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La Paz, Isla del Sol, Trekking Condoriri + Huayna Potosi - 11 Dias - (Junho 2019)

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Relatarei uma viagem de 11 dias pela Bolívia, incluindo o Trekking Condoriri (4 dias e 3 noites) conjugado com tentativa de subida ao Huayna Potosi (3 dias e 2 noites), resumida pelo roteiro a seguir:

  • Dia 02/06: Vôo pra La Paz
  • Dia 03/06: La Paz - passear pela cidade, visitar as agências e fechar o pacote do trekking
  • Dia 04/06: La Paz - Subir o Chacaltaya e passeio do Valle de la Luna
  • Dia 05/06: Viagem pra Copacabana e dormir na Isla del Sol
  • Dia 06/06: Voltar pra La Paz e últimos preparativos pro trekking
  • Dias 07 a 09/06: Trekking Condoriri, finalizando no Campo Base do Huayna 
  • Dia 10/06: Huayna Potosi - Treinamento escalada no gelo
  • Dia 11/06: Huayna Potosi - Subida ao Campo Alto
  • Dia 12/06: Huayna Potosi - Ataque ao cume e volta pra La Paz
  • Dia 13/06: Vôo de volta pro Brasil

Minha primeira passagem pelo país tinha sido em 2012, em um roteiro típico de mochilão, no qual tive poucos dias em La Paz e depois segui para Cusco e Machu Picchu. Não ter conhecido o Salar de Uyuni nesta minha primeira ida à Bolívia era uma das minhas grandes frustrações e por isso eu estava decidida a voltar. A oportunidade surgiu em 2016,  em uma viagem para o Deserto do Atacama, a qual aproveitei para fazer o passeio do Salar (são geograficamente próximos e existem passeios saindo de San Pedro do Atacama). 

Já tendo ido 2 vezes, completado os roteiros tradicionais (Uyuni, Downhill na Death Road, Lago Titicaca, etc) e considerando todos as dificuldades de uma viagem pela Bolívia, eu não imaginava voltar outra vez àquele país. Contudo, depois de muita indecisão quanto ao roteiro de férias do ano (Portugal? Eslovênia? Peru?), entrei em acordo com meu namorado, que ainda não conhecia a Bolívia, e decidimos ir até lá fazer um roteiro de trekking.

Com um pouco de pesquisa eu tive certeza que o Condoriri seria uma das melhores escolhas em termos de belas paisagens, logística fácil e preços razoáveis. Assim, decidimos que faríamos o Trekking do Condoriri junto à tentativa de escalada ao Huayna Potosi. A logística dos dois é bem encaixada, visto que o local final do trekking coincide com o local de início da escalada (Campo Base). 

Pelos diversos relatos que li, eu já estava ciente que o trekking e escalada não seriam fáceis. Além do frio, a altitude cobra um preço caro sobre nosso físico e psicológico e por isso tentei montar um roteiro que contemplasse tempo suficiente de aclimatação. Abaixo relatarei com mais detalhes cada um dos dias da viagem:

1° Dia - Chegada em La Paz

Saímos de Guarulhos em um vôo da BOA (Boliviana de Aviación) com escala em Santa Cruz de la Sierra e parada final em La Paz. Esta companhia aérea é uma empresa estatal boliviana e não muito conhecida entre nós brasileiros. Confesso que tive certo receio ao comprar as passagens, mas os vôos foram pontuais e serviram lanches muito bons, portanto só tenho elogios 😁

Nossa chegada estava prevista para 17h30. Em geral sempre opto por utilizar o meio de transporte mais barato para sair do aeroporto, porém minhas recordações do transporte público caótico da cidade, dos taxis sem taxímetro e os alertas de que El Alto (cidade em que está o aeroporto) não é um lugar assim tão seguro ao anoitecer, me fizeram reservar um transfer ao preço de 90 bolivianos. Fiz a reserva com o proprietário do apartamento em que íamos nos hospedar (aluguei pelo Booking, o apto é este aqui).

Chegamos à Bolívia portando somente dólares e reais. Além de difícil, comprar bolivianos estando no Brasil sai muito mais caro. No entanto, precisávamos de moeda boliviana para pagar pelo transfer e pelo apartamento, já que havíamos sido alertados que só aceitavam moeda local. Assim, durante a conexão em Santa Cruz de la Sierra, fui procurar na sala de embarque algum lugar para trocar dinheiro. A sala era pequena e não vi casas de câmbio lá dentro, por sorte o atendente de uma cafeteria se dispôs a fazer o câmbio. A cotação dele era pior que aquela que eu tinha visto no Google, por isso trocamos estritamente o necessário. Já sabíamos que encontraríamos cotações bem melhores no dia seguinte em La Paz.

Chegando em La Paz o motorista do transfer já nos aguardava e nos levou ao apartamento, que ficava no bairro Miraflores, relativamente próximo ao centro. Aproveitamos a noite para dar uma volta pelo bairro e ir ao supermercado comprar comida. Não sentimos os piores sintomas do mal de altitude (dor de cabeça, enjôo, etc), mas notamos que a simples caminhada até o supermercado já tinha nos deixado sem fôlego. Durante a noite notei que demorei mais a dormir e acordei muitas vezes, o que não é habitual para mim.

2° Dia - Passeio pela cidade

O objetivo principal deste 2° dia era cambiar dinheiro, definir uma agência e comprar o pacote do trekking e escalada. Conforme as pesquisas que tinha feito pela internet, eu já estava praticamente convencida a ir com a agência Hiking Bolívia. Chegando à calle Sagarnaga até visitamos algumas outras empresas, mas decidimos ir com a Hiking Bolívia mesmo. Fechamos com eles o passeio do Chacaltaya + Valle de la Luna para o dia seguinte (80 bolivianos por pessoa + taxa) e o Trekking Condoriri + Huayna Potosi (2400 bolivianos por pessoa + taxas). O câmbio do dinheiro fizemos em uma casa de câmbio lá perto mesmo, as cotações eram 1,65 boliviano/real e 6,95 boliviano/dolar.

Terminados os 'negócios', fomos almoçar em um restaurante indiano que eu tinha marcado como seguro, segundo minhas pesquisas. Aqui vale um parênteses: na minha primeira ida à Bolívia, um amigo teve infecção alimentar e precisou ficar 3 dias no hospital tomando soro. Além disso, as estatísticas de diarreias em turistas naquela região são alarmantes, dadas as condições precárias de higiene. Portanto, decidimos tomar MUITO cuidado com o que comíamos, pois alterações de saúde iriam comprometer todo nosso planejamento de viagem. 

Depois do almoço, fomos conhecer o Teleferico. Caminhamos até a estação mais próxima da calle Sagarnaga, que pertencia à linha Morada (roxa) e decidimos que faríamos um "tour": Linha Roxa -> Linha Prateada -> Linha Vermelha, descendo no terminal central de ônibus, onde aproveitaríamos para já comprar as passagens para Copacabana. 

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Foto: Entrada da Estação da Linha Roxa

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Foto: Vista aérea de La Paz (as construções são todas assim, sem reboco. Dizem que desta forma pagam menos impostos)

 

Chegando ao terminal central, compramos as passagens de ônibus para Copacabana por 30 bolivianos. O terminal é relativamente organizado, mas as empresas de ônibus pagam pessoas para fazerem propagandas no grito o tempo inteiro, então imaginem cerca de 10 pessoas, cada uma tentando gritar mais alto que a outra um nome de cidade diferente 😖

Saindo do terminal, caminhamos até o Mirador Kilikili, que ficava próximo ao nosso apartamento. No caminho pra lá passamos por algumas ruelas que pareciam ruas de favela, mas deu tudo certo 😮

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Foto: Vista do Mirador Kilikili

 

DICA: Todo o tempo utilizamos o aplicativo Maps Me para nos locomover. Ele funciona em modo offline e traça rotas como um Waze/Google Maps, basta baixar o mapa da região quando você tiver conexão à internet.

Featured Replies

Postado
  • Membros

Muito legal! Obrigado por compartilhar. Acho a geografia boliviana maravilhosa e sonho e conhecer o país. E suas fotos ficaram maravilhosas.

Abraços,

Gustavo Woltmann

  • 11 meses depois...
Postado
  • Membros

Olá, você pensa em ir para a Bolívia por terra para economizar?

Eu prentendo pegar o onibus da rodoviária, Barra Funda de São Paulo, no começo de dezembro, até a divisa com a Bolivia e de lá pegar o "trem da morte" até Santa Cruz de La Sierra e depois montanhas da região de La Paz, com agência local, apesar de não ser a temporada correta para escaladas.

Meu WhatsApp é 11 98200-4167

  • 4 meses depois...
Postado
  • Membros
Em 03/11/2019 em 10:22, naiarasc disse:

10° Dia (parte 1) - Subida ao Campo Alto

Neste dia tivemos a manhã livre para arrumar as mochilas com tudo que seria preciso para o ataque ao pico. Como eu já tinha decidido que não faria a escalada, simplesmente esvaziei minha mochila o máximo que pude, deixando somente o saco de dormir e algumas coisas de higiene pessoal. O restante da bagagem deixei guardado no campo base mesmo, para pegar no dia seguinte quando eu descesse.

Como fiquei pronta muito antes dos outros e ainda faltava muito para o almoço, fiquei tentando ajudar o pessoal a organizar suas mochilas. Muitos tinham dificuldade para tentar acomodar todos os equipamentos. As botas de alpinismo são grandes e rígidas, então é muito difícil conseguir encaixá-las. Quase todo mundo optou por prendê-las por fora da cargueira. 

A minha mochila era uma Curtlo Mountaineer de 55L, expansível por mais 10L (65L máximo). Somente o saco de dormir (Deuter Orbit -5) já ocupa grande parte dela, pois ele é volumoso. Eu teria passado muita dificuldade para tentar encaixar todo o equipamento extra dentro dela (jaqueta extra, fleece extra, luvas de alpinismo, grampones...).

Já não me recordo o que tivemos de almoço, mas nesta parte de alta montanha as refeições começaram a ser bem mais simples. Provavelmente a refeição deve ter sido um prato cheio de arroz branco e um pedaço de frango frito. 

Começada a subida, estranhamos a falta de um dos guias. O combinado seria que meu namorado e eu seríamos guiados pelo Edwin e o espanhol e o francês pelo Luis. Porém o Edwin nos informou que o Luis tinha tido um problema familiar e precisou voltar a La Paz, então subiríamos os 4 juntos e o Luis subiria depois, a tempo de guiá-los na escalada. 

Logo de início já percebemos um problema: o francês e o espanhol estavam se sentindo muito bem fisicamente, queriam caminhar rápido. Eu mal conseguia tomar ar para caminhar por 5 minutos, meu namorado também não. Essa diferença de condicionamento foi se acentuando ao longo do caminho. O francês estava tranquilo com nossa demora, parava para tirar selfies e gravar mil vídeos, estava animado com a experiência de alta montanha e vivia repetindo "I am living an adventure!" 🤣. Já o espanhol se mostrava impaciente, a ponto de perguntar ao Edwin se ele poderia ir na frente sozinho para não precisar acompanhar nosso rítmo lento (ele não permitiu).

A subida ao Campo Alto foi de longe a caminhada mais difícil que já fiz. A título de comparação, eu já tinha feito muitos trekkings com subidas exigentes (Pico da Bandeira, Pedra da Gávea no RJ, Torres del Paine no Chile, além do próprio Pico Áustria no Condoriri) e me saído bem. Nada se comparou à dificuldade que senti na subida deste dia, a altitude estava me causando um cansaço absurdo. Comecei a pensar que se eu estivesse carregando todo o peso dos equipamentos na mochila, talvez nem tivesse conseguido subir. 

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Foto: Mochila dos que subiram com equipamentos

Avistamos o primeiro abrigo e bateu a felicidade de finalmente ter chegado. Aí descobrimos que aquele não era o abrigo da nossa agência e que precisava continuar subindo por mais uns 10 minutos. Que tortura! 

Levamos mais de 3h para terminar a subida, com o Edwin avisando em voz alta que estávamos em ritmo muito lento e mais de meia hora atrasados em relação ao tempo normal que as pessoas levam para subir 😑

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Foto: Campo Alto - Abrigo da Hiking Bolivia

 

Parabéns pelo ótimo relato!!

Incrível!!

Abraço.

  • 4 meses depois...

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