte. Subindo nas pedras dá para ficar na parte de cima da Cachoeira do Rio Preto, lá é mais vazio, porque em feriados (em especial o carnaval e reveillon) uma pequena multidão vai ao Rio Preto, levam farofa, cães, bebidas alcoólicas etc. Mas há que se desconsiderar este detalhe, pois quase todos os lugares são assim em feriados.

 

 

Morrão e Águas Claras

 

 

Esta trilha começa próximo à entrada para a Cachoeira da Fumaça, segue-se direto pelos Campos Gerais do Morrão, uma fantástica caminhada!! são 3 horas de contato direto com paisagens das mais belas !!! as formações geológicas são bem diversificadas, assim como as constituições de florestas pois, ora pensa-se estar no cerrado, ora na caatinga, ora mata atlântica... muitas bromélias, cactos e orquídeas... a fauna também é bem diversificada há várias espécies de lagartos, borboletas, insetos em geral, cobras... toda hora tem uma cobra, aliás esta trilha, deveria se chamar trilha das cobras!! , eu vi umas 6 cobras, uma delas era bem grande e estava no alto de uma árvore, tem muita cobra verde, as cobras coral (coral falsa) e caninana também tem muitas delas por lá. Bom, enfim.... muitas espécies de animais exóticos e até mamíferos. Por sinal, nesta trilha pude vivenciar uma experiência fantástica: eu vi um tatu fêmea amamentando um monte de tatuzinhos!!!! fiquei muito emocionada, nunca vou esquecer esta imagem... Inclusive, no interior as pessoas costumam matar animais silvestres para alimentação, e eu como morei a vida toda na Chapada Diamantina, já comi muito ensopado de tatu, hoje em dia não consigo mais, fico com dó do bichinho, me vem a imagem daqueles pequeninos sendo amamentados!

 

Na encosta do Morrão o visual é fantástico!! para subir é necessário um esforço maior mas a compensação depois vale à pena!! as paisagens das serras e dos campos rupestres são encantadoras! Há muitos jardins de bromélias, são várias espécies, eu gosto de ficar observando aquela parte interna onde geralmente se esconde algum bicho, fico sempre esperando pular uma rã colorida, ou um grilo.... Ufa! Depois de uma caminhada de 3 horas, atrás do Morrão está o caminho para se banhar em Águas Claras!! um delicioso banho, uma piscina natural no meio do mato. A água é uma delícia, um pequeno lago, se comparado a outros em relação a sua extensão.

 

20100924150643.jpg

 

 

Angélicas e Purificação ::Cold::

 

 

A trilha segue até uma localidade chamada de Bomba, segue-se direto atravessando três rios com muitas pedras, dá para passar sem tirar o tênis (para quem usa) caminhando por cima das pedras. Após o terceiro rio, de imediato se vê uma placa do IBAMA, então é só virar a DIREITA e seguir a trilha que é demarcada. Angélicas é uma delícia, o poço é bem fundo e no final tem a cachoeira que é só pequena no tamanho mas no volume de água é um espetáculo!!! eu costumo nadar até a parte mais rasa do outro lado e seguir até a Cachoeira de Angélicas e ficar lá abstraída com a cabeça embaixo da queda d'água. Acima dessa cachoeira tem vários poços que é legal para quem quer privacidade, é legal também para fazer pequenas escaladas nas rochas, se cair tem água em abundância para amortecer. Uma curiosidade é a quantidade de pedrinhas que tem no fundo de cada poço, as pedrinhas são delineadas pelas aguas em anos de formação geológica e tem as mais variadas cores, os mais variadas formas, é muito interessante. A trilha da Purificação é logo acima do Poço em Angélicas, basta seguir trilha sempre pelo leito do rio, há muitas pedras pelo caminho, o que faz com que a caminhada seja um pouco difícil, há algumas quedas d'águas pequenas no percurso até chegar ao poço da Purificação, são pequenas cachoeiras lindíssimas, um espetáculo á parte. Aliás, o grande barato de ir à Purificação é o trajeto. O poço da Purificação tem este nome porque a água é tão gelada que a pessoa sai de lá purificada!!! zerada em pecados!! rsrsr (é verdade!! os moradores antigos que contam). Eu acho a água muito gelada, o corpo fica dormente.... e tem uns paredões recobertos por uma vegetação exuberante que fecham a entrada do sol, por esta razão a água é tão gelada. No final há a cachoeira, cuja água é mais gelada ainda! É uma boa trilha, gosto muito das formações rochosas e das pedras (tem pedras de todos os tipos) sempre volto dessa trilha com muitas fotos de pedras e seus formatos, tem formato de tudo que é coisa, já fotografei pedra em forma de cavalo, estrela, lua, cavalo marinho etc..

 

Cachoeira das Fadas

 

Esta cachoeira na verdade é uma continuação da trilha para chegar à Cachoeira das Angélicas e da Purificação. Em frente a cachoeira da Purificação tem uma entrada esquerdo, às vezes a mata está muito fechada e pode parecer que há passagem, é preciso observar com atenção, pegando esta trilha basta contornar a Cachoeira da Purificação por cima, e andar por uma trilha de mata fechada uns 10 minutos e chega-se ao Poço que alguns chamam de Poço dos Duendes, que é pequeno em extensão mas é super aconchegante. A Cachoeira das Fadas é linda!!! os raios do sol batem na queda d'água que fica brilhante! Uma maravilha!! Há um outro caminho para chegar, algumas pessoas seguem ali mesmo pela Purificação, escalando os paredões, porém é muito arriscado, pois tem muito limo, e em determinados momentos o espaço para colocar os pés não cabe um pé tamanho 37 por completo. É muito perigoso, inclusive já houve acidentes. Soube por ouvir dizer, que a trilha está interditada por conta de um deslizamento que ocorreu em junho/2010, com as chuvas, restando tão somente a opção de ir escalando pelos paredões cheios de limo, se estiver em época de pouca chuva a coisa melhora.

 

 

Cachoeira da Fumaça (por cima)

 

Esta trilha dispensa maiores informações, pois trata-se da trilha para chegar à maior, oopss! segunda maior cachoeira deste país, 380 metros de queda livre, além de ter bons relatos sobre ela aqui no site. A trilha começa na entrada da Associação dos Condutores do Vale do Capão, antigamente a trilha só podia ser realizada com o acompanhamento dos condutores, hoje em dia não é obrigatório, é preciso assinar uma lista que fica na sede da Associação, e se possível o “turista” deve colaborar com doação em dinheiro, coisa pouca R$ 5,00 ou R$ 10,00, eu que sou uma “dura” e não sou turista (lá no Capão) deixo uma nora de R$ 2,00 pra colaborar com os voluntários.

 

Eu costumo dividir esta trilha em 3 etapas:

 

1ª etapa – subir, subir, subir até chegar à segunda etapa que é o Curral. A trilha começa com com uma subida bem íngreme, praticamente 2km só de subida, tudo compensado pelo visual panorâmico no primeiro e no segundo mirante, paradas ótimas para descansar, beber água ou água de coco, chupar geladinho ( tem uma garota que vende geladinho, sempre tirava fotos dela, em março deste ano fiz um apanhado de todas as fotos, desde quando ela era pequena até a atualidade e lhe dei de presente, ela ficou encantada!!! hoje ela é uma jovem de 16 anos! E continua vendendo geladinho com sua mãe.) Por falar em foto, esta primeira etapa pode-se tirar fotos panorâmicas fantásticas, o visual é incrível!!

 

2º Etapa – A partir do Curral (um muro de pedras é o ponto de referência) é só alegria!!!, uma trilha plana, e por ser uma parte de maior umidade, tem uma área de inundação que em determinadas épocas é necessário passar com a água na altura da cintura cintura. O espetáculo fica por conta da natureza, muitas flores, flores de todos os tipos, de todas as cores, algumas plantas carnívoras, e mais as multicitadas bromélias, orquídeas e cactos. Ainda nesta parte plana da trilha tem um trecho, logo após a área de inundação, que é todo cercado por campos rupestres, muito lindo e impressionante!!!! quando tem cerração ele fica mais lindo!!

 

 

3ª Etapa – Esta etapa começa com a chegada ás águas vermelhas do rio que forma a cachoeira, um banho para refrescar é sempre bom, e antes de se debruçar no abismo de 380 metros, eu gosto sempre de fazer dois “rituais” (eu passei a fazer estes “rituais” pelo convívio com os nativos, porque antes só me debruçava na pedra pra ver o abismo e depois voltava...). O primeiro deles (depois de um banho no rio) é retornar à trilha e seguir até o caminho que leva até a “garganta” da Cachoeira da Fumaça, confesso que todas as vezes sinto emoção e muito medo!!! Mas é este frio na barriga, esta sede de aventura que me faz viva!!! O segundo “ritual” é seguir à esquerda pelo leito do rio e chegar até à Toca da Maternidade, tomar banhar nas corredeiras que se formam e curtir o silêncio, o canto dos pássaros, o som das águas (isso se não for feriado, carnaval ou revellion, q a farofa rola solta!). Bom, e agora o principal: se debruçar na pedra e curtir o visual do grande canyon na sua imensidão!!! não tem preço!!! comer um pastel de palmito de jaca e um suco de maracujá do mato!! Depois curtir a volta de toda a trilha observando o que porventura não foi possível pela ansiedade em chegar. No final da trilha deve-se assinar a lista na ACVC, fazendo constar o retorno. Mais adiante tomar uma gelada ou um caldo de cana no buteco que fica na entrada da trilha, depois aproveitar o resto do dia se banhando no Riachinho.

 

 

Riachinho

 

O Riachinho fica há 6 km da Vila de Caeté Açu (Vale do Capão), é uma trilha bem fácil pois a caminhada é pela estrada vicinal que dá acesso à Vila, por esta razão muitas pessoas vão de carro (ou de moto taxi, custa R$ 5,00 ou R$ 7,00, se cobrarem mais que isso não pague! É exploração!) e param na entrada e é só descer uma pequeno trecho de pouca dificuldade e pronto! Eu não gosto desse nome “Riachinho” parece que é um pequeno córrego ou sei lá!! acho esse nome injusto com a grandiosa beleza do lugar. o lugar é lindo!! O Riachinho é um rio com corredeiras na sua parte mais alta, depois um paredão forma cachoeiras e cascatas lindíssimas, em seguida um poço de cerca de 30 metros, depois corredeiras novamente e em seu final um poço, com uma formação rochosa nas bordas bastante curiosa. Tem anos que eu não vou lá, a farofa rola solta em feriados: muito cheio de pessoas, farofa, cachorro nadando no meio das pessoas, bebidas alcoólicas, a água manchada de óleo oriundo, possivelmente, de bronzeadores affff.... Infelizmente eu não posso viajar em datas que não sejam feriados, nas minhas férias passar o dia no Riachinho é quase uma obrigação! O lugar é fantástico!!! Descer as corredeiras que dão acesso ao poço no final é uma experiência fantástica! Nadar, nadar, nadar …. deixar a cabeça embaixo da queda d'água e esquecer de tudo... curtir os sons da natureza... ah! Muito bom! Há alguns guias ou agências que fazem rappel no canyon do Riachinho. Ah! Já ia esquecendo, tem uma parte do poço que é bem legal para crianças pois é raso e dá para brincar e nadar bastante.

 

Conceição dos Gatos e Poço das Cobras

 

Esta trilha é muito legal para quem vai com crianças, o acesso para quem sai de Caeté Açu é feito pela estrada vicinal em direção a Palmeiras, após 12 km há a entrada da pequena Vila da Conceição dos Gatos, o curioso é que tem um cemitério logo na entrada, segue-se então por mais uns 2km e chega-se a entrada da Cachoeira da Bela Vista (este é o nome verdadeiro, Conceição dos Gatos é o nome da Vila e não da Cachoeira). O acesso é feito por uma descida bastante íngreme em forma de escadaria, depois atravessa-se o rio, passa-se por um campo de futebol, e segue-se a trilha numa subida, no percurso da subida já dá para avistar a Cachoeira, que é enorme e suas águas seguem rio abaixo, em propriedade particular. Há um poço maior, com uma cachoeira pequena e volumosa, acima há 3 poços menores, um deles é bem legal para crianças porque é raso e tem areia no chão, além de algumas árvores com bastante sombra no seu entorno.

 

 

Poço das Cobras – (relato da minha 1ª vez na trilha, com direito a um quase afogamento) Após os 3 poços menores da Conceição dos Seguimos pelo pelo leito do rio a trilha começou a ficar com um grau maior de dificuldade, pois foi preciso caminhar pelas pedras, muitas das quais pontiagudas e a vegetação era inóspita (tenho várias cicatrizes de lembrança... rs). É uma trilha selvagem, muita picada de inseto, de formiga, muitas aranhas, muitas cobras, a mata é fechada... Após uns 10 minutos de caminhada duas amigas desistiram e foram para o bar (afff...), então seguimos adiante e 30 minutos de sofrimento, chegamos a até então inédito Poço das Cobras, alguns moradores da Vila estavam voltando de lá e parei para conversar com eles e pedi informações sobre um monte de coisa! Rsrrs Afinal era minha primeira vez … Bom, de posse das informações fui nadar naquela imensidão de águas, uns 80 metros de poço!! o lugar é muito lindo, tem uma árvore gigante tombada no lado esquerdo do poço e ao fundo mata fechada. Do lado direito um imenso paredão recoberto por alguns arbustos, muitos pássaros, fiquei fascinada pelo canto de cada um deles e que as vezes se misturava, tinha muitos gaviões de grande porte. Ficamos lá maravilhados com a descoberta de uma nova trilha, se banhando nas águas. O poço começa raso e vai afundando aos poucos, o solo é com areia e algumas pedras maiores (trombei numa delas). Resolvemos nadar até a cachoeira, nadei por toda a extensão do poço, chegando a uma espécie de corredor, estreitado pelos imensos paredões de rocha, esta parte tem umas pedras e fica raso, fui me segurando nas pedras escorregadias quando aconteceu a merda: não consegui me segurar e a correnteza me empurrou pra um buraco ao lado direito da cachoeira, que eu não tinha visto, eu entalei com a água nadei com todas as minhas forças mas a correnteza era muito forte, e me empurrava pra o buraco negro … comecei a me afogar...poxa, logo eu??? exímia nadadora??? fiquei lá agonizando, sem respirar mas de súbito, para me salvar, apoiei meu pé numa pedra e empurrei com toda força, fui levada pela correnteza das águas até a parte que é rasa e ali respirei fundo e agradeci por ficar mais algum tempo na terra. Ufa!

 

As águas que descem da cachoeira formam duas correntezas, uma delas jorra pra o corredor (que tem uma parte rasa) e a outra jorra até o tal buraco. Eu escorreguei e fui parar nesta correnteza que jorra para o buraco.

 

Voltei nadando e fiquei lá toda quieta, os amigos não entenderam nada...

 

Ficamos lá curtindo o visual por mais 1 hora e voltamos para almoçar. A volta foi mais tranquila... tem um restaurante bem legal e o lance é você encomendar a galinha caipira antes de subir para a cachoeira, ela estará pronta na volta, comemos a galinácea, com um delicioso pirão, arroz e saladas. Depois seguimos pra o Bar para encontrar os amigos desertores, estavam todos lá tocando violão e tomando todas!!! por conta do “quase afogamento” fiquei quieta, nem tomei uma gelada... estava introspectiva...

 

Continua (...)

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  • 1 mês depois...
  • Membros

Fê,

 

Adorei a Trilha do Poço das Cobras, realmente é um diferencial no Capão... fantástico !!! o poço enorme e ótimo banho!!! trilha rústica, intocada.;.. qdo fui em pleno feriadão não tinha ninguém!!Valeram as picadas de insetos!!!

 

Abraços Negona!!!

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  • 1 mês depois...
  • Membros de Honra

Olá poissonpetit!

Essas trilhas são um bom começo pra quem quer se aventurar sozinho, são trilhas bem demarcadas e fáceis de fazer, dá pra fazer todas elas em estilo "bate e volta". (Águas Claras e Poço do Gavião merecem um pernoite!!!). Vc aproveita esta experiência com o grupo e depois dá pra ir sozinha tranquilo! o medo é normal.. mas com certeza vai achar companhia nas pousdasa e campings!

Boa sorte!

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  • 1 mês depois...
  • Membros de Honra

Olá emargotto,

 

Essa trilha do Riachinho é bem fácil de chegar, inclusive tem um atalho que é muito usado por idosos, pessoas com criança e pessoas com dificuldade de locomoção (e por mim mesma qdo estou com preguicinha...hehehe). Bom, o atalho é só seguir reto e não descer numas pirambeiras já super desgastadas e demarcadas, vc segue direto sempre acompanhando o leito do rio e em 3 min já estará lá.

 

Tem também Cachoeira de Rodas que é bem tranquila, já o Rio Preto é tranquilo também, porém há uma descida bem íngreme mas sem dificuldades pois dá pra ir se segurando nas árvores (já desci com o pé engessado) pra subir tb se adotar o ritmo "devagar e descansando" dá pra subir numa boa.

 

Ah! já ia esquecendo, também pra seu pai dá pra ir em Conceição dos Gatos, vc vai de carro até a entrada da cachoeira, a trilha é bem leve.

 

Espero ter ajudado!! ::otemo::

Abraços!

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    • Por rafael.celeste
      Visitei a Chapada Diamantina recentemente com mais 2 amigos e conseguimos fazer todos os passeios que queríamos. Contratamos um guia apenas na cachoeira do Buracão, onde dizem que o guia é obrigatório.
      Pra ir sem guia, todos nós tínhamos um bom preparo físico e alguma experiência em trilhas. Além disso, baixei a versão completa do app Wikiloc. Se não me engano, custou R$7,50. Frente à economia que você fará com os guias, tá de graça. Dá pra comprar um bom powerbank pra carregar o celular na viagem que você ainda sai no lucro (recomendo o zenpower da asus). Dito isso, com exceção da trilha da cachoeira da fumacinha todas as trilhas foram feitas tranquilamente seguindo o tracklog no celular (tracklog é o caminho que você segue com o GPS). São trilhas bem marcadas, muita gente passa por lá. Vez ou outra há uma bifurcação e você tira a dúvida com o app.
      Não vou detalhar todos os passeios que fizemos pois há uma infinidade de relatos que já fizeram isso melhor do que eu poderia fazer. Deixo apenas algumas observações:
       
      - Em Ibicoara conseguimos ‘sacar’ dinheiro numa loja de reparo de motos. O dono passa no seu cartão uma compra no valor que você quer sacar e te dá o valor em dinheiro. Pode ser uma boa alternativa, já que são poucos caixas eletrônicos e o correio fica cheio. Pegamos a dica no hostel ibicoara.
       
      - A trilha da cachoeira da fumacinha é bem pesada, mas vale a pena. Além do tracklog, baixe esse relato e siga-o. Alguns pontos parecem impossíveis, mas lendo o relato dá pra passar.
       
      - Se for fazer fumacinha e buracão, compensa dormir na vila do Baixão. Fale com o Luciano (https://www.facebook.com/luciano.guiabicho?fref=ts) ele é guia e recepciona pessoas na casa dele ou indica a casa de alguém da vila. Ficamos na casa da Biazinha, pagamos 100 reais por pessoa, com direito a janta e café da manhã, cada um de nós ficou em um quarto separado. Você economiza alguns km de estrada de terra e tem uma experiência bem legal.
       
      - Visite a cachoeira do buracão. Ibicoara fica um pouco afastada das outras cidades da chapada, mas vale muito a pena. A trilha é tranquila, a queda é enorme, o volume de água é bom, dá pra observar por cima e por baixo, há estacionamento, banheiros e colete salva vidas. Lemos em todos os lugares que é preciso de guia para fazê-la, mas vimos um casal sem guia na trilha e suspeitamos que essa história talvez seja apenas um boato muito bem difundido.
       
      -Passe uma noite em Andaraí. No hostel donanna. Melhor custo benefício da viagem, hostel limpo, banheiros bons, ar condicionado, ótimo café da manhã, donos super simpáticos. Fica perto da sorveteria Apollo, que é sensacional e tem um bom preço e também do bistrô da cidade, que parece ser a melhor opção para comer lá a noite. Tínhamos planejado passar só uma noite lá, mas gostamos tanto que resolvemos entrar e sair do Vale do Pati por Andaraí, ficando 3 noites no hostel. Andaraí fica próxima dos poços Azul e Encantado e também tem algumas cachoeiras.
       
      - Em Andaraí a única operadora que tem sinal é a Claro. Não perguntei nas outras cidades, mas acredito que seja mais ou menos assim no restante da região.
       
      - Se tivesse que cortar um dos poços do passeio, eu cortaria o Azul. É nele que se mergulha, mas o Encantado é bem maior e mais bonito, achei uma experiência mais interessante. É possível ir de um poço ao outro por estrada de terra, diferentemente do que recomenda o Google Maps. Pegamos essa dica com um guia no Poço Encantado. O trajeto aparece no Waze. Saindo do poço encantado, volte até a entrada pra fazenda chapadão, à sua direita. Siga por ela até uma bifurcação que indica poço azul à direita e borracharia à esquerda. Pela esquerda também se chega ao poço azul, mas é preciso pagar 10 reais para atravessar uma ponte dentro de uma fazenda.
       
      - O poço azul fica cheio e há fila para mergulhar nele. É bom chegar cedo, nós tivemos que esperar 2h na fila.
       
      -Em lençóis ficamos na pousada São José 2. 60 reais por pessoa, ar condicionado, café da manhã, boa localização. Recomendo.
       
      - O poço do Diabo é de fácil acesso mas não é imperdível. Eu deixaria como plano B.
       
      - Praticamente não existem placas indicando o caminho pra nenhuma atração turística de lá. Nem mesmo pro Morro do Pai Inácio que é um dos pontos mais conhecidos. Saindo de lençóis será a primeira entrada à direita depois da Pousada do Pai Inácio, numa estrada de terra. Sem placa alguma. A presença do guia em passeios como Morro do Pai Inácio, Pratinha, Poços Azul, Encantado e do Diabo é completamente dispensável. Ele meramente vai te indicar o caminho e fazer companhia durante os passeios. No Wikiloc você acha os tracklogs para chegar de carro até todos os pontos turísticos da chapada.
       
      - Fomos pra chapada em janeiro de 2017 e infelizmente havia pouca água em praticamente todas as cachoeiras. Vale a pena tentar conferir se os rios estão cheios antes de partir pra lá.
       
      - É verdade que qualquer carro enfrenta a chapada, mas ele vai sofrer um pouco. As estradas de terra são muitas, são ruins e com muito pó. Vimos alguns donos de Corolla receosos com seus carros por lá. Alugar é uma boa.
       
      -Na chapada há uma certa confusão com maracujá. O maracujá amarelo que vendem nos supermercados é
      chamado de maracujina, e o que chamam de maracujá é um maracujá do mato, de casca roxa e interior verde. Se você pedir um suco de maracujá e ele vier verde, já sabe o que aconteceu.
       
      - A cidade de Lençóis realmente possui a maior estrutura turística da chapada, com ótimas opções de bares e restaurantes, mas não recomendo passar todas as noites lá. A chapada é muito grande e as cidades menores também têm seus atrativos, além de serem mais baratas.
       
      SOBRE O VALE DO PATI
      -Têm-se acesso ao vale do Pati por 3 caminhos: Saindo do Capão, de Guiné e de Andaraí. Saindo de Guiné é o menor caminho, do Capão o mais longo, mas dizem ser o mais bonito. Fomos e voltamos por Andaraí, onde deixamos o carro. Encaramos a ladeira do Império, um caminho todo calçado por pedras. Gastamos cerca de 5h desde Andaraí até a casa de Seu Eduardo e umas 7h da casa de Dona Raquel até Andaraí. Recomendo fazer pela manhã, evitando o sol.
       
      - Não recomendo levar barraca pro Pati. A menos que você queira fazer camping selvagem (há algumas clareiras na trilha) e abrir mão de mordomias como chuveiro, banheiros e acesso às cozinhas comunitárias, não compensa financeiramente. As casas de apoio praticam os mesmos preços (20 camping, 25 pra dormir com saco de dormir e 35 pra dormir em camas, 110 a diária com janta e café da manhã). Ao meu ver, não vale a pena carregar o peso da barraca por essa economia.
       
      - As casas de apoio têm vendinhas com alguns alimentos, também vendem água, cerveja e Coca Cola. No Seu Eduardo a Coca era R$7,00 e geladíssima, na Dona Raquel era R$8,00, não tão gelada.
       
      - Não suba o morro do castelo sem lanterna. Há uma gruta lá em cima. Ao sair da gruta, ande para os dois lados. Indo pra esquerda há um mirante nas pedras e para a direita você encontra outra saída da gruta. Entre nela que você retorna ao ponto inicial
       
      - Alguns tracklogs para a cachoeira do funil têm um longo trecho andando pelo leito do rio, que é pegando uma bifurcação na trilha pro morro do castelo. Esse é o caminho difícil. Há como chegar até bem perto das cachoeiras por trilha, informe-se com os nativos.
       
      - Também existem dois caminhos entre a prefeitura e a casa de Dona Raquel, um em cada margem do rio. O caminho mais suave é o que fica à direita do rio, pra quem está indo pra Dona Raquel.
       
      Também fiz uma planilha com os passeios da Chapada, acho que pode ser bem útil. Vou deixar a edição livre, pra adicionarem ou atualizarem as informações
      https://docs.google.com/spreadsheets/d/1_4-nOWQOdKMwG-fntIXCsLC3i_HlP8i9YeBz5Z_9VpQ/edit?usp=sharing
       
      Os relatos em que me baseei pra viagem foram esses:
      http://www.nathalyporai.com.br/2016/12/chapada-diamantina-raio-x-dos-gastos.html
      http://www.mochileiros.com/chapada-diamantina-vale-do-pati-t134101.html
      http://www.mochileiros.com/descomplicando-o-vale-do-pati-com-ou-sem-guia-fotos-t89310.html
      http://www.mochileiros.com/chapada-diamantina-guia-de-informacoes-t29075.html
      http://www.mochileiros.com/chapada-diamantina-em-07-dias-gastando-pouco-no-carnaval-2015-t109690.html
       
      Espero que as informações sejam úteis, aproveitem a Chapada.
    • Por Bravo Mochileiro
      A primeira coisa que uma pessoa que nunca fez trilhas longas pensa antes de fazer uma trilha de 5 dias é: “meu deus do céu, vou andar sem parar 5 dias, será que eu agüento? Nhe nhe nhe nhe”. Bem, tem trilha que é isso mesmo, kkkkk, andar sem parar o tempo todo! Eu particularmente adoro isso! Mas o Vale do Pati, não, você anda bastante nos dias de ir e de voltar, mas os dias que você fica no Vale as caminhadas são até os atrativos do local, e essas caminhadas, dependendo de onde você estiver, não são tão longas assim, e você pode tirar uns dias de descanso no próprio Vale. Já vive em uma agitação louca de tempo e horários durante a vida toda, na cidade, vai ficar na mesma nóia no PARAÍSO? Sai dessa, vamos descomplicar o Vale do Pati AGORA!!!
       
       
      Os preços praticados pelos guias na Chapada Diamantina são altos (principalmente se você é um mochileiro quebrado como eu). Para o Vale do Pati pratica-se o preço de R$ 150,00 por pessoa por dia, incluindo alimentação durante a trilha, estadia na casa de nativos, alguns guias cozinham e levam todo o peso bruto da comida, panelas, kit de primeiro socorros, neste caso o turista leva apenas uma mochila de ataque com seus itens pessoais e não precisa fazer nada além de levar seu próprio corpo, outra opção é sem nada incluso que custa cerca de R$ 80,00 por pessoa por dia, neste caso o guia apenas conduzirá o turista pelas trilhas, ficando a cargo do contratante pagar a estadia diretamente aos nativos e levar sua comida, o guia vai ajudar a fazer a comida, caso tenha que ser feita na mata. Levando-se em conta que o Vale do Pati oferece várias atrações naturais e cada uma exige um dia para ser visitada e gasta-se no mínimo um dia inteiro para chegar no vale e outro para ir embora, o passeio exigirá então, no mínimo, para conhecer muito pouco o vale, 4 dias, o que já custaria a apenas um turista a bagatela mínima de R$ 320,00 sem contar os gastos com comida e estadia, e ele vai ver muito pouco do Vale. Esse valor pode variar de acordo com a época do ano e quantidade de pessoas no grupo. Eu recomendo o mínimo de 6 dias no Vale, e ainda acho pouco, imagine que para um grupo de 4 pessoas esse passeio de 6 dias sairia um total de R$ 3600,00 com tudo incluso, um valor bem interessante para um guia fazer em apenas uma guiada de menos de uma semana, não é?! Imagine grupos grandes com 10 pessoas ou mais, neste caso o guia contrata ajudantes que carregam peso e ajudam os turistas durante a trilha, evitando que se dispersem do grupo e se percam, mas o valor sobe estratosfericamente e torna o trekking inviável para muita gente quebrada como eu.
      Outra opção é pegar a trilha por conta própria, sem guias e sem gastos exorbitantes. Essa opção é bem mais arriscada e exige algum preparo extra, além de resistência física (sempre vai exigir resistência, com ou sem guia), mas é perfeitamente possível se você já está minimamente familiarizado com trilhas e acampamento. Ou seja, se você já foi escoteiro, já pegou outras trilhas com pernoite na mata, sabe ascender fogo e cozinhar, enfim, se tiver noção do que está fazendo, vá sem guias. O guia sempre será uma segurança, além de conhecer a flora, a fauna e a história do lugar, o fator limitante aqui é grana ou vontade de se aventurar sozinho (os dois no meu caso). E para mim o próprio guia é um fator limitante, eu gosto de fazer o que me der na telha e não de seguir roteiros pré-programados que todo mundo faz!
      Agora se você for optar por um guia, exija da agência ou procure um guia nativo e converse com ele antes de fechar, pra ver se as personalidades batem... [...]  Procure referências, peça para ver fotos, entenda a trilha que você vai fazer antes de fazer!
      As trilhas do Vale do Pati são algumas das trilhas mais movimentadas do Mundo e estão sempre cheias de turistas, trilhas dessas (pense bem) não podem ser pouco marcadas, e não são, dizem que as trilhas do Capão não são trilhas, são rodovias, de tão marcadas que são (kkkkk) e você provavelmente vai encontrar outros grupos caminhando na mesma trilha (hora perfeita para aproveitar para tirar dúvidas com o guia dos outros). Ao contrário do que dizem, as trilhas são muito fáceis de encontrar, embora sejam longas. Você só vai se perder se pegar uma trilha muito menor e menos marcada que a trilha principal, o que intuitivamente não vai fazer e se fizer, relaxe, você acabou de aprender um caminho novo para lugar nenhum e nunca mais vai entrar nele outra vez, volte por onde veio e encontre o seu erro, agora entendendo mais a geografia do lugar, sem se desesperar.
      Existem muitas trilhas que levam ao Vale do Pati, as mais famosas saem do Vale do Capão, de Guiné e de Andaraí. A trilha clássica e o visual mais bonito é uma das três que saem do Capão. A trilha mais curta, porém menos impressionante, leva o vale do Pati à Guiné. Uma linda trilha usada antigamente pelos mais de 2000 habitantes que existiam no Pati é a trilha que leva à Andaraí pela Ladeira do Império. Também existem trilhas que levam à Mucugê e Igatu, mas são bem mais roots e eu não conheço ainda.
      As 3 trilhas que ligam o Capão ao Pati tem um bom trecho em comum, saem do “Bomba” (bairro do Capão) subindo em direção ao Gerais dos Vieiras, passando pelo Córrego das Galinhas, uns minutos a frente pode se ver um extenso caminho levando às montanhas do Pati, à direita se vê uma enorme serra (Serra do Candombá) que se estende praticamente em linha reta até o Pati, à esquerda se vê cadeias de montanhas que lhe fazem perceber que está no meio de um enorme vale onde se encontra o Gerais do Vieira (Gerais é um tipo de fito fisionomia, com solo raso e vegetação geralmente rasteira, muito sol na moleira).
      Nesse ponto, depois do Córrego das Galinhas existe a primeira bifurcação importante, existe uma grande trilha principal que segue aparentemente para a direita enquanto outra trilha, também bem marcada, segue para a esquerda. A trilha da esquerda é a trilha que leva ao Pati passando pela Cachoeira do Calixto, é uma trilha mais difícil, exige pernoite na mata (existe um lugar onde as pessoas usualmente acampam, se chama Toca do Gaúcho), passa por uma parte descampada e depois por uma floresta que me arremeteu à Mata Atlântica e à Mata Ciliar (do Cerrado), até chegar na fabulosa Cachoeira do Calixto, depois mais 3horas de caminhada na floresta, recheada de aves e palmito Jussara nativo, chega-se à “Prefeitura” ou “Casa de Jailson” que são, na verdade, casas de nativos que recebem os turistas, eles oferecem quartos com camas (R$ 25,00), alojamentos para isolante térmico (R$ 15,00) ou área para camping (R$12,00), também oferecem refeições (a combinar).
      Retornando à primeira bifurcação, viramos agora à direita, continuando a trilha principal por alguns minutos, passando por alguns córregos (nunca vire nas trilhas à esquerda a partir daí, siga a principal, pela direita), chegamos agora em um corregozinho bem impactado, com várias trilhazinhas para tudo que é lado. Esse é um momento de atenção!!! Explore as alternativas de trilhas do lugar para se localizar!!! Seguindo reto você vai subir um pequeno elevado onde vai haver uma bifurcação bem visível, à esquerda andando apenas alguns metros você vai chegar no “Rancho dos Vaqueiros”, é um ponto de apoio coletivo, trata-se de uma casinha de pau-a-pique que fica trancada, mas tem uma varandinha que pode ser utilizada para dormir e/ou cozinhar, existe uma piscina natural de água geláááááda e algumas árvores frutíferas (que se você tiver sorte vai estar na época), voltando à bifurcação, à direita é a “Trilha das Mulas”, só seguir reto e sem dó de ser feliz que essa trilha vai te levar direto para a “Igrejinha” ou “Ruinha”, tenha em mente que a Serra do Candombá estará sempre à sua direita e é só ir a seguindo ao longe que não tem erro. Vale lembrar que das 3 trilhas que ligam o Capão ao Pati essa Trilha das Mulas é a mais curta, porém não tem o mesmo visual das outras duas e da vez que passei por ela estava chovendo e a lama mole da trilha fazia meu pé afundar até o tornozelo a cada pisada, as vezes até a metade da canela, sem contar as urtigas e samambaias que vão te queimando e arranhando durante o percurso, também é a trilha que tem mais sombra, acho que em época de pouca chuva é tranqüilo de fazer. Voltando ao riacho impactado, virando bruscamente à direita, no rumo da Serra do Candombá, está a trilha mais bonita e clássica do Vale do Pati, seguindo essa direita chega-se no pé da serra onde se inicia a subida do “Quebra Bunda”, é uma subida vertiginosa de uns 30 minutos, sobe até o “Gerais do Rio Preto” que é a parte superior da serra, a partir daí é só ir margeando a beira da Serra por quase todo o percurso, existem várias entradinhas à esquerda que levam a belíssimos mirantes, vale a pena entrar em todas para descansar e olhar. Permaneça na trilha principal e não entre nas bifurcações à direita, elas te levarão a Guiné. Seguindo a serra por algumas horas você chegará à beira da “Rampa” descida vertiginosa e tensa (que vira uma subida deliciosamente torturante caso volte por aí). Essa parte exige atenção pois se não perceber o lajedo da descida vai passar reto e errar a trilha, indo no rumo do Cachoeirão por cima ou Mucugê (acredite, você não vai chegar em Mucugê se errar essa trilha, é bem longe, só vai andar pra cacete e depois voltar tudo) . Do alto da Rampa se vê uma montanha com uma trilha bem marcada em um morrinho logo à frente, abaixo e à direita já dá pra ver a “Igrejinha”, se você estiver nesse ponto, procure a descida, vai ser fácil de achar, mas cuidado na hora de descer.
      Chegando em baixo, você vai ver que a descida cruza uma trilha, virando à esquerda você vai chegar em menos de 10 minutos na Igrejinha, seguindo reto você vai passar por uma pontezinha improvisada e depois subir a trilha do “morrinho” que você viu lá de cima, depois desce tudo e pronto, você estará dentro do Vale do Pati, vai passar pela casa de Dona Lea, seguindo depois para a casa de André e de Dona Raquel.
       

       
      Das atrações do vale destaca-se a convivência com os nativos, que habitam o lugar a algumas décadas, vivendo de modo tradicional, com o que eles tem lá, meio de transporte lá é cavalo e burro, fora a caminhada, constroem suas casas com madeira e barro locais, quase sem cimento, que é pouco utilizado apenas nas bases das casas mais novas, tem uma culinária peculiar, não deixe de provar o Palmito de Jaca e o Godó de Banana Verde, converse muito com eles, entenda mais do seu modo simples de viver, talvez você nunca mais volte a ser o mesmo!
       
       
       
      Dentro do Vale do Pati existem várias atrações naturais onde é possível a visitação, as mais conhecidas e visitadas são: Cachoeiras dos Funis, Morro do Castelo (ou Lapinha), Cachoeira do Calixto, Cachoeirão (por cima e por baixo), Poção (ou Poço da Árvore). Vou explanar um pouco como são atrativos tendo como ponto inicial a Casa de Dona Raquel, que é o lugar mais famoso onde a galera fica quando chega, além da casa de Dona Raquel, também tem a Igrejinha, Casa de Dona Lea, Casa de André, Casa de Agnaldo e Casa de Seu Wilson, que ficam no chamado “Pati de Cima” que é por onde a galera que vem do Capão normalmente chega. Ainda tem o “Pati de Baixo” onde tem a Prefeitura, Casa de Jailson, Casa de Seu Eduardo e Casa de Jóia que também recebem turistas. Procure ter um mapa que vai ajudar MUUUUITO, você pode conseguir um bem detalhado por R$ 20,00 na pousada “Pé na Trilha”, no Capão.
       
      Cachoeiras dos Funis: é um dos atrativos mais perto (ponto de referência Casa de D. Raquel), para chegar na primeira cachoeira é preciso pegar uma trilha subindo que passa ao lado da casa de Seu Wilson, depois desce tudo à direita até chegar na margem do rio Pati e vai subindo, a partir daí não tem erro. Chegando na primeira cachoeira que já pede um bom banho, vai seguindo pelo lado esquerdo do leito (esquerdo de quem vai subindo o rio) pelas trilhas, vai chegar na Segunda cachoeira, preste atenção do lado esquerdo tem uma “escalaminhada” sobe ela, passa pela cachoeira por cima, e continua pelo lado esquerdo as trilhas até a ultima cachoeira que tem um bom lajedo para tomar um solzinho no melhor estilo calango.
       

       
      Morro do Castelo: Fica de frente para a Casa de D. Raquel e o acesso é por uma subida íngreme, porém curta do outro lado do rio, pouco depois da Escolinha abandonada do Pati. Chegando lá em cima (aproximadamente 40min de subida depois) tem um mirante de onde se vê o Pati e as casas dos moradores, também da pra ver a ultima cachoeira dos Funis. Seguindo a trilha por mais 15 minutos você vai chegar à boca de uma gruta que atravessa para o outro lado da montanha, você vai ter que entrar nessa gruta, então leve lanterna, atravessou a gruta está do outro lado do Castelo, subindo umas pedras saindo por uma fenda. Virando a esquerda existe uma trilha que leva ao mirante mais espetacular da Chapada Diamantina, de lá se vê os dois vales, do Rio Pati e do Rio da Lapinha, no primeiro a ultima cachoeira dos Funis e no segundo a belíssima Cachoeira do Calixto, da até pra ouvir o som da água! Voltando para a fenda e v irando a direita a trilha leva a um novo mirante que dá pra ver o Pati de Baixo, seguindo a trilhazinha a esquerda passando pela mata vai chegar em um terceiro ponto de caverna chamado “Janela”, entrando lá e descendo para a caverna você vai dar em uma galeria subterrânea ainda maior que a primeira e percorrendo toda ela chega em uma fenda que vai dar bem no meio da primeira galeria por onde passamos na primeira entrada da gruta, vire a esquerda e vai estar de novo na boca da gruta, voltando a trilha. Não deixe de subir o Castelo se for no Pati, é sensacional! Pico mais lindo que eu vi na Diamantina!
       

       
      Cachoeira do Calixto: uma belíssima cachoeira, convidativa para um delicioso banho, saindo de D. Raquel passando pela prefeitura, atravessa o rio pelas pedras, contorna o morro do Castelo e o Morro Branco do Pati, chegou nela, uma andada de 3horas de duração, porém vale MUITO a pena, lá tem lugar para armar barraca, então se não quiser ir e voltar, programe bem seu itinerário para passar pelo Calixto quando estiver deixando o Pati. Mais no final vou deixar um roteiro interessante para se seguir no Vale.
       

       
      Cachoeirão: existem vários caminhos que levam ao cachoeirão, vou falar só dos mais simples, os outros descem fendas íngremes e perigosas, então se quiser saber desses caminhos, pergunte lá no Pati para algum nativo, ele vai te explicar melhor que ninguém, mas cuidado com o baianês deles! O Cachoeirão é como a Cachoeira da fumaça, um barranco de 300 metros de altura no final de um vale profundo de onde se desprendem mais de 20 cachoeiras com até 280 metros (na época de cheia), um lugar incrível. As trilhas por baixo e por cima são bem diferentes uma da outra, por cima tem que voltar de D. Raquel sentido Igrejinha, ao invés de subir o barranquinho, continue a trilha a esquerda, como se estivesse indo para trás da Serra do Sobradinho, vai passar por uma porteira, abra e feche a porteira, siga a trilha principal, atravesse o rio, suba uma ladeirinha, vai dar lá em cima do Candombá novamente, continue a trilha, vai passar por umas arvorezinhas onde a galera acampa e seguir direto, lá na frente, cerca de 1h30 de caminhada depois vai haver uma bifurcação, a esquerda é nosso caminho, a direita vai para Mucugê, não vá para Mucugê, é longe pra caralho (eu já me perdi aí e andei o dia todo sem ver nada, só sol quente e nenhuma árvore) pegando a esquerda vamos parar em um lajedo, olhando para frente tem uma descida e la na frente já da pra ver a trilha, siga as setinhas e a trilha mais batida. Nesse ponto é só lajedo, muita gente se perde aí, então preste muita atenção para não se perder na volta. Atravessa um reguinho d’água, à direita fica a Toca do Gavião, ponto de dormir, siga reto para o cachoeirão. Chegando lá tem um lajedinho e um pocinho do rio, do lado esquerdo do rio atravessa para um dos mirantes, do lado direito para o outro mirante, explore o lugar todo a partir daí, entre nas trilhazinhas e vá tirando suas próprias conclusões, não esqueça da máquina fotográfica, eu tenho muito poucas fotos daí pois acabou a bateria da câmera, das duas vezes q fui lá, não deixe o mesmo acontecer com você. Cachoeirão por baixo, siga de D. Raquel sentido Prefeitura, na prefeitura passe direto e vire a esquerda e vá caminhando até a Casa de Eduardo, no caminho você vai passar pela entrada do Poção que fica logo antes de uma ladeira à esquerda perto de uma grande pedra (Toca da Árvore). Chegando em Seu Eduardo provavelmente você vai ter que dormir lá, de D. Raquel até S. Eduardo são 3h de caminhada, e de Seu Eduardo até o Cachoeirão, mais 2 horas, então já viu, vai andar! Cuidado no caminho do cachoeirão por baixo, são muitas pedras escorregadias e boa parte do caminho é pelo leito do rio, não se arrisque demais, lembre-se que o socorro está bem longe! Chegando lá você vai ver o primeiro poço, suba as pedras e lá dentro da floresta procure um caminhozinho meio fechado à esquerda, vai dar no Poço do Coração, lindíssimo e geladíssimo!
       

       
      Com essas explicações, um bom mapa, noção do que está fazendo, aquela “boca de quem vai à Roma” e um pouco de coragem você vai conseguir curtir o Pati sem gastar rios de dinheiro e sem a rigidez de um guia por perto. Pura diversão!
       
      Roteiro MASTER 360 no Pati:
      Dia 1: Caminhada Capão – Casa de Dona Raquel (pernoite)
      Dia 2: Descanso na casa de D. Raquel ou pule para o dia 3
      Dia 3: Cachoeiras Dos Funís e volta pra D. Raquel (pernoite)
      Dia 4: Casa D. Raquel – Cachoeirão por Cima – Casa D. Raquel (pernoite)
      Dia 5: Castelo de manhã, almoço em D. Raquel, caminhada até a Prefeitura (pernoite)
      Dia 6: Caminhada Prefeitura - Poção (Poço da Árvore) - Casa de S. Eduardo (pernoite)
      Dia 7: Caminhada S. Eduardo – Cachoeira do Calixto (pernoite em barraca)
      Dia 8: Cachoeira do Calixto – Vale do Capão
      Obs: É interessante deixar uns dias pra descanso, é bem intenso e o resultado é o mesmo de um SPA, mesmo comendo feito um touro você vai chegar mais magro. Esse roteiro dá pra adaptar de modo a passar a noite na casa de vários nativos.
       
       
      ATENÇÃO: Cuidado com seus pertences. Não deixe lixo em lugar nenhum, leve todo ele com você, inclusive o orgânico, ele se decompõe sim, mas também causa impacto, não existe farinha de trigo no mato, não existe sal, nem açúcar refinado, então não deixe eles lá. Use sabão de coco para se lavar e lavar os utensílios, sempre em água corrente. Não acenda fogueiras debaixo das grutas, muitas delas já estão pretas de tanta fumaça, ao invés de queimar madeira leve um fogareiro, ou no mínimo um litro de álcool e uma latinha de atum, você já consegue cozinhar assim. Não retire plantas e pedras. Deixe somente pegadas e leve apenas saudade e fotografias. Tenha consciência, outros passarão por ali depois de você. Use esse texto com responsabilidade. Não se arrisque demais!
       
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    • Por Bernardo_carcará
      Relutei um pouco em escrever este relato, afinal, sabia que seria difícil descrever impressões tão pessoais acerca de tudo que vi e senti nestes dias de solitude pela Chapada Diamantina. Mas muito do estímulo que tive para esta empreitada me veio de outros relatos que li, de depoimentos de verdadeiras transformações pessoais advindas de viagens. Então, se este relato servir de inspiração para uma pessoa que seja, terá valido a pena cada palavra aqui escrita.
       
      Bom, em maio completei meus 30 anos. Não sei se é comum, mas nesta fase os já muitos questionamentos de vida que eu sempre trouxe comigo se aprofundaram, e eu senti uma imensa necessidade de organizar minha cabeça, tomar decisões, procurar respostas na minha alma, no meu íntimo, em um lugar que ainda não tivesse sido de certa forma corrompido pela sociedade que eu tanto questiono, mas que tanto me influencia. E eu sabia que o único jeito de conseguir este contato tão profundo comigo mesmo seria estando sozinho e em um lugar com pouco ou nenhum contato com outras tantas pessoas e informações.
       
      O fato de já ter estado outras vezes na Chapada Diamantina e sabendo que eu não teria tanto tempo para organizar uma viagem, me levaram ao interior da Bahia. Baixei um app de localização por GPS no meu celular, baixei também os mapas dos quais eu iria precisar e li bastante sobre os roteiros que eu pretendia fazer, que inicialmente eram a travessia de Lençois para o Vale do Capão passando pela Fumaça por baixo e a travessia completa do Vale do Pati, entrando pelo vale do Capão, descendo por toda a extensão do vale, subindo novamente e saindo também pelo Capão.
       
      Fiz as malas escolhendo colocar pouquíssima roupa e dando preferência para as peças mais leves e também para um conjunto de roupas que me protegessem do frio, no caso de algum contratempo na trilha. Fiz também uma farmacinha com analgésicos e material para curativos. Indispensáveis também foram a lanterna, 4 pares de meias secas, além da minha barraca (que logo descobriria deveria ser bem menor), e meu saco de dormir.
       
      Dia 22.06 entrei no avião que me levaria de Recife, onde moro atualmente, até Salvador. Cheguei na capital baiana ainda cedo, por volta das 13h e, tendo em vista que meu ônibus para Lençois estava marcado para as 22:45, resolvi visitar o centro histórico de Salvador, que naquele dia dava início aos festejos juninos, com palcos onde a noite iriam ocorrer shows. Peguei um ônibus no aeroporto que por R$ 5,50 me levou até a praça de sé, por um roteiro que incluiu toda a bela orla da cidade e que durou pouco mais de uma hora.
       
      Chegando à Praça da Sé, não havia tanta gente assim pelas ruas, já que, pelo que o cobrador do ônibus falou, estava chovendo bastante nos últimos dias e também muita gente já tinha viajado para passar o são joão no interior.
      Fui direto conhecer o elevador lacerda, aproveitando que não chovia. De lá pude conhecer o mercado modelo e também perambular pelas ruas do centro histórico, subindo e descendo, passando pelo pelourinho e pelas belas igrejas.
      Todavia, o que mais me chamou a atenção foi o povo do lugar. Salvador é um retrato da desigualdade social que assola este país. A região do centro histórico parece ser bem pobre, o que expõe as pessoas que lá vivem a problemas com álcool e o crack, sendo que as mais afetadas são as de raça negra, um povo cujos antepassados construíram aquilo tudo e que deveriam estar em situação de protagonismo, mas não estão. Os bares, restaurantes e o comércio são dominados por estrangeiros e pessoas de outros estados, nada contra, mas acredito que a população local deveria ter subsídios para também se valer do lucro trazido pelo turismo.
      Antes de ir para a rodoviária, pude ver o primeiro show da noite, uma orquestra de sanfona que eu, como apaixonado pelas minhas raízes sertanejas, não tive como não me emocionar.
      Retornei para a praça da sé e peguei um ônibus para a rodoviária, pagando pouco mais de R$ 3.
       
      A rodoviária estava LOTADA. Retirei minha passagem no guichê e aguardei o horário da partida do ônibus. O tempo até que passou rápido, e um bom papo com um Francês que estava do meu lado ajudou a distrair. É bom trocar uma ideia, ver como pessoas diferentes enxergam as coisas te ajuda a melhorar a visão de mundo. Despedir-me do camarada da França e parti rumo a Lençois.
       
      Ao chegar em Lençois, ainda de madrugada, já preparei minhas coisas para a travessia para o Capão. A esta altura, após muito refletir, decidi fazer a travessia diretamente, abortando a ideia de fazer a trilha da fumaça por baixo. Eu não estava tão seguro, não tinha estudado a trilha o suficiente e não dispunha de fogareiro, além disso, uma estranha sensação me fez recuar. Dessa forma parti rumo ao Vale do Capão.
      A trilha não é tão fácil, em alguns pontos de mata e nos lajedos eu tive dificuldade de encontrar o caminho correto, mesmo com o gps. Tive que ir e vir algumas vezes para encontrar a trilha, além de ter que encarar um lamaçal horrível, também fruto de um erro meu durante a trilha.
      No fim da tarde, já chegando em águas claras, descobri que estava proibido o acampamento na região, então voltei um pouco mais na trilha e encontrei um lugar onde um guia levantou acampamento com um casal de turistas. Decidi então montar minha barraca por ali tbm, já que era apenas uma noite e eu não precisaria de água, nem de comida, pois já tinha trazido suprimentos para aquele pouso.
      No dia seguinte desfiz acampamento e segui para o Vale do Capão.
      Chegando ao Capão a ideia era ficar em uma pousada, pois eu estava bem cansado, mas por ser são joão, estava tudo lotado. Resolvi, então, acampar no camping "Sempre viva", ao preço de R$ 20,00/dia. O Camping tem uma boa estrutura, com chuveiro quente e cozinha, além de ser um lugar tranquilo, silencioso e bem perto da vila.
      Ainda neste primeiro dia no capão fui fazer a trilha da Cacheira da fumaça por cima. Já tinha feito o percurso uma outra vez, sendo assim, dispensei o gps.
      A trilha é razoavelmente fácil, é bem batida, e por isso não tive dificuldade alguma.
      Por ainda ser cedo, tinha pouca gente na cachoeira, o que foi perfeito, pois me incomoda um pouco a barulheira.
      Ali eu percebi que tinha ido ao lugar certo para encontrar o que eu estava buscando. Aquela imensidão de beleza, o ar puro e o clima místico, tomaram conta de mim. Sim, ali estava eu mesmo, sem qualquer máscara, sem qualquer imposição social. A natureza não te exige nada, ela te deixa e te faz livre... Era a paz de espírito que eu tanto almejava!
      A noite fui com o pessoal do camping curtir um forrozinho na vila, que estava abarrotada de gente, porém, o frio e o cansaço me fizeram voltar cedo pra barraca...
      Segundo dia no capão e eu decidi ir até as cachoeiras da Angélica e da Purificação. Acordei bem cedo, pois sabia que se deixasse pra ir tarde corria o risco de ter gente demais no lugar. Fui a pé até o bomba, percurso que geralmente se faz de carro ou moto táxi, mas eu tinha tempo e disposição, então fui andando mesmo. A melhor das decisões, pois nessa caminhada vc consegue ver um pouco do estilo de vida dos nativos do capão e também das pessoas que resolveram viver por lá, mas de uma forma mais tranquila, longe da agitação da vila, recém descoberta pelo turismo de massa.
      A trilha para as duas cachoeiras tbm foi simples de percorrer com a ajuda do gps e, pra minha sorte, quando eu cheguei à purificação estavam lá apenas 5 pessoas! Meu coração se alegrou! Pude curtir tranquilamente a queda e até tirar um bom cochilo, relaxando com o som da água. Na volta encontrei MUITOS grupos se dirigindo até lá. Falo sem medo de errar, não menos de 60 pessoas eu encontrei se dirigindo para as cachoeiras.
      Retornei novamente andando para o camping, onde tomei banho e fui almoçar. Sobre o almoço, recomendo o "Pico do açaí", uma comida farta, deliciosa e vegetariana (apesar de ter opções para carnistas tbm), ao preço de R$ 20,00, uma pechincha em se tratando de Capão em época de feriado.
      Fui então comprar a comida que levaria para o Vale do Pati, nesse momento cometi meu maior erro nessa viagem! Comprei comida demais! Minha mochila, eu descobriria no outro dia, ficou demasiadamente pesada, e isso foi péssimo pra mim, pois no primeiro dia de travessia para o pati, de cerca de 23 km, eu sofri demais tendo que carregar todo aquele peso.
      À noite fui comer uma pizza com o pessoal do camping, fiquei mais um tempinho no forró e logo fui descansar.
       
      Dia de entrar no Vale do Pati. Como já falei, a mochila ficou pesada demais, já que além da comida eu ainda estava carregando uma desnecessária barraca para 4 pessoas, sendo que eu sou apenas 1, fora isolante e saco de dormir. Foi um erro pelo qual eu pagaria um preço.
      A trilha em si, do capão até a igrejinha, já dentro do vale do pati, foi fácil apesar da chuva e da lama que me acompanharam por mais da metade do percurso. Não me perdi hora nenhuma, o gps foi sempre certeiro. Levei cerca de 6:30h para percorrer os 23km.
      Ao chegar na igrejinha, capotei! Minhas pernas tremiam e eu começava a ter febre e uma imensa dor nas costas, devido ao peso da mochila. Decidi não acampar e paguei R$ 35,00 para dormir em uma cama na igrejinha. Tomei um banho e caí no colchão. Acordei por volta das 17h, a tempo de ver um por do sol que me fez recobrar minhas forças. O céu estava de um alaranjado lindo. Sim, cada passo com aquela montanha nas costas havia valido a pena.
      Cozinhei meu jantar, o cardápio foi macarrão com sardinha e suco de laranjas que eu peguei ali mesmo. Nas casas de apoio no pati é possível comprar o café da manhã e o jantar, além da dormida, ao preço de R$ 110,00 o pacote completo, mas eu queria me virar, queria cozinhar, queria provar pra mim mesmo que eu conseguiria fazer o que eu quisesse, e sozinho.
      No segundo dia acordei por volta das 7h, numa manhã bem gelada. Tomei banho, preparei meu café a base de frutas, mel e granola, e em seguida fui para o cachoeirão por cima. Também nenhuma dificuldade com a trilha ou com o gps. Quando cheguei lá, não havia mais ninguém, parece que só eu havia decidido encarar a trilha no frio. Chegando lá não dava para ver nada, tava tudo encoberto por nuvens.
      Sentei a beira do cachoeirão e decidi esperar. De repente o tempo começou a abrir e aquela imensidão de beleza veio se mostrar pra mim. Foi tão especialmente lindo! Depois da caminhada difícil um lindo dia, uma bela recompensa! Era Deus falando comigo! Me senti tão bem, tão agradecido por ter conseguido chegar até ali, por ter tomado essa decisão! Aquela viagem estava mesmo sendo um divisor de águas na minha vida!
      Retornei para a igrejinha, fiz o jantar e fiquei o restante da noite na fogueira, ouvindo as histórias do pessoal e trocando um pouco de ideia com os outros visitantes!
       
      No dia seguinte peguei a mochila e fui para a Prefeitura, outra casa de apoio dentro do vale do pati. Novamente nenhuma dificuldade com a trilha e a mochila já pesava menos, tendo em vista que eu decidi consumir boa parte da comida, pra não ter q carregar mais, e ir comprando mantimentos nas casas de apoio mesmo, apesar do preço mais salgado.
      Deixei minha mochila na prefeitura e segui para a cacheira do calixto, apesar do tempo frio.
      A trilha, apesar da muita lama, é fácil, já que não tem bifurcações. Cheguei à cachoeira e acabei nem entrando na água, pois estava gelada demais e não tinha sol, sendo assim, eu iria ficar encharcado e com frio.
      Dei uma cochilada enquanto o sol ia e vinha com constância.
      Umas duas horas depois resolvi voltar para a prefeitura. Na volta levei uma queda feia, caí em cima de um amontoado de pedras. Minhas costelas bateram em uma pedra pontuda. Fiquei sem ar, não conseguia me levantar, e como a queda foi dentro de um pequeno córrego, estava também todo molhado. Sentei por alguns minutos para recuperar o ar. Meu pulmão parece que não conseguia expandir direito e eu não havia levado qualquer analgésico, outro erro grave, tendo em vista que eu estava sozinho e deveria estar preparado para coisas assim! Consegui levantar e terminar a trilha com certa dificuldade, já que a chuva ganhara força e o lamaçal exigia ainda mais esforço. Mas cheguei bem à prefeitura, me mediquei, tomei um banho, fiz um risoto rapidinho e fui descansar.
      No dia seguinte a costela e o ombro doíam demais. Pra minha sorte tinha levado Tylex, um analgésico mega potente. Coloquei a mochila nas costas e segui para a casa do Sr. Eduardo.
      A parte baixa do pati é um pouco mais complicada que a parte de cima, já que tem mais trechos de mata. Todavia, com o gps foi fácil chegar ao meu destino, fazendo um rápida parada para um banho no Poço da Árvore, que fica no caminho. Chegando no Sr Eduardo, deixei a mochila, descansei um pouco à beira do rio e segui para fazer a trilha do cachoeirão por baixo.
      A mata estava bem fechada e as pedras escorregadias. Não tive dificuldades para me localizar, mas a trilha é difícil. Quando cheguei ao primeiro poço dei um mergulho e tentei seguir para o segundo poço, o do coração, mas não consegui encontrá-lo. O celular descarregou e eu tive que ir sem gps. Subi (muito) e desci pedra, perambulei um bocado, mas nem sinal do poço. Então, visto que as pedras estavam bem escorregadias, eu decidi voltar, pois uma queda ali poderia acabar com minha viagem ou até me colocar em perigo. Voltei para a casa do Sr. Eduardo já com tempo aberto.
      Eu estava leve e muito orgulhoso de mim, pois tinha descido todo o pati, e, mesmo com um certo receio por estar sozinho, não exitei em seguir. Bateu até um certo arrependimento por ter abortado a ideia da fumaça por baixo, já que eu teria conseguido sim concluir a travessia inteira, como havia planejado antes! A essa altura sabia que seria capaz de chegar onde eu quisesse.
      Comprei legumes na casa do sr. Eduardo ao preço de R$ 1,00 cada e fiz uma sopa para a janta. Logo após, depois de um papo com um simpático pessoal de Brasília, fui dormir.
      Nesta manhã me dei ao luxo de acordar às 9h. Fiz um rápido café e iniciei a trilha volta para a igrejinha. A única dificuldade era a dor na costela.
      Chegando à igrejinha deixei a mochila e fui até a cachoeira dos funis. O acesso não é tão fácil, já que a lama e o desce e sobe pelas encostas dos morros dificultam um pouco nossa vida. Nesse dia, apesar do frio, me arrisquei a um bom banho (devia ter feito isto no Calixto tbm).
      Era meu último dia no Pati, mas eu estava feliz demais com aqueles dias. Estar sozinho me fez ver o quanto é bom poder estar consigo mesmo, se ouvir, pensar, repensar, tomar decisões, enfim... às vezes temos medo da solidão, não sei porque! Um outro homem, mais sagaz e corajoso, iria sair daquele vale, e eu sou de uma gratidão eterna à Chapada Diamantina por isso...
       
      Na manhã da sexta fiz a trilha de volta para o vale do capão, saindo da igrejinha. Agora sem o peso da comida e com uma enorme leveza na alma...
      Usei a noite da sexta para descansar.
       
      No sábado consegui uma carona com um mineiro que havia encontrado no Pati, que me levou até Palmeiras, com direito a uma parada no Riachinho. Também no carro conheci o Esdras, um mexicano que está há 6 anos viajando de bike. Um cara com jeito simples, uma história incrível e que, mesmo falando pouco, disse tudo que eu precisava ouvir naquele fim de viagem... Foi aí que percebi que estar sozinho é muito bom, mas que preciso sim aprender com outras pessoas e suas histórias de vida, e mais, que sou responsável por ajudar a construir um mundo melhor para [email protected], onde valia a pena viver, onde [email protected] possamos ser felizes. Um mundo com mais igualdade, amor e justiça social.
      Peguei um ônibus para Lençois, onde ainda tive uma agradável noite com o pessoal com quem estava dividindo quarto no hostel, um engenheiro maranhense gente boa demais e uma outra engenheira alemã, sendo que com a moça a comunicação era lenta e hilária, já que eu sou um pereba no inglês. Mais uma edificante troca de experiências que essa viagem me proporcionou.
      No dia seguinte, Cedinho, peguei um outro ônibus para Salvador e de lá um avião de volta para Recife.
      Bom, esse é o meu relato. Se você chegou até este final, espero ter te inspirado um mínimo que seja. Espero que vc saia da zona conforto, enfrente o medo e SIGA EM FRENTE...
      Então, saudações mochileiras! Espalhe amor, seja luz!
      "Hasta a la victoria siempre!" (Comandante Che)
      Abaixo, as 3 únicas fotos que tirei na viagem... 


       

    • Por Iana Briaca
      Vou falar aqui no meu relato sobre formas de transporte que usei, hospedagem, duração da viagem e valores. Porque eu acho que é isso que uma pessoa procura quando busca informações sobre Mochilão. Sendo que na maioria das vezes é a primeira experiência da pessoa com um; 
      Resumo: 
      Tipo de transporte: ID JOVEM e carona pelas br da vida.  
      Hospedagem: Couchsurfing e voluntariado em hostel.
      Alimentação: Fazia compras para preparar minha própria comida ou às vezes eu comprava PF (mas comprar PF sai mais caro)
      Valor em dinheiro que levei: R$ 550,00.
      Duração da viagem: 54 dias.
      Quantidade de estados: 3 Estados e uma pequena parada em Brasília.
       
      SOBRE HOSPEDAGEM, TRANSPORTE PARA SAIR DO MEU ESTADO E ALIMENTAÇÃO NO PRIMEIRO DESTINO; PERNAMBUCO: Então, meu mochilão começou quando eu saí de Belém, que é a cidade que eu moro, no dia 04/07/2019, ruma à Pernambuco. Fui de ônibus usando o ID jovem, de passagem de Belém para Recife eu paguei 3,50. Isso, três reais e 50 centavos. Esse valor corresponde à taxa de pedágio que é cobrado pela empresa de ônibus, apenas. Quando eu cheguei em Recife fiquei hospedada na casa de um casal que consegui estadia pelo Couchsurfing. O tempo que passei na casa deles foi incrível, pessoas super legais. Com o mesmo aplicativo consegui estadia para passar um final de semana em Olinda, em uma pousada localizada bem no centro histórico. Também não paguei nada para ficar hospedada, apenas tinha que ajudar a moça que trabalhava na cozinha com serviços bem simples pela parte da manhã. Ah, e sobre alimentação, essa era por minha conta. (Talvez o seu anfitrião não tenha problema em ajudar nesse quesito com algumas coisas, mas também ninguém gosta de gente folgada né, se tu tiver condições de comprar a tua comida é muito melhor, caso contrário é bom você avisar à pessoa que vai te receber que vais precisar de alimentação também).
      OBS: Couchsurfing é uma plataforma que possibilita a troca de hospedagem em qualquer lugar do mundo. Na época era totalmente gratuita quando usei, agora o app tá cobrando uma contribuição de R$ 4,99 mensal ou R$ 29,99 anual por conta da crise do corona vírus.
      ROTEIRO: Quando estive em Pernambuco conheci Recife, Olinda, Porto de Galinhas, Praias do litoral de Cabo de Santo agostinho: Calhetas e Gaibu (caara, as praias mais lindas que conheci até hoje, e por não serem tão famosas quanto Porto de Galinhas, elas não são taão movimentadas, o que eu acho ótimo) e vila de Nazaré. Isso em uma semana, que foi o tempo que passei em Pernambuco. 
      TRANSPORTE PÚBLICO: Como eu fui com um amigo que sabia tocar banjo e eu enrolava no Maracá, optamos por não pagar passagens em transporte público e sim pedir para os motoristas deixarem a gente subir e tocar Carimbó nos ônibus. E assim, essa ideia deu super certo, tanto que a galera até ajudava com uns trocados, o que ajudou muito a gente na viagem. Sobre o valor de passagem de ônibus urbano não vou saber falar do custo, pois não tive essa experiência. Porém, fica a dica: Toquem nos ônibus ou subam pra vender algo. 
      SAÍDA DE PERNAMBUCO RUMO À BAHIA:  Saí de Pernambuco de carona, com a intenção de descer até a Bahia. Porém, no primeiro dia consegui carona com um caminhoneiro que tinha como destino Maceió, aceitei porque isso ia me deixar mais próxima do meu destino, né. Tive que ficar uma noite em Maceió para poder partir no outro dia. 
      Fiquei em uma Pousada de beira de estrada que custou R$ 40,00 no total pra dormir eu e meu amigo em um quarto com duas camas. 
      Jantei em um Restaurante que o PF custava R$ 10,00.
      No outro dia peguei mais duas caronas Alagoas-Sergipe Sergipe-Bahia e cheguei na Bahia, finalmente.  Passei uma semana em Salvador, consegui hospedagem no Couchsurfing, alimentação por minha conta, fazendo compras e preparando minha própria comida, de transporte usei o mangueio kk pedindo pra subir e tocar. Depois de uma semana, saí da bahia e voltei à br para pegar carona. Consegui diversas caronas no mesmo dia e cheguei na Chapada Diamantinaa. 
      NA CHAPADA DIAMANTINA:  Não consegui estadia com o couchsurfing na Chapada, tive que pagar uma semana de Hostel. 
      VALOR DO HOSTEL: 15 Reais a diária (pedindo desconto)
      ALIMENTAÇÃO: Comprava minha comida e preparava. 
      GUIA: É necessário guia apenas em algumas trilhas em outras tem como fazer de boas usando o gps. 
      DICA DE APP: MAPS ME Nele tem como usar o gps da localidade que tu se encontra sem internet. 
      SAINDO DA BAHIA RUMO GOIÂNIA: Saí da Chapada Diamantina de carona com inumeráveis pessoas, carona com caminhoneiro e carro particular, e passei perrengues, porque a Bahia é imensa. Levei 4 dias pra chegar em Goiânia.
      Nesse percurso nem sei quantas caronas peguei, foram muitas. Em nenhum momento precisei pagar pousada, até porquê nem tinha como, pois a grana já tava curta. Na primeira noite dormi na casa da família de um rapaz que me deu carona quando ainda estava indo para Chapada, Na segunda passei a noite em um posto de gasolina, Na terceira noite dormi na casa de um amigo que conheci com a experiência de carona também, isso em Brasília. (aproveitei pra comprar logo minha passagem de volta pra belém quando eu estava em Brasília) E por fim, no quarto dia consegui a carona para Goiânia. Em Goiânia passei quase algumas semanas, fiquei na casa de um amigo, apenas ajudando com a alimentação, no trasporte também não gastei nada.
      GOIÂNIA ATÉ A CHAPADA DOS VEADEIROS: De Goiânia até a Chapada dos Veadeiros, por muita sorte, tive só uma carona. Consegui carona com um fazendeiro que tinha uma propriedade próximo da cidade que eu ia ficar. Ele me deixou até a cidade que era meu destino, lá eu fiquei hospedada em um hostel onde trabalhei como voluntária em troca de estadia. Nos dias eu que trabalhava as minhas refeições eram por conta do hostel. A dinâmica de trabalho era a seguinte, eu trabalhava um dia e folgava dois. Passei uma semana na Chapada do Veadeiros, conheci a cidade de Cavalcante e Alto Paraíso. 
      FINAL DA VIAGEM: Saí da chapada dos Veadeiros de carona também, e fui até Brasilia. Lá eu passei apenas uma noite e no outro dia embarquei de volta pra Belém. A passagem que eu comprei foi com o ID Jovem, paguei apenas R$ 5,00. Ah, eu comprei com antecedência, sempre tens que comprar a passagem com usando o id com antecedência, não deixa pra comprar na hora senão vais te ferrar. 
      Enfim, minha experiência foi essa, espero ajudar em alguma coisa, é nooós!

    • Por [email protected]
      Olá pessoal, trago um relato da Chapada Diamantina, um roteiro feito em 10 dias tentando explorar ao máximo o melhor de tudo que vimos na Bahia.
      A data da Viagem foi em Junho de 2018
      Nosso estilo de viagem consistiu em avião Cuiabá/MT x Salvador/BA
      Alugamos um veículo econômico (Ford Ka) no aeroporto (reservando com meses de antecedência você vai pagar MUITO mais barato), para aproveitarmos ao máximo o tempo reduzindo a limitação por deslocamento, apesar de irmos apenas em casal digo que vale MUITO a pena, pois a Chapada é muito grande e consiste em cidades diversas, então eu penso que é um investimento de tempo e dinheiro.
      DICA DE OURO: Antes de fechar uma reserva de veículo abra em todos os navegadores possíveis < Celular, Chrome, Explorer, aba privativa.. > os preços variam no mesmo aluguel, no mesmo carro e na mesma locadora, confere e me conta. 🤑
      CUSTOS TOTAIS:
      Passagens Aéreas: R$ 350,00 cada
      Aluguel de Veículo: R$ 732,54
      Combustível: R$ 531,96
      Pedágio: R$ 13,80
      Lavagem+Balsa: R$ 50,00
      Total de Transporte: R$ 1.678,30 

      Estadias: R$ 955,92 / 2 = R$ 477,96 por pessoa

      Alimentação:
      Mercados R$ 417,62 + Restaurantes R$ 513,93
      Total alimentação: R$ 931,55 / 2 = R$ 465,77 por pessoa

      Entradas e Vouchers: R$ 461,00 / 2 = R$ 230,00 por pessoa

      VALOR TOTAL DO ROTEIRO DE 10 DIAS POR PESSOA: R$ 2.012,88

      ROTEIRO:
      Mapa principal que utilizamos da Chapada Diamantina
      Para você se contextualizar

       
      Dia 01 - Salvador > Palmeiras > Vale do Capão (474 km)
      Deslocamento Aéreo Cuiabá > Salvador
      Fomos ao centro conhecer o Elevador (estava quebrado no dia) e o Mercado Modelo (Tipo Mercadão/Feira)
      Seguimos viagem Salvador > Vale do Capão  (474 km)
      Hospedagem em Hostel Pajé Gaudeé (Vale do Capão) - 3 diárias por R$ 300,00 casal com café
      Chegamos de Madrugada no Vale do Capão (01h30 da manhã), é muito importante dizer que o Capão é beeem depois de Palmeiras, ficamos perdidos porque não acreditávamos que era tão adiante e já era de madrugada, ninguém para nos informar, então chegando em um vilarejo mantenha a esquerda e continue por alguns quilômetros a mais. (aprox. mais 20 km de terra)

      Centro de Salvador - Aonde fica o Mercado Modelo e o Elevador que leva ao Pelourinho (quebrado no dia)

      Dia 02 - Cachoeira da Fumaça (por cima)
      Localização: Vale do Capão
      Distância: 12km de trilha ida e volta. Não precisa guia.
      Trilha de nível: Médio
      Entrada: R$ 9,00 (Não existe uma taxa oficial, é feita uma doação no valor que puder)
      DICA: Leve jaqueta de frio e lanterna para ficar para o pôr do sol no ponto mais alto da trilha.
       

      Vista da trilha da Cachoeira da Fumaça por cima
       

      Vista do Mirante que há de frente para a Cachoeira, se der sorte, se molhará mesmo desta distância

       

      É inacreditável ver ela "cair" pra cima, as gotinhas dançam aos céus em uma sintonia delicada e harmônica.
       

      Pôr do Sol no retorno da trilha
       
      Dia 03  - Fazenda do Pratinha + Morro do Pai Inácio
      Cidade: Iraquara
      Dificuldade: Não possui trilha. Não precisa guia.
      Entrada: R$ 40,00 por pessoa.
      Incluso: Flutuação no Rio Pratinha, observação da Gruta Azul e observação da Gruta Pratinha. 
      Se quiser flutuar na Gruta Pratinha terá um adicional de R$ 40,00 por pessoa. A vantagem é poder observá-la mais de perto e adentrar a cerca, mas se tiver limitação com locais escuros, fechados e morcegos, aconselho que não vá. Rs!
      Almoço no Pratinha: R$ 20,00 por pessoa
      A Fazenda tem ótima infraestrutura, a observação da Gruta azul é ideal às 14h pois é quando entra o feixe de luz na gruta, se possível chegue um pouco antes pois formam filas para fotografar no momento.


      Rio Pratinha (Mirante) - Acesso à agua por baixo (não é muito profundo, no máximo 2m)


      Gruta Pratinha - Para observação ou flutuação


      Gruta Azul - Caminhada leve de 500m
       
      Localização: Iraquara
      Morro do Pai Inácio
      Dificuldade: 800 metros de subida rápida, 20 minutos. Não precisa guia.
      Entrada: R$ 6,00 por pessoa
      Último horário para entrada: 17h, ideal é chegar até as 16h.
      Vá para o pôr do sol

      Morro do Pai Inácio 

       

      Morro do Pai Inácio - pôr do sol

      Ao fim do dia fizemos as compras necessárias para fazer o Vale do Pati no dia seguinte, a noite o Vale do Capão é bem movimentado e gostoso de caminhar.
      Compre um mapa físico (R$ 30,00) como garantia em qualquer Hostel da rua principal, várias cidades não pegam sinal e mesmo que consiga um Wifi não conte com isso para carregar seus mapas, o mapa físico é uma garantia a mais caso você fique sem bateria, afogue o celular, etc. Vai te ajudar a entender os nomes e localizações e depois fica de lembrança.

      Dia 04 - Vale do Capão > Guiné > Vale do Pati (48 km)
      Saímos do Hostel Pajé Gaudée (hoje não existe mais ) e seguimos viagem para Guiné: a cidade de apoio mais próxima do Vale do Pati. Se trata de uma vila MUITO pequena com apenas um restaurante funcionando, não funciona internet em local nenhum após Palmeiras, o local é simples mas são muito hospitaleiros, comida gostosa e com preço justo, porém, cuidado com o dia e horário que passará lá pois não possuem muitos estabelecimentos.



      Hostel Pajé Gaudée - Check Out
       
      A entrada para o Vale do Pati fica bem próximo do centro de Guiné, carregue tudo no Waze no Wifi do seu Hostel no Capão.
      Almoço Guiné R$ 24,00 por pessoa
       
      Localização: Vale do Pati (Guiné)
      Entrada: Gratuito. Não precisa guia, mas precisa GPS, usamos sempre o Wikiloc.
      Dificuldade da Trilha: Difícil
      Aqui vou te convencer a alugar o carro: como o Pati é um trekking muito pesado, e fizemos uma viagem "eclética" com nossos itens de mergulho, roupas para muitos dias, entre outras coisas, pudemos deixar o excesso de peso no porta malas do carro e fazer o Pati só com o necessário.
       

      A porta de entrada do Pati, glorioso!

      O carro ficou estacionado bem a minha direita, na foto superior, é relativamente seguro, não costuma acontecer nada com os carros aqui.
       

      Mirante do Vale do Pati - Da entrada até este ponto são 6km de trilha :: Elevação de 1.200m

      A partir daqui você fará a "descida da rampa" que é uma ladeira íngreme até a base do vale.

      Na base da Rampa haverá uma tri-furcação, para frente você vai para Dona Raquel, são uns 3km até lá (hoje em dia ela já tem Instagram).
      À Esquerda para a Igrejinha - 1km
      À direita para o Cachoeirão por cima -  8km
      Escolhemos a Igrejinha pois já estava tarde, lá é uma hospedagem que oferece quartos, pensão completa ou camping. Tudo bem rústico, mas de boa qualidade.
      A "Igrejinha" é o local aonde mora o filho da Dona Raquel, se tratam de pequenas construções abrigadas no Vale.
      Pagamos R$ 40,00 por pessoa por uma boa cama com cobertor e direito a banho gelado, desistimos de acampar pelo cansaço e frio. Mas carregamos todo o peso de barraca/colchonetes pois não tínhamos como reservar e saber se haveria cama para nós. Hoje em dia eles já possuem Instagram para facilitar este contato (@hospedagemigrejinha).
      Para economizar não pagamos os R$ 40,00 por refeição, por pessoa, escolhemos pagar R$ 5,00 por dia pelo uso do gás deles, e lá possuem um "mercadinho" em que você consegue comprar comida por R$ 2,00 o molho de tomate; R$ 5,00 o macarrão e etc. Lembrando que estes são os valores de 2018, vale consultar novamente.

       

      Igrejinha - Vale do Pati
       

      Nosso quarto com vista privilegiada - Igrejinha - Vale do Pati
       
      Dia 05 - Cachoeirão por cima (18km ida e volta)
      Dificuldade: Difícil. Gratuito. Não precisa guia, mas precisa GPS.
      A cada passo uma paisagem, é impossível descrever o Pati, todo o ambiente te convence de como vale a pena viver para ver este cenário, e registrar tudo te fará lembrar com grande saudade o que foi vivido ali. Só vai!
       

      Vale do Pati - Caminho para o Cachoeirão por cima

       


      Vista para o Vale de um dos Mirantes do Cachoeirão por cima


      Vale do Pati - Retorno da trilha para o Cachoeirão por cima

      Dia 06 - Vale do Pati > Guiné > Mucugê > Ibicoara
      Após o desgaste da última trilha desistimos de fazer o Morro do Castelo, mas aconselho reservar um dia a mais para fazê-lo.
      Retornamos a trilha para Guiné, pegamos o carro, almoçamos novamente na cidade e seguimos para Ibicoara.
      DICA: Se precisar, saque dinheiro em Mucugê pois Ibicoara não possui caixa eletrônico.

      Localização: Ibicoara
      Ficamos em um AirBnb chamado: Hospedagem da Ivana - 2 diárias por R$ 295,92 
      E até hoje nada superou essa experiência. Se puder fique em AirBnb, é mais barato e é uma experiência ÚNICA, e melhor ainda, fique na Ivana, esse casal é mais que especial, hoje são amigos, e nos deixaram usar a máquina e o varal para lavar as roupas, fora as dicas e um café colonial baiano sem igual. s2

      Café Colonial Baiano da Hospedagem da Ivana - AirBnb
       
      Dia 07 - Cachoeira do Buracão + Mirante do Campo Redondo
      Nível da Trilha: Fácil. Obrigatório Guia, contratamos o Luciano (77) 99130-0392
      Ele cobrou R$ 120,00 casal + taxa de R$ 6,00 por pessoa que é pago para a administração local


      Cachoeira do Buracão - Vista por baixo



       

      Cachoeira do Buracão - Vista por cima
       
      No retorno para Ibicoara existe o Mirante do Campo Redondo que fica na beira da estrada, gratuito, sem guia, é parada obrigatória.
      Se organize para estar voltando um pouco antes do pôr do sol. A subida é de 5 minutos, muito fácil.

      Mirante do Campo Redondo 
       
      Dia 08 - Ibicoara > Itaetê > Nova Redenção > Lençóis
      Saímos de Ibicoara e seguimos viagem para Itaetê para conhecer o Poço Azul e Poço Encantado.

      Poço Encantado
      Entrada: R$ 20,00 por pessoa, sem guia, apenas observação.
      São montados grupos para descer. O raio de sol reflete na água das 10:00 às 13:30h


      Poço Encantado - Apenas observação
       
      Almoçamos em um local simples do lado do atrativo e seguimos viagem sentido Nova Redenção para conhecer o Poço Azul.
      Poço Azul
      Entrada: R$ 30,00 por pessoa, não precisa guia, apenas flutuação com colete e máscara.
      Obs: Levamos pé de pato mas não permitem o uso.
      O sol incide na água entre às 12h30 e 14h00, mas priorizamos o Poço Encantado pela logística.
      No poço azul é preciso pegar uma balsa (R$ 20,00) para chegar ao outro lado do rio, você também pode ir de barco, mas como pretendíamos seguir viagem pelo caminho mais curto, atravessamos, se você for retornar para Itaetê, não precisará atravessar o carro.

      Para realizar a flutuação você entra na lista de espera e aguarda sua vez, essa parte pode se tornar estressante pois você passa mais tempo esperando para descer do que dentro do atrativo. E quando dá o seu horário quem estava no horário anterior demora sair da água então conseguir uma foto com o poço limpo é tipo jogar na loteria, ou você tem que ser o primeiro, ou o último.


      Balsa para o Poço Azul
       
       

      Poço Azul - Fomos os últimos do dia para conseguir a tão sonhada foto

      Mas o melhor nos aconteceu neste meio tempo, ao negociar a balsa, um morador local nos ofereceu para, enquanto esperávamos a lista do Poço Azul andar, fossemos conhecer a Nascente Olho D´água que fica próximo em uma comunidade. (Mais um motivo para ir de carro)
      Então atravessamos de barco, colocamos nome na lista de espera, voltamos de barco, pegamos o carro e fomos para a Nascente e depois retornamos e conhecemos o Poço Azul com o último grupo do dia.
      E a Nascente foi o melhor mergulho da Chapada Diamantina.
      Apenas frequentada por locais, levamos pé de pato e não tínhamos conseguido usar em local nenhum, e fomos presenteados:

      Nascente Olho D´água
      Entrada: R$ 25,00 por pessoa para o guia local. 



      Nascente Olho D'água - até 5m de profundidade
       
       
      Seguimos a estrada de terra sentido Nova Redenção, desviamos sentido Lençóis, chegamos de noite na pequena e encantadora cidade.
      Nos hospedamos em um outro AirBnb, chamado: Casa LIS, mas não recomendamos. É uma casa de família simples, mas não por isso, fica em uma viela de difícil acesso, e não nos explicaram muito bem sobre isso. Insistiram em saber nosso roteiro e tentaram "empurrar" um guia tentando nos colocar medo sobre a trilha. Já éramos conscientes das dificuldades, mas passamos desconforto com essa questão, não gostamos de contratar guia pela economia e também pois nos sentimos pressionados, apressados e desconfortáveis, e com a fotografia precisamos de tempo para fazer registros e nem sempre compreendem isso. 
       
      Dia 09 - Cachoeira do Sossego
      (14km de trilha ida e volta)
      Cidade: Lençóis
      Entrada: Gratuito, nível da trilha: Difícil
      Não necessita guia, mas necessita GPS.

      Caso você não tenha NENHUMA experiência sozinho ou em casal, aconselho que contrate sim um guia local, mas um que seja indicado por alguém de preferência.
      Baixamos a trilha no Wikiloc porém por serem cânions o GPS fica doido! O maior aviso e cuidado nesta trilha é sempre o mesmo: Cascavel.
      Se você for picado, será muito difícil te socorrer pois é uma trilha técnica com muitas pedras enormes e as cobras adoram ficar entre elas para tomar o seu sol.
       


      Cachoeira do Sossego - Lencóis
       

      Cobra Cascavel - Trilha para Cachoeira do Sossego
       
      Dia 10 - Lençóis > Salvador (435km)
      Finalizamos neste dia nosso roteiro na Chapada Diamantina retornando para Salvador. Valeu cada memória.
      Espero que nosso roteiro auxilie outros a montarem os seus.
      Poderão notar que fizemos a volta na Chapada, infelizmente não contemplamos todos os locais e cidades, mas escolhemos as que melhores pudemos para aproveitar o melhor de cada região, mas quem puder ficar mais, tenho certeza que não se arrependerá, e um detalhe importante da viagem é o povo baiano que é sem igual. 
       
      Relato: Caroline Brito
      Fotografia: Murillo Raggiotto
      Todos os direitos reservados.
       
       
       

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