Esse é um relato de uma aventura decidida na doidisse de ultima hora, motivada pela paixão pela natureza e que inicialmente iria ser totalmente solo, mas que no final, o que começou sozinho, terminou em um trio. Eu fiz coisas lá que saiu totalmente fora do padrão de quem já conhece ou já fez as trilhas e travessias do parque.
Fazia anos que tinha o desejo de fazer um circuitão solo meio que no modo "light and fast" ou pelo menos com um grupo bem reduzido no Parque nacional do Itatiaia, abraçando apenas os picos do entorno e parte das 2 travessias, acampando e deixando toda a tralha pesada no Abrigo Rebouças e assim, podendo andar mais leve que uma pluma o dia todo, apenas com agua e lanche.
Tinha planejado para fazer em 3 dias, mas que acabou levando 4. O começo teve perrengues como uma noite quase toda sem dormir, depois bivacando em uma cidade fantasma em um frio de 05ºC típico de cidades do alto da mantiqueira e ainda indo fazer uma travessia logo de cara no dia seguinte.
Já sabendo que logistica para o Parque Nacional do Itatiaia (PNI ou Parna Itatiaia) não combinam, fui com a cara e coragem para encarar uma pernada de 14 km desde a Garganta do Registro até a entrada da parte alta do parque. E no inicio dessa semana, veio a chance.
Com a previsão do tempo 100% favorável, (céu limpo, sem chuva e totalmente ensolarado) não resisti, fiz um rápido planejamento da logística do transporte sem carro (só por ônibus) e saiu 2 opções:
1) Pegar um ônibus até Resende/RJ no horário das 18:15, e de lá, outro para Caxambu/MG (que passa pela Garganta do Registro, onde fica o inicio da estrada de terra que leva até a portaria da parte alta do parque) e Itamonte, que sai as 23:00hs da rodoviária do Graal de Resende/RJ. Ele sobe a serra e estaria passando pela garganta por volta da meia noite e meia. Dali, desceria na garganta e seguiria a pé no meio da noite até a entrada da parte alta do parque.
# Considerando que a Garganta do Registro já está à 1.669 metros de altitude, seria meio caminho andado, sem precisar de suporte de veículo algum, já que para apenas uma pessoa, contratar um transporte dependendo, sai mais caro do que a ponte áerea Rio -SP...isso é, até lembrar das opções para grupos pequenos ou apenas 1 ou 2 pessoas.
Mas...o problema é que a entrada do parque está a 14km dali. Então, calculei o percurso de acordo com meu ritmo em até 4 horas em subida constante da altitude de 1.669 até os 2.450 metros, onde fica o posto Marcão, chegando por volta das 5 ou 6 da manhã. Chegando pela manhã, teria o dia todo para aproveitar + os outros 2 dias, totalizando 3 dias. O sacrificio seria a caminhada no frio proximo ou abaixo de zero e uma noite inteira sem dormir. Só daria para dormir no onibus e olha lá.
2) A outra opção era pegar o 1º ônibus (que sai as 7h00 do Tietê) em direção a Itanhandu/MG, depois um circular local até Itamonte/MG. De lá, pegaria um taxi direto para a entrada da parte alta. Teria minha noite para dormir, mas teria que acordar cedo e perderia boa parte do dia só na viagem, pois seria 4 horas e meia até Itanhandu, 30 minutos até Itamonte e mais 40 até proximo da antiga Pousada Alsene, que fica proximo da entrada do parque.
Não precisaria andar no meio da noite com lanterna debaixo de frio de 0ºC comum em altitudes elevadas. Caminhar no frio não seria problema para mim, já que estou indo preparado para temperaturas negativas. Então, pensando nos pós e contras de ambas as opções, acabei escolhendo a 1º opção.
Escolha feita, lá estava eu, em uma bela tarde ensolarada da metropole paulistana, saltando do metrô na Estação Tietê as 17:30. Embarquei no ônibus das 18:15 em direção a Resende/RJ. A viagem foi tranquila e cheguei em Resende por volta das 22:25 e fui logo procurar o guichê da empresa de ônibus que vai para Caxambu, Viação Cidade do Aço.
Na Rodoviaria de Resende - RJ
Achado o guichê, não vi ninguém, mas logo apareceu um fiscal e ao perguntar pelo onibus das 23:00h, ele me disse que logo chega e eu já fui comprando a passagem.
Ao perguntar sobre descer na Garganta do Registro, o fiscal me disse que por conta de queda de barreiras no trecho da Serra nas últimas chuvas, só veiculos de passeio estão podendo subir e descer. Todo veiculo pesado teria que subir por Cruzeiro, dando a volta pelo lado paulista.
O problema é que essa rodovia não passa pela Garganta do Registro e consequentemente, no inicio da estrada de terra que sobe para o parque. E era o último do dia. E agora, José?
Sem alternativa e o tempo passando, não me restou outra opção que pegar esse ônibus e descer em Itamonte/MG, onde decidiria o que fazer assim que chegasse lá.
A viagem foi tranquila e cheguei em Itamonte por volta das 1:40 da manhã. E logo fui procurar um lugar para ficar, mas não encontrei nenhuma, pois a cidade tava deserta, sem uma alma-viva e com tudo fechado (parecia cidade fantasma).
Quem acha que cidade fantasma (ou que só tem vida durante o dia) não existe, então...convido a conhecer Itamonte/MG entre 1:00 e 5:00h da manhã...
Após bater perna por quase 1 hora na "cidade fantasma" sem sucesso, a temperatura diminuiu ainda mais e com o frio apertando, resolvo que o melhor é encontrar algum canto escondido para acampar ou então, bivacar em qualquer praça e esperar até o amanhecer...Tiro meu termômetro para fora e vejo marcando 08ºC.
Encontro um descampado em um terreno abandonado, mas limpo e resolvo montar minha barraca. Porém, ao ver o horário (já tinha passado das 2:30 da manhã), vi que seria muito trabalho para apenas poucas horas. Então, tiro apenas o saco de dormir e o isolante termico, mas decido procurar outro canto melhor.
Achado o local, me enfiei dentro do saco de dormir em um canto bem escondido da pequena cidade e como estava cansado, logo peguei no sono, mas quem disse que consegui dormir?
1º dia - Travessia Couto X Prateleiras + Pedra da Maçã, Tartaruga e assentada.
A Quarta-feira amanheceu com uma pequena nevoa e após tirar pequenos cochilos que serviu apenas para descansar o esqueleto, levanto com a movimentação dos primeiros trabalhadores indo para o trabalho por volta das 5:30hs. A pequena e bucólica cidade ganha vida novamente...
A termômetro registra temperatura amena de 06ºC e resolvo guardar tudo na mochila. Aproveito para esperar uma padaria ali próxima abrir, afim de tomar um café reforçado e depois encontrar um ponto de taxi para me levar até a portaria da parte alta do parque.
Após o café, saio atrás de um taxi. Não demorou muito e logo encontrei um carro de um taxista e pergunto qto ele cobra para me levar até a Garganta ou a portaria do parque. Para a primeira opção (e ter que subir os 14km a pé) ele cobrou R$ 35 e até a portaria R$ 50. Claro que nem pensei 2 vezes e escolhi a corrida fechada até a portaria, já que não podia perder mais tempo.
Como bom mineiro que se prese, a prosa foi ótima e fiquei sabendo que na noite anterior, tinha dado uma geada moderada na cidade e a temperatura havia caido abaixo de zero. Inclusive esse eram os mesmos comentários do pessoal lá na Padaria. E agradeci por não ter chegado aqui ontem. Senão, o que fazer num frio abaixo de zero sem local para ficar? e ao relento? Melhor nem pensar nisso!
O trecho da rodovia foi rápido e logo chegamos a Garganta do Registro com o dia ainda clareando e começamos a subir. 20 minutos de subida desde a rodovia, alcançamos os 2.000 metros de altitude e por isso a vegetação típica da mata atlantica foi dando lugar aos de campos de altitude, com os primeiros trechos de geada aparecendo.
Pico da Pedra furada vista de um trecho da estrada, próximo do Alsene.
As primeiras vistas foram aparecendo, as nuvens haviam ficado abaixo e o céu claro e os primeiros raios de sol já cobriam o topo dos picos, o que me deixou bastante radiante. Mais 10 minutos e chegamos na antiga pousada Alsene na altitude de 2.320 metros as 7:25 e a vegetação ali já era exclusivamente de campos de altitude.
Nesse trecho já se tem várias vistas do entorno e é claro que foram palco para os primeiros clicks. A forte geada e as nuvens cobrindo o vale do paraíba lá embaixo são um capitulo a parte e impressionaram até o taxista que é morador da região.....
Trilha coberta de gelo
Enfim, estão fazendo algo....
Trecho recem recapiado da estrada com concreto
Devido as condições precárias do trecho final da estrada, desço pouco depois da Alsene e o restante do percurso tive que fazer a pé. A esperança está nas obras de recapiamento que vem sendo feitas em vários trechos da estradinha.
No trecho final, uma bela vista
Chegando ao Posto Marcão
Fui subindo e cortando caminho por trilhas a esquerda afim de evitar as longas curvas da estradinha. Com isso, a caminhada foi bem mais rápida e pouco antes das 8:00hs, chego ao posto Marcão, entrada da parte alta do parque. Após o funcionário verificar a disponibilidade de vagas no abrigo e camping, preencho a papelada e após pagar as taxas devidas, logo sou liberado. Mas antes de começar a travessia, resolvo ir até o Camping Rebouças montar barraca e deixar toda a tralha pesada lá.
Na estrada, seguindo em direção ao Abrigo Rebouças
Gelo por toda parte, reflexo da mega onda de frio que atingiu SP e o Sul de MG na 1ºquinzena de Junho. Segundo os guardas, temperatura chegou a -08ºC essa madrugada e tinha até 2 carinhas que estavam acampados pedindo para mudar para o Abrigo.
Durante o trajeto até a área de acampamento, um carro passa por mim e o motorista me oferece uma carona, que aceito na hora, claro. Afinal, a distancia entre o posto até o abrigo é de 3 km. E nessa carona que conheço o Marcos, uma figura. Ele tinha marcado com uns amigos de ir para lá, mas que deixaram ele na mão na última hora, então acabou decidindo por vir solo.
Morro da antena
Area de acampamento tão disputada durante os fins de semana, fica vazia e com muitas vagas sobrando durante a semana
Após chegarmos no Abrigo Rebouças, me despeço do Marcos agradecendo pela carona, inclusive. Após montar a barraca e deixar toda a tralha pesada lá, retorno para a estradinha e volto para o Posto Marcão, onde inicia a trilha da travessia Couto X Prateleiras. E finalmente, após todo o perrengue da noite anterior, começo a pernada propriamente dito as 10:00hs em ponto.
Trecho inicial segue pela estradinha que vai para o morro da antena
O caminho começa por uma outra estradinha de terra secundária a direita da principal e que sobe em direção ao Morro da antena. Ela fica bem ao lado do posto Marcão e há uma placa indicativa, inclusive. Sigo por ela e após fazer uma curva a esquerda, passo por um ponto de água, que é uma pequena bica a esquerda.
Sem saber se haveria mais pontos de água a frente, encho o cantil com 2 litros para a travessia toda, por precaução. Esse é o único ponto de água corrente e confiável da subida até o Couto. Portanto, pegue água aqui ou traga na mochila para esse primeiro trecho.
Subindo....
Mais alguns minutos de caminhada desde a bica, vejo uma trilha a direita que dá num belissimo mirante. Nesse mirante, se tem uma vista deslumbrante do vale lá embaixo, com as escarpas rochosas da Serra Fina bem imponente a frente, em destaque, o que já dá uma ideia da vista que terei lá no topo do Couto. Após alguns clicks, retorno para a estrada e continuo subindo.
Mais alguns minutos de subida e 25 minutos desde o posto Marcão, passo por outra bifurcação, onde encontro uma placa indicando "Couto" a direita. Então, abandono a estrada principal em favor dessa picada a direita que vai no sentido desejado e que marca o inicio da trilha da travessia Couto X Prateleiras. A estrada em frente continua subindo até o morro da antena.
Trecho inicial da travessia
Morro da antena ficando para trás
Primeiras vistas durante a subida
A trilha é bem aberta e segue subindo suavelmente, contornando a crista a direita, dando pequenas voltas e logo chego a base de um enorme rochedo. As 10:35 começo a subir em direção a primeira de 2 grandes bases do Couto, onde vejo uma outra antena. A subida aperta um pouco e logo começa a aparecer os trechos delicados na crista, onde subo com relativa cautela.
Mais 15 minutos e chego a um trecho onde vejo água escorrendo pela trilha, formando alguns pequenos poções, mas que pode estar seco em épocas de estiagem. Não é bom contar com essa água. Por isso, colete a quantidade de água que for precisar para as próximas 3 horas lá na bica, pois o próximo ponto de água só na metade da travessia.
Trecho com um filete de água escorrendo na lateral da trilha
A vista durante a subida
Após passar por um curto trecho de escalaminhada básica, a subida dá uma tregua e chego a um trecho plano, em um extenso costão rochoso que é a base do Couto e que formou um belo mirante, oinde também há uma antena. A altitude aqui é de pouco mais de 2.500 metros e o visual aqui é de impressionar.
Faço uma rápida parada para descanço e exploro um pouco o entorno. Nesse ponto, se avista o enorme rochedo que compõe o pico do Couto bem a frente. Apesar do sol, o frio não dá tregua e com isso, nem tiro a blusa o dia todo.
Chegando a base do Couto
Não faltou sinal de celular....
Prateleiras ao fundo (foto com zoom)
Após o descanço, retorno a pernada, agora para encarar um dos pontos mais tensos dessa travessia, que é a subida de ataque final ao cume do Couto. Olho para frente e vejo a trilha indo na direção de uma fina crista sobre um rochedo, que de longe parece ser tranquilo. Mas foi só começar a caminhar por ela para logo dar de cara com um trecho tenso, onde sou obrigado a pular de uma pedra a outra, com um enorme precípicio a direita.
Visual fenomenal
Couto logo a frente
O ataque final ao cume se dá em uma subida pirambeira entre enormes rochedos, onde em um deles, tive até que subir de costas e com bastante cautela, afim de ganhar os patamares superiores com segurança. Mais 15 minutos de subida e após 1 hora e 40 minutos de caminhada desde o Posto Marcão, as 11:40 finalmente chego no cume do Pico do Couto, na cota dos 2.680 metros de altitude para um merecido descanso, é claro. Nem preciso dizer que a vista é de arrancar o fôlego de qualquer um. E mais clicks, é claro.
Trecho tenso.
Subida de ataque final ao cume vai por essa fina crista
Mirante na base, durante a subida do trecho final ao cume
O trecho das cristas a direita, por onde a trilha da travessia passa
Do topo a leste, se avista todo o trecho da caminhada com o Prateleiras bem ao fundão. A Oeste, o morro da antena, as 2 estradas de terra que liga o posto marcão ao couto e abrigo Rebouças. A Norte, Pico do Papagaio,Pedra do Altar, Sino e mais a direita, Asa de Hermes e o imponente Pico das Agulhas negras, entre outros picos da parte alta do parque.
Enfim, o cume
Serra Fina ao fundo
A Esquerda, Pedra do Altar. Mais para o centro, Sino e Asa de Hermes. E a direita, o Imponente Pico das Agulhas negras
A estrada de terra que vem lá do Posto Marcão
Ao Sul, a imensidão do vale do Paraíba, com a Serra da Bocaína bem ao fundão. É uma visão de arrepiar. Aproveito para fazer uma pausa mais longa para um lanche reforçado. Após forrar o estomago e molhar a goela, retomo a pernada, agora para a segunda parte da travessia, em direção ao Prateleiras.
As 12:20, passo por uma placa indicando "Travessia somente com autorização" e inicio a descida, que segue por uma trilha totalmente calçada por enormes rochas que facilitam bastante a descida. A descida do topo segue bem ingreme ladeira abaixo, com alguns trechos de desescalaminhada, mas sem maiores dificuldades.
Todo o trajeto que ainda iria percorrer até o Prateleiras
Meio longinho ainda...
15 minutos desde o topo do Couto, chego na base e a partir de agora, a caminhada passa a ser pelo alto das cristas. Prateleiras está visivel a maior parte do tempo a frente e parece estar estar perto, mas distante cerca de 1 a 2 horas de caminhada ainda. A esquerda visualizo o imponente Pico das Agulhas negras e a direita a imensidão do vale do Paraíba, com o Couto ficando cada vez mais para trás.
Trecho de sobe morro/desce morro
Caminhada pelo alto das cristas
As 12:55, passo por 2 placas na sequencia indicando 2 trilhas a esquerda. A 1º placa indica um ponto de água, que é uma ótima opção para o caso de você chegar aqui sem água. Esse é o 2º e último ponto de água de toda a travessia. Portanto, se pretende continuar e estiver com pouca água, recarregue nesse ponto, pois não há nenhum outro ponto de água até o final.
Na bifurcação, onde é possivel abortar a travessia e retornar...
É só descer essa pequena pirambeira
A 2º placa indica um atalho para o Abrigo Rebouças. Nesse ponto é possível abortar a travessia, para o caso de você ou alguém do seu grupo tiver algum problema durante a travessia. Seguindo em frente, continua a trilha da travessia por mais 1 hora e meia em direção ao Prateleiras e é para lá que eu sigo.
Após a placa, a trilha inicia uma sequencia de sobe morro/desce morro em largos zig zags, afim de evitar grandes paredões ou precipicios. Começo a subir um pequeno morro e logo saio em um trecho de gramídeas, onde a caminhada passa a seguir no plano com trilha bem demarcada e sem maiores problemas de navegação.
O traçado da trilha logo abaixo e bem ao fundo, o Pico do Couto, que vai ficando para trás
As 13:10, chego a mais uma bifurcação com uma placa indicando "mirante" a esquerda. Curioso para saber onde iria dar, abandono temporariamente a trilha principal em favor da trilha a esquerda para ir conhecer o tal "mirante".
Alguns minutos de caminhada e logo chego a um conjunto de 3 enormes rochedos que compõe o mirante. Sigo até a ponta de um deles e ao chegar, sou presenteado com uma bela vista do gigante rochoso do Pico das Agulhas negras bem imponente a minha frente, em um angulo diferenciado e único.
Lá embaixo, visualizo a estradinha de terra que vem do Posto Marcão, passa pelo Abrigo Rebouças e dá acesso ao Pico das Prateleiras, Pedra da Tartaruga, Assentada e por fim, a Travessia Ruy Braga.
Também visualizo parte do Abrigo Rebouças, a trilha que segue para o agulhas e sobe para o Altar. É uma visual bem bacana, pois te dá a sensação que vc se distanciou tanto tanto, mas ao mesmo tempo parece que nem saiu do lugar, pois o Abrigo Rebouças está "logo ali". Vale a pena parar ali para conhecer e curtir a vista do entorno.
Volto para a trilha principal e pouco antes das 13:30, visualizo bem a frente, uma enorme gruta, com a trilha se enfiando dentro dela. Ao me aproximar, vejo uma placa com os dizeres: "Toca do Índio", o que de fato lembra uma toca mesmo.
Chegando a Toca do Índio
Trilha se enfia por baixo dela e sai do outro lado
Passo por dentro dela e ao sair do outro lado, chego ao trecho final da travessia, com o Prateleiras bem a frente. Mais 10 minutos e chego ao pé de um morro, onde inicio a última descida em direção a base do prateleiras. Trilha segue descendo em largos zig zag para diminuir o desnível para quem sobe.
Prateleiras logo a frente
Descendo até a base
A partir desse ponto o Prateleiras aparece com todo o seu explendor a tua frente, o que vale a pena uma parada para contempla-lo. Também já é possivel ver a discreta Pedra da Tartaruga logo abaixo, a esquerda.
Pedra da Tartaruga visto do trecho de descida final da travessia
Enfim, após quase 3 horas e meia de caminhada desde o Posto Marcão, chego a base do Prateleiras as 14:05. Final da travessia, mas não da caminhada. Como estava relativamente cedo para voltar ao Abrigo Rebouças, decido ir conhecer a Pedra da Tartaruga, Assentada e Maça.
A bifurcação para as trilhas que leva a elas sai do trecho final da trilha do Prateleiras e não tem como errar, já que você passa obrigatoriamente por ela e ainda tem uma placa indicando. Do trecho final da trilha, na base do Prateleiras, desço por 5 minutos e chego na bifurcação. Entro na trilha a direita (esquerda para quem vem subindo para o Prateleiras) e sigo em direção a Pedra da Tartaruga e Maça. A trilha inicia uma curta descida e e logo chego a um trecho com um belo lago a frente.
Na bifurcação
O Trecho inicial da trilha apresenta pequenas bifurcações, mas a principal é bem demarcada, facil de identificar e é só seguir por ela. Água pode ser encontrada em um pequeno riachinho que desemboca no lago ou no próprio lago. Mais alguns minutos e chego ao lado da enorme Pedra da Tartaruga que realmente parece uma tartaruga. Ao lado dela, outra enorme pedra em formato de uma Maçã, que parece que foi colocada ali, bem ao lado.
Pedra da Tartaruga logo a frente e Assentada no alto de um Pico mais ao fundo, a esquerda.
Pedra da Tartaruga
Pedra da Tartaruga a direita, Maça a esquerda
Um belo lago e um ponto de água
O Cansaço e a fome começam a dar os primeiros sinais, mas não estava afim de parar por enquanto. Então, tiro algumas fotos e sigo em direção ao último atrativo do dia: A Pedra Assentada, localizada no alto de um pico mais baixo que o Prateleiras. A partir desse trecho, estou sobre enormes costões rochosos e não há trilha, por isso a navegação passa a ser por totens.
As 14:54, passo por um mirante com uma vista de um vale enorme lá embaixo, onde é possível visualizar as ruínas de um antigo posto meteorologico e o vale onde está o Abrigo Massenas, um visual em tanto.
O Mirante
Passo por um pequeno trecho de charco, onde encontro uma placa indicando o caminho para a pedra assentada e logo reencontro a trilha, que segue descendo em direção a base do Pico menor. Sigo descendo e logo chego a base do Pico, onde está a pedra assentada.
Ao fundo, Pedra Assentada
Olho para cima e vejo a trilha indo em direção a uma enorme subida pirambeira. Inicio a subida, mas logo resolvo abortar, pois já havia passado das 15:00hs e com a fome apertando e sem saber qto tempo ainda iria levar até lá, resolvo deixar para uma outra ocasião.
As 15:20, inicio a caminhada de retorno ao Abrigo, mas não sem antes fazer uma pausa no mirante, para um lanche. Estomago forrado e fome saciada, retomo a caminhada e 20 minutos desde o mirante, estou passando pela bifurcação onde a trilha do Prateleiras encontra com a da Travessia Ruy Braga.
Passando pela bifurcação onde termina/começa a Travessia Ruy Braga com a trilha que sobe até o Prateleiras
Termino a descida e chego no tedioso trecho de estradinha de terra (que outrora fora a BR mais alta do país). A temperatura está diminuindo rapidamente e pouco antes das 16h30, chego ao Abrigo Rebouças para o merecido descanço desse primeiro dia do circuitão solo. Chego a área de acampamento e deixo as coisas, mas resolvo ficar um tempo do lado de fora, para curtir o belo final de tarde.
Acampamento e Abrigo Rebouças visto do alto de um morro, no final da tarde
Durante esse tempo que estava "a toa", conheci o Rodrigo, que havia chegado lá por volta do meio dia e também estava sozinho pelo mesmo motivo do Marco e eu. Conversamos por algum tempo, mas o frio intenso do final da tarde logo nos fez entrar nas barracas rapidão, deixando para continuar a conversa mais tarde.
Depois das 17h30hs com os ultimos raios de sol no alto das montanhas, o termômetro já marcava 04ºC, o que me fez crer que a noite seria estupidamente gelada. Coloco as roupas mais pesadas e fico só relaxando dentro da barraca.
Por volta das 19h30, saio da barraca para curtir as estrelas e preparar a janta. Vou para a area de refeitório e reencontro o Marco, que havia chegado de sua escalada na Asa de Hermes só de noite. O Rodrigo tb apareceu, a gente se juntou e fizemos nossa janta ao passo de muita conversa sobre os perrengues do dia, é claro.
Após a janta e um tempo conversando, a temperatura cai ainda mais e fez que nossa tempo de permanencia no local fosse curto. Com isso, cada um se recolheu para seus devidos aposentos e uma sinfonia de roncos se fez presente pelo restante da noite no bucólico vale, a 2.350 metros de altitude.
Trilhas realizadas entre dias 15 a 18/06/2016.
O Album com todas as fotos estão em:
https://photos.app.goo.gl/dDkuMxErCcBUaRAv9
- Introdução -
Esse é um relato de uma aventura decidida na doidisse de ultima hora, motivada pela paixão pela natureza e que inicialmente iria ser totalmente solo, mas que no final, o que começou sozinho, terminou em um trio. Eu fiz coisas lá que saiu totalmente fora do padrão de quem já conhece ou já fez as trilhas e travessias do parque.
Fazia anos que tinha o desejo de fazer um circuitão solo meio que no modo "light and fast" ou pelo menos com um grupo bem reduzido no Parque nacional do Itatiaia, abraçando apenas os picos do entorno e parte das 2 travessias, acampando e deixando toda a tralha pesada no Abrigo Rebouças e assim, podendo andar mais leve que uma pluma o dia todo, apenas com agua e lanche.
Tinha planejado para fazer em 3 dias, mas que acabou levando 4. O começo teve perrengues como uma noite quase toda sem dormir, depois bivacando em uma cidade fantasma em um frio de 05ºC típico de cidades do alto da mantiqueira e ainda indo fazer uma travessia logo de cara no dia seguinte.
Já sabendo que logistica para o Parque Nacional do Itatiaia (PNI ou Parna Itatiaia) não combinam, fui com a cara e coragem para encarar uma pernada de 14 km desde a Garganta do Registro até a entrada da parte alta do parque. E no inicio dessa semana, veio a chance.
Com a previsão do tempo 100% favorável, (céu limpo, sem chuva e totalmente ensolarado) não resisti, fiz um rápido planejamento da logística do transporte sem carro (só por ônibus) e saiu 2 opções:
1) Pegar um ônibus até Resende/RJ no horário das 18:15, e de lá, outro para Caxambu/MG (que passa pela Garganta do Registro, onde fica o inicio da estrada de terra que leva até a portaria da parte alta do parque) e Itamonte, que sai as 23:00hs da rodoviária do Graal de Resende/RJ. Ele sobe a serra e estaria passando pela garganta por volta da meia noite e meia. Dali, desceria na garganta e seguiria a pé no meio da noite até a entrada da parte alta do parque.
# Considerando que a Garganta do Registro já está à 1.669 metros de altitude, seria meio caminho andado, sem precisar de suporte de veículo algum, já que para apenas uma pessoa, contratar um transporte dependendo, sai mais caro do que a ponte áerea Rio -SP...isso é, até lembrar das opções para grupos pequenos ou apenas 1 ou 2 pessoas.
Mas...o problema é que a entrada do parque está a 14km dali. Então, calculei o percurso de acordo com meu ritmo em até 4 horas em subida constante da altitude de 1.669 até os 2.450 metros, onde fica o posto Marcão, chegando por volta das 5 ou 6 da manhã. Chegando pela manhã, teria o dia todo para aproveitar + os outros 2 dias, totalizando 3 dias. O sacrificio seria a caminhada no frio proximo ou abaixo de zero e uma noite inteira sem dormir. Só daria para dormir no onibus e olha lá.
2) A outra opção era pegar o 1º ônibus (que sai as 7h00 do Tietê) em direção a Itanhandu/MG, depois um circular local até Itamonte/MG. De lá, pegaria um taxi direto para a entrada da parte alta. Teria minha noite para dormir, mas teria que acordar cedo e perderia boa parte do dia só na viagem, pois seria 4 horas e meia até Itanhandu, 30 minutos até Itamonte e mais 40 até proximo da antiga Pousada Alsene, que fica proximo da entrada do parque.
Não precisaria andar no meio da noite com lanterna debaixo de frio de 0ºC comum em altitudes elevadas. Caminhar no frio não seria problema para mim, já que estou indo preparado para temperaturas negativas. Então, pensando nos pós e contras de ambas as opções, acabei escolhendo a 1º opção.
Escolha feita, lá estava eu, em uma bela tarde ensolarada da metropole paulistana, saltando do metrô na Estação Tietê as 17:30. Embarquei no ônibus das 18:15 em direção a Resende/RJ. A viagem foi tranquila e cheguei em Resende por volta das 22:25 e fui logo procurar o guichê da empresa de ônibus que vai para Caxambu, Viação Cidade do Aço.
Na Rodoviaria de Resende - RJ
Achado o guichê, não vi ninguém, mas logo apareceu um fiscal e ao perguntar pelo onibus das 23:00h, ele me disse que logo chega e eu já fui comprando a passagem.
Ao perguntar sobre descer na Garganta do Registro, o fiscal me disse que por conta de queda de barreiras no trecho da Serra nas últimas chuvas, só veiculos de passeio estão podendo subir e descer. Todo veiculo pesado teria que subir por Cruzeiro, dando a volta pelo lado paulista.
O problema é que essa rodovia não passa pela Garganta do Registro e consequentemente, no inicio da estrada de terra que sobe para o parque. E era o último do dia. E agora, José?
Sem alternativa e o tempo passando, não me restou outra opção que pegar esse ônibus e descer em Itamonte/MG, onde decidiria o que fazer assim que chegasse lá.
A viagem foi tranquila e cheguei em Itamonte por volta das 1:40 da manhã. E logo fui procurar um lugar para ficar, mas não encontrei nenhuma, pois a cidade tava deserta, sem uma alma-viva e com tudo fechado (parecia cidade fantasma).
Quem acha que cidade fantasma (ou que só tem vida durante o dia) não existe, então...convido a conhecer Itamonte/MG entre 1:00 e 5:00h da manhã...
Após bater perna por quase 1 hora na "cidade fantasma" sem sucesso, a temperatura diminuiu ainda mais e com o frio apertando, resolvo que o melhor é encontrar algum canto escondido para acampar ou então, bivacar em qualquer praça e esperar até o amanhecer...Tiro meu termômetro para fora e vejo marcando 08ºC.
Encontro um descampado em um terreno abandonado, mas limpo e resolvo montar minha barraca. Porém, ao ver o horário (já tinha passado das 2:30 da manhã), vi que seria muito trabalho para apenas poucas horas. Então, tiro apenas o saco de dormir e o isolante termico, mas decido procurar outro canto melhor.
Achado o local, me enfiei dentro do saco de dormir em um canto bem escondido da pequena cidade e como estava cansado, logo peguei no sono, mas quem disse que consegui dormir?
1º dia - Travessia Couto X Prateleiras + Pedra da Maçã, Tartaruga e assentada.
A Quarta-feira amanheceu com uma pequena nevoa e após tirar pequenos cochilos que serviu apenas para descansar o esqueleto, levanto com a movimentação dos primeiros trabalhadores indo para o trabalho por volta das 5:30hs. A pequena e bucólica cidade ganha vida novamente...
A termômetro registra temperatura amena de 06ºC e resolvo guardar tudo na mochila. Aproveito para esperar uma padaria ali próxima abrir, afim de tomar um café reforçado e depois encontrar um ponto de taxi para me levar até a portaria da parte alta do parque.
Após o café, saio atrás de um taxi. Não demorou muito e logo encontrei um carro de um taxista e pergunto qto ele cobra para me levar até a Garganta ou a portaria do parque. Para a primeira opção (e ter que subir os 14km a pé) ele cobrou R$ 35 e até a portaria R$ 50. Claro que nem pensei 2 vezes e escolhi a corrida fechada até a portaria, já que não podia perder mais tempo.
Como bom mineiro que se prese, a prosa foi ótima e fiquei sabendo que na noite anterior, tinha dado uma geada moderada na cidade e a temperatura havia caido abaixo de zero. Inclusive esse eram os mesmos comentários do pessoal lá na Padaria. E agradeci por não ter chegado aqui ontem. Senão, o que fazer num frio abaixo de zero sem local para ficar? e ao relento? Melhor nem pensar nisso!
O trecho da rodovia foi rápido e logo chegamos a Garganta do Registro com o dia ainda clareando e começamos a subir. 20 minutos de subida desde a rodovia, alcançamos os 2.000 metros de altitude e por isso a vegetação típica da mata atlantica foi dando lugar aos de campos de altitude, com os primeiros trechos de geada aparecendo.
Pico da Pedra furada vista de um trecho da estrada, próximo do Alsene.
As primeiras vistas foram aparecendo, as nuvens haviam ficado abaixo e o céu claro e os primeiros raios de sol já cobriam o topo dos picos, o que me deixou bastante radiante. Mais 10 minutos e chegamos na antiga pousada Alsene na altitude de 2.320 metros as 7:25 e a vegetação ali já era exclusivamente de campos de altitude.
Nesse trecho já se tem várias vistas do entorno e é claro que foram palco para os primeiros clicks. A forte geada e as nuvens cobrindo o vale do paraíba lá embaixo são um capitulo a parte e impressionaram até o taxista que é morador da região.....
Trilha coberta de gelo
Enfim, estão fazendo algo....
Trecho recem recapiado da estrada com concreto
Devido as condições precárias do trecho final da estrada, desço pouco depois da Alsene e o restante do percurso tive que fazer a pé. A esperança está nas obras de recapiamento que vem sendo feitas em vários trechos da estradinha.
No trecho final, uma bela vista
Chegando ao Posto Marcão
Fui subindo e cortando caminho por trilhas a esquerda afim de evitar as longas curvas da estradinha. Com isso, a caminhada foi bem mais rápida e pouco antes das 8:00hs, chego ao posto Marcão, entrada da parte alta do parque. Após o funcionário verificar a disponibilidade de vagas no abrigo e camping, preencho a papelada e após pagar as taxas devidas, logo sou liberado. Mas antes de começar a travessia, resolvo ir até o Camping Rebouças montar barraca e deixar toda a tralha pesada lá.
Na estrada, seguindo em direção ao Abrigo Rebouças
Gelo por toda parte, reflexo da mega onda de frio que atingiu SP e o Sul de MG na 1ºquinzena de Junho. Segundo os guardas, temperatura chegou a -08ºC essa madrugada e tinha até 2 carinhas que estavam acampados pedindo para mudar para o Abrigo.
Durante o trajeto até a área de acampamento, um carro passa por mim e o motorista me oferece uma carona, que aceito na hora, claro. Afinal, a distancia entre o posto até o abrigo é de 3 km. E nessa carona que conheço o Marcos, uma figura. Ele tinha marcado com uns amigos de ir para lá, mas que deixaram ele na mão na última hora, então acabou decidindo por vir solo.
Morro da antena
Area de acampamento tão disputada durante os fins de semana, fica vazia e com muitas vagas sobrando durante a semana
Após chegarmos no Abrigo Rebouças, me despeço do Marcos agradecendo pela carona, inclusive. Após montar a barraca e deixar toda a tralha pesada lá, retorno para a estradinha e volto para o Posto Marcão, onde inicia a trilha da travessia Couto X Prateleiras. E finalmente, após todo o perrengue da noite anterior, começo a pernada propriamente dito as 10:00hs em ponto.
Trecho inicial segue pela estradinha que vai para o morro da antena
O caminho começa por uma outra estradinha de terra secundária a direita da principal e que sobe em direção ao Morro da antena. Ela fica bem ao lado do posto Marcão e há uma placa indicativa, inclusive. Sigo por ela e após fazer uma curva a esquerda, passo por um ponto de água, que é uma pequena bica a esquerda.
Sem saber se haveria mais pontos de água a frente, encho o cantil com 2 litros para a travessia toda, por precaução. Esse é o único ponto de água corrente e confiável da subida até o Couto. Portanto, pegue água aqui ou traga na mochila para esse primeiro trecho.
Subindo....
Mais alguns minutos de caminhada desde a bica, vejo uma trilha a direita que dá num belissimo mirante. Nesse mirante, se tem uma vista deslumbrante do vale lá embaixo, com as escarpas rochosas da Serra Fina bem imponente a frente, em destaque, o que já dá uma ideia da vista que terei lá no topo do Couto. Após alguns clicks, retorno para a estrada e continuo subindo.
Mais alguns minutos de subida e 25 minutos desde o posto Marcão, passo por outra bifurcação, onde encontro uma placa indicando "Couto" a direita. Então, abandono a estrada principal em favor dessa picada a direita que vai no sentido desejado e que marca o inicio da trilha da travessia Couto X Prateleiras. A estrada em frente continua subindo até o morro da antena.
Trecho inicial da travessia
Morro da antena ficando para trás
Primeiras vistas durante a subida
A trilha é bem aberta e segue subindo suavelmente, contornando a crista a direita, dando pequenas voltas e logo chego a base de um enorme rochedo. As 10:35 começo a subir em direção a primeira de 2 grandes bases do Couto, onde vejo uma outra antena. A subida aperta um pouco e logo começa a aparecer os trechos delicados na crista, onde subo com relativa cautela.
Mais 15 minutos e chego a um trecho onde vejo água escorrendo pela trilha, formando alguns pequenos poções, mas que pode estar seco em épocas de estiagem. Não é bom contar com essa água. Por isso, colete a quantidade de água que for precisar para as próximas 3 horas lá na bica, pois o próximo ponto de água só na metade da travessia.
Trecho com um filete de água escorrendo na lateral da trilha
A vista durante a subida
Após passar por um curto trecho de escalaminhada básica, a subida dá uma tregua e chego a um trecho plano, em um extenso costão rochoso que é a base do Couto e que formou um belo mirante, oinde também há uma antena. A altitude aqui é de pouco mais de 2.500 metros e o visual aqui é de impressionar.
Faço uma rápida parada para descanço e exploro um pouco o entorno. Nesse ponto, se avista o enorme rochedo que compõe o pico do Couto bem a frente. Apesar do sol, o frio não dá tregua e com isso, nem tiro a blusa o dia todo.
Chegando a base do Couto
Não faltou sinal de celular....
Prateleiras ao fundo (foto com zoom)
Após o descanço, retorno a pernada, agora para encarar um dos pontos mais tensos dessa travessia, que é a subida de ataque final ao cume do Couto. Olho para frente e vejo a trilha indo na direção de uma fina crista sobre um rochedo, que de longe parece ser tranquilo. Mas foi só começar a caminhar por ela para logo dar de cara com um trecho tenso, onde sou obrigado a pular de uma pedra a outra, com um enorme precípicio a direita.
Visual fenomenal
Couto logo a frente
O ataque final ao cume se dá em uma subida pirambeira entre enormes rochedos, onde em um deles, tive até que subir de costas e com bastante cautela, afim de ganhar os patamares superiores com segurança. Mais 15 minutos de subida e após 1 hora e 40 minutos de caminhada desde o Posto Marcão, as 11:40 finalmente chego no cume do Pico do Couto, na cota dos 2.680 metros de altitude para um merecido descanso, é claro. Nem preciso dizer que a vista é de arrancar o fôlego de qualquer um. E mais clicks, é claro.
Trecho tenso.
Subida de ataque final ao cume vai por essa fina crista
Mirante na base, durante a subida do trecho final ao cume
O trecho das cristas a direita, por onde a trilha da travessia passa
Do topo a leste, se avista todo o trecho da caminhada com o Prateleiras bem ao fundão. A Oeste, o morro da antena, as 2 estradas de terra que liga o posto marcão ao couto e abrigo Rebouças. A Norte, Pico do Papagaio,Pedra do Altar, Sino e mais a direita, Asa de Hermes e o imponente Pico das Agulhas negras, entre outros picos da parte alta do parque.
Enfim, o cume
Serra Fina ao fundo
A Esquerda, Pedra do Altar. Mais para o centro, Sino e Asa de Hermes. E a direita, o Imponente Pico das Agulhas negras
A estrada de terra que vem lá do Posto Marcão
Ao Sul, a imensidão do vale do Paraíba, com a Serra da Bocaína bem ao fundão. É uma visão de arrepiar. Aproveito para fazer uma pausa mais longa para um lanche reforçado. Após forrar o estomago e molhar a goela, retomo a pernada, agora para a segunda parte da travessia, em direção ao Prateleiras.
As 12:20, passo por uma placa indicando "Travessia somente com autorização" e inicio a descida, que segue por uma trilha totalmente calçada por enormes rochas que facilitam bastante a descida. A descida do topo segue bem ingreme ladeira abaixo, com alguns trechos de desescalaminhada, mas sem maiores dificuldades.
Todo o trajeto que ainda iria percorrer até o Prateleiras
Meio longinho ainda...
15 minutos desde o topo do Couto, chego na base e a partir de agora, a caminhada passa a ser pelo alto das cristas. Prateleiras está visivel a maior parte do tempo a frente e parece estar estar perto, mas distante cerca de 1 a 2 horas de caminhada ainda. A esquerda visualizo o imponente Pico das Agulhas negras e a direita a imensidão do vale do Paraíba, com o Couto ficando cada vez mais para trás.
Trecho de sobe morro/desce morro
Caminhada pelo alto das cristas
As 12:55, passo por 2 placas na sequencia indicando 2 trilhas a esquerda. A 1º placa indica um ponto de água, que é uma ótima opção para o caso de você chegar aqui sem água. Esse é o 2º e último ponto de água de toda a travessia. Portanto, se pretende continuar e estiver com pouca água, recarregue nesse ponto, pois não há nenhum outro ponto de água até o final.
Na bifurcação, onde é possivel abortar a travessia e retornar...
É só descer essa pequena pirambeira
A 2º placa indica um atalho para o Abrigo Rebouças. Nesse ponto é possível abortar a travessia, para o caso de você ou alguém do seu grupo tiver algum problema durante a travessia. Seguindo em frente, continua a trilha da travessia por mais 1 hora e meia em direção ao Prateleiras e é para lá que eu sigo.
Após a placa, a trilha inicia uma sequencia de sobe morro/desce morro em largos zig zags, afim de evitar grandes paredões ou precipicios. Começo a subir um pequeno morro e logo saio em um trecho de gramídeas, onde a caminhada passa a seguir no plano com trilha bem demarcada e sem maiores problemas de navegação.
O traçado da trilha logo abaixo e bem ao fundo, o Pico do Couto, que vai ficando para trás
As 13:10, chego a mais uma bifurcação com uma placa indicando "mirante" a esquerda. Curioso para saber onde iria dar, abandono temporariamente a trilha principal em favor da trilha a esquerda para ir conhecer o tal "mirante".
Alguns minutos de caminhada e logo chego a um conjunto de 3 enormes rochedos que compõe o mirante. Sigo até a ponta de um deles e ao chegar, sou presenteado com uma bela vista do gigante rochoso do Pico das Agulhas negras bem imponente a minha frente, em um angulo diferenciado e único.
Lá embaixo, visualizo a estradinha de terra que vem do Posto Marcão, passa pelo Abrigo Rebouças e dá acesso ao Pico das Prateleiras, Pedra da Tartaruga, Assentada e por fim, a Travessia Ruy Braga.
Também visualizo parte do Abrigo Rebouças, a trilha que segue para o agulhas e sobe para o Altar. É uma visual bem bacana, pois te dá a sensação que vc se distanciou tanto tanto, mas ao mesmo tempo parece que nem saiu do lugar, pois o Abrigo Rebouças está "logo ali". Vale a pena parar ali para conhecer e curtir a vista do entorno.
Volto para a trilha principal e pouco antes das 13:30, visualizo bem a frente, uma enorme gruta, com a trilha se enfiando dentro dela. Ao me aproximar, vejo uma placa com os dizeres: "Toca do Índio", o que de fato lembra uma toca mesmo.
Chegando a Toca do Índio
Trilha se enfia por baixo dela e sai do outro lado
Passo por dentro dela e ao sair do outro lado, chego ao trecho final da travessia, com o Prateleiras bem a frente. Mais 10 minutos e chego ao pé de um morro, onde inicio a última descida em direção a base do prateleiras. Trilha segue descendo em largos zig zag para diminuir o desnível para quem sobe.
Prateleiras logo a frente
Descendo até a base
A partir desse ponto o Prateleiras aparece com todo o seu explendor a tua frente, o que vale a pena uma parada para contempla-lo. Também já é possivel ver a discreta Pedra da Tartaruga logo abaixo, a esquerda.
Pedra da Tartaruga visto do trecho de descida final da travessia
Enfim, após quase 3 horas e meia de caminhada desde o Posto Marcão, chego a base do Prateleiras as 14:05. Final da travessia, mas não da caminhada. Como estava relativamente cedo para voltar ao Abrigo Rebouças, decido ir conhecer a Pedra da Tartaruga, Assentada e Maça.
A bifurcação para as trilhas que leva a elas sai do trecho final da trilha do Prateleiras e não tem como errar, já que você passa obrigatoriamente por ela e ainda tem uma placa indicando. Do trecho final da trilha, na base do Prateleiras, desço por 5 minutos e chego na bifurcação. Entro na trilha a direita (esquerda para quem vem subindo para o Prateleiras) e sigo em direção a Pedra da Tartaruga e Maça. A trilha inicia uma curta descida e e logo chego a um trecho com um belo lago a frente.
Na bifurcação
O Trecho inicial da trilha apresenta pequenas bifurcações, mas a principal é bem demarcada, facil de identificar e é só seguir por ela. Água pode ser encontrada em um pequeno riachinho que desemboca no lago ou no próprio lago. Mais alguns minutos e chego ao lado da enorme Pedra da Tartaruga que realmente parece uma tartaruga. Ao lado dela, outra enorme pedra em formato de uma Maçã, que parece que foi colocada ali, bem ao lado.
Pedra da Tartaruga logo a frente e Assentada no alto de um Pico mais ao fundo, a esquerda.
Pedra da Tartaruga
Pedra da Tartaruga a direita, Maça a esquerda
Um belo lago e um ponto de água
O Cansaço e a fome começam a dar os primeiros sinais, mas não estava afim de parar por enquanto. Então, tiro algumas fotos e sigo em direção ao último atrativo do dia: A Pedra Assentada, localizada no alto de um pico mais baixo que o Prateleiras. A partir desse trecho, estou sobre enormes costões rochosos e não há trilha, por isso a navegação passa a ser por totens.
As 14:54, passo por um mirante com uma vista de um vale enorme lá embaixo, onde é possível visualizar as ruínas de um antigo posto meteorologico e o vale onde está o Abrigo Massenas, um visual em tanto.
O Mirante
Passo por um pequeno trecho de charco, onde encontro uma placa indicando o caminho para a pedra assentada e logo reencontro a trilha, que segue descendo em direção a base do Pico menor. Sigo descendo e logo chego a base do Pico, onde está a pedra assentada.
Ao fundo, Pedra Assentada
Olho para cima e vejo a trilha indo em direção a uma enorme subida pirambeira. Inicio a subida, mas logo resolvo abortar, pois já havia passado das 15:00hs e com a fome apertando e sem saber qto tempo ainda iria levar até lá, resolvo deixar para uma outra ocasião.
As 15:20, inicio a caminhada de retorno ao Abrigo, mas não sem antes fazer uma pausa no mirante, para um lanche. Estomago forrado e fome saciada, retomo a caminhada e 20 minutos desde o mirante, estou passando pela bifurcação onde a trilha do Prateleiras encontra com a da Travessia Ruy Braga.
Passando pela bifurcação onde termina/começa a Travessia Ruy Braga com a trilha que sobe até o Prateleiras
Termino a descida e chego no tedioso trecho de estradinha de terra (que outrora fora a BR mais alta do país). A temperatura está diminuindo rapidamente e pouco antes das 16h30, chego ao Abrigo Rebouças para o merecido descanço desse primeiro dia do circuitão solo. Chego a área de acampamento e deixo as coisas, mas resolvo ficar um tempo do lado de fora, para curtir o belo final de tarde.
Acampamento e Abrigo Rebouças visto do alto de um morro, no final da tarde
Durante esse tempo que estava "a toa", conheci o Rodrigo, que havia chegado lá por volta do meio dia e também estava sozinho pelo mesmo motivo do Marco e eu. Conversamos por algum tempo, mas o frio intenso do final da tarde logo nos fez entrar nas barracas rapidão, deixando para continuar a conversa mais tarde.
Depois das 17h30hs com os ultimos raios de sol no alto das montanhas, o termômetro já marcava 04ºC, o que me fez crer que a noite seria estupidamente gelada. Coloco as roupas mais pesadas e fico só relaxando dentro da barraca.
Por volta das 19h30, saio da barraca para curtir as estrelas e preparar a janta. Vou para a area de refeitório e reencontro o Marco, que havia chegado de sua escalada na Asa de Hermes só de noite. O Rodrigo tb apareceu, a gente se juntou e fizemos nossa janta ao passo de muita conversa sobre os perrengues do dia, é claro.
Após a janta e um tempo conversando, a temperatura cai ainda mais e fez que nossa tempo de permanencia no local fosse curto. Com isso, cada um se recolheu para seus devidos aposentos e uma sinfonia de roncos se fez presente pelo restante da noite no bucólico vale, a 2.350 metros de altitude.
Continua no post abaixo....
Editado por Renato37