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Mochilão pela Europa: Turquia, Balcãs e Europa Central. 5º Relato: BELGRADO

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Entre Setembro e Outubro de 2018 viajei para a Turquia, Balcãs e Europa Central. Meu roteiro foi esse:

São Paulo - Goreme - Istambul - Bucareste - Sófia - Belgrado - Budapeste - Varsóvia - Cracóvia - Praga.

***DICA IMPORTANTE: Levei o meu celular e usei MUITO o Google Maps. Mesmo sem um chip local, eu consegui internet em quase todos os lugares usando redes wifi abertas. Além dos bares, cafés e restaurantes, muitos transportes públicos também oferecem esse serviço. Uma vez que vc acessa o Google Maps estando online, ele carrega o mapa da região. Depois, mesmo OFFLINE, é possível ver sua localização no mapa e achar os lugares que procura.

Farei o relato de toda viagem, mas em partes. Neste falarei de BELGRADO.

LEGENDA

USD - Dólar Americano
EUR - Euro
BRL - Real Brasileiro
BGN - Lev Búlgaro
RSD - Dinar Sérvio

Depois de 3 dias em Sofia (Bulgária) segui minha viagem até Belgrado, na Sérvia. Lá eu fiquei no esquema Couchsurfing então nesse relato não há nenhuma dica ou avaliação de hostel, hotel ou pousada.

15º dia de viagem: Sofia -> Belgrado (Sexta-feira, 21 de Setembro de 2018)

Peguei um vôo de Sofia para Belgrado. Como o vôo levou 1h e a diferença de fuso também era de 1h, então cheguei no mesmo horário que sai: 16h10.

Saquei RSD 6.000 num caixa eletrônico e fui para o ponto de ônibus que fica logo do lado de fora do aeroporto, do lado esquerdo. O ônibus que vai para o centro é o 72 e é possível pagar a passagem direto com o motorista. Não anotei o preço, mas deve ter sido algo em torno de RSD 150. Nesse site é possível consultar as rotas de ônibus em Belgrado: www.eway.rs/en/cities/beograd

O casal que iria me hospedar morava no bairro de Nova Belgrado e a viagem durou uns 30 minutos. Cheguei no apto e o Madlen estava me esperando. Ele e a esposa Andjela tinham um compromisso naquela noite e ela já estava lá. Tomamos uma cerveja e logo em seguida o Madlen teve que ir. 

Tomei um banho e fui até o supermercado MAXI. Comprei o café da manhã, o jantar (1 lasanha de microondas) e 4 garrafas de cerveja 500ml. A caixa me avisou que iria cobrar pelo vasilhame das cervejas (eu tinha que ter trazido 4 garrafas vazias) mas se eu trouxesse eles de volta ela devolveria o valor cobrado.

Voltei para o apto, comi a lasanha. Depois fiquei bebendo as cervejas e reorganizando minha mochila que estava uma bagunça. Fui dormir 0h30.

Distância percorrida no dia: 15km 🚶‍♂️


16º dia de viagem: Belgrado (Sábado, 22 de Setembro de 2018)

Acordei 8h50, tomei café e saí. Passei no supermercado para devolver o vasilhame das cervejas e a caixa me devolveu RSD 75. 

Peguei o ônibus 65 (RSD 150) para o centro e fui até a REPUBLIC SQUARE, onde às 10h começou o CITY CENTER FREE WALKING TOUR e nossa guia foi a Natália. Passamos por vários locais históricos das cidade e lugares mais turísticos como o BOHEMIAN QUARTER. Quando estávamos próximos ao Zoológico da cidade a guia nos contou a história do chimpanzé SAMY que conseguiu escapar de lá DUAS VEZES. Depois passamos pela BELGRADE FORTRESS e vimos quando o Rio Sava encontra com o Rio Danúbio. Terminamos o tour por volta das 12h30 na HOLY ARCHANGEL MICHAEL CATHEDRAL.

Segui para o centro e comi um lanche que tinha feito no café da manhã e tomei 1 coca (RSD 75). Tinha feito contato via o APP do Couchsurfing com a Brianna, uma americana que estava morando na Macedônia e estaria em Belgrado nos mesmos dias que eu. Ela visitava a capital sérvia com mais 2 amigos americanos e eles queriam ir a um estádio ver um jogo do campeonato local. Combinei de encontrar com eles nessa mesma tarde. Mas antes, fui ao MUSEU NACIONAL.

O Museu Nacional fica na Republic Square, onde começou o free walking tour. Ele tem várias coisas sobre a Sérvia. Há uma “linha do tempo” que mostra o início das primeiras civilizações que habitaram o país. Há também quadros do MATISSE e MONDRIAN. Vale muito a visita!

Saí do museu e fui encontrar a Brianna e seus amigos. Encontrei eles num bar no Boehmian Quarter. A Brianna, o Sam e o Andrew trabalham dando aulas de inglês na Macedônia e tiraram o final de semana pra conhecer a Sérvia. Eles tinham comprado ingressos para o jogo entre Partizan x Estrela Vermelha no dia seguinte. Resolvi ir com eles mas só compraria o ingresso quando chegássemos ao estádio.

Conversamos e tomamos algumas cervejas até umas 19h, quando voltei pra casa. Cheguei por volta das 19h50 e a Andjela tinha feito com arroz com frango muito bom. Fiquei conversando com ela e com o Madlen até quase meia-noite, quando fui dormir.

Distância percorrida no dia: 20km 🚶‍♂️

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BOHEMIAN QUARTER

 

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BELGRADE FORTRESS

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BELGRADE FORTRESS


17º dia de viagem: Belgrado (Domingo, 23 de Setembro de 2018)

Acordei 8h50, me arrumei e deixei o apto. Fui ao supermercado MAXI e comprei meu café da manhã: 1 iogurte, 2 croissants “Seven Days” e 1 chocolate MARS. Comi esperando o ônibus no ponto. Cheguei ao centro e fui até o PARLAMENTO SÉRVIO. É um prédio muito bonito mas não pode entrar nele. Voltei para a Republic Square e acessei o wifi do Museu Nacional. Vi uma mensagem da Brianna falando que ela ia ao MUSEU NIKOLAS TESLA. Vi na internet que o ônibus 27 ia pra lá. Peguei ele e por volta das 11h30 estava na porta do museu. 

O museu só tem visita guiada e a próxima em inglês seria 12h. Por volta das 11h45 Brianna e seus amigos chegaram e fomos para o tour (RSD 500). Primeiro vimos um filme de aproximadamente 15 minutos sobre a vida de Nikolas Tesla, que foi um defensor do uso da corrente alternada. Ele também criou o motor elétrico por indução.

Depois do filme nos mostraram um exemplo de transmissão de energia sem fio. Alguns voluntários seguravam umas lâmpadas fluorescentes e quando ligavam um aparelho as lâmpadas se acendiam rapidamente.

Na sequência mostram um experimento com um barco de controle remoto, mas tinha muita gente na minha frente que não consegui ver nada!

Após o término desse experimento nos deixaram ver o restante museu. Mas ele é muito pequeno e dá pra ver tudo em 20 minutos. Confesso que fiquei um pouco decepcionado com o museu e esperava mais. Mas como não tem muito o que ver em Belgrado, acho que vale a visita sim.

Deixamos o museu por volta das 13h e caminhamos até a Fortaleza de Belgrado. Demos umas voltas por lá e fomos a uma sorveteria chamada CRNA OVCA que fica ali perto. Tomei 1 bola de limão com manjericão e 1 bola de café (RSD 270).

***Dica: Quando forem à Belgrado, não deixem de experimentar o sorvete da CRNA OVCA ("Ovelha Negra", em português). É delicioso!

Seguimos caminhando pela cidade até voltar ao Boehmian Quarter onde fomos almoçar. Paramos num restaurante na simpática SKADARSKA STREET. Comi um cheeseburger e tomei 2 chopps (RSD 1100). De lá pegamos um taxi até o albergue que os americanos estavam ficando. Passei num mercado e comprei uma cerveja de 2 litros (RSD 180) e ficamos tomando no quintal dos fundos do albergue.

Por volta das 17h pegamos um táxi para o PARTIZAN STADIUM ver o clássico local. Havia um bloqueio policial impedindo o acesso às bilheterias. Esperamos uns 10 minutos e liberaram o acesso. Fiquei uns 5 minutos na fila e já consegui comprar meu ingresso (RSD 1500). Tomamos mais uma cerveja e seguimos para ver o jogo. 

***Dica: Havia uma severa revista nos torcedores antes de entrar no estádio. Os policiais  estavam confiscando TUDO que poderia ser arremessado no gramado: de isqueiros até moedas. Portanto se for ver algum jogo de futebol em Belgrado certifique-se que não tenha nada de valor nos bolsos que, dependendo do que for, pode ser confiscado. Não levei a minha máquina fotográfica e tirei as fotos do meu celular.

Sentamos na arquibancada lateral e as torcidas organizadas (tanto do Partizan quanto do Estrela Vermelha) estavam atrás dos gols. As torcidas acendiam sinalizadores e por alguns momentos era impossível enxergar o campo devido à fumaça. O jogo terminou 1x1 e foi muito legal sentir o clima de um clássico do futebol sérvio. Apesar da rivalidade entre as duas equipes, foi bem tranquila a chegada e saída do estádio. 

Depois do jogo paramos num bar nos arredores. Tomei um chopp (RSD 210) e usei o wifi do bar para achar um ônibus que me levasse de volta pra casa. Me despedi dos americanos e segui até o ponto de ônibus. Esperei uns 20 minutos e o ônibus me deixou à umas 5 quadras do meu apto. 

Cheguei por volta das 22h e conversei com o Madlen e a Andjela até umas 0h30, quando fui dormir.

Distância percorrida no dia: 23km 🚶‍♂️

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PARLAMENTO SÉRVIO

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MUSEU NIKOLAS TESLA
 

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PARTIZAN STADIUM


18º dia de viagem: Belgrado -> Budapeste (Segunda-feira, 24 de Setembro de 2018)

Meu ônibus para Budapeste sairia da Estação Central às 8h. Acordei 6h30, tomei café e arrumei minhas coisas. Me despedi do Madlen, Andjela e Irina (linda filha de 2 anos do casal) e deixei o apto às 7h. Fiquei no ponto de ônibus esperando o 65 (ônibus que me deixaria próximo a rodoviária) até 7h30 quando decidi pegar um taxi.

Assim que eu parei o taxi uma mulher que também estava no ponto pediu para ir junto. Disse OK e entramos. Depois de uns 5 quarteirões a mulher pediu pra descer e não deixou sequer uma parte da corrida paga! Filha da p****!!! ::grr::

Cheguei na rodoviária às 7h45 e a corrida deu RSD 500. Só tinha RSD 150, que era o dinheiro que tinha reservado pra pagar a passagem de ônibus até a rodoviária já que eu estava deixando o país. Perguntei se eu podia pagar com EUROS e o motorista disse que sim. Dei EUR 10 (aproximadamente RSD 1200) e o motorista me devolveu RSD 500 de troco.

Assim que entrei na rodoviária fui informado que teria que pagar RSD 180 de TAXA DE EMBARQUE e ter acesso à plataforma do ônibus. Depois tive que pagar mais RSD 100 pela minha bagagem.

***Dica: Eu sei que é ruim deixar um país com um valor considerável de sua moeda, mas sempre deixe uma quantia para eventuais imprevistos. Não fosse o troco do taxista eu não sei o que faria para pagar as taxas de embarque e de bagagem…

O ônibus saiu às 8h em ponto e se eu não tivesse pegado o táxi, teria perdido.

Por volta das 10h40 chegamos à fronteira com a Hungria. Um oficial entrou no ônibus e pegou os passaportes. Depois ele nos devolveu carimbados com a saída da Sérvia. O ônibus andou um pouco e dessa vez tivemos que sair para passar pelo controle de entrada da Hungria. Por volta das 11h40 seguimos viagem.

Ao meio-dia paramos num restaurante na beira da estrada. As refeições eram cobradas em EURO e um omelete custava EUR 4. Para usar o banheiro cobravam RSD 50. Comi uns chocolates que tinha comprado durante a viagem e tomei um suco de caixinha que nos deram no ônibus. Voltamos pra estrada umas 12h30.

Cheguei em Budapeste por volta das 14h.

FIM DE BELGRADO

Próximo relato: Budapeste

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      Visitar Barcelona é, entre outras coisas, imergir profundamente no mundo colorido e orgânico de Gaudí. O arquiteto catalão nasceu em Reus e passou a maior parte de sua vida em Barcelona, onde deixou um grande legado de obras modernistas, sempre inspiradas em elementos encontrados na natureza. Suas técnicas normalmente fugiam do convencional para época, como por exemplo o uso da maquete invertida em que ele utilizava correntes e cordas com pesos nas pontas e através de um espelho via a imagem invertida. Além é claro, dos mosaicos coloridos feitos com fragmentos de cerâmica ou vidro, sua marca registrada.
       
      A casa Batlló, patrimônio mundial da UNESCO, foi algo que me deixou perplexa, nem com toda pesquisa feita antes de ir pra lá imaginava que pudesse ser algo tão incrível! É caro, muito caro (21,50€) e talvez isso faça muita gente desistir, mas sinceramente recomendo guardar uns eurinhos a mais e ter essa experiência.
       
      PS. A casa é tão incrível que serviu de inspiração para os cenários do Castelo Rá-tim-bum!
       

       
      O edifício construído em 1877 fica no bairro modernista de Barcelona, no Passeo de Grácia, uma das avenidas mais famosas da cidade. Foi reformado por Gaudí entre 1904 e 1906 a pedido do proprietário, Don José Battló Casanovas. A princípio a ideia era demolir todo o prédio e recomeçar do zero, mas no fim acabou sendo “apenas” uma reforma. Há vários mistérios em relação aos simbolismos utilizados pelo arquiteto, a teoria mais famosa é de que o telhado, com suas escamas coloridas representa um dragão, que ao lado da cruz, homenageia São Jorge. Os balcões da fachada tem formatos que se assemelham à crânios, e por isso o conjunto ganhou o apelido de “casa dos ossos”.
       
      Fomos em uma chuvosa e fria noite de novembro e tivemos que encarar uma pequena fila (mas é possível comprar pela internet, o que não fizemos!). Ao entrar você recebe um áudio-guia que faz toda a diferença na visita, dê o play e viaje com as explicações e ambientações de cada cantinho da casa.
       
      A visita começa no térreo, onde já é possível perceber que Gaudí se inspirou totalmente nos elementos marítimos e nas características de diversos animais. Não há um elemento reto na casa, desde os objetos até as paredes cuja textura lembra escamas de peixe. O corrimão da escada de carvalho que leva ao andar nobre sugere a espinha dorsal de um grande animal. Os vasos são peças de Pujol I Bausis ceramista.
       

       
      As portas e janelas, todas com formatos orgânicos, são feitas de madeira e vidro, sendo a parte de cima ornamentada com vitrais coloridos que dão um efeito incrível. Gaudí se preocupou muito para que a casa recebesse bastante iluminação natural, para isso fez aberturas estratégicas em alguns locais e trabalhou as portas com vidros foscos, para que a luz passasse de um ambiente para outro sem perder a privacidade.
       
      No andar principal há uma curiosa lareira em cerâmica com formato de cogumelo que foi contruída onde antes era o escritório. José Battló pediu que ela tivesse bancos confortáveis para que a família desfrutasse do espaço em dias frios.
       

       
      O salão principal é uma das partes mais interessantes, o teto, todo retorcido, sugere o movimento da água e o lustre central simboliza uma água-viva. A enorme janela tem vista para a badalada avenida. Pensando na questão do arejamento, Gaudí criou um esquema simples e genial de abertura de ventosas localizadas abaixo das portas para entrada regulada do ar (quase que como um ar condicionado da época).
       

       
      No pátio externo há uma fonte e um colorido jardim de cerâmica, feito com as sobras da fachada. Mas como estava chovendo bastante, não conseguimos aproveitar muito as partes externas da casa.
       
      O pátio interno é todo coberto por azulejos em diferentes tonalidades de azul, com tons mais claros nos andares baixos, onde há menos entrada da luz e tons mais escuros nos andares altos, além disso as janelas também seguem esse conceito, sendo maiores nos andares inferiores e menores nos superiores. Neste local é possível perceber totalmente a inspiração de Gaudí nos ambientes marinhos, vidros irregulares dão a sensação de estar embaixo d’água.
       

       
      No último andar, chamado de águas furtadas, todas as paredes tem uma coloração verde água, os arcos parabólicos catenários que sustentam o terraço tem o formato de costelas e projeções representam o que funcionava nos locais. No fim, um vídeo bastante lúdico mostra todo o encanto da casa que acabamos de visitar.
       

       
      No terraço há um conjunto de chaminés decoradas com mosaicos de cerâmica e o suposto dragão.
       
      Além de todo o trabalho estético e arquitetônico, Gaudí também desenhou a fonte usada nos números das portas, projetou detalhes como as maçanetas (que eram feitas para encaixar anatomicamente na mão) e criou diversos móveis, como estas cadeiras expostas no fim da visita.
       

       
      Dicas úteis:
       
      Site oficial: http://www.casabatllo.es
       
      Valor: Adulto 21,50€ | Estudante 18,50€ | Crianças -7 anos não pagam (outros valores no site)
       
      Horário: Todos os dias, das 09:00 às 21:00 (Entrada até as 20:00)
       
      Relato original e mais fotos aqui: http://www.queroirla.com.br/por-dentro-da-surreal-casa-battlo-de-gaudi/
    • Por Mari D'Angelo
      Quando se vai pra Londres com dois Beatlemaníacos, a esticadinha até Liverpool é obrigatória!
       
      Tínhamos apenas 5 dias em Londres, é super pouco e muita coisa fica de fora. Mas mesmo assim, acho que vale sim a pena “matar” um dia para conhecer o passado e a história de John, Paul, Ringo e George.
       

       
      Depois de muita discussão sobre como iríamos, optamos pelo trem (não é o mais barato, mas é o mais rápido). Compramos pelo site http://www.thetrainline.com,'>http://www.thetrainline.com, aqui a dica é examinar todos os horários possíveis de ida e volta, as vezes uma saída uma hora mais cedo/tarde é a metade do preço. Pegamos o trem na estação Euston e em menos de 2:30 depois desembarcávamos na Lime Street, em Liverpool.
       
      Primeiro passo foi achar o centro de informações turísticas, que fica pertinho da estação, nossa ideia era comprar o Magic Mystery Tour, o famoso ônibus amarelo que faz todo o roteiro Beatles. Mas, para nossa surpresa (e felicidade), a funcionária perguntou se não preferíamos tour privativo, pagando menos. Claro que preferíamos! Mas como bons brasileiros, já estávamos esperando qual seria a pegadinha. Depois de muitas perguntas aceitamos, ainda meio desconfiados, e agendamos horário e local para o motorista nos pegar.
       
      Eis que chega Danny, um tipo cabeludinho, com rosto de caricatura e muito simpático!
       
      O fato é que valeu muito mais a pena! Estávamos em 5, a capacidade máxima do carro e pagamos £45 no total, enquanto no Magic Mytery o valor é £16,95 por pessoa, ou seja, se estiver em um grupo de 3 pessoas já compensa pegar o tour privativo! O motorista-guia vai contando as histórias de cada lugar (em inglês), mostra fotos antigas dos integrantes da banda em frente aos lugares que visitamos e de quebra ainda vai colocando as músicas de acordo com os lugares que vamos conhecer, muito mágico! (ps. só não sei como ele aguenta ouvir as mesmas músicas todos os dias rs). Enquanto descíamos em todos os pontos, sem muvuca e sem pressa, víamos o ônibus amarelo só passando rápidamente, ou seja, eles cobram mais caro e oferecem bem menos.
       

       
      Ah, prepare-se para entrar em desespero a cada curva, como lá é mão inglesa, nós que não estamos acostumados temos a impressão constante de que o carro vai bater, ou que crianças no banco do passageiro estão dirigindo o carro! Rs
       
      A primeira parada foi a casa onde nasceu Ringo Starr, ela esteve a ponto de ser demolida para revitalização da área. Não é possível entrar, mas você pode fazer como milhares de turistas (especialmente brasileiros) e deixar sua marca nos painéis que cobrem a porta e a janela.
       
      Um detalhe interessante, que confesso não me lembrar precisamente da história, é uma inscrição extremamente sutil, feita pelo pai do baterista, entre os tijolos da casa em frente à de Ringo, escrito “Beatles”.
       
      Próxima parada, Penny Lane, umas das ruas de Liverpool (e também o nome do bairro onde ela se encontra). O local é famoso pela música, escrita por Paul, onde ele retrata diversos locais que fizeram parte da rotina de todos eles, como a Barber shop, que demos uma entradinha para conhecer. Antigamente a prefeitura tinha que recolocar as placas da rua constantemente, pois os fãs as “levavam de lembrança”, hoje as placas não existem mais e o nome agora é pintado nos muros.
       

       
      ps. Aqui nosso motorista-guia se mostrou também um ótimo fotógrafo, pediu nossa câmera e arrumou um ângulo perfeito para uma foto diferente!
       
      De lá, seguimos para a antiga casa de Paul McCartney, onde ele e John Lennon começaram uma das parcerias mais famosas da história. Dizem até que vez ou outra ele aparece na cidade e passa por lá. Ela é aberta para visitação porém não entramos (inclusive é um roubo, mais de £20! ).
       
      Em seguida fomos para o Strawberry Fields, o antigo orfanato próximo a casa de John, onde ele e sua tia Mimi participavam das festas anuais no jardim. O icônico portão é hoje uma réplica.
       

       
      Próxima parada, casa onde John Lennon passou a infância e a adolescência. Aqui também é possível visitar, mas também não entramos (mas tiramos muitas fotos imitando a pose de John no portão em um antigo retrato).
       
      Seguimos para o lugar onde Lennon e McCartney se conheceram, a St. Peter’s Church, onde John estava tocando com sua banda Quarrymen e um amigo em comum os apresentou. Ainda no mesmo local há um cemitério com as lápides de Eleanor Rigby e McKenzie, citados na música que leva o nome da garota.
       

       
      Pra finalizar o tour, Danny perguntou se preferíamos ir até a casa do George, que era um pouco mais afastada ou conhecer o bar onde John Lennon costumava beber, o Ye Cracke. A resposta foi unânime, o bar! Como os tours convencionais não costumam passar por lá, estava super vazio, apenas um grupo de ingleses barulhentos dividiam o local conosco.
       
      Saímos a pé em direção ao Cavern Club, o trajeto era curto, mas o frio congelante estava difícil de aguentar! No caminho passamos pelo centrinho de Liverpool e como já era quase Natal, tudo estava enfeitado! (Ao contrário da maioria das pessoas do mundo eu amo coisas natalinas!)
       
      Terminamos a noite no Cavern, que foi o lugar onde ocorreu a primeira apresentação dos Beatles, depois disso eles tocaram lá muitas outras vezes, foi também onde conheceram seu empresário Brian Epstein. Depois da fama, a banda não voltou a tocar lá. A casa foi demolida em 1973 e anos depois reconstruída alguns metros depois do local original. Hoje ela é frequentada por turistas, com alguns itens originais dos Beatles e sempre um cover tocando, adivinha… Beatles! Rs
       
      Ah, cuidado para não entrar no genérico, no outro lado da rua.
       

       
      Com certeza um fã de Beatles faria deste texto um livro, eu como não tenho tanto conhecimento assim (e já não me lembro de tudo que ouvi por lá) me limito a compartilhar a experiência de uma simpatizante, que adorou a cidadezinha dos quatro garotos de Liverpool!
       
      Informações úteis:
       
      Trem Londres-Liverpool: http://www.thetrainline.com
       
      Tour privativo: http://www.fab4tours.co.uk | 2 horas – £45 para até 5 pessoas (mais opções no site)
       
      Ônibus Magic Mystery Tour: http://www.cavernclub.org/the-magical-mystery-tour/ | £16,96 por pessoa (mais opções no site)
       
      Ingressos para as casas onde eles viveram na infância: http://www.nationaltrust.org.uk/beatles-childhood-homes/
       
      Relato original com mais fotos e trilha sonora http://www.queroirla.com.br/liverpool-para-beatlemaniacos-ou-nao/
    • Por Mari D'Angelo
      Em 2012, quando viajamos para Portugal, decidimos alugar um carro e ir do Porto à Lisboa conhecendo alguns lugares no caminho. A primeira parada foi a Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra, em seguida o Santuário de Nossa Senhora de Fátima (onde derramei litros e litros de lágrimas!) e por último o Palácio Nacional da Pena, na vila de Sintra. Todos são muito interessantes, mas meu encantamento pelo Palácio todo colorido foi imediato e só aumentava a cada ambiente percorrido!
       

       
      O local é na verdade um enorme parque com lagos e construções diversas espalhadas pela imensidão verde. Com muito pesar tivemos que renunciar a esse incrível passeio e ir direto ao topo da montanha, onde se encontra o palácio. Como o tempo era muito curto, pois já estava quase no fim da tarde, subimos e descemos com o transfer (3€).
       
      Ao chegar, pegue o áudio-guia (3€). Ouvir a história do local, como as pessoas viviam e o porquê de cada detalhe faz toda a diferença na visita. Falando nisso, aqui vai um resuminho da história deste lugar fascinante.
       
      Antigamente, o topo da Serra de Sintra, abrigava uma capela em homenagem a Nossa Senhora da Pena, o lugar foi doado à Ordem de São Jerónimo que construiu um convento de madeira. Algum tempo depois dois desastres naturais, um raio e um terremoto, destruíram quase por completo o local, restando apenas uma parte da capela. No século XIX, Fernando II, conhecido como o Rei-Artista, adquiriu as ruínas do convento com o intuito de reformar e transformar em “casa” de veraneio. Para isso, contratou o Barão von Eschwege, arquiteto alemão que já havia trabalhado para ele em outras ocasiões, depois de recusar os primeiros projetos, o rei aprovou o trabalho e inclusive participou da concepção de algumas áreas.
       
      Em 1853, a esposa do rei, Dona Maria II, morre em seu 11º parto. Ele casou-se novamente com a cantora lírica e condessa Elisa Hendler e após sua morte, em 1885, deixou o Palácio como herança à ela. Como o casamento dos dois nunca foi aprovado pela sociedade portuguesa, houve uma grande polêmica sobre os direitos do local, que a essa altura já era um monumento histórico. Então, Luis I, em nome do Estado português, comprou a propriedade, deixando à condessa apenas um chalé, onde ela continuou residindo. O palácio tornou-se então patrimônio nacional da Coroa Portuguesa. Outros membros da família real lá se instalaram até a queda da monarquia. Depois disso, o lugar se transformou no museu que conhecemos hoje.
       
      A arquitetura do palácio, encrostado em rochas, foi fundamentalmente romântica, porém vários estilos se misturam na construção, entre eles o medieval, o gótico, o renascentista, o manuelino e o árabe. Misturas de padrões e texturas, azulejos diversos e cores vivas estão presentes em todo o monumento, dando um ar aconchegante à cada canto do palácio. Além disso, seus detalhes estão carregados de simbologias.
       

       
       
      No pórtico de entrada, chamado de Arco dos Lagartos, 3 rosas abertas simbolizam o conhecimento. Já no interior do castelo, há o Pórtico do Tritão, alegoria muito rica em detalhes que representa a criação do mundo, trata-se de uma figura mística, meio homem meio peixe , concebida por D. Fernando II. Uma das partes mais interessantes do palácio!
       

       
      Dos terraços desnivelados temos vistas incríveis de toda a cidade e arredores, inclusive da muralha do Castelo dos Mouros.
       

       
      Outra área que merece toda a atenção é o Claustro Manuelino, parte original do antigo mosteiro. Meio surrealista, a área é toda revestida de azulejos hispano-árabes. Em seu centro, há uma taça em forma de concha sobre 3 tartarugas apoiadas em heras, os animais recordam que o caminho é lento e as plantas são o símbolo da eternidade.
       

       
      É possível visitar alguns dos ambientes internos, como o salão nobre, com motivos orientais e orgânicos, a sala árabe toda pintada com afrescos, os quartos e a cozinha, onde estão expostos alguns dos utensílios usados na época. Mas não é permitido tirar fotos.
       
      O monumento não está em perfeitas condições de conservação, mas seu estilo lúdico e colorido, tão diferente do que normalmente vemos em uma edificação da realeza européia, compensam a visita. Espero voltar um dia para poder explorar todo o entorno do palácio e ainda conhecer a cidadezinha de Sintra, que dizem ser uma graça!
       
      Informações úteis:
       
      Site oficial: http://www.parquesdesintra.pt/parques-jardins-e-monumentos/parque-e-palacio-nacional-da-pena/
       
      Nele é possível simular o gasto total de acordo com a data, número de pessoas e quais áreas gostaria de visitar!
       
      Relato original e mais fotos aqui: http://www.queroirla.com.br/o-colorido-palacio-da-pena-em-sintra
    • Por Mari D'Angelo
      Sou muito suspeita para falar de Monet, sua arte sempre encantou minha avó, da qual herdei o gosto pelo artista. Nunca vou esquecer de quando ela me levou ao MASP, em uma exposição dedicada ao pintor francês. As obras ficaram guardadas na minha memória, e na minha estante, guardo com paixão o livro que ela me comprou nesta ocasião, Linéia no Jardim de Monet. Por esse motivo o lugar era ponto obrigatório de visita quando fui conhecer Paris, tão importante quanto a Torre Eiffel. Me apaixonei tanto que depois disso ainda fui mais duas vezes, podendo admirar o lugar na primavera, no verão e no outono!
       

       
      Ainda jovem, Oscar-Claude Monet foi para Paris para estudar arte (meio a contra-gosto da família) onde conheceu Camille, futuramente sua esposa e musa inspiradora em diversos quadros. Algum tempo depois, os dois alugaram uma casa para passar o verão com Alice, uma amiga que tinha sido abandonada pelo marido Ernest (também amigo e comprador de Monet) com 5 filhos e grávida de mais um. Depois que o segundo filho de Camille e Monet nasceu, ela morreu de tuberculose, deixando o marido devastado. Quando se recuperou, Monet voltou a pintar e decidiu arrumar uma nova casa para viver com Alice e as 8 crianças. Se apaixonou imediatamente pela casa cor-de-rosa, para onde se mudaram. Depois da morte de Ernest, Alice e Monet se casaram e permaneceram juntos até a morte da esposa. Ele faleceu com 86 anos, após uma nova onda de enorme tristeza pela perda da segunda esposa e graves problemas de catarata, que quase o cegaram (nessa época ele só usava cores fortes em seus quadros e as pinceladas eram mais intensas).
       
      A cidade onde fica a casa e os jardins, chama-se Giverny, fica na charmosa região da Alta-Normandia, há aproximadamente 1 hora de Paris. Aconselho fazer a visita de trem, mas já fui de carro alugado também e tem suas vantagens, como conhecer melhor a cidadezinha de Vernon, essa da foto.
       

       
      Para ir de trem, basta comprar o bilhete no site da SNCF (Recomendo comprar pela internet -ou antecipadamente pelas máquinas no metrô- para garantir o horário e não perder tempo na estação). Você deve procurar por Paris-Vernon, pois o trem não chega até Giverny. Chegando em Vernon há diversos ônibus parados próximo à estação, que levam até o destino final (é só seguir o fluxo, a enorme maioria estará indo para lá também, já que Vernon não é uma cidade com grandes atrativos), você compra o bilhete direto com o motorista. Normalmente os horários dos trens são casados com os do ônibus, na ida, mas na volta preste bastante atenção aos horários de saída (eles dão um folheto), todas as vezes tivemos que pega-lo quase 1h antes do horário do trem para não correr o risco de atrasar, pois o seguinte demorava bastante. Outra opção é ir de bicicleta, que você pode alugar em Vernon.
       
      Descendo do ônibus, novamente siga o fluxo, a casa fica à poucos minutos do estacionamento. Para “despistar” um pouco o grupo de pessoas que fará a visita ao mesmo tempo, entre em uma pequena trilhazinha ainda perto do estacionamento, para ver o busto de Monet, o lugar é super agradável, cercado de árvores e próximo à um riachinho.
       

       
      Chegando na casa pode ser que haja uma grande fila, especialmente se for verão! Então não faça como eu e compre o ingresso antecipadamente no site da Fondation Monet! Existe a opção de comprar junto o ingresso para o Museu dos Impressionistas, que fica bem próximo de lá, eu fui e não recomendo, achei o acervo bem pequeno. Acho que é muito mais rico nesse sentido visitar o Musée d’Orsay (onde se encontram diversas obras de Monet) ou o Musée de l’Orangerie (que tem duas salas com as enormes pinturas panorâmicas do artista), ambos em Paris.
       
      Agora vem a melhor parte! Apesar de dar vontade de entrar imediatamente na casinha toda cor-de-rosa e verde (suspiros), aconselho ver os jardins primeiro, com sorte estarão um pouco menos lotados. Além disso é bem mais interessante ver alguns quadros depois de ter visto tudo aquilo ao vivo.
       

       
      A visita começa pelo imenso jardim multicolorido, são diversas fileiras de flores de todos os tipos, cheiros e cores. Quando visitei o jardim em outubro, o caminho principal ficou tomado por um magnífico rio de flores. Segundo ouvimos de um guia, esse fenômeno só acontece por pouquíssimos meses do ano, que sorte!
       

       
      Seguindo as placas para etang des nynpheas, você passará por um túnel que atravessa a estrada e chega ao tão esperado lago das ninféias e ao ponto mais alto do passeio todo, a Ponte Japonesa! É realmente indescritível a sensação de estar naquele lugar, é como estar dentro de uma pintura de Monet. Exatamente ali ele pintou inúmeros quadros, em diferentes estações do ano e em horários variados para captar a luz de todas as formas possíveis. Para completar o cenário, fica ancorado próximo à ponte um barquinho, que também se vê em muitos de seus quadros. É impossível não ficar hipnotizado por aquele conjunto tão harmônico.
       

       

       
      Voltando à casa, chegou a hora de conhecer o cantinho encantado desse mestre do impressionismo! O lugar é muito aconchegante, tipo casa de vó! O que achei mais interessante foi a escolha monocromática na sala e na cozinha. A primeira é toda amarela, desde a parede, até os móveis e utensílios, a segunda toda azul, com panelas e objetos em cobre. A ideia de ter um cômodo inteiro de uma cor só parece um pouco estranha, mas a execução ficou realmente incrível. Além disso há o estúdio, (remontado fielmente de acordo com uma foto da época, exposta na sala) onde estão expostas algumas reproduções de quadros do artista, como eu disse, é muito interessante ver aquilo tudo depois de ter conhecido o jardim.
       

       
      No andar superior é possível entrar em alguns quartos, aqui o que me encantou foi a vista da janela, devia ser simplesmente divino acordar e olhar para aquela imensidão de flores (mais suspiros…)
       
      Por ser uma casa antiga, alguns detalhes são muito interessantes, como o banheiro e a pequena sala de costura. Monet tinha verdadeira paixão pela arte japonesa, por isso as paredes de sua casa são recheadas de gravuras nesse estilo. Infelizmente é proibido fotografar o interior da casa (senão acho que passaria horas lá dentro!), mas aqui algumas imagens tiradas do site oficial para ilustrar essa casinha tão acolhedora!
       
      O atelier onde Monet trabalhava é hoje a irresistível lojinha de souvenirs, e olha só o que encontrei lá, o tal livro que minha avó tinha me dado! =)
       
      Vale a pena dar uma voltinha na pequenina cidade de Giverny, onde a rua principal leva o nome de Monet, claro. O charme está por toda a parte, nos caros restaurantes e cafés, nas pousadinhas, nos ateliers de diversos artistas e nas ruas, todas floridas. Atrás da Igreja de Giverny, localiza-se o cemitério onde Monet está enterrado.
       

       
      Esse certamente é um dos meus lugares preferidos no mundo, espero ainda poder voltar lá mais algumas vezes na vida!
       
      Informações práticas:
       
      Site oficial: http://www.fondation-monet.com
       
      Valores: Adulto 9,50€ | Crianças -12 e estudantes 5€ | Crianças -7 anos não pagam
       
      Horários: Aberto todos os dias de 1º de abril à 1º de novembro, das 9:30 às 18:00 (última admissão 17:30)
       
      *Informações para o ano de 2014
       
       
      Relato original e (muito) mais fotos aqui: http://www.queroirla.com.br/jardins-de-monet-um-sonho-realizado/


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