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E ae galera! Recentemente cheguei de uma viagem de bicicleta pela Asia, foram mais de 10,000 km em 1 ano e meio. Este relato é referente a primeira parte da viagem que foi no sudeste asiático. Quem quiser pode ver mais fotos no meu Instagram: @ivangousseff

Tailândia:

A viagem começou em Bangkok, logo que cheguei fui atras de uma bicicleta, pois nao tinha uma e então preferi comprar lá, por aproximadamente U$ 100 comprei uma bike usada. Em Bangkok há muitas lojas Decathlon então pude comprar os acessórios ainda mais barato que no Brasil. Meu gasto total foi de U$ 135.

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Comecei a pedalar em direção ao sul da Tailândia, meu objetivo era chegar até Phuket. Logo no primeiro dia tive um pneu furado, parei em um posto de gasolina e ninguém falava inglês, nesse dia vi pela primeira vez como o povo tailandês é gentil, muitas pessoas tentaram me ajudar e como nao foi possivel consertar o pneu no mesmo dia, acampei no posto e no dia seguinte um funcionário veio de caminhonete para me lever até uma bicicletraria, tudo isso sem falar uma palavra em inglês e sem esperar nada em troca.

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Acampando no posto de gasolina

 

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A partir do segundo dia não houve mais problemas, pedalar na Tailãndia é muito tranquilo, as estradas são boas e tem muitos postos com restaurantes e lojas de conveniência no caminho, existem também umas maquinas para comprar água mineral, 1 litro custa entre 5 e 10 Baths, ou seja, menos de R$ 0,10.

Na segunda noite na estrada dormi pela primeira vez em um templo budista, os monges saão muito recipitivos, além de autorizar a dormir muitas vezes me davam frutas e comida.

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Logo cheguei nas praias do sul do país, pedalava entre 80 e 100 km por dia, a única parada de mais de um dia foi na praia de TapSakhae, enquanto estava parado na frente de um lago comendo umas bananas, um senhor passou de moto e ao me ver me convidou pra passar uns dias em seu hostel de graça, para retribuir eu ajudava sua mãe na cozinha e com serviços de limpeza.

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No único dia que não achei um templo para dormir, parei em um posto da polícia e me deixaram acampar lá.

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Depois de 16 dias cheguei em Phuket, consegui um couchsurfing na casa de um casal, um espanhol e uma francesa que vieram de carro desde a Espanha até a Tailândia 

https://perromochilero.com/

Passei uns 10 dias entre Phuket e as Ilhas Ko Phi Phi aonde comemorei meu 34º aniversário

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CouchSurfing em Phuket

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Depois de Phuket voltei pra Bangkok pelo mesmo caminho, levei 15 dias para chegar, ainda em Phuket fiz a grande aquisição da viagem, um fogareiro a gás, a partir daí ficou muito mais facil comer bem e barato, principalmente para mim que não como carne :)

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Parada pro almoço

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Carona em dia de chuva!!!!

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Chegando em Bangkok descansei por 3 dias no Hostel OverStay, sem dúvida a opção mais barata e mais roots da cidade, recomendo!

Agora vou começar a pedalar em direção ao norte do país, o caminho também foi super tranquilo, consegui alguns couchsurfings no caminho, chegando em Chiang Mai fiquei 2 semanas e mais 10 dias em um monastério praticando meditação Vipassana, depois fui ao extremo norte próximo a fronteira com Laos e Myanmar, ao final dos 3 meses de visto cruzei a fronteira para o Laos.

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Monastério Budista

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Fronteira Tailândia e Laos.

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Segunda parte:

Laos:

Cruzar a fronteira entre Tailândia e Laos foi relativamente facil, na ponte que divide os 2 países não é autorizado tráfico de bicicleta, mas é possível colocar a bike no onibus pelo valor de mais uma passagem.

O visto pode ser retirado na própria aduana pelo valor de U$ 30, é recomendável ter fotos de passaporte apesar que para mim não foi pedido, após as 16hs é cobrado uma taxa extra de U$1 para cruzar a fronteira, este valor pode ser pago em dólar ou em qualquer moeda de um dos 2 países.

Para trocar dinheiro recomendo fazê-lo no Laos, há uma rua principal com muitos bancos, se fizer uma pesquisa pode conseguir um bom valor para trocar Baths ou Dólar.

Em Huay Xai dormi em um templo, apesar de que no Laos há muito menos templos do que na Tailândia. No dia seguinte peguei um barco que navegaria 2 dias pelo Rio Mekong até Luang Prabang, o melhor é comprar o ticket no próprio local de embarque, os preços são tabelados. Ao final do primeiro dia o barco para em um vilarejo na metade do caminho, cada um deve buscar uma hospedagem por conta própria e continuar a viagem no dia seguinte pela manhã, é muito facil dividir um quarto com outros viajantes caso vc esteja viajando sozinho.20161115_212517.thumb.jpg.76a9e2593875ebd8222cd41a57100dd6.jpg

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Ao final de 2 dias chegamos em Luang Prabang, lá dividi um quarto com um polonês, uma suiça e uma francesa que conheci no barco, fiquei 4 dias na cidade que tem ótimas cachoeiras para visitar.

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Depois de Luang Prabang segui pedalando, foi a parte mais dificil de toda viagem, o Laos é um país muito montanhoso, no primeiro dia consegui pedalar apenas 40km, e também há poucas cidades no caminho, é preciso se preparar com suficientes suprimentos.

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Na primeira noite durmi no meio do mato e na segunda pedi para acampar no quintal de uma casa em uma pequena vila.

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Depois de 2 dias pedalando cheguei em uma fazenda de morangos em uma pequena cidade nas montanhas, nesta fazendo passei 10 dias trabalhando voluntariamente, foi uma linda experiência compartilhar esses momentos com locais.

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Depois da fazenda de morango fui pra Vang Vieng uma cidade na metade do caminho entre Luang Prabang e a capital Vientiane. Em Vang Vieng há muita natureza para visitar, a cidade tem muitas cavernas e rios de agua cristalina, a capital Vientiane não é tão interessante mas o Buddha Park e o pôr do sol no Rio Mekong valem a pena. No final de 30 dias que é o periodo de visto para brasileiros, cruzei a fronteira para o Vietnã.

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Marcando aqui pra acompanhar o seu relato..

Meu que experiência foi essa que vc teve heim...que loucura boa rsrsrs

Vc deve ter passado por lugares lindos né... forçaai na sua jornada e parabéns por sua coragem..

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Terceira parte:

Vietnã:

Vou começar esse capítulo explicando como conseguir o visto para o Vietnã no Laos. Existem muitas agências que oferecem esse serviço mas é muito mais rápido e barato fazer por conta própria.

O Vietnã é um dos poucos países no sudeste asiático que não permite visto na chegada, muitas pessoas já solicitam o visto ainda no Brasil mas não é necessário, o visto pode ser solicitado em qualquer embaixada do Vietnã em países vizinhos.

No Laos vc deve estar em Vientiane, e bem na região central ir até a embaixada do Vietnã, é recomendável levar fotos mas pra mim não pediram. O visto de 3 meses custa U$ 80 e vc deve informar a data exata de chegada no país pois esse prazo começa a contar a paritr desta data. 

Na embaixada vão te perguntar qual o prazo desejado para entrega do visto, eu escolhi o prazo normal de até 3 dias pois não tem custo extra e mesmo assim me entregaram o passaporte com o visto já no dia seguinte. Cruzando a fronteira por terra será cobrado uma taxa de U$ 1 para carimbar o passaporte, independente do horário.

Logo na minha chegada em Hanoi fiquei espantado com o número de motos, até nas calçadas elas disputam espaço.

Minha primeira parada em Hanoi foi em um centro de Inglês para crianças, cheguei na metade de dezembro então no Natal me vestiram de papai Noel para entregar presentes para as crianças.

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O ano novo eu passei em Halong Bay, na ilha de Cat Ba. é possível comprar as passagens de Hanoi para Halong Bay em uma agência do governo, o valor é realmente muito mais baixo.

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Logo nos primeiros dias do ano deixei Hanoi e comecei a pedalar em direção ao sul, na primeira noite usei uma plataforma diferente do couchsurfin, a Warmshowers que é exclusiva para ciclistas. No começo não encontrei muitos templos então na maioria dos dias acampei em postos de gasolina.

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Quando já estava quase chegando em Saigon, tive que trocar de bicicleta, durante a viagem tive muitos problemas com os aros que quebravam constantemente, foi entao que percebi que naõ precisava de uma bicicleta de marcha e sim de uma bike forte que aguentasse carregar todo o peso que eu tinha. Foi então que ao parar em uma bicicletaria ao invés de arrumar propus trocar minha bike por outra sem marcha, estilo Barra Forte e foi assim que todos os meus problemas acabaram :D

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Com a "nova" bicleta não tive mais problemas, apenas pneus furados. A partir de Saigon tive uma companheira de pedaladas, a suiça que havia conhecido no barco no Rio Mekong, já estavamos viajando juntos desde aquela época mas apenas eu de bicicleta.

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No total foram 3 meses no Vietnã, a maioria dos dias passei acampando em praias, templos ou postos de gasolina, CouchSurfing também é muito popular e muito facil conseguir em todas as partes do país.

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Quarto capítulo:

Cambodia:

O visto para o Cambodia pode ser retirado na aduana, pelo valor de U$ 30 por 30 dias, também é possível tirar o vist na embaixada do Cambodia em Saigon assim vc nao perde tempo na fronteira.

Logo na nossa primeira noite no Cambodia fomos convidados por uma familia para acampar em seu quintal, no resto dos dias sempre ficamos em templos.

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Passamos uns dias em Phnom Phen, a cidade é bonita mas não tem muitas coisas para visitar, em poucos dias começamos a pedalar em direção a Siem Riep. Demoramos 4 dias entre Phnom Phen e Siem Riep e lá ficamos hospedados na casa de um ciclista cambodiano que conhecemos pelo WarmShowers.

Compramos o ticket para Angkor Wat de apenas 1 dia, é tempo mais do que suficiente, no mesmo dia que vc compra o ticket vc tem direito a ir ver o pôr do sol (após 17hs) e utilizar o ticket apenas para o dia seguinte.

Caso vc não tenha uma bicicleta é recomendável alugar uma por apenas 2 dolares por dia, já que em Angkor Wat as distâncias não são longas.

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Depois de Siem Reap pedalamos direto até Sihanoukville, foram 8 dias de pedaladas, Sihanoukville é uma praia paradisíaca e foi o lugar que escolhemos para passar os ultimos dias no Cambodia.

Desta vez eu acabei ficando um dia a mais do que o permitido e tive que pagar uma multa no momento da saída, oficialmente a multa é no valor de U$ 6 mas os oficiais da fronteira cobraram U$ 10 sem recibo, fazer o que né!

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3 horas atrás, Analy disse:

Marcando aqui pra acompanhar o seu relato..

Meu que experiência foi essa que vc teve heim...que loucura boa rsrsrs

Vc deve ter passado por lugares lindos né... forçaai na sua jornada e parabéns por sua coragem..

Obrigado Analy! A viagem foi incrível, agora terminei o relato da primeira parte, depois ainda tem mais 10 meses de viagem pela India, Sri Lanka e Nepal, logo farei um relato dessa parte também.

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3 horas atrás, casal100 disse:

Parabéns pela viagem.

Muito show 

Obrigado casal100!!!

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Cara, que experiência incrível! Parabéns!

Quando fizer o outro relato, atualiza aqui com o link pra que a gente seja notificado. Não quero que ele se perca entre os tópicos e eu não leia...

Bons ventos!

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6 horas atrás, nathan_mg disse:

Cara, que experiência incrível! Parabéns!

Quando fizer o outro relato, atualiza aqui com o link pra que a gente seja notificado. Não quero que ele se perca entre os tópicos e eu não leia...

Bons ventos!

Com certeza vou postar o link aqui Nathan!

Valeu pelas boas energias!

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    • Por Giovanni M. Machado
      Então gurizada, estou planejando uma viagem junto a alguns amigos meus, pretendemos nos separarmos entre ônibus e carro entre destinos entre Punta Del Diablo, Cabo Polonio, La Paloma por volta do inicio de janeiro.
      Gostaria, se possivel, que a galera mais experiente com os locais compartilhasse algumas dicas sobre hospedagens, lugares, comida, sobrevivência(kkk).
      E qualquer pessoa com duvidas também pode colocar aqui, pois as informações podem ser compartilhadas!
      Muito obrigado!
      Gurizada que vai estar por lá nessa epoca manda um salve.
    • Por Birovisky
      Review em vídeo na íntegra e como usar todas funções: 
      Motivação
      Ganhei de um dos meus melhores amigos, afinal somos apaixonados pelo campismo e bushcraft e foi um excelente presente de uma das marcas que são conhecidas por criarem produtos "eternos" de qualidade.
      O modelo Spartan Red é o modelo de canivete mais famoso e vendido do mundo. Criado em 1884 passou a ser utilizado pelo exército suíço em meados de 1891. Costumo brincar que eles eram tão confiantes quanto a uma possível vitória em futuras guerras, que no canivete já vêm um saca rolhas e abridor de garrafas para comemorar com vinho e cerveja.
      Preço
      Preço na Internet: R$120,00.
      Pontos Positivos
      Qualidade impecável dos materiais, transcende o tempo e o espaço. Produto quase que bicentenário.
      Facas super afiadas, puro inox.  
      Modelo de várias cores disponíveis, mas venhamos e convenhamos o vermelho é a marca registrada né?
      Possui 12 funções: Corta com dois tamanhos de lâminas, saca rolhas, abridor de garrafas, abridor de latas, chave de parafusos grandes, chave de parafusos pequenos, pinça, palito de dentes, desencapador de fios, costura.
      Bastante leve e com um bom tamanho para guardarmos no bolso ou pendurar na calça com algum chaveiro.
      Pontos Negativos
      Nenhum.
      Resumo da Obra
      Já tive canivetes suíços paralelos que custaram bem menos da metade do preço destes da Victorinox e cravo com todas as palavras, não compensa. Muito mais um deste, que é de entrada da marca mas possui funções essenciais para ajudar você no dia a dia quando não tiver nenhuma ferramenta apropriada perto. É resistente e com material de boa qualidade.
       
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    • Por Felipe Manta Vilela
      Estou começando a acampar, a barraca seria para acomodar duas pessoas, pensei nessa de 3 lugares em questao do conforto para caber o colchão e ainda sobrar um espaço interno! Em relaçao ao peso da barraca para mim não é importante uma vez que geralmente nao irei fazer trilhas com ela, minha unica preocupação é em relação a chuva e vento
      Alguém tem alguma dica de alguma barraca semelhante, o valor desta esta 449, que aguente chuva e vento ou alguma experiência com barracas da quechua? Pelo que vi essa barraca é bem escura, em relação a ventilação pelo q li ela é boa
      https://www.decathlon.com.br/barraca-de-trilha-arpenaz-3-xl-fresh-black-3-pessoas-quechua/p
    • Por Roberto Tonellotto
      No mês de maio de 2018 viajei para a Itália com o objetivo de assistir a duas etapas do Giro d’Italia, uma das competições de ciclismo mais importante do mundo ao lado do Tour de France. Ao todo são 21 etapas. Nessa edição as três primeiras etapas foram em Israel antes de chegar na Sicília, já na Itália, e subir até o Norte e depois retornar ao Sul para a última disputa em Roma.
      Meu objetivo era assistir a 14ª etapa, com partida de San Vito Al Tagliamento com chegada no Monte Zoncolan. Assistir de perto uma final de etapa sobre o mítico Zoncolan na região do Friuli é o sonho de qualquer ciclista ou apreciador do esporte.  Considerada a montanha mais dura da Europa, com 10,2km e com ganho de elevação de 1.225 metros, torcedores do mundo todo disputam espaço ao longo de toda subida para ver de perto o sofrimento e a garra dos melhores ciclistas de estrada do mundo. Na tarde do dia 19 de maio eu e o amigo Tacio Puntel, que mora no país há 13 anos, estávamos estrategicamente colocados sobre a Montanha para assistir à chegada. Milhares de pessoas chegaram cedo ou até acamparam no local, onde a temperatura mínima naquela madrugada tinha ficado abaixo de zero. Mas tudo é festa. Ali ficou evidente para mim como a cultura do ciclismo é tão importante para a sociedade italiana e europeia. Mas para a alegria de alguns e a tristeza de outros quem ganha a etapa é o britânico Chris Froome (que se tornaria o campeão do Giro) seguido de perto por Simon Yates e em terceiro colocado o italiano Domenico Pozzovivo.
      No outro dia fomos até Villa Santina para assistir a passagem da 15ª etapa com 176km, que teve início em Tolmezzo e chegada em Sappada, também na região do Friuli. A passagem dos ciclistas ocorreu dentro da cidade. Sentados em um bar ao lado rua, podemos ver toda a estrutura envolvida para dar suporte as 22 equipes que somam quase 180 ciclistas. Ônibus, Vans, Carros de abastecimentos, motos, equipes de televisão, ambulâncias. Uma grande logística para um negócio milionário que percorreu mais de 3.571 mil quilômetros em terras israelenses e italianas.
      Mas nem só de assistir ao Giro se resumiu essa viagem. Após passar alguns meses planejando roteiros para pedalar na Itália, Áustria e Eslovênia, chegava a hora de pôr em prática. Narro a partir de agora alguns trechos de cicloturismo que realizei nos três países.
      Cleulis (Itália) –  Passo Monte Croce - Dellach (Áustria) – 70km.
      Acordei decidido que iria almoçar na Áustria. Para chegar até lá teria que enfrentar o Passo do Monte Croce Carnico, ao qual já tinha subido e tinha noção que não era muito difícil. O retorno porém, era uma incógnita. O dia estava bonito, a minha frente a espetacular Creta de Timau, a montanha de 2218m, me mostrava o caminho. Uma parada rápida para foto na capela de Santo Osvaldo e cruzo Timau, a última frazione antes de chegar à fronteira. A partir dali, só subida e curvas. Muitas curvas. Eram incontáveis os grupos de motociclistas, trailers e cicloturistas que desciam a montanha. A cada curva um novo panorama se abria. Placas indicavam a altitude, 900m, 1000m, 1200m, até alcançar os 1375m na fronteira Itália/Áustria. Depois, só alegria... Descida de 12km até Mauthen.
      Parada em Kotschach para foto e planejar o próximo passo. Viro à direita na 110 e o vale que se abre a minha frente (e que se estende por quase 80km até Villach) me faz recordar da Áustria dos cartões postais e filmes. Campos verdes infinitos e montanhas que ainda conservavam a neve do inverno. O que mais me impressionou foi o aroma. Um frescor no ar. Uma mistura de terra molhada com lenha verde recém cortada. Segui por esse vale até encontrar a primeira cidade, a segunda, a terceira. Resolvi que era hora de voltar. Encontro a Karnischer Radweg R3, uma ciclovia que acompanha um belo Rio de águas cristalinas. Chego novamente em Mauthen, compro um lanche reforçado e quando vejo já estou subindo os 12km em direção a Itália. Começa a chover faltando poucos quilômetros para a fronteira.
      Parada obrigatória no Gasthaus Plockenhaus. Tempo depois a chuva diminui e começo o último trato até a fronteira. Mais um túnel congelante. Pedalo forte para esquentar o corpo. Na fronteira, já aquecido, vou beber um café no Al Valico, no lado italiano. Como ainda tinha algum tempo até anoitecer e querendo aproveitar ao máximo a viagem, deixo a bicicleta no restaurante e parto rumo a um trekking montanha acima, rumo ao Pal Piccolo. O local foi cenário de um dos episódios mais sangrentos da Primeira Guerra Mundial e hoje abriga um museu a céu aberto, onde mantém em perfeito estado as trincheiras e equipamentos utilizados nas batalhas entre o Império Austro-Húngaro e Itália. Seria uma caminhada de 2km com quase 600m de subida. Logo comecei a ver alguns animais selvagens e neve.
      Nenhuma palavra pode descrever o que eu senti lá. É emocionante estar em um local de Guerra tão bem preservado a quase 2 mil metros de altitude. Ali as trincheiras ficam a menos de 30 metros umas das outras. A bateria da Gopro e do celular já tinha acabado. A minha também. Apenas uma foto registrou a chegada. Não demorei muito e comecei a descer. Depois de 40 minutos de descida até a fronteira, pego a bicicleta e desço em direção a Cleulis, sob chuva e vento forte.
      Grossglokner Alpine Road – Áustria – 30km
      O corpo cobrava o preço do esforço dos últimos pedais e do cansaço da longa viagem. O sábado amanheceu bonito na região da Carnia na Itália e fazia calor quando partimos rumo a Heiligenblut na Áustria. O contraste do verde das montanhas com alguns pontos de neve com o céu azul e a brisa leve nos lembravam que a primavera havia chegado e não iria demorar muito para o verão dar as caras. Por volta do meio dia chegamos a Heiligenblut. A partir dali eu seguiria pedalando. Rapidamente preparo a Mountain Bike, me visto, respiro fundo e começo a “escalar” os 15 quilômetros até o mirante do Grossglockner, a maior montanha da Áustria e a segunda da Europa, com 3797m de altitude. Os primeiros metros, com uma inclinação de 15% já demonstravam que o desafio seria vencido com paciência e força. O calor me surpreende, o Garmin marca 33 graus e uma altitude de 1295m, o que só aumenta o desconforto, que iria diminuir conforme ganharia altura. Pra quem já subiu a linha São Pedro, Cortado, Cerro Branco, Lajeado Sobradinho, Linha das Pedras ou Linha dos Pomeranos pode ter uma pequena ideia do que foi. Chegava na marca dos 11km de subida, na altitude de 2000 mil metros. Pausa para hidratação e para admirar a paisagem. Picos nevados, cachoeiras, mirantes, campos verdes. Impossível não ficar hipnotizado com tamanha beleza de uma das estradas alpinas mais bonitas do mundo. Depois de 2 horas e 15 minutos e algumas paradas para hidratação chegava a 2.369m com uma visão espetacular do Glaciar Pasterze com 8,5km de comprimento e do imponente Grossglockner. Depois de comprar alguns souvenires e comer um pouco, iniciei a descida que em alguns pontos era possível ultrapassar facilmente os 80km/h.
      Triglav - Kranjska Gora (Eslovênia) Tarvisio - Pontebba - Chiusaforte - Moggio Udinese (Itália)
      Parque Nacional Triglav, Eslovênia. Passava do meio dia quando inicio mais uma pedalada. O trajeto do dia seria quase todo em ciclovias através de vales. Segui até a fronteira em Ratece e dali até Tarvisio na Itália onde encontrei a ciclovia Alpe Adria que inicia em Salsburgo na Áustria e vai até Grado no litoral do mar Adriático. Feita sobre uma antiga ferrovia, asfaltada e bem sinalizada é considerada uma das mais bonitas da Europa. Diversos túneis, pontes, áreas para descanso e pontos para manutenção das bikes com ferramentas a disposição. Durante o dia cruzei por centenas de ciclistas e fui cumprimentado por japoneses, espanhóis, alemães, holandeses e claro, italianos.
      É um parque de diversão só para ciclistas. Um ponto de encontro de apaixonados por bicicleta de diferentes nacionalidades. Ali famílias pedalam tranquilamente, sem pressa. Mais do que uma atividade física, percorrer a Alpe Adria é uma viagem na história e nos valores culturais e ambientais do Friuli.
      A paisagem mudava constantemente, ao fim de cada túnel se abriam bosques selvagens, montanhas rochosas e rios com água em tons de azul. Parei na antiga estação de Chiusaforte que foi transformada em um bar para cicloturistas. Dessa cidade as famílias Linassi, De Bernardi e Pesamosca emigraram para a Quarta Colônia na década de 1880. Recarreguei as energias com café e cornetto e segui em frente encantado com a beleza do Rio Fella. Após alguns quilômetros, ao lado do Rio Tagliamento encontrei a cidade medieval fortificada de Venzone. Próximas paradas: Buia terra das famílias Tondo e Comoretto e a cidade de Gemona Del Friuli das famílias Copetti, Forgiarini, Baldissera, Londero, Brondani, Papis, Rizzi, Patat e tantas outras que dali saíram para colonizarem a região central do nosso Estado.
      Nos últimos quilômetros encontrei a belíssima planície friulana e Údine, Palmanova e Aquileia, a antiga cidade romana fundada em 181 a.C. que conserva vestígios arquitetônicos do Forum, do porto fluvial e os 760 metros quadrados de mosaico do século III na Basílica de Santa Maria Assunta.
      Já era tarde da noite quando cheguei em Grado. Degustei uma pizza e um bom vinho tocai friulano e adormeci ao som do Mar Adriático.
      Pendenze Pericolose
      Pendenze Pericolose é um hotel para ciclistas de estrada em Arta Terme. Estrategicamente localizado próximo das subidas mais desafiadoras da Europa como o Zoncolan e o Monte Crostis é também cenário para diversas competições esportivas. Foi ali que conheci seu idealizador, o romano Emiliano Cantagallo que deixou o emprego de Guarda do Papa para se dedicar inteiramente ao ciclismo e a hotelaria na região da Cárnia.
      Eu já acompanhava seus vídeos na internet com ciclistas profissionais em lugares incríveis onde ele demonstrava a paixão que sentia por aquela terra. Estando tão perto eu não poderia perder a oportunidade de ter essa experiência. Através dos amigos Tácio e Marindia Puntel o encontro foi marcado. No outro dia já estávamos na estrada, eu, Emiliano e Alessandra que também veio de Roma e estava hospedada no hotel. Fiquei espantado com seus níveis de condicionamento físico. Normal para quem faz por volta de 150km todos os dias. Nesse dia aliviaram para mim, seriam 100km e “apenas” duas montanhas.
      Foi um dia inesquecível, apesar do ritmo forte, conversamos muito. Emiliano contava sobre cada lugar: Sella Nevea, Tarvisio, Montasio... Falamos sobre o acaso da vida. Dois romanos e um brasileiro nas montanhas da Cárnia unidos por um esporte e com visões de mundo semelhantes. No meio do caminho, fizemos uma parada no Lago del Predil. Contemplamos o lago cercado por montanhas e nos abraçamos como velhos amigos.
      Foram mais de 500 quilômetros pedalados entre Áustria, Itália e Eslovênia durante a primavera do hemisfério norte. Foram 15 dias de imersão cultural, descobrindo e aprendendo. Permaneci a maior parte do tempo entre Arta Terme e Paluzza. Sentia-me em casa convivendo com pessoas que possuem uma ligação genealógica e afetiva com nossa região. Daquela área saíram as famílias Anater, Prodorutti, Puntel, Maieron, Dassi, Muser e Unfer. Se não fosse pela língua e pelas montanhas, diria que estava na Linha dos Pomeranos ou na Serraria Scheidt.  Na fração de Cleulis, em Paluzza, conheci as casas que foram de alguns emigrantes. Construções em sua maioria de dois pavimentos e que ainda se mantem intactas e bem cuidadas.
      Foi de Cleulis que iniciei mais uma pedalada, agora até o Lago Avostanis. Não fazia ideia do que ia encontrar quando parti às 7 horas de um domingo ensolarado e frio. Logo comecei a subir por uma estrada de terra que serpenteava a Floresta de Pramosio. Muitas curvas. Seriam mais de cinquenta nos dez quilômetros até o topo. A inclinação era absurda. A mata fechada permitia que apenas alguns raios de sol atingissem a estrada. Quanto mais alto, mais a temperatura diminuía e a paisagem se transformava. Parei em uma placa indicativa que mostrava em detalhes como a vegetação se dividia conforme a altitude. Assustei-me quando percebi que havia percorrido apenas um terço do caminho. O silêncio era quase total, ouvia apenas a minha respiração e o barulho do atrito dos pneus com o cascalho.  O ambiente, muito bem preservado, é lar de cervos e coelhos selvagens que saltavam de um lado para o outro. Na altitude de 1500 metros está a Malga Pramosio. Malga é uma espécie de estabelecimento alpino de verão, geralmente um restaurante ou bar com produtos típicos. Segui em frente. O caminho a parti dali só é possível ser feito a pé ou de bicicleta. Ainda havia muita neve em alguns pontos, o que exigia colocar a bicicleta nas costas e caminhar sobre o gelo ao lado de um precipício. Foi assim que cheguei a quase 2 mil metros de altitude no Lago Avostanis que ainda estava congelado. Foi o lugar mais bonito de toda a viagem, uma beleza que só se revela para aqueles dispostos a enfrentar a si mesmos e a respeitar o poder da natureza em sua forma bruta.
      Durante esse tempo pedalando por antigas estradas romanas, cidades medievais, atravessando fronteiras e exposto a uma diversidade de culturas e tentando me adaptar a cada uma delas, percebi uma coisa que mais me chamou atenção: o respeito. O respeito não só com o ciclista, mas com o ser humano em si. E o respeito se transformava em solidariedade, em empatia. Por diversas vezes, em bares e restaurantes principalmente no Friuli, recusavam-se que eu pagasse a conta. Não sofri qualquer tipo de preconceito por ser brasileiro ou por não ter sangue “puro” italiano. Havia apenas curiosidade e fascínio de ambas as partes.
      Foram tantos os detalhes que me chamaram atenção durante esses dias que são difíceis de enumerá-los. Desde beber água direto das fontes à beira da estrada até a generosidade daquele povo. É poder conhecer coisas assim quer torna o ciclismo tão especial. Não é apenas o lugar em si. Mas o modo que você o visita. As pessoas e as histórias que conheceu. O que você precisou fazer para chegar até ele e o quanto dele ficou em você quando foi embora.
       
      Roberto Tonellotto
      Vice presidente do Fogolar Friulano de Sobradinho - RS - Brasil
































    • Por Junior Chags
      Pessoal estou pensando em fazer um mochilão para Asia em Julho 2019, se alguem tiver interesse me add 85 9 8585-0850 para combinarmos algo.


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