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Filipe Andretta

Caminho do Itupava e Pico do Marumbi - Fim de semana na Serra do Mar paranaense

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Resumo da viagem, dias 9 e 10 de abril de 2016

Sábado: Descida do Caminho do Itupava e acampamento no Parque Estadual Pico do Marumbi

Domingo: subida do Olimpo (trilha branca/frontal); retorno para Curitiba de trem.

 

Planejamento

Moro em Curitiba desde que nasci, mas nunca tinha feito essa aventura na Serra do Mar. Hora de criar vergonha na cara e explorar as maravilhas no quintal de casa.

Meu objetivo inicial era subir algum cume no Marumbi e voltar no mesmo dia, mas descobri que é muito difícil fazer um “bate-volta” por conta dos horários do trem: o que sai de Curitiba chega na base da montanha às 10h35, enquanto o único que volta passa às 16h na mesma estação. Existe ainda a opção de ir de carro até Porto de Cima, que fica a 4km da base do Marumbi. Por isso, o mais comum é dormir pelo menos uma noite no Parque Estadual, antes ou depois de subir a montanha. Mesmo com pouca experiência de trakking ou montanhismo, resolvi então aproveitar para descer a Serra do Mar pelo Caminho do Itupava. Convidei vários amigos, mas só o parceiro Pedro Pannuti topou. Foi o suficiente.

O primeiro ponto para resolver era como chegar até o bairro Borda do Campo na cidade de Quatro Barras, onde começa o Itupava (a 30km do centro de Curitiba). Existem algumas vans que fazem o trajeto, mas normalmente são lotadas com pessoas que vão descer o Caminho até Porto de Cima (vila próxima a Morretes) e voltar no mesmo dia. Se não quiser pagar uma pequena fortuna num táxi, dá pra tomar um ônibus no Terminal do Guadalupe, próximo à Rodoferroviária de Curitiba. Agora, se você mora por aqui e tem pais dispostos a dar uma carona, melhor.

A segunda questão era onde acampar. O Parque Estadual do Marumbi conta com um camping gratuito que esteve interditado para reforma por anos até 2015. Consta no site do IAP (Instituo Ambiental do Paraná) que é necessário reservar lugar, pois há um limite de 30 barracas. Ocorre que os telefones do Marumbi (41-3462-3598) e de Prainhas (41-3462-4352) estavam quebrados. Liguei para vários telefones do IAP, mandei e-mails, mas ninguém soube me dizer como reservar. Porém, depois de dias consegui a confirmação de que o camping estava funcionando normalmente. Resolvemos então arriscar a ida até lá mesmo sem comunicação.

Precisávamos garantir ainda a passagem de trem para a volta. Em contato telefônico com a Serra Verde Express, fui informado que é mais barato comprar dentro do próprio trem e que não há risco de ficar sem lugar (apenas o trem de ida é mais concorrido).

 

Caminho do Itupava

Chegamos no posto do IAP na Borda do Campo 8h30 de um sábado ensolarado. Fizemos um cadastro rápido e fomos imediatamente liberados para começar a trilha. Não nos ofereceram maiores informações e nós também não perguntamos nada. Eu levava um mapa precário impresso em casa que não seria o suficiente.

Nos últimos anos houve alguns assaltos no Caminho do Itupava. É recomendado fazer a trilha em grupos maiores pelo menos até a Casa do Ipiranga, que ainda está relativamente próxima de áreas urbanas. Naquele dia havia muitos grupos descendo, então ficamos tranquilos.

O começo da trilha tem algumas subidas até chegar ao morro do Pão de Ló. Depois é praticamente só descida até a Casa do Ipiranga (ruínas de um casarão colonial). Logo na sequência o Caminho chega no trilho do trem. Subindo 100m à direita pelos trilhos há uma roda d’água e uma cachoeira onde vale a pena parar para um mergulho.

Após retornar da roda d’água, vimos um grupo grande de pessoas descendo pelos trilhos do trem. Perguntamos para a guia daquele grupo e ela nos confirmou que deveríamos prosseguir pelos trilhos. Depois de andar meia hora desconfiados, alcançamos dois socorristas e um bombeiro aposentados que também desciam o Itupava por ali. Os três afirmaram que estávamos no caminho certo, porque a outra trilha estava fechada e era muito mais difícil. Então seguimos em frente sem medo... Mais tarde descobriríamos que fomos induzidos a erro.

Na verdade, a trilha do Itupava segue pelo morro a partir de uma entrada na mata que fica do outro lado dos trilhos, logo após a Casa do Ipiranga. Acontece que essa passagem não é bem demarcada e o trecho dali até o Santuário Nossa Sra do Cadeado é mais difícil. Por isso, muitas pessoas preferem fazer um trajeto mais longo pelos trilhos do trem ao invés da mata fechada e escorregadia. Porém, é uma opção perigosa que tem motivos para ser proibida. Até chegar no Cadeado são quase 3 horas de caminhada passando por túneis escuros (lanterna é indispensável) e pontes sem estrutura de segurança para pedestres - o único jeito de atravessá-las é pisar dormente por dormente, com cuidado para não cair no vão entre eles. Dentre essas pontes está o Viaduto Sinimbu, com 62m de comprimento sobre um grande penhasco. Se alguém tiver medo de altura, provavelmente vai empacar em alguma ponte e travar o grupo. Além disso, o tráfego de trens é relativamente constante. Logo, se um trem aparecer enquanto você estiver no meio da ponte, a única solução será correr. Portanto, não recomendo seguir pelos trilhos do trem, pois o risco de acidente grave é real, principalmente se estiver chovendo, nublado ou se for noite. Por outro lado, não posso negar que as paisagens desse trecho foram as mais incríveis da viagem.

 

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Quando chegamos ao Santuário do Cadeado, nos deparamos com várias pessoas saindo de dentro da mata. Conversamos com elas e só então entendemos que havíamos tomado o caminho errado.

A partir do Cadeado é possível continuar pelos trilhos do trem até a Estação Marumbi e enfrentar, dentre outras, a Ponte São João com seus 118m de comprimento e 58m de altura. Mas resolvemos não abusar da sorte e seguimos o Itupava através da Trilha do Sabão, que continua logo atrás do Cadeado. O nome é bem propício, porque o caminho é uma descida acentuada construído com grandes pedras lisas. Escorregões são quase inevitáveis.

Depois de aproximadamente uma hora e meia pela Trilha do Sabão, o Caminho do Itupava termina numa estrada de chão. A maioria das pessoas desce à esquerda rumo Porto de Cima, onde tomam uma van ou ônibus até Curitiba ou Morretes. Nós subimos à direita, passamos pela Estação Egenheiro Lange e finalmente chegamos na Estação Marumbi. Era 16h20, de modo que nossa caminhada completa durou 7 horas e meia - tempo razoável, já que cada um levava mais de 20kg nos mochilões. Pouco depois começou uma chuva que duraria quase a noite inteira.

 

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Camping no Parque Estadual Pico do Marumbi

De frente para a estação, do outro lado do trilho, há algumas casas do IAP. Em uma delas está o telefone (quebrado à época) e é onde fica um funcionário de plantão de quarta a domingo e nos feriados. Ele é o responsável por fazer o cadastro de entrada/saída no Parque Estadual do Marumbi e no camping. Devido à falta de comunicação, ele não nos cobrou reserva. Havia apenas 5 barracas armadas por lá e não foi difícil achar um bom lugar para a nossa. Porém, o camping fica mais concorrido em feriados e na alta temporada de escalada (de maio a setembro).

A estrutura do camping inclui banheiro masculino e feminino com dois chuveiros elétricos em cada, além de uma área coberta com quatro mesas longas e pias - nada mal para um camping público e gratuito. Uma tempestade havia queimado a fiação de luz da área coberta, de modo que usamos muito nossas lanternas. Havia apenas uma tomada funcionando na porta do banheiro feminino (leve pilhas/baterias extras para os equipamentos eletrônicos). É proibido fazer fogueira, então você vai precisar de um fogareiro se quiser cozinhar. Também não é permitido consumir bebida alcoólica, mas essa regra foi ignorada por um grupo naquela noite, que acabou exagerando no barulho (lembre-se que quase todos no acampamento subiram a montanha ou pretendem subi-la no dia seguinte bem cedo - logo, querem uma boa noite de sono).

Não havia sinal de celular para ligar ou enviar SMS, mas surpreendentemente consegui mandar notícias para a família pelo WhatsApp.

 

Pico do Marumbi (Olimpo)

Como nós iríamos voltar de trem às 16h, precisávamos começar a subida cedo. Acordamos às 5h para tomar um café da manhã reforçado. Deixamos os mochilões na casa do IAP, mas o plantonista não se responsabiliza pela bagagem (não há guarda-volumes). É obrigatório avisar o funcionário antes de começar a subida e também na volta, pois ele será o responsável por chamar equipes de resgate em caso de imprevisto na montanha.

Atualmente, existem duas trilhas que levam ao Olimpo. A vermelha (noroeste), segundo alguns relatos que li, é um pouco mais difícil e dá acesso a vários picos do Conjunto Marumbi (Abrolhos, Esfinge, Ponta do Tigre e Gigante antes de chegar ao Olimpo - o mais alto). A branca (ou frontal) leva diretamente ao Olimpo. Nós havíamos conversado com um grupo que subiu pela vermelha e desceu pela branca no dia anterior. Eles nos relataram que a vermelha estava ainda pior por causa da lama. Devido à nossa inexperiência, resolvemos subir e descer pela branca.

 

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Iniciamos a trilha às 6h35. O caminho é bem demarcado por sinais brancos frequentes no chão, paredes e árvores. Quando há uma bifurcação duvidosa, geralmente existe uma corda fina atravessada para vetar o caminho errado (não confunda com as cordas instaladas para ajudar na subida/descida). Se você andar mais de 50m sem ver uma marca, provavelmente está no rumo errado ou não prestou atenção suficiente - volte até a última marca e procure ao redor. Mesmo com toda a chuva do dia anterior, a trilha não estava muito escorregadia (especialmente se comparada à Trilha do Sabão). Mas em caso de tempestades extremas, ela pode ser interditada.

A partir da metade da trilha tornam-se frequentes os grampos, cordas e correntes que permitem chegar ao topo sem o auxílio de equipamentos de escalada. Você vai subir pelo menos 3 paredões de pedra altos para chegar ao cume - eles podem ser um obstáculo difícil para alguém com medo de altura, principalmente se a visibilidade for boa.

 

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Com exceção do rio que fica no começo da trilha branca, o primeiro ponto para conseguir água está no terço final do percurso. Então recomendo começar a subida com pelo menos 1,5 litro de água. Eu carregava na mochila de ataque também alimentos diversos, jaqueta impermeável, lanterna, canivete, repelente, kit básico de primeiros socorros e celular (há sinal telefônico na parte alta da montanha). Vestia botas, calça e camiseta leves. Além disso, usei luvas por recomendação de outros montanhistas, já que a trilha exige muito o uso das mãos.

Chegamos ao cume às 10h45. Infelizmente, a visibilidade era mínima. A montanha estava imersa em uma grande nuvem. Por conta do calor e altíssima umidade, parecia que estávamos em uma grande sauna natural - tanto que eu estava encharcado antes mesmo de pegar 20 minutos de chuva (o que tornou inútil a jaqueta impermeável). Essa falta de visibilidade é muito comum em razão do clima regional, sobretudo nos meses mais quentes e chuvosos. Baixe suas expectativas e esteja preparado para não ter uma boa vista no cume.

Parece que a maioria dos acidentes acontece na descida, quando as pessoas estão mais cansadas e dispersas. Então não descuide e desça num ritmo tranquilo, evitando sobrecarregar os joelhos. Nós conseguimos fazer sem pressa a subida e descida da trilha branca em 7 horas e meia, retornando antes das 14h.

Depois de dar baixa no cadastro do IAP do Parque Estadual, ainda tivemos tempo de desarmar a barraca, tomar banho e almoçar antes de entrar no trem para Curitiba.

 

Trem de volta

O trem chegou pontualmente às 16h. Compramos a passagem econômica dentro do vagão por R$30. O trem retorna pelo trilho que corta o Caminho do Itupava, o que nos permitiu apreciar as pontes e túneis que evitamos ao tomar a Trilha do Sabão, bem como as que atravessamos entre o Santuário do Cadeado e a Casa do Ipiranga. O trajeto é belíssimo!

Nossa viagem terminou na Rodoferroviária de Curitiba às 18h30.

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Parabéns pela conquista e pelo relato, muito bom!!! ::otemo::

A Itupava continua exatamente em frente a Casa do Ipiranga, é só cruzar o trilho. As pessoas preferem ir pelo trilho por acharem mais fácil, mas a trilha está revitalizada igual ao resto. Mas neste trecho tem mais lama e árvores caídas.

Sobre comprar a passagem no trem, estes dias ele não parou no Marumbi, dizem que era porque estava lotado ou porque o maquinista não viu ninguém na plataforma. Precisaram levar as pessoas até Morretes e a ALL deu um jeito de levá-las até Curitiba. Ou seja, não confie na ALL. ::vapapu::

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Bom dia...tenho muito interesse em conhecer a serra paranaense, eu mesmo sou do Paraná, e não tive a oportunidade. Uma dúvida, esse trecho pode ser realizado por iniciantes??

 

Aguardo

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A Trilha do Itupava é bem cansativa e longa, e subida do Marumbi é uma trilha técnica, com várias escadas e correntes bem expostas.

Pra começar começar é melhor a Itupava, mas esteja com o preparo físico em dia. Marumbi é melhor deixar pra depois de fazer o Morro do Canal e Anhangava, trilhas parecidas mas mais curtas e menos desafiadoras.

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Boa noite

Gostaria de saber se há possibilidade de acampamento no olimpo? Gosto muito de fazer acampamento só n achei nd falando que tem ou q n tem local lá em cima. 

Att. Gustavo

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Só é possível acampar dentro do camping, no Parque Estadual do Marumbi. É proibido acampar em qualquer outro lugar.

O camping fica ao lado da estação, no pé do morro.

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      ****************************************
      Nanci Naomi
      http://nancinaomi.000webhostapp.com/
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    • Por douglasbastos
      Essa é a segunda vez que faço o Caminho do Itupava nesse ano.
      A primeira vez foi no mês de abril e agora dia 22/07 resolvi fazer o percurso novamente.
      Fomos de carro até o posto do IAP em borda do campo. Deixamos nossos dados com o funcionário do IAP e começamos a trilha exatamente as 9:00.
      A intenção era descer pela trilha até a Casa do Ipiranga, continuar pela trilha até o cadeado e continuar pela trilha até um descampado que tem cerca de 1h e pouco de caminhada apos o cadeado. La nesse descampado acampar e, no outro dia, caminhar até o posto do IAP e pedir um taxi para a rodoviaria.
      Tudo certo começamos a caminhada. A trilha é bem demarcada e fácil porem, cansativa. Caminhamos tranquilamente chegando ate a Casa do Ipiranga as 11:40. Esse percurso até o Ipiranga possui muita gente nos fds. nós cruzamos um grupo de umas 8 pessoas com muita bagagem, violao, sacos pendurados nas costas tanto que tinha um cara com um saco gigante cheio de tralha, pendurado nas costas por um fiozinho de varal ( imagina a dor que ficou no ombro). Na Casa do Ipiranga é o local que possui mais lixo, por mais que tenha um local do lado do trilho de trem que o pessoal costuma deixar os lixos, ha lixo espalhado pelo local. Ali na Casa do Ipiranga é onde a maioria do pessoal acampa, mas é tipo um pessoal mais largado, na maioria usuários de alcool e outras drogas ( não generalizando e sim, eu levo alcool pra beber também).
      Apos ficar um tempo na casa do Ipiranga e na cachoeira que tem ali do lado, comemos e resolvemos seguir a caminhada.
      Ai veio a mudança, já fizemos a trilha em abril e havia a curiosidade de fazer o percurso pelos trilhos do trem ( o que é PROIBIDO mas muita gente faz) Aproveitamos que havia um grupo grande fazendo pelos trilhos e fomos logo atras deles. Sinceramente pelos trilhos é bem mais fácil e bem mais bonito do que pela trilha. O primeiro local de parada foi na antiga usina, local muito lindo. Paramos la tiramos umas fotos, descansamos um pouco e seguimos pelos trilhos até Nossa Senhora do Cadeado. La paramos de novo pra descansar. Trocamos ideia com um cara que era quase o guia de todos la, tinha muito conhecimento de todo o itupava. Ele perguntou se iriamos continuar pelo trilho ou se iriamos descer pela trilha apos o cadeado pois ele iria pela trilha. Falamos que iriamos pela trilha pois iriamos acampar na clareira que havia depois de um rio ( nao lembro o nome) que dava 1h de caminhada do cadeado. Ele comentou que havia o camping do marumbi mas que so com reserva, mas que se nao tivesse cheio era capaz de conseguirmos vaga. Arriscamos ir para o camping , mas ai continuamos pelos trilho, o rapaz la nos orientou que era o percurso mais perigoso dos trilhos por causa da maior ponte que ha no caminho. Mas com atenção, da pra fazer tranquilo. Fomos caminhando pelos trilho, ai apos algumas pontes e tuneis chegamos ao Camping Marumbi as 15:45, conversamos com um funcionário da administração la e ele só anotou os nomes e liberou a entrada ao camping. No camping contei 3 barracas alem das nossas ( que também eram 3) e de noite chegou apenas mais uma mulher. O camping é TOP, tem banheiros masculinos e femininos, água potável nas torneiras, mesas para se alimentar, luzes nessas mesas e o melhor de tudo, BANHO QUENTE.
      Sem conta a vista, você acampa ali no pé do Conjunto Marumbi!
      Montamos acampamento, tomamos banho quentinhos, e fomos jantar. Ja estava escuro quando jantamos. Fomos dormir 20:40.
      Tirando o barulho do trem que passa ali do lado e parece que esta dentro da barraca, a noite é tranquila.
      Acordamos por volta de 8:00. Tomamos cafe da manhã , levantamos acampamento e continuamos a caminhada até o posto do IAP para dar baixa. ( aqui é so 800m de trilha até a estação Hugo Lange e depois 4,5km de caminhada pela rua até o posto do IAP. Chegando no IAP assinamos o livro la pra dar baixa e continuamos. Cerca de 0,5 - 1 km chegamos até uma casa onde tem o sr ( nao lembro o nome) que leva o pessoal para morretes por 10 reais por pessoa. Se for muita gente ele leva de kombi, como estávamos em 4 ele nos levou de uno.
      Chegamos na rodoviária 12:15 e pegamos o onibus para curitiba 12:45.
      Obs: Animais que vimos: Uma cobra pequena, uns 10 cm, mas parecia um filhote, saindo dos trilho e macacos, cruzamos com 3 grupos de macacos, eles tem medo da gente, você ve eles longe e quando vai se aproximando eles fogem. Um esquilo na nossa senhora do cadeado e um outro bicho que cruzou os trilhos próximo a estação Hugo Lange que não conseguimos identificar, mas parecia um gamba.
      Obs 2 : acampar no caminho do itupava é proibido, andar pelos trilhos também, não acampei no caminho mas andei pelos trilho. Podem me julgar!
    • Por peter tofte
      Ao ler um relato do Quiriri aqui no mochileiros, feito pelo amigo Otávio Teixeira de Freitas, grande paranaense de origem baiana, mencionei a ele que queria conhecer aquela região. De pronto ele me convidou para ir com a turma no feriadão (7/9, que em Curitiba emenda com 8/9 Padroeira da cidade). Coincidiu o convite com uma milhagem aérea que estava para vencer em dois dias! Não foi difícil decidir.
       
      Entretanto devido as chuvas e ao frio a turma cancelou a ida para o Quiriri. O tempo prejudicaria o visual. Assim acionamos o plano B: fazer o Itupava e conhecer um pouco do Marumbi, região lindíssima do Paraná, berço do montanhismo brasileiro.
       
      Segue abaixo fotos e o relato. O Otávio deve em seguida colocar mais fotos e melhorar/corrigir o texto.
       
      Saímos da Estação Guadalupe no Centro de Curitiba num ônibus municipal para 4 Barras, cidade da área metropolitana da grande Curitiba. Após 40 min. a uma hora chegamos no terminal 4 Barras e com mais 20 minutos de espera tomamos o busão para Borda do Campo, onde saltamos no ponto final, a poucos metros da entrada do parque. Levamos mais ou menos 1:30 hr do centro de Curitiba até lá. O ônibus estava cheio de "itupaveiros", uma tribo que frequenta a primeira metade da trilha. Uma característica deles é que gostam de usar roupas de camuflagem. Alguns já estavam bebendo aquela hora da manhã.
       
      As 9:40 começamos a descida após termos feito o registro no posto de controle do IAP. O caminho do Itupava, embora predominantemente em declive, tem uma série de subidas, especialmente nos vales formados pelos rios que descem a serra.
       


       
      O primeiro trecho não tem mata tão fechada. É considerado o mais perigoso na questão de assaltos (especialmente até a bifurcação para a cachoeira véu de noiva), por isto seguimos em silêncio. Mas foi tranquilo. Devido ao feriadão muita gente descia. Corredores de aventura vinham no sentido inverso.
       



       
      O tempo estava nublado, volta e meia chuviscava. Não deu para observar o Anhangava a nossa esquerda, num ponto conhecido como Boa Vista.
       
      Com 2:40 hrs de caminhada chegamos na casa do engenheiro e na roda d'água, no rio Ipiranga. A casa do engenheiro é agora uma casa abandonada, em ruínas. Nele vivia a família do engenheiro responsável pela manutenção da belíssima ferrovia que desce de Curitiba para Morretes, possivelmente a mais bela ferrovia do Brasil, e uma das maiores obras ferroviárias do País.
       


       
      Uma pena deixarem abandonada aquela casa bonita. Mais provavelmente era uma mansão. Restos de uma lareira, banheira e uma piscina vazia ao lado da casa, com um visual incrível para a mata. A ferrovia passa a poucos metros. Mais adiante, a beira do rio Ipiranga, uma roda d'água deveria fornecer energia elétrica para a residência.
       


       
      Pegamos a linha férrea subindo e com poucos metros descemos para um pontilhão que atravessava o Ipiranga, indo para a roda d'água. É possível observar ainda seus restos. Uma bonita cachoeira caia num poção metros adiante.
       

       
      Na margem esquerda do rio estava erguido um acampamento de itupaveiros. Uma coleção de tendas baratas com uma grande lona azul, parecendo um acampamento do MST, mas acho que o MST é bem mais organizado.
       

       
      O que me deixou mesmo chateado foi ver que estavam cortando árvores nas proximidades para alimentar a fogueira comunal, debaixo da lona. Não eram galhos mortos, troncos secos, eram árvores vivas. Assim aumentavam a clareira.
       
      A julgar pelo som que carregavam, bebidas e possivelmente "algunas cositas mas" as noites neste acampamento deveriam ser perfeitas para meditar, relaxar e ter um sono tranquilo.
       
      Ao menos vimos um grande depósito de lixo ao lado dos trilhos, mostrando que eles carregavam o lixo para um ponto onde o concessionário da ferrovia podia levá-lo. O mais correto seria eles mesmos levarem, mas enfim...
       
      Os itupaveiros são na maioria pessoas jovens e humildes. As mochilas e equipamentos deles são baratos e é algo difícil descrever como carregam as coisas nas costas. Devem passar frio e perrengues na mata. Calçados inadequados. Quando eu e Otávio passamos por eles, relativamente bem equipados para a prática de trekking, a impressão é que nos viam como aliens. Ora depreciativamente, ora respeitosamente.
       
      Os grupos organizados de montanha chamam este pessoal de Itupaveiros ou, jocosamente, de "malária", por causa dos estragos que fazem. Mas eles têm o mérito de querer curtir a natureza. O problema é a maneira inadequada, insegura, sem um mínimo de treinamento para trilhas e pouquíssima consciência ambiental.
       
      Mas o que mais me impressionou foi o relaxamento da fiscalização do IAP - Instituto Ambiental do Paraná. No posto de controle, no começo do caminho, alguns itupaveiros estavam com machados e facões bem visíveis, presos ao lado da mochila. Por que deixam entrar estes instrumentos? Os fiscais acham que eles serão usados para cavar buracos e enterrar fezes? Sei que o IAP enfrenta dificuldades por falta de verbas e interesse do governo do Estado, porém a negligência só depõe contra o instituto e torna questionável a sua existência.
       
      Embora acampar seja proibido em todo o trajeto, o governo estadual também não colabora. O camping inaugurado com estardalhaço, na estação Marumbi, está fechado por falta de pessoal do IAP. Se falta pessoal, por que não entregá-lo a um grupo voluntário? Seria uma concessão que demanda trâmites legais/licitatórios, mas com boa vontade sai.
       
      Depois de um lanche na borda da cachoeira, onde conversamos sobre estes assuntos, atravessamos de volta o pontilhão, tiramos fotos numa ponte ferroviária e voltamos a descer.
       

       
      A mata ficou ainda mais fechada. Faz pouca diferença se está chovendo ou ensolarado. Agora a trilha é bem histórica e conservada. É feita de pedras redondas retiradas do leito dos rios, por índios ou escravos no século 18 e 19. Se não colocassem as pedras os burros dos tropeiros cavariam com suas patas o caminho, fazendo grandes valas e buracos, que seriam erodidos pela água da chuva descendo. Como as pedras estão sempre na sombra, ficam úmidas o tempo inteiro. Para escorregar é facinho, facinho...Otávio disse que nesta trilha passamos a maior parte do tempo olhando para o chão. Para curtir a paisagem tem que parar de andar. De fato as unicas vezes que levamos um escorregão estávamos distraídos, conversando.
       
      O caminho de pedras lembra um pouco a Ladeira do Império, no Vale do Paty, Bahia.
       
      A floresta é luxuriante, belíssima. Profusão de árvores, palmitos, xaxins, bromélias, orquídeas, enfim, a vegetação que fez os naturalistas estrangeiros que visitaram o Brasil no século XIX descreverem nossa mata atlântica como uma das mais belas do mundo. As constantes chuvas que desabam nas encostas da Serra do Mar, do qual o complexo do Marumbi é uma de suas partes mais impressionantes, mantém a exuberância de vida nesta floresta pluvial.
       




       
      Um momento muito bonito foi quando baixamos para o nível das nuvens, passando por uma névoa no meio da floresta.
       

       
      A trilha passou a ter trechos bem íngremes de descida. Algumas vezes optei por usar a lateral do caminho, de terra. Embora não seja procedimento LNT - Leave No Trace, meus joelhos agradeceram. Algumas descidas tinham escadas de metal para ajudar.
       
      Após 1 a 2 hrs depois da roda d'água chegamos no Cadeado, ou melhor, no Santuário da Nossa Senhora do Cadeado, cruzando outra vez a ferrovia. Bonito lugar, com bela vista do Marumbi, bem encoberto pelas nuvens. Um esquilo comia tranquilamente uns coquinhos numa palmeira quase ao alcance da mão.
       


       
      Lanchamos e tirei fotos.
       
      Continuamos a descida. Com cerca de mais uma hora chegamos no rio, com ponte pênsil, sobre o rio Taquaral, o ponto mais baixo de nossa travessia, não longe da Usina. Uma coisa legal são estas pontes, várias no caminho, permitindo uma travessia fácil, segura e bonita dos rios. Numa tromba d'água devemos dar valor a elas!
       


       
      Passamos então a rumar para a Estação Marumbi. Saímos da trilha logo depois de uma pequena descida, que terminava numa escada de madeira saindo direto numa estrada de terra feita para 4X4. Eram 17:20. Concluímos o percurso de 25 km em aproximadamente 8 horas, contando com as paradas para lanche. Não foi rápido, mas o Itupava merece cuidado e não se tratava de uma corrida de aventura. Vale muito a pena parar volta e meia para observar a mata, com o silêncio apenas quebrado pelas arapongas e outros pássaros.
       
      Mal andamos 100 metros ladeira acima uma pickup parou e um casal gentilmente cedeu uma carona na caçamba. Que beleza! Economizamos 30 minutos de palhetada até a estação Eng. Lange. Eles seriam um de nossos vizinhos na casinha em que pernoitaríamos.
       

       
      Na estação tiramos fotos e passamos a subir para a estação Marumbi, por um caminho muito bem conservado. Chegamos na cabana de um amigo do Otávio, que emprestou a bonita casa no meio da mata. Na hora de abrir a porta descobrimos que a cópia da chave, recém feita, não funcionava. Resultado: dormimos na varanda sem comida quente porque não trouxemos fogareiros, contando com o fogão da casa.
       


       
      Mas deu para sobreviver com os sanduíches! No dia seguinte, o Mathias, outro amigo, veio de Porto de Cima e trouxe a chave salvadora.
       
      Neste dia, em virtude do tempo fechado e sem vista, desistimos de subir no Olimpo e fizemos passeios ali por perto. Aquelas casinhas do Marumbi são muito interessantes. Escondidas no meio da mata, tem poucos metros quadrados e nelas só chegamos a pé. A maioria dos donos é de marumbinistas, montanhistas do Marumbi. A melhor casa é a do Niclevitz, o maior alpinista brasileiro, que dessa maneira se mantém fiel a sua origem no montanhismo. Não se via lixo. Muita mata conservada. Subimos num mirante perto da estação para mais fotos.
       




       
      Pico Paraná entre as montanhas ao fundo.
       

       
      Grande obra de engenharia: viaduto em curva sobre um precipício.

       
      De noite bisteca de porco e arroz carreteiro para matar a fome de comida quente. Otávio e Mathias estão de parabéns como cozinheiros.
       
      Dia 07/09, manhã bem nublada. Descemos pela trilha do guarda, com mata fechada, até uma estrada de terra, onde pouco adiante Mathias deixou o carro estacionado. Seguimos para a bonita e arrumada cidade histórica de Morretes, lotada de turistas, onde comemos um típico barreado. Passeamos pela cidade e depois subimos para Curitiba pela Graciosa, que merece o nome, uma das mais bonitas rodovias no País. Soubemos que pouco depois de nossa passagem, chuvas derrubaram uma árvore que bloqueou a rodovia.
       
      Conheci assim mais um pouquinho das belezas do Paraná, graças aos amigos Otávio e Mathias, ficando devendo a eles uma guiada pelo Vale do Paty, na Bahia!

    • Por DaniloDassi
      Vou contar um pouquinho desse caminho que é maravilhoso, mas traiçoeiro!
       
      Tudo começou meados de junho de 2007, quando alguns caminhos ficou sabendo da existencia do Pico Paraná e da fazenda.
      Começou assim os planos para fazer uma visita a região.
      Em setembro houve aquele incidente terrível na fazenda... o fogo tomou conta do Morro Getúlio e parte do Caratuva. Felizmente, com ajuda de muito voluntário, o fogo foi contido. Assim pudemos continuar nossos planos.
       
      Como somos do Norte do Paraná, queriamos aproveitar tudo, ou quase, que a serrinha paranaense poderia nos dar.
       
      Montado o cronograma:
      Fase 1: Fazenda Pico Paraná (Caratuva, Itapiroca e Pico Paraná);
      Fase 2: Caminhos de Itupava;
      Fase 3: Conjunto Marumbi;
      Fase 4: Um merecido descanço na Ilha do Mel;
       
      E assim fomos, partimos dia 04 de janeiro de 2008.
      Nesse espaço, vou contar apenas sobre o ITUPAVA, futuramente relato o restante da "prezepada"
       
       
      Para chegar no início do caminho (partindo de Curitiba) é simples:
      Ônibus de Curitiba até Quatro Barras - PR;
       
      No terminal de Quatro Barras, aguarde por uma "circular" até o bairro de Borda do Campo. Você pode aguardar tomando um ótimo "pingado" e comendo exelentes salgados na lanchonete do terminal. Não sei se são realmente bons ou a fome causada pelos dias a base de miojo no Pico mudaram o gosto dos lanches...
       
      Dentro do "busão", vá se preparando... filtro solar, bermuda, camiseta, repelente, calça comprida, blusa, capa de chuva e mochila nas costas. O clima ali muda a cada 5 segundos!
       
      Aguarde até o ponto final. Normalmente o ónibus está fica estacionado lá no final. Nós ficamos aporrinhando o motorista a cada ponto: "Esse é o final?" - "Agora é esse?" - Não sei como ele não jogou a gente pra fora... hahahahahaha.
       
      Descendo no último ponto, inicie uma cansativa caminhada de 100 mts até o início da trilha, que é marcada por amistosos trabalhadores do IAP e seu "treiler". Não confie muito no papo dos estagiarios dentro do trailer, prefira obter informações do "anciões" que por ali ficam, com seus chapeis de palha, óculos tipo Ray-Ban e facão de 1 metro.
       
      Pegamos um maldito mapa ali com o pessoal do IAP e fizemos nossos cadastros . Vocês vão saber o motivo do "maldito" em breve.
      Ali você tem informações de quase tudo, principais pontos, distâncias (em número, ignore os desenhos no mapa e eventuais distâncias escalares (MALDITO MAPA!!!!)).
       
      == INFORMAÇÕES DO MAPA ==
      Caminho completo: 16.4km
      Nível de dificuldade: Fácil
      Obs: Evite dias chuvosos. (O sol tava de rachar mamona)
       
      O início da trilha é bem tranquilo. Quase sempre descida ou plano, caminho bem largo, quase sempre sem vegetação resbalando nos pés.
      Com um pouco de caminhada, começa a subida com o Pão de Loth a frente. Chão de terra, poeiras nos olhos e sol nas costas... URRU!!! Vamo que vamo!
       
      Depois de passar o Pão de Loth, começa a descida da serra, aonde tem a Pedra do Descanso e uma pequena gruta com agua gelada e fresca. Pegue agua caso não tenha levado.
       
      Até então, sol fortíssimo e calor terrível. Um pouco mais a frente começa realmente o ITUPAVA (caminho de pedra).
      Muito cuidado nesse calçamento, se o dia estiver úmido e/ou chuvoso, tombos serão constantes (eu que os diga).
       
      Logo estavamos na CASA DO IPIRANGA, com sua arquitetura colonial e pichações neo-colonial. Um terrível descaso... muito triste ver o estado que a mesma se encontra.
       
      Os trilhos estavam em reforma, então tinha um pessoal lá "acampado". Conversamos com um senhor muito gente boa, que até passou um cafezinho e estava preparando um pão. Deixamos nossas "pequenas" mochilas com ele e fomos até a pequena hidroeletrica desativada, com sua roda d'agua (ou o que sobrou dela) e cachoeiras. Para chegar lá, pegue a direita nos trilhos na Casa do Ipiranga e siga por 300 metros.
       
      "Entre a Casa do Ipiranga e a descida do Cadeado o caminho é bem tranqüilo e reserva poucas surpresas." É isso que dizia em uma folha que levamos impressa. Caminho TRANQUILO???
       
      A chuva nos deu uma sensação diferenciada.... cargueira de 15kg nas costas e pedregulhos molhanos abaixo dos pés. Combinação maravilhosa, que gerou gargalhadas constantes.
       
      Até que... "Galera, era pra gente já ter chegado na NS. do Cadeado, segundo a "escala" do mapa!". Anda anda anda e naaaada de encontra essa NS. Já tinha gente fazendo promessa!!! HAIuohAAAUhuaha.
       
      O tempo estava feio, quase não se via raios solares, então já começa a escurecer. Geral com fome, muita fome. As barrinhas de cereais já tinham se acabado e o que restara? Um saco de uvas passas! Nunca me deliciei TANTO com uvas passas!!!!
      Nessa hora que paramos para o "jantar", meu joelho me matava. Dor terrível que vinha aumentando a cada passo.
       
      Mas vamos voltar a caminhada. Lindos caminhos forrados de flores, arvores incrivelmente altas e quando a chuva dava brechas, borboletas e passaros ensaiavam alguns voos.
       
      "Do alto do morro o caminho se precipita em inclinados e escorregadios zig-zags, onde é quase impossível não escorregar, até a famosa passagem do Cadeado aberta à pólvora pela expedição do Tenente Coronel Sampayo, quando se mudou em definitivo a trajetória do caminho. A seguir aparece uma escadaria de ferro, os trilhos da ferrovia e o Santuário de N. S. do Cadeado."
       
      Poucos minutos de caminhada e lá estava a NS do Cadeado! O que antecede a mesma é uma "escada" que deve ter sido projetada para anões. Do corrimão ao degrau deve ter uns 30 cm.
       
      Chegada na NS. do Cadeado. Uns pagando promessa, outros devorando meio kilo de paçoquinha. Nunca vi meio kilo de paçoca sumir em menos de 2 minutos.
       
      A vista dali é incrível. O santuário fica num "platô", no meio da serra. Abaixo todo o resto do caminho, conjunto Marumbi e ao fundo já da pra ver o mar.
       
      Não ficamos mais de 10 minutos por ali. A chuva voltou a cair e quase não havia mais sol. Era 19hs e tinha muito chão até o "Marumba".
       
      O resto da trilha foi rápido. Passando por pontes que lembram a Golden Gate em menor escala, muito divertidas por sinal.
      Até a última escada, onde derruba o pião cansado com seus degraus desnivelados.
       
      Agora outra dúvida:
      Esquerda = Centro de visitação
      Direita = Marumbi
       
      "Pela escalada do MAPA, o Centro ta mais próximo. Estamos com frio, cansados, vamos pra lá e depois vemos o que fazer"
       
      Perto é uma pinoia!!!!! Caminhamos uns 30 minutos em baixo de uma chuva gelaaaada! O chão de cascalho continua a derrubar o pessoal... até que...
       
      Mais uma vez o IAP aparece. KIKO era o nome do anjo que veio nos resgatar. Ele era o "gerente" do Marumbi e estava indo para PORTO DE CIMA levar uma carga de extintores. Pegamos carona com ele. Chegamos a CENTRAL DE VISITAÇÃO, demos baixa nos nossos nomes e seguimos pra cidade.
       
      Depois voltamos ao MARUMBI... mas ai já é outra história.
       
      Infelizmente não tenho uma boa memória para contar detalhes sobre a trilha. Estava com uma dor terrível no joelho o que me fez não prestar muita atenção.
       
      No geral a trilha é muito boa, tranquila e segura. Em dias de sol né... porque na chuva muda tudo! Hahahahahaha.
       
      Vale a pena conferir!
       
       
      Qualquer dúvida é só postar.
       
       
      Um grande abraço a todos!
       
       
      Danilo


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