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Fábiodjs

Barra Grande

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Ai! sou novato tanto aqui como em camping

 

Gostaria de saber mais opções em campings da Barra Grande

além disso será que alguém ai vai fazer o mesmo?

 

Obrigado, abraços e prazer em conhecer :D

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Fábio,

 

eu só vi um camping em Barra Grande, mas acho que levando a barraca não vai ter problema em arrumar onde armá-la, se não tiver vaga no camping vai conseguir o quintal de algum morador.

 

abs,

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Olá Fábio,

 

Na Vila de Barra Grande, onde está toda infra-estrutura de bares, baladas, restaurantes, pousadas e de onde chegam e saem os barcos e passeios não existem Campings. O único que existe na região fica em Taipus de Fora (Camping Recanto da Sereia 73 - 8119 5975 / 73 - 9966 7967 / 73 - 9996 2998), perto da praia mais famosa (na verdade não tão perto), mas longe de tudo. Se você busca sossego e paisagens , esse é o lugar, o camping fica de frente para o mar. Mas se você não vai de carro e quer baladas à noite ou ir a bares e restaurantes, esqueça...Taipus de Fora fica muito longe de Barra Grande para ir a pé e não há transporte regular durante a noite.

Quanto ao que o colega disse a respeito de levar a barraca e acampar em qualquer lugar, desculpe, mas vou discordar...as placas que você mais vê por lá são "Proibido Acampar!", quase todos os terrenos lá, principalmente os que ficam de frente para o mar, são particulares e cercados por grades de arame farpado...e eles são muito "chatos" (no bom sentido) no que diz respeito a preservação ambiental...se você acampar em local proibido e alguém te encontrar, vai ter que ficar pulando de lá para cá com a sua barraca...na vila praticamente não existem casas de moradores locais, são só pousadas, bares e restaurantes...se quiser arriscar a casa de algum morador para acampar, também vai ter que andar um pouquinho...

Bom, espero ter ajudado e não ter te desanimado...

 

Abraço

 

Juliano Paes

  • Gostei! 1

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Fábio,

 

estive em Barra Grande agora em setembro/2006, fiquei 7 dias naquela região e nessa minha temporada tinha um camping em BARRA GRANDE, ficava bem próximo da BR (perto do posto de gasolina), as jardineiras (ou 4x4) que levam a Taipus de Fora passam na frente do camping, esse é um camping muito bem estruturado, tem luz elétrica pras barracas etc... Olha, quanto a "não ter moradores" só se for em Taipus de Fora, pois em Barra Grande tem muito morador, muita residência e sério mesmo, não vai ser difícil encontrar alguém que deixe acampar em seu quintal (por uma diária, é claro).

 

Ligue para a Tânia (73) 3258.6068, ela tem um restaurante por lá (Cantinho di Tânia) e uma casa que aluga de temporada, diga que foi o Michel de Pinheiros São Paulo que indicou, se ela não conseguir o telefone do camping, com certeza arruma algum lugar pra ficar, até mesmo no quintal do restaurante dela.

 

Não deixe de ligar pra ela, é gente boa, já morou aqui em São Paulo, vai te ajudar com certeza.

 

boa viagem !

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Olá Fábio e Michel,

 

Desculpe, não quero criar nenhuma confusão ou polêmica, mas quero esclarecer algumas coisas:

 

Estive em BARRA GRANDE agora no final de Janeiro de

2007,mas já estive outras quatro vezes nos últimos 4 anos e acho que conheço mais ou menos o lugar.

O camping em questão é o mesmo que te falei, e "oficialmente" não fica em Barra Grande, fica em Taipus de Fora mesmo(apesar de ficar realmente mais perto da Vila de Barra Grande que de Taipus), pode ligar para os números que te dei para confirmar. Esse camping realmente tem boa infra-estrutura, mas como disse anteriormente, fica longe para ir e voltar a pé durante a noite para uma balada na Vila(a não ser que você goste bastante de caminhar e não se importe com a escuridão)...durante o dia você consegue as jardineiras sem problemas...como escrevi, depende do seu interesse por lá...

Quanto ao "Cantinho di Tânia", eu conheço bem, sempre que fico hospedado em Barra Grande fico na Pousada da Barra, que é literalmente "colada" ao restaurante...que aliás era meu local preferido para almoçar deliciosos PFs. A Tânia é realmente muito gente boa e prestativa, mas não vi nenhuma barraca em seu quintal...e era temporada...mas você pode arriscar, posso estar enganado..só não quero passar como certa uma informação que não depende só de mim...

Quando usamos aspas em um texto, citando alguma frase escrita por outros devemos reproduzir exatamente o que foi dito...e em nenhum momento eu escrevi "não ter moradores" e sim "praticamente não existem casas de moradores locais...", o que você vai poder observar quando for para lá, sendo impossível provar isso com palavras.

Desculpe se estou sendo chato mas, para mim, quando dou dicas de viagem prefiro informar apenas o certo e o que conheço...não gosto de colocar o duvidoso como opção certa, prefiro deixá-lo como alternativa...o bom mochileiro sabe o quanto pesa em uma viagem (e no bolso) contar com o ovo e de repente chegar e encontrar só omelete...se você planejar gastar X, mas acabar gastando metade de X é bem melhor que o contrário...

Dê uma olhada no site http://www.soldabahia.com.br/ é um site com várias informações úteis sobre Barra Grande.

Mais uma vez, desculpe se estou sendo "do contra", mas acho que esse site foi criado para que os que já quebraram a cara várias vezes passem adiante infromações para que outros não caiam nas mesmas armadilhas e façam uma viagem muito mais tranquila...

Sem mais...

 

Juliano Paes

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O Cajueiro Bar, Restaurante e Camping, na Praia Taipú de Fora

Serve refeições: R$ 8,00 por pessoa

Área de Camping: R$ 8,00 por pessoa

 

Bem localizado, fica na Praia Taipú de Fora, Barra Grande, próximo da Pousada Aytyaram!

Tem uma bela área de camping pertinho das piscinas naturais da praia de Taipú de Fora. Possui energia elétrica, e muita energia positiva, água, banheiro masculino e feminino; tem uma bonita paisagem, pé de cajú, coqueiros e muita sombra. Serve deliciosas refeições...

Tem uma casa verde com um quintal lindo e um pé de caju na rua que vai para a Praia... É lá...

É fácil de encontrar...

O cajueiro é d+

Informações: [email protected]

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Olá!

 

Gostaria de saber informações de como faço pra chegar em Barra Grande. já me falaram de ferry e ônibus, mas queria saber o percurso direito e até uma média de preços de cada local.

 

Valeuz!

 

Juli :)

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July, qdo estive em Barra Grande (Penísula do Marau) deixamos o carro em Camamu e pegamos um barco para ir até lá. Próximo ao porto de Camamu tem diversos estacionamentos que cobram por dia, se for ficar um tempo maior dá pra negociar a diária, em set/06 ficou barato, cerca de R$ 20,00 uns 5 dias. O barco também saiu barato, uns R$ 5,00 por pessoa.

 

Lá em Barra Grande nós não encontramos hospedagem tão barata quanto no restante de nossa viagem, girava em torno de R$ 70,00 a R$120,00 pro casal com café-da-manhã. Depois de rodar um tempo encontramos um lugar mais barato R$ 50,00/casal, no bar do Tó (Point do Verão), não gostamos muito mas era o mais barato que encontramos. Depois de conhecer melhor conseguir alugar um quarto com a Tânia (Cantinho di Tânia) pelo mesmo preço, um lugar já bem melhor.

 

A comida fica em torno de uns R$40,00 por refeição em pratos a base de peixe, na Tânia é um pouco mais barato, por volta de R$ 30,00.

 

O 4x4 pra ir até Taipus de Fora é por volta de R$ 5,00/pessoa... dá também pra ir andando, 1,5h de caminhada tranquila pela praia... Em Taipus a bebida e comida é mais caro, mas a praia é muito melhor.

 

Bom, essas informações não estão muito atuais, mas acho que dá pra ter uma idéia. Qq. coisa estamos por aqui.

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    • Por gmussiluz
      Bom, já estava há um tempo querendo fazer uma trip desse tipo. Meu primeiro plano era fazer no litoral norte de Salvador, que foi reforçado mais ainda quando vi aqui no Mochileiros o relato do Jorge Soto, de Arembepe a Mangue Seco a pé (http://www.mochileiros.com/de-arembepe-a-mangue-seco-se-a-pe-t11941.html).
      O objetivo primário era de fazer uma trip de praia, em local que ainda não conhecia (ou não conhecia direito), a pé e com baixo custo. Mas pra quem nunca fez uma travessia longa de vários dias, é se aventurar demais querer fazer com equipamento, sem conhecimento do local e "às pressas", sendo melhor então fazer um trecho mais curto para conhecimento dos limites, analisar pontos a melhorar em questão de equipamento, organização e etc. Então, analisando o longo litoral da Bahia (maior do Brasil, diga-se de passagem), resolvi com minha então namorada fazer o trecho de Itacaré a Barra Grande, que é mais curto e daria pra fazer no tempo que tínhamos disponível. Pelo Google Maps/Earth, dá aproximadamente 46Km, mas lá ouvimos dizer de até 60Km.
       

      ORGANIZAÇÃO
      Moro em Salvador e estava de férias. Após 1 semana em Ilhéus na casa de parentes, partiríamos para Itacaré e seguiríamos viagem. Importante ressaltar que essa semana em Ilhéus foi determinante para redução do trecho percorrido, já que estávamos com roupas e itens para mais tempo na mochila, e não apenas o essencial para o percurso da trip. Entretanto, foi ponto importante para analisar que, em uma distância maior, onde teríamos mais coisas e consequentemente poderíamos estar com peso igual, deveríamos estar mais preparados, bem como se tivéssemos ido apenas para fazer a trip, estaríamos com menos peso e provavelmente teríamos completado o objetivo sem problema. Ambos estávamos com cargueiras de 40L: eu com aproximadamente 12Kg e ela com aproximadamente 8Kg. O tempo pretendido era de 2 dias de viagem, pernoitando na praia. Importante que, para caminhada em praia, tem que ter conhecimento da maré, do contrário, por falta de planejamento pode pegar uma maré cheia para caminhar e terá que ir pela areia fofa, obrigando a parar ou dobrar o esforço de caminhada e, assim, dificultando o percurso.
       
      1º DIA
      Saindo de Ilhéus, pegamos um ônibus para Itacaré logo de manhã cedo, ele passa de hora em hora e para em pontos ao longo da estrada, demorando aproximadamente 1h50 pra chegar em Itacaré. (Se conseguir uma carona, ótimo, já que de carro até lá leva cerca de 50min.)
      Ao chegar em Itacaré, já havia falado previamente com um amigo que mora lá para contatar um barqueiro para a travessia do Rio de Contas, que é o que separa Itacaré da Península de Maraú, onde fica situada Barra Grande. Encontrei meu amigo rapidamente só para confirmar o barqueiro, depois fizemos compras de água e alimentos num mercadinho e seguimos para a Praia da Concha, onde o barqueiro, com um daqueles barcos de alumínio a motor, já estava nos esperando (haviam outros barqueiros na praia, que ficam lá para fazer passeios turísticos rio acima e que com certeza fariam a travessia também, mas como eu ainda não sabia, preferi esse contato com o meu amigo). A travessia é bem rápida, são aproximadamente 100m e em menos de 5min se chega ao outro lado. Descemos, fizemos um rápido preparo, e demos início à caminhada às 10h40. (ao descer do barco, o barqueiro perguntou para onde iríamos daquele jeito. Quando falamos “Barra Grande”, ele arregalou os olhos e deu um sorriso, como quem diz “pirou” hahaha. Dessas coisas que quem viaja com mochila nas costas já está acostumado).
      Nesse ponto, ainda se vê pessoas por ali. Vez ou outra, algumas pessoas atravessam para surfar do outro lado do rio (Itacaré é um dos locais mais conhecidos do Brasil para a prática de surf) ou para ficar numa praia menos frequentada, já que do outro lado não tem povoamento nem acesso fácil e em 10min. de caminhada já não se vê ninguém.
       


      Com 1h20 de caminhada, paramos em frente a Piracanga, onde fizemos uma parada de 20min. para hidratar e comemos barra de cereal. Piracanga é uma “ecovila e centro holístico de cursos e terapias” que oferece cursos e retiros, basicamente um lugar pra “ficar de boa” e foi onde vimos apenas um casal na areia, que nos cumprimentou quando reiniciamos a caminhada. Ainda na frente de Piracanga, tem um pequeno rio, que passamos sem problema com a água não chegando nem na cintura. Não conheço o rio, mas a maré estava bem seca e possivelmente na maré cheia e dependendo da estação, pode ser que tenha que segurar a mochila acima da cabeça para atravessar.
      Desse ponto em diante, não há muita novidade: areia, coqueiral e água salgada, sem NENHUMA pessoa durante o percurso, nem sinal (apesar de o visual ser sempre “mais do mesmo”, é algo que não consigo descrever, porque ficamos deslumbrados o tempo todo, a cada passo ficávamos olhando para o que vinha à frente sempre achando cada vez mais bonito e paradisíaco). Mais 1h50, atravessamos mais um pequeno rio que também não tinha profundidade para se preocupar em molhar as mochilas, mas deixo aqui a mesma observação de antes: é bom atentar para a maré e estação do ano que, se for chuvosa, pode resultar num nível maior do rio. Logo após esse rio, fizemos mais uma parada para beber água e comer algo. Nesse local também não víamos nenhum sinal de habitação, mas um pouco acima da restinga parecia ter um rastro de quadriciclo, transporte bem comum naquela área. Dessa vez ficamos um pouco mais(30min.), porque ela já estava sentindo bastante dor no joelho e cansaço.

      Recomeçamos e percebemos que a maré já estava mais cheia. Além disso, nesse trecho a areia era mais fofa e a inclinação da praia era maior, e além de andar com os pés meio tortos, acaba havendo uma sobrecarga no joelho (nesse caso, o direito) e a gente vai ficando meio “descompensado” =S. A partir daí, as reclamações do joelho e cansaço foram aumentando e já comecei a procurar um local para pararmos e armar acampamento, quando, com aproximadamente 40min. de caminhada, paramos.
      Dei uma olhada no perímetro, tinha uma casa relativamente simples a uns 200m sem sinal de gente nela, além de um tipo de estradinha de areia em direção ao continente a uns 50m de onde estávamos e, claro, coqueiros por toda parte. Achei dois coqueiros baixos e consegui tirar mais de 10 cocos, aproveitando para reabastecer as garrafas que estavam vazias (aproximadamente 3L de água de coco!). Após isso, montamos a barraca, organizamos as coisas e tomamos banho (de mar hahahaha). Depois, foi só jantar (2 latas de atum com acompanhamento de bananas, puro luxo) e praticamente desmaiamos perto das 18h, contemplando um céu absurdamente estrelado, sem sinal de nuvens nem no horizonte.

      Como o quarto da barraca é quase totalmente telada (Azteq Nepal) e o céu estava muito limpo sem sinal nenhum de nuvens vindo, deixei a barraca sem o sobre-teto -mesmo sabendo, tendo experiência de chuva surpresa e claro, já tendo lido muita coisa- o que nos fez acordar com um belo banho de chuva às 22h. A chuva veio sem aviso, forte e pesada! Acordamos naquela agonia para pegar lanterna, abrir o sobre-teto que estava totalmente dobrado dentro da barraca e conseguir achar os pontos certos para fixar – tarefa de nível ultra hard. Provavelmente está pensando: “Mas já não sabe do risco de uma chuva surpresa?”, “Sobre-teto sempre!”, e etc., mas o céu estava tentador demais e serviu de experiência hahahaha. Nunca mais armo sem sobre-teto. Resultado: algumas coisas molhadas, outras encharcadas, frio e aprendizado! Afinal, temos que aprender com os erros (ou negligências) também. Depois de “rearrumar” tudo e secar um pouco algumas coisas, voltamos a dormir.
       
      2º DIA
      Acordamos às 5h. Assistimos o Sol nascer, café da manhã, arrumação, passar pano na barraca, curtir a praia um pouco e enquanto isso dando um tempo pro Sol subir mais e poder secar mais as coisas. Nesse tempo, passou um pescador empurrando a bicicleta e perguntei a ele se sabia quantos km faltavam para Barra Grande, que ele me respondeu “não sei direito não, mas está longe!” (depois descobrimos que, nesse ponto, estávamos mais ou menos próximos de Maraú. Provavelmente ele veio de lá).

      Reiniciamos às 9h e caminhamos por 3h30 até ela sentir o joelho e pararmos. Onde estávamos, não havia condições de parar, não tinha nada, então sugeri andarmos mais um pouco até onde tivesse alguma coisa. Estávamos nos aproximando de Algodões, e quanto mais perto, mais víamos casas de praia enormes e já com a “cara da riqueza” e$tampada nas fachadas, além de começarmos a ver algumas pessoas: algumas vezes caseiros, outras vezes pessoas trabalhando, e também pessoas passeando de quadriciclo na areia. Perguntamos a alguns trabalhadores quantos km faltavam até Barra Grande e ele sem muita certeza nos disse “uns 30” e foi quando “nós” (ela hahaha) decidimos parar. Desistimos e fomos perguntar a umas pessoas num bar onde poderíamos pegar ônibus para Barra Grande, e fomos informados que passaria um em 20min., logo ali perto. Fomos caminhando num Sol escaldante e, quando perguntamos a um cara de bicicleta o local do ponto de ônibus, ele disse que era ali, que o ônibus já tinha passado, mas que “sempre passa carro e logo vocês arranjam carona”. Fomos para o ponto e esperamos. Após 3 carros cheios, em menos de 10min. passou um cara sozinho num L200 e parou pra nos dar carona até Barra Grande, marcando o fim da nossa trip.

       
      O QUE APRENDEMOS NESSA VIAGEM?
      -É muito ruim fazer uma trip dessa com mala de 1 semana anterior em algum lugar. Se for pra fazer a trip, que seja uma viagem exclusiva pra ela, pra não ter que carregar coisas desnecessárias.
      -Vimos que ainda existe muitos lugares vazios e paradisíacos só esperando pela oportunidade e visita de quem estiver disposto.
      -Sobre-teto sempre! Mesmo no céu estrelado (hahaha).
      -É muito importante se concentrar no seu corpo e em seus limites, se respeitar, respeitar seu próprio tempo e o do outro, caso vá acompanhado.
      -Os nossos limites podem ser bem menores ou maiores do que imaginamos.
      -Independente do cansaço é bom olhar tudo mais de uma vez, pra não esquecer.
       
      EQUIPAMENTOS USADOS:
      -Curtlo Highlander 35+5L
      -Quechua Forclaz 50L
      -Azteq Nepal 2
       
      ATUALIZAÇÃO:
      Em dezembro de 2018 fiz uma travessia de Itacaré a Moreré, trecho que contempla o citado neste relato, segue link:
      Travessia Itacaré - Moreré (BA), a pé
    • Por gmussiluz
      ORGANIZAÇÃO/PLANEJAMENTO
      Moro em Salvador e, de férias regulares, não poderia ter melhor oportunidade para realizar essa trip. Não lembro exatamente quando pensei nesse trecho, mas já estava planejando havia um bom tempo e queria fazer pelo menos o trecho de Itacaré a Barra Grande, que não finalizei da primeira vez (https://www.mochileiros.com/topic/58177-itacaré-algodões-a-pé/). Quando defini qual seria o trecho, revisava o planejamento com frequência pra ter certeza de que nenhum ponto estava passando em branco.
      Inicialmente, o planejamento era de sair de Itacaré e ir até Morro de São Paulo, passando o réveillon em Moreré, que acabou sendo o destino final por causa de imprevisto (no dia 1 em Moreré, senti uma dor muito forte no tendão que se estendeu por alguns dias e mal conseguia andar. Não seria prudente continuar a travessia nessa condição).
      Voltei do natal no Rio e chegando em Salvador só troquei de mochila e segui para o ferry boat para iniciar a viagem. Digo iniciar a viagem, porque ainda na travessia do ferry boat encontrei um amigo e comentei sobre estar ansioso para a travessia, quando ele me falou "nem precisa, já está acontecendo", e me dei conta de que realmente eu já estava a caminho, a viagem já tinha começado.
      Estava usando uma mochila cargueira de 40 L com aproximadamente 15 Kg. Como pretendia passar o réveillon em Moreré e sairia de Itacaré no dia 27, teria que andar pelo menos 19Km por dia até o dia 31, pernoitando na praia. 
      Como já disse em outros relatos, é importante lembrar que para caminhada em praia, tem que saber a tábua de marés para os dias planejados, do contrário, por falta de planejamento pode pegar uma maré cheia para caminhar, por exemplo, e terá que ir pela areia fofa, obrigando a parar ou dobrar o esforço de caminhada e, assim, dificultando o percurso.
       
      1º DIA
      Como o ônibus de Bom Despacho (ferry boat) para Itacaré demora, cheguei em Itacaré já umas 15h, e acabei saindo tarde de lá. Não tinha mais nada pra fazer e saí da rodoviária já em direção à orla pra fazer a travessia de barco. Chegando lá, tem alguns barqueiros que fazem a travessia do Rio de Contas para a praia do Pontal por 5 reais. Cheguei do outro lado e só precisei me arrumar e iniciar a caminhada, que foi aproximadamente às 15h30. A praia do Pontal é pouco frequentada, e só tinha um grupo de umas 6 pessoas. Daí pra frente, como já esperava, só vi pessoas em frente a Piracanga.

      (travessia do Rio de Contas, Itacaré)
      Chegando em Piracanga, o rio me surpreendeu pelo nível. Tive que tirar a mochila e atravessar antes pra conferir o nível e caminho onde poderia atravessar "tranquilo". Depois de conferir, atravessei com água 5 dedos acima do umbigo, carregando a mochila na cabeça e 3 pessoas me assistindo do outro lado. Como eu queria essa cena registrada! 🤣
      Segui caminhando e parei pra descansar já com tudo escuro e aproximadamente 13 Km caminhados, onde abri a canga, deitei e fiquei deslumbrado com aquele céu inteiro numa praia deserta, tudo só pra mim, contando inúmeros satélites e estrelas cadentes e acabei dando uma cochilada. Acordei recarregado e continuei caminhando, até fechar os 19 Km desse primeiro dia.
      No meio do caminho, dei de cara com um cachorro, que só vi quando estava a uns 3 m de mim, já latindo e vindo em minha direção, era um risco que eu não tinha previsto, mas me saí bem, só acendi a lanterna na cara dele, fui pra beira do mar e virei de costas pra água garantindo que não viria nenhum outro cão surpresa junto com ele, enquanto o afastava com um pedaço de pau (um "cajado") que tinha em mãos. Ele entendeu que eu não era uma ameaça, continuou latindo, mas ficou parado, e fui andando com a lanterna ainda acesa, vendo aqueles olhos caninos brilhantes se distanciando na escuridão
      Parei em um ponto mais pra frente, armei meu acampamento e deitei pra dormir. Fui acordado em algum momento no meio da noite por dois cachorros latindo, que acredito que era o de mais cedo com um outro. Só precisei espantar eles batendo em um pedaço de pau e continuar dormindo.

      Total percorrido: 19,5 Km
       
      2º DIA

      Acordei bem cedo com um nascer do Sol que não assistia havia muito tempo. Contemplei aquele momento por um instante, tirei algumas fotos e voltei a dormir, acordando de novo já perto das 8h. Comi, tomei um banho (de mar, obviamente), arrumei as coisas e segui caminhando. Com cerca de 2 Km, cheguei a Algodões, local onde a quantidade de habitações, pessoas e barracas já chama a atenção, e foi onde passando por um caminhante na praia, ouvi um comentário sobre uma das minhas tatuagens: três diafragmas de lentes fotográficas, o bastante para reunir e dar assunto entre eu, um fotógrafo das horas vagas e amante dessa arte e ele, um estudante de cinema, que me acompanhou por uns 4 Km enquanto conversávamos sobre a minha caminhada, sobre fotografia, cinema, filmes e temas afins. Foi meu primeiro contato e interação em 24 Km, e durante a conversa eu nem vi o tempo e caminho passarem.

      (meu xará, estudante de cinema, com quem troquei algumas ideias)

      Daí pra frente segui caminhando e comecei a ficar atento ao GPS, porque tinha marcado um waypoint na entrada com menor caminho para a lagoa do Cassange, onde já tinha planejado uma parada de descanso com banho doce e talvez almoço. A lagoa é bem bonita, bem rasa (andei mais de 50 m em direção ao meio e a água não chegou nem na cintura), com água quente e cheia de peixinhos que ficaram mordiscando enquanto eu estava de molho. Após o banho, dei uma olhada no cardápio da barraca que fica na beira da lagoa para saber a possibilidade de almoçar ali, e os preços eram bem altos, mas nada surpreendente para Barra Grande em alta estação. Fiz um lanche com o que tinha na mochila, fiquei um bom tempo descansando e segui a caminhada.

      (Lagoa do Cassange)

      Essa parada na lagoa durou quase 2h, deu pra descansar bastante e passar o horário de sol a pino, além de dar o tempo de a maré secar toda, melhorando a área de caminhada na areia.
      Andei até um pouco antes de Taipus de Fora, e abri a canga pra descansar de novo, onde dei mais uma daquela cochilada revigorante e gastei mais um bom tempo observando o visual e o movimento na praia enquanto pensava sobre seguir para dormir mais a frente ou parar por ali, já que já tinha percorrido um total de 40 Km nesse ponto.
      O Sol já estava se pondo, mesmo assim resolvi pegar a mochila e ir andando devagar, mas logo que fiz a curva de Taipus de Fora já parei e fiquei olhando de longe: eram muitas casas, muita gente, festa, barraca...não seria legal dormir por ali, se é que acharia um lugar tranquilo e onde pudesse dormir. Fiquei olhando por uns cinco minutos e vi um casal, aparentemente andarilhos também, me olhando de longe, com mochilas, sentados mais acima da areia e fui falar com eles:
      -Estão vindo de lá de Barra?
      -Sim, estamos indo pra Itacaré
      -Maravilha! Estou vindo de lá, saí ontem à tarde.
      -Olha aí, mais um colega de caminhada haha
      -Pois é haha sabem me dizer se seguindo a praia a partir daqui é sempre assim com muita casa, cheio de gente? Estou procurando um lugar pra dormir na rede e virei aqui já desanimando com tanto movimento.
      -Nãão, se você apertar o passo, depois daquela ponta ali vai ter umas barracas com cobertura de palha que ficam armadas para o pessoal ficar durante o dia, mas à noite é bem tranquilo, não fica ninguém e dá pra armar a rede e dormir bem lá.
      -Ótimo, vou seguir!


      A ponta que ele indicou ficava a aproximadamente 1 Km, e obviamente eu fui em busca das barracas com cobertura de palha para dormir, afinal, eu estava bem cansado, mas 1 Km não é tanto assim e dormir bem seria importante. Andei, passei da ponta, andei, andei, andei, andei e depois de uns 4 Km sem ver nenhuma estrutura semelhante ao que ele descreveu, decidi que qualquer estrutura que aparecesse, eu pararia, quando logo depois vi, na praia da Bombaça, ao lado da entrada de um terreno com casarões, uma armação de bambu com um tecido branco e algumas palhas de coqueiro por cima, era ali. Montei a rede, deitei e depois de observar a movimentação de algumas pessoas da casa pela praia observando o céu, apaguei, mas acordei algumas vezes durante a noite com carros, quadriciclos e motos passando, além do frio que fez na madrugada. Foi uma noite bem difícil porque eu não tinha mais recursos para me proteger do frio e fiquei lutando com ele por um bom tempo.
      Total percorrido: 45 Km

      3º DIA
      Apesar de algumas nuvens densas se aproximando pelo Norte, mais uma vez acordei com um nascer do Sol maravilhoso, mas dessa vez não dormi de novo. Fiquei observando a praia e algumas pessoas já passavam por ali quando levantei da rede pra arrumar minhas coisas e iniciar minha caminhada logo em seguida, já às 6h40. Com menos de 1 Km de caminhada, vi as estruturas que o cara me falou no dia anterior e percebi que tinha dormido no lugar "errado". 😂

      Passei a Praia dos três coqueiros, farol, Ponta do Mutá e cheguei no “centro” de Barra Grande com uma hora de caminhada.
      Logo que cheguei, fui ver como faria para atravessar para a Barra do Serinhaém, e o pessoal das empresas que operam as lanchas não tem esse trecho nos serviços deles, então é um pouco complicado. Não é tão fácil como poderia ser, mas dei sorte depois. Depois de terem me cobrado 250 (duzentos e cinquenta!!!!) reais para atravessar, resolvi tomar logo um café da manhã na padaria e voltaria pra resolver isso e, obviamente, achar outra forma (e outro valor) para atravessar.
      Caminhei até o final do píer e fiquei lá “queixando” carona para cada barco que encostava pegando ou deixando passageiros, sem sucesso em todos eles, já que a travessia era meio contramão para o caminho usual que eles costumam fazer. Depois de tentar em alguns, comecei a conversar com alguns caras que estavam no píer comigo, todos trabalhando, ajudando a carregar, coordenando ou ligados de alguma outra forma às movimentações de embarcações que aconteciam ali. Falei brevemente sobre minha viagem e para onde estava indo e um deles colou comigo e ficou conversando, quando me falou -não sei se para confortar ou para desanimar- que SE eu conseguisse a travessia, poderia ser no fim da tarde, quando alguns trabalhadores residentes de Barra do Serinhaém voltavam de Barra Grande pra lá e eu, com essa informação, ao mesmo tempo que pensei no tanto de tempo que perderia esperando até o fim da tarde, me confortei sabendo que pelo menos de uma forma eu conseguiria atravessar. Não se passaram cinco minutos e esse mesmo cara gritou:
      -Ó lá quem vai te levar pra Barra! Eeei! - gritava e acenava para um casal numa lanchinha saindo da praia - leva esse amigo nosso aqui pra Barra!
      Eu, atrás dele, pulava, balançava os braços, acenava e assobiava alto para chamar atenção do casal e não passarem direto😂. O piloto prontamente mudou a rota, encostou no píer e eu só desci a escada e embarquei, feliz da vida e agradecendo mil para o brother que arranjou a carona pra mim.
      Seguimos e eles não me cobraram nada pela travessia (afinal, ele já estava indo pra lá).
      Parei, e segui procurando a casa de uma amiga com quem já tinha falado previamente e estava à minha espera. Nessa parada, tomei banho de chuveiro com xampu e sabão, fui servido com um prato de frutas muito farto e ainda almocei uma moqueca deliciosa hahaha, não sei se ela e a família tinham noção disso, mas a recepção, cada gesto e ato de generosidade foram extremamente significantes pra mim, e agradeço demais por aquilo, saí de lá revigorado, muito bem alimentado e com disposição para continuar firme na caminhada. Depois de almoçar, descansei por uma hora e comecei a reorganizar minha mochila, para sair perto das 15h40, quando comecei a caminhada saindo da Barra do Serinhaém em direção à praia de Pratigi.

      (início da praia de Pratigi)

      Pratigi é uma praia bem extensa, toda dominada por plantações de coco, e depois de andar por uma boa extensão, logo após o pôr do Sol resolvi que iria parar porque meu saldo estava bom (tinha andado 26 Km no segundo dia, então a meta desse dia era menor, não precisava me estender tanto) e meus pés já doíam, entretanto, acabei sendo obrigado a andar mais quando subi a faixa de areia indo pegar materiais para montar um abrigo e fui surpreendido por um enxame de mutucas me rodeando. Como estava ventando, continuei andando na esperança de elas perderem meu rastro e eu poder parar logo, mas eu parava de vez em quando checando e ainda via algumas voando ao meu redor, e nessa história, tive que andar mais 4 Km com os pés doendo e no escuro até finalmente parar e não ver mais nenhuma mutuca. Parei, catei materiais, montei o abrigo e finalmente pude deitar e dormir. Estava a 2 Km da vila de Pratigi e apesar de não ter movimento na praia, as luzes da vila eram bem fortes.
      Total percorrido: 75 Km

      4º DIA

      (abrigo montado no primeiro e terceiro dia)


      Acordei umas 5h, e se não fosse o abrigo eu certamente sentiria frio, já que tive que me cobrir durante a noite. Levantei e percebi que tinha parado exatamente no local onde acontece o Universo Paralello quando reconheci a estrutura ainda resistente da cozinha comunitária (era uma estrutura de barro, por isso devem ter deixado por lá do jeito que estava). Estive no festival no ano anterior e tudo aqui estava irreconhecível sem movimento, música, luzes, pistas e estruturas montadas.
      Iniciei a caminhada planejando a parada na vila de Pratigi para poder trocar dinheiro caso precisasse pagar para a próxima travessia de barco. Parei lá e rodei em algumas barracas até conseguir trocar uma nota de 100: início da manhã de um domingo, não estava fácil trocar uma nota de valor alto, mas consegui e segui. 1 Km depois da vila tem um riozinho raso com travessia tranquila com a água pouco acima do joelho e 4 Km depois cheguei na Barra do Carvalho. Nesse ponto, tirei a mochila e acenei para alguns barcos que passavam para saber se iriam atravessar em direção a Cova da Onça ou Ponta de Castelhanos, e nada.

      (Barra do Carvalho)


      Sentei e fiquei esperando por cerca de uma hora até decidir ir para a parte de dentro da ponta de areia que se formava ali e na mesma hora que levantei e comecei a andar, surgiu um pessoal vindo andando no sentido oposto. Fui andando, dei de frente com o grupo e perguntei como tinham chegado ali, quando me responderam e apontaram os barcos parados, meus olhos quase brilharam de felicidade. Fui direto ao barqueiro perguntar se faria a travessia para Cova da Onça e o mesmo prontamente me negou com a cabeça. Fui atrás do dono do outro barco, que estava com a família já preparando um churrasco naquela prainha enquanto comiam alguns petiscos e tiravam cervejas geladas dos isopores que tinham levado, e me disse que era uma travessia pouco feita, difícil e depois de pensar e enrolar um pouco, me cobrou 50 reais, ao mesmo tempo que me perguntou se queria comer alguma coisa, “que ficasse à vontade”. Ainda era cedo, neguei.
      Depois de pagar 5 reais para atravessar o Rio de Contas, 50 reais me soava um preço altíssimo e eu tive que negar, resolvi esperar por mais tempo. Sentei já com pouca esperança e imaginando ter que dar os 50 reais mais tarde mas, passado mais um tempo, chegaram mais dois barcos dos quais tive uma negação e uma oferta de travessia por 20 reais: o preço já tinha melhorado! Ainda assim, resolvi esperar mais um pouco e uma pessoa que estava com o barqueiro que me cobrou 20 reais chegou perto de mim e começou a conversar, perguntando sobre a viagem, o que eu estava fazendo, etc., perguntas que àquela altura eu já estava acostumado, e me ofereceu um prato de almoço, que pelo tempo que já tinha passado, eu não pude negar.
      Mais um tempo de espera, já olhando pro horizonte pensando em qualquer coisa, esquecendo por um instante que eu estava à espera de uma travessia, ouço uns gritos. Era o segundo barqueiro, chamando atenção de um barco que passava e me chamando pra ir até lá. O barco, no qual embarquei prontamente, era de um primo dele que estava de passagem indo para Cova da Onça só com o filho pequeno a bordo. As 2 horas e 40 minutos de espera compensaram o custo nulo da travessia e, durante o caminho, que durou uns 20 minutos, conversei bastante com o dono do barco, que me explicou - e mostrou, enquanto “zigzagueava” - o motivo de aquela ser uma travessia tão evitada: a batimetria ali é muito ruim para navegação porque além de ser raso, tem muitas rochas, bancos de areia e recifes e nem todo mundo conhece bem o local mas ele, com muito conhecimento do local e, claro, aproveitando a maré cheia, passava com maestria pelos locais que indicava perigo e eu, enquanto conversava com ele, ia debruçado na lateral vendo nitidamente o fundo passando bem raso.

      Chegando em Cova da Onça, ele me explicou por onde eu pegaria o caminho até Ponta de Castelhanos, meu próximo destino. Pedi água numa casa com duas senhoras na frente, que encheram minha garrafa de 1,5 L sem problema e segui ansioso por esse próximo trecho, afinal, eu já estava bem próximo do fim.

      A caminhada de Cova da Onça até Ponta de Castelhanos foi, sem dúvida alguma, onde mais suei e cansei. Por ser uma estrada de areia fofa que passa por trás do mangue, acaba sendo uma área protegida de vento, pior ainda considerando o Sol escaldante do início da tarde na areia fofa. Depois de pouco mais de uma hora de caminhada, cheguei à praia de Castelhanos, um dos paraísos na Terra. Não queria perder muito tempo e fui logo ver como era a travessia para pegar a trilha do mangue e chegar em Moreré.

      Depois de conversar com dois canoeiros, me disseram que existia a travessia de barco direto para Moreré, por 40 reais, e a travessia para o início da trilha do mangue, por 10 reais, que era a que eu estava procurando. Sentei um pouco enquanto conversávamos e depois subi na canoa para atravessar, enquanto um deles me levava dando orientações sobre a trilha.


      A travessia do rio dura 5 minutos, e a trilha, que é dentro do mangue fechado, iniciou com água acima do tornozelo e, para o meu alívio, o fundo era de areia sem afundar o pé, ao invés de lama que afunda até o joelho, como é comum em manguezais, o que seria bem ruim de lidar com uma mochila pesada nas costas😅. A trilha é linda, e segui sozinho por ela, passando por mangue, apicum, coqueiros e até uma pequena plantação de cana, até chegar na praia de Bainema, e depois, finalmente, na vila de Moreré.

      (Praia de Bainema, pouco antes de chegar em Moreré)

      Total percorrido: 100 Km
      OBSERVAÇÕES:
      -Acabei usando a rede só em uma noite, dormindo nos abrigos que montei na areia nas outras duas noites, então acredito que poderia abrir mão da rede (peso e volume) e dormir no abrigo todas as noites.
      -Um ponto importante que ainda preciso melhorar é a alimentação. De forma alguma passei fome ou me alimentei muito mal, mas investir em comida liofilizada é uma prioridade urgente para reduzir o peso e volume da mochila.
      -O GPS foi uma das melhores aquisições que fiz e realmente faz muita diferença, me possibilitando acompanhar meu rendimento com dados de quilometragem percorrida e velocidade média, além de poder marcar pontos de interesse como entradas de lagoas, possíveis pontos para acampamento, pontos de apoio, etc., e, claro, gravar o tracklog para compartilhar com quem tenha interesse em realizar o mesmo percurso.
       
      TRACKLOG NO WIKILOC:
      https://www.wikiloc.com/wikiloc/view.do?pic=hiking-trails&slug=travessia-itacare-morere&id=31923513&rd=en

      EQUIPAMENTOS USADOS:
      -Curtlo Highlander 35+5L
      -Camelbak Chute 750ml
      -Garmin eTrex 30x
    • Por fernandobalm
      Considerações Gerais
      Não pretendo aqui fazer um relato detalhado, mas apenas descrever a viagem com as informações que considerar mais relevantes para quem pretende fazer um roteiro semelhante, principalmente o trajeto, preços, acomodações, meios de transporte e informações adicionais que eu achar importantes.
      Sobre os locais a visitar, só vou citar os de que mais gostei ou que estiverem fora dos roteiros tradicionais. Os outros pode-se ver facilmente nos roteiros disponíveis na internet. Os meus itens preferidos geralmente relacionam-se à Natureza e à Espiritualidade.
      Informações Gerais:
      Em toda a viagem houve bastante sol. Chuva leve ou moderada só peguei na 4.a feira (13/09) quando estava voltando do supermercado e na 5.a feira (14/09) quando ainda estava no quarto e esperei que ela passasse. As temperaturas também estiveram bem razoáveis (para um paulistano), chegando em média a 30 C ao longo do dia e caindo até 22 C à noite.
      A população de uma maneira geral foi muito cordial e gentil 👍. Havia nas localidades mais conhecidas também muitas pessoas de fora da região e estrangeiros, principalmente argentinos.
      As paisagens das praias agradaram-me muito, principalmente as próprias praias, o mar, a vista a partir de pontos altos, a vegetação e as cachoeiras. .
      A caminhada no geral foi tranquila. Mesmo as que me disseram que seriam inviáveis sem guia, como a da Prainha em Itacaré ou a de Castelhanos em Boipeba, consegui fazer sozinho sem problemas e não achei complicadas, mas me informei antes.
      Durante muito tempo estive só nas praias, que em boa parte estavam desertas. Às vezes cruzava com algum pescador ou habitantes locais. Não tive nenhum problema de segurança (nenhuma abordagem indesejada) nas praias. Mas me recomendaram não ir por alguns trechos em Ilhéus e Itaparica. Em Itabuna pareceu-me que poderia haver algum problema quando retornava do supermercado perto da rodoviária e eu imediatamente procurei um local seguro. Em Mar Grande, quando iria para uma Pousada que ficava numa ladeira que haviam me dito poder ter algum problema, um aparente vigia de atividades da ladeira perguntou-me o que eu desejava (“qual é que é?”) e eu decidi mudar de pousada.
      Peguei vários cocos nas praias 🥥, bebi sua água e comi a massa de alguns poucos 👍.
      Os cruzamentos de rios foram tranquilos. Somente para cruzar para a Praia do Garcez e para Cacha Pregos houve a possibilidade de dificuldades, mas que acabaram não se concretizando. O único ponto que não consegui cruzar foi de Barra Grande para a Barra do Sirinhaém. Tive que pegar barcos e ônibus para Boipeba.
      Vários estabelecimentos comerciais aceitaram cartão de crédito ou débito (principalmente supermercados, padarias, pousadas e empresas de transporte). Em alguns casos havia acréscimo quando o pagamento era feito com cartão de crédito. Havia localidades em que não existiam caixas eletrônicos nem bancos.
      Gastei na viagem R$ 1.383,20, sendo R$ 158,63 com alimentação, R$ 700,00 com hospedagem, R$ 154,99 com transporte durante a viagem, R$ 155,33 com a passagem de ônibus de ida para Vitória da Conquista, R$ 7,58 com pedágio da ida, R$ 169,00 com a passagem aérea de volta para São Paulo e R$ 37,67 com as taxas de embarque correspondentes de ida e volta e durante a viagem. Sem contar o custo da passagem entre São Paulo e Vitória da Conquista e entre Salvador e São Paulo e das taxas de embarque correspondentes, o gasto foi de R$ 1.015,12 (média de R$ 39,04 por dia). Mas considere que eu sou bem econômico.
      A Viagem:
      Minha viagem foi de SP (Rodoviária do Tietê) a Vitória da Conquista em 07/09/2018 pela Viação Águia Branca (https://www.aguiabranca.com.br). O ônibus saía às 17:00 e chegava às 17:10 horas. Atrasou cerca de 20 minutos na saída e mais de meia hora na chegada. Paguei R$ 169,30 (R$ 155,33 pela passagem, R$ 7,58 de pedágio e R$ 6,39 pela taxa de embarque) parcelada em 6x usando cartão de crédito. A volta foi de Salvador a SP (Aeroporto de Guarulhos) em 03/10/2018 pela Avianca (https://www.avianca.com.br). O voo saía às 11:40 e chegava às 14:15. Paguei R$ 198,78 (R$ 169,00 pela passagem e R$ 29,78 pela taxa de embarque) parcelada em 6x usando cartão de crédito.
      Na 6.a feira 7/9 fui a pé até a rodoviária. O ônibus saiu cerca de 17:20 com atraso de cerca de 20 minutos. Parou em Resende perto de 20:30, onde subiram um pai e uma filha pequena que se sentaram juntos na poltrona ao lado da em que eu estava, enquanto eu jantava sanduíches fora do ônibus. Troquei de lugar para deixá-los viajar juntos. Eu havia levado 5 brioches comprados na Vovó Zuzu (http://www.vovozuzu.com.br) por R$ 1,59 cada, um usado para sanduíches 🥪, 2 cebolas, um pacote de bolachas água e sal comprado no Atacadão (https://www.atacadao.com.br) por R$ 0,98 e uma garrafa de água de 1,5 litros. O ônibus parou depois em Paraíba do Sul perto de 23:30.
      No sábado 8/9, após dormir um pouco de madrugada no ônibus, paramos em Governador Valadares cerca de 8:30. Lá tomei café com os sanduíches que havia levado. O motorista da madrugada correu mais do que o regulamentado, o que avançou o ônibus, mas que não me agradou. Meu novo companheiro de poltrona falou sobre muitas situações da sua vida. Ele trabalhava em limpeza no Shopping Center Interlagos e morava em Parelheiros. Ofereceu-me sanduíches e refrigerante que recusei educadamente. Cheguei pouco antes de 18 horas na rodoviária. Ao perguntar sobre a segurança do local, um atendente disse-me que era tranquilo e dois trabalhadores de viações disseram-me que era perigoso. Achei tranquilo. Fiquei hospedado na Pousada da Lua, bem perto da rodoviária, do outro lado da estrada, num quarto com ventilador, sem TV, com banheiro coletivo, wifi e um pequeno café da manhã. Paguei R$ 30,00 por dia em dinheiro. Lá conheci um artesão de Anápolis que viajava pelo Brasil, estava em dificuldades e iria voltar para Anápolis. Fui atendido pela Fabiana, responsável pela pousada junto com o marido. Comprei na feirinha próxima R$ 2,00 em 2 mangas, R$ 2,00 em 1 kg de tomates, R$ 1,00 em 1 pepino, R$ 1,00 em 2 chuchus e R$ 1,20 em 4 pães na padaria. Jantei sanduíches. A pousada também funcionava como motel e no quarto ao lado do meu um casal passou a noite namorando 😀.
      No domingo 9/9 após tomar um copo de café puro e 2 pães com margarina servido pela atendente Amanda, mais meia manga e bolachas água e sal, fui visitar a cidade. Comecei indo a pé para o centro, onde pude visitar monumentos, casarões, praças, teatros, igrejas, centro cultural e museus por fora 👍. No caminho passei por um jardim que estava sendo construído (acho que será o Parque Ambiental), que achei belo. Depois fui ao Cristo de Mário Cravo, de que muito gostei . Achei a vista a partir dele muito boa e o monumento em si também muito interessante. Era enorme, com Jesus crucificado. O caminho disseram poder ser um pouco perigoso, mas fui a pé e nada aconteceu. Quando estava lá em cima chegou um grupo de turistas num carro e logo após chegou uma viatura da polícia, semelhante ao que é a Rota em São Paulo. Ofereci meus documentos para que averiguassem, mas disseram que não era necessário. Conversamos por algum tempo sobre segurança na cidade, locais a visitar na Bahia, a Chapada Diamantina, onde eles já haviam estado e apoio às comunidades locais. Um deles interessou-se por um portal de voluntariado. Outro explicou-me que a feição sofrida do Cristo, suas mãos e pés grandes representavam o sofrimento do povo nordestino. Depois fui passear no Parque Peri Peri, completamente deserto e meio abandonado, mas ainda assim com natureza preservada, e fui à reserva Florestal do Poço Escuro, andei por algumas de suas trilhas e apreciei a natureza 👍. Saindo daí fui ao Centro de Cultura, que estava fechado, mas tinha painéis interessantes por fora. No caminho passei por um painel na rua sobre Natureza e Religião, com o desenho de Francisco de Assis, que achei muito interessante 👍. Por fim fui ao Parque da Lagoa Bateias, em que pude caminhar ao redor e visitar o museu por fora (era de vidro e foi possível ver seu interior). A vista do parque a partir de pontos altos no entorno também muito me agradou 👍. Achei o Rio Verruga na Reserva do Poço Escuro e a Lagoa das Bateias com pouca água. Jantei sanduíches. O rapaz de Anápolis falou que tinha trombose e varizes e tinha morado no Amazonas. Ainda fui apreciar vista da cidade iluminada a partir da estrada antes de dormir.
      Na 2.a feira 10/09 não tomei café na pousada de manhã, pois era folga da Amanda e o café sairia um pouco mais tarde. Comi um pedaço de pão, bolachas e água e saí para visitar os pontos que ainda faltavam. No caminho vi enormes filas nos bancos, 2 horas antes do horário de abertura. Pareciam ser pessoas muito simples, talvez algumas vindas de outros municípios e da zona rural. Como a população sofre 😞. Visitei a Igreja Matriz, de que gostei pela simplicidade, ambiente claro, imagens e pinturas felizes 👍. Visitei também o Museu Pedagógico, o Museu Régis Pacheco, de que gostei muito, com suas pinturas e arte 👍, e o Museu Regional, com suas esculturas e quadros. Na volta tomei café com pão e manga. Depois fui à rodoviária, comprei a passagem para Itabuna por R$ 51,50 com cartão de crédito (R$ 50,00 da passagem mais R$ 1,50 da taxa de embarque) pela Viação Novo Horizonte. Conversei com o artesão de Anápolis e descobri que seu nome era João e ele era parente do abade Matias do Mosteiro de São Bento. Almocei sanduíches na rodoviária. O ônibus, que estava previsto para 12 horas, saiu às 13:30 e chegou em Itabuna às 18 horas. Gostei das paisagens naturais vistas durante a viagem, principalmente na área de serra . Havia muitos pastos e gado. Conheci um policial no ônibus e conversamos sobre meus planos de viagem. Ao chegar em Itabuna perguntei sobre segurança e preço e me indicaram pousadas perto da rodoviária. Fiquei na Pousada Grapiúna (https://www.facebook.com/PousadaGrapiuna) por R$ 25,00 a diária, em dinheiro. Era um quarto bem simples para feirantes, com ventilador, sem janelas, com banheiro fora, mas como estava vago naquele período, concordaram em que eu ficasse. Comprei R$ 2,96 (tomate, chuchu, cebola, banana) com cartão de crédito no Supermercado Itão (https://www.itao.com.br) e R$ 6,70 (2 broas e 1 bolo) na padaria em dinheiro. Achei um ponto na ida ao supermercado um pouco perigoso naquele horário (perto de 19 horas). Não sei se eu estava predisposto após vários falarem da criminalidade em Itabuna, mas me pareceu que 2 jovens começaram a me seguir, tanto que eu rapidamente mudei de caminho, atravessei a avenida e fui para um local que me pareceu mais seguro 😟. Jantei sanduíches, bananas, broas e bolo em uma sala ampla de TV com mesas que a pousada tinha. Depois fui para a janela da sala, que era bem ampla, e fiquei olhando um pouco o movimento. À noite houve um pouco de barulho devido ao local da cidade e houve alguns poucos pernilongos.
      Na 3.a feira 11/09 fui visitar Itabuna. Após comer sanduíches, banana e bolo no café da manhã assistindo TV, saí para visitar a cidade. Inicialmente passei por um templo da Igreja Universal, depois fui ao Centro de Cultura, ao Rio Cachoeira, que disseram ser poluído, mas de que muito gostei 👍. Dei uma volta nas pistas para caminhada que existiam na região central em sua volta. No Centro de Cultura o atendente falou-me das várias facções criminosas que existiam em Itabuna e da violência que havia aumentado recentemente. Visitei também a Câmara, Prefeitura, pontes, Monumento da Saga Grapiúna, que achei muito interessante por congregar os vários atores étnicos daquela terra 👍, Memorial de Zumbi, Estádio, Vila Olímpica, estes dois últimos parecendo estarem abandonados e sem manutenção e o Clube dos Funcionários. Depois caminhei até a rodovia por um trecho com vegetação. Voltei para o centro e fui visitar a Catedral de São José, o Museu Casa Verde, que estava fechado, a Livraria Espírita e a CEPLAC (Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira). O músico Adílson falou-me que havia morado em São Paulo e vendeu incenso na rua por 20 dias, após ter machucado a mão. Ganhava R$ 500,00 por dia. Em 20 dias ganhou mais do que com música em 1 ano. Saía da Rua Augusta, virava na Oscar Freire, ia até a Vila Mariana, descia a Lins de Vasconcelos e ia até o Ipiranga, Voltou à música por gostar dela. Ivone, da Livraria Espírita, contou-me que fez cirurgia na Beneficência Portuguesa em São Paulo. Quando recebeu alta falou ao médico que não queria, pois era inverno e pegaria frio ao sair do hospital. Falou-me também do caminho de Ilhéus a Salvador e de sua praia favorita, Algodões. Interessante como os cachorros sabiam atravessar a rua, assim como em Vitória da Conquista 😀. Bandos de garças passaram voando próximo à pousada, enquanto eu apreciava o entardecer. Pude continuar num quarto de feirante, pois ainda havia vaga. Achei a cidade um pouco sem cuidados, provavelmente devido à crise, com muitos equipamentos abandonados e sem condições de uso, principalmente esportivos. Jantei sanduíches, banana e bolo assistindo TV.
      Na 4.a feira 12/9 comecei minha caminhada. Fui para Ilhéus a pé. Saí cerca de 8:45 da pousada de Itabuna e cheguei cerca de 15:30 na Rodoviária de Ilhéus. Foram cerca de 30 km com paradas de cerca de 1 hora ao todo. No caminho eu vi uma cobra preta e amarela 🐍 a cerca de meio metro de distância. Num dado momento um rapaz pareceu jogar o carro no acostamento onde eu estava . Não sei se estava desviando de algo, brincando (não parecia, pela fisionomia séria) ou foi um ato de agressão a um andarilho. Passei por um enorme empreendimento residencial (Cidadelle), visitei a Universidade Estadual Santa Cruz, de que gostei 👍, com sua área verde, campo de futebol, piscina, animais na unidade de veterinária, pássaro preto, amarelo e vermelho na mata e toda a estrutura de ensino. Depois passei pelo templo do Vale do Amanhecer 👍. Subi para conhecer. Havia vários ambientes, com imagens de Jesus, Tia Neiva, Cacique Seta Branca e outros. Um orixá explicou-me como funcionavam os serviços deles e demais aspectos dali. Passei depois pelo SESI e IFBA. Na estrada achei as paisagens rurais belas, com mata, rio e criação de animais. Em alguns pontos as copas das árvores dos lados opostos quase se encontravam no meio da pista, como Ivone havia falado em Itabuna. O acostamento era estreito em vários pontos. Conheci um homem que estava indo de São Paulo a Recife de bicicleta. Andamos um tempo lado a lado. Ele parecia um pouco alterado e acabamos nos separando. Perto da chegada, um artesão de Salvador residente ali há alguns anos orientou-me sobre Ilhéus e onde achar locais para pernoitar. Estava sentindo dores nas costas, provavelmente devido à posição da mochila, que reajustei. Passei pela rodoviária e lá o taxista Joaquim e outros indicaram-me a Pousada Beira-Rio como sendo a mais barata. Verifiquei o preço com a dona, Dair, e segui para o centro para procurar outras opções, pois queria ficar mais perto do ponto de saída no dia seguinte e precisava sacar dinheiro. Lá os hotéis baratos estavam fechados. Aproveitei para dar um passeio e comer um prato de acarajé (bolinho de feijão, vatapá, caruru (quiabo) e salada de tomate, cebola e vinage) 👍 por R$ 3,50 em dinheiro na Fatinha (https://www.facebook.com/pages/Acaraj%C3%A9-Da-Fatinha/105023446329720), em frente à Catedral. Eu não como carne, então não quis camarões. Saquei dinheiro e voltei para a Pousada Beira-Rio, onde fiquei num quarto privativo com banheiro, TV, chuveiro frio e ventilador por R$ 35,00 em dinheiro. A pousada ficava às margens do Rio Cachoeira, cuja vista era interessante. Comi banana e bolo de sobremesa antes de dormir.
      Na 5.a feira 13/9 parti em direção a Itacaré, com o objetivo de pernoitar provavelmente em Serra Grande. Antes disso esperei a chuva passar. Enquanto esperava fui comprar 8 pães por R$ 2,00 na padaria. Esqueci a chave da porta lá e tive que voltar para pegá-la . A dona guardou para mim. Com tudo isso atrasei-me razoavelmente. Após o café da manhã e a chuva passar, fui visitar a catedral, que já conhecia, e depois comecei a caminhar pela praia. Fui até depois do Marciano, onde saí para rua de terra e depois asfalto, para não passar pela praia na Comunidade do Cominho, que várias pessoas disseram-me para evitar por razões de segurança e onde tinha estado anos atrás e achado um pouco perigosa. Cruzei a passarela e já do outro lado segui em frente. Achei a praia muito bela. Peguei um coco em área pública 👍, tomei um pouco de chuva fina, cruzei 2 pequenos rios com água abaixo da coxa, parei para nadar e deixei a mochila com família parcialmente de São Paulo no Mamoan. Como não iria chegar a Serra Grande, parei em Luzimares, onde 3 meninas levaram-me à Pousada Ravenala. Sebastião atendeu-me e depois de mostrar seu quarto mais simples por R$ 100,00, disse que tinha um local de trabalho que já havia sido casa de seu empregado. Eu sugeri ficar lá, ele relutou, falou com sua mulher e aceitaram por R$ 50,00 em dinheiro. Enquanto fui fazer compras para o jantar e o café da manhã, por R$ 7,70 com cartão de crédito na Venda do Gilvan (12 pães, 3 tomates, chuchu, cebola roxa, manga), ele colocou cama na casinha de 3 cômodos, incluindo banheiro, limpou o chão, tirou seu material de trabalho e a geladeira. Voltei das compras pela estrada no escuro. Tomei razoável chuva 🌧️. Jantei sanduíches, manga e pães doces. Sebastião ofereceu-me pizza, que haviam trazido de um evento, mas eu já tinha jantado e ele então disse que ofereceria no café da manhã. As dores nas costas continuavam e agora também havia algumas bolhas nos pés.
      Na 6.a feira 14/9 comecei o dia indo tomar um banho de mar às 7 h 👍. O portão estava fechado, então eu pulei o muro lateral para não sujar a parede nem provocar qualquer dano ao portão. Quando voltei tomei um excelente café da manhã oferecido por Sebastião e família, com pizza, pão, queijo, manteiga, pão doce, café e leite . Sebastião acompanhou-me à mesa. Ele me contou que era de Brasília e havia se aposentado no ramo de hotelaria. Depois, enquanto esperava a chuva passar, conversei bastante com Pedro, seu neto. Vi Sebastião alimentar os micos. Falou-me também de gata, filhotes e cachorros. Após o tempo firmar parti para Serra Grande. No caminho vi 2 peixes 🐟 na areia e quase os joguei de volta ao mar. Só não o fiz porque vi pescadores e quando lhes perguntei se eram sua pesca eles confirmaram. Achei as praias muito belas até o pé da serra. Lá havia um hostel (R$ 40,00) em que conheci Pica-pau e Rap. Este último me falou de uma apresentação de capoeira à noite no Barracão de Angola. Subi a Serra e no caminho parei em dois mirantes, de onde achei a vista espetacular . A foto abaixo é do primeiro deles.

      Para o segundo houve uma pequena trilha. Ao chegar ao povoado, procurei o hostel ao lado da farmácia da Shirley, sobre o qual Sebastião havia comentado. Fiquei hospedado lá por R$ 25,00 em dinheiro. Pétala, a dona, abriu uma exceção, pois não estava funcionando, mas concordou em me hospedar. Enquanto me apresentava o local, um morcego 🦇 apareceu voando dentro do hostel. Fiquei num quarto privativo com banheiro e ventilador. Depois de acomodado, fui à represa e ao Poço do Robalo. Lá o vigia falou-me do caminho para a Praia do Pompilho, Itacarezinho e Itacaré. Comprei R$ 5,10 na Fazendinha (8 tomates, 1 penca de bananas, chuchu, 2 cebolas) e R$ 3,96 na padaria (12 pães), ambos com cartão de crédito. Após jantar sanduíches, fui assistir à roda de capoeira no Barracão. Houve show do Rap, que havia me falado da roda de capoeira e foi aniversário de uma aluna chamada Sabiá, que ofertou um bolo. Gostei muito da roda de capoeira 👍. Lá conheci uma paulista de São José do Rio Preto, que estava de férias. À noite houve bastante sons no telhado, que acho que eram morcegos. Houve pernilongos, mas eu não liguei o ventilador porque fiquei com frio. As dores nas costas diminuíram.
      No sábado 15/9 fui para Itacaré. Saí após às 9 horas, pois precisava de maré baixa para cruzar a Barra do Tijuípe. Fui pela Trilha do Cemitério, de onde achei a mata, a praia e a vista muito belas . Atravessei a Barra do Tijuípe com água abaixo do joelho. Fui em frente até o Itacarezinho. Achei as praias muito boas e bonitas . Perguntei a uma moça e a um nativo sobre trilhas a seguir, ela me deu uma explicação sobre as próximas trilhas e ele me deu uma explicação detalhada incluindo outras praias que eu conheceria no futuro. Peguei então as trilhas para as praias da Gamboa, Hawaizinho e Engenhoca, cuja foto está a seguir.

      Não consegui encontrar nenhum coco em condições de ser pego durante o dia inteiro. A natação ficou prejudicada porque havia muitos surfistas e o salva-vidas sugeriu que eu não fosse onde eles estavam para evitar acidentes. Na volta da Engenhoca, tomei um banho na cachoeira abaixo.

      No fim da trilha peguei a pista e fui por ela até Itacaré. Em um ponto do caminho dois rapazes começaram a olhar para trás e diminuíram o passo. Eu me assustei e pensei que pudesse haver problemas. Mas logo à frente eles entraram numa vila rural e acho que foi alarme falso. O final do caminho andei já no escuro, mas como havia uma ciclovia na rodovia, isto facilitou tudo. Ao perguntar em um supermercado sobre a localização da pousada a que pretendia ir, alertaram-me para não ficar hospedado na “Passagem”, pois era ponto de tráfico e poderia haver guerra entre rivais. Então decidi ir para a 2.a opção da lista, que o pessoal do supermercado disse ser num local bem mais seguro. Peguei gratuitamente um mapa turístico numa agência de viagens. Passei por um hostel de um chileno, que cobrava R$ 25 a diária sem café da manhã e R$ 40 com café, mas fui ficar no Babel Hostel (https://www.facebook.com/hostelbabel) por R$ 20 a diária sem café da manhã em quarto coletivo com banheiro fora. O dono era Gastón, um argentino que estava morando no Brasil e me recebeu muito bem 👍. Comprei com cartão de crédito R$ 12,48 (espaguete, abobrinha, pepino, beterraba, batata, cebola, mamão, chuchu, biscoito de maisena e goiabada) no Center Supermercado (https://www.facebook.com/pages/category/Grocery-Store/Center-Supermercados-164954680739167/) para as refeições. Cozinhei espaguete 🍝 e o jantei com legumes e frutas. Antes de dormir ainda conversei com Gastón, casal de argentinos e carioca, dono da pousada ao lado.
      No domingo 16/9 fui explorar os arredores de Itacaré. Comi legumes, frutas, bolachas e goiabada no café da manhã e fui a pé até a Praia de Jeribocaçu. Depois de andar cerca de 1 hora na rodovia, peguei a estrada de terra e depois a trilha para a praia. Achei bela a paisagem na trilha, com a mata e vistas para o mar. Em determinado momento ela cruzou um campo de futebol. Encontrei um velho com um jegue na estrada de terra que vinha falando e cantando. Disse que estava vendendo o jegue por R$ 3.000,00 😀. Ele vendia algum tipo de líquido de cacau. Um pouco adiante cheguei à praia, que era ladeada por um rio. Conheci mãe e filha gaúchas que por lá passeavam. Surfista deu-me indicações sobre as outras praias do entorno e trilhas para elas. Achei belas as praias de Jeribocaçu, Arruda e Palmas. Vi peixes nadando nos recifes 🐠 de coral. Peguei 2 cocos na Praia das Palmas 👍. Na volta dela, peguei um caminho alternativo e descobri um lago, mas como parecia ser propriedade particular, resolvi não nadar. Conversei com salva-vidas sobre o mar e o caminho para cachoeira, tomei 2 banhos de mar e um banho de rio no final. Depois de aproveitar bastante o dia nas 3 praias, comecei a voltar para ir à Cachoeira da Usina. Vários disseram que o caminho pela trilha era difícil de encontrar, então voltei até a rodovia e fui por ela. Logo no início perguntei a algumas pessoas que estavam em vans e os dois primeiros responderam ironicamente e deram informações erradas (disseram que ficava a 20 km ou algo parecido), mas indicaram o último motorista como referência. Ao perguntar-lhe, deu as indicações corretas e disse que ficava a 3 km. No caminho, um homem cruzou comigo olhando para minha cintura, como quem procura algo, e me perguntou se eu vinha em paz 😟. Respondi que sim, ele me falou para ir com Deus (como se repetisse um chavão) e depois completou que isso era a maior mentira e Deus não existia. Achei linda a vista da cachoeira e o banho e hidromassagem deliciosos . A represa próxima também achei bela. Quando estava voltando e tinha acabado de chegar na ciclovia, que começava justamente depois da entrada para Jeribocaçu, uma van parou e me ofereceu carona. Era o mesmo homem que havia sido irônico quando lhe perguntei sobre a cachoeira. Eu não o reconheci de início e aceitei a carona. Seu nome ou apelido era Gel. Desta vez, talvez depois de perceber que eu não era mal-intencionado nem estava alterado, não foi mais irônico e me falou para tomar cuidado ao andar em rodovias. Disse que aconteciam muitos acidentes e havia pessoas que poderiam me atropelar por pura maldade (lembrei do incidente entre Itabuna e Ilhéus). Ele me falou que minha camisa comprida assustava (não dava para ver meu calção) e sugeriu que eu colocasse uma bermuda, pois do jeito que estava as pessoas das comunidades poderiam ficar com medo e hostis. Talvez tenha sido por isso que foi irônico no primeiro encontro. Deixou-me no centro, bem perto da pousada. Ainda tive tempo de dar um passeio na rua principal, que descobri ser atrás da pousada, com muitas lojas, locais para comer e exibições. Lá estava o homem do jegue, que a princípio também não reconheci, mas que aparentemente se dirigiu a mim. Depois pensando, reconheci que era ele e voltei lá para cumprimentá-lo, mas ele já havia ido. Conversei razoável tempo com Gastón sobre o sistema (social) e expliquei como era minha vida. Jantei espaguete com legumes e frutas, e goiabada de sobremesa.
      Na 2.a feira 17/9 novamente comi legumes, frutas, bolachas e goiabada no café da manhã e depois fui às praias perto do hostel (Rezende, Tiririca, Costa e Ribeira) e de lá peguei trilha para Prainha. Várias pessoas disseram que eu poderia me perder e que poderia ser perigoso dependendo do local onde fosse parar. No início da trilha encontrei um surfista voltando, que me disse que conseguiria ir sem me perder e me falou para cruzar a ponte. Segui o rio, conforme um hóspede do hostel havia me dito anteriormente, encontrei algumas pessoas nadando numa espécie de remanso do rio e confirmei com o seu guia que deveria cruzar a ponte. Cruzei-a logo à frente, segui a trilha e cheguei a uma cerca de arame farpado, sem indicação. Se bem me lembro, o hóspede do hostel havia dito para eu ir à esquerda, que foi o que fiz, após explorar um pouco as possibilidades. Segui a trilha e andando mais meia hora cheguei à Prainha. Achei bonita a mata na trilha 👍. Achei a Prainha muito bonita e boa para nadar . Estava sendo filmado um seriado sobre surf da Disney a ser exibido mundialmente. Fui até a sua extremidade, onde descobri que existia acesso para uma outra praia, que ficava dentro de um condomínio. O vigia Tiago autorizou-me ir até a praia por dentro do condomínio e me ensinou o caminho. Era a Praia de São José, que também achei muito bonita e boa para nadar . Antes de nadar lá, falei com o rapaz que cuidava do aluguel de pranchas e atuava também como salva-vidas. Depois que voltei do mar, ele me disse que quando o garçom me viu no meio das ondas, no fundo, veio correndo falar com ele e perguntar o que eu estava fazendo lá, mas ele o tranquilizou dizendo que eu já havia falado com ele e parecia conhecer mar e saber nadar o suficiente. Na volta errei o caminho e fiquei andando por trilhas secundárias cerca de 30 minutos, até decidir voltar a um ponto conhecido e refazer a trilha prestando muita atenção e tomando outra direção em uma bifurcação em que tinha ficado em dúvida. Depois encontrei um casal de Goianésia, com quem conversei parte do caminho e que junto comigo viu micos 🐒 perto da trilha. Separei-me deles para entrar em 2 pequenas cachoeiras. Depois de voltar conversei novamente com o salva-vidas da Praia da Ribeira que havia dado muitas informações e ele me falou de uma trilha pelas pedras para a Praia do Siriaco. Fui até lá apreciar o visual. Como a maré estava subindo, precisei tomar cuidado em um ou dois cruzamentos de fendas nas pedras. Após voltar de lá, fui às praias da Concha, onde fui ao farol e tomei mais um banho de mar, e da Coroa, onde ficava o Centro Histórico, com suas casas e igreja antigas, que pude visitar. Por fim, a partir do Mirante do Xaréu, fui ver o Pôr do Sol, que achei muito bonito mesmo com nuvens 👍. Depois disso voltei para o hostel. Jantei espaguete com legumes e frutas. Num passeio à noite reencontrei o velho do jegue a que não havia respondido no dia anterior e fui falar com ele, explicando que não o havia reconhecido. Ele entendeu e não ficou chateado, o que me deixou muito feliz 😊. Chegaram novos hóspedes, incluindo um artista carioca, que aparentemente havia sido roubado e tinha vendido um trabalho feito com folha de bananeira para conseguir dinheiro para passar a noite.
      Na 3.a feira 18/9 minha ideia era ir até Maraú. Após tomar café, despedi-me de algumas pessoas do quarto e do hostel e parti. Primeiramente passei pelo Bradesco para sacar dinheiro. Paulo atravessou-me de barco até a Praia do Pontal por R$ 5,00 em dinheiro. Inicialmente andei na direção contrária para conhecer o finzinho da praia e por volta de 9:30 comecei a caminhada. Achei as vistas da paisagem muito belas . As praias estavam majoritariamente desertas. Encontrei pessoas em Piracanga pela manhã e depois somente à tarde após as 14 horas. Peguei 2 cocos na praia e tomei um banho de mar 👍. Atravessei 2 rios, um dos quais com água acima da cintura (tirei camisa, boné e chinelo, e coloquei a mochila na cabeça). Meu objetivo era ficar na cidade de Maraú, mas eu havia visto erradamente no mapa e a cidade era distante da praia. Então ao chegar em Algodões comecei a procurar por local para pernoitar. Sugeriram-me o Hostel Algodões, mas estava fechado. Então sugeriram-me o Bar do Raul, na Praia de Saquaíra, para onde rumei. Abaixo uma foto da praia anterior à de Saquaíra.

      Ao chegar em Saquaíra, logo avistei o bar, na beira da praia. O Raul e Benê, seu empregado, ao perceberem que eu queria algo barato, ofereceram-me por R$ 20,00 em dinheiro ficar no quarto em que dormiam os empregados, que naquele dia estaria vago 👍. Após examinar o quarto e receber as explicações de Benê, aceitei. Era um quarto simples, na beira da praia, com cama de madeira, colchão fino e desgastado, sem ventilador e com lâmpada que se ligava e desligava no soquete. O chuveiro era ao ar livre na praia. O banheiro era o do bar e ficava fechado durante a noite. Mesmo assim, foi uma das melhores noites, sem mosquitos, com a vista do céu noturno estrelado e da praia noturna. Após acomodar-me fui tomar um banho de mar e percebi que o fundo do mar tinha corais. Depois de tomar banho fiquei conversando com Benê, Clóvis e outro amigo deles sobre a vida naquela região. Raul deu-me chá como cortesia 👍. Após isso, Benê deu-me orientações sobre a localidade e onde fazer compras, fui comprar biscoito de coco, cenoura, pepino, tomate, pimentão e manga no Mercado Souza por R$ 6,96 com cartão de crédito. Jantei isso acrescido de chuchu que havia sobrado. Após apreciar o céu 🌙 e a praia à noite, ao voltar para o quarto, um siri entrou 🦀. Eu fui procurá-lo e o coloquei para fora. Voltei a apreciar a praia e quando fui entrar o siri entrou novamente e ficou embaixo da cama. Resolvi deixá-lo lá e ir dormir 😀.
      Na 4.a feira 19/9 fui para Barra Grande. Assisti o nascer do sol 🌅 da minha cama, que ficava de frente para a janela e esta de frente para o mar. Após levantar fui tomar um banho de mar antes do café da manhã, que foi igual ao jantar da noite anterior. Apreciei as pinturas na sala de refeição do bar. Depois agradeci e me despedi do Raul e iniciei a caminhada. Achei as praias lindas , com muitas pessoas, diferente do dia anterior. Várias delas tinham recifes de coral. Peguei um coco durante a caminhada. Passei por um farol perto da Ponta do Mutá e cheguei em Barra Grande. Lá fiquei hospedado no Hostel Ganga Zumba (http://www.gangazumbahostel.com.br/) por R$ 45,00 com cartão de crédito, em que fui atendido por Alexandre. A dona, Maria, que estava amamentando, prontificou-se a me dar informações turísticas posteriormente sobre a região. Fiquei em quarto coletivo, com banheiro externo, chuveiro com água quente, ar condicionado e café da manhã. Disseram-me que Taipu de Fora seria o melhor local para ver peixes e animais marinhos quando a maré estivesse baixa, o que seria perto de 17 a 18 horas. Resolvi ir fazer compras então para depois voltar a Taipu, por onde havia passado no caminho. Comprei 3 pães por R$ 1,00 com cartão de crédito na Padaria Bom Sabor e os comi antes de ir. Comprei também R$ 4,00 com dinheiro em chuchu, cebola, berinjela, beterraba, batata e laranja no Verdurão para o jantar. Depois fui acelerado para Taipu, pois na vinda tinha demorado quase 2 horas e já eram mais de 15:30. Mas consegui chegar pouco depois das 17 horas, ainda com luz. Procurei informar-me sobre onde seria o ponto para ver os peixes e animais e uma família que estava nadando com equipamentos de natação indicou-me um ponto em que haviam visto. Tentei e não consegui. Aí perguntei a outros que estavam lá perto e me indicaram o ponto mais exato em que a família estava. Então consegui ver alguns peixes. Apareceram alguns rapazes aparentemente nativos (talvez pegando peixes ou apenas os vendo) e me indicaram um ponto mais adequado ainda. Aí pude ver vários peixes 🐠, coloridos, alguns amarelos com listas pretas. Começou a escurecer e eu resolvi voltar, mas fiquei razoavelmente satisfeito com o que tinha visto. Cozinhei as batatas e jantei o que havia comprado no Verdurão. À noite fui dar uma volta na pracinha e assisti à parte da aula de caratê na escola. Antes de dormir, conversei com o carioca Gustavo que estava no mesmo quarto e fazia o trajeto inverso, porém não a pé. Ele vinha de Morro de São Paulo. Durante a noite o ar condicionado incomodou-me (eu não gosto de ar condicionado). Foi a única vez em que vesti a blusa de moletom para frio que havia levado . A vista do mar em frente à Barra Grande está na foto a seguir.

      Na 5.a feira 20/9 fui para Boipeba. Após acordar tomei o café da manhã oferecido pelo hostel. Achei-o muito bom , com café, leite, chocolate em pó, sucos de cajá e graviola, pães de 2 tipos, mussarela, tomate, batata doce, mamão, melancia e bolo de chocolate, em forma de buffet. Depois despedi-me de Gustavo e fui a pé até a Ilha de Campinho. Achei o trecho de praia bonito 👍. Precisei atravessar uma espécie de rio ou braço de mar pequeno nadando 🏊‍♂️. Caminhei pela praia e depois para ir até o local em que havia pessoas da Ilha de Campinho precisei novamente atravessar um pequeno trecho nadando, num ponto que um argentino de Buenos Aires me indicou. Ele estava lá com a família (acho que de férias). Lá conversei um pouco com os homens que estavam num bar, sobre ir a Taipu de Dentro, mas me disseram que era longe e que não era possível ir pela praia. Então resolvi voltar. Encontrei Alexandre de folga na praia, que me disse para falar com Maria que tinha combinado com ele de sair atrasado meia hora do hostel. Havia conversado com várias pessoas desde o dia anterior sobre como fazer a travessia de Barra Grande para o outro lado em direção a Pratigi. Havia muitas informações desencontradas, até que conversei com NenNei (acho que o nome era este) que vivia na área a tempos fazendo travessias e cuja família tinha morado nas áreas por onde eu queria passar. Ele explicou-me tudo e me ofertou a travessia por R$ 60,00 até um ponto a partir do qual eu poderia andar e seguir o trajeto que pretendia. Mas eu acabei optando por não ir devido ao preço e à incerteza de conseguir travessias nos pontos em que precisaria. Cheguei ao hostel, falei com Maria se precisava pagar diária extra, ao que prontamente ela respondeu que não, despedi-me e fui pegar a lancha de linha das 13 h para Camamu pela Camamu Adventure (http://www.camamuadventure.com.br/) por R$ 20,00 com cartão de crédito. Achei belas as paisagens da viagem de barco , que durou mais de meia hora. Em Camamu havia várias construções históricas, mas que só deu tempo de ver de longe. Pouco depois das 14 h peguei um ônibus para Graciosa pela Viação Cidade Sol (https://www.viacaocidadesol.com.br/) por R$ 12,60 com cartão de crédito. A viagem teve belas paisagens de mata e cidadezinhas 👍, durando cerca de 2 horas. Em Graciosa peguei a lancha para Boipeba às 16:30 (acho que era a última) por R$ 35,00 em dinheiro. Haviam dito em Barra Grande que custaria R$ 15,00. Achei espetaculares as paisagens desta travessia , com trechos de mangue nas laterais e perto do pôr do sol. Em Boipeba fiquei no Hostel Abaquar (https://www.abaquarhostel.com) por R$ 25,00 a diária com cartão de débito. O hostel era da brasileira Fernanda e do belga Peter e tinha várias pessoas fazendo trabalho voluntário em troca de hospedagem. Fiquei em quarto coletivo, com banheiro dentro, sem café da manhã. Havia área verde com redário, sala de TV, bar e cozinha. Quando lá cheguei havia alguns policiais que eles chamaram pelo fato do vizinho ter ofendido uma hóspede ou colaboradora. Fiz compras para o jantar, R$ 1,30 de cebola, R$ 3,75 de chuchu, pimentão e beterraba, R$ 4,70 de biscoito e espaguete, R$ 1,85 de batata e R$ 3,50 de goiabada, tudo em dinheiro (não havia bancos nem caixa eletrônicos em Boipeba). Cozinhei o espaguete e misturei com os outros ingredientes para o jantar, conversei com algumas pessoas que faziam trabalho em troca de hospedagem e assisti ao fim do jogo da Libertadores ⚽ que estava sendo transmitido, após o uruguaio Fernando configurar a TV para mim. Alguns hóspedes disseram-me para deixar a porta do quarto fechado para que o gato não entrasse e deitasse na cama. Abaixo a Praia de Boca da Barra.

      Na 6.a feira 21/9 fui explorar Boipeba. Após café da manhã com parte do que havia comprado, fui andando pelas praias, passando por Boca da Barra, Tassimirim, Cueira, Moreré e Bainema. Achei as vistas muito belas . Para chegar até Moreré precisei atravessar um pequeno rio. Como a maré estava alta, passei pelo trecho que tinha pedras, pois disseram que mais perto da praia havia ostras que poderiam cortar os pés. No fim da Praia de Bainema, encontrei Caetano, pescador e morador de Castellanos, que estava indo para lá. Perguntei se poderia ir com ele, pois haviam dito que a trilha era muito difícil. Ele concordou e fomos. Ele foi dando informações sobre a trilha e num determinado momento abriu um coco maça 🥥, que eu nem sabia que existia. Ofereceu abrir um para mim também e eu aceitei. Achei uma delícia . Tinha a consistência de maça com sabor de coco. A partir de um determinado ponto, a trilha seguia pelo meio do mangue. E mais à frente, começava a ter água do mar. Caetano pegou 2 caranguejos-siri 🦀 na trilha. Quando chegamos ao local onde estava o barco dele, a água já estava na altura da coxa. Daí para frente fomos de barco e saímos em um rio, que atravessamos junto com Marcelo, que se uniu a nós na outra margem, mas ainda longe do ponto final de destino na praia. Após chegar lá conheci sua família e amigos. Ele me explicou o caminho de volta e disse que seria mais fácil, pois a maré já estaria baixa. Ofereci-me para ajudá-lo a fazer uma página na internet para divulgar possíveis serviços de guia e outros e ele disse que me enviaria mensagem por celular com seu contato. Eram perto de 14 horas e fui caminhar até a Ponta de Castellanos. Achei as paisagens espetaculares, entre as melhores da viagem . Tanto do mar, quanto da praia, rio e vegetação. Fui andando rápido, pois não queria pegar escuridão na volta. Após deliciar-me com as paisagens magníficas, chegar até a ponta e tentar ver o povoado de Cova da Onça, voltei acelerado. Quando cheguei ao ponto em que havia desembarcado e perguntei onde era o início da trilha para sair no ponto mais curto de travessia do rio, Marcelo e João do Barco, seu tio, disseram-me que me atravessariam, pois tinham que atravessar mesmo e poderia ser perigoso eu atravessar nadando aquele rio extenso (realmente era bem mais extenso do que eu tinha imaginado quando perguntei a Caetano se poderia ir com ele). Acho que eles tinham ficado esperando por mim. Antes de atravessar reencontrei Alexandre, atendente do hostel de Barra Grande, que estava tomando algo em um bar restaurante da praia. Ele perguntou se tinha corrido tudo certo ao falar com Maria (a dona) sobre o atraso, disse que sim, desejei-lhe boa folga e fui. Eles me atravessaram e me deixaram já dentro do mangue, pouco depois de onde eu havia embarcado com Caetano 👍. Agradeci muito, pois realmente atravessar aquele rio nadando teria sido duro . A água estava mais baixa e quando cheguei ao ponto em que havia subido no barco de Caetano, já estava quase seco. Segui pelo mangue sem me perder e cheguei de volta à Praia de Bainema. Entre a ida e a volta vi alguns caranguejos e pássaros 🐦 no mangue. Vi também tartarugas mortas nas praias e piscinas naturais em vários pontos. Voltei e passei pelo rio que levava a Moreré ainda com claridade. Com maré baixa pude atravessar pela praia mesmo. Entretanto acabei pegando o fim da trilha à noite, o que foi um pouco problemático num ponto que passava por dentro de mata, pois era difícil enxergar, visto que as árvores tapavam a luz da Lua e das estrelas. Mas foi um trecho curto. Jantei espaguete com legumes, biscoito e goiabada. Mariana, uma das funcionárias voluntárias do hostel, falou-me que no dia seguinte ela e 2 amigas iriam até Castellanos e perguntou se eu não queria ir junto. Expliquei que tinha ido naquele dia e disse que um pescador e morador que me atravessou para lá desejava atuar como guia também e tinha ficado de me enviar seu contato. Ela se interessou e fiquei de repassar para ela assim que recebesse, mas Caetano não me enviou seu contato. À noite houve uma festa gratuita com música no bar do hostel, que era comandado por Melissa, argentina de Puerto Madryn e por uma mineira. Lá reencontrei um surfista que havia me dado orientações quando estava em Bainema e se ofereceu para guiar Mariana e suas amigas até Castellanos, mas Mariana acabou optando por outra alternativa.
      No sábado 22/9 fui andando até Cova da Onça. Após café da manhã, semelhante ao do dia anterior, parti e fui procurar o início do que chamavam de Caminho do Trator. Era a estrada por onde passava o trator de coleta de lixo. Após andar por algumas ruas da cidade, encontrei-a e a segui por cerca de 2 horas até Cova da Onça. Ela tinha belas paisagens, era de areia ou terra e estava em sua maioria deserta. Passei por uma comunidade quilombola onde confirmei o caminho. Num dos pontos mais altos achei a vista do mar e da costa muito bela. Ao chegar ao povoado, surpreendi-me com seu tamanho, muito maior do que havia imaginado. Tinha praias com mangue e barcos. Após andar na pequena orla, perguntei a alguns moradores se era possível ir em frente e ver a paisagem ou chegar até o rio que a separava do caminho que levava a Pratigi e Barra Grande, por onde eu queria ter passado mas não consegui. Explicaram-me que havia uma trilha pela orla em que depois eu subiria e iria parar nos campos, onde se poderia ver amplamente a paisagem. Segui a trilha conforme indicaram e cheguei num ponto bem alto, em que pude ver a vegetação, a mata, a costa, as praias, os rios, o povoado do outro lado do rio e toda a natureza ao redor. Achei a vista espetacular. Foi, juntamente com o Mirante de Morro de São Paulo, a vista de que eu mais gostei na viagem. Mas se tivesse que escolher uma só, escolheria esta. Após descer, perguntei se poderia pegar um coco das árvores da orla. Amantino e seu amigo pegaram dois cocos com bastante água e massa para mim e um para ele. Enquanto comíamos os cocos ficamos conversando. Ele me falou que havia morado e trabalhado em São Paulo e que agora estava aposentado. Apareceu uma menina de uns 8 anos, chamada Júlia, e perguntou porque a minha camisa estava suja daquele jeito e se eu morava no mato. Eu ri, respondi que não morava no mato e a camisa estava suja de tanto abrir cocos manualmente nas praias. Ofereci coco para ela e ela não aceitou (acho que ficou com medo ou com vergonha), mas depois que eu estava acabando, pediu ao dono do bar em frente aos coqueiros (talvez algum parente seu) para pegar um coco para ela, mas ele disse que não iria pegar cocos naquele momento. Antes de voltar, resolvi perguntar se havia uma trilha para a Praia de Castellanos, como alguns haviam dito no dia anterior. Disseram-me que sim, bastava seguir o caminho do trator (era outro ramo). Segui a trilha e em cerca de 1 hora cheguei lá. Achei muito bonita a paisagem da trilha no meio da mata, com pássaros. Foi fácil, com pouca probabilidade de erro, ao contrário do que me haviam dito 1 dia antes. Novamente apreciei a bela vista daquela localidade. Tomei 2 banhos de mar pequenos, andei até a Ponta dos Castellanos novamente, fui até a curva de onde se avistava o local onde havia desembarcado 1 dia antes e depois voltei. Peguei 1 hora de escuridão, passando por um trecho de mata em que havia vários morcegos. Ofereceram-me carona por 2 vezes, eu agradeci e recusei, pois achei que não era necessário. Jantei espaguete com legumes, com biscoito e goiabada de sobremesa. Na 6.a feira ou no sábado eu fui visitar a loja de artesanato de uma argentina que havia se mudado para lá e um restaurante típico baiano, com quadros, que ficavam na ladeira que ligava a praça central ao porto. Gostei de ambos, que me atenderam muito bem.
      No domingo 23/9 aproveitei para descansar. Após acordar fui pesquisar como cruzar o canal para ir a Morro de São Paulo. Atravessei e voltei nadando e me convenci de que precisava de um barco, pois a partir de certo ponto a água me cobriu. Depois comprei R$ 1,60 em pães (cebola, coco, milho e arroz) e R$ 2,00 em pepino e chuchu para o café da manhã e o jantar, ambos com dinheiro. Após o café da manhã, fui visitar os pontos de interesse que eram próximos ao centro. Fui à Casa de Farinha, Mirante do Quebra Cu, Igreja (que estava fechada) e Mirante Céu de Boipeba (dentro de uma pousada ou hotel, que os donos permitiram acessar). Achei as construções antigas interessantes e a vista dos 2 mirantes muito boas, mas preferi a do Mirante da Cova da Onça. Do Céu de Boipeba eu fui pela trilha até a Praia de Cueira, onde passei o resto do dia, contemplando e descansando. Já havia gostado daquela praia anteriormente e continuei gostando, agora com o dia todo para desfrutar. No fim da tarde vi o pôr do sol, que teve cores avermelhadas e alaranjadas. Tomei 2 banhos de mar ao longo do dia. À noite chegou ao hostel o carioca André, que tinha ido prestar um concurso público e decidido ficar mais um dia para conhecer a área. Ele morava e trabalhava com turismo em Ilhéus, sendo dono de um hostel e organizando excursões de Ilhéus a Morro de São Paulo. Levei-o para um passeio à noite, para apresentar o pouco do centro que eu conhecia e aproveitamos para tentar ir conhecer a igreja. Mas estava havendo missa e eu não entrei. Porém pude apreciar a vista do mar e da orla a partir da sua lateral. Era noite de Lua cheia e eu achei o céu muito belo. Ainda deu tempo de ver um pouco de Cruzeiro x Santos pelo campeonato brasileiro. O uruguaio Fernando, que torcia para o Peñarol, falou-me que não tinha boas lembranças do Santos nem do Palmeiras, que tinha sido o jogo da 5.a feira anterior.
      Na segunda-feira 24/9 fui para Morro de São Paulo. Comprei R$ 1,20 com dinheiro em pães (2 de cebola e 1 de arroz) para o café da manhã. Despedi-me de André, que foi dar um passeio nas praias. Fui visitar a Igreja do Divino Espírito Santo, que desta vez estava aberta. Aproveitei para apreciar a vista a partir do mirante durante o dia, que me pareceu muito boa. Quando entrei no terreno atrás da igreja em que ficava o cemitério, um homem que estava cavando um túmulo disse que estava preparando a minha cama . A seguir visitei o Museu dos Ossos, que tinha fragmentos de ossos de baleias e outros animais marinhos. Depois voltei ao hostel, peguei a mochila e fui procurar a travessia para a Praia do Pontal, mostrada abaixo.

      Paguei R$ 10,00 em dinheiro por ela. Inicialmente fui no sentido oposto para conhecer um pouco a área e depois rumei para Morro de São Paulo. Caminhei pela praia passando dentro de trechos de mangue, o que achei sensacional. Peguei um coco, que deu enorme trabalho para desbastar até a casca dura, pois não havia nada cortante por perto. Um rapaz passou 2 vezes de moto enquanto eu tentava desbastá-lo e me perguntou se eu havia visto um chapéu. Respondi que não, mas que se encontrasse deixaria na barraca que ele indicou. Na saída de uma das trilhas de mangue havia uma árvore com vários ninhos de pássaros. Logo em seguida cheguei à Praia de Guarapuá, que achei magnífica. O mar tinha vários tons de verde e azul, conforme foto abaixo.

      E o banho foi delicioso. No fim da praia, indicaram-me para pegar uma trilha permitida por dentro de uma fazenda, cuja paisagem de mata muito me agradou. Um caçador que encontrei no meio do caminho deu-me informações preciosas sobre a trilha. Ele estava colocando ratoeiras. Já perto do fim da trilha, um rapaz que estava pegando cocos e caranguejos guaiamuns, abriu o coco para mim. A água estava já um pouco passada, mas mesmo assim tomei e aproveitei. Tinha muita massa, já seca, o que me permitiu comer em várias ocasiões. Logo a seguir cheguei na praia (5.a Praia), voltei um pouco até o mangue, para conhecer toda a extensão, e depois fui pela praia, apesar da maré já bem alta, rumo a Morro de São Paulo. Em Morro de São Paulo fiquei no Hostel La Casita (https://www.facebook.com/lacasitademorro) por R$ 25,00 a diária pagos com cartão de crédito. Os donos eram argentinos e havia vários hóspedes argentinos e chilenos. O hostel tinha muita comida comunitária (arroz, feijão, queijo ralado, farinha de milho, temperos etc), o que enriqueceu minhas refeições e achei uma ótima ideia, pois para quem vai ficar pouco tempo é inviável comprar a quantidade normalmente vendida destes itens. Na primeira noite uma mineira funcionária voluntária, do mesmo tipo que troca hospedagem e refeições por trabalho, fez um bolo de cenoura de que gostei. Fiz compras no Supermercado Estrela da Manhã (espaguete, goiabada, pepino e chuchu) por R$ 8,50 com cartão de crédito e em outro supermercado (cebola e laranja) por R$ 2,70 em dinheiro.
      Na 3.a feira 25/9 fui explorar Morro de São Paulo. Inicialmente comprei pães no Mercado Nativo (3 pães franceses, 3 pães de milho e 2 pães de arroz) por R$ 2,00 com cartão de crédito. Depois do café da manhã segui o caminho para a Praia de Gamboa. A trilha ia por morros e descia para a praia. Achei muito boa a vista do alto dos morros. Com a maré baixa, caminhar pela praia foi tranquilo. Já em Gamboa, o barqueiro Ângelo aceitou cruzar-me para o outro lado quando fosse seguir viagem e disse que o faria de graça. Eu pedi um preço, mas ele falou que poderia dar quanto quisesse, talvez só R$ 5,00 para pagar o óleo. Continuei até acabar a praia e depois segui pelo manguezal. Lá encontrei um pescador ou caçador de caranguejos que disse que a trilha poderia levar-me ao Galeão, mas que seriam 2 horas de trilha e que esta estava muito suja, com grandes chances de eu não conseguir. Resolvi então não ir e só caminhei mais um pouco até onde achei o caminho razoável. Não foi tão espetacular quanto a trilha entre Boipeba e Guarapuá, mas não deixou de ter certo interesse. Na volta, depois de chegar à praia, tomei um gostoso banho de mar. Perguntei a várias pessoas se dava para voltar pela praia com a maré como estava e quase todos disseram que não. Eu não tinha levado dinheiro para pegar o barco e a trilha sem ser pela praia passava pela comunidade Buraco do Cachorro, que disseram não ser segura porque tinha alguns redutos de crime. Como um nativo me disse que era possível ir pela praia, porém seria sofrido, resolvi ir pela praia assim mesmo. Até que não foi tão difícil, pois toda a primeira parte foi possível fazer por uma faixa estreita de areia, aguardando as ondas baixarem em alguns trechos, ou por cima de pedras. Depois surgiram trilhas laterais nos morros, o que facilitou tudo. Mais à frente encontrei algumas pessoas nas pedras e brincando no mar e elas me indicaram como pegar a trilha principal para chegar de volta a Morro de São Paulo. Aproveitando que voltei cedo, fui conhecer a Fonte da Biquinha, a fortaleza, as praças, a igreja e o farol. Depois fui aos mirantes, de ambos os lados do farol. Achei a vista espetacular, entre as melhores da viagem. Esperei para ver o pôr do sol do mirante principal, que estava lotado. À noite reencontrei Mariana, que agora estava como hóspede, preparando-se para ir fazer trabalho voluntário trocado por hospedagem e refeições na Praia de Pipa. Jantei espaguete com legumes, acrescido de um pouco dos itens comunitários (proteína texturizada de soja, arroz, feijão, farinha de milho e temperos). Depois fui dar um passeio na orla e apreciar a vista noturna. Havia uma passarela de madeira bem movimentada, que permitia andar perto da costa.
      Na 4.a feira 26/9 fui ver os peixes e descansar. Tomei café com pães, legumes e goiabada e fui ver os peixes nos recifes de coral da 2.a Praia. Antes de chegar na água pude ver as piscinas naturais que se formavam com a maré baixa, conforme foto a seguir.

      Havia vários tipos de peixes, ouriços e coral. Fiquei lá bastante tempo apreciando os cardumes. Conversei com um aposentado nordestino que morava em Sorocaba e estava fazendo o mesmo. Depois fui conhecer o Teatro do Morro, o Campo de Mangaba e o mirante perto da antena. Desci de lá e fui para a 3.a praia para ver mais peixes. Havia também bastante peixes e caranguejos, mas vi menos do que na 2.a Praia. Fui até a ponta do recife apreciar a vista do mar e depois fui para a 4.a Praia, onde fiquei contemplando a paisagem. Lá também havia peixes, mas eu já estava satisfeito e não tentei muito. Boiei 2 vezes no mar, pois era muito raso, mas gostei. Já perto do fim da tarde voltei ao Mirante da Tirolesa (ao lado do farol) para ver as pessoas descerem. Depois fui ao mirante principal do outro lado para ver o pôr do sol novamente. Achei as vistas espetaculares de novo. Comprei pães (3 franceses, 2 de milho e 1 de arroz) para o dia seguinte no Mercado Nativo por R$ 1,50 com cartão de crédito. Jantei espaguete, arroz, feijão, farinha de milho, legumes e temperos. Depois que eu já tinha começado a fazer o jantar, perguntaram-me se eu queria participar da noite de pizza que haveria, mas aí já era tarde. E acabou havendo uma festa, junto com a pizza. Eu já estava no quarto, mas ouvi as canções argentinas (pelo menos eu acho que eram).
      Na 5.a feira 27/9 fui rumo à Praia do Garcez. Após o café da manhã com sanduíches, laranja e goiabada e de passar pela passarela com vista para as piscinas naturais nos recifes de coral com maré baixa, fui para o porto para pegar o barco de linha para o atracadouro, que era do outro lado do canal. Antes passei pelo guichê de cobrança para pagar a taxa ambiental, mas a atendente isentou-me, dizendo que a cobrança não existia quando a entrada era por Boipeba. No barco encontrei a argentina que tinha ficado no mesmo quarto que eu no hostel. Ela estava indo para Barra Grande. Peguei o barco da Quick Pousada e Transporte Marítimo por R$ 10,00 em dinheiro. Como ele era lento foi possível apreciar a bela paisagem com calma, incluindo os paredões de argila no caminho para Gamboa, exibidos na foto abaixo.

      Depois de chegarmos, despedi-me da argentina e comecei a caminhada rumo à Praia do Garcez. Fui perguntando a pescadores e habitantes locais se conseguiria cruzar o rio que havia lá e me disseram que com maré baixa conseguiria, mas pelos meus cálculos não chegaria no auge da maré baixa. Ao longo do caminho vi siris, periquitos, árvore com ninhos, casas de joão-de-barro e bastante sujeira também, mesmo em praias desertas. Havia também várias belas praias e trechos de vegetação, como esta área de mata da foto antes de chegar em Guaibim.

      Quando cheguei na Boca da Barra vi um rapaz aparentemente trabalhando ou esperando algo. Ele me disse que até há cerca de 15 minutos eu conseguiria atravessar, mas que agora a maré tinha subido e ele não sabia. Falou para eu fazer um teste. Fui pelo trecho que ele indicou e percebi que a água iria me cobrir. Desisti . Ele falou que havia muitos pescando e que quando um passasse ele pediria para me atravessar. Após alguns minutos, falou que seu primo vinha vindo de barco e que me atravessaria. Ele fez sinal para o primo que me permitiu embarcar e me atravessou. Ofereceu-me carona até o povoado de Ilha D’Ajuda, eu agradeci, mas preferi ir caminhando. Antes fui dar um passeio nos bancos de areia do outro lado da boca e tomar um banho de mar. Achei bela a área da barra do rio. Depois segui para o povoado. Havia muitas bifurcações na estrada, que era deserta. Acabei pegando um ramo errado e fui parar numa fábrica. Lá havia um rapaz trabalhando que me orientou sobre o caminho correto. No povoado fiquei na Pousada do Juraci por R$ 25,00 em dinheiro. Fiquei surpreso quando ele me falou que alugava quartos por R$ 150,00 por mês. Comprei R$ 5,40 (9 pães (francês, milho e leite), tomate, cebola e pepino) com cartão de crédito num mercado. Depois do jantar fui dar um passeio para conhecer um pouco do povoado e ainda pude admirar um pouco do céu noturno.
      Na 6.a feira 28/9 fui para Cacha Pregos, primeiro povoado da Ilha de Itaparica do meu roteiro. Um galo acordou-me cantando ao amanhecer . Tomei café da manhã, comprei pães (2 franceses e 1 de milho) no mesmo mercado por R$ 1,00 em dinheiro e rumei para Cacha Pregos. Peguei 3 cocos na praia, 1 com massa e 2 só com água, mas bem doces. Encontrei muitos siris na areia. Quando já estava perto de cruzar o Rio Jaguaripe encontrei um pescador que me perguntou se eu estava louco quando falei que pretendia ir a Cacha Pregos. Aí disse que tentaria um barco para me atravessar e ele respondeu que só mesmo se fosse assim. Quando cheguei no rio vi que a travessia era muito mais larga do que eu imaginava e que a margem em que eu estava era deserta. Tentei gritar para os barcos do outro lado, mas era tão longe que seria virtualmente impossível me ouvirem ou verem. Fui margeando o rio até ver uma espécie de iate ancorado. Fui em direção a ele para ver se conseguiria uma travessia. Conforme fui chegando mais perto vi outros barcos menores atracados numa espécie de trapiche. Apareceram alguns homens e comecei a atravessar um solo enlameado. Quando cheguei perguntei se eles iriam atravessar ou conheciam alguém que fosse. Eles disseram que iriam, porém no fim da tarde. Eram trabalhadores de uma fazenda de lazer, estavam consertando um barco e voltariam para Cacha Pregos após o trabalho no fim do dia. Então subi no trapiche, fui até a ponta numa espécie de abrigo e almocei os pães enquanto eles comiam suas marmitas. Combinamos de eu retornar no fim da tarde, deixei minha mochila no abrigo e voltei para a ponta da barra para ir à praia. Tomei banhos de mar e 1 banho numa pequena lagoa, além de ficar contemplando a paisagem. Na volta a maré havia subido e eu não tinha percebido o tamanho do impacto para o qual eles tinham tentado me alertar. Tive que atravessar a nado 2 razoáveis extensões de água onde antes era só areia enlameada. Após esperá-los, atravessei com vários outros trabalhadores da fazenda para Cacha Pregos. Durante a travessia eles me indicaram uma pousada barata. Passei antes numa de um espanhol que alugava via AirBnB, mas após falar com Zel da barraca, fui para a que eles e ela haviam indicado, que era a pousada 4 Estações (https://www.facebook.com/pages/category/Hotel/Pousada-4-Esta%C3%A7%C3%B5es-1650017345250201/) e lá fiquei por R$ 40,00 pagos com cartão de crédito. Após acomodar-me fui tomar um banho de mar e ver o pôr do sol a partir da praia em frente a ela, mostrado na foto abaixo.

      Depois fui comprar pepino, chuchu, cebola, pimentão, beterraba e laranja no supermercado por R$ 3,60 em dinheiro, 9 pães e 8 broas de milho na padaria por R$ 6,65 com cartão de crédito. Jantei sanduíches e depois fui dar uma volta na praia à noite, podendo desfrutar do céu estrelado.
      No sábado 29/9 saí rumo à cidade de Itaparica, mas sabendo que não chegaria lá em um dia. Logo de manhã fui tomar um banho de mar. Depois dei um passeio na praia até um pouco depois do ponto em que havia desembarcado, após o qual acabava a praia, para poder apreciar com calma aquele trecho. Passei na padaria para dizer que havia pego 1 pão a menos. Acreditaram e ainda me deram 1 pão a mais de cortesia. Depois do café parti. As praias estavam com bastante gente, pois era sábado, o que acho que tornou a caminhada mais segura, pois vários me disseram que a Ilha de Itaparica poderia apresentar trechos perigosos. Gostei bastante das paisagens, com o mar verde e já pude ver Salvador, lá longe, do outro lado da Baía de Todos os Santos. Tomei 2 banhos de mar ao longo do caminho, boiando na água calma. Uma foto de uma das praias, a Barra do Cavaco, pode ser vista abaixo

      Num determinado trecho fiquei preso pela maré numa passagem suspensa e tive que voltar e contornar pela rua. Resolvi parar em Mar Grande. Quando cheguei perguntei num restaurante sobre pousadas baratas e o garçom indicou-me algumas. Um rapaz que lá estava pediu para me acompanhar, pois queria receber alguma comissão da pousada. Porém estava meio alterado provavelmente por abstinência e acabou querendo influir na minha escolha para ganhar a comissão e depois pedindo para eu comprar um artesanato seu, pois ele queria fumar um baseado. Aí eu pedi para ele parar de me acompanhar. Ofereci pão, mas ele não quis. Iria ficar na Pousada Pôr do Sol, como ele havia indicado, tendo inclusive já fechado acordo de valor e condições com o atendente e informado que o rapaz havia me indicado, para o caso deles pagarem comissão. Porém eles não tinham o quarto pronto e me falaram para voltar depois das 19 horas. Pessoas locais haviam dito para mim que subindo um pouco acima da pousada e fazendo a curva era uma área perigosa, provavelmente de tráfico. O próprio atendente da pousada disse que aquela área era um pouco perigosa para turistas, mas que pela minha aparência achava que não haveria problemas. Resolvi arriscar. Fui então fazer compras para o jantar e o café da manhã. Ao descer a ladeira vi dois rapazes parados que pareciam estar vigiando e fiquei um pouco preocupado com a situação. Comi um acarajé no prato por R$ 3,00 em dinheiro, comprei R$ 2,00 em pães (7 pães, 4 franceses, 2 de milho e 2 de leite) na padaria em dinheiro (deram-me 1 pão de cortesia), R$ 0,92 em tomates, pepino e cebola no Mercado Fonseca com cartão de crédito e R$ 0,47 em bananas prata no BomPreço Bahia Supermercados com cartão de crédito. Quando voltei, já estava escuro, e ao começar a subir a ladeira, um homem sentado atrás de um caminhão, perguntou-me “Qualé que é?”. Assustei-me e respondi que só iria até a pousada. Ele me disse que poderia ir. Falei que iria depois então. Ele me disse para me aproximar. Não fiz isso. Perguntou se eu estava com medo alterando a voz e respondi que não, apenas voltaria depois. Outro rapaz mais acima falou “Tá de boa, pode vir”, mas eu optei por não ficar lá. Fui então para a Pousada Cigana (https://www.facebook.com/pousadaciganailha/), onde fiquei por R$ 50,00 em dinheiro, sem café da manhã. No dia seguinte descobri que existia um hostel na beira da praia por R$ 40,00 com café da manhã, que só não havia encontrado porque o rapaz que me acompanhou estava tão direcionado para a comissão que acabei não o vendo. Ao sair à noite para ver o povoado e a orla, vi 2 cavaleiros correndo pela lateral da orla. Quando chegaram perto do centro e o piso virou cimento na ciclovia, o cavalo de um deles caiu e ele foi junto. Mas nem um dos dois pareceu ter ferimentos mais sérios, embora o cavalo tenha demorado para se levantar.
      No domingo 30/9 fui para a cidade de Itaparica. Acordei e fui tomar um banho de mar. O portão estava aparentemente trancado e eu não conseguia abrir. Mas um hóspede mais acostumado conseguiu abrir facilmente e pude sair. Fui até a igreja antes para poder visitá-la, mas perguntei ao moço que a estava arrumando para a missa se poderia visitá-la com calção de banho e camiseta regata (de alças) e ele disse que não. Então fui para o mar e depois voltei. Ainda consegui visitar um pouco antes da missa, mas já com bastante gente. Comprei R$ 2,00 em pães (4 franceses, 2 de milho e 2 de leite) na padaria em dinheiro (novamente deram-me 1 pão de cortesia) e R$ 1,13 em tomate, pepino e cebola no Mercado Fonseca com cartão de crédito. Tomei café com o que tinha comprado e mais bananas do dia anterior. Depois saí com destino à cidade de Itaparica. Disseram-me que haveria trechos desertos, com matagal na beira da praia que poderiam ser perigosos, mas como era domingo as praias estavam com bastante gente e não tive nenhum problema de segurança, nem nos trechos mais desertos. Realmente passei por trechos com matagal ao lado e trechos desertos ao lado de morros, com muitas pedras e recifes na praia. Achei as paisagens belas. Passei por Bom Despacho, local de onde saíam os barcos para Salvador. Em frente ao local de embarque havia um quebra-mar, que tinha uma pequenina praia de areia embaixo e permitia uma bela vista. A foto a partir do local está abaixo.

      Perguntei no porto sobre horários, formas de pagamento, preços e segurança para ir a pé do ponto de chegada ao Pelourinho em Salvador. Ao chegar em Itaparica, enquanto procurava local para me hospedar, aproveitei para conhecer e apreciar as construções históricas do centro. Fiquei no Veranda Hostel (https://www.tripadvisor.com/Hotel_Review-g659906-d15207946-Reviews-Veranda_Hostel-Itaparica_Ilha_de_Itaparica_State_of_Bahia.html), cujo proprietário, François, era da Namíbia. A vista a partir de sua varanda agradou-me muito. Inicialmente combinamos R$ 45,00 a diária no cartão de crédito, sem café da manhã. Comprei R$ 3,00 (batata e chuchu) em uma mercearia e R$ 1,60 (tomate e cebola) em outra, pagando ambas com dinheiro. Ainda deu para ir à praia e lá fiquei por algum tempo, contemplando a paisagem. Estava lotada. Tomei 2 deliciosos banhos de mar, com consentimento dos salva-vidas para ir ao fundo. No fim da tarde ainda vi o lindo pôr do sol a partir da orla que ficava de frente para o hostel. Saindo de lá assisti ao resto do jogo entre Internacional e Vitória num bar. Os torcedores estavam revoltados com o pênalti que o árbitro havia marcado no fim. Depois fui à padaria comprar R$ 2,00 em pães (3 franceses, 1 de milho e 1 de leite) com cartão de crédito. Cozinhei batatas e juntei com o resto para o jantar.
      Na 2.a feira 1/10 aproveitei para conhecer melhor Itaparica. Tomei um banho de mar logo pela manhã. Comprei R$ 2,00 em pães (franceses, milho e leite) em outra padaria mais próxima, tomei café da manhã com sanduíches e banana, e fui fazer compras para os dias restantes no supermercado por R$ 8,64 com cartão de crédito (espaguete, berinjela, tomate, cebola, pepino, goiabada e pães (franceses, milho e leite)). Depois passei pela secretaria de turismo e me deram várias informações de pontos a visitar, pontos em que era seguro ir e em que não era e como voltar para Bom Despacho pela estrada caminhando. Uma moça perguntou-me se eu não tinha medo de caminhar sozinho pela praia. Então fui visitar os pontos de interesse na cidade, várias construções históricas, igreja, prefeitura, casas antigas, praças, Capela de Santo Antônio, exposição de fotos antigas da região na biblioteca e a marina. Dei também um passeio completo na orla central. Nativos disseram-me para não ir às praias depois da marina, nem à Biquinha, pois não era seguro devido à possibilidade de assaltos ou violência, mesmo vestindo somente calção de banho e camiseta regata. Após um leve almoço de pão com chuchu e pão com goiabada, fui à praia de Ponta de Areia, por onde havia passado no caminho de vinda e de que tinha gostado. As praias estavam bem mais vazias, mas não houve nenhum problema de segurança. Lá conversei com cariocas que estavam de férias sobre o Rio, Niterói e a situação eleitoral naquela semana que antecedia o 1.o turno das eleições. Tomei alguns banhos de mar e contemplei a paisagem. Num dos banhos, virou o caiaque de um rapaz que estava a meu lado com o guia. A água não o cobria, mas pelo susto e o choque com a água, acho que ele ficou assustado e com isso eu fiquei preocupado, mas tudo ficou bem. Perto do fim da tarde voltei para a praia central do forte onde tomei mais banho de mar. Em algumas situações ao longo do dia foi possível ver peixes pulando na água. Por fim fui contemplar o pôr do sol na orla novamente. Achei-o muito belo nos 2 dias. Segue uma foto dele.

      Jantei espaguete com legumes e pão com goiabada de sobremesa. Fiquei na varanda contemplando a paisagem noturna da Baía de Todos os Santos e as luzes dos povoados distantes do outro lado.
      Na 3.a feira 2/10 novamente tomei um banho de mar logo após acordar e depois o café da manhã com sanduíches, pão e goiabada. Resolvi ficar na praia pela manhã, pois o dono do hostel permitiu-me sair até as 14 horas. Conversei bastante com o salva-vidas, que era o mesmo do domingo. Falamos das diferenças da vida na Bahia e em São Paulo, que ele nunca tinha visitado, mas via pela TV, principalmente como as pessoas gastavam tempo para chegar em seus locais de trabalho. Dizia que não tinha vontade de morar lá. Depois de contemplar, descansar e tomar 2 banhos de mar voltei para o hostel para um leve almoço e ir embora para Salvador. Na hora de pagar com cartão, François disse-me que a máquina não estava disponível e não seria possível. Propôs então que eu pagasse R$ 50,00 pelos 2 dias, ou seja, R$ 25,00 a diária. Perguntei se isso não iria lhe dar prejuízo e ele disse que não, pois como eu tinha ficado sozinho e era fim de mês e ele precisava fechar a contabilidade com um valor não tão alto, não havia problema. Perguntei várias vezes, ele confirmou que não havia problema para ele e então paguei os R$ 50,00 em dinheiro. Tinha pego o sabonete que ele me deu como cortesia e não tinha usado, pois ainda tinha o meu. Devolvi para diminuir o custo dele com minha hospedagem. Antes de começar meu caminho, pedi a um taxista a confirmação de qual era o caminho mais indicado e ele me indicou o caminho que todos haviam dito ser o mais perigoso, passando pela Biquinha. Quando o questionei sobre a segurança, ele respondeu ironicamente rindo que pelo caminho que eu iria havia mais bandidos. Ignorei as sugestões dele. Fui caminhando pela Avenida Beira-Mar. Não tive nenhum problema de segurança, embora houvesse alguns trechos desertos. Achei belas as vistas da orla a partir dos pontos elevados. Peguei o barco das 16 horas em Bom Despacho. Paguei R$ 5,00 com cartão de crédito para a Internacional Travessias (https://internacionaltravessias.com.br). Cheguei em Salvador perto das 17 horas. Achei magnífica a vista da Baía de Todos os Santos, de Itaparica e de Salvador a partir do barco durante a travessia. A foto abaixo mostra a vista de Salvador quando estávamos chegando.

      A foto abaixo mostra o pôr do sol pouco antes de desembarcarmos.

      Fui andando até o Pelourinho sem problema nenhum. Fui por Santo Antônio, onde havia visto os hostels com preços melhores. Fiquei hospedado no Hostel Pelo do Carmo (https://www.facebook.com/Hostel-Pel%C3%B4-do-Carmo-1836152616404294) por R$ 15,00 em dinheiro, sem café da manhã. O hostel tinha 7 meses desde a inauguração e ficava num casarão antigo. Optei por este hostel, além do preço, pela vista espetacular da Igreja do Carmo, a partir da janela do quarto e pela vista da Baía de Todos os Santos a partir da sala de TV. Lá conheci um libanês, que morava em Brasília, um catarinense e um campineiro, com quem conversei bastante. Fui visitar o Forte de Santo Antônio e a Igreja de Santo Antônio e comprar chuchu, cenoura, cebola, pepino e pães no Bar e Mercearia do Carmo por R$ 7,13 com cartão de crédito. Depois fui passear um pouco pelo Pelourinho e assistir alguns espetáculos artísticos. Assisti vários conjuntos musicais, especialmente Tambores e Cores (https://www.facebook.com/fernando.barretodealmeida.1/videos/vb.100005659626174/924642111067768). Após ver um pouco do jogo da Libertadores fui dormir.
      Na 4.a feira 3/10 tomei café da manhã com sanduíches e goiabada, apreciei pela última vez as vistas da Igreja e da Baía, despedi-me do campineiro que iria à praia e saí para o aeroporto. No caminho comprei R$ 1,00 em pães para o almoço numa mercearia ao lado da do dia anterior, mas em que o pão era mais barato. Mais à frente, já perto da estação de metrô, visitei a Igreja de Santana, que achei muito bela e bem restaurada. Ainda pude ver o fórum, em frente à estação e embarquei. Paguei R$ 3,70 pelo bilhete unitário. Achei muito bom o metrô de Salvador e bem mais vazio do que o de São Paulo, talvez porque a extensão fosse bem menor. Como ele era quase todo por via aérea, foi possível apreciar a vista de várias partes da cidade. No aeroporto havia um ônibus gratuito da estação de metrô até o embarque. O voo foi bom, mas a vista da Baía de Todos os Santos não foi tão espetacular quanto eu já havia visto outras vezes. Em Guarulhos peguei o ônibus gratuito que me levou do Terminal 2 até a recém inaugurada estação de metrô do aeroporto. Paguei R$ 3,69 pelo bilhete de metrô (carreguei múltiplos) para ir até o Brás, com conexão gratuita para Linha Vermelha no Tatuapé.
    • Por mcm
      De volta ao Piauí. Um ano antes, no mesmo feriado de 12 de Outubro, conhecemos um dos maiores tesouros nacionais que é a Serra da Capivara. Este ano conseguimos novamente preços aceitáveis para curtir o feriado no Piauí, e dessa vez escolhemos o litoral. Conhecer o Delta do Parnaíba, percorrer o menor litoral brasileiro, conhecer a vibe de Barra Grande (do Piauí, para não confundir com o homônimo da Bahia), As praias de Luis Correia, etc. Era o que estava nos planos. E, novamente, além de uma viagem de avião (Rio-Brasília-Teresina), teríamos uma longa viagem terrestre pela frente.
      Chegamos em Teresina de madrugada e apenas fomos dormir mais algumas horas num hotel nos arredores. Partimos para o litoral logo cedo no dia seguinte. O fluxo de carros era grande dessa vez, bem maior que na direção sul que pegamos no ano anterior. Ok, é sabido que muito mais gente visita o litoral que a Serra da Capivara. A viagem terrestre até Barra Grande do Piauí levou pouco mais de 5hs. São 400 km.
      Escolhemos Barra Grande como base por ter lido que era tida como a “Jeri do passado”, com ruas de areia e boa vibe. Acho que foi ótima escolha, é bem agradável passear pelo centrinho de noite. E bem badalado. A praia é ótima, e linda. Pousadas são relativamente caras – depois soube que a elite de Teresina adotou a região, daí os preços mais elevados.
      Nesse dia da chegada ficamos de relax na praia de Barra Grande por toda a tarde. Conseguimos uma barraca bacana (kyte), depois fomos curtir um pouco o mar (maré estava alta) e o espetacular pôr do sol numa barraca (capucho) um pouco mais afastada (menos gente!), em frente às pousadas de luxo de beira de praia que tem por lá. Vale repetir: o pôr do sol de lá é um momento sublime.
      Ah, e o vento. Constante, forte. Por isso as dezenas de kytes na água, o que dá uma beleza especial ao pôr do sol. Parecem pássaros ao longe. Não tem muito o que falar e descrever. Vale sentir e apreciar.
      Curtimos ainda uma piscininha noturna. De noite batemos perna no centrinho, esbanjamos num jantar finesse (restaurantes tinham longa filas por lá!) e fomos dormir. Vida boa.
      Sábado era dia de explorar o litoral. Usei como referência o ótimo relato da Érica Martins (https://www.mochileiros.com/topic/74878-relato-delta-do-parna%C3%ADba-litoral-do-piau%C3%AD-jericoacoara-7-dias/) e partimos no sentido inverso ao dela.
      Na viagem que fizemos para a Capivara encontrávamos sempre animais na estrada. As estradas são geralmente muito boas (para o litoral pareciam um pouco piores que para o sul), perigo maior são mesmo os bichos que de vez em quando cruzam. Entre as estradas do litoral, sobretudo em Cajueiro da Praia (Barra Grande), tinha muito bicho. Era galinha, porco, cachorro, gato, burro, bode, pato... praticamente um safari.
      Nesse dia (sábado) nossa primeira parada foi na Praia de Macapá, em Luis Correia. Praia de rio que desemboca no mar. Fomos seguindo a estradinha até nos depararmos com ônibus de turismo estacionados e carros fazendo manobras. Sinal de que é melhor voltar dali! Lotado de gente. Como a região é bem grande, recuamos para o primeiro bar de praia que vimos e fomos curtir a praia. Sublime.
      A Praia de Macapá, sobretudo naquela hora de maré baixa, é daquelas que eu posso estacionar e curtir durante longas horas. Vasta, cheia de curvas que são formadas pela combinação entre vento e maré baixa, belíssima. Muito pouca gente na região onde estávamos. Logo do lado tinha a maior galera num dos bares – aquele dos ônibus parados. Sempre tinha alguém curtindo um kyte também.
       
      Ficamos lá por um tempo e partimos. Nossa meta era explorar o litoral. Olhando para trás, eu teria ficado mais tempo por lá. Antes de partirmos vimos dois carros atolados na areia sendo resgatados. Areia onipresente em região de dunas e muito vento. Havia pontos na estrada com avanço das dunas (e máquinas trabalhando para retirar).
      Parada seguinte foi na árvore penteada, que lembra a árvore da preguiça de Jericoacoara (que, aliás, soube que tombou recentemente). É bacana, um ponto fácil para fotos. Acesso fácil e sinalizado.
      Dali em diante enfileiramos algumas praias para conhecer, mas acabamos apenas passando por elas. Praia do Farol (vazia, sem qualquer infra), as praias seguintes à do farol (algumas tem infra), a famosa Praia do Atalaia, urbanizada, e naquele dia beeeeeem cheia. Muita gente, muitos ônibus, flanelinhas, etc. Digo bem cheia, mas a praia também é bem ampla. Tem espaço de sobra para todos. Decidimos não parar. Ainda estiquei até a Praia do Farol Velho, mas que ficava numa região bem largada, parecia fantasma. Logo voltamos e seguimos viagem.
      Próxima parada foi a Lagoa do Portinho. No caminho, a duna literalmente tomou conta da estrada. Chegando lá... ainda bem que eu já tinha lido o relato da Érica. A Lagoa praticamente morreu, parece estar secando. É um lugar ainda bonito, eu diria, mas bem largado. Muita coisa abandonada. Tinha praticamente ninguém por lá. Um barqueiro veio oferecer passeio de barco, mas recusamos. Enfim, logo partimos.
      Fomos para Parnaíba, na zona do porto, para fechar um passeio ao Delta. Minha ideia era fechar com algum barqueiro para o dia todo, mas Katia vetou solenemente a ideia, ainda traumatizada com o barco pulante de Alter do Chão (não é nada terrível, ela que tem medo mesmo). De modo que, então, nos rendemos ao passeio habitual com a galera. Fechamos o nosso (70 pp) para 2ª feira. Naquela região tem a Sorveteria do Araújo, que é MUITO saborosa. Simples, e saborosa. Aliás, se tivéssemos nos hospedado por lá, acho que ali era o ponto de curtir a noite. Naquela hora, com o sol a pino, não tinha praticamente ninguém.
      Partimos para a Praia Pedra do sal, a única de Parnaíba. Galera diz que o pôr do sol de lá é bem bacana. A praia é bem grande, e dividida pelo farol. Embora houvesse bastante gente, havia espaço de sobra para todos. Ficamos um tempo por lá, mas não até o pôr do sol, que era o plano original. A praia é interessante, mas Barra Grande é melhor! (Macapá também – e aí me dei conta de que poderíamos ter ficado mais tempo por lá).
      Disparamos de volta para curtir ainda o pôr do sol em Barra Grande. O litoral piauiense é relativamente curto, mas a viagem da Pedra do Sol até Barra Grande leva coisa de 1,5 hora. Não é pouco.
      Chegamos em Barra Grande a tempo de curtir o pôr do sol, mais um. E mais um espetacular. Na mesma Barraca do Capucho, que se tornou nosso ponto final obrigatório de cada tarde. Tal qual o Restaurante o Nain, em Canoa Quebrada, semanas antes.
       
      De noite fomos compensar a esbanjada de ontem e fomos num restaurante mais guerreiro, no centrinho mesmo. Pagamos nada menos que ¼ do valor da conta anterior. Excelente custo-benefício! De resto ficamos batendo perna no centrinho, comendo tapioca doce e uma limonada com rapadura que era uma delícia.
       
      Domingo tiramos para ser um dia mais relax. Para curtir Barra Grande mesmo. Pouco carro. Amanheceu meio nublado. Partimos para Cajueiro da Praia, para conhecer o (outro?) Maior Cajueiro do Mundo, que (também?) fica lá. Tem mais estrutura do que eu imaginava. Não tinha ninguém, mas vc pode entrar numa boa. É interessante. 
      Cajueiro é uma cidade bem menor que as outras (Parnaíba, Luis Correia), e mais pobrezinha. Rodamos rapidamente, ainda era cedo de manhã e havia pouca gente. Tem um projeto Peixe Boi por lá, mas estava fechado.
      Conhecemos a praia local de Cajueiro da Praia, que é bacana. Mar calmo. Mas havia bares, já de manhã, com aquelas aparelhagens de som nas alturas. Isso espanta. Fomos retornando em direção à Barrinha, parando nos mirantes pelo caminho. 
      Passamos o resto da manhã na Praia da Barrinha, de relax. Aproveitamos para caminhar até a foz do rio que divide a Barrinha de Barra Grande. Se tem foz de rio, eu quero conhecer. Mais um belo lugar. Na verdade, no google maps consta como Lago da Santana. Seja o que for, belo lugar. Aliás, é possível (e fácil, na maré baixa, cruzar da Barrinha para Barra Grande.
      De tarde fomos para Barra Grande. Fazia aquele calor sinistro que faz na região quando não tem nuvem para proteger. Logo arrumamos um bar para estacionar e curtir a praia, a sombra, a cerva, e tudo o mais. A maré estava baixa, o que permitir entrar MUITO mar adentro. Vegetações e pedras cravejadas de mariscos surgem centenas de metros adentro. Fui lá conferir e curtir. Quando voltei a maré já estava em pleno trabalho crescente, o que requer atenção redobrada (para não esfolar o pé numa das pedras cheias de mariscos!).
      Curtimos nosso fim de tarde no mesmo lugar de sempre. Mas dessa vez uma nuvem fechou o tempo e não rolou pôr do sol. Chegou até mesmo a pingar. Coisa rara na região em outubro. Jantamos muito bem no Manga Rosa, repetimos as tapiocas e limão com rapadura, e fomos dormir mais cedo. Nossa última noite na área.
      No nosso último dia partimos logo cedo. A viagem até Parnaíba leva cerca de 1 hora. O passeio sai pouco antes das 9hs, do município vizinho de Ilha Grande. 
      O barco segue o rio, passa por um igarapé, mostra caranguejos (e faz uma encenação de um tal homem lama...). E chega num braço de areia que na verdade é uma praia no delta. Ou uma ilha: Poldros. É onde param os barcos de passeios organizados. Curtimos um tempo por lá, com céu fechado.
      Na volta, o barco para numa área de dunas belíssimas, onde também serve caranguejo para a galera. Subi as dunas e fui entrando por elas. Na minha frente tinha um cara ainda mais explorador. Visual extraordinário. Tudo seco, tal qual quando visitamos os Lençóis Maranhenses. Andei por uma lagoa seca, mas ainda relativamente úmida. A natureza é bela de diversas formas. Depois de um tempo, voltei e fui curtir um pouco de banho de rio. Sempre uma delícia.
      O passeio leva +- umas 6hs e acaba no mesmo ponto. Pegamos o carro e partimos direto para Teresina. Mais 4,5hs dirigindo. Como era 2af, a o São João Carne de Sol estava fechado. Paramos numa pizzaria guerreira logo adiante para matar a fome antes de devolver o carro e dormir algumas horas. Nosso caminho de volta ao Rio começaria de madrugada e dia seguinte era novamente dia de batente.
      Mais um feriado desbravando algum canto do Brasil!
    • Por joycepsantos83
      Desembarco dia 29/10 em Fortaleza aluguei um carro abaixo deixarei descriminado os meus trajetos caso tenha interesse em carona em algum deles só chamar!
      Dia 29/10 - Fortaleza para Jijoca de Jericoacoara 
      Dia 01/11 - Jericoacoara para Barreirinhas MA (Lençóis Maranhenses)
      Dia 05/11 - Barreirinhas para Parnaíba PI
      Dia 07/11 - Barreirinhas para Barra Grande
      Dia 08/11 - Barra Grande PI para Fortaleza (Posso Passar em Jijoca)
       


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