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heder.rocha

2017 - Patagônia Argentina, Chilena, Torres del Paine (la "O") e Terra do Fogo. 32 dias de carro.

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Introdução

 

"Rumbo al culo del mundo", não me pergunte como chegamos a este nome...

 

Iniciamos a busca por informação em Janeiro ou Fevereiro de 2016, para a viagem que só ocorreu entre os dias 25/12/2016 a 28/01/2017, então sim, tivemos quase um ano de planejamento e isso foi fundamental para que tudo desse certo.

 

Decidi fazer esse relato para retribuir ao site Mochileiros, pois as discussões daqui foram fundamentais para todos os momentos de nossa trip: planejamento da rota, escolha e compra dos equipamentos, escolha de pontos de interesse, dicas em relação à caminhos, etc. Digo "nossa" porque fomos em 5 amigos de longa data: Eu (Heder), Dani (minha esposa), Fernando, Aline, e Hugo.

 

Aproveitamos o embalo criativo e criamos um blog para contar essa trip e algumas outras que já fizemos, confere lá! O blog se chama O QUINTO DIÁRIO e para conhecê-lo é só clicar aqui.

 

Tentarei fazer um relato que seja bastante detalhado e que privilegie as informações que nós não encontramos na internet.

 

Vou colocar bastante foto aqui, mas se quiser ver mais a gente está colocando aos poucos nos nossos perfis do instagram, entrá lá!

 

@danifranzoia

@instadoheder

 

 

Começo então por dois detalhes importantes que delimitaram o "estilo" da nossa viagem: O perfil do grupo e o orçamento. Eu penso que isso pode ajudar a você que está lendo esse relato no sentido de continuar a ler ou não... ::lol4:: Eu falo isso porque cada pessoa possui um determinado sentido de conforto e abertura à riscos quando vai fazer uma viagem. No nosso caso, fizemos todo o planejamento e execução no sentido de não depender de agencias de turismo, tentar baratear tudo ao máximo e estar abertos à imprevistos. De um lado, cada ponto de parada e cada lugar visitado foi pensado previamente, mas por outro, não fizemos reservas em hotéis e estávamos abertos à possibilidade de dormir na estrada. Nesse ponto, cabe dizer que a nossa "equipe" era formada por 3 geógrafos, 1 bióloga e 1 farmacêutica.

 

Devo dizer, também, que nós fizemos um esforço gigantesco durante todo o ano de 2016 para guardar dinheiro. Foram muitos meses sem jantar fora, comprando equipamentos parcelados em 1.000.000 de vezes, ao invés de comprar aquele sapato bacana ou aquela blusinha linda, comendo simples e evitando gastar mesmo! A gente pensava duas vezes em todos os gastos, por exemplo, QUE VONTADE DE COMER PIZZA = vamos fazer em casa! Os exemplos são muitos e é incrível como se encontra pontos em que é possível economizar, basta um tanto de esforço e disciplina.

 

O relato estará dividido em algumas partes, mas inicialmente vamos para alguns dados estatísticos e de informação:

 

- 5.000 km rodados em um classic em 5 pessoas.

- ~460 litros de bagagem dividido em 5 mochilas cargueiras

- 18 cidades conhecidas e 10 em que dormimos

- 17 dias de camping

- ~280 litros de gasolina

- condições climáticas vividas: neve, granizo, ventos de 70km/h, sol, chuva, muito frio, muito calor

- geografia: andes, deserto patagônico, bosques patagônicos e andinos, canal beagle, estepes, montanhas, falésias, praias, glaciares, lagos de degelo, campos de gelo, vulcões e derrames de lava, dobramentos, vales de erosão glaciar, estreito, ilhas, península, etc.

E o mais impressionante: ~240 km de trilhas feitos na bota, uma boa parte com uma mochila de 18kg nas costas.

 

O relato está organizado em 4 partes:

 

PARTE 1: EL CALAFATE E TORRES DEL PAINE (La O)

PARTE 2: PUERTO NATALES, PUNTA ARENAS E USHUAIA

PARTE 3: P. N. PALI AIKE, P. N. MONTE LEÓN E LOS ANTÍGUOS.

PARTE 4: CAPILLAS DE MARMÓL (MARBLE CAVES), CHILE CHICO E RESERVA LAGO JEINIMENI

PARTE 5: EL CHALTEN (Cerro Torre e Fitz Roy)

 

Sobre a rota

 

A nossa rota foi essa:

 

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Ela está disponível aqui: https://drive.google.com/open?id=1dAAa-3XBMqDDmtnBNla9IOhFgew&usp=sharing

 

A: El Calafate (2 dias)

B: Parque Nacional Torres del Paine (10 dias)

C: Puerto Natales (2 dias)

D: Punta Arenas (2 dias)

E: Ushuaia (4 dias)

F: Parque Nacional Monte León/Cidade Comandante Piedrabuena (2 dias)

G: Los Antíguos (1 dia)

H: Puerto Río Tranquillo (2 dias)

I: Reserva Nacional Lago Jeinemeni (3 dias)

J: El Chaltén (4 dias)

 

Dos equipamentos:

 

Essa foi a quantidade de equipamento, dividido em duas mochilas cargueiras de 80L:

 

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Os equipamentos levados e que considero essencial são os que estão listados abaixo, obviamente que você pode optar por outras marcas, mas se possível leve como mínimo essa listagem:

 

- 1 mochila de 80L Nautika Rush ( dazantiga!! Foi comprada em 2008, quando estava na graduação e fiz questão de fazer essa viagem com ela) e 1 mochila de 75L da Nord (sim aquela da centauro! ::mmm: ). Assim, elas quebraram o galho, mas se você puder investir em uma Deuter, Quechua, Osprey, vale a pena.

 

- 2 isolantes AZTEQ

 

- 1 Aquaflex Curtlo de 3L (tipo camelback)

 

- 2 bastões de trekking (1 quechua simples e 1 argentino)

 

- 1 barraca Quechua QuickHicker T2. (Fantástica!!!! Aguentou firme os ventos patagudos e as chuvas). Nesse equipamento você precisa investir e gastar um tempo aprendendo a montá-la decentemente, vimos muitas barracas simples quebradas por conta do vento e muitas barracas "de marca" quebradas da mesma forma.

 

- NUNCA esqueça das cordas para amarrar a barrada (todas elas).

 

- 2 conjuntos de roupa 3x1 (parte de baixo e de cima) para trekking (Segunda pele, Fleece, Anorak), um da Quechua e outro da Conquista.

 

- 2 calças de trekking da Hard.

 

- 1 bota Finisterre da Vento (que morreu no torres del paine, mas ressuscitei com Silvertape e foi até o fim da trip) ::lol4::

 

- 2 sacos de dormir, um Trilhas e Rumos Inverno (extremo -5) e um Nexxt (extremo -5). Sério, não brinque com isso, você precisa levar um saco de dormir decente para a patagônia, com pelo menos um nível de conforto em 0º e que aguente -5 ou -10.

 

- 12 saquinhos feitos em casa com castanhas e frutos secos. Em trilhas como a do Torres del Paine isso é fundamental!

 

- 14 refeições de comida liofilizada (Usadas no Torres del paine e em El Chalten). Você pode achar bobagem, mas a quantidade de peso que você alivia utilizando esses alimentos é assustadora! Além de ter uma refeição saudável.

 

- Canivete, fogareiro AZTEQ, gorro, lenço para cobrir a boca e queixo, bússola, capa de mochila, lanterna e pilhas, aquecedores de emergência, etc

 

- 1 Nikon D3100 e duas baterias.

 

Do aluguel do carro, documentos, câmbio e dos gastos gerais

 

Alugamos um carro em El calafate pela empresa DUBROVNIK RENT A CAR. Super recomendamos essa empresa, mas El Calafate foi a cidade mais cara de toda a viagem! É possível alugar em outras cidades, por exemplo, Com. Rivadávia, Puerto Natales, Punta Arenas, Río Gallegos, etc. Basta você reprogramar o ponto de início/fim, porque essa rota é circular.

 

Nós negociamos o preço do carro três meses antes da viagem e saiu muuuuito mais barato do que alugar na hora, até porque estávamos em alta temporada. Tivemos que pagar 20% para garantir a reserva, mas atenção, se o valor for negociado em dólares você terá que pagar o restante em dólares quando chegar pra retirar o carro, caso contrário eles te cobram no cambio do dia e você pode sair perdendo grana!

 

Além do valor do carro as empresas costumam cobrar um valor de franquia que fica bloqueado no cartão de crédito, que neste caso foi o do Hugo e o valor foi de ARS 7.000.

 

Com os documentos fique esperto, você precisa conferir se te entregaram junto com o carro os seguintes documentos:

 

- doc. do carro

- seguro do carro

- ficha de controle para aduanas (em cada paso de fronteira você precisa apresentar esse papel para que eles carimbei sua entrada e saída, no caso de Arg e Chi)

- contrato de aluguel

 

A melhor coisa para a Patagônia é você levar dólares ou trocar seus reais em Buenos Aires se tiver a oportunidade. O cambio por lá é terrível para quem vem do Brasil... Pegamos no máximo 4,50 ARS por cada 1 BRL e somente em El Calafate, porque nas outras cidades as casas de cambio não recebem reais e você precisa ficar procurando algum restaurante que aceite a 4/1 ou 3.50/1... é complicado, já te adianto. E no Chile é a mesma coisa, os bancos só trocam dólares por pesos chilenos.

 

No meu caso eu estava mais tranquilo em relação à isso, pois vivo em Buenos Aires com a Dani.

 

Em relação à parte financeira eu vou colocar nesse relato o que Dani e eu gastamos + os gastos divididos por todos. Os valores são aproximados, ok?

 

Total geral por 32 dias: R$ 8.800 (para dois incluindo aéreo desde BsAs até El calafate)

 

Gastos gerais:

- Passagens aéreas de BsAs - El Calafate: +-R$ 2.300,00 (para dois, ida e volta)

- Aluguel do Classic 2016 por 32 dias: 22.000 ARS ou R$ 4.400,00 (dividido em 5)

- A Dani e eu decidimos que tínhamos AR$ 700,00 por dia e para os dois durante toda a viagem, +- R$150,00 para pagar hotel, alimentação, gasolina e passeios - ficamos dentro do orçamento!!!

 

Pode parecer muito o que gastamos, mas essa região do planeta é cara pra caramba e acredite, essa foi uma viagem econômica! Se você pode baratear!? Claro que sim! Você pode pegar caronas, comer macarrão instantâneo direto e mais um monte de coisa...

 

Os valores de hotel, alimentação, passeios e outras coisas, eu vou informando em cada parte, ok!? :D

 

Como trabalhamos com 4 moedas durante a viagem, as siglas serão essas: USD para Dólar, ARs para Pesos Argentinos, R$ para reais e Ch$ para Pesos Chilenos.

 

Para saber +- quanto vale em reais, divida Ar$ por 5, Ch$ por 200 e o USD estava 3,20.

 

PARTE 1 - EL CALAFATE e TORRES DEL PAINE.

 

De 25/12/2016 até 06/01/2017

 

El Calafate

 

Saímos de casa para o Aeroparque as 8 da manhã e chegamos em El Calafate junto com o fim do dia. Cabe dizer que nessa época do ano o sol nasce as 5am e se põe as 11pm na patagônia, então fim do dia é as 10pm. Era dia 25/12/16, natal e passamos um nervoso desgraçado porque cancelaram o nosso voo que estava programado para sair as 10am, ele foi sair as 6pm... Escolhemos esse dia porque era muito mais barato. ::putz::

 

Enfim chegamos em El Calafate e fomos comer uma pizza com o resto do povo que já estava por lá, aliás, eles pegaram uma promoção da Latam, saindo de Crtba, que deu direito de viajar em 1ª classe!!! Coisa que nunca me aconteceu, mas o que me conforta é que eles comeram por mim, disso tenho certeza! ::hahaha::

 

No dia 26/12/16 ( Dia 1 oficial) fomos fazer cambio e buscar o carro na locadora DUBROVNIK SRL. Passamos aquele nervoso de acertar os valores e os documentos, mas depois de uma meia hora saímos com o guerreiro Classic para o hostel.

 

Ficamos hospedados no "Camping & Hostal El Ovejero" em El Calafate, pagamos AR$ 150,00 por pessoa/por dia. Sinceramente, não fique hospedado aqui. O atendimento é horrível, as camas não são confortáveis e eles fazem umas trapaças nos valores do café da manhã, onde você paga por um café completo mas recebe uma xícara de café com uma fatia de bolo seco. A única coisa que prestou nesse lugar foi o banheiro, porque nem a internet funcionava direito... El Calafate tem outras opções, tão econômicas quanto, por exemplo a "Hospedaje Guerrero", onde ficamos na volta e é uma hospedagem familiar muito mais agradável.

 

Continuando... Pegamos o carro, passamos no hostel e fomos para o Parque Nacional de los Glaciares visitar o famoso Glaciar Perito Moreno.

 

Aqui está o link do parque. Atenção porque a tarifa de entrada é paga em pesos argentinos!

 

No parque fizemos várias trilhas e ficamos deslumbrados com o glaciar e tiramos centenas de fotos (mal sabíamos que veríamos muitos glaciares durante a viagem). Mas de fato, o glaciar Perito Moreno tem a frente de degelo mais imponente dos campos de gelo (acessíveis) da patagônia.

 

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A cidade de El Calafate nos surpreendeu em relação ao alto custo de tudo, é muito caro!! ::ahhhh:: Pior é que tínhamos decido comprar o gás para nossos fogareiros nessa cidade, pois no dia 27 iniciaríamos o Torres del Paine. Resultado: pagamos Ar$ 250 por "botella" grande, enquanto no Torres del Paine estava Ar$150. Pagamos cerca de R$ 60,00 em uma pizza grande, com 1 quilmes de litro e 1 refri pequeno... isso era uma promoção e em um lugar econômico.

 

 

Torres del Paine

 

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13h – Saída de El Calafate

22h – Chegada na área de acampar do Hotel Las Torres no Parque Nacional Torres del Paine

 

Informações gerais:

 

Fizemos o Circuito Macizo Paine ou "La O + W" como também é conhecido, se resume em contornar o macizo Torres del Paine em um circuito que contempla +- 130 km de Trekking. Do acampamento Serón até o acampamento Grey é a parte mais selvagem do parque e do Paine Grande até o Hotel Las Torres é a parte mais turística e frequentada.

 

Nós entramos no parque pela Portaria Laguna Amarga.

 

Aqui você pode entrar no site do parque nacional.

 

Os acampamentos são administrados por duas empresas e pelo CONAF.

 

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ATENÇÃO!!! Para os acampamentos administrados pelo CONAF (autoridade ambiental do chile) você precisa agendar os dias e acampamentos em um sistema de reserva no site deles. Vimos inúmeras pessoas sendo barradas nas guaritas de controle porque não tinham reserva! Os acampamentos do CONAF são gratuitos e essa medida existe por conta da gigantesca procura e para a redução de danos ambientais nas trilhas.

 

As duas empresas são:

 

http://www.fantasticosur.com/pt/

 

http://www.verticepatagonia.com/es

 

Entrada no parque cobrada pelo CONAF nas portarías: Ch$ 21.000,00 ou 36 USD

 

27 de Dez – Chegada no Paine, campamento central FANTASTICO SUR

28 de Dez – Camp Central para Serón, FANTÁSTICO SUR

29 de Dez – Serón para Camp Dickson, VERTICE

30 de Dez – Dickson para Camp Los Perros, VERTICE

31 de Dez – Los Perros para Camp Paso, CONAF

1 de Janeiro – Paso para Camp Grey, VERTICE

2 de Janeiro – Grey para Paine Grande VERTICE

3 de Janeiro – paine grande para Camp Italiano, CONAF

4 de Janeiro – Italiano para MIRADOR BRITANICO e depois campamento frances, FANTÁSTICO SUR

5 de Janeiro – frances para camp central, FANTÁSTICO SUR

6 de Janeiro - Ataque para Las Torres – retorno para camp. central e saída.

 

Esse roteiro você pode trabalhar dentro do que acredita que poderá caminhar por dia com uma cargueira de quase 20kg nas costas... ::lol4::

 

O valor das diárias nos acampamentos do paine começa em torno de Ch$9.500,00 os mais baratos, que são da fantástico sur e vão até Ch$12.500,00 os da Vértice. Sim, é caro. Mas você deve considerar que está no meio do nada e ter um banho +- depois de um dia inteiro de trilha é uma benção divina :D !

 

Esse é o circuito que fizemos:

 

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CAMP. CENTRAL - CAMP. SERÓN (28 de Dez)

 

 

A área de acampar Las Torres, ou camp. Central tem uma ótima estrutura e provavelmente os melhores banheiros... É a porta de entrada do parque e muita gente só conhece este acampamento. Nós saímos as 11 am e chegamos perto das 7 pm, ou seja caminhamos +- 6h, sendo que a distancia indicada no mapa impresso que recebemos era de 13km, com um desnível de 300 m e um tempo de +-4h de trilha, mas isso não batia com as placas que encontrávamos pelo caminho. Em quase todos os trechos do Paine nós fizemos um tempo de 30% a 50% maior que o indicado, então fique atento com isso. Foi o primeiro dia de trekking e ficamos destruídos, a sensação era de que não aguentaríamos... mas com o passar dos dias percebemos que foi um dos dias mais fáceis. :D

 

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O trecho inicia com uma subida destruidora e quando você chega na parte mais alta, já percebe a potencia dos ventos patagônicos... A Aline que o diga, quase levantou voo!! :D Logo depois, quando começa a descer os 300m que subiu, o vento é insuportável! Ele te obriga a parar e esperar, várias e várias vezes... É a parte mais alta do trecho e de onde é possível ver o Rio Paine. Logo depois disso o terreno volta a ficar plano e você caminha em meio as margaridas até chegar ao Serón. Nessa parte, a calmaria e as margaridas vão te deixando desesperado, mas calma que logo logo você chega ::otemo::

 

O acampamento Serón tem uma estrutura muito boa, então aproveite. Outra coisa, escolha bem o lugar que vai armar a barraca, se possível, abrigado por alguma coisa (o refúgio Serón, o Banheiro, uma árvore, etc) porque o vento é bem forte. Eles tem uma pequena loja onde é possível comprar alguns alimentos e itens de limpeza pessoal.

 

 

CAMP. SERÓN para CAMP. DICKSON (29 de Dez)

 

 

ATENÇÃO! Se você não tiver reserva daqui em diante é melhor nem se arriscar, lhe digo isso porque o CONAF tem um posto de controle entre esses dois acampamentos e eles irão te barrar.

 

Nós saímos as 9:30 am nesse dia. A previsão era de 18km, em +-6h, com uma elevação de 200m. Só esquecemos de perceber que essa elevação era um morro destruidor e que era preciso subir e descer os 200m em 5km.

 

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A vista é sensacional!

 

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Logo depois da descida passamos no posto de controle Coirón, apresentamos as reservas, assinamos e seguimos para o Dickson. A chegada ao Dickson é uma das paisagens mais bonitas do circuito, porque nela podemos ver ao fundo o Glaciar Dickson, o lago de degelo, o Rio Paine, seu vale e o acampamento.

 

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Esse dia foi tranquilo no fim das contas. O acampamento Dickson tem uma estrutura bacana, a área de acampar é bastante abrigada do vento porque fica bem na beira do lago. Tem uma pequena loja onde você pode comprar chocolates, macarrão, molho de tomate, pasta de dente, etc. Aqui tem um refúgio com uma estrutura muito bacana, onde eles oferecem cama, refeições decentes e talz. Obviamente não ficamos nele... ::lol4::

 

 

CAMP. DICKSON para CAMP. LOS PERROS (30 de Dez)

 

 

Nesse dia a previsão de caminhada era de 5hrs (11km) com um desnível de 400m. A gente caminha seguindo o Rio Los Perros, na maior parte do tempo em uma trilha super tranquila, bem demarcada e em meio à mata. Na verdade aqui já iniciamos a subido para o temido Paso John Gardner, que será no outro dia. Demoramos quase 8h nesse dia e chegamos bem cansados.

 

Nesse dia o psicológico pegou a Dani porque não estava conseguindo fazer um ritmo rápido e também estava muito cansada. Mas, depois de baixar um pouco o ritmo, comer mais vezes durante a trilha, chegamos!! E de fato esse trecho é complicado, porque é só subida. Quase chegando na Laguna Los Perros o Hugo encontrou uma menina que estava voltando porque desistiu de fazer o circuito, o que era estranho porque o acampamento ficava cerca de 1km da laguna e nesse ponto do circuito, a gente já havia caminhado cerca de 1/3 do "O". Mas como eu disse, esse é um trecho bom para afetar o psicológico da gente.

 

Chegamos na laguna e o Fernando com a Aline estavam esperando a gente. Ficamos lá até o Hugo chegar e seguimos para o camp. Em relação ao acampamento, a única coisa boa foi a área de cozinhar, que tem uma baita estrutura, porque o resto (banheiro e área de acampar) é bem precário! Esse foi o primeiro dia que sentimos forte o frio! ::Cold::

 

E olha que o acampamento fica no meio de uma mata. Ah, nesse dia conhecemos uns indianos muito legais! Demos um pouco de farofa para eles experimentarem e eles adoraram! Um pouco antes, em outra mesa, tinham uns americanos e uns lugares vagos na mesa, eu fui buscar água e a dani foi sentar lá para esperar... Aconteceu que os americanos meio que "expulsaram" ela do lugar, porque "eles haviam reservado". Dá pra acreditar? Fizeram isso com uns chilenos e com uns argentinos também... Acabou que quando eu voltei e a dani me contava o que aconteceu, os indianos livraram uma mesa e nos convidaram para chegar junto. Resumo: a maioria dos gringos (homens) europeus e norte americanos que encontramos eram escrotos, arrogantes e com síndrome de superioridade. Dentre esses gringos, encontramos alguns, poucos, que eram suuuper gente boa, principalmente os italianos.

 

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Fomos dormir perto das 9h com o som do gerador de luz, que ficou ligado a noite toda... ::otemo::

 

 

CAMP. LOS PERROS para CAMP. PASO (31 de Dez)

 

 

ATENÇÃO! No acampamento Los Perros existe um horário limite para sair e esse horário é as 8 am.

 

Acordamos cedo, dia 31 de Dezembro, saímos no horário indicado com destino ao temível Paso John Gardner. Nesse dia a previsão de caminhada era de 6hrs (8km), com um desnível onde você sobe 600m e desce 800m, sim assustador e desumano. Para a nossa surpresa (Dani e eu), a subida foi muito tranquila, na verdade um dos trechos mais tranquilos na nossa experiência. Agora, a descida... ::hein: Foi tenso!

 

Antes de se chegar ao topo do Paso nós tivemos o primeiro contato da vida com a neve e obviamente que brincamos como crianças, com direito à bonecos e guerra de neve. Quando se chega ao topo do Paso, é possível ver o gigantesco Glaciar Grey e todo o vale onde ele está entalhado. É uma das coisas mais bonitas que já pude ver na vida.

 

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Em relação ao psicológico do time, durante a descida dos 800m, ficou bem abalado. Isso porque demoramos muito para chegar e como as mochilas estavam ainda muito pesadas, os joelhos ficaram destruídos por conta dos degraus. As placas de sinalização também não ajudavam, porque não batiam em nada com os mapas. Mas depois de 12h, chegamos! Montamos acampamento, jantamos e fizemos até um amigo secreto!

 

No outro dia percebemos que a moral do time estava altíssima e renovada com a conquista do paso, mas só percebemos isso depois. Nesse dia tivemos a visita de um zorro gris (raposa) perto da nossa barraca e a equipe do CONAF fez uma costelada para comemorar o ano novo.

 

Esse acampamento é gratuito e o mais selvagem de todo o parque, o banheiro era "cabuloso", acho que essa palavra resume bem.

 

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Mas enfim, se está em um lugar como o acampamento Paso, o banheiro é o que menos vai te preocupas... Esqueci de mencionar, esse já era o segundo dia sem chuveiro e consequentemente, sem banho... ::xiu::

 

Até aqui nós encontrávamos pouca gente nas trilhas e rolava sempre uma cumplicidade e respeito entre quem se encontrava, cumprimentávamos, perguntávamos se estavam bem e se precisava de algo. O contrário também ocorria. Nós ficamos um pouco preocupados em relação ao que viria pela frente, pois sabíamos que a partir daqui encontraríamos muito mais gente pelas trilhas.

 

 

CAMP. PASO para CAMP GREY (01 de Jan)

 

 

Muita gente não fica no camp. Paso e faz direto o trecho Los Perros - Grey. Isso ocorre porque a estrutura do Paso não é das melhores, por querer fazer o circuito no menor tempo possível, por um montão de coisas. Nós optamos por ficar em todos os acampamentos para que fosse possível descansar e ter tempo para fazer os trechos no nosso ritmo, e essa foi a melhor coisa que fizemos. Nesse dia chegamos no tempo previsto que era de de 5hrs (6km) em uma trilha relativamente plana, que tem umas pontes suspensas iradas.

 

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Nesse dia conhecemos um brasileiro, o Tiagão. Ele era viciado em café, levou alguns kg de café e uma cafeteira italiana! Acabou que ficamos amigos e trocamos altas ideias. O acampamento Grey é um dos melhores acampamentos de todo o Paine, os banheiros são sensacionais, o mercado é grande e a equipe que trabalha lá é show de bola!

 

Esse dia minha bota vento não aguentou e descolou a parte da frente... Tive que pedir emprestado um "silvertape" do pessoal que trabalha no refúgio e dar um jeito nela. Na hora da janta rolou uma confusão feia com o Tiago e duas canadenses. Como chegamos cedo, fomos jantar cedo também, por perto das 18h, as 21h a gente já estava dormindo. Depois que terminamos a janta o Tiago pediu emprestado o fogareiro do Fernando, porque o dele tinha estragado, enquanto isso a gente lavava a louça e esperava ele do lado de fora pra tomar aquele café esperto! Deu um tempo e lá vem o Tiago e sua esposa para devolver o fogareiro e tomar o tão esperado café... Na mesma hora vieram as canadenses atras dele: - Hey, hey, you take my gas!!! The gas is mine!!!! E o Tiago nervoso: - O gás é meu p*##@!! Se não vai levar meu gás!!! E as canadenses insistindo que ele tinha pego o gás delas e nessa o povo juntando em volta, cercando para ver o brasileiro que certamente tentou roubar o gás das pobres canadenses. Elas, por sua vez, continuavam incisivas na acusação. Quando tínhamos praticamente todos os mochileiros em volta, o Tiago - muito paciente - resolve dar o gás pra ela e acabar com a cena, mas na mesma hora uma outra amiga delas surge e lembra que esqueceram o gás na barraca... ::otemo:: Eu nunca vi alguém passar tanta vergonha na vida, a moça recebeu uma vaia monumental!! ::toma::

 

É preciso dizer que depois de uns 15min ela veio pedir desculpas e ofereceu uma barra de Milka para fazer as pazes, foi bonito e todxs aplaudiram a cena. Ficamos relembrando disso por todo o resto do Paine, principalmente porque encontrávamos a guria pela trilha. Ela morria de vergonha todas as vezes que isso acontecia. Penso que o aprendizado dela foi gigantesco com essa situação toda.

 

Em relação ao movimento das trilhas foi impressionante o aumento na quantidade de gente e consequentemente o impacto nas trilhas.

 

 

CAMP. GREY para CAMP. PAINE GRANDE (02 de Jan)

 

 

A previsão de caminhada nesse dia era de 10km e segundo o folheto do CONAF demoraríamos 3,5h... Fizemos em 4,5h, mas ficamos felizes porque chegamos cedo e daria para almoçar decentemente, tomar um banho longo e ficar de boa durante a maior parte do dia!!!

 

O acampamento e refúgio Paine Grande é um resort se comparado com os outros. Muita gente encerra nesse ponto a trilha, pois a partir dali é possível pegar um catamarã até a "Cafetería Pudeto" e voltar de ônibus para a "Portaría Laguna Amarga" e para o "Hotel Las Torres", ou até mesmo ir embora direto pela administração. É só você se localizar no folheto do conaf que pode ser baixado aqui.

 

Nós tínhamos lido em um tópico do Mochileiros que os ventos castigam as barracas nesse acampamento e tratamos de armar as nossas com todos os cordeletes disponíveis e atrás da caixa d'água - em uma tentativa de se abrigar do vento que deu certo. Não tivemos problemas, mas novamente foi possível ver várias barracas quebrando... ::putz::

 

A trilha desse trecho é relativamente plana - sobe 200m e desce 200m - e não apresenta muita dificuldade, vamos acompanhando o Lago Grey de um lado e o Cerro Paine Grande (3050m), na altura da Laguna de los Patos o vento é fortíssimo! Pegamos chuva nesse dia também!

 

O mercado, o terreno para camping e o refeitório do Paine Grande são excelentes! Acabamos fazendo duas refeições nesse dia, a nossa liofilizada (lentilha, arroz e batatinha) e um macarrão ao sugo que compramos no mercado (macarrão, molho de tomate e queijo ralado). Para beber, acho que esqueci de falar, levamos sucos Tang para todos os dias e consideramos que foi um grande repositor isotônico! (Os médicos do fórum que me corrijam se estiver errado... haha) Enquanto comíamos eu aproveitei e carreguei as baterias da nikon.

 

O acampamento Paine Grande fica ao lado do Lago Pehoé e de onde armamos a barraca tínhamos essa vista do "Cuernos del Paine" e de um pedaço do Cerro Paine Grande:

 

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CAMP. PAINE GRANDE para CAMP. ITALIANO (03 de Jan)

 

 

O acampamento Italiano é do CONAF e quando saímos do Paine Grande já demos de cara com o posto de controle do CONAF, onde é preciso apresentar as reservas do acampamento Italiano (no celular ou em papel).

 

Tínhamos para esse dia 7,5km que pelo mapa seria feito em 2,5h, com uma subida leve de 200m. Acabou que fizemos um ótimo ritmo nesse dia e chegamos no acampamento Italiano em um tempo de trilha bom, armamos as barracas e quando deitamos para descansar um pouco: uma tempestade de granizo! ::sos:: Sim, primeira vez que pego granizo com a barraca, mas por sorte, o acampamento fica em uma área abrigada por mata...

 

A barracas aguentaram bem e dormimos umas 2 ou 3 horas. Lá pelas 20h fomos jantar no refúgio (precário, mas reconfortante) que estava cheio de gente e disputadíssimo. Os banheiros desse acampamento são muito bons, mas não tem chuveiro disponível, ou seja, mais um dia sem banho. Ah, a Dani teve infecção urinária nesse dia... Quando estávamos voltando pra barraca começou a chuva que se estendeu por toda a noite.

 

Depois que saímos para jantar sentimos um ar muito frio!!! ::Cold:: Gelou pra caramba e do nada! Ou melhor, depois do granizo.

 

Essa, definitivamente, foi a noite mais fria de todo o nosso circuito! Chegamos à conclusão de que facilmente a temperatura chegou a graus negativos durante a noite.

 

O acampamento fica ao lado de um rio que está encravado no Vale do Francés e é possível visualizar o Cerro Paine Grande logo na chegada ao acampamento, imponente! E depois da tempestade do dia anterior ele ficou coberto de neve, mais impressionante ainda.

 

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No outro dia, depois da noite congelante, nós acordamos com tudo molhado e tivemos que esperar as barracas secarem... A ideia nesse dia era fazer o Mirador Francés e quem sabe o Mirador Británico, voltar e seguir para o Acampamento Francés. Então, desarmamos tudo e montamos as mochilas que ficaram junto ao posto do CONAF (aqui a maior parte das pessoas que fazem a trilha para o mirador Francés deixam as mochilas largadas no chão mesmo, para não ter que subir com o peso) enquanto a gente subia para o Mirador.

 

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As mochilas ficam na frente dessa casa e os guarda-parques tomam conta delas.

 

A trilha para o Mirador Británico carece de informações, portanto eu deixo aqui o mapa que está no posto do CONAF:

 

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A gente não chegou até o Mirador Británico, fomos somente até o mirador Francés (Mirador Francés e Acampamento Francés são pontos diferentes) e pra gente valeu super a pena! É um trecho de subida forte e nesse momento já estávamos tão cansados que na conta que fizemos não daríamos conta de chegar no Británico. Outra questão é que nesse momento já começávamos a nos irritar com a quantidade de gente nas trilhas, pois essa é uma das "pernas" do circuito W e consequentemente, mais povoado de gente.

 

No Mirador FRANCÉS nevou!!! Foi super legal e a primeira vez que vimos neve em nossas vidas!!! Ficamos um tempo ali, admirando as costas das Torres del Paine, do Cerro Mascara, dos Cuernos del Paine e do Paine Grande. Mas a infecção urinária da Dani pegou forte e descemos correndo todo o trecho!! Foi divertido fazer esse downhill a pé! Chegamos no Italiano e seguimos para o Acampamento Francés em um trecho que demorou cerca de 2h +-, com uma trilha bem agradável. A Aline sentiu as costas nesse dia e teve de descer bem tranquila a trilha. Ainda bem que não seguimos para o Británico! ::cool:::'>

 

 

CAMP. ITALIANO para CAMP. FRANCÉS (04 de Jan)

 

 

Muita gente vai direto do Italiano para o Acampamento Chileno, na outra perna do W ou mesmo para o Acampamento do Hotel Las Torres. Entre eles ainda existe o Refúgio Los Cuernos, mas nele você precisa comprar todo o serviço de refeição para poder acampar... Nós seguimos para o Francés cuja distância era de 2km realizados em 30min conforme a placa de sinalização no Italiano. Penso que essa placa estaca coerente, porque chegamos em 40min, armamos a barraca e fomos logo para o banho! Siiiim tem chuveiro e, definitivamente, foi eleito o melhor banho de todo o parque!

 

Nesse acampamento existem plataformas de madeira para se armar as barracas. Foi minha sorte, pois meu isolante havia furado... Jantamos e fomos dormir cedo de volta para repor as energias, porque no outro dia a caminhada seria muuuito longa.

 

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CAMP. FRANCÉS para CAMP. HOTEL LAS TORRES/CENTRAL (05 de Jan)

 

 

Daqui nós tínhamos duas opções: seguir para o Chileno ou para o Central. Optamos pelo segundo para que no outro dia pudéssemos subir leve para o ataque para as Torres del Paine, ou seja, sem as cargueiras que nessa altura do campeonato já era tipo um suplício! Saímos as 8h da manhã para encarar a trilha de 17km, que pelo folheto seria feita em quase 8h. Acho que nós demoramos umas 10h... Mas isso porque quando estávamos na beira do Lago Nordernskjöld decidimos parar um tempo em uma praia fantástica e ficar apreciando a vista do lago.

 

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A Dani e eu chegamos na frente e vimos um casal de gringos chegar, tirar toda a roupa e nadar pelados no lago! ::essa:: A água estava trincando de gelada!! Mas tem louco pra tudo nesse mundo! Bom, ficamos quase 2h ali e fizemos um campeonato de arremesso de pedras, de quicadas de pedras na água, de acertar pedras no ar, etc.

 

Depois percebemos que essa não foi uma boa estratégia, acabamos perdendo muito tempo no lago e no fim, o Hotel Las Torres e a área de acampar não chegavam nunca. Esse trecho da trilha é um sobe e desce desesperador, o desnível máximo é de 200m, mas o que mata é a extensão da trilha... Essa foto da Dani traduz bem o que sentimos esse dia:

 

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Chegamos no acampamento central depois do Fernando e da Aline, que já estavam se preparando para ir pro banho. Procuramos um lugar abrigado e erguemos as barracas, logo depois chegou o Hugo e junto com ele uma chuva com muuuuito vento. Deu uma trégua na chuva e decidimos sair para tomar banho e jantar, mas isso já era perto das 21h e o que vimos de barracas (MSR, NatureHike, Hannah, Doite) quebradas no caminho foi de assustar, mas novamente, as nossas (e as The North Face) estavam intactas.

 

Nessa noite o Fernando começou a passar mal e teve desidratação.

 

 

CAMP. HOTEL LAS TORRES para TORRES DEL PAINE (06 de Jan)

 

 

Pelo mapa esse trecho teria 18km, sendo 9 de ida e 9 de volta, que seriam realizados em 4,5h cada trecho. Como estávamos leves pensamos que era possível encarar o trecho e o desnível de quase 800m para subir e depois para descer!!!

 

Decidimos sair mais tarde nesse dia, as 10h da manhã. Acabou que o Fernando e a Aline decidiram não ir por conta da desidratação do dia anterior e o Hugo também não foi por conta do seu joelho, que estava pegando. Bom, deixamos as coisas no carro que já estava ali no acampamento e subimos - já era quase meio dia!

 

Chegamos exatamente no tempo indicado no folheto: 4,5h. São duas partes complicadas nesse trecho, a primeira subida, logo de cara e no fim, a subida fortíssima que dá acesso as Torres, depois do acampamento Torres do CONAF de +- 1Km. Mas quando chegamos nas torres podemos contemplar isso:

 

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A volta nós fizemos em 3,5h, mas porque decidimos descer correndo - onde considerávamos que fosse seguro. Esse dia estava muito quente e um sol lindo, eu suei feito um cavalo!! Tomamos os 3l do Aquaflex por duas vezes! É possível abastecer a água no Refúgio Chileno, como também almoçar, ir no banheiro, etc. É um refúgio muito bonito e com uma estrutura super! Dali é possível contratar cavalgadas, guias, alugar equipamentos, outros passeios, etc.

 

Como nós vinhamos do circuito "O" achamos um pouco esquisita a quantidade de gente nesse setor do parque. Essa perna do "W" é a mais acessível, então, muita gente vai para o Paine apenas para fazer essa parte da trilha e realizar o registro fotográfico com as Torres. Mas para nós que já tínhamos caminhado mais de 100km, passado vários dias sem banho, vários dias andando em trilhas sem encontrar ninguém, vivenciando a fauna local, os elementos rochosos, com as marcas da cargueira nos ombros, processando o frio que passamos ainda, enfim, aquela paisagem toda, entrar em contato com aquele "turismo consumidor" foi uma experiência diferente.

 

Retornamos e os meninos já estavam esperando a gente perto do Hotel com o nosso Corsinha guerreiro. É isso aí! Completamos o Torres del Paine!!! No fim, todos fomos vencedores e cada um teve a sua conquista própria! A Aline, com seus problemas na coluna, o Hugo e eu com os quilinhos a mais, o Fernando com a asma e a Dani com o sedentarismo! Fizemos mais de 100km de trekking em 10 dias!

 

Logo depois seguimos para Puerto Natales, mas essa será a segunda parte do relato.

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Sensacional! Mal espero pelas outras partes!

 

E se por acaso algum de vocês passar pela região de Jundiai/Campinas/São Paulo avisem, para tomarmos um café/cerveja e falarmos da viagem! Quero muito fazer em Janeiro de 2018!

 

Abraço,

 

Caio

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Olá Caio!

 

Fico feliz que tenha gostado do relato, em breve liberamos as outras partes.

 

Que beleza! Já avisei o pessoal, não costumam negar cerveja! haha Eu moro na Argentina, então quando estiver por aqui avisa.

 

Faça mesmo, a patagônia é uma loucura. Se precisar de mais detalhes para o seu planejamento avisa aí!

É como eu disse no relato, se não fosse o Mochileiros.com nós teríamos tido bastante dificuldade na viagem.

 

Abraço

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Belo relato Heder!

 

Esses lugares que possuímos por aqui são de uma beleza incontestável. Sempre quis conhecer a Patagônia em si, e principalmente Ushuaia. Lendo esse relato vai ser um dos perrengues a qual vou procurar hehe ::otemo:: .

 

A pergunta que te faço é, a comunicação nesses lugares fica difícil se não falar muito bem espanhol? Quem sabe um dia não nos encontramos nessas indiadas!

 

Abraços!

 

Maykon Turatti

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Adorei o relato e os detalhes!! Piro muuuito em roteiros detalhados!! rss

Sou louca para conhecer essa região, mas nunca tinha considerado dessa forma.

Seu post me deu uma perspectiva beem diferente!! Obrigada! :)

Estou ansiosa pela continuação...

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Belo relato Heder!

 

Esses lugares que possuímos por aqui são de uma beleza incontestável. Sempre quis conhecer a Patagônia em si, e principalmente Ushuaia. Lendo esse relato vai ser um dos perrengues a qual vou procurar hehe ::otemo:: .

 

A pergunta que te faço é, a comunicação nesses lugares fica difícil se não falar muito bem espanhol? Quem sabe um dia não nos encontramos nessas indiadas!

 

Abraços!

 

Maykon Turatti

 

Olá Maykon, tudo bem?

 

Realmente, as paisagens na patagônia e terra do fogo se destacam! São poucos os lugares no mundo onde você está no deserto e ao fundo pode ver os andes todos nevados, por exemplo, ou mesmo, uma cidade como ushuaia.

 

Sobre o idioma você não terá problemas. É claro que dominar o idioma de seu destino vai lhe ajudar em qualquer viagem, mas no caso da patagônia, especificamente nessas cidades mais turísticas, o português não é uma barreira. Até porque o sotaque argentino do sul não é tão carregado como em Buenos Aires e no Chile, me pareceu até mais fácil de entender... Em ushuaia, inclusive, muitos hotéis possuem atendentes que falam português.

 

Agora se você fugir dessas cidades mais turísticas e nunca ter ouvido alguém falar espanhol, vai ficando mais complicado, realmente.

 

Faça seu planejamento com bastante tempo, estude muito a rota que irá fazer e seja feliz! Passar esses perrengues fazem parte de uma experiência única e te fazem crescer um montão!

 

Abração,

 

Heder

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Adorei o relato e os detalhes!! Piro muuuito em roteiros detalhados!! rss

Sou louca para conhecer essa região, mas nunca tinha considerado dessa forma.

Seu post me deu uma perspectiva beem diferente!! Obrigada! :)

Estou ansiosa pela continuação...

 

Olá Lilia, que bom que você gostou!

 

Fico feliz que o relato te ofereceu outras possibilidades na patagônia. Na verdade essa região oferece uma diversidade bem grande em relação à forma que gente escolhe por conhecê-la. Seja no conforto de um hotel 5 estrelas ou em uma barraca sob um céu com bilhões delas! hahaha

 

Abraço!

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Cara, fiquei impressionado com a riqueza de detalhes, seu relato foi inspirador e muito motivante! Quero realizar o mesmo circuito em outubro desse ano (2017). Vamos eu, minha namorada e mais um brother! Aproveitando a oportunidade: o que acha a respeito da data? (outubro-primavera) e como era o condicionamento físico de vcs, estamos um pouco apreensivos... já fizemos alguns trekkings aqui pelo Brasil, mas queríamos ter uma base a respeito disso! Somos bastante ativos mas nunca caminhamos fora do país! Um forte abraço e agradeço muito pelas informações. Avante guerreiros !

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Fantástico. Li tudo e fiquei chateado que ainda faltam partes. Muito bem detalhado e explicado, no aguardo do restante.

 

Abraços

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    • Por MauriVirissimo
      Olá pessoal, farei um breve relato da viagem.

      Resumo da viagem:
      30 dias, entre janeiro e fevereiro de 2019
      13 mil quilômetros

       
      Combustivel: 13 mil km
      1400 litros gasolina, R$ 5700 reais para CARRO (Jeep - Grand cherokee 3.6)
      520 litros gasolina, R$ 2000 reais para MOTO (Honda - CB 500x)

      Partimos de Florianópolis em direção a Bariloche nosso principal destino inicial, onde ficamos 2 dias inteiros fazendo alguns passeios na cidade.


      Depois disso continuamos para Sul descendo Ruta 40 ate Esquel para então entrar no chile por Futaleufu e descer Carretera Austral ate Puerto Rio Tranquilo onde fizemos passeio nas Capilas de Marmol (catedral marmore). Neste trecho pegamos Aproximadamente 300 km  de Rípio que para carro tava tranquilo porem pra moto tava um pouco sofrido devido a "brita" solta nova que colocaram pois estão pavimentando a Carretera e essa rípio solto fica complicado para pilotar.


      Bom, para quem conhece Carretera sabe muito bem que vale cada quilometro percorrido nela, porem voltamos para ruta 40 para chegar a El chaiten, El calafate e no decorrer dos dias ir descendo ate torres del paine, e neste porto da viagem, por motivos de Doença na família minha madrasta teve que voltar ao Brasil de Avião e junto meu irmão por parte de pai também voltou, onde infelizmente mãe dela, avo dele veio a falecer infelizmente.


      Detalhe, meu pai estava com Moto em nome de minha madrasta e estava sem procuração dando os devidos direitos dele poder passar aduana com moto em nome dela, ai então em Puerto Natales fomos ate NOTARIA (tipo nosso Cartório no brasil) e la fizemos o documento.
      Outra observação, é que passamos as aduanas por varias vezes durante o restante da viagem e não entregávamos o documento para ver se iriam questionar algo, e nada pediam, passávamos tudo ok.

      Bom, Continuando então descemos ate Ushuaia onde ficamos 3 dias inteiros e depois fomos subindo ruta 3 com destino ate Puerto Madryn e la fazer passeio ate pinguinheira e também para conhecer Península Valdes.


      Apos isso tínhamos ainda tempo suficiente para passar em Buenos Aires, mas decidimos voltar para casa e dar apoio psicológico a família que voltara antes.

      Não tivemos nenhum contra tempo, nem com carro nem com moto, temperatura era na maioria das vezes boa para andar de moto, exceto em algumas regiões pela parte da manha quando cedo, porem no trexo da ruta 40 entre Gobernador Gregores e Tres Lagos, o ripio muito solto pior que na carretera e o FORTISSIMO VENTO LATERAL fez com que meu pai chegasse a chorar ao conseguir passar, neste dia 3 motos que la estavam passando pela mesma situacao desistiram e um reboque grande levou 3 motos e seus respectivos pilotos para trecho onde asfalta começava novamente. meu pai foi guerreiro antava pela antiga rodovia paralela a atual que esta para ser pavimentada por isso ripio (brita) solta.


      Bom meus amigos tenho videos curtos no youtube vou deixar link abaixo, esta dividido em 5 videos curtinhos!
       


      Grande abraços a Todos e em Março Abril de 2020 pretendo ir ao Atacama, BORA!?!?!?!
       

       

    • Por felipenedo
      Fala Viageiros!!!!!
       
      Voltei de uma viagem sensacional para a Patagônia e vou compartilhar aqui com vocês um pouco dessa experiência!
       
      Mas antes, quem puder, segue a conta do meu blog no Instagram: @profissaoviageiro
       
      E vai lá no www.profissaoviageiro.com que tem mais detalhes e fotos desse rolê!
      Segue lá no blog que sempre tem coisa nova por lá!!!!
       
      Bom, hoje além de passar minhas impressões de Torres del Paine, vou tentar deixar algumas informações básicas para quem quer ir e ainda está cheio de dúvida, como eu estava quando ainda planejava a viagem.
       
      Tem coisa que parece óbvia quando se conta de uma viagem para as outras pessoas, mas que no fundo se você não sabe o funcionamento das coisas no lugar, fica impossível saber se seu roteiro vai dar certo ou não… E foi nisso que eu esbarrei na montagem do roteiro.
       
      Como sempre em meus roteiros, eu tenho pouquíssima margem de erro e isso me fez perder um bom tempo na pesquisa. Vou tentar deixar algumas informações aqui para quem quer visitar esse lugar maravilhoso!
       
       
      Vamos lá!
       
      O que é?
      O Parque Nacional de Torres del Paine foi criado em Maio de 1959 e está localizado na Pataônia Chilena, na região de Magallanes.
      As suas torres principais dão nome ao parque, que são imensas torres de granito modeladas pelo gelo glacial.
      Mas as belezas do parque não se resumem a suas torres. O lugar inteiro é sensacional!
       
      Como chegar?
      Existem dois aeroportos próximos de Torres del Paine:
      – Um fica em Puerto Natales, que é a cidade base para a maioria das pessoas que visitam Torres del Paine. A cidade está localizada a 80km do Parque.
      O problema é que só existem voos para Puerto Natales no verão, e mesmo assim não é todo dia.
      Isso faz com que contar com um voo para lá seja praticamente descartado logo de cara.
       
      – A melhor opção então é voar para Punta Arenas.
      Existem voos regulares de Santiago para Punta Arenas.
      Inclusive, se não me engano, lá é destino mais barato para se chegar na Patagônia (Argentina ou Chilena)
      Eu fiz isso. Saí de São Paulo em um voo com conexão em Santigo e chegada em Punta Arenas. Tudo bem tranquilo!
       
      -Para quem não for utilizar avião, tenha Puerto Natales como sua referencia de destino.
       
       
      Onde ficar?
      – Punta Arenas:
      A porta de entrada da maioria das pessoas que vão para TdP via o próprio Chile (Muitas outras pessoas vão para TdP via El Calafate, na Argentina)
      Cidade grande, com vida própria. Possui muitas atrações turísticas, shoppings, hotéis, hostels, restaurantes e tudo mais.
      Fica a 3 horas de ônibus de Puerto Natales.
       
      – Puerto Natales:
      Cidade pequena que gira em torno do turismo de TdP.
      Muitos turistas o ano inteiro por lá, consequentemente muitos restaurantes e vendinhas para as compras da galera que vai fazer os trekings.
      Como já falei é a base para a maioria das pessoas, pela sua proximidade e preços acessíveis. Comparado às hospedagens dentro ou ao lado do parque é muito mais barato ficar em Puerto Natales.
       
      – Hospedagens dentro do Parque:
      Existem muitas opções de hospedagem dentro do Parque, desde áreas de camping onde você é responsável por ter com você absolutamente tudo que vai usar e comer, até luxuosos hotéis com vistas deslumbrantes.
      Tudo dentro do parque é caro. Transporte, hospedagem, comida… Tudo!
       
      São três “empresas” que possuem hospedagens dentro do parque, e para dormir lá dentro você precisa ter reservado antes de chegar (mesmo que esteja levando todo equipamento com você e queira apenas reservar um espaço de camping), pois não se pode entrar sem reserva prévia. As empresas são:
      CONAF;
      Fantástico Sur; e
      Vertice.

       
      Quando ir?
      Torres del Paine pode ser visitado o ano inteiro, mas a alta temporada é no verão, quando as temperaturas estão mais agradáveis e as paisagens mais coloridas.
      Eu fui na primavera. Dei muita sorte com o tempo e achei que valeu muito a pena. Não estava lotado e não passei nenhum perrengue de frio ou vento a ponto de transformar algum rolê em algo penoso.
      Se tem alguma coisa que eu mudaria no meu rolê para deixar ele ainda mais perfeito, é que eu preferia ter visto o lago no Mirador Base de Torres del Paine descongelado. Quando eu fui ainda estava congelado. Não que eu ache isso um problema, mas acho que descongelado seria muito lindo também.
       
      Quanto custa?
      Caro!    
      Não é um passeio barato. Mesmo fugindo o máximo que pude das hospedagens dentro do parque, é um passeio caro. Mas não é nada que não se possa dar um jeito.
      Aqui alguns exemplos de preços aproximados:
      – Entrada no Parque, válida por 3 dias de entrada: US$ 35,00 (se já estiver dentro do parque, não tem problema, pode ficar mais que 3 dias)
      – Aluguel de barraca completa no parque: US$ 70 – para 2 pessoas, por noite
      – Catamarã para Paine Grande: US$ 35,00 por pessoa, por trecho (Comprando ida e volta junto fica um pouquinho mais barato). IMPORTANTE: Não aceita cartão! Só dinheiro.
      – Ônibus interno do Parque: US$ 10,00 ida e volta
      – Ônibus Puerto Natales – Torress del Paine: US$ 25,00 ida e volta
       
      E por aí, vai…
       
       
      O que fazer???
      Bate e volta, Circuito W, ou Circuito O?
       
      Eu escolhi o W!
       
      – No circuito W estão as principais atrações do parque na minha opinião.
      Claro que quem faz o Circuito O vê muito mais coisa, mas para isso é necessário muito mais tempo e preparo, pois as partes do parque que estão fora do W, são bem menos estruturadas, então depende muito mais de você e do equipamento e mantimento que você carrega.
      – No bate e volta de Puerto Natales, você consegue fazer o Mirador Base, que é a vista mais famosa de lá, mas depois que se faz o W, você vê que aquilo é só um pequeno pedaço das belezas daquele lugar.
      Também dá para fazer o lado do Glaciar Grey, ou até um trecho da trilha beirando o lindíssimo Lago Nordenskjold.
       
      IMPORTANTE!
      Nesses casos de bate e volta, você sempre vai ter seu tempo limitado ao horário dos transportes internos do parque, seja do ônibus ou do catamarã. Então controlar o tempo e seus objetivos no dia será algo muito importante. Os horários são fixos e limitados, não deixando margem para erros.
       
      – Uma outra opção, que eu jamais faria, é um bate e volta de El Calafate, como muitas agências de lá oferecem… Me parece um grande programa de índio.
       
      – Fazer um mix disso tudo aí também é possível! É só estudar direitinho o roteiro e partir para cima!!!!
       
       
      Bom, esse é o básico. Vou contando agora como foi o meu rolê e tentando explicar como tudo funcionou para mim!
       
      Vamos lá!!!!!!!!
       
      Dia 1:
      Bom, eu decidi fazer o W da seguinte forma… Fazer as 2 pernas externas no esquema de bate e volta, e a parte central do W dormindo uma noite no camping Francês.
      Dessa forma faria o rolê em 4 dias, que é bem puxado. A maioria das pessoas faz em 5 dias o W, que depois eu entendi o por quê!
      Como a entrada do parque vale por 3 dias, eu fiz as 2 pontas primeiro, e depois a parte interna, que daria certinho os 3 dias de entrada no parque.
      Para mim não fazia diferença por onde começar, então deixei o dia que a previsão do tempo estava melhor para fazer o Mirador Base e fui no primeiro dia, que o tempo estava pior, na perna do Glaciar Grey.
      E a parte interna eu fiz saindo de Las Torres e chegando no outro dia em Paine Grande.
      No final, deu tudo certo!!!!
      Como comentei, eu cheguei em Puerto Natales vindo de Punta Arenas. Como não sabia da estrutura da cidade, acabei fazendo compras do que iria comer no parque no dia seguinte em Punta Arenas mesmo.
      A viagem de ônibus entre Punta Arenas e Puerto Natales demora 3 horas. A passagem é bem fácil comprar. Os ônibus que fazem esse trajeto têm seus terminais no centro da cidade e todo mundo lá sabe indicar onde ficam esses terminais. Existem diversos horários de saída, então não precisa de stress quanto a reserva antecipada ou qualquer coisa.
      Em Puerto Natales as coisas são perto da rodoviária. A maioria dos lugares nem precisa de taxi… Dá para chegar andando.
      Já aproveitei que estava na rodoviária na chegada e comprei a passagem de ônibus para o dia seguinte de ida e volta para o parque.
      São algumas empresas que fazem o trajeto e todas fazem mais ou menos no mesmo horário, pois os transportes internos no parque são sincronizados com as chegadas dos ônibus de Puerto Natales.
      O horário de saída é por volta das 7 da manhã e o retorno por volta das 7:30 da noite saindo da Laguna Amarga (entrada do parque). São quase 3 horas de trajeto entre o parque e Puerto Natales.
      No dia seguinte estava lá bem cedinho na rodoviária aguardando meu ônibus sair.
      Chegando em Torres del Paine, a primeira coisa a se fazer é comprar o ticket de entrada. Havia uma pequena fila mas não demorou muito todo o tramite. Eles aceitam Pesos Chilenos e Dólares. Talvez aceitem Euros também, mas não tenho certeza.
      Depois é aguardar o ônibus interno que vai te levar para o Refúgio Las Torres (De onde sai a trilha para o Mirador Base e também a trilha em direção ao Refúgio Francês) e depois segue para Pudeto, de onde sai o Catamarã para Paine Grande (Onde começa a trilha para o Glaciar Grey).
      Como fui em direção ao Glaciar Grey nesse primeiro dia, segui no ônibus até Pudeto. Cheguei lá por volta das 10:30 e o catamarã só sai as 11hs.
      Assim aproveitei e tomei um reforço do café da manhã por lá enquanto aguardava a saída para Paine Grande.

       
      O catamarã é espaçoso e possui um deck em cima para quem quer ver a paisagem e tirar umas fotos. Duro é aguentar o frio, mas vale a pena!
      O trajeto é curto e em pouco mais de 20 minutos já estava em Paine Grande

       
      Muitas pessoas se hospedam no refugio, então já entram para seu check in. Eu não ia ficar lá, então só me arrumei, usei o banheiro e saí.
      Primeiro grande desafio da viagem: Aprender a usar os sticks de caminhada!

       
      Eu sei que parece ridículo, mas no começo é difícil coordenar! Mas depois de alguns minutos, vai que vai!
      Não sei como eu consegui voltar a andar sem eles quando voltei de viagem! Esse treco é bom demais!!!!!
      Bom, foi nesse primeiro dia que eu entendi por que a maioria das pessoas faz o W em 5 dias e não em 4… É porque o refúgio Grey é longe que dói!
      Eu tinha o meu tempo de trekking limitado pelo horário do catamarã. Não podia estar de volta depois das 18:30hs, que é o último horário de saída do catamarã no dia.
      As pessoas normalmente dormem no refúgio Grey e depois voltam no dia seguinte. Ou também vão até o refugio Grey e voltam para dormir em Paine Grande, sem grandes compromissos com o horário. Aí tudo faz mais sentido.
      No meu caso eu tive que ir até onde o relógio permitiu, e não consegui chegar até o refugio. Mas isso não tem muita importância… Pude apreciar a beleza do glaciar durante minha trilha sem nenhum problema!
      A trilha desse trecho não foi das piores do W. Existem outras partes com muito mais subidas e descidas. Isso foi bom, pois estava ainda aquecendo os motores!
      Eu que já tenho dois joelhos completamente destruídos, que me impedem de fazer algumas coisas, estava, para piorar, vindo de uma lesão no ligamento. Consequentemente minha condição física não era das melhores, vindo de um período de um mês sem poder exercitar minhas pernas.
       
      Bora caminhar!!!!

       
      A primeira parada, já para o almoço, foi na Laguna Los Patos.
      Uma lagoa bonita, que apesar do nome, não tinha tantos patos assim quando passei por lá!


       
      Sigo então em direção ao glaciar, tentando aproveitar o máximo essa paisagem linda!


       
      Daí a recompensa… O Glaciar Grey!!!

       
      Encontro um lugar para parar e apreciar essa vista!

       
      Depois de um tempo por lá o relógio me lembra que era preciso voltar, sem grandes possibilidades de paradas.


       
      A volta foi bem tranquila e cheguei a tempo inclusive de fazer um lanche e tirar umas fotos antes de embarcar


       
      Na fila do embarque percebo esse cara indo para um mergulho bem tranquilo nesse lago de degelo!!!

      Um mergulho com uma vista dessa não é nada mal!!!!
      Daí foram só mais uns 30 minutos de catamarã até Pudeto e já o imediato embarque no ônibus para Laguna Amarga.
      Dalí peguei o ônibus de volta para Puerto Natales.
      Chegando em Puerto Natales, foi só o tempo de passar em uma vendinha para comprar os mantimentos para o dia seguinte e correr para tomar banho, comer e dormir, pois sobram poucas horas de sono para quem tem que pegar o ônibus no outro dia as 7 da manhã!!!
       
      Dia 2
      E lá vamos nós!!!! Acorda de madrugada, toma banho, toma café, corre para a rodoviária e tenta descansar um pouco no ônibus no caminho…
      No parque foi só mostrar que já tinha o ingresso e aguardar pela saída do ônibus para Las Torres.
      Lá em Las Torres se faz um breve registro de entrada para controle e já pode sair para a caminhada.


       
      Esse dia era o primeiro grande desafio. São 20km ida e volta, com muita montanha, incluindo um trecho matador no último quilômetro que faz você pensar seriamente que não vai conseguir!
      Mas consegue!!!!
      A caminhada começa com 2km bem tranquilos e planos ainda em uma área dentro do complexo de Las Torres.
      Depois…… Bom, depois é bom estar com a saúde em dia, porque não é fácil a brincadeira.


       
      O que sempre te dá forças em um lugar como esse são as paisagens… Elas vão nos lembrando por que estamos lá!!!!

       
      Vale cada gota de suor!

       
      E vai subindo…
      Subindo…

       
      Subindo mais…

       
      Até que chega no Km 9 e eu já estou esgotado, com muita dor e cansaço.
      E aí o negócio começa a ficar sério. A subida é bem no limite entre caminhar e escalar, inclusive passando pelo espaço onde a água do degelo desce, para ajudar ainda!
      Pelo menos quando dava sede era só abaixar e beber água!
      Eu acho que eu bobeei… Acho que tem um lugar para deixar o peso extra ali no km 9 antes de começar a subida. Eu não fui atrás disso e acabei subindo com tudo nas costas… Foi treta!
      Como eu não tinha forças nem para tirar foto, tenho poucos registros desse dia. Uma pena, porque o lugar é maravilhoso.
      Essa subida é terrível, e quando se acha que acabou você descobre que ainda falta um tanto! Todos os lugares por lá são assim… Você acha que chegou no final, mas não chegou!!!!
      Para de reclamar e continua andando!!!!!
      Realmente nem acreditei quando cheguei lá!!!!

       
      Mas o visual vale qualquer esforço!!!

       
      Infelizmente cheguei lá 15 minutos depois do horário que tinha que iniciar a descida! Isso limitou muito o quanto eu pude aproveitar lá em cima.
      Foi o tempo de comer alguma coisa, tirar meia dúzia de fotos e sair desesperado para baixo, quase com a certeza que não daria tempo.


       
      Isso foi a pior parte do rolê… Não consegui aproveitar quase nada a descida, forcei meus joelhos de um jeito que não poderia ter forçado e fiquei horas no stress de não ter ideia do que iria fazer se perdesse o transporte.
      Não sei explicar como, arrumei forças não sei da onde para sair em uma disparada nos últimos 2 quilómetros para tentar chegar no ônibus…
      E não é que consegui!!!!!!! O pessoal já estava quase todo embarcado! Aí pedi para o motorista para esperar uns 2 minutos até a Tati chegar e ele falou que beleza!
      Nossa, foi por pouco!
      Eu sentia tanta dor no meu corpo depois disso que nem sei explicar… Doía pé, tornozelo e principalmente meus joelhos… Achei que tinha comprometido todo o rolê…
      Chegando em Puerto Natales foi só a correria para deitar logo, depois do mercadinho, banho e janta.
       
      Dia 3
      Esse dia tinha a ideia que seria mais tranquilo, pois além da distancia a se caminhar ser menor, não precisava me preocupar com horário, pois poderia chegar a qualquer hora no Camping Francês.
      Mas eu me enganei… Foi mais um dia puxado que no final minhas pernas já estavam esgotadas.

       
      Já no refugio Las Torres, comecei a caminhar para o Acampamento Francês. O inicio é tranquilo e ainda estava com a sensação que seria um dia de recuperação, e não de grandes esforços.

       
      Começo a encontrar alguns morros, mas nada de mais… A caminhada ainda está sob controle.

       
      Passados alguns quilômetros eu encontro um novo caso de amor!!!!!
      Se trata do Lago Nordenskjöld!
      Que visual maravilhoso! Andar com esse lago ao seu lado o dia inteiro foi lindo demais!





       
      As paradas para comer sempre eram em pontos estratégicos para comer apreciando aquele azul espetacular!


       
      O problema é que esse trecho tem muita montanha, subindo e descendo toda hora… Eu fui me cansando e já ficava perguntando pra galera que cruzava no caminho se estava muito longe ainda!
      Isso é claramente sinal de desespero!!!!



       
      E então já no final do dia chego no Acampamento Francês!
      O acampamento é bem bacana. O banheiro é bom e a água para tomar banho bem quente! Isso foi maravilhoso!
      Lá eles também têm um pequeno restaurante e uma “vendinha” que você pode comprar um refrigerante, por exemplo.
      Na recepção do camping eles tinham ovos para vender. Não estava tão caro. O problema é que eu não tinha onde cozinhar os ovos, pois não estava carregando um fogareiro comigo. A menina que estava lá foi bem gente boa e ofereceu de cozinhar os ovos para nós no fogareiro dela! Então já fechei negócio e consegui comer algo quente nessa noite, que estava programado apenas comida fria.
      Então depois de um ótimo banho já fui jantar meu sanduíche, ovos e um vinho que estava carregando para saborear na noite!


      A barraca estava montada. Não tive trabalho nenhum. É chegar, pular para dentro do saco de dormir e até amanhã!!!!!

       
      Dia 4
      Depois de uma boa noite de sono que não passei nenhum tipo de problema na barraca, me preparei para partir.
      Nesse dia os objetivos eram Mirador Francês, Mirador Britânico e a chegada em Paine Grande para tomar o catamarã de volta no final da tarde.
      Então tomei meu ziriguidum e pé na estrada!

       
      Até o acampamento Italiano o caminho é curto mas já com algumas subidas chatinhas.

       
      No acampamento Italiano você pode deixar seu equipamento para fazer a subida para o Mirador Francês e Britânico só com o necessário.

       
      A subida até o Mirador Francês é de um nível médio… Dá para ir na boa.
      Acabei me perdendo um pouco no caminho… Ainda bem que olhei para trás e vi umas pessoas passando por outro lugar. Percebi que o errado era eu e voltei para a trilha certa!

       
      Lá é um lugar bem interessante. Existe uma geleira com pequenas avalanches a cada 10, 15 minutos…

       
      É muito legal ficar um tempo por lá vendo as avalanches e principalmente escutando os estrondos do gelo se rompendo. É um barulho de trovão bem alto! Muito bacana!




       
      Fiquei lá um tempo, fiz meu lanche e olhei para o caminho do mirador Britânico…………
      Que caminho????

       
      O tempo fechou e não dava para ver nada lá para cima…..
      Então após algumas considerações decidi desistir de ir até o mirador Britânico. Ainda faltava uma boa pernada até lá e eu não queria gastar esse tempo e essa energia para ir até um mirador de onde não haveria nada para “mirar”.
      Bom, com isso pude desfrutar mais algum tempo no mirador Francês e fazer meu caminho de volta sem stress por conta do horário do catamarã.


       
      De volta ao acampamento Italiano não estava muito bem… Não sei bem o que era, mas preferi ficar por lá um tempo até me recuperar.

       
      Daí peguei minhas coisas e segui…

       
      O caminho a partir de lá é bem mais tranquilo. Não me lembro de ter nenhuma montanha bizarra para subir e descer depois de lá. Isso foi ótimo… Já estava cansado!
       (Calafate)
       
      Um dos pontos altos desse trecho da caminhada é o Lago Skottsberg! O mirador do lago tem uma vista que chega a ser indecente!



       
      Depois dessa parada, já estamos quase lá!
      É um trecho cheio de emoções boas! De que consegui cumprir o objetivo… De que vou completar o W!
      Isso parecia tão longe na minha vida há 6 meses atrás….
      Pensar em cada pedra, cada montanha, cada arbusto, cada pássaro, cada lago, cada pessoa que cruzei, cada parte do meu corpo que doía, cada gole de água de cachoeiras de degelo, e cada sentimento delicioso de conquista com o visual que se abria na minha frente por tantas e tantas vezes nesses dias……..
      Foi bom demais!
      Então a última parada antes da chegada triunfante!

       
      Dessa vez para admirar o Lago Pehoé, a poucos metros de chegar em Paine Grande.
      Não tem lugar melhor para comemorar a vitória!!!!!!

       
      E então a chegada!
      Exausto;
      Com dor;
      Realizado!!!
       
       Consegui, po**a!!!!!!

       
      Daí foi o roteiro já conhecido…
      Catamarã de Paine Grande para Pudeto, ônibus interno de Pudeto para Laguna Amarga (com parada em Las Torres), ônibus para Puerto Natales, pousada e cama!
      Hora de descansar, mas não muito, porque no dia seguinte embarcaria para El Chaltén pela manhã.
      Mas essa história fica para depois!
      É isso!!!! Quem quiser qualquer ajuda, pode escrever aqui que vou ajudar com todo prazer no que for possível!
      Críticas e elogios também são bem vindos!!!!!
      Não esqueçam de seguir lá no Instagram!
       
      @profissaoviageiro
       
      Valeu!!!!!!!!!!!!!
      Abraço,
      Felipe

       
    • Por Anderson Paz
      Gosto muito de escrever relatos de viagem (tenho alguns aqui no Mochileiros), mas como já há muitos relatos excelentes aqui e em outros sites, pretendo focar mais em dicas que não são apresentadas geralmente nesses relatos. Todas as dicas são baseadas nas minha experiências pessoais na Patagônia no período de 1 a 18 de dezembro de 2017, passando por Punta Arenas - Puerto Natales - Torres del Paine - El Calafate / Perito Moreno - El Chatén - El Calafate - Rio Gallegos - Punta Arenas.
      Envolverão questões relativas a planejamento de passeios, deslocamentos, compras de equipamentos, gastos durante a viagem, câmbio de moedas e outros.
      Espero que elas ajudem bastante no planejamento e na execução com sucesso de sua viagem.

      Caso queira um roteiro básico ou um mini relato da minha viagem, segue ele aqui em pdf:
      Viagem realizada - Patagônia.pdf
       
      DEFINIÇÃO DE ROTEIRO BÁSICO
       
      - A definição do seu roteiro vai depender da quantidade de dias que você terá na região e das suas prioridades (desafios, conhecer apenas os locais principais, conforto etc). Como é possível ver no roteiro acima, fiquei 18 dias na região e o meu roteiro incluiu: circuito O de Torres del Paine, ida ao Perito Moreno e 5 dias completos em El Chatén. Nessa quantidade de dias, eu não alteraria em nada a quantidade de dias definida para cada localidade. Agora se você tiver mais tempo, dá pra esticar pro Ushuaia ao sul ou para as Catedrais de Mármore e região de Aysén ao norte.
      - Se for fazer o circuito W ou o O (informações sobre os circuitos mais abaixo) ou se for pernoitar em qualquer lugar de Torres del Paine, programe a sua viagem com o máximo de antecedência possível. Isso é importante por conta da necessidade obrigatória de reserva de locais.
       
      DICAS DE BAGAGEM E COISAS A LEVAR
       
      - Se for fazer o circuito W ou O em Torres del Paine é bom levar barras de cerais, proteína, frutas desidratadas e outros alimentos energéticos de baixo volume e peso na mochila. Comprei no atacado no Brasil e saiu super em conta! < Ouvi dizer que no Chile essas coisas não são caras, mas não sei se a informação procede >
      - Nunca havia usado bastões próprios de caminhada (só uns improvisados com galhos), mas vou dizer que se fosse dar uma única recomendação, especialmente para quem vai fazer o circuito O, é compre bastões de caminhada! Antes da viagem, procure ver como usá-los adequadamente para não atrapalharem no seu desempenho. < Se não fosse por eles, não teria completado o circuito O de Torres e não teria depois conseguido fazer muitas coisas em El Chatén > (dicas de locais de compra no tópico Punta Arenas)
      - Se for fazer o W ou o O, leve uma bolsa a mais para guardar as coisas que você não vai precisar no circuito escolhido e deixá-las guardadas no hostel em Puerto Natales. < As minhas ficaram toscamente em sacolas plásticas que se rasgaram com o peso >
      - Se ligue nos alimentos e produtos com os quais você pode ingressar no Chile. A galera da Aduana quando resolve agir com rigor, é BASTANTE rigorosa. < Tive que abandonar com peso no coração um sanduíche na aduana terrestre entre Argentina e Chile >
      - IMPORTANTÍSIMO para quem vai cozinhar: leve um fogareiro à gás (lembrando que o butijão de gás não pode ir como bagagem) ou compre um modelo desses em Punta Arenas. Não invente de levar fogareiros à álcool.  < Levei um modelo desses álcool e tive a maior dor de cabeça em todos os dias. Isso por que nem na Argentina nem no Chile se vende álcool líquido. Para fogareiros desse tipo, a galera vende um solvente industrial chamado Benzina Blanca. Essa porcaria além de ter um cheiro fortíssimo que fica impregnado em tudo, expele uma fumaça preta que deve ser tóxica e ainda deixa as coisas cheias de fuligem. Dor de cabeça da porra! >
       
      MOEDA/CÂMBIO
       
      - Achei muito mais vantajoso trocar dólar, ao invés de real, pela moeda local tanto no Chile quanto na Argentina. Entretanto isso só é vantajoso se você comprar bem o dólar no Brasil. Dê uma olhada no ranking de instituições com melhores câmbios no site do Banco Central e em sites de melhor cotação como o Cambiar.
      - Se puder troque dólares pela moeda local em casas de câmbio de Santiago ou em Buenos Aires (a depender do seu roteiro), exceto nas do aeroporto. 
      - A casa de câmbio logo ao lado do terminal da Bus-Sur em Punta Arenas foi a que eu encontrei com a melhor cotação de pesos chilenos entre todas as que pesquisei em Punta Arenas e Puerto Natales.
      - É melhor ir trocar dólares ou euros por pesos argentinos em Puerto Natales e possivelmente em Punta Arenas. Em El Calafate e em El Chatén a cotação era 15-20% menos vantajosa.
      - Se tiver que sacar grana em El Calafate, é melhor ir no cassino local. Cotação: dólar - 17,30 / euro - $20,30. Entrada: $10. Você deve pagar o valor das fichas no cartão, jogar um jogo e depois ao trocar as fichas a casa reterá 5% do seu valor
       
      PUNTA ARENAS e PUERTO NATALES
       
      - Punta Arenas é a cidade inicial de muitos que estão chegando para conhecer a Patagônia. 
      - Há algumas boas opções de lojas de equipamentos de trekking: La Cumbre, Andesgear, North Face, Lippi e Grado Zero. Por exemplo, na La Cumbre (localizável no Google Maps) e na Grado Zero (em frente a La Cumbre) havia ótimos bastões de caminhada da Black Mountain por aprox. $ 50 mil o par. Para chegar no centro, a opção mais em conta para grupo de 3 pessoas pelo menos é pegar um táxi no aeroporto (3 mil pesos por pessoa). Se estiver sozinho ou apenas com outra pessoa, tente achar alguém para dividir o táxi contigo ou deverá pagar 5 mil pesos para ir de van.
      - Puerto Natales é a cidade base para ir a Torres del Paine para quem está do lado chileno. É uma cidade bastante agradável com várias opções de restaurantes (caros, assim como tudo na Patagônia). 
      - Tanto em Punta Arenas quanto em Puerto Natales há um grande supermercado da rede Unimarc. É uma boa opção para compras gerais mais em conta.
       
      TORRES DEL PAINE
       
      PLANEJAMENTO
      - As reservas deverão ser feitas no site das empresas concessionárias Fantástico Sur e Vértice e se você tiver sorte (e muita antecedência) poderá também reservas locais gratuito para acampamento no site da CONAF. 
      <Minha experiência com a Fantástico Sur foi muito boa. Tive resposta das minhas reservas em uma semana. Porém já não posso dizer o mesmo da minha experiência com a Vértice. Só obtive resposta da empresa sobre as reservas, 25 dias depois de solicitadas e somente depois de mandar comentário público no Facebook denunciando a demora. Pouco antes de eu fazer a minha viagem, eles iniciaram um sistema de reserva online, sem a necessidade de contato por e-mail. Pode ser que agora a resposta seja rápida, porém caso você deseje realizar reservas personalizadas, fora do roteiro que aparece no site, já fica a dica de que eles podem demorar bastante para te responder. Inclusive uma amiga que foi pouco antes e reservou com bem mais antecedência que eu, conseguiu resposta, apenas na semana da viagem dela, de que não tinha conseguido vaga em alguns refúgios. >
       
      INFORMAÇÕES GERAIS
      - Entrada: $ 21 mil pesos
      - Várias empresas fazem o percurso a Torres del Paine e todas saem às 7h30 ou 14h30 e têm preço  de $15 mil pesos por pessoa (ida e volta).
      - Tanto no caso de fazer o circuito O ou o W quanto no caso de fazer só uma ida às Torres em um dia. Recomendo fortemente pegar o transfer que sai da recepção do Parque (Laguna Amarga) até o camping central - 20 min que evita caminhada em subida monótona de 1h30 (custo $3 mil pesos). 
      - Há três opções para dormir no Parque para quem vai fazer o W ou o O: em barraca própria (ou alugada em Puerto Natales - vi por $ 4 mil a diária), em barraca da empresa concessionária ou em refúgio. Sendo que a razão de valor é de aproximadamente 1 x 2,5 x 3 (barraca da concessionária será 2,5 x mais cara que própria e refúgio será por sua vez 3 x mais caro que barraca da concessionária e quase 8 x mais caro que barraca própria.
      - Percebe acima, que as diferenças de valores são muito grandes. Eu particularmente se quisesse economizar peso na mochila e dormir com conforto, não pagaria pelo refúgio. Dormiria nas barracas da operadora com tudo incluso (atenção: deverá marcar os itens que deseja quando for fazer as reservas).     
      < Tive que dormir na barraca da concessionária, em uma noite no camping Francés, pois já havia se esgotado os lugares para barraca própria, e vou te falar: a barraca era super espaçosa, a cama super confortável (melhor do que da minha casa. hehehe) e o saco de dormir era excelente! >
      - É possível pagar por refeições nas bases de apoio, mas isso te custará bastante caro (aprox. R$50 em um café da manhã e mais de R$100 no almoço ou na janta).
       
      QUAL CIRCUITO ESCOLHER: O ou W?
      - Primeiro de tudo: caso ainda não saiba, o circuito O engloba o ciruito W. Se você tem preparo físico e tempo disponível, sugiro fortemente fazê-lo. No primeiro dia do circuito, não verá nenhuma paisagem espetacular, mas, nos dias seguintes, as paisagens serão maravilhosas. Abaixo seguem algumas fotos de paisagens exclusivas do circuito O.

       
      QUANTOS DIAS E COMO FAZER O CIRCUITO O?
      - Acabou que fiz em 7, mas oh considero que isso foi uma tremenda duma burrice. Jamais faria isso novamente. O conselho que dou é faça no mínimo em 8.
      - Programaria de uma das seguintes formas, considerando apenas os destinos por dia:
      1.  Para quem vai ficar em camping:
      a) 9 dias: Serón - Dickson - Los Perros - Paso - Grey - Francés - Francés (neste dia iria até o Mirador Británico e domiria no Francés novamente) - Chileno (ou camping central) - dia de ir ás Torres e voltar a Puerto Natales
      b) 8 dias: Serón - Dickson - Los Perros - Paso - Francés - Francés (neste dia iria até o Mirador Británico e domiria no Francés novamente) - Chileno (ou camping central) - dia de ir ás Torres e voltar a Puerto Natales
      c) Se tiver que fazer em 7 dias: Serón - Los Perros - Paso - Francés - Los Cuernos (neste dia também iria até o Mirador Británico) - Chileno (ou camping central) - dia de ir ás Torres e voltar a Puerto Natales
      2. Para quem vai ficar em refúgios:
      a) 9 dias: Serón - Dickson - Los Perros - Grey - Francés - Francés (neste dia iria até o Mirador Británico e domiria no Francés novamente) - Chileno - dia de ir ás Torres e voltar a Puerto Natales
      b) 8 dias: Serón - Dickson - Los Perros - Grey - Francés - Francés (neste dia iria até o Mirador Británico e domiria no Francés novamente) - Chileno - dia de ir ás Torres e voltar a Puerto Natales
      c) 7 dias: Serón - Los Perros - Grey - Francés - Los Cuernos (neste dia também iria até o Mirador Británico) - Chileno - dia de ir ás Torres e voltar a Puerto Natales

      - Observe que não inclui opção de Paine grande em ambos. Primeiramente por uma questão de planejamento, mas também não recomendo para quem vai ficar em barraca, pois pelo que me relataram lá o vento é muito forte, a ponto de carregar barracas bem presas ao chão.
      - Não há opção de refúgios no Paso e no Italiano, apenas camping.
       
      INFORMAÇÕES GERAIS SOBRE O CIRCUITO O (e algumas que servem para o W também)
      - Os primeiros dias que envolvem o caminho do camping central até Los Perros são de dificuldade mediana ou fácil (Dickson a Los Perros). Em um trecho ou outro terá um pouco mais de dificuldade.
      - Em todo o circuito, o dia mais pesado de todos é o que envolve a saída de Los Perros e a ida até Paso (ou até o Grey dependendo do seu roteiro) (fotos abaixo). Logo no início, tem-se uma subida inclinada que passa por dentro de um bosque. Após um tempo de caminhada a área se abre e se caminha com uma leve inclinação até uma primeira subida em terreno pouco mais inclinado. A partir daí a subida fica bastante pesada, com trechos de caminhada sobre gelo (use o bastão com o disco de neve para não correr o risco de quebrá-lo...quase quebrei o meu). A subida finaliza, após 620 m de desnível, em uma vista maravilhosa do Glaciar Grey, a partir daí é só descida bastante inclinada até chegar no acampamento Paso (725 m de desnível - 9 km no total até aqui). Depois são mais 9 km de Paso até o acampamento Grey com muitas subidas e descidas e desnível de 400 m. Pouco depois de Paso, há uma grande ponte pendular. Muito cuidado ao atravessar devido ao vento. Mais cuidado ainda logo após, pois se o vento estiver muito forte, você terá usar o bastão para jogar o corpo para o lado da encosta, fugindo do precípio. Ao longo do caminho, há mais duas pontes pendulares. < Nesse dia, especialmente por conta do impacto na descida, o meu joelho esquerdo inflamou, prejudicando todo o restante da viagem >
      Fotos de trechos da subida:

       
      - Outro trecho que é bem difícil, neste caso tanto para quem vai fazer o O quanto o W ou um passeio de um dia, é a subida a Torres. Bastante inclinada, mas não se compara à dificuldade do trecho de Los Perros a Grey.
      - Para quem vai no esquema camping com barraca própria, ficar em Paso será reconfortante após o percurso descrito anteriormente. Porém é um camping sem muita estrutura. Não tem chuveiro e o banheiro é do tipo seco, com buraco no chão. Sem contar que suas vagas costumam esgotar bastante rápido.
      - No campings Dickson e Los Perros há apenas duchas frias.
      - No trecho de Serón a Los Perros há muitos mosquitos, pelo menos nessa época que fui (possivelmente em outras também). Entenda por muitos mosquitos, muito mesmo! <Vi uma pessoa com um boné que tinha uma rede que cobria todo o rosto e fiquei com uma puta inveja. Acho que é a melhor coisa para se levar em caso de fazer o O. >
       
      EL CALAFATE / PERITO MORENO
       
      EL CALAFATE
      - Para chegar a El Calafate, peguei o ônibus da Cootra às 7h30 - o preço era $ 17 mil, mas paguei $ 15 mil após negociar. Só que quem chegou mais cedo conseguiu por $ 11 mil. < E eu achando que tinha me dado bem na negociação. hehehe >
      - A cidade é bem turística, cheia de lojinhas de lembrança, chocolaterias e sorveterias. Tudo obviamente muito caro!
      - A princípio fui a El Calafate para fazer o Big Ice no Perito Moreno, mas como o meu joelho ainda estava mal, as funcionárias da Hielo y Aventura acabaram cancelando a minha reserva. < Caso esteja com um probleminha físico pequeno que você tem certeza que não irá te atrapalhar, não informe nada porque a galera é bem rigorosa. Não me responsabilizo por esta ideia errada aqui >
      - Se você curte cerveja, recomendo fortemente ir no La Zorra (bar próximo ao posto de gasolina). Eles têm ótimas cervejas lá. Só que não são muito baratas.
       
      PERITO MORENO
      - Fomos ao Perito Moreno no Tour Alternativo. Pagamos $680 no hostel onde estávamos hospedados (Hospedaje del Glaciar); em outros lugares era $800. O tour consiste em um passeio guiado (muito bem, por sinal) em uma rota alternativa por estrada de chão com observação de espécies animais ao longo do caminho, parada em uma estância com uma bela localização; trilha de 45 min por um bosque que chega ao lago do glaciar pelo lado oposto à sua face norte; opção de navegação de barco opcional até o glaciar ($500, 1h de duração - pelos relatos acho que não vale a pena); e por fim, 3h para caminhar pela plataforma - retornamos às 16h30.
      - Outras opções: ônibus regular ($600), táxi ($340 por pessoa em carro com 4, segundo informações de uma pessoa que conheci), carro alugado (mais em conta se houver 4 ou 5 pessoas).
       
      EL CHATÉN
       
      - Chegando a El Chatén: À tarde, há opções ônibus às 18h por $600 + 10 de taxa de embarque, mas preferimos pegar o ônibus de 19h da Taqsa por $420 + 10 (ótimo ônibus, procure ir na janela para curtir as belas paisagens ao longo do caminho - TENTE NÃO DORMIR)
      - O principais pontos turísticos de El Chatén certamente são a Laguna de los Tres (laguna com Fitz Roy) e o Cerro Torre. A seguir sugiro duas formas para se conhecer os dois pontos que são do mesmo lado do Parque:
      a) Em caso de você ter barraca e desejar acampar para economizar uma diária ou mesmo para otimizar o roteiro ou pela experiência de camping, sugiro no primeiro dia ir até o Cerro Torre (com mirador Maestri) e acampar no camping DeAgostini (do lado do Cerro Torre) e no segundo dia ir a Laguna de los Tres passando pela trilha das Lagunas Hija y Madre e depois retornar a cidade pela trilha que passa pela Laguna Capri. Essa rota é preferível, pois no camping Poincenot (mais próximo do Fitz Roy) venta bastante e é mais cheio.
      b) Em caso de você estar interessada em bate-volta, sem pernoite em camping, recomendo em um dia ir à Laguna de los Tres e em um outro dia ir ao Cerro Torre. No primeiro dia, sugiro pegar um transfer (empresa Las Lengas - $150) até a Hosteria El Pilar e de lá seguir até a Laguna. Por esse caminho, evita-se uma subida mais inclinada que há no caminho partindo diretamente da cidade (não é tão difícil) e ainda se tem uma bela visão do Glaciar Piedras Blancas nesse caminho. Depois sugiro retornar pelo caminho que passa pela Laguna Capri No segundo dia, não há muito segredo. Há apenas um caminho direto. Recomendo ir até o Mirador Maestri para se ter uma visão melhor do Cerro Torre (foto abaixo).

      - Loma del Pliegue Tumbado: recomendo ir apenas se estiver com tempo sobrando depois de ir em todos outros atrativos. O caminho é longo e parte da visão que terá engloba o que poderá ver nos miradores de Los Condores e Las Aguilas e uma outra parte engloba, já no final do caminho, engloba ver o Cerro Torre de uma outra perspectiva.

      - Reserva Los Huemules: a reserva fica a aprox. 3 km depois da Hosteria El Pilar na ruta 23. Possui duas belas lagunas (Laguna Verde e Laguna Azul) de trilha fácil e outras duas trilhas mais longas: uma até o Rio Eléctrico e outra até a Laguna Del Diablo. Entrada na reserva: $200, que dá direito a retorno durante o período de estadia em El Chatén. Ônibus Las Lengas por $210 até a reserva (ida e volta). Retorno: saída 8h (se não me engano) e retorno 17h.

      - Chorrillo del Salto: só vale se você não tiver mais nada para fazer na cidade.
       
      RETORNO (de El Calafate a Punta Arenas)
       
      - Caso o seu voo de volta seja a partir do aeroporto de Punta Arenas, recomendo fortemente garantir passagem previamente de El Calafate para Puerto Natales. Pode comprar no dia em que for de El Calafate a El Chatén.
      - Caso aconteça de as passagens se esgotarem, como aconteceu comigo, não se desespere, há opção de uma rota alternativa que sai de El Calafate, vai a Rio Gallegos e depois vai direto a Punta Arenas. De El Calafate a Rio Gallegos: saída 3h da madruga, 4h de duração - empresa Taqsa, $640 / De Rio Gallegos a Punta Arenas (aeroporto), saída às 13h, 4h de duração - empresa El Pinguino, comprada na empresa Andesmar no terminal de El Cafalate. 
      - Duas informações caso tenha que fazer o caminho alternativo anterior: o terminal de Rio Gallegos fica longo do centro da cidade, mas há um Carrefour ao lado, que pode servir como ponto para matar um pouco o longo tempo de espera; e no caso de ir direto ao aeroporto de Punta Arenas, sem ir ao centro da cidade antes, é preciso pedir pro motorista parar na rodovia próximo do aeroporto. Deste ponto até o aeroporto, dá quase 2 km de caminhada. Peça carona sem medo!

      Acho que são essas as dicas. Espero ter ajudado um pouquinho e estou aberto para qualquer questionamento. 😃
    • Por beatrizz
      Queridos mochileiros. 

      É com grande alegria que faço esse relato, pois ele se refere a um dos trekkings que eu mais desejava na vida: Torres del Paine. 
      A minha viagem ao Chile, foi exclusivamente para fazer o Circuito O (deveria ter reservado mais dias para ir a Cafalate e El Chaltén...) e mais dois dias de intervalo em Punta Arenas e Puerto Natales. 
      Em todos os relatos eu falo sobre a facilidade e aprendizado de se viajar sozinho. Mas essa foi minha primeira viagem fora do Brasil sozinha, e estou ainda meio sem palavras para conseguir expressar aqui o que significa. Eu não quero dizer que em alguns momentos realmente não possa se sentir sozinho, isso acontece. Mas eu posso dizer que em 90 % do tempo está cercado de pessoas muito abertas para conversar e trocar ideias. 
      Bom, a primeira coisa que precisa para fazer o Circuito O sem stress é a organização. Pois se pretende vir entre Dezembro e Fevereiro, é alta temporada (bom tempo), e os campings e refúgios ficam cheios. No Circuito O, quase todos os lugares em que você fica tem duas opções para dormir: Camping (com sua própria barraca, ou alugada) ou Refúgio (cama quentinha para quando sentir que merece). 
      Coisas importantes:
      * Imprimir suas reservas,
      * Ter comida suficiente. 
      * Um bom saco de dormir e uma barraca com boa camada para chuva.
      * Uma bota que seja sua amiga.
      * Como eu estava sozinha, e tendo que levar todo o peso (cerca de 14 kg), eu optei por comprar algumas refeições. Nos refugios'campings, eles fazem almoco-cafe-janta (sim, é caro), mas depois de um dia de muitos kms isso vale ouro. 
      Aqui vai o meu roteiro em Torres Del Paine:
      1 dia: peguei um ônibus em Puerto Natales as 07:15 para Torres del Paine (chegamos umas 09:45 na entrada principal). Na primeira portaria você precisa assistir um video sobre as normas do parque, mostrar seu ticket de entrada (ou comprar), é melhor já comprar no site da CONAF e levar o comprovante. Recebe o mapa do parque, e pode pegar um tranfer (3.000 pesos) até o cientro de bien venida (sao 07 km você pode ir caminhando também, eu fui de transfer porque nessa primeira parte não tem nada de mais e você vai precisar de mais energia em outros dias, acredite). No transfer já é possível ver algumas montanhas. 
      Depois de tudo isso, iniciei os primeiros kms do circuito. Camping Serón. Nesse primeiro dia a vista das montanhas ainda é bem restrita, porem passa por florestas e rios com água cristalina. A cor é como se fosse um azul royal, lindo. O terreno em si é tranquilo. Como cheguei cedo no parque e logo comecei a travessia, eu não encontrei ninguém no caminho, tipo nem uma pessoa nos primeiros kms. Ai teve um misto de satisfação com preocupação haha. Mas logo aparecem alguns (poucos). 
      Nesse camping nao há refúgios, quando cheguei era umas 14:00 ainda, normalmente os check in s{ao as 14:30. Começou a chover e ventar um pouco quando estava arrumando minha barraca (chamam carpa aqui). Foi uma noite difícil pois choveu muito e fez frio (cerca de 5 graus).
      Nesse primeiro dia, eu passei muito frio, no outro dia as montanhas aparecerem branquinhas, nevou.
      2 dia: essa caminhada você já começa a ficar mais perto das montanhas, chegando no refúgio Dickson a vista é fantástica. Fiquei em refúgio, porque algo me disse que quando fui fazer a reserva, fiquei muito feliz pois chovia e estava uns 2 graus.
      3 dia:ida até los perros, nesse lugar que você começa a sentir os ventos fortes. Nesse camping não tem refúgio , e só tem banho gelado! O camping fica do lado do rio e abaixo da montanha, tem como ser ruim isso?
      4 dia: foi o dia mais cansativo, porque precisamos passar pelo Paso John Garden, que é uma montanha de gelo. É fantaaastico. Nesse dia tem que sair cedo tipo 6 da manhã, porque no Paso o tempo muda muito e depois das 11 da manhã o pessoal fala que tem um tipo de chuva e vento que não se pode passar, muito perigoso. Até o topo do Paso demora umas 4 horas. E depois a descida mais 4. Eu fui direto ao camping Grey, então foi bem cansativo, mas todo o caminho é maravilhoso. Nesse dia tem a visão do glaciar.
      5 dia: indo para o camping paine grande, contato com a civilização. Aqui você pode se dar ao luxo de uma comida diferente, tem várias pessoas, que chegam aqui e ficam apenas para fazer a trilha até o mirador britânico.
      6 dia: aqui você encontra muitas pessoas no caminho também, ida até o Francés, o Mirador Británico fica no caminho. Você pode deixar a mochila no Italiano e subir mais leve.
      7 dia: ida até o Central.
      8 dia: trilha base de las torres. A trilha em si é linda, muitos rios e pontes. Você passa pelo acampamento chileno e depois desse ponto a trilha fica mais pesada, porque ganha elevação muito rápido.
      Resumo :
      1. Cientro de bienvenida p/ Seron: 13 km, 4 horas.
      2. Seron p/ Dickson: 18 km, 6 horas.
      3. Dickson p/ los perros: 12 km, 4.5 horas.
      4. Los perros p/ Grey: 15 km, 11 horas.
      5. Grey p/ Paine grande : 11 km, 3.5 horas.
      6. Paine grande p/ Francés : 9.5km, 3,5 horas.
      7. Francés p/ Central : 15 km, 6,5 horas
      8. Central p/ ida e volta base das torres: 20 km, 7 horas
      Total de 114 km apx, considerando que essa distância distribuída em 8 dias, não é nada de outro mundo. As trilhas são suuper bem demarcadas, então mesmo se estiver sozinho não vai se perder não.
      Com certeza a Patagônia é o lugar mais fantástico que já estive, porque a energia das montanhas e a conexão com a natureza é algo que não se consegue assim tão fácil.
      Em Punta Arenas cidade vizinha de Puerto Natales, você pode fazer um passeio com empresa especializada e chegar até a Ilha Magdalena e Marta, onde tem os pinguins e Lobos marinhos, é obrigatório pra quem passa por aqui.
      Depois de 3 dias de volta, ainda não consegui voltar, é como se eu ainda estivesse lá. Meu corpo e minha alma ficaram conectados as montanhas de Torres del Paine. 













       











       










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