2º DIA – 21/07/2011: Do Morro do Careca até o último acampamento antes do Itaguaré.Após uma boa noite de sono finalmente deu para recuperar o cansaço da longa viagem desde o RS. Acordei a noite, acho que eram umas 4h com um pessoal passando pela trilha ao lado das barracas. Provavelmente devem ter feito a travessia de ataque, pois não os vimos mais.
Optei durante todas travessias por um café da manhã sem café,

, já que o café com 4 colheradas de açúcar por café pesariam muito para os 10 dias. Comi todos os dias bolachas de água e sal ou doces e ainda pedaços de queijo para garantir que a fome tardasse a aparecer.
Café da manhã às 06:30 é claro com o visual que só as montanhas podem oferecer.

Desmontamos o acampamento e seguindo orientação do Milton coletamos água no Morro do Careca para todo dia, nossa meta seria de chegar até o Pico Itaguaré até o final do dia. Após a coleta de água que fica próxima a esta placa no começo da trilha para o Pico dos Marins, partimos montanha acima.

Basicamente para trekkers observadores e experientes a travessia Marins x Itaguaré não necessita de GPS se o tempo for bom. Há dezenas de totens indicando o caminho a seguir e se a pessoa se perder momentaneamente é parar e observar se existem algum totem de pedra por perto.
A subida apertava cada vez mais, mas as vistas recompensavam e nos motivavam!


Durante esta travessia não senti necessidade das luvas que o pessoal fala que é tão importante levar para proteger as mãos do granito da montanha. Penso que melhor que as luvas é um bastão de caminhada, pois assim evita-se e de usar as mãos na rocha e poupa-se o joelho nas descidas.
Após alguma subida avistamos o Pico dos Marins a nossa frente.

Não muito longe deste ponto encontramos o ponto de água do acampamento dos Marins, porém a mesma estava poluída (coliformes fecais = merda). Infelizmente as pessoas ainda acampam próximo a água e fazem suas necessidades a menos de 70 metros.
Se você enquadra-se nesse grupo tente mudar seu estilo de trekking, afinal carregar montanha acima 4 Kg de água não é nada bom!
Mais a fernte marcamos o ponto no GPS e deixamos nossas cargueiras no meio de um capinzal alto. Começamos o ataque ao topo munidos só de bastões de caminhada e câmeras fotográficas.

O topo do Pico dos Marins, montanha mais elevada totalmente dentro do estado de São Paulo, tem uma vista incrível!


Ao fundo: Pico do Itaguaré e Serra Fina.

Acima: a cidade de Cruzeiro SP.
Topo do Pico dos Marins – 2420,7 metros:
A descida no trekking é sempre mais preocupante que a subida já que nela ocorrem a maior parte dos acidentes. Então todo cuidado é válido especialmente se o piso estiver molhado.

Pegamos nossas mochilas e paramos mais adiante depois de um charco (abrigados do vento). Fizemos nosso almoço mais rápido, neste caso optamos pela comida liofilizada da Liofoods.
Durante o almoço já traçávamos a possível rota de subida do Marinzinho e sem dúvida foi uma das mais cansativas do dia. Longa e íngreme.
Vencida a subida já no seu topo ai sim novamente a recompensa!




O pico do Marinzinho é mais elevado que o do Marins, porém este já esta na divisa entre SP/MG e assim não tem tanta fama quanto o do Marins que esta somente dentro de SP.
Ao fundo Pico dos Marins SP visto a partir do Pico do Marinzinho.

Após o Pico do Marinzinho há umas setas pichadas na pedra descendo que não devem ser seguidas, penso que darão em alguma pousada. O sentido da travessia é sempre ir pela crista a partir do Marinzinho.
Assim sendo, logo após isso já tem a mal falada corda da travessia. Não vi nada demais a menos que a pessoa tenha medo de altura (vai ter que tomar muito cuidado). Sempre preste atenção a corda, afinal a mesma esta sob ação as interpéries. Cheguei a levar um cordim de 4 mnm com 20 metros para este trecho, mas... É a corda que conheço que mais passeia!


Após a corda é morro abaixo! Um descidão seguido de um subidão!

A propósito: na minha opinião achei mais difícil e gostei mais desta travessia do que a Petropolis x Teresopolis. O visual, a exigência física/técnica e a essência selvagem da travessia são espetaculares!
Esse trecho entre o Marinzinho e o Itaguaré é puxado! Mas é o verdadeiro sentido da travessia: trechos técnicos a toda hora.


Chegamos na Pedra Redonda já um pouco atrasados devido a que meu parceiro estava com dor no joelho. Apesar dele querem muito pernoitar no bom acampamento da Pedra Redonda, decidi pelo óbvio.
Vamos até o Itaguaré, não tem água aqui! Já estava acertado desde a noite anterior isso e iríamos fazer o possível para estar lá neste dia.


O problema com a dor no joelho foi se intensificando, nossa velocidade caindo e a água acabando. O final do dia já estava dando sua cara e o Pico do Itaguaré continuava longe...


Caminhamos o máximo que deu tendo luz natural, menos mal que no meu planejamento inclui possiveis locais para acampamentos de emergência. O próximo já estava pertinho!
Chegamos nele, uma boa clareira com espaço para até 5 barracas e pedi para o Wesley montar o acampamento. Nos estávamos sem água e decidi buscar água para nos no acampamento do Itaguaré, a 1,22 Km de distância. Detalhe: à noite.
Usei o chapéu da cargueira da Deuter Aircontact Pro que se transforma numa mochila de ataque, GPS, pilhas extras, 2 lanternas, bastão de caminhada e os reservatórios para 4,5 litros de água.
Parti às 18:30 e fui seguindo o que o GPS indicava nas bifurcações das trilhas, um breu total! Por não conhecer nada do caminho tive certa dificuldade para encontrar a noite a trilha e o ponto minguado de água do Itaguaré, já morto de sede.
Abasteci os reservatórios de água e parti rumo aos nosso acampamento no qual cheguei às 20:30. Repassei a cota de água ao Wesley que quase virou de uma só vez 1,5 litro. Adverti-o que aquela água teria que dar pra chegar no Itaguaré no outro dia ainda e não era perto ou fácil.
Tranquilamente montei meu acampamento e ainda fui fazer meu chá (2 litros pra reidratar). Enquanto apreciava o chá me chamou a atenção a quantidade de camundongos que habitavam o local!
Assim, recomendo a todos que não joguem comida fora ou dêem para os ratinhos a fim de diminuir a população deles. Convêm lembrar de que devem fechar sempre o zíper da barraca para evitar a entrada dos ratos e lacrar com sacos plásticos as comidas para evitar que eles roam os tecidos da barraca ou mochila atrás da comida.
De janta saiu uma massa de conchinha das bem pequenas, pois o pacote de 500 gramas ocupa menos espaço na mochila com molho de sopa (creme de queijo). Alias uma receita que aproveita a mesma água do cozimento da massa para cozinhar a sopa, rendendo uma panela cheia de massa com molho sem desperdiçar uma gota de água!
Dados do segundo dia:Distância percorrida: 12,17 Km
Altimetria acumulada aclive/declive: +1179 m/-747 m
