Ir para conteúdo
  • Cadastre-se

Posts Recomendados

Mochileiro ou não, todo mundo sonha em conhecer a Patagônia. E não é para menos. Se quando vemos as fotos, ficamos admirados, ir e ver com os próprios olhos e sentir na pele o vento cortante é uma das experiências mais incríveis que eu já tive. Eu estava com uma parte das minhas férias programadas para a primeira quinzena de setembro. Sempre monitorei preços de passagens aéreas para Ushuaia e El Calafate e eis que para a minha sorte, surgiu uma promoção aérea para El Calafate exatamente para o meu período das férias. Não pensei duas vezes e comprei a passagem em abril por R$1.193,76 com taxas.

Depois que eu comprei e fui ler sobre roteiros, eu quase caí para trás com os preços. Sim, visitar a Patagônia é muito, mas MUITO caro. Muito mais do que eu imaginava. Mas assim como para qualquer outra conquista, você deve se planejar. Além disso, não encontrei muitos relatos de pessoas que foram no inverno. Das poucas informações que eu consegui, a maioria dos comenta´rios era de que tudo estaria fechado por causa da neve e que as temperaturas eram muito negativas no inverno. Pois bem, então aqui segue o meu relato com todos os meus perrengues, histórias e informações possíveis que possam te ajudar de alguma forma ou para que você possa viajar junto comigo.

Qual a desvantagem de ir na Patagônia no final do inverno?

 Primeiro, o frio. Lembre-se que eu fui mais para o final do inverno do que no início, então já não estava tão rigoroso assim. No início do inverno, as temperaturas são quase todas abaixo de zero (me informaram temperaturas de até -17°C). Alguns lugares são mais frios que os outros. Em El Calafate a variação foi entre -1°C (6h da manhã e fim da noite) a +8°C (a tarde). Torres del Paine -3°C (na estrada às 9h) a +8°C (a tarde). El Chaltén -6°C a +3°C. Ushuaia -7°C a +3°C (um dos dias a máxima foi -1°C). As áreas internas dos estabelecimentos e de alguns transportes possuem aquecimento. Então toda hora você tira casaco e põe casaco (quase um treinamento do Karatê Kid! Hahaha!).

 Segundo, a neve. Algumas trilhas ou alguns passeios são interrompidos durante o inverno ou só abrem no verão. Mas mesmo com alguns lugares fechados, ainda há muito o que se fazer. Em El Calafate eu queria fazer a caminhada no Big Ice, mas ela só abriria a partir do dia 15 de setembro, data impossível para mim. Então fiz o minitrekking que é excelente e funciona o ano inteiro.

 Qual a vantagem de se visitar a Patagônia no final do inverno?

 Primeiro, a baixa temporada. As hospedagens e os passeios são mais baratos, além das cidades e atrações estarem mais vazias, permitindo encontrar hostels, contratar passeios diretamente nas agências de última hora e não disputar espaço nas atrações para as fotos. Li diversos relatos sobre a necessidade de se reservar o passeio do minitrekking com pelo menos 2 meses de antecedência. Até cheguei a entrar em contato com a empresa responsável alguns meses antes da minha viagem, mas como precisava pagar a reserva (e o câmbio do cartão pelo brasil + iof deixava ainda mais caro), resolvi arriscar a contratação do minitrekking na própria agência. E deu certo. O ônibus de 47 lugares estava com cerca de 30 assentos ocupados.

 Segundo, a neve. Ao mesmo tempo que a neve é ruim porque fecha alguns passeios, ela dá uma paisagem única. Além disso, você ainda pode pegar algum dia que vá nevar e se divertir com isso. E alguns passeios, como skis, snowboard, trenós com cães, obviamente dependem da presença de neve.  

 Terceiro, ausência de vento. Apesar de ser muito fria, a Patagônia possui um clima temperado, e não ártico. Eu sempre fui MUITO friorenta e uma das coisas que mais me assombrava era o frio. É frio? Demais. Eu peguei entre -7 (geralmente noite/madrugada) a +8. Claro que a temperatura é problema, mas mais do que a temperatura, o maior vilão é o vento. Dói, literalmente. Principalmente as mãos. E olha que eu dei sorte de pegar pouco vento. Segundo um dos guias que eu conversei, a temporada de ventos é em outubro e novembro e no inverno (julho, agosto e setembro) venta pouco, mas quando venta, geralmente são ventos muito fortes. Praticamente todo o passeio no perito Moreno e em TDP foi zero vento. Claro que eventualmente tinha uma brisa leve, mas o vento patagônico mesmo foram poucos os momentos que vivenciei na viagem. Quando ele aparece, ele te desequilibra na caminhada de tão forte, torna a caminhada bem cansativa (pois vc precisa as vezes fazer força com o corpo) e a sensação térmica despenca muito e de uma vez só.

 Resumo da viagem:

02/09/17: voo BH - São Paulo

02/09/17: voo BH-Congonhas

03/09/17: voo Guarulhos - Buenos Aires

04/09/17: voo Buenos Aires - El Calafate

05/09/17: El Calafate (Minitrekking Perito Moreno)

06/09/17: Torres Del Paine (bate e volta de El Calafate)

07/09/17: El Calafate - El Chaltén (Trilhas Mirador dos Condores e das Águias)

08/09/17: El Chaltén (Trilha Laguna Los Tres-Fitz Roy)

09/09/17: El Chaltén (Trilha Laguna Torre)

10/09/17: El Chaltén - El Calafate (Museu Paleontológico e Lago Argentino)

11/09/17: El Calafate – Ushuaia (Canal do Beagle)

12/09/17: Ushuaia (Parque Tierra Del Fuego, Lago Fagnano)

13/09/17: Ushuaia (Parque Tierra Del Fuego, Trem do Fim do Mundo, Montanha Glaciar Martial, Presidio)

14/09/17: Ushuaia (Cerro Castor)

15/09/17: Ushuaia - El Calafate

16/09/17: voo El Calafate - Buenos Aires

17/09/17: voo Buenos Aires - Asunción - São Paulo - BH

 

Mesmo no final do inverno, o dia era longo. Amanhecia por volta da 8h da manhã e anoitecia por volta das 20h.

Tenha em mente que a Patagônia recebe gente do mundo inteiro. Além do espanhol, muitas pessoas falam inglês e algumas português. É fácil se virar com o portunhol (Há MUITOS brasileiros viajando por lá, então muitos restaurantes e guias falam português). Por ser um lugar muito turístico, associado à crise econônica na Argentina e serem lugares isolados para o abastecimento, as comidas também são caras. Uma comida simples você não pagará menos de 40,00 reais. Há opções de mercadinhos, padarias, sacolão e supermercado nas cidades. Uma forma de economizar bastante é você comprar as coisas e preparar sua própria comida, como eu fiz na casa das minhas CS ou nos hostels. Das vezes que eu comi fora, o valor de um prato barato era o valor do meu supermercado para 2 ou 3 dias inteiros.

É imprescindível viajar com seguro viagem. Primeiro por causa de acidentes. A probabilidade de você escorregar e cair em algumas caminhadas é muito alta. Além disso o vento forte pode quebrar galhos e eles caírem em você. E segundo por causa do clima, que é muito instável e pode cancelar ou atrasar os voos (é muito comum). Não faça economia porca de menos de 200 reais e correr o risco de ter que gastar muito mais do que isso.

 

Itens indispensáveis para se levar:

Protetor solar (a incidência de UV é alta)

Óculos de sol

Protetor labial

Gorro

Protetor para pescoço

Bota impermeável

Luvas finas que possuam nas pontas um tecido que te permita usar o celular

Luvas grossas

Primeira e segunda pele (blusa e calça)

Corta vento impermeável

 

Todas as minhas roupas eu comprei na Decathlon. Por ser muito friorenta, comprei roupas superquentes, como roupas próprias para neve. Raramente as usarei novamente, mas não me arrependi em nada. Vi muita gente usando roupas mais simples e passando muito aperto. Eu não daria conta. Então depende do quão resistente ao frio você é.

 É importante você sempre ter várias camadas e que a maioria seja impermeável ou resistente a água para você andar na neve ou pegar neve/chuviscos sem se preocupar em ficar molhado depois. No meu caso, eu sempre estava com a primeira e segunda pele, um casaco pesado impermeável e que cortava o vento, além de segunda pele para as pernas e calça impermeável. As vezes usava mais do que isso. É importante também a primeira e segunda pele sejam respiráveis, pois em algumas caminhadas você vai suar MUITO, mesmo em temperaturas negativas (as camadas de roupa criam uma microsauna).

 Sobre as hospedagens, você encontra de todos os preços. Obviamente os mais baratos são os hostels (e que geralmente são incríveis!). Há vários, mas não vou listá-los pois essas informações e preços você consegue facilmente consultar na internet ou apps de reservas. O mais barato eu vi em El Calafate foi atrás da rodoviária, em que a diária pelo Booking.com estava saindo cerca de 10.00 reais!

 A média dos hostels era 30-50 reais e dos hotéis simples, 100 a 150 reais. Alguns com ou sem café da manhã (que geralmente era torrada, chá, suco e geleia). Meus 3 primeiros dias em El Calafate e o primeiro dia em Ushuaia eu me hospedei pelo couchsurfing. Geralmente eu sempre viajo usando o CS, especialmente quando viajo sozinha. Eu sou suspeita para falar do CS pois amo a proposta dele. E gente, tirem da cabeça que o CS serve para se viajar sem gastar com hospedagem. Claro que isso é bom, mas o CS é muito mais do que isso. O CS é uma proposta principalmente social, para se fazer novos amigos, ter companhia, apoio e boas conversas com pessoas que vivem no lugar diariamente. Isso é muito mais gratificante do que economizar 10.00 reais por diária. Eu já fiz amigos incríveis do mundo inteiro pelo CS e sempre usarei essa plataforma de troca.

 Domingo (03/08/17) - Sai às 13:40h de Guarulhos e meu voo estava previsto para aterrissar às 16:30h no aeroporto Newbery (mais conhecido como Aeroparque), em Buenos Aires. Porém devido ao mau tempo, tivemos que aterrissar no aeroporto Pistarini (mais conhecido por Ezeiza pelo fato de estar localizado no município de Ezeiza, região metropolitana de Buenos Aires), que fica cerca de 40km de distância. Como o meu voo para El Calafate sairia pelo Aeroparque, tive que seguir para lá de ônibus. Mas para isso acontecer, foi uma luta. Depois que aterrissamos ficamos quase uma hora presos dentro do avião porque não sabíamos se o avião voltaria para o Aeroparque ou como a Latam iria proceder. No meio da falta de informação, vários passageiros começaram a ficar nervosos e a histeria começou a ficar de tal maneira, que algumas pessoas tiveram ataques de pânico dentro do avião pensando na possibilidade de voarmos novamente para o Aeroparque (na tentativa de descer na chuva, o avião teve que arremeter e com muita turbulência. Aí a galera pirou! Foi tenso! Quando pousamos, parecia final de campeonato de tanto que as pessoas aplaudiam e comemoravam! Hahaha! Depois descobri que os argentinos sempre batem palmas depois da aterrissagem, mas nesse dia acho que comemoração foi digna de final de campeonato porque estavam todos vivos!! Hahahaha!). Enfim, decidiu-se que para passageiros em conexão, alguns teriam que ir para o Aeroparque (como é o meu caso) e alguns sairiam do Ezeiza mesmo, já que todos os voos haviam sido desviados para lá. O aeroporto estava um verdadeiro caos e os funcionários completamente perdidos.

 Quando desci do avião, havia somente um funcionário chamado Carlos para dar informações aos passageiros e ele me indicou procurá-lo no balcão do check-in da Latam (na verdade ele foi lá só para encontrar com uma das mulheres que deu ataque de pânico e não de fato orientar os outros passageiros, o que deixou muita gente sem saber o que fazer). Quando cheguei ao check-in, o Carlos não estava lá e os outros funcionários não sabiam quem era. Então uma funcionária falou que era para eu ir aos guichês ao lado do desembarque para pegar o ônibus que levaria ao Aeroparque, porém o ônibus custava cerca de 500 pesos! Voltei ao guichê da Latam e outro funcionário me indicou para pegar o ônibus direto para o Aeroparqie no terminal C e que era só apresentar o meu bilhete e eu não pagaria. O terminal C fica cerca de 5 min andando rápido do terminal A, onde foi meu desembarque. Fiquei lá esperando o ônibus uns 10 min.

 Ao conversar com o motorista, ele me disse que o ônibus custava 200 pesos. Me conformei que eu teria que pagar o ônibus, ainda que eu achasse que isso seria um problema da Latam. Fui então para o Banco Nacional (que fica no terminal A) trocar dinheiro e na fila chegaram duas aeromoças brasileiras do meu voo, que me falaram que a Latam estava levando os passageiros de graça para o Aeroparque e alguns ônibus com pessoas do meu voo já tinham saído e que o último já estava de saída. Saí correndo para o terminal 41, que era onde os passageiros deveriam se apresentar para pegar esse ônibus.

 Esse terminal era exatamente onde os outros dois funcionários estavam e que me mandaram pegar ônibus pagos. Fiquei completamente sem entender. Por que raios eles me mandaram pegar um ônibus pago se eu tinha direito ao ônibus da Latam e eles quem estavam organizando a fila?! Preferi não discutir e finalmente encontrei o tal do Carlos e ele me tranquilizou, me pediu para esperar e ainda conseguiu uma funcionária que falava português para conversar comigo e pegar meus dados para não haver erros de novo. Fiquei em frente ao guichê até a hora da saída do outro ônibus (previsto para às 19:30h, mas que só chegou às 19:50h - e pelo que parece eles não cumprem o horário), quando um dos funcionários me levou até o ônibus. Ao chegar ao Aeroparque, fui direto ao Banco de La Nácion trocar real: 4,37 pesos argentinos por real (dólar estava 17.00 e euro 20.50). Nem tentei trocar dinheiro em outras áreas do aeroporto (na verdade nem achei). Além do câmbio melhor no banco comparado com o comércio que aceitava pagamentos em real, o aeroporto estava lotado de policiais. Não valia a pena correr risco de trocar no câmbio negro.

Não troque real por peso no Brasil. Você perderá dinheiro. Além de pagar iof, o câmbio é menor. Depois que trocar dinheiro, coma antes do embarque pois existem mais opções de restaurantes (que fecham às 22h). Achei pouquíssimos bebdouros dentro da área de embarque. A garrafa de água mais barata que achei era cerca de 40 pesos de 500 Ml (parece que assim como na Inglaterra, água se bebe diretamente da torneira, pois em toda a viagem, tirando os raros bebedouros do aeroporto, não há filtros de água). Economize bateria do telefone pois você praticamente não achará tomadas. Se achar, além de ter o padrão argentino (tão diferente quanto o brasileiro), provavelmente estará ocupada. O avião para El Cafalate não tinha tomada. É possível deitar e dormir nos bancos da área de embarque.

 Na imigração, você tem que fornecer o endereço de onde irá se hospedar. Então não adianta ir no mochilão no estilo mais roots de procurar hospedagem somente quando se chega à cidade de destino da primeira pernoite. Até porque é perigoso. Imagina que você chega à El Calafate e você não consegue hospedagem... você não conseguirá se abrigar em nenhum lugar e certamente vai morrer de hipotermia se dormir na rua.

 Segunda (04/08/17) - O voo saiu para El Calafate no horário previsto às 06h. O amanhecer obviamente ocorre no lado esquerdo do avião, mas recomendo que tente sentar do lado direito para observar a cordilheira, os lagos e as montanhas cobertas com neve. É possível ver os Cerros Torres e Fitz Roy em El Chaltén. É lindo!! Essa viagem eu não despachei mala - estava só com uma de mão (mesmo tendo comprado passagens no Brasil quando ainda existia franquia de bagagem de 23kg, o voo interno para Ushuaia exigia bagagem de até 10kg, então me virei para levar tudo o que precisava para uma viagem de 15 dias dentro desse limite de peso – e já adiantando, obvio que eu repeti muitas roupas). Assim, logo que desci do avião já fui direto para o saguão onde você pode contratar os táxis ou transfers para o centro (fica cerca de 20km).

 O táxi custa 480.00 pesos e carrega até 4 pessoas. Embora tenham muitas pessoas viajando sozinhas, não é tão fácil conseguir arrumar pessoas para rachar um táxi. A maioria das pessoas já vai direto para o guichê do transfer da Ves Patagônia, que é o mais barato e custa 160,00 (ou 240,00 se você comprar a ida e a volta). A vantagem de não ter que esperar a minha mala na esteira é que já fui direto para o guichê e não peguei fila (que ficou gigantesca depois), além de ter acesso fácil às roupas de frio (quando cheguei estava -1). O aeroporto de El Calafate é pequeno e muito simples. Vi somente duas lanchonetes por lá (uma dentro da área de embarque e outra fora). Aproveitei e comprei minha passagem de volta para o dia 16/09, onde a empresa me deu um voucher com o dia, local a sua escolha e horário que eles passariam para buscar (eles levam em consideração o horário do seu voo).

 Saindo do aeroporto, o transfer irá deixar você em algum hotel/hostel. Segui para o hotel que a minha couch me indicou como ponto de referência e de lá segui para a casa dela. Deixei as minhas coisas lá por volta de meio dia e saí para andar pela cidade. El Calafate não é uma cidade muito grande e se estiver com disposição, pode fazer tudo a pé. A rodoviária fica pelo menos a 20 min do miolo do centro. A cidade tem uma avenida principal (av. El Libertador), onde se encontra o maior número de restaurantes, agências e comércio em geral. É uma cidade completamente segura, organizada, muito limpa e na beira do Lago Argentino. Mas prepare-se para ver uma quantidade enorme de cachorros grandes soltos na rua (se vc estiver carregando comida, eles podem andar em bandos atrás de você)

 Na Argentina, o comércio geralmente fecha durante o horário do almoço e nos supermercados eles não fornecem sacolas (Em El Cafalte, El Chalten e Ushuaia tudo abria de 09 às 13h e depois das 17 às 21h.). Eu não peguei ônibus urbanos. Então não tenho ideia de preço das passagens. Se for alugar carro, há dois postos de gasolina. Um da Petrobrás (preço 16,40 pesos) e o YPF (preço 15,94 pesos). Ambos ficam na avenida principal. Fui direto para a agência Hielo y Aventura, que é a única que faz o passeio do minitrekking (3.200 pesos argentinos + 500 da entrada do parque) para reservar o passeio. Depois comecei orçar preços de outros passeios, como bate e volta em Torres del Paine e horários/preços de passagens para El Chaltén. Para trocar dinheiro, você pode ir ao Banco lá Nacion ou na Western Union. Não se pratica câmbio negro nos comércios e restaurante. O máximo que consegue fazer é pagar a conta com dólar, euro ou real (em El Calafate, o câmbio era o mesmo do banco). O Banco la Nácion funciona de 08 às 13h em El Calafate (Em El Chalten não tem e em Ushuaia funciona de 10 às 16h). A Western Union fechava às 18h e tinha a mesma taxa de câmbio que o banco (dólar 17.00, real 4.37, euro 20.50). Quando precisei, troquei dinheiro lá. Os Parques em El Calafate são pequenos e gratuitos. No centro tem a Intendência Parque Los Glaciares. Lá tem algumas esculturas e conta a história de quem foi o Perito Moreno e a importância do meu patrono, Charles Darwin.

 Segunda (05/09/17) - Há vários glaciares na Patagônia. O mais visitado e acessível é o Glaciar Perito Moreno que fica no Parque Nacional Los Glaciares, situado a 80km de El Calafate. O caminho até lá é todo asfaltado. Quando comprei o pacote do minitrekking, já estava incluso no valor o transfer (do contrário, você tem que ir até a rodoviaria e pegar um ônibus por conta própria. Se você for fazer o minitrekking, compre com o transfer. Do contrário, será muito complicado chegar ao parque a tempo do início do passeio (na verdade não sei se a agência vende o pacote do minitrekking sem o transfer, mas li na internet que sim e que não valia a pena). A comida não está inclusa e você tem que levar. Eles te buscam no hotel (embora no meu caso eu tive que ir até a agência pois não tava hospedada em nenhum hotel). Sente do lado esquerdo do ônibus para ver a paisagem do lago argentino e do glaciar quando estiver na área do parque.

O minitrekking é muito tranquilo e achei pouco cansativo. Eles irão colocar os grampos no seu sapato para que você possa caminhar no gelo. Rapidamente você se acostuma a andar com eles (cada um pesa cerca de 1kg). Eles te darão instruções de segurança e te darão apoio o tempo inteiro. Eles prezam muito pela segurança dos caminhantes. Vale muito a pena fazer o passeio. A experiência é única. Ao final do minitrekking, você terá uma hora para andar pelas passarelas do parque e ver o Glaciar de frente. Assim como a agência pede, eu também sugiro que ande somente pela passarela amarela para curtir o visual com calma. As outras não darão tempo de serem feitas em apenas uma hora. Todo do passeio tem a duração de um dia inteiro. Você sai às 7h e retorna às 17h.

Vá com roupas impermeáveis. O tempo é instável e pode chuviscar (quando chegamos para o minitrekking estava chuviscando e quando estávamos retornando do glaciar, voltou a chuviscar + associado ao vento que te desequilibra - foda de congelante! A temperatura caiu de +8 para a sensação de uns 0 de uma vez só).

 Quando cheguei em El Calafate, fechei o pacote de bate e volta para TDP pela agência Mondo Austral pelo fato deles terem folhetos mais detalhados sobre o passeio e o que incluía (como por exemplo o lanche e os valores corretos do parque). Mas pelo que parece, a Mondo Austral, assim como a Cal-Tur, é terceirizada (ou deve ser uma espécie de consórcio) por uma outra (Patagônia Extrema), que é a dona do ônibus. Além de preços iguais (2700.00 pesos argentinos), um casal que fez o passeio comigo no perito Moreno também foi para TDP comigo no dia seguinte e sei que eles fecharam pela agência Cal-Tur. Não procurei informações sobre a Patagônia Extrema. Na rodoviária, há somente uma empresa que oferece o passeio de bate e volta (Andesmar) mas custava 3000.00, além da entrada no parque (não sei se incluía comida). O bate e volta para TDP pelas empresas Mondo Austral, Cal-Tur e Patagônia Extrema saem somente às segundas, quartas e sextas (saindo às 06:45 e voltando às 21h). Não sei quais os dias da semana que a Andesmar oferecia, mas os passeios saíam em dois horários: saindo às 05:30h e retornando às 16:30h ou saindo às 11h e retornando às 22h.

 Quarta (06/08/17) - Como combinado com a agência Mondo Austral, o ônibus me pegou no ponto de encontro marcado (Hotel Mirador Del Lago) pontualmente às 06:45h. Era um ônibus de 32 lugares, dos quais 14 estavam ocupados. Depois que todos os passageiros foram recolhidos e pegamos a estrada, o guia entregou um mapa e explicou todos os detalhes e informações importantes. A alimentação está inclusa no pacote pois não se pode atravessar com alimentos frescos (como legumes e verduras), carnes e derivados de leite, ainda que industrializados (costumamos lembrar desse detalhe, ou eu pelo menos, somente quando viajamos de avião de um país para o outro. Mas essa regra de aplica também aos meios terrestres). Assim, se você levar algo do tipo, você tem que consumir antes da fronteira ou terá que deixar lá.

 A viagem é cansativa, pois anda-se no total cerca de 700km de ônibus. Saindo de Calafate, pega a ruta 11 e depois a famosa ruta 40 (que tem no total mais de 5.000km). O desnível até o parque TDP é pequeno, cerca de 500 m, que sobe-se gradativamente. A estrada é excelente e toda asfaltada, com exceção de uma parte em que o veículo anda sobre uma espécie de cascalho. É possível desviar pela ruta 5 e depois voltar para a ruta 40, mas o desvio é muito grande. Baseado no mapa, creio que aumentaria pelo menos 2 h de viagem. Não havia neve no asfalto, mas ao redor, muitos lugares tinham neve e algumas áreas da estepe estavam inteiramente cobertas por neve. Muitos carros possuem pneus adaptados para a quebra de películas de gelo que podem se formar no asfalto. Se você for alugar um carro, talvez seja interessante procurar informações sobre esse pneu (ele tem várias bolinhas de ferro ao longo da borracha), e considerar o lugar para onde irá viajar. No acostamento, haviam várias poças de água completamente congeladas (na estrada em si, eu só vi um riachinho muito estreito formado pelo escoamento de uma poça de água à outra). Embora o guia tenha falado que somente carros 4x4 passavam por lá, não é verdade. Carro comum de passeio passa normalmente e sem nenhum esforço. Acho que eles falam 4x4 só porque é cascalho. Inclusive só vi carros de passeio passando por lá. Apenas recomendo que faça seguro do parabrisas. A probabilidade de uma pedrinha acertar o vidro é grande, principalmente ao cruzar com outros veículos (muitos carros em todas as cidades que visitei tinham o parabrisas trincado). Outra recomendação é respeitar os limites de velocidade, pois o vento costuma frequentemente desviar ou balançar muito o veículo e sempre há guanacos (um animal parecido com lhama) atravessando a estrada.

 O guia irá te entregar o formulário da imigração para a entrada no Chile. Leve caneta para preenchê-lo no ônibus, pois o guia não fornece. Somente um passageiro tinha caneta e emprestou para todos, demorando para o preenchimento dos formulários. A primeira parada é na imigração da Argentina para pegar o carimbo de saída do país e o carro é vistoriado. No posto da imigração também funciona a aduana e o serviço de agrícola. No caso da minha excursão, nenhuma mochila foi vistoriada, mas se estiver de carro, provavelmente eles irão verificar. Eles verificaram o ônibus. Então depois você chega à imigração chilena. Lá você tem o passaporte carimbado de entrada no Chile (eles te darão um papel que você tem que guardar para entregar na saída do país), tem que entregar o formulário preenchido e passar todas as suas coisas no raio x. O ônibus foi verificado de novo. Além da imigração e aduana, lá também fica o serviço agrícola. Não arrisque entrar com os produtos proibidos que eu citei. Para se ter uma ideia, a multa para cada maçã, por exemplo, é 400 doletas. Então pense nisso se for atravessar a fronteira com alimentos para acampamentos. Caso vá viajar de carro, fique atento aos horários de funcionamento das imigrações. Não vi os horários da Argentina, mas a imigração do Chile funciona todos os dias do ano de 08 às 22h. Todo o processo nas duas imigrações demorou cerca de 40 min (considerando que só tinha o meu grupo de 14 pessoas. Na alta temporada com certeza você perderá um bom tempo lá pois não há muitos fiscais).

 Logo depois da imigração há uma cafeteria onde você troca dinheiro para entrar no parque TDP. A entrada é paga somente em pesos chilenos. Considerando as relações de câmbio do dólar, peso argentino e chileno e fazendo umas contas muito loucas com a minha matemática da área de biológicas (nada boa!), cheguei a conclusão que seria melhor trocar dólares (daria 18.33 dólares). A entrada custou 11.000 pesos chilenos. Porém eles não tinham troco para 100 dólares, então acabei pagando em peso argentino (440.00). Assim, leve dinheiro trocado. A cotação estava: 600 para dólar, 710 para euro, 25 para peso argentino, 170 para real (no dia seguinte quando estava na rodoviária, descobri que a empresa Andesmar também trocava dinheiro. Para pesos chilenos a cotação estava 600 para dólar e 160 para real. O câmbio de real para pesos argentinos estava 5,00, ao invés de 4,37).

Além de parada para lanches e troca de dinheiro, a cafeteria também tem várias opções de lembrancinhas e alguns itens de acampamento, como coisas para higiene pessoal e gás para fogareiro. Depois da cafeteria, o guia indicou sentar do lado esquerdo para ver as paisagens. Como o ônibus estava vazio, todo mundo teve a oportunidade de sentar do lado esquerdo. Vantagens da baixa temporada! (Bem antes da fronteira é possível observar bem de longe as torres à direita por somente por uns 5 min. Então se o ônibus estiver cheio, recomendo sentar do lado esquerdo para garantir a visão quando estiver chegando no parque, que são emocionantes)

 A Cordilheira dos Andes é algo impressionante! E embora a previsão do tempo fosse muito ruim, não choveu dei a sorte de pegar as torres e as montanhas ao redor sem nuvens o dia todo. O tempo lá é muito variável e muito frio. Às 13h, quando paramos para almoçar estava fazendo +4 e todo mundo comeu dentro do ônibus (às 16h chegou a +8 e depois voltou a cair abuptamente. Às 18h já estava +3). Impossível comer do lado de fora, mesmo sem vento algum. Recomendo também levar um lenço de papel para enxugar o vidro para bater fotos, já que dentro do ônibus estará quente e a água irá condensar. Eles emprestam um rodinho de mão, mas não é muito bom, além de ser disputado. Na cafeteria tem Wi-Fi free, banheiro e uma tomada. O padrão é diferente do da Argentina, mas serve para aparelhos brasileiros de 2 pinos (antigo padrão). Não há banheiros nas imigrações. A primeira parada foi no mirador do Lago Sarmiento. Depois Laguna Amarga. Paramos na beira do rio para o almoço e seguimos para a entrada do parque, onde pagamos as entradas e pudemos usar banheiros. Depois passamos em mais um lago pequeno e fizemos uma caminhada de nível fácil por 1h. Embora a viagem seja cansativa, vale a pena demais para quem dispõe de pouco tempo para aproveitar o parque TDP. Chegamos em El Calafate às 20:30h.

 Quinta (07/09/17) – Há ônibus de El Calafate para El Chaltén todos os dias saindo da rodoviária por duas empresas. A empresa Cal-Tur oferece às 08h ou às 17h (450 pesos) e a Andesmar às 07:30 (475 pesos), 8h (475 pesos), 11:30 (475 pesos) e 18h (450 pesos). Acordei cedo para pegar o das 8h e estava chuviscando, então tive que esperar. Cheguei na rodoviária pouco antes das 10h e o atendente da empresa Andesmar me informou que havia uma van saindo do aeroporto e que eu poderia ir com eles antes das 11h. Essa empresa era a Las Lengas (não sei se a Andesmar era terceirizada por essa Las Lengas, pois não tinha nenhum guichê da Las Lengas na rodoviária de El Calafate). A viagem até El Chaltén dura cerca de 3 horas. Na ida o motorista fez algumas paradas na estrada para que pudéssemos tirar fotos das paisagens e dos lagos (por causa das paradas, gastamos quase 4h de viagem). Também foi feita uma parada no hotel La Leona na estrada. Esse hotel fica na beira de um rio, onde o célebre Perito Moreno foi atacado por um puma enquanto estudava a área e sobreviveu (e por isso o hotel é bem famoso). O hotel possui uma cafeteria, vende algumas lembrancinhas, tem várias fotos e reportagens históricas sobre a região e um minimuseu com fósseis. Eles oferecem alguns passeios também, como caiaque no rio.

 Cheguei em El Chaltén no início da tarde. Deixei as coisas no hostel, fui passear pela cidade e aproveitei para ir no terminal rodoviário para ver os preços e horários das passagens para El Chaltén. Lá há cerca de 5 empresas que fazem diversos trajetos (como a Cal-Tur e a Andesmar, que oferecem passagens nos mesmos horários das saídas de El Calafate) e há o guichê da Las Lengas, que é a que possui maior número de horários para transporte para El Calafate. Essa empresa também oferece transporte direto de El Chaltén para o aeroporto (ou vice e versa). Da rodoviária fui para a trilha Los Condores e Las Águilas. Ambas são bem fáceis, embora a subida seja um pouquinho cansativa. Fiz as duas em duas horas e meia.

 Em El Chaltén não há supermercados e sim pequenos mercadinhos. Assim, há pouca variedade de alimentos, especialmente frutas, verduras e legumes, além de serem de péssima qualidade (muitos estavam apodrecendo) e mais caros. Então a dica é levar alimentos de El Calafate, que além do supermercado La Anonima, tem um sacolão muito bom.

El Chaltén tem muitos hostels. Eu me hospedei no Rancho Grande pela a indicação da minha couch em El Calafate. Fiz a reserva pelo app do Booking. O hostel é grande, muito bonito e organizado, além de possuir um bar/restaurante 24h.

 Os pagamentos de hospedagem em geral saem mais baratos se forem pagos pelo cartão de crédito pois sendo um cartão estrangeiro você não precisa pagar o IVA, que é um imposto argentino e que torna cerca de 20% mais caro o valor das hospedagens. Minha conta para 3 diárias ficou em 730,79 pesos (que no cartão foi convertido para 42,74 dólares + 2,73 de IOF). Não estava incluso o café da manhã.

 Sexta (08/09/17) – Levantei às 07h e olhei para a janela e voilá: estava nevando! Foi a primeira vez que vi! E é claro que eu comi! Hahahaha! Na noite interior, um argentino chamado Patrício chegou no meu quarto. Ele ficou apenas um dia em El Chaltén e queria fazer a trilha até a Laguna Los Tres (Sendero al Fitz Roy). Eu também estava planejando fazer essa trilha, então caminhamos juntos toda a trilha. Foi ótimo ter a companhia dele, pois além das conversas e risadas, o clima estava MUITO ruim para caminhar sozinho. Primeiro você deve evitar caminhar sozinho por causa de acidentes e segundo para evitar encontros com pumas que ocorrem na região (com mais pessoas, sua probabilidade de morrer é menor pq você pode empurrar o outro! Hahahahaha!!).

Tomei um café da manhã reforçado no hostel (130.00 pesos - incluía suco, chá, torradas, geleia, manteiga e doce de leite para as torradas, 3 fatias de mussarela, salada de frutas e Sucrilhos). Saímos às 8h em ponto em uma temperatura de -4°C. Nossa sorte que não estava ventando pois o frio era intenso e a neve não parou de cair um segundo até às 13h. Então toda a trilha e todas as paisagens estavam completamente brancas. Até a laguna são cerca de 10.5km de caminhada, sendo o primeiro km uma subida forte e o último km de altíssima dificuldade. Entre os km 2 e 9 é praticamente tudo plano. Andar na neve é tão cansativo quanto andar na areia. Por causa do peso das roupas de frio e da mochila, além do frio intenso, a caminhada foi difícil. No último km o terreno era muito íngreme e a neve já estava cobrindo todo o pé. Além disso havia a formação de gelo debaixo da camada de neve, o que nos fazia escorregar demais. Faltando uns quinhentos metros para o topo, desistimos.

 Já estávamos praticamente engatinhando e agarrando em todos os arbustos para tentar continuar, mas o caminho estava muito perigoso. Subíamos um metro e escorregávamos dois. Seria fácil perder o controle do escorregão e despencar montanha a baixo. Praticamente todo mundo chegava no mesmo ponto que o Patricio e eu chegamos e desistia. Não vimos ninguém que conseguiu aquele dia (em dias normais esse trecho já é difícil, mas nesse dia em especial acho que só quem tinha grampos que conseguiria). Mas mesmo não conseguindo, o sentimento foi de realização. Até onde chegamos, a vista foi maravilhosa e o tempo estava começando a melhorar. Descer a parte íngreme também foi uma super diversão. Tivemos que descer de bunda em um super escorregador natural! Hahaha! Só tínhamos que tomar cuidado para não perder o controle da velocidade e sair da trilha.

 Na volta conhecemos algumas pessoas que nos acompanharam boa parte do caminho. A medida que o sol foi aparecendo, foi incrível ver a transformação da paisagem. A temperatura máxima foi +3°C, suficiente para derreter praticamente toda neve acumulada entre os km 0 e 8 e revelar a vegetação. Alguns lugares que passamos eram irreconhecíveis com tanta mudança. Porém o derretimento da neve deixou várias partes da trilha com muita lama, o que gerou vários escorregões também. Dicas: não leve muita água. Você pode encher a garrafinha em vários pontos ao longo da trilha. Bastões fazem muita falta para essa trilha, tendo neve ou não. Recomendo levar.

 Sábado (09/09/17) - O dia amanheceu lindo. Muito sol e o Fitz Roy ficou a maior parte do tempo descoberto, ao contrário das torres. Creio que a maior parte dos turistas foram para a trilha da laguna Los Tres e eu fui para a Laguna Torres. Eu achei a caminhada muito mais fácil. Dos 18km, somente o primeiro é puxado, mas particularmente eu achei menos do que o primeiro km da trilha do Fitz Roy. Os outros km são praticamente todos planos. E como o dia estava mais quente, fui com menos roupa, o facilitou muito a caminhada também.

Tomei um café no hostel (80.00 pesos - incluía suco, chá, torrada e geleia, doce de leite e manteiga para as torradas) e saí às 9h com uma temperatura de -1. Alguns lugares ainda tinham neve do dia anterior, o que deixou algumas áreas escorregadias por causa do gelo e principalmente da lama. Mas foram poucas áreas. A maior parte do caminho estava seco e o acesso à água para beber também foi fácil. Não senti falta de bastão dessa vez.

 Ande de óculos. Por causa do vento, foi comum terra e pedrinhas caírem no olho ou rosto. Há duas entradas para a trilha: uma mais próxima ao início da trilha do Fitz Roy e uma outra mais em direção ao mirante dos condores (que é a entrada principal, com plaquinha e tudo mais). Eu comecei pela entrada mais perto da trilha do Fitz Roy e desci pela entrada principal. O primeiro km será puxado nas duas entradas, mas para mim a mais fácil foi essa mesma que eu subi, pois a entrada da subida principal tem muita escadaria de pedras e você precisa fazer força com as pernas. A que eu fui era mais uma subida constante. As trilhas em geral são bem marcadas, mas por ter muitas pedras, as vezes você pode se confundir, principalmente o primeiro km pela a entrada que eu subi. Mas é só ficar atento.

 Na ida eu fiz a trilha em cerca de 2 e meia e na volta 3h. O problema dessa trilha foi o vento (há muitas áreas de campo aberto). Até que na parte da manhã nem tanto, mas na volta, durante a tarde, eu literalmente lutei contra o vento nos últimos 3 km, o que me deixou extenuada e muito gelada. Cheguei no hostel às 15:30h com uma temperatura de +6°C, mas a sensação era de 0°C ou até menos. Fiquei tão cansada por causa do vento que dormi durante duas horas seguidas. A noite fui até a rodoviária comprar minha passagem para El Calafate, que custou 450.00 + 10.00 de taxa da rodoviária para às 17 do dia 10/09.

 Nessa trilha eu senti um problema da baixa temporada: falta de pessoas para fazer a trilha comigo. Por que? Simples. Como já comentei, em toda a região ocorrem pumas e outros animais de grande porte. A trilha estava recheada do início ao fim de marcas recentes de patas de puma, raposas e outros animais. Andei com o c* na mão o tempo inteiro pq fiz toda a trilha sozinha, ida e volta. Não havia absolutamente ninguém. Somente na volta que eu vi umas 8 pessoas, no máximo, que estavam indo em direção à Lagoa enquanto eu já estava voltando para a cidade.

 Domingo (10/09/17) - O dia também amanheceu lindo e com menos vento. A princípio tinha planejado de ir para a trilha Pliegue Tumbado, que dizem ser a trilha com melhor visão de todas e com vários fósseis ao longo do caminho. Porém ela é considerada de alta dificuldade e provavelmente teria neve no caminho, o que não daria para encontrar muitos fósseis. Mas resolvi não fazê-la. Estava com cansaço acumulado e eu teria que fazê-la muito rápido e preocupada com o meu horário de retorno para El Calafate às 17h (e eu não poderia perder o ônibus de jeito nenhum por causa do meu voo no dia seguinte). Então como seria um dia a toa perdido em El Chaltén uma vez que eu já tinha feito as outras trilhas do meu interesse, consegui adiantar minha passagem de ônibus para El Calafate para às 8h. Fui sozinha na van, assim o motorista só fez a parada no Hotel La Leona e chegamos em El Calafate às 11h. Ele me deixou no hostel America del Sur, que era um hostel bem recomendado aqui no fórum e pelo app do Booking. Realmente. O hostel foi demais. Café da manhã incluído, ambiente super legal, restaurante/bar disponível, ambiente legal e funcionários muito simpáticos e prestativos.

 Fui andando até o Lago Argentino e passei no Centro de Interpretação. A entrada custou 150 pesos. O museu é bem simples e pequeno, mas eu achei bem interessante pois além de ter alguns fósseis, réplicas de dinossauros e informações sobre eles, também tinha muita informação sobre arqueologia e geologia da região patagônica.

 Quando voltei para o Hostel, uma das recepcionistas entrou em contato com a Ves Patagônia para me buscar na manhã seguinte para me levar ao aeroporto, porém as passagens já estavam esgotadas. Assim, eles ficaram de ver outros hóspedes do hostel que iriam para o aeroporto também no dia seguinte para rachar um táxi.

 Segunda (11/09/17) –  Apareceu somente uma pessoa (Dario) para rachar o táxi comigo, que ficou 150 pesos para cada um (pedindo o táxi pelo Hostel, o valor dos transportes saem mais barato. Se eu tivesse conseguido vaga no ônibus da Ves Patagônia, a passagem sairia por 100 pesos ao invés de 160 (valor individual do trecho, ou 120 caso tivesse comprado ida e volta), assim como o táxi saiu por 300 ao invés de 480).

 Tomei café da manhã (que incluía pão, bolos, biscoitos, geleias, doce de leite, suco, chá, leite e cereal) e peguei o táxi com o Dario às 08:30h. Ele também estava indo para Ushuaia no mesmo voo. Decolamos no horário previsto (10:10h) e pousamos em Ushuaia às 11:30h (eu tinha comprado a passagem área ainda no Brasil por R$900,00 pelo site das Aerolíneas Argentinas. Se você planejar com bastante antecedência e monitorar os preços, você pode conseguir passagens por até R$400,00.

 Lá em El Calafate, a única empresa que vi que fazia o trajeto terrestre foi a Andesmar, em que o ônibus saí às 08:30h e chegava às 20h (não sei se há saídas todos os dias). Preço 1360.00 pesos). Se comprar a passagem área, escolha a janela do lado direito. A paisagem é deslumbrante dos lagos e da cordilheira com neve. 

 No aeroporto de Ushuaia não existe ônibus para o centro. Somente táxis, que custava 150 pesos para te deixar na região central (Dá pra ir andando para o centro também, mas a caminhada é de pelo menos 1h se o tempo estiver bom). Quando o Dario e eu estávamos indo pegar o táxi, escutei um outro cara (Marcos) falando com o taxista que estava sozinho e queria ir para o Centro. Então chamei ele para o nosso táxi e rachamos a corrida (50 pesos para cada) até o Hostel Torre del Sur, local onde o Dario e o Marcos ficaram hospedados nos dois primeiros dias.

 O meu primeiro dia em Ushuaia eu iria usar o couchsurfing. Então as meninas do Hostel me permitiram deixar minha mala lá até a noite, quando eu iria para a minha CS. O Dario e eu então saimos para andar e conhecer a cidade, além de orçar o passeio no canal do Beagle, que é um passeio de aproximadamente 3h.

 Diversas empresas oferecem o passeio e o preço é praticamente um cartel: 1300 pesos, mas se chorar consegue por 1200. A maioria das agências que oferecem especificamente o passei pelo canal ficam concentradas ao lado do porto em frente ao Centro de Informações ao Turista. Fomos até uma chamada, se eu não me engano, Navegando (a logomarca dela é uma gaivota alaranjada e é a primeira agência ao lado do porto), que haviam recomendado ao Dario. O vendedor, Rafael, é um senhor muito simpático e nos deu várias dicas sobre passeios mais baratos e restaurantes em Ushuaia. A empresa dele oferecia o passeio em um barco pequeno, com capacidade máxima de 12 pessoas (fuja dos catamarãs, que levam centenas de pessoas). O passeio incluía a ida até o farol e depois uma parada em uma outra ilha para uma caminhada de meia hora (uma bonita visão da cidade e das ilhas ao redor), além de incluir bebidas (água, chá, café ou achocolatado – mas é com água!! Horrível… - chop artesanal e alfajor de biscoito). A guia também foi muito boa.  

 O Dario é um argentino muito simpático e tem uma boa lábia para negociação (ele mexe com imobiliária). Então essa habilidade dele de negociação, associado ao espanhol fluente, nos fez economizar bastante dinheiro ao longo da viagem em Ushuaia! O Rafael inicialmente nos ofereceu o passeio por 1300, depois 1200 e ao final das contas, ele fez por 1000! Hahaha!

 Todos os embarques são feitos pelo porto e você deve tagar uma taxa de 20 pesos. O passeio saiu às 15h e desembarcamos às 18h. Os passeios ocorrem duas vezes ao dia (manhã e tarde) e dependem da maré e dos ventos. A dica é fazer esse passeio logo que tiver a oportunidade por causa do clima. Se estiver ventando muito, chovendo e nevando, os passeios são cancelados e eles devolvem o dinheiro ou adiam o passeio para outro dia, se vc tiver disponibilidade.

 Quando chegamos estava ventando muito e não haveria o passeio, mas para nossa sorte o vento diminui até o horário de embarque (nos dias seguintes eu praticamente só peguei neve e estava previsto ventos muito fortes). Nas rochas há muitas aves e leões marinhos (não tem pinguins nesse época do ano lá).

 No barco conhecemos um casal de argentinos que estava de férias lá e havia alugado um carro de uma pessoa particular, após a indicação de outas pessoas que conheceram. Pegamos o telefone com eles e entramos em contato com o dono do carro, que nos alugou por 1000 pesos. Vale muito a pena alugar um carro. Depois do passeio, o Dario e eu rodamos o centro orçando os transfers para os locais que gostaríamos de ir e são muito caros. A média do aluguel do carro nas agências era de 1200 a 1400, sendo que algumas não tinham mais disponibilidade de veículos. A noite eu fui para a minha couch (paguei 100 pesos de taxi até lá, pois minha couch morava longe do centro e não dava pra ir andando com a mala e as compras do supermercado) e o Dario ficou de olhar pessoas no hostel interessadas em sair com a gente no dia seguinte de carro.

 O comércio também não pratica o câmbio negro, mas o real estava mais valorizado (5,00 ao invés de 4,00 ou 4,50) em Ushuaia caso vc quisesse pagar em real. O valor do dólar ficou entre 16,00 e 17,00 pesos.

 Terça (12/09/17) – Entregaram o carro para o Dario às 8h e ele foi me buscar na minha couch junto com o Marcos (o argentino do táxi no aeroporto) e o Gregor (francês) para ir para o Parque Nacional Tierra Del Fuego. Pelo fato de ser baixa temporada, a entrada no parque foi gratuita (no verão custa 130 para adultos residentes do mercosul). Na parte da manhã rodamos todo o parque de carro e fizemos algumas trilhas. No Parque é possível pegar um barco para ir até a Isla Redonda, que é onde fica a agência de correios mais austral do mundo e você pode pegar o carimbo no passaporte do “Fin del Mundo”, mas a ilha só abre no verão. Mas ainda assim é possível conseguir um outro carimbo (mais simples, mas ainda assim fantástico!) para o passaporte na entrada do parque. No Centro de Informação ao turista no centro de Ushuaia também é possível carimbar o passaporte com até 7 estampas diferentes. Dentro do Parque, não deixe de ir também ao final (que na verdade é o início) da Ruta 3, que é a rodovia mais austral do mundo também.

 A tarde fomos para o bonito lago Escondido (Lago Fagnano) na cidade de Tolhuin, que fica cerca de 1:30h de Ushuaia. Nessa cidade, que é super pequeninha, tem uma padaria bem movimentada e famosa entre os artistas, com uma variedade enorme de pães, rosquinhas e churros. E os preços eram bons (paguei 10 pesos no churros).

 Alugar o carro foi a melhor coisa que fizemos. Além de termos feito várias coisas, várias paradas para fotos, e horas de risadas garantidas, saiu MUITO mais barato que se tivéssemos contratado agências. No total, gastamos 1000 do aluguel + 380 de gasolina = 1380/4 = 345 pesos para cada. Somente o transfer para o Parque Tierra del Fuego sairia 350 pesos para cada um, sendo que gastaríamos o dia inteiro para percorrer a pé o que andamos em duas horas de carro. Nem sei quanto sairia uma excursão até o lago escondido, mas por menos de 1000 pesos para cada um, com certeza não sairia.

 No caminho para Tolhuin começou a nevar muito e várias partes Ruta 3 ficou com muito neblina. Quando já estávamos chegando em Ushuaia, a estrada estava muito escorregadia por causa da neve acumulada e o vento estava balançando demais o carro, mesmo pesado. Na volta, paramos nos centros de passeios de trenós com cachorros e motos para orçar passeios para o dia seguinte, já que estava nevando. Mas fomos informados que para funcionar, especialmente os das motos, o volume de neve deveria se bem grande para a formação de gelo e que naquele dia, mesmo tendo nevado bastante, ainda não seria possível falar se eles iriam funcionar no dia seguinte. Seguimos até o alto da montanha do hotel Arakur Ushuaia Resort (que possui singelas diárias a partir de 800 reais e é onde o Leonardo diCaprio ficou hospedado quando foi fazer as filmagens do filme O Regresso). Lá de cima tem-se uma visão 360° de toda cidade.

 Chegamos por volta das 20h e me hospedei no mesmo hostel que os meninos. Fechei 3 diárias por 852 pesos (pagamento só em dinheiro, embora eu tenha feito a reserva pelo app do Booking). O pessoal do hostel foi muito simpático, mas sinceramente me arrependi um pouco de ter ficado lá, pois eles possuiam algumas regras muito chatas. Primeiro que você não podia entrar de sapato, então vc tinha que tirar logo na entrada do hostel, sem lugar para sentar, em um lugar super apertado, e com várias pessoas transitando. Segundo, a cozinha fechava às 21h. Então você tinha que cozinhar até as 20:30h para dar tempo de limpar tudo até às 21h. Se você precisasse de qualquer coisa da cozinha, como um copo para beber água ou utensílios para comer qualquer coisa que não dependesse do fogão/microondas/geladeira, não tinha como pegar ou lavar as coisas, além de não poder comer em outras áreas do hostel. Terceiro, as tomadas elétricas só tinham na sala. Quarto e o pior de tudo: a água do banho estava fria. No primeiro dia eu tomei banho frio (na verdade a água começou quente e no meio do banho esfriou - o Gregor já tinha me falado que também tomou banho frio nos dois dias anteriores). Então reclamei sobre isso e a menina falou que iria olhar. No meu segundo dia o banho estava ótimo (mas não tinha ninguém tomando banho ao mesmo tempo), mas no terceiro dia a água esta friou de novo. Tive que colocar roupa de novo para ir na recepção reclamar. Elas arrumaram as válvulas lá, mas a temperatura da água ficou oscilando (a água só esquentava quando tinha uma pessoa só tomando banho). O café da manhã também foi super simples. Enfim, como já tinha pagado as diárias, não quis criar mais mal estar pra mim. Mas o Dario e Marcos não fecharam toda a estadia (pagavam por dia) e foram para outro hostel (mais barato e melhor).

 A noite, Gregor e eu conhecemos a Leila, uma francesa que tbm estava no hostel e saimos para jantar cordeiro e vinho patagônicos junto com o Dario e o Marcos (achamos um restaurante na Av. San Martin, que é a principal do Centro de Ushuaia, onde você podia comer a vontade por 380 pesos + 1 garrafa de vinho dividida para 4, ficou no total 420 pesos para cada um). Utilizamos o carro, pois estava -6 às 22h.

 Quarta (13/09/17) – Alugamos o carro por mais um dia por 1000 pesos. O Gregor foi embora para Ushuaia, porém a Leila assumiu sua vaga no carro e assim continuamos a dividir as despesas por 4. Saimos por volta das 10h do hostel e fomos para o Parque Tierra del Fuego novamente pois a Leila não tinha ido ainda e queríamos ver o Parque com neve, já que na manhã do dia anterior não havia neve lá (e as paisagens são muito diferentes!). Aproveitamos e visitamos pontos do parque que ainda não tínhamos ido, como alguns lagos, algumas trilhas e a estação do trem. Não fizemos o passeio do trem (que é muito caro – classe econômica: 690 ida e volta para adultos, 140 para menores de 6 a 17 anos, menores do que 5 é de graça; primeira classe: 1190 adultos, 690 menores, inclui um simples café da manhã; classe premium: 1540 adulto, 890 menores, incluindo café da manhã mais completo), mas demos a sorte de ver 2 locomotivas chegando à estação. Dentro da estação há uma ou duas cafeterias, banheiros, lojas de lembrancinhas e é possível ver, por um vidro, o pessoal da manutenção dos trens trabalhando nas ferragens ou montando peças. Vale umas fotos lá.

 Saindo do Parque, fomos para o Cerro Montaña, que é de onde começa a trilha para o Glaciar Martial. Porém a trilha estava fechada devido ao mau tempo e caminhamos um pouco nas áreas destinadas ao ski (que tbm estava fechada por causa do mau tempo), mas que nos deu uma visão também bem bonita da cidade. Nossa ideia era ir para o Lago Esmeralda a tarde, porém o tempo também estava muito ruim (nevando muito) e várias pessoas nos avisaram que o acesso estava muito difícil, com lama afundando pelo menos o pé todo e em alguns pontos até o joelho (o Dario e o Marcos chegaram até a alugar botas impermeáveis para fazermos a caminhada até o Lago Esmeralda. Mas como o tempo só piorava, tivemos que desitir. Retornamos para a Cidade por volta das 15:30h e fomos almoçar em um restaurante chamado Banana. Ele é bem bonito, mas não é um dos mais baratos. Comi uma pizza de 4 pedaços (que me encheu demais) por 128 pesos (+ 2 de gorjeta). Os gastos do carro totalizaram cerca de 290 pesos (1000 aluguel + 150 gasolina/4).

 Depois a Leila e o Marcos voltaram para os hostels e o Dario e eu fomos até o Museu de Ushuaia (entrada gratuita). Porém chegamos exatamente às 17h, horário que ele estava fechando. Então seguimos para o museu do Presídio. Confesso que não estava tão empolgada para ir e fui no espírito “já que estou aqui...”. Mas ainda bem que eu fui! Me surpreendeu demais. Aprendi muito sobre a história do presídio e histórias dos barcos das grandes explorações náuticas da patagônia e da Antártida, além de ter um minimuseu de animais empalhados. Paguei 150 pesos com minha carteirinha de estudante (o preço normal é 250 pesos). Jantei no hostel o restante das minhas do supermercado.

 Quinta (14/09/17) – Já estava nevando há mais de 24 horas e mesmo não sendo um tempo ideal, o Dario, o Marcos e eu fomos para o Cerro Castor, que é o maior centro para ski e snowboard. O Dario, com seu poder de negociação (hahaha!) conseguiu reduzir o aluguel para 850 pesos, que junto com a gasolina (70,00 pesos) totalizou cerca de 306 pesos para cada um. Novamente economizamos muito com isso, pois só o transfer para o cerro custava entre 350 a 500 pesos.

 Saimos às 9h para alugar skis e capacetes (eles alugam roupas para neve também) no centro, pois é mais barato do que alugar lá. Não lembro os preços dos alugueis dos equipamentos no Cerro Castor, mas os preços não eram tão diferentes assim e talvez compensaria alugar lá. Por que? Primeiro pela agilidade. O carro que alugamos era um Peugeot 208 e não tinha suporte para levar as pranchas de snowboard e skis no teto do carro e eles não caberiam dentro do carro. Então fomos para o Cerro e tivemos que esperar até meio dia a van da empresa levar os equipamentos para a gente (chegamos lá às 11h).

 Segundo pq se seus equipamentos sumirem, vc deverá pagá-los. Lá na estação tem muita gente e pode ocorrer de pessoas pegarem seus equipamentos sem querer (já que muitos se parecem) quando vc os coloca nas baias suporte em frente aos restaurantes (eu paguei o maior mico lá... é tanto equipamento estacionado, que eu olhei no lugar errado e achei que tinham pegado o meu por engano... fiquei doida e um tempão lá esperando “a suposta pessoa” se dar conta que pegou o equipamento errado e voltar. Até eu ver que eu tava enganada e meus equipamentos estavam lá em outra parte, uma funcionária já tinha ido lá, pegou as descrições no meu equipamento e passou as informações via rádio... aff... vergonha master! Ela achou que eu tava bêbada! Kkkkkk! E eu nem bebo!

 Enfim. Se vc alugar o equipamento lá no Cerro Castor mesmo, caso alguém pegue seus equipamentos de forma equivocada de verdade, eles te fornecem outro na hora para vc não ficar parado, pois ao final do dia a pessoa enganada obrigatoriamente entregará o seu original na saída e vc não terá que pagar por eles.

Aluguei os skis+bastões por 360 pesos + capacete por 150 pesos na empresa Jumping. Os meninos alugaram pranchas de snowboard por 480 pesos cada. O Marcos tbm teve que alugar uma calça para neve, que custou 200 pesos. A entrada no Cerro Castor custa em um dia normal 1080 pesos, mas como o tempo estava muito ruim e a maioria das áreas da estação estavam fechadas, eles cobraram 750 pesos, o que foi ótimo para mim, pois fiquei só nas pistas de nível fácil. Se você quiser ir somente visitar a estação, sem praticar ski ou snowboard, vc paga 500 pesos, que te dá direito a pegar o primeiro teleférico uma única vez (ida e volta).

 Ainda na entrada da estação, ao lado da bilheteria há uma cafeteria muito boa, onde comi uma torta de doce de leite divina por 85 pesos. Todos os restaurantes lá, dentro ou fora da estação, possuem banheiros e wifi free.

 Para acessar as pistas de ski/snowboard vc precisa pegar o teleférico que te leva até o alto da primeira montanha. É muuuuuuito alto (nem sei como não morri do coração, especialmente quando a cadeirinha balançava com o vento. Pelo amorrrrr!). Logo após descer do teleférico, a pista mais fácil para iniciantes está à esquerda. Lá há muitos professores ensinando os princípios básicos (para contratar a aula é bem caro - mais de 1000 pesos). Eu aprendi mais na prática mesmo, seguindo os conselhos de um amigo meu que faz ski com regularidade e ouvindo de bico as instruções dos professores aos seus alunos. Depois de alguns tombos e ganhar confiança, fui para as pistas da direita do teleférico, que também é de nível fácil, mas com um desnível e um comprimento bem grande. Ao final dessa pista vc pega outro teleférico para ir para o topo de outra montanha, onde as trilhas são nível médio e difícil.

 Fazer ski foi muito, mas muito divertido. Mas também muito cansativo. Mesmo nas descidas, exige demais força nas pernas para freiar os skis. Com duas horas de brincadeira eu já estava muito cansada e ao final do dia eu comecei a sentir dor nos joelhos por sobrecarga. Tomei uma Pepsi (75 pesos) para repor um pouco a energia e desci a montanha pelo teleférico novamente (descer a montanha esquiando exigia experiência, coragem e energia!).

 O Cerro fechava às 17h e a van da Jumping já estava no estacionamento nos esperando para recolher os equipamentos. Curiosamente eles levavam somente as pranchas, capacetes e bastões. As botas não. Pq? Nem ideia, pois isso para mim não fazia o menor sentido. Com jeitinho, consegui convencer o motorista a abrir uma exceção e levar minhas botas, já que eu chegaria em El Calafate quase na hora do encerramento da loja (e no dia seguinte eu sairia cedo para o aeroporto antes da abertura da loja), além do desconforto de ter que ir na Jumping somente para entregar as botas.

 Sexta (15/09/17) – Tomei café da manhã e rachei um táxi para o aeroporto (75,00 pesos para cada) com um Japonês que estava no meu hostel. Saímos às 10h e meu voo para El Calafate estava previsto para às 12:20h. O tempo em Ushuaia estava ótimo, mas o voo atrasou mais de uma hora devido ao mau tempo em El Calafate, que estava chovendo e com muito vento. Voltei para o hostel America del Sur e por lá fiquei descansando até o dia seguinte.

 Lá no hostel a tarde eu comi um sanduiche (160 pesos), com uma coca (30 pesos) e a noite eu jantei legumes e salada com um copo de vinho por 290 pesos.

 Sábado (16/09/17) – A van da Ves Patagonia me pegou no hostel às 09:45h. Meu voo saiu atrasado em mais de uma hora do horário previsto (11:55h) para o Aeroparque, onde peguei um ônibus da empresa Arbus por 220 pesos até o Ezeiza, onde lachei, jantei e segui a viagem para conexão em Asunción (22:25h), onde madruguei e peguei o voo para Guarulhos às 05:30h, horário local.

 Eu queria muito ter passeado um pouco por Buenos Aires, mas devido aos atrasos dos voos, o meu tempo que já era curto, ficou menor ainda, pois vc deve levar em consideração o trânsito e que as cias aéreas solicitam para vc chegar 2 horas antes em voos internacionais (lembrem da fila na imigração que pode estar lotada e demorar muito!). Pelo pouco que eu vi de Buenos Aires de dentro do ônibus, eu achei uma cidade fantástica e não vejo a hora de ir conhecê-la! Em frente ao Aeroparque é possível caminhar um pouco pela Av. Costanera e ver o movimento das pessoas se exercitando e pescando. Cheguei a olhar um táxi para fazer uma espécie de City Tour comigo antes de me levar ao Ezeiza, mas me cobraram mais de 2000 pesos.

 Domingo (17/09/17) – O voo saiu de Asunción para Guarulhos no horário previsto e consegui adiantar meu voo para BH pela Azul em duas horas. Depois de mais de 24h de viagem, finalmente cheguei em casa!

 O que eu mudaria na viagem?

Para aprimorar ainda mais o meu roteiro, o que eu mudaria: ao invés de ir para El Calafate primeiro, eu iria direto para El Chaltén. Mais para otimizar o tempo de deslocamento, pois em relação a preços é quase igual: aeroporto Calafate-Chaltén 600.00 + Chaltén-Calafate 460.00 + Calafate-aeroporto Calafate 160.00 = 1220.00 pesos/ aeroporto-Calafate 120.00 + Calafate-Chaltén 475.00 + Chaltén-Calafate 460.00 + Calafate-aeroporto 150.00 = 1205.00 pesos - dependendo do horário do seu voo na volta, você pode ir direto para o aeroporto de Calafate saindo de El Chaltén por 460.00, economizando assim 160.00 do deslocamento Calafate-aeroporto (eu paguei 150 pq não consegui vaga na Ves Patagônia e rachei um táxi com um cara do hostel).

 Nada no aeroporto de El Calafate funciona a noite, então não é recomendável dormir lá (Nem na área de embarque pode ficar). Então no meu caso, eu me vi obrigada a ir de Chaltén para El Calafate por causa do horário do meu voo para Ushuaia no dia seguinte. Também mudaria o meu voo de retorno para o Brasil a partir de Ushuaia. Economizaria muita grana e muito tempo. Mas como eu havia comprado as passagens de El Calafate por promoção relâmpago, só comprei a passagem e fui planejar os roteiros só depois. Então acabei dando bobeira sobre a questão da volta para o Brasil a partir Ushuaia.

 Além disso, o voo Ushuaia-Calafate estava previsto para às 12:20h (e com isso perdi a manhã). Pelo fato do voo ter atrasado em mais de uma hora, eu praticamente perdi a tarde também. Ou seja, gastei dinheiro com transporte e hospedagem para não fazer absolutamente nada em El Calafate no dia 15/09. Se meu voo tivesse saído de Ushuaia, eu teria mais tempo para fazer outras coisas que não tive oportunidade (como andar de moto ou com trenós de cachorros, já que esses passeios necessitavam de muita neve – e o dia 15/09 seria perfeito, já que os 3 dias anteriores haviam nevado muito e no dia 15 mesmo o tempo estava ótimo).

 Para uma próxima oportunidade e como dica também, eu tentaria encaixar Puerto Madryn no roteiro nem que fosse por um dia só. Setembro é o auge das baleias jubartes lá. Porém Puerto Madryn é bem longe das cidades que eu visitei. Melhor seria ir de avião para lá, mas obviamente as passagens são caras. Ainda sobre os voos, tente encontrar as opções de melhores preços o mais cedo possível e o mais tarde possível para você conseguir fazer render o dia para explorar as cidades ou passeios. Mas lembre-se sempre de deixar um tempo de segurança para possíveis imprevistos, especialmente climáticos. O tempo na Patagônia é maluco. Mesmo. Você pode sair do hostel com uma tempestade de neve e voltar com um sol parecendo verão (ou vice e versa). Você pode ver sol com chuva, sol com neve, não ver nada por causa de neblina e neve, dias muito escuros por causa de chuva, dias com ou sem vento... enfim. Nunca confie no tempo. As vezes a previsão era uma e em menos de 24h, era publicado uma previsão completamente diferente.

 Os meus gastos estão compactados na tabela em anexo. Claro que ela não está 100% fidedigna, mas tentei anotar o máximo dos meus gastos. Para facilitar calcular do total gasto, todas os valores em pesos eu calculei por real no câmbio a 4,37. Mas vc deve lembrar que eu comprei dólares também para levar, uma vez que nem todos os lugares aceitavam real (e dólar é aceito praticamente em qualquer lugar do mundo). Então quando o meu dinheiro em real acabou (troquei R$1850,00), comecei a trocar os dólares (comprei 600 dólares para levar ao valor de R$3,28 + IOF, mas acabei trocando na viagem somente 450). Isto é, leve isso em consideração para o cálculo do valor total gasto. Minha matemática da área de biológicas não me permite fazer um cálculo dessa magnitude! hahahaha!

 Daria para economizar mais? Claro. Principalmente com comida em Ushuaia, que foi o local onde eu mais comi em restaurantes. Mas também teria me privado demais de uma das melhores coisas do mundo que é o turismo gastronômico, além de conforto de se comer uma boa comida boa e sem esforço. Se vc conseguir otimizar os transportes, como eu mencionei, tbm poderá fazer uma boa economia.

 Já tive a oportunidade de conhecer muitos lugares paradisíacos e a Patagônia hoje situa-se no topo da minha lista de belezas que tiram o fôlego. Que região maravilhosa! Não vejo a hora de voltar, fazer passeios que não tive oportunidade e conhecer outras cidades além das que eu visitei. Não sei quando terei a oportunidade de ir novamente, mas que um dia eu volto, eu não tenho dúvidas!

Gastos.xlsx

  • Curti 3
  • Acompanhando 1

Compartilhar este post


Link para o post
Compartilhar em outros sites

Parabéns pelo relato!!
Muito bom ler isso, recordei todos meus passos na Patagônia em fevereiro.

A gente não volta igual né:D

  • Curti 1

Compartilhar este post


Link para o post
Compartilhar em outros sites

Erica, muito interessante o seu post... Estamos indo no sábado. Uma dúvida : precisa da vacina contra a Febre Amarela? Só vi agora que a minha venceu

Compartilhar este post


Link para o post
Compartilhar em outros sites

Crie uma conta ou entre para comentar

Você precisar ser um membro para fazer um comentário

Criar uma conta

Crie uma nova conta em nossa comunidade. É fácil!

Crie uma nova conta

Entrar

Já tem uma conta? Faça o login.

Entrar Agora

  • Conteúdo Similar

    • Por TMRocha
      Estou aproveitando esse espaço para contar um pouco de como foi a minha experiência de intercâmbio nesse país que é tão próximo de nós, mas mesmo assim tão diferente.

      Entenda um pouco sobre a experiência que obtive após estudar espanhol por um mês no Uruguai.
       
      Para não perder tempo, estou dividindo os tópicos desse dessa forma:
      1) Alguns dados interessantes do Uruguai; 2) Por que estudo Espanhol?; 3) Minha Experiência de Intercâmbio no Uruguai; 4) Minhas Considerações. Após isso o Índice dos posts dessa viagem; E por fim o relato propriamente dito! 1) Alguns dados interessantes do Uruguai
      O Uruguai é um país pequeno e muito charmoso, com cidades arborizadas, campos extensos, praias limpas e um povo muito cordial e amistoso. O país faz fronteira com a Argentina e com o Brasil, no estado do Rio Grande do Sul.

      Os verões são quentes, com temperaturas que variam entre os 23 e 38ºC, já os invernos são frios e a temperatura gira ao redor dos 15ºC, com algumas madrugadas geladas abaixo de zero. Com um clima temperado, o Uruguai possui estações bem definidas, atendendo a todos os gostos.

      Os uruguaios gostam de futebol, mate e churrasco. É muito comum vê-los com uma garrafa térmica sob o braço e o mate na mão andando pelas ruas, nos shoppings, em todos os lugares. São pessoas alegres, receptivas e solícitas, que estão sempre prontas pra ajudar.

      Mate uruguaio.
      O país conta com pouco mais de 3,3 milhões de habitantes, sendo que destes, 1/3 vive na sua capital, Montevideo. A economia é estável e vale ainda citar que o Uruguai é um dos países mais seguros e possui uma das mais altas taxas de qualidade de vida de toda a América do Sul.

      Fonte Pesquisada:
      http://www.brasileirosnouruguai.com.br/conheca-o-uruguai
      2) Por que estudo Espanhol?

      Olá, me chamo Thiago e acho que deve fazer ao menos uns três anos que estudo espanhol  [04/10/2017] e pouco a pouco estou melhorando meu conhecimento nesse idioma tão interessante. Com o espanhol tive a oportunidade de conhecer outras culturas que antigamente estavam fechadas para mim.

      Vestimenta típica para festas musicais de alguma região do Equador.

      Touradas, na Espanha.

      Murga, uma apresentação típica do carnaval uruguaio.

      Festa dos Mortos, no México.
      Descobri novos povos, outras comidas típicas que antes não fazia ideia que existiam e ainda tive a oportunidade de me aventurar por um novo país: o Uruguai, onde fiquei morando por um mês em uma casa de família super simpática enquanto estudava espanhol de forma intensiva em uma academia de ensino uruguaia.
      3) Minha Experiência de Intercâmbio no Uruguai
      Minha ideia inicial era fazer um intercâmbio junto ao CACS para a Espanha, mas como a crise estourou pesado em 2014 esse plano acabou caindo por terra, então continuei juntando mais algum dinheiro e resolvi fazer isso por conta própria junto a CVC, e numa das opções apareceu o Uruguai, país que decidi passar um mês inteiro realizando o intercâmbio de espanhol.

      Montevideo, capital do Uruguai.
      Lá fiz muitos passeios pela capital Montevideo e ainda conheci outras cidades próximas como Punta del Este, Colonia del Sacramento e Salto del Penitente (em Minas). Nesta última cidade andei a cavalo, me aventurei em uma tirolesa e até me arrisquei num rapel [que na verdade foi uma falha total!].

      Academia Uruguay, onde estudei no meu intercâmbio.

      Praça Independência, Montevideo.

      Monumento Los Dedos, em Punta del Este.

      Colônia do Sacramento, vista do alto de um Farol.



      Nas últimas três fotos acima: Eu me arriscando nos esportes de aventura em Salto del Penitente, no Uruguai.
      Com o intercâmbio conheci mais do comportamento dos uruguaios e descobri que eles são um povo incrível, cultos, organizados, super trabalhadores, que gostam da natureza e realmente amam o seu pequeno país.
       
      E claro, como um bom viajante também passei por alguns perrengues mais complicados, em especial para me adaptar com o clima e a comida típica do país, que é muito diferente da brasileira.

      Milanesa Pollo Napolitana con fritas.

      "Pasta". Esse é o nome que os uruguaios dão para o macarrão.

      Carne de Javali, uma iguaria típica de Salto del Penitente.
      O mais importante é que tive boas experiências que serão lembradas por mim até o meu último dia de vida. Mesmo em todo esse texto não foi possível relatar sequer um décimo do que fiz e do que senti por lá. Resumindo...
      "Ter a oportunidade de aprender um novo idioma é o mesmo que se abrir para novas oportunidades no presente e no futuro."
      Acho que isso resume um pouco do aprendizado que tive por lá. E pensando nisso, resolvi organizar esse tópico para que incentive novos viajantes ou até mesmo outras pessoas que pretendam aprofundar mais o seu conhecimento nessa língua.

      Sem mais delongas, abaixo estou colocando o índice organizado de toda essa maratona que fiz por lá, sem claro, deixar de ensinar um pouco do espanhol também e contando praticamente tudo que aconteceu no país, desde a minha saída do Brasil até a chegada no outro mês.E para fechar com chave de ouro, só falta esse assunto
      4) Minhas considerações:

      Desejo um agradecimento especial à família que estava me hospedando: O Álvaro, a Stela, a Fernanda e também aos dois hóspedes gringos que ali estavam e me ajudaram muito, o Míchel da Suíça, e a Kelsy, dos Estados Unidos. E também para toda a equipe da Academia Uruguay que me ajudou bastante.
       
      Desejo que todos vocês aproveitem a vida, trabalhem bastante e que viagem sempre que puderem. A todos os leitores, espero que tenham sempre uma boa viagem!
       
      A seguir:
      - Índice do Relato dessa viagem;
      - Relato propriamente dito.
    • Por peresosk
      Esta viagem foi a última parte da viagem que fiz pela Ásia, então claro não tem preços dos voos do Brasil, isto vai depender de cada um.
      Vamos aos números que muita gente gosta de saber.
      O Roteiro
      TURQUIA - IRÃ - VIETNÃ - LAOS - TAILÂNDIA - MALÁSIA - SINGAPURA - FILIPINAS - COREIA DO SUL - RÚSSIA
      A Rota dentro da Rússia
      Vladivostok – Khabarovsk (13h48 de viagem – R$ 84,68)
      Khabarovsk  – Chita (42h10 de viagem – R$ 211,76)
      Chita – Ulan-Ude (10h27 de viagem – R$ 50,66)
      Ulan-Ude – Irkutsk (06h43 de viagem – R$ 46,14)
      Irkutsk – Novosibirsk (32h11 de viagem – R$ 103,81)
      Novosibirsk  – Omsk (08h36 de viagem – R$ 52,94)
      Omsk – Tyumen (07h48 de viagem – R$ 49,78)
      Tyumen  – Yekaterinburg (05h27 de viagem – R$ 36,31)
      Yekaterinburg – Vladimir (25h31 de viagem – R$ 94,65)
      Vladimir – Moscou (01h42 de viagem – R$ 12,91)
      Moscou – St. Petersburgo (11h35 de viagem – R$ 52,04)
      St. Petersburgo – Kaliningrado (01h35 de viagem (avião) – R$ 180,77)
      Quando: Março e Abril de 2018
      Dias: 58
      Noites em Hostel: 1
      Viagens Noturnas: 6
      Couchsurfing: 51
      Valor Gasto em Real: R$2162,94 ($675,92)
      Média Diária em Real: R$37,29 ($11,65)
      Planilha com todos os gastos: https://goo.gl/JtTho9
      Meus Vídeos no Youtube: LINK AQUI
      O Trailer

      VLADIVOSTOK (3 DIAS)
      Como eu cheguei até a Rússia é outro assunto, hoje você vai assistir um relato de como foi viagem durante 58 dias no maior do país do mundo.
      Voo da Coreia do Sul direto para Vladivostok, pousei em um dia com sol e temperatura por volta de 1 grau, inesperado para 4 de março. Para sair do aeroporto nada de táxi pois isto é coisa para turista, um mini bus me levou direto para a estação de trem onde meu primeiro anfitrião estava me esperando, Vladivostok fiquei 3 noites e foi o suficiente para ver o que a cidade tinha para oferecer e claro conhecer pessoas, a Rússia ficou marcada por isto, dúvida?
      Meu anfitrião não é a pessoa mais simpática do mundo, mas logo no primeiro dia conheci Ana que falava espanhol, japonês e russo é claro, nada de inglês. Ela trabalha em uma multinacional japonesa e dá aulas de espanhol, a explicação é meio lógica, Vladivostok fica do lado do Japão e existem muitas empresas e carros japoneses circulando em toda a Sibéria inclusive até Irkutsk, falo isso pois a direção dos carros fica na direita. Ana me levou a uma fortaleza antiga que defendia a cidade até 1991, não tenho imagens pois praticamente congelei naquela noite com temperaturas próximas dos -20 e um vento assustador.
      No outro dia começou muito bem com Elena, uma pessoa divertida demais que fomos andar sobre o mar congelado, lembrando que fui viajar no final do inverno, o que não significa calor na Rússia.
      Foi um dia muito especial praticamente me avisando do que seria esta viagem, teve comida mexicana, restaurante fino, chocolate com sal e claro mais uma amizade do mundo.

      Uma das novas pontes da cidade, Vladivostok estava fechada ao turismo até 1991

      Elena foi uma das novas amigas da Rússia, mais uma que ama o Brasil

      O mar congelado junto com o inverno Russo
      A estação de trem de Vladivostok tem a icônica placa com o número 9288, significa a distância de trem até Moscou, mas eu não segui exatamente a rota da transiberiana, antes do momento do embarque fui com o Leo ver o farol do mar congelado e aquele local parece cena de filme.

      A placa com 9288 km até Moscou

      O farol que serve para guiar embarcações
      Primeiro destino definido, Khabarovsk fica a 14h48 de Vladivostok e as por volta das 5 da tarde embarquei com neve para a minha primeira jornada na Rússia, foi curta se comparar com o que vinha pela frente. Logo do inicio da viagem presenciei uma das cenas mais bonitas da minha vida, uma senhora de dentro do trem despedindo-se de seus parentes e assim começou a vida nos trens russos. Vagão novo e foi bem vazio, mas esta maravilha não seria frequente depois de algumas viagens.

      Submarino S-56 utilizado em guerra, hoje é um museu

      O vagão da terceira classe, a platzkart

      Ainda na estação uma das placas mais esperadas da minha vida, hora de embarcar

      Na praça central tem o Monumento aos combatentes pelo poder soviético
    • Por Lljj
      Assisti esse filme quando tinha uns 11 anos de idade. Na época, enquanto os créditos finais subiam na tela, me via profundamente incomodada com o que eu era, o que fazia e o que estava fadada a me tornar. Minha vida não era motivo de orgulho.
      Para uma pré-adolescente é difícil conseguir começar de novo, afinal a vida sequer havia começado, e meus responsáveis seriam contra uma viagem solo de autodescoberta. Conforme os anos passavam, esta insatisfação se aprofundava dentro de mim. Para driblá-la, eu seguia o caminho básico de qualquer pessoa que almeja ser razoavelmente bem-sucedida: não repeti na escola, trabalhei desde cedo, fiz cursos variados e dei o meu melhor para não desapontar aqueles que me amavam. Ainda assim, todas as vezes que realizava alguma conquista, esta era ofuscada pela sensação de vazio. Não me orgulhava delas.
      O problema não era a minha vida, não realmente. O problema era que aquela não parecia ser a minha vida. Nada era como eu queria que fosse, e sim como os outros esperavam que eu quisesse. Seguindo indicações alheias, acabei estudando um curso superior que desgostava e trabalhando em um escritório insuportavelmente tedioso e restritivo. “O que mais poderia querer em tempos de crise?”, me questionava. E, mesmo assim, não me orgulhava de nada daquilo.
      Uma profunda autoanalise e o auxílio de uma coaching foram necessárias para que enxergasse a razão da minha infelicidade: eu encarava o mundo de forma negativa. Nada seria satisfatório enquanto insistisse em dar voz ao pessimismo que sussurrava nos meus ouvidos. A partir daí, passei a travar uma feroz batalha interior para descobrir que pessoa poderia me tornar sem essa negatividade nublando as minhas decisões.
      Agora posso até dizer que sempre entendi esse trecho do filme pela perspectiva errada. Me concentrava tanto em “espero que tenha uma vida da qual você se orgulhe” que ignorava o “nunca é tarde de mais para ser quem você quiser ser”. Engraçado, né?
      Ainda não sei o que quero ser e, pela primeira vez, não estou com pressa em saber. Bem, “não há regras para esse tipo de coisa”! Então, com toda a coragem que percebi possuir, iniciei o Projeto Preciosas.
      O projeto envolve duas paixões pessoais: escrita e viagem. Escrever é meu ponto de equilíbrio, o que me impede de correr pela rua arrancando os cabelos da cabeça. Viajar é algo que vivencio desde que aprendi a ler, pois a leitura já me transportou a incontáveis lugares.
      Preciosas é o título de uma série de romances que venho desenvolvendo há longos anos. Apenas nos últimos meses que me permiti idealizar uma viagem baseada nos cenários das histórias, que se passam no Rio Grande do Sul.
      A viagem, ou melhor, expedição, iniciará em agosto/2018. Serão três meses circulando por diferentes cidades gaúchas, e mais três cruzando o Sul do Brasil até regressar ao meu estado natal. Comprei as passagens de avião em março – só de ida –, e cada dia que me aproxima da data de partid a me traz mais certeza, mais confiança, de que enfim tomei uma decisão por mim mesma. Ainda que rolar uma merda estratosférica, terei o consolo de ser a única responsável e não mais ser teleguiada pelas indicações dos outros.
      O slogan Na trilha da insensatez se refere exatamente a isso. Estou seguindo o caminho tortuoso da autonomia, realizando algo que todos ao meu redor acreditam ser uma loucura. Aonde essa estrada me levará? Acredito que até ao fim. Não tenho medo... pelo menos não muito. Mas há uma satisfação, um orgulho, em saber que estou me tornando a pessoa que sempre quis ser.
       
      Post original em https://www.lljj.com.br/
      Imagem em Pixabay
    • Por BrunaKC
      Depois de 5 meses de planejamento, no primeiro dia do ano peguei um avião rumo à Patagônia!
      Eu deveria estar super feliz, mas ao invés disso eu estava triste e com um nó enorme na garganta.
      Foi minha primeira viagem sozinha. Desejei tanto essa viagem e no meu ímpeto de conhecer o mundo me esqueci que, na verdade, eu sou uma pessoa tímida. É uma luta brava ter que interagir com desconhecidos. Mas não tinha mais jeito. Bastaram 5 minutos de coragem insana. Fui. Ainda bem.
      A viagem durou 17 dias, que dividi - não proporcionalmente - entre a Patagônia Argentina e a Patagônia Chilena.
      Fiz o roteiro da seguinte forma: São Paulo ⇒ El Calafate ⇒ El Chaltén ⇒ Puerto Natales ⇒ Torres del Paine ⇒ Punta Arenas ⇒ Ushuaia ⇒ São Paulo.
      Cheguei em El Calafate pela manhã, peguei um transfer no aeroporto - que custou 180 pesos - deixei minha bagagem no hostel e fui conhecer a cidade. A cidade é pequena, a rua principal me lembrou Campos do Jordão, só que mais simples. Apesar disso, os preços são bem salgados por lá. Os mercados não tem tantas opções e os restaurantes, em grande variedade, também não tem preços muito convidativos. Li muito sobre cada um dos destinos e fui distribuindo os dias de acordo com os meus objetivos em cada um desses lugares. 
      Na volta, almocei num restaurante chamado Rutini: sopa de abóbora, um filé a milanesa napolitano com fritas e uma Quilmes. Paguei 430 pesos. Algo em torno de 60 reais.Caminhei por aquelas ruas tranquilas até o Lago Argentino. Fiquei um bom tempo lá fotografando e sentindo o vento bater no rosto. Vi alguns flamingos de longe e também vi alguns canos de origem duvidosa desembocando no lago. Uma pena. 
      Gastei mais 300 pesos no mercado comprando frutas, amendoim, suco, água, um pacote de pão, um pote de doce de leite e uma peça pequena de mortadela. Isso foi meu almoço, janta e lanche para os próximos dias.
      Em El Calafate meu principal - para não dizer único - objetivo era conhecer o Glaciar Perito Moreno, uma das maiores geleiras do mundo. Então comprei um passeio na própria recepção do hostel: Tour Alternativo Al Glaciar Perito Moreno. Esse passeio, além de levar ao parque, passa por um caminho "alternativo", vai por dentro da Estância Anita, atravessada pelo rio Mitre, a maior e mais importante da região. O tour é muito atrativo porque o ônibus vai parando na estrada, os turistas descem e tiram fotos à vontade e os guias vão contando histórias - muito interessantes, sobre a colonização da província - que você não saberia de outro modo. O tour custou 800 pesos e o ingresso do parque - pago somente em dinheiro, na entrada do parque - saiu por 500 pesos. Foi barato? Não. Valeu a pena? Muito!
      Esses passeios, e qualquer outro, são fáceis de encontrar. Há muitas opções de agências no centro da cidade. Se você for mais ansioso (a), também tem a opção de comprar antecipadamente, pela internet.Chegando no parque, a estrutura surpreende. São quilômetros de passarela, nos mais diferentes ângulos, para você apreciar o Glaciar Perito Moreno e toda a natureza daquele lugar fantástico. Foi uma das coisas mais incríveis que eu já vi na vida. Me faltam palavras para descrever. É majestoso. A natureza é maravilhosa.
      Fiz o passeio mais simples do parque: a pé, através das passarelas. Mas vale lembrar que existem passeios de barco e caminhadas em cima da geleira também. 
      O que eu te digo sobre esse lugar: você precisa ver de perto. Não há foto ou vídeo capaz de reproduzir toda a sua grandiosidade. Os sons do gelo caindo, o sol refletindo naquela imensidão branca, os inúmeros tons de azul, os pássaros, o vento. Tudo. A natureza é perfeita. Cada pedacinho dela. 
      Espero que esse relato tenha te deixado, no mínimo, curioso para ver com seus próprios olhos.
      Fico por aqui, mas logo eu volto para continuar contando a minha aventura pela Patagônia.
      O melhor ainda está por vir!
      Ah! E o que eu aprendi até aqui: encare seu medo.
      Até logo, aventureiro!








    • Por emanuelle.ec
      01/05 a 01/06 – EURO = R$ 4,41
      Oii galera ! 
       Minha primeira postagem aqui ! Resolvi compartilhar com vocês a minha primeira eurotrip ! Fiz a viagem em Maio/2018 .
      Vou deixar bem curtinho os posts com os valores e um pouco de cada cidade e algumas fotos , mas antes um resumo porque sempre tem os zé preguiça kkkkkk 
       
      Quem quiser acompanhar essa e outras viagens : @emanuelle_ec
       
      GASTOS :
      Passagem aérea :
      - Joinville – São Paulo : 5.770 milhas – GOL
      - São Paulo – Dubrovnik : R$ 1.478,47 – Turkish Air (Promo 123 milhas)
      - Bruxelas – São Paulo : R$ 1443,72 - TAP
      - São Paulo – Joinville: 4.000 milhas + R$ 31,27 – GOL
      Total : R$ 2953,46
      - Transporte (ônibus, blablacar,tram,etc) : € 269,44
      - Hospedagem :  € 475,41
      - Alimentação e extras : € 651,21
      Total : € 1396,06    Total em reais : R$ 6156,62
      TOTAL DA VIAGEM : R$ 2953,46 + R$ 6156,62 = R$ 9110,08 
       
      Como essa iria ser a minha primeira viagem pra Europa eu não estava muito afim de fazer o clichê Paris, Roma, Barcelona e tudo mais, então resolvi ir para o Leste Europeu . Eu não tinha nada planejado, tinha pesquisado claro algumas cidades que queria ver, mas não comprei NADA antecipado (fora as passagens de ida e volta claro kkk) , ia reservando ao longo do caminho os hostels e comprando as passagens de ônibus via FLIXBUS pelo app deles mesmo e as passagens de barco na Croácia foi tudo direto no local.
      Consegui uma promoção de passagem pra Croácia na 123 milhas, fiquei com receio de comprar por milhas e pelo site ser novo e tudo mais, mas olha ! Deu tudo certo !!! Como a passagem era pela Turkish eu tinha um stopover em Istambul de 21 horas, não me perguntem se eu tinha direito a hotel ou qualquer outra coisa porque nem perguntei ( mals ai), mas é que eu tenho um amigo que mora lá então ficou combinado que eu ficaria na casa dele e ele me mostraria a cidade no dia seguinte. Cheguei em Istambul as 22hrs e meu voo pra Dubrovnik só sairia as 19hrs do dia seguinte então deu tempo pra ver os principais pontos da cidade.  Não gastei quase nada em Istambul porque o maluco resolveu pagar tudo e ainda conseguimos umas pizzas free logo na noite que cheguei porque tinha sobrado e o cara da pizzaria não queria jogar fora, muita sorte !! 
       
      ISTAMBUL (01/05 a 02/05):
      Troca : 30 euros  = 141.30 liras
      Ônibus p/ aeroporto : 12 Liras
      Chocolate aeroporto : 8 Liras
      Lembrancinha: 3.50 liras
      Troca : 118 Liras = 22 euros
      Total Istanbul:  23,50 Liras - 8 euros
       
       


       
       Segui pra Croácia no dia seguinte.
      Cheguei em Dubrovnik as 21 hrs e peguei o busão do aeroporto pra cidade velha. Apesar de ser tarde já a cidade ainda tava lotada de turistas, coisa de doido mesmo, nunca vi tanta gente por m². Fiquei pouco tempo em Dubrovnik, porque pra mim foi a cidade mais cara da croácia. Passeia pela cidade, subi na muralha, tentei não enlouquecer com a senhora do mercado que não queria me vender as coisas porque eu não tinha dinheiro trocado.   O hostel que eu fiquei é super simples mas o dono é mega gente boa e já chegava recepcionando a galera com Rakia, uma bebida tradicional deles, forte do c* hahahha
       
      DUBROVNIK (02/05 a 04/05):
      Hostel (The City Place Guesthouse – 2 diárias 😞 31,44 euros ( cartão de crédito)
      Troca : 20 euros = 140 kunas
      Ônibus aero: 40 kunas
      Taxa turista : 2 euros
      Mercado – 26.81 kunas
      Almoço- 57 kunas
      Troca : 60 euros - 432 kunas
      Ônibus p/ Porto: 27 kunas
      Janta (Foccacia+Croissant): 20 kunas
      Ticket Muralha: 150 kunas
      Almoço:24 kunas
      Ônibus p/ Porto: 15 kunas
      Barco p/ Hvar: 210 kunas
      Troca : 10 euros - 72 kunas
      Mercado: 27 kunas
      Sorvete: 20 kunas
      Total Dubrovnik : 616,81 kunas = 90 euros dinheiro e 31,44 euros cartão = 121,44 euros

       


       
×