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África do Sul, Namíbia e Zimbábue - relato completo, de uma das melhores viagem da minha vida


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Décimo dia (17/03/19) - 500km de estrada

Sabe lá no começo, quando eu expliquei que a gente queria fazer tudo e tentou encaixar de tudo um pouco no roteiro, pois é, até a Garden Route em dois dias a gente inventou de fazer. 500km pra ir, 500km pra voltar, que doidera. Mas não somos tão doidos assim, não fomos até o final dela não, só quase até o final rsrsrs.

Manhã do décimo dia: acordei péssima, parece que tinha um saco de cimento endurecendo dentro do meu estômago, mas fora essa sensação, tudo certo, sem dor de cabeça, só um pequeno mal estar mesmo. Não consegui tomar café da manhã, tomei só um suco de laranja, o cimento não deixava nada entrar.

Fomos pra locadora pegar nosso carrão. Detalhe, nessa hora ainda não tínhamos trocado dinheiro porque saímos muito cedo e voltamos muito tarde no dia anterior não deu pra ir até o doleiro. Fora estarmos quase sem dinheiro, o FH e eu precisávamos desesperadamente lavar roupa, como não tinha lavanderia onde a gente mesmo pudesse lavar nossa roupa por perto, a gente correu no quarto no dia anterior e lavou algumas peças no chuveiro e na pia do banheiro e deixamos secando na grade da cama pra poder usar nessa viagem da Garden Route. Por sorte, elas estavam secas, ou quase secas rsrs.

Lá na locadora pegamos nosso carrão. A Gabi e o FH estavam com a Permissão Internacional para Dirigir (PID) e a CNH caso fosse necessário. O LC não tinha a PID, só a CNH, mas não foi solicitado PID em nenhum momento, nem numa blitz quando fomos parados. Mas pra alugar carro tem que ter um cartão com limite alto, porque o caução que eles debitam é enorme, no caso do Mini Cooper foi R$ 5.000 por dois dias com o carro, enquanto o aluguel do carro em si era R$ 400. Depois de alguma tentativas com cartões, transferências de limites deu tudo certo e pegamos a estrada. A primeira parada ia ser a 200km em Swellendam, uma cidadezinha linda.

Pegamos a rodovia, o LC queria testar o carro, era um carrão né, acelerava e freiava, acelerava e freiava. Nisso, o cimento do meu estômago foi pesando vinha umas cólicas que eu suava frio e segurava que não passava nem uma agulha, ô sofrimento senhor. Mas enquanto eu segurava lá embaixo começou a vir aquela tontura, a boca começou a salivar, mas eu pensava: vai passar, vai passar. Vai passar poha nenhuma, só deu tempo de colocar a mão na boca e tampar da melhor maneira possível, aí com a outra mão eu sacudi a Gabi, ela olhou pra trás e já entendeu na hora, aí falou: eita ferro, a Deise quer vomitar, a Deise quer vomitar, encosta, encosta. O LC entrou no acostamento com tanta velocidade que chega cantou pneu, coitado, eu estava atrás dele, ele deve que estava com a espinha gelada com a possibilidade de experimentar o gosto do inferno na nuca. Tudo aquilo que foi muito rápido parecia uma eternidade, não dava mais pra segurar. O pior de tudo, o diacho do carrão era de duas portas, até ele descer e dobrar o banco só deu tempo dele sair correndo mesmo e eu colocar a cabeça pra fora, nem desci do carro. Vomitei ali mesmo, pelo menos caiu 90% no asfalto, 10% na lataria do carro. Só tinha suco de laranja e uns pedaço de comida. (Gente é nojento mesmo, não tem outro jeito de contar). Aí eu desci do carro, respirei um pouco, me senti melhor, menos zonza. Mas tava foda, as cólicas vinham e parecia que tinha alguém torcendo minhas tripas. A gente entrou no carro, eles obviamente morrendo de medo mas disfarçando bem. Eles queriam que eu fosse na frente, mas como que eu ia separar o casal? Falei: não tá tranquilo mesmo, vou aqui atrás, só que fui atrás da Gabi, que estava mais próxima do acostamento caso precisasse parar de novo. A gente voltou pra estrada, aquelas cólicas vindo com se fosse um patrola querendo abrir as portas do inferno e libertar o kraken. Quando eles viram um lugar que parecia um restaurante, estava bem cheio de carros, aí me perguntaram: quer que para aqui Deise, eu só podia agradecer e balançar a cabeça já suando frio igual um porco indo pro abate. Quando eu entrei no banheiro e pude abrir as portas da esperança, o chamado da natureza estava prontinho pra sair, saiu tão rápido que parecia aquelas descargas a vácuo do avião.

E assim foi, todo posto que tinha eles paravam, coitados, a melhor parte da viagem pra mim era encontrar um banheiro, eu não via a hora daquele kraken terminar de sair por inteiro, aquilo não era de Deus. Eu ficava bem, até vir uma cólica avisando que o trem da alegria (sqn) tava pedindo passagem. Aí eu precisava ir no banheiro se não parecia que ia morrer. Não estava nem tomando água com medo de vomitar de novo.

Finalmente chegamos em Swellendam, já era umas 14h. A gente parou pra almoçar num restaurante bem legal. Nem cogitei comer nada. Eles almoçaram, estava muito bonito e acho que eles gostaram muito rsrs. Só ali fui no banheiro umas duas vezes, a vergonha já nem estava me preocupando mais, já que na primeira vez eu acabei com o papel do banheiro, na segunda eu já sabia que não tinha papel entrei no masculino e roubei o deles.

Passeamos um pouco pela cidade, é bem pequena, tem um estilo alemão e é uma das cidades mais antigas da África do Sul. Eu queria muito ter aproveitado mais, sério mesmo rsrs. Mas ainda estou contando do passeio só pra desviar um pouco a atenção desse episódio escrito por shakespeare e interpretado pela Carminha de tão trágico.

Seguimos caminho, como nosso objetivo era chegar em Knysna naquele mesmo dia e dormir por lá e quem sabe ainda aproveitar um pouco da cidade fomos parando menos, mas menos pras fotos, pra banheiro ainda paramos muito. Só estava saindo água a essa altura, mas as cólicas vinham como um tsunami querendo abrir passagem pelo deserto. Se a experiência de ter um filho é parecido com isso, meu respeito pelas mães de parto normal que já era grande agora quadruplicou. Paramos em Mossel Bay, o sol já estava quase se pondo, deu pra aproveitar um pouquinho, cada um brincou de dirigir o carrão e tirar onda, não se enganem estou sorrindo por fora e sofrendo por dentro. Foi só pra tirar onda mesmo. Novamente, ainda bem que não fui eu quem precisava dirigir, a mão direita é algo que precisa estar muito atento o tempo todo, principalmente pelas entradas. Já estava escurecendo e ainda faltava uns 60km pra Knysna, então continuamos. Eu estava nas últimas, esgotada mesmo. Se fosse pra sentar no vaso mais uma vez, eu ia ficar por lá. Quando chegamos no hotel, era uma cabana muito legal, com varanda para um lago, vou colocar o link dos chalés no final desse dia, vale a pena. Mas, novamente se programem pra chegar um pouco mais cedo e aproveitar mais. Eu cheguei e fui direto pra cama. O pessoal ainda foi procurar janta, o recepcionista avisou que a luz ia acabar e provavelmente os restaurantes iam fechar. Eles foram e encontraram um posto de gasolina com conveniência, compraram algumas coisas, nem sei o que foi. Mas ainda bem que o posto estava aberto se não eles iam ficar com fome, essas faltas de energia parece que estão afetando a África do Sul toda, pelo menos são programadas. Mas pra turista é complicado. Eu deitei e fiquei com muito frio, tipo tremendo, era só o que faltava mesmo, ficar com febre. Mas se eu tive, foi bem pouquinha porque logo depois já estava com muito calor. Ainda fui no banheiro umas duas vezes durante a noite, mas não saia mais nada, só a vontade mesmo. Não tinha comido nada então deu pra esvaziar tudo. No outro dia, teria um dos passeios mais esperados que era o caiaque no Storm River. Vamos ver se vai dar né.

Chalé em Knysna: https://www.milkwood.co.za/undermilkwood/accommodation.html

 

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Décimo-primeiro dia (18/03/19) - 10 savannas!!!

 

Acordei umas 4 da manhã toda suada, fui tomar um banho. Tinha banheira então dei uma sentada lá e fiquei uma boa meia hora aproveitando a água. A gente tinha que acordar cedo porque o passeio do caiaque tinha hora marcada e estava reservado desde o Brasil. E uma dica, se você quiser fazer reserve com antecedência mesmo porque acaba rápido. Fica no parque Tsitsikamma, outro lugar maravilhoso que merece bastante tempo, caso você tenha. Mas num lugar onde é tudo lindo, a questão são as suas prioridades. Tinha tanto lugar pra conhecer, a gente escolheu fazer esse passeio de caiaque que pareceu maravilhoso e já dava pra conhecer um pouco do parque.

Então depois do banho, deitei novamente só pra aguardar a hora de sair mesmo. Já tinha vestido a roupa do passeio. Lá pelas 6h da manhã a boca salivou novamente e levantei correndo, mas dessa vez eu ganhei, não tinha nada pra vomitar hahaha, corpo idiota. Só saiu cuspe mesmo. Ainda não consegui tomar café, mas já estava bem melhor. Quase não sentia mais cólica, também só se fosse pra cagar as próprias tripas, nem água eu não tava bebendo que é pra não dar motivo. Eu sei que a gente desidrata e blá blá, mas eu bebia um pouquinho de vez em quando e acho que foi o certo. Também ainda estava com aquela sensação de cimento no estômago, não entrava nada e não tinha a menor fome.

Enfim, estava começando a me sentir um ser humano novamente e não um cano de descarga ambulante. Todo mundo foi acordando e partimos para o passeio. Tsitsikamma ainda fica a 90km de Knysna então tinha bastante chão para cobrir até chegar lá.

Belas pontes e canyons pelo caminho, mas resolvemos parar na volta porque estávamos com horário marcado pro passeio. Outra vez, o nome do lugar começa com Parque Nacional Tsitsikamma, então já sabe né, tem que pagar! Mas, é bom deixar claro que essa informação de que todo lugar que começa com Parque Nacional tem que pagar vem de mim rsrs, da minha experiência, não pesquisei em TODOS os parques nacionais da África do Sul pra saber, mas em todos que fomos tivemos que pagar a entrada. No Tsitsikamma foi ZAR235 para adultos estrangeiros.

Chegamos lá em cima da hora, na verdade uns 5 minutos atrasados. Mas descobrimos que eles são espertos e o horário que a gente reserva pela internet é só o do encontro com o guia para pegar as instruções etc., o passeio mesmo só começa meia-hora depois. Ainda bem!!! Eu aluguei uma botinha de neoprene, eles nos deram coletes, capacetes, uma bolsa a prova d`água e uma garrafinha de água. Deixamos quase tudo no carro, a chave do carro deixamos com eles (a empresa). Não levamos nossos celulares com medo deles caírem na água, mas ainda bem que o LC levou a GoPro marota dele, a prova d`água.

Mais informações sobre o passeio nesse link: https://untouchedadventures.activitar.com/services/1189 Custou ZAR 600 que dá aproximadamente R$ 170 na cotação do cartão de quando pagamos.

O guia era muito simpático, são dois na verdade, um vai na frente, puxando a fila e outro vai por último. Eles deram as instruções básicas de segurança, como entrar e sair do caiaque, como remar corretamente, fazer as curvas etc. Finalizando essa parte, entramos na água, uma dupla por vez. O passeio começa no mar, a parte mais perigosa, mas logo a gente entra num corredor e vai remando até chegar no rio. Não é muito longe, é bem tranquilo e remando de dupla fica mais fácil, se você não tiver que remar por você e pela sua dupla né rsrs.

A vista do passeio é incrível. Você vai entrando nesse canyon e tem toda natureza em volta, o mar no fundo e o rio na sua frente, é sensacional. Quando a gente chega numa determinada parte do rio, saímos do caiaque e passamos para uma boia, tipo um colchão flutuante que eles chamam de Lylo. Nessa hora, o guia faz uns desafios de quem consegue ficar em pé em cima da boia, quem consegue dançar, quem consegue ficar de ponta cabeça mas ninguém ganha nada, a não ser o título de mais fodão do grupo. Ahhh, ele tinha avisado que na hora que a gente passasse pro Lylo, iríamos até uma parte do rio onde tem umas pedras ele dava uma explicação sobre a natureza do lugar e depois quem quisesse podia pular de algumas pedras que tinham por ali. Parecia seguro né, mas como eu sou muito cagona o FH falou logo: Deise, 10 Savannas Dry se você pular da pedra com esses dois (Gabi e LC) de testemunha. Eu fiquei pensativa, acho que meus neurônios não estavam funcionando direito, deve que estava desidratada mesmo, porque eu nunca nem cogitaria pular de uma pedra num rio de água preta. Mas beleza, fizemos o passeio, o guia explicou sobre o local e na volta paramos nessas pedras. O problema é que o guia falou que ali era tipo um cemitério de câmeras porque todo mundo acha que consegue segurar elas e remar no Lylo, mas não tem apoio e elas caem sempre e é impossível recuperar porque a água num é nem escura, é preta mesmo. Aí o LC guardou a GoPro no caiaque e a gente foi pra essa parte do passeio sem nenhum registro. Mas tem esse registro escrito aqui pelo menos.

Quando chegou na parte das pedras, o FH foi logo subindo pulando, pulando. Tinha duas, uma mais alta e uma mais baixa, ele pulava das duas. Eu ficava olhando, observando o povo pular. Até que pensei: acho que essa pedra não é tão alta! Aí quando o povo parou de pular pra dar uma descansada, eu fui subindo né. O problema é que quando eu cheguei lá em cima não tinha como descer se não fosse pulando, ô carai de pensamento sem futuro foi esse, de que não é muito alto. Mas não tinha jeito, fui andando em direção a ponta, olhando pra baixo, adiando o momento de pular, mas não teve jeito: pulei! Que sensação horrível, sensação de queda livre é muito ruim gente, quem é o doido que paga pra pular de bungee jump? Cê tá doido! Quando eu pulei parece que o cimento que tava no meu estômago subiu todinho e eu abri o bocão, ô carai de novo, bebi toda a água preta daquele rio. Pareceu uma eternidade até eu consegui subir, quando minha cabeça atingiu a superfície cuspi a água toda, pelo nariz, pela boca, a dos ouvidos ainda ficou algumas horas. Mas assim que eu consegui, gritei: NOT GOOD!!! BUT I WON 10 SAVANNAS! Chupa, achou que eu não ia né. Mas provavelmente eu não iria mesmo, se estivesse pensando direito.

Já estava me sentindo a fodona da África depois dessa. Aí voltamos remando com os braços mesmo até o caiaque, deixamos as bóias para o próximo grupo que já estava chegando e fomos finalizar o passeio. Que passeio, muito legal! O visual é lindo demais. Aliás, o visual é lindo demais é clichê para a Garden Route, pra Cape Town, para o deserto. Vou tentar achar outros adjetivos pra não ficar muito repetitiva.

No final do passeio, já começou a bater até uma fominha. Bateu um cansaço gigantesco também. Mas eu já estava pensando em como ia tomar as 10 savannas que eu ganhei. Alerta: não façam esse passeio de estômago vazio rsrs, vc vai cansar muito.

Nos trocamos, lá tem até uns banheiros improvisados se você quiser tomar banho e rumo a estrada. Voltamos para Knysna porque queríamos ver alguma coisa por lá que não deu tempo no outro dia e almoçamos por lá. Não queria nem saber, já pedi logo uma Savanna Dry. A gente escolheu um restaurante português no waterfront de Knysna. Lá tinha canja, eu já estava me sentindo bem melhor, acho que o cimento tinha ficado no fundo rio, aí já pedi uma canja pra Savanna Dry não subir de elevador.

A partir daí foi ficando mais fácil, já fui melhorando. Será que dá pra gente voltar e começar de novo agora?

Enfim, ainda tinha alguns lugares que a gente queria ver, mas era muito chão pra rodar e resolvemos ir sem parar agora, só pra banheiro e comida mesmo. Porque pelo GPS íamos chegar em Cape Town lá pelas 22h. O LC ia ficar bem cansado de dirigir tanto, o FH e a Gabi se ofereceram pra revezar mas ele deu conta o caminho todo. Na volta, quando já estava de noite fomos parados por uma blitz, o policial pediu os documentos, mas deu tudo certo, só uma parada de rotina mesmo. A gente perguntou pra ele onde estava a entrada de Swellendam já que o GPS indicava que a gente estava passando pela cidade mas não vimos nada. Ele disse que a luz tinha acabado por isso que não dava pra ver a cidade. Mas que coisa, essa falta de luz tá abusada mesmo. Então seguimos viagem e resolvemos jantar em Cape Town. Chegamos com tranquilidade, tivemos um ótimo motorista o caminho todo. Deixamos o carro na porta do hostel novamente e na manhã seguinte era só devolver na Europcar.

Apesar do episódio infeliz da caganeira progressiva, ou se você quiser o politicamente correto: intoxicação alimentar, o passeio foi maravilhoso e vale muito mesmo. Mas você precisa ter tempo, talvez 3 ou 4 dias pra fazer a mesma distância que a gente fez, que nem foi toda a Garden Route. Ela acaba em Port Elizabeth onde tem o maior bungee jump pra quem for doido o suficiente. Alguns pontos legais e que vale a parada pela beleza do lugar são: Mossel Bay, Wilderness, Knysna, Plettenberg Bay, Tsitsikamma, Swellendam, Jeffreys Bay, Addo Elephant, Gansbaai e Agulhas. Esses lugares não estão em ordem e nem visitamos todos, mas uma boa pesquisada é essencial pra você ver qual lugar te interessa mais, já que vão ter muitos parecidos, você pode cortar um ou outro para aproveitar melhor o escolhido. Abraçar o mundo com as pernas nem sempre é a melhor opção.

Chegamos no waterfront e vimos que eles fecham cedo, tipo 23h a cozinha já tá fechada, então se programe. A gente chegou tarde e não estava achando restaurante aberto mais, a Gabi e o LC pediram um sanduíche num fast food de lá que eu esqueci o nome, mas não quis arriscar que a minha primeira refeição decente fosse um fast food fiquei com fome mesmo. Mas só de me sentir melhor já estava feliz, deixa a comida pra amanhã. O FH achou um bar que ainda estava com a cozinha aberta e pediu tipo um ensopado de carne, mas ele disse que tava muito ruim rsrs. Voltamos pro hostel e encerramos com sucesso nosso passeio pelo Garden Route, entre mortos e feridos, sobreviveram todos e eu ainda tinha 7 savannas de crédito.

 

Gente, como esse relato está sendo feito baseado nas minhas memórias dos acontecimentos, já que eu não anotei nada durante a viagem talvez vocês sintam falta de alguns detalhes, tipo nomes dos restaurantes e das comidas, valores etc. Eu não tenho isso detalhadamente, infelizmente. Mas no final vou tentar colocar um orçamento indicando da melhor maneira possível cada gasto. Mas assim, se serve de consolo, as opções de restaurantes são muitas mesmo, todo tipo de comida de todo preço, mas geralmente é barato. Pelo menos eu considero barato, almoçar um belo prato e jantar outro belo prato por 30 reais cada. Comida de verdade, feita na hora, comida típica. Desde que você fique longe dos ovos crus deve ficar tudo bem. Ah, existe o costume de deixar gorjeta pro garçom, você tem que anotar na conta o valor que está deixando de gorjeta, o costume é 10% da conta. Os restaurantes passam cartão numa boa.

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Décimo-segundo dia (19/03/19)

 

Finalizando nosso passeio pela Garden Route, nem dá tempo de respirar e lembrar de todas as paisagens que vimos. Outro dia cheio pela frente. Cape Town é tudo isso mesmo, e mais um pouco. Olhamos na internet e vimos que a Table Mountain estava com boa visibilidade então aproveitamos pra ir pra esse cartão postal da cidade. Antes disso, o FH e eu chamamos uma lavanderia com serviço de delivery, tudo pelo whatsapp, eles foram buscar nossas roupas e marcamos a hora de entrega também. Super pontuais e prestativos. Depois, fomos lá no tal do doleiro trocar alguns dólares por rands, porque já tínhamos passado de estar nas últimas, estávamos no fundo do poço mesmo. Não trocamos dinheiro na Garden Route e estávamos bem pobres já. O doleiro fica no centro da cidade, e era muito perto do nosso hostel, tipo uns 10 minutos andando. Trocamos cada um o tanto que achava que precisava e pudemos continuar a viagem. Roupas limpas a caminho e dinheiro no bolso, ufa! Aí sim pedimos um Uber para a Table Mountain. Chegando lá, quase não tinha fila, foi bem tranquilo. Quem tiver carteirinha de estudante paga meia, dei sorte que tinha levado a minha e estava dentro da carteira, só apresentei e a moça do guichê nem questionou nada.

Pegamos o bondinho, existem outras opções legais de subir também, fazendo trilha, inclusive uma trilha que começa às 3h da manhã e você chega lá em cima pra ver o nascer do sol, a gente até cogitou a possibilidade, mas chegamos totalmente mortos do dia anterior, sem chances. Fomos do jeito tradicional mesmo. Ah, esse passeio pro nascer do sol, você faz com um guia, tem que reservar e pagar, mas deve ser bem bacana. Chegando lá em cima, UAU! Que vista da cidade. Realmente o dia estava ensolarado e a visibilidade ótima, combinação perfeita. Aproveitamos muito lá por cima, tiramos milhões de fotos e caminhamos por lá, é bem grande e tem vários locais bonitos, mirantes e pequenas trilhas para se fazer ali por cima. Com certeza é local obrigatório, mas só vé se você tiver certeza que tem alguma visibilidade, tem alguns sites na internet que te informam isso: https://www.tablemountain.net/ é um deles, com certeza você vai ficar mais de um dia em Cape Town, deixe seu roteiro um pouco flexível para poder ir na Table Mountain num dia que estiver com boa visibilidade. O tempo também muda durante o dia, vai acompanhando pelo site e qualquer coisa você corre pra lá.

Demoramos bastante por lá, pra variar, e acabamos atrasando o resto do planejamento do dia. Como a vinícola era um pedido obrigatório, na hora do café da manhã a gente pesquisou qual seria a mais legal, ou mais famosa, e escolhemos a Groot Constantia https://www.grootconstantia.co.za  que tinha museu, tour e degustação, ZAR 105 o ingresso. Não nos arrependemos, fica num lugar lindo, tem um monte de opção de restaurante, degustação de 5 tipos de vinho e um tour sobre a história do lugar e como são feitos os vinhos, visitando a parte de dentro onde ficam os barris de fermentação e tudo mais. Essa marca tem muitos vinhos premiados e alguns tipos já estão com encomendas esgotadas até 2020, ou seja, o vinho nem foi fabricado ainda e já acabou.

Fizemos o tour e fomos pra degustação. Tem uma carta de vinhos, eles explicam o sabor, como é feito etc. e você pode escolher 5 vinhos dessa carta pra experimentar. O FH já saiu do Brasil dizendo que ia comprar muito vinho, então hoje era o dia. Daí quando estávamos na quarta degustação, bem alegres e rindo alto e a toa, veio um cara que trabalha lá e disse que queria que a gente experimentasse um e depois o outro, aí a gente falou que já era o nosso quarto, mas ele disse que fazia questão, que aquele era especial. Aí a gente ficou com 6 degustações. Com certeza ele viu a gente preenchendo quais vinhos ia comprar e se empolgou, porque na carta explicando os vinhos, tinha o preço e a quantidade pra preencher caso você quisesse comprar algum. Mas os que ele sugeriu, eram ótimos, todo mundo gostou, amou na verdade. Até a Gabi e o LC levaram um, e olha que eles nem bebem. Eu gostei também mas jamais iria trair minha companheira Savanna Dry. A taça que você usa também é um brinde, só é muito delicada, cuidado ao carregar e colocar na mala. Dei a minha pro FH, e ela só durou um dia sendo carregada. Quebrou no primeiro obstáculo esbarrado, um banco no aeroporto.

Terminamos o tour já eram umas 15h e fomos procurar um lugar pra almoçar, lá na vinícola mesmo. Escolhemos um restaurante perto da entrada, apesar de ser vinícola já pedi logo uma Savanna Dry e eles tinham, que maravilha!!! A gente tava muito bebado, eu pelo menos já estava sentindo tudo rodar. Também, todo mundo estômago vazio. Daí almoçamos, estava tudo ótimo e todo mundo muito feliz. Você se pergunta, como uma pessoa fica bêbada com uma taça de vinho? Eu te respondo: tenha caganeira por dois dias e você descobrirá. Na volta meu inglês estava completamente fluente e eu fui conversando o caminho inteiro com o motorista do uber, gente boa o cara. Imigrante do Malawi, explicou um monte de coisa sobre a África e sobre o trânsito pra gente, inclusive de uma multa que o LC tomou no meio do caminho, porque todo mundo viu um flash, mas ninguém quer acreditar que era uma multa. Só saberemos no futuro, muito depois desse relato estar publicado…

Voltamos pro hostel porque tínhamos que pegar as roupas que foram para a lavanderia. Os caras entregaram pontualmente no horário marcado, às 18h, foi um pouco caro, R$ 70 reais pra cada, mas é por quilo e tinha roupa molhada no meio do bolo lá, então deve ter ficado bem pesado, também por ser um serviço de delivery imagino que seja mais caro. Mas fiquei muito satisfeita com o serviço, só de não terem manchado as roupas brancas já é uma grande qualidade. E estávamos tão desesperados por roupa limpa que acho que pagava qualquer preço rsrs. A lavanderia é essa: https://www.capelaundryonline.com. Você pode chamar eles pelo whatsapp e resolve tudo online, o pagamento é feito na entrega. Depois que a gente pegou a roupa, decidimos ir pra Camps Bay conhecer o lugar, já estava escuro na verdade, fomos andar pela orla, mas pra nossa surpresa: acabou a luz!!! Ficamos lá no meio da rua no escuro e pra piorar tinha muitos e muitos pedintes e eles foram se aglomerando perto da gente. Então resolvemos entrar em algum restaurante que tivesse luz pra esperar um pouco. Entramos no primeiro que a gente viu e eles informaram que só estavam servindo pizzas e saladas justamente pela falta de energia. Aí pedimos uma pizza só pela consumação mesmo e eu pedi também uma Savanna Dry é claro, por conta do FH.

Ficamos por ali um pouco, mas a luz não voltava nunca, então resolvemos pedir um uber e encerrar o dia. Por uma incrível coincidência foi o mesmo uber que buscou  a gente na vinícola e deixou no hostel. Fomos conversando novamente, só que dessa vez meu inglês já estava mais travado. Chegamos no hostel, ficamos por ali um pouco, jogamos um pebolim ou totó como é conhecido em alguns lugares e subimos pro quarto, encerrando mais um dia. Ah, o uber inclusive explicou que estava faltando luz na área de camps bay, mas no centro tinha, por isso que tinha energia no nosso hostel. Deve ter algum tipo de revezamento.

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Décimo-terceiro dia (20/03/19) - Sem Robben Island

 

Eita viagem boa, relato tá gigante mas já tá acabando gente. Vou fazer um apanhado dos últimos dias pra vocês não desistirem antes do final.

Mas do dia hoje ainda tem relato inteiro.

Queríamos ir na Robben Island, pela internet a gente tinha visto que os ingressos já estavam esgotados, mas falava que os ingressos vendidos online estavam esgotados, então achamos que eles poderiam reservar alguma parte para vender na bilheteria pessoalmente. Aí fomos para o Waterfront, caminhando mesmo, esse hostel é muito bem localizado, e o waterfront fica só a 20 minutos de caminhada. Chegamos lá a situação era pior do que online, não tinha nem resquício de ingresso para os próximos 3 dias. É... depois de ter perdido o Museu do Apartheid, não ir a Robben Island nem doeu tanto. Senti um pouco de remorso, pois nos preparamos muito para essa viagem, não só para curtir, mas pra tentar sentir um pouco da história também. Pudemos ver isso em alguns momentos e aprender com algumas pessoas, mas ficou faltando esses museus. Por outro lado, pudemos ir em outros lugares que a gente queria também e não ia dar tempo. Fomos no Bairro das casinhas coloridas tirar umas fotos legais, dá pra ir andando do waterfront, uns 30 minutos. O nome do bairro é Bo-Kaap, é um bairro muçulmano super turístico. Os moradores combinam as cores que vão pintar suas casas para não repetir e sempre usar cores vibrantes, fica bem legal.

Depois, não desistimos da Camps Bay e fomos pra lá, agora de dia, com muito sol e poucas nuvens, foi perfeito. Que lugar é esse, mais um pra lista de cartão postal da África do Sul, lindo demais, desde a cor da água quanto o fundo com as montanhas, lindo demais demais. Pode colocar no seu roteiro, é certeza que você não vai se arrepender. É uma praia com muitas atrações e restaurantes a beira mar, escolhemos um pelo menu e partiu Savanna Dry. Ainda não tinha dado as 10 que eu tinha ganhado, estava tomando de uma em uma pra durar muito. Depois do almoço, mais uma vez delicioso e barato ficamos por lá um bom tempo, sentados nas pedras ou tirando muitas fotos. O engraçado é que como estamos em quatro, é um grupo relativamente grande, sempre que a gente se juntava pra tirar foto em algum lugar as pessoas logo iam pra esse lugar também, acho que elas pensavam que era aglomeração e corriam achando que era um ponto maravilhoso pra tirar foto. Mas era só um lugar aleatório que a gente escolheu e que acabava sempre disputado porque enchia de turista. Aconteceu a mesma coisa na praia dos pinguins, na table mountain e outros lugares. Cheio de lugar pra tirar foto, o povo ia fazer fila pra tirar foto onde a gente tava. Se eu estivesse sozinha, fazendo minhas selfies, duvido que ia encher de gente querendo aquele lugar.

Como o dia estava acabando, era a hora perfeita pra um pôr-do-sol, e lembramos do Signal Hill que era outro lugar que a gente queria e não ia dar tempo se fossemos na Robben Island. Vimos pela internet que o carro conseguia ir até o topo, então dava tempo de pegar o pôr-do-sol, pedimos um uber e fomos. Fizemos um time-lapse inacreditável por lá, fora as cores, a vibração do lugar, fica lotado de turistas e locais. Lindo mesmo. Na volta, já escuro, tem muito trânsito pra descer o morro porque todo mundo vai embora ao mesmo tempo, a gente resolveu ir descendo a pé enquanto o trânsito ia diminuindo e pedia o uber da onde a gente tivesse. Mais uma pausa para uma foto noturna da cidade com lua cheia, eu não me canso, é muita beleza pra um lugar só, chega a ser covardia. Quando o trânsito liberou, pedimos o uber e ainda fomos para o “melhor café do mundo”. Vimos em algum lugar da internet que lá tinha esse lugar que ganhou o prêmio de melhor café do mundo. É igual aquela história da melhor torta de maçã do mundo, é só falar que é o melhor de alguma coisa que a gente vai. Então fomos, mas com certeza vale a visita. Não sei se é o melhor do mundo, mas é um lugar super diferente, com umas sobremesas muito chiques e uns tipos de café que eu nunca tinha ouvido falar. Aí sim, depois desse melhor café do mundo, fomos para o hostel arrumar nossas malas. O LC ia partir pro Brasil e a gente pro Zimbábue.

Então daqui pra frente vou fazer um apanhado dos últimos três dias pra vocês não desistirem do relato. Ainda tem o orçamento detalhado, não se preocupem, já está pronto e vai pro final também.

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Últimos dias (apanhado geral) de 21 a 24/03/19.

 

Então, pra finalizar, a gente tinha resolvido lá no início da viagem incluir o Zimbábue, principalmente pra ver Victoria Falls, a “maior” catarata do mundo, a maior do mundo em termos de largura, as outras são maiores em outras coisas. Mas como a gente pode observar durante esse relato, ter o título de mais, melhor ou maior de alguma coisa é muito importante pra ser uma atração turística. Compramos a passagem pela British Airways com escala em Joanesburgo, então a gente ia sair pela segunda vez da África do Sul, pra depois entrar e sair de novo, foram só 6 carimbos da África do Sul nessa viagem kkkkk, eu já estava com medo da imigração me bloquear querendo saber que diabo eu entro e saio do país do toda hora. Mas, na verdade foi bem tranquilo.

Malas prontas, acordamos de 3 da madrugada pra ir pro aeroporto, o LC conseguiu ir no mesmo voo que a gente até Joanesburgo e nos despedimos lá. Ele partiu para São Paulo e depois Brasília e a gente foi pra cidade de Victoria Falls no Zimbábue.

Para ver as cataratas você tem duas opções, porque ela fica na fronteira do Zimbábue com a Zâmbia. Têm parques dos dois lados, pelo lado do Zimbábue a entrada são $30 (isso mesmo, 30 dólares americanos) e pelo lado da Zâmbia a entrada custa $20. Escolhemos o Zimbábue baseado nos relatos da internet, ao que parece tem a melhor vista da cachoeira. Além de que a cidade já é do lado da cachoeira, enquanto na Zâmbia você tem que ficar em Livingstone, a cidade mais próxima, que fica a 10km do parque. Nada que atrapalhe também, eu imagino. Mas, escolhemos o Zimbábue. Cachoeira é apelido carinhoso né, porque são umas quedas gigantescas.

São 2h de vôo e adivinha? Chupa Latam! Tinha almoço também. Chegamos no Zimbábue, o aeroporto é minúsculo, mas até que já estávamos acostumados depois do aeroporto de Windhoek, que é menor que uma rodoviária. O problema é a fila pra comprar o tal do visto. É gigante, ficamos mais de 1h na fila pra pagar $50 (isso mesmo, 50 doletas do Trump) pelo visto que dá direito a entrar na Zâmbia e no Zimbábue, a gente não tinha certeza se ia dar tempo de entrar na Zâmbia, mas compramos por via das dúvidas, já que a diferença pro visto normal era de apenas $5.

O problema do Zimbábue, aliás, tem muitos né, mas o problema para os turistas no Zimbábue é que o país faliu, a economia quebrou total e a moeda deles chegou a valer não sei quantos bilhões pra $1, tem até essas notas em museus pra vender. Aí, o que eles resolveram fazer? Eu não entendo de economia, mas eles acharam uma solução ótima, que foi usar dólares americanos. Cê tá de sacanagem né? Dólares americanos, uma das moedas mais caras pra se comprar. Turista sempre se fode na vida. Aí tudo lá custava o olho, o nariz e a boca da cara. Tipo o transfer do aeroporto pro hotel custou $90: chama o xamu!!! Mesmo dividido por 3, são $30 pra andar 18km. Pelo menos foi ida e volta esse valor. Então, já dei esse choque inicial, tá avisado, lá é caro.

No começo nossa intenção ao ir lá era apenas conhecer as cataratas, mas durante as pesquisas vimos que tem milhões de opções de passeios, dos mais radicais aos mais tranquilos. De cara a gente tinha gostado do tal do rafting, mas a ignorância é uma benção né. Já tava certo que a gente ia fazer quando eu fui começar a pesquisar e ver vídeos. Lembra que eu falei que era cagona, acabei virando uma literalmente, abafa. Mas enfim, eu sou medrosa, cautelosa, e tenho muito amor a vida, e estava em plena posse das minhas faculdades mentais na época que estava pesquisando. Aí eu vi que esse rafting passa por corredeiras níveis 4 e 5, aprendi até sobre corredeiras e o esporte de tanto que eu pesquisei. E o nível máximo de corredeiras é 5. Corredeiras 1 é tipo o rio normal com alguma quedinha que não vai fazer você nem sair do lugar, corredeiras 2 e 3 já exigem um certo conhecimento e habilidade, e as corredeiras 4 e 5 exigem nível avançado de habilidade porque com certeza você vai cair, tem risco de bater em pedra, tem que saber nadar, pode ficar preso em redemoinhos etc. Mas é claro que eu estou passando aqui o pior cenário possível. Centenas de pessoas fazem esse passeio todos os dias e dá tudo certo, não achei nenhum relato que deu ruim. Só alguém que bateu o joelho numa pedra e ficou doendo, e da subida depois do passeio de quase 1h pra poder sair do Canyon, tipo escalada mesmo. Mas deu pra ter uma noção de como esses caras são tipo Brasil mesmo, tudo nas tora, te colocam num risco alto de vida sem você nem saber, corredeiras 4 e 5? Mas até aí beleza, eu ainda tinha um pouco de coragem porque não vi realmente nenhum relato de ninguém se machucando seriamente. Mas quando eu fui procurar um seguro saúde específico para práticas de esportes radicais, sabe qual é a boa? NENHUM, mas nenhum seguro, nem o mais caro e o mais top de todos cobre corredeiras 4 e 5, ou seja, parece que você tá praticamente pedindo pra morrer. Aliás, fica bem claro lá nas especificações: COBRE CORREDEIRAS 1, 2 e 3. Aí tava tudo conspirando muito ao contrário né, não deu outra e eu arreguei. Até falei que se eles quisessem fazer, por mim era de boa, podiam fazer. Mas a Gabi arregou também, o FH dizia que queria fazer mas aceitou a vontade da maioria. Escolhemos um outro passeio, que foi a canoagem na parte de cima do rio Zambezi, que é o rio que corta os dois países e onde tem as cataratas. O passeio custou a merreca de $150 Trumps.

Mas estou passando o carro na frente dos bois. Chegamos, compramos nosso visto, e o transfer já estava esperando, aliás ele já estava quase desistindo, porque fomos literalmente os últimos dos últimos a sair. Chegamos no nosso hotel, que era tipo uma guest house também, mas dessa vez como tínhamos reservado um quarto externo e uma família tinha reservado a casa não pudemos usar a cozinha. Os donos do “hotel” eram nossos guias e nossos motoristas. A gente ficou um pouco longe do centro, eu recomendo ficar mais perto, tem muitos hoteis por lá, e o mais bem localizado parece ser o N1. Tivemos que pagar $10 cada vez quer queríamos ir ao centro. Assim que chegamos, deixamos nossas coisas no quarto e pedimos pra ir num mercado, compramos alguns suprimentos e coisas pro café da manhã, mas compramos muito pouco mesmo com medo dos preços em dólar. Daí fomos andar pelo centro e depois jantar por ali, só combinamos com o motorista pra buscar a gente às 21h.

Na hora que a gente ficou sozinho e começamos a andar pelo centro é que deu pra observar a pobreza das pessoas locais e a dificuldade que eles tem de sobreviver. Apesar de, provavelmente ser o lugar mais turístico do país, é muito sofrido e você começa a andar e logo algum grupo te cerca implorando pra você ver os artesanatos deles, falando que é pra comer, que não tinha vendido nada naquele dia e tals, pelo estado deles dá até pra acreditar. Mas fica impossível olhar alguma coisa dessa forma, é muito invasivo e muita pressão. Compramos alguma coisa mais por pressão do que por vontade e fomos pro restaurante. Jantamos por ali e tinha um senhorzinho com o violão, o bom é que ele não sabia cantar nada, não conseguia terminar um acorde, mas me comovi pelo esforço dele e demos algum dinheiro, bem pouco, mas o pratinho dele estava vazio, então melhor que nada né.

Aí fomos pro hotel e encerramos o primeiro dia. No outro dia cedo era o dia do passeio.

Então... esse passeio, pela descrição que lemos na internet, parecia que a gente conseguia ver alguns animais, era tipo um safári mesmo. Dava pra ver elefante, hipopótamo, zebra e com muita mas muita sorte leão. O passeio é esse: https://www.victoriafalls-guide.net/victoria-falls-canoeing.html.

Tem várias empresas que fazem, mas esse site reúne todos os passeios que tem em Victoria Falls e você pode escolher e mandar email ou pedir pro seu hotel ou quando chegar lá e reservar. Nesse link tem todas as atividades: https://www.victoriafalls-guide.net/victoria-falls-activities.html.

A empresa nos buscou e começamos o caminho até a parte do rio de onde iríamos sair. Era um carro aberto, e eu acho que não comentei ainda, mas o Zimbábue é mais quente que o inferno, é muito mais quente que o deserto. Você tá nesse carro aberto e simplesmente ao invés de vento vem uma baforada de ar quente. A sensação térmica é bem mais desconfortável que no deserto, deve ser por causa da umidade, não sei, é pior.

Vimos alguns elefantes, zebras, impalas e javalis pelo caminho. Chegando no local, os caras fazem um café da manhã pra gente, simples, ovo, pão, bolacha e café solúvel. Meti um ovão, já estava até corajosa, mas antes olhei se ele estava bem assado.

Depois do café o guia principal dá umas explicações, praticamente as mesmas do caiaque. Só tem algumas questões de segurança por causa dos hipopótamos. Parece que eles são animais extremamente territorialistas e a gente não pode beirar perto deles. Às vezes, eles podem estar embaixo da gente e a gente não vai ver, aí eles podem bater no barco de dentro da água, se o barco virar salve-se quem puder. Mas ele disse que é muito raro isso acontecer, em não sei quantos anos que ele fazia isso nunca tinha acontecido com ele, só ouvido histórias. Aí começamos o passeio, a gente rema por uns 10km pelo rio, e vê muitos hipopótamos, o problema é que o guia tem tanto medo desse bicho que toda vez que a gente via um, ele fazia questão de desviar. A gente via só a cabecinha deles de longe, a máquina nem conseguia pegar direito. Tanto medo desse bicho, ele deve ser pior que o leão pelo visto. Infelizmente não vimos nenhum elefante pelo rio, mas vimos no caminho, uns gigantes, tanto na ida quanto na volta. O passeio foi bem tranquilo, sem nenhuma emoção, e apesar de ter sido legal, me decepcionei por não conseguir ver nenhum hipopótamo de pertinho, a gente viu vários, mas tudo de longe, acho que uns 20 metros no mínimo.

No fim do passeio eles também dão almoço, também pudera por $150 se pudesse dar a janta também era bom. A gente almoça embaixo de uma árvore e depois eles guardam os barcos e a gente começa o caminho de volta. Na volta, vimos muitos elefantes, muitos mesmo, alguns com filhotinhos, outros sozinhos. Eram muitos, eles ficavam aglomerados embaixo de algumas árvores disputando a sombra. Esses deu pra ver bem de perto.

Chegamos no hotel e já pedimos o motora pra levar a gente pro parque das cataratas. Finalmente né. Quem buscou a gente dessa vez, foi um funcionário deles, um menino praticamente, o nome dele é LOVEMORE. (Mães, parem de dar motivos para as pessoas zoarem seus filhos). Ele era muito simpático e fazia questão de falar: Lovemore, Lovemore, eu sei que vocês não vão esquecer meu nome. Não esqueci mesmo. Aí ele deixou a gente lá e combinamos de nos buscar também. Quando ele deixou a gente, a gente viu que o parque era muito perto do centro, não demorou nada pra chegar lá, aí a gente perguntou pra ele se dava pra voltar andando, na hora ele negou. Disse que era melhor não, porque não tem poste de luz no caminho, e tem muito bicho na estrada, inclusive elefante, e você não quer cruzar com um elefante na estrada. Então ele colocou tanto medo na gente que preferimos esperar pelo carro mesmo.

O parque das cataratas é muito legal, tem um caminho que você vai seguindo, tem 16 paradas. Todos são mirantes e dão diferentes ângulos das cataratas. Se prepare, você vai se molhar e muito. Não adianta pensar, ah eu vou e fico longe, ou então, com certeza ela tá exagerando. Não estou, a fumaça de água é enorme e você vai se molhar sim. Leve uma capa de chuva se não quiser molhar a roupa e proteção pra câmera, pro celular, pros seus documentos, o que estiver com você na hora.

Legal também que tinha uns javalis no meio do caminho, e a gente viu alguns suricatos também no meio da cidade mexendo no lixo. Timão e Pumba gente!

Então, apesar dos $30, vale muito a visita. O parque é pequeno, mas como são muitos pontos de fotos, reserve umas duas ou três horas só pra ele. A gente ainda cogitou ir no lado da Zâmbia, mas já eram umas 5h30 da tarde, não ia compensar. Fomos esperar o Lovemore buscar a gente pra jantar. Na verdade não foi ele, mas dessa vez a dona do hotel que buscou a gente e deixou no restaurante. Combinamos dela ir nos buscar às 20h pra gente ir pro hotel. No dia seguinte íamos voltar pra Joanesburgo e no outro dia: CASA!

Fomos pro restaurante, dessa vez era outro: 3 Monkeys. Pedimos uns sanduíches, eu pedi de carne bovina mesmo, a Gabi escolheu um combo lá que vem 3 mini sanduíches de carne de impala, carne de crocodilo e carne bovina. Era muita comida e ninguém conseguiu comer tudo. Novamente o senhorzinho que não sabia cantar estava na porta, mas da outra vez foi outro restaurante. Nesse, não deixaram ele entrar e ele ficava ali na beira da escada tocando aqueles acordes incompletos, com uma cara tão sofrida, parecia cansado. Lá mesa eu fique pensando muito nele, imaginando se ele já não tinha trabalhado o dia inteiro com outra coisa e ainda tentava complementar a renda a noite, fazendo qualquer coisa que desse. E resolvi ajudar mais dessa vez, como a gente já ia embora mesmo, dei 50 dólares, a Gabi e o FH também ajudaram. Acho que ele nem viu o quanto era, coitado. Enfim, terminamos nosso jantar e fomos pro hotel.

Arrumamos as malas e no outro dia começava a jornada de volta.

Dessa vez quem veio pra levar a gente pro aeroporto foi o Lovemore, mas ele estava super triste e tava falando que a tia dele tava no hospital e precisava de um remédio, por isso que ele não tinha ido buscar a gente no dia anterior. E ele devia muito pra essa tia que tinha pagado os estudos pra ele, que ele só conseguiu esse emprego porque tinha algum estudo, que na família dele toda, de 5 pessoas, só ele trabalhava, enfim, mais uma história triste. Lá no aeroporto a gente também deu o dinheiro do remédio para a tia dele, ele ficou super agradecido. Mas essa tristeza e esse sofrimento desse povo é difícil demais de conviver, a gente sabe que existe, mas sentir na pele é outra coisa. Isso porque nem chegamos perto dos vizinhos ali que são bem mais pobres: Malawi, Moçambique entre tantos outros da África. Ah, mas se vc quer ver pobre, tem um monte no Brasil! Primeiro: eu não quero ver pobre. Segundo: é uma pobreza muito diferente, de pessoas morrendo aos poucos, a míngua, de fome, de doenças, sem auxílio nenhum do governo que deixa eles pra morrer mesmo. No Brasil a gente vê situações parecidas, mas não acho que chegue a esse extremo não. Uma bolsa família que seja impede que a pessoa morra de fome, não tô questionando política de governo, não quero saber se tá certo ou se tá errado. Mas de fome, fome mesmo, de desnutrição, no Brasil, a pessoa não morre. As pessoas vão ficando tristes, sofridas, desesperadas. O desespero é o pior de ver. Mas enfim, isso é só mais um ponto positivo da viagem, de colocar a gente no nosso lugar e nos fazer pensar sobre o quanto somos privilegiados de poder viajar, de pagar em dólar, de achar caro tal coisa, de poder aproveitar a vida de uma maneira mais plena e completa.

Outra coisa que eu esqueci de falar é que o tal do Ciclone devastador estava no Zimbábue bem na época que a gente foi. A gente tentava pesquisar pra saber onde o danado estava, a gente sabia que ele já tinha passado pelo litoral, saído e entrado novamente e devastado Moçambique, Malawi e uma pequena parte do Zimbábue. Mas quem disse que a gente conseguia descobrir onde que ele tava ou se ele já tinha se dissipado. Bateu um cagaço né, mas se a cia aérea não cancelou o voo, a gente acreditou que tava tudo bem, até porque Victoria Falls ficava a 400km da cidade que o Ciclone tinha atingido, então fomos, com um pouquinho de medo, mas acabou sendo tranquilo, nenhum vestígio de ciclone por lá.

Chegamos em Joanesburgo, ficamos num hotel próximo do aeroporto porque a gente voltou lá só pra poder ir embora mesmo no outro dia, não tinha nada programado. Jantamos no hotel e tomei as últimas Savannas Dry que tinha direito e o FH então quitou sua dívida.

No outro dia, uma looooooonga jornada até em casa. A Latam tá muito murrinha de comida, serviram uma janta lá bem pequena, e umas 5h depois eu já estava morrendo de fome, vi umas pessoas indo pro fundo e voltando com uns sanduíches na mão, demorei ter coragem, mas tava com muita fome, fui lá pra ver de qual era e tinha uns lá, era só pegar. Ufa, deu pra segurar. Chegamos em São Paulo e aguardamos nosso vôo pra Brasília, tudo certo. Chegamos em casa por volta da meia-noite. Na cabeça só passava imagens da viagem e de tanta coisa linda e experiências novas que a gente viveu. Tem umas fotos do Zimbábue aqui no final, um vídeo com o resumão da viagem (link do youtube) e orçamento eu vou colocar no próximo post.

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Conclusão

A África é um destino perfeito para qualquer viajante. Ela é democrática: tem aventura, tem romance, tem conforto, tem perrengue. Tem vida noturna, tem vida diurna, tem gente simpática, tem história, tem aventuras, tem calor, tem frio, tem pôr-do-sol, tem montanha, tem mar, tem culinária, tem TUDO. Você só precisa escolher o que quer fazer. É um destino que reacende a sua vontade de viajar cada vez mais e descobrir mais lugares, pessoas e comidas assim no mundo. E se você está viajando pela primeira vez, vai te deixar viciado. Não acredite em nada que te falem sobre a áfrica. Vai lá e conheça você [email protected]

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VÍDEO DA VIAGEM (mesmo vídeo, no youtube, caso não dê certo por aqui)

 

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