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4 pontosFala senhores, Vai ficar do jeito que vcs quiserem. A plataforma foi atualizada pra versão 5. E o que está agora é temporário. Vai mudar tudo. Então, podem opinar que a gente arruma. Importante é que está 100% atualizado. Uma novidade são as páginas de tag. https://www.mochileiros.com/tags/manaus/ Vai ficar mais fácil organizar o conteúdo. As imagens da capa era temporárias. Já mudei!4 pontos
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Mudança layout no fórum
3 pontosAcho que não, mas eu odiei, se bem que minha opinião não tem valor,mas sim se aparecer mais gente.3 pontos
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Mochileando sozinha por 6 semanas no norte da Argentina - Misiones e Tucumán
5. Posadas Cheguei de passagem em Posadas, fiquei pouco porque me dei conta de que, se queria ir pra Tucumán, Salta e Jujuy, precisava me apressar. Eu não tinha data de volta, saí sem planos concretos, mas de qualquer forma a ideia não era me estender demais. Fiquei no hostel Como en Casa duas noites, se não me engano deu 34 mil, ou seja 17 por noite, pouco menos de 70 pila no quarto compartilhado por diária. Infelizmente era o mais barato. Minha ideia em Posadas era vender arte e tocar na rua pra juntar uns pilas, mas acabei não tendo sucesso. Eu ainda não tinha entendido como a hora da siesta é levada a sério na Argentina, ainda mais em dezembro que faz um calor horrível no norte, então quando saí pra vender às 11 da manhã foi a pior ideia do mundo porque tava um sol do inferno e pouquíssima gente na rua, obviamente. Fiquei caminhando e vendo onde podia parar pra tocar meu pandeiro, mas além do pouco movimento pensei que eu ia pegar insolação e isso não seria nada bom. O melhor era dormir a siesta mesmo. No dia que saí de noite pra tocar na rua foi péssimo porque eu tocava uma música e vinha um louco me alugar pra ficar hablando y hablando. Acabo sendo muito legal e não corto os loko, daí ficam enchendo o saco, no fim consegui tocar umas 4 músicas e voltei pro hostel com meus pouquíssimos pesos adquiridos nessas de homens chatos icovits que não me deixaram trampar. Acabei desistindo, pensando que em Tucumán dava um jeito de compensar. O único lugar que visitei na cidade foi o Balneario El Brete, uma prainha bem agradável e bem gostosa de tomar banho. Tem tipo uns guarda-sol de concreto pra fazer sombra, então rola ficar embaixo curtindo, e na volta pela costanera passei pela estátua do Andresito, que é uma figura bem importante em Misiones. 6. Idinha pro Paraguai - Encarnación e Trinidad No segundo dia em Posadas acordei me dando conta de que já fazia quase um mês que eu tava na Argentina e não tinha ouvido nenhum argentino nem cogitar dizer a palavra café, quem dirá tomar um meio aos infinitíssimos mates. Catei um expressinho, tomei e fiquei fritaça de ansiedade e nesse estado fui pro Paraguai. A ideia era ir pra Trinidad, nas ruínas das reduções jesuíticas. E fui. Peguei um ônibus pra Encarnación por 4000 pesos, tipo 15 reais. Tinham me dito que valia mais a pena pegar esse onibus do que o trem que cruza o rio porque ele me deixaria de onde eu tava, perto do hostel, na rodoviária, e pra pegar o trem eu precisaria ir até a costanera e depois ir até a rodoviária no Paraguay, bem longe de onde o trem te deixa. Foi um dia muito difícil porque tem momentos que bate a panca de ser uma pessoa autista viajando sozinha e tendo que lidar com situações de crise sem auxílio nenhum. A pior parte disso foi que eu tava no Paraguai, lá não tinha internet porque meu chip era argentino e eu não tinha feito câmbio porque botei fé que seria tranquilo pagar tudo em pesos e no cartão, não tinha nem cogitado que pensar nos números dos preços das coisas e o caos da terminal de Encarnación podia me desencadear uma crise. Quase desisti de ir pra Trinidad porque tava completamente incapaz de fazer qualquer coisa, mal conseguia ver o mapa pra saber pra onde ir, mas consegui me direcionar pra praia que tem ali perto e fiquei olhando o rio na Playa de San José até me sentir capaz de tomar alguma decisão pós crise. Consegui me acalmar e voltei pra terminal pra comprar a passagem pra Trinidad, me custou 5 mil pesos pra ir e mais 5 mil pra voltar, mais ou menos 40 reais, que em guaranies seriam 40 mil. A viagem dura mais ou menos uma hora. Trinidad é um pueblito bem pequeno onde no meio tem esse parque das ruínas, se me lembro bem são as maiores reduções que sobraram e são também as mais recentes antes do fim desse momento histórico com a guerra guaranítica. A entrada custou 30 mil guaranies, só pode pagar em dinheiro paraguaio ou cartão, então como passei no cartão saiu um pouco mais caro mas igual não tanto, deu 38 reais. umas pinturas a caminho do parque Eles tem um museuzinho onde te colocam pra ver um vídeo sobre a história do local e tem uma exposição com uns painéis pra ti ler um pouco mais sobre o assunto. Dentro do parque, as ruínas do que era a redução, com a igreja, as oficinas, as casas dos guaranis, enfim, todo esse rolê. Passei um tempo ali olhando tudo e depois fui dar mais um giro no pueblo que tava bem agradável, fui parar no Parque Ecológico que é uma praça onde tem o Paseo de los Mitos, um caminho meio que nesse matinho urbano com várias esculturas de personagens mitológicos da cultura guarani/argentina. Além disso achei muito foda constatar que foi exatamente nesse lugar a pedreira onde tiraram as pedra pra construir os prédios da redução. algumas das estátuas e as marcas de cortes nas pedras Tinha visto no mapa um tal monumento ao aquífero guarani, cheguei lá e tava nesse estado Foi esse meu rolê paraguaio, peguei o bus pra voltar pra Encarnación, da rodoviária peguei o bus pra voltar pra Posadas e nisso levei muuuuuito tempo porque depois ouvi dizer que deu um acidente na ponte, então levei mais de duas horas pra conseguir cruzar a fronteira. Caos total (e foi depois disso tudo que fui tocar pandeiro na rua, que contei ali em cima) Dormi a segunda noite em Posadas e no dia seguinte era ruta otra vez.3 pontos
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Mochileando sozinha por 6 semanas no norte da Argentina - Misiones e Tucumán
Fala galeris, Venho trazer meu relato de viagem na Argentina, passei 6 semanas viajando sozinha em novembro e dezembro de 2025 nas províncias de Misiones e Tucumán, com breves passagens em Foz do Iguaçu, Paraguai e Salta que vou comentar também. O rolê iniciou com um festival artístico que descobri que ia rolar em Puerto Iguazú que pirei em ir pra ver se eu aprendia a tocar bombo leguero com a galera das chacarera/malambo e com a desculpa de vender minhas artesanias. Depois disso me meti em voluntariados em sítios agroflorestais na selva misioneira, onde fiquei duas semanas morando sozinha em uma casinha de barro e trabalhando na roça alheia. O plano inicial era depois do voluntariado passar por Tucumán e subir até Salta e Jujuy, mas acabei mudando de ideia e fiquei só por Tucumán mesmo, passeando pelos vales, conhecendo cascatinhas andinas e tomando vinhos. Meu trajeto, todo por terra de busão, foi: Novo Hamburgo/RS - Foz do Iguaçu/PR - Puerto Iguazú/MIS - Puerto Libertad/MIS - San Pedro/MIS - Posadas/MIS (com um dia em Encarnación e Trinidad/PY) - San Miguel de Tucumán/TUC - Tafí del Valle/TUC - Amaicha del Valle/TUC - Cafayate/SAL - outra vez a San Miguel de Tucumán - e o trajeto de volta até Novo Hamburgo. A viagem durou 6 semanas, saí de Novo Hamburgo - RS em um bus a Foz do Iguaçu dia 17 de novembro de 2025 e comecei a voltar pra casa dia 26 de dezembro saindo da capital de Tucumán, chegando em casa dia 29. Nota sobre os preços: o câmbio real - pesos na minha viagem tava mais ou menos 1 real - 260/266 pesos, mas pra facilitar a viagem eu sempre calculava como 250. Então o tempo todo fingi que 1000 pesos são 4 reais, e assim fui indo. Todas as conversões aqui vão ser baseadas nesse câmbio imaginário que usei, mas no fim dá quase a mesma coisa. Levei pouquíssimo dinheiro em reais pra fazer câmbio, resolvi ir sacando com Western Union e achei que valeu bastante a pena, deu elas por elas entre isso e o câmbio. O único problema é que, se tu não se planeja bem e saca muitas vezes, eles podem bloquear teus saques e isso pode te dar muito problema... e é óbvio que isso aconteceu comigo. Esse é um resuminho inicial, agora vou contanto com mais detalhes cada etapa da viagem.2 pontos
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Mochileando sozinha por 6 semanas no norte da Argentina - Misiones e Tucumán
7. San Miguel de Tucumán A partir de agora esse relato tem no fundo uma chacarera. Quis passar por Tucumán porque dois anos atrás conheci dois tucumanos em Cusco e queria me encontrar com eles de novo, principalmente com um que me fiz mais amiga. Fiquei hospedada na casa dele, assim não gastei nada na capital. Paguei de Posadas a San Miguel 65 mil pesos, uns 260 reais. Foi bem barato porque o valor das outras empresas era de 90 a 100 mil, um absurdo, quase desisti. Viajei com a 20 de Junio, um ônibus muito confortável, recomendo muito. Foram 15 horas de viagem mais ou menos até chegar. Aí fechava um mês de viagem, saí de Posadas dia 18 de dezembro e cheguei em San Miguel no dia seguinte. O caminho é uma planura sem fim. Se passa pela borda dos Esteros del Iberá, que é tipo o pantanal argentino, e cruza todo o chaco até ir se aproximando das montanhas. Quando chega bem pertinho de San Miguel é que tu começa a ver os Andes de longe, coisa mais linda, já tava morrendo de saudade dessa paisagem. Já a cidade é uma cidade normal, uma grande capital qualquer com suas coisas de capital, praças, museus, bares, lojas, muita gente etc etc. Por lá passei a duvidar da minha fluência no espanhol. Existe um idioma tucumano a ser aprendido, que fala o r tipo gringo ou caipira e com muitas gírias específicas. Passei todos os dias com meu amigo conversando sobre os regionalismos, aprendendo a falar pingo, ura, lora, culeado e mais um monte de palavrão que eles usam cotidianamente. Mas, depois de uns dias, percebi que o problema não é meu nível de espanhol, com o qual me viro bem em qualquer lugar, mas sim o estado de consciência alterado que eu tava praticamente 24h por dia que deixava minha compreensão e fala um tanto dificultadas. Considerando que quando eu tava sóbria eu tava de ressaca, faz sentido. Ali também entendi a real real importância da siesta. Tinha vontade de vender arte e tocar na rua de tarde, de passear e visitar uns museus e praças, mas era simplesmente impossível. Só rola viver depois das 17h pelo calor insuportável, mas logo fugimos da cidade e fomos passear pelas montanhas. 8. Tafí del Valle Passei o dia que cheguei e mais uma noite em Tucumán e saímos cedinho rumo a Tafí del Valle. A empresa que faz viagens pros vales é a Aconquija, muito confortável e até com bastante horários. Tem ainda umas promoções se tu compra ida e volta junto, por exemplo, de Tucumán capital pra Tafí del Valle só ida me saiu por 15 mil (R$ 60), mas se eu comprasse ida e volta poderia ter pago 20 mil (R$ 80) pelas duas passagens, ou seja, 10 mil (!!! 40 pila) de desconto. Vale muito a pena ter esse planejamento, mas nós não tínhamos rsss só fomos indo, não sabíamos se íamos voltar antes ou depois do natal. O caminho de Tucumán pra Tafí é incrível. A subida dos Andes é passando pela vegetação dos yungas, que é uma floresta úmida de altitude, parece que tu tá subindo a Serra do Mar de 2000m de altitude. Daí quando passa os yungas e chega a Tafí, é tudo mais campo e arbusto beem verdinho. os yungas da subida pra Tafí e a paisagem de quando acaba a floresta Chegamos lá pelo fim da tarde. Tafí é um lugar muito visitado pelos argentinos, vão lá com frequência alugar casas e cabanas pra passar uns dias nas férias, então apesar do rolê turístico tem muitos nacionais também, o que me gusta. Nos hospedamos na Hostería Los Cuartos, não foi muito barata mas meu amigo quis ficar lá porque achou que compensava. Tinha um café da manhã bem bom e na noite tinha peña no refeitório, que não assistimos mas é massa ter um showzinho de folclore dentro do hotel né. Custou 60 mil pesos o quarto duplo/matrimonial, tipo R$ 240, foi o mais caro que pagamos na viagem. Tava tudo meio fechado os lugares que meu amigo conhecia, acabamos comendo um sanduiche de milanesa e comprando uns vinhos pra ficar tomando na rua e batendo perna. Dizque a temporada começa em janeiro né, como estávamos viajando antes do natal ainda não tinha muito movimento. vista da cidade e a ponte que passa o rio embaixo Os planos do dia seguinte foram ir pro rio de manhã cedinho tomar mate, depois comprar comida pra almoçar, voltar pro rio, comer, dormir a siesta embaixo das árvores e beber vinho. Comemos empanadas e tamales, que é tipo uma pamonha recheada,e os vinhos todos topíssimos e baratíssimos, pagávamos tipo 15 reais por uns muito bons que aqui no Brasil custam uns 80 pila. Role perfeito, colocamos os vinhos e cidras pra gelar dentro do rio enquanto dormíamos na beira e depois ficamos por lá curtindo até chegar a hora do nosso ônibus pra Amaicha del Valle. o rio Tafí, meu amigo perro e meu amigo humano com nuestros vinos y tamales 9. Amaicha del Valle Depois do rolezinho bem tranqui em Tafí, seguimos pra Amaicha com a mesma empresa Aconquija, pelo jeito é a única que faz esses trajetos. Essa passagem custou 7 mil pesos (menos de 30 pila). Fomos pro Hostel La Revuelta, cuidado por um casal e o pai do cara. É um lugar muito agradável, acabamos pagando bem baratinho por causa do cara ser amigo do meu amigo, mas o preço normal é 17 mil pesos por noite (uns 70 pila) por pessoa. os mates de sempre, inclusive no ônibus, e o La Revuelta Chegamos de noite no pueblo, dormimos e no outro dia a ideia do meu amigo era ir na cascata El Remate, que ele já conhecia de outras viagens e queria ir de novo. Saímos de manhã e fomos em busca de transporte, não tem transporte público que leva até lá, então na praça central de Amaicha pegamos um remis (que é tipo um taxi, tem um ponto na praça onde eles ficam com os carros) e pedimos pra nos deixar no Dique los Zazos que é perto do lugar onde tem a cachoeira. Não anotei quanto pagamos, talvez uns 15 mil dividido entre nós dois. Compramos uns pães e fiambrito pra levar e fomos. rangos do dia e o tal do dique Chegamos no dique e meu amigo, que sabia a trilha (rs) começou a andar. Fomos indo, até ele notar que a gente na real tava se afastando da montanha onde tinha a cachoeira, nisso já tínhamos andado uns 2km seguindo uma trilha no dique, até que ele resolveu que na real estávamos errados, tínhamos que ter seguido pela mesma estrada que viemos no carro. Voltaaamos tudo e começamos outra vez, pelo menos o caminho era bonito e rolou aproveitar. Tem lugares que até curto me perder e ir pro lado errado, e esse foi um deles. Caminhamos mais quase 2km, agora pro lugar certo. Chegando lá foi só seguir as placas e ir seguindo as trilhas, depois li nos comentários do google que se cobra entrada mas quando chegamos não tinha ninguém, então pra nós foi de graça. Tem uma trilha curta que nos leva até a cascatinha, que é uma queda pequena mas incrível, me impressionei demais com a forma das rochas tão onduladas e lindas, as pedras com tantas nuances de cores, tantos minerais diferentes, fiquei viajando muito nessa formação. Tomamos uns banhos, tomamos uns mates, ficamos ali o dia todo curtindo. A volta fizemos a pé, 8km até Amaicha. Fomos indo devagarinho, comprando umas cervejas e cidras sempre que aparecia um boteco no caminho, até que chegando já bem perto de Amaicha passou um ônibus da cidade que resolvemos pegar pra terminar o caminho porque já estávamos cansados. Eu precisava sacar dinheiro, mas o Western Union de Amaicha tava sem efectivo, tentei na noite e tentei na manhã seguinte e não consegui, então eu já tava bem zerada. Já tinha gastado bem mais do que esperava nessas de ficar pegando remis pra chegar nos lugares e bebendo muito, mas também já tinha desapegado um pouco da grana porque tava amando o itinerário (e os vinhos) que meu amigo escolhia pra nós, resolvi botar fé nos desejos do nativo tucumano do que ficar indo nos lugares mais clássicos turísticos. Cozinhamos umas pizzas, tomamos unos vinos con soda e ficamos tentando decidir qual seria o rumo do dia seguinte. Ainda não sabíamos bem o que íamos fazer. Meu amigo queria ir pra Cafayate, pensamos em talvez ir nas ruínas de Quilmes, mas teríamos que decidir entre um e outro porque a ideia era não dormir mais uma noite, queríamos a princípio voltar naquele dia, que era 23 de dezembro, num bus noturno pra Tucumán pra não gastar mais uma hospedagem. No fim decidimos ir pra Cafayate cedinho e deixar de lado os Quilmes, meu amigo queria fazer um trekking que ele já conhecia de ter ido algumas vezes muitos anos atrás, então decidimos por isso. Sair cedinho, fazer essa caminhada e voltar de noite pra Tucumán, pra descansar o dia todo no 24 porque a noite seria uma loucura (spoiler: o natal na Argentina parace um ano novo…)2 pontos
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Mudança layout no fórum
2 pontosEu tb haha, sempre fico perdida quando muda, normal né... ontem tava esquisito, mas aquelas figuras já sumiram como bem disse o @Silnei então bora!2 pontos
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Mudança layout no fórum
2 pontosAinda tentando me acostumar, mas se veio para melhorar a pesquisa e aumentar o debate que seja bem vindo.2 pontos
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Mudança layout no fórum
2 pontosÉ sempre esperado resistência a mudanças, e confesso que quando entrei ontem sequer consegui acompanhar os conteúdos devido ao layout 'estourado'. Agora já ficou bem melhor! Se essa nova versão traz melhorias, é sensato atualizar.2 pontos
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Mudança layout no fórum
2 pontosGosto muito do tema escuro, mas prefiro a página inicial e sub-fóruns com menos elementos, então acabei editando:2 pontos
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Orçamento para Viagem ao Peru em Junho para 2 pessoas
Verdade. No mercado San Pedro e no San Blas tem muita opção boa por esse valor. E com porções bem generosas.1 ponto
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Dúvida Fevereiro no Peru
1 pontoBaixa o InDrive, tem preços melhores que o Uber para Lima por exemplo. seria como nosso 99.1 ponto
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Orçamento para Viagem ao Peru em Junho para 2 pessoas
se quiser economizar acho que dá sim, comida no peru é mais barata que no Brasil. Você consegue achar tranquilo menus de 10-15 soles1 ponto
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Orçamento para Viagem ao Peru em Junho para 2 pessoas
As 2 noites em aguas calientes são exatamente porque vou fazer a Salkantay e na volta, vou de trilha até a Hidroelétrica, vou usar aguas calientes para dar uma boa descansada kkk e meu ingresso para machu picchu é para as 13:00. Cotei a salkantay com agência, porém achei muito caro USD350,00 por pessoa, e de qualquer forma, quero fazer no meu tempo, parara nos lugares que achar bonito.1 ponto
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Dúvida Fevereiro no Peru
1 pontoSó parar o taxi e negociar o valor.Anos que não vou lá,mas por exemplo, uma vez ia do centro de Lima ao museu Larco.Parei uns 3 táxi. Eles pediram 8 soles.Mas eu sabia que era caro.Até que veio um,em poucos segundos,que pediu 6 soles, fui.Esses aplicativos não dá para fazer isso.1 ponto
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Eurotrip – Dúvidas sobre transporte e dicas
BudapestGo, é o app que usa lá, por ele mesmo você compra os tickets, e usa pelo próprio app, ele gera um qr code que vc apresenta.1 ponto
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CAIRN, lançamento de 2026, é um jogo que propõe uma experiência de alpinismo imersiva
Eu já tive a oportunidade de jogar 'Insurmountable', para PC, que simula trekking com uma pegada de RPG em turnos, desenvolvimento de personagem e controle de inventário. E 'A Short Hike', para Nintendo Switch, que tem uma pegada mais leve e divertida, com uma bela mensagem, puxando para um estilo de aventura.1 ponto
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Visitar Puccon e Santiago em Julho compensa?
Chegasse a considerar Bariloche/AR? Não sei exatamente como estão os preços, mas sinto que seria mais econômico, e além disso, é uma cidade que definitivamente 'vive' desse turismo de neve (não que não valha a pena ser visitada em outras épocas também). E tem aeroporto, não exigindo qualquer tipo de deslocamento rodoviário (salvo transfer da tua hospedagem até alguma estação de esqui - Cerro Catedral, por exemplo).1 ponto
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Visitar Puccon e Santiago em Julho compensa?
Agradeço a contribuição, @luizh91 . Até havia pensado no Atacama, mas achamos que seria uma logística meio "pesada" a se fazer com uma criança em 10 dias apenas (Pucon, Santiago, Atacama). Mas ainda sim é uma possibilidade, com0 você disse, fazer Santiago + Atacama.1 ponto
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Visitar Puccon e Santiago em Julho compensa?
Ali nos arredores de Santiago você já consegue conhecer a neve, há várias estações de ski por perto... Pucon é melhor para atividades de verão, embora também tenha pista de ski no inverno. Se quiser combinar Santiago com outro destino, eu recomendo você passar uns dias no Atacama, pois aí sim veria paisagens bem diferentes.1 ponto
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Visitar Puccon e Santiago em Julho compensa?
Aqui está o relato que fiz de lá! Já faz um tempinho mas dá pra ter ideia das atividades da região! https://www.mochileiros.com/topic/97962-4069km-pelo-chile-entre-vinhos-e-vulc%C3%B5es-17-dias/page/2/1 ponto
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Roteiro e Dicas Santiago e Pucon agosto 2024
Salve galera! Como sempre, o fórum me ajudou pra caramba e portanto venho trazer o que descobri no Chile pra quem tiver se programando pra ir pra lá. A Viagem acabou de acontecer entre o dia 7 e 17 de agosto de 2024. Fomos a Pucón e Santiago. 1ª Coisa - Muitos influêncers, principalmente do tiktok e instagram têm divulgado o Chile desde o ano passado, e por isso saiba, esse ano e acredito que até 2026 o Chile vai estar bombando muito. Todo mundo decidiu ir pra lá. As cias aereas tem feito promoções, e a galera vai na onda. Mas fica o alerta: As coisas lá no Chile são caras pra kct. Não vai achando que é cambio Blue da Argentina que tu vai se ferrar. Na conversão atual, a comida em Santiago e Pucon, no jantar pra duas pessoas vai sair numa média de 200 a 400 reais. Sabendo disso, o air bnb ou hostel com cozinha pode te salvar em uma viagem de 10 ou mais dias. Mas saiba que mesmo o mercado pode ser caro. Claro que melhor do que restaurante. Não inventa moda de querer levar comida na bagagem pra lá, tipo arroz ou qualquer coisa assim, pq eles são chatos pra kct com entrada de comida, nozes, sal, pimenta e etc. Não pode. Se você pesquisou um pouco, viu que tem muita gente sendo roubada no Chile. Santiago é uma metrópole, e roubam lá, como roubam em Paris, Rio de Janeiro, Buenos Aires, Nova York, etc. Galera, não quer ser roubado? Bolsa pra frente, celular e carteira nos bolsos de dentro do casaco. Se tiver zipper, melhor ainda. Fica de olho em quem tá ao redor, e se for tirar foto e gravar na rua, principalmente no centro, usa o cordão na capa do celular(se você não tem uma, vende em todos os camelôs, do Chile à França). Tivemos essas precauções e deu tudo certo de boa, com fotos em tudo que quisemos, até no centro. Minha viagem durou 10 dias e fui com minha esposa, sem criança. Temos um Canal no Youtube sobre cervejas artesanais (Chamado No dos Outros... É cerveja!) então a gente tem uma tendência a procurar pubs com cervejas diferenciadas, mas tirando isso nossas dicas podem servir pra ajudar a viagem de qualquer um. De forma geral, o Chile é um país diurno. As paradas abrem entre 9h e 10h e fecham entre 18h e 20h, então se você curte vida noturna, esquece. Meia noite, a capital fica um deserto. Poucas coisas ficam abertas. Até 2h tem o Patio Bellavista (caro e hipervalorizado). Até 1h tem o Oculto Beergarden em Providência (Disparado o melhor lugar pra jantar/tomar uma breja que conhecemos.) Vou colocar o roteiro que fizemos entre Pucon e Santiago e as dicas que posso dar nos passeios. Vou fazendo dia a dia. Espero que possa ajudar quem tá se organizando pra ir pra lá. Roteiro Geral: 07/08/2024 (4ª Feira) – Chegada Santiago - Ida pra pucon 08/08/2024 (5ª Feira) – Pucon Centro 09/08/2024 (6ª Feira) – Cerro Pillán para Ski + Jantar 10/08/2024 (Sábado) – Termas Indomito + Jantar 11/08/2024 (Domingo) – Rolé na cidade + Cassino + Volta pra Santiago 12/08/2024 (2ª Feira) – chegada em Santiago + Jantar No Costanera 13/08/2024 (3ª Feira) – Cerros: Sta. Lucia e San Cristobal + Jantar no Brewpub intrinsecal 14/08/2024 (4ª Feira) – Vinicula – El Principal Tour Sunset 15/08/2024 (5ª Feira) – Parque Safari em Rancagua / Jantar no Oculto Beergarden. 16/08/2024 (6ª Feira) – Passeio pelo centro historico: Paris-Londres, Plaza Moneda com Palacio, passeo bandeira, Plaza de armas: Catedral, municipalidad, correos. Mercado Central. Emporio Zunini pra comer uma empana de pino. Mercado pra brejas e vinhos pra trazer: Jumbo pra breja, Santa isabel pra vinho. 17/08/2024 (Sábado) - Volta pra casa 5h da manhã.1 ponto
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Carretera Austral 2025/26 - 12000 km de Duster c/ 4 pessoas.
7º Dia 01/01/2026 - Malargue a Los Angeles - 550 km. Acordamos um pouco tarde por causa da noitada e fizemos o nosso café. Após o café colocamos as coisas no carro e botamos o pé na estrada. Uma parte do caminho hoje já era conhecido por mim pois eu já percorri essa estrada para ir para a carreteira austral em 2013 para 14. Porém antes do pequeníssimo vilarejo de Bardas Blancas a gente já entrou e direita para percorrer o paso Pehuenche. À medida que fomos começando a subir a cordilheira o visual já ficava cada vez mais lindo. Montanhas com neve, um rio transparente cortando o vale. E assim fomos subindo até chegar a aduana da Argentina chamada de Las Loicas. Como haviam poucas pessoas poucos carros na estrada a passagem pela foi bem rápida. No meio do caminho havia a estrada que leva às termas de Cajon Grande que quero conhecer um dia. E antes de chegarmos a aduana do Chile passamos pela laguna del Maule que a princípio pensamos que fosse natural mas descobrimos que era um dique no alto das Montanhas. O visual do Lago é maravilhoso um pedaço do céu azul no meio da cordilheira. a maior altitude que passamos nesse trecho foi de 2555 m. bem menos que os 4700 que passaríamos pelo paso San Francisco que era nossa meta inicial. Após aduana da Argentina rodamos quase 70 quilômetros à frente para chegarmos até a aduana do Chile. Descemos do carro fizemos o trâmite como sempre, para a nossa surpresa não precisamos nem baixar as bagagens do carro e nem tivemos uma grande vistoria no carro. A fiscal foi bem tranquila, nem olhou quase nada. Foi uma das entradas mais rápidas e tranquilas no Chile que eu já passei. À medida que fomos entrando no Chile as paisagens foram se modificando pois deixamos o clima árido e seco das cordilheiras e da Patagônia Argentina para começarmos a entrar nas florestas de araucárias do Chile. Nesse ponto as belezas são diferentes e muito bem vindas aos olhares dos viajantes, vale muito a pena passar por esse lugar. Almoçamos em um restaurante chamado Las Juntas, um lugar aconchegante bonito na beira do rio com um visual bem bacana e com a comida excelente. A comida era muito boa o visual muito bonito, mas como todo restaurante do Chile o preço foi bem salgado. Não lembro exatamente qual foi o valor mas acredito que custou uns 90 a 120 Reais. Seguimos pela estrada e decidimos que iríamos dormir na cidade de Los Angeles onde a Nara Já tinha ficado em outra viagem que ela tinha feito para o Chile. Ela entrou em contato com uma pessoa que ela conhecia e reservou 2 apartamentos com um bom preço para todos os 6. O André e a Neusa ficaram em um apartamento enquanto Eu, a Nara, o Fred e a Josiane ficamos no outro apartamento. O grande problema é que era dia 1 de janeiro, feriado, e tudo estava fechado. Então foi complicado de conseguir achar algo aberto para comprar alguma coisa e fazer o jantar. Apesar disso achamos um lugar aberto, compramos o que precisávamos para fazer boa janta para todos. Como estávamos sem dinheiro decidimos que no dia seguinte pela manhã iríamos ao shopping onde tinha casa de câmbio para nós trocarmos dinheiro para seguir a viagem. Dormimos tarde como sempre.1 ponto
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Bariloche e Villa La Angostura
1 pontoFomos a Bariloche e Villa La Angostura na Argentina, eu minha esposa e minha filha, julho de 2024, saímos do Rio de Janeiro e fomos para Buenos Aires pela segunda vez, no voo Rio x BsAs, usamos a companhia aérea Jetsmart e de BsAs x Bariloche, usamos a Flybondi. Foi nossa primeira vez em Bariloche, eu e minha esposa já tinhamos visto neve, mas minha filha de 8 anos na época, foi a primeira vez vendo neve, primeira vez que ela voou de avião, primeira vez que andou de ônibus, primeira vez de trem, primeira vez de metrô, tudo na Argentina, primeira vez que sai do país! Acho que essa viagem ela não vai esquecer nunca! Aconselho ir em todos os Cerros(estações de esqui) de Bariloche, o bom é ficar pelo menos 5 dias em Bariloche para curtir o local, brincar na neve e andar pelo centro de Bariloche é cansativo, então não fique pouco tempo e se hospede no Centro, a noite na rua principal de Bariloche, é muito bom, muita gente, muita coisa pra fazer, reserve um dia ou metade de um dia para ir a Villa La Angostura, é uma cidadezinha perto, linda demais, vale a pena ir, é praticamente um vilarejo, isso dá um charme especial ao lugar.1 ponto
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Roteiro: África Austral - Dúvidas e Sugestões
Fui em setembro, a Vic Falls estava bem miada inclusive, muito seca, mas o rafting foi 10 de 10!1 ponto
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Roteiro de 30-35 dias na Guatemala
eu também fui pra guatemala ano passado eu não tenho esse estilo slow travel, fiquei 10 dias e fiquei bem satisfeito, deu pra conhecer muito bem pessoalmente acho que você está dedicando MUITOS dias para alguns lugares 1 semana para lago atitlan por exemplo e você nem colocou santiago atitlan no roteiro por exemplo (o qual recomendo fortemente conhecer) mas com falei, alguns tem esse estilo slow travel mesmo1 ponto
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Peru em Junho, dicas para o roteiro
Além de Puno que @Lucass7 mencionou, também incluiria Arequipa no roteiro.1 ponto
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Carretera Austral 2025/26 - 12000 km de Duster c/ 4 pessoas.
Onde fica Fiambala?Perto de Mendoza!Este lugar nunca sequer escutei falar.1 ponto
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21 dias na Itália. Roma, Toscana, Cinque Terre, Lago di Garda, Veneza e San Marino.
Sobre o prato, você pegou o secondo piatto, que é sempre carne, o primo piatto vai ser massa. Mas é normal ter restaurante que você só pede um deles e vem numa quantidade boa, principalmente restaurante perto de escritório, que ninguém tem tempo para comer 2 pratos, ou pede o primeiro ou o segundo.1 ponto
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Circuito Chico / Bariloche - De Bike.
Neve não tem ainda,estará começando a temporada, bicicletas não sei, pois nunca usei.1 ponto
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Transiberiana - Rússia
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Roteiro: África Austral - Dúvidas e Sugestões
já estive na namibia, zimbabue,, zambia e botswana você fala de safari no deserto da nambia "(Sossusvlei, Fish River Canyon & Kolmanskop)" esse rolê não é bem safari, você até pode ver um orix aqui, um chacal la, um avestruz perdido, mas o foco não é animal e sim contemplativo da paisagem a paisagem do etosha é surreal, acho imperdivel ir na namibia e nao ir la no meu ver tem bastante coisa para explorar na região de swakpmound tmb sobre o Devil’s Pool ou Day Tour WhiteWater Rafting, eu achei os 2 imperdiveis, sinceramente impossivel escolher um sobre passeio aereo eu não fiz o day tour safari para chobe é legal mas fica aquele gostinho de querer mais, porque não entra na meiuca do parque. como tem todo a logística de chegar la e depois ir embora, o safari fica mais próximo das entradas . mas ainda vale a pena1 ponto
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Mochileando sozinha por 6 semanas no norte da Argentina - Misiones e Tucumán
1. Foz do Iguaçu - PR Passei só uma noite em Foz, a ideia era dormir, acordar, ir cedinho pras cataratas e cruzar pra Argentina pra dormir a segunda noite lá. Me hospedei no Hostel Poesia, bem agradável e confortável, gostei bastante, paguei 66 reais com reserva pelo booking. Sobre as cataratas já devem ter miles de relatos aqui, vou dar uma atualizada pra ajudar com as infos mais recentes. Pra chegar no parque tem que pegar o ônibus de linha 120 que diz Parque Nacional do Iguaçu, pedindo informação tu descobre certinho onde passa. A passagem custa 5 reais e te deixa na porta do parque. O ingresso tá custando R$ 105, valores de 2025. Cheguei numa hora muito ruim, acho que pelas 11h da manhã porque não consegui concretizar meus planos de sair cedinho... no hostel tu conhece gente legal e acaba se perdendo nos papos do café da manhã, acontece, e eu acho preciosíssimo viver essas relações efêmeras da galera encontrada em viagem. Além de que nessas acabei vendendo bastante minhas artesanias e já cobriu o valor do passeio no parque Enfim, cheguei nas cataratas, peguei uma fila gigante e fiz os trajetos super cheios, não foi muito agradável isso mas o pico é tão maravilhoso que tanto faz a muvuca de gente quando tu sente toda aquela energia da água. Na primeira vista das cataratas eu já tava chorando de tão lindo. por algum motivo fiquei virada, mas deixo aí igual kkk Depois de terminar esse trajeto indo até lá a garganta do diabo eu queria fazer a trilha que te leva pra uma cascatinha que dá pra tomar banho, que achei que era o caminho das bananeiras mas me enganei, então fiz a trilha errada. De qualquer forma foi bem legal essa das bananeiras, te leva mais pelo meio do mato até uma outra vista do rio, longinho das cataratas, em que tu vê a imensidão do rio correndo calminho e passa por um bilhão de borboletas e por vários lagartos. O caminho que eu queria ter feito era o circuito São João, que fecha às 15h, daí eu já não tinha mais tempo na hora da volta pra fazer. Deixo aqui esse mapa extremamente útil pra planejar o rolê e que não tem na internet (se tivesse visto ele antes não teria feito a trilha errada rs) Voltei pro hostel e peguei o ônibus internacional pra Puerto Iguazu perto do hostel, numa parada na rua. Tá escrito Puerto Iguazú, é o mesmo que te leva tanto pro centro/rodoviária/feirinha e depois vai pras cataratas argentinas. Custa 30 pila A fronteira é bem serena, eu tava um pouco insegura porque em 2022 tinha ido pra Buenos Aires e voltei pro Brasil sem dar saída da Argentina, mas não tive problema nenhum em cruzar. Tu desce do ônibus, faz o trâmite bem rapidinho, volta pro bus e tchau já tá na Argentina. 2. Puerto Iguazú - Argentina Cheguei de noite, dormi no Hostel Damaris, peguei um quarto privado por 15 mil pesos, que deu mais ou menos 60 reais. A ideia era ficar só uma noite, mas acabei ficando duas, na segunda peguei um quarto compartilhado por 9000, que é tipo 35 pila. É bem simplinho, mas cumpre o prometido pelo preço baixíssimo, achei as camas bem desconfortáveis mas o pátio que tem nos fundos é bem legal pra ficar curtindo com quem mais estiver ali e tem piscina. No dia seguinte acabei preferindo caminhar pela cidade em vez de ir pras cataratas. Fui pra um tal de ~mirador escondido~ que encontrei no mapa ali pertinho da feirinha e segui andando até o marco das três fronteiras. Tava um calor del horto, me queimei horrores e tava cansadona de subir e descer (infelizmente sempre tinha a péssima ideia de caminhar na rua pelo meio dia), mas fui devagarinho curtindo o caminho, descansando nas poucas sombras olhando o rio e tal. Foi ali em Puerto Iguazu que comprei um chip argentino da Claro, paguei 500 pesos ou seja míseros dois reais. Um amigo antes de eu ir viajar tinha me emprestado um da Movistar, mas chegando lá descobri que não funciona essa operadora no norte da Argentina, é mais do centro ali Buenos Aires, Santa Fe etc. O da claro me serviu muito bem, acho que ao todo nesses quase 2 meses de viagem devo ter gastado no máximo dos máximos 15 mil colocando crédito pra usar internet, o que achei que super valeu a pena. Só tem que cuidar pq ele ativa os dados imediatamente quando tu carrega e se tu não compra um pacote ele vai gastando super rápido, tem que entrar no aplicativo pra ver isso e tal se não tu perde altos pila a nada. E só isso, no terceiro dia de manhã peguei um bus na rodoviária com destino a Puerto Libertad, onde ia rolar o festival. 3. Puerto Libertad - Festival Resonancias Bom, esse foi o meu motivo de ter saído pra viajar. Foi a terceira edição do festi, que é organizado por uma galera multiartista , é uma junção de galera pra acampar, tomar banho na barragem, fazer oficinas artísticas, trocar experiências, viver a autogestão e tal. Encontrei no insta por causa de um pessoal que encontrei tocando na rua em Paraty RJ e pirei no trampo deles, comecei a acompanhar e eles são parte da organização do festival. Daí que assim fui atrás deles porque me apaixonei pela chacarera, pelo malambo, pelo zapateo, enfim, queria conhecer mais dessa cultura do folclore argentino que é linda e também é parte da cultura gaúcha que vivo aqui no sul do Brasil. Pra quem quiser acompanhar, no insta é @festivalresonancias Assim acampei uma semana no Parque Urugua-í no meio de completos desconhecidos que viraram várias amizades. O festi foi lindo lindo, fizemos oficinas de música, dança, teatro, cerâmica, pintura, literatura, além de rangos coletivos, mate mate mate, noites na fogueira trocando ideia e tocando violão, sarau na praça da cidade, e foi de gratiss tirando as comidas, que custavam 4mil pesos por refeição, que são tipo 15 reais. Na primeira foto o mural que foi pintado ao longo do evento, minha barraquinha olhando pro lago e meu paño improvisado de artesania e literatura, inclusive se alguém quiser me acompanhar, me encomendar um brinquinho de semente ou ler meus poemas viajeros segue aí @mira.artesanias No último dia do festival fomos visitar uma cascata que é o Salto Jaguareté. Ali na região dizque tem mais um monte de cachoeiras lindas. A região de Misiones é muito conservada, é a parte argentina da Mata Atlântica e tem muitos lugares lindos pra visitar. Não é um destino tão comum além obviamente da capital Posadas, mas eu acho que vale muito a pena passar um tempo ali pela província. Tanto que passei três semanas por aí nesses matos, seguindo o relato pro voluntariado que me enfiei. 4. San Pedro - voluntariado agroflorestal De Libertad segui pra San Pedro pra Chacra Ibirá Potí. Encontrei esse voluntariado em um canal de whats chamado Tejido Misionero, onde tem um monte de grupos de vários assuntos incluindo caronas e voluntariados pela província. Vou passar meio por alto aqui, se quiserem saber especificamente algo podem perguntar. Fiquei duas semanas no sítio de uma família morando sozinha em uma casinha bioconstruída por eles. Trabalhava umas 4h por dia em tarefas entre cuidados de horta, roça, herval, feitio de tabaco, de erva mate, empacotamento de farinhas orgânicas, manejos agroflorestais de modo geral e o que mais rolasse. Não sabia exatamente qual ia ser meu rumo, e isso me deixava bem nervosa e indecisa. Chegou um dia que eu não aguentava mais não saber pra onde ir depois da chácara, tava entrando meio que em uma inércia de ir ficando e ir ficando, então decidi simplesmente ir embora no dia seguinte porque senti que precisava movimentar a energia viajera indo pra estrada pra ser capaz de decidir meu rumo. Tava em dúvida de se voltava pra Libertad pra fazer outros voluntariados em sítios ou se seguia mais pro norte, direção a Tucumán. Assim terminei as duas semanas de voluntariado indo pra Posadas, um meio do caminho adequado pra tomar essa decisão.1 ponto
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MOCHILÃO NA BOLÍVIA SOZINHO - JANEIRO/25 15 DIAS
Excelente relato. Parabéns! Eu tenho 44 anos, pesquiso e planejo essa viagem desde que tinha a tua idade. Já fui para muitos lugares, mas ainda não consegui ir na Bolívia. Hoje minha esposa e minhas filhas não topam essa viagem mais "raiz", então, decidi que vou fazer em janeiro do ano que vem (mesmo que sozinho). E aí depois tento encorajar elas a ir comigo quando a caçula estiver mais "resistente" a perrengue (só tem 3 anos). Mais uma vez agradeço seu relato que serviu de motivação.1 ponto
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Chapada dos veadeiros no carnaval 26
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[Patagônia Chile e Argentina] Mochilão sozinha por 18 dias entre Nov/Dez 2025
9) PASSEIOS Punta Arenas (CL) Navegação Ilhas Marta e Magdalena (duração ~5h) ⭐⭐⭐⭐ Comprei com uns 2 dias de antecedência aqui do Brasil pelo site Denomades porque estava um pouco mais barato. Apesar de ter lido algumas avaliações ruins do site, deu tudo certo e o passeio propriamente foi feito com a agência Solo Expediciones Não era o auge dos pinguins, que de fato aparecem no verão. Mas deu pra ver um ou outro até que bem de pertinho. São muito fofos! hahaha Forte Bulnes (duração ~4h) ⭐⭐⭐ Também comprei pela Denomades junto com o passeio da Ilha Magdalena e a agência que fez o passeio foi a Caminos Tour Precisa pagar à parte a entrada no Forte e aceitam cartão: 20.000 CLP (achei caro). Guia muito bom e foi praticamente um tour privado, pois estávamos só eu e mais um casal da Espanha Não é um passeio imperdível, mas quis aproveitar o único dia inteiro que tinha na cidade Puerto Natales (CL) Trilha até Base de Torres del Paine ⭐⭐⭐⭐⭐ Como mencionei, não sou de fazer trilhas e considero que essa foi a primeira (pra começar bem hhahaha). Como estava sozinha e o Parque fica longe da cidade, optei por pagar um tour com guia pra me sentir mais segura. Estava em dúvida entre os dias 23 e 24, pois ambos tinham uma previsão do tempo bem favorável. Escolhi dia 23. Também fiz com a Caminos Tour e fechei no dia anterior, tudo pelo WhatsApp. Atendimento muito bom, e como tinha feito o passeio em Punta Arenas com eles, me deram um descontinho. Paguei via link com o cartão da Wise. 70.000 CLP. Incluía o transporte, guia e bastões de trekking Fomos em um grupo de 7 pessoas: um casal da Espanha, uma moça e um moço irmãos (acho que são do Chile) e outros 2 viajantes solos: a Chio, do México e o Jurgen da Holanda. O guia Ernesto sensacional, super atencioso e paciente. Grupo todo foi incrível, de pessoas muito tranquilas e do bem! Dei sorte! Acho que não preciso dizer sobre a experiência que é fazer essa trilha: surreal! Principalmente pra mim que não tenho esse hábito, foi uma vivência única! Confesso que estava um tanto apreensiva, ansiosa de como seria, se eu daria conta, se passaria algum perrengue... mas no final deu tudo certo! Até me emocionei em um momento lá sentada olhando pras torres, pensando em tudo o que vivi, as perdas que tive no ano anterior e a superação de estar ali vivendo aquilo. Mas o dia propriamente não começou muito bem. Houve uma desinformação por parte da pessoa que me atendeu no WhatsApp que me passou o horário errado que me buscariam no hostel. Sorte que eu já estava pronta, mas ia começar a tomar o café da manhã quando o guia chegou. Saí meio correndo e não deu tempo de comer e nem lembrei de abastecer minha térmica com o café. Isso me gerou um pouco de frustração e somou com a ansiedade de como seria o dia, mas logo passou. Outro ponto é que o grupo era mais experiente em trilhas e caminhava super rápido. O guia já tinha dito que o objetivo era chegar no topo e que a estratégia seria acelerar sem parar tanto para fotos, pois poderíamos fazer isso na volta. Então a galera rushou! hahahaha. Eu sempre ficava pra trás, por último, e isso no começo também estava me deixando um pouco frustrada. Mas depois aceitei e fui no meu tempo. Fizemos poucas paradas para dar alguns goles de água e tirar ou colocar o casaco, mas nada mais do que 5 minutos, exceto no Acampamento Chileno onde paramos por mais tempo para comer. Ali, como estava sem café, acabei comprando um e também tive que usar o banheiro pra garantir a bexiga vazia pelo menos por mais algumas horas. 6.000 CLP o café e o banheiro! 😵 Subimos em cerca de 4h: começamos às 8:45h, chegamos no Acampamento Chileno às 10:20h - ficamos uns 30-40 min - e chegamos na base de TDP ~12:45h. Ficamos até umas 14h e pouquinho e começamos o retorno. A volta foi a pior parte, principalmente pros meus joelhos (tenho condropatia patelar bilateral). Comecei descendo bem rápido, talvez pra tentar acompanhar o ritmo do pessoal e por sentir uma certa 'pressão' das pessoas que vinham atrás, de não querer atrapalhar o ritmo delas (coisa da minha cabeça, bastava deixá-las passar 🤦🏻♀️). Essa também foi a percepção do guia, que desta vez ficou por último para garantir que todos descessem em segurança. Então ele me acompanhou o caminho todo, já que os demais estavam sempre à frente. Precisei fazer xixi de novo na volta e tinha um banheiro pouco depois de terminar a descidona (se soubesse, não teria pago lá no Acampamento hahaha). Passamos por lá umas 15:00h. Chegando no Acampamento Chileno, paramos por uns 10-15 minutos para descansar. Coloquei a joelheira e tomei um ibuprofeno. O restante do caminho fui mais devagar e o guia sempre comigo também dizendo para eu ir com calma, pois não havia pressa. Foi um querido! E por fim, chegamos no Centro de Visitantes por volta das 18:00h para iniciar o retorno até Puerto Natales. Navegação Balmaceda e Serrano half day (duração ~6h) ⭐⭐⭐⭐ Dia de passeio para descansar do dia anterior. Optei por essa navegação de meio período (também tinha outra opção full day e mais caro ainda). Mais uma vez, fechei pelo WhatsApp no dia anterior e paguei via link com Wise. 120.000 CLP Fiz com a agência TodoPatagonia e achei o passeio muito legal e lindo! Descemos do catamarã pra ver apenas o Glaciar Serrano, fazendo uma rápida caminhada de uns 20 minutos dentro do Parque Bernardo O’Higgins. O Glaciar Balmaceda avistamos durante a navegação mesmo. Teve whisky mas sem gelo hahaha acho que não conseguiram 'pescar' um. El Calafate (AR) Todo Glaciares ⭐⭐⭐⭐⭐ Fechei no dia anterior pelo WhatsApp e paguei via link com Wise. 270.000 ARS Passeio caro, mas muito, muito legal! Poder ver icebergs assim tão de perto foi muito foda! E o Refugio Spegazzini onde descemos é muito lindo! Sentei numa espécie de deck com sofázinhos pra comer, que vista maravilhosa! É outro passeio que não se tem muito o que descrever. É sobre estar ali, sentir e ‘ver com os próprios olhos’ (e ainda sim não acreditar hahaha). Glaciar Perito Moreno + Mini trekking ⭐⭐⭐⭐⭐ Outro passeio que não preciso falar muito, né? Sensacional! Foi caro, mas valeu a experiência! O atendimento, organização e os guias durante o passeio foram excelentes tb. E mais uma vez, foram me buscar no hostel um pouco mais cedo do que o informado, mas pelo menos já estava terminando de tomar o café. O Eugenio (proprietário) foi me avisar e ainda foi um fofo e disse que lavaria pra mim a louça que eu usei no café! Só que nisso que saí correndo, adivinhem? Esqueci de pegar meu almoço que estava na cozinha compartilhada lá no imóvel do outro lado da rua 🙄. Fui a primeira que buscaram, e quando fomos pegar uma outra moça num hotel próximo, me dei conta do esquecimento. Comentei alto, meio que reclamando comigo mesma, e além da moça fofa falando que dividiria o salgadinho dela comigo, o motorista foi outro querido que disse que voltaria pra eu pegar meu lanche (estávamos a 2 quadras do hostel). Almoço garantido! 🤩 A van ainda pegou mais umas pessoas e depois fomos até um ponto de encontro para trocar de transporte. Passamos para um ônibus onde já tinham mais pessoas. Sentei ao lado de uma moça que parecia estar sozinha tb. Cumprimentei em espanhol e depois ouvi ela falando português! Era a Ana Paula! Fizemos o mini trekking em 2 grupos separados (por idioma - espanhol e inglês), mas depois andamos juntas nas passarelas, uma tirando foto da outra! Muito querida e gente boa tb! Sobre o ingresso para o Parque Nacional: eu já tinha comprado com antecedência no site oficial, mas o ônibus para na entrada para verificar quem não tem e comprar ali na hora (dinheiro ou cartão). Ouvi/li outros relatos que nesse passeio combinado, o tempo nas passarelas é curto - e eu também achei. Aquela vista é tão maravilhosa e surreal que eu queria ter ficado mais tempo para apreciar com calma e ver o Perito Moreno de outros ângulos. (continua...)1 ponto
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COSTA RICA (SAN JOSE, PUERTO VIEJO E LA FORTUNA) - 9 DIAS – COM CRIANÇA - NOV/2025
VAMOS LÁ FINALIZAR O RELATO. 20/11: saída de La Fortuna com destino e pernoite em Alajuela Tomamos café no hotel (uma delícia como sempre) e pegamos a estrada sentido Alajuela (San Jose). Optamos por ficar em Alajuela que é a cidade do aeroporto. O trânsito em San Jose e nas redondezas do aeroporto é muito intenso. Então, para evitar problemas, optamos por um hotel próximo. Ficamos no Hotel Brilla Sol, apenas uma diária, que custou US$ 82,57. Hotel mais simples, café da manhã empratado, com gallo pinto, ovos e torradas, uma xícara de café e um prato de frutas. Simples, mas bom. O quarto também era simples, mas para apenas uma noite, valeu a pena. Ficava cerca de 2,5Km do aeroporto, mas mesmo assim foram cerca de 30 min até o aero, no dia da partida. O trajeto de La Fortuna até Alajuela foi bem intenso, bastante tráfego e muitas curvas. A maior parte do trajeto foi em pista simples. Chegando em Alajuela o trânsito era muito intenso. Muitos minutos para andar poucos Kms, isso que chegamos era por volta das 13h. Fizemos check-in no hotel e saímos almoçar num lugar perto. Depois pegamos o carro e fomos até o centrinho da cidade de Alajuela para conhecer e tomar um helado (sorvete). A noite pegamos uma pizza e comemos no hotel mesmo, com algumas latinhas de cerveja. Fomos dormir razoavelmente cedo, para descansar para a viagem do dia seguinte. Nosso voo para o Brasil seria de madrugada. 21/11: retorno da Costa Rica para o Brasil Acordamos cedo e fomos levar o Gui para brincar numa das praças do centro de Alajuela, em uma que tinha uma estrutura bem legal para crianças, a maior que já vi numa praça. Foto abaixo: Perto do almoço voltamos para o hotel, organizamos nossas coisas e fomos para o aeroporto. Nosso voo partia às 17h e nosso plano era sair por volta das 12h para entregar o carro na locadora e ir para o aero, comer algo na sala vip e esperar o voo com tranquilidade. Foi bom que planejamos sair cedo. Levamos quase 40 minutos do hotel até a locadora, que era ao lado do aeroporto. Lá esperamos um pouco para a entrega do veículo e pegar a van para o aero. Chegamos antes de abrir o despacho das malas. Esperamos até as 14h. Despachamos as malas e fomos para a sala vip. Um pouco cheia, mas estava razoável. O problema foi o ar condicionado que não estava funcionando e transformou a sala num forno rsrsrs. De qualquer forma, valeu para comer algo, tomar um chopp e aguardar o voo com tranquilidade. Voo de volta foi tranquilo, com conexão em Lima tranquila. Antes das 6 horas da manhã do dia 22 já estávamos em Curitiba, concluído mais uma viagem com sucesso. A Costa Rica foi um destino muito interessante, com paisagens lindas, gente muito acolhedora e vibe boa pura vida. Embora cara (rsrsrs), foi um destino que valeu a pena conhecer.1 ponto
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42 dias mochilando sozinha - Bolívia, Chile e Peru (Abril a Junho/25)
Olhei a foto e vi que eu te conhecia de algum lugar, demorei uns minutos para puxar as memórias da cabeça daí me lembrei que a gente se encontrou em Cusco junto com a Juliana e o marido dela. Minha primeira viagem eu também saí do emprego e passei 3 meses na Europa (era 2013, euro era menos de 3 reais :D), mas foi um projeto de 2 anos desde a decisão de juntar o máximo possível, sair do emprego e pegar o voo, a ansiedade a mil pois ficava olhando no calendário a data de partida. Depois disso o mundo se abre e não tem mais volta, tanto que eu voltei para cá 3 anos depois para morar. Eu ainda hoje sinto um frio na barriga quando voi viajar para países um tanto diferente pela primeira vez, mesmo depois de 45 países visitados, então é algo normal, e como dizem, a coragem não é falta de medo, mas saber enfrentá-lo, o primeiro passo é sempre mais difícil, mas depois que pega no embalo as coisas ficam muito mais leves. De resto, o segredo é comprar a passagem e aparecer no aeroporto no dia, daí o resto se segue. Esperando pelo relato, estou curioso para saber como terminou ela.1 ponto
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42 dias mochilando sozinha - Bolívia, Chile e Peru (Abril a Junho/25)
- PLANEJAMENTO DO MOCHILÃO Como eu disse no primeiro post, a minha vontade de fazer esse mochilão surgiu aqui no site do Mochileiros, então o roteiro que eu fiz foi baseado nos lugares que eu vi através dos posts de outras pessoas e que eu gostaria de conhecer. Pode não ser o melhor roteiro, mas pra mim deu certo e por mais que eu tenha percebido que eu poderia ter feito algumas coisas diferentes e até economizado mais, minha experiência foi incrível da mesma forma, então no fim cada um faz do jeito que dá certo pra si haha Compras para o mochilão: Essas foram todas as compras que fiz para essa viagem, roupas novas, térmicas, tênis, etc. As compras na Decathlon foram essenciais também, o valor total teve desconto pela primeira compra à vista no site. Viajei durante 42 dias e a mochila de 50lts me atendeu perfeitamente. No final da viagem estava muito cheia pois comprei presentes, mas uma mochila cargueira dessa e uma de ataque de 10lts foram suficiente. É essencial se vestir em camadas pois a maioria dos lugares que eu fui eram frios devido a altitude, então comprar roupa térmica é prioridade. Corta vento também é essencial principalmente para usar nas trilhas em montanhas onde o clima pode mudar de repente. As roupas que comprei me atenderam bem, embora eu tenho sentido MUITO frio em alguns lugares específicos, deu pra segurar. E agora preciso falar do meu maior vacilo nessa viagem. Eu já havia gasto um bom valor nesse pré-viagem e acabei deixando para comprar o tênis por útlimo. No roteiro que eu montei, eu iria fazer muitas trilhas e o correto seria comprar uma bota de trilha, o que era meu intuito. Mas como eu já tinha gastado muito antes mesmo da viagem começar, eu economizei no calçado e foi meu maior erro, e também burrice. Comprei um tênis de corrida da Olympikus e é óbvio que não é o sapato correto para uma viagem com vários trekkings. Foi um super vacilo e paguei o preço quase me machucando várias vezes, além das dores constantes que sentia no tornozelo por não estar usando um calçado apropriado para trilhas. Então invistem em tênis e botas de qualidade e não vacilem como eu. Passagens áereas: O meu gasto total com passagens áereas foi R$ 3.357,62. Acho que eu poderia ter conseguido passagens mais baratas, como no trecho de SP/Santa Cruz de La Sierra, mas foi o que paguei. QUANTO LEVEI DE DINHEIRO: Fazendo uma pesquisa pelo meu extrato da época, vou deixar os valores aproximados do quanto eu gastei nessa viagem e convertendo para uma cotação aproximada daquela data. Optei por levar $500 dólares e R$ 300,00 reais em espécie. Quando o dinheiro em espécie acabou (1 mês depois do início da viagem), eu usava meu cartão da Wise para sacar o dinheiro já convertido da cidade em que eu estava, e debitava direto em dólar da minha conta. Também tive alguns débitos em euro. Dólar: $1.130,00 (dólar em maio/25: R$5,69 - R$ 6.429,70) Euro: €111,13 (euro em maio/25 R$6,45 - R$ 716,78) Real: R$ 300,00 Total do gasto em real: R$ 7.446,48 Esse foi o valor em real que eu gastei nessa viagem de 42 dias. Fiquei hospedada em hostels, fiz muitos tours (sendo o o Salar de Uyuni o mais caro), no Atacama como era uma cidade mais cara optei por cozinhar todos os dias, mas quando cheguei em Arequipa, no Peru, me permiti bastante e fui em bons restaurantes. Totalizando todos os gastos que eu tive pré viagem, passagens áereas e gastos dentro da viagem, gastei um total aproximado de R$ 14.566,65. Essa é a primeira vez que faço esse cálculo e confesso que estou um pouco assustada kkkkkkkk. Tenho certeza que esse gasto poderia ter sido reduzido de várias formas, caso eu tivesse me planejado melhor. Mas é aquela coisa, foi a minha primeira experiência e com certeza virão muitas outras e é assim que aprendemos! De qualquer forma aproveitei muito e fiz tudo (ou quase tudo) que eu queria fazer, então valeu a pena. Meu roteiro: Bolívia - La paz - Copacabana e Isla del Sol - Salar de Uyuni Chile - Deserto do Atacama Peru - Arequipa - Cusco - Lima - Huaraz Próximo capítulo: O dia do embarque para Bolívia!1 ponto
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COSTA RICA (SAN JOSE, PUERTO VIEJO E LA FORTUNA) - 9 DIAS – COM CRIANÇA - NOV/2025
18/11: saída de Puerto Viejo com destino e pernoite em La Fortuna Neste dia tomamos café e saímos por volta da 8h30. Parte do caminho era o mesmo pelo qual já tínhamos vindo de San Jose. Pegamos, novamente, engarrafamento perto do Porto de Limón. As estradas para chegar em La Fortuna são, na maioria, estrada simples. Paramos para comer numa soda (restaurante simples) da estrada mesmo. Comemos 2 casados muito fartos e com um preço bom (US$ 15,94). Chegando perto de La Fortuna é possível ver o vulcão Arenal. As vezes aberto, as vezes encoberto. Chegamos em La Fortuna e fomos diretos para a nossa hospedagem, a FINCA LUNA NUEVA LODGE. Que lugar sensacional. Fica a cerca de 15km do centrinho de La Fortuna, mas valeu muito a pena ficar lá. São casinhas/bangalôs individuais, próximo da mata e com uma pegada orgânica muito legal. A maior parte do que é consumido no hotel no café da manhã (incluso) ou demais refeições (pago à parte) vem direto do hotel. Gostaríamos de ter ficado mais tempo, foram apenas 2 noites e não conseguimos aproveitar muito o hotel. Tem piscina e uma café da manhã delicioso, fora várias trilhas que você pode fazer sozinho ou contratar um guia do hotel. Fica para uma próxima. Fizemos checkin, na frente da recepção tinha uma preguiça no alto da árvore, muito legal, descansamos um pouco no quarto e já fomos direto ao centrinho para conhecer. Passeamos na praça principal, muito bem decorada para o Natal, e deixamos o Gui brincar numa área bem legal para crianças, da própria prefeitura, ao lado da praça principal. Depois fomos no mercado comprar algumas coisas e alguns pacotes de cafés da Costa Rica, que são muito bons. Mas o preço só permitiu pegar um pacote mesmo, foi cerca de 15 doláres um pacote de 250g (marca MASCARADA). Excelente, mas caro. E olha que não era dos mais caros (o famoso BRITT). Depois fomos jantar num lugar restaurante que estava bem avaliado no Trip Advisor, o El Mariach. Que lugar gostoso e atendimento excelente. Comemos alguns tacos deliciosos, cerveja gelada e batemos altos papos com o dono (esqueci o nome). Recomendo muito o lugar. Preço padrão Costa Rica. Caro, mas valeu a pena. Acho que foram 250,00 reais para 2 porções de taco e um prato kids para o Gui. Fomos para o hotel descansar pois no dia seguinte havíamos programado fazer os passeios em La Fortuna. 19/11: dia livre em La Fortuna Amanheceu uma garoa fina e nos preocupou. Tomamos café no hotel, tudo muito farto e gostoso. Conversamos para ver quais os passeios que mais valiam a pena (hot springs, Parque Místico, ir até o vulcão etc.). A atendente do hotel nos alertou que a vista mais bonita do vulcão Arenal está no Parque Místico. Com isso em mente saímos. Fomos primeiro na Cascata do Rio La Fortuna, pois já havía pesquisado que é melhor chegar cedo. 9h já estávamos no parque para descer os 500 degraus até a cachoeira. Levamos o canguru para transportar o Gui, caso ele cansasse no caminho. Desceu a metade e depois foi no canguru. O passeio é caro, mas vale a pena. Uma cachoeira muito forte e bonita. Tiramos os calçados e fomos na beirada molhar os pés. Água de rio é muito fria e não tivemos coragem de entrar e nem colocar o Gui de corpo inteiro. Ficamos por um tempo lá curtindo essa vibe gostosa e subimos os 500 degraus. Gui subiu tudo, sem querer ir para o canguru. Ingresso Catarata Rio Fortuna US$ 41,00 (2 pessoas. Gui não pagou). De lá, saímos e fomos direto ao Parque Místico, é o que tem as famosas pontes suspensas. O parque tem uma excelente infraestrutura. Na estrada para chegar lá o Gui fez uma soneca, então ficamos esperando ele acordar para começar a nossa caminhada. São 3, se não me engano, opções de trilhas. Resolvemos fazer a mais longa, que é a que passa por todas as pontes suspensas, mas acabamos descobrindo uma outra trilha, mais roots que se acresce a essa e que valeu muito a pena. Veja a foto abaixo: As trilhas originais (pavimentadas) estão nas linhas azuis. O que aconteceu foi que pegamos a trilha em laranja, que aumentou nosso caminho em 1,7km. Ela não é pavimentada e tem umas subidas boas, mas é bem possível de fazer para quem tem um condicionamento bom. Ela leva para 3 mirantes onde se pode ver o vulcão e a represa ao lado. Fotos abaixo: ] Foi cansativo, mas valeu a pena. Levamos o Gui no canguru e assim ele fez a primeira “trilha” dele rsrsr. Depois voltamos para o trajeto normal e passamos por todas as pontes suspensas. Foi um passeio que valeu muito a pena. Recomendo bastante. Independente de se fazer a trilha roots. Custou US$ 80,69 para 2 ingressos adulto. Saímos do Parque Místico com a intenção de comer algo e depois ir para um dos parques/resorts de águas termais. No caminho, vimos a sugestão do Baldi Hot Springs, que tem mais de 20 piscinas, não é dos mais caros, mas também não é dos mais baratos e que segundo relatos de blogs na internet valia o custo x benefício. Pesquisamos no site deles e vimos que tinha a opção com almoço. Pensamos na comodidade e acabamos topando ir no ingresso às piscinas, mais o almoço incluso. Custou US$ 147,60 para duas pessoas. O Gui não pagou. Pois então. Acho que não foi a melhor decisão. Só a entrada das piscinas seria algo em torno de 50 doláres por pessoa. O almoço foi algo em torno de 20 doláres. Comemos bem, mas não achamos que valeu a pena esse valor a mais. Depois, quando chegamos na piscina perto do bar, vimos que eles têm um restaurante a la carte, com preços razoáveis que talvez teria valido mais a pena pagar apenas a entrada e comer no restaurante a la parte. Enfim, as piscinas super recomendo, almoçar ou fazer outras refeições lá, não recomendo. Ficamos no Baldi creio que umas 4 horas. Foi muito legal e relaxante. Tem uns tobogãs bem legais e radicais. Algumas piscinas são muito quentes mesmo, chegavam a 44º C. Após o Baldi paramos na rodovia num lugar muito grande para ver souvenir. Acho que chamava souvenir Costa Rica. Não compramos nada, mas vale mencionar. Fomos para o hotel tomar banho e a noite saímos buscar alguma coisinha leve para comer no hotel mesmo, já que o almoço tinha sido bem farto (e pesado kkk). CONTINUA >>>1 ponto
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[Patagônia Chile e Argentina] Mochilão sozinha por 18 dias entre Nov/Dez 2025
6) HOSPEDAGENS Priorizei localização, conforto mínimo pras minhas necessidades e custo-benefício (nesta ordem). Na média, as acomodações ficaram entre R$200-300/diária, sendo que somente em El Chaltén peguei cama em quarto compartilhado e ficou menos de R$150 a diária. Por ser baixa temporada, peguei os hostels quase vazios. Conseguia ouvir que havia outros hóspedes, mas raramente cruzava com alguém ou pegava o banheiro/cozinha ocupados quando queria usar (exceto El Chaltén que estava mais movimentado, mas ainda sim, não lotado). Punta Arenas (CL): Hostal Balmaceda Quarto individual com banheiro privativo; sem café da manhã Reservei pelo booking.com e fiz o pagamento integral no momento do check-in (usei cartão da Wise). Localização excelente, perto de tudo. A rua tem várias "casas noturnas" (leds escrito 'drinks' e fotos de mulheres semi nuas hahahah). Mas não interferiu na minha sensação de segurança, mesmo caminhando à noite, e nem em barulho. Na real, eu mal via movimentação perto desses bares. Imóvel meio antigo, piso de madeira que faz barulho quando anda. Imagino que em alta temporada, a circulação das pessoas pode incomodar. Apesar disso, o quarto que peguei estava bem novinho, o banheiro parecia reformado. Possui geladeira para hóspedes e uma área de refeições com pratos, copos/xícaras, talheres, chaleira e forno elétrico. Puerto Natales (CL): YaganHouse Quarto individual com banheiro compartilhado; com café da manhã Reservei direto com a hospedagem por email e WhatsApp (o preço foi bem menor do que consta no site deles) e tive que fazer o pagamento integral antecipado via link de pagamento (usei Wise). Só consegui aproveitar o café da manhã completo no último dia, pois nos dias anteriores tive que sair cedo para os passeios, então só consegui pegar fruta e café pra levar. Mas fica uma pessoa preparando ovos na hora e servem uma porção de manteiga e de geleia, frios, pão e ficam disponíveis frutas, iogurte, café. Gostei muito também, excelente localização e estrutura da cozinha; a decoração e a vibe do lugar são um charme e o quarto que fiquei era uma gracinha! Aqui também vale mencionar o detalhe do piso de madeira que faz barulho quando andam pelo corredor dos quartos. Não chegou a me incomodar, mas fica como ponto de atenção se isso for um critério importante na hora de escolher a acomodação. El Calafate (AR): Lago Argentino Hostel Quarto individual com banheiro privativo; com café da manhã Tinha reservado pelo booking.com um quarto também individual, só que menor, e depois vi no site do próprio hostel um quarto um pouco maior e um pouco mais barato. Então cancelei e reservei direto com a hospedagem. Fiz o pagamento integral no momento do check-in e, para ter um descontinho, o proprietário aceitou transferência bancária (ele viu o cartão verde da Wise e disse que outro hóspede tinha feito o mesmo processo e tinha dado certo). Usei o app da Wise, mas precisei incluir a pessoa como contato e inserir dados bancários e de identificação. A transferência não cai na conta da pessoa na hora, demora algumas horas mas dá pra acompanhar tudo pelo app e fornecer um link pra pessoa também acompanhar o andamento. É bom avisar antes, porque a destinatário pode não concordar ou ficar desconfiado. No caso, ele topou e deu tudo certo! Proprietário (Eugenio) muitíssimo gente boa, super acolhedor, comunicativo e deu várias dicas da cidade e dos passeios. O hostel fica dividido entre 2 imóveis, atravessando a rua. Em um deles ficam a recepção, os quartos e cozinha compartilhados; no outro (que eu fiquei), os quartos individuais e o café da manhã. É muito lindo, colorido e cheio de flores! Apesar de ficar um pouco fora do eixo da avenida principal, achei a localização muito boa. Só se atentarem às travessas porque nem todas caem em linha reta na avenida principal. Lago_Argentino_Hostel.mp4 El Chaltén (AR): Patagonia Travellers Hostel Cama em quarto misto com 4; sem café da manhã Reservei pelo site deles e um tempo depois mudei o roteiro, aumentando um dia na cidade. Fiz a solicitação por email e deu tudo certo. Pagamento no check-in usando o cartão da Wise, sem acréscimos ou taxas. Muito bom hostel, gostei da localização pois fica quase que no meio da avenida principal, então eu estava numa distância praticamente igual para a entrada das trilhas do final e do começo da avenida. Ótima estrutura no geral, cozinha e staff. Estava com receio do quarto ser misto por ser uma mulher viajando sozinha, mas dei bastante sorte! Dividi o quarto com um casal (Eddie e Elise) e um rapaz (Drew), todos americanos e bem jovenzinhos hhahaah. Foram muito tranquilos e respeitosos, bem gente boa! A vista do refeitório do hostel 😍: Ushuaia (AR): Apartamento Viejo Lobo - Aunaisin Apartamento inteiro Equilíbrio é tudo, né? hahhaha Como seria uma cidade com mais dias e menos passeios de ficar o dia inteiro fora (e porque achei por um preço 'ok'), optei pelo apartamento inteiro. Eles tem um site, mas reservei pelo booking.com porque o preço estava melhor. Paguei no check-in usando cartão Wise. Só uma observação que o processo do check-in não é muito facilitado. Precisei ir até um outro endereço para fazer o pagamento e pegar as chaves (fui avisada com antecedência, então do aeroporto peguei o Uber direto pra lá e depois era perto o suficiente para ir caminhando até o apto). Eu achei que seria um escritório, mas foi dentro de um mercadinho e quem me atendeu foi a moça do caixa. Fomos para os fundos do mercado, numa espécie de depósito junto com um mini escritório de fato (mesa, computador), mas achei estranho! Ela estava com um papel com todos os dados da reserva e deu tudo certo. O preço da reserva nesse papel estava separado em 2 partes - da acomodação propriamente e outro valor como 'taxas' e tive que pagar também separado (em maquininhas de cartão diferentes). Mas o preço final era o mesmo conforme a reserva do booking. Então não paguei nada a mais. O predinho era bem bonitinho, simples, antigo e bem residencial. E o apto também tinha um ar de antigo, não nas condições - que eram ótimas - mas na decoração, com piso e tons de madeira mais escuros, meio carregado, mas me atendeu super bem! Também gostei muito da localização. O atendimento também foi muito bom, tanto pelo chat do booking.com como pelo WhatsApp. Tive problema com uma frigideira que estava com algo grudado e derretido nela e não dava pra usar, assim como só tinha um rolo de papel higiênico em uso. Responderam rápido, mas só conseguiram me entregar os itens um dia e meio depois, mas não me prejudicou em nada; deixaram ambos numa sacolinha pendurada na porta pelo lado de fora. Outro ponto positivo é que bem perto do horário do check-out (às 10h) eu perguntei se poderia ficar até o meio dia e liberaram de boa. E não precisei levar as chaves no mesmo lugar que peguei, me orientaram apenas a deixar o apto destrancado mesmo, com as chaves em cima da mesa. (continua...)1 ponto
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COSTA RICA (SAN JOSE, PUERTO VIEJO E LA FORTUNA) - 9 DIAS – COM CRIANÇA - NOV/2025
Obrigado Pericles. Quero ver se até o final do ano eu finalizo. Valeu.1 ponto
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Ruanda, Uganda, Rep. D. do Congo, Etiópia e os vulcões mais incríveis da África
Fala pessoal, Vou deixar aqui um relato de uma viagem que eu fiz em 2019 para Ruanda, Uganda, República Democrática do Congo e Etiópia em busca do que, na minha opinião, são os vulcões mais incríveis da África. ⚠️ Essa viagem (e muitas outras) está no meu livro / ebook Destino Vulcões, que consegui deixar inteiramente grátis por um tempo no amazon.com.br (link: https://a.co/d/agKaeNM). Instagram: www.instagram.com/destinovulcoes Youtube: www.youtube.com/@destinovulcoes Ruanda, Uganda, República Democrática do Congo, Etiópia e os melhores vulcões da África Introdução – Como tudo começou Acho que todo mundo gosta de bater papo com amigos sobre férias. Brasileiro é meio bisbilhoteiro, né, quando alguém fala que vai tirar férias, logo queremos saber: para onde vai, com quem vai, quanto tempo etc. E foi bem divertido observar as reações do pessoal do meu trabalho quando eu dizia que estava indo passar as férias na Etiópia, República Democrática do Congo (RD do Congo), Ruanda e Uganda! Para não chocar muito, quando me perguntavam para onde eu ia, primeiro eu falava que estava indo para África... Só quando perguntavam mais detalhes é que eu revelava os países. A primeira reação era sempre uma cara de espanto.... Depois da cara de susto, a maioria me perguntava onde ficava Ruanda e Uganda 🤣🤣🤣 . A Etiópia é mais conhecida entre os brasileiros, mas, infelizmente, sua fama é mais associada à fome e à extrema pobreza das décadas de 80-90. Já o Congo, algumas pessoas conhecem do jogo War! Vale lembrar que eu estava indo para a República Democrática do Congo, não confundir com República do Congo, sem o “democrática”, que é um outro país! Ruanda e Uganda já eram bem mais desconhecidas. Após o estranhamento inicial, a pergunta que sempre vinha era: “Mas que raios você vai fazer lá?” Pergunta justa.... Tudo começou porque, em 2019, minha esposa arrumou um novo emprego e só poderia tirar férias em 2020. Ela conseguiu uns dias de “banco de horas”, emendamos com um feriadão e fomos para os Lagos Andinos, mas eu tinha mais 25 dias de férias e, já que ela não poderia vir junto, aproveitei para conhecer alguns lugares “exóticos” que eu sempre quis muito conhecer, mas ela não tinha vontade de ir. Em março de 2018, assisti a um programa da Karina Oliani fazendo uma tirolesa em um vulcão ativo da Etiópia chamado Erta Ale (Ref. 13). Este vulcão também ficava em uma das regiões mais quentes e inóspitas do planeta: Danakil Depression. O programa mostrou belíssimas imagens do vulcão e do Dallol, uma região no meio de um salar com atividade vulcânica e enxofre que forma um cenário belo e colorido. Me interessei de cara pelo Erta Ale! Não foi fácil encontrar referências, e descobri que, infelizmente, nos primeiros meses de 2017, grandes erupções deixaram o lago de lava bem meia-boca. O lago afundou vários metros abaixo na cratera, a lava ficou praticamente invisível, e só se via uma fumaça.... É muito curioso observar os reviews do Erta Ale no TripAdvisor: até janeiro de 2017, todo mundo falava maravilhas do vulcão, experiência da vida, vale todo o perrengue etc. Depois de janeiro de 2017, as opiniões estavam bem divididas. Mas um desses reviews do Erta Ale me chamou a atenção, dizendo que existia um outro vulcão com lago de lava bem mais legal na RD Congo: Nyiragongo! E lá fui eu pesquisar sobre Nyiragongo.... Na época (2019), o Vulcão Nyiragongo era o maior vulcão com lago de lava do mundo e mais ativo da África. Fica no Parque Nacional Virunga, um parque nacional gigante (7800 km2, mais de 300 km na direção norte-sul) na fronteira leste da RD do Congo, que foi o primeiro parque nacional estabelecido na África! Aliás, tem um site muito bom (Ref. 14) com excelente atendimento por e-mail para esclarecer dúvidas. Na época, eu não achava muitas referências sobre o Nyiragongo, só em alguns blogs. Mas, quando assisti ao programa Destino Incomum, do canal Travel Box lá (Ref. 15) visitando o Nyiragongo, não tive dúvidas: esse era o vulcão com lago de lava a ser visitado!!! Assim ficou decidido que o Nyiragongo e o Erta Ale seriam os meus próximos destinos. Uma parte da viagem seria focada no Nyiragongo, outra parte na Etiópia. Não era fácil nem barato chegar em nenhum dos dois vulcões. Para conhecer o Erta Ale, eu precisava pegar uma excursão de 3 dias saindo do norte da Etiópia e com muito pouco conforto. Para chegar ao Nyiragongo, precisava de uma excursão de 2 dias e, além do pouco conforto, ainda tinha que encarar a trilha de subida do próprio vulcão, que é bem puxada! Mas nem só de vulcões vivem esses países. Na região do Nyiragongo, o passeio mais famoso (e bem caro!) é o trekking dos gorilas da montanha em seu ambiente natural, no meio da selva. Os gorilas da montanha são os maiores primatas do mundo! Belos e grandes (felizmente são herbívoros!), compartilham mais de 98% do DNA dos humanos, vivem em família e podem ser vistos muito de perto em alguns parques nacionais da RD do Congo, Uganda e Ruanda. Ainda nessa região, eu queria conhecer o Memorial do Genocídio de Ruanda, para entender melhor um pouco da história desse terrível genocídio, que não teve tanto destaque no noticiário mundial em 1994. Na Etiópia, além do tour pelo Erta Ale e Dallol, eu também queria conhecer Lalibela, uma cidade com igrejas muito diferentes. Definidos os meus principais objetivos na Etiópia e na região do Nyiragongo, era hora de fazer o meu roteiro detalhado para encaixar tudo que eu queria fazer nos poucos dias disponíveis. Imprevisto Normalmente a introdução terminaria aqui, e eu começaria o relato detalhado da viagem, mas tive uma surpresa. Todo o meu planejamento estava indo muito bem, eu estava naquela empolgação, destinos definidos, era hora de planejar meu roteiro detalhado, ver todas as passagens aéreas etc...., mas..., descobri que desde agosto de 2018 estava tendo um grande surto de ebola em algumas regiões da RD do Congo! Este era o segundo maior surto de ebola da história, só superado pelo surto de 2014, na África ocidental (Guiné, Serra Leoa e Libéria). Pouco se falava no Brasil a esse respeito. Em 1 de agosto de 2019, exatamente um ano após o início da epidemia de ebola, 2.619 casos tinham sido confirmados (ainda havia 94 casos prováveis e 423 suspeitos), 1.823 pessoas tinham morrido (mais de 2/3 dos casos confirmados). Ebola na RD do Congo, era só o que me faltava, e agora??? EM TEMPO, atualização de 2023: mal sabia eu que, em 2020, a pandemia de coronavírus ia fazer esses números parecerem “brincadeira de criança”, mas, na época, era muito assustador. Lá fui eu pesquisar muito mais informações a respeito do ebola para ver se ainda dava para eu ir para o Nyiragongo, em meados de abril de 2019. O Site da Organização Mundial da Saúde (OMS, WHO em inglês) tem bastante informação a respeito, além da Wikipédia. A primeira coisa que eu descobri é que os principais focos de ebola na RD do Congo estão nos estados North Kivu, South Kivu e Ituri. Caramba, o Nyiragongo (parte sul do Virunga) fica em Goma, que é a capital do estado do North Kivu! O começo da minha pesquisa não foi nada animador.... Porém, RD do Congo é um país muito grande e descobri que as cidades com os principais focos de ebola eram Butembo, Katwa e Beni. Entre essas cidades, a que ficava mais perto do Nyiragongo, Butembo, fica a 9h de Goma! E, em Goma, não havia nenhum caso de ebola. A RD do Congo é um país com muita riqueza mineral e, praticamente desde sua independência no século XX, vive em conflitos. Após o genocídio em Ruanda, no contexto de tensões entre hutus e tutsis, começou uma guerra civil na RD do Congo (1996-97), depois veio a segunda guerra civil (98-2003), e um conflito na região North e South Kivu (2004, até hoje). Tem estimativas de morte de 2,7 a 5,4 milhões de mortos! Desde então, a região do Parque Virunga e das fronteiras com Ruanda e Uganda têm sofrido com muitos conflitos militares, inclusive com algumas áreas controladas por milícias, muitas vezes apoiadas por governos de outros países, o que gerou muita desgraça social e dificultou muito o combate ao ebola. Equipes da OMS enfrentavam dificuldades significativas para acessar essas áreas e frequentemente testemunham ataques a instalações de saúde. Além disso, as milícias propagavam fake news sobre o ebola, dificultando ainda mais os esforços de combate à doença. Mas Goma é uma cidade de 2 milhões de habitantes, na época totalmente controlada pelo governo, onde os médicos e as instalações para cuidar de ebola estão sob controle. Além disso, a informação mais decisiva para mim foi quando descobri que o ebola não era tão contagioso quanto eu imaginava. O vírus só pode ser adquirido através de contato com sangue e outros fluidos biológicos (saliva, muco, vômito, fezes, suor, lágrimas, leite materno, urina e sêmen) de um humano infectado ou um morcego, que parece ser o único animal que o transmite (mas ainda estavam estudando melhor o assunto). Entre as vias de entrada estão o nariz, a boca, olhos, feridas abertas, cortes ou abrasões na pele. A transmissão por via aérea ainda não foi documentada em ambiente natural. Os sintomas são meio parecidos com outras doenças: febre, garganta inflamada, dores musculares e de cabeça, entre dois dias e no máximo três semanas após a exposição. Mas depois a coisa piora para hemorragias. Não tem um tratamento específico, o tratamento é fundamentalmente paliativo, o importante é a detecção rápida e acesso a serviços e tratamento adequados conforme forem aparecendo os sintomas. Existiam duas vacinas ainda experimentais que estavam sendo utilizadas na RD do Congo e nas fronteiras por profissionais de saúde e pessoas de risco, com bons resultados. Mas e aí, depois de toda essa pesquisa de ebola, será que dava para encarar??? Outro dia, eu estava lendo relatos de trekkings espetaculares do @DIVANEI, um aventureiro das antigas, que faz muita trilha e travessia sensacional, bem raiz (link na Ref. 16). Muito bacana ler as “travessias expedicionárias” na Serra do Mar. Em algum relato, Divanei fazia uma reflexão que se encaixou como uma luva para mim: "Quando a gente é jovem, costumamos tocar o f*da-se, fazer umas porra-louquisses... A gente acaba tomando decisões sem pensar muito nas consequências, vai meio que por impulso, é da nossa idade fazer estupidez. Mas aí, quando a idade chega, a maturidade já toma conta do nosso bom senso...... Só que não, aí a gente descobre que esse papo de maturidade não tem nada a ver com nada, e que quem viveu tomando decisões cretinas, nunca vai aprender mesmo 🤣🤣🤣 ” E foi assim que eu resolvi ir para a RD do Congo, com epidemia de ebola e tudo! E que os deuses da medicina cuidassem de mim.... Pelo menos, dessa vez, eu ia sozinho, não ia levar minha esposa grávida para essa roubada . Brincadeiras à parte, sabendo que (1) o local com bastante casos de ebola ficava a 9h de distância de Goma, especialmente em áreas remotas e rurais sob controle de milícias, (2) na cidade de 2 milhões de habitantes que estava sob controle do governo/organismos internacionais não tinha tido nenhum caso de ebola sequer, e (3) a transmissão é por contato com fluido infectado; achei que dava para encarar, tomando algumas precauções adicionais. Ah, não bastasse toda a confusão do ebola na região, tem outra informação que eu nem contei para a minha família...., mas fica o registro para cada viajante avaliar se vale o risco: o Parque Nacional Virunga ficou fechado de meados de 2018 até fevereiro de 2019 porque uma dessas milícias armadas da região da fronteira RD do Congo/Uganda/Ruanda, chamada Mai Mai, matou um ranger do parque e sequestrou um motorista e 2 turistas britânicos, que só foram libertos três dias depois! O Parque Nacional Virunga só foi reaberto em fevereiro de 2019, depois que eles revisaram e aumentaram ainda mais os protocolos de segurança. Segue a foto do pessoal que escoltou a gente até a entrada do vulcão, “pouca” gente armada, né?.... Ebola, guerra civil, estava me sentindo igual ao “Não Conta lá em Casa” (Ref. 17)... Figura IV‑1: Escolta armada Virunga A opção mais lógica seria fazer o gorilla trekking e o Nyiragongo no Virunga. Mas, na época em que eu pesquisei, os horários dos tours eram muito restritos (porque só saíam com a escolta fortemente armada) e não batiam com os horários dos voos da Etiopian Airlines para Goma. A outra opção seria voar até Ruanda, fazer o gorilla trekking em Uganda ou Ruanda, que ficam próximos, e atravessar a fronteira para Goma por terra para ir só no Nyiragongo, em RD do Congo. Achei melhor esta opção, pois minimizava os dias na RD do Congo com a epidemia de ebola e, também, dava para conhecer um pouco de Ruanda e Uganda. Enfim, com os riscos avaliados, mitigando o que foi possível, loucura ou não, eu resolvi ir para a RD Congo! E estava indo tudo bem: fechei meu roteiro detalhado, comprei minhas passagens (caro!), comecei a pagar os passeios para o Nyiragongo e dos gorilas (caros!) para a segunda quinzena de setembro. Eu já tinha gastado uns 2500 $USD na viagem, até que..., vendo noticiário...., descubro que, no meio de julho 2019, apareceu o primeiro caso de ebola confirmado em Goma! Pqp.... Preocupação total na OMS, que colocou o surto no mais alto nível de alarme na OMS. O ebola não estava mais apenas em áreas remotas e rurais sob controle de milícias, ele tinha chegado a uma cidade de 2 milhões de habitantes que tem uma importante e muito movimentada fronteira com Ruanda. Poucos dias depois, o segundo caso foi detectado em Goma (não relacionado ao primeiro), com morte e, logo depois, um terceiro caso dessa família!!! No dia 1 de agosto, vi no jornal que Ruanda fechou a fronteira com RD do Congo, exatamente a mesma fronteira que eu iria cruzar um mês e meio depois: Figura IV‑2: Fechamento da fronteira Ruanda e RD do Congo (link) Nesse momento, só vinha um pensamento na minha cabeça: Fu☠️☠️☠️ geral!! Mandei e-mails para o pessoal do Virunga e para a agência do gorilla trekking na Uganda para pedir mais informações. O pessoal do Virunga disse que, aparentemente, foi um mal-entendido, que a fronteira já havia sido aberta logo depois, que foram casos isolados e todas as pessoas em contato com os infectados foram vacinados. Por fim, eles disseram que estavam monitorando a situação de perto, mas, a princípio, os tours seguiam funcionando. Já a agência de Uganda explicou que os 3 casos de ebola detectados em Uganda (eu nem sabia que também tinha tido ebola em Uganda!), em junho 2019 foram casos isolados, tratados e, a OMS, seguindo os protocolos, declarou Uganda free of ebola depois de 40 dias sem nenhum caso. Se eu não tivesse gastado tanta grana, provavelmente teria cancelado a viagem. Mas agora não tinha outra opção a não ser seguir em frente, acompanhando.... Se houvesse um surto em Goma, eu não iria ao principal objetivo da minha viagem: Nyiragongo! No final, acabei mesmo indo para a RD do Congo em meados de setembro de 2019. Passei lá o menor tempo possível, apenas para ver o vulcão. Cheguei na fronteira 7h da manhã, fui com transporte do Virunga direto para o vulcão, dormi lá no alto, e meio-dia do dia seguinte eu já estaria cruzando a fronteira de volta à Ruanda. De modo geral, na RD do Congo eu só tive contato com dois funcionários do escritório do Virunga, com motorista, um guia, e uma meia dúzia de rangers e porters do parque nacional. Também levei alguns remédios e máscaras, se houvesse alguém tossindo por perto, just in case, mas acabei nem usando. Para finalizar sobre o ebola: como acabei indo para região, pude observar que, nas áreas sob controle do governo em Ruanda, Uganda e RD do Congo, ações de controle estavam sendo tomadas. Dos dois lados de cada fronteira, disponibilizam água limpa para lavar as mãos e faziam medições de temperatura em todas as pessoas. Além das fronteiras, montaram checkpoints para medição de febre e lavagem nas estradas, perto das principais cidades. E até mesmo quando eu cheguei de avião na Etiópia e viram no passaporte meu visto do RD do Congo, mediram minha temperatura.... Nessa época (antes da pandemia do covid-19), eu nem sabia que tinha termômetros que mediam a febre com um aperto de botão, instantâneo. Tinham cartazes informativos falando do ebola em vários aeroportos e, também, observei as instalações de saúde. OK, não eram hospitais supermodernos, eram uns barracões de lonas temporárias, mas, ao menos, pareciam minimamente apropriados para fornecer tratamento. E tinha muita presença de organismos internacionais, como OMS, Red Cross, Médicos sem fronteiras, e um monte de gente sendo vacinado. No final do segundo semestre de 2019, melhorou um pouco a situação e, desde fevereiro de 2020, tem poucos casos de ebola na região, estão quase erradicando a doença, felizmente! DISCLAIMER: Todas as informações contidas neste livro são resultado de pesquisa e curiosidade de viajante do autor, e são apresentadas no contexto do relato das viagens. As referências consultadas estão detalhadas no último capítulo. No entanto, é importante ressaltar que essas informações não devem ser consideradas como dados científicos. Recomenda-se que consulte fontes científicas confiáveis para obter informações precisas e atualizadas sobre os temas abordados em todo o livro. O autor não assume responsabilidade pela utilização das informações aqui apresentadas. Resumo do Roteiro Figura IV‑3: Roteiro da viagem para a África O roteiro escolhido foi: Dia 1 -> São Paulo –> Addis –> Kigali Dia 2 -> Kigali (Ruanda) Dia 3 -> Gorilla trekking (Uganda) Dia 4 -> Nyiragongo (R.D. congo) Dia 5 -> Nyiragongo -> Addis (Etiópia) Dia 6 -> Lalibela Dia 7 -> Axum e Tigray churches Dia 8 -> Salar Danakil Dia 9 -> Dallol e Erta Ale Dia 10 -> Lago Afrera Dia 11 -> Addis –> SP Relato dia a dia Dia 1-> São Paulo –> Addis –> Kigali Meu voo saía cedinho (01h) de São Paulo, cheguei às 19h em Addis (Etiópia) e peguei voo às 22h45, chegando às 00h45 em Kigali (Ruanda), já madrugada do dia seguinte. Imagina o cansaço até então.... Mas o pior do dia ainda estava por vir! O destaque negativo foi o meu recém-comprado drone. Esta era a primeira viagem internacional que eu estava levando meu drone, estava todo empolgado com isso! Quem quer viajar com drone deve saber que a primeira coisa a se fazer é pesquisar sobre as restrições do destino, e é chato para caramba pesquisar regulamentos de drones mundo afora. Eu achei um site de drones que classifica os países com sinal verde (= drone liberado); sinal amarelo (= tem algumas restrições, mas dá para usar); e sinal vermelho (= proibido). O Brasil, por exemplo, está no amarelo, tem que preencher um monte de coisa no site da ANAC, mas normalmente dá para usar drone sem maiores problemas. A grande maioria dos países está com sinal amarelo. Vi que todos os meus destinos estavam no amarelo e me dei por satisfeito com essa pesquisa. Mal sabia eu que o diabo estava nos detalhes... Chegando no aeroporto de Kigali (Ruanda), enquanto aguardava na fila da imigração para dar entrada no país, estava passando um simpático vídeo sobre drones em um telão, que dizia para os turistas registrarem seus drones no aeroporto. Na hora, eu pensei: “como eu não vou usar o drone em Ruanda, nem vou me preocupar com essa burocracia de registro”, mas assim que passei pela imigração, fui surpreendido por um raio-x para bagagens de mão antes da saída do aeroporto. Estamos acostumados a ver esses raios-x antes de embarcar, não na saída do aeroporto. Por causa desse raio-x, achei melhor procurar o guarda e avisar que eu tinha um drone e queria fazer o registro. O guarda não entendeu direito quando eu disse que tinha um drone, repeti algumas vezes até ele entender, e ele me pediu para esperar um tempo. Depois de alguns minutos, o guarda chegou com outro funcionário, que me perguntou de novo se eu tinha um drone. Na hora, eu pensei: “ufa, finalmente chegou o cara que iria fazer o registro do meu drone para eu poder ir embora logo”..., mas..., “ni qui” eu confirmei que tinha um drone...., ele disse que confiscaria o aparelho!!! Ca☠️☠️☠️☠️☠️, como assim??? Eu expliquei que fui voluntariamente procurar os guardas no aeroporto apenas para registrar o meu drone e, só queria fazer um registro com a agência de aviação de lá (como a ANAC, basicamente era o que dizia o videozinho da imigração), mas eu nem iria utilizá-lo em Ruanda! Então o cara explicou que ele era policial, não era funcionário da agência de aviação. Como estava tarde, não tinha ninguém da agência lá, a única diretriz que ele tinha era reter drones sem autorização no aeroporto e que eu poderia retirar depois, na saída de Ruanda! Em nenhum momento o policial foi agressivo. Teve até uma hora que ele perguntou qual era o problema de deixar o drone retido no aeroporto e pegar na saída, se eu não confiava nele, ou na polícia de Ruanda. Eu disse que o problema não era esse, mas que eu estava indo para a RD do Congo por via terrestre e pretendia utilizar o drone lá. Depois fomos para a salinha da “polícia federal” no aeroporto e, fiquei um pouco mais tranquilo quando vi um milhão de drones retidos lá. Já que prometer que não iria usar o drone em Ruanda não estava adiantando muito, minha próxima tentativa de sensibilizá-lo foi insistir que eu iria pedir a autorização para a agência de aviação da Ruanda no primeiro momento possível, seja online ou pessoalmente na manhã seguinte. Foi aí que ele me explicou que seria quase impossível eu conseguir uma autorização de drone na agência de Ruanda, pois era um processo mega complicado, que precisa ser feito com muitas semanas de antecedência, pagando altas taxas, praticamente só para fins comerciais... Aquele videozinho do aeroporto que parecia uma moleza para turista conseguir autorização era o maior “pega trouxa”, o governo não quer drones no país de jeito nenhum! Ok, sabendo disso, preparei minha última cartada: falei para ele que não dava para ficar com meu drone retido lá porque iria sair do país por fronteira terrestre. Expliquei para o policial que, às 3h da manhã do dia seguinte, eu iria sair de Ruanda pela fronteira terrestre com Uganda, e não pelo aeroporto. Mostrei o voucher do meu tour em Uganda, era tudo verdade, mas eu não contei para ele que, depois disso, eu ainda voltaria para Ruanda duas vezes via fronteiras terrestres. Também não contei que a minha “saída final” da região seria por aquele mesmo aeroporto, quatro dias depois... Só enfatizei que, na madrugada do dia seguinte, sairia de Ruanda pela fronteira terrestre. Ele pensou um pouco e me disse que nesse caso ele iria sim liberar a minha retirada do drone, mas somente na noite anterior à minha saída, a partir das 18h! Então ele preencheu um formulário com a identificação do drone, deixou o celular dele anotado (caso ele não estivesse no aeroporto na hora da minha retirada) e finalmente, depois de mais de uma hora e meia, saí do aeroporto de Kigali com meu drone novinho retido até o dia seguinte. “Bela” maneira de começar minha viagem! No final, fiquei feliz que consegui dar um jeito de retirar o meu drone antes da saída para Uganda, pois meu objetivo principal era filmar o Nyiragongo. Por outro lado, fiquei bastante apreensivo com aquele controle todo, pois ainda teria que entrar em Ruanda pelas fronteiras terrestres duas vezes, como seria? No fundo, fiquei na dúvida se era melhor ter desistido e deixado o drone lá mesmo no aeroporto, ou se valeria a pena arriscar ter o drone confiscado cruzando algumas fronteiras terrestres remotas, por guardinhas que sabe-se lá teriam o mesmo tratamento adequado com os turistas que aquele chefe da polícia do aeroporto... Mas isso são cenas do próximo capítulo! Dia 2 -> Kigali (Ruanda) Depois do imbróglio do drone, acabei chegando no hotel lá pelas duas e tantas da manhã. Eu só tinha reservado a noite do dia seguinte, meu check-in era só a partir do meio-dia, mas eu pude pegar um quarto sem nenhum custo adicional, obrigado Hotel Okapi! Na minha pesquisa sobre Ruanda, o que mais me atraiu eram os memoriais do genocídio de 1994, especialmente o Memorial do Genocídio e o da Igreja Nyamata. Também queria aproveitar para dar uma volta no centro de Kigali e tentar conhecer o Hotel Mille dês Collines, do filme Hotel Ruanda. Aliás, além de ser um filme muito bacana, é imperdível para quem quer conhecer um pouco mais sobre o genocídio de Ruanda. No último capítulo também tem as principais referências aonde obtive as informações desse capítulo. Resumindo a história do genocídio de Ruanda: foi um massacre (em massa) de pessoas dos grupos étnicos tutsi, twa e hutus moderados que ocorreu durante a guerra civil de Ruanda, entre 7 de abril e 15 de julho de 1994 (mesmo ano da copa do mundo que o Brasil foi tetra e da morte do Ayrton Senna). Estima-se que 800 mil pessoas mortas de um país que, na época, tinha aproximadamente 7 milhões de pessoas, ou seja, aproximadamente 12% da população total do país e 70% da população Tutsi de Ruanda. Usando a mesma proporção, seria como se 22 milhões de brasileiros (de 200 milhões) fossem assassinados em 3 meses de genocídio. E, na época, eu nem sequer tinha ouvido falar a respeito... Impressionante como alguns massacres chamam a atenção da mídia e tem cobertura por aqui, enquanto outros passam despercebidos. Existem algumas opiniões meio divergentes se existiam diferenças físicas entre tutsi e hutus, ou não. Segundo o Memorial de Kigali, todos os ruandeses são originários de 18 tribos, e as categorias hutu, tutsi e twa (pigmeus) eram distinções socioeconômicas dentro dessas tribos, mas não distinção racial. Mas, em 1932, quando os colonizadores belgas começaram a emitir os cartões de identidade, a separação passou a ser mais explícita. Quem tivesse dez vacas seria um tutsi (15% da população), e qualquer um com menos de 10 vacas seria hutu (85%) e ficaria marcado na identidade. Era uma tentativa dos belgas de exercerem melhor o controle na região através de um sistema de castas sociais. E, durante todo o período colonial, a rivalidade étnica foi sendo alimentada. Os líderes que comandavam a região, apontados pelos belgas, eram sempre os tutsis. Em troca de lealdade aos belgas, os tutsis tinham melhores cargos, melhor educação, melhores empregos, excluindo a grande maioria hutu do processo socioeconômico, que obviamente não ficou nada feliz com isso.... Mas, com a escassez de terras e a fraca economia, baseada na agricultura (café), a rivalidade étnica foi aumentando. Em 1956, quando os tutsis tentam a independência, os belgas passam a apoiar os hutus, até a independência de Ruanda em 1962, quando os hutus tomaram o poder e começaram a marginalizar os tutsis. Em 1989, quando o preço do café caiu 50%, o país ficou à beira do colapso. E este roteiro a gente já conhece: crise econômica, rivalidades, um grupo culpando o outro pela crise, menos tolerância, mais extremismo. A maioria hutu passou a atribuir todas as mazelas da nação à população tutsi. Pressionados pelo revanchismo, muitos tutsis abandonaram ou foram expulsos do país, formando imensos campos de refugiados especialmente em Uganda, além da RD do Congo e Burundi. E, em Uganda, foi formada a Frente Patriótica de Ruanda (FPR), para lutar contra o governo hutu, inclusive com armas, apoiada pelo governo de Uganda. Ou seja: de um lado, o exército hutu, comandando por Ruanda, com apoio regional da RD do Congo e europeu da França, e, do outro, a Frente Patriótica de Ruanda, dos tutsis, com apoio regional da Uganda e europeu da Bélgica. Todos os ingredientes necessários para começar uma guerra civil estavam presentes! Logo começaram os combates militares e, em 1989, FPR invadiu Ruanda pela fronteira com a Uganda. Pouco tempo depois, iniciou-se uma negociação de paz entre a FPR e o governo hutu e, em 1993, houve um acordo de Arusha, na Tanzânia, que previa a criação de um governo de transição mediado pela ONU composto de hutus e tutsis. Mas, em abril de 1994, o presidente hutu Juvenal Habyarumana foi morto em um atentado contra o avião, atribuído aos tutsis, e esta foi a gota d’água que desencadeou o genocídio em Ruanda. O avião foi derrubado por um míssil quando estava para pousar em Kigali. Enquanto alguns atribuem aos tutsis da FPR a derrubada do avião, outros dizem que foram hutus extremistas que não queriam o acordo de paz e já estavam com genocídio planejado. Até hoje não se sabe ao certo quem derrubou o avião... O filme Hotel Ruanda mostra que, no início do genocídio, havia muitas milícias extremistas hutus, especialmente uma chamada Interahamwe, que pleiteava abertamente o extermínio dos tutsis (inclusive em programas de rádio). Sem os tutsis, os problemas de Ruanda desapareciam! Não se sabe ao certo se o governo hutu participava diretamente destes grupos, mas sabe-se que, pelo menos, as milícias não eram reprimidas e eram armadas pelo governo. Alguns historiadores dizem que essas milícias pareciam a forma não oficial que o governo encontrou de matar os tutsis. Existem versões que dizem que o próprio governo planejou, com meses de antecedência o genocídio. O fato é que, desde as invasões dos tutsis da FPR no norte de Ruanda, massacres esporádicos dos Tutsis em Ruanda se tornaram mais frequentes. Mas o assassinato do presidente hutu Habyarumana gerou um vácuo de poder, que serviu para as lideranças hutus extremistas e milícias conclamarem a população a exterminar os tutsis. Começaram, então, as execuções sumárias, com uma organização meticulosa. As listas de opositores do governo foram entregues às milícias, juntamente com os nomes de todos os seus familiares. Como na época as carteiras de identidade apresentavam o grupo étnico das pessoas, as milícias montaram bloqueios nas estradas onde abatiam os tutsis, muitas vezes com facões que a maioria dos ruandeses tinha em casa. Não foram só as milícias que mataram, a população em geral também participou. Quem não participou foi acusado de traição e morto também, muitos hutus moderados foram executados. As cenas dos do filme eram chocantes, as do Memorial do Genocídio, então.... E não era só matar, tinha que ser cruel. Homens (muitos com AIDS) estupravam mulheres, maridos foram obrigados a matar suas mulheres antes de serem mortos, mulheres foram obrigadas a matar crianças antes de serem mortas, crianças eram forçadas a participarem dos massacres. No interior, era pior, porque todos se conheciam e sabiam quem devia morrer. Muitas famílias foram separadas. Milhares de órfãos. Muitas famílias morreram por inteiro, sem ficar ninguém para contar a história… Isso tudo ocorreu durante mais de 3 meses, com ONU e mundo ocidental de braços cruzados. ONU e Bélgica tinham forças de segurança em Ruanda, o general canadense Romeo Dellaire chefe da missão da ONU tentou pedir ajuda para evitar o massacre, mas não foi dado à missão da ONU um mandado para parar a matança. Os belgas e a maioria da força de paz da ONU se retiraram depois que dez soldados belgas foram mortos. As forças da ONU salvaram os estrangeiros, mas não se importaram em deixar os tutsis para trás. Os franceses, que eram aliados do governo hutu, enviaram militares para criar uma zona supostamente segura, mas foram acusados de não fazer o suficiente para parar a chacina nessa área. O atual governo de Ruanda acusa a França de "ligações diretas" com o massacre - uma acusação negada por Paris. Na época, os EUA trabalharam para que conselho de segurança da ONU, que condenou o massacre, não usasse o termo genocídio, pois isso implicaria intervenção da ONU (e, por extensão, dos EUA). Na época dos massacres, os Estados Unidos ainda sofriam as consequências de sua humilhante intervenção na Somália, em que membros de milícias arrastaram corpos de soldados americanos pelas ruas da capital Mogadíscio e aparentemente não tinham interesse em repetir a história intervindo na Ruanda. O genocídio só acabou quando a FPR derrotou o governo e tomou o poder. Grande parte desta história é contada no Memorial do Genocídio de Kigali. Lembrando que, como ele foi criado pelo atual governo, tem um viés meio tutsi. Depois do final do genocídio, milhões de hutus (inclusive as milícias hutu Interahamwe e integrantes do exército), fugiram para RD do Congo. Lembrando que antes estava cheio de refugiados tutsi lá... A confusão entre Tutsis e Hutus ainda deu muito que falar na RD do Congo, eu falarei detalhes no relato dos dias do RD Congo. O líder da FPR era Paul Kagame. No governo estabelecido depois do fim do genocídio, escolheram como presidente Pasteur Bizimungu, um hutu moderado, e Paul Kagame, tutsi, como vice-presidente. Isso foi muito importante para evitar uma onda de vingança. Paul Kagame virou presidente em 2000 e está lá até hoje, sendo alvo de controvérsias. Por um lado, conseguiu muito desenvolvimento econômico e social, mas por outro, alguns acusam de violar direitos humanos e a suprimir oposição... EM TEMPO, atualização de ago/2020: vi a notícia que o ex-gerente do Hotel Miles de Coline - do filme Hotel Ruanda - Paul Rusesabagina foi preso pelo governo atual, acusado de terrorismo. Desde que foi morar no exterior, Paul Rusesabagina se tornou crítico de Paul Kagame. Eu precisava conhecer melhor este processo, mas, enfim, um governo acusar os opositores de “terrorismo” não é muito original.... Por outro lado, se, no filme, Paul Rusesabagina é retratado como herói, há também outras versões não muito abonadoras dele, envolvendo cobranças e maus tratos às pessoas que ficaram escondidas no hotel, vai saber... Meu primeiro passeio foi no Memorial do Genocídio de Kigali. A casa é meio simples, do lado de fora, tem um jardim e túmulos onde foram sepultados os restos mortais de 250 mil pessoas, muitas flores e homenagens. Ainda do lado de fora, estavam construindo um auditório coberto. Tinha bastante placa comemorativa dos 25 anos de genocídio. É um lugar agradável, mas o exterior é até modesto, não é nenhum museu mega arquitetônico, nem mega jardim, nem nada. Mas eu achei o conteúdo do memorial muito interessante. Não paga nada para entrar no memorial, mas cobrava se você quiser utilizar o audiovisual (25 $USD), e se quisesse tirar foto dentro do museu (20 $USD). Depois que eu conheci todo o museu e desisti da ida à Igreja de Nyamata, resolvi pagar a facada da taxa e tirar fotos da parte de dentro. Acabei vendo o museu inteiro duas vezes, passei umas 3h30 lá! Não achei necessário o audiovisual, porque, mesmo sem ele, tinha muita informação no museu. Ao longo de todo o museu, tem fotos, painéis e vídeos bacanas. Na primeira parte do museu, tem muitos painéis com textos bacanas contando a história do genocídio (vide vídeo Cap IV‑1, youtube.com/@destinovulcoes, link para o QR Code). Também tem uns porretes e machadinhas que foram utilizados no genocídio, e muitas fotos de locais onde houve massacres. Até aprendi o significado de machete em inglês, facão. Figura IV‑4: Algumas armas usadas no genocídio DISCLAIMER: esta parte do livro a seguir é mais pesada, com mais detalhes sobre o terrível genocídio. Quem não quiser ler este trecho, pode ir direto para o final do dia em Kigali, clicando aqui (no livro tem um link...). A próxima parte do memorial se dedica mais à memória das vítimas, com exposições de fotos, roupas e itens pessoais, crucifixos, terços e esqueletos. Figura IV‑5: Fotos das vítimas Figura IV‑6: Ossos das vítimas Esta parte de exposição dos itens das vítimas é muito triste e, impactante. O mais triste talvez seja ver os crânios. Tem alguns crânios com mega buracos bizarros, tipo de martelada! Tem muitos vídeos contando histórias muito emocionantes e tristes, como a busca pelos desaparecidos. Salvei dois vídeos dessa parte no canal, vídeo Cap IV‑2 e Cap IV‑3. Figura IV‑7: Crânios de vítimas Depois tem uma parte do memorial bem bacana sobre vários genocídios no mundo. Tem alguns que eu nem conhecia, como o genocídio da Namíbia, em 1904-1905, cometido pelos colonizadores alemães com alguns nativos africanos. Segundo o memorial, mataram 65.000 dos herero (80% da população) e 10.000 dos nama (50% da população). Além disso, o museu fala um pouco do genocídio judeu na Segunda Guerra Mundial, e depois do genocídio do Camboja, em 1975-1979, através do qual morreram 2 milhões de pessoas, 30% da população, e 95% dos templos budistas foram destruídos. Por fim, eles falam dos Bálcãs, nos anos 1990. DISCLAIMER: esta parte é a mais pesada do genocídio, quem quiser pode ir direto para o final do dia em Kigali, clicando aqui. A parte mais triste ficou para o final... A última parte é dedicada às crianças vítimas do genocídio. Eles reuniram as fotos de algumas crianças e colocaram algumas lembranças sobre as vítimas!!! Não deu para segurar as lágrimas, é de partir o coração. Especialmente para um pai com filhos pequenos, de 5 e 2 anos na época. Nesta parte, havia fotos grandes e placas em frente com algumas lembranças das vítimas: Figura IV‑8: Ariane e David Figura IV‑9: Ariane Figura IV‑10: David Ariane Umutoni, 4 anos; Comida favorita: bolo; bebida favorita: leite; Gostava de: cantar e dançar; Comportamento: uma garotinha legal (minha tradução de neat); Causa da morte: esfaqueada nos olhos e na cabeça. David Mugiraneza, 10 anos; Esporte favorito: futebol; Gostava de: fazer as pessoas sorrirem; Sonho: virar médico; Última frase: “UNAMIR* virá nos salvar”; Causa da morte: torturado até morrer. *UNAMIR = United Nations Assistance Mission for Rwanda, missão de paz para Ruanda da ONU. Um soco no estômago!! Triste demais.... Figura IV‑11: Patrick e as irmãzinhas Uwamwezi e Irene Figura IV‑12: Patrick Figura IV‑13: Irene e Uwamwezi Patrick Gashugi Shimirwa, 5 anos; Esporte favorito: andar de bicicleta; Comida favorita: Chips, carne e ovos; Melhor amiga: Alliane, sua irmã; Comportamento: um garoto quieto e bem-comportado; Causa da morte: golpe de facão. Irene Umutoni e Uwamwezi, 6 e 7 anos; Irmãs; Brinquedo favorito: uma boneca que elas dividiam; Comida favorita: frutas frescas; Comportamento: garotinhas do papai; Causa da morte: uma granada lançada no chuveiro delas. (“PQP”, granada no chuveiro!!!) Figura IV‑14: Thierry e Fillette Figura IV‑15: Thierry Figura IV‑16: Fillette Thierry Ishimwe, 9 meses; bebida favorita: leite da mamãe; Comportamento: chorava bastante; Características: um bebê pequeno e fraco; Causa da morte: facão enquanto estava nos braços da mãe. Fillette Uwase, 2 anos, brinquedo favorito: boneca; comida favorita: arroz e chips; melhor amigo: o papai dela; Comportamento: uma boa garota; Causa da morte: espremida contra parede. 9 meses e 2 anos, caramba, é desesperador!!! A que ponto chegam os seres humanos em guerras e genocídios. Crianças e bebês, é muita falta de humanidade! Tinha mais uns 3 painéis desses com lembranças, além de muitas fotos de outras vítimas do genocídio... Fortes emoções, muitas lágrimas nessa parte do memorial! Salvei um vídeo dessa parte no canal, vídeo Cap IV‑4. Final do dia em Kigali Na minha opinião, por mais triste que seja, essas desgraças e genocídios precisam ser estudados e registrados para que nunca mais voltem a acontecer. A visita ao memorial começa e termina com vídeos bacanas, de cerca de dez minutos, que falam sobre o genocídio. No final, passa uma mensagem inspiradora de reconciliação, destacando como as pessoas entenderam que a vingança não levaria a nada e não as ajudaria a viver em paz. Hoje, o país está bem melhor que muitos vizinhos, e a situação racial parece estar bem mais apaziguada. Além disso, é proibido classificar tutsi-hutus, só existem ruandeses. Gostei muito do Memorial do Genocídio, e eu achei que, no final, ficou essa imagem bonita de reconciliação. E o país, de uma forma geral, evoluiu. O PIB cresceu, em média, 8% de 2000 até 2013. A expectativa de vida cresceu 10 anos na última década. Vejo muitos mochileiros rodando pela África dizendo que Ruanda é muito limpa, organizada e tem boa infraestrutura. Aparentemente está muito melhor que Burundi, RD do Congo, Uganda, Moçambique, Zâmbia, mas, até para alinhar expectativas, está bem pior que Brasil. Nos rankings de IDH, PIB, PIB per capita, Ruanda está melhor que muito país africano, mas ainda está lá no último quarto das listas: posição 140 (ou mais) de 180 e poucos países... De qualquer forma, não deixa de ser admirável como o país se reergueu rapidamente após o genocídio. Existem vários memoriais do genocídio em Ruanda. O outro memorial que mais me interessava era na Igreja de Nyamata, meu plano inicial era ir lá no período da tarde. Mas ficava longe, 1 hora de carro de Kigali, os tours eram bem caros, táxi também, se fosse de busão ia ficar tarde, acabei desistindo. Resolvi almoçar no próprio restaurante do memorial, deixando a tarde livre para dar uma volta no centro e conhecer melhor Kigali. As fotos a seguir foram tiradas dos jardins do memorial (que fica na parte baixa da cidade) e mostram bem o contraste do centro, no alto da colina, com prédios espelhados e mais ricos e, na parte baixa, casas beeeeeeem mais simples, e até umas zonas meio rurais. Os hotéis chiques, o meu hotel sem-vergonha, e o centro comercial ficavam no alto da colina, distante uns 50 minutos a pé do memorial do genocídio, já em uma área mais simples. Figura IV‑17: Alto da colina, com prédios mais modernos Figura IV‑18: Contrastes de Kigali Fui a pé até o memorial, valeu a pena conhecer o “mundo real” de Kigali, fora do centro mais rico. Não aconteceu nada, mas eu não fiquei 100% confortável andando por lá “vestido de turista”, com mochila, câmera etc. Na volta, fiquei com preguiça de encarar aquela subida e pedi para o recepcionista do memorial chamar um táxi, e ainda bem que eu tinha combinado o preço com esse cara da recepção, porque o espertinho do taxista estava querendo dar uma de João-sem-braço e me cobrar o dobro.... Minha primeira parada foi no Hotel Mille des Collines, famoso Hotel Ruanda do filme. Fingi que ia comer algo no restaurante do hotel para conhecer a área externa. Em pensar que, quando cortaram a água do hotel, essa piscina foi a única fonte de água de mais de mil pessoas refugiadas ali (segundo o filme)! Depois, dei uma volta rápida pelo centro. Alguns prédios modernos, hotéis bacanas, shoppings. Como os gorilas são a principal atração turística de Ruanda, também tem bastante estátua e adereços relacionados a eles pelas ruas. Figura IV‑19: Piscina do “Hotel Ruanda” Figura IV‑20: Uma das muitas rotatórias decoradas com gorilas Memorial do Genocídio: #valeapena Dia 3 -> Gorilla trekking (Uganda) Por questões logísticas, financeiras, de segurança e até "epidêmicas" que eu expliquei no início do capítulo, eu achei melhor fazer o gorilla trekking em Uganda. Os gorilas da montanha sofreram anos de caça predatória, o que reduziu drasticamente sua população na África. Dizem, inclusive, que eles migraram para regiões mais montanhosas e se adaptaram a altitudes elevadas justamente para escapar da caça. Mas, ultimamente, os governos da região da tríplice fronteira entre Uganda, Ruanda e RD do Congo passaram a cuidar deles de forma mais efetiva. E depois que perceberam o potencial turístico, têm feito um enorme esforço para protegê-los e, através do turismo, incentivar a conscientização e levantar recursos para continuar o trabalho de proteção. Os gorilas da montanha só existem em Uganda, Ruanda e RD do Congo (embora existam outras espécies de gorila na parte ocidental da África). Eles vivem livres nas florestas, demarcadas em parques nacionais. Hoje a população de gorilas da montanha começou a crescer, já tem uns mil. Eu fui ver os gorilas no Parque Nacional Mgahinga, que é uma pequena continuação do Parque Nacional Virunga, cruzando a fronteira do lado de Uganda. A continuação do Virunga no lado da Ruanda chama-se Parque Nacional dos Vulcões. Em Uganda, ainda existem gorilas da montanha em outro parque nacional, o Bwindi, que é maior e abriga mais gorilas que o Parque Nacional Mgahinga. No geral, achei os parques nacionais relativamente bem cuidados. O sistema de visitas de gorilas é limitado em número de pessoas e duração (uma hora por dia), com proteção dos rangers (guardas florestais). O trabalha dos governos pareceu bem planejado e sustentável, embora o custo dos passeios seja bem alto. Os gorilas da montanha são imensos, estilo King Kong. O macho silverback mais alto já registrado pesava 219 kg e media 1,95 metros de altura (na média, são um pouco menores). Eles têm hábitos familiares e diurnos. Eles são 95% vegetarianos, se alimentando principalmente de um tipo de bambu. Os outros 5% são de formigas, que complementam a proteína na alimentação deles. Ao contrário dos chimpanzés, por exemplo, que vivem mais nas copas das árvores, eles vivem majoritariamente no chão. É possível chegar muito perto deles, uns 5 metros. Devido ao turismo recente, desde a década de 90, muitos já estão habituados à presença humana. Somente as famílias habituadas podem ser visitadas. Eu decidi ir no Mgahinga National Park em vez do Bwindi National Park (o mais famoso em Uganda), porque ficava mais perto da fronteira com Ruanda. O preço era o mesmo, mas, apesar de ambos ficarem próximos à cidade de Kisoro, a entrada do gorilla trekking, no Mgahinga, ficava a 30 minutos da fronteira, enquanto a entrada mais próxima para gorilla trekking do Bwindi ficava a 1h30 da fronteira. Achei que Mgahinga foi uma boa escolha pela distância e também porque a mata no Bwindi é bem mais densa, tornando o trekking lá teoricamente mais desafiador. Além disso, achei bacana que o gorilla trekking no Mgahinga é feito aos pés do belo vulcão inativo Muhabura (4127 m), na divisa de Uganda com Ruanda. A região é bem bonita, de um lado, tem o Parque Nacional dos Vulcões, em Ruanda e, do lado de Uganda, o Mgahinga. O gorilla trekking era um passeio que eu queria muito fazer, as minhas expectativas eram bem altas. Mas era bem caro, só a entrada no parque (licença para turista) custava 600 $USD e ainda tinha o translado, o visto do país e a gorjeta. Eu tinha lido muitos relatos de viajantes impressionados com a experiência de visitar os gorilas da montanha em seu habitat natural, no meio da floresta, sem cercas e sem a proteção de um carro, como nos safaris. Muito legal ficar a poucos metros desses bichos gigantes, mas inofensivos, com hábitos parecidos com os nossos e, dependendo do ponto de vista, até fofinhos 🤣 . E, como os rangers monitoram as famílias de gorilas todos os dias, a chance de vê-los é praticamente 100 %. A atração principal do passeio era, sem dúvida, a ver os gorilas, mas também fazia parte da aventura fazer um trekking na segunda maior floresta tropical do mundo, depois da Amazônia! Vi programas de tv, viajantes e operadores de tours falando bastante sobre a desafiadora caminhada na mata até encontrar os gorilas. Não dava para saber de antemão o tempo da caminhada, poderia chegar a 3h no meio da mata virgem, com mosquitada e, eventualmente, chuvas e outros perrengues. Inclusive, o passeio só era permitido para turistas a partir de 15 anos. Nos vídeos que assisti, achava muito legal o momento que os rangers/nativos encontravam a família de gorilas: sempre tinha a cena de um dos rangers com seu enorme facão cortando o mato e logo apareciam os gorilas! Me lembro que, quando eu cheguei na guarita do parque com minha mochila apenas com câmeras, água e um biscoitinho (devia estar com menos de 4 kg), o ranger perguntou se eu não ia querer pagar 25 $USD para um porter levar minha mochilinha. Quando eu disse que não, ele ficou me assustando, dizendo que eu não ia conseguir fazer a trilha com a mochilinha nas costas, que eu não sabia o que me esperava, que era muito puxado o trekking etc. A minha logística desse dia ficou meio corrida. Contratei uma agência que ia me levar de Kigali (Ruanda) até o gorilla trekking em Uganda. Marquei minha saída 3h da manhã (horário de Ruanda, Uganda fica uma hora na frente). Foram quase 4h de viagem de Kigali até a fronteira em Cyanika, com vários checkpoints militares. A fronteira só abria 8h horário de Ruanda, 7h horário Uganda. Mas foi um belo trampinho para cruzar fronteira, especialmente os trâmites burocráticos do carro no lado de Ruanda, que, inclusive, demorou mais do que o previsto. Eu estava bastante preocupado porque sempre falavam que a saída dos gorilla trekkings era pontualmente às 8h, e só saímos da fronteira nesse horário! Chegamos no Mgahinga com uns 30 minutos de atraso, mas, felizmente, o cara da minha agência de turismo, “véio de guerra”, já tinha ligado para o ranger, avisando do nosso problema para cruzar a fronteira, e eles nos esperaram sem problemas. Na verdade, ainda tive que esperar outro grupo com três senhoras que tinha ido para uma guarita diferente do Mgahinga e também estavam chegando um pouco mais tarde. Eles dividiram o grupo, os primeiros cinco que chegaram às 8h saíram com um ranger, e eu e as três senhoras saímos depois. Começamos em uma guarita, onde paramos o carro, e após uma curta caminhada de uns 15 minutos em um descampado aos pés do Vulcão Muhavura, chegamos ao campo base de Muhavura, local de início do gorilla trekking. A trilha até lá era aberta, cheia de pedras e bem tranquila. Lá, o ranger faz algumas explicações básicas sobre o que podia e o que não podia ser feito, e nos falou sobre a família de gorilas que iríamos visitar: Família Nyakazegi, que tinha 8 integrantes. O destaque era 3 silverbacks na mesma família! Acabou que, na visita, não encontramos um deles, que estava em algum outro lugar da floresta, dando um “rolêzinho”... E seguimos para a nossa caminhada. Quando começamos a caminhar na floresta, primeira surpresa, o caminho estava cheio de trilhas muito bem demarcadas. A vegetação não era tão densa assim, também não era a mata virgem e inexplorada que eu estava esperando.... Era mais fácil caminhar lá do que caminhar no mato do sitiozinho da família em Cunha 🤣🤣🤣 . Parecia mais um parque nacional europeu, do que uma floresta tropical impenetrável... Logo encontramos a família Nyakazegi e, se tiver dado 30 minutos de caminhada, foi muito. Os rangers explicam que os turistas devem manter uma distância de 7 metros (às vezes ficávamos um pouco menos, uns 5 metros), mas é importante não ir na direção deles além disso, porque eles podem interpretar como uma ameaça e achar que você quer atacá-los. Porém, se eles vierem na sua direção quando você estiver parado, observando, supostamente não tem problema... Os rangers garantiram que não “pega nada”! Figura IV‑21: Distância dos gorilas Nós ficamos bem perto deles, e, na maior parte do tempo, eles nos ignoraram. Os adultos praticamente descansaram ou dormiram o tempo todo, exceto no final, quando o dorminhoco silverback foi comer.... Já os filhotes nos divertiram, subiam árvores, brincavam com os outros e, depois iam ficar com a mãe, uma belezinha! A relação de carinho entre as mães e filhotes é muito bacana, fazendo cafuné, é muito parecido com o ser humano. Figura IV‑22: Gorilona sossegada... Figura IV‑23: Filhote brincando nas árvores Figura IV‑24: Mãozinha e pezinho fofo.... Compartilhei no canal três vídeos da Familia Nyakazegi, Cap IV‑5, Cap IV‑6 e Cap IV‑7. No final, quando Silverback levantou e foi comer, pudemos observá-lo um pouco mais de perto (vídeo Cap IV‑8). Figura IV‑25: Silverback Inclusive, tivemos a sorte de pegar a mamãe amamentando um filhote. Fiz um vídeo, o guia nos garantiu que era uma amamentação, mas, no vídeo (Cap IV‑9, salvo no canal), não dava para ver direito.... Às vezes, parecia que os bebês estavam brigando, mas era só brincadeira de irmãos: Figura IV‑26: Brincadeiras de irmãos.... Salvei mais dois vídeos dos irmãos brincado, Cap IV‑10 e Cap IV‑11. No final das contas, eu gostei do passeio, mas...., eu estava com uma expectativa maior. Minha sensação foi boa, mas eu confesso que esperava mais! Eu estava esperando uma superaventura no meio da floresta selvagem, tipo os relatos do Divanei das Travessias Expedicionárias na Serra do Mar paulista (Ref. 16).... Ok, nem tanto, exagerei um pouco, mas a expectativa era alta. E caminhamos o tempo todo por trilhas tranquilas até chegar nos gorilas, que, na verdade, os rangers já tinham localizado faz tempo. E, quando chegamos, o cara corta um ou outro matinho com o facão para fazer uma graça, bem fake, era só seguir a trilha ao lado para chegar nos gorilas... Já assisti a alguns vídeos no Virunga (RD do Congo) e Bwindi (Uganda), que parecem um pouco mais selvagem. Mesmo assim, eu não esperaria encontrar uma selva inexplorada em nenhum desses parques. Conheci australianos que fizeram três gorilla trekking: dois no Bwindi, e um no Virunga. Eles acharam o Virunga foi o melhor por causa da proximidade com os gorilas e da rapidez para encontra-los. Eles deram sorte: um gorila foi até eles, chegando a tocar nele, e outro passou bem perto. No Bwindi, encontraram os gorilas com facilidade na primeira visita (não houve muita iteração), mas na segunda, tiveram que caminhar 3h (e depois voltar todo o caminho). Falaram que foi tão cansativo que mal conseguiram aproveitar a experiência.... As outras senhoras que foram comigo já haviam feito dois gorilla trekkings em Ruanda, onde acharam mais estruturado, com mais trilhas demarcadas e menos cara de floresta. Também acharam os gorilas rápidos, a família de gorila era grande e a iteração foi parecida. Elas preferiram o Mgahinga, pois a natureza estava mais intocada. Pelo que eu vi e ouvi, cheguei à conclusão de que o melhor era ir no Mgahinga mesmo, mas com expectativa “correta” em relação à “aventura na floresta”. O trekking lá é quase como caminhar na roça... Detesto quando eu crio muita expectativa! Quanto aos gorilas, você vai ver uma família de gorilas, vai chegar bem perto, mas normalmente eles vão te ignorar. É torcer para eles estarem mais ativos. No final das contas, eu acho que o gorilla trekking #valeapena, não deixa de ser uma experiência única estar no meio da floresta parque nacional a 5 metros dos gorilas! Mas eu não classifiquei como #imperdível por causa do preço de 600 $USD, difícil um passeio com este custo ser #imperdível. Dica para quem for: não se esqueçam de comprar com uma boa antecedência, eu diria, pelo menos, 2 meses se for em baixa temporada. Outro lado bom do passeio ser menos “desafiador” é que terminou mais cedo. Foram 3h desde a saída do estacionamento até voltarmos, e às 12h estava voltando para Ruanda. Infelizmente Uganda foi minha visita relâmpago, só fiz o gorila trekking e de lá segui no translado até Gisenyi, mais uma bela pernada de 3h. Em Gisenyi, escolhi um hotel bem próximo da fronteira, pois atravessaria para a RD do Congo na manhã seguinte e só voltaria no outro dia. Após um merecidíssimo almoço, fui dar uma volta na cidade e na beira do Lago Kivu. A cidade parece bem agradável, dizem que é onde os ricos de Ruanda têm casa de “praia”, já que o país não tem saída para o mar. O Lago Kivu e os hotéis à “beira mar” pareceram bem bacanas, uma boa parada para quem estiver de passagem pela região. Figura IV‑27: Pôr do sol no Lago Kivu Gorilla trekking: #valeapena Gisenyi e Lake Kivu: #legalzinho Saga do Drone Por fim, a saga do drone! Depois do imbróglio do primeiro dia, conversei bastante com o cara da agência que organizou o meu gorilla trekking. Perguntei sobre os controles da fronteira que eu iria atravessar. Apesar dessa fronteira específica de Cyanika-Kisoro ser bem pouco movimentada, ele me alertou que, do lado de Ruanda, eles revistam todas as bagagens que entram no país. Ele me disse que, em Uganda, o uso de drones também é proibido, mas o controle policial na fronteira era mais tranquilo. Essa conversa tinha ocorrido no dia anterior à minha ida ao aeroporto para pegar o drone. Naquele momento, fiquei na dúvida se era melhor deixar o drone lá no aeroporto mesmo e desistir de usá-lo no Nyiragongo, ou tentar atravessar (ida e volta) nas fronteiras terrestres Ruanda-Uganda e Ruanda-RD do Congo. Fiquei pensando no que aconteceria se alguém pegasse o meu drone nessa fronteira terrestre. Tinha grande chance de perder o meu drone, ou, na melhor das hipóteses, ele ficaria retido lá e, com sorte, me devolveriam algumas horas antes da minha ida ao aeroporto... Mesmo assim, resolvi arriscar e fui buscar o drone no aeroporto de Kigali no horário combinado com aquele chefe de polícia. O jeito era esconder bem escondido o drone na minha mala de mão (o mais fundo que dava em uma mala de mão de sete quilos!) e tentar atravessar as fronteiras terrestres com ele. Eu também tirei uma foto do formulário do meu drone retido no aeroporto com o telefone do chefe da polícia que me atendeu para tentar alguma coisa caso eu fosse pego. Como esperado, chegando na fronteira na ida para Uganda, foi tranquilo, nenhuma revista para sair de Ruanda, nem para entrar em Uganda. Mas vi que, na entrada de Ruanda, tinha um micro-ônibus e TODOS os passageiros tiveram que abrir TODAS as malas, seja de mão ou não, para o soldado revistar! Na hora eu pensei: “pqp”, Fu☠️☠️☠️!!! Quando estávamos voltando para Ruanda, depois do gorilla trekking, o soldado de Ruanda me pediu para eu abrir minhas malas (conforme o esperado). Ele examinou com carinho minha mochila de ataque e viu tudo lá, câmeras, carregadores e lentes. Detalhe: o controle remoto do drone estava lá no meio... Não sei se o soldado reconheceu que era um controle remoto de drone, mas ele olhou com bastante cuidado todos os compartimentos da mochila de ataque e perguntou com essas palavras: “do you have a drone?” Nessa hora, eu gelei, “tremi na base”! Se eu minto e depois o cara acha o drone na minha mala de mão, como vou tentar contar com alguma boa vontade dele?... Por outro lado, se eu falo que sim, só Deus sabe se um dia eu vou ver de novo meu drone novinho em folha. Eu fingi que não entendi a pergunta e continuei abrindo as malas. Mas ele não se deu por satisfeito e perguntou de novo: “do you have a drone?”! Não dava mais para fingir que não tinha ouvido, tive que responder..., e..., decidi dizer que não tinha drone! Aí chegou a hora de abrir minha mala de mão, minhas pernas tremiam mais que vara verde, tipo no bungee jumping! Minha mala de mão tinha dois compartimentos, o drone estava no maior. Fiquei um tempão mostrando todos os detalhes da outra metade, a menor... Abri o zíper, tirei uma meia daqui, mostrava o fundo da mala, tirava uma camiseta de outra parte, mostrava o fundo da mala, e assim por diante. E, quando fui para o lado que estava o drone, mostrei só a metade de cima e perguntei se já estava suficiente e.... (mistério...............): Ele fez um joinha!!! Ufa, fechei a mala e consegui respirar de novo 🤣🤣🤣 ! Que “cagaço”, ia perder meu drone novinho em folha na minha primeira viagem. Depois dessa, atravessando essa “mini-fronteira” com Uganda, achei que teria grande chance de dar problema na próxima fronteira terrestre, entre Gisenyi - Goma, uma fronteira muito movimentada. Como eu já ia deixar uma mala de mão no hotel em Gisenyi para pegar depois do trekking do Nyiragongo, resolvi esconder o drone lá. Acabou sendo a melhor coisa que eu fiz, quando fui atravessar a fronteira para a RD do Congo no dia seguinte, vi que, naquela fronteira, a revista de todas as malas era com raio-x! Ou seja, meu drone seria pego com certeza. Um detalhe: desde o aeroporto, quando avisei ao guarda que tinha drone, eu estava com uma dúvida: será que, se eu não falasse que estava com o drone na mala, os soldados conseguiriam detectá-lo com os raios-x? Esclareci essa dúvida no último dia, voltando para o aeroporto de Kigali. Na entrada de pedestre do aeroporto, havia um raio-x, tive que passar com as malas e eles detectaram o drone, sim! E, mesmo com a minha passagem para sair do país em 4h, o guarda encheu o meu saco para caramba! Minha sorte foi que eu tinha tirado uma foto daquele formulário do chefe de polícia que havia retido o drone na minha entrada do país. Expliquei que saí do país por terra, por isso peguei o drone e tive autorização do chefe da polícia, mas agora estava indo embora. O cara ainda ligou para o chefe da polícia, e só me liberou quando confirmou que minha história era verdadeira. Por um lado, foi até bom ter passado por aquela confusão logo no primeiro dia. Consegui entender direito como funcionava o sistema no aeroporto, que era um lugar com mais estrutura, imagina se eu tivesse o drone retido nas fronteiras terrestres no meio do nada... Dia 4 -> Nyiragongo (RD do Congo) Vou começar falando um pouco da República Democrática (RD) do Congo, ex-Zaire e ex-colônia da Bélgica. Alguns, inclusive, chamam o país de “Congo Belga”, já que a República do Congo (sem o “democrática”) foi colonizada pelos franceses. É considerado um dos mais pobres países do mundo e está entre os 10 menores PIB per capita do mundo. Seu Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) está entre os mais baixos do mundo, 0.459, em 2018, posição 179 entre 189 países avaliados. A RD do Congo é um país muito grande, o 11° maior país do mundo e é palco de conflitos por conta de rivalidades étnicas e, também, por recursos naturais. Considerado um dos países mais ricos do mundo nesse aspecto, seus recursos financiam milícias e são contrabandeados para países vizinhos, como Ruanda, Uganda e Burundi. São quase 30 anos de guerra civil, com a participação de milícias e exércitos de países vizinhos. É a maior e mais sangrenta guerra desde a Segunda Guerra Mundial. Na República Democrática do Congo, também está a maior e mais cara missão de paz (i.e. militar) da ONU, chamada Monusco, que já teve mais de 22 mil pessoas de vários países. Dois generais brasileiros, inclusive, já lideraram essa missão. Grande parte da missão está em Goma, pois a instabilidade na RD do Congo está bastante concentrada naquela região, próxima ao Nyiragongo e às fronteiras com Uganda, Ruanda e Burundi. O país está em guerra civil praticamente desde a sua independência da Bélgica, em 1960. Houve muita confusão, instabilidade, tentativas de eleição, assassinato do primeiro presidente e vários golpes. Na década de 60, inclusive o Che Guevara esteve nas lutas na RD do Congo! Até que, em 1965, um ditador anticomunista, Mobutu Sese Seko (apoiado pelos EUA na época da Guerra Fria), tomou o poder e lá ficou por 32 anos. Foi Mobutu que mudou o nome do país para Zaire. Mas a pior parte da guerra civil da RD do Congo tem raízes no genocídio de Ruanda, em 1994, e já matou cerca de 6 milhões de pessoas (7% da população de um país tem 86 milhões de habitantes). Em 1994, depois que os tutsis da Frente Patriótica Ruandesa (FPR) tomaram o poder, rebeldes hutus, inclusive aquelas milícias mais radicais Interahamwe, se refugiaram nas florestas do leste da RD do Congo. A chegada dos refugiados desestabilizou a região, habitada há mais de 200 anos pelos tutsis baniamulenges, inimigos históricos dos hutus. Sentindo-se negligenciados por Mobutu, que tolerou a presença dos hutus na região, os tutsis baniamulenges iniciaram uma rebelião em outubro de 1996, liderados por Laurent-Désiré Kabila, apoiados por Uganda e Ruanda. Em 1997, Laurent-Désiré Kabila assumiu o poder e retomou o antigo nome do país — República Democrática do Congo. Mobutu Sese Seko foi forçado a se exilar. Esta foi a primeira guerra civil da RD do Congo, de 1996 até 1997. Mas logo os problemas econômicos e a visão de que Kabila era um peão de potências estrangeiras puxaram muito a popularidade do presidente para baixo, gerando muita instabilidade. Tentando demonstrar força, Kabila começou a tomar medidas nacionalistas, em detrimento de Ruanda, Uganda e dos outros aliados, que romperam com ele. Em 1998, ele exigiu que as tropas de Ruanda e Uganda se retirassem e, em 1998, começou a segunda guerra civil da RD do Congo, seguindo a mesma linha da primeira: iniciados no leste, por militares tutsis baniamulenges, com apoio de Ruanda e Uganda, agora contra o Kabila. Enfraquecido, Laurent-Désiré Kabila pediu socorro militar à Angola, Zimbábue e Namíbia para frear o avanço dos tutsis baniamulenges, que já ocupavam grandes áreas do território congolês. Em resposta, Uganda e Ruanda começaram a intervir diretamente. A região inteira entrou em conflito, que ficou conhecido como a Grande Guerra da África. Em 1998, até o Nelson Mandela se envolveu nas negociações de paz! Assim, foi assinado um cessar-fogo (acordo de Lusaka), obrigando Laurent-Désiré Kabila a prometer eleições gerais para 1999. Contudo, ele não foi cumprido. Em 2001, Laurent-Désiré Kabila foi morto por seu guarda-costas. Joseph Kabila, seu filho, assumiu o governo, iniciou o processo de paz e prometeu eleições. Os acordos para a democratização avançaram. A retirada das tropas estrangeiras teve início em 2002. Em 6 de dezembro de 2006, Joseph Kabila seria eleito presidente na primeira eleição geral em 40 anos na história do país. A segunda guerra civil da RD do Congo terminou oficialmente em 2003, quando o governo de transição da República Democrática do Congo tomou o poder, mas a “treta” continuou.... Após ser eleito presidente em 2006, Joseph Kabila atuou para desmobilizar vários grupos rebeldes e reuni-los ao exército congolês. No entanto, com o país destruído, com a absoluta ausência do Estado e com uma diversidade de riquezas em uma vasta área sem controle e lei, dezenas de grupos armados passaram a dominar regiões inteiras do país, cujo exército e missões da ONU “penam” para controlar. Desde então, o leste da RD do Congo vive uma guerra sem-fim com milícias lutando entre si, contra o próprio exército congolês e contra exércitos estrangeiros, como as Forças Armadas de Ruanda, que ainda caçam os hutus responsáveis pelo genocídio de 30 anos atrás. Recursos minerais têm sido há muito tempo um fator na crise prolongada, com vários grupos armados lutando pelo controle de minas lucrativas de diamantes e ouro e usando os lucros para financiar guerras. Um dos casos mais famosos ocorreu em novembro de 2012. Uma milícia chamada M23, supostamente financiada por Uganda e/ou Ruanda, derrotou o exército congolês, invadiu Goma e forçou os capacetes azuis da ONU abandonarem a cidade. O filme Virunga, documentário disponível na Netflix, fala sobre esse período, vale a pena assistir. Por causa disso, a Monusco, missão de paz da ONU na RD do Congo, é a primeira missão em que o conceito de “manutenção da paz” foi alterado para “imposição da paz”. Não se trata apenas de semântica. Os capacetes azuis, pela primeira vez desde 1948, têm autorização para caçar, prender e matar aqueles que o Conselho de Segurança considerar inimigos. O M23 foi derrotado, mas dezenas de milícias rebeldes continuam atuando no leste da RD do Congo, explorando as riquezas e dominando territórios. Provavelmente sobrevivem extraindo riquezas e contrabandeando com apoio de países vizinhos. Estima-se que, em seu subsolo, esteja guardado algo como US$ 24 trilhões em ouro, cobalto, cobre, diamante etc. Nesses links (Ref. 24 e Ref. 25) e na Wikipedia tem mais informações sobre os conflitos. Os civis são as maiores vítimas de tanta guerra e confusão. Estima-se que até hoje entre 5,5 milhões e seis milhões de pessoas tenham morrido. Outros três milhões vivem em campos de refugiados. Dezenas de milhares de mulheres foram vítimas de estupros coletivos, que se tornaram uma arma de guerra. A RD do Congo é conhecida como a capital mundial da violência sexual. Todos os anos, milhares de mulheres (95%), homens e crianças são alvos de estupros coletivos praticados por dezenas de grupos armados que atuam no país, mas também por soldados do próprio exército congolês. Denis Mukwege, ginecologista congolês, especializado no tratamento de mulheres violentadas na guerra civil do Congo, foi um dos ganhadores do Nobel da paz em 2018! Ele tratou mais de 21.000 mulheres durante os 12 anos de guerra, algumas mais de uma vez, chegando a fazer mais de dez cirurgias por dia em turnos de trabalho de mais de 18h. E como se não bastasse toda essa “treta”, ainda tinha o ebola! Como eu expliquei, por questões logísticas e “epidêmicas”, resolvi passar o menor tempo possível na RD do Congo, só para fazer o trekking de dois dias do Monte Nyiragongo. A subida até o topo do Monte Nyiragongo percorre uma distância de 7 km, com uma elevação de ~1600m, partindo de 1870m até 3470m. A jornada vai de uma floresta tropical, em latitude próxima ao Equador, com temperaturas em torno de 30oC, até o cume de um vulcão, onde aa temperaturas podem cair para perto de 0oC à noite. É uma trilha bem pesada, cansativa e desafiadora. O ponto de encontro é o escritório do Virunga National Park no posto da fronteira Goma – Gisenyi. Quando cheguei no escritório, fiquei sabendo quais seriam meus companheiros de tour: um casal de 65 anos da Austrália! Eles não tinham a menor pinta de aventureiros, nem pelo físico, nem pela roupa, tênis etc. Segue a foto dos australianos comigo na base do vulcão (além dos guias, portes, e escolta armada). Figura IV‑28: Eu, o casal australiano e toda a equipe do tour Até o funcionário do escritório do Virunga ficou preocupado na hora que viu eles, é ruim fazer um trekking longo com pessoas com ritmos muito diferentes. No entanto, assim que começamos o primeiro trecho, a senhora logo percebeu que a subida era muito pesada e decidiu desistir. Eu ainda estava na dúvida como ia ser com o senhor de 65 anos.... No final, descobri que ele tinha um preparo melhor que o meu! Foi uma excelente companhia, se chamava Brian, apesar de bem magrelo, era meio atleta e me contou que já jogou tênis profissionalmente. Aposentados, eles me disseram que estavam caminhando 8 km por dia para se preparar para a subida do vulcão. De Goma até a base do Nyiragongo, são só 20 km. Mas ainda passamos por alguns trâmites de fronteira, pegamos as mochilas/comidas e a escolta armada na sede operacional, e ainda paramos em vários checkpoints de ebola, o que acaba atrasando o início do trekking. Logo no centro de Goma, já dava para ver o Monte Nyiragongo, imponente. Durante todo o caminho até a base do trekking, lá estava ele monumental, soltando muita fumaça a 3480m, mostrando que naquela região do Rift Valley, quem manda é ele! Figura IV‑29: Monte Nyiragongo Nosso trekking começou por volta das 10h. A subida é bem difícil, a trilha não tem zigue-zague, cansa bastante. O último trecho é especialmente íngreme. Foram cerca de 5h30 só de caminhada, com pelo menos cinco paradas de uns 15 minutos para lanche (o almoço que é mais longo), e uma sexta parada intermediária. Finalmente, por volta das 17h, chegamos no topo! Assim como no gorilla trekking, achei o trecho inicial da floresta bem “menos” selvagem que eu estava esperando, trilha larga, como na foto de toda a equipe do tour. Logo depois da primeira parada, a vegetação fica mais aberta, ainda bastante verde, mas a maior dificuldade logo a partir da segunda parada era o solo vulcânico, cheio de rochas escorregadias, redondinhas, pareciam esferas de rolamentos e, na descida, era tombo na certa. Só no último trecho da subida que a vegetação fica bem menor, com mais arbustos e, também, já dava para ver mais de perto as cabanas que iríamos pernoitar no topo do vulcão. Figura IV‑30: Vegetação no último trecho da subida Com relação ao clima, pelas minhas pesquisas, de outubro ao início de dezembro, era a época de chuva, e setembro seria mais seco. Mas lá o pessoal falou que setembro era época de chuva também, que estava chovendo quase todo dia. No dia que eu fui, o tempo estava muito louco, de repente abria, do nada fechava, às vezes chovia bem pouco. Na maioria do tempo, a chuva até refrescava, achei excelente não pegar aquele sol escaldante nas partes mais abertas. Só teve uns 10 minutos que choveu forte, a ponto de colocarmos a capa de chuva, mas depois abriu o tempo de novo, felizmente. Quando estávamos subindo, às vezes o topo do vulcão estava 100% aberto, outras vezes estava encoberto por nuvens. Às vezes dava para ver muita fumaça saindo do vulcão, outras vezes não... Tinha hora que a gente olhava o topo do vulcão coberto e não sabia se aquilo era nuvem ou fumaça, o tempo mudava muito! Eu e o Brian estávamos com bastante medo de, após 7h e 1500 m de elevação camelando, chegarmos no topo e não conseguir enxergar o lago de lava. Quando chegamos lá no alto... e... (suspense...) estava tudo aberto, ufa!!!! Todo o esforço valeu a pena! Que espetáculo avassalador assistir aquele lago de lava borbulhando, magnífico. Foi uma experiência única, de contemplação, satisfação, agradecimento... Vou parar de falar, melhor mostrar as fotos! Figura IV‑31: Lago de lava do Monte Nyiragongo Os 3 próximos vídeos do canal mostram uma visão panorâmica do topo do vulcão (Cap IV‑12 e Cap IV‑13), e um momento com muitas nuvens entrando na cratera (Cap IV‑14). O Vulcão Nyiragongo tem algumas características únicas. É um estratovulcão clássico, daqueles com formato cônicos e íngreme, mas com um topo bem largo. Seu topo tem uma borda imensa de 1.2 km de diâmetro! Dessa borda no alto vulcão, temos uma visão espetacular da parede (muito íngreme) e das crateras internas do vulcão. A cratera principal, onde está o lago de lava, está a 250 m de profundidade e a 2 km da borda do vulcão. Figura IV‑32: Vista grande angular do interior do vulcão Além do lago de lava, em toda a área interna do vulcão, eu conseguia ver alguma atividade vulcânica, principalmente algumas fumarolas e vapor saindo do solo. Os guias me disseram que, às vezes, surgem novas aberturas (vents) expelindo lava, especialmente um pequeno vulcãozinho ao lado da cratera principal (marquei com seta vermelha na próxima foto). Outro dia eu estava vendo fotos na Instagram do Drew Binsky (Ref. 18), que foi no Nyiragongo uns três meses depois que eu fui, e ele teve a sorte de pegar esse pequeno vulcãozinho expelindo muita lava também. Se formaram vários rios de lava ao redor do lago principal, muito show. Figura IV‑33: Vulcãozinho ao lado da cratera principal Lá de cima, ficamos admirando o lago de lava. Só cientistas podem descer até a beira do lago. Às vezes, eu me pergunto: se fosse possível, será que eu iria perder o pouco de noção de perigo que ainda me resta e desceria até lá? Ainda bem que não oferecem para turistas, mais seguro ficar observando de longe mesmo. Aliás, um dos documentários do casal Krafft relata que, em 1973, eles passaram 2 semanas acampados lá embaixo, contemplando de perto toda aquela atividade, instável e imprevisível que, a qualquer momento, poderia vitimá-los. Maurice disse que eles eram loucos de permanecer lá, mas, mesmo assim, eles continuaram, pois, nas suas palavras, “a curiosidade é maior do que o medo”... Apesar da distância, é incrível observar as lavas borbulhando, fervendo, espalhando uma fumaça branca densa que logo se misturariam com as nuvens no céu, impressionante! Alguns trechos do lago de lava, onde não tinha lava borbulhando, tinha lava líquida vermelha incandescente fluindo como se fossem rios atravessando uns trechos de lavas líquidas escuros... Tudo isso em constante movimento, incrível! E, quando anoiteceu, o lago de lava ficou ainda mais impressionante! Toda a fumaça que saía daquele caldeirão ganhava uma cor alaranjada, brilhante e deslumbrante. À noite, é espetacular ver a lava vermelha brilhando entre as fraturas da crosta resfriada, borbulhando, fervendo incandescente, em inabalável movimento. Curti cada segundo aquela sensação fantástica, que espetáculo! A fumaça alaranjada, no meio da escuridão, tornava ainda mais impressionante o lago de lava vermelha efervescente!! Figura IV‑34: Lago de Lava do Monte Nyiragongo Lembrando que não ficamos tão perto do lago de lava, estamos a uns 2 quilômetros de distância. A seguir, coloquei algumas fotos da minha câmera (sensor cropado) sem nenhum zoom, até o zoom máximo da minha lente (7,5x). Figura IV‑35: Vista sem zoom Figura IV‑36: Vista com zoom Às vezes o lago de lava ficava encoberto; ora pela fumaça densa e espessa que saía dele, ora pelas nuvens invadiam a cratera e, de repente, sumiam... Surreal! Mas, na maior parte do tempo, a vista ficou muito show. Várias e várias vezes pegamos excelentes visibilidade, e o lago de lava parecia muito ativo! Na manhã seguinte, por exemplo, não estava tão brilhante. Salvei no canal 2 vídeos do final da tarde, e mais quatro vídeos do vulcão à noite (Cap IV‑15, Cap IV‑16, Cap IV‑17, Cap IV‑18, Cap IV‑19 e Cap IV‑20), espetacular! Pena que não estava com o meu drone... Também pesquisei na Wikipedia mais informações daquele lago de lava. A lava do Nyiragongo é feita de melilita nefelinita, um alcalino cuja composição química pode ser um fator para a fluidez incomum das lavas lá. Enquanto a maioria dos fluxos de lava se movem muito devagar e raramente apresentam risco para os humanos, os fluxos de lava do Nyiragongo podem chegar a correr a mais de 100Km/h. Em 1977, a ruptura da parede da cratera e a lava fluíram a velocidades de mais de 100 km/h, matando 70 pessoas. Em 2002, a última grande erupção atingiu rapidamente a periferia de Goma e chegou até o Lago Kivu, com 400 mil pessoas evacuadas, mais de 45 mortos, 4500 edifícios de goma destruídos e 120 mil desabrigados. Foi a erupção mais destrutiva da história moderna. É o vulcão com maior lago de lava do mundo, é também o mais ativo e provavelmente mais perigoso da África. Como se não bastasse o Nyiragongo, o Lago Kivu tem muita atividade vulcânica subaquática. Parece que é um dos raros lugares do mundo com risco alto de erupção límnica. A Wikipedia explica: é quando gases como monóxido e dióxido de carbono contidos em interior de lagos de origem vulcânica subitamente irrompem de suas águas profundas, formando nuvens de gases capazes de matar seres humanos e animais. O caso mais famoso foi no Lago Nyos, no Camarões, em 1986, matando 200 pessoas e 3000 cabeças de gado. Parece que tem alta concentração de dióxido de carbono e metano no Lago Kivu. Em outras palavras, o Lago Kivu pode explodir!! EM TEMPO, atualização de 2022: em maio de 2021, houve uma nova erupção, mas, felizmente, a lava não foi em direção a Goma. Causou destruição na estrada e em algumas vilas, mas, aparentemente, as cerca de 30 mortes foram em decorrência indireta da erupção, como acidentes de trânsito etc. Apareceram fissuras na região, e o maior risco era uma erupção límnica do Lago Kivu, por isso evacuaram bastantes pessoas em Goma. No entanto, felizmente nada mais ocorreu! E, em 2022, ocorreu outra erupção que causou menos transtornos, mas que talvez tenha afetado o lago de lava. Recomendo verificar a condição atual do lago de lava antes de planejar uma viagem até lá. Eu estava com uma expectativa muito alta com relação ao Nyiragongo. Era o objetivo principal da minha viagem e tinha que valer muito a pena para compensar toda a confusão (ebola, milícias etc) e esforço físico e financeiro para ir até lá. E, mesmo assim, Nyiragongo superou minhas expectativas: #imperdível. Quando planejei essa viagem, ainda nem passava pela minha cabeça escrever um livro ou programar férias para conhecer os vulcões ativos mais incríveis do mundo, bem ou mal, eu tinha curtido muito Monte Yasur, mas não sabia se os outros seriam tão legais. E eu gostei demais... Não queria criar expectativas muito altas em ninguém, mas eu acho que fiquei enfeitiçado pelos deuses dos vulcões, culpa da deusa Pele 🤣 . Se estiverem pensando em ir, saibam que é uma subida bem puxada, exposição ao sol, chuva, vento, calor, frio, mil viradas de tempo em um dia, bastante cansativo mesmo. E sua visão vai ser meio de longe, o lago de lava fica longe do topo. O tour custava 356 $USD, mais 100 $USD por uma mochila com comida, água e equipamentos de qualidade (cobertor, saco de dormir, capa de chuva e jaqueta). Não recomendo economizar e não pagar essa mochila, porque senão, além dos equipamentos, você terá que se virar com comida e água! A comida é simples, mas achei excelente. Ainda teve mais 25 $USD para o porter, o visto para RD Congo (na época 105 $USD), mais as gorjetas, saiu uns 600 $USD, mas eu acho que valeu muito a pena. Não esqueçam lanterna, gorro, cachecol, luva, repelente e levar só uma troca de roupa guardada em sacos plásticos porque pode chover muito. A estrutura do passeio é simples, mas eu achei muito melhor que o Erta Ale na Etiópia, em termos de comida, barraca, banheiros, logística etc. As cabanas têm 2 colchões cada, e mais nada.... Banheiro não é fácil... O banheiro da base era ruim, mas, surpreendentemente, o banheiro lá em cima era melhorzinho, ao menos tinha tampa.... E tinha uma bela vista lá do alto! Figura IV‑37: Cabana do acampamento Figura IV‑38: Banheiro com vista.... Nyiragongo: #imperdível Dia 5 -> Nyiragongo -> Addis (Etiópia) Durante a noite no topo do Monte Nyiragongo, não consegui dormir direito. Até estava bem quentinho dentro da barraca, mas não gosto de dormir em saco de dormir, acho muito apertado, não dá para esticar as pernas, virar, me sinto como uma lagarta presa no casulo... Acordamos cedo, ainda de madrugada. Se no dia anterior não conseguimos ver o pôr do sol do topo do vulcão porque estava tudo nublado, nessa manhã, pegamos um belíssimo sol nascendo atrás de algum vulcão do Rift Valley. Figura IV‑39: Nascer do sol no Rift Valley A descida demorou três horas e meia. Apesar de mais rápida, para mim, a descida foi a pior parte, castiga os joelhos. E, naquelas rochas vulcânicas redondas que mais pareciam esferas de rolamentos, eram derrapagens para todos os lados! Levamos alguns tombos de leve, mas nenhum machucado sério. Para baixo, todo santo ajuda.... Saldo final do trekking: pernas doloridas por uns quatro dias, duas unhas roxas zoadas (que caíram uns 2 meses depois), uma de cada dedinho, mas um belíssimo vulcão visitado! Depois da descida, nos levaram direto do campo base do Nyiragongo para a fronteira com Ruanda. Infelizmente, meu contato com o “mundo real” da RD do Congo foi basicamente da janela do jipe. A primeira coisa que me chamou a atenção em Goma foi a quantidade de carros com placa da ONU na região da fronteira, que ia diminuindo quando íamos nos afastando do centro da cidade. Também vi diversos organismos internacionais, placas e/ou alojamentos da ONU, Cruz Vermelha, OMS, Médico sem fronteiras etc. Goma, na região central e bem próxima à fronteira, não me pareceu uma cidade tão zoada... Calçadas, iluminação, canteiro no meio da avenida, casas que pareciam ter saneamento, eletricidade, pintadas. No entanto, mesmo com essa estrutura mínima, Goma ainda transmitia uma sensação de caos. As ruas estavam cheias de gente, comércio agitado, não é de se surpreender, afinal, a cidade tem cerca de 2 milhões de habitantes. Salvei no canal um vídeo dessa parte da cidade, Cap IV‑21, reparem no imponente Nyiragongo ao fundo! Mas logo depois de uns cinco a dez minutos de carro, perto da sede operacional do Virunga (que não ficava tão afastado do centro), a estrutura já mudava completamente. Basicamente era só a avenida principal que tinha asfalto. Depois vem um pedacinho de calçada, e daí as casas bem simples erguidas sobre o terreno vulcânico. Na foto a seguir, dá para ver como é mais desestruturada essa parte da cidade. Pessoal vendendo tudo beira da avenida, nas cadeiras e guarda-sol.... Figura IV‑40: Nyiragongo, visto de Goma Mais para frente, já não tinha mais nem aquele pedacinho de calçada, só o asfalto da rua mesmo.... E olha essas motos, a quantidade de coisas que eles carregam... Caminhãozinho para quê? Figura IV‑41: Moto ou caminhoneta? O vídeo Cap IV‑22, salvo no canal, é da parte que ainda havia um pedacinho calçada. Pergunta: nesse vídeo (Cap IV-22), dá para ver que aquele caos cheio de gente nas ruas, motos, vanzinhas, alguns carros, bicicletas. Mas, além disso, vocês repararam em algum “veículo” diferente circulando pelas ruas? Reparem bem no vídeo. Também tirei umas fotos, olha isso: Figura IV‑42: Chukudu Achei bem curioso, parece um “patinetezão” feito artesanalmente de madeira, inclusive as rodas (só a parte mais externa te um pouco borracha, reaproveitada de pneus antigos)! Na época dessa viagem, várias cidades do Brasil estavam cheias de patinete elétrico, muito “nutella”.... Já o patinete em Goma não tem motor elétrico, nem a combustão, muito menos corrente/pedal ou rodinhas de borracha. É movido a sola de sapato, isso, sim, é patinete raiz 🤣 🤣 🤣 ! E sustentável.... Na volta, até perguntamos para o guia como ele se chamava, o cara falou um “tchutchutchu”, que não entendemos direito. Só pesquisando no Google “wood scooter congo” descobri o nome dessa “bagaça”: chukudu (em alguns sites, aparece escrito Tchukudu). Tenho muitos amigos mineiros, pessoal brinca que em BH bicicleta não precisa de corrente: só tem ladeira, ou vai empurrando na subida, ou a milhão na descida.... O chukudu ia fazer sucesso lá em BH 🤣 🤣 🤣 . Detalhe é que o chukudu não tem freio, se embalar muito, haja sola de sapato... O chukudu é feito principalmente para transporte de carga e, especialmente para os jovens, é uma oportunidade de ganhar dinheiro. Lá, ter um chukudu é como ter um emprego. Olha essas fotos de um chukudu carregado e, no segundo vídeo, tem uns cheios de madeira gigantes. Dizem que, se tiver um chukudu, ganha respeito da comunidade. Até vi uns caras pagando de gatão (tirar onda) dando “rolêzinho” com seu chukudu na rua, olha estilo desse aí 🤣 : Figura IV‑43: Tirando onda de chukudu Figura IV‑44: Chukudu carregado Parece que é o chukudu é típico em Goma, não sei se é típico no resto da RD do Congo. Em Goma, tinha até um monumento no meio de uma rotatória meio grande (Rond Point Chukudu) que passamos e tinha uma pracinha no meio. Figura IV‑45: Monumento Chukudu Fonte: De VALENTIN NVJ,via Wikimedia Commons, cortado Por outro lado, fica a reflexão: caramba, para chegar a ponto de inventar o chukudu, patinete que até a roda é de madeira, sem motor ou qualquer tipo de propulsão, é porque grande parte da população não tem condição sequer de comprar moto, bikes ou tuk-tuks.... O lado triste é esse. De uma certa forma, o chukudu representa a imagem que eu fiquei de Goma e dessa parte da RD do Congo, um lugar onde as pessoas têm muito pouco e precisam se virar com o que tem. Isso porque Goma é uma cidade grande, sob controle do governo, com alguma ajuda internacional. Imagina como deve ser a vida nas cidadezinhas controladas por milícias no meio dos conflitos armados.... O Virunga, e especificamente o Monte Nyiragongo, é um dos lugares mais fantásticos do mundo. Em condições normais, com certeza estaria lotado de turistas. Fico torcendo para esse belo e sofrido país conseguir paz e prosperidade. Foi o país mais sofrido que eu estive na vida, mas, também, um dos lugares mais incríveis que já visitei! Atravessei a fronteira para Ruanda lá pelas 12h e fui até o hotel em Gisenyi pegar minha mala, almoçar e tentar conseguir um banho depois de dois dias no Nyiragongo. E consegui o banho grátis, obrigado Hotel Dian Fossey! Com as pernas doloridas, peguei um mototáxi. Aliás, andar de mototáxi carregando mochila e mala de mão (aquela mesma que escondi o meu drone) foi divertido, pagar táxi para quê 🤣 🤣 🤣? Em Ruanda, usei e abusei do mototáxi, recomendo. Só cuidado para não fazer como eu e encostar a batata da perna no escapamento quente, que me rendeu uma bela queimadura... Peguei um busão de Gisenyi-Kigali que era bem pinga-pinga, demorou 4h30 num trecho que pelo Google Maps seria 2h30. Para variar, passamos por alguns checkpoints na estrada e teve um que demorou para caramba porque o soldado encrencou com algum ruandense muambeiro que estava levando um monte de antena parabólica no busão.... Depois que chegamos na cidade de Ruhengeri, o ônibus lotou e assim foi até a rodoviária de Kigali. De lá, segui para o aeroporto, rumo a Etiópia. Hora de ir embora de Ruanda e, também, de concluir as minhas impressões sobre viajar nesse país. Eu tinha lido relatos que falavam muito bem da estrutura do país, então, estava com uma expectativa mais alta. Eu sempre falo que a primeira impressão do turista a respeito de um país se forma do trajeto entre o aeroporto e o hotel/centro da cidade. Em Ruanda, se chega no centro por uma avenida de pista dupla, novinha, com comércio bem iluminado, e tem trânsito “de cidade desenvolvida”, passando por um bonito centro de convenções no caminho para o centro. O trajeto entre o aeroporto e o centro de Kigali é bem cuidado, parecia estar em um país mais estruturado. Mas logo na primeira caminhada do centro até o Memorial do Genocídio já deu para conhecer o “mundo real”, fora do centro de Kigali, não tão estruturado.... Eu adoro conhecer os lugares a pé. Mas tem duas coisas que me incomodam muito e que me impedem de “turistar” a pé: medo de assalto, ou muito assédio de vendedores insistentes. Infelizmente, nos países subdesenvolvidos, como o próprio Brasil, muitas vezes nos deparamos com esses dois problemas. Em relação a assaltos, quando me afastei um pouco do centro (região do memorial), não me senti tão seguro assim, mas, no centro de Kigali, é possível andar sem maiores preocupações. Comparando com o Brasil, fiquei com a impressão que andar no centro de Kigali era mais seguro que no centro de São Paulo, mas menos seguro que em bairros como Ibirapuera e Moema. De maneira geral, é preciso ter as mesmas precauções que se tem nas cidades grandes brasileiras: evite andar à noite de bobeira, não ficar andando com uma câmera pendurada no pescoço e estar sempre um pouco atento. Mesmo no centro de Kigali, que parecia mais seguro, não me sentia 100% à vontade para dar uma turistada a pé, pois sempre vinha alguém oferecer algo de forma uma pouco insistente. No interior de Ruanda, as coisas também não são tão desenvolvidas. As estradas não têm acostamento, nem pista duplicada, mas pelo menos as principais são asfaltadas e tem poucos buracos. Uma coisa que me chamou atenção quando passava pelas cidades menores: fora da estrada, quase não tinha asfalto. Passando por vilarejos, eu via todo mundo andando na estrada, alguns fazendo cooper de manhã, outros passeando com crianças, indo ou voltando da igreja. Tudo acontecia na estrada, porque devia ser o único asfalto da cidade. No próximo vídeo do canal, Cap IV‑23, dá para ter uma ideia da vida em Ruanda no interior. No entanto, o que eu achei mais chato em Ruanda era a paranoia do pessoal com segurança. Já no meu primeiro translado do aeroporto para o centro, fomos parados em um checkpoint por soldados (sempre portando metralhadoras brutas) só para checar documentos etc. Nas estradas, tinham checkpoints com soldados e suas metralhadoras a todo instante, bastante encheção de saco. Na entrada de pedestre para o estacionamento do aeroporto (não era nem na entrada do saguão do aeroporto!), além do detector de metal, passei por uma “inspeção detalhada de cachorro”, cheirando minhas malas. E só é permitido entrar na área de check-in (primeiro saguão do aeroporto) 3h antes do voo! Sem passagem, nem entra no aeroporto! Eu cheguei cedo, umas 20h e meu voo era às 1h15 da manhã, e tive que ficar até às 22h15 de castigo na única cafeteria do lado de fora, “muito legal” para o turista.... Sem contar a paranoia com drone, até saindo do país me encheram o saco. Nas ruas do centro, de positivo, era tudo muito limpo, bem mais que nos centros das cidades grandes do Brasil. Mas tinha soldado armado com metralhadoras a toda esquina.... Tinha seguranças (sempre armados) na frente dos principais prédios do centro, sejam hotéis de luxo, sejam centros comerciais, até no hotel sem-vergonha que eu fiquei tinha um segurança. Em todo lugar tinha detector de metal, sejam aqueles “de aeroporto”, sejam aqueles manuais que até meu hotel tosco tinha... Na Etiópia, fiquei com a mesma sensação de paranoia com segurança, inúmeros checkpoints. Sei lá, alguns podem achar isso positivo ou se sentir mais seguros, mas essa paranoia de segurança me incomodou um pouco. Por outro lado, no geral, achei a infraestrutura de Ruanda boa. Não ache que seja tão fácil pegar transporte público e mochilar de forma independente por Ruanda, mas dá para se virar bem, especialmente em comparação com os países vizinhos. O ônibus interurbano que eu peguei não era lá essas coisas, mas tinha ar-condicionado e USB. As vanzinhas/micro-ônibus que circulam para tudo que é canto também não eram lá essas coisas, mas eram muito melhores que na África em geral. E, por fim, não poderia deixar de ressaltar que o povo africano foi sempre muito simpático e amigável. Tive mais contato com ruandeses, mas também um pouco com ugandeses e congeles. Fui sempre muito bem tratado nos hotéis, restaurantes, pedindo informação na rua mesmo, e até mesmo pelos oficiais das paranoias de segurança.... E, com relação aos ruandeses, é impressionante como o país se reergueu rapidamente após o genocídio, e como o país aparentemente conseguiu apaziguar a situação racial. Considerando toda a segregação entre hutus e tutsis, a ponto de acontecer o que houve, é muito bacana ver que, não tanto tempo depois, aparentemente estão todos vivendo em harmonia! Dia 6 -> Lalibela Vou começar o relato pela saga do drone. Depois do fiasco em Ruanda, dessa vez eu fiz a lição de casa e pesquisei direito as regras para o uso de drones na Etiópia. Descobri que era complicadíssimo utilizá-lo por lá e resolvi deixa-lo “retido” voluntariamente no aeroporto de Addis Abeba para pegar só na volta para casa. Como eu faria vários voos regionais na Etiópia, com certeza passaria por muitos raios-x e a chance de confiscarem o drone era altíssima. Queria muito fazer imagens aéreas do Vulcão Erta Ale e do Dallol, mas vi que a “autorização” para usar drone era similar a Ruanda, complicada, cara e demorada, ou seja, feita para nenhum turista tentar... E foi a melhor coisa que eu fiz. Deixei o drone em um almoxarifado da Ethiopian Airlines, pagando uma pequena taxa por peso (menos de dois dólares), e só peguei ele na volta. Os policiais eram tão chatos que, no dia da volta, um deles ainda me escoltou desde almoxarifado até a fila da imigração! E assim terminou a minha saga do drone. Estava mega empolgado para a viagem de estreia dele, mas não consegui sequer ligá-lo nos quatro países que visitei, que fiasco! Uma pena, mas é vida que segue. Vamos falar de Etiópia agora. A Etiópia é um país muito interessante, com uma história riquíssima e surpreendente! A Etiópia e a Libéria são os únicos países africanos que nunca foram colonizados pelos europeus, e os etíopes têm muito orgulho disso. A Etiópia já foi invadida por outros povos, mas nunca foi uma colônia. Em 1895, quando nações europeias disputavam o continente africano entre si, a Itália tentou invadir a Etiópia, ou Abissínia, como era conhecida na época, mas sofreu uma derrota humilhante. Em 1896, as tropas italianas foram derrotadas por forças etíopes comandadas pelo imperador Menelik II e a Itália foi forçada a assinar um tratado reconhecendo a independência da Etiópia! Ainda assim, décadas depois, o líder fascista Benito Mussolini violou o acordo e ocupou o país por cinco anos. Um dos sucessores de Menelik, o imperador Haile Selassie, se aproveitou da vitória sobre a Itália na segunda guerra mundial e pressionou pela criação da Organização para a União Africana (OAU), agora chamada de União Africana, que tem sua sede na capital da Etiópia, Addis Abeba. "Nossa liberdade não tem sentido até que todos os africanos sejam livres", disse Selassie no lançamento da OAU em 1963, num momento em que boa parte do continente ainda permanecia sob domínio de potências europeias. Ele convidou para um treinamento na Etiópia aqueles que lideravam a luta contra o colonialismo, entre eles Nelson Mandela. O Movimento Rastafari, aquele mesmo da Jamaica e do Bob Marley, tem uma história muito interessante associada a Etiópia. “Ras” é príncipe em etíope e “Tafari” era o nome do último imperador da Etiópia, que em 1930, quando foi coroado, adotou o nome de.... Haile Selassie, o próprio! Para os rastafaris, ele era quase um deus (“Jah”) encarnado.... Ele foi um governante carismático, fazia discursos considerados memoráveis em defesa dos africanos e inspirou os jamaicanos. O filme Bob Marley One Love (2024), mostra um pouco dessa adoração. Um discurso de Selassie pela paz mundial, no equivalente à ONU em 1936, inspirou a música War do Bob Marley. A Etiópia era a terra prometida para os Rastafaris. Shashamane é a cidade da comunidade rastafari na Etiópia. Lá o imperador Selassie concedeu terras aos negros do Ocidente que o apoiaram contra Mussolini. Já a Libéria, o outro país africano que nunca foi colonizado por europeus, tem uma história muito particular. Fundada em 1822 para ser colônia de ex-escravos afro-americanos, sua criação foi liderada por uma empresa (Sociedade Americana de Colonização, ACS em inglês), com apoio do governo dos EUA. A ACS comprou terrenos e criou uma colônia para repatriar os afro-americanos recém libertos na África. Embora tenha sido criada para abrigar americanos negros, a colônia era, inicialmente, administrada por um representante branco da ACS. A ACS foi formada por homens brancos, vários deles proprietários de escravos. Seus integrantes tinham opiniões diversas e, muitas vezes, contraditórias em relação à escravidão. Alguns eram abolicionistas e tinham o desejo genuíno de ajudar a população negra a construir uma vida melhor na África. Outros, porém, rejeitavam a ideia de abolição e acreditavam que pessoas negras livres não deveriam continuar vivendo nos Estados Unidos. Os ex-escravos afro-americanos foram todos mandados para a Libéria, sem chance de retornar para seus países de origem. Parecia que só queriam se livrar deles... Mas, a região já era habitada por nativos de mais de vinte grupos étnicos, e, obviamente, a chegada da ACS e dos afro-americanos recém-libertos gerou diversos conflitos na região. Um contexto importante: anos antes, o Haiti tornou-se o segundo país das Américas a conquistar sua independência. E foi através de uma revolta dos escravos, em 1804, após 10 anos de batalhas contra os colonizadores franceses, tornando-se a primeira república negra do mudo. Foi uma das poucas revoluções de escravos bem-sucedidas na história, mas também desafiou diretamente a estrutura do sistema colonial e escravista, gerando reações de países poderosos que, na visão de muitos pesquisadores, não podem ser dissociadas das atuais condições sociais do Haiti. Apesar da Libéria nunca ter sido colonizada, sua história é marcada por uma forte influência dos EUA. Já os etíopes são muito orgulhosos por terem conseguido preservar grande parte de suas tradições milenares, mantendo-as relativamente livres de influências externas. Por exemplo, o fato de ser o único país africano a não adotar uma língua europeia como idioma principal é motivo de grande orgulho para os etíopes. A língua oficial na Etiópia é o amárico. Não façam como eu: não confundam “amárico” com “aramaico” 🤣 🤣 🤣. Aramaico era aquela língua que Jesus falava, e que ainda é falada por alguns povos árabes. Assim como o Aramaico, o Hebreu e o Árabe, o Amárico é língua semítica. O termo “semítico” se refere a um conjunto de línguas que derivam de uma mesma origem no Oriente Médio, assim como diversas línguas “latinas” que derivam do latim, por exemplo. Historicamente, esses povos semitas tiveram grande influência cultural, pois as três grandes religiões monoteístas do mundo, judaísmo, cristianismo e islamismo, possuem raízes semitas. O amárico tem um alfabeto meio doido, daqueles cheios de letrinhas/figurinhas que em nada tem a ver com nosso alfabeto romano.... Além do amárico, existem diversos outros dialetos na Etiópia. Outra curiosidade: a Etiópia usa um calendário e, também, um sistema de horas bem diferentes. As horas são contadas a partir do nascer do sol, às 6h da manhã. Ou seja, quando o nosso relógio marca 6h, no deles, é 0h. Nosso meio-dia e meia-noite caem 18h ou 6h no horário etíope. O pessoal que trabalha com turismo está mais acostumado com nosso sistema de horas, mas os nativos usam mais esse sistema de horas 6h defasado. Por exemplo, o motorista que me levou de Axum até Tigray sempre se confundia quando eu perguntava que horas a gente iria chegar... E eles também usam um calendário diferente, só deles. Lá o ano tem 13 meses! E se no calendário ocidental temos meses com 30 e 31 dias, além de fevereiro que é mais curto, lá eles têm 12 meses de 30 dias e um mês de 5 ou 6 dias, dependendo se for bissexto. Em setembro de 2019, eles estavam entrando no ano de 2012! O calendário etíope está sete anos e oito meses atrás do calendário ocidental. Isso porque a Etiópia calcula o ano de nascimento de Jesus Cristo de maneira diferente. Quando a Igreja Católica retificou o seu cálculo no ano 500 d.C., a Igreja Ortodoxa Etíope não fez o mesmo. Mais uma curiosidade: quem sabia que o café foi inventado no século XII na Etiópia? Ainda hoje, eles são grandes produtores de café (o Brasil é o maior produtor de café em grãos), e inclusive fazem cafés excelentes. Sobre religião: 60% da população são católicos ortodoxos, uns 30 % muçulmanos, e 10% de outras religiões. A história da Etiópia é muito rica e milenar. Houve vários impérios na Etiópia, os três que mais se destacaram foi o Império de Axum, por volta do século I, o império do Rei Lalibela, lá pelos anos 1200 (d.C.), e o Império de Gondar, a último grande império etíope lá pelos anos 1500 (d.C.). Infelizmente não pude ir na cidade de Gondar, para conhecer melhor a história desse império, mas vou falar um pouco mais sobre Axum e Lalibela nos relatos dessa viagem. Nos anos 80-90, a Etiópia teve tempos difíceis. Virou sinônimo de fome, pobreza e instabilidade. Aquelas imagens chocantes de crianças desnutridas morrendo de fome corriam o mundo.... Aquele show Live Aid que é destaque no filme do Freddy Mercury/Queen (Bohemiam Rapsody) era para arrecadar fundos para combater a fome da Etiópia. Nos anos 2000, melhorou um pouco, especialmente nas regiões urbanas mais próximas a capital. O PIB cresce uns 9% ao ano. Hoje é a segunda maior população da África com 100 milhões de habitantes (Nigéria é o primeiro), é sede da união africana, e assim como observei em Ruanda, tem um monte de obras e investimentos em infraestrutura, especialmente chineses. O PIB per capita ainda é bem ruim, mas melhorou um pouco perto do que era. Infelizmente, nessa viagem também não deu tempo de conhecer melhor a capital Addis Abeba, gostaria de conhecer melhor o cotidiano dos etíopes da capital e principalmente um museu que tem um acervo muito bacana de fósseis humanos e “parentes próximos” que evoluíram para o homo sapiens. O destaque é um fóssil de 3,2 milhões de anos batizado de Lucy no museu nacional, que, por algum tempo, foi o fóssil de humano primitivo mais antigo do mundo (1974). Atualmente, dizem que o fóssil humano mais antigo foi encontrado no Quênia... De forma geral, achei a Etiópia um país muito interessante. No entanto, a infraestrutura turística ainda é ruim, especialmente no norte. Outra dificuldade era a língua. Em geral, ao contrário dos outros lugares que estive na África, as pessoas tinham mais dificuldade com inglês. Eu normalmente fujo de excursões, não só para economizar, mas principalmente para ter liberdade para fazer as coisas no meu ritmo e na hora que eu quiser. Minha primeira viagem para África foi ao Egito, em janeiro de 2011. Fui com espírito de “mochileiro independente”, mas, na época, me arrependi, achei que era melhor ter feito alguns passeios de excursão por causa da falta de estrutura (transporte tanto dentro das cidades quanto entre elas), e para evitar aborrecimentos com assédio aos turistas (não era falta de segurança). Por isso, apesar de não gostar muito, eu “nutelei” e peguei uma excursão na Etiópia. Escolhi uma agência que já tinha um pacote pronto de cinco dias com saídas diárias (praticamente o ano todo) e que incluía as atrações que eu tinha escolhido: Dia 1: voo até Lalibela e tour em Lalibela; Dia 2: voo até Axum, tour em Axum, transfer rodoviário até Wukro, visitando uma Tigray church; Dias 3, 4 e 5: tour Danakil Depression, terminando com voo de Mekele para Addis Abeba O pacote incluía quase tudo, os trechos aéreos, hospedagens, transfers e entradas. Apesar de pagar caro, a ideia era pagar o pacote completo e não me preocupar com nada, passagens aéreas, transfers, tours, assédio.... Mas eu não recomendo essa empresa (Ethio Travel and Tours – ETT), explico os motivos mais para frente... Por hora, sigo o relato. No primeiro dia, eu iria conhecer Lalibela. Meu voo de Kigali chegava de cedinho em Addis Abeba, e meu voo para Lalibela já saia logo em seguida, por volta das 8h. Nesse meio-tempo, eu tinha que resolver o problema do drone, encontrar o funcionário da agência de turismo para pagar o tour em cash, ir para o terminal doméstico (lotado) e pegar meu voo. Ainda bem que eu só tinha bagagem de mão e deu tudo certo, cheguei a tempo de embarcar para Lalibela. Lalibela é o vilarejo onde se encontram as igrejas monolíticas, datadas do século XII e esculpidas em rochas, por ordem do rei Lalibela. As igrejas foram escavadas nas rochas “de cima para baixo”, seus tetos estão no nível do solo, fazendo deste um local sagrado absolutamente incomum. Na construção das igrejas, não há tijolos, blocos, cimentos, é realmente impressionante como foi feito! Os trabalhadores começavam escavando e separando a rocha que seria a futura igreja do restante do solo, deixando apenas um enorme bloco monolítico de rocha. Depois, eram feitas as fachadas, dando forma às edificações por fora. Em seguida, eram criados o espaço interior e a decoração das igrejas. Meu guia disse que elas foram construídas dessa forma para que não fossem avistadas por inimigos de longe. Essa foto é da igreja de St. George, quando estávamos bem perto a uns 100 metros de distância. Se você não estiver bem perto, ela parece bem “camuflada”, concordam? Figura IV‑46: Igreja St. George “camuflada” no solo Não existe registro de quanto tempo demorou para construí-las, mas o boca-a-boca fala em 23 anos. Outro mito é que o rei Lalibela foi auxiliado por trabalhadores durante o dia e por anjos durante a noite. Existem muitas versões sobre as motivações do rei Lalibela, que também era um padre, para construir uma com 11 igrejas monolíticas escavadas nas rochas. A versão mais aceita diz que Lalibela foi construída para ser “Nova Jerusalém”. No século XII, era muito comum a peregrinação anual dos cristãos etíopes para Jerusalém, mas a tomada de Jerusalém pelos muçulmanos impossibilitou essa peregrinação. Por isso, o rei Lalibela teria construído as igrejas. Outra lenda diz que o rei Lalibela foi exilado para Jerusalém pelo seu usurpador meio-irmão e se inspirou nas igrejas que viu lá. E, ao voltar para retomar seu reino, ele jurou construir uma nova cidade santa, aberta a todo o povo etíope. Independente do motivo, o rei Lalibela criou um dos principais sítios religiosos históricos da África, e talvez do mundo cristão. As igrejas são Patrimônios Culturais da Humanidade pela Unesco. Apesar disso, o lugar continua pouco conhecido e desenvolvido. A cidade (vilarejo) fica em um lugar bastante isolado no alto das montanhas Lasta. Hoje em dia Lalibela continua um centro religioso movimentado. Padres e peregrinos vêm de longe para visitar as igrejas e festivais religiosos e ainda circulam por suas passagens e túneis mal iluminados que ligam as igrejas, como se fez durante séculos. Lalibela é uma das cidades mais sagradas para Igreja Ortodoxa Etíope, depois de Axum. Dia 7 de janeiro, quando eles celebram o Natal da religião deles, é o dia que Lalibela fica mais cheia. As 11 igrejas medievais parecem manter-se intocadas há séculos, exceto pelas coberturas (horríveis) colocadas em algumas igrejas, com a intenção de preservá-las da erosão. O grau de erosão das igrejas variava bastante. Algumas sofreram pouca erosão, mesmo sem cobertura, enquanto outras, mesmo com coberturas, já estão bastante deterioradas. Em algumas, foram acrescentados reforços, como pilares e colunas. Já outras, sofreram colapsos significativos. Depois do voo e transfer do aeroporto, cheguei ao hotel lá pelo meio-dia e almocei por lá mesmo. O meu tour saiu 14h e fui conhecer as igrejas. Embora seja um lugar bastante turístico, tudo era bem simples. Outra coisa que me agradou foram os simbolismos das igrejas, lá o pessoal vê significados em tudo! No final do dia, fiquei triste porque já tinha esquecido a maioria das histórias e os detalhes dos simbolismos contados pelo guia... As 11 igrejas são divididas em três grupos, ao norte, leste e oeste. Primeiro simbolismo: 11 igrejas supostamente por causa dos 11 apóstolos (tirando Judas). Divididas em três grupos de igrejas para simbolizar o Pai, Filho, Espírito Santo. Os passeios começam pelo grupo do norte, que tem 5 igrejas. O grupo do leste tem mais 5. O terceiro grupo, na verdade, é só uma igreja, St. George, a mais famosa delas. E tinha igreja de tudo que é tipo. Tem igreja em melhor estado, tem igreja bem destruída, tem igreja minúscula, igreja maior, igreja com interior mais rebuscado, igreja para o rei, igreja para a esposa do rei, igreja para o arcanjo meu xará Rafael, tem até igreja para arca de Noé. Para fazer o tour pelas igrejas de Lalibela, recomendo contratar um guia. Isso ajuda a entender um pouco melhor a história e os diversos simbolismos, já que há pouquíssima informação por lá – nada de textos, audiovisuais ou painéis explicativos. Além disso, contratar um guia ainda tem outra vantagem importante: não ser tão assediado pelos vendedores insistentes espalhados por lá. Alguns, mesmo com o guia, chegam junto.... No entanto, escolher um guia, se você não conhece antes, é uma loteria: você pode ter a sorte de encontrar um ótimo ou acabar com um “mala”. Felizmente, eu dei sorte, meu guia era bem gente fina, tirava várias fotos e suas explicações foram ótimas. No final, dei uma bela gorjeta. A primeira igreja Medhane Alem (Igreja do Salvador) é a maior das igrejas de Lalibela e impressiona pelo tamanho. Dizem que a cruz de Lalibela, de 7 kg de ouro, fica guardada na igreja Medhane Alem, mas ela não está em exposição aos turistas. É a única que foi construída com colunas ao lado do “prédio principal”. Algumas colunas são originais, e outras foram reconstruídas para evitar o colapso da igreja por erosão. Apesar do cuidado em fazer com uma arquitetura semelhante, em vários pilares, é possível ver os tijolos e cimento, ao contrário das paredes internas do “prédio principal”, esculpidas na rocha. As janelas foram construídas com a forma das estelas do império de Axum, outras com a forma da cruz de Lalibela. Figura IV‑47: Igreja Medhane Alem Figura IV‑48: Igreja com cobertura Figura IV‑49: Detalhe das janelas Para chegar até as igrejas, tem que passar por alguns túneis e passagens escavas nas rochas, é bem bacana caminhar por eles. A chegada à segunda igreja, Maryam (da Virgem Maria) é muito legal, vejam o vídeo Cap IV‑24 no canal. As janelas da fachada traseira da igreja Maryam foram construídas em vários formatos, com um simbolismo bem bacana (vide foto a seguir). As três acima representam a Santíssima Trindade, e as do meio, a cruz de Jesus com o ventre de Maria abaixo. A janela embaixo e à esquerda representa o ladrão crucificado ao lado de Jesus que não se arrependeu, enquanto a da direita representa o ladrão que se arrependeu e “subiu ao paraíso”, com a janela em “T” acima. Figura IV‑50: Simbolismo das janelas Figura IV‑51: Igreja Maryam Essa igreja também tem uma banheira, que tinha algum significado, pena que não vou lembrar das explicações do guia... E é a única igreja que tem uma “varanda” ao lado. Outro destaque dessa igreja é o interior. É o interior mais ornamentado e bonito interior das igrejas de Lalibela, talvez por isso seja a igreja mais visitada pelos peregrinos. Quando eu estive lá, teve uma cerimônia. Os afrescos e ornamentos são originais do século XII. Coloquei um vídeo do interior da igreja no canal (Cap IV‑25). Figura IV‑52: Afrescos da Igreja Maryam Ao lado da Igreja Maryam, na face norte (lado direito da foto, vide seta vermelha), tem a Igreja Meskel (Igreja da Cruz), que é bem pequena. Essa igreja parece só um buraco em uma pedra gigante, já que não escavaram as paredes laterais dela, só a parede da frente. Esses dez arcos esculpidos na fachada representam os 10 mandamentos do Antigo Testamento. A igreja Meskel em si não é muito interessante, aproveitei e tirei foto de um sacerdote. Os sacerdotes ortodoxos em Lalibela vestiam longas túnicas brancas, mantos coloridos e turbantes característicos, que refletem a rica tradição ortodoxa da região. Não tenho certeza se esse era um sacerdote autêntico ou se era um cara vestido para tirar foto com turista... De qualquer forma, melhor pagar um dinheirinho para tirar a foto dele vestido a caráter, do que incomodar o pessoal que estava lá rezando. Figura IV‑53: Igreja Meskel Figura IV‑54: Sacerdote A próxima igreja também fica ao lado da Maryam, mas na face sul (vide seta vermelha). Chamada Denagel (Igreja das Virgens), é a menor e a que eu achei menos interessante das igrejas, é quase um túnel que você atravessa e segue para a próxima. Em cima dela, construíram uma torre (que não é do século XII), mas não me lembro da explicação do guia a respeito dela... Figura IV‑55: Entrada Igreja Denagel Depois da igreja de Denagel, atravessamos um monte de corredores e passagens bacanas e chegamos à última igreja da face norte, Golgotha Mikael. É uma igreja que foi construída no meio de um corredor, bem estreitinho.... O mais legal são as belas esculturas esculpidas nas paredes, se não me engano dos apóstolos. Na área acessível aos turistas, conseguimos visualizar apenas quatro dessas esculturas, sendo que duas delas estavam bem bonitas. É nessa igreja que fica o túmulo do rei Lalibela, também inacessível para os turistas. Por fim, seguimos no corredor estreito, atravessamos outro túnel e saímos na chamada Adam Tomb (Tumba de Adão), porque acredita-se que contém os restos mortais de Adão, o primeiro homem, de acordo com a tradição religiosa etíope. Não lembro a simbologia do lugar, mas tem uma bela cruz entalhada na rocha. A Tumba de Adão marca o fim do setor norte das igrejas. Ao sair dessa área, vimos várias antigas casas típicas dos moradores da região. Figura IV‑56: Apóstolos na Igreja Golgotha Mikael Figura IV‑57: Adam Tomb Figura IV‑58: Antigas casas típicas da região Depois fomos ao setor oeste, conhecer a Igreja St. George (São Jorge), que é a mais famosa de Lalibela. Se você já viu alguma imagem das igrejas de Lalibela, certeza que foi dessa igreja. Ela de fato é muito bonita, em formato de cruz. No telhado, tem uma bela cruz grega esculpida, e é bem trabalhada nas fachadas laterais. Eu acho que ela é a igreja mais turística porque não foi necessário colocar aquela cobertura horrorosa contra erosão... Segundo o guia, ela não tem problemas de erosão porque tem telhado de dois metros de espessura. O estado de conservação dessa igreja é muito bom. Figura IV‑59: Igreja St. George Figura IV‑60: Igreja St. George Figura IV‑61: Cruz grega no teto Figura IV‑62: Detalhe das janelas Em St. George, não poderia faltar o simbolismo... Ela foi construída inspirada na arca de Noé, o primeiro andar era para animais grandes, o segundo andar para animais pequenos, e o terceiro para humanos. Dizem que o andar debaixo não tem janela porque ficara abaixo do nível do mar. Os “andares” são simbólicos, não existem no interior da igreja. O interior não tem muitas pinturas, nem afrescos, só tem uma imagem de São Jorge, e um móvel que dizem que foi talhado pelo rei Lalibela. Além dos bonitos detalhes esculpidos das fachadas, janelas e a entrada, me chamou atenção que ela parece mais “enfiada” em um buraco que as outras igrejas. Todas as quatro faces dela foram escavadas e tem uma parede alta em frente e próxima às quatro faces. As outras igrejas pareciam mais abertas, pelo menos uma face delas.... Até por isso, para chegar na Igreja de St. George, tem uns caminhos de túneis muito legais, vejam o vídeo Cap IV‑26 no canal. Depois de conhecer St. George, fomos conhecer o último grupo de igrejas, grupo leste. São mais 5 igrejas, e meu guia começou pela igreja construída para o arcanjo xará Rafael e para o Arcanjo Gabriel. A parte da igreja para o Arcanjo Gabriel ainda é utilizada pelos fiéis, inclusive estava tendo uma cerimônia quando eu estava lá. O que chama a atenção dessa igreja é que tem um fosso bem fundo na frente dela, e tem uma bela fachada de frente ao fosso. Parece que essa igreja foi construída em um local que antes era um forte do império de Axum. Construíram uma ponte por cima do fosso para chegar até ela. Essa igreja é pequena por dentro. Figura IV‑63: Igreja Gabriel - Rafael O caminho para as próximas igrejas tem vários túneis e passagens estreitas. E, na entrada para os túneis, tem uma porta bem grande para atravessar, segundo o guia original da época, muito grande. A próxima igreja é a que mais sofreu com a erosão, e está em pior estado, chamada Lehen (Santo Pão). Figura IV‑64: Igreja Lehen A Igreja Lehen está bem destruída por fora e por dentro, infelizmente. No entanto, aqui tem a parte que eu achei mais legal dos simbolismos de Lalibela. Essa igreja está conectada a próxima igreja (Qeddus Mercoreus) por um túnel totalmente escuro, longo, que eu soube depois que tem 35 metros. Segundo a tradição dos etíopes, os fiéis têm que atravessar ele na completa escuridão, simbolizando a passagem do homem do inferno ao paraíso! Nessa hora, o guia te convida para fazer esse percurso no escuro. Ele pede para você não acender flash ou lanterna, você dá uma abaixadinha para não bater a cabeça na entrada do túnel, o guia te dá uma mão e, com a outra mão, você vai tateando a parede e... partiu, túnel! Sinistro passar por aquele buraco tosco, apertadinho e um tanto claustrofóbico, mas muito divertido. Depois que eu atravessei, eu tirei essas fotos com flash, mas é bem apertadinho, escuridão total. Achei sensacional o rito de passagem do inferno para o céu!! Figura IV‑65: Túnel da passagem do inferno para o céu Figura IV‑66: Claustrofóbico Figura IV‑67: Chegando no céu e na Igreja Qeddus Mercoreus A Igreja Qeddus Mercoreus (São Mercúrio e São Marcos), que fica no final do túnel de quem vai do inferno ao céu, também está bem judiada... Parece que uma grande parte da igreja colapsou, tem até uma parede de tijolo para reforçar a parte da igreja que sobrou. Do lado de fora, encontraram umas algemas, por isso dizem que lá pode ter sido usado como prisão ou tribunal antigamente. O destaque da Igreja Qeddus Mercoreus é o interior, o guia falou bastante coisa, mas, para variar, eu esqueci . Tem pinturas um pouco mais recentes e afrescos mais antigos interessantes. A penúltima igreja se chama Amanuel (Emanuel), que era possivelmente a capela do rei. Para mim, é a igreja mais bonita externamente, com todas as fachadas ricamente esculpidas. Acharia, inclusive, mais bonita que a St. George, se não fosse por essa cobertura horrorosa que estraga um pouco o cenário.... Das igrejas desse grupo do leste, essa é a única cujas fachadas foram foi totalmente esculpidas! Figura IV‑68: Igreja Amanuel Figura IV‑69: Igreja Amanuel Repararam que o cara de verde sentado em frente à igreja estava segurando um fuzil (não entendo nada de arma...). Tornou-se quase rotineiro presenciar essas cenas, eu já estava ficando mal-acostumado com tanta escolta armada e checkpoints.... Depois de passar por mais uns túneis e corredores bacanas, chegamos à última igreja, Abba Libanos. Dizem que essa era a capela da rainha. Chama atenção que essa foi esculpida as quatro fachadas laterais, mas o teto ficou “emendado” na rocha! Tentei tirar algumas fotos para ver as colunas e o teto de rocha. Essa igreja também sofreu com as erosões, tiveram que colocar uns tijolos em quase toda a lateral direita da foto. Figura IV‑70: Igreja Abba Libanos Conhecemos as 11 igrejas sem pressa e terminamos no horário de fechamento, às 17h, acelerando um pouco nas últimas duas. Tive sorte de fazer o passeio praticamente sozinho com o guia, já que o único outro integrante do grupo estava passando meio mal e logo desistiu. Dá para fazer tudo em 3h, mas, se possível, é bom ter um tempo extra. Minha avaliação sobre as igrejas de Lalibela: eu já tinha pesquisado e visto muitas imagens delas, já sabia mais ou menos o que esperar visualmente. Mas eu não esperava todos os simbolismos das construções dessas igrejas, muito interessante. Além disso, o mais marcante para mim foi a fé e a devoção dos peregrinos que lotam aquelas igrejas sagradas e praticam sua fé há séculos! Parecia tudo muito autêntico. Nesse dia, quando estávamos indo para o último grupo de igrejas, passou uma procissão fúnebre, e olha quanta gente nesse funeral (vídeo Cap IV‑27 no canal). Também passei por algumas igrejas que estavam tendo cerimônias, e mesmo no meio da “turistaiada”, dava para ver a fé e a devoção dos religiosos etíopes. É tocante até para ateus! Figura IV‑71: Funeral O outro destaque do dia foi o belo cenário montanhoso da Etiópia! Eu já sabia que a Etiópia era muito mais verde que muitas pessoas imaginam, o Saara não chega lá, só tem deserto na região das fronteiras com a Eritreia e Somália. Mas, além de verde, existem muitas montanhas. 50% das áreas do continente africano acima de 2000 m de altitude estão na Etiópia. E 80% das áreas acima de 3000 m estão aqui também. Muito bonitas as paisagens montanhosas da região. Figura IV‑72: Belo cânion pousando em Lalibela Figura IV‑73: Montanhas de Lalibela Ah, e para fechar o dia com chave de ouro, uma dica não muito difundida (vi a dica em poucos alguns sites, como o Viajo logo existo, Ref. 21😞 não deixem de conhecer o restaurante Ben Abeba para curtir um belo pôr do sol. Não dá para ir a pé das igrejas nem do centrinho de Lalibela, mas é baratinho ir de tuk-tuk... Aliás, ir para Lalibela e não andar de tuk-tuk também não pode, hein! Figura IV‑74: Tuk-tuk estiloso O restaurante Bem Abeba fica em um vale com uma vista espetacular. A própria construção já é muito estilosa. A dona é uma britânica que se mudou para Lalibela. A comida é boa (não achei maravilhosa), o preço é para turista (mas não abusivo, achei justo), mas o visual do pôr do sol nas montanhas vale muito a pena! Salvei um vídeo da lista vista panorâmica do restaurante lá no canal (Cap IV‑28). Ah, não façam como eu e levem casaco, nas montanhas de Etiópia, venta e esfriou bastante sem sol, mesmo no final do verão. Figura IV‑75: Restaurante Bem Abeba Figura IV‑76: Vista para as montanhas Figura IV‑77: Vista para o vale Figura IV‑78: Lindos raios de sol entre nuvens Figura IV‑79: Cores mágicas do final da tarde Adorei Lalibela. É muito bom chegar em um lugar com uma expectativa não tão alta e ser surpreendido positivamente! Fiquei com uma sensação oposta do gorilla trekking: era um destino que eu achei que seria bacana (era minha segunda prioridade na Etiópia), mas que de longe superou a minha expectativa! Lalibela: #imperdível Dia 7 -> Axum e Tigray Churches Nesse dia iria pegar um voo direto de Lalibela até Axum, conhecer o centro de Axum, pegar uma van até a região das Tigray Churches, e ainda visitar uma das Tigray Churches antes de jantar no hotel. Axum foi a capital do primeiro grande império etíope, império de Axum, no século I (d.C.), que, no auge, chegou a ocupar os atuais territórios da Etiópia, Eritreia, sul do Egito e até parte do Iêmen, que fica do outro lado do Mar Vermelho. Axum, hoje, é uma cidade tão pequena que fica até difícil acreditar que já foi um dos maiores impérios do mundo! As ruínas da cidade são patrimônios mundiais da Unesco: durante os primeiros séculos, foram levantadas grandes estelas de pedra que recordavam grandes reis. As estelas são grandes monumentos “tipo” obeliscos, cujo topo termina em uma parte semicircular superior, enquanto os obeliscos possuem topo piramidal. As estelas de Axum são detalhadamente esculpidas a partir de um bloco de granito, lembrando torres de vários andares, muito bacana. Eles têm portas, janelas e vigas falsas primorosamente esculpidas. O propósito dessas estelas era servir de "marcadores" para câmaras funerárias subterrâneas. Essa prática, que durou até cerca de 330 d.C., terminou na época do rei Ezana, o primeiro monarca de Axum que se converteu ao cristianismo. Existem no total 126 imensos obeliscos de pedra em Axum, a maior parte fica no Parque Setentrional das Estelas bem no centro da cidade. Mas, infelizmente, muitos estão caídos e partidos em pedaços, inclusive o maior deles, a Grande Estela que tinha 33 metros de altura. A Estela de Ezana, nome foi dado em honra ao rei Ezana, é a maior entre as que mantiveram sua integridade, como 21 metros de altura, e provavelmente a última a ser erguida, já que essa prática foi abandonada após a conversão dele ao cristianismo. Ao lado dela, encontra-se a estela conhecida como Obelisco de Axum, com 24 metros de altura e peso de 800 toneladas, que foi roubado da Etiópia na época do Mussolini na Segunda Guerra Mundial, e foi devolvido pela Itália em 2005. Ela foi seriamente danificada (algumas fontes dizem que foi pelos italianos, outras fontes dizem que por um terremoto anterior aos italianos), e posteriormente restaurada. Figura IV‑80: Parque das Estelas (Grande Estela caída em primeiro plano) Figura IV‑81: “Obelisco” de Axum Figura IV‑82: Estela de Ezana Além de ser famosa pelas estelas, Axum também é a cidade mais sagrada para os cristãos ortodoxos etíopes. Lá fica a Igreja de Santa Maria de Sião, ao lado da Capela das Tábuas (Chapel of the Tablet), o local onde estaria a misteriosa Arca da Aliança, que contém os dez mandamentos da Bíblia! Aquela mesma arca perdida que o Indiana Jones buscava no primeiro filme (Os Caçadores da Arca Perdida). Se o Indiana Jones soubesse que a arca estava lá esse tempo todo, só precisava ter ido até Axum caçá-la 🤣🤣🤣 . Segundo o livro bíblico do Êxodo, Moisés montou a Arca da Aliança seguindo orientações de Deus, que indicou seu tamanho e forma. Nela, foram guardadas as duas tábuas da lei com os 10 mandamentos escritos por Deus; a vara de Aarão e um vaso do maná. Estas três coisas representavam a aliança de Deus com o povo de Israel. Para judeus e prosélitos, a arca não era só uma representação, mas a própria presença de Deus. Segundo a Igreja Ortodoxa Etíope, a arca foi levada à Etiópia por Menelik I, filho bastardo do Rei Salomão e Makeda, a Rainha de Sabá (para a maioria dos historiadores e para as outras religiões, a arca estaria desaparecida). Uma explicação bacana de como a arca teria ido para Etiópia eu achei no Instagram @oviajantehonesto (Ref. 19), que eu colei aqui: “Diz a tradição que a igreja ortodoxa etíope possui esta preciosa relíquia graças à Rainha de Sabá, cuja existência é contestada pelos historiadores, mas não por grande parte dos etíopes. Os etíopes acreditam que a Rainha de Sabá viajou de Axum a Jerusalém para visitar o rei Salomão e descobrir mais sobre sua suposta sabedoria por volta de 950 a.C. Sim, o famoso Salomão, filho de David. Reza a lenda que os dois tiveram um affair e a rainha deu a luz a Menelik I, filho do Rei Salomão. (A história de sua jornada e sedução por Salomão são detalhadas no épico Kebra Nagast - Glória dos Reis, uma obra literária etíope escrita na língua Ge'ez no século 14). Menelik I cresceu, virou imperador de Axum e também foi visitar Israel para encontrar seu pai. Foi recebido com muitas honras. Salomão queria que ele ficasse e governasse após sua morte, mas concordou com o desejo do jovem de voltar para casa, mandando-o de volta com um contingente de israelitas. Um deles roubou a arca que ficava guardada dentro do Templo de Salomão, substituindo a original por uma falsificação. Quando Menelik descobriu, ele concordou em manter a arca, acreditando ser a vontade de Deus que ficasse na Etiópia. Segundo a lenda, São Miguel Arcanjo e os “poderes milagrosos” da Arca ajudaram Menelik a chegar são e salvo na Etiópia. Até hoje os etíopes acreditam que a Arca original está em Axum e essa crença é o cerne da credibilidade da Igreja Cristã Ortodoxa da Etiópia. Até os dias de hoje, para os cristãos ortodoxos do país, a arca é sagrada e algo a que eles ainda estão dispostos a proteger com suas vidas. Apesar de as versões serem diferentes, a parte do encontro da rainha de Saba e Salomão está na Bíblia, Torá e até no Corão. Já a parte da Arca estar em Axum…. pode ser que sim, pode ser que não… 🤣 A verdade é que ninguém sabe o que aconteceu com ela… De toda forma, não deixa de ser uma baita história, né?” Última curiosidade que pesquisei sobre Axum envolve Baltasar, um dos reis magos que supostamente era negro. Na Etiópia, existe a crença de que o rei de Axum na época do nascimento de Jesus Cristo, King Bazen, era o rei mago Baltasar. O túmulo de Bazen/Baltasar pode ser visitado em Axum. Quanto ao meu passeio por Axum, o tour da ETT foi um fiasco total! O dia já começou mal em Lalibela: sem qualquer aviso, me acordaram às pressas para ir ao aeroporto junto com outro grupo que tinha voo mais cedo, e lá tomei um chá de cadeira. Chegando em Axum, ninguém me esperava no minúsculo aeroporto. Tive que sair perguntando aos locais se alguém conhecia o motorista da ETT, até achar alguém que sabia e me levou até um cara que estava “de boas” sentadão em alguma sombrinha no estacionamento... E que nem sabia qual era o itinerário! Meu pacote incluía um tour em Axum, e ele nem estava sabendo. Depois que eu reclamei, ele arranjou um motorista para me levar ao centro de Axum, mas aquilo não dava para ser chamado de “tour”. O motorista só estacionou a van e ficou esperando enquanto eu desci para tirar algumas fotos... E ainda atrasou bastante (chegou com mais de uma hora de atraso, parece que a van quebrou). Para piorar, o “complexo” onde fica a igreja de Santa Maria do Sião, que é como um parque cercado, estava fechado para almoço. O horário de funcionamento varia dependendo do dia da semana, mas geralmente fecha das 12h-14h30. Com um mínimo de planejamento, daria para ter evitado isso. Resumindo: meu passeio em Axum foi mega porco, sem guia, com o complexo fechado e zero informação histórica. “Obrigado”, ETT! No final, só consegui tirar umas fotos da Igreja de Santa Maria do Sião do lado de fora da cerca. Aparentemente, mesmo durante o horário de funcionamento do complexo, turista não poderia entrar na Igreja de Santa Maria do Sião, local mais sagrado da igreja ortodoxa etíope. Só daria para conhecer por fora. Figura IV‑83: Igreja de Santa Maria do Sião Figura IV‑84: Torre do Sino Já na Capela das Tábuas, onde fica a arca, ninguém pode entrar, nem mesmo os próprios cristãos ortodoxos. Somente um único monge guardião pode vê-la. Segundo a tradição, a capela é guardada por um monge guardião que é escolhido para passar a vida inteira confinado no local, rezando e fazendo oferendas diante da relíquia. Antes de morrer, o guardião deve nomear quem será seu sucessor, e, no caso de que ele faleça antes de fazer isso, os membros do mosteiro de Santa Maria de Sião, então, devem se reunir e realizar uma votação para eleger o novo defensor da arca. Mesmo com o parque aberto, os turistas têm que ficar a uma certa distância. Segue a foto do lado de fora da cerca também. Figura IV‑85: Capela das Tábuas Em Axum, também estavam construindo um novo museu, bem próximo às ruínas e a esse complexo da Igreja de Santa Maria do Sião, deve ficar bem legal. Mas enfim, depois do fiasco do meu “tour” em Axum, ainda me restava aproveitar as Tigray Churches. As igrejas da região de Tigray, assim como as de Lalibela, também foram feitas de uma forma para que ficassem escondidas dos inimigos na época. Muitas das Tigray Churches também são cavadas em pedras, monolíticas, mas essas não foram escavadas no chão, e, sim, construídas no alto de montanhas inabitadas (ao menos as igrejas mais legais). Existem dezenas de igrejas na região, a que eu achei mais legal chama Abuna Yemata Guh, no episódio 10 do Alma Viajante (Ref. 23) e no Livre Blog da Amanda Areias (Ref. 22) tem um relato bem bacana a respeito. Abuna Yemata Guh fica no alto de uma montanha, é uma aventura só para chegar nela: 1h30 de caminhada, tem um trecho que sobe usando cordas, caminhar à beira de precipício, além de uma bela vista. Já outras igrejas parecem ter como destaque belas vistas das montanhas da região. O trecho de carro de Axum até as cidades-base para conhecer Tigray Churches é longo (4h), e eu estava preocupado se daria tempo de conhecer a igreja. Mal sabia eu que esse era o menor problema.... O pior foi a igreja que a ETT me levou para conhecer a Wukro Church, uma Tigray Church beeeeem fiascada! Descobri que no meu tour não estava incluído a Tigray Church mais legal (Abuna Yemata Guh), nem mesmo as outras muito legais (Maryam Korkor e Daniel Korkor). “Obrigado”, ETT. Dessa vez, eu também tive uma parcela de culpa. Quando fechei o pacote com a ETT, a comunicação estava péssima e acabei desistindo de pedir mais detalhes do roteiro, como qual seria a igreja incluída no meu tour. Pensei: “se eles te levam em uma Tigray Church, com certeza te levam na mais legal, certo?” Só que não.... Eles te levam na mais perto da cidade! Chegamos na Wukro Church no início da noite. É monolítica também, até lembra um pouco as de Lalibela sem ter sido escavada para baixo. Mas achei bem meia boca, especialmente para quem tinha acabado de voltar de Lalibela. No final do dia, liguei para a ETT na tentativa de dar um jeito de conhecer a Abuna Yemata Guh na manhã do dia seguinte, apesar da logística um pouco complicada. Era um passeio de 3h saindo de Wukro, e minha saída para o tour da Danakil Depression, no dia seguinte, estava marcada para às 8h da manhã. Ainda assim, pelo ritmo em que as coisas aconteciam nesses tours na Etiópia, eu tinha certeza que daria tempo de visitar a Abuna Yemata de manhãzinha, e depois encontrar o outro tour. Fiquei horas no telefone tentando viabilizar meu passeio, pagaria o valor que fosse, mas me disseram que, se eu não saísse às 8h em ponto, perderia o tour da Danakil Depression. No fim, tive que desistir da Abuna Yemata Guh. Lembram que eu comprei o pacote completo e caro, só para não ter dor de cabeça? “Obrigado”, ETT! Fiquei bastante frustrado por não ter ido em nenhuma das Tigray Churches mais legais. No entanto, o dia teve seus pontos positivos, como conhecer o centro histórico de Axum, ainda que superficialmente, e a bela paisagem de carro Axum até Wukro. Montanhas dos mais diferentes formatos, estradinhas às vezes muito sinuosas, muito legal, lindo cenário. Essas estradas passavam por vilarejos rurais bem simples, e o “trânsito” era intenso.... Trânsito de ovelhas, cabras, às vezes vacas 🤣 🤣 🤣. Tinha tanto animal nas estradas que a gente até se acostumava, achei mais bacana quando o “trânsito” era de camelos.... Seguem as fotos da bela estrada: Figura IV‑86: Em direção a montanhas escarpadas Figura IV‑87: Montanhas com formatos diferentes Figura IV‑88: Estradinhas serpenteando pelas montanhas Figura IV‑89: Tráfego intenso.... Axum: #valeapena Wukro Tigray Church: #legalzinho Dia 8 -> Salar Danakil Danakil Depression é uma depressão geológica, ou seja, uma planície abaixo do nível do mar, localizada no norte da Etiópia, na região do chifre da África. Em seu ponto mais baixo, tem cerca de 120 metros abaixo do mar, sendo um dos locais mais fundos do mundo (o Mar Morto é o local mais fundo do mundo, com 430 metros abaixo do nível do mar!). A região tem uma formação geológica complexa, resultado da separação de 3 placas tectônicas, causando atividades vulcânicas e rifting, terrenos subindo e afundando, erosão, tudo isso misturado com inundação pelo mar. O tour pela Danakil Depression era o passeio que eu mais queria fazer na Etiópia. Eu já sabia que o Vulcão Erta Ale tinha perdido o lago de lava recentemente, mas queria muito conhecer a região geotermal colorida chamada Dallol. O tour em si parecia desafiador, com muitos lugares remotos, mas incríveis! Eu estava ciente que teria muito pouco conforto, mas estava na dúvida se as atrações turísticas iriam compensar os perrengues... Danakil Depression é uma das regiões mais inóspitas da terra, uma das mais quentes da Terra. Em termos de temperatura média ao longo do ano, é o lugar mais quente do mundo!!! No ano todo, a temperatura média é 35oC, 30oC no inverno e quase 40oC no verão (Ref. 45). As temperaturas máximas chegam a 49oC. E, por ser uma depressão, não venta muito, a sensação é muito abafada.... Não por acaso, a melhor época para fazer esse passeio é em janeiro, ou o mais próximo possível do inverno deles. Como outubro, novembro e dezembro teoricamente teria muita chuva na RD do Congo, então optei por ir em setembro (média 37oC). Para minha sorte, peguei uns dias não tão quentes, até um pouco nublados. E a noite deve ter feito menos de 30 oC. Além da natureza inóspita, os vilarejos por onde passamos na Danakil Depression, estado etíope chamado Afar, quase na fronteira com a Eritreia, são muito remotos e bem simples. Deve ser uma das partes mais pobres da Etiópia, um dos países mais pobres do mundo.... Ficamos em acampamentos no meio do nada. Não sei nem se dá para chamar de acampamento, a gente não dormia nem em barraca. O pessoal estacionava o carro, colocava os colchões, e a gente dormia ao relento! Nos acampamentos, só tinha umas duas barracas maiores, onde eles preparavam o café da manhã e janta. Aliás, como era um calor do cão, não sei se precisava de barraca... Seguem as fotos do acampamento do primeiro dia (nessa primeira, foto já tinham guardado o colchão que ficava em cima dessa caminha). Figura IV‑90: Quarto com vista para as estrelas.... Figura IV‑91: Acampamento do primeiro dia Figura IV‑92: “Barraca restaurante” do nosso acampamento Não sei ao certo o que essa “oca” estava fazendo lá, mas parecia uma “suíte presidencial” do nosso acampamento, muito luxo 🤣 🤣 🤣: Figura IV‑93: Suíte presidencial.... No segundo dia, que dormimos no acampamento próximo ao Erta Ale, não tinha essa caminha, era só o colchonete mesmo. Eletricidade nos acampamentos? Nem pensar... Durante os 3 dias do tour, só tinha eletricidade na casinha restaurante que almoçamos no segundo dia. Não tinha banho, ducha, nem banheiro, obviamente.... Água mineral tinha, mas era mais para beber, preparar comida etc., não para tomar banho. Como ficava dentro do carro, já vinha na temperatura ambiente, ou seja, fervendo.... Ficar sem banho naquele calor infernal por 3 dias não era nada agradável. Aliás, não façam como eu que esqueci de levar lencinhos umedecidos: se limpar com eles, será o mais perto que você vai conseguir chegar de um banho! E ainda te deixam com aquele cheirinho de bundinha de bebê.... As únicas oportunidades de banheiro foram em três paradas de almoço, mas acreditem, era muito melhor ir na natureza 🤣 🤣 🤣. Lendo esse relato, pode parecer que eu achei o tour bem “trash”, mas, na verdade, eu adoro tudo isso! O tour é bem “raiz”, para quem gosta, é bom demais. E não posso deixar de falar que achei as refeições relativamente muito boas, muito melhor do que eu estava esperando. Os cafés da manhã e jantas eram servidos no nosso acampamento, os almoços foram em lugares simples em vilarejos do caminho, tudo bem simples, mas gostei bastante. O pior mesmo é que essa região próxima à fronteira da Eritreia está cheia de conflitos. Em 2012, um grupo separatista Afar atacou um grupo de turistas em tour no Erta Ale: 5 turistas morreram, 3 turistas ficaram feridos, 2 turistas e 2 etíopes sequestrados e depois liberados. Desde então é obrigatória escolta armada nesse passeio. Felizmente, no meio de 2018, foi assinado um acordo de paz entre Etiópia e Eritreia, e parece que os conflitos na região melhoraram um pouco. Aliás, logo depois que voltei para o Brasil, o primeiro-ministro da Etiópia ganhou o Nobel da paz 2019, justamente porque assinou esse acordo de paz! De fato, a escolta armada que nos acompanhou era bem menor do que os relatos que tínhamos ouvido anteriormente, “só” tinha um cidadão armado. Escolta armada em um passeio, para mim, nunca é uma sensação agradável, mas estava “menos pior” que na RD do Congo. No entanto, algumas coisas melhoraram nesse ano. Eu tinha visto relatos dizendo que as estradas até o Erta Ale eram terríveis, e ainda havia um trekking indigesto de 10 km (3h/4h) do acampamento até o vulcão. Felizmente, boa parte da estrada foi asfaltada. Além disso, o governo abriu uma estrada de terra que chega bem perto do Erta Ale, e o acampamento agora fica a, no máximo, 30 minutos do vulcão, em vez das antigas 3h/4h de caminhada. A infraestrutura melhorou um pouco, pena que a atração principal, o vulcão, piorou 🤣 🤣 🤣. EM TEMPO, atualização de 2023: em novembro de 2020, iniciou uma guerra civil por disputas políticas entre o estado de Tigray (Mekele é a capital desse estado, de onde saia o tour pela Danakil Depression) e o governo federal da Etiópia. A Frente de Libertação do Povo de Tigray (FLPT) era o partido mais influente da coalizão que governava a Etiópia de 1991 até 2018. A FLPT passou a buscar independência da Etiópia quando o primeiro-ministro Abiy Ahmed Ali, que havia ganhado o Nobel da paz de 2019, iniciou uma ruptura com a FLPT na coalizão que governava a Etiópia. As disputas transformaram-se em uma guerra civil e conflito armado violento, até que, teoricamente, em novembro de 2022 foi assinado um Tratado de Paz entre as partes com a mediação da União Africana. Por causa do conflito, esse tour pela Danakil Depression, que saía de Mekele, havia sido modificado e estava saindo de outra cidade no Afar bem mais longe, vale a pena verificar as condições desse conflito antes de programar sua viagem! Se, apesar desse monte de perrengue, você ainda quiser fazer esse tour.... Não esqueça de ir preparado, tem que levar basicamente tudo. Eles vão te dar um colchão e uma almofada, comidas e água também, mas o resto é por sua conta. O tour Danakil Depression começava às 9h da manhã no escritório da ETT em Mekele, e eu tive que sair as 7h30, já que eu estava na cidade de Wukro. Vou resumir o que aconteceu em Mekele: reúnem o grupo todo (22 pessoas), separam em carros, enrolam bastante, param para abastecer, esperam juntar os carros na estrada, param em uma cidadezinha só a 40 minutos de Mekele para ir em mercadinho, esperamos em um café por horas, depois espera as pessoas de novo sei lá para quê.... Caramba, era meio-dia e ainda estávamos na cidadezinha entre Mekele e Wukro! Ou seja, claro que dava para eu ter feito o passeio naquela Tigray Church mais legal nessa manhã e encontrar o comboio nessa cidadezinha a 20 minutos do hotel, não teria problema algum. “Obrigado”, ETT! Depois disso, andamos cerca de 2h de carro finalmente e paramos em um vilarejo bem simples para o almoço. Depois do almoço, os guias enrolam mais um pouco para o solzão baixar e só saímos de verdade para o Salar de Danakil às 16h! E depois de mais 1h de carro, finalmente chegamos na primeira atração do dia. Resumo logístico do nosso dia: saí às 7h30 da manhã de Wukro, e fomos chegar na primeira atração do dia às 17h da tarde (que fica a umas 3h30 de Mekele, cidade que começava o tour)! Apesar da logística horrível, o caminho é bem bonito. E nós passamos por belas paisagens desde que saímos de Mekele, que ainda fica nas montanhas e vales verdejantes da Etiópia, até entrarmos na região árida da Danakil Depression, quase sem vegetação e mais plana, já no estado do Afar. O motorista fez algumas paradas na estrada para curtirmos belas vistas. Figura IV‑94: Mirante saindo de Mekele Figura IV‑95: Mirante na descida até Danakil Depression A foto a seguir é um mirante do Rift Valley, que marca a entrada da Danakil Depression. Acredita-se que essa parte do Rift Valley (Danakil Depression) no passado distante já foi coberto pelo mar, formando o salar Danakil. Figura IV‑96: Rift Valley A primeira parada do passeio no Salar de Danakil é nesse ponto onde tem essa pequena banheira no meio do salar. A água é tão salgada que não afunda, estilo um Mar Morto super-concetrado. O pessoal do tour leva um pouco de água para tirar o sal para quem quiser se banhar. No Salar de Danakil, assim como em Uyuni, o sal produz esses padrões hexagonais. Mas, enquanto em Uyuni, eles são branquinhos, aqui eles são bem marrons. Figura IV‑97: “Banheira” Figura IV‑98: Padrões hexagonais do Salar de Danakil Depois de conhecer a parte do salar que tem essa banheira, voltamos para o carro e rapidamente chegamos à outra região do salar, que tem esse lago grande e muito salgado chamado Lago Karum. Ele é bem rasinho, não é para nadar. Fica uma lâmina d’água bem fininha por cima do salar, bem bonito. A ideia era apreciar o pôr do sol de lá, que deve ser muito belo, uma pena que o dia estava bem nublado. O lado positivo de estar nublado é que não pegamos tanto calor, essa parte do salar Danakil/Dallol seria a parte mais quente do passeio. Na foto abaixo, eu caminhei bem para o meio do lago (reparem nos carros, que estavam na margem do lago), e estava tão raso que não afundava nem o pé.... Tem um vídeo no canal também, Cap IV‑29. Figura IV‑99: Lago Karum No geral, achei o Salar de Danakil bonito, mas nem tanto quanto Uyuni e Atacama. E os guias não tinham as manhas de tirar fotos tão divertidas brincando com as perspectivas como na Bolívia! Final do dia, fomos para o “acampamento”. Como não estava tão quente assim, a noite ao ar livre para mim foi boa. Salar de Danakil: #legalzinho Lago Karum: #legalzinho Dia 9 -> Dallol e Erta Ale Nesse dia, saímos bem cedo para conhecer o Dallol, pertinho do Salar Danakil. Dallol significa “pedras coloridas” na língua deles. É o lugar mais inóspito da inóspita Danakil Depression porque, além do calor infernal, o chão é meio enlameado, é cheio de fumaças tóxicas, poças ácidas, é bem fedido, alguns chamam de Portão do Inferno.... Mas é de uma beleza surreal! No verão, os guias geralmente levam os turistas bem cedo, acordamos às 6h da manhã para ir para lá. A região do Dallol especificamente é uma região hidrotermal do Salar Danakil, com muita atividade vulcânica embaixo do deserto de sal. Tem muita presença de minerais: ferro e potássio mais avermelhados, amarelo de ácido sulfúrico, magnésio e sal branco, tudo reagindo com aquele calorzão acaba formando cores meio surreais, misturas de verde, amarelo, marrom.... Estava lendo um texto de um cientista que explica melhor essas formações (Ref. 26). A água que brota do chão é supersaturada de sal, todo esse sal excedente se cristaliza formando pilares que inicialmente são de um branco brilhante e puro. A acidez das águas é brutal, quase 500 vezes maior que a do limão. Depois do sal, quando a temperatura da água baixa algumas dezenas de graus, o enxofre se condensa, pintando de amarelo fluorescente os pilares inativos. As águas ácidas empoçam graças a represas construídas pela cristalização do próprio sal. O ferro, em contato com o oxigênio da atmosfera, oxida-se reduzindo o pH até o valor mais baixo já encontrado em meio natural, quase 10.000 vezes mais ácido que o limão. As sucessivas mineralizações causadas pela oxidação tingem as águas de cores vibrantes, do verde-lima ao verde-jade, do laranja ao vermelho, os ocres e chocolates. Olhando as fotos a seguir, talvez dê para visualizar um pouco esse processo de formação de cores, muito interessante. Na excursão, o guia estava explicando que no Dallol tudo é fugaz. As áreas que outrora estavam tranquilas, apresentam uma atividade inquietante. As flores de sal que reluziam brancas hoje estão amarelas e, depois de amanhã, vermelhas. E desaparecerão para germinar em outros lugares. Essa foto é do início da caminhada desde o ponto que o carro estaciona, até o Dallol (caminhada bem leve, uns 15 minutos no máximo). Segundo o guia, antes as águas brotavam nessa região, mas olha como ficou depois que perdeu a atividade hidrotermal e as cores. Figura IV‑100: Região que secou No pedaço colorido do Dallol, com atividade hidrotermal, havia duas áreas muito mais bonitas que o restante. A primeira área era onde se formaram muitos “minivulcãozinhos” de sal, enxofre e minerais, muitos deles com água quente e vapor brotando do chão. São como minigêiseres. Outros vulcãozinhos não estavam mais ativos, restando apenas as montanhazinhas coloridas. Essa parte era aonde tinham mais fumarolas, fumaça, etc. Nessa foto, eu aponto para uma delas, depois dou o zoom. E também coloquei um vídeo (Cap IV‑30) dessa área dos “vulcõeszinhos” no canal. Figura IV‑101: Área com “vulcõezinhos” expelindo água quente Figura IV‑102: Detalhe do vulcãozinho Figura IV‑103: “Área dos vulcõezinhos” Já na segunda parte muito colorida, a “área das piscinas”, se caracterizada por ter muito acúmulo de água. Foi a área que eu achei mais bonita, tirei um milhão de fotos. As águas se acumulavam parecendo minipiscinas, de borda infinita, de várias tonalidades: verde, transparente, azul, muito bonito. Essas lindas piscinas se acumulavam em terraços, às vezes de cor amarela, laranjas, marrom, belíssimas. Uma explosão de cores!!! Figura IV‑104: “Área das piscinas” Figura IV‑105: Muito acúmulo de água Figura IV‑106: piscinas mais esverdeadas Figura IV‑107: Explosão de cores Figura IV‑108: Vista do alto morro Figura IV‑109: Detalhe Figura IV‑110: Poça mais azulada Salvei dois vídeos no canal dessa área das piscinas, Cap IV‑31 e Cap IV‑32. Ah, e para não criar muita expectativa: o lugar é menor do que pode parecer nas fotos! É só uma pequena região do salar que fica colorida assim. Essa foto dá para ter uma ideia do tamanho, no primeiro plano, a parte que tinha a “área dos vulcõezinhos” e, no fundo, centro esquerdo da foto, é a “área das piscinas”. A área com atividade hidrotermal, e muito colorida, é relativamente pequena. O resto é aquele deserto da chegada. Dito isso: eu esperava um lugar um pouco maior, mas ainda assim eu achei o Dallol #imperdível. Era a parte que eu tinha maior expectativa da Etiópia, e não me decepcionou! Figura IV‑111: Vista geral da área com atividade hidrotermal Depois do Dallol, fizemos ainda duas paradas rápidas só para foto em algumas formações bacaninhas. Primeiro uns pináculos, e depois visitamos rapidamente um lago de potássio bem diferentão, com água escura, quente, tóxica e muito fedida! Figura IV‑112: Lago de Potássio Ficamos nesses passeios da região do Salar Danakil das 6h às 9h, quando seguimos para o vulcão Erta Ale. O trecho de carro era longo, e chegamos no vulcão à noite. A maior parte da estrada agora está asfaltada, só pegamos umas 2h de estrada off-road da saída da cidade de Afrera até o vulcão. Mas uma grande parte desse trajeto estava sendo asfaltada. Em uma parte do trajeto, ventava muito, inclusive vimos alguns miniciclones se formando com areia e a poeira do deserto, depois se desfaziam, muito bacana. Parecia Madmax! Infelizmente não consegui tirar nenhuma foto decente desses miniciclones, mas olha quanta areia e poeira nessa foto e nos vídeos (Cap IV‑33 e Cap IV‑34) dos nossos carros atravessando a ventania infernal no deserto! Figura IV‑113: Tempestade de areia no deserto Quando chegamos na parte vulcânica, próximo ao Erta Ale, parou de ventar forte, felizmente. O Erta Ale não é tem aquele formato clássico estratovulcão, é um vulcão escudo. Até por isso ele é bem baixo, 612 metros de altura. Figura IV‑114: Erta Ale O acampamento era muito parecido com o do dia anterior, só não tinha a caminha de palha, os colchões ficavam no chão mesmo. Arrumamos as coisas e partimos para ver o vulcão. Lembrando que a subida até o vulcão agora é bem curta, 30 minutos, porque, recentemente, construíram uma estrada de terra nova. A subida não é difícil, mas é um pouquinho traiçoeira, muita pedrinha, escorrega bastante, especialmente à noite. Depois você chega em um lugar que parece um cume, talvez fosse uma cratera antiga do vulcão, mas que ainda não é a borda da cratera “atual”. De lá, a gente descia por uma pequena encosta, pedaço apertadinho e íngreme, para depois caminhar até a beira da cratera. Salvei no canal um vídeo desse cume ante da descida para a borda da cratera, Cap IV‑35. Esse último trecho, até a beira da cratera atual, é pura lava petrificada. A foto a seguir permite ter uma ideia do tamanho da cratera do vulcão, reparem nos 3 turistas bem pequeninhos perto da borda da cratera.... Figura IV‑115: Turistas na borda da cratera Infelizmente, eu já sabia que, desde a erupção de 2017, o Erta Ale não tinha mais lago de lava, nem tinha erupções estrombolianas. Mas estava com um pouquinho de lava visível, que não se movimentava, nem tinha pequenas erupções, parecia carvão pegando fogo.... Nas fotos abaixo, dava para ver alguns pontos bem vermelhos no meio da fumaça. Segundo o guia, há pouco tempo voltou a aparecer essa lava no vulcão. Erta Ale na língua afar significa montanha de fumaça. Nome mais do que apropriado, a quantidade de fumaça era muito maior que os outros vulcões que eu fui! A fumaça incomodava bastante também. Mas, pelo menos, rendia belas fotos com aquele clarão vermelho subindo da cratera à noite! Figura IV‑116: Lava visível e clarão vermelho Figura IV‑117: Fumaça e clarão vermelho Figura IV‑118: Turistas e suas lanternas voltando da cratera No dia seguinte, acordamos cedo e, antes do café da manhã, subimos novamente para ver o Erta Ale. Nos outros vulcões, eu preferia à noite, o espetáculo era muito mais lindo. Mas do Erta Ale, eu gostei mais de dia! De manhã, conseguimos ver uma atividade vulcânica maior, não sei se era a visibilidade que estava melhor (menos fumaça), ou a atividade do vulcão que estava maior. Dava até para ver minierupções estrombolianas naqueles pontos de lava vermelhos, que pareciam carvão em churrasqueira (as fotos a seguir foram tiradas com bastante zoom). Foi bacana, mas as erupções não chegavam nem perto da altura necessária para sair da cratera. Figura IV‑119: Minierupções Figura IV‑120: Lava Salvei dois vídeos no canal desses pequenos focos lava, Cap IV‑36 e Cap IV‑37. Também deu para ver bem o terreno depois que a gente desce do cume, ao redor da cratera do vulcão de dia. O cenário é bacana, muita lava solidificada, meio quebradiça, bem exótica. Pelos formatos e cores das lavas solidificadas, era possível saber se era de uma erupção mais recente ou mais antiga, e tinha alguns rios de lava petrificada. Figura IV‑121: Rio de lava seco Figura IV‑122: Campos de lava solidificados O tour de 3 dias pela Danakil Depression estava chegando ao fim. E a pergunta que não quer calar: valeu a pena? Depende.... Eu valorizo bastante aquelas atrações que têm um desafio, pois sempre abrilhanta a experiência, mas o mais importante é que a atração em si ofereça uma recompensa show. No final das contas, eu achei esse passeio muito perrengue (especialmente falta de banheiro e o calor por muitos dias), para uma recompensa média... A logística poderia melhorar muito: uma saída à tarde para o Erta Ale, com pernoite, e posterior visita ao Dallol/Salar Danakil antes de retornar à cidade, já seria suficiente. Quanto ao Erta Ale, apesar de enfeitiçado pela Pele (deusa havaiana dos vulcões), minhas expectativas não eram tão altas. No final, eu diria que foi de acordo com as expectativas. A inevitável comparação com o Nyiragongo, que estava com um lago de lava magnífico e que eu havia visitado 4 dias antes, de fato prejudica um pouco a minha admiração pelo Erta Ale. Já imaginava que isso poderia acontecer quando decidi fazer o Nyiragongo primeiro, não quis arriscar deixá-lo por último para ter algum tempo de reação caso surgisse algum imprevisto. A verdade é que o Nyiragongo foi tão mais impressionante, que dá até uma certa “brochada” no Erta Ale.... Fiquei observando a reação dos outros turistas, a maioria estava vendo um vulcão ativo pela primeira vez e pareceu gostar. Fico imaginando como o Erta Ale deveria ser legal antes da erupção de 2017, ia ser demais chegar pertinho daquela cratera cheia de lava. No Nyiragongo, por exemplo, ficamos bem mais longe do lago de lava. Vale lembrar que os lagos de lava são muito instáveis, então é sempre bom conferir as condições do lago antes de ir. De qualquer forma, mesmo se estiver com pouca lava, eu acho que #valeapena conhecer o Erta Ale para as “pessoas normais”, ou #imperdível para quem, como eu, adora vulcões e esse tipo de excursão mais “raiz”! Dallol: #impedivel Erta Ale: #valeapena Dia 10 -> Lago Afrera Depois que voltamos do Erta Ale, tomamos o café da manhã no acampamento, e às 8h30 seguimos para a última parada do tour. Antes, uma curiosidade. O nosso motorista passou os 3 dias conosco sempre mascando umas plantinhas... Especialmente depois das refeições, tinha uns pequenos ramos, que ele ficava passando entre os dentes, se não me engano tinha umas folhas também. Percebi que os outros motoristas do tour também estavam sempre mascando esse negócio.... Depois fui descobrir que na Etiópia, em toda aquela região do chifre africano e no Iêmen, é muito comum uma plantinha chamada khat (pronunciavam “chat”). Parece que é viciante, causaria dependência psicológica, mas não causa dependência química. Aquele matinho contém uma substância estimulante parecida com anfetamina, causando excitação e euforia, mas demora um pouco para fazer efeito. Apesar de, no mundo ocidental ser considerado droga (a OMS considerou droga em 1980), na Etiópia e nesses países, o consumo é cultural, desde o século XI pelo menos. Seu consumo não é crime, é muito normal, parece que é bem comum usarem depois do almoço, especialmente motoristas. Além disso, descobri que, naquela região, também é muito comum o uso de uns ramos de uma árvore como uma escova de dente natural, chamado miswak. Teve uma hora que os turistas do meu carro perguntaram para o motorista o que era aquilo que ele estava sempre mastigando. Ele falou que serviria para limpar os dentes e até ofereceu para a gente. Hoje eu estou na dúvida se era o miswak, “escova de dente natural”, ou o khat mesmo.... Mas eu acho que o danadinho deu um “migué” na gente, dizendo que era para limpar os dentes, mas devia ser khat e a gente nem desconfiou que aquilo “dava um barato” 🤣🤣🤣 . Só para deixar claro, o motorista era bem gente fina e dirigia super-bem. Nossa última atração era o Lago Afrera, que fica a 2 horas do Erta Ale. É um lago muito salgado, tem várias salinas na região. Eles nos levam a uma entrada do Lago Afrera onde, ao lado, tem uma Hot Spring, uma fonte termal com água muito quente. A água é doce e seria uma delícia, não fosse o calor infernal daquele lugar.... Ou seja, o lago era muito salgado, a fonte, muito quente, estava um calor do cão, mas, ainda assim, valeu porque foi o mais perto de banho que eu consegui nesses três dias! Ficamos mais ou menos uma hora no Lago Afrera e na fonte, almoçamos em Afrera e depois voltamos para Mekele (umas 3h de viagem). Como meu voo para Addis Abeba era naquela noite às 20h, o motorista já me deixou no aeroporto. E que delícia que foi reencontrar um banheiro, ainda que bem porco, do aeroporto de Mekele.... Foram três dias sem sequer lavar a mão em uma pia, para não falar dos três dias sem número 2 🤣🤣🤣 ! Lago Afrera: #legalzinho Dia 11 -> Addis –> SP Na noite anterior, meu um voo chegou tarde em Addis Abeba e, como meu voo para São Paulo já era de manhã, infelizmente não pude conhecer direito Addis Abeba. A minha rápida impressão é que a capital tem algum desenvolvimento, bem diferente da imagem que tínhamos da Etiópia dos anos 80, mas provavelmente com uma grande desigualdade social, que conhecerei em alguma próxima viagem. Só deu tempo de tomar o banho mais desejado e merecido dos últimos tempos! No dia seguinte, peguei o meu drone sem maiores problemas e embarquei de volta para casa depois dessa viagem frenética. Antes de encerrar os relatos, queria mostrar um pouco da realidade que eu conheci do interior da Etiópia. Visitei Lalibela, Axum, alguns vilarejos na região de Afar na Danakil Depression, além de Mekele, uma cidade maior com 300 mil habitantes. A ideia é mostrar o “mundo real” dessas localidades e seu cotidiano. Vou deixar que tirem suas próprias impressões. Os vídeos capturam um pouco dessa realidade de forma mais clara, salvei alguns no canal (Cap IV‑38, Cap IV‑39, Cap IV‑40, Cap IV‑41 e Cap IV‑42) circulando pelas ruas de Lalibela, de Axum, de Makele, e também um vídeo do nosso acampamento (primeiro dia) próximo a um vilarejo no estado Afar. Seguem também algumas fotos. Figura IV‑123: Ruas na periferia de Lalibela Figura IV‑124: Axum Figura IV‑125: Mekele As regiões ao norte têm muitas cabanas de madeira, barracos, poucas casas de alvenaria. Várias casinhas eram construídas de forma semelhante à nossa “barraca restaurante” do acampamento. No Norte da Etiópia, também chamou minha atenção um monte de pedras nos telhados para evitar que as telhas voassem. Figura IV‑126: Muitas pedras no telhado Figura IV‑127: Antena e pedras no telhado O que eu acertei e o que eu faria diferente: Para os meus objetivos e restrições de tempo, achei que o meu roteiro ficou excelente. Ficou muito corrido, o que, para mim, não é problema, mas a quantidade de coisas que eu consegui fazer em 10 dias foi incrível! Combinando atrações de aventura e natureza (dois vulcões bem remotos e gorilla trekking), e atrações culturais (Memorial do Genocídio, Lalibela, Axum). O ideal seria se eu tivesse mais uns dias para combinar com alguma praia paradisíaca do Índico.... Minha rápida passagem por Ruanda foi suficiente para conhecer o meu objetivo principal: o Memorial do Genocídio. Existem outros locais de genocídio transformados em memoriais, como a famosa igreja de Nyamata, e outro chamado Murambi, cujo memorial deve ser ainda mais impactante, pois exibe corpos mumificados para os que tiverem estômago para visitar... A outra atração mais famosa de Ruanda são os gorilas, mas a licença do gorilla trekking lá estava absurdos 1500 $USD, enquanto, em Uganda, estava 600 $USD! Os gorilas ficam no Parc National des Volcans, onde também existem alguns trekkings, e dá para curtir o Lake Kivu nas redondezas. Infelizmente, Uganda foi o lugar mais sacrificado pela minha falta de tempo, mas quem sabe eu volto um dia. Tem um rafting no Nilo, que dizem que ser ótimo, e não vai durar muito tempo. Deve acabar quando uma nova represa for construída. Próximo à região dos gorilas, ficam o belo Lago Bunyonyi e diversos trekkings da região do Rift Valley, incluindo montanhas com picos nevados! Uma alternativa ao Kilimanjaro é o Monte Stanley (acho que os locais também chamam de Monte Rwenzori), terceiro pico mais alto da África, mas é importante verificar as condições de segurança, já que fica na fronteira com a RD do Congo. No oeste de Uganda, há parques nacionais com muitos animais, incluindo os big five, mas espalhados em diversos parques nacionais, como o Queen Elizabeth e Murchison. O Kibale Forest National Park tem chimpanzés, mas também é caro, e dizem que a experiência pode não ser tão bacana quanto com os gorilas, já que eles ficam mais na copa das árvores. A Etiópia é um país bem grande, o que dificulta um pouco a locomoção entre as atrações. Entre os lugares que não conheci, Harar me chamou atenção. Conhecida como a “capital muçulmana” da Etiópia, é uma cidade antiga, cheia de mesquitas, e, na Etiópia, dizem que é a quarta cidade mais sagrada do Islã (depois de Meca, Medina e Jerusalém). No século VII, quando o profeta Mohammed enfrentou perseguição pela primeira vez na Arábia Saudita, disse aos seus seguidores que, na Etiópia (Abissínia, na época), eles seriam bem recebidos, o que, de fato, ocorreu. Atualmente, os muçulmanos compõem 34% dos mais de 115 milhões de habitantes da Etiópia. Mas o que mais me atraiu em Harar foi a tradição de alimentar as hienas. O blog Saiporaí de Guilherme Canever tem um relato sensacional de lá (Ref. 20). Se tivesse mais tempo e $, incluiria, em primeiro lugar, a Tigray church mais legal, depois mais um dia em Addis Abeba para conhecer a capital e o fóssil Lucy, depois conheceria a medieval Gondar, Harar e as Simien Mountains, nessa ordem de prioridade. E se tivesse ainda mais tempo e $, incluiria Bale Mountains e cachoeira do rio Nilo Azul. A Etiópia também oferece parques nacionais e lagos com vida selvagem, mas safaris em outros países parecem melhores. Tem gente que vai para o sul conhecer Omo Valleys, conhecer umas tribos bem peculiares. As tradições das tribos parecem bacanas, mas, na época, só achei passeios que pareciam aqueles mega turísticos, meio tourist trap, não tão autênticos. Mas já vi muita gente que adora, e se pesquisar bem, dá para achar passeios mais imersivos lá. RD do Congo, eu confesso que não pesquisei nada além da região do Virunga. Não sei se tem mais atrativos, deve ter coisas bacanas, pois é um país gigante! Mas, com ebola, os conflitos armados e a guerra civil, por hora, já está bom conhecer o Nyiragongo.... Nyiragongo foi uma das melhores viagens da minha vida, mas não sei se eu recomendaria ir para lá no momento que eu fui, sabendo que (1), nas redondezas, está tendo um surto de ebola, com (2) um conflito armado com milícias controlando cidades, e (3) que o parque nacional às vezes é fechado por falta de segurança.... Eu só recomendaria para os roteiristas do Não Conta Lá em Casa (Ref. 17) e para as pessoas que, assim como eu e o @DIVANEI (Ref. 16), continuam tomando decisões cretinas e inconsequentes mesmo depois de velhas 🤣 🤣 🤣. Eu fico imaginando o que aconteceria com quem tem febre detectada nos pontos de controle de ebola. São pessoas simples que ficam medindo a temperatura nos checkpoints, não são médicos. Ficam em tendas no meio das estradas, não em hospitais, postos de saúde etc. Imagina se você tiver uma gripe que não tem nada a ver com Ebola e detectam febre nesses checkpoints, deve dar uma confusão.... Posso estar enganado, mas com os “superprotocolos” de segurança desses países, meu palpite não é dos melhores. Mas enfim, comigo, tudo ocorreu sem problemas. A melhor época para visitar a Etiópia na região do Danakil Depression é janeiro e fevereiro, quando é menos calor. Na RD do Congo, o ideal é evitar chuvas, nos meses de outubro a começo de dezembro. Mas acabei indo no início de setembro, e felizmente não peguei nem tanto calor na Etiópia, nem muita chuva na RD do Congo, deu tudo certo em relação ao clima. Por fim, queria falar um pouco sobre os bônus e ônus da vida de viajante na África. Minha primeira viagem para África foi para o Egito. Um país fantástico que eu amei e recomendo muito, mas não posso deixar de alertar também que sobre o assédio nos turistas. Zilhões de vendedores de qualquer coisa, muito insistentes, que não te deixam em paz nem por um segundo! Mas, se, no Egito, o choque cultural foi um pouco mais traumático, dessa vez eu estava mais preparado. Em Ruanda, o assédio incomodou um pouco, mas foi bem mais tranquilo que no Egito. Em Uganda, na rápida parada rápida na cidade para o motorista comprar comida, já chegaram algumas crianças chamando muzungu (homem branco). Nesse pouco tempo, já deu para ver que deve ser complicado o assédio. Na RD do Congo, eu só andei escoltado pela turma do Virunga, fica difícil avaliar. Já as informações que eu tinha a respeito de “assédio ao turista” eram bem ruins com relação à Etiópia. E, de fato, lá o bicho pega! Eu senti uma diferença marcante entre o Egito e a Etiópia. No Egito, o assédio era de um monte de gente querendo vender zilhões de coisas para o turista. Na Etiópia, além dos vendedores, tinham muitos pedintes também. E a maior parte dos pedintes era criança ou adolescente, e isso foi dureza, dá muito aperto no coração. É muito triste ver toda aquela pobreza e não poder ajudar muito.... Se a capital Addis Abeba pareceu bem desenvolvida, as outras regiões que eu conheci mais ao norte passava por vilarejos muito simples. Em Lalibela, meu hotel ficava no centrinho e, depois do almoço, tentei dar uma voltinha em umas lojinhas de souvenirs bem frente ao meu hotel. Eu fui caçado de uma forma, zilhões de crianças me cercando, pedindo, insistindo, eu não consegui andar nem 3 minutos e voltei para o hotel. Infelizmente, por causa de todo esse assédio, você acaba passeando menos e diminuindo a iteração com os locais, especialmente em lugares mais turísticos. Em Axum, também fui “caçado” na praça principal. No tour Danakil Depression, quando parávamos para almoçar ou tomar café nos vilarejos, vinham muitas crianças pedindo qualquer coisa. Na região do Afar – Danakil Depression, os vilarejos pareciam mais pobres do que no resto da Etiópia, e o clima inóspito (calor infernal e desértico) aparentemente tornava as condições mais difíceis para a população, infelizmente. Minha intenção aqui não é julgar nada, é apenas relatar como funciona o assédio ao turista se você decidir ir para lá. Claro que o assédio pode incomodar quem só quer ficar um pouco sossegado, mas, na minha visão, quem vai para lá precisa ser compreensivo e entender a situação complicada de algumas pessoas que vivem ali e não tiveram tanta sorte quanto nós. O pior é a tristeza de ver muita pobreza sem poder fazer muita coisa para ajudar. Se vocês forem para África, estejam mentalmente preparados. E financeiramente também.... Até por não ter muita estrutura turística para sair mochilando por aí, é muito mais caro viajar pela África do que muita gente imagina! E, em termos de luxos e conforto, tem que ser um pouco desapegado também. Definitivamente, fazer turismo na África não é para qualquer um. Mas todo lugar tem os seus aspectos positivos e negativos e, na minha opinião, vale muuuuito a pena conhecer a África! Provavelmente é o meu continente favorito, já voltei e ainda pretendo voltar muitas vezes mais. A África é um dos continentes mais bonitos, diversos e incríveis do mundo, com pessoas simpáticas e receptivas. Desertos, florestas, savanas, safaris, praias, cachoeiras, vulcões, tribos, diversas culturas e muita história. Uma viagem que te tira um pouco da zona de conforto, tornando a experiência ainda mais especial. Lá, você vai descobrir coisas que não vai encontrar em lugar nenhum do mundo. Acho que nenhum outro capítulo desse livro terá tantas histórias para contar... Foi uma viagem cheia de experiências únicas e momentos inesquecíveis! Ranking das atrações Segue meu ranking das principais atrações dessa viagem: 1 – Nyiragongo, RD do Congo 2 – Dallol, Etiópia 3 – Lalibela, Etiópia 4 – Erta Ale, Etiópia 5 – Gorilla trekking, Uganda 6 – Memorial Genocídio, Ruanda 7 – Axum, Etiópia Obs.: A Tigray church mais legal, mas eu não fui, Abuna Yemata Guh, e as outras parecem ter belas vistas, Maryam Korkor e Daniel Korkor, tinham potencial para estar na lista... --------------------------------------- Pessoal, postei quase inteiro o capitulo IV do livro/ebook (só reduzi algumas fotos pra adaptar ao forum). Os capítulos de cada continente ficaram parecidos com esse. O relato completo das viagens pelos outros continentes está no livro Destino Vulcões, que consegui deixar o livro inteiramente grátis no amazon.com.br (não sei por quanto tempo...). É só entrar lá e baixar (link: https://a.co/d/agKaeNM)! Dá para ler direto no site, mas eu recomendo usar o aplicativo “Kindle”, disponível para celular (Android ou iPhone), laptop (Windows), ou no próprio Kindle, claro. Sinopse do livro: Nesta obra, compartilho minhas aventuras em busca dos vulcões mais espetaculares do planeta. É um relato pessoal de mais de 90 dias de viagens, ao longo de 10 anos, explorando 15 países em 6 continentes, ilustrado com fotos e vídeos do próprio autor. Expressões absolutas da força da natureza, os vulcões fascinam na mesma medida em que amedrontam. Quem já assistiu a uma erupção com lava pode confirmar que os vulcões oferecem uma das cenas mais impressionantes da natureza. E não é preciso ser um aventureiro radical para explorar esses destinos — basta estar disposto a viver experiências inesquecíveis. Além de paisagens vulcânicas impressionantes, descobri culturas vibrantes e outras belezas naturais que tornaram essa jornada ainda mais enriquecedora. Convido você a me acompanhar nessa aventura, repleta de histórias fascinantes e paisagens deslumbrantes ao redor do mundo. Capa:1 ponto
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Leste Europeu (Albânia, Macedônia do Norte, Bulgária, Romênia) OUTUBRO 2025!!
Vou passar o mês de Outubro pela Europa. Chego dia 01/10 em Munique, na Alemanha para a Octoberfest e dia 06/10 começo meu roteiro pelo Leste, ainda não estou com o roteiro totalmente fechado mas chego por Tirana, na Albânia. Aberto a sugestões e companhia. Insta: hudsonlfaria1 ponto
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Guatemala em duas semanas - Quetzaltenango (Xela) com vulcões e igreja de San Andres Xecul, Lago Atitlan, Antígua com vulcão Acatenango, Semuc Champey e Flores com sítios Tikal e Yaxha
Relato de uma viagem pela incrível Guatemala, feita sozinho durante 2 semanas entre 29/03 e 12/04/2023. Muitas das informações aqui apresentadas já foram em parte compartilhadas no meu Instagram de viagens: https://instagram.com/viajadon_/ ⚠️ Essa viagem pela Guatemala na verdade é parte de uma viagem maior que incluiu também o México e que já foi relatada aqui no Mochileiros: A entrada na Guatemala se deu pela fronteira mexicana a partir da cidade de La Mesilla. Obs.: os preços informados são em Quetzales. PRINCIPAIS CIDADES/REGIÕES VISITADAS (em ordem de deslocamento): Quetzaltenango (Xela) - Lago Atitlan (incluindo San Pedro, San Juan e Santa Clara) - Antígua (com vulcão Acatenango) - Cidade da Guatemala - Lanquín (com Semuc Champey) - Flores (com sítios arqueológicos de Tikal e Yaxha) MAPA GERAL COM AS CIDADES VISITADAS: Disponível em: Cidades visitadas na Guatemala ITINERÁRIO: Planilha para dowload com mais detalhes e infos de refeições e hospedagens (incluí os trechos no México para uma noção maior de toda a viagem: https://docs.google.com/spreadsheets/d/1waDMfQMPydJy4iJDYq6PXsPPpZeQ4t10/edit?usp=sharing&ouid=103098444594684776713&rtpof=true&sd=true INFORMAÇÕES BÁSICAS PERÍODO DA VISITA - Eu acabei fazendo fboa parte da viagem pela Guatemala durante a Semana Santa. Por um lado, essa experiência foi interessante, pois vi procissões típicas do período (falarei sobre elas mais à frente no relato). Por outro lado, não foi muito positiva, pois encontrei Antígua bastante cheia e com preços altos. Não consegui aproveitar quase nada na Cidade da Guatemala. Tive contratempos com ausência de transporte. E por fim, encontrei Semuc Champey completamente lotada. VISTO - Não há necessidade de visto para visitar a Guatemala por um período de 90 dias. POVO GUATEMALTECO - De forma geral, achei os guatemaltecos reservados, mas não mal educados. - Em quase todas minhas interações com as pessoas locais, fui bem tratado. - Segundo informações de guias locais, posteriormente confirmada em pesquisas, no país são faladas 24 línguas, sendo que 21 são derivadas do maia e duas são de outros povos ameríndios. CÂMBIO - O câmbio tem paridade fixa com dólar. Então, sempre procure os bancos ou financeiras oficiais para fazer câmbio. Não faça com cambistas, pois certamente terá uma conversão muito pior. Um dólar equivale a 7,65 - 7,75Q. PREÇOS - Não considerei a Guatemala um país muitooo barato para viajar, tampouco é caro. Detalharei um pouco mais em tópicos a seguir. TRANSPORTE - Para viajar entre as cidades no modo econômico, o transporte é o famoso "chicken bus". Na verdade, muitos não curtem esse nome, mas é como ficou conhecido. São ônibus antigos, bastante estilosos por fora. Os corredores são estreitos e os bancos de couro únicos recebem confortavelmente duas pessoas. Entretanto, não se espante com uma terceira pessoa sentada no cantinho. Na verdade, esse é o normal à medida que o ônibus vai enchendo. Em muitos há opção de levar a mochila no teto do ônibus na parte exterior. Em alguns também dá para carregar a mochila dentro e armazenar no bagageiro interno acima das poltronas. 20230403_132234.mp4 - Se você for viajar de chicken bus, tenha em mente que podem te trocar de ônibus ao longo da viagem, mesmo quando falarem que a viagem vai até o seu destino. Não se assuste que isso é normal. Fique esperto para não deixar as coisas para trás já que o procedimento costuma ser feito na correria. - A depender do trajeto que fará, pode valer mais a pena pegar um transfer privado e pagar um pouco mais. - Ah, também não espere organização alguma nas rodoviárias ou terminais de onde saem os chicken bus. Espaço mais ou menos organizado encontrará apenas em estações de empresas de ônibus que partem da Cidade da Guatemala, como a Monja Blanca. HOSPEDAGEM - O preço de hospedagem econômica em Xela, San Pedro (Atítlan), Antígua (fora do período que fui), Cidade da Guatemala e Lanquím é de aprox. Q60 (8 dólares) e em Flores é a partir de Q90 (12 dólares). - Acabei fazendo as reservas de forma geral pelo Booking ou entrando diretamente em contato com as hospedagens para tentar negociar um preço sem as taxas de administração da plataforma. p.s.: Ao final do relato, encontrará a lista de todas as minhas hospedagens. COMIDAS E BEBIDAS - Para ver informações sobre as refeições e restaurantes, acesse a planilha. - Acabei achando a comida guatemalteca de forma geral similar a mexicana, inclusive muitos pratos vinham com tortillas. Porém achei que havia menos variedade nos restaurantes onde comi e de forma geral, a comida era ainda menos temperada do que a mexicana. Diferentemente do relato do trecho da viagem no México, aqui vou ficar devendo um glossário e informações mais ricas sobre a comida porque realmente não explorei muito. - No mercados municipais, de forma geral encontrará pratos baratos, de Q15 a Q25. Já em restaurante econômicos será em torno de Q35, Q40. - Ser vegetariano na Guatemala é um pouquinho complicado se você não está na pilha de fazer sua própria comida. - O custo do hortifruti é bastante alto mesmo em feirinhas. - Se encontrar balinhas de cardamono em algum local, compre! São deliciosas! (obs: o cardamono é pouco consumido localmente, mas o país é o maior exportador da especiaria. - Tem uma bebida bem típica lá que chama Quetzalteca. É uma bebida mista alcóolica, leia-se: álcool misterioso misturado com suquinho. hahaha Eu tomei de tamarindo e achei gostosa. - As cervejas de forma geral são bem leves e aguadas. Das que se encontra facilmente, as que achei melhorzinhas foram a Monte Carlo Premium e a Cabro Reserva. ROTEIRO DIA 1) COMITÁN DE DOMINGUEZ (MÉXICO) A QUETZALTENANGO (também conhecida como Xela) Dia basicamente de deslocamentos saindo às 8h de Comitán de Dominguez (México) em van da empresa Rapidos de La Frontera até Ciudad Cauhtemóc (75 pesos mexicanos, 1h30 de duração). Em seguida peguei um táxi coletivo até a fronteira (15 pesos, 5 min de duração). Como já tinha preenchido o formulário de saída de forma online (infelizmente não tenho mais o link), fiz rapidamente o procedimento de check-out e em seguida ingressei na Guatemala via cidade La Mesilla. Não houve nenhuma inspeção fronteiriça e nem questionamentos no país. Rapidamente carimbaram meu passaporte e me permitiram seguir viagem. Troquei um pouco de dólares com cambista (não faça isso! caminhe até um pequeno banco e faça a conversão oficial) e depois caminhei até o terminal de onde saiam os ônibus com destino a Xela. Peguei um chicken bus (detalhes em tópico anterior), viajei por cerca de 2h30 e fui transferido meio assustado para outro ônibus. Primeira experiência de muitas assim (hehehe). Quando isso acontecer, não pague pela viagem seguinte. O valor dela já está incluso na primeira passagem que pagou. Depois de mais 2h30 de viagem, cheguei a Xela, às 17h mais ou menos. O custo da viagem foi de Q60. Fui ao hostel, deixei minhas coisas, saí para jantar e depois retornei com o intuito de conseguir conhecer gente que iria para algum vulcão no dia seguinte. Garantindo a sorte de mochileiro solitário, encontrei um grupo de 4 meninas que iriam e que falaram que eu poderia ir com elas se o motorista do Uber aceitasse mais um passageiro. Nesta noite fui dormir feliz e esperançoso pelo sucesso no dia seguinte. DIA 2) XELA: VOLCÁN SANTA MARIA, MIRADOR VOLCAN SANTIAGUITO (tentativa) E ATRAÇÕES EM XELA Acordei bem cedo e encontrei as meninas na entrada do hostel às 5h30. Conseguimos pegar o Uber em cinco pessoas apesar de uma relutância inicial do motorista 🥳 Há também a opção de ir até as trilhas de transporte público, porém o ideal mesmo é ir de Uber, já que o ônibus começa a circular só a partir de 6h e demora um pouco até chegar lá. O custo do Uber é de cerca de 25 quetzales ou 3,50 dólares. O objetivo inicial e único era fazer a subida do Volcán Santa Maria, que é um dos 288 vulcões ou estruturas vulcânicas existentes na Guatemala. A trilha até lá tem aproximadamente 3h de duração, cerca de 10 km de extensão (ida e volta), e parte de uma altitude de 2500 m com chegada no cume a 3772 m de altura. É uma trilha um pouco cansativa, mas tecnicamente é fácil e muito bem marcada. Pode ser feita facilmente sem guia, mas recomendo o uso de algum app de navegação para não se perder em uma bifurcação ainda no início. O vulcão é bastante visitado para cerimônias religiosas e infelizmente, em partes por conta disso e em outra parte por conta de turismo irresponsável, a trilha é cheia de lixo. De qualquer forma, vale muito a pena a subida até o cume, de onde se vê o vulcão Santiaguito eventualmente expelindo bastante fumaça. Basta ter paciência para ver a atividade. Santiaguito é um dos quatro vulcões ativos atualmente no país. Os outros três são Pacaya, El Fuego e Tacaná (este não aparece em todas as listas, talvez por não ter atividade constante). Ressalto que o ideal é sair cedo, até 5h30, para ter maior chance de ver bem a paisagem. Depois de 10h os vulcões na Guatemala costumam ficar com bastante neblina. Na descida, resolvi que também tentaria ir até o Mirador Santiaguito. As meninas estavam cansadas e não animaram. Fui sozinho mesmo. Desse mirador se tem uma visão de baixo do vulcão. A trilha até ele, basicamente é uma bifurcação da trilha que vai até o cume do Santa Maria. É bastante tranquila, sendo em grande parte plana, porém acabei não a concluindo porque a neblina já estava muito pesada e depois de cerca de 2 km de caminhada, não conseguia ver quase mais nada adiante. De qualquer forma, dá para fazer as duas trilhas no mesmo dia, mas aí recomendo sair até 4h30 e ir primeiro no Mirador Santiaguito. Retornei à cidade em transporte público. Para pegá-lo, é necessário retornar na via onde o Uber o deixou até o ponto onde os ônibus passam. É melhor confirmar o local com algum morador. Na cidade, ainda aproveitei para conhecer o belo Teatro Municipal por fora e a Catedral del Espíritu Santo, com sua fachada barroca. Almojantei no Mercado Municipal e depois voltei para o hostel para buscar minhas coisas e me mudar para minha hospedagem. DIA 3) XELA: TRILHA DE CERRO QUEMADO E IGLESIA SAN ANDRES XECUL Mais um dia que acordei cedo para conhecer uma área vulcânica na região de Xela. Neste dia o alvo era o Cerro Quemado, também conhecido pelo nomes de La Muela e Almolonga, um vulcão com altitude máxima de 3197 m, do tipo "domo", e formado por várias formações em forma de agulha e grandes blocos de rocha. Não tem aquele formato de cone como o de outros vulcões. O vulcão entrou em erupção em 1765 e em 1818. Nesta última vez, expeliu bastante lava por uma extensão de 2,5 km. Em alguns dos seus pontos, ainda expele fumaça e em uma das das suas faces conta com um balneário de águas termais. Por isso é considerado um vulcão ativo, porém com atividade latente. Sobre a trilha: Fica bastante próxima do centro da cidade de Xela. No Wikiloc há duas opções que são basicamente a mesma rota saindo do povoado de Almolonga e terminando mais próximo do centro de Xela. As trilhas possuem cerca de 7 km e um desnível de 550 m. São cerca de 3 km de caminhada em cima das rochas e o restante em área de floresta. Aparentemente, analisando o Wikiloc, não seria difícil, mas inventei de inverter o sentido da trilha, pois achei que seria melhor a logística, e acabou sendo uma das trilhas mais difíceis da minha vida! Não tinha um bom referencial de chegada e o trecho sobre as rochas é bastante difícil. O tempo todo vc tem que pular de rocha em rocha em um sobe e desce danado. E ainda para contribuir na dificuldade, o GPS estava perdendo o sinal constantemente. ⚠️ Muitas das rochas são frágeis e não estão bem fixadas. Muito cuidado especialmente se inventar de escalar alguma formação. Juntando todos os fatores com problemas de navegação, caminhei 1 km a mais e fiz um desnível maior. O tempo total de caminhada foi de 6h num calor da porra. 🥵 ▶️ Dicas: - Leve bastante água; - Peça um Uber para ir até o ponto de partida; - O ideal é chegar até 6h30 para ter mais chance de ter boas vistas da cidade; e - Vá com uma bota sólida, pois o risco de rasgar tênis nas rochas é alto. 20230331_082830.mp4 Depois retornei à cidade em uma van e ainda corri para conhecer a bela igreja da vila de San Andrés Xecul a 13 km de Xela. Essa igrejinha super colorida é considerada a igreja mais pitoresca da Guatemala. Mescla elementos culturais maias e católicos. Na sua fachada estão diversas esculturas de anjos, animais, milho e outros alimentos tradicionais e ainda duas onças na sua parte superior que remetem a heróis do mais importante códice maia: o Popol Vuh. A data da construção não é exata, mas na cruz há a data de 1900-01, dando a entender que a construção aconteceu durante esse período. Porém há também a hipótese de que foi construída ainda no séc XVII. A fachada da igreja me lembrou muito o interior do Templo San Francisco Acatepec e do Templo de Santa María Tonantzintla, ambos em Tonantzintla, México (ver este Relato para entender). Acho que valeu super a pena a pequena viagem de Quetzaltenango (Xela) até a vila apenas para conhecer a igreja. 🚌 Combi ao terminal para Toto (Q2,5); ônibus até Morería (letreiro San Cristóbal ou Cuatro Caminos), Q5; tuk-tuk até a igreja, Q5 (total do trajeto cerca de 50 min) Depois enfim retornei à cidade, jantei e relaxei. DIA 4) DESLOCAMENTO ATÉ SAN PEDRO LA LAGUNA E INÍCIO DA HOSPEDAGEM NO LAGO ATITLÁN Me permiti relaxar e acordei um pouquinho tarde. Depois de tomar café da manhã, peguei minhas coisas para caminhar até o Terminal Minerva, de onde saem os ônibus com destino ao Lago Atitlán. No caminho, parei para contemplar a Iglesia San Nicolas, uma pequena e charmosa igreja de estilo gótico. Peguei o ônibus no terminal e depois de 2h30 de viagem direta, sem surpresa, cheguei a um dos povoados do Lago Atitlán: San Pedro La Laguna. O custo da viagem foi de Q50 e a duração total foi de 2h30. O Lago Atitlán é uma das principais regiões turísticas da Guatemala. O lago tem origem vulcânica e é cercado de vulcões e montanhas. Com uma profundidade de até 340 m é o mais fundo da América Central. Cheguei em San Pedro já por volta de 15h. Fui logo à minha hospedagem, deixei a mochila e saí para explorar o povoado. Dos povoados do Lago Atitlán, San Pedro é o que tem mais infraestrutura turística e conta com muitos bares, restaurantes e é também conhecido por suas festas. Apesar de achar algumas coisas bem desconectadas da Guatemala, eu curti bastante o povoado. Achei na verdade seria mais pasteurizado, mas ainda guarda muitos encantos. Depois de explorar o povoado, fiz um almojanta e retornei à hospedagem. DIA 5) SAN JUAN LA LAGUNA, ROSTRO MAYA (INDIAN NOSE), SANTA CLARA E SAN MARCOS Dia de explorar povoados do Lago e de subir até o Rostro Maya com o seu Indian Nose (nome que a gringaiada colocou 😅). Inicialmente fui caminhando até o povoada de San Juan La Laguna. Lá tem uma ruazinha central bem colorida, com guarda-chuvas pendurados, cheia de galerias de artesanatos e alguns pequenos restaurantes e cafés. Do povoado, há umas das saídas para a trilha do Rostro Maya, uma caminhada de cerca de 1h30 a 2h até o pico de uma montanha de 2200 m de altura. É um local em que muita gente vai para assistir o nascer do sol, mas eu não tive esse gás, não (leia-se: preguiça danada 🤣🤣). A caminhada é um pouco cansativa, mas vale super a pena, já que a vista do alto é fantástica. Tem a opção de ir também por Santa Clara, com caminhada bem mais tranquila de cerca de 40 min. Eu fiz esse trecho em seguida à subida para conhecer esse outro povoado. Santa Clara é uma cidade sem grandes atrativos turísticos. Gostei de ir na sua parte central e ver o caos do mercado em um dia de domingo. Depois de dar uma volta pela cidade, peguei uma camionete "pau de arara" com destino ao povoado de San Marcos. O caminho até o povoado foi um atrativo à parte, com curvas sinuosas e belas vistas do Lago Atitlán. 20230402_160028.mp4 San Marcos tem uma pegada mais hippie chique, com opções de restaurantes vegetarianos, spas e casas de yoga e toda uma áurea espiritualista tilelê. É bonitinho! Acho que vale a pena conhecer e talvez se hospedar dependendo da sua pegada e do seu bolso ($$$). Depois de curtir um pouco o povoado, almojantei no Samsara's Garden, um restaurante vegetariano maravilhoso e com um menú completo não tão caro assim (Q45). Valeu super a pena! Relaxei um pouquinho após a refeição e voltei a San Pedro de lancha. O custo foi de Q15. Ao chegar, peguei minha mochila, fui para minha nova hospedagem e relaxei tomando uma cervejinha e tendo uma vista maravilhosa do Lago Atítlan. DIA 6) DE SAN PEDRO A PANJACHEL E DESLOCAMENTO ATÉ ANTÍGUA Depois de tomar café da manhã, peguei minhas cosias e fui até o porto para tomar o barco a Panajachel (passagem a Q25, duração de 50 min). Ao longo do trajeto, passamos por cantinhos muito lindos e reservados do lago. 20230403_111128.mp4 Panajachel me pareceu não ser um povoado tão charmoso, mas pode funcionar bem como base para quem está chegando de Cidade de Guatemala ou de Antigua. A partir do povoado, iniciaria a minha jornada terrestre até chegar a Antígua. Eu amei o lago! Queria ter ficado mais tempo e dividido minha hospedagem entre outros povoados. Já com saudades do lago, iniciei a minha jornada até Antigua, que envolveu o seguinte roteiro: a) Ônibus a Sololá: Q5 (20 min) b) Ônibus a Los Encuentros: Q3,50 (35 min) c) Ônibus a Chimaltenango: Q40 (1h30) d) Ônibus a Antigua: Q10 (45 min) Cheguei já um pouco tarde em Flores. Comi e comprei presentes logo no mercado e depois fui à hospedagem. À noite fui caminhado até a bela Praça Central de Antígua e me deparei com uma procissão de Semana Santa em plena segunda-feira. Vale aqui dizer que Semana Santa na Guatemala é uma instituição cultural seríssima! Muitas pessoas já iniciam as celebrações até mesmo antes da Semana Santa em si. Durante a Semana, há procissões em diversas cidades, sendo que o ápice ocorre na Sexta-Feira Santa. As cidades que concentram os cortejos mais grandiosos são a Cidade da Guatemala e especialmente Antígua. Milhares de pessoas viajam à cidade para acompanhá-las. As procissões envolvem cortejos com diferentes alas representativas de setores da Igreja Católica, orquestras que aglutinam elementos de músicas tradicionais maias, alas estudantis e o clímax é a passagem da pesadíssima arca de madeira com diferentes elementos religiosos, sendo geralmente a figura principal o Cristo crucificado. 20230403_195236.mp4 Após apreciar a primeira procissão em Antígua (já tinha visto uma em Xela, mas incomparável a esta), fui tomar uma cervejinha artesanal em um lugar meio xicoso, no caso o El Almacén (parte do Hector Bistro). Eu curto cerveja e sempre reservo um espaço na viagem para conhecer as cervejas locais. No caso esse foi o principal momento na viagem pela Guatemala dedicado a isso. As cervejas do local eram da Cervecería 14. Achei caras e apenas as IPAs e a Stout eram boas, mas nada de excepcionais. DIA 7) ANTÍGUA: ROLÊ PELA CIDADE Dia de fazer um grande rolê turístico pela cidade de Antígua e aproveitar ao máximo os seus atrativos. Brevemente sobre a cidade: fundada em 1543, tem ruas com diversas casas coloridas e muitas igrejas e antigos conventos em ruínas. Certamente é uma das cidades coloniais mais bonitas em que já estive e que encanta a todos os visitantes. Apresento abaixo os atrativos em ordem de visita e pequenos comentários a respeito. a) Convento de La Merced - Q20. Pequeno, mas muito bonito! Vale a pena conhecer. b) Arco de Santa Catalina - cartão postal da cidade; c) Convento Capuchinas - Q40 ou Q20 estudantil. Ainda mais bonito do que o convento anterior e com muitos ambientes; d) El Carmen- igreja com fachada muito bonita, mas que está fechada para restauração; e) Catedral de San Jose - fachada bem bonita, interior simples, mas bonito. Tem opção de visitar a Catedral antiga em ruínas, mas achei que não valia a pena pagar Q20; f) Palacio de los Capitanes (Museu MUNAG) - grande coleção de diferentes períodos, desde pré-hispânico até o Contemporâneo. Tem um pátio interno bem bonito e boa vista da praça central. Gratuito; g) Museo de Arte Colonial - com um pátio belíssimo; acabei não visitando a coleção e achei cara a entrada (Q50). h) Lavadero Union - tanques antigos para lavar roupa. Está em uma praça bem bonita que vale a pena ser visitada; i) Convento San Clara - tem vários arcos. Foi o convento que achei mais bonito; i) Por fim, passei na frente da Ermita San Jerónimo e do Convento La Recolección. Os dois tinham o mesmo preço de ingresso: Q40 inteira ou Q20 estudantil. Achei que não valia a pena pagar. Ainda consegui tirar uma foto legal do La Recoleccíon mesmo sem entrar: Fim dos rolês. Hora de descanso, pois o dia seguinte seria de ida ao Vulcão Acatenango. DIA 8 ) VULCÃO ACATENANGO E chegou o grande momento do relato! Momento de comentar sobre um dos dias mais especiais da minha vida: o dia em que subi o Acatenango e vi o vulcão El Fuego em atividade, com várias erupções, e ainda vi ao seu lado o belo vulcão El Agua. ❤️ O tour ao vulcão dura dois dias, com uma pernoite no Acatenango. É feito em grupo e é oferecido por várias agências em Antigua. Os preços variam de Q250 (Barco Expeditions) a Q550, mais Q100 por entradas. Esses preços incluem refeições, barraca para pernoite e alguns equipamentos como luvas, gorro de frio e casaco. ▶️Sobre a trilha: A trilha pode ser dividida em 3, sendo que apenas a primeira parte é obrigatória: 1) Subida ao Acatenango - subida praticamente constante durante 4h e depois mais cerca de 1h em relevo plano. No total são cerca de 8 km e um ascenso de 1000 m. É cansativo e não é fácil, mas também não é muito difícil já que o grupo vai em um ritmo tranquilo e são feitas muitas paradas; 2) Ida e volta ao Vulcão El Fuego - essa já é bastante puxada e tem um custo extra de Q200. Eu acabei não conseguindo fazer porque a saída foi muito corrida e eu tive que ia atrás de saco de dormir e ainda tive problemas intestinais assim que cheguei no campo base hehehe Acho que vale a pena, mesmo tendo visto críticas mistas. Apenas o trecho de ida dura cerca duas horas, sendo que a trilha tem 500 m de descenso e depois outros 500 m de ascenso (considere isso na volta tbm). Chega-se a cerca de 400 m de distância do cume, onde há observação das erupções durante cerca de 20 min. Algumas pessoas acabam passando mal com essa experiência por conta de mal de altitude associada ao esforço físico. Acabou que de umas 15 pessoas que foram, apenas uma teve forças para ver o nascer do sol no dia seguinte; e 3) Nascer do sol no cume do Acatenango (na verdade faz parte do dia seguinte cronologicamente): necessário acordar às 3h40 Do acampamento base ao cume são 400 m de ascenso e cerca de 1h40 de caminhada, muitas vezes em cima de areia fofa e cinzas de vulcão. É um pouco cansativa, mas vale super a pena já que o visual é maravilhoso. Não há custo adicional. O tour por si só já é fantástico. Ainda tive o adicional de conhecer pessoas maravilhosas, que potencializaram a experiência.❤️ Fiz com a Barco Expeditions. Porém como a saída para iniciar a trilha foi muito tarde e como a trilha para o El Fuego foi desorganizada, recomendo pagar mais caro e fazer em agência como a V-Hiking com saída às 6h30. Tenha em mente que valerá o investimento para uma experiência única na sua vida. Se tivesse ido com uma empresa dessa, com certeza teria ido até mais perto do Acatenango e ainda teria tempo para descansar e fazer a trilha do nascer do sol no segundo dia. DIA 9) VULCÃO ACATENANGO (2º dia), RETORNO A ANTÍGUA E IDA A CIDADE DA GUATEMALA O segundo dia começou de madrugada com a subida ao cume do Acatenango para ver o nascer do sol (já relatado no tópico anterior) e depois continuou com os 8 km de descida de retorno. Foi um retorno cansativo, mas terminamos com aquela sensação boa de missão cumprida! Que experiência fantástica! Chegamos por volta de 13h em Antígua. Fui direto almoçar, mesmo todo sujo, e depois do almoço fui ao hostel, tomei um banho e peguei minhas coisas para ir para o meu próximo destino: a Cidade da Guatemala. No caminho até o ponto de onde sairia o ônibus à Cidade da Guatemala, ainda tive tempo de apreciar uma procissão enorme. Antígua na quinta-feira da Semana Santa estava completamente lotada! Cheguei na Cidade da Guatemala por volta de 17h e depois de alguns contratempos com a minha hospedagem reservada, consegui me instalar e relaxar um pouquinho. Mais tarde saí para uma caminhada até o Parque Central (Plaza Constitucion + Parque Centenario), passando pelo Parque San Sebastian. A Cidade da Guatemala também estava com as ruas cheias de procissões. No Parque Central, eu acompanhei uma, meio que de longe, pois o público era muito grande. Depois de acompanhar a procissão, comi em barraquinha na rua e voltei à hospedagem. DIA 10) VIAGEM ATÉ LANQUÍN (SEMUC CHAMPEY) A minha ideia inicial era ficar na Cidade da Guatemala e explorar um pouco os seus museus, mas como era Sexta-Feira Santa, isso seria impossível, pois estavam todos fechados. Resolvi então ir ao meu próximo destino: a cidade de Lanquín, que possui nos seus arredores a Reserva Natural de Semuc Champey. No caminho até o terminal da empresa Monja Blanca, caminhei novamente pelo Parque Central, agora já sem a movimentação de gente do dia anterior, e consegui visitar a Catedral. Realmente a área é bonita e me deixou com uma vontade de retorno para explorar melhor os seus atrativos, além dos demais da cidade. Cheguei no terminal por volta de 9h15, um pouco mais tarde do que eu queria, pois sabia que por ser feriado, a disponibilidade de transportes estava bem restrita. Porém acabou que consegui passagem A Coban ainda para 9h30. Inicialmente o percurso até Lanquím, seria relativamente tranquilo: pegaria o transporte até Coban e depois um direto para a cidade. Porém, como era Sexta-Feira Santa, as coisas não saíram exatamente como o planejado. Primeiro, mesmo eu falando que iria pegar o transporte para Lanquín, o motorista acabou que me levando até o terminal final da empresa ao invés de me deixar anteriormente no Terminal de Talpetate (muitaaa atenção se estiver fazendo esse trajeto para o mesmo não acontecer contigo). Tive que pegar um táxi até esse terminal e se não me engano desembolsar Q20. Chegando ao terminal já não havia mais transporte a Lanquín. O último tinha saído bem mais cedo e as informações eram completamente divergentes sobre a possibilidade de uma nova saída no dia. Fiquei conversando com um guatemalteco muito gente boa que estava na mesma situação que eu. Depois de ele fazer alguns telefonemas e de a gente conversar com algumas pessoas descobrimos que o mais possível é que não haveria mais transporte no dia. Pegamos, então, um ônibus de linha regular até a cidade de Carcha (Q5), que era cidade do rapaz. Chegando na cidade, caminhamos até a sua saída, onde tentaríamos pegar um transporte até Lanquín. Depois conversar com algumas pessoas e de outros telefonemas do rapaz, descobrimos que não havia mais transporte no dia. A nossa saída, então, foi dividir um táxi com outras três pessoas que também estavam ali e que queriam ir até um vilarejo próximo de Lanquím. O custo total do táxi foi de Q350. No final das contas, os trajetos resumidamente foram os seguintes: a) Cid Guatemala a Coban de Transportes Monja Blanca (Q105); b) Táxi do terminal da Monja Blanca até o Terminal Talpetate (Q20); c) Ônibus até Carcha (Q5) depois caminhamos até a saída da cidade; e d) Q350 táxi compartilhado entre 5. Foi punk e por diversos momentos achei que não conseguiria chegar a Lanquín neste dia! Acabei chegando na cidade já por volta de 18h. E claro, ainda tinha mais um trajeto a fazer: até a minha hospedagem já próxima da entrada da Reserva Natural de Semuc Champey. Foi um transporte na carroceria de uma camionete (jardineira) por Q25. Cheguei à hospedagem exausto, tomei banho, jantei e dormi super cedo. DIA 11) SEMUC CHAMPEY E CAVERNA K'AN BA Dia de conhecer um dos lugares naturais mais famosos da Guatemala: Semuc Champey. É uma série de poços de água verde-esmeralda que desemboca em uma bela cachoeira. 🤩 A trilha é toda em caminho pavimentado ou em passarela de madeira, super acessível para pessoas de todas as idades. Isso acaba sendo um problema ao final de semana ou feriado para quem, assim como eu, não gosta de lugares naturais cheios de gente. Eu infelizmente por conta do meu roteiro apertado acabei visitando em um dos piores dias do ano, na Sexta-feira Santa. A dica de ouro é chegar cedo, ir direto no mirante (primeira foto abaixo) e depois descer para os poços. Não deixe de conhecer o Sumidoro e depois descer para a cachoeira, a qual já tem um acesso um pouco precário, em trilha de terra e envolvendo uma pequena escalaminhada na volta. Por conta dessa dificuldade, as famílias não descem para lá e o local fica super tranquilo. 💲Entrada: Q50 🚌 Para quem está hospedado em Lanquín, tem transfer em carroceria de camionete o tempo todo por Q25. Depois de conhecer Semuc, almocei e resolvi me aventurar em um passeio na Caverna K'An Ba. Sinceramente: que decisão errada! O passeio tem um custo de Q60 (+Q20 para aluguel de sapatilhas, caso queira) e vale apenas para a gringaiada besta, sedenta de uma aventura. Não vale a pena para ninguém que já teve experiência em qualquer caverna mais rústica no Brasil. O passeio por dentro da caverna é feito a luz de velas de uma forma muito rápida. São cerca de 30 min corridos na caverna, sem tempo para contemplação das formações espeleológicas. Simplesmente o guia vai puxando o grupo, que vai caminhando pelos corredores da caverna, geralmente com água na altura do joelho ou da cintura. Em alguns momento, há subidas em partes mais altas da caverna para depois se pular na água. Tudo muito rápido e sem muitas instruções boas de segurança por parte dos guias. A caverna em si também não tem nada de excepcional! Melhor guardar a grana para outros passeios ou se ainda quiser fazer esse passeio, pague Q10 extras e faça também a flutuação pelo rio, que eu acabei não fazendo, mas que achei que poderia ser bem relaxante. Depois dessa aventura tosca, caminhei de volta até a minha hospedagem. DIA 12) FLORES Dia de acordar cedo para pegar um transfer até a ilha de Flores. Agendei o transfer no dia anterior no hostel Pachamaya. Foi onde encontrei o custo mais baixo: Q200. O transporte sai às 6h e o tempo de trajeto é de 8h. Cheguei em Flores por volta de 14h, arrumei uma hospedagem para mim e uma amiga francesa que fiz durante o trajeto e depois saímos para comer alguma bobeira, explorar um pouco a cidade e principalmente para pesquisar os preços dos passeios a Tikal e Yaxha. Eu achei a parte da ilha de Flores bastante pitoresca e agradável. É cheia de casinhas coloridas e não tem prédios altos. Cercada pelas águas do Lago Petén, é uma área bem pacata, com cantinhos bem charmosos e com pontos de onde se pode apreciar um pôr do sol incrível. Até vi uns comentários negativos sobre a ilha feitos por estrangeiros, mas sinceramente, imagino que essa galera espera só baladas e locais com climas toscos a la Playa del Carmen ou Cancún nos seus destinos turísticos. Depois do rolê pela cidade e de reservarmos os nossos passeio, voltamos para a hospedagem para descansar um pouco e sair mais tarde para tomar um drink e comer alguma coisa. DIA 13) TIKAL Dia de acordar cedo e sair às 8h para conhecer o sítio arqueológico de Tikal, a 75 km de Flores. O sítio arqueológico acabou se tornando o meu favorito na América Central, desbancando Uxmal. 🙂 Situado no meio de uma floresta (lembrando muito Calakmul e Yaxha), o sítio de Tikal hoje é um dos principais destinos turísticos da Guatemala. Sobre a sua história, o sítio começou a ser ocupado aprox em 800 a.C. Dos anos 200 a 900, foi um complexo e grandioso reinado maia que rivalizou diretamente com o reinado de Calakmul (para ver mais informações sobre Calakmul, leia o relato da parte da viagem no México, citado no início do relato). Após derrotar Calakmul em 695, passou a ser a mais influente e poderosa civilização maia. O seu declínio, assim como o de Calakmul, aconteceu nos anos 900 provavelmente por uma série de motivos que incluem superpopulação, desmatamento massivo e secas prolongadas. ▶️ Para visitar o sítio, é possível ir em ônibus por conta própria, mas os horários são bem restritos e a volta para Flores pode ser um pouco complicada se não for de carona. Recomendo pegar um tour em agência de turismo nos horários de 6h ou 8h. 👎 Não recomendo ir mais tarde por conta do calor e porque o sítio fica mais cheio. Também pelo que ouvi de mais de uma pessoa, não vale a pena pagar a mais para o tour do nascer do sol. 🚌 Tours agendados em agências em Flores com saídas às 4h30 (um pouco mais caro) e a cada duas horas a partir de 6h, com custo de Q120 e duração de cerca de 7h. Fiz com a empresa Agency Neverending e gostei da qualidade do serviço, apesar de terem atrasado um pouco a saída. 💲Entrada a Q150 (cerca de 20 dólares) DIA 14) PLAYA CHECHENAL E YAXHÁ Iniciei o dia indo até a Playa Chechenal. Primeiro fui ao muelle municipal, onde peguei um barquinho e atravessei a San Miguel do outro lado do Lago Petén (Q10, 5 min de travessia). Essa parte de San Miguel é ainda mais tranquila do que Flores e é bastante agradável. Creio que vale a pena ser visitada por si só. Depois caminhei por cerca de 2 km até chegar na Playa Chechenal. No caminho, fiz uma breve parada no Mirador de Canek, de onde se tem uma bela vista do lago. A Playa Chechenal é privada, tendo um um custo de Q10. É agradável, tem boa estrutura e a água do lago é uma delícia. Porém achei que tinha muito lixo. Depois do passeio, retornei a Flores, pois no período da tarde, tinha passeio ao sítio arqueológico de Yaxhá, com saída às 12h. Yaxhá é um sítio arqueológico maia situado a uma distância de 30 km em linha reta da grande cidade maia de Tikal. A sua construção iniciou-se aproxidamente 600 a.C. A civilização atingiu seu ápice no séc VIII, chegando a ter um população de cerca de 20 mil pessoas e reunindo mais de 500 estruturas entre palácios, templos e áreas residenciais. Muitas pessoas que visitam a região acabam conhecendo apenas o sítio de Tikal. Com certeza este é mais grandioso e interessante, mas acho que vale muito a pena também reservar um dia para conhecer Yaxhá. O sítio é bem menos visitado, mais barato do que Tikal e ainda o tour com as agências de turismo incluem um pôr do sol maravilhoso que é visto de cima de uma pirâmide. 😍 Os tours saem ao meio-dia da cidade de Flores e têm uma duração total de mais de 7h30, sendo que de caminhada no sítio são cerca de 4h. Fiz o tour com a empresa a empresa Getaway. Foi excelente, mas o grupo estava muito grande e acabou sendo ruim para quem queria o tour em inglês. Além disso, o guia passou muitas informações erradas, mas isso é normal nesse tipo de passeio guiado. 💲Tour por Q150 + Q80 de entrada no parque. Com o pôr do sol acima, fechei com chave de ouro a minha programação de passeios pela Guatemala! Voltei a Flores, comprei alguns artesanatos e lembrancinhas, tomei uma Quezalteca de tamarindo e dormi cedo, pois o dia seguinte seria de um rolezão de volta ao México passando por Belize. DIA 15) RETORNO AO MÉXICO COM DESTINO FINAL EM MAHAHUAL Dia do fim da minha viagem pela Guatemala, esse país que me surpreendeu muito positivamente! Eu poderia ter pago um transfer completo com destino a Chetumal, que seria muito mais confortável, mas mochileiro murrinha que sou, resolvi fazer os percursos por conta própria e me lasquei muito. Só não tive prejuízo financeiro em relação ao transfer completo porque ainda dei uma certa sorte. Sendo assim, se quer ir logo para o México, pague pelo transfer. Não tente se aventurar que nem eu, a não ser que pretenda ficar alguns dias em Belize. Segue um breve roteiro do deslocamento completo até Mahahual: a) Q100 até Cidade de Belize com empresa Getaway, saída 6h, chegada 12h; b) Q22 até Chetumal com a empresa Cabrera's Transporte até a fronteira (3h30 de viagem). Os responsáveis pelo transporte não me esperaram fazer todo o procedimento de check-out na imigração, que envolve o pagamento de uma "módica" taxa de 32,50 dólares belizenhos (ou U$$ 16,25 americanos). Me abandonaram na fronteira; c) Tive que pagar 100 pesos mexicanos a mais em um táxi até Chetumal, mas o preço na verdade seria de 200. Só não paguei isso porque chorei bastante com o motorista e porque ele conseguiu outras pessoas para dividir a corrida; e d) Do Terminal de Combis de Chetumal até Mahahual mais 110 pesos. Fim do relato! Espero que tenham gostado. Qualquer dúvida podem falar comigo por aqui ou pelo Instagram https://www.instagram.com/viajadon_/1 ponto
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Três dias (!) na Guatemala
1 pontoTem ônibus de linha comum (igual temos no Brasil), mas aparentemente era exclusivo para transporte municipal dentro da capital. No trajeto Antigua - Ciudad da Guatemala, só vi os chickens buses e as vans de transfer/tour na estrada. Em Antigua vi aqueles taxis de bicicleta, mas cobravam caro e não acho válido para distâncias. Existem rotas que ligam a Guatemala inteira de chicken buses, para a região de lagos e praias e até para a divisa com El Salvador - até onde pesquisei. Nenhum direto, sempre pingando e fazendo conexão. Fiquei morrendo de vontade de fazer, acho que vale a pena e tendo tempo, dá muito certo. Oferta tem! Não olhei aluguel de carro porque na época não tinha carteira, mas as estradas entrando mais no interior (como em direção ao Pacaya) são mais precárias, sem muita iluminação e apertadas. No nosso tour, um bom trecho fomos costeando uma subida atrás de um caminhãozinho, parecia escolar, onde ia uma dezena de crianças penduradas nas bordas, soltas mesmo. As áreas de embarque são divididas conforme a região a que você quer ir, porque os ônibus em si não são bem sinalizados, mas também é meio conhecimento popular - não tem placas separando, filas, nem nada. Sobe no ônibus e paga para o motorista. Eu fui perguntando e foram muito solícitos em me indicar o ônibus certo para a direção que eu queria e que sairia mais cedo. Alguns tinham placa para Guate, mas iriam passar em outros vilarejos antes de retornarem a Antigua e dalí então ir para Guatemala. Não sofri nenhuma tentativa de cobrarem valores diferentes do praticado também - e importante destacar, só aceitavam quetzales. As paradas que meu ônibus fez também não estavam demarcadas, o motorista avisa na hora - gritando por cima de uma música bem animada e alta - e eu fui acompanhando pelo Maps até descer na final.1 ponto
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Roteiro e Dicas Santiago e Pucon agosto 2024
14/08/2024 (4ª Feira) – Vinicula – El Principal Tour Sunset 1ª Dica - Você pode estar se perguntando por que El Principal e não a Alyan? O tik tok tem 5 mil vídeos divulgando o Alyan sunset pra você visitar uma vinícola, e se você fizer questão de ir, só recomendo que você reserve o transfer e a experiência com no mínimo 2 semanas antes da viagem porque tá muito no hype do tik tok e esgota. 2ª Dica - Pesquisando um pouco mais e trocando uma ideia com alguns guias de agencias por lá, acabei descobrindo que todo esse hype da Alyan fez com que os donos da vinícula começassem a aceitar mais visitantes do que seria adequado, então a visita fica muito cheia e a qualidade da visitação cai muito. Inclusive algumas agências deixaram de fazer o transfer pra lá por isso. Aí descobri a El Principal e o Tour Sunset deles. 3ª Dica - Eles são uma vinicula que faz vinhos premium em menor quantidade e alta qualidade. Você faz o tour, aprende sobre os processos deles, a história da vinicula e depois vai para um mirador deles onde há a degustação de 3 rótulos deles com serviço de frios pra acompanhar. De brinde você ganha a taça que degustou e uma garrafa de um dos rótulos deles. No inverno o passeio dura 2 horas, de 16h as 18h. No verão é até mais tarde. Os vinhos são realmente muito bons mesmo! 4ª Dica - Dá pra chegar lá de transporte publico. Fica um pouco depois da Concha y Toro. Você pega o metrô até a estação Tobalaba, faz a baldeação pra linha 4 azul e vai até o final dela em Plaza Puente Alto. Em frente a saída da estação na av. Concha y toro tem o ponto de bus onde vc pega o microbus 74. O ponto final dele é na El Principal. Fica só atento pq os motoristas dessa linha são preguiçosos e as vezes querem manobrar antes de ir até a entrada da vinícola, então avise que você quer ir até lá. 5ª Dica - Pra voltar é o mesmo caminho ao contrário. Mas como dito na dica acima, eventualmente quando você sair da vinicula, vai ter que andar uns 10 minutos pela rua em direção ao primeiro cruzamento pra pegar o 74 pra voltar, já que é lá que eles fazem a bandalha pra não ter que ir até o ponto final. Mas é um caminho até bonitinho de andar. 6ª Dica - Se você entrar agora nos sites da El Principal e da Alyan, você vai ver que a Alyan parece mais barato, mas não é. Porque pra Alyan você vai ter que pagar um transfer por pessoa e pra El Principal dá pra ir por si mesmo. Se você estiver em duas pessoas, como era o meu caso, saia mais caro ir na Alyan com entrada mais transfer do que a El Principal. Até porque a garrafa que eles dão de "cortesia" é um vinho premium que é bem caro inclusive... o vivino acusou o preço de 150 reais aqui no Brasil. No final a El principal valeu muito a pena. 7ª Dica - Se puder, assim que subirem pro mirador, pegue uma cadeira e coloque de frente pro por do sol, é o melhor lugar pra degustar seu vinho, mas você tem q ser ágil, rs.1 ponto
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Roteiro e Dicas Santiago e Pucon agosto 2024
13/08/2024 (3ª Feira) – Cerros: Sta. Lucia e San Cristobal + Jantar no Brewpub intrinsical 1ª Dica - No entorno do Cerro Sta. Lucia, na rua Rosal tem o Wonderland Café. Um bistrô na temática do Alice no país das maravilhas, todo decorado de forma muito louca. São 3 andares pra você tirar fotos muito maneiras. A comida não é barata se você for almoçar, mas vale tomar um café por lá pra conhecer. 2ª Dica - Perto dali, alí pela rua Merced você encontra o Emporio La Rosa, que tem um dos 25 melhores sorvetes do mundo. O sorvete realmente é muito bom e não é muito caro, não. Recomendo o de manjar, que é como eles chamam o doce de leite. 3ª Dica - Cada um tem sua forma de conhecer o cerro San Cristobal, mas a dica que eu deixo é subir pelo funicular da pio IX e ficar lá até o por do sol e descer pelo teleférico porque a vista fica muito bonita descendo nesse horário. 4ª Dica - O Intrinsical é uma ótima opção pra você tomar uma cerveja artesanal de muito boa qualidade. Existem duas unidades, o Brewpub onde eles fazem as cervejas no centro na rua Brasil e é mais roots, e um pub muito agradável no bairro da Providencia.1 ponto
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Roteiro e Dicas Santiago e Pucon agosto 2024
11/08/2024 (Domingo) – Rolé na cidade + Cassino + Volta pra Santiago 1ª dica - Quando for comprar as passagens de volta pra Santiago no totem da Turbus no Terminal Alameda de Santiago, pegue sempre a passagem a noite pra economizar uma diária da viagem. Dependendo da sua necessidade de conforto pegue o cama ou o premium. Recomendo muito pegar o segundo andar do busão e as poltronas da frente. Tem um grande vidro na frente e dá pra ver a estrada... parece que você tá flutuando numa nave. É irado. 2ª Dica - Peça para o air bnb ou o hostel para guardar sua bagagem no check out pra você ganhar um dia a mais pra curtir a cidade. Se não for possível, em ultima hipótese, tem lockers na estação de buses. 3ª Dica - Uma coisa muito legal de fazer em Pucón é ver o por do sol, na praia grande do Lago Vila Rica. O pessoal da cidade vai pra lá e leva sopinhas, chocolate quente, chá etc. É realmente muito bonito. 4ª Dica - O cassino agora cobra entrada (em 2009 quando fui, não cobravam) de 4.500 clp. Não é reembolsável. 5ª Dica - Se você tiver uma graninha separada para um bom jantar em Pucón e gosta de uma boa carne, recomendo o D'Toros. Disparado a melhor carne que comi no Chile inteiro! Ótima comida, ótimo ambiente e atendimento. O preço fica no mesmo patamar dos outros restaurantes chilenos, nem mais nem menos, mas a qualidade é muito melhor do que dos outros lugares. 6ª Dica - Pra Tomar uma boa Breja (ou "Chela" como eles chamam)e rangar um ótimo burgão vai no La Birreria Esquina. Ipas, Stouts, Neipas, lagers, e todos os estilos cervejeiros que você quiser. Uma vai te agradar com certeza. 7ª Dica - Pucón tem várias cafeterias, algumas mais em conta outras menos. Uma das mais tradicionais da cidade (e que fica cheia aos sabados e domingos porque a galera que mora vai lá almoçar com a familia) é a Cassis que fica na rua Fresia, 223. Ela é uma cafeteria/bistrô/restaurante/chocolateria. É um pouco mais carinha mas os café e chocolates são muito bons mesmo.1 ponto
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Roteiro e Dicas Santiago e Pucon agosto 2024
07/08/2024 (4ª Feira) – Chegada Santiago - Ida pra pucon Dicas: Nosso vôo chegou no meio da tarde. Mas se você vai a Pucón (que fica há 10 horas de Santiago), ou outra cidade longe, vai querer economizar uma diária viajando de noite. Por isso vale pegar a passagem no horário mais tarde da noite. Mas o que fazer com uma pá de mala pesada nesse interim? Você deve vai querer comprar o Bip(cartão de metro) e ir trocar grana e comprar um chip de celular... 1ª dica – No aeroporto atravessa da area interacional pra porta 4 onde tem os buses turbus. Compra na hora Turbus pra Terminal Alameda .1800cpl. Sai a cada 15 min. Bagagem pesada vai embaixo, bagagem leve pode ir acima. Como a última parada é Alameda, é lá que você pega as Malas debaixo. 2ª Dica – O Locker no terminal Alameda fica no piso -1, funciona de 07:00 até as 22:30, e preços são (fev 24) 2.000CLP mala pequena, 3.000CLP mala media, 4.000CLP mala grande. 3ª Dica – Compre o último horário (normalmente entre 22h e 23h) porque você chega mais tarde em Pucón (tipo 9h) e pode tentar antecipar o check in em air bnb. (Lembre de voltar com antecedência pro busão e localizar mais cedo o local de onde vai sair.) IPC: Se você for a Pucón ou qualquer outro lugar compre a passagem de volta nesse momento. Primeiro porque, com antecedência sai mais barato, segundo porque o totem dá 10% de desconto. Se for comprar na cidade pra voltar pode ser até 3x mais caro. 4ª Dica – Muitas vezes comprando no Totem da Turbus, você ganha desconto. 5ª Dica – O Cartão Bip quase sempre só se compra em cash nas estações do metrô. Então vale trocar um pouco do peso chileno na chegada mesmo, ou no Brasil. Mas troque pouco pq não é vantajoso, no máximo 70 reais. 6ª Dica – A estação pra descer no metro é a Pedro de Valdivida, região central de Providência. Lá, em qualquer banca ou farmácia se compra chip: Escolher Wom ou claro. São baratas, pegam bem e tem bons planos de internet. 7ª Dica – As lojas de cambio ficam apinhadas na Calle Pedro de Valdivia. Vale dar uma volta no quarteirão comparando. O preço é o mesmo do centro e não tem esquema de bandido tentando te roubar. 8ª Dica – Se for pegar o Busão pra Pucón, faça um jantar leve, tipo lanche. São 10 horas e você não quer estar "pesado". 9ª Dica - Volte com antecedência pra Rodoviária, pois os busões saem impreterivelmente na hora.1 ponto
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Viajando pelo Chile barato em 2012
Nossa, que aventura sensacional! Eu também adoraria fazer uma viagem assim, cheia de improvisos e descobertas inesperadas. Acho que o segredo para aproveitar ao máximo é justamente essa flexibilidade e a coragem de ir sem um plano tão fixo. E que sorte pegar essas promoções da Fly Pluna, que pena que a companhia já não existe mais. Tenho certeza de que essas memórias vão ficar pra sempre com vocês, principalmente a primeira vez vendo neve! Já estou até inspirado a tentar algo parecido.1 ponto
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