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A pessoa que retorna de uma jornada não é a mesma que partiu.

Provérbio Chinês

 

 

Passo um relato de um trekking no Parque Nacional Los Glaciares, em El Chaltén, Santa Cruz, Argentina.

 

Planejava fazer a travessia dos vulcões, começando nas encostas do Villarica e terminando em Puesco, Chile, mas o tempo que dispunha e a logística complicavam as coisas. Lendo a lista dos destinos Top 5 dos Mochileiros (ver tópico) vi que El Chaltén aparecia duas vezes na seleção. O trekking é considerado fácil a moderado e seriam apenas ~ 4,5 horas de vôo de BsAs, mais 3,5 horas a partir de El Calafate, de ônibus.

 

Espero que a narrativa seja útil e não cansativa.

 

Saí de Salvador 17:30 da sexta, 05/12, chegando em BsAs às 01:00 do dia 06, usando milhagem. Fila da imigração demorada. Troquei dinheiro no Banco de La Nación. Eles sempre têm o câmbio mais favorável. Peguei o ônibus para o Aeroparque, aonde cheguei apenas 3 horas da manhã. Esperei um pouco para abrir o check in da Aerolineas Argentinas, as 04:30. Subi pra o embarque na esperança de dormir um pouco no saguão. Estava ainda fechado.O jeito foi sentar no chão e aguardar.Quando abriu, procurei logo um banco livre perto do meu portão. Mal cochilei porque o saguão estava surpreendentemente cheio para a hora.

 

O embarque do vôo para El Calafate ocorreu no horário, 06:30. A Aerolineas está meio decadente. Aviões velhos e barulhentos. Nunca peguei avião ruim assim no Brasil. Os dois comissários de bordo, um à frente, outro no meio do corredor, começaram a fazer aquela coreografia sincronizada mostrando saídas de emergência, uso das máscaras de oxigênio etc...Só que faltou sincronização e um acabou de frente para o outro apontando para saídas de emergência em direções opostas. Um dos comissários caiu na risada quando percebeu o erro. Não pude deixar de rir, embora aquilo fosse indisciplina.

 

Avião cheio de turistas franceses. Fez uma escala em Trelew, que fica a pouca distância da Península Valdés, famosíssima pela vida marinha, aonde orcas saem da água para pegar filhotes de leão marinho na praia e, volta e meia, se divertem atirando focas para o ar com as caudas, como se elas fossem petecas.

 

A chegada em El Calafate foi as 10 hrs.Tem uma van (airport shuttle) que faz a ligação para El Calafate deixando-o aonde quiser por 35 pesos, bem mais barato que o táxi. Porém esperei a mochila chegar na esteira da bagagem antes de ir ao guichê. Resultado, não tinha mais lugar e a próxima van só dali à uma hora. Sorte que duas venezuelanas ficaram na mesma situação. Falaram e conseguiram outro carro. Acabamos na primeira van porque 3 passageiros, por sorte (nossa) não puderam embarcar. Macete: ao chegar, corra para o guichê das vans, compre o tckt, e pegue sua mala na esteira depois.

 

Pedi para saltar no terminal de ônibus. Antes, a van deu uma bela volta passando por vários hotéis entregando os turistas. Bom, para conhecer um pouco da cidade. Cheguei 11 horas na estação. Comprei ida e volta para El Chaltén, na Chaltén Travel com a volta em aberto (sai mais barato: 130 pesos versus 70+70).

 

Desci um escadaria atrás da rodoviária para a Av. San Martin onde a simpática moça do guichê disse que tinha supermercado e loja de equipamento outdoor. Comprei primeiro o gás (butano+propano) em lata com rosca para meu fogareiro (230 gr) e depois fui no supermercado La Anonima comprar pão, salame, queijo e outras coisinhas mais que não é possível trazer do Brasil. Lá eles têm um salaminho muito bom para comer no pão ou juntar na macarronada. Dizem que as coisas são mais caras em El Chaltén.

 

Aproveitei para comprar um mapa muito bom de El Chaltén, da Aoneker. Escala muito ampla 1:125000, mas que permite ver desde o norte do Lago del Desierto até o Lago Viedma, com parte dos gelos continentais. Os mapas da Zagier & Urruty são péssimos se comparados com os da Aoneker.

 

Voltei à rodoviária onde peguei a mochila para socar as compras. Aproveitei para comer um sanduíche. Deram 13 horas e nada do ônibus aparecer. 13:15 fui impaciente falar com a moça quando descobri que na verdade a província de Santa Cruz não tem horário de verão. Eu estava adiantado uma hora.

 

O ônibus chegou pontualmente. Quando sentei no ônibus logo tirei bota. Usava o calçado direto desde 8 hrs do dia anterior (fui para o trabalho com ela). Estava naquele estado de quase gozo que temos ao tirar as botas quando li um aviso na dianteira do ônibus: “No te quites el calzado. Gracias”. Quando subiu o cheiro do chulé compreendi e, mais que depressa, calcei novamente as botas, sem amarrar o cadarço. Os caras sabiam o que faziam quando escreveram aquele cartaz!!! Havia uma versão em inglês.

 

Dormi pouco depois da partida. Acordei apenas com o barulho quando chegamos num trecho de estrada de rípio, um dos poucos trechos não asfaltados naquela área da lendária rodovia 40. Pouco depois paramos na Estância La Leona, batizada com este nome por ficar diante do rio La Leona. O rio, por sua vez recebeu o nome porque ali perto Perito Moreno foi atacado por uma fêmea de puma (leona). Aquela estância é um monumento histórico. Foi construída por imigrantes dinamarqueses. Teve entre seus hóspedes ilustres Butch Cassidy e Sundance Kid. Estavam fugindo para o Chile, após assaltar um banco na Argentina. Não bastasse isto todas as primeiras expedições de montanhistas fizeram escala ali. Os equipamentos eram transportados por carros de boi até a década de 50!

 

Aproveitei para comer uma empada, tomar um chá de erva mate e, por fim, uma fatia de torta de limão com uma cobertura enorme de algo que eles chamam de merengue. Parecia um vulcão com um enorme cone coberto de neve. Estava com muita fome. Pedi ao atendente para ele cortar a maior fatia possível sem o risco do patrão demiti-lo (li esta fala em algum lugar...).

 

Satisfeito e acordado voltei para o ônibus. Estava um belo e quente dia de verão, uns 24 ºC (é o verão deles). Cinco minutos depois, ao retomar o asfalto, ao subirmos um morro, a primeira vista do conjunto de montanhas a noroeste. Apesar de ainda distante, já impressionava. Quando contornamos o Lago Viedma, uma hora depois, passamos a rumar diretamente para as montanhas e a grandiosidade do conjunto valia umas fotos. A estrada parece rumar direto para o Fitz Roy. A esquerda o lago Viedma e ao fundo o Glaciar de mesmo nome (um dos maiores da Argentina). Vinte minutos depois entramos num vale e chegamos a cidadezinha. Paramos na sede dos guarda parques para uma charla obrigatória para quem chega. A cidade está toda dentro do Parque Nacional Los Glaciares. Os guarda-parques uniformizados fizeram uma preleção rápida, mas interessante, sobre os cuidados no parque, especialmente quanto ao risco de incêndios. Não é possível acender fogueiras lá. Não se cobra entrada neste que é um dos mais belos parques argentinos.

 

Silvia, passageira do ônibus, que trabalhava no posto médico, havia me dito que nesta época só 22:30 a luz some. Decidi então ir direto para o acampamento De Agostini (também conhecido por acampamento Bridwell), na Laguna Torre, ao invés de ir para o acampamento Madsen ou para o camping do outro lado da rua, em frente a sede do parque.

 

Saltamos num albergue chamado Rancho Grande, bem movimentado. Rapidamente arrumei as coisas na mochila, estendi os bastões de trekking e comecei a caminhar. Cheguei no início da trilha para a Laguna Torre às 18 horas.

 

Após uma pequena subida mais empinada a trilha segue ascendendo por um caminho bem batido. Muita gente no sentido inverso, já voltando da Laguna Torre. No caminho encontrei Guadalupe, uma Argentina que ia também para a Laguna, mas parecia desanimada. Acho que pensava que o tempo não dava para ir e voltar. A convenci a seguir adiante, pois pelos meus cálculos deveria estar lá 20 horas ou 20:30, sendo 2 horas suficiente para ela voltar (descendo). Resolveu me acompanhar. Conversamos um pouco. Disse que largou tudo em BsAs para trabalhar em El Chaltén num albergue chamado El Nativo. Estava lá há um ano. Quase tropeço quando ela disse que era a primeira vez que ia para a Laguna Torre! Após uma hora e meia chegamos ao mirante donde era possível ver o Cerro Torre. Depois a trilha descia para um lugar plano margeando um charco do rio Fitz Roy e logo adentra numa belíssima floresta de lengas. Guadalupe disse que no inverno amigos já avistaram um puma relativamente perto de El Chaltén. Com poucas pessoas, os pumas se aventuram mais perto do vilarejo.

 

Contornamos um terceiro morro se aproximando mais das margens do rio Fitz Roy e uma passarela de troncos atravessados sobre um charco já indicava a proximidade do acampamento De Agostini. Chegamos num ponto onde havia um campo pedregoso e subimos um pequeno monte de pedras, que era uma velha morena terminal, e avistamos a Laguna Torre, com o glaciar logo atrás. O cerro Torre dominava a paisagem, majestoso, ao fundo. Tiramos fotos e me despedi da Guadalupe, que deveria voltar logo para não pegar escuridão. Ela me recomendou o albergue em que trabalhava. Disse que só voltaria a El Chaltén possivelmente na sexta.

 

O “campamento” fica num bonito bosque de lengas. Uma bela coleção de tendas já armadas: MH, TNF, Vaude... As mais pebas eram as Doite chilenas.

 

Montei meu barraco e tratei de fazer a comida. O rio Fitz Roy ficava a 10 metros. Tinha que descer um pequeno barranco para pegar água. Água muuuito mineral, ou seja, com uma suspensão cor de cimento, mas potável. Nada demais: iria repor os sais perdidos no suor. Após a janta, uma lavagem da panela e talheres, apenas com a areia do rio (não trouxe sabão para panelas: peso e anti-ecológico). Passeei pelo acampamento. Todos compenetrados, nos seus afazeres. Quase não ouvia vozes. Um silêncio, apesar de haver cerca de 20 barracas no local.

 

Dormi cedo para recuperar parte do sono perdido na noite anterior.

 

Domingo 07/12.

 

Acordei tarde, por volta de 8:30, embora comece a clarear por volta de 5 horas. Durante a noite fez uns 6º C. É perto do alvorecer que a temperatura está mais baixa. Não teve vento nem chuva. Tomei meu mingau sentado num banquinho de madeira estrategicamente posicionado para avistar o Cerro Torre. O dia estava lindo. A visão da montanha entre as copas das árvores, no acampamento, faz este local muito especial.

 

Após o café fui rumo a “letrina”. Todos os acampamentos oficiais têm uma. Só é permitido fazer necessidades nele. É um daqueles cubículos de fibra de vidro que vejo no Carnaval de Salvador ou em festivais de música. Só que não tem vaso sanitário, apenas um buraco e, em alguns, uma marca mostrando onde posicionar os pés ao se agachar (até parece que é necessária esta instrução!). O problema é que embaixo há um buraco onde caem os dejetos e, parece, só é limpo ao final da estação. Acredito que na verdade eles movem a “casinha” para outro lugar e tapam aquele buraco. Então o WC fica um cheiro e um mosqueiro só. Merda de todas as nacionalidades. Daí se vê que o bicho homem é um só. Ainda bem que estava no início da estação. Imaginem ao final do verão, com os acampamentos lotados e fila na porta. Provavelmente alguns vão fugir da “letrina” procurando seus cantos com uma pazinha. Porém a obrigação de usar o sanitário tem sua razão. Pensem como ficaria a área se fosse cada um por si. Possivelmente sofreríamos o embaraço de encontrar alguém agachado atrás de uma árvore quando fossemos buscar a “nossa” árvore! A teoria do mínimo impacto ambiental manda concentrar todas as ações humanas em um único local. Mas poderiam ao menos colocar dois WC. O acampamento De Agostini pode acomodar até 100 barracas. No momento havia no máximo 20.

 

No caminho havia encontrado um alpinista de Madri, chamado Javier. Perguntei-lhe se subiria o Cerro Torre. Disse que não, que não tinha experiência para tal, tentaria picos mais fáceis. Perguntou se eu escalaria. Respondi que não tinha coragem para este esporte. Retrucou que a coragem vem com a experiência. Registrei a resposta, interessante! De fato, a audácia no montanhismo, sem conhecimento e preparo técnico é antes burrice e ignorância e não coragem.

 

Falei-lhe que gostaria de fazer a Haute Route dos Pirineus. Ele passou dicas interessantes. A seção central valeria a pena.

 

Voltei ao acampamento para em seguida partir para o mirante Maestri. Peguei a mochila vazia, soquei os agasalhos, lanche e fui. Basta rumar para a Laguna e, ao chegar, tomar a direita, seguindo a crista da morena lateral direita, com uma vista da Laguna Torre, com águas cor cimento, embaixo à esquerda. Quando tiver percorrido 2/3 da crista a trilha sai da morena lateral e sobe a direita para um bosque bonito de Lengas. Pouco depois encontramos o abrigo Maestri, utilizado pelo polêmico escalador italiano. Mais um pouco, outro abrigo abandonado (este bem rudimentar) e, em seguida, saímos do bosque e avançamos por uma encosta empedrada, onde há uma vista bonita da laguna Torre (para trás, embaixo) e do Cerro Torre, à frente. O cerro Torre é uma agulha com um paredão granítico liso, sem fendas ou diedros ou o que valha para facilitar a escalada, ao menos na face leste. Não é sem motivo que é um dos grandes desafios mundiais do alpinismo. Adicione a isto o clima patagônico, ser pego por uma tempestade escalando aqueles paredões.

 

Diante dele o Cerro Mocho. Parece que ele foi cortado quase rente à base por uma foice gigantesca, daí seu nome. Me perguntei se o Mocho não seria maior que o Torre se não fosse cortado. Se foi, que forças gigantescas fizeram isto?

 

A subida até o mirante dura pouco mais de uma hora. Desci após alguns minutos, pois teria de desmontar a barraca e seguir para o acampamento Poincenot. Na descida observei que os 3 morros que subimos e descemos antes de chegar a laguna, na verdade são morenas recessionais, cada uma correspondendo a uma idade do gelo. A geleira avançando é como se fosse a pá dianteira de um enorme trator levando tudo.

 

Saí do acampamento pelas 13 hrs e voltei pela mesma trilha de ida para a Laguna Torre até chegar a uma placa indicando o atalho para o Poincenot, o caminho pelas Lagunas Madre e Hija (evita que voltemos para El Chaltén). Tomei o caminho da esquerda. Começa num terreno de vegetação baixa, mas ao chegar no pé da colina entra num bosque de grandes Lengas. Uma subida que dura cerca de 30 min. No alto, no plano, ultrapassei um grupo de trekkers franceses, pessoas na faixa dos 60 anos, todos bem equipados e bem dispostos. Com mais 20 min. chega-se na Laguna Hija. Não cheguei a ver a pequena Laguna Nieta. Talvez por ter usado um desvio a esquerda para escapar de um lamaçal. Na laguna entrei numa pequena península para sentar e lanchar. Um casal de patos chegou para fazer companhia. Um local muito aprazível.

 

Do outro lado da lagoa uma área com deslizamento de terra mostrava que algumas encostas de montanhas eram muito instáveis. Na avalanche todo um trecho de bosque foi soterrado ou levado para o lago.

 

Segui adiante. Muito movimento. Como não estamos distantes de El Chaltén, muita gente faz um passeio a pé desde a cidade, apenas com uma pequena mochila de ataque. As trilhas são fáceis e o dia é muito longo, o que facilita os passeios. Mas, às vezes, enche o saco toda hora bater com gente. Não dá nem para dar um pum na trilha sem o risco de ser surpreendido por alguém (no caso, uma testemunha de acusação).

 

À medida que vc segue pela encosta, margeando por cima as Lagunas Hija e Madre, começa a aparecer o imponente Fitz Roy, a Noroeste, ainda meio encoberto pela Loma de Las Pizzaras, na outra margem do lago. Com o Cerro Torre, são as montanhas mais espetaculares da região, junto com algumas agulhas. Se nós temos o Dedo de Deus, em Teresópolis, parece que Ele aqui resolveu botar todos os dedos restantes das mãos (e das duas!).

 

Depois de 3 horas desde a saída da laguna Torre chega-se numa baixada com pequenas pontes de madeira cruzando os meandros do Chorrillo Del Salto. Dali são mais 15-20 minutos até o Poincenot. É um acampamento bem maior que o De Agostini. Havia cerca de 40 barracas lá. Cabem 100 a 120 barracas. Uma só latrina. Pensei como seria no alto verão, janeiro-fevereiro, com o acampamento provavelmente lotado. Montei a barraca para garantir meu espaço. Em seguida segui para a laguna Súcia, pois ainda tinha pelo menos 4 horas de sol.

 

Ao cruzar o rio Blanco vc deve subir uma escada na encosta da margem e dobrar imediatamente à esquerda para pegar uma trilha rala na margem esquerda (verdadeira) do rio Blanco. Não há sinalização. Eu segui a sinalização existente para a Laguna Los Tres e “campamento” rio Blanco achando que encontraria uma bifurcação adiante. Engano. Pelo menos visitei o acampamento exclusivo para alpinistas. Ali 4 ou 5 barracas MSR e dois abrigos de madeira, um deles um abrigo refeitório com uma longa mesa de tábuas, uma pequena mordomia para aqueles que em breve terão apenas privação ao escalar as montanhas.

 

Um garoto me informou que o caminho para a Laguna Sucia era aquele que havia visto aos subir a escada na encosta do rio. Voltei e tomei o caminho certo. Após 5 a 10 minutos a trilha some ao descer para o leito seco do rio. Pircas a intervalos regulares indicam o caminho. Depois de 30 minutos chega-se num ponto aonde uma grande pedra afunila o Rio e não deixa leito seco para seguir. É necessária uma pequena e fácil escalaminhada para subir a pedra e descer em seguida. Logo depois um córrego fácil de atravessar (o vazadouro da laguna Los Tres que está acima), apenas precaução para não molhar a bota.

 

Em seguida uma encosta que é um campo de boulders, exigindo algum cuidado para não pisar numa pedra instável. Pouco depois chega na laguna, que fica bem abaixo do Poincenot e do Saint Exupéry. Um pouco mais à direita o Fitz Roy. Cheguei a tempo para ver o sol se escondendo atrás do Saint Exupéry. Depois de algumas fotos voltei. Não havia ninguém nesta trilha. Apenas na volta vi pessoas na outra margem do rio.

 

Acho que os guarda parques não querem visitas a laguna Sucia, daí não colocarem placas com a indicação.

 

Cheguei a tempo de ver que tinha novos vizinhos, uma barraca ao lado com 4 israelenses barulhentos e no outro lado, duas americanas, cada qual com sua barraca. Ambas já dormiam, uma roncando alto. O chato do Poincenot é que o rio fica distante, se compararmos com o De Agostini. Preparei a janta. Enquanto comia observei que uma tenda na minha frente estava quase embaixo de um galho podre, caído, que estava apenas sustentado na forquilha do galho de outra Lenga. Avisei o ocupante da barraca, um jovem montanhista basco, chamado Gorka, gente boa. Ele respondeu que rezaria para o galho não cair. Realmente o tempo estava bom e desfazer e montar a barraca logo antes de escurecer é um saco.

 

Em todos estes acampamentos, dentro de bosques de Lengas, não devemos só olhar para o chão na hora de escolher o lugar da tenda. Vale olhar também para o alto. Quando passamos por um bosque é impressionante ver a quantidade de árvores grandes derrubadas pelo forte vento patagônico. Não é bom ter a tendinha justo embaixo, nesta hora, de um galho podre.

 

Podemos deixar as coisas na barraca numa boa e ir passear. Nós brasileiros ficamos um pouco receosos, mas é tranqüilo (em todo caso levava a carteira e o passaporte na pochete). E a consciência ecológica ali estava em alta: praticamente sem lixo apesar da área ser pesadamente usada. Sem som, sem algazarra. sem cheiro de Cannabis, (acostumado com a Chapada, eu estranhava!).

 

Dormi cedo (22 hrs!), pois ainda tinha sono acumulado da viagem desde o Brasil e quando escurece o frio rapidamente vem junto.

 

Segunda, 08/12.

 

O dia amanheceu espetacular, novamente. Noite tranqüila.

 

Tomei meu café. Conversei um pouco mais com Gorka e segui para Laguna de Los Tres com a mochila, lanche e agasalhos. Creio que a laguna tem este nome em homenagem aos 3 alpinistas italianos que escalaram o Fitz Roy. Sempre levava a mochila com agasalhos e impermeável (calça e abrigo), além de lanche, para estes side trips, porque o tempo muda muito rápido aqui. Mesmo que estejamos perto do acampamento e a mudança não represente risco, o vento frio pode obrigar-nos a recuar no passeio ou voltar mais cedo, quando poderíamos curtir mais o lugar se estivéssemos bem abrigados. É também uma recomendação dos guarda-parques. O ideal é ter uma pequena mochila para ataque, leve, só para estas coisas. Não era meu caso. Tinha de usar a 70 litros.

 

A subida é cansativa, 1 a 1,5 horas. Trilha principal com sinalização para evitar as secundárias, provocando mais erosão. Os guarda-parques trabalham. Apesar do esforço vale a subida. A pequena laguna é muito bonita, aos pés do Fitz. Os 300 mts de desnível já fazem que esta laguna tenha placas de gelo e neve ao redor. Um espetáculo. À direita, o Cerro Madsen, em homenagem aos primeiros imigrantes dinamarqueses que eram os proprietários do local. Havia uma encosta suave de neve a direita, que acabava no lago com sinais de que alguém praticou ski bunda ou treinou self-arrest na ladeira. Porém se não freasse a tempo iria tomar um banho gelado no lago.

 

Fui de um lado para outro. Aproveitei para matar as saudades de andar na neve. Foram chegando turistas. Alguns, como eu, aproveitaram para lanchar a beira do lago. Segui para o lado esquerdo onde podia ver a Laguna Sucia 300 metros abaixo, que visitei ontem. Mostrava o deságüe da laguna Los Tres descendo para se juntar ao deságüe da Sucia. Enquanto esta tinha uma cor verde-cimento, a Los Tres tinha uma cor azul.

 

Passei uma hora ali por cima. Mais turistas chegaram à laguna. Alguns alpinistas com mochilas grandes Black Diamond com o capacete coroando o topo da mochila. Ao meu ver há uma hierarquia de respeito neste ambiente. Em baixo, os turistas que fazem passeios de um dia e voltam para El Chaltén antes de escurecer. No meio, os trekkers, que percorrem o parque dormindo em tendas. No topo, os escaladores.

 

Um grupo de montanhistas subia em calmo zig-zag uma encosta com neve do Cerro Madsen. Tive a impressão que se tratava de um grupo guiado, com turistas que queriam experimentar a sensação do montanhismo, pois o Cerro não é um troféu cobiçado pelos escaladores veteranos.

 

A Laguna de Los Tres é imperdível nesta viagem. Se não tiver tempo, esqueça a Sucia, mesmo porque vai vê-la de cima.

 

Desci e segui para o Poincenot. Desmontei a barraca, arrumei a mochila e zarpei para Pedra del Fraile, no vale do rio Electrico. Tive de atravessar novamente o Rio Blanco, pois queria descer o rio pela margem esquerda verdadeira. Trilha bem menos batida e mais aventurosa, pois tinha de subir e descer o barranco algumas vezes e na maior parte seguir pelo leito seco do rio. A maioria prefere seguir pela fácil trilha na margem direita. Pela esquerda se ganha algum tempo além de vc poder entrar no vale da laguna Piedras Blancas. Depois de 30 min. subi um morro que na verdade é a morena lateral do Glaciar Piedras Blancas e cheguei na entrada do vale. Mais 30 minutos e estamos na laguna. O último trecho tem boulders grandes, com trepa-pedra, mas não é nada difícil. A visão é muito bonita. O pequeno lago, com alguns icebergs, um paredão atrás e logo acima, pendurada como numa prateleira, a geleira, com os seracs na beira, ameaçando cair. Presenciei uma avalanche de neve. Demorei a pegar a câmera porque sempre fico na dúvida entre olhar ou perder tempo caçando a máquina fotográfica. A verdade é que as avalanches não são tão rápidas. Dá tempo para fotografar. Apesar da demora ainda consegui filmar e fotografar o final.

 

Voltei. Percebi que alguns grandes boulders na entrada do vale são usados para bouldering. Vários grampos fixos na rocha (bolt hanger) davam segurança para os praticantes.

 

Para cruzar o rio que vem da laguna tive algum trabalho para achar o ponto correto da travessia. Não há ponte. Umas pircas indicam o local. Não é preciso pular pedra, apenas cuidado com o balanço na hora de passar de uma pedra para a outra no cruze. Puxe a mochila para junto de suas costas.

 

Mais alguns metros para baixo e reencontramos o Rio Blanco por onde continuará a descer. Este último trecho é mais selvagem. Só vi um casal de trekkers na trilha. O caminho para o Piedras Blancas desde o Poincenot é bem freqüentado, mas não este trecho. Com 40 minutos vc chega numa cerca que indica o fim do parque nacional. Ao passá-la entra em propriedade privada. Segui observando trilhas entrando para a mata à esquerda, pois sabia pelo mapa que não precisaria ir até a estrada de rípio para depois dobrar a esquerda. Entrei numa trilha que depois passou a seguir numa direção oposta (Sul), por um bonito vale lateral. Concluí que estava errado e voltei ao leito do rio. Com mais uma andada achei a trilha certa e foi só seguir. Entrei na maior floresta de lengas até então. Um capim baixo parecia convidar para acampar ali mesmo, em qualquer lugar do bosque. Mais adiante, à direita, o rio Electrico corria caudaloso. É bem uma hora para chegar a Pedra Del Fraile. Apenas quando saí da floresta é que vi a pequena casa verde limão do Refúgio Los Troncos. Um casal simpático me recebeu dentro do restaurante. Mercedes e Juan. Na verdade eles são de Corrientes, província que faz divisa com o Rio Grande do Sul. Mercedes me disse que era o 2º brasileiro ali, na temporada.

 

Levei cerca de 5 horas desde o Poincenot, considerando a entrada para o Glaciar Piedras Blancas.

 

Paguei 25 pesos por pernoite no camping (único lugar para pernoite na região) com direito a banho quente. Era segunda à noite e desde a sexta anterior, pela manhã, não tomava banho (apenas usava baby wipes antes de dormir – atire a primeira pedra quem já tomou banho de panelinha naquela água fria – não podemos entrar direto no rio). Havia apenas uma ducha bem concorrida. Armei minha barraca, coloquei as coisas dentro e esperei vagar o chuveiro. Como demorava e tinha fila na porta decidi jantar, só que desta vez fugi da macarronada e resolvi usar o restaurante. Um bife com purê de batatas: 55 pesos. Não estava bom. O preço e a comida. Mas depois de alguns dias de macarrão, passa por um banquete.

 

O acampamento é bem abrigado. Rodeado por uma cerca de madeira e logo atrás da Pedra Del Fraile, um imenso errático que até duvidamos que uma geleira tenha trazido até ali. O lugar é bonito. Havia cerca de 10 barracas e muitos franceses.

 

Além das duchas, há um pequeno espaço abrigado encostado na rocha da pedra, onde cada ocupante do camping pode montar sua cozinha livre da chuva. Parecem baias de cavalo. Um casal americano já usava um destes. Quem quisesse poderia alugar um abrigo (havia 2 ou 3 bem rústicos).

 

Tomei um bom e demorado banho quente antes de escurecer. Lavei camisa e cueca. Foi bom ser o ultimo, pois senão poderia ter gente batendo na porta pela demora. Mas se fosse um pouco mais tarde iria precisar de lanterna no banheiro, pois não havia luz elétrica no camping (o aquecimento da ducha era a gás).

 

Outro dia lindo. Dormi o sono dos justos.

 

Terça, 09/12.

 

Amanheceu bonito, novamente.

 

Acordei a tempo de ver os franceses desarmando as barracas. Parecia ser uma expedição patrocinada pela North Face pelo nº de barracas enormes do mesmo modelo no local. Depois compreendi: tratava-se de um grupo e as tendas deviam pertencer a uma firma de turismo que as incluía no pacote. Quando vi colocando-as em grandes sacolas com o logotipo TNF percebi que se tratava de um modelo não destinado ao trekking ou a escalada, mas a car camping. A bagagem foi carregada em cavalos por arrieros que aguardavam o grupo.

 

Foi engraçado ver os franceses correndo despudoradamente para os banheiros pela manhã cedo. Parece que a incontinência vem com a idade.

 

O americano da barraca ao lado, cuja namorada era lindíssima, veio curioso perguntar sobre a minha tenda e pediu-me para ver seu interior. Mostrei-lhe minha Ligthwave Trek t0. Ele gostou da barraca. Achou-a ideal para uma pessoa. O dono sempre fica orgulhoso quando seu barraco chama a atenção.

 

Segui para o Cerro Electrico, pois me disseram que valia muito mais uma visita que o Lago Electrico e o Glaciar Marconi, subindo o vale. Os vaqueiros disseram que o dia estava perfeito para tentar a subida. Parece que um bom indicativo é a ausência de nuvens.

 

A trilha começa num portãozinho na cerca do camping e ruma para a montanha. Sobe entre dois córregos (chorrillos) que descem a montanha. Reclamei da subida a laguna Los Três, mas esta é mais puxada. A encosta estava enfeitada por bonitos arbustos cheios de flores vermelhas, chamados notros. No topo passei por um errático que serve de vivac. Descobri que o “topo” na verdade é apenas um pequeno platô e devia subir mais. O lado Norte do Fitz Roy já fica visível. A trilha some num empedrado. Pircas indicam o caminho. Mais subida, com alguns manchões de neve e cheguei no glaciar. Tomei a esquerda subindo uma arista empedrada para ver de cima. A pequena laguna está quase toda coberta de neve. Só percebemos tratar-se de uma laguna porque perto do deságüe tem uma pequena faixa livre de gelo. À direita da laguna, para quem sobe, uma encosta nevada e, acima, o Paso del Quadrado. O nome vem de um grande rochedo quadrado ao lado do passo. Pegadas na neve indicavam que montanhistas haviam subido para o passo, que fica no lado direito do quadrado. De onde estava, via o topo da Aguja Pollone, atrás do passo, outro grande desafio para escaladores.

 

Pensei em subir para o passo, pois a neve estava com uma consistência ótima (nem mole – para raquetas - nem dura – para crampons). Mas a minha bota não tinha solado espesso e não trouxe minhas polainas (deixei ambas em casa). O que mais pesou foi não ter a piqueta para um mínimo de segurança (self belay).

 

Continuei subindo rumo ao cimo do cerro Electrico, através de um campo de boulders. Porém a subida era chata e cansativa. Até ali já havia gastado cerca de 2,5 horas. Resolvi dar meia volta porque ainda iria hoje para o campamento da Laguna Capri.

Na descida encontrei um simpático casal jovem de escaladores argentinos que tb estavam acampados na Piedra del Fraile. A argentina muito bonita (só dá mulher sarada neste meio!). Disseram que iam escalar o Guillaumet. Desejei-lhes sorte e que o tempo continuasse boníssimo, ao que responderam “Oxalá”.

 

Desci e botei tudo na mochila. Eu me despedi do pessoal do camping e segui para a estrada. Depois do bosque de lengas o caminho é chato, pois segue por um trecho arenoso, antigo leito de rio (deve encher com chuvas fortes), até chegar numa cancela e logo adiante a ponte sobre o Rio Electrico (a trilha sai ao lado da ponte, na margem direita). E estava quente. Encontrei o casal simpático de canadenses que vinha seguindo o mesmo roteiro nos últimos 3 dias. Estavam esperando o táxi contratado para os levar a El Chaltén. Dobrei a direita e segui pela estrada de rípio no sentido El Chaltén. Pouco depois cruzei uma pequena ponte sobre o Rio Blanco e, logo adiante, entrei para a Hosteria Del pilar, a direita. Adentrei no bonito e simpático hotel para perguntar onde continuava a trilha. O dono prontamente respondeu. Pedi uma Coca e perguntei o preço para uma diária de casal. Das janelinhas dos quartos dava para ver o Fitz Roy. Mas a vista tinha um preço: 400 e tantos pesos (versus 40 por pessoa num albergue em Chaltén). Quase engasgo com a Coca.

 

Segui. A trilha no começo vai num sobe-e-desce chato pela encosta. Depois descobri que peguei uma derivação paralela. O ideal é seguir o máximo a beira do leito do Rio Blanco e só subir a encosta a esquerda quando não houver mais caminho junto ao rio.

 

Trilha fácil e bem batida. Não é a toa que o pessoal prefira vir do Poincenot para Pedra del Fraile por aqui. Ouvi um barulho de trovão. Na verdade era uma avalanche no Glaciar Piedras Blancas, pois o barulho vinha de sudoeste. Naquela hora do dia, cerca de 16 hrs, a neve e o gelo já tinham sofrido bem com a “insolação”, um horário propenso a estas avalanches.

 

Da Hosteria Del Pilar até o mirante do Glaciar Piedras Blancas (vc vê o glaciar de uma elevação do outro lado do rio) não tem quase movimento. Neste caso, acho que devido ao horário mais avançado da tarde. Tirei umas fotos do mirante e segui. Entre ele e o Poincenot muita gente só de mochilinha.

 

Meia hora depois a bifurcação para o campamento Poincenot. Segui a esquerda para El Chaltén. Cerca de uma hora depois uma bifurcação à direita com placa indicando a Laguna Capri. Mais 10-15 minutos e chega-se na laguna, bonito local. Pouquíssimas barracas. Talvez cinco.

 

Armei a barraca não longe da água. Aproveitei para examinar os calos em ambos os mindinhos dos pés. Vacilei no cuidado com os pés. No corre-corre para chegar a tempo nos acampamentos e fazer os side trips, deixei a meia molhada de suor dentro das botas. Num trekking isto é imperdoável.

 

A água para uso é da lagoa, límpida e potável (acho). Uma gringa passou e perguntou onde havia um riacho próximo. Respondi que não havia (possivelmente o córrego que alimentava o lago deveria ser do outro lado). Era acreditar naquela água ou fervê-la.

 

Comi minha janta num mirante a beira do lago, vendo o Fitz Roy ao entardecer. Um casal de patos com dois filhotes estavam bem junto ao acampamento e tirei fotos deles. Este acampamento, apesar de aparentemente ser o menos freqüentado entre aqueles em que fiquei, era o mais sujo. Embora a sujeira fosse pouquíssima, chamava a atenção justo porque a limpeza era regra nos demais. Talvez porque fosse o mais perto de El Chaltén, mais ao alcance dos farofeiros.

 

Um pouco mais acima, na trilha que seguia para El Chaltén, uns barracos maiores onde parece que uma empresa de atividades outdoor guardava equipamentos, possivelmente caiaques. Tinham também um acampamento organizado com algumas barracas Doite grandes.

 

Outro dia lindo passou. Estava começando a pensar que aquela história toda do terrível clima patagônico era um mito.

 

Quarta, 10/12.

 

A noite foi mais quente que nos acampamentos anteriores. Acho que quanto mais afastado dos glaciares, mais quente fica.

 

Após o café, desmontei o acampamento e segui para El Chaltén. Pretendi passar pela cidade, telefonar para o Brasil e re-suprir alguns itens antes de seguir para a laguna Toro, meu destino neste dia.

 

Desci as montanhas e num trecho longo avistamos o bonito vale do Rio de las Vueltas. Caminhei ouvindo MP3 e estava muito alegre. Apesar de ser muito gostoso descer uma trilha fácil ouvido música às vezes atrapalha quem vem atrás e quer ultrapassá-lo. Como ia rápido isto só aconteceu uma vez. Por precaução diminui o volume.

 

Depois da saída do parque a esquerda uma panaderia onde comprei pão integral. Depois entrei num locutório para ouvir vozes queridas e dali eu segui para uma pequena mercearia, para comprar um pouco mais de leite em pó, queijo e café. O café vêm em sachês !

 

Segui então para o extremo sul da cidade para a sede do guarda parques, ao lado da ponte sobre o Fitz Roy, onde começava a trilha. Passei por um casal de jovens mochileiros comendo debaixo da sombra de uma árvore, junto a calçada. Uma loirinha linda de cachinhos comia compenetrada o seu müsli. É bonito ver que não é a grana pouca que impede as pessoas de conhecer o mundo.

 

Na sede dos guarda parques tive de preencher meu nome e data estimada de volta da laguna Toro, num formulário, já que esta trilha é bem menos freqüentada. Registrei a volta para dali a dois dias (embora planejasse voltar amanhã mesmo). Precaução caso gostasse do local e quisesse ficar mais um dia. Fiquei triste ao saber que para ir até Paso de Los Vientos (vistas espetaculares para o gelo continental) era necessário um arnés (cadeirinha?), para cruzar numa tirolesa um canyon sobre o rio que vinha do glaciar até a laguna Toro. Paciência. Fica para outra vez.

 

A trilha bem marcada sobe e desce uns pequenos vales com córregos, numa área sem mata, parecendo uma estepe. Uma rocha semelhante a um ovo em pé magicamente se equilibrava à direita da trilha. Começa uma subida mais empinada e, perto do topo, uma floresta de lengas. Mais alguma subida e andamos alternadamente entre bonitos campos e bosques de lengas. Os campos repletos de dentes de leão e de flores amarelas, parecendo um pouco com margaridas. Imaginei um vendaval. Deve soprar uma nuvem de dentes de leão. Levantei os bastões para não derrubar as flores ao lado da trilha.

 

Cerca de 2,5 horas encontramos uma tabuleta numa bifurcação que indica as direções da Loma Del Pliegue Tumbado (3 horas) e do Lago Toro. Segui para o lago. Adiante um charco onde a trilha se perde, mas logo uma tabuleta do parque indica a direção. Os campos dão vez a uma floresta de lengas e a subidas. Em alguns trechos a trilha está tomada por água escorrendo e é necessário desviar. Até que finalmente saímos da floresta e chegamos num prado alpino, com pequenos bosques de lengas ali e acolá, o prado parece até um campo de golfe. E só andar um pouco que percebemos que o terreno na verdade está todo encharcado. Por isso não há trilha. Na saída da floresta há uma placa sobre um tronco sustentado por um tripé de troncos indicando que a entrada na floresta é aquele ponto de onde saí (para quem vem em sentido contrário). Segui cuidadosamente por onde parecia ser o rumo natural da trilha, ou seja, subindo um pouco à direita, pois sabia que teria que continuar a contornar a Loma Del Pliegue para entrar no vale do rio Toro, à direita. De fato, após alguns metros, avistei o mesmo tipo de indicação adiante (um tripé de troncos). Ali se vê a linha de uma antiga cerca, a trilha seguindo paralela. Mais terreno encharcado. O bastão é útil para sondar o terreno. Também botei o máximo de peso nos bastões para tirar um pouco de peso dos pés, para a bota afundar menos.

 

À esquerda, uma linda vista do Lago Viedma, a S-SE.

 

Pouco adiante encontrei descansando dois trekkers gringos, que vinham em sentido contrário. Perguntei quanto tempo seria até a laguna Los Toros. Informaram que levaria 2,5 horas e que eu seria o único lá, já que na noite anterior eles foram os únicos. Não pude deixar de dar um sorriso, depois de ver tanta gente nas trilhas do parque. Agradeci e segui.

 

Começa então uma longa descida até o fundo do vale. No começo bosques baixos de lengas (ficam assim devido ao peso da neve acumulada no inverno) alternados por campos de flores. Tirei foto. Mostrando para alguém poderia dizer que eram os Alpes suíços. Ao fundo, para W, via-se o lago Toro e o glaciar. Acima, o Paso de los Vientos.

 

Mais para baixo um cenário triste. O resquício de uma antiga floresta de lengas que queimou num incêndio, em 1910. Incrível como a recuperação é lenta! Por isso não permitem fogueiras no parque.

 

No chão do vale permanecemos no lado esquerdo (verdadeiro) do Rio Toro e cruzamos chorrilhos que vem das montanhas à direita. Com cerca de uma hora chegamos ao acampamento Toro.

 

Logo antes de chegar um grupo de 4 alpinistas vinha seguindo no sentido inverso, para El Chaltén. Eles estavam com os rostos bem queimados, sinal de dias passados na neve. Pelo adiantado da hora chegariam no escuro na cidade, o que não era problema com boas lanternas de cabeça. Não sei porque eles não optaram por descansar esta noite no acampamento Toro para só amanhã voltar. Descobri logo o porque.

 

Ao chegar observei que o acampamento ficava atrás da aresta de uma montanha, muito bem abrigado dos ventos de oeste. É necessário contornar esta aresta pela esquerda para efetivamente se enxergar a laguna Toro. O local era rodeado por uma cerca de troncos, algo que não vi em nenhum dos outros acampamentos do parque. Será que há ventos fortes vindo de E, que exigem esta proteção? Dentro a área para acampar, um refúgio e, claro, a letrina. Não gostei muito do aspecto um pouco tenebroso do local. Provavelmente por ser mais escuro, na sombra da aresta, ao contrário dos outros locais para acampar, que estavam abertos para o sol à oeste, ao final da tarde.

 

Escolhi um ponto e comecei a armar a tenda. Cedo percebi que o lugar é infestado de mosquitos (pernilongos). E não trouxe repelente. No Brasil nunca acampei num lugar tão cheio de mosquitos. Tratei de fazer logo a janta. Não podia ficar parado muito tempo por causa dos malditos insetos. Logo que a janta ficou pronta fui com a panela para as pedras junto ao rio para pegar um pouco de vento, assim não sendo incomodado pelos mosquitos enquanto comia. Água cheia de suspensão no Rio Toro. Estava bem caudaloso o deságüe.

 

Outra coisa que percebi foi que estava com um déficit energético. Cheguei morrendo de vontade de beber alguma coisa açucarada. Procurei desesperado o Tang em pó dentro da mochila. Também, depois de beber muita água, a gente fica com uma vontade louca de beber algo diferente.

 

Provavelmente os escaladores sabiam dos mosquitos. Além disto, depois de dias na montanha quem é que não quer ir direto para a cidade tomar um vinho ou uma cerveja gelada e comer um bom bife?

 

Eu me descuidei no caminho para cá e molhei a bota num charco. Levei-a para a morena para deixá-la pegar os últimos raios de sol da tarde e vento seco.

 

Fui dormir ainda com a luz do dia porque estava cansado e saturado dos mosquitos. Dentro da barraca teria paz. Antes de pegar no sono um grupo de argentinos com cadeirinhas surgiu. Acho que fizeram uma excursão de um dia para o Paso de los Vientos ou estavam escalando em rocha nas proximidades. Perguntaram-me se havia um córrego próximo. Disse-lhes que só no rio, a 200 metros. Examinaram o acampamento e depois seguiram para El Chaltén. Fora da tenda uma revoada de mosquitos.

 

De El Chaltén (sede dos guarda parques) até o lago Toro levei 5:15, incluindo aí 15-20 minutes para lanche. A placa do parque dizia 7 horas. O pessoal de El Chaltén falou em 6 horas.

 

Quinta, 11/12.

 

A noite foi a mais quente até o momento. O acampamento é realmente protegido dos ventos. Não fechei sequer a porta do vestíbulo. Estava sozinho e não precisava de privacidade. Pude dormir de cueca, com o saco semi aberto.

 

Acordei e olhei pela tela da porta. Outro dia ensolarado.Fiquei aborrecido não com o que vi através dela, mas o que estava pousado na tela: um monte mosquitos.

 

Comecei arrumando o máximo que podia dentro da barraca para não fazê-lo do lado de fora. Tive de interromper a tarefa e sair para urinar. Corri para o meio do campo de pedras na morena terminal. Ali, com o vento, os mosquitos incomodam menos. Voltei e entrei na barraca, para terminar a arrumação. Só que neste entra e sai alguns mosquitos conseguiram entrar. Passei a caçá-los e matei-os contra o tecido da tenda.Para meu espanto alguns já estavam papudos com meu sangue e sujaram o tecido da barraca. Tive de usar o baby wipes para limpar. Saí para comer um müsli no meio das pedras, na morena, e pegar minhas meias que havia deixado lá para secar (o vento seco é muito eficiente). Voltei para o acampamento, desfiz a barraca e arrumei a mochila. Deixei-a em pé junto ao refúgio. Peguei a pochete com um lanche e fui para a Laguna Toro tirar fotos e ver se descobria o caminho para a tirolesa.

 

Perto do final da Laguna, de onde vinha o rio do glaciar alimentar o lago, deu uma baita dor de barriga. Subi a encosta uns 80 mts acima do lago para fazer a necessidade ali mesmo. Não estava a fim de usar aquela latrina do acampamento, ainda por cima com os mosquitos fazendo a festa. Cavei um buraco com a bota no descampado. Não tive a menor preocupação em procurar me esconder atrás de uma rocha, pois era em torno de 10:30. Para alguém chegar lá neste horário teria de sair de El Chaltén as 5:30 – 06:00, algo impossível. Arriei as calças e me agachei. No instante em que “obrava” (como diria meu tio português) olhei para o lado oposto do glaciar e vi dois mochileiros vindo em minha direção. Ainda estava um pouco longe, mas o gesto de arriar as calças e se agachar é universalmente compreendido mesmo à distância. Os dois desaparecerem num vale entre duas morenas e mais que depressa terminei o serviço. Enterrei a prova do crime. Na pressa, esqueci o papel higiênico, que o vento tratou de carregar. Tive que caçá-los correndo, espetando-os com o bastão. Enterrei-os também rapidamente. Leave no trace. E temia que os turistas fossem ecochatos e me repreendessem por não ter usado a “letrina” do acampamento.

 

Lavei as mãos com a água do cantil e em seguida eu me recostei numa pedra para fazer o lanche. O ruim é que a trilha passava bem ao lado, assim o encontro com a dupla era inevitável. Os dois se aproximaram e saíram da trilha direto na minha direção. Para meu espanto, reconheci pelos uniformes que eram rangers (guarda-parques). Deviam estar fazendo uma patrulha. - Merda! - Pensei.- Agora vou levar uma multa ou no mínimo um carão por c......r no lugar errado!! O guarda estendeu a mão e me cumprimentou amigavelmente. Perguntou se a mochila no abrigo era minha, respondi positivamente. Ficaram preocupados porque eles viram a mochila sem ninguém por perto. Perguntaram se iria para o Paso de Los Vientos. Disse que não, pois não tinha cadeirinha para usar a tirolesa. Eu comentei que era até possível atravessar o rio através do delta, pois o rio se subdividia em vários canais antes de entrar no lago. Era apenas questão de não ter receio de molhar os pés na água gelada. Disseram que estavam subindo para o Paso. Perguntei-lhes porque não deixavam as mochilas ali, já que teriam de voltar pelo mesmo lugar. Responderam que não, que seguiriam adiante, descendo pra o outro lado. Antes de chegar ao gelo continental, na encosta, virariam a esquerda e contornariam por trás o Cerro Huemul que estava na nossa frente. Belo trajeto.Deu vontade de acompanhá-los, mas seria muita cara-de-pau pedir emprestado a cadeirinha para passar a tirolesa. Despedi-me deles e desejei-lhes sorte.

 

Ufa! Ou não viram ou não acharam nada de mais, ou ainda não queriam perder tempo com um simples ato fisiológico. Achei os guardas simpáticos e responsáveis.

 

Não costumo ver o pessoal do Ibama patrulhando nossos parques. Ficam apenas nas bilheterias cobrando ingresso. Na Argentina eles são bem mais organizados e eficientes. Mas justiça seja feita: na Argentina a única missão deles é zelar pelos parques e pelos visitantes. No Brasil o Ibama tem pouca gente e tem de fazer de tudo: licenciamento ambiental, fiscalização, licença de importação e exportação para alguns produtos, além de administrar os Parques Nacionais.

 

Depois, checando no mapa, vi que realmente havia uma trilha circundando o Huemul. Não sei se era aberta ao público. Era trilha para mais 2 ou 3 dias, pelo menos.

 

Voltei ao acampamento, peguei as coisas e parti. Cruzei novamente, de volta, alguns riachos que em época de muita chuva eventualmente podem deixar alguém aprisionado no vale. Apenas uma mochileira solitária passou por mim, em sentido contrário. Uma hora e dez minutos estava no sopé do morro e iniciei a subida. No topo, na placa que indicava para a Loma del Pliegue Tumbado, fiz um lanche e escondi a mochila. Um bando de íbis passou voando baixo. Subi o morro apenas com minha pochete. Sem trilha. Algumas pircas espaçadas davam orientação, o que não era muito necessário, pois o terreno estava nu (acima da linha de árvores) e a navegação era fácil com um mapa.

 

Achei a trilha da qual, no dia anterior, havia visto a entrada. Mais alguma subida e chegamos a um mirante com vista ampla para a Laguna Torre, o cerro Torre e os seus vizinhos. O Pliegue Tumbado fica 200 mts acima, com uma encosta mais empinada.Logo antes do topo um pequeno paredão obrigava as pessoas a subir diagonalmente para a esquerda, na encosta leste, ainda com neve. O problema é que a diagonal era um pouco exposta, uma queda de 5 a 10 metros. Dois casais estavam subindo. Observei-os. Ao chegar no trecho exposto paravam não sei se para avaliar ou para colocar crampons. E seguiam. O(a) da frente ia em pé, o(a) de trás, de quatro. Com o segundo casal a mesma coisa. Só que a pessoa de quatro congelou, não ia para frente nem para trás, na travessia. Só depois de algum tempo recuperou a coragem e seguiu. Desconhecia esta nova técnica para subir na neve, de quatro.

 

Na descida, um dos casais fez glissading na encosta nevada.

 

Voltei, pois ainda tinha que voltar para o local da mochila. De lá seriam mais duas horas até El Chaltén. Volta tranqüila, já ao final da tarde. Como a sede dos guarda parques estava fechada, coloquei a folha do registro por baixo da porta, para que no dia seguinte soubessem que voltei.

 

No céu, ao entardecer, o espetáculo das nuvens. Cada formação lindíssima. Parece que aqui na patagônia as nuvens (cirrus) capricham nos tipos e formas.

 

Segui para a avenida Lago Del Desierto, onde procurei o albergue Lago Del Desierto, recomendado por Silvia e pelas Dicas de El Chaltén, nos Mochileiros. Não deu errada. Pessoal simpático. O Toni foi muito atencioso. Pedi um quarto para ficar sozinho. Como não estavam cheios, deram-me um quarto com 6 beliches e banheiro.Sabiam que naquele horário não chegaria mais gente. Preferia ficar só para espalhar minhas coisas e ficar mais a vontade depois de 5 noites acampado. Não cobraram a mais por ficar sozinho no quarto. Paguei 40 pesos. Não precisava café da manhã, pois sobrou comida e gás no fogareiro e o quarto tinha uma mesa.Tomei um belo banho demorado.

 

O jardim do albergue estava mais cheio que os quartos. Era também um camping. Creio que pela metade do preço ou menos oferecia chuveiros, banheiro e cozinha comunitária. Havia um grupo de tendas com jovens que pareciam formar uma confraria de escaladores hippies de todas as nacionalidades. Barracas 4 estações com sinais de muito uso. Um dos passatempos deles era comprar um garrafão de vinho e sentar nos bancos conversando e dividindo a bebida.

 

Jantei um cordeiro patagônico delicioso no El Viejo. Acho que para carnes é o melhor que há em El Chaltén.

 

Sexta, 12/12.

 

Mais um amanhecer bonito. Fui para o Rancho Grande para pegar a van de 8:30 que fazia um passeio para o Lago Del Desierto. Decidi ir num esquema turistão porque senão teria de caminhar 36 km por estrada de rípio, coisa muito sem graça, ou tentar pegar carona (hacer autostop), com pouca chance de sucesso. A estrada é pouco movimentada e os poucos carros que passam são táxis e vans de turismo. Preço do passeio: 80 pesos.

 

Parte dos passageiros era de ingleses, que saltaram na Hosteria Del Pilar. É uma opção para começar o circuito a partir de um ponto mais distante e ir voltando para El Chaltén. Todos eles com bastões de trekking, o que é regra aqui, mesmo para passeios de um dia, mostrando que entre estrangeiros o bastão é corriqueiro. Observei que os alpinistas também usam. Eles não carregam peso à toa. Afinal, para levar uma mochila de 80 a 90 litros é bom ter um apoio para manter o balanço.

 

A Estrada que entra no vale do Lago do Desierto é bonita. Curiosidade: ela foi inaugurada por Nestor Kirchner quando era governador da Província de Santa Cruz em 1995. Depois de cerca de 1:30 de viagem, chega-se na extremidade sul do lago. Ele é estreito e comprido, no sentido Norte-Sul. Há um píer de onde parte um barco para o extremo norte. A van fica esperando as duas horas que o passeio de barco leva. Esta excursão lacustre custa 90 pesos. Não fui. Era turistão demais para um só dia. Assisti a um grupo de simpáticas ciclistas neozelandesas, de pernas saradas, embarcar suas bicicletas no barco. As bikes vinham carregadas com alforjes. Uma das bicicletas rebocava um trolley, que deveria ter o equipamento comunitário do grupo. Parece que percorriam a Patagônia daquele modo.

 

Outra opção é um passeio ao Glaciar, cerca de meia hora distante. Deve-se pagar 16 pesos porque fica em propriedade particular. Não queria andar muito porque sentia ainda os calos. Preferi atravessar uma ponte pênsil sobre o Rio de las Vueltas e percorrer o início da trilha que vai para o extremo norte do lago. Até lá são 5 horas de caminhada. Depois de 15 minutos parei ao lado de um córrego que descia em cascata para o lago e fiz meu lanche. Deu para observar que o caminho que segue para o Norte é uma boa trilha e bem batida. Provavelmente alguns deslizamentos de terra podem tornar alguns trechos mais difíceis. Vai ficar para outra ocasião.

 

Pelo mapa, ao Norte do lago inicia uma trilha seguindo para oeste até a Laguna Del Diablo, quase divisa com o Chile. Trilha muito pouco movimentada. O mapa sugeria um guia para fazer o trecho.

 

O lago é bonito. Mas nada que justifique a quase guerra entre Argentina e Chile por sua causa. Depois do lanche e fotos regressei para esperar o barco e a volta para o vilarejo.

 

O rio de las Vueltas margeia a estrada durante a maior parte do trajeto. Imaginei a classe de dificuldade que seria uma descida de caiaque naquele rio. Logo no início, após o deságüe do Lago Del Desierto (origem do rio) algumas quedas d’água e troncos atravessados tornam a descida difícil.

 

Ao chegar à cidade, dei um pulo no Camping Center, loja que conheço de BsAs e que tem filial aqui. Comprei novas palmilhas para botas porque as minhas esqueci em laguna Toro, tal a pressa para fugir daqueles mosquitos pestilentos. Havia tirado-as do calçado para secar mais rápido, e as coloquei em outro local afastado da bota, para o vento não carregar. Comprei ainda um par de meias e um boné para frio muito bom, da Lowe Alpine. Fiquei tentado a comprar uma piqueta italiana, para montanhismo geral, de 350 pesos. Leve, me pareceu muito boa. Mas segurei a vontade. Meu sonho é outra, da Black Diamond.

 

Passei também numa loja de atividades de montanha. Soube lá que o trekking pelos gelos continentais (algo como 5 dias) custa US$2.200!!

 

Consegui ficar outra noite no quarto sozinho. Toni me disse que o movimento neste final de ano estava fraco, talvez devido à crise econômica mundial. Falou que houve uma temporada com muitos brasileiros, como se fosse uma moda.

 

Jantei no Ahonikenk, preço bem justo. Restaurante cheio de nativos sempre é bom sinal.

 

Passei na pousada El Nativo para cumprimentar a Guadalupe. Realmente acertei em ficar no albergue Lago Del Desierto. A Nativa era bem menor e estava mais muvucada. Se quisesse ficar num quarto sozinho teria de me contentar com um cubículo, por 60 pesos e com banheiro no corredor.

 

Sábado, 13/12.

 

Acordei 6 horas com um nascer do sol espetacular de frente para a janela do quarto. Tomei meu desayuno ainda com o que sobrou dos mantimentos. Fui para o Rancho Grande pegar o ônibus de volta à El Calafate e dali o vôo para BsAs. Após iria para o Rio de Janeiro, onde passaria o resto das férias com a família. É maravilhoso o contraste entre a Patagônia e a nossa terra tropical.

 

Deixei para trás El Chaltén feliz por ter conhecido um dos locais mais bonitos das Américas, com o corpo mais leve (uns 2 kg) e a alma renovada.

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Algumas fotos da viagem:

 

Cerro Torre visto entre as árvores do campamento De Agostini.

 

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Laguna Los 3, um dos pontos altos do trekking.

 

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Glaciar Piedras Blancas e sua Laguna.

 

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Paso del Quadrado. Mais a direita a ponta da Aguja Pollone, que fica atrás.

 

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Patos na laguna Capri, juntinho ao acampamento.

 

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Vista da Laguna Toro, ao fundo.

 

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Nuvens sobre as montanhas.

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Lago del Desierto: vista do pier para o passeio de barco.

 

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Peter ainda não terminei de ler o seu relato, mas está show de bola, vc descrevendo o caminho até chaltén, a estancia leona, veio tudo a minha mente mais uma vez, é um lugar mágico.

 

Bateu uma saudades daquele lugar :D

 

Hilário seu "problema" com a latrina e os guardaparques..rs.. isso me lembra um amigo que foi "obrar" e usou uma arvore de encosto, escorregou e caiu sentado em cima hahaha

 

Belas fotos também ::cool:::'>

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Parabéns pela viagem e pelo relato Peter!

 

Quando fui para a Ilha do Mel - PR em janeiro/2008, encontrei um Argentino que me mostrou numa revista El Chaltén. Desde então fiquei apaixonado pelo lugar e venho pensado numa viagem para tal. Ainda não tenho experiência, mas a vontade de ir é imensa!!!

 

Lendo relatos como o seu, só aumenta ainda mais a vontade de aprender e se aventurar por esssas bandas.

 

 

Abraços

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Valeu gente!

 

Marcos: estes problemas mereciam um tópico no mochileiros, tipo "Latrina selvagem". Estamos tão habituados a praticidade dos vasos sanitários que esquecemos um pouco esta "arte".

 

Boa sorte na viagem para TDP. O circuitão está nos meus planos também. Tomara que vc pegue o mesmo tempo bom que peguei em El Chaltén. Poste um relato depois, especialmente falando do Paso John Gardner!

 

Danilo: pela foto era vc que estava no PP quando Ogum esteve lá, não? É outro lugar que quero conhecer.

 

De ônibus e/ou milhagem não é caro. O montanhista basco que encontrei no acampamento Poincenot estava desde o começo de novembro na Patagônia só na base de campings gratuitos, albergues e alternativas mais em conta.

 

Abraços, Peter

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Valeu gente!

 

Marcos: estes problemas mereciam um tópico no mochileiros, tipo "Latrina selvagem". Estamos tão habituados a praticidade dos vasos sanitários que esquecemos um pouco esta "arte".

 

Boa sorte na viagem para TDP. O circuitão está nos meus planos também. Tomara que vc pegue o mesmo tempo bom que peguei em El Chaltén. Poste um relato depois, especialmente falando do Paso John Gardner!

 

Pois é, chega ate ser engraçado essas situações...rs...

 

O "temido" paso John Gardner é uma das coisas que tem me "assustado", não tenho muita experiencia em trekkings longos e como não encontrei ninguem para ir comigo ainda, se torna um desafio maior.

 

Vc teve muita sorte em Chaltén eu fiquei 3 dias na cidade, hospedado no albergue rancho grande, consegui ter só 1 dia e meio de sol, o resto foi de mta chuva, frio, ventos, o que nos fez ficar trancados no albergue pq não havia condições de sair.

 

De ônibus e/ou milhagem não é caro. O montanhista basco que encontrei no acampamento Poincenot estava desde o começo de novembro na Patagônia só na base de campings gratuitos, albergues e alternativas mais em conta.

 

Abraços, Peter

 

Basco?? não era o Asier? Conheci um basco em buenos aires no final de outubro que estava com planos de ir para a patagônia.

 

Agora realmente chalten´não é um passeio caro, sai mto mais em conta do que ir para alguns cantos do brasil em pacotes :D

 

Abraços!!!

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parabens pelo relato, Peter! Foi quase o mesmo roteiro q fiz, com a diferenca q emendei (por pura sorte) a Travessia dos Gelos Continentais, q vai daquele glaciar do Lago Eletrico ate o outro, na Launa Toro (acho, ja faz um tempao q rolou) pela crista congelada dfe tds esse picos q vc viu, numa paisagem q remete o Artico. É esquema q nao requer mto esforco, mas sim de mta sorte, pq se o tempo nao colaborar nada feito, tal qual o Aconcagua! Agencias de Calafate organizam esse esquema. Sai salgado, mas vale a pena!

abracao

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É Jorge, é uma p... travessia. É isto mesmo que vc recordou: Glaciar e Paso Marconi até o Paso de los Vientos (acima da Laguna Toro). Em dez/08 as agências estavam cobrando cerca de US$ 2.000! Realmente deve ser uma experiência e tanto ver todos aqueles picos por trás, o circo dos Altares,...Vc teve de ir encordado o tempo todo devido as gretas no gelo??

 

Ainda faço um esquema destes, mas é bom alguma experiência a mais de montanhismo.

 

Marcos: é uma pena que não terei mais como ir para a Patagônia neste verão, se não tentaria ir com vc. O Paso, pelos relatos que li, é mais uma questão de fazé-lo com bom tempo. Ficar no acampamento Los Perros até abrir uma janela (se vc for no sentido anti-horário). Minha impressão é que sempre vai ter gente subindo, assim dificilmente vc irá sozinho. Basta sair ao mesmo tempo ou se enturmar.

 

Abs, Peter

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Danilo: pela foto era vc que estava no PP quando Ogum esteve lá, não? É outro lugar que quero conhecer.

 

De ônibus e/ou milhagem não é caro. O montanhista basco que encontrei no acampamento Poincenot estava desde o começo de novembro na Patagônia só na base de campings gratuitos, albergues e alternativas mais em conta.

Peter, sou eu mesmo. Não sei se cheguei a encontrar o Ogum por lá, numa dessas passei por ele sem saber. :lol:

A fazenda é muito boa, gosto bastante de lá, mas prefiro arriscar ir fora de temporada. Prefiro alguns dias de chuva do que milhões de farofa de um lado para o outro.

 

Ainda não possuo nenhum tipo de milhagem, mas ônibus e moto são coisas a se pensar. Já que tu tocou no assunto, qual é (+/-) o custo de uma viagem como esta?

 

 

... não tenho muita experiencia em trekkings longos e como não encontrei ninguem para ir comigo ainda, se torna um desafio maior...

 

Marcos, qual é o nível para curtir a trip que você está pensando? Pretende passar áreas mais técnicas e/ou necessário uso de equipos específicos pra neve/escalada etc?

Predente ir para lá quando?

 

Dependendo das respostas e se aceitar companhia, podemos conversar :mrgreen:

 

 

Abraços

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Danilo:

 

Realmente tb procuro evitar as trilhas mais conhecidas nos feriadões!

 

Não conheço muito o Paraná. O que vc chama fora de temporada aí? O inverno, qualquer fds que não seja feriadão?

 

Quanto ao custo, fora a passagem aérea BsAs-Calafate-BsAs (cara, paga no cartão em 5X, ~580 US$), gastei o equivalente a 250 Euros (mas fiquei 6 dias no "mato" sem gastar com albergue e hotel). Dá para economizar mais.

 

Abraço, Peter

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    • Por ekundera
      Patagônia - El Calafate, El Chaltén, Puerto Natales, Punta Arenas, Ushuaia - Fevereiro/2019 - 20 dias
       
      Planejamento para viagem
       
      Meu planejamento para a Patagônia aconteceu com uma antecedência de uns 6 meses, quando achei promoção de passagem pela Aerolíneas Argentinas. Comprei a chegada por El Calafate e a saída por Ushuaia, mas eu penso que o melhor itinerário para conhecer a região seja fazer o inverso, terminando por El Calafate. Acho interessante a viagem ir surpreendendo a gente cada vez mais de forma crescente, para a gente se encantar por cada lugar, sem achar que é mais do mesmo ou que o anterior tenha sido melhor.
       
      As hospedagens eu reservei pelo Booking, mas antes eu comparei com o Airbnb, mas não estavam assim tão vantajosos para compensar ficar em casa dos outros, tendo o trabalho de ter que combinar a chegada. De qualquer forma, achei essa parte de gastos um pouco alta, com diárias um pouco acima da média. E além disso, os lugares com melhor localização ou avaliação já não tinham mais vagas. Penso que a reserva para a região tenha que ser feita com maior antecedência.
       
      A melhor forma de se vestir na Patagônia, pelo menos para o período que fui, é usando umas 3 camadas. A primeira camada, com uma camiseta dry fit, porque ela absorve o suor e não fica encharcada, não deixando esfriar ainda mais em contato com a pele. A segunda camada, com uma blusa térmica (a minha preferida é um modelo que não seja tão aderente ao corpo, como a marca Wed’ze que encontrei na Decathlon). A terceira camada, um casaco que proteja por dentro e com material impermeável por fora, de preferência com capuz e que não seja tão volumoso, porque a gente tira em vários momentos e incomoda carregar na mão.
       
      Na parte de baixo, eu usava só a calça térmica primeiro e uma outra calça por cima. Não usei calça jeans nos passeios, levei essas com bolsos dos lados (achei uma que gostei demais numa loja de produtos para pesca). Levei também um par de luvas de couro fino, sem ser volumosas, gorro, cachecol, bota tipo tênis para trilha. Em alguns momentos eu pensei em comprar uma proteção para o rosto, estilo balaclava, mas eu fui adiando e depois já não compensava mais no final, mas eu tive muitas oportunidades para usar nos diversos passeios com vento gelado.
       
      Como eu faria conexão em Buenos Aires, a maior parte do dinheiro que levei foi o nosso real, para comprar pesos argentinos no banco do aeroporto. Algumas cédulas de reais que estavam com algum risco de caneta ou um leve rasgadinho eles não aceitaram e me devolveram. Eu também levei alguns dólares por precaução, para outros gastos que fossem necessários, que eu só usei para pagar algumas hospedagens (muitas cobravam 5% a mais se fosse pagar no cartão) e também para trocar por alguns pesos chilenos quando mudei de país.
       
      Para os passeios, é bom ter uma mochila para carregar lanche e água, além de ter as mãos livres quando a gente precisa se apoiar sempre durante as trilhas cotidianas. Óculos escuros também são essenciais para proteção do reflexo da neve. Quanto aos bastões para trilha, eu particularmente não tinha e não achei assim tão essenciais, mas muita gente que usa gosta, já que eles apoiam em caminhadas mais difíceis, além de diminuir um pouco o esforço dos joelhos.
       
      Na primeira cidade que cheguei, uma providência que tomei no primeiro dia foi comprar um chip para celular. Fiz um plano pré-pago para 20 dias na Claro, com 3gb por cerca de 30 reais. No entanto, não usei na viagem toda porque em El Chaltén não havia sinal (disseram que a Movistar poderia funcionar lá) e no Chile teria que pagar roaming.
       
      Para diminuir a quantidade de dinheiro que eu levaria, preferi reservar e pagar antecipadamente a maioria dos passeios que faria. Para um ou outro passeio, eu vi recomendação que era bom deixar reservado, podendo haver maior procura durante a alta temporada, correndo o risco de não ter vaga se comprado na véspera. Mas eu vi gente comprando lá mesmo, daí não sei se essa recomendação faz muito sentido.
       
      El Calafate
       
      Minitrekking Perito Moreno
       
      No primeiro dia, eu já havia deixado comprado o passeio do minitrekking ao Perito Moreno diretamente no site da Hielo & Aventura. Pelo que fiquei sabendo, somente esta empresa está autorizada a fazer o trekking no gelo. Quando outras empresas comercializam esse passeio, na verdade elas estão intermediando a venda, que terá a Hielo & Aventura como prestadora de serviços. Portanto, é bom comparar os preços para ver o melhor.
       
      No dia do passeio, a van da empresa passou no hotel no horário combinado e passou em alguns outros hotéis para pegar mais alguns turistas. Um tempinho depois, a van foi substituída por um ônibus com maior capacidade de pessoas e assim partimos para o Parque Nacional de Los Glaciares. Um funcionário do Parque entra no ônibus e faz a cobrança da taxa de visitação de todos os visitantes. Caso vá fazer outro passeio dentro do Parque outro dia, é concedido desconto, ficando mais barato comprar, por exemplo, para dois dias na mesma compra do que comprar separadamente a cada dia que for visitar.
       
      No dia em que fui no passeio, o grupo fez primeiramente o trekking na geleira e só depois que explorou as passarelas. No entanto, vi outras pessoas que fizeram o inverso, começando pelas passarelas e finalizando pelo trekking. Não sei dizer se é devido às condições climáticas, coisa que pode favorecer uma mudança na ordem das coisas, mas se trata do mesmo passeio e se vê a mesma coisa.
       
      Dentro do Parque, o ônibus estacionou e os turistas puderam usar o banheiro antes de pegar o barco para ir ao encontro do Perito Moreno. Enquanto o barco avança, a geleira vai se descortinando à frente e todo mundo quer ir para fora para fotografar de todos os ângulos porque realmente é lindo e não é todo dia que a gente vê esse cenário. Mas o vento gelado do lado de fora realmente é bem intenso. Chegando na outra margem, há uma edificação de madeira, com banheiro e área para se sentar, onde também podemos deixar nossos pertences enquanto dura a caminhada sobre o gelo.
       
       
       
      Depois de atravessar umas passarelas meio rústicas e andar um pouco nas margens do Lago Argentino, chegamos no lugar onde são colocados os crampones sob nosso calçado e começamos a caminhada na geleira, com algumas instruções do guia sobre a melhor forma de pisar. O circuito que fazemos no minitrekking não é difícil, não é cansativo, levando entre 1h30 e 2h. Todos andam em um ritmo parecido, em fila, com todos praticamente pisando um no rastro do outro. É necessário que todos usem luvas (de qualquer tipo serve) porque, se alguém escorrega e bate a mão no gelo, pode se cortar. Mais uma vez, a gente quer tirar foto de tudo quanto é jeito e a experiência é incrível. Ao final da trilha, os guias oferecem bombom e preparam uma bebida com gelo do glaciar para brindar àquele momento.
       
       
       
      Após retirar os crampones, retornamos ao local onde deixamos os pertences e ficamos um tempo livres para explorar o lugar e fazer um lanche. É importante frisar que na margem onde se encontra a geleira não são vendidos alimentos e o barco demora um pouco para retornar para o outro lado. Eu havia deixado guardado na geladeira da pousada desde o dia anterior um sanduíche para levar, além de bastante água. É bom levar também outras coisas para petiscar ao longo do dia, tipo barra de cereais, frutas ou biscoitos.
       
      No meio da tarde, o barco nos levou de volta para a outra margem para a continuação do passeio. Pegamos o mesmo ônibus do início e rumamos em direção às passarelas de contemplação do Perito Moreno. As passarelas são extensas e há bastante para andar por elas, num sobe e desce de escadas para tirar fotos em vários ângulos. Para quem já caminhou pelas passarelas das Cataratas do Iguaçu, vai ver certa semelhança. Nesses pontos também presenciamos momentos em que pedaços da geleira despencam na água, gerando um espetáculo bem estrondoso. Próximo das passarelas, existe estrutura com banheiro e venda de comida e bebida, mas o monopólio deixa sempre os preços um pouco salgados.
       
       
       
      No final, todos se reúnem no local e horário estipulados previamente e são levados aos respectivos hotéis ou ficam no centro, como preferirem.
       
      Navegação Rios de Gelo
       
      Para o segundo dia, eu havia comprado previamente o passeio pela empresa Patagónia Chic. A van passou na pousada e rumamos para o porto para fazer a navegação Rios de Gelo. Recomendo gravar bem a van e o motorista, porque quando a gente volta é uma confusão de vans que fica difícil saber qual é a nossa. Como eu já tinha a entrada do Parque Nacional, comprada no dia anterior para dois dias, não precisei pegar a fila para pagar e já fui direto para a embarcação. Pelo frio e chuva que estava lá fora, achei o interior do catamarã bem aconchegante, e no começo achei até meio monótono.
       
      Como é um passeio bem confortável, em que a gente não precisa andar ou se esforçar, achei bem numerosa a quantidade de pessoas idosas. Em alguns momentos, eu me senti numa espécie de cruzeiro da terceira idade, com velhinhos cochilando, enquanto a guia falava num ritmo que embalava feito canção de ninar.
       
       
       
      Um tempo depois de navegação, a gente começa a passar por icebergs e se aproxima de montanhas nevadas que deixam qualquer um extasiado. Já não havia mais chuva e muita gente já se arriscava a sair do conforto para tirar umas fotos do lado de fora. Como a embarcação diminui a velocidade em vários momentos, apesar do frio no exterior, dá para sair em alguns momentos e gastar espaço no cartão de memória.
       
       
       
      A navegação também se aproxima das grandes geleiras Upsala e Spegazzini, além de ir contando aspectos sobre a região, deixando o passeio bem informativo. É incrível a dimensão que essas geleiras alcançam e o espetáculo visual que produzem. A todo momento todos querem fotografar e tem hora que fica difícil achar um espaço sem ninguém para gente também levar recordações desse passeio incrível.
       
       
       
      O catamarã tem serviço de comida e bebida, mas muita gente leva o seu próprio lanche. Como é um passeio que dura a manhã toda e um pedaço da tarde, é bom estar preparado para isso.
       
      Glaciarium, Glaciobar, Laguna Nimez
       
      Saindo do estacionamento da Secretaria de Turismo Provincial, no Centro da cidade, há vans gratuitas de ida e volta ao Glaciarium com regularidade a cada meia hora a partir das 11h. Como a quantidade de assentos na van é limitada, é bom chegar um pouco antes para conseguir sentar, senão terá que esperar o próximo horário (aconteceu isso com os últimos da fila quando fui). O acesso é rápido e a visão do Lago Argentino pelo caminho é linda.
       
       
       
      O Glaciarium é um centro de interpretação com exposição de painéis, vídeos e outros recursos sobre as geleiras, com um arsenal de informações sobre o clima daquela região. De modo geral, a maioria das informações sobre o clima e as geleiras está distribuída em painéis e infográficos em espanhol e em inglês ao longo das paredes do lugar. Como vi muita gente falando bem das exposições, eu até achei que fosse gostar mais, mas a verdade é que achei meio monótono e de interesse para quem deseja conhecer de maneira mais a fundo do assunto. Como em alguns passeios a gente acaba ouvindo dos guias algumas informações sobre as geleiras, a ida ao Glaciarium acaba sendo repetitiva e, ouso dizer, até dispensável para quem não tem muito tempo na cidade.
       
      O Glaciobar fica no mesmo prédio do Glaciarium, com acesso na portaria do lado por uma pequena escada que leva ao subterrâneo. O ambiente é praticamente todo em gelo internamente, inclusive os copos em que as bebidas são servidas. A temperatura é perto de -10°C e na entrada são oferecidas roupas e luvas térmicas para suportar o frio intenso. O ingresso dá direito a consumir as bebidas disponíveis no local por 25 minutos. É uma experiência curiosa e talvez seja interessante só para fotos, mais do que pelas bebidas, já que eu procurei algumas vezes pelo garçom para repor a bebida e ele estava cuidando de outras coisas, demorando um pouco a reaparecer.
       
       
       
      Na volta da van do Glaciarium, fui a pé até a Laguna Nimez, que está próxima da região central. Trata-se de uma reserva natural, onde há uma trilha curta para percorrer ao redor da pequena lagoa. Lá se avistam pequenas aves e vegetação típica, com algumas placas informativas pelo caminho. Basicamente é isso e não achei interessante, já que nos outros passeios vi as mesmas coisas, mas em dimensões maiores. Para quem curte mais a contemplação de patos e algumas outras aves, talvez o passeio possa ser melhor proveitoso.
       
       
       
      El Chaltén
       
      Chegada na cidade
       
      Peguei o ônibus às 8h da manhã em El Calafate e cheguei a El Chaltén às 11h. Como eu havia feito a compra com antecedência pela internet no site da empresa Chaltén Travel (plim-plim! olha o merchandise), pude escolher a primeira poltrona na parte superior, de onde se tem uma bela e ampla visão. E o cenário quando está perto de chegar na cidade é mesmo de encher os olhos, já que El Chaltén fica cercada por montanhas nevadas.
       
      Já na entrada da cidade, antes do ônibus chegar no terminal, ele passa pelo Centro de Visitantes e todos descem para ouvir as instruções sobre as trilhas e a segurança dos visitantes. São separados dois grupos, cada um para um idioma (espanhol ou inglês), pega-se um mapa das trilhas ao final e daí todos estão liberados para voltar ao ônibus para finalmente chegar no terminal. El Chaltén é uma cidade pequena, onde se faz praticamente tudo a pé, então chegar nas hospedagens é rápido. Além disso, as trilhas são muito bem sinalizadas e não dependem de auxílio de guia, podendo qualquer pessoa fazê-las de forma independente.
       
      Como eu tinha uma tarde livre pela frente, resolvi fazer duas trilhas curtas, cujo ponto de partida é o Centro de Visitantes, na entrada da cidade. A caminhada mais curta é para o Mirador de los Cóndores, com 1 quilômetro para ser percorrido em cerca de 45 minutos (ida + volta = 2km, 1h30). O início da trilha é plano e fácil, mas depois vira uma subida em uma pequena montanha, que faz a gente se cansar um tantinho. No final, a gente é brindado com uma visão panorâmica da cidade, dos rios que passam por ela e das montanhas ao redor.
       
       
       
      Como no meio do caminho para o Mirador de los Cóndores havia uma bifurcação com uma placa indicativa para outra trilha, cheguei até esse ponto e daí parti para o Mirador de las Águilas. É uma trilha de 2 quilômetros a serem percorridos em cerca de 1 hora (ida + volta = 4km, 2h). Como sempre, a gente se cansa mais na última parte, subindo um pequeno morro. Lá de cima, a gente tem a visão dos montes mais famosos vizinhos da cidade, Cerro Torre e Fitz Roy, um pouco envolvidos nas nuvens, mas uma vista linda.
       
       
       
      Laguna Torre/Cerro Torre
       
      Para o segundo dia, minha intenção era pegar a van para a Hostería El Pilar e, a partir dali, fazer a trilha para a Laguna de los Tres, na base do Cerro Fitz Roy. Como não havia mais vaga na van, deixei comprado o bilhete para fazer essa trilha no dia seguinte. Então mudei os planos e parti para a trilha rumo à Laguna Torre, aos pés do Cerro Torre. São cerca de 9 quilômetros a serem percorridos em cerca de 3 horas (ida + volta = 18km, 6h). Munido de sanduíche, alguns bilisquetes e água na mochila, parti para o início da trilha no final da Av. Antonio Rojo, lado oposto à entrada da cidade. Depois de subir uma escadaria bem acessível, precisamos vencer uma subida bem íngreme num pequeno monte, de onde se inicia a sinalização para a Laguna Torre.
       

       
      Ao longo do caminho, vi mais turistas europeus do que latinos e muita gente simpática que sempre se cumprimenta quando se cruza. Perto do início da trilha, já precisamos dar a volta em algumas montanhas, passando por um caminho próximo ao despenhadeiro, onde vemos rios correndo lá embaixo. Os momentos mais difíceis são quando as subidas são insistentes, somadas com grande irregularidade do terreno, de forma que precisamos achar a pisada que nos impulsione cada vez mais para cima. Como em vários pontos das trilhas há riachos com água potável, é fácil repor a água que levamos. Quanto a banheiro, só em dois momentos: no Mirador del Torre e quando passamos pelo acampamento D’Agostini, que fica já bem próximo à Laguna Torre. O banheiro nada mais é que uma cabine fechada com um buraco no chão, bem nojentinho mesmo.
       

       
      Uns poucos minutinhos depois do acampamento, a gente já se depara com a Laguna Torre à nossa frente, emoldurada pela geleira que desce até a base das montanhas que a margeiam. Dentro da pequena lagoa, alguns blocos de gelo de vários tamanhos conferem uma maior beleza ao cenário. Ao redor da lagoa, pelo lado direito, a trilha sobre o monte leva ao Mirador Maestri, com mais 2 quilômetros a serem feitos em cerca de 1 hora. É uma caminhada puxada, com subida e bastante pedra de todo tamanho pelo caminho e a gente sua no frio para fazer. A vista nesse ponto é do fundo da lagoa, onde a gente consegue ter uma visão mais ampla da geleira tocando a água.
       

       
      Laguna de los Tres/Cerro Fitz Roy
       
      Com o transporte para a Hostería El Pilar já comprado, a van me pegou na pousada cerca de 8h da manhã e mais alguns turistas em outras hospedagens. Eram quase 9h quando desembarcamos no início da trilha, de onde começamos a caminhada rumo à Laguna de los Tres, aos pés do Cerro Fitz Roy, maior montanha de El Chaltén, um grande paredão de granito com inclinação vertical que desafia muitos escaladores.
       
      A trilha tradicional de El Chaltén até a Laguna de los Tres é de 10 quilômetros, com tempo estimado de 4 horas (ida + volta = 20km, 8h), sendo levemente abreviada quando partimos da Hostería El Pilar. Além disso, indo por um lugar e voltando pelo outro, o caminho proporciona duas visões diferentes para o passeio. Há mirantes distintos para o Fitz Roy em ambos os caminhos, então certamente haverá também lembranças fotográficas em maior quantidade de ângulos. Ambos os caminhos possuem subidas cansativas em alguns trechos que fazem a gente suar mesmo no frio. O ponto onde as duas trilhas se encontram é no acampamento Poincenot.
       
       
       
      Logo após o acampamento, identificamos uma placa no pé de uma subida, informando que a partir dali está o último quilômetro para a trilha em um nível difícil, com tempo estimado em 1 hora. À medida que caminhamos, a subida vai exigindo cada vez mais esforço, com degraus, pedras, inclinações variadas, neve, gelo, pequenos arbustos, água derretida da neve, enfim, precisamos tomar fôlego em vários momentos para continuar. Quando olhamos para trás, vemos que a inclinação do morro é bem íngreme, que dá certo medo. Mas ao mesmo tempo, a visão ao redor é linda e bem fotogênica, com toda a vegetação coberta por neve, cercada por montanhas também nevadas ali do lado.
       
      Depois de muito esforço e várias paradas, suando um tanto, a chegada ao topo proporciona uma das visões mais lindas que vi na viagem. Se eu fosse escolher apenas uma trilha para fazer, de todas as que fiz, essa é a que eu escolheria como preferida. A Laguna de los Tres tem uma cor linda e estava toda cercada pela neve. Do Mirador Maestri, que é o ponto onde chegamos após a cansativíssima subida, avistamos neve em todo o nosso redor. Adicionalmente, de todas as visões que tive do Fitz Roy dos diversos lugares na cidade, este foi onde consegui enxergá-lo inteiramente, sem o manto de neblina encobrindo parte dele.
       

       
      Após um tempo de deslumbramento, a descida do morro cansa um pouco, mas agora é mais rápido e a gente já sabe o que esperar no fim da caminhada de volta. Em certo ponto no caminho para El Chaltén, haverá uma bifurcação onde a gente pode escolher ir pelo mirador ou pela Laguna Capri. Escolhi a Laguna e achei linda a cor esmeralda de suas águas contrastando com o branco da neve das montanhas ao redor. Bem próximo da Laguna, está o acampamento Capri, onde também existe banheiro.
       

       
      Como não há ônibus saindo direto de El Chaltén para Puerto Natales, no dia seguinte voltei para El Calafate para ficar mais um dia na cidade e pegar o ônibus que saía para o meu próximo destino. Foi um dia perdido, que não quis fazer muito esforço, então me hospedei do lado do terminal para não ter muito trabalho.
       
      Puerto Natales
       
      Chegada na cidade
       
      Com passagem já comprada pela internet com antecedência na empresa Cootra, peguei o ônibus em El Calafate às 7h30 da manhã. Como a viagem atravessa a fronteira da Argentina para entrar no Chile, é necessário apresentar passaporte no guichê da empresa no terminal. A chegada em Puerto Natales estava prevista para às 13h, então levei também alguns belisquetes para não morrer de fome.
       
      Na fronteira do lado argentino, todos descem do ônibus para carimbar a saída do país na imigração. Como tem fila e nem todos cabem dentro do pequeno espaço de atendimento, a fila do lado de fora vai sofrendo com o vento gelado até terminar o processo. Com todos de volta ao ônibus, rapidamente chegamos no território chileno, em que todos descem novamente para carimbar o passaporte, mas desta vez a bagagem também é inspecionada. Após o atendimento no guichê, passamos malas e mochilas no raio-x e, se houver produtos in-natura de origem animal ou vegetal, não é autorizado levar. As pessoas têm que jogar fora inclusive frutas, mesmo que seja uma unidade para consumo imediato.
       
      Com todos devidamente autorizados, chegamos ao terminal de Puerto Natales no início da tarde. Após me instalar na pousada, saí com uns dólares em mão para trocar por pesos chilenos em alguma casa de câmbio no centro. Um fato que achei curioso na cidade foi que muitos estabelecimentos comerciais fecham para o almoço e só abrem às 15h, como foi o caso das casas de câmbio que me indicaram na hospedagem. E as refeições na cidade eu achei bastante caras, de modo que eu revezava entre pratos e comidas rápidas para ficar dentro do orçamento.
       
      Puerto Natales é uma cidade pequena, com um centro cujo ponto de referência é uma praça principal, a Plaza de Armas, e nos seus arredores estão algumas pequenas atrações turísticas, como a catedral, o museu histórico, a região portuária, uma ou outra escultura em pequenas praças ao longo da costa, o mercado de artesanato, que achei minúsculo e com muita pouca opção de produtos. É uma cidade tranquila, basta essa parte da tarde para conhecê-la, não mais que isso. Na verdade, o que me levou até ali foi ter a cidade como base para conhecer o Parque Nacional Torres del Paine, onde estão as famosas montanhas de mesmo nome.
       
       
       
      Full day Torres del Paine
       
      Para o primeiro dia, eu havia reservado pela internet com a empresa Patagonia Adventure o passeio Full day Torres del Paine. A van passou na pousada às 7h30 da manhã, pegou mais alguns turistas e iniciou o passeio com visita ao Monumento Natural Cueva del Milodón. Trata-se de uma grande caverna onde foram encontrados vestígios de um animal pré-histórico de cerca de 3 metros de altura, semelhante a uma preguiça gigante. É um passeio curto, onde recebemos informações sobre a fauna extinta da região, além de entrar na caverna e ver a estátua que reproduz o milodón.
       

       
      Logo após, a van ruma para o parque nacional, onde pagamos entrada e iniciamos a exploração aos principais atrativos naturais. Tivemos a sorte de encontrar um grupo de guanacos (parentes da lhama) e avestruzes na beira da estrada. O passeio passa por alguns mirantes com rios e lagoas emoldurados por belíssimas montanhas nevadas, faz uma parada numa área com mais estrutura, próximo ao Lago Grey, onde há restaurante, em que podemos comprar alimentos e bebidas, claro que um pouco mais caros do que na cidade, então muita gente leva o seu sanduíche.
       

       
      Nessa área do Lago Grey, ficamos livres durante um tempo para ir até a praia de areia grossa ou cascalho, passando por uma ponte de madeira e cordas, que balança um pouco, mas é bem segura e resistente, e podemos avistar o Glaciar Grey um pouco ao longe. Apesar de no dia eu não ter visto, podem aparecer blocos de gelo flutuando na água. Durante essa caminhada na praia de cascalhos, em vários momentos o vento era tão forte que muitas pessoas precisavam firmar os pés no chão para não ser derrubadas.
       
      As montanhas principais, que são as torres, com os três “cornos” verticais, a gente vê a uma certa distância, a partir de diversos pontos e mirantes, que eu achei melhor fazer um passeio no dia seguinte para complementar a visão mais de perto, com uma trilha exaustiva de um dia.
       

       
      Trekking mirador base das Torres del Paine
       
      No segundo dia na cidade, eu havia reservado com a mesma empresa do dia anterior (Patagonia Adventure) o tour guiado até a base das Torres del Paine. É um passeio de dia inteiro e com muita exigência de vigor para seguir o ritmo dos dois guias que lideram o grupo. Como não há lugar para comprar comida ou bebida pelo caminho, já deixei comprado meu sanduíche desde o dia anterior e guardei na geladeira da hospedagem. Água é bom levar bastante também, além de lanchinhos para aguentar o dia inteiro quase sem parar. Achei ótimo levar frutas secas e castanhas que encontrei no centro da cidade.
       
      A van passou na pousada às 6h30, pegou outros passageiros e rumou para o Parque Nacional. O ingresso que pagamos no dia anterior vale para esse dia também, mas é necessário colocar nome e número de documento quando fazemos a compra no primeiro dia, além de solicitar o carimbo na recepção do parque. Algumas pessoas que esqueceram de pegar o carimbo no dia anterior conseguiram mostrar que estiveram lá no dia mostrando fotos, mas é bom não correr o risco de se prejudicar tendo que pagar duas vezes.
       
      A van para no estacionamento do parque, onde há banheiros, e os guias oferecem bastões de trekking para quem quiser usar e daí iniciamos a caminhada de cerca de 11 quilômetros (ida + volta = 22km). Para não correr o risco de demorar demais a ir e voltar, eles impõem um ritmo moderado à trilha, indo um na frente e outro atrás do grupo. Em pouco tempo já estamos subindo ladeiras cansativas e praticamente sem parar durante um longo tempo. Ao longo do caminho, paramos no acampamento El Chileno, onde é possível usar o banheiro mediante pagamento (1 dólar/500 pesos chilenos).
       

       
      A caminhada tem momentos de terreno plano, ficando mais fácil seguir o mesmo ritmo da maioria, mas tem também momentos que a subida vai diminuindo nosso ritmo e a gente precisa recuperar o fôlego muitas vezes. A última parte da trilha é mais pesada, onde a gente vai serpenteando montanha acima, passando por muitas pedras de diversas alturas, servindo de degraus pra gente impulsionar a próxima pisada pra vencer os obstáculos. A dificuldade é alta nessa última parte, mas não é tão longa quanto o trekking para a Laguna de los Tres, na base do Fitz Roy.
       
      O visual das três torres de perto é muito lindo, e lá na sua base a gente encontra muitos mochileiros que se sacrificaram por dias em acampamentos para fazer os circuitos por todo o seu entorno. Esta é outra opção para conhecer o lugar e vivenciar por mais tempo aquela experiência, mas é bom estar muito bem equipado, porque as condições climáticas não são das mais fáceis de encarar.
       

       
      Em relação ao trekking guiado, comparando com as trilhas que a gente faz por conta própria em El Chaltén, eu achei um pouco mais pesado a que fiz em Torres del Paine, já que eu não ditava o meu ritmo e, por isso, permanecia cansado por mais tempo. Mas como o Parque Nacional fica distante de Puerto Natales, cerca de 2 horas de carro, a gente acaba precisando do transporte muito cedo para chegar até ali. Só por isso que eu achei vantajoso contratar o passeio, mas para quem está em grupo e aluga carro, pode ser interessante fazer a caminhada até a base das torres por conta própria, já que o caminho é sinalizado e a gente encontra muita gente fazendo o trajeto.
       
      Punta Arenas
       
      Atrações na cidade
       
      Peguei o ônibus de 8h30 saindo de Puerto Natales a Punta Arenas, com passagem comprada antecipadamente pela internet na empresa Bus-Sur. São 3 horas de viagem. O terminal da empresa fica no centro da cidade, bem próximo à Plaza de Armas, a principal praça da cidade. Então é fácil ir a pé até a hospedagem se estiver perto dessa região.
       
      Punta Arenas é uma cidade bem charmosinha, com um centro muito bem organizado e bonito, com algumas atrações interessantes para visitar. A Plaza de Armas tem uma enorme escultura do português Fernão de Magalhães, responsável pela primeira navegação ao estreito de Magalhães, onde está localizada a cidade. O índio que compõe a escultura no centro da praça é a maior atração entre os turistas, já que se acredita que tocar o seu pé traz sorte.
       

       
      Ao redor da praça, as edificações são muito bonitas, e dentre elas está o Museu Regional de Magalhães, um lugar suntuoso em que o piso original, para ser conservado, precisa que usemos sobre ele protetores de tecidos nos pés, oferecidos na entrada. O que achei muito ruim foi o horário de funcionamento do museu, somente até às 14h, quando tive que sair rapidamente de lá, quase expulso pelos funcionários impacientes em encerrar as atividades do dia.
       
      Próximo dali, está o Museu Maggiorino Borgatello, com uma grande quantidade de informações sobre a região e que vale a visita. Um pouco mais adiante, próximo ao cemitério da cidade, há o Monumento al Ovejero, uma obra em tamanho natural a céu aberto, representando um trabalhador rural com suas ovelhas, cavalo e cachorro.
       
      Algumas quadras acima da Plaza de Armas, está localizado o Cerro de la Cruz, um ponto mais alto que serve como mirante, acessível por uma grande escadaria. De lá, é possível ter uma vista panorâmica da cidade e do Estreito de Magalhães.
       

       
      Outra atração, mas um pouco mais distante, já na saída da cidade, é o Museo Nao Victoria, a réplica da embarcação usada por Fernão de Magalhães no século 16 para a primeira viagem de circunavegação feita pelo português no Estreito que recebeu seu nome. Achei a chegada ao lugar meio complicada porque a motorista do Uber se perdeu e teve que dar uma volta grande para finalmente conseguir localizar. É possível subir e explorar a embarcação por dentro, assim como outra réplica que está do lado, usada no século 19 para a tomada do Estreito de Magalhães. O vento lá em cima é forte e gelado.
       

       
      Em Punta Arenas, há uma região comercial com zona franca, livre de impostos, com shopping e alguns grandes mercados multidepartamentais. O shopping eu não achei grande coisa, apesar de livre de impostos, os produtos encarecem para chegar à cidade pelo transporte. Achei até interessante um grande mercado que entrei, onde há de tudo um pouco, inclusive souvenirs, mas comprei só umas poucas coisinhas pequenas e baratas para não sofrer com o peso na mala e no orçamento.
       
      Islas Marta e Magdalena
       
      O principal passeio que me levou à cidade foi a navegação até as ilhas Marta e Magdalena. Reservei o passeio pela internet na empresa Solo Expediciones, mas esse foi o único que o pagamento ficou para ser feito no próprio dia.
       
      Às 6h30 da manhã me apresentei no escritório da empresa, bem próximo à Plaza de Armas, fiz o pagamento e entrei no ônibus que levava ao porto, que fica próximo. Todos desembarcamos do ônibus e entramos no catamarã em um dia chuvoso, mas a chuva só estava na cidade e não durante a navegação. Ao longo da navegação pelo Estreito de Magalhães, o guia em espanhol e inglês dá algumas informações, enquanto podemos avistar o espetáculo das barbatanas das baleias subindo até a superfície da água para respirar. Como a água é mais escura, não dá para vê-las abaixo da superfície, então não dava para saber onde elas apareceriam para registrar o momento.
       
      Um tempo depois, chegamos próximo da margem da Isla Marta, que é bem pequena, um rochedo com uma enorme quantidade de leões marinhos. Nessa ilha, contemplamos somente à distância, não é autorizado desembarcar nela por razões de proteção do ambiente dos animais. Como a embarcação fica parada por um tempo em frente à ilha, é possível ir para fora, sem o incômodo do vento muito forte, para registrar os leões marinhos em seu descanso matinal. Na ilha os animais estão protegidos das baleias, seus predadores, e podem nadar no seu entorno, protegidos por uma camada de algas que envolve o ambiente.
       

       
      Em seguida, fomos para a ilha Magdalena, onde todos desembarcamos para uma caminhada de cerca de 1 quilômetro no ambiente dos pinguins. O caminho é delimitado por um corredor de cordas, para não ultrapassarmos, que leva até um farol mais adiante na ilha. Como temos 1 hora para explorar o lugar, é bem tranquilo, sobra tempo, além de ser uma caminhada bem leve e sem dificuldades.
       
      Há uma grande colônia de pinguins na ilha Magdalena, que passam cerca de 6 meses por ali, durante primavera e verão, a temporada mais quente para troca de penas. Uma ressalva: só é quente no ponto de vista deles. Uma grande quantidade de buracos no chão, usados como ninho pelos pinguins, está espalhada pelo caminho onde andamos. Além de se protegerem do frio com a troca da plumagem, os ninhos também deixam filhotes a salvo dos predadores que rondam a todo momento, pássaros oportunistas, esperando algum descuido de um pai desatento.
       

       
      O passeio termina cerca de 12h e o ônibus nos leva de volta ao ponto de partida, no centro da cidade. Achei muito agradável, além de leve e não durar um dia inteiro, não precisando sacrificar o almoço.
       
      Ushuaia
       
      Chegada na cidade
       
      A saída de Punta Arenas foi às 8h15 da manhã pela Bus-Sur, com bilhete comprado pela internet. Como iria sair da Argentina para entrar no Chile, necessário apresentar passaporte no guichê antes de embarcar no ônibus. A previsão de chegada em Ushuaia era às 20h15, mas chegou cerca de18h30, mesmo assim foi uma viagem muito cansativa. Como não há paradas em lugares onde há comida, é bom levar o arsenal porque é praticamente um dia inteiro na estrada.
       
      Cerca de 2 horas depois de sair de Punta Arenas, o ônibus chega na travessia de balsa no Estreito de Magalhães, todos descem e embarcam na balsa, assim como todos os veículos que estão em fila aguardando. A travessia foi tranquila e rápida, menos de 30 minutos, mas já ouvi falar que pode ser mais demorada, dependendo da agitação das águas. Ao embarcar novamente no ônibus, como pode haver vários outros parecidos, é bom saber diferenciar qual o nosso. Eu mesmo quase entrei em outro, imagina onde iria parar.
       
      Um bom tempo de viagem depois, chegamos na fronteira, onde recebemos o carimbo de saída do Chile. Um pouco mais adiante, pegamos mais uma vez o carimbo de entrada na Argentina. Diferentemente da imigração no Chile uns dias atrás, na Argentina não pediram para fiscalizar a bagagem, foi um processo burocrático mais rápido. Depois de um longo tempo, finalmente chegando próximo a Ushuaia, o ônibus vai passando por uma região de montanhas, com curvas fechadas, mas com um cenário lindo. Achei que o assento do lado direito é beneficiado com a melhor vista.
       

       
      A melhor localização para se hospedar em Ushuaia é o mais próximo possível da Av. San Martí, que é a rua principal, longa e plana. As ruas que cruzam a San Martí em direção contrária à costa ficam em subidas bem cansativas. Os passeios partem dessas proximidades, onde está a zona portuária, as agências de turismos, pontos de vans e táxis, alguns museus, a placa do “fim do mundo”, a Secretaria de Turismo, onde tem internet gratuita e informações diversas aos turistas, bem útil. Na Secretaria também podemos carimbar o passaporte com dois modelos de estampa, é grátis.
       

       
      Pinguinera e Navegação pelo Canal Beagle
       
      Deixei reservado com antecedência pela internet no site da empresa Piratour o passeio desse dia. A Piratour é a única empresa que tem autorização para desembarcar na Isla Martillo, então qualquer outra empresa que também ofereça a caminhada com os pinguins na ilha apenas intermedeia a venda, tendo como responsável pela prestação do serviço a Piratour.
       
      O passeio iniciava com os turistas se apresentando no quiosque da empresa às 7h30 no píer. Como dura até o meio da tarde, é bom levar um lanche reforçado. Pegamos o ônibus com guia em inglês e espanhol e tivemos uma parada junto à floresta de árvores que sofrem a ação do vento muito forte e crescem para um lado, por isso sendo chamadas de “árvores bandeiras”. Logo após, chegamos na Estancia Harberton, onde há um pequeno museu de ossos de baleias e outros animais marinhos.
       

       
      O grupo de turistas é dividido em duas partes, enquanto uns vão direto para a Pinguinera, os demais ficam na Estancia na visita guiada; logo depois, revezam os grupos. O bote para a Isla Martillo leva um grupo reduzido de cerca de 20 pessoas, não podendo haver grande quantidade de gente por vez na ilha.
       
      É uma travessia curta, logo desembarcamos na Isla Martillo. Como visto na Isla Magdalena, ali também é um lugar onde há grande quantidade de buracos que servem de ninhos para os pinguins e o caminho para os turistas percorrerem é delimitado. Mas diferentemente da Isla Magdalena, na Isla Martillo não há um caminho para seguir por conta própria até o final da visita. Durante todo o tempo, a guia estava com o grupo e sempre chamava atenção quando havia muita proximidade com os animais.
       
      Na Isla Martillo, eu vi uma quantidade maior de pinguins concentrados em grupos, seja descansando próximos aos ninhos, seja na beira da água para pescar peixes. Dá para ver mais de uma espécie de pinguins, todos muito simpáticos.
       

       
      O frio era intenso por causa do vento insistente, então depois de uma quantidade de fotos, acho que muita gente já estava pronta para voltar até mesmo antes da 1 hora disponível na ilha. No meu caso, como eu já havia feito a visita na Isla Magdalena anteriormente, comparando com a Isla Martillo, eu preferi a primeira porque tinha maior liberdade para explorar a área maior e usar o tempo andando e vendo um pouco além do que a guia mostrava.
       
      Logo que voltamos à Estancia Harberton, os dois pequenos grupos que revezaram na Isla Martillo se juntaram de novo em um só e todos embarcaram num catamarã para a navegação no Canal Beagle. Em alguns pontos do Canal, navegamos em águas que dividem Argentina e Chile, sendo possível enxergar inclusive o povoado mais austral do mundo, Porto Williams, no Chile, o último do hemisfério sul.
       

       
      O passeio guiado é bem informativo, passando por lugares de destaque, como a Isla de los Lobos, um rochedo em forma de ilha com enorme quantidade de lobos marinhos estirados ao sol. Passamos também pelo Farol les Eclaireurs, o “farol do fim do mundo”, em uma pequena ilha com muitos pássaros aquáticos. Nesses pontos, o catamarã fica parado por uns minutos para ser possível ir até o lado de fora sem um vento tão hostil.
       

       
      Parque Nacional Tierra del Fuego
       
      Contratei esse passeio em uma agência aleatória que entrei no dia anterior na Av. San Martí. Não me lembro do nome, mas o passeio é bem padrão entre todas as agências que vemos pela cidade. A duração é de apenas meio dia. A van passou na minha pousada às 8h da manhã e levou todos para a estação do “Trem do Fim do Mundo”. Para aqueles que iriam fazer o passeio de trem, esses pagaram algo como 120 reais para um trajeto de cerca 1 hora a uma velocidade de uns 20 km/h. Como eu achei bem desinteressante, segui com os demais que preferiram fazer o trajeto na van, conhecendo alguns recantos do Parque Nacional enquanto o trem não chegava.
       

       
      No passeio do Parque Nacional, fazemos algumas trilhas rápidas e fáceis com um guia com vistas para vários lugares, como lagos, bosques, montanhas, mar. Muitas das vezes, o guia deixa o grupo explorar por um tempo o lugar, até a van nos levar para o próximo. Há lugares bem bonitos, com mirantes para as belezas naturais da região, mas eu acho que eu apreciaria ainda mais se já não tivesse visto tantos outros lugares ainda mais lindos, daí a gente acaba comparando um pouco.
       
      É no Parque Nacional onde está o “Correio do Fim do Mundo”, uma casinha charmosa de madeira sobre estacas no Canal Beagle que funciona durante o verão. Lá são vendidos cartões postais, selos e outros souvenirs, sendo possível ao viajante enviar correspondência do correio mais austral do mundo. Pena que os itens vendidos no correio são sempre bem mais caros do que na cidade.
       

       
      Também no correio é possível ser atendido pelo “carteiro do fim do mundo” para levar estampado no passaporte o selo e o carimbo do lugar por 3 dólares. A foto contida no selo é do próprio carteiro que atende ali, mas a gente percebe que já se passaram muitos anos desde quando ele passou a figurar no souvenir que levamos com sua cara no fim do mundo.
       
      Trekking Laguna Esmeralda
       
      Nesse dia pela manhã, fui até a Secretaria de Turismo me informar sobre as formas de chegar até o início da trilha para a Laguna Esmeralda. Procurei também uma loja de aluguel de roupas e acessórios para os passeios no frio. Escolhi uma bota impermeável cano alto. Depois de ver o estado da trilha, cheia de lama por todos os lados, sem opção de desviar da sujeira, achei um ótimo investimento que salvou meu calçado.
       
      Os meios de transporte que considerei para chegar no início da trilha foram táxi ou van. O táxi cobrava um valor equivalente a uns 110 reais (somente ida), enquanto a van cobrava cerca de 45 reais (ida e volta), então fui para o ponto em que as vans saem e esperei por cerca de uma hora, já que o serviço funciona com no mínimo 3 passageiros.
       
      O trajeto até o início da trilha é na estrada, cerca de 18 km. Encontrei alguém anteriormente na cidade que havia falado que fez esse percurso inteiro saindo da cidade a pé, mas eu preferi poupar um pouco o esforço. O lugar onde chegamos para iniciar a trilha fica num ponto mais alto e nesse dia fui surpreendido pela neve caindo nesse lugar, um cenário lindo, com uma cobertura branca pelo chão e vegetação, numa temperatura de 2°C.
       
      A trilha tem cerca de 4 quilômetros, com tempo estimado de 2 horas (fiz em 1,5 hora). Grande parte da caminhada é feita dentro de um bosque, com marcações em azul nos troncos das árvores, indicando o caminho para que a gente não se perca. Ao longo do caminho, como havia chovido durante a noite anterior, era impossível fugir da lama. Há também alguns pontos de subidas que cansam um pouco, mas não são tão extensos, dá para andar em uma toada bem constante.
       
      Quando a gente sai do meio do bosque e começa a andar por um descampado, a marcação do caminho passa a ser por estacas amarelas. Nesse trajeto, a lama e a terra mais fofa estão por todo lado e não dá para contornar o caminho. Em alguns pontos, até afunda um pouco, daí é bom ter cuidado onde se pisa, sendo útil procurar troncos e pedras para dar maior segurança. Mas depois que a gente se livra, segue ao longo de um riacho e já está pertinho da lagoa.
       

       
      A Laguna Esmeralda fica bem no pé de montanhas nevadas e é muito bonita. A cor das águas no dia que fiz o passeio não estavam na cor esmeralda porque o sol não saiu hora nenhuma, mas com sorte de um pouco de sol no dia do passeio, o passeio será ainda mais fotogênico.
       

       
      Saí com a bota muito enlameada, aliviado por não precisar permanecer com ela pelo resto da viagem. Peguei o transporte de volta e fui devolver o calçado na loja e restituir o meu, que havia ficado por lá.
       

       
      Atrações para um dia tranquilo na cidade
       
      No último dia em Ushuaia, eu só partiria à noite, então deixei a mala pronta na pousada, fiz check-out e aproveitei para fazer passeios mais leves, que não precisavam de deslocamentos por carro. Fui ao museu do presídio, onde também funciona galeria de arte e museu marítimo, no final da Av. San Martí. O lugar funcionou como prisão, quando os presos argentinos eram enviados para trabalhar e construir a cidade, onde os cidadãos comuns não tinham interesse em morar, dado o seu isolamento e frio constante.
       
      Achei meio cara a entrada para o museu, em torno de 60 reais, acaba não sendo um estímulo para todos visitarem. A primeira parte do museu traz uma grande quantidade de maquetes de embarcações de países diversos, muito bem feitas e detalhadas, com suas histórias que as fizeram importantes para a navegação. A segunda ala é maior e lá constam a história do presídio, seus presos mais famosos e uma variedade de artigos que fazia parte daquela realidade. Existe visita guiada, mas não coincidiu com o horário que eu estava lá. Mais adiante, há também o museu de arte, mas essa ala só abriria às 16h, então não visitei.
       

       
      Perto dali, visitei a Galeria Temática de História Fueguina, um prédio bonitinho, onde funciona um bar, a galeria mesmo fica nos andares de cima. É um museu de visita rápida, com reprodução de cenários e pessoas em tamanho natural, numa sequência fácil de percorrer, ao mesmo tempo em que a gente vai ouvindo o audioguia (idioma a escolha, inclusive português). São histórias que envolvem os elementos que estamos visualizando, e sua relação com o mundo da época que o cenário retrata. Acaba sendo um bom resumo de muita coisa que a gente viu nos diversos passeios na região.
       
       
    • Por Alan Rafael Kinder
      Bom dia pessoas,
      Estou indo com meu irmão e um amigo passar 07 dias em El Chaltén no início de fevereiro de 2020.
      Confesso que já pesquisei um monte sobre as opções de trilhas, e já tenho anotadas as que possivelmente faremos.
      Minha dúvida fica a respeito da trilha que leva até a LAGUNA TORO, qual pode ser acessada pela mesma trilha que leva a LOMA DEL PIEGLE TUMBADO.
      Consultei o fórum aqui do site, o Google, e também o Wikiloc para tentar ter dados a respeito dessa trilha, porém a maioria das informações está obsoleta.
       
      Alguém aqui do fórum já fez essa trilha, ou tem dados atualizados a respeito dela?
      Nós NÃO pretendemos acampar! Sempre iremos voltar para El Chaltén no final do dia.
      Eu sei que, normalmente, nessa época do ano que farei a viagem, o dia é claro até as 22:00 horas, o que nos dá bastante tempo para aproveitar.
      Eu li que é necessária uma autorização no Centro de Visitantes para seguir esse caminho, e que supostamente a trilha (ida e vinda) toma cerca de 13:00 horas.
      Então quase todos sugerem por acampar na base que tem lá.
       
      Obrigado desde já!
    • Por Alan Rafael Kinder
      Bom dia,
      Eu sou o Alan, e este é meu primeiro post aqui no mochileiros.com.
      Estou recorrendo a vocês pois tenho uma dúvida a respeito das geleiras na região patagônica de El Calafate e El Chaltén.
      Estarei indo passar 03 dias em El Calafate e 05 em El Chaltén em Fevereiro de 2020 (verão, em um pequeno grupo de 03 pessoas), fiz diversas consultas pela internet sobre esse assunto e aparentemente tudo leva ao Perito Moreno, administrado pela Hielo Y Aventura. Em outros casos, algumas notícias antigas falam do Glaciar Viedma, todavia parece que não é mais possível caminhar sobre esta geleira.
      Nós realmente gostaríamos muito de ter essa experiência, porém o site da Hielo Y Aventura nem tem agenda livre ainda para fevereiro de 2020, e o valor atual por pessoa ultrapassa R$ 1.000,00 no Big Ice (que é a oferta que mais se aproxima de nosso interesse).
      Minha pergunta é, existem outras opções com outros valores nessa região (até mesmo em outras cidades próximas, não mais de 300 km de distância) ou até mesmo a possibilidade de caminhar sobre uma geleira de forma autoguiada e sem custos?
      Quando montei o roteiro dessa viagem, a alguns meses atrás, o valor do Big Ice era menor que R$ 800,00, e esse aumento realmente ficou chato, por isso estou procurando alternativas.
       
      Agradeço muitíssimo qualquer colaboração, e se vocês tiverem qualquer dica sobre esse assunto, eu ficaria muito feliz em recebê-la!
    • Por fore
      Introdução
      Planejei uma viagem de carro saindo de São Paulo, capital, com destino ao Ushuaia, saindo do Brasil por Foz do Iguaçu, porém, para evitar a Ruta 14 com medo dos policiais corruptos, entraria no Brasil novamente em São Borja/RS para chegar em Uruguaiana/RS e assim descer até Gualeguaychu pelo Uruguai. Em seguida seguir para o lado oeste e descer a Ruta 40, entrar em Torres del Paine no Chile e continuar descendo até o Ushuaia.

      Na bagagem: barraca Quechua Arpenaz 4.1 Fresh & Black, duas cadeiras de praia, um fogareiro Nautika ceramik, uma mesa portátil, colchão inflável de casal, um saco de dormir, um cobertor, tapete em EVA (aqueles de montar) e manta térmica para forrar o chão da barraca. Além de utensílios de cozinha, um cooler, grelha para churrasco e uma caixa de mantimentos básicos como macarrão, miojo e alguns temperos.
      A barraca é grande, espaçosa e bem simples de montar (são apenas 3 varetas assim como qualquer outra). No quarto cabe o colchão de casal e sobra espaço para mais um de solteiro, como não era o caso, era usado para guardar as mochilas.
      O fogareiro acho que foi a melhor aquisição que fiz. Achei muito bom e a lata de gás durou por uns 3 dias com a gente. Fomos com 12 latas pra lá, porque eu não sabia o quanto rendia. Sobrou bastante e de qualquer forma, a gente encontrava facilmente em supermercados por lá.
      Fomos em 2 pessoas, com um Peugeot 208 1.5, suspensão esportiva (mais baixa que a original), rodas aro 17 com pneus 215/45 e insulfilm g20 em todo o carro, inclusive parabrisa. (Só mencionei isso pelo fato de ainda haver dúvidas quanto ao tipo de carro que consegue fazer esse tipo de viagem).
      Comprei o chip da EasySIM4U para conseguir sinal de internet no celular (somente dentro das cidades tinha sinal).
      O caminho todo me guiei pelo Google Maps, meu carro tem a central multimídia com Android, então bastava eu compartilhar a internet do celular e tudo certo (pelo menos quando tinha sinal).
      Para procurar hotéis usei o Booking.com (consegui pegar bons descontos com o Genius) e para campings usei o iOverlander. Apesar de ajudar muito, o iOverlander é um pouco desatualizado, infelizmente a colaboração não é tanta no aplicativo. Existem muitas outras opções de campings no caminho que a gente acaba encontrando só depois de ter dado entrada em algum.
      No total foram 14.730km em 28 dias de estrada, sem nenhum perrengue ou problemas maiores.
      Obs:
      - O tempo de viagem relatado é o total do tempo do momento em que saímos de um hotel/camping até chegarmos no próximo destino. Contando as paradas na estrada.
      - Os gastos coloquei na moeda local, pois fica mais fácil caso alguém precise consultar em outro momento para ter uma noção melhor de custos.
      - A viagem inteira abasteci com gasolina/nafta super.
      Se quiserem me acompanhar no instagram: @fore.jpg
    • Por casal100
      Esse relato é dividido em cinco partes:
      .da página 1 até a 7 refere-se a viagem realizada entre dez/2007 e fevereiro/2008 de carro;
      .a partir do final da página 7 refere-se a viagem que começa no final de dez/2008 até final de fevereiro/2009 de carro.
      .a partir da pag. 15 - viagem a Torres del paine, carretera austral ..........viagem realizada de dez/2009 a fevereiro/2010.
      .a partir da pag.19 - viagem ao Perú e Equador ....vigem realizada de dez/2010 a fevereiro/2011.
      .a partir da pag.23 - viagem venezuela, amazonas, caminho da fé.... realizada entre dez/11 a fev/12.


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