Olá viajante!
Bora viajar?
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24/11/16 – Dia 7 – Italiano – Mirador Britânico – Italiano – Saímos 9h rumo aos miradores. Teoricamente seriam 2,5h. A primeira parte é uma pirambeira, sobe bastante. Durante o caminho a vista é linda
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Olá, Voce tentou os campings? sei que no seu caso esta bem perto... mas eu vou em janeiro e consegui refugio apenas no chilenos... nos demais aluguei a plataforma e a barraca com eles... melhor q
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Adorei o relato parabéns.. Quando ia lendo que vc estava cansada com vontade de gritar chorar me deu um certo medo e fixo pensando que acho que eu gritaria e choraria kkkkkkk Eu pretendo ir pra lá e
Fizemos esta viagem, meu namorado (Manoel Comar) e eu, por conta de umas férias forçadas e pensando que por ser basicamente um trekking e como ficaríamos em camping, seria uma viagem barata (santa ingenuidade Robin).
Compramos a passagem saindo de nossa cidade, São José do Rio Preto/SP à Punta Arenas e começamos a correr atrás de informações e tentar alcançar algum preparo físico para a longa caminhada.
Levamos os equipamentos para camping daqui e sentimos bastante na hora de organizar a bagagem, pois 23kg cada um era um desafio e ficamos mal acostumados, pois as últimas viagens para trekking ou montanha foram feitas de carro. O lado bom de não haver chuveiro em todo o trajeto, foi levar menos trocas de roupas rs. Desta forma, conseguimos levar toda a comida liofilizada e equipamentos dentro da franquia de bagagem.
Chegamos em Punta Arenas dia 16/11 e fomos procurar uma van que havíamos lido no relato que poderia nos levar até a rodoviária da cidade pra tomarmos o bus para Puerto Natales. Nosso primeiro erro. Pegamos a Van, P$ 5.000 cada um e essa van nos deixou na garagem da Bus Sur. Compramos passagem, P$ 6000 cada. Entramos no ônibus e qual não foi a nossa surpresa ao vê-lo parar no aeroporto. Ou seja, gastamos P$ 10.000 sem necessidade, se tivéssemos informação, poderíamos ter tomado o bus no aeroporto para PN.
A viagem durou cerca de 3 horas e a paisagem do caminho é a típica chilena, bastante árida. Dormimos parte do caminho, mas só parte, porque depois ficou impossível, tinha um trator ligado atrás de nós, que eu tive quase certeza que era alguém da dupla Cesar Menotti e Fabiano, só num sei qual, só sei que o ronco era altíssimo.
Chegamos à rodoviária de PN e fomos tirar as mochilas dos sacos de lixo (embalamos em sacos de lixo preto para não estragar nas esteiras, ou mesmo para as tiras e correias não ficarem presas). Compramos as passagens para o Parque para o dia 18/11, ida e volta para os dois ficou em P$ 30.000, a volta não precisa ser agendada, e fomos procurar o hostel, que era perto da rodoviária.
Chegamos ao HostelYemel às 10:30 (Fizemos a reserva pelo booking por causa dos comentários, e foi uma excelente opção. Muito limpo, organizado, bem familiar e confortável. Além de ter um ótimo custo x benefício tratando-se da Patagônia). No hostel deixamos nossas bagagens na recepção, pois o quarto ainda não estava pronto,e fomos comer, pois estávamos sem café da manhã. Demos uma passeada pelo centro até dar a hora do almoço e fomos ao Grey Dog, recomendação da dona do hostel. A comida veio gostosa, mas pra nossa fome foi pouco rs. Para o nosso bolso de mochileiro, a conta foi alta P$ 15.000. Depois disso passeamos mais um pouco, fomos a um mercado, compramos a sobremesa e voltamos ao hostel para o soninho da tarde. Acordamos e fomos passear na orla, aproveitara luz do pôr do sol, às 21:30
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À noite voltamos ao GreyDog e comemos a melhor empanada da nossa vida (e já foram muitas). Mais P$ 18.000.
Sobre os preços dos restaurantes, entendemos que a Patagônia não é barata, e para nós que viajamos de modo econômico pode parecer mais cara ainda. Só no dia seguinte percebi que gastamos R$ 180,00 em apenas duas refeições bem simples.
Dia 17/11 – Acordamos e tomamos café da manhã. Achei bom pelos padrões chilenos, tinha pão, geleia, queijo e presunto, suco, iogurte e até ovos mexidos feitos na hora. Mais um ponto a favor do Yemel.
Neste dia fomos passear pela cidade, saímos do começo da orla até o final, onde fica a estátua do Milodon. Neste dia estava bem nublado, então a luz não favoreceu muito as fotos, mas foi muito gostoso. Dessa vez compramos almoço no mercado, empanadas e pastéis e comemos no hostel.
À tarde fomos fazer as compras para a trilha, biscoitos, pão, nutella (pão com nutella foi nosso almoço todos os dias).
Bom, fizemos mercado para trilha, já compramos o jantar no mercado e jantamos no hostel.
No quarto organizamos nossas mochilas e já organizamos as mochilas que ficariam guardadas no hostel (na volta do trekking também nos hospedamos no Yemel).
Dia seguinte acordamos cedo, tomamos o café da manhã e fomos para rodoviária. Saímos 7:20 e chegamos por volta das 9h na portaria Laguna Amarga, descemos, pagamos a taxa de entrada (P$ 21.000 cada) assistimos o vídeo de instrução e tomamos uma van para o camping Central (P$ 3.000 por pessoa).
Dia 18/11 – dia 1 - Saída Central – Camping Serón - Saímos para o Camping Serón às 10:10, começa por uma estrada normal, subindo, subindo, e depois de uma hora entramos num bosque. Nesse dia o tempo estava nublado, começou a chover, e como havia lido muito sobre o tempo imprevisível, já fiquei preocupada, colocamos a capa na minha mochila, nessa era o Manoel viu que havia esquecido a capa da mochila dele
. Logo entramos em um bosque e o barulho do vento nas árvores era assustador, parecia que estávamos perto da turbina de um avião. Andamos muito nesse bosque, e o caminho era ao lado de uma cerca de arame. Saímos do bosque, andamos por um vale, com um rio, depois entramos em outro caminho arborizado. Neste caminho vimos uma placa indicando que estávamos no meio do caminho e isso deu uma animada. Segundo relatos este dia era um dos mais fáceis, mas subimos bastante e já estávamos cansando com o peso da mochila.
Fazia umas duas e meia que estávamos caminhando. Nesse tempo subimos muito, mas agora já tínhamos começado a descer para o vale. Andamos bastante e entramos numa fazendo, tinha gado, e nas cercas tínhamos que subir um tipo de escada, não tinha porteira. Depois do bosque só encontramos um casal no caminho. Haviam passado outras pessoas, mas como estávamos lentos, não vimos mais ninguém. E depois da placa sobre onde estávamos, não vimos mais indicação nenhuma do Seron. Depois da fazenda andamos num estrada e depois de algum tempo notamos que não tinha mais pau laranja ou marcação em lugar nenhum, como estávamos andando há umas cinco horas, ficamos preocupados de ter passado pelo camping. Nesse momento, vimos umas fitas amarelas penduradas em uma árvore mais à frente, felizmente, pois o caminho continuava dentro de uma propriedade, encontramos uns cavalos e seguimos em frente num caminho lamacento, uma hora depois encontramos finalmente a placa do Seron. Andamos mais uns 700 m e o avistamos, às 16:20, seis horas e dez minutos depois da saída. Nem podia mais andar com a mochila. Por um momento, achamos que estávamos perdidos e também pensando, se esse era o dia fácil, imagina os difíceis.
Chegamos, fizemos nosso check in.
Depois que lemos a notícia no site extremos.com sobre a exigência de reservas para acampar nos campings do CONAF, já fizemos as reservas em todos os campings que ficaríamos.
Fomos armar a barraca, tomar banho quente e fazer nossa comida. Neste camping tem dois banheiros com chuveiro quente, com certo espaço, pia pra lavar louça e um lugar abrigado pra cozinhar. Tem também mercado (tudo muito caro como em todos os outros campings), refúgios e refeições pra comprar. Quem pode e quer gastar, acha jeito rs.
Comemos, e fomos dormir cedo, dia seguinte seria longo.
Dia 2 – 19/11 –Serón ao Dickson - Neste dia não colocamos o relógio pra despertar, acordamos umas 6:30, desmontamos as barracas, tomamos o café almoço e saímos às 9h. O Seron está rodeado por uma vegetação que parece uma savana, e foi assim que continuamos para o Dickson. Eu vendo a savana só pensava no tal puma. Não tinha nenhuma intenção de encontra-lo. Vamos deixando a savana pra trás e começamos a subir, subir e eu a ficar cansada.
Logo as pessoas que estavam no Serón começaram a passar pela gente. Vencida as primeiras subidas, com vista linda de lagos, rios, savanas, montanhas, tive o panorama do que nos esperava. Muitas decidas e subidas.
O sol estava implacável, muito quente, e isso foi minando minha energia, e tinha que continuar subindo, subindo. Neste momento achei que esse trekking definitivamente não era pra mim. Estava totalmente sem forças, era por volta do meio dia e parava sempre pra descansar. Manoel estava melhor, seguia na frente e eu ficava feliz quando ele parava pra fotografar as flores do caminho para eu dar uma descansada.
Finalmente chegamos no final desta subida e avistamos o Lago Paine, uma visão muito bonita, do lago e das montanhas. Sabíamos que depois do lago chegaríamos à Guarderia Coirón e isso significava que era metade do caminho. Comemos uns biscoitos e continuamos. Dei uma animadinha, que durou pouco. O caminho continuou por uma encosta subindo e descendo o tempo todo e quase não havia sombra e eu quase entrando em ebulição de tão quente. E o lago, que parece não tão grande no começo, nunca mais acaba, e você começa a sentir que a metade do caminho está longe rs.
Precisávamos parar para almoçar, mas queria chegar ao menos no meio do caminho, ou seja, no Coirón, mas nada de Coirón. Andamos, andamos, acabou a laguna e encontramos uma matinha com um rio e paramos lá para o almoço (pão com nutella e queijo mantecoso). Creio que era perto das 14h. Neste lugar havia uma placa indicando o Coirón. Depois disso andamos mais uns 40min e encontramos a Guarderia, assinamos o nome na lista. Segundo um quadro que estava na parede, estávamos na metade do caminho e o restante seria plano. Aleluia!!
O caminho agora era de novo savana, ou seja, muito sol. Um caminho muito bonito.
Algumas subidas e descidas, mas bem suaves. Encontramos outra placa daqueles que dizem que faltam tantos km... Usted esta aqui. E depois do primeiro dia, comecei a desconfiar muito dessas placas. Elas abalavam meu psicológico, só pode ter sido um espírito muito fanfarrão quem colocou essas placas pelo caminho, não correspondem à realidade. Pelo menos não a nossa. O dia estava muito bonito e o sol muito forte. Como tem pouca sombra pelo caminho, ficamos muito fatigados com o calor e isso suga energias.
Enfim, andamos, andamos, andamos e andamos mais e finalmente temos uma vista espetacular de um glaciar. Nessa hora encontramos o casal que havíamos encontrado indo para o Serón, depois descobrimos que eram Holandeses. Tiramos umas fotos e seguimos em frente. Depois de uns 40 minutos, olhamos à direita e vimos um “grande buraco” lindíssimo, e lá estava o camping Dickson. Parecia uma miragem de tão lindo o lugar. Lago, montanha, glaciar, a área gramada do camping, parece as imagens que vemos da Suíça rs.
Mas ainda tinha um bocadito pra descer e chegar até lá. Quando chegamos, fizemos check in e fomos informados de que não tem lugar abrigado pra cozinhar, deveríamos cozinhar nas mesas que tinham pelo camping. E estava a maior ventania. Eu mal conseguia dar um passo. Fomos os últimos a chegar, eram 18:25. Depois de 18km (medida oficial) em 9h25min chegamos ao Dickson. Estava destruída e só não desisti ali, porque tive pavor de voltar por todo aquele caminho. O trecho está previsto no mapa para ser feito em 6 horas. Apesar de sermos os últimos a chegar,muitas pessoas que haviam chegado antes não chegaram tãooo antes assim. Alguns eram trekkers experientes e mesmo assim tiveram um dia difícil.
Ainda reunimos forças, calçamos os chinelos e fomos até à margem do lago Dickson. Que visão maravilhosa!! E que frio rs. Ficamos apreciando a paisagem e depois voltamos para armar a barraca, tomar banho e fazer o jantar.
No Dickson, tem chuveiro quente, ousei tomar um banho, mas acho que o espaço mede 80x80, não tem onde colocar nada das coisas de banho e por baixo da porta entra um vento muito frio, mas mesmo assim é quente e é banho e um luxo num dia como este. Existe pia na área externa, perto do banheiro que serve pra tudo, escovar dente, lavar as mãos, louça, o rosto. Tem mercadinho e tem um refúgio.
Tomamos uns relaxantes musculares/anti-inflamatórios/morfina rs e fomos dormir.
20/11 – dia 3 – Dickson ao Los Perros – Acordamos sem despertador às 7:40. Este dia seria mais curto. E felizmente já conseguia mexer as pernas e quadris que estavam meio enrijecidos no final do dia anterior. Desmontamos tudo, tomamos café e saímos para o Los Perros.
Lembra que falei em “buraco” lindo quando avistamos o Dickson? Pois é, temos que subir pra sair dele rs.
Começamos a trilha subindo às 10:10. Subimos durante uns 40 min e entramos num bosque. A maior parte da trilha é dentro desta trilha, subidas e descidas não tão ruins como a primeira parte do dia anterior. Este bosque é bem úmido e o calor estava lá pra te lembrar que Torres Del Paine não é brincadeira. Paramos pra almoçar/tomar café num lugar bem agradável, na beira de um rio.
Andamos muito e saímos do bosque, e chegamos a um mirante que óbvio, tinha uma vista impressionante, (também tinha uma daquela placas enganadoras, dizendo Usted esta aqui, mas que na verdade diz, você está em algum lugar no caminho e nós não sabemos quando irá chegar até o próximo camping). Andamos mais e mais no bosque e subimos um morro de sucrilhos (aquelas pedrinhas que te levam pra trás quando você dá um passo pra cima. No final dela havia um outro mirante, era o Glaciar Los Perros, super bonito.
Mas a paisagem mais bonita, ao menos pra mim, veio depois. Você continua a trilha por uma nano crista, depois desce para o vale e encontra uma lagoazinha de água transparente que eu me apaixonei.
Acho que compunha um cenário mais bonito com as montanhas do que o lago anterior.
Enfim, andamos por umas pedras que margeava um rio e encontramos finalmente o Camping Los Perros. Eram 17:10. Ou seja, caminhamos 7 horas, o mapa dizia 4,5h. Aceitamos o fracasso e fomos montar a barraca. Afinal, como o dia só terminava às 21:30, ficávamos felizes em chegar antes do sol se por kkk.
Los Perros tem guarderia, tem banho frio, tem mercadinho e tem um lugar ótimo pra cozinhar, totalmente abrigado. Tem duas pias pra lavar a mão, louça e todo o resto, dois banheiros, os dois com o vaso entupido.
Neste dia teve banho de gato (lenço umedecido), jantamos e decidimos que acordaríamos bem cedo pra enfrentarmos o El Paso.
No dia que chegamos no Serón, haviam várias pessoas de mais idade (mais que a gente, que somos já de alguma idade, 34 e 37 anos). Mas tinha um casal que chegou depois da gente e que tinham por volta de 60 anos e não estavam no esquema de refúgio fullboard. Levavam sua própria barraca e comida.
No dia do Dickson, o senhor disse ao Manoel que estavam procurando pela gente e tals, o Manoel disse que andávamos muito devagar ele respondeu que o importante era que chegávamos ao mesmo lugar que os outros que andavam mais rápido. Disse também que a dificuldade do Paso era mito. Depois do Los Perros não os vimos mais. Eram muito fortes, andavam rápido, e como os outros gringos, não paravam tanto pra tirar fotos e ver a paisagem como a gente. Neste grupo que começou com a gente deviam ter umas 15 pessoas no regime mais econômico. Essas pessoas mais velhas que vimos no começo, não vimos no Paso, devem ter seguido direto para o Grey.