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Filipi Bruno

Problemas com as reservas em Torres del Paine

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Olá, pessoal.

Eu realizei as reservas do Camping Torre Central e Los Cuernos através do site Fantastico Sur, efetuei o pagamento através do PayPal, este já confirmado via mensagem. Entretanto, ao contrário do refúgio reservado pelo Vértice Patagônia, o Fantástico Sur não me enviou qualquer tipo de confirmação ou voucher. Realizei diversas tentativas de contato via e-mail, todas frustradas. Aconteceu com mais alguém? Como procederam? 

Desde já, os agradeço. 

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Ei filipi, tudo bem? Não sei se já resolveu, mas eu estava com problemas com a Fantastico Sur também.

Enviei uma mensagem via facebook, em espanhol, e eles me responderam no outro dia.

 

Pagina deles é fantastico sur.

 

abraçs

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Olá pessoal, conseguiram resolver o problema com as reservas?

Fizeram as reservas para qual mês ??

Gostaria de saber o desfecho disso... Poderiam comentar?

Obrigada

 

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9 horas atrás, Selma Antoniassi disse:

Estamos tentando fazer as reservas desde ontem e também não conseguimos! Via e-mail demora séculos para responder.

Consegui sem problemas, nenhuma das duas envia email de confirmação, a Vértice me gerou um PDF, e a Fantástico Sur eu mandei msg no Facebook, responderam em menos de 24h e depois mandaram email confirmando com um PDF

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Olá Galera!

Não consegui reservar o camp Los Perros também para março. Dickson e outros ok.

 Esse ano estão com muita restrição. 

Caso alguém consiga. Dê um chamado e dica aqui .

 

Bons ventos! 

Abcs 

Guto

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Fala pessoal, estou tentando fazer as reservas pelo site da Conaf, mas sempre da erro. Alguém já conseguiu? Tô tentando pra Outubro. Agora o.site está fora do ar. Alguém mais com esse problema? 

 

Filipe Salese

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    • Por kely.alves
      Mais uma vez graças a esse site, minha trip rumo à Patagônia Argentina saiu e foi mais que perfeito. Gostaria de compartilhar minhas experiências e mostrar a vocês um pouco do que esse canto do planeta nos reserva. É simplesmente mágico.
      Antes de iniciar, informo que fui no verão e nisso há uma particularidade: os dias são mais longos, ou seja, temos luz até quase 20h30. 🌞✌️ E isso foi um grande diferencial para essa viagem ser aproveitada ao extremo.
      Mesmo sendo verão, não significa que pegamos dias extremamente quentes, portanto, como boa mochileira que se preze, usei e abusei das roupas em camadas. Tendo roupas de boa qualidade, é possível estar confortável, quente e ao mesmo tempo fresca para curtir a trip, e principalmente, leve. O que faz toda diferença de peso numa caminhada. Declathon é nosso templo!! 🙌

      Itens do Mochilão:
      3 fleeces; Jaqueta corta vento e à prova de água; 1 calça que vira bermuda e seca rápido; 2 calças segunda pele; 6 camisetas dry fit; 3 baby look de algodão; 8 pares de meias (diversificadas entre caminhadas leves e meias para lugares de neve); Bolsa de hidratação 2L; Toalha (daquelas que secam rápido); Higiene pessoal: sabonete, shampoo, condicionador, aerosol para pés, toalha umedecida e hidratante. Sugiro colocar na mala tb Bepantol (extremamente hidratante e não deixa a pele craquelar ou sagrar por conta dos ventos frios); Necessaire com itens de primeiros socorros: aí fica a critério de suas necessidades, na verdade, levei e não usei nada, com exceção do Dorflex e o gel para dores musculares (grandes amigos diários); Touca; Luva; Bota de trekking (a minha é da Timberland Chochorua GTX); Lanterna; Protetor para orelha de fleece (grata surpresa e aliado); Protetor auricular e venda para olhos; Óculos de sol; Carregador universal (pq as tomadas argentinas são diferentes das brasileiras); Câmeras e baterias reservas; Caderno para anotações e caneta; Bastão de caminhada (melhor parceiro da viagem).😍 Levei tb um arsenal de mix de frutas secas, barras de cereais e um fardinho de todinho para garantir os lanchinhos. Cronograma:
      Dia 1: São Paulo - Buenos Aires
      Dia 2: Buenos Aires - El Calafate
      Dia 3: El Calafate: Glaciar Perito Moreno + Minitrekking
      Dia 4: El Calafate - El Chaltén
      Dia 05: El Chaltén: Chorrillo del Salto (6km) + Mirador de Los Cóndores (2km) y de las Águilas (4km) = 10 km ida e volta
      Dia 06: El Chaltén: Laguna Capri (8km) ida e volta
      Dia 07: El Chaltén: Laguna Torre (18km) + Laguna Madre y Hija (8km) = 26km ida e volta
      Dia 08: El Chaltén: Laguna de los Tres (18km) ida e volta
      Dia 09: El Chaltén: Descanso
      Dia 10: El Chaltén: Loma del Pliegue Tumbado (24km) ida e volta
      Dia 11: El Chaltén - El Calafate
      Dia 12: El Calafate: Ríos de Hielo
      Dia 13: El Calafate - Torres del Paine (Chile) Full day
      Dia 14: El Calafate - São Paulo
       
      Apesar de ser Patagônia, o foco principal foi conhecer com tranquilidade as trilhas que El Chaltén pode oferecer. Enfim, bora começar esse relato que é o que interessa.
      Dia 1: São Paulo - Buenos Aires
      Para quem nunca foi para o aeroporto de Guarulhos de ônibus é bem tranquilo e econômico: sai um buso da estação Tatuapé direto para GRU por R$ 6,15 num trajeto de aproximadamente 50 min.

      Meu vôo para BA levou umas 2h30 e como o voô para El Calafate sairia no dia seguinte pela manhã, optei em ficar num hostel na capital para tomar um banho e esticar as pernocas. Me hospedei no 7030 hostel e curti.

      É bem localizado no bairro de Palermo e a 9km do aeroporto. Fiz esse trajeto de transporte público: comprei um cartão SUBE (equivalente ao nosso bilhete único de SP) e paguei ARG 25 pelo cartão + ARG 10 pelo trajeto. Lá eles cobram por trecho. Depois de uma caminhada por algumas quadras, finalmente cheguei. Fiquei feliz por estar movimentado com ruas e bares cheios às 23h. Admito que estava receosa em andar sozinha à noite num país desconhecido. Mas foi tranquilo.
      Dia 2: Buenos Aires - El Calafate - Batendo perna + Glaciarium:
      Logo cedo voltei ao Aeroparque e fui rumo à El Calafate para enfim a trip começar. Contratei com a empresa Vespatagonia o transfer de ida e volta http://www.vespatagonia.com.ar/ custou ARS 280 e foram muitos responsáveis com horários e prestação de serviço. Ficam dentro do próprio aeroporto no box 6.
      O hostel que fiquei foi o Bla. Está muito próximo da avenida principal e tudo pode ser feito à pé. Era bem limpo e organizado, mas o staff pouco informado e não muito prestativo.

      Aproveitei meu dia livre para conhecer o Glaciarum http://glaciarium.com/es/ que é um centro de interpretação de Glaciares. A entrada custou ARG 330 e o transporte é gratuito a partir do centro de informações turísticas. O lugar é bem tecnológico e mostra de forma dinâmica as transformações que a terra passou, como são criados os glaciares e icebergs, a importância desses gigantes no planeta e curisidades sobre seus exploradores, que nomeam as famosas cadeias de montanhas da região. Acho válida a visita, para poder olhar com olhos mais aguçados para o gigante que iria conhecer no dia seguinte.
       

      Dia 3: El Calafate - Perito Moreno + Minitrekking:
      Fechei esse passeio direto no hostel por ARG 3300 com minitrekking e chegando no parque foi necessário desembolsar mais ARG 500 para entrar no parque. É meus amigos, vir para essas bandas significa desembolsar muitas moedinhas, portanto, organizem-se! 😉
      Uma van nos busca no hostel e nos leva para o Parque Nacional Los Glaciares onde a guia nos explica sobre sua importância, que foi criado em 1937 e quais as razões de manutenção de flora e fauna, fora a delimitação de limites com o vizinho Chile. Dá detalhes sobre o gigante Perito Moreno e tivemos tempo livre para passear pelas passarelas, comer algo e depois marcamos um ponto de encontro para irmos ao porto para fazer o minitrekking.
      O dia estava nublado e chuvoso, mas não tirou a magnitude e a felicidade de conhecer pessoalmente o famoso paredão azul que eu namorava por fotos há anos.

      A imponência desse gigante de gelo é incrível e só estando lá percebi que ele é extremamente móvel. A água que o circunda é de uma força descomunal e isso o faz se movimentar e não é raro presenciar os famosos desprendimentos. São estrondos que impõem respeito e merecerem toda a nossa atenção.
      No horário combinado, nosso buso saiu rumo ao porto para nos levar ao minitrekking e do barco foi possível enxergar o glaciar de outro ângulo.

      Por conta da força das águas, a gelereira é constantemente modificada e formam-se cavernas e túneis. Na véspera de nossa ida, tinha uma espécie de ponte de gelo formada pelos contantes desprendimentos, mas quando foi nosso dia de visita essa ponte tinha caído, por isso na foto acima tem esse imenso vão.
      Fomos recebidos pela empresa Hielo y Aventura que é única autorizada a operar no minitrekking. Eles dispõe de dois passeios: minitrekking e big ice. A diferença entre eles é o tempo e a distância de percurso. Como a diferença de preço era muito grande, optamos por fazer o minitrekking mesmo, mas sem arrependimentos. Foi lindo.

      O passeio dura 1h30 e antes de iniciar o guia explica sobre gelos e glaciares, mas eu estava bem antenada por conta da minha pré aula no Glaciarium 😅. Em seguida somos levados para colocar os grampones nas botas para que possamos ter uma melhor aderência no gelo.
      PS: Óculos de sol e luvas são obrigatórios!


      Depois das instruções de como andar usando os grampones com segurança e aproveitar melhor a caminhada, finalmente começa o passeio. Inicialmente é meio sujo porque muita gente passa por lá, mas depois nosso guia nos leva para partes mais altas, limpas, onde é possivel ver água cristalina (pode beber, é uma delícia) e por várias formações curiosas.


       
      Para finalizar o passeio, nos levam para uma gruta formada pela geleira onde é possível tomar água geladinha e cristalina e ver de perto a força dessa água que faz esse gigante ter a fama que tem. E o fechamento com chave de ouro é uma dose de whisky com gelo glaciar.


      Esse dia entrou pra história. É uma delíciar fazer "check" num lugar que estava na sua lista dos sonhos.
       
      Dia 4: El Calafate - El Chaltén
      Nosso buso rumo à capital nacional do trekking sairia no final da tarde, portanto, aproveitamos o dia para bater perna e conhecer um pouco El Calafate. Infelizmente Pedrão estava de torneirinha aberta e o tempo bem fechado, mas não desanimamos fotos fotografar as duas placas icônicas da cidade:


       
      Gosta de história? Passe na Intendência do Parque Nacional Los Glaciares. A entrada é gratuita:



        Está localizado no centro comercial, prédio construído em 1946, declarado Monumento Histórico Municipal. Você pode caminhar pela propriedade circundante, através de um caminho interpretativo, identificar a flora nativa, exótica ou introduzida. Também um caminho de interpretação histórica, amostras de máquinas antigas que foram usadas quando o Parque Nacional começou a operar, um evento que a transformou na instituição pioneira para o desenvolvimento da área.
      DICA DE OURO!! 🥇
      Seguindo dicas de outros amigos que fiz nesse site e que estavam antes de mim, fiz as compras de provisões de comida para o período em El Chaltén em El Calafate por dois motivos: preço e variedade. Compramos pacotes de pães de forma para fazermos lanches nas trilhas, mais provisões para complementar nosso café da manhã e fazermos nosso jantar, já que é extremamente caro comer fora todos os dias. Infelizmente a Argentina está passando por uma recessão violenta e mesmo nosso dinheirinho valendo 6x mais, os preços são tão inflados que nossa conta saiu mais cara que num mercado em SP. Mas quem converte não se diverte, então vamos que vamos.
      Depois de bater mais perna e almoçar, retornamos ao hostel para os ajustes finais e esperar o horário de nosso buso. A viagem até El Chaltén durou aproximadamente 3h sem paradas. Nossa pousada nos próximos sete dias foi o hostel Cóndor de los Andes.
       

      El Chaltén é muito pequena no quesito ocupação humana, mas é nela que fica a maior parte do Parque Nacional e diferente de El Calafate não se paga para entrar em nenhuma das trilhas. Por conta de sua extensão é que recebeu o título de Capital Nacional do Trekking.😀
      O hostel é limpo, bem climatizado, mas o café deles é bem ruinzinho, então usamos nossas compras complementares para nosso café como frutas, cereais e ovos para enriquecer nossa alimentação que seria meio prejudicada, pois sabíamos que iríamos gastar muita energia.
      P.S.: Sugiro colocarem na lista de comidas vindas do Brasil: cereais como aveia e linhaça (por estarmos acostumadas como nosso arroz e feijão de todos os dias, a comida dos vizinhos se baseia em carne e batata, portanto, muito seco para nós). Invistam em alimentos com fibras, é sucesso e água, muita água. Café solúvel (porque infelizmente o café de lá não tem muita cafeína). A variedade de frutas é limitada, mas dá pra se virar com o que tem por lá. Alimentação é uma das bases de sucesso de uma viagem como essa.
       
      Dia 05: El Chaltén: Chorrillo del Salto (6km) + Mirador de Los Cóndores (2km) y de las Águilas (4km) = 10 km ida e volta
      Nossa programação de trilhas de baseou em um formato progressivo. Iniciar com as trilhas mais tranquilas, fáceis e de pouca quilometragem para depois gradativamente aumentarmos o grau de dificuldade e exigência, e foi uma escolha bem acertada.

       
      Iniciamos com a cachoeira da região chamada Chorrillo del Salto. As trilhas são bem demarcadas e emplacadas, não tem como se perder ou se sentir insegura (no caso para nós mulheres que sempre temos que ter atenção redobrada em grandes cidades ou qualquer lugar). Essa cidade foi uma grata surpresa, pois em nenhum momento, andando pelas trilhas incríveis que vivenciei, senti minha segurança abalada. Portanto, MULHERADA, SE JOGA!!!💃🏽

      É uma caminhada plana e tranquila e encontramos muitas pessoas da terceira idade pelo caminho. Aliás, isso é muito inspirador e estimulante. Muito bacana. Esse caminho é norteado pelo Río de las vueltas.

      São 3km do ponto inicial e como eu disse, bem tranquilo e sussa. A cachoeira é pequena, mas é um lugar bonito. Aproveitamos a vista para fazer nosso lanchinho.
      Animadas com a tranquilidade do percurso e que apesar de nublado, tínhamos aí mais tempo de luz, emendamos e fomos para a outra ponta do parque rumo às duas trilhas de nível fácil: Mirador de los Cóndores y de las Águilas.
       


      Sendo a qualidade de mirantes, o percurso era em forma de subida zigue e zague com vários pontos de paradas e para os cansados, bancos para descanso. No mirador de Los Cóndores vê-se El Chaltén em sua totalidade.

      E tivemos a sorte de ver um Cóndor dar show. É considerada a maior ave andina com envergadura de até 3m.
       

       
      Mesmo com o dia bem encoberto, a beleza de cadeia de montanhas que circunda a cidade é encantadora. Estava maravilhada com o pouco que pude ver, e torcia internamente para que os próximos dias fossem mais limpos.


      Esses caminhos foram nosso test drive com nossos bastões de caminhada que tiveram papel determinante para o sucesso da viagem. Já que infelizmente meus joelhos já não são tão 100%, mas esse bastão é salvador. Coloquem na lista de vocês, é um investimento mais que válido.
       

      Terminamos nossas contemplações e caminhadas bem no final da tarde, quase início de noite e foi sucesso.
      Dia 06: El Chaltén: Laguna Capri (8km) ida e volta
      O tempo infelizmente fechou de vez, mas não arruinou nossos planos de bater perna por aí. Tempo chuvoso, nublado e bem cinza. Frio, muito frio.

      Fomos conhecer a Laguna Capri. Durante minhas pesquisas vi fotos belíssimas desse local. Mas a neblina e o tempo fechado não nos deram essa sorte. De toda maneira, achei lindo.

       
      A vista de gelos glaciares, mesclado com o verde das árvores e o cinza das montanhas. A natureza é muito sábia. Referente ao clima isso era previsto, pois em todos os relatos nos diziam sobre essas oscilações. Fizemos uma caminhada tranquila, apesar do tempo gelado. Voltamos ao hostel para secar as roupas e ficar no quentinho. Pedrão, pregando uma peça fez questão de fechar a torneirinha e deixar o céu limpissimo. Mas aí estavamos no quentinho do hostel, bateu pregui de sair. Mas tínhamos a certeza de que o próximo dia seria mara! E foi!!
      Dia 07: El Chaltén: Laguna Torre (18km) + Laguna Madre y Hija (8km) = 26km ida e volta
       
      Como previsto no dia anterior, o clima estava melhorando e fomos rumo à Laguna Torre:

       
      Foi nosso primeiro longo trekking. O dia estava bem nublado, mas vimos melhoras no decorrer do dia. Essa trilha é muito bonita. Começa com uma subidinha para ver El Chaltén do alto e segue por uma reta sem fim. É um descampado margeado pelo rio e protegido pelas montanhas e seus picos nevados.

      Depois entra-se num bosque com árvores imensas e o rio sempre margeando. Portanto, se quiserem encher suas garrafinhas, é sucesso e água geladinha advinda dos glaciares garantida.

       
      Todas as trilhas que percorremos mostram a quantidade de km percorridos, então isso dá uma noção de espaço e tempo. Os dois km finais são de subida. Mas com nosso super bastão de caminhada, foi tranquilo. Antes de subir, se quiser, rola um banheiro.

      Subimos seguindo os demais grupos de pessoas que estavam por lá e antes de avistar o destino, a carinha das pessoas que lá já estavam eram de total felicidade e contemplação. Ao me virar para onde todos olhavam, tive certeza que tinham razão. É bonito.

      Apesar da montanha Cerro Torre estar encoberta, achei maravilhoso.

      Normalmente as pessoas emendam essa trilha com o Mirador Maestri que estava a 4km de lá. Mas por algum motivo minha amiga e eu não vimos placas que indicavam para lá e voltamos. No meio do retorno, o tempo abriu completamente e uma plaquinha nos chamou a atenção:

      Laguna Madre e Hija. Estávamos procurando por ela ontem, após a Laguna Capri, mas erramos alguma parte da trilha e voltamos para o ponto inicial. O tempo tb estava muito chatinho. Mas Pedrão como é nosso amigo, fechou torneirinha e nos proporcionou essa caminhada. Estávamos numa alegria e num pique master. Caminho reto e plano, mas para nossa alegria (SQN) vieram as subidas, que subidas!!! E diferente das outras trilhas essa não mostrava quantos km tinhamos percorrido, mas a panturrilha estava dizendo que foram muitos. Enfim, terminado o suplício das subidas sem fim, caminhamos por outra parte plana e mais fechada, de repente, abriu-se e vimos água!
      Todo o cansaço se foi. Era perfeito!
      Fizemos nossa parada para agradecimento e contemplação.

      Não sei precisar quanto tempo passamos por lá. Só olhando, admirando, sem pensar em nada e cumprimentando todos os viajantes que por lá passavam, já que era ponto de passagem para quem iria acampar e ficar próximo da Laguna de los tres.
      Voltamos muito felizes com esse dia produtivo e lindo. E finalmente pudemos ver a imponência de Cerro Torre pela primeira vez em sua totalidade.

      O parque nacional tem muitos moradores, fomos apresentados também a um pica pau.

      Esse dia foi memorável. Daqueles que nem dá vontade de ir embora. Mas lembramos que um longo trajeto de volta nos esperava, então partimos rumo à cidade.
      Dia 08: El Chaltén: Laguna de los Tres (18km) ida e volta
      Decididamente a trilha mais desafiadora de todas, e sem dúvida, uma das mais bonitas.

      O dia não poderia ser mais perfeito. Limpo, céu azul e o famoso mirador Fitz Roy na sua totalidade.

      O percurso foi bem lindo e tranquilo. Muitas montanhas, bosques, água, gente legal pelo caminho.
      .
      Cada lado que você olha, dá um encantamento sem fim.
      Até chegar o km final.
       

      Pensamos: 1h?! De boas!!!
      Mas era o senhor das subidas. Terreno íngrime e instável. Não conseguia ver o final, mas estava muito motivada a chegar logo.

      Foi quando vi uma parte mais plana e nevada e pensei: cheguei!!! Só que as pessoas que encontrava pelo caminho me diziam ao contrário. Mas incentivavam a continuar pq estava muito perto.

      1h16 de subida depois e quase fôlego, entendi o que estava tão escondido:

      Finalmente a encontrei Laguna de Los Tres. Tão verde mesclada com o branco da neve. Linda!!!!

      Esforço que valeu a pena. Essa empreitada nos custou 9h. Sendo 5h de ida e 4h de volta. MIssão cumprida. Pela primeira vez pegamos o parque à noite, então deixem em suas mochilas uma lanterna pq ajudam nessas situações.
      Chegando no hostel, juntamos nossas últimas energias e fomos fazer nosso delicioso jantar regado a muita cerveja pq merecemos. Superamos totalmente nossas expectativas.
      Dia 09: El Chaltén: Descanso
       
      Depois da empreitada do dia anterior, decidimos tirar o dia de hoje para fazer absolutamente nada e dar ao corpo o descanso merecido. Coincidentemente o tempo virou e conhecemos os famosos ventos Patagônicos. Realmente são muito fortes e impossível fazer trilhas com eles porque desestabilizam qualquer pessoa. Dormimos até mais tarde, comemos com calma e ficamos só observando esse vento varrer tudo que vinha pelo caminho.
      Quando deu uma trégua, pela primeira vez fomos almoçar fora e nos demos de presente um bom churrasco e cerveja artesanal. Foi bem tranquilo e aproveitamos o dia livre para comprar nossas passagens de volta para El Calafate e fazer nossas últimas compras de mercado.
      Fizemos uma parada numa agência de viagens para tirar dúvidas e o dono muito prestativo nos brindou com uma boa conversa e aulas sobre diversos assuntos e tinha um programa mara que mostrava a quantidade de ventos da região e nos deu a boa notícia que o dia seguinte seria limpo, sem ventos e perfeito para um trekking e nos fez uma sugestão. Ansiosas para a chegada do dia seguinte e que a profecia do senhor da agência estivesse correta, fecharíamos El Chaltén em grande estilo.
      Esse day off foi essencial, necessário e produtivo.
      Dia 10: El Chaltén: Loma del Pliegue Tumbado (24km) ida e volta
      Corpo descansado e mega animada, corro para janela e tenho a seguinte visão:

      Era muito cedo e o sol já estava iluminando nossas queridas montanhas e a dúvida seguinte era: e os ventos?! Ficaram pra trás!!
      Portanto, seguindo a sugestão do dono da agência, fomos para a trilha de maior km da viagem: 24km ida e volta com uma visão 360º dos principais pontos de El Chaltén. É possível isso, produção? Vamos lá ver então com nossos próprios olhos.
      Antes de começar nossa empreitada, fizemos nossas provisões e alongamentos diários porque Laguna de los Tres tinha deixado nossas pernocas bem fadigadas.
      A entrada dessa trilha é a mesma dos miradores que fomos no primeiro dia, mas agora seguiríamos sentido contrário.

       

       
      Esse mirante tem uma altura de mais de 1400 metros, portanto, bora subir. Mas não há subidas íngremes pelo caminho. Aos poucos você El Chaltén se distanciando e se depara com um lindo bosque.

      Por conta do clima e dos ventos do dia anterior, esse bosque estava todo nevado. Muito legal.

      Terminado esse bosque vemos uma coisa maravilhosa e parecemos duas crianças:

      O mirante Loma del Pliegue Tumbado. Neve por todo canto e as montanhas em sua totalidade e céu perfeitamente limpo.

      Mas esse não é o fim do passeio. Afinal, a cereja do bolo é lá do alto. Tínhamos mais um tanto para caminhar. Nunca experimentamos neve na vida e foi tudo novidade e muito legal. Desse ponto até o final seriam 2km de caminhada.

      Os bastões foram grandes aliados, pois, apesar da neve fofa, haviam muitos pontos de gelo escorregadio e eles os deram firmeza para seguir a subida sem levar um capote, mas não nos livrou dos escorregões...rs.
      Esse foi o ligar que mais passei frio. Apesar da bota ser impermeável, ela não é feita pra neve, então, o frio entrava nos meu pés, isso me deixou meio desconfortável. Mas não desanimada. Corre que esquenta!!
      Finalmente chegamos:

      Que sensação, meus amigos!!

      Que beleza!!
      Vê-se a Laguna Torre de um ângulo lindo:

      Também é possível der o Lago Viedma:

      E o Río de la vueltas:

      Decididamente o lugar mais lindo de todas as trilhas que fizemos. Você olha pra todos os cantos  e desacredita que chegou tão longe e não tem o que fazer senão agradecer, agradecer sempre pelas oportunidades que nos são dadas.
      Não sei por quanto tempo ficamos. Achamos um local abrigado do vento (que não era pouco), comemos e depois fizemos nosso caminho de volta com nossos melhores sorrisos:

      E na volta como passe de mágica, a neve tinha se desfeito. É impossível não ficar completamente apaixonada pelas montanhas que circundam o caminho. Tiramos muitas fotos, mas parece pouco. Elas são lindas demais.

      Não é à toa que essa cidade é a Capital Nacional do Trekking. Sabe receber muito bem viajantes de todas as partes do mundo com uma generosidade sem fim. Realmente um local que todo mochileiro se sente em casa e bem.

       
      Tudo isso foi possível por preparo no planejamento de roteiro e um preparo físico que nos foi cobrado e fizemos com louvor e não tivemos desistência em nenhuma das trilhas e nenhum acidente. Estávamos bem amparadas:

      Nossa última noite em El Chaltén foi nos esbaldar no happy hour com double beer e muitas empanadas para comemorar nosso feito. Cheers!

      Obrigada por nos proporcionar todas essas experiências, El Chaltén. ❤️
      Dia 11: El Chaltén - El Calafate
       
      Deixamos com muita alegria El Chaltén para fazermos a parte final de nossa viagem. Retornamos a El Calafate e tivemos um final de dia tranquilo.

      Nossa última hospedagem foi o America Del Sur Hostel. Definitivamente o hostel mais bonito que fiquei.

      Tem um deck de madeira gracinha com vista para o lago argentino e é muito arborizado e tem o melhor café da manhã ever. A galera é muito animada e toda noite tem uma temática diferente: noite da pizza, noite do churrasco, ladies night, open bar, música boa, gente bonita.

      Nossa última noite livre foi de caminhar tranquilamente pela orla do lago e ver o pôr do sol e conversar com as pessoas que por lá estavam. Afinal, seria a última oportunidade de contemplação plena.

      Os dois dias seguintes seriam de uma maneira que nos desacostumamos, mas que iríamos fazer já que estávamos tão longe: passeios estilo turistão. Daqueles que você não faz esforço de nada a não ser de estar pronto para te pegarem e te levarem de volta. Vejamos como será.
      Dia 12: El Calafate: Ríos de Hielo
       
      Fechamos diretamente no hostel esse passeio que custa umas boas moedas: ARG 2400 + 500 de entrada para o parque. Nós brasileiros, nunca ousaríamos pagar isso num passeio aqui no Brasil, mas quando estamos longe, fazemos cada coisa.
      Esse passeio consiste num passeio de barco pelo braço direito do Lago Argentino e conhecer os maiores glaciares do Parque Nacional: Spegazzini e Upsala. Disseram que há anos atrás também contemplava Perito Moreno, mas como mudou de operadora, ele hoje está fora do roteiro.
      É um passeio que começa bem cedo. Por volta das 7h passam no hostel para pegar o pessoal e levar até o Porto Bandeira
       

      A embarcação tem dois andares climatizados e com bancos muito confortáveis. Lá tem cafeteria e lanchonete, mas como tudo é muito caro, sugiro levar seu lanchinho e ser feliz. Para que não quer se preocupar, é só sentar e ver o passeio, mas como somos curiosas, ficamos no frio do lado de fora para ver melhor esses gigantes.

       
      A primeira parada é no glaciar Upsala:

      Apesar o dia cinza, a cor azul é muito prediminante e sua altura impressiona: pode ultrapassar 100 metros de altura.

       
      Em seguida entramos no braço Spegazzini e conhecemos o glaciar de mesmo nome, prestem atenção na proporção barco x altura do glaciar:

      E por fim o glaciar Seco:

      Às 15h o passeio retorna ao Porto Bandeira.
       
      Dia 13: El Calafate - Torres del Paine (Chile) Full day
       
      Durante as pesquisas de roteiros para essa viagem, apareceu em um dos posts sobre o parque do país vizinho: Torres del Paine. Fiquei encantadíssma, mas lendo os relatos para se fazer alguns dos circuitos de lá eu precisaria dispor de pelo menos quatro dias. Como priorizamos El Chaltén, infelizmente nos sobrou fazer o full day que eles oferecerem.
      Se me perguntarem se gostei, não vou dizer que não. Mas por ser um passeio estritamentente de ônibus com aquelas paradas de 10 minutos para ver, tirar foto correndo e sair, eu achei ruim. Quando se pega gosto por fazer coisas dentro do seu tempo e à sua maneira, fica meio difícil voltar a se encaixar nesses moldes turísticos.
      Falando sobre esse full day, o passeio também foi fechado no hostel por ARG 2700 e a entrada no parque era em peso chileno (não aceitam dólares e nenhuma outra moeda). A entrada custa CPL 6000.
      Como é uma longa viagem, eles nos buscam no hostel cedo: 5h30.
      Para quem não tem peso chileno, não se preocupe: eles têm um ponto de parada antes do parque onde você pode trocar dinheiro pelo valor que eles querem 😫 Mas se você não tem o raio do dinheiro deles, de nada adianta, você não entra no parque. Mas que me senti assaltada, ah, isso me senti. Então fica outra dica: se forem fazer esse passeio já levem o peso chileno daqui. O câmbio certamente será melhor.
      O ônibus é bem estilo turístico mesmo com um guia falando num microfone que não dava pra entender direito por conta da interferência.

      Logo na entrada do parque é possível se avistar de longe e com bom zoom o maciço das famosas Torres del Paine:

      O primeiro ponto de parada foi de frente com o Lago Sarmiento:

      Corre que vocês têm 15 min para fotos!!

      Em seguida o ônibus sobe e para no mirante Torres del Paine:

      E também avistamos muitos Guanacos de boas na paisagem:

      Ai o guia disse que desceríamos e faríamos uma trilha. Olhinhos brilharam! Finalmente uma caminhada por algum lugar. Mas para nossa tristeza era um percurso de 15 min por um caminho plano, mas do nada veio uma ventania que não deixava ninguém em pé. Resultado: tivemos que ficar sentados para não sermos levados

      Com a mesma rapidez que a ventania chegou, ela se foi. E então pudemos ficar em pé novamente, nossa caminhada miou e o nosso guia logo nos indicou o local onde almoçaríamos (incluso no valor do passeio com entrada + prato principal + bebida + sobremesa).
      Muito bonita a vista até lá com margem com Lago Pehoé:

      Terminado o almoço era hora de voltar para El Calafate. Chegamos no hostel depois das 23h esgotadas.
      Por ser final de trip as energias já estavam quase no fim, mas foi uma experiência muito boa. Mas agora revendo essa história, creio que aproveitaria muito mais dedicando dias completos e conhecer melhor esse vizinho e suas belezas. O full day dá pinceladas, mas não nos dá a oportunidade de aproveitar nada, já que todo o tempo é cronometrado. Agora é dormir, porque voltamos para casa amanhã.
      Considerações finais:
      A Patagônia é um lugar mágico e mostra o que melhor que nós temos. Nossa força, generosidade, curiosidade, amizade e a capacidade diária de aprender e ensinar algo. Portanto, espero ter colaborado um pouco para as pessoas que colocaram esse destino em sua lista e qualquer dúvida, estou à disposição. Tenho as planilhas de planejamento e custos, caso desejem para nortearem seus planejamentos.

       
       
       
       
       
       
       
       
       
       
       
       
       
       
       
       
       
       
       
       
       
       
    • Por dominique91
      Desde quando fomos até o Ushuaia de carro e passamos brevemente por Torres del Paine, o parque não saiu da minha cabeça!
      Finalmente, depois de alguns anos conseguimos voltar para fazer o Circuito W! Com certeza uma das paisagens, se não a paisagem, mais linda que já pude presenciar.
      Milhas e milhas de natureza bruta, clima Patagônico, gelo, floresta, sol, neve, lagos e montanhas. Sem dúvida um “Must go” para os amantes de Trekking!
      Bem, vou compartilhar um pouco da minha experiência, vou tentar ser breve e certeira nas informações que mais precisei quando estava me planejando.
       
      Insta: @domizila
      Site: www.embarcandonatrilha.com.br

       
      1 – Qual a melhor época para viajar?
       
      Pelas minhas pesquisas, sem dúvidas é o verão. Nós fomos em Março, fim do verão e começo do Outono. Pegamos temperaturas negativas em certos pontos, mas ainda sim foi bem tranquilo. A primeira vez que fui a passeio no parque havia sido em Julho. Me lembro que não dava para abrir a porta do carro por conta do vento fortíssimo, então inverno não é uma opção.
       
      2 – Por onde começar? Laguna Amarga ou Pudeto?
      A primeira coisa que você precisa definir é por qual lado do parque começar. Você pode iniciar por Laguna Amarga, onde você verá as torres logo no início da viagem ou você poderá iniciar por Pudeto onde você deverá inicialmente pegar o Catamarã e ir para a outra ponta do parque, deixando como a cereja do bolo as torres por último.
       
      Dica: Algumas pessoas que conheci iniciaram por Pudeto, mas optaram por ficar um dia a mais. Elas ficaram hospedadas a primeira noite no Abrigo do lado das torres, para ter a oportunidade de pegar 2 janelas de tempo, uma no primeiro dia e outra no último. Para quem não sabe o clima é quase que imprevisível, muitas vezes as torres estão escondidas atrás das nuvens.
       
      Nós iniciamos por Pudeto por motivos de força maior. Decidimos viajar 5 meses antes da data escolhida e já estava tudo esgotado (Isso que fomos em Março, que já é considerado baixa temporada), os principais abrigos e melhores opções não estavam mais disponíveis, então adaptamos ao que tinha!
       
      Então, antes de mais nada: Agende o quanto antes e escolha o lado que deseja iniciar.
       
      3 – Posso deixar a bagagem extra de viagem em algum lugar enquanto estou na trilha?
      Sim, e não precisa se preocupar quanto a isso. Acho que posso dizer que 100% dos Hostels em Puerto Natales tem o serviço de guardar sua bagagem extra durante a trilha. Muitos, nem cobram se você voltar e se hospedar no retorno do parque.
      Custo: Se te cobrarem, será uma média de 3.000 pesos o dia
       
      4 - Como chegar no Parque?
      É bem simples! Considerando que você chegue de avião, o aeroporto mais próximo será o localizado em Punta Arenas.
      Do próprio aeroporto saem ônibus para Puerto Natales, basicamente de hora em hora.
      Se você ficar hospedado em Punta Arenas, na cidade tem uma rua onde estão localizadas basicamente todas as cias de bus, é só chegar e comprar.
       
      Custo: $ 16.000 pesos ida e volta Punta Arenas - Puerto Natales
       
      Chegando em na estação em Puerto Natales, você poderá comprar as passagens para o Parque. As principais cias que trabalham o trecho são:
      https://www.bussur.com/
      http://www.busesmariajose.com/services.php
       
      Dentre outras. Existe diferença de preço entre desembarque em Laguna Amarga e Pudeto
       
      Custo: $ 18.000 pesos ida e volta Puerto Natales - Torres
       
      Fique de olho nos horários para não perder o ônibus voltando da trilha. Se você quer chegar em Puerto Natales e já ir para Punta Arenas, tem que sair cedo do parque. Nessa opção obrigatoriamente você vai para Puerto Natales e de la para Punta.
       
      5 - Onde comprar meu ingresso do parque?
      Você pode comprar seu ingresso em dois lugares:
      Na estação de ônibus de Puerto Natales: Acho que poucas pessoas sabem dessa. Eu encontrei por acaso. No fundo da estação tem um escritório adm do Parque e lá vende os ingressos. Só pode comprar com cartão nessa opção.
      No parque: Chegando no Parque, obrigatoriamente todos os ônibus param na portaria para a compra de ingressos. Nessa opção só aceitam dinheiro.
       
      Custo: $ 21.000 pesos
       
      Essa foto é da estação de ônibus de Punta Arenas. Ali ao fundo, no Informacion, você pode comprar o ingresso do parque com cartão.

      6 – Passa cartão no parque?
      Olha, em partes passa, mas eu não contaria com isso. Recomendo levar dinheiro para evitar passar perrengue. Lembre-se que você está literalmente no meio do nada, não tem como sacar dinheiro por lá e se a internet não estiver pegando bem, não tem muito o que fazer.
       
      7 – Onde ficar hospedado dentro do parque?
      A primeira coisa que você precisa saber é que as hospedagens do parque são parte administradas pela:
      - Conaf (Campings roots):  http://www.parquetorresdelpaine.cl/es
      - Vertice (Hospedagens do lado de Pudeto): http://www.verticepatagonia.cl/home
      - Fantastico Sur (Hospedagem desde o Italiano até do lado de Laguna Amarga): http://www.fantasticosur.com/mountain-lodges/
      Vou colocar em ordem de barateza rs:
      - Pela Conaf, seriam os acampamentos roots, experiência total. Você leva sua barraca, seus equipos e paga uma taxa para uso do espaço do camping e banheiro, se não me engano é USD 10,00 por dia
      - Abrigos (que são bem confortáveis) ou no acampamento em que, você chega e já está tudo arrumado (barraca montada, isolante, colchão, etc). Nessa opção o custo por noite por pessoa seria na média de USD 100 e se quiser incluir o FB (Café, lanche de almoço e jantar) média de USD 150 (Levei minha comida e cozinha, fui bem feliz com essa opção)
      - Também existem opções dos Domos no acampamento Frances, mas pelo o que escutei eles são desconfortáveis, muitos com goteiras, mas pode ser uma saída caso não tenha mais vaga nos albergues.
      - E se você já é uma pessoa que está ai, bem de vida, só na alegria e curtição, pode ficar nos hotéis maravilhosos, com direito a piscina aquecida, ofuro ao ar livre, muito vinho e comida boa. Tem algumas opções, não estendi muito a minha busca mas vi que variava entre USD 200 até USD 700 por cabeça.
       
      Custo: Vai acabar dependendo de sua escolha. Os valores não permitem parcelamento, tudo à vista pelo paypall
       
      8 – Não levei comida o suficiente, tem como comprar no parque?
      Se você chegou da caminhada e ficou com a fome de 10 guerreiros e não comprou o Full Board antecipado, avisando um pouco antes do horário da refeição você pode pagar na hora para se alimentar.
      Também tem vendinhas com chocolate, frutas, até mesmo capas de chuva, mas lembre-se:
      Você está em um lugar onde o principal meio de transporte são os cavalos e as costas das pessoas. As coisas não são baratas, por motivos óbvios. Inclusive os meios de reciclagem de lixo, água e dejetos são extremamente respeitosos com a natureza, porém tudo tem um custo. Tente levar tudo o que precisa, se não, você pagará R$ 15,00 por uma barra pequena de chocolate.

      20180319_193404.mp4  
      9 – Quero beber uma breja depois da caminhada, tem como?
       
      Tem sim! Mas, mais uma vez não espere pagar pouco:
      Custo cerveja lata: $ 5.000 pesos (média de R$ 25,00)
      Custo garrafa vinho: $ 30.000 (média de R$ 160,00) – E é um Casillero del Diablo
      Ou, faça como eu, ignore o peso da mala e leve uns vinhos rs
       
      10  – Quero cozinhar no parque com meu equipo. Como faz?
      Existem cozinhas comunitárias para fazer fogo com seu equipo e cozinhar. Fazer fogo fora dos lugares indicados é estritamente proibido. É proibido no nível de que se te pegarem, além de ser expulso do parque, você é deportado do Chile e ainda sofre um processo.
      Em todos os lugares de acampamento/abrigos tem espaço para cozinha, mas nem pense em fazer fogo durante a trilha, além de ser proibido, você pode colocar fogo na oitava maravilha do mundo. Acho que você não quer fazer isso, não é mesmo? Ou pelo menos não deveria querer.

       

       
      11 – Preciso de Guia?
      Não. Você não precisa de um guia (O trabalho dos guias é maravilhoso e na grande maioria das trilhas do planeta é recomendado ir com um, porém esse parque foi projetado para ser autoguiado)
      As trilhas são muito bem demarcadas, o mapa é de fácil leitura. Existem inúmeras pessoas fazendo a trilha, o rastro é muito visível e você pode acompanhar o caminho pelas marcações com estacas e tintas.
      Claro que você precisa prestar atenção no que está fazendo, enquanto estiver na trilha esteja atento as marcações, preste atenção nas pessoas que passam por você. Enquanto eu estava lá um grupo decidiu “cortar caminho” se perdeu no meio do mato, então, não corte caminho.
       
      12 - É fácil encontrar água durante a trilha?
      Sim, é muito fácil. Não precisa ficar carregando litros e litros de água. Um cantil de 750ml já basta. Você passa por muitos pontos de água a todo momento.
      Roteiro

       
      Pegamos o primeiro ônibus que saia de Puerto Natales, para chegar no parque a tempo de pegar o Catamarã das 11: 35. 
       
      O Catamarã das 11:35 é o limite para conseguir fazer o Mirador Grey, se pegar o das 14:00 já era, tem que deixar para o dia seguinte. Mesmo assim tem que andar rápido na trilha. O sol estava se pondo por volta das 20:00
       
      Portaria Laguna Amarga:

       
      Pudeto: Aguardando o Catamarã

      Vista do Catamarã

      Indo para o Grey

      Indo para o Grey

      Friaca indo pro Grey

      Primeiro Mirador do Grey

      Primeiro Mirador

      Voltando do Grey para Paine Grande (Pega na quantidade de roupa que o Gabriel esta usando kk)

      Chegando em Paine Grande

      Vista do Refugio Paine Grande

       
      Saindo da Cozinha e indo para o Refugio

      20180319_193145.mp4  
       
      Sobre a Trilha: É uma trilha extensa, sem grandes desníveis. Bem no começo tem algumas subidas, mas depois é bem tranquilo. Muito bonito! Você vai margeando o lago à direita e montanhas à esquerda. Tem que apertar o passo para fazer o bate e volta, é só focar que a trilha sai!
       
      Dia 02

      Paine Grande




       
      Nao da para cansar de ver essas fotos rs
      Dia 03

      Indo para o Italiano





      Campamento Italiano

      Subindo Rumo ao Britanico

       
      Chegando no Britanico
       


       
      Voltando e Parando no Mirador Frances (Na realidade voce passa por ele na ida e na volta, para mim um dos pontos mais belos )
       



      Campamento Frances

       
      Sobre a trilha: Considero o ponto mais alto, depois das Torres. O segundo dia de caminhada é belissimo do começo ao fim, as paisagens mudam constantemente, mantendo você envolvido com cada detalhe. 
      A subida do Frances e Britanico é moderada, muitas pedras, tem que prestar atenção no caminho e onde pisa, mas não é nada extra hard.
      A todo momento você consegue observar o degelo da montanha formando os rios, é uma beleza indescritivel
      Sobre o Acampamento Frances: A estrutura é boa. Mas, se estiver chovendo a cozinha é a céu aberto e se tiverem muitas pessoas para tomar banho, você pode acabar ficando com água gelada. Foi o que aconteceu comigo. Sim, tomei banho gelado a 6cs kkk Parece que o sistema de aquecimento leva um tempo para subir a temperatura da água e se várias pessoas usam de uma vez, a água quente acaba e tem que esperar um tempão para aquecer.
      Mais um detalhes sobre o acampamento: Ele tem infestação de ratos. Inclusive quando entramos na barraca notamos uns buraquinhos, achamos que era normal, mas descobrimos a noite que os ratos tentam entrar na barraca atrás de comida. Então, mantenha toda a comida muito bem embalada e se prepare para escutar alguns roedores pela noite rs
       
      Dia 04










       






      Sobre a trilha: O desnível começa a aperecer mais forte no terceiro dia. Na realidade tem muito sobe e desce. É uma trilha mais dura, pois a paisagem não muda tanto e em horas leva bastante tempo para conseguir finalizar.
      Nós conseguimos vaga somente no Torre Norte, em certo momento a trilha partindo do campamento frances bifurca, um lado vai para a Torre Norte/Central e o outro para o Chileno. Eu realmente recomendo ir para o Chileno. É uma subida consideravel, mas faze-la no mesmo dia de ataque as Torres foi bem pesado.
      Entao, vá para o Chileno. Repito, Va para o Chileno. Chileno.
       
      Dia 05





       
      Comecinho do ultimo trecho para as torres


       
      Chegando nas Torres ❤️



       

      Tudo que sobe, tem que descer, e voltamos das Torres para o Refugio Central/Norte, pegamos um translado até Laguna Amarga e de lá demos um "Até breve" para Torres del Paine
       
      Segue uma imagem linda da despedida

       
      Sobre a Trilha: O último dia!! Ao mesmo tempo que não queríamos ir embora, foi um alívio. O cansaço começou a bater. É engraçado como muito da nossa questão de alcançar um objetivo, vem da cabeça! Até o penúltimo dia estávamos bem o último, parecia que um caminhão tinha passado por nós rs.
      Bem, algumas coisas aconteceram, vou colocar na linha:
      1.       Saímos de madrugada, para tentar chegar no nascer do sol nas torres, porém o caminho do Refugio Norte/Central até o Campamento Chileno (que seria o início da trilha para as torres) é extremamente puxado. É um caminho estreito que vai beirando o abismo, pegamos neve e muito vento. Acabamos indo lentos demais.
      2.       É muito importante você ter o equipamento correto, dentre eles o Anorak! Meu marido se confundiu na hora de fazer as malas e levou o errado. Compramos o que tinha na hora (capa de chuva) e ele sofreu muito com isso, até troquei de roupa com ele em certo ponto
      3.       A subida é forte, com muitas pedras. Os último 45 minutos de caminhada são puxados, vi muita gente com cara de desespero na trilha rsrs
      4.       Chegar no topo não tem preço, me arrepia só de lembrar! Só tenho a agradecer por ter tido esse momento em minha vida.
      5.       Infelizmente estava nevando muito, a temperatura estava negativa. Não conseguimos ficar muito mais que 10 minutos lá em cima, mas valeu cada segundo dessa trip muito louca
       
      O que não pode faltar na mala:
       
      Pessoal não vou passar um check-list completo do que precisa levar, mas vou falar do que não pode faltar de jeito nenhum:
      - Anorak (100% A prova de água)
      - Calça impermeável
      - Um bom tênis para caminhada
      - 3 Boas meias para caminhada (Cano alto, que evita bolhas, comprei na Decatlhon e foi ótima)
      - Pelo menos 2 blusas respiráveis, para usar como primeira pele
      - Capa de Chuva para a Mala
      - Uma mochila de ataque
      - Um Fleece
      - Um lenço para enrolar nas orelhas, venta bastante, evite dor de ouvido
      - Lanterna de Cabeça
      - Frutas Secas, Comidinhas fáceis como salaminho, levar ovo já cozido, polenguinho
       
      Bem, espero ter ajudado! Ficarei mais do que feliz em ajudar e tirar dúvidas de quem esta se preparando para ir!!
       
      Um grande beijo e bons ventos!
    • Por BrunaKC
      Pessoal, fiz uma solicitação de reserva para o Refugio Grey, em TDP, para Janeiro. Recebi um email da Vertice Patagonia afirmando que receberam meu pedido e a equipe de vendas entraria em contato para dar continuidade na reserva. Já mandei email, já mandei msg no instagram e até agora nada. Fiz a solicitação dia 02/Set.
      Alguém sabe me dizer se essa "demora" deles é normal? Já passaram por isso?
       
      Obrigada!!
    • Por heder.rocha
      Introdução
       
      "Rumbo al culo del mundo", não me pergunte como chegamos a este nome...
       
      Iniciamos a busca por informação em Janeiro ou Fevereiro de 2016, para a viagem que só ocorreu entre os dias 25/12/2016 a 28/01/2017, então sim, tivemos quase um ano de planejamento e isso foi fundamental para que tudo desse certo.
       
      Decidi fazer esse relato para retribuir ao site Mochileiros, pois as discussões daqui foram fundamentais para todos os momentos de nossa trip: planejamento da rota, escolha e compra dos equipamentos, escolha de pontos de interesse, dicas em relação à caminhos, etc. Digo "nossa" porque fomos em 5 amigos de longa data: Eu (Heder), Dani (minha esposa), Fernando, Aline, e Hugo.
       
      Aproveitamos o embalo criativo e criamos um blog para contar essa trip e algumas outras que já fizemos, confere lá! O blog se chama O QUINTO DIÁRIO e para conhecê-lo é só clicar aqui.
       
      Tentarei fazer um relato que seja bastante detalhado e que privilegie as informações que nós não encontramos na internet.
       
      Vou colocar bastante foto aqui, mas se quiser ver mais a gente está colocando aos poucos nos nossos perfis do instagram, entrá lá!
       
      @danifranzoia
      @instadoheder
       
       
      Começo então por dois detalhes importantes que delimitaram o "estilo" da nossa viagem: O perfil do grupo e o orçamento. Eu penso que isso pode ajudar a você que está lendo esse relato no sentido de continuar a ler ou não... Eu falo isso porque cada pessoa possui um determinado sentido de conforto e abertura à riscos quando vai fazer uma viagem. No nosso caso, fizemos todo o planejamento e execução no sentido de não depender de agencias de turismo, tentar baratear tudo ao máximo e estar abertos à imprevistos. De um lado, cada ponto de parada e cada lugar visitado foi pensado previamente, mas por outro, não fizemos reservas em hotéis e estávamos abertos à possibilidade de dormir na estrada. Nesse ponto, cabe dizer que a nossa "equipe" era formada por 3 geógrafos, 1 bióloga e 1 farmacêutica.
       
      Devo dizer, também, que nós fizemos um esforço gigantesco durante todo o ano de 2016 para guardar dinheiro. Foram muitos meses sem jantar fora, comprando equipamentos parcelados em 1.000.000 de vezes, ao invés de comprar aquele sapato bacana ou aquela blusinha linda, comendo simples e evitando gastar mesmo! A gente pensava duas vezes em todos os gastos, por exemplo, QUE VONTADE DE COMER PIZZA = vamos fazer em casa! Os exemplos são muitos e é incrível como se encontra pontos em que é possível economizar, basta um tanto de esforço e disciplina.
       
      O relato estará dividido em algumas partes, mas inicialmente vamos para alguns dados estatísticos e de informação:
       
      - 5.000 km rodados em um classic em 5 pessoas.
      - ~460 litros de bagagem dividido em 5 mochilas cargueiras
      - 18 cidades conhecidas e 10 em que dormimos
      - 17 dias de camping
      - ~280 litros de gasolina
      - condições climáticas vividas: neve, granizo, ventos de 70km/h, sol, chuva, muito frio, muito calor
      - geografia: andes, deserto patagônico, bosques patagônicos e andinos, canal beagle, estepes, montanhas, falésias, praias, glaciares, lagos de degelo, campos de gelo, vulcões e derrames de lava, dobramentos, vales de erosão glaciar, estreito, ilhas, península, etc.
      E o mais impressionante: ~240 km de trilhas feitos na bota, uma boa parte com uma mochila de 18kg nas costas.
       
      O relato está organizado em 4 partes:
       
      PARTE 1: EL CALAFATE E TORRES DEL PAINE (La O)
      PARTE 2: PUERTO NATALES, PUNTA ARENAS E USHUAIA
      PARTE 3: P. N. PALI AIKE, P. N. MONTE LEÓN E LOS ANTÍGUOS.
      PARTE 4: CAPILLAS DE MARMÓL (MARBLE CAVES), CHILE CHICO E RESERVA LAGO JEINIMENI
      PARTE 5: EL CHALTEN (Cerro Torre e Fitz Roy)
       
      Sobre a rota
       
      A nossa rota foi essa:
       

       
      Ela está disponível aqui: https://drive.google.com/open?id=1dAAa-3XBMqDDmtnBNla9IOhFgew&usp=sharing
       
      A: El Calafate (2 dias)
      B: Parque Nacional Torres del Paine (10 dias)
      C: Puerto Natales (2 dias)
      D: Punta Arenas (2 dias)
      E: Ushuaia (4 dias)
      F: Parque Nacional Monte León/Cidade Comandante Piedrabuena (2 dias)
      G: Los Antíguos (1 dia)
      H: Puerto Río Tranquillo (2 dias)
      I: Reserva Nacional Lago Jeinemeni (3 dias)
      J: El Chaltén (4 dias)
       
      Dos equipamentos:
       
      Essa foi a quantidade de equipamento, dividido em duas mochilas cargueiras de 80L:
       

       
      Os equipamentos levados e que considero essencial são os que estão listados abaixo, obviamente que você pode optar por outras marcas, mas se possível leve como mínimo essa listagem:
       
      - 1 mochila de 80L Nautika Rush ( dazantiga!! Foi comprada em 2008, quando estava na graduação e fiz questão de fazer essa viagem com ela) e 1 mochila de 75L da Nord (sim aquela da centauro! ). Assim, elas quebraram o galho, mas se você puder investir em uma Deuter, Quechua, Osprey, vale a pena.
       
      - 2 isolantes AZTEQ
       
      - 1 Aquaflex Curtlo de 3L (tipo camelback)
       
      - 2 bastões de trekking (1 quechua simples e 1 argentino)
       
      - 1 barraca Quechua QuickHicker T2. (Fantástica!!!! Aguentou firme os ventos patagudos e as chuvas). Nesse equipamento você precisa investir e gastar um tempo aprendendo a montá-la decentemente, vimos muitas barracas simples quebradas por conta do vento e muitas barracas "de marca" quebradas da mesma forma.
       
      - NUNCA esqueça das cordas para amarrar a barrada (todas elas).
       
      - 2 conjuntos de roupa 3x1 (parte de baixo e de cima) para trekking (Segunda pele, Fleece, Anorak), um da Quechua e outro da Conquista.
       
      - 2 calças de trekking da Hard.
       
      - 1 bota Finisterre da Vento (que morreu no torres del paine, mas ressuscitei com Silvertape e foi até o fim da trip)
       
      - 2 sacos de dormir, um Trilhas e Rumos Inverno (extremo -5) e um Nexxt (extremo -5). Sério, não brinque com isso, você precisa levar um saco de dormir decente para a patagônia, com pelo menos um nível de conforto em 0º e que aguente -5 ou -10.
       
      - 12 saquinhos feitos em casa com castanhas e frutos secos. Em trilhas como a do Torres del Paine isso é fundamental!
       
      - 14 refeições de comida liofilizada (Usadas no Torres del paine e em El Chalten). Você pode achar bobagem, mas a quantidade de peso que você alivia utilizando esses alimentos é assustadora! Além de ter uma refeição saudável.
       
      - Canivete, fogareiro AZTEQ, gorro, lenço para cobrir a boca e queixo, bússola, capa de mochila, lanterna e pilhas, aquecedores de emergência, etc
       
      - 1 Nikon D3100 e duas baterias.
       
      Do aluguel do carro, documentos, câmbio e dos gastos gerais
       
      Alugamos um carro em El calafate pela empresa DUBROVNIK RENT A CAR. Super recomendamos essa empresa, mas El Calafate foi a cidade mais cara de toda a viagem! É possível alugar em outras cidades, por exemplo, Com. Rivadávia, Puerto Natales, Punta Arenas, Río Gallegos, etc. Basta você reprogramar o ponto de início/fim, porque essa rota é circular.
       
      Nós negociamos o preço do carro três meses antes da viagem e saiu muuuuito mais barato do que alugar na hora, até porque estávamos em alta temporada. Tivemos que pagar 20% para garantir a reserva, mas atenção, se o valor for negociado em dólares você terá que pagar o restante em dólares quando chegar pra retirar o carro, caso contrário eles te cobram no cambio do dia e você pode sair perdendo grana!
       
      Além do valor do carro as empresas costumam cobrar um valor de franquia que fica bloqueado no cartão de crédito, que neste caso foi o do Hugo e o valor foi de ARS 7.000.
       
      Com os documentos fique esperto, você precisa conferir se te entregaram junto com o carro os seguintes documentos:
       
      - doc. do carro
      - seguro do carro
      - ficha de controle para aduanas (em cada paso de fronteira você precisa apresentar esse papel para que eles carimbei sua entrada e saída, no caso de Arg e Chi)
      - contrato de aluguel
       
      A melhor coisa para a Patagônia é você levar dólares ou trocar seus reais em Buenos Aires se tiver a oportunidade. O cambio por lá é terrível para quem vem do Brasil... Pegamos no máximo 4,50 ARS por cada 1 BRL e somente em El Calafate, porque nas outras cidades as casas de cambio não recebem reais e você precisa ficar procurando algum restaurante que aceite a 4/1 ou 3.50/1... é complicado, já te adianto. E no Chile é a mesma coisa, os bancos só trocam dólares por pesos chilenos.
       
      No meu caso eu estava mais tranquilo em relação à isso, pois vivo em Buenos Aires com a Dani.
       
      Em relação à parte financeira eu vou colocar nesse relato o que Dani e eu gastamos + os gastos divididos por todos. Os valores são aproximados, ok?
       
      Total geral por 32 dias: R$ 8.800 (para dois incluindo aéreo desde BsAs até El calafate)
       
      Gastos gerais:
      - Passagens aéreas de BsAs - El Calafate: +-R$ 2.300,00 (para dois, ida e volta)
      - Aluguel do Classic 2016 por 32 dias: 22.000 ARS ou R$ 4.400,00 (dividido em 5)
      - A Dani e eu decidimos que tínhamos AR$ 700,00 por dia e para os dois durante toda a viagem, +- R$150,00 para pagar hotel, alimentação, gasolina e passeios - ficamos dentro do orçamento!!!
       
      Pode parecer muito o que gastamos, mas essa região do planeta é cara pra caramba e acredite, essa foi uma viagem econômica! Se você pode baratear!? Claro que sim! Você pode pegar caronas, comer macarrão instantâneo direto e mais um monte de coisa...
       
      Os valores de hotel, alimentação, passeios e outras coisas, eu vou informando em cada parte, ok!?
       
      Como trabalhamos com 4 moedas durante a viagem, as siglas serão essas: USD para Dólar, ARs para Pesos Argentinos, R$ para reais e Ch$ para Pesos Chilenos.
       
      Para saber +- quanto vale em reais, divida Ar$ por 5, Ch$ por 200 e o USD estava 3,20.
       
      PARTE 1 - EL CALAFATE e TORRES DEL PAINE.
       
      De 25/12/2016 até 06/01/2017
       
      El Calafate
       
      Saímos de casa para o Aeroparque as 8 da manhã e chegamos em El Calafate junto com o fim do dia. Cabe dizer que nessa época do ano o sol nasce as 5am e se põe as 11pm na patagônia, então fim do dia é as 10pm. Era dia 25/12/16, natal e passamos um nervoso desgraçado porque cancelaram o nosso voo que estava programado para sair as 10am, ele foi sair as 6pm... Escolhemos esse dia porque era muito mais barato.
       
      Enfim chegamos em El Calafate e fomos comer uma pizza com o resto do povo que já estava por lá, aliás, eles pegaram uma promoção da Latam, saindo de Crtba, que deu direito de viajar em 1ª classe!!! Coisa que nunca me aconteceu, mas o que me conforta é que eles comeram por mim, disso tenho certeza!
       
      No dia 26/12/16 ( Dia 1 oficial) fomos fazer cambio e buscar o carro na locadora DUBROVNIK SRL. Passamos aquele nervoso de acertar os valores e os documentos, mas depois de uma meia hora saímos com o guerreiro Classic para o hostel.
       
      Ficamos hospedados no "Camping & Hostal El Ovejero" em El Calafate, pagamos AR$ 150,00 por pessoa/por dia. Sinceramente, não fique hospedado aqui. O atendimento é horrível, as camas não são confortáveis e eles fazem umas trapaças nos valores do café da manhã, onde você paga por um café completo mas recebe uma xícara de café com uma fatia de bolo seco. A única coisa que prestou nesse lugar foi o banheiro, porque nem a internet funcionava direito... El Calafate tem outras opções, tão econômicas quanto, por exemplo a "Hospedaje Guerrero", onde ficamos na volta e é uma hospedagem familiar muito mais agradável.
       
      Continuando... Pegamos o carro, passamos no hostel e fomos para o Parque Nacional de los Glaciares visitar o famoso Glaciar Perito Moreno.
       
      Aqui está o link do parque. Atenção porque a tarifa de entrada é paga em pesos argentinos!
       
      No parque fizemos várias trilhas e ficamos deslumbrados com o glaciar e tiramos centenas de fotos (mal sabíamos que veríamos muitos glaciares durante a viagem). Mas de fato, o glaciar Perito Moreno tem a frente de degelo mais imponente dos campos de gelo (acessíveis) da patagônia.
       

       

       
      A cidade de El Calafate nos surpreendeu em relação ao alto custo de tudo, é muito caro!! Pior é que tínhamos decido comprar o gás para nossos fogareiros nessa cidade, pois no dia 27 iniciaríamos o Torres del Paine. Resultado: pagamos Ar$ 250 por "botella" grande, enquanto no Torres del Paine estava Ar$150. Pagamos cerca de R$ 60,00 em uma pizza grande, com 1 quilmes de litro e 1 refri pequeno... isso era uma promoção e em um lugar econômico.
       
       
      Torres del Paine
       

       
      13h – Saída de El Calafate
      22h – Chegada na área de acampar do Hotel Las Torres no Parque Nacional Torres del Paine
       
      Informações gerais:
       
      Fizemos o Circuito Macizo Paine ou "La O + W" como também é conhecido, se resume em contornar o macizo Torres del Paine em um circuito que contempla +- 130 km de Trekking. Do acampamento Serón até o acampamento Grey é a parte mais selvagem do parque e do Paine Grande até o Hotel Las Torres é a parte mais turística e frequentada.
       
      Nós entramos no parque pela Portaria Laguna Amarga.
       
      Aqui você pode entrar no site do parque nacional.
       
      Os acampamentos são administrados por duas empresas e pelo CONAF.
       

       
      ATENÇÃO!!! Para os acampamentos administrados pelo CONAF (autoridade ambiental do chile) você precisa agendar os dias e acampamentos em um sistema de reserva no site deles. Vimos inúmeras pessoas sendo barradas nas guaritas de controle porque não tinham reserva! Os acampamentos do CONAF são gratuitos e essa medida existe por conta da gigantesca procura e para a redução de danos ambientais nas trilhas.
       
      As duas empresas são:
       
      http://www.fantasticosur.com/pt/
       
      http://www.verticepatagonia.com/es
       
      Entrada no parque cobrada pelo CONAF nas portarías: Ch$ 21.000,00 ou 36 USD
       
      27 de Dez – Chegada no Paine, campamento central FANTASTICO SUR
      28 de Dez – Camp Central para Serón, FANTÁSTICO SUR
      29 de Dez – Serón para Camp Dickson, VERTICE
      30 de Dez – Dickson para Camp Los Perros, VERTICE
      31 de Dez – Los Perros para Camp Paso, CONAF
      1 de Janeiro – Paso para Camp Grey, VERTICE
      2 de Janeiro – Grey para Paine Grande VERTICE
      3 de Janeiro – paine grande para Camp Italiano, CONAF
      4 de Janeiro – Italiano para MIRADOR BRITANICO e depois campamento frances, FANTÁSTICO SUR
      5 de Janeiro – frances para camp central, FANTÁSTICO SUR
      6 de Janeiro - Ataque para Las Torres – retorno para camp. central e saída.
       
      Esse roteiro você pode trabalhar dentro do que acredita que poderá caminhar por dia com uma cargueira de quase 20kg nas costas...
       
      O valor das diárias nos acampamentos do paine começa em torno de Ch$9.500,00 os mais baratos, que são da fantástico sur e vão até Ch$12.500,00 os da Vértice. Sim, é caro. Mas você deve considerar que está no meio do nada e ter um banho +- depois de um dia inteiro de trilha é uma benção divina !
       
      Esse é o circuito que fizemos:
       

       
       
      CAMP. CENTRAL - CAMP. SERÓN (28 de Dez)
       
       
      A área de acampar Las Torres, ou camp. Central tem uma ótima estrutura e provavelmente os melhores banheiros... É a porta de entrada do parque e muita gente só conhece este acampamento. Nós saímos as 11 am e chegamos perto das 7 pm, ou seja caminhamos +- 6h, sendo que a distancia indicada no mapa impresso que recebemos era de 13km, com um desnível de 300 m e um tempo de +-4h de trilha, mas isso não batia com as placas que encontrávamos pelo caminho. Em quase todos os trechos do Paine nós fizemos um tempo de 30% a 50% maior que o indicado, então fique atento com isso. Foi o primeiro dia de trekking e ficamos destruídos, a sensação era de que não aguentaríamos... mas com o passar dos dias percebemos que foi um dos dias mais fáceis.
       

       

       
      O trecho inicia com uma subida destruidora e quando você chega na parte mais alta, já percebe a potencia dos ventos patagônicos... A Aline que o diga, quase levantou voo!! Logo depois, quando começa a descer os 300m que subiu, o vento é insuportável! Ele te obriga a parar e esperar, várias e várias vezes... É a parte mais alta do trecho e de onde é possível ver o Rio Paine. Logo depois disso o terreno volta a ficar plano e você caminha em meio as margaridas até chegar ao Serón. Nessa parte, a calmaria e as margaridas vão te deixando desesperado, mas calma que logo logo você chega
       
      O acampamento Serón tem uma estrutura muito boa, então aproveite. Outra coisa, escolha bem o lugar que vai armar a barraca, se possível, abrigado por alguma coisa (o refúgio Serón, o Banheiro, uma árvore, etc) porque o vento é bem forte. Eles tem uma pequena loja onde é possível comprar alguns alimentos e itens de limpeza pessoal.
       
       
      CAMP. SERÓN para CAMP. DICKSON (29 de Dez)
       
       
      ATENÇÃO! Se você não tiver reserva daqui em diante é melhor nem se arriscar, lhe digo isso porque o CONAF tem um posto de controle entre esses dois acampamentos e eles irão te barrar.
       
      Nós saímos as 9:30 am nesse dia. A previsão era de 18km, em +-6h, com uma elevação de 200m. Só esquecemos de perceber que essa elevação era um morro destruidor e que era preciso subir e descer os 200m em 5km.
       

       
      A vista é sensacional!
       

       
      Logo depois da descida passamos no posto de controle Coirón, apresentamos as reservas, assinamos e seguimos para o Dickson. A chegada ao Dickson é uma das paisagens mais bonitas do circuito, porque nela podemos ver ao fundo o Glaciar Dickson, o lago de degelo, o Rio Paine, seu vale e o acampamento.
       

       
      Esse dia foi tranquilo no fim das contas. O acampamento Dickson tem uma estrutura bacana, a área de acampar é bastante abrigada do vento porque fica bem na beira do lago. Tem uma pequena loja onde você pode comprar chocolates, macarrão, molho de tomate, pasta de dente, etc. Aqui tem um refúgio com uma estrutura muito bacana, onde eles oferecem cama, refeições decentes e talz. Obviamente não ficamos nele...
       
       
      CAMP. DICKSON para CAMP. LOS PERROS (30 de Dez)
       
       
      Nesse dia a previsão de caminhada era de 5hrs (11km) com um desnível de 400m. A gente caminha seguindo o Rio Los Perros, na maior parte do tempo em uma trilha super tranquila, bem demarcada e em meio à mata. Na verdade aqui já iniciamos a subido para o temido Paso John Gardner, que será no outro dia. Demoramos quase 8h nesse dia e chegamos bem cansados.
       
      Nesse dia o psicológico pegou a Dani porque não estava conseguindo fazer um ritmo rápido e também estava muito cansada. Mas, depois de baixar um pouco o ritmo, comer mais vezes durante a trilha, chegamos!! E de fato esse trecho é complicado, porque é só subida. Quase chegando na Laguna Los Perros o Hugo encontrou uma menina que estava voltando porque desistiu de fazer o circuito, o que era estranho porque o acampamento ficava cerca de 1km da laguna e nesse ponto do circuito, a gente já havia caminhado cerca de 1/3 do "O". Mas como eu disse, esse é um trecho bom para afetar o psicológico da gente.
       
      Chegamos na laguna e o Fernando com a Aline estavam esperando a gente. Ficamos lá até o Hugo chegar e seguimos para o camp. Em relação ao acampamento, a única coisa boa foi a área de cozinhar, que tem uma baita estrutura, porque o resto (banheiro e área de acampar) é bem precário! Esse foi o primeiro dia que sentimos forte o frio!
       
      E olha que o acampamento fica no meio de uma mata. Ah, nesse dia conhecemos uns indianos muito legais! Demos um pouco de farofa para eles experimentarem e eles adoraram! Um pouco antes, em outra mesa, tinham uns americanos e uns lugares vagos na mesa, eu fui buscar água e a dani foi sentar lá para esperar... Aconteceu que os americanos meio que "expulsaram" ela do lugar, porque "eles haviam reservado". Dá pra acreditar? Fizeram isso com uns chilenos e com uns argentinos também... Acabou que quando eu voltei e a dani me contava o que aconteceu, os indianos livraram uma mesa e nos convidaram para chegar junto. Resumo: a maioria dos gringos (homens) europeus e norte americanos que encontramos eram escrotos, arrogantes e com síndrome de superioridade. Dentre esses gringos, encontramos alguns, poucos, que eram suuuper gente boa, principalmente os italianos.
       

       
      Fomos dormir perto das 9h com o som do gerador de luz, que ficou ligado a noite toda...
       
       
      CAMP. LOS PERROS para CAMP. PASO (31 de Dez)
       
       
      ATENÇÃO! No acampamento Los Perros existe um horário limite para sair e esse horário é as 8 am.
       
      Acordamos cedo, dia 31 de Dezembro, saímos no horário indicado com destino ao temível Paso John Gardner. Nesse dia a previsão de caminhada era de 6hrs (8km), com um desnível onde você sobe 600m e desce 800m, sim assustador e desumano. Para a nossa surpresa (Dani e eu), a subida foi muito tranquila, na verdade um dos trechos mais tranquilos na nossa experiência. Agora, a descida... Foi tenso!
       
      Antes de se chegar ao topo do Paso nós tivemos o primeiro contato da vida com a neve e obviamente que brincamos como crianças, com direito à bonecos e guerra de neve. Quando se chega ao topo do Paso, é possível ver o gigantesco Glaciar Grey e todo o vale onde ele está entalhado. É uma das coisas mais bonitas que já pude ver na vida.
       

       
      Em relação ao psicológico do time, durante a descida dos 800m, ficou bem abalado. Isso porque demoramos muito para chegar e como as mochilas estavam ainda muito pesadas, os joelhos ficaram destruídos por conta dos degraus. As placas de sinalização também não ajudavam, porque não batiam em nada com os mapas. Mas depois de 12h, chegamos! Montamos acampamento, jantamos e fizemos até um amigo secreto!
       
      No outro dia percebemos que a moral do time estava altíssima e renovada com a conquista do paso, mas só percebemos isso depois. Nesse dia tivemos a visita de um zorro gris (raposa) perto da nossa barraca e a equipe do CONAF fez uma costelada para comemorar o ano novo.
       
      Esse acampamento é gratuito e o mais selvagem de todo o parque, o banheiro era "cabuloso", acho que essa palavra resume bem.
       

       
      Mas enfim, se está em um lugar como o acampamento Paso, o banheiro é o que menos vai te preocupas... Esqueci de mencionar, esse já era o segundo dia sem chuveiro e consequentemente, sem banho...
       
      Até aqui nós encontrávamos pouca gente nas trilhas e rolava sempre uma cumplicidade e respeito entre quem se encontrava, cumprimentávamos, perguntávamos se estavam bem e se precisava de algo. O contrário também ocorria. Nós ficamos um pouco preocupados em relação ao que viria pela frente, pois sabíamos que a partir daqui encontraríamos muito mais gente pelas trilhas.
       
       
      CAMP. PASO para CAMP GREY (01 de Jan)
       
       
      Muita gente não fica no camp. Paso e faz direto o trecho Los Perros - Grey. Isso ocorre porque a estrutura do Paso não é das melhores, por querer fazer o circuito no menor tempo possível, por um montão de coisas. Nós optamos por ficar em todos os acampamentos para que fosse possível descansar e ter tempo para fazer os trechos no nosso ritmo, e essa foi a melhor coisa que fizemos. Nesse dia chegamos no tempo previsto que era de de 5hrs (6km) em uma trilha relativamente plana, que tem umas pontes suspensas iradas.
       

       
      Nesse dia conhecemos um brasileiro, o Tiagão. Ele era viciado em café, levou alguns kg de café e uma cafeteira italiana! Acabou que ficamos amigos e trocamos altas ideias. O acampamento Grey é um dos melhores acampamentos de todo o Paine, os banheiros são sensacionais, o mercado é grande e a equipe que trabalha lá é show de bola!
       
      Esse dia minha bota vento não aguentou e descolou a parte da frente... Tive que pedir emprestado um "silvertape" do pessoal que trabalha no refúgio e dar um jeito nela. Na hora da janta rolou uma confusão feia com o Tiago e duas canadenses. Como chegamos cedo, fomos jantar cedo também, por perto das 18h, as 21h a gente já estava dormindo. Depois que terminamos a janta o Tiago pediu emprestado o fogareiro do Fernando, porque o dele tinha estragado, enquanto isso a gente lavava a louça e esperava ele do lado de fora pra tomar aquele café esperto! Deu um tempo e lá vem o Tiago e sua esposa para devolver o fogareiro e tomar o tão esperado café... Na mesma hora vieram as canadenses atras dele: - Hey, hey, you take my gas!!! The gas is mine!!!! E o Tiago nervoso: - O gás é meu p*##@!! Se não vai levar meu gás!!! E as canadenses insistindo que ele tinha pego o gás delas e nessa o povo juntando em volta, cercando para ver o brasileiro que certamente tentou roubar o gás das pobres canadenses. Elas, por sua vez, continuavam incisivas na acusação. Quando tínhamos praticamente todos os mochileiros em volta, o Tiago - muito paciente - resolve dar o gás pra ela e acabar com a cena, mas na mesma hora uma outra amiga delas surge e lembra que esqueceram o gás na barraca... Eu nunca vi alguém passar tanta vergonha na vida, a moça recebeu uma vaia monumental!!
       
      É preciso dizer que depois de uns 15min ela veio pedir desculpas e ofereceu uma barra de Milka para fazer as pazes, foi bonito e todxs aplaudiram a cena. Ficamos relembrando disso por todo o resto do Paine, principalmente porque encontrávamos a guria pela trilha. Ela morria de vergonha todas as vezes que isso acontecia. Penso que o aprendizado dela foi gigantesco com essa situação toda.
       
      Em relação ao movimento das trilhas foi impressionante o aumento na quantidade de gente e consequentemente o impacto nas trilhas.
       
       
      CAMP. GREY para CAMP. PAINE GRANDE (02 de Jan)
       
       
      A previsão de caminhada nesse dia era de 10km e segundo o folheto do CONAF demoraríamos 3,5h... Fizemos em 4,5h, mas ficamos felizes porque chegamos cedo e daria para almoçar decentemente, tomar um banho longo e ficar de boa durante a maior parte do dia!!!
       
      O acampamento e refúgio Paine Grande é um resort se comparado com os outros. Muita gente encerra nesse ponto a trilha, pois a partir dali é possível pegar um catamarã até a "Cafetería Pudeto" e voltar de ônibus para a "Portaría Laguna Amarga" e para o "Hotel Las Torres", ou até mesmo ir embora direto pela administração. É só você se localizar no folheto do conaf que pode ser baixado aqui.
       
      Nós tínhamos lido em um tópico do Mochileiros que os ventos castigam as barracas nesse acampamento e tratamos de armar as nossas com todos os cordeletes disponíveis e atrás da caixa d'água - em uma tentativa de se abrigar do vento que deu certo. Não tivemos problemas, mas novamente foi possível ver várias barracas quebrando...
       
      A trilha desse trecho é relativamente plana - sobe 200m e desce 200m - e não apresenta muita dificuldade, vamos acompanhando o Lago Grey de um lado e o Cerro Paine Grande (3050m), na altura da Laguna de los Patos o vento é fortíssimo! Pegamos chuva nesse dia também!
       
      O mercado, o terreno para camping e o refeitório do Paine Grande são excelentes! Acabamos fazendo duas refeições nesse dia, a nossa liofilizada (lentilha, arroz e batatinha) e um macarrão ao sugo que compramos no mercado (macarrão, molho de tomate e queijo ralado). Para beber, acho que esqueci de falar, levamos sucos Tang para todos os dias e consideramos que foi um grande repositor isotônico! (Os médicos do fórum que me corrijam se estiver errado... haha) Enquanto comíamos eu aproveitei e carreguei as baterias da nikon.
       
      O acampamento Paine Grande fica ao lado do Lago Pehoé e de onde armamos a barraca tínhamos essa vista do "Cuernos del Paine" e de um pedaço do Cerro Paine Grande:
       

       
       
      CAMP. PAINE GRANDE para CAMP. ITALIANO (03 de Jan)
       
       
      O acampamento Italiano é do CONAF e quando saímos do Paine Grande já demos de cara com o posto de controle do CONAF, onde é preciso apresentar as reservas do acampamento Italiano (no celular ou em papel).
       
      Tínhamos para esse dia 7,5km que pelo mapa seria feito em 2,5h, com uma subida leve de 200m. Acabou que fizemos um ótimo ritmo nesse dia e chegamos no acampamento Italiano em um tempo de trilha bom, armamos as barracas e quando deitamos para descansar um pouco: uma tempestade de granizo! Sim, primeira vez que pego granizo com a barraca, mas por sorte, o acampamento fica em uma área abrigada por mata...
       
      A barracas aguentaram bem e dormimos umas 2 ou 3 horas. Lá pelas 20h fomos jantar no refúgio (precário, mas reconfortante) que estava cheio de gente e disputadíssimo. Os banheiros desse acampamento são muito bons, mas não tem chuveiro disponível, ou seja, mais um dia sem banho. Ah, a Dani teve infecção urinária nesse dia... Quando estávamos voltando pra barraca começou a chuva que se estendeu por toda a noite.
       
      Depois que saímos para jantar sentimos um ar muito frio!!! Gelou pra caramba e do nada! Ou melhor, depois do granizo.
       
      Essa, definitivamente, foi a noite mais fria de todo o nosso circuito! Chegamos à conclusão de que facilmente a temperatura chegou a graus negativos durante a noite.
       
      O acampamento fica ao lado de um rio que está encravado no Vale do Francés e é possível visualizar o Cerro Paine Grande logo na chegada ao acampamento, imponente! E depois da tempestade do dia anterior ele ficou coberto de neve, mais impressionante ainda.
       

       
      No outro dia, depois da noite congelante, nós acordamos com tudo molhado e tivemos que esperar as barracas secarem... A ideia nesse dia era fazer o Mirador Francés e quem sabe o Mirador Británico, voltar e seguir para o Acampamento Francés. Então, desarmamos tudo e montamos as mochilas que ficaram junto ao posto do CONAF (aqui a maior parte das pessoas que fazem a trilha para o mirador Francés deixam as mochilas largadas no chão mesmo, para não ter que subir com o peso) enquanto a gente subia para o Mirador.
       

       
      As mochilas ficam na frente dessa casa e os guarda-parques tomam conta delas.
       
      A trilha para o Mirador Británico carece de informações, portanto eu deixo aqui o mapa que está no posto do CONAF:
       

       
      A gente não chegou até o Mirador Británico, fomos somente até o mirador Francés (Mirador Francés e Acampamento Francés são pontos diferentes) e pra gente valeu super a pena! É um trecho de subida forte e nesse momento já estávamos tão cansados que na conta que fizemos não daríamos conta de chegar no Británico. Outra questão é que nesse momento já começávamos a nos irritar com a quantidade de gente nas trilhas, pois essa é uma das "pernas" do circuito W e consequentemente, mais povoado de gente.
       
      No Mirador FRANCÉS nevou!!! Foi super legal e a primeira vez que vimos neve em nossas vidas!!! Ficamos um tempo ali, admirando as costas das Torres del Paine, do Cerro Mascara, dos Cuernos del Paine e do Paine Grande. Mas a infecção urinária da Dani pegou forte e descemos correndo todo o trecho!! Foi divertido fazer esse downhill a pé! Chegamos no Italiano e seguimos para o Acampamento Francés em um trecho que demorou cerca de 2h +-, com uma trilha bem agradável. A Aline sentiu as costas nesse dia e teve de descer bem tranquila a trilha. Ainda bem que não seguimos para o Británico! :'>
       
       
      CAMP. ITALIANO para CAMP. FRANCÉS (04 de Jan)
       
       
      Muita gente vai direto do Italiano para o Acampamento Chileno, na outra perna do W ou mesmo para o Acampamento do Hotel Las Torres. Entre eles ainda existe o Refúgio Los Cuernos, mas nele você precisa comprar todo o serviço de refeição para poder acampar... Nós seguimos para o Francés cuja distância era de 2km realizados em 30min conforme a placa de sinalização no Italiano. Penso que essa placa estaca coerente, porque chegamos em 40min, armamos a barraca e fomos logo para o banho! Siiiim tem chuveiro e, definitivamente, foi eleito o melhor banho de todo o parque!
       
      Nesse acampamento existem plataformas de madeira para se armar as barracas. Foi minha sorte, pois meu isolante havia furado... Jantamos e fomos dormir cedo de volta para repor as energias, porque no outro dia a caminhada seria muuuito longa.
       

       
       
      CAMP. FRANCÉS para CAMP. HOTEL LAS TORRES/CENTRAL (05 de Jan)
       
       
      Daqui nós tínhamos duas opções: seguir para o Chileno ou para o Central. Optamos pelo segundo para que no outro dia pudéssemos subir leve para o ataque para as Torres del Paine, ou seja, sem as cargueiras que nessa altura do campeonato já era tipo um suplício! Saímos as 8h da manhã para encarar a trilha de 17km, que pelo folheto seria feita em quase 8h. Acho que nós demoramos umas 10h... Mas isso porque quando estávamos na beira do Lago Nordernskjöld decidimos parar um tempo em uma praia fantástica e ficar apreciando a vista do lago.
       

       
      A Dani e eu chegamos na frente e vimos um casal de gringos chegar, tirar toda a roupa e nadar pelados no lago! A água estava trincando de gelada!! Mas tem louco pra tudo nesse mundo! Bom, ficamos quase 2h ali e fizemos um campeonato de arremesso de pedras, de quicadas de pedras na água, de acertar pedras no ar, etc.
       
      Depois percebemos que essa não foi uma boa estratégia, acabamos perdendo muito tempo no lago e no fim, o Hotel Las Torres e a área de acampar não chegavam nunca. Esse trecho da trilha é um sobe e desce desesperador, o desnível máximo é de 200m, mas o que mata é a extensão da trilha... Essa foto da Dani traduz bem o que sentimos esse dia:
       

       
      Chegamos no acampamento central depois do Fernando e da Aline, que já estavam se preparando para ir pro banho. Procuramos um lugar abrigado e erguemos as barracas, logo depois chegou o Hugo e junto com ele uma chuva com muuuuito vento. Deu uma trégua na chuva e decidimos sair para tomar banho e jantar, mas isso já era perto das 21h e o que vimos de barracas (MSR, NatureHike, Hannah, Doite) quebradas no caminho foi de assustar, mas novamente, as nossas (e as The North Face) estavam intactas.
       
      Nessa noite o Fernando começou a passar mal e teve desidratação.
       
       
      CAMP. HOTEL LAS TORRES para TORRES DEL PAINE (06 de Jan)
       
       
      Pelo mapa esse trecho teria 18km, sendo 9 de ida e 9 de volta, que seriam realizados em 4,5h cada trecho. Como estávamos leves pensamos que era possível encarar o trecho e o desnível de quase 800m para subir e depois para descer!!!
       
      Decidimos sair mais tarde nesse dia, as 10h da manhã. Acabou que o Fernando e a Aline decidiram não ir por conta da desidratação do dia anterior e o Hugo também não foi por conta do seu joelho, que estava pegando. Bom, deixamos as coisas no carro que já estava ali no acampamento e subimos - já era quase meio dia!
       
      Chegamos exatamente no tempo indicado no folheto: 4,5h. São duas partes complicadas nesse trecho, a primeira subida, logo de cara e no fim, a subida fortíssima que dá acesso as Torres, depois do acampamento Torres do CONAF de +- 1Km. Mas quando chegamos nas torres podemos contemplar isso:
       

       

       

       
      A volta nós fizemos em 3,5h, mas porque decidimos descer correndo - onde considerávamos que fosse seguro. Esse dia estava muito quente e um sol lindo, eu suei feito um cavalo!! Tomamos os 3l do Aquaflex por duas vezes! É possível abastecer a água no Refúgio Chileno, como também almoçar, ir no banheiro, etc. É um refúgio muito bonito e com uma estrutura super! Dali é possível contratar cavalgadas, guias, alugar equipamentos, outros passeios, etc.
       
      Como nós vinhamos do circuito "O" achamos um pouco esquisita a quantidade de gente nesse setor do parque. Essa perna do "W" é a mais acessível, então, muita gente vai para o Paine apenas para fazer essa parte da trilha e realizar o registro fotográfico com as Torres. Mas para nós que já tínhamos caminhado mais de 100km, passado vários dias sem banho, vários dias andando em trilhas sem encontrar ninguém, vivenciando a fauna local, os elementos rochosos, com as marcas da cargueira nos ombros, processando o frio que passamos ainda, enfim, aquela paisagem toda, entrar em contato com aquele "turismo consumidor" foi uma experiência diferente.
       
      Retornamos e os meninos já estavam esperando a gente perto do Hotel com o nosso Corsinha guerreiro. É isso aí! Completamos o Torres del Paine!!! No fim, todos fomos vencedores e cada um teve a sua conquista própria! A Aline, com seus problemas na coluna, o Hugo e eu com os quilinhos a mais, o Fernando com a asma e a Dani com o sedentarismo! Fizemos mais de 100km de trekking em 10 dias!
       
      Logo depois seguimos para Puerto Natales, mas essa será a segunda parte do relato.
    • Por Igor LS Rocha
      Olá pessoal!
       
      Primeiramente, gostaria de explicar que sim, 4 dias para esse lugar é muito pouco e eu já sabia disso antes da viagem. Acontece que iríamos ao casamento de um amigo em Buenos Aires e queríamos encaixar no roteiro algum lugar da Argentina que ainda não conhecíamos e a decisão foi, claro, PATAGÔNIA!
       
      Durante as pesquisas vi que muita gente também teria poucos dias pra conhecer esse roteiro e pedia dicas de o que priorizar e como se deslocar. Que passeios priorizar em Calafate? Ir a Torres del Paine sem fazer trekking vale a pena? Contrata o passeio bate-volta para TDP ou vai por conta própria? Como ir de carro de El Calafate para Torres del Paine? Quanto vou gastar? Bem, espero que este relato ajude!
       
      1º DIA - CHEGADA EM EL CALAFATE - 08/03/17
       
      Como falei no início, fomos a Buenos Aires para um casamento e só depois de alguns dias fomos a El Calafate. A Capital Argentina é naturalmente onde você fará conexão caso vá para Calafate, se tiver disponibilidade claro que valerá a pena parar alguns dias pra conhecer (três dias inteiros dá pra fazer o basicão).
       
      O mais importante: fazer câmbio em Buenos Aires é muito, MUITO mais vantajoso do que no Brasil e, principalmente, na Patagônia. Em Março/17, quando viajamos, a cotação em BUENOS AIRES era US$ 1,00 = AR$17,50 Pesos, e R$ 1,00 = AR$ 5,10. Para comparar, em Calafate as cotações estavam US$ 1,00 = AR$14,00, e R$ 1,00 = AR$ 3,50. Hoje não vale mais a pena recorrer ao câmbio paralelo, fui direto às casas de câmbio, mas também ouvi dizer que o câmbio na agência do Banco de La Nacion nos aeroportos é muito bom.
       
      Bem, vamos ao que interessa: Chegada em Calafate! Partimos de Ezeiza pela Aerolíneas Argentinas num avião lotado de europeus, chegamos por volta das 14:00h.
       
      Importante informar que existe uma barreira sanitária na patagônia, ou seja, você não pode entrar com nenhum produto de origem animal ou vegetal que não esteja em uma embalagem lacrada de fábrica. (Mais infos: http://www.patagonia-argentina.com/e/content/funbapa.php). Já na saída da esteira de bagagens existe uma mini-alfândega e presenciamos uma mulher se desfazendo de uma bela quantidade de maçãs.
       
      Na saída logo procuramos o guichê do VES Patagonia, que faz o transfer entre o Aeroporto e o Hotel, ida e volta. Pagamos AR$ 240,00 por pessoa, no momento já informamos a data, horário e vôo de volta, e já somos informados do horário que nos buscarão na hospedagem na volta. O transfer é feito numa Van com um bagageiro no reboque que leva a mala de todo mundo. Esperamos ela encher por completo e, uns 20 minutos depois, partimos, num trajeto de aproximadamente 30 minutos até a cidade. Chovia bastante e a neblina bloqueou quase toda a vista.
       
      Nos hospedamos no Calafate Hostel, em um quarto privativo (AR$ 600,00 por noite), reservado pelo Booking.com. A estrutura do Calafate Hostel é muito boa, wi-fi liberado e de qualidade nos quartos, restaurante próprio, e a localização é excelente.
       
      Assim que chegamos, já reservei o passeio do MiniTrekking do dia seguinte no próprio Hostel: AR$ 2.400,00 por pessoa. Não está incluso no valor a entrada do Parque Nacional, que custa mais AR$ 500,00. Não há comidas a venda no local, então já recomendam a cada um que leve seu próprio lanche.
       
      A chuva tinha parado, então resolvi aproveitar a tarde/noite para conhecer o centro da cidade e ir ao mercado comprar as coisas pro lanche do dia seguinte e pro jantar. Na saída do mercado, surpresa: caía um TEMPORAL! Pra piorar, eu não lembrava que na Argentina não fornecem sacolas plásticas nos mercados. Tive que guardar tudo numa caixa de papelão e, quando a chuva diminuiu um pouco, resolvi correr até o hostel. Então, outra surpresa: as ruas estavam completamente alagadas! Impossível atravessar as ruas sem pisar numa poça. Lamentei profundamente não ter investido num calçado impermeável, já comecei a imaginar como seria o passeio do dia seguinte com o tênis molhado, com chuva, eu com uma bela gripe... nada mal para o primeiro dia.
       
      2º DIA - MINITREKKING NO PERITO MORENO - 09/03/17
       
      Fomos informados que a empresa Hielo y Aventura (a única que tem a concessão para fazer o minitrekking e o Big Ice) nos buscaria no hostel a partir das 7:00. Bem, as 7:00 já estávamos prontos, ajustamos os ultimos detalhes, verifiquei se não estava esquecendo nada (luvas, gorro, oculos, bateria da camera, lanche...), trancamos o quarto e fomos para a recepção. Perguntei ao funcionário se o transfer já havia passado e, quando que falei que seria a partir das 7:00, ele começou: "Amigo são 7:05. Se eles avisam que vão passar Às 7:00, deve estar aqui às 6:50. Se eles passaram aqui e vc não estava, eles nem te chamam no quarto, vão embora direto. Acho muito provável que vocês tenham perdido".
       
      Bateu aquele mini desespero. Me achei o cara mais idiota do mundo de ter pensado com a cabeça de brasileiro de "só mais 5 minutinhos", pensei no dinheiro que tinha perdido, na oportunidade que eu não teria de fazer este passeio outra vez... foram 10 longos minutos até a hora que, finalmente, a guia chegou e chamou nosso nome. Ufa! Entramos no ônibus às 7:15 e ele já estava bem cheio! Ou seja, de fato, eles começaram a passar nos hotéis a partir das 7:00h em ponto. Esse pessoal é bem organizado, fica a dica aí pra você ser pontual e não passar pela mesma situação rsrs.
       
      Entramos em um ônibus bem confortável, com uma guia falando em espanhol e inglês. Levamos cerca de 1:30h até a entrada do parque, onde dois guardas entram no ônibus para receber os AR$ 500,00. Depois andamos mais uns 30 minutos até as passarelas do Perito Moreno.
       
      Tivemos em torno de 1:30h para explorar as passarelas, uma vista simplesmente incrível! Não cansava de contemplar aquela paisagem surreal, o Perito Moreno, ver a geleira partindo, os blocos de gelo caindo na água e fazendo aquele som de trovão. Mesmo com o tempo fechado, a paisagem não deixa de ser espetacular. Achei o tempo curto, seria capaz de passar o dia naquele lugar. Muito bom pra meditar em quanto somos insignificantes diante da grandiosidade do Criador.
       

       
      Quando deu o tempo, voltamos ao ponto de encontro para pegar o ônibus e fomos para um cais, onde embarcamos numa lancha que nos levaria até o ponto de apoio para o trekking. Neste abrigo podemos deixar as bolsas e mochilas para fazer o trekking mais leve (o lugar é seguro e possui câmeras de vigilância). É ali que também paramos pra almoçar.
       
      Fomos então para a parte mais aguardada: o MiniTrekking no Perito Moreno! Após algumas explicações do guia, colocamos os "grampones" e iniciamos o trekking.
       
      Experiência espetacular! Vi muitas pessoas comentando que era um passeio caro. De fato é, mas quem valoriza experiências encara isso como investimento. Eu e a Ana Luiza estávamos simplesmente eufóricos! Nos sentíamos num cenário de filme, num programa do canal Off, num documentário do NatGeo...
       

       

       

       
      Algumas observações: O passeio não exige tanto preparo físico, até mesmo sedentários conseguem fazer. Você faz o trekking com 2 guias e um grupo de no máximo 16 pessoas, divididos por idioma (inglês ou espanhol). Não é necessário ter bota de trekking impermeável, eu e a Ana estávamos com tênis normais. Mas é bom ter, caso chova no dia isso poder salvar seu passeio. Com respeito a roupa, fomos com uma segunda pele e um casaco 3 em 1 (revestimento interno com fleece e revestimento externo impermeável e corta-vento). Compramos da marca Quechua na Decathlon. Para calça, fui com uma segunda pele e jeans. Levamos ainda um par de luvas e gorro. Para toda a viagem pela patagônia, foi mais do que suficiente, até senti calor algumas partes do trekking.
       
      Depois o ônibus nos levou de volta ao Hostel, chegamos por volta das 18:30h. Conversei com algumas pessoas sobre os passeios que tinham feito e cheguei à seguinte conclusão: Se estiver orçamento, faça o Big Ice (trekking de maior duração e que exige certo preparo físico). Caso não, faça o Minitrekking. É consenso geral que essa é a melhor experiência de Calafate. Conversei com pessoas que fizeram o passeio "Rios de Hielo" e acharam chato, um negócio bem turistão. Me falaram muito bem da Estância Cristina, me deu vontade de fazer se tivesse mais tempo na cidade. Também cogitaria voltar às passarelas do Perito Moreno e passar uma tarde explorando todos os setores.
       
      3º DIA - IDA PARA TORRES DEL PAINE DE CARRO ALUGADO - 10/03/17
       
      Queria muito incluir TDP no meu roteiro. Vi que muitos fizeram um tour no parque no mesmo dia, bate e volta de Calafate. Achei o preço muito caro e muito cansativo: 9 horas dentro do ônibus e apenas 3 no parque. Assim, achei que indo de carro e passando 1 noite dentro do parque seria a melhor forma de conhecer o básico, mas sem o ritmo alucinante de um city-tour de parque com bate-volta.
       
      Acordamos cedo, arrumamos tudo, fizemos check-out do hostel e fui retirar o carro na Álamo. Já havia reservado pelo rentalcars.com com antecedência, e lá dei graças a Deus por ser precavido: enquanto preenchia a ficha, um cara veio alugar e já estava tudo reservado pelas próximas 2 semanas! Fica a dica: reserve seu carro com antecedência para evitar surpresas. Caso vá cruzar a fronteira, não deixe de informar isso na hora da retirada. Eles preparam um documento que deverá ser apresentado na aduana, que você não pode perder de jeito nenhum! Para isso eles cobram uma taxa de US$ 90,00. Isso mesmo, em DÓLARES! Não vai se confundir... já fui sabendo dessa taxa porque liguei pra eles antes, mas não havia lido sobre isso antes em nenhum fórum. Então fica mais uma dica.
       
      Sobre o trajeto de Calafate a Torres del Paine: Eu vou a seguir contar como foi nosso trajeto de ida e de volta. Mas para resumir aqui: Sem dúvidas, o melhor trajeto é ir até Esperanza pela Ruta 40 e depois pela Ruta 5. Se você olhar no mapa verá que existe um atalho que corta um bom caminho, mas vai por mim: não vale a pena. Ele é de rípio, qualidade bem ruim, você corre alto risco de ter um problema com os pneus, no meio do nada, sem sinal de celular, e ninguém passa por lá. Embora a distância por Esperanza seja maior, o fato do caminho ser asfaltado faz o tempo de viagem ser o mesmo. Você gasta um pouco mais de combustível (só um pontinho a mais no tanque) mas a segurança e o conforto compensam (andar de carro por muito tempo no rípio é bem desconfortável). De Esperanza a Torres del Paine, aí sim, vale a pena cortar caminho. A distância no rípio é pequena, e a economia de tempo é bastante significativa. A passagem por Puerto Natales é totalmente dispensável.
       

       
      Muito bem, essa era a ideia de trajeto quando fomos. Logo na saída de Calafate, vimos um casal de mochileiros pedindo carona na estrada e convidamos pra irem conosco. Iam para Puerto Natales, combinamos de deixá-los na entrada de Torres del Paine, onde as opções até Puerto Natales são abundantes e muito mais baratas.
       

       

       
      Paramos em Esperanza, enchemos o tanque, fizemos um lanche e fomos. Pedi pra Ana Luiza verificar no GPS o trajeto, e ela disse: "Ta mandando ir direto". Fui... a conversa no carro era boa, apreciávamos o cenário, até que eu notei que estava levando mais tempo que o esperado. Continuei seguindo o GPS, e finalmente chegamos à fronteira. Levamos em torno de 20 minutos em cada aduana, depois seguimos viagem. Finalmente estávamos no chile, mas eu senti falta do atalho de rípio. Cadê ele? Já cruzamos a fronteira e ainda estamos no asfalto! Eis que surge uma placa: PUERTO NATALES: 3 KM!
       
      MEU DEUS! Acabamos nos distraindo com a conversa, passamos da entrada do atalho e perdemos 3 horas de viagem fazendo o desvio por Puerto Natales. Sorte do casal de mochileiros, que já ficou no seu destino final rs. Eu levei um tempo pra me recuperar desse mico... o planejamento era passar a tarde em TDP, depois curtir o dia seguinte de manhã e voltar pra Calafate de tarde. Nessa brincadeira a tarde já estava praticamente perdida, além de ter gasto muito mais gasolina. Enfim, seguimos viagem até o Parque Nacional.
       
      Durante o planejamento, vi que a maioria das pessoas se hospeda em Puerto Natales. Embora seja bem mais barato, a forma que nós visitaríamos o parque (pouco tempo e de carro) tornaria a estadia em Puerto Natales inviável. Assim, optei por ficar próximo ao Parque. Nos hospedamos no Nash Patagônia, próximo à entrada da Laguna Amarga (US$ 120,00 dólares por noite, por pessoa). A hospedagem no parque é cara, a principio ficaríamos em um quarto compartilhado mas que, por sorte, só tinha nós 2. No preço já está incluso um bom café da manhã, um EXCELENTE jantar (Sopa de entrada, uma bela carne com batatas, vinho e sobremesa, coisa fina) e um saco com lanche pro almoço (água, barras de cereais, uma salada de quinua, granola, e um sanduiche). O hostel fica a 2 minutos de carro da portaria do parque.
       
      Depois do check-in, fomos conhecer o Parque. Fizemos o cadastro na portaria e pagamos nossos tickets de entrada ($18.000 pesos chilenos por pessoa, válido por 3 dias). Seguimos a placa em direção do Lago Pehoé. No parque as estradas são de rípio, assim como o atalho, se anda em média a 50 km/h. Nosso carro era o Uno 1.0 que aguentou bem. Desde a portaria, levamos cerca de 30 minutos até a Hospedaria Pehoé, um belo hotel que fica no lago com uma pontezinha de acesso. O tempo estava fechado, a vista encoberta, mas o lugar não deixava de ser encantador.
       

       
      Curtimos um pouco mas o cansaço bateu forte, voltamos ao hostel para descansar e acordar bem cedo no dia seguinte. Torcia para que o tempo abrisse.
       
      4º DIA - TORRES DEL PAINE E VOLTA PARA CALAFATE - 11/03/17
       
      O relógio despertou às 6:00h. Levantei e fui ver o tempo lá fora. Mal pude conter a emoção quando vi que não havia uma única nuvem. Tempo totalmente limpo. Até me questionei se era digno deste presente de Deus. Todos no hostel informaram que o tempo estava assim já a mais de uma semana, e no meu único dia lá ele resolveu abrir. Ainda estava escuro, entrei para arrumar tudo rápido, tomar o banho e sair para apreciar o nascer do sol.
       
      Tomamos o café, nos despedimos e voltamos pro parque. Às 7:30h já estávamos parando o carro em um estacionamento próximo ao Mirante Pehoé (passando a Hospedaria Pehoé, existe uma placa indicando o estacionamento, é um recuo bem pequeno que não dá pra parar nem 5 carros direito rs). A partir deste mirante tem uma trilha que não sabíamos bem onde ia dar, só tínhamos certeza de que a vista seria espetacular. Depois de mais ou menos 1 hora de subida, fizemos um desvio e paramos em uma pedra. Nem precisamos ir até o fim da trilha, aquele ali seria nosso lugar. Sentamos ali e contemplamos a vida. Conversamos, lemos, oramos, tiramos foto, passamos mais de 2 horas ali. A sensação era de que, como estávamos sós e desviamos da trilha, tinhamos descoberto aquela pedra. Era um lugar só nosso.
       

       

       

       
      Já era hora de voltar, ainda queria conhecer o Mirador de Los Cuernos. Pegamos o carro e voltamos por uns 10 minutos, pegamos o desvio até a Cafeteria Pudeto, onde saem os barcos para o circuito W. Muitos ônibus ficam ali esperando os mochileiros chegarem para levar até Puerto Natales. Um pouco depois há um estacionamento para o mirador do Salto Grande e o Los Cuernos. Do estacionamento, andamos 10 minutos até o Salto Grande. Uma bela vista, a cor da água é incrível!
       
      Dali, seguimos a trilha por mais ou menos 45 minutos. O caminho é de nível fácil, beirando o Lago Nordenskjold. Cruzamos com alguns grupos no caminho, inclusive de idosos, até mesmo uma família com 4 crianças. No fim, chegamos ao Mirador de los Cuernos, simplesmente sensacional.
       

       
      Curtimos a vista por uns 30 minutos. Queria ter ficado mais, muito mais... mas infelizmente ainda precisávamos voltar a Calafate, o carro tinha que ser devolvido até as 20:00h. Então lá fomos nós, pegar a estrada de volta. Ainda paramos no caminho pra apreciar os guanacos(parentes das lhamas). Era o fim da nossa curtíssima viagem à Patagônia. A sensação era de que havia muito mais a conhecer, mas o basicão que fizemos valeu a pena demais!
       
      Caso vá nesse esquema de carro, sem fazer os circuitos W ou O, pode dedicar um dia à trilha da base das torres, e um outro ao Lago Grey.
       
      Na volta, agora sim, pegamos o atalho de rípio pela fronteira e cortamos um belo caminho. Na empolgação de cortar caminho, acabei pegando o atalho de rípio pela Ruta 40, sem passar por Esperanza, e me arrependi. A distância é longa demais, várias vezes achei que ia furar o pneu do carro, e tive a sensação de que levei mais tempo do que se fosse pelo caminho de asfalto. Por isso a dica do trajeto lá em cima.
       
      Chegamos em Calafate à noite, cansados mas realizados. Comi o tradicional cordeiro patagônico e fomos dormir. No dia seguinte, na hora combinada o transfer da VES nos pegou no hostel e nos levou ao Aeroporto. Nos despedimos da Paragônia, com a sensação de que precisamos voltar.
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