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Olá viajante!

Bora viajar?

Da casa dos espíritos até Puesco - a travessia do P.N. Villarica

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Pessoal:

 

Logo antes do terremoto do Chile fiz a travessia do Villarica, também conhecido entre os Mapuches como Rucapillán ou casa dos espíritos. É um trekking maravilhoso de 5 ou 6 dias, 81 km, que atravessa todo o P.N. Villarica. Ele não é tão famoso como TDP ou El Chaltén por dois motivos:

 

1.não tem refúgios, temos que levar tudo;

2.boa parte dele é acima da linha das árvores, em terreno exposto a intempéries.

 

Por isso o Lonely Planet no roteiro desta trilha tem uma advertência, o que não ocorre quando ele descreve as outras duas trilhas. Mas também diz que ele é incrivelmente cênico. Eu diria que é tão bonito quanto TDP ou El Chaltén, mas de uma beleza diferente. Enquanto TDP tem a grandiosidade e El Chaltén tem a arquitetura linda das montanhas, esta travessia tem os vulcões. Avistamos 6-7 ou mais vulcões na travessia, um deles ativo e passamos ao lado de crateras extintas. Adicionalmente entramos em florestas de araucárias e de coigües que parecem de conto de fadas, atravessamos paisagens lunares, campos de lava (escoriais), lagunas alpinas e cruzamos manchões de neve nos passos altos (mesmo no final de fevereiro!).

 

Dia 18/02/2010 - Santiago

 

Cheguei no aeroporto de Santiago as 21:30 horas. Rapidamente peguei o transfer da Tur Bus para o Terminal Alameda onde comprei passagem para Pucón as 23:30. O salón cama é muito confortável. São notáveis a eficiência e a falta de burocracia do Chile.

 

Dia 19/02/2010 - Pucón

 

Com o dia raiando entramos em Temuco. Mais uma hora chegamos em Villarica e mais meia hora em Púcon. Não tinha lugar certo para ficar em Pucón. Mas logo em frente ao terminal da Tur Bus um hostal com a bandeira do Brasil na janela. Opa, um bom sinal! Se brasileiros deixaram a bandeira foi porque gostaram. Na verdade a simpática dona é brasileira, de Campinas/SP. Vive numa ponte aérea Campinas – Pucón. A pousada Pucón Sur é boa e recomendo (22000 pesos alta estação). Saí para comprar os mantimentos, gás e para conseguir o transporte até a estação de ski do Villarica, junto a uma das empresas que fazem a subida do vulcão. Consegui junto a Tranco, por 5000 pesos (~US$10 = R$20). A Politur não podia dar certeza se haveria lugar antes das 17 horas pois a prioridade de assentos era para quem queria escalar. Não poderia esperar até esta hora para ter uma definição, daí preferi a Tranco.

 

Dia 20/02/2010 Pucón – Estero Ñilfe

 

Acordei 05:30 pois a van estava prometida para 06:00. Chegou as 06:30. Foi depois até a agência e pegou os escaladores. A van saiu lotada com o guia de pé (quem já pegou van no Rio sabe como é...). A Politur ao menos foi mais honesta dizendo que não poderia vender o lugar se ela estivesse lotada.

 

Um casal de brasileiros sentou logo atrás, Pedro e a namorada. Iam subir o Villarica. Perguntaram o que ia fazer, respondi. Depois os comentários de praxe: se não era perigoso ir sozinho, etc...

 

Tive de saltar da van na Guarderia da CONAF do PN Villarica para pagar meu ingresso (7000 pesos=28 R$) para um nº de dias ilimitado no parque. Lá recebemos um mapa com o parque e a trilha. Escala não muito boa 1:110.000.

 

Mais ou menos 30 a 40 minutos chegamos a estação de ski. Me despedi dos simpáticos brasileiros e me afastei da galera (10 a 20 vans - acho que 100 pessoas deviam estar subindo o vulcão naquela manhã), fui até uma curva longo antes da estação, com uma placa indicando o início da trilha (“à Challupén”). Estava ainda frio na sombra da montanha.

 

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A subida do Villarica é um arremedo de alpinismo? Pode ser, mas é muito interessante: temos uma experiência do que seria uma escalada na neve e temos a oportunidade de ver a cratera de um vulcão ativo, por isso a maioria dos turistas em Pucón tenta fazer isto (35000 pesos chilenos= R$ 140). Pensei até em fazê-lo e apenas na descida iniciar a trilha do Villarica. É possível mas é bem cansativo. Quem sabe na volta, pois se ocorresse tudo como planejado teria um dia sobrando em Pucón.

 

O começo da trilha é feita por um terreno pedregoso, com pouca vegetação, acima da linha das árvores. Um constante sobe e desce pelas encostas do vulcão. Apenas 9:15 tirei o casaco de fleece pois só então o sol bateu em mim. Mas ou menos nesta hora entrei nos pequenos bosques de coigües e, mais tarde, com araucárias. Estas árvores são lindas. Algumas bem grandes. Parecem árvores pré-históricas. O terreno é ondulado. Os maiores acidentes são os zanjónes, por onde desce a água das chuvas ou no degelo. Alguns deles tem um riacho perene.

 

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A trilha é bem visível e é demarcada por estacas de aço (um perfil em L) com marcas amarelas e numeração indicando a travessia. As estacas são altas (para evitar que a neve as cubra) e bem enterradas (para evitar que o vento as derrubem).

 

Apenas em três pontos podemos fazer uma confusão: logo ao atravessar o Zanjón Pino Huacho tive a impressão que a trilha seguiria a direta. Na verdade sobe a esquerda (não errei porque o guia do Lonely Planet avisava).

 

No Zanjón Challupén desci e demorei para perceber onde é que saia dele, subindo. Devemos seguir em diagonal, para cima até avistarmos uma placa. Me confundi pensando que a saída era um ponto sinalizado por um morão branco, um pouco antes.

 

Logo em seguida, no bosque, errei e fui em direção as lagunitas Challupén (mais parecem brejos rasos). Perdi 40 a 60 minutos nesta história. O GPS me permitiu concluir qual o caminho certo. Basta também suspeitar quando passamos algum tempo (20 min) sem ver as estacas sinalizadoras (tem algo errado!).

 

Entre dois bosques encontrei um chileno que vinha na direção contrária. Jovem, pareceu-me um pouco inexperiente e despreparado para trekking. Tinha duas mochilas, uma atrás e outra na frente ao invés de uma só de maior capacidade (as duas deviam ser muito desconfortáveis - novato sofre). Estava tirando um casaco camuflado pesado. Tinha uma faca grande presa na coxa. Não aguentei e perguntei se era para enfrentar os pumas. Estava fazendo apenas o trajeto Chinay- estação de ski.

 

Cheguei as 15:30 mais ou menos no Estero Ñilfe. Lugar lindo para acampar. Parece que os chilenos preferem ir mais adiante (aqui escurece a partir das 21 horas), mas como o lugar era lindo preferi ficar.

 

Achei um lugar privilegiado para armar a barraca no meio de umas lengas baixas. Tomei um banho de panela (quando tem sol podemos se dar a este luxo, mesmo com água gelada). Depois do choque inicial da água gelada fica uma delícia: passamos a absorver calor do ar a nossa volta.

 

O local é lindo, pois é um pequeno prado com arbustos e uma vista muito bonita para SE. Atrás o vulcão Villarica. Um campo de lava negra ficava logo atrás da barraca.

 

Pela primeira vez fiz um jantar com comida liofilizada. Eu apanhei. O negócio não saiu bom. A fome ajudou a descer.

 

Um pôr-do-sol lindíssimo acima de um tapete de nuvens.

 

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Dia 21/02/2010 Estero Ñilfe - Rio Pichillancahue

 

Comecei o dia preguiçoso. Sai 09:50. Levei apenas 1 litro de água mas me arrependi pois a primeira metade do trajeto é seca e não tinha certeza se no fundo dos esteros iria encontrar água. Um terreno lunar, com muitos campos de lava (terreno poroso que não deixa água na superfície).

 

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Cruza-se um grande campo de lava, o Escorial de Catricheo. Os tábanos volta e meia lhe enchem o saco (tábanos são mutucas grandes, turbinadas).

 

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Trecho de lava e o vulcão Lanin ao fundo.

 

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A SE se avista os cones duplos dos vulcões Mocho e Choshuenco durante quase todo o trajeto.

 

Lanchei as margens do Estero Aihue.

 

Caminha-se acima da linha das árvores até pouco antes de iniciar a descida para o Rio Pichillancahue, onde penetrei numa floresta basicamente de araucárias (linda). A descida para o rio é acentuada e acabei pegando uma cana quila para aliviar os joelhos, já que não estava com bastões de trekking.

 

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Ao chegar no rio, um alívio: o CONAF colocou uma ponte de troncos com guarda-corpo para auxiliar a travessia. Não que fosse difícil atravessá-lo. Mas a água é gelada, vai nos joelhos e a cor branca não permite ver o fundo. Assim teria de cruzá-lo de botas e elas não secariam até o dia seguinte.

 

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Achei um local lindo para acampar na margem esquerda (verdadeira) do rio, pouco depois da ponte, como sugerido pelo Lonely Planet. A barraca ficou abaixo de uma araucária, perto do rio. Circulo de pedra indicava o local onde campistas faziam a fogueira. Antes de anoitecer uma neblina, na verdade nuvens, começaram a subir pelo vale do rio. Pensei até que o tempo ia mudar. Apenas nuvens. Mas dava uma impressão maravilhosa de uma floresta mística. Uma linda floresta de coigües.

 

Tomei outro banho de panela com água de glaciar. A janta saiu um pouquinho melhor (aprendendo!). A noite uma temperatura em torno dos 7-10º C dentro da barraca, mais o menos o mesmo que ontem.

 

Uma noite de verão na Patagônia pode ser bem mais fria que a pior noite de inverno na serra gaúcha!

 

Não vi ninguém neste dia.

 

Dia 22/02/2010 – Rio Pichillancahue – Estero Mocho Superior

 

Hoje é o dia mais puxado com bastante subida (1.150 m) e aproximadas 7 horas de trekking. Por isto sai mais cedo, por volta de 08:40.

 

Pequena caminhada, 10 min para chegar num morrete. Passado o morro, mais 20 min para chegar numa estrada de terra (só para 4X4). A estrada sobe em direção a Chinay. Tudo isto dentro de um bosque de altas árvores. Em 40 min. se atinge um passo (logo depois de uma derivação a esquerda com um sendero para o Glaciar Pichillancahue) e começa a descida pela estrada até a Guarderia Chinay da CONAF. Após 1-1,5 de estrada cheguei na Guarderia, mas estava fechada. Nenhum guarda parque.

 

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Poucos metros após, a direita, começa a trilha para o estero Mocho. Cruza-se um pequeno riacho e começa a mais cansativa subida da jornada. Cerca de 2 horas e pouco por uma trilha mais fechada, cheia de carrapichos. A floresta de araucárias, mais em cima, é muito bonita, algumas árvores estão repletas de barba-de-velho.

 

Tive a impressão que me dirigia para um colo, que nada. A trilha vai para a esquerda subindo pela crista. Só depois de um descampado originado num incêndio, onde lanchei, se entra num pequeno trecho de mata para finalmente emergir do outro lado da crista, num bonito prado, acima da linha das árvores com vista para SW, para o vale do rio Elevado.

 

Anda-se um pouco neste prado para em seguida subir a esquerda para um colo. Neste ponto, cuidado. Dá impressão que devemos ir em frente, descendo, inclusive há pegadas descendo. Porém a trilha segue a direita subindo pelas cristas. E assim continuará. Apenas não sobe o cerro mais alto, o Los Pinos, com 1.774 metros. A trilha segue pela encosta esquerda deste cerro para novamente seguir por cristas mais baixas adiante, desta vez já com vegetação. Aproveitei para parar e fazer um lanche, com vista para o Norte, para o vale do Rio Palguín.

 

Retomada a caminhada, sempre descendo. Quando saí das cristas a vegetação cresce e entramos numa floresta que desce para um colo. No meio deste colo uma trilha à esquerda que desce para o vale do Rio Palguín, que no mapa da CONAF aparece como “Sendero Estero Mocho”. Uma rota alternativa em caso de emergência.

 

Logo após a bifurcação a trilha começa a subir a encosta florestada do vulcão Quetrupillán. Com mais 20 minutos chega-se num bonito local onde a floresta acaba e há um pequeno riacho correndo entre lajes de pedra, o Estero Mocho Superior. Local privilegiado: a NW a vista do Villarica esfumaçando. A Leste o vulcão Quetrupillán. Montei a tenda bem abrigada entre os arbustos.

 

Encontrei só um casal de franceses acampados. Ela bem simpática, falava espanhol. Vinham em sentido contrário. Tomei meu banho de panela, aproveitei o sol para secar e fiz a janta tranquilo. A tardinha o tempo pareceu que ia mudar, mas foi só ameaça.

 

Passeei pelo local. Muitos pontos perfeitos para acampar. Porém parece que na alta estação é muito frequentado. Muita gente descuidada, com muito papel higiênico visível perto demais do rio. Aquela imagem me fez ferver a água de beber, coisa que não fiz em acampamentos anteriores.

 

Logo depois destes pontos abrigados, termina a linha de árvores e começa um bonito prado que segue até o vulcão Quetrupillán.

 

Dormi com um pouco de frio a noite. Meu saco de dormir de pluma não é muito bom. Depois posto um comentário mais técnico sobre ele no tópico Equipamentos > Sacos de dormir, aqui no fórum Mochileiros.

 

Depois posto os demias dias e mais fotos.

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Fiz parte do Villarrica Traverse esse ano (pena que não li seu relato aqui antes...rs). Fui de Chinay até Puesco, realmente essa travessia é linda as paisagens são lindas e tudo muito diferente do que eu já tinha visto, conseguir ver os vulcões em grande parte da travessia, as lagunas, os campos de lava e gelo, acho que faz essa travessia valer a pena. E o melhor, achei tudo muito seguro, fiz sozinha, duas noites, caminhada de 7 horas os dois primeiros dias e no último cheguei em Pucón as 13h depois de duas caronas...rs. Agora, depois dessa travessia fiquei com ganas de escalar o Colmillo del Diablo, que pra mim foi o melhor landscape da travessia, essa montanha é linda!

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Coração valente!

 

A trilha é tranquila e bonita. O que pode pegar é uma tempestade acima da linha das árvores.

 

A erupção do Villarica foi antes ou depois de sua caminhada?

 

Abs, peter

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Eu fiz antes Peter, comecei a trilha no dia 30 de janeiro.

 

Peguei três dias de muito sol durante o dia, rolou até banho na Laguna Las Avurtadas...rs E na noite fez bastante frio, acordei com a barraca congelada.

 

A única coisa ruim de ter feito sozinha (e acho que pq foi a primeira vez também) fiquei com receio de demorar demais na trilha e passar aperto, então só peguei horários ruins pra fotografar com a luz sempre ruim. Mas rolaram umas fotos legais.

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Parabéns! Fotos lindas. Estão melhores que as minhas.

 

A Avutardas tem água cristalina mas gelada! Cheguei a nadar nela também.

 

Vai ter de voltar para fazer o roteiro completo.

 

Abs, Peter

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A erupção do Villarica foi antes ou depois de sua caminhada?

 

Peter... vou resumir um conto oculto. Eu fui fazer a travessia de Bariloche e quebrei a minha mulher. Com o joelho estourado, tivemos que abortar trekking e alugamos um carro. Acabamos passeando bastante.... cheguei a passar por Pucon.

 

Eu estive em Pucon uma semana ANTES da erupção! Passei no posto dos guardaparques e fiquei sabendo que as escaladas ao Villarrica estavam proibidas devido a atividade sísmica suspeita....(!)

Perguntei sobre a travessia ao guarda e ele disse que a atividade sísmica NÃO afetava a travessia mas a travessia estava fechada devido ao excesso de vento(!!!!)

Engraçado, em dezembro 2013 quando eu fiz ela estava fechada devido ao excesso de neve, muitas marcas estariam ocultas e eles não queriam ninguem perdido.... (fiz a travessia normalmente sem ver problema algum com neve, inclusive encontrei ciclistas hardcore pedalando no setor avutargas).

 

Acho que os guardas são excessivamente protetores, não querem dor de cabeça nenhuma.

Estou quase defendendo o clandestinismo.

Já fui proibido de fazer passo del viento em Chalten por estar sozinho, e já ouvi dizer que algumas trilhas de TDP só são permitidas acompanhadas de guia. (um fdp queima o parque e o mundo inteiro paga o pato).

Estou quase defendendo o clandestinismo.

Estou defendendo o clandestinismo.

Um dia serei clandestino.

Eu não presto....

 

(...) A trilha é tranquila e bonita.(...)

 

Uma das melhores da Patagônia!

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Que azar! Foi queda? Espero que tenha sido fácil evacuar sua esposa para atendimento médico!

 

A travessia de Bariloche (Nahuel Huapi) é puxada, especialmente o 3° dia (refúgio San Martin até o refúgio Itália).

 

Realmente eles exageram no Chile. Excesso de neve, de vento, etc...assim os parques ficarão eternamente fechados na Patagônia.

 

Me parece que eles percorrem raramente as trilhas e não sabem a situação real delas.

 

Vai fazer que nem o Renato que entrou clandestinamente em Lonquimay!

 

Abs, peter

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Quando estava em Pucon, parte da travessia estava fechada por causa da erupção, do Centro de Esqui à Chinay. Vcs dois elogiaram tanto essa travessia, que eu não quis fazer só a metade. Voltarei em outra oportunidade para fazê-la completa. Ramon, respondendo ao seu questionamento lá atrás sobre os tábanos, fui pra lá entre os dias 15/03 e 01/04 e não vi nenhum tábano. E o sol estava maravilhoso, chegava a fazer calor durante o dia. À noite e ao amanhecer fazia frio. Há algum tempo tenho um pensamento sobre clandestinidade, considero que entrar num lugar público sem autorização não é um delito, estou apenas resguardando meu direito de ir e vir. Inclusive o Peter sabe e me acompanhará numas trilhas "clandestinas", num parque aqui do Brasil, que não entendemos por que determinada parte fica fechada.

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Eles são muito zelosos mesmo, mas eu entendo pq aqui vem muito mané achando que é fácil escalar o villarrica, é fácil fazer isso ou aquilo "são mais fáceis que as no Brasil", mas não entendem que aqui mudou o tempo lá na montanha, a temperatura vai abaixo de zero, e mata. Ou "ah vou fazer um foguinho aqui nem da nada" e colocam fogo no parque todo. Todas as vezes que fui aos parques aqui, os guarda parque foram super simpáticos e prestativos, eles fazem isso pq sabem que se der merda eles que vão ter que colocar o deles na reta pra ir resgatar neguinho perdido. Se você consegue mostrar que tem experiência com esse tipo de atividade, eles te respeitam mais e não te travam tanto.

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(...) Vcs dois elogiaram tanto essa travessia, que eu não quis fazer só a metade. Voltarei em outra oportunidade para fazê-la completa. Ramon, respondendo ao seu questionamento lá atrás sobre os tábanos, fui pra lá entre os dias 15/03 e 01/04 e não vi nenhum tábano. (...).

 

Pra mim, vc mandou muito bem. É um erro que cometo em MUITAS viagens e tenho me esforçado para evitar: - Ficar menos tempo no lugar do que ele merece

 

A travessia em si, deve ser extendida do Villarrica até o Lanin. Deve ser escalado os 3 vulcões, Lanin, Quetrupillan e Villarrica. (Para trekkers). Comillho del Diablo e outros adicionado aos escaladores. Seria algo como 10/15 dias, com paisagem bem variada, apenas de contato com a natureza, sem colocar a mão no bolso nem uma vez!

 

Bem que o local disse.... melhor época é a época sem tabanos! Se bem que dezembro, quando eu fui, achei bem agradável pela presença da neve com muitos metros de altura em alguns pontos! Em março/abril deve estar tudo derretido...

 

O clima da região norte da patagônia é MUITO agradável! A maioria dos dias pego vento tão forte quanto o Brasileiro, um calorzinho quase desmedido, que lembra os quentes dias de inverno paulista, para um banho de lago e cachoeira e um friozinho fraco a noite que raras baixam dos 10C. É assim.... ou eu tenho sido sortudo.

 

 

(...). Se você consegue mostrar que tem experiência com esse tipo de atividade, eles te respeitam mais e não te travam tanto.

 

Sara.... eu vou simplesmente discordar. Mas com justificativa!

Não tem como você demonstrar que tem experiência. Não há documentação ou qualquer coisa que separe um super experiente de um "zé sem noção". Você pode falar "já escalei o K2 de cueca", pode mostrar que esta portando equipamento adequado, e na vdd ser uma farsa, estar simplemente mentindo, seu fogareiro não tem combustível, seu gps nem bateria tem, afinal, vc vai fazer um foguinho que não pega nada e vai navegar no olho, macho que é macho não precisa de gps.

Ou pode aparentar ser um gordinho de escritório que fala que tudo é fácil e vai sozinho... apesar de toda pinta de inexperiente já deu algumas pernadas...

 

Eu geralmente sofro por fazer as coisas solo, "ir sozinho é muito perigoso". Como se ter a cia de, sei la, 3 pessoas dessem a capacidade para elas de conseguir me carregar montanha abaixo. Para carregar alguém é necessário no mínimo uma maca "outdoor" dessas que os carregadores vestem na cintura ou um helicóptero. Ir acompanhado, no máximo, ajuda a dar o recado mais rápido aos resgatistas.

 

A minha espartana solução é que eu levo um dia a mais de comida na mochila e uma boa cartela de Tramal.

 

Agora, fechar a trilha por clima.... sei lá! Em uma travessia de 7 dias.... hj vc não poderia subir pq esta ventando muito, como ouvi nessa ultima vez em Pucon... Quer dizer que, por exemplo a 6 dias atrás, quando ainda não ventava, podia subir? Ai começou a ventar, vc ta se f#$@ lá em cima, no meio da coisa, no dia que desce para Laguna Avutargas justamente onde o trekking fica mais inclinado e exposto, ta ventando muito, vc lida com isso, tudo bem, afinal, vc já subiu mesmo te deixaram....? Alguem no mundo aceitaria NAO subir pq, olha, daqui a 6 dias vai começar a ventar então não podemos deixar vc subir hoje...?

 

Devo ter cara de inexperiente e sem noção. Pq normalmente olha..... "o sr não vai sozinho não"...." acampar lá é proibido"....

 

(...)Que azar! Foi queda? Espero que tenha sido fácil evacuar sua esposa para atendimento médico!(...)

 

Na vdd.... ela já fez duas maratonas, e ganhou um problema permanente no joelho. Pegamos leve por uns dias e no primeiro dia mais forçado, ela arrebentou, no sentido de que começou a sentir dores e não conseguia mais andar. Em Bariloche ela tinha dificuldades até para descer degraus nas calcadas...

 

A descida foi "fácil". Acomodei o máximo das coisas dela na minha mochila (golite Odyssey 90 litros, golite, se ainda não sabem, é uma excelente marca, mas que faliu!). Depois as coisas que não cabiam permaneceram na deuter 70+15 dela. Coloquei a deuter de cabeça para baixo e usei a barrigueira para anexar ela na golite, ficando firme, pendurada e quase balanceada.

Desci do refugio laguna negra até a colônia suiza via rota normal com ela caminhando mas de forma lenta e dolorida.

 

Me parece que eles percorrem raramente as trilhas e não sabem a situação real delas. Vai fazer que nem o Renato que entrou clandestinamente em Lonquimay!

 

Há, não tenho como concordar! Acho eles uns fdp que bloqueiam os turistas sem dó, mas desleixados a ponto de não percorrer eu não sei se tem como.... a manutenção das trilhas, com pedras formando "ruas" postes, etc, evidencia que alguém passa por lá mesmo que eventualmente para manutenção.

 

Em outras palavras, eles são zelosos, mas chatos!

 

Clandestinismo acho que é uma tendência aos trekkers que não tem respeito a lei mas respeito a natureza. Não só longuimay, Villarrica, Pico do selado, em Monte verde, Paranapiacaba na serra do mar, enfim, uma lista interminável, não quero ficar alongando muito, vc é proibido de percorrer e/ou acampar por motivos geralmente estúpidos.

 

Vou ficar na torcida para que um dia, em minha desobediência, por exemplo, minha barraca não seja invadida por lava derretida no meio da noite. Isso seria um inferno.

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rlcid,

 

Concordo com tudo o que você disse, o que relatei foi o que passei e tenho passado aqui em Pucón. A primeira vez que fui subir o San Sebastian por exemplo, os guarda parques me alertaram que eu estava começando a trilha tarde 10h da manhã e que era para ter cuidado, levei um casal e fizemos a trilha em 4:30h, como era verão e tinha sol até as 9h da noite foi tranquilo pra descer. Na segunda vez cheguei lá mais de meio dia com um grupo (menos inexperiente), o guarda parque não queria deixar a gente subir, dai falei que tinha dois dias que tinha ido lá e feito a trilha e que daria tempo de sobra pra gente subir e descer, ele liberou sem problema alegando que eu já conhecia a trilha, resumindo subimos em 3 horas e descemos em segurança. O mesmo ocorreu no Sollipulli, a primeira vez que fui chegamos tarde e o guarda parque liberou pra gente subir até as 16h, em qualquer ponto que estivéssemos era para descermos. Chegamos a metade do caminho e respeitei o que ele disse (daria pra subir e descer na boa). Na segunda vez que fui, encontrei com o mesmo guarda parque, cheguei um pouco mais cedo, mas com um grupo maior, ele me relembrou, se não chegar ao cume antes das 15h desçam. Chegamos bem antes, ficamos no cume até as 15h e descemos.

 

E o que aconteceu em todas essas vezes? Vi chilenos começando a trilha bem depois de mim, eles fazem isso com estrangeiro pra não ter chateação. Eles são chatos mesmo, concordo, mas se eu trabalhasse em um lugar desses e tivesse passado por situações onde pessoas inexperientes se atrapalham e eu tenho que colocar o meu na reta pra resgatar esse povo, eu faria o mesmo.

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