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  1. Fala senhores, Vai ficar do jeito que vcs quiserem. A plataforma foi atualizada pra versão 5. E o que está agora é temporário. Vai mudar tudo. Então, podem opinar que a gente arruma. Importante é que está 100% atualizado. Uma novidade são as páginas de tag. https://www.mochileiros.com/tags/manaus/ Vai ficar mais fácil organizar o conteúdo. As imagens da capa era temporárias. Já mudei!
  2. Acho que não, mas eu odiei, se bem que minha opinião não tem valor,mas sim se aparecer mais gente.
  3. 5. Posadas Cheguei de passagem em Posadas, fiquei pouco porque me dei conta de que, se queria ir pra Tucumán, Salta e Jujuy, precisava me apressar. Eu não tinha data de volta, saí sem planos concretos, mas de qualquer forma a ideia não era me estender demais. Fiquei no hostel Como en Casa duas noites, se não me engano deu 34 mil, ou seja 17 por noite, pouco menos de 70 pila no quarto compartilhado por diária. Infelizmente era o mais barato. Minha ideia em Posadas era vender arte e tocar na rua pra juntar uns pilas, mas acabei não tendo sucesso. Eu ainda não tinha entendido como a hora da siesta é levada a sério na Argentina, ainda mais em dezembro que faz um calor horrível no norte, então quando saí pra vender às 11 da manhã foi a pior ideia do mundo porque tava um sol do inferno e pouquíssima gente na rua, obviamente. Fiquei caminhando e vendo onde podia parar pra tocar meu pandeiro, mas além do pouco movimento pensei que eu ia pegar insolação e isso não seria nada bom. O melhor era dormir a siesta mesmo. No dia que saí de noite pra tocar na rua foi péssimo porque eu tocava uma música e vinha um louco me alugar pra ficar hablando y hablando. Acabo sendo muito legal e não corto os loko, daí ficam enchendo o saco, no fim consegui tocar umas 4 músicas e voltei pro hostel com meus pouquíssimos pesos adquiridos nessas de homens chatos icovits que não me deixaram trampar. Acabei desistindo, pensando que em Tucumán dava um jeito de compensar. O único lugar que visitei na cidade foi o Balneario El Brete, uma prainha bem agradável e bem gostosa de tomar banho. Tem tipo uns guarda-sol de concreto pra fazer sombra, então rola ficar embaixo curtindo, e na volta pela costanera passei pela estátua do Andresito, que é uma figura bem importante em Misiones. 6. Idinha pro Paraguai - Encarnación e Trinidad No segundo dia em Posadas acordei me dando conta de que já fazia quase um mês que eu tava na Argentina e não tinha ouvido nenhum argentino nem cogitar dizer a palavra café, quem dirá tomar um meio aos infinitíssimos mates. Catei um expressinho, tomei e fiquei fritaça de ansiedade e nesse estado fui pro Paraguai. A ideia era ir pra Trinidad, nas ruínas das reduções jesuíticas. E fui. Peguei um ônibus pra Encarnación por 4000 pesos, tipo 15 reais. Tinham me dito que valia mais a pena pegar esse onibus do que o trem que cruza o rio porque ele me deixaria de onde eu tava, perto do hostel, na rodoviária, e pra pegar o trem eu precisaria ir até a costanera e depois ir até a rodoviária no Paraguay, bem longe de onde o trem te deixa. Foi um dia muito difícil porque tem momentos que bate a panca de ser uma pessoa autista viajando sozinha e tendo que lidar com situações de crise sem auxílio nenhum. A pior parte disso foi que eu tava no Paraguai, lá não tinha internet porque meu chip era argentino e eu não tinha feito câmbio porque botei fé que seria tranquilo pagar tudo em pesos e no cartão, não tinha nem cogitado que pensar nos números dos preços das coisas e o caos da terminal de Encarnación podia me desencadear uma crise. Quase desisti de ir pra Trinidad porque tava completamente incapaz de fazer qualquer coisa, mal conseguia ver o mapa pra saber pra onde ir, mas consegui me direcionar pra praia que tem ali perto e fiquei olhando o rio na Playa de San José até me sentir capaz de tomar alguma decisão pós crise. Consegui me acalmar e voltei pra terminal pra comprar a passagem pra Trinidad, me custou 5 mil pesos pra ir e mais 5 mil pra voltar, mais ou menos 40 reais, que em guaranies seriam 40 mil. A viagem dura mais ou menos uma hora. Trinidad é um pueblito bem pequeno onde no meio tem esse parque das ruínas, se me lembro bem são as maiores reduções que sobraram e são também as mais recentes antes do fim desse momento histórico com a guerra guaranítica. A entrada custou 30 mil guaranies, só pode pagar em dinheiro paraguaio ou cartão, então como passei no cartão saiu um pouco mais caro mas igual não tanto, deu 38 reais. umas pinturas a caminho do parque Eles tem um museuzinho onde te colocam pra ver um vídeo sobre a história do local e tem uma exposição com uns painéis pra ti ler um pouco mais sobre o assunto. Dentro do parque, as ruínas do que era a redução, com a igreja, as oficinas, as casas dos guaranis, enfim, todo esse rolê. Passei um tempo ali olhando tudo e depois fui dar mais um giro no pueblo que tava bem agradável, fui parar no Parque Ecológico que é uma praça onde tem o Paseo de los Mitos, um caminho meio que nesse matinho urbano com várias esculturas de personagens mitológicos da cultura guarani/argentina. Além disso achei muito foda constatar que foi exatamente nesse lugar a pedreira onde tiraram as pedra pra construir os prédios da redução. algumas das estátuas e as marcas de cortes nas pedras Tinha visto no mapa um tal monumento ao aquífero guarani, cheguei lá e tava nesse estado Foi esse meu rolê paraguaio, peguei o bus pra voltar pra Encarnación, da rodoviária peguei o bus pra voltar pra Posadas e nisso levei muuuuuito tempo porque depois ouvi dizer que deu um acidente na ponte, então levei mais de duas horas pra conseguir cruzar a fronteira. Caos total (e foi depois disso tudo que fui tocar pandeiro na rua, que contei ali em cima) Dormi a segunda noite em Posadas e no dia seguinte era ruta otra vez.
  4. Fala galeris, Venho trazer meu relato de viagem na Argentina, passei 6 semanas viajando sozinha em novembro e dezembro de 2025 nas províncias de Misiones e Tucumán, com breves passagens em Foz do Iguaçu, Paraguai e Salta que vou comentar também. O rolê iniciou com um festival artístico que descobri que ia rolar em Puerto Iguazú que pirei em ir pra ver se eu aprendia a tocar bombo leguero com a galera das chacarera/malambo e com a desculpa de vender minhas artesanias. Depois disso me meti em voluntariados em sítios agroflorestais na selva misioneira, onde fiquei duas semanas morando sozinha em uma casinha de barro e trabalhando na roça alheia. O plano inicial era depois do voluntariado passar por Tucumán e subir até Salta e Jujuy, mas acabei mudando de ideia e fiquei só por Tucumán mesmo, passeando pelos vales, conhecendo cascatinhas andinas e tomando vinhos. Meu trajeto, todo por terra de busão, foi: Novo Hamburgo/RS - Foz do Iguaçu/PR - Puerto Iguazú/MIS - Puerto Libertad/MIS - San Pedro/MIS - Posadas/MIS (com um dia em Encarnación e Trinidad/PY) - San Miguel de Tucumán/TUC - Tafí del Valle/TUC - Amaicha del Valle/TUC - Cafayate/SAL - outra vez a San Miguel de Tucumán - e o trajeto de volta até Novo Hamburgo. A viagem durou 6 semanas, saí de Novo Hamburgo - RS em um bus a Foz do Iguaçu dia 17 de novembro de 2025 e comecei a voltar pra casa dia 26 de dezembro saindo da capital de Tucumán, chegando em casa dia 29. Nota sobre os preços: o câmbio real - pesos na minha viagem tava mais ou menos 1 real - 260/266 pesos, mas pra facilitar a viagem eu sempre calculava como 250. Então o tempo todo fingi que 1000 pesos são 4 reais, e assim fui indo. Todas as conversões aqui vão ser baseadas nesse câmbio imaginário que usei, mas no fim dá quase a mesma coisa. Levei pouquíssimo dinheiro em reais pra fazer câmbio, resolvi ir sacando com Western Union e achei que valeu bastante a pena, deu elas por elas entre isso e o câmbio. O único problema é que, se tu não se planeja bem e saca muitas vezes, eles podem bloquear teus saques e isso pode te dar muito problema... e é óbvio que isso aconteceu comigo. Esse é um resuminho inicial, agora vou contanto com mais detalhes cada etapa da viagem.
  5. 7. San Miguel de Tucumán A partir de agora esse relato tem no fundo uma chacarera. Quis passar por Tucumán porque dois anos atrás conheci dois tucumanos em Cusco e queria me encontrar com eles de novo, principalmente com um que me fiz mais amiga. Fiquei hospedada na casa dele, assim não gastei nada na capital. Paguei de Posadas a San Miguel 65 mil pesos, uns 260 reais. Foi bem barato porque o valor das outras empresas era de 90 a 100 mil, um absurdo, quase desisti. Viajei com a 20 de Junio, um ônibus muito confortável, recomendo muito. Foram 15 horas de viagem mais ou menos até chegar. Aí fechava um mês de viagem, saí de Posadas dia 18 de dezembro e cheguei em San Miguel no dia seguinte. O caminho é uma planura sem fim. Se passa pela borda dos Esteros del Iberá, que é tipo o pantanal argentino, e cruza todo o chaco até ir se aproximando das montanhas. Quando chega bem pertinho de San Miguel é que tu começa a ver os Andes de longe, coisa mais linda, já tava morrendo de saudade dessa paisagem. Já a cidade é uma cidade normal, uma grande capital qualquer com suas coisas de capital, praças, museus, bares, lojas, muita gente etc etc. Por lá passei a duvidar da minha fluência no espanhol. Existe um idioma tucumano a ser aprendido, que fala o r tipo gringo ou caipira e com muitas gírias específicas. Passei todos os dias com meu amigo conversando sobre os regionalismos, aprendendo a falar pingo, ura, lora, culeado e mais um monte de palavrão que eles usam cotidianamente. Mas, depois de uns dias, percebi que o problema não é meu nível de espanhol, com o qual me viro bem em qualquer lugar, mas sim o estado de consciência alterado que eu tava praticamente 24h por dia que deixava minha compreensão e fala um tanto dificultadas. Considerando que quando eu tava sóbria eu tava de ressaca, faz sentido. Ali também entendi a real real importância da siesta. Tinha vontade de vender arte e tocar na rua de tarde, de passear e visitar uns museus e praças, mas era simplesmente impossível. Só rola viver depois das 17h pelo calor insuportável, mas logo fugimos da cidade e fomos passear pelas montanhas. 8. Tafí del Valle Passei o dia que cheguei e mais uma noite em Tucumán e saímos cedinho rumo a Tafí del Valle. A empresa que faz viagens pros vales é a Aconquija, muito confortável e até com bastante horários. Tem ainda umas promoções se tu compra ida e volta junto, por exemplo, de Tucumán capital pra Tafí del Valle só ida me saiu por 15 mil (R$ 60), mas se eu comprasse ida e volta poderia ter pago 20 mil (R$ 80) pelas duas passagens, ou seja, 10 mil (!!! 40 pila) de desconto. Vale muito a pena ter esse planejamento, mas nós não tínhamos rsss só fomos indo, não sabíamos se íamos voltar antes ou depois do natal. O caminho de Tucumán pra Tafí é incrível. A subida dos Andes é passando pela vegetação dos yungas, que é uma floresta úmida de altitude, parece que tu tá subindo a Serra do Mar de 2000m de altitude. Daí quando passa os yungas e chega a Tafí, é tudo mais campo e arbusto beem verdinho. os yungas da subida pra Tafí e a paisagem de quando acaba a floresta Chegamos lá pelo fim da tarde. Tafí é um lugar muito visitado pelos argentinos, vão lá com frequência alugar casas e cabanas pra passar uns dias nas férias, então apesar do rolê turístico tem muitos nacionais também, o que me gusta. Nos hospedamos na Hostería Los Cuartos, não foi muito barata mas meu amigo quis ficar lá porque achou que compensava. Tinha um café da manhã bem bom e na noite tinha peña no refeitório, que não assistimos mas é massa ter um showzinho de folclore dentro do hotel né. Custou 60 mil pesos o quarto duplo/matrimonial, tipo R$ 240, foi o mais caro que pagamos na viagem. Tava tudo meio fechado os lugares que meu amigo conhecia, acabamos comendo um sanduiche de milanesa e comprando uns vinhos pra ficar tomando na rua e batendo perna. Dizque a temporada começa em janeiro né, como estávamos viajando antes do natal ainda não tinha muito movimento. vista da cidade e a ponte que passa o rio embaixo Os planos do dia seguinte foram ir pro rio de manhã cedinho tomar mate, depois comprar comida pra almoçar, voltar pro rio, comer, dormir a siesta embaixo das árvores e beber vinho. Comemos empanadas e tamales, que é tipo uma pamonha recheada,e os vinhos todos topíssimos e baratíssimos, pagávamos tipo 15 reais por uns muito bons que aqui no Brasil custam uns 80 pila. Role perfeito, colocamos os vinhos e cidras pra gelar dentro do rio enquanto dormíamos na beira e depois ficamos por lá curtindo até chegar a hora do nosso ônibus pra Amaicha del Valle. o rio Tafí, meu amigo perro e meu amigo humano com nuestros vinos y tamales 9. Amaicha del Valle Depois do rolezinho bem tranqui em Tafí, seguimos pra Amaicha com a mesma empresa Aconquija, pelo jeito é a única que faz esses trajetos. Essa passagem custou 7 mil pesos (menos de 30 pila). Fomos pro Hostel La Revuelta, cuidado por um casal e o pai do cara. É um lugar muito agradável, acabamos pagando bem baratinho por causa do cara ser amigo do meu amigo, mas o preço normal é 17 mil pesos por noite (uns 70 pila) por pessoa. os mates de sempre, inclusive no ônibus, e o La Revuelta Chegamos de noite no pueblo, dormimos e no outro dia a ideia do meu amigo era ir na cascata El Remate, que ele já conhecia de outras viagens e queria ir de novo. Saímos de manhã e fomos em busca de transporte, não tem transporte público que leva até lá, então na praça central de Amaicha pegamos um remis (que é tipo um taxi, tem um ponto na praça onde eles ficam com os carros) e pedimos pra nos deixar no Dique los Zazos que é perto do lugar onde tem a cachoeira. Não anotei quanto pagamos, talvez uns 15 mil dividido entre nós dois. Compramos uns pães e fiambrito pra levar e fomos. rangos do dia e o tal do dique Chegamos no dique e meu amigo, que sabia a trilha (rs) começou a andar. Fomos indo, até ele notar que a gente na real tava se afastando da montanha onde tinha a cachoeira, nisso já tínhamos andado uns 2km seguindo uma trilha no dique, até que ele resolveu que na real estávamos errados, tínhamos que ter seguido pela mesma estrada que viemos no carro. Voltaaamos tudo e começamos outra vez, pelo menos o caminho era bonito e rolou aproveitar. Tem lugares que até curto me perder e ir pro lado errado, e esse foi um deles. Caminhamos mais quase 2km, agora pro lugar certo. Chegando lá foi só seguir as placas e ir seguindo as trilhas, depois li nos comentários do google que se cobra entrada mas quando chegamos não tinha ninguém, então pra nós foi de graça. Tem uma trilha curta que nos leva até a cascatinha, que é uma queda pequena mas incrível, me impressionei demais com a forma das rochas tão onduladas e lindas, as pedras com tantas nuances de cores, tantos minerais diferentes, fiquei viajando muito nessa formação. Tomamos uns banhos, tomamos uns mates, ficamos ali o dia todo curtindo. A volta fizemos a pé, 8km até Amaicha. Fomos indo devagarinho, comprando umas cervejas e cidras sempre que aparecia um boteco no caminho, até que chegando já bem perto de Amaicha passou um ônibus da cidade que resolvemos pegar pra terminar o caminho porque já estávamos cansados. Eu precisava sacar dinheiro, mas o Western Union de Amaicha tava sem efectivo, tentei na noite e tentei na manhã seguinte e não consegui, então eu já tava bem zerada. Já tinha gastado bem mais do que esperava nessas de ficar pegando remis pra chegar nos lugares e bebendo muito, mas também já tinha desapegado um pouco da grana porque tava amando o itinerário (e os vinhos) que meu amigo escolhia pra nós, resolvi botar fé nos desejos do nativo tucumano do que ficar indo nos lugares mais clássicos turísticos. Cozinhamos umas pizzas, tomamos unos vinos con soda e ficamos tentando decidir qual seria o rumo do dia seguinte. Ainda não sabíamos bem o que íamos fazer. Meu amigo queria ir pra Cafayate, pensamos em talvez ir nas ruínas de Quilmes, mas teríamos que decidir entre um e outro porque a ideia era não dormir mais uma noite, queríamos a princípio voltar naquele dia, que era 23 de dezembro, num bus noturno pra Tucumán pra não gastar mais uma hospedagem. No fim decidimos ir pra Cafayate cedinho e deixar de lado os Quilmes, meu amigo queria fazer um trekking que ele já conhecia de ter ido algumas vezes muitos anos atrás, então decidimos por isso. Sair cedinho, fazer essa caminhada e voltar de noite pra Tucumán, pra descansar o dia todo no 24 porque a noite seria uma loucura (spoiler: o natal na Argentina parace um ano novo…)
  6. Eu tb haha, sempre fico perdida quando muda, normal né... ontem tava esquisito, mas aquelas figuras já sumiram como bem disse o @Silnei então bora!
  7. Ainda tentando me acostumar, mas se veio para melhorar a pesquisa e aumentar o debate que seja bem vindo.
  8. É sempre esperado resistência a mudanças, e confesso que quando entrei ontem sequer consegui acompanhar os conteúdos devido ao layout 'estourado'. Agora já ficou bem melhor! Se essa nova versão traz melhorias, é sensato atualizar.
  9. Gosto muito do tema escuro, mas prefiro a página inicial e sub-fóruns com menos elementos, então acabei editando:
  10. Muito obrigada! Ajudou muito... escolhi o menor pacote para o período de 30 dias, 5GB. Na volta deixo registrado aqui como foi a experiência...
  11. Sim eu tinha instalado, mas obrigado por informar, vou cotar nele e no Uber. vc indica algum local para câmbio em Lima? Acredito quer em Miraflores seja melhor que no Aeroporto.
  12. Verdade. No mercado San Pedro e no San Blas tem muita opção boa por esse valor. E com porções bem generosas.
  13. se quiser economizar acho que dá sim, comida no peru é mais barata que no Brasil. Você consegue achar tranquilo menus de 10-15 soles
  14. Para os amantes de montanhismo e afins que curtem jogos eletrônicos, CAIRN foi lançado em jan/26 para playstation 5 e microsoft windows. Com uma mistura de sobrevivencialismo e simulador de escalada, o jogo nos coloca no papel de uma alpinista profissional que almeja o cume de uma montanha até então não conquistada. As mecânicas de escalada e gestão de recursos (por vezes escassos) são uma constante, assim como a necessidade de planejamento prévio e tomadas de decisões de rotas. Uma mão ou pé bem ou mal posicionado pode ser a diferença entre o sucesso e uma queda livre. Ao longo do jogo, reflexões sobre o sentido da vida, a "febre da montanha" e os efeitos da solitude enriquecem a estória. Antes de tudo, não, não sou pago para fazer propaganda do título. É que na verdade são raros os jogos que proporcionam tal experiência para viajantes ou afins. Tive o prazer de jogá-lo e não poderia deixar de recomendar
  15. eu sugeriria você ficar apenas uma noite em Águas Calientes, não há nada demais para fazer ali, além de Machu Picchu (mas pelo o roteiro, me parece que você irá fazer a Salkantay por conta, é isso? e retornará para Cusco pela trilha). Você chegou a avaliar o preço da trilha com a agências? Geralmente já está tudo incluído, inclusive o trem de volta, então às vezes compensa. E também sugiro uma noite em Ollantaytambo (acredite, você vai querer passar mais do que uma tarde ali, a cidade é mágica 🌟) Dito isso, penso que os valores estimado estão bem aproximados. em outubro/2025 estive apenas em Cusco por 10 dias e gastei no total aproxidamente uns R$6 mil lules (sem controlar muito orçamento, só fui vivendo um dia de cada vez e todo o dia comia fora kkk).
  16. Em Lima usei uber, super tranquilo. Ica/huacachina fica uns tuk tuk por ali nas ruas, só chegar, chorar o preço e pegar, muito tranquilo tbm. Em arequipa cheguei à noite na rodoviária, tinha uns táxis lá, negociei o preço até o hotel. Cusco idem. Puno tbm é na base do tuk tuk, mas tinha táxis tbm. No geral o transporte por lá, seja uber, táxi ou tuk tuk, foi bem tranquilo em todas as localidades que estive.
  17. Eu já tive a oportunidade de jogar 'Insurmountable', para PC, que simula trekking com uma pegada de RPG em turnos, desenvolvimento de personagem e controle de inventário. E 'A Short Hike', para Nintendo Switch, que tem uma pegada mais leve e divertida, com uma bela mensagem, puxando para um estilo de aventura.
  18. Ali nos arredores de Santiago você já consegue conhecer a neve, há várias estações de ski por perto... Pucon é melhor para atividades de verão, embora também tenha pista de ski no inverno. Se quiser combinar Santiago com outro destino, eu recomendo você passar uns dias no Atacama, pois aí sim veria paisagens bem diferentes.
  19. Aqui está o relato que fiz de lá! Já faz um tempinho mas dá pra ter ideia das atividades da região! https://www.mochileiros.com/topic/97962-4069km-pelo-chile-entre-vinhos-e-vulc%C3%B5es-17-dias/page/2/
  20. @BrunoMaia Apenas se você não tem problemas de pulmão e gosta de frio e neve.Chove demais na época em Santiago e provoca muita poluição. A cidade é cercada por montanhas, então fica tudo concentrado ali e Pucon, nesta época, é só Sky.
  21. 8º Dia 02/01/2026 - Los Angeles a Osorno - 420 km. Como sempre acordamos, fizemos o café, ajeitamos nossas malas, levamos para o carro para depois sairmos. Nesse dia precisamos verificar algumas coisas nos carros para ver se estava tudo ok. Fomos com o André para uma oficina da Bosch, enquanto eu e o Fred fomos buscar um lugar para arrumar aquele pneu que tinha sido rasgado na descida da Cuesta del Portezuello. Procura daqui e dali acabamos achando uma borracharia que tinha vulcanização e o borracheiro achou que conseguiria dar um jeito no pneu. Ele arrumou meio rápido demais, a gente saiu dar uma volta só que logo em seguida depois de apenas uma volta na quadra e o pneu já voltou a esvaziar . Voltamos à loja e ele fez um novo remendo. Dessa vez ficou bem melhor e conseguimos seguir para o shopping center pois todos já tinham ido para lá. Decidimos que iriamos até o shopping center para fazer troca de dinheiro na casa de câmbio. Por esse motivo que não acordamos tão cedo e não fizemos também o café tão cedo. Fomos até o Mallplaza bem no centro da cidade, deixamos o carro no estacionamento e lá dentro nos dividimos pois cada um estava querendo ver alguma coisa diferente. Eu fui logo procurando a casa de câmbio pois eu tinha US$ 200 e R$ 1900 para trocar por Pesos chilenos. Encontrei a casa de câmbio e o câmbio estava 1 Real para 180 pesos chilenos E 1 USD para 810 pesos chilenos. Fizemos compra no supermercado, a seguir botamos o pé na estrada para pegar a ruta 5. Essa estrada é toda pedagiada e é perfeita, então vale muito a pena pagar esse pedágio porque você roda nela a 110 por hora por diversas horas sem precisar quase nem diminuir a velocidade. Só diminui a velocidade nos diversos pedágios que são bem caros. Numa das paradas aproveitamos para fazer uma pesquisa e ver se achávamos alguma casa com um preço bom para alugar, então encontramos uma casinha bem bacana com 3 quartos e 5 camas que era perfeito para o que nós queríamos. Fomos ao mercado compramos o que precisávamos para janta, depois voltamos para casa fizemos a janta e fomos dormir relativamente cedo. Sem muito o que falar deste deslocamento a não ser que a nossa esquerda sempre aparecia algum vulcão nevado para tirarmos algumas fotos. Pela manhã seguinte tivemos surpresas...
  22. 7º Dia 01/01/2026 - Malargue a Los Angeles - 550 km. Acordamos um pouco tarde por causa da noitada e fizemos o nosso café. Após o café colocamos as coisas no carro e botamos o pé na estrada. Uma parte do caminho hoje já era conhecido por mim pois eu já percorri essa estrada para ir para a carreteira austral em 2013 para 14. Porém antes do pequeníssimo vilarejo de Bardas Blancas a gente já entrou e direita para percorrer o paso Pehuenche. À medida que fomos começando a subir a cordilheira o visual já ficava cada vez mais lindo. Montanhas com neve, um rio transparente cortando o vale. E assim fomos subindo até chegar a aduana da Argentina chamada de Las Loicas. Como haviam poucas pessoas poucos carros na estrada a passagem pela foi bem rápida. No meio do caminho havia a estrada que leva às termas de Cajon Grande que quero conhecer um dia. E antes de chegarmos a aduana do Chile passamos pela laguna del Maule que a princípio pensamos que fosse natural mas descobrimos que era um dique no alto das Montanhas. O visual do Lago é maravilhoso um pedaço do céu azul no meio da cordilheira. a maior altitude que passamos nesse trecho foi de 2555 m. bem menos que os 4700 que passaríamos pelo paso San Francisco que era nossa meta inicial. Após aduana da Argentina rodamos quase 70 quilômetros à frente para chegarmos até a aduana do Chile. Descemos do carro fizemos o trâmite como sempre, para a nossa surpresa não precisamos nem baixar as bagagens do carro e nem tivemos uma grande vistoria no carro. A fiscal foi bem tranquila, nem olhou quase nada. Foi uma das entradas mais rápidas e tranquilas no Chile que eu já passei. À medida que fomos entrando no Chile as paisagens foram se modificando pois deixamos o clima árido e seco das cordilheiras e da Patagônia Argentina para começarmos a entrar nas florestas de araucárias do Chile. Nesse ponto as belezas são diferentes e muito bem vindas aos olhares dos viajantes, vale muito a pena passar por esse lugar. Almoçamos em um restaurante chamado Las Juntas, um lugar aconchegante bonito na beira do rio com um visual bem bacana e com a comida excelente. A comida era muito boa o visual muito bonito, mas como todo restaurante do Chile o preço foi bem salgado. Não lembro exatamente qual foi o valor mas acredito que custou uns 90 a 120 Reais. Seguimos pela estrada e decidimos que iríamos dormir na cidade de Los Angeles onde a Nara Já tinha ficado em outra viagem que ela tinha feito para o Chile. Ela entrou em contato com uma pessoa que ela conhecia e reservou 2 apartamentos com um bom preço para todos os 6. O André e a Neusa ficaram em um apartamento enquanto Eu, a Nara, o Fred e a Josiane ficamos no outro apartamento. O grande problema é que era dia 1 de janeiro, feriado, e tudo estava fechado. Então foi complicado de conseguir achar algo aberto para comprar alguma coisa e fazer o jantar. Apesar disso achamos um lugar aberto, compramos o que precisávamos para fazer boa janta para todos. Como estávamos sem dinheiro decidimos que no dia seguinte pela manhã iríamos ao shopping onde tinha casa de câmbio para nós trocarmos dinheiro para seguir a viagem. Dormimos tarde como sempre.
  23. Já existe algum tópico pra discutir os pros e contras dessa mudança do layout ?
  24. Fui em setembro, a Vic Falls estava bem miada inclusive, muito seca, mas o rafting foi 10 de 10!
  25. Olá mochileiros, alguem indo para Bolivia na segunda quinzena de abril?
  26. eu também fui pra guatemala ano passado eu não tenho esse estilo slow travel, fiquei 10 dias e fiquei bem satisfeito, deu pra conhecer muito bem pessoalmente acho que você está dedicando MUITOS dias para alguns lugares 1 semana para lago atitlan por exemplo e você nem colocou santiago atitlan no roteiro por exemplo (o qual recomendo fortemente conhecer) mas com falei, alguns tem esse estilo slow travel mesmo
  27. Além de Puno que @Lucass7 mencionou, também incluiria Arequipa no roteiro.
  28. Onde fica Fiambala?Perto de Mendoza!Este lugar nunca sequer escutei falar.
  29. Neve não tem ainda,estará começando a temporada, bicicletas não sei, pois nunca usei.
  30. mete a cara sozinho na viagem
  31. Olá! Eu conheço, do seu roteiro, Zambia, Zimbabwe e Botswana! Inclusive estou com um relato em andamento da trip! Acho uma pena, pq Botswana, por enquanto, foi o país africano que mais amei conhecer... a logística de fato não é das mais fáceis, eu priorizei ele, por isso achei sensacional! Muita gente faz esse day trip desde VicFalls pro Chobe, vc pode dar sorte, mas é um safari bem superficial! O Chobe em si é fantástico, eu acampei 3 dias lá dentro, foi um dos melhores rolês da vida! O lance do safari desde de Vic Falls ser superficial é o longo deslocamento e os horários que vc entra e sai do parque. Eu fui no Parque a pé pelo lado de Vic Falls e vi a Devil's Pool. Na minha opinião é apenas um lugar "instagramável", pq de lá vc não vê muita coisa e o tempo que fica lá é curtíssimo, mas é a opinião de quem não foi, rs. Já o rafting no Rio Zambezi foi SENSACIONAL, e custava mais barato! Se eu tivesse dinheiro e tempo faria os dois, mas entre eles não me arrependo de ter feito o rafting! As cataratas Vitoria são lindas de fato, mas o fato é que as nossas Cataratas do Iguaçu dão um pau lá! kkkk... eu ia fazer esse role de helicoptero mas acabei desistindo, muita grana pra pouquissimo tempo, e conversando com a galera do hostel, a maioria achou bem meia boca. Com dinheiro e tempo eu faria tudo, mas sem ambos, deixei de lado sem dó. Na verdade peguei um certo ranço desse rolê pq vc escuta helicoptero das 8h da manhã as 7h da noite, em determinados locais vc mal escuta as cataratas! Dito isso, fiquei contente com a minha escolha de visitar o parque a pé pelo lado do Zimbabue e Mosi-oa-Tunya do lado da Zambia, por conta dos rynos! Acho que é suficiente sim!
  32. já estive na namibia, zimbabue,, zambia e botswana você fala de safari no deserto da nambia "(Sossusvlei, Fish River Canyon & Kolmanskop)" esse rolê não é bem safari, você até pode ver um orix aqui, um chacal la, um avestruz perdido, mas o foco não é animal e sim contemplativo da paisagem a paisagem do etosha é surreal, acho imperdivel ir na namibia e nao ir la no meu ver tem bastante coisa para explorar na região de swakpmound tmb sobre o Devil’s Pool ou Day Tour WhiteWater Rafting, eu achei os 2 imperdiveis, sinceramente impossivel escolher um sobre passeio aereo eu não fiz o day tour safari para chobe é legal mas fica aquele gostinho de querer mais, porque não entra na meiuca do parque. como tem todo a logística de chegar la e depois ir embora, o safari fica mais próximo das entradas . mas ainda vale a pena
  33. Fui de avião, como não tem vôo direto teve uma conexão em Istambul Eu cheguei e fui embora pelo Aeroporto de Dalaman Na riviera eu fiz base em Oludeniz, de onde também conheci Fethiye e Kas Kas foi uma grata surpresa, se voltasse firmaria base lá Conheci praias dessa região entre Dalaman e Kas A riviera turca é enorme né então se tiver mais tempo tem as regiões de Bodrum, Antalya e até ilhas gregas proximas que dá pra ir de ferry Mas pelo tempo que eu tinha eu fiquei bem satisfeito
  34. Acabei esquecendo de comentar uma coisa muito importante que me aconteceu em Puerto Libertad: tive uma reação alérgica por picada de inseto e achei que ia parar no hospital Como se tá no meio da selva misionera, tem muuuito mosquito. O que aqui no sul do Brasi la gente chama de borrachudo (não sei se é esse nome no resto do brasil, mas é aquele mosquito que deixa uma bolinha de sangue vermelha pequenininha onde pica) lá na Argentina eles chamam varigui (ou barigui, nunca sei se é com v ou b as palavras). Eu já sabia que tenho alergia, mas não achava que era um rolê tão sério, sempre ando no mato e nunca rolou nada assim... daí tranqui, fiquei lá de short e chinelo vivendo a vida, até que uma noite meus pés começaram a inchar e doer, eu comecei a me sentir meio fraca, trêmula e começou a fechar minha garganta... não tava mais conseguindo engolir saliva, e fiquei muito preocupada. Nunca carrego antialérgico comigo, mas por sorte dessa vez tinha levado umas loratadina, tomei, achei a brasileira do rolê e falei pra ela que se eu passasse mal ia chamar ela mas que não era pra se preocupar que eu achava que ia ficar bem (eu desesperada achando que não ficaria bem mas não querendo assustar a galera) Resultado: depois de umas horas de desespero bebendo água sem parar pra ter certeza que eu ainda era capaz de engolir saliva (que sensação horrível não poder engolir!!!) começou a diminuir os sintomas, mas fiquei tomando antialérgico por 3 dias porque ainda sentia, usando calça comprida, tênis e um repelente natureba que consegui comprar no festival, além de umas pomada também natureba pra aliviar os sintomas das picadas e pra não piorar a crise de novo. A estratégia foi tentar evitar novas picadas, principalmente nos pés, que é meu ponto mais sensível pra desencadear uma crise alérgica. Enfim, se vc é alérgico a algo, não ignore esse fato kkkk por sorte deu tudo certo e não precisei ir pro hospital, o que foi um alívio. Esse o quase perrengue que rolou, logo sigo o relato com Posadas, Paraguai e Tucumán
  35. 1. Foz do Iguaçu - PR Passei só uma noite em Foz, a ideia era dormir, acordar, ir cedinho pras cataratas e cruzar pra Argentina pra dormir a segunda noite lá. Me hospedei no Hostel Poesia, bem agradável e confortável, gostei bastante, paguei 66 reais com reserva pelo booking. Sobre as cataratas já devem ter miles de relatos aqui, vou dar uma atualizada pra ajudar com as infos mais recentes. Pra chegar no parque tem que pegar o ônibus de linha 120 que diz Parque Nacional do Iguaçu, pedindo informação tu descobre certinho onde passa. A passagem custa 5 reais e te deixa na porta do parque. O ingresso tá custando R$ 105, valores de 2025. Cheguei numa hora muito ruim, acho que pelas 11h da manhã porque não consegui concretizar meus planos de sair cedinho... no hostel tu conhece gente legal e acaba se perdendo nos papos do café da manhã, acontece, e eu acho preciosíssimo viver essas relações efêmeras da galera encontrada em viagem. Além de que nessas acabei vendendo bastante minhas artesanias e já cobriu o valor do passeio no parque Enfim, cheguei nas cataratas, peguei uma fila gigante e fiz os trajetos super cheios, não foi muito agradável isso mas o pico é tão maravilhoso que tanto faz a muvuca de gente quando tu sente toda aquela energia da água. Na primeira vista das cataratas eu já tava chorando de tão lindo. por algum motivo fiquei virada, mas deixo aí igual kkk Depois de terminar esse trajeto indo até lá a garganta do diabo eu queria fazer a trilha que te leva pra uma cascatinha que dá pra tomar banho, que achei que era o caminho das bananeiras mas me enganei, então fiz a trilha errada. De qualquer forma foi bem legal essa das bananeiras, te leva mais pelo meio do mato até uma outra vista do rio, longinho das cataratas, em que tu vê a imensidão do rio correndo calminho e passa por um bilhão de borboletas e por vários lagartos. O caminho que eu queria ter feito era o circuito São João, que fecha às 15h, daí eu já não tinha mais tempo na hora da volta pra fazer. Deixo aqui esse mapa extremamente útil pra planejar o rolê e que não tem na internet (se tivesse visto ele antes não teria feito a trilha errada rs) Voltei pro hostel e peguei o ônibus internacional pra Puerto Iguazu perto do hostel, numa parada na rua. Tá escrito Puerto Iguazú, é o mesmo que te leva tanto pro centro/rodoviária/feirinha e depois vai pras cataratas argentinas. Custa 30 pila A fronteira é bem serena, eu tava um pouco insegura porque em 2022 tinha ido pra Buenos Aires e voltei pro Brasil sem dar saída da Argentina, mas não tive problema nenhum em cruzar. Tu desce do ônibus, faz o trâmite bem rapidinho, volta pro bus e tchau já tá na Argentina. 2. Puerto Iguazú - Argentina Cheguei de noite, dormi no Hostel Damaris, peguei um quarto privado por 15 mil pesos, que deu mais ou menos 60 reais. A ideia era ficar só uma noite, mas acabei ficando duas, na segunda peguei um quarto compartilhado por 9000, que é tipo 35 pila. É bem simplinho, mas cumpre o prometido pelo preço baixíssimo, achei as camas bem desconfortáveis mas o pátio que tem nos fundos é bem legal pra ficar curtindo com quem mais estiver ali e tem piscina. No dia seguinte acabei preferindo caminhar pela cidade em vez de ir pras cataratas. Fui pra um tal de ~mirador escondido~ que encontrei no mapa ali pertinho da feirinha e segui andando até o marco das três fronteiras. Tava um calor del horto, me queimei horrores e tava cansadona de subir e descer (infelizmente sempre tinha a péssima ideia de caminhar na rua pelo meio dia), mas fui devagarinho curtindo o caminho, descansando nas poucas sombras olhando o rio e tal. Foi ali em Puerto Iguazu que comprei um chip argentino da Claro, paguei 500 pesos ou seja míseros dois reais. Um amigo antes de eu ir viajar tinha me emprestado um da Movistar, mas chegando lá descobri que não funciona essa operadora no norte da Argentina, é mais do centro ali Buenos Aires, Santa Fe etc. O da claro me serviu muito bem, acho que ao todo nesses quase 2 meses de viagem devo ter gastado no máximo dos máximos 15 mil colocando crédito pra usar internet, o que achei que super valeu a pena. Só tem que cuidar pq ele ativa os dados imediatamente quando tu carrega e se tu não compra um pacote ele vai gastando super rápido, tem que entrar no aplicativo pra ver isso e tal se não tu perde altos pila a nada. E só isso, no terceiro dia de manhã peguei um bus na rodoviária com destino a Puerto Libertad, onde ia rolar o festival. 3. Puerto Libertad - Festival Resonancias Bom, esse foi o meu motivo de ter saído pra viajar. Foi a terceira edição do festi, que é organizado por uma galera multiartista , é uma junção de galera pra acampar, tomar banho na barragem, fazer oficinas artísticas, trocar experiências, viver a autogestão e tal. Encontrei no insta por causa de um pessoal que encontrei tocando na rua em Paraty RJ e pirei no trampo deles, comecei a acompanhar e eles são parte da organização do festival. Daí que assim fui atrás deles porque me apaixonei pela chacarera, pelo malambo, pelo zapateo, enfim, queria conhecer mais dessa cultura do folclore argentino que é linda e também é parte da cultura gaúcha que vivo aqui no sul do Brasil. Pra quem quiser acompanhar, no insta é @festivalresonancias Assim acampei uma semana no Parque Urugua-í no meio de completos desconhecidos que viraram várias amizades. O festi foi lindo lindo, fizemos oficinas de música, dança, teatro, cerâmica, pintura, literatura, além de rangos coletivos, mate mate mate, noites na fogueira trocando ideia e tocando violão, sarau na praça da cidade, e foi de gratiss tirando as comidas, que custavam 4mil pesos por refeição, que são tipo 15 reais. Na primeira foto o mural que foi pintado ao longo do evento, minha barraquinha olhando pro lago e meu paño improvisado de artesania e literatura, inclusive se alguém quiser me acompanhar, me encomendar um brinquinho de semente ou ler meus poemas viajeros segue aí @mira.artesanias No último dia do festival fomos visitar uma cascata que é o Salto Jaguareté. Ali na região dizque tem mais um monte de cachoeiras lindas. A região de Misiones é muito conservada, é a parte argentina da Mata Atlântica e tem muitos lugares lindos pra visitar. Não é um destino tão comum além obviamente da capital Posadas, mas eu acho que vale muito a pena passar um tempo ali pela província. Tanto que passei três semanas por aí nesses matos, seguindo o relato pro voluntariado que me enfiei. 4. San Pedro - voluntariado agroflorestal De Libertad segui pra San Pedro pra Chacra Ibirá Potí. Encontrei esse voluntariado em um canal de whats chamado Tejido Misionero, onde tem um monte de grupos de vários assuntos incluindo caronas e voluntariados pela província. Vou passar meio por alto aqui, se quiserem saber especificamente algo podem perguntar. Fiquei duas semanas no sítio de uma família morando sozinha em uma casinha bioconstruída por eles. Trabalhava umas 4h por dia em tarefas entre cuidados de horta, roça, herval, feitio de tabaco, de erva mate, empacotamento de farinhas orgânicas, manejos agroflorestais de modo geral e o que mais rolasse. Não sabia exatamente qual ia ser meu rumo, e isso me deixava bem nervosa e indecisa. Chegou um dia que eu não aguentava mais não saber pra onde ir depois da chácara, tava entrando meio que em uma inércia de ir ficando e ir ficando, então decidi simplesmente ir embora no dia seguinte porque senti que precisava movimentar a energia viajera indo pra estrada pra ser capaz de decidir meu rumo. Tava em dúvida de se voltava pra Libertad pra fazer outros voluntariados em sítios ou se seguia mais pro norte, direção a Tucumán. Assim terminei as duas semanas de voluntariado indo pra Posadas, um meio do caminho adequado pra tomar essa decisão.
  36. - O DIA DO EMBARQUE PARA BOLÍVIA! Dia 25/04/25 foi a data que decidi embarcar, e finalmente esse dia chegou, depois de tantos anos sonhando com essa viagem! Saí de: BH > Guarulhos Guarulhos > Santa Cruz de La Sierra Santa Cruz > La Paz Cheguei no aeroporto de El Alto por volta das 16h da tarde e dentro do aeroporto mesmo optei por câmbiar um dinheiro para pagar o táxi e alguma coisa no hostel, se fosse necessário. Troquei o equivalente a R$ 50,00 e saí do aeroporto para conseguir algum transporte pro hostel. Fui abordada por alguns táxistas e quando eu mostrava o endereço do meu hostel todos cobravam 80bs, resolvi andar mais um pouco e encontrei um monte de van que saía do aeroporto para La Paz e me cobraram 2,50bs para me levar até o endereço. Não pensei duas vezes, colocaram meu mochilão em cima da van, com mais ou menos umas 15 pessoas e a van ainda parava no caminho para pegar mais gente. Era literalmente o transporte local da cidade hahaha pouco mais de 20 minutos o motorista me deixou perto de onde eu precisava descer e valer super a pena. O meu hostel foi o The Adventure Brew Downtown Hostel, ele ficava bem pertinho da rodoviária de La Paz e uns 10 minutos caminhando até o centro da cidade. Gostei muito do hostel, paguei em torno de 58bs a diária, sem café da manhã incluso. Fiz o check-in, dei uma descansada na cama porquê eu já estava sentindo um pouco de dor de cabeça por causa da altitude e pouco tempo depois resolvi sair para conhecer um pouco o centro de La Paz antes que escurecesse. Minha primeira impressão da cidade foi uma mistura de sentimentos. Logo de cara você não vê muito charme mas na medida que você vai conhecendo, você vai se encantando. O lugar que eu mais queria ir quando chegasse em La Paz era o Mercado de Las Brujas. Vi tantos vídeos sobre esse lugar e de repente eu estava lá vendo com meus próprios olhos! Foi bem peculiar e interessante caminhar pelas ruas e ver tanta diferença e riqueza cultural. Ver a fé do povo daquele lugar ser expressada de outra forma, onde por todos os lugares que você caminha há uma oferenda para a Pachamama. Ver essa cultura foi transformador. Caminhar por La Paz quando você não nunca esteve em uma altitude maior que o nível do mar é desafiador. Eu tinha acabado de chegar e já estava me sentindo um pouco cansada. Aproveitei para comprar um chip de telefone (comprei um chip por 65bs com internet ilimitada), para comer alguma coisa e comprar água. Logo voltei para o hostel e optei por jantar lá mesmo. A comida era um pouco cara mas estava tão frio que eu preferi comer todas as noites no hostel mesmo. No dia seguinte acordei já pronta para conhecer a cidade. Fui tomar café da manhã em lugar que só tinha gringo, fui no Mercado Lanza, famoso mercadão de La paz, caminhei sem destino pelas ruas da cidade e também fui no Coca Museo. O museu da Coca foi uma experiência incrível, passei mais de 1 hora lendo todas as informações, toda a história da folha de coca que é uma planta sagrada, até chegar na história de como a mesma folha é usada para produção de cocaína e o impacto disso no mundo. Recomendo a todos irem no museu quando estiverem em La Paz porque vale muito a pena, e você ainda aprende sobre a folha de coca, algo que nessa viagem pelos Andes é muito comum. Esse foi meu segundo dia em La Paz, conhecer um pouco da cidade e os pontos turísticos mais conhecidos. No final do dia voltei pro hostel e depois do banho fui jantar por lá mesmo. E é aqui que começa um dos maiores erros de quem chega em uma cidade com altitude elevada pode cometer. Eu estava com vontade de tomar uma cerveja, afinal, era um sábado e eu estava feliz por estar ali, então pedi um hambúrguer com fritas e uma cerveja local. Chegou uma cerveja gigante e comecei a beber. Pouco tempo depois comecei a conversar com a moça do bar que estava me atendendo e logo uma outra menina começou a conversar comigo também. A moça do bar era argentina e a outra peruana, elas estavam indo para uma balada e me convidaram. Eu já estava de pijama mas acabei animando o rolê com elas, nos encontramos de novo mais tarde e já tinha outras meninas no rolê também, elas eram da Alemanha, Holanda e Reino Unido, se não me engano. Nisso a moça do bar já me pagou uma cerveja e eu já estava ficando mais animadinha né. Chegamos na balada e tava bem legal. Tocaram músicas latinas, músicas locais e até um funk brasileiro. Empolguei um pouco e comprei outra cerveja, queria viver o rolê, claro. Nisso ficamos até umas 2h da manhã, eu acho, e voltamos pro hostel. Eu estava me sentindo bem, só muito cansada, então cheguei e dormi. No dia seguinte eu acordei achando que fosse morrer, com uma ressaca que nunca senti na vida. Bebi apenas 3 cervejas mas o problema foi ter bebido elas em uma altidude onde meu corpo ainda não estava acostumado. Acordei muito mal, com dor de cabeça, nauséas. O que fiz foi tomar uma dipirona, um engov e ainda coloquei folha de coca na boca pra ver se ajudava. Acabei dormindo de novo e acordei um pouco melhor. Era domingo e eu queria ir para feira de El Alto e ver a luta das Cholitas, mas como eu não estava me sentindo tão bem, preferi ficar na cidade mesmo. Fui procurar alguma coisa local para comer e acabei parando em um restaurante onde era bem barato, mas não gostei tanto da comida. Como também estava com pouco apetite, comi o que dava e fui embora. Acabei decidindo conhecer o Mirador Killi Killi e foi muito difícil para conseguir chegar até lá. La Paz é uma cidade com muitas ladeiras super íngremes e por ter uma altitude de mais de 3.600m, andar 5 passos as vezes é um desafio. Consegui chegar até o mirador e a vista é linda, dá pra ver perfeitamente a montanha Illimani. No dia seguinte, eu iria sair cedo de La Paz rumo a Copacabana. Como meu hostel era perto da rodoviária, fui caminhando mesmo até lá e peguei um ônibus (paguei 40bs) rumo a Copacabana. Fiquei bem surpresa com a quantidade de gringo dentro do ônibus, acredito que eu era a única da américa latina. A viagem até Copacabana durou cerca de 4 horas. Em um determinado ponto precisamos descer do ônibus e atravessar de barco pelo Lago Tititica até o outro lado e de lá continuar seguindo caminho. É necessário pagar em torno de 2bs para essa travessia. Confesso que foi bem legal a experiência de atrevessar de barco o maior lago navegável do mundo. Chegamos do outro lado e continuamos seguindo para Copacabana em um caminho com muita subida e várias curvas, e foi aí que a altitude começou a pegar de novo. Cheguei em Copacabana e segui pelo maps o caminho do meu hostel. Estava muito difícil para caminhar nessa cidade. A altitude de Copacabana é de 3.840, mais que La Paz, e eu sofri muitos com os efeitos da altitude logo quando cheguei. Minhas mochilas pareciam pesar uma tonelada e o hostel não chegava nunca. Fiquei no Hostal Puerto Alegre, paguei em torno de 70bs a diária com café da manhã em um quarto privado com banheiro e gostei bastante. Deixei minhas coisas no quarto e fui procurar alguma coisa para almoçar. Ouvi falar que as trutas é o prato principal em Copacabana, então peguei a dica em algum lugar sobre um restaurante e fui até lá. O restaurante é o Kiosko nº20 e fica bem na beira do lago. A comida é muito boa e um preço ótimo. Voltei para o hostel e resolvi deitar um pouco, estava me sentindo cansada e com dor de cabeça, era a altitude. Dormi um pouco e no final do dia fui ver o pôr do sol no lago. Aproveitei para comprar umas coisas para lanchar no hostel a noite e preparar alguns lanches porque no dia seguinte eu seguiria para a Isla del Sol, um dos lugares que eu estava mais ansiosa para conhecer! No dia seguinte acordei cedo para tomar o café da manhã no hostel e seguir viagem rumo a Isla. Mas nesse dia eu não acordei muito bem, estava com dor de barriga e com náuseas. Eu havia comprado a passagem de barco para isla direto no hostel por 40bs, como não acordei me sentindo bem pensei em pedir para remarcar minha passagem pro dia seguinte, se fosse possível. A moça do hostel disse que não teria como, que eu teria que ir naquele dia. Em uma decisão rápida acabei decidindo seguir viagem. Eu iria fazer a trilha na isla, do lado norte ao sul, e não seria uma trilha fácil, visto quê a altitude da ilha é de quase 4.000m. Mas decidi ir assim mesmo, então tomei um dramin, dois floratil e uma diporina e fui procurar o tal do barco. A viagem de barco durou em torno de 1h30 e consegui me sentir melhor depois de tomar os remédios. Quando você chega na ilha, um local informa que é necessário pagar 15bs para adentrar a ilha, uma espécie de "taxa de preservação", e que ao chegar no lado no sul você precisaria pagar os 15bs novamente, pois são dois "territórios" diferentes. Enfim, parei para comprar uma água e perguntei a um local qual era o caminho para iniciar a trilha rumo ao lado sul. Ele me disse que por um caminho eu teria que fazer uma super subida e que pelo outro eu seguiria dentro da comunidade. Eu não sei o que me fez decidir, mas segui pelo caminho que passava dentro da comunidade e só descobri depois que era o caminho mais difícil. Por já ter visto alguns vídeos de pessoas fazendo essa trilha, eu percebi que a trilha que eu estava fazendo era completamente diferente. Bom, eu não sei como é o outro caminho, mas o caminho que eu fiz foi deslumbrante. Essa trilha foi muito desafiadora. Fiz ela em aproximadamente 4h30. Em alguns lugares eu parava a cada dois passos por falta de ar. O caminho foi lindo, eu desafiei meus limites e no final consegui chegar do outro lado. Ao chegar na comunidade Yumani, no lado sul, você tem outro desafio: descer e subir as ladeiras. A comunidade é ladeira pura e pra mim, caminhar por lá era um desafio. Estar na Isla del Sol foi transformador. Aquele lugar tem uma energia surreal, é de encher os olhos. Não só o lugar que é magnífico, mas as pessoas que moram lá são de uma força absurda. É uma cultura encantadora e que resiste aquele lugar. Eu me emocionei nessa ilha e tive a oportunidade de ver um pôr do sol lindo na primeira noite. A Isla del Sol é um lugar MUITO frio, eu sofri um pouquinho com o frio lá, além de dificuldade ao respirar principalmente ao caminhar. No dia seguinte explorei mais a ilha e continuei me encantando e me emocionando com o que eu via. Depois de 2 dias na ilha, voltei para Copacabana onde eu resolvi ficar uma noite a mais porque gostei muito da cidade e ainda queria ir até o cerro Calvario, um dos pontos mais altos da cidade. Conhecer a Isla del Sol foi um sonho! Peguei um barco da Isla para Copacabana por 40bs e essa volta foi um pouco difícil, o barco era um pouco desconfortável e tive um pouco de enjôo. Voltei no mesmo Kiosko para comer a truta que comi no primeiro dia, caminhei por Copacabana e no final da tarde fui fazer a trilha até o cerro Calvário. É uma trilha um pouco puxada para se fazer, bem ingríme mas não impossível e a vista é linda. No dia seguinte eu voltei para La Paz. Quando eu estava na Isla del Sol, fui em um restaurante no final da tarde e lá conheci a Juliana, uma brasileira de São Paulo que estava mochilando pela América do Sul também. Trocamos uma idéia super legal sobre a vida, em um final de tarde lindo e foi muito especial. Quando eu estava voltando para La Paz e precisávamos descer do ônibus para fazer a mesma travessia de barco, acabei encontrando com a Juliana, que coincidentemente estava no mesmo ônibus que eu. Ela estava sem hostel em La Paz e falei que o hostel que eu estava era bom, e ela acabou indo comigo. Ela iria voltar para São Paulo na noite seguinte e eu disse que eu queria subir a montanha Chacaltaya e era um tour de dia inteiro, como o vôo dela era só a noite, ela animou fazer a trilha também. E aqui gostaria de falar sobre uma das partes mais bonitas da viagem, que é quando você conhece pessoas que fazem a sua experiência ser mais especial. Acredito que o universo nos coloca onde precisamos estar no momento certo, e por isso esses encontros são tão especiais. Eu a Juliana fechamos o tour com o hostel e no dia seguinte iriamos subir a montanha Chacaltaya com mais de 5.400m de altitude. Acordamos cedo, tomamos café da manhã e a van pegou a gente no nosso hostel. Fizemos amizade com uma menina da suíça que falava português e que estava mochilando sozinha pela América Latina. A viagem até a montanha é um pouco tensa, a van passa em uma estrada super estreita na beira do precipício e parece que vai cair toda a hora. Chegamos na base da montanha e o guia vai dando as instruções. Foi a primeira vez que eu vi neve na vida, foi lindo! A subida foi extremamente difícil. Muitas pedras soltas, escorregadias, muito frio, falta de ar. Subi mascando folha de coca pra ver se ajudava com a altitude, estava muito difícil. De um grupo com mais de 10 pessoas, muitos foram desistindo no caminho. A cada passo que eu dava era uma batalha que eu travava. Eu comecei a ver o topo da montanha e quando mais perto parecia estar, mas difícil ficava. A Juliana estava lá em cima me gritando, dizia que eu conseguiria, e nós fomos as únicas mulheres do grupo que conseguiram chegar no topo! Foi um desafio fazer essa subida, fiquei tão feliz por ter conseguido, por não ter desistido. Cheguei lá em cima e aí comecei a passar um pouco mal. Fiquei tonta e o guia me falou pra sentar, que logo passaria. Então descansei um pouco, masquei folha de coca e fui me recuperando. Superei meus limites, não poderia estar mais feliz! Depois da montanha Chacaltaya o tour seguiria para o Valle de la Luna, outro ponto turístico de La Paz. É bem interessante, mas depois de fazer aquela montanha nada mais superaria no dia! A Juliana iria voltar para o Brasil naquela noite, era o final da viagem dela. Enquanto eu, segui viagem a noite para Uyuni, eu iria fazer o tour de 3 dias no Salar e seguiria pro Atacama, estava no começo da minha viagem. Nós aproveitamos para fazer compra no mercado das bruxas com outra brasileira que conhecemos no tour e fomos pro hostel. De lá nos despedimos e torcemos para nos encontrar um dia de novo, seja em São Paulo ou BH, ou em qualquer lugar do mundo! Nesse dia eu me despedi de La Paz e segui para Uyuni onde eu viveria outra grande extraordinária experiência. Tanto a Isla del Sol quanto Chacaltaya e até mesmo La Paz, foram lugares únicos que fizeram com que eu me emocionasse muito, nunca vou esquecer de como me senti nesses lugares! Próximo cápitulo: Salar de Uyuni
  37. https://inkatimetours.com/es/ https://www.caminosalkantay.com/ Nestes sites tem bastante informação sobre os passeios. Uma coisa que é muito comum lá é reservar com uma agência e te alocam com outros operadores. Eu reservei alguns passeios com o hostel onde estava hospedada e não curti muito os operadores, os guias eram um pouco chatos, sem paciência. Para as 7 lagunas de Ausangate e a montanha pallay punchu, reservei com a Yaku Travel (WhatsApp +51 982 073 006) e gostei bastante dos operadores. Os guias eram bem atenciosos, as vans bem conservadas. E o preço dos passeios eram melhores que os valores que me ofereceram no hostel. Uma coisa que recomendo muito fazer em Cusco é um Walking Tour. Eu reservei pelo get your guide (https://www.getyourguide.com/pt-pt/cusco-l359/cusco-excursao-a-pe-pelo-centro-historico-e-vistas-panoramicas-com-bebida-local-t867527/) e foi uma das experiências mais legais.
  38. Olhei a foto e vi que eu te conhecia de algum lugar, demorei uns minutos para puxar as memórias da cabeça daí me lembrei que a gente se encontrou em Cusco junto com a Juliana e o marido dela. Minha primeira viagem eu também saí do emprego e passei 3 meses na Europa (era 2013, euro era menos de 3 reais :D), mas foi um projeto de 2 anos desde a decisão de juntar o máximo possível, sair do emprego e pegar o voo, a ansiedade a mil pois ficava olhando no calendário a data de partida. Depois disso o mundo se abre e não tem mais volta, tanto que eu voltei para cá 3 anos depois para morar. Eu ainda hoje sinto um frio na barriga quando voi viajar para países um tanto diferente pela primeira vez, mesmo depois de 45 países visitados, então é algo normal, e como dizem, a coragem não é falta de medo, mas saber enfrentá-lo, o primeiro passo é sempre mais difícil, mas depois que pega no embalo as coisas ficam muito mais leves. De resto, o segredo é comprar a passagem e aparecer no aeroporto no dia, daí o resto se segue. Esperando pelo relato, estou curioso para saber como terminou ela.
  39. - PLANEJAMENTO DO MOCHILÃO Como eu disse no primeiro post, a minha vontade de fazer esse mochilão surgiu aqui no site do Mochileiros, então o roteiro que eu fiz foi baseado nos lugares que eu vi através dos posts de outras pessoas e que eu gostaria de conhecer. Pode não ser o melhor roteiro, mas pra mim deu certo e por mais que eu tenha percebido que eu poderia ter feito algumas coisas diferentes e até economizado mais, minha experiência foi incrível da mesma forma, então no fim cada um faz do jeito que dá certo pra si haha Compras para o mochilão: Essas foram todas as compras que fiz para essa viagem, roupas novas, térmicas, tênis, etc. As compras na Decathlon foram essenciais também, o valor total teve desconto pela primeira compra à vista no site. Viajei durante 42 dias e a mochila de 50lts me atendeu perfeitamente. No final da viagem estava muito cheia pois comprei presentes, mas uma mochila cargueira dessa e uma de ataque de 10lts foram suficiente. É essencial se vestir em camadas pois a maioria dos lugares que eu fui eram frios devido a altitude, então comprar roupa térmica é prioridade. Corta vento também é essencial principalmente para usar nas trilhas em montanhas onde o clima pode mudar de repente. As roupas que comprei me atenderam bem, embora eu tenho sentido MUITO frio em alguns lugares específicos, deu pra segurar. E agora preciso falar do meu maior vacilo nessa viagem. Eu já havia gasto um bom valor nesse pré-viagem e acabei deixando para comprar o tênis por útlimo. No roteiro que eu montei, eu iria fazer muitas trilhas e o correto seria comprar uma bota de trilha, o que era meu intuito. Mas como eu já tinha gastado muito antes mesmo da viagem começar, eu economizei no calçado e foi meu maior erro, e também burrice. Comprei um tênis de corrida da Olympikus e é óbvio que não é o sapato correto para uma viagem com vários trekkings. Foi um super vacilo e paguei o preço quase me machucando várias vezes, além das dores constantes que sentia no tornozelo por não estar usando um calçado apropriado para trilhas. Então invistem em tênis e botas de qualidade e não vacilem como eu. Passagens áereas: O meu gasto total com passagens áereas foi R$ 3.357,62. Acho que eu poderia ter conseguido passagens mais baratas, como no trecho de SP/Santa Cruz de La Sierra, mas foi o que paguei. QUANTO LEVEI DE DINHEIRO: Fazendo uma pesquisa pelo meu extrato da época, vou deixar os valores aproximados do quanto eu gastei nessa viagem e convertendo para uma cotação aproximada daquela data. Optei por levar $500 dólares e R$ 300,00 reais em espécie. Quando o dinheiro em espécie acabou (1 mês depois do início da viagem), eu usava meu cartão da Wise para sacar o dinheiro já convertido da cidade em que eu estava, e debitava direto em dólar da minha conta. Também tive alguns débitos em euro. Dólar: $1.130,00 (dólar em maio/25: R$5,69 - R$ 6.429,70) Euro: €111,13 (euro em maio/25 R$6,45 - R$ 716,78) Real: R$ 300,00 Total do gasto em real: R$ 7.446,48 Esse foi o valor em real que eu gastei nessa viagem de 42 dias. Fiquei hospedada em hostels, fiz muitos tours (sendo o o Salar de Uyuni o mais caro), no Atacama como era uma cidade mais cara optei por cozinhar todos os dias, mas quando cheguei em Arequipa, no Peru, me permiti bastante e fui em bons restaurantes. Totalizando todos os gastos que eu tive pré viagem, passagens áereas e gastos dentro da viagem, gastei um total aproximado de R$ 14.566,65. Essa é a primeira vez que faço esse cálculo e confesso que estou um pouco assustada kkkkkkkk. Tenho certeza que esse gasto poderia ter sido reduzido de várias formas, caso eu tivesse me planejado melhor. Mas é aquela coisa, foi a minha primeira experiência e com certeza virão muitas outras e é assim que aprendemos! De qualquer forma aproveitei muito e fiz tudo (ou quase tudo) que eu queria fazer, então valeu a pena. Meu roteiro: Bolívia - La paz - Copacabana e Isla del Sol - Salar de Uyuni Chile - Deserto do Atacama Peru - Arequipa - Cusco - Lima - Huaraz Próximo capítulo: O dia do embarque para Bolívia!
  40. 18/11: saída de Puerto Viejo com destino e pernoite em La Fortuna Neste dia tomamos café e saímos por volta da 8h30. Parte do caminho era o mesmo pelo qual já tínhamos vindo de San Jose. Pegamos, novamente, engarrafamento perto do Porto de Limón. As estradas para chegar em La Fortuna são, na maioria, estrada simples. Paramos para comer numa soda (restaurante simples) da estrada mesmo. Comemos 2 casados muito fartos e com um preço bom (US$ 15,94). Chegando perto de La Fortuna é possível ver o vulcão Arenal. As vezes aberto, as vezes encoberto. Chegamos em La Fortuna e fomos diretos para a nossa hospedagem, a FINCA LUNA NUEVA LODGE. Que lugar sensacional. Fica a cerca de 15km do centrinho de La Fortuna, mas valeu muito a pena ficar lá. São casinhas/bangalôs individuais, próximo da mata e com uma pegada orgânica muito legal. A maior parte do que é consumido no hotel no café da manhã (incluso) ou demais refeições (pago à parte) vem direto do hotel. Gostaríamos de ter ficado mais tempo, foram apenas 2 noites e não conseguimos aproveitar muito o hotel. Tem piscina e uma café da manhã delicioso, fora várias trilhas que você pode fazer sozinho ou contratar um guia do hotel. Fica para uma próxima. Fizemos checkin, na frente da recepção tinha uma preguiça no alto da árvore, muito legal, descansamos um pouco no quarto e já fomos direto ao centrinho para conhecer. Passeamos na praça principal, muito bem decorada para o Natal, e deixamos o Gui brincar numa área bem legal para crianças, da própria prefeitura, ao lado da praça principal. Depois fomos no mercado comprar algumas coisas e alguns pacotes de cafés da Costa Rica, que são muito bons. Mas o preço só permitiu pegar um pacote mesmo, foi cerca de 15 doláres um pacote de 250g (marca MASCARADA). Excelente, mas caro. E olha que não era dos mais caros (o famoso BRITT). Depois fomos jantar num lugar restaurante que estava bem avaliado no Trip Advisor, o El Mariach. Que lugar gostoso e atendimento excelente. Comemos alguns tacos deliciosos, cerveja gelada e batemos altos papos com o dono (esqueci o nome). Recomendo muito o lugar. Preço padrão Costa Rica. Caro, mas valeu a pena. Acho que foram 250,00 reais para 2 porções de taco e um prato kids para o Gui. Fomos para o hotel descansar pois no dia seguinte havíamos programado fazer os passeios em La Fortuna. 19/11: dia livre em La Fortuna Amanheceu uma garoa fina e nos preocupou. Tomamos café no hotel, tudo muito farto e gostoso. Conversamos para ver quais os passeios que mais valiam a pena (hot springs, Parque Místico, ir até o vulcão etc.). A atendente do hotel nos alertou que a vista mais bonita do vulcão Arenal está no Parque Místico. Com isso em mente saímos. Fomos primeiro na Cascata do Rio La Fortuna, pois já havía pesquisado que é melhor chegar cedo. 9h já estávamos no parque para descer os 500 degraus até a cachoeira. Levamos o canguru para transportar o Gui, caso ele cansasse no caminho. Desceu a metade e depois foi no canguru. O passeio é caro, mas vale a pena. Uma cachoeira muito forte e bonita. Tiramos os calçados e fomos na beirada molhar os pés. Água de rio é muito fria e não tivemos coragem de entrar e nem colocar o Gui de corpo inteiro. Ficamos por um tempo lá curtindo essa vibe gostosa e subimos os 500 degraus. Gui subiu tudo, sem querer ir para o canguru. Ingresso Catarata Rio Fortuna US$ 41,00 (2 pessoas. Gui não pagou). De lá, saímos e fomos direto ao Parque Místico, é o que tem as famosas pontes suspensas. O parque tem uma excelente infraestrutura. Na estrada para chegar lá o Gui fez uma soneca, então ficamos esperando ele acordar para começar a nossa caminhada. São 3, se não me engano, opções de trilhas. Resolvemos fazer a mais longa, que é a que passa por todas as pontes suspensas, mas acabamos descobrindo uma outra trilha, mais roots que se acresce a essa e que valeu muito a pena. Veja a foto abaixo: As trilhas originais (pavimentadas) estão nas linhas azuis. O que aconteceu foi que pegamos a trilha em laranja, que aumentou nosso caminho em 1,7km. Ela não é pavimentada e tem umas subidas boas, mas é bem possível de fazer para quem tem um condicionamento bom. Ela leva para 3 mirantes onde se pode ver o vulcão e a represa ao lado. Fotos abaixo: ] Foi cansativo, mas valeu a pena. Levamos o Gui no canguru e assim ele fez a primeira “trilha” dele rsrsr. Depois voltamos para o trajeto normal e passamos por todas as pontes suspensas. Foi um passeio que valeu muito a pena. Recomendo bastante. Independente de se fazer a trilha roots. Custou US$ 80,69 para 2 ingressos adulto. Saímos do Parque Místico com a intenção de comer algo e depois ir para um dos parques/resorts de águas termais. No caminho, vimos a sugestão do Baldi Hot Springs, que tem mais de 20 piscinas, não é dos mais caros, mas também não é dos mais baratos e que segundo relatos de blogs na internet valia o custo x benefício. Pesquisamos no site deles e vimos que tinha a opção com almoço. Pensamos na comodidade e acabamos topando ir no ingresso às piscinas, mais o almoço incluso. Custou US$ 147,60 para duas pessoas. O Gui não pagou. Pois então. Acho que não foi a melhor decisão. Só a entrada das piscinas seria algo em torno de 50 doláres por pessoa. O almoço foi algo em torno de 20 doláres. Comemos bem, mas não achamos que valeu a pena esse valor a mais. Depois, quando chegamos na piscina perto do bar, vimos que eles têm um restaurante a la carte, com preços razoáveis que talvez teria valido mais a pena pagar apenas a entrada e comer no restaurante a la parte. Enfim, as piscinas super recomendo, almoçar ou fazer outras refeições lá, não recomendo. Ficamos no Baldi creio que umas 4 horas. Foi muito legal e relaxante. Tem uns tobogãs bem legais e radicais. Algumas piscinas são muito quentes mesmo, chegavam a 44º C. Após o Baldi paramos na rodovia num lugar muito grande para ver souvenir. Acho que chamava souvenir Costa Rica. Não compramos nada, mas vale mencionar. Fomos para o hotel tomar banho e a noite saímos buscar alguma coisinha leve para comer no hotel mesmo, já que o almoço tinha sido bem farto (e pesado kkk). CONTINUA >>>
  41. Fala pessoal, Vou deixar aqui um relato de uma viagem que eu fiz em 2019 para Ruanda, Uganda, República Democrática do Congo e Etiópia em busca do que, na minha opinião, são os vulcões mais incríveis da África. ⚠️ Essa viagem (e muitas outras) está no meu livro / ebook Destino Vulcões, que consegui deixar inteiramente grátis por um tempo no amazon.com.br (link: https://a.co/d/agKaeNM). Instagram: www.instagram.com/destinovulcoes Youtube: www.youtube.com/@destinovulcoes Ruanda, Uganda, República Democrática do Congo, Etiópia e os melhores vulcões da África Introdução – Como tudo começou Acho que todo mundo gosta de bater papo com amigos sobre férias. Brasileiro é meio bisbilhoteiro, né, quando alguém fala que vai tirar férias, logo queremos saber: para onde vai, com quem vai, quanto tempo etc. E foi bem divertido observar as reações do pessoal do meu trabalho quando eu dizia que estava indo passar as férias na Etiópia, República Democrática do Congo (RD do Congo), Ruanda e Uganda! Para não chocar muito, quando me perguntavam para onde eu ia, primeiro eu falava que estava indo para África... Só quando perguntavam mais detalhes é que eu revelava os países. A primeira reação era sempre uma cara de espanto.... Depois da cara de susto, a maioria me perguntava onde ficava Ruanda e Uganda 🤣🤣🤣 . A Etiópia é mais conhecida entre os brasileiros, mas, infelizmente, sua fama é mais associada à fome e à extrema pobreza das décadas de 80-90. Já o Congo, algumas pessoas conhecem do jogo War! Vale lembrar que eu estava indo para a República Democrática do Congo, não confundir com República do Congo, sem o “democrática”, que é um outro país! Ruanda e Uganda já eram bem mais desconhecidas. Após o estranhamento inicial, a pergunta que sempre vinha era: “Mas que raios você vai fazer lá?” Pergunta justa.... Tudo começou porque, em 2019, minha esposa arrumou um novo emprego e só poderia tirar férias em 2020. Ela conseguiu uns dias de “banco de horas”, emendamos com um feriadão e fomos para os Lagos Andinos, mas eu tinha mais 25 dias de férias e, já que ela não poderia vir junto, aproveitei para conhecer alguns lugares “exóticos” que eu sempre quis muito conhecer, mas ela não tinha vontade de ir. Em março de 2018, assisti a um programa da Karina Oliani fazendo uma tirolesa em um vulcão ativo da Etiópia chamado Erta Ale (Ref. 13). Este vulcão também ficava em uma das regiões mais quentes e inóspitas do planeta: Danakil Depression. O programa mostrou belíssimas imagens do vulcão e do Dallol, uma região no meio de um salar com atividade vulcânica e enxofre que forma um cenário belo e colorido. Me interessei de cara pelo Erta Ale! Não foi fácil encontrar referências, e descobri que, infelizmente, nos primeiros meses de 2017, grandes erupções deixaram o lago de lava bem meia-boca. O lago afundou vários metros abaixo na cratera, a lava ficou praticamente invisível, e só se via uma fumaça.... É muito curioso observar os reviews do Erta Ale no TripAdvisor: até janeiro de 2017, todo mundo falava maravilhas do vulcão, experiência da vida, vale todo o perrengue etc. Depois de janeiro de 2017, as opiniões estavam bem divididas. Mas um desses reviews do Erta Ale me chamou a atenção, dizendo que existia um outro vulcão com lago de lava bem mais legal na RD Congo: Nyiragongo! E lá fui eu pesquisar sobre Nyiragongo.... Na época (2019), o Vulcão Nyiragongo era o maior vulcão com lago de lava do mundo e mais ativo da África. Fica no Parque Nacional Virunga, um parque nacional gigante (7800 km2, mais de 300 km na direção norte-sul) na fronteira leste da RD do Congo, que foi o primeiro parque nacional estabelecido na África! Aliás, tem um site muito bom (Ref. 14) com excelente atendimento por e-mail para esclarecer dúvidas. Na época, eu não achava muitas referências sobre o Nyiragongo, só em alguns blogs. Mas, quando assisti ao programa Destino Incomum, do canal Travel Box lá (Ref. 15) visitando o Nyiragongo, não tive dúvidas: esse era o vulcão com lago de lava a ser visitado!!! Assim ficou decidido que o Nyiragongo e o Erta Ale seriam os meus próximos destinos. Uma parte da viagem seria focada no Nyiragongo, outra parte na Etiópia. Não era fácil nem barato chegar em nenhum dos dois vulcões. Para conhecer o Erta Ale, eu precisava pegar uma excursão de 3 dias saindo do norte da Etiópia e com muito pouco conforto. Para chegar ao Nyiragongo, precisava de uma excursão de 2 dias e, além do pouco conforto, ainda tinha que encarar a trilha de subida do próprio vulcão, que é bem puxada! Mas nem só de vulcões vivem esses países. Na região do Nyiragongo, o passeio mais famoso (e bem caro!) é o trekking dos gorilas da montanha em seu ambiente natural, no meio da selva. Os gorilas da montanha são os maiores primatas do mundo! Belos e grandes (felizmente são herbívoros!), compartilham mais de 98% do DNA dos humanos, vivem em família e podem ser vistos muito de perto em alguns parques nacionais da RD do Congo, Uganda e Ruanda. Ainda nessa região, eu queria conhecer o Memorial do Genocídio de Ruanda, para entender melhor um pouco da história desse terrível genocídio, que não teve tanto destaque no noticiário mundial em 1994. Na Etiópia, além do tour pelo Erta Ale e Dallol, eu também queria conhecer Lalibela, uma cidade com igrejas muito diferentes. Definidos os meus principais objetivos na Etiópia e na região do Nyiragongo, era hora de fazer o meu roteiro detalhado para encaixar tudo que eu queria fazer nos poucos dias disponíveis. Imprevisto Normalmente a introdução terminaria aqui, e eu começaria o relato detalhado da viagem, mas tive uma surpresa. Todo o meu planejamento estava indo muito bem, eu estava naquela empolgação, destinos definidos, era hora de planejar meu roteiro detalhado, ver todas as passagens aéreas etc...., mas..., descobri que desde agosto de 2018 estava tendo um grande surto de ebola em algumas regiões da RD do Congo! Este era o segundo maior surto de ebola da história, só superado pelo surto de 2014, na África ocidental (Guiné, Serra Leoa e Libéria). Pouco se falava no Brasil a esse respeito. Em 1 de agosto de 2019, exatamente um ano após o início da epidemia de ebola, 2.619 casos tinham sido confirmados (ainda havia 94 casos prováveis e 423 suspeitos), 1.823 pessoas tinham morrido (mais de 2/3 dos casos confirmados). Ebola na RD do Congo, era só o que me faltava, e agora??? EM TEMPO, atualização de 2023: mal sabia eu que, em 2020, a pandemia de coronavírus ia fazer esses números parecerem “brincadeira de criança”, mas, na época, era muito assustador. Lá fui eu pesquisar muito mais informações a respeito do ebola para ver se ainda dava para eu ir para o Nyiragongo, em meados de abril de 2019. O Site da Organização Mundial da Saúde (OMS, WHO em inglês) tem bastante informação a respeito, além da Wikipédia. A primeira coisa que eu descobri é que os principais focos de ebola na RD do Congo estão nos estados North Kivu, South Kivu e Ituri. Caramba, o Nyiragongo (parte sul do Virunga) fica em Goma, que é a capital do estado do North Kivu! O começo da minha pesquisa não foi nada animador.... Porém, RD do Congo é um país muito grande e descobri que as cidades com os principais focos de ebola eram Butembo, Katwa e Beni. Entre essas cidades, a que ficava mais perto do Nyiragongo, Butembo, fica a 9h de Goma! E, em Goma, não havia nenhum caso de ebola. A RD do Congo é um país com muita riqueza mineral e, praticamente desde sua independência no século XX, vive em conflitos. Após o genocídio em Ruanda, no contexto de tensões entre hutus e tutsis, começou uma guerra civil na RD do Congo (1996-97), depois veio a segunda guerra civil (98-2003), e um conflito na região North e South Kivu (2004, até hoje). Tem estimativas de morte de 2,7 a 5,4 milhões de mortos! Desde então, a região do Parque Virunga e das fronteiras com Ruanda e Uganda têm sofrido com muitos conflitos militares, inclusive com algumas áreas controladas por milícias, muitas vezes apoiadas por governos de outros países, o que gerou muita desgraça social e dificultou muito o combate ao ebola. Equipes da OMS enfrentavam dificuldades significativas para acessar essas áreas e frequentemente testemunham ataques a instalações de saúde. Além disso, as milícias propagavam fake news sobre o ebola, dificultando ainda mais os esforços de combate à doença. Mas Goma é uma cidade de 2 milhões de habitantes, na época totalmente controlada pelo governo, onde os médicos e as instalações para cuidar de ebola estão sob controle. Além disso, a informação mais decisiva para mim foi quando descobri que o ebola não era tão contagioso quanto eu imaginava. O vírus só pode ser adquirido através de contato com sangue e outros fluidos biológicos (saliva, muco, vômito, fezes, suor, lágrimas, leite materno, urina e sêmen) de um humano infectado ou um morcego, que parece ser o único animal que o transmite (mas ainda estavam estudando melhor o assunto). Entre as vias de entrada estão o nariz, a boca, olhos, feridas abertas, cortes ou abrasões na pele. A transmissão por via aérea ainda não foi documentada em ambiente natural. Os sintomas são meio parecidos com outras doenças: febre, garganta inflamada, dores musculares e de cabeça, entre dois dias e no máximo três semanas após a exposição. Mas depois a coisa piora para hemorragias. Não tem um tratamento específico, o tratamento é fundamentalmente paliativo, o importante é a detecção rápida e acesso a serviços e tratamento adequados conforme forem aparecendo os sintomas. Existiam duas vacinas ainda experimentais que estavam sendo utilizadas na RD do Congo e nas fronteiras por profissionais de saúde e pessoas de risco, com bons resultados. Mas e aí, depois de toda essa pesquisa de ebola, será que dava para encarar??? Outro dia, eu estava lendo relatos de trekkings espetaculares do @DIVANEI, um aventureiro das antigas, que faz muita trilha e travessia sensacional, bem raiz (link na Ref. 16). Muito bacana ler as “travessias expedicionárias” na Serra do Mar. Em algum relato, Divanei fazia uma reflexão que se encaixou como uma luva para mim: "Quando a gente é jovem, costumamos tocar o f*da-se, fazer umas porra-louquisses... A gente acaba tomando decisões sem pensar muito nas consequências, vai meio que por impulso, é da nossa idade fazer estupidez. Mas aí, quando a idade chega, a maturidade já toma conta do nosso bom senso...... Só que não, aí a gente descobre que esse papo de maturidade não tem nada a ver com nada, e que quem viveu tomando decisões cretinas, nunca vai aprender mesmo 🤣🤣🤣 ” E foi assim que eu resolvi ir para a RD do Congo, com epidemia de ebola e tudo! E que os deuses da medicina cuidassem de mim.... Pelo menos, dessa vez, eu ia sozinho, não ia levar minha esposa grávida para essa roubada . Brincadeiras à parte, sabendo que (1) o local com bastante casos de ebola ficava a 9h de distância de Goma, especialmente em áreas remotas e rurais sob controle de milícias, (2) na cidade de 2 milhões de habitantes que estava sob controle do governo/organismos internacionais não tinha tido nenhum caso de ebola sequer, e (3) a transmissão é por contato com fluido infectado; achei que dava para encarar, tomando algumas precauções adicionais. Ah, não bastasse toda a confusão do ebola na região, tem outra informação que eu nem contei para a minha família...., mas fica o registro para cada viajante avaliar se vale o risco: o Parque Nacional Virunga ficou fechado de meados de 2018 até fevereiro de 2019 porque uma dessas milícias armadas da região da fronteira RD do Congo/Uganda/Ruanda, chamada Mai Mai, matou um ranger do parque e sequestrou um motorista e 2 turistas britânicos, que só foram libertos três dias depois! O Parque Nacional Virunga só foi reaberto em fevereiro de 2019, depois que eles revisaram e aumentaram ainda mais os protocolos de segurança. Segue a foto do pessoal que escoltou a gente até a entrada do vulcão, “pouca” gente armada, né?.... Ebola, guerra civil, estava me sentindo igual ao “Não Conta lá em Casa” (Ref. 17)... Figura IV‑1: Escolta armada Virunga A opção mais lógica seria fazer o gorilla trekking e o Nyiragongo no Virunga. Mas, na época em que eu pesquisei, os horários dos tours eram muito restritos (porque só saíam com a escolta fortemente armada) e não batiam com os horários dos voos da Etiopian Airlines para Goma. A outra opção seria voar até Ruanda, fazer o gorilla trekking em Uganda ou Ruanda, que ficam próximos, e atravessar a fronteira para Goma por terra para ir só no Nyiragongo, em RD do Congo. Achei melhor esta opção, pois minimizava os dias na RD do Congo com a epidemia de ebola e, também, dava para conhecer um pouco de Ruanda e Uganda. Enfim, com os riscos avaliados, mitigando o que foi possível, loucura ou não, eu resolvi ir para a RD Congo! E estava indo tudo bem: fechei meu roteiro detalhado, comprei minhas passagens (caro!), comecei a pagar os passeios para o Nyiragongo e dos gorilas (caros!) para a segunda quinzena de setembro. Eu já tinha gastado uns 2500 $USD na viagem, até que..., vendo noticiário...., descubro que, no meio de julho 2019, apareceu o primeiro caso de ebola confirmado em Goma! Pqp.... Preocupação total na OMS, que colocou o surto no mais alto nível de alarme na OMS. O ebola não estava mais apenas em áreas remotas e rurais sob controle de milícias, ele tinha chegado a uma cidade de 2 milhões de habitantes que tem uma importante e muito movimentada fronteira com Ruanda. Poucos dias depois, o segundo caso foi detectado em Goma (não relacionado ao primeiro), com morte e, logo depois, um terceiro caso dessa família!!! No dia 1 de agosto, vi no jornal que Ruanda fechou a fronteira com RD do Congo, exatamente a mesma fronteira que eu iria cruzar um mês e meio depois: Figura IV‑2: Fechamento da fronteira Ruanda e RD do Congo (link) Nesse momento, só vinha um pensamento na minha cabeça: Fu☠️☠️☠️ geral!! Mandei e-mails para o pessoal do Virunga e para a agência do gorilla trekking na Uganda para pedir mais informações. O pessoal do Virunga disse que, aparentemente, foi um mal-entendido, que a fronteira já havia sido aberta logo depois, que foram casos isolados e todas as pessoas em contato com os infectados foram vacinados. Por fim, eles disseram que estavam monitorando a situação de perto, mas, a princípio, os tours seguiam funcionando. Já a agência de Uganda explicou que os 3 casos de ebola detectados em Uganda (eu nem sabia que também tinha tido ebola em Uganda!), em junho 2019 foram casos isolados, tratados e, a OMS, seguindo os protocolos, declarou Uganda free of ebola depois de 40 dias sem nenhum caso. Se eu não tivesse gastado tanta grana, provavelmente teria cancelado a viagem. Mas agora não tinha outra opção a não ser seguir em frente, acompanhando.... Se houvesse um surto em Goma, eu não iria ao principal objetivo da minha viagem: Nyiragongo! No final, acabei mesmo indo para a RD do Congo em meados de setembro de 2019. Passei lá o menor tempo possível, apenas para ver o vulcão. Cheguei na fronteira 7h da manhã, fui com transporte do Virunga direto para o vulcão, dormi lá no alto, e meio-dia do dia seguinte eu já estaria cruzando a fronteira de volta à Ruanda. De modo geral, na RD do Congo eu só tive contato com dois funcionários do escritório do Virunga, com motorista, um guia, e uma meia dúzia de rangers e porters do parque nacional. Também levei alguns remédios e máscaras, se houvesse alguém tossindo por perto, just in case, mas acabei nem usando. Para finalizar sobre o ebola: como acabei indo para região, pude observar que, nas áreas sob controle do governo em Ruanda, Uganda e RD do Congo, ações de controle estavam sendo tomadas. Dos dois lados de cada fronteira, disponibilizam água limpa para lavar as mãos e faziam medições de temperatura em todas as pessoas. Além das fronteiras, montaram checkpoints para medição de febre e lavagem nas estradas, perto das principais cidades. E até mesmo quando eu cheguei de avião na Etiópia e viram no passaporte meu visto do RD do Congo, mediram minha temperatura.... Nessa época (antes da pandemia do covid-19), eu nem sabia que tinha termômetros que mediam a febre com um aperto de botão, instantâneo. Tinham cartazes informativos falando do ebola em vários aeroportos e, também, observei as instalações de saúde. OK, não eram hospitais supermodernos, eram uns barracões de lonas temporárias, mas, ao menos, pareciam minimamente apropriados para fornecer tratamento. E tinha muita presença de organismos internacionais, como OMS, Red Cross, Médicos sem fronteiras, e um monte de gente sendo vacinado. No final do segundo semestre de 2019, melhorou um pouco a situação e, desde fevereiro de 2020, tem poucos casos de ebola na região, estão quase erradicando a doença, felizmente! DISCLAIMER: Todas as informações contidas neste livro são resultado de pesquisa e curiosidade de viajante do autor, e são apresentadas no contexto do relato das viagens. As referências consultadas estão detalhadas no último capítulo. No entanto, é importante ressaltar que essas informações não devem ser consideradas como dados científicos. Recomenda-se que consulte fontes científicas confiáveis para obter informações precisas e atualizadas sobre os temas abordados em todo o livro. O autor não assume responsabilidade pela utilização das informações aqui apresentadas. Resumo do Roteiro Figura IV‑3: Roteiro da viagem para a África O roteiro escolhido foi: Dia 1 -> São Paulo –> Addis –> Kigali Dia 2 -> Kigali (Ruanda) Dia 3 -> Gorilla trekking (Uganda) Dia 4 -> Nyiragongo (R.D. congo) Dia 5 -> Nyiragongo -> Addis (Etiópia) Dia 6 -> Lalibela Dia 7 -> Axum e Tigray churches Dia 8 -> Salar Danakil Dia 9 -> Dallol e Erta Ale Dia 10 -> Lago Afrera Dia 11 -> Addis –> SP Relato dia a dia Dia 1-> São Paulo –> Addis –> Kigali Meu voo saía cedinho (01h) de São Paulo, cheguei às 19h em Addis (Etiópia) e peguei voo às 22h45, chegando às 00h45 em Kigali (Ruanda), já madrugada do dia seguinte. Imagina o cansaço até então.... Mas o pior do dia ainda estava por vir! O destaque negativo foi o meu recém-comprado drone. Esta era a primeira viagem internacional que eu estava levando meu drone, estava todo empolgado com isso! Quem quer viajar com drone deve saber que a primeira coisa a se fazer é pesquisar sobre as restrições do destino, e é chato para caramba pesquisar regulamentos de drones mundo afora. Eu achei um site de drones que classifica os países com sinal verde (= drone liberado); sinal amarelo (= tem algumas restrições, mas dá para usar); e sinal vermelho (= proibido). O Brasil, por exemplo, está no amarelo, tem que preencher um monte de coisa no site da ANAC, mas normalmente dá para usar drone sem maiores problemas. A grande maioria dos países está com sinal amarelo. Vi que todos os meus destinos estavam no amarelo e me dei por satisfeito com essa pesquisa. Mal sabia eu que o diabo estava nos detalhes... Chegando no aeroporto de Kigali (Ruanda), enquanto aguardava na fila da imigração para dar entrada no país, estava passando um simpático vídeo sobre drones em um telão, que dizia para os turistas registrarem seus drones no aeroporto. Na hora, eu pensei: “como eu não vou usar o drone em Ruanda, nem vou me preocupar com essa burocracia de registro”, mas assim que passei pela imigração, fui surpreendido por um raio-x para bagagens de mão antes da saída do aeroporto. Estamos acostumados a ver esses raios-x antes de embarcar, não na saída do aeroporto. Por causa desse raio-x, achei melhor procurar o guarda e avisar que eu tinha um drone e queria fazer o registro. O guarda não entendeu direito quando eu disse que tinha um drone, repeti algumas vezes até ele entender, e ele me pediu para esperar um tempo. Depois de alguns minutos, o guarda chegou com outro funcionário, que me perguntou de novo se eu tinha um drone. Na hora, eu pensei: “ufa, finalmente chegou o cara que iria fazer o registro do meu drone para eu poder ir embora logo”..., mas..., “ni qui” eu confirmei que tinha um drone...., ele disse que confiscaria o aparelho!!! Ca☠️☠️☠️☠️☠️, como assim??? Eu expliquei que fui voluntariamente procurar os guardas no aeroporto apenas para registrar o meu drone e, só queria fazer um registro com a agência de aviação de lá (como a ANAC, basicamente era o que dizia o videozinho da imigração), mas eu nem iria utilizá-lo em Ruanda! Então o cara explicou que ele era policial, não era funcionário da agência de aviação. Como estava tarde, não tinha ninguém da agência lá, a única diretriz que ele tinha era reter drones sem autorização no aeroporto e que eu poderia retirar depois, na saída de Ruanda! Em nenhum momento o policial foi agressivo. Teve até uma hora que ele perguntou qual era o problema de deixar o drone retido no aeroporto e pegar na saída, se eu não confiava nele, ou na polícia de Ruanda. Eu disse que o problema não era esse, mas que eu estava indo para a RD do Congo por via terrestre e pretendia utilizar o drone lá. Depois fomos para a salinha da “polícia federal” no aeroporto e, fiquei um pouco mais tranquilo quando vi um milhão de drones retidos lá. Já que prometer que não iria usar o drone em Ruanda não estava adiantando muito, minha próxima tentativa de sensibilizá-lo foi insistir que eu iria pedir a autorização para a agência de aviação da Ruanda no primeiro momento possível, seja online ou pessoalmente na manhã seguinte. Foi aí que ele me explicou que seria quase impossível eu conseguir uma autorização de drone na agência de Ruanda, pois era um processo mega complicado, que precisa ser feito com muitas semanas de antecedência, pagando altas taxas, praticamente só para fins comerciais... Aquele videozinho do aeroporto que parecia uma moleza para turista conseguir autorização era o maior “pega trouxa”, o governo não quer drones no país de jeito nenhum! Ok, sabendo disso, preparei minha última cartada: falei para ele que não dava para ficar com meu drone retido lá porque iria sair do país por fronteira terrestre. Expliquei para o policial que, às 3h da manhã do dia seguinte, eu iria sair de Ruanda pela fronteira terrestre com Uganda, e não pelo aeroporto. Mostrei o voucher do meu tour em Uganda, era tudo verdade, mas eu não contei para ele que, depois disso, eu ainda voltaria para Ruanda duas vezes via fronteiras terrestres. Também não contei que a minha “saída final” da região seria por aquele mesmo aeroporto, quatro dias depois... Só enfatizei que, na madrugada do dia seguinte, sairia de Ruanda pela fronteira terrestre. Ele pensou um pouco e me disse que nesse caso ele iria sim liberar a minha retirada do drone, mas somente na noite anterior à minha saída, a partir das 18h! Então ele preencheu um formulário com a identificação do drone, deixou o celular dele anotado (caso ele não estivesse no aeroporto na hora da minha retirada) e finalmente, depois de mais de uma hora e meia, saí do aeroporto de Kigali com meu drone novinho retido até o dia seguinte. “Bela” maneira de começar minha viagem! No final, fiquei feliz que consegui dar um jeito de retirar o meu drone antes da saída para Uganda, pois meu objetivo principal era filmar o Nyiragongo. Por outro lado, fiquei bastante apreensivo com aquele controle todo, pois ainda teria que entrar em Ruanda pelas fronteiras terrestres duas vezes, como seria? No fundo, fiquei na dúvida se era melhor ter desistido e deixado o drone lá mesmo no aeroporto, ou se valeria a pena arriscar ter o drone confiscado cruzando algumas fronteiras terrestres remotas, por guardinhas que sabe-se lá teriam o mesmo tratamento adequado com os turistas que aquele chefe da polícia do aeroporto... Mas isso são cenas do próximo capítulo! Dia 2 -> Kigali (Ruanda) Depois do imbróglio do drone, acabei chegando no hotel lá pelas duas e tantas da manhã. Eu só tinha reservado a noite do dia seguinte, meu check-in era só a partir do meio-dia, mas eu pude pegar um quarto sem nenhum custo adicional, obrigado Hotel Okapi! Na minha pesquisa sobre Ruanda, o que mais me atraiu eram os memoriais do genocídio de 1994, especialmente o Memorial do Genocídio e o da Igreja Nyamata. Também queria aproveitar para dar uma volta no centro de Kigali e tentar conhecer o Hotel Mille dês Collines, do filme Hotel Ruanda. Aliás, além de ser um filme muito bacana, é imperdível para quem quer conhecer um pouco mais sobre o genocídio de Ruanda. No último capítulo também tem as principais referências aonde obtive as informações desse capítulo. Resumindo a história do genocídio de Ruanda: foi um massacre (em massa) de pessoas dos grupos étnicos tutsi, twa e hutus moderados que ocorreu durante a guerra civil de Ruanda, entre 7 de abril e 15 de julho de 1994 (mesmo ano da copa do mundo que o Brasil foi tetra e da morte do Ayrton Senna). Estima-se que 800 mil pessoas mortas de um país que, na época, tinha aproximadamente 7 milhões de pessoas, ou seja, aproximadamente 12% da população total do país e 70% da população Tutsi de Ruanda. Usando a mesma proporção, seria como se 22 milhões de brasileiros (de 200 milhões) fossem assassinados em 3 meses de genocídio. E, na época, eu nem sequer tinha ouvido falar a respeito... Impressionante como alguns massacres chamam a atenção da mídia e tem cobertura por aqui, enquanto outros passam despercebidos. Existem algumas opiniões meio divergentes se existiam diferenças físicas entre tutsi e hutus, ou não. Segundo o Memorial de Kigali, todos os ruandeses são originários de 18 tribos, e as categorias hutu, tutsi e twa (pigmeus) eram distinções socioeconômicas dentro dessas tribos, mas não distinção racial. Mas, em 1932, quando os colonizadores belgas começaram a emitir os cartões de identidade, a separação passou a ser mais explícita. Quem tivesse dez vacas seria um tutsi (15% da população), e qualquer um com menos de 10 vacas seria hutu (85%) e ficaria marcado na identidade. Era uma tentativa dos belgas de exercerem melhor o controle na região através de um sistema de castas sociais. E, durante todo o período colonial, a rivalidade étnica foi sendo alimentada. Os líderes que comandavam a região, apontados pelos belgas, eram sempre os tutsis. Em troca de lealdade aos belgas, os tutsis tinham melhores cargos, melhor educação, melhores empregos, excluindo a grande maioria hutu do processo socioeconômico, que obviamente não ficou nada feliz com isso.... Mas, com a escassez de terras e a fraca economia, baseada na agricultura (café), a rivalidade étnica foi aumentando. Em 1956, quando os tutsis tentam a independência, os belgas passam a apoiar os hutus, até a independência de Ruanda em 1962, quando os hutus tomaram o poder e começaram a marginalizar os tutsis. Em 1989, quando o preço do café caiu 50%, o país ficou à beira do colapso. E este roteiro a gente já conhece: crise econômica, rivalidades, um grupo culpando o outro pela crise, menos tolerância, mais extremismo. A maioria hutu passou a atribuir todas as mazelas da nação à população tutsi. Pressionados pelo revanchismo, muitos tutsis abandonaram ou foram expulsos do país, formando imensos campos de refugiados especialmente em Uganda, além da RD do Congo e Burundi. E, em Uganda, foi formada a Frente Patriótica de Ruanda (FPR), para lutar contra o governo hutu, inclusive com armas, apoiada pelo governo de Uganda. Ou seja: de um lado, o exército hutu, comandando por Ruanda, com apoio regional da RD do Congo e europeu da França, e, do outro, a Frente Patriótica de Ruanda, dos tutsis, com apoio regional da Uganda e europeu da Bélgica. Todos os ingredientes necessários para começar uma guerra civil estavam presentes! Logo começaram os combates militares e, em 1989, FPR invadiu Ruanda pela fronteira com a Uganda. Pouco tempo depois, iniciou-se uma negociação de paz entre a FPR e o governo hutu e, em 1993, houve um acordo de Arusha, na Tanzânia, que previa a criação de um governo de transição mediado pela ONU composto de hutus e tutsis. Mas, em abril de 1994, o presidente hutu Juvenal Habyarumana foi morto em um atentado contra o avião, atribuído aos tutsis, e esta foi a gota d’água que desencadeou o genocídio em Ruanda. O avião foi derrubado por um míssil quando estava para pousar em Kigali. Enquanto alguns atribuem aos tutsis da FPR a derrubada do avião, outros dizem que foram hutus extremistas que não queriam o acordo de paz e já estavam com genocídio planejado. Até hoje não se sabe ao certo quem derrubou o avião... O filme Hotel Ruanda mostra que, no início do genocídio, havia muitas milícias extremistas hutus, especialmente uma chamada Interahamwe, que pleiteava abertamente o extermínio dos tutsis (inclusive em programas de rádio). Sem os tutsis, os problemas de Ruanda desapareciam! Não se sabe ao certo se o governo hutu participava diretamente destes grupos, mas sabe-se que, pelo menos, as milícias não eram reprimidas e eram armadas pelo governo. Alguns historiadores dizem que essas milícias pareciam a forma não oficial que o governo encontrou de matar os tutsis. Existem versões que dizem que o próprio governo planejou, com meses de antecedência o genocídio. O fato é que, desde as invasões dos tutsis da FPR no norte de Ruanda, massacres esporádicos dos Tutsis em Ruanda se tornaram mais frequentes. Mas o assassinato do presidente hutu Habyarumana gerou um vácuo de poder, que serviu para as lideranças hutus extremistas e milícias conclamarem a população a exterminar os tutsis. Começaram, então, as execuções sumárias, com uma organização meticulosa. As listas de opositores do governo foram entregues às milícias, juntamente com os nomes de todos os seus familiares. Como na época as carteiras de identidade apresentavam o grupo étnico das pessoas, as milícias montaram bloqueios nas estradas onde abatiam os tutsis, muitas vezes com facões que a maioria dos ruandeses tinha em casa. Não foram só as milícias que mataram, a população em geral também participou. Quem não participou foi acusado de traição e morto também, muitos hutus moderados foram executados. As cenas dos do filme eram chocantes, as do Memorial do Genocídio, então.... E não era só matar, tinha que ser cruel. Homens (muitos com AIDS) estupravam mulheres, maridos foram obrigados a matar suas mulheres antes de serem mortos, mulheres foram obrigadas a matar crianças antes de serem mortas, crianças eram forçadas a participarem dos massacres. No interior, era pior, porque todos se conheciam e sabiam quem devia morrer. Muitas famílias foram separadas. Milhares de órfãos. Muitas famílias morreram por inteiro, sem ficar ninguém para contar a história… Isso tudo ocorreu durante mais de 3 meses, com ONU e mundo ocidental de braços cruzados. ONU e Bélgica tinham forças de segurança em Ruanda, o general canadense Romeo Dellaire chefe da missão da ONU tentou pedir ajuda para evitar o massacre, mas não foi dado à missão da ONU um mandado para parar a matança. Os belgas e a maioria da força de paz da ONU se retiraram depois que dez soldados belgas foram mortos. As forças da ONU salvaram os estrangeiros, mas não se importaram em deixar os tutsis para trás. Os franceses, que eram aliados do governo hutu, enviaram militares para criar uma zona supostamente segura, mas foram acusados de não fazer o suficiente para parar a chacina nessa área. O atual governo de Ruanda acusa a França de "ligações diretas" com o massacre - uma acusação negada por Paris. Na época, os EUA trabalharam para que conselho de segurança da ONU, que condenou o massacre, não usasse o termo genocídio, pois isso implicaria intervenção da ONU (e, por extensão, dos EUA). Na época dos massacres, os Estados Unidos ainda sofriam as consequências de sua humilhante intervenção na Somália, em que membros de milícias arrastaram corpos de soldados americanos pelas ruas da capital Mogadíscio e aparentemente não tinham interesse em repetir a história intervindo na Ruanda. O genocídio só acabou quando a FPR derrotou o governo e tomou o poder. Grande parte desta história é contada no Memorial do Genocídio de Kigali. Lembrando que, como ele foi criado pelo atual governo, tem um viés meio tutsi. Depois do final do genocídio, milhões de hutus (inclusive as milícias hutu Interahamwe e integrantes do exército), fugiram para RD do Congo. Lembrando que antes estava cheio de refugiados tutsi lá... A confusão entre Tutsis e Hutus ainda deu muito que falar na RD do Congo, eu falarei detalhes no relato dos dias do RD Congo. O líder da FPR era Paul Kagame. No governo estabelecido depois do fim do genocídio, escolheram como presidente Pasteur Bizimungu, um hutu moderado, e Paul Kagame, tutsi, como vice-presidente. Isso foi muito importante para evitar uma onda de vingança. Paul Kagame virou presidente em 2000 e está lá até hoje, sendo alvo de controvérsias. Por um lado, conseguiu muito desenvolvimento econômico e social, mas por outro, alguns acusam de violar direitos humanos e a suprimir oposição... EM TEMPO, atualização de ago/2020: vi a notícia que o ex-gerente do Hotel Miles de Coline - do filme Hotel Ruanda - Paul Rusesabagina foi preso pelo governo atual, acusado de terrorismo. Desde que foi morar no exterior, Paul Rusesabagina se tornou crítico de Paul Kagame. Eu precisava conhecer melhor este processo, mas, enfim, um governo acusar os opositores de “terrorismo” não é muito original.... Por outro lado, se, no filme, Paul Rusesabagina é retratado como herói, há também outras versões não muito abonadoras dele, envolvendo cobranças e maus tratos às pessoas que ficaram escondidas no hotel, vai saber... Meu primeiro passeio foi no Memorial do Genocídio de Kigali. A casa é meio simples, do lado de fora, tem um jardim e túmulos onde foram sepultados os restos mortais de 250 mil pessoas, muitas flores e homenagens. Ainda do lado de fora, estavam construindo um auditório coberto. Tinha bastante placa comemorativa dos 25 anos de genocídio. É um lugar agradável, mas o exterior é até modesto, não é nenhum museu mega arquitetônico, nem mega jardim, nem nada. Mas eu achei o conteúdo do memorial muito interessante. Não paga nada para entrar no memorial, mas cobrava se você quiser utilizar o audiovisual (25 $USD), e se quisesse tirar foto dentro do museu (20 $USD). Depois que eu conheci todo o museu e desisti da ida à Igreja de Nyamata, resolvi pagar a facada da taxa e tirar fotos da parte de dentro. Acabei vendo o museu inteiro duas vezes, passei umas 3h30 lá! Não achei necessário o audiovisual, porque, mesmo sem ele, tinha muita informação no museu. Ao longo de todo o museu, tem fotos, painéis e vídeos bacanas. Na primeira parte do museu, tem muitos painéis com textos bacanas contando a história do genocídio (vide vídeo Cap IV‑1, youtube.com/@destinovulcoes, link para o QR Code). Também tem uns porretes e machadinhas que foram utilizados no genocídio, e muitas fotos de locais onde houve massacres. Até aprendi o significado de machete em inglês, facão. Figura IV‑4: Algumas armas usadas no genocídio DISCLAIMER: esta parte do livro a seguir é mais pesada, com mais detalhes sobre o terrível genocídio. Quem não quiser ler este trecho, pode ir direto para o final do dia em Kigali, clicando aqui (no livro tem um link...). A próxima parte do memorial se dedica mais à memória das vítimas, com exposições de fotos, roupas e itens pessoais, crucifixos, terços e esqueletos. Figura IV‑5: Fotos das vítimas Figura IV‑6: Ossos das vítimas Esta parte de exposição dos itens das vítimas é muito triste e, impactante. O mais triste talvez seja ver os crânios. Tem alguns crânios com mega buracos bizarros, tipo de martelada! Tem muitos vídeos contando histórias muito emocionantes e tristes, como a busca pelos desaparecidos. Salvei dois vídeos dessa parte no canal, vídeo Cap IV‑2 e Cap IV‑3. Figura IV‑7: Crânios de vítimas Depois tem uma parte do memorial bem bacana sobre vários genocídios no mundo. Tem alguns que eu nem conhecia, como o genocídio da Namíbia, em 1904-1905, cometido pelos colonizadores alemães com alguns nativos africanos. Segundo o memorial, mataram 65.000 dos herero (80% da população) e 10.000 dos nama (50% da população). Além disso, o museu fala um pouco do genocídio judeu na Segunda Guerra Mundial, e depois do genocídio do Camboja, em 1975-1979, através do qual morreram 2 milhões de pessoas, 30% da população, e 95% dos templos budistas foram destruídos. Por fim, eles falam dos Bálcãs, nos anos 1990. DISCLAIMER: esta parte é a mais pesada do genocídio, quem quiser pode ir direto para o final do dia em Kigali, clicando aqui. A parte mais triste ficou para o final... A última parte é dedicada às crianças vítimas do genocídio. Eles reuniram as fotos de algumas crianças e colocaram algumas lembranças sobre as vítimas!!! Não deu para segurar as lágrimas, é de partir o coração. Especialmente para um pai com filhos pequenos, de 5 e 2 anos na época. Nesta parte, havia fotos grandes e placas em frente com algumas lembranças das vítimas: Figura IV‑8: Ariane e David Figura IV‑9: Ariane Figura IV‑10: David Ariane Umutoni, 4 anos; Comida favorita: bolo; bebida favorita: leite; Gostava de: cantar e dançar; Comportamento: uma garotinha legal (minha tradução de neat); Causa da morte: esfaqueada nos olhos e na cabeça. David Mugiraneza, 10 anos; Esporte favorito: futebol; Gostava de: fazer as pessoas sorrirem; Sonho: virar médico; Última frase: “UNAMIR* virá nos salvar”; Causa da morte: torturado até morrer. *UNAMIR = United Nations Assistance Mission for Rwanda, missão de paz para Ruanda da ONU. Um soco no estômago!! Triste demais.... Figura IV‑11: Patrick e as irmãzinhas Uwamwezi e Irene Figura IV‑12: Patrick Figura IV‑13: Irene e Uwamwezi Patrick Gashugi Shimirwa, 5 anos; Esporte favorito: andar de bicicleta; Comida favorita: Chips, carne e ovos; Melhor amiga: Alliane, sua irmã; Comportamento: um garoto quieto e bem-comportado; Causa da morte: golpe de facão. Irene Umutoni e Uwamwezi, 6 e 7 anos; Irmãs; Brinquedo favorito: uma boneca que elas dividiam; Comida favorita: frutas frescas; Comportamento: garotinhas do papai; Causa da morte: uma granada lançada no chuveiro delas. (“PQP”, granada no chuveiro!!!) Figura IV‑14: Thierry e Fillette Figura IV‑15: Thierry Figura IV‑16: Fillette Thierry Ishimwe, 9 meses; bebida favorita: leite da mamãe; Comportamento: chorava bastante; Características: um bebê pequeno e fraco; Causa da morte: facão enquanto estava nos braços da mãe. Fillette Uwase, 2 anos, brinquedo favorito: boneca; comida favorita: arroz e chips; melhor amigo: o papai dela; Comportamento: uma boa garota; Causa da morte: espremida contra parede. 9 meses e 2 anos, caramba, é desesperador!!! A que ponto chegam os seres humanos em guerras e genocídios. Crianças e bebês, é muita falta de humanidade! Tinha mais uns 3 painéis desses com lembranças, além de muitas fotos de outras vítimas do genocídio... Fortes emoções, muitas lágrimas nessa parte do memorial! Salvei um vídeo dessa parte no canal, vídeo Cap IV‑4. Final do dia em Kigali Na minha opinião, por mais triste que seja, essas desgraças e genocídios precisam ser estudados e registrados para que nunca mais voltem a acontecer. A visita ao memorial começa e termina com vídeos bacanas, de cerca de dez minutos, que falam sobre o genocídio. No final, passa uma mensagem inspiradora de reconciliação, destacando como as pessoas entenderam que a vingança não levaria a nada e não as ajudaria a viver em paz. Hoje, o país está bem melhor que muitos vizinhos, e a situação racial parece estar bem mais apaziguada. Além disso, é proibido classificar tutsi-hutus, só existem ruandeses. Gostei muito do Memorial do Genocídio, e eu achei que, no final, ficou essa imagem bonita de reconciliação. E o país, de uma forma geral, evoluiu. O PIB cresceu, em média, 8% de 2000 até 2013. A expectativa de vida cresceu 10 anos na última década. Vejo muitos mochileiros rodando pela África dizendo que Ruanda é muito limpa, organizada e tem boa infraestrutura. Aparentemente está muito melhor que Burundi, RD do Congo, Uganda, Moçambique, Zâmbia, mas, até para alinhar expectativas, está bem pior que Brasil. Nos rankings de IDH, PIB, PIB per capita, Ruanda está melhor que muito país africano, mas ainda está lá no último quarto das listas: posição 140 (ou mais) de 180 e poucos países... De qualquer forma, não deixa de ser admirável como o país se reergueu rapidamente após o genocídio. Existem vários memoriais do genocídio em Ruanda. O outro memorial que mais me interessava era na Igreja de Nyamata, meu plano inicial era ir lá no período da tarde. Mas ficava longe, 1 hora de carro de Kigali, os tours eram bem caros, táxi também, se fosse de busão ia ficar tarde, acabei desistindo. Resolvi almoçar no próprio restaurante do memorial, deixando a tarde livre para dar uma volta no centro e conhecer melhor Kigali. As fotos a seguir foram tiradas dos jardins do memorial (que fica na parte baixa da cidade) e mostram bem o contraste do centro, no alto da colina, com prédios espelhados e mais ricos e, na parte baixa, casas beeeeeeem mais simples, e até umas zonas meio rurais. Os hotéis chiques, o meu hotel sem-vergonha, e o centro comercial ficavam no alto da colina, distante uns 50 minutos a pé do memorial do genocídio, já em uma área mais simples. Figura IV‑17: Alto da colina, com prédios mais modernos Figura IV‑18: Contrastes de Kigali Fui a pé até o memorial, valeu a pena conhecer o “mundo real” de Kigali, fora do centro mais rico. Não aconteceu nada, mas eu não fiquei 100% confortável andando por lá “vestido de turista”, com mochila, câmera etc. Na volta, fiquei com preguiça de encarar aquela subida e pedi para o recepcionista do memorial chamar um táxi, e ainda bem que eu tinha combinado o preço com esse cara da recepção, porque o espertinho do taxista estava querendo dar uma de João-sem-braço e me cobrar o dobro.... Minha primeira parada foi no Hotel Mille des Collines, famoso Hotel Ruanda do filme. Fingi que ia comer algo no restaurante do hotel para conhecer a área externa. Em pensar que, quando cortaram a água do hotel, essa piscina foi a única fonte de água de mais de mil pessoas refugiadas ali (segundo o filme)! Depois, dei uma volta rápida pelo centro. Alguns prédios modernos, hotéis bacanas, shoppings. Como os gorilas são a principal atração turística de Ruanda, também tem bastante estátua e adereços relacionados a eles pelas ruas. Figura IV‑19: Piscina do “Hotel Ruanda” Figura IV‑20: Uma das muitas rotatórias decoradas com gorilas Memorial do Genocídio: #valeapena Dia 3 -> Gorilla trekking (Uganda) Por questões logísticas, financeiras, de segurança e até "epidêmicas" que eu expliquei no início do capítulo, eu achei melhor fazer o gorilla trekking em Uganda. Os gorilas da montanha sofreram anos de caça predatória, o que reduziu drasticamente sua população na África. Dizem, inclusive, que eles migraram para regiões mais montanhosas e se adaptaram a altitudes elevadas justamente para escapar da caça. Mas, ultimamente, os governos da região da tríplice fronteira entre Uganda, Ruanda e RD do Congo passaram a cuidar deles de forma mais efetiva. E depois que perceberam o potencial turístico, têm feito um enorme esforço para protegê-los e, através do turismo, incentivar a conscientização e levantar recursos para continuar o trabalho de proteção. Os gorilas da montanha só existem em Uganda, Ruanda e RD do Congo (embora existam outras espécies de gorila na parte ocidental da África). Eles vivem livres nas florestas, demarcadas em parques nacionais. Hoje a população de gorilas da montanha começou a crescer, já tem uns mil. Eu fui ver os gorilas no Parque Nacional Mgahinga, que é uma pequena continuação do Parque Nacional Virunga, cruzando a fronteira do lado de Uganda. A continuação do Virunga no lado da Ruanda chama-se Parque Nacional dos Vulcões. Em Uganda, ainda existem gorilas da montanha em outro parque nacional, o Bwindi, que é maior e abriga mais gorilas que o Parque Nacional Mgahinga. No geral, achei os parques nacionais relativamente bem cuidados. O sistema de visitas de gorilas é limitado em número de pessoas e duração (uma hora por dia), com proteção dos rangers (guardas florestais). O trabalha dos governos pareceu bem planejado e sustentável, embora o custo dos passeios seja bem alto. Os gorilas da montanha são imensos, estilo King Kong. O macho silverback mais alto já registrado pesava 219 kg e media 1,95 metros de altura (na média, são um pouco menores). Eles têm hábitos familiares e diurnos. Eles são 95% vegetarianos, se alimentando principalmente de um tipo de bambu. Os outros 5% são de formigas, que complementam a proteína na alimentação deles. Ao contrário dos chimpanzés, por exemplo, que vivem mais nas copas das árvores, eles vivem majoritariamente no chão. É possível chegar muito perto deles, uns 5 metros. Devido ao turismo recente, desde a década de 90, muitos já estão habituados à presença humana. Somente as famílias habituadas podem ser visitadas. Eu decidi ir no Mgahinga National Park em vez do Bwindi National Park (o mais famoso em Uganda), porque ficava mais perto da fronteira com Ruanda. O preço era o mesmo, mas, apesar de ambos ficarem próximos à cidade de Kisoro, a entrada do gorilla trekking, no Mgahinga, ficava a 30 minutos da fronteira, enquanto a entrada mais próxima para gorilla trekking do Bwindi ficava a 1h30 da fronteira. Achei que Mgahinga foi uma boa escolha pela distância e também porque a mata no Bwindi é bem mais densa, tornando o trekking lá teoricamente mais desafiador. Além disso, achei bacana que o gorilla trekking no Mgahinga é feito aos pés do belo vulcão inativo Muhabura (4127 m), na divisa de Uganda com Ruanda. A região é bem bonita, de um lado, tem o Parque Nacional dos Vulcões, em Ruanda e, do lado de Uganda, o Mgahinga. O gorilla trekking era um passeio que eu queria muito fazer, as minhas expectativas eram bem altas. Mas era bem caro, só a entrada no parque (licença para turista) custava 600 $USD e ainda tinha o translado, o visto do país e a gorjeta. Eu tinha lido muitos relatos de viajantes impressionados com a experiência de visitar os gorilas da montanha em seu habitat natural, no meio da floresta, sem cercas e sem a proteção de um carro, como nos safaris. Muito legal ficar a poucos metros desses bichos gigantes, mas inofensivos, com hábitos parecidos com os nossos e, dependendo do ponto de vista, até fofinhos 🤣 . E, como os rangers monitoram as famílias de gorilas todos os dias, a chance de vê-los é praticamente 100 %. A atração principal do passeio era, sem dúvida, a ver os gorilas, mas também fazia parte da aventura fazer um trekking na segunda maior floresta tropical do mundo, depois da Amazônia! Vi programas de tv, viajantes e operadores de tours falando bastante sobre a desafiadora caminhada na mata até encontrar os gorilas. Não dava para saber de antemão o tempo da caminhada, poderia chegar a 3h no meio da mata virgem, com mosquitada e, eventualmente, chuvas e outros perrengues. Inclusive, o passeio só era permitido para turistas a partir de 15 anos. Nos vídeos que assisti, achava muito legal o momento que os rangers/nativos encontravam a família de gorilas: sempre tinha a cena de um dos rangers com seu enorme facão cortando o mato e logo apareciam os gorilas! Me lembro que, quando eu cheguei na guarita do parque com minha mochila apenas com câmeras, água e um biscoitinho (devia estar com menos de 4 kg), o ranger perguntou se eu não ia querer pagar 25 $USD para um porter levar minha mochilinha. Quando eu disse que não, ele ficou me assustando, dizendo que eu não ia conseguir fazer a trilha com a mochilinha nas costas, que eu não sabia o que me esperava, que era muito puxado o trekking etc. A minha logística desse dia ficou meio corrida. Contratei uma agência que ia me levar de Kigali (Ruanda) até o gorilla trekking em Uganda. Marquei minha saída 3h da manhã (horário de Ruanda, Uganda fica uma hora na frente). Foram quase 4h de viagem de Kigali até a fronteira em Cyanika, com vários checkpoints militares. A fronteira só abria 8h horário de Ruanda, 7h horário Uganda. Mas foi um belo trampinho para cruzar fronteira, especialmente os trâmites burocráticos do carro no lado de Ruanda, que, inclusive, demorou mais do que o previsto. Eu estava bastante preocupado porque sempre falavam que a saída dos gorilla trekkings era pontualmente às 8h, e só saímos da fronteira nesse horário! Chegamos no Mgahinga com uns 30 minutos de atraso, mas, felizmente, o cara da minha agência de turismo, “véio de guerra”, já tinha ligado para o ranger, avisando do nosso problema para cruzar a fronteira, e eles nos esperaram sem problemas. Na verdade, ainda tive que esperar outro grupo com três senhoras que tinha ido para uma guarita diferente do Mgahinga e também estavam chegando um pouco mais tarde. Eles dividiram o grupo, os primeiros cinco que chegaram às 8h saíram com um ranger, e eu e as três senhoras saímos depois. Começamos em uma guarita, onde paramos o carro, e após uma curta caminhada de uns 15 minutos em um descampado aos pés do Vulcão Muhavura, chegamos ao campo base de Muhavura, local de início do gorilla trekking. A trilha até lá era aberta, cheia de pedras e bem tranquila. Lá, o ranger faz algumas explicações básicas sobre o que podia e o que não podia ser feito, e nos falou sobre a família de gorilas que iríamos visitar: Família Nyakazegi, que tinha 8 integrantes. O destaque era 3 silverbacks na mesma família! Acabou que, na visita, não encontramos um deles, que estava em algum outro lugar da floresta, dando um “rolêzinho”... E seguimos para a nossa caminhada. Quando começamos a caminhar na floresta, primeira surpresa, o caminho estava cheio de trilhas muito bem demarcadas. A vegetação não era tão densa assim, também não era a mata virgem e inexplorada que eu estava esperando.... Era mais fácil caminhar lá do que caminhar no mato do sitiozinho da família em Cunha 🤣🤣🤣 . Parecia mais um parque nacional europeu, do que uma floresta tropical impenetrável... Logo encontramos a família Nyakazegi e, se tiver dado 30 minutos de caminhada, foi muito. Os rangers explicam que os turistas devem manter uma distância de 7 metros (às vezes ficávamos um pouco menos, uns 5 metros), mas é importante não ir na direção deles além disso, porque eles podem interpretar como uma ameaça e achar que você quer atacá-los. Porém, se eles vierem na sua direção quando você estiver parado, observando, supostamente não tem problema... Os rangers garantiram que não “pega nada”! Figura IV‑21: Distância dos gorilas Nós ficamos bem perto deles, e, na maior parte do tempo, eles nos ignoraram. Os adultos praticamente descansaram ou dormiram o tempo todo, exceto no final, quando o dorminhoco silverback foi comer.... Já os filhotes nos divertiram, subiam árvores, brincavam com os outros e, depois iam ficar com a mãe, uma belezinha! A relação de carinho entre as mães e filhotes é muito bacana, fazendo cafuné, é muito parecido com o ser humano. Figura IV‑22: Gorilona sossegada... Figura IV‑23: Filhote brincando nas árvores Figura IV‑24: Mãozinha e pezinho fofo.... Compartilhei no canal três vídeos da Familia Nyakazegi, Cap IV‑5, Cap IV‑6 e Cap IV‑7. No final, quando Silverback levantou e foi comer, pudemos observá-lo um pouco mais de perto (vídeo Cap IV‑8). Figura IV‑25: Silverback Inclusive, tivemos a sorte de pegar a mamãe amamentando um filhote. Fiz um vídeo, o guia nos garantiu que era uma amamentação, mas, no vídeo (Cap IV‑9, salvo no canal), não dava para ver direito.... Às vezes, parecia que os bebês estavam brigando, mas era só brincadeira de irmãos: Figura IV‑26: Brincadeiras de irmãos.... Salvei mais dois vídeos dos irmãos brincado, Cap IV‑10 e Cap IV‑11. No final das contas, eu gostei do passeio, mas...., eu estava com uma expectativa maior. Minha sensação foi boa, mas eu confesso que esperava mais! Eu estava esperando uma superaventura no meio da floresta selvagem, tipo os relatos do Divanei das Travessias Expedicionárias na Serra do Mar paulista (Ref. 16).... Ok, nem tanto, exagerei um pouco, mas a expectativa era alta. E caminhamos o tempo todo por trilhas tranquilas até chegar nos gorilas, que, na verdade, os rangers já tinham localizado faz tempo. E, quando chegamos, o cara corta um ou outro matinho com o facão para fazer uma graça, bem fake, era só seguir a trilha ao lado para chegar nos gorilas... Já assisti a alguns vídeos no Virunga (RD do Congo) e Bwindi (Uganda), que parecem um pouco mais selvagem. Mesmo assim, eu não esperaria encontrar uma selva inexplorada em nenhum desses parques. Conheci australianos que fizeram três gorilla trekking: dois no Bwindi, e um no Virunga. Eles acharam o Virunga foi o melhor por causa da proximidade com os gorilas e da rapidez para encontra-los. Eles deram sorte: um gorila foi até eles, chegando a tocar nele, e outro passou bem perto. No Bwindi, encontraram os gorilas com facilidade na primeira visita (não houve muita iteração), mas na segunda, tiveram que caminhar 3h (e depois voltar todo o caminho). Falaram que foi tão cansativo que mal conseguiram aproveitar a experiência.... As outras senhoras que foram comigo já haviam feito dois gorilla trekkings em Ruanda, onde acharam mais estruturado, com mais trilhas demarcadas e menos cara de floresta. Também acharam os gorilas rápidos, a família de gorila era grande e a iteração foi parecida. Elas preferiram o Mgahinga, pois a natureza estava mais intocada. Pelo que eu vi e ouvi, cheguei à conclusão de que o melhor era ir no Mgahinga mesmo, mas com expectativa “correta” em relação à “aventura na floresta”. O trekking lá é quase como caminhar na roça... Detesto quando eu crio muita expectativa! Quanto aos gorilas, você vai ver uma família de gorilas, vai chegar bem perto, mas normalmente eles vão te ignorar. É torcer para eles estarem mais ativos. No final das contas, eu acho que o gorilla trekking #valeapena, não deixa de ser uma experiência única estar no meio da floresta parque nacional a 5 metros dos gorilas! Mas eu não classifiquei como #imperdível por causa do preço de 600 $USD, difícil um passeio com este custo ser #imperdível. Dica para quem for: não se esqueçam de comprar com uma boa antecedência, eu diria, pelo menos, 2 meses se for em baixa temporada. Outro lado bom do passeio ser menos “desafiador” é que terminou mais cedo. Foram 3h desde a saída do estacionamento até voltarmos, e às 12h estava voltando para Ruanda. Infelizmente Uganda foi minha visita relâmpago, só fiz o gorila trekking e de lá segui no translado até Gisenyi, mais uma bela pernada de 3h. Em Gisenyi, escolhi um hotel bem próximo da fronteira, pois atravessaria para a RD do Congo na manhã seguinte e só voltaria no outro dia. Após um merecidíssimo almoço, fui dar uma volta na cidade e na beira do Lago Kivu. A cidade parece bem agradável, dizem que é onde os ricos de Ruanda têm casa de “praia”, já que o país não tem saída para o mar. O Lago Kivu e os hotéis à “beira mar” pareceram bem bacanas, uma boa parada para quem estiver de passagem pela região. Figura IV‑27: Pôr do sol no Lago Kivu Gorilla trekking: #valeapena Gisenyi e Lake Kivu: #legalzinho Saga do Drone Por fim, a saga do drone! Depois do imbróglio do primeiro dia, conversei bastante com o cara da agência que organizou o meu gorilla trekking. Perguntei sobre os controles da fronteira que eu iria atravessar. Apesar dessa fronteira específica de Cyanika-Kisoro ser bem pouco movimentada, ele me alertou que, do lado de Ruanda, eles revistam todas as bagagens que entram no país. Ele me disse que, em Uganda, o uso de drones também é proibido, mas o controle policial na fronteira era mais tranquilo. Essa conversa tinha ocorrido no dia anterior à minha ida ao aeroporto para pegar o drone. Naquele momento, fiquei na dúvida se era melhor deixar o drone lá no aeroporto mesmo e desistir de usá-lo no Nyiragongo, ou tentar atravessar (ida e volta) nas fronteiras terrestres Ruanda-Uganda e Ruanda-RD do Congo. Fiquei pensando no que aconteceria se alguém pegasse o meu drone nessa fronteira terrestre. Tinha grande chance de perder o meu drone, ou, na melhor das hipóteses, ele ficaria retido lá e, com sorte, me devolveriam algumas horas antes da minha ida ao aeroporto... Mesmo assim, resolvi arriscar e fui buscar o drone no aeroporto de Kigali no horário combinado com aquele chefe de polícia. O jeito era esconder bem escondido o drone na minha mala de mão (o mais fundo que dava em uma mala de mão de sete quilos!) e tentar atravessar as fronteiras terrestres com ele. Eu também tirei uma foto do formulário do meu drone retido no aeroporto com o telefone do chefe da polícia que me atendeu para tentar alguma coisa caso eu fosse pego. Como esperado, chegando na fronteira na ida para Uganda, foi tranquilo, nenhuma revista para sair de Ruanda, nem para entrar em Uganda. Mas vi que, na entrada de Ruanda, tinha um micro-ônibus e TODOS os passageiros tiveram que abrir TODAS as malas, seja de mão ou não, para o soldado revistar! Na hora eu pensei: “pqp”, Fu☠️☠️☠️!!! Quando estávamos voltando para Ruanda, depois do gorilla trekking, o soldado de Ruanda me pediu para eu abrir minhas malas (conforme o esperado). Ele examinou com carinho minha mochila de ataque e viu tudo lá, câmeras, carregadores e lentes. Detalhe: o controle remoto do drone estava lá no meio... Não sei se o soldado reconheceu que era um controle remoto de drone, mas ele olhou com bastante cuidado todos os compartimentos da mochila de ataque e perguntou com essas palavras: “do you have a drone?” Nessa hora, eu gelei, “tremi na base”! Se eu minto e depois o cara acha o drone na minha mala de mão, como vou tentar contar com alguma boa vontade dele?... Por outro lado, se eu falo que sim, só Deus sabe se um dia eu vou ver de novo meu drone novinho em folha. Eu fingi que não entendi a pergunta e continuei abrindo as malas. Mas ele não se deu por satisfeito e perguntou de novo: “do you have a drone?”! Não dava mais para fingir que não tinha ouvido, tive que responder..., e..., decidi dizer que não tinha drone! Aí chegou a hora de abrir minha mala de mão, minhas pernas tremiam mais que vara verde, tipo no bungee jumping! Minha mala de mão tinha dois compartimentos, o drone estava no maior. Fiquei um tempão mostrando todos os detalhes da outra metade, a menor... Abri o zíper, tirei uma meia daqui, mostrava o fundo da mala, tirava uma camiseta de outra parte, mostrava o fundo da mala, e assim por diante. E, quando fui para o lado que estava o drone, mostrei só a metade de cima e perguntei se já estava suficiente e.... (mistério...............): Ele fez um joinha!!! Ufa, fechei a mala e consegui respirar de novo 🤣🤣🤣 ! Que “cagaço”, ia perder meu drone novinho em folha na minha primeira viagem. Depois dessa, atravessando essa “mini-fronteira” com Uganda, achei que teria grande chance de dar problema na próxima fronteira terrestre, entre Gisenyi - Goma, uma fronteira muito movimentada. Como eu já ia deixar uma mala de mão no hotel em Gisenyi para pegar depois do trekking do Nyiragongo, resolvi esconder o drone lá. Acabou sendo a melhor coisa que eu fiz, quando fui atravessar a fronteira para a RD do Congo no dia seguinte, vi que, naquela fronteira, a revista de todas as malas era com raio-x! Ou seja, meu drone seria pego com certeza. Um detalhe: desde o aeroporto, quando avisei ao guarda que tinha drone, eu estava com uma dúvida: será que, se eu não falasse que estava com o drone na mala, os soldados conseguiriam detectá-lo com os raios-x? Esclareci essa dúvida no último dia, voltando para o aeroporto de Kigali. Na entrada de pedestre do aeroporto, havia um raio-x, tive que passar com as malas e eles detectaram o drone, sim! E, mesmo com a minha passagem para sair do país em 4h, o guarda encheu o meu saco para caramba! Minha sorte foi que eu tinha tirado uma foto daquele formulário do chefe de polícia que havia retido o drone na minha entrada do país. Expliquei que saí do país por terra, por isso peguei o drone e tive autorização do chefe da polícia, mas agora estava indo embora. O cara ainda ligou para o chefe da polícia, e só me liberou quando confirmou que minha história era verdadeira. Por um lado, foi até bom ter passado por aquela confusão logo no primeiro dia. Consegui entender direito como funcionava o sistema no aeroporto, que era um lugar com mais estrutura, imagina se eu tivesse o drone retido nas fronteiras terrestres no meio do nada... Dia 4 -> Nyiragongo (RD do Congo) Vou começar falando um pouco da República Democrática (RD) do Congo, ex-Zaire e ex-colônia da Bélgica. Alguns, inclusive, chamam o país de “Congo Belga”, já que a República do Congo (sem o “democrática”) foi colonizada pelos franceses. É considerado um dos mais pobres países do mundo e está entre os 10 menores PIB per capita do mundo. Seu Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) está entre os mais baixos do mundo, 0.459, em 2018, posição 179 entre 189 países avaliados. A RD do Congo é um país muito grande, o 11° maior país do mundo e é palco de conflitos por conta de rivalidades étnicas e, também, por recursos naturais. Considerado um dos países mais ricos do mundo nesse aspecto, seus recursos financiam milícias e são contrabandeados para países vizinhos, como Ruanda, Uganda e Burundi. São quase 30 anos de guerra civil, com a participação de milícias e exércitos de países vizinhos. É a maior e mais sangrenta guerra desde a Segunda Guerra Mundial. Na República Democrática do Congo, também está a maior e mais cara missão de paz (i.e. militar) da ONU, chamada Monusco, que já teve mais de 22 mil pessoas de vários países. Dois generais brasileiros, inclusive, já lideraram essa missão. Grande parte da missão está em Goma, pois a instabilidade na RD do Congo está bastante concentrada naquela região, próxima ao Nyiragongo e às fronteiras com Uganda, Ruanda e Burundi. O país está em guerra civil praticamente desde a sua independência da Bélgica, em 1960. Houve muita confusão, instabilidade, tentativas de eleição, assassinato do primeiro presidente e vários golpes. Na década de 60, inclusive o Che Guevara esteve nas lutas na RD do Congo! Até que, em 1965, um ditador anticomunista, Mobutu Sese Seko (apoiado pelos EUA na época da Guerra Fria), tomou o poder e lá ficou por 32 anos. Foi Mobutu que mudou o nome do país para Zaire. Mas a pior parte da guerra civil da RD do Congo tem raízes no genocídio de Ruanda, em 1994, e já matou cerca de 6 milhões de pessoas (7% da população de um país tem 86 milhões de habitantes). Em 1994, depois que os tutsis da Frente Patriótica Ruandesa (FPR) tomaram o poder, rebeldes hutus, inclusive aquelas milícias mais radicais Interahamwe, se refugiaram nas florestas do leste da RD do Congo. A chegada dos refugiados desestabilizou a região, habitada há mais de 200 anos pelos tutsis baniamulenges, inimigos históricos dos hutus. Sentindo-se negligenciados por Mobutu, que tolerou a presença dos hutus na região, os tutsis baniamulenges iniciaram uma rebelião em outubro de 1996, liderados por Laurent-Désiré Kabila, apoiados por Uganda e Ruanda. Em 1997, Laurent-Désiré Kabila assumiu o poder e retomou o antigo nome do país — República Democrática do Congo. Mobutu Sese Seko foi forçado a se exilar. Esta foi a primeira guerra civil da RD do Congo, de 1996 até 1997. Mas logo os problemas econômicos e a visão de que Kabila era um peão de potências estrangeiras puxaram muito a popularidade do presidente para baixo, gerando muita instabilidade. Tentando demonstrar força, Kabila começou a tomar medidas nacionalistas, em detrimento de Ruanda, Uganda e dos outros aliados, que romperam com ele. Em 1998, ele exigiu que as tropas de Ruanda e Uganda se retirassem e, em 1998, começou a segunda guerra civil da RD do Congo, seguindo a mesma linha da primeira: iniciados no leste, por militares tutsis baniamulenges, com apoio de Ruanda e Uganda, agora contra o Kabila. Enfraquecido, Laurent-Désiré Kabila pediu socorro militar à Angola, Zimbábue e Namíbia para frear o avanço dos tutsis baniamulenges, que já ocupavam grandes áreas do território congolês. Em resposta, Uganda e Ruanda começaram a intervir diretamente. A região inteira entrou em conflito, que ficou conhecido como a Grande Guerra da África. Em 1998, até o Nelson Mandela se envolveu nas negociações de paz! Assim, foi assinado um cessar-fogo (acordo de Lusaka), obrigando Laurent-Désiré Kabila a prometer eleições gerais para 1999. Contudo, ele não foi cumprido. Em 2001, Laurent-Désiré Kabila foi morto por seu guarda-costas. Joseph Kabila, seu filho, assumiu o governo, iniciou o processo de paz e prometeu eleições. Os acordos para a democratização avançaram. A retirada das tropas estrangeiras teve início em 2002. Em 6 de dezembro de 2006, Joseph Kabila seria eleito presidente na primeira eleição geral em 40 anos na história do país. A segunda guerra civil da RD do Congo terminou oficialmente em 2003, quando o governo de transição da República Democrática do Congo tomou o poder, mas a “treta” continuou.... Após ser eleito presidente em 2006, Joseph Kabila atuou para desmobilizar vários grupos rebeldes e reuni-los ao exército congolês. No entanto, com o país destruído, com a absoluta ausência do Estado e com uma diversidade de riquezas em uma vasta área sem controle e lei, dezenas de grupos armados passaram a dominar regiões inteiras do país, cujo exército e missões da ONU “penam” para controlar. Desde então, o leste da RD do Congo vive uma guerra sem-fim com milícias lutando entre si, contra o próprio exército congolês e contra exércitos estrangeiros, como as Forças Armadas de Ruanda, que ainda caçam os hutus responsáveis pelo genocídio de 30 anos atrás. Recursos minerais têm sido há muito tempo um fator na crise prolongada, com vários grupos armados lutando pelo controle de minas lucrativas de diamantes e ouro e usando os lucros para financiar guerras. Um dos casos mais famosos ocorreu em novembro de 2012. Uma milícia chamada M23, supostamente financiada por Uganda e/ou Ruanda, derrotou o exército congolês, invadiu Goma e forçou os capacetes azuis da ONU abandonarem a cidade. O filme Virunga, documentário disponível na Netflix, fala sobre esse período, vale a pena assistir. Por causa disso, a Monusco, missão de paz da ONU na RD do Congo, é a primeira missão em que o conceito de “manutenção da paz” foi alterado para “imposição da paz”. Não se trata apenas de semântica. Os capacetes azuis, pela primeira vez desde 1948, têm autorização para caçar, prender e matar aqueles que o Conselho de Segurança considerar inimigos. O M23 foi derrotado, mas dezenas de milícias rebeldes continuam atuando no leste da RD do Congo, explorando as riquezas e dominando territórios. Provavelmente sobrevivem extraindo riquezas e contrabandeando com apoio de países vizinhos. Estima-se que, em seu subsolo, esteja guardado algo como US$ 24 trilhões em ouro, cobalto, cobre, diamante etc. Nesses links (Ref. 24 e Ref. 25) e na Wikipedia tem mais informações sobre os conflitos. Os civis são as maiores vítimas de tanta guerra e confusão. Estima-se que até hoje entre 5,5 milhões e seis milhões de pessoas tenham morrido. Outros três milhões vivem em campos de refugiados. Dezenas de milhares de mulheres foram vítimas de estupros coletivos, que se tornaram uma arma de guerra. A RD do Congo é conhecida como a capital mundial da violência sexual. Todos os anos, milhares de mulheres (95%), homens e crianças são alvos de estupros coletivos praticados por dezenas de grupos armados que atuam no país, mas também por soldados do próprio exército congolês. Denis Mukwege, ginecologista congolês, especializado no tratamento de mulheres violentadas na guerra civil do Congo, foi um dos ganhadores do Nobel da paz em 2018! Ele tratou mais de 21.000 mulheres durante os 12 anos de guerra, algumas mais de uma vez, chegando a fazer mais de dez cirurgias por dia em turnos de trabalho de mais de 18h. E como se não bastasse toda essa “treta”, ainda tinha o ebola! Como eu expliquei, por questões logísticas e “epidêmicas”, resolvi passar o menor tempo possível na RD do Congo, só para fazer o trekking de dois dias do Monte Nyiragongo. A subida até o topo do Monte Nyiragongo percorre uma distância de 7 km, com uma elevação de ~1600m, partindo de 1870m até 3470m. A jornada vai de uma floresta tropical, em latitude próxima ao Equador, com temperaturas em torno de 30oC, até o cume de um vulcão, onde aa temperaturas podem cair para perto de 0oC à noite. É uma trilha bem pesada, cansativa e desafiadora. O ponto de encontro é o escritório do Virunga National Park no posto da fronteira Goma – Gisenyi. Quando cheguei no escritório, fiquei sabendo quais seriam meus companheiros de tour: um casal de 65 anos da Austrália! Eles não tinham a menor pinta de aventureiros, nem pelo físico, nem pela roupa, tênis etc. Segue a foto dos australianos comigo na base do vulcão (além dos guias, portes, e escolta armada). Figura IV‑28: Eu, o casal australiano e toda a equipe do tour Até o funcionário do escritório do Virunga ficou preocupado na hora que viu eles, é ruim fazer um trekking longo com pessoas com ritmos muito diferentes. No entanto, assim que começamos o primeiro trecho, a senhora logo percebeu que a subida era muito pesada e decidiu desistir. Eu ainda estava na dúvida como ia ser com o senhor de 65 anos.... No final, descobri que ele tinha um preparo melhor que o meu! Foi uma excelente companhia, se chamava Brian, apesar de bem magrelo, era meio atleta e me contou que já jogou tênis profissionalmente. Aposentados, eles me disseram que estavam caminhando 8 km por dia para se preparar para a subida do vulcão. De Goma até a base do Nyiragongo, são só 20 km. Mas ainda passamos por alguns trâmites de fronteira, pegamos as mochilas/comidas e a escolta armada na sede operacional, e ainda paramos em vários checkpoints de ebola, o que acaba atrasando o início do trekking. Logo no centro de Goma, já dava para ver o Monte Nyiragongo, imponente. Durante todo o caminho até a base do trekking, lá estava ele monumental, soltando muita fumaça a 3480m, mostrando que naquela região do Rift Valley, quem manda é ele! Figura IV‑29: Monte Nyiragongo Nosso trekking começou por volta das 10h. A subida é bem difícil, a trilha não tem zigue-zague, cansa bastante. O último trecho é especialmente íngreme. Foram cerca de 5h30 só de caminhada, com pelo menos cinco paradas de uns 15 minutos para lanche (o almoço que é mais longo), e uma sexta parada intermediária. Finalmente, por volta das 17h, chegamos no topo! Assim como no gorilla trekking, achei o trecho inicial da floresta bem “menos” selvagem que eu estava esperando, trilha larga, como na foto de toda a equipe do tour. Logo depois da primeira parada, a vegetação fica mais aberta, ainda bastante verde, mas a maior dificuldade logo a partir da segunda parada era o solo vulcânico, cheio de rochas escorregadias, redondinhas, pareciam esferas de rolamentos e, na descida, era tombo na certa. Só no último trecho da subida que a vegetação fica bem menor, com mais arbustos e, também, já dava para ver mais de perto as cabanas que iríamos pernoitar no topo do vulcão. Figura IV‑30: Vegetação no último trecho da subida Com relação ao clima, pelas minhas pesquisas, de outubro ao início de dezembro, era a época de chuva, e setembro seria mais seco. Mas lá o pessoal falou que setembro era época de chuva também, que estava chovendo quase todo dia. No dia que eu fui, o tempo estava muito louco, de repente abria, do nada fechava, às vezes chovia bem pouco. Na maioria do tempo, a chuva até refrescava, achei excelente não pegar aquele sol escaldante nas partes mais abertas. Só teve uns 10 minutos que choveu forte, a ponto de colocarmos a capa de chuva, mas depois abriu o tempo de novo, felizmente. Quando estávamos subindo, às vezes o topo do vulcão estava 100% aberto, outras vezes estava encoberto por nuvens. Às vezes dava para ver muita fumaça saindo do vulcão, outras vezes não... Tinha hora que a gente olhava o topo do vulcão coberto e não sabia se aquilo era nuvem ou fumaça, o tempo mudava muito! Eu e o Brian estávamos com bastante medo de, após 7h e 1500 m de elevação camelando, chegarmos no topo e não conseguir enxergar o lago de lava. Quando chegamos lá no alto... e... (suspense...) estava tudo aberto, ufa!!!! Todo o esforço valeu a pena! Que espetáculo avassalador assistir aquele lago de lava borbulhando, magnífico. Foi uma experiência única, de contemplação, satisfação, agradecimento... Vou parar de falar, melhor mostrar as fotos! Figura IV‑31: Lago de lava do Monte Nyiragongo Os 3 próximos vídeos do canal mostram uma visão panorâmica do topo do vulcão (Cap IV‑12 e Cap IV‑13), e um momento com muitas nuvens entrando na cratera (Cap IV‑14). O Vulcão Nyiragongo tem algumas características únicas. É um estratovulcão clássico, daqueles com formato cônicos e íngreme, mas com um topo bem largo. Seu topo tem uma borda imensa de 1.2 km de diâmetro! Dessa borda no alto vulcão, temos uma visão espetacular da parede (muito íngreme) e das crateras internas do vulcão. A cratera principal, onde está o lago de lava, está a 250 m de profundidade e a 2 km da borda do vulcão. Figura IV‑32: Vista grande angular do interior do vulcão Além do lago de lava, em toda a área interna do vulcão, eu conseguia ver alguma atividade vulcânica, principalmente algumas fumarolas e vapor saindo do solo. Os guias me disseram que, às vezes, surgem novas aberturas (vents) expelindo lava, especialmente um pequeno vulcãozinho ao lado da cratera principal (marquei com seta vermelha na próxima foto). Outro dia eu estava vendo fotos na Instagram do Drew Binsky (Ref. 18), que foi no Nyiragongo uns três meses depois que eu fui, e ele teve a sorte de pegar esse pequeno vulcãozinho expelindo muita lava também. Se formaram vários rios de lava ao redor do lago principal, muito show. Figura IV‑33: Vulcãozinho ao lado da cratera principal Lá de cima, ficamos admirando o lago de lava. Só cientistas podem descer até a beira do lago. Às vezes, eu me pergunto: se fosse possível, será que eu iria perder o pouco de noção de perigo que ainda me resta e desceria até lá? Ainda bem que não oferecem para turistas, mais seguro ficar observando de longe mesmo. Aliás, um dos documentários do casal Krafft relata que, em 1973, eles passaram 2 semanas acampados lá embaixo, contemplando de perto toda aquela atividade, instável e imprevisível que, a qualquer momento, poderia vitimá-los. Maurice disse que eles eram loucos de permanecer lá, mas, mesmo assim, eles continuaram, pois, nas suas palavras, “a curiosidade é maior do que o medo”... Apesar da distância, é incrível observar as lavas borbulhando, fervendo, espalhando uma fumaça branca densa que logo se misturariam com as nuvens no céu, impressionante! Alguns trechos do lago de lava, onde não tinha lava borbulhando, tinha lava líquida vermelha incandescente fluindo como se fossem rios atravessando uns trechos de lavas líquidas escuros... Tudo isso em constante movimento, incrível! E, quando anoiteceu, o lago de lava ficou ainda mais impressionante! Toda a fumaça que saía daquele caldeirão ganhava uma cor alaranjada, brilhante e deslumbrante. À noite, é espetacular ver a lava vermelha brilhando entre as fraturas da crosta resfriada, borbulhando, fervendo incandescente, em inabalável movimento. Curti cada segundo aquela sensação fantástica, que espetáculo! A fumaça alaranjada, no meio da escuridão, tornava ainda mais impressionante o lago de lava vermelha efervescente!! Figura IV‑34: Lago de Lava do Monte Nyiragongo Lembrando que não ficamos tão perto do lago de lava, estamos a uns 2 quilômetros de distância. A seguir, coloquei algumas fotos da minha câmera (sensor cropado) sem nenhum zoom, até o zoom máximo da minha lente (7,5x). Figura IV‑35: Vista sem zoom Figura IV‑36: Vista com zoom Às vezes o lago de lava ficava encoberto; ora pela fumaça densa e espessa que saía dele, ora pelas nuvens invadiam a cratera e, de repente, sumiam... Surreal! Mas, na maior parte do tempo, a vista ficou muito show. Várias e várias vezes pegamos excelentes visibilidade, e o lago de lava parecia muito ativo! Na manhã seguinte, por exemplo, não estava tão brilhante. Salvei no canal 2 vídeos do final da tarde, e mais quatro vídeos do vulcão à noite (Cap IV‑15, Cap IV‑16, Cap IV‑17, Cap IV‑18, Cap IV‑19 e Cap IV‑20), espetacular! Pena que não estava com o meu drone... Também pesquisei na Wikipedia mais informações daquele lago de lava. A lava do Nyiragongo é feita de melilita nefelinita, um alcalino cuja composição química pode ser um fator para a fluidez incomum das lavas lá. Enquanto a maioria dos fluxos de lava se movem muito devagar e raramente apresentam risco para os humanos, os fluxos de lava do Nyiragongo podem chegar a correr a mais de 100Km/h. Em 1977, a ruptura da parede da cratera e a lava fluíram a velocidades de mais de 100 km/h, matando 70 pessoas. Em 2002, a última grande erupção atingiu rapidamente a periferia de Goma e chegou até o Lago Kivu, com 400 mil pessoas evacuadas, mais de 45 mortos, 4500 edifícios de goma destruídos e 120 mil desabrigados. Foi a erupção mais destrutiva da história moderna. É o vulcão com maior lago de lava do mundo, é também o mais ativo e provavelmente mais perigoso da África. Como se não bastasse o Nyiragongo, o Lago Kivu tem muita atividade vulcânica subaquática. Parece que é um dos raros lugares do mundo com risco alto de erupção límnica. A Wikipedia explica: é quando gases como monóxido e dióxido de carbono contidos em interior de lagos de origem vulcânica subitamente irrompem de suas águas profundas, formando nuvens de gases capazes de matar seres humanos e animais. O caso mais famoso foi no Lago Nyos, no Camarões, em 1986, matando 200 pessoas e 3000 cabeças de gado. Parece que tem alta concentração de dióxido de carbono e metano no Lago Kivu. Em outras palavras, o Lago Kivu pode explodir!! EM TEMPO, atualização de 2022: em maio de 2021, houve uma nova erupção, mas, felizmente, a lava não foi em direção a Goma. Causou destruição na estrada e em algumas vilas, mas, aparentemente, as cerca de 30 mortes foram em decorrência indireta da erupção, como acidentes de trânsito etc. Apareceram fissuras na região, e o maior risco era uma erupção límnica do Lago Kivu, por isso evacuaram bastantes pessoas em Goma. No entanto, felizmente nada mais ocorreu! E, em 2022, ocorreu outra erupção que causou menos transtornos, mas que talvez tenha afetado o lago de lava. Recomendo verificar a condição atual do lago de lava antes de planejar uma viagem até lá. Eu estava com uma expectativa muito alta com relação ao Nyiragongo. Era o objetivo principal da minha viagem e tinha que valer muito a pena para compensar toda a confusão (ebola, milícias etc) e esforço físico e financeiro para ir até lá. E, mesmo assim, Nyiragongo superou minhas expectativas: #imperdível. Quando planejei essa viagem, ainda nem passava pela minha cabeça escrever um livro ou programar férias para conhecer os vulcões ativos mais incríveis do mundo, bem ou mal, eu tinha curtido muito Monte Yasur, mas não sabia se os outros seriam tão legais. E eu gostei demais... Não queria criar expectativas muito altas em ninguém, mas eu acho que fiquei enfeitiçado pelos deuses dos vulcões, culpa da deusa Pele 🤣 . Se estiverem pensando em ir, saibam que é uma subida bem puxada, exposição ao sol, chuva, vento, calor, frio, mil viradas de tempo em um dia, bastante cansativo mesmo. E sua visão vai ser meio de longe, o lago de lava fica longe do topo. O tour custava 356 $USD, mais 100 $USD por uma mochila com comida, água e equipamentos de qualidade (cobertor, saco de dormir, capa de chuva e jaqueta). Não recomendo economizar e não pagar essa mochila, porque senão, além dos equipamentos, você terá que se virar com comida e água! A comida é simples, mas achei excelente. Ainda teve mais 25 $USD para o porter, o visto para RD Congo (na época 105 $USD), mais as gorjetas, saiu uns 600 $USD, mas eu acho que valeu muito a pena. Não esqueçam lanterna, gorro, cachecol, luva, repelente e levar só uma troca de roupa guardada em sacos plásticos porque pode chover muito. A estrutura do passeio é simples, mas eu achei muito melhor que o Erta Ale na Etiópia, em termos de comida, barraca, banheiros, logística etc. As cabanas têm 2 colchões cada, e mais nada.... Banheiro não é fácil... O banheiro da base era ruim, mas, surpreendentemente, o banheiro lá em cima era melhorzinho, ao menos tinha tampa.... E tinha uma bela vista lá do alto! Figura IV‑37: Cabana do acampamento Figura IV‑38: Banheiro com vista.... Nyiragongo: #imperdível Dia 5 -> Nyiragongo -> Addis (Etiópia) Durante a noite no topo do Monte Nyiragongo, não consegui dormir direito. Até estava bem quentinho dentro da barraca, mas não gosto de dormir em saco de dormir, acho muito apertado, não dá para esticar as pernas, virar, me sinto como uma lagarta presa no casulo... Acordamos cedo, ainda de madrugada. Se no dia anterior não conseguimos ver o pôr do sol do topo do vulcão porque estava tudo nublado, nessa manhã, pegamos um belíssimo sol nascendo atrás de algum vulcão do Rift Valley. Figura IV‑39: Nascer do sol no Rift Valley A descida demorou três horas e meia. Apesar de mais rápida, para mim, a descida foi a pior parte, castiga os joelhos. E, naquelas rochas vulcânicas redondas que mais pareciam esferas de rolamentos, eram derrapagens para todos os lados! Levamos alguns tombos de leve, mas nenhum machucado sério. Para baixo, todo santo ajuda.... Saldo final do trekking: pernas doloridas por uns quatro dias, duas unhas roxas zoadas (que caíram uns 2 meses depois), uma de cada dedinho, mas um belíssimo vulcão visitado! Depois da descida, nos levaram direto do campo base do Nyiragongo para a fronteira com Ruanda. Infelizmente, meu contato com o “mundo real” da RD do Congo foi basicamente da janela do jipe. A primeira coisa que me chamou a atenção em Goma foi a quantidade de carros com placa da ONU na região da fronteira, que ia diminuindo quando íamos nos afastando do centro da cidade. Também vi diversos organismos internacionais, placas e/ou alojamentos da ONU, Cruz Vermelha, OMS, Médico sem fronteiras etc. Goma, na região central e bem próxima à fronteira, não me pareceu uma cidade tão zoada... Calçadas, iluminação, canteiro no meio da avenida, casas que pareciam ter saneamento, eletricidade, pintadas. No entanto, mesmo com essa estrutura mínima, Goma ainda transmitia uma sensação de caos. As ruas estavam cheias de gente, comércio agitado, não é de se surpreender, afinal, a cidade tem cerca de 2 milhões de habitantes. Salvei no canal um vídeo dessa parte da cidade, Cap IV‑21, reparem no imponente Nyiragongo ao fundo! Mas logo depois de uns cinco a dez minutos de carro, perto da sede operacional do Virunga (que não ficava tão afastado do centro), a estrutura já mudava completamente. Basicamente era só a avenida principal que tinha asfalto. Depois vem um pedacinho de calçada, e daí as casas bem simples erguidas sobre o terreno vulcânico. Na foto a seguir, dá para ver como é mais desestruturada essa parte da cidade. Pessoal vendendo tudo beira da avenida, nas cadeiras e guarda-sol.... Figura IV‑40: Nyiragongo, visto de Goma Mais para frente, já não tinha mais nem aquele pedacinho de calçada, só o asfalto da rua mesmo.... E olha essas motos, a quantidade de coisas que eles carregam... Caminhãozinho para quê? Figura IV‑41: Moto ou caminhoneta? O vídeo Cap IV‑22, salvo no canal, é da parte que ainda havia um pedacinho calçada. Pergunta: nesse vídeo (Cap IV-22), dá para ver que aquele caos cheio de gente nas ruas, motos, vanzinhas, alguns carros, bicicletas. Mas, além disso, vocês repararam em algum “veículo” diferente circulando pelas ruas? Reparem bem no vídeo. Também tirei umas fotos, olha isso: Figura IV‑42: Chukudu Achei bem curioso, parece um “patinetezão” feito artesanalmente de madeira, inclusive as rodas (só a parte mais externa te um pouco borracha, reaproveitada de pneus antigos)! Na época dessa viagem, várias cidades do Brasil estavam cheias de patinete elétrico, muito “nutella”.... Já o patinete em Goma não tem motor elétrico, nem a combustão, muito menos corrente/pedal ou rodinhas de borracha. É movido a sola de sapato, isso, sim, é patinete raiz 🤣 🤣 🤣 ! E sustentável.... Na volta, até perguntamos para o guia como ele se chamava, o cara falou um “tchutchutchu”, que não entendemos direito. Só pesquisando no Google “wood scooter congo” descobri o nome dessa “bagaça”: chukudu (em alguns sites, aparece escrito Tchukudu). Tenho muitos amigos mineiros, pessoal brinca que em BH bicicleta não precisa de corrente: só tem ladeira, ou vai empurrando na subida, ou a milhão na descida.... O chukudu ia fazer sucesso lá em BH 🤣 🤣 🤣 . Detalhe é que o chukudu não tem freio, se embalar muito, haja sola de sapato... O chukudu é feito principalmente para transporte de carga e, especialmente para os jovens, é uma oportunidade de ganhar dinheiro. Lá, ter um chukudu é como ter um emprego. Olha essas fotos de um chukudu carregado e, no segundo vídeo, tem uns cheios de madeira gigantes. Dizem que, se tiver um chukudu, ganha respeito da comunidade. Até vi uns caras pagando de gatão (tirar onda) dando “rolêzinho” com seu chukudu na rua, olha estilo desse aí 🤣 : Figura IV‑43: Tirando onda de chukudu Figura IV‑44: Chukudu carregado Parece que é o chukudu é típico em Goma, não sei se é típico no resto da RD do Congo. Em Goma, tinha até um monumento no meio de uma rotatória meio grande (Rond Point Chukudu) que passamos e tinha uma pracinha no meio. Figura IV‑45: Monumento Chukudu Fonte: De VALENTIN NVJ,via Wikimedia Commons, cortado Por outro lado, fica a reflexão: caramba, para chegar a ponto de inventar o chukudu, patinete que até a roda é de madeira, sem motor ou qualquer tipo de propulsão, é porque grande parte da população não tem condição sequer de comprar moto, bikes ou tuk-tuks.... O lado triste é esse. De uma certa forma, o chukudu representa a imagem que eu fiquei de Goma e dessa parte da RD do Congo, um lugar onde as pessoas têm muito pouco e precisam se virar com o que tem. Isso porque Goma é uma cidade grande, sob controle do governo, com alguma ajuda internacional. Imagina como deve ser a vida nas cidadezinhas controladas por milícias no meio dos conflitos armados.... O Virunga, e especificamente o Monte Nyiragongo, é um dos lugares mais fantásticos do mundo. Em condições normais, com certeza estaria lotado de turistas. Fico torcendo para esse belo e sofrido país conseguir paz e prosperidade. Foi o país mais sofrido que eu estive na vida, mas, também, um dos lugares mais incríveis que já visitei! Atravessei a fronteira para Ruanda lá pelas 12h e fui até o hotel em Gisenyi pegar minha mala, almoçar e tentar conseguir um banho depois de dois dias no Nyiragongo. E consegui o banho grátis, obrigado Hotel Dian Fossey! Com as pernas doloridas, peguei um mototáxi. Aliás, andar de mototáxi carregando mochila e mala de mão (aquela mesma que escondi o meu drone) foi divertido, pagar táxi para quê 🤣 🤣 🤣? Em Ruanda, usei e abusei do mototáxi, recomendo. Só cuidado para não fazer como eu e encostar a batata da perna no escapamento quente, que me rendeu uma bela queimadura... Peguei um busão de Gisenyi-Kigali que era bem pinga-pinga, demorou 4h30 num trecho que pelo Google Maps seria 2h30. Para variar, passamos por alguns checkpoints na estrada e teve um que demorou para caramba porque o soldado encrencou com algum ruandense muambeiro que estava levando um monte de antena parabólica no busão.... Depois que chegamos na cidade de Ruhengeri, o ônibus lotou e assim foi até a rodoviária de Kigali. De lá, segui para o aeroporto, rumo a Etiópia. Hora de ir embora de Ruanda e, também, de concluir as minhas impressões sobre viajar nesse país. Eu tinha lido relatos que falavam muito bem da estrutura do país, então, estava com uma expectativa mais alta. Eu sempre falo que a primeira impressão do turista a respeito de um país se forma do trajeto entre o aeroporto e o hotel/centro da cidade. Em Ruanda, se chega no centro por uma avenida de pista dupla, novinha, com comércio bem iluminado, e tem trânsito “de cidade desenvolvida”, passando por um bonito centro de convenções no caminho para o centro. O trajeto entre o aeroporto e o centro de Kigali é bem cuidado, parecia estar em um país mais estruturado. Mas logo na primeira caminhada do centro até o Memorial do Genocídio já deu para conhecer o “mundo real”, fora do centro de Kigali, não tão estruturado.... Eu adoro conhecer os lugares a pé. Mas tem duas coisas que me incomodam muito e que me impedem de “turistar” a pé: medo de assalto, ou muito assédio de vendedores insistentes. Infelizmente, nos países subdesenvolvidos, como o próprio Brasil, muitas vezes nos deparamos com esses dois problemas. Em relação a assaltos, quando me afastei um pouco do centro (região do memorial), não me senti tão seguro assim, mas, no centro de Kigali, é possível andar sem maiores preocupações. Comparando com o Brasil, fiquei com a impressão que andar no centro de Kigali era mais seguro que no centro de São Paulo, mas menos seguro que em bairros como Ibirapuera e Moema. De maneira geral, é preciso ter as mesmas precauções que se tem nas cidades grandes brasileiras: evite andar à noite de bobeira, não ficar andando com uma câmera pendurada no pescoço e estar sempre um pouco atento. Mesmo no centro de Kigali, que parecia mais seguro, não me sentia 100% à vontade para dar uma turistada a pé, pois sempre vinha alguém oferecer algo de forma uma pouco insistente. No interior de Ruanda, as coisas também não são tão desenvolvidas. As estradas não têm acostamento, nem pista duplicada, mas pelo menos as principais são asfaltadas e tem poucos buracos. Uma coisa que me chamou atenção quando passava pelas cidades menores: fora da estrada, quase não tinha asfalto. Passando por vilarejos, eu via todo mundo andando na estrada, alguns fazendo cooper de manhã, outros passeando com crianças, indo ou voltando da igreja. Tudo acontecia na estrada, porque devia ser o único asfalto da cidade. No próximo vídeo do canal, Cap IV‑23, dá para ter uma ideia da vida em Ruanda no interior. No entanto, o que eu achei mais chato em Ruanda era a paranoia do pessoal com segurança. Já no meu primeiro translado do aeroporto para o centro, fomos parados em um checkpoint por soldados (sempre portando metralhadoras brutas) só para checar documentos etc. Nas estradas, tinham checkpoints com soldados e suas metralhadoras a todo instante, bastante encheção de saco. Na entrada de pedestre para o estacionamento do aeroporto (não era nem na entrada do saguão do aeroporto!), além do detector de metal, passei por uma “inspeção detalhada de cachorro”, cheirando minhas malas. E só é permitido entrar na área de check-in (primeiro saguão do aeroporto) 3h antes do voo! Sem passagem, nem entra no aeroporto! Eu cheguei cedo, umas 20h e meu voo era às 1h15 da manhã, e tive que ficar até às 22h15 de castigo na única cafeteria do lado de fora, “muito legal” para o turista.... Sem contar a paranoia com drone, até saindo do país me encheram o saco. Nas ruas do centro, de positivo, era tudo muito limpo, bem mais que nos centros das cidades grandes do Brasil. Mas tinha soldado armado com metralhadoras a toda esquina.... Tinha seguranças (sempre armados) na frente dos principais prédios do centro, sejam hotéis de luxo, sejam centros comerciais, até no hotel sem-vergonha que eu fiquei tinha um segurança. Em todo lugar tinha detector de metal, sejam aqueles “de aeroporto”, sejam aqueles manuais que até meu hotel tosco tinha... Na Etiópia, fiquei com a mesma sensação de paranoia com segurança, inúmeros checkpoints. Sei lá, alguns podem achar isso positivo ou se sentir mais seguros, mas essa paranoia de segurança me incomodou um pouco. Por outro lado, no geral, achei a infraestrutura de Ruanda boa. Não ache que seja tão fácil pegar transporte público e mochilar de forma independente por Ruanda, mas dá para se virar bem, especialmente em comparação com os países vizinhos. O ônibus interurbano que eu peguei não era lá essas coisas, mas tinha ar-condicionado e USB. As vanzinhas/micro-ônibus que circulam para tudo que é canto também não eram lá essas coisas, mas eram muito melhores que na África em geral. E, por fim, não poderia deixar de ressaltar que o povo africano foi sempre muito simpático e amigável. Tive mais contato com ruandeses, mas também um pouco com ugandeses e congeles. Fui sempre muito bem tratado nos hotéis, restaurantes, pedindo informação na rua mesmo, e até mesmo pelos oficiais das paranoias de segurança.... E, com relação aos ruandeses, é impressionante como o país se reergueu rapidamente após o genocídio, e como o país aparentemente conseguiu apaziguar a situação racial. Considerando toda a segregação entre hutus e tutsis, a ponto de acontecer o que houve, é muito bacana ver que, não tanto tempo depois, aparentemente estão todos vivendo em harmonia! Dia 6 -> Lalibela Vou começar o relato pela saga do drone. Depois do fiasco em Ruanda, dessa vez eu fiz a lição de casa e pesquisei direito as regras para o uso de drones na Etiópia. Descobri que era complicadíssimo utilizá-lo por lá e resolvi deixa-lo “retido” voluntariamente no aeroporto de Addis Abeba para pegar só na volta para casa. Como eu faria vários voos regionais na Etiópia, com certeza passaria por muitos raios-x e a chance de confiscarem o drone era altíssima. Queria muito fazer imagens aéreas do Vulcão Erta Ale e do Dallol, mas vi que a “autorização” para usar drone era similar a Ruanda, complicada, cara e demorada, ou seja, feita para nenhum turista tentar... E foi a melhor coisa que eu fiz. Deixei o drone em um almoxarifado da Ethiopian Airlines, pagando uma pequena taxa por peso (menos de dois dólares), e só peguei ele na volta. Os policiais eram tão chatos que, no dia da volta, um deles ainda me escoltou desde almoxarifado até a fila da imigração! E assim terminou a minha saga do drone. Estava mega empolgado para a viagem de estreia dele, mas não consegui sequer ligá-lo nos quatro países que visitei, que fiasco! Uma pena, mas é vida que segue. Vamos falar de Etiópia agora. A Etiópia é um país muito interessante, com uma história riquíssima e surpreendente! A Etiópia e a Libéria são os únicos países africanos que nunca foram colonizados pelos europeus, e os etíopes têm muito orgulho disso. A Etiópia já foi invadida por outros povos, mas nunca foi uma colônia. Em 1895, quando nações europeias disputavam o continente africano entre si, a Itália tentou invadir a Etiópia, ou Abissínia, como era conhecida na época, mas sofreu uma derrota humilhante. Em 1896, as tropas italianas foram derrotadas por forças etíopes comandadas pelo imperador Menelik II e a Itália foi forçada a assinar um tratado reconhecendo a independência da Etiópia! Ainda assim, décadas depois, o líder fascista Benito Mussolini violou o acordo e ocupou o país por cinco anos. Um dos sucessores de Menelik, o imperador Haile Selassie, se aproveitou da vitória sobre a Itália na segunda guerra mundial e pressionou pela criação da Organização para a União Africana (OAU), agora chamada de União Africana, que tem sua sede na capital da Etiópia, Addis Abeba. "Nossa liberdade não tem sentido até que todos os africanos sejam livres", disse Selassie no lançamento da OAU em 1963, num momento em que boa parte do continente ainda permanecia sob domínio de potências europeias. Ele convidou para um treinamento na Etiópia aqueles que lideravam a luta contra o colonialismo, entre eles Nelson Mandela. O Movimento Rastafari, aquele mesmo da Jamaica e do Bob Marley, tem uma história muito interessante associada a Etiópia. “Ras” é príncipe em etíope e “Tafari” era o nome do último imperador da Etiópia, que em 1930, quando foi coroado, adotou o nome de.... Haile Selassie, o próprio! Para os rastafaris, ele era quase um deus (“Jah”) encarnado.... Ele foi um governante carismático, fazia discursos considerados memoráveis em defesa dos africanos e inspirou os jamaicanos. O filme Bob Marley One Love (2024), mostra um pouco dessa adoração. Um discurso de Selassie pela paz mundial, no equivalente à ONU em 1936, inspirou a música War do Bob Marley. A Etiópia era a terra prometida para os Rastafaris. Shashamane é a cidade da comunidade rastafari na Etiópia. Lá o imperador Selassie concedeu terras aos negros do Ocidente que o apoiaram contra Mussolini. Já a Libéria, o outro país africano que nunca foi colonizado por europeus, tem uma história muito particular. Fundada em 1822 para ser colônia de ex-escravos afro-americanos, sua criação foi liderada por uma empresa (Sociedade Americana de Colonização, ACS em inglês), com apoio do governo dos EUA. A ACS comprou terrenos e criou uma colônia para repatriar os afro-americanos recém libertos na África. Embora tenha sido criada para abrigar americanos negros, a colônia era, inicialmente, administrada por um representante branco da ACS. A ACS foi formada por homens brancos, vários deles proprietários de escravos. Seus integrantes tinham opiniões diversas e, muitas vezes, contraditórias em relação à escravidão. Alguns eram abolicionistas e tinham o desejo genuíno de ajudar a população negra a construir uma vida melhor na África. Outros, porém, rejeitavam a ideia de abolição e acreditavam que pessoas negras livres não deveriam continuar vivendo nos Estados Unidos. Os ex-escravos afro-americanos foram todos mandados para a Libéria, sem chance de retornar para seus países de origem. Parecia que só queriam se livrar deles... Mas, a região já era habitada por nativos de mais de vinte grupos étnicos, e, obviamente, a chegada da ACS e dos afro-americanos recém-libertos gerou diversos conflitos na região. Um contexto importante: anos antes, o Haiti tornou-se o segundo país das Américas a conquistar sua independência. E foi através de uma revolta dos escravos, em 1804, após 10 anos de batalhas contra os colonizadores franceses, tornando-se a primeira república negra do mudo. Foi uma das poucas revoluções de escravos bem-sucedidas na história, mas também desafiou diretamente a estrutura do sistema colonial e escravista, gerando reações de países poderosos que, na visão de muitos pesquisadores, não podem ser dissociadas das atuais condições sociais do Haiti. Apesar da Libéria nunca ter sido colonizada, sua história é marcada por uma forte influência dos EUA. Já os etíopes são muito orgulhosos por terem conseguido preservar grande parte de suas tradições milenares, mantendo-as relativamente livres de influências externas. Por exemplo, o fato de ser o único país africano a não adotar uma língua europeia como idioma principal é motivo de grande orgulho para os etíopes. A língua oficial na Etiópia é o amárico. Não façam como eu: não confundam “amárico” com “aramaico” 🤣 🤣 🤣. Aramaico era aquela língua que Jesus falava, e que ainda é falada por alguns povos árabes. Assim como o Aramaico, o Hebreu e o Árabe, o Amárico é língua semítica. O termo “semítico” se refere a um conjunto de línguas que derivam de uma mesma origem no Oriente Médio, assim como diversas línguas “latinas” que derivam do latim, por exemplo. Historicamente, esses povos semitas tiveram grande influência cultural, pois as três grandes religiões monoteístas do mundo, judaísmo, cristianismo e islamismo, possuem raízes semitas. O amárico tem um alfabeto meio doido, daqueles cheios de letrinhas/figurinhas que em nada tem a ver com nosso alfabeto romano.... Além do amárico, existem diversos outros dialetos na Etiópia. Outra curiosidade: a Etiópia usa um calendário e, também, um sistema de horas bem diferentes. As horas são contadas a partir do nascer do sol, às 6h da manhã. Ou seja, quando o nosso relógio marca 6h, no deles, é 0h. Nosso meio-dia e meia-noite caem 18h ou 6h no horário etíope. O pessoal que trabalha com turismo está mais acostumado com nosso sistema de horas, mas os nativos usam mais esse sistema de horas 6h defasado. Por exemplo, o motorista que me levou de Axum até Tigray sempre se confundia quando eu perguntava que horas a gente iria chegar... E eles também usam um calendário diferente, só deles. Lá o ano tem 13 meses! E se no calendário ocidental temos meses com 30 e 31 dias, além de fevereiro que é mais curto, lá eles têm 12 meses de 30 dias e um mês de 5 ou 6 dias, dependendo se for bissexto. Em setembro de 2019, eles estavam entrando no ano de 2012! O calendário etíope está sete anos e oito meses atrás do calendário ocidental. Isso porque a Etiópia calcula o ano de nascimento de Jesus Cristo de maneira diferente. Quando a Igreja Católica retificou o seu cálculo no ano 500 d.C., a Igreja Ortodoxa Etíope não fez o mesmo. Mais uma curiosidade: quem sabia que o café foi inventado no século XII na Etiópia? Ainda hoje, eles são grandes produtores de café (o Brasil é o maior produtor de café em grãos), e inclusive fazem cafés excelentes. Sobre religião: 60% da população são católicos ortodoxos, uns 30 % muçulmanos, e 10% de outras religiões. A história da Etiópia é muito rica e milenar. Houve vários impérios na Etiópia, os três que mais se destacaram foi o Império de Axum, por volta do século I, o império do Rei Lalibela, lá pelos anos 1200 (d.C.), e o Império de Gondar, a último grande império etíope lá pelos anos 1500 (d.C.). Infelizmente não pude ir na cidade de Gondar, para conhecer melhor a história desse império, mas vou falar um pouco mais sobre Axum e Lalibela nos relatos dessa viagem. Nos anos 80-90, a Etiópia teve tempos difíceis. Virou sinônimo de fome, pobreza e instabilidade. Aquelas imagens chocantes de crianças desnutridas morrendo de fome corriam o mundo.... Aquele show Live Aid que é destaque no filme do Freddy Mercury/Queen (Bohemiam Rapsody) era para arrecadar fundos para combater a fome da Etiópia. Nos anos 2000, melhorou um pouco, especialmente nas regiões urbanas mais próximas a capital. O PIB cresce uns 9% ao ano. Hoje é a segunda maior população da África com 100 milhões de habitantes (Nigéria é o primeiro), é sede da união africana, e assim como observei em Ruanda, tem um monte de obras e investimentos em infraestrutura, especialmente chineses. O PIB per capita ainda é bem ruim, mas melhorou um pouco perto do que era. Infelizmente, nessa viagem também não deu tempo de conhecer melhor a capital Addis Abeba, gostaria de conhecer melhor o cotidiano dos etíopes da capital e principalmente um museu que tem um acervo muito bacana de fósseis humanos e “parentes próximos” que evoluíram para o homo sapiens. O destaque é um fóssil de 3,2 milhões de anos batizado de Lucy no museu nacional, que, por algum tempo, foi o fóssil de humano primitivo mais antigo do mundo (1974). Atualmente, dizem que o fóssil humano mais antigo foi encontrado no Quênia... De forma geral, achei a Etiópia um país muito interessante. No entanto, a infraestrutura turística ainda é ruim, especialmente no norte. Outra dificuldade era a língua. Em geral, ao contrário dos outros lugares que estive na África, as pessoas tinham mais dificuldade com inglês. Eu normalmente fujo de excursões, não só para economizar, mas principalmente para ter liberdade para fazer as coisas no meu ritmo e na hora que eu quiser. Minha primeira viagem para África foi ao Egito, em janeiro de 2011. Fui com espírito de “mochileiro independente”, mas, na época, me arrependi, achei que era melhor ter feito alguns passeios de excursão por causa da falta de estrutura (transporte tanto dentro das cidades quanto entre elas), e para evitar aborrecimentos com assédio aos turistas (não era falta de segurança). Por isso, apesar de não gostar muito, eu “nutelei” e peguei uma excursão na Etiópia. Escolhi uma agência que já tinha um pacote pronto de cinco dias com saídas diárias (praticamente o ano todo) e que incluía as atrações que eu tinha escolhido: Dia 1: voo até Lalibela e tour em Lalibela; Dia 2: voo até Axum, tour em Axum, transfer rodoviário até Wukro, visitando uma Tigray church; Dias 3, 4 e 5: tour Danakil Depression, terminando com voo de Mekele para Addis Abeba O pacote incluía quase tudo, os trechos aéreos, hospedagens, transfers e entradas. Apesar de pagar caro, a ideia era pagar o pacote completo e não me preocupar com nada, passagens aéreas, transfers, tours, assédio.... Mas eu não recomendo essa empresa (Ethio Travel and Tours – ETT), explico os motivos mais para frente... Por hora, sigo o relato. No primeiro dia, eu iria conhecer Lalibela. Meu voo de Kigali chegava de cedinho em Addis Abeba, e meu voo para Lalibela já saia logo em seguida, por volta das 8h. Nesse meio-tempo, eu tinha que resolver o problema do drone, encontrar o funcionário da agência de turismo para pagar o tour em cash, ir para o terminal doméstico (lotado) e pegar meu voo. Ainda bem que eu só tinha bagagem de mão e deu tudo certo, cheguei a tempo de embarcar para Lalibela. Lalibela é o vilarejo onde se encontram as igrejas monolíticas, datadas do século XII e esculpidas em rochas, por ordem do rei Lalibela. As igrejas foram escavadas nas rochas “de cima para baixo”, seus tetos estão no nível do solo, fazendo deste um local sagrado absolutamente incomum. Na construção das igrejas, não há tijolos, blocos, cimentos, é realmente impressionante como foi feito! Os trabalhadores começavam escavando e separando a rocha que seria a futura igreja do restante do solo, deixando apenas um enorme bloco monolítico de rocha. Depois, eram feitas as fachadas, dando forma às edificações por fora. Em seguida, eram criados o espaço interior e a decoração das igrejas. Meu guia disse que elas foram construídas dessa forma para que não fossem avistadas por inimigos de longe. Essa foto é da igreja de St. George, quando estávamos bem perto a uns 100 metros de distância. Se você não estiver bem perto, ela parece bem “camuflada”, concordam? Figura IV‑46: Igreja St. George “camuflada” no solo Não existe registro de quanto tempo demorou para construí-las, mas o boca-a-boca fala em 23 anos. Outro mito é que o rei Lalibela foi auxiliado por trabalhadores durante o dia e por anjos durante a noite. Existem muitas versões sobre as motivações do rei Lalibela, que também era um padre, para construir uma com 11 igrejas monolíticas escavadas nas rochas. A versão mais aceita diz que Lalibela foi construída para ser “Nova Jerusalém”. No século XII, era muito comum a peregrinação anual dos cristãos etíopes para Jerusalém, mas a tomada de Jerusalém pelos muçulmanos impossibilitou essa peregrinação. Por isso, o rei Lalibela teria construído as igrejas. Outra lenda diz que o rei Lalibela foi exilado para Jerusalém pelo seu usurpador meio-irmão e se inspirou nas igrejas que viu lá. E, ao voltar para retomar seu reino, ele jurou construir uma nova cidade santa, aberta a todo o povo etíope. Independente do motivo, o rei Lalibela criou um dos principais sítios religiosos históricos da África, e talvez do mundo cristão. As igrejas são Patrimônios Culturais da Humanidade pela Unesco. Apesar disso, o lugar continua pouco conhecido e desenvolvido. A cidade (vilarejo) fica em um lugar bastante isolado no alto das montanhas Lasta. Hoje em dia Lalibela continua um centro religioso movimentado. Padres e peregrinos vêm de longe para visitar as igrejas e festivais religiosos e ainda circulam por suas passagens e túneis mal iluminados que ligam as igrejas, como se fez durante séculos. Lalibela é uma das cidades mais sagradas para Igreja Ortodoxa Etíope, depois de Axum. Dia 7 de janeiro, quando eles celebram o Natal da religião deles, é o dia que Lalibela fica mais cheia. As 11 igrejas medievais parecem manter-se intocadas há séculos, exceto pelas coberturas (horríveis) colocadas em algumas igrejas, com a intenção de preservá-las da erosão. O grau de erosão das igrejas variava bastante. Algumas sofreram pouca erosão, mesmo sem cobertura, enquanto outras, mesmo com coberturas, já estão bastante deterioradas. Em algumas, foram acrescentados reforços, como pilares e colunas. Já outras, sofreram colapsos significativos. Depois do voo e transfer do aeroporto, cheguei ao hotel lá pelo meio-dia e almocei por lá mesmo. O meu tour saiu 14h e fui conhecer as igrejas. Embora seja um lugar bastante turístico, tudo era bem simples. Outra coisa que me agradou foram os simbolismos das igrejas, lá o pessoal vê significados em tudo! No final do dia, fiquei triste porque já tinha esquecido a maioria das histórias e os detalhes dos simbolismos contados pelo guia... As 11 igrejas são divididas em três grupos, ao norte, leste e oeste. Primeiro simbolismo: 11 igrejas supostamente por causa dos 11 apóstolos (tirando Judas). Divididas em três grupos de igrejas para simbolizar o Pai, Filho, Espírito Santo. Os passeios começam pelo grupo do norte, que tem 5 igrejas. O grupo do leste tem mais 5. O terceiro grupo, na verdade, é só uma igreja, St. George, a mais famosa delas. E tinha igreja de tudo que é tipo. Tem igreja em melhor estado, tem igreja bem destruída, tem igreja minúscula, igreja maior, igreja com interior mais rebuscado, igreja para o rei, igreja para a esposa do rei, igreja para o arcanjo meu xará Rafael, tem até igreja para arca de Noé. Para fazer o tour pelas igrejas de Lalibela, recomendo contratar um guia. Isso ajuda a entender um pouco melhor a história e os diversos simbolismos, já que há pouquíssima informação por lá – nada de textos, audiovisuais ou painéis explicativos. Além disso, contratar um guia ainda tem outra vantagem importante: não ser tão assediado pelos vendedores insistentes espalhados por lá. Alguns, mesmo com o guia, chegam junto.... No entanto, escolher um guia, se você não conhece antes, é uma loteria: você pode ter a sorte de encontrar um ótimo ou acabar com um “mala”. Felizmente, eu dei sorte, meu guia era bem gente fina, tirava várias fotos e suas explicações foram ótimas. No final, dei uma bela gorjeta. A primeira igreja Medhane Alem (Igreja do Salvador) é a maior das igrejas de Lalibela e impressiona pelo tamanho. Dizem que a cruz de Lalibela, de 7 kg de ouro, fica guardada na igreja Medhane Alem, mas ela não está em exposição aos turistas. É a única que foi construída com colunas ao lado do “prédio principal”. Algumas colunas são originais, e outras foram reconstruídas para evitar o colapso da igreja por erosão. Apesar do cuidado em fazer com uma arquitetura semelhante, em vários pilares, é possível ver os tijolos e cimento, ao contrário das paredes internas do “prédio principal”, esculpidas na rocha. As janelas foram construídas com a forma das estelas do império de Axum, outras com a forma da cruz de Lalibela. Figura IV‑47: Igreja Medhane Alem Figura IV‑48: Igreja com cobertura Figura IV‑49: Detalhe das janelas Para chegar até as igrejas, tem que passar por alguns túneis e passagens escavas nas rochas, é bem bacana caminhar por eles. A chegada à segunda igreja, Maryam (da Virgem Maria) é muito legal, vejam o vídeo Cap IV‑24 no canal. As janelas da fachada traseira da igreja Maryam foram construídas em vários formatos, com um simbolismo bem bacana (vide foto a seguir). As três acima representam a Santíssima Trindade, e as do meio, a cruz de Jesus com o ventre de Maria abaixo. A janela embaixo e à esquerda representa o ladrão crucificado ao lado de Jesus que não se arrependeu, enquanto a da direita representa o ladrão que se arrependeu e “subiu ao paraíso”, com a janela em “T” acima. Figura IV‑50: Simbolismo das janelas Figura IV‑51: Igreja Maryam Essa igreja também tem uma banheira, que tinha algum significado, pena que não vou lembrar das explicações do guia... E é a única igreja que tem uma “varanda” ao lado. Outro destaque dessa igreja é o interior. É o interior mais ornamentado e bonito interior das igrejas de Lalibela, talvez por isso seja a igreja mais visitada pelos peregrinos. Quando eu estive lá, teve uma cerimônia. Os afrescos e ornamentos são originais do século XII. Coloquei um vídeo do interior da igreja no canal (Cap IV‑25). Figura IV‑52: Afrescos da Igreja Maryam Ao lado da Igreja Maryam, na face norte (lado direito da foto, vide seta vermelha), tem a Igreja Meskel (Igreja da Cruz), que é bem pequena. Essa igreja parece só um buraco em uma pedra gigante, já que não escavaram as paredes laterais dela, só a parede da frente. Esses dez arcos esculpidos na fachada representam os 10 mandamentos do Antigo Testamento. A igreja Meskel em si não é muito interessante, aproveitei e tirei foto de um sacerdote. Os sacerdotes ortodoxos em Lalibela vestiam longas túnicas brancas, mantos coloridos e turbantes característicos, que refletem a rica tradição ortodoxa da região. Não tenho certeza se esse era um sacerdote autêntico ou se era um cara vestido para tirar foto com turista... De qualquer forma, melhor pagar um dinheirinho para tirar a foto dele vestido a caráter, do que incomodar o pessoal que estava lá rezando. Figura IV‑53: Igreja Meskel Figura IV‑54: Sacerdote A próxima igreja também fica ao lado da Maryam, mas na face sul (vide seta vermelha). Chamada Denagel (Igreja das Virgens), é a menor e a que eu achei menos interessante das igrejas, é quase um túnel que você atravessa e segue para a próxima. Em cima dela, construíram uma torre (que não é do século XII), mas não me lembro da explicação do guia a respeito dela... Figura IV‑55: Entrada Igreja Denagel Depois da igreja de Denagel, atravessamos um monte de corredores e passagens bacanas e chegamos à última igreja da face norte, Golgotha Mikael. É uma igreja que foi construída no meio de um corredor, bem estreitinho.... O mais legal são as belas esculturas esculpidas nas paredes, se não me engano dos apóstolos. Na área acessível aos turistas, conseguimos visualizar apenas quatro dessas esculturas, sendo que duas delas estavam bem bonitas. É nessa igreja que fica o túmulo do rei Lalibela, também inacessível para os turistas. Por fim, seguimos no corredor estreito, atravessamos outro túnel e saímos na chamada Adam Tomb (Tumba de Adão), porque acredita-se que contém os restos mortais de Adão, o primeiro homem, de acordo com a tradição religiosa etíope. Não lembro a simbologia do lugar, mas tem uma bela cruz entalhada na rocha. A Tumba de Adão marca o fim do setor norte das igrejas. Ao sair dessa área, vimos várias antigas casas típicas dos moradores da região. Figura IV‑56: Apóstolos na Igreja Golgotha Mikael Figura IV‑57: Adam Tomb Figura IV‑58: Antigas casas típicas da região Depois fomos ao setor oeste, conhecer a Igreja St. George (São Jorge), que é a mais famosa de Lalibela. Se você já viu alguma imagem das igrejas de Lalibela, certeza que foi dessa igreja. Ela de fato é muito bonita, em formato de cruz. No telhado, tem uma bela cruz grega esculpida, e é bem trabalhada nas fachadas laterais. Eu acho que ela é a igreja mais turística porque não foi necessário colocar aquela cobertura horrorosa contra erosão... Segundo o guia, ela não tem problemas de erosão porque tem telhado de dois metros de espessura. O estado de conservação dessa igreja é muito bom. Figura IV‑59: Igreja St. George Figura IV‑60: Igreja St. George Figura IV‑61: Cruz grega no teto Figura IV‑62: Detalhe das janelas Em St. George, não poderia faltar o simbolismo... Ela foi construída inspirada na arca de Noé, o primeiro andar era para animais grandes, o segundo andar para animais pequenos, e o terceiro para humanos. Dizem que o andar debaixo não tem janela porque ficara abaixo do nível do mar. Os “andares” são simbólicos, não existem no interior da igreja. O interior não tem muitas pinturas, nem afrescos, só tem uma imagem de São Jorge, e um móvel que dizem que foi talhado pelo rei Lalibela. Além dos bonitos detalhes esculpidos das fachadas, janelas e a entrada, me chamou atenção que ela parece mais “enfiada” em um buraco que as outras igrejas. Todas as quatro faces dela foram escavadas e tem uma parede alta em frente e próxima às quatro faces. As outras igrejas pareciam mais abertas, pelo menos uma face delas.... Até por isso, para chegar na Igreja de St. George, tem uns caminhos de túneis muito legais, vejam o vídeo Cap IV‑26 no canal. Depois de conhecer St. George, fomos conhecer o último grupo de igrejas, grupo leste. São mais 5 igrejas, e meu guia começou pela igreja construída para o arcanjo xará Rafael e para o Arcanjo Gabriel. A parte da igreja para o Arcanjo Gabriel ainda é utilizada pelos fiéis, inclusive estava tendo uma cerimônia quando eu estava lá. O que chama a atenção dessa igreja é que tem um fosso bem fundo na frente dela, e tem uma bela fachada de frente ao fosso. Parece que essa igreja foi construída em um local que antes era um forte do império de Axum. Construíram uma ponte por cima do fosso para chegar até ela. Essa igreja é pequena por dentro. Figura IV‑63: Igreja Gabriel - Rafael O caminho para as próximas igrejas tem vários túneis e passagens estreitas. E, na entrada para os túneis, tem uma porta bem grande para atravessar, segundo o guia original da época, muito grande. A próxima igreja é a que mais sofreu com a erosão, e está em pior estado, chamada Lehen (Santo Pão). Figura IV‑64: Igreja Lehen A Igreja Lehen está bem destruída por fora e por dentro, infelizmente. No entanto, aqui tem a parte que eu achei mais legal dos simbolismos de Lalibela. Essa igreja está conectada a próxima igreja (Qeddus Mercoreus) por um túnel totalmente escuro, longo, que eu soube depois que tem 35 metros. Segundo a tradição dos etíopes, os fiéis têm que atravessar ele na completa escuridão, simbolizando a passagem do homem do inferno ao paraíso! Nessa hora, o guia te convida para fazer esse percurso no escuro. Ele pede para você não acender flash ou lanterna, você dá uma abaixadinha para não bater a cabeça na entrada do túnel, o guia te dá uma mão e, com a outra mão, você vai tateando a parede e... partiu, túnel! Sinistro passar por aquele buraco tosco, apertadinho e um tanto claustrofóbico, mas muito divertido. Depois que eu atravessei, eu tirei essas fotos com flash, mas é bem apertadinho, escuridão total. Achei sensacional o rito de passagem do inferno para o céu!! Figura IV‑65: Túnel da passagem do inferno para o céu Figura IV‑66: Claustrofóbico Figura IV‑67: Chegando no céu e na Igreja Qeddus Mercoreus A Igreja Qeddus Mercoreus (São Mercúrio e São Marcos), que fica no final do túnel de quem vai do inferno ao céu, também está bem judiada... Parece que uma grande parte da igreja colapsou, tem até uma parede de tijolo para reforçar a parte da igreja que sobrou. Do lado de fora, encontraram umas algemas, por isso dizem que lá pode ter sido usado como prisão ou tribunal antigamente. O destaque da Igreja Qeddus Mercoreus é o interior, o guia falou bastante coisa, mas, para variar, eu esqueci . Tem pinturas um pouco mais recentes e afrescos mais antigos interessantes. A penúltima igreja se chama Amanuel (Emanuel), que era possivelmente a capela do rei. Para mim, é a igreja mais bonita externamente, com todas as fachadas ricamente esculpidas. Acharia, inclusive, mais bonita que a St. George, se não fosse por essa cobertura horrorosa que estraga um pouco o cenário.... Das igrejas desse grupo do leste, essa é a única cujas fachadas foram foi totalmente esculpidas! Figura IV‑68: Igreja Amanuel Figura IV‑69: Igreja Amanuel Repararam que o cara de verde sentado em frente à igreja estava segurando um fuzil (não entendo nada de arma...). Tornou-se quase rotineiro presenciar essas cenas, eu já estava ficando mal-acostumado com tanta escolta armada e checkpoints.... Depois de passar por mais uns túneis e corredores bacanas, chegamos à última igreja, Abba Libanos. Dizem que essa era a capela da rainha. Chama atenção que essa foi esculpida as quatro fachadas laterais, mas o teto ficou “emendado” na rocha! Tentei tirar algumas fotos para ver as colunas e o teto de rocha. Essa igreja também sofreu com as erosões, tiveram que colocar uns tijolos em quase toda a lateral direita da foto. Figura IV‑70: Igreja Abba Libanos Conhecemos as 11 igrejas sem pressa e terminamos no horário de fechamento, às 17h, acelerando um pouco nas últimas duas. Tive sorte de fazer o passeio praticamente sozinho com o guia, já que o único outro integrante do grupo estava passando meio mal e logo desistiu. Dá para fazer tudo em 3h, mas, se possível, é bom ter um tempo extra. Minha avaliação sobre as igrejas de Lalibela: eu já tinha pesquisado e visto muitas imagens delas, já sabia mais ou menos o que esperar visualmente. Mas eu não esperava todos os simbolismos das construções dessas igrejas, muito interessante. Além disso, o mais marcante para mim foi a fé e a devoção dos peregrinos que lotam aquelas igrejas sagradas e praticam sua fé há séculos! Parecia tudo muito autêntico. Nesse dia, quando estávamos indo para o último grupo de igrejas, passou uma procissão fúnebre, e olha quanta gente nesse funeral (vídeo Cap IV‑27 no canal). Também passei por algumas igrejas que estavam tendo cerimônias, e mesmo no meio da “turistaiada”, dava para ver a fé e a devoção dos religiosos etíopes. É tocante até para ateus! Figura IV‑71: Funeral O outro destaque do dia foi o belo cenário montanhoso da Etiópia! Eu já sabia que a Etiópia era muito mais verde que muitas pessoas imaginam, o Saara não chega lá, só tem deserto na região das fronteiras com a Eritreia e Somália. Mas, além de verde, existem muitas montanhas. 50% das áreas do continente africano acima de 2000 m de altitude estão na Etiópia. E 80% das áreas acima de 3000 m estão aqui também. Muito bonitas as paisagens montanhosas da região. Figura IV‑72: Belo cânion pousando em Lalibela Figura IV‑73: Montanhas de Lalibela Ah, e para fechar o dia com chave de ouro, uma dica não muito difundida (vi a dica em poucos alguns sites, como o Viajo logo existo, Ref. 21😞 não deixem de conhecer o restaurante Ben Abeba para curtir um belo pôr do sol. Não dá para ir a pé das igrejas nem do centrinho de Lalibela, mas é baratinho ir de tuk-tuk... Aliás, ir para Lalibela e não andar de tuk-tuk também não pode, hein! Figura IV‑74: Tuk-tuk estiloso O restaurante Bem Abeba fica em um vale com uma vista espetacular. A própria construção já é muito estilosa. A dona é uma britânica que se mudou para Lalibela. A comida é boa (não achei maravilhosa), o preço é para turista (mas não abusivo, achei justo), mas o visual do pôr do sol nas montanhas vale muito a pena! Salvei um vídeo da lista vista panorâmica do restaurante lá no canal (Cap IV‑28). Ah, não façam como eu e levem casaco, nas montanhas de Etiópia, venta e esfriou bastante sem sol, mesmo no final do verão. Figura IV‑75: Restaurante Bem Abeba Figura IV‑76: Vista para as montanhas Figura IV‑77: Vista para o vale Figura IV‑78: Lindos raios de sol entre nuvens Figura IV‑79: Cores mágicas do final da tarde Adorei Lalibela. É muito bom chegar em um lugar com uma expectativa não tão alta e ser surpreendido positivamente! Fiquei com uma sensação oposta do gorilla trekking: era um destino que eu achei que seria bacana (era minha segunda prioridade na Etiópia), mas que de longe superou a minha expectativa! Lalibela: #imperdível Dia 7 -> Axum e Tigray Churches Nesse dia iria pegar um voo direto de Lalibela até Axum, conhecer o centro de Axum, pegar uma van até a região das Tigray Churches, e ainda visitar uma das Tigray Churches antes de jantar no hotel. Axum foi a capital do primeiro grande império etíope, império de Axum, no século I (d.C.), que, no auge, chegou a ocupar os atuais territórios da Etiópia, Eritreia, sul do Egito e até parte do Iêmen, que fica do outro lado do Mar Vermelho. Axum, hoje, é uma cidade tão pequena que fica até difícil acreditar que já foi um dos maiores impérios do mundo! As ruínas da cidade são patrimônios mundiais da Unesco: durante os primeiros séculos, foram levantadas grandes estelas de pedra que recordavam grandes reis. As estelas são grandes monumentos “tipo” obeliscos, cujo topo termina em uma parte semicircular superior, enquanto os obeliscos possuem topo piramidal. As estelas de Axum são detalhadamente esculpidas a partir de um bloco de granito, lembrando torres de vários andares, muito bacana. Eles têm portas, janelas e vigas falsas primorosamente esculpidas. O propósito dessas estelas era servir de "marcadores" para câmaras funerárias subterrâneas. Essa prática, que durou até cerca de 330 d.C., terminou na época do rei Ezana, o primeiro monarca de Axum que se converteu ao cristianismo. Existem no total 126 imensos obeliscos de pedra em Axum, a maior parte fica no Parque Setentrional das Estelas bem no centro da cidade. Mas, infelizmente, muitos estão caídos e partidos em pedaços, inclusive o maior deles, a Grande Estela que tinha 33 metros de altura. A Estela de Ezana, nome foi dado em honra ao rei Ezana, é a maior entre as que mantiveram sua integridade, como 21 metros de altura, e provavelmente a última a ser erguida, já que essa prática foi abandonada após a conversão dele ao cristianismo. Ao lado dela, encontra-se a estela conhecida como Obelisco de Axum, com 24 metros de altura e peso de 800 toneladas, que foi roubado da Etiópia na época do Mussolini na Segunda Guerra Mundial, e foi devolvido pela Itália em 2005. Ela foi seriamente danificada (algumas fontes dizem que foi pelos italianos, outras fontes dizem que por um terremoto anterior aos italianos), e posteriormente restaurada. Figura IV‑80: Parque das Estelas (Grande Estela caída em primeiro plano) Figura IV‑81: “Obelisco” de Axum Figura IV‑82: Estela de Ezana Além de ser famosa pelas estelas, Axum também é a cidade mais sagrada para os cristãos ortodoxos etíopes. Lá fica a Igreja de Santa Maria de Sião, ao lado da Capela das Tábuas (Chapel of the Tablet), o local onde estaria a misteriosa Arca da Aliança, que contém os dez mandamentos da Bíblia! Aquela mesma arca perdida que o Indiana Jones buscava no primeiro filme (Os Caçadores da Arca Perdida). Se o Indiana Jones soubesse que a arca estava lá esse tempo todo, só precisava ter ido até Axum caçá-la 🤣🤣🤣 . Segundo o livro bíblico do Êxodo, Moisés montou a Arca da Aliança seguindo orientações de Deus, que indicou seu tamanho e forma. Nela, foram guardadas as duas tábuas da lei com os 10 mandamentos escritos por Deus; a vara de Aarão e um vaso do maná. Estas três coisas representavam a aliança de Deus com o povo de Israel. Para judeus e prosélitos, a arca não era só uma representação, mas a própria presença de Deus. Segundo a Igreja Ortodoxa Etíope, a arca foi levada à Etiópia por Menelik I, filho bastardo do Rei Salomão e Makeda, a Rainha de Sabá (para a maioria dos historiadores e para as outras religiões, a arca estaria desaparecida). Uma explicação bacana de como a arca teria ido para Etiópia eu achei no Instagram @oviajantehonesto (Ref. 19), que eu colei aqui: “Diz a tradição que a igreja ortodoxa etíope possui esta preciosa relíquia graças à Rainha de Sabá, cuja existência é contestada pelos historiadores, mas não por grande parte dos etíopes. Os etíopes acreditam que a Rainha de Sabá viajou de Axum a Jerusalém para visitar o rei Salomão e descobrir mais sobre sua suposta sabedoria por volta de 950 a.C. Sim, o famoso Salomão, filho de David. Reza a lenda que os dois tiveram um affair e a rainha deu a luz a Menelik I, filho do Rei Salomão. (A história de sua jornada e sedução por Salomão são detalhadas no épico Kebra Nagast - Glória dos Reis, uma obra literária etíope escrita na língua Ge'ez no século 14). Menelik I cresceu, virou imperador de Axum e também foi visitar Israel para encontrar seu pai. Foi recebido com muitas honras. Salomão queria que ele ficasse e governasse após sua morte, mas concordou com o desejo do jovem de voltar para casa, mandando-o de volta com um contingente de israelitas. Um deles roubou a arca que ficava guardada dentro do Templo de Salomão, substituindo a original por uma falsificação. Quando Menelik descobriu, ele concordou em manter a arca, acreditando ser a vontade de Deus que ficasse na Etiópia. Segundo a lenda, São Miguel Arcanjo e os “poderes milagrosos” da Arca ajudaram Menelik a chegar são e salvo na Etiópia. Até hoje os etíopes acreditam que a Arca original está em Axum e essa crença é o cerne da credibilidade da Igreja Cristã Ortodoxa da Etiópia. Até os dias de hoje, para os cristãos ortodoxos do país, a arca é sagrada e algo a que eles ainda estão dispostos a proteger com suas vidas. Apesar de as versões serem diferentes, a parte do encontro da rainha de Saba e Salomão está na Bíblia, Torá e até no Corão. Já a parte da Arca estar em Axum…. pode ser que sim, pode ser que não… 🤣 A verdade é que ninguém sabe o que aconteceu com ela… De toda forma, não deixa de ser uma baita história, né?” Última curiosidade que pesquisei sobre Axum envolve Baltasar, um dos reis magos que supostamente era negro. Na Etiópia, existe a crença de que o rei de Axum na época do nascimento de Jesus Cristo, King Bazen, era o rei mago Baltasar. O túmulo de Bazen/Baltasar pode ser visitado em Axum. Quanto ao meu passeio por Axum, o tour da ETT foi um fiasco total! O dia já começou mal em Lalibela: sem qualquer aviso, me acordaram às pressas para ir ao aeroporto junto com outro grupo que tinha voo mais cedo, e lá tomei um chá de cadeira. Chegando em Axum, ninguém me esperava no minúsculo aeroporto. Tive que sair perguntando aos locais se alguém conhecia o motorista da ETT, até achar alguém que sabia e me levou até um cara que estava “de boas” sentadão em alguma sombrinha no estacionamento... E que nem sabia qual era o itinerário! Meu pacote incluía um tour em Axum, e ele nem estava sabendo. Depois que eu reclamei, ele arranjou um motorista para me levar ao centro de Axum, mas aquilo não dava para ser chamado de “tour”. O motorista só estacionou a van e ficou esperando enquanto eu desci para tirar algumas fotos... E ainda atrasou bastante (chegou com mais de uma hora de atraso, parece que a van quebrou). Para piorar, o “complexo” onde fica a igreja de Santa Maria do Sião, que é como um parque cercado, estava fechado para almoço. O horário de funcionamento varia dependendo do dia da semana, mas geralmente fecha das 12h-14h30. Com um mínimo de planejamento, daria para ter evitado isso. Resumindo: meu passeio em Axum foi mega porco, sem guia, com o complexo fechado e zero informação histórica. “Obrigado”, ETT! No final, só consegui tirar umas fotos da Igreja de Santa Maria do Sião do lado de fora da cerca. Aparentemente, mesmo durante o horário de funcionamento do complexo, turista não poderia entrar na Igreja de Santa Maria do Sião, local mais sagrado da igreja ortodoxa etíope. Só daria para conhecer por fora. Figura IV‑83: Igreja de Santa Maria do Sião Figura IV‑84: Torre do Sino Já na Capela das Tábuas, onde fica a arca, ninguém pode entrar, nem mesmo os próprios cristãos ortodoxos. Somente um único monge guardião pode vê-la. Segundo a tradição, a capela é guardada por um monge guardião que é escolhido para passar a vida inteira confinado no local, rezando e fazendo oferendas diante da relíquia. Antes de morrer, o guardião deve nomear quem será seu sucessor, e, no caso de que ele faleça antes de fazer isso, os membros do mosteiro de Santa Maria de Sião, então, devem se reunir e realizar uma votação para eleger o novo defensor da arca. Mesmo com o parque aberto, os turistas têm que ficar a uma certa distância. Segue a foto do lado de fora da cerca também. Figura IV‑85: Capela das Tábuas Em Axum, também estavam construindo um novo museu, bem próximo às ruínas e a esse complexo da Igreja de Santa Maria do Sião, deve ficar bem legal. Mas enfim, depois do fiasco do meu “tour” em Axum, ainda me restava aproveitar as Tigray Churches. As igrejas da região de Tigray, assim como as de Lalibela, também foram feitas de uma forma para que ficassem escondidas dos inimigos na época. Muitas das Tigray Churches também são cavadas em pedras, monolíticas, mas essas não foram escavadas no chão, e, sim, construídas no alto de montanhas inabitadas (ao menos as igrejas mais legais). Existem dezenas de igrejas na região, a que eu achei mais legal chama Abuna Yemata Guh, no episódio 10 do Alma Viajante (Ref. 23) e no Livre Blog da Amanda Areias (Ref. 22) tem um relato bem bacana a respeito. Abuna Yemata Guh fica no alto de uma montanha, é uma aventura só para chegar nela: 1h30 de caminhada, tem um trecho que sobe usando cordas, caminhar à beira de precipício, além de uma bela vista. Já outras igrejas parecem ter como destaque belas vistas das montanhas da região. O trecho de carro de Axum até as cidades-base para conhecer Tigray Churches é longo (4h), e eu estava preocupado se daria tempo de conhecer a igreja. Mal sabia eu que esse era o menor problema.... O pior foi a igreja que a ETT me levou para conhecer a Wukro Church, uma Tigray Church beeeeem fiascada! Descobri que no meu tour não estava incluído a Tigray Church mais legal (Abuna Yemata Guh), nem mesmo as outras muito legais (Maryam Korkor e Daniel Korkor). “Obrigado”, ETT. Dessa vez, eu também tive uma parcela de culpa. Quando fechei o pacote com a ETT, a comunicação estava péssima e acabei desistindo de pedir mais detalhes do roteiro, como qual seria a igreja incluída no meu tour. Pensei: “se eles te levam em uma Tigray Church, com certeza te levam na mais legal, certo?” Só que não.... Eles te levam na mais perto da cidade! Chegamos na Wukro Church no início da noite. É monolítica também, até lembra um pouco as de Lalibela sem ter sido escavada para baixo. Mas achei bem meia boca, especialmente para quem tinha acabado de voltar de Lalibela. No final do dia, liguei para a ETT na tentativa de dar um jeito de conhecer a Abuna Yemata Guh na manhã do dia seguinte, apesar da logística um pouco complicada. Era um passeio de 3h saindo de Wukro, e minha saída para o tour da Danakil Depression, no dia seguinte, estava marcada para às 8h da manhã. Ainda assim, pelo ritmo em que as coisas aconteciam nesses tours na Etiópia, eu tinha certeza que daria tempo de visitar a Abuna Yemata de manhãzinha, e depois encontrar o outro tour. Fiquei horas no telefone tentando viabilizar meu passeio, pagaria o valor que fosse, mas me disseram que, se eu não saísse às 8h em ponto, perderia o tour da Danakil Depression. No fim, tive que desistir da Abuna Yemata Guh. Lembram que eu comprei o pacote completo e caro, só para não ter dor de cabeça? “Obrigado”, ETT! Fiquei bastante frustrado por não ter ido em nenhuma das Tigray Churches mais legais. No entanto, o dia teve seus pontos positivos, como conhecer o centro histórico de Axum, ainda que superficialmente, e a bela paisagem de carro Axum até Wukro. Montanhas dos mais diferentes formatos, estradinhas às vezes muito sinuosas, muito legal, lindo cenário. Essas estradas passavam por vilarejos rurais bem simples, e o “trânsito” era intenso.... Trânsito de ovelhas, cabras, às vezes vacas 🤣 🤣 🤣. Tinha tanto animal nas estradas que a gente até se acostumava, achei mais bacana quando o “trânsito” era de camelos.... Seguem as fotos da bela estrada: Figura IV‑86: Em direção a montanhas escarpadas Figura IV‑87: Montanhas com formatos diferentes Figura IV‑88: Estradinhas serpenteando pelas montanhas Figura IV‑89: Tráfego intenso.... Axum: #valeapena Wukro Tigray Church: #legalzinho Dia 8 -> Salar Danakil Danakil Depression é uma depressão geológica, ou seja, uma planície abaixo do nível do mar, localizada no norte da Etiópia, na região do chifre da África. Em seu ponto mais baixo, tem cerca de 120 metros abaixo do mar, sendo um dos locais mais fundos do mundo (o Mar Morto é o local mais fundo do mundo, com 430 metros abaixo do nível do mar!). A região tem uma formação geológica complexa, resultado da separação de 3 placas tectônicas, causando atividades vulcânicas e rifting, terrenos subindo e afundando, erosão, tudo isso misturado com inundação pelo mar. O tour pela Danakil Depression era o passeio que eu mais queria fazer na Etiópia. Eu já sabia que o Vulcão Erta Ale tinha perdido o lago de lava recentemente, mas queria muito conhecer a região geotermal colorida chamada Dallol. O tour em si parecia desafiador, com muitos lugares remotos, mas incríveis! Eu estava ciente que teria muito pouco conforto, mas estava na dúvida se as atrações turísticas iriam compensar os perrengues... Danakil Depression é uma das regiões mais inóspitas da terra, uma das mais quentes da Terra. Em termos de temperatura média ao longo do ano, é o lugar mais quente do mundo!!! No ano todo, a temperatura média é 35oC, 30oC no inverno e quase 40oC no verão (Ref. 45). As temperaturas máximas chegam a 49oC. E, por ser uma depressão, não venta muito, a sensação é muito abafada.... Não por acaso, a melhor época para fazer esse passeio é em janeiro, ou o mais próximo possível do inverno deles. Como outubro, novembro e dezembro teoricamente teria muita chuva na RD do Congo, então optei por ir em setembro (média 37oC). Para minha sorte, peguei uns dias não tão quentes, até um pouco nublados. E a noite deve ter feito menos de 30 oC. Além da natureza inóspita, os vilarejos por onde passamos na Danakil Depression, estado etíope chamado Afar, quase na fronteira com a Eritreia, são muito remotos e bem simples. Deve ser uma das partes mais pobres da Etiópia, um dos países mais pobres do mundo.... Ficamos em acampamentos no meio do nada. Não sei nem se dá para chamar de acampamento, a gente não dormia nem em barraca. O pessoal estacionava o carro, colocava os colchões, e a gente dormia ao relento! Nos acampamentos, só tinha umas duas barracas maiores, onde eles preparavam o café da manhã e janta. Aliás, como era um calor do cão, não sei se precisava de barraca... Seguem as fotos do acampamento do primeiro dia (nessa primeira, foto já tinham guardado o colchão que ficava em cima dessa caminha). Figura IV‑90: Quarto com vista para as estrelas.... Figura IV‑91: Acampamento do primeiro dia Figura IV‑92: “Barraca restaurante” do nosso acampamento Não sei ao certo o que essa “oca” estava fazendo lá, mas parecia uma “suíte presidencial” do nosso acampamento, muito luxo 🤣 🤣 🤣: Figura IV‑93: Suíte presidencial.... No segundo dia, que dormimos no acampamento próximo ao Erta Ale, não tinha essa caminha, era só o colchonete mesmo. Eletricidade nos acampamentos? Nem pensar... Durante os 3 dias do tour, só tinha eletricidade na casinha restaurante que almoçamos no segundo dia. Não tinha banho, ducha, nem banheiro, obviamente.... Água mineral tinha, mas era mais para beber, preparar comida etc., não para tomar banho. Como ficava dentro do carro, já vinha na temperatura ambiente, ou seja, fervendo.... Ficar sem banho naquele calor infernal por 3 dias não era nada agradável. Aliás, não façam como eu que esqueci de levar lencinhos umedecidos: se limpar com eles, será o mais perto que você vai conseguir chegar de um banho! E ainda te deixam com aquele cheirinho de bundinha de bebê.... As únicas oportunidades de banheiro foram em três paradas de almoço, mas acreditem, era muito melhor ir na natureza 🤣 🤣 🤣. Lendo esse relato, pode parecer que eu achei o tour bem “trash”, mas, na verdade, eu adoro tudo isso! O tour é bem “raiz”, para quem gosta, é bom demais. E não posso deixar de falar que achei as refeições relativamente muito boas, muito melhor do que eu estava esperando. Os cafés da manhã e jantas eram servidos no nosso acampamento, os almoços foram em lugares simples em vilarejos do caminho, tudo bem simples, mas gostei bastante. O pior mesmo é que essa região próxima à fronteira da Eritreia está cheia de conflitos. Em 2012, um grupo separatista Afar atacou um grupo de turistas em tour no Erta Ale: 5 turistas morreram, 3 turistas ficaram feridos, 2 turistas e 2 etíopes sequestrados e depois liberados. Desde então é obrigatória escolta armada nesse passeio. Felizmente, no meio de 2018, foi assinado um acordo de paz entre Etiópia e Eritreia, e parece que os conflitos na região melhoraram um pouco. Aliás, logo depois que voltei para o Brasil, o primeiro-ministro da Etiópia ganhou o Nobel da paz 2019, justamente porque assinou esse acordo de paz! De fato, a escolta armada que nos acompanhou era bem menor do que os relatos que tínhamos ouvido anteriormente, “só” tinha um cidadão armado. Escolta armada em um passeio, para mim, nunca é uma sensação agradável, mas estava “menos pior” que na RD do Congo. No entanto, algumas coisas melhoraram nesse ano. Eu tinha visto relatos dizendo que as estradas até o Erta Ale eram terríveis, e ainda havia um trekking indigesto de 10 km (3h/4h) do acampamento até o vulcão. Felizmente, boa parte da estrada foi asfaltada. Além disso, o governo abriu uma estrada de terra que chega bem perto do Erta Ale, e o acampamento agora fica a, no máximo, 30 minutos do vulcão, em vez das antigas 3h/4h de caminhada. A infraestrutura melhorou um pouco, pena que a atração principal, o vulcão, piorou 🤣 🤣 🤣. EM TEMPO, atualização de 2023: em novembro de 2020, iniciou uma guerra civil por disputas políticas entre o estado de Tigray (Mekele é a capital desse estado, de onde saia o tour pela Danakil Depression) e o governo federal da Etiópia. A Frente de Libertação do Povo de Tigray (FLPT) era o partido mais influente da coalizão que governava a Etiópia de 1991 até 2018. A FLPT passou a buscar independência da Etiópia quando o primeiro-ministro Abiy Ahmed Ali, que havia ganhado o Nobel da paz de 2019, iniciou uma ruptura com a FLPT na coalizão que governava a Etiópia. As disputas transformaram-se em uma guerra civil e conflito armado violento, até que, teoricamente, em novembro de 2022 foi assinado um Tratado de Paz entre as partes com a mediação da União Africana. Por causa do conflito, esse tour pela Danakil Depression, que saía de Mekele, havia sido modificado e estava saindo de outra cidade no Afar bem mais longe, vale a pena verificar as condições desse conflito antes de programar sua viagem! Se, apesar desse monte de perrengue, você ainda quiser fazer esse tour.... Não esqueça de ir preparado, tem que levar basicamente tudo. Eles vão te dar um colchão e uma almofada, comidas e água também, mas o resto é por sua conta. O tour Danakil Depression começava às 9h da manhã no escritório da ETT em Mekele, e eu tive que sair as 7h30, já que eu estava na cidade de Wukro. Vou resumir o que aconteceu em Mekele: reúnem o grupo todo (22 pessoas), separam em carros, enrolam bastante, param para abastecer, esperam juntar os carros na estrada, param em uma cidadezinha só a 40 minutos de Mekele para ir em mercadinho, esperamos em um café por horas, depois espera as pessoas de novo sei lá para quê.... Caramba, era meio-dia e ainda estávamos na cidadezinha entre Mekele e Wukro! Ou seja, claro que dava para eu ter feito o passeio naquela Tigray Church mais legal nessa manhã e encontrar o comboio nessa cidadezinha a 20 minutos do hotel, não teria problema algum. “Obrigado”, ETT! Depois disso, andamos cerca de 2h de carro finalmente e paramos em um vilarejo bem simples para o almoço. Depois do almoço, os guias enrolam mais um pouco para o solzão baixar e só saímos de verdade para o Salar de Danakil às 16h! E depois de mais 1h de carro, finalmente chegamos na primeira atração do dia. Resumo logístico do nosso dia: saí às 7h30 da manhã de Wukro, e fomos chegar na primeira atração do dia às 17h da tarde (que fica a umas 3h30 de Mekele, cidade que começava o tour)! Apesar da logística horrível, o caminho é bem bonito. E nós passamos por belas paisagens desde que saímos de Mekele, que ainda fica nas montanhas e vales verdejantes da Etiópia, até entrarmos na região árida da Danakil Depression, quase sem vegetação e mais plana, já no estado do Afar. O motorista fez algumas paradas na estrada para curtirmos belas vistas. Figura IV‑94: Mirante saindo de Mekele Figura IV‑95: Mirante na descida até Danakil Depression A foto a seguir é um mirante do Rift Valley, que marca a entrada da Danakil Depression. Acredita-se que essa parte do Rift Valley (Danakil Depression) no passado distante já foi coberto pelo mar, formando o salar Danakil. Figura IV‑96: Rift Valley A primeira parada do passeio no Salar de Danakil é nesse ponto onde tem essa pequena banheira no meio do salar. A água é tão salgada que não afunda, estilo um Mar Morto super-concetrado. O pessoal do tour leva um pouco de água para tirar o sal para quem quiser se banhar. No Salar de Danakil, assim como em Uyuni, o sal produz esses padrões hexagonais. Mas, enquanto em Uyuni, eles são branquinhos, aqui eles são bem marrons. Figura IV‑97: “Banheira” Figura IV‑98: Padrões hexagonais do Salar de Danakil Depois de conhecer a parte do salar que tem essa banheira, voltamos para o carro e rapidamente chegamos à outra região do salar, que tem esse lago grande e muito salgado chamado Lago Karum. Ele é bem rasinho, não é para nadar. Fica uma lâmina d’água bem fininha por cima do salar, bem bonito. A ideia era apreciar o pôr do sol de lá, que deve ser muito belo, uma pena que o dia estava bem nublado. O lado positivo de estar nublado é que não pegamos tanto calor, essa parte do salar Danakil/Dallol seria a parte mais quente do passeio. Na foto abaixo, eu caminhei bem para o meio do lago (reparem nos carros, que estavam na margem do lago), e estava tão raso que não afundava nem o pé.... Tem um vídeo no canal também, Cap IV‑29. Figura IV‑99: Lago Karum No geral, achei o Salar de Danakil bonito, mas nem tanto quanto Uyuni e Atacama. E os guias não tinham as manhas de tirar fotos tão divertidas brincando com as perspectivas como na Bolívia! Final do dia, fomos para o “acampamento”. Como não estava tão quente assim, a noite ao ar livre para mim foi boa. Salar de Danakil: #legalzinho Lago Karum: #legalzinho Dia 9 -> Dallol e Erta Ale Nesse dia, saímos bem cedo para conhecer o Dallol, pertinho do Salar Danakil. Dallol significa “pedras coloridas” na língua deles. É o lugar mais inóspito da inóspita Danakil Depression porque, além do calor infernal, o chão é meio enlameado, é cheio de fumaças tóxicas, poças ácidas, é bem fedido, alguns chamam de Portão do Inferno.... Mas é de uma beleza surreal! No verão, os guias geralmente levam os turistas bem cedo, acordamos às 6h da manhã para ir para lá. A região do Dallol especificamente é uma região hidrotermal do Salar Danakil, com muita atividade vulcânica embaixo do deserto de sal. Tem muita presença de minerais: ferro e potássio mais avermelhados, amarelo de ácido sulfúrico, magnésio e sal branco, tudo reagindo com aquele calorzão acaba formando cores meio surreais, misturas de verde, amarelo, marrom.... Estava lendo um texto de um cientista que explica melhor essas formações (Ref. 26). A água que brota do chão é supersaturada de sal, todo esse sal excedente se cristaliza formando pilares que inicialmente são de um branco brilhante e puro. A acidez das águas é brutal, quase 500 vezes maior que a do limão. Depois do sal, quando a temperatura da água baixa algumas dezenas de graus, o enxofre se condensa, pintando de amarelo fluorescente os pilares inativos. As águas ácidas empoçam graças a represas construídas pela cristalização do próprio sal. O ferro, em contato com o oxigênio da atmosfera, oxida-se reduzindo o pH até o valor mais baixo já encontrado em meio natural, quase 10.000 vezes mais ácido que o limão. As sucessivas mineralizações causadas pela oxidação tingem as águas de cores vibrantes, do verde-lima ao verde-jade, do laranja ao vermelho, os ocres e chocolates. Olhando as fotos a seguir, talvez dê para visualizar um pouco esse processo de formação de cores, muito interessante. Na excursão, o guia estava explicando que no Dallol tudo é fugaz. As áreas que outrora estavam tranquilas, apresentam uma atividade inquietante. As flores de sal que reluziam brancas hoje estão amarelas e, depois de amanhã, vermelhas. E desaparecerão para germinar em outros lugares. Essa foto é do início da caminhada desde o ponto que o carro estaciona, até o Dallol (caminhada bem leve, uns 15 minutos no máximo). Segundo o guia, antes as águas brotavam nessa região, mas olha como ficou depois que perdeu a atividade hidrotermal e as cores. Figura IV‑100: Região que secou No pedaço colorido do Dallol, com atividade hidrotermal, havia duas áreas muito mais bonitas que o restante. A primeira área era onde se formaram muitos “minivulcãozinhos” de sal, enxofre e minerais, muitos deles com água quente e vapor brotando do chão. São como minigêiseres. Outros vulcãozinhos não estavam mais ativos, restando apenas as montanhazinhas coloridas. Essa parte era aonde tinham mais fumarolas, fumaça, etc. Nessa foto, eu aponto para uma delas, depois dou o zoom. E também coloquei um vídeo (Cap IV‑30) dessa área dos “vulcõeszinhos” no canal. Figura IV‑101: Área com “vulcõezinhos” expelindo água quente Figura IV‑102: Detalhe do vulcãozinho Figura IV‑103: “Área dos vulcõezinhos” Já na segunda parte muito colorida, a “área das piscinas”, se caracterizada por ter muito acúmulo de água. Foi a área que eu achei mais bonita, tirei um milhão de fotos. As águas se acumulavam parecendo minipiscinas, de borda infinita, de várias tonalidades: verde, transparente, azul, muito bonito. Essas lindas piscinas se acumulavam em terraços, às vezes de cor amarela, laranjas, marrom, belíssimas. Uma explosão de cores!!! Figura IV‑104: “Área das piscinas” Figura IV‑105: Muito acúmulo de água Figura IV‑106: piscinas mais esverdeadas Figura IV‑107: Explosão de cores Figura IV‑108: Vista do alto morro Figura IV‑109: Detalhe Figura IV‑110: Poça mais azulada Salvei dois vídeos no canal dessa área das piscinas, Cap IV‑31 e Cap IV‑32. Ah, e para não criar muita expectativa: o lugar é menor do que pode parecer nas fotos! É só uma pequena região do salar que fica colorida assim. Essa foto dá para ter uma ideia do tamanho, no primeiro plano, a parte que tinha a “área dos vulcõezinhos” e, no fundo, centro esquerdo da foto, é a “área das piscinas”. A área com atividade hidrotermal, e muito colorida, é relativamente pequena. O resto é aquele deserto da chegada. Dito isso: eu esperava um lugar um pouco maior, mas ainda assim eu achei o Dallol #imperdível. Era a parte que eu tinha maior expectativa da Etiópia, e não me decepcionou! Figura IV‑111: Vista geral da área com atividade hidrotermal Depois do Dallol, fizemos ainda duas paradas rápidas só para foto em algumas formações bacaninhas. Primeiro uns pináculos, e depois visitamos rapidamente um lago de potássio bem diferentão, com água escura, quente, tóxica e muito fedida! Figura IV‑112: Lago de Potássio Ficamos nesses passeios da região do Salar Danakil das 6h às 9h, quando seguimos para o vulcão Erta Ale. O trecho de carro era longo, e chegamos no vulcão à noite. A maior parte da estrada agora está asfaltada, só pegamos umas 2h de estrada off-road da saída da cidade de Afrera até o vulcão. Mas uma grande parte desse trajeto estava sendo asfaltada. Em uma parte do trajeto, ventava muito, inclusive vimos alguns miniciclones se formando com areia e a poeira do deserto, depois se desfaziam, muito bacana. Parecia Madmax! Infelizmente não consegui tirar nenhuma foto decente desses miniciclones, mas olha quanta areia e poeira nessa foto e nos vídeos (Cap IV‑33 e Cap IV‑34) dos nossos carros atravessando a ventania infernal no deserto! Figura IV‑113: Tempestade de areia no deserto Quando chegamos na parte vulcânica, próximo ao Erta Ale, parou de ventar forte, felizmente. O Erta Ale não é tem aquele formato clássico estratovulcão, é um vulcão escudo. Até por isso ele é bem baixo, 612 metros de altura. Figura IV‑114: Erta Ale O acampamento era muito parecido com o do dia anterior, só não tinha a caminha de palha, os colchões ficavam no chão mesmo. Arrumamos as coisas e partimos para ver o vulcão. Lembrando que a subida até o vulcão agora é bem curta, 30 minutos, porque, recentemente, construíram uma estrada de terra nova. A subida não é difícil, mas é um pouquinho traiçoeira, muita pedrinha, escorrega bastante, especialmente à noite. Depois você chega em um lugar que parece um cume, talvez fosse uma cratera antiga do vulcão, mas que ainda não é a borda da cratera “atual”. De lá, a gente descia por uma pequena encosta, pedaço apertadinho e íngreme, para depois caminhar até a beira da cratera. Salvei no canal um vídeo desse cume ante da descida para a borda da cratera, Cap IV‑35. Esse último trecho, até a beira da cratera atual, é pura lava petrificada. A foto a seguir permite ter uma ideia do tamanho da cratera do vulcão, reparem nos 3 turistas bem pequeninhos perto da borda da cratera.... Figura IV‑115: Turistas na borda da cratera Infelizmente, eu já sabia que, desde a erupção de 2017, o Erta Ale não tinha mais lago de lava, nem tinha erupções estrombolianas. Mas estava com um pouquinho de lava visível, que não se movimentava, nem tinha pequenas erupções, parecia carvão pegando fogo.... Nas fotos abaixo, dava para ver alguns pontos bem vermelhos no meio da fumaça. Segundo o guia, há pouco tempo voltou a aparecer essa lava no vulcão. Erta Ale na língua afar significa montanha de fumaça. Nome mais do que apropriado, a quantidade de fumaça era muito maior que os outros vulcões que eu fui! A fumaça incomodava bastante também. Mas, pelo menos, rendia belas fotos com aquele clarão vermelho subindo da cratera à noite! Figura IV‑116: Lava visível e clarão vermelho Figura IV‑117: Fumaça e clarão vermelho Figura IV‑118: Turistas e suas lanternas voltando da cratera No dia seguinte, acordamos cedo e, antes do café da manhã, subimos novamente para ver o Erta Ale. Nos outros vulcões, eu preferia à noite, o espetáculo era muito mais lindo. Mas do Erta Ale, eu gostei mais de dia! De manhã, conseguimos ver uma atividade vulcânica maior, não sei se era a visibilidade que estava melhor (menos fumaça), ou a atividade do vulcão que estava maior. Dava até para ver minierupções estrombolianas naqueles pontos de lava vermelhos, que pareciam carvão em churrasqueira (as fotos a seguir foram tiradas com bastante zoom). Foi bacana, mas as erupções não chegavam nem perto da altura necessária para sair da cratera. Figura IV‑119: Minierupções Figura IV‑120: Lava Salvei dois vídeos no canal desses pequenos focos lava, Cap IV‑36 e Cap IV‑37. Também deu para ver bem o terreno depois que a gente desce do cume, ao redor da cratera do vulcão de dia. O cenário é bacana, muita lava solidificada, meio quebradiça, bem exótica. Pelos formatos e cores das lavas solidificadas, era possível saber se era de uma erupção mais recente ou mais antiga, e tinha alguns rios de lava petrificada. Figura IV‑121: Rio de lava seco Figura IV‑122: Campos de lava solidificados O tour de 3 dias pela Danakil Depression estava chegando ao fim. E a pergunta que não quer calar: valeu a pena? Depende.... Eu valorizo bastante aquelas atrações que têm um desafio, pois sempre abrilhanta a experiência, mas o mais importante é que a atração em si ofereça uma recompensa show. No final das contas, eu achei esse passeio muito perrengue (especialmente falta de banheiro e o calor por muitos dias), para uma recompensa média... A logística poderia melhorar muito: uma saída à tarde para o Erta Ale, com pernoite, e posterior visita ao Dallol/Salar Danakil antes de retornar à cidade, já seria suficiente. Quanto ao Erta Ale, apesar de enfeitiçado pela Pele (deusa havaiana dos vulcões), minhas expectativas não eram tão altas. No final, eu diria que foi de acordo com as expectativas. A inevitável comparação com o Nyiragongo, que estava com um lago de lava magnífico e que eu havia visitado 4 dias antes, de fato prejudica um pouco a minha admiração pelo Erta Ale. Já imaginava que isso poderia acontecer quando decidi fazer o Nyiragongo primeiro, não quis arriscar deixá-lo por último para ter algum tempo de reação caso surgisse algum imprevisto. A verdade é que o Nyiragongo foi tão mais impressionante, que dá até uma certa “brochada” no Erta Ale.... Fiquei observando a reação dos outros turistas, a maioria estava vendo um vulcão ativo pela primeira vez e pareceu gostar. Fico imaginando como o Erta Ale deveria ser legal antes da erupção de 2017, ia ser demais chegar pertinho daquela cratera cheia de lava. No Nyiragongo, por exemplo, ficamos bem mais longe do lago de lava. Vale lembrar que os lagos de lava são muito instáveis, então é sempre bom conferir as condições do lago antes de ir. De qualquer forma, mesmo se estiver com pouca lava, eu acho que #valeapena conhecer o Erta Ale para as “pessoas normais”, ou #imperdível para quem, como eu, adora vulcões e esse tipo de excursão mais “raiz”! Dallol: #impedivel Erta Ale: #valeapena Dia 10 -> Lago Afrera Depois que voltamos do Erta Ale, tomamos o café da manhã no acampamento, e às 8h30 seguimos para a última parada do tour. Antes, uma curiosidade. O nosso motorista passou os 3 dias conosco sempre mascando umas plantinhas... Especialmente depois das refeições, tinha uns pequenos ramos, que ele ficava passando entre os dentes, se não me engano tinha umas folhas também. Percebi que os outros motoristas do tour também estavam sempre mascando esse negócio.... Depois fui descobrir que na Etiópia, em toda aquela região do chifre africano e no Iêmen, é muito comum uma plantinha chamada khat (pronunciavam “chat”). Parece que é viciante, causaria dependência psicológica, mas não causa dependência química. Aquele matinho contém uma substância estimulante parecida com anfetamina, causando excitação e euforia, mas demora um pouco para fazer efeito. Apesar de, no mundo ocidental ser considerado droga (a OMS considerou droga em 1980), na Etiópia e nesses países, o consumo é cultural, desde o século XI pelo menos. Seu consumo não é crime, é muito normal, parece que é bem comum usarem depois do almoço, especialmente motoristas. Além disso, descobri que, naquela região, também é muito comum o uso de uns ramos de uma árvore como uma escova de dente natural, chamado miswak. Teve uma hora que os turistas do meu carro perguntaram para o motorista o que era aquilo que ele estava sempre mastigando. Ele falou que serviria para limpar os dentes e até ofereceu para a gente. Hoje eu estou na dúvida se era o miswak, “escova de dente natural”, ou o khat mesmo.... Mas eu acho que o danadinho deu um “migué” na gente, dizendo que era para limpar os dentes, mas devia ser khat e a gente nem desconfiou que aquilo “dava um barato” 🤣🤣🤣 . Só para deixar claro, o motorista era bem gente fina e dirigia super-bem. Nossa última atração era o Lago Afrera, que fica a 2 horas do Erta Ale. É um lago muito salgado, tem várias salinas na região. Eles nos levam a uma entrada do Lago Afrera onde, ao lado, tem uma Hot Spring, uma fonte termal com água muito quente. A água é doce e seria uma delícia, não fosse o calor infernal daquele lugar.... Ou seja, o lago era muito salgado, a fonte, muito quente, estava um calor do cão, mas, ainda assim, valeu porque foi o mais perto de banho que eu consegui nesses três dias! Ficamos mais ou menos uma hora no Lago Afrera e na fonte, almoçamos em Afrera e depois voltamos para Mekele (umas 3h de viagem). Como meu voo para Addis Abeba era naquela noite às 20h, o motorista já me deixou no aeroporto. E que delícia que foi reencontrar um banheiro, ainda que bem porco, do aeroporto de Mekele.... Foram três dias sem sequer lavar a mão em uma pia, para não falar dos três dias sem número 2 🤣🤣🤣 ! Lago Afrera: #legalzinho Dia 11 -> Addis –> SP Na noite anterior, meu um voo chegou tarde em Addis Abeba e, como meu voo para São Paulo já era de manhã, infelizmente não pude conhecer direito Addis Abeba. A minha rápida impressão é que a capital tem algum desenvolvimento, bem diferente da imagem que tínhamos da Etiópia dos anos 80, mas provavelmente com uma grande desigualdade social, que conhecerei em alguma próxima viagem. Só deu tempo de tomar o banho mais desejado e merecido dos últimos tempos! No dia seguinte, peguei o meu drone sem maiores problemas e embarquei de volta para casa depois dessa viagem frenética. Antes de encerrar os relatos, queria mostrar um pouco da realidade que eu conheci do interior da Etiópia. Visitei Lalibela, Axum, alguns vilarejos na região de Afar na Danakil Depression, além de Mekele, uma cidade maior com 300 mil habitantes. A ideia é mostrar o “mundo real” dessas localidades e seu cotidiano. Vou deixar que tirem suas próprias impressões. Os vídeos capturam um pouco dessa realidade de forma mais clara, salvei alguns no canal (Cap IV‑38, Cap IV‑39, Cap IV‑40, Cap IV‑41 e Cap IV‑42) circulando pelas ruas de Lalibela, de Axum, de Makele, e também um vídeo do nosso acampamento (primeiro dia) próximo a um vilarejo no estado Afar. Seguem também algumas fotos. Figura IV‑123: Ruas na periferia de Lalibela Figura IV‑124: Axum Figura IV‑125: Mekele As regiões ao norte têm muitas cabanas de madeira, barracos, poucas casas de alvenaria. Várias casinhas eram construídas de forma semelhante à nossa “barraca restaurante” do acampamento. No Norte da Etiópia, também chamou minha atenção um monte de pedras nos telhados para evitar que as telhas voassem. Figura IV‑126: Muitas pedras no telhado Figura IV‑127: Antena e pedras no telhado O que eu acertei e o que eu faria diferente: Para os meus objetivos e restrições de tempo, achei que o meu roteiro ficou excelente. Ficou muito corrido, o que, para mim, não é problema, mas a quantidade de coisas que eu consegui fazer em 10 dias foi incrível! Combinando atrações de aventura e natureza (dois vulcões bem remotos e gorilla trekking), e atrações culturais (Memorial do Genocídio, Lalibela, Axum). O ideal seria se eu tivesse mais uns dias para combinar com alguma praia paradisíaca do Índico.... Minha rápida passagem por Ruanda foi suficiente para conhecer o meu objetivo principal: o Memorial do Genocídio. Existem outros locais de genocídio transformados em memoriais, como a famosa igreja de Nyamata, e outro chamado Murambi, cujo memorial deve ser ainda mais impactante, pois exibe corpos mumificados para os que tiverem estômago para visitar... A outra atração mais famosa de Ruanda são os gorilas, mas a licença do gorilla trekking lá estava absurdos 1500 $USD, enquanto, em Uganda, estava 600 $USD! Os gorilas ficam no Parc National des Volcans, onde também existem alguns trekkings, e dá para curtir o Lake Kivu nas redondezas. Infelizmente, Uganda foi o lugar mais sacrificado pela minha falta de tempo, mas quem sabe eu volto um dia. Tem um rafting no Nilo, que dizem que ser ótimo, e não vai durar muito tempo. Deve acabar quando uma nova represa for construída. Próximo à região dos gorilas, ficam o belo Lago Bunyonyi e diversos trekkings da região do Rift Valley, incluindo montanhas com picos nevados! Uma alternativa ao Kilimanjaro é o Monte Stanley (acho que os locais também chamam de Monte Rwenzori), terceiro pico mais alto da África, mas é importante verificar as condições de segurança, já que fica na fronteira com a RD do Congo. No oeste de Uganda, há parques nacionais com muitos animais, incluindo os big five, mas espalhados em diversos parques nacionais, como o Queen Elizabeth e Murchison. O Kibale Forest National Park tem chimpanzés, mas também é caro, e dizem que a experiência pode não ser tão bacana quanto com os gorilas, já que eles ficam mais na copa das árvores. A Etiópia é um país bem grande, o que dificulta um pouco a locomoção entre as atrações. Entre os lugares que não conheci, Harar me chamou atenção. Conhecida como a “capital muçulmana” da Etiópia, é uma cidade antiga, cheia de mesquitas, e, na Etiópia, dizem que é a quarta cidade mais sagrada do Islã (depois de Meca, Medina e Jerusalém). No século VII, quando o profeta Mohammed enfrentou perseguição pela primeira vez na Arábia Saudita, disse aos seus seguidores que, na Etiópia (Abissínia, na época), eles seriam bem recebidos, o que, de fato, ocorreu. Atualmente, os muçulmanos compõem 34% dos mais de 115 milhões de habitantes da Etiópia. Mas o que mais me atraiu em Harar foi a tradição de alimentar as hienas. O blog Saiporaí de Guilherme Canever tem um relato sensacional de lá (Ref. 20). Se tivesse mais tempo e $, incluiria, em primeiro lugar, a Tigray church mais legal, depois mais um dia em Addis Abeba para conhecer a capital e o fóssil Lucy, depois conheceria a medieval Gondar, Harar e as Simien Mountains, nessa ordem de prioridade. E se tivesse ainda mais tempo e $, incluiria Bale Mountains e cachoeira do rio Nilo Azul. A Etiópia também oferece parques nacionais e lagos com vida selvagem, mas safaris em outros países parecem melhores. Tem gente que vai para o sul conhecer Omo Valleys, conhecer umas tribos bem peculiares. As tradições das tribos parecem bacanas, mas, na época, só achei passeios que pareciam aqueles mega turísticos, meio tourist trap, não tão autênticos. Mas já vi muita gente que adora, e se pesquisar bem, dá para achar passeios mais imersivos lá. RD do Congo, eu confesso que não pesquisei nada além da região do Virunga. Não sei se tem mais atrativos, deve ter coisas bacanas, pois é um país gigante! Mas, com ebola, os conflitos armados e a guerra civil, por hora, já está bom conhecer o Nyiragongo.... Nyiragongo foi uma das melhores viagens da minha vida, mas não sei se eu recomendaria ir para lá no momento que eu fui, sabendo que (1), nas redondezas, está tendo um surto de ebola, com (2) um conflito armado com milícias controlando cidades, e (3) que o parque nacional às vezes é fechado por falta de segurança.... Eu só recomendaria para os roteiristas do Não Conta Lá em Casa (Ref. 17) e para as pessoas que, assim como eu e o @DIVANEI (Ref. 16), continuam tomando decisões cretinas e inconsequentes mesmo depois de velhas 🤣 🤣 🤣. Eu fico imaginando o que aconteceria com quem tem febre detectada nos pontos de controle de ebola. São pessoas simples que ficam medindo a temperatura nos checkpoints, não são médicos. Ficam em tendas no meio das estradas, não em hospitais, postos de saúde etc. Imagina se você tiver uma gripe que não tem nada a ver com Ebola e detectam febre nesses checkpoints, deve dar uma confusão.... Posso estar enganado, mas com os “superprotocolos” de segurança desses países, meu palpite não é dos melhores. Mas enfim, comigo, tudo ocorreu sem problemas. A melhor época para visitar a Etiópia na região do Danakil Depression é janeiro e fevereiro, quando é menos calor. Na RD do Congo, o ideal é evitar chuvas, nos meses de outubro a começo de dezembro. Mas acabei indo no início de setembro, e felizmente não peguei nem tanto calor na Etiópia, nem muita chuva na RD do Congo, deu tudo certo em relação ao clima. Por fim, queria falar um pouco sobre os bônus e ônus da vida de viajante na África. Minha primeira viagem para África foi para o Egito. Um país fantástico que eu amei e recomendo muito, mas não posso deixar de alertar também que sobre o assédio nos turistas. Zilhões de vendedores de qualquer coisa, muito insistentes, que não te deixam em paz nem por um segundo! Mas, se, no Egito, o choque cultural foi um pouco mais traumático, dessa vez eu estava mais preparado. Em Ruanda, o assédio incomodou um pouco, mas foi bem mais tranquilo que no Egito. Em Uganda, na rápida parada rápida na cidade para o motorista comprar comida, já chegaram algumas crianças chamando muzungu (homem branco). Nesse pouco tempo, já deu para ver que deve ser complicado o assédio. Na RD do Congo, eu só andei escoltado pela turma do Virunga, fica difícil avaliar. Já as informações que eu tinha a respeito de “assédio ao turista” eram bem ruins com relação à Etiópia. E, de fato, lá o bicho pega! Eu senti uma diferença marcante entre o Egito e a Etiópia. No Egito, o assédio era de um monte de gente querendo vender zilhões de coisas para o turista. Na Etiópia, além dos vendedores, tinham muitos pedintes também. E a maior parte dos pedintes era criança ou adolescente, e isso foi dureza, dá muito aperto no coração. É muito triste ver toda aquela pobreza e não poder ajudar muito.... Se a capital Addis Abeba pareceu bem desenvolvida, as outras regiões que eu conheci mais ao norte passava por vilarejos muito simples. Em Lalibela, meu hotel ficava no centrinho e, depois do almoço, tentei dar uma voltinha em umas lojinhas de souvenirs bem frente ao meu hotel. Eu fui caçado de uma forma, zilhões de crianças me cercando, pedindo, insistindo, eu não consegui andar nem 3 minutos e voltei para o hotel. Infelizmente, por causa de todo esse assédio, você acaba passeando menos e diminuindo a iteração com os locais, especialmente em lugares mais turísticos. Em Axum, também fui “caçado” na praça principal. No tour Danakil Depression, quando parávamos para almoçar ou tomar café nos vilarejos, vinham muitas crianças pedindo qualquer coisa. Na região do Afar – Danakil Depression, os vilarejos pareciam mais pobres do que no resto da Etiópia, e o clima inóspito (calor infernal e desértico) aparentemente tornava as condições mais difíceis para a população, infelizmente. Minha intenção aqui não é julgar nada, é apenas relatar como funciona o assédio ao turista se você decidir ir para lá. Claro que o assédio pode incomodar quem só quer ficar um pouco sossegado, mas, na minha visão, quem vai para lá precisa ser compreensivo e entender a situação complicada de algumas pessoas que vivem ali e não tiveram tanta sorte quanto nós. O pior é a tristeza de ver muita pobreza sem poder fazer muita coisa para ajudar. Se vocês forem para África, estejam mentalmente preparados. E financeiramente também.... Até por não ter muita estrutura turística para sair mochilando por aí, é muito mais caro viajar pela África do que muita gente imagina! E, em termos de luxos e conforto, tem que ser um pouco desapegado também. Definitivamente, fazer turismo na África não é para qualquer um. Mas todo lugar tem os seus aspectos positivos e negativos e, na minha opinião, vale muuuuito a pena conhecer a África! Provavelmente é o meu continente favorito, já voltei e ainda pretendo voltar muitas vezes mais. A África é um dos continentes mais bonitos, diversos e incríveis do mundo, com pessoas simpáticas e receptivas. Desertos, florestas, savanas, safaris, praias, cachoeiras, vulcões, tribos, diversas culturas e muita história. Uma viagem que te tira um pouco da zona de conforto, tornando a experiência ainda mais especial. Lá, você vai descobrir coisas que não vai encontrar em lugar nenhum do mundo. Acho que nenhum outro capítulo desse livro terá tantas histórias para contar... Foi uma viagem cheia de experiências únicas e momentos inesquecíveis! Ranking das atrações Segue meu ranking das principais atrações dessa viagem: 1 – Nyiragongo, RD do Congo 2 – Dallol, Etiópia 3 – Lalibela, Etiópia 4 – Erta Ale, Etiópia 5 – Gorilla trekking, Uganda 6 – Memorial Genocídio, Ruanda 7 – Axum, Etiópia Obs.: A Tigray church mais legal, mas eu não fui, Abuna Yemata Guh, e as outras parecem ter belas vistas, Maryam Korkor e Daniel Korkor, tinham potencial para estar na lista... --------------------------------------- Pessoal, postei quase inteiro o capitulo IV do livro/ebook (só reduzi algumas fotos pra adaptar ao forum). Os capítulos de cada continente ficaram parecidos com esse. O relato completo das viagens pelos outros continentes está no livro Destino Vulcões, que consegui deixar o livro inteiramente grátis no amazon.com.br (não sei por quanto tempo...). É só entrar lá e baixar (link: https://a.co/d/agKaeNM)! Dá para ler direto no site, mas eu recomendo usar o aplicativo “Kindle”, disponível para celular (Android ou iPhone), laptop (Windows), ou no próprio Kindle, claro. Sinopse do livro: Nesta obra, compartilho minhas aventuras em busca dos vulcões mais espetaculares do planeta. É um relato pessoal de mais de 90 dias de viagens, ao longo de 10 anos, explorando 15 países em 6 continentes, ilustrado com fotos e vídeos do próprio autor. Expressões absolutas da força da natureza, os vulcões fascinam na mesma medida em que amedrontam. Quem já assistiu a uma erupção com lava pode confirmar que os vulcões oferecem uma das cenas mais impressionantes da natureza. E não é preciso ser um aventureiro radical para explorar esses destinos — basta estar disposto a viver experiências inesquecíveis. Além de paisagens vulcânicas impressionantes, descobri culturas vibrantes e outras belezas naturais que tornaram essa jornada ainda mais enriquecedora. Convido você a me acompanhar nessa aventura, repleta de histórias fascinantes e paisagens deslumbrantes ao redor do mundo. Capa:
  42. Vou passar o mês de Outubro pela Europa. Chego dia 01/10 em Munique, na Alemanha para a Octoberfest e dia 06/10 começo meu roteiro pelo Leste, ainda não estou com o roteiro totalmente fechado mas chego por Tirana, na Albânia. Aberto a sugestões e companhia. Insta: hudsonlfaria
  43. Bom, pessoal. Oi! Me chamo Izadora e vou contar como quase acidentalmente acabei indo passar alguns dias sozinha na Guatemala em um relato de uma passagem super rápida pela região. De início o motivo da minha escolha pela Guatemala foi o preço. Nunca tinha ido para a América Central (e conhecia muito pouco da região), mas com a chegada da Arajet no Brasil vi uma oportunidade surgir. Mesmo sem férias marcadas, comprei a passagem, só de ida para o dia 22 de janeiro de 2024. Custou U$7,37 + U$25,60 de taxas (U$32,97). Saída de Guarulhos com destino a Cidade da Guatemala e conexão em Santo Domingo (República Dominicana). A passagem de volta não foi tão simples, minha preocupação era retornar pelo menos para a América do Sul que de um jeito ou de outro conseguiria entrar no Brasil, mas os voos para São Paulo de volta não estavam tão baratos quanto a ida (ainda que estivessem também em promoção). Já antecipando que não conseguiria garantir férias muito extensas, comprei a volta na pressa, no mesmo dia, por U$7,37 + U$ 63,48 de taxas (U$70,85). Saída da Cidade da Guatemala com destino a Lima, no Peru, e conexão também em Santo Domingo. Eu iria embora apenas três dias depois da minha chegada, no dia 25 de janeiro. Hoje, pós viagem, definitivamente teria excluído Lima (e Santiago do Chile, como viria a entrar no meu roteiro depois para regressar pro Brasil de forma barata) e passado, no mínimo, uma semana inteira na Guatemala. Conforme fui pesquisando mais a fundo, fui achando diversos lugares que queria conhecer e certamente teriam sido incríveis, mas não tive tempo. As ruínas de Tikal, por exemplo, teria entrado definitivamente no meu roteiro, assim como acampar uma noite no Acatenango, explorar os vilarejos ao redor das cidades, cruzar de barco o Lago de Atitlán ou entrar na floresta em busca de avistar um Quetzal (só para comentar os mais famosos). De informações básicas, eu me comunico muito bem em espanhol e foi o idioma que usei 100% na viagem, sem nenhuma complicação. Para conexão de dados, utilizei o E-SIM da Airalo (U$25,00) por 2 GB, que me permitiu usar por toda a viagem (inclusive em outros países da América Latina.) Na Guatemala, usou a rede TIGO e não senti problemas de conexão. Não achei o serviço barato, mas valeu a pena a tranquilidade de ter internet para emergências (Se quiserem um código de indicação, podem utilizar IZADORA4782 para economizar U$3,00). Os dois hostels que me hospedei tinham wi-fi disponível, sem cobranças extras. Levei U$200,00 em papel que foi meu orçamento para todos os gastos da viagem. Enfim, voltando para o embarque ainda no Brasil. O voo da Arajet não constava nos telões de embarque para indicar portão e, onde a placa física indicava que era o balcão de atendimento, não havia ninguém. Meu voo saía às 05:25 de Guarulhos e eu tinha realizado o check-in antecipado (caso contrário, é cobrado uma taxa de check-in no balcão) então só confiei e esperei. Passei para a área restrita e fiquei esperando, aproximadamente 1h30 antes do embarque, comecei a perguntar para os funcionários do aeroporto - mas ninguém sabia de nada. Até que um me recomendou acompanhar a atualização do telão pelo site do GRU onde (descobrimos!) aparecia a confirmação da Arajet. Portão identificado, mais tranquila, aguardei o embarque que não demorou a iniciar. Muito organizado, sem nenhuma reclamação. O voo atrasou alguns minutos para sair (coisa de 10, 15), mas ainda assim chegou mais cedo em Santo Domingo (conexão), então, sem problemas. Eu nunca tinha feito uma conexão internacional, então estranhei quando fomos encaminhados diretamente para o raio-x e tivemos que abrir bagagem e até tirar os sapatos para passar no raio-x. Nada anormal, só foi atípico para mim. Em Santo Domingo, mesmo em conexão, precisamos preencher um formulário de entrada e de saída, um visto digital, sem nenhum custo, que idealmente deve ser preenchido antes, mas disponibilizavam qr-codes nas filas do aeroporto para preencher no ato. No aeroporto Las Américas, as informações de (vários) voos Arajet constavam nos telões, então foi fácil se localizar e ir esperar no lugar certo. Os voos da Arajet não tem nenhum serviço de bordo gratuito, mas o atendimento é impecável, não parece um camelódromo no ar fazendo leilões de preços como já vi descreverem. Muito educadamente me ofereceram o cardápio de serviço de alimentação, como não comprei nada, agradeceram e seguiram adiante. As aeronaves utilizadas eram aparentemente novas, sem mídia, mas confortáveis. A cadeira reclina, viagem confortável na medida do possível para econômica. Por 30 dólares? Achei excelente. Na imigração da Guatemala, fui barrada pelo agente que carimba o passaporte e pediram uma entrevista mais extensa com outro agente. A conversa foi muito gentil durante todo o processo, me questionou principalmente por que eu estava fazendo uma viagem tão curta e pediu pelos meus comprovantes de hospedagem. Expliquei que tinha apenas uma semana de férias do trabalho e que queria conhecer Antígua. Apresentei a reserva do Booking para aquela noite e a reserva de um passeio para o Vulcão Pacaya no dia seguinte. As outras duas noites não tinha hospedagem reserva, mas expliquei que não tinha me decidido se iria passar mais uma noite em Antigua ou regressar para conhecer a Ciudad da Guatemala com tempo. Sem problemas, me liberou e pude entrar de vez no país. Para sair do aeroporto, em um primeiro momento achei muito confuso. Era uma avenida aparentemente longe da cidade, um espaço de desembarque que praticamente te jogava para a rua e muita oferta por aluguéis de carro ou transfer. Não quis dar chance pro azar e decidi chamar um Uber (naquela semana eu ainda tinha um cupom de U$25 dolares ou algo assim). O carro estava muito caro, o motouber dentro do uso do cupom - optei por sair de graça! Qual minha surpresa quando não vem um motoqueiro sem sequer um capacete, mas eu que não ia me fazer de tímida, sozinha naquele caos. Já tinha pego moto uber para chegar até o Galeão saindo da Zona Oeste, o que eram 30 quilômetros até a cidade turística deles? Fui! Localização compartilhada com meu namorado no Rio, como se fizesse alguma diferença, subi na garupa e começamos o percurso. O trânsito era caótico, mas em perspectiva, podia ter sido pior. Nos enfiamos nos mínimos buracos, típico de moto, mas não levamos muitas buzinadas, nem voou pela pista ou algo do tipo. Subimos e descemos a serrinha que leva até Antigua de forma ok, o problema foi andar na cidade antiga que o chão é todo de pedras colocadas, então bem escorregadio para moto e fomos quicando até meu hostel. Eu já tinha reservado o Funk Yeah Hostel pelo Booking para uma noite, mas não tinha pago ainda. Cheguei direto para pagar a hospedagem e deixar minha mochila no quarto, mas lá não aceitavam dólares, apenas quetzales. Pedi indicação de uma agência de câmbio, me indicaram uma perto da praça central que acabei trocando U$40 dólares em quetzales. Não lembro a cotação exata, mas não foi muito vantajoso trocar ali e nem nas outras casas de câmbio que consultei nos arredores, no aeroporto estava levemente melhor. Eu levei apenas notas novas de dólar, mas vi gente utilizando tanto o dólar “cabeção” e a “cabecinha” sem nenhum problema, nem ressalvas na conferência, nada. Vale a tentativa, se tiver. Hospedagem paga (equivalente a R$30,00/noite) - um problema a menos. O Hostel não estava muito cheio, fiquei em um quarto sozinha no beliche. Os banheiros ficam em frente ao pátio, em casinhas separadas - compartilhados. Tive uma certa dificuldade com eles - achei barata em um, outro saiu faíscas do chuveiro e não botei fé de continuar e acabei tomando banho no último, só na água fria. Nesse restante de dia que me sobrou, sai para conhecer os arredores. Fui ao Arco Catalina, o cartão postal de Antigua. Visitei o ChocoMuseo e degustei o chá de cacau, aproveitei para jantar no La Fonda de la Calle Real maior recomendação para turistas e embora a comida e o ambiente fossem muito agradáveis, comi o mesmo prato por ⅓ do valor na capital. Não digo que não valeu a experiência, mas para o orçamento que eu tinha acabou sendo um baque logo no início. Em frente ao restaurante tinha uma sorveteria, comprei um e retornei ao hostel. Eu fui em janeiro e fazia muito calor, mas durante a noite fica fresco e até com um ventinho mais gelado. Gostei de Antigua e reservei mais uma noite no mesmo hostel que estava, já que no dia seguinte sairia cedo para subir o vulcão Pacaya com a Marvelus Travel (U$20,00) pago por cartão de crédito. Eles não tinham pick-up no meu hostel, mas ofereceram um ponto de encontro a uma quadra de distância. Tivemos uma parada para café da manhã e depois seguimos para o vulcão. O guia vai nos mostrando os melhores pontos para olhar os vulcões que estão sempre cercando a cidade, mas não paramos para fotos. Fomos em um grupo pequeno, cerca de 12 pessoas, entre estadunidenses, franceses e dois irmãos austríacos já chegando nos 80. Quando chegamos no centro de visitantes, a van é cercada por pessoas oferecendo aluguel de cavalos ou aquelas estacas de caminhada. Tem quem opte por subir com ferramentas já a partir dali, eu escolhi subir a pé mesmo muito fora de forma. Eles seguem acompanhando o grupo até o final, mas ficam mais ao fundo, sem interferir de maneira chata. Quando eu comecei a sentir o cansaço, optei por contratar o restante da subida de cavalo, foram poucos dólares (não lembro se seis ou oito) comparado ao que pediam no início, mas foi uma decisão que gostei de ter tomado. O chão vai ficando mais escorregadio na medida que sobe, mesmo que não seja tão íngreme quanto no começo, e eu até chegaria com a força das pernas no topo, mas ficaria cansada e irritada por todo o percurso de volta. Subi descansando e conversando com o rapaz e o cachorro dele e conservei meu bom humor para caminhar o restante do dia sem dor nenhuma. O vulcão Pacaya é mais tranquilo de subir que os vizinhos, Fuego, Acatenango e Água e tem uma bela visão dos três. Inclusive, conseguimos ver o Fuego “espirrando” fumaça, mas nada de lava. Com tempo, reservaria pelo menos dois dias para ficar nessa atmosfera ao redor dos vulcões e tentaria ao máximo um pernoite em barraca. A experiência é mágica, jamais tinha sequer cogitado na minha vida ver um, quem dirá subir um cercada por outros três na América Central. Assamos marshmallows nas pedras quentes - eu tinha levado um pacote aqui do Brasil comprado na Americanas, por medo de não encontrar lá, mas eles forneceram. Mesmo sem gostar do sabor, queria a experiência de ver eles aquecendo e realmente a lava solidificada ainda é quente. No final do nosso passeio, descobrimos que subimos pelo “final” da trilha, o que ajudou em termos pego o percurso vazio na maior parte. Descemos pela entrada (há a opção de subir e descer por essa mesma entrada, que é bem mais fácil) e encontramos nossa van para o retorno. Como ainda estava com energia para explorar, pedi para me deixarem na praça de Antigua e fui caminhando pelas atrações ali. Troquei mais alguns quetzales. Comprei muitas lembrancinhas pra toda família - eu não gosto de barganhar, mas fui conversando e comentando que eu era do Brasil e que a conversão era de igual pra igual praticamente com o quetzal e eles iam me dando desconto só por não ser estadunidense. Quando ofereciam algo que eu considerava justo, comprava. Deixei boa parte do meu orçamento da viagem ali em imãs, camiseta da seleção da Guatemala, máscaras, ilustrações do quetzal... Conheci até um homem que vendia tecidos de lã que morou em Porto Alegre (cidade que eu nasci), foi muito divertido descobrir que essa era a primeira referência de Brasil para ele quando comentei - mais do que Rio de Janeiro. Comprei um cachecol que me serve de cobertor sempre que vou viajar. Naquela tarde ainda fui ao mercado, experimentei um refrigerante típico da região de abacaxi (doce, doce, doce), chocolate, comprei sorvete artesanal feito dentro de casa com fruta fresca, vi aulas de dança, explorei os pontos turísticos a pé até anoitecer, vivi a cidade com muito gosto e me senti muito bem recepcionada por ela. Em questão de valores, achei compatível com viajar pelo Brasil - nem caro, nem barato. Chegava ao fim meu último dia em Antigua. Na manhã seguinte, juntei minhas coisas e segui para a Ciudad da Guatemala com um ônibus local, os famosos "Chicken Buses". Paguei 10 ou 20 quetzales pelo trecho e, confesso, considerando os relatos que tinha lido antes, superou minhas expectativas. Esses ônibus são conhecidos por serem velhos e meio caóticos, mas o que peguei estava em bom estado — nada caindo aos pedaços ou perigoso, como tinha imaginado. A rota Antigua - Ciudad da Guatemala foi tranquila, sem grandes perrengues, mas pode ser que os ônibus que vão para o Lago Atitlán possam ser mais precários por conta das estradas que são piores. Desembarquei perto do terminal urbano deles, região de Trébol, e ali a coisa muda de figura. O lugar era uma verdadeira muvuca. Gente vendendo roupas nas calçadas, trânsito por todos os lados, e uma multidão circulando, bem no estilo daqueles centros movimentados que a gente vê no Brasil, como a 25 de Março em São Paulo ou o Saara no Rio. Era barulho para todo lado, vendedores gritando para atrair clientes, buzinas de todos os tipos, caótico. Dali eu não sabia muito bem para onde eu iria, até tinha pesquisado sobre a capital, mas foram poucas as coisas que me brilharam os olhos para conhecer. Preferi seguir o meu método preferido de turistar - sair caminhando sem rumo. Encontrei um estádio de futebol - fechado -, vi malabares ganhando gorjetas no sinal, muita música nas ruas, caminhei até a praça central passando por cassinos, as banquinhas de comida dando lugar aos prédios modernos. É uma cidade bem viva, com cara de cidade, sem a atmosfera que Antígua ainda conserva - que respira turismo. Meu orçamento já estava bem mais abaixo nessa altura e eu não queria trocar mais dólares, então gastei meus últimos quetzales para fazer um almojanta de frango temperado com arroz. A comida deles é muito saborosa, tem bastante pimenta, mas não é ardida. Eles também tem muitas redes de FastFood dos Estados Unidos, alguém que não seja muito de experimentar consegue se virar tranquilamente - mas aí também não tem muita graça. Caminhei até o obelisco e estava sentada em uma cadeira embaixo de um caramanchão vendo o movimento quando uma senhora se aproximou de mim e puxou assunto. Gratuitamente, ouvi histórias das filhas dela que imigraram ilegalmente para os Estados Unidos. Estava meio ressabiada que fosse algum golpe, afinal, estava viajando sozinha, mas com a mochila no meu colo bem guardada, fiquei escutando. No final era só isso mesmo, gente querendo conversar. Depois de descansar, decidi seguir até o meu novo hostel - reservado do outro lado do aeroporto porque iria embarcar cedo no dia seguinte. Passei pelo zoologico e segui até o La Aurora. Fazendo esse retorno, vi que era fácil ter saído do aeroporto no primeiro dia e turistado pela cidade antes de ir para Antígua. Caberia algo mais interessante nesse último dia do que conhecer a capital que não tem muito a oferecer de uma nova experiência. Em retrospectiva eu também nem teria alugado esse último hostel, passaria a noite no próprio aeroporto, mas valeu o conhecimento. Fiquei no Hostal Los Lagos Inn, dentro de um condomínio fechado, também reservei pelo booking e paguei em dólares na chegada, foi cerca de R$90,00 e tinha transfer para o aeroporto + café da manhã incluso gerenciado por um casal mais idoso. Sei que temos algumas falhas nesse relato - não guardei a cotação, os valores usados a precisão e certamente algumas coisas que esqueci ao longo dos meses que poderiam ajudar mais. Mas fica o registro da viagem, da possibilidade que mesmo uma fraçãozinha de tempo, esses três únicos dias - valeu conhecer e me deixou cheia de vontade de voltar e conhecer, não só todo o país da Guatemala que eu só tive um vislumbre, mas também toda a América Central.
  44. Tem ônibus de linha comum (igual temos no Brasil), mas aparentemente era exclusivo para transporte municipal dentro da capital. No trajeto Antigua - Ciudad da Guatemala, só vi os chickens buses e as vans de transfer/tour na estrada. Em Antigua vi aqueles taxis de bicicleta, mas cobravam caro e não acho válido para distâncias. Existem rotas que ligam a Guatemala inteira de chicken buses, para a região de lagos e praias e até para a divisa com El Salvador - até onde pesquisei. Nenhum direto, sempre pingando e fazendo conexão. Fiquei morrendo de vontade de fazer, acho que vale a pena e tendo tempo, dá muito certo. Oferta tem! Não olhei aluguel de carro porque na época não tinha carteira, mas as estradas entrando mais no interior (como em direção ao Pacaya) são mais precárias, sem muita iluminação e apertadas. No nosso tour, um bom trecho fomos costeando uma subida atrás de um caminhãozinho, parecia escolar, onde ia uma dezena de crianças penduradas nas bordas, soltas mesmo. As áreas de embarque são divididas conforme a região a que você quer ir, porque os ônibus em si não são bem sinalizados, mas também é meio conhecimento popular - não tem placas separando, filas, nem nada. Sobe no ônibus e paga para o motorista. Eu fui perguntando e foram muito solícitos em me indicar o ônibus certo para a direção que eu queria e que sairia mais cedo. Alguns tinham placa para Guate, mas iriam passar em outros vilarejos antes de retornarem a Antigua e dalí então ir para Guatemala. Não sofri nenhuma tentativa de cobrarem valores diferentes do praticado também - e importante destacar, só aceitavam quetzales. As paradas que meu ônibus fez também não estavam demarcadas, o motorista avisa na hora - gritando por cima de uma música bem animada e alta - e eu fui acompanhando pelo Maps até descer na final.
  45. No mais é isso, galera. Espero ter podido contribuir um pouquinho pra quem tá indo agora e nos próximos anos pro Chile. O fórum sempre me ajuda muito nas minhas viagens e me sinto com vontade de dar minha colaboração também. O país é incrível, com visuais sensacionais, e um povo muito gentil e educado. Seja com filhos, com amigos ou seu companheiro amoroso é uma trip que vale muito a pena! Tamo junto e até a próxima viagem!
  46. 14/08/2024 (4ª Feira) – Vinicula – El Principal Tour Sunset 1ª Dica - Você pode estar se perguntando por que El Principal e não a Alyan? O tik tok tem 5 mil vídeos divulgando o Alyan sunset pra você visitar uma vinícola, e se você fizer questão de ir, só recomendo que você reserve o transfer e a experiência com no mínimo 2 semanas antes da viagem porque tá muito no hype do tik tok e esgota. 2ª Dica - Pesquisando um pouco mais e trocando uma ideia com alguns guias de agencias por lá, acabei descobrindo que todo esse hype da Alyan fez com que os donos da vinícula começassem a aceitar mais visitantes do que seria adequado, então a visita fica muito cheia e a qualidade da visitação cai muito. Inclusive algumas agências deixaram de fazer o transfer pra lá por isso. Aí descobri a El Principal e o Tour Sunset deles. 3ª Dica - Eles são uma vinicula que faz vinhos premium em menor quantidade e alta qualidade. Você faz o tour, aprende sobre os processos deles, a história da vinicula e depois vai para um mirador deles onde há a degustação de 3 rótulos deles com serviço de frios pra acompanhar. De brinde você ganha a taça que degustou e uma garrafa de um dos rótulos deles. No inverno o passeio dura 2 horas, de 16h as 18h. No verão é até mais tarde. Os vinhos são realmente muito bons mesmo! 4ª Dica - Dá pra chegar lá de transporte publico. Fica um pouco depois da Concha y Toro. Você pega o metrô até a estação Tobalaba, faz a baldeação pra linha 4 azul e vai até o final dela em Plaza Puente Alto. Em frente a saída da estação na av. Concha y toro tem o ponto de bus onde vc pega o microbus 74. O ponto final dele é na El Principal. Fica só atento pq os motoristas dessa linha são preguiçosos e as vezes querem manobrar antes de ir até a entrada da vinícola, então avise que você quer ir até lá. 5ª Dica - Pra voltar é o mesmo caminho ao contrário. Mas como dito na dica acima, eventualmente quando você sair da vinicula, vai ter que andar uns 10 minutos pela rua em direção ao primeiro cruzamento pra pegar o 74 pra voltar, já que é lá que eles fazem a bandalha pra não ter que ir até o ponto final. Mas é um caminho até bonitinho de andar. 6ª Dica - Se você entrar agora nos sites da El Principal e da Alyan, você vai ver que a Alyan parece mais barato, mas não é. Porque pra Alyan você vai ter que pagar um transfer por pessoa e pra El Principal dá pra ir por si mesmo. Se você estiver em duas pessoas, como era o meu caso, saia mais caro ir na Alyan com entrada mais transfer do que a El Principal. Até porque a garrafa que eles dão de "cortesia" é um vinho premium que é bem caro inclusive... o vivino acusou o preço de 150 reais aqui no Brasil. No final a El principal valeu muito a pena. 7ª Dica - Se puder, assim que subirem pro mirador, pegue uma cadeira e coloque de frente pro por do sol, é o melhor lugar pra degustar seu vinho, mas você tem q ser ágil, rs.
  47. 12/08/2024 (2ª Feira) – chegada em Santiago + Jantar No Costanera 1ª Dica - Você vai chegar muito cedo no terminal Alameda, então tente antecipar o check in. Se não der, ou você deixa as malas no locker de novo e vai bater perna, ou vai ficar esperando dar a hora no terminal mesmo. Se escolher a segunda opção, o Alameda tem muitas lanchonetes que abrem a partir de 9h. KFC, Subway, etcetcetc. Dá pra fazer o desjejum por lá mesmo. Mas não esqueça que é um terminal rodoviário de uma metrópole! Fique de olho nas suas coisas para não ser roubado. 2ª Dica - O Costaneira é o prédio mais alto da América Latina e, de fato a vista de lá é de tirar o folego. Custa uns 105 reais pra subir, por pessoa, mas é bem legal e pra mim, valeu a pena. Se chegar perto do por do sol vai pegar uma fila gigante, então vale comprar pela internet no dia mesmo mais cedo pra escapar dessa fila. Tente chegar um pouco antes do por do sol pra garantir um bom lugar na face virada para onde ele se põe. 3ª Dica - Muita gente chega aos borbotões pra tirar foto feito loucos no por do sol, e tão logo isso acontece eles vão embora. Vale segurar um pouco até depois de anoitecer, fica bem mais vazio e a cidade iluminada fica linda a noite também! Ainda dá pra ficar horas curtindo lá, já que pagou, aproveite! 4ª Dica - Dá pra comer no restaurante de lá! Vale pegar uma mesinha perto da janela pra comer com essa vista incrível. Parece caro mas não é, fica no valor de outros restaurantes de Santiago e é até mais barato que o giratório. Um prato dá pra compartir de boas entre duas pessoas. Fica um jantar bem romântico.
  48. 11/08/2024 (Domingo) – Rolé na cidade + Cassino + Volta pra Santiago 1ª dica - Quando for comprar as passagens de volta pra Santiago no totem da Turbus no Terminal Alameda de Santiago, pegue sempre a passagem a noite pra economizar uma diária da viagem. Dependendo da sua necessidade de conforto pegue o cama ou o premium. Recomendo muito pegar o segundo andar do busão e as poltronas da frente. Tem um grande vidro na frente e dá pra ver a estrada... parece que você tá flutuando numa nave. É irado. 2ª Dica - Peça para o air bnb ou o hostel para guardar sua bagagem no check out pra você ganhar um dia a mais pra curtir a cidade. Se não for possível, em ultima hipótese, tem lockers na estação de buses. 3ª Dica - Uma coisa muito legal de fazer em Pucón é ver o por do sol, na praia grande do Lago Vila Rica. O pessoal da cidade vai pra lá e leva sopinhas, chocolate quente, chá etc. É realmente muito bonito. 4ª Dica - O cassino agora cobra entrada (em 2009 quando fui, não cobravam) de 4.500 clp. Não é reembolsável. 5ª Dica - Se você tiver uma graninha separada para um bom jantar em Pucón e gosta de uma boa carne, recomendo o D'Toros. Disparado a melhor carne que comi no Chile inteiro! Ótima comida, ótimo ambiente e atendimento. O preço fica no mesmo patamar dos outros restaurantes chilenos, nem mais nem menos, mas a qualidade é muito melhor do que dos outros lugares. 6ª Dica - Pra Tomar uma boa Breja (ou "Chela" como eles chamam)e rangar um ótimo burgão vai no La Birreria Esquina. Ipas, Stouts, Neipas, lagers, e todos os estilos cervejeiros que você quiser. Uma vai te agradar com certeza. 7ª Dica - Pucón tem várias cafeterias, algumas mais em conta outras menos. Uma das mais tradicionais da cidade (e que fica cheia aos sabados e domingos porque a galera que mora vai lá almoçar com a familia) é a Cassis que fica na rua Fresia, 223. Ela é uma cafeteria/bistrô/restaurante/chocolateria. É um pouco mais carinha mas os café e chocolates são muito bons mesmo.
  49. 07/08/2024 (4ª Feira) – Chegada Santiago - Ida pra pucon Dicas: Nosso vôo chegou no meio da tarde. Mas se você vai a Pucón (que fica há 10 horas de Santiago), ou outra cidade longe, vai querer economizar uma diária viajando de noite. Por isso vale pegar a passagem no horário mais tarde da noite. Mas o que fazer com uma pá de mala pesada nesse interim? Você deve vai querer comprar o Bip(cartão de metro) e ir trocar grana e comprar um chip de celular... 1ª dica – No aeroporto atravessa da area interacional pra porta 4 onde tem os buses turbus. Compra na hora Turbus pra Terminal Alameda .1800cpl. Sai a cada 15 min. Bagagem pesada vai embaixo, bagagem leve pode ir acima. Como a última parada é Alameda, é lá que você pega as Malas debaixo. 2ª Dica – O Locker no terminal Alameda fica no piso -1, funciona de 07:00 até as 22:30, e preços são (fev 24) 2.000CLP mala pequena, 3.000CLP mala media, 4.000CLP mala grande. 3ª Dica – Compre o último horário (normalmente entre 22h e 23h) porque você chega mais tarde em Pucón (tipo 9h) e pode tentar antecipar o check in em air bnb. (Lembre de voltar com antecedência pro busão e localizar mais cedo o local de onde vai sair.) IPC: Se você for a Pucón ou qualquer outro lugar compre a passagem de volta nesse momento. Primeiro porque, com antecedência sai mais barato, segundo porque o totem dá 10% de desconto. Se for comprar na cidade pra voltar pode ser até 3x mais caro. 4ª Dica – Muitas vezes comprando no Totem da Turbus, você ganha desconto. 5ª Dica – O Cartão Bip quase sempre só se compra em cash nas estações do metrô. Então vale trocar um pouco do peso chileno na chegada mesmo, ou no Brasil. Mas troque pouco pq não é vantajoso, no máximo 70 reais. 6ª Dica – A estação pra descer no metro é a Pedro de Valdivida, região central de Providência. Lá, em qualquer banca ou farmácia se compra chip: Escolher Wom ou claro. São baratas, pegam bem e tem bons planos de internet. 7ª Dica – As lojas de cambio ficam apinhadas na Calle Pedro de Valdivia. Vale dar uma volta no quarteirão comparando. O preço é o mesmo do centro e não tem esquema de bandido tentando te roubar. 8ª Dica – Se for pegar o Busão pra Pucón, faça um jantar leve, tipo lanche. São 10 horas e você não quer estar "pesado". 9ª Dica - Volte com antecedência pra Rodoviária, pois os busões saem impreterivelmente na hora.
  50. Olá pessoal, seguindo meu relato de viagem. Estive em EL SALVADOR e GUATEMALA entre setembro e outubro de 2023. Segui de EL SALVADOR para a cidade da Guatemala de ônibus, comprei pela empresa TICA BUS antecipado pela internet, por 23 dolares. Saí de lá as 14h e cheguei na cidade da Guatemala as 22h. Os ônibus não saem de rodoviárias, mas sim das “bases” das próprias empresas. Na cidade da Guatemala ele para na ZONA 10, área nobre da cidade, onde também ficava meu Hostel, por isso pude ir andando até o local. Optei em ficar na ZONA 10, por além de ser uma área nobre, perto de shoppings (Oakland Place), também estava perto das baladas. Achei o local muito seguro, caminhei durante a noite e madrugada sozinho por vários locais. Fiquei no Hostel CENTRAL 10, devido ao preço bom, pelo quarto individual. O hostel é em uma antiga mansão adaptada, e conta com uma boa piscina, que quebrava um galho, quando eu chegava dos roles a pé no final do dia, cheio de calor. O quarto porém só tinha a cama, faltava pelo menos alguma mesinha ou outro objeto para guardar as coisas né? Achei ruim também, pois os quartos individuais têm uma das paredes de vidro, que dão para a piscina. Há uma cortina para fechar, mas dá uma sensação de pouca privacidade. Na primeira noite, quando voltei da balada na sexta, no quarto ao lado havia um casal cruzando, descaradamente (eles queriam ser vistos pelo jeito), fiquei ali olhando constrangido com o cara da recepção O hostel tem um café da manhã básico, panqueca, cereais leite, café... Como eu falei, ali é o bairro dos bares e baladas, andei na sexta-feira para conhecer a região a noite. Algumas baladas de adolescentes, um lugares pequenos tocando tipo reaggaeton, muito cheios, nem entrei. Havia na esquina um lugar chamado EL ESTABLO, vi uma gente bonita e bem vestida entrando lá, tinha banda ao vivo, mas com o jeito de ser tudo caro. Na 3º avenida esquina com Calle 13 tem uns bares mais populares. Entrei em deles, muito grande, e muito cheio de dois andares, parecia um “bailão”, estava bem legal, uns caras me cumprimentaram (mas estavam tentando bater minha carteira – que nessas ocasiões eu guardo no meio das minhas partes), então fiquem espertos. Malandro tem em todo lugar. Sobre os passeios turísticos. Na cidade da Guatemala fiz a maioria a pé, mesmo sendo longe, fui até o centro histórico da cidade, a Torre del Reformador e o Mercado Central (ótimo para comprar as lembrancinhas – mais barato que outros lugares). Alguns trechos fiz de Uber. Aqui foi mais fácil pegar, do que em El Salvador. Fui até estádio Doroteo Guamuch Flores, o maior da cidade, gosto de conhecer estádios, fui a pé, porém passando pelas avenidas expressas ali, achei meio perigoso (maior incidência de moradores de rua). No ultimo dia cedo ainda fui no Jardim Botânico e Museu de Antropologia, um passeio um pouco mais fraco. Fui no sítio arqueológico de Kaminaljuyu, fui de Uber neste local, é meio longe do eixo central, e voltei de ônibus. Achei bem legal, é uma grande área aberta, uma espécie de parque, com ruínas e escavações maias. Vistei ainda o Museu Popol Vuh na Universidade Francisco Marroquin, muito bem organizado o local, e com muitos itens maias para observar. Para visitar a cidade de Antigua, o hostel oferecia um serviço de transporte por R$ 120,00. Eu iria inicialmente de transportes locais, mas vale a pena pagar o transporte. Fui em um carro de passeio (passou pegar outra menina em outro hostel), e nos deixou na Praça Central de Antigua, pouco mais de 1h de viagem. Saímos em um domingo às 6h da manhã. O motorista explicou que os ônibus de linha, podem ocorrer assaltos a mão armada no caminho... não sei se era migué, mas pela questão de pegar várias linhas, e etc, mais os horários, poderia ser uma economia burra ir de busão de linha normal, os famosos Chicken Bus. Antigua da pra visitar em um dia só, mas tem que chegar cedo e andar bastante. Comecei subindo o mirante, e depois fui para o mosteiro, igrejas, etc. Os locais de almoço pareciam ser caros, comi umas coisas que comprei no supermercado. Era um domingo de calor, e logo a cidade ficou entupida de gente. Se possível, organize sua visita para um dia de semana.A volta estava marcada para as 16h, em um hostel. Voltamos de van, que me deixou no meu hostel na Zona 10, bem tranquilo. Bem gente, foram essas minhas impressões, foi uma viagem curta, e de última hora, não fiz mais passeios ou fui visitar outras cidades, porque a grana e o tempo estavam curtos. Mas seguramente voltaria à Guatemala sim, sobretudo pra visitar Tikal, e aquela região toda. Drante a viagem usei o chip digital da AIR ALO, mas achei complicado de configurar, e meio caro. R$ 50 reais em média por 1 GB de dados. Para fazer câmbio, fui em uma agência em frente o Oakland Mall (outro shopping menor na frente no térreo, à direita). Pediram meu passaporte, mostrei ele por fotos no celular apenas, aceitaram. Há outro lugar de câmbio no centro, perto dos arcos dos Correios (Calle 12 com 7A Avenida), ali o pessoal fica na rua oferecendo para trocar. Se você gosta de frango frito, não deixe comer na franquia POLLO CAMPERO. Era isso gente. Sei que poucos lerão esse relato, mas gosto sempre de escrever aqui, desde 2010, quando comecei viajar pra fora. Os relatos sempre me ajudaram muito. Hoje em dia tem vlogs, youtube e etc, mas gosto de manter a tradição. Qualquer dúvida, me marquem ai, que respondo. Valeu.
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