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Bora viajar?

Chapada Diamantina (com trekking no Vale do Pati) - julho/2017

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Cronograma da viagem

 

29/06 - São Paulo > Salvador > Lençóis

30/06 - Lençóis (Serrano + Cachoeirinha)

01/07 - Lençóis (Cachoeira do Mosquito + Poço do Diabo)

02/07 - Lençóis (Pratinha + Gruta Azul + Morro do Pai Inácio)

03/07 - Lençóis (Cachoeira do Sossego + Ribeirão do Meio)

04/07 - Lençóis (Serrano + Cachoeirinha + Cachoeira Primavera)

05/07 - Lençóis > Guiné > Vale do Pati (trajeto Guiné > Igrejinha)

06/07 - Vale do Pati (Igrejinha > Cachoeirão por cima > Igrejinha)

07/07 - Vale do Pati (Igrejinha > Morro do Castelo -> Prefeitura)

08/07 - Vale do Pati (Prefeitura > Andaraí) > Lençóis > Igatu

09/07 - Igatu (Ruínas + Gruna do Brejo)

10/07 - Igatu > Ibicoara (Cachoeira do Buracão) > Igatu

11/07 - Igatu (Poço Donana + Cachoeira das Cadeirinhas)

12/07 - Igatu > Salvador

13/07 - Salvador > São Paulo

 

Fiz meu primeiro mochilão pelo Brasil em julho deste ano. Depois de muitas pesquisas e mudanças de ideia, o destino escolhido foi a Chapada Diamantina. Muito por conta dos relatos que li por aqui e também pelas indicações de pessoas que já foram para lá.

A viagem ao todo durou 15 dias, mas eu e minha namorada ficamos na Chapada de fato 12 dias. Todo mundo diz mas é sempre bom repetir. Não dá pra conhecer toda a Chapada Diamantina em 15 dias. Nem em 20, nem em 30. Quem conhece bem a região diz que pra conhecer tudo você precisa mais ou menos de 3 meses. Por isso selecionamos os principais pontos que queríamos ver e a partir daí fomos ajustando a programação e o roteiro a ser feito.

Pelo fato da Chapada ser gigantesca (1520 km², maior até que alguns países do mundo) é uma tarefa trabalhosa planejar um roteiro. Também é difícil encontrar informações na internet, apesar dos milhares de sites que existem falando sobre a Chapada. Cada pessoa faz um roteiro e aí quase nunca você encontrará um roteiro igual o seu. O segredo é você listar os lugares que quer conhecer e ir tentando encaixar nos dias que tem para viajar. Muitos lugares não conseguimos ir por falta de tempo no roteiro (Cachoeira da Fumaça e Poço Azul, por exemplo). Mas no final das contas a viagem foi muito boa. Quem sabe em uma outra oportunidade dê tempo de fazer o que não conseguimos.

O único ponto negativo da Chapada, em minha opinião, é o “ataque predatório” dos guias locais em cima dos turistas. A todo momento tentam te oferecer passeios e inventam histórias pra colocar medo, do tipo “semana passada uma menina foi sem guia e quebrou a perna nessa trilha” ou “ontem um pessoal sem guia ficou perdido aí e não conseguiu ver nada”. Nada contra o trabalho dos guias, muito pelo contrário. É o trabalho deles e é um trabalho honesto. Mas a abordagem sempre é de maneira incisiva e acaba sendo chato ficar falando tantos “nãos”. E se você estiver sem guia e cruzar com o guia de algum grupo em trilhas não espere nem um “olá”. Não espere também que eles te avisem se você estiver pulando uma pedra perigosa quando na verdade tem um caminho muito mais fácil para atravessar o rio. É mais ou menos assim: “não pagou, pode morrer que não tô nem aí”. A única experiência que tivemos com um guia durante a viagem foi terrível. Mas lá na frente eu conto em detalhes.

De volta ao lado positivo da Chapada (e olha que são muitos), a principal dica é: vá!

Segunda dica: baixe o Wikiloc no seu celular. Ele é um app de GPS para trilhas e funciona offline. A licença pra usar por 3 meses custa pouco mais de 7 reais, mas te faz economizar bons dinheiros com guias. É bem simples de usar: você busca a trilha que quiser e aí ele te dá uma lista de mapas de pessoas que já fizeram o trekking. Depois é só baixar algum deles e ir seguindo o caminho, igual o Waze ou Google Maps. A maioria das trilhas da Chapada está no app.

Terceira dica: faz frio na Bahia. Se for em julho leve blusas. Chegamos a pegar uns 12 graus no Vale do Pati à noite.

Gastamos por pessoa aproximadamente R$ 3000 para os 15 dias. Incluindo passagem aérea, aluguel de carro, hospedagem, alimentação e passeios. Os preços de restaurantes são geralmente baratos. Dá pra encontrar em Lençóis e Igatu um belo almoço por R$ 30 pra duas pessoas.

 

Vamos ao relato!

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Dia #1 - São Paulo > Salvador > Lençóis

Pegamos o vôo no aeroporto de Guarulhos às 12h15 e desembarcamos em Salvador 14h20. A passagem ida e volta São Paulo-Salvador custou R$ 620. Tínhamos feito reserva para aluguel de carro na Hertz e o valor ficou em R$ 1100 para os 15 dias (incluindo o seguro). Fomos no guichê da Hertz resolver as burocracias e também encontrar o pessoal que a gente tinha combinado de dar carona pelo app Blablacar. Encontramos o casal Flavia e Marcos e o belga Jonas. Juntando com nós dois (Felipe e Carla), éramos cinco. Quando fomos pegar o carro no estacionamento da Hertz o próprio funcionário já deu risada e disse que não ia caber todo mundo no carro - era um Fiat Mobi. O porta-malas era do tamanho de um porta-luvas e não cabia quase nada. Depois de umas ligações do funcionário conseguiram descolar um Renault Logan e o preço ficou quase o mesmo.

Saímos de Salvador 16h e chegamos em Lençóis 22h. A estrada que liga as cidades é boa e bem sinalizada. Mas por ser a rota que liga Salvador a Brasília tem bastante caminhão.

Deixamos os nossos amigos no hostel deles e fomos procurar a nossa pousada. Fizemos reserva antecipada pelo Booking no Hotel Fazendinha & Tal. A diária sem café da manhã foi R$ 80 pros dois. Apesar de Lençóis ser bem pequena não achamos fácil o hotel. O Google Maps indicou um endereço mas chegando lá tinha um restaurante com o mesmo nome do hotel. Entramos pra perguntar e descobrimos que a dona do hotel e do restaurante é a mesma. Uma funcionária do restaurante levou a gente até o hotel. O lugar é bem simples, na verdade é um casarão que a dona aluga uns quartos. Nem mesmo check-in a gente fez, só deram a chave e umas instruções (onde era o banheiro, onde era a cozinha) e foi isso. Deixamos as malas no quarto e fomos procurar um lugar pra comer. Eram 23h e a cidade já estava bem vazia e quase todo o comércio fechado. Achamos um restaurante na Rua das Pedras e comemos uma carne de sol com mandioca que tava incrível. Voltamos pro hotel e apagamos.

 


Dia #2 - Lençóis (Serrano e Cachoeirinha)

Acordamos e fomos procurar uma trilha leve pra aquecer pros próximos dias. Descobrimos que dava pra fazer o trecho do Serrano, a Cachoeirinha e a Cachoeira da Primavera. O trajeto ida e volta tem cerca de 5 km.

O Serrano é um conjunto de pedras que formam vários pequenos poços pra banho. Do centro de Lençóis dá pra ir a pé até o início da trilha, é só subir em direção a Prefeitura e ao Hotel Portal Lençóis. Cuidado para não passar direto e pegar a trilha errada. Você deve virar na Empraba, que é um centro de tratamento de água, a direita. Se você seguir direto, você também vai encontrar uma trilha, mas é uma trilha muito mais longa que leva até o Vale do Capão. Virando a direita na Embrapa a trilha pro Serrano logo começa, não tem erro.

Do Serrano sai a trilha para a Cachoeirinha. Encontrar o começo dela não é fácil porque não tem nenhuma indicação, mas basicamente é só seguir algum grupo no local, porque todos fazem o mesmo caminho. Seguimos um grupo e passamos primeiro pelo Salão de Areias, onde tem cavernas com tipos de areias de várias cores. Um pouco mais pra frente você chega na Cachoeirinha, que é uma pequena queda com um poço de água gelada. Ficamos um pouco lá e tentamos seguir a trilha pra Cachoeira Primavera.

Andamos, andamos, andamos e por estarmos sem guia, nem GPS, nem mapa, acreditamos que o caminho estava errado e aí pegamos um atalho na trilha pra descer de volta pro Rio Serrano. Na verdade o caminho estava certo, mas isso a gente só ia descobrir nos próximos dias. Ficamos um pouco ali sentados no rio, tiramos fotos e pegamos a trilha de volta pra Lençóis.

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[Trecho do Rio Serrano]

 

Em Lençóis, na Rua das Pedras, comemos uma moqueca de peixe com banana, descansamos no hotel e à noite encontramos os nossos companheiros de carona Flavia e Marcos. Fomos comer no Ki Lanches. Pausa para falar desse lugar porque o lanche é bem gostoso e custa muito barato. Fica bem no centro, em frente ao Mercado Cultural. Não tem nenhum luxo, mas tem lanches com combinações exóticas (pra um paulista). O maior lanche é um tal de Master Boy que vem com: hambúrguer, salsicha, galinha, bacon, queijo, ovo, tomate, alface, e sei lá mais o quê. É tanta coisa que os cachorros de rua se reúnem em volta das mesas esperando algum resto de salsicha cair do lanche.

Depois da experiência gastronômica fomos dormir.

 


Dia #3 - Lençóis (Cachoeira do Mosquito + Poço do Diabo)

A ideia inicial era ir pra Cachoeira do Mosquito, Poço do Diabo e Morro do Pai Inácio. Mas acabamos saindo muito tarde do Poço do Diabo e deixamos o Morro pro dia seguinte.

Pra Cachoeira do Mosquito é preciso ir de carro. Saindo da estrada que liga a Lençóis a BR-242, você pega a direita (sentido Salvador). Uns 8 km depois tem uma placa na beira da rodovia informando a entrada pra estrada da Cachoeira, à esquerda. Mais 13 km em uma estrada de terra e você chega na Fazenda Santo Antônio. Lá precisa pagar R$ 15 por pessoa pra entrar na propriedade. Mais 6 km em estrada de terra e finalmente você chega no estacionamento onde fica o começo da trilha. É bem demarcada e não muito difícil, dá 2 km ida e volta. A Cachoeira do Mosquito é muito bonita e a queda fica entre paredões de pedra. Como sempre, a água é bem gelada mas deu pra ficar debaixo da queda um tempão. O tempo tava bonito, com bastante sol.

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[Cachoeira do Mosquito]

 

Depois do Mosquito, fomos pro Poço do Diabo. Saindo da estrada de terra do Mosquito, pegamos a BR-242 sentido Seabra (e sentido Lençóis). Na BR-242, passando a entrada para Lençóis, você anda mais 7,5 km. Na direita da estrada vai ter um pequeno restaurante e uma loja de artesanatos. É só parar o carro ali e atravessar o restaurante que a trilha começa. Uns 500 metros depois aparecerá o Rio Mucugezinho. Você tem que atravessar o rio e ir andando pelas pedras da margem até chegar no Poço. A trilha não é muito demarcada mas também não tem muito o que errar, basicamente é só seguir o rio abaixo. Por ser um local de fácil acesso provavelmente vão ter outras pessoas fazendo a trilha, então na dúvida é só seguir o pessoal. Chegamos no Poço lá pras 16h e o sol já estava indo embora. Ficamos um tempo por lá, mergulhamos na água gelada e ficamos num pedacinho de sol pra esquentar. Por conta do horário decidimos deixar o Morro do Pai Inácio pro dia seguinte.

Poço do Diabo

[Poço do Diabo]

 

Voltando pra Lençóis fomos dar uma volta pelas ruas da cidade e paramos numa loja que vende licores artesanais, na Rua das Pedras. Tem muitos sabores, de quase todas as frutas possíveis. Ficamos conversando com a dona e ela ia oferecendo uma amostra de cada uma das pingas. Devo ter tomado uns 10 sabores diferentes e tava quase ficando bêbado. Acabamos levando 2 garrafas - uma de maracujina e outra de pimenta, mel e rapadura. Depois fomos jantar e comemos um baião de dois num restaurante que esqueci o nome, mas fica em frente ao Banco do Brasil. Uma das atendentes é italiana, e a comida é boa e barata. 40 reais pelo baião de dois que dá pra duas pessoas tranquilamente. Depois cama.

 


Dia #4 - Lençóis (Pratinha + Gruta Azul + Morro do Pai Inácio)

O primeiro destino do dia foi a Fazenda Pratinha. Pra chegar lá a partir de Lençóis basta pegar a BR-242 no sentido Seabra/Brasília. Após 22 km na rodovia, aparecerá uma estradinha de terra na sua direita, com uma placa escrito “Pousada Tropical / Pratinha”. É só pegar essa estrada e ir seguindo as placas. Desse acesso até a Pratinha são mais 13 km.

Pra entrar na Fazenda Pratinha paga-se (absurdos) R$ 30 por pessoa. O local abriga vários pontos de interesse no mesmo lugar. Primeiro a Lagoa da Pratinha, local onde é permitido nadar e que conta com um lanchonete, umas cadeiras e guarda-sol na beira da lagoa, no melhor estilo farofada. Também tem uma tirolesa que custa R$ 20. A água é transparente e bem mais quente do que a água das cachoeiras. Além disso tem vários peixinhos que dão umas leves mordidas na pele morta do corpo. Pegamos bastante sol lá, nadamos e depois ficamos comendo escondidos uns sanduíches que levamos, porque há várias placas dizendo que é proibido consumir comida que não for comprada lá.

Depois fomos na Gruta do Pratinha, que é uma caverna com a água numa coloração azul bem clara e muito bonita. Lá não é permitido nadar, somente flutuar com colete pra preservar as conchas que ficam no fundo da água. Pra flutuar paga-se mais R$ 40 por pessoa. Achamos um tanto caro e decidimos só olhar e tirar fotos mesmo.

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[Gruta do Pratinha]

 

Andando um pouco mais dentro da Fazenda fomos ver a Gruta Azul. Pra conseguir ver os raios de sol refletidos na água da gruta é preciso ir entre 14h e 15h. Lá também não é permitido nadar e nem flutuar, só olhar. O motivo é que se as pessoas nadassem a Gruta Azul não teria a água azul. E aí talvez só se chamaria Gruta. Por conta do horário reduzido dos raios de sol o local fica bastante cheio nesse intervalo, então o ideal é olhar, tirar algumas fotos e dar espaço pra que as outras pessoas também consigam chegar perto.

Saindo da Pratinha fomos pro Morro do Pai Inácio. O local é um dos mais famosos da região, mas por incrível que pareça não tem nenhuma sinalização na rodovia da entrada para o Morro. Dizem que os guias locais arrancam placas de sinalização pros pontos turísticos pra evitar que os turistas consigam ir sozinhos e aí precisem pagar um guia. Não sei se é verdade ou se é lenda, mas o fato é que não tem placa nenhuma. Conseguimos achar da seguinte maneira: saindo da estrada de terra da Pratinha, você pega a BR-242 sentido Salvador e 8 km depois vai ter uma placa escrito “Pousada Pai Inácio” e a entrada pra um posto de gasolina desativado. Entre no posto e faça o retorno na rodovia, agora no sentido Seabra/Brasília. Andando pouco mais de 1 km vai ter uma entrada a direita pra uma estrada de terra. Essa estrada vai levar até o início da trilha pro topo do Morro, onde tem uma antena de telefonia.

Chegando lá tem um lugar pra deixar o carro e aí paga-se R$ 6,00 por pessoa pra poder subir. A trilha até o topo do Morro é íngrime mas não muito difícil de se fazer. Tinha até casais com bebês fazendo. Lá em cima dá pra ter uma bela vista da Chapada e também do pôr-do-sol. Não sei acontece todos os dias, mas quando estávamos lá apareceu um guia que contou a lenda do escravo chamado Pai Inácio e do porquê que existe uma cruz lá. Ele fez até uma encenação fingindo se jogar lá do alto. Foi bem legal.

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[Vista do Morro do Pai Inácio]

 

Depois do sol se pôr, descemos a trilha e voltamos pra Lençóis. Tomamos banho e combinamos de encontrar os amigos de carona Flavia e Marcos pra jantar. Na hora de sair do hotel Fazendinha & Tal a porta da frente não abria porque a chave não girava. Ficamos uns 15 minutos presos e já planejando pular o muro dos fundos, até que a dona apareceu e ensinou um “macete” pra poder abrir a porta. O cardápio da noite foi mais uma vez os incríveis lanches do Ki Lanches. Depois cama.

 


Dia # 5 - Lençóis (Cachoeira do Sossego + Ribeirão do Meio)

Já tínhamos lido alguns relatos sobre a Cachoeira do Sossego e todos dizem que o recomendado é contratar um guia, por conta da dificuldade da trilha. São 13 km no total, ida e volta. Resolvemos confiar no app Wikiloc e fomos sem guia mesmo. O Marcos e a Flavia toparam e lá fomos nós quatro. De Lençóis mesmo fomos até onde dá pra ir de carro, no início da trilha. Não sei dizer o caminho exato e nem é recomendado, então ou contratem um guia ou façam igual a gente e baixem o Wikiloc. Sem guia e sem app acredito ser quase impossível encontrar o caminho.

A trilha começa bem simples e plana. Depois de um tempo caminhando começamos a ter que pular pedras e atravessar o rio várias vezes. Algumas pedras são bem escorregadias e o caminho fica confuso em muitos momentos. Às vezes aparecem algumas setas pintadas nas pedras indicando o caminho, mas não é sempre que tem. Se você andar por muito tempo sem encontrar uma seta pode ser um indício de que você está no caminho errado.

Depois de umas 3 horas de caminhada chegamos enfim na Cachoeira. O tempo tava bem nublado e a água muito gelada, mas mesmo assim quis entrar. Fiquei uns 5 minutos congelando os ossos e saí. Ficamos um pouco lá nas pedras, tiramos fotos, comemos e aí começamos a pegar o caminho de volta. Lá tinha apenas um casal com um guia, então a hora que eles levantaram pra ir embora a gente tentou acompanhar, mas logo eles sumiram e ficamos por conta do Wikiloc mesmo. Ah, também tinha um cachorro preto todo machucado que vimos várias vezes em Lençóis. Não faço idéia como o cachorro consegue fazer essa trilha, mas ele faz.

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[Cachoeira do Sossego]

 

Na volta nos perdemos VÁRIAS vezes e a todo momento tínhamos que parar pra olhar o Wikiloc pra ver se estávamos no caminho certo. De repente, pulando uma das muitas pedras, a Carla escorregou e caiu batendo as costas na pedra. Ficamos todos em pânico porque a pedra era meio pontuda e pareceu ter doído bastante. Depois de um tempo se recuperando ela conseguiu voltar a andar, mas com bastante dificuldade. Ainda bem, porque não sei o que faríamos pra conseguir pedir ajuda, afinal o celular não pega de jeito nenhum lá.

De volta à caminhada, depois de 2 horas pegamos um atalho na trilha pra poder ir ao Ribeirão do Meio. Mais uma vez, graças ao Wikiloc. O Ribeirão do Meio tem um poço bem grande pra nadar e, o mais legal, um tobogã natural onde você pode escorregar sentado (ou em pé, pros profissionais) e cair dentro da água. Por conta do frio ninguém queria entrar na água, então lá fui eu experimentar o tobogã. Amarrei a GoPro no braço imaginando que gravaria um vídeo incrível da descida (você pode ver o vídeo aí embaixo e comprovar que não ficou tão incrível assim). Tinha um grupo de cariocas que tinha acabado de escorregar e me deram algumas dicas. Você tem que subir as pedras pela lateral do tobogã e, estando lá em cima, ir para o meio pra poder escorregar com segurança. Mas pra poder chegar no meio você tem que atravessar a corredeira em pé e em pedras muito, mas muito escorregadias. É claro que não deu certo. Acabei escorregando todo torto e fiquei preso em uma fenda. O pessoal lá embaixo ficou assustado gesticulando e gritando mas por conta do barulho da água não dava pra ouvir nada. Fiz só um sinal de positivo indicando que estava bem. Infelizmente não tinha dado REC na GoPro, então antes de mais nada apertei o botão de gravar pra poder gravar o restante da minha vergonhosa descida. Enquanto o pessoal lá embaixo não parava de fazer sinais e gritar, fiquei analisando como ia sair daquela fenda. Consegui ficar em pé meio torto e andar um pouco mais pro lado pra enfim escorregar. No final das contas foi bem divertido, mas acabei perdendo a bermuda que rasgou toda nas pedras. Cheguei lá embaixo só com alguns ralados no braço. Mas faria de novo.

Depois de me recuperar do acidente, pegamos o restinho de trilha até o local onde deixamos o carro e voltamos pra Lençóis. Chegamos esgotados e aí fomos comer novamente no restaurante do baião de dois, mas dessa vez pedimos carne de panela e também estava bem gostoso. Depois cama.

 


Dia # 6 - Lençóis (Serrano + Cachoeirinha + Cachoeira Primavera)

No último dia de Lençóis, antes do Vale do Pati, encontramos o Marcos e a Flávia enquanto a gente tomava café num restaurante na Rua das Pedras. Eles queriam alguma trilha leve por conta do dia anterior e eu e a Carla também. Analisando as possibilidades decidimos voltar pra região do Serrano, porque era perto e eles ainda não tinham conhecido.

Fizemos o mesmo trajeto do segundo dia, mas dessa vez encontramos a trilha pra Cachoeira Primavera. Estando de frente pra Cachoeirinha, basta seguir a trilha que começa subindo à direita. Depois basicamente é seguir o caminho da trilha que não tem erro. A Cachoeira Primavera fica em meio às pedras e não é muito prática pra tomar banho. Ficamos lá um pouco, tiramos algumas fotos e na volta pegamos o atalho à esquerda pra descer pelo Rio Serrano. Tinha bastante gente nadando nos poços por ali porque fazia bastante sol. Acabei entrando na água pra tirar o calor e logo depois pegamos a trilha de volta pra Lençóis.

À noite fomos procurar um lugar pra beber e entramos no restaurante Fazendinha & Tal, que fica ali na Rua das Pedras. Tinha uma promoção de duas caipirinhas mais uma porção de batata frita por R$ 22. Pelo preço imaginamos que seria uma mini-caipirinha, mas aí vieram dois copos enormes, quase um litro de caipirinha em cada um. Tomamos e encontramos sem querer a Flavia e o Marcos e aí qual foi o cardápio da última noite pra fechar com chave de ouro? Ki Lanches! Ficamos lá comendo e bebendo umas cervejas e voltamos pro hotel lá pra meia-noite. Já tristes de ter que deixar Lençóis.

 


Dia #7 - Lençóis > Guiné > Vale do Pati (trajeto Guiné > Igrejinha)

Nesse dia começamos a trilha de 4 dias pelo Vale do Pati. Ainda em São Paulo fechamos com a agência Fora da Trilha. O pacote para os 4 dias, incluindo guia, hospedagem na casa dos nativos, alimentação e transporte ida e volta saiu por R$ 1100 por pessoa. Porém, os serviços da agência deixaram muito a desejar e NÃO os recomendo de maneira alguma. Explico durante o relato.

O combinado era de se encontrar às 8h em frente a agência para sairmos em direção ao Vale do Pati. O grupo era de 4 pessoas: o guia Hans, eu, a Carla e uma outra menina que era amiga do guia. Um pouco depois das 8h saímos de Lençóis e o Henrique (dono da Fora da Trilha) nos levou de carro até o início da trilha, em Guiné. Um trajeto que durou 2 horas, com uma pequena pausa em Palmeiras pra comprar a comida que seria o nosso almoço nos próximos dias. Em Guiné, nos despedimos do Henrique e o combinado era que ele nos buscaria quatro dias depois em Andaraí.

Começamos a caminhada desde Guiné até a Igrejinha, local onde dormimos a primeira noite. O trajeto todo tem cerca de 7 km e as paisagens pelo caminho são incríveis, já dando uma ótima sensação do que viria mais pra frente. Chegamos na Igrejinha por volta das 15h. O local é bem simples, mas impressiona por ser totalmente isolado de tudo. Só é possível chegar lá caminhando ou com mulas/cavalos. É com mulas que eles buscam em Guiné todos os mantimentos para os hóspedes que passam por lá. No espaço tem uns 3 quartos pra casal, mais 3 quartos grandes com muitos beliches, um outro quarto onde dormem os guias, uma cozinha, banheiros (com chuveiros só de água fria), um mini-mercado, e a pequena igreja que dá nome ao lugar. Eu e a Carla ficamos num dos quartos pra casal.

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[Vale do Pati]

 

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[Igrejinha]

 

Ficamos conversando com o pessoal de outros grupos que iam chegando na Igrejinha até a hora do jantar, que é servido às 19h. A comida é muito gostosa e você pegar quanto quiser. Tinha arroz, feijão, carne de sol, lasanha de banana, salada, frango, suco e até chocolate de sobremesa. Acho que tinha mais coisa mas é tanta comida que eu nem lembro mais. Depois do banquete ficamos conversando mais um pouco e tomando PML (lê-se pemelê), a famosa pinga com mel e limão que é vendida no mercadinho do local. Custa R$ 4 meia dose ou então R$ 8 a dose com o copo cheio. Foi bom pra esquentar o frio absurdo que estava fazendo. Antes das 22h fomos dormir.

 


Dia #8 - Vale do Pati (Igrejinha > Cachoeirão por cima > Igrejinha)

Acordamos pra tomar o café que é servido às 7h. Na verdade já tínhamos acordado antes porque os galos começam a cantar alto antes das 6h. No café tem bastante coisa igual o jantar: tapioca, cuscuz, bolo, banana, queijo, e mais um monte de coisa. Depois arrumamos só a mala com a câmera e uma garrafa d’água pra trilha pro Cachoeirão visto por cima. A gente ia dormir nessa noite novamente na Igrejinha, então deu pra deixar a maioria das coisas lá.

A trilha da Igrejinha pro Cachoeirão tem 15 km ida e volta. No geral não tem muitas subidas e descidas, mas pegamos uma chuva fina e vento que atrapalharam um pouco. Chegando no Cachoeirão tinha uma outra chuva bem fina, que é formada pela água da própria cachoeira. Por causa da altura da queda, a água flutua antes de chegar lá embaixo e aí volta em forma de chuva na beira da cachoeira, bem onde a gente fica pra poder vê-la. Pra quem tem medo de altura o ideal é ir rastejando até a beira, porque é MUITO alto. O cachoeirão tem quase 300 metros. Depois de ver um dos lados do precipício fomos para o outro lado, onde tem a famosa pedra onde todo mundo tira foto deitado ou sentado nela e aí aparece aquela perspectiva que mostra que ali é alto pra cacete.

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[Cachoeirão visto por cima]

 

Ficamos mais um pouco admirando a vista e pegamos a trilha de volta. No roteiro informado previamente pela agência estava previsto que a gente passaria pela Cachoeira dos Funis, mas sabe-se lá porque não passamos. O guia Hans parecia sempre meio preguiçoso, querendo pegar atalhos cheios de lama no caminho pra poder chegar logo de volta. Chegamos de volta na Igrejinha umas 17h30 e dessa vez tivemos que encarar o banho gelado, afinal no dia anterior passamos bem longe do chuveiro. Ficamos conversando com o pessoal, tomando pemelê e esperando a janta sair, que mais uma vez foi muito boa. Não sei se ela era de fato tão boa assim ou se a fome de andar o dia inteiro contribuía, mas sei que não sobrava quase nada nas travessas da mesa.

Depois de jantar, fomos dormir bem cedo. Fazia frio demais e choveu a noite toda.

 


Dia #9 - Vale do Pati (Igrejinha > Morro do Castelo -> Prefeitura)

Acordamos pra tomar café e a neblina era tão forte que não dava pra ver nenhuma montanha em volta da Igrejinha. Também estava uma chuva bem fraca. Todos os guias dos grupos que estavam lá chegaram a conclusão que não dava pra sair daquele jeito. Ficamos lá esperando o tempo passar e lá pras 10h começou a pintar um sol. Então, todo mundo animou e começou a caminhada pro Morro do Castelo. Tavam os 4 do nosso grupo e mais umas 15 pessoas de grupos diferentes. Gringo, baiano, paulista, carioca, tinha de tudo.

A caminhada desde a Igrejinha até a base do Morro é bem tranquila. O problema é quando começa a subida depois de atravessar o rio. Por causa da chuva à noite o caminho da subida estava cheio de lama. Tinham horas que o pé afundava inteiro na lama. Fora o medo de escorregar e se sujar todo. Felizmente só o tênis e a meia ficaram imundos, de resto foi tudo bem.

Na metade da subida paramos pra descansar e a Carla começou a sentir uma dor forte nas costas, por causa da queda lá na Cachoeira do Sossego. Todo mundo ficou preocupado e iríamos voltar caso ela não conseguisse mais subir. Depois de um tempo, ela se sentiu melhor e resolveu que iria subir. Escondi a mala dela numa pedra pra pegar na volta e aí ela ficou mais confortável, mas ainda com dor. A partir desse ponto começa uma parte de escalaminhada, onde você tem que meio que escalar as pedras mas só com as mãos. É bem cansativo mas divertido. A todo momento só se ouvem gemidos de lamentação.

Finalmente chegamos na gruta que atravessa pro outro lado do Morro. Passamos literalmente no meio da gruta e chega uma hora que o caminho fica totalmente escuro. Aí os guias pedem pra todos desligarem as lanternas e celulares que estavam usando pra podermos apreciar o escuro e o silêncio por alguns segundos. É uma experiência bem interessante. Continuamos andando pela gruta e saímos do outro lado, onde é preciso escalar mais algumas pedras pra se chegar no mirante que dá pra todo o Vale. Ali a vista já é boa, mas depois ainda subimos mais algumas pedras, num caminho que chega a ser perigoso por causa da altura das pedras que temos que subir. No fim do caminho chegamos num local de vista ainda mais privilegiada que o primeiro. Ficamos lá um tempão admirando a vista e sentindo o vento forte que fazia.

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[Vista do alto do Morro do Castelo]

 

Durante a descida o medo de escorregar e cair de bunda na lama voltou, mas mais uma vez passamos ilesos. No final da subida paramos no rio pra limpar as botas cheias de lama e descansar. Depois começamos a trilha até a Prefeitura, onde iríamos dormir. Estava todo mundo muito cansado por causa da subida do Morro do Castelo e chegamos na Prefeitura quase escurecendo. Lá moram o Jailson, sua esposa e sua filha pequena. Quando chegamos lá o guia Hans disse que tinha reserva pra gente mas o Jailson disse que não tinha a reserva, mas que iria ver se dava pra gente ficar lá. Conversou com sua esposa e decidiram que sim. Então, fomos pro nosso quarto e percebemos que não tinha ninguém hospedado em nenhum dos quartos. Não entendi qual o motivo de quase termos sido recusados.

Tomamos banho, mais uma vez gelado, e fomos jantar. A comida da Prefeitura era tão boa quanto a da Igrejinha. Eu devo ter repetido umas três vezes. Depois de jantar, estava todo mundo destruído e fomos dormir.

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[Tá vendo aquela montanha lá no alto? Ali é o Morro do Castelo]

 


Dia #10 - Vale do Pati (Prefeitura > Andaraí) > Lençóis > Igatu

Acordamos às 08h, tomamos café e começamos a caminhada da Prefeitura até Andaraí. O trajeto tem quase 16 km. O caminho é puxado porque temos que atravessar um paredão inteiro, subindo até o topo da montanha e depois descendo. O sol estava forte e cansou muito. No caminho há algumas pequenas nascentes onde dá pra encher a garrafinha.

Chegamos em Andaraí 14h30 e o combinado era que o Henrique, dono da agência estaria nos esperando lá. Esperamos até 15h30 e o guia Hans resolveu ligar pra saber. O Henrique estava em Lençóis ainda (a 2h de Andaraí) e disse que iria pedir pra um funcionário buscar a gente. Ficamos putos porque estávamos cansados, sem tomar banho decente há 4 dias e esfomeados. E o plano era chegar cedo em Lençóis para pegar o carro e chegar ainda de dia em Igatu, o próximo destino.

Já que tinha que esperar 2 horas até o carro nos buscar, fomos procurar um lugar pra comer. Não tinha nenhum restaurante ou bar abertos, só alguns pequenos mercados. Encontramos uma sorveteria e almoçamos uma barca de açaí.

Depois enrolamos e usamos o wi-fi de outra sorveteria pra passar o tempo, até que o carro da Fora da Trilha chegou às 18h, 4 horas depois do combinado. No caminho de volta para Lençóis o motorista parecia que estava apostando corrida ou então tentando se suicidar, de tão rápido que dirigiu. Isso só completou os péssimos serviços da agência Fora da Trilha. Esqueceram de nos buscar no último dia. Os lanches de trilha eram bastante fracos em comparação aos outros grupos. O guia Hans reclamava o caminho todo dizendo que o caminho era difícil, ou então que o próximo dia tinha uma caminhada chata, ou que não gostava de fazer determinado trecho. Além disso, os lanches de trilha ficavam em sacolas de mercado com a comida toda solta, incluindo frutas e pão soltos e misturados com outros alimentos. A faca usada para passar requeijão e manteiga no pão ficou suja do primeiro ao último dia, o guia nem ao menos se dispunha a passar uma água quando chegávamos nas casas dos nativos. Sem contar a falta de reserva para nós na Prefeitura no último dia. Enfim, foi um caos total. Quando chegamos em São Paulo reclamamos por e-mail com o dono da agência e depois de muita discussão conseguimos reaver parte do dinheiro. Dos R$ 2200 ele nos devolveu R$ 500. Não achei justo mas ao menos minimizou os problemas.

Chegamos em Lençóis, depois da aventura, e fomos pegar o carro que deixamos estacionado na rua do Fazendinha & Tal. Estava lá intacto do jeito que a gente deixou. Pegamos a estrada pra Igatu.

Saindo de Lençóis você pega a BR-242 sentido Salvador. Depois de 35 km vira-se a direita na entrada pra Mucugê/Andaraí. Depois são mais 57 km na BA-142 até a entrada para a Estrada de Pedras que dá acesso a Igatu. Finalmente, os últimos 7 km que demoram quase meia hora. O caminho é todo feito de pedras e a velocidade não pode passar de 20 km/h senão bate o carro inteiro. Fomos acompanhando o GPS e parecia que não ia chegar nunca, mas finalmente chegamos. O vilarejo é muito pequeno e sossegado. A população de Igatu é de aproximadamente 700 pessoas. O local é tão pacato que nem ao menos polícia tem. Também não tem farmácia. Todas as ruas e várias são casas são feitas de pedras. Chegamos lá 22h e não tinha quase ninguém na rua. Ficamos no Art Hotel Cristal, custou R$ 90 a diária com café da manhã. O hotel tem um restaurante e pizzaria que funciona à noite. Como não tinha nada aberto na cidade comemos uma pizza lá mesmo, por salgados R$ 60. Mas estava bem boa. Tomamos finalmente um banho quente e dormimos.

 


Dia #11 - Igatu (Ruínas + Gruna do Brejo)

Tomamos café e o dono do hotel nos deu um mapa de Igatu desenhado por ele mesmo. Tinha os lugares mais visitados da região e a maioria dá pra fazer tudo a pé. Começamos virando a rua à direita e indo na igreja da cidade, que fica ao lado do cemitério. A igreja é bem pequena e toda feita das pedras, mas estava fechada e então só deu ver e tirar foto por fora. Continuando na rua tem a Galeria Arte & Memória, com alguns objetos contando a história do garimpo da região e umas exposições. Paga-se R$ 5 para entrar e é bem interessante. Saindo de lá continuamos descendo até as ruínas. O local lembra uma espécie de Machu Picchu, até por isso Igatu é conhecida como a Machu Picchu baiana. Há várias ruínas das casas onde morava a população de Igatu na época da extração do diamante.

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[Igreja em Igatu]

 

Depois fomos conhecer a Gruna do Brejo. Seguimos o caminho do mapa mas nos perdemos e voltamos pra praça em frente ao hotel. Perguntei pro dono de um bar o caminho e ele disse que a gente tava certo, era só continuar seguindo a rua até o fim, passar por um campo de futebol e que depois estaria a Gruna. Então voltamos e aí encontramos o local. Tinha uma casinha na entrada mas não tinha ninguém lá dentro, só o cachorro Whisky preso. Numa cozinha separada da casa tinha um rapaz e fui lá perguntar se ele sabia como funcionava pra conhecer a Gruna. Aí ele mesmo nos levou lá até a entrada da Gruna, contando um pouco da história do local. Um outro guia bem velhinho nos levou pra dentro da gruna e continuou contando a história do garimpo e que lá trabalhavam muitos escravos de uma vez, em turnos de dia e de noite. O local é bem abafado e completamente escuro, temos que caminhar com lanternas pra enxergar alguma coisa, mas o guia nos dá as lanternas antes de entrar. O final da pequena trilha é numa grande caverna onde tem bonecos de argila homenageando os escravos que trabalhavam lá. O guia acende algumas velas em torno dos bonecos para iluminar e pra perguntar se a gente queria tirar foto. Não quisemos e acho que ele achou estranho, porque provavelmente todo mundo fotografa os bonecos. Mas tem coisas que acho que só devem ser observadas e sentidas. Mas também é só uma opinião minha, nada contra quem não concorda comigo. Pelo mesmo motivo não quis entrar nadar no poço na entrada da Gruna, apesar da água estar bem convidativa. O guia nos explicou que o buraco do poço foi formado pela ação do homem, das explosões ocorridas para a extração do diamante. E que por isso ali se chama Gruna do Brejo, e não Gruta. A palavra gruna denomina cavernas e buracos criados pelo homem. Gruna é quando é obra da natureza. Ou nas palavras do guia, quando criado por Deus.

Saindo da Gruna, voltamos pra praça pra almoçar. Encontramos um restaurante com as mesas do lado de fora e comemos lá mesmo. Por R$ 40 comemos carne de sol, mandioca, arroz, feijão, salada e farofa. A porção era pra 2 mas davam pra alimentar uns 4. Tinha muita comida. Entre as opções do cardápio estava uma porção de palma. A Carla me perguntou o que era e eu respondi que cacto. Ela não acreditou e perguntou pro dono do bar, e ele confirmou. Aí disse que iria trazer um pouco pra gente experimentar. Depois de uns 10 minutos ele trouxe uma porção ENORME de palma refogada. Nós experimentamos e estava bem gostoso.

Comemos a porção inteira, voltamos pro hotel e acabamos dormindo. Acordamos 2 horas depois muito estufados e quase não conseguindo levantar da cama. Até hoje acreditamos que foi por causa da palma.

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[O simpático porteiro de Igatu]

 

Fomos pra rua pra comprar uma Coca-Cola pra fazer digestão e encontramos um casal que fizemos amizade lá no Vale do Pati. Ficamos conversando e acabamos tomando uma cerveja e comendo uma coxinha muito da boa num quiosque que fica bem perto da praça. Era um domingo e perguntei pro dono do quiosque se ele abria todo dia, mas só abre de sábado e domingo. Aliás, muitos comércios ficam fechados boa parte do dia. Alguns abrem só de manhã, alguns só a tarde. Tem que dar sorte.

Umas 22h voltamos pro hotel, vimos um pouco de televisão e dormimos.

 


Dia #12 - Igatu > Ibicoara (Cachoeira do Buracão) > Igatu

Acordamos cedo e decidimos conhecer a Cachoeira do Buracão. Ela fica na cidade de Ibicoara, a pouco mais de 100 km de Igatu, e o trajeto dura 2 horas. Pra chegar lá basta seguir as indicações da rodovia no sentido de Ibicoara. Chegando na cidade, fica um pouco mais difícil. Fomos com a ajuda do Wikiloc e conseguimos chegar, mas sem ele creio que é impossível encontrar o caminho. A partir de Ibicoara é preciso pegar um trecho de quase 30 km em estrada de terra e lama, com algumas bifurcações e sem nenhuma indicação do caminho.

Chegando na portaria do Parque Natural Municipal do Espalhado é preciso pagar uma taxa de R$ 6,00 por pessoa. Além disso é preciso contratar um guia, pois não é permitido visitar o Buracão por conta própria. O preço para um casal é R$ 120 (R$ 60 por pessoa). Para grupos a partir de 4 pessoas o valor cobrado é R$ 35 por pessoa. Como estávamos só em dois ficamos esperando dentro do carro pra ver se aparecia mais algum casal ou alguém sozinho para rachar o valor da entrada. Infelizmente não apareceu ninguém, talvez por ser uma segunda-feira e também por conta do clima que estava chuvoso e nublado.

Choramos um desconto e conseguimos fechar com o guia Ademário por R$ 110. Ele foi no nosso carro até o estacionamento onde começa a trilha para o Buracão. Da guarita do parque até o estacionamento são mais 7 km em estrada de terra. No caminho chegamos até a cruzar de carro o leito de um rio.

Do estacionamento até o Buracão a trilha dura 1 hora e é relativamente simples, ela é plana na maior parte do caminho. Durante o trajeto há outras cachoeiras e poços e a paisagem é bem bonita. Pouco antes de chegar no Buracão temos que descer algumas escadas e pedras. Chegando no início do cânion o guia nos dá coletes salva-vidas para entrarmos na água. Não é permitido entrar no cânion sem coletes. Estava chovendo um pouco e a água da cachoeira estava bastante fria. Pra chegar de fato no Buracão é preciso nadar pelo cânion contra a correnteza, ou então ir andando pelas pedras escorregadias que beiram o leito do cânion. Fomos nadando mesmo e depois de muito esforço finalmente demos de cara com a cachoeira.

A força da água quase não nos deixava ver a cachoeira, de tanto spray de água que se forma. O guia nos explicou que por conta da chuva o volume de água estava bastante acima do normal, e que por isso não seria possível nadar até a queda. Então ficamos apreciando das pedras mesmo aquela imensidão de água. A cachoeira tem cerca de 85 metros de altura.

Ficamos um pouco por lá e o frio começou a apertar, então começamos a pegar o caminho de volta. Pra voltar pelo cânion é bem mais fácil, pois a correnteza está a favor. Basta soltar os braços e pés e ir flutuando. Devolvemos os coletes salva-vidas e no caminho de volta paramos para olhar a Cachoeira do Buracão, mas desta vez por cima. A vista é incrível e dá uma boa idéia da imensidão da queda.

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[Cachoeira do Buracão]

 

Pegamos o carro no estacionamento, deixamos o guia na guarita da entrada do parque e entramos na estrada para voltar para Igatu. Como ainda não tínhamos almoçado, paramos antes em Mucugê para procurar um lugar pra comer. A cidade estava bem vazia e quase não tinha comércios abertos. Paramos numa padaria e comemos um x-tudo bem ruim (saudades do Ki Lanches).

Voltamos pro hotel em Igatu e lá pras 22h a fome apareceu. Como já sabíamos que nada estaria aberto pra comer, pedimos uma pizza no hotel mesmo. Depois de comer, dormimos.

 


Dia #13 - Igatu (Poço Donana + Cachoeira das Cadeirinhas)

No nosso último dia de Chapada decidimos ficar mais tranquilos e procurar alguma cachoeira por perto de Igatu pra poder descansar das intensas caminhadas dos últimos dias. Fomos primeiro no Poço Donana, que fica na beira da rodovia BA-142. O trajeto desde Igatu é fácil: basta pegar a Estrada das Pedras e entrar na rodovia no sentido Andaraí. Apenas 2 km depois, na esquerda, vai aparecer um lugar chamado Toca do Morcego, onde tem um estacionamento, uma lanchonete e uma pequena loja com artesanatos. Você pode parar o carro ali e pegar a pequena trilha que começa atrás da lanchonete. Há placas indicando o caminho e a caminhada até o Poço é bem curta. É só ir seguindo as setas no chão.

Ficamos deitados nas pedras tomando sol, que estava bem forte nesse dia. Depois voltamos pra Igatu e tentamos procurar a trilha para a Cachoeira dos Pombos. Tentamos seguir o mapa mas não encontramos nada e voltamos pra cidade. Pedimos informação para alguns senhores na rua e eles nos indicaram o mesmo caminho que havíamos feito. Tentamos novamente, andamos bastante por um caminho de pedras que seguia o leito de um rio, mas acabamos desistindo e paramos na Cachoeira das Cadeirinhas, onde a água de uma pequena queda formou bancos de pedras onde dá pra sentar e tomar banho na água gelada.

Ficamos lá um bom tempo e voltamos pro hotel. À noite fomos novamente pra Mucugê procurar um lugar pra comer, mas de novo estava quase tudo fechado. Descobrimos que os comércios estavam fechados porque estavam preparando comida para o Festival Gastronômico da Chapada que iria começar no dia seguinte. Infelizmente a gente ia embora e acabou perdendo o festival. Encontramos somente uma hamburgueria aberta na rua principal e comemos lá mesmo. Depois voltamos pra Igatu, arrumamos as malas e fomos dormir.

 


Dia #14 - Igatu > Salvador

Acordamos 8h e nos despedimos da Chapada. Pegamos a estrada para Salvador e chegamos na capital baiana por volta das 14h. Ficamos hospedados no hotel Manga Rosa, na Praia da Barra. Na chegada a Salvador o céu estava preto e choveu bastante. Quando chegamos no hotel o sol novamente apareceu e aí só guardamos as malas no hotel e corremos pra praia, que fica a 50 metros do hotel. Deu pra pegar bastante sol, entrar no mar, comer acarajé e descansar.

À noite fomos conhecer a região do Pelourinho e depois jantamos no bairro do Rio Vermelho. De volta pro hotel fomos dormir cedo porque teríamos que acordar cedo pra sair pro aeroporto.

 


Dia #15 - Salvador > São Paulo

Acordamos 7h e ainda deu tempo de caminhar na orla da praia. Voltamos pro hotel, tomamos café e fizemos o check-out. Da Praia da Barra até o aeroporto de Salvador o trajeto durou 1 hora, pois era dia de semana e tinha trânsito em alguns pontos.

Devolvemos o carro imundo no estacionamento da Hertz e foi cobrado uma taxa (bastante justa devido ao estado do carro) de R$ 20 para a limpeza. De lá, pegamos a van da locadora que nos deixou no aeroporto.

Decolamos e nos despedimos da Bahia.

Editado por Felipe Ernesto

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Otimo relato, gostei muito!!!

Obrigado pelas dicas, 3 preguntas:

1) Qual foi o custo de aluguel do carro?

2) Acha ruim, fazer todo isso de moto no lugar de carro?

3) em Vale do Pati e possivei fazer sem guia e dormir em barraca no meio da mata?

Obrigado!

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Em 09/09/2017 em 00:11, Agustin_p disse:

Otimo relato, gostei muito!!!

Obrigado pelas dicas, 3 preguntas:

1) Qual foi o custo de aluguel do carro?

2) Acha ruim, fazer todo isso de moto no lugar de carro?

3) em Vale do Pati e possivei fazer sem guia e dormir em barraca no meio da mata?

Obrigado!

Muito obrigado! =D

Vamos lá:

1) O aluguel do carro pelos 15 dias na Hertz ficou em R$ 1100,00. O valor só do aluguel era de cerca de R$ 550, mas com o seguro ficou em 1100. Conseguimos esse valor promocional com um código de desconto disponibilizado pela operadora TIM.

2) Eu acredito que dá pra ir de moto sim, numa boa. Talvez seja ruim apenas em algumas estradas de terra ou lama. Se sua moto for daquelas estradeiras dá pra ir tranquilo.

3) Dá pra fazer o Vale do Pati sem guia, mas aí vc precisa de um bom mapa ou então baixar algum app de GPS. Como eu disse no relato, usamos o Wikiloc e ele funcionou muito bem. É possível levar barraca pra dormir, mas o que aconselho é acampar nos pontos de parada (na casa dos nativos). Na Igrejinha o valor pra acampar era R$ 20 por pessoa. Na Prefeitura não lembro de ter visto o preço, mas provavelmente não deve ser muito diferente.

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Fiz o trajeto, em julho 2017 saindo de carro de Curitiba, indo direto para o Capão. Depois fui com esposa e filho direto ao Paty, e fiquei 4 dias na dona Léia. Depois voltei para Guiné, onde aluguei um carro e voltei ao Capão para pegar o meu. Depois, de carro, fui a Pratinha, Morro Pai Inácio, Lençois, Iguatu, e por ultimo Mucugé. Já voltando para CTBA, passei em Alto Caparao e fiz o Pico da Bandeira de madrugada para ver o por do sol, e depois, rumo casa. Foram 21 dias e 5.000 km de estrada. Fiquei com a mesma impressão sua a respeito dos guias locais, que, a meu ver, cobram preços exorbitantes, e pouco se importam, com raras excessões, com os que ali vão sem a presença deles. Fiz tudo com mapa impresso local, GPS Etrex e relatos obtidos aqui mesmo no site. Com planejamento e preparação, se consegue fazer tudo com segurança.

Abraços

  • 1 mês depois...
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Felipe, uma consulta mais,

Da pra fazer:

Guiné > Cachoeirão por cima > Igrejinha => No mesmo dia? tipo chegar na igrejinha a noite quase?

Obrigado! :)

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6 horas atrás, Agustin_p disse:

Felipe, uma consulta mais,

Da pra fazer:

Guiné > Cachoeirão por cima > Igrejinha => No mesmo dia? tipo chegar na igrejinha a noite quase?

Obrigado! :)

Acredito que dá pra fazer sim. É bem puxado, mas dá. É só ficar atento ao horário pra não voltar pra Igrejinha já escurecendo porque imagino que fique mais perigoso e difícil de achar o caminho.

  • 2 meses depois...
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Qual a melhor época do ano para fazer esse mochilão? Quando as cachoeiras estão com um nível razoável de água, nem tão cheias e nem tão secas. 

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16 horas atrás, Diego F. Santana disse:

Qual a melhor época do ano para fazer esse mochilão? Quando as cachoeiras estão com um nível razoável de água, nem tão cheias e nem tão secas. 

Os melhores meses são de maio a setembro, porque chove menos.

Aqui tem uma tabela das temperaturas médias e da precipitação de chuvas: http://goldtrip.com.br/clima-na-chapada-diamantina/

  • 3 meses depois...
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Ótimo relato, irei daqui a uma semana passar o feriadão. Passarei 4 dias, é muito pouco mas já vai dar pra ver coisas maravilhosas. Espero ir no segundo semestre para ver o restante. 

Quais restaurantes bons e baratos você recomenda em Lençóis? 

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