"Já fazia mais de hora que o sol havia nos abandonado, quando uma tempestade desabou sobre nossos ombros. A noite era tão escura , que eu mal enxergava o Thiaguinho que desembestou na dianteira, ladeira abaixo e quando tentei acionar os freios, as rodas trepidaram, balançaram de um lado para o outro e eu me vi totalmente desamparado , virei passageiro daquela geringonça dos anos 80. A velocidade só fazia aumentar, pensei em me jogar pro barranco, mas as valetas laterais teriam me moído no buraco. Tento manter a calma, mas as minhas energias depois de mais de 12 horas de pedalada, me levam a um transe de resiliência. Penso em pular, mas aí me vem a lembrança, o dia em que eu e meu irmão, numa infância distante, nos jogamos de cima de uma bicicleta sem freio, numa ladeira da nossa aldeia e acabamos sendo trucidados pelo chão. Enfio o tênis na roda traseira, mas o solado do maldito é daqueles tênis de atletismo e o atrito não resolve porra nenhuma. Mesmo assim, continuo tentando e quando vejo que o terreno se arrefeceu um pouco, boto os pés no chão e ao encontrar um amontoado de areia, pulo, como quem pula de um caminhão desgovernado, mas sem soltar as mão da bicicleta. Fico no cai, mas não cai, danço conforme a ondulação do terreno, até que quando me vejo estabilizado, largo mão daquela merda e me esparramo na areia molhada, enquanto o veículo do satanás, de duas rodas, segue seu caminho até se deter mais à frente. Eu não sou mais ninguém, o ciclista animado da manhã, agora parece um ser que não consegue se sustentar sobre as próprias pernas , estou acabado, a vontade é sentar e chorar."............................
No centro do Estado de São Paulo, a 200 km da sua capital, uma região de incontáveis atrações naturais, ainda se mantém muito longe do turismo de massa, ainda que sua cidade mais famosa, BROTAS, acabe por cooptar a maioria do turismo, se intitulando a Capital da Aventura no Estado. Mas a região vai muito mais além do que a sua cidade mais famosa, na verdade, são dezenas de cidade compondo uma grande região turística, mas que sinceramente, até para mim que vivo ao seu redor, me soa um pouco confuso. Costuma-se denominar algumas cidades como CHAPADA GUARANÍ, que seriam cidades encima de uma grande mesa basáltica, um incrível chapadão, uma espécie de, guardando as suas devidas proporções, Chapada Diamantina Paulista.
Acontece que, embaixo desses chapadões, também temos pequenas cidades de belezas muito cênicas, aliás, são cidades que recebem as águas que despencam das mesas e é por onde se pode acessar algumas cachoeiras. Mas não é só isso, são cavernas, formações rochosas, vilarejos charmosos, trilhas para motocross, jeep, bicicleta, formações rochosas, morros testemunhos, mirantes de perder o fôlego. Algumas dessas cidades compõe o CIRCUITO DA SERRA DO ITAQUERI e outras o circuito CHAPADA GUARANÍ, na verdade, uma salada difícil de compreender porque várias cidades acabam por fazer partes de todas as denominações e como a região é gigante, o governo do Estado e secretaria de turismo, ainda dividiu em outra região que chamou de circuito CUESTA PAULISTA.
Já fazia anos que o Thiaguinho me cobrava uma pedalada nessa região e como eu não me manifestava, colocando uma data, ele simplesmente me forçou a sair da moita e numa sexta-feira à tarde me informou que passaria na minha casa, sábado à noite e me pegaria com seu carro, porque já era hora da empreitada sair do papel. Coube a mim elaborar um roteiro, já que, apesar de frequentar muito a região, eu nunca tinha me aventurado sobre 2 rodas, então decidi que o nosso ponto de partida seria a minúscula e pacata IPEÚNA, uma charmosa cidadezinha de meia dúzia de habitantes, onde eu pretendia estacionar o carro e fazer um circuito tranquilo, de uns 60 km de pedaladas, subindo a chapada e voltando para o mesmo lugar.
Por volta das 8 da manhã, estacionamos na praça central de Ipeúna, bem da rua abaixo da sua igreja central, em frente da base policial. O Thiaguinho sacou logo sua bike de última geração e eu tomei posse de um trambolho fabricado na década de 80, uma bicicleta bem conservada, mas sem as tecnologias atuais, apenas algumas mudanças aqui e ali, mas no final do dia, eu iria descobrir que não havia sido suficiente.
O nosso caminho seguiu exatamente pela rua que estávamos e em poucos minutos, numa curva, deixamos o asfalto e ganhamos as estradas de terra junto à uma bifurcação. Logo o caminho desembesta para baixo e desce até um vale e aí a subida desafia nossa capacidade de pedalar, ainda com o corpo frio, mas eu logo arrego e empurro ladeira acima e quando se estabiliza, a estrada vira um amontoado de areia e logo à frente, uma bifurcação junto à uma placa, faz a gente parar e admirar os paredões avermelhados da Serra do Itaquerí, de frente para uma formação característica conhecida como CABEÇA DE ÍNDIO. É a primeira vez que o Thiaguinho tem contato com essa paisagem e realmente, é uma visão lindíssima e surpreendente por estar tão perto da capital e ser conhecida por poucos.
A previsão de mal tempo não se confirmou, o sol já queima sem piedade e na bifurcação, pegamos para a direita e vamos seguir como quem vai ao encontro da Cabeça de Índio e cerca de 6 km desde a cidade, uma porteira lateral nos chama a atenção para um mirante espetacular para a grande formação rochosa, então nos detivemos por um tempo para um gole de água e uma foto.
O terreno parece que vai se estabilizar, mas hora ou outra, nos deparamos com alguma ladeira e o calor inclemente da manhã, vai minando nossas energias. O cenário é muito bonito e nossa direção vai seguir o caminho que nos levará para a subida da serra. Antes de subir a serrinha, eu pretendia deixar as bikes escondidas e tentar reencontrar a Gruta da Boca do Sapo, mas achei que perderíamos muito tempo nela, haja visto que esse roteiro eu havia estabelecido para ser feito em 2 dias e estava apenas adaptando a quilometragem para um único dia, então passamos batidos e iniciamos a subida da serra, abandonaríamos a planície local e subiríamos de vez para os chapadões, era hora de ganharmos altitude.
Nossa pedalada inicial então chega ao km 12, que de bicicleta poderia significar absolutamente nada, mas diante do terreno arenoso e das primeiras subidas intermináveis sob um sol escaldante, já faz a gente começar a botar a língua de fora. No início da subida da serra o terreno vai se elevando lentamente, mas não dá nem 300 metros e pedalar já não é mais opção, não só pelo terreno inclinado, mas pelas grandes pedras que inviabilizam a progressão montado nas bikes . Empurrar bicicleta ladeira acima é um martírio que vamos absorvendo, um sofrimento que é preciso passar, sob o pretexto de que quando chegarmos lá encima, tudo vai ser diferente, e é vivendo nessa ilusão que nos apegamos à nossa força interior e quando atingimos uns dois terços do caminho, nos deparamos com um MIRANTE que nos faz voltar a sorrir novamente e continuar acreditando nas mentiras que a nossa cabeça criou.
Como não há sofrimento que dure para sempre, uma última curva da serra é deixada para trás e do nosso lado direito, meia dúzia de eucaliptos força a nossa parada e mesmo que ainda não seja definitivamente o fim da subida, será ali que abandonaremos provisoriamente a estrada, em favor de uma TRILHA que sai à direita e entra num capinzal alto, tão escondida que se não forçar passagem na alta vegetação inicial, quem não conhece e não tem nenhuma referência, passará batido.
Levamos cerca de 45 minutos empurrando as bicicletas para ganharmos quase todo o chapadão e agora, vamos abandoná-las no mato e ganharmos a trilha a pé, rumo a uma das grandes joias da Serra do Itaqueri . Então, forçando passagem no capim alto, uns 10 metros depois a trilha surgirá, aberta e bem consolidada, vai se curvar para a esquerda e descerá meio que em nível até começar a despencar de vez, curvar quase 90 graus para a direita, onde encontraremos uma arvore monstruosa e começar a percorrer um paredão de arenito que estará a nossa direita.
Não há erro, é preciso se manter quase que colado nos paredões, às vezes não mais que 5 metros de distância deles, passamos por um filete de água que despenca de cima do próprio paredão, onde poderemos abastecer os cantis, contornamos um terreno encharcado até que surpreendentemente, daremos de cara com a enorme boca da GRUTA DO FAZENDÃO.
Para quem chega, pode se surpreender com as pichações do passado, mas hoje praticamente essa prática cessou e mesmo não havendo nenhuma fiscalização, pelo estado que encontramos a trilha, percebemos que a gruta quase não está sendo visitada. Ao subir as pedras que antecedem a entrada da gruta, é possível sentir a grandiosidade do seu pórtico. A gruta do Fazendão é daqueles lugares que sempre gosto de levar os amigos e apresentar como sendo parte do meu quintal, já que a maioria do meu círculo de amizades, ligadas ao mundo de aventura, são de gente da Capital Paulista e eu acabo por me tornar um dos poucos representantes do interior. Uma vez inventei de trazer uns amigos na gruta, alguns deles jamais haviam entrada numa caverna antes, apesar de já serem exploradores que já rodaram meio mundo. E mesmo os que já estiveram em cavernas, nunca tinha entrado em cavidades areníticas, onde em algumas é preciso se rastejar feito um lagarto. E um desses amigos passou mal, deu pit, simplesmente teve uma crise de pânico e tivemos que evacuar a gruta às pressa, o que no final, rendeu muita zoeira e altas risadas.
Nos apossamos das nossas lanternas e subimos os blocos de pedras, que num passado muito distante, desmoronou do teto. No início, a impressão é que a gruta não passa de uma pequena cavidade, baixa e sem muito interesse, mas em um minuto a desconfiança da lugar a grandiosidade . Um corredor gigante se abre e o teto se eleva e nos surpreende, porque 2 minutos depois, a escuridão absoluta toma conta do lugar e quem não está familiarizado com esse tipo de ambiente, já começa a ter um desconforto. Num primeiro momento, a gruta é horizontal, anda-se em pé porque o espaço é amplo, com um grande corredor . O teto é alto , mas o chão apresenta irregularidades , onde algumas fendas vão deixando os visitantes de primeira viagem, um pouco desconfiádos.
Eu sigo à frente, fazendo as vezes de guia, mas já conhecedor dos caminhos que vão levar aos becos mais aventureiros, rapidamente abandono o caminho fácil e desimpedido , em favor de uma greta a direita do caminho, encostando na parede da caverna., onde desço por uma pequena rampa até me ver de frente à um buraco de rato.
É aqui que começa a brincadeira, num buraco de uns 50 centímetros de largura por uns 10 metros de comprimento, iremos adentrar no corredor de arenito, nos rastejando feito vermes, encostando nossas barrigas no chão e ganhando terreno metro à metro , até nos vermos dentro de um grande salão no centro da terra, com seu teto alto , sua temperatura gelada , uma cena iluminada pelas luz das nossas lanternas, como quem adentra nas histórias de Júlio Verne.
O Thiaguinho passou muito bem e parece se encantar com o novo ambiente e mesmo eu, acostumado à exploração de cavernas desde os primórdios da minha vida de aventura, ainda consigo me surpreender com esse mundo fascinante.
Uma nova passagem em formato de um pequeno pórtico, nos leva para outro salão, tão grande quando os 2 primeiros e a saída desse terceiro salão, é pela esquerda, subindo rastejando numa rampa , que vai passar por uma perigosa e profunda fenda e então virando para a direita, chegando ao salão dos morcegos , um amontoado de centenas deles, que estão agrupados no teto e ao sentirem nossa presença e nossas lanternas, tomam conta da caverna, voando de um lado para o outro, às vezes trombando nas nossas cabeças.
A saída é retornar para a esquerda, cruzando por uma passarela natural sobre a fenda que havíamos passado, com cuidado para não cair em outras cavidades, avançando lentamente, vagarosamente, até perceber ao longe, um facho de luz que nos indica a saída ou seja , o nosso ponto de partida. Foi uma exploração proveitosa e antes de deixarmos a gruta para trás, fizemos uma parada para um lanche e um gole de água.
Retornamos pelo mesmo caminho que viermos, agora subindo lentamente até reencontrarmos nossas bicicletas e ganharmos novamente a rua. Ainda iremos subir por uns 200 metros até que o terreno se estabiliza de vez, definitivamente agora, estamos em cina da CHAPADA PAULISTA, galgamos com dificuldade, mas enfim subimos à grande mesa . Logo à frente cruzamos por uma lagoinha à nossa esquerda, onde penso em me jogar , mas menos de 5 minutos , também à nossa esquerda, uma lagoa gigante desafia a minha capicidade de resistir, mas não resisto e não faço nenhuma questão. Jogo a bike no capim, tiro meu tênis e com roupa e tudo , saio correndo e me jogo na água. O calor tá de lascar e o Thiaguinho vem junto e em um minuto, somos dois moleques se regozijando nas aguas mornas .
Voltamos à estradinha até que ela chega a uma espécie de “T”, aí vamos pegar para a direita. Estamos agora indo ao encontro da Cachoeira da Lapinha e estradinha ao chegar a um cruzamento em forma de triangulo, nos obriga a viramos para a direita e aí vamos descer pra valer, tentando segurar os freios até quando ela se estabiliza, passa por uma floresta de eucalipto e aí temos que nos deter junto a um pequeno riacho que despenca no vazio, formando a cachoeira em questão.
A CACHOIERA DA LAPINHA, também é conhecida como Cachoeira do Carro Caído, devido a uma carcaça de um veículo que se encontra nos pés da queda. No passado, a gente explorou todo o vale vindo por baixo, mas a cachoeira estava com pouca água e não há propriamente uma trilha que se possa chegar partindo de cima, mas com um pouco de habilidade e sem medo dos riscos, é possível descer pela esquerda dela, desescalando uma parede perigosa, mas não ali onde a queda despenca, claro, tem que se afastar uns 300 metros, cair no leito do rio e subir até onde ela despenca.
Nos despedimos da Cachoeira, atravessamos a pontinha e seguimos adiante, apreciando as florestas de eucaliptos e sempre seguindo na principal, nosso rumo vai tomar a direção do Bar do Valentim, onde está a Cachoeira São José, sempre atentos as placas. Da Cachoeira da lapinha até a Cachoeira São José, serão exatos mais 6 km de pedalada e é um caminho belíssimo e agradável, por ser quase só descida e quando lá chegamos, nossa quilometragem vai bater exatos 25 km, pouca coisa, mas não se engane, a atividade não foi feita só de pedalar, então, já um tanto cansado, estacionamos junto ao bar, onde dezenas de pessoas se amontoam, gente de bike, de moto, de jeep, corredores de montanha, ali é parada para todas as tribos.
O bar é onde se pode tomar umas cervejas, uns sucos, comer alguma coisa ou somente descer as escadarias e ir tomar um bom banho na CACHOEIRA SÃO JOSÉ, porque a entrada é gratuita. A cachoeira não é muito alta e suas águas escuras são proveniente de terrenos areníticos com rochas basálticas, portanto, a água é avermelhada, meio cor de barro, mas com o calor que está fazendo, não vamos ficar de mi-mi-mi e não demorou muito pra gente se enfiar embaixo dela e lá ficar, aplacando o calor intenso dessa final de manhã.
Uns 15 anos atrás, eu havia chegado até aqui, mas vindo motorizado, foi quando nosso 4x4 atolou dentro de um rio e eu e minha filha ficamos horas tentando desatolá-lo, lutando contra o tempo e contra uma tempestade que se avizinhava, não levasse a gente embora caso enchesse o riacho. Acampamos próximo ao bar, mas não chegamos nem a conhecer a Cachoeira, que estava fechada. Então a partir de agora, todo o caminho à frente seria uma novidade também para mim.
Montamos nas bicicletas e prosseguimos, mas não deu nem 500 metros, fomos obrigados a desmontar novamente. O cenário que nos foi apresentado era surpreendente, sem aviso prévio, um cânion de proporções gigantescas surgiu à nossa frente. E não posso nem negar que desconhecia a sua existência, já que tinha ideia que havia uma cachoeira que despencava ali nas redondezas do bar, mas nunca que eu iria imaginar que seria daquela magnitude.
O CÂNION PASSA CINCO, me desconcertou, ainda que a grande cachoeira de mesmo nome, tivesse a sua vista muito prejudicada. Mas era mesmo surpreendente, um gigantesco abismo com bem mais de 100 metros de altura, de onde 2 quedas d’agua se precipitavam no vazio, emolduradas por uma floresta verdinha.
Claramente, por ali seria impossível descer ao fundo do cânion, então retomamos o arremedo de estrada e em mais 1,5 km, numa bifurcação tripla, vamos quebrar para esquerda e uns 150metros depois, vai surgir à direita, uma trilha que irá nos levar definitivamente para dentro do cânion. Estamos na TRILHA DO LISINHO, uma trilha somente para quem pratica motocross, com veículos especializados e com experiência vasta no assunto, evidentemente, não é nem de longe uma trilha para bicicletas, mas como ninguém havia nos dito nada, embicamos a nossa bike e fomos nos fuder naquela desgraça.
Logo no começo, já vimos que seria uma encrenca, mas sem conhecer, esperávamos que o terreno melhoraria mais à frente. Ledo engano, cada vez foi é piorando mais. As valetas eram capaz de engolir nossa bicicletas e era praticamente impossível pedalar e quando tentávamos, não era raro cairmos nos buracos e termos nossas canelas dilaceradas pelos pedais que batiam nas paredes laterais e voltavam nas nossas pernas. Aquilo foi um verdadeiro inferno, ainda que a gente se divertisse com a pataquada que acabamos nos metendo, a descida foi minando nossa energia, já que o calor ainda se mantinha insuportável.
Levamos uma meia hora ou mais para chegar ao fundo do cânion, mas mesmo assim, as trilhas ainda se mantinham confusas, parecia que não iam dar em lugar nenhum e empurrar as bicicletas já foi se tornando um verdadeiro martírio. Claro, a gente não se deu conta de que estávamos tomando decisões erradas e que deveríamos ter abandonado as bikes e seguido á pé por dentro do cânion, até conseguirmos interceptar as grandes cachoeiras. Mas chegou uma hora que a gente resolveu voltar, simplesmente o dia já começava a escorregar por entre os dedos e já havíamos passado das 14 horas e aí nos demos contas que não tínhamos mais tempo para explorações, era hora de voltar ao nosso roteiro original.
Dentro do cânion, junto ao rio que corta todo o vale, resolvemos que deveríamos atravessar para o outro lado, tentar achar um caminho que subisse as paredes opostas do vale, porque voltar pela trilha do Lisinho, estava fora de cogitação. Então atravessamos o rio com as bicicletas nas costas e ao chegarmos no centro do cânion, o horizonte se abriu e interceptamos uma sede de fazenda totalmente abandonada, um lugar lindíssimo, onde chegava uma estrada. Essa estrada ao chegar ao casarão abandonado, se transformava numa trilha que ia se enfiando para dentro do cânion, indo na direção do fundo dele, onde estavam as cachoeiras. Seguimos essa trilha por uns 5 minutos, mas logo desistimos de vez, o tempo urge, era chegado a hora de pular fora dali.
Analisamos o mapa, vislumbramos uma saída por uma perna do cânion, na verdade, outro cânion lateral. Então tomamos o rumo de quem vai em direção a entrada do vale, passamos por mais uma casa abandonada, subimos uma trilha pela sua esquerda até chegarmos ao outro cânion, onde uns bois mal-encarados nos deram as boas-vindas, louco para nos dar umas chifradas. Ali começamos a subir, na esperança que no seu final, houvesse um caminho que nos levasse para cima das paredes, ainda que tivéssemos que carregar as bikes nas costas.
Mas não adiantou, o caminho não tinha saída. Estávamos presos, não havia mais o que fazer, tínhamos que retornar, repensar nosso caminho, agora havia chegado a hora de achar uma rota de fuga. O Thiaguinho voltou rápido, eu já começava a capengar com aquela bicicleta pesada e na ânsia de alcançá-lo, meti marcha no meio da trilhinha junto ao pasto, mas um tronco estacionado fora das minhas vistas, foi o obstáculo que faltava para eu bater com a roda dianteira e ser catapultado barranco abaixo, eu de um lado, bike do outro, canela arrebentada e guidão entortado, o chão é o refúgio dos trouxas sobre 2 rodas.
Levanto-me, ainda puto, mas logo estou rindo sozinho da situação. Alcanço o Thiaguinho e tomamos o rumo da saída, passamos pelos bois, pulamos uma cerca de arame e ganhamos uma estrada larga, onde uma ponte decrepita, impede a passagem de carros. Em poucos minutos passamos por uma única casa que parecia ser habitada e ganhamos a estrada em definitivo, assim que cruzamos mais uma ponte, de onde era possível avistar sobre nossos cabeças, o MORRO DO GORILA, uma linda formação de arenito.
Verdade seja dita, a tarde praticamente já se foi e o dia já é capenga, apesar de ainda haver sol. Depois de atravessar a ponte , a estrada de areia vai seguir quase em nível, o que ajuda a gente a conseguir peladar um pouco mais forte, mas não demora muito, observo que o Thiaguinho para imediatamente à frente e sem perceber, desvio rapidamente de uma cascavel que por um pouco não picou a picou a perna dele, foi muita sorte. Dois quilômetros depois, passamos por um bar, que estava fechado , mas um senhor nos indicou que se quisessemos voltar pra Ipeúna, teríamos que virar a direira e seguir pedalando até o curral de uma fazenda, onde deveriamos contornar pela direita e nos apegarmos à estrada principal.
Como sol ja está bem baixo, os paredões do nosso lado direito, vão ficando belíssimos. Mas se o cenário é de tirar o fôlego, o caminho é de tirar a nossa paciência. O areião vai travando a gente , a pedalada não desenvolve, eu praticamente não tenho mais água, a comida acabou faz horas . Claro que poderiamos buscar socorro em algum sitio próximo, pelo menos pra buscar uma hidratação, mas a vontade é de chegar, de encerrar . As pernas já pedalam no modo automático, a minha bicicleta começa a dar sinais que o freio não quer mais funcionar e cada vez, preciso fazer mais força com as mãos.
E a gente pedala, e à frente dos nossos olhos, vão ficando para trás uma infinidade de pequenas propriedades rurais, choupanas jogadas à beira do caminho, matutos e seus animais de estimação, bois, vacas, cavalos, tratores, carroças, plantações, riachos , capões de mato, num sobe e desse sem parar, até que nem eu, nem equipamento aguentam mais . Os freios da bicicleta se foram, a minha capacidade de seguir pedalando , virou pó. Sou um homem entregue ao meu próprio sofrimento, ao meu desespero individual. Não consigo nem mensurar o que o Thiaguinho deve estar pensando de mim, também estou numa condição que nem me importo mais , sou só um homem morto que não caiu porque ainda me resta um brio interior, tentando resguardar o ultimo vestigio de dignidade que me sobrou.
Já fazia mais de hora que o sol havia nos abandonado, quando uma tempestade desabou sobre nossos ombros. A noite era tão escura , que eu mal enxergava o Thiaguinho , que desembestou na dianteira, ladeira abaixo e quando tentei acionar os freios, as rodas trepidaram, balançaram de um lado para o outro e eu me vi totalmente desamparado , virei passageiro daquela geringonça dos anos 80. A velocidade só fazia aumentar, pensei em me jogar pro barranco, mas as valetas laterais teriam me moído no buraco. Tento manter a calma, mas as minhas energias depois de mais de 12 horas de pedalada, me levam a um transe de resiliência. Penso em pular, mas aí me vem a lembrança, o dia em que eu e meu irmão, numa infância distante, nos jogamos de cima de uma bicicleta sem freio, numa ladeira da nossa aldeia e acabamos sendo trucidados pelo chão. Enfio o tênis na roda traseira, mas o solado do maldito é daqueles tênis de atletismo e o atrito não resolve porra nenhuma. Mesmo assim, continuo tentando e quando vejo que o terreno se arrefeceu um pouco, boto os pés no chão e ao encontrar um amontoado de areia, pulo, como quem pula de um caminhão desgovernado, mas sem soltar as mão da bicicleta. Fico no cai, mas não cai, danço conforme a ondulação do terreno, até que quando me vejo estabilizado, largo mão daquela merda e me esparramo na areia molhada, enquanto o veículo do satanás, de duas rodas, segue seu caminho até se deter mais à frente. Eu não sou mais ninguém, o ciclista animado da manhã, agora parece um ser que não consegue se sustentar sobre as próprias pernas , estou acabado, a vontade é sentar e chorar.
Agora a coisa ficou feia de vez. Até então, a minha capacidade de pedalar já não existia mais , só que agora, sem nada de freios, eu não conseguia nem descer as ladeiras montado, porque naquela escuridão avassaladora, não conseguia ver nada , saber se a ladeira era perigosa ou não. Então, eu subia empurrado e descia empurrando, enquanto a chuva fria castigava nossa cacunda. E nem quando o Thiaguinho me chamou a atenção para as luses da cidade, que se apresentou à nossa frente , eu me animei. Mas eu continuei, cabeça baixa , moral abaixo do volume morto . As cãibras surgirem , era algo inevitavel , a cada 15 ou 20 minutos, lá estava eu, jogado ao chão, com os musculos enriquecidos, dores tão fortes quanto a minha vergonha diante da situação.
Só quando passamos enfrente aos campings , foi que me dei conta que estavamos perto do asfalto e quando lá chegamos, minha vontade era de jogar a bicicleta fora , porque eu já não tinha mais forças nem pra pedalar no terreno plano e firme, por isso empurrei na maior parte do tempo, até que quase NOVE da noite, desembocamos em definitivo na PRAÇA CENTAL de Ipeúna, quase 13 horas de pedaladas e então , nos sentamos à frente da barraca de lanches e quando o sanduiche de costela atingiu a minha corrente sanguinia , uma lagrima escapou dos meus olhos.
Quando o Thiaguinho lançou o convite, pensei em recusar, eu estava fisicamente destruído por atividades ligadas a outros esportes tradicionais. Mas achei que seria deselegante deixá-lo na mão, já que era uma promessa antiga , que eu vinha adiando, mesmo assim , deixei bem claro que só iria com o intuito de fazer um belo passeio, apenas pra mostrar parte da região pra ele. O problema, é que a maldita palavra "passeio" jamais fez parte do nosso vocabulário, quando a gente inventa algo, será sempre acima da nossa capacidade de bom senso. O suposto passeio, se tornou numa jornada de quase 13 horas , um epopéia de achados e perdidos , que misturou montain bike com exploração de cavernas, mergulho em lagoas, descida à cânions, banho de cachoeira, pedaladas em trilhas e pastos sem caminhos . Saímos em busca de uma jornada tranquila, voltamos destruídos pela aventuda que encontramos pelo caminho.
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Eu fiz essa viagem com uma amiga que conheci através do grupo de mulheres que viajam do Facebook. Eu já tinha comprado minha passagem quando começou a bater um medo de ir para o Norte sozinha, então fui procurar companhia pelo Face e encontrei a Carla de SP que comprou a passagem para a mesma data. É bom ter companhia para dividir os pratos e os passeios mas vi muitas mulheres viajando sozinha e é tranquilo.
Dia 20/08 chegada em Santarém as 11:45
Em Santarém o app Urbano Norte funciona melhor que o Uber então pegamos um até o Hotel que reservamos no Centro próximo a Orla. Deixamos nossas coisas e saímos para comer e dar uma volta, o sol estava de rachar então logo voltamos para hotel e esperamos para sair no final da tarde.
Visitamos o Museu João Fona, a Matriz, caminhamos pela Orla, o encontro dos rios Amazonas e Tapajós é bem bonito, a Orla tem alguns lugares para comer e a noite rola música ao vivo.
Jantamos no restaurante Massabor aproveitei para provar o Tacacá. Tem alguns passeios de barco que saem ali da Orla de Santarém não nos interessamos em fazer porque no outro dia já íamos para Alter do Chão.
Se você tiver pouco tempo não vale a pena ficar em Santarém pode ir direto para Alter, para mim o que valeu mais foi ver o encontro dos rios, mas nem precisava ter ficado lá uma tarde toda.
Achei os valores para comer ok.
O Hotel que ficamos foi o Grande Center Hotel a diárias custava 170,00 para duas pessoas saio 85,00 cada, não é dos melhores, mas para uma noite apenas foi ok, tinha café da manhã.
Gastos do dia :
Encontro dos rios Tapajós e Amazonas visto da Orla de Santarém.
Eu pedi tacacá sem camarão porque tenho alergia, então não foi bem um tacacá o que eu tomei rsrs
Orla de Santarém
21/08/2024 – ALTER CHÃO
Pegamos o ônibus para Alter do Chão de manha por volta das 8h a passagem custou 5,00 e ele passa em vários pontos no Centro, passava a 2 quadras do nosso hotel. Os transferes até Alter costumam custar de 100,00 a 150,00 preferimos pagar 5,00 e ir de ônibus.
A viagem foi tranquila durou em torno de 1h, o ônibus estava vazio e fomos sentadas. Havia uma parada para nossa sorte quase na frente da casa onde iriamos nos hospedar. Ficamos em um airbnb que teve um bom custo benefício, bem localizado e confortável e a dona da casa a Adriele foi muito querida. A diária é 150,00 dividido por duas deu 75,00 para cada. Deixamos nossas coisas lá e já fomos para a Orla pegar um barco e ir para Ilha do Amor.
Os barqueiros cobram 10,00 prela travessia que pode ser dividido, como estávamos em duas deu 5,00 para cada. Passamos o dia na Ilha pudemos entrar nas aguas do rio Tapajós que são clarinhas e morninha. Como era dia de semana só havia 2 restaurantes abertos durante o final de semana costuma ser bem mais movimentado por lá. Almoçamos um Tambaqui assado no primeiro restaurante que não lembro o nome, a comida estava muito boa pedimos para duas pessoas 100,00 e a quantidade era generosa servia umas 3 ou 4. Também provei o Açaí puro e tomei a cerveja Tijuca que é do Pará.
Andamos bastante exploramos a ilha cada cantinho lindo. O sol é muito quente e nesse dia fiquei mais exposta, no final do dia estava toda vermelha. Ficamos até o pôr do sol que é lindo, depois pegamos o barco de volta. A noite estávamos esgotadas acredito que porque andamos de mais no sol, nem saímos para comer.
Gastos:
O que achei mais estranho no açaí do Norte é que eles não comem congelado.
Ilha do Amor. Na época das chuvas essas casinhas ficam quase cobertas pela água.
Um paraíso, mas precisa ter cuidado porque na região tem muita arraia.
Por do sol visto da Ilha do Amor
22/08/2024 ALTER DO CHÃO – CANAL DO JARI
Não fechamos nenhum passeio antes da viagem e foi bem tranquilo. É só ir até a Atufa que fica na Orla e conversar com os barqueiros que ficam por lá, os preços variam um pouco é bom dar uma pesquisada, nós pagamos 180,00 por cada passeio mas vi alguns cobrando até 250,00. Em todos os passeios oferecem água mineral, frutas e no final do passeio servem abacaxi temperado.
As 9h embarcamos, navegamos pelo rio Tapajós até o rio Amazonas onde entramos em canal do rio. O guia para em um local para boto, mas é bem rápido nem deu para direito, depois para em um outro local onde a gente paga 30,00 para fazer a trilha da preguiça onde dá para ver alguns macacos e o bicho preguiça, anda pouco não é bem uma trilha é mais um passeio. Depois vamos até o local onde tem as vitórias-régias, elas não estavam muito bonitas estavam meio secas, nesse lugar para 30,00 e degusta dos pratos feitos com a vitória régia achei interessante porque não fazia ideia que dava comê-la. A parada para almoço é na Casa do Saulo um restaurante famoso que tem na região, premiado internacionalmente, o local é muito bonito cheio de espaços instagrameáveis, a comida é cara mas como já estávamos lá decidimos experimentar, pedimos um pirarucu que estava ótimo.
Na volta paramos na praia Ponte de Pedras e depois paramos para ver o pôr do sol na praia Ponta do Cururú.
A noite fomos para a Praça pois era dia de Carimbó dança típica do Pará. É muito bonito ver eles dançando alguns turistas entram na roda e arriscam uns passos. Toda quinta tem Carimbó em Alter, não aguentamos ficar muito tempo porque estava cheio e muito calor no meio da roda, logo nos asfaltamos e ficamos olhando de longe.
Vitórias-régias no Canal do Jari .
São fofos, o guia leva banana e eles chegam bem perto.
Pratos feitos com a vitória-régia. Achei gostoso.
Restaurante do Saulo.
Praia Ponte de Pedras
Pô do sol visto da praia Ponta do Cururú.
23/08/2024 ALTER DO CHÃO- PRAIAS DO PINDOBAL
Passamos na padaria para tomar café e saímos as 9h para conhecer as praias do lado sul. As praias são lindas algumas desertas. A parada para almoço foi na Comunidade Maguari e o por do sol na praia de Muretá.
A noite fomos em uma pizzaria que nos indicaram que fica na frente da Praça do CAT, achamos a pizza pequena pelo valor.
Gastos:
As águas são claras e morninhas. Cuidado com o sol que é muito quente.
Nesse passeio tem várias paradas e não lembro exatamente o nome de cada praia, mas são todas lindas.
A areia é branquinha.
24/08/2024- ALTER DO CHÃO - FLONA NACIONAL DO TAPAJÓS
Fechamos esse passeio no dia anterior com o mesmo barqueiro que nos levou ao Jari. Saímos as 9h e fomos até a Comunidade Jamaraquá que fica na cidade de Belterra, esse passeio pode ser feito de carro ou a pessoa consegue ir até a comunidade de ônibus também, é uma maneira mais econômica de fazer. Lá na comunidade a gente precisou pagar o guia local era 600,00 por grupo como estávamos em um grupo grande ficou 47,00 para cada. Fizemos a trilha pela floresta que durou em torno de 4h no total, o guia vai explicando sobre a fona e fauna local, tem uma subida que cansa um pouco principalmente por causa do calor que é intenso. A primeira parada é na Samaúma que deve ter mais de 300 anos, depois tem um mirante de onde dá para ver o rio Tapajós e por ultimo o mais esperado é a parada Igarapé, as aguas são cristalinas e geladas, o banho renova as forças, ficamos lá por uns 40 minutos e voltamos. Geralmente o almoço é na Comunidade mesmo mas nesse dia o restaurante estava fechado por conta do falecimento da senhora que cozinhava, o guia nos levou para almoçar na comunidade Maguarí que fica ao lado. Pedi filhote grelhado, estava muito bom. No final paramos para ver o por do sol na praias de Muretá a mesma que vimos no dia anterior mas dessa vez o guia parou mais longe onde ficou só o nosso grupo. Na volta o guia tirou a cobertura do barco para que pudéssemos voltar vendo as estrelas, nem teve estrela nesse dia mas eu vi umas das paisagens mais bonitas dessa viagem, o céu rosado refletido nas aguas nem consigo descrever tanta beleza.
A noite demos uma volta pelo centro e descobrimos a sorveteria Boto Gelato da Amazonia onde tem várias opções de sabores de frutas típicas da região, troquei a janta pelo sorvete, são divinos e você pode experimentar antes de comprar.
Comunidade.
Samaúma
Mirante de onde dá para ver o rio Tapajós
Igarapé
No final de cada passeio eles ervem abacaxi temperado, é um delicia. O pôr do sol estava lindo a água refletia o céu.
25/08/2024 ALTER DO CHÃO- PRAIA DE CJAÚNA E PRAIA DO CAT
Era nosso último dia em Alter e decidimos acordar mais tarde e ficar nas praias próximas ao centro. Até pensamos em fazer o passeio de Arapiuns, diz que é muito lindo mas estávamos cansadas e decidimos ficar alí por perto. Tínhamos planejado subir o Morro da Piroca mas acabamos desistindo. Comemos na praia bolinho de piracuí, a noite fomo no X-bom que tem várias opções de lanche muito gostosos e ao lado tem uma casa de sucos que são maravilhosos com muitas opções de sabores de frutas típicas da região.
Fomos novamente no Boto Gelato da Amazonia.
Para mim 5 dias em Alter foi suficiente para aproveitar bem, mas vi pessoas que ficam 10 dias ou mais. As praias são lindas e o por do sol é perfeito. Alter é bem turístico então tem muitas opções de hospedagens e restaurantes.
O morro que aparece ao fundo é do Morro da Piroca.
O último pô do sol em Alter.
26/08/2024 ALTER DO CHÃO/SANTARÉM/BELÉM/ILHA DO MARAJÓ
Acordamos as 6h e fomos para o ponto de ônibus que era ao lado da casa da Adriele, pegamos o ônibus as 6:30h e dessa vez estava lotado pois era horário de pico. Por volta das 8h chegamos em Santarém e já pegamos um Uber para o aeroporto nosso voo para Belém era as 10h.
Chegamos em Belém por volta de meio dia e já pegamos Uber para a hidroviária de onde sai as Lanchas para a Ilha do Marajó. Foi complicado achar informações sobre como ir para o Marajó, ligamos nos telefones que achamos na internet mas ninguém atendia nem respondia mensagem do whats então decidimos tentar a sorte. No horário vespertino não havia lancha que fosse direto para Soure onde iriamos nos hospedar, então decidimos pegar a lancha para Salvaterra e de lá pegar uma Van até Soure.
A hidroviária de Belém é ok tem alguns lugares para comer minha colega comeu um prato com camarão por 17,00 que segundo ela estava muito bom, eu acabei enrolando e não deu tempo de almoçar. A viagem até Salvaterra foi tranquila, depois seguimos até Soure, chegamos por volta das 18h e já fomos comprar a passagem de volta porque se deixar para comprar no dia da volta corre o risco de ter esgotado. Deixamos as coisas no Hostel Viajantes, tomamos banho e saímos para comer. Como era segunda feira muitos lugares estavam fechados mas caminhamos pela avenida principal e achamos o Quiosque do Bolota que servia refeições, eu pedi uma bisteca de carne de búfalo, achei parecido com carne de boi. A comida estava boa.
Gastos:
Bisteca de carne de búfalo.
Experimentei uma cerveja local.
27/08/2024 ILHA DO MARAJÓ- SALVATERRA
No Marajó o meio de locomoção mais fácil é o mototáxi , fechamos os passeios com o Jordan uma pessoa que me indicaram e foi tudo tranquilo a pesar de não usarem capacete eles costumam andar devagar. O Jordan nos pegou no Hostel as 8h e fomos tomar café no Mercado Municipal, é o melhor local para tomar café tem opções como tapioca, cuscuz , sanduíches e o valor é bom. Eu pedi cuscuz com carne seca e queijo de búfala. Depois seguimos para Salvaterra. As praias de lá não tem nada de mais, a orla é bonita, visitamos todas as praias e as ruínas Jesuíta. Não fomos no igarapé porque estava seco. Chegamos em Soure já era umas 18h, tomamos banho e fomos na sorveteria Q sorvete, é muito bom feito com leite de búfala, depois fomos no trapiche e comemos um hamburguer feito com carne de búfalo.
Gastos:
Orla de Salvaterra.
Não lembro o nome das praias.
As ruínas dos Jesuítas é um dos pontos visitados.
28/08/2024 ILHA DO MARAJÓ- SOURE
Nesse dia saímos um pouco mais tarde fomos para o mercado tomar café e o Jordan nos encontrou lá. As praias visitadas foram: Cajuna, Praia do Céu e Praia do Pesqueiro. As 3 praias são lindas, sendo que a do Pesqueiro é a que tem mais estrutura onde paramos para almoçar. O caminho até a praia é lindo é possível ver muitos pássaros e uma região alagada que lembra o pantanal. Para ir até a praia do céu passa por uma área privada onde cobram 10,00 . A vila dos pescadores é uma graça, as casinhas coloridas valem a pena a visita.
As 15:00h tínhamos o passeio na Fazenda São Jeronimo, local onde foi gravado uma Edição do Programa no Limite. As 14:30h o Jordan nos buscou na praia do Pesqueiro. Na praia do Pesqueiro havia um búfalo que o dono cobrava 20,00 para dar uma pequena volta e tirar foto.
Sei que passeio que envolve animais costuma ser polemico, decidimos fazer o passeio pois muitos diziam ser imperdível. Eu gostei, é bem organizado, o atendimento lá na Fazenda é muito bom é possível tomar sorvete e provar pratos típicos, aproveitamos para provar o ceviche de turú, a textura é estranha, mas o gosto era do limão. No passeio a gente inicia com o búfalo depois anda por um manguezal, até chegar em uma praia que é linda. No final eles servem água de coco. Curti o passeio mas penso que poderia ser mais barato 250,00 é caro para um passeio que dura no máximo 3h. A noite jantamos em um restaurante próximo ao Trapiche não consigo lembrar o nome, mas a comida era muitos gostosa, depois tomamos sorvete de leite de búfala.
Praia do Pesqueiro
Vila dos Pescadores.
Búfalo da praia do Pesqueiro. R$ 20,00 para dar uma volta.
Travessia do rio com o búfalo.
Passeio de barco.
Totem do Programa no Limite.
Praia deserta.
29/08/2024- ILHA DO MARAJÓ- SOURE
Acordamos mais tarde alugamos bike e fomos para a praia da Barra Velha, decidimos não fazer mais passeios e ficar por lá o dia todo. Essa praia é a mais próxima da cidade e é bem tranquilo o caminho é reto e plano. Para quem gosta de pedalar dá para ir até a praia do Pesqueiro de bicicleta também. A praia é linda tem alguns restaurantes, mas se vocês se afastam já fica na praia deserta.
As praias de Soure são bem mais bonitas que as de Salvaterra, vale a pena ir em Salvaterra para conhecer, no entanto, se você tiver pouco tempo pode ficar apenas em Soure. Recomendo pelo menos 3 dias .
Praia da Barra Velha
Praia da Barra Velha
30/08/2024 Soure- Belém
Nossa lancha sairia as 5:30h direto para Belém, acordamos as 5h juntamos nossas coisas e fomos para a hidroviária. A viagem foi tranquila. Nosso hostel era próximo, fomos caminhando, deixamos as coisas lá e fomos para o Teatro da Paz. Fizemos a visita guiada que acontece de hora em hora, depois pegamos um Uber para ir até o Mercado Ver o peso, dava para ir andando, mas como estava muito calor pegamos o Uber. Indico ir no Ver o Peso cedinho fomos por volta de meio dia e estava um calor insuportável, logo saímos e fomos até o Forte do Presépio, Casa das 11 Janelas, passamos pela Igreja Matriz e fomos almoçar no Restaurante Point do Açaí, o local era agradável e tinha várias opções de pratos típicos, comemos um pato no tucupi que estava ótimo. Voltamos para o hostel para tomar um banho e descansar um pouco. Depois no final da tarde fomos para a Estação das Docas, esse local é um Oasis no meio do calor de Belém pois é climatizado, tem música ao vivo e muita opção de local para comer, é tipo uma galeria e é onde fica a sorveteria Cairu famosa por já ter ganhado prêmio internacional. Decidimos fazer o passeio de barco que sai dali das Docas mesmo, dura em torno de 1:30h, tem apresentações de carimbó e histórias locais, é legal mas não é imperdível. Quando voltamos tomamos o sorvete Cairu e depois um chopp.
Esse hostel que ficamos valeu pela localização mas era bem sujo, pegamos o quarto duplo imagino que o coletivo deveria ser tenso.
Essências vendidas no Mercado Ver-o-Peso
A parte dos peixes.
Estação das Docas
Teatro da Paz.
Belém vista do passeio de barco.
Casal dançando Carimbó .
31/08/2024 Belém - Ilha de Combú
Como passamos muito calor no dia anterior decidimos ir para um local nos refrescar, e fomos para Combu que é a ilha mais próxima de Belém mas se você tiver mais tempo tem as ilhas de Cotijuba e Mosqueiro que nos disseram que é até mais legal que Combu. Pegamos um uber o fomos até a Praça Princesa Izabel de onde saem os barcos, eles saem de hora em hora e você paga 20,00 ida e volta. No momento de embarcar já tem que avisar o ponto que vai parar, na Ilha tem vários restaurantes, nós fomos em um que nos indicaram chamado Chalé da Ilha, que fica no furo do rio. Todos os restaurantes são parecidos, eles colocam um tablado e fecham uma parte do rio formando uma piscina natural para banho, e também muitos oferecem piscina normal para quem não gosta de rio, no Chalé tinha mas não vi ninguém entrar. Na ilha os restaurantes funcionam da mesma maneira você paga o que consome e pode passar o dia por lá, nós voltamos as 16h. No Combú também fica a fabrica de chocolate da Dona Nena onde você pode degustar e comprar chocolates que são fabricado com cacau da ilha, caso queira visitar é só pedir para o barco parar lá, nós não fomos.
A noite combinamos de jantar com a Eliane uma querida que conhecemos pelo grupo de WhatsApp de mulheres que iriam viajar para o Pará. Eliane nos pegou no Hostel e nos levou até o Amazônia na Cuia um restaurante bem conhecido de Belém onde a comida é servida em cuias pequenas e grandes permitindo que você experimente várias opções de pratos típicos. Eu comi arroz de pato estava muito bom e de sobremesa creme de buriti.
Chalé da Ilha- restaurante onde passamos o dia.
Casa de um morador da Ilha.
Eu nem me toquei que estava com as pernas para fora do cercado e o salva vidas me chamou atenção.
Restaurante Amazônia na Cuia.
01/09/2024 Belém
Começamos o dia indo na feira da Praça da Republica que ficava pertinho do Hostel, era uma feira enorme e tinha de tudo um pouco, aproveitei para comprar umas lembrancinhas e comi o bolo Maria Izabel que achei uma delícia. Depois da Feira visitamos alguns pontos turísticos como Espaço José Liberato e Palacete Faciola, depois pegamos uber e fomos para o Mangal das Garças. O parque é bonito tem muitas aves, borboletário e uma torre onde você sobe e tem um mirante que dá para a cidade, foi o mais interessante. Depois fomos almoçar em um restaurante vegano e comemos uma maniçoba que estava muito boa. Depois fomos para o Hostel pegamos nossas coisas e fomos para a Estação das Docas. A Carla ia retornar para SP as 17h , e eu seguiria para Macapá na madrugada. A estação estava lotada era domingo, aproveitamos para provar outro sabor do sorvete Cairu. A Eliane nos encontrou na Docas, ficamos lá até dar o horário da Carla ir para o aeroporto, nos despedimos e fomos no Complexo turístico Ver-o-Rio, depois fomos no restaurante do Saulo que fica na Casa das 11 janelas. Segui para o aeroporto onde pegaria o o voo para Macapá as 2h.
Espaço José Liberato. Antigamente esse local era uma prisão.
A torre do Mangal das Garças.
Vista de cima da torre.
Complexo turístico Ver-o-Rio.
Pôr do sol visto do Complexo turístico Ver-o- Rio .
02/09/2024 Macapá- Afuá
Cheguei em Macapá as 3h, o aeroporto é perto do Centro onde eu iria me hospedar então logo estava no Hostel. O Hostel do Meio é bem localizado e sem dúvida um dos mais limpos que eu já fiquei na vida, as meninas limpam tudo o tempo todo. Tem café da manha simples mais gostoso e tem bebedouro. Acordei as 9h e fui até a rampa Santa Inês ver os horários das embarcações para Afuá. Decidi ir naquele mesmo dia para Afuá pois era segunda e em Macapá estava fechado a maioria dos pontos turísticos. Afuá fica na Ilha do Marajó- PA mas fica mais próximo de Macapá.
No ano anterior eu fui para Ouro Preto e lá conheci a Rafa que é de Macapá, quando soube que ia para lá já mandei mensagem para ela avisando e se ela tivesse tempo a gente podia fazer algum coisa juntas. A Rafa foi me buscar no Hostel e me levou para almoçar na Peixaria Amazonia, eu já fui com minhas coisas pois a Rampa Santa Inês fica bem na frente do restaurante. A Peixaria é um lugar maravilhoso, ambiente agradável e comida deliciosa.
A lancha saio as 14:00h e foi uma viagem tranquila, chegamos as 17h em Afuá e de cara eu já me encantei com a cidade. Não fiz reserva de hotel antes e foi bem tranquilo, tem algumas opções e eu fui no primeiro que encontrei bem na frente do porto Hotel Veneza. Deixei as coisas no hotel e saí para passear, andei por todo o centro, sentei na Praça e conversei com alguns moradores. Em Afuá o único meio de transporte permitido é a bicicleta o que torna o lugar encantador. Eu amei esse lugar. A noite é movimentado as praças ficam cheias de pessoas, crianças fiquei imaginando como deve ser viver lá.
Peixaria Amazônia, comida deliciosa.
Fui nessa lancha para Afuá. A viagem dura umas 2h e é bem tranquila.
Uma das praças.
Antes a cidade era toda de palafitas, agora boa parte já e alvenaria.
É melhor para pedalar, nas palafitas da muito soco.
Pôr do sol visto da Orla de Afuá.
03/09/2024 Afuá- Macapá
Acordei por volta das 8h e sai para passear, peguei um bicitaxi e circulamos por toda a cidade. Tinha algumas opções de passeio por lá mas eu não quis fazer. Almocei um PF em um restaurante que ficava na parte de baixo do Hotel e fui surpreendida pela comida que custou 15,00 e estava uma delícia. Gostei muito de Afuá gostaria de ter ficado mais tempo, mas estava com reserva já paga em Macapá então acabei retornado na lancha das 14h. Cheguei em Macapá e a Rafa já foi me buscar para irmos no Marco zero, também demos uma volta pela Praça do Meio do Mundo e depois fomos jantar no Macapá Shopping.
Uma das ruas principais de Afuá.
Local onde é comercializado o açaí.
Moradores chegando com açaí.
Afuá. A maré estava baixa, mas quando sobe as pessoas tomam banho nessa rampa.
Parque Meio do Mundo. Local muito legal para ir final da tarde.
Marco Zero. Antes de ir a Macapá eu achava que esse era o único ponto turístico rsrs.
04/09/2024 – Macapá
Planejei ir ao Bioparque mas estava muito cansada e decidi ficar no hostel pela manhã, acordei tarde e aproveitei para lavar umas roupas. A tarde chegou a Amanda e a Marci e fomos visitar a Fortaleza São José, depois fomos até o mercado Central, fica muito gostoso no final da tarde. Depois caminhamos até a Peixaria Amazonas onde tínhamos um jantar de mulheres que formamos pelo grupo no whatssapp, a maioria era ali de Macapá. Saímos da Peixaria por volta das 22h e fomos para a Expo Feira. Mais uma vez fui surpreendida pela estrutura do evento, era enorme tinha muitas opções para comer e para comprar artesanatos, o parque era enorme e tinha Show gratuito do Luan Santana. Estava lotado ficamos até o final do show. Para um evento da Prefeitura achei muito bem organizado.
Mercado Central.
Tem um café da manha bem tradicional e a tarde fica gostoso para beber alguma coisa.
Fortaleza São José
Parte interna de Fortaleza São José.
Nosso jantar na Peixaria Amazônia. Foi incrível.
Expo feira.
05/09/2024 – Macapá
Antes de ir ao Amapá eu não pesquisei muito sobre o que fazer lá e pensei que 3 dias seriam suficientes. Eu iria retornar para casa pela madrugada. No entanto quando cheguei em Macapá vi que tinha mais coisas para fazer, conheci gente legal, e lamentei ficar pouco tempo. E mais uma vez fui surpreendida, recebi um e-mail da Latam dizendo que meu voô havia sido cancelado e me disponibilizaram outros dias e horários. Adiei meu retorno para o dia 09/09.
Chegou no Hostel a Micheli de Minas e fomos com a Amanda e a Marci para a cidade de Santana que fica bem perto de Macapá. No porto pegamos um barco e navegamos pelo rio amazonas até uma ilha onde tinha uma Samaúma onde foi gravado o filme Tainá. Depois ficamos tomando banho no rio, e fomos almoçar no bairro Fazendinha onde tem uma Orla muito bonita. As meninas comeram camarão no bafo que é um prato típico de lá, eu como sou alérgica a camarão comi um peixe que estava ótimo. A noite a Rafa nos levou e um barzinho bem legal.
Macapá é a única Capital banhada pelo rio Amazonas.
Samaúma onde foi gravado o filme Tainá.
Almoço na Fazendinha.
Pôr do sol visto da Orla da Fazendinha.
06/09/2024 Macapá- Laranjal do Jari
Nesse dia fomos em um passeio na Flor de Samaúma, onde vimos um pouco a produção de açaí, fizemos passeio pelo rio amazonas e no final teve degustação de produtos feitos com açaí inclusive café e vinho. O passeio dura meio período e é um pouco longe, precisa combinar com o Uber ou taxi o horário de voltar porque o sinal de celular lá é ruim. É um passeio interessante mas não é imperdível. Depois visitamos o Museu Sacaca e fomos comer em um restaurante em frente a Orla. Nós já tínhamos feito o chekin no Hostel e fomos lá buscar nossas coisas pois iriamos pegar o ônibus para Laranjal do Jari as 18h. Chegamos em Laranjal por volta das 2h da madrugada.
Vinhos de açaí
o museu Sacaca é lugar arborizado, é um passeio gostoso.
07/08/2024 - Laranjal do Jari
Acordamos muito cansadas, mas o horário de saída era as 8h. Iriamos na cachoeira do Panamá que fica em uma cidade do Pará. O que aconteceu nesse dia daria para escrever várias páginas, mas vou resumir: o ônibus estragou e não conseguimos chegar à cachoeira. Não indico a empresa nem vou citar o nome.
Alimentação: 30,00
08/09/2024- Laranjal do Jarí – Macapá
Saímos as 8h rumo a cachoeira de Santo Antônio, dessa vez conseguimos chegar porque era mais perto e a cachoeira é linda. Fiquei chateada de saber que havia bem mais agua e devido a construção de uma hidrelétrica boa parte da agua escoou. Ficamos até as 14h na cachoeira e retornamos direto para Macapá onde eu já fui para o aeroporto meu voo sairia de madrugada.
Cachoeira de Santo Antônio.
Considerações finais
Depois de quase 4 meses que terminei essa viagem consegui terminar o relato que é quase um TCC rsrs. Se alguém tiver alguma duvida pode me chamar no privado. Se alguém quiser ver mais fotos pode olhar no meu Insta (@priscila.oliveira.900) tem um destaque.
As passagens aéreas eu comprei com milhas os trechos de CGR até Santarém e de Macapá para CGR comprei com gastei R$ 75,00 de taxa.
De Santarém até Belém comprei comprei pela Azul R$ 250,00.
De Belém para Macapá paguei 170,00 pela Latam. Conheci pessoas que gastaram muito mais nesse trecho tem que pesquisar, eu só inclui o Amapá porque achei a passagem por esse valor.
Não somei certinho mas creio que gastei mais ou menos uns 6 mil, poderia ter gasto menos mas eu me dei a luxos de comer em restaurantes mais caros fiz vários passeios pagos. Com certeza daria para ter gasto menos.
Foi uma viagem linda, conheci pessoas maravilhosas, o povo do norte é muito acolhedor e a comida é divina.
Voltei apaixonada pelo Norte.
Editado por PriscilaOliveiraGomes
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